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Parasitologia O que é parasitologia? Ciência que estuda os organismos (parasitos) que vivem no interior ou exterior de outro hospedeiro, extraindo alimento e abrigo. 3 principais grupos de parasitos: Protozoários Helmintos Artrópodes Seres eucariontes Fazem parte do reino animal e são classificados em 2 sub-reinos: protozoa (unicelular) e metazoa (multicelular) Protozoa – classificados de acordo com a morfologia e meios de locomoção Metazoa – inclui os vermes (helmintos) e artrópodes Conceitos parasitológicos e epidemiológicos Sucesso do Parasitismo = ADAPTAÇÃO Necessidades básicas semelhantes àqueles dos animais de vida livre (nutrição, reprodução, etc.) A obtenção das necessidades básicas é complexa, o que requer adaptações especiais. A adaptação é a marca do parasitismo Adesão: Estruturas de adesão: garras do piolho, dentes ventrais de Ancylostoma duodenale, acúleos (Taenia solium) e ventosas (Taenia saginata) Trânsito entre hospedeiros: Canal alimentar, vias aéreas e sistema reprodutivo – estruturas naturais. Parasitas que vivem na corrente sanguínea e tecidos utilizam outros animais ou meios para deixar seus hospedeiros: mosquitos, vesículas, ulcerações, etc. Trânsito por mosquitos. Ex: malária – os estágios diferentes no ciclo de vida do parasito da malária, Plasmodium, estão adaptados para viver em dois diferentes hospedeiros e para se dispersar entre eles. Trânsito por vesículas. Ex: Taenia solium Parasitismo é uma relação ecológica interespecífica: PARASITA- “vive às custas de, depende de...” Relação íntima e duradoura com o hospedeiro. Unilateralidade de benefícios: – O hospedeiro é espoliado pelo parasito, pois fornece alimento e abrigo para este. Tende para o equilíbrio: – A morte do hospedeiro é prejudicial para o parasito! Outras relações interespecíficas • Simbiose: associação indispensável à sobrevivência e VANTAJOSA para ambas espécies. Ex: líquens – fungos e algas • Cooperação: associação dispensável à sobrevivência, porém podendo ser muito vantajosa para ambos. Ex: aves que catam parasitas na pele do gado. • Comensalismo: quando uma espécie dita comensal tira proveito do hospedeiro, porém, sem causar-lhe prejuízo. Ex: Entamoeba coli no intestino do homem. Parasitas podem ser Monoxênicos: Ciclo biológico completa-se em um hospedeiro. Heteroxênicos: Ciclo biológico necessita de dois hospedeiros Protozoologia Organismos unicelulares eucariontes DNA dentro de um núcleo definido por membrana, agrupado em unidades estruturais (cromossomos) Pequenos – 1 a 150 m Formas muito variáveis Alto índice de reprodução Podem apresentar estruturas de locomoção como flagelos, cílios ou se movimentarem por pseudópodes Flagelados ou mastigóforos: Locomoção por flagelos Mutualísticos ou parasitas Digestão intracelular Ex.: Trichonymphas sp (Mutualístico) • Tripanosoma cruzi (Parasita) • Giardia lamblia (Parasita) • Leishmania brasiliensis (Parasita). Ciliados: Nutrição pelo sulco oral - citóstoma Digestão intracelular Vacúolos pulsáteis ou contráteis São os protistas mais complexos Reprodução assexuada: divisão binária / Reprodução sexuada: conjugação – Locomoção por cílios Ex.: Paramaecium sp (vida livre) • Balantidium coli (parasita) Esporozoários: Apicomplexa: Protistas que não tem qualquer tipo de locomoção Todos eles são parasitas obrigatórios Ex.: Plasmodium sp • Toxoplasma gondii Formas de vida dos protozoários Trofozoíto: Forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e reproduz por diferentes processos. Cisto e oocisto Formas de resistência (parede cística) Os oocistos são provenientes de reprodução sexuada Gameta Forma sexuada: Microgameta (Masculino) / macrogameta (Feminino) Reprodução Assexuada Divisão binária ou cissiparidade Brotamento ou gemulação Esquizogonia: o núcleo se divide múltiplas vezes antes da célula se dividir. Uma única célula se separa em várias células-filhas. Sexuada Conjugação: união temporária de dois indivíduos, com troca mútua de materiais nucleares Singamia ou fecundação: união de microgameta e macrogameta