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Geografia do Brasil: Regiões Brasileiras: 
Aspectos Físicos; Aspectos Humanos; Aspectos Políticos; Aspectos Econômicos. 
O Brasil é pouco conhecido, mesmo por aqueles que nele vivem e trabalham. A rapidez das transformações que se processaram nos últimos quarenta anos dificulta a compreensão de suas reais dimensões. Ele não é um gigante adormecido, como pregam alguns, nem tampouco apenas mais um dos membros do chamado Terceiro Mundo, como acreditam outros. É um exemplo de uma potência emergente de âmbito regional, marcada por muitos aspectos contraditórios.
O Brasil é um país de múltiplos tempos e múltiplos espaços. A velocidade de incorporação de inovações tecnológicas é extremamente rápida, em parcelas localizadas de seu território, ao mesmo tempo em que se vive em condições primitivas, com ritmos determinados pela natureza, em imensas extensões. Grandes redes nacionais de televisão estabelecem diariamente a ponte entre passado e futuro, entre garimpeiros isolados na selva em busca do Eldorado e gerentes de grandes corporações multinacionais instalados na Avenida Paulista, a "Wall Street" brasileira, na cidade de São Paulo.
O Brasil, como parcela da economia mundial, constitui um dos segmentos mais dinâmicos, do ponto de vista dos indicadores econômicos. Suas taxas históricas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) são comparáveis às de economias avançadas desde o final do século passado. A partir de 1940, o crescimento do PIB manteve-se em uma média de 7% ao ano, chegando a 11% entre 1967 e 1973, os anos do chamado "milagre econômico", quando o restante do mundo dava sinais evidentes de arrefecimento no seu ritmo de crescimento.
Por outro lado, o Brasil é um rico país de pobres. A brutal discriminação social na apropriação dos benefícios do dinamismo econômico é um traço dominante na sociedade brasileira, mesmo quando comparada com os outros países da América Latina. É uma das poucas economias no mundo cuja parcela dos 10% mais ricos controla mais de 50% da renda nacional e qualquer indicador de bem-estar social demonstra tal situação.
A discriminação percorre de cima a baixo a estrutura social brasileira. O sexismo, isto é, a discriminação por sexo, expressa-se no fato de que 67,1% das mulheres com mais de 10 anos de idade não têm qualquer rendimento, enquanto esse número atinge 24,7% dos homens. Negros e pardos, que em 1987 representavam 45% da população brasileira, são social e economicamente discriminados quanto às oportunidades de mobilidade social, constituindo o grosso do contingente de mão-de-obra com menor qualificação profissional, em oposição ao que ocorre com os imigrantes asiáticos e descendentes, principalmente os japoneses. A discriminação étnica também está presente no que diz respeito aos 20 mil indígenas que sobreviveram aos massacres do colonizador - seus direitos são restritos e sua capacidade de auto-determinação é submetida à tutela burocrática do Estado.
A recente industrialização levou o Brasil a se destacar na América Latina. O país suplantou largamente a Argentina e foi acompanhado com menor intensidade pelo México.
A associação com o capital internacional foi um traço comum ao desenvolvimento da região; mas, no Brasil, o Estado teve papel decisivo na aceleração do ritmo de crescimento, avançando à frente do setor privado e mantendo elevadas taxas de investimento. Em contrapartida, o Brasil é também um dos maiores devedores, em termos absolutos, do sistema financeiro mundial.
O modelo de industrialização latino-americano, baseado na substituição de importações, procurou administrar o mercado interno como principal atrativo para as grandes corporações multinacionais, sem se preocupar com os objetivos básicos de justiça social. O Brasil atingiu etapas mais avançadas nesse processo, chegando a consolidar um parque industrial diversificado - em grande parte devido ao potencial de sua economia - cuja capacidade de atração de capitais foi viabilizada e ampliada pela atuação do Estado. Isso, no entanto, não reduziu as condições de miséria de amplos contingentes da população que permaneceram à margem do desenvolvimento.
A - O ESPAÇO NATURAL: GEOLOGIA, RELEVO, CLIMA, VEGETAÇÃO E HIDROGRAFIA.
GEOLOGIA
O Brasil está totalmente contido na Plataforma Sul-Americana, cujo embasamento de evolução geológica é muito complexo, remontando à era Arqueano. Teve a sua consolidação completada entre o período Proterozóico Superior e o início do período Paleozóico, com o encerramento no ciclo Brasiliano.
O embasamento da Plataforma Sul-Americana acha-se essencialmente estruturado sobre rochas metamórficas de fácies anfibolito a granutlito e granitóides de idade arqueana, associado às unidades proterozóicas que são representadas por faixas de dobramentos normalmente de fácies xisto-verde e coberturas sedimentares e vulcânicas, pouco o nada metamorfizadas e diversos granitóides.
Esse embasamento acha-se extensamente exposto em grandes escudos, separados entre si por coberturas fanerozóicas, cujos limites se estendem aos países vizinhos. Destacam-se os escudos das Guianas, Brasil Central e Atlântico.
O escudo das Guianas compreende o norte da bacia do Amazonas. O escudo do Brasil-Central, ou Guaporé, estende-se pelo interior do Brasil e sul dessa bacia, enquanto o escudo Atlântico expõe-se na porção oriental atingindo a borda atlântica. Esses escudos estão expostos em mais de 50% da área do Brasil.
Sobre essa plataforma desenvolveram-se no Brasil, em condições estáveis de ortoplataforma, a partir do Ordoviciano-Siluriano, as coberturas sedimentares e vulcânicas que preencheram espacialmente três estensas bacias com caráter de sinéclise: Amazonas, Paraíba e Paraná. Além dessas bacias, diversas outras bacias menores, inclusive bacias costeiras e outras áreas de sedimentação ocorrem expostas sobre a plataforma.
RELEVO
O relevo do Brasil, de acordo com a classificação de Aziz Ab'Saber, é dividido em duas grandes áreas de planalto e três de planície, a saber:
 Planalto das Guianas, abrangendo a região serrana e o Planalto Norte Amazônico. Localizado no extremo norte do país, é parte integrante do escudo das Guianas, apresentando rochas cristalinas do período Pré-Cambriano. É nessa área que se situa o pico culminante do Brasil - Pico da Neblina, com altitude de 3.014 m.
 Planalto Brasileiro, subdividido em Central, Maranhão-Piauí, Nordestino, serras e planalto do Leste e Sudeste, Meridional e Uruguaio-Riograndense, é formado por terrenos cristalinos bastante desgastados e por bolsões sedimentares. Localiza-se na parte central do país, estendendo-se por grandes áreas do território nacional.
 Planícies e terras baixas amazônicas. Localizadas na Região Norte do país, logo abaixo do Planalto das Guianas, apresenta três níveis altimétricos distintos - várzeas, constituídas por terrenos de formação recente situadas próximo às margens dos rios; teços ou terraços fluviais, com altitudes máximas de 30 m e periodicamente inundados; e baixos-planaltos ou platôs, formados por terrenos de Terciário.
 Planície do Pantanal, localizada na porção oeste do estado do Mato Grosso do Sul e sudoeste de Mato Grosso, é formada por terrenos do Quartenário.
 Planícies e terras baixas costeiras, acompanhando a costa brasileira do Maranhão ao sul do país, é formada por terrenos do Terciário e por terrenos atuais do Quartenário.
Deve-se ressaltar que o relevo brasileiro não apresenta formação de cadeias montanhosas muito elevadas, predominando altitudes inferiores a 500 m, uma vez que o mesmo se desenvolveu sobre uma base geológica antiga, sem movimentações tectônicas recentes.
CLIMA
Em consequência de fatores variados, a diversidade climática do território brasileiro é muito grande. Dentre eles, destaca-se a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenciações climáticas regionais. As massas de ar que interferem maisdiretamente são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.
O Brasil apresenta:
Características regionais
Quanto ao regime térmico, a região Norte do Brasil apresenta clima quente com temperatura média anual variando entre 24° e 26°C na maior parte do ano. Nas áreas serranas as médias anuais são inferiores a 24°C e ao longo do baixo e médio Amazonas as médias ultrapassam os 26°C. No que diz respeito à pluviosidade, não há uma distribuição espacial homogênea como acontece com a temperatura. O total pluviométrico anual excede os 3.000 mm na foz do rio Amazonas, no litoral do Pará e a ocidente da região; já o corredor menos chuvoso, com total pluviométrico anual de 1500 a 1.700 mm, encontra-se na direção noroeste-sudeste de Roraima e leste do Pará.
Região Nordeste
O Nordeste do Brasil, em relação ao regime térmico, apresenta temperaturas elevadas cuja média anual varia de 20° a 28°C. Nas áreas situadas acima de 200m e no litoral oriental as temperaturas variam de 24° a 26°C. As médias anuais inferiores a 20°C encontram-se nas áreas mais elevadas da chapada Diamantina e da Borborema. A distribuição da pluviosidade da região nordeste é muito complexa, não só em relação ao período de ocorrência (três meses, podendo às vezes nem existir), como em seu total anual, que varia de 300 a 2.000 mm. Quanto ao período de ocorrência, o máximo ocorre no outono-inverno e o mínimo na primavera-verão, ao longo do litoral oriental e na encosta do planalto do Rio Grande do Norte à Bahia.
Região Sudeste
O clima dessa região é bastante diversificado no que diz respeito à temperatura, em função de três fatores principais: a posição latitudinal, a topografia acidentada e a influência dos sistemas de circulação perturbada. Corresponde a uma faixa de transição entre climas quentes das baixas latitudes e os climas mesotérmicos das latitudes médias, mas suas características mais fortes são de clima tropical. A temperatura média anual está entre 20°C na divisa entre São Paulo e Paraná, a 24°C ao norte de Minas Gerais. Nas áreas mais elevadas das serras do Espinhaço, Mantiqueira e do Mar, a média chega a ser inferior a 18°C. A pluviosidade é tão importante quanto a temperatura, com predominância de duas áreas bastante chuvosas: a primeira acompanha o litoral e a Serra do Mar e a outra vai do oeste de Minas Gerais até o município do Rio de Janeiro. A pluviosidade nessas áreas é sempre superior a 1.500 mm. Na Serra da Mantiqueira as chuvas ultrapassam 1.750 mm e no alto do Itatiaia alcançam 2.398 mm. Em São Paulo, na Serra do Mar, chove em média mais de 3.600 mm. Já foi registrado o máximo de chuva no país (4.457,8 mm), próximo a Paranapiacaba. No restante da região Sudeste, a pluviosidade atinge os 1.500 mm e nos vales do Jequitinhonha e Doce cerca de 900 mm.
Região Sul
Além do relevo e da posição geográfica, os sistemas de circulação atmosférica influenciam bastante na caracterização climática da região Sul que apresenta duas características próprias: a primeira é a homogeneidade quanto as chuvas e seu regime, e a outra a unidade climática. Em relação às temperaturas, o inverno é frio e o verão quente. A temperatura média anual fica entre 14° e 22°C e nos locais acima de 1.100 m, cerca de 10°C. No verão, nos vales dos rios Paranapanema, Paraná, Ibicuí e Jacuí, a média de temperatura é acima de 24°C e nas áreas mais elevadas é inferior a 20°C. Nas áreas baixas as temperaturas máximas chegam a alcançar 40°C, ultrapassando esses valores nos vales acima referidos e no litoral. No inverno, a temperatura média oscila entre 10° e 15°C, exceto nos vales do Paranapanema-Paraná, Ribeira do Iguape, litoral do Paraná e Santa Catarina, onde as médias oscilam entre 15° e 18°C. A pluviosidade média anual situa-se entre 1.250 e 2.000 mm, excetuando-se o litoral do Paraná e o oeste de Santa Catarina, onde vai além de 2.000 mm. Numa pequena área litorânea de Santa Catarina e no norte do Paraná, a média anual de chuva é inferior a 1.250 mm.
Centro-Oeste
A região é bastante diversificada quanto à temperatura, em consequência do relevo, extensão longitudinal, continentalidade e circulação atmosférica. Já em relação à pluviosidade é mais homogênea. Nos extremos norte e sul da área, a temperatura média anual é de 22°C; nas chapadas situa-se entre 20° e 22°C. O inverno é brando, com ocorrência de temperaturas baixas em função da "friagem" (invasão de ar polar). A temperatura média do mês mais frio situa-se entre 15° e 24°C. A pluviosidade na região depende quase exclusivamente do sistema da circulação atmosférica. A média anual de chuvas varia entre 2000 e 3.000 mm ao norte de Mato Grosso e vai diminuindo para leste e sul, chegando a alcançar 1.500 mm a leste de Goiás e 1.250 mm no Pantanal Mato-Grossense. Apesar dessa diferença, a região tem bom índice de pluviosidade. A predominância de chuvas ocorre no verão, pois mais de 70% do total das chuvas caem entre novembro e março. O inverno é muito seco e as chuvas são raras. À medida que se caminha para o interior o período da estação seca cresce, chegando até quatro meses
VEGETAÇÃO
A variedade climática, associada ás condições do solo e ás bacias hidrográficas, reflecte-se na vegetação brasileira. Na bacia amazónica e ao longo da costa atlântica, onde o regime de chuvas é muito intenso, encontra-se a floresta tropical, com árvores perenes, de folhas grandes e largas, que crescem em abundância. Nas planícies e nas regiões de planalto da parte oriental, onde as chuvas são um poucomais escassas e a estação seca é muito marcante, encontra-se um tipo de mata onde as árvores são menores do que aquelas da floresta tropical e perdem as suas folhas na estação seca.
Na área de clima equatorial húmido, a formação vegetal dominante é a floresta espessa chamada Hylaea ( hileia ) por Humboldt. Caracteriza-se pela exuberância e elevado número de espécies por unidade territorial, o que torna díficil a exploração de determinadas essências. Apresenta andares de vegetação ou estratos. A composição floristíca difere bastante com a tipografia e com a posição ( há plantas que só se encontram no alto e no baixo Amazonas, ao norte ou ao sul do rio principal, na bacia deste ou daquele afluente ). Muitas árvores têm raízes pouco profundas. Para se sustentar, desenvolvem-se raízes-escoras.
A vegetação brasileira pode ser classificada em três grupos principais: formações floorestais ou arbóreas, formações arbustivas e herbáceas e formações complexas e litorâneas. Quanto aos tipos de vegetação, encontramos no território brasileiro os seguintes:
A Savana estépica ( vegetação chaquenha, campos de Roraima e campanha Gaúcha ) - é um tipo de vegetação constítuida por uma cobertura arbórea e várias cactáceas, que recobre um estrato graminoso. No Brasil ocupa três áreas bem diversas geométricamente, o Pantanal Mato-Grossense, os campos de Roraima e a Campanha Gaúcha. A primeira situa-se entre a Serra da Bodoquena e o Rio Paraguai, sendo a maior de ocorrência no Brasil desse tipo de vegetação. A segunda, a de Roraima, aparece entre as áreas dissecadas do monte Roraima e a planície do Rio Branco. E a terceira a parte sul-sudeste do Rio Grande do Sul, fazendo parte da campanha Gaúcha.
A vegetação lenhosa oligotrófica dos pântanos e das acumulações arenosas - esse tipo de vegetação restringe-se ás áreas amazónicas do alto rio Negro e os seus afluentes adjacentes, recobrindo as áreas deprimidas e embrejadas, caracterizada por agruppamentos de formações arbóreas altas e finas.
A floresta ombrófila densa ( floresta Amazônica/floresta Atlântica ) - ocupa parte da Amazônia, estendendo-se pelo litoral desde o sul de Natal , Rio Grande do Norte até ao Espirito Santo, entre o litoral e as serras pré- cambrianas que margeiam o Atlântico, estendendo-se ainda pelas encostas, até á região de Osório, no Rio Grande do Sul. A floresta Atlântica já foi quase totalmente devastada, restando a apenas poucos locais onde se encontra a floresta original. Esse tipo de vegetação nas duasáreas ( Amazónia e Atlântica ) consiste de árvores que variam de médio a grande porte e com géneros tipicos que as caracterizam.
A floresta ombrófila aberta ( floresta de transição ) - encontra-se entre a Amazônia e a área extra amazônica. É constituida de árvores mais espassadas, com estrato arbustivo pouco denso. Trata-se de uma vegetação de transição entre a floresta Amazônica húmida a oeste, a caatinga seca a leste e o cerrado semi-húmido ao sul. Essa região fitoecológica domina, principalmente os estados do maranhão e Piauí, aparecendo também no Ceará e Rio Grande do Norte.
Floresta ombrófila mista ( Mata semicadusifólia ) - esse tipo de vegetação, também conhecida por " Mata dos Pinhais ou de araucárias ", encontrada concentrada no Planalto Meridional, nas áreas mais elevadas e mais frias, com pequenas ocorrências e isoladas nas serras do Mar e Mantiqueira ( partes altas ). Destacam-se os géneros Auraucária, Podocarpus e outros de menos importância.
Floresta estacional semi-decidual ( Mata semi-caducifólia ) - esse tipo de vegetação está ligado ás estações climáticas, uma tropical, com chuvas de verão e estiagem acentuada, e outra subtropical, sem periodo seco mas com seca fisiológica por causa do frio do Inverno. Ocorrem nas áreas brasileiras com esses tipos climáticos.
Floresta estacional decidual ( Mata caducifólia ) - ocorre no território brasileiro dispressivo e sem continuidade, pois só aparece em áreas caracterizadas por duas estações climáticas be defenidas, chuvosa e seca. o estrato arbóreo é predominante caducifólio ( perdem as folhas na seca ).
Áreas das formações pioneiras de influencia marinha ( vegetação de restinga e manguezal ) - as áreas de influência marinha são representadas pelas restingas ou cordões litorâneos e pela dunas que ocorrem ao longo da costa. São formados pela deposição de areias, aí ocorrendo desde formações herbáceas até arbóreas. Os manguezais sofrem influência fluviomarinha onde nasce uma vegetação de ambiente salúbre que também apresenta fisionomia arbória e arbustiva. são encontradas em quase todo o litoral brasileiro, mas as maiores concentrações aparecem no litoral norte e praticamente desaparecem, a partir do sul da ilha de Sª. Catarina, pois é vegetação típica de litorais tropicais.
Áreas das formações pioneiras ou de influência fluvial ( vegetação aluvial ) - é um tipo de vegetação que ocorre nas áreas de acumulação dos cursos dos rios, lagoas ou assemelhados; a fisionomia vegetal pode ser arbórea arbustiva ou herbácea, formando ao longo dos cursos dos rios as Matas-Galerias. A vegetação que se instala varia de acordo com a intensidade e duração da inundação
Refugios Ecológicos ( Campos de altitude ) - qualquer tipo de vegetação diferente do contexto geral da flora da região é considerada como um " refugio ecológico ". Este é o caso da vegetação que se localiza, no Brasil, acima de 1800m de altitude.
O cerrado é uma savana tropicl coberta por uma vegetação rasteira, formada principalmente por gramíneas.
Espécies exóticas
Além das espécies nativas, a flora brasileira recebeu aportes significativos de outras regiões tropicais, trazidos pelos portugueses durante o periodo colonial. Várias dessas espécies de plantas restrigiram-se ás áreas agriculas, com o arroz, a cana do açucar, a banana e as frutas cítricas. Outras, entretanto, adaptaram-se muito bem e espalharam-se pelas florestas nativas a tal ponto que frequentemente são confundidas com espécies nativas. O coqueiro que forma verdadeiras florestas ao longo do litoral nordestino brasileiro, é origionário da Ásia. da nmesma forma, a fruta pão e a jaqueira, origionário da região indo-malaia, são integrantes comuns da Mata Atlântica. Além dessas podemos citar a mangueira, a mamona e o cafeeiro.
Plantas medicinais
A diversidade da flora brasileira é amplamente utilizada pela população, embora pouco se conheça cientificamente sobre os seus usos. Por exemplo, um estudo recente feito pelo museu Paraense Emilio Goeldi na ilha de Marajó, no Pará, identificou quase duzentas espécies de plantas de uso terapêutico pela população local. A população indígena também utilizou e ainda utiliza a flora brasileira, porém tal conhecimento tem se perdido com sua aculturação.
HIDROGRAFIA
O Brasil é dotado de uma vasta e densa rede hidrográfica, sendo que muitos de seus rios destacam-se pela extensão, largura e profundidade. Em decorrência da natureza do relevo, predominam os rios de planalto que apresentam em seu leito rupturas de declive, vales encaixados, entre outras características, que lhes conferem um alto potencial para a geração de energia elétrica. Quanto à navegabilidade, esses rios, dado o seu perfil não regularizado, ficam um tanto prejudicados. Dentre os grandes rios nacionais, apenas o Amazonas e o Paraguai são predominantemente de planície e largamente utilizados para a navegação. Os rios São Francisco e Paraná são os principais rios de planalto.
De maneira geral, os rios têm origem em regiões não muito elevadas, exceto o rio Amazonas e alguns de seus afluentes que nascem na cordilheira andina.
Em termos gerais, como mostra o mapa acima, pode-se dividir a rede hidrográfica brasileira em sete principais bacias, a saber: a bacia do rio Amazonas; a do Tocantins - Araguaia; a bacia do Atlântico Sul - trechos norte e nordeste; a do rio São Francisco; a do Atlântico Sul - trecho leste; a bacia Platina, composta pelas sub-bacias dos rios Paraná e Uruguai; e a do Atlântico Sul - trechos sudeste e sul.
O vapor d’água contido na atmosfera, ao condensar-se, precipita. Ao contato com a superfície, a água possui três caminhos: evapora, infiltra-se no solo ou escorre. Caso haja evaporação a água retorna à atmosfera na forma de vapor; a água que se infiltra e a que escorre, pela lei da gravidade, dirigem-se às depressões ou parte mais baixas do relevo - é justamente aí que surgem os lagos e os rios, que possuem como destino, ou nível de base, no Brasil, o oceano.
País de grande extensão territorial e boas condições de pluviosidade, o Brasil dispõe de uma vasta e rica rede fluvial, cujas características gerais são:
Rios na maior parte de planalto, o que explica o enorme potencial hidráulico existente no país.
Existência de importantes redes fluviais de planície e navegáveis como a Amazônica e Paraguaia.
Rios, na maioria perenes, embora existam também rios temporários no Sertão nordestino semi-árido.
Drenagem essencialmente exorréica, isto é, voltada para o mar.
Regime dos rios essencialmente pluvial, isto é, dependente das chuvas e, como o clima predominante é o tropical, a maioria dos rios tem cheias durante o verão e vazante no inverno.
Bacia do rio Amazonas
Em 1541, o explorador espanhol Francisco de Orellana percorreu, desde as suas nascentes nos Andes peruanos, distante cerca de 160 km do Oceano Pacífico, até atingir o Oceano Atlântico, o rio que batizou de Amazonas, em função da visão, ou imaginação da existência, de mulheres guerreiras, as Amazonas da mitologia grega.
Este rio, com uma extensão de aproximadamente 6.500 km, ou superior conforme recentes descobertas, disputa com o rio Nilo o título de mais extenso no planeta. Porém, em todas as possíveis outras avaliações é, disparado, o maior.
Sua área de drenagem total, superior a 5,8 milhões de km2, dos quais 3,9 milhões no Brasil, representa a maior bacia hidrográfica mundial. O restante de sua área dividi-se entre o Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana e Venezuela. Tal área poderia abranger integralmente o continente europeu, a exceção da antiga União Soviética.
O volume de água do rio Amazonas é extremamente elevado, descarregando no Oceano Atlântico aproximadamente 20% do total que chega aos oceanos em todo o planeta. Sua vazão é superior a soma das vazões dos seis próximos maiores rios, sendo mais de quatro vezes maior que o rio Congo, o segundo maior em volume, e dez vezes o rio Mississipi. Por exemplo, em Óbidos, distante 960 km da foz do rio Amazonas, tem-se uma vazão média anual da ordem de 180.000 m3/s. Tal volumed'água é o resultado do clima tropical úmido característico da bacia, que alimenta a maior floresta tropical do mundo.
Na Amazônia os canais mais difusos e de maior penetrabilidade são utilizados tradicionalmente como hidrovias. Navios oceânicos de grande porte podem navegar até Manaus, capital do estado do Amazonas, enquanto embarcações menores, de até 6 metros de calado, podem alcançar a cidade de Iquitos, no Peru, distante 3.700 km da sua foz.
O rio Amazonas se apresenta como um rio de planície, possuindo baixa declividade. Sua largura média é de 4 a 5 km, chegando em alguns trechos a mais de 50 km. Por ser atravessado pela linha do Equador, esse rio apresenta afluentes nos dois hemisférios do planeta. Entre seus principais afluentes, destacam-se os rios Iça, Japurá, Negro e Trombetas, na margem esquerda, e os rios Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita.
Bacia do rio Tocantins - Araguaia
A bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2, se constitui na maior bacia hidrográfica inteiramente situada em território brasileiro. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e Melo Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.
O rio Tocantins desemboca no delta amazônico e embora possua, ao longo do seu curso, vários rápidos e cascatas, também permite alguma navegação fluvial no seu trecho desde a cidade de Belém, capital do estado do Pará, até a localidade de Peine, em Goiás, por cerca de 1.900 km, em épocas de vazões altas. Todavia, considerando-se os perigosos obstáculos oriundos das corredeiras e bancos de areia durante as secas, só pode ser considerado utilizável, por todo o ano, de Miracema do Norte (Tocantins) para jusante.
O rio Araguaia nasce na serra das Araras, no estado de Mato Grosso, possui cerca de 2.600 km, e desemboca no rio Tocantins na localidade de São João do Araguaia, logo antes de Marabá. No extremo nordeste do estado de Mato Grosso, o rio dividi-se em dois braços, rio Araguaia, pela margem esquerda, e rio Javaés, pela margem direita, por aproximadamente 320 km, formando assim a ilha de Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. O rio Araguaia, é navegável cerca de 1.160 km, entre São João do Araguaia e Beleza, porém não possui neste trecho qualquer centro urbano de grande destaque.
Bacia do Atlântico Sul - trechos norte e nordeste
Vários rios de grande porte e significado regional podem ser citados como componentes dessa bacia, a saber: rio Acaraú, Jaguaribe, Piranhas, Potengi, Capibaribe, Una, Pajeú, Turiaçu, Pindaré, Grajaú, Itapecuru, Mearim e Parnaíba.
Em especial, o rio Parnaíba é o formador da fronteira dos estados do Piauí e Maranhão, por seus 970 km de extensão, desde suas nascentes na serra da Tabatinga até o oceano Atlântico, além de representar uma importante hidrovia para o transporte dos produtos agrícolas da região.
Bacia do rio São Francisco
A bacia do rio São Francisco, nasce em Minas Gerais, na serra da Canastra, e atravessa os estados da 88Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O rio São Francisco possui uma área de drenagem superior a 630.000 km2 e uma extensão de 3.160 km, tendo como principais afluentes os rios Paracatu, Carinhanha e Grande, pela margem esquerda, e os rios Salitre, das Velhas e Verde Grande, pela margem direita.
De grande importância política, econômica e social, principalmente para a região nordeste do país, é navegável por cerca de 1.800 km, desde Pirapora, em Minas Gerais, até a cachoeira de Paulo Afonso, em função da construção de hidrelétricas com grandes lagos e eclusas, como é o caso de Sobradinho e Itaparica.
Bacia do Atlântico Sul - trecho leste
Da mesma forma que no seu trecho norte e nordeste, a bacia do Atlântico Sul no seu trecho leste possui diversos cursos d'água de grande porte e importância regional. Podem ser citados, entre outros, os rios Pardo, Jequitinhonha, Paraíba do Sul, Vaza-Barris, Itapicuru, das Contas e Paraguaçu.
Por exemplo, o rio Paraíba do Sul está localizado entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os de maior significado econômico no país, possui ao longo do seu curso diversos aproveitamentos hidrelétricos, cidades ribeirinhas de porte, como Campos, Volta Redonda e São José dos Campos, bem com industrias importantes como a Companhia Siderúrgica Nacional.
Bacia Platina, ou dos rios Paraná e Uruguai
A bacia platina, ou do rio da Prata, é constituída pelas sub-bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, drenando áreas do Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.
O rio Paraná possui cerca de 4.900 km de extensão, sendo o segundo em comprimento da América do Sul. É formado pela junção dos rios Grande e Paranaíba. Possui como principais tributários os rios Paraguai, Tietê, Paranapanema e Iguaçu. Representa trecho da fronteira entre Brasil e Paraguai, onde foi implantado o aproveitamento hidrelétrico binacional de Itaipu, com 12.700 MW, maior usina hidrelétrica em operação do mundo. Posteriormente, faz fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Em função das suas diversas quedas, o rio Paraná somente possui navegação de porte até a cidade argentina de Rosário.
O rio Paraguai, por sua vez, possui um comprimento total de 2.550 km, ao longo dos territórios brasileiro e paraguaio e tem como principais afluentes os rios Miranda, Taquari, Apa e São Lourenço. Nasce próximo à cidade de Diamantino, no estado de Mato Grosso, e drena áreas de importância como o Pantanal mato-grossense. No seu trecho de jusante banha a cidade de Assunción, capital do Paraguai, e forma a fronteira entre este país e a Argentina, até desembocar no rio Paraná, ao norte da cidade de Corrientes.
O rio Uruguai, por fim, possui uma extensão da ordem de 1.600 km, drenando uma área em torno de 307.000 km2. Possui dois principais formadores, os rios Pelotas e Canoas, nascendo a cerca de 65 km a oeste da costa do Atlântico. Fazem parte da sua bacia os rios Peixe, Chapecó, Peperiguaçu, Ibicuí, Turvo, Ijuí e Piratini.
O rio Uruguai forma a fronteira entre a Argentina e Brasil e, mais ao sul, a fronteira entre Argentina e Uruguai, sendo navegável desde sua foz até a cidade de Salto, cerca de 305 km a montante.
Bacia do Atlântico Sul - trechos sudeste e sul
A bacia do Atlântico Sul, nos seus trechos sudeste e sul, é composta por rios da importância do Jacuí, Itajaí e Ribeira do Iguape, entre outros. Os mesmos possuem importância regional, pela participação em atividades como transporte hidroviário, abastecimento d'água e geração de energia elétrica.
B - A POPULAÇÃO: COMPORTAMENTO DEMOGRÁFICO, ESTRUTURA, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E MOBILIDADE.
Comportamento demográfico
Brasil está colocado no quinto lugar entre os países mais populosos do mundo, com uma população absoluta de167 milhões, segundo o Censo 2000.
Em nosso país também foi observado um fenômeno comum aos países subdesenvolvidos, relativo à brusca aceleração do ritmo de crescimento populacional nas décadas que sucederam a Segunda Guerra Mundial. Como a contribuição do imigrante para o povoamento do país foi pouco significativa na segunda metade do século XX, atribuiu-se o crescimento da população à Revolução Médico-Sanitária , que produziu uma redução nas taxas de mortalidade e o aumento do crescimento vegetativo.
O comportamento demográfico da população brasileira
	Recenseamento
	População
	1872
	9.930.478
	1940
	41.236.315
	1950
	51.944.397
	1960
	70.191.370
	1970
	93.139.037
	1980
	119.002.706
	1991
	146.825.475
Fonte: IBGE
Durante as décadas de 1950 e 1960 o país atingiu o apogeu do seu ritmo de incremento populacional. A popularização da Medicina , a difusão das práticas de Higiene social e as campanhas médico-sanitárias levaram à redução das taxas de mortalidade. Por outro lado, as taxas de natalidade permaneceram elevadas, o que contribuiu para que o crescimentovegetativo da população brasileira fosse muito acelerado, como demonstra o quadro abaixo, que apresenta o comportamento demográfico da população brasileira desde o primeiro recenseamento. Observe com atenção as taxas de crescimento vegetativo entre 1950 e 1970.
O comportamento demográfico brasileiro
( índices médios anuais - períodos intercensitários )
	
	1872 a1890
	1891 a1900
	1901 a1920
	1921 a1940
	1941 a1950
	1951 a1960
	1961 a1970 
	1971 a1980
	1981 a1991 
	Taxa de Natalidade (%o)
	46
	46
	45
	44
	43
	43
	39
	33
	27
	Taxa de Mortalidade(%o)
	30
	27
	26
	26
	19
	13
	10
	8
	7,7
	Crescimento Vegetativo(%o)
	1,6
	1,9
	1,9
	1,9
	2,4
	3,0
	2,9
	2,5
	1,9
Fonte: : Censo Demografico de 1991 ( IBGE )
O quadro anterior também demonstra que houve um declínio gradativo da natalidade a partir do final dos anos 60, que levou o país a uma situação de desaceleração demográfica.
Esse comportamento refletiu a urbanização da população brasileira e a difusão do planejamento familiar, que possibilitou à maioria da população o acesso às práticas contraceptivas, como as pílulas anticoncepcionais, os Dispositivos Intra-Uterinos ( DIUs ), a laqueadura e a vasectomia.
É importante destacar que a urbanização e a ampliação da participação da mulher no mercado de trabalho foram fatores decisivos para a redução da natalidade, pois produziram uma drástica modificação no modo de vida da população brasileira.
O custo de vida nas cidades é mais elevado do que nas áreas rurais tradicionais e também eleva os gastos para a criação dos filhos, o que exige das famílias urbanas uma renda mais elevada.
