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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE ECONOMIA ECO 277 TEORIA MICROECONÔMICA I PROF. MARCELO S. PORTUGAL LISTA DE EXERCÍCIOS NÚMERO 2 – SOLUÇÃO 1. Obtenha a cesta que maximiza a utilidade do consumidor que tem uma renda monetária b = 51 reais e a função de utilidade 212121 2),( qqqqqqU , quando os preços são p1 = 2 e p2 = 5. Verifique as condições de segunda ordem. Qual é a utilidade marginal da renda? Solução: 5152:.. 2,max 21 212121 qqas qqqqqqU O Lagrangeano desse problema é: 212121 52512 qqqqqqL As condições de 1ª. ordem são dadas por: 0212 1 q q L (I) 0521 2 q q L (II) 05251 21 qq L (III) De (I): 2 12 q (IV) De (II): 5 21 q (V) Igualando (IV) e (V): 5 2 2 1 12 qq 4255 12 qq 152 21 qq 2 15 2 1 q q (VI) Substituindo (VI) em (III): 2 515 2 15 2 2 2 q q 51515 22 qq 5010 2 q 52 q (VII) Substituindo (VI) em (VI): 2 125 1 q 131 q A cesta ótima é, portanto, (13,5). Condições de 2ª. ordem: 0 5,13 2 1 2 q L 1 5,1312 2 5,1321 2 qq L qq L 0 5,13 2 2 2 q L 201010 15 02 20 015 102 520 015 102 520 H Assim, como 02 H , trata-se realmente de um ponto de máximo. A utilidade marginal da renda é dada pelo multiplicador de Lagrange, . Representa a utilidade extra gerada quando a renda aumenta em uma unidade monetária (em quanto aumenta a função objetivo quando relaxamos a restrição em uma unidade). Vejamos isso matematicamente. Diferenciando totalmente a utilidade com relação à renda, temos. db dq q U db dq q U db dU 2 2 1 1 3 Da condição de 1ª. ordem do problema de maximização da utilidade, temos que: 0 i ii p q U q L Portanto: i i p q U Substituindo 1q U por 1p e 2q U por 2p , temos: db dq p db dq p db dU 2 2 1 1 Colocando em evidência: db dq p db dq p db dU 2 2 1 1 Supondo que 2211 dqpdqpdb , ou seja, uma variação na renda é dividida entre o consumo de ambos os bens, temos: 2211 2 2 2211 1 1 dqpdqp dq p dqpdqp dq p db dU 2211 2211 dqpdqp dqpdqp db dU db dU Ou seja: rendaUMg E para encontrar o valor de , podemos usar tanto (IV) quanto (V): rendaUMg = 5 2 2 1 12 qq = 3 Portanto, se o consumidor dispusesse de uma unidade monetária adicional de renda, a sua utilidade seria aumentada em 3 unidades. 4 2. Se dois bens precisam ser usados conjuntamente em proporções fixas, suas curvas de indiferença para um consumidor são representadas por linhas retas com taxas marginais de substituição constantes. Comente. Resposta: Se os bens precisam ser usados conjuntamente, então eles são complementares. Como exemplos, podemos citar: chá e açúcar, carro e gasolina, etc.. Nesse caso, suas curvas de indiferença serão dadas por linhas que formam ângulos retos, como mostra a figura abaixo: Note-se que, nesse caso, o consumidor não possui taxa marginal de substituição, já que não é possível substituir um bem pelo outro e permanecer na mesma curva de indiferença (para aumentar a quantidade de um bem, é preciso aumentar também a quantidade do outro). Curvas de indiferença representadas por linhas retas referem-se a bens substitutos, e estes apresentam taxas marginais de substituição constantes. 3. Suponhamos que a função de utilidade de um consumidor, com renda de 48 reais, seja 22),( yxyyxU , e que o preço do bem x é 4 reais e o preço do bem y é 5 reais. a) Quais serão as quantidades consumidas de cada um dos bens caso o consumidor maximize sua utilidade. Solução: 4854:.. 2max 2 yxas yxy O Lagrangeano desse problema é dado por: yxyxyL 54482 2 Condição de 1ª. ordem: 042 y x L (I) 0522 yx y L (II) 05448 yx L (III) 5 De (I): 24 2 yy (IV) E de (II): 5 22 yx (V) Igualando (IV) e (V): 5 22 2 yxy yxy 445 xy 4 (VI) Substituindo (VI) em (III): 48454 xx 48204 xx 4824 x 2x (VII) Usando (VII) em (VI): 24y 8y Assim, caso o consumidor maximize a sua utilidade, a quantidades consumidas de x e y serão, respectivamente, 2 e 8. b) Desenhe a curva de preço-consumo supondo que y seja um bem inferior (mantenha o preço de x constante). Resposta: Se y é um bem inferior, então um aumento na renda provoca uma queda em sua demanda, ou seja, o efeito-renda é negativo. Note-se, porém, que apesar do efeito renda ser negativo, no caso geral de bens inferiores, ele não supera o efeito substituição a ponto de tornar a curva de demanda positivamente inclinada. Isso ocorre apenas no caso especial dos bens de Giffen, onde o efeito renda supera o efeito substituição, gerando uma curva de demanda positivamente inclinada. Dessa forma, considerando o caso “geral” de bens inferiores, a curva de preço consumo de y deverá gerar uma curva de demanda negativamente inclinada. Para desenhar a curva de preço consumo, variamos o preço de y e vemos o que acontece com a sua quantidade demandada, lembrando que a renda nominal deve permanecer constante. Assim, supondo que y é um bem inferior, a sua curva de preço consumo será algo da forma: 6 4. A função de utilidade de um consumidor é xyyxyxU 52),( 22 . Supondo que ele maximiza sua utilidade e que os preços de x e y são, respectivamente, 5 e 10, e que sua renda é de 120 reais, obtenha as quantidades consumidas. Solução: 120105:.. 52:.max 22 yxas xyyx O Lagrangeano do problema é dado por: yxxyyxL 10512052 22 Condições de 1ª. ordem: 0552 yx x L (I) 01054 xy y L (II) 0105120 yx L (III) De (I) temos: yx 525 5 52 yx (IV) E de (II): xy 5410 10 54 xy (V) 7 Como : 10 54 5 52 xyyx xyyx 54104 yx 6 (VI) Substituindo (VI) em (III): 1201065 yy 1201030 yy 3y (VII) Assim: 36x 18x A cesta ótima é, portanto: (18,3). 5. Discuta a afirmação: "Todo bem de Giffen é um bem inferior mas nem todo bem inferior é um bem de Giffen". Resposta:A afirmação está correta. Sabemos que um bem inferior apresenta o efeito renda negativo (aumento da renda provoca diminuição da demanda). O bem de Giffen é um bem tão inferior, que o efeito renda supera o efeito substituição. Assim, dada uma variação positiva no preço do bem, a sua demanda irá aumentar e, dessa forma, a curva de demanda será positivamente inclinada. Portanto, bens de Giffen são um caso particular dos bens inferiores. 6. Seja a curva de Engel expressa por x k b 3 , onde k é uma constante positiva e b é a renda. Indique, justificando sua resposta, que tipo de bem (normal, inferior ou superior) pode ser representado por essa função. Solução: Vamos variar a renda e verificar o que acontece com a quantidade consumida: 0 32 3 2 2 1 b k b k b x Como a derivada primeira da curva de Engel é positiva, temos que um aumento na renda do consumidor leva a um aumento na quantidade consumida do bem. Assim, o bem x não pode ser um bem inferior. Para verificar se o bem é normal ou superior (de luxo), vejamos o comportamento da derivada segunda: 8 0 34 3 4 3 2 3 2 2 b k b k b x Como a derivada segunda da curva de Engel é negativa, a quantidade consumida do bem cresce a taxas decrescentes, o que caracteriza um bem normal. 7. Como é que uma curva de demanda pode ser construída a partir da uma curva de preço-consumo? Resposta: A curva de preço consumo fornece a quantidade demandada do bem para diferentes níveis de preços. Assim, para construir a curva de demanda a partir da curva de preço consumo, basta transportamos essa informação para o gráfico cuja abscissa é o preço e a ordenada é a quantidade, como mostra a figura abaixo: 8. Comente as afirmativas abaixo. a) Caso se mantenha constante a renda real do consumidor, uma modificação nos preços relativos dos produtos não terá nenhum efeito sobre as quantidades por ele consumidas de cada bem. Resposta: Note que a afirmação se refere exatamente ao efeito substituição, onde a renda real não muda, mas apenas a inclinação da reta orçamentária (pois se modificam os preços relativos). Essa alteração de preços relativos fará com que o consumidor substitua um bem pelo outro, alterando as quantidades por ele consumidas originalmente. Assim, a afirmativa é falsa. b) É possível que a demanda de um bem em particular seja ao mesmo tempo preço- elástica e preço-inelástica. Resposta: Para ver que isso é perfeitamente possível, consideremos, por exemplo, a curva de demanda linear: bpaq Nesse caso, temos que a inclinação da demanda é constante e igual a –b.. A elasticidade preço da demanda é dada por: 9 q p p q p Que nesse caso é: q bp p Assim: quando 00 pp quando pq 0 E a elasticidade-preço da demanda será unitária quando: 11 q bp p b q p Como bpaq : b bpa p bpapb apb 2 b a p 2 → ponto médio da curva de demanda. 