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12/03/2018 03. As Religiões Orientais
https://servicos.ulbra.br/conteudo/files/disciplinas/990100/conteudo/aula_3.html 1/47
Introdução
O presente capítulo apresentará um grupo de religiões orientais,
algumas delas expressivas também no Ocidente. Elas serão
apresentadas na seguinte ordem: Hinduísmo, Budismo,
Confucionismo, Xintoísmo e Taoísmo. Mesmo que pareçam muito
distantes da realidade brasileira, o mundo globalizado e sem fronteiras
em que vivemos tem permitido que as mesmas cheguem até nós. Elas
acabam se fazendo presentes em influências e expressões culturais,
artísticas ou educacionais, bem como embasando algumas crenças do
campo religioso espiritualista moderno brasileiro. 
Ronaldo Steffen
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HINDUÍSMO
Perfil
Fundador: não há
Ano de fundação: as raízes do hinduísmo remontam a um período
entre 1500 a.C. e 200 a.C.
Textos sagrados: o Livro dos Vedas, que consiste numa coletânea de
quatro obras, das quais certas partes datam de 1500 a.C.
Estatística: hoje, cerca de 80% da população da Índia é hinduísta. O
restante da população divide-se entre muçulmanos (10%), cristãos
(4%) e outros grupos (6%). Em todo o mundo, perfazem cerca de 13%
da população mundial.
História 
O passado
As origens do hinduísmo podem ser encontradas em algum ponto
entre o ano de 1500 a.C. e o ano 200 a.C., quando os chamados
arianos ("nobres") começaram a subjugar o vale do rio Indo. As
crenças dessas pessoas tinham ligação com outras religiões indo-
europeias, como a grega, romana e germânica. Sabemos disso pelos
chamados hinos védicos (da palavra veda, que significa
"conhecimento"), que eram recitados por sacerdotes durante os
sacrifícios aos seus muitos deuses. É o chamado período védico do
hinduísmo.
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O sacrifício era importante para o culto ariano. Faziam-se oferendas
aos deuses a fim de conquistar seus favores e manter sob controle as
forças do caos. Achados arqueológicos no vale do rio Indo indicam que
houve uma civilização avançada na Índia, anterior à chegada dos indo-
europeus, e é certo que essa civilização também contribuiu para o
hinduísmo moderno.
A época conhecida como período védico tardio, de 1000 a.C. até 500
a.C., marcou uma virada no desenvolvimento religioso da Índia.
Importância especial tiveram os Upanishads, que até hoje são os
textos hinduístas mais lidos. Foram escritos sob a forma de conversas
entre mestre e discípulo e introduzem a noção de Brahman, a força
espiritual essencial em que se baseia todo o Universo. Todos os seres
vivos nascem do Brahman, vivem no Brahman e, ao morrerem,
retornam ao Brahman.
Os Upanishads introduzem a ideia de Brahman. Todos
nascem dele, vivem nele e na morte retornam a ele.
Hoje
O hinduísmo é uma religião da Índia, mas tem muitos adeptos também
no Nepal, em Bangladesh e no Sri Lanka. Depois de muitos anos de
domínio colonial britânico, em 1947, a Índia se tornou uma república
independente. Passou a ser um Estado secular (não religioso), com
uma constituição que garantia direitos para todas as denominações
religiosas e proibia qualquer forma de discriminação baseada em
religião, raça, casta ou sexo.
Em 1947, a tensão entre hinduístas e muçulmanos, em razão da
independência da Índia, resultou na criação do Paquistão como um
Estado muçulmano separado, dividido em duas partes distintas: o
Paquistão do Leste e o Paquistão do Oeste. Depois da guerra de 1971
entre a Índia e o Paquistão, o Paquistão do Leste se tornou um Estado
independente com o nome de Bangladesh.
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Ensinamentos
Deuses
A multiplicidade do hinduísmo também se manifesta em seu conceito
de Transcendente. Em sua forma mais filosófica, o conceito hindu de
divindade é panteísta. A divindade não é um ser pessoal, mas uma
força, uma energia cósmica. Os Upanishads introduzem a ideia de
Brahman. Todos nascem dele, vivem nele e na morte retornam a ele,
sendo a energia que permeia tudo: os objetos inanimados, as plantas,
os animais e os seres humanos. Já em sua forma menos filosófica,
está presente um conceito politeísta, que acredita em um grande
número de deuses. Quase todas as aldeias têm a sua própria
divindade local. A adoração divina se concentra em dois deuses em
particular, ambos com raízes védicas. Um deles é Vishnu. É um deus
suave e amigável, normalmente representado como um lindo jovem.
Sua maior importância no hinduísmo moderno deriva de seus avatares
("reencarnação de um deus" ou "revelação") como Rama ou Krishna.
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Especialmente popular é Krishna, adorado como o onipresente e
senhor do mundo. Costuma ser retratado como um pastor de ovelhas.
Suas aventuras eróticas com as pastoras são interpretadas
simbolicamente como o amor do Transcendente pelo ser humano. O
relacionamento de Krishna com sua amada, Rhada, é explicado da
mesma maneira. O amor entre os dois, sua separação e reconciliação
são uma metáfora para o anseio que a alma sente pelo Transcendente
e por sua união final com ele.
O outro deus com grande significado para o culto é Shiva. Ele é o deus
da meditação e dos iogues e, em geral, é retratado como um asceta. É
igualmente um deus do desvario e do êxtase, tanto criador como
destruidor, o que o torna, ao mesmo tempo, aterrorizante e atraente. É
ele quem traz a doença e a morte, mas também o que cura. Na
devoção bhakti (uma das escolas hindus), ele é visto como um deus
cheio de compaixão, que salva o ser humano do processo de
 transmigração da alma.
O importante é o Transcendente. O nome dado a ele
pouco importa.
A filosofia religiosa indiana é baseada na crença de um Transcendente
eterno, mas não especifica se esse deus é Vishnu, Shiva ou algum
outro. Deixa-se a cargo do indivíduo decidir de que maneira o
Transcendente deve ser adorado. Nos círculos acadêmicos, é comum
ver Vishnu e Shiva formando uma trindade com Brahma. Este é tido
como criador, quem faz o mundo. Vishnu é o sustentador, quem
protege as leis naturais e a ordem universal. Shiva é o destruidor que,
no final de cada época, dança sobre o mundo até reduzi-lo a pedaços.
Assim ocorrendo, Brahma tem de criar o mundo novamente. Essas três
manifestações do Transcendente representam três de seus aspectos:
o criador, o sustentador e o destruidor. No entanto, esse entendimento
tem pouca relevância na devoção popular.
As deusas 
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O hinduísmo tem uma série de deusas. Alguns adotam a teoria de que
essa abundância de deusas não passa da expressão de uma grande e
poderosa divindade feminina, a "Rainha do Universo" ou "Deusa-Mãe".
Sua manifestação mais conhecida é Kali, a deusa negra, adorada
sobretudo no Leste da Índia, e a quem se sacrificam animais. O alto
status de Kali no mundo dos deuses é evidente pelas imagens que a
mostram pisoteando o corpo de Shiva.
A importância das deusas na religião indiana é visível pela escolha da
"Mãe Índia" (Bhárata Mata ou Bharthamata) como a divindade nacional
do moderno Estado da Índia. Na cidade de Varanasi, há um templo
especial que lhe é dedicado. Ali, em vez de uma representação da
deusa, está exposto um mapa da Índia.
 
As divindades menores
A maioria das aldeias tem seu templo dedicado a Vishnu ou a Shiva.
Esses deuses se concentram nas questões maiores, universais, e em
geral são homenageados nos grandes festivais. Em um nível mais
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doméstico, as pessoas costumam visitar pequenos templos dedicados
a divindades menos importantes. Embora estas não sejam tão
poderosas como Vishnu ou Shiva, é mais fácil se aproximar delas para
assuntos de menor importância, tais como solucionar problemas
pessoais.
Há deuses para as questões universais e deuses para
as questões pessoais.
Os deuses menores, por vezes, exercem influência em áreas
específicas, por exemplo, em certos tipos de doença. Muitos deles têm
origem humana: podem ser heróis que morreram em batalha ou
esposas que se oferecem para serem queimadas na pira funerária do
marido. 
Ser humano
O entendimento que o hinduísmo desenvolve a respeito do ser
humano está intimamente vinculado a uma compreensão ampla que
privilegia os entendimentos sobre carma, reencarnação e sistema de
castas.
Carma e reencarnação
O ser humano tem uma alma imortal que não lhe pertence. Depois da
morte, a alma volta a aparecer (renasce) em uma nova criatura vivente.
Pode renascer em uma casta mais alta ou mais baixa ou pode passar
a habitar um animal. A partir de uma visão animista, algumas correntes
hindus admitem que a alma pode, inclusive, passar a habitar um
vegetal, pois tudo o que existe no universo seria dotado de "anima",
isto é, "alma". 
Há uma ordem inexorável nesse ciclo que vai de uma existência a
outra. O impulso por trás dela e que a mantém sempre em movimento
é o carma ("ato" ou "ação") do ser humano. O ato ou ação não se
refere apenas a ações físicas, mas inclui pensamentos, palavras e
sentimentos humanos. 
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A ideia de que todas as ações têm consequências, que podem surgir
depois da morte, não é, de modo algum, peculiar do hinduísmo. A
originalidade da ideia está no entendimento de que todas as ações de
uma vida, e somente elas, podem formar a base para a próxima vida.
Assim, o carma não é uma punição pelas más ações ou uma
recompensa pelas boas. O carma é uma constante impessoal, como
se fosse uma lei natural do ato de existir.