Na medida em que a mulher ingressou no mercado de trabalho formal , ela dispõe de um tempo menor para se dedicar à educação dos filhos e foi obrigada a colocá-los muito cedo em creches ou berçários. Como a renda média dos brasileiros não é elevada, o trabalho feminino transformou-se numa necessidade familiar e até mesmo as famílias que gostariam de ter um maior número de filhos estão optando por evitá-los. Isso contribuiu para a redução da natalidade após 1970, quando esses processos se tornaram mais destacados.
A estrutura etária Brasileira
Para efeito de análise do censo, o IBGE considera a existência de três grandes faixas etárias no país: a dos jovens, entre zero e dezenove anos; a dos adultos, entre vinte e 59 anos; e a dos idosos, com mais de sessenta anos.
Distribuição espacial e mobilidade
No período pós-Segunda guerra Mundial, o Brasil ingressou na Segunda fase do ciclo demográfico, ou seja, na etapa de maior crescimento populacional.
O explosivo crescimento populacional ocorrido no período situado entre a década de 40 e a de 80 resultou da seguinte combinação de variáveis demográficas: redução muito lenta da natalidade e a queda acentuada da mortalidade.
Entre 1940 e 1980, enquanto a taxa de natalidade passou de 44% para 33%, a taxa de mortalidade passou desabou de 25,3% para 8,1%. Em consequência, a taxa de crescimento populacional que era da ordem de 1,8% em 1940, saltou para quase 2,5% em 1980. Na década de 50, a taxa de crescimento atingiu quase 3% ao ano, uma das mais elevadas do mundo, na época.
No período de 1940-1980, a taxa média de crescimento anual da população brasileira situou-se em tono de 2,6%.
Para se ter uma ideia do que isso significa em termos de aumento populacional, observe que:
Para uma taxa de crescimento anual de 3%, a população duplica a cada 23 anos;
Para uma taxa de 2,5%, a população duplica a cada 28 anos;
Para uma taxa de 1%, a população duplica a cada setenta anos.
Em apenas trinta anos, por exemplo, no período de 1950-1980, a população brasileira mais que dobrou: passou de 51,9 para 119 milhões de pessoas (133% de aumento no período). Entre 1940 e 1980, a população quase triplicou: passou de 41 para quase 120 milhões.
Essa bomba humana, conhecida pelo nome de explosão demográfica, não foi privilégio do Brasil. No período pós-Segunda Guerra Mundial, ela atingiu todo o terceiro Mundo. De 1940 a 1980, a população mundial mais que dobrou: passou de 2 bilhões para quase 4,5 bilhões de pessoas (125% de aumento). Cerca de 90% desse aumento coube ao Terceiro mundo.
As razões dessa explosão demográfica ocorrida no terceiro mundo são aquelas já mencionadas no caso do Brasil: persistência se elevadas taxas de natalidade e redução acentuada das taxas de mortalidade.
A rápida e acentuada queda das taxas de mortalidade no Terceiro Mundo resultou de várias causas, tais como: progresso mundial da medicina e da bioquímica, urbanização dos países subdesenvolvidos, acompanhada da melhoria das condições médico-hospitalares e higiênico-sanitárias, combate às doenças de massas etc.
Por outro lado, a persistência de elevadas taxas de natalidade está relacionada a fatores que dificultam a adoção de métodos artificiais de controle da natalidade, como, por exemplo: influência religiosa, baixa escolaridade da população, pobreza, elevado contingente de população rural etc.
Distribuição espacial e mobilidade
A Região Nordeste caracterizou-se pela emigração durante todo o século XX, enviando trabalhadores para diversas atividades, como a construção de Brasília na década de 1950, a expansão da economia urbano-industrial das grandes cidades do Sudeste entre 1950 e 1985, a ocupação da Amazônia na década de 1970.
Nos anos 90 constatou-se uma importante mudança neste padrão. O nordestino está emigrando menos do que nas décadas anteriores, o crescimento populacional desta região aumentou e hoje observamos um movimento de retorno desta população em direção à sua região original. Esse processo refletiu a crise econômica nacional da década de 1980, que limitou as oportunidades de trabalho no sudeste do país, e a expansão da economia urbana nas grandes cidades nordestinas , que atualmente oferecem mais trabalho do que décadas atrás.
Outro movimento importante corresponde ao deslocamento de populações originárias dos estados do sul do país em direção à Amazônia. Este movimento não é recente, pois acompanhou a expansão da fronteira agrícola brasileira a partir do início dos anos 70, mas é interessante observar que ele perdura até os dias atuais. Hoje podemos observar que grande parte da população do estado de Rondônia é paranaense; a diáspora gaúcha também é destacada e encontra-se espalhada pelos estados da Amazônia, do Centro-Oeste e na Bahia.
A emigração dos sulistas pode ser explicada pela mecanização da agricultura, que gerou o desemprego na zona rural; pelo processo de concentração de terras , que acompanhou a modernização da agricultura e pelo esgotamento da estrutura fundiária da Região Sul , que dificulta o acesso à terra e impossibilita à população rural a prática da agricultura em sua própria região de origem. Como os sulistas querem continuar a viver como agricultores , eles fazem a opção pelo deslocamento e passam a desenvolver esta atividade em outras regiões do país.
Os movimentos migratórios dos anos 90 refletem a descentralização espacial das atividades econômicas, com a criação de novos polos de desenvolvimento. Com isto, é possível observar a constituição de um novo padrão, com movimentos populacionais de pequena distância, de caráter intra-estadual e intra-regional, o que contribui para a expansão do grupo das cidades médias, o que mais cresce no Brasil contemporâneo.
C - O ESPAÇO RURAL: IMPORTÂNCIA DAS ATIVIDADES AGRÍCOLAS NA ECONOMIA, ESTRUTURA FUNDIÁRIA, POLÍTICA AGRÍCOLA E MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA.
Importância das atividades agrícolas na economia
O desenvolvimento do agronegócio no Brasil acompanhou o crescimento da produção de grãos, iniciado em larga escala a partir de meados da década de sessenta. Antes, a economia agrícola brasileira era caracterizada pelo predomínio do café e do açúcar. Pouca importância que se dava ao projeto de se utilizar a imensa base territorial brasileira na produção de grãos. A produção de alimentos básicos, como milho, arroz e feijão era voltado para a subsistência, e os poucosexcedentes dirigidos ao mercado eram insuficientes para formar uma forte cadeia do agronegócio dentro dos moldes hoje conhecidos.
O notável crescimento da produção de grãos (principalmente da soja) foi a força motriz no processo de transformação do agronegócio brasileiro e seus efeitos dinâmicos foram logo sentidos em toda a economia. Inicialmente surgiu um imenso parque industrial para a extração do óleo e do farelo da soja e outros grãos. A disponibilidade de grande quantidade de farelo de soja e milho permitiu o desenvolvimento de uma moderna e sofisticada estrutura para a produção de suínos, aves e leite, bem como a instalação de grandes frigoríficos e fábricas para a sua industrialização. Foi criado também um sistema eficiente de suprimento de insumos modernos (fertilizantes, defensivos, maquinários agrícolas etc) e uma rede de distribuição que inclui desde as grandes cadeias de supermercados até os pequenos varejistas locais.
Inicialmente calcado na expansão da área plantada, principalmente nas regiões de fronteira, a partir da década de noventa o crescimento da produção, em bases competitivas, passou a depender cada vez mais da adoção de novas tecnologias no processo produtivo.
A política agrícola a partir de 1995 foi a de combinar, de forma eficiente, a utilização de instrumentos econômicos como o crédito rural e os programas de suporte à comercialização com instrumentos estruturais como a pesquisa agropecuária.
O crédito rural oficial foi reformulado para estimular uma participação maior do setor privado. As dívidas anteriores foram securitizadas e a estrutura governamental de apoio à comercialização passou por profundas mudanças com a criação de instrumentos mais modernos e menos intervencionistas. Na pesquisa agropecuária foram adotadas várias medidas para torná-la mais afinada com o mercado e portanto mais objetiva em termos de áreas a serem pesquisadas e de produtos a serem desenvolvidos.
Tal esforço foi decisivo para que o Brasil elevasse sua safra de grãos de 73,5 milhões de toneladas, em 1995, para 98,3 milhões de toneladas, em 2001.A produção brasileira de grãos aumentou de 32%, no período, enquanto que o crescimento da área plantada foi de apenas 2,9%.
Produção Brasileira de Grãos (Mil Toneladas)
	
	1995/96
	1996/97
	1997/98
	1998/99
	1999/00
	2000/01
	Algodão
	761,6
	524,0
	763,4
	923,8
	1.187,4
	1.521,9
	Arroz
	10.037,9
	9.546,8
	8.462,9
	11.582,2
	11.533,8
	10.386,0
	Feijão
	2.992,7
	2.969,0
	2.206,3
	2.870,8
	3.079,8
	2.587,1
	Milho
	32.644,6
	36.166,8
	30.187,8
	32.417,2
	31.640,8
	41.535,2
	Soja
	23.189,7
	26.160,0
	31.369,9
	30.765,0
	31.886,6
	37.218,3
	Trigo
	3.197,5
	2.402,3
	2.187,7
	2.402,8
	1.747,7
	3.194,2
	Outros
	934,7
	1.149,5
	1.351,8
	1.475,4
	1.710,6
	1.869,0
	Total
	73.758,7
	78.918,4
	76.529,8
	82.437,2
	82.786,7
	98.311,7
Fonte:CONAB
O algodão, que com a abertura comercial muitos acreditavam ser um produto com cultivo em extinção, foi o de melhor desempenho quanto a produtividade, passando de 1.230 Kg/ha, em 1995/96, para 2.659 Kg/ha, em 2000/01, com um incremento de 116% no período. Os ganhos no Norte/Nordeste foram ainda mais surpreendentes, chegando a 140% no período. O lançamento da Cultivar BR 200 Marrom, algodão de fibra colorida, cuja cotação da pluma é cerca de 30% superior à do algodão de pluma de coloração normal, traz grandes perspectivas para a agricultura familiar no Nordeste. Além disso, esta variedade de ciclo trienal poderá ser de grande importância estratégica para a convivência do pequeno produtor com a seca. A Embrapa está fomentando a formação de consórcios de indústrias de confecção e de artesanatos, que estão exportando para a Europa coleções de moda e artesanato usando o algodão colorido como matéria-prima, com benefícios para todos os componentes da cadeia produtiva.
O arroz logrou um incremento de 24%, com um ganho ainda mais notável na Região Centro-Sul, da ordem de 28%. Apenas com o ecossistema de várzea, a Embrapa lançou 53 variedades de arroz. São grãos de alta produtividade, resistentes às principais doenças e de excelente qualidade industrial e culinária.
A soja teve um ganho de produtividade de 21% no período, alcançando 35% na Região Norte/Nordeste, graças às cultivares de soja adaptadas às várias regiões do Brasil, principalmente aos Cerrados.
O feijão registrou um ganho de 20%, alcançando um incremento de 37% na Região Centro-Sul. A produtividade nas lavouras gaúchas aumentou 43% graças as variedades criadas pela Embrapa. As atividades desenvolvidas beneficiaram 850 mil famílias gaúchas. Tecnologias desenvolvidas em parceria com outras instituições públicas de pesquisa se consolidaram em sistemas de produção, aumentando em 68% a área de cultura do feijão irrigado no Brasil.
Finalmente, o trigo logrou um incremento médio de 8%, no período. Outrossim, 28 variedades obtidas pela Embrapa estão plantadas em 55% da área tritícola nacional, garantindo inclusive que a qualidade do produto atenda às exigências do mercado.
Estrutura fundiária
A estrutura fundiária é a forma como se organizam no espaço rural, o conjunto das construções, as estradas, os riachos e as benfeitorias (melhoramentos fundiários, plantações).
Assume um papel fundamental nos resultados obtidos pelas explorações agrícolas, devido à influência que tem no aproveitamento da mão de obra, no rendimento das máquinas agrícolas e na diversificação das opções produtivas.
A questão agrária tem permeado a vida nacional e esteve presente em todos os
seus momentos, vindo a constituir-se em um dos fatores determinantes dos rumos tomados pelo país.
A ocupação colonial foi caracterizada pelo regime de sesmarias, da monocultura e do trabalho escravo, fatores estes que, conjugados, deram origem ao latifúndio, propriedade rural sobre a qual centrou-se a ocupação do espaço agrário brasileiro.
Ao longo deste secular processo, ciclos bem definidos podem ser destacados, lembrando que a cada um sempre esteve associado uma forma particular de latifúndio.
Inicialmente, ocorre a extração do pau-brasil, caracterizada pelo escambo entre o índio e o colonizador português. Esta fase estendeu-se por aproximadamente trinta anos. A exploração da madeira entretanto, esteve presente durante todo o período colonial.
A seguir, quando do início da ocupação efetiva do território brasileiro por Portugal, é instituído o regime das Sesmarias e adotado o sistema de capitanias hereditárias, sendo a produção do açúcar a atividade econômica imperante. Saliente-se o fato de que já nesse período era patente a preocupação de entregar a terra a quem se dispusesse a lavrar e a semear.
Com o surgimento da pecuária, atividade adequada à promoção da ocupação das áreas interioranas, a tendência à formação de imensos latifúndios foi acentuada e gerou o denominado latifúndio pastoril.
A cultura do café, com toda sua representatividade econômica desencadeou uma onda de concessão de sesmarias, disseminando a presença do latifúndio nas regiões sudeste e sul. A pequena propriedade, surge somente com a chegada dos imigrantes europeus, no sul do país.
Assim, a divisão da denominada "grande fazenda d’el Rey" em aproximadamente três milhões de imóveis rurais, hoje cadastrados junto ao Sistema Nacional de Cadastro Rural-SNCR, decorreu da confluência de elementos de natureza econômica, política, demográfica e legal, responsáveis por um complexo processo, que teve início com a inserção das relações de trabalho e de exploração econômica existentes no velho mundo, em uma terra povoada por coletividades indígenas que ainda viviam na pré-história.
Nos últimos tempos, a questão da reforma agrária ganhou considerável impulso, decorrência tanto das pressões sociais, como de iniciativas governamentais que pretendem modificar o perfil da estrutura fundiária brasileira, por meio da desapropriação e da redistribuição de terras.
A partir de 1960, verifica-se uma revolução no campo, com a incorporação de novas tecnologias à atividaderural, o que, dentre outras consequências, incrementou sobremaneira a produtividade tanto na agricultura como na pecuária.
A penetração capitalista no campo, a partir da década de 60, se deu através do "modelo prussiano", que se caracteriza pela transição da grande propriedade improdutiva para a grande empresa capitalista e pela exclusão da maioria das pequenas e médias propriedades. O cerne deste modelo é a modernização conservadora, que tem como pilar modernizar a grande propriedade, com a consequente manutenção de uma estrutura fundiária concentrada; exigindo-se qualidade e produtividade, que estão atreladas à adubação química e mecanização, tendo em vista o mercado externo e as demandas da indústria nacional, as quais passaram a determinar o perfil da agricultura brasileira.
Neste processo de desenvolvimento, não foi previsto um espaço para a incorporação da pequena e da média propriedade que, sem qualquer diretriz de política econômica a seu favor, sofreram um processo de espoliação maior do que o normal, pois, excluídos de crédito e de comercialização, se fragilizaram, dando origem ao grande êxodo rural ocorrido nas décadas de 70 e 80, após a consolidação deste modelo.
O problema fundiário, mantido pela modernização conservadora, foi, à época, agravado pelo incentivo a especulação fundiária (Fundo 157, Contrato de Alienação de Terras Públicas-CATP) incentivada pelo mesmo governo que modernizou a grande propriedade, só que agora, em dimensões capitalistas em ambos os sentidos ou seja, grandes extensões, para grandes grupos econômicos, que sem vinculação com a atividade rural, ocuparam a ex-futura fronteira agrícola das regiões Norte e Centro-Oeste.
Cabe aqui, discutir um pouco do resultado deste processo. Tornou-se consenso que, o modelo modernizador-conservador evidenciou a não necessidade da reforma agrária, para o desenvolvimento da agricultura. Isto é, parcialmente, verdadeiro. Obviamente que, para os grandes produtores, isto foi uma verdade incontestável. Mas, hoje, os assistimos a clamar não mais por algum incentivo público, mas, dramaticamente, elo perdão das dívidas. Para o país, como um todo, a contabilidade está a indicar um sinal negativo. O custo da marginalidade urbana é, certamente, maior do que o custo do inédito programa de reforma agrária implementado por este governo. Essa marginalidade, do custo referido, compromete a qualidade de vida de todos os segmentos urbanos.
Este quadro é tão verdadeiro que, já no final da década de 70, Ignácio Rangel clamava por uma reforma agrária que, pelo menos, contemplasse as carências da marginalidade urbana, reorganizando os núcleos familiares.
A avaliação da estrutura agrária brasileira, tanto sob a ótica do INCRA que, como anteriormente ressaltado, identifica a distribuição do espaço agrário segundo seus detentores, como sob a visão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, cujo dado reflete a ocupação deste espaço pelos produtores, evidencia o elevado grau de concentração da terra em ambas as situações, ainda que pesem as diferenças conceituais.
PERFIL DA ESTRUTURA FUNDIÁRIA NO BRASIL: CARACTERIZAÇÃO GERAL
Fruto, em parte, de seu passado de ocupação colonial e, pela sua forma de ocupação recente, o Brasil apresenta uma estrutura fundiária extremamente concentrada, vista com uma abrangência nacional, mas geograficamente muito diferenciada, tanto em seu uso, como em sua posse, quando analisada pelas suas grandes regiões. Dois exemplos dão uma ideia desta diferenciação regional. Um primeiro nos diz que, o Rio Grande do Sul tem 18,6 milhões de hectares cadastrados, enquanto Rondônia tem, somente, 4,9 milhões de hectares cadastrados. Um outro, no mesmo sentido, nos diz que na região Sul estão 35,5% dos imóveis rurais do Brasil, ocupando uma área equivalente a, tão somente 12,8%, da área cadastrada e, 6,8% da superfície do País.
Estas diferenças regionais foram sendo escritas durante toda a história da ocupação deste país. A região Nordeste e a parte mais litorânea da região Sudeste, começaram a ser colonizadas desde o descobrimento do Brasil. Já a região Sul e Minas Gerais tiveram sua ocupação iniciada no século XVIII. De outra parte, o Paraná e Santa Catarina foram ocupados, e de forma diferenciada estadualmente, entre o fim do século passado e a primeira metade deste século. Do mesmo modo, e como extensão desta ocupação, Mato Grosso do Sul e o oeste de São Paulo são ocupados nos anos 30 e 40.No Centro Oeste, o Mato Grosso, teve sua área titulada nos anos 70, mas Mato Grosso, mantém-se vazio até hoje, enquanto Goiás recebe o fluxo dos grãos, vindos do Sul.
No Norte, temos uma ocupação do início do século, com o ciclo da borracha, nos estados do Pará e Amazonas. Os outros, mantém-se como território até a Constituição de 1988. Rondônia e Acre sofreram uma experiência colonizadora, por parte do INCRA, nos anos 70, resultando-os muito diferenciados do resto da região Norte. Roraima e Amapá continuam vazios. A porção abandonada de Goiás deu origem ao estado do Tocantins, recentemente incorporado à região Norte, passando por uma política de atração de investimentos e fluxos migratórios, para poder desenvolver-se.
Mesmo o Nordeste, citado como de ocupação mais antiga é uma região bastante heterogênea se analisada do ponto de vista físico. Podemos definir quatro grandes zonas: o meio-norte, a zona da mata, o agreste e o sertão.
O meio-norte envolve os estados do Maranhão e Piauí, predominando características de região amazônica. A zona da mata se localiza próxima do litoral e se estende desde o Rio Grande do Norte até a Bahia. O agreste, faixa de transição entre a zona da mata e sertão, que se caracteriza pelas chuvas esparsas e secas periódicas.
Do ponto de vista da ocupação, diferencia-se a região conhecida como meio-norte e oeste baiano. Esta região teve uma ocupação mais recente, com distribuição de terras públicas superposta à posse existente, onde a questão fundiária é mais sensível, antepondo posseiro a "grileiros legais". Exceção é feita ao Oeste da Bahia que, só nos anos 80, começa a receber o fluxo dos grãos, a semelhança da região de Balsas, no sul do Maranhão, que passa a ser ocupada nos anos 90. já é possível adiantar que, a próxima estação do fluxo dos grãos, está localizado no norte de Mato Grosso, de Rondônia a Tocantins, com a inclusão de ambos.
A superfície de nosso território é de 854,0 milhões de hectares, enquanto a área constante do cadastro do INCRA/92, totaliza 310,0 milhões de hectares, ou seja, 36,7% da superfície total. É importante entender, que neste total de área cadastrada, não estão incluídas as terras públicas, exceção de cerca de 2,0 milhões de hectares em Roraima e 2,0 milhões no Pará. Isso porque, a partir de 92, o INCRA criou um Cadastro de Terras Públicas, com formulário próprio (DTP), dando maior transparência a seus Cadastro. Esta área cadastrada é ocupada por 2.924.204 imóveis rurais. Quando olhamos o dado que indica que apenas 36,7% da superfície do Brasil é ocupada e cadastrada, com imóveis rurais, é preciso ponderar as diferenças regionais. Assim, a região Norte, que representa 45,0% da superfície do País, tem uma relação área cadastrada/superfície, de apenas 15,0%, enquanto a região Sul, que tem uma relação área cadastrada/superfície de 70,0%, representa apenas 6,7% da superfície do Brasil.
Política Agrícola
A respeito da política agrícola brasileira, veja o que nos diz a Constituição Federal:
Artigo 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente:
I - os instrumentos creditícios e fiscais;
II - os preços compatíveis com os custos de produção e a garantia de comercialização;
III - o incentivo à pesquisa e à tecnologia;
IV - a assistência técnica e extensão rural;
V - o seguro agrícola;
VI - o cooperativismo;
VII - a eletrificação rural e irrigação;VIII - a habitação para o trabalhador rural.
§ 1.º Incluem-se no planejamento agrícola as atividades agroindustriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais.
§ 2.º Serão compatibilizadas as ações de política agrícola e de reforma agrária.
Artigo 188.
A destinação de terras públicas e devolutas será compatibilizada com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária.
§ 1.º A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação do Congresso Nacional.
§ 2.º Excetuam-se do disposto no parágrafo anterior as alienações ou as concessões de terras públicas para fins de reforma agrária.
Artigo 189.
Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo de dez anos.
Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei.
Artigo 190.
A lei regulará e limitará a aquisição ou o arrendamento de propriedade rural por pessoa física ou jurídica estrangeira e estabelecerá os casos que dependerão de autorização do Congresso Nacional.
Artigo 191.
Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.
Parágrafo único. Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucap
Modernização da agricultura
A busca do incremento da produção e da produtividade agrícola no bojo da chamada "revolução verde", em curso nos países desenvolvidos, constituiu o mote econômico principal para a deflagração da modernização agrícola no país.
Diversamente do que ocorria com os complexos rurais, o caráter natural e artesanal da produção passa a dar lugar à tecnificação das atividades agrícolas pela via de suas progressivas mecanização e quimificação. Altera-se, portanto, a própria maneira de produzir e incluem-se novos produtos à pauta da produção agrícola e, ainda, novas variedades mais especializadas desses produtos passam a ser incorporadas ao processo produtivo.
Nas suas primeiras etapas, a modernização desenvolve-se com o concurso das importações de tratores e insumos químicos, fato que findou limitando esse processo, nesta fase inicial, à capacidade de exportação do país.
Ainda que, desde essa fase, os determinantes da dinâmica da agricultura deslocassem progressivamente para o plano do mercado interno, já em moderada expansão, ao contrário, portanto, do que ocorria com os complexos rurais, a modernização da base técnica da produção mantinha-se condicionada ao setor externo.
Esse fato permanece com tal configuração até a implantação e o desenvolvimento, no país, das indústrias mecânica e química, o que ocorre a partir da segunda metade da década de 1950 no bojo da política de substituição de importações. A partir de então, a modernização da agricultura passa a ser condicionada endogenamente, potencializado assim, a sua ampla massificação, como acabou ocorrendo.
Modernização e Industrialização da Agricultura e, Formação dos Complexos Agroindustriais
Deve-se diferenciar o processo de modernização (pós-guerra, até meados da década de 1960), da fase seguinte de industrialização da agricultura (meados da década de 1960 a meados da década de 1970), bem como, do período mais recente de formação/consolidação dos complexos agroindustriais (pós-1975).
É comum tratar-se os processos de industrialização da agricultura e de formação dos complexos agroindustriais como estágios diferenciados do processo de modernização. A rigor, não é bem assim.
Como já referimos antes, a modernização veio alterar a base técnica da produção agrícola nacional e, subjacentemente, contribuir decisivamente, para a formação de um amplo mercado interno no país como estratégia para a viabilização do desenvolvimento industrial, em curso. Ao transferir o fornecimento de máquinas e insumos, do interior das unidades produtivas - como ocorria nos complexos rurais - para outros setores, a modernização veio concorrer para o desenvolvimento da indústria de bens de capital e insumos agrícolas.
"O longo processo de transformação da base técnica chamado de modernização, culmina na própria industrialização da agricultura.
Três transformações básicas diferenciam a modernização da agricultura desse processo de industrialização. Primeiro, não se trata apenas de usar crescentemente insumos modernos, mas também - e principalmente -, de mudar as relações de trabalho. Mesmo com a modernização havia espaço para a pequena produção independente onde o proprietário (ou o parceiro ou arrendatário), utilizando insumos modernos, seguia produzindo de maneira artesanal. Ele modernizava seu processo de produção e estabelecia uma nova divisão de trabalho dentro da família. Na agricultura industrializada, a relação de trabalho é basicamente uma relação de trabalho coletivo (cooperativo); não há mais o trabalhador individual, há um conjunto de trabalhadores assalariados que trabalham coletivamente ou cooperativamente numa determinada atividade. O trabalhador não mais cuida do plantar ou colher: ele se especializa; são turmas que plantam, são turmas que colhem. Existe uma divisão de trabalho, como uma posição dentro da empresa para o trabalhador braçal, para o trabalhador técnico com diferentes níveis de qualificação, mas é um trabalho coletivo. A segunda mudança qualitativa é a mecanização. A modernização da agricultura brasileira no pós-guerra é basicamente pelo trator, que passa de substituto da força animal para substituto da mão do homem, da força de trabalho. Aí há então um salto qualitativo no processo de produção: as atividades passam a ser mecanizadas não mais em função da substituição da força física, mas substituindo, por exemplo, a habilidade manual substituindo a destreza do trabalhador. Este salto qualitativo no processo de modernização da agricultura brasileira ocorre nos anos 60, quando se introduz a mecanização de todo o processo produtivo, do plantio à colheita (inclusive carregamento e transporte) e à mecanização dos tratos culturais se soma à quimificação. A terceira transformação que muda qualitativamente o processo de modernização da agricultura brasileira nos anos 60 é a integralização do D1, ou seja, dos setores produtores de insumos, máquinas e equipamentos para a agricultura. Com a implantação da indústria de base (siderurgia, petroquímica, borracha, plásticos, química fina, bioquímica, etc) nos anos 50-60, os setores que produzem insumos modernos, máquinas e equipamentos para agricultura foram internalizados no país e, a partir daí, a capacidade de modernização da agricultura passou a ser endógena.
É a partir dessas três transformações que ocorrem nos anos 60 que o processo de modernização da agricultura brasileira se torna irreversível iniciando-se assim a industrialização da agricultura." (Ângela Kageyama e outros).
No período que se inicia em meados da década de 1970, são fixadas as condições para a fase de criação/consolidação dos Complexos Agroindustriais - CAIs).
A partir da constituição dos CAIs, favorecida pelas condições vigentes no mercado internacional para várias commodities agrícolas, a agricultura passa a constituir basicamente num ramo da indústria.
Das sementes e das matrizes a serem utilizadas na agropecuária, passando pelo fornecimento de máquinas e insumos, até a determinação do que e, em que escala produzir e, a que preços, tudo enfim que envolve os agregados do processo produtivo agrícola passa a ser ditado, em última instância, pela dinâmica industrial.
Há, portanto, o estreitamento absoluto das interconexões industriais, à montante e à jusante, do processo produtivo agrícola, conduzindo assim,à crescente subordinação da agricultura à indústria.
Já não são mais os capitais originalmente agrários que hegemonizam a composição do PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário. São, agora, os capitais financeiros e industriais que se territorializaram no bojo do modelo econômico implantado nos anos 60, que levou à consolidação do padrão de desenvolvimento agrícola em consideração.
É evidente que o Estado foi o grande artífice e operador desse processo de transformação da base de organização da estrutura produtiva da agricultura brasileira ao longo do período considerado. Isto se deu, via a instrumentalização de um conjunto de instrumentos incentivadores da agricultura capitalista em escala (crédito subsidiado, proteção do mercado interno, incentivos especiais aos produtos exportáveis, incentivos fiscais), por sua vez, indutores da expansão industrial, no campo.
D - A URBANIZAÇÃO: TENDÊNCIAS RECENTES, METROPOLIZAÇÃO E PROBLEMAS URBANOS.
Urbanização
É comum ocorrer em alguns livros e revistas o equívoco de se confundir urbanização com crescimento urbano, que na realidade são dois processos distintos.
O crescimento urbano ou das cidades pode existir sem que, necessariamente, haja uma urbanização. Esta última só ocorre quando o crescimento urbano é superior ao normal, ou seja, quando há migrações rural-urbana e a população das cidades aumenta proporcionalmente em relação à população do campo.
Em alguns países desenvolvidos, como a Inglaterra, a urbanização já cessou, passando a ocorrer apenas o crescimento urbano. Aí, a população urbana já chegou aos 83% do total e prevalece um equilíbrio, com uma visível diminuição da migração rural-urbana, que, por vezes, chega até a ser inferior à migração urbana-rural. A urbanização, portanto, tem um limite, um ponto final, ao passo que o crescimento das cidades pode continuar a ocorrer indefinidamente.
Dessa forma, é errado falar-se em urbanização no Brasil durante a época colonial, quando existia de fato um crescimento de cidades mas não uma urbanização, na medida em que a população rural crescia tanto quanto a urbana, ou às vezes mais que a população das cidades. A urbanização só começa de fato a existir quando a indústria se torna o setor mais dinâmico da economia, fato esse que só aconteceu plenamente no século XX.
Afirma-se comumente que a urbanização brasileira não é uma decorrência direta da industrialização, que não gera emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo rural e que provoca, assim, o desemprego e o subemprego em grande escala nas cidades. De fato, quando comparamos a urbanização do Brasil com a que ocorreu nos países capitalistas desenvolvidos na época da Revolução Industrial, verificamos que aqui o setor secundário ou industrial absorveu menos mão-de-obra. E que também aqui o setor terciário se tornou hipertrofiado, ou "inchado", sendo pouco capitalizado e com atividades de pequeno porte que podem, muitas vezes, até ser classificadas como subemprego. Isso se explica ao grande número de vendedores ambulantes, aos guardadores e lavadores de carros nas ruas, a quantidade excessiva de empregadas domésticas etc.
No Brasil, assim como em outros países de industrialização tardia, essa tecnologia importada agravou o problema de desemprego e subemprego, já que o declínio das taxas de natalidade é bem mais recente e menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada.
Tendências recentes
Apesar das diferentes taxas regionais de urbanização apresentadas na tabela abaixo, podemos afirmar que o Brasil, hoje, é um país urbanizado. Com a saída de pessoas do campo em direção às cidades, os índices de população urbana vêm aumentando sistematicamente em todo o país ao ponto de a Região Norte, a menos urbanizada, apresentar o significativo índice de 59% de população urbana. Desde os primórdios do processo de povoamento, as cidades se concentravam na faixa litorânea, mas, a partir da década de 60, passaram por um processo de dispersão espacial, à medida que novas porções do território foram sendo apropriadas pelas atividades agropecuárias.
	BRASIL: TAXA DE URBANIZAÇÃO POR REGIÕES (%)
	Região
	1950 população urbana
	1970 população urbana
	1995 população urbana
	Sudeste
	44,5
	72,7
	88,33
	Sul
	29,5
	44,3
	77,26
	Nordeste
	26,4
	41,8
	63,00
	Centro-Oeste
	24,4
	48,0
	81,33
	Norte
	31,5
	45,1
	N/d
	Brasil
	36,2
	55,9
	78,98
(Anuário Estatístico do Brasil, 1994./PNAD, 1995.)
Atualmente, em lugar da velha distinção entre população urbana e rural, usa-se a noção de população urbana e agrícola. É considerável o número de pessoas que trabalham em atividades rurais e residem nas cidades. As greves dos trabalhadores bóia-frias acontecem nas cidades, o lugar onde moram. São inúmeras as cidades que nasceram e cresceram em áreas do país que têm a agroindústria como mola propulsora das atividades econômicas secundárias e terciárias.
Em virtude da modernização do campo, verificada em diversas regiões agrícolas, assiste-se a uma verdadeira expulsão dos pobres, que encontram nas grandes cidades o seu único refúgio. Como as indústrias absorvem cada vez menos mão-de-obra e o setor terciário apresenta um lado moderno, que exige qualificação profissional, e outro marginal, que remunera mal e não garante estabilidade, a urbanização brasileira vem caminhando lado a lado com o aumento da pobreza e a deterioração crescente das possibilidades de vida digna aos novos cidadãos urbanos.
