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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
FACULDADE DE AGRONOMIA 
AGR 99003 – ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO 
 
 
 
 
 
Leonardo Ranft Becker 
00149995 
 
 
 
 
Green Grass Comercial de Gramas e Serviços Ltda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre, Abril de 2012. 
 
 ii 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
FACULDADE DE AGRONOMIA 
AGR 99003 – ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO 
 
 
 
Leonardo Ranft Becker 
 
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO SUPERVISIONADO 
 
 
 
Orientadora: Engª Agrª MScª Denise Gauland 
Tutor: Drº Engº Agrº Gilmar Schafer 
 
 
Comissão de estágios: 
 
Profº. Elemar Antonino Cassol - Depto. de Solos - Coordenador 
Profº. Fábio de Lima Beck – Núcleo de Apoio Pedagógico 
Profº. José Fernandes Barbosa Neto – Depto. Plantas de Lavoura 
Profº. Josué Sant’Ana – Depto. de Fitossanidade 
Profº. Lair Angelo Baum Ferreira – Depto. de Horticultura e Silvicultura 
Profª. Lucia Brandão Franke – Depto. de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia 
Profª. Mari Lourdes Bernardi - Depto. de Zootecnia 
 
 
 
 
Porto Alegre, Abril de 2012.
 
 iii 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 Aos professores da Faculdade de Agronomia pelos ensinamentos passados ao 
longo do curso de Graduação. 
 Ao meu Tutor: Drº Engº Agrº Gilmar Schafer, pela orientação. 
 Ao proprietário da Green Grass, Marcelo Lara Matte, pela presença durante o 
estágio e confiança em mim depositada. 
Ao meu irmão, Fernando, pelo abrigo durante o período. 
 Aos amigos Maurício e Itamar, pelo companheirismo durante a realização do 
estágio. 
 
 
 iv 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 O presente relatório visa descrever as atividades realizadas durante o período de 
estágio curricular obrigatório realizado na empresa Green Grass Comercial de Gramas 
e Serviços Ltda. São abordados todos os aspectos relacionados ao cultivo de gramados 
comerciais no Rio Grande do Sul, desde o preparo do solo até a comercialização do 
produto final. 
 A escolha do local de realização do estágio dá-se pelo franco crescimento do 
setor agrícola responsável pela produção e comercialização de gramas, com grande 
foco na produção de gramados esportivos no País, em breves oportunidades para a 
Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, não somente pelos campos 
esportivos, mas também pela infra-estrutura que engloba tais eventos. 
 
 v 
SUMÁRIO 
 
 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 1 
2. DESCRIÇÃO DO MEIO FÍSICO E SÓCIO-ECONÔMICO 
 SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA, RS. ............................................................ 3 
2.1. Histórico................................................................................................ 3 
2.2. Localização........................................................................................... 3 
2.3. Vegetação............................................................................................. 3 
2.4. Clima..................................................................................................... 3 
2.5. Geomorfologia e Solos da Região ........................................................ 4 
2.6. Economia.............................................................................................. 4 
3. CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE REALIZAÇÃO DE ESTÁGIO - 
 GREEN GRASS COMERCIAL DE GRAMAS E SERVIÇOS LTDA.................... 5 
4. REFERENCIAL TEÓRICO - 
 PRINCIPAIS ESPÉCIES E VARIEDADES DE GRAMA.................................. 6 
4.1. Nomenclatura e Classificação .............................................................. 6 
4.2. Principais gramas de clima quente. ...................................................... 8 
4.2.1. Zoysias – Zoysia spp............................................................... 8 
4.2.1.1. Zoysia japonica Steud. .............................................. 8 
4.2.1.2. Zoysia matrella (L.) Merr. – Mini Zoysia .................... 9 
4.2.2. Bermudas – Cynodon spp. L.C.Rich ....................................... 10 
4.2.3. São Carlos – Axonopus compressus Chase........................... 12 
5. ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTÁGIO........................................................ 13 
5.1. IMPLANTAÇÃO DE GRAMADO COMERCIAL..................................... 13 
5.1.1. Preparo do Solo ...................................................................... 13 
5.1.2. Plantio Sprigging ..................................................................... 15 
5.1.3. Irrigação pós-plantio................................................................ 16 
5.2. ADUBAÇÃO E CALAGEM.................................................................... 17 
5.3. IRRIGAÇÃO.......................................................................................... 18 
5.4. ROÇADA .............................................................................................. 20 
 
 vi 
5.5. DESCOMPACTAÇÃO .......................................................................... 24 
5.6. CONTROLE DE INVASORAS, PRAGAS E DOENÇAS ....................... 25 
5.6.1. Invasoras................................................................................. 25 
5.6.2. Pragas e Doenças................................................................... 27 
5.7. COLHEITA............................................................................................ 28 
5.7.1. Colheita de Placas .................................................................. 28 
5.7.2. Colheita de BIG ROLL e SPRIGGING .................................... 31 
5.8. COMERCIALIZAÇÃO ........................................................................... 33 
6. CONCLUSÃO..................................................................................................... 35 
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 36 
 
 
 
 vii 
LISTA DE FIGURAS 
 
 
Figura 1 – Esquema com estolão e rizoma ................................................................ 7 
Figura 2 – Zoysia japonica Steud – Esmeralda .......................................................... 8 
Figura 3 – Zoysia matrella (L.) Merr. – Mini Zoysia .................................................... 9 
Figura 4 – Cynodon dactylon x transvaalensis – Bermuda Híbrida ............................10 
Figura 5 – Axonopus affinis Chase – grama São Carlos. ...........................................12 
Figura 6 – Arrastão e Plaina Boelter – Campo suspenso da PUC, Porto Alegre........13 
Figura 7 – Mudas sprigging de grama São Carlos. ....................................................14 
Figura 8 – Colheita de mudas sprigging (Green Grass). ............................................15 
Figura 9 – Grade para plantio sprigging. ....................................................................15 
Figura 10 – Calagem em cobertura após descompactação. ........................................17 
Figura 11 – Pivô Central ...............................................................................................18 
Figura 12 – Scalping em Bermuda 419. .......................................................................20 
Figura 13 – Thatch (Advanced Turfgrass Management, 2012). ...................................21 
Figura 14 – Conjunto de roçada – trator com pneus tipo balão e roçadeira 
Progressive................................................................................................21 
Figura 15 – Progressive TDM–15 (Progressive Turf Equipment Ltd.,2012). ...............22 
Figura 16 – Roçadeiras Lavrale e Tatu ........................................................................22 
Figura 17 – Agri–vator descompactador (First Products AGRI–vator, 2012)................23 
Figura 18 – Conjunto de colheita Brouwer....................................................................26 
Figura 19 – Área em teste de colheita..........................................................................27 
Figura 20 – Placa padrão de colheita (esquerda) e placa desuniforme (direita)...........28 
Figura 21 – Filetes de propagação em grama São Carlos. ..........................................29 
Figura 22 – Colheita de Big Roll, Bermuda TifWay 419. ..............................................30 
Figura 23 – Instaladora de Big Roll Brouwer ...............................................................30 
Figura 24 – Conjunto de colheita Sprigging..................................................................30 
Figura 25 – Palete padrão e Placa padrão de São Carlos. ..........................................31 
Figura 26 – Caixa de mudas de Bermuda 419 TifWay para comercialização. .............32 
 
