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PROCESSO PENAL 
Prof. Letícia Sinatora das Neves 
OAB 
2ª Fase 
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PROCESSO PENAL 
Prof. Letícia Sinatora das Neves 
OAB 
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PROCESSO PENAL OAB 
Prof. Letícia Sinatora das Neves 2ª Fase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
CAPÍTULO I – DO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI .................................................... 06 
2) RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI ............................................. 22 
3) MEMORIAIS DO JÚRI .................................................................................................................... 25 
4) APELAÇÃO DAS DECISÕES DO JÚRI ............................................................................................... 33 
CAPÍTULO II – COMENTÁRIOS À LEI DE EXECUÇÃO PENAL – Lei n. 7.210/84 ........................ 41 
2) Jurisprudência Selecionada ........................................................................................................... 57 
CAPÍTULO III - RECURSOS ....................................................................................................... 65 
1) AGRAVO EM EXECUÇÃO .............................................................................................................. 65 
2) CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO ............................................................................. 74 
3) EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE ................................................................................ 77 
4) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ...................................................................................................... 85 
CAPÍTULO IV – HABEAS CORPUS E RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL ........................ 90 
1) HABEAS CORPUS (Art. 5º, LXVIII, CF/88) ..................................................................................... 90 
2) RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL .................................................................................... 97 
CAPÍTULO V - REVISÃO CRIMINAL ......................................................................................... 103 
CAPÍTULO VI –EXERCÍCIOS .................................................................................................... 109 
PADRÃO DE RESPOSTAS ......................................................................................................... 113 
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Procedimento da primeira fase – Sumário da Culpa (judicium accusationis) 
Art.406 ao 421 do CPP 
 
 
CAPÍTULO I – DO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
É o rito procedimento destinado para processar e julgar crimes dolosos contra a vida, 
previsto nos artigos 406 a 497 do Código de Processo Penal. A competência constitucional está firmada no artigo 
5º, XXXVIII, da Constituição Federal. 
Nos termos do artigo 5º, XXXVIII, “d”, da Constituição Federal/88, o procedimento do 
Tribunal do Júri é o procedimento destinado a processar e julgar crimes dolosos contra a vida, que são, segundo 
o artigo 74, § 1º, e artigo 394, §3º, ambos do CPP: 
 
O rito procedimental para os processos de competência do Júri comporta duas fases: 
a primeira fase se inicia com o oferecimento da denúncia e se encerra com a decisão de pronúncia (judicium 
accusationis ou sumário de culpa); já a segunda tem início com o recebimento dos autos pelo juiz presidente 
do tribunal do júri, e termina com o julgamento pelo Tribunal do Júri (judicium causae). 
 
 
 
 
1.1) Recebimento da denúncia – Art. 406 
O Juiz, ao receber a denúncia, abre prazo para a defesa responder, no prazo de dez 
dias. 
 
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Lembre-se: A base legal da Resposta à Acusação no procedimento do Júri é o artigo 406 do CPP e não o 
artigo 396 do CPP. 
 
A defesa poderá arguir preliminares e alegar tudo que interesse à sua defesa, oferecer 
documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), 
qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário; as exceções são processadas em apartado. 
 
 
 
1.2) INDISPENSABILIDADE DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO – Art. 408 
Não apresentada a resposta no prazo legal, o juiz nomeará defensor para oferecê-la 
em até 10 (dez) dias, concedendo-lhe vista dos autos. 
 
1.3) CONTRADITÓRIO – Art. 409 – Específico do Procedimento do Júri 
Apresentada a defesa, o juiz ouvirá o Ministério Público ou o querelante sobre 
preliminares e documentos, em 5 (cinco) dias. 
 
1.4) Providências judiciais – Art. 410 
Recebida a defesa prévia e, eventualmente, a manifestação do órgão acusatório 
acerca de preliminares que tenham sido levantadas ou documentos, juntados, deve o magistrado deliberar a 
respeito do encaminhamento a ser dado o processo. 
Em seguida, determinará as diligências cabíveis (produção de prova pericial, 
reconstituição do crime, entre outros). O mais relevante será designar a audiência de instrução e julgamento, 
uma vez que as partes, quase sempre, arrolam testemunhas. 
Observe que não há previsão expressa de absolvição sumária antes da audiência de 
instrução e julgamento, visto que neste procedimento a absolvição sumária está prevista como uma das decisões 
que encerram a 1ª fase do Júri. Logo, há discussão doutrinária a respeito do cabimento, existindo dois 
posicionamentos: 
a) É possível a aplicação da absolvição sumária para evitar a audiência de instrução, 
aplicando-se analogicamente o artigo 397 do CPP1 
 
 
 
 
 
 
 
 
1Nesse sentindo: Nestor Tavora e Rosmar Alencar sustentam: “Entendemos possível a antecipação da absolvição sumária para momento 
anterior à audiência de instrução, com esteio no artigo 397 do CPP, aplicado analogicamente com base no artigo 2º do mesmo Código.” 
in: Curso de Direito Processual Penal. Editora JusPodivm. 2017. P. 1235. 
 
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b) Não é possível, pois somente se utilizam as regras do procedimento comum 
ordinário de forma subsidiária. No caso, há previsão expressa de aplicação do 
instituto para evitar o Plenário. 2 Dessa forma, já se manifestou o STJ3. 
Inobstante os posicionamentos acima, é importante verificar nos enunciados as 
informações constantes, pois somente será o caso de pedir em eventual Resposta à Acusação que seja o 
acusado Absolvido Sumariamente, nos termos do artigo 397 do CPP, aplicando-se subsidiariamente a regra do 
procedimento comum ordinário (artigo 394, §4º, do CPP), se houver indicação de causa manifesta que 
permita um juízo de certeza, antes mesmo da audiência de instrução, do contrário, seguiremos as 
regras expressas para o Procedimento Especial do Júri. 
 
1.5) Instrução concentrada – Art. 411 
O juiz determinará a inquirição das testemunhas e a realização das diligências 
requeridas pelas partes, no prazo máximo de 10 dias. Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio 
requerimentoe de deferimento pelo juiz. Todas as provas serão produzidas em uma só audiência, podendo o 
juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. 
Nenhum ato será adiado, salvo quando imprescindível à prova faltante, determinando 
o juiz a condução coercitiva de quem deva comparecer. A audiência terá a seguinte ordem: 
1°) declarações do ofendido, se possível; 2°) declarações de testemunhas; 3°) interrogatório do acusado; 4°) 
debates; 5°) decisão. 
As alegações escritas foram substituídas por debates orais, concedendo-se a palavra, 
respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10; havendo mais de 
1 acusado, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual; ao assistente do 
Ministério Público, após a manifestação deste, serão concedidos 10 minutos, prorrogando-se por igual período 
o tempo de manifestação da defesa. 
Lembre-se: É possível converter as alegações orais por Memoriais, no prazo de 
5 dias, utilizando-se da regra contida no artigo 394, §5°, do CPP, ou seja das disposições do procedimento 
comum ordinário (artigos 403, § 3º e 404, § único, ambos do CPP). 
Por fim, no tocante às alegações finais na primeira fase do Júri há um 
posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que merece atenção, vejamos. 
Para o respectivo Tribunal Superior, não há nulidade na primeira fase do júri, 
quando o defensor deixar de apresentar alegações finais, inclusive há tese firmando o posicionamento no 
seguinte sentido: A ausência do oferecimento das alegações finais em processos de competência do Tribunal 
do Júri não acarreta nulidade, uma vez que a decisão de pronúncia encerra juízo provisório acerca da culpa 
(Tese n. 69 – ver Info n. 399). 
 
 
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2 Nesse sentido: Lima, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Volume Único. Editora JusPodivm. 2017. P. 100. 
3 Vejamos a ementa do julgado: 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO. NULIDADES. 
PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI. 1. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA APÓS A APRESENTAÇÃO DE 
RESPOSTA ESCRITA. INAPLICABILIDADE DA REGRA. 2. CITAÇÃO POR EDITAL. NÃO ESGOTAMENTO 
DOS MEIOS PARA CITAR O RECORRENTE. TENTATIVAS INFRUTÍFERAS. PROCESSO E PRAZO PRESCRICIONAL 
SUSPENSOS. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. 3. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO. RISCO DE 
REITERAÇÃO. NECESSIDADE DE GARANTIR A ORDEM PÚBLICA. FUGA. ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI 
PENAL. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 4. RECURSO IMPROVIDO. 
1. Caso em que não se aplica a regra do art. 397 do CPP. Nos processos que tramitam pelo rito do 
Tribunal do Júri, a avaliação acerca da absolvição é regulada pelo art. 415 do Código de Processo 
Penal. Precedentes. 5. Recurso ordinário em habeas corpus a que se nega provimento. 
(RHC 68.765/ES, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 
28/11/2016). 
 
 
1.6) Mutatio libelli: Art. 411, §3º 
Mutatio libelli: Ao final da instrução, pode-se constatar que os fatos narrados na 
denúncia ou queixa não coincidem com as provas colhidas. 
Portanto, pode ser necessário adaptar a peça acusatória ao contexto das provas 
produzidas. Evitando-se qualquer surpresa ao réu, segue-se o disposto no art. 384 do CPP. 
 
1.7) Fase de apreciação da admissibilidade da acusação: 
O procedimento da 1ª fase, de acordo com o artigo 412 do CPP, terá duração de 90 
dias. 
Finda a instrução do processo relacionado ao Tribunal do Júri, cuidando de crimes 
dolosos contra a vida e infrações conexas, o magistrado possui quatro opções: 
a) pronunciar o réu 
b) impronunciá-lo 
c) absolvê-lo sumariamente 
d) desclassificar a infração penal 
 
1.8) Pronúncia – Art. 413 
É decisão interlocutória mista não terminativa, que julga admissível a acusação, 
remetendo o caso à apreciação do Tribunal do Júri. 
Na pronúncia, há um mero juízo de prelibação, pelo qual o juiz admite ou rejeita a 
acusação, sem penetrar no exame do mérito. No caso de o juiz se convencer da existência do crime e de indícios 
suficientes da autoria, deve proferir sentença de pronúncia, fundamentando os motivos de seu convencimento. 
Observe que a decisão de pronúncia atualmente possui uma função bem determina 
em lei, pois o artigo 476 do CPP diz que a acusação está atrelada aos limites da denúncia ou de eventuais 
decisões de recursos que a tenham confirmado. 
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1.9) Impronúncia – Art. 414 
É a decisão interlocutória mista de conteúdo terminativo, visto que encerra a primeira 
fase, deixando de inaugurar a segunda, sem haver juízo de mérito. Assim, inexistindo prova da materialidade 
do fato ou não havendo indícios suficientes de autoria, deve o magistrado impronunciar o réu, que significa 
julgar improcedente a denúncia e não a pretensão punitiva do Estado. 
1.10) Absolvição sumária – Art. 415 
Absolvição sumária: ocorrerá quando estiver provada a inexistência do fato, provado 
não ser o réu autor ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penal ou estiver demonstrada causa de 
isenção de pena ou de exclusão do crime. No caso de inimputáveis, a absolvição sumária só é possível, agora 
por disposição expressa, se a inimputabilidade for a única tese defensiva. 
 
 
 
 
1.11) Desclassificação – Art. 419 
Desclassificação: O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da constante da 
acusação, embora o acusado fique sujeito a pena mais grave. Quando o juiz se convencer, em discordância 
com a acusação, da existência de crime não doloso contra a vida e não for competente para o julgamento, 
remeterá os autos ao juiz que o seja, ficando à disposição deste o acusado preso. 
 
1.12) ADITAMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA PARA INCLUSÃO DE CO-RÉUS – Art. 417 
Havendo prova, colhida durante a instrução, de que outras pessoas estão envolvidas 
na infração penal pela qual está o juiz pronunciando o acusado, é preciso determinar a remessa dos autos ao 
Ministério Público para o necessário aditamento. 
 
1.13) EMENDATIO LIBELLI – Art. 418 
O Juiz não está adstrito à classificação feita pelo órgão do Ministério Público e o réu 
não se defende da definição jurídica do fato, mas, sim, dos fatos imputados. 
Logo, se, porventura, no momento de pronunciar, verificar o magistrado que não se 
trata de infanticídio, mas de homicídio, desde que todas as circunstâncias estejam bem descritas na denúncia, 
pode pronunciar, alterando a classificação, ainda que o réu fique sujeito a pena mais grave. 
1.14) INTIMAÇÃO DA DECISÃO DE PRONÚNCIA – Art. 420 
O acusado será intimado pessoalmente, esteja preso ou solto. 
* Recurso de apelação (art. 416) - IMPORTANTE 
Art. 416. Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá 
apelação. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008) 
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O defensor nomeado (dativo ou defensor público) e o Ministério Público (art. 420, I). 
Quanto ao defensor constituído, ao querelante (por seu advogado) e ao assistente do 
Ministério Público (também é o advogado contratado pelo ofendido), pode-se fazer a intimação pela imprensa. 
No mais, se o acusado estiver solto e não for localizado para a intimação pessoal, far- 
se-á por edital. 
 
 
1.15) Preclusão da decisão de pronúncia – Art. 421 
Preclusa a decisão de pronúncia, os autos serão encaminhados ao juiz presidente do 
Tribunal do Júri. Havendo circunstância superveniente que altere a classificação do crime, o juiz ordenará a 
remessa dos autos ao Ministério Público, em seguida, os autos serão conclusosao juiz para decisão. 
 
 
 
Questão 03 – XXVI EXAME 
Flávio está altamente sensibilizado com o fato de que sua namorada de infância faleceu. Breno, não mais 
aguentando ver Flávio sofrer, passa a incentivar o amigo a dar fim à própria vida, pois, assim, nas palavras 
de Breno, ele “novamente estaria junto do seu grande amor.” Diante dos incentivos de Breno, Flávio resolve 
pular do seu apartamento, no 4º andar do prédio, mas vem a cair em um canteiro de flores, sofrendo 
apenas arranhões leves no braço. Descobertos os fatos, Breno é denunciado pela prática do crime previsto 
no Art. 122 do Código Penal, na forma consumada, já que ele incentivou Flávio a se suicidar. Recebida a 
denúncia, o juiz, perante a Vara Única da Comarca onde os fatos ocorreram, determina que seja observado 
o procedimento comum ordinário. Durante a instrução, todos os fatos anteriormente narrados são 
confirmados. Os autos são encaminhados para as partes para apresentação de alegações finais. A família de 
Breno procura você para, na condição de advogado(a), prestar os esclarecimentos a seguir. 
A) O procedimento observado durante a ação penal em desfavor de Breno foi o adequado? Justifique. 
(Valor: 0,60) 
B) Qual o argumento a ser apresentado pela defesa técnica para questionar a capitulação delitiva realizada 
pelo Ministério Público? Justifique. (Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
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1.16) Preparação e organização do júri. 
O libelo foi extinto pela nova redação dada pela Lei 11.689/2008. 
No entanto, de acordo com este artigo, o legislador os substituiu por duas novas peças 
(inominadas). Assim, ao receber os autos, após a preclusão da pronúncia, o presidente do Tribunal do Júri 
determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, 
para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo 
de 5 (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência. 
 
1.17) DESAFORAMENTO – Art. 427 
 
 
a) Conceito 
É a decisão jurisdicional que altera a competência inicialmente fixada pelos critérios 
do art. 69 do CPP, com a aplicação estrita no procedimento do Tribunal do Júri, dentro dos requisitos legais 
previamente estabelecidos. 
A competência, para tal, é sempre da Instância Superior (Câmara ou Turma do 
Tribunal de Justiça). 
b) Interesse da ordem pública 
A ordem pública é a segurança existente na Comarca onde o júri deverá realizar-se. 
Assim, havendo razoáveis motivos e comprovados de que a ocorrência do julgamento provocará distúrbios, 
gerando intranquilidade na sociedade local, constituído está o fundamento para desaforar o caso. 
c) Dúvida sobre a imparcialidade do júri 
Não há possibilidade de haver um julgamento justo com um corpo de jurados parcial. 
Tal situação pode dar-se quando a cidade for muito pequena e o crime tenha sido gravíssimo, levando à 
comoção geral, de modo que o caso vem sendo discutido em todos os setores da sociedade muito antes do 
julgamento ocorrer. 
d) Segurança pessoal do réu 
Em casos anormais e excepcionais, de pequenas cidades, onde o efetivo da polícia é 
diminuto e não há possibilidade de reforço, por qualquer motivo, é razoável o desaforamento. 
e) Iniciativa do desaforamento 
Podem pleitear o desaforamento as partes, agora enumerados pela Lei (Ministério 
Público, assistente, querelante ou acusado). 
Procedimento da segunda fase/ Fase da Causa (Judicium Causae) 
Art. 422 ao 497 do CPP 
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O acusado pode propor por intermédio de seu defensor, mas também diretamente, 
por petição sua, afinal no processo penal, há a autodefesa. 
O Juiz que preside a instrução pode representar pelo desaforamento, exceto quando 
houver excesso de prazo. 
f) Suspensão do julgamento pelo relator 
O CPP permite que seja determinada a suspensão do julgamento pelo júri até que o 
Tribunal possa apreciar o pedido de desaforamento. 
g) Inadmissibilidade do pedido de desaforamento 
Considerando-se que o pleito de desaforamento somente é admissível entre a decisão 
de pronúncia, com o trânsito em julgado, e a data de realização da sessão de julgamento em plenário, não há 
fundamento para ingressar com o pedido enquanto pende recurso contra a referida decisão de pronúncia. Afinal, 
pode esta ser rejeitada pelo Tribunal e o réu, impronunciado ou absolvido. 
h) Excesso de Serviço – Art. 428 
Na regra atual, somente se poderá pleitear o desaforamento pela demora no 
julgamento, caso seja ultrapassado o período de seis meses, contado do trânsito em julgado da decisão de 
pronúncia, mas fundado em excesso de serviço comprovado. 
 
1.18) Ausência do defensor – Art. 456 
Em primeiro lugar, deve-se frisar que, havendo escusa legítima, adia-se a sessão de 
julgamento, sem qualquer outra providência. É preciso que a justificativa seja oferecida ao magistrado até a 
abertura da sessão em plenário. 
Se não houver motivo razoável, o juiz comunica à OAB, seção local, marcando nova 
data para o julgamento. Nesta o réu deverá ser, necessariamente, julgado (§ 1º). Para tanto, pode o réu 
apresentar outro defensor constituído, logo após a determinação de adiamento. Não o fazendo, o magistrado 
intima a Defensoria Pública para que assuma o patrocínio da defesa, observando o prazo mínimo de 10 dias. 
 
1.19) Ausência do acusado – Art. 457 
O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto, do 
assistente ou do advogado do querelante, que tiver sido regularmente intimado. 
Se o acusado preso não for conduzido, o julgamento será adiado para o primeiro dia 
desimpedido da mesma reunião, salvo se houver pedido de dispensa de comparecimento subscrito por ele e 
seu defensor. 
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1.20) IMPRESCINDIBILIDADE DO DEPOIMENTO DA TESTEMUNHA – Art. 461 
É fundamental que as partes, entendendo ser indispensável o depoimento de alguma 
testemunha, arrolem-na na fase de preparação para o plenário, com o caráter de imprescindibilidade. 
Não o fazendo, deixa de haver a possibilidade de insistência na sua oitiva, caso alguma 
delas não compareça à sessão plenária. 
O momento para arrolar testemunhas, no procedimento preparatório, é o previsto no 
art. 422 do CPP, após a intimação determinada pelo juiz. 
a) Suspensão dos trabalhos para condução coercitiva ou adiamento da sessão 
Somente ocorre se a testemunha tiver sido arrolada com o caráter de 
imprescindibilidade e houver sido intimada. 
b) Infrutífera condução coercitiva 
É possível que, a despeito da tentativa, falhe a condução coercitiva, razão pela qual 
não se pode adiar eternamente a realização do julgamento. 
Assim, se a testemunha não for localizada para a condução ou tiver alterado o 
domicílio, instala-se a sessão. 
c) Realização do julgamento, independentemente da inquirição de testemunha arrolada 
Caso a testemunha tenha sido arrolada sem o caráter de imprescindibilidade, não 
comparecendo, o julgamento realiza-se de qualquer modo, tendo sido ela intimada ou não; 
Caso tenha sido arrolada com o caráter de imprescindibildade, se for intimada e não 
comparecer, é cabível o adiamento, como regra, para que possa ser conduzida coercitivamente na sessão 
seguinte. 
Entretanto, arrolada com o caráter de imprescindibilidade, mas não localizada, 
tomando ciência a parte de que não foi intimada e não indicando o seu paradeiro, comprazo hábil para nova 
intimação ser feita, perde a oportunidade de insistir no depoimento. 
1.21) PREPARO PARA A COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA – Art. 462 
 
Para a composição do Conselho de Sentença, o juiz presidente deve checar se as 
partes estão presentes, assim como todas as testemunhas indispensáveis, convenientemente separadas e 
incomunicáveis. Ultrapassada essa fase, poderá voltar-se à formação do Conselho 
 
1.22) Abertura dos trabalhos – Art. 463 
 
Comparecendo ao menos 15 jurados, há quorum para a instalação da sessão, que 
será dada por aberta pelo juiz presidente. 
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O próprio magistrado anuncia o processo a ser julgado (número do processo, nomes 
do autor e do réu, classificação do crime) e pede ao oficial que faça o pregão (anúncio na porta do plenário 
para que todos tomem ciência, vez que o julgamento é público). 
 
1.23) Ausência de quórum – Art. 464 
 
Se o quorum de 15 jurados não foi atingido, é impossível instalar a sessão. Deve o 
magistrado providenciar o sorteio de suplentes e adiar o julgamento para a data seguinte desimpedida. 
A partir da edição da Lei 11.689/2008, somente se faz o sorteio dos suplentes, caso 
não se atinja o quorum mínimo (quinze) e não mais o número legal (vinte e cinco). 
Ou seja, se comparecerem 18 jurados, instala-se a sessão, sem sorteio de suplentes. 
Se vierem apenas treze, adia-se a sessão e sorteiam-se suplentes até o número máximo (vinte e cinco). 
 
1.24) REUNIÃO PRÉVIA DO JUIZ COM OS JURADOS – Art. 466 
 
a) Reunião prévia do juiz com os jurados 
Somente pode realizar-se, a fim de que o magistrado forneça algumas instruções a 
respeito da forma e do julgamento e do procedimento do Tribunal do Júri, se as partes estiverem cientes e, 
desejando, possam estar presentes. 
b) Incomunicabilidade dos jurados 
 
Significa que os jurados não podem conversar entre si, durantes os trabalhos, nem 
nos intervalos, a respeito de qualquer aspecto da causa posta em julgamento, especialmente deixando 
transparecer sua opinião. 
Logicamente, sobre os fatos desvinculados do feito podem os jurados conversar, 
desde que não seja durante a sessão – e sim nos intervalos -, pois não se quer a mudez dos juízes leigos e sim 
a preservação da sua íntima convicção. 
A troca de ideias sobre os fatos relacionados ao processo poderia influenciar o 
julgamento, fazendo com que o jurado pendesse para um ou outro lado. 
A incomunicabilidade dos jurados existe para resguardar o princípio do sigilo das 
votações do júri (art. 5º, XXXVIII, “b”), que constitui garantia das liberdades individuais e, por isso, sua violação 
configura nulidade absoluta (art. 564, III, j, c/c o art. 458, § 1º (atual, 466, § 1º). 
c) Manifestação da opinião acerca do processo 
Em razão da incomunicabilidade, deseja-se que o jurado decida livremente, sem 
qualquer tipo de influência, ainda que seja proveniente de outro jurado. 
Deve formar o seu convencimento sozinho, através da captação das provas 
apresentadas, valorando-as segundo o seu entendimento. 
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Ex: na sala especial, quando estiverem reunidos em intervalos, o juiz pode não estar 
presente, razão pela qual o oficial incumbe-se de fiscalizar a incomunicabilidade. 
 
Portanto, cabe ao juiz presidente impedir a manifestação de opinião do jurado sobre 
o processo, sob pena de nulidade da sessão de julgamento. 
d) Fiscalização da incomunicabilidade durante o julgamento 
É atribuição do juiz presidente, razão pela qual não pode ele afastar-se do plenário 
por muito tempo, o que coloca em risco a validade do julgamento. 
Se algum jurado desejar esclarecer alguma dúvida, a ausência do magistrado 
prejudica a formação do seu convencimento, além do que o jurado pode fazer alguma observação inoportuna, 
gerando nulidade insanável. 
e) Certidão do oficial de justiça 
A principal autoridade a controlar a manifestação dos jurados é o juiz presidente. 
Entretanto, vale-se dos oficiais de justiça presentes para auxiliá-lo. 
 
Em suma, ao final do julgamento, cumpre ao oficial lançar certidão de que a 
incomunicabilidade foi preservada durante todos os momentos processuais. 
 
1.25) Formação do Conselho de sentença – Art. 467 
 
O Conselho de Sentença no Tribunal do Júri é composta por sete jurados, escolhidos 
aleatoriamente, por sorteio, dentre os que comparecerem (mínimo de quinze e máximo de vinte e cinco). 
 
1.26) Recusas motivadas e imotivadas – Art. 468 
 
Para a formação do Conselho de Sentença, essas são as duas possibilidades de recusa 
do jurado, formuladas por qualquer das partes. 
A recusa motivada baseia-se em circunstâncias legais de impedimento ou suspeição 
(arts. 448 e 449, CPP). Logo, não pode ser jurado, por exemplo, aquele que for filho do réu, nem tampouco o 
seu inimigo capital. 
A recusa imotivada – também chamada peremptória - fundamenta-se em sentimentos 
de ordem pessoal do réu, de seu defensor ou do órgão da acusação. Na constituição do Conselho de Sentença, 
cada parte pode recusar até três jurados, sem dar qualquer razão para o ato. 
A nova sistemática, introduzida pela Lei 11689/2008, impõe que, havida a recusa 
peremptória por qualquer das partes, o jurado está automaticamente excluído da formação do Conselho de 
Sentença. Anteriormente, seria preciso coincidir a recusa da defesa com a da acusação. 
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1.27) Separação do julgamento – Art. 469 
 
Conforme disposto no art. 468, parágrafo único, quando o jurado for recusado 
imotivadamente (recusa peremptória) por qualquer das partes será excluída daquela sessão, prosseguindo-se 
o sorteio para a formação do Conselho de Sentença. 
Logo, a cada recusa de jurado, este não mais permanecerá, independentemente de 
haver também recusa por parte de outro defensor ou da acusação. 
Em ilustração, computando-se 25 jurados presentes, com dois co-réus. Imaginemos 
que o primeiro defensor recuse os três primeiros jurados sorteados. Serão excluídos, com ou sem a recusa do 
segundo defensor e do promotor. Após, outros três jurados, sorteados na sequência, são recusados por parte 
do segundo defensor. Serão, também, excluídos, independentemente da manifestação do promotor. Serão 
afastados. 
Ao todo, nove jurados sorteados foram rechaçados e os envolvidos (dois defensores 
e um promotor) já não podem exercer o direito de recusa imotivada (são três para cada parte). Logo, dos 16 
jurados restantes, por sorteio, serão escolhidos obrigatoriamente 7 para compor o Conselho de Sentença. Não 
haverá cisão do julgamento. 
Caso estivessem presentes apenas 15 jurados, a exclusão de 9, recusados pelas partes 
presentes, faria com que restassem apenas 6 e ocorreria o denominado estouro da urna. Se tal se desse, haveria 
então a separação do julgamento. 
O juiz verifica qual é o autor do fato. Será ele julgado em primeiro lugar, como 
determina o art. 469, § 2º. 
Com relação à preferência de julgamento em caso de separação, impõe-se que, em 
caso de separação, seja julgado em primeiro lugar o acusado a quem se atribuiu a autoria do fato, ou, em caso 
de coautoria, aplica-se o critério de preferência do art. 429 (presos em primeiro lugar; dentre os presos, os que 
estiverem há mais tempo na prisão; em igualdade de condições, os que estiverem há mais tempo pronunciado). 
 
1.28) ARGUIÇÃO DE IMPEDIMENTO, SUSPEIÇÃO OU INCOMPATIBILIDADE – Art. 470 
 
Tão logo sejam instalados os trabalhos, deve a parte interessada em levantar qualquer 
causa de impedimento ou suspeição do juiz presidente, dopromotor (no caso da defesa arguir) ou de qualquer 
funcionário fazê-lo de imediato, apresentando as provas que possuir. Assim, cabe levar testemunhas, se for o 
caso, ou documentos para exibição em plenário. 
Aceita a suspeição, o julgamento será adiado para o primeiro dia desimpedido. 
Rejeitada, realiza-se o julgamento, embora todo o ocorrido – inclusive a inquirição das testemunhas – deva 
constar da ata. 
Futuramente, caberá ao Tribunal analisar se houve ou não a causa de impedimento 
ou suspeição. 
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Caso seja arguida contra o jurado, deve ser levantada tão logo seja ele sorteado, 
procedendo-se da mesma forma, isto é, com a apresentação imediata das provas. 
 
1.29) ESTOURO DA URNA – Art. 471 
 
Outra hipótese de adiamento da sessão para outra data é a impossibilidade de 
formação do conselho de sentença por insuficiência do número de jurados presentes, com potencial para o 
sorteio. 
Se comparecerem, por exemplo, quinze jurados (quantum mínimo para a instalação 
dos trabalhos), mas houver a recusa motivada, calcada em causas de impedimento ou suspeição, de vários 
deles, é possível que o afastamento ocorra em número tal a ponto de inviabilizar o sorteio de sete jurados para 
compor o Conselho. 
 
1.30) Compromisso e entrega de peças aos jurados (art. 472) 
 
Formado o conselho de sentença, os jurados prestarão compromisso e receberão 
cópias da pronúncia ou, se for o caso, das decisões posteriores que julgaram admissível a acusação e do relatório 
do processo. A lei não mais prevê a realização de relatório pelo Juiz, em plenário. 
 
1.31) INSTRUÇÃO EM PLENÁRIO – Art. 473 
Em primeiro lugar, ouve-se o ofendido. O Juiz Presidente dirige-lhes as perguntas que 
entender necessárias. Em seguida, passa a palavra ao representante do Ministério Público e ao assistente de 
acusação, se houver, ou ao querelante (se a ação for privada). Na sequência, poderá a defesa reperguntar. 
Finda a oitiva da vítima, passa-se à inquirição das testemunhas de acusação. 
Primeiramente, o juiz faz as perguntas cabíveis. Em seguida, concede a palavra ao Ministério Público e ao 
assistente, se houver. Depois, à defesa. 
Após, ouvem-se as testemunhas de defesa. Inicialmente, as perguntas são formuladas 
pelo juiz. Na sequência, pela defesa. Em seguida, pelo Ministério Público e assistente. 
 
1.32) INTERROGATÓRIO DO ACUSADO – Art. 474 
Ao final da colheita das provas em plenário, Ministério Público, o assistente, o 
querelante e o defensor, nessa ordem, poderão formular, diretamente, perguntas ao acusado; os jurados 
formularão perguntas por intermédio do juiz presidente; 
Nos termos do § 3º, não se permitirá o uso de algemas no acusado durante o período 
em que permanecer no plenário do júri, salvo se absolutamente necessário à ordem dos trabalhos, à segurança 
das testemunhas ou à garantia da integridade física dos presentes. 
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Ex: dois crimes são cometidos no mesmo cenário, um deles é doloso contra a vida e 
o outro, de ação exclusivamente privada, ocorrendo o julgamento isolado do delito cujo titular da ação é o 
ofendido. 
 
Por exceção e quando for absolutamente necessário à ordem dos trabalhos, à 
segurança das testemunhas ou à garantia da integridade física dos presentes poderá o réu permanecer 
algemado. 
Por unanimidade, o STF decidiu que o uso de algemas deve ser adotado em situações 
excepcionalíssimas, pois, do contrário, violam-se importantes princípios constitucionais, dentre eles a dignidade 
da pessoa humana. 
 
1.33) DOS DEBATES – Art. 476 
a) Correlação entre acusação e pronúncia 
Encerrada a instrução, será concedida a palavra ao Ministério Público, que fará a 
acusação, nos limites da pronúncia ou das decisões posteriores que julgaram admissível a acusação, 
sustentando, se for o caso, a existência de circunstância agravante. O assistente falará depois do Ministério 
Público. 
b) Manifestação inicial do querelante 
Ocorre na hipótese de ação privada, em conexão com ação pública, mas com 
desmembramento. 
 
Nesse caso, manifesta-se o querelante (por meio de advogado) e, na sequência, fala 
o Ministério Público, como custos legis (fiscal da lei). 
 