Os moradores da periferia, das favelas e dos cortiços, têm acesso a serviços de infra-estrutura precários (saneamento básico, hospitais, escolas, sistema de transporte coletivos etc.). O espaço urbano, amplamente dominado pelos agentes hegemônicos, que impõem investimentos direcionados para seus interesses particulares, está organizado tendo em vista o tráfego de veículos particulares, a informação, a energia e as comunicações, relegando os investimentos sociais e, assim, excluindo os pobres da modernização. O espaço urbano, quando não oferece oportunidades, multiplica a pobreza.
Metropolização
Apenas a partir da década de 40, juntamente com a industrialização e a instalação de rodovias, ferrovias e novos portos, integrando o território e o mercado, é que se estruturou uma rede urbana em escala nacional. Até então, o Brasil era formado por "arquipélagos regionais" polarizados por suas metrópoles e capitais regionais. As atividades econômicas, que impulsionam a urbanização, desenvolviam-se de forma independente e esparsa pelo território. A integração econômica entre São Paulo (região cafeeira), Zona da mata nordestina (cana-de-açúcar, cacau e tabaco), Meio-Norte (algodão, pecuária e extrativismo vegetal) e região Sul (pecuária e policultura) era extremamente frágil. Com a modernização da economia, primeiro as regiões Sul e Sudeste formaram um mercado único que, depois, incorporou o Nordeste e mais, recentemente, também o Norte e o Centro-Oeste.
Assim, desde a década de 40, havia forte tendência à concentração urbana em escala regional, que deu origem a importantes polos. Estes encontravam os índices de crescimento urbano e econômico e detinham o poder político em grandes frações do território. É o caso de Belém, Fortaleza, recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, todas as capitais de estados e, posteriormente, reconhecidas como metrópoles. Essas cidades abrigavam, em 1950, aproximadamente 18% da população do país; em 1970 cerca de 25% e, em 1991, mais de 30%.
A partir da década de 40, à medida que a infra-estrutura de transportes e comunicações foi se expandindo pelo país, o mercado se unificou e a tendência à concentração urbano-industrial ultrapassou a escala regional, atingindo o país como um todo. Assim, os grandes polos industriais da região Sudeste, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, passaram a atrair um enorme contingente de mão-de-obra das regiões que não acompanharam seu ritmo de crescimento econômico e se tornaram metrópoles nacionais. Essas duas cidades,por não atenderem às necessidades de investimento em infra-estrutura urbana, tornaram-se centros caóticos. Após a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, até meados da década de 70, o governo federal concentrou investimentos de infra-estrutura industrial (produção de energia e implantação de sistema de transportes) na região Sudeste, que, em consequência, se tornou o grande centro de atração populacional do país. Os migrantes que a região recebeu eram, em sua esmagadora maioria, constituída por trabalhadores desqualificados e mal-remunerados, que foram se concentrando na periferia das grandes cidades, em locais totalmente desprovidos de infra-estrutura urbana.
Com o passar dos anos, a periferia se expandiu demais e a precariedade do sistema de transportes urbanos levou a população de baixa renda a preferir morar em favelas e cortiços no centro das metrópoles. Atualmente, 65% dos habitantes da Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro moram em cortiços, favelas, loteamentos clandestinos ou imóveis irregulares.
A partir de então, durante as décadas de 70 e 80, essas duas metrópoles passaram a apresentar índices de crescimento populacional inferiores à média brasileira. Em todas as metrópoles regionais, exceto Recife, foram verificados índices superiores a essa mesma média. No Centro-Sul do país, as cidades estão plenamente conectadas, o que intensifica a troca de mercadorias, informações e ordens entre a população e os agentes econômicos. Já nas regiões mais atrasadas, a conexão entre as cidades é esparsa e a relação de troca é incipiente.
Problemas urbanos
O processo de urbanização no Brasil, fruto de uma industrialização tardia ou retardatária, realizada num país de capitalismo dependente ou subdesenvolvido, trouxe uma série de problemas que não surgiram (ou então surgiram, mas com intensidade bem menor) nas cidades dos países desenvolvidos. Esses problemas urbanos normalmente estão relacionados com o tipo de desenvolvimento que vem ocorrendo no país há várias décadas, no qual, por um lado, aumenta a riqueza de uma minoria e, por outro, agrava-se a pobreza da maioria dos habitantes.
Um desses problemas é a moradia. Enquanto em algumas áreas das grandes cidades brasileiras surgem ou crescem novos bairros ricos, com residências moderníssimas, em outras, ou, às vezes, até nas vizinhanças, multiplicam-se as favelas, os cortiços e demais habitações precárias. Nas últimas décadas ocorreu um aumento da população favelada em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras cidades do país. Muitas favelas são desmanchadas para dar lugar a construção de algum edifício no terreno; em alguns casos parte da população favelada acaba indo residir em conjuntos habitacionais feitos com recursos públicos, mas o aparecimento de novas favelas e o aumento das já existentes sempre superam o final de algumas. O mesmo ocorre com os cortiços, moradias pobres onde se amontoam várias pessoas num espaço reduzido, e que também tiveram seu número multiplicado nas últimas décadas. Além disso, essas populações transferidas de favelas ou cortiços para grandes conjuntos habitacionais quase sempre acabam retornando à vida em favelas ou cortiços (ou, às vezes, em casas precárias na periferia), pois o aumento das prestações da moradia é sempre superior aos salários. Assim, nas últimas décadas, foi sempre comum que os conjuntos habitacionais construídos para abrigarem populações de baixa renda acabassem ficando em poder da classe média.
E - A INDÚSTRIA: IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NA ECONOMIA E DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL; A INDÚSTRIA E A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO.
Processo de expansão industrial ocorrido no Brasil nas décadas de 40 e 50. A partir da segunda metade dos anos 50, o setor passa a ser o carro-chefe da economia do país.
Os primeiros esforços para a industrialização do Brasil vêm do Império. Durante o Segundo Reinado (1840-1889), empresários brasileiros como Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, e grupos estrangeiros, principalmente ingleses, investem em estradas de ferro, estaleiros, empresas de transportes urbanos e gás, bancos e seguradoras. A política econômica, porém, privilegia a agricultura exportadora. Beneficiadas pelo investimento de parte das rendas do café e da borracha, as atividades industriais limitam-se a marcenarias, tecelagens, chapelarias, serrarias, moinhos de trigo, fiações e fábricas de bebidas e conservas . Metalúrgicas e fundições são raras. O país importa os bens de produção e parte dos bens de consumo.
Indústria de base - Os efeitos da crise de 1929 sobre a agricultura cafeeira e as mudanças geradas pela Revolução de 1930 modificam o eixo da política econômica, que assume um caráter mais nacionalista. Já em 1931, Getúlio Vargas anuncia a determinação de implantar uma "indústria de base". Com ela, o país poderia produzir insumos e equipamentos industriais e reduzir sua importação, estimulando a produção nacional de bens de consumo. As medidas concretas para a industrialização, contudo, são tomadas durante o Estado Novo, em 1937.
As dificuldades causadas pela 2ª Guerra Mundial (1939-1945) ao comércio mundial favorecem essa estratégia de substituição de importações. Em 1943, é fundada no Rio de Janeiro a Fábrica Nacional de Motores. Em 1946, começa a operar o primeiro alto-forno da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, no estado do Rio. A Petrobras, que detém o monopólio da pesquisa, extração e refino de petróleo, é criada em outubro de 1953. Todas elas são empresas estatais.
Anos JK - O nacionalismo da era Vargas é substituído pelo desenvolvimentismo dos anos JK (governo Juscelino Kubitschek , de 1956 a 1961). O governo implanta uma política tarifária protecionista. Amplia os serviços de infra-estrutura, como transportes e fornecimento de energia elétrica, atraindo grandes investimentos de capital estrangeiro. Com os investimentos externos estimula a diversificação da economia nacional, aumentando a produção nacional de insumos, máquinas e equipamentos pesados para mecanização agrícola, fabricação de fertilizantes, frigoríficos, transporte ferroviário e construção naval. A industrialização consolida-se com a implantação da indústria de bens de consumo duráveis, sobretudo eletrodomésticos e veículos, com o efeito de multiplicar o número de fábricas de peças e componentes. No início dos anos 60, o setor industrial supera a média dos demais setores da economia brasileira.
"Milagre econômico" - O desenvolvimento acelera-se e diversifica-se no período do chamado "milagre econômico" (1968-1974). A disponibilidade externa de capital e a determinação dos governos militares de fazer do Brasil uma "potência emergente" viabilizam pesados investimentos em infra-estrutura (rodovias, ferrovias, telecomunicações, portos, usinas hidrelétricas, usinas nucleares), nas indústrias de base (mineração e siderurgia), de transformação (papel, cimento, alumínio, produtos químicos, fertilizantes), equipamentos (geradores, sistemas de telefonia, máquinas, motores, turbinas), bens duráveis (veículos e eletrodomésticos) e na agroindústria de alimentos (grãos, carnes, laticínios). Em 1973, a economia apresenta resultados excepcionais: o Produto Interno Bruto (PIB) cresce 14%, e o setor industrial, 15,8%.
Já em meados dos anos 70, a crise do petróleo e a alta internacional nos juros desaceleram a expansão industrial. Inicia-se uma crise que leva o país, na década de 80, ao desequilíbrio do balanço de pagamentos e ao descontrole da inflação. O Brasil mergulha numa longa recessão que praticamente bloqueia a industrialização. No início dos anos 90, a produção industrial é praticamente a mesma de dez anos atrás. Indicadores sociais - Sustentada na urbanização e em um modelo industrial, a modernização da economia brasileira é conservadora. Apesar de deixar de ser apenas um país agrário, exportador de alimentos e matérias-primas, e de desenvolver uma apreciável base industrial e tecnológica, há uma grande distorção na distribuição de renda.
A política industrial favorece alguns setores,como os de bens de capital e bens de consumo durável. Ao mesmo tempo, concentra os investimentos nas regiões Sul e Sudeste, principalmente em setores geradores de empregos e com efeito multiplicador da economia. No Nordeste os investimentos limitam-se a setores de consumo não-durável, como a indústria têxtil, que não tem um efeito dinâmico sobre a economia.O resultado é um alargamento das diferenças econômicas entre as regiões geográficas brasileiras e, dentro de cada região, entre as classes sociais. A situação torna-se crítica sobretudo nas áreas de saúde pública, habitação, alimentação e educação.
Importância da atividade industrial na economia
Em tempos de crise, aumenta o desejo de se prever o desenvolvimento da atividade econômica. O problema é especialmente importante para países que têm potencial para desenvolver atividades diversificadas, como é o caso do Brasil que, dispondo de extensão continental, recursos ociosos de mão de obra não qualificada, ou escassamente qualificada, sofre de carência crônica de capital. Portanto, é o caso de se discutir os possíveis modelos de desenvolvimento.
O sucesso das economias industrializadas desperta tendências de mimetização que talvez não se justifiquem à vista da mudança contínua do ambiente em que se dá a produção. Na década de 50, o Presidente Juscelino Kubistcheck , entendendo que o país deveria se industrializar para proporcionar melhores condições de vida para o povo, lançou um programa de metas apoiando-o em ambicioso programa de geração de energia elétrica. Os anos JK ainda despertam saudades em amplos setores da sociedade e vários Presidentes tentaram reavivar a mística do desenvolvimento pela via industrial. O modelo industrial fez crescer o PIB à taxa média de 5,4% ao ano, entre 1960 e 1990, mas produziu alguns resultados indesejados, como a concentração aguda de renda, a urbanização além dos limites permitidos pela infraestrutura de nossas cidades e a perda de qualidade de vários serviços públicos, como os de educação e de saúde. Retomar o modelo exigiria a reavaliação do ambiente econômico mundial.
Se aceitarmos a premissa de Marx, de que os modos de produção determinam a organização da sociedade, caberia investigar se os nossos problemas sociais não estariam relacionados, de alguma forma, com o modelo de desenvolvimento industrial, e exacerbados pelo desejo de "inserção competitiva na economia global". Para tanto, faltam-nos capital e educação técnica (reconhecida como um modo de capitalização), enquanto sobram terras cultiváveis e pessoas desejosas de encontrarem uma forma de sobreviver dignamente, à custa do próprio trabalho. Discutir a viabilidade do modelo industrial é, portanto, uma questão central para a condução de nossa sociedade.
É da tradição dos modelos econômicos usar indicadores do volume da produção. A demanda de energia elétrica é um indicador interessante por representar, ao mesmo tempo, uma medida da quantidade e da qualidade da demanda, de vez que os processos de produção modernos, exigindo controles estritos, são cada vez mais dependentes da eletricidade. Assim, propomos o exame das perspectivas da indústria brasileira, usando como indicadores a demanda de energia elétrica, indicadores de volume de produção e de participação do produto industrial no PIB. Com os dados do Balanço Energético Brasileiro (versão 1997) e a metodologia de projeção logística, já apresentada em edições anteriores da E&E , procura-se delimitar o horizonte de desenvolvimento econômico pela via industrial.
BASE DE DADOS.
Os dados foram extraÍdos do BEN/97 e registram a evolução da demanda de energia elétrica pelo setor industrial. Como a geração elétrica no Brasil é de base hídrica, o que restringe o comércio de energia com outros países, podemos considerar o sistema de geração e de uso da eletricidade como sendo isolado, nos termos das restrições estabelecidas na dedução probabilística da lei logística ( E&E, número 1). Repetindo o algorítmo já aplicado em outros estudos, calculam-se as demandas médias em intervalos de tempo uniformes, suficientemente longos para alisar os dados e suficientemente curtos para se dispor de amostra estatisticameente representativa. A contabilidade energética sistemática no Brasil é relativamente recente (o Balanço Energético Nacional começou a ser editado em 1970), de forma que, para satisfazer os requisitos da metodologia, foram usadas as taxas trienais de variação da demanda. Com séries históricas mais longas é possível elaborar projeções mais "lisas" como no caso da reserva de petróleo apresentada em número anterior da E&E. O ajuste das taxas calculadas à equação diferencial da lei logística
dN/dt = a N ( N* - N )
em que N é a demanda do ano mediano do intervalo considerado , dN/dt é a taxa média de variação da demanda no intervalo e N* é o valor máximo da demanda, permite determinar a demanda máxima dentro do modelo de desenvolvimento em exame. Se a taxa média de variação se ajusta à lei parabólica, pode-se calcular a demanda final como o dobro da demanda na qual ocorre o máximo da taxa de crescimento da mesma ( vd. E&E, n0 1 ).
Os dados elaborados a partir do BEN estão registrados na tabela seguinte:
	ANO MEDIANO
	1973
	1976
	1979
	1982
	1985
	1988
	1991
	1992
	DEMANDA Twh
	29,5
	43,5
	62,0
	71,5
	96,5
	110 
	115
	125
	TAXA TRIENAL Gwh/a
	3,88
	5,86
	4,52 
	6,50
	5,93
	2,47
	3,40
	2,25
O ajuste parabólico dos dados da tabela está mostrado no gráfico acima.
Apesar do pequeno número de dados, vê-se que o ajuste é razoável (r= 0,838), permitindo usar o indicador de demanda de eletricidade para um exame exploratório da perspectiva de desenvolvimento.
A taxa de variação da demanda é máxima para a demanda de cerca de 69 TWh/a, de forma que N*= 138 TWh/a. Determinado este parâmetro, pode-se prever a evolução da demanda através do ajuste dos dados observados à função integral que é a função N = N* / (1 + k e - a N* t ), sendo k uma constante de integração a ser determinada para se completar a projeção . Usando os pares de valores de N e t, calculam-se os valores de k correspondentes aos pontos observados e finalmente toma-se o valor médio de k para concluir a projeção (resultados abaixo)
	ANO 
	1973
	1976
	1979
	1982
	1985
	1988
	1991
	1994... 
	2000
	2010
	2020
	N observ. 
	29,5 
	42,5
	62,0
	71,0
	96,0
	110
	115
	125
	-
	- 
	-
	N ajuste 
	29,0 
	42,3
	58,3
	75,5
	92,0
	106
	117
	124
	133
	136
	137
Conforme se depreende do gráfico abaixo, a demanda tenderá assintoticamente para 138 TWh/a. No intervalo 1994-2020, a taxa média de crescimento da demanda será da ordem de 0,4% ao ano. A produção industrial, se mantida a proporcionalidade com o consumo de energia constatada por diversos autores, crescerá no mesmo ritmo.
PARTICIPAÇÃO DO PRODUTO INDUSTRIAL NO PIB.
O produto industrial tem participação decrescente no PIB, como mostra o gráfico seguinte elaborado com dados retirados da excelente seção " Energia e Sócio-Economia" do Balanço Energético de 1998.
O novo indicador também aponta para a saturação do modelo de crescimento econômico com base na indústria, o que explica a dificuldade que Governo e Empresas vêm encontrando na tentativa de retomar o crescimento do produto. A coincidência de resultados dos dois indicadores sugere, como medida de cautela, o exame do indicador de volume de produção. Escolhemos para esta finalidade dois sub-setores da indústria de transformação que têm peso considerável no produto industrial: a indústria siderúrgica e a indústria automobilística, ambas notoriamente em crise como se vê no noticiário de jornais e da televisão. Além disto, a concessão de favores do Governo à Ford, para se instalar na Bahia, vem provocando polêmica candente entre favorecidos e prejudicados, sendo portanto este sub-setor um importante termômetro das tendências de curto prazo.
PRODUÇÃO SIDERÚRGICA.
O interesse pela produção siderúrgica é devido, em parte, pela delicada situação ambientalda Bacia do Rio Piracicaba, objeto de um estudo do CETEC, com o patrocínio da FAPEMIG, com o objetivo principal de definir a tipologia dos rejeitos da produção conforme o modelo econômico preponderante. Nesta bacia situa-se o chamado Vale do Aço onde são produzidas cerca de 6 milhões de toneladas de ferro-gusa e aço. Á percepção de que a produção siderúrgica mundial está se aproximando da saturação coloca dois problemas importantes para a região: quais seriam as soluções econômicas para a população do Vale, onde a densidade demográfica é cerca de 5 vezes a densidade média no Estado de Minas, e qual será o impacto ambiental de uma possível mudança radical na estrutura de produção? Para examinar esta questão, foi feito um levantamento expedito da evolução da produção siderúrgica nos últimos 15 anos, com dados do BEN/98. Os resultados estão mostrados no gráfico a seguir.
O gráfico mostra o rápido crescimento da produção de aço na década de 80, possivelmente influenciada pela política de exportação adotada pelo Governo brasileiro para compensar a queda de preços dos nossos produtos de exportação no mercado mundial (cf. Carlos Feu Alvim et al. Em "Brasil:o Crescimento Possível"- Ed. Bertrand Brasil/1996). Entre 89 e 90, registrou-se queda brusca da produção seguida de um novo pulso de crescimento, ficando a produção, todavia, inferior à produção esperada segundo a linha de tendência do período anterior. Aparentemente, a queda registrada em 90 adiou por cerca de 5 a 6 anos a saturação na produção antecipada pela sequência anterior (82-89).
Como o Brasil é um dos maiores exportadores de aço do mundo, caberia indagar se a atual estagnação da produção brasileira seria reflexo da crise econômica interna ou se, pelo contrário, refletiria uma tendência internacional. A resposta é encontrada nas estatísticas internacionais. O gráfico a seguir foi elaborado a partir de dados do Iron and Steel Statistcs Bureau/ 1997 e mostra que a tendência à saturação é mundial, sendo inócuos os esforços internos para aumentar a produção no Brasil. A retomada do crescimento da produção siderúrgica depende da ocorrência de fatos novos, de caráter essencial, que poderiam favorecer o produto brasileiro no quadro da estagnação mundial. Uma nova queda de preços seria desastrosa para a indústria nacional e mais ainda para a sociedade brasileira, a braços com o problema de desemprego. A propósito, o número de empregos na siderurgia brasileira caiu cerca de 20% entre 1992 e 1997, como consequência da busca da competitividade no mercado internacional que força a automação e a informatização da indústria .
No que interessa a siderurgia brasileira, o fato novo poderia provir do esforço internacional de abatimento da emissão de gases de efeito estufa que favoreceria a retomada do uso do carvão vegetal. É sabido que os combustíveis da biomassa não contribuem essencialmente para esse efeito (a não ser pelo uso de fertilizantes e de pesticidas eventualmente produzidos a partir do petróleo), visto que o carbono emitido é reciclado através da foto-síntese. Assim, se o Brasil vier a ser beneficiado pela política de concessão de bônus para a produção de combustíveis da biomassa, a indústria siderúrgica estará em condições de representar papel mais importante do que a indústria de álcool combustível.
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA.
A produção de veículos automotivos para a exportação é um meio de adicionar valor aos produtos da siderurgia. Vale, pois, investigar a possibilidade de expansão da indústria automobilística em âmbito mundial. Este tema foi tratado por Cesare Marchetti, empregando a metodologia de projeção logística, que concluiu haver a indústria automobilística atingido a taxa máxima de crescimento da produção na década de 70. Reproduzimos, a seguir, estudo elaborado por nós a partir de dados da Motor Vehicle Manufacturers Association of the United States, Inc (edição de 1990) apresentados em Seminário sobre Transportes e Meio Ambiente, promovido pela Scania em São Paulo (Set/1991).
A produção mundial de veículos pode ser estudada como sistema isolado, nos termos da metodologia logística, em face da preponderância do automóvel como veículo de transporte na sociedade moderna. A base de dados usada neste trabalho abrange o intervalo de 1960 a 1990, favorável à projeção pela metodologia logística.
Os gráficos mostram que a inflexão da curva de produção ocorreu para a frota equivalente a 69 carros/1.000 habitantes e que, em consequência, a frota máxima será de cerca de 140 carros por 1.000 habitantes ou 1 carro para cada 7 pessoas. Vemos, pois, que a indústria automobilística, pela qual alguns Governos estaduais vêm mantendo verdadeira guerra fiscal, estará produzindo, em futuro próximo, apenas para a reposição da frota e enquanto durar o petróleo. A frota brasileira já atinge a cerca de 14 milhões de automóveis e veículos comerciais leves, prevendo-se a sua saturação em cerca de 17 milhões ( cf. Carlos Feu Alvim et al., Economia & Energia, número 7), ou seja, em 1 veículo por 10 habitantes.
Os indicadores usados mostram que a idade da indústria está completando o seu pulso de crescimento iniciado com o fim da Segunda Guerra Mundial, ou como preferem alguns, um ciclo de Kondratiev está se encerrando (2.000-1.945=55anos). Apostar todas as fichas na indústria, como vem fazendo o Governo brasileiro é aparentemente um erro secular. O ambiente que favoreceu o desenvolvimento industrial mudou, o petróleo começa a escassear e o rendimento do capital está em regressão. Nos países mais avançados o setor de serviços vem ocupando o lugar da indústria como carro-chefe do desenvolvimento.
Distribuição espacial
- Região Sudeste.
- 73% das industrias do pais.
- São Paulo 53% das industrias do pais.
- Destacam-se: Santo André, São Bernardo, São Caetano,
Diadema, Mauá, São José dos Campos, Sorocaba, Campinas,Ribeirão
Preto.
- Eixos Industriais- Dutra, Anhanguera, Washington Luiz,
Castelo Branco, Raposo Tavares, e Anchieta.
- Rio de Janeiro - 10 % da produção Nacional.
- Áreas com destaque no RJ= Grande Rio, Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Pirai, Nova Friburgo e Campos.
- Minas Gerais - 3. lugar com 8,4% produto nacional.
- Região Sul
- 2. região mais industrializada = 16% .
- Áreas industrializadas no Rio Grande do Sul: Grande Porto Alegre, Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria.
- Áreas mais industrializadas do Paraná: Grande Curitiba, Londrina, Ponta Grossa, Apucarana, Maringá.
- Áreas mais industrializadas de Santa Catarina: Blumenau, Joinville, Brusque, Itajaí, São Francisco do Sul, Criciúma, lajes, Florianópolis.
- Região Nordeste
- 3. região produtora - 8%.
- Bahia: Distrito Industrial de Aratu, e Polo Petroquímico de Camaçari.
- Pernambuco: Grande Recife, Caruaru,Petrolina,Garanhuns.
- Região Centro Oeste e Norte
- Juntas contribuem com 3,4% da ind. nacional.
- Norte: Manaus - Zona Franca - Belém, Macapá, Porto Velho.
- Centro Oeste: Brasília, Goiânia, Corumbá, Campo Grande.
A indústria e a organização do espaço
	A concentração industrial do Brasil está no Sudeste.
	Os motivos para esse fato são:
- O ciclo da mineração que permitiu a mudança da capital para o Rio de Janeiro.
- A expansão cafeeira.
- O fluxo imigratório para a região.
- futura mão de obra industrial.
- aumento do mercado consumidor.
- aumento da urbanização.
- Desenvolvimento dos transportes criado com a finalidade de escoar a produção cafeeira.
- Posição geográfica de São Paulo - tendo fácil ligação com o litoral e interior.
- Desenvolvimento da atividade comercial e bancaria , juntamente com a concentração financeira em São Paulo, fruto do dinamismo imposto pelo café.
- Criação de melhor infra estrutura.
F - A ENERGIA E OS RECURSOS MINERAIS: FONTES ENERGÉTICAS, ESTRUTURA DA PRODUÇÃO E DEMANDA; A MINERAÇÃO NA ECONOMIA BRASILEIRA.
No Brasil, embora o aproveitamento dos recursos eólicos tenham sido feito tradicionalmente com a utilização de cata-ventos multipás para bombeamento d'água,algumas medidas precisas de vento, realizadas recentemente em diversos pontos do território nacional, indicam a existência de um imenso potencial eólico ainda não explorado.
Grande atenção tem sido dirigida para o estado do Ceará por este ter sido um dos primeiros locais a realizar um programa de levantamento do potencial eólico através de medidas de vento com modernos anemógrafos computadorizados .Entretanto, não foi apenas na costa do Nordeste que áreas de grande potencial eólico foram identificados. Em Minas Gerais, por exemplo, uma central eólica está em funcionamento, desde 1994, em um local (afastado mais de 1000 km da costa) com excelentes condições de vento.
A capacidade instalada no Brasil é de 20,3 mw, com turbinas eólicas de médio e grande portes conectadas à rede elétricas. Além disso, existem dezenas de turbinas eólicas de pequeno porte funcionando em locais isolados da rede convencional para aplicações diversas: Bombeamento, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural.
O aproveitamento dos recursos minerais no Brasil estão definidos e consolidados na atual Constituição Federal, promulgada em 1988, e na Emenda Constitucional n° 6, de 15 de agosto de 1995.
À luz da Carta Magna, o arcabouço legal da atividade minerária está assim delineado:
Os recursos minerais, inclusive os do subsolo, são bens da União;
As jazidas, minas e demais recursos minerais constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração e aproveitamento;
A pesquisa e a lavra de recursos minerais somente poderão ser efetuadas mediante autorização ou concessão do Governo Federal, por brasileiro ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra;
Constituem monopólio da União:
a pesquisa e a lavra de jazidas de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;
a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados;
Ao proprietário do solo é assegurada a participação nos resultados da lavra;
Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão competente;
A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado;
A autorização de pesquisa e a concessão de lavra não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do poder concedente;
As cooperativas organizadas para o exercício da atividade de garimpagem terão prioridade na autorização e concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas fixadas pelo Governo Federal;
Compete ao Congresso Nacional autorizar, em terras indígenas, a pesquisa e a lavra de recursos minerais;
Compete ao Governo Federal legislar sobre jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia.
FONTES ENERGÉTICAS
Apesar de possuir uma grande diversidade de fontes de energia, o Brasil não gera o suficiente para atender à demanda interna. Em 1998, a produção é de 196,1 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep) e o consumo final, de 228,2 milhões de tep, o que representa um déficit de 32,1 milhões de tep, suprido por meio de importações. A produção nacional está concentrada nas formas de energia primária renováveis – como energia hidráulica, lenha e derivados de cana-de-açúcar –, que correspondem a 68,4% do total. As fontes não renováveis, que incluem petróleo, gás natural, carvão e urânio (U308), são responsáveis por 31,6%. Nos últimos anos, no entanto, se verifica uma tendência de diminuição do uso de fontes renováveis, principalmente da lenha, que cai de 19% para 10,8% do total entre 1990 e 1998, enquanto aumenta o de formas não renováveis, sobretudo o petróleo (variação de 21,5% para 25,31% no período). Em relação ao consumo, cresce a participação da eletricidade e dos derivados de petróleo (de 37,3% para 39% e de 32,9% para 35,3% entre 1990 e 1998, respectivamente), ao passo que diminui a da lenha (9,1% para 5,7%).
Processada em hidrelétricas e refinarias, a energia primária transforma-se em eletricidade, gasolina, óleo diesel, entre outros.
ENERGIA ELÉTRICA – Do total da energia elétrica gerada no Brasil, as usinas térmicas respondem por 8% e as hidrelétricas, por 92%. Em 1998, a produção (321,5 milhões de megawatts/hora) e o consumo (306,9 milhões de megawatts/hora) crescem cerca de 4% em relação a 1997. A indústria, setor que mais utiliza a eletricidade, é responsável por 44,4% do consumo total. Do total de residências, 93% possuem eletricidade. O crescimento no consumo é impulsionado pelos segmentos comercial (8,9%) e residencial (7,2%). Para isso concorrem a expansão e a modernização dos serviços, com a abertura de grandes centros comerciais, a instalação de novas ligações residenciais e a difusão do uso de bens de consumo duráveis pelas classes de menor poder aquisitivo. A indústria registra uma pequena elevação no consumo de energia (0,7%), o que é explicado por seu fraco desempenho econômico.
A privatização da área elétrica começa em 1995, quando são promulgadas as Leis de Concessões, autorizando o início do processo de venda das empresas de energia elétrica. A primeira a ser negociada é a Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa), negociada por 520 milhões de dólares. Até outubro de 1999, 20 empresas haviam sido privatizadas. Em 1996 é criada a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para regularizar e fiscalizar os aspectos técnicos, econômicos e administrativos das cerca de 70 estatais do setor.
Em 11 de março de 1999, dez dias depois de iniciada a privatização da coordenação do sistema de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, ocorre o maior blecaute da história do país. Cerca de 76 milhões de habitantes de dez estados das regiões Sul e Sudeste e parte do Centro-Oeste, além do Distrito Federal, ficam no escuro. Em alguns deles, o fornecimento de energia só volta ao normal quatro horas e quinze minutos depois. Grande parte do Paraguai, que é servido pela Hidrelétrica de Itaipu, também sofre as consequências do apagão .
ENERGIA NUCLEAR – Em 1999, a única usina nuclear em atividade no país, Angra I, produz 3.265 gigawatts/hora (GWH) – quantidade correspondente a 30% da geração de eletricidade do estado do Rio de Janeiro, de acordo com estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e das Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás). As receitas da Eletrobrás Termonuclear S/A (Eletronuclear), que opera a central, crescem 55% em relação a 1997. Desde o início de suas atividades comerciais, em 1985, a usina produz cerca de 25 milhões de megawatts/hora (MWH). Gerada com regularidade, essa energia seria suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 1,2 milhão de habitantes. Falhas nos equipamentos, porém, levam Angra I a frequentes paralisações na produção. Relatório da Eletronuclear de 1999 revela que problemas no sistema de segurança da usina interrompem 11 vezes o funcionamento do reator em menos de um ano.
Em outubro de 1999, as obras de construção de Angra II, iniciadas em 1976, estavam 95% concluídas, e previa-se sua inauguração para fevereiro de 2000 com o dobro de capacidade de Angra I. Com a entrada em funcionamento de Angra III, estimada para 2005, as três usinas devem gerar metade da energia consumida no estado do Rio de Janeiro. 
PETRÓLEO – Em 1998 cresce a produção de petróleo brasileiro, que corresponde a 64% do total consumido no país. Em 1995, esse índice era de 56%. De janeiro a agosto de 1999 são produzidos 41.946.000 metros cúbicos de petróleo – no mesmo período de 1998 a produção foi de 36.397.000 metros cúbicos. Para suprir o déficit, recorre-se à importação. Por outro lado, o país exporta a produção excedente de alguns de seus derivados, como gasolina, óleos combustíveis, combustíveis para navios e graxas lubrificantes, que totalizam 6.538.000 metros cúbicos em 1998.
As principais reservas de petróleo do Brasilsão Campos (RJ), Espírito Santo (ES), Camamu-Almada (BA), Cumuruxatiba (BA) e Amazonas (AM), em mar; Paraná (PR), em terra; e Potiguar (RN), em terra e mar.
Em setembro de 1999 é anunciada a descoberta de um campo na bacia de Santos (SP). Os cálculos preliminares da Petrobras indicam reservas potenciais de 600 milhões a 700 milhões de barris, que representam 10 bilhões de dólares a ser explorados em 20 anos. O início da retirada do produto está previsto para 2001. A busca por petróleo na bacia de Santos começou em 1969 e somente reservas de gás haviam sido descobertas.
