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1 ECONOMIA NO SETOR PÚBLICO – ESTUDO DIRIGIDO Referência: Economia do setor público: uma análise crítica. Curitiba: Editora InterSaberes, 2019. Autora: Ludmila Andrzejewski Culpi. Observem que este material “Estudo Dirigido” é de autoria de nossa Instituição e destinado ao estudo dos alunos a ela vinculados, portanto sua reprodução, divulgação ou uso indevido poderá ser objeto de aplicação dos procedimentos e penas relativas à Lei dos Direitos Autorais. Neste breve resumo, destacamos a importância para seus estudos de alguns temas diretamente relacionados ao contexto trabalhado nesta disciplina. Os temas sugeridos abrangem o conteúdo programático da sua disciplina nesta fase e lhe proporcionarão maior fixação de tais assuntos, consequentemente, melhor preparo para o sistema avaliativo adotado pelo Grupo Uninter. Esse é apenas um material complementar, que juntamente com os livros, vídeos e os slides das aulas compõem o referencial teórico que irá embasar o seu aprendizado. Utilize- os da melhor maneira possível. Bons estudos! 2 TEORIA KEYNESIANA O Estado é responsável, segundo Keynes, sobretudo, por oferecer serviços que aumentem o bem-estar geral da população, como educação e saúde, promovendo uma socialização dos investimentos. Nesses setores, não há interesse por parte do setor privado em investir. Conforme Keynes, os gastos públicos nessas áreas contribuem para expansão da renda e da demanda. Portanto, pensamento keynesiano determina que a intervenção do Estado na economia não á apenas positiva, mas fundamental para que haja uma demanda suficiente, a qual possa absorver todos os bens ofertados na economia e assegurar um crescimento da produção e da economia do país. O Welfare State ou Estado de Bem-estar social de Estado de Bem-Estar Social foi uma política adotada na maioria dos países da Europa e responsável por um rápido crescimento econômico dos anos 1960 em diante, que é o Estado que gasta muito na economia, sendo o provedor da sociedade. O governo nesse modelo realiza gastos em diversas áreas, com ênfase sobre políticas sociais, políticas de saúde, educação, emprego, entre outras. ECONOMIA NA ANTIGUIDADE “Paleontólogos encontraram pequenas lâminas na África do Sul que provam que o os primeiros Homo sapiens tinham a capacidade de produzir armas e outros instrumentos complexos há pelo menos 71.000 anos, muito antes do que se pensava. A descoberta sugere que a capacidade de produzir esses artefatos deu aos nossos primeiros antepassados da África uma vantagem evolutiva sobre o homem de Neandertal, segundo os autores de um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature”. Em termos do avanço da economia e do setor público da economia, podemos dizer que nas primeiras civilizações, se considerarmos a Antiguidade, antes da Grécia Antiga, as atividades econômicas dos seres humanos eram guiadas para assegurar-lhes a sobrevivência. Não havia a noção de lucro ou de acumulação, pois ainda não existia o sistema capitalista e as pessoas produziam para assegurar a sua sobrevivência. O que sobrava da produção, isto é, o excedente, era trocado por meio de escambo. Isso promovia a especialização da produção, em uma economia bem rudimentar. Nesse contexto o governo não participava, 3 pois não existia a moeda, os bancos, a ideia de impostos, ou a própria organização dos agentes públicos em governos. ECONOMIA NA GRÉCIA ANTIGA E NO IMPÉRIO ROMANO "Historiadores econômicos tentaram reconstruir o produto interno bruto do Império Romano, mas lançaram mão de várias hipóteses, afirma Wilson. "Eu não diria que o gráfico da poluição por chumbo seja um reflexo próximo do PIB, mas deve ser o melhor indicador indireto que temos da saúde econômica." A partir da Grécia Antiga, com foco sobre o mundo Ocidental, houve um certo avanço da economia, embora essa ainda fosse uma pequena parte da vida do homem, pois as atividades que eram consideradas de maior valor eram a política e a filosofia. Era uma sociedade agrícola e escravocrata, em que não havia indústrias e tecnologia. Nesse contexto, o governo começou sua atividade econômica ainda de modo superficial, ao recolher impostos e realizar pequenos gastos. A civilização que sucedeu a grega foi a romana, que manteve a escravidão. A missão do Império Romano era realizar a dominação política. Nesse sentido, a riqueza era um meio