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� PAGE \* MERGEFORMAT �1� A teoria do balanço ataque-defesa, uma variante do realismo estrutural em Relações Internacionais, argumenta que há um balanço entre ataque e defesa que determina a relativa eficácia das estratégias de segurança ofensivas e defensivas. Tendo o “dilema de segurança” como norteador do comportamento dos Estados, a teoria analisa como as variações no balanço irão afetar as decisões dos Estados, sobretudo no que concerne à guerra e à cooperação. A teoria aponta, ainda, que conflitos e guerras são mais prováveis quando o ataque tem a vantagem, já a paz e a cooperação são mais prováveis quando a defesa tem a vantagem. Robert Jervis (1978), um dos principais expoentes da teoria do balanço ataque-defesa, argumenta que a anarquia do sistema internacional (não há instituições ou uma autoridade central com legitimidade para criar e fazer valer leis entre os Estados) e o dilema da segurança (em que o aumento na segurança de um representa uma ameaça à segurança do outro) dificultam a cooperação internacional mesmo que as partes almejem os objetivos semelhantes, tornando a guerra mais provável que a paz Jervis, então, faz as seguintes perguntas: “por que não estamos todos mortos? (...) que tipos de variáveis amenizam o impacto da anarquia e do dilema de segurança?” (1978, p.170). Jervis expõe as respostas institucionais e sociológicas das implicações do “dilema do prisioneiro” dentro da Teoria dos Jogos, mas propõe uma outra abordagem que tem como ponto inicial o próprio dilema de segurança e duas variáveis envolvidas: primeiro, se armamentos e políticas defensivas se diferem das ofensivas; segundo, se a defesa ou o ataque tem a vantagem. Para o autor, estas variáveis, embora seja difícil avaliá-las, ajudam a analisar as possibilidades de cooperação em políticas de segurança entre as potências que almejam manter o status-quo. O dilema de segurança, conclui Jervis, é amenizado quando: há uma diferenciação entre armamentos defensivos e ofensivos tornando possível um Estado se armar para garantir sua segurança sem ameaçar a dos outros; e quando a defesa tem a vantagem sobre o ataque, então mesmo um grande aumento na segurança de um Estado afetará muito pouco a segurança dos outros proporcionando um alto nível de segurança para as potências que desejem manter o status-quo. Jervis diferencia as vantagens do ataque e da defesa nos seguintes termos: Quando nós dizemos que o ataque tem a vantagem, nós simplesmente queremos dizer que é mais fácil destruir as forças armadas do outro e tomar seu território do que defender a si próprio. Quando a defesa tem a vantagem, é mais fácil proteger e se manter do que avançar, destruir, e tomar. Se defesa eficazes poder ser erguidas rapidamente, um atacante poderá ser capaz de manter um território que ele tenha conquistado em uma vitória inicial. (...) Mas quando estas defesas são difíceis de serem implementadas durante uma batalha e devem ser construídas em tempos de paz, elas não proporcionarão nenhuma ajuda direta a ele. (JERVIS, 1978, p. 187) Jervis propõe, então, uma análise estrutural das possibilidades ou não de cooperação e guerra entre os Estados tendo em vista o dilema de segurança, e a anarquia do sistema, mas que avance no sentido de diferenciar as políticas e decisões de ataque e defesa, entendendo que estas não são iguais e, na medida em que uma tem vantagem sobre a outra, elas geram conseqüências diversas. Assim, se o ataque tem a vantagem sobre a defesa o dilema de segurança irá gerar um ciclo vicioso de agressão entre as potências mantenedoras do status-quo, e mesmo que a expansão não seja considerada como um objetivo em si mesmo, haverá mudanças nas esferas de influências e em território. Mas quando a defesa tem a vantagem, as potências podem aumentar a sua segurança sem diminuir a dos outros, gerando uma situação estável em que, se os Estados são de tamanhos semelhantes, o dilema de segurança não terá efeito