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1 
 
ECONOMIA NO SETOR PÚBLICO – ESTUDO DIRIGIDO 
 
 
 
Referência: Economia do setor público: uma análise crítica. Curitiba: Editora 
InterSaberes, 2019. 
Autora: Ludmila Andrzejewski Culpi. 
 
Observem que este material “Estudo Dirigido” é de autoria de nossa Instituição 
e destinado ao estudo dos alunos a ela vinculados, portanto sua reprodução, 
divulgação ou uso indevido poderá ser objeto de aplicação dos procedimentos e 
penas relativas à Lei dos Direitos Autorais. 
 
Neste breve resumo, destacamos a importância para seus estudos de alguns 
temas diretamente relacionados ao contexto trabalhado nesta disciplina. Os 
temas sugeridos abrangem o conteúdo programático da sua disciplina nesta fase 
e lhe proporcionarão maior fixação de tais assuntos, consequentemente, melhor 
preparo para o sistema avaliativo adotado pelo Grupo Uninter. Esse é apenas 
um material complementar, que juntamente com os livros, vídeos e os slides das 
aulas compõem o referencial teórico que irá embasar o seu aprendizado. Utilize-
os da melhor maneira possível. 
 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
2 
TEORIA KEYNESIANA 
O Estado é responsável, segundo Keynes, sobretudo, por oferecer serviços que 
aumentem o bem-estar geral da população, como educação e saúde, 
promovendo uma socialização dos investimentos. Nesses setores, não há 
interesse por parte do setor privado em investir. Conforme Keynes, os gastos 
públicos nessas áreas contribuem para expansão da renda e da demanda. 
Portanto, pensamento keynesiano determina que a intervenção do Estado na 
economia não á apenas positiva, mas fundamental para que haja uma demanda 
suficiente, a qual possa absorver todos os bens ofertados na economia e 
assegurar um crescimento da produção e da economia do país. O Welfare State 
ou Estado de Bem-estar social de Estado de Bem-Estar Social foi uma política 
adotada na maioria dos países da Europa e responsável por um rápido 
crescimento econômico dos anos 1960 em diante, que é o Estado que gasta 
muito na economia, sendo o provedor da sociedade. O governo nesse modelo 
realiza gastos em diversas áreas, com ênfase sobre políticas sociais, políticas 
de saúde, educação, emprego, entre outras. 
ECONOMIA NA ANTIGUIDADE 
“Paleontólogos encontraram pequenas lâminas na África do Sul que provam que 
o os primeiros Homo sapiens tinham a capacidade de produzir armas e outros 
instrumentos complexos há pelo menos 71.000 anos, muito antes do que se 
pensava. A descoberta sugere que a capacidade de produzir esses artefatos deu 
aos nossos primeiros antepassados da África uma vantagem evolutiva sobre o 
homem de Neandertal, segundo os autores de um estudo publicado nesta 
quarta-feira na revista Nature”. 
Em termos do avanço da economia e do setor público da economia, podemos 
dizer que nas primeiras civilizações, se considerarmos a Antiguidade, antes da 
Grécia Antiga, as atividades econômicas dos seres humanos eram guiadas para 
assegurar-lhes a sobrevivência. Não havia a noção de lucro ou de acumulação, 
pois ainda não existia o sistema capitalista e as pessoas produziam para 
assegurar a sua sobrevivência. O que sobrava da produção, isto é, o excedente, 
era trocado por meio de escambo. Isso promovia a especialização da produção, 
em uma economia bem rudimentar. Nesse contexto o governo não participava, 
3 
pois não existia a moeda, os bancos, a ideia de impostos, ou a própria 
organização dos agentes públicos em governos. 
ECONOMIA NA GRÉCIA ANTIGA E NO IMPÉRIO ROMANO 
"Historiadores econômicos tentaram reconstruir o produto interno bruto do 
Império Romano, mas lançaram mão de várias hipóteses, afirma Wilson. "Eu não 
diria que o gráfico da poluição por chumbo seja um reflexo próximo do PIB, mas 
deve ser o melhor indicador indireto que temos da saúde econômica." A partir da 
Grécia Antiga, com foco sobre o mundo Ocidental, houve um certo avanço da 
economia, embora essa ainda fosse uma pequena parte da vida do homem, pois 
as atividades que eram consideradas de maior valor eram a política e a filosofia. 
Era uma sociedade agrícola e escravocrata, em que não havia indústrias e 
tecnologia. Nesse contexto, o governo começou sua atividade econômica ainda 
de modo superficial, ao recolher impostos e realizar pequenos gastos. A 
civilização que sucedeu a grega foi a romana, que manteve a escravidão. A 
missão do Império Romano era realizar a dominação política. Nesse sentido, a 
riqueza era um meio para atingir o domínio militar, sendo os impostos recolhidos 
pelo governo utilizados com esse fim. 
FEUDALISMO 
No período medieval, conhecido como a Era das trevas, a sociedade era 
organizada em feudos. Os feudos eram propriedades autônomas, nas quais 
ocorriam a produção de modo sustentável. Esses espaços baseavam-se na 
relação de senhor do feudo e do vassalo e em atividades agrícolas, com alguns 
intercâmbios (comércio) com outros feudos. Nessa época, a Igreja Católica era 
muito poderosa, sendo dona das principais terras e cumprindo a função do 
Estado, ao recolher impostos. A religião católica condenava o empréstimo a 
juros, o que impedia que o capitalismo surgisse nesse período. Não existia um 
governo centralizado, apenas depois do fim do período medieval foram 
instituídos os Estados. 
 
4 
FUNÇÕES ECONÔMICAS DO ESTADO 
A concorrência perfeita é um modelo econômico elaborado para explicar a 
correlação da oferta e da demanda e a formação dos preços na economia. O 
modelo, ao ser comparado com a realidade, põe em evidência as falhas de 
mercado. São essas falhas que demandam a atuação dos estados por meio de 
suas funções específicas: função alocativa, função distributiva, função 
reguladora e função estabilizadora. A função alocativa refere-se à situação em 
que o Estado deve preencher uma lacuna na economia, ofertando certos bens e 
serviços que não estão sendo oferecidos pelo setor privado. Isso obriga o Estado 
a alocar esses bens e assegurar maior bem-estar à população (exemplo: 
produção de petróleo). A função distributiva ou redistributiva é desempenhada 
pelo Estado em cenários em que ocorre uma distribuição desigual da renda na 
sociedade, resultante, por exemplo, do sistema de preços ou salários na 
economia (exemplo: Bolsa Família). A terceira função, que é a estabilizadora, é 
atribuída ao Estado em momentos em que ocorre uma alta de preços (inflação) 
ou quando a produção está em níveis muito baixos, gerando desemprego 
(exemplo: elevação dos juros). Nesses casos, o governo deve intervir, 
estabilizando os preços e a produção da economia, aumentando o nível de 
emprego. Por fim, a função que o Estado deve desempenhar em contextos que 
o mercado não consegue fazê-lo sozinho é a reguladora, por meio de agências 
ou mecanismos que garantam a regulação de certos setores, como a proteção 
à concorrência, os setores de energia, de segurança, de aviação civil, entre 
outros (exemplo: impedir fusões). 
LIBERALISMO 
Não há dúvidas de que um dos maiores criadores do liberalismo econômico e 
político, foi Adam Smith (1723-1790). Adam Smith deixou um legado que pode 
ser sintetizado como uma análise sobre as consequências positivas da liberdade 
econômica, lançando as bases para entendermos a economia de mercado”. 
Para Smith, o Estado não deve intervir na Economia, pois ela era guiada por si 
só, baseada na ideia de mão invisível, de que o mercado pode produzir o 
equilíbrio sozinho. Assim, a interferência do Estado é vista como prejudicial para 
Smith. O Estado deve apenas zelas pela proteção dos indivíduos, pela justiça e 
oferecer alguns serviços como saúde e educação. O autor defendia uma 
5 
economia baseada na lei da oferta e procura demercado (oferta cria sua própria 
demanda/ Adam Smith afirmava que a força motriz da iniciativa privada, que 
impulsionava o desenvolvimento, era o egoísmo. 
POLÍTICA ECONÔMICA 
Uma das políticas macroeconômicas mais centrais do Estado é a política 
monetária, a qual está relacionada à moeda e à concessão de crédito. Quem 
estabelece as decisões mais centrais sobre política monetária no Brasil é o 
Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Comitê de Política Monetária (COPOM), 
que são órgãos colegiados. Por sua vez, os executores da política monetária são 
o Banco Central e o Ministério da Fazenda. São vários os instrumentos de 
política monetária, sendo que os mais importantes deles são a emissão de 
moeda e a definição da taxa de juros. Outros instrumentos de política monetária 
são o compulsório bancário, a taxa de redesconto, a atuação no mercado aberto 
(compra e venda de títulos públicos), as vendas a prazo para pessoas físicas, o 
financiamento para pessoas jurídicas e os empréstimos ao exterior. 
AUMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS NA ECONOMIA 
Um dos principais modelos econômicos que visa explicar a expansão das 
atividades estatais é a Lei de Wagner. Wagner concluiu que os gastos 
cresceriam inevitavelmente mais rápido do que a renda nacional em qualquer 
Estado progressista. Conforme Wagner, não foram apenas os conflitos que 
promoveram uma explosão das despesas públicas, mas o próprio crescimento 
das economias. Wagner oferece três explicações para a sua tese de que com o 
aumento da renda da economia o Estado passa a gastar mais. A primeira delas 
está associada ao aumento dos gastos do governo, resultantes, por exemplo, do 
crescimento das ações nas esferas de segurança e administração. O segundo 
argumento de Wagner está relacionado à expansão dos gastos com educação 
e cultura, resultantes do aumento do produto interno. As pessoas mais instruídas 
passam a demandar mais gastos. Por fim, Wagner defende que o Estado passa 
a se envolver mais com atividades produtivas ligadas ao progresso tecnológico, 
para evitar a atuação de monopólios e assegurar a concorrência nos diferentes 
setores da economia. 
6 
CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL 
O governo deve levar em consideração algumas questões na definição da carga 
tributária: i) o conceito de equidade, que se baseia na concepção de que o ônus 
da tributação deve recair sobre todos os participantes do sistema; ii) o conceito 
da progressividade, associado à ideia de que quem recebe mais deve pagar 
mais impostos e quem tem menor renda, menos impostos; iii) o conceito da 
neutralidade, a ideia de que os impostos não podem atrapalhar a eficiência da 
economia, por isso devem ser moderados e; iv) o conceito da simplicidade, que 
determina que o sistema tributário deve ser de fácil aplicação para o governo e 
compreensão por parte de quem contribui. 
TRIBUTOS 
O princípio do benefício estabelece que cada indivíduo na sociedade pagará 
tributos de acordo com o montante de benefícios que recebe. Dessa forma, cada 
pessoa deveria fazer a contribuição de modo proporcional ao benefício que o 
serviço do governo gerou para ela. Contudo, um fator que compromete a 
aplicação deste princípio é o fato de ser difícil determinar o grau de benefício de 
cada pessoa. Por sua vez, o princípio da capacidade de pagamento defende que 
a carga do tributo deve ser tal que os contribuintes com a mesma capacidade de 
pagamento devem pagar o mesmo nível de impostos (equidade horizontal). 
Segundo esse princípio, teríamos cada pessoa contribuindo de forma 
diferenciada para o sistema tributário, com base em sua renda. Assim, as 
pessoas mais ricas pagariam mais impostos que as menos ricas, deixando o 
sistema mais justo e equitativo. 
MARXISMO 
Para Marx, o Estado serve para preservar o sistema capitalista, sendo o 
instrumento usado para defender o interesse dos burgueses de manutenção do 
sistema capitalista e da exploração da mais-valia. Ou seja, o Estado não protege 
os trabalhadores, mas os capitalistas. O Estado garante que o proletariado, que 
é a classe trabalhadora que foi separada dos seus meios de produção e teve 
que se submeter à classe proprietária (burguesa), irá continuar vendendo sua 
força de trabalho a um salário baixo, que não ameace o lucro dos capitalistas. 
Nesse sentido, para permitir que as taxas de lucro continuassem subindo, era 
7 
preciso expandir a exploração dos trabalhadores, reduzindo seus direitos e 
salários (Marx, 1988). Assim, as funções do Estado são vistas sem nenhum 
objetivo transformador, mas sim de manutenção da classe dominante. 
ORÇAMENTO PÚBLICO 
O orçamento público pode ser entendido como uma ferramenta para gerir a 
administração estatal. É uma estimativa utilizada das fontes de financiamento e 
dos gastos que o governo realizará. O orçamento pode ser definido: como um 
processo contínuo que traduz, em termos financeiros, planos, programas, 
projetos e atividades de trabalho, para um determinado período de tempo. O 
Orçamento Público apresenta-se como um instrumento de regulação do ritmo do 
fluxo dos recursos, receitas e despesas, que foram previstos, fixados e 
aprovados pelo legislativo. Os tipos de orçamento são orçamento programa, 
orçamento participativo, orçamento de realizações ou desempenho e orçamento 
tradicional. 
PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS 
O princípio da unidade prevê que o orçamento seja único, enquanto o princípio 
da universalidade determina que o orçamento inclua todos os recursos e gastos 
de todas as esferas governamentais. O princípio da anualidade firma um período 
para a previsão dos dispêndios e receitas, que no caso brasileiro é um ano fiscal. 
O princípio da exclusividade firma que o orçamento deve versar apenas sobre 
assuntos relacionados ao orçamento. O princípio da programação associa-se à 
ideia de meios, os instrumentos à disposição do governo e fins, que são os 
objetivos ou serviços a serem oferecidos. O princípio do equilíbrio prevê “que as 
despesas fixadas não devem ultrapassar as receitas previstas para o exercício 
financeiro”. O princípio da legalidade dispõe que só devem ser realizadas ações 
orçamentárias que respeitem os auspícios lei. O princípio da exatidão determina 
que o orçamento deve refletir de modo claro e preciso as demandas a serem 
atendidas. O princípio da publicidade afirma que os documentos relacionados ao 
orçamento devem estar acessíveis ao público, a partir dos princípios de 
transparência. O princípio da clareza exige que o orçamento seja bem 
organizado e claro para atender a sua finalidade administrativa. Já o princípio da 
flexibilidade estabelece que o orçamento possa se adequar às necessidades do 
8 
programa, não sendo excessivamente rígido. O princípio da especificação, por 
sua vez, firma que os cada dispêndio do governo seja discriminado. O princípio 
da não vinculação da receita descreve que nenhum tributo deve ser associado a 
um nível de governo ou organismo, com exceção do que está previsto na 
Constituição. 
LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL 
A ideia da Lei de Responsabilidade Fiscal aprovada nos anos 2000 é fiscalizar 
os gastos e estabelecer limites de dispêndios por unidade federada. A Lei de 
Responsabilidade Fiscal, determina normas de finanças públicas voltadas para 
a responsabilidade na gestão fiscal, por meio de ações que buscam prevenir 
riscos e corrigir desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, com 
ênfase sobre o planejamento, o controle, a transparência e a responsabilização 
como premissas básicas. 
ECONOMIA COLONIAL 
Nos primeiros anos foi explorado o pau-brasil. Nossa história é, portanto, uma 
consequência da colonização europeia. Para justificar uma proteção do território 
brasileiro,que implicaria custos a Portugal, era necessário encontrar uma 
atividade econômica no Brasil. A escolha se deu pela exploração da cana-de-
açúcar, que trouxe muitos lucros a Portugal (Furtado, 1991). Portugal já possuía 
o conhecimento técnico para a exploração da cana, pois a realizava nas Ilhas 
Madeira. Com o apoio financeiro e comercial da Holanda, construiu a empresa 
açucareira, que durante mais de um século, foi a maior produtora de açúcar do 
mundo (depois, passou a competir com as Antilhas e perdeu espaço). Outro 
elemento importante foi a mão de obra escrava africana, que era traficada pela 
Inglaterra e representava baixos custos a Portugal. 
CICLO DO OURO 
“De acordo com Furtado (1991), o Brasil passou as primeiras três décadas após 
a chegada de Cabral em abandono, pois não foram encontrados ouro e metais 
preciosos, como ocorreu nas colônias espanholas, especialmente México e 
Peru. Apenas mais tarde foi encontrado ouro na região de Minas Gerais” No 
9 
começo do século XVIII, foi encontrado ouro no Brasil, porém, esse ciclo durou 
muito pouco, havendo a decadência da mineração brasileira. Desse modo, 
Portugal perdeu novamente o interesse pelo país, que só voltaria a ser 
importante depois que a Corte Portuguesa é transferida para a colônia, fugindo 
da invasão napoleônica. Durante o ciclo do ouro há um desenvolvimento maior 
da região Sudeste, mas ainda se utiliza muito a mão de obra escrava, o que 
impedia o desenvolvimento de um mercado consumidor. 
VINDA DA FAMÍIA REAL 
A vinda da família real ao Brasil trouxe algumas mudanças econômicas, com a 
construção de bancos, universidades, portos e a constituição de um mercado 
interno. Porém, após a Independência, ficamos com uma dívida grande com 
Portugal pela indenização por eles proposta, assim como tivemos que aceitar a 
abertura dos portos, situação que dava preferência à Inglaterra na nossa 
economia. A independência política não extinguiu a dependência econômica, 
que passava de Portugal para a Inglaterra. Só no final do século XIX, com a 
Proclamação da República e o fim da escravidão, o Brasil passou a ter uma 
autonomia maior. Ainda assim, ainda éramos um país essencialmente agrícola, 
cujo único artigo de cultivo mais importante era o café, que sofreu uma redução 
do seu preço com a crise de 1929. 
