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Pág. 1 de 21 Universidade Eduardo Mondlane Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico Cadeira de Direito de Urbanismo Docente: Ibraimo Mussagy Discente: Jacinto Nhantumbo III ano - I semestre - 2016 Mangal Problemática do Mangal da costa do sol Maio de 2016 Pág. 2 de 21 Índice Introdução ....................................................................................................................................... 4 Capítulo I Conceito de Mangal ........................................................................................................................ 6 Características do Mangal ............................................................................................................... 6 O solo .......................................................................................................................................... 6 Vegetação ..................................................................................................................................... 6 Aspectos Ecológicos ........................................................................................................................ 6 Importância do Mangal ................................................................................................................... 7 Localização dos Mangais no Planeta .............................................................................................. 8 Destruição do Mangal ..................................................................................................................... 8 Utilização sustentável dos Mangais ................................................................................................. 9 Capítulo I Costa de Moçambique .................................................................................................................. 11 Mangais da zona costeira de Moçambique .................................................................................. 11 Situação do Mangal da Costa do Sol ............................................................................................ 11 Legislação ...................................................................................................................................... 12 Definição .................................................................................................................................... 12 Área de reserva .......................................................................................................................... 13 Impacto ambiental ..................................................................................................................... 13 Outras leis ...................................................................................................................................... 13 Pág. 3 de 21 A Constituição da República de Moçambique......................................................................... 13 A Lei do Ambiente.................................................................................................................... 13 Conselho Nacional de Desenvolvimento Sustentável .............................................................. 13 A Lei de Terras ......................................................................................................................... 13 A Lei de Florestas e Fauna Bravia ............................................................................................ 13 Regulamento sobre a Inspecção Ambiental ............................................................................. 13 Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade .......................................................... 14 Convenção sobre Terras Húmidas de Importância Internacional.......................................... 14 Acções de Mitigação...................................................................................................................... 14 Educação cívica .......................................................................................................................... 14 Educação ambiental na construção civil ................................................................................... 14 Conciderações sobre o Mangal da Costa do Sol.......................................................................... 15 Conciderações finais...................................................................................................................... 17 Referência Bibliográfica ................................................................................................................ 