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Gabriela Montaguti Farinha de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leishmaniose Visceral Canina: 
relato de caso alóctone em Curitiba - PR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curitiba/PR 
2015 
Gabriela Montaguti Farinha de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Leishmaniose Visceral Canina: 
relato de caso alóctone em Curitiba - PR 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito para 
conclusão do Curso de Pós-Graduação, 
Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica 
de Pequenos Animais, do Centro Estudos 
Superiores de Maceió da Fundação 
Educacional Jayme de Altavila, orientada pela 
Msc. Ana Laura D’Amico Fam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curitiba/PR 
2015 
Gabriela Montaguti Farinha de Oliveira 
 
 
 
Leishmaniose Visceral Canina: 
relato de caso alóctone em Curitiba - PR 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito para 
conclusão do Curso de Pós-Graduação, 
Especialização em Clínica Médica e Cirúrgica 
de Pequenos Animais, do Centro Estudos 
Superiores de Maceió da Fundação 
Educacional Jayme de Altavila, orientada pela 
M.Sc. Ana Laura D’Amico Fam. 
 
 
 
Curitiba/PR, 27 de fevereiro de 2015. 
 
 
 
__________________________________ 
Profª. M.Sc. Valéria Natasha Teixeira 
PUCPR 
 
 
__________________________________ 
Profª. M.Sc. Andrea Rodrigues Barros 
 
 
__________________________________ 
Prof. Dr. Leandro Lima 
 
 
Curitiba/PR 
2015 
 
Agradecimento 
 
 
 
 
 
 
Agradeço ao meu marido, Anderson, e aos colegas 
de trabalho, especialmente à Deborah, por todo 
apoio e compreensão durante a realização deste 
curso de especialização e do presente trabalho. 
Aos colegas médicos veterinários agradeço pela 
ajuda e orientação. 
À todos os meus clientes e pacientes, que são o 
motivo que me leva a buscar sempre mais o 
conhecimento. 
Aos proprietários da Nina, Franciana, Pedro e 
família, agradeço imensamente pela colaboração 
com a realização dos exames, retornos e todo o 
cuidado com a nossa paciente. 
À minha orientadora, Ana Laura, sou grata de 
coração por toda ajuda e orientação na conduta do 
trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumo 
 
 
A Leishmaniose é uma importante zoonose no mundo todo. No Brasil, a doença é 
endêmica e vem aumentando a cada ano. É causada por protozoários do gênero 
Leishmania e transmitida por mosquito vetor do gênero Lutzomyia. Os cães são os 
principais reservatórios e cumprem importante papel na epidemiologia da doença. 
Os sinais clínicos e alterações patológicas nos cães podem ser diversos. A maioria 
apresenta sinais inespecíficos como febre, perda de peso, apatia e anorexia. 
Anemia, lesões na pele, linfoadenomegalia e onicogrifose são outras alterações 
comuns. O diagnóstico da doença pode ser realizado por testes sorológicos, PCR e 
citologia de linfonodos ou medula óssea. Vários protocolos de tratamento são 
descritos para controle dos sinais clínicos e diminuição da infectividade, porem 
nenhum atinge a cura parasitológica. O tratamento dos cães não é recomendado 
pela Organização Mundial da Saúde ou pelo Conselho Federal de Medicina 
Veterinária devido à riscos de resistência dos parasitos aos medicamentos utilizados 
em humanos. No Brasil, a eutanásia de cães infectados vem sendo utilizada como 
forma de controle da doença, embora muito questionada. Diversas vacinas contra 
Leishmaniose estão em fase de desenvolvimento e apresentam resultados 
promissores. O objetivo do presente estudo foi realizar uma revisão literária sobre a 
Leishmaniose Visceral Canina (LVC) e relatar um caso alóctone da doença no 
município de Curitiba, Paraná, Brasil, em um cão da raça Daschund, apresentando 
lesões cutâneas, anorexia e perda de peso, com histórico de viagem para Araguaína 
(TO). O animal foi diagnosticado por exame histopatológico de pele e tratado com 
imunoterapia com a vacina Leishmune® e Alopurinol. Houve remissão total dos 
sinais clínicos permanecendo apenas com alterações no hemograma. 
 
 
Palavras-chave: Leishmaniose visceral canina, imunoterapia, tratamento, 
diagnóstico, imunoprofilaxia, Paraná. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lista de Figuras 
 
 
Figura 1 – Distribuição da Leishmaniose Visceral no mundo .................................... 13 
Figura 2 – Distribuição de casos de LV por regiões brasileiras em 2008 .................. 14 
Figura 3 – Forma promastigota ou flagelada da Leishmania .................................... 16 
Figura 4 – Forma amastigota ou aflagelada da Leishmania ...................................... 16 
Figura 5 – Fêmea de flebotomídeo adulto, engurgitada ............................................ 19 
Figura 6 – Ciclo de vida da L. infantum ..................................................................... 22 
Figura 7 – Sinais clínicos da Leishmaniose Canina .................................................. 26 
Figura 8 – Diferentes padrões de lesões cutâneas na Leishmaniose Canina ........... 27 
Figura 9 – Diagrama para conduta diagnóstica da Leishmaniose Canina ................ 31 
Figura 10 – Interpretação de citologia ....................................................................... 34 
Figura 11 – Cão, daschund, fêmea, 4 meses, de nome Nina diagnosticada com 
Demodiciose .............................................................................................................. 53 
Figura 12 – Cão, daschund, fêmea, 10 meses, de nome Nina, diagnosticada com 
Leishmaniose, apresentando rarefação pilosa generalizada e baixo escore corporal
 .................................................................................................................................. 54 
Figura 13 – Cão, daschund, fêmea, 10 meses, de nome Nina, diagnosticada com 
Leishmaniose, apresentando rarefação pilosa periocular e blefarite ......................... 62 
Figura 14 – Citologia da medula óssea da paciente Nina, canina, fêmea, Daschund, 
mostrando macrófago contendo duas Leishmania spp. Intracitoplasmáticas e uma no 
espaço extracelular ................................................................................................... 68 
 
 
 
Lista de Gráficos 
 
 
Gráfico 1 – Comparação da incidência dos sinais clínicos em três diferentes estudos 
e regiões.................................................................................................................... 29 
Gráfico 2 – Valores do hematócrito da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada 
com Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção) ............................... 65 
Gráfico 3 – Valores do leucograma da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada 
com Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção) ............................... 65 
Gráfico 4 – Valores das plaquetas da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada 
com Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção) ............................... 66 
Gráfico 5 – Valores das proteínas plasmáticas da paciente Nina, canina, fêmea, 
diagnosticada com Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção) ........ 66 
 
 
 
 
 
Lista de Quadros 
 
 
Quadro 1 – Espécies de leishmania existentes ......................................................... 16 
Quadro 2 – Vetores da Leishmaniose Canina e sua distribuição .............................. 18 
Quando 3 – Vantagens e desvantagens dos diferentes métodos diagnósticos de 
L. infantum em cães ..................................................................................................32 
Quadro 4 – Técnicas sorológicas comumente usadas para diagnóstico da 
Leishmaniose ............................................................................................................ 36 
Quadro 5 – Protocolos atuais para o tratamento da LVC .......................................... 39 
Quadro 6 – Diferentes protocolos terapêuticos com o Antimoniato de 
Meglumina ................................................................................................................. 41 
 
 
 
Lista de Tabelas 
 
 
 
Tabela 1 – Valores obtidos no hemograma da paciente Nina, canina, fêmea, 10 
meses, diagnosticada com Leishmaniose ................................................................. 56 
Tabela 2 – Valores obtidos na avaliação bioquímica sérica da paciente Nina, canina, 
fêmea, 10 meses, diagnosticada com Leishmaniose ................................................ 57 
Tabela 3 – Valores obtidos no hemograma da paciente Nina, canina, fêmea, 
diagnosticada com Leishmaniose após 7 e 45 dias do seu primeiro 
atendimento ............................................................................................................... 58 
Tabela 4 – Valores dos exames de hemograma mensais realizados no ano de 
2013 após confirmação do diagnóstico de Leishmaniose na paciente Nina, 
canina, fêmea ............................................................................................................ 63 
Tabela 5 – Valores dos exames de hemograma realizados no ano de 2014 
após confirmação do diagnóstico de Leishmaniose na paciente Nina, canina, 
fêmea ........................................................................................................................ 64 
Tabela 6 – Valores dos parâmetros bioquímicos realizados para 
acompanhamento após confirmação do diagnóstico de Leishmaniose na 
paciente Nina, canina, fêmea .................................................................................... 67 
Tabela 7 – Valores obtidos na contagem celular a partir da citologia de 
medula óssea da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada com 
Leishmaniose ............................................................................................................ 69 
 
 
 
 
 
 
Lista de Abreviaturas 
 
 
Ag 
ALT 
BA 
BID 
CAAF 
CBC 
CE 
CHCM 
CIC 
DAT 
DF 
DNA 
ELISA 
FML 
HCM 
IC 
IFN-
IgE 
IgG 
IgM 
IL 
IM 
LV 
LVC 
MAPA 
MDP 
MG 
MPL-SE 
MS 
MT 
OBS 
Antígeno 
Alanina aminotransferase 
Bahia 
Bis in die (duas vezes ao dia) 
Citologia aspirativa por agulha fina 
Complete blood count 
Ceará 
Concentração de hemoglobina corpuscular média 
Complexos imunes circulantes 
Direct agglutination test 
Distrito Federal 
Deoxyribonucleic acid 
Enzyme-Linked Immunosorbent Assay 
Fucose mannose ligan 
Hemoglobina corpuscular média 
Imunocromatografia 
Interferon gama 
Imunoglobulina E 
Imunoglobulina G 
Imunoglobulina M 
Interleucina 
Intramuscular 
Leishmaniose visceral 
Leishmaniose visceral canina 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
Muramil dipeptídeo 
Minas Gerais 
Monophosphoril lipid A - stable emulsion 
Mato Grosso do Sul 
Mato Grosso 
Observação 
OMS 
PA 
PCR 
PI 
P-MAPA 
 
RIFI 
RJ 
RN 
RNA 
RT-PCR 
SC 
SE 
SID 
SNC 
SP 
Th 
TNF 
TO 
UFMG 
VCM 
Organização Mundial da Saúde 
Pará 
Polymerase chain reaction 
Piauí 
Proteic magnesium ammonium phospholinoleate 
palmitoleate anhydride 
Reação de imunofluorescencia indireta 
Rio de Janeiro 
Rio Grande do Norte 
Ribonucleic acid 
Real time – polymerase chain reaction 
Subcutâneo 
Sergipe 
Semel in die (uma vez ao dia) 
Sistema nervoso central 
São Paulo 
T helper (linfócitos) 
Tumor necrosis factor 
Tocantins 
Universidade Federal de Minas Gerais 
Volume corpuscular médio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 10 
1. REVISÃO DE LITERATURA – LEISHMANIOSE CANINA .................................. 12 
1.1. Epidemiologia ..................................................................................................... 12 
1.2. Etiologia .............................................................................................................. 15 
1.3. Vetor ................................................................................................................... 17 
1.4. Reservatório ....................................................................................................... 20 
1.5. Transmissão ....................................................................................................... 21 
1.6. Patogenia ........................................................................................................... 23 
1.7. Sinais Clínicos .................................................................................................... 25 
1.8. Achados Laboratoriais ........................................................................................ 29 
1.9. Diagnóstico ......................................................................................................... 30 
1.9.1. Diagnóstico Parasitológico ...................................................................... 33 
1.9.2. Diagnóstico imunológico ......................................................................... 34 
1.9.3. Técnicas Moleculares ............................................................................. 37 
1.10. Tratamento ....................................................................................................... 38 
1.10.1. Antimoniais Pentavalentes .................................................................... 40 
1.10.2. Miltefosina ............................................................................................. 41 
1.10.3. Anfotericina B ........................................................................................ 42 
1.10.4. Anfotericina B Lipossomal ..................................................................... 43 
1.10.5. Alopurinol .............................................................................................. 43 
1.10.6. Outros Fármacos .................................................................................. 44 
1.10.7. Imunoterapia ......................................................................................... 45 
1.11. Controle e Profilaxia ......................................................................................... 47 
1.11.1. Direcionada ao vetor ............................................................................. 47 
1.11.2. Direcionada aos cães............................................................................ 48 
1.11.3. Imunoprofilaxia ...................................................................................... 49 
2. RELATO DE CASO .............................................................................................. 53 
2.1. Anamnese e Exame Clínico ............................................................................... 53 
2.2. Exames Complementares .................................................................................. 54 
2.3.1. Pesquisa direta de ectoparasitas ............................................................ 55 
2.3.2. Hemograma ............................................................................................ 55 
2.3.3. Avaliação bioquímica sérica ....................................................................56 
2.3.4. Pesquisa de hemoparasitas .................................................................... 57 
2.3.5. Sorologia para Leishmaniose (RIFI/ELISA) ........................................... 57 
2.3. Evolução do caso ............................................................................................... 58 
2.4. Exames diagnósticos ......................................................................................... 59 
2.4.1. Histopatológico de pele ........................................................................... 59 
2.4.2. Sorologia para Leishmaniose (RIFI/ELISA) ........................................... 60 
2.4.3. PCR para Leishmaniose ......................................................................... 60 
2.4.4. Citologia de linfonodo.............................................................................. 60 
2.5. Tratamento instituído .......................................................................................... 61 
2.6. Monitoramento do paciente ................................................................................ 61 
2.6.1. Exames Laboratoriais ............................................................................. 62 
2.6.2. Citologia de medula óssea ...................................................................... 67 
3. DISCUSSÃO ......................................................................................................... 70 
CONCLUSÃO ........................................................................................................... 72 
REFERENCIAS ......................................................................................................... 73 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
A Leishmaniose é um grupo de doenças que afeta os seres humanos e 
outros animais (DANTAS-TORRES; OTRANTO, 2013). 
É uma zoonose importante porem negligenciada. Ocorre em todo o 
mundo com exceção à Antártida e Oceania, com estimativa de 1,3 milhões de casos 
humanos ao ano, sendo que destes, entre 20.000 a 30.000 resultam em óbito 
(WHO, 2014). Nas Américas, 12 países entre México e Argentina são considerados 
endêmicos, e no Brasil, 21 dos 27 estados (STEINDEL et al., 2013). 
A doença é causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida 
por um mosquito vetor dos gêneros Phlebotomus (Velho Mundo) e Lutzomyia (Novo 
Mundo). Embora outras espécies de animais silvestres possam carrear o parasita, os 
cães são considerados os principais reservatórios e cumprem um importante papel 
na transmissão da doença (RIBEIRO et al., 2013; STEINDEL et al., 2013). 
Na última década a doença vem aumentando sua incidência e se 
alastrando por cidades e estados brasileiros. O desmatamento associado a 
condições sanitárias precárias e transporte de animais infectados de uma área para 
outra são as principais razões para este aumento (STEINDEL et al., 2013). 
Os sinais clínicos e alterações patológicas nos cães podem ser diversos. 
A maioria apresenta sinais inespecíficos como febre, perda de peso, apatia e 
anorexia. Anemia, lesões na pele, linfoadenomegalia, onicogrifose, lesões oculares, 
vômitos e diarreia são outras alterações comuns (SOLANO-GALLEGO et al., 2009; 
SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
O diagnóstico da doença é realizado, na maioria das vezes, por testes 
sorológicos, PCR ou punção de linfonodos ou medula óssea. 
Existem diversas medicações e protocolos para o tratamento da 
Leishmaniose Visceral (LV). Embora nenhum deles alcance a cura parasitária, 
podem controlar os sintomas e diminuir o grau de infectividade (PINHÃO, 2009). 
No Brasil, desde o começo dos anos 60, as autoridades têm utilizado a 
eutanásia de cães infectados como principal forma de controle da transmissão da 
11 
 
doença para humanos. Entretanto, a julgar pelo crescente número de casos e 
proliferação por diversas novas áreas, a estratégia é inadequada (TRIGO et al., 
2010). 
Diversas vacinas contra a LV estão em fase de desenvolvimento e 
algumas veterinárias já estão disponíveis no mercado. A vacinação e colocação de 
coleira de deltametrina nos cães, juntamente com aplicação de inseticidas nas 
casas, são medidas preventivas que tem demonstrado bons resultados. 
O presente trabalho tem por objetivo relatar um caso de Leishmaniose 
Visceral Canina alóctone na cidade de Curitiba – PR e apresentar uma revisão 
bibliográfica sobre a doença abordando sua etiologia e epidemiologia, vetor, sinais 
clínicos e fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e controle. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
1. REVISÃO DE LITERATURA - LEISHMANIOSE CANINA 
 