formando o ovo ou zigoto Excreção Difusão dos metabólitos através da membrana Expulsão dos metabólitos através de vacúolos contráteis Respiração Aeróbicos: Vivem em meio rico em oxigênio Anaeróbicos: Vivem em ambientes pobres em oxigênio Protozooses: Ex.: Amebíase / Tripassomíase /Leishmaniose /Giardíase /Tricomíase /Malária Amebíase Subfilo Sarcodina Protozoários que utilizam pseudópodes para locomoção Ambientes aquáticos, solo ou outros ambientes úmidos. Forma variável: corpo gelatinoso Maioria de vida livre Agente etiológico Entamoeba coli (C); Entamoeba hartmanni (D e E); Endolimax nana (F e G); Iodamoeba bütschlii (I). Entamoeba gingivalis (encontrada só na boca e com o mesmo aspecto morfológico que E. histolytica); Entamoeba polecki (do porco e capaz de infectar a espécie humana Entamoeba histolytica/ E. dispar Transmissão / infecção Necessariamente por via oral (cistos), geralmente feita pela água ou alimentos sujos Fatores de risco que podem ser evitados: Higiene das mãos após defecação DST Proteção de alimentos contra adubos de fezes humanas, águas poluídas e insetos Tratamento da água (cloração é ineficaz) Saneamento básico Morfologia Trofozoíto: Cisto: 8 núcleos: E. coli, E. gallinarum 4 núcleos: E. histolytica, E. hartmanni hartmanni 1 núcleo: E. suis Ciclo biológico Diagnostico Clínico: confuso Disenteria bacilar Salmonelose Teste imunológico ELISA / HI / IFI, etc Coleta biológica Fezes líquidas: Formas trofozoíticas (raros cistos). Forma magna contendo numerosas hemácias. Exame deve ser realizado a curto prazo Fezes formadas: Predomínio das formas císticas. Técnicas de concentração (centrífugo-flutuação no sulfato de zinco) Retossigmoscopia: Formas trofozoíticas Tratamento Nitroimidazóis: Teciduais Quimoterápicos eficientes (metronidazol, tinidazol): Absorção pelo intestino e ação eficaz sobre as amebas Dicloracetamidas: Luz intestinal Dieta nutricional Consistência média Líquidos Fibras, proteínas e vitaminas Carboidratos Patogenia Invasão das células epiteliais da mucosa Ação lítica sobre outras células Produção toxina com capacidade para aglutinar células de mamíferos A invasão geralmente se procede entre as glândulas de Lieberkühn Disseminação via hematogênica para outros órgãos Hospedeiro Neste ciclo, não há hospedeiro intermediário e o hospedeiro definitivo é o homem. O local do parasitismo é normalmente o intestino grosso, mas podem ser afetados também o fígado, os pulmões e o cérebro. Epidemiologia Regiões tropicais e subtropicais: Piores condições socioeconômicas e sanitárias 500 milhões de pessoas infectadas no mundo – 40 a 50 milhões de casos de colite amebiana e abscessos hepáticos – com 100 mil óbitos/ano Portadores sadios – Principais disseminadores • 6 milhões de cistos/100 g de fezes Sintomas Período de incubação: Variável: 7 dias a 4 meses (Difícil de ser determinado) Amebíase hepática Fraqueza Mialgias: Icterícia 10% dos casos Sintomas gastrintestinais Náuseas Vômitos Diarreia Dor abdominal Distensão abdominal Constipação Amebíase intestinal Disentérica Diarreia sanguinolenta (90%) Amebomas Apendicite amebiana Complicações Perfuração Peritonite Hemorragia Colite pós-disentérica Amebíase extra intestinal Amebíase hepática Abcesso hepático ou necrose Ruptura Infecção bacteriana Propagação para outros órgãos Amebíase cutânea Amebíase de outros órgãos: Pulmão, Cérebro, Baço, Rim, etc... Tricomoniase Vias urinárias: Trichomonas vaginalis (vias genitais e urinárias) Agente etiológico Trichomonas vaginalis: Patogênica (cavidades genitais e urinárias do homem e da mulher). Parasita causador de vaginite e cervicite Tem se destacado como um dos principais patógenos do homem e da mulher e está associado a sérias complicações de saúde: Promovea transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV). É causa de baixo peso em bebês, bem como de nascimentos prematuros. Predispõe mulheres a doença inflamatória pélvica, câncer cervical e infertilidade. Trichomonas tenax: (boca). Pentatrichomonas hominis: (intestino grosso). Morfologia Somente apresenta a forma trofozoítica. Não