9. Quais as propriedades das curvas de indiferença? Resposta: As propriedades das curvas de indiferença são as seguintes: 10 - não se cruzam. Se isso ocorresse, teríamos uma inconsistência lógica com o axioma da transitividade: Pelo gráfico acima, A ~ B e A ~ D, pois tais cestas estão nas mesmas curvas de indiferença. Considerando o axioma da transitividade, deveríamos observar B ~ D. Porém, B D, pois situa-se numa curva de indiferença mais alta. Dessa forma, temos uma inconsistência com o axioma da transitividade. Logo, as curvas de indiferença não podem se cruzar. - substitutibilidade no consumo: o consumidor pode substituir um bem pelo outro de forma que permaneça na mesma curva de indiferença. - são densas no espaço de consumo, ou seja, por cada ponto no espaço de mercadorias passa uma curva de indiferença. - são estritamente convexas (preferência pela diversificação). 10. Mostre que a elasticidade preço é constante quando a demanda é uma hipérbole do tipo q kp a , onde k e a são constantes, q é a quantidade e p o preço. Solução: A elasticidade-preço da demanda é dada por: q p akp q p p q a p 1 Como q kp a , temos: a a p kp p akp 1 ap 11. Seja a função de utilidade 221121 lnln),( xxxxU , onde 1 2 1 . Seja p1 o preço de x1 e p2 o preço de x2 . A renda do consumidor é b, tal que b p x p x 1 1 2 2. Derive a curva de demanda por x1 e x2. Solução: bxpxpas xx 2211 2211 :.. lnlnmax 11 O Lagrangeano desse problema é: 22112211 lnln xpxpbxxL 01 1 1 1 p xx L (I) 02 2 2 2 p xx L (II) 02211 xpxpb L (III) De (I): 11 1 px (IV) De (II): 22 2 px (V) Igualando (IV) e (V): 22 2 11 1 pxpx 112221 pxpx 2 1 2 2 1 1 x p p x (VI) Substituindo (VI) em (III): 022 12 221 1 xp p xp pb bxp xp 22 2 221 bp p x 2 2 21 2 b pp x 2 2221 2 b p x 2 212 2 Como 121 : b px 2 22 2 2 2 p b x - função demanda por x2. 12 Analogamente, a demanda por x1 será dada por: 1 1 1 p b x 12. Resolva o seguinte problema de minimização de gastos para um dado nível de utilidade. min x y s a xy y 4 5 2 962 . . Compare os resultados com aqueles obtidos no exercício 3. Como esses dois problemas se relacionam? Solução: O Lagrangeano desse problema é dado por: 229654 yxyyxL 024 y x L (I) 0225 yx y L (II) 0296 2 yxy L (III) De (I): yy 2 2 4 (IV) E de (II): 522 yx yx 2 5 (V) Igualando (IV) e (V): yxy 2 52 yyx 54 yyx 454 4 y x (VI) Substituindo (VI) em (III): 13 0 4 296 2 yy y 96 2 2 2 y y 96 2 3 2 y 3 2 962 y 642 y 8y Como não podemos ter quantidades negativas: 8y Substituindo esse valor em (VI): 2x Assim, obtivemos os mesmos valores do exercício 3. Isso ocorre porque o problema de minimização dos gastos é o dual do problema de maximização da utilidade: Maximização da utilidade: fixa-se a renda e verifica-se qual é o maior nível de utilidade que se pode obter. Minimização dos gastos: fixa-se a quantidade e verifica-se qual é a menor reta orçamentária que permite atingir tal nível de utilidade. 13. Comente as seguintes proposições, explicando se e porque são corretas, erradasou incertas. a) A elasticidade-renda da procura de batatas é negativa e a da carne positiva. Se a oferta de ambos os produtos é rígida, o preço da carne em relação ao da batata subirá nas épocas de prosperidade econômica e baixará nos de depressão. Resposta: 14 Temos o seguinte comportamento para os bens: normal) (bem carne de consumo o aumenta inferior) (bem batatas de consumo o diminui renda da Aumento Considerando a oferta dos produtos rígida, temos que: Para o mercado de batatas: Prosperidade econômica = aumenta da renda