 viii 
 
LISTA DE TABELAS 
 
 
Tabela 1 – Altura e freqência de corte de diferentes espécies de grama................... 21 
Tabela 2 – Principais espécies de plantas invasoras de acordo com Kuhn 
(2004) ........................................................................................................ 26 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O cultivo de grama no Brasil inicia-se por volta de 1974, quando o 
Engenheiro Agrônomo Minoru Ito retornou dos EUA com técnicas de produção 
de gramados. Associou-se a uma empresa de jardinagem e paisagismo, 
fundando a Itograss e lançando no mercado as primeiras gramas cultivadas, 
chamadas zoysia ou grama coreana. 
Dentre os maiores produtores mundiais, em primeiro os EUA, com 
aproximadamente 172 mil ha (USDA, 2007) seguido do Canadá, Austrália e 
Inglaterra. Com a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o mercado 
de gramas que já era aquecido, conta com um novo estímulo, levando em 
consideração o grande número de estádios e campos de treinamento. No Brasil 
são cultivados mais de 17 mil hectares, com expansão de 10 mil hectares em 
seis anos, movimentando aproximadamente US$53 milhões (Zanon, 2003). 
Os Estados com maior participação na produção de grama são São Paulo 
e Paraná, com mais de 7 mil ha plantados, seguidos de Rio Grande do Sul, 
Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso e outros estados do Nordeste do 
país (Zanon, 2003). 
Em relação aos mercados consumidores, destacam-se áreas esportivas 
(futebol, polo e golfe), obras públicas, parques e jardins residenciais. A área 
esportiva foi responsável por 20 a 25% do total de grama consumida nos últimos 
anos, sendo este aumento atribuído em grande parte á campos de golfe, que 
utilizam aproximadamente 50 ha de grama por campo (Zanon, 2003). 
De acordo com o Turfgrass Producers International (2012), em tempos de 
atenção com o aquecimento global, poluição do ar e preocupações com a 
emissão de carbono, a utilização de gramados fornece benefícios ambientais, 
econômicos e de saúde, para mitigar tais efeitos. 
Bem manejado, um gramado se torna um local seguro e agradável para 
lazer e prática de esportes. Conforme Turfgrass Producers International (2012), 
o gramado bem manejado promove a liberação de oxigênio (cerca de 58m² de 
grama liberam, por dia, oxigênio suficiente para uma pessoa); reduz a 
 
 
2 
2 
temperatura ambiente (redução de até 16oC quando comparado com o asfalto e 
7,8oC comparado com solo exposto); reduz a emissão de CO2 (absorve grande 
quantidade de CO2 para realizar fotossíntese durante o ano todo) atenuando o 
efeito estufa e controla a poluição do solo, uma vez que a rizosfera atua como 
filtro, absorvendo substâncias que poderiam chegar a córregos e lençol freático. 
Os gramados também são utilizados para controle de erosão hídrica e 
eólica do solo, pela redução da velocidade do escoamento superficial, auxiliando 
na infiltração da água da enxurrada, sendo seis vezes mais efetivos em infiltrar a 
água da chuva que uma lavoura de trigo e quatro vezes mais que uma lavoura 
de feno (Beard, 1985). A quantidade de sedimentos perdidos de área gramada é 
dez vezes menor do que a cobertura por palha. Além do que um gramado bem 
cuidado pode elevar valorizar o preço de um imóvel em até 15% (TPI, 2012). 
O presente relatório tem por objetivo descrever as principais atividades 
relacionadas à produção e comercialização de gramas no Rio Grande do Sul. 
 
 
 
3 
3 
2. DESCRIÇÃO DO MEIO FÍSICO E SÓCIO-ECONÔMICO DA REGIÃO 
DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO - SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA, RS. 
 
2.1. Histórico 
Santo Antônio da Patrulha é um dos quatro primeiros Municípios do Rio 
Grande do Sul, com emancipação em 3 de abril de 1811. Simultaneamente, Rio 
Grande, Rio Pardo e Porto Alegre, receberam a mesma condição formando 
assim os quatro municípios mais antigos do Rio Grande do Sul (PMSAP, 2012). 
 
2.2. Localização 
Distante 76 km da capital Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha 
localiza-se a 29º49’03” de latitude sul e 50º31'11" de longitude oeste, a uma 
altitude média de 131 metros e área de 1069,3 km², pertencendo a duas bacias 
hidrográficas, a dos Sinos e do Gravataí (PMSAP, 2012). 
Os limites do Município são: ao Norte com Rolante e Riozinho, ao Sul 
com Viamão e Capivari, a Leste com Osório e Caraá e, a Oeste com Taquara, 
Glorinha e Gravataí (PMSAP, 2012). 
 
2.3. Vegetação 
Fazem parte da vegetação do município os Biomas Pampa, localizado 
nas partes planas a sudoeste e Oeste, e Mata Atlântica nas áreas Norte, Leste e 
Sul do Município (PMSAP, 2012). 
 
2.4. Clima 
Segundo Koppen, o clima é temperado úmido com verão quente (Cfa), de 
temperatura média anual de 20°C, com média das temperaturas máximas de 
23,8°C, e a média das mínimas de 15,4°C. A temperatura máxima absoluta 
observada foi de 38,4°C e a mínima de 0°C. Quanto ao regime de chuvas a 
 
 
4 
4 
precipitação média em torno de 1800 a 1900 mm, sendo o mais chuvoso o mês 
de setembro e abril/maio os meses de menor precipitação (PMSAP, 2012). 
 
2.5. Geomorfologia e Solos da Região 
O município de Santo Antônio da Patrulha está situado na região 
fisiográfica da encosta inferior do nordeste. Os solos do Município apresentam 
como material de origem rochas basálticas e areníticas. Segundo Streck et al. 
(2008), na região do município, ocorrem solos das classes: Argissolos, 
Chernossolos, Planossolos e Neossolos. 
Os Planossolos, de maior importância pela localização da propriedade, 
são solos imperfeitamente ou mal drenados, encontrados em áreas de várzea, 
em relevos planos a suave ondulados. Os horizontes superficiais são arenosos 
com passagem abrupta para o horizonte Bt, que é bem mais argiloso e 
adensado ou H-C (Streck et al., 2008). 
 
2.6. Economia 
A orizicultura é cultivada nas várzeas em escala extensiva e com alta 
tecnologia, sendo responsável por uma significativa parcela na geração de 
ICMS. Nos últimos anos a cultura da soja vem expandindo sua área cultivada 
pela valorização de seu preço em detrimento do preço do arroz. Na região 
serrana, distribuída em minifúndios, desenvolvem-se outras culturas tais como o 
feijão, milho, fumo, cana de açúcar e mandioca (IBGE, 2012). 
Na pecuária, a criação de bovinos, devido a condições climáticas 
favoráveis, destaca-se como uma atividade econômica importante (IBGE, 2012). 
A indústria metal-mecânica alicerçou-se no município através da IMAP e 
da MASAL (indústria de implementos agrícolas) que provocaram a criação deuma série de outras pequenas indústrias que geram empregos e asseguram 
uma expressiva fatia da arrecadação de ICMS do município (IBGE, 2012). 
A produção de produtos culturais da região, como a cachaça, rapadura e 
o melado, reconhecidos e consumidos em todo o Brasil (IBGE, 2012). 
 
 
5 
5 
3. CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO DE REALIZAÇÃO DO 
ESTÁGIO - GREEN GRASS COMERCIAL DE GRAMAS E SERVIÇOS LTDA. 
 