CICLO DO CAFÉ 
Sobre a política de defesa do café desenvolvida pelo governo de Getúlio Vargas 
houve uma decisão de compra e queima do café pelo governo que tinha o 
objetivo, por meio do controle da oferta, de evitar a redução brusca do preço do 
produto, já que o valor internacional havia caído muito. Desse modo, o governo 
comprava o café e diminuía a oferta, funcionando como um consumidor. 
Gradativamente, o preço do café se reduzia e induzia os cafeicultores a 
buscarem outra atividade econômica mais lucrativa, que era a indústria, sem a 
falência completa desses agentes, que mantinham a economia brasileira ativa. 
Foi uma medida contraditória, mas elogiada por muitos, pois o governo impediu 
que a crise fosse ainda mais acentuada e contribuiu para a industrialização. 
Nesse sentido, as “tensões internas da economia cafeeira fazem surgir 
elementos de um sistema econômico autônomo, para gerar seu próprio 
10 
desenvolvimento”. A política de defesa do café era uma política de ênfase 
keynesiana, que mantinha a demanda agregada elevada, além de preservar o 
emprego e a renda. 
JUSCELINO KUBITSCHEK E O PLANO DE METAS 
Com a entrada de Juscelino Kubitschek no poder, instaurou-se o Plano de Metas, 
que visava implementar pela primeira vez no Brasil o planejamento estatal, com 
forte envolvimento do Estado na economia. O Plano de Metas tinha como slogan 
a ideia de “50 anos de progresso em 5 anos de realizações”, sendo considerado 
um exemplo exitoso de planejamento governamental. Foram previstos e 
realizados alguns projetos estatais de infraestrutura, com financiamento do 
capital externo, que expandiram nossa dívida com o resto do mundo, tendo o 
capital nacional uma participação bem pequena nos investimentos. A partir da 
Comissão Mista Brasil-EUA e do Grupo Misto BNDE-CEPAL, foram identificados 
os considerados pontos de estrangulamento da economia brasileira, isto é, 
setores com baixa demanda. Foi o caso dos bens de consumo duráveis. Para 
solucionar esses estrangulamentos, a sugestão envolveu os pontos de 
germinação, como, por exemplo, a construção de Brasília e a expansão do setor 
automobilístico. 
PLANO DE META PLANO DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO (PAEG) 
Com a instauração do regime militar, adotou-se o Plano de Ação Econômica do 
Governo (PAEG), com vistas a seguir um conjunto de transformações 
institucionais. Isso envolvia reformas bancária, tributária e monetária, que 
tiveram como resultado controle da inflação e a promoção de estabilidade de 
preços. Essa política econômica sustentou o crescimento acelerado que se 
observou durante a ditadura militar, o chamado “milagre econômico”. Contudo, 
houve um aumento da dívida externa. Entre as medidas mais importantes do 
PAEG para fornecer as bases institucionais para o sistema monetário e 
financeiro brasileiro, está a reforma bancária de 1965. Foi quando foram criados 
o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional, atores executores da política 
monetária, bem como a Bolsa de Valores. Embora tenha tido bons resultados 
em termos de estabilização, esse momento promoveu recessão na economia, 
11 
expansão dos oligopólios e da atuação do capital externo na economia, 
aumentando nossa dependência externa. 
DÉCADA PERDIDA 
O endividamento externo do período militar provocou uma dívida pública 
elevadíssima que gerou recessão durante toda a década militar. Nesse período 
quase a totalidade do PIB era utilizada para pagar apenas os juros da dívida 
externa, que quintuplicou. Inclusive houve decreto da moratória e uma sucessão 
de planos econômicos que tentavam sem sucesso controlar a hiperinflação, que 
atingiu 2200% em 1989. A década de 1980 foi um período de estagnação e baixo 
crescimento da economia brasileira em comparação aos anos anteriores. Entre 
os anos de 1981 e 1983, a redução do crescimento foi associada às tentativas 
de pagar a dívida externa e seus serviços (juros). Entre os anos de 1984 a 1986, 
a balança comercial foi reequilibrada, com vistas ao pagamento da dívida, o que 
provocou uma retomada do crescimento, com expansão do consumo. Contudo, 
a partir de 1984 o controle da inflação se tornou a maior necessidade da 
economia e não mais o ajuste da balança comercial. 