 
1.1. Epidemiologia 
 
 
A Leishmaniose apresenta ampla distribuição mundial, ocorrendo em 69 
países de todos os continentes, com exceção da Antártida e Oceania (GONÇALVES 
et al., 2013). Estima-se que 1,3 milhões de novos casos ocorrem anualmente em 
todo o mundo, gerando 20.000 a 30.000 mortes por ano. Em torno de 90% dos 
casos de Leishmaniose Visceral ocorrem entre Bangladesh, Brasil, Etiópia, Índia e 
Sudão (WHO, 2014). 
A doença ocorre também na Europa. Marques (2008) cita que estudos de 
soroprevalência realizados na Espanha, França, Itália e Portugal estimam que 
aproximadamente 2,5 milhões de cães nestes países estavam infectados com a 
Leishmaniose Visceral. 
Nas Américas, 12 países entre México e Argentina são considerados 
endêmicos para a doença (STEINDEL et al., 2013), sendo que o Brasil representa 
90% das notificações americanas, com cerca de 3.000 novos casos anuais. Desta 
maneira, o Brasil tem a maior incidência de Leishmaniose Visceral zoonótica no 
mundo (GONÇALVES et al., 2013). 
A Figura 1 representa a distribuição da doença no mundo. 
13 
 
 
Figura 1 – Distribuição da Leishmaniose Visceral no mundo. 
Fonte: Andrade et al., 2006. 
 
 
 
O processo de urbanização desorganizado, com intensas migrações de 
áreas rurais para centros urbanos, associado ao desmatamento e secas periódicas, 
resultou na expansão das áreas endêmicas e o aparecimento de novos focos 
(BRASIL, 2013). 
Hoje, praticamente todos os estados brasileiros são afetados pela 
Leishmaniose, incluindo áreas rurais e urbanas. Em 1994, 92,9% dos casos estavam 
concentrados na região Nordeste e 2,6% na região Sudeste; já em 2006, a 
prevalência diminuiu para 56,2% no Nordeste e aumentou para 21% no Sudeste 
(PACHECO et al., 2013). Além disso, uma doença que inicialmente era considerada 
de caráter rural, hoje afeta médias e grandes cidades, com surtos no Rio de Janeiro 
(RJ), Belo Horizonte e Montes Claros (MG), Araçatuba, Bauru e Piracicaba (SP), 
Santarém (PA), Corumbá, Campo Grande e Três Lagoas (MS), Teresina e Tomon 
(PI), Natal (RN), São Luiz, Caxias e Imperatriz (MA), Aracajú (SE), Fortaleza (CE) 
Camaçari e Jequié (BA), Palmas (TO), Várzea Grande (MT) e Brasília (DF) (COSTA, 
2008; BRASIL, 2013). 
14 
 
A distribuição no Brasil em 2008 está representada na Figura 2. 
 
 
 
Figura 2 – Distribuição de casos de LV por regiões brasileiras em 2008. 
Fonte: Website Scalibor. Dispinível em: http://www.scalibor.com.br/ 
leishmaniose/leishmaniose.asp. Acesso em dez. 2014. 
 
 
A região Sul, até recentemente, era considerada livre da doença. Porem, 
em 2007, houve registros de casos caninos no estado do Rio Grande do Sul, nas 
cidades de Uruguaiana e Cruz Alta. Estes casos eram considerados alóctones, ou 
seja, de cães que vieram de regiões endêmicas. Dois anos depois houve um surto 
na cidade de São Borja (RS) com mais de 1.200 cães infectados e cinco casos 
humanos autóctones, ou seja, pessoas que não haviam saído da região (PACHECOet al., 2013). Além disso, um estudo entomológico comprovou a presença do 
principal vetor Lutzomyia longipalpis em sete municípios neste estado (STEINDEL et 
al. 2013). 
15 
 
No estado de Santa Catarina também já foram identificados casos 
caninos autóctones nas cidades de Balneário Camboriú, Chapecó, Blumenau e, 
mais recentemente, Florianópolis (PACHECO et al., 2013). No estado do Paraná, 
região Sul, ao norte de SC, já foram relatados 14 casos de Leishmaniose alóctone 
(STEINDEL et al. 2013). 
A Leishmaniose é mais propensa a ocorrer em regiões secas e de baixo 
nível socioeconômico, onde há alta densidade populacional, carência à assistência 
médica e falta de saneamento básico (COSTA, 2005). Em humanos, as crianças 
com menos de 10 anos são mais suscetíveis e homens são mais afetados (60%) 
(BRASIL, 2013). 
Nos cães não foi confirmada predileção sexual ou racial, mas Sononda et 
al. (2013) em confronto com outras literaturas, encontrou em SP uma predisposição 
de idade para jovens adultos. Além disso, Almeida et al. (2012), constatou que cães 
com acesso livre a rua ou que habitam área externa da casa tem chances muito 
maiores de adquirir a doença. 
 
 
1.2. Etiologia 
 
 
A Leishmaniose Canina é uma zoonose causada por um protozoário 
difásico do Reino Protista, família Trypanosomatidae e gênero Leishmania. 
(MARQUES, 2008). 
Podem ser encontradas nas formas: promastigota, encontrada no tubo 
digestivo do inseto vetor, com forma alongada e presença de flagelo (Figura 3); e 
forma amastigota, quando nos tecidos dos vertebrados, forma ovalada ou 
arredondada, sem flagelo ou com flagelo rudimentar (Figura 4) (MARQUES, 2008; 
BRASIL, 2013). 
 
 
16 
 
 
 Figura 3 – Forma promastigota ou Figura 4 – Forma amastigota ou 
 flagelada da Leishmania. aflagelada da Leishmania. 
 Fonte: Brasil, 2013. Fonte: Brasil, 2013. 
 
 
Existem em torno de 30 espécies diferentes de Leishmania em todo o 
mundo, sendo que cerca de 20 delas são responsáveis pela doença clínica no 
homem, e a maioria é considerada zoonótica (MARQUES, 2008). 
No Quadro 1 pode-se verificar as espécies nos países do Velho Mundo 
(Europa, Ásia e África) e do Novo Mundo (Américas). 
 
 
 Quadro 1 – Espécies de Leishmania existentes. 
Países do Velho Mundo Países do Novo Mundo 
Leishmania infantum 
Leishmania donovani 
Leishmania tropica 
Leishmania aethiopica 
Leishmania major 
Leishmania chagasi (sin. L. infantum) 
Leishmania mexicana 
Leishmania amasonensis 
Leishmania venezuelensis 
Leishmania brasiliensis 
Leishmania panamensis 
Leishmania peruviana 
Leishmania guyanensis 
Leishmania lainsoni 
Leishmania naiff 
Leishmania shawi 
 Fonte: Marques, 2008. 
 
 
No velho mundo as espécies mais comuns são a Leishmania donovani, 
causadora da Leishmaniose Visceral humana e não afeta cães; a Leishmania 
17 
 
tropica, agente da Leishmaniose tegumentar com raríssimos casos relatados em 
cães; e a Leishmania infantum (ou Leishmania chagasi), responsável pela LV nos 
cães e potencialmente zoonótica (MARQUES, 2008). 
Nas Américas, ainda são encontradas muitas outras espécies do 
protozoário, o que dificulta o quadro epidemiológico, controle e diagnóstico 
específico da doença (DANTAS-TORRES; OTRANTO, 2013). 
Apesar de já terem sido identificadas pelo menos 12 diferentes espécies 
infectantes de Leishmania em cães, a mais frequente em todo o mundo é a 
Leishmania infantum (DANTAS-TORRES; OTRANTO, 2013). Por muito tempo 
acreditou-se que a L. infantum e a L. chagasi fossem duas espécies diferentes, 
porem atualmente são considerados sinônimos (GONÇALVES et al., 2013). 
Na América do Sul, ainda encontramos infecções em cães e humanos por 
L. brasiliensis, que é, nesta região, o maior agente causador da Leishmaniose 
Tegumentar, outra forma da doença. Em um levantamento epidemiológico recente, 
foi identificada, através de PCR, a prevalência de 58,5% de cães infectados com L. 
brasiliensis em uma comunidade rural do nordeste brasileiro, revelando a 
importância da identificação do agente (FIGUEREDO et al., 2012). 
 
 
1.3. Vetor 
 
 
O vetor transmissor da Leishmaniose é considerado um vetor biológico 
ciclopropagativo já que se trata de um mosquito e o parasito se multiplica no seu 
interior (MARQUES, 2008). 
Os vetores envolvidos são da Classe Insecta e subfamília Phlebotominae 
(MARQUES, 2008). Denominados flebotomídeos, no Brasil são popularmente 
conhecidos como mosquito palha, tatuquiras, birigui, entre outros (BRASIL, 2013). 
São reconhecidos seis gêneros de insetos, mas apenas dois são de 
importância médica: o gênero Phlebotomus nos países do Velho Mundo, e o gênero 
Lutzomyia nos países do Novo Mundo. Dentre esses gêneros existem varias 
18 
 
espécies, de acordo com a região. Algumas delas estão referidas no Quadro 2 
(MARQUES, 2008). 
 
 
Quadro 2 – Vetores da Leishmaniose Canina e sua distribuição. 
GÊNERO 
Phlebotomus 
DISTRIBUIÇÃO 
MUNDIAL 
GÊNERO 
Lutzomyia 
DISTRIBUIÇÃO 
MUNDIAL 
P. chinensis China do Norte e Central 
Lu. Longipalpis 
America do Sul e 
Central 
P. longiductus Ásia Central e Norte da África 
P. perniciosus Bacia Mediterrânea 
P. ariasia Mediterrâneo Ocidental 
P. perfiliewi Bacia Mediterrânea 
Lu. Evansi 
Colômbia, Costa 
Rica, Venezuela 
P. longicuspis Espanha e Norte da África 
P. neglectus 
Zona Oriental do 
Mediterrâneo 
P. tobbi 
Zona Oriental do 
Mediterrâneo 
Lu. Youngi 
America do Sul e 
Central 
P. kandelakii 
Líbano, Turquia, Irã e 
Afeganistão 
P. syriacus Israel, Jordânia e Síria 
Lu. shannomi 
América do Sul e 
Sudeste dos 
Estados Unidos 
P. langeroni Espanha e Norte da África 
P. smiovi Ásia Central 
P. transcaucasicus Azerbaijão 
Fonte: Marques, 2008. 
 
 
Nas Américas, a principal espécie transmissora é o Lutzomyia longipalpis, 
embora recentemente no Brasil, o Lutzomyia cruzi foi reconhecido como importante 
vetor transmissor (BRASIL, 2013). Outros autores ainda apontam evidências de 
outros possíveis vetores como o Lutzomyia evansi e Migonemya migonei 
(STEINDEL et al., 2013), Nyssomya neivai (PACHECO et al., 2013), Nyssomya. 
whitmani, Lutzomyia pessoai e Lutzomyia intermedia (GONÇALVES et al., 2013). 
Um estudo realizado no Paraná entre 2004 e 2005 analisou a presença 
de diferentes espécies de flebotomídeos em 37 municípios paranaenses, mas não 
foi evidenciada a presença do Lu. longipalpis. Já em outro estudo em 2012, Santos, 
19 
 
Ferreira e Bisetto Jr. identificaram a espécie Lu. longipalpis na cidade de Foz do 
Iguaçu, no Paraná. Mais estudos são necessários para avaliar a presença de 
vetores no estado e fazer o controle das espécies de mosquitos em áreas potenciais 
(SILVA; CAMARGO; SANTOS, 2008). 
Esses insetos são pequenos, medindo de um a três milímetros, possuem 
o corpo revestido por pelos e são de coloração castanha clara ou cor de palha 
(Figura 5). Tem hábitos crepusculares e noturnos e apenas as fêmeas precisam se 
alimentar de sangue para a maturação dos ovos, podendo fazer o repasto em várias 
espécies de animais, incluindo os humanos, podendo o cão ser o mais vulnerável 
(BRASIL, 2013). 
 
 
 
Figura 5 - Fêmea de flebotomídeo 
adulto, engurgitada. 
Fonte: Brasil, 2013. 
 
