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Questões resolvidas

Se dois bens precisam ser usados conjuntamente em proporções fixas, suas curvas de indiferença para um consumidor são representadas por linhas retas com taxas marginais de substituição constantes. Comente.

Suponhamos que a função de utilidade de um consumidor, com renda de 48 reais, seja 22),( yxyyxU  , e que o preço do bem x é 4 reais e o preço do bem y é 5 reais. a) Quais serão as quantidades consumidas de cada um dos bens caso o consumidor maximize sua utilidade.

Desenhe a curva de preço-consumo supondo que y seja um bem inferior (mantenha o preço de x constante).

A função de utilidade de um consumidor é xyyxyxU 52),( 22  . Supondo que ele maximiza sua utilidade e que os preços de x e y são, respectivamente, 5 e 10, e que sua renda é de 120 reais, obtenha as quantidades consumidas.

Discuta a afirmação: "Todo bem de Giffen é um bem inferior mas nem todo bem inferior é um bem de Giffen".

Seja a curva de Engel expressa por x k b 3, onde k é uma constante positiva e b é a renda. Indique, justificando sua resposta, que tipo de bem (normal, inferior ou superior) pode ser representado por essa função.

Como é que uma curva de demanda pode ser construída a partir da uma curva de preço-consumo?

Comente as afirmativas abaixo. a) Caso se mantenha constante a renda real do consumidor, uma modificação nos preços relativos dos produtos não terá nenhum efeito sobre as quantidades por ele consumidas de cada bem.

b) É possível que a demanda de um bem em particular seja ao mesmo tempo preço-elástica e preço-inelástica.

Quais as propriedades das curvas de indiferença?
- não se cruzam. Se isso ocorresse, teríamos uma inconsistência lógica com o axioma da transitividade.
- substitutibilidade no consumo: o consumidor pode substituir um bem pelo outro de forma que permaneça na mesma curva de indiferença.
- são densas no espaço de consumo, ou seja, por cada ponto no espaço de mercadorias passa uma curva de indiferença.
- são estritamente convexas (preferência pela diversificação).

Explique o sinal da elasticidade preço cruzada para bens substitutos e complementares.

A elasticidade-renda da procura de batatas é negativa e a da carne positiva. Se a oferta de ambos os produtos é rígida, o preço da carne em relação ao da batata subirá nas épocas de prosperidade econômica e baixará nos de depressão. Afirmativa correta ou errada?

A manteiga e a margarina são substitutos próximos; isso significa que as suas curvas de demanda devem ter elasticidades-renda bastante próximas. Afirmativa correta ou errada?

A curva de demanda de um bem será ascendente se a elasticidade-renda for positiva. Afirmativa correta ou errada?

Decomponha graficamente o efeito preço em efeito renda e efeito substituição para bens normais e bens inferiores.

Considere um consumidor residente em Recife, com preferências estritamente convexas. A renda total desse consumidor é constituída por um salário mensal de R$ 400, sendo que o mesmo consome 100 unidades do bem A e 200 unidades do bem B, por mês, com P A = 2 reais e PB = 1 real, o que lhe fornece um nível de utilidade U = 40. A empresa onde ele trabalha pretende transferi-lo para São Paulo, onde P A = 1 real e PB = 2 reais. Caso isso ocorra, ele passaria a consumir 200 unidades do bem A e 100 unidades do bem B, o que lhe propiciaria um nível de utilidade de U = 20. Comente as afirmações.

Dado que em Recife U = 40 e em São Paulo U = 20, pode-se afirmar que a sua situação em Recife é duas vezes melhor do que aquela que obteria em São Paulo.

Através de uma política cultural, o Governo pretende incentivar o retorno das pessoas ao cinemas. Após alguns estudos, chegou-se à conclusão de que a elasticidade-renda de demanda per capita de cinema é constante e igual a 1/4 e a elasticidade-preço é também constante e igual a -1. Os consumidores gastam, em média, R$ 200,00 por ano com cinema, tem renda média anual de R$ 12000,00, e cada bilhete custa atualmente R$2,00. Comente as afirmações.

Se o governo pretendesse desincentivar a ida ao cinema, a instituição de um imposto de 100% sobre o preço do bilhete faria com que os consumidores deixassem de ir ao cinema.

Se um consumidor é neutro com respeito a riscos, então ele estará disposto a pagar R$ 10 por um bilhete de loteria, se este lhe fornecer um ganho esperado de R$ 10,00.

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Questões resolvidas

Se dois bens precisam ser usados conjuntamente em proporções fixas, suas curvas de indiferença para um consumidor são representadas por linhas retas com taxas marginais de substituição constantes. Comente.

Suponhamos que a função de utilidade de um consumidor, com renda de 48 reais, seja 22),( yxyyxU  , e que o preço do bem x é 4 reais e o preço do bem y é 5 reais. a) Quais serão as quantidades consumidas de cada um dos bens caso o consumidor maximize sua utilidade.

Desenhe a curva de preço-consumo supondo que y seja um bem inferior (mantenha o preço de x constante).

A função de utilidade de um consumidor é xyyxyxU 52),( 22  . Supondo que ele maximiza sua utilidade e que os preços de x e y são, respectivamente, 5 e 10, e que sua renda é de 120 reais, obtenha as quantidades consumidas.

Discuta a afirmação: "Todo bem de Giffen é um bem inferior mas nem todo bem inferior é um bem de Giffen".

Seja a curva de Engel expressa por x k b 3, onde k é uma constante positiva e b é a renda. Indique, justificando sua resposta, que tipo de bem (normal, inferior ou superior) pode ser representado por essa função.

Como é que uma curva de demanda pode ser construída a partir da uma curva de preço-consumo?

Comente as afirmativas abaixo. a) Caso se mantenha constante a renda real do consumidor, uma modificação nos preços relativos dos produtos não terá nenhum efeito sobre as quantidades por ele consumidas de cada bem.

b) É possível que a demanda de um bem em particular seja ao mesmo tempo preço-elástica e preço-inelástica.

Quais as propriedades das curvas de indiferença?
- não se cruzam. Se isso ocorresse, teríamos uma inconsistência lógica com o axioma da transitividade.
- substitutibilidade no consumo: o consumidor pode substituir um bem pelo outro de forma que permaneça na mesma curva de indiferença.
- são densas no espaço de consumo, ou seja, por cada ponto no espaço de mercadorias passa uma curva de indiferença.
- são estritamente convexas (preferência pela diversificação).

