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Tomografia Computadorizada 71 
 
CAPÍTULO V 
Ossos Temporais 
 
 5.1 – CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS 
Canal auditivo externo. O canal auditivo externo consiste em uma porção lateral 
cartilaginosa, ondulante, afunilada e um segmento medial ósseo. A porção cartilaginosa é 
contínua com o pavilhão. Estas estruturas são flexíveis e circundadas por gordura. A porção 
óssea constitui dois terços do comprimento do canal externo e é recoberta apenas por pele e 
periósteo. 
Cavidade timpânica. A cavidade timpânica é o espaço aéreo entre o canal de Eustáquio 
(tuba auditiva)e as células aéreas da mastóide, que contém os ossículos. O hipotímpano é a 
porção mais inferior da cavidade timpânica, e conecta-se ânteromedialmente ao orifício ósseo 
do canal de Eustáquio. O semi-canal para o músculo tensor do tímpano é paralelo ao canal de 
Eustáquio. O pró-tímpano forma a porção triangular anterior da cavidade timpânica adjacente ao 
canal carotidiano. O mesotímpano é a porção central da cavidade timpânica, sendo limitado 
lateralmente pelo scutum e pela membrana timpânica, e medialmente pela cápsula ótica. O 
scutum, ou esporão, é uma crista óssea que separa o canal auditivo externo do espaço 
epitimpânico. A membrana timpânica fixa-se ao scutum superiormente, e ao limbo 
inferiormente.19 O pós-tímpano é a porção posterior da cavidade que contém o recesso facial 
lateralmente e o seio do tímpano medialmente. O epitímpano triangular forma a porção superior 
do ouvido médio e contém as grandes porções do martelo (cabeça) e bigorna (corpo e processo 
curto). O espaço epitimpânico está ligado ao antro mastóideo por um istmo em forma de 
ampulheta estreito denominado aditus ad antrum. 
Antro mastóideo. O antro, cônico, está interposto entre o aditus ad antrum e as células 
aéreas da mastóide. Há considerável variação no tamanho do antro, resultando de 
pneumatização variável das células aéreas que drenam para ele. 
Ossículos. Os ossículos estão suspensos pela membrana timpânica, ligados às 
paredes epitimpânicas e a janela oval. O processo longo do martelo está ligado à membrana 
timpânica. O colo do martelo está conectado ao ligamento do tensor do tímpano. A cabeça 
circular do martelo articula-se com o corpo triangular da bigorna. O processo curto da bigorna 
está suspenso no interior do espaço epitimpânico, apontando para o aditus ad antrum. O 
processo longo da bigorna articula-se com o estribo. O estribo consiste em dois pilares e uma 
base. A base do estribo fixa-se à janela oval do vestíbulo, fixado pelo ligamento anular. 
Canal auditivo interno. O canal auditivo interno é um conduto ósseo que dá passagem 
aos nervos cranianos VII (facial) e VIII (vestibulococlear) da junção pontobulbar do tronco 
encefálico até o ouvido interno. Seu orifício medial é o poro acústico. O canal auditivo interno é 
parcialmente dividido por uma lâmina óssea anterior central, denominada crista falciforme, que 
segue paralela ao eixo longitudinal do canal. A crista falciforme divide o canal em uma porção 
superior menor, contendo os nervos vestibular superior e facial, e uma porção inferior maior, 
contendo os nervos vestibular inferior e coclear.20 A porção lateral do canal é perfurada pelos 
nervos cranianos onde entram na cóclea, vestíbulo, e canal do nervo facial. 
 