20 Pág. 4 de 21 Introdução O presente trabalho, no âmbito da cadeira de Direito de Urbanismo, consiste numa abordagem da problemática do Mangal da costa do sol que deve-se as acções antropogénicas. O trabalho é dividido em dois capítulos em que o primeiro consiste numa abordagem geral sobre o mangal, onde tem os conceitos, características, entre outros, e o segundo capítulo consiste na abordagem específica da problemática do mangal da costa do sol. No capítulo primeiro usei a internet para pesquisar e compilar a informação toda, enquanto que no capítulo segundo parte da informação foi obtida através da visita do 8/04/16 na aula prática com o professor e análises feitas através das leis nacionais. Uma vez que a cadeira é de Direito, não podia deixar de falar das leis que regem o ambiente, em específico o Mangal, e para isso recorri as leis nacionais e algumas internacionais. Capítulo I Uma abordagem geral sobre o Mangal Pág. 6 de 21 Conceito de Mangal Também chamado de Manguezal, Mangue ou Mangrove, o Mangal é considerado um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho que se desenvolve em regiões tropicais e subtropicais. O ecossistema manguezal está associado às margens de baías, barras, enseadas, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa. O termo "Mangal" também se aplica às espécies arbóreas características desse habitat. Características do Mangal O solo: Caracteriza-se por ser húmido, salgado, lodoso, pobre em oxigênio e muito rico em nutrientes e pela grande quantidade de matéria orgânica em decomposição, apresenta odor mais acentuado se houver poluição. Essa matéria orgânica serve de alimento à base de uma extensa cadeia alimentar, como algumas espécies de peixes. O solo do mangal serve como habitat para diversas espécies, como caranguejos. Vegetação: em função da diversidade da região, pode-se dividir os mangais em mangue branco, mangue vermelho e mangue siriúba. As plantas possuem sementes compridas, finas e pontudas. Isto ocorre para facilitar a reprodução, pois quando caem no solo húmido, podem se fixar com mais facilidade. Aspectos Ecológicos As condições ideais para o desenvolvimento dos mangais incluem, principalmente, a variação de temperatura e a pluviosidade. Pág. 7 de 21 Com relação à temperatura, são necessárias médias anuais acima de 20º C e mínimas superiores a 15º C. A precipitação pluvial deve ser acima de 1.500 mm/ano e sem prolongados períodos de seca. As marés são o principal mecanismo de entrada das águas salinas nos mangais, sendo responsáveis pela oscilação da salinidade. A distância máxima da penetração da águasalgada nos estuários determina o limite do mangal em direcção à terra firme. Importância do Mangal Os mangais desempenham um importante papel como exportador de matéria orgânica para os estuários contribuindo para a produtividade primária na zona costeira. Por essa razão, constituem-se em ecossistemas complexos e dos mais férteis e diversificados do planeta. A riqueza biológica deste ecossistema costeiro faz com que essas áreas sejam os grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies características desses ambientes, como para peixes e outros animais que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de sua vida. Com relação à pesca, os mangais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura no mar e por essa razão, a sua manutenção é vital para a subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu entorno. Com relação à dinâmica dos solos, a vegetação dos mangais servem para fixar os solos, impedindo a erosão e, ao mesmo tempo, estabilizando a linha de costa. As raízes do mangue funcionam como filtros na retenção dos sedimentos e constituem ainda importante banco genético para a recuperação de áreas degradadas. Pág. 8 de 21 Localização dos Mangais no Planeta O ecossistema incide em regiões tropicais e subtropicais e origina-se a partir do encontro das águas doce e salgada, formando a água salobra, sobretudo nas costas do Atlântico e Pacífico. Estatísticas indicam que, em todo o planeta, existam cerca de 172 000 km² de superfície que ocupam os mangais. O factor mais importante e limitante na distribuição dos mangais é a temperatura. Na região Norte as árvores alcançam até trinta metros. Na região Sul, dificilmente ultrapassam um metro. Quanto mais próximas do Equador, maiores são as árvores. As plantas típicas do mangal se originaram na região do Oceano Índico e se espalharam a partir daí para todos os mangais do mundo. É também um sistema que tem funções de "limpeza" da água que é drenada da terra para o mar (até uma determinada capacidade filtra elementos como toxinas, químicos, hidrocarbonetos, etc.). Destruição do Mangal Mesmo com toda sua importância econômica e ambiental os mangais vêm sendo degradados. Existem muitos factores que causam a destruição: Moradias irregulares; Desmatamento; Despejo de resíduos sólidos; Dragagem de águas residuais; Pesca predatória, entre outros. A destruição dos mangais chegou a níveis alarmantes, tanto que no dia 13 de Julho de 2010 foi lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), um Atlas sobres os mangais existentes em 123 países tropicais e subtropicais. Pág. 9 de 21 Esse atlas traz informações sobre os diversos ecossistemas formados a partir dos mangais e segundo o PNUMA, a pesca de camarões e o desenvolvimento são os principais factores que estão fazendo os mangais serem destruídos quatro vezes mais rápidas que as florestas terrestres. O Atlas revela que uma quinta parte destes ecossistemas foi destruída desde 1980. A destruição do Mangal causa, além de problemas econômicos locais e globais, a exposição dos ambientes costeiros aos efeitos prejudiciais das mudanças climáticas. Utilização sustentável dos Mangais Muitas actividades podem ser desenvolvidas no mangal sem lhe causar prejuízos ou