O hinduísmo não reconhece nenhum "destino cego" e nem divina
providência. A responsabilidade pela vida do hinduísta no dia de hoje e
por sua próxima encarnação será sempre dele. O ser humano colhe
aquilo que semeou. O resultado das ações deriva, automaticamente,
delas mesmas. Pode-se dizer que a transmigração das almas está
sujeita à lei de causa e efeito.
Pesquise: reencarnação e transmigração são
conceitos que se referem a mesma coisa?
Em outras palavras, o que a pessoa experimenta nesta vida, em
termos de riqueza ou pobreza, alegria ou tristeza, saúde ou doença, é
resultado de suas ações em uma vida anterior. É desse modo que os
hinduístas explicam as diferenças entre as pessoas. A doutrina do
carma dá sustentação a um esquema de relações sociais como o
sistema de castas.
Embora a pessoa deva se submeter ao carma que herdou de uma vida
anterior, ela também exerce o livre-arbítrio no âmbito de sua existência
atual. O ser humano, portanto, sempre pode melhorar seu carma e
lançar os fundamentos necessários para uma vida melhor no próximo
renascimento.
O sistema de castas
Desde os tempos antigos, a sociedade hinduísta está alicerçada sobre
quatro classes sociais (a palavra empregada é varna, que significa
"cor"):
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sacerdotes (brâmanes);
guerreiros;
agricultores, comerciantes e artesãos;
servos. 
Porém, à medida que a sociedade indiana se desenvolveu, as pessoas
foram sendo divididas em novas castas. No início do século XX, havia
em torno de três mil castas na Índia.
Não se sabe ao certo como surgiu o sistema de castas. O certo é que
as castas em geral se associam a profissões especiais. Uma aldeia
indiana pode conter de 20 a 30 castas e, com frequência, cada uma
ocupa um agrupamento especial de casas. Cada casta tem suas
próprias regras de conduta e de práticas religiosas, que determinam
com quem as pessoas podem se casar, o que podem comer, com
quem podem se associar e que tipo de trabalho podem realizar. A base
religiosa desse sistema é a noção de pureza e impureza. Para um
brâmane, por exemplo, tudo o que tenha a ver com as coisas corporais
ou materiais é impuro. Se ele se tornou impuro como resultado do
nascimento, morte ou do sexo, ou ainda por meio de contato com uma
pessoa sem casta ou de casta inferior, há diversas maneiras pelas
quais ele pode ser purificado. O método tradicional mais conhecido de
purificação utiliza a água de um dos muitos rios sagrados da Índia,
como o rio Ganges.
Religiosamente, as castas indicam o grau de pureza ou
impureza de uma pessoa.
As regras que governam a pureza formam a base da divisão de
trabalho na comunidade. Certas atividades e certos trabalhos são tão
impuros que somente determinadas castas podem realizá-los. Essas
castas têm o dever de ajudar os outros a manterem sua pureza. Por
outro lado, apenas as castas que preencham os requisitos da pureza
podem se aproximar dos deuses mais elevados. 
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O sistema de castas deu um novo contexto à vida do indiano moderno.
Assim, ser expulso de sua casta é o pior castigo imaginável e,
portanto, isso só é utilizado para crimes muito sérios. O nível mais
baixo no sistema de castas é o dos intocáveis ou sem casta (também
chamados de párias ou dalits): os criminosos, lixeiros e curtidores de
couro de animais, por exemplo.
As complexas regras que controlam o contrato social entre as castas
eram muito rígidas. A Constituição da Índia de 1947 introduziu, no
entanto, medidas com a finalidade de banir a discriminação por casta.
Como não basta mudar a legislação para acabar com antigas divisões
sociais e religiosas, o sistema de castas permanece tendo um papel
importante, em especial nas aldeias do interior da Índia.
Vida e morte
Durante o período védico, a doutrina do carma e dos renascimentos
era vista como algo positivo. Por meio dos sacrifícios e das boas
ações, o ser humano podia garantir que viveria várias vidas. Mais
tarde, o hinduísmo passou a considerar esse ciclo como algo negativo,
como um círculo vicioso a ser quebrado. É possível, assim, distinguir
três caminhos para a libertação: as vias do sacrifício, do conhecimento
e da devoção.
A via do sacrifício
Como já se viu, a palavra indiana para "ato" é carma. Hoje, ela é usada
para denotar todos os atos humanos e até mesmo a coletividade
desses atos. No período védico, o termo se referia, basicamente, a
atos religiosos ou rituais, em especial aos atos sacrificiais. Estes eram
necessários para incrementar a fertilidade e manter a ordem universal.
Esse antigo costume sacrificial, descrito nos Vedas, continua a
desempenhar um papel capital no hinduísmo. Fazendo sacrifícios e
boas ações, muitos hinduístas tentam obter a felicidade terrena. Em
última análise, o objetivo permanece o mesmo de outras correntes do
hinduísmo: libertar-se do círculo vicioso da transmigração do espírito.
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 A via da compreensão ou do conhecimento
Seguindo uma ideia central dos Upanishads, é a ignorância do ser
humano que o amarra ao ciclo dos renascimentos. Compreender a
verdadeira natureza da existência, o oposto da ignorância, será,
portanto, um caminho para a libertação. É apenas quando o ser
humano adquire o reto conhecimento que ele é redimido da implacável
roda da transmigração. 
O conhecimento que traz a salvação é o de que a alma humana (atmã)e o mundo espiritual (Brahman) são uma coisa só. O atmã é uma parte
integrante não só dos seres humanos, mas também se encontra nas
plantas e nos animais. Isso é conhecido como panteísmo (ligado ao
animismo).
Brahman é o princípio constitutivo do Universo, uma força que permeia
tudo, uma divindade impessoal. Todas as almas individuais (atmã) são
reflexos dessa única alma universal.
O ser humano é libertado da transmigração ao adquirir plena
compreensão da unidade entre atmã e Brahman. O objetivo é
dissolver-se no Brahman, assim como uma gota de chuva se dissolve
no mar. O ser humano tem uma centelha do Transcendente em seu
interior. Mesmo que ele desapareça como ser humano, sua origem
divina permanece e vai unir-se novamente com o espírito universal.
A via da devoção
Uma terceira rota para a salvação é a via da devoção. Essa proposta
começou a se difundir no Sul da Índia por volta de 600 a. C. e logo se
espalhou por toda a região da Índia. Já no século III a.C., esse
caminho para a libertação encontrara sua expressão no Bhagavad
Gita, um poema catequético. Essa terceira tendência do hinduísmo é a
que predomina na Índia moderna, e o livro Bhagavad Gita é o livro
sagrado que ocupa o lugar supremo na consciência do indiano médio.
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Cumprir os rituais. Buscar o conhecimento. Contemplar. A religião na
Índia oferece a possibilidade de vários caminhos para a libertação e
essa multiplicidade é mais uma característica do hinduísmo.
Mundo 
É plural
O mundo não é uno, mas plural. Há diversos mundos interconectados
pela mesma razão. É como se fossem infinitas galáxias, cada uma com
o seu ponto de referência, como a Terra. O hinduísmo entende que
entre esse ponto de referência e o restante da galáxia há diversos
outros mundos mais sutis, acima, e mais grosseiros, abaixo. Os
mundos sutis e grosseiros são os espaços ocupados pelas almas e
que por eles transitam, conforme os méritos adquiridos ou não.
É meio
O mundo e suas galáxias têm uma razão. É o espaço onde as almas
individuais cumprem a inexorável lei do carma até sua libertação.
Inerente ao conceito de carma, toda decisão do ser humano terá
determinadas consequências. Não há fatalismos no Universo.
É moderado
O mundo e suas galáxias é o espaço onde bem e mal, prazer e dor,
conhecimento e ignorância se entrelaçam em proporções quase iguais.
Não faz parte dos propósitos do Universo ser um paraíso, mas o
espaço onde o espírito do ser humano pode viabilizar seu aprendizado
de integração ao Transcendente. 
É maya
O mundo e suas galáxias é maya. A palavra maya possui a mesma
raiz que mágica. Na mágica, o que vemos nem sempre é o que
pensamos ver. Assim é o Universo. Enquanto em processo de
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constantes renascimentos, o ser humano pode cair no ardil de que a
materialidade e a multiplicidade são realidades independentes,
quando, na realidade, são Brahman, o todo inclusivo de tudo o que é e
de tudo o que não é.
É lila
O mundo e suas galáxias é o espaço lila ("dança") do Transcendente.
É onde ele dança, em uma espécie de jogo, de forma incansável,
infinda, irresistível, mas absolutamente benéfica. É jogo que o
Transcendente criou a fim de que o finito seja superado e destruído
pelo infinito.
Principais tendências
Entre os séculos II a.C. e IV d.C., surgiram seis escolas ortodoxas da
filosofia clássica hindu. Não eram grupos organizados, mas sistemas
de pensamento que apresentavam perspectivas diversas, porém
complementares, de métodos devocionais, interpretação das escrituras
e cosmologia.
Escolas do pensamento hindu
Vaiseshika: defende que a libertação do ser humano ocorre pela
compreensão das leis da natureza; 
Nyaya: defende que a libertação do ser humano se dá pelo
conhecimento através do raciocínio lógico; 
Samkhya: defende que a libertação do ser humano ocorre quando
se alcança a união da alma individual com o Transcendente
(moksha), através da consciência que se desvencilha das
preocupações mundanas e materiais; 
Mimamsa: defende que a libertação do ser humano dar-se-á na
medida em que os escritos sagrados forem adequadamente
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interpretados e, em decorrência, produzirem o justo agir (darma); 
Vedanta: defende que a libertação do serhumano ocorre da
correta compreensão do Transcedente e dos conhecimentos
espirituais, possibilitada pela igualdade entre a alma individual e o
Transcedente; 
Bhakti: defende que a libertação do ser humano é possível em
razão das atitudes devocionais que permitem que a alma individual
e o Transcedente se unam, embora sejam diferentes. 
