Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 1
 
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICOÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICOÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICOÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO 
 
1 Ética e moral. 
2 Ética, princípios e valores. 
3 Ética e democracia: exercício da cidadania. 
4 Ética e função pública. 5 Ética no Setor Público. 
5.1 Decreto nº 1.171/ 1994 (Código de Ética Profissio-
nal do Servidor Público Civil do Poder Executivo Fede-
ral). 
 
O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pes-
soa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a 
conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e 
bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. 
Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está 
relacionada com o sentimento de justiça social. 
A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos 
e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda 
os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. 
Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. 
Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser 
ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos 
estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas bioló-
gicas é denominada bioética. 
Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, 
existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste 
sentido, podemos citar: ética médica, ética profissional (trabalho), ética 
empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na 
política, etc. 
Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é 
chamado de antiético, assim como o ato praticado. 
Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho:Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho:Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho:Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho: 
- Educação e respeito entre os funcionários; 
- Cooperação e atitudes que visam à ajuda aos colegas de trabalho; 
- Divulgação de conhecimentos que possam melhorar o desempenho 
das atividades realizadas na empresa; 
- Respeito à hierarquia dentro da empresa; 
- Busca de crescimento profissional sem prejudicar outros colegas de 
trabalho; 
- Ações e comportamentos que visam criar um clima agradável e positi-
vo dentro da empresa como, por exemplo, manter o bom humor; 
- Realização, em ambiente de trabalho, apenas de tarefas relacionadas 
ao trabalho; 
- Respeito às regras e normas da empresa. 
 http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/etica_profissional.htm 
 
A origem da palavra ética vem do grego ethos, que quer dizer o modo 
de ser, o caráter. Os romanos traduziram o ethos grego, para o latim mos 
(ou no plural mores), que quer dizer costume, de onde vem a palavra moral. 
Tanto ethos (caráter) como mos (costume) indicam um tipo de compor-
tamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com 
ele como se fosse um instinto, mas que é "adquirido ou conquistado por 
hábito" (VÁZQUEZ). Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, dizem 
respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente 
a partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde 
nascem e vivem. 
No nosso dia-a-dia não fazemos distinção entre ética e moral, usamos 
as duas palavras como sinônimos. Mas os estudiosos da questão fazem 
uma distinção entre as duas palavras. Assim, a moral é definida como o 
conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o 
comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa. 
Enquanto a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do 
comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar 
a moral ou as morais de uma sociedade. A ética é filosófica e científica. 
"Nenhum homem é uma ilha". Esta famosa frase do filósofo inglês 
Thomas Morus, ajuda-nos a compreender que a vida humana é convívio. 
Para o ser humano viver é conviver. É justamente na 
convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e 
se realiza enquanto um ser moral e ético. É na relação com o outro que 
surgem os problemas e as indagações morais: o que devo fazer? Como 
agir em determinada situação? 
Como comportar-me perante o outro? Diante da corrupção e das injus-
tiças, o que fazer? 
Portanto, constantemente no nosso cotidiano encontramos situações 
que nos colocam problemas morais. São problemas práticos e concretos da 
nossa vida em sociedade, ou seja, problemas que dizem respeito às nossas 
decisões, escolhas, ações e comportamentos - os quais exigem uma avali-
ação, um julgamento, um juízo de valor entre o que socialmente é conside-
rado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado, pela moral vigente. O 
problema é que não costumamos refletir e buscar os "porquês" de nossas 
escolhas, dos comportamentos, dos valores. Agimos por força do hábito, 
dos costumes e da tradição, tendendo à naturalizar a realidade social, 
política, econômica e cultural. Com isto, perdemos nossa capacidade critica 
diante da realidade. Em outras palavras, não costumamos fazer ética, pois 
não fazemos a crítica, nem buscamos compreender e explicitar a nossa 
realidade moral. 
No Brasil, encontramos vários exemplos para o que afirmamos acima. 
Historicamente marcada pelas injustiças sócio-econômicas, pelo preconcei-
to racial e sexual, pela exploração da mão-de-obra ïnfantil, pelo "jeitinho" e 
a "lei de Gerson", etc, etc. A realidade brasileira nos coloca diante de 
problemas éticos bastante sérios. Contudo, já estamos por demais acostu-
mados com nossas misérias de toda ordem. Naturalizamos a injustiça e 
consideramos normal conviver lado a lado as mansões e os barracos, as 
crianças e os mendigos nas ruas; achamos inteligente e esperto levar 
vantagem em tudo e tendemos a considerar como sendo otário quem 
procura ser honesto. 
Na vida pública, exemplos é o que não faltam na nossa história recen-
te: "anões do orçamento", impeachment de presidente por corrupção, 
compras de parlamentares para a reeleição, os 
medicamentos, máfia do crime organizado, desvio do Fundef, etc. etc. Não 
sem motivos fala-se numa crise ética, já que tal realidade não pode ser 
reduzida tão somente ao campo político-econômico. Envolve questões de 
valor, de convivência, de consciência, de justiça. Envolve vidas humanas. 
Onde há vida humana em jogo, impõem-se necessariamente um problema 
ético. O homem, enquanto ser ético, enxerga o seu semelhante, não lhe é 
indiferente. O apelo que o outro me lança é de ser tratado como gente e 
não como coisa ou bicho. Neste sentido, a Ética vem denunciar toda reali-
dade onde o ser humano é coisificado e animalizado, ou seja, onde o ser 
humano concreto é desrespeitado na sua condição humana. 
www.dhnet.org.br 
Ética Profissional Ética Profissional Ética Profissional Ética Profissional é compromisso socialé compromisso socialé compromisso socialé compromisso social 
Rosana Soibelmann Glock 
José Roberto Goldim 
Conceituação: O que é Ética Profissional? 
É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Di-
reito. Estas três áreas de conhecimento se distinguem, porém têm grandes 
vínculos e até mesmo sobreposições. 
Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabe-
lecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se 
diferenciam. 
A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma 
forma de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geo-gráficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, 
mas utilizam este mesmo referencial moral comum. 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 2
O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada 
pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem 
apenas para aquela área geográfica onde uma determinada população ou 
seus delegados vivem. Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-
conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a 
lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de 
conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando 
argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. 
Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a 
uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes. 
A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, 
justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos objetivos da Ética é a 
busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. 
Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras. 
Esta reflexão sobre a ação humana é que caracteriza a Ética. 
Ética Profissional: Quando se inicia esta reflexão? 
Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão 
deve iniciar bem antes da prática profissional. 
A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas 
vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma profissão 
é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a 
ser obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira 
sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes ao assumir tornando-
se parte daquela categoria que escolheu. 
Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências 
e habilidades referentes à prática específica numa determinada área, deve 
incluir a reflexão, desde antes do início dos estágios práticos. Ao completar 
a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua 
adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente 
ingressa. Isto caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional, 
esta adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo 
as mais adequadas para o seu exercício. 
Mas pode ser que você precise começar a trabalhar antes de estudar 
ou paralelamente aos estudos, e inicia uma atividade profissional sem 
completar os estudos ou em área que nunca estudou, aprendendo na 
prática. Isto não exime você da responsabilidade assumida ao iniciar esta 
atividade! O fato de uma pessoa trabalhar numa área que não escolheu 
livremente, o fato de “pegar o que apareceu” como emprego por precisar 
trabalhar, o fato de exercer atividade remunerada onde não pretende seguir 
carreira, não isenta da responsabilidade de pertencer, mesmo que tempora-
riamente, a uma classe, e há deveres a cumprir. 
Um jovem que, por exemplo, exerce a atividade de auxiliar de almoxari-
fado durante o dia e, à noite, faz curso de programador de computadores, 
certamente estará pensando sobre seu futuro em outra profissão, mas deve 
sempre refletir sobre sua prática atual. 
Ética Profissional: Como é esta reflexão? 
Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até ela tornar-se um hábito 
incorporado ao dia-a-dia. 
Tomando-se o exemplo anterior, esta pessoa pode se perguntar sobre 
os deveres assumidos ao aceitar o trabalho como auxiliar de almoxarifado, 
como está cumprindo suas responsabilidades, o que esperam dela na 
atividade, o que ela deve fazer, e como deve fazer, mesmo quando não há 
outra pessoa olhando ou conferindo. 
Pode perguntar a si mesmo: Estou sendo bom profissional? Estou a-
gindo adequadamente? Realizo corretamente minha atividade? 
É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que 
não estão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são 
comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. 
Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo 
quando a atividade é exercida solitariamente em uma sala, ela faz parte de 
um conjunto maior de atividades que dependem do bom desempenho 
desta. 
Uma postura pró-ativa, ou seja, não ficar restrito apenas às tarefas que 
foram dadas a você, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, 
mesmo que ele seja temporário. 
Se sua tarefa é varrer ruas, você pode se contentar em varrer ruas e 
juntar o lixo, mas você pode também tirar o lixo que você vê que está 
prestes a cair na rua, podendo futuramente entupir uma saída de escoa-
mento e causando uma acumulação de água quando chover. Você pode 
atender num balcão de informações respondendo estritamente o que lhe foi 
perguntado, de forma fria, e estará cumprindo seu dever, mas se você 
mostrar-se mais disponível, talvez sorrir, ser agradável, a maioria das 
pessoas que você atende também serão assim com você, e seu dia será 
muito melhor. 
Muitas oportunidades de trabalho surgem onde menos se espera, des-
de que você esteja aberto e receptivo, e que você se preocupe em ser um 
pouco melhor a cada dia, seja qual for sua atividade profissional. E, se não 
surgir, outro trabalho, certamente sua vida será mais feliz, gostando do que 
você faz e sem perder, nunca, a dimensão de que é preciso sempre conti-
nuar melhorando, aprendendo, experimentando novas soluções, criando 
novas formas de exercer as atividades, aberto a mudanças, nem que seja 
mudar, às vezes, pequenos detalhes, mas que podem fazer uma grande 
diferença na sua realização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer 
com a reflexão incorporada a seu viver. 
E isto é parte do que se chama empregabilidade: a capacidade que vo-
cê pode ter de ser um profissional que qualquer patrão desejaria ter entre 
seus empregados, um colaborador. Isto é ser um profissional eticamente 
bom. 
Ética Profissional e relações sociais: 
O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento 
de água da chuva, o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umida-
de no local destinado para colocar caixas de alimentos, o médico cirurgião 
que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia, a 
atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa 
após ir ao banheiro, o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou 
que não maquia o balanço de uma empresa, o engenheiro que utiliza o 
material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo 
de forma eticamente correta em suas profissões, ao fazerem o que não é 
visto, ao fazerem aquilo que, alguém descobrindo, não saberá quem fez, 
mas que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais, 
com as PESSOAS. 
As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os 
profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem 
daquele profissional, mas há muitos aspectos não previstos especificamen-
te e que fazem parte do comprometimento do profissional em ser eticamen-
te correto, aquele que, independente de receber elogios, faz A COISA 
CERTA. 
Ética Profissional e atividade voluntária: 
Outro conceito interessante de examinar é o de Profissional, como a-
quele que é regularmente remunerado pelo trabalho que executa ou ativi-
dade que exerce, em oposição a Amador. Nesta conceituação, se diria que 
aquele que exerce atividade voluntária não seria profissional, e esta é uma 
conceituação polêmica. 
Em realidade, Voluntário é aquele que se dispõe, por opção, a exercer 
a prática Profissional não-remunerada, seja com fins assistenciais, ou 
prestação de serviços em beneficência, por um períododeterminado ou 
não. 
Aqui, é fundamental observar que só é eticamente adequado, o profis-
sional que age, na atividade voluntária, com todo o comprometimento que 
teria no mesmo exercício profissional se este fosse remunerado. 
Seja esta atividade voluntária na mesma profissão da atividade remu-
nerada ou em outra área. Por exemplo: Um engenheiro que faz a atividade 
voluntária de dar aulas de matemática. Ele deve agir, ao dar estas aulas, 
como se esta fosse sua atividade mais importante. É isto que aquelas 
crianças cheias de dúvidas em matemática esperam dele! 
Se a atividade é voluntária, foi sua opção realizá-la. Então, é eticamen-
te adequado que você a realize da mesma forma como faz tudo que é 
importante em sua vida. 
Ética Profissional: Pontos para sua reflexão: 
É imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não a-
penas as mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área profissional, 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 3
mas também nos aspectos legais e normativos. Vá e busque o conheci-
mento. Muitos processos ético-disciplinares nos conselhos profissionais 
acontecem por desconhecimento, negligência. 
Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, 
confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvi-
mento, afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas 
com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que é deposi-
tada em você... 
Comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são indis-
sociáveis! 
Todos os Códigos de Ética Profissional trazem em seu texto a maioria dos seguintes princí-
pios: 
» honestidade no trabalho; 
» lealdade para com a empresa; 
» formação de uma consciência profissional; 
» execução do trabalho no mais alto nível de rendimento; 
» respeito à dignidade da pessoa humana; 
» segredo profissional; 
» discrição no exercício da profissão; 
» prestação de contas ao chefe hierárquico; 
» observação das normas administrativas da empresa; 
» tratamento cortês e respeitoso a superiores, colegas e subordinados 
hierárquicos; 
» apoio a esforços para aperfeiçoamento da profissão. 
Consideram-se faltas contra a dignidade do trabalho: 
» utilizar informações e influências obtidas na posição para conseguir 
vantagens pessoais; 
» fazer declaração que constitua perigo de divulgação; 
» oferecer serviços ou prestá-los a preço menor para impedir que se 
encarregue dele outra pessoa; 
» negar-se a prestar colaboração nas distintas dependências da enti-
dade para quem trabalhe; 
» prestar serviço de forma deficiente, demorar injustamente sua execu-
ção ou abandonar sem motivo algum o trabalho que foi solicitado; 
» delegar a outras pessoas a execução de trabalhos que em forma es-
tritamente confidencial lhe tenha sido solicitada; 
» fomentar a discórdia: 
» usar tráfico de influências como meio para lograr ou favorecer a be-
nevolência dos chefes; 
» rechaçar a colaboração na execução de determinado trabalho, quan-
do se fizer necessário; 
» não prestar ajuda aos companheiros; 
» ter conduta egoísta na transmissão de experiências e conhecimentos; 
» fazer publicações indecorosas e inexatas. iSecretarias 
 