PLANO COLLOR 
O objetivo era combater a inflação. Uma inflação inercial foi diagnosticada na 
economia, que era expandida pela inflação anterior, ou seja, a ideia de que a 
memória inflacionária, por meio da correção monetária, aumentava a inflação, A 
solução adotada pelos planos econômicos que se sucederam foram os choques 
heterodoxos, para evitar o aumento constante dos preços, que, por meio do 
congelamento de preços e salários, tentavam controlar a inflação, sem sucesso. 
Com o fracasso do Plano Cruzado e a declaração da moratória da dívida externa, 
a crise se tornou mais intensa, provocando uma hiperinflação no ano de 1989, 
que chegou a 2200% e provocou uma recessão profunda na economia. O Plano 
Collor tentou novamente congelar a economia e promoveu o confisco das 
poupanças, para reduzir a demanda. A falta de resultados concretos dessas 
medidas adotados, somado a escândalos de corrupção, levaram o presidente 
Fernando Collor ao impeachment. 
12 
TRIPÉ MACROECONÔMICO 
Durante o governo de Lula não houve manutenção ou mudanças no tripé 
macroeconômico. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores no poder, 
acreditava-seque haveria mudanças nessa política macroeconômica, que 
supostamente seria mais expansionista, com maiores gastos públicos e não 
superávit fiscal, com a redução de impostos, o aumento da facilidade ao crédito 
e maiores transferências de renda à população de classe mais baixa (sendo que 
essas últimas foram realizadas). Porém, o que ocorreu foi a preservação do tripé 
macroeconômico (que limita o crescimento econômico ao buscar centrar as 
medidas de política econômica sobre a meta de controle inflacionário), e o ajuste 
das contas do governo. 
DÉFICIT E DÍVIDA PÚBLICA 
O déficit é gerado pelo desequilíbrio entre as receitas efetivamente arrecadadas 
e as despesas realizadas em um determinado período”. O déficit por si só pode 
não ser um problema, o problema são os juros da dívida contraída para financiá-
lo é que gera dificuldades, sendo que os principais beneficiários dessa situação 
são os bancos e o sistema financeiro, de modo geral, que irão lucrar com os 
juros. A dívida pública é o montante contraído para cobrir o déficit realizado, 
quando se gasta mais do que os seus recursos, sendo que ela implica em 
pagamento de dívidas futuras, com juros elevados e muitas vezes definidos 
posteriormente. 
RISCO - PAÍS 
O risco-país é medido pelo “Emerging Markets Bond Index Plus”, que se refere 
ao “perigo que um país representa para o investidor estrangeiro” (De Toni, 2009, 
p. 46). Desta forma, agências de classificação de risco calculam esse indicador, 
que é usado como referência para aplicadores financeiros. Se o risco é alto, 
significa que existe chance menor do governo honrar suas dívidas. Para medir a 
confiabilidade de uma economia, utiliza-se o risco-país como referência. Outros 
elementos que impactam sobre a confiabilidade são o histórico do país e o clima 
político e social que vivencia a nação, pois se houver uma crise interna, vemos 
aumentada a chance do governo não pagar as suas dívidas. Quando os 
investidores desconfiam de uma economia e da capacidade de honrar o 
pagamento da dívida, essa economia pode sofrer um ataque especulativo, ou 
seja, quando os investidores tiram os recursos do mercado financeiro, 
13 
desvalorizando a moeda em questão e gerando inflação interna e recessão. O 
governo, se não for vulnerável, ou seja, se tiver reservas suficientes em moeda 
estrangeira (divisas), pode salvar a economia e o câmbio, senão irá recorrer ao 
empréstimo externo para tanto, piorando a situação. 
DÍVIDA BRASILEIRA 
Na literatura defende-se que a culpa da expansão do endividamento do governo 
não é da previdência ou dos elevados gastos governamentais, mas dos pesados 
encargos da dívida pública, ou seja, dos juros da dívida pública, interna e 
externa. Entre 1995 e 2007, cerca de 1,2 trilhões de reais foram usados apenas 
para pagar juros das dívidas públicas nacionais. Isso significa que somente com 
juros nós pagamos um valor semelhante à dívida que temos atualmente, o que 
é um dado bastante preocupante. Pode-se dizer que a principal fonte da carga 
tributária elevada são os juros da dívida, pois 30% da carga é direcionada ao 
pagamento de juros da dívida. 
REFORMA TRIBUTÁRIA 1966 
O sistema tributário criado em 1966 buscava oferecer ao governo recursos 
suficientes para coordenar o processo de expansão do Produto Nacional Bruto. 