Explique o sinal da elasticidade preço cruzada para bens substitutos e complementares.

A elasticidade-renda da procura de batatas é negativa e a da carne positiva. Se a oferta de ambos os produtos é rígida, o preço da carne em relação ao da batata subirá nas épocas de prosperidade econômica e baixará nos de depressão. Afirmativa correta ou errada?

A manteiga e a margarina são substitutos próximos; isso significa que as suas curvas de demanda devem ter elasticidades-renda bastante próximas. Afirmativa correta ou errada?

A curva de demanda de um bem será ascendente se a elasticidade-renda for positiva. Afirmativa correta ou errada?

Decomponha graficamente o efeito preço em efeito renda e efeito substituição para bens normais e bens inferiores.

Considere um consumidor residente em Recife, com preferências estritamente convexas. A renda total desse consumidor é constituída por um salário mensal de R$ 400, sendo que o mesmo consome 100 unidades do bem A e 200 unidades do bem B, por mês, com P A = 2 reais e PB = 1 real, o que lhe fornece um nível de utilidade U = 40. A empresa onde ele trabalha pretende transferi-lo para São Paulo, onde P A = 1 real e PB = 2 reais. Caso isso ocorra, ele passaria a consumir 200 unidades do bem A e 100 unidades do bem B, o que lhe propiciaria um nível de utilidade de U = 20. Comente as afirmações.

Dado que em Recife U = 40 e em São Paulo U = 20, pode-se afirmar que a sua situação em Recife é duas vezes melhor do que aquela que obteria em São Paulo.

Através de uma política cultural, o Governo pretende incentivar o retorno das pessoas ao cinemas. Após alguns estudos, chegou-se à conclusão de que a elasticidade-renda de demanda per capita de cinema é constante e igual a 1/4 e a elasticidade-preço é também constante e igual a -1. Os consumidores gastam, em média, R$ 200,00 por ano com cinema, tem renda média anual de R$ 12000,00, e cada bilhete custa atualmente R$2,00. Comente as afirmações.

Se o governo pretendesse desincentivar a ida ao cinema, a instituição de um imposto de 100% sobre o preço do bilhete faria com que os consumidores deixassem de ir ao cinema.

Se um consumidor é neutro com respeito a riscos, então ele estará disposto a pagar R$ 10 por um bilhete de loteria, se este lhe fornecer um ganho esperado de R$ 10,00.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
DEPARTAMENTO DE ECONOMIA 
ECO 277 TEORIA MICROECONÔMICA I 
PROF. MARCELO S. PORTUGAL 
 
LISTA DE EXERCÍCIOS NÚMERO 2 – SOLUÇÃO 
 
1. Obtenha a cesta que maximiza a utilidade do consumidor que tem uma renda 
monetária b = 51 reais e a função de utilidade 
212121 2),( qqqqqqU 
, quando os 
preços são p1 = 2 e p2 = 5. Verifique as condições de segunda ordem. Qual é a utilidade 
marginal da renda? 
Solução: 
 
 
5152:..
2,max
21
212121


qqas
qqqqqqU 
 
O Lagrangeano desse problema é: 
 
 212121 52512 qqqqqqL   
 
As condições de 1ª. ordem são dadas por: 
0212
1


 q
q
L
 (I) 
0521
2


 q
q
L
 (II) 
05251 21 


qq
L

 (III) 
 
De (I): 
2
12 
q

 (IV) 
 
De (II): 
5
21 
q

 (V) 
 
Igualando (IV) e (V): 
5
2
2
1 12 
 qq
 
4255 12  qq
 
152 21  qq
 
2
15 2
1


q
q
 (VI) 
 
Substituindo (VI) em (III): 
2 
515
2
15
2 2
2 




 
q
q
 
51515 22  qq
 
5010 2 q
 
52 q
 (VII) 
 
 
Substituindo (VI) em (VI): 
2
125
1

q
 
131 q
 
 
 
A cesta ótima é, portanto, (13,5). 
 
Condições de 2ª. ordem: 
 
 
0
5,13
2
1
2



q
L
 
 
   
1
5,1312
2
5,1321
2






qq
L
qq
L
 
 
 
0
5,13
2
2
2



q
L
 
 
 
201010
15
02
20
015
102
520
015
102
520
H
 
 
 
Assim, como 
02 H
, trata-se realmente de um ponto de máximo. 
 
A utilidade marginal da renda é dada pelo multiplicador de Lagrange, 

. 
Representa a utilidade extra gerada quando a renda aumenta em uma unidade monetária 
(em quanto aumenta a função objetivo quando relaxamos a restrição em uma unidade). 
Vejamos isso matematicamente. Diferenciando totalmente a utilidade com 
relação à renda, temos. 
 
 
db
dq
q
U
db
dq
q
U
db
dU 2
2
1
1 





 
 
3 
 
Da condição de 1ª. ordem do problema de maximização da utilidade, temos que: 
 
0





i
ii
p
q
U
q
L 
 
 
Portanto: 
i
i
p
q
U



 
Substituindo 
1q
U


 por 
1p
 e 
2q
U


 por 
2p
, temos: 
 
db
dq
p
db
dq
p
db
dU 2
2
1
1  
 
 
Colocando 

 em evidência: 
 







db
dq
p
db
dq
p
db
dU 2
2
1
1
 
 
Supondo que 
2211 dqpdqpdb 
, ou seja, uma variação na renda é dividida 
entre o consumo de ambos os bens, temos: 
 










2211
2
2
2211
1
1
dqpdqp
dq
p
dqpdqp
dq
p
db
dU 
 
 









2211
2211
dqpdqp
dqpdqp
db
dU 
 
 

db
dU
 
 
Ou seja: 
 
 rendaUMg
 
 
E para encontrar o valor de 

, podemos usar tanto (IV) quanto (V): 
 
rendaUMg

=
5
2
2
1 12 
 qq
= 3 
 
Portanto, se o consumidor dispusesse de uma unidade monetária adicional de 
renda, a sua utilidade seria aumentada em 3 unidades. 
 
