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O Painel Simbólico do Grau de Comp⸫ 
 
I. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
 A ausência de um Painel entapetado no centro do piso mosaico torna incompleta uma L⸫ M⸫. A sua 
presença é indispensável durante a realização da Reunião. Não é para menos, porquanto o Painel representa 
um estandarte, ou insígnia, no qual os símbolos apropriados ao respectivo Grau estão gravados para serem 
estimados, compreendidos e respeitados. É, pois, ritual inevitável estendê-lo no início da sessão e enrolá- lo 
no final dos trabalhos. Esta preocupação provém dos idos tempos da Maç⸫. A bem da verdade, quiçá nesta 
época, a representatividade do Painel fosse ainda mais significativa, pois os primitivos maçons desenhavam 
os símbolos do Painel no chão, vivificando-os a cada início do encontro e ocultando-os, para sua 
preservação, ao final. Isto porque, nesta ocasião, inexistiam os Templos M⸫, assim o 1º Experto era 
obrigado a riscar no centro dos Varandões dos canteiros de obras, a giz ou a carvão, o desenho das 
ferramentas dos MM⸫ Operativos e das Colunas e Pórtico encontrados nas ruínas do Templo do Rei 
Salomão. Paulatinamente, estes Símbolos foram sendo desenhados, pintados ou bordados permanentemente 
em um pedaço de pano, lona e tapetes que receberam o nome de Painel. 
 A 262 anos, de acordo com fontes históricas confiáveis, pôde-se, pela primeira vez, ver impresso nos 
livros do Abade Gabriel Luiz Calabre Perau (1700-1767) o mais antigo Painel Maçônico. Este guardava 
características peculiares, porquanto reunia símbolos e ferramentas tanto de Aprendiz, como de 
Companheiro. Por este motivo, era identificado como Painel Misto (Aprendiz-Companheiro) ou 
conjugado, tal como publicado no Livro de Revelações (Exposures): primeiro, com o título de “Les 
Secretes des Francs-Maçons” (Os Segredos dos Franco Maçons, 1742 - 1a. Edição, Amsterdã) e,em 
1745, numa 2a Edição do mesmo livro, com o título de “L’Ordre des Francs-Maçons Trahi” (A 
Ordem dos Franco Maçons Traída). Este Painel já contava com a presença de: Est⸫ Flam⸫, Letra “G”, 
Trolha, Globo, Pedra de Afiar, Luminárias (Sol e Lua) e as Letras J e B. 
 É certo que o Grau de Comp⸫ conta com o maior número de Painéis, comparado com os demais Graus. 
Apenas a título de exemplo, além do Simbólico do 2º Grau que é objeto deste trabalho pode mencionar ainda 
outros dois: Painel de Harris (Alegórico), no qual se observam a Fonte de Água Corrente e a Espiga, as Duas 
CCol⸫ Vestibulares, a Escada em Caracol e a Câmara do Meio; e Painel da Loja de Comp⸫, no qual estão 
representadas as Sete Artes, as Ciências Liberais e as Cinco Nobres Ordens de Arquitetura. No entanto, 
optamos por elaborar um estudo comparativo entre o Painel Conjugado e o Simbólico do Grau de Comp⸫ 
atualmente praticado em nossa Ordem. Objetivamos com isto confrontar o passado com o presente, na 
tentativa de produzir efeitos instrutivos relevantes com elevado conteúdo explicativo. 
