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Claudia Mariza Braga Leitura e Produção de Texto MEC / SEED / UAB2011 Reitor Helvécio Luiz Reis Coordenador UAB/NEAD/UFSJ Heitor Antônio GonçalvesComissão Editorial: Fábio Alexandre de Matos Flávia Cristina Figueiredo Coura Geraldo Tibúrcio de Almeida e Silva José do Carmo Toledo José Luiz de Oliveira Leonardo Cristian Rocha (Presidente) Maria Amélia Cesari Quaglia Maria do Carmo Santos Neta Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo Maria Rita Rocha do Carmo Marise Maria Santana da Rocha Rosângela Branca do Carmo Rosângela Maria de Almeida Camarano Leal Terezinha Lombello FerreiraEdição Núcleo de Educação a Distância Comissão Editorial - NEAD-UFSJCapa Eduardo Henrique de Oliveira GaioDiagramação Luciano Alexandre Pinto B813l Braga, Claudia Mariza Leitura e produção de texto. – São João del-Rei, MG: UFSJ, 2011. 56p. Curso de Especialização em Práticas de Letramento e Alfabetização. 1. Português 2.Produção de texto I. Título.CDU: 811.134.3 Agradecimento Às pedagogas Neide Manhã e Mariza Braga,sem cuja preciosa e essencial colaboraçãoeste trabalho não teria sido possível. 5 Sumário Pra começo de conversa... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07 Unidade 1 – Lendo a vida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Unidade 2 – Práticas de leitura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Unidade 3 – Práticas de escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 Pra final de conversa... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 7 Pra começo de conversa... Prezado(a) Colega/Estudante Estamos iniciando agora a disciplina “Leitura e Produção de Texto”, do curso de PRÁTICAS DE LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO do NEAD-UFSJ. Buscamos fazer dessa disciplina um efetivo fórum de discussões sobre nossas práticas de leitura e escrita, num ambiente descontraído e lúdico, onde não apenas vamos pensar nas possíveis aplicações junto a nossos alunos como também praticaremos formas variadas de produção. Dividimos o curso em 3 unidades. Na primeira, apresentamos algumas reflexões sobre a leitura e a escrita; a segunda traz propostas de discussões a respeito de eventuais exercícios a serem aplicados junto aos alunos; na terceira, somos nós os “praticantes”. Esperando que as “dicas” e discussões aqui propostas e estabelecidas sejam fecundas e proveitosas, desejamos a todos(as) um ótimo trabalho! Com meu abraço, Claudia Braga unidade 9 “Lendo” a vida Objetivo Estimular a reflexão sobre o conceito de leitura unidade 1 11 unidade 1 “Lendo” a vida Em agosto de 2010, um conhecido periódico brasileiro trazia como título de sua matéria de capa: “Falar e escrever bem: rumo à vitória”. Tratava-se de uma breve enquete sobre as formas de expressão orais e escritas e seu manejo, no sentido de demonstrar como os profissionais têm necessidade de se expressar bem em sua língua materna, para alcançar êxito em todas as áreas. Em meio à reportagem propriamente dita, os repórteres Sérgio Martins e Marcelo Marthe afirmam: [...] ler é indispensável para quem quer se expressar bem. E ler inclui de Machado de Assis e Graciliano Ramos até um blog decente na internet (mas atenção: é preciso ler de tudo – não uma coisa ou outra). Ler mostra as infinitas possibilidades de expressão da língua, enriquece o vocabulário (e o bom vocabulário é o melhor amigo da precisão), ensina o leitor a organizar seu pensamento e ainda oferece a ele algo de valor inestimável: conteúdo. (Revista Veja: 11/08/2010, p. 100) Sabemos disso. É pela leitura que aprimoramos nossa capacidade de expressão oral e escrita. Mas essa “leitura” é bastante anterior a Machado de Assis ou aos “blogs” da internet. Todos nós, desde o nascimento, percebemos, compreendemos, “lemos”, o universo que nos cerca. Todos nós, desde a infância, somos leitores do mundo. E essa “leitura” do mundo que nos cerca vai moldar nossa “escrita” nele, metafórica e concretamente. Assim, nossos alunos que chegam à escola possuem um conhecimento advindo dessa “leitura” inicial de mundo. E só se transformarão em leitores de textos quando passarem a ter contato com eles, dominando todo o processo de uma leitura diferente daquela que utilizaram anteriormente. Dessa forma, com certeza, o ato ou o hábito de ler é influenciado por determinantes que causam reações e sensações diversas no leitor, a partir de seu histórico particular, de seu 12 aprendizado anterior de “leitura” do mundo. Assim, a leitura não é algo estático, mas em permanente transformação, que deve, sobretudo, ser prazeroso, pois aprender a ler é, também, ter acesso a um mundo distinto daquele em que a oralidade se instala e organiza. Assegurar o direito de aprender a ler e escrever e, assim, participar do mundo da escrita é um dos principais desafios o processo educativo atual. Todos têm direito de adquirir esses conhecimentos acumulados historicamente e os contextos em que foram produzidos. Para isso, o conhecimento da linguagem escrita é fundamental. Diante disso, podemos afirmar que a leitura varia e se transforma de acordo com o texto, o momento e a situação na qual se encontra o leitor, pois “não se lê uma poesia como se lê um problema de matemática ou uma narrativa” (CAGLIARI, 2005, p. 172). Assim, o acesso ao mundo da escrita exige habilidades para além do apenas aprender a ler e a escrever – exige práticas de letramento autênticas, que garantam aos alunos o procedimento de leitor e escritor autônomo; que lhe dê possibilidades de incorporar habilidades de uso da leitura e da escrita desenvolvidas no início da escolarização, com ampliação gradativa e consistente para sua formação digna e plena. Magda Soares (2002) explica como foi se ampliando progressivamente o conceito de educação: [...] até os anos 40 do século passado, os