1.34) LIMITE DE TEMPO PARA AS PARTES – Art. 477 
A Lei 11.689/2008 alterou o tempo de manifestação reservado às partes. De duas 
horas para acusação e defesa, como tempo original, passou-se a uma hora e meia. 
Em relação à réplica e à tréplica modificou-se o tempo de trinta minutos para uma 
hora. 
Havendo mais de um acusado, o tempo para a acusação e a defesa será acrescido de 
uma hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica, observado o disposto no § 1o deste artigo 
 
 
1.35) Referências proibidas– Art. 478 
É vedado às partes: 
a) fazer referência à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram 
admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem 
ou prejudiquem o acusado, bem como ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de 
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requerimento, em seu prejuízo (trata-se de dispositivo nitidamente direcionado ao Ministério Público, com 
prejuízo à acusação); 
b) a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos 
autos com a antecedência mínima 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte, abrangendo a leitura de 
jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos, gravações, fotografias, laudos, quadros, 
croqui ou qualquer outro meio assemelhado, cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à 
apreciação e julgamento dos jurados. 
 
1.36) DO QUESTIONÁRIO E SUA VOTAÇÃO – Art. 482/483 
Questionário é o conjunto dos quesitos elaborados pelo juiz presidente, que serão 
submetidos à votação pelo Conselho de Sentença, para obtenção do veredicto final. 
Nos termos do artigo 483 do CPP, os quesitos serão formulados na seguinte ordem: 
a) Quesito sobre a materialidade do fato. 
Se o conselho de sentença responder de forma afirmativa a essa questão, seguirá a 
votação com a questão seguinte. Se responder negativamente, encerra-se o julgamento com a absolvição do 
réu. 
b) Quesito sobre a autoria ou participação 
O juiz indagará aos jurados se o réu de qualquer modo contribuiu para o cometimento 
do delito. 
Respondendo o Conselho de Sentença de forma afirmativa, seguirá com a pergunta 
seguinte. Caso contrário, encerra-se o julgamento com a absolvição do acusado pelo júri. 
Duas situações podem acontecer aqui: 
I) Caso não haja tese de desclassificação do delito doloso contra a vida para outro que não seja, o quesito 
seguinte que deve ser inserido perguntará se “o jurado absolve o acusado?” 
II) Se houver alegação de tese de desclassificação para delito diverso do doloso contra a vida, a questão 
desclassificatória será dirigida aos jurados sempre antes do quesito que indaga se “o jurado absolve o acusado?”. 
É o que se extrai do artigo 483, § 4º, do CPP, ao destacar que uma vez sustentada a 
desclassificação da infração para outra de competência do juiz singular, será formulado quesito a respeito, para 
ser respondido após o segundo ou terceiro quesito, conforme o caso. 
Da mesma forma, deve ser usado para hipótese de tentativa, nos termos do artigo 
483, § 5º, do CPP, que enfatiza que se sustentada a tese de ocorrência do crime na sua forma tentada ou 
havendo divergência sobre a tipificação do delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri, o juiz 
formulará quesito acerca destas questões,para ser respondido após o segundo quesito. 
III) O quesito seguinte será em relação à causa de diminuição da pena alegada pela defesa, que somente será 
formulado se o acusado, a essa altura, tiver sido condenado pelos jurados. 
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21 
 
 
Importante! 
Aqui o Recurso cabível é APELAÇÃO, nos termos do artigo 593, III, do CPP. 
PEDIU PRA PARAR 
PEÇA: 
RECURSO DE APELAÇÃO Lembrar da Súmula 713 do 
STF 
 
IV) Por fim, os jurados são inquiridos sobre a existência de circunstâncias qualificadora ou causa de aumento 
de pena reconhecidas na pronúncia ou em decisões posteriores que julgaram admissível a acusação. 
1.37) SENTENÇA – Art. 492 
A sentença pode ser: 
a) de condenação, devendo, nesse caso, o juiz fixar a pena. 
b) absolvição, caso em que o réu deverá ser posto imediatamente em liberdade, caso esteja preso 
c) desclassificação do crime doloso contra a vida para crime não doloso contra a vida, quando o juiz-presidente 
terá a competência para julgar os fatos de forma mais ou menos ampla, sendo chamada de desclassificação 
própria. 
Se, na desclassificação, o Júri indicar o crime que foi cometido, como se dá, por 
exemplo, na culpa no homicídio culposo, a desclassificação será imprópria. 
 
 
 
PAROU! 
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Base legal: art. 406 do CPP 
 
2) RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
2.1) BASE LEGAL 
 
2.2) IDENTIFICAÇÃO 
 
A resposta à acusação é oferecida após o recebimento da denúncia e citação do 
acusado. Antes, por óbvio, da instrução. 
 
Logo, deve haver denúncia, o recebimento da denúncia e a citação do réu. Não 
poderá ter sido realizada audiência de instrução e julgamento. 
 
2.3) CONTEÚDO 
 
Nos termos do artigo 406, § 3º, do CPP, na resposta, o acusado poderá arguir 
preliminares e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as 
provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), qualificando-as e requerendo sua 
intimação, quando necessário. 
 
Em síntese, além de eventuais nulidades, deve-se buscar no enunciado informações 
relacionadas a causas evidentes de exclusão de ilicitude, tipicidade e culpabilidade, salvo a inimputabilidade 
por doença mental. 
 
2.4) PEDIDO 
 
No procedimento do júri, não há previsão legal de absolvição sumária logo após o 
oferecimento da resposta à acusação. Neste procedimento, a possibilidade de absolvição sumária está prevista 
após o encerramento da instrução, nos termos do artigo 415 do CPP. 
 
Todavia, sugere-se, para esse caso excepcional, adotar, por analogia, o artigo 397 
do CPP. É o entendimento de Gustavo Badaró, segundo o qual “Embora o procedimento especial dos crimes 
dolosos contra a vida haja a previsão de uma ‘absolvição sumária’ ao término do juízo da acusação (CPP, art. 
415), isso não impede de que seja aplicado o art. 397 do CPP, sendo possível ao juiz, logo após o oferecimento 
da resposta, absolver sumariamente o acusado. Aliás, o § 4º do art. 394 prevê que ‘as disposições dos arts. 
395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados 
neste Código’. Aplica-se, pois, o art. 397 ao procedimento dos crimes dolosos contra a vida”.2
 
2 BADARÓ, Gustavo Henrique. Processo Penal. 3ª ed. São Paulo: RT. 2015, p. 656. 
 
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ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO TRIBUNAL DO JÚRI: 
 
01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
02 DA COMARCA (se crime da competência da justiça estadual) 
03 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA VARA CRIMINAL DA JUSTIÇA FEDERAL DO 
04 TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE (se crime da competência da justiça federal)3 
05 Processo nº... 
06 
07 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, vem 
08 respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base no 
09 Artigo 406 do Código de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
10 
11 I) DOS FATOS4 
12 II) DO DIREITO5 
13 A) DAS PRELIMINARES6 
14 B) DO MÉRITO7 
15 III) DO PEDIDO8 
16 
Ante o exposto, requer o denunciado: 
17 a) seja rejeitada a denúncia; 
18 b) nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça); 
19 c) Absolvição, com base no artigo 397 e inciso correspondente (por analogia); 
20 d) a produção de provas, com designação de audiência de instrução e julgamento e oitiva das 
21 testemunhas arroladas. 
22 
23 ROL DE TESTEMUNHAS9 
24 A) FULANO DE TAL... 
 
3 Competência da Justiça Federal – Art. 109 CF/88. 
4 Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem transcrever o enunciado. Relatar o crime pelo qual o réu foi 
denunciado. O oferecimento e recebimento da denúncia. Que o réu foi citado. 
5 Com relação aos fundamentos jurídicos, sugere-se dividir a peça em preliminares (questões formais e procedimentais) e mérito 
(materiais que levam à absolvição). 
6 As preliminares são questões que envolvem vícios formais processuais e procedimentais. São questões que levam à nulidade do ato ou 
do próprio processo. Não guardam nenhuma relação com a absolvição (que trata de matéria de mérito). 
7 No mérito, deve-se buscar no enunciado causas manifestas de excludentes do crime: ilicitude, culpabilidade, tipicidade. 
8 Deve-se elaborar os pedidos de modo articulado, seguindo-se a ordem das teses desenvolvidas, desde as preliminares até o mérito. 
9 colocar somente os nomes e dados fornecidos pela banca, não inventar nada. 
 
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25 B) FULANO DE TAL... 
26 
27 Local... e data...10 
 ADVOGADO... 
28 OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 CUIDADO com o prazo. A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo. 
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25 
 
 
Base legal: art. 403, § 3º, CPP OU art. 404, parágrafo único, CPP. 
PEDIU PRA PARAR 
PALAVRA MÁGICA: 
Encerrada a instrução 
PEÇA: 
MEMORIAIS DO JÚRI 
PAROU! 
 
3) MEMORIAIS DO JÚRI OU ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
3.1) BASE LEGAL 
 
 
 
Embora não tenha previsão na lei, admite-se, no procedimento do júri, a substituição 
dos debates orais em memoriais escritos, por analogia aos artigos 403, § 3º e 404, ambos do Código de 
Processo Penal. Aliás, foi o que ocorreu na peça da OAB 2010-01. 
 
3.2) IDENTIFICAÇÃO 
Os memoriais são oferecidos após a instrução e antes da decisão de pronúncia, 
impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação. 
 
 
 
 
 
3.3) CONTEÚDO DOS MEMORIAIS DO JÚRI 
 
Assim como nas demais peças, deve-se buscar no enunciado preliminares e mérito. 
 
A) Preliminares: 
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos 
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade. 
 
Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de 
punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às preliminares. 
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26 
 
 
 
B) Mérito: 
Finda a instrução do processo relacionado ao Tribunal do Júri, cuidando de crimes dolosos 
contra a vida e infrações conexas, o magistrado poderá proferir decisão de: 
 
a) Pronúncia 
 
b) Impronúncia 
 
c) Absolvição sumária 
 
d) Desclassificação 
 
Conforme abordado, nas peças práticas profissionais deverá ser desenvolvida uma tese 
que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, somente se aborda na peça aquilo que, ao final, poderá 
ser objeto de pedido. 
No caso dos memoriais escritos do procedimento do júri, as teses de mérito guardam 
relação com as hipóteses que podem ensejar decisão de: a) impronúncia (art. 414 do CPP); b) absolvição sumária 
(art. 415 do CPP); c) ou desclassificação (art. 419 do CPP). 
Para melhor visualização do conteúdo dos memoriais do júri, convém destacar as 
hipóteses de decisões que podem ser proferidas nesta primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri: 
 
I) Pronúncia – Art. 413 
 
É decisão interlocutória mista não terminativa, que julga admissível a acusação, 
remetendo o caso à apreciação do Tribunal do Júri. 
 
Na pronúncia, há um mero juízo de admissibilidade, pelo qual o juiz admite ou rejeita 
a acusação, sem penetrar no exame do mérito. No caso de o juiz se convencer da existência do crime e de 
indícios suficientes da autoria, deve proferir sentença de pronúncia, fundamentando os motivos de seu 
convencimento. 
 
Assim, nos termos do artigo 413, § 1º, do CPP, a decisão de pronúncia deve se 
limitar à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, 
devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias 
qualificadoras e as causas de aumento de pena. 
 
Se o Magistrado se aprofundar na análise do mérito, extrapolando na linguagem, 
enfatizando, por exemplo, ser o réu efetivo autor do delito ou que não agiu sob o amparo de excludente de 
crime, caracteriza-se o que se denomina eloquência acusatória, gerando nulidade da decisão de pronúncia. 
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II) Impronúncia – Art. 414 
 
É a decisão interlocutória mista de conteúdo terminativo, visto que encerra a 
primeira fase, deixando de inaugurar a segunda, sem haver juízo de mérito. Assim, inexistindo prova da 
materialidade do fato ou não havendo indícios suficientes de autoria, deve o magistrado impronunciar o réu, 
que significa julgar improcedente a denúncia e não a pretensão punitiva do Estado. 
 
III) Absolvição sumária – Art. 415 
 
A absolvição sumária ocorrerá quando estiver provada a inexistência do fato, 
provado não ser o réu autor ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penal ou estiver demonstrada 
causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. No caso de inimputáveis, a absolvição sumária só é 
possível, agora por disposição expressa, se a inimputabilidade for a única tese defensiva. 
 
Nos termos do artigo 415 do CPP, o juiz absolverá, desde logo (sumariamente, 
portanto), o acusado quando: 
 
 
 
 
 
 
Provada não ser ele o autor ou 
partícipe do fato 
• Prova indiscutível de que o réu não cometeu 
ou participou de sua execução 
Provada a inexistência do fato 
• Prova cabal de que os fatos narrados na inicial 
acusatória não aconteceram 
O fato não constituir infração penal • Fato atípico 
Demonstrada causa de isenção de 
pena ou de exclusão do crime 
• Vide notas de excludentes de ilicitude e 
culpabilidade 
 
 
 
 
 
 
 
CUIDADO COM O SOCO 
MISSIONEIRO! 
 
IMPORTANTE! 
Não confundir a absolvição sumária prevista 
no art. 397 do CPP (que decorre da resposta 
à acusação), com a absolvição sumária do 
artigo 415 do CPP, adstrita ao procedimento 
do júri. 
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De acordo com o parágrafo único do artigo 415 do CPP, “não se aplica o 
disposto no inciso IV do caput do art. 26 do CP, salvo quando esta for a única tese defensiva”. 
 
Dessa forma, ainda que a inimputabilidade se encontre comprovada por exame de 
insanidade mental, o CPP não autoriza a absolvição imprópria do agente, pois esta implicará na imposição de 
medida de segurança, o que poderá ser prejudicial ao réu, uma vez que não lhe será viabilizado demonstrar, 
no plenário do Júri, outras teses defensivas a sua inocência, sem a imposição de qualquer medida restritiva. 
 
Assim, havendo outra tese defensiva e não sendo caso de absolvição sumária por 
outro fundamento, o Magistrado deverá pronunciar o réu, para que seja submetido a julgamento pelo plenário 
do Júri. Agora, se, por conta dessa outra tese, ficar evidenciada hipótese de absolvição sumária, que não a 
inimputabilidade, o juiz deverá absolver o réu sumariamente, sem imposição de medida de segurança 
(absolvição própria). 
De outro lado, se a inimputabilidade for a única tese da defesa, admite-se 
a absolvição sumária imprópria, com a imposição de medida de segurança. 
 
No caso de não haver prova da autoria, ainda que o acusado seja inimputável, 
deverá ser impronunciado, pois a medida de segurança só poderá ser imposta se ficar provada a prática de 
um fato típico e ilícito. 
 
IV) Desclassificação – Art. 419 
Nos termos do artigo 419 do CPP, quando o juiz se convencer, em discordância com 
o que consta na peça acusatória, da existência de crime não doloso contra a vida e não for competente para 
o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja, ficando à disposição deste o acusado preso. 
 
Exemplo: o agente ser denunciado por crime de homicídio doloso e, ao final, 
constatar-se que agiu sem a intenção de matar, passando a ser, em tese, homicídio culposo. 
 
3.4) PEDIDO 
 
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma das 
teses desenvolvidas ao longo da peça. 
 
 
No que tange ao mérito, o pedido deve guardar relação com a(s) tese(s) invocadas: 
Ex. Se sustentou alguma preliminar, nulidade, por exemplo, deve-se, ao final, formular 
pedido expresso no sentido de que seja declarada a nulidade. 
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29 
 
 
 
 
 
 
No procedimento do júri, as teses e pedidos subsidiários guardam relação, 
invariavelmente, com o afastamento da qualificadora ou causa de aumento de pena. 
 
3.5) ESTRUTURA DOS MEMORIAIS DO JÚRI 
 
A) Endereçamento: Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri (se crime da competência da Justiça Estadual) 
ou Juiz Federal da Vara do Tribunal do Júri da Seção Judiciária (se crime da competência da Justiça Federal) 
 
B) Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade postulatória (por seu 
procurador infra-assinado), fundamento legal (403, § 3º ou 404, parágrafo único), nome da peça (Memoriais 
escritos), frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
 
C) corpo da peça (teses defensivas) 
 
D) pedidos: 
 
- I) Nulidades (acompanhar a ordem das preliminares) 
 
- II) absolvição sumária (art. 415), impronúncia (art. 414) e/ou desclassificação (art. 419) – teses alternativas, em 
caso de pronúncia, afastamento de qualificadoras, causas de aumento de pena ... 
 
E) parte final (local, data, advogado e OAB) 
 
 
3.6) SISTEMA RECURSAL 
 
 
 
 
a) impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou 
 
b) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou 
 
c) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal. 
 
 
 
RESE 
art. 581, 
IV,CPP 
Apelação 
art. 416, CPP 
RESE 
art. 581, II, CPP 
 
 
 
 
Apelação 
art. 416, CPP 
 
Pronúncia 
 
Impronúncia Desclassificação 
Absolvição 
Sumária 
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ESTRUTURA MEMORIAIS NO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI 
02 DA COMARCA.... (se crime da competência da justiça estadual) 
03 
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ....VARA CRIMINAL DA JUSTIÇA FEDERAL DO 
04 TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE.... (se crime da competência da justiça federal) 
05 Processo nº ... 
06 
07 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com 
08 procuração em anexo, vem,respeitosamente, a presença de Vossa Excelência apresentar MEMORIAIS 
09 ESCRITOS, com base 403, §3º (complexidade) ou 404, parágrafo único, do CPP, pelos fatos e 
10 fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
11 
I) DOS FATOS11 
12 II) DO DIREITO 
13 A) DAS PRELIMINARES 
14 B) DO MÉRITO 
15 impronúncia: ausência de prova da materialidade e não restar provada a autoria (art. 414 CPP) 
16 absolvição sumária (Art. 415 CPP) 
17 desclassificação: fato imputado não constitui crime doloso contra a vida (Art. 419 CPP) 
18 
19 C) SUBSIDIARIAMENTE12 
20 III) DO PEDIDO13 
21 a) preliminares (nulidades, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares) 
22 b) impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; 
23 c) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; 
24 d) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal; 
25 e) Afastar qualificadora ou causa de aumento de pena. 
26 Local...e data...14 
27 ADVOGADO... 
28 OAB... 
 
 
 
11 Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem simplesmente transcrever o enunciado. 
12 Afastar qualificadora ou causa de aumento de pena. 
13 OBS: CONFORME O ENUNCIADO DA PEÇA OU DA QUESTÃO, OS PEDIDOS PODEM SER CUMULATIVOS 
14 A FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo. 
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QUESTÃO 4 - EXAME 2010-03 
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado, guiava seu automóvel 
tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o trajeto, o casal começa a discutir asperamente, o 
que faz com que Caio empreenda altíssima velocidade ao automóvel. Muito assustada, Madalena pede 
insistentemente para Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade não seria possível controlar o 
automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em direção e refutando qualquer 
possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge um buraco e, em razão da velocidade 
empreendida, acaba se desgovernando, vindo a atropelar três pessoas que estavam na calçada, vitimando-as 
fatalmente. Realizada perícia de local, que constatou o excesso de velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que 
relataram à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, Caio foi denunciado pelo Ministério Público pela 
prática do crime de homicídio na modalidade de dolo eventual, três vezes em concurso formal. Recebida a denúncia 
pelo magistrado da vara criminal vinculada ao Tribunal do Júri da localidade e colhida a prova, o Ministério Público 
pugnou pela pronúncia de Caio, nos exatos termos da inicial. 
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens a seguir, empregando os 
argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte? (Valor: 0,4) 
b) Qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,3) 
c) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça de interposição deveria ser 
dirigida? (Valor: 0,3) 
QUESTÃO 2 - VI OAB 
Hugo é inimigo de longa data de José e há muitos anos deseja matá-lo. Para conseguir seu intento, Hugo induz o 
próprio José a matar Luiz, afirmando falsamente que Luiz estava se insinuando para a esposa de José. Ocorre que 
Hugo sabia que Luiz é pessoa de pouca paciência e que sempre anda armado. Cego de ódio, José espera Luiz sair 
do trabalho e, ao vê-lo, corre em direção dele com um facão em punho, mirando na altura da cabeça. Luiz, 
assustado e sem saber o motivo daquela injusta agressão, rapidamente saca sua arma e atira justamente no 
coração de José, que morre instantaneamente. Instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte 
de José, ao final das investigações, o Ministério Público formou sua opinio no seguinte sentido: Luiz deve responder 
pelo excesso doloso em sua conduta, ou seja, deve responder por homicídio doloso; Hugo por sua vez, deve 
responder como partícipe de tal homicídio. A denúncia foi oferecida e recebida. 
Considerando que você é o advogado de Hugo e Luiz, responda: 
a) Qual peça deverá ser oferecida, em que prazo e endereçada a quem? (Valor: 0,3) 
b) Qual a tese defensiva aplicável a Luiz? (Valor: 0,5) 
c) Qual a tese defensiva aplicável a Hugo? (Valor: 0,45) 
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FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 111. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 116 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
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4) APELAÇÃO DAS DECISÕES DO JÚRI 
 
 
4.1) IDENTIFICAÇÃO 
Após a decisão dos jurados no Plenário do Júri, o Juiz Presidente passa a proferir a 
sentença, restringindo-se, se for sentença condenatória, a fixar a pena. 
 
Assim, a apelação das decisões do Júri tem cabimento contra a decisão proferida pelo 
Juiz após o julgamento no Plenário do Júri. 
4.2) BASE LEGAL 
 
 
 
A base legal do recurso de apelação contra decisão do Plenário do Júri guarda 
relação com o artigo 593, inciso III, do CPP, devendo, ainda, o recorrente mencionar a(s) alínea(s) pelo qual 
está recorrendo, ou seja, art. 593, III, “a” e/ou “b” e/ou “c” e/ou “d”, sem prejuízo da possibilidade de recorrer 
por mais de um fundamento. 
Quando a parte pretender recorrer de decisão proferida no Tribunal do Júri deve 
apresentar logo na petição de interposição qual o motivo que o leva a apelar, deixando expressa a alínea eleita 
do inciso III do art. 593 do CPP, ficando vinculado, nas razões de apelação aos argumentos relacionados ao 
motivo declinado na interposição. Assim sendo, o Tribunal somente pode julgar nos limites da interposição. 
Nesse sentido é a Súmula 713 do STF: “O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos 
fundamentos da sua interposição”. 
4.3) HIPÓTESES DE CABIMENTO 
 
I) NULIDADE POSTERIOR À PRONÚNCIA 
 
Tratando-se de nulidade anterior à pronúncia, a questão já foi analisada na própria 
decisão ou em recurso contra ela interposto, operando-se, por conseguinte, a preclusão. 
LOPES JÚNIOR (2012, p. 1224) elenca algumas hipóteses: 
 
* a juntada de documentos fora do prazo estipulado no art. 479; 
* participação de jurado impedido; 
* inversão da ordem de oitiva das testemunhas de plenário; 
* produção, em plenário, de prova ilícita; 
* uso injustificado de algemasdurante o julgamento; 
* referências, durante os debates, à decisão de pronúncia ou posteriores, que 
julgaram admissível a acusação; 
Base legal: art. 593, inciso III, …, do CPP 
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* referências, durante os debates, ao silêncio do acusado, em seu prejuízo; 
* e, o mais recorrente: defeitos na formulação dos quesitos. 
 
Se a nulidade ocorrer na própria sentença de pronúncia, o recurso cabível é o 
Recurso em Sentido Estrito (art. 581, inciso IV). 
Na hipótese de provimento do recurso, o Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional 
Federal deverá determinar a renovação do ato viciado e, até mesmo do próprio julgamento em plenário. 
II) SENTENÇA DO JUIZ PRESIDENTE CONTRÁRIA À LETRA EXPRESSA DA LEI OU À DECISÃO DOS 
JURADOS 
O juiz está obrigado a cumprir as decisões do Júri, não havendo supremacia do juiz 
togado sobre os jurados, mas simples atribuições diversas de funções. Os jurados decidem o fato e o juiz- 
presidente aplica a pena, de acordo com esta decisão, não podendo dela desgarrar-se. 
Como se vê, há duas hipóteses concentradas nesse inciso: a) decisão contra lei 
expressa; b) decisão de forma contrária à decisão dos jurados. 
Alguns exemplos de decisão contrária à lei expressa (LOPES JÚNIOR, 2012, p. 1226): 
 
a) a sentença substitui a pena aplicada pelo homicídio doloso por prestação de 
serviços à comunidade em desacordo com os limites do art. 44 do CP; 
b) fixar o regime fechado para o réu primário condenado a uma pena inferior a 8 
anos; 
c) decidir sobre o crime conexo sem submetê-lo a julgamento pelo júri. 
 
Alguns exemplos de sentença contrária à decisão dos jurados (LOPES JÚNIOR, 2012, 
p. 1227): 
 
a) os jurados absolvem o réu e o juiz profere uma sentença condenatória, fixando a 
pena, e vice-versa; 
b) o júri condena por homicídio qualificado e o juiz realiza a dosimetria considerando 
a pena do homicídio simples; 
c) o júri reconhece uma privilegiadora e o juiz não faz a respectiva redução da pena; 
d) os jurados acolhem a tese defensiva de desclassificação de homicídio doloso para 
culposo e o juiz condena o réu por homicídio doloso; 
e) os jurados acolhem a tese de crime tentado, e o juiz profere sentença 
condenatória por crime consumado etc. 
Se der provimento ao recurso de apelação interposto com base nesta alínea, o 
Tribunal ad quem procederá à retificação da sentença, sem necessidade de renovação do julgamento em 
plenário do Júri (art. 593, § 1º, CPP). 
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III) QUANDO HOUVER ERRO OU INJUSTIÇA NO TOCANTE À APLICAÇÃO DA PENA OU DA MEDIDA 
DE SEGURANÇA 
É outra hipótese que diz respeito, exclusivamente, à atuação do juiz presidente, não 
importando em ofensa à soberania do veredicto popular. Logo, o Tribunal pode corrigir a distorção 
diretamente. 
A aplicação de penas muito acima do mínimo legal para réus primários, ou 
excessivamente brandas para reincidentes, por exemplo, sem ter havendo fundamento razoável, ou medidas 
de segurança incompatíveis com a doença mental apresentada pelo réu podem ser alteradas pela Instância 
superior. 
Se der provimento à apelação interposta com base na alínea “c”, o Tribunal retificará 
a aplicação da pena ou da medida de segurança, sem necessidade de renovação do julgamento pelo Júri. 
 
OBS: Qualificadoras: Encontra-se pacificado o entendimento no sentido de que a 
discussão envolvendo o reconhecimento ou afastamento da qualificadora deve ser abordada com base na 
alínea “d” do inciso III do art. 593. Isso significa que, se der provimento ao recurso de apelação, o réu será 
submetido a novo julgamento pelo Tribunal do Júri. 
Em síntese, a interposição do recurso de apelação visando ao afastamento da 
qualificadora deve ser com base no artigo 593, inciso III, alínea “d”, do CPP. 
IV) QUANDO A DECISÃO DOS JURADOS FOR MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS 
AUTOS 
Contrária à prova dos autos é a decisão que não encontra respaldo em nenhum 
elemento de convicção colhido sob o crivo do contraditório. Não é o caso de condenação que apóia em versão 
mais fraca. 
Só cabe apelação com base nesse fundamento uma única vez. Não importa qual das 
partes tenha apelado, é uma vez para qualquer das duas. 
Conforme o art. 593, § 3º, do CPP, se a apelação se fundar no inciso III, “d”, e o 
tribunal ad quem se convencer de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, 
dar-lhe-á provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo motivo, 
segunda apelação. 
 
Ocorrer nulidade posterior à pronúncia 
 
A sentença do Juiz Presidente for contrária à letra 
expressa da Lei ou à decisão dos jurados 
 
Quando houver erro ou injustiça à aplicação da pena ou 
da medida de segurança 
 
Quando a decisão dos jurados for manifestamente 
contrária à prova dos autos 
 
Das decisões do Tribunal do Júri, quando 
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ESTRUTURA DO RECURSO DE APELAÇÃO CONTRA DECISÃO DO TRIBUAL DO JÚRI 
PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: ENDEREÇAMENTO: Juiz de 1º grau 
 
 
 
01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ....VARA CRIMINAL DO 
02 TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA....(se crime da competência da justiça estadual) 
03 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA VARA CRIMINAL DA 
04 JUSTIÇA FEDERAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE....(se crime da 
05 competência da justiça federal)15 
06 Processo nº .... 
07 
08 FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
09 infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
10 Excelência, inconformado com a decisão de fls., interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO, 
11 com base no artigo 593, III (indicar a alínea)16, do Código de Processo Penal. 
12 Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas, 
13 remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal. 
14 
15 Nestes termos, 
16 Pede deferimento 
17 
18 Local..., data...17 
19 ADVOGADO... 
20 OAB... 
 
 
 
 
 
15 Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88. 
16 Cuidado: se for contra decisão do Tribunal do Júri indicar o fundamento (uma das alíneas do inciso III do Art. 593). Súmula 713 STF 
17 CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO 
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RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO: Endereçamento ao Tribunal Competente 
 
01 EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO (se da competência da Justiça Estadual); 
02 EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA REGIÃO (se da competência da Justiça Federal). 
03 Apelante: Fulano de Tal 
04 Apelado: Ministério Público 
05 Processo nº .... 
06 
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO 
07 
08 Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal 
09 Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal) 
10 
11 I) DOS FATOS18 
12 II) DO DIREITO19 
13 A) DAS PRELIMINARES 
14 B) DO MÉRITO 
15 Ante o exposto, requer seja REFORMADA A DECISÃO DE 1º GRAU, com o 
16 consequente PROVIMENTO do presente recurso, para o fim ......: 
17 I) seja declarada a nulidade do processo a partir do ato tal e, por consequência, seja o réu 
18 submetido a novo júri. (se pela alínea “a” do art. 593, III) 
19 II) seja retificada a decisão, a fim de q ue prevaleça a decisão dos jurados, no sentido de que 
20 (se pela alínea “b”, do art.593, III) 
21 III) seja retificada a pena, a fim de que seja fixada no mínimo legal, fixado regime carcerário 
22 semiaberto, etc.(se pela alínea “c”, do art. 593, IIII) 
23 IV) seja o réu submetido a novo júri pelo Plenário do Júri, nos termos do artigo 593, § 3º, do 
24 Código de Processo Penal. (se pela alínea “d”, do artigo 593, III) 
25 
26 Local... e data... 
27 ADVOGADO... 
28 OAB... 
 