Correntes hindus modernas no Ocidente
Em meados do século XX, surgiu na Europa e nos Estados Unidos um
grande interesse pela espiritualidade oriental. Entre as muitas razões,
pode afirmar-se que o Ocidente materialista, espiritualmente estéril,
percebeu que a vida e o viver iam muito além dos reducionistas
aspectos biológicos. Esse interesse, que atingiu seu ponto culminante
nas décadas de 1960 e 1970, concentrou-se no budismo e no
hinduísmo, com destaque para a ioga. Surgiram inúmeros movimentos
que apresentaram o modo hinduísta de responder às questões da vida.
Eram, em regra, movimentos centrados na personalidade de algum
mestre ("guru") carismático, venerado como se fosse um avatar. 
Conheça os movimentos que permaneceram na ativa após a morte de
seus fundadores:
• Meher Baba (1894-1969): foi o primeiro guru moderno de importância
a conquistar adeptos no Ocidente. Nascido na Índia, elaborou uma
doutrina que sintetizava várias tradições religiosas, inclusive os
conceitos de carma e samsara ("renascimento cíclico"). Ensinava que
o estado de iluminação que liberta só se alcança através do amor puro,
desinteressado.
• Sociedade Internacional da Consciência de Krishna: foi fundada em
meados da década de 1960, no Ocidente, por A. C. Bhaktivedanta
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Swami Prabhupada (1896-1977). Seus discípulos de túnica amarela
procuram a iluminação por meio do estudo das escrituras védicas, em
especial o Bhagavad Gita, e do canto de um mantra em louvor a
Krishna e Rama (graças ao qual o movimento é popularmente
conhecido como Hare Krishna). Praticam um ascetismo rigoroso que
inclui o celibato. Sexo só é permitido com a finalidade de procriação e
dentro do casamento.
• Meditação Transcendental: ensina um método simples de meditação
que se baseia em um mantra pessoal (palavra ou frase) que,
constantemente repetido, produz o efeito de reduzir o stress, promover
a integração pessoal e, por consequência, a iluminação que liberta. Foi
trazido para o Ocidente por Maharishi Mahesh Yogi, nascido em 1911,
em fins da década de 1950, e alcançou popularidade quando os
Beatles se tornaram seus adeptos.
• Missão da Luz Divina: fundado na Índia, em 1960, e no Ocidente, em
1971, proclamou um menino guru, Maharah Ji, nascido em 1958, o
mais recente avatar do Transcendente. Ensinava quatro técnicas de
meditação que capacitavam os devotos a voltarem-se para dentro de si
mesmos a fim de experimentarem o estado de iluminação: a Luz
Divina, a Harmonia Divina, o Néctar Divino e a Palavra Divina.
• Bhagwan Shri Rajneesh (1931-1990): também conhecido como
Osho. Ministrava a doutrina do amor livre, da sexualidade desinibida e
dos atos impulsivos, juntamente com uma forma de meditação
dinâmica que visava a liberar a energia da terra. Uma das técnicas de
liberação das energias reprimidas é o riso. Possui centros de
meditação em todoo mundo. Só no Brasil, são oito centros, além de
um jornal de circulação nacional.
BUDISMO
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Fundador: Siddartha Gautama. Identificado por seus seguidores como
Sakyamuni (pertencente ao clã dos Sakya), o Buddha ("o iluminado")
ou Bhagavat("senhor"). É tido como o quarto dos cinco budas
encarnados.
Data de nascimento: não há certezas. As biografias mencionam datas
desde 624 a.C. até 410 a.C.
Local de nascimento: reino dos Sakyas, cidade de Kapilavastu,
próximo à fronteira atual da Índia e do Nepal.
Ano de fundação: estima-se que Siddartha tenha atingido o estado de
iluminação por volta de seus 35 anos de idade.
Textos sagrados e reverenciados: os ensinamentos de Buddha não
foram originalmente escritos por ele, mas transmitidos oralmente por
seus seguidores. Ao surgirem os primeiros escritos, duas formas
podem ser identificadas: o cânone sulista de Pali, da tradição
Theravada (escrito no Sri Lanka por volta do século I a.C.) e o cânone
nortista sânscrito, da tradição Mahayana. O cânone de Pali é composto
por três obras (pitaka): a)Sutra: os discursos de Buddha; b) Vinaya: as
origens das regras da disciplina monástica e c) Abdhidharma: tratados
escolásticos sobre a psicologia e filosofias budistas. Já o cânone de
tradição Mahayana crê que as doutrinas primeiras são incompletas e
necessitam ser aperfeiçoadas com os tratados interpretativos.
Estatística: atualmente é um dos quatro maiores grupos de tradição
religiosa. Os números correspondentes a essa afirmação são difíceis
deserem comprovados em vista das diversas escolas budistas. Hoje é
muito difundido no Sri Lanka e no Sudoeste da Ásia, embora esteja
também presente na China, Coréia e Japão. Excluindo a China,
estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas professam a fé
budista.
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História 
O mundo, à época do nascimento de Siddartha, era repleto de
mudanças. Por volta de 1500 a.C., a Índia passou a ser influenciada
pela religião védica, trazida pelos guerreiros arianos. Possivelmente, o
processo sincrético ocorrido entre os arianos e não arianos tenha
originado o hinduísmo após séculos de evolução. Essas mudanças
teriam ocorrido entre os anos 1000 e 200 a.C. Além das revoltas
filosóficas contra o vedismo e bramanismo, duas religiões surgiram na
Índia: o jainismo e o budismo. 
Nascimento e vida de Siddartha
O príncipe Siddartha cresceu em meio à fortuna e ao luxo. Seu pai
ouvira uma profecia de que seu filho ou seria um poderoso governante
ou abandonaria por completo o mundo. Essa última opção ocorreria
caso o príncipe testemunhasse as mazelas e o sofrimento das
pessoas. Para evitar essa situação, o rei tentou proteger seu filho,
mantendo-o recluso aos limites do palácio e cercado de delícias e
diversões. Casou-se jovem com uma prima e mantinha um harém de
dançarinas.
Aos 29 anos, Siddartha experimenta uma situação que mudaria por
completo sua vida palaciana. Embora proibido pelo pai, arriscou-se a
sair do palácio e viu, pela primeira vez, um velho, um homem doente e
um cadáver em decomposição. A contradição se interpôs quando, a
seguir, viu um asceta com uma expressão de radiante alegria.
Percebeu que a vida de riqueza e prazer não traduz uma existência
plena e com sentido. Questionou-se sobre a existência de algo que
ultrapassasse a velhice, a doença e a morte. Percebeu-se tocado por
um profundo sentimento de compaixão pelas pessoas e por um
chamado, a fim de libertá-las do sofrimento. Ato contínuo, renunciou à
vida prazerosa do palácio, a sua esposa e ao filho, e partiu para uma
vida de andarilho.
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Da vida de abundância, passou aos extremos dos exercícios ascéticos.
Comia cada vez menos. Chegou a alimentar-se apenas com um grão
de arroz por dia. O que esperava conseguir era o domínio do
sofrimento. Sem resultado, adotou o "caminho do meio", a meditação.
Após seis anos de meditação ascética, aos 35 anos, chegou à
iluminação (bodhi) à margem de um afluente do rio Ganges. Agora era
um buda, um iluminado. Alcançara a percepção de que todo o
sofrimento do mundo é causado pelo desejo. É apenas suprimindo o
desejo que se pode escapar de outras encarnações.
Continuando sua meditação, alcança a compreensão de uma realidade
que não é transitória, mas absoluta e acima do tempo e do espaço. O
nome atribuído a essa realidade é nirvana. A lógica principia pelo
domínio do desejo de viver que prende o ser humano à existência.
Esse domínio para de produzir carma e, sem ele, não se está mais
sujeito à lei dos renascimentos. Encontrara para si uma saída para a
superação do sofrimento. Passo seguinte, Siddartha decide
compartilhar sua percepção.
À época, Benares era um grande centro religioso. É para lá que se
dirige. Faz sua primeira pregação e desencadeia o que se denomina
de "rodas de instrução". Monges mendigos se tornam seus discípulos
e, por volta de 40 anos, o seguem pelo nordeste da Índia.
Seus seguidores, desde o princípio, dividem-se em dois grupos: os
leigos e os monges. Por volta dos 80 anos, adoece e despede-se de
seus discípulos. Daí para frente, eles poderiam contar somente com o
darma ("instrução") que Siddartha lhes dera nos anos anteriores.
Ensinamentos
Uma vez que o budismo surge dentro do contexto hinduísta, como um
caminho individual para a libertação dos renascimentos, é natural que
muitos de seus ensinamentos estejam marcados por esse
pensamento. Destacam-se, de modo especial, os pensamentos
referentes às doutrinas do renascimento, do carma e da libertação (ou
salvação).
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Deuses
Atualmente, o budismo é considerado uma religião ateísta, ou seja,
que não possui um deus a ser adorado. Buda, todavia, não negou a
existência dos deuses. Acreditava, entrementes, que a existência dos
deuses era transitória, assim como a própria existência humana.
Embora eles vivessem mais tempo que os seres humanos, também
estavam atrelados ao ciclo de renascimentos e em nada podiam ajudar
os seres humanos a se redimirem de tal ciclo. 