 
4 
2. Se dois bens precisam ser usados conjuntamente em proporções fixas, suas curvas de 
indiferença para um consumidor são representadas por linhas retas com taxas marginais 
de substituição constantes. Comente. 
Resposta: 
Se os bens precisam ser usados conjuntamente, então eles são complementares. 
Como exemplos, podemos citar: chá e açúcar, carro e gasolina, etc.. Nesse caso, suas 
curvas de indiferença serão dadas por linhas que formam ângulos retos, como mostra a 
figura abaixo: 
 
 
 
 
Note-se que, nesse caso, o consumidor não possui taxa marginal de substituição, 
já que não é possível substituir um bem pelo outro e permanecer na mesma curva de 
indiferença (para aumentar a quantidade de um bem, é preciso aumentar também a 
quantidade do outro). 
 
 Curvas de indiferença representadas por linhas retas referem-se a bens 
substitutos, e estes apresentam taxas marginais de substituição constantes. 
 
 
3. Suponhamos que a função de utilidade de um consumidor, com renda de 48 reais, seja 
22),( yxyyxU 
, e que o preço do bem x é 4 reais e o preço do bem y é 5 reais. 
a) Quais serão as quantidades consumidas de cada um dos bens caso o consumidor 
maximize sua utilidade. 
Solução: 
 
4854:..
2max 2


yxas
yxy
 
 
O Lagrangeano desse problema é dado por: 
 yxyxyL 54482 2   
 
Condição de 1ª. ordem: 
 
042 

 y
x
L
 (I) 
0522 

 yx
y
L
 (II) 
05448 


yx
L

 (III) 
5 
 
De (I): 
24
2 yy

 (IV) 
 
E de (II): 
5
22 yx 

 (V) 
 
Igualando (IV) e (V): 
 
5
22
2
yxy 

 
yxy 445 
 
xy 4
 (VI) 
 
Substituindo (VI) em (III): 
  48454  xx
 
48204  xx
 
4824 x
 
2x
 (VII) 
 
Usando (VII) em (VI): 
24y
 
8y
 
 
 Assim, caso o consumidor maximize a sua utilidade, a quantidades consumidas 
de x e y serão, respectivamente, 2 e 8. 
 
 
b) Desenhe a curva de preço-consumo supondo que y seja um bem inferior (mantenha o 
preço de x constante). 
Resposta: 
 Se y é um bem inferior, então um aumento na renda provoca uma queda em sua 
demanda, ou seja, o efeito-renda é negativo. Note-se, porém, que apesar do efeito renda 
ser negativo, no caso geral de bens inferiores, ele não supera o efeito substituição a 
ponto de tornar a curva de demanda positivamente inclinada. Isso ocorre apenas no caso 
especial dos bens de Giffen, onde o efeito renda supera o efeito substituição, gerando 
uma curva de demanda positivamente inclinada. Dessa forma, considerando o caso 
“geral” de bens inferiores, a curva de preço consumo de y deverá gerar uma curva de 
demanda negativamente inclinada. 
 Para desenhar a curva de preço consumo, variamos o preço de y e vemos o que 
acontece com a sua quantidade demandada, lembrando que a renda nominal deve 
permanecer constante. Assim, supondo que y é um bem inferior, a sua curva de preço 
consumo será algo da forma: 
 
6 
 
 
 
 
4. A função de utilidade de um consumidor é 
xyyxyxU 52),( 22 
. Supondo que 
ele maximiza sua utilidade e que os preços de x e y são, respectivamente, 5 e 10, e que 
sua renda é de 120 reais, obtenha as quantidades consumidas. 
Solução: 
 
120105:..
52:.max 22


yxas
xyyx
 
 
 O Lagrangeano do problema é dado por: 
 
 yxxyyxL 10512052 22   
 
Condições de 1ª. ordem: 
 
0552 

 yx
x
L
 (I) 
01054 

 xy
y
L
 (II) 
0105120 


yx
L

 (III) 
 
 
De (I) temos: 
 
yx 525 
 
5
52 yx 

 (IV) 
 
E de (II): 
 
xy 5410 
 
10
54 xy 

 (V) 
7 
 
Como 
 
: 
 
10
54
5
52 xyyx 


 
xyyx 54104 
 
yx 6
 (VI) 
 
 
Substituindo (VI) em (III): 
 
  1201065  yy
 
1201030  yy
 
3y
 (VII) 
 
Assim: 
36x
 
18x
 
 
 A cesta ótima é, portanto: (18,3). 
 
 
5. Discuta a afirmação: "Todo bem de Giffen é um bem inferior mas nem todo bem 
inferior é um bem de Giffen". 
Resposta:A afirmação está correta. Sabemos que um bem inferior apresenta o efeito renda 
negativo (aumento da renda provoca diminuição da demanda). O bem de Giffen é um 
bem tão inferior, que o efeito renda supera o efeito substituição. Assim, dada uma 
variação positiva no preço do bem, a sua demanda irá aumentar e, dessa forma, a curva 
de demanda será positivamente inclinada. Portanto, bens de Giffen são um caso 
particular dos bens inferiores. 
 
 
6. Seja a curva de Engel expressa por 
x k b 3
, onde k é uma constante positiva e b é 
a renda. Indique, justificando sua resposta, que tipo de bem (normal, inferior ou 
superior) pode ser representado por essa função. 
Solução: 
 
Vamos variar a renda e verificar o que acontece com a quantidade consumida: 
 
  0
32
3
2
2
1




 
b
k
b
k
b
x
 
 
Como a derivada primeira da curva de Engel é positiva, temos que um aumento 
na renda do consumidor leva a um aumento na quantidade consumida do bem. Assim, o 
bem x não pode ser um bem inferior. Para verificar se o bem é normal ou superior (de 
luxo), vejamos o comportamento da derivada segunda: 
 
8 
 
 
0
34
3
4 3
2
3
2
2




 
b
k
b
k
b
x
 
 
 Como a derivada segunda da curva de Engel é negativa, a quantidade consumida 
do bem cresce a taxas decrescentes, o que caracteriza um bem normal. 
 