Para tanto, esse sistema teve como características o aumento substancial da 
carga tributária, aumentando o número de contribuintes e a priorização do 
capitalista, que seria a fonte de investimentos para o país, a partir da garantia de 
uma poupança elevada, em contraposição ao trabalhador, que sofria com mais 
tributos. Ademais, houve uma centralização dos tributos a nível federal. 
SISTEMA TRIBUTÁRIO ANTES DE 1966 
O sistema tributário brasileiro em seus primórdios era centrado quase que 
exclusivamente sobre os tributos do comércio exterior. Durante o Império, a 
principal fonte de receitas do governo eram os impostos sobre importação, que 
representavam 70% da fonte de renda pública. Nos anos 1930, os estados 
receberam autorização para elaborar tributos sobre consignações e vendas. 
Além disso, perderam a atribuição de impostos interestaduais sobre exportações 
acima de 10%. Os municípios passaram a ter mais liberdade também para 
elaborar novos impostos. Uma mudança importante feita pela Constituição de 
1937 no sistema tributário brasileiro foi a retirada do imposto sobre propriedades 
rurais da alçada dos estados. Contudo, a Constituição de 1946 implementou 
14 
mudanças substanciais sobre a carga tributária, sobretudo a partir da expansão 
do número de tributos em nível municipal, como o sobre profissões e indústria. 
Aumentou, também, a participação dos municípios sobre o imposto de renda 
(15%) e sobre o consumo (10%). 
PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL 
A política econômica é praticada com base no planejamento. O planejamento 
refere-se a uma análise completa do que deve ser realizado para se alcançar um 
objetivo determinado e é parte da etapa da formulação da política pública. Nesse 
caso, a relação ente planejamento e política econômica é direta, porque sem 
planejamento governamental a política econômica não terá o resultado 
esperado. 
POLÍTICA ECONÔMICA GOVERNOS 
As políticas sociais tem como meta distribuir renda na economia por meio da 
transferência de setores mais produtivos a setores mais pobres, como ocorria 
com a ideia do Bolsa Família e do Fome Zero. Os impactos dessas políticas 
sociais, do próprio crescimento econômico e da ampliação do crédito ao 
consumidor, foram significativos, pois a taxa de pobreza extrema, medida pelo 
índice de Gini, reduziu-se de 11,5% em 2005 para 7,28% em 2009. Além disso, 
a taxa de pobreza total passou de 30,82% em 2005 para 21,42% em 2009. 
Embora essas políticas tenham tido efeitos positivos sobre a redistribuição, 
tirando milhões de famílias da pobreza extrema, elas não eram suficientes para 
garantir melhoria significativa da qualidade de vida da população em geral, pois 
os benefícios concedidos eram irrisórios. Além disso, essas políticas tiveram 
efeito inflacionário, pois havia mais quantidade de dinheiro na economia, o que 
fazia com que os preços aumentassem e não houvesse o incentivo quanto ao 
crescimento dos investimentos, fazendo com que a oferta não subisse e a 
economia se estagnassem. 
MERCANTILISMO 
O Mercantilismo é um sistema que colocava grande importância no comércio 
exterior para o desenvolvimento econômico de uma nação. O Mercantilismo 
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defendia a centralização do poder nas mãos dos monarcas que realizavam 
práticas protecionistas, ou seja, limitavam a liberdade do comércio. O acúmulo 
de metais (metalismo) era considerada a fonte de riqueza de uma nação e para 
tanto, deveria ser incentivada apenas as exportações, por meio de uma balança 
comercial favorável (exportar mais do que importar), para conseguir a entrada 
de metais e evitar a saída pelo pagamento das importações. O mercantilismo 
permitiu as grandes navegações, que garantiram o controle das metrópoles 
sobre as Colônias. A Colônia comercializava exclusivamente com a metrópole. 
O governo, para assegurar a balança comercial favorável, passou a taxar as 
importações, o que foi uma das primeiras medidas econômicas do Estado 
moderno. Vemos, assim, uma política protecionista, que visava, também, 
arrecadar recursos para o governo. Este, por sua vez, provocou uma redução 
das taxas de juros, que incentivavam a produção e o comércio, o que fez 
posteriormente surgir a indústria, provocando aumento do emprego e 
crescimento econômico das nações. 
REFORMA TRIBUTÁRIA 1988 
O sistema tributário brasileiro foi reformulado em 1988 buscando solucionar 
problemasapontados no sistema anterior, porém, de maneira limitada. Uma das 
prioridades da reforma realizada em 1988 era garantir a descentralização de 
impostos entre os níveis de governo. Nesse sentido, os estados e municípios se 
articularam para ampliar sua participação na distribuição de recursos. A 
mudança foi significativa, pois houve o aumento do número de tributos 
destinados aos estados e municípios, enquanto a União ficou com sete impostos, 
tendo sido quatro retirados. 