 
 
18 Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o 
enunciado). 
19 Cuidado: Observar as hipóteses das alíneas do artigo 593, III, do CPP. 
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FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 117. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 120 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação!! 
QUESTÃO 3 – XVIII EXAME 
Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que teve como vítima 
Henrique. Em sessão plenária do Tribunal do Júri, o réu e sua namorada, ouvida na condição de informante, 
afirmaram que Henrique iniciou agressões contra Fernando e que este agiu em legítima defesa. Por sua vez, 
a namorada da vítima e uma testemunha presencial asseguraram que não houve qualquer agressão pretérita 
por parte de Henrique. No momento do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e materialidade, mas 
optaram por absolver Fernando da imputação delitiva. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso 
de apelação com fundamento no Art. 593, inciso III, alínea ‘d’, do CPP, alegando que a decisão foi 
manifestamente contrária à prova dos autos. A família de Fernando fica preocupada com o recurso, em especial 
porque afirma que todos tinham conhecimento que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos, 
mas em momento algum isso foi questionado pelas partes, alegado no recurso ou avaliado pelo Juiz 
Presidente. 
Considerando a situação narrada, esclareça, na condição de advogado(a) de Fernando, os seguintes 
questionamentos da família do réu: 
A) A decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos? Justifique. (Valor: 0,60) 
B) Poderá o Tribunal, no recurso do Ministério Público, anular o julgamento com fundamento em nulidade na 
formação do Conselho de Sentença? Justifique. (Valor: 0,65) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
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Questões para exercitar o conteúdo 
Observação: As questões serão trabalhadas em aula 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 01 
Cross Fox foi denunciado por homicídio qualificado. Todavia, após a instrução na 1ª fase restou 
devidamente comprovada a inexistência da qualificadora, motivo pelo qual o Juiz de Direito afastou a 
qualificadora pronunciando o acusado por homicídio simples. Diante da narrativa, é possível que em 
Plenário o Ministério Público sustente a incidência da qualificadora, fundamentando na soberania dos 
vereditos? Justifique a sua resposta. 
Questão 02 
(MP-MS-2011) Tício foi denunciado pela prática de homicídio qualificado pelo motivo torpe (art. 121, 
§ 2º, inc. I, Código Penal). A denúncia foi recebida e, no decorrer da instrução processual, a defesa 
requereu exame de insanidade mental do acusado (art. 149 e seguintes do Código de Processo Penal). 
Ao final do referido incidente, restou devidamente comprovado que Tício, ao tempo da ação, em razão 
de doença mental, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se 
de acordo com esse entendimento. Nos debates, a defesa apresentou como única tese defensiva a 
inimputabilidade de Tício. Lastreado em tal premissa, responda, respectivamente, a seguinte 
indagação: Qual decisão deverá ser proferida pelo juiz ao final da primeira fase do procedimento do 
júri e qual é o recurso cabível? Justifique 
Questão 03 
Andriotti, líder local do Movimento dos Sem Terras, foi pronunciado pela prática de homicídio 
qualificado tendo como vítima um Fazendeiro chamado João Netto, o qual era muito conhecido na 
comunidade por suas benfeitorias à região. O fato ocorreu no município João Gabriel, local conhecido 
por constantes conflitos envolvendo terras. Sabe-se que as pessoas da Comarca repercutem o 
assunto, sempre se posicionando a respeito do caso, havendo fundadas suspeitas sobre a 
imparcialidade do Júri. Desta forma, na condição de advogado de Andriotti, qual seria a medida 
adequada para assegurar da melhor maneira os interesses de seu cliente, considerando que o 
julgamento foi designado para ocorrer daqui três meses? Justifique a sua resposta. 
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Questão 04 
Carlitos foi denunciado pela prática de homicídio doloso contra sua esposa, Carmela. Todavia, após a 
prova produzida nos autos restou comprovado que a causa mortis foi um ataque cardíaco, ou seja, 
uma causa natural, nada tendo haver com Carlitos. Por tal razão, o magistrado da 1ª Vara Criminal 
absolveu sumariamente o acusado. A decisão transitou em julgado. Dois meses após, a filha de 
Carlitos resolve informar o que ouviu uma conversa de seu pai com um irmão, informando que teria 
sido o responsável pela morte de Carmela, tendo ministrado remédio em sua alimentação, gerando a 
disfunção que ocasionou a sua morte. Diante dos fatos, é possível reverter essa decisão de absolvição 
sumária no júri? Justifique. 
Questão 05 
Durante os debates orais, o Ministério Público proferiu a leitura de trechos da decisão de pronúncia, 
inclusive mencionou que se não estivessem presentes os indícios de autoria e materialidade, os réus 
não teriam sido submetidos a julgamento popular por ato do Juiz Presidente. Inobstante, a combativa 
defesa ter requerido o encerramento do Júri, o que restou consignado em ata, o magistrado 
determinou a continuidade. Ao final, os jurados condenaram o acusado. Diante dos dados trazidos na 
questão, o que poderá ser pleiteado na condição de advogado de defesa? Justifique e indique o 
recurso e a base legal que respaldam a sua resposta. 
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2ª Fase 
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CAPÍTULO II – Comentários à Lei de Execução penal – Lei n. 7.210/84 
 
1.1) Considerações iniciais 
 
 
A Lei n. 7.210 de 1984, também conhecida com a Lei de Execução Penal (LEP), 
regula a execução das penas e medidas de segurança no Brasil. 
As penas, conforme o artigo 32 do CP, dividem-se em: penas privativas de 
liberdade, restritivas de direito e penas de multa. Já as medidas de segurança estão previstas no artigo 96 
do CP, dividindo-se em: medidas de segurança de internação ou de tratamento ambulatorial. 
Em regra, quando se fala em execução penal, se pressupõe a existência de uma 
sentença penal condenatória transitada em julgado. Assim sendo, a partir do esgotamento da via recursal 
tem-se que será determinada a expedição / formação do processo de execução criminal, denominado 
na praxe jurídica como P.E.C (processo de execução criminal). 
O trâmite do processo de execução se dará em Vara de Execução Criminal, quando 
assim houver, conformedeterminação das regras de organização judiciária de cada Estado. Nesta fase, o 
Juiz responsável por este processo é denominado Juiz da Vara de Execução, cujo rol exemplificativo de 
sua competência consta no artigo 66 da Lei n. 7.210/84. 
Importante registrar que, excepecionalmente, é possível a formação do Processo 
de Execução Provisório, ou seja, quando a pessoa estiver executando uma pena que ainda está sob 
discussão perante o Poder Judiciário, ou seja, ainda não transitou em julgado a sentença. Tal entendimento 
passou a ser mais presente após o entendimento firmado no julgamento do Habeas Corpus 126.292/SP, no 
âmbito do Supremo Tribunal Federal, permitindo em caso de confirmação ou de condenação em segundo 
grau, que fosse determinada a execução da pena. 
Independentemente, de ser preso em caráter definitivo ou provisório a Lei de 
Execução é aplicável no que couber. 
Em termos de prova prático-profissional, registra-se que os pedidos ao Juiz da 
Vara de Execução devem ser elaborados no formato de Petições, por exemplo, o apenado pretende 
progressão de regime, deverá ser postulado através de petição um pedido fundamentado ao Juiz, através de 
seu defensor (público ou privado/contratado). 
 
1.2) Finalidade da Lei de Execução Penal 
 
A finalidade da Lei de Execução Penal, nos termos do artigo 1º da LEP, está 
intimamente ligada à ideia de ressocialização, baseada na teoria da prevenção especial positiva. Além de 
efetivar as disposições contidas nas decisões penais, objetiva-se proporcionar condições para a harmônica 
integração social do condenado ou internado. 
Para isso, a LEP busca viabilizar uma série de institutos para assegurar o contato 
com o mundo exterior. Aos condenados à pena de privativa por exemplo: saídas temporárias, progressão de 
 
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regime, livramento condicional, entre outros. 
Vale destacar que todos os direitos não atingidos pela sentença permanecem 
inalterados (art. 3º, LEP), inclusive nos artigos 39 e 41 da LEP constam listados alguns deveres e direitos 
que devem ser observados durante a execução penal. 
 
1.3) Aplicação da Lei de Execução Penal 
 
A Lei de Execução Penal é aplicável a todos que estiverem recolhidos a 
estabelecimentos prisionais sujeitos à jurisdição ordinária (Justiça Estadual ou Federal), independentemente 
da origem da condenação. Logo, o que se verifica na execução penal é o local de cumprimento de 
pena, para determinar o Juízo Competente. 
 
OBS.: Vale destacar que o processo de execução criminal (PEC) tramita junto à Vara de Execução Criminal 
da Comarca (VEC), cuja jurisdição pertença o estabelecimento prisional em que o apenado cumpre pena. 
Nele constará toda e qualquer informação que gere alguma modificação na pena ou na sua forma de 
cumprimento.20 
OBS.: Súmula 192 do STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas 
impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos 
sujeitos à administração estadual. 
 
 
 
Dessa forma, exemplifica-se se um condenado pela Justiça Federal estiver 
recolhido num estabelecimento sujeito à administração Estadual, o Juiz da Vara de Execução Criminal 
Estadual será o competente para apreciar os pedidos e acompanhar a execução da pena. 
 
1.4) Princípio da Individualização da Pena (art. 5°, XLVI, CF) – fase executória 
 
 
O princípio da individualização da pena na fase da execução manifesta-se 
incialmente com a classificação dos condenados segundo seus antecedentes e personalidade (art. 5º, 
LEP). A classificação será feita por uma Comissão Técnica de Classificação – CTC, que elaborará o programa 
individualizador da Pena Privativa de Liberdade (PPL) ao condenado ou preso provisório (arts. 6 e 7, LEP). 
A Comissão Técnica de Classificação será presidida pelo diretor e composta, no 
mínimo, por 2 chefes de serviço, 1 psiquiatra, 1 psicólogo e 1 assistente social. 
Além da Classificação, para auxiliar na obtenção de mais elementos para 
individualização da pena, o condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado será submetido ao 
exame criminológico. Ainda, poderão ser submetidos o condenado à pena privativa de liberdade, em regime 
semiaberto (art. 8°). 
 
20 Registra-se a importância da Súmula 192 do STJ para fins de competência, importante verificar a natureza do estabelecimento 
prisional. 
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Frise-se, tais questões ocorrem no início da execução da pena, com a finalidade de 
apenas obter mais dados, conhecer a pessoa que está recolhida no sistema penitenciário. Todavia, convém 
informar que na maioria das vezes, isso não é cumprido durante a execução da pena. 
 
 
1.5) Detração Penal 
 
 
Artigo 42 do Código Penal - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na 
medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de 
prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no 
artigo anterior. 
 
A partir da alteração legislativa provocada pela Lei 12.736/12, tem-se que a 
detração penal deverá ser observada, desde logo, na sentença condenatória, conforme previsto no artigo 
387 do CPP. Atualmente, a competência do Juiz da VEC é subsidiária, ou seja, quando não for objeto na 
sentença, deverá ser observado pelo Juiz da Vara de Execução. Tal entendimento decorre do artigo 111 da 
LEP e do artigo 66, III, c, da LEP.21 
Atenção!! A consideração da detração não poderá caracterizar uma conta 
corrente do indivíduo com o Estado22. Por exemplo: 
a) X comete um crime e permanece preso durante 1 ano, após é absolvido. 
 
b) X não poderá reaver este período, buscando resgatá-lo. Por exemplo: X comete um delito de furto simples, 
na expectativa de não ficar preso, pois teria direito à detração daquele 1 ano, dito acima, referente a outro 
delito. Caso seja condenado, pela prática deste delito, não terá direito à detração anterior, pois geraria uma 
conta corrente. 
 
 
 
21 Art. 111 - Quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do 
regime de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso a detração ou a 
remição. 
22 HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DETRAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR AO FATO DELITUOSO. IMPOSSIBILIDADE. 
1. É assente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o condenado não faz jus à detração penal quando a conduta 
delituosa pela qual houve a condenação tenha sido praticada posteriormente ao crime que acarretou a prisão cautelar. 2. Ordem 
denegada. (HC 109599, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 26/02/2013, PROCESSO ELETRÔNICO 
DJe-048 DIVULG 12-03- 2013 PUBLIC 13-03-2013) 
Atenção!!!! 
 
Identificação Genética na Execução Penal – Art. 9º-A 
 
Leitura Complementar: Recurso Extraordinário 973837 
(ver notícia sobre o reconhecimento da Repercussão Social no RExt: 
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=319797) 
 
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1.6) Regimes Prisionais e Modificação do Regime durante a execução da pena 
 
Em regra, o regime a ser cumprido vem estabelecido na sentença penal 
condenatória ou quando for aplicada a pena em um acórdão pelo Tribunal, pois a fixação do regime inclui 
uma das fases da individualização da pena (artigo 59, III, CP e artigo 110 da LEP). Inclusive, seráestabelecido conforme as regras contidas no Código Penal nos arts. 33, §2°23 e 59. 
Entretanto, pode ocorrer de existirem processos distintos, que ainda não 
iniciaram a execução da pena, neste caso o resultado da soma das condenações determinará o novo 
regime. 
Por exemplo: Cross Fox possui uma condenação por um delito de roubo praticado 
em Porto Alegre/RS, cuja pena aplicada foi de 5 anos, em regime semiaberto; em comarca distinta, Caxias 
do Sul/RS, Cross Fox possui outra condenação à pena de 6 anos, em regime semiaberto. Nesta situação 
quando Cross Fox começar a cumprir a pena, o Juiz da Vara de Execução ao verificar a existência de duas 
condenações a serem cumpridas, determinará a soma das penas, no caso totalizará 11 anos, 
consequentemente o regime prisional será o fechado pelo resultado apontado. 
De outro modo, caso sobrevenha nova condenação durante o cumprimento 
de uma pena, a determinação do regime será feita através da soma do restante da pena que está sendo 
cumprida com a nova condenação, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 111 da LEP, vejamos: 
“Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena ao restante da que está sendo cumprida, 
para determinação do regime”. 
Imagine se Cross Fox estivesse executando uma pena de 10 anos de reclusão e no 
momento faltasse 2 anos para terminar, caso sobrevenha nova condenação por outro crime a 8 anos de 
reclusão, para determinação do novo regime, deverá ser somada a nova condenação (8 anos) + o 
restante da pena em execução (2 anos), o total do somatório, no caso 10 anos, determinará o novo 
regime, que pela quantidade resultará na imposição de regime fechado. Destaca-se que nessa situação 
ocorrerá uma hipótese de regressão de regime (artigo 118, II, LEP), que será estudada nos itens seguintes. 
Em todas as situações, da mesma forma que ocorre na aplicação da pena, em que 
o juiz se socorre da previsão contida no artigo 33, §2º, do CP para a fixação de regime, na execução penal o 
resultado da soma deverá ser enquadrado nas regras do artigo 33 do CP. 
1.6.1) Unificação de Penas 
O termo unificação, teoricamente, deveria ser utilizado nos casos em que se 
evidencia alguma hipótese de crime continuado (artigo 71 do CP) ou de concurso formal perfeito (artigo 70, 
caput, 1ª parte, do CP), pois nesses casos muito embora tenhamos mais de um crime, para fins de 
 
23 Art. 33, §2º, do CP - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, 
observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: a) o condenado a pena superior a 8 
(oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado; b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e 
não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semiaberto; c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual 
ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto 
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aplicação de pena, considera-se a pena de um deles, se idênticas, ou a mais grave, se diferentes, e 
aumenta-se de 1/6 a 2/3 (sistema da exasperação). Em outros termos, pode transformar diversas penas em 
uma, por determinação legal. 
Destaca-se que caso não tenha sido observada a ocorrência de crime continuado 
pelo Juiz da condenação, pois geralmente essas hipóteses são apuradas no mesmo processo, se isso for 
constatado na execução da pena, deverá o juiz fazer a unificação da pena, aplicando a exasperação aqui na 
fase da execução. Veja o recente julgado exemplificando a questão. 
AGRAVO EM EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO DE PENAS DECORRENTE DE CONTINUIDADE DELITIVA. DECISÃO 
MANTIDA. As práticas delituosas atinentes aos processos nºs 010/2.13.0002498-1 e 5006934-
02.20034047107 aconteceram em intervalo de tempo inferior a 30 dias (entre 22/01/2013 e 
13/02/2013). Ademais, são da mesma espécie e se perfectibilizaram de maneira muito semelhante, 
consistindo ambas em roubo majorado pelo uso de arma de fogo e pelo concurso de pessoas. [...] 
Decisão mantida. AGRAVO MINISTERIAL DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo Nº 70076880152, Sexta Câmara 
Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório, Julgado em 10/05/2018) 
 Por fim, fala-se também em unificação de pena, no caso do artigo 75 do CP, 
para fins de delimitar o cumprimento da pena em 30 anos, ocasião em que para fins de cálculo de 
progressão de regime, livramento condicional permanecerá o total da pena, como orienta a súmula 715 do 
STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do 
Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou 
regime mais favorável de execução.”. 
Chama-se atenção para o fato de que o termo unificação de penas é utilizado de 
diversas formas na execução pena, muitas vezes gerando confusão com a hipótese de soma de penas, pois 
o artigo 111 da LEP não traz qualquer conceito a respeito de cada expressão, somente refere que o regime 
prisional será fixado pelo resultado da soma ou unificação das penas. 
 
1.7) Regime Disciplinar Diferenciado – artigo 52 da LEP 
 
 O Regime Disciplinar Diferenciado não é uma espécie de regime prisional, não 
pode ser estabelecido na sentença penal condenatória como regime a ser observado para início da execução 
penal. Trata-se de uma sanção disciplinar ou de uma medida cautelar, a depender da hipótese de utilização. 
 
1) prática de fato definido como crime doloso quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina 
internas, praticado por preso provisório ou condenado (art. 52, caput, LEP); 
2) quando o preso (provisório ou condenado, nacional ou estrangeiro) apresentar alto risco para a ordem 
e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade (art. 52,§1°, LEP); 
3) quando recair sob o preso provisório ou condenado suspeitas de envolvimento ou participação, a 
As situações que podem ensejar a inclusão no regime disciplinar diferenciado são: 
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qualquer título, em organizações criminosas, quadrilha ou bando (art. 52, §2°, LEP). 
 
a) duração máxima de 360 dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma 
espécie, até o limite de 1/6 da pena aplicada; 
b) recolhimento em cela individual; 
 
c) visitas semanais de duas pessoas, sem contar o número de crianças; 
 
d) banho de sol de duas horas diárias. 
 
Atenção!! 
 
A inclusão do preso no RDD, de acordo com o artigo 54 da LEP, dependerá de 
requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa. 
A decisão judicial que incluir o preso no RDD será precedida de manifestação do 
Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de 15 dias, devendo ser fundamentada. 
 
 
1.8) Sistema Progressivo – Progressão de Regime 
 
 
O cumprimento das penas privativas de liberdade observará o sistema progressivo, 
ou seja, a transferência do regime mais rigoroso, estabelecido na sentença ou decisão penal, para um 
menos rigoroso mediante a observância de alguns requisitos. Os requisitos básicos são referentes ao tempo 
de pena (requisito objetivo) e comportamento do apenado (requisito subjetivo). 
O artigo 112 da LEP dispõe que a progressão será: 
a) determinada pelo juiz, com manifestação da defesa e do MP; 
b) verificado o cumprimento de ao menos um sexto da pena no regime anterior; 
c) verificado o bom comportamento, comprovado pelo diretor do estabelecimento. 
 
 
O artigo112 da LEP é a regra geral, aplicando-se aos delitos não hediondos ou, 
excepcionalmente, aos condenados por delitos hediondos ou equiparados praticados antes da alteração 
legislativa que sofreu o artigo 2º da Lei 8072/90. 
Importante frisar que é permitida a progressão de regime mesmo antes do trânsito 
As características desse regime são: 
O Diretor do estabelecimento atesta o comportamento 
carcerário através do chamado Atestado de Conduta 
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em julgado da sentença penal condenatória, conforme consta na súmula 716 do STF, ou seja, ainda que 
estejamos diante de execução provisória. Súmula 716 do STF: “Admite-se a progressão de regime de 
cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito 
em julgado da sentença condenatória.” 
Destaca-se também que a progressão de regime é por etapa, vejamos a Súmula 
491do STJ: "É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional." 
ATENÇÃO: Progressão de Regime nos casos de Crimes Hediondos e 
equiparados 
 
A progressão de regime para condenados por crimes hediondos é regulada pela lei 
11.464/07 que alterou a lei 8.072/90, a qual prevê a possibilidade de progressão de regime para 
condenados por delitos hediondos desde que haja o cumprimento de 2/5 da pena, se primário, ou de 3/5 da 
pena, se reincidente. 
Quanto à aplicação da Lei 11.464/07, importante destacar que somente é aplicada 
esta lei para aqueles apenados que praticarem crimes a partir da sua vigência. Em relação a este ponto, 
destaca-se a súmula vinculante n. 2624 do STF e a súmula 471 do STJ25. 
Caso o delito tenha sido praticado antes do dia 29/03/2007, o lapso temporal a ser 
aplicado deverá ser aquele do artigo 112 da LEP, com base no entendimento firmado no julgamento do HC 
82959-7/SP pelo STF. 
 
Condenados por delitos não hediondos Condenados por delitos hediondos e equiparados 
Artigo 112 da LEP 
 
Primário ou Reincidente: 1/6 da pena + bom 
comportamento carcerário 
Primeiro: ver a data da prática do delito 
 
Antes de 29/03/07: Primário ou Reincidente: 1/6 da 
pena + bom comportamento carcerário – artigo 112 
da LEP – Súmula 471, STJ 
A partir do dia 29/03/07: 2/5 – primário ou 3/5 se 
reincidente. 
Em todas as situações acrescentar o bom 
comportamento carcerário. 
 
24 Súmula vinculante 26: “Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da 
execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado 
preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a 
realização de exame criminológico.” 
25 Súmula 471 STJ: “Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da vigência da Lei 11.464/2007 sujeitam-se 
ao disposto no art. 112 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão de regime prisional.” 
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Porte e Posse Ilegal de arma de fogo de uso restrito – Crime Hediondo 
 
Em outubro de 2017 foi inserido como delito hediondo, no artigo 1°, parágrafo 
único, da Lei 8072/90, o delito de porte e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A alteração teve 
vigência a partir do dia 27 de outubro de 2017. 
Dessa forma, a nova lei e o tratamento diferenciado oriundo da condição de delito 
hediondo somente poderá incidir em delitos praticados a partir do dia 27 de outubro de 2017, pois trata-se 
de lex gravior, logo não poderá retroagir para alcançar fatos cometidos antes de sua promulgação. 
Em outros termos, por exemplo, se alguém condenado antes da inclusão deste 
crime no rol dos delitos hediondos pretender progredir, deverá ser observado o artigo 112 da LEP, 1/6 e 
bom comportamento, como requisitos. 
 
Exame Criminológico 
 
Há entendimento sumulado sobre progressão de regime e a exigência de exame 
criminológico no STF e STJ. 
Os Tribunais superiores têm entendido que, muito embora a nova redação do 
artigo 112 da LEP tenha excluído a exigência de realização de exame criminológico para obtenção de 
progressão de regime, não caracteriza constrangimento ilegal a submissão do apenado à realização de 
exame, desde que devidamente fundamentada a necessidade pelo Juiz da Vara de Execução Criminal. Neste 
sentido, temos as seguintes súmulas: 
 
Súmula Vinculante n. 26, STF: Para efeito de progressão de regime no 
cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a 
inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o 
condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal 
fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico. 
 
Súmula 439, STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, 
desde que em decisão motivada. 
 
 
 
Falta grave e Progressão de Regime 
 
Súmula 534, STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de 
cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração. 
 
 
Importante 
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2ª Fase 
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1.9) Regressão de Regime (art. 118) 
 
A execução da pena está sujeita a forma regressiva quando: 
 
1) o apenado praticar fato definido como crime doloso ou falta grave (artigo 50 e 51); 
Nesse caso, antes da regressão de regime deverá ser ouvido, previamente, o apenado – art. 118, § 2° - 
audiência de justificativa. 
 
Súmula 526, STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como 
crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no 
processo penal instaurado para apuração do fato. 
 
Súmula 533, STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é 
imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, 
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. 
 
2) quando o apenado sofrer condenação, por crime anterior, cuja soma da pena restante com a nova 
condenação torne impossível a manutenção do regime (art. 111). 
 
3) nos casos de violação com os deveres do monitoramento eletrônico, quando o Juiz da Execução 
adotar essa opção, artigo 146, C, parágrafo único, da LEP. 
 
Observações importantes – posicionamento jurisprudencial retirado do site do Superior 
Tribunal de Justiça: 
 
1. (STJ - jurisprudência) Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo prescricional 
para apuração de falta grave, deve ser adotado o menor lapso prescricional previsto no art. 109 do CP, 
ou seja, o de 3 anos para fatos ocorridos após a alteração dada pela Lei n. 12.234, de 5 de maio de 2010, 
ou o de 2 anos se a falta tiver ocorrido até essa data. Precedentes: AgRg nos EDcl no REsp 1248357/MS, 
Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2013, DJe 25/11/2013; AgRg no 
REsp 1414267/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 05/11/2013, DJe 
25/11/2013; 
 
 
OBS.: A jurisprudência tem admitido a chamada regressão cautelar, que dispensa a oitiva prévia do 
apenado (artigo 118, §2º, LEP), passando a exigir audiência somente nos casos de regressão definitiva. 
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2ª Fase50 
 
 
 
1.10) Prisão Domiciliar (artigo 117) 
 
Para cumprir a pena em residência particular o preso deverá estar em regime aberto e se enquadrar 
em uma das quatro hipóteses do artigo 117 da LEP, quais sejam: 
• condenado maior de setenta anos; 
 
• condenado acometido de doença grave; 
 
• condenada com filho menor ou deficiente físico ou metal; 
 
• condenada gestante. 
 
Atentar para a Súmula Vinculante n. 56 do STF, vejamos: “A falta de 
estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais 
gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS. 
 
Precedente representativo da Súmula Vinculante n. 56 do STF: 
"3. Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto e 
aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se 
qualifiquem como 'colônia agrícola, industrial' (regime semiaberto) ou 'casa de albergado ou estabelecimento 
adequado' (regime aberto) (art. 33, § 1º, alíneas "b" e "c"). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto 
de presos dos regimes semiaberto e aberto com presos do regime fechado. 4. Havendo déficit de vagas, 
deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade 
eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta 
de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao 
regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão 
domiciliar ao sentenciado." (RE 641320, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgamento em 
11.5.2016, DJe de 8.8.2016) 
 
1.11) Remição de pena – hipóteses legais 
 
A remição é o computo do período trabalhado ou estudado como tempo de pena 
cumprida, nos termos do artigo 128 da LEP. 
É possível remir tanto pelo trabalho como pelo estudo, inclusive, cumulando as 
duas possibilidades. 
Todavia, é importante se ater nas regras contidas nos artigos 126 e seguintes da 
LEP. 
 
Por exemplo, remição por trabalho, somente nos casos de regime fechado e 
semiaberto, a LEP omitiu a possibilidade de remição no caso de regime aberto. Os Tribunais superiores 
entendem que como não há previsão legal e o trabalho é requisito para ingressar no regime aberto, não há 
direito a remição neste caso. 
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2ª Fase 
51 
 
 
Já a remição por estudo, é possível em todos os regimes prisionais, inclusive, na 
última etapa do cumprimento de pena, ou seja, quando o apenado estiver em livramento condicional. 
 
1.12) Trabalho prisional: espécies de Trabalho Prisional: serviço interno e serviço externo 
 
* Quanto à forma de serviço: 
 
a) Serviço interno (art. 31) qualquer regime poderá trabalhar internamente e a qualquer momento, desde que 
existam vagas. 
 
b) Serviço externo (art. 36) 
Em relação ao serviço externo, é importante observar que o artigo 37 da LEP 
atribui ao Diretor do Estabelecimento Prisional a concessão da autorização, todavia, é importante registrar 
que há forte posicionamento doutrinário e de uso prático no cotidiano forense de que o trabalho prisional no 
âmbito externo deverá ser autorizado pelo Juiz da VEC (Neste sentido: Sídio Rosa de Mesquita Júnior, 
Norberto Avena, entre outros)26. 
 
1.13) PERMISSÃO DE SAÍDA (art. 120) E SAÍDA TEMPORÁRIA (art. 122) 
 
Podem obter permissão de saída, os apenados que cumprem pena em regime 
fechado, semiaberto e provisórios, mediante escolta, em duas hipóteses: 
• falecimento ou doença grave CCADI (cônjuge, companheiro, ascendente, descendente ou irmão); 
 
• necessidade de tratamento médico. 
 
Súmula 520, STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal 
é ato jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional. 
Já a saída temporária, sem vigilância, poderá ser concedida a apenados que 
cumprem pena em regime semiaberto. 
Vale destacar que foi introduzida em 2010 a possibilidade da utilização de 
monitoramento eletrônico, no artigo 122, parágrafo único, da LEP (redação dada pela Lei n. 12.258/10). 
Em outras palavras, a ausência de vigilância direta não impede que o juiz 
determine a monitoração eletrônica. Constitui uma faculdade do Juiz, não uma obrigação legal. 
Para obtenção da saída temporária, os apenados em regime aberto, deverão 
preencher os seguintes requisitos: 
• comportamento adequado; 
 
• cumprimento mínimo de 1/6 para apenado primário e de, no mínimo, ¼ para reincidentes; 
 
• compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. 
 
O período de deuração conforme a lei não poderá ser superior a 7 dias, podendo ser renovadas por 
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mais 4 vezes, logo faz jus a 35 dias de saída. Com intervalo de 45 dias entre as saídas. Quando se tratar de 
saída para fins de estudo o tempo será o necessário para a realização das atividades discentes. 
A Lei n. 12.258/10 também inovou ao estabelecer que o juiz imporá condições ao apenado, para 
obtenção das saídas temporárias, permitindo que além das previstas em lei outras poderão ser estabelecidas, 
vejamos a nova redação do §1º do artigo 124 da LEP: 
“Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes condições, entre outras 
que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do condenado: 
I - fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser encontrado 
durante o gozo do benefício; 
II - recolhimento à residência visitada, no período noturno; 
III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres.” 
 
1.14) MONITORAÇÃO ELETRÔNCIA 
 
O monitoramento eletrônico é uma faculdade judicial, pois, de acordo com a lei, 
poderá ser definido pelo juiz nos casos definidos em lei, desde que seja necessário. 
A lei admite a monitoração eletrônica em duas situações: prisão domiciliar e saída 
temporária no regime semiaberto. 
O instituto está previsto a partir do artigo 146- B, LEP. 
 
1.15) Livramento Condicional 
 
 O livramento condicional como o próprio nome permite concluir é a liberdade 
mediante condições. Trata-se da última etapa do cumprimento de pena, não se confundido com progressão 
de regime, pois o livramento condicional não integra o sistema progressivo. 
 O instituto é regulado pelos artigos 83 a 90 do CP e artigos 131 a 146 da LEP, a 
análise é conjunta dos dois dispositivos legais. 
 Nesta hipótese, o apenado é liberado do estabelecimento prisional, ficando 
submetido as condições previstas no artigo 132 da LEP, condições obrigatórias e condições facultativas, que 
dependerão de cada caso. 
 Os requisitos a serem preenchidos estão expostos no artigo 83 do CP. 
 Importante destacar que o lapso temporal exigido para fins de preenchimento do 
requisito objetivo não é interrompido pela prática de falta grave, nos termos da súmula 441 do STJ: “A 
falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”. 
 
I) REQUISITOS 
Os requisitos do livramento condicional, de ordem objetiva e subjetiva, encontram-
se no art. 83 do CP. 
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A) REQUISITOS OBJETIVOS 
a) Natureza e quantidade da pena – Art. 83, “caput”, CP 
Tal como ocorre com a suspensão condicional, somente a pena privativa de 
liberdade pode ser objeto do livramento condicional. Esse instituto somente poderáser concedido à pena 
privativa de liberdade igual ou superior a dois anos (art. 83 do CP). A soma das penas é permitida para 
atingir esse limite mínimo, mesmo que tenham sido aplicadas em processos distintos. 
b) Cumprimento de parte da pena – Art. 83, I, II e IV, CP 
Nos termos do artigo 83, I e II, do CP, o criminoso primário deve cumprir mais de 
1/3 da pena privativa de liberdade. 
Assim também o reincidente, desde que não o seja em crime doloso. Para tanto, é 
necessário que apresentem bons antecedentes. 
Quando o condenado é reincidente em crime doloso, deve cumprir mais da metade 
da pena. Por ausência de previsão legal, o agente primário portador de maus antecedentes 
deverá cumprir 1/3 para o livramento condicional, já que o inciso restringe somente à hipótese de 
reincidente em crime doloso (não é possível analogia in malam partem). 
Tratando-se de condenado por prática de tortura, crime hediondo, tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, desde que não seja reincidente específico 
em tais delitos, deve cumprir mais de 2/3 da pena (art. 83, V, CP). Assim, sendo reincidente específico não é 
admissível o livramento condicional. Há reincidência específica, para efeito da disposição, quando o sujeito, 
já tendo sido condenado por qualquer dos delitos hediondos ou demais por sentença transitada em julgado, 
vem novamente a cometer um deles. 
O art. 84 do CP reza que “as penas que correspondem a infrações diversas devem 
somar-se para efeito do livramento”. 
B) REQUISITOS SUBJETIVOS – ART. 83, I E IV 
Os requisitos subjetivos são: bons antecedentes, comportamento satisfatório 
durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho atribuído e aptidão para o trabalho. 
Segue, ainda, as mesmas regras para a concessão da progressão de regime: 
Atestado de bom comportamento carcerário. Exceção: exame criminológico, desde que devidamente 
fundamentada a decisão que o determina (Súmula 439 STJ: “Admite-se o exame criminológico pelas 
peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”). 
 
 
Atenção !!! Artigo 44 da Lei n. 11.343/06 – Prazo para Livramento condicional – Associação ao Tráfico não é 
delito equiparado a crime hediondo, porém conforme a lei de drogas o prazo para obtenção de livramento 
condicional é de mais de 2/3. 
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II) Hipóteses de Revogação do Livramento Condicional 
 O livramento condicional poderá ser revogado por imposição legal ou por 
faculdade judicial. Assim sendo, são duas hipóteses: a) revogação obrigatória; e b) revogação facultativa. 
 
a) Revogação Obrigatória: artigo 86 do CP – Ocorre quando o liberado vem a ser 
condenado irrecorrivelmente à pena privativa de liberdade por crime praticado antes ou durante o 
livramento condicional. 
b) Revogação Facultativa: artigo 87 do CP – O juiz poderá revogar o livramento 
condicional se o liberado descumprir as condições do artigo 132 da LEP ou vier a ser condenado 
irrecorrivelmente por contravenção penal ou por crime cuja a pena não seja privativa de liberdade. 
 
Os efeitos da revogação dependerá se o motivo ocorreu antes ou durante o 
período de provas, ou seja, o perído do livramento condicional, conforme os artigos 88 do CP e artigos 141 e 
142 da LEP. 
 
III) Suspensão do Livramento Condicional 
 
Conforme consta expresso no artigo 86 do CP, somente revoga-se o livramento 
condicional se sobrevier sentença penal condenatória transitada em julgado por crime durante o período de 
prova, logo atente-se ao fato de ocorrer a suposta prática de crime durante a liberdade condicional. Nesta 
caso, não poderá haver revogação, e sim a suspensão do livramento, nos termos do artigo 145 da LEP. 
A decisão sobre a revogação em si, bem como seus efeitos, ficará sujeita ao 
trânsito em julgado referente ao novo fato. 
 