Fim do monopólio – Em 1997 é sancionada a lei que permite a entrada da iniciativa privada nacional e internacional no setor petrolífero. Com isso, a Petrobras, fundada em 1953, deixa de ter o monopólio em todos os seus segmentos: pesquisa, produção, refino, importação, exportação e transporte. Para promover a regulamentação, a contratação e a fiscalização dessas atividades, é criada a Agência Nacional de Petróleo (ANP). As empresas candidatas a atuar na área precisam submeter-se a um processo de licitação.
Em junho de 1999, a ANP realiza licitação para a exploração de petróleo no país. Das 27 áreas oferecidas em oito bacias sedimentares, 12 são vendidas por um valor total de 321,6 milhões de reais. Para atrair concorrentes, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se propõe a financiar 10 bilhões de dólares em investimentos nos próximos dez anos. A própria Petrobras é a maior compradora, isoladamente ou em consórcios, arrematando 42% do que é leiloado. As novas operadoras do setor são a Agip do Brasil, YPF, Kerr McGee, Amerada Hess, Texaco Brasil, Esso do Brasil, Unocal, British Borneo, Shell e BT. A segunda apresentação de ofertas está prevista para o segundo trimestre de 2000.
GÁS NATURAL – A produção de gás natural, utilizado para fins industriais, comerciais e domésticos, chega a 10,8 bilhões de metros cúbicos em 1998. No ano anterior, havia sido de 9,8 bilhões de metros cúbicos. Em 1999, o acumulado até agosto é de 7,9 bilhões de metros cúbicos. Como a produção é maior que o consumo (6,7 bilhões de metros cúbicos), uma parte do excedente é reinjetada nos poços. O volume de gás natural consumido, no entanto, deve crescer. A estimativa é de que até 2005 cerca de 10% do total da energia consumida no país seja gerada pelo gás natural, especialmente graças à finalização do gasoduto Brasil-Bolívia.
As principais reservas em terra são Taquaré e Jatobá (AM), na bacia do Solimões, e a de Campo de Barra Bonita (PR), na bacia do Paraná. No mar, destacam-se as descobertas nos poços CES-141 e 142, na bacia Potiguar (RN), e SES-121, em Sergipe.
Gasoduto Brasil-Bolívia – Inaugurado em 1999, é considerado um dos maiores projetos de infra-estrutura do mundo, orçado em 2 bilhões de dólares. Entram em atividade 1.968 quilômetros da extensão total de 3.150 quilômetros, ligando os municípios de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Guararema, no interior de São Paulo. Embora as tubulações permitam o transporte de até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, o acordo inicial prevê o fornecimento de 9 milhões de metros cúbicos diários. A Eletrobrás espera que a participação do gás natural como fonte energética no Brasil chegue a 11,3%. A construção do gasoduto tem início em 1997, quatro anos após a assinatura do contrato entre os dois países. A conclusão da segunda parte do percurso, que vai até Porto Alegre (RS), estava prevista para dezembro de 1999.
A obra é uma das tentativas do governo brasileiro de diversificar a matriz energética do país com o objetivo de aumentar a participação do gás natural e diminuir o consumo de petróleo e de energia hidrelétrica.
ÁLCOOL – A produção de álcool etílico em 1998 é de 14,1 milhões de metros cúbicos, valor um pouco inferior ao produzido em 1997. Nos últimos anos, o consumo de álcool se mantém em 14 milhões de metros cúbicos, levando à formação de grandes estoques. A principal razão dessa estagnação é a redução da produção de veículos novos movidos a álcool, que passam de 96% do total em 1985 para 0,5% em 1998, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Em 1999, porém, o mercado automobilístico de veículos a álcool volta a crescer, incentivado pelo próprio governo. No estado de São Paulo, por exemplo, o governo anuncia a isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para quem comprar automóveis a álcool até o final desse ano. Em contrapartida, os produtores de álcool e cana devem manter o nível de emprego no setor. De janeiro a setembro de 1999 são vendidos 5,4 mil automóveis a álcool, conforme a Anfavea, o que representa um aumento de 43% em relação à soma dos dois anos anteriores. Ainda assim, sua participação no total da frota nacional é de apenas 0,7%.
Estrutura da produção e demanda
A maior fonte de energia é o sol. No entanto a energia proveniente do sol apresenta baixa densidade e é variável em uma forma determinística (devido à variação da hora do dia) e em uma forma ‘aleatória’ (devido às variações do tempo: nebulosidade...). A baixa densidade implica em equipamentos de grande porte para se conseguir uma potência razoável, o que resulta em alto custo de capital. A variação de intensidade resulta em equipamentos com reduzido tempo de uso, implicando em custo de um capital que não é utilizado plenamente.
No entanto a fotossíntese transforma a energia do sol, calor na forma de ondas eletromagnéticas, em energia interna (parcela química) de substâncias realizando uma grande concentração (por unidade de massa e de volume). Das substâncias orgânicas assim geradas se obtém os combustíveis. Se o tempo de geração for relativamente curto (até uma dezena de anos) tem-se fontes renováveis de combustíveis (lenha, carvão vegetal, álcool, bagaço de cana,...). No caso de petróleo, carvão mineral e gás natural o tempo de geração, estima-se que, é de milhões de ano, portanto estes combustíveis provém de fontes não renováveis de energia.
Os combustíveis são substâncias que têm energia acumulada na forma de energia interna (parcela química). Esta energia é liberada principalmente através da queima (oxidação com o ar atmosférico). Para ser considerada um combustível com utilização no setor de transporte, a substância deve ter uma alta concentração de energia por unidade de massa (peso) e por unidade de volume ocupado.
A energia acumulada nos combustíveis tem como origem o sol. Todos os combustíveis fósseis e os artificiais provenientes de biomassa podem ser considerados como reservatórios de energia solar, encarregando-se da coleta desta forma dispersa de energia e de seu armazenamento.
Durante a queima, além da liberação de energia, a reação de oxidação produz substâncias poluentes, que dependendo da concentração prejudica a saúde dos seres vivos (animais e vegetais) e causa alterações na biosfera (camada de solo, água e atmosfera onde existe vida).
Apesar dos problemas citados no topo desta página quanto à energia solar, existem aplicações em que a utilização direta desta forma de energia é competitiva. A energia solar usada nesta forma direta se constitui em uma fonte de energia renovável.
A absorção dos raios solares pela atmosfera, solo e água gera vento, que dependo da velocidade e constância pode se constituir em uma fonte de energia renovável, denominada energia eólica.
A vaporização de água e posteriormente com o deslocamento das massas de ar no movimento atmosférico e precipitação em locais elevados, resulta na fonte renovável de energia hidráulica.
A energia nuclear é obtida através da fissão núcleo de átomos de número e massa atômica elevada. Esta quebra do núcleo libera energia. Esta energia pode ser utilizada em uma usina térmica para gerar energia elétrica.
A fusão de dois núcleos, por exemplo de hidrogênio resultando em núcleo de hélio libera uma grande quantidade de energia, mas devido a dificuldades construtivas ainda não existem equipamentos que viabilizam a utilização desta fonte de energiade uma forma útil.
Geração de Energia Elétrica:
A Geração de energia elétrica se dá por vários meios e o principal deles no Brasil é por meio hidrelétrico, esta geração transforma energia mecânica em energia elétrica.
Demanda de Energia
Devido ao tamanho do Brasil, à amplidão de recursos naturais e ao grande crescimento na demanda de energia, o setor de energia do Brasil atraiu investimentos significativos tanto de fontes locais quanto do exterior. Embora o Brasil possua a segunda maior reserva de petróleo na América do Sul (1,8 milhões de barris), o país continua sendo importador líquido, em especial de produtos especializados do petróleo. A Agência Nacional de Petróleo regula o setor do petróleo, que é dominado pela Petrobrás, uma empresa estatal. O Brasil tem reservas de gás natural de 8,2 trilhões de pés cúbicos, porém, recentemente buscou gás adicional em países vizinhos com reservas de gás maiores, através de oleodutos internacionais.
O Brasil possui cerca de 80 GW (junho 2001) de capacidade de geração instalada, cerca de 90% da qual provém de energia hidrelétrica. Apesar de a energia hidrelétrica ser uma fonte bastante custosa, as recentes secas ocorridas no ano de 2001 deixaram o país com escassez de energia, forçando-o a aplicar o racionamento de energia. Tal situação pode ser parcialmente atribuída a um sub-investimento no setor, pois de 1990 a 1999, a demanda de energia aumentou 55%, enquanto a capacidade aumentou somente 25%. Embora a maioria dos distribuidores de eletricidade tenha sido privatizada, alguns dos principais ativos de geração continuam fazendo parte da Eletrobrás, a empresa de eletricidade do governo.
Como resultado da escassez, o setor de energia recebeu uma parcela maior de interesse do governo e dos investidores. Nesse ínterim, a estrutura regulamentar ainda está sendo avaliada para determinar quais mudanças deverão ser implementadas. Em tal contexto, a energia sustentável representa uma oportunidade de mercado significativa no Brasil, pois pode adicionar capacidade, especialmente em áreas remotas em que a expansão da rede exige subsídios. Além disso, com a preocupação crescente em relação ao meio ambiente e incentivos como a criação de créditos de carbono estarem sendo criados para estimular tais investimentos, a oportunidade de mercado aumenta. Ademais, as fontes de energia sustentável costumam ser a solução mais prática para os cerca de 20 milhões de brasileiros que não têm acesso às fontes modernas de energia.
A mineração na economia brasileira
O setor de mineração representa cerca de 1% do PIB do Brasil em 1997, com um crescimento de 7,5%. Esse resultado corresponde ao quinto ano consecutivo de taxas positivas. No setor, as exportações de bens primários atingem US$ 3,3 bilhões e as exportações de produtos industrializados (semimanufaturados, manufaturados e compostos químicos) alcançam US$ 8 bilhões. As importações de produtos manufaturados crescem 18,4%, com um total de US$ 4,8 bilhões.
O Brasil é um dos países com maior potencial mineral do mundo, juntamente com Federação Russa, Estados Unidos, Canadá, China e Austrália, segundo estudos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), principal órgão controlador da mineração nacional. O país destaca-se na produção de amianto, bauxita, cobre, cromo, estanho, ferro, grafita, manganês, níquel, ouro, potássio, rocha fosfática, zinco.
A produção de minério de ferro, de grande importância econômica, alcança 187,9 milhões de t, com um crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior, resultando em maior volume exportado (8,2%). Sete grandes empresas respondem por 94% da produção nacional de ferro: Cia. Vale do Rio Doce; Minerações Brasileiras Reunidas S.A.; Mineração da Trindade; Ferteco Mineração S.A.; Samarco Mineração S.A.; Cia Siderúrgica Nacional; e
Itaminas Comércio de Minérios S.A. Existem no Brasil cerca de 1,4 mil empresas mineradoras ativas que extraem aproximadamente 80 substâncias minerais, sendo que 65,5% se concentram na Região Sudeste. No estado de São Paulo está o maior número de minas, seguido de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Atualmente, a maior parte das indústrias minerais do país é parcial ou inteiramente de propriedade de investidores privados.
Legislação – Todo recurso mineral do subsolo pertence à União, que controla`a exploração e o aproveitamento do solo por meio do DNPM. A autorização de pesquisa é concedida a qualquer cidadão ou empresa que cumpra as exigências do Código de Mineração, tem prazo de validade de três anos e pode ser renovada apenas uma vez. E abrange todas as substâncias minerais, com exceção das nucleares, únicas que continuam sob monopólio estatal. Quando a pesquisa constata a existência de uma jazida com possibilidade de aproveitamento econômico, apenas empresas mineradoras podem requerer a concessão de lavra, válida até a exaustão da jazida. Os depósitos cuja lavra não exige pesquisa podem ser explorados com a permissão de lavra garimpeira, dada a cidadãos brasileiros ou a cooperativas de garimpeiros autorizadas a funcionar como empresa de mineração. Seu prazo é de cinco anos e pode ser renovada. Para substâncias minerais de utilização imediata na construção civil, como pedras, é exigido apenas o licenciamento, concedido ao proprietário do solo ou a alguém autorizado por ele.
O proprietário da terra onde vai ser realizada uma pesquisa mineral tem direito a uma renda pela ocupação do terreno (semelhante a um aluguel) e a uma indenização pelos danos causados à propriedade. Durante o período de extração, além de receber a indenização pelos prejuízos da exploração, ele tem direito a uma participação nos resultados, fixada em metade do valor devido pelo minerador aos estados, Distrito Federal, municípios e órgãos da administração da União. Quando a pesquisa e a extração acontecem em terrenos públicos, as empresas ficam dispensadas do pagamento pela ocupação do terreno.
Meio ambiente e mineração – Uma das exigências feitas pela legislação atual é que a empresa interessada na exploração mineral apresente um relatório de impacto ambiental e um plano de recuperação da área degradada pela mineração, que fica sujeito a análise e aprovação. Isso porque um dos maiores problemas causados pela atividade mineradora é a devastação ambiental. Ocorrem desde alterações na paisagem até a contaminação da água por metais como o mercúrio. A mineração pode afetar também a qualidade do ar e do solo, destruir espécies animais e vegetais e causar poluição sonora.
G - A CIRCULAÇÃO E O TRANSPORTE: REDES RODOVIÁRIAS E FERROVIÁRIA, OUTROS TIPOS DE TRANSPORTES UTILIZADOS; OS TRANSPORTES E A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO.
A circulação e o transporte
A rapidez e facilidade dos deslocamentos de um ponto geográfico a outro sempre determinaram as condições de vida dos grupos humanos. Os meios de transporte tornaram o homem independente do meio em que vivia, permitiram-lhe ocupar todo o planeta, afetaram o aproveitamento dos recursos naturais e bens de produção e impulsionaram o comércio.
Transporte, em sentido geral, é a ação ou o efeito de levar pessoas ou bens de um lugar a outro.
O sistema de transportes é vital para o comércio interno e externo, a fixação dos custos de bens e serviços, a composição dos preços, a regularização dos mercados, utilização terra e urbanização. É um elemento fundamental para a solução de problemas básicos de saúde e educação; nas cidades, porque facilitam o acesso das populações aos centros de ensino e saúde; nas zonas rurais, porque permitem a penetração dos meios de divulgação cultural, técnico-profissional e sanitária necessários à melhoria das condições de trabalho e de produtividade.
Os marcos mais importantes da operação econômica das diversas modalidades de transporte são: invenção da máquina a vapor (1807); início do transporte ferroviário (1830); início do transporte dutoviário (1865); início da utilização comercial do automóvel (1917); e início da aviação comercial (1926)
Nossa intenção levar a todos o conhecimento a respeito do transporte no Brasil,os meios de transportes são um dos mais importantes para todos nós, em nosso caso especificamente o transporte rodoviário, que ao mesmo torna-se apaixonante uma vez que falamos da 2ª malha rodoviária do mundo e por nossas estradas passam o equivalente a quase 50% do PIB bem como 95 % de todos os passageiros que circulam através das rodovias no Brasil.
É por que não se dizer um fator de integração nacional e regional do país, uma vez que interliga cidades, estados, municípios, não importando a distancia.
Desde os primórdios da humanidade os seres humanos foram obrigados a transportar, muitas vezes em suas próprias costas, alimentos, roupas e etc, com o passar dos tempos e com a tecnologia proveniente da inteligência humana, os meios de transportes foram se moldando as realidades de cada época, passando desde a tração animal, até os dias de hoje onde quase se pode afirmar que existe o transporte virtual.
Entende-se por transporte urbano o movimento de pessoas e mercadorias no interior de uma cidade, com utilização de meios de transporte coletivos ou individuais. A característica essencial do transporte de massas é que muitas pessoas são transportadas por ônibus ou trens. Isso permite que muitas pessoas se desloquem pelo mesmo corredor viário com maior eficiência, o que resulta em custos menores para o usuário individual ou, desde que os custos são divididos entre um grande número de indivíduos, em disponibilidade maior de verbas para aplicar na melhoria do serviço.
Os serviços de transporte urbano de massas afetam diretamente a qualidade de vida de uma cidade, porque definem as alternativas de deslocamento que os habitantes têm a sua disposição, as atividades de que podem participar e os locais aonde podem ir. Os transportes disponíveis ao usuário são o resultado conjunto de políticas governamentais, da demanda global por deslocamentos numa região, da competição entre os diversos tipos de transportes e dos recursos disponíveis ao indivíduo para a compra dos serviços.
Na Idade Média europeia, o homem preferiu o cavalo a outros veículos, mais utilizados pelas damas da nobreza. Difundiu-se o uso da basterna, aristocrática liteira medieval puxada por mulas ou cavalos. Em meados do século XV, surgiu na Hungria um novo tipo de veículo, o coche. Mais leve, com as rodas traseiras mais altas que as dianteiras e suspensão de carroceria por meio de correntes e correias, o novo modelo representou maior conforto para os passageiros.
O êxito da suspensão contribuiu para a difusão da carruagem. Convertida em elemento de prestígio e ostentação, ela se tornou o meio de transporte urbano por excelência da alta sociedade no século XVII. Foi na Itália que a carruagem alcançou a máxima difusão. Chegou-se a contar em Milão, no fim do século XVII, mais de 1.500 veículos desse tipo. Diante da ocorrência de acidentes e atropelamentos, a autoridade se viu obrigada a limitar a velocidade das carruagens e a proibir que menores de 18 anos as conduzissem.
O transporte coletivo urbano, praticamente inexistente durante todo esse longo período, surgiu entre os séculos XVIII e XIX, com a utilização de ônibus ou bondes que circulavam sobre trilhos de ferro puxados por cavalos. Nas cidades situadas à margem de rios, como Londres, Paris ou Budapest, ou em cidades marítimas de características especiais, como Veneza e Estocolmo, o transporte em barcaças, lanchas e botes a remo ou vela foi sempre comum.
A ferrovia foi o primeiro meio de transporte urbano de tração mecânica. Assegurado seu sucesso como substituto inigualável da diligência no transporte interurbano, a partir de 1825 pensou-se em utilizá-la como meio de transporte nas cidades da era industrial, em constante crescimento. Surgiram assim os bondes puxados por pequenas locomotivas, em substituição aos cavalos. Com o advento da tração elétrica, as locomotivas foram substituídas por motores elétricos, não poluentes, alimentados por cabos aéreos. Uma modalidade que não circula sobre trilhos é o trolebus, movido a energia elétrica transmitida por cabos aéreos.
A explosão demográfica sofrida pelas principais cidades do mundo no século XIX, devido sobretudo à imigração provocada pela rápida industrialização, logo mostrou que o transporte de superfície, individual ou coletivo, não conseguiria atender às necessidades da população. Para enfrentar esse problema, Londres inaugurou, em 1863, a primeira linha de transporte subterrâneo do mundo, quase trinta anos antes do metropolitano (metrô) de Chicago, o segundo a ser construído.
Carl Friedrich Benz, em 1885, e Gottlieb Daimler, em 1886, concluíram na Alemanha os primeiros modelos de automóveis com motor de combustão interna a gasolina. Em pouco tempo as vendas desses veículos alcançaram cifras impressionantes. Utilizado como símbolo de prestígio social, tal como no século XVII havia ocorrido com a carruagem, o automóvel se fez presente com rapidez não só nas estradas como, principalmente, nas grandes cidades. Na Europa, o automóvel se impôs rapidamente, mas foi nos Estados Unidos que alcançou a máxima difusão e deu origem a uma poderosa indústria, de repercussão imediata no crescimento demográfico urbano.
O moderno transporte urbano apresenta sérios problemas nas grandes cidades, algumas das quais não reúnem condições adequadas para a circulação de automóveis. A poluição produzida pelo escapamento de motores, os engarrafamentos originados pelo excessivo número de veículos e os acidentes que provocam, assim como o amplo espaço de que necessitam para estacionamento, levaram as autoridades de muitas cidades a adotarem medidas de restrição do uso urbano de automóveis e de incentivo do transporte coletivo
Redes rodoviária e ferroviária
As possibilidades comerciais do transporte rodoviário ficaram evidentes durante a primeira guerra mundial. A produção em larga escala de veículos militares ocorria na mesma época de seu aproveitamento no transporte de soldados e apetrechos para as diversas frentes de guerra. Os táxis de Paris, por exemplo, foram requisitados para o rápido transporte de tropas para a batalha do Marne em setembro de 1914.
A partir de então, e especialmente depois da segunda guerra mundial, o setor se expandiu de forma extraordinária. Foi intensa a diversificação dos modelos de transporte automotivo de passageiros e carga, aumentou de modo constante e acelerado em todos os países a produção dos mais variados veículos e ampliou-se a malha rodoviária. O uso comercial do transporte rodoviário cresceu em proporção muito superior à da via férrea. Os governos nacionais, conscientes da importância estratégica das ferrovias na movimentação de tropas em tempo de guerra, seu papel essencial no transporte de carga pesada das indústrias e seu valor social na movimentação de passageiros, preocuparam-se em manter as redes ferroviárias em condições de funcionamento adequado e eficiente.
As rodovias federais interligam, normalmente, dois ou mais Estados da Federação e são construídas e conservadas pelo Governo Federal. A decisão de conceder sua exploração à iniciativa privada deve partir do Ministério dos Transportes, de acordo com planos e estudos desenvolvidos pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem - DNER, e se enquadra no Programa de Desestatização.
As rodovias estaduais tem início e fim dentro dos limites geográficos de um mesmo Estado, sendo sua construção e conservação atribuição do governo estadual respectivo, que também decide sobre sua exploração pela iniciativa privada. Equiparam-se às rodovias estaduais as federais transferidas aos estados por um ato de delegação do governo federal.
Os sistemas viários municipais podem incluir rodovias e vias expressas, pontes e túneis que interligam localidades dentro de um mesmo município.
A concessão desses bens públicos para exploração pela iniciativa privada constitui uma decisão do governo municipal
As ferrovias transportam 33% da carga (minério de ferro e granéis) e já apresentam expansão em sua malha. Para que haja uma rede de hidrovias eficiente (dada a ricae extensa hidrografia), são necessárias barragens e eclusas, além de a cabotagem precisar ser reformulada dos navios aos portos.
Outros tipos de transportes utilizados
São seis os modais de transportes:
– sistema aquaviário, composto dos transportes marítimo, fluvial e lacustre, realizados respectivamente em mares e oceanos, rios e lagos;
– sistema terrestre, formado pelos transportes rodoviário e ferroviário; e 
– aéreo.
CONTAINER
Conceito
O Container é, primordialmente, uma caixa, construída em aço, alumínio ou fibra, criada para o transporte utilizado de mercadorias e suficientemente forte para resistir ao uso constante.
O container é identificado com marcas do proprietário e local de registro, número, tamanho, tipo, bem como definição de espaço e peso máximo que pode comportar etc.
Ele foi se transformando na sua concepção e forma, deixando de ser apenas uma caixa fechada, para apresentar diversos tipos, dependendo da exigência de cada mercadoria.
Padronização e características gerais
As unidades de medidas utilizadas para a padronização das dimensões dos containers são pés (’) e polegadas ("). No inglês significam feet (pés) e inches (polegadas).
As medidas dos containers referem-se sempre às suas medidas externas e o seu tamanho está associado sempre ao seu comprimento.
Podem apresentar-se em diversos comprimentos e alturas, porém, com apenas uma largura.
Quanto ao tipos, podem variar de totalmente fechados a totalmente abertos, passando pelos containers com capacidade para controle de temperatura e tanques.
As capacidades volumétricas dos containers são medidas em metros cúbicos (m3) ou pés cúbicos (cubic feet).
Quanto à capacidade em peso, são definidos em quilogramas e libras (medida inglesa).
Os containers são modulares, e os de 20’ (vinte pés) são considerados como um módulo, sendo denominados TEU – Twenty Feet or Equivalent Unit – unidade de vinte pés ou equivalente, e são considerados o padrão para a definição de tamanho de navios porta-containers.
Tipos de serviços
Os tipos de serviços referem-se à estufagem, desova e utilização, e são divididos como segue:
– quanto ao local de operação, por meio dos termos H/H, H/P, P/P e P/H, sendo "H" house (armazém/casa) e "P" pier (porto); e
– quanto à responsabilidade pela ova e desova, com a utilização dos termos FCL/FCL, LCL/LCL, FCL/LCL e LCL/FCL, sendo FCL full container load (carga total de container) e LCL less than a container load (menos que uma carga de container). 
TRANSPORTE MARÍTIMO
Tipos de navegação e empresas intervenientes
O transporte marítimo pode ser dividido em longo curso e cabotagem.
As empresas intervenientes mais importantes que operam no transporte marítimo são o armador, agência marítima, NVOCC, transitário de carga, operador de transporte multimodal e cargo broker.
Tipos de navios
Os navios podem ser de vários tamanhos, tipos, finalidades e configurações, adequando-se sempre às especificações necessárias.
Em face da grande diversidade de cargas, vários tipos de navios foram sendo criados e construídos, ao longo do tempo, entre os quais os de carga geral, seca ou com controle de temperatura, graneleiro para sólidos ou líquidos, tanque, petroleiro, roll-on roll-off e porta-container.
Conhecimento de embarque
O conhecimento de embarque é um dos documentos mais importantes do comércio exterior, sendo de emissão do armador. O seu preenchimento deve ser feito no seu verso, e nele deve constar várias informações pertinentes ao armador e ao embarque.Os conhecimentos podem representar um transporte regular de carga, e ser porto a porto ou multimodal, este referindo-se a carga ponto a ponto. Pode também ser um conhecimento de afretamento, ou seja, charter party bill of lading.
Quanto à finalidade é um contrato de transporte, recibo de entrega da carga e título de crédito.
Pode ser consignado à ordem, à ordem de alguém ou diretamente a alguém, podendo ser endossado em branco, o que o torna ao portador, ou em preto, a alguém definido.
O conhecimento pode ser emitido em quantas vias originais forem necessárias e solicitadas pelo embarcador. Normalmente é emitido em três vias.
Os pagamentos de frete marítimo ao armador, referente ao transporte de carga, podem ser feitos de três maneiras: pré-pago, a pagar e pagável no destino.
Um conhecimento de embarque limpo é aquele que não faz menção a uma condição defeituosa da mercadoria ou da sua embalagem.
Linhas regulares e não-regulares
Linhas regulares de navegação são aquelas estabelecidas pelos armadores, cujos navios fazem sempre a mesma rota. É comum, entre as empresas de navegação, o estabelecimento de joint services.
Linhas não-regulares são aquelas cujos navios não têm uma rota regular estabelecida, inversamente ao que ocorre com as linhas regulares. A sua rota é estabelecida à conveniência de armadores e/ou embarcadores, podendo ser diferente a cada viagem, e os navios podem ser afretados ou tramps.
Tipos de afretamento
Os afretamentos/fretamentos podem ser de vários tipos, quais sejam: voyage charter, time charter e charter by demise, envolvendo os termos demurrage, despatch e ship broker.
Condições de frete
Assim como as vendas internacionais têm o seu conjunto de condições de entrega da mercadoria, englobadas e uniformizadas nos Incoterms – International Commercial Terms, as contratações de frete também possuem suas próprias condições, criadas pelos armadores.
Elas visam estabelecer responsabilidades sobre algumas despesas que podem fazer parte do frete cotado mas que, porém, não são específicas do próprio transporte das mercadorias.
Elas referem-se às despesas envolvidas no embarque, estiva e desembarque das mercadorias, que poderão estar ou não computadas no preço do frete.
Estes termos são os conhecidos free in, free out, free in and out e liner terms, podendo ter algumas variações equivalentes como free in and stowed, liner in free out, free in out and stowed, free in liner out, free in out stowed and trimmed.
Frete
Os fretes, no modal marítimo, podem ser cotados na base tonelada ou metro cúbico, sendo a sua paridade um por um, ou seja, paga-se por aquilo que for maior entre uma tonelada e um metro cúbico.
Também podem ser cotados lumpsum, ou seja, de forma global, como ocorre no embarques de containers ou nos afretamentos.
Os fretes podem ser cotados como básicos, neste caso, comportando adicionais como taxas e sobretaxas.
TRANSPORTE RODOVIÁRIO
Tipos de transporte
Transporte rodoviário é aquele realizado em estradas de rodagem, com a utilização de veículos como caminhões e carretas. Ele pode ser realizado de forma nacional, dentro de um país, ou internacional, abrangendo dois ou mais países.
Vantagens
A simplicidade de funcionamento do transporte rodoviário é o seu ponto forte, pois não apresenta qualquer dificuldade e está sempre disponível para embarques urgentes.Este transporte permite às empresas exportadoras e importadoras terem flexibilidade, oferecendo algumas vantagens, como venda porta a porta, menor manuseio da carga, rapidez etc.
O rodoviário é peça fundamental da multimodalidade e intermodalidade.
Tipos de veículos e produtos transportados
Os veículos utilizados são basicamente caminhões e carretas. Caminhão é monobloco, podendo ter de dois a três eixos. Carreta é um conjunto formado por cavalo, que é o veículo de tração, e o semi-reboque, que é a unidade para a carga, podendo variar de três a seis eixos. Pode ser também articulado, isto é, treminhão, que é composto por um cavalo, semi-reboque e reboque, tendo mais de seis eixos, apropriados para transporte de dois containers.
Conhecimento de transporte
Como nos demais modais, o conhecimento de transporte rodoviário, que é o CRT – Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia (Carta de Porte Internacional por Carretera), é o documento mais importante no sistema, e tem a função de contrato de transporte terrestre, recibo de entrega da carga e título de crédito. É emitido em três vias originais, sendo uma do transportador,uma do embarcador e uma que segue com a carga.
MIC/DTA
O transporte rodoviário possui um documento denominado MIC/DTA – Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro, um formulário único, e que faz a combinação do Manifesto de Carga com o Trânsito Aduaneiro. Ele pode ser utilizado quando a quantidade de carga for suficiente para a lotação de um veículo. Com isso, eliminam-se os atrasos no cruzamento da fronteira, bem como transferem-se e postergam-se os desembaraços e pagamentos dos impostos das mercadorias.
TRANSPORTE AÉREO
Tipos de transporte e intervenientes
O transporte aéreo é uma atividade que envolve com facilidade vários países, devido à velocidade do meio utilizado. Quanto aos tipos, pode ser um transporte nacional (doméstico ou cabotagem), ou internacional (operações de Comércio Exterior). O transporte aéreo é baseado em normas da Iata – International Air Transport Association, e em acordos e convenções internacionais. A associação das empresas aéreas na Iata é voluntária.
Essa associação representa as companhias aéreas, estabelece tarifas máximas de fretes e divide o globo em três conferências operacionais.
Os principais intervenientes no transporte aéreo são as empresas de navegação aérea e os agentes de carga, e também a Infraero, que detém o monopólio da administração dos aeroportos e seus armazéns de carga.
Tipos de aeronaves e ULD
São vários os modelos de aviões utilizados na navegação aérea, porém, todos eles são classificados em três tipos quanto a sua configuração e utilização: all cargo – full cargo (somente carga), combi (aeronave mista) e full pax (avião de passageiros). A configuração da aeronave é determinada pelo deck superior.
ULD – Unit load devices, são equipamentos de unitização de cargas, ou seja, os containers e pallets utilizados na carga aérea. Estes distinguem-se, em formatos e tamanhos, bem como em sua concepção e utilização, daqueles utilizados no transporte marítimo. A variedade é muito maior e suas medidas são dadas em polegadas.
Conhecimento de embarque aéreo (airway bill)
O transporte aéreo comercial de carga é sempre documentado através de conhecimento aéreo (AWB – airway bill), que a exemplo dos demais modais, é o documento mais importante do transporte. Ele tanto pode ser um conhecimento aéreo companhia, ou ser um conhecimento neutro, quando é do agente de carga. Pode estar na forma de um AWB – airway bill, representando uma carga embarcada diretamente, ou o conjunto MAWB – master airway bill, e HAWB – house airway bill, representando cargas consolidadas. Além das funções normais, conforme os demais modais, este documento ainda pode representar fatura de frete e certificado de seguro.
Cálculos de frete
As tarifas de fretes aéreos são estabelecidas de comum acordo entre as empresas de transporte aéreo, devidamente fiscalizadas e controladas pela Iata.
O frete é cobrado pelo peso da carga, calculado por quilo, porém, o volume também é considerado no caso da carga exceder 6.000 cm3 por quilograma. Neste caso o volume é transformado em peso/volume para cálculo do frete.
São as seguintes as tarifas de frete: tarifa mínima; tarifa geral, dividida em normal e, quantitativa; tarifa para mercadorias específicas, tarifa classificada.
Consolidação de carga
Consolidação de carga é um ato abstrato, e significa que a mercadoria recebida pelo agente de carga aérea, de diversos embarcadores, é considerada como uma única carga e enquadrada na tarifa adequada.
Desta maneira, há uma redução do frete por quilo, já que o transporte aéreo tem uma tabela de fretes por faixas de peso, sendo que quanto maior a quantidade de carga menor o frete.
Com isto, os embarcadores conseguem ter um frete menor, obtido pelo agente por meio da consolidação de carga, já que esta redução é rateada entre os interessados. 