possuem forma cística. Condições físico químicas, pH, temperatura, tensão de O2 mudam a forma o trofozoíto. Quatro flagelos anteriores livres e se originam do canal periflagelar Membrana ondulante Axóstilo - estrutura rígida e hialina que se projeta através do centro do organismo. Núcleo elipsóide com dupla membrana podendo se observar um nucléolo pequeno. Ciclo biológico Diagnostico Clínico Não pode ser conclusivo, pois a infecção pode ser confundida com outras doenças. O clássico cérvice com aspecto de morango só é observado em 2% das pacientes e o corrimento espumoso em 20% das mulheres infectadas. Laboratorial O homem deve fazer a colheita do material pela manhã, sem ter urinado e a mulher não deverá realizar a higiene vaginal durante um período de 18 a 24 horas antes da colheita do material e, ambos, não devem ter tomado nenhuma droga tricomonicida há 15 dias. O organismo é encontrado na urina e no sêmen. O material é coletado com um swab molhado em solução isotônica. Solução salina isotônica glicosada a 0,2% pode ser usada para preservar o material. Solução de fixador de álcool polivinílico (fixador APV) mantém os microrganismos preservados sem que haja alterações na sua morfologia, estando preparados para serem corados pelos métodos de Leishman, Giemsa. O exame microscópico é usado para identificar os protozoários. A densidade dos leucócitos polimorfonucleares e as células epiteliais do exsudato vaginal dificultam a identificação dos protozoários. O diagnóstico da tricomonose é feito pela observação, na lâmina, do protozoário móvel, através do exame direto de esfregaços a fresco ou esfregaços fixados e corados. O imunodiagnóstico é feito através de reações de aglutinação, métodos de imunofluorescência (direta e indireta) e técnicas imunoenzimáticas (ELISA). Tratamento Derivados de imidazólicos: Metronidazol, tinidazol, ornidazol, nimorazol, canidazol e secnidazol. Administração oral e local em mulheres de 5 a 10 dias (formação de radicais tóxicos aos parasitos); É necessário o tratamento concomitante do parceiro sexual ou a reinfecção é certa; Pode apresentar efeitos colaterais sendo contra-indicado durante a gravidez. Transmissão / infecção T. vaginalis habita o trato geniturinário do homem e da mulher. Não sobrevive fora do sistema urogenital. A trícomoníase é uma DST; O T. vaginalis pode sobreviver por mais de uma semana sob o prepúcio do homem sadio, após o coito com mulher infectada; Fômites mais raro; Tricomoníase neonatal – parto. Transmissão não-sexual Duchas contaminadas Espéculos ou assentos de vasos sanitários Recém-nascidas (5%) Mulheres virgens Mães infectadas Pode viver fora de seu habitat sob altas condições de umidade 3 h na urina coletada 6 h no sêmen ejaculado Sintomas Leucórreia abundande Infiltrado leucocitário Ação irritativa Composto por soro, muco, células epiteliais descamadas, bactérias e Trichomonas Corrimento malcheiroso e espumoso em algumas mulheres Vagina e cérvice podem ser edematosas e com erosão e pontos hemorrágicos (vagina e cérvice com aspecto de morango) Corrimento vaginal - fluido abundante, bolhoso de odor fétido Disúria (dor ao urinar), Polaciúria (frequência miccional aumentada), Dispareumia de intróito (dificuldade nas relações sexuais). No homem normalmente é assintomático Uretrite com fluxo leitoso ou purulento e uma leve sensação de prurido na uretra. Pela manhã, antes do primeiro jato pode-se observar um corrimento claro, viscoso, pouco abundante, com desconforto ao urinar. Durante o dia a secreção é escassa Diagnostico Clínico e anamnese Parasitológico Encontro do parasito no corrimento (mulher), secreção prostática ou urina (homem); Imunológico – IFI Pouco eficaz – inespecífico Colpocitologia Preparação a fresco, ou corada (Papanicolaou ou Shorr). Molecular Tem sido implementado e revelado maior acurácia. Amostra de urina: Sedimento para a observação de trofozoíto. Homem: Material uretral colhido com swab antes da primeira urina. Mulher: Não realizar a higiene vaginal durante 18 a 24h anterior à coleta. Não estar em uso de medicamentos