Com maior demanda e oferta de gramados comerciais localizados na 
região sudeste, principalmente São Paulo e Paraná, verificou-se um nicho de 
mercado para toda a região Sul do país, onde se encontravam apenas pequenos 
produtores extrativistas e com baixa qualidade. 
Em 1990, o atual proprietário da Green Grass iniciou sua produção de 
gramas no município de Alvorada – RS, com aproximadamente 25 ha, 
expandindo até 80 ha no final da década. Posteriormente, retraiu a área de 
produção em Alvorada para 25 ha, por dificuldades de arrendamento. 
No ano de 2000, realizou-se a compra da área atual da sede da empresa, 
localizada no município de Santo Antônio da Patrulha – RS, num total de 220 ha, 
dos quais 180 ha são cultivados atualmente. 
Com o encarecimento do frete (totalmente rodoviário) as vendas de 
grama para campos de golfe em São Paulo e Paraná se tornaram inviáveis. 
Culminando com a ampliação do mercado consumidor e juntamente com a 
qualidade já conhecida dos produtos Green Grass, a empresa inicia uma 
unidade de produção em 2002, localizada em São José dos Campos - SP, com 
aproximadamente 20 ha e posteriormente outra unidade próxima, totalizando 
atualmente 300 ha. Outras oportunidades de expansão da produção foram 
concretizadas com a aquisição de terras em Saquarema – RJ, com 180 ha, onde 
80 ha são cultivados, os quais iniciaram colheita em março de 2012. 
A unidade de produção de Santo Antônio da Patrulha, local de realização 
do estágio, apresenta todos os equipamentos e mão-de-obra para a produção 
de grama, tanto para jardins quanto para gramados esportivos e assim atender a 
crescente demanda do mercado local. 
 
 
 
 
 
6 
6 
4. REFERENCIAL TEÓRICO - PRINCIPAIS ESPÉCIES E VARIEDADES 
DE GRAMA 
 
4.1. Nomenclatura e Classificação 
Com mais de 10.000 espécies, as gramíneas dispersas pelo mundo são 
de grande importância, servindo para a alimentação humana, como o arroz, 
trigo, milho; energia como a cana-de-açúcar; e alimentação animal como as 
brachiarias. 
O termo grama tem sua origem na denominação de uma família botânica 
que engloba inúmeras espécies (Gurgel, 2003). 
 
Reino Plantae 
Superdivisão: Spermatophyta 
Divisão: Magnoliophyta 
Classe: Liliopsida 
Subclasse: Commelinidae 
Ordem: Poales 
Família: Poaceae 
 
Basicamente, pode-se classificar as gramas em dois grandes grupos: 
gramas de clima quente e gramas de clima frio, sendo o primeiro o mais 
importante no país. 
Gramas de clima quente caracterizam-se por não entrar em dormência 
em longos invernos de temperatura abaixo de zero. Possuem capacidade de se 
desenvolver em altas temperaturas, toleram baixas temperaturas e geadas 
esporádicas. Assim sendo, adaptam-se plenamente em climas sub-tropical e 
tropical. Existem seis espécies consideradas como as principais espécies de 
clima quente: Santo Agostinho – Stenotaphrum secundatum; Bermuda – 
Cynodon spp.; Zoysia – Zoysia spp.; Bahia ou Batatais – Paspalum notatum; 
São Carlos – Axonopus compressus (Gurgel, 2003). 
 
 
 
7 
7 
 
É possível ainda dividir 
as gramas de clima quente 
em dois grandes grupos, para 
efeito prático: rizomatosas – 
onde a base do 
desenvolvimento vegetativo 
se dá a partir de rizomas sub-
superficiais; estoloníferas – 
onde a base do 
desenvolvimento vegetativo 
se dá a partir de estolões 
superficiais (Figura 1). 
As variedades rizomatosas possuem grande capacidade de regeneração, 
principalmente se a injúria for causada por tráfego excessivo. Isto ocorre, devido 
ao fato dos rizomas, que são à base do crescimento vegetativo, estar enterrados 
em sub-superfície, utilizadas em gramados esportivos, onde o tráfego é intenso, 
e sempre ocorrem danos superficiais. Entretanto, justamente devido a esta alta 
capacidade de recuperação, também são variedades altamente exigentes em 
manutenção, desde adubação até poda, havendo situações específicas em que 
a poda deve ser diária. São exemplos de gramas de clima quente rizomatosas, 
as variedades de Bermuda e de Zoysia. (Gurgel, 2003). 
As variedades estoloníferas não possuem boa capacidade de suportar 
tráfego intenso, uma vez que este tráfego irá danificar os estolões, que são 
superficiais. Não devem ser usadas em áreas de tráfego intenso. Suas folhas 
são geralmente mais largas, conferindo a este grupo de variedades de grama 
uma grande capacidade de se desenvolver bem em áreas sombreadas, com 
maior capacidade de realizar fotossíntese e assim tom de verde mais forte. 
Como exemplo de grama de clima quente estolonífera tem-se a grama São 
Carlos (Gurgel, 2003). 
Figura 1 – Esquema com estolão e rizoma. 
 
 
8 
8 
 
Figura 2 - Zoysia japonica Steud - Esmeralda 
4.2. Principais gramas de clima quente. 
 
4.2.1. Zoysias – Zoysia spp. 
Este gênero de gramas engloba três espécies principais: Z. japonica, Z. 
matrella e Z. tenuifolia. A mais conhecida e usada no Brasil é a, também 
conhecida como Esmeralda. A reprodução Z. japonica é majoritariamente 
vegetativa, podendo ser por também por sementes (Gurgel, 2003). 
 
4.2.1.1. Zoysia japonica Steud. 
A grama Z. japonica (ou Esmeralda) é originária da Ásia e Japão. 
Principais características: perene, hábito de crescimento rizomatoso, 
textura das folhas fina ou média, dependendo da variedade, alta densidade mas 
com baixo crescimento lateral, cor verde claro, podendo chegar à um verde mais 
forte, bainha dobrada, com lígula frangeada e pelos de comprimento médio 
(Figura 2) (Gurgel, 2003). 
Como principal problema, pode desenvolver uma grande camada de 
thatch, se não manejada corretamente. Exigente em adubação nitrogenada. 
Difícil controle contra “invasão” de canteiros de flores. 
Z. japonica é uma grama de ampla adaptação às condições brasileiras, 
podendo ser usada de Norte à Sul, em regiões litorâneas ou nos Planaltos. 
Devido à sua boa capacidade de resistência ao pisoteio, foi durante muitos anos 
a variedade dos principais 
gramados de futebol do 
Brasil, como Maracanã, 
Morumbi, Mineirão e outros. 
Também é a espécie de 
grama da grande maioria dos 
gramados residenciais 
brasileiros. Devido ao seu 
forte sistema radicular e 
 
 
9 
9 
 
Figura 3 - Zoysia matrella (L.) Merr. – Mini Zoysia 
rizomas, muito resistente à seca e é bastante usada em contenção de taludes e 
em áreas de potenciais problemas de erosão. Adapta-se a diferentes tipos de 
solo, de arenosos a argilosos; exceto os solos com baixa capacidade de 
drenagem. Desenvolve-se bem em áreas de plena insolação, tolerando um 
mínimo de sombreamento. Sua altura de corte ideal é de 1,25 a 3,0 cm. (Gurgel, 
2003). 
 
4.2.1.2. Zoysia matrella (L.) Merr. – Mini Zoysia 
Com origem na Ásia, Japão e península coreana, algumas variedades 
foram introduzidas no Brasil no início do século passado, por imigrantes 
japoneses (Gurgel, 2003). 
Apresenta a maioria das características agronômicas e morfológicas da Z. 
japonica, porém suas folhas são mais estreitas, curtas e coriáceas, conferindo 
uma sensação de “espetada” ao tato (Figura 3). Outra característica peculiar 
desta espécie é a formação “tufos”, ou “montinhos” de grama, se não podada 
regularmente. Este tipo de formação é devido à sua alta densidadee 
crescimento rizomatoso. Seu principal problema é a sua alta densidade, que 
dificulta a poda, exigindo até roçadeiras helicoidais (Gurgel, 2003). 
Sua principal 
utilização é em gramados 
orientais ornamentais, 
podendo ser usada em 
“tees” e bordaduras de 
greens de campos de 
golfe; e até em gramados 
residenciais, desde de que 
mantida adequadamente 
(Gurgel, 2003). 
 
 
10 
10 
 
Figura 4 - Cynodon dactylon x transvaalensis - Bermuda 
Híbrida 
4.2.2. Bermudas – Cynodon spp. L.C.Rich 
Descritas como uma das piores ervas daninhas do mundo a conhecida 
grama seda, mas também como sendo a planta com a maior distribuição 
geográfica do planeta; as gramas Bermudas prestam um grande serviço à 
humanidade. 
A alta taxa de crescimento deste gênero resulta em uma capacidade de 
altíssima recuperação em áreas marginais ou danificadas por tráfego excessivo. 
Chegou a ser demonstrado que num ambiente ideal de crescimento, 
temperatura, umidade e nutrição e com multiplicações freqüentes e 
programadas, seria possível em um ano, a partir de 1m2 de Bermuda, cobrir 50% 
da área do mundo (Busey e Myers, 1979). 
As variedades primitivas são originárias da África, de onde foram 
introduzidas nos EUA em 1751. Em 1920, variedades de Bermuda já eram 
utilizadas em gramados residenciais e em campos de golf (Gurgel, 2003). 
Possui hábito de crescimento estolonífero-rizomatoso, textura das folhas 
de fina à média, densidade alta, cor verde de intensidade moderada à verde 
intenso e profundo (Gurgel, 2003). 
Bainha dobrada, lígula frangeada com presença de pelos, e facilmente 
confundida com a lígula de Zoysias. Porém seus perfilhos são mais prostrados 
se comparados aos de Zoysias (eretos), suas folhas possuem pelos esparsos 
nas duas faces, enquanto as folhas de Zoysia tem mais pelos na face superior 
das folhas, e seus rizomas 
e estolões são mais 
macios e delicados, em 
oposição aos de Zoysia 
que são grossos, duros e 
pontiagudos. Reprodução 
vegetativa ou por 
sementes (Figura 4) 
(Gurgel, 2003). 
 
 
11 
11 
As Bermudas não toleram áreas sombreadas, é altamente exigente em 
nutrição e umidade e manutenção (i.e. poda), exatamente devido ao seu alto 
potencial de recuperação e conseqüentemente de consumo. Não se desenvolve 
bem em áreas de má drenagem, nem em solos compactados. Também não se 
desenvolve bem em baixas temperaturas, passando para uma cor marrom 
(princípio de dormência) em temperaturas abaixo de 8 °C. Tolera apenas geadas 
leves, mas acaba morrendo em temperaturas abaixo de zero por muitos dias 
seguidos (Gurgel, 2003). 
As variedades são amplamente utilizadas em gramados esportivos, 
devido às suas características de rápida recuperação já citada. Em Campos de 
futebol no Brasil tem-se assistido a uma gradual substituição de Esmeralda, por 
variedades de grama Bermuda, principalmente híbridos. A altura ideal de corte 
pode variar de 2 a 25 mm (Gurgel, 2003). 
Existem oito espécies reconhecidas, mas apenas 3 se encaixam como 
variedades esportivas ou ornamentais (Gurgel, 2003): 
C. dactylon 2n=36 (comum, U-3) 
C. transvaalensis 2n=18 (Bermuda Africana) 
C. magenissii 2n=27 (Tifton 328, 419, Tifdwarf e outros). Híbridos 
interespecíficos de C. dactylon x C. transvaalensis. 
Os híbridos são a exata mistura das duas espécies, possuindo uma 
ampla faixa de largura de folhas, variação de retenção de verde no outono, 
rizomas e estolões, e estéreis, ou sem produção de sementes. Como exemplo, a 
bermuda Tifway 419 é produzida e certificada internacionalmente na Green 
Grass, cujas principais utilizações são em gramados esportivos. 
 
 
12 
12 
 
Figura 5 - Axonopus affinis Chase - grama São Carlos. 
4.2.3. São Carlos – Axonopus compressus Chase 
Sua mais provável origem é a América do Sul, podendo ser nativa da 
região Sul do Brasil (Gurgel, 2003). 
Apresenta hábito de crescimento estolonífero, folhas largas e pilosas, 
baixa densidade, cor verde brilhante, reprodução vegetativa e por sementes 
(Figura 5) (Gurgel, 2003). 
A baixa resistência ao 
pisoteio, má formação de 
tapetes, devido aos seus 
estolões susceptíveis a 
apodrecimento são seus 
principais problemas. 
Sensível a algumas doenças 
foliares e de solo (Gurgel, 
2003). 
Tem boa adaptação a 
áreas sombreadas, podendo ser usada em projetos específicos. Não se presta 
para gramados esportivos devido ao seu hábito estolonífero, e conseqüente 
baixa capacidade de regeneração a danos mecânicos. Média exigência em 
termos de nutrição, não se adapta a solos pesados e mal drenados. De ciclo 
perene, sua altura ideal de poda deve ser mantida em torno de 3 a 4 cm (Gurgel, 
2003). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
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5. ATIVIDADES REALIZADAS NO ESTÁGIO 
 
5.1. IMPLANTAÇÃO DE GRAMADO COMERCIAL. 
 
5.1.1. Preparo do Solo 
 
A constante renovação de áreas de cultivo, na propriedade, proporcionou 
ao estagiário o acompanhamento e participação nas atividades de organização e 
execução de implantação de gramados comerciais. 
A implantação correta de um gramado comercial é de grande importância, 
pois evita perdas na colheita, diminui o tempo de fechamento do gramado, 
melhora o acabamento final da leiva, rende mais cortes e facilita a renovação da 
área. A seguir estão descritos as etapas bem como doses de insumos aplicados 
no processo. 
Inicialmente, deve-se delimitar a área desejada ou possível, com 
levantamento topográfico, para nivelamento, abertura das valas e conhecimento 
das medidas, a fim de melhorar o controle das demais técnicas de manejo. 
Também é realizado o caminhamento da área, identificando as partes que 
devem receber aterro e as partes que devem ceder aterro, devidamente 
embandeiradas. 
A primeira fase consiste na diminuição do banco de sementes do solo, 
com aplicação de herbicidas de ação total nas áreas em questão. O número de 
aplicações dependerá de quão infestada a área se encontra, época do ano e 
condição de umidade do solo no caso de herbicidas pré-emergentes. 
 
 
14 
14 
 
Figura 6 – Arrastão e Plaina Boelter – Campo suspenso da PUC, Porto Alegre-GreenGrass 
Após a diminuição do banco de sementes, é iniciado o processo de 
demarcação da área e abertura das valas de drenagem e nivelamento em si, 
realizado com implementos tratorizados, conhecidos como “scraper” e 
niveladora Boelter. A figura 6 ilustra os implementos anteriormente citados. 
A fase de nivelamento consiste em duas etapas. A primeira realiza um 
trabalho grosseiro, movimentando solo das partes mais altas para as mais 
baixas. Com a etapa anterior concluída, a niveladora Boelter permite a utilização 
de nivelamento com auxílio de raio laser, controlando o acionamento hidráulico 
do trator automaticamente e assim facilitando o processo. A declividade final é 
de 0,5% para cada lado da área, no sentido do maior comprimento. 
Nas partes próximas às valas, onde o solo é rebaixado e assim 
compactado, a passagem de grade niveladora era realizada, facilitando assim o 
nivelamento das laterais. 
Com a segunda etapa no nivelamento concluída, é feita a calagem (PRNT 
95%, 300kg/ha) e adubação de base (fosfato natural reativo, P2O5 reativo total 
29%, cálcio 35%, 120kg/ha) e incorporação com grade niveladora fechada. 
Por fim, um arrastão dá um acabamento na área, nivelando pequenas 
depressões e rolo compactador para suavizar eliminar torrões. 
 
 
15 
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Figura 7 – Mudas sprigging de 
grama São Carlos. 
 
Figura 8 – Colheita de mudas sprigging 
(Green Grass). 
 
5.1.2. Plantio Sprigging 
Como a maioria das espécies apresenta 
sementes inviáveis,de maneira geral, a 
propagação vegetativa é adotada na 
implantação de gramados comerciais. 
O plantio sprigging consiste no plantio 
de pequenas mudas (“sprig”, ramo em inglês) 
colhidas mecanicamente e com plantio manual 
ou mecânico (Figura 7). Este sistema é 
indicado para plantio de campos de golfe, polo, centros esportivos e grandes 
áreas (maiores que 20 mil m²), com rendimento variando de 700 a 1000m² para 
cada metro cúbico de muda. 
Como vantagens do sistema, encontram-se a grande redução nos custos 
de implantação, por ser totalmente mecanizado (alto rendimento operacional de 
plantio, com até 5 ha/dia considerando colheita e plantio); uma alta densidade de 
plantio de mais de 600.000 mudas/ha; fechamento da área plantada em até 60 
dias. 
A coleta das mudas pode ser realizada com até três dias de 
antecedência, em área previamente escolhida, livre de invasoras, insetos e 
doenças. Outra vantagem do sistema é 
o aproveitamento de áreas impróprias 
para colheita em leivas, como 
cabeceiras e áreas com fechamento 
imperfeito. 
O plantio dever ser, 
preferencialmente, em temperaturas 
amenas, evitando horários de sol pleno 
no verão (Figura 8). Plantios sprigging 
de inverno são inviáveis na região Sul do Brasil. 
 
 
16 
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Figura 9 – Grade para plantio sprigging. 
O principal cuidado no plantio sprigging é a profundidade dos discos de 
corte do solo, que não devem ser demasiadamente superficiais e assim facilitam 
a lavagem das mudas pela irrigação ou chuva forte. É indicado em torno de 5 cm 
de profundidade. 
Após o plantio com a máquina 
específica, uma grade com discos 
planos e perpendiculares e rolo 
compactador é utilizada para reforçar o 
enterramento das mudas (Figura 9). 
A operação de plantio poder ser 
realizada manualmente, espalhando as 
mudas na superfície previamente 
preparada com auxílio de garfos 
manuais ou até mesmo as mãos, 
deixando a área uniformemente 
coberta. Após o processo de 
espalhamento das mudas, é 
fundamental a ocorrência de uma gradagem leve para o enterramento das 
mudas. 
 
 
5.1.3. Irrigação pós-plantio 
Após qualquer tipo de plantio, a irrigação é fundamental a fim de eliminar 
os espaços entre as raízes das mudas e o solo e com isso acelerar o processo 
de pega das mudas. Imediatamente após o término do plantio é aplicada uma 
lâmina de 10 mm de água, diariamente, nas duas primeiras semanas após o 
plantio. Com o desenvolvimento do gramado, são necessárias de duas a três 
irrigações semanais, variando de 10 a 15 mm conforme condições ambientais 
como precipitação e temperatura. É recomendada a instalação prévia de sistema 
de irrigação. 
 
 
 
17 
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5.2. ADUBAÇÃO E CALAGEM 
 
Durante o período de trabalho na propriedade, o estagiário teve 
oportunidade de acompanhar, auxiliar e executar operações de adubação e 
calagem, como cálculo de doses, calibragem de equipamentos e auditorias 
sobre os procedimentos de aplicação. 
Em sistemas de produção de gramas, a retirada de nutrientes do local é 
grande, pois, além dos nutrientes extraídos pelas plantas, uma parte dos 
nutrientes contidos numa camada mais superficial também é retirada da área. 
Portanto, estes solos podem ter sua fertilidade reduzida se não for realizada 
uma reposição adequada de nutrientes que vise atender a demanda das plantas 
para a produção do tapete e manter um nível adequado de fertilidade do solo 
(Godoy e Villas Bôas, 2003). 
Dos macronutrientes o nitrogênio é o nutriente requerido em maiores 
quantidades pelas gramas (Bowman et al., 2002). Doses maiores de N e maior 
freqüência de aplicação podem reduzir o tempo de produção da grama, 
entretanto, doses excessivas promovem o crescimento da parte aérea em 
detrimento do sistema radicular, reduzindo a capacidade do tapete de ser 
manuseado após o corte (“liftalility”) (Christians, 1998; Carrow et al., 2001). 
A importância do fósforo para o crescimento de raízes é bem conhecida e 
gramas desenvolvidas em solos deficientes em P são incapazes de produzir 
sistema radicular bem desenvolvido (Christians, 1998), refletindo no fechamento 
do gramado e na qualidade da leiva. 
Ao contrário do nitrogênio e do fósforo, o potássio não é um nutriente que 
proporcione aumentos no crescimento vegetativo da parte aérea ou das raízes, 
nem uma melhor coloração, que são efeitos bem visíveis em gramados, mas 
está relacionado aos mecanismos de estresse da planta. Por este motivo, muitas 
vezes não são observados efeitos da aplicação de potássio em gramados, 
embora possa aumentar a produção de carboidratos, aumentar a resistência ao 
estresse e aos patógenos (Christians, 1998). Todos estes efeitos do potássio 
 
 
18 
18 
 
Figura 10 – Calagem em cobertura após descompactação. 
são explicados pela principal função do K na planta: é o principal regulador da 
abertura e fechamento dos estômatos das folhas. 
Na propriedade onde foi realizado o estágio, a adubação de cobertura é 
realizada a lanço, com adubadeira centrífuga, 24 metros de largura útil. A 
aplicação é realizada mensalmente no verão – período de maior crescimento - 
com doses de 130 kg ha-1 de adubo formulado 20-10-20 (NPK) e 140 kg ha-1 de 
uréia. 
As quantidades de calcários a serem aplicadas devem ser baseadas na 
saturação por bases do 
solo e saturação ideal 
para a cultura, levando em 
conta a eficiência do 
calcário. Para as gramas 
em geral recomenda-se 
que a saturação por bases 
seja elevada a 60 ou 70%. 
Em geral, as espécies 
cultivadas na propriedade 
apresentam pH ótimo de 
crescimento variando de 
5,0 a 6,5 (Richardson, 2003). 
A calagem em cobertura é realizada com doses de até 1 t ha-1 após 
colheita e antes da operação de descompactação do solo (Figura 10), uma vez 
que o calcário apresenta solubilidade e mobilidade muito baixa, podendo deixar 
a camada superficial alcalina e assim indisponibilizando micronutrientes. 
 
 
5.3. IRRIGAÇÃO 
 
No local de realização do estágio, a irrigação se dá por meio de pivôs 
centrais e autopropelidos. 
 
 
19 
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Figura 11 – Pivô Central 
O pivô central consiste numa tubulação com vários aspersores ou bocais, 
devidamente espaçados, suspensa acima da cultura por pequenas torres, 
providas de rodas e dispositivo motor. O equipamento funciona girando em torno 
de um eixo central, o pivô, irrigando uma área circular (Figura 11). 
Como é inteiramente automatizado, proporciona economia de mão-de-
obra em relação a alguns sistemas. É altamente eficiente para algumas culturas. 
Por outro lado, tem um custo de implantação alto, se comparado com a irrigação 
de superfície, e causa perdas no aproveitamento da área (cantos ou "corners" 
não são aproveitados). Alto custo de manutenção, encharcamento do solo 
(dependendo da capacidade de infiltração), a dispersão e perda de água são 
possíveis inconvenientes que existem com o uso de pivô central. 
Os equipamentos autopropelidos são utilizados nas áreas sem irrigação 
fixa. Este sistema aplica a água enquanto se desloca pelo terreno. Consiste num 
aspersor montado sobre um chassi com rodas e que dispõe de mecanismo 
propulsor, o que permite o deslocamento do aparelho com a pressão da água, 
que vai sendo aplicada na área. 
Em relação à dosagem de água, é preferível aplicação de lâminas 
maiores (10 a 13 mm) e com maior intervalo de tempo do que lâminas menores 
(5 a 8 mm) e mais freqüentes, favorecendo o crescimento radicular em 
profundidade. Raízes profundas terão disponibilidade de água maior por terem 
acesso a níveis mais profundos e úmidos, sendo mais resistentes à secas e dias 
 
 
2020 
quentes que secam rapidamente a superfície. No verão, a irrigação se da 
diariamente, seguindo os parâmetros acima citados e a precipitação. 
O estagiário teve oportunidade de operações simples em pivô central, 
como acionamento, programação e manutenção em tais equipamentos, bem 
como em autopropelidos. 
 
 
5.4. ROÇADA 
 
Sem sombra de dúvida, o corte do gramado é a operação de manutenção 
mais importante. Um corte correto em operação e freqüência proporciona 
uniformidade no gramado, favorece a densidade de plantas e crescimento 
horizontal, evita acamamento e emissão de pendão, assim conferindo um 
gramado fechado, verde e agradável em visual e textura. 
A eficiência do processo se dá pela freqüência dos cortes e pela altura de 
corte e estes dependem da espécie, época do ano, regime de irrigação, 
adubação e máquinas adequadas. 
Cortes com menor frequência farão grande remoção de área foliar, 
causando um choque fisiológico na planta, formando áreas branqueadas (sem 
folha, chamado “scalping”), ou opacas, diminuindo a fotossíntese e a capacidade 
de absorção dos nutrientes pela planta, diminuindo reservas do sistema 
radicular. Também provocará o aumento de aparas criando condições favoráveis 
a doenças e insetos. 
Excesso de fertilidade, calor e água levarão à necessidade de maior 
freqüência de cortes. Caso a intenção seja menor freqüência de corte no verão, 
deve-se diminuir o nível de adubação e a freqüência da irrigação, ou então, usar 
gramas de crescimento lento como as Zoyzias. 
A altura de corte também merece atenção. Deve-se respeitar a “one third 
rule” ou seja, a regra do 1/3, onde nunca deve-se cortar mais que 1/3 da altura 
do gramado. Respeitando esta regra, após o corte ainda mantém-se área foliar 
fotossinteticamente ativa e ainda evita-se o “scalping” do gramado. 
 
 
21 
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Figura 12 – Scalping em Bermuda 419. 
Ainda a cerca da regra do 1/3, quando seguida corretamente, as aparas 
da grama cortada não necessitam ser recolhidas, devolvendo fertilidade ao solo. 
 Na Tabela 1 são apresentados parâmetros de altura de corte e frequência 
de algumas espécies. 
 
 
Com relação aos defeitos da roçada, o “scalping” ou seja, excesso de 
área foliar retirada, prejudicando a fotossíntese, retardando crescimento e 
afetando o visual do gramado (Figura 12). 
Outro defeito relacionado à roçada é a formação do “thatch” (Figura 13). 
Gramados intensamente manejados sempre desenvolvem uma camada de 
material vegetal (raízes, rizomas, folhas, etc.) sob a superfície do solo chamada 
de colchão ou “thatch” (Figura 13). 
Tabela 1 – Alltura e frequência de corte de diferentes espécies de grama. 
Características 
gerais 
Esmeralda e Mini 
Zoysia 
São Carlos Bermuda Tifway 
Altura de corte 2,5 a 5 cm 2,5 a 5 cm 1,5 a 3 cm 
Freqüência de 
corte 
 
Verão 2 vezes por 
semana 
1 vez por 
semana 
2 vezes por 
semana 
Inverno 1 vez por 
semana 
2 vezes por mês 2 vezes por 
semana 
 
 
 
22 
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Figura 14 – Conjunto de roçada – trator com pneus tipo balão e roçadeira Progressive. 
Figura 13 – Thatch (Advanced Turfgrass 
Management, 2012). 
A formação desta camada está diretamente ligada ao programa de 
adubação do gramado (excesso de N), crescimento acelerado e roçadas 
atrasadas, com grande formação de aparas. Quando não recolhidas, essas 
aparas são lavadas pela chuva e se depositam sobre o solo e abaixo das folhas. 
O colchão pode prejudicar a drenagem 
e translocação de nutrientes, favorece a 
ocorrência de doenças, pragas e até a 
morte do gramado por abafamento 
(Christians, 1998). 
A umidade do solo também deve 
ser considerada. Deve-se evitar a 
roçada em áreas encharcadas, a fim de 
não marcar a área e compactar o solo. 
Na propriedade, as áreas de 
colheita são roçadas sempre no dia anterior à colheita, evitando contratempos e 
mantendo a qualidade do produto entregue aos clientes. 
Em relação aos equipamentos utilizados pode-se citar a roçadeira 
Progressive TDM-15, Lavrale e Tatu faca simples. Todos são tratorizados e 
equipados com pneu tipo balão (Figura 14), 
 
 
 
23 
23 
 
Figura 15 – Progressive TDM-15 (Progressive Turf 
Equipment Ltd., 2012). 
 
Figura 16 – Roçadeiras Lavrale e Tatu. 
A roçadeira 
Progressive TDM-15, 
importada, é constituída por 
três plataformas móveis, de 
três lâminas cada e largura 
útil de 4,5 metros (Figura 
15). A altura de corte varia 
entre 13 e 100 mm com 
rendimento operacional de 
até 4 ha/hora, dependendo 
da altura da grama. Na propriedade onde o estágio foi realizado, a Progressive é 
destinada a áreas com grama fechada e áreas de colheita. A altura de corte é de 
30 mm, proporcionando um gramado verde e uniforme. 
As roçadeiras Lavrale e Tatu (Figura 16) são destinadas a áreas abertas 
e para auxiliar a roçadeira Progressive quando a mesma está atrasada, por 
motivos de manutenção ou chuva. 
A roçadeira Lavrale AT 150 GR, possui três conjuntos de corte, largura 
útil de 1,5 m e altura de corte de 1 a 11 cm. 
A roçadeira Tatu RC 1500, apresenta largura útil de 1,5 m e altura de 
corte de 4 a 14 cm. 
No terço final do período de atividades, o estagiário foi responsável pela 
organização geral da roçada, julgando quais eram as áreas com prioridades, 
 
 
24 
24 
 
Figura 17 – Agri-vator descompactador (First Products AGRI-vator, 2012). 
mantendo as áreas de colheita com corte adequado, manutenção dos 
equipamentos e escala de funcionários responsáveis pela roçada. 
 
 
5.5. DESCOMPACTAÇÃO 
 
O intenso tráfego sobre as áreas, bem como as características físicas do 
solo são as principais causas da compactação do solo. 
Solos compactados afetam diretamente o crescimento radicular das 
plantas, infiltração de água no solo, translocação de nutrientes, refletindo no 
crescimento da parte aérea e assim produzindo gramados de aparência 
indesejável. 
O trabalho de descompactação do solo permite uma boa drenagem da 
área e um maior enraizamento. A dificuldade deste processo se dá pela cultura 
estar implantada na área, necessitando assim equipamento especial. 
A descompactação mecânica é realizada com a área parcialmente aberta, 
após primeira colheita, sem danificar os estolões e sempre associada com 
calagem de cobertura e adubação. 
O equipamento utilizado, chamado AGRI-Vator (Figura 17), penetra 
aproximadamente 16 cm no solo, atingindo a região de crescimento radicular, 
descompactando tal faixa com ação vibratória, possibilitando a infiltração de 
água, aeração do o solo e possibilitando melhor aproveitamento da calagem e 
 
 
25 
25 
adubação. 
Embora apresente largura útil de 3,60 m, é um processo que despende 
tempo, por exigir baixas velocidades de operação para aperfeiçoar a 
descompactação. Porém, é um processo muito importante e com resultados 
significantes. 
A técnica de descompactação foi realizada durante o período de estágio e 
possibilitou ao estagiário a verificação das condições ótimas de realização do 
processo bem como avaliação da eficiência e realização de auditorias. 
 
5.6. CONTROLE DE INVASORAS, PRAGAS E DOENÇAS 
 
5.6.1. Invasoras 
Consideramos como invasora toda a planta que cresce onde não é 
desejada. 
As invasoras crescem juntamente com a grama e podem implicar em 
perdas diretas, pela competição por água, luz, CO2 e nutrientes, também podem 
exercer inibição química sobre o desenvolvimento do gramado e ainda prejudica 
a aparência do mesmo, perdendo valor comercial (Henriques, 2003). 
Podemos citar três grandes grupos de invasoras: gramíneas, ciperáceas 
e latifoliadas. As gramíneas são as de maior dificuldadede controle e devem ser 
prevenidas. As ciperáceas possuem tecidos de reserva e dois meios de 
propagação, sexuado e assexuado, dificultando seu controle. As invasoras 
latifoliadas são mais facilmente controladas, com menor dano ao gramado. 
(Kuhn, 2004) 
Dentre as principais invasoras, destacam-se as listadas na Tabela 2 a 
seguir. 
 
 
 
 
 
 
 
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26 
Tabela 2 – Principais espécies e plantas invasoras de acordo com Kuhn (2004). 
Nome científico Nome popular 
Gramíneas 
Poa annua pé-degalinha, bluegrass 
Digitaria spp. milhã, papuã, crabgrass 
Setaria glauca 
Setaria viridis 
Setaria geniculata 
setária, cola-de-gato, foxtail 
Eleusine indica capim-pé-de-galinha, goosegrass 
Brachiaria spp. braquiária, alexandergrass 
Panicum repens capim torpedo, torpedograss 
Paspalum spp. pensacola, batatais, bahiagrass 
Cynodon dactylon 
bermuda, paulista, grama seda, 
bermudagrass 
Pennisetum clandestinum quicuio, kikuiograss 
Ciperáceas 
Cyperus brevifolius Capim-limão, green kyllinga 
Cyperus esculentus tiriricão, yelow nutsedge 
Cyperus rotundus tiririca, purple nutsedge 
Latifoliadas 
Soliva pterosperma roseta, lawn burweed 
Oxalis stricta 
Oxalis oxyptera 
Falso trevo, woodsorrel 
Taraxacum sp 
Oenothera sp. 
Rumexsp. 
língua de vaca 
Hydrocotyle sp. Orelha-de-sapo, dollarweed 
Hypoxis decumbens falsa tiririca 
 
O combate às ervas daninhas consiste na adoção de certas práticas, que 
resultam na redução da infestação, mas não, necessariamente, na sua completa 
eliminação (Henriques, 2004). No caso de gramados podemos considerar as 
seguintes formas de combate: mecânico e o químico. 
Combate mecânico: uso de práticas de eliminação de ervas através do 
efeito mecânico, como arranquio manual, capina manual, roçada e o cultivo 
mecanizado. 
Combate químico: utilização de herbicidas. De maneira geral os 
herbicidas são seletivos ou não seletivos e também podem ser classificados em 
relação ao estágio de desenvolvimento da daninha, da grama ou de ambas, 
 
 
27 
27 
quando da aplicação, em pré-emergência e pós-emergência. O grande problema 
é que não existem herbicidas seletivos registrados para gramas no Brasil. 
Na propriedade onde o estágio foi realizado, o controle de invasoras é 
realizado mecanicamente, com roçadas programadas a fim de evitar a produção 
e propagação de sementes das invasoras e utilizando a máquina de colheita 
para “colher” manchas com invasoras. Outro método bastante utilizado é a 
capina manual, de grande demanda de mão-de-obra e tempo. 
Durante a realização do estágio, o aluno atuou na supervisão e 
distribuição de funcionários e equipamentos aos mesmos. Também realizou 
auditorias e vistorias nas áreas de colheita. 
 
5.6.2. Pragas e Doenças 
De maneira geral, as pragas e doenças são de menor importância na 
produção de gramados mas causam danos e prejuízos. 
Em relação às pragas, as mesmas podem se alimentar da parte aérea e 
radicular dos gramados, conferindo redução de crescimento e detrimento da 
qualidade do produto. 
Destacam-se coleópteros (Sphemophorus sp.), ortópteros (Grylothalpa 
hexodactyla), cochonilhas (Antonina graminis) e cupins do gênero Syntermes 
(Henriques, 2004). 
Durante o estágio, a ocorrência de pragas foi de fácil percepção, pela 
grande quantidade de aves se alimentando de larvas e adultos nas áreas. O 
controle se dá culturalmente, pois não existem inseticidas registrados para a 
cultura. 
Dentre as doenças, podemos enfatizar as fúngicas, como Esclerotinia, 
Rhizoctoniose, Puccinia e Helmintosporiose, controladas culturalmente e com 
fungicidas específicos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento. Durante o período de estágio, não foram observadas doenças. 
 
 
 
 
 
28 
28 
 
Figura 18 – Conjunto de colheita Brouwer. 
5.7. COLHEITA 
 
5.7.1. Colheita de Placas 
A colheita de grama é totalmente mecanizada, necessitando maquinário 
específico para tal operação. A unidade de Santo Antônio da Patrulha conta com 
duas máquinas colhedoras, das marcas Brouwer e Kesmac, ambas com sistema 
de piloto automático (Figura 18). Apresentam capacidade de colheita de até 4 
mil metros quadrados de grama por dia cada, dependendo da qualidade da área 
(tamanho do talhão e qualidade da grama) e habilidade do operador e dos 
responsáveis pela acomodação das placas no palete. 
 
 
Com o fechamento total e visual do gramado, a área a ser colhida deve 
antes passar por testes de colheita (Figura 19), verificando se a mesma atende 
aos fatores de comercialização e qualidade de placa (leiva). 
 
 
 
 
29 
29 
 
Figura 19 – Área em teste de colheita. 
 
Figura 20 – Placa padrão de colheita (esquerda) e placa desuniforme (direita). 
Antes da realização do teste de 
colheita, a área deve ter passado pelas 
operações de roçada (altura de corte de 
aproximadamente 32 mm) e rolo 
compactador. A área deve estar 
uniformemente fechada, sem “buracos” 
de grama aberta, com estolões 
entrelaçados e com umidade do solo 
adequada (capacidade de campo). Com a 
colheita das placas, excluídas as 
cabeceiras, as mesmas são 
inspecionadas quanto à integridade física 
(Figura 20), ou seja, devem apresentar 
solo uniforme, espessura variando entre 
15 a 20 mm de solo e peso não superior a 6 kg e quebra de placas variando 
entre 5 e 8%. A espessura e o peso estão diretamente relacionados à umidade 
do solo. A espessura do corte do tapete influencia na rebrota do ciclo seguinte, 
pois os rizomas subsuperficiais que ficam no solo são capazes de rebrotar para 
cobrir novamente o solo. 
 
 
30 
30 
Áreas de colheita com muita umidade refletem em quebra de placas e 
assim diminui o rendimento da área, bem como excesso de peso nos caminhões 
que realizam o transporte da grama. 
Atendendo os pré-requisitos, a área é liberada para colheita. Mais de uma 
área, da mesma espécie deve ser liberada para colheita, uma vez que a área em 
colheita pode não atender algum parâmetro, tendo assim outra como reserva. 
Para melhor controlar a umidade das áreas de colheita, as mesmas devem ser 
irrigadas um dia antes da colheita, com lâmina não superior a 10 mm, salvo 
exceções em caso de chuva. Precipitações acima de 7 mm, na propriedade, 
inviabilizam a colheita. 
O processo de pesagem da placa consiste na pesagem de, no mínimo, 30 
placas separadas aleatoriamente durante a formação do palete, realizada nos 
primeiros minutos da colheita. O peso médio é informado ao Gerente de 
Produção e ao setor de logística. 
Outros processos são realizados durante a colheita, de responsabilidade 
do operador da colhedora, como a contagem de placas quebradas e conferência 
do número de placas do palete. A troca da lâmina de corte é realizada duas 
vezes por dia. Lâminas sem poder de corte afetam a integridade das placas. 
Todas as atividades realizadas, bem como a contagem de placas quebradas de 
cada palete são contabilizadas e documentadas em uma planilha de colheita, 
onde consta o nome da área, os funcionários envolvidos, atividades de 
manutenção, qualidade da roçada, qualidade da placa, bem como todos os 
horários de cada operação. 
Devemos atentar a um detalhe em relação à espécie a ser colhida. Como 
já foi mencionado, o hábito de crescimento das espécies de grama pode ser 
estolonífero ou estolonífero e rizomatoso. Espécie de crescimento unicamente 
estolonífero, caso da grama São Carlos, a operação de colheita deve deixar 
material propagativo para a próxima colheita, ou seja, um filete de grama (Figura 
21). Para as outras espécies, os filetes são indesejáveis, retirando toda a grama 
possível.31 
31 
 
Figura 21 – Filetes de propagação em grama São Carlos. 
 
5.7.2. Colheita de BIG ROLL e SPRIGGING 
Assim como a colheita de placas, a colheita em BIG ROLL (Figura 22) 
atende aos parâmetros de umidade e integridade da “placa” que é contínua e 
enrolada (Figura 23). São de importância os parâmetros como umidade do solo, 
altura de corte da grama e uniformidade do solo do rolo 
Na colheita de mudas sprigging, o parâmetro mais importante é a 
umidade do solo, e neste caso, quanto menor for a umidade, melhor a qualidade 
da muda para venda em caixas (Figura 24). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
32 
 
Figura 24 – Conjunto de colheita Sprigging. 
 
Figura 23 – Instaladora de Big Roll Brouwer 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 22 – Colheita de Big Roll, Bermuda TifWay 419. 
 
 
33 
33 
O estagiário teve participação na colheita, como verificação de qualidade 
de placas, altura de corte, altura da grama (parte aérea), contagem de paletes, 
auxílio em casos de necessidade de manutenção da colhedora bem como 
solução de imprevistos que casualmente ocorriam durante a colheita. 
 
 
5.8. COMERCIALIZAÇÃO 
 
Todos os parâmetros citados, desde a implantação do gramado comercial 
até a colheita, refletem na qualidade do produto final e sua comercialização. 
Considerando que não há comercialização sem as etapas anteriores, o 
estagiário participou também da comercialização. 
Como produtos da empresa, destacamos a venda de grama em placas 
(leivas), em rolos, chamada de BIG ROLL, e caixas de mudas sprigging. 
As leivas são colhidas de forma mecanizada, padronizadas com 61 x 41 
cm, facilitando a sua conferência, transporte e instalação. A grama é colhida e 
organizada em paletes (palete com padrão brasileiro 1 x 1,20m) contendo 245 
leivas, 240 da venda e 5 extras, totalizando 60 m2 por palete (Figura 25) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25 – Palete padrão e Placa padrão de grama São Carlos. 
 
 
34 
34 
 
 
A tecnologia BIG ROLL, introduzida no Brasil pela Green Grass, consiste 
na comercialização de rolos contínuos de grama, com dimensões de 0,8 x 40 m 
(32m2). 
São indicados para áreas acima de 5 mil m2, com 90% de eliminação de 
emendas e rendimento de plantio de até 3 mil m2 por dia. Outra grande 
vantagem do sistema é a rápida consolidação do gramado, com condições de 
jogo em até 15 dias após conclusão. 
A comercialização de mudas sprigging (Figura 26) é realizada em caixas, 
colhidas mecanicamente e embaladas manualmente, com padão de 83 x 60 x 86 
cm, sendo recomendadas para 300 a 400 m2. Áreas plantadas com esse 
sistema estão fechadas em até 90 dias, desde que bem manejadas. 
As caixas seguem os mesmos padrões de colheita e plantio sprigging 
para gramados comerciais. 
 
 
 
 Figura 26 – Caixa de mudas de Bermuda 419 TifWay para comercialização. 
 
 
12. CONCLUSÕES 
 
 
O estágio realizado na Green Grass permitiu um grande aprofundamento do 
conhecimento teórico prático nas áreas relativas à produção e comercialização de 
gramas. Foi possível compreender todos os processos fundamentais de toda a cadeia 
produtiva. 
Outro aprendizado muito importante foi o trabalho em grupo e o gerenciamento 
do quadro de funcionários, delegação de funções e otimização da mão-de-obra. Tais 
fatores não são explanados durante o decorrer da graduação e refletem diretamente na 
formação de um profissional competente e de sucesso, bem como no sucesso da 
empresa empregadora. 
Em relação aos conhecimentos utilizados no decorrer do estágio, podemos 
concluir que a base fornecida durante a graduação é, sem dúvida, de grande qualidade. 
A produção de gramas esportivas e ornamentais se mostra em grande 
expansão, estimulada pela realização da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 
2016, mas principalmente pelo crescimento econômico do País. Tal expansão deve ser 
atendida com pesquisas e qualificação de mão-de-obra, atualmente, ambas em falta. 
 
 
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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Simpósio de Gramados - Manejo de Gramas Na Produção e em Gramados Formados, 
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