perverso e agressões serão improváveis, minando as conseqüências da anarquia do sistema. A corrida armamentista pode ser evitada se a defesa tem maior vantagem sobre o ataque, isto porque o aumento nos armamentos e segurança de uma das partes vá diminuir a segurança da outra, em termos relativos o aumento para o primeiro será maior do que a diminuição para o segundo, este poderá reforçar a segurança ao nível anterior empregando apenas uma pequena quantidade de recursos. E se o lado que aumentou sua segurança primeiro reagir à resposta dada pela outra parte de forma a buscar aumentar novamente a sua segurança, este aumento ainda será menor do que o estímulo que o produziu. Um equilíbrio estável será alcançado, portanto, se a defesa tem uma vantagem muito superior ao ataque, desestimulando a competição agressiva entre os Estados. O contrário também é verdadeiro quando o ataque tem uma vantagem muito superior à defesa, e a corrida armamentista será mais intensa. Jervis aponta, também, que a estabilidade de curto-prazo também é afetada pelo balanço entre ataque e defesa. Se o ataque tem a vantagem, diz o autor, então a reação de um Estado a uma tensão internacional tornará a guerra mais provável. “Quando há incentivos para atacar primeiro, um ataque bem sucedido irá enfraquecer o outro lado de tal forma que a vitória será relativamente rápida, sem derramamento de sangue, e decisiva” (1978, p. 189). Mas quando a defesa tem a vantagem, os Estados não se sentem incentivados a atacar primeiro, ao contrário, se armam justamente esperando um ataque. Ao fazê-lo não diminuem a segurança dos outros de tal forma a ameaçar a estabilidade do sistema, facilitando a cooperação. O autor salienta que tecnologia e geografia são os principais fatores que irão determinar se a defesa ou ataque têm a vantagem. Zonas-tampão reduzem o progresso do atacante, sendo que algumas barreiras impenetráveis podem de fato evitar conflitos armados, como oceanos, grandes rios, cadeias de montanhas, e a própria indisponibilidade de estradas e ferrovias. Estes fatores favorecem a defesa, o atacante, por sua vez, fica vulnerável ao tentar transpor as barreiras geográficas. “Se todos os Estados fossem ilhas auto-suficientes, a anarquia seria um problema muito menor.” (JERVIS, 1978, p. 195) Já a tecnologia implica que quando os armamentos são mais vulneráveis, em termos de sua localização, há um incentivo para atacar primeiro do que para se defender. Fortes, trincheiras e guarnições podem manter a vantagem da defesa sobre o ataque, mesmo que esteja em maior número. O armamento nuclear, por sua vez, apesar de ser ofensivo é também de dissuasão que favorece a defesa. Se há um ataque sobre uma potência nuclear, esta não permitirá um segundo ataque ao lançar uma ofensiva nuclear. Assim, Jervis identifica quatro cenários possíveis que se relacionam com as variáveis acima apresentadas sobre se é possível ou não distinguir uma postura ofensiva da defensiva, e se o ataque ou a defesa tem a vantagem. O pior dos mundos se daria quando não fosse possível a diferenciação e quando o ataque detivesse a vantagem sobre a defesa. Qualquer aumento na segurança de um implicaria uma redução na segurança do outro, não sendo possível evitar o dilema de segurança (este era o cenário da Europa pré 1º guerra). O melhor dos mundos seria quando a diferenciação fosse possível e defesa detivesse a vantagem sobre o ataque. É um cenário de estabilidade em que os Estados não se sentem motivados a investir em armamento ofensivo e suas intenções serão notificadas (teria existido nos primeiro anos da década de 1900). Stephen Van Evera (1998) considera que além da questão geográfica e tecnológica outros fatores também influenciam no balanço ataque-defesa; doutrina militar, postura das forças militares, desdobramentos militares, ordem social e política e fatores diplomáticos. Esta é uma versão mais “ampla” da teoria do que aquela apresentada por Jervis, considerada mais orgânica. A tecnologia e a doutrina