questionários do censo indagavam, simplesmente, se a pessoa sabia ler e escrever, servindo como comprovação da resposta afirmativa ou negativa a capacidade de assinatura do próprio nome. A partir dos anos 50 e até o último censo (2000), os questionários passaram a indagar se a pessoa era capaz de “ler e escrever um bilhete simples”, o que já evidencia a ampliação do conceito de alfabetização. Já não se considera alfabetizado aquele que apenas declara saber ler e escrever, genericamente, mas aquele que sabe usar a leitura e a escrita para exercer uma prática social em que a escrita é necessária (p. 45). A metodologia descrita nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1997) indica que o Planejamento é um instrumento, por excelência, capaz de assegurar o diagnóstico das capacidades e dos conhecimentos prévios dos alunos e de criar condições 13 unidade 1 e tempos para definir objetivos e para organizar atividades. Nos mesmos documentos, há ênfase sobre a necessidade de investimento nos meios para a sua implementação, destacando-se que a organização das atividades em torno da alfabetização deverá levar em conta: • a progressão de níveis do trabalho pedagógico em função dos níveis de aprendizagem dos alunos na natureza das atividades, envolvendo conceitos e procedimentos pertinentes aos diversos componentes para o aprendizado da língua escrita; • a compreensão e a valorização da cultura escrita, a apropriação do sistema de escrita, a oralidade, a leitura e a produção de textos escritos; • a criação de um ambiente alfabetizador ou de um contexto de cultura escrita oferecido pelas formas de organizaçãoda sala e de toda a escola, capaz de disponibilizar aos alunos a familiarização com a escola e a interação com diferentes tipos, gêneros, portadores e suportes da escrita, nas mais diversas formas. Sendo assim, em relação ao ler e escrever, verifica-se que o professor precisa facilitar a interação entre a escrita e a leitura e, ao mesmo tempo, precisa propor desafios que tenham significado para os alunos, para que estes se sintam instigados pela busca de resultados, ou seja, para que se tornem sujeitos ativos e envolvidos com os procedimentos de leitor e/ou escritor. Logo, tanto quanto seus alunos, é preciso que o professor se torne sujeito do mundo da leitura e da escrita, que organize registros de acompanhamento do processo de construção do conhecimento de seu grupo, que busque textos que componham a pluralidade das práticas de leitura. O prazer da leitura A leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por certa forma de “escrevê-la” ou de descrevê-la, quer dizer transformá-la em uma prática consciente. (Paulo Freire) É importante que o trabalho de leitura esteja incorporado às práticas cotidianas de sala de aula, visto tratar-se de uma forma estimuladora e prazerosa para o conhecimento: a leitura é importante em todas as idades e em todos os momentos da vida, pois estimula a formação de cidadãos críticos, que se exige para a inserção na sociedade. 14 O prazer em ler é uma técnica que se adquire no decorrer dos anos, tendo em vista que vem gradativamente e contribui para a formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos, a extensão e a profundidade de cada texto lido. Segundo Lajolo (1997, p. 7), “lê-se para conhecer o mundo, para viver melhor”. Nesse contexto, o papel dos professores, não só de Língua Portuguesa como de outras áreas de ensino, é de colaborar para a compreensão e as transformações do mundo. Assim, segundo Silva, (1996, p. 46) É necessário aprender a ler e, mais tarde, ler para aprender. Quer dizer, conseguir que o indivíduo torne-se capaz de compreender os diferentes tipos de textos que existem em sociedade e que assim possa participar de dinâmica que é a própria do mundo da escrita. Para conquistar e ganhar novos leitores é imprescindível saber utilizar-se dos artifícios necessários, através dos quais se possa oferecer ao outro o que o outro deseja, mesmo que este não tenha consciência do seu próprio desejo e da necessidade de adquirir novos conhecimentos. Dessa forma, no momento do trabalho com a leitura é que são fincados os alicerces para a produção de bons textos. A escolha de textos e temas adequados à faixa etária dos alunos permite que eles se integrem ao exercício da leitura de modo prazeroso e investigativo. De acordo com os PCN de Língua Portuguesa (1997, p. 54), para formar um leitor competente é preciso [...] formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relações entre o texto que lê e outros já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. Mas, para que ocorra uma leitura fluente, é preciso que haja o envolvimento de uma série de estratégias cognitivas que permitam ao leitor guiar sua leitura. A esse respeito, Goodman (1990, p. 16-18) apresenta as seguintes estratégias: 15 unidade 1 • Seleção: o leitor elege as informações do texto que lhe são realmente úteis, necessárias. • Predição: o leitor faz o uso de seu conhecimento prévio para antecipar, predizer o que virá no texto e seu respectivo significado. • Inferência: o leitor utiliza seus conhecimentos conceptual e linguístico para complementar a ideias que não estão explícitas no texto. • Autocontrole: o leitor põe à prova suas estratégias e as modifica se for necessário. • Autocorreção: o leitor repensa e corrige suas hipóteses levantadas por inferência ou predição. É necessário que a leitura tenha sentido e objetivo para o aprendiz. Em função disso, a escolha de textos de boa qualidade, autênticos, variados, desde o início da escolarização, é fundamental para a formação de bons leitores. ATIVIDADE A unidade 1 levanta reflexões sobre diferentes processos de leitura.Qual sua opinião sobre as considerações apresentadas?Elabore um texto conceituando as eventuais práticas de leitura e o que