 
Ética e Moral. Ética e Moral. Ética e Moral. Ética e Moral. 
ÉticaÉticaÉticaÉtica 
A finalidade dos códigos morais é reger a conduta dos membros de 
uma comunidade, de acordo com princípios de conveniência geral, para 
garantir a integridade do grupo e o bem-estar dos indivíduos que o consti-
tuem. Assim, o conceito de pessoa moral se aplica apenas ao sujeito en-
quanto parte de uma coletividade. 
Ética é a disciplina crítico-normativa que estuda as normas do compor-
tamento humano, mediante as quais o homem tende a realizar na prática 
atos identificados com o bem. 
Interiorização do dever. A observação da conduta moral da humanidade 
ao longo do tempo revela um processo de progressiva interiorização: existe 
uma clara evolução, que vai da aprovação ou reprovação de ações exter-
nas e suas conseqüências à aprovação ou reprovação das intenções que 
servem de base para essas ações. O que Hans Reiner designou como 
"ética da intenção" já se encontra em alguns preceitos do antigo Egito 
(cerca de três mil anos antes da era cristã), como, por exemplo, na máxima 
"não zombarás dos cegos nem dos anões", e do Antigo Testamento, em 
que dois dos dez mandamentos proíbem que se deseje a propriedade ou a 
mulher do próximo. 
Todas as culturas elaboraram mitos para justificar as condutas morais. 
Na cultura do Ocidente, são familiares a figura de Moisés ao receber, no 
monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos divinos e o mito narrado por 
Platão no diálogo Protágoras, segundo o qual Zeus, para compensar as 
deficiências biológicas dos humanos, conferiu-lhes senso ético e capacida-
de de compreender e aplicar o direito e a justiça. O sacerdote, ao atribuir à 
moral origem divina, torna-se seu intérprete e guardião. O vínculo entre 
moralidade e religião consolidou-se de tal forma que muitos acreditam que 
não pode haver moral sem religião. Segundo esse ponto de vista, a ética se 
confunde com a teologia moral. 
História. Coube a um sofista da antiguidade grega, Protágoras, romper 
o vínculo entre moralidade e religião. A ele se atribui a frase "O homem é a 
medida de todas as coisas, das reais enquanto são e das não reais en-
quanto não são." Para Protágoras, os fundamentos de um sistema ético 
dispensam os deuses e qualquer força metafísica, estranha ao mundo 
percebido pelos sentidos. Teria sido outro sofista, Trasímaco de Calcedô-
nia, o primeiro a entender o egoísmo como base do comportamento ético. 
Sócrates, que alguns consideram fundador da ética, defendeu uma mo-
ralidade autônoma, independente da religião e exclusivamente fundada na 
razão, ou no logos. Atribuiu ao estado um papel fundamental na manuten-
ção dos valores morais, a ponto de subordinar a ele até mesmo a autorida-
de do pai e da mãe. Platão, apoiado na teoria das idéias transcendentes e 
imutáveis, deu continuidade à ética socrática: a verdadeira virtude provém 
do verdadeiro saber, mas o verdadeiro saber é só o saber das idéias. Para 
Aristóteles, a causa final de todas as ações era a felicidade (eudaimonía). 
Em sua ética, os fundamentos da moralidade não se deduzem de um 
princípio metafísico, mas daquilo que é mais peculiar ao homem: razão 
(logos) e atuação (enérgeia), os dois pontos de apoio da ética aristotélica. 
Portanto, só será feliz o homem cujas ações sejam sempre pautadas pela 
virtude, que pode ser adquirida pela educação. 
A diversidade dos sistemas éticos propostos ao longo dos séculos se 
compara à diversidade dos ideais. Assim, a ética de Epicuro inaugurou o 
hedonismo, pelo qual a felicidade encontra-se no prazer moderado, no 
equilíbrio racional entre as paixões e sua satisfação. A ética dos estóicos 
viu na virtude o único bem da vida e pregou a necessidade de viver de 
acordo com ela, o que significa viver conforme a natureza, que se identifica 
com razão. As éticas cristãs situam os bens e os fins em Deus e identificam 
moral com religião. Jeremy Bentham, seguido por John Stuart Mill, pregou o 
princípio do eudemonismo clássico para a coletividade inteira. Nietzsche 
criou uma ética dos valores que inverteu o pensamento ético tradicional e 
Bergson estabeleceu a distinção entre moral fechada e moral aberta: a 
primeira conservadora, baseada no hábito e na repetição, enquanto que a 
outra se funda na emoção, no instinto e no entusiasmo próprios dos profe-
tas, santos e inovadores. 
Até o século XVIII, com Kant, todos os filósofos, salvo, até certo ponto, 
Platão, aceitavam que o objetivoda ética era ditar leis de conduta. Kant viu 
o problema sob novo ângulo e afirmou que a realidade do conhecimento 
prático (comportamento moral) está na idéia, na regra para a experiência, 
no "dever ser". A vontade moral é vontade de fins enquanto fins, fins abso-
lutos. O ideal ético é um imperativo categórico, ou seja, ordenação para um 
fim absoluto sem condição alguma. A moralidade reside na máxima da 
ação e seu fundamento é a autonomia da vontade. Hegel distinguiu morali-
dade subjetiva de moralidade objetiva ou eticidade. A primeira, como cons-
ciência do dever, se revela no plano da intenção. A segunda aparece nas 
normas, leis e costumes da sociedade e culmina no estado. 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 4
Objeto e ramos da ética. Três questões sempre reaparecem nos diver-
sos momentos da evolução da ética ocidental: (1) os juízos éticos seriam 
verdades ou apenas traduziriam os desejos de quem os formula; (2) prati-
car a virtude implica benefício pessoal para o virtuoso ou, pelo menos, tem 
um sentido racional; e (3) qual é a natureza da virtude, do bem e do mal. 
Diversas correntes do pensamento contemporâneo (intuicionismo, positi-
vismo lógico, existencialismo, teorias psicológicas sobre a ligação entre 
moralidade e interesse pessoal, realismo moral e outras) detiveram-se 
nessas questões. Como resultado disso, delimitaram-se os dois ramos 
principais da ética: a teoria ética normativa e a ética crítica ou metaética. 
A ética normativa pode ser concebida como pesquisa destinada a esta-
belecer e defender como válido ou verdadeiro um conjunto completo e 
simplificado de princípios éticos gerais e também outros princípios menos 
gerais, importantes para conferir uma base ética às instituições humanas 
mais relevantes. 
A metaética trata dos tipos de raciocínio ou de provas que servem de 
justificação válida dos princípios éticos e também de outra questão intima-
mente relacionada com as anteriores: a do "significado" dos termos, predi-
cados e enunciados éticos. Pode-se dizer, portanto, que a metaética está 
para a ética normativa como a filosofia da ciência está para a ciência. 
Quanto ao método, a teoria metaética se encontra bem próxima das ciên-
cias empíricas. Tal não se dá, porém, com a ética normativa. 
Desde a época em que Galileu afirmou que a Terra não é o centro do 
universo, desafiando os postulados ético-religiosos da cristandade medie-
val, são comuns os conflitos éticos gerados pelo progresso da ciência, 
especialmente nas sociedades industrializadas do século XX. A sociologia, 
a medicina, a engenharia genética e outras ciências se deparam a cada 
passo com problemas éticos. Em outro campo da atividade humana, a 
prática política antiética tem sido responsável por comoções e crises sem 
precedentes em países de todas as latitudes. ©Encyclopaedia Britannica do 
Brasil Publicações Ltda. 
MoralMoralMoralMoral 
Conjunto de regras e prescrições a respeito do comportamento, estabe-
lecidas e aceitas por determinada comunidade humana durante determina-
do período de tempo. 
Ética e moralÉtica e moralÉtica e moralÉtica e moral 
 Uma distinção indistinta 
 Desidério MurchoDesidério MurchoDesidério MurchoDesidério Murcho 
A pretensa distinção entre a ética e a moral é intrinsecamente confusa e 
não tem qualquer utilidade. A pretensa distinção seria a seguinte: a ética 
seria uma reflexão filosófica sobre a moral. A moral seria os costumes, os 
hábitos, os comportamentos dos seres humanos, as regras de comporta-
mento adaptadas pelas comunidades. Antes de vermos por que razão esta 
distinção resulta de confusão, perguntemo-nos: que ganhamos com ela? 
Em primeiro lugar, não ganhamos uma compreensão clara das três á-
reas da ética: a ética aplicada, a ética normativa e a metaética. A ética 
aplicada trata de problemas práticos da ética, como o aborto ou a eutaná-
sia, os direitos dos animais, ou a igualdade. A ética normativa trata de 
estabelecer, com fundamentação filosófica, regras ou códigos de compor-
tamento ético, isto é, teorias éticas de primeira ordem. A metaética é uma 
reflexão sobre a natureza da própria ética: Será a ética objetiva, ou subjeti-
va? Será relativa à cultura ou à história, ou não? 
Em segundo lugar, não ganhamos qualquer compreensão da natureza 
da reflexão filosófica sobre a ética. Não ficamos a saber que tipo de pro-
blemas constitui o objeto de estudo da ética. Nem ficamos a saber muito 
bem o que é a moral. 
Em conclusão, nada ganhamos com esta pretensa distinção. 
Mas, pior, trata-se de uma distinção indistinta, algo que é indefensável e 
que resulta de uma confusão. O comportamento dos seres humanos é 
multifacetado; nós fazemos várias coisas e temos vários costumes e nem 
todas as coisas que fazemos pertencem ao domínio da ética, porque nem 
todas têm significado ético. É por isso que é impossível determinar à partida 
que comportamentos seriam os comportamentos morais, dos quais se 
ocuparia a reflexão ética, e que comportamentos não constituem tal coisa. 
Fazer a distinção entre ética e moral supõe que podemos determinar, sem 
qualquer reflexão ou conceitos éticos prévios, quais dos nossos comporta-
mentos pertencem ao domínio da moral e quais terão de ficar de fora. Mas 
isso é impossível de fazer, pelo que a distinção é confusa e na prática 
indistinta. 
Vejamos um caso concreto: observamos uma comunidade que tem co-
mo regra de comportamento descalçar os sapatos quando vai para o jar-
dim. Isso é um comportamento moral sobre o qual valha a pena reflectir 
eticamente? Como podemos saber? Não podemos. Só podemos determi-
nar se esse comportamento é moral ou não quando já estamos a pensar 
em termos morais. A ideia de que primeiro há comportamentos morais e 
que depois vem o filósofo armado de uma palavra mágica, a "ética", é uma 
fantasia. As pessoas agem e refletem sobre os seus comportamentos e 
consideram que determinados comportamentos são amorais, isto é, estão 
fora do domínio ético, como pregar pregos, e que outros comportamentos 
são morais, isto é, são comportamentos com relevância moral, como fazer 
abortos. E essas práticas e reflexões não estão magicamente separadas da 
reflexão filosófica. A reflexão filosófica é a continuação dessas reflexões. 
Evidentemente, tanto podemos usar as palavras "ética" e "moral" como 
sinônimas, como podemos usá-las como não sinônimas. É irrelevante. O 
importante é saber do que estamos a falar se as usarmos como sinônimas 
e do que estamos a falar quando não as usamos como sinônimas. O pro-
blema didático, que provoca dificuldades a muitos estudantes, é que geral-
mente os autores que fazem a distinção entre moral e ética não conse-
guem, estranhamente, explicar bem qual é a diferença — além de dizer 
coisas vagas como "a ética é mais filosófica". 
Se quisermos usar as palavras "moral" e "ética" como não sinônimas, 
estaremos a usar o termo "moral" unicamente para falar dos costumes e 
códigos de conduta culturais, religiosos, etc., que as pessoas têm. Assim, 
para um católico é imoral tomar a pílula ou fazer um aborto, tal como para 
um muçulmano é imoral uma mulher mostrar a cara em público, para não 
falar nas pernas. Deste ponto de vista, a "moral" não tem qualquer conteú-
do filosófico; é apenas o que as pessoas efetivamente fazem e pensam. A 
ética, pelo contrário, deste ponto de vista, é a disciplina que analisa esses 
comportamentos e crenças, para determinar se eles são ou não aceitáveis 
filosoficamente. Assim, pode dar-se o caso que mostrar a cara em público 
seja imoral, apesar de não ser contrário à ética; pode até dar-se o caso de 
ser anti-ético defender que é imoral mostrar a cara em público e proibir as 
mulheres de o fazer.O problema desta terminologia é que quem quer que tenha a experiên-
cia de escrever sobre assuntos éticos, percebe que ficamos rapidamente 
sem vocabulário. Como se viu acima, tive de escrever "anti-ético", porque 
não podia dizer "imoral". O nosso discurso fica assim mais contorcido e 
menos direto e claro. Quando se considera que "ética" e "moral" são termos 
sinônimos (e etimologicamente são sinônimos, porque são a tradução latina 
e grega uma da outra), resolve-se as coisas de maneira muito mais sim-
ples. Continuamos a fazer a distinção entre os comportamentos das pesso-
as e as suas crenças morais, mas não temos de introduzir o artificialismo 
de dizer que essas crenças morais, enquanto crenças morais, estão corre-
tas, mas enquanto preferências éticas podem estar erradas. Isto só confun-
de as coisas. É muito mais fácil dizer que quem pensa que mostrar a cara é 
imoral está pura e simplesmente enganado, e está a confundir o que é um 
costume religioso ou cultural com o que é defensável. Peter Singer, James 
Rachels, Thomas Nagel, e tantos outros filósofos centrais, usam os termos 
"ética" e "moral" como sinônimos. Para falar dos costumes e códigos religi-
osos, temos precisamente estas expressões muito mais esclarecedoras: 
"costumes" e "códigos religiosos". 
Ética e moralÉtica e moralÉtica e moralÉtica e moral 
Thomas MautnerThomas MautnerThomas MautnerThomas Mautner 
Universidade Nacional da Austrália 
A palavra "ética" relaciona-se com "ethos", que em grego significa hábi-
to ou costume. A palavra é usada em vários sentidos relacionados, que é 
necessário distinguir para evitar confusões. 
1.1.1.1. Em ética normativa, é a investigação racional, ou uma teoria, sobre 
os padrões do correto e incorreto, do bom e do mau, com respeito ao 
caráter e à conduta, que uma classe de indivíduos tem o dever de aceitar. 
Esta classe pode ser a humanidade em geral, mas podemos também 
considerar que a ética médica, a ética empresarial, etc., são corpos de 
padrões que os profissionais em questão devem aceitar e observar. Este 
tipo de investigação e a teoria que daí resulta (a ética kantiana e a utilitaris-
ta são exemplos amplamente conhecidos) não descrevem o modo como as 
pessoas pensam ou se comportam; antes prescrevem o modo como as 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 5
pessoas devem pensar e comportar-se. Por isso se chama ética normativa: 
o seu objetivo principal é formular normas válidas de conduta e de avalia-
ção do caráter. O estudo sobre que normas e padrões gerais são de aplicar 
em situações-problema efetivos chama-se também ética aplicada. Recen-
temente, a expressão "teoria ética" é muitas vezes usada neste sentido. 
Muito do que se chama filosofia moral é ética normativa ou aplicada. 
2.2.2.2. A ética social ou religiosa é um corpo de doutrina que diz respeito o 
que é correto e incorreto, bom e mau, relativamente ao caráter e à conduta. 
Afirma implicitamente que lhe é devida obediência geral. Neste sentido, há, 
por exemplo, uma ética confucionista, cristã, etc. É semelhante à ética 
normativa filosófica ao afirmar a sua validade geral, mas difere dela porque 
não pretende ser estabelecida unicamente com base na investigação 
racional. 
3. 3. 3. 3. A moralidade positiva é um corpo de doutrinas, a que um conjunto de 
indivíduos adere geralmente, que dizem respeito ao que é correto e incorre-
to, bom e mau, com respeito ao caráter e à conduta. Os indivíduos podem 
ser os membros de uma comunidade (por exemplo, a ética dos índios 
Hopi), de uma profissão (certos códigos de honra) ou qualquer outro tipo de 
grupo social. Pode-se contrastar a moralidade positiva com a moralidade 
crítica ou ideal. A moralidade positiva de uma sociedade pode tolerar a 
escravatura, mas a escravatura pode ser considerada intolerável à luz de 
uma teoria que supostamente terá a autoridade da razão (ética normativa) 
ou à luz de uma doutrina que tem o apoio da tradição ou da religião (ética 
social ou religiosa). 
4. 4. 4. 4. Ao estudo a partir do exterior, por assim dizer, de um sistema de 
crenças e práticas de um grupo social também se chama ética, mais espe-
cificamente ética descritiva, dado que um dos seus objetivos principais é 
descrever a ética do grupo. Também se lhe chama por vezes étnoética, e é 
parte das ciências sociais. 
5.5.5.5. Chama-se metaética ou ética analítica a um tipo de investigação ou 
teoria filosófica que se distingue da ética normativa. A metaética tem como 
objeto de investigação filosófica os conceitos, proposições e sistemas de 
crenças éticos. Analisa os conceitos de correto e incorreto, bom e mau, 
com respeito ao caráter e à conduta, assim como conceitos relacionados 
com estes, como, por exemplo, a responsabilidade moral, a virtude, os 
direitos. Inclui também a epistemologia moral: o modo como a verdade ética 
pode ser conhecida (se é que o pode); e a ontologia moral: a questão de 
saber se há uma realidade moral que corresponde às nossas crenças e 
outras atitudes morais. As questões de saber se a moral é subjetiva ou 
objetiva, relativa ou absoluta, e em que sentido o é, pertencem à metaética. 
A palavra "moral" e as suas cognatas refere-se ao que é bom ou mau, 
correto ou incorreto, no caráter ou conduta humana. Mas o bem moral (ou a 
correcção) não é o único tipo de bem; assim, a questão é saber como 
distinguir entre o moral e o não moral. Esta questão é objeto de discussão. 
Algumas respostas são em termos de conteúdo. Uma opinião é que as 
preocupações morais são unicamente as que se relacionam com o sexo. 
Mais plausível é a sugestão de que as questões morais são unicamente as 
que afectam outras pessoas. Mas há teorias (Aristóteles, Hume) que consi-
derariam que mesmo esta demarcação é excessivamente redutora. Outras 
respostas fornecem um critério formal: por exemplo, que as exigências 
morais são as que têm origem em Deus, ou que as exigências morais são 
as que derrotam quaisquer outros tipos de exigências ou, ainda, que os 
juízos morais são universalizáveis. 
A palavra latina "moralis", que é a raíz da palavra portuguesa, foi criada 
por Cícero a partir de "mos" (plural "mores"), que significa costumes, para 
corresponder ao termo grego "ethos" (costumes). É por isso que em muitos 
contextos, mas nem sempre, os termos "moral/ético", "moralidade/ética", 
"filosofia moral/ética" são sinónimos. Mas as duas palavras têm também 
sido usadas para fazer várias distinções: 
1. Hegel contrasta a Moralität (moralidade) com a Sittlichkeit ("eti-
calidade" ou vida ética). Segundo Hegel, a moralidade tem origem em 
Sócrates e foi reforçada com o nascimento do cristianismo, a reforma e 
Kant, e é o que é do interesse do indivíduo autônomo. Apesar de a morali-
dade envolver um cuidado com o bem-estar não apenas de si mas também 
dos outros, deixa muito a desejar por causa da sua incompatibilidade 
potencial com valores sociais estabelecidos e comuns, assim como com os 
costumes e instituições que dão corpo e permitem a manutenção desse 
valores. Viver numa harmonia não forçada com estes valores e instituições 
é a Sittlichkeit, na qual a autonomia do indivíduo, os direitos da consciência 
individual, são reconhecidos mas devidamente restringidos; 
2. De modo análogo, alguns autores mais recentes usam a palavra 
"moralidade" para designar um tipo especial de ética. Bernard Williams 
(Ethics and the Limits of Philosophy, 1985), por exemplo, argumenta que "a 
instituição da moralidade" encara os padrões e normas éticas como se 
fossem semelhantes a regras legais, tornando-se por isso a obediência ao 
dever a única virtude genuína. Esta é uma perspectiva que, na sua opinião, 
deve ser abandonada a favor de uma abordagem da vida ética menosmoralista e mais humana e sem restrições; 
3. Habermas, por outro lado, faz uma distinção que está também 
implícita na Teoria da Justiça de Rawls entre ética, que tem a ver com a 
vida boa (que não é o mesmo para todas as pessoas), e a moralidade, que 
tem a ver com a dimensão social da vida humana e portanto com princípios 
de conduta que podem ter aplicação universal. A ética ocupa-se da vida 
boa, a moralidade da conduta correta. 
Thomas MautnerThomas MautnerThomas MautnerThomas Mautner 
Tradução e adaptação de Desidério Murcho 
Retirado de Dictionary of Philosophy, org. por Thomas Mautner (Penguin, 
2005) 
Princípios e Valores Éticos. Princípios e Valores Éticos. Princípios e Valores Éticos. Princípios e Valores Éticos. 
Difundindo princípios e conceitos éticosDifundindo princípios e conceitos éticosDifundindo princípios e conceitos éticosDifundindo princípios e conceitos éticos 
 Milton Emílio VivanMilton Emílio VivanMilton Emílio VivanMilton Emílio Vivan 
Rotary Club de São Paulo-Pacaembu, D.4610, desenvolveu no ano rotário 
2003-04 um projeto de difusão de princípios e conceitos éticos. O projeto 
procura responder a uma das frases mais relevantes de Paul Harris: “O 
Rotary continuará a ser caridoso, mas pode fazer mais do que isso: faça-
mos com que o Rotary extermine a causa que faz necessária a caridade”. A 
que se referia Paul Harris? Após profunda reflexão, por vários caminhos, 
surgiu a resposta: a maior vivência dos preceitos éticos. Assim nasceu a 
idéia do projeto. O primeiro passo foi a escolha de conceitos simples, de 
fácil mas ampla aplicação, e profundos em sua essência. Resultou na 
escolha dos princípios da universalidade e do respeito enunciados por 
Emmanuel Kant. 
 Princípios da universalidade e do respeito de KantPrincípios da universalidade e do respeito de KantPrincípios da universalidade e do respeito de KantPrincípios da universalidade e do respeito de Kant 
 Princípio da Universalidade: quando você quiser saber se uma ação é 
ética ou não, suponha que essa ação se tornará um padrão universal de 
comportamento, ou seja, a partir de agora, esse será o modelo de compor-
tamento. Imagine, então, todos agindo dessa forma. 
 Se não gostar de viver numa sociedade com todas as pessoas agindo 
dessa forma, pode-se concluir que a ação em questão não é ética. 
 Em resumo, a pergunta é: e se todos agissem assim? Princípio do Res-
peito: todo ser humano deve ser considerado como um fim em si mesmo. 
Os aspectos que mais caracterizam o Princípio do Respeito são: 
 • Não negar informações pertinentes e 
 • Permitir-lhe liberdade de escolha. 
 Em todos os boletins semanais do clube esses princípios foram citados. 
Durante o ano, em todos eles foram incluídas perguntas e respostas sobre 
a aplicação prática desses dois princípios. Ao final, foram enunciadas e 
respondidas 100 perguntas, as quais foram englobadas em um livro que foi 
distribuído na Conferência Distrital do D.4610. A comunidade foi atingida 
pela inserção em jornais de bairro. Para que o projeto alcançasse o âmbito 
mundial, foi criado o boletim Stadium International, que foi enviado para 
mais de 600 clubes no mundo e que veiculou os dois princípios de Kant 
enunciados em português, inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, 
japonês e hindi. Algumas dessas versões foram feitas por clubes do exteri-
or, por solicitação do RCSP-Pacaembu, como sinal de engajamento no 
projeto. 
 A acolhida tem sido excepcional. Governadores incluíram em suas cartas 
mensais os dois princípios e incentivaram seus presidentes a se envolve-
rem no projeto. 
 InflInflInflInfluência do “estado da arte” sobre a éticauência do “estado da arte” sobre a éticauência do “estado da arte” sobre a éticauência do “estado da arte” sobre a ética 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 6
 Para sabermos se uma ação é benéfica a toda sociedade, é necessário 
que se conheçam adequadamente as conseqüências dessa ação sobre a 
sociedade. Nos casos onde o estado da arte do assunto em questão não 
atingiu um grau de maturidade suficiente para conclusões seguras e corre-
tas, não se pode concluir se a ação é ou não ética. Leonardo da Vinci era 
criticado por ter iniciado a dissecação de cadáveres, mas sem essa prática 
a medicina jamais conseguiria atingir o grau de evolução atual. Hoje vemos 
que sua atitude era ética, apesar de que, naquela época, alguns o critica-
vam injustamente, principalmente por ignorância de origem religiosa ou 
simplesmente técnica. 
 Quando uma ação é ou não é éticaQuando uma ação é ou não é éticaQuando uma ação é ou não é éticaQuando uma ação é ou não é ética 
 Não é difícil diferenciar o que é e o que não é benéfico para uma socie-
dade. Mas em alguns casos, onde o conhecimento humano do estado da 
arte não atingiu um nível adequado, a decisão sobre se uma ação é ou não 
ética ficará prejudicada. Estão claramente nesse rol a clonagem de seres 
humanos, o plantio de alimentos transgênicos etc. Outras ações como a 
eutanásia, em certas circunstâncias, o aborto em determinadas situações, a 
prisão perpétua ou a pena de morte de alguns crimes também podem 
carecer de maior conhecimento humano se desconsiderarmos os preceitos 
religiosos, pois ainda não sabemos cientificamente a partir de que momento 
existe ou deixa de existir a vida, a alma, o espírito ou a capacidade de 
regeneração de um ser humano. 
 Meio ambiente e a éticaMeio ambiente e a éticaMeio ambiente e a éticaMeio ambiente e a ética 
 Como a ética está umbilicalmente ligada à obtenção de melhores condi-
ções da vida em sociedade, a preservação e melhoria das condições do 
meio ambiente são itens dos mais importantes para as gerações futuras. 
Portanto, uma indústria que solta poluentes em um rio, o carro que emite 
gases que poluem o ar por estar desregulado, empresas que produzem 
materiais não-biodegradáveis ou que ataquem a camada de ozônio etc não 
estão agindo de forma ética, pois estarão comprometendo a qualidade de 
vida das gerações e sociedades futuras. 
 Uma ação egoísta, porém éticaUma ação egoísta, porém éticaUma ação egoísta, porém éticaUma ação egoísta, porém ética 
 Imagine a criação de um empreendimento de sucesso, com ótimos resul-
tados aos investidores, mas que também permita empregar centenas de 
trabalhadores, inserindo-os socialmente e permitindo-lhes que exerçam 
plenamente a cidadania. Esta ação, por ser benéfica à sociedade, é consi-
derada uma ação ética. Imagine um local onde ocorra seca periodicamente 
no Nordeste brasileiro. Um empreendedor investe num projeto de irrigação 
e cria um pólo produtor de frutas que emprega centenas de famílias. Supo-
nha que esse empreendimento tenha enorme sucesso, com produtos de 
ótima qualidade e preços competitivos. 
 Admita que as condições de trabalho sejam adequadas, e que os traba-
lhadores possam educar seus filhos e contar com assistência médica, ter à 
disposição transportes, lazer e segurança, enfim, que tenham o necessário 
para que possam exercer com plenitude a cidadania. A ação desse empre-
endedor será uma ação ética, pois resultará em benefício para toda a 
sociedade. Fatos como esse podem ocorrer no campo, em qualquer cidade 
e em qualquer metrópole. 
 Ações legais porém nãoAções legais porém nãoAções legais porém nãoAções legais porém não----éticaséticaséticaséticas 
 Toda lei que não beneficie a sociedade será uma ação não-ética. Leis 
incompetentes ou leis que venham a beneficiar grupos em prejuízo de toda 
uma sociedade gerarão ações legais, mas não-éticas. Esse tipo de ação é 
bastante comum quando grupos julgam legítimo defender seus interesses 
corporativos,mesmo quando em detrimento do interesse da sociedade. 
Não são raras as ações desse tipo em todas as casas onde se legisla, seja 
nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara de Depu-
tados, Senado Federal e até em Associações de Normas Técnicas. Nestas 
últimas, interesses corporativos podem pugnar por maiores tolerâncias, 
incompatíveis com requisitos de qualidade etc. Esses interesses corporati-
vos procuram se cercar de garantias que diminuam os riscos de prejuízo, 
não pela competência e maior qualidade dos produtos, mas pela mudança 
nos parâmetros de controle. Ações legais e não-éticas também podem ter 
origem na corrupção, na omissão de pessoas ou instituições, mas também 
simplesmente em ações não-competentes. Um exemplo é o caso de situa-
ções geradas por governos que endividam seus países em níveis incompa-
tíveis com a capacidade de pagamento, obrigando ao envolvimento em 
dívidas monstruosas, quase que impagáveis, e que obrigam esses gover-
nos a empenharem vultosas quantias que, em princípio, deveriam ser 
investidas em benefício da população. Outro exemplo é o caso da cobrança 
exagerada de impostos que, apesar de legal, pode se tornar não-ética 
quando sufocar os meios de produção de uma sociedade. 
 Comportamentos éticos aplicáveis universalmenteComportamentos éticos aplicáveis universalmenteComportamentos éticos aplicáveis universalmenteComportamentos éticos aplicáveis universalmente 
 • A compaixão, relacionada com a ajuda ao próximo; 
 • A não-maleficência, que trata de evitar a imposição de sofrimento ou 
privação ao próximo; 
 • A beneficência, que procura prevenir e combater o sofrimento do próxi-
mo, promover a felicidade do próximo, e com natural e maior intensidade à 
nossa família e amigos; 
 • A imparcialidade: tratar as pessoas da forma como merecem ser trata-
das, tendo direitos iguais até que o mérito ou necessidades justifiquem 
tratamento especial; 
 • A coragem para se opor a injustiças, mesmo que em prejuízo próprio; 
 • O respeito à autonomia individual: não manipular ou induzir o pensa-
mento das pessoas, mesmo que para o próprio bem delas; 
 • A honestidade: não enganar as pessoas. A mentira é um vício, especi-
almente quanto à supervalorização das próprias capacidades. Acostume-se 
a saber que as pessoas merecem saber a verdade; 
 • Não fazer promessas que não pretende ou que sabe que dificilmente 
conseguirá cumprir; 
 • Integridade: cumprir com as obrigações, mesmo que a despeito de 
inconveniência pessoal. 
 • Consistência. Pode-se medir o valor moral de um ser humano pela 
consistência de suas ações. Essa medida tem maior qualidade quando 
princípios conflitam com interesses. 
 Como a televisão poderia servir como difusor desses priComo a televisão poderia servir como difusor desses priComo a televisão poderia servir como difusor desses priComo a televisão poderia servir como difusor desses prinnnncípios e cocípios e cocípios e cocípios e con-n-n-n-
ceitos?ceitos?ceitos?ceitos? 
 A televisão é claramente subutilizada socialmente nesse aspecto. As 
telenovelas poderiam conter episódios que didaticamente mostrassem as 
conseqüências benéficas de atitudes éticas à sociedade. Nos esportes 
poderiam ser ressaltados, valorizados e premiados os comportamentos 
mais adequados. Reconhecimentos profissionais em âmbito nacional a 
entidades e pessoas que se destacaram em suas funções e objetivos, 
observando os princípios éticos. Programas dominicais poderiam apresen-
tar quadros específicos a esse respeito. Pequenas histórias e séries pode-
riam conter temas que focalizassem um determinado assunto sob o ponto 
de vista ético. Programas de entrevista poderiam dar ênfase a comporta-
mentos a serem imitados. Prêmios poderiam ser oferecidos a comporta-
mentos exemplares, programas de perguntas e respostas poderiam dar 
ênfase aos princípios e conceitos éticos, enfim, em quase todos os tipos de 
programas há uma forma de incluir conceitos éticos. 
 A ética na formação moral de uma naçãoA ética na formação moral de uma naçãoA ética na formação moral de uma naçãoA ética na formação moral de uma nação 
 Pode-se constatar que há pessoas bastante cultas, educadas, formadas 
pelas melhores escolas do Brasil ou até do exterior que não se preocupam 
com a vida em comunidade, ou seja, não têm a necessária sensibilidade 
ética. Por outro lado, um analfabeto pode ser tão ou mais ético que um 
doutor se suas ações forem pautadas pelo respeito ao que é de todos. Não 
é necessário ser alfabetizado para se compreender e viver os valores 
éticos. Basta que a cabeça seja aberta e não fechada em seus próprios 
interesses. 
 A ética no RotaryA ética no RotaryA ética no RotaryA ética no Rotary 
 A difusão de princípios e conceitos éticos é, sem dúvida, um dos objetivos 
do Rotary. O comportamento ético está diagnosticado como remédio ade-
quado para quaisquer países de todos os continentes: grandes potências, 
países ricos, emergentes, carentes e pobres. Uma instituição como o 
Rotary, de âmbito internacional, tem vocação inerente para ser a portadora 
da bandeira da difusão dos princípios éticos. Esse projeto custa muito 
pouco comparado com os existentes, e os frutos serão colhidos em todas 
as áreas, com benefício incomensurável para todos os seres humanos. 
 Relação entre a ética e a religiãoRelação entre a ética e a religiãoRelação entre a ética e a religiãoRelação entre a ética e a religião 
 Não importa de que religião somos, no que, em que e como cremos: 
podemos sempre nos empenhar na prática do bem. Isso não contradiz 
qualquer religião. Se nossas ações visam ao empenho pela prática do bem 
da sociedade, nossas ações cumprem a meta de cada religião. É pela 
prática verdadeira em sua vida diária que o homem cumpre de fato a meta 
de toda religião, qualquer que seja ela, qualquer nome que tenha. Se 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 7
acreditamos na prática do bem independente de quaisquer recompensas, 
imediatas ou futuras, cumprimos ainda melhor essa missão. 
 Relação entre ética e políticaRelação entre ética e políticaRelação entre ética e políticaRelação entre ética e política 
 Ética e política se entrelaçam e se confundem em seu significado mais 
profundo. A ética está profundamente ligada com a vida em sociedade. 
Ações éticas implicam em ações que beneficiam a comunidade. 
 Na política deve prevalecer o interesse da sociedade como um todo, e 
não o de uma minoria privilegiada com acesso ao poder. Um bom político é 
aquele que consegue melhorar as condições de vida de seu povo. Assim 
ele será ético. Um deputado que cria leis que não beneficiam seu povo ou 
que beneficiam a poucos criará uma ação que, apesar de legal, será não-
ética. A criação de novos impostos que venham a sufocar a economia são 
ações tipicamente não-éticas. A outorga de benefícios imerecidos e injustos 
também são ações não-éticas. Não basta aos políticos terem boas inten-
ções ou boa vontade. Também é necessário ter competência. Para os 
políticos, a prática da ética está intimamente relacionada com a sua compe-
tência profissional. 
 O problema é que, para os políticos, mesmo que queiram, não é fácil 
praticar a ética. Soluções simples e surradas muitas vezes não bastam. É 
necessário criatividade, inteligência, arrojo e coragem para encontrar solu-
ções competentes e, portanto, éticas, que vão realmente beneficiar a socie-
dade. Uma casa legislativa onde se criam leis ineficazes será uma fonte de 
ações não-éticas, mas legais. 
 Relação entre ética e justiçaRelação entre ética e justiçaRelação entre ética e justiçaRelação entre ética e justiça 
 Numa sociedadeética é fundamental que todos tenham, apesar das 
diferenças individuais, no mínimo, as mesmas oportunidades para viver 
com plenitude a cidadania. O desenvolvimento de suas capacidades será 
função de suas habilidades e vocações, de sua disciplina e talento. A 
desigualdade social deve ser a mínima aceitável de modo a garantir ao 
mais humilde o essencial para que possa ter acesso à cidadania: saúde, 
educação, transporte e segurança. A justiça deve agir no sentido de asse-
gurar que cada indivíduo da sociedade tenha o que realmente merece, 
principalmente do ponto de vista distributivo, em função do mérito, mas 
também do ponto de vista corretivo, em função do dano causado. Uma 
justiça eficiente permite que a sociedade viva de forma mais estável, har-
moniosa, com paz e, portanto, mais feliz, atingindo assim os objetivos de 
uma sociedade ética. Numa sociedade justa, até o mérito do sucesso tem 
maior valor. O mérito, quando legítimo, não pode ter limites. Isso induz e 
incentiva a prática do bem, das boas ações, facilitando o alcance da felici-
dade comum. 
 A corrupção, os conluios e acertos visando aos privilégios que sabotam a 
ação da justiça e que visam à certeza da impunidade devem ser encarados 
como vícios e imperfeições da sociedade, que não podem ser tolerados. 
 Relação entre a ética e a malandrageRelação entre a ética e a malandrageRelação entre a ética e a malandrageRelação entre a ética e a malandragem e o otáriom e o otáriom e o otáriom e o otário 
 Em nosso país, inclusive na TV, é comum a valorização e a banalização 
do termo “malandro”. Malandro assume então o significado de esperto, o 
que leva vantagem. Mas é impossível dissociar que malandro também 
significa trapaceiro, velhaco. 
 Otário é o que se deixa enganar pela esperteza, pela trapaça do velhaco. 
Assim é comum ver-se a figura do malandro, do que procura levar vanta-
gem em tudo, ser valorizada em detrimento de um comportamento condi-
zente com a vida em sociedade, que sequer é lembrado – e muitas vezes 
até rejeitado – pelos mais insuspeitos cidadãos. É lamentável a falta de 
sensibilidade de quem de fato ou de direito deveria corrigir essas atitudes 
que deformam o caráter dos indivíduos, mas principalmente de nossa 
mocidade. 
 A existência de um malandro sempre supõe a existência de um otário que 
foi enganado. A malandragem que visa a obtenção de alguma vantagem 
para si ou para outrem, mesmo que independente dos meios, e com o 
mínimo esforço possível, é evidentemente incompatível com a vida em 
sociedade. Esse conceito deve ser rejeitado com veemência e não tolerado. 
O mérito e o valor da conquista com disciplina e talento devem ser valoriza-
dos. Não se pode pretender uma sociedade ética ou justa quando se valori-
za o comportamento do malandro. 
Fórum Social Mundial Fórum Social Mundial Fórum Social Mundial Fórum Social Mundial –––– a reinvenção da democra reinvenção da democra reinvenção da democra reinvenção da democraaaacia (1)cia (1)cia (1)cia (1) 
*Cândido Grzybowski 
 