 
7. Como é que uma curva de demanda pode ser construída a partir da uma curva de 
preço-consumo? 
Resposta: 
A curva de preço consumo fornece a quantidade demandada do bem para diferentes 
níveis de preços. Assim, para construir a curva de demanda a partir da curva de preço 
consumo, basta transportamos essa informação para o gráfico cuja abscissa é o preço e a 
ordenada é a quantidade, como mostra a figura abaixo: 
 
 
 
 
8. Comente as afirmativas abaixo. 
a) Caso se mantenha constante a renda real do consumidor, uma modificação nos preços 
relativos dos produtos não terá nenhum efeito sobre as quantidades por ele consumidas 
de cada bem. 
Resposta: 
Note que a afirmação se refere exatamente ao efeito substituição, onde a renda real não 
muda, mas apenas a inclinação da reta orçamentária (pois se modificam os preços 
relativos). Essa alteração de preços relativos fará com que o consumidor substitua um 
bem pelo outro, alterando as quantidades por ele consumidas originalmente. Assim, a 
afirmativa é falsa. 
 
b) É possível que a demanda de um bem em particular seja ao mesmo tempo preço-
elástica e preço-inelástica. 
Resposta: 
Para ver que isso é perfeitamente possível, consideremos, por exemplo, a curva de 
demanda linear: 
bpaq 
 
 
Nesse caso, temos que a inclinação da demanda é constante e igual a –b.. 
A elasticidade preço da demanda é dada por: 
9 
q
p
p
q
p



 
 
Que nesse caso é: 
q
bp
p 
 
 
Assim: 
quando 
00  pp 
 
quando 
 pq 0
 
 
E a elasticidade-preço da demanda será unitária quando: 
11 
q
bp
p
 
b
q
p 
 
 
Como 
bpaq 
: 
 
b
bpa
p


 
bpapb 
 
apb 2
 
b
a
p
2

 → ponto médio da curva de demanda. 
 
 
 
 
 
 
 
9. Quais as propriedades das curvas de indiferença? 
Resposta: 
 
As propriedades das curvas de indiferença são as seguintes: 
 
10 
- não se cruzam. Se isso ocorresse, teríamos uma inconsistência lógica com o axioma da 
transitividade: 
 
 
 
 Pelo gráfico acima, A ~ B e A ~ D, pois tais cestas estão nas mesmas curvas de 
indiferença. Considerando o axioma da transitividade, deveríamos observar B ~ D. 
Porém, B 

 D, pois situa-se numa curva de indiferença mais alta. Dessa forma, temos 
uma inconsistência com o axioma da transitividade. Logo, as curvas de indiferença não 
podem se cruzar. 
 
- substitutibilidade no consumo: o consumidor pode substituir um bem pelo outro de 
forma que permaneça na mesma curva de indiferença. 
 
- são densas no espaço de consumo, ou seja, por cada ponto no espaço de mercadorias 
passa uma curva de indiferença. 
 
- são estritamente convexas (preferência pela diversificação). 
 
 
10. Mostre que a elasticidade preço é constante quando a demanda é uma hipérbole do 
tipo 
q kp a 
, onde k e a são constantes, q é a quantidade e p o preço. 
Solução: 
 
A elasticidade-preço da demanda é dada por: 
q
p
akp
q
p
p
q a
p
1



 
 
Como 
q kp a 
, temos: 
a
a
p
kp
p
akp

 1
 
ap 
 
 
 
11. Seja a função de utilidade 
221121 lnln),( xxxxU  
, onde 
 1 2 1 
. Seja p1 
o preço de x1 e p2 o preço de x2 . A renda do consumidor é b, tal que b p x p x 1 1 2 2. 
Derive a curva de demanda por x1 e x2. 
Solução: 
bxpxpas
xx


2211
2211
:..
lnlnmax  
 
11 
O Lagrangeano desse problema é: 
 22112211 lnln xpxpbxxL   
01
1
1
1



p
xx
L 
 (I) 
02
2
2
2



p
xx
L 
 (II) 
02211 


xpxpb
L

 (III) 
 
De (I): 
11
1
px

 
 (IV) 
 
De (II): 
 
22
2
px

 
 (V) 
 
Igualando (IV) e (V): 
22
2
11
1
pxpx


 
112221 pxpx  
 
2
1
2
2
1
1 x
p
p
x



 (VI) 
Substituindo (VI) em (III): 
 
022
12
221
1 





 xp
p
xp
pb

 
bxp
xp






22
2
221

 
bp
p
x 





 2
2
21
2 
 
b
pp
x 




 
2
2221
2 
 
 
b
p
x 




 
2
212
2 
 
Como 
121 
: 
b
px

2
22

 
2
2
2
p
b
x


 - função demanda por x2. 
 
12 
Analogamente, a demanda por x1 será dada por: 
 
1
1
1
p
b
x


 
 
 
12. Resolva o seguinte problema de minimização de gastos para um dado nível de 
utilidade. 
 
min x y
s a xy y
 
 
4 5
2 962

 . .
 
 
Compare os resultados com aqueles obtidos no exercício 3. Como esses dois problemas 
se relacionam? 
Solução: 
 
O Lagrangeano desse problema é dado por: 
 
 229654 yxyyxL   
024 

 y
x
L
 (I) 
0225 


yx
y
L 
 (II) 
 
0296 2 


yxy
L

 (III) 
 
De (I): 
yy
2
2
4

 (IV) 
 
E de (II): 
  522  yx
 
 yx 

2
5

 (V) 
 
Igualando (IV) e (V): 
 yxy 

2
52
 
  yyx 54 
 
yyx 454 
 
4
y
x 
 (VI) 
 
Substituindo (VI) em (III): 
13 
0
4
296 2 





 yy
y
 
96
2
2
2
 y
y
 
96
2
3 2

y
 
3
2
962 y
 
642 y
 
8y
 
 
Como não podemos ter quantidades negativas: 
8y
 
 
Substituindo esse valor em (VI): 
2x
 
 
Assim, obtivemos os mesmos valores do exercício 3. Isso ocorre porque o problema de 
minimização dos gastos é o dual do problema de maximização da utilidade: 
Maximização da utilidade: fixa-se a renda e verifica-se qual é o maior nível de utilidade 
que se pode obter. 
Minimização dos gastos: fixa-se a quantidade e verifica-se qual é a menor reta 
orçamentária que permite atingir tal nível de utilidade. 
 
 
 
 
 
 
13. Comente as seguintes proposições, explicando se e porque são corretas, erradasou 
incertas. 
a) A elasticidade-renda da procura de batatas é negativa e a da carne positiva. Se a oferta 
de ambos os produtos é rígida, o preço da carne em relação ao da batata subirá nas 
épocas de prosperidade econômica e baixará nos de depressão. 
Resposta: 
14 
Temos o seguinte comportamento para os bens: 
 



normal) (bem carne de consumo o aumenta
inferior) (bem batatas de consumo o diminui
renda da Aumento
 
 
 
Considerando a oferta dos produtos rígida, temos que: 
 
Para o mercado de batatas: 
Prosperidade econômica = aumenta da renda 

 diminui o consumo de batatas. Se a 
oferta está rígida, tal diminuição no consumo levará a uma diminuição no preço da 
batata, para manter o mercado em equilíbrio. 
Depressão econômica = diminuição da renda 

 aumenta o consumo de batatas. Se a 
oferta está rígida, tal aumento no consumo de batatas deverá levar a um aumento no seu 
preço, a fim de manter o mercado de batatas em equilíbrio. 
 