 
As fêmeas vivem em torno de 20 dias e colocam seus ovos sobre um 
substrato úmido no solo e com alto teor de matéria orgânica, paragarantir a 
alimentação das larvas (BRASIL, 2013). 
Atualmente estes insetos estão altamente adaptados aos mais variados 
ambientes, podendo ser encontrados nos mais variados lugares como galinheiros, 
chiqueiros, canis, paióis, e até ambientes intradomiciliares (BRASIL, 2013). 
1.4. Reservatórios 
20 
 
 
 
O cão doméstico (Canis familiaris) é considerado o principal reservatório 
da doença e, portanto, o mais importante mantenedor do parasito no ambiente 
urbano e rural. No ambiente silvestre, a raposa (Lycalopex vetulus), o cachorro-do-
mato (Cerdocyon thous) e os gambás (Didelphis albiventris) cumprem a função de 
perpetuar o agente (SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012; BRASIL, 2013; 
GONÇALVES et al., 2013; STEINDEL et al., 2013). 
Outros animais, como lobos, marsupiais, roedores, felinos e equídeos, 
também podem ser infectados (MARQUES, 2008; SCHIMMING; PINTO E SILVA, 
2012). No entanto, o cão ainda é considerado o mais importante reservatório, pois 
além de ter uma prevalência muito alta de infecção, podendo chegar até 40% da 
população em algumas áreas, o número de animais assintomáticos é muito alto, 
com taxas de até 80%, o que torna o cão uma fonte muito vasta para o mosquito 
vetor (PACHECO et al., 2013). Além disso, geralmente a infecção em cães precede 
a infecção em humanos e é apontada como uma das responsáveis pela expansão 
da doença (GONÇALVES et al., 2013). 
Diversas pesquisas no mundo todo têm constatado a infecção do felino 
doméstico (Felis sylvestris catus) com o protozoário Leishmania das mais variadas 
espécies (MARQUES, 2008, COSTA et al., 2010). Aparentemente os felinos 
desenvolvem uma resposta imune à infecção por Leishmania diferente da observada 
em cães, com baixos níveis de anticorpos mesmo nos animais infectados e ausência 
de sinais clínicos na grande maioria. Esse fato pode subestimar o número real de 
gatos infectados e, desta forma, facilitar a transmissão da doença (COSTA et al., 
2010; SILVA et al., 2014). Mendonça, Nascimento e Batista (2014) constataram a 
infecção em 3,61% de uma amostragem de gatos em Teresina (Piauí); Silva et al. 
(2014) encontraram anticorpos anti-leishmania em 3,9% em Pernambuco; e Miró et 
al. (2014) em 3,2% em Madri (Espanha), todas áreas endêmicas. Apesar das 
pesquisas, mais estudos são necessários para entender o papel do felino e de 
outros hospedeiros na manutenção da doença em regiões endêmicas. 
 
1.5. Transmissão 
21 
 
 
 
A transmissão da Leishmaniose ocorre através do repasto sanguíneo 
das fêmeas do mosquito vetor. O mosquito se contamina ao se alimentar de 
sangue de animais vertebrados infectados, ingerindo a forma amastigota do 
protozoário. No tubo digestivo do mosquito, essas formas se diferenciam em 
promastigotas, com um flagelo externo, e migram para o aparelho bucal 
(MARQUES, 2008; SOUZA, 2010; GONÇALVES et al., 2013). 
Ao se alimentar novamente, a fêmea injeta essas formas promastigotas 
na pele do hospedeiro através da saliva e, tão logo inoculadas, estas formas são 
fagocitadas pelos macrófagos. No interior dos macrófagos se transformam 
novamente em amastigotas, perdendo o flagelo e se multiplicam continuamente 
até destruírem a célula, sendo liberadas na corrente sanguínea. São, então, 
fagocitadas novamente e, desta maneira, são carreadas até os linfonodos, baço e 
medula óssea, levando a infecção da pele para outros órgãos internos 
(MARQUES, 2008; GONÇALVES et al., 2013). É importante lembrar que a 
transmissão só vai ocorrer enquanto houver o parasitismo na pele ou no sangue 
periférico do hospedeiro (BRASIL, 2013). 
O ciclo do parasito está ilustrado na Figura 6 juntamente com as 
formas de transmissão da doença. 
 
22 
 
 
Figura 6 – Ciclo de vida da L. infantum. 
Fonte: Sollano-Gallego et al. (2011a). 
 
 
Outras formas de transmissão ainda são estudadas, embora o seu papel 
epidemiológico na disseminação da doença hoje seja muito pequeno. Freitas et al. 
(2006 apud MARQUES, 2008) mostrou que a Leishmania pode ser transmitida 
através de transfusão sanguínea de sangue total ou frações (com células 
mononucleares). A transmissão transplacentária apesar de rara, já foi descrita em 
humanos e em cães (MARQUES, 2008; ROCHA, 2012). Silva et al. (2009 apud 
ROCHA, 2012), constatou a transmissão venérea unidirecional da doença, sempre 
do macho infectado para a fêmea susceptível. 
Coutinho e Linardi (2007) também comprovaram a presença de 
promastigotas em pulgas do gênero Ctenocephalides, e Coutinho et al. (2004) e 
Dantas-Torres et al. (2010) em carrapatos da espécie Rhipicephalus sanguineus 
coletados de cães infectados. Entretanto, ainda não foi possível provar o seu papel 
na transmissão natural entre cães. 
 
 
23 
 
1.6. Patogenia 
 
 
A Leishmaniose é uma doença complexa, podendo se manifestar de 
várias maneiras, desde ausência de doença até o desenvolvimento de formas 
graves, com variadas apresentações de quadro clínico, que podem levar à morte 
dos animais susceptíveis ou até à remissão dos sinais clínicos nos animais 
resistentes (MARQUES, 2008; ROCHA, 2012). 
O grau de infecção e a gravidade da doença podem ser determinados 
pela virulência e antigenicidade do parasito; constituição genética e resposta imune 
do hospedeiro; e condições sanitárias e nutricionais do paciente (MARQUES, 2008; 
ROCHA, 2012). 
A infecção do hospedeiro ocorre após a inoculação de formas 
promastigotas do protozoário pelo mosquito vetor. Imediatamente se inicia uma 
reação inflamatória no local na picada. As primeiras células a aparecerem são os 
neutrófilos, que através da fagocitose ativam o sistema complemento, atraindo mais 
neutrófilos e, após dois ou três dias, macrófagos e monócitos. A partir daí, o 
parasita, no interior nos macrófagos, se dissemina por todo o organismo por via 
hemática ou linfática, e apesar da distribuição generalizada, se concentra em fígado, 
baço, linfonodos, medula óssea, rins e pele (MARQUES, 2008). 
Uma vez no interior dos macrófagos, o parasito ativa mecanismos com o 
objetivo de resistir à ação das enzimas microbicidas que estas células possuem. A 
patogenicidade da doença é determinada, então, pela infecção, sobrevivência e 
multiplicação do parasito no ambiente intracelular, primeiramente diminuindo sua 
atividade fagocitária e depois levando a destruição da célula parasitada (MARQUES, 
2008). 
O tipo de resposta imune que o animal irá apresentar é essencial para 
determinar resistência ou suscetibilidade à infecção (ROCHA, 2012). Animais 
susceptíveis desenvolvem imunidade humoral (Th2) e animais resistentes produzem 
resposta celular (Th1) (SILVA, 2007; MARQUES, 2008; SOLANO-GALLEGO et al., 
2009). 
24 
 
Na resposta celular ocorre liberação de IFN-, TNF, IL-2 e IL-12, gerando 
uma reação inflamatória do tipo proliferativa. Nesse tipo de resposta, acumula-se 
nos tecidos infiltrado celular composto por macrófagos, linfócitos e células 
plasmáticas, principalmente nos órgãos linfoides e hematopoiéticos, causando 
degeneração destes (MARQUES, 2008). 
Na resposta humoral ocorre a produção de IL-4, 5, 6 e 10, que ativam o 
sistema complemento e estimulam a produção de IgG e IgM. A produção de 
anticorpos específicos acontece nas primeiras semanas após infecção e vai 
aumentando com o tempo. Por volta de oito a 12 semanas após a infecção os títulos 
de anticorpos já estão acima da positividade (MARQUES, 2008). 
Segundo Silva (2007), a IL-10 aparece tanto em animais sintomáticos 
quanto não sintomáticos. Porem, esta citosina pode acentuar a resposta Th2 e 
bloquear as células Th1. Já a IL-4, estimula os linfócitos B e consequentemente a 
produção de IgG1 e IgE. Portanto, a detecçãodos níveis de IL-4 pode estar 
relacionada à gravidade do quadro clínico e à progressão da doença. 
Também tem se estudado o prognóstico da doença através das dosagens 
das subclasses de IgG anti-leishmania. Geralmente os anticorpos IgG2 estão 
associados à infecção assintomática e IgG1 à doença (DEPLAZES et al., 1995 e 
BOURDOISEAU et al., 1997 apud SOLANO-GALLEGO et al., 2001b; SILVA, 2007; 
MARQUES, 2008). Solano-Gallego et al. (2001b) constatou também que o 
tratamento é mais eficaz em cães com altos níveis de IgG1 no inicio da infecção. 
Muitos dos aspectos patogênicos da Leishmaniose ocorrem por lesões 
inflamatórias devido à deposição de imunocomplexos nos tecidos. A estimulação 
policlonal de células B provoca a produção exagerada de anticorpos, que ao se 
juntarem com antígenos da Leishmania, formam estes complexos imunes circulantes 
(CIC). Ao se depositarem no endotélio vascular, os CIC originam uma reação de 
hipersensibilidade do tipo III, que ativam o sistema complemento e células 
inflamatórias, aumentando a permeabilidade dos vasos sanguíneos e provocando 
agregação plaquetária e formação de coágulos. Além disso, os polimorfonucleares 
(PMNs) causam lesão enzimática na parede dos vasos podendo causar vasculite e 
até necrose (MARQUES, 2008; ROCHA, 2012). 
O mecanismo natural de eliminação dos CIC do organismo é através da 
urina. Assim, o rim é um dos órgãos mais afetados por tais complexos, pois, com a 
25 
 
reação inflamatória provocada pela deposição dos complexos imunes, ocorre 
dilatação da membrana basal e perda de proteínas e hemácias na urina, gerando 
uma glomerulonefrite aguda. Se a deposição dos imunocomplexos continuar, 
chegando a se depositarem moléculas maiores, ocorre alteração estrutural da 
membrana basal comprometendo a filtração glomerular e levando o paciente a 
glomerulonefrite crônica (MARQUES, 2008). Esta pode ser a principal causa morte 
de cães com Leishmaniose (SILVA, 2007). 
Outros órgãos também podem ser afetados pelos complexos imunes. Por 
exemplo, nos olhos, a deposição destes pode levar a lesões como 
ceratoconjuntivite, blefarite, edema de córnea, sinéquia e lesões em corpo ciliar e íris 
(SILVA, 2007). 
Outro importante mecanismo patogênico da Leishmaniose é a formação 
de infiltrados inflamatórios linfoplasmocitários que se acumulam nos órgãos gerando 
lesões. Os principais órgãos atingidos por este mecanismo são os órgãos linfoides, 
levando à frequente linfoadenomegalia e hipoplasia medular. No SNC, podem 
ocorrer disfunções neurológicas, como letargia, convulsões, mioclonia, nistagmo, 
tremores, paralisia de mandíbula, ptose labial, andar em círculos, tetraparesia e 
rigidez raquial e cervical. O coração pode apresentar miocardite multifocal com 
necrose e degeneração das fibras cardíacas. Na pele, o infiltrado inflamatório está 
relacionado à alopecia, descamação, lesões nodulares e ulcerativas. Nos pulmões 
pode provocar pneumonia intersticial crônica e difusa (SILVA, 2007). 
 
 
1.7. Sinais Clínicos 
 
 
Os sinais clínicos da Leishmaniose são muito variáveis devido aos 
diversos mecanismos patogênicos da doença, os diversos órgãos afetados e as 
diferentes respostas imunes de cada indivíduo (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
Classicamente a Leishmaniose é divida em tegumentar e cutânea difusa 
ou visceral. Além disso, os cães infectados pela doença podem ser classificados 
quanto às manifestações clínicas como assintomáticos, oligossintomáticos (com até 
26 
 
três sinais), e sintomáticos (com mais de três sinais clínicos) (SONODA et al., 2013). 
Entretanto, hoje há controvérsias quanto ao tipo de classificação clínica e alguns 
autores também consideram as alterações clínico-patológicas e as disfunções 
orgânicas sem manifestação clínica aparente. Assim animais sintomáticos são 
aqueles que apresentam qualquer sinal clínico e/ou clinicopatológico da doença e 
tiverem infecção confirmada do parasito (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
Por se tratar de uma doença crônica, os sinais clínicos podem aparecer 
de três meses até sete anos após a infecção (MARQUES, 2008), com média de três 
a sete meses (BRASIL, 2013). A doença se inicia como uma síndrome geral 
inespecífica com perda de peso progressiva, apatia, anorexia e febre (MARQUES, 
2008). Outros sinais muito comuns são linfoadenopatia generalizada, 
esplenomegalia, lesões na pele, lesões oculares, poliúria e polidipsia, onicogrifose, 
epistaxe, vômito e diarreia (SOLANO-GALLEGO et al., 2009; SCHIMMING; PINTO E 
SILVA, 2012; ROCHA, 2012; GONÇALVES, et al., 2013). Na Figura 7 podem ser 
visualizados alguns dos sinais mais frequentes da doença. 
 
 
 
Figura 7 – Sinais clínicos da Leishmaniose Canina: A) Epistaxe; B) Uveíte bilateral e 
opacidade corneal; C) Blefarite e conjuntivite purulenta; D) Alopecia esfoliativa e 
linfoadenomegalia do poplíteo; E) Caquexia e alopecia esfoliativa generalizada. 
Fonte: Sollano-Gallego et al. (2011a). 
27 
 
As lesões cutâneas são as mais frequentes nos animais doentes, estando 
presente em 50 a 90% dos casos (SOLANO-GALLEGO et al., 2001a, 2009; 
MARQUES, 2008; SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). Podem ocorrer 
isoladamente ou em conjunto com outros sinais (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
A maioria dos animais desenvolvem lesões alopécicas, simétricas e aprurídicas 
(MARQUES, 2008; ROCHA, 2012). 
Solano-Gallego et al. (2009) classificam as lesões dermatológicas em 
cinco: (1) dermatite esfoliativa aprurídica com ou sem alopecia generalizada ou 
localizada na face, orelhas e membros; (2) dermatite ulcerativa nas proeminências 
ósseas, junções mucocutâneas, patas e pinas das orelhas; (3) dermatite nodular 
focal ou multifocal; (4) dermatite proliferativa mucocutânea; (5) e dermatite papular. 
Estas alterações podem ser explicadas pela ação direta do parasito sobre o folículo 
piloso, por uma alteração do metabolismo do acido pantatênico (devido às lesões 
hepáticas) ou pela deposição de complexos imunes na membrana basal da pele 
(ROCHA, 2012; SONODA et al., 2013). A Figura 8 mostra algumas imagens de 
lesões cutâneas da doença. 
 