seria, para você, o “leitor ideal”. unidade 17 Práticas de Leitura ObjetivoTrabalhar a “leitura” de imagens e textos com vistas a sua análise escrita unidade 2 19 unidade 2 Práticas de Leitura O trabalho com a produção de textos orais e escritos é primordial no processo ensino aprendizagem de língua. É impossível pensar na escrita sem associá-la à prática da leitura, e verifica-se que um bom leitor tem muito maior possibilidade de ser um escritor competente do que aquele que não tem o hábito da leitura. Segundo os PCN de Língua Portuguesa (1997), um escritor competente é aquele que, na produção de um discurso, sabe escolher o gênero textual mais adequado para alcançar seus objetivos. É capaz de planejar seu discurso de acordo com o destinatário, sem desconsiderar as características do gênero. Um escritor competente é capaz, também, de avaliar se seu texto apresenta ideias confusas, ambiguidade ou redundância, revisando e reescrevendo até torná-lo adequado a seus objetivos. 2.1- Produção coletiva No início do trabalho de escrita nas classes de alfabetização, os textos devem ser criados coletivamente e escritos no quadro pelo professor, que fará o papel de escriba. Depois, os textos poderão ser transcritos em um cartaz e afixados na sala de aula, para serem lidos diariamente pelo professor e pelos alunos, em grupo ou individualmente. O texto deverá ser sempre substituído por outros textos coletivos criados pelo grupo recentemente. 2.2 - Os Gêneros textuais Os textos literários são divididos em dois grupos: textos em verso, textos em prosa. O professor deverá sempre definir o gênero textual a ser utilizado pelo aluno para a produção de um texto. Em uma situação de interação verbal, são considerados vários elementos, de acordo com a situação de comunicação em que o locutor se encontra, 20 devendo escolher sempre o gênero textual mais adequado, avaliando com quem fala, sobre o que fala, com que finalidade fala, pois, como afirma Koch,[...] toda ação linguageira implica diferentes capacidades da parte do sujeito: de adaptar-se às características do contexto e do referente (capacidade de ação), de mobilizar modelos discursivos (capacidades discursivas) e de dominar as operações psicolinguísticas e as unidades linguísticas (capacidades linguístico-discursivas). (2002, p. 56). Assim, se um locutor quer defender um determinado ponto de vista de um assunto, ele poderá usar um texto de opinião. Se quer ensinar a preparar um determinado prato, o gênero a ser utilizado é uma receita culinária. Entretanto, se o sujeito quer relatar acontecimentos pessoais a alguém íntimo que mora distante, o mais adequado será escrever uma carta. Ao professor cabe eleger um determinado gênero textual para ser trabalhado na escola, definindo um modelo específico desse gênero, com referências teóricas específicas, e determinar as dimensões que serão abordadas com os alunos. É da maior importância que se realizem na escola trabalhos com os diferentes gêneros textuais que, diariamente, circulam entre as pessoas. Este trabalho ampliará a capacidade linguística e discursiva do aprendiz. Com efeito, segundo Mikhail BakhtinÉ de acordo com nosso domínio dos gêneros que usamos com desembaraço, que descobrimos mais depressa e melhor nossa individualidade neles (quando isso é possível e útil), que refletimos, com maior agilidade, a situação irreproduzível da comunicação verbal, que realizamos, com o máximo de perfeição, o intuito discursivo que livrementeconcebemos. (1997, p. 304). 2.3 – A Coesão e a coerência Para que o professor possa auxiliar seus alunos de forma eficiente na organização e estruturação da escrita, deve estar atento à coesão e à coerência textuais. Segundo Koch & Travaglia (1989, p. 11-12),A coerência seria a possibilidade de estabelecer, no texto, alguma forma de unidade ou relação. Essa unidade é sempre apresentada como unidade 21 unidade 2 de sentido do texto, o que caracteriza a coerência como global, isto é, referente ao texto como um todo. (KOCH & TRAVAGLIA). De acordo com as mesmas autoras (1989, p. 13-14), a coesão é, ao contrário da coerência, [...] explicitamente revelada através de marcas linguísticas, índices formais na estrutura da sequência linguística e superficial do texto, sendo, portanto de caráter linear, já que se manifesta na organização sequencial do texto. [...] a coesão é, então, a ligação entre os elementos superficiais do texto, o modo como eles se relacionam, o modo com frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proporcional. A coesão relaciona-se à organização textual. A coerência é externa, ou seja, é construída pelo leitor, que compreenderá ou não o texto. 2.4 – A Reescrita e a socialização de textos Para a formação de um leitor competente, o professor deve orientar seus alunos em relação ao processo de revisão dos textos produzidos. Para isso deve ser solicitada a releitura e a reelaboração de suas produções textuais, com o objetivo de melhorá-las o máximo possível. No momento da revisão dos textos, cabe ao professor selecionar os aspectos nos quais deseja que seus alunos se concentrem: elementos de coesão, pontuação, adequação ortográfica, clareza de ideias, uso da linguagem adequada a quem se destina o texto. As atividades de revisão textual podem ser realizadas individualmente, em grupos ou por toda a classe, e para o trabalho de reescrita de textos produzidos em grupo devem-se traçar metas que favoreçam o espírito de cooperação entre os alunos, como, por exemplo, as sugestões que se seguem. • Combinar com os alunos os critérios que serão utilizados na correção. • Selecionar para a reescrita a produção que contenha os erros que aparecem com maior frequência com a maioria da classe. • Escolher uma produção e pedir autorização a seu(s) autor(es) para copiá-las no quadro, na íntegra. • Ler ou pedir aos alunos que leiam o texto para que eles mesmos percebam os erros cometidos. 22 • Após identificar os erros na produção escrita, solicitar sugestões, por parte do grupo, para uma nova organização da frase ou da forma correta de escrever uma palavra. • Ter o cuidado de não alterar o sentido do texto, deixando que os alunos-autores decidam sobre a incorporação das sugestões da classe, respeitando a autonomia do texto a ser escrito. Escolher a cada reescrita a produção de uma dupla ou grupo diferente, de modo que todos tenham seus textos reescritos. Cabe ao professor, portanto, ser mediador desse processo de formação do aprendiz, ajudando-o cada vez mais a produzir textos coesos, coerentes e eficazes quanto a seus objetivos. 2.5 - Atividades de leituraO objetivo da escrita é a leitura, mas quem vai escrever só é capaz de fazê-lo se souber o que escreve. Portanto, a leitura é uma habilidade que precede a própria escrita. Cagliari (1999, p. 196) A partir do parágrafo acima, começaremos nossas atividades práticas com a leitura de pinturas, gravuras e fotos, com o objetivo de, a partir da análise das imagens, incentivar a produção escrita sobre elas. 2.5.1 - Pintura a) Tela “A Casa Amarela” – Vincent Van Gogh, 1888 23 unidade 2 FIGURA 1 - “A Casa Amarela” – Vincent Van Gogh, 1888 Fonte: <http://arquiteturaparalela.files.wordpress.com/2010/07/y01.jpg>. Acesso em: 10 jun. 2011. Conversando sobre a tela • O local reproduzido pela tela nos revela uma grande metrópole ou uma cidade de interior? • É um momento atual ou do passado? • Enumere fatos que comprovem as suas observações. b) Tela: “The River Bennecourt” (O rio Bennecourt) - MONET, 1868 24 FIGURA 2 - “The River Bennecourt” (O rio Bennecourt) - MONET, 1868 Fonte: <http://absurtus.files.wordpress.com/2011/03/557_river_scene_at_ bennecourt_1868.jpg> . Acesso em: 10 jun. 2011. Conversando sobre a pintura • O que compõe essa tela? • Que detalhe na pintura nos revela o sexo da personagem? • Na sua opinião:* Ela aguarda alguém? * Faz uma reflexão?* Descansa após o dia de trabalho? DISCUTA SUAS RESPOSTAS NO FÓRUM DA TURMA. COMPARE SUA RESPOSTA COM A DE SEUS COLEGAS. 25 unidade 2 2.5.2 - Fotografia FIGURA 3 - Fotografia 1 Fonte: PASSOS, Célia & SILVA, Zeneide – “Coleção Eu Gosto Integrado” 4ªsérie-Ed.IBEP, 2006 Explorando a foto • Quem foi fotografado? • O que faz? • Demonstra emoção? • Por que podemos reconhecer se ele é destro ou canhoto? Gravuras comparativas 26 FIGURA 4 - Fotografia 2 Fonte: PASSOS, Célia & SILVA, Zeneide – “Coleção Eu Gosto Integrado” 4ªsérie-Ed.IBEP, 2006 Observe atentamente as fotografias. • Comparar os locais. • Descrever a figura da esquerda e da direita. • Quais as semelhanças? • Quais as diferenças? COMO ESSAS ILUSTRAÇÕES PODERIAM SER EXPLORADAS NA ESCOLA? DISCUTA SUAS RESPOSTAS NO FÓRUM DA TURMA. COMPARE SUA RESPOSTA COM A DE SEUS COLEGAS. 2.5.3 - Tiras Num crescendo de dificuldades, apresentamos e analisaremos diferentes tiras. As tirinhas são quadrinhos de desenhos muito parecidos com as histórias em quadrinhos, só que bem menores; assim, sua mensagem deve ser passada com total precisão, dado o curto espaço de que dispõe. 27 unidade 2 É comum vermos as tirinhas abordarem temas atuais de forma sarcástica, como é o caso da corrupção, esportes e outros assuntos que são criticados e ironizados através dos desenhos, encontramos até algumas que fazem fortes críticas ao governo ou a pessoas famosas em particular. O objetivo de trabalharmos com tirinhas é o de, partindo de um universo familiar ao aluno, provocar uma reflexão sobre as mensagens apresentadas em cada uma delas. a) Tira 1 FIGURA 5 - Tira 1 Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/_ZS1t8ouQWrY/SrgkHc6rjdI/AAAAAAAABq4/ RDMLFl66egE/s1600-h/tira_meninomaluquinho_30_07.jpg>. Acesso em 30 jun. 2011. Refletindo e conversando sobre a tira • Local onde se passa o fato. • O que ocasionou a desistência pelo primeiro lugar? • Esse fato é comum na rotina diária? b) Tira 2 FIGURA 6- Tira 2Fonte: <http://www.portalpower.com.br/tirinhas-inteligentes>. Acesso em 12 abr. 2011. 28 Refletindo e conversando sobre a tira • Qual a dúvida do menino da tira? • Por que ele não acredita na afirmativa do pai? • E para você, existe essa dúvida? Justifique. c) Tira 3 FIGURA 7 - Tira 3Fonte: <http://www.portalpower.com.br/tirinhas-inteligentes>. Acesso em 12 abr. 2011. • Quando se conhece um bom livro? • O que significa “mas quando ele abre nossas cabeças.”? ESSAS TIRINHAS PODERIAM SER EXPLORADAS NA ESCOLA? COMENTE CADA UMA DELAS NO FÓRUM DA TURMA. COMPARE SEUS COMENTÁRIOS COM OS DE SEUS COLEGAS. 2.5.4 - História em quadrinhos As histórias em quadrinhos são enredos narrados quadro a quadro por meio de desenhos e textos que utilizam o discurso direto, característico da língua falada. O objetivo do trabalho com as histórias em quadrinhos é o de apresentar, de um modo lúdico, fatos a serem analisados. a) Em meio às sempre atuais questões sobre o meio ambiente, Chico Bento, personagem criado por Maurício de Souza, apresenta algo bem ecológico... 29 unidade 2 Leia a história. FIGURA 8 - Chico BentoFonte: Maurício de Souza, Chico Bento n. 396. São Paulo, Globo, março/2002. Questões • Que tipo de pesca Chico Bento realiza? • Qual a emoção que ele demonstra sentir ao realizar essa pescaria? • O que ele fez com o objetivo de preservar o nosso Planeta? 30 2.5.5 - Textos diversos Com o objetivode aproximar o aprendiz dos diferentes gêneros literários, selecionamos textos para exploração da leitura e, posteriormente, da escrita. 2.5.5.1 - Propagandas e anúncios A propaganda tem o objetivo de vender um produto ou um serviço, levar alguém a aderir a uma causa ou criar uma imagem favorável de uma empresa ou instituição, utilizando artifícios psicológicos, ilusórios, a fim de manipular a vontade. O anúncio tem como objetivo tornar algo público, sem artifícios auxiliares, simplesmente expor o produto. a) Veja os anúncios de um classificado de um jornal, observando o que cada texto apresenta ou propõe. FIGURA 9 - ClassificadosFonte: Jornal “O GLOBO”. 