para atingir o domínio militar, sendo os impostos recolhidos pelo governo utilizados com esse fim. FEUDALISMO No período medieval, conhecido como a Era das trevas, a sociedade era organizada em feudos. Os feudos eram propriedades autônomas, nas quais ocorriam a produção de modo sustentável. Esses espaços baseavam-se na relação de senhor do feudo e do vassalo e em atividades agrícolas, com alguns intercâmbios (comércio) com outros feudos. Nessa época, a Igreja Católica era muito poderosa, sendo dona das principais terras e cumprindo a função do Estado, ao recolher impostos. A religião católica condenava o empréstimo a juros, o que impedia que o capitalismo surgisse nesse período. Não existia um governo centralizado, apenas depois do fim do período medieval foram instituídos os Estados. 4 FUNÇÕES ECONÔMICAS DO ESTADO A concorrência perfeita é um modelo econômico elaborado para explicar a correlação da oferta e da demanda e a formação dos preços na economia. O modelo, ao ser comparado com a realidade, põe em evidência as falhas de mercado. São essas falhas que demandam a atuação dos estados por meio de suas funções específicas: função alocativa, função distributiva, função reguladora e função estabilizadora. A função alocativa refere-se à situação em que o Estado deve preencher uma lacuna na economia, ofertando certos bens e serviços que não estão sendo oferecidos pelo setor privado. Isso obriga o Estado a alocar esses bens e assegurar maior bem-estar à população (exemplo: produção de petróleo). A função distributiva ou redistributiva é desempenhada pelo Estado em cenários em que ocorre uma distribuição desigual da renda na sociedade, resultante, por exemplo, do sistema de preços ou salários na economia (exemplo: Bolsa Família). A terceira função, que é a estabilizadora, é atribuída ao Estado em momentos em que ocorre uma alta de preços (inflação) ou quando a produção está em níveis muito baixos, gerando desemprego (exemplo: elevação dos juros). Nesses casos, o governo deve intervir, estabilizando os preços e a produção da economia, aumentando o nível de emprego. Por fim, a função que o Estado deve desempenhar em contextos que o mercado não consegue fazê-lo sozinho é a reguladora, por meio de agências ou mecanismos que garantam a regulação de certos setores, como a proteção à concorrência, os setores de energia, de segurança, de aviação civil, entre outros (exemplo: impedir fusões). LIBERALISMO Não há dúvidas de que um dos maiores criadores do liberalismo econômico e político, foi Adam Smith (1723-1790). Adam Smith deixou um legado que pode ser sintetizado como uma análise sobre as consequências positivas da liberdade econômica, lançando as bases para entendermos a economia de mercado”. Para Smith, o Estado não deve intervir na Economia, pois ela era guiada por si só, baseada na ideia de mão invisível, de que o mercado pode produzir o equilíbrio sozinho. Assim, a interferência do Estado é vista como prejudicial para Smith. O Estado deve apenas zelas pela proteção dos indivíduos, pela justiça e oferecer alguns serviços como saúde e educação. O autor defendia uma 5 economia baseada na lei da oferta e procura demercado (oferta cria sua própria demanda/ Adam Smith afirmava que a força motriz da iniciativa privada, que impulsionava o desenvolvimento, era o egoísmo. POLÍTICA ECONÔMICA Uma das políticas macroeconômicas mais centrais do Estado é a política monetária, a qual está relacionada à moeda e à concessão de crédito. Quem estabelece as decisões mais centrais sobre política monetária no Brasil é o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Comitê de Política Monetária (COPOM), que são órgãos colegiados. Por sua vez, os executores da política monetária são o Banco Central e o Ministério da Fazenda. São vários os instrumentos de política monetária, sendo que os mais importantes deles são a emissão de moeda e a definição da taxa de juros. Outros instrumentos de política monetária são o compulsório bancário, a taxa de redesconto, a atuação no mercado aberto (compra e venda de títulos públicos), as vendas a prazo para pessoas físicas, o financiamento para pessoas jurídicas e os empréstimos ao exterior. AUMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS NA ECONOMIA Um dos principais modelos econômicos que visa explicar a expansão das atividades estatais é a Lei de Wagner. Wagner concluiu que os gastos