tricomonicidas. Coleta com Swab estéril. Profilaxia Visita ao ginecologista / urologia; Evite o contato com as secreções do doente; Evite parceiros que exalam mau cheiro do corpo ou genitais, isso é um dos sinais de descuido com a saúde e higiene; Evite múltiplos parceiros / promiscuidade. Desconfie de qualquer secreção ou corrimento incomuns dos seus genitais e do seu parceiro. Patogenia A infecção é estabelecida quando o pH está maior que 5,0. Há redução de Lactobacillus acidophilus e um aumento de bactérias anaeróbicas. O primeiro contato entre T. vaginalis e leucócitos resulta em formação de pseudópodes e destruição das células imunes nos vacúolos fagocíticos do parasito. A aderência e a citotoxicidade exercidas pelo parasito sobre as células do hospedeiro são influenciadas pelos fatores de virulência como adesinas (AP120, AP65, AP51, AP33, AP23), cisteína-proteinases e o “cell-detaching fator” (CDF). As cisteína-proteinases são secretadas pelo parasito e tem efeito citotóxico e hemolítico, degradam a porção C3 do complemento e anticorpos IgG, IgM e IgA presentes na vagina. O ferro liberado na menstruação regula a expressão de cisteína-proteinases, ajudando na resistência do parasito. O parasito pode se auto revestir de proteínas plasmáticas do hospedeiro, impedindo seu reconhecimento pelo sistema imune. Epidemiologia É a DST não viral mais comum no mundo Infecta mais de 170 milhões de pessoas no mundo todos os anos Pessoas entre 15- 49 anos (92% ocorrendo em mulheres); Mesmo sendo tão disseminada, a infecção não é monitorada pela maioria das agências de saúde pública; Geralmente não leva a imunidade protetora; Aumenta em até 60% o risco de transmissão e/ou aquisição do HIV em um relacionamento sexual; Causa de baixo peso em bebês / nascimentos prematuros; Predispõe mulheres ao câncer cervical e à infertilidade. Giardíase Sub-Filo Mastigophora. Vias digestivas: Giardia lamblia (intestino delgado - duodeno) Protozoário unicelular Agente etiológico Giardia duodenalis G. lamblia G. intestinalis Morfologia Duas formas evolutivas: Trofozoíto: É a forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se reproduz por diferentes processos Formato de pêra, simetria bilateral, 20 µm de comprimento e 10 µm de largura; Citoesqueleto formado por organelas compostas de microtúbulos: o Disco ventral (adesivo ou suctorial) o Corpos basais ou blefaroplastos o Corpos medianos em formato de vírgula ou Quatro pares de flagelos (anterior, ventral, posterior e caudal). Dois núcleos Cisto: Forma de resistência. O protozoário secreta uma parede resistente (parede cística) que o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em fase de latência. Oval ou elipsóide, 12 micrômetros por 8 micrômetros de largura. Corado pelo lugol membrana destacada do citoplasma. Dois ou quatro núcleos Ciclo biológico Monoxênico- Direto Diagnostico Identificação de cistos e trofozoítos Fezes formadas ou diarreicas: Formadas: procura de cistos (Três amostras fecais em dias alternados.) Líquidas: procura por trofozoítos Imunológico: IFI, ELISA Biologia molecular: DNA- PCR Transmissão/infecção Ingestão de cistos: Água contaminadas; Alimentos contaminados (mal lavados ou cistos veiculados por insetos); Pessoa - pessoa, mãos contaminadas (creches, orfanatos, aglomerados humanos), dst Contato com animais domésticos OMS - considera a giardíase como zoonose Imunidade protetora na giardíase Tratamento Derivados nitroimidazólicos:Metronidazol (Flagyl) Tinidazol (Fasigyn) Ornidazol (Giarlam) Sintomas Maioria assintomática; Eliminação de cistos nas fezes Sintomáticos: Relação com o número de cistos e com a cepa; Deficiência imunitária; Giardíase aguda e auto limitante: Diarreia aquosa, explosiva, de odor fétido, distensão e dores abdominais- poucos dias. Resolução espontânea. Sintomas parecidos com diarreias do tipo viral e bacteriano. 