diminui o consumo de batatas. Se a oferta está rígida, tal diminuição no consumo levará a uma diminuição no preço da batata, para manter o mercado em equilíbrio. Depressão econômica = diminuição da renda aumenta o consumo de batatas. Se a oferta está rígida, tal aumento no consumo de batatas deverá levar a um aumento no seu preço, a fim de manter o mercado de batatas em equilíbrio. Para o mercado de carne: Prosperidade econômica = aumenta da renda aumenta o consumo de carne. Se a oferta está rígida, tal aumento no consumo levará a uma aumento no preço da batata, para manter o mercado em equilíbrio. Depressão econômica = diminuição da renda diminui o consumo de carne. Se a oferta está rígida, tal aumento no consumo de deverá levar a um aumento no preço da carne, a fim de manter o mercado de em equilíbrio. Logo, temos o seguinte comportamento do preço da carne em relação ao da batata: batata carne batata carne batata carne batata carne p p p p depressão p p p p deprosperida : : A afirmativa está, portanto, correta. b) A manteiga e a margarina são substitutos próximos; isso significa que as suas curvas de demanda devem ter elasticidades-renda bastante próximas. Resposta: O fato de dois produtos serem substitutos próximos não implica que suas elasticidades- renda sejam próximas. Se dois bens são substitutos próximos, isso significa que a elasticidade-preço cruzada entre eles é positiva e alta, o que não tem implicação sobre a elasticidade-renda. Substitutos próximos 1 2 2 1 12 q p p q 0 c) A curva de demanda de um bem será ascendente se a elasticidade-renda for positiva. 15 Resposta: A curva de demanda ascendente ocorre apenas para o caso dos bens de Giffen, nos quais o efeito renda é negativo e MAIOR que o efeito substituição. No caso “geral” dos bens inferiores (os quais possuem elasticidade-renda negativa), a curva de demanda é negativamente inclinada, pois o efeito renda negativo não é suficiente para superar o efeito substituição. Um bem com elasticidade-renda positiva terá SEMPRE uma curva de demanda negativamente inclinada (pois o efeito-renda e o efeito substituição agirão na mesma direção). A afirmativa é, portanto, falsa. 14. Explique o sinal da elasticidade preço cruzada para bens substitutos e complementares. Resposta: A elasticidade preço cruzada é dada por: 1 2 2 1 12 x p p x Se 012 , um aumento em 2p leva a um aumento no consumo de 1x . Nesse caso, os bens são substitutos, já que há uma substituição do bem que ficou relativamente mais caro pelo outro. Exemplos típicos são margarina e manteiga, pepsi e coca-cola, gasolina e álcool, entre outros. Se 012 , um aumento em 2p leva a uma diminuição no consumo de 1x . Nesse caso, os bens são complementares, já que o aumento no preço de um, leva a uma diminuição no consumo de outro, o que significa que os bens são consumidos juntos. Exemplos típicos são carro e gasolina, café e adoçante, entre outros. 15. A partir da receita total, derive a relação entre a receita marginal e a elasticidade- preço da demanda. Solução: A receita total é dada por: pqRT Mas )(qfp - função demanda inversa. Portanto: qqfRT )( A Receita Marginal é, então: )( )( qfq q qf RMg q RT q dq qdf qfRMg )( )( Como )(qfp : q dq qdf pRMg )( 16 Multiplicando e dividindo q dq qdf )( por p, temos: q dq qdf p p pRMg )( p q dq qdf pRMg )( 1 Note que p q dq qdf )( é exatamente o inverso da elasticidade preço da demanda. Assim, podemos escrever: p pRMg 1 1 p pRMg 1 1 Dessa forma, temos: 01 RMgp : uma diminuição no preço eleva a quantidade consumida na mesma proporção, mantendo a receita total inalterada. 01 RMgp : nesse caso, a demanda é elástica e uma diminuição no preço eleva a quantidade consumida em uma proporção maior, aumentando a receita total. 01 RMgp : nesse caso, a demanda é inelástica e uma diminuição no preço eleva a quantidade consumida em uma proporção menor, diminuindo a receita total. 