cresceriam inevitavelmente mais rápido do que a renda nacional em qualquer Estado progressista. Conforme Wagner, não foram apenas os conflitos que promoveram uma explosão das despesas públicas, mas o próprio crescimento das economias. Wagner oferece três explicações para a sua tese de que com o aumento da renda da economia o Estado passa a gastar mais. A primeira delas está associada ao aumento dos gastos do governo, resultantes, por exemplo, do crescimento das ações nas esferas de segurança e administração. O segundo argumento de Wagner está relacionado à expansão dos gastos com educação e cultura, resultantes do aumento do produto interno. As pessoas mais instruídas passam a demandar mais gastos. Por fim, Wagner defende que o Estado passa a se envolver mais com atividades produtivas ligadas ao progresso tecnológico, para evitar a atuação de monopólios e assegurar a concorrência nos diferentes setores da economia. 6 CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL O governo deve levar em consideração algumas questões na definição da carga tributária: i) o conceito de equidade, que se baseia na concepção de que o ônus da tributação deve recair sobre todos os participantes do sistema; ii) o conceito da progressividade, associado à ideia de que quem recebe mais deve pagar mais impostos e quem tem menor renda, menos impostos; iii) o conceito da neutralidade, a ideia de que os impostos não podem atrapalhar a eficiência da economia, por isso devem ser moderados e; iv) o conceito da simplicidade, que determina que o sistema tributário deve ser de fácil aplicação para o governo e compreensão por parte de quem contribui. TRIBUTOS O princípio do benefício estabelece que cada indivíduo na sociedade pagará tributos de acordo com o montante de benefícios que recebe. Dessa forma, cada pessoa deveria fazer a contribuição de modo proporcional ao benefício que o serviço do governo gerou para ela. Contudo, um fator que compromete a aplicação deste princípio é o fato de ser difícil determinar o grau de benefício de cada pessoa. Por sua vez, o princípio da capacidade de pagamento defende que a carga do tributo deve ser tal que os contribuintes com a mesma capacidade de pagamento devem pagar o mesmo nível de impostos (equidade horizontal). Segundo esse princípio, teríamos cada pessoa contribuindo de forma diferenciada para o sistema tributário, com base em sua renda. Assim, as pessoas mais ricas pagariam mais impostos que as menos ricas, deixando o sistema mais justo e equitativo. MARXISMO Para Marx, o Estado serve para preservar o sistema capitalista, sendo o instrumento usado para defender o interesse dos burgueses de manutenção do sistema capitalista e da exploração da mais-valia. Ou seja, o Estado não protege os trabalhadores, mas os capitalistas. O Estado garante que o proletariado, que é a classe trabalhadora que foi separada dos seus meios de produção e teve que se submeter à classe proprietária (burguesa), irá continuar vendendo sua força de trabalho a um salário baixo, que não ameace o lucro dos capitalistas. Nesse sentido, para permitir que as taxas de lucro continuassem subindo, era 7 preciso expandir a exploração dos trabalhadores, reduzindo seus direitos e salários (Marx, 1988). Assim, as funções do Estado são vistas sem nenhum objetivo transformador, mas sim de manutenção da classe dominante. ORÇAMENTO PÚBLICO O orçamento público pode ser entendido como uma ferramenta para gerir a administração estatal. É uma estimativa utilizada das fontes de financiamento e dos gastos que o governo realizará. O orçamento pode ser definido: como um processo contínuo que traduz, em termos financeiros, planos, programas, projetos e atividades de trabalho, para um determinado período de tempo. O Orçamento Público apresenta-se como um instrumento de regulação do ritmo do fluxo dos recursos, receitas e despesas, que foram previstos, fixados e aprovados pelo legislativo. Os tipos de orçamento são orçamento programa, orçamento participativo, orçamento de realizações ou desempenho e orçamento tradicional. PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS O princípio da unidade prevê que o orçamento seja único, enquanto o princípio da universalidade determina que o orçamento inclua todos os recursos e gastos de todas as esferas governamentais. O princípio da anualidade firma um período para a previsão dos dispêndios e receitas, que