EMBALAGEM 
Objetivos da embalagem
O objetivo da embalagem de um produto é dar a ele uma forma para sua apresentação, proteção, movimentação e utilização, de modo que ele possa ser comercializado e manipulado durante todo o seu ciclo de vida. A embalagem pode ser primária, ou seja, de consumo, e proteger diretamente o produto, ou secundária, de transporte, servindo para proteger a embalagem primária.
Ela pode ter os mais variados tamanhos e formatos e ser de vários tipos de materiais. A embalagem necessita ser apropriada para a proteção da mercadoria contra perecimento, roubo, avaria, contaminação etc.
Proteção das embalagens
As embalagens podem ser protegidas com a utilização de filmes encolhíveis (shrink) ou estiráveis (stretch), bem como pelo uso de fitas simples de plástico ou metal passadas em volta da pilha, de cima a baixo etc. Podem, também, ser protegidas através da paletização ou unitização em containers.
Fatores que podem afetar as embalagens
Ao definir as embalagens das mercadorias, é necessário notar que elas podem ser afetadas pelos movimentos de embarque, desembarque e transporte, das mais diversas maneiras. No transporte internacional, ela poderá sofrer as variações climáticas, dos veículos, vibrações, más condições das estradas etc. No Transporte Marítimo, por exemplo, poderá sofrer os movimentos de balança, arfagem, cabeceio etc.
Mercadorias perigosas (dangerous goods)
A embalagem deve ser apropriada para o transporte de mercadorias perigosas, e deve ser tratada em parceria com o transportador.
O transporte de mercadoria perigosa é regulado pelos seguintes organismos:
– Marítimo: International Maritime Dangerous Goods Code, da IMO;
– Aéreo: Dangerous Goods Regulations, da Iata;
– Terrestre: Legislações específicas de cada país de embarque, destino e trânsito das mercadorias, podendo ser unificadas quando se tratar de blocos comerciais.
Simbologia e identificação
A marcação de volumes é a identificação das mercadorias e do lote a ser embarcado, que permite a individualização das mesmas. É interessante que os volumes também sejam numerados. Outro ponto importante é a identificação dos pesos dos volumes. Todos os volumes devem ser identificados quanto a sua periculosidade, por meio de etiquetas apropriadas e internacionais de classificação de sua natureza. Também devem ser identificadas para manuseio quanto a sua condição de carga frágil, que não pode ser molhada, rolada etc.
Os transportes e a organização do espaço
A primeira abordagem é a relação entre o processo de urbanização e os transportes urbanos, com sua função social de produzir o acesso do cidadão à cidade e aos outros.
Grosso modo, pode-se afirmar que existem duas grandes dimensões no processo de urbanização que o Brasil experimenta. A primeira está relacionada com suas causas (concentração da propriedade rural, mecanização agrícola, necessidade de mão-de-obra barata para a produção industrial). A segunda, com modelagem do espaço urbano e as forças que o produzem (localização e porte das atividades econômicas, especulação imobiliária, valores da terra e dos imóveis urbanos e os interesses dos fabricantes de equipamentos).
Estas forças, fabricaram e continuam produzindo este processo de urbano-metropolização “caótico”, onde o espaço pessoal de cada um foi dissolvido e fragmentado em centros distintos e distanciados uns dos outros: a casa; o trabalho; os serviços; o lazer. Entre estes locais, espaços mortos, sem sentido, degradados estética e ambientalmente, que cada um procura transpor o mais rápido possível, através dos meios de transportes.
Entretanto, o mais incrível é que a própria existência dos meios de transportes elimina os freios e os limites que poderiam se opor à desintegração do espaço e tempo urbanos. Na verdade os transportes urbanos são um dos instrumentos decisivos para que essas forças consigam de fato produzir esta realidade urbana de fragmentação do espaço, onde a autonomia é progressivamente atrofiada pela criação de distância e obstáculos. A capacidade autônoma de acesso ao mundo de cada cidadão não pode ser substituída pelo desenvolvimento de uma “mobilidade disponível”, que para a grande maioriacusta caro, é demorada, desconfortável e raramente está “disponível”.
Assim os transportes urbanos, ao contrário do que acredita o senso comum, são contraproducentes socialmente, porque na realidade diminuem o acesso dos cidadãos à cidade e dificultam a comunidade entre as pessoas, criando distâncias e obstáculos que só eles pretendem superar.
Não é sem motivo que as pesquisas mostram que a taxa de mobilidade (viagens/pessoa/dia) diminui significativamente nas grandes cidades, onde há mais transportes e os sistemas em funcionamento são comparativamente muito mais “eficientes” - e permitem distância absurda.
O quadro a seguir mostra o resultado de pesquisas de taxas de mobilidade para cidades brasileiras.
TAXA DE MOBILIDADE - CIDADES BRASILEIRAS – 1980
	TIPO DE CIDADE
	MOBILIDADE
	% DA MÉDIA MUNDIAL
	Regiões Metropolitanas 
	1,3
	63
	Demais capitais 
	1,5
	73
	Cidades porte médio 
	1,8
	87
	TOTAL
	1,4
	58
FONTE: GEIPOT
Pesquisa realizada pelo Metrô de São Paulo em 1987 levantou que a taxa de mobilidade é de 1,07 viagens motorizadas por habitantes/dia, número que representa uma redução de 30% nos últimos 10 anos.
Para se viabilizar e legitimar sua extensão indefinida os transportes propagam o mito da fusão dos espaços, através da anulação dos espaços mortos que só servem para serem superados. Mesmo contra todas as evidências, que estes espaços mortos tendem a ocupar todo o espaço disponível (cerca de 50% dos espaços das cidades é utilizado pelos transportes), os instrumentos da velocidade conseguem disfarçar os efeitos dos transportes na desintegração do espaço urbano. Conseguem, em todos os pontos, passar uma imagem de si mesmo, independência e autonomia, realidade de congestionamento, dependência dos transportes e dos comportamentos dos outros.
Fecha-se assim o ciclo vicioso dos transportes urbanos: para viver no tempo e no espaço urbano industrial (desintegrado) a utilização do transporte passa a ser uma necessidade da qual o endivido depende para sua própria sobrevivência, transportes estes que são um dos instrumentos decisivos para a produção do próprio espaço urbano (desintegrado).
“A disposição do espaço continua a desintegração do homem começada pela divisão do trabalho na fábrica. Ela corta o individuo em rodelas, corta seu tempo, a sua vida em fatias bem separadas para que em cada uma delas, você seja um consumidor passivo, entregue sem defesa aos “mercadores”, para que nunca lhe venha a ideia que trabalho, cultura, comunicação, prazer, satisfação das necessidades e vida pessoal podem e devem ser uma só e mesma coisa: a unidade de uma vida, que tem como suporte o tecido social da comunidade” .
H - O COMÉRCIO: MERCADO INTERNO E RELAÇÕES COMERCIAIS EXTERNAS.
O Brasil já não é mais um país "essencialmente agrícola" desde os anos 50/60. Atualmente, os componentes "indústria" responde por parcela do Produto Interno Bruto significativamente maior que a agricultura até há alguns anos. Comércio e Serviços possuem participação ainda maior.
Pode-se destacar na INDÚSTRIA os seguintes setores:
alimentos e bebidas (no país como um todo);
ferro e aço (siderurgia) - principalmente estados do Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e S.Paulo;
produtos químicos, metalurgia, derivados de petróleo, cimento, papel e celulose, fertilizantes (em geral no Sudeste - SP, MG e RJ, mas às vezes também com unidades nas outras regiões);
veículos e autopeças: A indústria automobilística concentra-se em São Paulo (Ford, GM, Volkswagen, Honda, Toyota), Minas Gerais (Fiat, Mercedes-Benz, JPX) e Paraná (Renault, Audi, Chrysler). Já a fabricação de motocicletas e motonetas (destacando-se a Honda e Yamaha) concentra-se na Zona Franca de Manaus. As autopeças concentram-se em São Paulo e Minas Gerais - os mais antigos produtores automobilísticos do país - porém há unidades em outros estados.
calçados, tecidos e confecções: disseminam-se pelo país e são ainda grandes empregadoras de mão-de-obra, apesar da concorrência asiática.
eletro-eletrônicos (rádios, CD-players, televisores, videocassetes, microondas, geladeiras, máquinas de lavar...): na Zona Franca de Manaus (principalmente aparelhos de som e tv); em São Paulo e no Paraná (Refripar-Electrolux).
Os ramos de eletro-eletrônicos e de autopeças contam não apenas com empresas de origem estrangeira, mas também com empresas nascidas no país. Muitas destas empresas hoje estão associadas ou foram adquiridas por estrangeiras no processo de "globalização". Como exemplos: Gradiente e a CCE, fabricantes de videocassetes, TVs (na antiga filial brasileira da Telefunken), aparelhos de som e fornos de microondas; Brastemp e Prosdócimo (fábricantes de geladeiras e máquinas de lavar. A Prosdócimo hoje pertence à sueca Electrolux); ou a Metal Leve, fabricante de pistões automotivos, adquirida pela alemã Mahle.
Na AGRICULTURA, destacam-se, para o mercado Externo:
Soja: atualmente concentrada nos estados do Centro-Oeste - Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas também no oeste do Paraná, sul do Tocantins e Maranhão, oeste de Minas Gerais e da Bahia
Laranja: (na forma de suco concentrado industrializado) - a produção de laranja para exportação de suco concentra-se no estado de S.Paulo, próxima às cidades de Barretos, Bebedouro, Limeira e Matão, no norte do estado. O cultivo da laranja, da soja, e também da cana-de-açúcar para produção de álcool (usado como combustível e aditivo à gasolina) é feito segundo técnicas modernas de cultivo, mecanização e administração dos investimentos e dos lucros obtidos, formando o genericamente chamado "agribusiness"
cana-de-açúcar: ora produz mais açúcar para exportação (conforme preços internacionais), ora mais álcool para o mercado automobilístico interno. O Brasil fez uma experiência pioneira de utilização do álcool hidratado obtido a partir da cana-de-açúcar (etanol) como substituto da gasolina em motores automotivos, o conhecido Proálcool, atualmente sofrendo descrédito após crise de abastecimento em 1989/1990, quando os preços do açúcar no exterior eram melhores para os usineiros do que o preço do álcool combustível do país
frutas tropicais: caju e castanha de caju (produzido na região nordeste - estados da Paraíba e Ceará), cacau (estados do Espírito Santo (ao norte do estado) e Bahia (sul, próximo à divisa c/ Espírito Santo); como exemplos de destaque
café: foi o principal produto de exportação do final do século XIX até a Crise Econômica mundial de 1929. Atualmente perde para a Colômbia em volume exportado, e para a soja e laranja em valor econômico da exportação
Produz ainda arroz, milho, mandioca, feijão, cebola, principalmente para o mercado interno, entre outros. Pode às vezes importar arroz e/ou feijão, em alguns períodos, conforme as safras. Produz também uva e vinho, principalmente no RS (região de Bento Gonçalves) e SP para o mercado interno, às vezes exportando.
A MINERAÇÃO responde por 8,3% do PIB total do país. Destacam-se:
Ferro (em Carajás, estado do Pará, e no Quadrilátero Ferrífero, de Minas Gerais). Em 1998 foi superior a 190 milhões de toneladas de minério. É o SEGUNDO PRODUTOR MUNDIAL, com 18% da produção do planeta, atrás da China
Petróleo (a produção atualmente atende mais de 65 % das necessidades do país). Cerca de 60% da produção é feita na Bacia de Campos, no litoral do estado do Rio de Janeiro. Destacam-se ainda Rio Grande do Norte, Bahia e Sergipe
Alumínio (bauxita): com destaque a produção de Carajás, no Pará, e a de Minas Gerais.
Manganês: novamente destaca-se o Pará, com mais de 1 milhão de toneladas. E também Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia.
Estanho (cassiterita): estados do Amapá, Amazonas e Rondônia.
Nióbio (pirocloro): o Brasil é o maior produtor mundial, respondendo por 90% da demanda do planeta. Concentra a produção em Minas Gerais e Goiás. O nióbio é usado na indústria automobilística.
A produção brasileira de Ouro concentra-se em Minas Gerais e no Pará, e em menor escala em Tocantins, Mato Grosso e Goiás. Já o cobre (aquém da necessidadebrasileira) é produzido principalmente na Bahia. O carvão mineral (cerca de 4 milhões de toneladas, aquém da necessidade do país) em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Outros minérios de destaque (em tonelagem produzida) são a rocha fosfática, a gipsita, o caulim, a magnesita, o cloreto de potássio, a fibra de amianto, o talco, o zinco, o minério de cromo, a fluorita e a grafita. E ainda o gás natural da Bacia de Campos e o da Bacia Amazônica, explorados pela Petrobrás. As principais empresas mineradoras no país são a Petrobrás (petróleo e gás natural), Cia. Vale do Rio Doce, ALCOA (alumínio no Pará) e a Mineração de Trindade - Samitri.
Na PECUÁRIA, destacam-se os rebanhos bovinos leiteiros de melhor qualidade nos estados de S.Paulo(SP), Minas Gerais (sul e Triângulo Mineiro)(MG) e Rio de Janeiro(RJ); e os rebanhos de corte do oeste de SP, Mato Grosso do Sul (MS), Goiás (GO) e Rio Grande do Sul (RS). Os rebanhos de SP, RS e MG, principalmente, recebem em muitos casos melhorias genéticas devido ao cruzamento com raças de gado como zebu, simental e charolês. Já o rebanho Suíno tem produção destacada em Santa Catarina (SC) e no RS, pela qualidade (abatido e industrializado para exportação inclusive). A criação de Aves destaca-se também em S.Paulo, Minas Gerais e Sta. Catarina - neste último estado, no município de Concórdia, situa-se a fábrica do frigorífico Sadia voltada para a exportação de carne de frango e derivados para os países do Oriente Médio.
COMÉRCIO: VAREJO: além dos milhares de pequenos e médios estabelecimentos pelo país, destacam-se grandes redes de supermercados de capital nacional (como os Grupo Pão de Açúcar e Sendas) ou estrangeiro (Sonae (dono dos Hipermercados Cândia e Big) e Carrefour (mais de 40 lojas no país, de origem francesa). Nas grandes lojas e magazines, destacam-se: Casas Pernambucanas (fundada pela família Lundgren, de origem sueca, na 1-a década do século XX); Casas Bahia; Arapuã; Lojas Americanas; Casa Anglo-Brasileira (Mappin); Ponto Frio; Lojas Marisa (vestuário feminino) (todas varejistas, de origem brasileira). Dentre as estrangeiras, C&A.
A quantidade de Shopping Centers no país, de pequeno, médio ou grande porte supera as duas centenas. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro já possuem cada uma mais de 20 estabelecimentos deste tipo, de grande porte, alguns deles a reduzidas distâncias uns dos outros.
No comércio ATACADISTA há redes locais (Atacado Vila Nova e Atacadão S/A) e também estrangeiras: Makro (de origem holandesa), Sam's Club e Wal Mart (norte-americanas).
Ainda podem ser lembradas as redes e franquias de origem brasileira nos ramos de: "Fast Food" (Habib's, Mister Sheik, Bon Grilé, Spedini); perfumaria e cosméticos (Boticário, Água de Cheiro, Farmaervas, Veado D'Ouro); farmácias (FarMais, Drogasil, Drogaria São Paulo, Drogão); distribuição de combustível (Ipiranga, Posto São Paulo).
Relações comerciais externas
Assim como o Brasil, todas as nações do planeta buscam avidamente um objetivo em comum: incrementar o volume de exportações e importações. Para isso, tentam, assim como as empresas, fechar parcerias com outros países, a fim de conseguir reduzir os custos e buscar suprir as próprias necessidades e as dos parceiros.<BR.
A partir desse conceito se chegou ao que chamamos dos mercados comuns, que são área de negociação livre de impostos, parcial ou totalmente, e com legislação mais flexível para estimular a negociação e diminuir o volume de negócios concretizados fora dessa área.
Para se ter uma ideia, antes da criação das organizações multilaterais na década de 50, com a convenção de Bretton Woods, o comércio internacional respondia por 10% apenas do PIB mundial. Em 1998, o volume já representava 25%.
Em tempos de economia globalizada, a necessidade de estabelecer parcerias e fortalecer as relações comerciais virou uma necessidade cada vez maior para os países. No Brasil, a importância da balança comercial para o equilíbrio das contas tem se tornado crucial e vital para o cumprimento das metas com o FMI. Mas não é só: as relações comerciais externas afetam diretamente os setores e empresas, mexendo com toda a economia e o mercado financeiro.
Mas eliminar obstáculos aduaneiros e fortalecer as exportações são apenas alguns dos benefícios iniciais que os acordos de comércio internacional podem ofercer. De acordo com Márcio Sette Fortes, coordenador do recém-criado MBA em Negócios Internacionais do Ibmec, no Rio, existem normalmente cinco estágios até se chegar a ser um bloco econômico com interação econômica. “O primeiro é a criação de uma zona de livre comércio, que elimina basicamente obstáculos aduaneiros.
É o caso do Nafta, mas neste caso há outros acordos específicos envolvidos”, explica ele. “ O segundo passo é a união aduaneira, como é o caso do Mercosul, na qual, além das vantagens aduaneiras, os países membros acordam uma política comercial uniforme também com outras nações que estão for a do acordo. Uma espécie de padronização da pauta de importações”.
O terceiro passo, segundo Fortes, é a transformação em mercado comum. Neste estágio, são eliminadas restrições de capital e trabalho, há livre circulação entre os países envolvidos. Na etapa seguinte, ocorre a união econômica, ou seja, as políticas econômicas começam a ser padronizadas. Por fim, se dá a integração econômica completa, que seria o quinto e último estágio. “As políticas monetária, fiscal e social são uniformizadas e é criada uma autoridade com autonomia para regular.
Na Europa, por exemplo, com o mercado comum hoje só se fala em Banco Central Europeu, parlamento europeu etc, são órgãos independentes dos países integrantes do bloco”, explica Fortes. “Mesmo assim ainda há sempre a necessidade de fazer ajustes, porque as bases industriais e as políticas dos países antes da união eram muito diferentes em vários casos”.
Os blocos econômicos mais relacionados com a economia brasileira:
Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) – União aduaneira entre Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Começou em março de 1991, com o chamado Tratado de Assunção. No continente americano, no entanto, os quatro países do Mercosul representam apenas 8% do PIB contra o gigante Nafta (veja abaixo) que responde por 88% do PIB continental.
Mesmo assim, antes do início do acordo, em 1990, as trocas entre os quatro países membros eram de US$ 3,9 bilhões e em 1995 já haviam pulado para US$ 12,4 bilhões, mais do que o triplo. As relações, no entanto, tornaram-se complicadas e o acordo chegou a tender ao colapso, mas foi relançado no último ano. A meta é criar uma comunidade econômica entre os quatro países, para facilitar e incrementar o comércio, com a eliminação cada vez maior das barreiras aduaneiras.
As polêmicas mais recentes envolvem a exportação de calçados e frangos do Brasil para a Argentina, que acusou o país de dumping (concorrência desleal de preços, com venda abaixo do valor de custo) e resolveu estabelecer preços-base para a entrada dos produtos. Hoje, o quilo do frango brasileiro, por exemplo só pode entrar na Argentina a US$ 0,98. Com isso, a remessa se reduziu à metade e houve uma perda de receita da ordem de US$ 1,2 bilhões. O Brasil promete recorrer formalmente à OMC caso a Argentina não retire a restrição.
Nafta (North American Free Trade Agreement) – O acordo que já existia entre Estados Unidos e Canadá desde 1989 foi ampliado com a inclusão do México. Em 1994 começou a vigorar o acordo que prevê a eliminação das barreiras alfandegárias em quinze anos, mas cerca de 50 foram rompidas logo no primeiro ano.
Hoje o Nafta representa 88% do PIB continental. Para tentar atenuar impactos maiores causados pela progressiva competitividade que o México vem ganhando em alguns setores, o Brasil vem tentando retomar alguns acordos bilaterais que já manteve com o país. Mesmo assim, com a progressividade da eliminação das barreiras do México para os EUA, a exportação do Brasil para este último deve ser afetada.
Atualmente, o Nafta é o maior mercado integrado mundial e os paísesmembros já tomam também algumas providências contra prejuízos sociais – principalmente o desemprego - que possam ocorrer com o acordo. Uma das medidas tomadas é a criação do Banco Norte-Americano de Desenvolvimento.
Alca (Área de Livre Comércio das Américas) - A proposta dos Estados Unidos é criar esta área de livre comércio que seria uma espécie de união entre os países do Mercosul e do Nafta. Com isso, segundo o coordenador do Ibmec, Márcio Fortes, a América Latina poderia se transformar numa grande plataforma de exportação para os EUA, que sozinhos, já respondem por 78% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente. Por conta disso, o Brasil vem tentando postergar os prazos inicialmente propostos pelos Estados Unidos e tentando barganhar melhores acordos para a entrada dos produtos brasileiros naquele país.
Mercado Comum Europeu – Inspirado a partir do sucesso do Plano Marshall, com o objetivo de criar uma economia de larga escala para a região e proporcionar a flexibilização das barreiras tarifárias e alfandegárias dos países da região, o Mercado Comum Europeu é a hoje o modelo mais efetivo de integração regional. Os países membros da União Europeia têm seus interesses defendidos pelo Parlamento Europeu, onde além das relações comerciais, assuntos como direitos humanos, aliança militar, políticas sociais e públicas integradas são debatidos e deferidos. Apesar de ainda não ter sido adotada por todos os países membros, o Euro, a moeda da União Europeia, já é apontada como modelo de integração total econômica. Os países que compõem o bloco são Inglaterra, Irlanda, França, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Holanda, Itália, Bélgica, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suécia, Finlandia e Grécia.
I - A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO: ESPAÇO NATURAL E ESPAÇO CONSTRUÍDO; DESENVOLVIMENTO DESIGUAL.
Espaço natural e espaço construído
O Brasil nasceu sob a égide da colonização, e como tal teve seu processo de formação social e econômica comandado pelos interesses externos, processo esse que se prolonga ao longo dos vários períodos históricos do país. A grande característica dessa formação tem sido a concentração de renda e a desigualdade regional.
Depois da chamada "crise do café" , na década de 1930, o Brasil começa uma longa caminhada em busca de uma industrialização tardia. O chamado processo de substituição de importações constitui-se exatamente nas etapas percorridas pelo país para conseguir esse intento. É um modelo econômico sugerido pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina).
Um ponto importante ressaltado por Furtado (1974) é que as empresas multinacionais comandam a industrialização nacional. Isto significa que é reproduzido no país o modelo da Divisão Internacional do Trabalho, ou seja, a ideia de livrar o país da dependência internacional histórica e promover um real processo de desenvolvimento interno, não passou de ilusão, pois as elites no poder, comprometidas com o capital internacional, apenas proporcionaram as condições necessárias para a transferência das empresas multinacionais para o território nacional, travestidas pelo capital nacional e pelo subsídio governamental. Se antes importávamos e a transferência de renda por aí se realizava, agora a transferência se daria através das empresas que aqui se instalam. E um detalhe fundamental nesse processo é que do ponto de vista tecnológico, essas empresas eram inferiores, pois o processo tecnológico e o maquinário aqui implantado eram em muito superados pelas empresas dos países centrais, inviabilizando qualquer competição internacional da nossa indústria.
Reproduz-se assim a ideia das vantagens comparativas, de David Ricardo, que inspiram a divisão internacional do trabalho, que preconiza que cada país deve se especializar naqueles produtos que lhe dariam mais vantagens na competição internacional. O que fazia do Brasil um exportador de bens primários (de baixo Valor Agregado), e importador de produtos manufaturados (intensivos em tecnologia e alto Valor Agregado). Essa lógica perpetua o Brasil como um grande mercado consumidor e fornecedor de matéria-prima.
Nesse ponto, ao analisarmos a divisão regional do Brasil, observamos que se reproduz internamente essa lógica do capital mundial. O Nordeste ocupa dentro do país o mesmo lugar do Brasil no mundo. Depois do deslocamento do centro do poder para o Rio de Janeiro, o Nordeste passa a ser uma região subordinada aos interesses do centro do país, fornecendo-lhe matéria-prima, mão-de-obra e mesmo capital para seu desenvolvimento, em detrimento de um crescente estado de pobreza da região, especialmente do Sertão, e do meio rural como um todo, totalmente esquecido dentro do circuito produtivo nacional.
Nesse sentido Holanda (1995: 173) vai além e defende que no país como um todo se processou uma mudança do eixo do desenvolvimento a partir do fim do ciclo da cana, e com o início do ciclo do café, que tornou o meio rural uma "colônia das cidades".
Lessa (2000), ao discutir o processo de desenvolvimento social do Brasil, coloca uma importante questão quanto ao entendimento da postura do povo brasileiro diante de sua própria história. Ele afirma que falta de auto-estima ao povo brasileiro.
Ele se questiona com este povo, apesar de tudo, continua a existir. O brasileiro reconstrói sua tragédia, encontrando estratégias de sobrevivência que fogem ao modelo dominante, mas a lógica da dominação continua e as relações sociais são reproduzidas.
Ele demonstra através de vários exemplos, como o Brasil pode dar certo, e como a falta de auto-estima, a falta de crença na nossa capacidade e nas nossas potencialidades nos faz desistir e apenas aceitar, nos conformando e nos amoldando aos desígnios de um destino de subordinação.
O Sertão do Ceará abriga um contigente expressivo da pobreza do país. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD (1997), o Ceará é o 4o pior colocado, dentre os 26 estados brasileiros, apresentando um Índice de Desenvolvimento Humano – IDH de apenas 0,506, além de abrigar em seu território o município de pior performance no IDH, Barroquinha. Se o Nordeste como um todo é repositário de uma sociedade excluída, o Ceará, em particular, apresenta-se como um de seus Estados mais pobres e mais atingindo pelas consequências negativas do modelo de desenvolvimento adotado pelas elites dominantes do país. (Chacon, 2000)
No Ceará a pobreza é agravada pelas próprias condições edafoclimáticas do estado, que tem 93% de seu território incluído no Polígono das Secas, no Semi-árido nordestino, contando com precipitações que variam de 500 a 1800 mm por ano, durante as estações chuvosas que duram de 3 a 5 meses, e que são caracterizadas pela irregularidade temporal e espacial (Ceará, 1995).
O modo de vida do sertanejo baseia-se quase que exclusivamente na agricultura, de tal maneira que a terra e água são elementos fundamentais na conformação social do meio rural cearense. Em termos de posse, a terra sempre foi mais importante: a acumulação de outros bens é secundária. O modo de produção é pré-capitalista, embora marginal ao capitalismo. O capitalismo só toma conhecimento quando é de seu interesse (eleições, por exemplo), porém esse povo desenvolveu um certo tipo de defesa. Ele não está excluído totalmente, nem alienado, não se fechou, apenas vive de outro jeito. (Chacon, 2000).
A população do Sertão cearense vive, via de regra, dos rendimentos da agricultura e de pequenas criações, que podem ser desenvolvidas em terra própria ou através de contratos com fazendeiros locais. As principais culturas são as culturas de sequeiro, arroz, milho, feijão e mandioca, dependentes exclusivamente das precipitações pluviométricas para produzir. Além da agricultura, as outras fontes de renda são raras e irregulares: as mulheres contribuem para a renda familiar, em algumas comunidades, costurando ou fazendo trabalhos de artesanato em renda ou barro; e alguns idosos são aposentados pelo FUNRURAL. Essas atividades geram uma renda mínima de subsistência, e, com isso, até resquíciosde uma economia de escambo acham-se presente. Na época mais crítica de estiagem a maioria das pessoas que permanecem nas comunidades é alistada em programas assistenciais do Governo Federal ou do Governo do Estado, o que lhes proporciona uma renda quase insignificante (Chacon, 1994).
O Sertão Semi-árido do Nordeste brasileiro traz em sua história a marca da exclusão. Desprovido da diversidade produtiva da Zona da Mata e das facilidades do Região Litorânea, foi posto de lado no processo de Colonização. Contudo, o Sertão nordestino, apesar de participar da lógica de dominação interna imposta pelos interesses externos que sempre predominaram, apresenta peculiaridades na sua formação histórica. (Chacon, 2000)
Nos ciclos de monoculturas no Brasil a figura do escravo foi decisiva. A sociedade brasileira se estruturou sob a égide da exploração e da desigualdade extrema de condições. À medida que o eixo da economia se deslocava para a região Sudeste, o ritmo de produção e o tipo de relações sociais que se solidificavam no Sertão nordestino iam se distanciando do padrão do resto do país. A começar pela existência de uma nova classe, que nem era dominante nem dominada: os vaqueiros. Eles eram de fato homens livres, embora não possuíssem. Eles não possuíam terras, nem escravos, mas possuíam e dominavam o manejo do gado, conhecendo as técnicas de sobrevivência necessárias para produzir no Sertão. Foram responsáveis pela colonização do interland nordestino e determinaram uma forma de viver diferenciada da sociedade escravocrata (Oliveira, 1977). Como o Sertão fora “esquecido” nada se fez para impedir essa ruptura na ordem social vigente.
A solidificação desse modo de viver e produzir permitiu a caracterização de uma sociedade baseada na luta pela sobrevivência em um espaço adverso. Embora, como coloca Oliveira (1977:46), “tal economia extensiva não podia dar lugar senão a uma estrutura social pobre”, essa condição fez com que a diferença entre dominantes e dominados fosse tênue, pois ambos viviam em condições muito semelhantes, com poucas regalias para o fazendeiro, dono das terras. Além disso, fazendeiro, vaqueiro, posseiro, colono ou cangaceiro, sem distinção, tinham as mesmas crenças e costumes, calcados nas mesmas dificuldades cotidianas: pouca água, solo pobre, pouca inserção social e/ou comercial na lógica de poder do país.
Freyre corrobora com essa afirmação quando diz que: “Pelo antagonismo que cedo se definiu no Brasil entre a grande lavoura, ou melhor, a monocultura absorvente do litoral, e a pecuária, por sua vez exclusivista, dos sertões, uma se afastando da outra quando possível, viu-se a população agrícola, mesmo a rica, a opulenta, senhora de léguas de terra, privada do suprimento regular e constante de alimentos frescos”. (Freyre, 1983: 36)
Dessas peculiaridades nascem as condições para desenvolver valores distintos daqueles exercidos pela ordem cultural vigente no mundo. Isto nos dá a oportunidade de conhecer outro modo de vida, que possivelmente tenha ainda guardado o aprendizado ditado pela própria natureza, mais que pela estrutura social. Eles foram aprendendo com a natureza a sobreviver da melhor maneira e a respeitar aquela natureza que, mesmo inóspita, lhes proporcionava guarida.
Quando Freyre comenta sobre a formação social do Brasil, afirma que:
“Híbrida desde o início, a sociedade brasileira é de todas da América a que se constitui mais harmoniosamente quanto às relações de raça: dentro de um ambiente de quase reciprocidade cultural que resultou no máximo de aproveitamento dos valores e experiências dos povos atrasados pelo adiantado; no máximo de contemporização da cultura adventícia com a nativa, sociedade cristã na superestrutura, com a mulher indígena, recém batizada, por esposa e mãe de família; e servindo-se em sua economia e vida doméstica de muitas tradições, experiências e utensílios da gente autóctone.” (Freyre, 1983: 91)
E essas tradições "gentis" podem ainda ser observadas no Sertão. No entanto, esse Sertão que produz um modo de sobrevivência tão próprio e peculiar vem sendo desmobilizado ao longo da história do país, através de políticas públicas equivocadas, que tendem a repetir, sem reflexão, modelos de desenvolvimento aplicados a outras regiões.
Grande ênfase é dada à seca em todas ações. As políticas governamentais de “combate” à seca, basearam-se em ações assistencialistas e na construção de reservatórios hídricos superficiais (açudagem), através de um institucionalismo ineficiente. É certo que os sertanejos sempre sofreram com a estiagem, mas conviviam muito melhor com ela antes da intervenção “técnica” do governo (Chacon, 1998).
As secas vêm atingindo com maior intensidade o Sertão. As pessoas não sabem mais como conviver com a natureza, a devastam cada vez mais com técnicas inadequadas de produção e a utilização em massa de insumos agrícolas. A desertificação é uma realidade cada vez mais presente no Sertão (Rodrigues et al, In: Gomes, 1995), enquanto as pessoas continuam fugindo, ou, se ficam, já esqueceram tradições que poderiam reverter esse quadro, como, por exemplo, inseticidas naturais, revezamento de culturas e construção de cisternas (Schröder, 1997).
Por outro lado, depois de décadas de estratégico esquecimento, com o pretexto de minimizar desigualdades e inserir a região no processo de desenvolvimento regional, o Nordeste passou a ser alvo de uma política industrial tão desastrosa quanto as políticas agrícola e de combate à seca. A constituição, no final da década de 50, do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste – GTDN e, posteriormente a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, leva a que a intervenção governamental acelere a destruição do modo de vida sertanejo. O GTDN alegava que o alto contigente de pessoas vivendo no meio rural representava um entrave ao crescimento econômico da região, pois essas pessoas viviam de atividades que não geravam renda, condição que não lhes permitia a participação como consumidores no novo modelo econômico que estava sendo forjado, baseado na industrialização, promovendo, então, intenso movimento migratório, especialmente para a região amazônica (Dias, 1999; Souza, 1997).