Outra característica nesse tema diz respeito à adoração de demônios,
espíritos e outras divindades. Todos são seres vivos e, se cultuados de
modo correto, podem trazer vantagens para a vida neste mundo.
Ser humano
Para o hinduísmo, originalmente, todo ser humano, bem como todo o
Universo, possui uma única alma (atmã) que sobrevive de uma
existência a outra e idêntica, total ou parcialmente, ao Transcendente
universal (Brahman).
Buda rompe essa lógica. Nega que o ser humano tenha alma e rejeita
a existência de um espírito universal. A alma é fugaz e fruto da
ignorância humana que promove o desejo, fundamental para a criação
do carma individual.
Nessa dimensão, o budismo entende a vida humana como uma série
de processos mentais e físicos que alteram o ser humano de momento
a momento. Tudo é transitório.
"Aquilo que você planta é o que colhe." O ser humano
é dono de seu destino: o que pensa e faz é
determinante de seu futuro cósmico.
Vida e morte
A lei do carma
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Para Siddartha, o Buda, o ser humano é escravizado por uma série de
renascimentos. Como todas as ações têm consequências, o princípio
propulsor que está por trás do ciclo nascimento-morte-renascimento
são os pensamentos dos seres humanos, suas palavras e seus atos
(carma).
A ideia básica enfatiza que tudo o que se fez em determinada vida,ainda que passada, repercute e nos alcança no presente. As ações de
uma vida se estendem à outra. O ser humano irá colher no presente
aquilo que plantou no passado. Não há "destino cego" e nem "divina
providência". Daí a impossibilidade de escapar do carma. Enquanto
houver um carma, o ser humano está fadado a renascer e manter-se
preso à existência humana, não transcendendo.
Inerente ao conceito de carma está a busca de uma saída, uma
"passagem", capaz de conduzir o ser humano à transcendência, livre
de desejos.
As quatro nobres verdades sobre o sofrimento
O denominado "Sermão de Benares", que apresentou as quatro
verdades sobre o sofrimento humano, ocorreu depois que Siddartha
obteve o estado de iluminação. As quatro verdades demonstram o que
segue.
Tudo é sofrimento. Para o budismo, o sofrimento implica algo
mais do que mero desconforto físico e psicológico. Toda a
existência é manchada pelo sofrimento, pois tudo é passageiro.
Quem não percebe isso é cego. Isso, no entanto, não significa que
o budismo negue toda a felicidade material e mental. Ele
reconhece que existe alegria tanto na família como no mosteiro.
Todavia, tudo aquilo que amamos e a que nos apegamos
simplesmente não vai durar.
Para pesquisar e confrontar:
Como o cristianismo explica o sofrimento?
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Nirvana e céu são a mesma coisa?
A causa do sofrimento é o desejo. O desejo implica, sobretudo,
desejar com os sentidos, a sede de prazeres físicos. Como essa
ânsia nunca pode ser plenamente saciada, ela sempre irá
acarretar um sentimento de desprazer. Até mesmo o desejo de
sobrevivência contribui para manter o sofrimento. Por outro lado, o
budismo também rejeita o extremo oposto. O desejo de anulação -
ou desejo de morrer - igualmente amarra o ser humano à
existência, pois não leva em consideração o carma, que impõe
renascimento;
O sofrimento cessa quando o desejo cessa. Quando o desejo
cessa, começa o nirvana. Um pré-requisito para suprimir o desejo
é que a ignorância deve ser enfrentada. Só o ser humano que não
enxerga sente desejo. A ignorância leva ao desejo; o desejo, à
atividade; a atividade traz consigo o renascimento, e o
renascimento origina mais ignorância.
O desejo cessa seguindo-se o caminho das oito vias. São elas:
entendimento (ou percepção/visão) justo: conhecer a natureza e a
origem do sofrimento, a cessação do sofrimento e o caminho que
conduz para a cessação do sofrimento;
resolução justa: renunciar ao mundo e não prejudicar ou eliminar
qualquer ser vivo;
palavra justa: abster-se da mentira ou calúnia, da injúria e dos
mexericos;
conduta justa: abster-se de tirar a vida, roubar e praticar a luxúria;
sustento de vida justo: abster-se de pegar ou comercializar armas,
consumir álcool e tóxicos, e realizar qualquer atividade que possa
trazer prejuízo a outros;
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esforço justo: é a vontade necessária para estancar as más
qualidades que afloram à mente, eliminar todas as que ali ainda
estão e desenvolver bons estados mentais;
pensamento justo: ter consciência do seu próprio corpo, dos
sentimentos e das atividades da mente;
meditação justa: é quando, privado de luxúria e disposições
erradas, a serenidade interna é desenvolvida através da prática de
meditação. Esta é a atividade que, em última análise, conduz ao
nirvana.
Os dois primeiros caminhos falam da necessidade de compreender o
mundo: perfeita compreensão e perfeita aspiração. Os três seguintes
discorrem sobre o código de ética do budismo: perfeita fala, perfeita
conduta e perfeito meio de subsistência. Os últimos três mencionam a
maneira como o ser humano pode melhorar a si mesmo e purificar sua
mente: perfeito esforço, perfeita atenção e perfeita contemplação.
Analise os oito caminhos como uma proposta de
conduta ética e tire suas próprias conclusões.
Ética
Com a decisão de Buda, depois de alcançar a iluminação, de tornar-se
guia do ser humano, passa a ser fundamental para o budismo o amor
e a compaixão. Não só as ações, mas também os sentimentos e afetos
são importantes. A caridade realizada não apenas afeta os outros, mas
contribui para enobrecer o próprio caráter de quem a realiza.
Nessa dimensão, o budismo tem cinco regras de conduta:
não fazer mal a nenhuma criatura viva;
não tomar aquilo que não lhe foi dado (não roubar);
não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sensuais;
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não falar falsidades;
não se entorpecer com álcool e drogas.
Mundo
As ideias fundamentais do budismo são profundamente pessimistas.
Tudo no mundo é sem autonomia, transitório e pleno de sofrimento.
Não há esperança para o ser humano enquanto se mantiver preso ao
ciclo dos renascimentos. Há, porém, algo além do sofrimento. É o
nirvana. Significa simplesmente "apagar", uma referência ao fato de
que o desejo se extingue quando se atinge o nirvana.
Uma vez que o nirvana é o oposto direto do ciclo de renascimentos, e
uma vez que ele não pode ser comparado a nada neste mundo, só é
possível dizer o que o nirvana não é. Alcançá-lo só é possível por meio
do estado de iluminação, e de nada adiantam, por si só, as boas obras.
Embora sem autonomia, transitório e pleno de sofrimento, esse é o
espaço dado e no qual o ser humano pode chegar à libertação plena
dos renascimentos.
Principais tendências
Os pensamentos de Buda foram transmitidos oralmente. O resultado
foi o surgimento de, pelo menos, 18 escolas diferentes. As escolas
relacionadas a seguir representam apenas as mais importantes
ramificações do budismo no mundo moderno.
AS 3 GRANDES ESCOLAS BUDISTAS
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Budismo Theravada: é a mais antiga escola da tradição budista.
Defende que cada ser humano é responsável sozinho pela sua
própria iluminação. Apenas poucos alcançam esse estado. A
sabedoria e a disciplina são virtudes valiosas. Os rituais não são
fundamentais, e sim a devoção. Estão presentes no Sri Lanka,
Tailândia, Mianmar, Laos e Camboja. 
Budismo Mahayana: é o budismo das pessoas comuns. Enfatiza
que qualquer pessoa pode alcançar o estado de iluminação que
liberta. A compaixão e o amor pelos menos afortunados são mais
importantes que a sabedoria. 
Budismo Zen: é um amálgama da escola Mahayana com o
taoísmo. Zen é o caminho da iluminação por meio da meditação e
da vida simples, evitando as teorias abstratas e favorecendo a
experiência direta de um espírito "vazio" e aberto. Há duas
grandes escolas: a rinzai zen, que dá ênfase à iluminação
espontânea, e a soto, que enfatiza a concentração espiritual e
corporal disciplinada na meditação. As escolas Zen também
enfatizam a pintura, a caligrafia e até a cerimônia do chá como
expressões de um vínculo não interpretado com a natureza.
Tornou-se popular no Ocidente a partir da década de 1950 com o
surgimento dos movimentos holísticos. 
Budismo da Terra Pura: é o culto de um buda ou bodhisattva que
vive numa terra pura, celestial. Seus devotos procuram renascer
na Terra Pura, onde alcançarão a iluminação libertadora. 
Budismo Nichiren: Também conhecido como Seita do Lótus,
ensina que o budista verdadeiro é o que segue os ensinamentos
contidos nos Sutra do Lótus, escritura do século Id.C. A ênfase é
que Buda é eterno e cósmico, manifestando-se incessantemente
em budas terrenos. O maior grupo dessa tendência é o Nichiren
Shoshu. 
Budismo Tibetano: Também conhecido como lamaísmo, adota a
doutrina do bodhisattva e o caminho gradual rumo ao estado de
iluminação, através de rígidasdisciplinas monásticas. O grupo
mais importante nessa tendência é de Gelugpa, fundado em fins
do século XIV d.C. Seu líder espiritual é o dalai-lama ("guru
oceano"), cuja sabedoria é profunda e ampla como o mar. O dalai-
lama é considerado a encarnação de um bodhisattva, e cada dalai-
lama sucessivo é a reencarnação do anterior. A partir do século
XVII, o dalai-lama passou a ser também o líder secular do Tibet,
até o país ser ocupado pela China em 1959, quando o dalai-lama
passou a viver em exílio. No Brasil, podem ser identificadas três
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grandes escolas budistas. Deve-se levar em conta que cada
escola pode estar subdividida em vários grupos. 