 
 
Figura 8 – Diferentes padrões de lesões cutâneas na Leishmaniose Canina: 
A) Blefarite e alopecia periocular esfoliativa; B) Lesão Mucocutânea nasal 
ulcerativa; C) Dermatite papular na região inguinal; D) Lesões nodulares 
ulcerativas com bordos elevados beirando o focinho; E) Lesão eritematosa 
ulcerativa na superfície plantar da pata e entre os coxins; F) Onicogrifose. 
Fonte: Sollano-Gallego et al. (2011a). 
28 
 
Quanto aos rins, vários estudos mostram lesões histológicas em tecido 
renal em 100% dos animais, comprovando a alta incidência de doença renal na 
Leishmaniose Visceral. Apesar da alta prevalência, a azotemia não é um achado 
frequente, pois só ocorre com a morte da maioria dos néfrons, em um estado já bem 
avançado da doença (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). O processo se inicia com 
uma nefrose tubular devido à deposição de complexos imunes, evoluindo para 
glomerulonefrite membranoproliferativa. Se esta evoluir e atingir mais de 75% dos 
glomérulos o animal vai apresentar aumento da creatinina sérica e sinais 
compatíveis com insuficiência renal como poliúria, polidipsia, anorexia, vômito e 
perda de peso (MARQUES, 2008). A insuficiência renal crônica é a principal causa 
de morte de cães com Leishmaniose (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
Outras formas clínicas menos comuns incluem alterações articulares 
como edema, dor articular, crepitação, poliatrite, lesões ósseas proliferativas e 
osteolíticas, claudicação e paresia dos membros; hepatite crônica com ascite e 
icterícia; colite crônica e diarreia; miocardite, pericardite e vasculite; lesões nos 
genitaismasculinos como epididimite, balanopostite, orquite (MARQUES, 2008; 
SOLANO-GALLEGO et al., 2009;); e sinais neurológicos com episódios convulsivos, 
alterações em pares de nervos cranianos e regiões vestibular e cerebelar (SONODA 
et al., 2013). 
O Gráfico 1 compara a incidência dos sinais clínicos encontrados em 
quatro diferentes estudos, Marques (2008) em Lisboa (Portugal), Almeida et al. 
(2012) em Cuiabá (MT), Sonoda et al. (2013) em São Paulo (SP) e Camplesi et al. 
(2014) em Bauru (SP). Pode-se concluir, independente da região, que as lesões 
cutâneas são a manifestação mais comum da doença, juntamente com 
linfoadenomegalia, seguido de perda de peso e apatia. 
Os números encontrados por Almeida et al. (2012) diferem bastante dos 
encontrados pelos outros autores. Isto se deve ao fato de que o estudo realizado em 
Cuiabá teve uma amostragem populacional aleatória, enquanto os outros analisaram 
dados de animais doentes atendidos em hospitais. Essa diferença pode ser 
observada na grande quantidade de animais assintomáticos encontrados, o que 
acaba também diminuindo a porcentagem de incidência dos outros sinais neste 
estudo. 
 
29 
 
Gráfico 1 – Comparação da incidência dos sinais clínicos em quatro diferentes estudos e regiões. 
 
Fonte: A autora. 
 
 
1.8. Achados laboratoriais 
 
 
Os achados laboratoriais mais comuns na Leishmaniose são: anemia 
arregenerativa, leucocitose ou leucopenia, hiperproteinemia com hiperglobulinemia e 
hipoalbuminemia, aumento das enzimas hepáticas, trombocitopenia, proteinúria e 
aumento da relação proteína:creatinina urinária (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
Segundo Sonoda et al. (2013), a anemia está presente em 57 a 94,2% 
dos casos, manifestando-se como anemia normocítica normocrômica geralmente 
arregenerativa. A diminuição do número de hemácias ocorre devido à supressão da 
medula óssea, sequestro esplênico, doença renal ou hemólise imunomediada. A 
trombocitopenia também pode ocorrer por sequestro esplênico, supressão medular 
ou ainda pode ser induzida por imunocomplexos circulantes (MARQUES, 2008; 
ROCHA, 2012; SONODA et al., 2013). 
0
20
40
60
80
100
120
%
 d
e
 a
n
im
ai
s
Incidência de Sinais Clínicos da 
Leishmaniose Canina
Camplesi et al., 2014 (Bauru)
Marques, 2008 (Lisboa)
Sonoda et al., 2013 (São Paulo)
Almeida et al., 2012 (Cuiabá)
30 
 
A presença de hiperproteinemia está presente em 60 a 68% dos casos, 
essencialmente por hipergamaglobulinemia (SONODA et al., 2013). Segundo 
Marques (2008) estas são as alterações bioquímicas mais consistentes com a 
Leishmaniose. 
 
 
1.9. Diagnóstico 
 
 
O diagnóstico da Leishmaniose é complexo devido à variedade de sinais 
clínicos inespecíficos e a falta de um teste que tenha 100% de sensibilidade e 
especificidade (SOLANO-GALLEGO et al., 2009; ROCHA, 2012). Deve-se levar em 
conta, além do quadro clínico, os dados epidemiológicos da região, o histórico do 
animal e as alterações bioquímicas séricas como primeira opção para o diagnóstico 
da doença (MARQUES, 2008). A partir daí, outros exames laboratoriais e/ou 
parasitológicos são necessários para confirmação da suspeita (ROCHA, 2012). 
A Figura 9 apresenta um diagrama feito por Sollano-Gallego et al. (2011a) 
que mostra a conduta diagnóstica através dos diferentes exames. 
 
 
31 
 
 
 Figura 9 – Diagrama para conduta diagnóstica da Leishmaniose Canina. 
Fonte: Sollano-Gallego et al. (2011a). 
 
 
 
 
O Quadro 3 mostra as vantagens e desvantagens dos diferentes 
métodos diagnósticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
Quadro 3 – Vantagens e desvantagens dos diferentes métodos diagnósticos de L. infantum em cães. 
Técnica Diagnóstica Vantagem Desvantagem 
SOROLOGIA 
- Determina o nível de anticorpos, o que 
é essencial para diagnostico e 
estabelecimento do prognostico. 
- Não detecta a presença da Leishmania 
propriamente dita. 
- Reações cruzadas com trypanossomas. 
 
Imunocromatografia 
 
- Teste rápido que pode ser realizado na 
clinica. 
 
- Fornece apenas resultados positivos / 
negativos. 
- Desempenho e sensibilidade variadas com 
riscos de falsos negativos. 
- Em casos positivos necessita de testes 
sorológicos quantitativos. 
RIFI, ELISA 
 
- Determina o nível de anticorpos. 
- Altos níveis de anticorpos associados a 
presença de sinais clínicos ou alterações 
clinicopatológicas compatíveis são 
conclusivo de Leishmaniose clínica. 
 
- Muitas diferenças entre os laboratórios e sem 
padronização das técnicas. 
- Níveis baixos de anticorpos requerem outros 
testes e acompanhamento. 
CITOLOGIA/ 
HISTOLOGIA 
- Permite a identificação direta do 
parasito. 
- Permite a exclusão de outros 
diagnósticos diferenciais 
- Rápido e não invasivo (citologia). 
- Baixa sensibilidade para a detecção da 
Leishmania em tecidos e fluidos corporais. 
- Necessita de outros testes como a 
imunohistoquimica e /ou PCR quando os 
parasitas não são visualizados. 
- Não fornece o status imunológico do animal. 
- Necessita de técnica. 
 
PCR 
- Detecção do DNA da Leishmania. 
- Alta sensibilidade e especificidade. 
Quantificação do parasita (realtime-
PCR). 
- Resultados falso positivos por contaminação 
com DNA. 
- Diferentes padrões e técnicas usados em 
diferentes laboratórios. 
- Não fornece o status imunológico do animal. 
- Não pode ser utilizado como único método 
diagnostico pois um resultado positivo confirma 
a infecção por Leishmania mas não a doença. 
 
CULTURA 
- Permite o isolamento dos parasitas de 
Leishmania. 
- Facilita a identificação isoenzimática do 
parasita. 
- Técnica trabalhosa e demorada. 
- Pode levar um mês para o resultado. 
- Praticado apenas em laboratórios de 
pesquisa. 
Fonte: Adaptado de Solano-Gallego et al. (2011a). 
 
 
 
 
 
 
33 
 
1.9.1. Diagnóstico Parasitológico 
 
 
O diagnóstico definitivo ocorre pela comprovação da presença do parasito 
no paciente através da observação direta em citologia ou por técnicas moleculares 
em aspirados principalmente de baço e medula óssea, onde há maior concentração 
do parasita (ELMAHALLAWY et al., 2014; SONODA et al., 2013). Outros autores 
relatam ainda a possibilidade de se realizar aspirados dos linfonodos, lesões 
cutâneas, fígado e menos comumente em outros fluidos biológicos (ROCHA, 2012; 
SOLANO-GALLEGO et al., 2009; MARQUES, 2008). A citologia aspirativa tem 100% 
de especificidade e em torno de 80% de sensibilidade. Esta pode variar de acordo 
com o material analisado, a carga parasitária, quantidade de amostras avaliadas, 
tempo de leitura de lâmina (MARQUES, 2008; ROCHA, 2012), além da qualidade 
das lâminas preparadas e técnica do profissional (ELMAHALLAWY et al., 2014). 
Segundo Camplesi et al. (2014), em um levantamento realizado em Bauru 
– SP, a citologia aspirativa do linfonodo foi o método diagnóstico mais utilizado. Nos 
casos positivos, se observam as formas amastigotas, cuja forma pode ser de 
esférica a ovoide, com núcleo arredondado e cinetoplasto alongado. Contudo, 
especialmente em animais assintomáticos, deve-se sempre considerar os resultados 
falso negativos (SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
A Figura 10 mostra citologia de aspirados de linfonodos, sendo que na 
primeira há pouca quantidade de parasitos, além de estarem fora das células, o que 
exige habilidade para realização do exame; e na segunda há grande quantidade de 
parasitos em espaço intra e extracelular. 
 
 
 
34 
 
 
Figura 10 – Interpretação de citologia: A) Citologiapor aspiração com agulha fina (CAAF) de linfonodo 
reativo de cão com Leishmaniose clinica apresentando formas amastigotas de Leishmania 
extracelulares em pouca quantidade; B) Citologia por aspiração com agulha fina (CAAF) de linfonodo 
reativo de cão com Leishmaniose clinica apresentando alta quantidade de formas amastigotas de 
Leishmania intra e extracelulares. 
Fonte: Sollano-Gallego et al. (2011a). 
 
 
O parasito também pode ser visualizado no exame histopatológico da 
pele ou outros órgãos infectados. Quando o parasito não é visualizado, encontra-se 
inflamação piogranulomatosa, granulomatosa ou linfocitária, o que também é comum 
a outras afecções (SOLANO-GALLEGO et al., 2009; ROCHA, 2012; SONODA et al., 
2013). 
A cultura do parasito pode ser realizada para otimizar a sensibilidade dos 
testes, porem é trabalhosa, demorada e raramente aplicada à clínica 
(ELMAHALLAWY et al., 2014). 
 
 
1.9.2. Diagnóstico Sorológico 
 
 
O objetivo dos testes sorológicos é verificar a existência de anticorpos 
(IgG) específicos contra Leishmania no soro sanguíneo. Devem ser analisados com 
cautela, pois, apesar da alta sensibilidade e especificidade que apresentam, podem 
falhar no período de incubação antes da soroconversão, que pode ocorrer de um 
35 
 
mês e meio a três meses após a inoculação do parasito no animal (MARQUES, 
2008). 
Além disso, os títulos de anticorpos podem permanecer detectáveis por 
muitos meses após a cura do animal e é impossível diferenciar uma infecção 
anterior curada ou uma doença instalada (ELMAHALLAWY et al., 2014). Portanto, 
quando os títulos são detectáveis porem baixos, é necessário fazer o 
acompanhamento e outros exames para confirmar ou excluir a doença (SOLANO-
GALLEGO et al., 2009). 
Podem ocorrer também falso-positivos pelas reações cruzadas com 
outras doenças como a Erlichiose, Rickettsiose, Toxoplasmose e principalmente a 
Leishmaniose Cutânea (Leishmania brasiliensis) e a Doença de Chagas 
(Trypanossoma cruzi) (MARQUES, 2008). 
Existem muitos testes sorológicos disponíveis, entre eles aglutinação 
direta (DAT), imunocromatografia (IC), reação de imunofluorescência indireta (RIFI), 
e Enzyme-Linked Immunosorbent Assay (ELISA). Atualmente a RIFI e ELISA são os 
testes recomendados pelo Ministério da Saúde para inquérito epidemiológico 
(ROCHA, 2012). 
O DAT tem alta sensibilidade e especificidade e baixo custo, porem é um 
teste demorado. Já a IC é um teste rápido e simples no qual se utiliza o antígeno 
recombinante da L. infantum rK39. Estudos realizados no Brasil mostram 100% de 
sensibilidade e 100% de especificidade. Tanto o DAT quanto a IC podem detectar os 
anticorpos por anos após a recuperação, impossibilitando a diferenciação de um 
animal curado e um doente, e limitando o seu uso em regiões endêmicas 
(ELMAHALLAWY et al., 2014). 
A RIFI é um teste rápido e de baixo custo, sua sensibilidade pode variar 
de 68% a 100% e especificidade de 74% a 100%. O ELISA é o teste preferido para 
diagnóstico laboratorial com alta sensibilidade, variando de 71% a 100%, e 
especificidade de 85% a 100% (MORAIS, 2013). 
Ferreira et al. (2007 apud GONÇALVES et al., 2013) compararam a 
eficácia do DAT, ELISA e RIFI em diagnosticar a infecção canina por Leishmaniose 
e obtiveram valores de sensibilidade iguais a 93%, 96% e 72% respectivamente, e 
especificidade de 100% para todas. 
36 
 
Segundo Solano-Gallego et al. (2009) e Elmahallawy et al. (2014), a 
sensibilidade e especificidade do ELISA está diretamente relacionada com o tipo de 
antígeno utilizado no teste, que são basicamente extratos solúveis de promastigotas, 
proteínas purificadas ou proteínas recombinantes. O antígeno que apresentou mais 
altos níveis de sensibilidade e especificidade foi o antígeno recombinante chamado 
rk39, diminuindo potencialmente a probabilidade de reações cruzadas. 
O Quadro 4 abaixo compara os principais testes sorológicos segundo 
Elmahallawy et al. (2014). 
 
 
 Quadro 4 – Técnicas sorológicas comumente usadas para diagnóstico da Leishmaniose. 
Método 
Sensibili-
dade (%) 
Especifici-
dade (%) 
Vantagens Desvantagens 
RIFI 87 – 100 77 – 100 Positivo na fase 
inicial da doença 
e indetectável 
após seis a nove 
meses de cura 
Necessita de 
equipamentos 
sofisticados e não se 
pode aplicar no campo. 
ELISA 
 
Ag 
extrato de 
Promasti-
gotas 
 
Ag rk39 
 
 
80 –100 
 
 
75 – 98 
 
 
84 – 95 
 
 
79 – 89 
 
Pode ser usado 
para estudos 
epidemiológicos 
em grande 
escala. 
 
Sensibilidade e 
especificidade é 
dependente dos 
antígenos utilizados. 
Necessita de pessoas 
qualificadas, 
equipamentos 
sofisticados e 
eletricidade. 
 
DAT 
 
85 –100 
 
91 – 100 
 
Teste rápido e 
aplicável em 
campo. 
 
Uso limitado em regiões 
endêmicas. Longo 
período de incubação. 
Antígeno positivo não é 
disponível em forma 
comercial e é muito 
frágil na forma aquosa. 
 
IC com 
rk39 
 
90 – 100 
 
93 – 100 
 
Barato, rápido, 
simples e pode 
ser realizado por 
pessoas não 
qualificadas. 
 
 Fonte: Adaptado de Elmahallawy et al. (2014). 
 