IV) Extinção do Livramento Condicional 
O cumprimento do período de prova sem que haja a revogação resulta na extinção 
da pena, nos termos do artigo 90 do CP. 
Em 2018, foi publicada a Súmula 617 do STJ que refere: “A ausência de 
suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período de prova enseja a extinção 
da punibilidade pelo integral cumprimento da pena”. 
1.16) Incidentes da Execução Penal 
 
• Conversão da Pena Privativa de Liberdade (PRD) em Pena Restritiva de Direito (PRD) – PPL não 
superior a dois anos; condenado em regime aberto; cumprido pelo menos ¼; antecedentes e personalidade 
indiquem (artigo 180 da LEP). 
• Conversão da PRD em PPL (artigo 181 da LEP) – ocorrerá na forma do artigo 45 do CP. 
• Conversão da Pena Privativa de Liberdade em Medida de Segurança (artigo 183 da LEP) 
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• Desvio ou Excesso de Execução (artigo 185 da LEP) 
 
 
1.17) ANISTIA, GRAÇA, INDULTO 
 
São institutos que extinguem a punibilidade, conforme o artigo 107, II, do CP. 
 
A anistia “é a declaração pelo Poder Público de que determinados fatos se tornam 
impuníveis por motivo de utilidade social. O instituto volta-se a fatos, e não a pessoas. Pode ocorrer antes 
da condenação definitiva – anistia própria – ou após o trânsito em julgado da condenação – anistia imprópria. 
Tem a força de extinguir a ação e a condenação. Primordialmente, destina-se a crimes políticos, embora 
nada impeça a sua concessão a crimes comuns.” A anistia somente é concedida através de lei editada pelo 
Congresso Nacional. 
A graça, por sua vez, é “a clemência destinada a uma pessoa determinada, não 
dizendo respeito a fatos criminosos. Trata-se de um perdão concedido pelo Presidente da República, dentro 
de sua avaliação discricionária, não sujeita a qualquer recurso, deve ser usada com parcimônia. É uma 
medida de caráter excepcional, destinada a premiar atos meritórios extraordinários praticados pelo 
sentenciado no cumprimento de sua reprimenda ou ainda atender condições pessoais de natureza especial, 
bem como a corrigir equívocos na aplicação da pena ou eventuais erros judiciários.” É concedida mediante 
análise do caso individual. 
De acordo com o artigo 5°, inc. XLIII, não é permitida nem a graça nem a anistia 
para delitos considerados hediondos. 
Por fim, o indulto também é uma causa extintiva da punibilidade, no entanto é 
concedido de forma coletiva, ou seja, tornou-se comum ao final de cada ano a publicação de um Decreto 
concedendo Indulto para todos aqueles que preencherem determinadas condições. 
No ano de 2007, foi publicado no dia 11 de dezembro o Decreto n. 6.294/07, o qual 
consta em anexo para conhecimento. 
Assim sendo, qualquer preso que preencher as condições passará a ter direito ao 
indulto, devendo ser apenas declarado pelo Juiz da Vara de Execuções. 
Destaca-se que no mesmo Decreto há previsão legal para a concessão de 
Comutação de Pena, porém esta não se confunde com o Indulto, pois não se trata de extinção da 
punibilidade, mas sim um abatimento da pena, desde que haja o preenchimento dos requisitos (ver artigos 
2° e 4° do Decreto em anexo – somente para exemplificar, pois o Decreto não poderá ser objeto de 
questionamento na prova). 
 
 
 
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1.18) ASPECTOS GERAIS RELACIONADOS À EXECUÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA 
 
• Espécies: artigo 96 do CP – internação e tratamento ambulatorial. 
 
Prazo máximo de cumprimento da Medida de Segurança – Súmula 527 do STJ: “O tempo de duração da medida de 
segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado”. 
 
• Conversão da Pena Privativa de Liberdade emMedida de Segurança – artigo 183 da LEP. 
 
• Agravo em Execução – Efeito suspensivo – artigo 179 da LEP. 
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2) Jurisprudência selecionada 
 
 
 
 
 
1. 
 
 
Conversão de 
Pena Restritiva 
de Direito em 
Pena Privativa 
de Liberdade – 
Incompatibilidade 
de cumprimento 
simultâneo 
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO 
DE PENAS. RESTRITIVA DE DIREITO CONVERTIDA EM PRIVATIVA DE 
LIBERDADE. INCOMPATIBILIDADE DE CUMPRIMENTO SIMULTÂNEO. 
I - Sobrevindo nova condenação, incumbe ao Juízo das Execuções 
Criminais proceder à unificação das penas, adequando o regime prisional 
ao resultado da soma, observadas, quando for o caso, a detração ou 
remição. 
II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento 
no sentido de que somente é possível a manutenção da pena restritiva 
de direitos na hipótese em que exista compatibilidade no cumprimento 
simultâneo das reprimendas. 
III - No caso, o agravante cumpria pena privativa de liberdade de 7 (sete) 
anos e 4 (quatro) meses de reclusão, por infração aos arts. 157, §2°, I e II 
e 329, §1°, ambos do Código Penal e arts. 309 e 298, I, do CTB, quando 
sobreveio nova condenação pela prática do crime tipificado no art. 155, 
§4°, do CP, oportunidade em que lhe foi imposta pena de 2 (dois) anos de 
reclusão, substituída por duas restritivas de direitos (prestação de 
serviços à comunidade e prestação pecuniária). 
IV - Agravo regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no REsp 1691905/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA 
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 10/10/2017, DJe 20/10/2017) 
 
2 Saída Temporária 
Informativo 590 - 
STJ 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. PRAZO MÍNIMO ENTRE SAÍDAS 
TEMPORÁRIAS. RECURSO REPETITIVO. TEMA 445. 
As autorizações de saída temporária para visita à família e para 
participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio 
social, se limitadas a cinco vezes durante o ano, deverão observar o 
prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. Na hipótese de 
maior número de saídas temporárias de curta duração, já intercaladas 
durante os doze meses do ano e muitas vezes sem pernoite, não se exige 
o intervalo previsto no art. 124, § 3°, da LEP. 
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3 Conversão da 
Medida de 
Segurança em 
Pena 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. 
SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL. CONVERSÃO DE PENA 
PRIVATIVA DE LIBERDADE EM MEDIDA DE SEGURANÇA. INTERNAÇÃO. 
MANUTENÇÃO. TEMPO DE CUMPRIMENTO DA PENA EXTRAPOLADO. 
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM CONCEDIDA. 
1. Em se tratando de medida de segurança aplicada em 
substituição à pena corporal, prevista no art. 183 da Lei de 
Execução Penal, sua duração está adstrita ao tempo que resta 
para o cumprimento da pena privativa de liberdade estabelecida 
na sentença condenatória. Precedentes desta Corte. 
2. Ordem concedida. 
(HC 373.405/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, 
SEXTA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 21/10/2016) 
4 Mandado de 
Segurança e efeito 
suspensivo no 
Agravo 
EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. 
MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO PELO PARQUET ESTADUAL, 
COM O FITO DE ATRIBUIR EFEITO SUSPENSIVO A AGRAVO EM 
EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 
ILEGITIMIDADE ATIVA. AGRAVO DESPROVIDO. 
I - "O manejo do mandado de segurança como sucedâneo recursal, 
notadamente com o fito de obter medida não prevista em lei, revela-se 
de todo inviável, sendo, ademais, impossível falar em direito líquido e 
certo na ação mandamental quando a pretensão carece de amparo legal" 
(HC n. 368.491/SC, Quinta Turma, Rel. Min. 
Joel Ilan Pacionik, DJe de 14/10/2016). 
II - Não cabe mandado de segurança com o escopo de dar efeito 
suspensivo ao agravo em execução. Ora, nos termos do art. 197 da LEP 
("Das decisões proferidas pelo juiz caberá recurso de agravo, sem efeito 
suspensivo"), o recurso de agravo em execução não comporta efeito 
suspensivo, salvo no caso de decisão que determina a desinternação ou 
liberação de quem cumpre medida de segurança (precedentes). 
Agravo regimental desprovido. 
(AgRg no HC 380.419/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, 
julgado em 28/03/2017, DJe 25/04/2017) 
5 Segunda 
Progressão 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO NO REGIME 
DE CUMPRIMENTO DA PENA. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE (FUGA). 
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 quantum 
remanescente 
 
 
 
 
Vale a data da 
decisão que 
concedeu e não a 
data da efetiva 
transferência se 
não for culpa do 
acusado. 
RECONTAGEM DO LAPSO DE 1/6 PARA A OBTENÇÃO DO BENEFÍCIO. 
PERDA DOS DIAS REMIDOS: ART. 127 DA LEP. Em caso de falta grave, 
é de ser reiniciada a contagem do prazo de 1/6, exigido para a obtenção 
do benefício da progressão no regime de cumprimento da pena. 
Adotando-se como paradigma, então, o quantum remanescente da 
pena. Em caso de fuga, este prazo apenas começa a fluir a partir da 
recaptura do sentenciado (HC 85.141 - Primeira Turma). A jurisprudência 
desta colenda Corte firmou a orientação de que "o cometimento de falta 
grave implica a perda dos dias remidos, mostrando-se constitucional o 
artigo 127 da Lei nº 7.210/84 - Recurso Extraordinário nº 452.994-7/RS, 
Plenário, julgamento realizado em 23 de junho de 2005, redator 
designado ministro Sepúlveda Pertence." Recurso ordinário em habeas 
corpus parcialmente provido. 
 (RHC 89031, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ 
Acórdão: Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 
28/11/2006, DJe-092 DIVULG 30-08-2007 PUBLIC 31-08-2007 DJ 31-08- 
2007 PP-00036 EMENT VOL-02287-03 PP-00595) 
6 Associação ao HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. 
 tráfico não CRIME NÃO CONSIDERADO HEDIONDO OU EQUIPARADO. BENEFÍCIOS. 
 hediondo REQUISITO OBJETIVO. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO 
 CONDICIONAL. LAPSOS TEMPORAIS DISTINTOS. CUMPRIMENTO DE 
 1/6 (UM SEXTO) NO CASO DE PROGRESSÃO E DE 2/3 (DOIS TERÇOS) 
 PARA O LIVRAMENTO, VEDADA A SUA CONCESSÃO AO REINCIDENTE 
 ESPECÍFICO. ARTS. 112 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL E 44 DA LEI N. 
 11.343/2006. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. A 
 jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça 
 reconhece que o crime de associação para o tráfico de 
 entorpecentes (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) não figura no rol 
 taxativo de delitos hediondos ou a eles equiparados, tendo em 
 vista que não se encontra expressamente previsto no rol 
 taxativo do art. 2º da Lei n. 8.072/1990. 
 2. Não se tratando de crime hediondo, não se exige, para fins de 
 concessão de benefício da progressão de regime, o cumprimento de 2/5 
 da pena, se o apenado for primário, e de 3/5, se reincidente para a 
 progressão do regime prisional, sujeitando-se ele, apenas ao lapso de 
 1/6 para preenchimento do requisito objetivo. 
 3. No entanto, a despeito de não ser considerado hediondo, o 
 crime de associação para o tráfico, no que se refere à concessão 
 do livramento condicional, deve, em razão do princípio da 
 especialidade, observar a regra estabelecida pelo art. 44, 
 parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006, ou seja, exigir que o 
 cumprimento de 2/3 (dois terços) da pena, vedada a sua 
 concessão ao reincidente específico. 
 4. Ordem concedida para afastar a natureza hedionda do crime de 
 associação para o tráfico e determinar que o Juízo da Vara das Execuções 
 Criminais da Comarca de São José do Rio Preto/SP proceda a novo 
 cálculo da pena, considerando, para fins de progressão de regime e de 
 livramento condicional, respectivamente, as frações de 1/6 (um sexto) e 
 2/3 (dois terços).(HC 394.327/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA 
 TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 23/06/2017) 
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7 Exame 
criminológico e 
fundamentação 
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO 
PRÓPRIO. VIA INADEQUADA. NÃO CONHECIMENTO. TRÁFICO DE 
DROGAS E DANO. PROGRESSÃO DE REGIME DEFERIDO EM 1º GRAU. 
RECURSO MINISTERIAL PROVIDO EM 2º GRAU. DETERMINAÇÃO DE 
EXAME CRIMINOLÓGICO. GRAVIDADE ABSTRATA DOS DELITOS E 
LONGA PENA A CUMPRIR. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. ORDEM 
CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. O Supremo Tribunal Federal, por sua 
Primeira Turma, e este Superior Tribunal de Justiça, por sua Terceira 
Seção, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, 
passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for 
passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a 
possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante 
ilegalidade. 
2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, desde a Lei n. 
10.792/2003, que conferiu nova redação ao art. 112 da Lei de Execução 
Penal, aboliu-se a obrigatoriedade do exame criminológico como 
requisito para a concessão da progressão de regime, cumprindo ao 
julgador verificar, em cada caso, acerca da necessidade, ou não, de sua 
realização, podendo dispensá-lo ou, ao contrário, determinar sua 
realização, desde que mediante decisão concretamente fundamentada 
na conduta do apenado no decorrer da execução. 
Precedentes. 
3. Fatores relacionados ao crime praticado são determinantes da pena 
aplicada, mas não justificam diferenciado tratamento para a progressão 
de regime, de modo que o exame criminológico somente poderá fundar- 
se em fatos ocorridos no curso da própria execução penal. Precedentes. 
4. In casu, o Tribunal de origem, ao examinar recurso ministerial que 
atacava decisão que deferira a progressão de regime prisional, 
determinou a realização de exame criminológico sem a devida 
fundamentação, pois baseada na gravidade abstrata dos delitos 
praticados e na longa pena a cumprir pelo paciente. 
5. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício para 
restabelecer a decisão do Juízo de primeiro grau que deferiu a 
progressão de regime prisional ao paciente. 
(HC 405.594/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, 
QUINTA TURMA, julgado em 19/10/2017, DJe 24/10/2017) 
8 Regressão 
cautelar 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. FALTA 
GRAVE. REGRESSÃO CAUTELAR AO REGIME PRISIONAL FECHADO. 
POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. 
1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de ser possível a 
regressão cautelar, inclusive ao regime prisional mais gravoso, diante da 
prática de infração disciplinar no curso do resgate da reprimenda, sendo 
desnecessária até mesmo a realização de audiência de justificação para 
oitiva do apenado, exigência que se torna imprescindível somente para 
a regressão definitiva. Precedentes. Recurso ordinário em habeas corpus 
desprovido. 
(RHC 81.352/MA, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, 
julgado em 18/04/2017, DJe 28/04/2017) 
9 Monitoramento 
Eletrônico 
Informativo nº 0597 
Processo 
HC 351.273-CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, por unanimidade, julgado em 
2/2/2017, DJe 9/2/2017. 
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2ª Fase 
61 
 
 
 
 
 Monitoramento eletrônico mediante uso de tornozeleira. Pedido de 
retirada do equipamento por desnecessidade. Indeferimento pelo juízo 
das execuções sem fundamento concreto. Constrangimento ilegal 
evidenciado. 
Destaque A manutenção de monitoramento por meio de tornozeleira 
eletrônica sem fundamentação concreta evidencia constrangimento 
ilegal ao apenado. 
Informações do Inteiro Teor 
A questão recursal gira em torno da legalidade do indeferimento de 
pedido de revogação de monitoramento eletrônico, por parte do juízo 
das execuções. Consoante dispõe o art. 146-D da Lei de Execução Penal, 
a monitoração eletrônica poderá ser revogada quando se tornar 
desnecessária ou inadequada. De qualquer sorte, ainda que o 
monitoramento eletrônico, com a colocação de tornozeleiras, seja uma 
alternativa tecnológica ao cárcere, a necessidade de sua manutenção 
deve ser aferida periodicamente, podendo ser dispensada a cautela em 
casos desnecessários. Todavia, a simples afirmação de que o 
monitoramento é medida mais acertada à fiscalização do trabalho 
externo com prisão domiciliar deferido ao apenado em cumprimento de 
pena de reclusão no regime semiaberto, sem maiores esclarecimentos 
acerca do caso concreto, não constitui fundamento idôneo para justificar 
o indeferimento do pleito. Assim como tem a jurisprudência exigido 
motivação concreta para a incidência de cautelares penais durante o 
processo criminal, a fixação de medidas de controle em fase de execução 
da pena igual motivação exigem, de modo que a incidência genérica - 
sempre e sem exame da necessidade da medida gravosa – de 
tornozeleiras eletrônicas não pode ser admitida. 
 
Informativo nº 0595 
Processo 
REsp 1.519.802-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, por 
unanimidade, julgado em 10/11/2016, DJe 24/11/2016. 
Uso de tornozeleira eletrônica. Perímetro estabelecido para 
monitoramento. Não observância. Constituição de falta grave. Não 
ocorrência. Aplicação de sanção disciplinar. 
Destaque 
A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de 
tornozeleira eletrônica configura mero descumprimento de condição 
obrigatória que autoriza a aplicação de sanção disciplinar, mas não 
configura, mesmo em tese, a prática de falta grave. 
Informações do Inteiro Teor 
Cingiu-se a discussão a verificar se a conduta do apenado, de estar fora 
da área de inclusão de rastreamento da tornozeleira eletrônica configura, 
em tese, possível falta disciplinar de natureza grave – apta à instauração 
de sindicância administrativa. Inicialmente, cabe destacar que resta 
incontroverso na doutrina e na jurisprudência que é taxativo o 
rol do artigo 50 da Lei de Execuções Penais, que prevê as 
condutas que configuram falta grave. No caso em apreço, o 
apenado foi identificado fora do endereço declarado no período 
noturno (área de inclusão), descumprindo assim uma das 
condições impostas na decisão que lhe concedera saída 
temporária. Todavia, tal conduta não está prevista no rol 
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62 
 
 
 
 
 supracitado – o que veda o seu reconhecimento, mesmo em 
tese, como falta disciplinar de natureza grave, sob pena de 
ofensa ao princípio da legalidade. Trata-se, sim, de 
descumprimento de condição obrigatória que autoriza sanção 
disciplinar diversa, podendo ser aplicada, a critério do juiz da 
execução, a regressão do regime, a revogação da saída temporária, da 
prisão domiciliar ou a advertência por escrito, nos termos do artigo 146- 
C, parágrafo único da Lei de Execuções Penais, incluído pela Lei n. 
12.258, de 2010, bem como a revogação do próprio benefício de 
monitoração, por descumprimento do disposto no art. 146-D do referido 
diploma legal. Importante ressaltar que esta Corte vem admitindo a 
ocorrência de falta grave nas hipóteses em que o condenado rompe a 
tornozeleira eletrônica ou mantém a bateria sem carga suficiente para o 
uso normal. Ocorre, contudo, que em casos tais, o apenado deixa de 
manter o aparelho em funcionamento, restando impossível o seu 
monitoramento eletrônico, o que até poderia equivaler, em última 
análise, à própria fuga, diversamente do que ocorre no presente caso, 
em que há mera inobservância do perímetro de inclusão declarado para 
o período noturno, que foi detectado pelo próprio rastreamento do 
sistema de GPS, mantendo-se assim o condenado sob normal vigilância 
10 Prisão Domiciliar AGRAVOREGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE 
RECURSO PRÓPRIO. NÃO CONHECIMENTO. PRISÃO DOMICILIAR ANTE 
A INEXISTÊNCIA DE VAGA NO ESTABELECIMENTO COMPATÍVEL COM O 
REGIME IMPOSTO. APLICAÇÃO DO NOVO ENTENDIMENTO DO STF 
ADOTADO EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL (RE 641.320/RS). 
PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA APRECIAÇÃO DE 
HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. 
POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 
1. Esta Corte e o Supremo Tribunal Federal pacificaram orientação no 
sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso 
legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da 
impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante 
ilegalidade no ato judicial impugnado, fato que reclama a concessão da 
ordem de ofício. Precedentes. 
2. A jurisprudência desta Corte Superior é assente no sentido de que, 
em caso de falta de vaga em estabelecimento prisional adequado ao 
cumprimento da pena, ou, ainda, de sua precariedade ou superlotação, 
deve-se conceder ao apenado, em caráter excepcional, o cumprimento 
da pena em regime aberto, ou, na falta de vaga em casa de albergado, 
em regime domiciliar, até o surgimento de vagas. 
3. O Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula 
Vinculante n. 56, entende que "a falta de estabelecimento penal 
adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime 
prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os 
parâmetros fixados no RE 641.320/RS". 
4. Os parâmetros mencionados na citada súmula são: a) a falta de 
estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do 
condenado em regime prisional mais gravoso; b) os Juízes da execução 
penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes 
semiaberto e aberto, para verificar se são adequados a tais regimes, 
sendo aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como colônia 
agrícola, industrial (regime semiaberto), casa de albergado ou 
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 estabelecimento adequado - regime aberto - (art. 33, § 1º, alíneas "b" e 
"c"); c) no caso de haver déficit de vagas, deverão determinar: (i) a saída 
antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade 
eletronicamente monitorada ao preso que sai antecipadamente ou é 
posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de 
penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao 
regime aberto; e d) até que sejam estruturadas as medidas alternativas 
propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado. 
5. "Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, se o caótico sistema 
prisional estatal não possui meios para manter os detentos em 
estabelecimento apropriado, é de se autorizar, excepcionalmente, que a 
pena seja cumprida em regime mais benéfico - estabelecimento 
adequado ao regime aberto ou prisão domiciliar" (HC 403.312/MG, Rel. 
Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 21/8/2017). 
6. Agravo regimental desprovido. 
(AgRg no HC 420.220/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA 
TURMA, julgado em 23/11/2017, DJe 28/11/2017) 
11 Livramento 
Condicional 
DIREITO PENAL. INFLUÊNCIA DA REINCIDÊNCIA NO CÁLCULO DE 
BENEFÍCIOS NO DECORRER DA EXECUÇÃO PENAL. 
Na definição do requisito objetivo para a concessão de livramento 
condicional, a condição de reincidente em crime doloso deve incidir sobre 
a somatória das penas impostas ao condenado, ainda que a agravante 
da reincidência não tenha sido reconhecida pelo juízo sentenciante em 
algumas das condenações. Isso porque a reincidência é circunstância 
pessoal que interfere na execução como um todo, e não somente nas 
penas em que ela foi reconhecida. Precedentes citados: HC 95.505-RS, 
Quinta Turma, DJe 1º/2/2010; e EDcl no HC 267.328-MG, Quinta Turma, 
DJe de 6/6/2014. HC 307.180-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 
16/4/2015, DJe 13/5/2015. 
12 Livramento e 
impossibilidade de 
perda dos dias 
remidos 
Informativo nº 0539 
Período: 15 de maio de 2014. 
SEXTA TURMA 
DIREITO PENAL. PRÁTICA DE CRIME DURANTE LIVRAMENTO 
CONDICIONAL. 
O cometimento de crime durante o período de prova do livramento 
condicional não implica a perda dos dias remidos. Isso porque o 
livramento condicional possui regras distintas da execução penal dentro 
do sistema progressivo de penas. Assim, no caso de revogação do 
livramento condicional que seja motivada por infração penal cometida 
na vigência do benefício, aplica-se o disposto nos arts. 142 da Lei 
7.210/1984 (LEP) e 88 do CP, os quais determinam que não se 
computará na pena o tempo em que esteve solto o liberado e não se 
concederá, em relação à mesma pena, novo livramento. A cumulação 
dessas sanções com os efeitos próprios da prática da falta grave não é 
possível, por inexistência de disposição legal nesse sentido. Desse modo, 
consoante o disposto no art. 140, parágrafo único, da LEP, as 
penalidades para o sentenciado no gozo de livramento condicional 
consistem em revogação do benefício, advertência ou agravamento das 
condições. Precedentes citados: REsp 1.101.461-RS, Sexta Turma, DJe 
19/2/2013; e AgRg no REsp 1.236.295-RS, Quinta Turma, DJe 
2/10/2013. HC 271.907-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
27/3/2014. 
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13 Livramento e 
comportamento - 
Absurdo 
EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. 
LIVRAMENTO CONDICIONAL. FALTAS GRAVES. AUSÊNCIA DE 
REQUISITO SUBJETIVO. 
LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO DO REQUISITO SUBJETIVO. 
IMPOSSIBILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. 
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 
1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de 
que, malgrado não interrompa o prazo para fins de livramento 
condicional (Súmula/STJ n. 441), a prática de falta grave impede a 
concessão do aludido benefício, por evidenciar a ausência do requisito 
subjetivo exigido durante a execução da pena, nos termos do disposto 
no art. 83, III, do Código Penal. 
2. Segundo entendimento fixado por esta Corte, não se aplica limite 
temporal para a análise do preenchimento do requisito subjetivo, 
devendo ser considerado todo o período de execução da pena, a fim de 
se averiguar o mérito do apenado. Precedentes. 
3. Desse modo, no caso concreto, o cometimento de 2 (duas) faltas 
graves durante a execução penal é causa suficiente para o indeferimento 
do benefício legal, consoante exposto no art. 83, III, do Código Penal. 
4. Agravo regimental a que se nega provimento. 
(AgRg no HC 417.233/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA 
TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 01/12/2017) 
14 Livramento e 
delito e período de 
provas 
EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. 
NOVO DELITO PRATICADO DURANTE O LIVRAMENTO CONDICIONAL. 
NECESSIDADE DE SUSPENSÃO EXPRESSA DO BENEFÍCIO DURANTE O 
PERÍODO DE PROVA. PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA. 
IMPOSSIBILIDADE. EXTINÇÃO DA PENA. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, 
OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. 
PREQUESTIONAMENTO. INCONFORMISMO COM O JULGADO. 
EMBARGOS REJEITADOS. 
1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver ambiguidade, 
obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do art. 619 do Código 
de Processo Penal, pressupostos não caracterizados na hipótese dos 
autos. 
2. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as teses 
expostas no recurso, ainda que para fins de prequestionamento, desde 
que demonstre os fundamentos e os motivos que justificaram suas 
razões de decidir. 
3. O livramento condicional deve ser suspenso ou revogado de forma 
expressa no curso do período de prova. Do contrário, a pena restará 
extinta, nos termos dos arts. 90 do Código Penal, e 146 da Lei de 
Execução Penal. Precedentes. 
4. Na hipótese, o embargado cometeu delitos em 12/12/2008e 
12/6/2009, durante o prazo do livramento condicional, cujo término 
estava previsto para 30/9/2010. Sobrevindo a nova condenação, o Juízo 
da Execução revogou-lhe o benefício em 18/1/2013, com base no art. 
86, I, do Código Penal. 
5. Embargos declaratórios rejeitados. 
(EDcl no HC 302.641/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA 
TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 25/05/2016) 
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CAPÍTULO III – RECURSOS 
 
 
1) AGRAVO EM EXECUÇÃO 
 
1.1) CABIMENTO/CONTEÚDO – ARTIGO 66 DA LEP 
É recurso destinado à impugnação de decisões interlocutórias proferidas no curso 
da execução criminal, disciplinada na Lei nº 7.210/84. Não há um rol taxativo, sendo cabível para impugnar 
qualquer decisão proferida pelo juízo da execução penal, cuja competência é definida no artigo 66 da LEP (Lei 
nº 7.210/84), como, por exemplo, em relação aos seguintes temas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.2) BASE LEGAL 
 
 
 
1.3) IDENTIFICAÇÃO 
 
3 
Decisão que concede ou nega a progressão de regime; 
Que determina a regressão do regime carcerário e perda dos dias remidos; 
Que indefere o pedido de unificação das penas, com base, por exemplo, na continuidade 
delitiva; 
Que concede ou denega pedido de livramento condicional; 
Que indefere o pedido de saídas temporárias; 
Concede ou denega o pedido de indulto, comutação, remição. 
Base legal: art. 197 da Lei 7.210/84 (LEP) 
PEDIU PRA PARAR 
PALAVRA MÁGICA: 
DECISÃO PELO JUÍZO 
DA EXECUÇÃO 
PEÇA: 
AGRAVO EM EXECUÇÃO 
PAROU! 
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1.4) RITO E COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO 
A Lei de Execução Penal não definiu o rito a ser seguido no agravo em execução, 
definindo, apenas, no seu art. 197, que “Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem 
efeito suspensivo”. 
Nesse sentido, a doutrina e jurisprudência amplamente dominante adotam o 
entendimento no sentido de que deve ser adotado o mesmo rito do recurso em sentido estrito, notadamente 
no que se refere ao prazo, ao juízo de retratação e ao processamento. 
Tal entendimento restou consagrado na Súmula 700 STF, segundo a qual “É de 
para a interposição de agravo contra a decisão do juiz da execução penal.”. 
 
A interposição do recurso deve ser dirigida ao juiz de primeiro grau que 
proferiu a decisão, para que este possa rever a decisão, em sede de juízo de retratação. 
As razões de recurso devem ser endereçadas ao Tribunal competente (Tribunal 
de Justiça, se da competência da Justiça Comum Estadual; ou Tribunal Regional Federal, se da competência 
da Justiça Federal). 
1.5) PRAZO 
 
 
 
1.6) EFEITOS 
Assim como no recurso em sentido estrito, o agravo em execução possui efeito 
regressivo, uma vez que a interposição do recurso obriga o juiz que prolatou a decisão recorrida a reapreciar 
a questão, mantendo-a ou reformando-a, aplicando-se analogicamente o artigo 589, “caput”, do CPP. 
Se o juiz manter a decisão, determinará a remessa dos autos à instância superior; 
se reformá-la, o recorrido, por simples petição, e dentro do prazo do prazo de cinco dias, poderá requerer a 
subida dos autos. O recorrido deverá ser intimado, no caso de retratação do juiz. 
Nos termos do artigo 197 da LEP, o agravo em execução, em regra, não tem efeito 
suspensivo. Ou seja, as decisões proferidas em sede de execução penal devem ser, via de regra, 
imediatamente executadas. 
PRAZO 
 
• Interposição: 5 dias 
• Razões: 2 dias 
cinco dias o prazo 
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1.7) ESTRUTURA DO AGRAVO EM EXECUÇÃO 
A estrutura do agravo em execução segue dois momentos: interposição do recurso 
(afirmar que pretende recorrer) e as razões de recurso. 
A) INTERPOSIÇÃO 
a) Endereçamento: Juiz da Vara de Execuções Penais. 
b) Preâmbulo: nome, capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 
197 da Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução Penal), nome da peça (Agravo em execução), frase final 
(pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
 c) juízo de retratação, em analogia ao artigo 589 CPP (importante) 
d) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data, 
advogado e OAB) 
B) RAZÕES 
a) Endereçamento: 
Tribunal de Justiça 
b) identificação: agravante/recorrente, agravado/recorrido, nº processo 
c) saudação: 
Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara – Eméritos Julgadores – Douta Procuradoria 
da Justiça 
d) corpo da peça (breve relato, preliminares e mérito) 
e) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico 
f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data e OAB 
Agravo em Execução e Medida de Segurança: artigo 179 da LEP – atribui excepcionalmente o 
efeito suspensivo nos casos de execução de Medida de Segurança. 
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PEÇA DE INTERPOSIÇÃO: Endereçamento para o juiz de 1º grau 
 
01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA 
02 
COMARCA ........ 
03 
Processo nº..... 
04 
05 7 a 10 linhas 
06 
07 FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
08 infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, 
09 inconformado com a decisão da s fls., interpor o presente AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no 
10 artigo 197 da Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal). 
11 Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de retratação, nos 
12 termos do artigo 589 do Código de Processo Penal . Se mantida a decisão, requer seja encaminhado 
13 
o presente recurso, já com as razões inclusas, ao Tribunal de Justiça do Estado, para o devido 
processamento. 
14 
15 
16 Nestes termos, 
17 Pede Deferimento. 
18 
Local..., data... 
19 ADVOGADO... 
20 OAB... 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO: Endereçamento ao Tribunal Competente 
 
01 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...... / Tribunal Regional Federal 
02 
03 Agravante: Fulano de Tal 
04 Agravado: Ministério Público 
05 Processo nº .... 
06 
07 RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO 
08 Egrégio Tribunal de Justiça 
09 Colenda Câmara 
10 
11 I) DOS FATOS 
12 II) DO DIREITO 
13 * decisão que concede ou nega a progressão de regime; 
14 * que determina a regressão do regime carcerário e perda dos dias remidos; 
15 * que indefere o pedido de unificação das penas, com base, por exemplo, na continuidade delitiva; 
16 * que concede ou denega pedido de livramento condicional; 
17 * que indefere o pedido de saídas temporárias; 
18 * concede ou denega o pedido de indulto, comutação, remição. 
19 Em síntese, hipóteses previstas no artigo 66 da LEP (Lei nº 7.210/84). 
20 
21 III) DO PEDIDO 
22 Ante o exposto, requer seja CONHECIDO E PROVIDO o presente recurso, com a 
23 REFORMA DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que ......... 
24 
Local..., data... 
25 ADVOGADO... 
26 OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
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PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXIV EXAME OAB 
Lucas, 22 anos, foi denunciado e condenado, definitivamente, pela prática de crime de associação para o 
tráfico, previsto no Art. 35 da Lei nº11.343/06, sendo, em razão das circunstâncias do crime, aplicada a pena 
de 06 anos de reclusão em regime inicial semiaberto, entendendo o juiz de conhecimento que o crime não 
seria hediondo, não tendo sido reconhecida a presença de qualquer agravante ou atenuante. 
No mês seguinte, após o início do cumprimento da pena, Lucas vem a sofrer nova condenação definitiva, 
dessa vez pela prática de crime de ameaça anterior ao de associação, sendo-lhe aplicada exclusivamente a 
pena de multa, razão pela qual não foi determinada a regressão de regime. 
Após cumprir 01 ano da pena aplicada pelo crime de associação, o defensor público que defende os interesses 
de Lucas apresenta requerimento de progressão de regime, destacando que o apenado não sofreu qualquer 
sanção disciplinar. 
O magistrado em atuação perante a Vara de Execução Penal da Comarca de Belo Horizonte/MG, órgão 
competente, indefere o pedido de progressão, sob os seguintes fundamentos: 
a) o crime de associação para o tráfico, no entender do magistrado, é crime hediondo, tanto que o livramento 
condicional somente poderá ser deferido após o cumprimento de 2/3 da pena aplicada; 
b) o apenado é reincidente, diante da nova condenação pela prática de crime de ameaça; 
c) o requisito objetivo para a progressão de regime seria o cumprimento de 3/5 da pena aplicada e, caso ele 
não fosse reincidente, seria de 2/5, períodos esses ainda não ultrapassados; 
d) em relação ao requisito subjetivo, é indispensável a realização de exame criminológico, diante da gravidade 
dos crimes de associação para o tráfico em geral. 
Ao tomar conhecimento, de maneira informal, da decisão do magistrado, a família de Lucas procura você, na 
condição de advogado(a), para a adoção das medidas cabíveis. Após constituição nos autos, a defesa técnica 
é intimada da decisão de indeferimento do pedido de progressão de regime em 24 de novembro de 2017, 
sexta-feira, sendo certo que, de segunda a sexta-feira da semana seguinte, todos os dias são úteis em todo 
o território nacional. 
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Lucas, redija a peça jurídica 
cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas 
pertinentes. 
A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) 
Obs.: a peça processual deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar 
respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 – XXIII EXAME OAB 
Gabriel, condenado pela prática do crime de porte de arma de fogo de uso restrito, obteve livramento 
condicional quando restava 01 ano e 06 meses de pena privativa de liberdade a ser cumprida. No curso do 
livramento condicional, após 06 meses da obtenção do benefício, vem Gabriel a ser novamente 
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condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo, que havia sido praticado antes mesmo do delito 
de porte de arma de fogo, mas cuja instrução foi prolongada. 
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional concedido e 
determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena restante quando da obtenção do 
livramento em relação ao crime de porte, além da nova sanção imposta em razão do roubo. 
 
Considerando a situação narrada, na condição de advogado(a) de Gabriel, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado que revogou o benefício do livramento condicional e 
determinou o cumprimento da pena restante quando da obtenção do benefício? É cabível juízo de retratação 
em tal modalidade recursal? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento deverá ser apresentado pela defesa de Gabriel para combater a decisão do magistrado? 
Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação ou transcrição do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
QUESTÃO 04 – XIX EXAME OAB 
Carlos foi condenado pela prática de um crime de receptação qualificada à pena de 04 anos e 06 meses de 
reclusão, sendo fixado o regime semiaberto para início do cumprimento de pena. Após o trânsito em julgado da 
decisão, houve início do cumprimento da sanção penal imposta. Cumprido mais de 1/6 da pena imposta e 
preenchidos os demais requisitos, o advogado de Carlos requer, junto ao Juízo de Execuções Penais, a 
progressão para o regime aberto. O magistrado competente profere decisão concedendo a progressão e fixa 
como condição especial o cumprimento de prestação de serviços à comunidade, na forma do Art. 115 da Lei nº 
7.210/84. O advogado de Carlos é intimado dessa decisão. Considerando apenas as informações apresentadas, 
responda aos itens a seguir. 
A) Qual medida processual deverá ser apresentada pelo advogado de Carlos, diferente do habeas corpus, para 
questionar a decisão do magistrado? (Valor: 0,60) 
B) Qual fundamento deverá ser apresentado pelo advogado de Carlos para combater a decisão do magistrado? 
(Valor: 0,65) 
QUESTÃO 02 – XVIII EXAME 
No dia 10 de fevereiro de 2012, João foi condenado pela prática do delito de quadrilha armada, previsto no Art. 
288, parágrafo único, do Código Penal. Considerando as particularidades do caso concreto, sua pena foi fixada 
no máximo de 06 anos de reclusão, eis que duplicada a pena base por força da quadrilha ser armada. A decisão 
transitou em julgado. Enquanto cumpria pena, entrou em vigor a Lei nº 12.850/2013, que alterou o artigo pelo 
qual João fora condenado. Apesar da sanção em abstrato, excluídas as causas de aumento, ter permanecido a 
mesma (reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos), o aumento de pena pelo fato da associação ser armada passou a 
ser de até a metade e não mais do dobro. 
Procurado pela família de João, responda aos itens a seguir. 
A) O que a defesa técnica poderia requerer em favor dele? (Valor: 0,65) 
B) Qual o juízo competente para a formulação desse requerimento? (Valor: 0,60) 
Obs.: sua resposta deve ser fundamentada. A simples citação do dispositivo legal não será pontuada. 
QUESTÃO 2 - XVI EXAME 
No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de reclusão pela prática dos 
crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma do Art. 69 do mesmo diploma legal, pois, no 
dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu Carla, mediante grave ameaça, a com ele praticar conjunção 
carnal e ato libidinoso diverso. Ainda cumprindo pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, 
conversando com outro preso, veio a saber que ele havia sido condenado por fatos extremamente semelhantes 
a uma pena de 07 anos de reclusão. Luan, então, pergunta o nome do advogado do colega de cela, que lhe 
fornece a informação. Luan entra em contato pelo telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para 
reduzir sua pena, apesar de sua decisão ter transitado em julgado. 
Diante dessa situação, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em favor de Luan? (Valor: 
0,65) 
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B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60) 
Sua resposta deve ser fundamentada. A simples citação do dispositivo legal não será pontuada. 
QUESTÃO 02 - XIV EXAME OAB 
Mário foi condenado a 24 (vinte e quatro) anos de reclusão no regime inicialmente fechado, com trânsito em 
julgado no dia 20/04/2005, pela prática de latrocínio (artigo 157, § 3º, parte final, do Código Penal). Iniciou a 
execução da pena no dia seguinte. No dia 22/04/2009, seu advogado,devidamente constituído nos autos da 
execução penal, ingressou com pedido de progressão de regime, com fulcro no artigo 112 da Lei de Execuções 
Penais. O juiz indeferiu o pedido com base no artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90, argumentando que o condenado 
não preencheu o requisito objetivo para a progressão de regime. 
Como advogado de Mário, responda, de forma fundamentada e de acordo com o entendimento sumulado dos 
Tribunais Superiores, aos itens a seguir: 
A) Excetuando-se a possibilidade de Habeas Corpus, qual recurso deve ser interposto pelo 
advogado de Mário e qual o respectivo fundamento legal? (Valor: 0,40) 
B) Qual a principal tese defensiva? (Valor: 0,85) 
Obs.: o examinando deve fundamentar corretamente sua resposta. A simples menção ou transcrição do 
dispositivo legal não pontua. 
QUESTÃO 04 - XII EXAME 
Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de determinado crime. Após 
o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem aplicar medida de segurança consistente em 
internação em hospital psiquiátrico por período mínimo de 03 (três) anos. Após o cumprimento do período 
supramencionado, o advogado de Marcos requer ao juízo de execução que seja realizado o exame de cessação 
de periculosidade, requerimento que foi deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os experts atestam a cura 
do internado, opinando, consequentemente, por sua desinternação. O magistrado então, baseando-se no exame 
pericial realizado por médicos psiquiatras, exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O Parquet, 
devidamente intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso cabível na espécie. 
 
A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a desinternação de Marcos? 
(Valor: 0,75) 
B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25) 
C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida pelo magistrado? 
(Valor: 0,25) 
QUESTÃO 01 – XI EXAME OAB 
O Juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de direitos (que fora imposta 
em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento de pena privativa de liberdade imposta no 
regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras condições. 
O Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão do referido Juiz da 
Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena, estimulando o descumprimento das penas 
alternativas ao cárcere. 
O recurso, devidamente contra-arrazoado, foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma 
unânime, resolveu lhe dar provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao cumprimento de pena 
no regime aberto, com base no Art. 115 da LEP, a prestação de serviços à comunidade, o que deveria perdurar 
por todo o tempo da pena a ser cumprida no regime menos gravoso. 
Atento ao caso narrado e considerando apenas os dados contidos no enunciado, responda fundamentadamente, 
aos itens a seguir. 
A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da Vara de Execuções Penais? 
(Valor: 0,50) 
B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento jurisprudencial sumulado? 
(Valor: 0,75) 
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. 
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FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 52. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 61 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
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2) CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO 
 
2.1) INTRODUÇÃO 
 
Das decisões proferidas pelo Juízo da Execução Penal cabe agravo em execução. 
 
A Lei de Execução Penal não definiu o rito a ser seguido no agravo em execução, 
constando, apenas, no seu art. 197, que “Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem 
efeito suspensivo”. 
Nesse sentido, a doutrina e jurisprudência amplamente dominante adotam o 
entendimento no sentido de que deve ser considerado o mesmo rito do recurso em sentido estrito, 
notadamente no que se refere ao prazo, ao juízo de retratação e ao processamento. 
Tal entendimento restou consagrado na Súmula 700 STF, segundo a qual “É de 
para a interposição de agravo contra a decisão do juiz da execução penal.” 
 
Nesse sentido, se não concordar com a decisão proferida, a parte irresignada deverá 
apresentar a petição de juntada de agravo em execução no prazo de 05 dias. Após, o juízo a quo fará o primeiro 
juízo de admissibilidade, recebendo ou não recurso, intimando-se o recorrente para apresentar, no prazo de 02 
dias, as respectivas razões de recurso de agravo em execução, se não apresentadas simultaneamente à 
interposição. 
 
Na sequência, intima-se o recorrido para oferecer suas CONTRARRAZÕES ou RAZÕES 
PARA A MANUTENÇÃO da decisão recorrida, no prazo de 02 dias. 
 
2.2) PRAZO 
 
Considerando que segue o rito do recurso em sentido estrito, o prazo para 
contrarrazões é de 02 dias, conforme o artigo 588 do CPP. 
 
2.3) CONTEÚDO 
 
Deve-se buscar no enunciado informações que permitem desenvolver teses voltadas 
à manutenção da decisão recorrida, bem como refutar os argumentos lançados pelo Ministério Público. 
cinco dias o prazo 
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ESTRUTURA DAS CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO 
 
01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÃO PENAL DA 
02 COMARCA ...... 
03 
04 
7 a 10 linhas 
05 
06 
07 
08 FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
09 infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência 
10 apresentar as presentes CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artig o 588 
11 do Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, mantendo-se a decisão recorrida em sede 
12 de juízo de retratação, com posterior remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de Justiça. 
13 
14 Nestes termos, 
15 Pede Deferimento. 
16 
17 
Local..., data... 
18 ADVOGADO... 
19 OAB... 
30 
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01 EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ......... 
02 Agravante: Ministério Público 
03 Agravado: Fulano de Tal 
04 Processo nº .... 
05 
06 
07 CONTRARRAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO 
08 Egrégio Tribunal de Justiça do Estado.... 
09 
Colenda Câmara Criminal.... 
10 
11 I) DOS FATOS33 
12 II) DO DIREITO 
13 
* Expor argumentos contrários aos invocados nas razões de Agravo em execução (informados no 
14 enunciado da questão), defendo, em síntese, a manutenção da decisão recorrida. 
15 III) DO PEDIDO34 
16 
Ante o exposto, requer seja IMPROVIDO o recurso de agravo em execução, 
17 MANTENDO- SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus exatos termos. 
18 
19 Local..., data... 
20 
21 ADVOGADO... 
22 OAB... 
 
 
 
 
33 * Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada), bem como da decisão 
recorrida. 
34 Requerer o improvimento do recurso de agravo em execução e a manutenção da decisão recorrida.se extrair do 
enunciado informações nesse sentido, buscar, ainda, o não conhecimento do recurso (Ex: recurso de agravo em execução 
interposto pelo MP de forma intempestiva). 
 
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3) EMBARGOS INFRINGENTE E DE NULIDADE – Art. 609 
 
 
3.1) CONCEITO 
Trata-se de recurso privativo da defesa, voltado a garantir uma segunda análise da 
matéria decidida pelo Tribunal de Justiça ou TRF, por ter havido maioria de votos contra o réu, ou seja, decisão 
não unânime desfavorável ao réu, ampliando-se o quórum do julgamento. 
Assim, o recurso obriga que órgão do Tribunal seja chamado a decidir por completo e 
não apenas com os votos dos Desembargadores que participaram do julgamento da apelação, recurso em sentido 
estrito e agravo em execução. 
Em determinados Tribunais de Justiça, por exemplo, as Câmaras são compostas por cinco 
Desembargadores, participando da turma julgadora apenas três deles. Dessa forma, caso a decisão proferida contra 
os interesses do réu constituir-se de maioria (dois a um) de votos, cabe a interposição de embargos infringentes, 
chamando-se os demais desembargadores a participarem do julgamento da matéria divergente. 
Tecnicamente, o recurso de embargos infringentes guarda relação com a hipótese 
em que o acórdão embargado tenha apresentado divergência em matéria de mérito, atribuindo-se a 
nomenclatura embargos de nulidade à impugnação de acórdãos divergentes em matéria de nulidade 
processual. 
 
3.2) BASE LEGAL 
 
3.3) IDENTIFICAÇÃO 
 
 
Base legal: art. 609, parágrafo único, do CPP 
PALAVRA MÁGICA! 
- DECISÃO NÃO UNÂNIME 
- MAIORIA DOS VOTOS 
DESFAVORÁVEL AO RÉU 
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3.4) LEGITIMIDADE PARA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE 
 
Dispondo a lei que os embargos infringentes ou de nulidade só podem ser apresentados 
pela defesa, não é cabível tal recurso da acusação ou da assistência. 
 
 
3.5) CABIMENTO DOS EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE 
 
Considerando que a previsão legal desses embargos se encontra no Capítulo V do Título 
II do Código de Processo Penal, que trata “do processo e do julgamento dos recursos em sentido estrito e das 
apelações”, os embargos infringentes e de nulidade referem-se apenas ao recurso em sentido estrito e à apelação 
e, segundo a jurisprudência majoritária, em agravo em execução, já que segue o processamento do recurso em 
sentido estrito. 
 
habeas corpus. 
É pacífico na doutrina e na jurisprudência que não é cabível em revisão criminal e em 
 
 
Não cabe recurso de embargos infringentes nos julgamentos realizados pelas turmas 
recursais, porque não possuem natureza de tribunais. 
 
Também não cabem embargos infringentes contra acórdãos de 1º grau, ou seja, aqueles 
proferidos no julgamento de crimes de sua competência originária (nos casos de foro com prerrogativa de função). 
Isso porque o próprio art. 609, parágrafo único, do CPP, faz expressa alusão às decisões de segunda instância. 
Assim, no caso, por exemplo, de determinado prefeito, no exercício do mandato, ser 
julgado e condenado pelo Tribunal de Justiça por maioria dos votos, não poderão ser opostos embargos 
infringentes, cabendo somente recurso especial e/ou extraordinário, conforme o caso. 
 
3.6) PRAZO – Art. 609, parágrafo único 
 
 
O prazo para a oposição dos embargos infringentes é de dez dias, a contar da publicação 
do acórdão, sendo desnecessária a intimação pessoal do réu e de seu defensor, salvo, no caso deste último, quando 
se tratar de defensoria pública. A intimação do MP também é pessoal. 
RECURSO PRIVATIVO DA DEFESA 
PRAZO 
• 10 DIAS 
• A contar da 
publicação do 
acórdão 
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Por ocasião da interposição, deve o recurso ser devidamente instruído com as razões, 
pois não será aberta vista para essa finalidade. 
 
3.7) FORMA E COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO 
 
Os embargos infringentes somente poderão ser opostos por petição, sendo inadmissível 
por termo nos autos, já que as razões devem acompanhar a peça de interposição no momento do protocolo do 
recurso. 
A petição de interposição deve ser endereçada ao Desembargador-Relator do acórdão 
embargado, enquanto as razões devem ser dirigidas ao respectivo órgão julgador. 
A competência para o julgamento nos Tribunais de Justiça Estaduais depende do Código 
de Organização Judiciária de cada Estado. Por isso, sugere-se que as razões sejam endereçadas ao Tribunal de 
Justiça. Em sede de Tribunal Regional Federal, o julgamento dos embargos infringentes opostos contra decisão 
das turmas incumbe, normalmente, às seções criminais. 
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3.8) ESTRUTURA DO RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES OU DE NULIDADE 
 
A estrutura do recurso de embargos infringentes ou de nulidade segue dois momentos: 
interposição do recurso (afirmar que pretende recorrer) e as razões de recurso. 
 
A) INTERPOSIÇÃO – para o Desembargador Relator do acórdão embargado 
 
a) Endereçamento: Desembargador Relator da Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado 
de (se crime de matéria da Justiça Estadual) ou Desembargador Federal Relator da Turma Criminal do 
Egrégio Tribunal Regional Federal da Região (se crime da competência da Justiça Federal) 
 
b) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória (por 
seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 609, parágrafo único, do Código de Processo 
Penal), nome da peça (Recurso de Embargos Infringentes ou de Nulidade), frase final (pelas fatos e 
fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
 
c) parte final (Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede deferimento, data, 
advogado e OAB) 
 
B) RAZÕES 
 
a) Endereçamento: para Tribunal, dependendo do Regime Interno será dirigido ao Grupo Criminal 
na Justiça Estadual / Seção Criminal na Justiça Federal 
 
Tribunal de Justiça (se da competência da Justiça Estadual); 
Tribunal Regional Federal (se da competência da Justiça Federal). 
b) identificação: embargante, embargado, nº processo 
 
c) saudação: 
 
Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colendo Grupo Criminal – Eméritos Julgadores 
Justiça Federal: Egrégio Tribunal Regional Federal – Colenda Seção – Eméritos Julgadores 
corpo da peça: I. DOS FATOS: breve relato; II. DO DIREITO: Buscar no enunciado informações voltadas a 
prevalecer o voto vencido (favorável ao réu). 
 
d) pedido: reforma da decisão + provimento do recurso + pedido específico 
 
e) parte final: termos em que pede deferimento, local, data e OAB 
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QUESTÃO 4 – XVIII EXAME 
John, primário e de bons antecedentes, foi denunciado pela prática do crime de tráfico de drogas. Após a 
instrução, inclusive com realização do interrogatório, ocasião em que o acusado confessou os fatos, John foi 
condenado, na forma do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, à pena de 1 ano e 08 meses de reclusão, a ser 
cumprido em regime inicial aberto. O advogado de John interpôs o recurso cabível da sentença condenatória. 
Em julgamento pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, a sentença foi integralmente mantida por maioria 
de votos. O Desembargador revisor, por sua vez, votou no sentido de manter a pena de 01 ano e 08 meses 
de reclusão, assim como o regime, mas foi favorável à substituição da pena privativa de liberdade por duasrestritivas de direitos, no que restou vencido. O advogado de John é intimado do acórdão. 
Considerando a situação narrada, responda aos itens a seguir. 
A) Qual medida processual, diferente de habeas corpus, deverá ser formulada pelo advogado de John para 
combater a decisão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça? (Valor: 0,65) 
B) Qual fundamento de direito material deverá ser apresentado para fazer prevalecer o voto vencido? (Valor: 
0,60) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
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PEÇA DE INTERPOSIÇÃO 
 
01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR RELATOR DO ACÓRDÃO Nº DA .....CÂMARA 
02 CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE (se crime da competência da justiça 
03 estadual); 
04 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR RELATOR DO ACÓRDÃO Nº DA .....TURMA 
05 CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA REGIÃO (se crime da competência da 
06 justiça federal)26 
07 Processo nº ..... 
08 
09 FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
10 infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presenç a d e Vossa Excelência, 
11 inconformado com a decisão de fls., opor o presente EMBARGOS INFRINGENTES E / OU NULIDADE 
12 com base no artigo 609, parágrafo único, do Código de Processo Penal, requerente seja recebido e 
13 processado, pelos fatos e fundamentos expostos nas razões inclusas. 
14 
15 Nestes termos, 
16 Pede Deferimento. 
17 
 
18 
Local..., data... 
19 ADVOGADO... 
20 OAB... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 Competência da Justiça Federal – Art. 109 CF/88 
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RAZÕES DE RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES OU DE NULIDADE 
 
01 EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ...... (se da competência da Justiça Estadual); 
02 
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA. ... REGIÃO (se da competência da Justiça Federal). 
03 Embargante: Fulano de Tal 
04 Embargado: Ministério Público 
05 Processo nº ...... 
06 
07 RAZÕES DE RECURSO DE EMBARGOS INFRINGENTES OU NULIDADE 
08 
09 Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal 
10 Colendo Grupo Criminal (Justiça Estadual) ou Colenda Seção (Justiça Federal) 
11 
12 I) DOS FATOS27 
13 II) DO DIREITO28 
14 
Deverá ser exposto os motivos que deverá prevalecer o voto vencido. 
15 Por exemplo: O acórdão ora recorrido não merece prosperar, devendo ser mantido os 
16 fundamentos do voto vencido, senão vejamos. 
17 III) DO PEDIDO29 
18 Ante o exposto, requer seja REFORMADO O ACÓRDÃO RECORRIDO, COM O 
19 CONSEQUENTE PROVIMENTO DO RECURSO, prevalecendo o voto vencido, para o fim de ......: 
20 
21 
Local..., data... 
22 ADVOGADO... 
23 OAB... 
 
 
 
 
 
27 * Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o 
enunciado). * Importante: Justificar o cabimento e admissibilidade do recurso de embargos infringentes. 
28 O mérito deve guardar relação com o voto vencido (basicamente o que poderia ser alegado em sede de apelação, recurso em sentido 
estrito e agravo em execução). 
29 Pedido relacionado ao voto vencido. 
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84 
 
 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 123. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 124 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
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85 
 
 
 
4) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Art. 382 e 619 do CPP e 83 da Lei 9099/95 
 
2.1) CABIMENTO/CONTEÚDO 
 
Trata-se de recurso posto à disposição de qualquer das partes, voltado ao 
esclarecimento de dúvidas surgidas no acórdão, quando configurada ambiguidade, obscuridade, contradição 
ou omissão, permitindo, então, o efetivo conhecimento do teor do julgado, facilitando a sua aplicação e 
proporcionando, quando for o caso, a interposição de recurso especial ou extraordinário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2) IDENTIFICAÇÃO 
 
 
Ambiguidade: é o estado daquilo que possui duplo sentido, gerando equivocidade e incerteza, 
capaz de comprometer a segurança do afirmado. Assim, no julgado, significa a utilização, pelo magistrado, de 
termos com duplo sentido, que ora apresentam uma determinada orientação, ora seguem em caminho oposto, 
fazendo com o leitor, seja ele leigo ou não, termine não entendendo qual o seu real conteúdo. 
Obscuridade: é o estado daquilo que é difícil de entender, gerando confusão e ininteligência, no 
receptor da mensagem. No julgado, evidencia a utilização de frases e termos complexos e desconexos, 
impossibilitando ao leitor da decisão, leigo ou não, captar-lhe o sentido e o conteúdo. 
Contradição: trata-se de uma incoerência entre uma afirmação anterior e outra posterior, referentes 
ao mesmo tema e no mesmo contexto, gerando a impossibilidade de compreensão do julgado. 
Omissão: é a lacuna ou o esquecimento. No julgado, traduz-se pela falta de abordagem do 
magistrado acerca de alguma alegação ou requerimento formulado, expressamente, pela parte 
interessada, merecedor de apreciação. 
PEDIU PRA PARAR 
PALAVRA MÁGICA: 
Decisão obscura, 
contraditória, omissa ou 
ambígua 
PEÇA: 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
PAROU! 
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86 
 
 
 
2.3) BASE LEGAL 
 
 
 
2.4) PRAZO 
 
 
 
Os embargos devem opostos no prazo de 02 dias perante o próprio juiz prolator 
da sentença (art. 382), ou, no caso dos tribunais (art. 619), endereçados ao próprio relator do acórdão 
embargado. 
 
Cuidado: No procedimento do Juizado Especial Criminal, o prazo para oposição dos 
embargos de declaração é de 05 dias, nos termos do artigo 83, § 1º, da Lei 9.099/95. 
 
2.5) EFEITO INTERRUPTIVO 
 
Por analogia ao disposto no art. 1026 do novo CPC, os embargos de declaração 
possuem o efeito de interromper o prazo para interposição de recurso. 
 
Com a nova redação do artigo 83, § 2º, da Lei 9.099/95, dada pelo novo Código de 
Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), os embargos de declaração no âmbito do Juizado Especial Criminal 
passaram também a ter efeito interruptivo. 
 
2.6) ESTRUTURA DO RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
 
Os embargos de declaração deverão ser interpostos em peça única, já com as razões 
da interposição. 
Base legal: art. 382 ou 619 e 620 do CPP 
PRAZO 
2 DIAS 
 
• 1º Grau: 
PRAZO 
2 DIAS 
 
• Tribunal: 
PRAZO 
5 DIAS 
 
• JEC: 
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87 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I) Endereçamento: 
 
Embargos de Declaração contra sentença (art. 382 do CPP) 
 
a) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri da Comarca (se crime doloso 
contra a vida da competência da Justiça Estadual) ou da Seção Judiciária (se crime doloso contra a vida da 
competência da Justiça Federal)b) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Criminal da Comarca ....... (se crime da competência 
da Justiça Estadual) 
 
c) Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Criminal da Seção Judiciária de ......(se crime da 
competência da Justiça Federal) 
 
 
Embargos de Declaração contra Acórdão – Art. 619 e 620 CPP 
 
a) Excelentíssimo Senhor Desembargador Relator do Acórdão nº... da Câmara Criminal do Egrégio Tribunal 
de Justiça do Estado de ..... (se crime de matéria da Justiça Estadual), 
b) Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Relator do Acórdão nº .... da ..... Turma Criminal do Egrégio 
Tribunal Regional Federal da ..... Região (se crime da competência da Justiça Federal) 
JEC 5 DIAS 
Tribunal 
2 DIAS 
omissão 
contradição 
CABIMENTO 
obscuridade 
ambiguidade 
 
EMBARGOS DE 
DECLARAÇÃO 
PRAZO 
1º Grau Sentença de 1º Grau 
Art. 382 do CPP 
Art. 619 do CPP 
Acórdão 
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88 
 
 
 
II) Preâmbulo: nome (desnecessário qualificar, pois já qualificado nos autos), capacidade postulatória (por 
seu procurador infra-assinado), fundamento legal (arts. 382 ou 619 e 620 do Código de Processo 
Penal), nome da peça (Recurso de Embargos de Declaração), frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos 
a seguir expostos); 
c) corpo da peça: I) DOS FATOS: breve relatório; II) DO DIREITO: apontar a contradição, obscuridade, 
ambiguidade ou omissão – demonstrar o vício da decisão; 
d) pedido: declaração dos embargos, com a correção da contradição, obscuridade, ambiguidade ou omissão. 
 
f) parte final: termos em que pede deferimento, local, data e OAB 
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ESTRUTURA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
 
01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .....VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA 
02 COMARCA.... (se crime doloso contra a vida da competência da justiça estadual) OU DA SEÇÃO 
03 JUDICIÁRIA (se crime doloso contra a vida da competência da justiça federal) 
04 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ......VARA CRIMINAL DA COMARCA.... 
05 (se crime da competência da justiça estadual) 
06 C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ......VARA CRIMINAL DA JUSTIÇA DA SEÇÃO 
07 JUDICIÁRIA DE ........ (se crime da competência da justiça federal) 
08 
09 Embargos de Declaração contra Acórdão – Art. 619 e 620 CPP 
10 A) DESEMBARGADOR RELATOR DA .......CÂMARA CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO 
11 ESTADO DE ........ (se o crime é de matéria da justiça estadual) 
12 B) DESEMBARGADOR FEDERAL RELATOR DA .....TURMA CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL 
13 FEDERAL DA .....REGIÃO (se crime da competência da justiça federal) 
14 
15 FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu procurador 
16 infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência 
17 opor o presente EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com base no artigo 382 ou 619 e 620 do Código 
18 de Processo Penal, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
19 I) DOS FATOS 
20 II) DO MÉRITO30 
21 III) DO PEDIDO 
22 Ante o exposto, reque r sejam recebidos os presentes embargos e, ao final, declarado a 
23 sentença ou acórdão embargado , corrigindo-se a (omissão, contradição, obscuridade ou ambiguidade), 
24 como medida de inteira justiça. 
25 Nestes termos, Pede Deferimento. 
26 
Local...e data... 
27 ADVOGADO... 
28 OAB... 
 
30 Demonstrar a obscuridade, contradição, omissão ou ambiguidade 
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4 
 
CAPÍTULO IV – HABEAS CORPUS E RECURSO ORDINÁRIO 
CONSTITUCIONAL 
1) HABEAS CORPUS (Art. 5º, LXVIII, CF/88) 
 
A) CONCEITO - ART. 647 
 
É o remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a 
coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder. 
 
B) BASE LEGAL 
 
 
C) ESPÉCIES 
 
A doutrina costuma apontar, basicamente, duas espécies de Habeas Corpus: 
 
a) Habeas corpus liberatório ou repressivo: Havendo violência ou coação em sua liberdade de 
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, pode-se impetrar habeas corpus para afastar o 
constrangimento ilegal e restabelecer a liberdade de locomoção do paciente. 
b) Habeas corpus preventivo: Se a violência ou coação em sua liberdade de locomoção ainda não ocorreu, 
mas há fortes razões para considerar que está na iminência de se configurar, pode-se impetrar habeas corpus 
preventivo, buscando o “salvo-conduto”, mediante ordem impeditiva da coação, conforme prevê o artigo 660, 
§ 4º, do CPP. 
 
D) LEGITIMIDADE ATIVA – ART. 654 
 
Pode ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente de habilitação legal 
ou representação de advogado (dispensada a formalidade da procuração). 
E) LEGITIMIDADE PASSIVA 
 
No polo passivo da ação de habeas corpus está a pessoa – autoridade ou não – 
apontada como coatora, que deve defender a legalidade do seu ato, quando prestar as informações. 
 
Acrescente-se, ainda, que a Constituição Federal não distingue, no polo passivo, a 
autoridade do particular, de modo que é possível impetrar habeas corpus contra qualquer pessoa que 
constranja a liberdade de locomoção de outrem. 
Base legal: art. 647, 648 do CPP e art. 5º LXVIII da CF 
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Ex: imagine-se os inúmeros casos de internação irregular em hospitais psiquiátricos 
ou mesmo da vedação de saída a determinados pacientes que não liquidam seus débitos no nosocômio. 
F) ADMISSIBILIDADE/CONTEÚDO – ART. 648 
 
Justa causa é a existência de fundamento jurídico e suporte fático autorizadores do 
constrangimento à liberdade ambulatória. A hipótese trata da falta de justa causa para a prisão, para o 
inquérito e para o processo. 
Só há justa causa para a prisão no caso de flagrante delito ou de ordem escrita e 
fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão ou crime militar. 
Falta justa causa para o inquérito policial quando este investiga fato atípico ou 
quando já estiver extinta a punibilidade do indiciado. 
A nova reforma processual penal, ao concentrar os atos da instrução numa única 
audiência, visou, em especial, concretizar o princípio constitucional da celeridade processual, impedindo, por 
consequência, que os réus fiquem sujeitos ao constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo. 
 
Só pode determinar a prisão a autoridade judiciária dotada de competência material 
e territorial, salvo caso de prisão em flagrante. A incompetência absoluta do juízo também pode ser 
reconhecida em sede de habeas corpus. 
Ex: sentenciado que já cumpriu sua pena, mas continua preso. 
 
 
 
c) quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo – art. 648, III, do CPP 
a) quando não houver justa causa – art. 648, I, do CPP 
b) quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei – art. 648, II, do CPP 
d) quando houver cessado o motivo que autorizou a coação – art. 648, IV, do CPP 
e) quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza – art. 648, 
V, do CPP 
f) quando o processo for manifestamente nulo – art. 648, VI, do CPP 
g) quando extinta a punibilidade – art. 648, VII, do CPP 
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G) COMPETÊNCIA 
 
a) Do juiz de direito de primeira instânciaBasicamente, para trancar inquérito policial. Porém, se o inquérito tiver sido 
requisitado por autoridade judiciária, a competência será do tribunal de segundo grau competente, de acordo 
com a sua competência. 
O juiz não pode conceder a ordem sobre ato de autoridade judiciária do mesmo 
grau. 
 
b) Do Tribunal de Justiça 
 
Quando a autoridade coatora for juiz de direito e representante do MP Estadual. Ex: 
se o promotor de justiça requisita a instauração de inquérito policial, sem lastro para tanto, o habeas corpus 
deve ser impetrado perante o tribunal de justiça. No caso, estando a autoridade policial obrigada a atender a 
requisição, o promotor de justiça é o verdadeiro responsável pela coação. 
c) Do Tribunal Regional Federal 
 
Se a autoridade coatora for juiz federal (art. 108, I, “d”). 
 
d) Do Superior Tribunal de Justiça 
 
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: 
I - processar e julgar, originariamente: 
a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes 
e nos de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados 
e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito 
Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do 
Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do 
Ministério Público da União que oficiem perante tribunais; 
(...) 
c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas 
mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, 
Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, 
ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 23, de 1999) 
e) Do Supremo Tribunal Federal 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: 
 
I - processar e julgar, originariamente: 
 
(...) 
 
