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P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 24 PRÁTICA 5. DIFUSÃO, OSMOSE E ESTIMATIVA DO POTENCIAL HÍDRICO EM SEGMENTOS DE TUBÉRCULOS DE BATATA. 1. INTRODUÇÃO Osmose e difusão A difusão pode ser definida como o movimento líquido de moléculas e íons de uma região com elevada energia livre para uma região com energia livre mais baixa. Vale lembrar que a energia livre corresponde à parcela da energia de um sistema disponível para a realização de trabalho. A difusão é conseqüência do movimento caótico ou energia cinética das moléculas e íons acima do zero absoluto (-273 oC). A energia cinética é diretamente proporcional à raiz quadrada da temperatura absoluta e inversamente proporcional à raiz quadrada da massa da molécula. Assim, a elevação da temperatura aumenta a energia cinética e partículas menores movem-se mais rápido à mesma temperatura (Nobel, 1991). A difusão é um processo físico espontâneo extremamente importante para os organismos vivos. Na prática, a difusão ocorre em reposta a um gradiente de concentração (quantidade ou número de partículas por unidade de volume). A fotossíntese depende da difusão do CO2 da atmosfera para o interior dos cloroplastos. A perda de água pelas plantas, no processo de transpiração, depende grandemente da difusão de vapor d’água. A osmose é um caso especial de difusão no qual a água se movimenta através de uma membrana semi-permeável, de uma região de maior potencial hídrico (maior concentração de água) para outra de menor potencial hídrico (menor concentração de água). O osmômetro é um dispositivo que permite a visualização do resultado da difusão da água através de uma membrana seletivamente permeável (ascensão de uma coluna d’água num tubo de vidro). A P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 25 presença de solutos na água diminui a sua energia livre (potencial hídrico). Assim, se separarmos uma solução aquosa e a água pura (destilada) com uma membrana que permita a livre passagem da água e retenha os solutos, a água se movimentará para o interior da solução (osmose). As células vegetais podem ser vistas como verdadeiros osmômetros. Primeiro porque soluções com diferentes concentrações são separadas por membranas biológicas permeáveis à água e restritivas à passagem de solutos. Segundo porque em ambos os sistemas desenvolve-se uma pressão hidrostática que afeta positivamente o potencial hídrico. No caso do osmômetro, há a ascensão de uma coluna de água num tubo de vidro e no caso da célula há a formação de uma pressão de parede, decorrente do aumento do volume da água no interior da célula e da rigidez das paredes celulares. Determinação do potencial hídrico No contínuo solo-planta o potencial hídrico (H) é dado pela soma das suas componentes através da expressão: H = o+P+m+g, onde a componente m (potencial matricial) torna-se relevante no solo, pois relaciona-se a força com a qual a água é retida na matriz do solo, assumindo valores desprezíveis no tecido vegetal, onde é grande o conteúdo de água. Vale destacar que o m torna-se importante no momento da germinação das sementes, fase do ciclo ontogenético em que o teor de água é o menor possível e a água é retida por reduzido m (muito negativo). A componente g (potencial gravitacional) relaciona-se ao efeito da força gravitacional sobre o movimento de água, assumindo também valores desprezíveis para o movimento de água até distâncias inferiores a 75 cm em movimento vertical. Portanto, P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 26 para o movimento de água em tecidos vegetais a expressão adequada para o seu entendimento será: H=o+P onde o está relacionado ao número de partículas de solutos dissolvidas na célula vegetal e, P (potencial de pressão) ao turgor gerado pela entrada de água na célula. O o de uma solução pode ser calculado pela equação de van´t Hoff: o = - C R T onde C é a concentração molal (moles de soluto por Kg de água) ou molar (moles de soluto por litro de solução); é o coeficiente de atividade da molécula de soluto que no caso da sacarose pode ser considerado igual a 1; R é a constante universal dos gases (0,008205 atm mol-1 K-1) e T é a temperatura ambiente ou local, em graus Kelvin (K = oC + 273). Para transformar o valor do potencial osmótico, obtido em atmosferas, em MPa (unidade mais utilizada) basta dividir o valor calculado pela equação de van’t Hoff por dez. O potencial hídrico (H) de alguns tecidos pode ser estimado de modo simples através do equilíbrio entre amostras de tecidos e soluções com potencial osmótico (o) conhecido (Hopkins, 1999). O objetivo é determinar opotencial hídrico dos