Valnir de Paula 72 
Vestíbulo, aqueduto vestibular, ducto e saco endolinfáticos. A cavidade vestibular é 
a porção central do labirinto membranáceo que se comunica com os canais semicirculares e a 
cóclea. O vestíbulo situa-se imediatamente lateral ao fundo do canal auditivo interno, e a janela 
oval do ouvido médio forma sua margem lateral. O aqueduto vestibular é um canal ósseo 
estreito que contém os pequenos ducto e saco endolinfáticos. O ducto endolinfático origina-se 
da porção póstero-medial do vestíbulo, segue através do pilar comum e assume um formato de 
bastão de hóquei. O saco endolinfático, uma extensão do ducto endolinfático, é um espaço de 
líquido de extremidade cega que se origina do vestíbulo situado abaixo da dura do osso 
temporal posterior. 
Canais semicirculares. Os canais semicirculares são três estruturas circulares do 
labirinto membranáceo que se originam do vestíbulo, dispostas de forma ortogonal. O canal 
semicircular lateral aproxima-se do plano horizontal. Os canais semicirculares posterior e 
superior compartilham um pilar comum posteriormente. 
Cóclea e aqueduto coclear. O aparelho coclear espiral contém os componentes do 
labirinto membranáceo para audição. A cóclea situa-se anterior ao vestíbulo e possui duas 
voltas e meia ou duas voltas e três quartos ao redor de seu modíolo, o eixo espiral ósseo 
central. A porção mais lateral da volta basal da cóclea projeta-se para a cavidade timpânica, for-
mando um promontório ósseo. O aqueduto coclear é um canal que conecta a cóclea próxima à 
janela oval como espaço subaracnóide, imediatamente superior ao tubérculo jugular. Este aque-
duto situa-se inferior ao canal auditivo interno. 
Janelas oval e redonda. A janela oval do vestíbulo é a interface entre os elementos 
mecânico e neural do ouvido. A janela oval situa-se imediatamente abaixo do canal horizontal 
do nervo facial e do canal semicircular lateral. E recoberta pelo ligamento anular, que circunda a 
base do estribo. A janela redonda é a abertura óssea da volta basal da cóclea, sendo recoberta 
por uma membrana fibrosa. Situa-se abaixo e ligeiramente posterior à janela oval e está 
adjacente ao seio timpânico inferior. 
Nervo facial e canal do nervo facial (canal de Falópio). O nervo facial possui um 
trajeto altamente tortuoso e entra em contato íntimo com quase todos os outros componentes 
importantes do osso temporal. A porção labirintina do nervo facial sai da porção súpero-anterior 
do fundo do canal auditivo interno. No gânglio geniculado, é observado um ângulo agudo 
invertido (V invertido) do nervo e do canal. O ramo distal do gânglio geniculado dobra de volta 
posteriormente para tornar-se o segmento horizontal na parede medial da cavidade timpânica. 
Esta porção do canal do nervo facial possui um delgado revestimento ósseo inferior que pode 
ser deiscente. A porção horizontal do nervo facial corre diretamente inferior ao canal 
semicircular lateral. O nervo facial então volta-se abruptamente para baixo (em um ângulo de 95 
a 125°), para formar o joelho posterior próximo ao seio timpânico e à eminência piramidal. O 
nervo facial descendente na porção mastóidea do canal do nervo facial segue verticalmente 
logo atrás do canal auditivo externo. Nesta porção vertical, ou descendente, originam-se o nervo 
para o músculo estapédio e a corda do tímpano (primeiro e segundo ramos, respectivamente, 
do nervo facial distal ao gânglio geniculado). O nervo facial então sai da porção mastóidea do 
osso temporal através do forame estilomastóideo afunilado preenchido por gordura. 
 
 
 
Tomografia Computadorizada 73 
 
 
 
Canal carotídeo. O canal carotídeo entra na base do crânio, ascende verticalmente, a 
seguir volta-se horizontalmente e medialmente em direção ao ápice petroso. Este canal situa-se 
anterior e inferior à cóclea e é separado do pró-tímpano por uma delgada lâmina óssea. 
Forame e fossa jugular. O forame jugular é dividido em um compartimento neural 
ântero-medial menor (porção nervosa) que contém os nervos cranianos IX, X e XI, e um 
compartimento vascular póstero-lateral maior (porção vascular) que contém a veia jugular. O 
assoalho da cavidade timpânica normalmente forma o teto da fossa jugular. Os bulbos jugulares 
são freqüentemente assimétricos, e pode haver um pequeno divertículo originando-se de seus 
ápices. 
 