 
 
 
37 
 
1.9.3. Técnicas Moleculares: Reação de Polimerase em Cadeia (PCR) 
 
 
Várias técnicas de biologia molecular tem sido estudadas para o 
diagnóstico da Leishmaniose, sendo a PCR a principal e a que tem apresentado os 
melhores resultados de sensitividade e especificidade para a detecção do parasito 
(MARQUES, 2008; ELMAHALLAWY et al., 2014). 
A PCR pode ser realizada a partir de amostras de tecidos, sangue e 
fluidos. PCR com amostras retiradas do linfonodo, pele, baço e medula óssea tem 
maior especificidade (SOLANO-GALLEGO et al., 2009), podendo chegar a 100% 
quando usado baço ou medula óssea (ELMAHALLAWY et al., 2014). Exames 
realizados com amostras de sangue total, papa de leucócitos e plaquetas ou urina 
são menos eficientes (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). 
Segundo Elmahallawy et al. (2014), a amostra menos traumática para 
realização do exame é sangue periférico, devido ao seu caráter não invasivo. Com 
esta amostra a taxa de sensibilidade varia entre 70 e 100%. Outra amostra não 
invasiva que tem sido empregada com bons resultados é o swab conjuntival. 
Segundo Pereira (2013), em um estudo comparando PCR de sangue periférico e 
PCR de swab conjuntival, este último se mostrou mais efetivo com sensibilidade e 
especificidade de 58,6% e 94% respectivamente, enquanto com o sangue periférico 
as taxas foram de 24,1% e 88,5%. 
A PCR pode ser utilizada como método qualitativo, mas também como 
método quantitativo, através do real-time PCR (RT-PCR), que permite a 
quantificação de DNA do parasita. Enquanto a PCR convencional pode detectar a 
presença do parasita quando há mais de 30 parasitas/mL, o RT-PCR pode mostrar 
até mesmo um parasita por mL. Esse exame pode ser de grande valia para 
acompanhamento do tratamento (MARQUES, 2008). 
 
 
 
 
38 
 
1.10. Tratamento 
 
 
O tratamento da LVC é uma questão muito delicada. Os cães são os 
maiores reservatórios da doença nos meios urbanos e nenhum tratamento pode 
permitir a cura parasitológica. Os tratamentos disponíveis podem atingir apenas a 
cura clínica, diminuindo os sintomas, os níveis de anticorpos específicos e o grau de 
infectividade dos cães para os vetores (PINHÃO, 2009). 
A eutanásia dos animais positivos era uma prática muito comum no 
passado, mas ainda acontece em alguns países do mundo. No Brasil o tratamento 
dos cães não é recomendado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, que 
se apoia na portaria Interministerial do Governo Federalde número 1.426, de 11 de 
julho de 2008 que proíbe os médicos veterinários a tratarem a LVC em cães 
infectados ou doentes com produtos de uso humano ou não registrados no 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (SCHIMMING; PINTO E 
SILVA, 2012). 
Apesar de não recomendado, muitos veterinários realizam o tratamento 
no Brasil, visto que a conduta Interministerial de proibir o tratamento vai de encontro 
às constatações científicas que demonstram que cães tratados e controlados não 
apresentam riscos à saúde pública. Por isso o tratamento é aprovado nos Estados 
Unidos e na Europa, onde inclusive existem produtos exclusivos veterinários 
específicos (SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
De qualquer forma, tratar ou não um cão com LV é uma situação que 
deve ser avaliada com cuidado. Deve-se levar em conta o estado geral do animal e 
informar muito bem aos proprietários que o tratamento é prolongado, dispendioso e 
caro, com relativo sucesso terapêutico, pois nem sempre o animal se recupera 100% 
e ainda pode ter recidivas ao longo da vida. Por isso, o proprietário que optar pelo 
tratamento deve ser muito comprometido, uma vez que o animal deverá ser avaliado 
periodicamente, com exames a cada três a seis meses (hemograma completo, perfil 
bioquímico e urinálise), e deverá tomar medicações leishmaniostáticas para controle 
por longos períodos, provavelmente por toda a vida do animal (PINHÃO, 2009). 
39 
 
Atualmente o protocolo mais recomendado para tratamento da LVC é a 
associação de Antimoniato de Meglumina e Alopurinol. O Quadro 5 mostra os 
principais protocolos utilizados. 
 
 
 Quadro 5 – Protocolos atuais para o tratamento da LVC. 
Protocolo Medicamento Dose Duração Efeitos Adversos 
1ª. Linha 
Antimoniato 
de Meglumina¹ 
 
+ 
 
Alopurinol 
75-100 mg/kg/ 
SID ; SC 
 
 
10 mg/kg/ 
BID; VO 
 
 
4-8 semanas 
 
 
 
6-12 meses 
mínimo 
 
Nefrotoxicidade e 
abscessos 
cutâneos 
 
Urolitíase por 
xantina 
2ª. Linha 
Miltefosina¹ 
+ 
 
Alopurinol 
2 mg/kg/ 
SID; VO 
 
10 mg/kg/ 
BID ; VO 
4 semanas 
 
6-12 meses 
mínimo 
Vômito e diarreia 
 
Urolitíase por 
xantina 
 Alopurinol 
10 mg/kg/ 
BID ; VO 
6-12 meses 
mínimo 
 
Urolitíase por 
xantina 
3ª. Linha Anfotericina B² 
0.5-0.8 mg/kg/ 
SID; IV 
2x por semana 
durante 2 
meses 
Nefrotoxicidade 
 
 
Anfotericina B 
Lipossomal² 
 
3 mg/kg/ 
SID; IV 
5 dias Nefrotoxicidade 
transitória 
 
Metronidazol 
+ 
Espiramicina 
25 mg/kg/ 
SID; 
150.000UI/kg/
SID; VO 
3 meses Não descrito 
 Marbofloxacina 
2 mg/kg/ 
SID;VO 
1 mês Não descrito 
¹ Registrado para uso veterinário na Europa 
² 1ª. Linha para tratamento da LV humana na Europa; não recomendado pela OMS para uso 
veterinário para evitar resistência do parasita à droga. 
 Fonte: Adaptado de Solano-Gallego et al., 2009. 
 
 
 
 
 
 
40 
 
1.10.1. Antimoniais Pentavalentes 
 
 
Atualmente estes fármacos são os de primeira escolha no tratamento da 
Leishmaniose canina e humana. Estes são leishmanicidas e atuam na inibição das 
enzimas fosfofrutoquinase e fosfofenolpiruvato carboxiquinase, responsáveis pela 
glicólise e oxidação de ácidos graxos, bloqueando seu metabolismo e levando a 
morte (MARQUES, 2008; PINHÃO, 2009; SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
Dos dois compostos existentes, o Estibugluconato de Sódio e o 
Antimoniato de Meglumina, o segundo é o mais utilizado (MARQUES, 2008; 
PINHÃO, 2009). No Brasil este fármaco é distribuído exclusivamente pelo Ministério 
da Saúde (MS) e seu uso é proibido em cães. Na Europa é utilizado como primeira 
opção de tratamento com formulação veterinária específica de nome comercial 
Glucantime®, Merial (SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
A apresentação do Glucantime® é em solução injetável e pode ser 
aplicado via endovenosa, intramuscular ou subcutânea. A via subcutânea é a mais 
utilizada pela facilidade de aplicação e menor ocorrência de reações locais 
(MARQUES, 2008; PINHÃO, 2009; SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
O tratamento com esta droga tem mostrado bons resultados com relação 
a diminuição dos sinais clínicos e redução da carga parasitária. Porem, não se pode 
considerar a cura parasitológica. Recidivas são frequentes e muitas vezes os 
animais precisam ser submetidos a outros ciclos de tratamento. Contudo, estes 
ciclos de tratamento devem ser evitados o máximo possível, pois podem acabar 
selecionando cepas resistentes do parasita (PINHÃO, 2009). 
É contraindicado para pacientes nefropatas uma vez que é nefrotóxico e 
possui excreção renal. Além disso, a morte dos parasitos leva ao aumento de 
imunocomplexos circulantes podendo agravar a condição renal ou ocular pré-
existente (PINHÃO, 2009). Os principais efeitos colaterais são anorexia, distúrbios 
gastrointestinais, apatia, febre, tosse e alterações hepáticas e renais (SCHIMMING; 
PINTO E SILVA, 2012). 
Existem diferentes protocolos de administração e dosagens de acordo 
com diferentes autores. Estão descritos abaixo. 
41 
 
Quadro 6 – Diferentes protocolos terapêuticos com o Antimoniato de Meglumina. 
Dose 
Via de 
Aplicação 
Duração 
Taxa de 
remissão dos 
sinais 
Taxa de 
recidiva 
Referencia 
 
150 mg/kg 
SID 
 
SC ou IM 
 
10 dias 
Pausa de 7 a 
10 dias 
Repete mais 
10 dias 
 
Não 
determinada 
 
75% 
 
Fayet, 2000 apud 
Pinhão, 2009 
 
100 mg/kg 
SID 
 
SC 
 
3 a 4 
semanas 
 
 
50 a 100% 
 
70% 
 
 
Bourdoiseau, 2006 
apud Pinhão, 2009 
 
50 mg/kg 
BID 
 
SC 
 
Séries de 10 
dias ou por 30 
dias 
 
Não 
determinada 
 
Não 
determinada 
 
Valladares, 
Alberola, Esteban e 
Arboix, 1996, 
Denerolle e 
Bourdoiseau, 1999, 
Ciaramella e 
Corona, 2003 apud 
Pinhão, 2009 
 
75 mg/kg 
BID 
 
SC 
 
21 a 30 dias 
podendo 
prolongar por 
mais 30 dias 
 
Não 
determinada 
 
Não 
determinada 
 
Baneth e Shaw, 
2002 e López, 
2007 apud Pinhão, 
2009; 
Ribeiro e Michalik, 
2001 apud 
SCHIMMING; Pinto 
e Silva, 2012 
 
Fonte: A autora. 
 
 
1.10.2. Miltefosina 
 
 
A Miltefosina é um fármaco leishmanicida que age provocando alterações 
no metabolismo lipídico e inibição da função mitocondrial dos parasitos, ainda 
estimula a resposta dos macrófagos e induz a apoptose (THE MEDICAL LETTER, 
2014). 
A medicação já é utilizada em humanos a mais tempo (Impavido ®, 
Zentaris) e desde 2007, existe uma formulação especifica veterinária (Milteforan ®, 
Virbac) (PINHÃO, 2009). 
 Tem uma eficácia muito similar ao Antimoniato de Meglumina tanto em 
humanos (PINHÃO, 2009) como em cães (MARQUES, 2008). Sua grande vantagem 
42 
 
é de ser administrada via oral, portanto pode ser ministrado pelos proprietários com 
os devidos cuidados de usar luvas à manipulação, evitar contato com mucosas e 
mulheres grávidas (PINHÃO, 2009). 
A excreção da Miltefosina não é renal, por isso pode ser utilizada nos 
pacientes nefropatas. A droga tem alto potencial teratogênico, portanto não deve ser 
administrada em cadelas prenhes ou lactantes. Os principais efeitos colaterais são 
gastrointestinais, como vômito, diarreia e anorexia, por isso deve ser administrado 
junto às refeições na dose de 2 a 3 mg/kg/dia por 28 dias consecutivos (MARQUES, 
2008; PINHÃO, 2009). 
 
 
1.10.3. Anfotericina B 
 
 
A Anfotericina B é uma droga antifúngica com ação contra alguns 
protozoários inclusive a Leishmania sp.. Ela age alterando a permeabilidade da 
membrana dos parasitos e leva a morte celular por plasmólise (MARQUES, 2008; 
PINHÃO,2009). 
A droga é raramente utilizada em cães e mais usada em humanos como 
segunda opção, pois é extremamente nefrotóxica e tem como efeitos anafilaxia, 
trombocitopenia, anemia, dor generalizada, febre e convulsões (MARQUES, 2008; 
PINHÃO, 2009). 
Deve ser administrada por via endovenosa lenta (5 a 10 minutos) diluída 
em soro glicosado (10 a 20 mL) na dose de 0,5 a 0,8 mg/kg a cada três dias até 
atingir uma dose total de 8 a 10 mg/kg (MARQUES, 2008). 
 
 
 
 
 
43 
 
1.10.4. Anfotericina B Lipossomal 
 
 
Com o objetivo de reduzir os efeitos secundários da Anfotericina B, a 
droga foi reformulada e incorporada a lipossomas. O componente lipídico do 
composto permite um melhor direcionamento do medicamento para o local da 
infecção e diminui seus efeitos tóxicos (MARQUES, 2008; PINHÃO, 2009). 
A Anfotericina B Lipossomal é a primeira droga de escolha para o 
tratamento da Leishmaniose Visceral humana na Europa (PINHÃO, 2009) e nos 
Estados Unidos (THE MEDICAL LETTER, 2014). Devido ao alto custo, seu uso é 
praticamente restrito a humanos (MARQUES, 2008; PINHÃO, 2009). 
 
 
1.10.5. Alopurinol 
 
 
O Alopurinol é um fármaco análogo das purinas com ação 
leishmaniostática. Ele tem a capacidade de se ligar ao RNA do parasito impedindo 
sua multiplicação (MARQUES, 2008; PINHÃO, 2009). 
É uma medicação de fácil acesso e barata, administrada por via oral na 
dose entre 10 a 30 mg/kg, uma a duas vezes ao dia com duração indeterminada 
(MARQUES, 2008). Segundo Ciaramella e Corona (2003 apud PINHÃO, 2009), 
estudos demonstram que o Alopurinol não é eficaz quando usado como droga única, 
devendo ser usado em associação com outros fármacos. 
O Alopurinol é muito utilizado para conter as recidivas, por isso deve ser 
mantido por pelo menos seis a 12 meses após o término do tratamento com 
Antimonial ou Miltefosina (SOLANO-GALLEGO et al., 2009). Segundo Solano-
Gallego et al. (2009), os critérios para se interromper o tratamento com o Alopurinol 
são: recuperação total do paciente avaliado por exame físico completo, hemograma, 
painel bioquímico e urinálise; e diminuição considerável nos níveis de anticorpos 
chegando a estar negativos ou positivos border line em uma avaliação quantitativa. 
44 
 
O autor ainda ressalta que alguns animais muito susceptíveis nunca chegam ao 
ponto de parar com o Alopurinol, porem outros não necessitam de um tratamento tão 
prolongado. 
Embora de baixa toxicidade, alguns efeitos podem ser observados, como 
hipertermia, leucopenia, distúrbios cutâneos e leve aumento da ALT (SCHIMMING; 
PINTO E SILVA, 2012). Também pode ocasionar xantinúria e formação de urólitos 
de xantina, por isso a função renal e hepática devem ser sempre avaliadas 
(PINHÃO, 2009). 
 