no caso brasileiro é um ano fiscal. O princípio da exclusividade firma que o orçamento deve versar apenas sobre assuntos relacionados ao orçamento. O princípio da programação associa-se à ideia de meios, os instrumentos à disposição do governo e fins, que são os objetivos ou serviços a serem oferecidos. O princípio do equilíbrio prevê “que as despesas fixadas não devem ultrapassar as receitas previstas para o exercício financeiro”. O princípio da legalidade dispõe que só devem ser realizadas ações orçamentárias que respeitem os auspícios lei. O princípio da exatidão determina que o orçamento deve refletir de modo claro e preciso as demandas a serem atendidas. O princípio da publicidade afirma que os documentos relacionados ao orçamento devem estar acessíveis ao público, a partir dos princípios de transparência. O princípio da clareza exige que o orçamento seja bem organizado e claro para atender a sua finalidade administrativa. Já o princípio da flexibilidade estabelece que o orçamento possa se adequar às necessidades do 8 programa, não sendo excessivamente rígido. O princípio da especificação, por sua vez, firma que os cada dispêndio do governo seja discriminado. O princípio da não vinculação da receita descreve que nenhum tributo deve ser associado a um nível de governo ou organismo, com exceção do que está previsto na Constituição. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL A ideia da Lei de Responsabilidade Fiscal aprovada nos anos 2000 é fiscalizar os gastos e estabelecer limites de dispêndios por unidade federada. A Lei de Responsabilidade Fiscal, determina normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, por meio de ações que buscam prevenir riscos e corrigir desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, com ênfase sobre o planejamento, o controle, a transparência e a responsabilização como premissas básicas. ECONOMIA COLONIAL Nos primeiros anos foi explorado o pau-brasil. Nossa história é, portanto, uma consequência da colonização europeia. Para justificar uma proteção do território brasileiro,que implicaria custos a Portugal, era necessário encontrar uma atividade econômica no Brasil. A escolha se deu pela exploração da cana-de- açúcar, que trouxe muitos lucros a Portugal (Furtado, 1991). Portugal já possuía o conhecimento técnico para a exploração da cana, pois a realizava nas Ilhas Madeira. Com o apoio financeiro e comercial da Holanda, construiu a empresa açucareira, que durante mais de um século, foi a maior produtora de açúcar do mundo (depois, passou a competir com as Antilhas e perdeu espaço). Outro elemento importante foi a mão de obra escrava africana, que era traficada pela Inglaterra e representava baixos custos a Portugal. CICLO DO OURO “De acordo com Furtado (1991), o Brasil passou as primeiras três décadas após a chegada de Cabral em abandono, pois não foram encontrados ouro e metais preciosos, como ocorreu nas colônias espanholas, especialmente México e Peru. Apenas mais tarde foi encontrado ouro na região de Minas Gerais” No 9 começo do século XVIII, foi encontrado ouro no Brasil, porém, esse ciclo durou muito pouco, havendo a decadência da mineração brasileira. Desse modo, Portugal perdeu novamente o interesse pelo país, que só voltaria a ser importante depois que a Corte Portuguesa é transferida para a colônia, fugindo da invasão napoleônica. Durante o ciclo do ouro há um desenvolvimento maior da região Sudeste, mas ainda se utiliza muito a mão de obra escrava, o que impedia o desenvolvimento de um mercado consumidor. VINDA DA FAMÍIA REAL A vinda da família real ao Brasil trouxe algumas mudanças econômicas, com a construção de bancos, universidades, portos e a constituição de um mercado interno. Porém, após a Independência, ficamos com uma dívida grande com Portugal pela indenização por eles proposta, assim como tivemos que aceitar a abertura dos portos, situação que dava preferência à Inglaterra na nossa economia. A independência política não extinguiu a dependência econômica, que passava de Portugal para a Inglaterra. Só no final do século XIX, com a Proclamação da República e o fim da escravidão, o Brasil passou a ter uma autonomia maior. Ainda assim, ainda éramos um país essencialmente agrícola, cujo único artigo de cultivo mais importante era o café, que sofreu uma redução do seu preço com a crise de 1929. CICLO DO CAFÉ Sobre a política