16. Decomponha graficamente o efeito preço em efeito renda e efeito substituição para bens normais e bens inferiores. Solução: Lembrando que o aumento do preço de um bem tem dois efeitos (considerando que o preço do bem 1 tenha aumentado): Efeito substituição: o consumidor substitui o bem 1 pelo bem 2, pois há uma mundança nos preços relativos, porém a renda real permanece constante. Dessa forma, haverá uma mudança na inclinação da reta orçamentária, mas esta deverá tangenciar a mesma curva de indiferença. Assim, o efeito substituição nos fornece a variação no consumo que é conseqüência apenas da variação nos preços relativos. Efeito renda: o aumento no preço de um bem torna o consumidor mais pobre. Assim, ele deve diminuir o consumo do bem 1. Note que, aqui, os preços relativos permanecem constantes. Assim, o efeito renda nos fornece a variação no consumo que é conseqüência apenas da variação na renda real. 17 Além disso: Bens normais: um aumento na renda leva a um aumento na demanda. O efeito renda é positivo e o efeito total será negativo. ERESET Bens inferiores: um aumento na renda leva a uma diminuição na demanda. O efeito renda é negativo: ERESET ? O efeito total será negativo se o ES > ER. O efeito total positivo (ER > ES) ocorre apenas para os bens de Giffen. Façamos, agora, a decomposição gráfica: a) Bem normal: Considere uma diminuição no preço de bem 1 de p1 para ' 1p : b) Bem inferior: 18 c) Bem de Giffen 17. (Anpec-96) Um consumidor tem suas preferências representadas pela função utilidade vavaU ),( , onde a = quantidade de alimento e v = quantidade de vestuário, e os parâmetros e 0 0 . Comente as afirmações. a) Se o preço do alimento for maior que o preço do vestuário, então o consumidor irá demandar uma quantidade maior de vestuário do que a de alimento. Resposta: Vamos resolver o problema de maximização e encontrar as demandas por a e v: 19 bvpapas va va :.. max vpapbvaL va Condições de 1ª. ordem: 01 apva a L (I) 01 vpva v L (II) 0 vpapb L va (III) De (I): ap va 1 (IV)E de (II): vp va 1 (V) Como , (IV) = (V): va p va p va 11 va p v p a 11 v a p p a v vpap va (VI) Isolando a em (VI), temos: a v p vp a (VII) Substituindo (VII) em (III): bvp p vp p v a v a bvp vp v v 20 bp p v v v b pp v vv vv pp b v vp b v - função demanda por vestuário Analogamente: ap b a - função demanda por alimento Assim, precisamos saber os valores das constantes e para fazer qualquer inferência sobre as demandas de vestuário e de alimento na situação descrita no enunciado. A afirmativa é, portanto, falsa. b) Se , os dispêndios do consumidor com os dois tipos de bens são iguais, para quaisquer níveis de preços não nulos. Resposta: O dispêndio com o bem a é dado por: b p b pap a aa O dispêndio com o bem v é dado por: b p b pvp v vv Como : bb A afirmação é, portanto, verdadeira. c) Se 1 , a função utilidade é convexa, implicando que inexiste solução de máxima utilidade do consumidor. Resposta: Uma função de utilidade convexa gera curvas de indiferença côncavas. Nesse caso, a maximização da utilidade produz uma solução de canto. Assim, existe sim uma solução de máxima utilidade para o consumidor. 21 d) Se 1 , as utililidades marginais dos dois bens são crescentes. Resposta: Temos que: a va vaUMga 1 v av vaUMgv 1 Para verificar se as utilidades marginais são crescentes ou decrescentes, precisamos verificar os sinais das derivadas primeiras. Então, para os alimentos: 21 av a UMga 222 avav a UMga 22av a UMga O primeiro termo entre parênteses na expressão acima é sempre positivo. Assim: 1 se ,0 2 a UMga E para o vestuário: 21 va v UMgv 222 vava v UMgv 22va v UMgv Novamente: 1 se ,0 2 v UMgv Portanto, a afirmativa é falsa. Desde que 1 e 1 , as utilidades marginais dos dois bens serão decrescentes, e isso inclui casos nos quais 1 , por exemplo, 11,15,0 ;6,0 . 