Confucionismo, Xintoísmo e Taoísmo
Apresentamos, na sequência deste capítulo, três grandes religiões.
Apesar de não serem populares no Brasil, consideramos interessante
uma leitura e uma análise para nos darmos conta de como pensam
outros povos e também percebermos a diversidade religiosa
encontrada no mundo. Essas religiões, chamadas de sapienciais,
buscam o caminho através da sabedoria e do conhecimento. É bom
observar que o pensamento oriental é diferente do ocidental.
Confucionismo
Você deve estar observando que, hoje, a China está despontando em
todo o mundo pelo seu crescimento econômico e, aos poucos, vem
sendo reconhecida como uma grande potência mundial. Talvez o que
você não saiba é que até 1911 a China foi uma potência imperial, onde
o imperador reinava acima de tudo. O imperador era considerado o
representante do país diante do supremo deus Céu.
O que havia por trás de tudo isso era uma ideologia confucionista. O
conjunto de pensamentos, regras e rituais sociais foi desenvolvido pelo
filósofo K'ung-Fu-Tzu. No Brasil, nós o conhecemos como Confúcio.
Além disso, Confúcio formulou normas para a vida religiosa, para os
sacrifícios e os rituais.
O confucionismo era, na verdade, uma religião estatal
praticada pela elite e pelas classes dominantes, a qual,
no entanto, nunca se disseminou muito entre as
massas, as camadas mais amplas da população. Da
mesma forma que o imperador, em seu palácio em
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Pequim, ficava remotamente afastado das pessoas
comuns, o Céu era remoto e impessoal para a grande
massa dos chineses pobres, trabalhadores e
camponeses. A Religião dos pobres era a adoração
dos espíritos, particularmente dos antepassados,
religiosidade carregada de magia e traços de outras
religiões. (GAARDER, 2000, p. 77)
Quem foi Confúcio
Confúcio nasceu em 551. a.C., sendo filho de pessoas pobres. Desde
cedo, demonstrou um grande interesse no que se referia à vida. Diz a
história que, após iniciar sua carreira pública como um oficial de
segunda classe no estado de Lu, aos 18 anos, tornou-se professor e
começou a ensinar história, filosofia, ética, música, poesia e boas
maneiras. A ideia era mostrar a seus alunos os princípios que ele
julgou necessários naquele momento de decadência da ordem feudal
chinesa.
Embora suas lembranças da infância contenham
referências nostálgicas à caça, à pesca e ao arco,
sugerindo com isso que ele foi tudo, menos uma traça
de livro, Confúcio dedicou-se cedo aos estudos e se
saiu bem. "Chegando aos quinze anos de idade, forcei
a minha mente ao aprendizado". Com vinte e poucos
anos, depois de ter ocupado vários cargos públicos
insignificantes, depois de ter feito um casamento não
muito bem sucedido, ele se estabeleceu como
professor particular. Essa era obviamente a sua
vocação. A reputação de suas qualidades pessoais e
sabedoria prática espalhou-se com rapidez, atraindo
um círculo de discípulos entusiasmados. (SMITH,
1991, p. 156)
A carreira de Confúcio não foi um sucesso. Sua ambição era bem
maior. Alguns biógrafos chegaram a criar a lenda de que, por volta dos
50 anos, Confúcio realizou uma brilhante administração durante cinco
anos, avançando rapidamente de ministro de Obras Públicas para
ministro da Justiça e primeiro-ministro, fazendo de Lu uma província
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modelo. "A verdade é que os governantes da época tinham medo da
franqueza e integridade de Confúcio, tanto medo que nunca o
designariam para qualquer posição de poder" (SMITH, 1991, p. 156).
Suas obras
O que marca a obra de um líder é seu legado escrito. Confúcio deixou
várias obras escritas sobre sua filosofia de vida: o Shih Ching (livro de
poesias), Li Chi (livro dos ritos), I Ching (livro das transformações), Shu
Ching (livro de história) e Ch'um Ch'íu (os anais da primavera e do
outono).
A filosofia de Confúcio
A questão central na filosofia de Confúcio está na palavra "li". Significa
"cortesia", "reverência", "ritos e cerimônias" e o "posicionamento ideal
na vida pública e privada". "O chinês mais moderno entende por 'li'
uma ordem social ideal, com tudo em seu devido lugar e com todas as
pessoas prestando respeito e reverência aos outros na hierarquia
social" (STEFFEN, 2000, p. 48).
De certa forma, a ideia era estabelecer a ordem e acabar com a queda
do respeito desencadeada pela ordem feudal. Confúcio acreditava que,
se cada um soubesse o seu lugar, poderia haver um comportamento
de reciprocidade como um guia de vida. É aqui que vai surgir o dito
"não faças aos outros o que não queres que te façam".
Político fracassado, Confúcio foi, sem dúvida, um dos maiores
professores do mundo. Preparado para ensinar história, poesia,
governança, propriedade, matemática, música, adivinhação e esportes,
ele foi, à moda de Sócrates, um homem-universidade. Seu método de
ensino também era socrático. Sempre informal, ele não fazia
preleções; preferia conversa sobre os problemas apresentados por
seus alunos, citando leitura e fazendo perguntas. Ele se apresentava
aos alunos como um companheiro de viagem, comprometido com a
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tarefa de se tornar plenamente humano, mas modesto. Quanto ao
ponto a que chegou no cumprimento dessa tarefa, ele mesmo cita:
Há quatro coisas no Caminho da pessoa profunda,
nenhuma das quais fui capaz de fazer. Servir ao meu
pai, como esperaria que um filho me servisse. Servir
ao meu governante, como esperaria que meus
ministros me servissem. Servir ao meu irmão mais
velho, como esperaria que meus irmãos mais novos
me servissem. Ser o primeiro a tratar os amigos como
esperaria que eles me tratassem. Essas coisas não fui
capaz de fazer.
Provérbios atribuídos a Confúcio
Conheça alguns provérbios que são atribuídos a Confúcio:
• Verdadeiro filósofo não será aquele que, mesmo sendo reconhecido,
jamais guarda ressentimento? 
• Não faças aos outros o que não queres que te façam.
• Não me entristece que os outros não me conheçam. Entristece-me
não conhecer os outros.
• Não esperes resultados rápidos nem procures pequenas vantagens.
Se buscares resultados rápidos, não alcançarás a meta final. Se te
deixares desviar por pequenas vantagens, nunca realizarás grandes
feitos.
• As pessoas mais nobres primeiro praticam o que pregam e depois
pregam de acordo com a sua prática. Se quando olhas dentro do teu
coração não vês nada de errado, por que te preocupas? O que há para
temeres?
• Quando conheces uma coisa, reconhecer que tu a conheces; e
quando não a conheces, saber que tu não sabes - isso é
conhecimento.
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• Ir longe demais é tão mau quanto ficar aquém.
• Quando vês um homem digno, pensa quando poderás emulá-lo.
• Quando vêsum homem desprezível, examina o teu próprio caráter.
• Riqueza e posição, eis o que as pessoas desejam; mas se não as
conseguirem da maneira correta, nunca as possuirão. 
• Sê bondoso com todos, mas íntimo apenas dos virtuosos.
Pano de fundo
É claro que os provérbios, por si só, não explicam o sucesso de
Confúcio.
É necessário compreender o que havia de errado na
sociedade em que ele vivia.
A antiga China não era nem mais nem menos turbulenta do que as
outras terras. Do oitavo ao terceiro século a.C., porém, a China
testemunhou o colapso da dinastia Chou, que foi um governo de paz e
ordem. Baronatos rivais ficaram em liberdade para fazer o que bem
entendiam, criando uma situação idêntica à da Palestina no período
dos juízes: "Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada homem fazia
o que parecia certo aos seus próprios olhos". 
A pergunta, nessa época, era: por que continuamos nos destruindo?
Talvez aí esteja a resposta para compreendermos o poder do
confucionismo. Confúcio viveu em uma época em que a coesão social
havia deteriorado até o ponto crítico. Confúcio insistia que o amor
ocupa um lugar importante na vida; mas também que o amor deve ser
apoiado por estruturas sociais e por um etos coletivo. Bater
exclusivamente na tecla do amor é o mesmo que pregar os fins sem os
meios. Quando perguntaram a Confúcio, certa vez, "Devemos amar
nossos inimigos, aqueles que nos causam mal?", ele respondeu: "De
modo algum. Respondei ao ódio com a justiça e ao amor com a
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benevolência. Caso contrário, estaríeis desperdiçando vossa
benevolência".
Respeito às tradições
O que chama a atenção nas religiões orientais é o respeito que todos
cultivam pelos mais velhos. A idade não é um peso, mas uma bênção.
A experiência é importante para os mais novos, que a buscam nas
pessoas de maior vivência. Assim também são conservadas as
tradições, transmitidas pelos mais velhos. Sobre a socialização, o
próprio Confúcio ensinou:
Deve ser transmitida dos velhos para os jovens,
enquanto os hábitos e as ideias devem ser
conservados como uma teia ininterrupta de memória
entre os portadores da tradição, geração após
geração. (...) Quando a continuidade das tradições de
civilidade se rompe, a comunidade é ameaçada. A
menos que essa ruptura seja consertada, a
comunidade se esfacelará em (...) guerras de facções.
Isso porque, quando a continuidade é interrompida, a
herança cultural não está sendo transmitida. A nova
geração se defronta com a tarefa de redescobrir,
reinventar e reaprender, por tentativa e erro, a maior
parte daquilo que precisa saber. (...) Essa não é tarefa
para uma única geração.