tecidos de tubérculo de batata através da comparação destes com soluções com concentrações conhecidas. Tal estimativa pode ser feita comparando-se a variação do peso de segmentos de tecidos antes e após o equilíbrio com diferentes soluções. Se não houver variação de massa (m = 0), isto significa que o potencial hídrico (igual ao seu potencial osmótico)da solução externa é igual ao valor do potencial hídrico dos tecidos. Os objetivos desta aula são: i) discutir as componentes do potencial hídrico; ii) observar e compreender os fenômenos de difusão e osmose bem como a sua relação com a entropia dos sistemas; iii) construir e observar o P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 27 funcionamento de um osmômetro; iv) correlacionar as componentes do potencial da água no interior de um osmômetro e de uma célula vegetal; v) estimar o potencial hídrico de segmentos de tubérculo de batata pela variação da massa antes e após o equilíbrio com diferentes soluções de potencial osmótico conhecido. 2. MONTAGEM DE UM OSMÔMETRO E OBSERVAÇÃO DO FENÔMENO DA OSMOSE 2.1. Materiais celofane hidrófilo vara de vidro barbante fino sacarose água destilada índigo blue (corante) tubo de látex com cerca 3 cm béquer de 500 mL suporte de ferro e garra de ferro tesoura 2.2. Montagem Ajustar o tubo de látex em uma das extremidades da vara de vidro Cortar quadrados de celofane com cerca de 15 cm, arredondando-os. Preparar uma solução de sacarose 30% (p/v) e adicionar alguns cristais de índigo blue. P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 28 Amarrar o saco de celofane com o barbante sobre o envoltório de látex que reveste o tubo de vidro. É importante obter vedação total desta conexão. Retirar o ar do saco de celofane e enchê-lo com a solução de sacarose colorida com o auxílio de uma seringa. Prender o tubo de vidro em um suporte de ferro, submergindo o saco pleno de solução de sacarose em água destilada num bécher. Marcar o nível alcançado pela solução de sacarose na vara de vidro – H1 (Figura 4.1). Aguardar 30-40 minutos para observar – H2 (Figura 4.1) Figura 4.1 – Osmômetro em funcionamento Questões propostas: P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 29 i) Compare os componentes estruturais e do potencial hídrico do osmômetro construído em nossa prática com os respectivos componentes de uma célula vegetal. ii) Em que momento a água do interior do osmômetro entrará em equilíbrio com a água destilada do béquer? iii) Soluto, água, potencial hídrico, membrana diferencialmente permeável. Organize estes conceitos para explicar o fenômeno da osmose. 3. ESTIMATIVA DO H DE TUBÉRCULOS DE BATATA 3.1. Materiais soluções de sacarose com as seguintes concentrações molares: 0,0; 0,15; 0,3 M. 03 béqueres de 50 mL sacarose(açúcar comum) balança com precisão de duas casas furador de rolhas tubérculos de batata estilete pinça papel toalha termômetro (0 a 100 oC) 3.2. Procedimentos Registrar a temperatura de uma das soluções, após equilíbrio com a temperatura ambiente (converter para oK) Colocar 30 mL de cada uma das soluções de sacarose nos béqueres. P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 30 Furar um tubérculo com o fura-rolhas e cortar os cilindros obtidos em fragmentos uniformes ( 2 cm de comprimento). Lavar os fragmentos com água destilada e secá-los rapidamente em papel toalha. Utilizar sempre cilindros do mesmo tubérculo (Figura 4.2) Pesar e registrar a massa de três fragmentos semelhantes (m0) para cada tratamento Depositar três fragmentos de tubérculo em cada uma das soluções de sacarose Deixar equilibrar por aproximadamente 30 minutos Retirar os fragmentos, lavar com água destilada e secar Pesar e registrar novamente a massa dos fragmentos de tubérculo de cada solução de sacarose (m30) Construir uma tabela com os valores obtidos (Tabela 4.1) Tabela 4.1. Completar a tabela com a massa (g) dos três cilindros. Sacarose (M) 0,0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,3 0,4 o =H (Mpa)* M0 M30 m = (m30-m0) * Ver página 35 para calcular o =H da solução em MPa Calcular os valores do o de cada solução utilizando a equação de vant’Hoff (página 26). O H de uma solução é igual ao seu S. Construir um gráfico m o. Com o gráfico você pode estimar o H dos tecidos. Utilize papel milimetrado. P5. Difusão, Osmose e Potencial hídrico 31 SUGESTÃO: Outra possibilidade é utilizar o cálculo de regressão linear e assim obter a equação da reta. Isto pode ser feito usando uma calculadora ou uma planilha eletrônica. Questões propostas: i) Porque após o equilíbrio entre os segmentos de batata e as soluções de sacarose nos tornamos capazes de estimar o potencial hídrico dos tecidos de batata?