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ROMA ANTIGA - INTRODUÇÃO 
De Rômulo e Remo à República e ao Império 
 
 
Símbolo do poder: Senatus Populus 
Que Romanus (O Senado e o Povo 
Romano) 
Para entender como Roma conseguiu adquirir tanta importância e poder é necessário 
conhecer sua história em mais detalhes. A origem da sociedade romana não tem uma 
evidência concreta. Baseia-se numa lenda, que era uma maneira antiga de explicar 
fatos cuja memória se perdeu em tempos muito distantes. Assim, o poeta romano 
Virgílio alimentou a fantasia de seu povo ao contar que Roma teria sido fundada por 
dois irmãos: Rômulo e Remo. 
Os dois haviam sido abandonados pelo pai ao nascer e só sobreviveram por terem sido 
alimentados por uma loba. O fato é que os irmãos cresceram, vingaram-se do pai e 
receberam a missão de fundar uma cidade no local onde foram encontrados pelo 
animal. Essa lenda criou também a data exata do "nascimento" de Roma: os irmãos 
teriam fundado a cidade em 753 a.C. O próprio nome dessa localidade derivou do 
nome um deles (Rômulo), que acabou matando seu irmão Remo devido a disputas 
políticas. 
Como se pode ver, a origem de Roma foi inventada através de uma história que 
misturava o instinto animal (simbolizado pela loba que amamentou os irmãos), com o 
nascimento de algo novo (a cidade fundada num lugar deserto), retornando aos 
instintos agressivos no final (simbolizados na rivalidade entre os irmãos e no 
assassinato de um deles). Assim, essa origem imaginada serviu para os vários 
imperadores que a governaram justificarem o caráter agressivo e conquistador dessa 
sociedade romana. 
Patrícios e plebeus 
Se não temos dados concretos sobre sua fundação, podemos começar a contar a 
história de Roma, a partir da monarquia (753 a 509 a.C.). Nesse período, o meio de 
subsistência principal daquele povo era a agricultura. A sociedade romana dividia-se 
em quatro grupos, segundo a posição política, econômica e social de cada pessoa: 
havia patrícios, plebeus, clientes e escravos. 
A palavra "patrício" (do latim pater, pai) indicava o chefe da grande unidade familiar 
ou clã. Esses chefes, os patrícios, seriam descendentes dos fundadores lendários de 
Roma e possuíam as principais e maiores terras. Eles formavam a aristocracia, sendo 
que somente esse grupo tinha direitos políticos em Roma e formava, portanto, o 
governo. 
Já os plebeus eram descendentes de populações imigrantes, vindas principalmente de 
outras regiões da península Itálica, ou fruto dos contatos e conquistas romanas. 
Dedicavam-se ao comércio e ao artesanato. Eram livres, mas não tinham direitos 
políticos: não podiam participar do governo e estavam proibidos de casar com 
patrícios. 
Num outro patamar, vinham os clientes, também forasteiros, que trabalhavam 
diretamente para os patrícios, numa relação de proteção e submissão econômica. 
Assim, mantinham com os patrícios laços de clientela, que eram considerados 
sagrados, além de hereditários, ou seja, passados de pai para filho. 
Por fim, os escravos, que inicialmente eram aqueles que não podiam pagar suas 
dívidas e, portanto, tinham que se sujeitar ao trabalho forçado para sobreviver. 
Depois, com as guerras de conquista, a prisão dos vencidos gerou novos escravos, que 
acabaram se tornando a maioria da população. 
República e expansão 
As conquistas aos outros povos e regiões trouxeram o crescimento das atividades 
comerciais e das negociações em moeda. A riqueza se concentrou ainda mais nas 
mãos dos patrícios, que se apropriavam das novas terras. Isso tudo dividiu 
profundamente a sociedade romana entre ricos (aristocratas) e pobres (plebeus), além 
da grande massa de escravos que ia se formando. Também os membros do exército, 
enriquecidos pelas conquistas e saques, tornaram-se uma importante camada social. 
A expansão romana iniciou-se na República (509 a 27 a.C.), por meio das lutas contra 
os povos vizinhos para obterem escravos (séculos. 5 a 3 a.C.). Depois disso, expandiu-
se para a Grécia (séc. 3 a.C.), Cartago (cidade africana que controlava o comércio 
marítimo no Mediterrâneo) e Macedônia (com a conquista da Grécia, havia formado 
um grande império), sendo estas duas cidades conquistadas no séc. 2 a.C. Na 
seqüência, o Egito, a Britânia (que corresponde aproximadamente à atual Grã-
Bretanha) e algumas regiões da Europa e da Ásia foram conquistados no séc. 1 d.C. 
Desde sua origem, Roma fora governada por reis. Um deles foi expulso por tirania em 
509 a.C. e o governo da República se estabeleceu, propondo uma nova divisão de 
poderes entre o Senado, os Magistrados e as Assembléias. 
Com as conquistas militares de novos territórios, os generais do Exército acumularam 
muitos poderes políticos e para deterem as revoltas dos povos dominados, resolveram 
concentrar o poder. Júlio César era um general que havia conquistado a Gália em 60 
a.C. Depois disso, deu um golpe em Roma, atacando-a no ano de 49 a.C. e 
proclamando-se ditador perpétuo (ou seja, governaria com poderes ilimitados até a 
sua morte). Foi nesse mesmo ano que conseguiu dominar o Egito. No entanto, nem 
ele nem seu governo tiveram vida longa: foi assassinado pelos próprios romanos em 
44 a.C. 
O Império Romano 
Com a morte de Júlio César, três líderes políticos governariam juntos. Um deles, 
Otávio, derrotou os outros e foi o primeiro imperador romano em 31 a.C., recebendo 
do Senado os títulos de Princeps (primeiro cidadão), Augustus (divino) e Imperator 
(supremo). Passou para a história com o nome de Augusto, embora essa denominação 
acompanhasse todos os imperadores que o sucederam. Roma teve 16 imperadores 
entre os séculos 1 e 3 d.C. A partir daí, começou a desagregação do Império e o 
descontrole por parte de Roma dos povos dominados. 
Entre os séculos 3 e 4 d.C., o imperador Dioclesiano dividiu o Império Romano numa 
parte ocidental e noutra oriental. Constantino, o imperador seguinte, tomou duas 
importantes medidas: reunificou seus domínios, tornando a capital do Império 
Romano Bizâncio (depois chamada de Constantinopla e, hoje, Istambul, na Turquia), 
localizada na parte oriental dos domínios romanos e legalizou a prática do 
cristianismo. 
Finalmente, Teodósio, um dos últimos imperadores, tornou o cristianismo religião 
oficial de todo o Império e dividiu-o novamente em duas partes, sendo as capitais 
Roma e Constantinopla. A primeira foi dominada pelos povos germanos em 476 e 
marcou o fim do Império Romano do Ocidente. A segunda foi dominada em 1453 
pelos turcos e marcou o fim do Império Romano do Oriente. 
Quadro sintético 
História de Roma 
Períodos Datas 
Monarquia 
de 753 a.C. (data tradicional da fundação de Roma) a 509 a.C. (derrota dos 
Tarqüínios). 
República 
de 509 a.C. (proclamação da República) a 27 a.C. (Otaviano recebe o Senado o 
título de Augusto) 
Império de 27 a.C. a 476 d.C. (queda do Império romano do Ocidente) 
* Fernanda Machado é historiadora.