Para o mercado de carne: 
Prosperidade econômica = aumenta da renda 

 aumenta o consumo de carne. Se a 
oferta está rígida, tal aumento no consumo levará a uma aumento no preço da batata, 
para manter o mercado em equilíbrio. 
Depressão econômica = diminuição da renda 

 diminui o consumo de carne. Se a 
oferta está rígida, tal aumento no consumo de deverá levar a um aumento no preço da 
carne, a fim de manter o mercado de em equilíbrio. 
 
 Logo, temos o seguinte comportamento do preço da carne em relação ao da 
batata: 
 













batata
carne
batata
carne
batata
carne
batata
carne
p
p
p
p
depressão
p
p
p
p
deprosperida
:
:
 
 
 
 A afirmativa está, portanto, correta. 
 
 
b) A manteiga e a margarina são substitutos próximos; isso significa que as suas curvas 
de demanda devem ter elasticidades-renda bastante próximas. 
Resposta: 
O fato de dois produtos serem substitutos próximos não implica que suas elasticidades-
renda sejam próximas. Se dois bens são substitutos próximos, isso significa que a 
elasticidade-preço cruzada entre eles é positiva e alta, o que não tem implicação sobre a 
elasticidade-renda. 
Substitutos próximos

1
2
2
1
12
q
p
p
q




0 
 
 
c) A curva de demanda de um bem será ascendente se a elasticidade-renda for positiva. 
15 
Resposta: 
A curva de demanda ascendente ocorre apenas para o caso dos bens de Giffen, nos 
quais o efeito renda é negativo e MAIOR que o efeito substituição. No caso “geral” dos 
bens inferiores (os quais possuem elasticidade-renda negativa), a curva de demanda é 
negativamente inclinada, pois o efeito renda negativo não é suficiente para superar o 
efeito substituição. 
Um bem com elasticidade-renda positiva terá SEMPRE uma curva de demanda 
negativamente inclinada (pois o efeito-renda e o efeito substituição agirão na mesma 
direção). 
A afirmativa é, portanto, falsa. 
 
14. Explique o sinal da elasticidade preço cruzada para bens substitutos e 
complementares. 
Resposta: 
A elasticidade preço cruzada é dada por: 
1
2
2
1
12
x
p
p
x



 
Se 
012 
, um aumento em 
2p
 leva a um aumento no consumo de 
1x
. Nesse caso, os 
bens são substitutos, já que há uma substituição do bem que ficou relativamente mais 
caro pelo outro. Exemplos típicos são margarina e manteiga, pepsi e coca-cola, gasolina 
e álcool, entre outros. 
Se 
012 
, um aumento em 
2p
 leva a uma diminuição no consumo de 
1x
. Nesse caso, 
os bens são complementares, já que o aumento no preço de um, leva a uma diminuição 
no consumo de outro, o que significa que os bens são consumidos juntos. Exemplos 
típicos são carro e gasolina, café e adoçante, entre outros. 
 
 
15. A partir da receita total, derive a relação entre a receita marginal e a elasticidade-
preço da demanda. 
Solução: 
A receita total é dada por: 
pqRT 
 
 
Mas 
)(qfp 
 - função demanda inversa. Portanto: 
qqfRT )(
 
 
A Receita Marginal é, então: 
 
)(
)(
qfq
q
qf
RMg
q
RT





 
q
dq
qdf
qfRMg
)(
)( 
 
 
Como 
)(qfp 
: 
 
q
dq
qdf
pRMg
)(

 
16 
Multiplicando e dividindo 
q
dq
qdf )(
 por p, temos: 
q
dq
qdf
p
p
pRMg
)(

 
 







p
q
dq
qdf
pRMg
)(
1
 
Note que 
p
q
dq
qdf )(
 é exatamente o inverso da elasticidade preço da demanda. Assim, 
podemos escrever: 
 









p
pRMg

1
1
 
 









p
pRMg

1
1
 
 
Dessa forma, temos: 
01  RMgp
: uma diminuição no preço eleva a quantidade consumida na mesma 
proporção, mantendo a receita total inalterada. 
01  RMgp
: nesse caso, a demanda é elástica e uma diminuição no preço eleva a 
quantidade consumida em uma proporção maior, aumentando a receita total. 
01  RMgp
: nesse caso, a demanda é inelástica e uma diminuição no preço eleva 
a quantidade consumida em uma proporção menor, diminuindo a receita total. 
 
 
16. Decomponha graficamente o efeito preço em efeito renda e efeito substituição para 
bens normais e bens inferiores. 
Solução: 
 Lembrando que o aumento do preço de um bem tem dois efeitos (considerando 
que o preço do bem 1 tenha aumentado): 
 
 Efeito substituição: o consumidor substitui o bem 1 pelo bem 2, pois há uma 
mundança nos preços relativos, porém a renda real permanece constante. Dessa 
forma, haverá uma mudança na inclinação da reta orçamentária, mas esta deverá 
tangenciar a mesma curva de indiferença. Assim, o efeito substituição nos 
fornece a variação no consumo que é conseqüência apenas da variação nos 
preços relativos. 
 
 Efeito renda: o aumento no preço de um bem torna o consumidor mais pobre. 
Assim, ele deve diminuir o consumo do bem 1. Note que, aqui, os preços 
relativos permanecem constantes. Assim, o efeito renda nos fornece a variação 
no consumo que é conseqüência apenas da variação na renda real. 
 
 
17 
Além disso: 
 
Bens normais: um aumento na renda leva a um aumento na demanda. O efeito renda é 
positivo e o efeito total será negativo. 
 
ERESET


 
 
Bens inferiores: um aumento na renda leva a uma diminuição na demanda. O efeito 
renda é negativo: 
ERESET


?
 
 O efeito total será negativo se o ES > ER. O efeito total positivo (ER > ES) 
ocorre apenas para os bens de Giffen. 
 