A tradição deliberada
A tradição deliberada segue, no esquema de Confúcio, cinco
termos chaves: 
JEN: etimologicamente uma combinação dos caracteres
correspondentes a "ser humano" e "dois", designa o
relacionamento ideal que deve existir entre as pessoas. Traduzido
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das mais variadas formas (bondade, fraternidade, benevolência e
amor), talvez a melhor maneira de transmitir a ideia seja pela
expressão "sensibilidade do coração humano". 
CHUN TZU: se Jen é o relacionamento ideal entre seres humanos,
chun tzu refere-se ao termo ideal nesses relacionamentos. Esse
conceito tem sido traduzido como "homem superior" e "o melhor da
humanidade". Talvez "pessoa amadurecida" seja uma tradução tão
fiel quanto qualquer outra. É o oposto de pessoa estreita, da
pessoa mesquinha, da pessoa de espírito pequeno. 
LI: o terceiro conceito, li, tem dois significados. Seu primeiro
significado é propriedade, a maneira pela qual as coisas devem
ser feitas. As pessoas precisavam de modelos, e Confúcio queria
direcionar a atenção delas para os melhores modelos oferecidos
pela sua história social. O outro significado da palavra é ritual, que
transforma o certo - no sentido daquilo que é correto fazer - em
rito. Quando o comportamento correto é detalhado em minúcias
confucionistas, a vida inteira do indivíduo estiliza-se numa dança
sagrada. A vida social foi coreografada. 
TE: o quarto conceito axial que Confúcio procurou elaborar para
seus conterrâneos foi Te. Significa "poder". Especificamente, o
poder por meio do qual os homens são governados. Ele estava
convencido de que nenhum governante consegue reprimir todos
os seus cidadãos o tempo todo, nem mesmo grande parte deles
na maior parte do tempo. O governo precisa contar com uma
aceitação da sua vontade, uma confiança apreciável naquilo que
está fazendo. 
WEN: o conceito final na estrutura confucionista é wen. Refere-se
às "artes da paz", enquanto diferenciadas das "artes da guerra", à
música, à arte, à poesia, à soma da cultura no seu modo estético e
espiritual. Confúcio considerava apenas semi-humanas as
pessoas que eram indiferentes à arte. Mas o que atraía seu
interesse não era a arte pela arte. Era o poder da arte de
transformar a natureza humana na direção da virtude que o
impressionava. Pela poesia, a mente é despertada; pela música,
recebe-se o acabamento. As odes estimulam a mente, induzindo À
autocontemplação. Ensinam a arte da sensibilidade e ajudam a
evitar o ressentimento. 
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Xintoísmo 
Apenas para cultura geral, vamos tecer algumas considerações sobre
o xintoísmo, que tem grande influência sobre a cultura japonesa. A
partir dessa religião, poderemos entender a força de um povo, sua
seriedade, seus compromissos e sua devoção.
O caminho dos deuses
Quando falamos do xintoísmo, normalmente, nos reportamos aos
japoneses ricos pela sua forma de pensar, por sua cultura e também
pelos seus valores religiosos.
Primitivamente, a religião Xintoísta era chamada de
Kamino-michi, que é traduzido por "o caminho dos
deuses". Em chinês, a mesma expressão é shen-tao,
de onde procede a palavra shinto (em português,
xinto). O Xintoísmo é uma religião peculiar por sua
expressão de amor japonês pelo seu país e suas
instituições. Este aspecto da história sagrada está
descrito no Kojiki, datado do século VIII. (STEFFEN,
2000, p. 50)
O Kojiki diz que as ilhas japonesas foram criadas por Izanami e
Izanagi, que também habitaram a Terra como numerosas divindades,
das quais os japoneses são descendentes. A família real é
descendente de Jimmu Tenno (cerca de 660 a.C.), o primeiro
imperador humano, neto de Ni-ni-go, neto de Amaterasu, a divindade
feminina Sol. No Shinto, Amaterasu é reconhecida como a primeira no
panteão das divindades, mas não é a única. É apenas uma entre
muitos. O xintoísmo primitivo via o Japão como a terra dos deuses, o
que explica o caráter nacionalista da religião. Acreditam que todos os
japoneses têm origem divina, mas, em especial, o imperador, que é
descendente da própria deusa do sol.
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O Shinto, "o caminho dos deuses", pode ser descrito como um modo
ideal de comportamento. O seu sistema ético inclui os seguintes
preceitos:
lealdade ao imperador;
gratidão;
coragem diante da morte;
serviço aos outros acima dos interesses próprios;
verdade;
polidez até mesmo com os inimigos;
controle das manifestações de sentimentos e honra, que significa o
ato de preferir a morte à desgraça.
Os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, quando os pilotos
japoneses corajosamente jogaram seus próprios aviões para atingir os
inimigos, mostram um pouco desses conceitos. 
Principais ideias
O mito da origem japonesa parece ser uma resposta animista primitiva
à natureza. A multiplicidade de deuses japonesespode ser atribuída a
condições civis primitivas, quando a nação era habitada por um grande
número de clãs independentes, cada um com seus próprios deuses e
práticas religiosas.
As cerimônias religiosas ajudam a evitar acidentes, promovem a
cooperação e o contato com os Kamis, geram o contentamento e a paz
para o indivíduo e a sociedade. As cerimônias são feitas tanto no
próprio lar como nas grandes festas anuais do templo - Morada dos
Kamis. Quatro elementos estão sempre presentes nestas cerimônias:
purificação;
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sacrifício;
oração;
refeição sagrada.
Os Kamikazes: o vento dos deuses
Os jovens pilotos japoneses deram suas vidas em nome da pátria e do
imperador na Segunda Guerra Mundial. A definição da palavra
kamikaze, em português, é “vento dos deuses”. Assim também eram
chamados os jovens pilotos da Marinha Imperial Japonesa (ainda não
havia Aeronáutica) que, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-
1945), atiravam seus aviões zero, abarrotados de explosivos, contra os
alvos inimigos.
Um aspecto curioso é que não faltaram jovens japoneses que se
dispuseram a dar suas vidas em nome da pátria e do imperador, que
era considerado a divina encarnação da deusa do Sol da religião
xintoísta. Essa devoção fez com que milhares de rapazes, entre 15 e
25 anos, se alistassem voluntariamente para se tornar pilotos suicidas.
Os kamikazes tinham em média 17 e 25 anos e boa parte deles vinha
das melhores universidades japonesas. O primeiro ataque desse tipo
ocorreu em 25 de outubro de 1944, quando cinco aviões, cada um
carregado com 250 quilos de bombas, foram atirados contra uma frota
formada por navios ingleses e norte-americanos, nas Filipinas. Em
agosto de 1945, quando a guerra terminou, 454 navios tinham sido
destruídos e 2158 kamikazes perderam a vida.
Nas cartas escritas pelos kamikazes é possível entender por que esses
jovens não hesitavam em morrer e, surpreendentemente, se sentiram
felizes pela escolha que fizeram. A maioria acreditava que colidir seu
avião contra os alvos inimigos representava um momento de glória
para eles e suas famílias. Segundo os ensinamentos das Forças
Armadas japonesas, a vida não deveria ser vista como prioridade, mas
sim a pátria e o imperador. Quando os voluntários eram escolhidos
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para partir em uma missão suicida, comemoravam, pois tinham a
certeza de que encontrariam a felicidade após a morte.
Taoísmo 
Os problemas éticos, sociais e políticos estão no centro das
discussões da maioria das religiões orientais. É a opção pelo ser e não
pelo ter. Se as ideias de Confúcio são estimulantes para governantes
sérios, o taoísmo apresenta uma visão transcendente das
preocupações com a vida. É uma cultura oposta ao que estamos
acostumados a viver no Ocidente. Serão recomendadas leituras
complementares para quem tiver mais interesse em conhecer melhor
as ideias de Lao-Tsé (o grande e velho mestre).
Lao-Tsé
A origem do taoísmo é apresentada com o nome de um homem
chamado Lao-Tsé, supostamente nascido por volta de 604 a.C. As
histórias sobre a vida desse homem são muito variadas. Alguns
historiadores não têm nem certeza se ele realmente existiu. Algumas
lendas são fantásticas, como aquela que diz ter sido ele concebido por
uma estrela cadente, ter permanecido no ventre materno por 82 anos e
já nascido velho, sábio e com os cabelos brancos (SMITH, 1991, p.
193).
O livro sagrado
Uma boa ideia do início do taoísmo, como conta a tradição, é o que
lemos no texto de Huston Smith, que assim coloca: 
A história tradicional conta que Lao-tsé, entristecido
com o seu povo pela relutância em cultivar a bondade
natural que ele pregava e buscando maior solidão para
os seus últimos anos de vida, montou nas costas de
um búfalo e galopou para o oeste, na direção do atual
Tibete. No passo de Hankao, uma sentinela,
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percebendo o caráter incomum daquele viajante,
tentou convencê-lo a retornar. Não obtendo êxito,
pediu ao velho que, ao menos, deixasse um registro de
suas crenças para a civilização que estava
abandonada. Lao-tsé, concordando com o pedido,
recolheu-se durante três dias e retornou com um
magro volume de 5.000 caracteres intitulado Tao Te
King, ou O Caminho e o seu Poder. O livro pode ser
lido em meia hora ou durante toda a vida, e continua a
ser, até os dias de hoje, o texto básico do pensamento
Taoísta. Um livrinho de apenas 25 páginas e 81
capítulos. (SMITH, 1991, p. 194)
Os significados do Tao
No taoísmo, tudo gira em torno do Tao, que literalmente significa
caminho. Este caminho pode ser entendido de três maneiras:
o Tao é o caminho da realidade última. É demasiado vasto para
que a realidade humana possa sondá-lo. De todas as coisas, o
Tao certamente é o maior;
o Tao é o caminho do Universo, a norma, o ritmo, o poder
propulsor de toda a natureza, o princípio ordenador por trás de
toda a vida;
o Tao se refere ao caminho da vida humana, quando ela se
harmoniza com o Tao do Universo.
O Tao Te King tem sido traduzido como O Caminho e o seu Poder.
O taoísmo filosófico tem como objetivo alinhar a vida cotidiana da
pessoa ao Tao. O caminho básico para fazê-lo é aperfeiçoar uma vida
de wu wei. Wu wei significa pura eficácia e quietude criativa. O
conceito mais tradicional significa não ação ou inação. Mas devemos
cuidar para não entender como atitude vazia, ócio. O taoísmo, na
concepção de muitos, implica passividade e não atividade. Para um
sábio taoista, a ação mais importante é a "não ação". Enquanto
Confúcio desejava educar o homem por meio do conhecimento, Lao-
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Tsé preferia que as pessoas permanecessem ingênuas e simples,
como crianças. Enquanto Confúcio ansiava por regras e sistemas fixos
na política, Lao-Tsé acreditava que o homem deveria interferir o
mínimo possível no desdobramento natural dos fatos. Confúcio queria
uma administração bem-ordenada, mas Lao-Tsé acreditava que
qualquer administração é má. "Quanto mais leis e mandamentos
existirem, mais bandidos e ladrões haverá", diz o Tao Te King.
Para Lao-Tsé, o estado ideal era a pequena comunidade (a aldeia ou a
cidade pequena), que, segundo ele, já existia nos tempos antigos. Ali
as pessoas viviam em paz e contentes, sem interesse em guerrear
contra seus vizinhos, como fizeram mais tarde as províncias chinesas.
O líder devia ser um filósofo e sua única tarefa era que sua
passividade e seu distanciamento servissem de exemplo para os
outros. 
Valores taoístas 
O taoísta rejeita todas as formas de autoafirmação e competição. O
mundo está cheio de pessoas determinadas a ser alguém ou causar
problemas; pessoas que querem avançar, destacar-se. O taoísmo não
vê utilidade nessa ambição. "O machado abate primeiro a árvore mais
alta".
Aquele que se põe na ponta dos pés/ Não tem firmeza./Aquele que se
apressa/Não vai longe./Aquele que tenta brilhar/Tolda sua própria luz.
(Cap. 24) 
As pessoas deveriam evitar a estridência e a agressividade não só em
relação aos outros, mas também em relação à natureza. No taoísmo,
existe um naturalismo profundo e um respeito muito grande pela
natureza. Tanto que, quando falamos na escalada do Everest, por
exemplo, nós, ocidentais, dizemos que o Everest foi conquistado. Os
orientais diriam que esse ato foi o de fazer amizade com o Everest.
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Aqueles que querem dominaro mundo/E moldá-lo à sua vontade
/Nunca, percebo, terão sucesso. O mundo é como um vaso, tão
sagrado /Que, à mera aproximação do profano, /Se danifica, /E quando
estendem a mão para pegá-lo, ele se perdeu (Cap. 29)
Yin/yang
Outra característica do taoísmo é a sua noção da relatividade de todos
os valores e, como ideia correlata, a identidade dos opostos. Nesse
aspecto, o taoísmo está ligado ao tradicional símbolo chinês do
yin/yang:
Essa polaridade resume todas as oposições básicas
da vida: bem/mal, ativo/passivo, positivo/negativo,
claro/escuro, verão/inverno, masculino/feminino. Mas
as metades, embora estejam em tensão, não são
francamente opostas; elas se contemplam e se
equilibram uma à outra. Cada uma invade o hemisfério
da outra e faz sua morada no recesso mais profundo
do domínio de sua parceira. E, no fim, ambas se
resolvem no círculo que os cerca, o Tao em sua
totalidade. A vida não se dobra sobre si mesma, e
chega, completando o círculo, à percepção de que
tudo é um e tudo está bem. (SMITH, 1991, p. 210) 
O taoísmo segue seu princípio da relatividade até seu limite lógico,
colocando a vida e a morte como ciclos complementares no ritmo do
Tao. 
Há o globo, 
O alicerce de minha existência física 
Ele me gasta com trabalho e deveres, 
Dá-me repouso na velhice, 
E me dá paz na morte. 
Pois quem me deu o que necessitei na vida 
Também me dará o que necessito na morte. (Chuang
Tzu)
As três joias taoístas
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As virtudes são uma parte essencial do taoísmo, dado que, mediante
seu cultivo, a pessoa se alinha com o Tao e vira uno com ele. As três
virtudes principais que todo taoista deve apreciar e conservar
aparecem no Tao-te-ching.
Eu possuo três gemas preciosas 
que tenho ocultas como três tesouros. 
A primeira se chama "compaixão”. 
A segunda se chama "moderação". 
A terceira se chama "humildade". 
Porque tenho compaixão, é que sou valente. 
Porque tenho moderação, é que sou generoso. 
Porque tenho humildade, sou senhor dos vassalos.
Compaixão
Não é surpresa que o taoísmo se oponha firmemente à violência.
Somente àquele “que ama o mundo como seu próprio corpo se lhe
pode entregar o comando do império”. 
Moderação
O ser humano deve ser moderado e sóbrio não somente com outros
seres humanos, e sim também com a natureza. A atitude geral do
ocidente para com a natureza foi considerá-la como um objeto que
deve ser dominado, controlado, conquistado. Já os taoístas buscam a
amizade com a natureza, nunca o domínio sobre ela. 
Humildade
Os taoístas rejeitam toda forma de presunção e competição. O mundo
está cheio de gente que quer ser alguém, criar problemas, progredir,
destacar-se, porém o taoísmo não compartilha esta classe de
ambições. Muito pelo contrário, os taoístas gostam de sinalizar que o
valor dos copos, das janelas e das portas reside nas partes delas que
não estão presentes.
Três tipos de Taoísmo
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Apesar de nem todos os estudiosos apoiarem esta divisão, parece ser
uma tendência generalizada a de reconhecer três ramos dentro do
taoísmo. As duas principais são o taoísmo filosófico, baseado nos
escritos de Lao-tse e Chuang-tse, e o taoísmo religioso, que como foi
adotado por uma grande quantidade de pessoas também é chamado
taoísmo popular. O terceiro tipo de taoísmo é mais heterogêneo e se
caracteriza por incrementar e harmonizar a vitalidade e a energia,
sendo chamado de “revitalizador”. 
O Taoísmo “revitalizador”
Este ramo do taoísmo é o mais conhecido no Ocidente, ainda que a
grande maioria desconheça sua origem taoísta. Para compreendê-lo,
primeiro tem que entender o que significa a palavra ch’i. Ainda que a
sua tradução literal é alento, em realidade significa energia vital.
Aclarado isso, ch’i é o correspondente de prana para o yoga. 
Esta correspondência também aparece ao observar ambos os
conhecimentos em detalhes: na Índia, a alimentação e a medicina
ayurvédica, o tantra, a meditação, os exercícios de respiração ou
pranayamas, o hatha yoga e outras práticas deste tipo conservam o
mesmo fim que as nascidas do taoísmo, e muitas vezes são
semelhantes em seu modus operandi. Para ambas as disciplinas, o
cosmos é energia. Os taoístas desta corrente a utilizavam para referir-
se ao poder do Tao que sentiam passar dentro deles, e tinham como
objetivo primordial incrementá-la ao máximo. Para lográ-lo, utilizavam
três elementos: a matéria, o movimento e as mentes.
Alimentação e medicina holística
Do conceito taoísta do yin e yang (os opostos complementares que
permeiam toda a criação) surgiu a macrobiótica, que propõe uma
alimentação equilibrada evitando os extremos. Foi popularizada no
século vinte por um japonês chamado George Ohsawa, que ficou
impressionado ao recuperar a sua saúde graças a um tratamento
chinês que aplicava os princípios nutricionais do yin e o yang. Ohsawa
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se formou médico e em sua prática pôde comprovar como a
macrobiótica aumentava a harmonia e a saúde do ser humano. Tanto a
alimentação como a medicina chinesa consideram o paciente de forma
holística e não como um portador de sintomas a ser tratados em série. 
A habitação
O feng shui constitui outras das práticas baseadas no ch’i ou energia
vital. É a arte de canalizar e conservar o ch’i, em uma tentativa de
melhorar as condições ambientais que fomentam a vida, a saúde e a
harmonia geral. Segundo esta disciplina, o fluxo vital ou energético se
modifica pela forma e disposição do espaço, as orientações (pontos
cardinais) e as mutações temporais. 
Os exercícios físicos
Outra das práticas para aumentar a energia são os experimentos
sexuais, nos quais os homens evitam ejacular. Muitos taoístas também
levam a cabo exercícios de respiração, e mediante o controle do ar
procuram extrair o ch’i da atmosfera e equilibrar o próprio. Estes
esforços de extrair o ch’i da matéria em suas formas sólida, líquida e
gasosa são integrados com programas de movimentos físicos tais
como o t’ai chi chuan e o chi kung, exercícios destinados a extrair o ch’i
do cosmos e desbloquear seu fluxo interno, ação que também constitui
o objetivo da acupuntura. 
A mente
Finalmente, os taoistas que se destacavam por serem contemplativos
e, muitas vezes, ermitões, criaram a meditação taoista, prática que
busca desarraigar as distrações e esvaziar a mente. 
Para os conhecedores do hinduísmo, a maneira mais rápida de
compreender o taoísmo meditativo é compará-lo com o raja yoga. Não
se sabe se a China tomou emprestados seus conhecimentos da Índia,
mas as posturas físicas e as técnicas de concentração da meditação
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taoísta lembram muito as do yoga dos quais os estudiosos da
civilização chinesa importaram o termo sânscrito e o chamam yoga
taoista. 
Também se devem dominar as emoções perturbadoras, porque ao
agitar a superfície da mente, impedem transpassá-la em direção ao
manancial da consciência pura que há no fundo. A limpeza e a calma
emocional são os requisitos preliminares para alcançar o pleno
conhecimento do Tao, porém devem levar-se ao ponto culminante
mediante a meditação profunda.
Se você deseja obter mais informações sobre os outros dois “tipos” de
Taoísmo, o religioso e o filosófico, além de dados sobre o taoísmo no
Brasil, acesse o link ao lado:
O Taoísmo religioso
A tradição folclórica chinesa lidava com epidemias, fantasmas e
chuvas, e as últimas deviam ser convocadas ou rejeitadas segundo a
ocasião. O taoísmo religiosotomou elementos destes rituais para lidar
com a natureza e os institucionalizou. Influenciado pelo budismo, que
foi introduzido na China aproximadamente nos tempos de Cristo, a
Igreja taoísta se configurou no século II a. C. e se entronizou em um
panteão que, entre três divindades, figura Lao Tsé, ainda que a
divindade suprema seja o Imperador de Jade. Destes personagens
sagradas surgiram textos que foram aceitos, sem reservas, como
verídicos.
Os textos desta escola estão cheios de descrições de rituais que, se
realizados com exatidão, têm poderes mágicos. Assim, a Igreja taoísta
– compartilhando o território com magos, exorcistas e xamãs,
desenhou formas de dominar poderes superiores para fins humanos. A
divisão interna que muitos estudiosos realizam ao analisar o taoísmo
em parte se deve ao fato que nem estas práticas e nem as divindades
figuram no Tao-te-ching.
O Taoísmo filosófico
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O taoísmo filosófico, chamado na China taoísmo escolar, está
associado aos nomes de Lao Tsé, Chuang Tsé e o Tao-te-ching.
Podemos relacioná-lo com a energia ou poder se lembramos que o
taoísmo sustenta que a “via de escape” principal de energia é o desejo,
e a insatisfação que este gera. Porém, o objetivo do taoísmo filosófico
ou, melhor dito, da sabedoria taoísta, é adequar a vida cotidiana ao
Tao, deleitar-se na sua corrente e finalmente unir-se a ele. A forma
básica de fazer isso é desprender-se dos desejos, e para consegui-lo,
certas práticas e conceitos são necessários.
Wu-wei
Um modo de evitar as dissipações de energia causadas pelo desejo é
mediante o wu-wei, conceito cuja tradução literal é inatividade, mas
que para os taoístas significa eficácia pura. 
A água
A água é o paralelo mais próximo ao Tao no mundo natural, e também
o protótipo do wu-wei. Uma de suas virtudes é a humildade. A água se
compraz com os sítios baixos que a gente desdenha. Nos rios, a água
desgasta as arestas das pedras e as converte em seixos, se abre
passo através de fronteiras e debaixo de muros divisórios. De uma
sutileza infinita, mas de uma fortaleza incomparável, as virtudes da
água são também as do wu-wei. A água representa fluidez e
flexibilidade, atributos exclusivos da vida.
Elementos taoístas da sociedade ocidental
O Taoísmo possui duas vertentes de pensamento religioso. Uma
dessas vertentes está concentra na meditação sem ritos, seguindo
feições metódicas, subsistindo de maneira mais geral como uma
ordem filosófica, enquanto a vertente mais ortodoxa atribui importância
fundamental aos rituais, à renovação cósmica e ao controle espiritual.
O termo Tao, significando "caminho", consiste em um elemento
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fundamental recorrente em todas as tradições filosóficas chinesas,
entre elas o próprio Confucionismo. 
O incenso é um elemento constante nos rituais taoístas. Um dos
símbolos do Taoísmo é bastante famoso até entre os ocidentais: o Yin-
Yang consiste em uma representação do equilíbrio e
complementaridade entre as forças naturais opostas em perfeita
harmonia. 
Referente à organização clerical, o Taoísmo é constituído de estrutura
monástica e sacerdotal. Os textos sagrados do Tao são: o Dão De Jing
(Tao te-ching: "O Caminho e seu Poder") e os escritos de Chuang Tzu
(369-286 a. C.).
A cronologia da origem das bases filosóficas taoístas ainda permanece
obscura, podendo ser bastante anterior a Lao Tzu, considerado o
fundador da religião, mas que, na verdade, foi responsável por um
grande impulso à religião sobre a qual já existiam alguns conceitos
primitivos. 
O Candelabro de Sete Estrelas é um instrumento criado pelos
mestres taoístas para atrair a força de proteção das divindades. É
composto por 7 lanternas principais e de 2 lanternas complementares,
cuja disposição reflete o formato da constelação Ursa Maior. Para o
Taoísmo, a influência dessas estrelas interfere no nosso mundo e em
nós mesmos, representando uma força espiritual que nos traz proteção
contra enfermidades, acidentes e outros infortúnios que possam nos
acometer.
A Sociedade Taoista do Brasil possui um Candelabro de Sete Estrelas
no Templo da Transparência Sublime, no Rio de Janeiro. Qualquer
pessoa que tenha interesse em ser beneficiada pela proteção do
Candelabro pode solicitar a sua inclusão. Basta informar seus dados
de nascimento e fazer uma contribuição para a Sociedade Taoísta do
Brasil. Este procedimento é repetido anualmente, próximo ao Ano
Novo Chinês, quando acontece uma renovação no Candelabro.
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Taoísmo no Brasil 
No Brasil, existem vários ramos ligados ao Taoísmo, tanto o religioso
(Taochiao) quanto o filosófico (Taochia). Uma das vertentes religiosas
mais importantes é representada pela Sociedade Taoista do Brasil. A
Sociedade Taoista do Brasil foi instituída no Rio de Janeiro/RJ, em 15
de janeiro de 1991 com o objetivo de difundir o ensinamento do
Taoismo em todas as suas formas de expressão - religiosa, filosófica,
científica e cultural - e contribuir para o aperfeiçoamento espiritual dos
frequentadores.
O caminho taoista propõe a restauração do estado pleno de vida e
consciência, chamado Tao. Para isso, utilizam-se vários meios, como
as práticas que promovem a boa saúde física e mental, o estudo de
clássicos escritos pelos grandes mestres do passado, os métodos
místicos para a restauração da ordem interna e, fundamentalmente, a
meditação como caminho de autotransformação e elevação espiritual. 
A Sociedade Taoista do Brasil foi fundada por Wu Jyh Cherng (1958-
2004), sacerdote taoista Kao Kon Fa Shi (Alto Ofício, Mestre da Lei).
Mestre Cherng escreveu diversos livros sobre artes taoistas e traduziu
o Tao Te Ching, o livro do Caminho e da Virtude, o Yi Jing (I-Ching), o
livro das Mutações entre outros clássicos do taoismo. Em março de
2002, inaugurou a sede de São Paulo, um espaço adequado para a
prática e estudo do Taoismo, suas artes e sabedoria, e onde se tem
palestras abertas ao público, rituais, meditação e diversos cursos.
Entre as atividades de São Paulo, enfatiza-se as práticas de
Meditação, Yi Jing (I Ching), Feng Shui, Astrologia Chinesa (Zi Wei
Dou Shu), Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan), e Qi Gong (Chi Kun), e o
atendimento de acupuntura e massagem.
Wu Jyh Cherng, Sacerdote Taoista, fundador e regente da organização
denominada Sociedade Taoísta do Brasil, era o pontífice máximo do
Taoismo no Brasil e na América Latina. Recebeu de seus superiores,
em Taiwan, o título de Kao Kon Fa Shi (Sacerdote de Alto Ofício,
Mestre da Lei). Mestre Cherng nasceu em Taiwan, em 1958, e em
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1973 mudou-se com seus pais para o Brasil, onde foi viver no Rio de
Janeiro. Seu pai, Wu Chao Hsiang, médico formado pela Faculdade de
Medicina de Taipei (Taiwan) e Mestre em Tai Chi Chuan pela
Sociedade Chinesa de Tai Chi, foi um dos primeiros introdutores da
acupuntura e das artes marciais no Brasil, Rio de Janeiro, onde
fundou o Instituto de Cultura Chinesa.
BARKER, Tenente Coronel A. J. - MIDWAY. 1984 © Bison Books
Limited, Troy, Michigan, E.U.A. 
GAARDER, Jostein, HELLERN, Victor, NOTAKER, Henry. O Livro das
Religiões. São Paulo. Companhia das Letras, 2000.
MOORE, Charles. A. (organização). Filosofia: Ocidente e Oriente.
Editora Cultrix. Editora da Universidade de São Paulo, 1978. Capítulo
VI – Xinto: O Etnocentrismo Japonês – Shunzo Sakamaki. 
ROCHEDIEU, EDMOND. Xintoísmo e As Novas Religiões do Japão.
Ed. VERBO Lisboa/São Paulo Junho 1982. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. O ContratoSocial. Ed. eBookLibris.
Edição Eletrônica. 2001. Disponível em:
<www.ebooksbrasil.org/eLibris/contratosocial.html>. 
YAMASHIRO, JOSÉ. História da Cultura Japonesa. Ed. IBRASA.
São Paulo 1986. 
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