Prévia do material em texto
PURINAS Introdução Os nucleotídeos, moléculas compostas de uma pentose, uma base nitrogenada e um fosfato, são elementos-chave na fisiologia celular, pois: São precursores de DNA e RNA. São componentes de coenzimas. São unidades de energia (ATP e GTP, por exemplo). São carreadores nas biossínteses. São mensageiros secundários e moduladores de regulação alostérica (enzimática) do metabolismo. Podemos sintetizar grandes quantidades de nucleotídeos de purina e pirimidina, não sendo, portanto, essencial a sua ingestão e absorção. As principais purinas são adenina e guanina. Metabolismo das purinas A demanda da biossíntese de nucleotídeos varia bastante. Ela é alta durante a fase S do ciclo celular, quando as células estão se dividindo. Esse processo, portanto, é alto em: Tecidos em crescimento. Células ativamente proliferativas. Tecidos em recuperação. A biossíntese de purinas é um processo de alto custo energético e possui várias etapas. As matérias primas para a síntese de purinas são: CO₂. Aminoácidos não essenciais. Derivados de ácido fólico que atuam como doadores de um átomo de carbono (THF). A maioria dos carbonos e todos os átomos de nitrogênio do anel de purina são derivados dos aminoácidos. Um carbono é derivado do CO₂, e dois do THF. O produto final da sequência de reações é o ribonucleotídeo IMP, o nucleosídeo inosina e a base purínica hipoxantina. O IMP é convertido em AMP e GMP. Além da síntese do novo, as células podem usar nucleotídeos pré-formados por meio de vias de recuperação. Purinas e metabolismo de ácido úrico em humanos O ácido úrico é o produto final do catabolismo de purinas em humanos. Ele é um dos principais antioxidantes circulantes e circula, principalmente, na forma de urato monossódico. Esse sal tem baixa solubilidade, e, por não ser metabolizado, deve, necessariamente, ser excretado. Em concentrações de urato um pouco acima do limite superior da faixa de referência, o fluido extracelular fica saturado, fazendo com que exista uma tendência do urato monossódico se cristalizar em indivíduos com hiperuricemia. A manifestação clínica mais óbvia desse processo é a gota, na qual se formam cristais de urato nas cartilagens, membranas e líquidos sinoviais. Isso pode ser acompanhado também por cálculos renais e “tofo” (acúmulo de urato de sódio em tecidos moles). A concentração plasmática de ácido úrico é controlada pelas taxas relativas de formação e excreção do urato. Mais da metade do urato é eliminada pelos rins, e o restante, pelos intestinos, onde as bactérias o utilizam. A remoção global de urato totaliza cerca de 10% do total filtrado, isto é, 90% ficam retidos no organismo. Além disso, as purinas da dieta totalizam 20% aproximadamente do urato excretado. Formação endógena de ácido úrico Cada um dos monofosfatos de purina (IMP, AMP, GMP) pode ser convertido em seus nucleosídeos correspondentes pela 5’-nucleotidase. A enzima purina nucleosídeo fosforilase converte os nucleosídeos inosina em hipoxantina e guanosina em guanina. A hipoxantina é oxidada e a guanina é desaminada para formar xantina. AMP-desaminase e adenosina desaminase convertem o grupo amino do AMP e da adenosina em IMP e inosina, que são convertidos em hipoxantina. Resumidamente: Guanina é convertida diretamente para formar xantina. Inosina e adenina são convertidas antes em hipoxantina, e depois em xantina. A xantina oxidase oxida hipoxantina em xantina e, então, xantina em ácido úrico. Hiperuricemia e gota A hiperuricemia é mais frequente em homens, idosos e obesos. A maior parte das pessoas com hiperuricemia permanece assintomática por toda a vida, ou é diagnosticada apenas quando uma outra sintomatologia aparece (tofos, gota ou nefropatia). A hiperuricemia pode ser causada por uma formação aumentada ou uma excreção diminuída de ácido úrico, ou ambas. O tratamento é feito com Alopurinol, que é um inibidor da xantina oxidase. Assim, a formação de ácido úrico é diminuída, ocorrendo o acúmulo da hipoxantina e da xantina, que são solúveis e, portanto, mais facilmente excretadas.