10 jun. 2011. Reflita e compare • Semelhanças. • Diferenças. • Propostas. b) Leia as três propagandas a seguir. Todas falam de Artes. 31 unidade 2 Fonte de todas as propagandas: Jornal “O GLOBO”. 10 jun. 2011. • Em que se diferenciam? • Qual das propagandas mais seduz. Por quê ESSES ANÚNCIOS PODERIAM SER EXPLORADOS NA ESCOLA? COMO? COMPARE SUA OPINIÃO COM A DE SEUS COLEGAS NO FÓRUM DA TURMA. 32 2.5.5.2 - Crônica • Como você deve ter observado, o texto visa a divertir o leitor, falando de coisas de seu cotidiano, de modo informal. Imagine ações engraçadas do pai, na tentativa de tornar o filho um grande jogador de futebol. 2.5.5.3 - Fábulas Fábulas são histórias fantásticas cujos personagens são animais que, nessas histórias, sentem, agem e pensam como os seres humanos. As fábulas, por serem uma das mais antigas maneiras de contar histórias, veiculam uma norma de conduta para a essência humana, para expressar suas emoções e sentimentos; contêm um fundo moral para a educação humana e criticam os valores de nossa sociedade. O objetivo de trabalhar com fábulas é incentivar o aluno a reconhecer o aprendizado proposto pela conclusão da fábula. 33 unidade 2 a) A Formiga e a Pomba Uma Formiga estava na margem de um rio bebendo água, e sendo arrastada pela forte correnteza, estava prestes a se afogar. Uma Pomba, que estava em uma árvore, sobre a água observando tudo, arranca uma folha e a deixa cair na correnteza perto da mesma. Subindo na folha a Formiga flutua em segurança até a margem. Eis que pouco tempo depois, um caçador de pássaros, escondido pelas folhas da árvore, se prepara para apanhar a Pomba, colocando visgo no galho onde ela descansa, sem que ela perceba o perigo. A Formiga, percebendo sua intenção, dá-lhe uma ferroada no pé. Do susto, ele deixa cair sua armadilha de visgo, e isso dá chance para que a Pomba acorde e voe para longe, a salvo. Autor: Esopo Fonte: <http://cantinhodasfabulas.vilabol.uol.com.br/aformigaeapomba.html>. Acesso em 14 abr. 2011. Moral da História:__________________________________________________ b) O Carvalho e os Juncos Um enorme carvalho, ao ser puxado do chão pela força de forte ventania, rio abaixo é levado pela correnteza. Arrastado pelas águas, ele cruza com alguns Juncos, e em tom de pranto exclama: Gostaria de ser como vocês, que, de tão delicados e esguios, não são de modo algum afetados por estes fortes ventos. 34 E eles responderam: - Você competiu e lutou com o vento, por isso mesmo foi destruído. Nós, ao contrário, nos curvamos, mesmo diante do mais leve sopro da brisa, e por essa razão permanecemos inteiros e a salvo. Autor: Esopo Fonte: <http://cantinhodasfabulas.vilabol.uol.com.br/ocarvalhoeosjuncos.html>. Acesso em 14 abr. 2011. Moral da História: _______________________________________________ NA SUA OPINIÃO, COMO PODERÍAMOS TRABALHAR COM FÁBULAS NA ESCOLA? COMPARE SEUS COMENTÁRIOS COM OS DE SEUS COLEGAS. 2.5.5.4 - Conto Conto é uma narrativa curta que apresenta os mesmos elementos de um romance: narrador, personagens, enredo, espaço e tempo. Diferencia-se do romance pela sua concisão, linearidade e unidade: o conto deve construir uma história focada em um conflito básico e apresentar o desenvolvimento e resolução desse conflito. O objetivo de trabalhar com contos é o de apresentar ao aluno uma forma curta de narrativa. O caboclo, o padre e o estudante Um estudante e um padre viajavam pelo sertão, tendo como bagageiro um caboclo. Deram-lhes, numa casa, um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividi-lo, mesmo porque chegaria um pequenino pedaço para cada um, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito, pensando engabelar todos com os seus recursos oratórios. Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o. Pela manhã, os três sentaram-se à mesa para tomar café e cada qual teve que contar o seu sonho. O padre disse ter sonhado com a escada de Jacó e descreveu-a brilhantemente. Por ela ele subia triunfalmente para o céu. O estudante, então, 35 unidade 2 narrou que sonhara estar já dentro do céu à espera do padre que subia. O caboclo sorriu e falou: – Eu sonhei que via “seu” padre subindo a escada e ”seu” doutor lá dentro do céu, rodeado de amigos. Eu ficava na terra e gritava: – “Seu” doutor, “seu” padre, o queijo! Vosmincês esqueceram o queijo. Então vosmincês respondiam de longe, do céu: – Come o queijo, caboclo! Come o queijo caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo. “O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, levantei- me, enquanto vosmincês dormiam e comi o queijo. (Luís da Câmara Cascudo)Fonte: <http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Regionais/108800/Documentos/ melhortexto2009/ciclo1/caboclo.pdf>. Acesso em 14/04/2011. Trabalhando o texto Quais são os personagens do texto? Por que o queijo de cabra tornou-se um problema? Que solução foi dada pelo padre para resolver a questão? O desfecho do texto é surpreendente em relação ao que se esperava que acontecesse entre os três personagens caracterizados logo no início? COMENTE SUAS RESPOSTAS NO FÓRUM DA TURMA. 2.5.5.4 - Poemas O poema é uma obra em verso. O poema, depois de criado, existe por si, em si mesmo, ao alcance de qualquer leitor. Os poetas têm escrito poemas de vários tipos. Dois deles, entretanto, são considerados os principais: o poema lírico e o poema narrativo. Alguns críticos acrescentam, como um terceiro tipo, o poema dramático. Há textos poéticos onde os versos têm rima e em outros não. 36 Leia os poemas a seguir. a) CIDADEZINHA QUALQUER (Carlos Drummond de Andrade) Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar.Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar ... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. Fonte: <http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm6.html>. Acesso em 12/04/2011. b) O ADOLESCENTE (Mário Quintana) A vida é tão bela que chega a dar medo.Não o medo que paralisa e gela,estátua súbita,masesse medo fascinante e fremente de curiosidade que fazo jovem felino seguir para a frente farejando o ventoao sair, a primeira vez, da gruta.Medo que ofusca: luz!Cumplicemente,as folhas contam-te um segredovelho como o mundo:Adolescente, olha! A vida é nova...A vida é nova e anda nua - vestida apenas com o teu desejo! Fonte: <http://quintanaeterno.blogspot.com/2009/01/o-adolescente.html>. Acesso em 12/04/2011. 37 unidade 2 Trabalhando com os textos REFLITA SOBRE OS TÍTULOS DOS POEMAS. ELES PODERIAM SER EXPLORADOS NA ESCOLA? COMO? EXPONHA SUA OPINIÃO NO FÓRUM DA TURMA. COMPARE SEUS COMENTÁRIOS COM OS DE SEUS COLEGAS. 2.5.5.5 - Letra de Música A música popular brasileira é das mais ricas do planeta, em termos de melodia, ritmo e/ou temática. Trabalhar a “leitura” de músicas tem como objetivo fazer com que o aluno, ouvindo e cantando, perceba que em qualquer tipo de canção há temas para reflexão. Tente Outra Vez - Raul Seixas Fonte: <http://letras.terra.com.br/raul-seixas/48334/>. Acesso em: 12 abr. 2011. Conversando sobreo texto • Observe no texto as palavras de sentido positivo. Selecione 3. Justifique a sua escolha. • Cite três argumentos que justificam o tentar novamente. • O que você entende por “não pense que a cabeça aguenta, se você parar”? Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira Bailando no ar Queira Basta ser sincero e desejar profundo Você será capaz de sacudir o mundo, vai Tente outra vez Tente E não diga que a vitória está perdida Se é de batalhas que se vive a vida Tente outra vez Veja Não diga que a canção está perdida Tenha fé em Deus, tenha fé na vida Tente outra vez Beba Pois a água viva ainda está na fonte Você tem dois pés para cruzar a ponte Nada acabou, não, não, não, não Tente Levante sua mão sedenta e recomece a andar Não pense que a cabeça agüenta se você parar, não, não, não, não 38 • A palavra TENTE repete-se várias vezes. Qual seria a intenção do poeta com esta repetição? DISCUTA SUAS RESPOSTAS COM OS COLEGAS. 2.5.5.7 – Trabalhando com peça teatral JUDAS EM SÁBADO DE ALELUIA Luis Carlos Martins Pena CENA IV[...]FAUSTINO – Maricota...MARICOTA – Fui bem desgraçada em dar meu coração a um ingrato!FAUSTINO, enternecido – Maricota!MARICOTA – Se eu pudesse arrancar do peito esta paixão...FAUSTINO – Maricota, eis-me a teus pés! (Ajoelha-se, e enquanto fala, Maricota ri-se, sem que ele veja.) Necessito de toda a tua bondade para ser perdoado!MARICOTA – Deixe-me.FAUSTINO – Queres que morra a teus pés? (Batem palmas na escada.)MARICOTA, assustada – Quem será? (Faustino conserva-se de joelhos.)CAPITÃO, na escada, dentro – Dá licença?MARICOTA, assustada – É o capitão Ambrósio! (Para Faustino:) Vá-se embora, vá-se embora! (Vai para dentro, correndo.)FAUSTINO levanta-se e vai atrás dela – Então, o que é isso?... Deixou-me!... Foi-se!... E esta!... Que farei?... (Anda ao redor da sala como procurando onde esconder-se.) Não sei onde esconder-me... (Vai espiar à porta, e daí corre para a janela.) Voltou, e está conversando à porta com um sujeito; mas decerto não deixa de entrar. Em boas estou metido, e daqui não... (Corre para o judas, despe-lhe a casaca e o colete, tira-lhe as botas e o chapéu e arranca-lhe os bigodes.) O que me pilhar tem talento, porque mais tenho eu. (Veste o colete e casaca sobre a sua própria roupa, calça as botas, põe o chapéu armado e arranja os bigodes. Feito isso, esconde o corpo do judas em uma das gavetas da cômoda, onde também esconde o próprio chapéu, e toma o lugar do judas.) Agora pode vir... (Batem.) Ei-lo! (Batem.) Aí vem! 39 unidade 2 CENA V CAPITÃO e FAUSTINO, no lugar do judas. CAPITÃO, entrando – Não há ninguém em casa? Ou estão todos surdos? Já bati palmas duas vezes, e nada de novo! (Tira a barretina e a põe sobre a mesa, e assenta-se na cadeira.) Esperarei. (Olha ao redor de si, dá com os olhos no judas; supõe à primeira vista ser um homem, e levanta-se rapidamente.) Quem é? (Reconhecendo que é um judas:) Ora, ora, ora! E não me enganei com o judas, pensando que era um homem? Oh, oh, está um figurão! E o mais é que está tão bem feito que parece vivo. (Assenta-se.) Onde está esta gente? Preciso falar com o cabo José Pimenta e... ver a filha. Não seria mau que ele [não] estivesse em casa; desejo ter certas explicações com a Maricota. (Aqui aparece na porta da direita Maricota, que espreita, receosa. O capitão a vê e levanta-se.) Ah! CENA VI MARICOTA e os mesmos. MARICOTA, entrando, sempre receosa e olhando para todos os lados – Senhor capitão!CAPITÃO, chegando-se para ela – Desejei ver-te, e a fortuna ajudou-me. (Pegando-lhe na mão:) Mas que tens? Estás receosa! Teu pai?MARICOTA, receosa – Saiu.CAPITÃO – Que temes então?MARICOTA adianta-se e como que procura um objeto com os olhos pelos cantos da sala – Eu? Nada. Estou procurando o gato...CAPITÃO, largando-lhe a mão – O gato? E por causa do gato recebe-me com esta indiferença?MARICOTA, à parte – Saiu. (Para o capitão:) Ainda em cima zanga-se comigo! Por sua causa é que eu estou nestes sustos.CAPITÃO – Por minha causa?MARICOTA – Sim.CAPITÃO – E é também por minha causa que procura o gato? 40 MARICOTA – É, sim!CAPITÃO – Essa agora é melhor! Explique-se...MARICOTA, à parte – Em que me fui eu meter! O que lhe hei de dizer?CAPITÃO – Então?MARICOTA – Lembra-se...CAPITÃO – De quê?MARICOTA – Da... da... daquela carta que escreveu-me anteontem, em que me aconselhava que fugisse da casa de meu pai para a sua?CAPITÃO – E o que tem?MARICOTA – Guardei-a na gavetinha do meu espelho e, como a deixasse aberta, o gato, brincando, sacou-me a carta; porque ele tem esse costume...CAPITÃO – Oh, mas isso não é graça! Procuremos o gato. A carta estava assinada e pode comprometer-me. É a última vez que tal me acontece! (Puxa a espada e principia a procurar o gato). Fonte: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/martins-pena/o-judas-em-sabado- de-aleluia.php>. Acesso em: 13 abr. 2011. Estudo do texto Apesar de não ter lido as primeiras cenas do texto, você pode entender o que se passou anteriormente. • Como você definiria a relação entre Maricota e Faustino? • Que papel representa o Capitão nessa peça teatral? COMO PODERÍAMOS EXPLORAR ESSE TEXTO EM SALA DE AULA? DISCUTA SUA OPINIÃO COM SEUS COLEGAS NO FÓRUM DA TURMA. 