Apesar da exclusão, ou devido a ela, essa região preservou uma série de conhecimentos e um modo de vida que pode nos dar pistas de como sair da crise social e ambiental que o mundo desenvolvido criou para seus habitantes. Isso não significa dizer que o modo de vida do sertanejo seja, ou tenha sido, ideal do ponto de vista social ou ambiental, nem que eles estejam completamente alheios às mudanças havidas fora do espaço que habitam. Porém, é visível, para quem convive com aquelas pessoas, a riqueza de informações existentes entre eles, sobre como viver e conviver em harmonia, apesar das adversidades. (Chacon, 2000
Desenvolvimento desigual
No Brasil, o status de país de industrialização recente - conhecido também pela sigla em inglês NIC (New Industrialized Country) - foi alcançado a partir de 1970 pela modernização conservadora conduzida pelo Estado, que produziu transformações significativas na economia sem romper com a ordem social hierarquicamente organizada.
A gestão autoritária do território foi um instrumento essencial para criar fronteiras, isto é, áreas onde se conquistavam novas terras e se produziam mudanças aceleradas; garantir os domínios , ou seja, territórios controlados por oligarquias solidamente estabelecidas, e consolidar uma cidade mundial (São Paulo) como lugar que estabelece ligações com a economia mundial.
A fronteira não se resume a uma vasta extensão de terras sem dono a ser explorada por homens também - pretensamente - livres, tampouco representa um determinado tipo de periferia dependente de um centro. Ela é um espaço econômico, social e político que não está plenamente organizado e tem a capacidade de gerar novas realidades.
Os domínios são áreas consolidadas, com estruturas políticas relativamente estáveis, mantidas por alianças com interesses locais e regionaisque participam diretamente do núcleo de poder político, e que deram sustentação ao projeto de modernização conservadora.
Assim, perpetuaram-se formas tradicionais de propriedade da terra e de controle do comércio, graças a toda sorte de instrumentos políticos que garantem privilégios adquiridos e criam barreiras à entrada de novos concorrentes.
Fronteiras e domínios são articulados, ou seja, criados e postos em prática pela cidade mundial, que, em países de industrialização recente, é, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, centro de gestão, de acumulação de capital em escala mundial e núcleo de comando de uma vasta rede urbana que conecta a multiplicidade de lugares existente no Brasil.
A política territorial do Estado manteve domínios, expandiu fronteiras e fortaleceu a cidade mundial. Como exemplo de manutenção de domínio, a persistência da questão regional no Nordeste; da expansão de fronteira e, a configuração de uma imensa fronteira de recursos no Norte e Centro-Oeste e de fortalecimento da cidade mundial , a conformação de um vasto complexo urbano-industrial comandado por São Paulo.
Um balanço desse período recente mostra que, apesar da intervenção direta do Estado, persistem na economia nacional os mecanismos geográficos que levaram ao desenvolvimento desigual das regiões brasileiras. E a desigualdades resultam do ritmo diferenciado de acumulação da riqueza e de geração da renda, nas diferentes parcelas do território nacional.
A análise das grandes regiões brasileiras, que utiliza a classificação definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, é útil para um primeiro contato com as mudanças recentes ocorridas no Brasil, que revelam a situação atual na distribuição territorial da riqueza e as desigualdades regionais na divisão social da renda.
A industrialização foi responsável pela maior concentração de população e de renda no Sudeste. Sua integração com o Sul já era importante desde o início do desenvolvimento industrial, por causa do fornecimento, pelo Sul, de alimentos e matérias-primas agrícolas.
O Nordeste, a segunda região mais populosa, ainda é a área mais pobre do país, com uma participação na renda nacional inferior à metade de seu peso demográfico, isto é, de sua grandeza populacional. A integração do Nordeste ao Sudeste é um processo que se completa na década de 1970 pela intervenção planejada do Estado.
DADOS BÁSICOS SOBRE AS MACRO-REGIÕES BRASILEIRAS
	Região
	área total
	área (%)
	População absoluta (1991)
	População relativa (1991)
	Renda (milhões de US$) 1985
	Renda 1985 (%)
	Norte
	3.864
	45,4
	10.146
	6 ,9
	8 .828
	4 ,3
	Nordeste
	1.546
	18,2
	42.387
	29,0
	27 .511
	l3 ,5
	Sudeste
	925
	l0 ,9
	62.121
	42,6
	118 .139
	58,3
	Sul
	578
	6,8
	22.080
	15,1
	35 .914
	17,7
	Centro-Oeste
	1.593
	18,7
	49.420
	6 ,4
	l2 .667
	6 ,2
	Brasil
	8.506
	100,0
	149.420
	100,0
	203 .059
	100,0
O Centro-Oeste iniciou, de fato, seu processo de integração com a fundação de Brasília, em 1960. Sua rede de infra-estrutura viária facilitou a expansão da soja, cultura agrícola que "abriu" os cerrados e integrou definitivamente o Centro-Oeste ao mercado nacional, na década de 1980.
O Norte, que abrange a grande Planície Amazônica, é ainda uma imensa superfície florestada e um imenso vazio demográfico. Os esforços de ocupação dessa área, realizados a partir da década de 1970 com a abertura de rodovias que partiam de Brasília, permitiram o crescimento populacional em manchas na borda sul da grande massa florestal. Entretanto, a atividade econômica ainda é em grande parte dispersa ou, então, concentra-se ao longo de poucos eixos que partem de cidades encravadas aqui e ali, e ao longo dos rios e rodovias.
Os grandes projetos agropecuários e mineradores instalados a partir da década de 1970 na Amazônia seguem basicamente esse padrão, mesmo em Carajás, a grande província mineral da região, onde a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) é o elemento de integração do território sob seu controle com o mercado mundial.
Dessa maneira verificamos que, apesar da forte intervenção do Estado, o ritmo de desenvolvimento desigual é o responsável pelas disparidades entre as regiões brasileiras, o que resulta em uma grande concentração de pessoas, investimentos e informações na área geoeconômica comandada pela cidade mundial, São Paulo, conhecida também como o Centro-Sul.
3.1.8. AS REGIÕES BRASILEIRAS
REGIÃO NORTE
Estados: Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins
Área: 3.869.637,9 km2
Clima: equatorial.
Relevo: planície fluvial, com baixos platôs
Vegetação: floresta tropical úmida
População: 11.158.998 habitantes
Densidade demográfica: 2,88 hab./km2
População urbana: 59%
Atividades econômicas: mineração (ferro, manganês), extrativismo mineral (ouro, diamantes, cassiterita, estanho) e vegetal (madeiras, látex)
Participação no PIB: 3,24%
REGIÃO NORDESTE
Estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia
Área: 1.561.177,8 km2
Clima: tropical e semi-árido
Relevo: planaltos e chapadas, planície litorânea
Vegetação: caatinga, mata de cocais, mata atlântica, mangues
População: 44.974.707 habitantes
Densidade demográfica: 28,80 hab./km2
População urbana: 60,7%
Atividades econômicas: agroindústria (açúcar, cacau), extração de petróleo, turismo
Participação no PIB: 12,58%
REGIÃO SUDESTE
Estados: Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo
Área: 927.286,2 km2
Clima: tropical
Relevo: planaltos
Vegetação: mata atlântica, cerrado, mangues
População: 66.288.059 habitantes
Densidade demográfica: 71,48 hab/km2
População urbana: 88 %
Atividades econômicas: indústria, agricultura (cana-de-açúcar, laranja, café), pecuária (bovinos), extração de petróleo, mineração (ferro)
Participação no PIB: 62,60%
REGIÃO SUL
Estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Área: 577.214 km2
Clima: subtropical
Relevo: planaltos, planície lacustre
Vegetação: mata de araucária, mata atlântica, campos, mangues
População: 23.128.026 habitantes
Densidade demográfica: 40,06 hab/km2
População urbana: 74,1%
Atividades econômicas: indústria, agricultura (soja, trigo, fumo, milho, arroz, feijão), pecuária (bovinos, suínos), frigoríficos, extração de carvão mineral
Participação no PIB: 15,72%
REGIÃO CENTRO-OESTE
Estados: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás; mais o Distrito Federal
Área: 1.612.077,2 km2
Clima: tropical
Relevo: planaltos, chapadas, planície de alagados
Vegetação: cerrado, complexo do Pantanal
População: 10.272.650 habitantes
Densidade demográfica: 6,37 hab/km2
População urbana: 81,3%
Atividades econômicas: pecuária (bovinos), agricultura (soja, milho, arroz, algodão)
Participação no PIB: 5,86%
A - A DIVISÃO REGIONAL DO BRASIL.
A divisão regional brasileira é realizada de duas formas: através das 05 (cinco) regiões do IBGE (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) ou a partir de 03 (três) grandes regiões geo-econômicas:
AMAZÔNIA, NORDESTE e CENTRO-SUL.
Amazônia
A maior parte da Amazônia é a área de clima equatorial, originalmente coberta pela floresta amazônica, que cobre cerca de 40% do território brasileiro, se estendendo pela região Norte, norte do Centro-Oeste e o oeste do Maranhão, configurando a Amazônia Legal, área de atuação da SUDAM.
A - Aspectos Naturais
A maior parte da região amazônica possui clima equatorial, marcado pelas altas temperaturas o ano inteiro, tendo portanto, pequena amplitude térmica anual. A pluviosidade é imensa, geralmente ultrapassando 2500mm anuais, sem existência de estação seca no noroeste da região - área de origem da mEc, ou com uma estação seca muito curta.
O domínio climático determina a floresta mais exuberante do planeta, a Floresta Equatorial ou Latifoliada, com grande biodiversidade e enorme massa vegetal, determinando a sobreposição de vários "andares" de floresta, dando-lhe a característicafechada. A floresta Amazônica pode ser dividida em:
Mata do Igapó - área próxima aos rios, estando permanentemente alagada.
Várzea - nos trechos intermediários, possui vegetais de maior porte, como a seringueira (hevea brasiliensis), é inundada nas cheias.
Mata de Terra Firma - nas áreas mais distantes dos rios, com árvores muito grandes e enorme riqueza na fauna.
O desmatamento da Floresta Amazônica se intensificou a partir da década de 60 com a implantação do Programa de Integração Nacional, envolvendo a construção de eixos viários, já que as rodovias configuraram a infra-estrutura básica para os projetos de colonização. A partir daí, há a expansão da fronteira agrícola, incrivelmente com avanço da pecuária extensiva, além dos grandes projetos minerais e da ação das madeireiras nacionais, que na década de 90 passam a ter a companhia das temíveis madeireiras asiáticas.
O avanço das queimadas na Amazônia
1968 - Há duas décadas, os 5,1 milhões de km2 da Amazônia estavam praticamente intactos. Havia áreas desmatadas ao redor das cidades de Belém e Cuiabá e nas regiões sul do Mato Grosso e norte de Goiás (hoje Tocantins).
1978 - O governo decide colonizar Rondônia. As queimadas avançam para oeste ao longo da rodovia BR-364, entre Cuiabá e Porto Velho. Começam os projetos agropecuários no sul do Pará e sudeste do Maranhão.
1988 - A devastação já atinge mais de meio milhão de km2. As queimadas consumiram grande parte do Mato Grosso, Rondônia e Pará, quase todo o estado de Goiás (atual Tocantins) e Acre e Roraima.
A intensificação do desmatamento vem provocando prejuízos irreparáveis ao meio ambiente devido ao rompimento do equilíbrio ecológico, já que a retirada da floresta determina:
Alterações climáticas, devido ao aumento da quantidade de carbono na atmosfera e consequentemente da temperatura e a redução da Evapotranspiração que altera os índices pluviométricos.
Alterações no equilíbrio térmico, já que o desmatamento altera a umidade.
Desgaste do solo, devido a intensificação da lixiviação e a não reposição do material orgânico.
Falta de regulação para a rede hidrográfica.
Problemas para a fauna e retirada da flora nativa para pesquisas.
Outra característica marcante do quadro natural amazônico é a rede hidrográfica, sendo a Bacia Amazônica a maior do mundo em volume de água e, provavelmente, o rio Amazonas, o mais extenso do planeta. Como o rio principal localiza-se sobre uma planície, constitui uma hidrovia de milhares de quilômetros de extensão e devido a topografia da região, já que, os seus afluentes vem de áreas mais altas, a área possui o maior potencial hidrelétrico do país, o aproveitamento porém ainda é baixo, sendo este um entrave para o desenvolvimento.
B - Aspectos Humanos
A região amazônica possui uma população absoluta muito reduzida, o que aliado a sua grande extensão, determina baixíssimas densidades demográficas. No entanto, nas últimas décadas a região vem tendo, devido as migrações, o maior crescimento populacional do país, tendo sido, na década de 80, de 4,5% ao ano contra a média nacional de l,8%.
Este grande crescimento populacional é fruto em grande parte de migrações rural-rural (expansão da fronteira agrícola), que no entanto, não impedem a região de ser predominantemente urbana, com cerca de 55% da população vivendo em cidades. Esta aparente contradição pode ser explicada pela enorme concentração fundiária e os constantes conflitos pela posse da terra, envolvendo posseiros, grileiros, latifundiários e seus jagunços, comunidades indígenas e populações extrativistas (seringueiros e castanheiros).
O principal aglomerado urbano é Belém, que é a Metrópole Regional, seguida da cidade de Manaus, que vem sendo classificada de metrópole em formação ou metrópole incompleta. Outras áreas de crescimento são Rondônia, o sul do Pará e Tocantins.
C - Aspectos Econômicos
A pecuária extensiva é uma atividade marcante na Amazônia, havendo grandes projetos ao longo das rodovias, que foram criados com incentivos diretos e indiretos do governo federal, notadamente durante a Ditadura Militar. A produtividade da pecuária na região é muito reduzida, dificilmente alcançando 50 quilos anuais por hectare e declina rapidamente, em virtude do enfraquecimento do solo (em algumas áreas da Europa a produtividade alcança 600kg/há, além de haver produção leiteira). Como entender então a existência dessa atividade?
Na verdade a pecuária extensiva é utilizada na especulação fundiária, como forma de valorização e obstáculo para a desapropriação para fins de reforma agrária.
A Ditadura Militar, citada anteriormente, é vital para a compreensão do quadro econômico amazônico, já que, a construção das "rodovias de penetração", iniciadas com a Transamazônica, e com o desenvolvimento da Cuiabá-Santarém, Cuiabá-Porto Velho e a Porto Velho-Manaus.
Apesar da enorme riqueza potencial da biodiversidade amazônica, que constitui o maior "banco genético mundial", há pequena utilização por parte do Brasil para pesquisas e desenvolvimento tecnológico (para alegria estrangeira que utiliza inclusive a "biopirataria" na área).
O extrativismo mineral merece destaque, com expressivo crescimento nas últimas décadas, principalmente com o Projeto Carajás, no sul do Pará, controlado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que envolveu enormes investimentos federais, incluindo uma hidrelétrica - Tucuruí no rio Tocantins, e uma ferrovia de 640 km - Estrada de Ferro Carajás. Além disso, temos a bauxita, no Pará, manganês no Amapá, ouro em várias regiões e "terras raras" na região de Roraima.
NORDESTE
No Nordeste, há quatro paisagens naturais diferentes: o Meio-Norte, prolongamento da Amazônia; o Sertão, que corresponde à área mais seca; a Zona da Mata, que ocorre nos trechos mais úmidos no litoral e finalmente, o Agreste, transição entre os dois últimos.
OS DIVERSOS "NORDESTES"
Litoral e Zona da Mata
Tendo sido introduzida, em 1530, a cana-de-açúcar na Zona da Mata, esta atividade ainda é dominante. Encontrou clima e solo propícios: tropical e massapê.
No passado, o domínio de engenhos e hoje a usina, retratam esta paisagem, que também trocou a mão-de-obra, antes negra, sob a relação escrava de produção, hoje, assalariada, porém temporária, em larga escala, no modelo bóia-fria. No interior da Zona da Mata, sobretudo em Alagoas e Bahia (Recôncavo), destacamos o fumo, assim como o sul da Bahia aparece a paisagem Jorge Amadiana do cacau, cultivado com o sombreamento da bananeira ou broqueado com a, cada vez mais reduzida, Mata Atlântica.
No litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte há uma abrupta mudança na paisagem. Surge o sal, com destaque para as salinas de Macau e Areia Branca.
Na Zona da Mata, sobretudo após a SUDENE, destacamos os polos Petroquímico de Camaçari, formando nestas áreas duas das três metrópoles regionais - Recife e Salvador. A terceira, e mais recente é Fortaleza, também no litoral. O turismo em toda a região vem sendo importante atividade econômica.
Agreste
É a região de transição entre a Zona da Mata e o Sertão. O Agreste com suas feiras de gado e sua policultura de subsistência, sofre modificações profundas na paisagem, monoculturas de fumo, cana. Oleaginosa, além de latifúndios que absorvem minifúndios desenham este novo perfil do agreste. Além da agricultura comercial há agora destaque para a pecuária caprina e ovina. Assim como o crescimento inchado das cidades, outrora feiras - as cidades-feira - Campina Grande, Feira de Santana, Caruaru, etc.
Sertão
O Sertão é marcado pelo latifúndio e pela pecuária. Nas "Bocas do Sertão", ilhas úmidas, encontramos a subsistência. A atividade agrícola de mercado é o algodão.
As maiores concentrações demográficas estão no São Francisco e no Cariri. O rio, que outrora era o dos Currais, hoje apresenta atividades agrícolas - cebola e vinha. Demonstrativo de que o Sertão é viável e o problema é a "Cerca"!
Meio-Norte
Nesta sub-região, destacamos o extrativismo vegetal, pecuária extensiva, algodão e arroz.
Extrativismo: madeira,babaçu e carnaúba.
Pecuária: áreas mais secas do interior.
Áreas mais úmidas: algodão e arroz (a soja, recentemente).
Porto de Itaqui: escoamento do minério de Carajás e todo sistema de transporte para escoamento.
MOMENTO ATUAL
A região Nordeste vêm tendo nos últimos anos, expressivas modificações em sua estrutura econômica, que, no entanto, não alteram substancialmente o calamitoso quadro social.
No campo industrial vem ocorrendo um processo de industrialização, ligado a descentralização do Sudeste, sendo, portanto, uma industrialização dependente, ligada em grande parte a concessão de incentivos fiscais. A maior parte dessas indústrias é de utilização intensiva de mão-de-obra, como calçados e vestuários, interessadas nos reduzidíssimos salários locais. A menor distância em relação a alguns mercados de exportação é outro atrativo local. Apesar disso se mantém a indústria açucareira, a do petróleo e petroquímica e muito recentemente a área de automóveis na Bahia.
Cabe lembrar que o Ceará e a Bahia têm apresentado elevados índices de crescimento industrial.
As alterações ocorrem também no meio rural, apesar da manutenção do amplo domínio latifundiário no Sertão e Zona da Mata, além da expansão, com pecuária no Agreste.
No Sertão Nordestino, projetos de irrigação viabilizaram o avanço de uma moderna agricultura fruticultora para exportação, na área em torno de Petrolina em Pernambuco, beneficiada pela grande insolação, pela já citada mão de obra barata, além da existência de solos com alta fertilidade mineral.
No oeste da Bahia e no sul do Maranhão, o avanço da fronteira agrícola ocorre sobretudo com a soja, mas também, com arroz e milho. No caso específico do Maranhão, o desenvolvimento é facilitado pelas excelentes condições de logística da região para exportação. Desde 1992, quando começou a funcionar o Corredor de Exportação Norte, toda a produção agrícola do sul do Maranhão passou a escoar para o Porto da Madeira, em São Luís, por um longo trecho de estrada de ferro operado pela Companhia Vale do Rio Doce. O cultivo nessa área, realizada por migrantes de origem europeia vindos da Região Sul, é realizado em fazendas altamente mecanizadas, com os melhores índices de produtividade agrícola por hectare no Brasil, tem ainda como benefício a menor distância em relação ao mercado europeu.
CENTRO-SUL
É a região de economia mais dinâmica do país, produzindo a maior parte do P.I.B. nos setores agrário, industrial e de serviços, além de concentrar a maior parte da população. Apesar da maior dinamicidade, o Centro-Sul possui também as contradições típicas do desigual desenvolvimento sócio-econômico brasileiro.
O Centro-Sul pode ser sub-dividido em:
PARTE MERIDIONAL DA REGIÃO CENTRO-OESTE
Área que possui uma população ainda reduzida e constitui, historicamente uma zona de expansão da economia paulista, o que explica a presença do maior rebanho bovino brasileiro.
Organização Econômica
A principal atividade econômica do Centro-Oeste é a pecuária bovina extensiva que imprimiu a estrutura latifundiária desde a crise da mineração, no século XVIII. Há também, extrativismo mineral e vegetal, sendo que agricultura ampliou-se com a abertura das fronteiras agrícolas de exportação. Este fato provocou intenso conflito pela terra, agravado pelo fluxo migracional. É uma região de fraca densidade, com luta pela terra.
Pecuária: Goiás e Pantanal (bovinos) - abastecimento dos frigoríficos do oeste Paulista.
A região sofre grandes alterações a partir da década de 70, com a expansão da fronteira agrícola e as pesquisas que viabilizaram o avanço da soja pelo cerrado, como por exemplo, o processo da calagem, adição de calcário ao solo.
O enorme crescimento da agricultura na região vem determinando a necessidade de alternativas de transportes, como a hidrovia do rio Madeira e a Ferronorte.
REGIÃO SUL
Com uma superfície de 577.723 km2, a Região Sul compreende os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, constituindo a única região brasileira não tropical.
O relevo do Sul é formado em sua maior parte pelo Planalto Meridional, que apresenta três patamares limitados por escarpas: ao longo do litoral, ergue-se a primeira escarpa, de altitudes mais elevadas - a Serra do Mar, mais para interior, estende-se um planalto cristalino; a seguir a chamada "Serrinha" forma uma nova escarpa é a Serra Geral, limite do planalto basáltico que se estende até o vale do rio Paraná. No extremo sudoeste do Rio Grande do Sul, desenvolve-se a Campanha Gaúcha, parte brasileira da vasta planície platina (o Pampa).
O clima do sul é subtropical úmido fatos que individualiza a região no conjunto brasileiro. A pluviosidade é bem uniforme, e as temperaturas médias são abaixo de 22oC, registrando-se as mínimas nas zonas mais elevadas onde ocorrem a neve ocasional.
Na vegetação original do Sul, predominavam as formações florestais: a Mata Atlântica, junto ao litoral; a Floresta Tropical, no norte do Paraná; a Floresta Subtropical com pinheiros (Mata de Araucária).
O Celeiro do País
A Região Sul possui, atualmente, uma economia agrícola altamente desenvolvida, que vem passando por um intenso processo de modernização, tornando-se uma atividade cada vez mais mecanizada e capitalizada.
O norte do Paraná, constitui a área agrícola mais desenvolvida do estado, com uma estrutura fundiária baseada em médias propriedades. Embora o café tivesse sido o principal produto da região, seu cultivo tem perdido o caráter monocultor, com a diversificação das lavouras comerciais (soja, trigo, arroz). O restante do estado tem uma produção agropecuária ampla e variada, além da exploração madeireira. Curitiba é a metrópole da região, com um parque industrial de certo vulto e com crescimento.
O Vale do Itajaí, ao norte da encosta catarinense, é a zona mais dinâmica de Santa Catarina: vales profundos, caracterizam essa área de colonização italiana e alemã. Blumenau é o maior centro industrial da região.
A zona serrana gaúcha é uma área de colonização alemã e italiana, apresentando uma estrutura fundiária calcada na pequena propriedade. À produção agrícola, extremamente diversificada, vem se somar uma importante atividade pecuária, que alimenta uma próspera indústria frigorífica e de laticínios. Por isso mesmo, o setor agro-industrial foi o que mais cresceu no Sul, no início da década de 90.
No Centro-Sul gaúcho, destacam-se duas áreas: a região de Porto Alegre, metrópole que tem expressivo desenvolvimento industrial, a "campanha", caracterizada pelos grandes estabelecimentos pastoris - as estâncias, onde predomina uma pecuária extensiva melhorada.
População
O processo de ocupação da região, inicia-se com o gado da Campanha Gaúcha. Oriundo de São Vicente, este gado procura as pastagens naturais do sul, não ficando nas matas e serras da região. Imprime o latifúndio, ocupa, mas não estabelece grandes núcleos de povoamento, confundindo-se com as fronteiras castelhana. No litoral do Rio Grande houve, também, no período colonial, o povoamento com casais açorianos, indo até mais para o interior (depressão) e fundando Porto Alegre (Guaíba).
A mineração do século XVII gerou um povoamento com núcleo até Laguna, pelo estreito litoral sul. Lagura era, em fins do século XVII, o ponto de apoio da ocupação brasileira no Sul, visando a Sacramento, no estuário do Prata.
No século XIX chegam os imigrantes. Vão estabelecer-se nas matas e serras pouco valorizadas pela pecuária, e só usam a região como trânsito para a venda nas feiras e São Paulo (exemplo Sorocaba), para abastecer a área mineradora. Estes imigrantes vão:
Imprimir a pequena propriedade;
Desenvolver a agricultura associada à pecuária;
Desenvolver a agricultura de subsistência que dará origem à policultura;
Desenvolver a mão-de-obra familiar.
Imigrantes alemães nos vales férteis; italianos nas encostas; eslavos no oeste e japoneses no norte do Paraná, configuram o ciclo de povoamento. Hoje a região perde população para o Centro-Oeste, para a Amazônia e até para fora do País.Fato determinado pelos seguintes aspectos:
Divisão das propriedades pela herança
Minifúndios absorvidos por latifúndios com culturas de exportação, a exemplo da soja.
Economia
A existência de extensas áreas de pastagens naturais favoreceu o desenvolvimento da pecuária extensiva de corte na região Sul, há o predomínio da grande propriedade e o regime de exploração direta, já que a grande criação é extensiva, exigindo poucos trabalhadores, o que explica o fato de haver uma população rural pouco numerosa na região.
A agricultura, que é desenvolvida em áreas florestais, com predomínio da pequena propriedade e do trabalho familiar, foi iniciada pelos europeus, sobretudo alemães, que predominaram na colonização do sul. A policultura é a prática comum na região às vezes com caráter comercial, sendo o feijão, a mandioca, o milho, o arroz, a batata, a abóbora, a soja, o trigo, as hortaliças e as frutas os produtos mais cultivados. Em algumas áreas, a produção rural está voltada para a indústria, como a cultura da uva para a fabricação de vinhos, a de tabaco de óleos vegetais, a criação de frangos e porcos (associadas à produção de milho) para abastecer as usinas de leite e fábricas de laticínios.
Diferente das regiões agrícolas "coloniais" é o norte do Paraná, que está relacionado com a economia do sudeste, sendo uma área de transição entre São Paulo e o Sul. Seu povoamento está ligado à expansão da economia paulista.
O extrativismo vegetal é uma atividade de grande importância no sul do país e o fato de a Mata das Araucárias ser bastante aberta e relativamente homogênea facilita a sua exportação. As espécies preferidas são o pinheiro-do-paraná, a imbuia e o cedro, aproveitados em serrarias ou fábricas de papel e celulose.
A região Sul é pobre em recursos minerais, devido à sua estrutura geológica. Lá há a ocorrência de cobre no Rio Grande do Sul e chumbo no Paraná, mas o principal produto é o carvão-de-pedra, cuja extração concentra-se em Santa Catarina. É utilizado em usinas termelétricas locais e na siderurgia (misturado ao importado).
A região Sul é a segunda mais industrializada do país, vindo logo após o Sudeste. A principal característica da industrialização do sul é o fato de as atividades rurais comandarem a atividade industrial. Assim, somente as metrópoles de Porto Alegre e Curitiba não se encaixam no esquema agro-industrial predominante na região. Porto Alegre é o maior centro urbano-industrial, onde se localizam indústrias metalúrgicas, químicas, de couros, de bebidas, de produtos alimentícios e têxteis. Já a industrialização de Curitiba, o segundo maior centro industrial, é mais recente, destacando-se suas metalúrgicas, madeireiras, fábricas de alimentos e do ramo automobilístico.
As demais cidades industriais da região são geralmente mono-industriais ou então abrigam dois gêneros de indústrias, como Caxias do Sul (bebidas e metalurgia), Pelotas (frigoríficos), Lages (madeiras), Londrina (alimentos), Blumenau e Joinville (indústria têxtil), estas duas localidades no Vale do Itajaí, a região mais próspera de Santa Catarina.
SUDESTE
O sudeste é a região mais desenvolvida do Brasil, registrando em relação ao conjunto do país, uma participação de cerca de 55% no Produto Interno Bruto (PIB), de 66% no valor da produção industrial, e concentrando 58% de pessoal ocupado na indústria.
O processo de industrialização ocorrido no Brasil a partir da década de 50, apoiado tanto na entrada maciça do capital estrangeiro, quanto na iniciativa privada nacional e na própria intervenção estatal, baseou-se no desenvolvimento dos setores mecânico, metalúrgico, químico, de material elétrico e de transportes, consolidando-se a região como centro da economia nacional. Desde então, aqueles setores industriais acusam participação crescente no Sudeste, em detrimento das indústrias tradicionais (têxtil, alimentos e bebidas, que vêm-se registrando uma queda relativa). Essa tendência vêm-se afirmando no conjunto da região, embora o desenvolvimento das indústrias seja diferenciado ao nível dos estados.
São Paulo destaca-se no contexto nacional como o estado de maior concentração industrial, especialmente no tocante à indústria pesada. E o interior do estado já desponta hoje como o segundo mercado interno do País.
Minas Gerais constitui o segundo centro industrial do País, com uma participação de cerca de 10% no valor da produção nacional. Em linhas gerais, a região da Grande São Paulo abrange o maior parque industrial da América Latina, além de constituir o maior centro comercial e financeiro do país.
A riqueza de recursos minerais esteve na base do grande desenvolvimento das indústrias siderúrgica e metalúrgica do Estado de Minas. A maior parte da produção brasileira de ferro ainda provém do "Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais", sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais desse minério.
O Rio de Janeiro apesar de estagnado na metade dos anos 90, vem crescendo na última metade através de um processo de "renúncia fiscal" e dos novos ramos privatizados, os da telecomunicação e da siderurgia. A economia do Rio de Janeiro porém, tem sua maior perspectiva no crescimento da indústria do petróleo (extração, construção naval, plataformas, óleos e gasodutos, polo gásquímico e novas empresas que ganharam concessão de exploração).
A produção de termeletricidade também tende a crescer em função de novos investimentos privados e estatais (AngraII).
O problema do Rio de Janeiro é basicamente para consumo interno e necessariamente exige importação de alimentos e insumos agrícolas.
Outro setor de crescimento é o turismo - "a venda do local" - hoje principalmente interna é a rede de escolas e universidades que atrai investimentos diretos.
Organização Econômica
A importância histórica desta região data do desenvolvimento da atividade mineradora, quando o eixo econômico e político do país transferiu-se para o Centro-Sul. Após a mineração, o café, no Século XIX, valorizou também a área, tanto no Vale do Paraíba Fluminense como no Paulista, assim como, no Século XX, este produto impulsiona o oeste de São Paulo. Manteve, no entanto, a estrutura fundiária do latifúndio neocolonial exportador, sendo que no Rio Paraíba utilizou-se da mão-de-obra escrava negra.
Na Era Vargas esta região encontrou sua vocação industrial. O capital do café e o esforço do Estado vão transformá-la em um grande centro industrial, sobretudo, nas metrópoles nacionais de São Paulo e Rio de Janeiro, e na regional de Belo Horizonte.
Urbana e industrial, esta região apresenta algumas características marcantes:
Agricultura - Como produção elevada - cana-de-açúcar, café, soja, milho e arroz, utiliza-se, porém, da mão-de-obra temporária ou bóia-fria, mostrando aí seus graves contrastes sociais e espaciais: ao lado de uma agricultura moderna há estruturas arcaicas, como a questão social, técnica e política do Vale do Jequitinhonha e norte de Minas Gerais, por exemplo;
Pecuária - Dinâmica, não só para o abastecimento da carne, como de leite e derivados. Destacam os rebanhos de Minas Gerais e São Paulo.
Concentração Industrial - Destacamos quatro espaços industriais importantes: São Paulo, Rio de Janeiro, área do Quadrilátero Ferrífero e cidades médias do oeste paulista.
Extrativismo Mineral - Extração de ferro no Quadrilátero de Minas Gerais, que destinado ao mercado externo (porto e usina de Tubarão - E.F.Vitória - Minas). Extração de petróleo - bacia de Campos-Macaé.
Crise Social - Nas metrópoles do Sudeste, destacamos o grave problema da segregação espacial. Mesmo com a redução da migração, a favelização amplia-se, fato que constata o elevado processo de segregação do espaço geográfico, com a favelização e a formação de uma enorme periferia urbana.
Crise Ambiental - Desmatamento, retirada do mangue, poluição da Baía de Guanabara, deslizamento de encostas, problema do lixo, etc. , são tônicas na vida da região. A industrialização e a exploração econômica acelerada, sem respeito ao meio ambiente e visando ao lucro imediato, seguindomodelos externos, são fatores geradores desta crise vivenciada pela mais dinâmica região do país.
B - REGIÃO NORTE: A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS E O MEIO AMBIENTE.