de defesa do café desenvolvida pelo governo de Getúlio Vargas houve uma decisão de compra e queima do café pelo governo que tinha o objetivo, por meio do controle da oferta, de evitar a redução brusca do preço do produto, já que o valor internacional havia caído muito. Desse modo, o governo comprava o café e diminuía a oferta, funcionando como um consumidor. Gradativamente, o preço do café se reduzia e induzia os cafeicultores a buscarem outra atividade econômica mais lucrativa, que era a indústria, sem a falência completa desses agentes, que mantinham a economia brasileira ativa. Foi uma medida contraditória, mas elogiada por muitos, pois o governo impediu que a crise fosse ainda mais acentuada e contribuiu para a industrialização. Nesse sentido, as “tensões internas da economia cafeeira fazem surgir elementos de um sistema econômico autônomo, para gerar seu próprio 10 desenvolvimento”. A política de defesa do café era uma política de ênfase keynesiana, que mantinha a demanda agregada elevada, além de preservar o emprego e a renda. JUSCELINO KUBITSCHEK E O PLANO DE METAS Com a entrada de Juscelino Kubitschek no poder, instaurou-se o Plano de Metas, que visava implementar pela primeira vez no Brasil o planejamento estatal, com forte envolvimento do Estado na economia. O Plano de Metas tinha como slogan a ideia de “50 anos de progresso em 5 anos de realizações”, sendo considerado um exemplo exitoso de planejamento governamental. Foram previstos e realizados alguns projetos estatais de infraestrutura, com financiamento do capital externo, que expandiram nossa dívida com o resto do mundo, tendo o capital nacional uma participação bem pequena nos investimentos. A partir da Comissão Mista Brasil-EUA e do Grupo Misto BNDE-CEPAL, foram identificados os considerados pontos de estrangulamento da economia brasileira, isto é, setores com baixa demanda. Foi o caso dos bens de consumo duráveis. Para solucionar esses estrangulamentos, a sugestão envolveu os pontos de germinação, como, por exemplo, a construção de Brasília e a expansão do setor automobilístico. PLANO DE META PLANO DE AÇÃO ECONÔMICA DO GOVERNO (PAEG) Com a instauração do regime militar, adotou-se o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), com vistas a seguir um conjunto de transformações institucionais. Isso envolvia reformas bancária, tributária e monetária, que tiveram como resultado controle da inflação e a promoção de estabilidade de preços. Essa política econômica sustentou o crescimento acelerado que se observou durante a ditadura militar, o chamado “milagre econômico”. Contudo, houve um aumento da dívida externa. Entre as medidas mais importantes do PAEG para fornecer as bases institucionais para o sistema monetário e financeiro brasileiro, está a reforma bancária de 1965. Foi quando foram criados o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional, atores executores da política monetária, bem como a Bolsa de Valores. Embora tenha tido bons resultados em termos de estabilização, esse momento promoveu recessão na economia, 11 expansão dos oligopólios e da atuação do capital externo na economia, aumentando nossa dependência externa. DÉCADA PERDIDA O endividamento externo do período militar provocou uma dívida pública elevadíssima que gerou recessão durante toda a década militar. Nesse período quase a totalidade do PIB era utilizada para pagar apenas os juros da dívida externa, que quintuplicou. Inclusive houve decreto da moratória e uma sucessão de planos econômicos que tentavam sem sucesso controlar a hiperinflação, que atingiu 2200% em 1989. A década de 1980 foi um período de estagnação e baixo crescimento da economia brasileira em comparação aos anos anteriores. Entre os anos de 1981 e 1983, a redução do crescimento foi associada às tentativas de pagar a dívida externa e seus serviços (juros). Entre os anos de 1984 a 1986, a balança comercial foi reequilibrada, com vistas ao pagamento da dívida, o que provocou uma retomada do crescimento, com expansão do consumo. Contudo, a partir de 1984 o controle da inflação se tornou a maior necessidade da economia e não mais o ajuste da balança comercial. PLANO COLLOR O objetivo era combater a inflação. Uma inflação inercial foi diagnosticada na economia, que era expandida pela inflação anterior, ou seja, a ideia de que a memória inflacionária, por meio da correção monetária, aumentava a