30 a 50% podem desenvolver diarreia crônica, esteatorreia (triglicérides nas fezes), perda de peso e má- absorção. Mesmo sendo imuno competentes Sangue aparece raramente nas fezes; Síndrome de má-absorção de dissacarídeos, lactose, vitamina B12e vitaminas A, D, E, K e de ferro; Mais raro: Náuseas; Azia; Perda de apetite; Irritabilidade; Flatulência. Profilaxia Lavar as mãos; Só ingerir alimentos bem lavados e/ou bem cozidos; Saneamento básico; Beber água filtrada ou fervida; Tratar pessoas doentes Patogenia Processo inflamatório na mucosa intestinal Não bem elucidado Lesão das células epiteliais. Atapetamento da mucosa (trofozoítos) Reação de hipersensibilidade local Edema de mucosa Mudança na arquitetura da mucosa Vilosidades com células imaturas Contração dos músculos lisos - aumento da motilidade do intestino. Epidemiologia A giardíase tem distribuição mundial > 1 milhão de casos por ano Prevalência (5 a 35%) Ocorre principalmente em crianças de 8 meses a 10-12 anos A eliminação de cistos pelo indivíduo infectado não é constante O cisto resiste até dois meses na água Surtos epidêmicos veiculados por água Transmissão: Fecal-Oral Água e alimentos Período de incubação (3 a 7 dias) Doença de Chagas. Família Trypanosomatidae. Gênero Trypanosoma: Agente etiológico Trypanosoma cruzi Morfologia Amastigota: Intracelular (tecidos do hospedeiro vertebrado) Epimastigota: Intestino posterior de triatomíneos: Em meios de cultura Tripomastigota: Sangue circulante. Fezes do triatomíneo: Em meios de cultura Ciclo biológico Vertebrado: Formas tripomastigotas (urina e fezes do hospedeiro invertebrado) entram em contato com a pele (lesada) ou mucosa (íntegra) – fagocitose por macrófagos Tripomastigotas se transformam em amastigotas – multiplicação por divisão binária. Amastigotas se transformam em tripomastigotas e são liberados da célula – corrente sanguínea – atingem novas células em outros órgãos – novo ciclo Invertebrado: Triatomíneos se infectam com as formas tripomastigotas circulantes durante o hemofagismo; No estômago: se transformam em epimastigotas; No intestino: os epimastigotas se dividem gerando a manutenção da infecção no vetor. No reto: os epimastigotas se transformam em tripomastigotas – FORMA INFECTANTE DOS VERTEBRADOS; Diagnostico Clínico Laboratorial: Fase aguda: Pesquisa do parasito Sorológico Fase crônica: Pesquisa do parasito (Xenodiagnóstico); Hemocultura; Inoculação em camundongos; Sorológico Transmissão/infecção Vetorial Tripomastigotas penetram através das mucosas, conjuntivas ou de qualquer solução de continuidade da pele Transplacentária Amastigotas na placenta Liberação de tripomastigotas Circulação fetal Leite materno Oral Triatomíneos Transfusão de sangue Transplante de órgãos Amastigotas Acidentes de laboratório Infecção Parasita heteroxeno, Desenvolve-se no tubo digestivo de triatomíneos (hemípteros hematófagos), no sangue e nos tecidos de diferentes mamíferos (marsupiais – gambá, desdentados – tatu, quirópteros – morcego, roedores – rato, primatas – macaco – coelho, carnívoros – cão e gato) Não infecta aves nem répteis Multiplica-se por divisão binária (assexuada) Tratamento Poucas drogas, pouco eficiente e altamente tóxicas Nirfutimox, benzonidazol (controvérsia) Os recursos terapêuticos estão em aliviar os sintomas e não provocam a cura: anti-arritmia do coração, intervenção cirúrgica do megaêsofago ou cólon. Sintomas Fase Aguda: Sintomática ou assintomática Manifestações locais: Sinal de Romaña. Chagoma de inoculação Fase Crônica: Assintomática: (“indeterminada”) Sintomática: lesões nos sistemas cardiocirculatório e digestivo Epidemiologia Distribuição Global Infectados: 12 -14 milhões na América Latina 18 países endêmicos Mortes: 14.000 anualmente Casos novos: 810 mil Complicações crônicas: 2-3 milhões de casos Pessoas em risco: 60 milhões Invalidez por incapacitação física Morte súbita Leishmaniose Família Trypanosomatidae. Gênero Leishmania Agente etiológico Leishmania braziliensis Leishmania mexicana Leishmania donovani Leishmanioses cutâneas do Velho Mundo Leishmaniose Tegumentar Americana Cutânea Cutâneo mucosa Cutâneo-difusa Leishmaniose Visceral (calazar) Morfologia Protozoário flagelado Encontradas no trato digestivo dos hospedeiros invertebrados. Flagelo longo e livre na