Façamos, agora, a decomposição gráfica: 
 
a) Bem normal: 
 Considere uma diminuição no preço de bem 1 de p1 para 
'
1p
: 
 
 
b) Bem inferior: 
 
18 
 
 
c) Bem de Giffen 
 
 
 
17. (Anpec-96) Um consumidor tem suas preferências representadas pela função 
utilidade 
vavaU ),(
, onde a = quantidade de alimento e v = quantidade de 
vestuário, e os parâmetros 
  e  0 0
. Comente as afirmações. 
 
a) Se o preço do alimento for maior que o preço do vestuário, então o consumidor irá 
demandar uma quantidade maior de vestuário do que a de alimento. 
Resposta: 
Vamos resolver o problema de maximização e encontrar as demandas por a e v: 
19 
bvpapas
va
va :..
max 
 
 
 vpapbvaL va  
 
 
Condições de 1ª. ordem: 
 
01 

 
apva
a
L  
 (I) 
01 

 
vpva
v
L  
 (II) 
0


vpapb
L
va
 (III) 
 
De (I): 
ap
va 

1

 (IV)E de (II): 
vp
va 1



 (V) 
 
Como 
 
, (IV) = (V): 
 
va p
va
p
va 11 

  
 
va p
v
p
a 11 


 
v
a
p
p
a
v



 
vpap va  
 (VI) 
 
Isolando a em (VI), temos: 
 
a
v
p
vp
a



 (VII) 
 
Substituindo (VII) em (III): 
bvp
p
vp
p v
a
v
a 
 
 
bvp
vp
v
v 

 
20 
bp
p
v v
v 







 
b
pp
v vv 









 





 


 vv pp
b
v
 
  vp
b
v




 - função demanda por vestuário 
 
Analogamente: 
  ap
b
a




 - função demanda por alimento 
 
 Assim, precisamos saber os valores das constantes 

 e 

 para fazer qualquer 
inferência sobre as demandas de vestuário e de alimento na situação descrita no 
enunciado. A afirmativa é, portanto, falsa. 
 
b) Se 
 
, os dispêndios do consumidor com os dois tipos de bens são iguais, para 
quaisquer níveis de preços não nulos. 
Resposta: 
O dispêndio com o bem a é dado por: 
   







b
p
b
pap
a
aa
 
 
O dispêndio com o bem v é dado por: 
   







b
p
b
pvp
v
vv
 
 
Como 
 
: 
   






bb
 
 
A afirmação é, portanto, verdadeira. 
 
 
c) Se 
1  
, a função utilidade é convexa, implicando que inexiste solução de 
máxima utilidade do consumidor. 
Resposta: 
Uma função de utilidade convexa gera curvas de indiferença côncavas. Nesse caso, a 
maximização da utilidade produz uma solução de canto. Assim, existe sim uma solução 
de máxima utilidade para o consumidor. 
 
 
 
21 
d) Se 
1  
, as utililidades marginais dos dois bens são crescentes. 
Resposta: 
Temos que: 
a
va
vaUMga

   1
 
v
av
vaUMgv

   1
 
 
Para verificar se as utilidades marginais são crescentes ou decrescentes, precisamos 
verificar os sinais das derivadas primeiras. Então, para os alimentos: 
 
  21 

   av
a
UMga
 
222  

   avav
a
UMga
 
   

  22av
a
UMga
 
 
O primeiro termo entre parênteses na expressão acima é sempre positivo. Assim: 
 
1 se ,0 2 

 
a
UMga
 
 
E para o vestuário: 
  21 

   va
v
UMgv
 
222  

   vava
v
UMgv
 
   

  22va
v
UMgv
 
 
Novamente: 
1 se ,0 2 

 
v
UMgv
 
 
Portanto, a afirmativa é falsa. Desde que 
1
 e 
1
, as utilidades marginais dos 
dois bens serão decrescentes, e isso inclui casos nos quais 
1  
, por exemplo, 
11,15,0 ;6,0   . 
 
18. (Anpec-96) Considere um consumidor residente em Recife, com preferências 
estritamente convexas. A renda total desse consumidor é constituída por um salário 
mensal de R$ 400, sendo que o mesmo consome 100 unidades do bem A e 200 unidades 
do bem B, por mês, com P A  2 reais e PB  1 real, o que lhe fornece um nível de 
utilidade U = 40. A empresa onde ele trabalha pretende transferi-lo para São Paulo, onde 
P A  1 real e PB  2 reais. Caso isso ocorresse, ele passaria a consumir 200 unidades 
do bem A e 100 unidades do bem B, o que lhe propiciaria um nível de utilidade de U = 
20. Comente as afirmações. 
22 
 
a) Não se pode afirmar que ele é maximizador de utilidade, pois aos novos preços a sua 
escolha implica em redução de utilidade. 
Resposta: 
Note que estamos modificando a reta orçamentária. O consumidor está gastando toda a 
sua renda e, portanto, a sua escolha está sobre a reta orçamentária. A cesta auferida em 
Recife, que gera um nível de utilidade maior, não é factível em SP. Para conseguir 
comprar a mesma cesta de bens de Recife em São Paulo, o consumidor precisaria de 
uma renda mensal de R$500,00 (100

R$1,00 + 200

R$2,00 = R$500,00). A 
afirmativa é, portanto, FALSA. 
 
b) Dado que em Recife U = 40 e em São Paulo U = 20, pode-se afirmar que a sua 
situação em Recife é duas vezes melhor do que aquela que obteria em São Paulo. 
Resposta: 
A afirmativa é falsa. Lembre-se que na teoria do consumidor a função de utilidade 
ORDENA as preferências; a quantidade de utilidade não tem relevância isoladamente. 
Como URecife > USP, apenas podemos afirmar que o consumidor estaria melhor em 
Recife, já que estaria numa curva de indiferença mais alta. Não é possível fazer qualquer 
inferência sobre a diferença entre a situação do indivíduo nas duas cidades. 
 
c) O consumidor estaria disposto a se mudar desde que ele obtivesse um aumento de 
salário de R$100. 
Resposta: 
Com um aumento no salário de R$100,00, o consumidor poderia obter o mesmo nível 
de utilidade que possuía em Recife e, portanto, estaria disposto a se mudar: 
 
5002002$1001$  RR
 
 
 
d) O consumidor não estaria diposto a se mudar por um aumento de salário menor que 
R$ 100. 
Resposta: 
Note que os preços relativos nos dois Estados são diferentes e, portanto, é possível que o 
consumidor atinja um nível de utilidade mais alto, mesmo com uma renda inferior. Para 
fazermos esse tipo de inferência, precisaríamos conhecer a função de utilidade deste 
consumidor. Portanto, a afirmativa é falsa. 
 