 
Fig 5.1 
 
Valnir de Paula 74 
 
5.2 – TÉCNICA DE EXAME 
 As imagens por TCdestacam-se na avaliação da anatomia e dos distúrbios do osso e 
dos espaços aéreos. O osso temporal possui um elevado inerente contraste de atenuação da 
radiação, sendo o osso mais denso do corpo e com espaços cheios de ar. Imagens de TC de 
alta resolução geralmente são adquiridas com cortes finos (1 a 2 mm de espessura) e 
algoritmos ósseos especiais para detalhe fino. O realce por contraste não é essencial para a 
avaliação de patologia isolada do osso ou dos espaços aéreos. Freqüentemente é usado 
material de contraste intravenoso para avaliar lesões vasculares, áreas de ruptura na barreira 
hemato-encefálica, ou alterações dos tecidos moles, ficando à critério do radiologista a sua 
utilização. O estudo por TC tem menor custo que os estudos por RM, embora seja limitado por 
artefatos, exposição à radiação, e menos planos de estudo (limitados pelo gantry e pelo 
posicionamento do paciente). 
Reconstruções de TC multiplanares podem exibir a complexa anatomia do osso temporal 
em todas as incidências da politomografia convencional, enquanto expõem o paciente a ra-
diação apenas uma vez. Entretanto, mesmo pequeno movimento do paciente é intolerável 
porque as pequenas estruturas do osso temporal estão em tal proximidade, que artefatos de 
movimento podem encobrir detalhes significativos. Além disso, a reconstrução resulta em 
pequena degradação da imagem e perda da resolução. 
Fig. 5.2 
 
Tomografia Computadorizada 75 
 
a) Preparo prévio: jejum de 6 horas. 
b) Anamnese: Investigar perda auditiva, otite de repetição ou outros sinais de 
patologia auditiva. Definir o tempo do aparecimento do sinal ou sintoma. 
c) Exames anteriores de interesse: TC de Ossos Temporais, TC de Crânio ou 
RX de Ossos Temporais. 
d) Preparo imediato: Remoção de objetos radiopacos da cabeça e punção 
venosa. 
e) Posicionamento do Paciente: 
 
- Série Axial: Idêntico à série análoga de TC Seios Paranasais, salvo pelo ponto de 
início do escanograma, que deverá ser na MSO (margem supra orbital). 
- Série Coronal: Idêntico à série análoga de TC Seios Paranasais, salvo pelo ponto de 
início do escanograma, que deverá ser no canto externo do olho. 
 
 
 Utilização de contraste: à critério do radiologista. 
 
 Planejamento dos cortes: Analogamente à TC de Seios Paranasais, este estudo é 
realizado em duas séries, uma com cortes axiais e outra com cortes coronais. 
Para a série axial, deve-se iniciar o plano pelo ápice dos côndilos mandibulares e 
finalizá-lo no limite posterior das células aeradas da mastóide. 
Para a série coronal, inicia-se o plano tangenciando os côndilos mandibulares 
posteriormente, finalizando-se o mesmo ao final das células aeradas. 
Se não forem detectadas alterações, o plano poderá ser abreviado, à critério do 
radiologista, limitando-se às estruturas nobres, podendo ser finalizado ao final dos canais semi-
circulares. 
 
 Manipulação e registro das imagens: 
Apesar dos dois ossos temporais serem abrangidos no campo de visão do gantry, eles 
devem ser individualizados e ampliados por zoom, para que as diminutas estruturas do ouvido 
sejam melhor visualizadas. 
As imagens devem ser prioritariamente registradas em janela larga (óssea), limitando a 
cópia das imagens de partes moles aos cortes que evidenciam os meatos auditivos internos. É 
evidente que esta conduta poderá variar, dependendo das alterações encontradas no exame. 
 