inflação, A solução adotada pelos planos econômicos que se sucederam foram os choques heterodoxos, para evitar o aumento constante dos preços, que, por meio do congelamento de preços e salários, tentavam controlar a inflação, sem sucesso. Com o fracasso do Plano Cruzado e a declaração da moratória da dívida externa, a crise se tornou mais intensa, provocando uma hiperinflação no ano de 1989, que chegou a 2200% e provocou uma recessão profunda na economia. O Plano Collor tentou novamente congelar a economia e promoveu o confisco das poupanças, para reduzir a demanda. A falta de resultados concretos dessas medidas adotados, somado a escândalos de corrupção, levaram o presidente Fernando Collor ao impeachment. 12 TRIPÉ MACROECONÔMICO Durante o governo de Lula não houve manutenção ou mudanças no tripé macroeconômico. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores no poder, acreditava-seque haveria mudanças nessa política macroeconômica, que supostamente seria mais expansionista, com maiores gastos públicos e não superávit fiscal, com a redução de impostos, o aumento da facilidade ao crédito e maiores transferências de renda à população de classe mais baixa (sendo que essas últimas foram realizadas). Porém, o que ocorreu foi a preservação do tripé macroeconômico (que limita o crescimento econômico ao buscar centrar as medidas de política econômica sobre a meta de controle inflacionário), e o ajuste das contas do governo. DÉFICIT E DÍVIDA PÚBLICA O déficit é gerado pelo desequilíbrio entre as receitas efetivamente arrecadadas e as despesas realizadas em um determinado período”. O déficit por si só pode não ser um problema, o problema são os juros da dívida contraída para financiá- lo é que gera dificuldades, sendo que os principais beneficiários dessa situação são os bancos e o sistema financeiro, de modo geral, que irão lucrar com os juros. A dívida pública é o montante contraído para cobrir o déficit realizado, quando se gasta mais do que os seus recursos, sendo que ela implica em pagamento de dívidas futuras, com juros elevados e muitas vezes definidos posteriormente. RISCO - PAÍS O risco-país é medido pelo “Emerging Markets Bond Index Plus”, que se refere ao “perigo que um país representa para o investidor estrangeiro” (De Toni, 2009, p. 46). Desta forma, agências de classificação de risco calculam esse indicador, que é usado como referência para aplicadores financeiros. Se o risco é alto, significa que existe chance menor do governo honrar suas dívidas. Para medir a confiabilidade de uma economia, utiliza-se o risco-país como referência. Outros elementos que impactam sobre a confiabilidade são o histórico do país e o clima político e social que vivencia a nação, pois se houver uma crise interna, vemos aumentada a chance do governo não pagar as suas dívidas. Quando os investidores desconfiam de uma economia e da capacidade de honrar o pagamento da dívida, essa economia pode sofrer um ataque especulativo, ou seja, quando os investidores tiram os recursos do mercado financeiro, 13 desvalorizando a moeda em questão e gerando inflação interna e recessão. O governo, se não for vulnerável, ou seja, se tiver reservas suficientes em moeda estrangeira (divisas), pode salvar a economia e o câmbio, senão irá recorrer ao empréstimo externo para tanto, piorando a situação. DÍVIDA BRASILEIRA Na literatura defende-se que a culpa da expansão do endividamento do governo não é da previdência ou dos elevados gastos governamentais, mas dos pesados encargos da dívida pública, ou seja, dos juros da dívida pública, interna e externa. Entre 1995 e 2007, cerca de 1,2 trilhões de reais foram usados apenas para pagar juros das dívidas públicas nacionais. Isso significa que somente com juros nós pagamos um valor semelhante à dívida que temos atualmente, o que é um dado bastante preocupante. Pode-se dizer que a principal fonte da carga tributária elevada são os juros da dívida, pois 30% da carga é direcionada ao pagamento de juros da dívida. REFORMA TRIBUTÁRIA 1966 O sistema tributário criado em 1966 buscava oferecer ao governo recursos suficientes para coordenar o processo de expansão do Produto Nacional Bruto. Para tanto, esse sistema teve como características o aumento substancial da carga tributária, aumentando o número de contribuintes e a priorização do capitalista, que seria a fonte de investimentos para o país, a partir da