porção anterior. Núcleo redondo ou oval na região mediana. Cinetoplasto, AP, RE, vacúolos, etc.. Divisão binária Forma infectante: promastigotos metacíclicos. Ciclo biológico Hospedeiro Dois hospedeiros obrigatórios, um vertebrado e um invertebrado - ciclo heteroxênico Malária Gênero Plasmodium Agente etiológico Plasmodium falciparum Febre terçã maligna Maior mortalidade (malária grave) Ciclo 36 a 48h Plasmodium vivax Febre terçã benigna Ciclo 48h Plasmodium ovale (Só existe na africa) Febre terçã benigna Ciclo 48h Plasmodium malarie Febre quartã Ciclo 72h Ciclo biológico Fase pré ou exoeritrocítica -Se processa nos hepatócitos, antes de se desenvolver nos eritrócitos -Conhecida como fase tissular ou criptozóica Fase eritrocítica -Se processa nos eritrócitos Reprodução assexuada ou esquizogônia -Ocorre a divisão do núcleo e do citoplasma do parasito, produzindo merozoítos Reprodução sexuada ou esporogônia - Ocorre no mosquito com a fecundação do macrogameta pelo microgameta, produzindo esporozoítos. Diagnostico Clínico Fatos sugestivos relacionados a malária: febre caráter intermitente, anemia, etc. Laboratorial Gota espessa Gota estendida Imunológicos Transmissão/infecção Ocorre pela inoculação das formas esporozoítas de Plasmodium durante a picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles Tratamento Compostos com núcleo quinoleína Sulfamidas e antibióticos Pirimidinas Artemisina e derivados Prognóstico: Tratamento correto – recuperação do paciente Vacina: Em fase de testes (IOC Sintomas Fase hepática Fase eritrocitária Início da doença Sintomas precursores Dores de cabeça Mal-estar Dores pelo corpo Elevação da temperatura Acesso malárico ou paroxismo Calafrios 15 min – 1 h Palidez, pele fria, tremores, náuseas, vômitos Febre (39-400C, 410C) 2 – 4 h Cefaléia intensa, pele seca, delírio Sudorese (alívio) Fadiga ou recuperação total Toxoplasmose humana. Parasita intracelular obrigatório – exceto hemácias Filo Apicomplexa Gênero: Toxoplasma Reprodução sexuada Agente etiológico Toxoplasma gondii Morfologia Oocisto Forma de resistência Infecção aguda: liberação de vários milhões nas fezes dos gatos durante 7-21 dias Esporulação: 1-21 dias (se tornam infectantes) Cada oocisto possui dois esporocistos com 4 esporozoítos cada Taquizoíto Forma proliferativa Multiplicação rápida Alongados ou ovais – forma de banana Após caírem na circulação sanguínea: infectam vários tecidos (SNC, olhos, músculo esquelético e cardíaco, placenta) Se transformam em bradizoítos sob a pressão da resposta imune para formar os cistos Bradizoítos Interior dos cistos Fase crônica Multiplicação lenta Quando liberados dos cistos podem se transformar novamente em taquizoítos e causar recrudescência em pacientes imuno comprometidos Cisto de bradizoíto Toxoplasma gondii Cistos Contém centenas ou milhares de bradizoítos Se formam no cérebro, músculo esquelético e cardíaco Ciclo biológico Esporozoário que infecta grande número de vertebrados de sangue quente, inclusiveo homem. Invade as células do hospedeiro, onde se multiplica. Heteroxênico: Gato é o hospedeiro definitivo Homem (e outros animais, principalmente os mamíferos) hospedeiro intermediário. Ocorre em 2 fases: Fase assexuada: tecidos de vários hospedeiros. Fase sexuada: epitélio intestinal gatos jovens não imunes. Hospedeiro intermediário: se infecta ao ingerir oocistos maduros, taquizoítos (mais raro) e bradizoítos no interior de cistos: Água ou alimentos contaminados; Bradizoítos encontrados em carne crua; Taquizoítos encontrados no leite. Diagnostico Métodos sorológicos Corantes Pesquisa de taquizoítos (difícil) Reação de Imuno fluorescência direta – ELISA (IgG, IgM – titulação e isótipos; infecção aguda ou crônica, permite ver se houve reativação) Isolamento e histologia Biópsia do tecido afetado; inoculação em camundongos, cultura Líquor, sangue e urina PCR Clínico Suspeita, exames neurológicos (lesões múltiplas), retinocoroidite necrosante focal, encefalite em imunodeprimidos Tratamento Combinações de sulfonamidas e pirimetaminas Dificultoso e tóxico Tem