REFORMA TRIBUTÁRIA 
A principal característica do sistema tributário brasileiro que provoca críticas e 
sugestões de reforma é a regressividade do sistema. No Brasil adotam-se mais 
impostos indiretos, que tendem a sobrecarregar mais as classes mais baixas, 
pois não há distinção entre pessoas com mais ou menos renda: todos pagam a 
mesma alíquota. É preciso então reduzir a importância dos impostos indiretos e 
aumentar a dos diretos, tornando o sistema tributário mais progressivo e mais 
justo. Há dificuldade para a realização de uma reforma tributária ampla no Brasil, 
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pois não existe clara vontade política em aprovar um novo Sistema que 
penalizasse menos os mais pobres, pois isso afetaria interesses de grandes 
empresas e pessoas com grandes fortunas. Sempre haverá grupos que perdem 
e que ganham com a reforma pois há muitos interesses divergentes em jogo e 
nesse caso, o interesse dos mais ricos tem vencido. 
POLÍTICA DE INCENTIVO FISCAL 
Os incentivos fiscais são uma das políticas mais adotadas como instrumento de 
estímulo à indústria na economia. Por meio de isenção de impostos às empresas 
e indústrias, o governo pode promover a geração de renda e também de 
emprego. Existem várias políticas de incentivo fiscais são “isenções, anistias, 
remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia”. 
SUBSÍDIOS 
Os subsídios são uma das formas mais utilizadas pelo governo de incentivo e 
representam o pagamento de uma parte da produção para reduzir o custo do 
produtor, como é o caso do subsídio ao transporte público. A ideia desse 
subsídio é proteger os produtos e, no caso do transporte coletivo, o consumidor, 
assegurando que o preço da tarifa de transporte será menor em função desse 
subsídio. São comuns os subsídios a setores mais débeis da economia ou 
necessários à população, como o setor de bens de alta tecnologia, o setor 
exportador ou o setor privado educacional e de saúde. 
PROGRAMAS DE INCENTIVO FISCAL CIDADÃO 
Sobre as vantagens desse tipo de programa para o controle fiscal, podemos 
mencionar “a ampliação da base de contribuintes pela demanda por emissão de 
Notas e Cupons Fiscais; cruzamento eletrônico de informações e aprimoramento 
dos controles fiscais e a redução da sonegação fiscal possibilitando uma maior 
arrecadação. À medida que o consumidor se sente beneficiado ao receber um 
valor financeiro de retorno do imposto e até prêmios, ele se engaja mais no 
programa, solicitando mais notas fiscais. É uma maneira de tornar o sistema 
mais transparente e coibir a evasão fiscal. 
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GESTÃO PÚBLICA E ECONOMIA DO SETOR PÚBLICO 
O gestor público precisa entender como o governo se financia e quais são os 
tipos de gastos que o governo possui. Ademais preciso saber como se elabora 
o orçamento de despesas do governo e como pode-se fiscalizar a correta gestão 
dos recursos públicos. 
IMPOSTOS DIRETOS E OS IMPOSTOS INDIRETOS 
Os impostos diretos referem-se àqueles “nos quais o ônus da tributação recai 
sobre quem deve pagar o imposto”, ou seja, o que é cobrado diretamente do 
contribuinte, incidindo sobre ele. Como exemplos temos o imposto de renda de 
pessoa física e jurídica, o IPTU (imposto predial e territorial urbano) e o IPVA 
(imposto sobre a propriedade de veículo automotor).. As contribuições sociais 
também são consideradas tributos diretos, como PIS-PASEP, Previdência 
Social, FGTS. Os impostos diretos estão vinculados à capacidade de pagamento 
de cada pessoa. Já os impostos indiretos “são aqueles nos quais não 
necessariamente o ônus da tributação recai sobre quem deve pagar o imposto, 
ou seja, é possível uma transferência da carga tributária”. Esses tributos se 
baseiam na aquisição de mercadorias e serviços, como o ISS (imposto sobre 
serviço) e o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços) e 
normalmente são regressivos, isto é, quanto maior o valor, menor são, diferente 
dos impostos diretos, que são progressivos. Dessa forma, os tributos indiretos 
são cobrados sobre os produtos vendidos, as vendas e o consumo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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