18. (Anpec-96) Considere um consumidor residente em Recife, com preferências estritamente convexas. A renda total desse consumidor é constituída por um salário mensal de R$ 400, sendo que o mesmo consome 100 unidades do bem A e 200 unidades do bem B, por mês, com P A 2 reais e PB 1 real, o que lhe fornece um nível de utilidade U = 40. A empresa onde ele trabalha pretende transferi-lo para São Paulo, onde P A 1 real e PB 2 reais. Caso isso ocorresse, ele passaria a consumir 200 unidades do bem A e 100 unidades do bem B, o que lhe propiciaria um nível de utilidade de U = 20. Comente as afirmações. 22 a) Não se pode afirmar que ele é maximizador de utilidade, pois aos novos preços a sua escolha implica em redução de utilidade. Resposta: Note que estamos modificando a reta orçamentária. O consumidor está gastando toda a sua renda e, portanto, a sua escolha está sobre a reta orçamentária. A cesta auferida em Recife, que gera um nível de utilidade maior, não é factível em SP. Para conseguir comprar a mesma cesta de bens de Recife em São Paulo, o consumidor precisaria de uma renda mensal de R$500,00 (100 R$1,00 + 200 R$2,00 = R$500,00). A afirmativa é, portanto, FALSA. b) Dado que em Recife U = 40 e em São Paulo U = 20, pode-se afirmar que a sua situação em Recife é duas vezes melhor do que aquela que obteria em São Paulo. Resposta: A afirmativa é falsa. Lembre-se que na teoria do consumidor a função de utilidade ORDENA as preferências; a quantidade de utilidade não tem relevância isoladamente. Como URecife > USP, apenas podemos afirmar que o consumidor estaria melhor em Recife, já que estaria numa curva de indiferença mais alta. Não é possível fazer qualquer inferência sobre a diferença entre a situação do indivíduo nas duas cidades. c) O consumidor estaria disposto a se mudar desde que ele obtivesse um aumento de salário de R$100. Resposta: Com um aumento no salário de R$100,00, o consumidor poderia obter o mesmo nível de utilidade que possuía em Recife e, portanto, estaria disposto a se mudar: 5002002$1001$ RR d) O consumidor não estaria diposto a se mudar por um aumento de salário menor que R$ 100. Resposta: Note que os preços relativos nos dois Estados são diferentes e, portanto, é possível que o consumidor atinja um nível de utilidade mais alto, mesmo com uma renda inferior. Para fazermos esse tipo de inferência, precisaríamos conhecer a função de utilidade deste consumidor. Portanto, a afirmativa é falsa. 19. (Anpec-96) Através de uma política cultural, o Governo pretende incentivar o retorno das pessoas ao cinemas. Após alguns estudos, chegou-se à conclusão de que a elasticidade- renda de demanda per capita de cinema é constante e igual a 1/4 e a elasticidade-preço é também constante e igual a -1. Os consumidores gastam, em média, R$ 200,00 por ano com cinema, tem renda média anual de R$ 12000,00, e cada bilhete custa atualmente R$2,00. Comente as afirmações. a) Um desconto de R$ 0,20 no preço do bilhete teria o mesmo efeito, dado o objetivo da política, de uma elevação de R$ 4800,00 na renda média. Resposta: Resumindo as informações do enunciado, temos: renda = ¼ 23 1preço gastos médios com cinema: R$200,00/ano renda média: R$12.000,00/ano custo cinema: R$2,00/bilhete O efeito de um desconto de R$0,20 no preço do bilhete pode ser obtido através da elasticidade-preço da demanda: p p x x preço onde: x = demanda por cinema (bilhetes). Nesse caso, como os consumidores gastam, em média, R$200,00/ano em cinema e como o preço do bilhete é de R$2,00, temos que x = 100 bilhetes. 20,0 2 100 1 x 2 20,0 100 x 10x Assim, com a redução no preço do bilhete de R$0,20, haveria uma variação na demanda por cinema de 10 unidades per capita. O efeito na demanda por cinema de uma elevação de R$4.800,00 na renda média pode ser obtido através da elasticidade-renda da demanda: b b x x renda 800.4 000.12 1004 1 x 10x Dessa forma, com uma elevação na renda média de R$4.800,00, haveria uma variação na demanda por cinema de 10 unidades per capita. A afirmativa é, portanto, verdadeira. b) Se o governo pretendesse desincentivar a ida ao cinema, a instituição de um imposto de 100% sobre o preço do bilhete faria com que os consumidores deixassem de ir ao cinema. Resposta: Como a elasticidade-preço da demanda é igual a -1, um aumento de 100% no preço do bilhete diminui a quantidade demanda em 100%. A afirmativa é, portanto,verdadeira. 