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou 
o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à 
jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma 
jurisdição em uma única instância; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
22, de 1999) 
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H) JULGAMENTO E EFEITOS 
 
a) a concessão de habeas corpus liberatório implica seja o paciente posto em liberdade, salvo se por outro 
motivo deva ser mantido na prisão. 
b) se a ordem for concedida para anular o processo, este será renovado a partir do momento em que se 
verificou o vício 
c) quando a ordem for concedida para trancar inquérito policial ou ação penal, esta impedirá seu curso normal, 
isto é, haverá o trancamento do inquérito policial ou ação penal. 
e) a decisão favorável do habeas corpus pode ser estendida a outros interessados que se encontrem na 
situação idêntica à do paciente beneficiado. 
I) ESTRUTURA DO HABEAS CORPUS 
 
A) Endereçamento: Juiz ou Tribunal Competente 
 
B) Preâmbulo: nome e qualificação do impetrante (qualificar, pois se trata de ação - não inventar dados), 
fundamento legal (artigo 5º, inciso LXVIII, da CF/88 e art. 648, inciso ...), nome da peça (Habeas 
corpus), apontar a autoridade coatora, frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
C) corpo da peça (Dos fatos e do direito). Abordagem voltada ao constrangimento ilegal à liberdade de 
locomoção 
E) parte final (local, data, advogado e OAB) 
 
 
D) pedidos: conforme o fundamento invocado: (a) trancamento do inquérito policial; (b) trancamento da ação 
penal (se ainda não existir sentença); (c) extinção da punibilidade; (d) nulidade; (e) revogação da preventiva; 
(f) relaxamento da prisão em flagrante; (g) liberdade provisória (todos com alvará de soltura) 
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01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE 
02 JUSTIÇA DO ESTADO (se a autoridade coatora for juiz de direito estadual, por exemplo) 
03 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO EGRÉGIO 
04 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA .......REGIÃO (se a autoridade coatora for juiz federal, por exemplo) 
05 
7 a 10 linhas 
06 
07 FULANO DE TAL (nome e qualificação), advogado inscrito na Ordem dos Advogados do 
08 Brasil sob o nº...., com endereço profissional...., vem, respeitosamente, à presença de Vossa 
09 Excelência impetrar HABEAS CORPUS, com base no artigo artigo 5º, inciso LXVIII, da CF/88, 
10 combinado com o artigo 647 e 648, inciso...., do Código de Processo Penal, contra ato do 
11 BELTRANO DE (autoridade coatora), em favor de CICLANO DE TAL (nome do paciente), nacionalidade, 
12 estado civil, profissão, RG..., pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
13 
14 I) DOS FATOS 
15 II) DO DIREITO 
16 1ª parágrafo: apontar a tese 
 
17 2º parágrafo: fundamentar a tese 
18 OBS: os fundamentos de mérito do HC encontram-se, invariavelmente, no artigo 648 do CPP 
19 III) DO PEDIDO 
20 Ante o exposto, o impetrante requer a concessão da ordem de habeas corpus, para o fim de 
21 * Trancamento do inquérito policial ou ação penal (por falta de justa causa) 
22 * extinção da punibilidade 
23 * nulidade 
24 * revogação da prisão preventiva, com expedição do alvará de soltura 
25 * relaxamento da prisão em flagrante, com expedição do alvará de soltura 
26 * concessão de liberdade provisória, com expedição do alvará de soltura 
27 
28 Local..., data... 
29 ADVOGADO... 
30 OAB... 
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PEÇA RESOLVIDA: HABEAS CORPUS – ADAPTADA DA QUESTÃO 3 – XV EXAME 
 
A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, causando prejuízo 
ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, procedimento administrativo, 
não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. Ao mesmo tempo, a Receita 
Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que, considerando a autonomia das 
instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime previsto no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 
8.137/90. Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a apresentação de resposta à 
acusação pela Defensoria Pública, Raquel contrata Wilson para, na condição de advogado, tomar as medidas 
cabíveis. Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto 
acima, redija a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes. 
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01 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO EGRÉGIO 
02 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ......REGIÃO 
03 
04 WILSON, nacionalidade, estado civil, advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob 
05 o nº...., com endereço profissional ...., vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência impetrar 
06 HABEAS CORPUS, com pedido liminar, com base no artigo 5º, inciso LXVIII, da CF/88, combinado 
07 com os artigos 647 e artigo 648, inciso I, do Código de Processo Penal, contra ato do Juiz 
08 Federal da Seção Judiciária de...., em favor de RAQUEL, nacionalidade, estado civil, RG..., CPF..., pelos 
09 fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
10 
11 I) DOS FATOS 
12 O MinistérioPúblico Federal ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime previsto no 
13 art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. 
14 Foi ratificado o recebimento da denúncia após a apresentação de resposta à acusação pela 
15 Defensoria Pública. 
16 II) DO DIREITO 
17 A paciente foi denunciada pela prática do delito previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, 
18 sendo o recebimento da denúncia ratificado pela autoridade coatora. Todavia, o fato praticado por Raquel 
19 é atípico porque não houve o efetivo lançamento definitivo do crédito tributário, nos termos do que dispõe 
20 a Súmula Vinculante nº 24 do STF. 
21 
Assim, não há justa causa para ação penal, pois o fato atribuído à paciente é atípico. 
22 Logo, verifica-se flagrante constrangimento ilegal a à liberdade de locomoção de Raquel, razão pela 
23 qual o trancamento da ação penal é medida que se impõe. 
24 III) DO PEDIDO 
25 Ante o exposto, o impetrante requer: 
26 a) seja expedido ofício à autoridade coatora, a fim de que preste informações; 
27 b) seja intimado o Ilustre Representante do Ministério Público Federal; 
28 c) a concessão da ordem de habeas corpus, para o fim de que seja trancada a ação penal, nos termos do 
29 artigo 648, inciso I, do Código de Processo Penal. 
30 Local..., data... 
31 ADVOGADO... 
32 OAB... 
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97 
 
 
 
2) RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL 
 
 
2.1) CONCEITO 
Trata-se de recurso destinado a impugnar decisão denegatória de mandado de 
segurança, mandado de injunção, habeas data e habeas corpus, decididos em única ou última instância, 
interposto no STJ ou STF, conforme a matéria e o tribunal que profere a decisão recorrida. 
Diferentemente do recurso especial e extraordinário, o recurso ordinário não exige 
prequestionamento para ser conhecido. 
 
2.2) BASE LEGAL 
 
 
 
 
 
 
2.3) IDENTIFICAÇÃO 
 
 
 
 
 
Base Legal: art. 102, inciso II, alínea “a”, CF STF 
PEDIU PRA PARAR 
PALAVRA MÁGICA: 
DENEGATÓRIA DE HC 
PEÇA: 
RECURSO ORDINÁRIO 
CONSTITUCIONAL 
PAROU! 
Base legal: art. 105, inciso II, alínea “a”, CF STJ 
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2.4) CABIMENTO EM MATÉRIA PENAL 
 
 
 
a) Decisão denegatória de habeas corpus e de mandado de segurança decididas em única 
 instância pelos Tribunais Superiores (art. 102, II, “a”, CF/88) 
Trata-se de recurso destinado a impugnar, em matéria criminal, decisões denegatórias 
de habeas corpus e mandado de segurança proferidas em única instância por Tribunais Superiores, ou seja, 
Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e 
Superior Tribunal Militar (STM). 
 b) Decisão relativas a crimes políticos (art. 102, II, “b”, CF/88). 
Entende-se por crime político o delito praticado contra a ordem política e social, 
previstos na Lei 7.170/83. 
A competência para julgar o crime político é da Justiça Federal, nos termos do artigo 
109, inciso IV, da CF/88. 
 
Considerando a competência firmada no art. 102, II, “b”, da CF, que não se refere 
a decisões de única ou última instância, conclui-se que, tratando-se de crime político, o 2º grau será, sempre, 
o STF mediante recurso ordinário. 
a) Decisões dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal ou dos Tribunais Federais, 
que, em única ou última instância, denegarem a ordem de habeas corpus (art. 105, II, “a”, da 
CF) 
Nesse caso, impetrado habeas corpus no Tribunal de Justiça contra decisão de um 
juiz, em sendo denegado, cabe à parte ingressar com recurso ordinário constitucional para o STJ. 
b) Decisões dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal ou dos Tribunais Federais, 
que, em única, denegarem a ordem o mandado de segurança (art. 105, II, “b”, da CF) 
Trata-se da hipótese de um determinado Tribunal Estadual ou Federal julgar 
mandado de segurança ajuizado em caso de sua competência originária e, ao final, denegar a segurança 
pleiteada. Nesse caso, cabe recurso ordinário constitucional para o STJ. 
2.5) PRAZO E PROCESSAMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO 
 
I) NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 
II) NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
PRAZO 
 
• Regra: 
• 05 dias 
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99 
 
 
15 dias 
 
 
corpus, o prazo será 
Nos termos do artigo 30 da Lei 8.038/90, quando for decisão denegatória de habeas 
para apresentar a petição de interposição do recurso ordinário constitucional, já 
acompanhado das razões, conforme Súmula 319 do STF: “O prazo do recurso ordinário para o STF, em 
habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias.” 
 
O recurso ordinário constitucional para o Supremo Tribunal Federal deve ser 
interposto perante o Superior Tribunal (STJ/STM/STE) que proferiu a decisão denegatória do habeas corpus 
ou mandado de segurança, mediante petição já acompanhada das respectivas razões. As razões recursais 
devem ser dirigidas às Turmas do Supremo Tribunal Federal. 
O recurso ordinário constitucional para o Superior Tribunal de Justiça deve ser 
interposto perante o respectivo Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que proferiu a decisão 
denegatória de habeas corpus ou mandado de segurança. As razões recursais devem ser dirigidas às 
Turmas do Superior Tribunal de Justiça. 
A petição de interposição deve estar acompanhada das respectivas razões do pedido 
de reforma da decisão. 
 
Obs: Na hipótese de recurso ordinário constitucional contra decisão denegatória de mandado de segurança, 
o prazo será de (art. 33 da Lei 8.038/90). 
 
 
 
Questão 04 – XIV EXAME OAB 
Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código Penal. No curso da instrução 
criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva do réu, com o intuito de garantir a 
ordem pública, “já que o crime causou grave comoção social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca 
em risco a integridade social, configurando conduta inadequada ao meio social.” 
O advogado de Cristiano, inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou 
Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo 
em vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. 
O Tribunal de Justiça, por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão que decretou a 
prisão preventiva estava corretamente fundamentada. 
De acordo com a jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do acórdão? (Valor: 
0,65) 
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido? (Valor: 0,65) 
05 dias 
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100 
 
 
 
A) PEÇA DE INTERPOSIÇÃO 
 
01 Endereçamento: Ao Presidente do Tribunal que proferiu a decisão recorrida 
02 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO 
03 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO.... (se crime da competência da justiça estadual) 
04 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO 
05 EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL....(se crime da competência da justiça federal) 
06 C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO COLENDO SUPERIOR 
07 TRIBUNAL DE JUSTIÇA (QUANDO O HC FOR DENEGADO NO STJ) 
08 
 
09 7 a 10 linhas 
10 
11 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com procuração12 em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, interpor o presente RECURSO 
13 ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com base no artigo 102, inciso II, alínea “a”, da CF (se for da 
14 competência do STF) ou no artigo 105, inciso II, “a” da Constituição Federal (se for da 
15 competência do STJ), combinado com os artigos 30 e 32 da Lei nº 8.038/90, requerendo seja o recurso 
16 recebido e processado e, ao final, remetido ao Supremo Tribunal Federal (ou Superior Tribunal de Justiça). 
17 
18 Nestes termos, 
19 Pede Deferimento. 
20 
21 Local..., data... 
22 ADVOGADO... 
23 OAB... 
 
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101 
 
 
B) RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL 
 
01 COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ou COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
02 
03 Recorrente: Fulano de Tal 
04 Recorrido: Ministério Público 
05 
06 RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL 
07 Douta Turma 
08 Eminentes Ministros 
09 
10 I) DOS FATOS 
11 II) DO DIREITO 
12 * Os fundamentos de mérito invariavelmente guardam relação com as hipóteses do artigo 648 do CPP. 
13 III) DO PEDIDO 
14 Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para o fim de 
15 que seja reformado o acórdão, concedendo-se a ordem de habeas corpus, a fim de que (exemplos...) 
16 * Trancamento do inquérito policial ou ação penal (por falta de justa causa) 
17 * extinção da punibilidade 
18 * nulidade 
19 * revogação da prisão preventiva, com expedição do alvará de soltura 
20 * relaxamento da prisão em flagrante, com expedição do alvará de soltura 
21 * concessão de liberdade provisória, com expedição do alvará de soltura 
22 
23 Local..., data... 
24 ADVOGADO... 
25 OAB... 
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102 
 
 
 
 
 
 
FAÇA VOCÊ MESMO! 
 
Para exercitar a peça acima, 
consulte o material disponível na 
pasta “Exercitando Peças”, 
constante no Sistema EAD. O 
enunciado correspondente está 
na apostila “caderno de peças – 
para resolver”, na pág. 129. Já a 
resolução consta na apostila 
“caderno de peças - padrão de 
respostas”, na pág. 128 e 
seguintes. 
Após realizar a peça, assista à 
respectiva aula de estruturação! 
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CAPÍTULO V - REVISÃO CRIMINAL 
 
 
1) CONCEITO 
É uma ação penal de natureza constitutiva e sui generis, de competência 
originária dos tribunais, destinada a rever decisão condenatória, com trânsito em julgado, 
quando ocorrer uma das hipóteses do artigo 621 do CPP. 
Permite-se, portanto, pela revisão criminal, que o condenado possa pedir a qualquer 
tempo aos tribunais, nos casos expressos em lei, que reexamine o processo já findo, a fim de ser absolvido 
ou beneficiado de alguma forma. 
PRESSUPOSTO: pressuposto indispensável ao cabimento do pedido que a 
sentença condenatória tenha transitado em julgado, ou seja, que da decisão não caiba qualquer recurso, 
inclusive extraordinário. 
 
 
 
2) IDENTIFICAÇÃO 
3) BASE LEGAL 
 
 
4) CABIMENTO/CONTEÚDO – Art. 621 
A sentença condenatória é contrária à lei quando não procede como ela manda ou 
quando nela não encontra respaldo para sua existência. 
Não há peça de interposição É AÇÃO! 
PEDIU PRA PARAR 
PALAVRA MÁGICA: 
SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO/ 
PROCESSO FINDO 
PEÇA: 
REVISÃO CRIMINAL 
PAROU! 
Base legal: art. 621 do CPP 
a) quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal 
 
5 
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Quando se tratar de interpretação controversa do texto de lei, não cabe revisão 
criminal, para se buscar outra análise do mesmo preceito. A hipótese deste inciso é clara: afronta ao texto 
expresso de lei – e não do sentido que esta possa ter para uns e outros. 
Contrária à evidência dos autos é a condenação que não tem apoio em provas 
idôneas, mas em meros indícios, sem qualquer consistência lógica e real. 
Para ser admissível a revisão criminal, torna-se indispensável que a decisão 
condenatória proferida ofenda frontalmente as provas constantes nos autos. 
 
 
A lei utiliza a qualificação comprovadamente para denominar o falso dessas peças 
constitutivas do conjunto probatório, determinante para a condenação. 
Portanto, não é qualquer suspeita de fraude, vício ou falsidade que levará a 
reavaliação da condenação com trânsito em julgado. Torna-se nítida a exigência de uma falsidade induvidosa. 
Não basta que seja a prova falha, precária ou insuficiente. Não fundamenta a 
revisão, por exemplo, simples falta de fundamentação de laudo pericial. 
Provada, todavia, a falsidade do testemunho, colhido eventualmente até sob coação, 
da perícia ou do documento, não se justifica manter-se aquilo que constitui fraude à Justiça, mesmo porque 
a CF prevê a inadmissibilidade em juízo de prova ilícita. 
Com o pedido, o requerente deve apresentar a prova que possua para demonstrar 
a falsificação, já que não se permite na revisão a reabertura do processo para a produção de novas provas. 
 
 
 
 
 
Prova nova é aquela produzida sob o crivo do contraditório, não se admitindo, por 
exemplo, depoimentos extrajudiciais. É também aquela que já existia à época da sentença, mas cuja 
existência não foi cogitada. 
Surgindo novas provas que indiquem que o condenado deveria ser absolvido, ou de 
existirem circunstâncias atenuantes ou causas de diminuição de pena não cogitadas, ou não estarem presentes 
Ex: réu condenado por fato que não constitui crime ou condenação a pena 
superior ao limite máximo previsto em lei. 
comprovadamente falsos 
c) quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos 
circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena. 
b) contrariedade à evidência dos autos 
Ex: Seria o equivalente a dizer que todas as testemunhas idôneas e imparciais 
ouvidas afirmaram não ter sido o réu o autor do crime, mas o juiz, somente porque o acusado 
confessou na fase policial, resolveu condená-lo. Não havendo recurso, transitou em julgado a sentença. 
d) quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de 
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circunstâncias agravantes, qualificadoras ou causas de aumento de pena indevidamente reconhecidas, deve 
ser deferido o pedido revisional. 
Se as provas inéditas, surgidas depois da sentença condenatória definitiva ter sido 
proferida, inocentarem o acusado, seja porque negam ser ele o autor, seja porque indicam não ter havido fato 
criminoso, é de se acolher a revisão criminal. 
É importante registrar que a jurisprudência tem se manifestado no sentido da necessidade de 
Ação de Justificação Criminal para a produção de prova nova. Vejamos o item 15 da Edição n. 63 
da Jurisprudência em tese do STJ: “A justificação criminal é a via adequada à obtenção de prova 
nova para fins de subsidiar eventual ajuizamento de revisão criminal”. 
Dessa forma observa-se o procedimento previsto no artigo 381 do CPC para a produção 
probatória, visto que não há previsão no CPP para tal procedimento. 
 
5) REVISÃO E EXTINÇÃO DA PENA – Art. 622 
 
Permite a lei o pedido de revisão a qualquer tempo, inclusive após a extinção da 
pena. 
 
Há, na hipótese, interesse de agir, pois, além do aspecto moral ínsito à revisão de 
uma condenação, pode a decisão condenatória causar gravames ao condenado, não só na esfera civil e 
administrativa, como tambémno campo penal (por exemplo, caracterização da reincidência). 
Impede-se a reiteração do pedido de revisão sem novas provas, evitando-se assim 
simples repetição indefinida daquilo que já foi examinado. Assim, apenas um novo pedido com pretensão 
diversa, ou alicerçado em novas provas, que possibilite nova apreciação por novos fundamentos de fato e de 
direito, merece conhecimento. 
 
6) LEGITIMIDADE – Art. 623 
 
Como demonstra este artigo, trata-se de ação privativa do réu condenado, podendo 
ele ser substituído por seu representante legal ou seus sucessores, em rol taxativo – cônjuge, ascendente, 
descendente ou irmão. Nucci entende que companheiro(a) também pode. 
Portanto, a revisão pode ser pedida pelo próprio réu, independentemente de estar 
representado por seu procurador. 
A revisão pode ser proposta por procurador legalmente habilitado, não se exigindo 
a outorga ao advogado de poderes especiais. 
 
 
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7) ÓRGÃO COMPETENTE PARA O JULGAMENTO DA REVISÃO CRIMINAL 
 
É da competência originária dos tribunais, jamais sendo apreciada por juiz de 
primeira instância. Se a decisão condenatória definitiva provier de magistrado de primeiro grau, julgará a 
revisão criminal o tribunal que seria competente para conhecer do recurso ordinário. 
Caso a decisão provenha de câmara ou turma de tribunal de segundo grau, cabe ao 
próprio tribunal o julgamento da revisão, embora, nessa hipótese, não pela mesma câmara, mas pelo grupo 
reunido de câmaras criminais. 
Tratando-se de decisão proferida pelo Órgão Especial, cabe ao mesmo colegiado o 
julgamento da revisão. 
 
Cabe ao STF o julgamento da revisão criminal de sus julgados, em regra, os de 
competência originária. 
Da competência prevista pelo art. 624, deve-se excluir o Tribunal Federal de 
Recursos (extinto) e acrescentar o Superior Tribunal de Justiça (art. 105, I, e, da CF) e os Tribunais Regionais 
Federais (art. 108, I, B, da CF), que tem competência revisional. 
 
8) DECISÃO NA REVISÃO CRIMINAL – Art. 626 
Assim, além de se rescindir complementarmente a sentença ou acórdão para 
absolver o acusado, nada impede, por exemplo, conforme jurisprudência, que se desclassifique a condenação 
de tentativa de homicídio culposo para lesão corporal culposa, ou de falsificação de documentos para falsa 
identidade; que se reveja e reduza a pena; que se reconheça nulidade absoluta, anulando-se o processo, 
embora a nulidade manifesta também possa ser atacada por meio de habeas corpus. 
9) ESTRUTURA DA REVISÃO CRIMINAL 
A) Endereçamento: Tribunal competente – Art. 624 
B) Preâmbulo: nome e qualificação do requerente (qualificar, pois se trata de ação - não inventar dados), 
capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (art. 621, inciso ...), nome 
da peça (Revisão Criminal), frase final (pelas fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos); 
c) corpo da peça (Dos fatos e do direito). Lembrem-se que se trata de uma ação 
e) parte final (local, data, advogado e OAB) 
COMO NÃO SE TRATA DE RECURSO, NÃO HÁ PEÇA DE INTERPOSIÇÃO. 
Em princípio, a revisão só pode ser deferida havendo nulidade insanável no processo 
ou erro judiciário. Mas, apesar do caráter taxativo do art. 621, a decisão em que se julgar procedente a 
revisão pode alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o 
processo, tendo como único obstáculo a impossibilidade de se agravar a pena imposta pela 
decisão revista. 
d) pedidos: (a) alteração da classificação do crime; (b) absolvição; (c) modificação da pena; (d) nulidade do 
processo 
Obs: pedido conforme o fundamento invocado (VER ARTIGO 626) 
NÃO HÁ PEÇA DE INTERPOSIÇÃO 
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Endereçamento: Presidente do Tribunal de Justiça ou do TRF 
01 A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO 
02 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO.... (se crime da competência da justiça estadual) 
03 B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO EGRÉGIO 
04 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA .......REGIÃO (se crime da competência da justiça federal) 
05 7 a 10 linhas 
06 
07 FULANO DE TAL, nacionalidade, profissão, estado civil, RG..., endereço eletrônico..., 
08 (não inventar dados),por seu procurador infra-assinado,com procuração em anexo, vem, respeitosamente, 
09 a presença de Vossa Excelência propor REVISÃO CRIMINAL, com base no artigo 621, inciso ...., pelos 
10 fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
11 
12 I) DOS FATOS 
13 II) DO DIREITO31 
14 III) DO PEDIDO32 
15 Ante o exposto, requer seja julgada procedente a presente ação de revisão criminal, a 
16 
a fim de que seja: 
17 a) Alterada a classificação para o crime , com base no artigo 626 do Código de Processo Penal; e/ou 
18 b) Absolvido o revisando, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal; 
19 c) anulado o processo, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal; 
20 d) modificada a pena, a fim de que (Exs: seja afastada a majorante; reconhecida a causa de diminuição 
21 da pena); 
22 e) reconhecido o direito do revisando à indenização, nos termos do artigo 630 do Código de Processo 
23 Penal. 
24 
25 Local...e data... 
26 
27 ADVOGADO... 
28 OAB... 
 
 
 
 
31 Os fundamentos de mérito da revisão criminal encontram-se, invariavelmente, no artigo 621 do CPP. 
32 Pedidos podem ser extraídos do artigo 626 do CPP: Alteração da classificação do crime, absolvição, modificação da pena ou nulidade 
do processo. 
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Questão 02 – XXIV EXAME OAB 
No dia 10 de setembro de 2014, Maria conversava na rua com amigas da escola, quando passou pelo local 
Túlio, jovem de 19 anos, que ficou interessado em conhecer Maria em razão da beleza desta. Um mês após se 
conhecerem e iniciarem um relacionamento, Túlio e Maria passaram a ter relações sexuais, apesar de Maria ter 
informado ao namorado que nascera em 09 de julho de 2001. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério 
Público denunciou Túlio pela prática do crime do Art. 217-A do Código Penal. 
Após a instrução e juntada da carteira de identidade de Maria, na qual constava seu nascimento em 09 de julho 
de 2001, Túlio foi condenado nos termos da denúncia, tendo ocorrido o trânsito em julgado. Dois anos após a 
sentença condenatória, os pais de Maria procuram os familiares de Túlio e narram que se sentiam mal pelo 
ocorrido, porque sempre consideraram o condenado um bom namorado para a filha. Afirmaram, ainda, que 
autorizavam o namoro, porque, na verdade, consideravam sua filha uma jovem, já que ela nasceu em 09 de 
julho de 2000, mas somente foi registrada no ano seguinte, pois tinham o sonho de sua filha ser profissional 
do esporte e entenderam que o registro tardio a beneficiaria profissionalmente. 
Diante de tais informações, em posse de fotografias que comprovam que Maria, de fato, nasceu em 09 de julho 
de 2000 e da retificação no registro civil, os familiares de Túlio procuram você na condição de advogado(a). 
 
Na condição de advogado(a) de Túlio, considerando apenas as informações narradas, responda aos itens a 
seguir. 
A) Diante do trânsito em julgado da sentença condenatória, existe medida judicial a ser apresentada em favor 
de Túlio, diferente de habeas corpus, em busca da desconstituição da sentença? Justifique e indique, em caso 
positivo. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado pelo(a) patrono(a) de Túlioem busca da 
desconstituição da sentença? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
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EXERCÍCIOS 
 
 
Proposta de Peça Processual 
 
(Defensor MG/2009 – adaptada - FUMARC) Pajero Full, um jovem advogado, estava exercendo a função de 
advogado, perante a 1ª Vara de Família de Canoas, RS, por ocasião da contestação apresentada em processo 
de investigação de paternidade, imputou à genitora do investigante a prática de atos sexuais com diversos 
homens, afirmando ainda que aquela se dedicava habitualmente à prostituição. 
Pajero Full foi informado por seu cliente das atividades exercidas pela genitora do investigante durante as 
entrevistas necessárias para elaboração da defesa técnica por ele exercida. 
Sentindo-se difamada e injuriada com as alegações de Pajero Full, profundamente indignada a mãe do 
investigante ofereceu queixa-crime contra o advogado. A queixa-crime foi distribuída ao juízo da 2ª Vara 
Criminal comum daquela cidade, ao entendimento de que aquela causa é de maior complexidade, considerando 
o acervo probatório, fugindo, portanto, da competência do juizado especial. 
Desta forma, o Juiz da 2ª Vara Criminal de Canoas, RS, após ter restada inexitosa a conciliação, recebeu a 
denúncia e determinou a citação do querelado, que sustentou, em sua defesa preliminar, não ser possível a 
existência e a continuidade do processo por lhe faltar um dos pressupostos de constituição e desenvolvimento 
regular do feito. 
O magistrado responsável pelo julgamento indeferiu o pedido formulado na defesa preliminar, dizendo que 
deixa para apreciar todas as questões de fato e de direito por ocasião da sentença final. 
Elabore a peça processual cabível contra a decisão do magistrado, apontando todos os argumentos jurídicos 
para a modificação da decisão hostilizada. 
 
 
 
Questão 01. A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, 
causando prejuízo ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, 
procedimento administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. 
Ao mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que, 
considerando a autonomia das instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime previsto 
no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a 
apresentação de resposta à acusação pela Defensoria Pública, Raquel o procura para, na condição de advogado, 
tomar as medidas cabíveis. Diante disso, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a medida jurídica a ser adotada de imediato para impedir o prosseguimento da ação penal? (Valor: 
0,60) 
B) Qual a principal tese jurídica a ser apresentada? (Valor: 0,65) O examinando deve fundamentar suas 
respostas. 
Questões 
 
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A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Questão 02. (Exame XIV) Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código 
Penal. No curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva do réu, 
com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção social, além de tratar-se de 
um crime grave, que coloca em risco a integridade social, configurando conduta inadequada ao meio social.” O 
advogado de Cristiano, inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou 
Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo 
em vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. O Tribunal de Justiça, 
por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão que decretou a prisão preventiva estava 
corretamente fundamentada. De acordo com a jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda 
aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do acórdão? (Valor: 0,65) 
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido? (Valor: 0,60) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Questão 3. Fátima foi vítima de acidente fatal no trânsito, na ocasião Fausto dirigia o seu veículo e deu causa 
à morte. Inconsolado com a perda, Carmelo, o viúvo, se comprometeu a buscar a responsabilização do autor 
do crime. Durante o processo criminal, que tramitou perante a 1ª Vara Criminal de Florianópolis, em que o 
motorista Fausto respondeu em liberdade, não foi possível comprovar qualquer modalidade de culpa por parte 
de Fausto, logo a absolvição foi a medida imposta. Após o trânsito em julgado da decisão, Carmelo localizou 
uma testemunha presencial do delito, de nome Sabrina, que não tinha mais sido localizada, porém estava 
presente no momento do fato, tendo sido inclusive ouvida durante a polícia, mas infelizmente na fase judicial 
não foi possível, pois estava residindo no exterior. Sabrina informou que Fausto não estava vindo ao lado da via 
que indicou em juízo, que o acidente se deu em virtude dele ter feito uma manobra irregular, tendo assim 
surpreendido Fátima que estava no local adequado. Sabrina informa ter guardado por cautela uma foto que 
tirou logo após o fato que demonstra a parada inicial do veículo na ocasião do acidente. Diante dos fatos 
responda: 
- Considerando a prova nova, testemunha ocular, é possível oferecer para Carmelo alguma medida ou ação 
criminal? Justifique a sua resposta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HABEAS CORPUS. LATROCÍNIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA COM TRÂNSITO EM JULGADO. "ERRO MATERIAL" 
EM RELAÇÃO AO REGIME PRISIONAL RECONHECIDO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 
REFORMATIO IN PEJUS. INDEVIDA REVISÃO CRIMINAL PRO SOCIETATE. ORDEM CONCEDIDA. 1. Se é certo 
que a fixação do regime inicial aberto para uma condenação por latrocínio (art. 157, § 3º, do Código Penal) 
com reprimenda de 18 (dezoito) anos de reclusão, caracteriza evidente "erro material", não menos certo que, 
no caso concreto, houve o trânsito em julgado da sentença sem que o órgão acusador opusesse embargos de 
declaração ou interpusesse recurso de apelação. Dormientibus non succurrit jus. 
2. Tratando-se, com se trata, de Direito Penal adjetivo não se pode falar em correção ex officio de "erro 
material", máxime contra o réu. Tal instituto é próprio do Direito Processual Civil (art. 463, I, do CPC). 
3. Na esfera penal prevalece o princípio do non reformatio in pejus que impede o agravamento da situação do 
réu sem uma manifestação formal e tempestiva da acusação nesse sentido. Inteligência da Súmula 160/STF. 
Jurisprudência 
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4. "Trata-se da cabal confirmação do entendimento de que, neste, como noutros temas, o processo penal não 
é estruturado por princípios comuns ao processo civil, senão por regras próprias, em razão da prevalência dos 
interesses públicos que constituem a substância e o objeto permanente do conflito jurídico típico que se presta 
a decidir e, sobretudo, por força do valor supremo do jus libertatis, do qual o processo é concebido e disciplinado 
como instrumento de tutela".(STF, HC 83.545/SP, Rel. Ministro CESAR PELUSO, Primeira Turma, DJ 3.6.2006)5. Nesse viés, seja por nulidade absoluta, seja por "erro material", não se pode agravar (quantitativamente ou 
qualitativamente) a situação do réu sem recurso próprio do acusador, sob pena de configurar indevida revisão 
criminal pro societate. Precedentes do STJ. 
6. Ordem concedida para, reconhecendo o trânsito em julgado da condenação, manter o regime inicial aberto, 
como fixado na sentença. 
(HC 176.320/AL, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro JORGE MUSSI, QUINTA 
TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe 17/09/2012) 
PROCESSO PENAL 
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2ª Fase 
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OAB 2ª FASE 
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PADRÃO DE RESPOSTAS 
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OAB 
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CAPÍTULO I – DO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
Questão 03 – XXVI EXAME 
Flávio está altamente sensibilizado com o fato de que sua namorada de infância faleceu. Breno, não mais 
aguentando ver Flávio sofrer, passa a incentivar o amigo a dar fim à própria vida, pois, assim, nas palavras de 
Breno, ele “novamente estaria junto do seu grande amor.” Diante dos incentivos de Breno, Flávio resolve 
pular do seu apartamento, no 4º andar do prédio, mas vem a cair em um canteiro de flores, sofrendo apenas 
arranhões leves no braço. Descobertos os fatos, Breno é denunciado pela prática do crime previsto no Art. 
122 do Código Penal, na forma consumada, já que ele incentivou Flávio a se suicidar. Recebida a denúncia, o 
juiz, perante a Vara Única da Comarca onde os fatos ocorreram, determina que seja observado o 
procedimento comum ordinário. Durante a instrução, todos os fatos anteriormente narrados são confirmados. 
Os autos são encaminhados para as partes para apresentação de alegações finais. A família de Breno procura 
você para, na condição de advogado(a), prestar os esclarecimentos a seguir. 
A) O procedimento observado durante a ação penal em desfavor de Breno foi o adequado? Justifique. (Valor: 
0,60) 
B) Qual o argumento a ser apresentado pela defesa técnica para questionar a capitulação delitiva realizada 
pelo Ministério Público? Justifique. (Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
Gabarito Comentado: 
A questão narra que Breno foi denunciado pela prática do crime de instigação, induzimento ou auxílio ao 
suicídio consumado, crime este previsto no Art. 122 do CP. Inicialmente, o delito está previsto no rol de 
crimes contra a vida, de modo que, em sendo doloso, deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. 
A)O procedimento observado durante a ação penal em desfavor de Breno não foi adequado, tendo em vista 
que consta do enunciado que foi observado o procedimento comum ordinário. Ocorre que, conforme já 
destacado, o crime previsto no Art. 122 do CP é crime doloso contra a vida, logo de competência do Tribunal 
do Júri, devendo ser observado o procedimento especial previsto nos Artigos 406 e seguintes do CPP. Aplica-
se, ao caso, o Art. 394, § 3º, do CPP e não o Art. 394, § 1º, do mesmo diploma legal. 
B)Para questionar a capitulação delitiva realizada pelo Ministério Público, a defesa deveria argumentar que a 
conduta de Breno não é punível. Isso porque o Art. 122 do CP somente prevê a punição no caso de o 
resultado morte se consumar ou se forem causadas lesões graves. Caso sejam causadas apenas lesões de 
natureza leve, ainda que tenha havido instigação ao suicídio, a conduta não será punível por opção do 
legislador, sequer havendo que se falar em tentativa na hipótese. 
 