danos, entre elas: Pesca esportiva, artesanal e de subsistência, desde que se evite a sobre pesca, a pesca de pós-larvas, juvenis e de fêmeas ovadas; Utilização da madeira das árvores, desde que se assegure a reflorestação; Cultivo de ostras e outros organismos aquáticos; Cultivo de plantas ornamentais (orquídeas e bromélias); Criação de abelhas para a produção de mel; Desenvolvimento de atividades turísticas, recreativas, educacionais e de pesquisa científica. Pág. 10 de 21 Capítulo II O Mangal na zona costeira da cidade de Maputo, Costa do sol Pág. 11 de 21 Costa de Moçambique A zona costeira de Moçambique é geralmente subdivida em três grandes regiões distintas: costa de coral (800 km), costa de pantanais (900 km) e costa de dunas parabólicas (850km). A costa de coral estende-se do rio Rovuma até ao Arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas, com linha de costa relativamente alta e recordada possuindo baías profundas. A costa de pantanais começa no Arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas e termina a Norte da Ilha de Bazaruto, sendo constituída por praias, pântanos e estuários lineares e dentados incluindo os deltas do Zambeze e Save. É nesta região onde se concentra a maior parte dos cerca de 450 000ha de mangais do país. A costa de dunas parabólicas estende-se desde a Ilha de Bazaruto até à Ponta do Ouro e possui extensos lagos costeiros, pântanos e charcos temporários alimentados por águas das chuvas. Mangais da zona costeira de Moçambique Os mangais ocorrem ao longo de toda a costa de Moçambique, cerca de 2 800km, com exceção das zonas de dunas costeiras, mas são mais abundantes nas províncias de Nampula, Zambézia e Sofala, cobrindo uma área estimada em cerca de 450 000 hectares. As árvores mais abundantes neste mangal, e em todo o Indo-Pacífico, são o mangal vermelho e mangal branco, para além de outros. Situação do Mangal da Costa do Sol O Mangal da costa do sol, sita no distrito Municipal KaMavota, na cidade de maputo. Pág. 12 de 21 Anteriormente era uma floresta que servia de proteção a cidade e hoje está a ser destruída para dar lugar a construções de infraestruturas de luxuosas. Este facto, está a deixar a cidade vulnerável a problemas ambientais, sobretudo, relacionados com a erosão dos solos, visto que o mangal servia de defesa. O triste cenário que poderá levar a cidade capital ao abismo é mais crítico na zona que vai da Escola Portuguesa (bairro Triunfo) até ao bairro dos pecadores. O pulmão verde da capital do país poderá ter perdido mais de 50% da floresta do mangal devido a estes actos. Além da destruição do mangal, esta situação, em que estão envolvidas nacionais e estrangeiros chegou mesmo a prejudicar a segurança alimentar de algumas famílias de renda baixa que perderam as terras onde praticavam agricultura de subsistência. As autoridades conhecem os culpados, pois a vereadora do distrito municipal KaMavota, disse que as comunidades seriam culpadas se o mangal fosse destruído para fazer lenha, mas esse não é o caso, os autores dos problemas ambientais são pessoas de “posses” que conhecem bem as leis. Legislação Definição: Mangal é uma zona húmida e a lei do Ambiente de 1 de Outubro 1997, Artigo 1, n0 24, define as zonas húmidas como sendo, “áreas de pântanos brejo turfeira ou água natural ou artificial, permanente ou temporária, Pág. 13 de 21 parada ou corrente, doce salobra ou salgada, incluindo as águas do mar cuja profundidade na maré baixa não excede 6 metros, que sustenta a vida vegetal ou animal que requeria saturação aquática do solo.” Área de reserva: Pela importância ambiental que o mangal da costa do sol desempenha, foi classificadocomo reserva municipal, nos termos da lei n.º 2/97, de 18 de Fevereiro, por via da sua inclusão no Plano de Estrutura Urbana do Município de Maputo (PEUMM). Impacto ambiental: Planos, programas e projectos que possam afectar, directa ou indirectamente, áreas sensíveis, tais como o mangal, estão mencionadas no Decreto n0 76/98, de 29 de Dezembro, do “Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto AmbientaI”, nos termos do Artigo 2, n0 2, conjugado com o Anexo, no ponto 21. Outras leis A conservação, preservação e uso sustentável dos mangais é uma matéria tratada em vários instrumentos legais de carácter ambiental e para além daqueles já mencionados existem também: A Constituição da República de Moçambique: as bases do Estado, dentre os quais podemos encontrar referências aos mecanismos para a defesa e protecção do meio ambiente, artigo 90, artigo 117 e demais. A Lei do Ambiente: estabelece os princípios básicos gerais da política ambiental, dentre outros, a utilização e gestão racionais dos componentes ambientais de forma a promover a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Conselho Nacional de Desenvolvimento Sustentável: criado a partir da lei do ambiente, é um órgão que intervém na tomada de decisões e concepção de princípios, políticas, estratégias e legislação, relacionadas com as medidas de protecção do ambiente, de prevenção dos danos ambientais, dos direitos e deveres dos cidadãos em matéria ambiental e conservação. A Lei de Terras: recorrendo-se ao princípio do domínio público plasmado na CRM, classifica certas áreas como zonas de protecção total e parcial, integrando-as