Desde a sua primeira edição em 2001, o Fórum Social Mundial (FSM) 
vem sendo um espaço privilegiado de mobilização e encontro da diversida-
de de movimentos sociais, organizações, suas redes, campanhas e coali-
zões que se opõem à globalização econômica e financeira dominante. A 
especificidade e força agregadora do FSM decorrem da sua capacidade de 
fazer com que tamanha heterogeneidade de atores sociais – em termos 
sociais, culturais e geográficos – acreditem em si mesmos e na possibilida-
de de transformar e reconstruir o mundo. Com a globalização dominante a 
maior parte da humanidade está sendo deixada de lado, como um exceden-
te descartável. Com o FSM as pessoas mais simples redescobrem o seu 
valor fundamental como membros da comunidade humana e cidadãs 
construtoras de sociedades, das culturas, dos poderes, das economias. 
Sentir-se produzindo e reproduzindo a vida é a esperança que nasce no 
Fórum. Seu desafio maior é repolitizar a vida para que outro mundo seja 
possível diante da homogeneidade concentradora de riquezas, socialmente 
excludente e ambientalmente destrutiva da globalização feita por e ao 
serviço das grandes corporações. 
 
Meu olhar sobre o FSM decorre da minha própria inserção social e polí-
tica em sua promoção. Nesse sentido, faço aqui um exercício engajado do 
livre pensar, um misto de testemunho e de reflexão estratégica sobre os 
possíveis rumos em que, como participantes diversos e plurais, podemos 
avançar com o FSM e seu impacto sobre as instituições multilaterais e os 
Estados. Minha perspectiva não é partir do poder econômico e político 
constituído e sim do processo e das condições para que os cidadãos e as 
cidadãs do mundo estejam no centro, controlando o poder e os mercados 
globais. 
 
1. O Fórum Social Mundial como canteiro de obras da cidadania mundi-
al 
 
Em sua origem, o FSM se constituiu no contrapé do Fórum Econômico 
Mundial, nos mesmos dias, exatamente para marcar os lados opostos 
gerados pelas globalização dominante. Fóruns opostos no tempo e no 
lugar, um velho de mais de 30 anos, outro recém começando a irrupção na 
história; um numa luxuosa estação de esqui, em Davos, isolado pela polí-
cia, o outro na planície de Porto Alegre, a cidade com história de participa-
ção popular na gestão pública. Mas não podemos iludir-nos, são opostos 
que exprimem o mundo globalizado de hoje. A globalização que combate-
mos nos transformou, pelo pior caminho possível, em uma comunidade 
humana planetária interdependente. Este é o ponto de partida: a transfor-
mação que a globalização produziu em nossas condições de vida no Plane-
ta. Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer que não basta e até é 
impossível democratizar esta globalização, dar-lhe uma face mais humana 
e sustentável. A tarefa que se nos impõe é de refundação democrática de 
um mundo interdependente, de gente para gente, compartindo bens co-
muns entre todos os povos, com todos os direitos humanos garantidos a 
todos os seres humanos, com igualdade no respeito à diversidade social e 
cultural. 
 
Antes do FSM, já nos 80, com a crise da dívida e a ascensão de Marga-
reth Thatcher e Ronald Reagan, mas especialmente durante os anos 90 do 
século XX, foram inúmeras as insurreições de movimentos sociais e organi-
zações contra a avassaladora globalização neoliberal imposta ao mundo. O 
palco principal das manifestações foram as reuniões do G-7, as assembléi-
as do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as roda-
das de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). De forma 
espetacular, desenvolveram-se redes temáticas regionais e mundiais: 
dívida, agricultura, comércio, meio ambiente, cooperação, direitos huma-
nos, educação, comunicação etc. Novos sujeitos foram se mundializando e 
se consolidando: os movimentos feministas, ambientalistas, dos povos 
indígenas, dos sem terra e camponeses, de trabalhadores migrantes, dos 
sem teto, movimentos contra o apartheid, todos com um emergente dimen-
são planetária, tanto na sua própria identidade social e raio de atuação 
como na solidariedade que foram despertando. Mas não havia uma encruzi-
lhada, um espaço de encontro do conjunto destas novas forças sociais e 
delas com os já mais históricos atores internacionalizados, como o movi-
mento operário e sindical. A grande insurreição nas ruas de Seattle, em fins 
de 1999, foi um empurrão decisivo para a emergência de algo inteiramente 
novo. 
 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 8
A novidade do FSM é de criar o espaço para que a diversidade de ato-
res se encontre, se reconheça, troque práticas, experiências e análises, se 
articule e crie novas redes, coalizõese campanhas. Enfim, o FSM surge 
como expressão de uma demanda contida da emergente cidadania planetá-
ria no sentido de pensar todos e todas juntos as possíveis ações de trans-
formação da ordem global existente. Desde o seu nascedouro, o FSM se 
impôs o respeito à diversidade e ao pluralismo como condição de sua 
própria existência e de enfrentamento do pensamento único, homogêneo e 
redutor, da globalização neoliberal.] 
 
De minha perspectiva, ainda não criamos alternativas estruturantes em 
face da globalização dominante. Isto é uma tarefa coletiva de longa dura-
ção. Temos apenas 5 anos! Mas despertamos um poderoso movimento de 
idéias, que alimenta o sonho, a utopia, a esperança e faz a emergente 
cidadania do mundo agir. Além disto, com o FSM, quebramos a arrogância 
dos pregadores do neoliberalismo e demonstramos o quanto de autorita-
rismo, de militarização e de guerra, de exclusão e intolerância, de anti-
humano são portadores os processos globais, centrados nos mercados e 
na força política e militar que os sustenta. 
 
É uma nova cultura política que pode se desenvolver a partir do proces-
so que o FSM despertou. A multiplicação de fóruns regionais, nacionais, 
locais e temáticos alimenta o movimento de idéias de que outros mundos 
são possíveis, lhe dá novas facetas e engrossa a adesão de sujeitos sociais 
os mais diversos social, cultural e geograficamente. Se isso ainda não se 
traduz em uma nova institucionalidade política, certamente cria o terreno 
propício para um repensar da política e do espaço público, do local até o 
poder global e suas instituições. O FSM, como espaço aberto à diversidade 
e aceitando as divergências, engendra um novo modo de fazer política. 
Como força propulsora, difusa mas poderosa, que vai além dos que se 
encontram nos eventos do FSM, há que se reconhecer, de um lado, uma 
consciência da comum humanidade na diversidade que nos caracteriza 
como seres humanos. De outro, não dá para subestimar o poder mobiliza-
dor e transformador da consciência dos bens comuns fundamentais à vida 
no Planeta que temos, sejam os frágeis e finitos como são os bens naturais, 
a atmosfera, a biodiversidade, sejam as conquistas humanas como o saber, 
as línguas e a cultura em geral. Consciência aliada a um resgate da ação 
cidadã como prática central na transformação das situações e no desenvol-
vimento humano, democrático e sustentável. Ação que necessariamente se 
concretiza localmente, lá onde vivemos, mas que é impregnada de univer-
salismo, busca ser planetária no seu sentido humano e alcance político. 
 
2. Desafios e tarefas para que o FSM contribua e reforce a capacidade 
da emergente cidadania planetária no sentido de uma democratização 
radical do mundo 
 
O FSM não é, em si mesmo, um movimento político, mas um espaço 
aberto para a reconquista da política em seu sentido mais pleno. Sua força 
reside nas múltiplas contradições que comporta, permitindo que elas se 
exprimam em seu espaço como livre prática de busca de cada participante, 
cada organização e cada movimento, cada rede e cada campanha, da mais 
simples à mais complexa e extensa. O FSM pode fortalecer a cidadania que 
nele se encontra, dialoga e confronta em busca de alternativas à 
(des)ordem global vigente, sem, no entanto, se tornar, ele mesmo, uma 
organização que aponta a direção a seguir. Formação de alianças e de 
novas redes, decisões sobre campanhas as mais amplas e mobilizadoras 
possíveis, disputas de hegemonia, desencontros em meio a muitos encon-
tros, tendo no centro o pensar as alternativas para o mundo global que 
temos, dão vida ao FSM. Enquanto ele conseguir ser espaço do diverso e 
da pluralidade, tendo por base os princípios e valores éticos compartidos 
que nos dá a dupla consciência da humanidade e dos bens comuns a 
preservar para todos os seres do Planeta, o FSM vai continuar sendo uma 
das alavancas da cidadania mundial. 
 
Isso não me impede de ver enormes desafios e tarefas que se colocam 
para todos e todas que participamos do FSM como espaço aberto. Inven-
tamos o FSM em um momento datado e situado neste começo do século 
XXI, em plena exacerbação da lógica do terror e da guerra, do acirramento 
do unilateralismo dos EUA, de crise e até falência da democracia represen-
tativa, com crescimento de uma enorme brecha entre as instituições políti-
cas e as demandas da cidadania, de continuidade da concentração de 
riquezas, da exclusão social e da destruição da base da vida. O FSM é 
tensionado pelos desafios do aqui e agora, precisa criar condições para um 
pensamento novo e um acúmulo estratégico, que leve a emergente cidada-
nia mundial a fortalecer a sua capacidade de ação política. O FSM precisa 
ser um espaço que contribua para imaginar o mundo, reinventar o método 
de ação e estimular a intervenção concreta nos processos de globalização 
em curso. É possível apontar algumas tarefas incontornáveis para respon-
der aos desafios que temos pela frente. Não se trata de um plano de ação 
do FSM – simplesmente porque ele não tem e nem pode ter planos de ação 
como espaço aberto – mas é o que recolho como seu participante, como 
analista, ativista e dirigente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e 
Econômicas (Ibase). 
 
a) Imaginar o mundoImaginar o mundoImaginar o mundoImaginar o mundo 
 
Trata-se de alimentar uma ousada busca dos projetos possíveis de ou-
tros mundos como alternativa. Um novo ideal, em suma. Aí vejo como uma 
primeira tarefa essencial a reflexão sobre a democracia como referência 
estratégica, com crítica ao modelo liberal e às formulas institucionais atuais. 
Como trazer ao centro do embate e da construção democrática a idéia força 
da diversidade de sujeitos em sua igualdade e com as práticas mais libertá-
rias possíveis? Como incorporar os princípios e valores éticos fundantes da 
democracia – a base da universalidade – como referência para todas as 
relações humanas: familiares, sociais, culturais, econômicas, técnicas, 
políticas, entre os povos, entre os Estados? Incorporar o fundamento ético 
na visão estratégica da democracia representa uma mudança política e 
filosófica fundamental, que aponta para a possibilidade de uma nova cultura 
política da emergente cidadania planetária. Ele não abandona e nem des-
valoriza o embate ideológico, vital para a política democrática, mas delimita 
o seu lugar e as suas referências comuns. Dele decorre, também, uma 
visão que pensa os direitos como relação, como qualidade das relações 
sociais, onde direitos para serem direitos e não privilégios devem ser de 
todos e todas e onde direitos comportam responsabilidades. Com base em 
tais princípios e valores, é possível pensar na universalidade da democracia 
como referência para outros mundos. Mas isso implica para o FSM, como 
tarefa de fortalecimento da cidadania mundial, ser um espaço que favoreça 
o diálogo entre culturas, entre sujeitos sociais diversos, entre visões e 
perspectivas diferentes e divergentes, diálogo como condição para que o 
possível seja imaginado, pensado e formulado como proposta. 
 
Muitas outros desafios e tarefas surgem neste processo de imaginar o 
mundo. Precisamos superar o déficit conceitual, de teorização e de atribui-
ção de significados com o qual enfrentamos a globalização dominante. Não 
podemos ficar enquadrados para pensar o mundo pelos conceitos que nos 
são impostos pela ideologia neoliberal e sua visão da globalização – ela 
mesma um conceito que esconde a lógica de dominação que a engendrou. 
Nem são mais suficientes os conceitos e teorias das escolas de pensamen-
to e ação da esquerda superadas pela própria história. O caminho é radica-
lizar a crítica ao capitalismo e à globalização que ele alimenta, em todas as 
suas formas e processos. 
 
Precisamos reinventar o desenvolvimento como conceito e como mode-
lo, libertando-o do produtivismo, do tecnicismo e consumismoque decorrem 
de sua estreita e praticamente exclusiva associação com crescimento 
econômico. Isso implica, também, uma revisão do paradigma científico e de 
sua falsa objetividade, negadora da vida com tudo de subjetivo que ela tem. 
Precisamos conseguir pensar e imaginar o futuro humano livre da idéia de 
progresso material no padrão industrial e de consumo dos atuais países 
desenvolvidos, porque insustentável ambientalmente e excludente social-
mente. Imaginar outro mundo é resgatar o trabalho como criador de vida, 
de produção e reprodução da vida. E, ainda, relocalizar as economias para 
que tenham dimensão sustentável, segundo as possibilidades da base 
natural, e sejam humanas e justas socialmente, produtoras de bens e 
serviços para gente antes de serem para mercados. Isto implica em aceitar 
o desafio de pensar o lugar das relações mercantis e da regulação, media-
das pela negociação democrática. 
 
Imaginar o mundo tendo como referente estratégico a democracia é dar-
se a tarefa de pensar a ação e o espaço público em todas as esferas da 
vida. Sem dúvida, as instituições de poder e de Estado precisam ser redefi-
nidas para que as demandas e a participação cidadã sejam a força de 
legitimação e legalização de direitos e deveres. Isto do local ao global, 
segundo princípios de soberania e autonomia cidadã, de subsidiariedade e 
complementariedade de poderes, de multilateralismo e solidariedade entre 
povos.] 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 9
 
b) Inventar o métodoInventar o métodoInventar o métodoInventar o método 
 
Um outro grande desafio para o FSM é contribuir para o desenvolvimen-
to de um novo modo de fazer política. Com que método construir a cidada-
nia ativa mundial? Como o respeito aos princípios e valores democráticos, 
valorizando a diversidade social e cultural e respeitando a pluralidade de 
visões e idéias, pode ser traduzido em um método de ação? A partir do que 
já se pratica no FSM, parece fundamental que convergências e divergên-
cias – como tantas outras convergências, ao seu modo – tenham condições 
de se expressar no espaço do fórum. Ou seja, não se trata de buscar o 
mínimo denominador comum, redutor e excludente, mas de valorizar a 
diversidade de possibilidades, onde nenhuma possibilidade possa negar as 
outra e nem seja levada a se submeter à qualquer uma outra. 
 