Distribuição de pontos: 
 ITEM PONTUAÇÃO 
A. Não, tendo em vista que deveria ser aplicado ao caso o procedimento dos crimes 
dolosos contra a vida OU o procedimento previsto para o Tribunal do Júri (0,50), na forma 
do Art. 394, §3º do CPP OU Art. 5º, XXXVIII, “d”, da CRFB/88 OU Art. 74, §1º, do CPP 
(0,10) 
0,00/0,50/ 
0,60 
B. O argumento é de atipicidade da conduta OU que a conduta não é punível (0,20), 
tendo em vista que o Código Penal somente pune a instigação ao suicídio que gere 
resultado morte ou lesões corporais graves (0,45). 
0,00/0,20/ 
0,45/0,65 
 
QUESTÃO 2 - VI OAB 
Hugo é inimigo de longa data de José e há muitos anos deseja matá-lo. Para conseguir seu intento, Hugo induz 
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2ª Fase 
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o próprio José a matar Luiz, afirmando falsamente que Luiz estava se insinuando para a esposa de José. Ocorre 
que Hugo sabia que Luiz é pessoa de pouca paciência e que sempre anda armado. Cego de ódio, José espera 
Luiz sair do trabalho e, ao vê-lo, corre em direção dele com um facão em punho, mirando na altura da cabeça. 
Luiz, assustado e sem saber o motivo daquela injusta agressão, rapidamente saca sua arma e atira justamente 
no coração de José, que morre instantaneamente. Instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias da 
morte de José, ao final das investigações, o Ministério Público formou sua opinio no seguinte sentido: Luiz deve 
responder pelo excesso doloso em sua conduta, ou seja, deve responder por homicídio doloso; Hugo por sua 
vez, deve responder como partícipe de tal homicídio. A denúncia foi oferecida e recebida. 
Considerando que você é o advogado de Hugo e Luiz, responda: 
a) Qual peça deverá ser oferecida, em que prazo e endereçada a quem? (Valor: 0,3) 
b) Qual a tese defensiva aplicável a Luiz? (Valor: 0,5) 
c) Qual a tese defensiva aplicável a Hugo? (Valor: 0,45) 
 
Gabarito Comentado: 
a) Resposta à acusação, no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP), endereçada ao juiz presidente do Tribunal do 
Júri. 
OU 
Habeas Corpus para extinção da ação penal; ação penal autônoma de impugnação que não possui prazo 
determinado; endereçado ao Tribunal de Justiça Estadual. 
b) A tese defensiva aplicada a Luiz é a da legítima defesa real, instituto previsto no art. 25 do CP, cuja natureza 
é de causa excludente de ilicitude. Não houve excesso, pois a conduta de José (que mirava com o facão na 
cabeça do Luiz) configurava injusta agressão e claramente atentava contra a vida de Luiz. 
c) Hugo não praticou fato típico, pois, de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada, o partícipe somente 
poderá ser punido se o agente praticar conduta típica e ilícita, o que não foi o caso, já que Luiz agiu amparado 
por uma causa excludente de ilicitude, qual seja, legítima defesa (art. 25 do CP). 
OU 
Não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz, requisito essencial ao concurso de pessoas, razão pela qual Hugo 
não poderia ser considerado partícipe. 
 
Distribuição dos Pontos 
Item Pontuação 
a) Resposta à acusação (0,1), no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP) 
(0,1), endereçada ao Juiz da Vara Criminal / do Júri (0,1). 
OU 
Habeas Corpus para extinção da ação penal (0,1); que não possui 
prazo determinado (0,1); endereçado ao Tribunal de Justiça (0,1). 
0 / 0,1 / 0,2 / 0,3 
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b) Legítima defesa (0,3). Não houve excesso, pois a conduta de 
José configurava injusta agressão e atentava contra a vida de Luiz 
(OU fundamentação jurídica da legítima defesa) (0,2). 
Obs.: A mera indicação de artigo não é pontuada. 
0 / 0,2 / 0,3 / 0,5 
c) Não praticou crime (0,2), pois, de acordo com a Teoria da 
Acessoriedade Limitada, o partícipe somente poderá ser punido se 
o agente praticar conduta típica e ilícita, o que não foi o caso, já 
que Luiz agiu amparado por uma causa excludente de ilicitude 
(0,25). 
OU 
Não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz (0,2), razão pela qual 
Hugo não poderia ser considerado partícipe(0,25). 
0 / 0,2 / 0,25 / 0,45 
 
 
QUESTÃO 4 - EXAME 2010-03 
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado, guiava seu automóvel 
tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o trajeto, o casal começa a discutir asperamente, 
o que faz com que Caio empreenda altíssima velocidade ao automóvel. Muito assustada, Madalena pede 
insistentemente para Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade não seria possível controlar o 
automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em direção e refutando qualquer 
possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge um buraco e, em razão da velocidade 
empreendida, acaba se desgovernando, vindo a atropelar três pessoas que estavam na calçada, vitimando-as 
fatalmente. Realizada perícia de local, que constatou o excesso de velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que 
relataram à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, Caio foi denunciado pelo Ministério Público pela 
prática do crime de homicídio na modalidade de dolo eventual, três vezes em concurso formal. Recebida a 
denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada ao Tribunal do Júri da localidade e colhida a prova, o 
Ministério Público pugnou pela pronúncia de Caio, nos exatos termos da inicial. 
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens a seguir, empregando os 
argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso. 
a) Qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte? (Valor: 0,4) 
b) Qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,3) 
c) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça de interposição deveria 
ser dirigida? (Valor: 0,3) 
 
GABARITO COMENTADO 
a) Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo, pois agiu com culpa consciente, na 
medida em que, embora tenha previsto o resultado, acreditou que o evento não fosse ocorrer em razão de sua 
perícia. 
b) Desclassificação da imputação para homicídio culposo e declínio de competência, conforme previsão do artigo 
419 do CPP. 
c) Recurso em sentido estrito, conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP. A peça de interposição deveria ser 
dirigida ao juiz de direito da vara criminal vinculada ao tribunal do júri, prolator da decisão atacada. 
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação: 
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Item Pontuação 
a) Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo (0,2), pois agiu com 
culpa consciente, na medida em que, embora tenha previsto o resultado, acreditou que o 
evento não fosse ocorrer em razão de sua perícia (0,2) 
0 / 0,2 / 0,40 
b) Desclassificação da imputação para homicídio culposo OU declínio de competência (0,15), 
conforme previsão do artigo 419 do CPP (0,15). 
0 / 0,15 / 0,30 
c) Recurso em sentido estrito (0,15), conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP. A peça 
de interposição deveria ser dirigida ao juiz de direito da vara criminal vinculada ao tribunal 
do júri (0,15), prolator da decisão atacada. 
0/ 0,15 / 0,30 
 
 
QUESTÃO 3 – EXAME XVIII 
Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que teve como vítima 
Henrique. Em sessão plenária do Tribunal do Júri, o réu e sua namorada, ouvida na condição de informante, 
afirmaram que Henrique iniciou agressões contra Fernando e que este agiu em legítima defesa. Por sua vez, a 
namorada da vítima e uma testemunha presencial asseguraram que não houve qualquer agressão pretérita por 
parte de Henrique. 
No momento do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e materialidade, mas optaram por absolver 
Fernando da imputação delitiva. Inconformado, o Ministério Público apresentou recurso de apelação com 
fundamento no Art. 593, inciso III, alínea ‘d’, do CPP, alegando que a decisão foi manifestamente contrária à 
prova dos autos. A família de Fernando fica preocupada com o recurso, em especial porque afirma que todos 
tinham conhecimento que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos, mas em momento algum 
isso foi questionado pelas partes, alegado no recurso ou avaliado pelo Juiz Presidente. 
Considerando a situação narrada, esclareça, na condição de advogado(a) de Fernando, os seguintes 
questionamentos da família do réu: 
A) A decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos? Justifique. (Valor: 0,60) 
B) Poderá o Tribunal, no recurso do Ministério Público, anular o julgamento com fundamento em nulidade na 
formação do Conselho de Sentença? Justifique. (Valor: 0,65) 
Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
GABARITO COMENTADO 
A) A decisão dos jurados não foi manifestamente contrária à prova dos autos, tendo em vista que o acusado e 
sua namorada alegaram a existência de legítima defesa. De fato, a namorada da vítima e uma testemunha 
afirmaram que esta causa excludente da ilicitude não existiu. Contudo, existem duas versões nos autos, com 
provas em ambos os sentidos, logo os jurados são livres para optar por uma delas, de acordo com a íntima 
convicção. Não houve arbitrariedade ou total dissociação da prova dos autos, mas apenas escolha de uma das 
versões. Assim, a soberania dos vereditos deve prevalecer, não cabendo ao Tribunal fazer nova análise do 
mérito, se a decisão não foi manifestamente contrária às provas produzidas. 
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B) Não poderá o Tribunal anular o julgamento com base na existência de nulidade ocorrida durante a sessão 
plenária. De fato, prevê o Art. 448, inciso IV, do CPP, que estão impedidos de servir no mesmo Conselho os 
irmãos. Ocorre que o enunciado 713 da Súmula não vinculante do STF afirma categoricamente que “o efeito 
devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos de sua interposição”. O Ministério 
Público apresentou apelação apenas com fundamento na alínea ‘d’ do Art. 593, inciso III, do Código de Processo 
Penal. Assim, está limitado o efeito devolutivo, de modo que o Tribunal somente poderá analisar a existência 
de decisão manifestamente contrária à prova dos autos. Decisão em contrário prejudicaria a ampla defesa, pois 
eventual nulidade não foi combatida pela defesa em sede de contrarrazões. Poderia, ainda, o candidato basear 
sua resposta no enunciado 160 da Súmula do STF, que afirma que é nula a decisão que acolhe, contra réu, 
nulidade não arguida pela acusação. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A. Não. A decisão dos jurados não foi manifestamente contrária à prova dos autos, pois está baseada em uma 
das versões existentes nos autos OU porque as declarações do réu e de sua namorada escoram a decisão 
(0,45), devendo prevalecer a soberania dos vereditos OU a íntima convicção dos jurados (0,15). 
 
B. Não, pois o Tribunal está limitado ao conteúdo da apelação apresentada pelo Ministério Público, OU Não, 
pois decisão em contrário prejudicaria a ampla defesa e/ou contraditório, tendo em vista que não foi rebatido 
em contrarrazões (0,55), na forma do enunciado 713 da Súmula não vinculante do STF OU do enunciado 160 
da Súmula do STF (0,10). 
 
Questões para exercitar o conteúdo 
Questão 01 
Cross Fox foi denunciado por homicídio qualificado. Todavia, após a instrução na 1ª fase restou devidamente 
comprovada a inexistência da qualificadora, motivo pelo qual o Juiz de Direito afastou a qualificadora 
pronunciando o acusado por homicídio simples. Diante da narrativa, é possível que em Plenário o MinistérioPúblico sustente a incidência da qualificadora, fundamentando na soberania dos vereditos? Justifique a sua 
resposta. 
Gabarito Comentado 
Não poderá o Ministério Público sustentar a incidência da qualificadora em plenário quando ela for afastada na 
pronúncia. Importante registrar que de acordo com o artigo 413, parágrafo 1º, do CPP, a pronúncia firma os 
limites da acusação, não podendo a acusação extrapolar os limites ali estabelecidos. 
 
 
Questão 02 
(MP-MS-2011) Tício foi denunciado pela prática de homicídio qualificado pelo motivo torpe (art. 121, § 2º, inc. 
I, Código Penal). A denúncia foi recebida e, no decorrer da instrução processual, a defesa requereu exame de 
insanidade mental do acusado (art. 149 e seguintes do Código de Processo Penal). Ao final do referido incidente, 
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restou devidamente comprovado que Tício, ao tempo da ação, em razão de doença mental, era inteiramente 
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento. Nos 
debates, a defesa apresentou como única tese defensiva a inimputabilidade de Tício. Lastreado em tal premissa, 
responda, respectivamente, a seguinte indagação: Qual decisão deverá ser proferida pelo juiz ao final da 
primeira fase do procedimento do júri e qual é o recurso cabível? Justifique 
Gabarito Comentado 
O juiz na 1ª fase deverá absolver sumariamente o acusado, considerando que a única tese defensiva é a 
inimputabilidade, nos termos do artigo 415, parágrafo único, do CPP. O recurso cabível nesse caso seria o de 
apelação, nos moldes do artigo 416 do CPP. 
 
 
Questão 03 
Andriotti, líder local do Movimento dos Sem Terras, foi pronunciado pela prática de homicídio qualificado tendo 
como vítima um Fazendeiro chamado João Netto, o qual era muito conhecido na comunidade por suas 
benfeitorias à região. O fato ocorreu no município João Gabriel, local conhecido por constantes conflitos 
envolvendo terras. Sabe-se que as pessoas da Comarca repercutem o assunto, sempre se posicionando a 
respeito do caso, havendo fundadas suspeitas sobre a imparcialidade do Júri. Desta forma, na condição de 
advogado de Andriotti, qual seria a medida adequada para assegurar da melhor maneira os interesses de seu 
cliente, considerando que o julgamento foi designado para ocorrer daqui três meses? Justifique a sua resposta. 
Gabarito Comentado 
A defesa poderá requerer ao Tribunal de Justiça o desaforamento, nos termos do artigo 427 do CPP, que se 
trata de um deslocamento da competência territorial, para uma das Comarcas mais próximas. 
 
 
Questão 04 
Carlitos foi denunciado pela prática de homicídio doloso contra sua esposa, Carmela. Todavia, após a prova 
produzida nos autos restou comprovado que a causa mortis foi um ataque cardíaco, ou seja, uma causa natural, 
nada tendo haver com Carlitos. Por tal razão, o magistrado da 1ª Vara Criminal absolveu sumariamente o 
acusado. A decisão transitou em julgado. Dois meses após, a filha de Carlitos resolve informar o que ouviu uma 
conversa de seu pai com um irmão, informando que teria sido o responsável pela morte de Carmela, tendo 
ministrado remédio em sua alimentação, gerando a disfunção que ocasionou a sua morte. Diante dos fatos, é 
possível reverter essa decisão de absolvição sumária no júri? Justifique. 
Gabarito Comentado 
A decisão que absolve sumariamente o acusado faz coisa julgada material, não podendo ser modificada ainda 
que haja notícias de prova nova. Aliás, não cabe revisão criminal em prol da sociedade. 
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Questão 05 
Durante os debates orais, o Ministério Público proferiu a leitura de trechos da decisão de pronúncia, inclusive 
mencionou que se não estivessem presentes os indícios de autoria e materialidade, os réus não teriam sido 
submetidos a julgamento popular por ato do Juiz Presidente. Inobstante, a combativa defesa ter requerido o 
encerramento do Júri, o que restou consignado em ata, o magistrado determinou a continuidade. Ao final, os 
jurados condenaram o acusado. Diante dos dados trazidos na questão, o que poderá ser pleiteado na condição 
de advogado de defesa? Justifique e indique o recurso e a base legal que respaldam a sua resposta. 
Gabarito Comentado 
Deverá ser arguida a nulidade do julgamento, em razão da afronta ao artigo 478 do CPP. No caso houve menção 
aos termos da pronúncia com argumentos de autoridade, informando por exemplo que o Juiz Presidente 
reconheceu os indícios de autoria e a materialidade. Tais argumentos podem ser decisivos para o jurado, 
portanto o reconhecimento da nulidade se impõe. O recurso adequado para essa impugnação seria o de 
apelação, nos termos do artigo 593, III, alínea a, do CPP. 
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CAPÍTULO III – RECURSOS 
 
1) EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE – Art. 609 
Questão 04 – XVIII EXAME 
 
John, primário e de bons antecedentes, foi denunciado pela prática do crime de tráfico de drogas. Após a 
instrução, inclusive com realização do interrogatório, ocasião em que o acusado confessou os fatos, John foi 
condenado, na forma do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, à pena de 1 ano e 08 meses de reclusão, a ser 
cumprido em regime inicial aberto. O advogado de John interpôs o recurso cabível da sentença condenatória. 
Em julgamento pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, a sentença foi integralmente mantida por maioria 
de votos. O Desembargador revisor, por sua vez, votou no sentido de manter a pena de 01 ano e 08 meses 
de reclusão, assim como o regime, mas foi favorável à substituição da pena privativa de liberdade por duas 
restritivas de direitos, no que restou vencido. O advogado de John é intimado do acórdão. Considerando a 
situação narrada, responda aos itens a seguir. A) Qual medida processual, diferente de habeas corpus, deverá 
ser formulada pelo advogado de John para combater a decisão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça? 
(Valor: 0,65) B) Qual fundamento de direito material deverá ser apresentado para fazer prevalecer o voto 
vencido? (Valor: 0,60) Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo 
legal não confere pontuação. 
GABARITO COMENTADO 
 
A) A medida processual a ser adotada pelo advogado de John é a interposição de recurso de Embargos 
Infringentes, na forma do Art. 609, parágrafo único, do CPP, considerando que a decisão proferida em sede 
de Apelação não foi, em relação à substituição da pena, unânime. 
B) Para fazer prevalecer o voto vencido, deverá o examinando demonstrar a possibilidade de ser substituída 
a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, tendo em vista que foi reconhecido que o acusado é 
primário, de bons antecedentes e que não se dedica ao crime e nem integra organização criminosa. Em que 
pese o Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, vedar a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos, o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso de inconstitucionalidade, entendeu que tal 
vedação viola o princípio da individualização da pena. Ademais, diante dessa decisão o Senado Federal editou 
a Resolução nº 05, suspendendo a eficácia da parte da redação do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, que 
veda a substituição. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS 
A. A medida processual é de embargos infringentes (0,55), na forma do Art. 609, parágrafo único, do CPP. 
(0,10) 0,00 / 0,55 / 0,65 
B. O fundamento seria a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, 
tendo em vista que o STF considerouinconstitucional a vedação trazida pelo Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06 
OU porque a vedação do Art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/06, viola o princípio da individualização da pena OU 
porque a Resolução 5 do Senado suspendeu a eficácia de parte da redação do Art. 33, § 4º, da Lei nº 
11.343/06. (0,60) 0,00 / 0,60 
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3) AGRAVO EM EXECUÇÃO 
PEÇA PRÁTICO-PROFISSIONAL – XXIV EXAME OAB 
Lucas, 22 anos, foi denunciado e condenado, definitivamente, pela prática de crime de associação para o 
tráfico, previsto no Art. 35 da Lei nº 11.343/06, sendo, em razão das circunstâncias do crime, aplicada a pena 
de 06 anos de reclusão em regime inicial semiaberto, entendendo o juiz de conhecimento que o crime não 
seria hediondo, não tendo sido reconhecida a presença de qualquer agravante ou atenuante. 
No mês seguinte, após o início do cumprimento da pena, Lucas vem a sofrer nova condenação definitiva, 
dessa vez pela prática de crime de ameaça anterior ao de associação, sendo-lhe aplicada exclusivamente a 
pena de multa, razão pela qual não foi determinada a regressão de regime. 
Após cumprir 01 ano da pena aplicada pelo crime de associação, o defensor público que defende os interesses 
de Lucas apresenta requerimento de progressão de regime, destacando que o apenado não sofreu qualquer 
sanção disciplinar. 
O magistrado em atuação perante a Vara de Execução Penal da Comarca de Belo Horizonte/MG, órgão 
competente, indefere o pedido de progressão, sob os seguintes fundamentos: 
a) o crime de associação para o tráfico, no entender do magistrado, é crime hediondo, tanto que o livramento 
condicional somente poderá ser deferido após o cumprimento de 2/3 da pena aplicada; 
b) o apenado é reincidente, diante da nova condenação pela prática de crime de ameaça; 
c) o requisito objetivo para a progressão de regime seria o cumprimento de 3/5 da pena aplicada e, caso ele 
não fosse reincidente, seria de 2/5, períodos esses ainda não ultrapassados; 
d) em relação ao requisito subjetivo, é indispensável a realização de exame criminológico, diante da gravidade 
dos crimes de associação para o tráfico em geral. 
Ao tomar conhecimento, de maneira informal, da decisão do magistrado, a família de Lucas procura você, na 
condição de advogado(a), para a adoção das medidas cabíveis. Após constituição nos autos, a defesa técnica 
é intimada da decisão de indeferimento do pedido de progressão de regime em 24 de novembro de 2017, 
sexta-feira, sendo certo que, de segunda a sexta-feira da semana seguinte, todos os dias são úteis em todo 
o território nacional. 
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Lucas, redija a peça jurídica 
cabível, diferente de habeas corpus e embargos de declaração, apresentando todas as teses jurídicas 
pertinentes. 
A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00) 
Obs.: a peça processual deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar 
respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
O examinando deve redigir, na condição de advogado, recurso de Agravo em Execução, com fundamento no 
Art. 197 da Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução Penal (LEP). Isso porque, nos termos do dispositivo mencionado, 
das decisões proferidas pelo magistrado em sede de Execução Penal, sempre caberá recurso de agravo, sem 
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efeito suspensivo. No caso, claro está que a decisão a ser combatida foi proferida pelo juiz em atuação na 
Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte/MG, de fato em sede de execução, já que o requerimento 
formulado era de progressão de regime. Apesar de o Art. 197 da LEP trazer a previsão de que o recurso cabível 
é o de Agravo, não estabelece a Lei nº 7.210/84 qual seria o procedimento a ser seguido, de modo que a 
doutrina e a jurisprudência pacificaram o entendimento de que seria o mesmo do Recurso em Sentido Estrito. 
Diante disso, primeiramente deveria o examinando apresentar petição de interposição, direcionada ao Juízo 
da Vara de Execução Penal da Comarca de Belo Horizonte/MG, com formulação de pedido de retratação por 
parte do juízo a quo, na forma do Art. 589 do CPP, por analogia. Em caso de não acolhimento, deve haver 
requerimento de encaminhamento do feito para instância superior, com as respectivas razões recursais. Após, 
o examinando deveria apresentar Razões do Recurso, direcionadas ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas 
Gerais, com a fundamentação necessária para rebater a decisão do magistrado de primeira instância. Lucas 
foi condenado pela prática de crime de associação para o tráfico, delito este previsto no Art. 35 da Lei nº 
11.343/06, a pena de 06 anos de reclusão em regime inicial semiaberto, destacando o magistrado do 
conhecimento que o delito não teria natureza hedionda. Após cumprimento de 1/6 da pena, não havendo 
notícia de não atendimento aos requisitos subjetivos, já que não sofreu qualquer sanção disciplinar, faria jus 
o apenado à progressão para o regime aberto. O advogado de Lucas deveria combater todos os fundamentos 
apresentados pelo magistrado para indeferir o requerimento de progressão de regime. A priori deveria ser 
destacado que o delito praticado por Lucas não tem natureza de crime hediondo. Em que pese a Constituição 
e a Lei nº 8.072/90 (Lei de Crimes Hediondos) tenham equiparado o crime de tráfico, tortura e terrorismo aos 
crimes hediondos, o mesmo não o fez em relação ao delito de associação para o tráfico. Da mesma forma, o 
rol de delitos de natureza hedionda trazido pelo Art. 1º da Lei 8.072/90 não menciona o crime de associação 
para o tráfico. Exatamente em razão disso a jurisprudência, inclusive dos Tribunais Superiores, não considera 
o delito previsto no Art. 35 da Lei nº 11.343/06 como de natureza hedionda ou equiparado. Ademais, o próprio 
juízo de conhecimento havia decidido que o delito não teria natureza hedionda. Conforme vem sendo 
destacado pela jurisprudência, o simples fato de o Art. 44, parágrafo único, da Lei nº 11.343/06 exigir para a 
concessão do livramento condicional o cumprimento de mais de 2/3 da pena não tem o condão de transformar 
o crime de associação para o tráfico em hediondo, de modo que o livramento exige o cumprimento de 2/3 da 
pena, enquanto que para progressão de regime basta o cumprimento de 1/6 da pena aplicada. Além disso, 
não há que se falar em reincidência na hipótese, tendo em vista que a condenação pela prática do crime de 
ameaça ocorreu após o trânsito em julgado da decisão que condenou Lucas pela prática do crime de associação 
para o tráfico. De acordo com o Art. 63 do Código Penal, configura-se a reincidência quando o agente vem a 
ser condenado pela prática de crime cometido após condenação anterior, com trânsito em julgado, pela prática 
de delito pretérito. Assim, não há que se falar em reincidência na hipótese. 
Exatamente em razão da natureza não hedionda do crime e da ausência de reincidência, o requisito objetivo 
para Lucas fazer jus à progressão de regime é o cumprimento de 1/6 da pena, período esse já atendido pelo 
apenado, que cumpriu em regime semiaberto mais de 01 ano de uma sanção penal de 06 anos. Por fim, 
deveria o examinando rebater o argumento do magistrado em relação ao requisito subjetivo, que, segundo a 
decisão questionada, exigiria a realização de exame criminológico. Desde a Lei nº 10.792/03 que não mais 
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existe obrigatoriedade da realização de exame criminológico para obtençãode progressão de regime, bastando 
o atestado de bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento. Certo é que não 
existe vedação à requisição de realização de exame criminológico para análise de eventual progressão de 
regime ou livramento condicional. Todavia, a justificativa para tal requerimento deverá ser embasada em 
fundamentos sólidos de acordo com o caso concreto, não bastando a mera alegação da gravidade em abstrato 
do delito. Assim, a fundamentação utilizada pelo magistrado a quo não foi idônea, nos termos do Enunciado 
439 da Súmula de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Enunciado 26 da Súmula Vinculante do 
Supremo Tribunal Federal (STF). Na conclusão, deveria o examinando apresentar pedido de conhecimento e 
provimento do recurso, com requerimento de progressão de regime. Em relação ao prazo, absolutamente 
pacificado o entendimento de que seria de 05 dias, na forma do Enunciado 700 da Súmula de Jurisprudência 
do STF. Considerando que a intimação ocorreu em 24 de novembro de 2017, sexta-feira, o prazo somente 
teve início em 27 de novembro de 2017, findando em 01 de dezembro de 2017. O examinando deveria, ainda, 
concluir sua peça com local, data, advogado e número de OAB. 
 
 
ITEM PONTUAÇÃO 
PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO 
1) Endereçamento: Juízo da Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte/MG (0,10) 0,00/0,10 
2) Fundamento legal: Art. 197 da Lei nº 7.210/84 (0,10) 0,00/0,10 
3) Pedido de retratação pelo juízo a quo (0,30) 0,00/0,30 
RAZÕES DE RECURSO 
4) Endereçamento: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (0,10) 0,00/0,10 
5) Possibilidade de concessão de progressão do regime, tendo em vista que a 
decisão do magistrado foi equivocada (0,30) 
0,00/0,30 
6) O crime de associação para o tráfico não pode ser considerado crime hediondo 
ou equiparado (0,60). 
0,00/0,60 
7) O afastamento da hediondez decorre da não previsão do crime de associação no 
rol trazido pela Lei nº 8.072/90 OU o crime não é hediondo por não se confundir 
com crime de tráfico, sendo proibida analogia in malam partem OU em razão de o 
próprio magistrado do conhecimento ter afastado a hediondez do delito (0,35) 
0,00/0,35 
8) Afastamento do argumento de existência de reincidência (0,60) 0,00/0,60 
9) O apenado não é tecnicamente reincidente, tendo em vista que a condenação 
pelo crime de ameaça foi posterior à condenação pela prática do crime de 
associação OU tendo em vista que a agravante não foi reconhecida na sentença 
que transitou em julgado (0,25), em desacordo com o Art. 63 do Código Penal 
(0,10) 
0,00/0,25/0,35 
10) O requisito objetivo para obtenção da progressão de regime é o cumprimento 
de 1/6 da pena, período esse atendido por Lucas (0,60) 
0,00/0,60 
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11) Não existe obrigatoriedade na realização de exame criminológico (0,60). 0,00/0,60 
12) A fundamentação apresentada pelo magistrado para exigência do exame 
criminológico é insuficiente para a realização do mesmo OU a fundamentação 
apresentada pelo magistrado considerou a natureza em abstrato do delito e não 
em concreto (0,30), violando os termos da Súmula 439 do STJ OU Súmula 
Vinculante 26 do STF (0,10) 
0,00/0,30/0,40 
13) Pedidos: Conhecimento (0,10) e provimento do recurso OU concessão da 
progressão de regime (0,30) 
0,00/0,10/0,30/0,40 
14) Prazo: 01 de dezembro de 2017 (0,10) 0,00/0,10 
15) Fechamento: data, local, assinatura, OAB (0,10) 0,00/0,10 
 
QUESTÃO 02 – XXIII EXAME OAB 
Gabriel, condenado pela prática do crime de porte de arma de fogo de uso restrito, obteve livramento 
condicional quando restava 01 ano e 06 meses de pena privativa de liberdade a ser cumprida. 
No curso do livramento condicional, após 06 meses da obtenção do benefício, vem Gabriel a ser novamente 
condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo, que havia sido praticado antes mesmo do delito 
de porte de arma de fogo, mas cuja instrução foi prolongada. 
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional concedido e 
determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena restante quando da obtenção do 
livramento em relação ao crime de porte, além da nova sanção imposta em razão do roubo. 
 