 
II. ANÁLISE COMPARATIVA 
 Assim, comparando os Painéis Misto e Simbólico do 2º. Grau é possível traçar o seguinte quadro: No 
Painel Simbólico, consta uma orla dentada que contorna todo o retângulo que o constitui, presente também 
no Painel Conjugado. Esta orla simboliza a união fraterna que deve existir entre os homens. No ponto 
médio de cada uma de suas faces, encontramos as marcas dos quatro pontos cardeais. Em suas junções, 
também observamos uma Trolha – vista no interior tanto do Painel Misto, como do Painel Simbólico; 
porém, neste na Col⸫ do N⸫ e naquele na Col⸫ do S⸫, simbolizando a indulgência e o perdão; Na parte 
superior do retângulo que compõe ambos os Painéis, há representação de uma corda com três (ao 
invés de cinco) nós, terminada por uma borla. Somente na Maç⸫ Especulativa é que apresenta significado, 
como, por exemplo, os “três laços de amor” ou a imagem da união fraterna entre IIr⸫ As Sete estrelas, que 
representam as sete Ciências Liberais, são representadas apenas no Painel Simbólico; 
 Ainda na parte superior e à direita do Painel Simbólico, há o desenho da Prancheta de traçar ou Prancheta 
da L⸫, que constitui uma das três joias fixas da L⸫ de M⸫. Diferentemente, no Painel Conjugado, não a 
observamos representada da mesma maneira que a anterior, isto é, pelas cruzes quádruplas e de Santo 
André. As duas luminárias (Sol e Lua) estão representadas de forma semelhante nos dois Painéis. Ou seja, o 
Sol à esquerda e Lua à direta (como no R⸫ E⸫ A⸫ A⸫). Entretanto, pode haver Painel que os representem 
posicionados de forma diferente. Isto quer dizer que há Painéis diferentes para Ritos distintos. No Painel 
Misto, o Esquadro está presente na parte inferior do retângulo e o Compasso na parte superior; portanto, não 
sobrepostos. No Painel atual do grau de companheiro e no nosso rito os vemos entrelaçados com a haste 
esquerda livre direcionada à Col⸫ do S⸫. Outra diferença é a presença, no Conjugado, da letra “G” em 
destaque, no centro do retângulo e distanciada da Est⸫ Flam⸫; ao passo que, hoje, em nosso Ritual, estão 
representadas formando um único conjunto; Do lado direito, na parte superior, média e inferior do 
retângulo que compõe o Painel Misto observamos três janelas: uma entre o Comp⸫ e a Est⸫, outra 
abaixo do Pórtico e acima do Esq⸫ Ambas alinhadas medial e longitudinalmente. A terceira janela é 
observada na Col⸫ do S⸫ (no seu ponto médio). De forma um pouco diferente, no Painel Simbólico, uma 
das três janelas se encontra na parte superior do retângulo, alinhada com a Col⸫ do S⸫. 
 As duas outras são vistas, uma na parte média desta Col⸫ e outra na parte inferior do retângulo. 
Simbolicamente temos qual a luz forte qual vem do Oc⸫ (acima do quinto degrau). De forma pouco 
diferente, no Painel Simbólico, a terceira janela está no início da Col⸫ do S⸫. Simbolicamente temos que a 
Luz forte que vem do Or⸫ é fraca na Col⸫ do S⸫ e escassa no Oc⸫, mas ausente a luminosidade solar na 
Col⸫ do N⸫, onde estão os AApr⸫ Ainda na Col⸫ do S⸫ do Painel Simbólico vemos uma espada 
simbolizando a 5ª viagem. Ferramenta não encontrada no Painel Conjugado. Observam-se, ainda neste 
último, superior e inferiormente, três tocheiros ou candelabros: dois na parte inferior direita e esquerda do 
retângulo e um terceiro em sua parte superior direita. Inferiormente, delimitando o Pórtico do T⸫ no Painel 
Misto, encontramos duas CCol⸫ com as letras “J” e “B” externamente ao lado. No Painel Simbólico, ao 
contrário, estas letras se encontram grafadas nas CCol⸫ e de forma invertida, isto é, “B” à esquerda e “J” à 
direita. Em ambos os Painéis se vê o Pórtico do T⸫ ao fundo e entre as CCol⸫. 
 No Painel Misto, esta representação se dá de forma um pouco diferente, ou seja, em uma linha central do 
retângulo inferiormente à letra “G”, centralizada e abaixo de um triângulo suspenso por quatro CCol⸫. 
Curiosamente, aqui também se encontra a representação de três portas: uma logo acima dos sete degraus, 
outra no ponto médio da borda lateral do retângulo e ainda uma no ponto médio da linha superior 
desse retângulo à frente do trono do V⸫ M⸫; Na extremidade inferior do retângulo, vemos a representação 
sobre o chão da L⸫, reproduzida pelo Pav⸫ Mos⸫, ao lado de cada uma das CCol⸫, da P⸫B⸫ e da P⸫C⸫. 