24 c) A elasticidade-renda igual a 1/4 implica que, se a renda aumentasse R$ 1000,00, o número médio de sessões de cinema por consumidor aumentaria em 250 por ano. Resposta: O número médio de sessões de cinema por consumidor é de 100 (R$200,00/R$2,00). Se houvesse um aumento na renda de R$1000,00, teríamos: bb xx renda / / 12000/1000 100/ 4 1 x 12 1 4 1 100 x 2x Assim, com um aumento na renda de R$1000,00, a demanda por cinema aumentaria em aproximadamente 2 unidades por consumidor. A afirmativa é, portanto, falsa. 20. (Anpec-96) Em relação à teoria do consumidor sob condições de risco, pode-se afirmar que: a) A concavidade das curvas de indiferença em relação a origem representa a aversão ao risco dos consumidores. Resposta: O que representa aversão ao risco é a concavidade da função de UTILIDADE em relação à origem. Se o indivíduo é avesso ao risco, a sua função utilidade deve ser côncava. E as curvas de indiferença de utilidade côncavas são convexas em relação à origem. b) Se um consumidor é neutro com respeito a riscos, então ele estará disposto a pagar R$ 10 por um bilhete de loteria, se este lhe fornecer um ganho esperado de R$ 10,00. Resposta: Um indivíduo avesso ao risco é aquele cuja utilidade esperada da riqueza é exatamente igual à utilidade do valor esperado da riqueza. Como neste caso isso se verifica, então o consumidor estará disposto a pagar. c) Um indivíduo que tem aversão a riscos jamais participará de qualquer aposta. Resposta: Um indivíduo avesso ao risco participa de uma aposta se a utilidade esperada de sua riqueza for menor que a utilidade do valor esperado da riqueza: ))(()( wEUwU E 25 Portanto, a afirmativa é falsa. d) O prêmio de risco é o valor que uma pessoa avessa a risco está disposta a pagar a fim de evitar riscos. Resposta: É exatamente essa a definição de prêmio de risco. 21. (Anpec-96) Um certo mercado é caracterizado pelas funções de demanda (D) e oferta (O), onde Q é a quantidade e P o preço do bem: Q PD 1600 20 e Q PO 900 30 a) Se o mercado é livre, 600 unidades do bem serão comercializadas ao preço de R$ 50. Resposta: Se o mercado é livre, temos: OD QQ PP 30900201600 250050 P 50 2500 P 50P Substituindo o preço na demanda (ou na oferta), temos: 50201600 Q 600Q A afirmativa é, portanto, verdadeira. b) Se o governo decide que o preço não deve ultrapassar R$ 35, então 150 unidades do bem serão comercializadas. Resposta: Se o preço for de R$35,00, temos: 3530900 OQ 150OQ A afirmativa é, portanto, verdadeira. c) A redução do excedente do produtor, como resultado do controle de preços, é de R$ 5625. 26 Resposta: Calculemos o excedente do produtor (EP) antes e depois do controle de preços: O excedente do produtor antes do controle de preços é dado pela área do triângulo azul na figura acima (ou seja, pela área acima da curva de oferta até o preço de mercado): 6000 2 20600 EP O excedente do produtor após o controle de preços é dado pela área do triângulo A da figura acima: 375 2 5150 EP Assim: 56253756000 DA EPEP A afirmativa é, portanto, verdadeira. d) Se o governo impõe um imposto ad-valorem de 100% sobre o preço do produtor, o efeito sobre a quantidade comercializada do bem é o mesmo que o da colocação do preço máximo de R$ 35. Resposta: PP 2* PQD 2201600* PQS 30900 22. (Anpec-95) Um consumidor deve optar pela compra de bens perecíveis em um ambiente sem incertezas. Para esse consumidor: 27 a) Se a quantidade demandada de um bem diminui quando seu preço cai, o bem é inferior. Resposta: A afirmativa refere-se ao bem de Giffen, que é uma classe de bens inferiores e, assim, não se aplica aos bens inferiores em geral. b) Se um bem é inferior, a uma elevação de preço corresponde um aumento da quantidade demandada. Resposta: A