no âmbito do domínio público do Estado. A Lei de Florestas e Fauna Bravia: no seu artigo 2 determina que e define os princípios e normas básicas sobre a protecção, conservação e utilização sustentável dos recursos florestais e faunísticos no âmbito de uma gestão integrada, com vista ao desenvolvimento socioeconómico do país. Regulamento sobre a Inspecção Ambiental: regula a actividade de supervisão, controlo e fiscalização do cumprimento das normas de protecção ambiental a nível nacional e define os trâmites processuais a serem respeitados. A inspecção ambiental é da competência do MICOA. Pág. 14 de 21 Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade: esta Convenção tem como objectivos a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável das suas componentes e a partilha justa e equilibrada dos benefícios gerados da utilização dos recursos genéticos. Convenção sobre Terras Húmidas de Importância Internacional: esta convenção determina princípios de conservação das terras húmidas, tais como, áreas de pântano, charco, terra tufosa de água, mangais, etc, que servem como Habitat, através de estabelecimento de reservas nacionais de terras húmidas. Em suma, apesar de todas as leis existentes de protecção aos Mangais e demais ecossistemas naturais, o que se tem notado na nossa cidade é que estas leis não se fazem sentir no terreno, pois os mesmos conhecedores da lei, por interesses pessoais, são eles que tem o poder financeiro para abusar do ambiente e calarem os que deveriam estar a inspeccionar. Acções de Mitigação Educação cívica: A educação ambiental deve ser incorporada ao convívio diário social, possibilitando tudo que possa ajudar na diminuição na degradação do meio ambiente e abordar a importância destes ecossistemas tanto para o homem como para a natureza. Uma vez que as condições financeiras do país não é das melhores, podemos recorrer a acções que não carecem de tanto dinheiro como: Aumentar a divulgação da educação ambiental em áreas do mangal como estratégia de preservação e conservação deste ecossistema; Integrar a comunidade acadêmica às comunidades residentes em áreas de mangal; Articular atividades educativas ao longo do mangal. Educação ambiental na construção civil: Antigamente não se tinha conhecimento do impacto que uma construção faria em um ambiente, hoje temos conhecimento e a certeza Pág. 15 de 21 que a falta de uma educação ambiental e um estudo prévio, poderá transformar a vida de toda uma comunidade ambiental. Os impactos no meio ambiente são consideráveis poluidores e destruidores, quando se constroem condomínios a flora e fauna são massacradas pelo corte de árvores, poluição do solo e das águas. Como se não bastasse a destruição ambiental, o descarte oriundo e o desperdício desses resíduos ocasionando a perda da qualidade ambiental nos espaços urbanos gerando grandes despesas ao poder público. O sector da construção civil é uma das atividades que mais consomem recursos naturais e causam maiores impactos ao ambiente e esta é responsável por cerca de 40% de todo o resíduo no mundo, alteram o meio ambiente, em todas as suas fases, desde a extração de matérias-primas, até o final da vida útil da edificação, para além da ocupação de áreas ecologicamente sensíveis. Conciderações sobre o Mangal da Costa do Sol É evidente que este mangal está a ser massacrado pela construção civil, e que a culpa não é directamente deles e sim das autoridades que permitem de modo ilegal a construção de mais infraestruturas a volta do mangal. A natureza é perfeita, molda-se, traça os seus caminhos e não há pedra que a pode travar definitivamente, e quando interrompemos o curso natural dela sem dar outra possibilidade de continuação, ela lentamente irá reestabelecer tarde ou cedo os seus traços. Digo isso porque os moradores próximos ao mangal já tem testemunhado que as águas vinda do mangal têm escalado suas paredes e os mais espertos já começam a abandonar aquele local. O mangal actualmente também é depositado lixo, lixo dos próprios moradores de classe alta daquele bairro, mas pode ser que sejam os empregados os culpados, creio que não porque o lixo é visto já de longe e se o patrão não se pronuncia é culpado ao olho da lei, viu e calou como se não fosse de responsabilidade dele. Pág. 16 de 21 O arquitecto, o construtor civil, o mestre de obras, todos querem dinheiro, e quando a ambição financeira é maior que a preocupação ambiental acontece aquilo que já se sabe, a aceitação de um projecto em um local de risco e sobretudo ilegal. Em parte estes também são culpados porque eles estão cientes disso e mesmo assim o fazem, degradando a natureza e pondo em risco a vida das pessoas que lá vivem. “Se eu não o fizer, alguém o fará”, este foi o comentário que uma professora aqui na faculdade fez ainda esta semana quando discutíamos sobre os projectos que o Arq. Forjaz fez em áreas de risco e ambientalmente protegidas, falo do mercado do peixe, do condomínio em escadarias junto a costa da praia miramar. Em defesa da reputação do Arq. Forjaz, a professora fez este comentário para justificar, pode ser que seja verdade, mas aos olhos da lei não se justifica tal acto com esse comentário: “se eu não o fizer, alguém o fará”, então que seja, se fosse no meu caso negaria e