Considerando a situação narrada, na condição de advogado(a) de Gabriel, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado que revogou o benefício do livramento condicional e 
determinou o cumprimento da pena restante quando da obtenção do benefício? É cabível juízo de retratação 
em tal modalidade recursal? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento deverá ser apresentado pela defesa de Gabriel para combater a decisão do magistrado? 
Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação ou transcrição do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
Gabarito comentado 
A) Narra o enunciado que Gabriel cumpria pena privativa de liberdade pela prática de crime de porte de arma 
de fogo, quando obteve livramento condicional. No curso do livramento condicional, todavia, vem a ser 
condenado pela prática de crime de roubo, tendo o magistrado da execução decidido pela revogação do 
benefício e também por desconsiderar o período de pena cumprido em livramento. Da decisão proferida pelo 
juízo da execução cabe Agravo em Execução, na forma do Art. 197 da Lei de Execuções Penais, com prazo de 
interposição de 05 dias. Não há previsão expressa em lei sobre o procedimento a ser adotado no recurso de 
agravo, de modo que pacificou a doutrina e a jurisprudência que o processamento a ser adotado é semelhante 
ao do recurso em sentido estrito. Diante disso, cabível o juízo de retratação pelo magistrado competente para 
execução. 
B) O argumento a ser apresentado pela defesa de Gabriel é que não poderiam ter sido desconsiderados os 
dias de livramento condicional como pena cumprida. De fato, Gabriel foi condenado, definitivamente, pela 
prática de crime no curso do livramento condicional, logo cabível a revogação do benefício. Trata-se, inclusive, 
de hipótese de revogação obrigatória. Ocorre que a condenação que justificou a revogação foi em razão da 
prática de delito anterior à obtenção do benefício, e não de novo crime praticado no curso do livramento. 
Dessa forma, as condições do livramento condicional vinham sendo regularmente cumpridas pelo apenado, 
de modo que os dias em que ficou em livramento deverão ser computados como pena cumprida e não 
desconsiderados. Assim, errou o magistrado ao afirmar que deveria Gabriel cumprir 01 ano e 06 meses de 
pena, desconsiderando os 06 meses cumpridos de livramento. Nos termos do aqui exposto estão as previsões 
dos Art. 86 e do Art. 88, ambos do Código Penal, além do Art. 141 da Lei 7.210/84. 
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DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A. O recurso cabível da decisão é de Agravo de Execução, (0,40) na 
forma do Art. 197 da LEP (0,10), cabendo ao magistrado exercer juízo 
de retratação em razão da aplicação, no recurso de agravo, do rito 
previsto para o recurso em sentido estrito (0,15) 
0,00/0,15/0,25/0,40/0,50/0,55/0,65 
B. O argumento para combater a decisão é o de que o período em 
livramento condicional deveria ser considerado como pena cumprida 
(0,20), tendo em vista que o delito que justificou a revogação é 
anterior ao benefício (0,30), nos termos do Art. 88 do CP OU Art. 141 
da Lei nº 7.210/84 (0,10). 
0,00/0,20/0,30/0,40/0,50/0,60 
QUESTÃO 04 – XIX EXAME OAB 
Carlos foi condenado pela prática de um crime de receptação qualificada à pena de 04 anos e 06 meses de 
reclusão,sendo fixado o regime semiaberto para início do cumprimento de pena. Após o trânsito em julgado da 
decisão, houve início do cumprimento da sanção penal imposta. Cumprido mais de 1/6 da pena imposta e 
preenchidos os demais requisitos, o advogado de Carlos requer, junto ao Juízo de Execuções Penais, a 
progressão para o regime aberto. O magistrado competente profere decisão concedendo a progressão e fixa 
como condição especial o cumprimento de prestação de serviços à comunidade, na forma do Art. 115 da Lei nº 
7.210/84. O advogado de Carlos é intimado dessa decisão. Considerando apenas as informações apresentadas, 
responda aos itens a seguir. 
A) Qual medida processual deverá ser apresentada pelo advogado de Carlos, diferente do habeas corpus, para 
questionar a decisão do magistrado? (Valor: 0,60) 
B) Qual fundamento deverá ser apresentado pelo advogado de Carlos para combater a decisão do magistrado? 
(Valor: 0,65) 
Gabarito comentado 
A) A medida processual a ser apresentada pelo advogado de Carlos é o agravo previsto no Art. 197 da Lei nº 
7.210/84, também conhecido como agravo de execução ou agravo em execução. Prevê o mencionado 
dispositivo que, das decisões proferidas em sede de execução, será cabível o recurso de agravo. No caso, o 
enunciado deixa claro que houve decisão condenatória com trânsito em julgado e que a decisão a ser combatida 
foi proferida pelo Juízo da Execução, analisando progressão de regime. 
B) O argumento a ser apresentado pelo advogado de Carlos é o de que a decisão do magistrado foi equivocada, 
pois não é possível fixar, como condição especial ao regime aberto, o cumprimento de prestação de serviços à 
comunidade. O Art. 115 da LEP prevê expressamente que o magistrado, no momento de fixar o regime aberto, 
poderá fixar condições especiais, além das obrigatórias e genéricas estabelecidas nos incisos desse dispositivo. 
Ocorre que a legislação penal não disciplina quais seriam essas condições especiais, de forma que surgiu a 
controvérsia sobre a possibilidade de serem fixadas penas substitutivas em atenção a esta previsão. O tema, 
porém, foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, que, no Enunciado 493 de sua Súmula de Jurisprudência, 
estabeleceu a inadmissibilidade de serem fixadas penas substitutivas (Art. 44 do Código Penal) como condições 
especiais ao regime aberto. A ideia que prevaleceu foi a de que, apesar de ser possível o estabelecimento de 
condições especiais, estas não podem ser penas previstas no Código Penal, sob pena de bis in idem ou dupla 
punição. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A. A medida processual a ser apresentada é o Agravo OU Agravo de 
Execução OU Agravo em Execução (0,50), na forma do Art. 197 da Lei 
nº 7.210/84 (0,10). 
0,00/0,50/0,60 
B. Inadmissibilidade de ser fixada prestação de serviços à comunidade 
(ou pena substitutiva) como condição especial ao regime aberto (0,40), 
0,00/0,15/0,25/0,40/0,50/ 
0,55/0,65 
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QUESTÃO 2 - XVIII EXAME 
No dia 10 de fevereiro de 2012, João foi condenado pela prática do delito de quadrilha armada, previsto no Art. 
288, parágrafo único, do Código Penal. Considerando as particularidades do caso concreto, sua pena foi fixada 
no máximo de 06 anos de reclusão, eis que duplicada a pena base por força da quadrilha ser armada. A decisão 
transitou em julgado. Enquanto cumpria pena, entrou em vigor a Lei nº 12.850/2013, que alterou o artigo pelo 
qual João fora condenado. Apesar da sanção em abstrato, excluídas as causas de aumento, ter permanecido a 
mesma (reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos), o aumento de pena pelo fato da associação ser armada passou a 
ser de até a metade e não mais do dobro. Procurado pela família de João, responda aos itens a seguir. 
A) O que a defesa técnica poderia requerer em favor dele? (Valor: 0,65) 
B) Qual o juízo competente para a formulação desse requerimento? (Valor: 0,60) Obs.: sua resposta deve ser 
fundamentada. A simples citação do dispositivo legal não será pontuada. 
GABARITO COMENTADO 
A) A defesa técnica de João poderia requerer a aplicação da lei nova, que é mais benéfica para o acusado. A 
redação anterior do Art. 288, parágrafo único, do CP previa que, no caso daquele crime ser praticado com armas 
de fogo, a pena seria dobrada. Hoje, o dispositivo prevê que a pena, nessa mesma hipótese, será “apenas” 
aumentada de, no máximo, metade. Assim, no caso de João, como sua pena base foi aplicada em 03 anos, a 
pena final restaria em, no máximo, 04 anos e 06 meses. A nova lei, então, é favorável ao condenado, de modo 
que pode retroagir para atingir situações pretéritas, na forma do Art. 2º, parágrafo único, do CP. 
B) Considerando que já houve trânsito em julgado da sentença condenatória, o juízo competente para 
formulação do requerimento é o da Vara de Execuções Penais, na forma do enunciado 611 da Súmula não 
vinculante do STF ou do Art. 66, inciso I, da LEP. 
 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A) Poderia requerer a redução de sua pena pela aplicação da Lei nº 12.850/13 ou 
pela aplicação da nova redação do artigo 288, parágrafo único, do Código Penal, que 
traz previsão mais favorável ao acusado e deve retroagir (0,55), na forma do artigo 
2º, parágrafo único, do Código Penal OU do artigo 5º, XL, CRFB (0,10). 
0,00/0,10/0,55/0,65 
B) O juízo competente é o da Vara de Execuções Penais (0,50), na forma do 
enunciado 611 da Súmula não vinculante do STF OU do Art. 66, inciso I, da LEP 
(0,10). 
0,00/0,10/0,50/0,60 
 
 
QUESTÃO 2 - XVI EXAME 
No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de reclusão pela prática dos 
crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma do Art. 69 do mesmo diploma legal, pois, no 
dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu Carla, mediante grave ameaça, a com ele praticar conjunção 
carnal e ato libidinoso diverso. Ainda cumprindo pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, 
conversando com outro preso, veio a saber que ele havia sido condenado por fatos extremamente semelhantes 
a uma pena de 07 anos de reclusão. Luan, então, pergunta o nome do advogado do colega de cela, que lhe 
fornece a informação. Luan entra em contato pelo telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para 
reduzir sua pena, apesar de sua decisão ter transitado em julgado. Diante dessa situação, responda aos itens a 
seguir. 
A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em favor de Luan? (Valor: 
0,65) 
B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60) 
na forma do Enunciado 493 da Súmula do STJ (0,10), sob pena de 
configurar dupla punição OU bis in idem (0,15). 
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Sua resposta deve ser fundamentada. A simples citação do dispositivo legal não será pontuada. 
GABARITO COMENTADO 
A) Luan foi condenado pela prática de crimes de estupro e atentado violento ao pudor em concurso material. O 
entendimento que prevalecia antes da edição da Lei nº 12.015 era a da impossibilidade de aplicação da 
continuidade delitiva entre essas duas infrações, pois não seriam crimes da mesma espécie. Ocorre que, com a 
inovação legislativa ocorrida no ano de 2009, a conduta antes prevista no Art. 214 do Código Penal passou a 
ser englobada pela figura típica do Art. 213 do CP. Apesar de não ter havido abolitio criminis, certo é que a lei 
é mais benéfica. Sendo assim, poderá retroagir para atingir situações anteriores e caberá a redução de pena de 
Luan. A jurisprudência amplamente majoritária entende que, de acordo com a nova redação, o Art. 213 do CP 
passou a prever um tipo misto alternativo. Assim, quandopraticada conjunção carnal e outro ato libidinoso 
diverso em um mesmo contexto e contra a mesma vítima, haveria crime único. Outros, minoritariamente, 
entendem que o artigo traz um tipo misto cumulativo, de modo que ainda seria possível punir o agente que 
pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso diverso por dois crimes. De qualquer forma, mesmo para essa 
segunda corrente, caberia a redução de pena de Luan, pois agora seria possível a aplicação da continuidade 
delitiva, já que os crimes são de mesma espécie. O examinando poderá adotar qualquer uma das duas correntes, 
desde que assegure a aplicação da nova lei mais benéfica para Luan. 
B) O órgão competente perante o qual deverá ser formulado o pedido de aplicação da lei mais benigna e, 
consequentemente, da redução da pena é o juízo da Vara de Execuções Penais, considerando que já ocorreu o 
trânsito em julgado da sentença condenatória, na forma da Súmula 611 do STF ou do Art. 66, inciso I, da LEP. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A) A tese adequada é a da aplicação da lei mais 
benéfica ao condenado, que importará na redução 
da sua pena, (0,30) tendo em vista que a alteração 
legislativa transformou o tipo penal do estupro em 
misto alternativo, portanto crime único OU tendo em 
vista que a alteração legislativa transformou o tipo 
penal do estupro em misto cumulativo, sujeito à 
aplicação da continuidade delitiva (0,25) o que 
permite sua aplicação para fatos praticados antes de 
sua entrada em vigor, ainda que a decisão seja 
definitiva (0,10). 
0,00/0,10/0,25/0,30/0,35/0,40/0,55/0,65 
B) O pedido deverá ser formulado perante a Vara de 
Execuções Penais, pois existe decisão com trânsito 
em julgado (0,50), na forma da Súmula 611 do STF 
OU do Art. 66, inciso I, da LEP (0,10). 
Obs.: a mera citação do dispositivo legal não será 
pontuada. 
0,00 /0,10/0,50/0,60 
 
QUESTÃO 02 - XIV EXAME 
Mário foi condenado a 24 (vinte e quatro) anos de reclusão no regime inicialmente fechado, com trânsito em 
julgado no dia 20/04/2005, pela prática de latrocínio (artigo 157, § 3º, parte final, do Código Penal). Iniciou a 
execução da pena no dia seguinte. No dia 22/04/2009, seu advogado, devidamente constituído nos autos da 
execução penal, ingressou com pedido de progressão de regime, com fulcro no artigo 112 da Lei de Execuções 
Penais. O juiz indeferiu o pedido com base no artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90, argumentando que o condenado 
não preencheu o requisito objetivo para a progressão de regime. 
Como advogado de Mário, responda, de forma fundamentada e de acordo com o entendimento sumulado dos 
Tribunais Superiores, aos itens a seguir: 
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A) Excetuando-se a possibilidade de Habeas Corpus, qual recurso deve ser interposto pelo 
advogado de Mário e qual o respectivo fundamento legal? (Valor: 0,40) 
B) Qual a principal tese defensiva? (Valor: 0,85) 
Obs.: o examinando deve fundamentar corretamente sua resposta. A simples menção ou transcrição do 
dispositivo legal não pontua. 
GABARITO COMENTADO 
A questão objetiva extrair do examinando conhecimento acerca da lei penal no tempo (regramento legal e 
entendimento jurisprudencial), bem como da execução penal. 
Nesse sentido, relativamente à alternativa “A”, o examinando deve indicar que o recurso a ser interposto é o 
agravo, previsto no artigo 197 da LEP. 
Tendo em conta a própria natureza do Exame de Ordem, a mera indicação do dispositivo legal não será 
pontuada. No que tange ao item “B”, por sua vez, a resposta deve ser lastreada no sentido de que, de acordo 
com os verbetes 26 da súmula vinculante do STF e 471 da súmula do STJ, Mário, por ter cometido o crime 
hediondo antes da Lei 11.464/2007, não se sujeita ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90, por se tratar de novatio 
legis in pejus, devendo ocorrer sua progressão de regime com base no artigo 112 da Lei de Execuções Penais, 
observando o quantum de 1/6 de cumprimento de pena. 
Cabe destacar que tal entendimento surgiu do combate ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90, que previa o 
cumprimento de pena no regime integralmente fechado para os crimes hediondos ou equiparados. Após longo 
debate nos Tribunais Superiores, reconheceu-se a inconstitucionalidade da previsão legal, por violação ao 
princípio da individualização da pena, culminando na progressão de regime com o quorum até então existente, 
qual seja, 1/6 com base no artigo 112 da LEP. 
O legislador pátrio, após o panorama jurisprudencial construído, alterou a redação do artigo 2º, § 2º, da Lei 
8.072/90, autorizando a progressão de regime de forma mais gravosa para aqueles que cometeram crimes 
hediondos, por meio do cumprimento de 2/5 para os réus primários e 3/5 para os reincidentes. 
No entanto, a nova redação conferida ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90, por meio da Lei 11.464/2007, externa- 
se de forma prejudicial àqueles que cometeram crimes hediondos em data anterior a sua publicação, tendo em 
vista que os Tribunais Superiores autorizavam a sua progressão com o cumprimento de 1/6 da pena. 
Diante dessa construção jurisprudencial, os Tribunais Superiores pacificaram o entendimento por meio dos 
verbetes 26 da súmula vinculante do STF e 471 da súmula do STJ. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A) Agravo (0,30), artigo 197 da LEP (0,10). 
Obs.: A mera indicação do artigo não pontua. 
0,00 / 0,10/ 0,30 / 0,40 
B) Mário não se sujeita ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90 por se 
tratar de novatio legis in pejus OU com base na irretroatividade da 
lei penal mais gravosa o artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90 não se 
aplica a situação de Mário OU a antiga redação do artigo 2º, da Lei 
8.072/90 é inconstitucional (0,35), razão pela qual a progressão 
deve ocorrer com base no Art. 112 da LEP, observando o quantum 
de 1/6 de cumprimento de pena (0,40). / Tal entendimento é 
fundamentado nos verbetes 26 da súmula vinculante do STF ou 471 
do STJ (0,10). 
Obs.: A justificativa é essencial para atribuição de pontos. 
0,00 / 0,10 / 0,35 / 0,40 / 0,45 / 0,50 
/ 0,75 / 0,85 
 
Questão 04 - XII EXAME 
Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de determinado crime. Após 
o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem aplicar medida de segurança consistente em 
internação em hospital psiquiátrico por período mínimo de 03 (três) anos. Após o cumprimento do período 
supramencionado, o advogado de Marcos requer ao juízo de execução que seja realizado o exame de cessação 
de periculosidade, requerimento que foi deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os experts atestam a cura 
PROCESSO PENAL 
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do internado, opinando, consequentemente, por sua desinternação. O magistrado então, baseando-se no exame 
pericial realizado por médicos psiquiatras, exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O Parquet, 
devidamente intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso cabível na espécie. 
A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a desinternação de Marcos? 
(Valor: 0,75) 
B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25) 
C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida pelo magistrado? 
(Valor: 0,25) 
GABARITO COMENTADO 
A) Como se trata de decisão proferida pelo juiz da execução penal, o recurso cabível é o Agravo, previsto no 
Art. 197, da Lei de Execução Penal - 7.210/84. 
B) O prazo para a interposição do recurso é de 05 (cinco) dias, contados da data da publicação da decisão no 
D.O., conforme dispõem as Súmulas do STF 699 e700. 
SÚMULA 699 - O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO, EM PROCESSO PENAL, É DE CINCO DIAS, DE 
ACORDO COM A LEI 8038/1990, NÃO SE APLICANDO O DISPOSTO A RESPEITO NAS ALTERAÇÕES DA LEI 
8950/1994 AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 
SÚMULA 700 - É DE CINCO DIAS O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO CONTRA DECISÃO DO JUIZ DA 
EXECUÇÃO PENAL. 
C) Via de regra, o recurso de Agravo em Execução não tem efeito suspensivo, conforme previsão do Art. 197, 
da LEP. Todavia, a hipótese tratada no enunciado é a única exceção à regra supramencionada, i.e., o agravo 
possui, na hipótese do enunciado, efeito suspensivo, conforme previsto no Art. 179, da LEP. Portanto, a 
interposição desse recurso suspende a eficácia da sentença. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A - Agravo em Execução (0,55), previsto no Art. 197 da Lei de 
Execução Penal - 7.210/84 (0,20). 
Obs.: A mera indicação ou reprodução do conteúdo do artigo não 
pontua. 
0,00/0,55/0,75 
B - O prazo para a interposição do recurso é de 05 (cinco) dias (0,15), 
conforme previsto na Súmula 700 ou Súmula 699, ambas do STF 
(0,10). Obs.: A mera indicação da Súmula não pontua 
0,00/0,15/0,25 
C - A interposição desse recurso suspende a eficácia da sentença, 
conforme previsto no Art. 179, da LEP c/c Art. 197, da LEP (0,25). 
0,00/0,25 
 
QUESTÃO 01 - XI EXAME OAB 
O Juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de direitos (que fora imposta 
em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento de pena privativa de liberdade imposta no 
regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras condições. 
O Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão do referido Juiz da 
Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena, estimulando o descumprimento das penas 
alternativas ao cárcere. 
O recurso, devidamente contra-arrazoado, foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma 
unânime, resolveu lhe dar provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao cumprimento de pena 
no regime aberto, com base no Art. 115 da LEP, a prestação de serviços à comunidade, o que deveria perdurar 
por todo o tempo da pena a ser cumprida no regime menos gravoso. Atento ao caso narrado e considerando 
apenas os dados contidos no enunciado, responda fundamentadamente, aos itens a seguir. 
A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da Vara de Execuções Penais? 
(Valor: 0,50) 
B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento jurisprudencial sumulado? 
(Valor: 0,75) 
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua. 
Gabarito comentado 
A. Agravo em Execução (Art. 197 da LEP). 
PROCESSO PENAL 
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B. Não, pois de acordo com o verbete 493 da Súmula do STJ, é inadmissível a fixação de pena substitutiva (Art. 
44 do CP) como condição especial ao regime aberto. 
Ademais, embora ao Juiz seja lícito estabelecer condições especiais para a concessão do regime aberto, em 
complementação daquelas previstas na LEP (Art. 115 da LEP), não poderá adotar a esse título nenhum efeito 
já classificado como pena substitutiva (Art. 44 do CPB), porque aí ocorreria o indesejável bis in idem, importando 
na aplicação de dúplice sanção. 
Ademais, o Art. 44 do Código Penal é claro ao afirmar a natureza autônoma das penas restritivas de direitos 
que, por sua vez, visam substituir a sanção corporal imposta àqueles condenados por infrações penais mais 
leves. Diante do caráter substitutivo das sanções restritivas, vedada está sua cumulatividade com a pena 
privativa de liberdade, salvo expressa previsão legal, o que não é o caso. 
Precedente: STJ - Habeas Corpus n. 218.352 - SP (2011/0218345-1) 
 
 
CAPÍTULO IV 
 
2) RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL 
 
Questão 04 – XIV EXAME OAB 
Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código Penal. No curso da instrução 
criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva do réu, com o intuito de garantir a 
ordem pública, “já que o crime causou grave comoção social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca 
em risco a integridade social, configurando conduta inadequada ao meio social.” 
O advogado de Cristiano, inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou 
Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo 
em vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. 
O Tribunal de Justiça, por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão que decretou a 
prisão preventiva estava corretamente fundamentada. 
De acordo com a jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do acórdão? (Valor: 0,65) 
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido? (Valor: 0,65) 
 
GABARITO COMENTADO 
De acordo com a jurisprudência atualizada, tanto do STJ como do STF, bem como com o mandamento descrito 
no Art. 105, II, “a”, da Constituição Federal, em Habeas Corpus caberá Recurso Ordinário. O Art. 30, da Lei nº 
8.038/90, determina ser de 05 (cinco) dias o prazo para interposição de recurso ordinário contra decisão 
denegatória de Habeas Corpus proferida pelos Tribunais dos Estados. No caso narrado no enunciado, o recurso 
deve ser dirigido ao Superior Tribunal de Justiça, conforme informa o Art. 105, II, “a”, da Constituição Federal, 
já que se trata de decisão proferida pelo Tribunal de Justiça. 
 
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS PONTUAÇÃO 
A) Recurso Ordinário (0,65). 
0,00 / 0,65 
B) O recurso deve ser dirigido ao Superior Tribunal de Justiça (0,40), no prazo 
de 05 (cinco) dias (0,20) 
0,00 / 0,20 / 0,40 / 0,60 
PROCESSO PENAL 
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OAB 
2ª Fase 
132 
 
 
 
CAPÍTULO V – REVISÃO CRIMINAL 
Questão 02 – XXIV EXAME OAB 
No dia 10 de setembro de 2014, Maria conversava na rua com amigas da escola, quando passou pelo local 
Túlio, jovem de 19 anos, que ficou interessado em conhecer Maria em razão da beleza desta. Um mês após se 
conhecerem e iniciarem um relacionamento, Túlio e Maria passaram a ter relações sexuais, apesar de Maria 
ter informado ao namorado que nascera em 09 de julho de 2001. Ao tomar conhecimento dos fatos, o 
Ministério Público denunciou Túlio pela prática do crime do Art. 217-A do Código Penal. 
Após a instrução e juntada da carteira de identidade de Maria, na qual constava seu nascimento em 09 de 
julho de 2001, Túlio foi condenado nos termos da denúncia, tendo ocorrido o trânsito em julgado. Dois anos 
após a sentença condenatória, os pais de Maria procuram os familiares de Túlio e narram que se sentiam mal 
pelo ocorrido, porque sempre consideraram o condenado um bom namorado para a filha. Afirmaram, ainda, 
que autorizavam o namoro, porque, na verdade, consideravam sua filha uma jovem, já que ela nasceu em 09 
de julho de 2000, mas somente foi registrada no ano seguinte, pois tinham o sonho de sua filha ser 
profissional do esporte e entenderam que o registro tardio a beneficiaria profissionalmente. 
Diante de tais informações, em posse de fotografias que comprovam que Maria, de fato, nasceu em 09 de 
julho de 2000 e da retificação no registro civil, os familiares de Túlio procuram você na condição de 
advogado(a). 
 
Na condição de advogado(a) de Túlio, considerando apenas as informações narradas, responda aos itens a 
seguir. 
A) Diante do trânsito em julgado da sentença condenatória, existe medida judicial a ser apresentada em favor 
de Túlio, diferente de habeas corpus, em busca da desconstituiçãoda sentença? Justifique e indique, em caso 
positivo. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado pelo(a) patrono(a) de Túlio em busca da 
desconstituição da sentença? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere 
pontuação. 
 
GABARITO COMENTADO 
A) Sim, existe. A medida judicial a ser apresentada em favor de Túlio é a ação de impugnação conhecida 
como Revisão Criminal, com fundamento no Art. 621, inciso II ou inciso III, do Código de Processo Penal. 
Isso porque, após a sentença condenatória com trânsito em julgado, foi verificado que o documento de 
identificação de Maria era ideologicamente falso, já que constava data nascimento diferente da real. A 
mudança na data de nascimento de Maria altera o fundamento para condenação, tendo em vista que, na 
realidade, era maior de 14 anos na data dos fatos. O examinando pode, ainda, defender o cabimento do 
instituto da revisão criminal com base no surgimento de provas novas, após a sentença, que comprovem a 
inocência do acusado, quais sejam as fotografias e declarações dos pais no sentido de que a certidão de 
nascimento da filha era falsa e que, na verdade, Maria era maior de 14 anos na data dos fatos. 
B) O argumento a ser apresentado é de atipicidade da conduta praticada por Túlio, tendo em vista que Maria 
era maior de 14 anos na data dos fatos. O Art. 217-A do Código Penal prevê o crime de estupro de 
vulnerável, sendo uma de suas hipóteses quando o agente pratica conjunção carnal ou ato libidinoso diverso 
com menor de 14 anos. Mesmo que Túlio acreditasse que Maria era menor de 14 anos, objetivamente ela 
não o era, uma vez que nasceu em 09 de julho de 2000. Provado que seu nascimento ocorreu mais de 14 
anos antes dos fatos, necessária a absolvição de Túlio em razão da atipicidade da conduta. Importante 
PROCESSO PENAL 
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OAB 
2ª Fase 
133 
 
 
destacar que os atos sexuais praticados foram consentidos por Maria, logo não há que se falar em crime de 
estupro do Art. 213 do Código Penal. 
 
Distribuição dos Pontos 
Item Pontuação 
A. A medida judicial cabível é da revisão criminal (0,40), com fundamento no Art. 621, 
inciso II OU III, do Código de Processo Penal (0,10), tendo em vista que a condenação foi 
baseada em documento comprovadamente falso OU em razão do surgimento de prova 
nova, após a sentença, apta a demonstrar a inocência do acusado (0,15). 
0,00/0,15/0,25/ 
0,40/0,50/0,55/0,65 
B. O argumento é de que a conduta de Túlio era atípica (0,20), tendo em vista que, 
objetivamente, Maria era maior de 14 anos na data dos fatos e houve consentimento na 
prática dos atos sexuais (0,40). 
0,00/0,20/0,40/0,60 
 
 
 
CAPÍTULO VI – EXERCÍCIOS 
Proposta de Peça Processual 
 
(Defensor MG/2009 – adaptada - FUMARC) Pajero Full, um jovem advogado, estava exercendo a função de 
advogado, perante a 1ª Vara de Família de Canoas, RS, por ocasião da contestação apresentada em processo 
de investigação de paternidade, imputou à genitora do investigante a prática de atos sexuais com diversos 
homens, afirmando ainda que aquela se dedicava habitualmente à prostituição. 
Pajero Full foi informado por seu cliente das atividades exercidas pela genitora do investigante durante as 
entrevistas necessárias para elaboração da defesa técnica por ele exercida. 
Sentindo-se difamada e injuriada com as alegações de Pajero Full, profundamente indignada a mãe do 
investigante ofereceu queixa-crime contra o advogado. A queixa-crime foi distribuída ao juízo da 2ª Vara 
Criminal comum daquela cidade, ao entendimento de que aquela causa é de maior complexidade, considerando 
o acervo probatório, fugindo, portanto, da competência do juizado especial. 
Desta forma, o Juiz da 2ª Vara Criminal de Canoas, RS, após ter restada inexitosa a conciliação, recebeu a 
denúncia e determinou a citação do querelado, que sustentou, em sua defesa preliminar, não ser possível a 
existência e a continuidade do processo por lhe faltar um dos pressupostos de constituição e desenvolvimento 
regular do feito. 
O magistrado responsável pelo julgamento indeferiu o pedido formulado na defesa preliminar, dizendo que 
deixa para apreciar todas as questões de fato e de direito por ocasião da sentença final. 
Elabore a peça processual cabível contra a decisão do magistrado, apontando todos os argumentos jurídicos 
para a modificação da decisão hostilizada. 
 
 
 
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134 
 
 
Gabarito Comentado 
A peça a ser elaborada é um Habeas Corpus, para trancamento da ação penal, com base no artigo 648, inciso 
I, do CPP e artigo 5º, inciso LXVIII da Constituição Federal. 
Tese da atipicidade da conduta considerando o artigo 142 do Código Penal. 
 
Questão 01. A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda, 
causando prejuízo ao erário no valor de R$27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado, então, 
procedimento administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento definitivo do crédito tributário. 
Ao mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que, 
considerando a autonomia das instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime previsto 
no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após a 
apresentação de resposta à acusação pela Defensoria Pública, Raquel o procura para, na condição de advogado, 
tomar as medidas cabíveis. Diante disso, responda aos itens a seguir. 
A) Qual a medida jurídica a ser adotada de imediato para impedir o prosseguimento da ação penal? (Valor: 
0,60) 
B) Qual a principal tese jurídica a ser apresentada? (Valor: 0,65) O examinando deve fundamentar suas 
respostas. 
A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação. 
Gabarito comentado 
A) Deve o advogado de Raquel impetrar de imediato habeas corpus visando ao “trancamento” da ação penal, 
pois o fato ainda não é típico. B 
B) A situação narrada representa constrangimento ilegal a Raquel, pois, de acordo com a Súmula Vinculante 
24, não se tipifica crime material contra a ordem tributária antes do lançamento definitivo do tributo. Dessa 
forma, vêm entendendo os Tribunais Superiores que, antes do esgotamento da instância administrativa com 
lançamento do tributo, não pode ser oferecida denúncia pela prática do crime (Art. 1º, incisos I ao IV, da Lei 
nº 8.137). 
 
Questão 02. (Exame XIV) Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código 
Penal. No curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva do réu, 
com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção social, além de tratar-se de 
um crime grave, que coloca em risco a integridade social, configurando conduta inadequada ao meio social.” O 
advogado de Cristiano, inconformado com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou 
Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo 
em vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. O Tribunal de Justiça, 
por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão que decretou a prisão preventiva estava 
corretamente fundamentada. De acordo com a jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda 
aos itens a seguir. 
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do acórdão? (Valor: 0,65) 
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido?(Valor: 0,60) 
PROCESSO PENAL 
Prof. Letícia Sinatora das Neves 
OAB 
2ª Fase 
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Gabarito comentado 
De acordo com a jurisprudência atualizada, tanto do STJ como do STF, bem como com o mandamento descrito 
no Art. 105, II, “a”, da Constituição Federal, em Habeas Corpus caberá Recurso Ordinário. O Art. 30, da Lei nº 
8.038/90, determina ser de 05 (cinco) dias o prazo para interposição de recurso ordinário contra decisão 
denegatória de Habeas Corpus proferida pelos Tribunais dos Estados. No caso narrado no enunciado, o recurso 
deve ser dirigido ao Superior Tribunal de Justiça, conforme informa o Art. 105, II, “a”, da Constituição Federal, 
já que se trata de decisão proferida pelo Tribunal de Justiça. 
 
Questão 3. Fátima foi vítima de acidente fatal no trânsito, na ocasião Fausto dirigia o seu veículo e deu causa 
à morte. Inconsolado com a perda, Carmelo, o viúvo, se comprometeu a buscar a responsabilização do autor 
do crime. Durante o processo criminal, que tramitou perante a 1ª Vara Criminal de Florianópolis, em que o 
motorista Fausto respondeu em liberdade, não foi possível comprovar qualquer modalidade de culpa por parte 
de Fausto, logo a absolvição foi a medida imposta. Após o trânsito em julgado da decisão, Carmelo localizou 
uma testemunha presencial do delito, de nome Sabrina, que não tinha mais sido localizada, porém estava 
presente no momento do fato, tendo sido inclusive ouvida durante a polícia, mas infelizmente na fase judicial 
não foi possível, pois estava residindo no exterior. Sabrina informou que Fausto não estava vindo ao lado da via 
que indicou em juízo, que o acidente se deu em virtude dele ter feito uma manobra irregular, tendo assim 
surpreendido Fátima que estava no local adequado. Sabrina informa ter guardado por cautela uma foto que 
tirou logo após o fato que demonstra a parada inicial do veículo na ocasião do acidente. Diante dos fatos 
responda: 
- Considerando a prova nova, testemunha ocular, é possível oferecer para Carmelo alguma medida ou ação 
criminal? Justifique a sua resposta. 
 
Gabarito comentado 
No âmbito criminal não há medida ou ação a ser oferecida a Carmelo, uma vez que não se pode diante de prova 
nova desfavorável ao réu relativizar a coisa julgada. Assim sendo, a Revisão Criminal somente poderá ser feita 
dos processos com sentença condenatória transitada em julgado, como regra, conforme o artigo 621 do CPP. 
A sugestão seria buscar orientação na esfera civil, para fins de eventual responsabilização.

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