afirmativa é falsa. Isso ocorre apenas nos casos dos bens de Giffen, onde o efeito renda supera o efeito substituição. c) Um bem é inferior somente se sua quantidade demandada diminui quando o preço cai. Resposta: A afirmativa é falsa. Um bem é inferior quando o seu efeito-renda é negativo, ou seja, um aumento da renda está associado a uma diminuição da quantidade demandada. Um caso especial (bens de Giffen) ocorre quando o ER>ES e, assim, uma diminuição do preço está associada a diminuição da quantidade demandada. Mas isso não é válido para os bens inferiores em geral. d) A curva de demanda de determinado bem não pode ser positivamente inclinada pra todos os valores do preço do bem. Resposta: A afirmativa é falsa. Lembre-se que é exatamente isso que ocorre com os bens de Giffen. 23. (Anpec-95) Seja BA XXmínimoU , de , a função utilidade de um consumidor; R, a renda; e P A e PB os preços de A e B. Diga se as afermativas abaixo são verdadesras ou falsas. Para esse consumidor: a) As curvas de indiferença não são convexas em relação a origem. Resposta: Nesse caso, os bens são complementares perfeitos e suas curvas de indiferença são convexas em relação a origem, já que a combinação convexa de quaisquer um de seus pontos pertence ao conjunto. Elas são convexas, mas não são estritamente convexas. b) A utilidade marginal de um dos bens é sempre igual a zero. Resposta: 28 Sim, pois aumentar a quantidade de apenas um dos bens não aumenta a utilidade, visto que os bens complementares são consumidos sempre juntos. A utilidade apenas aumentará se aumentarmos as quantidades de ambos os bens. c) Para qualquer R 0 , se P PA B , o consumidor escolhe apenas B. Resposta: A afirmativa é falsa. Os dois bens serão sempre consumidos juntos, já que são complementares perfeitos. Escolher apenas um dos bens não trará utilidade alguma ao consumidor. d) Se R 0 e P A = PB , o consumidor escolhe quaisquer quantidades de A e B, tais que X X R PA B A / Resposta: Como os bens são complementares perfeitos e, pela função de utilidade, eles são consumidos na proporção de 1 para 1, o consumidor não escolher quaisquer quantidades de A e B. Ele sempre escolherá A = B e, portanto: B B A A XPXPR Como P A = PB , podemos escrever: B A A A XPXPR BA A XXPR ABA P R XX E como ele SEMPRE escolherá BA XX : AA P R X 2 BAA X P R X 2 A afirmativa é, portanto, falsa. 24. (Anpec-95) Um fazendeiro tem a opção de cultivar trigo e batatas. Se fizer sol, cada hectare de trigo gerará um lucro de 200; e se plantado com batatas, o lucro será de 100. Se fizer chuva, o lucro de um hectare de trigo será de 120; e se plantado com batatas, de 200. A utilidade da renda do fazendeiro é dada por YYU ln)( , em que Y é o lucro. As probabilidades de sol e chuva são iguais. O fazendeiro deverá: a) Plantar apenas trigo. b) Destinar ao trigo 3/4 da área. c) Plantar somente batatas. d) Destinar 1/2 da área a batatas. Dica: Trigo Batata 29 Sol (p = ½) Lucro = 200 Lucro = 100 Chuva (p = ½) Lucro = 120 Lucro = 200 Resposta: O objetivo do fazendeiro é obter amaior utilidade esperada possível. Seja T a proporção de terra dedicada ao cultivo de trigo e (1 – T) a proporção de terra dedicada ao cultivo de batatas. O lucro do fazendeiro será dado por: - se fizer sol: Ysol = 200T + (1–T)100 Ysol = 200T – 100T + 100 Ysol = 100T + 100 - se fizer chuva: Ychuva = 120T + (1-T)200 Ychuva = 120T + 200 – 200T Ychuva = –80T + 200 Então: Utilidade se fizer sol: U(Ysol) = ln(100T + 100) Utilidade se fizer chuva: U(Ychuva) = ln(–80T+200) A Utilidade esperada é então: U.E. = 0,5 ln(100T + 100) + 0,5 ln(–80T+200) Maximizando a U.E.: Max.: 0,5 ln(100T + 100) + 0,5 ln(–80T+200) dUE dT = 0,5 0,5 100 ( 80) 100 100 200 80T T =0 50 40 100 100 200 80T T 5 4 100 100 200 80T T 5 200 80 4(100 100)T T 1000 400 400 400T T 800T= 600 T = 600 800 T = 3 4 E (1 – T) = ¼. Portanto: Parcela da terra alocada para o trigo: ¾ 30 Parcela da terra alocada para batatas: ¼. Alternativa correta: b