Um tal princípio metodológico para a prática política nova que se quer 
implementar recoloca o problema da articulação, das alianças e coalizões, 
da formação de blocos de forças, condição indispensável nas democracias. 
Como formar hegemonias na diversidade de sujeitos e forças, sem prota-
gonismos? Respostas a priori não existem, precisam ser criadas. O ponto 
de partida é o reconhecimento da legitimidade e, até, da necessidade vital 
de conflitos e disputas para a democracia. As democracias se movem pela 
luta social, desde que sejam respeitados os princípios éticos fundantes 
pelas forças em confronto. Isso significa eleger metodologicamente a ação 
política, o pensar a ação e para a ação. Significa, também, reconhecer e 
respeitar os outros sujeitos, com eles se pondo em ação, em diálogo, em 
troca. 
 
Na prática, o FSM é desafiado a promover o mais radical diálogo entre 
movimentos sociais e organizações, num processo intra eles, superando 
barreiras culturais, geográficas e nacionais, e num processo inter diferentes 
movimentos e organizações, buscando as convergências e divergências. A 
questão metodológica e política aqui é da tradução, no sentido que lhe dá 
Boaventura Souza Santos. Vai na mesma direção a necessidade para o 
FSM de ser cada vez mais mundial, mais espaço da cidadania mundial, 
penetrando em todas as sociedades no Sul e no Norte, no Oeste e no 
Leste, atravessando tradições civilizatórias, religiões, filosofias e culturas as 
mais diversas. E um desafio ainda maior: tornar visíveis os hoje invisíveis 
social e politicamente para o mundo. Sem dúvida, muitas das questões aqui 
levantadas já tem soluções práticas, só que muito localizadas, fragmenta-
das, não sistematizadas. Permitir que isto venha à luz e se potencialize, 
tornando-se um modo de operar capaz de levar a cidadania a uma nova 
cultura política é a tarefa essencial do FSM. Temos muito a aprender a este 
respeito. A experiência de construir um programa de trabalho a partir de 
baixo, de estimular o encontro e articulação, aglutinação até, está em curso 
no FSM, mas é uma árdua e paciente tarefa. Temos hoje mais dispersão e 
confusão do que diversidade construída naquilo que mostramos nos nossos 
eventos. Mas é o caminho. 
 
c) Intervir concretamenteIntervir concretamenteIntervir concretamenteIntervir concretamente 
 
O FSM, em si mesmo, não tem capacidade de intervenção. Sua inci-
dência política se faz através do que decidem seus e suas participantes. 
Porém, voltado a fortalecer a emergente cidadania planetária, pensando a 
ação e para a ação política, o FSM acaba sendo um espaço aberto para a 
constituição de novas redes e coalizões visando a formulação de campa-
nhas, a promoção de mobilizações e demonstrações, a seleção de possí-
veis estratégias de influência no debate público, nas diferentes sociedades 
e espaços, nas conjunturas que se apresentam. Como espaço público 
aberto à cidadania mundial, o FSM é atravessado pela necessidade de agir 
aqui e agora sentida por quem dele participa. Vejo isto como um enorme 
desafio. 
 
Os temas mais prementes para participantes do FSM, como os vejo de 
onde me situo, são: 
 
· a necessidade de radicalizar a ruptura com e de se contrapor à ideologia e 
às visões da globalização neoliberal; 
· o aprofundamento da análise da lógica de funcionamento e da estratégia 
das grandes corporações e do capital financeiro, com denúncia de suas 
violações de direitos e de destruição das condições de vida; 
· a mercantilização de todas as relações sociais, a privatização de bens 
comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados, a 
desregulação e liberalização em nome do livre mercado; 
· o poder, concentrado e obscuro, das organizações globais, especialmente 
das organizações financeiras e comerciais, longe do controle da cidadania 
e dos povos; 
· a lógica do terror e da guerra, a crescente militarização e a ameaça à paz 
e soberania dos povos; 
· o perigo do unilateralismo crescente e do imperialismo, a necessidade de 
reconstrução do multilateralismo e da governança mundial para a paz. 
 
São todos temas cruciais em que de algum modo a cidadania mun-
dial já está envolvida, precisando dar respostas. Muitos outros podem ser 
arrolados aqui. Ative-me àqueles que mais diretamente se referem ao 
enfrentamento da globalização dominante. Todos estes temas já são deba-
tidos no FSM. A tarefa urgente é pensá-los mais associados às ações e, ao 
mesmo tempo, sem que acabem marginalizando os outros grandes desafi-
os que a emergente cidadania planetária tem pela frente. 
 
3. O FSM 2006: o desafio da expansão e mundialização 
Desde o começo, em 2001, a vocação mundial e universalista do 
FSM é posta à prova. Sua vitalidade depende de sempre estar colado às 
múltiplas realidades sociais e culturais, econômicas e ambientais dos povos 
do Planeta. A multiplicação de fóruns, nas cidadades, nos países, nas 
regiões, a realização de fóruns temáticos, e o deslocamento do próprio 
evento principal, girando o mundo, atende a tal imperativo. 
 
Em 2004, fomos para a Ásia, na Índia, na cidade de Mumbai. Agora, 
em 2006, estamos topando o desafio de realizar um Fórum Social Mundial 
Policêntrico, articulando eventos em diferentes continentes: vamos a Cara-
cas, na Venezuela, a Bamako, no Mali, e a Karachi, no Paquistão,além de 
uma conferência no Marrocos. Não serão, como imaginado, eventos simul-
tâneos, mas muito próximos e, sobretudo, muito articulados entre si. São 
realidades bem diversas o que faz imaginar um FSM muito mais diverso do 
que até aqui fomos capazes de produzir. Em 2007, já está decidido, vamos 
todos para Nairobi, no Quênia. 
 
O que significa este esforço de mundialização do próprio FSM? Sem 
dúvida, estamos construindo uma estratégia que nos fortaleça na diversida-
de do que é a emergente cidadania planetária. Estamos mostrando as 
múltiplas identidades de que somos portadores e, sobretudo, as inúmeras 
possibilidades na construção de “outros mundos”. 
 
Para nós cidadãos e cidadãs da Venezuela, Brasil, da América Lati-
na, do Caribe, da América do Norte, o FSM em Caracas representa um 
grande desafio e vem carregado de significado especial. Já fizemos um 
Fórum Regional em Quito, no Equador, em 2004. Agora, além de uma clara 
dimensão regional, o FSM em Caracas adquire um impacto mundial mais 
claro. Estamos realizando o fórum na Venezuela dos muitos contrastes e, 
devido às posições do Governo Chaves, tem provocado enorme debate em 
todo mundo, como uma das formas de oposição à globalização neoliberal e 
ao imperalismo dos EUA de Bush. Na América do Sul se situa o núcleo 
mais claro de uma crescente oposição ao neoliberalismo e a Venezuela tem 
tido um importante papel político nisto. É claro que nem todo(a)s participan-
tes do FSM concordam com concepções e métodos do Presidente Chaves. 
O FSM tem a sua autonomia como processo puxado por movimentos e 
entidades da sociedade civil, por suas redes, coalizões e alianças, regionais 
e mundiais. Mas isto não implica em se negar a enfrentar com análise e 
debate, numa troca bem aberta, as possibilidades e limites das lutas con-
cretas, especialmente todas aquelas que se alinham no combate ao neoli-
beralismo e sua globalização. O fato de um dos capítulos do FSM Policên-
trico se realizar na Venezuela, neste momento, para além de todas as 
divergências que pode despertar, precisa ser visto como uma busca efetiva 
entre nós mesmos e uma demonstração de solidariedade a movimentos e 
organizações da sociedade venezuelana. 
 
Mas tem mais. Indo a Caracas, assim como aos outros eventos do 
FSM Policêntrico, estamos nos expandindo, nos mundializando ainda mais, 
nos conhecendo melhor. Estamos dando um sinal para o mundo que que-
remos sim integração, mas integração de povos, dos múltiplos povos, e não 
uma incorporação por conglomerados econômicos e financeiros globais, 
uma inclusão subordinada aos interesses dos EUA. Além disto, nos apro-
ximamos do nosso Caribe, com a sua diversidade e vida e fortalecemos a 
nossa capacidade de resistência ao avanço neoliberal. É, sem dúvida, uma 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 10 
grande oportunidade para mais um salto no processo fórum. Tenho certeza 
que sairemos da Venezuela mais fortalecidos. 
 
Como conclusão, cabe destacar a contribuição que o FSM pode dar 
para as sociedades civis dos países em que se realizado, especialmente 
em termos de favorecer a cultura democrática. As alternativas que gestar-
mos e os resultados que alcançarmos podem ser incertos, imprevisíveis, 
distantes, mas a cultura política que é alimentada pela FSM, o modo de 
buscar alternativas pode ser durável e radicalmente transformador, porque 
regido por valores e princípios éticos democráticos. O FSM não pode ser 
avaliado por possíveis propostas que dele emergirem, mas sim pelo modo 
de atuar e de se fortalecer a própria cidadania construtora de alternativas 
para o mundo. Este é o sentido primeiro e fundamental de nossa expansão 
e mundialização. 
 
NOTAS 
Versão de 04.12.05 – 
Enviada para:Observatorio Social de América Latina – OSAL 
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO- Argentina 
 
*CÂNDIDO GRZYBOWSKI é sociólogo e diretor-geral do Instituto Brasileiro 
de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e membro da Secretária Interna-
cional do Fórum Social Mundial 
 
SANTOS, Boaventura de Souza. O FSM Mundial: Manual de Uso. São 
Paulo: Ed. Cortez, 2005. p. 118-134. 
 
Ética e Democracia: exercício da cidÉtica e Democracia: exercício da cidÉtica e Democracia: exercício da cidÉtica e Democracia: exercício da cidaaaadania. dania. dania. dania. 
Ética e DemocraciaÉtica e DemocraciaÉtica e DemocraciaÉtica e Democracia 
Márcio C. CoimbraMárcio C. CoimbraMárcio C. CoimbraMárcio C. Coimbra 
 
O Brasil ainda vive em uma democracia em consolidação, ainda incipiente. 
Infelizmente, em grande parte de nossa história, vivemos à sombra de 
golpes de estado e revoluções, como a de 1930 e mais recentemente em 
1964. A cada ruptura institucional, o regime democrático sofria um duro 
golpe, atingindo-o no seu ponto fundamental: o respeito ao Estado Demo-
crático de Direito. 
 
Nosso período mais recente de democracia começou em 1985, com a 
eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República, 
colocando um fim em 21 anos de regime militar. Logo, chegamos a 2001 
com 16 anos de democracia recente. Neste período conhecemos cinco 
Presidentes da República: Tancredo Neves, que não assumiu devido ao 
seu falecimento, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando 
Henrique Cardoso. Durante o termo de José Sarney, produziu-se uma nova 
Constituição Federal, a de 1988. Logo, percebe-se que o Brasil ainda está 
se acostumando com um regime democrático sem rupturas abruptas, ou 
seja, a democracia brasileira, assim como suas instituições, ainda está em 
fase de amadurecimento. 
 
A consolidação de um regime democrático somente ocorre com o tempo e 
com o amadurecimento da sociedade e de suas instituições. A base de 
sustentação desta forma de governo é o povo e a sua soberania, que é 
exercida através do voto, como bem coloca Bobbio: “democracia é o gover-
no do povo, para o povo”. Além disto, é baseada fortemente no exercício da 
cidadania, no respeito às leis e no exercício da ética como ponto fundamen-
tal das relações interpessoais. Portanto, percebe-se um andar quase que 
em conjunto entre a democracia e a ética. 
 
Ainda sobre ética, vale ressaltar as palavras do Prof. Alberto Oliva na 
apresentação do livro do Doutor em Filosofia Mário A. L. Guerreiro: “Aplica 
à ética o enfoque negativista segundo o qual ao prescritivo não incumbe 
especificar o que alguém deve fazer, e sim o que deve ser impedido de 
fazer por ser danoso ao outro”. Logo, a ética apresenta-se como ponto de 
convergência e harmonização entre norma e liberdade, assim como já 
assegurava John Locke. 
 
Como conseqüência de uma série de rupturas institucionais que marcaram 
fortemente a formação do Estado brasileiro e seu desenvolvimento, vemos 
que o respeito às regras e ao exercício ético de convivência não tem sido 
uma constante recentemente no que tange às práticas políticas. Claro que 
esta tese comporta algumas grandes exceções, pois não podemos genera-
lizar os fatos. Mas de qualquer forma, faz-se extremamente importante 
traçar uma linha paralela entre estes conceitos. 
 
A capa de uma das mais importantes revistas semanais do Brasil, no dia 2 
de maio de 2001 traduz com clareza os últimos acontecimentos políticos 
envolvendo o Senado Federal com a seguinte manchete: “Eles encolheram 
o Congresso: Como o Senado se transformou na Casa da Mentira com 
Jader, Arruda e ACM”. Não há dúvidas: é uma manchete de impacto. Mas 
será que o problema reside apenas neste fato? Acredito que não. Os es-
cândalos envolvendo os maiores escalões do Estado estão sendo uma 
constante. Muitos deles lidam com a falta de ética daqueles que exercem 
uma função pública. Infelizmente, está se criando uma sensação dedes-
crédito da população perante os seus governantes, o que é muito grave. A 
mesma revista, na edição de 23 de maio de 2001, mostra como um ex-
presidente do Banco Central, supostamente, vendia informações privilegia-
das para o mercado financeiro e como, supostamente, o governo acobertou 
o fato. Além destes casos, podem ser citados outros vários que o governo 
já tem sobrevivido, como os supostos casos relativos a compra de votos 
para reeleição, implantação do projeto Sivam, BNDES e teles, CPI da 
Corrupção, e por fim as denúncias envolvendo suposta corrupção no 
DNER, Sudam e Sudene. 
 
O Brasil está pagando um preço alto pela falta da prática democrática 
através dos anos e como conseqüência, a falta de ética e transparência em 
suas instituições. O amadurecimento está acontecendo do modo mais 
difícil. É necessário que o Brasil passe por estes acontecimentos, pois eles 
fazem parte da maturação pela qual o Estado brasileiro tem que, necessa-
riamente, passar. Ainda hoje, em grau infinitamente menor, ainda existem 
denúncias de corrupção em um regime amadurecido e estável, de mais de 
200 anos, como é o caso da democracia norte-americana, onde a ética está 
no topo dos valores nacionais, como foi recentemente retratado no livro 
“Shadow” de Bob Woodward. 
 
De qualquer forma, o caminho que o Brasil tem que trilhar ainda é longo e 
depende principalmente da consolidação do regime democrático e do 
respeito ao Estado de Direito, que são os pilares básicos de sustentação de 
uma sociedade estável e ética. 
Discurso do Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir Discurso do Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir Discurso do Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir Discurso do Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir 
Pires, no Diálogo dos Chanceleres, duPires, no Diálogo dos Chanceleres, duPires, no Diálogo dos Chanceleres, duPires, no Diálogo dos Chanceleres, durante a XXXIV Asserante a XXXIV Asserante a XXXIV Asserante a XXXIV Assemmmmbléia Geral da bléia Geral da bléia Geral da bléia Geral da 
Organização dos Estados Americanos (OEA) "Organização dos Estados Americanos (OEA) "Organização dos Estados Americanos (OEA) "Organização dos Estados Americanos (OEA) "DeseDeseDeseDesennnnvolvimento Social e volvimento Social e volvimento Social e volvimento Social e 
Democracia FreDemocracia FreDemocracia FreDemocracia Frennnnte à Incidência da Corrupçãote à Incidência da Corrupçãote à Incidência da Corrupçãote à Incidência da Corrupção"""" 
 