caráter supressivo (não atinge os cistos) Indicações restritas Lesões em atividade Infecção congênita Imunodeprimidos Espiramicina: tratamento materno Hospedeiro Tropismo a uma diversidade de células do hospedeiro intermediário: Afinidade maior pelas células do SFM (sistema fagocítico mononuclear), leucócitos, células parenquimatosas. ▪Hospedeiro definitivo: gato doméstico Todo o seu duplo ciclo vital Epidemiologia Infecta cerca de um terço da população mundial ▪Distribuição universal – Hábitos alimentares – Zona urbana ou rural – Idade ▪Alta taxa de soropositividade (> 50% mundialmente) ▪Alto risco de infecção ▪Gato doméstico é o grande vilão ▪Toda atenção a imunodeprimidos e gestantes ▪Toxoplasmose congênita: 1-10:10.000 recém-nascidos Helmintos Classe Cestoda Teníase e Cisticercose Corpo achatado em forma de fita Segmentado Todos: parasitas obrigatórios Sem sistema digestivo ou circulatório Sistema reprodutor muito desenvolvido Hermafroditas: Heteroxênicos Adultos: parasitam o sistema intestinal de vertebrados. Ovo Oncosfera ou embrião hexacanto. Embrióforo – casca espessa que protege o embrião. Igual para as duas espécies Habitat – Tubo digestivo – Ambiente anaeróbio, usam CO2e O2 se disponível Nutrição – Absorção pelo tegumento (difusão simples, ativa ou pinocitose Teníase Filo Platyhelmintes. família Taeniidae Agente etiológico Taenia solium, T. saginata Ciclo biológico Sobrevida verme adulto – 25-30 anos Período de Incubação – 15 dias a muitos anos após a infecção Período de Transmissibilidade – Os ovos podem permanecer viáveis por vários meses no meio ambiente, principalmente em presença de umidade. Diagnostico Clínico Muito difícil de ser feito, devido a semelhança das sintomatologias entre as parasitoses Laboratorial Anal swab ou Fita adesiva (região perianal) EPF: Método de sedimentação espontânea Tamisação: peneiração, coloca-se Ac. acético (deixa transparente), observa ao MO. Evidencia as diferenças nas ramificações uterinas. Tratamento É o mesmo para as duas espécies Infecções por T. solium: Auto – infecção: riscos de cisticercose Medicamentos Albendazol e Mebendazol Praziquantel dose única (10-20mg/kg) Sementes frescas de abóbora (200 mg x 2/dia por 4 dias/criança) Cucurbita pepo / Cucurbita maxima – 85 % cura Sintomas Mecânica traumática: pelos movimentos da Taenia Espoliativa: absorve os nutrientes do ID por osmose no tegumento Tóxica: metabólitos excretados pela Taenia Cólica, diarreia, bulimia e anorexia alternadas, emagrecimento, prurido anal As proglotes alojadas no apêndice podem levar a quadro de apendicite aguda Cisticercose. Agente etiológico Resultado da presença de formas larvárias de Taenia (cisticercos) parasitando tecidos do homem. Ciclo biológico Diagnostico Consiste em demonstrar o cisticerco no tecido envolvido Imagem: TC e RNM Tratamento Combinação de drogas antiparasíticas (praziquantel) e anti-inflamatórias - Anti-epilépticos Cirurgia às vezes é necessária no tratamento da infecção nos olhos, ou para reduzir o edema cerebral Transmissão Larvas de Taenia solium são as principais responsáveis pela doença. O homem se torna infectado pela ingestão de alimentos contaminados com fezes contendo ovos ou proglotes grávidas (peristaltismo reverso - autoinfecção) de Taenia solium (originados de uma infecção humana). Sintomas As manifestações patológicas do parasitismo só se evidenciam depois que o cisticerco começa a crescer. Dois fatores respondem por sua variada sintomatologia: ─ a compressão mecânica e o deslocamento das estruturas anatômicas, com as consequentes alterações da fisiologia. Ex: obstrução da circulação liquórica, produzindo hidrocefalia; O processo inflamatório, que envolve o parasito, podendo estender se às estruturas vizinhas, sendo do tipo celular crônico. Tudo depende da localização, do número e da vitalidade ou não dos parasitos. Ancilostomídeos. Classe Nematoda, família Ancylostomatidae Parasitos obrigatórios de mamíferos Habitat: Luz do intestino delgado: Fixados à mucosa Sugam sangue Agente etiológico Ancylostoma duodenale Necator americanus Ancylostoma