19. (Anpec-96) Através de uma política cultural, o Governo pretende incentivar o 
retorno das pessoas ao cinemas. Após alguns estudos, chegou-se à conclusão de que a 
elasticidade- renda de demanda per capita de cinema é constante e igual a 1/4 e a 
elasticidade-preço é também constante e igual a -1. Os consumidores gastam, em média, 
R$ 200,00 por ano com cinema, tem renda média anual de R$ 12000,00, e cada bilhete 
custa atualmente R$2,00. Comente as afirmações. 
 
a) Um desconto de R$ 0,20 no preço do bilhete teria o mesmo efeito, dado o objetivo da 
política, de uma elevação de R$ 4800,00 na renda média. 
Resposta: 
 
Resumindo as informações do enunciado, temos: 
renda
 = ¼ 
23 
1preço
 
gastos médios com cinema: R$200,00/ano 
renda média: R$12.000,00/ano 
custo cinema: R$2,00/bilhete 
 
O efeito de um desconto de R$0,20 no preço do bilhete pode ser obtido através da 
elasticidade-preço da demanda: 
 
p
p
x
x
preço



 
onde: 
x = demanda por cinema (bilhetes). Nesse caso, como os consumidores gastam, em 
média, R$200,00/ano em cinema e como o preço do bilhete é de R$2,00, temos que x = 
100 bilhetes. 
 
 20,0
2
100
1



x
 
2
20,0
100

x
 
10x
 
 
Assim, com a redução no preço do bilhete de R$0,20, haveria uma variação na demanda 
por cinema de 10 unidades per capita. 
 
O efeito na demanda por cinema de uma elevação de R$4.800,00 na renda média pode 
ser obtido através da elasticidade-renda da demanda: 
 
b
b
x
x
renda



 
800.4
000.12
1004
1 x

 
 
10x
 
 
 Dessa forma, com uma elevação na renda média de R$4.800,00, haveria uma 
variação na demanda por cinema de 10 unidades per capita. 
 
 A afirmativa é, portanto, verdadeira. 
 
 
b) Se o governo pretendesse desincentivar a ida ao cinema, a instituição de um imposto 
de 100% sobre o preço do bilhete faria com que os consumidores deixassem de ir ao 
cinema. 
Resposta: 
Como a elasticidade-preço da demanda é igual a -1, um aumento de 100% no preço do 
bilhete diminui a quantidade demanda em 100%. A afirmativa é, portanto,verdadeira. 
 
 
24 
c) A elasticidade-renda igual a 1/4 implica que, se a renda aumentasse R$ 1000,00, o 
número médio de sessões de cinema por consumidor aumentaria em 250 por ano. 
Resposta: 
O número médio de sessões de cinema por consumidor é de 100 (R$200,00/R$2,00). Se 
houvesse um aumento na renda de R$1000,00, teríamos: 
bb
xx
renda
/
/



 
12000/1000
100/
4
1



x
 
12
1
4
1
100

x
 
2x
 
 
Assim, com um aumento na renda de R$1000,00, a demanda por cinema aumentaria em 
aproximadamente 2 unidades por consumidor. A afirmativa é, portanto, falsa. 
 
20. (Anpec-96) Em relação à teoria do consumidor sob condições de risco, pode-se 
afirmar que: 
a) A concavidade das curvas de indiferença em relação a origem representa a aversão ao 
risco dos consumidores. 
Resposta: 
O que representa aversão ao risco é a concavidade da função de UTILIDADE em 
relação à origem. Se o indivíduo é avesso ao risco, a sua função utilidade deve ser 
côncava. E as curvas de indiferença de utilidade côncavas são convexas em relação à 
origem. 
 
 
 
 
b) Se um consumidor é neutro com respeito a riscos, então ele estará disposto a pagar 
R$ 10 por um bilhete de loteria, se este lhe fornecer um ganho esperado de R$ 10,00. 
Resposta: 
Um indivíduo avesso ao risco é aquele cuja utilidade esperada da riqueza é exatamente 
igual à utilidade do valor esperado da riqueza. Como neste caso isso se verifica, então o 
consumidor estará disposto a pagar. 
 
c) Um indivíduo que tem aversão a riscos jamais participará de qualquer aposta. 
Resposta: 
Um indivíduo avesso ao risco participa de uma aposta se a utilidade esperada de sua 
riqueza for menor que a utilidade do valor esperado da riqueza: 
 
))(()( wEUwU E 
 
25 
Portanto, a afirmativa é falsa. 
 
d) O prêmio de risco é o valor que uma pessoa avessa a risco está disposta a pagar a fim 
de evitar riscos. 
Resposta: 
É exatamente essa a definição de prêmio de risco. 
 
 
 
 
21. (Anpec-96) Um certo mercado é caracterizado pelas funções de demanda (D) e 
oferta (O), onde Q é a quantidade e P o preço do bem: 
Q PD  1600 20
 e 
Q PO   900 30
 
 
a) Se o mercado é livre, 600 unidades do bem serão comercializadas ao preço de R$ 50. 
Resposta: 
Se o mercado é livre, temos: 
OD QQ 
 
PP 30900201600 
 
250050 P
 
50
2500
P
 
50P
 
 
Substituindo o preço na demanda (ou na oferta), temos: 
50201600 Q
 
600Q
 
 
A afirmativa é, portanto, verdadeira. 
 
b) Se o governo decide que o preço não deve ultrapassar R$ 35, então 150 unidades do 
bem serão comercializadas. 
Resposta: 
Se o preço for de R$35,00, temos: 
3530900 OQ
 
150OQ
 
 
A afirmativa é, portanto, verdadeira. 
 
c) A redução do excedente do produtor, como resultado do controle de preços, é de R$ 
5625. 
26 
Resposta: 
Calculemos o excedente do produtor (EP) antes e depois do controle de preços: 
 
 
 
 
 
O excedente do produtor antes do controle de preços é dado pela área do triângulo azul 
na figura acima (ou seja, pela área acima da curva de oferta até o preço de mercado): 
 
6000
2
20600


EP
 
 
 
O excedente do produtor após o controle de preços é dado pela área do triângulo A da 
figura acima: 
 