Quito, Equador Quito, Equador Quito, Equador Quito, Equador 
 
Quero inicialmente parabenizá-los pela escolha do tema dominante desta 
Assembléia, que é a luta contra a corrupção. De iniciativa, inclusive, da 
representação política do Equador, a nação que nos hospeda tão cordial-
mente, para a adoção de recomendações importantes na linha do combate 
eficaz a esse flagelo da humanidade. 
A democracia precisa dessa vitória, precisa em nosso continente de nossa 
responsabilidade comum para derrotar a corrupção em cada um de nossos 
países. Ela é um dos desvios mais perversos e danosos da sociedade 
contemporânea, no campo político, como na atividade privada, onde ela 
agride e suprime os recursos da coletividade para o uso inescrupuloso dos 
bandidos sofisticados que a praticam. 
No Brasil, o Presidente Lula, desde a sua primeira fala à nação, declarou 
seu governo em luta permanente contra a corrupção. É uma política de 
Estado o que praticamos com prioridade absoluta. Há de ser um combate 
de larga duração; mas vamos vencê-lo. A corrupção é um crime, assim 
como também o é o homicídio. Todos sabemos que não é permitido matar 
e que é pesado o castigo imposto ao homicida. No entanto, mata-se infe-
lizmente muito, no Brasil e no mundo. Com a corrução se dá mais ou me-
nos o mesmo. Mas, infelizmente, nem o homicídio nem a corrupção são 
passíveis de extinção por força de decreto. Por isso, nenhum país do 
planeta está livre desse flagelo, seja no setor público –improbidades, tráfico 
de influência, o enriquecimento ilícito,– seja no setor privado, na manipula-
ção de balanços, na especulação financeira de bolsas, na apropriação 
criminosa de poupanças privadas. 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 11 
No atual Governo do Brasil, a administração federal, com gastos orçamen-
tários muito reduzidos, está se reestruturando profundamente, na essência 
de sua ação de controle, buscando rapidamente a atuação integrada e de 
profunda articulação com os organismos do Governo e do Estado, envolvi-
dos com o combate ao desvio do dinheiro público. 
O Governo Lula transformou profundamente a natureza de sua missão e 
realiza ações conjuntas ou complementares nas áreas de auditoria, fiscali-
zação e apuração de desvios, com o Ministério da Justiça, a Polícia Fede-
ral, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e os Esta-
duais, a Advocacia-Geral da União, com êxito de todos os procedimentos. 
Instituiu também o sistema de fiscalização a partir de sorteios públicos, que 
ocorrem na sede da Loteria da Caixa Econômica Federal, em Brasília, na 
presença de toda a imprensa e mídia e de representantes da sociedade 
civil, dos membros do Congresso Nacional, de oposição e de governo, para 
escolher as áreas territoriais menores da Federação brasileira, que são os 
municípios, onde são aplicadas grandes parcelas do dinheiro público. 
Neste Governo, a Lei criou o Conselho da Transparência Pública e Comba-
te à Corrupção. Além disso, estamos empenhados na tarefa do fortaleci-
mento dos Conselhos municipais de controle social. Estamos participando 
da ENCLA (Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro). 
Vamos realizar o IV Fórum Global de Combate à Corrupção, em junho de 
2005, para o qual, inclusive, o Governo brasileiro os convida a todos para 
nos darem a honra e o prazer de participarem conosco desse conclave 
internacional. 
A democracia é incompatível com a corrupção. Como é incompatível com a 
exclusão. Sua legitimidade decorre da representação popular, que vem da 
vontade dos cidadãos, para assegurar as liberdades, inclusive aquela que 
foi declarada um dia na Carta do Atlântico, como o grande documento do 
Ocidente, de convocação para a luta contra o nazismo e o fascismo: a 
liberdade de não ter medo de morrer de fome. A exclusão é o decreto de 
condenação à pobreza extrema e à fome. A democracia é a cidadania, náo 
é um regime com párias. 
Não há democracia sem ética, portanto sem responsabilidade com a condi-
ção humana. A ética da democracia é a coesão social para a convivência 
humana, hoje sob grave risco. A democracia política ou se faz social e 
humana, ou democracia não é. O Presidente Lula recentemente, em janeiro 
último, em Monterrey, na Cúpula Extraordinária das Américas, a propósito 
do desenvolvimento social, lembrou-nos do desafio deste milênio, para a 
condenação das injustiças: “é cada vez maior o abismo que separa ricos e 
pobres em nosso continente e no mundo”. A ética existe desde o começo 
das civilizações para o bem do ser humano. Significa a responsabilidade de 
cada um e de todos com os valores da vida, da dignidade da pessoa huma-
na. A ética da democracia, pois, é a ética da coesão social, pela afirmação 
das liberdades e pelo respeito às necessidades. 
Assessoria de Imprensa da ControladoriaAssessoria de Imprensa da ControladoriaAssessoria de Imprensa da ControladoriaAssessoria de Imprensa da Controladoria----Geral da UniãoGeral da UniãoGeral da UniãoGeral da União 
CidadaniaCidadaniaCidadaniaCidadania 
Foi de um discurso do dramaturgo Pierre-Augustin Caron de Beaumar-
chais, em outubro de 1774, que surgiu o sentido modernoda palavra cida-
dão -- que ganharia maior ressonância nos primeiros meses da revolução 
francesa, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 
Em sentido etimológico, cidadania refere-se à condição dos que resi-
dem na cidade. Ao mesmo tempo, diz da condição de um indivíduo como 
membro de um estado, como portador de direitos e obrigações. A associa-
ção entre os dois significados deve-se a uma transformação fundamental 
no mundo moderno: a formação dos estados centralizados, impondo juris-
dição uniforme sobre um território não limitado aos burgos medievais. 
Na Europa, até o início dos tempos modernos, o reconhecimento de di-
reitos civis e sua consagração em documentos escritos (constituições) eram 
limitados aos burgos ou cidades. A individualização desses direitos a rigor 
não existe até o surgimento da teoria dos direitos naturais do indivíduo e do 
contrato social, bases filosóficas do antigo liberalismo. Nesse sentido, os 
privilégios e imunidades dos burgos medievais não diferem, quanto à forma, 
dos direitos e obrigações das corporações e outros agrupamentos, decor-
rentes de sua posição ou função na hierarquia social e na divisão social do 
trabalho. São direitos atribuídos a uma entidade coletiva, e ao indivíduo 
apenas em decorrência de sua participação em um desses "corpos" sociais. 
O termo cidadão tornou-se sinônimo de homem livre, portador de direi-
tos e obrigações a título individual, assegurados em lei. É na cidade que se 
formam as forças sociais mais diretamente interessadas na individualização 
e na codificação desses direitos: a burguesia e a moderna economia capita-
lista. 
Ao ultrapassar os estreitos limites do mundo medieval -- pela interliga-
ção de feiras e comunas, pelo estabelecimento de rotas regulares de co-
mércio, entre regiões da Europa e entre os continentes --, a dinâmica da 
economia capitalista favorece a imposição de uma jurisdição uniforme em 
determinados territórios, cuja extensão e perfil derivam tanto da interdepen-
dência interna enquanto "mercado", como dos fatores culturais, lingüísticos, 
políticos e militares que favorecem a unificação. 
Em seus primórdios, a constituição do estado moderno e da economia 
comercial capitalista é uma grande força libertária. Em primeiro lugar, pela 
dilatação de horizontes, pela emancipação dos indivíduos ante o localismo, 
ante as convenções medievais que impediam ou dificultavam a escolha de 
uma ocupação diferente da transmitida como herança familiar; libertária, 
também, ante as tradições e crenças que se diluíam com a maior mobilida-
de geográfica e social; mas libertária, sobretudo, pela imposição de uma 
jurisdição uniforme, que superava o arbítrio dos senhores feudais e reco-
nhecia a todos os mesmos direitos e obrigações, independentemente de 
seu trabalho ou condição socioeconômica. 
Além do sentido sociológico, a cidadania tem um sentido político, que 
expressa a igualdade perante a lei, conquistada pelas grandes revoluções 
(inglesa, francesa e americana), e posteriormente reconhecida no mundo 
inteiro. 
Nessa perspectiva, a passagem do âmbito limitado - dos burgos - ao 
significado amplo da cidadania nacional é a própria história da formação e 
unificação dos estados modernos, capazes de exercer efetivo controle 
sobre seus respectivos territórios e de garantir os mesmos direitos a todos 
os seus habitantes. É fundamentalmente uma garantia negativa: contra as 
limitações convencionais ao comportamento individual e contra o poder 
arbitrário, público ou privado. 
Rumo à universalização. A cidadania é originalmente um direito bur-
guês. Contudo, quando reivindicada como soma de direitos fundamentais 
do indivíduo, estes se tornam neutros quanto a seus beneficiários presentes 
e potenciais. 
Vista como processo histórico gradual, a extensão da cidadania é (1) a 
transformação da estrutura social pré-moderna no quadro da economia 
capitalista e do estado nacional moderno e (2) o reconhecimento e a uni-
versalização de toda uma série de novos direitos que, em parte, são indis-
pensáveis ao funcionamento da economia capitalista moderna e, em parte, 
são resultado concreto do conflito político dentro de cada país. Portanto, 
trata-se de um conceito ao mesmo tempo jurídico, sociológico e político: 
descreve a consagração formal de certos direitos, o processo político de 
sua obtenção e a criação das condições socioeconômicas que lhe dão 
efetividade. 
Cidadania e democracia. A cidadania tem dois aspectos: (1) o institu-
cional, porque envolve o reconhecimento explícito e a garantia de certos 
direitos fundamentais, embora sua institucionalização nunca seja constante 
e irredutível; (2) e o processual, porque as garantias civis e políticas, bem 
como o conteúdo substantivo, social e econômico, não podem ser vistos 
como entidades fixas e definitivas, mas apenas como um processo em 
constante reafirmação, com limiares abaixo dos quais não há democracia. 
Democrático, no sentido liberal, é o país que, além das garantias jurídicas e 
políticas fundamentais, institucionaliza amplamente a participação política. 
Direitos e garantias individuais. A necessidade de certas prerrogativas 
que limitem o poder político em suas relações com a pessoa humana são, 
muito provavelmente, criação do cristianismo, que definiu o primeiro terreno 
interditado ao estado: o espiritual. 
No campo do direito positivo, foi a revolução francesa que incorporou o 
sistema dos direitos humanos ao direito constitucional moderno. A teoria do 
direito constitucional dividiu, de início, os direitos humanos em naturais e 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 12 
civis, considerando que a liberdade natural, mais ampla, evolui para o 
conceito de liberdade civil, mais limitada, visto que seus limites coincidem 
com os da liberdade dos outros homens. 
A primeira concretização da teoria jurídica dos direitos humanos foi o 
Bill of Rights, de 1689 -- a declaração de direitos inglesa. Só depois da 
independência dos Estados Unidos, porém, as declarações de direitos, 
inseridas nas constituições escritas, adquirem o perfil de relação de direitos 
oponíveis ao estado, e dos quais os indivíduos são titulares diretos. Dada 
sua importância, o direito constitucional clássico dividia as leis fundamen-
tais em duas partes: uma estabelecia os poderes e seu funcionamento; 
outra, os direitos e garantias individuais. 
No Brasil, é clássica a definição dada por Rui Barbosa às garantias, 
desdobramento dos direitos individuais: "Os direitos são aspectos, manifes-
tações da personalidade humana em sua existência subjetiva, ou nas suas 
situações de relações com a sociedade, ou os indivíduos que a compõem. 
As garantias constitucionais stricto sensu são as solenidades tutelares de 
que a lei circunda alguns desses direitos contra os abusos do poder." É o 
caso do direito à liberdade pessoal, cuja garantia é o recurso do habeas 
corpus. 
Direitos sociais. Na antiguidade, considerava-se que o trabalho manual 
não era compatível com a inteligência crítica e especulativa, ideal do esta-
do. Daí o reconhecimento da escravidão, que restringia consideravelmente 
os ideais teóricos da democracia direta. A revolução social do cristianismo 
baseou-se principalmente na dignificação do trabalho manual. Por conse-
guinte, durante a Idade Média, o trabalho era considerado um dever social 
e mesmo religioso do indivíduo. 
Com o declínio das corporações de ofício, que controlavam o trabalho 
medieval, e o surgimento das oficinas de trabalho, de características dife-
rentes, entre as quais a relação salarial entre operário e patrão, estão 
dadas as condições propícias ao capitalismo mercantilista da época do 
Renascimento e da Reforma.Mais tarde, a burguesia, que dominara a revolução francesa, viu-se di-
ante dos problemas sociais decorrentes da revolução industrial. Assim, 
tornou-se indispensável a intervenção do estado entre as partes desiguais 
em confronto no campo do trabalho, para regular o mercado livre em que o 
trabalhador era cruelmente explorado. 
Atualmente não se pode conceber a proteção jurídica dos direitos indi-
viduais sem o reconhecimento e a proteção dos direitos sociais do homem, 
que são oponíveis não ao estado, mas ao capital, e têm na ação do estado 
sua garantia. 
Hoje existe um grande movimento pelo reconhecimento, definição e ga-
rantia internacionais dos direitos humanos. Em 10 de dezembro de 1948, a 
assembléia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou em 
Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que só terá força 
obrigatória quando for uma convenção firmada por todos os países mem-
bros da ONU. 
Os regimes de governo são justos na medida em que as liberdades são 
defendidas, mesmo em épocas de crise. Os princípios gerais de direito são 
sempre os mesmos: processo legal, ausência de crueldade, respeito à 
dignidade humana. As formas de execução desses princípios também não 
variam. Resumem-se em leis anteriores, em garantias eficazes de defesa e, 
como sempre, acima de tudo, em justiça independente e imparcial. 
Suspensão das garantias constitucionais. No Brasil, a instabilidade do 
poder político e as lutas oligárquicas durante a primeira república fizeram 
do estado de sítio e da intervenção federal os centros de convergência dos 
debates jurídicos e das ações políticas. Também o Supremo Tribunal 
Federal defrontou-se freqüentemente com o problema. No entanto os fatos 
mais de uma vez atropelaram o direito ao longo da história do Brasil. 
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. 
DemocraciaDemocraciaDemocraciaDemocracia 
Desde seu surgimento na antiguidade clássica, o ideal democrático -- 
aspiração dos homens e dos povos a assumir plenamente seu destino 
coletivo e sua responsabilidade política -- manifestou-se de muitas manei-
ras diferentes. Como realidade política, no entanto, são escassos os exem-
plos históricos de sociedades ou grupos que tenham vivido de acordo com 
esse ideal. Só a partir do último terço do século XVIII, com a independência 
dos Estados Unidos e o triunfo da revolução francesa, surgiram as moder-
nas democracias e iniciou-se um longo e desigual caminho de desenvolvi-
mento e implantação dos sistemas democráticos no planeta. 
Denomina-se democracia (do grego demos, "povo", e kratos, "autorida-
de") uma forma de organização política que reconhece a cada um dos 
membros da comunidade o direito de participar da direção e gestão dos 
assuntos públicos. Nas sociedades modernas, são reduzidas as possibili-
dades de participação direta, dado o número e a complexidade dos assun-
tos públicos. Só é possível o exercício direto da democracia em algumas 
instituições tradicionais -- administração municipal ou assembléias popula-
res, por exemplo. Assim, nos países democráticos, é comum o exercício da 
democracia por meio de um sistema indireto ou representativo. 
Normalmente, esse sistema é regulado por uma lei fundamental ou 
constituição. Os cidadãos elegem representantes, cuja participação nas 
diversas instituições governamentais garante a defesa de seus interesses. 
De maneira geral, esses representantes fazem parte de vários partidos 
políticos, que se identificam com os interesses de uma classe ou grupo 
social e sustentam diferentes opiniões a respeito de como se deve solucio-
nar os problemas da comunidade. Os candidatos que recebem mais votos 
nas eleições passam então à categoria de membros dos organismos par-
lamentares -- congresso, senado, câmara de deputados, parlamento, 
cortes, assembléia nacional etc. -- nos quais, por um determinado período 
(mandato), devem defender as opiniões do partido pelo qual se elegeram, 
apoiando, criticando, reelaborando e votando os projetos de lei que forem 
submetidos a discussão. 
No sistema parlamentarista, o governo da nação é exercido pelo partido 
ou coligação de partidos detentores da maioria parlamentar, e normalmente 
o chefe de governo é o líder do partido majoritário. O sistema presidencia-
lista distingue-se do parlamentarista pelo fato de os cidadãos elegerem 
tanto um presidente da república, que exerce o poder executivo com apoio 
de um ministério por ele nomeado, quanto os membros do congresso, cujos 
poderes normalmente se limitam à legislação e à aprovação dos orçamen-
tos gerais da administração pública. 
Evolução dos sistemas democráticos: Grécia e Roma. A democracia te-
ve origem na Grécia clássica. Atenas e outras cidades-estados implantaram 
um sistema de governo por meio do qual todos os cidadãos livres podiam 
eleger seus governantes e serem eleitos para tal função, por um determi-
nado período. Esse exercício democrático -- do qual estavam excluídos os 
escravos, as mulheres e os estrangeiros -- foi possível porque os cidadãos 
formavam um grupo numericamente reduzido e privilegiado. 
Embora o sistema tenha recebido o apoio teórico e doutrinário de pen-
sadores da envergadura de Aristóteles, com freqüência ocorriam situações 
em que a normalidade democrática era interrompida por meio de mecanis-
mos que também se repetiram freqüentemente ao longo da história. Quan-
do havia algum conflito com uma região ou cidade vizinha, eram atribuídos 
a alguns generais poderes absolutos enquanto durasse a guerra. Às vezes, 
ao encerrar-se esta, aproveitando o prestígio popular conquistado, os 
generais apossavam-se do poder como ditadores. Uma situação desse tipo 
acabou com a "democracia de notáveis" dos primeiros tempos de Roma. O 
sistema democrático vigorou muito menos tempo em Roma do que na 
Grécia e, mesmo durante o período republicano, o poder permaneceu 
habitualmente nas mãos da classe aristocrática. 
Fundamentos da democracia moderna. Só no século XVII começaram a 
ser elaboradas as primeiras formulações teóricas sobre a democracia 
moderna. 
O filósofo britânico John Locke foi o primeiro a afirmar que o poder dos 
governos nasce de um acordo livre e recíproco e a preconizar a separação 
entre os poderes legislativo e judiciário. Em meados do século XVIII foi 
publicada uma obra capital para a teoria política moderna: De l'esprit des 
lois (1748; Do espírito das leis), de Montesquieu. O filósofo e moralista 
francês distinguia nesse livro três tipos diferentes de governo: despotismo, 
república e monarquia -- fundamentadas no temor, na virtude e na honra, 
respectivamente -- e propunha a monarquia constitucional como opção 
mais prudente e sábia. A liberdade política seria garantida pela separação e 
independência dos três poderes fundamentais do estado: legislativo, execu-
tivo e judiciário. Assim, Montesquieu formulou os princípios que viriam a ser 
o fundamento da democracia moderna. 
Entretanto, setores cada vez mais amplos da opinião pública, encabe-
çados pela burguesia -- para cujo desenvolvimento a sobrevivência do 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 13 
antigo regime constituía um obstáculo --, formulavam propostas de organi-
zação e ação destinadas a abolir o absolutismo e a instaurar uma nova 
ordem política. 
O povo francês deu vazão a seus anseios, por tanto tempo reprimidos, 
na rebelião contra o governo dos Bourbon e da aristocracia. A revolução 
francesa procurou em vão encontrar formas de organização política e social 
que dotassem o sistema de certa estabilidade, mas o surgimento de Napo-
leão e a instauração do império fizeram abortar esses esforços. Apesar 
disso, a revolução teve como conseqüência uma ampla difusão das idéiasdemocráticas, não apenas nos estados europeus, mas também na América. 
Assim, a instauração na Espanha, durante a guerra da independência, de 
um poder provisório inspirado naquelas idéias favoreceu sua exportação 
para as colônias americanas. 
Os Estados Unidos da América foram a primeira nação a criar um sis-
tema democrático moderno, definitivamente consolidado em decorrência de 
sua vitória na guerra de independência contra a monarquia britânica. No 
caso dos novos países da América, em geral caminharam juntas as idéias 
de democracia e independência. Os "libertadores" buscaram pôr fim não só 
ao domínio exercido pelas potências colonizadoras, como também aos 
poderes absolutos que os soberanos dessas potências personificavam. 
Democracia na atualidade. Embora estejam notavelmente disseminadas 
no mundo de hoje e seja difícil encontrar argumentos doutrinários contrários 
a elas que mereçam consenso, em muitas áreas do mundo as idéias demo-
cráticas não são postas em prática pelos sistemas políticos. 
As democracias populares constituíram um caso à parte. Nos países em 
que houve tomada do poder por organizações de esquerda, sobretudo de 
caráter comunista, implantaram-se sistemas de dominação política e militar 
que, embora se proclamassem democráticas, impediam o livre exercício 
dos direitos e das liberdades fundamentais. Nesses sistemas políticos, 
afirmava-se que a organização democrática parlamentar não constituía uma 
tradução adequada das idéias democráticas, já que só serviriam para 
legitimar o exercício do poder por influentes grupos de pressão, sobretudo 
de tipo econômico. Para os sistemas que foram dominantes nesses países, 
a organização democrática parlamentar seria uma democracia formal, sem 
conteúdo, oposta à democracia real, que eles representariam. 
Organização jurídica da democracia. A essência da democracia como 
sistema político reside na separação e independência dos poderes funda-
mentais do estado -- legislativo, executivo e judiciário --, bem como em seu 
exercício, em nome do povo, por meio das instituições que dele ema-
nam. 
O poder legislativo concretiza-se na instituição parlamentar, que pode 
ser unicameral ou bicameral. Tem ela como atribuição a elaboração das 
leis, interpretando-se, portanto, a máxima democrática "o poder emana do 
povo" como uma afirmação de que é o povo -- seus representantes eleitos 
por um período limitado e por um sistema eleitoral determinado -- que 
elabora as leis que regem a vida da comunidade e controla o poder execu-
tivo. Por isso, o sistema também recebe a denominação de estado de 
direito. 
O poder executivo incumbe-se do governo da nação, garantindo o cum-
primento das leis e cuidando da administração do estado. 
Num sistema democrático parlamentarista, os cidadãos controlam o po-
der político pelo voto, de modo que podem remover do poder os partidos 
cujos dirigentes não tenham cumprido suas promessas eleitorais ou tenham 
cometido o que os cidadãos consideram erros de gestão política, econômi-
ca ou social. Ao controlar o poder executivo, o parlamento pode, em casos 
extremos e de acordo com pressupostos estabelecidos pela constituição, 
chegar a retirar sua confiança do governo. Em tais casos, procede-se à 
realização de eleições antecipadas. 
O terceiro poder do estado, o judiciário, serve de árbitro entre o legisla-
tivo e o executivo nos conflitos de jurisdição, bem como de intérprete dos 
textos legais. A autoridade judiciária aplica a justiça em nome do povo. 
Direitos e liberdades fundamentais. Em todo sistema democrático, as 
leis constitucionais, elaboradas pelos representantes dos cidadãos durante 
um processo constituinte e dotadas dos mecanismos de reforma apropria-
dos, inspiram-se na aceitação básica e no reconhecimento explícito por 
toda a comunidade de uma série de direitos e liberdades fundamentais, que 
são de caráter político e social (livre expressão de opiniões, liberdade de 
culto, de associação política, reunião e manifestação, de proteção familiar 
etc.), econômico (direito a trabalho e salário dignos, direito de associação 
sindical, direito de greve) e cultural (direito à educação). Todo direito positi-
vo que emana da constituição tende a procurar proteger tais direitos. 
Deveres dos cidadãos. Embora, historicamente, a democracia tenha 
surgido para garantir o exercício das liberdades públicas diante do poder 
irrestrito do estado, os sistemas democráticos também consagram uma 
série de deveres sociais que todos os cidadãos são obrigados a cumprir. 
Esses deveres incluem, basicamente, uma prestação pessoal de serviços -- 
como o serviço militar, ou serviços civis que o substituam, em todas as 
circunstâncias ou em casos de emergência -- e uma contribuição econômi-
ca, que se traduz sobretudo na aceitação e no cumprimento da obrigação 
de pagar os impostos votados pelos representantes do povo no parlamento. 
Os deveres dos cidadãos baseiam-se na obrigação jurídica geral relativa ao 
acatamento das leis -- a democracia como situação de "império da lei" -- e 
na obediência à autoridade no legítimo exercício de suas funções, isto é, na 
medida em que sua atuação se ajustar ao que foi legalmente estabelecido e 
aprovado pelos representantes populares. 
Democracia no Brasil 
Afirma o parágrafo único do Art. 1o da constituição brasileira de 1988: 
"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes 
eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição." No entanto, o que 
se pode afirmar de rigorosamente verdadeiro é que no decorrer da fase 
republicana e apesar de duas ditaduras -- a do Estado Novo (1937-1945) e 
a oriunda do movimento político-militar de 1964 -- além de várias crises, a 
democracia brasileira tem evoluído claramente no sentido do aperfeiçoa-
mento. 
 As constituições brasileiras sofreram influências diversas. A primeira, 
outorgada por D. Pedro I em 1824, era parlamentarista e bastante moldada 
pelo regime inglês. Transferia, porém, ao imperador, titular do poder mode-
rador, algumas das atribuições que no Reino Unido cabiam à Câmara dos 
Lordes, como a capacidade de retardar a promulgação de leis por duas 
sessões legislativas, quando se recusasse a sancioná-las. Quanto aos 
direitos políticos, a constituição imperial consagrava o princípio da renda 
mínima anual: cem mil-réis para participação nas assembléias paroquiais, 
200 mil-réis nas províncias, 400 mil-réis na Câmara, 800 mil-réis no Senado 
e no Conselho de Estado. A carta de 1824 permitia a escravidão e negava 
direitos políticos às mulheres, aos filhos de família, criados e religiosos. Os 
libertos só podiam votar nas assembléias paroquiais e os estrangeiros 
naturalizados eram inelegíveis para a Câmara e o Senado, mas podiam ser 
ministros de estado. Como se vê, a carta magna do império, embora incor-
porasse extensa declaração dos direitos dos cidadãos, não atendia a 
alguns requisitos hoje considerados essenciais à democracia. 
A constituição de 1891, em que preponderava a influência americana, 
adotou, entre outras inovações, o regime presidencialista, aboliu o poder 
moderador, criou o sistema federativo, limitou a três o número de senado-
res por estado, previu a representação das minorias e instituiu o sufrágio 
universal masculino, excetuados os analfabetos, mendigos, praças de pré e 
religiosos. No entanto, permitiu o voto a descoberto, fonte de muitas das 
fraudes eleitorais da república velha, esqueceu a justiça eleitoral (ficava nas 
mãos do governo o reconhecimento dos parlamentares eleitos) e nenhuma 
referência fez às garantias sociais dos trabalhadores. 
A lei orgânica do governo provisório (novembro de 1930) e, posterior-
mente, a constituição de 1934 foram as primeiras a levar em conta a posi-
ção social dos trabalhadores na democracia brasileira, concedendo garanti-
as e a instituindo a justiça trabalhista. A constituição de 1934tomou como 
modelo a de Weimar, na Alemanha, e em muitos pontos serviu de base aos 
constituintes de 1946. A constituição de 1937, outorgada por Getúlio Var-
gas, rompeu com a tradição política brasileira, já que ampliou o poder e o 
mandato do presidente da república, restringiu a autonomia do poder judici-
ário, dissolveu todos os órgãos legislativos e declarou o estado de emer-
gência. Baseada na constituição da Polônia de 1935, serviu de estrutura 
legal a um regime ditatorial. 
A constituição de 1946 procurou conciliar as diversas correntes doutri-
nárias representadas entre os constituintes. Garantiu o direito de proprieda-
de, tal como entende a liberal-democracia, mas condicionou seu uso ao 
bem-estar social, idéia nitidamente socialista. Determinou que se organi-
zasse a ordem econômica e social conforme os princípios da justiça social, 
conciliando a liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho humano. 
Admitiu o exercício, pela União, do monopólio de indústrias e atividades. Ao 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 14 
longo de sua vigência, não faltaram ameaças antidemocráticas, sobretudo 
de golpes militares. 
Em 1964, o presidente constitucional João Goulart foi deposto por um 
movimento político-militar. Durante a ditadura subseqüente, que se esten-
deu por duas décadas, o país viveu regulamentado por uma série de atos 
institucionais e complementares. Mesmo a constituição de 1967, que resta-
beleceu certas características de normalidade institucional, foi emendada 
em outubro de 1969 por novo ato, que manteve o Ato Institucional no 5. 
No início da década de 1980, a redemocratização foi ocorrendo gradu-
almente, com a suspensão da censura prévia à imprensa, a lei da anistia e 
outras medidas. A convocação de uma assembléia constituinte figurava na 
plataforma de Tancredo Neves, eleito presidente indiretamente mas faleci-
do sem assumir o cargo. José Sarney, vice-presidente empossado, convo-
cou o Congresso seguinte a assumir funções constituintes. Em 1988 foi 
promulgada uma nova constituição, que consagrava direitos e garantias 
individuais e sociais mais amplos que os da carta de 1946. ©Encyclopaedia 
Britannica do Brasil Publicações Ltda. 
O exercício da cidadania começa em casaO exercício da cidadania começa em casaO exercício da cidadania começa em casaO exercício da cidadania começa em casa 
O mundo em que vivemos precisa de paz e união, elementos funda-
mentais a vida que podem ser conquistados com a solidariedade de cada 
um de nós. Esta solidariedade deve ser cultivada dentro de nossas casas e 
principalmente, juntamente com os nossos filhos, mostrando a importância 
de determinados valores que nos tornam cidadãos cada vez mais compro-
metidos com o mundo em que vivemos. 
Ser cidadão é estar comprometido com seus direitos e deveres, é sa-
ber respeitar os limites do próximo e se importar com quem está ao nosso 
redor. Dar bons exemplos é uma grande lição para nossos filhos. Pense na 
importância que ter uma postura cidadã com a vida e como isto pode tornar 
o mundo melhor. 
Para incentivarmos esta postura de valores dentro de nossas famílias, 
precisamos dar bons exemplos. Filhos não aprendem apenas com o que 
nós falamos, mas principalmente com o que fazemos. As crianças são o 
nosso reflexo, são frutos da educação que nós pais oferecemos. Veja 
algumas dicas: 
• Tenha atitudes honestas e justas; 
• Seja tolerante; 
• Respeite as diferenças; 
• Ajude quem precisa; 
• Tenha sempre presente em seu vocabulário aquelas palavras 
como: ”por favor” e “muito obrigado”. http://nejmiaziz.com.br/ 
 
