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Influências genéticas e ambientais Disciplina Desenvolvimento humano I Quais são as causas do desenvolvimento? Natureza x ambiente: eis uma das questões mais antigas e centrais na filosofia e na psicologia: Natureza x ambiente Pesquisas no início do século XX: “Durante esse período, muitos psicólogos supunham que as mudanças do desenvolvimento fossem, em grande parte, resultado da maturação. Eles supunham que as diferenças etárias que observavam representassem padrões universais inatos de desenvolvimento para todas as crianças” (Mussen, 1995, p. 14). Período após a segunda guerra mundial: “O ponto de vista predominante durante esse período era fortemente ambientalista e os pesquisadores relutavam em aceitar que o comportamento das crianças fosse determinado biologicamente” (Mussen, 1995, p. 16). Natureza x ambiente “A hereditariedade e não o ambiente é o principal criador de pessoas... quase toda a miséria e alegria que há no mundo não se devem ao ambiente... as diferenças entre as pessoas devem-se às diferenças que estão no interior das células com que nascem” (Wiggam, 1923, p. 42, citado por Shaffer, 2009, p. 37). - “Dê-me uma dúzia de bebês saudáveis, bem formados e, em um mundo específico em que irei criá-los, garanto que irei selecioná-los aleatoriamente e treiná-los para serem quaisquer tipos de especialistas que eu determinar – médicos, advogados, artistas, comerciantes, chefes, e até mesmo ladrões e trapaceiros, independentemente de seus talentos, tendências, habilidades, vocações e raça de seus ancestrais. Não há nada parecido com capacidade, talento, temperamento, constituição mental e características comportamentais herdadas” (Watson, 1925, p. 82, citado por Shaffer, 2009, p. 37). Interação entre natureza e ambiente Hoje, os desenvolvimentalistas concordam que o “desenvolvimento de uma criança é produto de algum padrão de interação entre natureza e meio ambiente” (Bee, 2003, p. 31). A questão, então, se complexifica: como natureza e ambiente interagem? Qual é a contribuição oferecida por cada processo? Genótipo e fenótipo Genótipo: conjunto específico de “instruções” contidas nos genes de um indivíduo. Fenótipo: conjunto de características reais observáveis. Resulta do genótipo, das influências ambientais (desde a concepção) e da interação entre ambos. Ex.: possível genótipo associado a QI alto + álcool durante a gravidez → possível dano ao sistema nervoso → retardo leve. ● Influência da natureza “A herança genética é individual, assim como coletiva” a- Inclinações e limitações inatas b- Maturação c- Herança genética (Bee, 2003, p. 33). Inclinações e limitações inatas Conceitos convergentes com a noção de ideias inatas. Os defensores destes conceitos argumentam que os bebês nascem com tendência a responder de determinadas maneiras, com “concepções preexistentes” e também com limitações quanto ao entendimento do mundo e ao número de caminhos desenvolvimentais possíveis. Maturação Termo usado para descrever padrões sequenciais de mudanças geneticamente programadas. Um padrão maturacional é universal e relativamente independente de influência ambiental. É requerido um mínimo de apoio ambiental. Possibilita mudanças físicas e psicológicas. Herança genética A natureza também pode contribuir para variações entre indivíduos. Pesquisas com gêmeos e com crianças adotadas são feitas para estimar o impacto dos genes sobre o desenvolvimento. Genético, herdado e congênito não são termos sinônimos. ● Influências do ambiente Ao contrário da maturação, a aprendizagem resulta da experiência. Modelos internos da experiência: os efeitos de uma experiência são indissociáveis da interpretação que o indivíduo faz da mesma. As influências do ambiente envolvem desde a relação materno-filial até o contexto cultural mais amplo em que se está inserido. Métodos de estudos das influências hereditárias Reprodução seletiva Ocorre a manipulação deliberada das características genéticas de animais e o cruzamento seletivo. Ex. de pesquisa: habilidades de ratos para percorrer labirintos. Estudos familiares ou de parentesco a- Modelo com gêmeos Gêmeos idênticos são mais parecidos um com o outro do que gêmeos fraternos? b- Modelo de adoção As crianças adotadas são mais similares a seus pais biológicos ou a seus pais adotivos? Estimando a contribuição dos genes e do meio ambiente Para características que a pessoa pode ou não apresentar, calculam-se e comparam-se taxas de concordância. Ex. pesquisa: taxa de concordância para homossexualidade (Shaffer, 2009, p. 88 e 167) Gêmeos idênticos Gêmeosfraternos homens 52% 22% mulheres 48% 16% Estimando a contribuição dos genes e do meio ambiente Para características contínuas, como altura e inteligência, a influência genética é estimada por meio do cálculo dos coeficientes correlacionais. Ex. pesquisa: Coeficientes correlacionais médios para testes de inteligência (Shaffer, 2009, p. 89) Criados juntos Criados separados Meio irmãos (parentesco: 0,25) +0,31 - Paise filhos bio (0,50) +0,42 +0,22 Irmãos (0,50) +0,47 +0,24 Gêmeosfraternos (0,50) +0,60 +0,52 Gêmeosidênticos (1) +0,86 +0,72 Correlações genótipo - ambiente A herança genética de uma criança pode afetar seu ambiente Passivas: o ambiente que os pais propiciam aos filhos está correlacionado (e tende a se combinar) com o genótipo deles. Evocativas: as características geneticamente influenciadas de uma criança vão afetar o seu comportamento e também, portanto, o dos outros em relação a ela. Ativas: os ambientes preferidos e procurados pelas crianças serão aqueles mais compatíveis com a predisposição genética delas. (Shaffer, 2009, p. 97; Bee, 2011, p. 30) Modelo de influência ambiental de Aslin (interação entre maturação e ambiente) Maturação: padrão maturacional sem efeito ambiental. Manutenção: experiência impede a deterioração do que se desenvolveu em termos maturacionais. É necessário experiência para manter as conexões neurais subjacentes à visão. Facilitação: a experiência acelera o desenvolvimento de alguma processo maturacional (mas não oferece um ganho permanente). Conversar frequentemente com a criança → forma sentenças complexas mais cedo. Sintonia: experiência leva a um ganho permanente ou a um aumento do nível de desempenho final acima do nível maturacional “normal”. Experiência enriquecedora nos primeiros anos → escores de QI mais altos. Indução: efeito puramente ambiental. Sem experiência, determinado comportamento não se desenvolve. (Bee, 2011, p. 31). Modelo de vulnerabilidade e resiliência Modelo propõe descrever a interação entre qualidades da criança (vulnerabilidades e fatores protetores inatos) e ambiente. O mesmo ambiente pode ter efeitos bastante diferentes, dependendo das qualidades ou capacidades da criança. Uma criança resiliente em um ambiente desfavorável ou uma criança vulnerável em um ambiente facilitativo podem obter resultados muito positivos. Apenas a situação de uma criança vulnerável em um ambiente pobre pode levar a resultados realmente insatisfatórios (Bee, 2011, p. 33, 34). Vulnerabilidade e resiliência Referências bibliográficas Básica: BEE, Helen. Cap. 1: Questões básicas no estudo do desenvolvimento. In A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 2003. Complementares: MUSSEN, Paul Henry; CONGER, John Janeway; KAGAN, Jerome; & HUSTON, Aletha Carol. Desenvolvimento e personalidade da criança. 3ª ed. São Paulo: Harbra, 1995. SHAFFER, David. Cap. 3: Inlfuências hereditárias no desenvolvimento. In Psicologia do desenvolvimento: infância e adolescência (p. 85-103). São Paulo: Pioneira Thomson, 2005.