375
2
5150


EP
 
 
Assim: 
56253756000  DA EPEP
 
 
A afirmativa é, portanto, verdadeira. 
 
d) Se o governo impõe um imposto ad-valorem de 100% sobre o preço do produtor, o 
efeito sobre a quantidade comercializada do bem é o mesmo que o da colocação do 
preço máximo de R$ 35. 
Resposta: 
PP 2* 
 
 PQD 2201600* 
 
PQS 30900
 
 
22. (Anpec-95) Um consumidor deve optar pela compra de bens perecíveis em um 
ambiente sem incertezas. Para esse consumidor: 
27 
a) Se a quantidade demandada de um bem diminui quando seu preço cai, o bem é 
inferior. 
Resposta: 
A afirmativa refere-se ao bem de Giffen, que é uma classe de bens inferiores e, assim, 
não se aplica aos bens inferiores em geral. 
 
b) Se um bem é inferior, a uma elevação de preço corresponde um aumento da 
quantidade demandada. 
Resposta: 
A afirmativa é falsa. Isso ocorre apenas nos casos dos bens de Giffen, onde o efeito 
renda supera o efeito substituição. 
 
c) Um bem é inferior somente se sua quantidade demandada diminui quando o preço 
cai. 
Resposta: 
A afirmativa é falsa. Um bem é inferior quando o seu efeito-renda é negativo, ou seja, 
um aumento da renda está associado a uma diminuição da quantidade demandada. Um 
caso especial (bens de Giffen) ocorre quando o ER>ES e, assim, uma diminuição do 
preço está associada a diminuição da quantidade demandada. Mas isso não é válido para 
os bens inferiores em geral. 
 
d) A curva de demanda de determinado bem não pode ser positivamente inclinada pra 
todos os valores do preço do bem. 
Resposta: 
A afirmativa é falsa. Lembre-se que é exatamente isso que ocorre com os bens de 
Giffen. 
 
 
23. (Anpec-95) Seja 
 BA XXmínimoU , de 
, a função utilidade de um consumidor; R, 
a renda; e P A e PB os preços de A e B. Diga se as afermativas abaixo são verdadesras 
ou falsas. Para esse consumidor: 
a) As curvas de indiferença não são convexas em relação a origem. 
Resposta: 
Nesse caso, os bens são complementares perfeitos e suas curvas de indiferença são 
convexas em relação a origem, já que a combinação convexa de quaisquer um de seus 
pontos pertence ao conjunto. Elas são convexas, mas não são estritamente convexas. 
 
 
 
b) A utilidade marginal de um dos bens é sempre igual a zero. 
Resposta: 
28 
Sim, pois aumentar a quantidade de apenas um dos bens não aumenta a utilidade, visto 
que os bens complementares são consumidos sempre juntos. A utilidade apenas 
aumentará se aumentarmos as quantidades de ambos os bens. 
 
c) Para qualquer 
R 0
, se 
P PA B 
 , o consumidor escolhe apenas B. 
Resposta: 
A afirmativa é falsa. Os dois bens serão sempre consumidos juntos, já que são 
complementares perfeitos. Escolher apenas um dos bens não trará utilidade alguma ao 
consumidor. 
 
d) Se 
R 0
 e P A = PB , o consumidor escolhe quaisquer quantidades de A e B, tais que 
X X R PA B A  /
 
Resposta: 
Como os bens são complementares perfeitos e, pela função de utilidade, eles são 
consumidos na proporção de 1 para 1, o consumidor não escolher quaisquer quantidades 
de A e B. Ele sempre escolherá A = B e, portanto: 
 
B
B
A
A XPXPR 
 
 
Como P A = PB , podemos escrever: 
B
A
A
A XPXPR 
 
 BA
A XXPR 
 
 
ABA P
R
XX 
 
 
E como ele SEMPRE escolherá 
BA XX 
: 
 
AA P
R
X 2
 
BAA
X
P
R
X 
2
 
 
A afirmativa é, portanto, falsa. 
 
 
24. (Anpec-95) Um fazendeiro tem a opção de cultivar trigo e batatas. Se fizer sol, cada 
hectare de trigo gerará um lucro de 200; e se plantado com batatas, o lucro será de 100. 
Se fizer chuva, o lucro de um hectare de trigo será de 120; e se plantado com batatas, de 
200. A utilidade da renda do fazendeiro é dada por 
YYU ln)( 
, em que Y é o lucro. As 
probabilidades de sol e chuva são iguais. O fazendeiro deverá: 
a) Plantar apenas trigo. 
b) Destinar ao trigo 3/4 da área. 
c) Plantar somente batatas. 
d) Destinar 1/2 da área a batatas. 
 
Dica: 
 Trigo Batata 
29 
Sol (p = ½) Lucro = 200 Lucro = 100 
Chuva (p = ½) Lucro = 120 Lucro = 200 
 
Resposta: 
O objetivo do fazendeiro é obter amaior utilidade esperada possível. 
Seja T a proporção de terra dedicada ao cultivo de trigo e (1 – T) a proporção de terra 
dedicada ao cultivo de batatas. 
O lucro do fazendeiro será dado por: 
- se fizer sol: 
Ysol = 200T + (1–T)100 
Ysol = 200T – 100T + 100 
Ysol = 100T + 100 
 
- se fizer chuva: 
Ychuva = 120T + (1-T)200 
Ychuva = 120T + 200 – 200T 
Ychuva = –80T + 200 
 
Então: 
Utilidade se fizer sol: 
U(Ysol) = ln(100T + 100) 
 
Utilidade se fizer chuva: 
U(Ychuva) = ln(–80T+200) 
 
A Utilidade esperada é então: 
U.E. = 0,5 ln(100T + 100) + 0,5 ln(–80T+200) 
Maximizando a U.E.: 
Max.: 0,5 ln(100T + 100) + 0,5 ln(–80T+200) 
 
dUE
dT
= 
0,5 0,5
100 ( 80)
100 100 200 80T T
 
 
=0 
 
50 40
100 100 200 80T T

 
 
5 4
100 100 200 80T T

 
 
 
 5 200 80 4(100 100)T T  
 
1000 400 400 400T T  
 
800T= 600 
T = 
600
800
 
T = 
3
4
 
E (1 – T) = ¼. 
 
Portanto: 
Parcela da terra alocada para o trigo: ¾ 
30 
Parcela da terra alocada para batatas: ¼. 
 
Alternativa correta: b

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