Ética e função públicaÉtica e função públicaÉtica e função públicaÉtica e função pública 
A RELEVÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PA RELEVÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PA RELEVÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PA RELEVÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PÚÚÚÚBLICABLICABLICABLICA 
CiceCiceCiceCicero Araujoro Araujoro Araujoro Araujo 
I.I.I.I. 
Já faz algumas décadas que a Ciência Política contemporânea procu-
rou transpor para seu campo de investigação o paradigma do homo oeco-
nomicus – a psicologia egoística utilizada pela teoria econômica convencio-
nal para dar conta das interações sociais no mercado. “Seu campo de 
investigação”, isto é, o comportamento de atores coletivos como os parti-
dos, os sindicatos, os gabinetes governamentais, ou de atores individuais 
como as lideranças partidárias, os parlamentares, os eleitores etc. Para o 
assunto que nos interessa aqui, teve grande impacto no debate posterior o 
transporte do paradigma econômico para entender certos problemas da 
administração pública e da ação coletiva de um modo gera l. 
Cito de cabeça duas linhas de trabalho que, ainda na década de 1960 e 
início de 1970, tiveram forte influência na compreensão contemporânea das 
burocracias estatais, das dificuldades do cidadão comum para mantê-las 
sob controle e fazê-las prestar os serviços a que foram destinadas. Começo 
mencionando os estudos de James Buchanan e associados2, cujas conclu-
sões apontam, primeiro, para a tendência, especialmente nas democracias, 
de proliferação de serviços à custa dos contribuintes, como forma de garan-
tir a reprodução das próprias burocracias encarregadas de fornecer tais 
serviços; e, segundo, para a tendência de “busca da renda particular” (rent 
seeking): como que tentando desmistificar a auréola do funcionário como 
um promotor imparcial do bem comum, esses estudos mostram os servido-
res estatais como um grupo de interesse à parte – não apenas um grupo de 
interesse dentre outros, mas um grupo colocado numa posição especial, já 
que detentor de certos monopólios legais, exatamente por fazer parte do 
Estado – sempre disposto a transformar em exclusivo benefício próprio pelo 
menos parte dos recursos extraídos dos cidadãos, em princípio destinados 
ao benefício comum. 
O outro estudo que vale mencionar, realizado por Mancur Olson, esten-
dese para os problemas de articulação de qualquer ação coletiva que 
requeira o engajamento de um grande número de pessoas.3 Suponha que 
uma comunidade precisa providenciar um determinado bem coletivo, diga-
mos, uma rua pavimentada: se o grupo de pessoas que conjugar seus 
esforços para prover esse bem for muito pequeno, a ausência de uma delas 
pode prejudicar toda a empreitada; como prover o bem é do interesse de 
cada membro do grupo, há um forte incentivo para que todos realmente se 
esforcem para gerar o benefício. 
Contudo, se o grupo for muito grande, de tal forma que a contribuição 
individual de cada participante seja proporcionalmente muito pequena ou 
insignificante, haverá fortes incentivos para que não haja amplo comparti-
lhamento dos esforços, e para jogar nos ombros dos demais o peso do 
empreendimento. Se houver, dentro do grupo maior, um grupo bem menor 
altamente interessado em fornecer esse benefício de qualquer forma, a 
despeito do comportamento parasitário do restante, a ação coletiva fatal-
mente resultará capenga, para não dizer totalmente frustrada em seus 
propósitos. Esse é o famoso problema do “carona” (free rider), que coloca 
em evidência o por quê das organizações sociais se estruturarem em 
hierarquias, às quais se apendam incentivos especiais às diferentes cama-
das, de modo a aumentar sua eficácia ou produtividade, ou então de modo 
a evitar que os efeitos corrosivos do “carona” simplesmente não destruam a 
ação coletiva à qual foram encarregadas de organizar. Aliás, qualquer 
executivo de uma grande organização social, seja ela privada ou pública, 
sabe muito bem, ainda que apenas de forma intuitiva, o que significa o 
“carona” e de seus efeitos nefastos na vida da organização que ajuda aadministrar. O feito de Olson foi isolar o fenômeno, estabelecer uma hipóte-
se para explicar suas razões e dar-lhe grande relevância para a compreen-
são da ação coletiva nas suas mais variadas formas. 
Não vou me deter no detalhe dos argumentos que esses autores lan-
çam mão para demonstrar essas conclusões, mesmo porque estamos 
falando de estudos bastante complexos, envolvendo também entendiantes 
formalizações matemáticas. A menção a eles visa apenas destacar as 
premissas psicológicas de todo o encadeamento do raciocínio, raramente 
problematizadas e discutidas, mas geralmente justificadas por seu aparente 
realismo: a base elementar das interações sociais são indivíduos egoístas, 
exclusivamente “auto-interessados”, que ingressam em ações cooperativas 
apenas porque não há outra maneira de obter certos bens (justamente os 
“bens coletivos”) para si mesmos. Mas que são também indivíduos “racio-
nais”, isto é, capazes de escolher, dentro de um leque de diferentes opções 
de ação, aquela alternativa que otimize a relação entre o benefício espera-
do da opção e o custo para viabilizá-la – ou que “maximize a utilidade”, para 
empregar a terminologia dos economistas. 
Há que reconhecer a enorme força atrativa que essas premissas são 
capazes de exercer sobre o investigador social, tanto por sua simplicidade 
(elas são aptas a fornecer modelos explicativos enxutos e elegantes, senão 
do ponto de vista moral, ao menos do ponto de vista cognitivo) quanto por 
sua plausibilidade e realismo – quem não seria tentado a admitir a hipótese 
de que, em média, as pessoas são auto-interessadas, pelo menos quando 
se trata das interações anônimas do mercado ou das grandes organizações 
estatais? 
No entanto, um leitor mais atento desses estudos não deixa de suspei-
tar de um certo sabor de paradoxo em suas conclusões, derivadas do 
aparência mesma de realismo das premissas. Pois se é verdade que as 
organizações sociais e as 
ações coletivas são focos permanentes de rent seekers e free riders, 
como não deixar de pensar que, levadas às últimas conseqüências, a 
compulsão egoísta e a “maximização da utilidade” deveriam liquidar com-
pletamente a vida social e toda a possibilidade de cooperação? Porém: (1) 
as organizações sociais persistem, assim como o fato da cooperação – e as 
premissas só nos deixam perplexos a respeito de por quê elas persistem; e 
(2) os próprios estudos assumem que, sem a vida social e, portanto, sem a 
cooperação, interesses cruciais dos agentes egoístas seriam afetados. Em 
outras palavras, o auto-interesse mesmo deveria ser impulso suficiente à 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 15 
cooperação e, no entanto, é o autointeresse que a corrói, quando não a 
elimina pura e simplesmente. Eis o sabor de paradoxo. 
II.II.II.II. 
Na verdade, a longa tradição da filosofia moral e política já havia esbo-
çado paradoxos como os mencionados acima, os quais apareciam com 
freqüência na forma de dilemas práticos. (Por exemplo, como aparece no 
episódio da condenação de Sócrates, mencionado nos diálogos de Platão: 
é preferível, se tivéssemos apenas essas duas opções, sofrer a injustiça ou 
cometê - la?) Poderíamos recuar a esses debates dos antigos filósofos 
gregos – estamos falando de uma longa tradição mesmo! – mas vamos nos 
contentar com certos pais fundadores do pensamento político moderno, e 
com a brevidade que esta palestra requer. Em primeiro lugar, no pensa-
mento de Thomas Hobbes, um filósofo inglês do século XVII, pois ele é 
também o primeiro moderno a explorar rigorosamente as premissas do 
homo oeconomicus antes mesmo da teoria econômica ter se estabelecido 
como disciplina autônoma. E usou-a não para elucidar o mercado, mas 
para mostrar por que a organização política das comunidades, isto é, o 
Estado, e a estrita obediência a ela por parte de seus súditos era necessá-
ria para promover interesses vitais de cada indivíduo. Para tanto, Hobbes 
postulou uma situação inteiramente hipotética, na qual pessoas compulsi-
vamente egoístas se viam expostas umas às outras sem a mediação dessa 
organização política comum, situação a que chamou de “estado de nature-
za” (em oposição ao “estado civil ou político”). Sua análise dessa situação 
hipotética era a demonstração da completa impossibilidade da vida social 
no estado de natureza. Este, se existisse de fato, não poderia ser outra 
coisa senão um “estado de guerra de todos contra todos”: para Hobbes, a 
anarquia, a ausência de organização política comum, correspondia à ano-
mia, a completa ausência de regras de convivência e, logo, de cooperação 
social. Invertendo o raciocínio, Hobbes queria dizer que a condição neces-
sária da cooperação social é a firme e voluntária disposição de cada indiví-
duo para obedecer a um superior comum, o “Soberano”, a autoridade 
política incontrastável (leia-se: uma autoridade acima da qual não poderia 
haver recurso), cabeça de uma organização social maior que inclui a Lei e a 
Espada da Lei (o Estado). Reparem onde recai a ênfase do argumento: não 
se trata apenas de estabelecer a nomia do est ado civil em oposição à 
anomia do estado de natureza, pois os indivíduos nessa condição bem 
poderiam ter experimentado estabelecer regras comuns de ação, e então 
chamá-las de “Lei”. Mas é precisamente isso que Hobbes pensava ser 
impossível sem o Soberano: este no fundo representa o instrumento co-
mum capaz de coagir os recalcitrantes a respeitar as regras, quaisquer que 
fossem. Sem a devida constituição de tal instrumento, o desrespeito à Lei 
seria generalizado. Em essência, é isso o que significa Estado. 
Mas essa breve apresentação já nos faz pressentir, no raciocínio de 
Hobbes, pelo menos um paradoxo (do qual ele não tinha plena ciência) e 
um dilema prático (sobre o qual estava perfeitamente atento): 
(1) O paradoxo é que a decisão voluntária de instituir e obedecer um 
Soberano significa, em si mesma, um ato cooperativo. Porém, não havia o 
argumento estabelecido que qualquer ação cooperativa da parte de indiví-
duos compulsivamente egoístas requer a figura do Soberano e seu Estado? 
Dito de outra maneira: para cooperar precisamos de um Soberano, mas 
para ter um Soberano precisamos já cooperar de alguma forma. Como sair 
dessa enrascada? De certo modo, a obra de Hobbes antecipa alguns dos 
problemas de autores como Buchanan e Olson, já citados, quando puxa-
mos suas premissas até seus extremos. 
(2) O dilema prático é o seguinte. Se por Soberano entendemos de fato 
um superior incontrastável, a autoridade acima da qual não há recurso, 
somos tentados a imaginar uma figura que, eventualmente, de posse dos 
recursos de poder para tanto, venha a agir de forma sistematicamente 
arbitrária e tirânica, 
No capítulo 18 do Leviathan, sua obra-prima, Hobbes faz o seguinte 
trocadilho, que indica claramente essa intenção: “Covenants without the 
sword are bu t words” (“Os pactos sem a espada não passam de palavras”). 
desrespeitando suas próprias leis, perseguindo, prendendo e arrebentando 
seus súditos. O que fazer? Hobbes havia dito que a vida sob o pior Sobera-
no seria ainda assim bem melhor que a sob o estado de natureza, a vida 
em perpétua guerra civil. Para um observador atento do século XXI, porém, 
que conheceu as misérias dos regimes tirânicos, autoritários ou totalitários 
do século XX (e que ainda persistem em muitos lugares), isso deve soar 
mais como uma profissão de fé do que um argumento sólido. Para tal 
observador, soaria mais razoável pensar que toda a autoridade política 
deve ser limitada por outras autoridades. Algo como um regime constitucio-
nal de “freios e contrapesos” (checks and balances), como gostam de dizer 
os americanos. 
Mas o próprio Hobbesse antecipara a essa aparentemente agradável 
solução (evidentemente falsa, a seu ver). Controlar o Soberano – digamos, 
através da intervenção periódica do “Povo” (o conjunto dos cidadãos co-
muns participando diretamente do controle), ou, para ser mais realista, dos 
“Representantes do Povo” reunidos numa Câmara especial de fiscalização 
– controlar o Soberano, dizia ele, significa simplesmente fazer com que o 
Soberano deixe de ser Soberano, e transferir essa função para a figura do 
controlador. 
Quem, porém, controlará o controlador? Um novo controlador, e o con-
trolador desse controlador, etc etc etc? 
Enfim, o dilema ou conduz a uma regressão ao infinito – e aqui se ante-
vê o problema da hipertrofia do aparato estatal indicado por Buchanan, na 
forma de uma sobreposição indefinida de mecanismos burocráticos de 
fiscalização –, ou então somos obrigados a parar em algum ponto nessa 
escalada, sem que a questão inicial que deveria ser respondida (como 
estabelecer o controle da autoridade política por outras autoridades) fique 
claramente equacionada. 
III.III.III.III. 
Vejamos agora um outro pensador político que se debruçou sobre os 
mesmos problemas, mas de uma outra perspectiva. David Hume, esse 
pensador, um filósofo escocês do século XVIII, tinha genuínas preocupa-
ções de ordem moral em suas elaborações. Hume é muito citado como um 
dos autores iluministas que via a moralidade não como um artifício das 
organizações políticas para conter nossos instintos egoístas, mas como 
uma espécie de sentimento primário, natural, que estimulava certas ações 
espontâneas de solidariedade e cooperação, isto é, sem o recurso ao 
Soberano hobbesiano. Contudo, quando se tratava de pensar a organiza-
ção política de uma sociedade grande e complexa, seu argumento e suas 
conclusões parecem não escapar de dilemas análogos aos de Hobbes, 
Buchanan e Olson, conforme veremos daqui a pouco. 
Hume partia, sem dúvida, de premissas mais variadas que as de Hob-
bes. Ao lado dos impulsos psicológicos do auto-interesse, ele suponha 
também impulsos benevolentes e altruístas: além da busca pelo próprio 
bem, o que é natural e até certo ponto desejável, as pessoas também se 
interessam pelo bem alheio. Detalhe, porém: não se trata de uma benevo-
lência indefinida e ilimitada, mas de uma benevolência parcial. Gostamos e 
desejamos sinceramente o bem de 
certas pessoas, mais do que de outras: o de nossos pais, filhos, irmãos 
e amigos, mais do que uma pessoa que mal conhecemos, ou de um con-
junto anônimo de pessoas. Sim, amamos o próximo muitas vezes até mais 
do que a nós mesmos, porém o próximo é o próximo de fato, que não raro 
concorre com o distante, quando não está em briga com ele. 
É verdade que somos capazes de ressoar espontaneamente os sofri-
mentos e as alegrias alheias, como que reproduzindo esses sentimentos 
em nós mesmos, ainda que de forma esmaecida, um fenômeno que Hume 
chamava de “simpatia”, 
da qual derivou os sentimentos morais. Mas a simpatia apenas transmi-
te e reproduz sentimentos, ela não implica automat icamente desejar e 
efetivamente fazer o bem a qualquer pessoa ou a qualquer necessitado que 
esbarremos no caminho, como faria o Bom Samaritano dos Evangelhos. 
Antes, a benevolência parcial, um desejo natural de fazer o bem, explica 
nossas propensões tribais primárias, ou seja, nossa disposição para convi-
ver num círculo restrito, próximo, de amigos e familiares: nossa propensão 
espontânea ao clã ou à tribo. Mas o clã ou a tribo, ao mesmo tempo que 
desenvolve impulsos de altíssima atração para dentro, não raro cria tam-
bém impulsos igualmente fortes de repulsão ao estranho, os círculos soci-
ais distantes. Como membros de um grupo, pensava Hume, somos até 
estimulados, em certas circunstâncias, a praticar maldades ao estranho – e 
isso não em prol de nós mesmos, mas do grupo a que pertencemos – mais 
terríveis do que praticaríamos se vivêssemos a sós. 
A história das sociedades humanas, contudo, sugere uma contínua ex-
pansão rumo a comunidades mais amplas e complexas do que tribos e 
clãs. Como explicá-la? Aqui Hume é obrigado a apelar, não para o senti-
mento natural, mas para a convenção, para o artifício institucional, cujo 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 16 
primeiro fruto é a virtude da Justiça, a base das regras do Direito. A Justiça 
é a virtude da macro - sociabilidade, geradora de regras estritas e in flexí-
veis (“convenções”), porém impessoais (pois não importa quem elas benefi-
ciam ou prejudicam em cada caso de sua aplicação) e expansivas, que 
contrasta com as virtudes da micro - sociabilidade, maleáveis e personali-
zadas (isto é, onde importa o “quem”), mas exatamente por isso de curto 
alcance. Mas qual a base do respeito às convenções sociais, as regras da 
Justiça? Tem de haver um princípio geral que sustente as convenções. 
Esse princípio é a reciprocidade. Daí que o contrato e a promessa sejam os 
modelos exemplares da Justiça em ação: os dois primeiros contratantes 
devem ter sido sujeitos estranhos um ao outro, mas que por um motivo 
qualquer – digamos, comercial – precisaram produzir um bem coletivo. Qual 
a estrutura geral do contrato? Eu faço a minha parte e, no momento apra-
zado, você faz a sua. Sou indiferente à sua felicidade, e, contudo, para 
produzir certo bem para mim ou para meus entes queridos, preciso estabe-
lecer uma relação cooperativa com o estranho, sem o qual aquele bem não 
vinga. Logo, só tem sentido cooperar nessas condições se cada um faz a 
sua parte, e na medida em que cada um faz a sua parte (daí a reciprocida-
de). Essa é a natureza da convenção, tão bem caracterizada pela imagem 
humeana dos dois remadores de um barco que se controlam mutuamente 
na alternância de seus respectivos lances de remo. 
 Um faz seu lance na medida em que o outro faça o seu, e só nessa 
medida o bem coletivo (a navegação rumo a um porto comum desejado) 
será produzido. 
Notem como nesse argumento a percepção do auto-interesse embasa a 
reciprocidade. E é desse ponto em diante que os problemas do argumento 
vão aparecendo: 
(1) A sociedade grande e complexa, reconhece Hume, supera as difi-
culdades e deficiências do círculo restrito da tribo, e porém gera suas 
próprias dificuldades e deficiências. Quanto mais cresce a sociedade, mais 
anônima e impessoal ela se torna, de modo que sua sustentação depende-
rá menos das paixões altruístas do que da reciprocidade e, logo, da per-
cepção do auto –interesse na própria atividade cooperativa. Uma coisa, 
porém, é cooperar com uns poucos estranhos, onde é possível controlar os 
laços recíprocos de cada parte e onde está claro que a defecção de um dos 
cooperantes põe a perder todo o empreendimento. Outra é a situação em 
que o número de estranhos é enorme, em que a contribuição de cada um é 
proporcionalmente ínfima. 
Pensem, para ficar num exemplo bem simples, na diferença da partici-
pação eleitoral de um grupo de cinco eleitores e a participação num grupo 
de um milhão de eleitores. A importância da participação de cada indivíduo 
para a determinação de um certo resultado no primeiro caso é visivelmente 
maior do que no segundo caso. No primeiro, relutaria muito em deixar de 
participar, se estou de fato interessado nesse resultado determinado. No 
segundo, tendo a estimar, com razão, que minha ausência será muito 
menos decisiva (e também muito menos sentida) para esse ou aquele 
resultado final, ainda que seja do meu interesse obtê-lo, a ponto de eu 
apostar que um número suficiente de parceiros cumprirão a sua parte em 
meu lugar, e então obter resultado idêntico ao que obteria se eu tivesse 
participado. Mas o dia da votação, um domingo, está ensolarado: por que 
nãodesfrutar esse sol na praia, e deixar que os outros enfrentem a fila da 
urna por mim? Estamos outra vez diante da mesmíssima questão identifi-
cada por Olson: o problema do “carona”. Mas é óbvio que se todos pensas-
sem como o carona, o bem coletivo almejado não se consumaria. Mas por 
que não pensariam, se os estranhos cooperam apenas graças à reciproci-
dade e o auto-interesse? 
(2) Hume imagina duas saídas para esse aparente labirinto. A primeira 
volta a recorrer à psicologia: o hábito explicaria, pelo menos em parte, 
porque continuamos a cooperar mesmo quando deixamos de perceber 
claramente em que medida nossa participação num empreendimento 
cooperativo é decisiva ou não para produzir o resultado almejado. Se em 
situações mais simples e visíveis julgamos que nossa participação é sim 
decisiva, tendemos a estender esse juízo, sem conferir se tal é mesmo o 
caso, para os casos mais complexos e menos visíveis. 
Mas o hábito, admite Hume, está longe de uma explicação suficiente, e 
então ele recorre a uma segunda saída, mais fundamental. Trata-se da 
constituição do governo, ou seja, de uma espécie de divisão de trabalho 
entre governantes e governados, o primeiro formado por um grupo relati-
vamente pequeno e o segundo reunindo a grande maioria da comunidade; 
o primeiro altamente motivado a garantir, como administradores da coisa 
pública, o provimento dos bens coletivos, o segundo liberado para perseguir 
seus bens privados e os de seu círculo restrito de amigos e familiares, 
contanto que paguem os impostos que sustentarão as atividades do primei-
ro grupo. Vejam que esse esquema não implica que os governantes sejam 
altruístas: eles são motivados a produzir os bens coletivos porque essa é, 
na repartição social das tarefas, a meta auto-interessada mais próxima e 
visível, enquanto é a mais distante para o restante da comunidade, isto é, 
os governados. A instalação do governo significa simplesmente uma opera-
ção de transformar, pelo menos para alguns (os governantes), o auto-
interesse distante e embaçado – que ameaça desintegrar a cooperação em 
sociedade anônimas – num auto-interesse próximo e nítido. É como se o 
artifício do governo simbolizasse a arte da construção de uma lente social 
para corrigir a miopia congênita dos grandes conglemerados humanos. 
Outra vez, a um observador atento do sinuoso raciocínio humeano não 
escapará novas dificuldades nessa segunda saída. Porque se o grupo dos 
governantes, encarregado da administração dos negócios públicos, for 
suficientemente coeso, compacto e bem articulado como nas burocracias 
estatais modernas, eles acabarão por constituir um conjunto de interesses 
apartado, talvez mesmo divergente, do restante da sociedade. O auto-
interesse para os seus membros pode significar algo substancialmente – e 
não apenas ilusoriamente (por causa apenas de uma distorção de óptica) – 
diferente dos governados. E como a promoção daquele interesse depende 
da extração, via impostos, dos recursos dos governados, eles serão tenta-
dos a desviar esses recursos para benefício próprio e não para o benefício 
comum. E aqui estamos de novo, e por caminhos transversos, perante o 
rent seeking de James Buchanan. 
IV.IV.IV.IV. 
Para onde afinal nos leva todo essa apresentação de argumentos? 
Penso que nos leva a constatar o contra-senso das premissas psicológicas 
do homo oeconomicus quando estendidas ao mundo da cooperação social 
de um modo geral, e da administração da coisa pública em particular. Se 
levamos até a sua raiz a hipótese de que todos os que promovem serviços 
a outrem, privadamente ou em nome do público, são exclusivamente moti-
vados pelo interesse egoísta, então a minha sugestão é que o fato do 
provimento sistemático desses serviços deve aparecer como um mistério 
da investigação social. O próprio fato da organização social se torna um 
mistério. Se alguém contestar dizendo que esse fato em que estou me 
arvorando é transitório e só ilusoriamente sólido, então é preciso admitir, na 
ausência de outras premissas plausíveis, que os Estados modernos, os 
quais procuram enlaçar sociedades grandes e complexas, caminham de 
modo inexorável para o seu colapso, provavelmente de forma lenta, porém 
constante, gradualmente introduzindo aquela anomia que Hobbes tanto 
temia. 
Minha própria contra-resposta a essas duas sugestões é pura e sim-
plesmente destacar aquilo que dá título a esta palestra: a relevância da 
ética no exercício da função pública. Ao que agora posso acrescentar: a 
relevâ ncia da ética na preservação da organização social, genericamente 
falando, e não apenas da administração da coisa pública. Mas até aqui a 
ética ou a moral se apresentou negativamente, como um vago oposto da 
compulsão egoísta. Porém, o que ela é positivamente? 
Devo dizer de partida que a longa tradição da filosofia moral a que me 
referi no começo desta palestra jamais logrou construir um consenso a 
respeito dessa pergunta. A esmagadora maioria dos filósofos, é verdade, 
descartou ser possível reduzir a moralidade ao egoísmo. O que isso signifi-
ca, porém? O altruísmo? A deferência aos mandamentos de Deus? O 
respeito incondicional a certas regras ou leis que consigamos formular de 
modo universal, que podem até coincidir com aqueles mandamentos, 
porém sem necessariamente assumir suanatureza divina? O respeito 
incondicional a uma certa interpretação da igualdade entre os seres huma-
nos? 
Todas elas, creio, são alternativas plausíveis para fundar a ética, e aju-
dam a explicar, em parte, o sustento da organização social, da cooperação 
e da solidariedade. Não digo que para ajudar a explicar seja preciso assu-
mir que elas são praticadas por todos e em todos os momentos. Fosse 
assim, incorreríamos no mesmo exagero a que incorre a psicologia egoísti-
ca. Basta afirmar que quando detectamos alguma forma de cooperação e 
solidariedade, haveríamos de pelo menos suspeitar de que alguma dessas 
alternativas da vida ética esteja em operação. 
Contudo, todas elas deveriam apontar para uma visão mais sintética, 
reconciliadora. Estamos, como disse, longe de obter consenso sobre uma 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 17 
visão concreta. Mas penso que, seja qual for, ela deveria ser marcada pelo 
esforço de aproximar a natureza da ética ou da moralidade – vejam que, 
para meus propósitos, não me interessei pela distinção desses termos, mas 
espero que outros colegas aqui presentes tenham a chance de sugerir uma 
para a discussão – com a ponderação sobre o que torna a vida digna de ser 
vivida, uma ponderação sobre os valores e princípios que expressem o que 
significa essa vida digna, essa vida que valha a pena ser vivida, como 
indivíduos e como membros de uma comunidade. E que valha a pena não 
porque garante meu próprio bem ou o bem alheio, ou porque garante a 