Com 3.869.637,9 km2 de área - 45,27% do território brasileiro -, a região Norte é formada pelos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Está localizada entre o maciço das Guianas, ao Norte; o Planalto Central, ao Sul; a Cordilheira dos Andes, a Oeste; e o Oceano Atlântico, a Noroeste. De clima equatorial, é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins.
A região Norte possui 7.592.118 e uma expectativa de vida de 67,35 anos. Sua densidade demográfica é a mais baixa dentre todas as regiões geográficas, com 2,92 habitantes por km2. A maior parte da população da região Norte (57,8%) é urbana, sendo Belém, capital do Estado do Pará, sua maior metrópole.
A economia baseia-se no extrativismo vegetal de produtos como látex, açaí, madeiras e castanha; no extrativismo mineral de ouro, diamantes, cassiterita e estanho; e na exploração de minérios em grande escala, principalmente o ferro, na Serra dos Carajás (Pará), e o manganês, na Serra do Navio (Amapá).
No rio Tocantins, no Estado do Pará, encontra-se a usina hidrelétrica de Tucuruí, a maior da região. Existem ainda usinas menores, como Balbina, no rio Uatumã (Amazonas), e Samuel, no rio Madeira (Rondônia). O Governo Federal oferece incentivos fiscais para a instalação de indústrias no Estado do Amazonas, especialmente montadoras de produtos eletroeletrônicos. Esse processo é administrado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus e os incentivos deverão permanecer em vigor até pelo menos o ano de 2003.
Praticamente toda a região, exceto as áreas da Bacia do Tocantins-Araguaia no Estado de Tocantins e parte do Pará, está inserida na Bacia Amazônica, cujo clima equatorial quente e úmido juntamente com outros fatores (relevo, solos, localização geográfica, entre outros) é responsável por uma extensa cobertura florestal, a Floresta Amazônica, de incontável riqueza natural.
Ao norte contém as fronteiras com o Suriname, Guiana Inglesa, Guiana Francesa e Venezuela; a noroeste com a Colômbia; a oeste com o Peru e Bolívia; a nordeste com o Oceano Atlântico; a leste com os Estados do Maranhão, Piauí e Bahia e ao sul com os Estados de Goiás e Mato Grosso.
Estados da Região Norte:
Acre: localizado entre os Estados do Amazonas, ao norte, e Rondônia, a nordeste; abriga parte da fronteira com a Bolívia, a leste e ao sul; e com o Peru, ao sul e oeste. Abrange uma área de 153.698 km2 dividida em 25 municípios, agrupados em 5 microrregiões. Sua população era de 417.718 habitantes (IBGE, 1991) vivendo em sua maioria, do extrativismo vegetal.
Amapá: localizado entre o Estado do Pará, ao sul e oeste, o Oceano Atlântico, a leste e tendo a fronteira com a Guiana Francesa, ao norte, o Amapá abrange uma área de 142.358 km2 dividida em 15 municípios, agrupados em 4 microrregiões. A população residente era de 289.397 habitantes (IBGE, 1991) e o extrativismo vegetal, a pecuária e a mineração suas principais atividades econômicas.
Amazonas: situado entre os Estados do Pará, a leste, Mato Grosso, Rondônia e Acre, ao sul, Roraima, ao norte e tendo as fronteiras com a Venezuela ao norte, Peru e a Colômbia, a oeste, o Estado do Amazonas compreende uma área de 1.567.954 km2 dividida em 62 municípios (25 ainda não instalados), reunidos em 13 microrregiões. Sua população residente era de 2.103.243 habitantes (IBGE, 1991) tendo como atividades econômicas o extrativismo vegetal, a agricultura, a pecuária, a mineração e a indústria pesada e eletroeletrônica.
Pará: localizado entre o Estados do Amazonas, a oeste, Roraima a noroeste, Amapá, ao norte, Maranhão e Tocantins, a leste, Mato Grosso, ao sul, o Oceano Atlântico, a nordeste; e abrigando as fronteiras com o Suriname, e a Guiana Francesa ao norte, o Estado do Pará compreende uma área de 1.246.833 km2, dividida em 127 municípios, agrupados em 22 microrregiões. A população residente era de 4.950.060 habitantes (IBGE, 1991), e as principais atividades econômicas, o extrativismo vegetal, a agropecuária e a indústria de transformação de minerais (alumínio).
Rondônia: localizado entre os Estados do Amazonas, ao norte, Mato Grosso, a leste, Acre, a oeste, e abrigando parte da fronteira com a Bolívia, ao sul e a oeste o Estado de Rondônia abrange uma área de 238.379 km2 com 44 municípios (40 instalados), agrupados em 8 microrregiões. A população residente era de 1.132.692 habitantes (IBGE, 1991) e as principais atividades econômicas, a agricultura, o extrativismo vegetal e pecuária extensiva.
Roraima: localizado entre os Estados do Amazonas, ao sul e oeste e o Pará, a sudeste, e abrigando parte da fronteira com a Venezuela, a Noroeste e a Guiana, a leste, Roraima ocupa uma área de 225.017 km2 com 8 municípios, agrupados em 4 microrregiões. A população residente era de 217.583 habitantes e as principais atividades econômicas, a agricultura de subsistência, o extrativismo vegetal (pouco significativo), e a pecuária extensiva (dominante no Estado).
Tocantins: situado entre os Estados do Maranhão, ao norte, Piauí, a nordeste, Bahia, a leste, Goiás, ao sul e Mato Grosso e Pará, a oeste, o Tocantins ocupa uma área de 277.322 km2 dividida em 123 municípios, agrupados em 8 microrregiões. A população residente era de 919.863 habitantes (IBGE, 1991) e a principal atividade econômica, a agropecuária.
Reservas Indígenas e poluição:
As 26 unidades de conservação da região, compreendem apenas 3,2% da Amazônia, de acordo com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Devido à inexistência de fiscalização, essas áreas são alvo de queimadas. Entre 1997 e 1998, aumenta em 27% a parcela da Amazônia Legal devastada por essa prática, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Dos 4 milhões de km² de floresta original, 13,3% já não existem mais. Pará, Rondônia e Acre são os estados que mais contribuem para o aumento desse índice.
Além de afetar a fauna e a flora, as queimadas prejudicam a vida dos milhares de índios que ainda habitam a região. De acordo com a FUNAI, são cerca de 164 mil índios de diferentes etnias. A maior é a dos ianomâmis, com 9 mil representantes. A Região Norte detém 81,5% das áreas indígenas protegidas por lei - o Amazonas possui a maior extensão dessas terras (35,7%). A influência desses povos nativos se faz presente na culinária e na festa do Bumba-Meu-Boi de Parintins (AM). Junto com o Círio de Nazaré, que acontece em Belém (PA), é uma das festas regionais mais conhecidas.
A biodiversidade e os habitantes do Norte, sofrem ainda outro grave problema: a poluição dos rios pelo mercúrio, que contamina populações ribeirinhas. Alguns cientistas crêem que o mercúrio detectado não seja consequência apenas da ação do homem no garimpo de ouro, mas que ele também esteja sedimentado em solos da região.
Economia e Energia:
A economia se baseia no extrativismo de produtos como o látex, açaí, madeiras e castanha. A região também é rica em minérios. Lá estão a Serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do pais, produtora de grande parte do minério de ferro exportado, e a Serra do Navio (AP), rica em manganês. A extração mineral, porém, praticada sem os cuidados adequados, contribui para a destruição ambiental.
No rio Tocantins, no Pará, encontra-se a usina hidrelétrica de Tucuruí, a maior da região e 2ª do país (a maior inteiramente nacional, já que Itaipú, no Paraná, é binacional - Brasil/Paraguai). Existem ainda outras usinas menores como Balbina, no rio Uatumã (AM) e Samuel, no rio Madeira (RO).
O governo federal oferece incentivos fiscais para a instalação de indústrias no Amazonas, especialmente montadoras de eletrodomésticos. Sua administração cabe à Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) e os incentivos deverão permanecer em vigor até 2003.
De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base, a região ocupa o segundolugar - atrás do Sudeste -, nos investimentos públicos e privados, programados para até 2003. Até lá, serão injetados no Norte, cerca de 43 bilhões de dólares. Grande parte dos investimentos privados se concentrará na agroindústria.
A Região Norte tem priorizado a oferta e a redistribuição de energia para seus estados. O Pará, por exemplo, concluiu em 1999 a linha Tramoeste, que leva a energia de Tucuruí, no rio Tocantins, até o oeste paraense. No Amazonas, como a planície da bacia amazônica inviabiliza a construção de hidrelétricas, o estado investe no gás natural. Está em andamento o projeto do uso do gás de Urucú, na bacia do rio Solimões. A Petrobrás é sócia minoritária, com 24% e o restante é do governo estadual, que repassará cotas para empresas privadas. Os maiores consumidores são as geradoras de energia elétrica, que passarão a usar o novo combustível em substituição ao óleo diesel para movimentar as turbinas de suas termelétricas.
O programa federal de eletrificação rural "Luz no Campo", atende aos estados de Rondônia, Acre, Roraima, Pará e Tocantins. A chegada da energia elétrica vai permitir a mecanização da agricultura.
População e transportes:
As principais cidades do norte são Manaus, Belém, Altamira, Palmas, Porto Velho, Rio Branco e Macapá. Os transportes rodoviários são problemáticos, em razão das grandes distâncias e rodovias insuficientes e mal conservadas, com poucas exceções. Além disso no período das chuvas, as estradas ficam intransitáveis. Um exemplo de mal gasto do dinheiro público e prejuízos ao meio ambiente foi a construção da Transamazônica, até hoje não concluída, embora iniciada sua construção há mais de 30 anos. O transporte aéreo é razoável, com bons aeroportos em Manaus e Belém. Manaus é hoje o 3° maior centro movimentador de cargas aéreas do país, após São Paulo e Rio de Janeiro, em razão justamente da distância e dos problemas do transporte rodoviário. Existe algum aproveitamento no transporte fluvial de cargas e passageiros, nem sempre com barcas adequadas e frequentemente acontecem acidentes.
C - REGIÃO CENTRO-OESTE: A EXPANSÃO DAS FRONTEIRAS DE RECURSOS; O DINAMISMO POPULACIONAL.
A região Centro-Oeste engloba os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. O relevo da região, localizada no planalto central, caracteriza-se por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. A oeste do estado de Mato Grosso do Sul e a sudoeste de Mato Grosso, encontra-se a depressão do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo Rio Paraguai e sujeita a cheias durante parte do ano.
Clima, vegetação e recursos minerais:
O clima da região é tropical semi-úmido, com frequentes chuvas de verão. A vegetação, de cerrado nos planaltos, é variada no Pantanal. No sudoeste de Goiás e no oeste de Mato Grosso do Sul, o solo é fértil, em contraste com a aridez do nordeste goiano. Os recursos minerais mais importantes são calcário (em Goiás e Mato Grosso), água mineral, cobre, amianto (no norte goiano), níquel e ferro-nióbio (em Goiás). O Brasil é o maior produtor mundial de nióbio, muito utilizado na indústria automobilística. Em Mato Grosso, aumenta a exploração da madeira, cuja retirada predatória cria um dos mais graves problemas ambientais do estado.
Meio ambiente:
No início da década de 90, restavam apenas 20% (vinte por cento) da vegetação original dos cerrados. Em Goiás, as práticas ambientais agressivas adotadas pela agropecuária, esgotam os mananciais e destroem o solo. No nordeste de Goiás e Mato Grosso, há constante desertificação, ocasionada pelo desmatamento sem controle. Entre 1998 e 2000 (três anos), quase 900 mil hectares de floresta são derrubados.
Turismo:
O turismo vem se desenvolvendo rapidamente no Centro-Oeste, atraindo visitantes de várias partes do mundo. A região mais conhecida é o Pantanal Mato-Grossense. Trata-se da maior bacia inundável do mundo, com vegetação variada e fauna muito rica. Outros pontos de interesse são as chapadas, como a dos Guimarães, em Mato Grosso, e a dos Veadeiros, em Goiás. No sudeste goiano, a atração é o Parque Nacional das Emas. Há ainda Brasília, fundada em 1960 e caracterizada pela moderna arquitetura e que hoje é uma das maiores cidades brasileiras - "Patrôminio da Humanidade".
As cidades históricas goianas de Pirenópolis e Goiás (ex-capital do estado de Goiás), preservam casários e igrejas do período colonial, com mais de 200 anos, possuindo boa rede hoteleira.
Economia:
E economia da região, baseou-se inicialmente, da exploração de garimpos de ouro e diamantes, sendo posteriormente substituídas pela pecuária. A transferência da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília e a construção de novas vias de acesso, aceleraram o povoamento, contribuindo para o seu desenvolvimento.
A economia do Centro-Oeste, cresce em um ritmo semelhante ao do país. Isso faz com que a região tenha, desde 1991, uma participação de 7,2% no PIB brasileiro, segundo o IPEA (acima de US$ 40 bilhões em 1999).
A agroindústria é o setor mais importante da economia da região. Ela é a maior produtora de soja, sorgo, algodão em pluma e girassol. Responde pela segunda maior produção de arroz e pela terceira maior produção de milho do país. O Centro-Oeste possui também o maior rebanho bovino do país, com cerca de 56 milhões de cabeças, principalmente em Mato Grosso do Sul.
As indústrias são principalmente do setor de alimentos e de produtos como adubos, fertilizantes e rações, além de frigoríficos e abatedouros. As maiores reservas de manganês do país estão localizadas no maciço do Urucum, no Pantanal. Devido ao difícil acesso ao local, tais reservas ainda são pouco exploradas.
Urbanização:
A região Centro-Oeste vive intenso processo de urbanização. Na década de 70, a população rural representava cerca de 60% do total de habitantes. Em apenas dez anos, o percentual caiu para 32%, até atingir 15,6% em 1996 (cerca de 84,4% de população urbana). Essa progressão se dá não só pelo êxodo rural, mas pelo aumento do fluxo migratório de outros estados brasileiros para os centros urbanos do Centro-Oeste.
Consequência direta dos programas de mecanização da agricultura, a migração do campo, modifica a distribuição demográfica da região. A nova configuração exige dos estados, investimentos em infra-estrutura urbana e serviços. A mobilização, contudo é insuficiente. Atualmente a região registra indicadores sociais e de qualidade de vida abaixo da média brasileira. Uma exceção é o Distrito Federal, detentor das melhores taxas de escolaridade e da mais elevada renda per capita, da quantidade de veículos e telefones por habitante, de todo o país.
População e transportes:
Os principais centros urbanos da região são Brasília, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Dourados e Anápolis. O estado de Goiás possui a segunda melhor e mais conservada malha rodoviária do país, apenas atrás de São Paulo. O aeroporto internacional de Brasília, possui tráfego intenso e fica apenas atrás dos de São Paulo e Rio de Janeiro. O Aeroporto de Santa Genoveva (Goiânia) e os de Campo Grande e Cuiabá possui razoável infra-estrutura e movimento pequeno. Existe um razoável movimento de cargas fluviais nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
D - REGIÃO NORDESTE: OS CONTRASTES FÍSICOS, HUMANOS E ECONÔMICOS, OS PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO.
Formada pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, a maior parte desta região está em um extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão. Em função das diferentes características físicas que apresenta, a região encontra-se dividida em sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão.
O Nordeste brasileiro é a região do país com indicadores sociais muito desfavoráveis, sendo fome é uma das manifestações mais cruéis dessa realidade. É a região que carrega as marcas mais profundas do período colonial. A pobreza nordestina está frequentemente associada à existência de uma estrutura social arcaica, caracterizada pela concentraçãode renda e da terra e por um sistema político ainda baseado em oligarquias, que geram políticas “clientelistas”, incapazes de eliminar os problemas sociais.
A década de 1990 significou para o Nordeste uma perspectiva de superação da longa estagnação econômica a que a região tem sido submetida desde o final do século XIX. A desconcentração geográfica das indústrias, no Brasil, embora setorial e limitada, beneficiou alguns estados nordestinos. A Bahia, por exemplo, ainda comemora a instalação de uma fábrica da montadora Ford, atraída pelo baixo custo da mão-de-obra e por generosos incentivos do governo. O Ceará expandiu o setor de indústrias leves, sobretudo no ramo têxtil. A “guerra fiscal”, travada pelos estados brasileiros nos anos 1990, trouxe significativas vantagens à região Nordeste.
O turismo tem ainda um gigantesco potencial inexplorado ou limitado pela escassez de infra-estrutura, problemas sociais e de segurança pública. A melhoria da malha rodoviária em áreas de extraordinária beleza cênica – como é o caso da costa baiana e sergipana – atrai, cada vez mais, grandes investimentos do setor hoteleiro.
Em que pese a adversidade climática do sertão nordestino, essa área apresenta um bom potencial agrícola: a insolação é intensa, o solo em geral é rico em nutrientes minerais e a temperatura favorece o plantio de numerosas culturas tropicais. Na última década a agricultura expandiu-se nessa área, mas a seca e as estruturas políticas e sociais continuam conspirando contra o progresso.
O governo federal tenta alavancar um projeto que poderá alterar esse cenário: a Transposição das Águas do São Francisco. Trata-se de um plano de desvio de águas daquele que é o principal rio nordestino, para as áreas mais secas do sertão, onde conseguiria abastecer uma série de rios temporários. Dessa forma, seria possível estabelecer um programa de irrigação, beneficiando numerosos agricultores, hoje praticamente impossibilitados do plantio.
O projeto de Transposição das Águas do São Francisco tem defensores e adversários e são muitos os argumentos encontrados na imprensa a favor e contra essa ideia. Os custos da iniciativa são altos e estão orçados em R$ 3 bilhões e há aqueles que julgam que seria melhor empregar os recursos na construção de numerosos açudes. A maioria dos analistas julga, porém, que a relação custo-benefício do projeto é amplamente vantajosa para o desenvolvimento das atividades produtivas e melhor distribuição da renda na região.
O Planejamento Regional
A região Nordeste esteve na mira do planejamento estatal brasileiro, na segunda metade do século XX. Nos anos 50, a constatação das disparidades regionais associadas à valorização das políticas de planejamento governamental, levou à criação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE – 1959), um órgão de planejamento que tem como objetivos a aceleração do desenvolvimento econômico nordestino e o combate aos efeitos das secas periódicas que assolam a região, através do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas ( DNOCS ).
Utilizando uma política de incentivos fiscais, a SUDENE atraiu investimentos para o Nordeste, contribuindo para a consolidação de importantes distritos industriais junto às cidades de Salvador, Recife e Fortaleza. Atualmente a captação de investimentos é realizada através do Fundo de Investimentos do Nordeste ( FINOR ) e estes são concedidos a título de empréstimo aos investidores em potencial.
A atuação da Sudene sempre foi muito contestada, desde a sua criação. Diversos interesses políticos interferiram na distribuição geográfica dos recursos financeiros e dos incentivos fiscais para o desenvolvimento do Nordeste. Embora alguns polos industriais e agropecuários tenham obtido sucesso, as áreas mais pobres continuaram marginalizadas do desenvolvimento regional.
O Nordeste no quadro das migrações internas
O Nordeste tem sido marcado por intensos movimentos populacionais na segunda metade do século XX. Nos anos 1950, 1960 e 1970, numerosos contingentes de nordestinos transferiram-se para as grandes cidades do Sudeste, atraídos, sobretudo, pela oferta de empregos nos setores secundário e terciário, em consequência do processo de industrialização do Brasil.
Paralelamente à migração inter-regional, um êxodo rural maciço ocorria, principalmente no Agreste e no Sertão onde, embora a modernização da agricultura não fosse intensa, a escassez de terras, o problema da seca e a concentração fundiária agiam como fatores de repulsão de população. Muitos pequenos agricultores migraram também para àquelas áreas pioneiras no Centro-Oeste e Amazônia, decorrentes da expansão da fronteira agrícola brasileira.
Outro movimento populacional peculiar da região Nordeste é a transumância, caracterizada por uma migração sazonal de trabalhadores do Sertão e do Agreste para a Zona da Mata, em função da abertura temporária de empregos nas monoculturas e usinas de álcool e açúcar.
A década de 1990 marca profundas alterações no quadro das migrações, dentro do Brasil. A saturação das grandes metrópoles do Centro-Sul e as mudanças espaciais dos investimentos produtivos provocaram um crescimento urbano-industrial da região Nordeste e algumas metrópoles como Salvador, Recife e Fortaleza tornaram-se polos de atração populacional. A modernização agrícola, a introdução da cultura da soja e a vinda de agricultores do Sul e Sudeste provocaram grande desenvolvimento de áreas rurais nordestinas, sobretudo na Bahia (é o caso do município de Barreiras), no Maranhão e no Piauí.
As Regiões Fisiográficas do Nordeste
Embora o Nordeste seja visto muitas vezes de forma única, especialmente no que tange aos problemas sociais, são 4 as sub-regiões nas quais podem ser agrupadas os aspectos físicos, sócio-demográficos e econômicos:
Zona da Mata Nordestina
É a área delimitada pelo litoral oriental do Nordeste, a mais antiga região brasileira, onde foram desenvolvidas as atividades iniciais da colônia brasileira, no século XVI. Ali, historicamente, foram introduzidos os cultivos de cana-de-açúcar e do tabaco, o que favoreceu a concentração populacional desde o século XVII, quando o Recôncavo Baiano já apresentava a primeira rede urbana do continente americano. O processo de modernização e industrialização, deflagrado pelo planejamento regional das últimas décadas, também contribuiu ampliar a concentração demográfica.
Suas principais características são as seguintes:
• é a mais populosa área do Nordeste, onde se situam as importantes metrópoles de Salvador e Recife;
• a agricultura é marcada pela monocultura, principalmente a da cana-de-açúcar, em grandes propriedades; a agroindústria do açúcar e do álcool associa-se a essa cultura; 
• o turismo é uma importante fonte de atividade;
• o petróleo é o principal recurso mineral e ocorre principalmente no Recôncavo Baiano e em Sergipe;
• as principais zonas industriais situam-se na Grande Salvador – incluindo o polo industrial de Camaçari – e no Grande Recife.
Agreste
É uma região de transição entre o sertão seco e o litoral oriental úmido, cuja delimitação espacial corresponde ao Planalto da Borborema. Suas principais características são: 
• apresenta elevadas densidades demográficas.
• a estrutura fundiária é marcada pelo excessivo parcelamento da terra, com a constituição de minifúndios e pobreza acentuada de seus habitantes
• o setor primário baseia-se na pecuária leiteira, na policultura de alimentos e nos cultivos de café, agave, sisal e algodão.
Sertão
É a região da Caatinga, marcada pelo clima Tropical Semiárido, onde ocorrem as secas periódicas, em função do relevo e da ação das massas de ar. O Sertão é também marcado pela desigual distribuição da terra e pela presença do latifúndio. A ocupação histórica deveu-se ao desenvolvimento da pecuária extensiva, que permanece até os dias atuais como importante atividade. Entre as atividades econômicas dessa sub-região pode-se ressaltar:
• a expansão de uma agricultura moderna e irrigada, possibilitada pela presença do RioSão Francisco, na qual destaca-se a produção de frutas na região de Juazeiro-Petrolina, a partir da implantação do Projeto Jaíba;
• no Rio Grande do Norte a mineração tem um peso econômico significativo, através da produção de petróleo e do sal marinho, sendo este obtido nas localidades de Macau e Mossoró, com escoamento feito através do porto de Areia Branca;
• a pecuária extensiva de corte destina-se, em parte para o abastecimento local, em parte destinada ao mercado de consumo do Agreste e da Zona da Mata;
• nas áreas mais úmidas denominadas “brejos” é também praticada a agricultura do milho, feijão, mandioca e algodão (os brejos geralmente se localizam em vales encaixados entre as chapadas, onde se forma um corredor para a penetração do ar úmido, e nas encostas ou pés de serras, onde ocorrem chuvas orográficas).
Meio Norte
O Meio Norte é a região de transição entre o Nordeste e Amazônia. Apesar do clima mais úmido, essa sub-região é marcada pela extrema pobreza da população, que pode ser explicada principalmente pela concentração de rendas e terras. Seus destaques geográficos são:
• a presença da Mata de Cocais, onde o trabalho nas atividades extrativas obtém o óleo da babaçu e a cera de carnaúba;
• como atividades agropecuárias destacam-se a produção de arroz (MA) e a pecuária bovina extensiva.
• nos arredores de São Luís está localizado o Porto de Ponta da Madeira (Porto de Itaqui), que atende ao Projeto Carajás, e a Alumar, um complexo industrial destinado à exportação de alumínio.
Sub-regiões e clima:
O meio-norte compreende da faixa de transição entre o sertão semi-árido do Nordeste e a região amazônica. Apresenta clima úmido e vegetação exuberante, à medida que avança para o oeste.
A zona da mata estende-se do estado do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia, numa faixa litorânea de até 200 km de largura. O clima é tropical úmido, com chuvas mais frequentes no outono e inverno. O solo é fértil e a vegetação natural é a mata atlântica, já praticamente extinta e substituída por lavouras de cana-de-açúcar desde o início da colonização.
O agreste é a área de transição entre a zona da mata, região úmida e cheia de brejos, e o sertão semi-árido. Nessa sub-região, os terrenos mais férteis são ocupados por minifúndios, onde predominam as culturas de subsistência e a pecuária leiteira.
O sertão, uma extensa área de clima semi-árido, chega até o litoral, nos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará. As atividades agrícolas sofrem grande limitação, pois os solos são rasos e pedregosos e as chuvas, escassas e mal distribuídas. A vegetação típica é a caatinga. O rio São Francisco é a única fonte de água perene.
Turismo:
O grande número de cidades litorâneas com belas praias, contribui para o desenvolvimento do turismo. Muitos estados investem na construção de parques aquáticos, complexos hoteleiros e polos de ecoturismo. Esse crescimento, no entanto, favorece a especulação imobiliária, que em muitos casos ameaçam a preservação de importantes ecossistemas.
A cultura nordestina, é um atrativo à parte para o turista. Em cada estado, há danças e hábitos seculares preservados. As rendas de bilros e a cerâmica, são as formas mais tradicionais de artesanato da região. As festas juninas em Caruarú (PE) e Campina Grande (PB), são as mais populares do país. O nordeste é a região brasileira que abriga o maior número de Patrimônios Culturais da Humanidade, título concedido pela UNESCO. Alguns exemplos são a cidade de Olinda (PE), São Luís (MA) e o centro histórico do Pelourinho, em Salvador (BA).
Há ainda o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um dos mais importantes sítios arqueológicos do país. O carnaval continua sendo o evento que mais atrai turistas, especialmente para Salvador, Olinda e Recife. Cada uma dessas cidades chega a receber 1 milhão de turistas nessa época.
Outro grande destaque a nível nacional e mundial é Fernando de Noronha, com suas maravilhosas paisagens naturais e mar cristalino, local que abriga os golfinhos saltadores, conhecidos em todo o mundo.
Recursos minerais:
O Nordeste é rico em recursos minerais. Os destaques são o petróleo e o gás natural, produzidos na Bahia, em Sergipe e no Rio Grande do Norte. Na Bahia, o petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental e processado na Polo Petroquìmico de Camaçari. O Rio Grande do Norte, responsável por 11% da produção nacional em 1997, é o segundo maior produtor de petróleo do país, atrás do Rio de Janeiro. Produz também 95% do sal marinho consumido no Brasil. Outro destaque é a produção de gesso em Pernambuco, que responde por 95% do total brasileiro. O Nordeste possui ainda jazidas de granito, pedras preciosas e semipreciosas.
Dados sociais:
Essa região é a mais pobre do país. 50,12% da população nordestina tem renda familiar de meio salário mínimo. De acordo com levantamento do UNICEF divulgado em 1999, as 150 cidades com maior taxa de desnutrição do país estão no nordeste. Nelas, 33,66% das crianças menores de 5 anos, são desnutridas (mais de um terço).
Sua densidade demográfica é de 29,95 hab./km2 e a maior parte da população de concentra na zona urbana (60,6%).
Economia:
Nos últimos cinco anos, a economia nordestina mostra-se mais dinâmica que a média do país. Uma das razões é o impulso da indústria e do setor de serviços.
A agricultura e a pecuária, contudo, enfrentam situação inversa nos anos 90. Os longos períodos de estiagem fazem com que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor apresente quedas sucessivas. A agricultura centraliza-se no cultivo de cana-de-açúcar, com Alagoas respondendo por metade da produção do Nordeste. Há alguns anos, teve início o desenvolvimento de lavouras de fruticultura para exportação na área do vale do São Francisco - onde há inclusive cultivo de uvas viníferas - e no Vale do Açú, a 200km de Natal (RN). É no Rio Grande do Norte que são produzidos os melhores melões do país. A pecuária ainda sofre os efeitos da estiagem, mas o setor avícola desponta.
População e transportes:
As maiores cidades nordestinas são Salvador, Fortaleza, Recife, Natal, João Pessoa, Maceió, São Luís, Aracajú, Ilhéus, Itabuna, Teresina, Campina Grande, Feira de Santana e Olinda. As rodovias em geral são precárias. Há entretanto algumas boas e surpreendentes exceções. As principais vias de escoamento e transporte de carga rodoviária são efetuadas pela BR-116 e BR-101. Os aeroportos de Recife, Salvador e Fortaleza são os principais destaques.
E - REGIÃO SUDESTE: A EXPANSÃO DAS ÁREAS METROPOLITANAS; O CRESCIMENTO INDUSTRIAL; A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA.
A região Sudeste é caracterizada por forte desenvolvimento industrial,agricultura muito dinâmica, intensa circulação de mercadorias e pela presençadas maiores metrópoles do país. Esse desenvolvimento foi possível devido aosaspectos naturais, à atividade humana na região e à dinâmica da economia queali se estabeleceu.
A concentração industrial na região Sudeste
A região Sudeste apresenta um quadro natural privilegiado. É cortada pelo Trópico de Capricórnio na altura da cidade de São Paulo. A localização e o relevo da região permitem a predominância do clima tropical, que apresenta maior regularidade no regime de chuvas, com verão quente e chuvoso e inverno de temperaturas amenas e chuvas escassas.
Um dos aspectos que marcam a paisagem do Sudeste e a distinguem de outras regiões do Brasil é justamente o relevo. Ele apresenta uma topografia com predomínio de terras elevadas, isto é, de serras e planaltos. Nessas áreas ocorre o clima tropical de altitude, no qual as temperaturas são mais amenas.
As serras do Mar e da Mantiqueira formam a borda escarpada do Planalto Brasileiro, que vai declinando suavemente para o interior. Esse relevo funciona como um grande divisor de águas, responsável pela formação de dois grandes rios brasileiros: o Paraná, que corre para o sul, e o São Francisco, que se dirige para o norte.
Devido ao grande número de quedas d’água, esses rios apresentam grande aproveitamento energético, com usinashidrelétricas como Itaipu, Furnas e Três Marias, entre outras, que abastecem de energia elétrica as indústrias e as cidades do Sudeste.
Vários recursos naturais importantes para as indústrias são encontrados na região Sudeste. Atualmente, a extração e a produção de matérias-primas minerais e energéticas constituem importantes fontes de recursos para a região.
O petróleo - no qual se destaca o Estado do Rio de Janeiro, com cerca de 70 % da produção nacional - e o minério de ferro - extraído do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais - são importantes recursos naturais que alimentam a atividade industrial do Sudeste.
Os solos férteis do trecho paulista do planalto foram muito importantes para a expansão do café. Conhecidos como terra roxa, devido à sua tonalidade escura, esses solos, que se estendem em direção ao sul do país, são provenientes da alteração de rochas vulcânicas, originadas por derramamento de lavas.
A economia cafeeira trouxe investimentos, atraiu mão-de-obra e implantou ferrovias, principalmente em São Paulo. Todos esses fatores facilitaram o processo de industrialização da região Sudeste, que apresenta grandes complexos industriais, como as áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, e núcleos industriais importantes, como Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto, em São Paulo, Volta Redonda e Barra Mansa, no Rio de Janeiro, e Juiz de Fora e Ipatinga, em Minas Gerais.
A atividade industrial está se expandindo para novas áreas, como o sul de Minas Gerais ou o norte do Espírito Santo, onde a produção de celulose para a fabricação de papel está modificando radicalmente a paisagem de cidades como Aracruz, que hoje dependem diretamente dessa atividade econômica.
A agricultura da região também se destaca das demais do país. Por ser predominantemente moderna, com nível técnico avançado, é bastante integrada à indústria. A região Sudeste concentra a maior parte da produção agrícola comercial do Brasil.
O café, que era produzido no passado em São Paulo, hoje é o principal produto de exportação de Minas Gerais. A soja e a laranja também são itens importantes no comércio exterior brasileiro.
O Brasil é responsável pelo fornecimento de cerca de 70 % do suco de laranja consumido no mundo, em sua maioria proveniente das plantações do Estado de São Paulo.
A região Sudeste é, do ponto de vista econômico, a região mais integrada do país. Nela se encontram adensadas a maior parte das malhas ferroviária, rodoviária, de distribuição de energia e de telecomunicações.
São Paulo controla o mercado financeiro nacional, sediando os principais bancos privados e movimentando capitais na maior bolsa de negócios do país.