garantia de uma poupança elevada, em contraposição ao trabalhador, que sofria com mais tributos. Ademais, houve uma centralização dos tributos a nível federal. SISTEMA TRIBUTÁRIO ANTES DE 1966 O sistema tributário brasileiro em seus primórdios era centrado quase que exclusivamente sobre os tributos do comércio exterior. Durante o Império, a principal fonte de receitas do governo eram os impostos sobre importação, que representavam 70% da fonte de renda pública. Nos anos 1930, os estados receberam autorização para elaborar tributos sobre consignações e vendas. Além disso, perderam a atribuição de impostos interestaduais sobre exportações acima de 10%. Os municípios passaram a ter mais liberdade também para elaborar novos impostos. Uma mudança importante feita pela Constituição de 1937 no sistema tributário brasileiro foi a retirada do imposto sobre propriedades rurais da alçada dos estados. Contudo, a Constituição de 1946 implementou 14 mudanças substanciais sobre a carga tributária, sobretudo a partir da expansão do número de tributos em nível municipal, como o sobre profissões e indústria. Aumentou, também, a participação dos municípios sobre o imposto de renda (15%) e sobre o consumo (10%). PLANEJAMENTO GOVERNAMENTAL A política econômica é praticada com base no planejamento. O planejamento refere-se a uma análise completa do que deve ser realizado para se alcançar um objetivo determinado e é parte da etapa da formulação da política pública. Nesse caso, a relação ente planejamento e política econômica é direta, porque sem planejamento governamental a política econômica não terá o resultado esperado. POLÍTICA ECONÔMICA GOVERNOS As políticas sociais tem como meta distribuir renda na economia por meio da transferência de setores mais produtivos a setores mais pobres, como ocorria com a ideia do Bolsa Família e do Fome Zero. Os impactos dessas políticas sociais, do próprio crescimento econômico e da ampliação do crédito ao consumidor, foram significativos, pois a taxa de pobreza extrema, medida pelo índice de Gini, reduziu-se de 11,5% em 2005 para 7,28% em 2009. Além disso, a taxa de pobreza total passou de 30,82% em 2005 para 21,42% em 2009. Embora essas políticas tenham tido efeitos positivos sobre a redistribuição, tirando milhões de famílias da pobreza extrema, elas não eram suficientes para garantir melhoria significativa da qualidade de vida da população em geral, pois os benefícios concedidos eram irrisórios. Além disso, essas políticas tiveram efeito inflacionário, pois havia mais quantidade de dinheiro na economia, o que fazia com que os preços aumentassem e não houvesse o incentivo quanto ao crescimento dos investimentos, fazendo com que a oferta não subisse e a economia se estagnassem. MERCANTILISMO O Mercantilismo é um sistema que colocava grande importância no comércio exterior para o desenvolvimento econômico de uma nação. O Mercantilismo 15 defendia a centralização do poder nas mãos dos monarcas que realizavam práticas protecionistas, ou seja, limitavam a liberdade do comércio. O acúmulo de metais (metalismo) era considerada a fonte de riqueza de uma nação e para tanto, deveria ser incentivada apenas as exportações, por meio de uma balança comercial favorável (exportar mais do que importar), para conseguir a entrada de metais e evitar a saída pelo pagamento das importações. O mercantilismo permitiu as grandes navegações, que garantiram o controle das metrópoles sobre as Colônias. A Colônia comercializava exclusivamente com a metrópole. O governo, para assegurar a balança comercial favorável, passou a taxar as importações, o que foi uma das primeiras medidas econômicas do Estado moderno. Vemos, assim, uma política protecionista, que visava, também, arrecadar recursos para o governo. Este, por sua vez, provocou uma redução das taxas de juros, que incentivavam a produção e o comércio, o que fez posteriormente surgir a indústria, provocando aumento do emprego e crescimento econômico das nações. REFORMA TRIBUTÁRIA 1988 O sistema tributário brasileiro foi reformulado em 1988 buscando solucionar problemasapontados no sistema anterior, porém, de maneira limitada. Uma das prioridades da reforma realizada em 1988 era garantir a descentralização de impostos entre os níveis de governo. Nesse sentido, os estados e municípios se articularam para ampliar sua participação na distribuição de recursos. A mudança foi