cega obediência às leis estabelecidas, mas porque promove uma gama de 
ideais sobre o que deve ser uma vida humana, ideais por definição não 
realizados, e talvez jamais plenamente realizáveis, mas que promovidos 
graças à nossa capacidade de realizar ações conscientes e inteligentes. 
Penso também, para concluir, que nada poderia representar melhor o 
excelente exercício das funções públicas do que a consciência dessa 
questão. Seria ótimo, por certo, que tal ponderação estivesse no horizonte 
de cada funcionário público, ainda que suas diferentes conclusões geras-
sem conflito – pois o predomínio da ponderação ética não significa a elimi-
nação do conflito social, apenas o desloca para um outro patamar: não o 
conflito por interesses mesquinhos, mas o conflito para o qual vale a pena 
lutar, porque feito em prol de coisas dignas. Crucial, porém, é que tal pon-
deração contamine suasprincipais artérias e envolva especialmente os que 
exercem suas altas responsabilidades, porque, afinal, como diz a velha 
sabedoria, esses são os exemplos para os demais. Insisto: são exemplos 
para os demais não tanto porque indiscutivelmente corretos, mas porque 
são suficientemente ousados e ambiciosos para pensar, querer, buscar 
ideais nobres e elevados. 
Ética no Setor Público. Ética no Setor Público. Ética no Setor Público. Ética no Setor Público. 
Ética no Serviço PúblicoÉtica no Serviço PúblicoÉtica no Serviço PúblicoÉtica no Serviço Público 
Jorge Teixeira da Silva; Letícia Clara Ribeiro; Antonio Carlos Menegon; 
Joyce de Castro Nunes; Vanderlei Dandrea; Ana Paula Rodrigues; Francis-
ca Dantas; Polliane Tenório Neto; Márcia de Jesus silva; Rogério Chagas 
Pozo. Alunos do Curso de Direito da UMESP. 
Este artigo, fruto de uma intensa atividade de reflexão escrita de todos 
nós, alunos do Curso de Direito da UMESP, surgiu da discussão que esteve 
presente no decorrer do semestre na disciplina: Cidadania, ética pública e 
ação cultural. Resolvemos escrever sobre os Serviços prestados ao públi-
co, devido aos abusos relatados pelos meios de comunicação presentes 
em nosso cotidiano pelo que Milton Santos chama de funcionários sem 
mandato, é sabido que muitas pessoas que confiaram no trabalho se de-
cepcionaram. O presente texto pretende trabalhar estas idéias, de modo 
que possamos olhar através da perspectiva do direito, o desrespeito que 
vem ocorrendo as regra de conduta e da ética que requer o trabalho que os 
serviços públicos visam prestar. 
O Direito que os cidadãos vêm adquirindo aos poucos, e que levou mui-
to tempo para ser construído e respeitado vem, como sabemos, sofrendo 
com a grande dificuldade que a população enfrenta no dia a dia para fazer 
valer seus direitos que às vezes desaparecem porque não são postos em 
prática. A princípio, achamos que isto ocorra por falta de consciência dos 
próprios cidadãos seja por normas e desculpas de resolução posta por 
nossos governantes trazendo um efeito de omissão do papel de um cida-
dão e seus direitos. Estes efeitos citados são objetivados pelos governantes 
que enriquecem justamente através da ignorância em relação aos direitos 
conquistados pela população o que gera um grande desrespeito para com 
os cidadãos e uma cultura que se perpetua. 
Milton Santos, em seu trabalho: O espaço do cidadão mostra-nos que 
estes atos de desrespeito aos direitos e à representação que alguns dos 
funcionários públicos em relação à população, viola a moral, os direitos e 
principalmente, ataca a cultura dos cidadãos, dando a impressão de que os 
serviços públicos podem ser algo negociável, quando o mesmo é inaliená-
vel. 
Para que possamos esclarecer melhor nossas idéias, chegamos à 
questão da ética no serviço público. Mas, o que é "ética"? 
Contemporaneamente e de forma bastante usual, a palavra ética é mais 
compreendida como disciplina da área de filosofia e que tem por objetivo a 
moral ou moralidade, os bons costumes, o bom comportamento e a boa fé, 
inclusive. Por sua vez, a moral deveria estar intrinsecamente ligada ao 
comportamento humano, na mesma medida, em que está o seu caráter, 
personalidade, etc; presumindo portanto, que também a ética pode ser 
avaliada de maneira boa ou ruim, justa ou injusta, correta ou incorreta. 
Num sentido menos filosófico e mais prático podemos entender esse 
conceito analisando certos comportamentos do nosso dia a dia, quando nos 
referimos por exemplo, ao comportamento de determinados profissionais 
podendo ser desde um médico, jornalista, advogado, administrador, um 
político e até mesmo um professor; expressões como: ética médica, ética 
jornalística, ética administrativa e ética pública, são muito comuns. 
Podemos verificar que a ética está diretamente relacionada ao padrão 
de comportamento do indivíduo, dos profissionais e também do político, 
como falamos anteriormente. O ser humano elaborou as leis para orientar 
seu comportamento frente as nossas necessidades (direitos e obrigações) 
e em relação ao meio social, entretanto, não é possível para a lei ditar 
nosso padrão de comportamento e é aí que entra outro ponto importante 
que é a cultura, ficando claro que não a cultura no sentido de quantidade de 
conhecimento adquirido, mas sim a qualidade na medida em que esta pode 
ser usada em prol da função social, do bem estar e tudo mais que diz 
respeito ao bem maior do ser humano, este sim é o ponto fundamental, a 
essência, o ponto mais controverso quando tratamos da questão ética na 
vida pública, á qual iremos nos aprofundar um pouco mais, por se tratar do 
tema central dessa pesquisa. 
A questão da ética no serviço Público. 
Quando falamos sobre ética pública, logo pensamos em corrupção, ex-
torsão, ineficiência, etc, mas na realidade o que devemos ter como ponto 
de referência em relação ao serviço público, ou na vida pública em geral, é 
que seja fixado um padrão a partir do qual possamos, em seguida julgar a 
atuação dos servidores públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na 
vida pública, entretanto não basta que haja padrão, tão somente, é neces-
sário que esse padrão seja ético, acima de tudo . 
O fundamento que precisa ser compreendido é que os padrões éticos 
dos servidores públicos advêm de sua própria natureza, ou seja, de caráter 
público, e sua relação com o público. A questão da ética pública está dire-
tamente relacionada aos princípios fundamentais, sendo estes comparados 
ao que chamamos no Direito, de "Norma Fundamental", uma norma hipoté-
tica com premissas ideológicas e que deve reger tudo mais o que estiver 
relacionado ao comportamento do ser humano em seu meio social, aliás, 
podemos invocar a Constituição Federal. Esta ampara os valores morais da 
boa conduta, a boa fé acima de tudo, como princípios básicos e essenciais 
a uma vida equilibrada do cidadão na sociedade, lembrando inclusive o tão 
citado, pelos gregos antigos, "bem viver". 
Outro ponto bastante controverso é a questão da impessoalidade. Ao 
contrário do que muitos pensam, o funcionalismo público e seus servidores 
devem primar pela questão da "impessoalidade", deixando claro que o 
termo é sinônimo de "igualdade", esta sim é a questão chave e que eleva o 
serviço público a níveis tão ineficazes, não se preza pela igualdade. No 
ordenamento jurídico está claro e expresso, "todos são iguais perante a lei". 
E também a idéia de impessoalidade, supõe uma distinção entre aquilo 
que é público e aquilo que é privada (no sentido do interesse pessoal), que 
gera portanto o grande conflito entre os interesses privados acima dos 
interesses públicos. Podemos verificar abertamente nos meios de comuni-
cação, seja pelo rádio, televisão, jornais e revistas, que este é um dos 
principais problemas que cercam o setor público, afetando assim, a ética 
que deveria estar acima de seus interesses. 
Não podemos falar de ética, impessoalidade (sinônimo de igualdade), 
sem falar de moralidade. Esta também é um dos principais valores que 
define a conduta ética, não só dos servidores públicos, mas de qualquer 
indivíduo. Invocando novamente o ordenamento jurídico podemos identifi-
car que a falta de respeito ao padrão moral, implica portanto, numa violação 
dos direitos do cidadão, comprometendo inclusive, a existência dos valores 
dos bons costumes em uma sociedade. 
A falta de ética na Administração Publica encontra terreno fértil para se 
reproduzir , pois o comportamento de autoridades públicas estão longe de 
se basearem em princípios éticos e isto ocorre devido a falta de preparo 
dos funcionários, cultura equivocada e especialmente, por falta de meca-
nismos de controle e responsabilização adequada dos atos anti-éticos. 
A sociedade por sua vez, tem sua parcela de responsabilidade nesta si-
tuação, pois não se mobilizam para exercer os seus direitos e impedirestes 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 18 
casos vergonhosos de abuso de poder por parte do Pode Público. Um dos 
motivos para esta falta de mobilização social se dá, devido á falta de uma 
cultura cidadã, ou seja, a sociedade não exerce sua cidadania. A cidadania 
Segundo Milton Santos " é como uma lei", isto é, ela existe mas precisa ser 
descoberta , aprendida, utilizada e reclamada e só evolui através de pro-
cessos de luta. Essa evolução surge quando o cidadão adquire esse status, 
ou seja, quando passa a ter direitos sociais. A luta por esses direitos garan-
te um padrão de vida mais decente. O Estado, por sua vez, tenta refrear os 
impulsos sociais e desrespeitar os indivíduos, nessas situações a cidadania 
deve se valer contra ele, e imperar através de cada pessoa. Porém Milton 
Santos questiona, se "há cidadão neste pais"? Pois para ele desde o nas-
cimento as pessoas herdam de seus pais e ao longa da vida e também da 
sociedade, conceitos morais que vão sendo contestados posteriormente 
com a formação de idéias de cada um, porém a maioria das pessoas não 
sabem se são ou não cidadãos. 
A educação seria o mais forte instrumento na formação de cidadão 
consciente para a construção de um futuro melhor. 
No âmbito Administrativo, funcionários mal capacitados e sem princípios 
éticos que convivem todos os dias com mandos e desmandos, atos deso-
nestos, corrupção e falta de ética tendem a assimilar por este rol "cultural" 
de aproveitamento em beneficio próprio. 
Se o Estado, que a principio deve impor a ordem e o respeito como re-
gra de conduta para uma sociedade civilizada, é o primeiro a evidenciar o 
ato imoral, vêem esta realidade como uma razão, desculpa ou oportunidade 
para salvar-se, e , assim sendo, através dos usos de sua atribuição publica. 
A consciência ética, como a educação e a cultura são aprendidas pelo 
ser humano, assim, a ética na administração publica, pode e deve ser 
desenvolvida junto aos agentes públicos ocasionando assim, uma mudança 
na administração publica que deve ser sentida pelo contribuinte que dela se 
utiliza diariamente, seja por meio da simplificação de procedimentos, isto é, 
a rapidez de respostas e qualidade dos serviços prestados, seja pela forma 
de agir e de contato entre o cidadão e os funcionários públicos. 
A mudança que se deseja na Administração pública implica numa gra-
dativa, mas necessária "transformação cultura" dentro da estrutura organi-
zacional da Administração Pública, isto é, uma reavaliação e valorização 
das tradições, valores, hábitos, normas, etc, que nascem e se forma ao 
longo do tempo e que criam um determinado estilo de atuação no seio da 
organização. 
Conclui-se, assim, que a improbidade e a falta de ética que nascem nas 
máquinas administrativas devido ao terreno fértil encontrado devido à 
existência de governos autoritários, governos regidos por políticos sem 
ética, sem critérios de justiça social e que, mesmo após o advento de 
regimes democrático, continuam contaminados pelo "vírus" dos interesses 
escusos geralmente oriundos de sociedades dominadas por situações de 
pobreza e injustiça social, abala a confiança das instituições, prejudica a 
eficácia das organizações, aumenta os custos, compromete o bom uso dos 
recursos públicos e os resultados dos contratos firmados pela Administra-
ção Pública e ainda castiga cada vez mais a sociedade que sofre com a 
pobreza, com a miséria, a falta de sistema de saúde, de esgoto, habitação, 
ocasionados pela falta de investimentos financeiros do Governo, porque os 
funcionários públicos priorizam seus interesses pessoais em detrimento dos 
interesses sociais. 
Essa situação vergonhosa só terá um fim no dia em que a sociedade 
resolver lutar para exercer os seus direitos respondendo positivamente o 
questionamento feito por Milton Santos "HÁ CIDADÃOS NESTE PAÍS?" e 
poderemos responder em alto e bom som que " SIM. Há cidadão neste 
pais. E somos todos brasileiros.". 
Finalizando, gostaríamos de destacar alguns pontos básicos, que base-
ado neste estudo, julgamos essenciais para a boa conduta, um padrão 
ético, impessoal e moralístico: 
1 - Podemos conceituar ética, também como sendo um padrão de com-
portamento orientado pelos valores e princípio morais e da dignidade 
humana. 
2 - O ser humano possui diferentes valores e princípios e a "quantidade" 
de valores e princípios atribuídos, determinam a "qualidade" de um padrão 
de comportamento ético: 
Maior valor atribuído (bem), maior ética. 
Menor valor atribuído (bem), menor ética. 
3 - A cultura e a ética estão intrinsecamente ligadas. Não nos referimos 
a palavra cultura como sendo a quantidade de conhecimento adquirido, 
mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em prol da 
função social, do bem estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do 
ser humano . 
4 - A falta de ética induz ao descumprimento das leis do ordenamento 
jurídico. 
5 - Em princípio as leis se baseiam nos princípios da dignidade humana, 
dos bons costumes e da boa fé. 
6 - Maior impessoalidade (igualdade), maior moralidade = melhor pa-
drão de ética. 
Código de Ética ProfissionCódigo de Ética ProfissionCódigo de Ética ProfissionCódigo de Ética Profissional do Seal do Seal do Seal do Serrrrviço Público viço Público viço Público viço Público ---- Decreto n.º 1.171/94.Decreto n.º 1.171/94.Decreto n.º 1.171/94.Decreto n.º 1.171/94. 
DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 
Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal. 
 0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe 
confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 
37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 
de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de 
junho de 1992, 
 DECRETA:DECRETA:DECRETA:DECRETA: 
 Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor 
Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa. 
 Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta 
e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à 
plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da 
respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados 
titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. 
 Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunica-
da à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, 
com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. 
 Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
 Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da 
República. 
ANEXOANEXOANEXOANEXO 
Código de Ética Profissional doCódigo de Ética Profissional doCódigo de Ética Profissional doCódigo de Ética Profissional do 
Servidor Público Civil do Poder ExecServidor Público Civil do Poder ExecServidor Público Civil do Poder ExecServidor Público Civil do Poder Executivo Federalutivo Federalutivo Federalutivo Federal 
CAPÍTULO ICAPÍTULO ICAPÍTULO ICAPÍTULO I 
Seção ISeção ISeção ISeção I 
Das Regras DeontológicasDas Regras DeontológicasDas Regras DeontológicasDas Regras Deontológicas 
 I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princí-
pios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, 
seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já querefletirá o exercí-
cio da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e 
atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos 
serviços públicos. 
 II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético 
de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o 
ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o 
inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante 
as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal. 
 III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção 
entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre 
o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do 
servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrati-
vo. 
 IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos 
direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, 
como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, 
como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-
se, como conseqüência, em fator de legalidade. 
 V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunida-
de deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, 
como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser 
considerado como seu maior patrimônio. 
 VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, 
portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 19 
fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada pode-
rão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. 
 VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou 
interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preser-
vados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a 
publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e 
moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem 
comum, imputável a quem a negar. 
 VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la 
ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interes-
sada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabi-
lizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da 
mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto 
mais a de uma Nação. 
 IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao 
serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma 
pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe 
dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao 
patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não consti-
tui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas 
a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu 
tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. 
 X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que 
compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de 
longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, 
não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas 
principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. 
 XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de 
seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, 
evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo 
de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até 
mesmo imprudência no desempenho da função pública. 
 XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é 
fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à 
desordem nas relações humanas. 
 XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organiza-
cional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos 
pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportuni-
dade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. 
Seção IISeção IISeção IISeção II 
Dos Principais Deveres do Servidor PúblicoDos Principais Deveres do Servidor PúblicoDos Principais Deveres do Servidor PúblicoDos Principais Deveres do Servidor Público 
 XIV - São deveres fundamentais do servidor público: 
 a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego 
público de que seja titular; 
 b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, 
pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinató-
rias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso 
na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com 
o fim de evitar dano moral ao usuário; 
 c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu 
caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a 
melhor e a mais vantajosa para o bem comum; 
 d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial 
da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo; 
 e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o 
processo de comunicação e contato com o público; 
 f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos 
que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos; 
 g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a 
capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço 
público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, 
nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, absten-
do-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral; 
 h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar 
contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o 
Poder Estatal; 
 i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratan-
tes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou 
vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e 
denunciá-las; 
 j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas 
da defesa da vida e da segurança coletiva; 
 l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência 
provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o 
sistema; 
 m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou 
fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis; 
 n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os 
métodos mais adequados à sua organização e distribuição; 
 o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a 
melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do 
bem comum; 
 p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício 
da função; 
 q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a 
legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções; 
 r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções supe-
riores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com 
critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem. 
 s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito; 
 t) exercercom estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe 
sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos 
interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administra-
tivos; 
 u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou 
autoridade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que ob-
servando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação ex-
pressa à lei; 
 v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a 
existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. 
Seção IIISeção IIISeção IIISeção III 
Das Vedações ao Servidor PúblicoDas Vedações ao Servidor PúblicoDas Vedações ao Servidor PúblicoDas Vedações ao Servidor Público 
 XV - E vedado ao servidor público; 
 a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e 
influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; 
 b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de 
cidadãos que deles dependam; 
 c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro 
ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; 
 d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular 
de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material; 
 e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance 
ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister; 
 f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões 
ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os 
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores 
ou inferiores; 
 g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de 
ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de 
qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumpri-
mento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; 
 h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para 
providências; 
 i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento 
em serviços públicos; 
 j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular; 
 l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qual-
quer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; 
 m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de 
seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; 
 n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; 
 o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, 
a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; 
 p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empre-
endimentos de cunho duvidoso. 
CAPÍTULO IICAPÍTULO IICAPÍTULO IICAPÍTULO II 
DAS COMISSÕES DE ÉTICADAS COMISSÕES DE ÉTICADAS COMISSÕES DE ÉTICADAS COMISSÕES DE ÉTICA 
 XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Fede-
ral direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou enti-
dade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser 
criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre 
a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o 
patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação 
ou de procedimento susceptível de censura. 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 20 
 XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encar-
regados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros 
sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções 
e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor 
público. 
 XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a 
de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado 
por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso. 
 XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se 
por servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qual-
quer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou 
excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta 
ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as 
fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as 
sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o 
interesse do Estado. 
 