 
1.10.6. Outros Fármacos 
 
 
Entre outras medicações utilizadas para a Leishmaniose ainda estão 
listadas a Pentamidina, Aminosidina, Marbofloxacina e Metronidazol associado à 
Espiramicina. 
A Pentamidina é uma droga utilizada para, além da Leishmaniose, 
Pneumocitose, Babesiose e Tripanossomíase (MARQUES, 2008). É muito eficaz, 
mas tem diversos efeitos adversos como edema e inflamação no local de aplicação, 
hipotensão, hipoglicemia, destruição hepática irreversível e nefrotoxicidade 
(PINHÃO, 2009). A via de aplicação é intramuscular e, segundo Ferrer (2008 apud 
MARQUES, 2008), a dose recomendada é de 4 mg/kg a cada 12 horas por uma 
semana. Já Pinhão (2009) recomenda a dose de 4 mg/kg uma a três vezes por 
semana por no mínimo seis semanas. 
A Aminosidina é um aminoglicosídeo que atua no bloqueio da síntese 
proteica e altera a permeabilidade da membrana celular do parasito. Apresenta nefro 
e ototoxicidade e para uma dosagem eficaz recomenda-se 40 mg/kg/dia via 
intramuscular com um período de remissão dos sintomas por até quatro anos 
(PINHÃO, 2009). 
A Marbofloxacina é uma fluorquinolona com ação antibacteriana, 
anticancerígena e antiparasitária. Sua eficácia foi comprovada em formas 
45 
 
promastigotas e em macrófagos com formas amastigotas intracelulares in vitro. É 
uma droga muito promissora para o tratamento da Leishmaniose, visto que é 
administrada por via oral uma vez ao dia. Porem mais estudos são necessários para 
comprovar sua ação em animais naturalmente infectados (MARQUES, 2008). 
O uso da associação Metronidazol e Espiramicina (Stomorgyl ®, Merial) 
tem demonstrado bons resultados nos estudos realizados. A dose recomendada é 
de 25 mg/kg de Metronidazol e 150.000 UI/kg de Espiramicina ao dia por via oral por 
três meses. Pode ser uma boa opção terapêutica para animais intolerantes ao 
tratamento convencional (PINHÃO, 2009). 
 
 
1.10.7. Imunoterapia 
 
 
A imunoterapia é uma alternativa extremamente atraente para o 
tratamento da LVC. Atualmente as drogas disponíveis para tratamento são tóxicas, 
de alto custo e não promovem a cura total da doença. Além disso, pode haver 
resistência primária aos fármacos ou indução de resistência posterior para o 
tratamento da doença em humanos, por isso a OMS não recomenda o uso de 
drogas humanas para o tratamento de cães (TRIGO et al., 2010; ROATT et al., 
2014). 
Novas estratégias de tratamento vêm sendo estudadas juntamente com o 
desenvolvimento de vacinas. Em 2002, Guarga et al. (2002 apud ROATT et al., 
2014) avaliaram a eficácia de um protocolo de imunoquimioterapia para o tratamento 
de cães naturalmente infectados com L. infantum. Foi utilizado protocolo com 
Antimoniato de Meglumina associado à aplicação de solução antigênica de L. 
infantum. Os resultados foram favoráveis e demonstraram aumento na proporção de 
linfócitos T e redução da infecção do mosquito Phlebotomus perniciosus após o 
tratamento. 
Vários estudos têm sido realizados com a vacina feita a partir de um 
antígeno de fucose mannose ligan (FML) + saponina (Leishmune®, Zoetis) como 
imunoterápico. Borja-Cabrera et al. (2004, 2010) e Santos et al. (2007) utilizaram em 
46 
 
seus estudos 1,5 mg de FML associado à 1 mg de saponina (ao invés de 0,5 mg de 
saponina, como o produto é fabricado) sob o nome de Leishmune® enriquecida. A 
vacina foi administrada em três doses com intervalos de 20 a 30 dias entre elas. 
Borja-Cabrera et al. (2004) aplicaram as vacinas nos cães soropositivos para FML 
porem ainda assintomáticos. Os cães foram acompanhados por 22 meses e durante 
esse período não houveram óbitos (em contraste de 37% de óbito no grupo não 
tratado) e 90% dos animais permaneceram assintomáticos e livres do parasito. 
Já Santos et al. (2007) trabalharam com animais experimentalmente 
infectados e só iniciaram a aplicação das vacinas seis meses após a infecção, 
quando já haviam sinais clínicos. Nos resultados, os animais tratados apresentaram 
maiores níveis de IgG anti-FML, menores escores de sintomas clínicos e maiores 
níveis de linfócitos TCD4+ quando comparado ao grupo controle. 
Borja-Cabrera et al. (2010) compararam um grupo de cães com 
Leishmaniose tratados somente com Leishmune® enriquecida e outro com a 
associação de Alopurinol ou Anfotericina B e Alopurinol. Os resultados mostraram 
que a imunoterapia promoveu a redução dos sinais clínicos e da carga parasitária. 
Contudo, a imunoquimioterapia não apenas diminuiu estas taxas como negativou a 
PCR de aspirado de linfonodos em 80% dos animais, mostrando-se ainda mais 
eficaz. 
Miret et al. (2008 apud ROATT et al., 2014) realizaram outro estudo com 
imunoquimioterapia utilizando a vacina Leish-110f® + MPL-SE® (emulsão estável de 
monofosforil lipídio A) em associação com Glucantime® (Antimoniato de 
Meglumina) e mostrou que nos cães sintomáticos houve melhora dos parâmetros 
clínicos, redução do númerode animais parasita-positivos e redução do número de 
mortes quando comparado ao grupo controle, no qual foi utilizado somente 
adjuvante ou placebo. 
Trigo et al. (2010) fez um experimento com a vacina Leish-111f® + MPL-
SE® comparando a imunoterapia com aplicações semanais por quatro semanas, o 
tratamento quimioterápico com Glucantime® (Antimoniato de Meglumina) por 30 
dias, e a imunoquimioterapia, somando-se os dois primeiros protocolos. Após 36 
meses de acompanhamento, obteve-se a cura clínica em 75% dos animais do grupo 
tratado somente com as vacinas, comparado a 64% e 50% de cura no grupo vacinas 
associado ao Glucantime® e somente Glucantime®, respectivamente. 
47 
 
Além das vacinas, onde o próprio antígeno é inoculado no animal, 
imunomoduladores vem sendo estudados e também podem ser utilizados. Santiago 
et al. (2013) testaram um imunomodulador chamado fosfolinoleato-palmitoleato de 
magnésio e amônio proteico (P-MAPA). Este é um composto obtido através da 
fermentação do fungo Aspergillus oryzae. Estudos já comprovaram que o composto 
não é tóxico em roedores, cães e humanos, e que em murinos, induz a proliferação 
de linfócitos T, aumenta a produção de citosinas e a atividade das células natural 
killers. No estudo realizado com cães com Leishmaniose sintomática, o grupo 
tratado com o P-MAPA apresentou aumento dos linfócitos TCD8+, IL-2 e IFN- e 
diminuição dos níveis de IL-10, resultando em melhora dos sinais clínicos e redução 
do parasitismo da pele. 
Diante dos resultados apresentados deve-se considerar o tratamento dos 
cães com Leishmaniose com imuno/imunoquimioterapia, pois através da diminuição 
do parasitismo é possível bloquear o ciclo de transmissão da doença (ROATT et al. 
2014). 
 
 
1.11. Controle e Profilaxia 
 
 
Segundo Pinhão (2009) a única maneira de prevenir a Leishmaniose é 
evitar a picada do mosquito vetor da doença. Para tal, é necessário adotar métodos 
químicos e de manejo, que em conjunto irão diminuir o risco de transmissão da 
doença. 
 
 
1.11.1. Direcionado ao vetor 
 
 
O controle do mosquito flebótomo pode ser laborioso. É indicada a 
aplicação de inseticidas com ação residual nas áreas peridomésticas e canis, como 
48 
 
a deltametrina e cipermetrina, a cada seis meses. Cuidados de limpeza do ambiente 
também devem ser tomados, evitando o acúmulo de matéria orgânica e diminuindo 
o micro-habitat favorável ao mosquito (SCHIMMING; PINTO e SILVA, 2012). 
A colocação de telas finas nas casas e nos canis também é uma medida 
que deve ser tomada nas áreas endêmicas (MARQUES, 2008; GONÇALVES et al., 
2013). 
 
 
1.11.2. Direcionado aos cães 
 
 
As ações preventivas que podem ser realizadas com relação aos 
canídeos incluem a imunoprofilaxia, detalhada mais à frente; a utilização de 
inseticidas tópicos em formas de coleiras, pipetas ou sprays; e a erradicação 
(eutanásia) de animais soropositivos (MARQUES, 2008). 
A eutanásia dos cães soropositivos, apesar de ser recomendada pela 
OMS, é uma medida controversa no meio científico. Inúmeros estudos publicados 
demonstram que a erradicação dos cães infectados tem um baixo impacto no 
controle da Leishmaniose humana (MARQUES, 2008; BARRICHELO, 2010; 
SCHIMMING; PINTO e SILVA, 2012; PALATNIK-DE-SOUZA, 2012; FERNANDES, 
2013; GONÇALVES et al., 2013). A ineficiência desta medida de controle deve-se a 
reposição dos animais: os cães eutanasiados são prontamente substituídos por 
outros susceptíveis, contribuindo para a manutenção da doença (BARRICHELO, 
2010; FERNANDES, 2013). 
A utilização de coleiras impregnadas com deltametrina (Scalibor ®) tem 
demonstrado bons resultados. Pinhão (2009) alega que além de reduzir a taxa de 
alimentação do flebótomo, reduz também o seu tempo de vida. Marques (2008) 
afirma que a incidência de Leishmaniose em cães que usaram a coleira é de 2,5% 
com redução do risco de infecção em 84%. David et al. (2001 apud GONÇALVES et 
al., 2003) analisaram o impacto do encoleiramento dos cães em Fortaleza (CE) e 
obteve resultados muito satisfatórios, atingindo 90 a 100% de redução do repasto 
dos mosquitos por até 36 semanas. 
49 
 
O encoleiramento em massa pode ser de grande importância no controle 
desta doença, pois produz o efeito rebanho e reduz a força de infecção da doença 
(SCHIMMING; PINTO e SILVA, 2012). 
Através de simulações matemáticas, autores constataram que o uso da 
coleira em grande escala é mais efetivo no controle da doença quando comparado a 
eutanásia dos cães positivos em áreas endêmicas e menos efetivo em locais com 
menos casos (PALATNIK-DE-SOUZA, 2012; GONÇALVES, et al., 2013). 
O uso da Permetrina em associação ao Imidaclopride a 10% 
(Advantage®, Bayer), em pipeta spot on, também se mostrou muito eficaz no 
controle da Leishmaniose. Otranto et al. (2007 apud MARQUES, 2008) realizaram 
estudos com este produto, que demonstrou 90,36% de proteção dos cães contra o 
flebotomídeo se aplicado mensalmente e entre 90,73 e 100% quando aplicado 
quinzenalmente. 
Além dos inseticidas tópicos, é recomendado nas áreas endêmicas que 
os animais não fiquem expostos e evitar passeios ao entardecer e a noite, pois são 
os horários de maior atividade dos flebotomídeos (SOLANO-GALLEGO, 2009; 
SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012). 
 
 
1.11.3. Imunoprofilaxia 
 
 
O desenvolvimento de vacinas eficientes no controle da Leishmaniose 
torna-se cada vez mais importante no contexto da doença, no qual o tratamento não 
é efetivo e em alguns países, como no Brasil, ainda se realiza a eutanásia em 
grande escala de cães soropositivos (SCHIMMING; PINTO E SILVA, 2012; 
FERNANDES, 2013). 
Após décadas de tentativas de produzir uma vacina segura e eficaz, hoje 
existem inúmeros relatos sendo reportados de vacinas caninas em testes no mundo 
todo (SOLANO-GALLEGO et al., 2009; FERNANDES; 2013). 
50 
 
As vacinas podem ser de primeira geração, com vírus morto ou vivo 
inativado; segunda geração, feitas a partir de antígenos purificados ou 
recombinantes; ou de terceira geração feitas com DNA (MARQUES, 2008; 
BARRICHELO, 2010; FERNANDES, 2013). Atualmente as vacinas para humanos 
estão todas em testes, e para os cães, as vacinas que são comercializadas são as 
de segunda geração. 
Para o desenvolvimento de uma vacina devem-se cumprir algumas fases 
de experimentação recomendadas pela OMS. Na fase I são feitos testes quanto à 
segurança da vacina; na fase II é determinada a imunogenicidade e os indivíduos 
são submetidos a um desafio experimental; na fase III realizam-se estudos a campo, 
randomizados, mascarados e controlados, a fim de comprovar a eficácia vacinal; e 
na fase IV faz-se a vigilância e pesquisa pós-registro do produto (BARRICHELO, 
2010; FERNANDES, 2013). 
Das muitas vacinas em estudo, apenas duas vacinas concluíram o estudo 
da fase III: a FML, desenvolvida no Rio de Janeiro, e a LiESAp, desenvolvida no sul 
da França (BARRICHELO, 2010; PALATNIK-DE-SOUZA, 2012). Atualmente 
nenhuma destas vacinas está disponível comercialmente. 
O Brasil foi o primeiro país do mundo a comercializar vacinas contra 
Leishmaniose. A vacina composta por uma fração purificada denominada fucose 
mannose ligan (FML) e pelo adjuvante saponina QS21, sob o nome de Leishmune® 
(Zoetis) foi registrada no Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) em 2003 
e obteve sua licença definitiva em 2011 (BARRICHELO, 2010; PALATNIK-DE-
SOUZA, 2012; FERNANDES, 2013). Utilizada no país por veterinários desde 2004, 
a vacina teve sua fabricação e comercialização temporariamente suspensa pelo 
MAPA em novembro de 2014 (MAPA, 2014). 
A Leishmune® provou ser uma vacina segura e altamente imunogênicapara os cães. Em seus estudos da fase III demonstrou eficácia de 80% e proteção 
de 95% com duração de até três anos e meio. Ao mesmo tempo, demonstrou 
redução na incidência de Leishmaniose humana na área de estudo (BORJA-
CABRERA et al., 2008). 
Esta vacina também demonstrou uma capacidade de bloquear a 
transmissão da doença, pois inibe as formas amastigotas de se ligarem ao sistema 
51 
 
digestivo do mosquito vetor, impedindo que se complete o seu ciclo (SARAIVA et al., 
2006 apud FERNANDES, 2013). 
A outra vacina que atingiu a fase III foi a LiESAp, composta por proteína 
excretada 54-kDa de L. infantum e muramil dipeptídeo (MDP) como adjuvante. Ela 
alcançou uma taxa de 92% em eficácia vacinal, porem não está comercialmente 
disponível nesta formulação. Outra fórmula relacionada à esta foi registrada e 
licenciada na Europa em 2011 sob o nome de CaniLeish® (Virbac), composta por 
proteínas excretadas-secretadas da L. infantum (LiESP) e saponina QA21como 
adjuvante, diferente dos estudos publicados com MDP (PALATNIK-DE-SOUZA, 
2012; FERNANDES, 2013). 
Por fim, ainda há uma vacina disponível comercialmente no Brasil, a 
Leish-Tec® (Hertape-Calier), que foi registrada no MAPA em 2008. É uma vacina 
recombinante constituída pelo antígeno da proteína A2 e tem como adjuvante a 
saponina. A vacina foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de 
Minas Gerais (UFMG) e ainda está em estudo, não tendo a fase III publicada 
(PALATNIK-DE-SOUZA, 2012; FERNANDES, 2013). 
Fernandes (2013) cita um estudo duplo cego com esta vacina com 1.650 
cães vacinados e acompanhados por um ano, sendo que 90% permaneceram não 
infectados, demonstrando uma eficácia vacinal de 71%. 
Deve-se levar em consideração que a eficácia vacinal também pode 
variar de acordo o ambiente, idade do indivíduo, condições sanitárias da população, 
densidade populacional, prevalência de infecções e principalmente abrangência da 
vacinação, que deve ser maior de 95% para um bom resultado (BARRICHELO, 
2010). 
Para a vacinação, é recomendado realizar o exame sorológico antes para 
comprovação da negatividade e então realizar três aplicações com intervalo de 21 
dias entre elas, e revacinação anual. 
Atualmente há uma grande resistência por parte do governo em utilizar as 
vacinas como método de controle da doença. A pesar de comprovada a eficácia das 
vacinas, o seu uso não é indicado pelo Ministério da Saúde, pois, segundo o órgão, 
são necessários mais estudos que comprovem a segurança e benefício para a 
saúde pública (BRASIL, 2013). 
52 
 