representam os fatores militares que poderão favorecer tanto o atacante quanto o defensor,como cavalaria, produção em massa de armamento de infantaria, metralhadoras, tecnologia nuclear, assim como a blitzkrieg alemã. Tecnologia e doutrina juntas irão determinar as tendências para o ataque e a defesa. Já a postura das forças militares e os desdobramentos disso irão influenciar nas estratégias a serem seguidas, como onde posicionar as tropas, que operações militares deverão ser perseguidas, etc. Em termos geográficos Van Evera reforça o argumento de Jervis de que o ataque e a conquista serão prejudicados quando os Estados forem auto-suficientes em recursos naturais e matérias-prima de primeira necessidade, e quando estiverem isolados por barreiras naturais tais como, oceanos, cadeias de montanha, grandes rios, densas florestas, vastos desertos, ou barreiras humanas como grande parte da população vivendo em áreas rurais favorecendo a ação de guerrilhas que impeçam a ação dos invasores. Para Van Evera, a ordem política e social de um Estado também irá influenciar o balanço entre ataque-defesa. Neste sentido, regimes populares favorecem tanto a conquista quanto a autodefesa, isto porque estes têm a capacidade de formar grandes exércitos que sejam leais às causas ofensivas demandando menos recursos de logística. Ao mesmo tempo regimes populares favorecem a defesa na medida em que organizam mais facilmente as forças de guerrilha para expulsarem os invasores, dificultando a conquista. Já regimes impopulares são mais vulneráveis às influências externas que fomentem a subversão e a revolução entre seus cidadãos. Historicamente antes de 1800, regimes populares favorecem o ataque ao possibilitarem a formação de grandes exércitos de massa, mas desde então favorece a defesa na medida em que as guerrilhas ficaram melhor equipadas com os avanços tecnológicos. Outra questão importante que interfere o balanço ataque-defesa, segundo o autor, são os fatores diplomáticos, em que sistemas de segurança coletivo, alianças defensivas, e comportamento de balanceamento por Estados neutros fortalecem a defesa, na medida em que dificultam a conquista ao trazer aliados à parte defensiva. Ou seja, o atacante estará em desvantagem quando o defensor estiver em uma aliança que garanta ajuda mútua para resistir a qualquer agressão, e quando outras potências forem favoráveis ao balanço regional. É preciso ressaltar que Van Evera resolve, ou tenta resolver, o problema quanto às possibilidades e dificuldades de se avaliar precisamente os fatores que intervém no balanço ataque-defesa ao entender que o mais importante é a percepção do Estado quanto às vantagens do ataque ou da defesa mesmo que a realidade não a confirme. Assim, três predições são inferidas: 1. A guerra será mais comum em períodos em que a conquista for mais fácil ou que se acredita ser mais fácil, e menos comum quando a conquista for mais difícil ou que se acredita ser mais difícil. 2. Estados que tenham ou que acreditam ter maiores oportunidades ofensivas ou vulnerabilidades defensivas vão iniciar e combater em mais guerras que os outros Estados. 3. Um Estado irá iniciar e combater em mais guerras em períodos que tiver, ou pensa que tem, maiores oportunidades ofensivas e capacidades defensivas. (VAN EVERA,1998, p. 22) James D. Fearon (1997) também analisa como o balanço ataque-defesa irá influenciar nas causas da guerra, mas para ele, ao contrário de Jervis e Van Evera, a “guerra parece ter sido menos freqüente quando as vantagens ofensivas foram maiores.” (1997, p. 3) Para o autor a melhor forma avaliar se o ataque ou a defesa prevalecem é analisando as evidências fornecidas pelas próprias guerras. Considerando que os adversários sejam semelhantes em suas capacidades e a guerra dura muito tempo apresentando poucas batalhas que sejam decisivas e apenas diversos atritos esparsos, então a defesa prevalece. Da mesma forma, se a guerra é curta e dominada por batalhas decisivas, então o ataque