PROVAPROVAPROVAPROVA SIMULADASIMULADASIMULADASIMULADA 
 
Nos testes que se seguem, assinale:Nos testes que se seguem, assinale:Nos testes que se seguem, assinale:Nos testes que se seguem, assinale: 
C C C C –––– se a proposição estiver corretase a proposição estiver corretase a proposição estiver corretase a proposição estiver correta 
E E E E –––– se a mesma estiver incorreta se a mesma estiver incorreta se a mesma estiver incorreta se a mesma estiver incorreta 
 
Considerando os preceitos do Código de Ética Profissional do Servidor 
Público Civil do Poder Executivo Federal, julgue o item que se segue. 
 
01. As ordens de superiores hierárquicos devem ser sempre atendidas, 
sem questionamento, em respeito à hierarquia nas relações de trabalho. 
 
Julgue os itens a seguir, acerca de trabalho em equipe.Julgue os itens a seguir, acerca de trabalho em equipe.Julgue os itens a seguir, acerca de trabalho em equipe.Julgue os itens a seguir, acerca de trabalho em equipe. 
 
02. Mesmo que todas as barreiras tenham sido ultrapassadas e o grupo 
seja muito coeso e homogêneo, ainda assim existe a possibilidade de esse 
grupo tornar-se resistente a mudanças e a opiniões discordantes. 
 
03. No que se refere ao trabalho em equipe, é correto afirmar que quanto 
mais cooperativos forem os membros de um grupo, maior será a efetividade 
deste grupo. 
 
04. As equipes são vantajosas porque rompem a rigidez hierárquica das 
empresas baseadas em compartimentos, facilitam o processo de comuni-
cação interna e reúnem pessoas com conhecimentos de várias áreas, 
aproximando-as. 
 
05. O trabalho em equipe sempre gera maior produtividade, pois pessoas 
trabalhando em grupo são mais eficazes que indivíduos trabalhando isola-
damente. 
 
As diversas situações que se apresentam no atendimento ao público reque-
rem do servidor, cada vez mais, múltiplas competências. Acerca desse 
assunto, julgue os itens subseqüentes. 
 
06. O percentual de atendimentos completos no primeiro contato e o tempo 
gasto nesse atendimento são as principais medidas técnicas para avaliação 
da qualidade do atendimento ao público. 
 
07. No atendimento ao público, o tratamento das informações baseia-se 
predominantemente no diagnóstico das exigências da situação apoiado nos 
critérios estabelecidos pela instituição, os quais orientam a tomada de 
decisão. 
 
08. Em virtude da variabilidade de opções, um servidor efetivo que atende 
ao público deve atuar preponderantemente como executor de rotinas, o que 
implica identificar situações e seguir instruções. 
 
09. No atendimento ao público, a omissão voluntária de informação ao 
cidadão que dela necessite constitui falta ética e comportamento negativo 
no relacionamento entre atendente e cidadão. 
 
10. A atividade de atendimento ao público compreende, entre outras, ações 
rotineiras como as de solicitação, identificação, cotejamento, pesquisa, 
registro, emissão, orientação e arquivamento de informações, o que requer 
do atendente paciência, tolerância epresteza. 
 
Quanto ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal, julgue os itens a seguir. 
 
11. 11. 11. 11. Compete ao Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal 
contribuir para a implementação de políticas públicas, tendo a transparência 
e o acesso à informação como instrumentos fundamentais para o exercício 
de gestão da ética pública. 
 
12. 12. 12. 12. A moralidade da administração pública não se limita à distinção entre o 
bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre a 
manutenção da ordem constitucional. 
 
13. 13. 13. 13. É o equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor 
público, que consolida a moralidade do ato administrativo. 
 
14. 14. 14. 14. Tanto no exercício do cargo ou função quanto fora dele, a dignidade, o 
pudor, a eficácia, o zelo e a consciência dos princípios morais são primados 
maiores que devem nortear o servidor público, já que refletirão a ideologia 
do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes devem ser 
direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços 
públicos. 
 
15. 15. 15. 15. O referido código de ética criou o Tribunal de Ética, incumbindo-o de 
fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira 
dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instru-
ir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos pró-
prios da carreira do servidor público. 
 
Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue os itens a seguir.Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue os itens a seguir.Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue os itens a seguir.Acerca da qualidade no atendimento ao público, julgue os itens a seguir. 
 
16. A qualidade do atendimento ao público fundamenta-se na prestação da 
informação correta, na cortesia do atendimento, na brevidade da resposta e 
na adequação do ambiente para a realização do atendimento. 
 
17. A avaliação de satisfação do usuário deriva da mesma premissa que 
orienta o estabelecimento de padrões de qualidade pelas organizações 
públicas, ou seja, da necessidade de envolver a ótica do cidadão sobre as 
demandas de atendimento. 
 
18. Para planejar um programa de atendimento ao público por um órgão 
público, é necessário investigar as experiências bem-sucedidas em organi-
zações privadas e tentar reaplica-las na realidade da administração públi-
ca. 
 
19. O trabalho desenvolvido pelo funcionário que exerça a função de aten-
dimento ao público deve ser considerado mera reprodução de procedimen-
tos padronizados. 
 
20. O atendente, ao desempenhar seu trabalho, cria uma possibilidade de 
relação interpessoal que possibilita a aproximação entre a satisfação do 
cliente/cidadão e os objetivos da organização. 
 
A busca da geA busca da geA busca da geA busca da gestão socialmente responsável tem exigido maior transtão socialmente responsável tem exigido maior transtão socialmente responsável tem exigido maior transtão socialmente responsável tem exigido maior transsssparêparêparêparên-n-n-n-
cia das instituições, sejam públicas, sejam privadas, nas relcia das instituições, sejam públicas, sejam privadas, nas relcia das instituições, sejam públicas, sejam privadas, nas relcia das instituições, sejam públicas, sejam privadas, nas relaaaações com ções com ções com ções com 
seus fornecedores, funcionários e clientes. Tal atributo tem sido fundameseus fornecedores, funcionários e clientes. Tal atributo tem sido fundameseus fornecedores, funcionários e clientes. Tal atributo tem sido fundameseus fornecedores, funcionários e clientes. Tal atributo tem sido fundamen-n-n-n-
tal para a reputtal para a reputtal para a reputtal para a reputaaaação das organizações, que devem explção das organizações, que devem explção das organizações, que devem explção das organizações, que devem explicitar à sociedicitar à sociedicitar à sociedicitar à sociedaaaade de de de 
seus valores e a seu corpo funcional os padrões éticos e de conduta consseus valores e a seu corpo funcional os padrões éticos e de conduta consseus valores e a seu corpo funcional os padrões éticos e de conduta consseus valores e a seu corpo funcional os padrões éticos e de conduta consi-i-i-i-
derados adequados. Nesse contexto e à luz do Código de Ética Profissional derados adequados. Nesse contexto e à luz do Código de Ética Profissional derados adequados. Nesse contexto e à luz do Código de Ética Profissional derados adequados. Nesse contexto e à luz do Código de Ética Profissional 
do Servidor Público do Poder Executdo Servidor Público do Poder Executdo Servidor Público do Poder Executdo Servidor Público do Poder Executiiiivo Federal, julgue os itens seguintes.vo Federal, julgue os itens seguintes.vo Federal, julgue os itens seguintes.vo Federal, julgue os itens seguintes. 
 
21. O agente público tem o dever de buscar o equilíbrio entre a legalidade e 
a finalidade na tentativa de proporcionar a consolidação da moralidade do 
ato administrativo praticado. 
 
22. O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade 
deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como 
cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser conside-
rado como seu maior patrimônio. 
 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 21 
23. De acordo com o referido código de ética, tratar mal uma pessoa que 
paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. 
 
24. Um servidor que permite que um processo não seja solucionado a 
contento pode ser acusado de usar de artifícios para procrastinar ou dificul-
tar o exercício regular de direito por qualquer pessoa. 
 
25. O referido código serve primordialmente para punir o comportamento 
não-ético do servidor público, já que possui caráter de obrigatoriedade. 
 
26. O Decreto n. 1.171 de 1994 prevê 
a) a constituição de uma comissão de ética no âmbito da administração 
pública estadual. 
b) a constituição de comissões de ética em órgãos e entidades da adminis-
tração pública federal. 
c) que a comissão fica constituída de membros do poder público. 
d) que as comissões sejam constituídas paritariamente. 
e) que o objetivo da comissão é instaurar processos de punição. 
 
27. O Decreto nº. 1.171 de 22 de junho de 1994, que aprova o Código de 
Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, traz em seu 
Anexo o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal. 
Sobre as questões éticas contidas nesse Código, julgue as afirmativas 
como verdadeiras (V) ou falsas (V): 
I. É dever fundamental do servidor público ser probo, reto, leal e justo, 
demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre, 
quando estiver diante de duas opções, a melhor e mais vantajosa para o 
bem comum; 
II. É dever fundamental do servidor público ser cortês, ter urbanidade, 
disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações indivi-
duais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de 
preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, 
cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhe 
dano moral; 
III. É dever fundamental do servidor público manter limpo e em perfeita 
ordem o local de trabalho; 
IV. O servidor permitir a formação de longas filas caracteriza-se como 
atitude contra a ética. 
Está correta a alternativa: 
a) V–V–V–V. 
b) V–V–F–F. 
c) V–V–V–F. 
d) F–F–F–F. 
 
28. De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil 
do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto n. 1.171, de 22.6.1994, 
são deveres fundamentaisdo servidor público: 
I. abster-se de exercer as prerrogativas funcionais do cargo de forma con-
trária aos legítimos interesses dos usuários do serviço público. 
II. quando estiver diante de mais de uma opção, escolher aquela que me-
lhor atenda aos interesses do governo. 
III. exigir de seus superiores hierárquicos as providências cabíveis relativas 
a ato ou fato contrário ao interesse público que tenha levado ao conheci-
mento deles. 
IV. facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito. 
V. materializar os princípios éticos mediante a adequada prestação dos 
serviços públicos. 
Estão corretas 
 a) as afirmativas I, II, III, IV e V. 
 b) apenas as afirmativas I, III, IV e V 
 c) apenas as afirmativas I, II, IV e V. 
 d) apenas as afirmativas I e IV. 
 e) apenas as afirmativas I, IV e V. 
 
29. A autoridade submetida ao Código de Conduta da Alta Administração, 
durante o exercício do cargo, não pode: 
I. realizar investimento em bens cujo valor possa ser afetado por decisão 
governamental a respeito da qual tenha informação privilegiada. 
II. gerir os próprios bens cujo valor possa ser afetado por decisão própria, 
do órgão ou do setor de atuação. 
III. prestar assessoria a empresa do setor de sua atuação. 
IV. exercer encargo de mandatário, mesmo que não remunerado e não 
implique a prática de atos de comércio ou quaisquer outros incompatíveis 
com o exercício do cargo. 
V. participar de congresso, com despesas pagas pelo promotor do evento, 
se este tiver interesse em decisão a ser tomada pela autoridade participan-
te. 
Estão corretas 
 a) as afirmativas I, II, III, IV e V. 
 b) apenas as afirmativas I, II, IV e V. 
 c) apenas as afirmativas I, II, III e IV. 
 d) apenas as afirmativas II, III, IV e V. 
 e) apenas as afirmativas I, II, III e V. 
 
30. O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder 
Executivo Federal, aprovado pelo Decreto n. 1.171, de 22.6.1994, exalta 
alguns valores que devem ser observados no exercício da função pública, a 
saber: 
I. verdade, como um direito do cidadão, ainda que contrária aos seus 
interesses ou da Administração. 
II. dignidade, que deve estar refletida em comportamentos e atitudes dire-
cionados à preservação da honra e da tradição dos serviços públicos. 
III. moralidade, representada pelo equilíbrio entre a legalidade e a finalidade 
do ato. 
IV. decoro, que deve ser mantido pelo servidor não apenas no local de 
trabalho, mas, também, fora dele. 
V. cortesia, boa vontade e respeito pelo cidadão que paga os seus tributos. 
Estão corretas 
 a) apenas as afirmativas II, III, IV e V. 
 b) as afirmativas I, II, III, IV e V. 
 c) apenas as afirmativas I, II, III e V. 
 d) apenas as afirmativas I, III, IV e V. 
 e) apenas as afirmativas III, IV e V. 
 
31. Acerca das situações de conflito de interesse a que podem estar sujei-
tos os servidos públicos, em razão da função ou cargo público exercido, 
foram feitas as afirmativas a seguir. 
I - O servidor público deve comunicar a ocorrência de conflito de interesse 
ao seu superior hierárquico. 
II - O servidor público, para resolver o conflito de interesse existente, pode 
transferir a propriedade dos bens relacionados ao referido conflito a sua 
esposa ou filhos. 
III - Haverá conflito de interesse quando o servidor público mantiver vínculo 
de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em sua 
decisão individual. 
IV- Haverá conflito de interesse quando o servidor público exercer atividade 
na iniciativa privada que, pela sua natureza, implique utilização de informa-
ção inerente ao cargo público ocupado. 
Estão corretas as afirmativas 
 a) I e III, apenas. 
 b) II e IV, apenas. 
 c) I, II e IV, apenas. 
 d) I, III e IV, apenas. 
 e) I, II, III e IV. 
 
Quanto ao Decreto nº 1.171/94, assinale C = certo ou E = erradoQuanto ao Decreto nº 1.171/94, assinale C = certo ou E = erradoQuanto ao Decreto nº 1.171/94, assinale C = certo ou E = erradoQuanto ao Decreto nº 1.171/94, assinale C = certo ou E = errado 
32. Das Regras Deontológicas32. Das Regras Deontológicas32. Das Regras Deontológicas32. Das Regras Deontológicas 
I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios 
morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no 
exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da 
vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes 
serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços 
públicos. 
II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua 
conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o 
justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportu-
no, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras 
contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal. 
III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre 
o bem e o mal, devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o 
bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do 
servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrati-
vo. 
IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 22 
direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, 
como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, 
como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-
se, como consequência, em fator de legalidade. 
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade 
deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como 
cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser conside-
rado como seu maior patrimônio. 
VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, 
se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos 
verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer 
ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional. 
VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou 
interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preser-
vados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a 
publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e 
moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem 
comum, imputável a quem a negar. 
VIII -Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou 
falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada 
ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-
se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, 
que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de 
uma Nação. 
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço 
público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que 
paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. 
Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio 
público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas 
uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os 
homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas 
esperanças e seus esforços para construí-los. 
X -Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que 
compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de 
longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço,não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas 
principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos. 
XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus 
superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a 
conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios 
tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo impru-
dência no desempenho da função pública. 
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator 
de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à 
desordem nas relações humanas. 
XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, 
respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode 
receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade 
para o crescimento e o engrandecimento da Nação. 
 
33. São deveres fundamentais do servidor público: 
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego 
público de que seja titular; 
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo 
fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, 
principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na 
prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o 
fim de evitar dano moral ao usuário; 
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu 
caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a 
melhor e a mais vantajosa para o bem comum; 
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da 
gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo; 
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o 
processo de comunicação e contato com o público; 
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que 
se materializam na adequada prestação dos serviços públicos; 
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a 
capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço 
público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, 
nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, absten-
do-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral; 
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar 
contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o 
Poder Estatal; 
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratan-
tes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou 
vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e 
denunciá-las; 
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da 
defesa da vida e da segurança coletiva; 
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência 
provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o 
sistema; 
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou 
fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis; 
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os 
métodos mais adequados à sua organização e distribuição; 
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melho-
ria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem 
comum; 
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício 
da função; 
q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a 
legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções; 
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superio-
res, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, 
segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem. 
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito; 
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe 
sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos 
interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administra-
tivos; 
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autori-
dade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando 
as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei; 
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a 
existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. 
 
34. E vedado ao servidor público; 
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e 
influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; 
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de 
cidadãos que deles dependam; 
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou 
infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão; 
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de 
direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material; 
e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do 
seu conhecimento para atendimento do seu mister; 
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou 
interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os 
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores 
ou inferiores; 
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda 
financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qual-
quer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento 
da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim; 
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para 
providências; 
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em 
serviços públicos; 
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular; 
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer 
documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; 
m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu 
serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; 
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; 
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a 
honestidade ou a dignidade da pessoa humana; 
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendi-
mentos de cunho duvidoso. 
 
35. Das Comissões De Ética 
- Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, 
indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 23 
exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma 
Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética 
profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio 
público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de 
procedimento susceptível de censura. 
- À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da 
execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua 
conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para 
todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público. 
- A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censu-
ra e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos 
os seus integrantes, com ciência do faltoso. 
- Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor 
público todo aquele que, por forçade lei, contrato ou de qualquer ato jurídi-
co, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, 
ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indireta-
mente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as funda-
ções públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as socie-
dades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse 
do Estado. 
 
Nas questões que se seguem, assinale: 
C – se a proposição estiver correta 
E – se a proposição estiver incorreta 
36. A finalidade dos códigos morais é reger a conduta dos membros de 
uma comunidade, de acordo com princípios de conveniência geral, para 
garantir a integridade do grupo e o bem-estar dos indivíduos que o consti-
tuem. Assim, o conceito de pessoa moral se aplica apenas ao sujeito en-
quanto parte de uma coletividade. 
37. Ética é a disciplina crítico-normativa que estuda as normas do compor-
tamento humano, mediante as quais o homem tende a realizar na prática 
atos identificados com o bem. 
38. Moral -Conjunto de regras e prescrições a respeito do comportamento, 
estabelecidas e aceitas por determinada comunidade humana durante 
determinado período de tempo. 
39. A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios 
morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no 
exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da 
vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes 
serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços 
públicos. 
40. A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o 
bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem 
comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servi-
dor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. 
 
RESPOSTASRESPOSTASRESPOSTASRESPOSTAS 
01. E 
02. C 
03. E 
04. C 
05. E 
06. C 
07. C 
08. E 
09. C 
10. C 
11. C 
12. E 
13. C 
14. E 
15. E 
16. C 
17. C 
18. E 
19. E 
20. C 
 
21. C 
22. C 
23. C 
24. C 
25. E 
26. B 
27. A 
28. B 
29. E 
30. B 
 
31. D 
32. C 
33. C 
34. C 
35. C 
36. C 
37. C 
38. C 
39.C 
40. C 
 
 
___________________________________ 
___________________________________ 
___________________________________ 
___________________________________ 
___________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos 
Ética no Serviço Público A Opção Certa Para a Sua Realização 24 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
______________________________________________________________________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________ 
_______________________________________________________

Mais conteúdos dessa disciplina