O alto custo das vacinas e a falsa ideia de que não é possível a 
diferenciação sorológica entre cães vacinados e cães infectados talvez sejam os 
principais motivos pelos quais a vacina não é utilizada em larga escala. Grecco, 
Madi e Alegretti (2009) demonstraram negatividade sorológica em 87,1% e 97,4% de 
cães vacinados com Leishmune® nos testes ELISA e RIFI L. major like, 
respectivamente. Apenas o teste ELISA FML, que utiliza a mesma proteína da 
vacina, é que não foi capaz de diferenciar os vacinados dos infectados, porem este 
não é um teste padrão. 
Conclui-se assim, que a vacinação tem alto poder imunogênico 
protegendo o animal da doença, diminui a transmissibilidade e infectividade e pode-
se diferenciar sorologicamente cães vacinados de cães infectados, mostrando-se 
uma ótima ferramenta para controle da doença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
2. RELATO DE CASO 
 
 
2.1. Anamnese e Exame Clínico 
 
 
Na cidade de Curitiba (PR), um cão de nome Nina, daschund, fêmea, 10 
meses de idade, pesando 4,1 kg foi levado ao consultório particular com queixa de 
apatia leve, hiporexia e rarefação pilosa generalizada. Seis meses antes o animal 
havia sido diagnosticado e tratado com sucesso para demodiciose (Figura 11). 
 
 
 
Figura 11 – Cão, daschund, fêmea, 4 meses de nome Nina 
diagnosticada com Demodiciose. 
Fonte Arquivo pessoal (2012). 
 
 
Na anamnese, o proprietário relatou que viajou com o animal para 
Araguaína (Tocantins) e lá permaneceu por dois meses. Foi no final deste período 
54 
 
que o animal entrou em cio e apresentou falta de apetite e lesões na pele. A 
consulta foi realizada dois dias após o retorno da viagem e 13 dias após o início do 
cio, segundo o proprietário. 
Ao exame clínico observou-se mucosas hipocoradas, TPC três segundos, 
temperatura retal de 38,5ºC, desidratação leve, pulso forte e baixo escore corporal. 
Os linfonodos encontravam-se normais à palpação, nível de consciência alerta e 
postura e marcha normais. 
À inspeção direta da pele foi evidenciada rarefação pilosa e descamação 
furfurácea generalizada (Figura 12). 
 
 
 
Figura 12 – Cão, daschund, fêmea, 10 meses, de 
nome Nina, diagnosticada com Leishmaniose, 
apresentando rarefação pilosa generalizada e 
baixo escore corporal. 
Fonte Arquivo pessoal (2013). 
 
 
 
 
55 
 
2.2. Exames Complementares 
 
 
2.2.1. Pesquisa direta de ectoparasitos 
 
 
Cinco raspados cutâneos foram realizados para a pesquisa de 
ectoparasitas, todos com resultado negativo. 
 
 
2.2.2. Hemograma 
 
 
No eritrograma foi evidenciado moderada anemia microcítica 
normocrômica e no leucograma foi observada leucopenia por neutropenia 
eosinopenia e monocitopenia associado a hiperproteinemia. As plaquetas estavam 
no limite inferior. Os valores são mostrados na Tabela 1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
 
 
 Tabela 1 – Valores obtidos no hemograma da paciente Nina, canina, fêmea, 10 meses, 
 diagnosticada com Leishmaniose. 
Parâmetros Resultados Referências 
ERITROGRAMA 
Eritrócitos (milhões/µL) 4,83 5,5 a 8,5 
Hemoglobina (g/dL) 9,3 12 a 18 
Hematócrito (%) 28 37 a 55 
VCM (u³) 57,97 60 a 77 
CHCM (%) 33,21 32 a 36 
OBS. Rouleaux eritrocitário + 
LEUCOGRAMA 
Leucócitos (/mm³) 5.340 6.000 a 17.000 
Neutrófilos (/mm³) 2.830,20 3.000 a 11.800 
Metamielócitos (/mm³) 0 0 
Bastonetes (/mm³) 0 0 a 300 
Segmentados (/mm³) 2.830,20 3.000 a 11.500 
Eosinófilos (/mm³) 53,4 100 a 1.250 
Basófilos (/mm³) 0 Raros 
Linfócitos (/mm³) 2.456,40 100 a 4.800 
Monócitos (/mm³) 0 100 a 1.250 
OBS. Leucócitos degenerados 
Plaquetas (/mm³) 154.430 150.000 a 400.000 
Proteína Plasmática (g/dL) 12,0 5,8 a 7,8 
 Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Bruss (1997). 
 
 
2.2.3. Avaliação bioquímica sérica 
 
 
A Tabela 2 mostra os exames bioquímicos realizados. Todos os 
resultados encontravam-se dentro da normalidade. 
 
 
 
 
57 
 
 
 Tabela 2 – Valores obtidos na avaliação bioquímica sérica da paciente Nina, 
 canina, fêmea, 10 meses, diagnosticada com Leishmaniose. 
Parâmetros Resultados Referências 
ALT (UI/L) 10,3 0 a 102 
Creatinina (mg/dL) 0,8 0,5 a 1,5 
Fosfatase Alcalina (UI/L) 54,6 0 a 156 
Glicose (mg/dL) 104 65 a 118 
Uréia (mg/dL) 30,5 21 a 60 
 Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Bruss (1997). 
 
 
2.2.4. Pesquisa de hemoparasitas 
 
 
Diante do resultado apresentado no hemograma, foi realizado esfregaço 
sanguíneo de sangue periférico coletado de borda de orelha para a pesquisa de 
hemoparasitas. O resultado foi negativo. 
 
 
2.2.5. Sorologia para Leishmaniose (RIFI/ELISA) 
 
 
A sorologia para Leishmaniose foi realizada através dos testes padrão 
ELISA e RIFI. Os dois testes não foram reagentes neste primeiro momento, 
indicando a ausência de anticorposanti-leishmania. 
 
 
 
 
 
58 
 
2.3. Evolução do caso 
 
 
Foi instituído tratamento com Doxiciclina via oral (50 mg/Kg) a cada 12 
horas e complexo vitamínico aminoácido suplementar (Glicopan®). O animal foi 
acompanhado e novos hemogramas foram realizados com intervalo de sete e 45 
dias do primeiro, sem grandes alterações, como pode se visualizar na Tabela 3. 
 
 
 Tabela 3 – Valores obtidos no hemograma da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada com 
 Leishmaniose após 7 e 45 dias do seu primeiro atendimento. 
Parâmetros 7 dias 45 dias Referências 
ERITROGRAMA 
Eritrócitos (milhões/µL) 4,64 5.64 5,5 a 8,5 
Hemoglobina (g/dL) 8,3 9.3 12 a 18 
Hematócrito (%) 26 31 37 a 55 
VCM (u³) 56,03 54.96 60 a 77 
CHCM (%) 31,92 30 32 a 36 
OBS. Poiquilocitose + 
Poiquilocitose + 
Rouleaux 
eritrocitário ++ 
LEUCOGRAMA 
Leucócitos (/mm³) 5.090 5.800 6.000 a 17.000 
Neutrófilos (/mm³) 3.563 4.060 3.000 a 11.800 
Metamielócitos (/mm³) 0 0 0 
Bastonetes (/mm³) 50,9 0 0 a 300 
Segmentados (/mm³) 3512,1 4.060 3.000 a 11.500 
Eosinófilos (/mm³) 0 0 100 a 1.250 
Basófilos (/mm³) 0 0 Raros 
Linfócitos (/mm³) 1.527 1.682 100 a 4.800 
Monócitos (/mm³) 0 58 100 a 1.250 
Plaquetas (/mm³) 180.000 250.000 150.000 a 400.000 
Proteína Plasmática (g/dL) 11,6 11 5,8 a 7,8 
Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Bruss (1997). 
 
 
Durante o período de 60 dias após o primeiro atendimento, o quadro 
clínico sofreu algumas alterações. As áreas alopécicas e rarefeitas aumentaram, 
59 
 
especialmente na região da cabeça, cauda e patas. O animal ficou menos hiporético 
e mais ativo, mesmo apresentando hipertermia (que variou de 39,5ºC a 40,5ºC) e 
linfoadenomegalia. Também houve um episodio de diarreia com sangue vivo, 
blefarite e conjuntivite. 
Optou-se pela realização de uma biópsia de pele e outros exames para 
diagnóstico. 
 
 
2.4. Exames diagnósticos 
 
 
2.4.1. Histopatológico de pele 
 
 
A análise histopatológica da pele revelou hiperplasia regular discreta na 
epiderme com dilatação de óstios foliculares. Havia presença de infiltrado 
inflamatório rico em plasmócitos, linfócitos e histiócitos na derme superficial e média, 
assim como alguns focos de infiltração piogranulomatosa (neutrófilos e macrófagos). 
Os folículos pilosos se apresentaram com hiperqueratose leve a moderada. Não 
foram evidenciados parasitos foliculares ou sinais de displasia folicular ou pigmentar. 
Foram visualizados alguns raros organismos morfologicamente compatíveis com a 
forma amastigota da Leishmania sp. em espaço extracelular e intracelular em 
macrófagos. 
A conclusão do histopatológico foi Dermatite Linfohistioplasmocitária em 
padrão perivascular e perianexal com obliteração das glândulas sebáceas e 
presença de organismos morfologicamente compatíveis com a forma amastigota da 
Leishmania sp. (Leishmaniose). 
 
 
 
60 
 
2.4.2. Sorologia para Leishmaniose (RIFI/ELISA) 
 
 
Uma segunda sorologia para Leishmaniose foi realizada três meses após 
a primeira. Os exames padrão ELISA e RIFI foram utilizados e neste segundo 
momento foram reagentes indicando a presença de anticorpos anti-leishmania. 
 
 
2.4.3. PCR para Leishmaniose 
 
 
Um exame de PCR de amostra de sangue foi solicitado juntamente com a 
sorologia e foi positivo, indicando a presença do parasita na corrente sanguínea. 
 
 
2.4.4. Citologia de linfonodo 
 
 
Foi realizada punção aspirativa de linfonodo poplíteo para citologia, porem 
o resultado foi inconclusivo devido à baixa celularidade de material de linfonodo 
coletado e a alta quantidade de gordura observada na lâmina. 
 
 
 
 
 
 
 
61 
 
2.5. Tratamento instituído 
 
 
Foi instituído um protocolo imunoterápico com três doses duplas da 
vacina Leishmune® aplicadas a cada 21 dias e com reforço semestral e quatro 
meses depois foi associado o Alopurinol 20 mg/kg a cada 12 horas. 
Além disso, foram dadas instruções aos proprietários sobre a importância 
da doença e o seu controle, orientando para que o animal não viaje para áreas 
endêmicas e sempre utilize a coleira de deltametrina e pour on repelentes de 
mosquito. 
 
 
2.6. Monitoramento da paciente 
 
 
O animal evoluiu lenta e satisfatoriamente com o tratamento instituído. 
Após o quarto mês de tratamento a paciente já havia repilado boa parte do corpo 
permanecendo apenas com alopecia na cauda, na região periocular e blefarite 
(Figura 13). Neste mesmo período o animal já havia recuperado o apetite, porem os 
linfonodos permaneciam levemente aumentados, temperatura retal em torno de 
39,8ºC e mucosas hipocoradas. 
 
62 
 
 
Figura 13 – Cão, daschund, fêmea, 10 meses, de 
nome Nina, diagnosticada com Leishmaniose, 
apresentando rarefação pilosa periocular e blefarite. 
Fonte: Arquivo pessoal (2013). 
 
 
No oitavo mês de tratamento o animal estava totalmente repilado, porem 
todos os sinais desapareceram somente após um ano. 
Foram realizados exames de hemograma, bioquímicos e citologia da 
medula para monitoramento da paciente. 
 
 
2.6.1. Exames laboratoriais 
 
 
Nos primeiros seis meses foi realizado hemograma mensalmente. Todos 
os exames apontaram anemia (microcítica variando de hipocrômica a 
normocrômica), plaquetas no limite inferior e aumento das proteínas plasmáticas. 
Neste período o hematócrito variou entre 22% e 33%, os leucócitos totais de 
2.200/mm³ a 9.500/mm³, as plaquetas de 125.000/mm³, a 278.000/mm³ e a 
proteína plasmática de 7,6 g/dL a 12,2 g/dL (Tabela 4). 
 
63 
 
 
Tabela 4 – Valores dos exames de hemograma mensais realizados no ano de 2013 após confirmação 
 do diagnóstico de Leishmaniose na paciente Nina, canina, fêmea. Os parâmetros eu se 
 encontram abaixo das referencias se encontram em negrito. 
Parâmetros 
Resultados em: 
Referências 
Jul/13 Ago/13 Set/13 Out/13 Nov/13 
ERITROGRAMA 
 Eritrócitos (milhões/µL) 4,45 4,75 3,33 4,00 5,54 5,5 a 8,5 
Hemoglobina (g/dL) 8,1 9,2 6,8 7,0 10,7 12 a 18 
Hematócrito (%) 25 27 23 22 33 37 a 55 
VCM (u³) 56,18 56,84 69,69 55,00 59,57 60 a 77 
CHCM (%) 32,4 34,07 29,56 31,82 32,42 32 a 36 
LEUCOGRAMA 
Leucócitos (/mm³) 8.600 7.000 6.300 2.200 9.500 6.000 a 17.000 
Neutrófilos (/mm³) 6.622 4.900 3.843 1.584 6.935 3.000 a 11.800 
Metamielócitos (/mm³) 0 0 0 0 0 0 
Bastonetes (/mm³) 0 0 441 66 0 0 a 300 
Segmentados (/mm³) 6.622 4.900 3.402 1.518 6.935 3.000 a 11.500 
Eosinófilos (/mm³) 172 120 0 22 95 100 a 1.250 
Basófilos (/mm³) 0 0 0 0 0 Raros 
Linfócitos (/mm³) 1.806 1.960 2.142 594 2.470 100 a 4.800 
Monócitos (/mm³) 0 0 315 0 0 100 a 1.250 
Plaquetas (/mm³) 200.100 168.400 125.000 188.000 278.000 150.000 a 400.000 
Prot. Plasmática (g/dL) 7,6 12,2 9,8 12,0 10,2 5,5 a 7,8 
Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Bruss (1997). 
 