2.5.5.8 - Resenha crítica A resenha crítica é um gênero argumentativo. Ela expressa uma opinião ou tese sobre um produto cultural (livro, filme, peça, show, música etc.) e apresenta argumentos que justificam essa opinião. 41 unidade 2 Fonte: Jornal “O GLOBO”. 30 mar. 2011 Avalie o conteúdo da resenha • Foram apresentados mais pontos positivos ou negativos da peça? • Pensando em sua resposta anterior, conclua: a avaliação final da peça é coerente com aquilo que a resenha apresenta? Por quê? ESSE TIPO DE TEXTO PODERIA SER USADO EM SALA? COMO? EXPONHA SUA OPINIÃO E DISCUTA-A COM OS COLEGAS NO FÓRUM. 42 ATIVIDADEA unidade 2 apresenta diferentes tipos de textos sugerindo sua possível utilização em nossa prática cotidiana.1. Qual sua opinião sobre as sugestões apresentadas?2. A partir de um gênero textual de sua escolha, elabore um exercício de verificação de apreensão de leitura para aplicação. 43 Propostas de produção escrita ObjetivoTrabalhar a prática da escrita em diferentes gêneros de produção unidade 3 45 Propostas de produção escrita Com base nos trabalhos de leitura realizada, faremos agora, nós também, exercícios de produção escrita. Lembramos que as unidades propostas no desenvolvimento da leitura podem ser exploradas e trabalhadas na produção escrita. 3.1- Pontuação Os sinais de pontuação servem para marcar pausas (a vírgula, o ponto e vírgula, o ponto) ou a melodia da frase (o ponto de exclamação, o ponto de interrogação etc.). Geralmente, estão ligados à organização sintática dos termos na frase, eles são regidos por regras. Assim, é necessário trabalhar com os alunos a necessidade de seu bom emprego para a melhor compreensão do que é lido ou escrito. Leia o texto que nos fala sobre os sinais de pontuação. E veja como esse trabalho pode ser descontraído e prazeroso Quem é importante Certo dia, num caderno, Numa página interna, Deu-se a grande reunião Dos sinais de pontuação, Para decidir, no instante, Qual é o mais importante. Chegou correndo, afobadão, O Ponto de Exclamação, Bufando, muito excitado, Entusiasmado ou assustado: - Socorro! - Viva! - Sarava! - Dá o fora! – sempre a berrar! E logo, todo sinuoso, A rebolar-se, entrou pimpão, O enxerido e mui curioso Dom Ponto de Interrogação: - Quem é? - Por quê? - Aonde? - Quando? – ele só vive perguntando... E vêm as Vírgulas dengosas, Muito falantes, muito prosas, E anunciam: - Nós meninas Somos as pausas pequeninas, Que, pelas frases espalhadas, São sempre tão solicitadas! Mas já chegam os Dois Pontos, Ponto e Vírgula, e pronto!Tem início a discussão, Que já dá em confusão: - Sem por cima ter um ponto, Vírgula é um sinal bem tonto! – Ponto e vírgula declara, Arrogante, e fecha a cara. 46 ATIVIDADE 1Crie você mesmo(a), agora, uma forma de trabalhar a pontuação em sala de aula.Discuta sua proposta com os tutores e os colegas no Fórum da turma. 3.2 – História em quadrinhos ATIVIDADE 2De modo a exercitar a criação de discursos diretos, crie as falas das personagens da história em quadrinhos a seguir. - Essa não! Tenha paciência! – Intervêm as Reticências. - Somos nós as importantes, Tanto agora como dantes: Quando falta competência, Botam logo... Reticências! Til e Acento Circunflexo, Numa discussão sem nexo, Cara a cara, bravos, quase Se engalfinham. Mas a Crase Corta a briga, ao declarar: - Poucos sabem me empregar! Me respeitem pois bastante, Já que sou tão importante! Mas Dois-Pontos protestou: Importante eu é que sou Eu preparo toda a ação E a e-nu-me-ra-ção! - É aqui que nós entramos! Nós, as Aspas, e avisamos: Sem nossa contribuição Não existe citação! A Cedilha e o Travessão Já se enfrentaram, mas então, Bem na hora, firme e pronto Se apresenta o senhor Ponto: - Importante é o meu sinal. Basta. Fim. PONTO FINAL. Tatiana Belinki, Di-versos russos. São Paulo: Scipione, 1994 47 unidade 3 Fonte: PASSOS, Célia & SILVA, Zeneide – “Coleção Eu Gosto Integrado” 4ª série-Ed.IBEP, 2006 Envie o diálogo criado ao tutor da turma. 3.3 - Propagandas ATIVIDADE 3Elabore um anúncio para a venda de cada item:Uma casa Um carro Um utensílio doméstico 3.4 - Fábula O galo e a águia Dois galos estavam disputando em feroz luta o direito de comandar o galinheiro de uma chácara. Por fim, um põe o outro para correr e é o vencedor. O Galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado do galinheiro. 48 O vencedor, voando até o alto de um muro, bateu as asas e, exultante, cantou com toda força. Uma Águia que pairava ali perto lançou-se sobre ele e com um golpe certeiro levou-o preso em suas poderosas garras. O Galo derrotado saiu do seu canto e daí em diante reinou absoluto, livre de concorrência. Autor: Esopo Fonte: <http://cantinhodasfabulas.vilabol.uol.com.br/ogalodebrigaeaaguia.html>. cantinhodasfabulas.vilabol.uol.com.br. Acesso em 14/04/2011. Moral da História: _______________________________________________ O orgulho e a arrogância são o caminho mais curto para a ruína e o infortúnio. ATIVIDADE 4Crie, agora, SUA fábula.Lembre-se de que toda fábula tem uma mensagem moral a ser difundida.Apresente sua história no Fórum da turma. 