ceylanicum Morfologia 1 cm de comprimento Cápsula bucal Esôfago muscular Intestino simples Fêmeas - termina no ânus Machos - abre-se na bolsa copuladora Ciclo biológico As larvas infectantes dos ancilostomídeos (L3), que entram pela pele, vão pela circulação venosa ou linfática ao coração e aos pulmões (trajeto azul, na fig.), onde tem lugar a 3ª ecdise. As L4 penetram nos alvéolos e bronquíolos, sendo arrastadas pela corrente de muco da árvore respiratória até a faringe (trajeto vermelho contínuo), que é o fim do ciclo pulmonar. São então deglutidas (trajeto vermelho descontínuo), indo parar nos intestinos, (trajeto vermelho contínuo); onde sofrem a 4ª e última ecdise, passando a vermes adultos. Localizam-se de preferência no duodeno e no jejuno, fixando-se à mucosa com sua cápsula bucal. Transmissão L3 penetram através da pele das pessoas que andam descalças por terrenos poluídos com fezes humanas. A. duodenale A infecção pode dar-se por via oral (mais raro) Espécies que parasitam cães e gatos A. braziliensis A. caninum Não conseguem completar sua evolução na espécie humana, podem invadir a pele e nela permanecerem algum tempo Aí abrem túneis na epiderme e produzem uma dermatite conhecida como larva migrans cutânea ou “bicho geográfico” Diagnostico Clínico: – Valorização da história do paciente, como procedência e condições sanitárias. – Sintomas inespecíficos Para estimar-se a carga parasitária, fazer uma contagem de ovos pelo método de Stoll. – Cada 35-40 ovos por grama de fezes correspondem a uma fêmea, sendo que as fêmeas representam 50% da população helmíntica Laboratorial: – EPF: Pesquisa de ovos ou larvas rabditoides – Ovos são típicos e em geral abundantes nas fezes dos pacientes Tratamento Mebendazol – 100mg 2x ao dia, por 3 dias Abendazol – dose única (400mg) Anemia Tratamento prolongado com sulfato ferroso Dieta rica em proteínas e vitaminas Sintomas Fase crônica Quando a anemia for de instalação lenta e progressiva, o paciente pode adaptar-se a essas condições fisiológicas, ajustando suas atividades ao que ainda podem fazer. Mas, para muitos, isso os impede de trabalhar. As crianças mostram retardo no desenvolvimento físico e mental, apatia, falta de apetite, atenção difícil e um baixo rendimento escolar. Os sinais e sintomas predominantes são: palidez, conjuntivas e mucosas descoradas, cansaço fácil, desânimo e fraqueza. Áscaris Parasitam o intestino delgado de humanos; Conhecido como lombriga, ou bicha Agente etiológico Ascaris lumbricoides Ascaris suum Morfologia Fases evolutivas de seu ciclo biológico: macho, fêmea ovo.• Formas adultas: Longas, robustas, cilíndricas, extremidades afiladas. Verme adulto • Macho: extremidade posterior enrolada ventralmente em espiral. 20 a 30 cm • Fêmea: extremidade posterior retilínea 30 a 40 cm Diagnostico Clínico Ascaridíase humana é pouco sintomática e por isso difícil de ser diagnosticada em exame clínico; A gravidade da doença é determinada pelo número de vermes que infectam cada pessoa. Laboratorial Pesquisa de ovos nas fezes; Método de Kato modificado por Katz é bastante eficiente e recomendado pela OMS para inquérito epidemiológico. Fisiologia Consomem grande quantidade de nutrientes, espoliando o hospedeiro. No ID, alimentam-se de materiais semi-digeridos, dispondo para isso de todas as enzimas necessárias. Nutrem-se basicamente de proteínas, carboidratos, lipídeos e vitaminas (A e C). Os vermes localizam-se, em geral, nas alças jejunais (90%); e no íleo (10%). As fêmeas devem ser fecundadas várias vezes. Elas acumulam os espermatozóides amebóides (sem flagelos) no útero ou começo do oviduto, onde fertilizam os óvulos ao passarem. Sintomas 1 a cada 6 indivíduos infectados apresentam sintomas; Ação patogênica: Migração das larvas; Vermes adultos em habitat definitivo; Vermes adultos em locais incomuns (ascaris ectópico) Apêndice Canais biliares Tratamento Utilização de benzimidazóis altamente eficientes contra o Ascaris lumbricoides; A OMS recomenda a utilização de quatro drogas: albendazol, mebendazol, levamisol e pamoato de pirantel