 
Após seis meses de tratamento, o hemograma passou a ser realizado a 
cada três/quatro meses. Neste segundo momento observou-se leve aumento geral 
dos leucócitos, que variaram de 4.300/mm³ a 13.670/mm³. A anemia, agora 
normocítica normocrômica persistiu nestes exames, assim como a alta proteína 
plasmática e plaquetas no limite inferior. Os valores podem ser observados na 
Tabela 5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
 
 
Tabela 5 – Valores dos exames de hemograma realizados no ano de 2014 após confirmação do 
 diagnóstico de Leishmaniose na paciente Nina, canina, fêmea. 
Parâmetros 
Resultados em: 
Referências 
Jan/14 Mar/14 Jun/14Jul/14 Dez/14 
ERITROGRAMA 
 Eritrócitos (milhões/µL) 6,88 4,52 3,59 3,48 5,99 5,5 a 8,5 
Hemoglobina (g/dL) 16,0 10,7 8,2 7,8 12,4 12 a 18 
Hematócrito (%) 46 27 23 27 36 37 a 55 
VCM (u³) 67,65 59,73 64,07 79,41 59,93 60 a 77 
CHCM (%) 34,68 39,63 35,65 28,89 34,54 32 a 36 
LEUCOGRAMA 
Leucócitos (/mm³) 4.300 5.090 13.670 8.100 5.100 6.000 a 17.000 
Neutrófilos (/mm³) 2.322 3.716 10.526 4.374 2.499 3.000 a 11.800 
Metamielócitos (/mm³) 0 0 0 0 0 0 
Bastonetes (/mm³) 172 0 0 162 153 0 a 300 
Segmentados (/mm³) 2.150 3.716 10.526 4.212 2.346 3.000 a 11.500 
Eosinófilos (/mm³) 0 0 136,7 0 0 100 a 1.250 
Basófilos (/mm³) 0 0 0 0 0 Raros 
Linfócitos (/mm³) 1.677 1.323 3.007 3.159 2.601 100 a 4.800 
Monócitos (/mm³) 301 50,9 0 567 0 100 a 1.250 
Plaquetas (/mm³) 160.000 204.000 192.000 x 152.000 150.000 a 400.000 
Prot. Plasmática (g/dL) 8,6 10,0 11,0 11,8 9,0 5,8 a 7.8 
Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Brass (1997). 
 
 
 
Os Gráficos 2, 3, 4 e 5 mostram a variação do eritrograma, leucograma, 
plaquetas e proteínas plasmáticas, respectivamente, de acordo com o tempo (meses 
após a infecção). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
 
 
 Gráfico 2 – Valores do hematócrito da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada com 
 Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção). 
 
 Fonte: A autora. 
 
 
 Gráfico 3 – Valores dos leucócitos da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada com 
 Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção). 
 
 Fonte: A autora. 
 
0
10
20
30
40
50
60
2 2,5 4 7 8 9,5 10 10,5 12 13,5 16 18,5 19 24
H
e
m
at
ó
cr
it
o
 (
%
)
Meses após infecção
Hematócrito após infecção com 
Leishmania 
Hematócrito (%) Valores referenciais mín. e máx.
Início do 
tratamento com 
imunoterapia
Início do 
tratamento 
com Alopurinol
0
2.000
4.000
6.000
8.000
10.000
12.000
14.000
16.000
18.000
2 2,5 4 7 8 9,5 10 10,5 12 13,5 16 18,5 19 24
Le
u
có
ci
to
s/
m
m
³
Meses após infecção
Leucócitos após infecção com Leishmania
Leucócitos (/mm³) Valores referenciais mín. e máx.
Início do 
tratamento 
com Alopurinol
Início do 
tratamento 
com 
imunoterapia
66 
 
 
 
 
 
Gráfico 4 – Valores das plaquetas da paciente Nina, canina, fêmea, diagnosticada com 
 Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção). 
 
 Fonte: A autora. 
 
 
 Gráfico 5 – Valores das proteínas plasmáticas da paciente Nina, canina, fêmea, 
 diagnosticada com Leishmaniose, através do tempo (meses após a infecção). 
 
 Fonte: A autora. 
0
50.000
100.000
150.000
200.000
250.000
300.000
350.000
400.000
450.000
2 2,5 4 7 8 9,5 10 10,5 12 13,5 16 18,5 19 24
P
la
q
u
e
ta
s/
m
m
³
Meses após infecção
Plaquetas após infecção com Leishmania
Plaquetas (/mm³) Valores referenciais mín. e máx.
Início do 
tratamento com 
imunoterapia
Início do 
tratamento 
com Alopurinol
0
2
4
6
8
10
12
14
2 2,5 4 7 8 9,5 10 10,5 12 13,5 16 18,5 19 24
P
ro
te
ín
a 
P
la
sm
át
ic
a 
(g
/d
L)
 
Meses após infecção
Proteína Plasmática após infecção com 
Leishmania
Proteína Plasmática (g/dL) Valores referenciais mín. e máx.
Início do 
tratamento com 
imunoterapia
Início do 
tratamento 
com Alopurinol
67 
 
 
 
Os exames bioquímicos realizados neste período não apresentaram 
anormalidades (Tabela 6). 
 
 
 
 Tabela 6: Valores dos parâmetros bioquímicos realizados para acompanhamento após 
 confirmação do diagnóstico de Leishmaniose na paciente Nina, canina, fêmea. 
DATA Abr/13 Out/13 Out/13 Jan/14 Jun/14 Dez/14 REFERÊNCIAS 
Albumina (g/dL) - 2,1 2,2 - - 2,4 2,6 a 3,3 
ALT (UI/L) 17,3 17,3 17,8 35 - 24,3 0 a 102 
Creatinina (mg/dL) 0,8 0,7 0,6 0,8 0,6 0,7 0,5 a 1,5 
Colesterol (mg/dL) - - - 148 - 110 135 a 270 
Fosfatase Alcalina 
(UI/L) 
- 90,7 - 93 - 24,6 0 a 156 
Globulinas (g/dL) - 9,9 9,8 - - 7 2,3 a 5,2 
Triglicerídeos (mg/dL) - - - 38 - 65,1 < 150 
Uréia (mg/dL) 38,4 30,9 - - 17,4 32,6 21 a 60 
 Fonte: Jain (1993), Kaneko, Harvey e Bruss (1997). 
 
 
2.6.2. Citologia de medula óssea 
 
 
Foram realizadas três citologias de medula óssea da paciente (setembro 
de 2013, janeiro de 2014 e julho de 2014) para analisar as funções hematopoiéticas 
e verificar a presença ou ausência do parasita. Em todas elas o parasita estava 
presente intracelularmente, como mostra a Figura 14. 
68 
 
 
Figura 14 – Citologia da medula óssea da paciente Nina, canina, 
fêmea, Daschund, realizada em setembro de 2013, mostrando 
macrófago contendo duas Leishmania spp. intracitoplasmáticas e 
uma no espaço extracelular. 
Fonte: Ana Laura D’Amico Fam (2014). 
 
 
 
Nas três análises citológicas, o valor dos metarubrócitos foi superior ao de 
rubrócitos, o que não é o convencional. Esta alteração leva o nome de desvio à 
direita e ocorre em fases de recuperação da medula óssea ou no início de hipoplasia 
eritróide. 
Outra alteração encontrada foi ausência ou diminuição de megacariócitos 
(células precursoras das plaquetas), levando à trombocitopenia circulante. 
Os valores da contagem celular dos três mielogramas estão na Tabela 7. 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
 
 
 Tabela 7 – Valores obtidos na contagem celular de medula óssea da paciente Nina, canina, 
 fêmea, diagnosticada com Leishmaniose. 
TIPO CELULAR Set./2013 Jan./2014 Jul./2014 
Referência (%) 
Cão n=6 
Mieloblasto 4,4 1 2,8 0,4 a 1,1 
Promielócito 5,6 1,4 2 1,1 a 2,3 
Neutrófilo Mielócito 5,6 3,2 3,6 3,1 a 6,1 
Neutrófilo Metamielócito 5,8 5,8 6 5,3 a 8,8 
Neutrófilo Bastonete 23,6 12,8 10,8 12,7 a 17,2 
Neutrófilo Segmentado 11,2 16,4 16,4 13,8 a 24,2 
Eosinófilos – total de células 2,8 0,4 1,2 0,8 a 3,2 
Basófilos – total de células 0 0 0 0 a 0,8 
Rubroblasto 0,8 0,8 1,2 0,2 a 1,1 
Prorubrócito 2,6 1,4 2 0,9 a 2,2 
Rubrócito Basofílico 4,8 4,8 4,4 3,7 a 10,0 
Rubrócito Policromático 10 15,8 14 15,5 a 25,1 
Metarubrócito 15,8 32,4 10 9,2 a 16,4 
Relação M:E 1,73:1 0,74:1 1,35 0,5:1 a 3:1 
Linfócitos 1,6 0,8 5,6 1,7 a 4,9 
Plasmócitos 0,2 1 5,2 0,6 a 2,4 
Macrófagos 2,8 0,8 14 0 a 0,4 
Outras células – mitose 2 1 0,8 0 
Megacariócitos 0 0,2 raros 1/campo 4x 
 Fonte: Laboratório Veterinário PróVita 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
 
3. DISCUSSÃO 
 
 
A Leishmaniose é uma doença de ampla distribuição mundial e no Brasil 
já há casos em todos os estados. O Paraná é considerado uma área indene onde 
somente casos alóctones são relatados, o que torna o diagnóstico mais improvável 
nesta área (SILVA et al., 2012; THOMAZ-SOCCOL et al., 2009). 
No presente caso, o fato do animal ter viajado para área endêmica e lá ter 
apresentado os primeiros sinais da doença facilitou incluir a Leishmaniose como 
diagnóstico diferencial. Em contrapartida, o diagnóstico definitivo foi complexo, pois 
o primeiro exame realizado de sorologia resultou não reagente. Segundo 
Elmahallawy et al. (2014), baixos níveis de anticorpos podem não ser detectáveis 
pelos testes sorológicos. Porem, neste caso, é possível que no momento do primeiro 
teste ainda não houvesse ocorrido a soroconversão, que, segundo Marques (2008), 
pode levar de um mês e meio à três meses após a infecção. 
Os sinais clínicos da Leishmaniose VisceralCanina, assim como os 
exames laboratoriais, são inespecíficos e semelhantes aos de outras doenças, como 
a Erlichiose, Babesiose e Toxoplasmose, o que dificulta o seu diagnostico (SILVA et 
al., 2012). 
O diagnóstico definitivo do caso ocorreu quando formas amastigotas de 
Leishmania foram visualizadas no histopatológico da pele, que também é uma forma 
de diagnóstico porem, menos comum (SONODA et al., 2013). Outros testes de 
sorologia foram então realizados, juntamente com PCR, e resultaram positivos. 
No presente relato, o animal apresentou emagrecimento, hipertermia, 
dermatite esfoliativa aprurídica com alopecia generalizada, linfoadenomegalia, 
blefarite e conjuntivite, todos sinais comuns segundo a literatura (SONODA et al., 
2013; SOLANO-GALLEGO et al., 2009; MARQUES, 2008). 
As alterações laboratoriais encontradas, como anemia, leucopenia, 
trombocitopenia e hiperproteinemia com hiperglobulinemia, são achados 
hematológicos frequentes da doença (MARQUES, 2008). 
Segundo Ribeiro et al. (2013) anemia, disproteinemia e azotemia são as 
alterações laboratoriais mais comuns em pacientes com Leishmaniose, sendo que 
71 
 
as duas primeiras estavam presentes no caso. Este autor constatou que a provável 
causa da anemia esteja relacionada a função hematopoiética da medula óssea e a 
as alterações que a infecção gera nela, além do fato da medula óssea ser o principal 
alojamento do parasita. É provável que seja o mecanismo envolvido como causador 
da anemia e trombocitopenia no presente relato, visto que foi constatada hipoplasia 
da linhagem plaquetária na citologia de medula óssea. 
O protocolo de imunoterapia instituído foi descrito como eficaz em 
vários trabalhos (BORJA-CABRERA, et al., 2010 e 2004; SANTOS et al., 2007). 
Apesar do Alopurinol não ser eficaz quando utilizado como droga única 
(CIARAMELLA; CORONA, 2003 apud PINHÃO, 2009), ele foi usado como 
medicação leishmaniostática neste caso, uma vez que no Brasil não é permitido o 
tratamento de cães com medicações utilizadas para tratamento humano 
(Anfotericina B). 
Até a presente data, o tratamento realizado neste animal, apesar de 
não ter atingido a cura clínica, se demonstrou favorável, pois melhorou a 
qualidade de vida da paciente com remissão dos sinais clínicos, embora sem 
normalizar as alterações laboratoriais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
 
CONCLUSÃO 
 
 
Apesar da Leishmaniose ser uma doença em expansão e estar presente 
em quase todos os estados brasileiros, o Paraná é uma região indene, onde apenas 
casos alóctones já foram relatados e o principal gênero do mosquito transmissor (Lu. 
longipalpis) foi identificado apenas na cidade de Foz do Iguaçu. 
O diagnóstico definitivo da doença é complexo, pois há grande variedade 
sinais clínicos inespecíficos como lesões cutâneas, linfoadenomegalia, anorexia, 
apatia e perda de peso. O longo período de soroconversão e a inexistência de um 
teste padrão ouro para diagnóstico também são fatores que dificultam. Muitas vezes 
é necessário realizar mais de dois tipos de testes como ELISA, RIFI, PCR, citologia 
e histopatológico para confirmar a Leishmaniose Canina. 
O tratamento deve ser realizado com responsabilidade, uma vez que o 
animal infectado é um importante reservatório e representa perigo para saúde 
pública. Embora a principal política de controle brasileira seja a exterminação de 
cães soropositivos, atualmente ações já foram julgadas em favor do tratamento e 
contra tal posicionamento. 
Ressalta-se a importância de realizar exames laboratoriais sequenciais de 
pacientes acometidos pela doença, uma vez que podem mostrar extensão do dano 
medular. 
O tratamento realizado na paciente com a vacina Leishmune® e 
Alopurinol se mostrou efetivo até certo ponto, já que houve remissão total dos sinais 
clínicos, embora não dos parâmetros eritro e leucocitários. 
A qualidade de vida da paciente pode ser garantida com tratamento 
imunoterápico e leishmaniostático, comprovando que a eutanásia não seria uma 
opção válida neste caso. 
 
 
 
 
73 
 
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