5.3 ANATOMIA SECCIONAL 
Cortes axiais: caudais a cefálicos. O plano axial ou transverso é mais adequado para 
uma visão geral do osso temporal. Esta adequação baseia-se na facilidade com que podem ser 
obtidos cortes de TC axiais. As estruturas no interior do osso temporal estão consistentemente 
orientadas em relação aos pontos de reparo externos do crânio. Cortes axiais de TC feitos 30° 
acima da linha de base antropológica são paralelos ao canal semicircular lateral e exibem várias 
estruturas de forma ótima. O plano axial é de interesse especial para a visualização das 
articulações bigorna-martelo e bigorna-estapédio, canal para o nervo facial, canal auditivo 
interno, aqueduto vestibular, canal semicircular lateral e as janelas oval e redonda. 
 
 
 
Valnir de Paula 76 
 
 
 
 
 
Fig. 5.3 – O corte axial ao lado, ao 
nível dos meatos auditivos inter- 
nos, abrange toda a fossa poste- 
rior , ossos temporais e fossas mé- 
dias. O quadro menor indica a 
área correspondente ao osso 
temporal direito, que será visto 
individualizado por zoom nas 
imagens de anatomia seccional. 
 
 Note que existe uma 
assimetria entre os dois ossos 
temporais, decorrente de cirurgia 
prévia no lado esquerdo. 
 
Embora a imagem não reproduza 
fielmente a original, ela está com a 
janela larga (ajustada para osso). 
Fig. 5.4 – Corte axial com janela 
ajustada para partes moles 
(estreita), também evidenciando os 
condutos auditivos internos. 
 
Com este ajuste de janela, é pos-
sível identificar eventuais patolo-
gias neurais que não estejam 
relacionadas com as estruturas 
ósseas e, portanto, não seriam 
bem estudadas com janela larga. 
 
Tomografia Computadorizada 77 
 
 
 
 
 
 
 
CORTES AXIAIS: Figura do escanograma 
com o segmento demarcado para a 
execução dos cortes axiais. A inclinação do 
gantry deve ser de aproximadamente 30º 
com a linha basal (linha infra-orbitomeatal). 
Toma-se como referência a fossa mandi- 
bular (ápice do côndilo) para iniciar o 
plano. 
 
Valnir de Paula 78 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tomografia Computadorizada 79 
 
 
 
 
 
 
 
CORTES CORONAIS: Anterior a posterior 
Estes são particularmente úteis na avalia-
ção dos ossículos, fossa jugular, paredes 
do ouvido médio e teto da cavidade timpâ-
nica. 
Pode-se também utilizar a borda posrterior 
do côndilo mandibular como ponto de refe- 
rência para o início do plano. 
 
Valnir de Paula 80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tomografia Computadorizada 81 
 
Imagens sagitais: Imagens sagitais diretas ou reconstruções podem mostrar a relação entre o 
côndilo mandibular e a fossa glenóide e o canal auditivo externo. O canal auditivo externo pode ser 
observado ao nível da membrana timpânica. O aditus ad antrum mastóideo, o antro mastóideo, e o 
tegmen do tímpano são todos bem demonstrados. A terceira porção do canal para o nervo facial, os 
canais auditivos interno e externo, e o aqueduto vestibular também são bem observados em 
imagens sagitais. Estudos de RM podem demonstrar os nervos individuais no canal auditivo interno, 
com o nervo facial superior e anterior, o nervo coclear inferior e anterior, e os nervos vestibulares 
posteriores. 
 
 
 
OSSO TEMPORAL - CORTE AXIAIS 
Fig 5.7 – Imagem de reconstrução sagital, obtida artificialmente pelo somatório das 
imagens axiais adquiridas. A linha branca na imagem inerior indica a topografia 
correspondente à imagem de reconstrução (acima).

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