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Carolina Santana Figuras de Linguagem COMPARAÇÃO Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos: feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – e alguns verbos – parecer, assemelhar-se e outros. "Amou daquela vez como se fosse máquina. Beijou sua mulher como se fosse lógico." (Chico Buarque) "As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas.. (Jorge Amado) METÁFORA Ocorre metáfora quando um termo substitui outro por meio de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido. A Amazônia é o pulmão do mundo. Na sua mente só povoa maldade. CATACRESE É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio. O menino quebrou o braço da cadeira. A manga da camisa rasgou. METONÍMIA Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos: O continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um cálice1 de licor. 1 O conteúdo de um cálice. A causa pelo efeito e vice-versa: "E assim o operário ia Com suor e com cimento 2 Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento." (Vinícius de Morais) 2 Com trabalho. O lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garrafa do legítimo porto 3. 3 O vinho da cidade do Porto. Ela parecia ler Jorge Amado 4. 4 A obra de Jorge Amado. O abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o seu coração 5. 5 Sentimento, sensibilidade. O símbolo pela coisa simbolizada: A coroa 6 foi disputada pelos revolucionários. 6 O poder. Amatéria pelo produto e vice-versa: Lento, o bronze 7 soa. 7 O sino. O inventor pelo invento: Edson 8 ilumina o mundo. 8 A energia elétrica. A coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura 9. 9 Ao edifício da Prefeitura. O instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo 10. 10 Guloso, glutão. SINESTESIA A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas). "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer) ANTONOMÁSIA Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue. Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio. Pelé (= Edson Arantes do Nascimento) O Cisne de Mântua (=Virgílio) O Dante Negro (= Cruz e Souza) O rei das selvas (= leão) O rei do rock (= Elvis Presley) PERSONIFICAÇÃO – PROSOPOPEIA É uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos. (...) Eu vi a Estrela Polar / Chorando em cima do mar (...) IRONIA Consiste em apresentar um termo em sentido oposto. Meu irmão é um santinho (malcriado). EUFEMISMO Consiste em suavizar um contexto. Você faltou com a verdade (Em lugar de mentiu). GRADAÇÃO É é a maneira ascendente ou descendente como as ideias podem ser organizadas na frase. Exemplo: Respirou e pôs um pé adiante e depois o outro, olhou para o lado e o caminhar virou trote, que virou corrida, que virou desespero. PLEONASMO Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma ideia estamos utilizando o pleonasmo. “Menino, entre já para dentro”. “Eu fui fazer um hemograma de sangue hoje de manhã”. “Joana sofre de leucemia no sangue”. “Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer”. “A protagonista principal do filme ‘O sorriso de Monalisa’ é Julia Roberts”. ANACOLUTO Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase. Exemplo: Ele, nada podia assustá-lo. Nota: o anacoluto ocorre com frequência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente. SILEPSE Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa. De gênero. Vossa excelência está preocupado com as notícias. De número. A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. De pessoa As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. HIPÉRBOLE É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a ideia. Ela chorou rios de lágrimas. Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda. ANÁFORA Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade. Cada alma é uma escada para Deus, Cada alma é um corredor-Universo para Deus, Cada alma é um rio correndo por margens de Externo Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa) POLISSÍNDETO E ASSÍNDETO Polissíndeto é a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração. Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar. O assíndeto, ao contrário, ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações. Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar. PERÍFRASE É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou. A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife) A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro) Antítese Usa palavras ou expressões com sentidos opostos, que contrastam entre si. Ocorre quando há a aproximação destes termos contrários. Esta aproximação dá ênfase à frase e assegura maior expressividade à mensagem a ser transmitida A sina dos médicos é conviver com a doença e saúde. Ele estava entre a vida e a morte. A vida é mesmo assim, um dia a gente ri e no outro a gente chora. Alegrias e tristezas são constantes da vida. PARADOXO O paradoxo existe quando uma frase não corresponde à lógica ou ao senso comum. Dois sentidos se fundem numa mesma ideia, criando um efeito de contradição. É importante lembrar que o paradoxo é TOTALMENTE diferente da antítese, pois nessa última predominam ideias opostas, que não causam estranheza de sentido, como "estou acordado e todos dormem". Um bom exemplo do paradoxo aparece no soneto de Luís de Camões: