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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ___VARA CRIMINAL DA COMARCA xxxxxxxxx
SIGILOSO E URGENTE
xxxxxxxxxxxxxx, Delegado de Polícia Civil do Estado do xxxxxxxxxxxs, matrícula xxxxxxxxxxxx, Adjunto da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações, situado na xxxxxxxxxxxx, nesta cidade, vem à presença de Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 5º, XII, 144, IV, § 4º da Constituição Federal, c/c os artigos 3º, 4º, e 6º, III, 13, 240, 282, 283, 285, 311 e ss. todos do Código de Processo Penal, ajuizar a presente 
REPRESENTAÇÃO POR PRISÃO PREVENTIVA 
contra os nacionais abaixo nominados, mediante os fatos e fundamentos de direito adiante aduzidos.
A EXPOSIÇÃO DOS FATOS:
Trata-se de representação pelas seguintes medidas cautelares:
PRISÃO PREVENTIVA dos seguintes nacionais:
(1) xxxxxxxxxxxxx, RG n.º xxxxxxxxx, nascido em xxxxxxxxx, identificado conforme fotografia constante do cadastro civil do Estado do xxxxxxxxx, filho de xxxxxxxx, residente e domiciliado na xxxxxxxxxxxxxx;
 Convém ressaltar Ex.ª, que todos os Representados cadastrados civilmente, com endereços inclusos no respectivo documento, já não residem mais nesses locais. Esses criminosos mudam de endereços constantemente, pois o objetivo é dificultar o trabalho investigativo da polícia judiciária.
As representações em tela traduzem o resultado prático de investigações deflagradas por esta Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações, a partir de um crime de Roubo Majorado em concurso com o delito de Corrupção de Menor, ocorrido no dia 09/02/2018, às 17:00 horas, em que quatro criminosos abordaram as vítimas e cerca de quarenta passageiros na embarcação xxxxxxxx, logo após a saída da Marina xxxxxxxxx, passando-se por passageiros. Três dos criminosos utilizaram armas de fogo e outro com faca, aterrorizando todos, por cerca de três horas, subtraindo diversos objetos. Posteriormente, obrigaram as vítimas a refazer a rota e a desembarcar na Invasão Anaconda. 
Como podemos observar na ação desenvolvida pelos assaltantes, os mesmos são pessoas que premeditaram o crime, agindo com total especialidade.
Câmeras de vigilância locais registraram as feições dos criminosos, identificando, inclusive, a chegada do veículo Fiat Palio Preto de placas xxxxxxxxx. 
A vítima, xxxxxxxxx, proprietário da embarcação xxxxxxx o qual faz transporte para comunidades ribeirinhas próximas a xxxxxxxxxaduz: “QUE xxxxxxxxxxxxxxxxxxx (...)”. 
Após o crime, todos os procedimentos necessários para subsidiar sua autoria foram realizados, e, com sucesso, a equipe de investigação, após analisar as filmagens das ações dos criminosos, conseguiu qualificar três deles, juntando-se, inclusive, fotografias.
Prosseguindo-se nas investigações, as vítimas xxxxxxxxxx compareceram nesta especializada, e, reconheceram através de fotografia, com absoluta convicção, xxxxxxxxx e o menor xxxxxxxxxxxxxxx. Assim sendo, restou cristalina a participação dos Representados no crime de Roubo e Corrupção de Menor, em que vitimou xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.
Os pedidos se fundamentam a partir da constatação dos ilícitos, exsurgindo a necessidade de se ultimar investigações que irão subsidiar o titular da ação penal quando do oferecimento de eventual acusatória, o que torna imprescindível a concessão das medidas pleiteadas.
Importa frisar, Ex.ª, que o Reconhecimento Fotográfico foi primordial para elucidação dos crimes perpetrados, apontando a existência dos delitos e reforçando a suspeição contra os Representados.
 DO DIREITO:
II.I - DOS PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA:
O FUMUS COMMISSI DELICTI está caracterizado pela documentação corroborativa da autoria delitiva convergente aos representados. É plausível a pretensão em pauta, a qual se aplica à conjuntura concreta das medidas cautelares pleiteadas. Exsurge a materialidade do delito cometido, com fortes indícios de autoria. Adequação da autoria cujas preencheram os aspectos mínimos necessários para consolidar a materialização do crime.
Neste contexto, dispõe o artigo 312, caput, in fine do Estatuto Processual Penal, ipsis verbis:
ART. 312. A PRISÃO PRTEVENTIVA PODERÁ SER DECRETADA COMO GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA, DA ORDEM ECONÔMICA, POR CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL, OU PARA ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI PENAL, QUANDO HOUVER PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRIME E INDÍCIO SUFICIENTE DE AUTORIA. (GRIFO NOSSO)
Assim, os pressupostos para a decretação da prisão cautelar estão explícitos, senão vejamos:
a) Prova da existência do crime. Observem-se através das filmagens as quais revelam a veemência do crime e seu itinerário.
b) Indícios suficientes da autoria. Sobejam indícios referentes aos mais variados conteúdos típicos descritos no crime de Roubo, Corrupção de Menor. 
II.II DOS FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA:
O PERICULUM LIBERTATIS é similar ao PERICULUM IN MORA aplicado à circunstância sensível da prisão, diante da natural demora de tramitação de ação penal posterior, a qual oportunizará possível evasão dos investigados do distrito da culpa, dificultando a finalização integral da persecução penal. Temerário o prejuízo com a demora para a persecução penal e à sociedade que clama e exige cada vez mais Justiça dos órgãos constituídos.
 II.II.I DA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA:
É requisito autorizador da segregação cautelar dos representados, o qual deve ser entendido de forma ampla. A investigação procedida converge à situação de que os investigados são contumazes na prática do crime de roubo, a própria organização e divisão de tarefas demonstraram condutas que representam nocividade à sociedade, em razão do exemplo demonstrado, devendo recepcionar das autoridades constituídas pronta e impetuosa repreensão.
Fundamentos doutrinários contribuem para o entendimento e deferimento da questão sobre o conceito de Ordem Pública, asseverando de plácido e silva textualmente:
“…
SITUAÇÃO E O ESTADO DE LEGALIDADE NORMAL, EM QUE AS AUTORIDADES EXERCEM SUAS PRECÍPUAS ATRIBUIÇÕES E OS CIDADÃOS AS RESPEITAM E ACATAM, SEM CONSTRANGIMENTO OU PROTESTO; PROVIDÊNCIAS DE SEGURANÇA NECESSÁRIAS PARA EVITAR QUE O DELINQÜENTE PRATIQUE NOVOS CRIMES CONTRA A VÍTIMA E SEUS FAMILIARES OU QUALQUER OUTRA PESSOA, QUER PORQUE É ACENTUADAMENTE PROPENSO ÀS PRÁTICAS DELITUOSAS, QUER PORQUE, EM LIBERDADE, ENCONTRARÁ OS MESMOS ESTÍMULOS RELACIONADOS COM A INFRAÇÃO COMETIDA; NÃO DECORRE, NECESSARIAMENTE, DE CLAMOR SOCIAL”.
Sendo a ordem pública, portanto, expressão de tranquilidade e paz no seio social, objetiva-se, deste modo, impedir que os investigados continuem delinquindo no curso da persecução criminal.
II.II.II ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Exsurge in casu, pela característica dos delitos reportados, a colação probatória demonstrativa de sua complexidade.
Fatos como estes trazem intensa repercussão social, acalorando os ânimos e desaquietando os sentimentos, sendo que a garantia da ordem pública só se vê conquistada por meio do recolhimento preventivo dos representados.
Manutenir a segregação cautelar não compõe ofensa aos princípios constitucionais da presunção de inocência ou do devido processo legal, ante a licença ínsita no artigo 5º, LXI, da Constituição Federal ().[1: 	Art. 5º … LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;]
Destarte, analisando-se o feito sob a ótica dos pressupostos e condições que ensejam a decretação da prisão preventiva, denota-se o ajuste da medida, conforme a legalidade da custódia a ser ordenada.
II.II.III DA CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL
Almeja-se com o pedido de segregação cautelar, assegurar a prova processual contra a ação dos investigados em pauta, os quais poderão em tese, esvaecer provas do delito, mitigar vestígios e evidências, corromper, constranger ou ameaçar testemunhas frustrando a instrução criminal.
DA LEGISLAÇÃO:
Arrima-se tal pretensão com o vaticínio dosartigos 5º, XII, 144, IV, § 4º, da Constituição Federal, c/c os artigos 3º, 4º, 5º e 6º, III, 13, 240, 282, 283, 285, 311 usque 316, todos do Código de Processo Penal.
DA DOUTRINA
julio fabbrini mirabete, sobre a prisão preventiva, em seu comentário ao Código de Processo Penal, aduz que “…INDÍCIOS SÃO A REPRESENTAÇÃO DO FATO A SER PROVADO ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO LÓGICA, A QUAL REVELA UM OUTRO FATO OU CIRCUNSTÂNCIA…”.
E continua:
FUNDAMENTA EM PRIMEIRO LUGAR A DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA A GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA, EVITANDO-SE COM A MEDIDA QUE O DELINQÜENTE [SIC] PRATIQUE NOVOS CRIMES CONTRA A VÍTIMA OU QUALQUER OUTRA PESSOA, QUER PORQUE SEJA ACENTUADAMENTE PROPENSO À PRÁTICA DELITUOSA, QUER PORQUE, EM LIBERDADE, ENCONTRARÁ OS MESMOS ESTÍMULOS RELACIONADOS COM A INFRAÇÃO COMETIDA (CÓDIGO DE PROCESSO PENAL INTERPRETADO, 11ª ED, ATLAS, 2003, P. 803).
MAS O CONCEITO DE ORDEM PÚBLICA NÃO SE LIMITA A PREVENIR A REPRODUÇÃO DE FATOS CRIMINOSOS, MAS TAMBÉM A ACAUTELAR O MEIO SOCIAL E A PRÓPRIA CREDIBILIDADE DA JUSTIÇA EM FACE DA GRAVIDADE DO CRIME E DE SUA REPERCUSSÃO. A CONVENIÊNCIA DA MEDIDA DEVE SER REGULADA PELA SENSIBILIDADE DO JUIZ À REAÇÃO DO MEIO AMBIENTE À PRÁTICA DELITUOSA. EMBORA SEJA CERTO QUE A GRAVIDADE DO DELITO, POR SI, NÃO BASTA PARA A DECRETAÇÃO DA CUSTÓDIA, A FORMA E EXECUÇÃO DO CRIME, A CONDUTA DO ACUSADO, ANTES E DEPOIS DO ILÍCITO, E OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS PODEM PROVOCAR IMENSA REPERCUSSÃO E CLAMOR PÚBLICO, ABALANDO A PRÓPRIA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA, IMPONDO-SE A MEDIDA COMO GARANTIA DO PRÓPRIO PRESTÍGIO E SEGURANÇA DA ATIVIDADE JURISDICIONAL. (OB. CIT., P. 803).
De mais a mais, preconiza nestor távora () acerca da segregação preventiva, ipsis litteris:[2: 	Op. cit.]
É A PRISÃO DE NATUREZA CAUTELAR MAIS AMPLA, SENDO UMA EFICIENTE FERRAMENTA DE ENCARCERAMENTO DURANTE TODA A PERSECUÇÃO PENAL, LEIA-SE, DURANTE O INQUÉRITO POLICIAL E NA FASE PROCESSUAL. ATÉ ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA ADMITE-SE A DECRETAÇÃO PRISIONAL, POR ORDEM ESCRITA E FUNDAMENTADA DA AUTORIDADE JUDICIAL COMPETENTE (ART. 5º, INCISO LXI DA CF), DESDE QUE PRESENTES OS ELEMENTOS QUE SIMBOLIZEM A NECESSIDADE DO CÁRCERE, POIS A PREVENTIVA, POR SER MEDIDA DE NATUREZA CAUTELAR, SÓ SE SUSTENTA SE PRESENTES O LASTRO PROBATÓRIO MÍNIMO A INDICAR A OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, OS EVENTUAIS ENVOLVIDOS, ALÉM DE ALGUM MOTIVO LEGAL QUE FUNDAMENTE A NECESSIDADE DO ENCARCERAMENTO. (grifo nosso)
DA CONCLUSÃO:
Verifica-se, portanto, que a constrição da liberdade é necessária. Sua decretação é precisa, como medida de resguardar o trâmite procedimental da persecução criminal, consoante todos os argumentos fáticos e jurídicos ao norte escandidos.
EX POSITIS, CONCESSA VENIA MAXIMA, conforme predicação, provada a materialidade delitiva, determinados os meios empregados e as circunstâncias em que ocorreram, bem como individualizada a autoria, sem embargo da não conclusão das investigações, contentados estão os pressupostos legais, razão pela qual REPRESENTO a Vossa Excelência pela:
PRISÃO PREVENTIVA dos seguintes nacionais:
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Embasada pela fundamentação demonstrada, resultando, assim, na expedição dos competentes MANDADOS DE PRISÃO PREVENTIVAxxxxxxxxx em desfavor dos investigados para que aguardem na prisão o cumprimento do itinerário da resposta penal e processual do Estado.
Pede Deferimento.
 
xxxxxxxxxxxxxxx, 21 de março de 2018.
xxxxxxxxxxxxx
Delegado de Polícia Civil, adjunto da DERFD
Mat. Xxxxxxxxxxxxxxxxx
RELAÇÃO DE ANEXOS
DOC. 01 – Termos de Declaração das Vítimas;
DOC. 02 – Termos de Reconhecimentos Fotográficos;
DOC. 03 – Cadastro Civil dos Representados;
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