ficava com o nome limpo e a consciência limpa, de que não fiz nenhum mal. Algumas imagens da zona do mangal da costa do sol Pág. 17 de 21 Conciderações finais Pág. 18 de 21 Em todo o mundo, as grandes cidades são construídas junto a costa pelo conforto climático que o mar proporciona, pela atracção que o homemtem com a paisagem do mar também. Por esses motivos, os terrenos mais próximos a praia são os mais procurados pela classe alta devido ao preço do precioso espaço. Políticos, empresários e outros afortunados são os que mais se fixam junto a costa em grandes mansões para ostentar o seu poder económico aos que não tem. Esta classe social de capitalistas é responsável pela destruição de um bem muito sensível que a natureza tem, o Mangal. O Mangal é um dos maiores ecossistemas existentes em toda a terra pela grande biodiversidade que este tem e pela múltipla importância ecológica que desempenha. As degradação do mangal pode dar o fim a vida de boa parte de animais marinhos, como o peixe que dele se alimentamos e o caranguejo. E não é por falta de conhecimento que estes capitalistas, com diplomas de licenciados e doutoramento constroem junto aos mangais, é mesmo por ignorância, fingem não saber e erguem suas mansões com vista ao mar e põem seguranças no portão para afugentar o perigo dos ladrões cansados de ver e não ter, quando na verdade a real ameaça está por baixo das fundações, a fúria das águas que lentamente coroem o aço e as pedras dos elementos estruturais. Em países em desenvolvimento, as questões ambientais não são levadas muita a sério pela maioria, existem questões muito básicas ainda por resolver como saneamento básico e abastecimeto de água potável. Mas não creio que esse seja o motivo para não se começar a educar as pessoas sobre a importância do Mangal e do ambiente em geral, uma vez que é até melhor começar a educação ainda cedo antes que oas mangais todos sejam degradados para depois pensar em se repor. Não nego que o país tem ainda preocupações pontuais, mas apelo que não deixemos de lado esta questão ambiental porque podemos olhar para o dito “primeiro mundo”, e vermos os impactos ambientais que eles tiveram antes e depois da sensibilização ambiental. É até uma vantagem para nós em comparação a eles porque naquela época não tinham nenhuma referência e diferente de nós hoje, que estamos a passar por tudo aquilo que eles já passaram. Não vamos destruir tudo para construir com betão e depois se preocupar em repor as árvores, essa não é a atitude correcta de um ser que se diz racional, devemos usar a nossa racionalidade para não prejudicar o ambiente. Pequenas acções que não exigem muitos gastos podem começar com a comunidade, como o plantio das árvores nos mangais, convidar os alunos do ensino primário a plantarem uma árvore cada um deles, e a introdução da educação ambiental nas escolas, por mais que seja através de palestras semestrais. Grandes mudanças começam com pequenos actos. Pág. 19 de 21 Como foi visto no Capítulo II deste trabalho, Moçambique tem sim o quadro legal que zela pelos Mangais, que protege e conserva o património ecológico, o problema não é por falta de leis, é a falta de fiscalização séria destas leis. Uma lei que está apenas plasmada teoricamente e não é aplicada na prática não nos é muito útil para proteger os mangais, mas quando se trata de punir por a ter desobedecido, ela é consultada e recitada em voz alta nos tribunais. O mais agravante é que a classe de renda baixa é que sofre maiores penalizações, perdem o seu espaço, são tiradas do seu habitat para dar lugar aos agentes mais ameaçadores da natureza e que por ironia do destino são eles que conhecem as leis melhor que ninguém. Quando o homem continuar a dar maior importância ao dinheiro do que tudo, mais actos bárbaros como a ocupação do solo do mangal com casarões, vão continuar. Os animais não existem por acaso, por mais que não notemos logo de partida eles desempenham um papel importante no equilíbrio da natureza, e se matamos o seu habitat eles procuram por outros para se adaptar, mas quando não encontram eles são extintos, eles simplesmente desaparecem e ficam para a história. Contudo, a insensatez humana não se rebate apenas na sua própria raça, quando cria armamento bélico para tirar a vida do outro, a insensatez humana é virada contra a própria natureza agora. No censo comum se entende que o homem sem a lei é um animal, isto é, o homem sem uma lei que o rege pode viver como um animal, fazer e desfazer como ele bem entender, também partilho da mesma opinião, mas o problema é que a lei existe e mesmo assim o homem vive fazendo e desfazendo das suas vontades porque o dinheiro está acima da lei aqui em Moçambique. Por Jacinto Nhantumbo Referência Bibliográfica - Degradação de Mangais em Moçambique. [internet] Disponível em http://estrelamirelles.blogspot.com/2015/08/degradacaodemangaisemmocambique - Perda de Biodiversidade. [internet] Disponível em http://portal.rebia.org.br/cidadania/2101perdadebiodiversidade - Orla marítima de Maputo em risco de submersão, alerta município - Notícias. [internet] Disponível em http://noticias.sapo.mz/lusa/artigo/12834635.html - Município de Maputo destrói casas luxuosas construıdas ilegalmente. 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