prevalece. Dessa inferência, Fearon analisa as guerras desde 1648 (Tratado de Vestfália) e conclui que a vantagem foi da defesa no período de 1648-1789, caracterizado por conflitos esporádicos de longo-prazo, e do ataque no período de 1815-1914, caracterizado por batalhas decisivas. O autor argumenta que um efeito importante relacionado às vantagens ofensivas não foi observado pela literatura e este efeito que irá favorecer a paz em detrimento da guerra: a variação dos resultados militares. Quando o balanço vai se tornando favorável ao ataque, a guerra poderá provocar ou vitória completa ou a completa derrota das forças estatais, “isto significa que vantagens ofensivas tornam a guerra menos segura para líderes interessados em manter o poder em uma cidade primordial” (FEARON, 1997, p. 3). Já quando o balanço tende para a defesa, guerras não significarão uma ameaça efetiva à derrocada total das armas estatais. Grandes variações nos resultados militares tendem a reduzir as chances de guerra porque os Estados não irão arriscar sua segurança, mesmo que a vitória total seja possível, já que, por outro lado, a derrota total também é possível colocando em xeque a própria sobrevivência do Estado, favorecendo, assim, a barganha e a cooperação. Enquanto que pequenas variações nos resultados militares não irão representar grandes ameaças a sobrevivência estatal, reduzindo as possibilidades de barganha na medida em que a guerra é mais valorizada. Tecnologia e outros fatores interferem na medida em que tendem a aumentar a variação nos resultados militares, beneficiando a paz. Além disso, quanto maior a distância entre os Estados menores as chances de guerra, e vice-versa. Assim como Jervis, Fearon ressalta que o armamento nuclear favorece a defesa. Em Jervis isso acontece porque o armamento nuclear, embora seja de natureza ofensiva, impossibilita um segundo ataque na medida em que um ataque nuclear representaria a destruição total do Estado. É um mecanismo de dissuasão na medida em que Estados com tecnologia nuclear poderiam simplesmente devastar o oponente. Em Fearon, o armamento nuclear aumenta a variação nos resultados militares podendo levar a uma derrota completa reduzindo a probabilidade de guerra e favorecendo a paz. Keir A. Lieber (2000) também questiona uma das conclusões centrais da teoria do balanço ataque-defesa de que mudanças tecnológicas no balanço que favoreçam o ataque tornam mais provável a guerra, e mudanças em favor da defesa tornam mais provável a paz. Mas, diferentemente de Fearon, Lieber afirma que o contrário também pode não ser verdadeiro. Para ele, mudanças tecnológicas podem sim garantir vantagem ao ataque ou à defesa, mas não há correlação se isso irá levar à guerra ou à paz. Assim, “apesar da tecnologia poder ocasionalmente favorecer o ataque ou a defesa, percepções de um balanço tecnológico tem pouco efeito na probabilidade da guerra.” (2000, p. 73) Para confirmar essa proposição, Lieber irá analisar como as principais inovações tecnológicas desde 1850 – emergências de ferrovias, revolução em artilharia e pequenos armamentos, inovações em tanques, e revolução nuclear - influenciaram ou não no fomento à guerra ou à paz tendo em vista dois fatores principais: mobilidade e poder de fogo. A literatura corrente afirma que inovações tecnológicas em mobilidade tendem a favorecer o ataque e a guerra, já inovações em poder de fogo garantem maior vantagem à defesa e à paz. Ao testar qual o impacto da inovações no balanço, Lieber conclui que as ferrovias impactaram tanto no sentido de favorecer a ataque, garantindo maior mobilidade estratégica, quanto à defesa, que se beneficiou de melhor mobilidade operacional. Ao contrário do que argumenta a teoria corrente, mais guerras foram travadas quando a percepção geral entre os Estados era de que as ferrovias favoreciam a defesa do que quando eram percebidas enquanto beneficiadoras do ataque. Revolução em artilharia e pequenos armamentos de fato garantiram maior vantagem ao defensor, como era esperado, mas isso não implicou em paz, ao contrário provocou grandes guerras entre as potências.Os líderes, na verdade, tinham a percepção de que a revolução nos armamentos favorecia a defesa, já que tornavam os ataques frontais massivos improváveis, mas isto não foi um empecilho para que, por exemplo, a Prússia iniciasse as guerras contra a Áustria e a França. Então, apesar deles concordarem que a balança mudava a favor da defesa, essa crença não se traduziu em resultados políticos. Já os tanques tiveram efeito indeterminado no balanço. Lieber argumenta que a decisão política de se iniciar um conflito militar precedeu quaisquer percepções do grande potencial ofensivo dos tanques. Hitler não acreditava que os tanques ofereciam um potencial tão grande para uma vitória decisiva, mesmo assim ele estava de disposto a empreender uma guerra de exaustão contra os Aliados. As inovações em armamento nuclear, por sua vez, de fato beneficiaram a defesa como propõe a literatura. Mas isso não significou uma situação de paz geral entre as superpotências. Houve uma transferência dos conflitos para áreas periféricas a fim de garantir influências estratégica, e, além disso, a corrida armamentista foi mais intensa e custosa. Apesar de manterem algumas divergências teóricas, os autores consideram que a teoria do balanço ataque-defesa serve de grande valor e avanço analítico das proposições do Realismo em Relações Internacionais sobre as causas da guerra e da paz, além de fornecer insights importantes para autores de outras correntes, como Keohane. Os teóricos concordam que a variável independente, balanço ataque-defesa, explica em grande medida a variável dependente, comportamento estatal em relação à guerra e à paz, dado que uma outra variável independente do realismo estrutural, a polaridade, muda pouco ao longo da história. Para Fearon e Lieber a versão “ampla” apresentada por Van Evera, no entanto, é inadequada para pesquisas mais concretas e precisas dentro da própria, já que apresentaria variáveis de balanço de poder e não exatamente componentes estruturais do balanço ataque-defesa. Para os dois autores, Van Evera considera em sua análise fatores endógenos como a diplomacia como determinantes no balanço. Mas este serie um argumento tautológico, na medida em que se os Estados se utilizarem de uma diplomacia defensiva para evitar a guerra, então a esta será menos provável, independente dos fatores sistêmicos. Fearon e Lieber propõem retomar o argumento de Jervis que afirma que os dois principais fatores que influenciam o balanço são geografia e tecnologia. Dado que a geografia, em grande medida, está dada, a tecnologia se a componente sistêmica mais relevante na explicação estrutural. Naturalmente que as inovações passam pela ação estatal, mas uma vez que a tecnologia “provem constrangimentos e oportunidades semelhantes para todos os Estados em um sistema internacional, (...) padrões análogos de comportamento estatal devem surgir sob balanços tecnológicos similares na história” (Lieber, 2000, p. 77) Não obstante, os teóricos supracitados concordam que a tecnologia nuclear alavancou as vantagens da defesa no balanço. Seja pela dissuasão que provoca ou por aumentar a variação nos resultados militares, como coloca Fearon, a inovação nuclear acarretou em mais estabilidade sistêmica entre as potências embora, como ressalta Lieber, os conflitos periféricos tenham aumentado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FEARON, James D. 1997. The offense-defense balance and war since 1648. DRAFT, april, pp. 1-39. JERVIS, Robert, 1998. Cooperation under the Security Dilemma. World Politics, vol. 30, nº 30, January, pp. 167-214. LIEBER, Keir A. 2000. Grasping the technological peace: The offense-defense balance and international security. International Security, vol. 25, nº 1, summer, pp. 71-104 VAN EVERA, Stephen. 1998. Offense, defense, and the causes of war. International Security, vol. 22, nº 4, spring, pp. 5-43