significativa, pois houve o aumento do número de tributos destinados aos estados e municípios, enquanto a União ficou com sete impostos, tendo sido quatro retirados. REFORMA TRIBUTÁRIA A principal característica do sistema tributário brasileiro que provoca críticas e sugestões de reforma é a regressividade do sistema. No Brasil adotam-se mais impostos indiretos, que tendem a sobrecarregar mais as classes mais baixas, pois não há distinção entre pessoas com mais ou menos renda: todos pagam a mesma alíquota. É preciso então reduzir a importância dos impostos indiretos e aumentar a dos diretos, tornando o sistema tributário mais progressivo e mais justo. Há dificuldade para a realização de uma reforma tributária ampla no Brasil, 16 pois não existe clara vontade política em aprovar um novo Sistema que penalizasse menos os mais pobres, pois isso afetaria interesses de grandes empresas e pessoas com grandes fortunas. Sempre haverá grupos que perdem e que ganham com a reforma pois há muitos interesses divergentes em jogo e nesse caso, o interesse dos mais ricos tem vencido. POLÍTICA DE INCENTIVO FISCAL Os incentivos fiscais são uma das políticas mais adotadas como instrumento de estímulo à indústria na economia. Por meio de isenção de impostos às empresas e indústrias, o governo pode promover a geração de renda e também de emprego. Existem várias políticas de incentivo fiscais são “isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia”. SUBSÍDIOS Os subsídios são uma das formas mais utilizadas pelo governo de incentivo e representam o pagamento de uma parte da produção para reduzir o custo do produtor, como é o caso do subsídio ao transporte público. A ideia desse subsídio é proteger os produtos e, no caso do transporte coletivo, o consumidor, assegurando que o preço da tarifa de transporte será menor em função desse subsídio. São comuns os subsídios a setores mais débeis da economia ou necessários à população, como o setor de bens de alta tecnologia, o setor exportador ou o setor privado educacional e de saúde. PROGRAMAS DE INCENTIVO FISCAL CIDADÃO Sobre as vantagens desse tipo de programa para o controle fiscal, podemos mencionar “a ampliação da base de contribuintes pela demanda por emissão de Notas e Cupons Fiscais; cruzamento eletrônico de informações e aprimoramento dos controles fiscais e a redução da sonegação fiscal possibilitando uma maior arrecadação. À medida que o consumidor se sente beneficiado ao receber um valor financeiro de retorno do imposto e até prêmios, ele se engaja mais no programa, solicitando mais notas fiscais. É uma maneira de tornar o sistema mais transparente e coibir a evasão fiscal. 17 GESTÃO PÚBLICA E ECONOMIA DO SETOR PÚBLICO O gestor público precisa entender como o governo se financia e quais são os tipos de gastos que o governo possui. Ademais preciso saber como se elabora o orçamento de despesas do governo e como pode-se fiscalizar a correta gestão dos recursos públicos. IMPOSTOS DIRETOS E OS IMPOSTOS INDIRETOS Os impostos diretos referem-se àqueles “nos quais o ônus da tributação recai sobre quem deve pagar o imposto”, ou seja, o que é cobrado diretamente do contribuinte, incidindo sobre ele. Como exemplos temos o imposto de renda de pessoa física e jurídica, o IPTU (imposto predial e territorial urbano) e o IPVA (imposto sobre a propriedade de veículo automotor).. As contribuições sociais também são consideradas tributos diretos, como PIS-PASEP, Previdência Social, FGTS. Os impostos diretos estão vinculados à capacidade de pagamento de cada pessoa. Já os impostos indiretos “são aqueles nos quais não necessariamente o ônus da tributação recai sobre quem deve pagar o imposto, ou seja, é possível uma transferência da carga tributária”. Esses tributos se baseiam na aquisição de mercadorias e serviços, como o ISS (imposto sobre serviço) e o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços) e normalmente são regressivos, isto é, quanto maior o valor, menor são, diferente dos impostos diretos, que são progressivos. Dessa forma, os tributos indiretos são cobrados sobre os produtos vendidos, as vendas e o consumo. Este material “Estudo Dirigido” é de autoria de nossa Instituição e destinado ao estudo dos alunos a ela vinculados, portanto sua reprodução, divulgação ou uso indevido poderá ser objeto de aplicação dos procedimentos e penas relativas à Lei dos Direitos Autorais.