3.5- Notícias de jornal Diferentemente dos textos de ficção, das fábulas, os jornais devem dar informações precisas sobre os fatos, fornecendo o maior número de dados no menor espaço possível. Vejamos uma notícia difundida em diferentes meios de comunicação:DESARMAMENTO INFANTIL 49 unidade 3 Fonte: Jornal “O GLOBO”. 13 abr. 2011. ATIVIDADE 5Faça uma leitura crítica do texto.Destaque pontos positivos e negativos.Pesquise na internet para saber mais sobre o desarmamento infantil.Discuta a proposta da Campanha “Desarmamento Infantil” do Instituto Sou da Paz com os tutores e os colegas no Fórum da turma.Elabore um texto sobre o assunto a partir de suas leituras e experiências cotidianas. 3.6 - Crônicas Temos que estimular nossos alunos a analisar criticamente eventos de seu cotidiano. 50 Façamos uma breve prática antes de aplicá-lo. Observe as imagens abaixo. Elas são relacionadas a disputas esportivas que mobilizam no público uma variedade de reações e sentimentos. Fonte: Jornal “O GLOBO”. 13 abr. 2011. ATIVIDADE 5Escreva uma crônica a respeito de um jogo da modalidade de sua preferência. Para isso, você deverá descrever e analisar os fatos que conferiram emoção à partida. A abordagem do tema deverá ser feita de forma espontânea e subjetiva. Roteiro para a elaboração do texto • Qual jogo foi escolhido? • Que características desse jogo merecem ser destacadas: algum jogador, a arbitragem, os torcedores, um time em especial? 51 unidade 3 • Qual será o tom da sua crítica: como torcedor, como admirador, com descontração, com otimismo, como desabafo, como deboche? Ao escrever o texto, lembre-se: • Sua crônica deve ter um título. • Pode fazer referência a atletas, agremiações, lugares, jogo analisado, explicando, se for necessário. • Além da descrição de lances, você deve fazer uma análise pessoal da partida selecionada. • Você pode ilustrar com recorte de revista, jornal ou com uma fotografia. Avalie o que você escreveu e veja se há necessidade da reescrita. Envie seu texto ao fórum da turma da turma. 3.7 - Resenha crítica Vamos exercitar agora a análise crítica em forma de resenha. Pense em algum filme, livro, ou peça teatral você que tenha visto...... e faça uma resenha crítica. A resenha deverá conter • Nome do livro • Autor • Editora • Data de publicação • Número de páginas Complete com informações que farão parte da sua resenha: • Tema do livro e a que público se destina • Sua opinião sobre o livro • Características do livro que justificam a sua opinião sobre ele 52 Destaque sempre pontos positivos e/ou negativos. Crie um título, que deverá vir antes do conteúdo da resenha, e apresente a opinião que será defendida. Avalie e reescreva o texto. Para avaliar sua produção, siga respondendo as seguintes perguntas: • Há informações básicas sobre a obra? • Seu ponto de vista sobre o livro está claro? • Apresentou argumentos para justificar seu ponto de vista? • Procurou escrever de forma impessoal? • Você acredita que a sua resenha convence o leitor a respeito do seu ponto de vista? Depois de sua releitura, faça as modificações necessárias e envie seu texto ao seu tutor e a seus colegas. 53 unidade 3 3.8 – Uma leitura árdua: os gráficos Fonte: Jornal “O GLOBO”. 13 abr. 2011. Analisando os gráficos, podemos verificar que houve um crescimento de óbitos em acidentes de trânsito no Brasil. • Observar e comparar óbitos durante a década de 1998 a 2008:a) De pedestresb) Em acidentes de automóvelc) Em acidentes de motociclistad) E acidentes de ciclista • Com base na observação do gráfico, elabore três possíveis causas para esse resultado e sugira soluções. Envie seu texto ao tutor 54 ATIVIDADE 1) Crie um exercício para seus alunosA partir de um texto de sua escolha, elabore um exercício de expressão escrita para aplicação em sala. 2) AutoavaliaçãoO conteúdo da disciplina atendeu às suas expectativas?Destaque pontos positivos e negativos.As discussões no fórum foram proveitosas?Como foi sua participação nessas discussões?Como se deu sua atuação nas atividades propostas?Concluindo a disciplina, você diria que ela foi útil a seu trabalho em sala? 55 Pra final de conversa Prezado(a) Colega/Estudante Concluímos aqui nossas atividades da disciplina “Leitura e Produção de Texto”, do curso de PRÁTICAS DE LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO. Esperamos que as propostas tenham efetivamente estimulado questões e reflexões sobre as possibilidades de compreensão e escrita. Para finalizar nosso trabalho, propomos uma última atividade. Gostaríamos também de contar com a avaliação do (a) colega sobre a disciplina e sobre sua atuação nela. Assim, pedimos que você elabore um texto sobre este período de estudos, no qual sejam respondidas as questões propostas abaixo, e o poste na plataforma. Até a próxima! Um abraço,Claudia Braga 56 REFERÊNCIAS BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BUIN, Edilaine. Aquisição da escrita: a coerência e a coesão. São Paulo: Contexto, 2002. CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o Babébibóbu. São Paulo: Scipione, 2005. GOODMAN, Kenneth S. O processo de leitura: considerações a respeito da língua e desenvolvimento.In: FERREIRO, Emilia; PALÁCIO, Margarida G. Os processos de leitura e escrita: novas perspectivas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. ______. & KOCH, Ingedore V. Linguística textual: uma introdução. São Paulo: Cortez, 1994. KOCH, Ingedore G.V.; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989. LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993. Revista VEJA, n. 2177. São Paulo: Editora Abril, 11 ago. 2010. (pp. 94-101). SOARES, Magda. Português: uma proposta para o letramento. São Paulo: Moderna, 2002. SILVA, E. T. A Produção da Leitura na Escola. São Paulo: Ática, 1996. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.