Estas P⸫ são observadas no Painel Conjugado alinhadas na Col⸫ do N⸫, sendo que a P⸫B⸫ está 
superior e a P⸫C⸫ inferior; O Maço (Malho) e o Cinzel (Escopro) são representados em uma peça única 
quando se observa o Painel Misto, posicionados inferiormente junto e medialmente à Col⸫ do N⸫ 
Diferentemente, no Painel Simbólico, os vemos como peças individuais, mas postados entre si de forma 
cruzada, e posicionadosinferior e lateralmente à Col⸫ do N⸫; O Nível e o Prumo encontram-se 
representados, respectivamente, nas CCol⸫ do N⸫ e do S⸫ do Painel Misto. 
 Já, no Painel Simbólico, os vemos no centro do Painel, mas com a mesma correspondência; ou seja, 
Nível à direita e Prumo à esquerda. Em ambos os Painéis, o chão da L⸫ está representado por um Pav⸫ 
Mos⸫ em diagonal; Uma Alavanca entrecruzada com uma Régua é representada na Col⸫ do N⸫. Não sendo 
observada, assim como a Régua, no Painel Conjugado; No Painel Misto, podemos ver a representação de 
uma Esfera medialmente alinhada com outros símbolos. Entretanto, no Painel Simbólico, encontramos duas 
Esferas posicionadas no topo de cada uma das CCol⸫ “J” e “B”: uma, representando a Terra (Col⸫ “B”) e a 
outra representando o Céu (Col⸫ “J”). Na parte inferior de ambos os Painéis estão representados os degraus: 
cinco no Painel Simbólico e sete no Painel Misto. 
III. CONSIDERAÇÕES FINAIS: 
 Eis essencialmente as comparações possíveis de se formular entre o Painel Misto e o Simbólico, dos 
quais se notam pontos de contato e diferenças. Procuramos esta linha de pesquisa, pois sabíamos que 
surtiriam efeitos pretendidos; e, de fato, surtiram. A contribuição proporcionada por este trabalho 
comparativo à nossa cultura maçônica foi significativa, já que alcançamos algumas conclusões de suma 
relevância. Sem esgotar todas, três nos parece importantes para, por ora, nos atermos. 
 A primeira delas nos ensina a evolução dos símbolos sem desconciliar-se com a tradição. Do Painel 
Misto ao Simbólico, nota-se claramente o enriquecimento simbólico, tanto assim é que houve a 
desvinculação dos Graus. Os AAp⸫ e os CComp⸫ conquistaram seu próprio Painel; por conseguinte, os 
respectivos símbolos tornaram-se mais ricos e detalhados, sem, contudo, perder a essência da tradição 
simbólica destes Graus. Notamos ainda o poder de criação do homem para ampliar as representatividades do 
Painel. No Misto, inexistem, por exemplo, as sete estrelas. No entanto, quão os M⸫ desenvolvem-se no 
estudo deste símbolo? É imensurável; e hoje, no Painel Simbólico, temos à disposição o poder desta 
imensidão de significados. Por meio destes símbolos, podemos estudar a representação das Ciências 
Liberais, com toda sua extensão de Valores. 
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: 
ASLAN, Nicola. Grande Dicionário de Maçonaria e Simbologia. Londrina/PR, Ed. A Trolha, 1996, 4v. 
BELTRÃO, Carlos Alberto Baleeiro. As Abreviaturas na Maçonaria. São Paulo: Madras Editora, 1999. 
CARVALHO, Assis. Companheiro Maçom, 2a ed., Londrina/PR, Ed. A Trolha, 1996. 
CARVALHO, Assis. Símbolos Maçônicos e Suas Origens. Londrina/PR, Ed. A Trolha, 1996. 
CASTELLANI, José e RODRIGUES, Raimundo. Cartilha do Companheiro, 2ª ed., Londrina/PR, Ed. A 
Trolha, 2002.

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