A indústria cultural também é fortemente concentrada no Sudeste, onde estão os principais jornais de circulação nacional e as sedes das grandes redes de televisão, que difundem para todo o Brasil os hábitos de comportamento de uma sociedade urbana e integrada no mercado mundial, o que não é a realidade da maioria dos lugares dispersos no território nacional.
É também na região Sudeste que se encontram as maiores cidades brasileiras, em grande parte resultantes do processo de concentração industrial.O crescimento acelerado desses centros urbanos não foi acompanhado por uma equivalente oferta de serviços básicos, como transporte público, educação e saúde. Isso produz fortes pressões sobre os governos municipais, a quem cabe a responsabilidade pelo atendimento direto à população.
Assim, a concentração de população e de atividades econômicas também gera problemas. A degradação do meio ambiente tem sido uma constante na região. A destruição quase completa da vegetação nativa, a intensificação dos processos erosivos e as enchentes nas cidades, por exemplo, são processos causados pela ocupação rápida e desordenada das encostas e margens dos rios.
Outro grande problema é o agravamento da tensões sociais nas grandes cidades. A concentração da renda, aliada à crise econômica, produz um quadro de subemprego e desemprego que cria, nas metrópoles do Sudeste, verdadeiros “bolsões” de pobreza, onde crescem a violência e as práticas ilegais que ameaçam a conquista da cidadania e a construção democrática da nação.
A Região Sudeste - a mais evoluída economicamente do país -, é formada pelos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Situa-se na parte mais elevada do Planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Sua paisagem típica, apresenta formações de montanhas arredondadas, chamadas "mares de morros", e os "pães de açúcar", que são montanhas de agulhas graníticas. O clima predominante no litoral é o tropical atlântico e nos planaltos, o tropical de altitude, com geadas ocasionais.
A mata tropical que existia no litoral foi devastada durante o povoamento, em especial nos séculos XVIII e XIX, no período de expansão do cultivo do café. Na serra do Mar, a dificuldade de acesso contribui para a preservação de parte dessa mata. No estado de Minas Gerais - o mais montanhoso dos estados brasileiros -, predomina a vegetação de cerrado, com arbustos e gramas, sendo que no vale do rio São Francisco e no norte do estado, encontra-se a caatinga, típica do Nordeste.
O relevo planáltico do Sudeste fornece grande potencial hidrelétrico à região. A maior usina é a de Urubupungá, localizada no rio Paraná, divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Mas existem outras grandes usinas hidrelétricas como São Simão, Três Marias, etc., pois o potencial da região é grande para esse tipo de aproveitamento energético. Encontram-se ainda no Sudeste, em Minas Gerais, as nascentes de duas bacias hidrográficas: a do rio Paraná, que se origina da união dos rios Paranaíba e Grande, e a do rio São Francisco, que nasce na serra da Canastra. Existem rios de boa dimensão e grande volume d' água, alguns deles em parte poluídos, como o rio Tietê, aliás o único que corre em sentido contrário (leste-oeste).
Economia:
Sua economia é a mais desenvolvida e industrializada dentre as economias das cinco regiões brasileiras, nela se concentrando mais da metade da produção nacional.
Movimentada pelas maiores montadoras e siderúrgicas do país, a produção industrial é diversificada. São Paulo concentra o maior parque industrial e participa com 36,5% do PIB (referência: 1999). Embora os ramos de calçados e têxtil se mostrem os mais aquecidos, percebe-se, no final dos anos 90, relativa queda de investimentos no setor industrial, em virtude, principalmente, dos incentivos fiscais adotados por outras regiões. Ainda assim, o Sudeste consegue manter elevada sua participação no PIB industrial. O interior paulista desponta, no decorrer da década, como um dos principaos polos de atração de investimentos.
A agricultura demonstra elevado padrão técnico e boa produtividade. A produção de café, laranja, cana-de-açúcar e frutas está entre as mais importantes do país. Na pecuária, a participação do PIB agropecuário cai de 38,9% em 1985 para 36,3% em 1998. Em Minas Gerais, destaca-se a exploração de numerosa variedade de minérios - em especial as reservas de ferro e manganês na serra do Espinhaço -, e da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, sai a maior parte do petróleo brasileiro.
Abrigando 42,5% da população brasileira e responsável por 58,7% do PIB nacional (327,5 bilhões de dólares em 1999), o Sudeste apresenta grandes contrastes. Ao mesmo tempo que concentra a maior parcela da riqueza nacional, é a região que mais sofre com o desemprego e o crescimento da violência. Ainda assim, seus indicadores sociais mostram-se os melhores do país: o analfabetismo na região é de 8,1%, a água tratada beneficia 95,9% das casas e o esgoto é recolhido em 83,8% das moradias. No Brasil, esses índices ficam em 14,7%, 78,8% e 63,9%, respectivamente.
Turismo:
Um dos segmentos que mais se desenvolve nos últimos anos é o do turismo. No Rio de Janeiro destacam-se as praias e o carnaval. Em São Paulo, as atrações vão desde Campos do Jordão, estância de inverno, até as praias do litoralnorte, como São Sebastião e Ubatuba. No Espírito Santo, Itaúnas, famosa pelas dunas de areia, que chegam a 30 metros de altura, também recebe visitantes. Em Minas Gerais, são muito visitadas as cidades históricas, principalmente Ouro Preto e Mariana.
População:
A região Sudeste é a de maior população e a expectativa de vida é de 69,2 anos. É também a região com a maior densidade demográfica (76,31 hab./km²) e o mais alto índice de urbanização: 89,3%. Abriga as três mais importantes metrópoles nacionais, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Imigrantes:
A expansão cafeeira é uma das razões para que a região tenha recebido muitos imigrantes europeus e japoneses no fim do século XIX e no começo do século XX. Eles se concentram principalmente em São Paulo e no Espírito Santo e transmitem enorme influência cultural para vários setores, como política, artes plásticas e culinária.
Desde o século passado, o Sudeste é a região que mais atrai imigrantes também dos outros estados brasileiros. Nas últimas décadas, contudo, o aumento do desemprego estimula o retorno de muitas famílias aos estados de origem.
Transportes:
Essa região é privilegiada nesse setor. Existem boas rodovias, principalmente no estado de São Paulo - muitas delas auto-estradas em pistas duplas -, boa conservação geral e grande movimento de veículos leves e pesados. Existe ainda entre o Rio de Janeiro e Niterói, a famosa Ponte Rio-Niterói sobre o mar - um marco da engenharia brasileira. O transporte marítmo é grande, destacando-se os portos de Tubarão (Vitória), Rio de Janeiro e Santos - o maior da América Latina. O transporte fluvial apesar de existir é menor, em razão das topografia irregular, entretanto no rio São Francisco, há um grande percurso navegável. O transporte aéreo é volumoso, possui modernos aeroportos (Cumbica em São Paulo, Galeão - Tom Jobim - no Rio de Janeiro e Confins em Belo Horizonte). A ponte aérea Rio-São Paulo é a mais movimentada do mundo em número de vôos e utiliza principalmente os aeroportos centrais de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro). Há uma ponte aérea com razoável movimento também no aeroporto da Pampulha (Belo Horizonte). São Paulo hoje está entre as 30 mais movimentadas cidades do mundo em transporte aéreo (número de vôos, passageiros e carga transportada). A sede da maioria das empresas aéreas brasileiras também está na Região Sudeste. Destaque também para o movimento de transporte executivo - a 2ª maior frota do mundo - e das empresas de táxi-aéreo (Líder, em Belo Horizonte e TAM, em São Paulo - entre as mais modernas e maiores do planeta).
F - REGIÃO SUL: CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO; AS ATIVIDADES ECONÔMICAS.
A região sul, é formada pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e possui grande influência europeia (principalmente italiana e alemã).
À exceção do norte do Paraná , onde predomina o clima tropical, no restante da Região Sul o clima predominante é o subtropical, responsável pelas temperaturas mais baixas do Brasil. Na região central do Paraná e no planalto serrano de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o inverno costuma registrar temperaturas abaixo de zero, com o surgimento de geada e até de neve em alguns municípios. A vegetação acompanha essa variação da temperatura: nos locais mais frios predominam as matas de araucária (pinhais) e nos pampas, os campos de gramíneas.
Esse tipo de clima despertou a atenção dos imigrantes europeus, que contribuíram para o desenvolvimento da região no século XX. Grandes levas de famílias, provenientes em sua imensa maioria da Itália e da Alemanha, começam a cruzar o Atlântico no fim do século XIX. Ainda hoje, algumas cidades do Sul, celebram as tradições dos antepassados em festas típicas, como a Oktoberfest, em Blumenau (SC) e a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), que atraem muitos turistas. Em outras cidades, inclusive o idioma de origem é mantido, como por exemplo Fraiburgo, em Santa Catarina, onde se fala apenas o alemão. Durante o verão, as praias catarinenses e paranaenses também são procuradas por visitantes de outros cantos do Brasil e até de estrangeiros, na maioria sul-americanos.
A população da região Sul totaliza 25.107.616 habitantes, o que representa 14,95% da população do País. A densidade demográfica é de 43,49 habitantes por km2 e 80,93% da população vive no meio urbano. São encontrados traços marcantes da influência da imigração alemã, italiana e açoriana na região.
Inicialmente baseada na agropecuária, a economia da região Sul desenvolveu importante parque industrial nas últimas décadas, cujos centros se encontram nas áreas metropolitanas da cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, e Curitiba, capital do estado do Paraná. A produção agrícola utiliza modernas técnicas de cultivo, destacando-se o trigo, soja, arroz, milho, feijão e tabaco entre os principais produtos comercializados. Na pecuária encontram-se rebanhos de linhagens europeias (hereford e charolês). A suinocultura é praticada no oeste do estado de Santa Catarina e no estado do Paraná, onde ainda é significativa a prática do extrativismo, com extração de madeira de pinho. No estado de Santa Catarina explora-se o carvão mineral ao sul e se encontra grande número de frigoríficos, que produzem não apenas para o mercado interno, mas também para exportação.
Indicadores:
Os três estados do sul - além do Distrito Federal -, são quem reúnem os melhores indicadores nacionais em educação, saúde e qualidade de vida (nesse último item, inclui-se também o estado de São Paulo). Apesar dos três estados estarem entre os dez maiores arrecadadores de impostos do país, recebem menos verbas federais que os estados do Nordeste - mais carentes. Na tentativa de equilibrar as contas, catarinenses e paranaenses lançam mão de programas de privatização de companhias de energia, água e bancos estaduais.
Economia:
Situada na fronteira com Argentina, Paraguai e Uruguai, principais parceiros do Brasil no continente, a Região Sul vê sua economia se transformar com o crescimento do setor industrial - o 2° do país, após a Região Sudeste. Tal fato acontece a partir da 2ª metade dos anos 90, com oferta de incentivos fiscais a empresas estrangeiras. Os resultados mais significativos são observados nas regiões metropolitanas de Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), para onde se dirigem montadoras de veículos, que modificam o perfil econômico desses estados. Eles recebem diversas indústrias ligadas ao setor de autopeças e novas vagas no mercado de trabalho são abertas. A região possui ainda grande potencial hidrelétrico, destacando-se a usina de Itaipú, no rio Paraná, na fronteira com o Paraguai - a maior do continente e uma das três maiores do mundo.
A mecanização da agricultura e também da agroindústria, favorecem a expulsão de famílias do campo para a cidade. A consequência desse êxodo rural é a formação de bolsões de miséria nas principais cidades da região.
A agropecuária continua a desempenhar importante papel na economia da região. O uso de técnicas modernas, propicia boa produtividade às culturas de trigo, milho, arroz, feijão e tabaco, e os estados do Sul são os maiores produtores no país de soja, mel, alho, maçã e cebola. A vegetação rasteira típica da região contribui para a criação de rebanhos bovinos, principalmente nos pampas gaúchos. Até o ano de 2001, apenas Santa Catarina e Rio Grande do Sul estavam livres da febre aftosa bovina - reconhecida mundialmente. Entretanto no decorrer do ano de 2001, alguns focos da febre aftosa foram localizados, vindos da Argentina e providências emergenciais foram adotadas. A criação de aves e suínos também é significativa, sobretudo no Paraná - onde também é expressivo o extrativismo, especialmente de madeira de pinho - e no oeste de Santa Catarina, que abriga abatedouros e frigoríficos. Algumas das maiores indústrias brasileiras de alimentos estão nessa região. Há também a produção do melhor vinho brasileiro e importantes indústrias de malhas e roupas, além de Santa Catarinaabrigar o maior número de hotéis e pensões do país.
O Produto Interno Bruto (PIB) da região, correspondia em 1999, a 16,4% (US$ 91,5 bilhões) do total brasileiro e é o 2° maior do país, após a Região Sudeste.
Transportes:
A região possui uma boa malha rodoviária, apesar de insuficiente, em razão do grande movimento rodoviário de veículos leves e de cargas - também é caminho entre o Brasil e Argentina e Uruguai. Duplicação e conservação de algumas rodovias vitais tem sido desenvolvidas a partir de 2000. O transporte fluvial é bom em alguns rios e o marítimo, possui no porto de Paranaguá (Paraná) seu principal ponto de apoio, com grande movimento, principalmente para a exportação de grãos e cereais em geral. Existe um razoável movimento ferroviário - apesar do Brasil ser bastante deficiente neste item. O transporte aéreo é bem movimentado, principalmente em Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Foz do Iguaçu, Londrina e Itajaí. Aeroportos mais modernos e funcionais tem sido reformados e melhor adaptados, para atender à crescente demanda, em Curitiba e Porto Alegre principalmente.
G - DISPARIDADES REGIONAIS: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS.
A interrupção da trajetória de crescimento econômico na década de 80 acarretou o aumento da desigualdade e da pobreza, acentuando a tendência histórica à concentração da renda
Com isso, o Brasil registrava, no início da década, um dos maiores índices de desigualdade do mundo. Não há muita diferença entre o Brasil e países como México, Argentina, Estados Unidos, por exemplo, se comparados apenas os índices que avaliam os diferenciais entre os estratos da população de renda média e baixa. A desigualdade de renda no Brasil, concentra-se basicamente nos estratos superiores da distribuição. Assim, se a renda dos 10% mais ricos nos diversos países não fosse levada em consideração, registrar-se-ia um grau de desigualdade similar na América Latina e nos Estados Unidos.
A diferença está no estrato superior, dos "ricos". Os 20% mais ricos da população detêm 65% da renda total e os 50% mais pobres ficam com 12% (em 1960 essa relação era de 54% contra 18%). A renda média dos 10% mais ricos é quase 30 vezes maior que a renda média dos 40% mais pobres, contra 10 vezes na Argentina, 5 vezes na Franca e Alemanha, 4 vezes na Holanda, 25 vezes no Peru e 13 na Costa Rica. A fração da renda apropriada pelos 20% mais ricos cresceu 11 pontos entre 1960 e 1990, enquanto a dos 50% mais pobres caiu 6 pontos e a das classes intermediárias permaneceu quase sem alteração.
O Relatório mostra também onde estão os pobres brasileiros, que eram 42 milhões em 1990 (30% da população). Uma família é considerada pobre pelo Relatório quando sua renda per capita se situa abaixo da linha da pobreza - isto é, não é suficiente para adquirir os bens necessários à sobrevivência adequada de seus membros. O número de indigentes, ou seja, o número de pobres cuja renda é insuficiente para atender até mesmo suas necessidades alimentares, é substancialmente menor.
5% dos pobres estão no Norte, 45% no Nordeste, 34% no Sudeste, 10% no Sul e 6% no Centro-Oeste.
Na região Norte eles são 43% da população total; no Nordeste, 46%; no Sudeste, 23%; no Sul, 20%; e no Centro-Oeste, 25%.
Nas regiões metropolitanas, os pobres são 29% da população; nas áreas urbanas não metropolitanas, 27%; nas áreas rurais, 39%. Em São Paulo os pobres correspondem a 22% da população metropolitana. Observa-se uma tendência de metropolização da pobreza, já que em 1981 estavam nessas áreas 26% dos pobres, contra 29% em 1990.
Em termos proporcionais, São Paulo é um dos Estados com menos pobres (17% de sua população), ao lado de Santa Catarina (14%). A maior proporção está no Piauí (59%) e no Ceará (52%).
Em números absolutos, porém, é em São Paulo que há mais pobres (5,1 milhões) e na Bahia (4,9 milhões).
Ainda em números absolutos, as unidades em melhor situação são o Distrito Federal (0,3 milhão) e Mato Grosso do Sul (0,4 milhão). No Piauí são 1,5 milhão de pobres, 72% dos quais na zona rural. No Ceará, 3,3 milhões.
Na verdade, são dois polos de pobreza: o Nordeste, especialmente o Nordeste rural, e as áreas metropolitanas, inclusive de São Paulo e Rio de Janeiro.
Geografia geral: As relações econômicas no mundo moderno: A crise econômica mundial; Os blocos econômicos; 
A questão da multipolaridade. A globalização. 
Focos de tensão e conflitos mundiais. 
A - AS GRANDES UNIDADES GEOLÓGICAS, MORFOLÓGICAS E FITOCLIMÁTICAS DA TERRA.
Unidades geológicas
A crosta terrestre não é uma camada rochosa inteiriça, é formada de partes isoladas, ou placas tectônicas. São como gomos de couro de uma bola, com tamanhos variados e espessuras que vai de 10 a 50 Km, que se movem pelo globo por correntes de calor do interior do planeta. Elas são móveis e se deslocam lentamente sobre a camada plástica do manto. Como os continentes viajam no topo dessas placas , a distribuição da terra está em constante mutação. Há cerca de 200 milhões de anos, todas as terras emersas estavam agrupadas em um único supercontinente - Pangeia, que depois se separou formando os continentes modernos. Rochas derretidas, emergindo de elevações que cortam todos os oceanos, continuam a afastar as placas num ritmo similar ao do crescimento de uma unha. Onde as placas colidem - como na borda do Pacífico -, a superfície dobra-se, cordilheiras são impelidas para cima e ocorrem terremotos e vulcões. Através desse processo, conhecido como "Tectônica das Placas", a Terra se renova constantemente. 
 Segundo a teoria mais aceita pelos cientistas, logo no início do Sistema Solar, a Terra era uma grande bola de fogo incandescente, com temperaturas próximas a 1500 graus Celsius (ºC).
Com o passar de vários milhões de anos, essa bola incandescente foi aos poucos se resfriando e se solidificando, formando o que chamamos de - Litosfera, que corresponde à parte sólida da Terra, em cuja superfície nos encontramos.
Durante o processo de resfriamento da terra, ela soltou gases e vapores, semelhante ao que acontece quando jogamos água fria em um pedaço de ferro em brasa.
Esses vapores deram origem a uma camada de ar, chamada - Atmosfera, que envolve e protege a Terra.
Por volta de 4,5 bilhões de anos atrás, a temperatura da terra começou a baixar, o que deu origem a um grande período de chuvas, devido á condensação do vapor de água contido na atmosfera.
A chuva caindo continuamente, foi acumulando-se nas partes mais baixas da superfície, formando os oceanos.
As águas marinhas e as continentais (rios, lagos e geleiras) formam a - Hidrosfera, que significa esfera de água.
Há aproximadamente 3,5 bilhões de anos surgiu a vida na Terra. A vida vegetal e animal, que começou a se desenvolver inicialmente nos oceanos graças ao conjunto de influências dessas esferas, deu origem á quarta esfera - Biosfera ou esfera da vida.
Fatores Modificadores da Estrutura Geológica
Erupções vulcânicas - Quando os vulcões expulsam o magma, deixam vazios na crosta terrestre. As rochas se acomodam nestes vazios, acontecendo terremotos de várias intensidades. No Brasil, não existe vulcões ativos, por isso desconhecemos esse tipo de abalo sísmico.
Placas Tectônicas - A Litosfera, é composta por vários pedaços de placas, tanto nos continentes como no fundo dos oceanos. A análise mostrou que elas se deslocam constante e lentamente. Na verdade, esse movimento é imperceptível.
Terremotos - São movimentos que fazem a terra tremer durante alguns segundos. Quando são intensos, podem ser percebidos pelo homem e chegam a causar grandes estragos. Mas em geral são percebidos por um aparelho chamado sismógrafo.
Dorsais Oceânicos - O fundo dos oceanos não sofre intensa erosão, mas também ocorrem montanhas, depressões e planaltos submersos. A continuação da superfície dos continentes cobertas por águas constitui a plataforma continental, de largura variável mas sempre mais larga junto a foz dos grandes rios.
Erosão Marinha - As ondas batem no relevo litorâneo e o desgastam. Depositando sedimentos arenosos, elasajudam a criar formas nos litorais.
Epicentro - È o local onde acontece o choque das placas tectônicas.
Hipocentro - È o lugar onde ocorre as altas temperaturas das placas tectônicas.
Unidades morfológicas
As teorias mais populares da origem, forma e superfície da terra, supõem que ela foi esculpida durante vastos períodos de tempo, pelos processos erosivos, semelhantes em velocidade, escala e intensidade aos processos modernos. A teoria que domina a moderna geomorfologia, foi formulada cerca de cem anos atrás por William Morris Davis, um geólogo de Harvard. Ele supunha que as paisagens não se desenvolviam casualmente, mas através de uma série de estágios, como as correntes de água lentamente desgastaram os canais nos declives e como os vales foram progressivamente alargados e aprofundados. De acordo com Davis, no estágio "jovem" da evolução da paisagem, é seguida imediatamente por elevações e é caracterizada pelo escoamento deficiente, e vales estreitos em forma de V entre linhas divisórias de largas correntes de águas. Depois de alguns milhares de anos de erosão, o estágio máximo do relevo "maduro" seria alcançado com o escoamento bem integrado das correntes de água, com vales profundos e largos entre linhas divisórias de águas, estreitas e arredondadas. Finalmente, se a erosão continuasse ininterrupta, a paisagem poderia entrar no estágio da "velhice", em que a superfície se transforma em uma peneplanície mal drenada, com correntes de água de cursos de baixo declive, sobre extensas planícies aluviais em elevações apenas acima do nível do mar.
Embora tenha havido dúvidas ocasionais quanto à teoria de Davis, os geomorfologistas têm manifestado intensa fascinação para com a noção da evolução das paisagens. Ela satisfaz alguma evidente necessidade de alguns cientistas. O sistema de Davis segue os conceitos do desenvolvimento orgânico, que também empolgou a comunidade científica no final do século dezenove (os estágios da "mocidade", "maturidade" e "velhice" correspondem maravilhosamente à evolução orgânica!). Além disso a simplicidade e os atrativos do sistema, se adaptam bem ao ensino. O Manual de laboratório mais popular, atualmente usado nos cursos de geologia, nas escolas secundárias da América apresenta apenas a ideia de Davis da evolução das paisagens.
A questão básica crucial, para avaliar os méritos das teorias evolucionistas, para a origem das paisagens é: se as formas paisagísticas que observamos atualmente tiveram alguma permanência. De acordo com a teoria de Davis (e outras teorias semelhantes), toda a superfície da terra mudou a sua forma, lenta e continuamente, através de longos períodos de tempo. Davis, por exemplo, supunha que o ângulo de um declive diminuiria, conforme uma área elevada sofresse uma lenta erosão, com a forma da terra mudando de aparência, até que uma planície de baixo relevo, ao nível do mar, fosse produzida. Resumindo, o ponto de vista de Davis é que as paisagens são aspectos transitórios sem permanência; elas evoluíram. Todos os aspectos da superfície da terra são vistos pelo sistema de Davis, como estando em diverso estágios, ao longo de uma contínua mudança.
Uma ideia alternativa é a não evolucionária, ou que poderia ser chamada de teoria catastrófica para a origem das paisagens. Em vez de serem produtos de um processo contínuo, operando em velocidade, escala e intensidade atuais, as paisagens poderiam ser remanescentes, formadas por processos catastróficos, que atuam com velocidade, escada e intensidade significativamente aumentadas, acima do que observamos atualmente. Os antigos processos, que formaram a paisagem; não existiria continuidade de mudanças, nem estágios de evolução; os processos da moderna erosão, seriam considerados como totalmente destruidores das antigas paisagens, não transformadora de um estágio de equilíbrio para outro. Tais paisagens conteriam formas de terra de época s anteriores, aspectos da superfície que foram criados pela erosão ou processos sedimentares, que já não estão atuando mais. Os aspectos de épocas anteriores sobre a superfície da terra, fariam a paisagem parecer um “museu” e tais aspectos, em contraste com o sistema de Davis, teriam um grande grau de permanência.
Não se costuma apreciar o que não deixa de ser verdade: a evolução das paisagens simplesmente foi presumida, não comprovada. A teoria não-evolucionária ou catastrófica, tem sido muito desprezada ou ignorada pela maioria dos geomorfologistas, como os seus defensores foram supostamente refutados há mais de cem amos atrás.
Agora, com o renascimento do interesse pela catástrofe, como um importante elemento da geomorfologia, a teoria alternativa da paisagem precisa ser reconsiderada.
As Peloplanícies Elevadas
De acordo com as teorias evolucionistas para a origem das paisagens, as planícies elevadas teriam sido rapidamente entalhadas pela erosão e teriam sofrido um vem desenvolvido sistema de drenagem, em apenas alguns poucos milhões de anos. As superfícies elevadas, de baixo relevo portanto, seriam evidências de um estágio “jovem” da evolução da planície, enquanto que as superfícies baixas, de baixo relevo ( as “peneplanícies”) indicariam o estágio de “velhice”. C.R. Twidale um geógrafo-físico da Austrália, argumenta que os remanescentes de antigas paleosuperfícies de baixo relevo (que ela chama de “paleoplanícies”), constituem parte importante de muitas paisagens contemporâneas, em diversas partes do mundo. Algumas dessas paleoplanícies elevadas são colocadas em era “jurássicas”, ou até mesmo “triássica” (aproximadamente 200 milhões de anos nos cálculos uniformitário-evolucionistas do tempo).
Exemplos de paleoplanícies elevadas incluem a enorme Superfície Gondwana do sul da África, (uma grande parte da qual fol colocada na era "cretácea") e diversas paleoplanícies da Austrália central e ocidental, (algumas das quais foram colocadas na era "triássica"). L.C. King crê que essas paleoplanícies foram formadas pela erosão, devido a lençóis de água da superfície (a ideia de "pediplanícies") Atualmente estão sendo destruídas pela erosão redutiva nos canais de água.
O que é espantoso, é que essas planícies sobreviveram sem importantes erosões de canais de água. Twidale diz: "A sobrevivência dessas paleoformas constitui, até certo grau, um embaraço para todos os modelos comumente aceitos de desenvolvimento de paisagens.". Ele observa que a teoria de Davis não oferece "nenhuma possibilidade teórica para a sobrevivência das paleoformas," e se maravilha diante do "extenso tempo, para que os aspectos muito antigos, preservados na atual paisagem, fossem erradicados diversas vezes."
Correntes Sub-Dimensionadas
Teorias evolucionárias sobre a origem das paisagens, aceitam quase uma continuidade de descarga das correntes e uma velocidade constante que erosão na evolução da paisagem. E com interesse que olhamos para os vales de correntes e rios, em busca de evidências de antigos fluxos de água. Estudos feitos por G.H. Dury, sobre atuais correntes de água e vales de rios, provam que muitos são grandes demais para as correntes que contêm, Ele argumenta que muitas correntes modernas são "sub-dimensionadas" em algum ponto de seus canais. Dury fala de "distribuição continental de correntes sub-dimensionadas". Usando as características dos meandros dos canais, Dury conclui que as correntes frequentemente tinham 20 a 60 vezes a sua atual descarga.
H.F. Garner chama a nossa atenção para exemplos de todos os continentes de canais secos, associados com correntes sub-dimensionadas que alguma vez deveriam conter imensas enchentes de água. Há evidências em antigos labirintos de canais ao longo do Rio Mississipi, a leste do Missouri, no centro do Saara, ao sul de Tibiste, no terraço esculpido do Vale Wright Dry, na Antártica e no solo ao leste do Estado de Washington. Os canais anastomóticos do leste de Washington, acredita-se atualmente que foram formados por enchentes que mais ou menos, simultaneamente inundaram 16.090 quilômetros quadrados com água, a uma profundidade de maisou menos 122 metros. Os enormes canais secos, marcas de gigantescas quedas de água e colossais, camadas de matações e pedregulhos a teste de Washington, são formas de terra antigas, que não foram formadas por processos supérstites, ao longo do Rio Columbia.
Canhões Submarinos e Vales no Fundo do Mar
As teorias evolucionistas para a origem das paisagens, também supõem, que a topografia do solo do oceano evoluiu. A inclinação continental ao longo das margens submersas de todos os continentes, geralmente é interrompida por incisões, ravinas e vales, sendo a mais espetacular delas os canhões submarinos. Como seus correlativos na terra, os canhões submarinos geralmente têm padrão dendrítico, paredes ingremes, vales sinuosos e cortes transversais em forma de V. Alguns canhões submarinos estão associados com as desembocaduras de grandes rios, (como por exemplo, o Congo, o Colúmbia, o Hudson e o Ródano), e servem como condutores no transporte de sedimentos terraginosos, dos continentes para a profunda bacia oceânica. Muitos canhões, entretanto, não estão associados com a foz dos rios atuais e alguns nem sequer se encontram junto aos continentes, mas ocorrem ao redor das ilhas. O grande Canhão das Baamas, nas Baamas, parece que é o canhão mais profundo do mundo, (com uma profundidade de 4.267 metros, uma largura de 74 km e 232 km de comprimento), tendo mais de duas vezes o tamanho do Grand Canyon!
Ainda mais espantosos são os vales no fundo do mar, encontramos no solo de todos os principais oceanos. Podem ser encontrados ao longo de milhares de quilômetros, no solo submarino e sabe-se que contêm sedimentos tão rústicos como pedregulhos, que caminham a distâncias inimagináveis de pressupostas fontes continentais.
A origem dos canhões submarinos e vales submarinos, há muito que perturbam os geólogos marítimos. Que processo ou processos poderiam desgastar tais canhões e vales tão abaixo do nível do mar? F.P. Shepard, que tem estudado os canhões submarinos e os vales há mais de 50 anos, pode fazer poucas declarações definidas acerca de sua origem. Seu livro deixa a origem dos canhões e vales submarinos, como um grande mistério sem solução. Correntes túrbidas, episódicas, fluxo de gravidade aquática modo de transporte de sedimentos, e possivelmente a erosão de alguns canhões, mas esses fenômenos deveriam acontecer em uma escala extremamente catastrófica, para explicar os cascalhos nos vales submarinos tão longe dos continentes. Os dados indicam, que muitos canhões submarinos e vales no fundo muito tempo, não evoluindo numa base diária.
Unidades fito climáticas da terra
Clima é o conjunto das diversas condições meteorológicas de uma região que, registradas ao longo de pelo menos dez anos, lhe conferem certo tipo de estado atmosférico. O estudo do clima ajuda a entender como o mundo se organiza, já que a situação climática de uma região determina os tipos de ocupação, habitação, alimentação, atividade econômica e várias outras características dos povos que a habitam.
Na definição de clima se consideram temperatura, pressão, umidade, regime de ventos e correntes marítimas. Também há influência do relevo, da vegetação, de fenômenos naturais e do homem. Por essa complexidade, não existe uma única forma de classificar o clima. Uma das classificações mais usadas é a de Gaussen e Bagnouls, que adota como critérios a distribuição dos climas de acordo com a faixa latitudinal (tropical, temperada e fria) e a análise da temperatura, da quantidade de precipitação e da vegetação dessas faixas. Segundo ela, o clima é dividido em cinco grandes grupos: quente, temperado, frio, seco e montanhoso.
A partir da urbanização, o homem tem provocado alterações no clima do mundo por meio do desmatamento e da emissão de gases, que contribuem para o efeito estufa, entre outras atividades. A principal mudança observada é o ligeiro aquecimento da Terra. Em 1996, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), organismo da ONU, divulga que a temperatura do ar aumentou entre 0,3ºC e 0,6ºC nos últimos cem anos. Com o aquecimento, as temperaturas altas tendem a ser mais frequentes e as baixas, menos constantes, levando a mudanças no regime normal de seca e chuva em algumas regiões. O IPCC relaciona o aumento da temperatura do ar com a elevação do nível do mar – de 10 cm a 25 cm neste século – decorrente do aquecimento das águas e do derretimento das geleiras.
TIPOS DE CLIMA
Continental – Região: Áreas interiores da América do Norte, Europa e Ásia
Características: o inverno é muito rigoroso e o verão curto, porém muito quente. Temperatura: médias de 5°C no inverno e 24°C no verão. Índice pluviométrico: situa-se entre 500 mm e 1.000 mm anuais. Umidade relativa: a média anual está entre 60% e 80%.
Continental Frio – Região: Norte do Canadá e vastas áreas da Sibéria (Federação Russa)
Características: inverno rigoroso e verão brando. Temperatura: pode chegar a -15°C no inverno e, no verão, não passa de 10°C. Índice pluviométrico: precipitações inferiores a 300 mm anuais.
Umidade relativa: a média anual está entre 60% e 90%.
Equatorial – Região: Equador e áreas de baixa latitude
Características: clima quente e úmido o ano inteiro. Temperatura: a média anual é de 25°C.
Índice pluviométrico: acima de 2.000 mm anuais. A chuva é abundante. Umidade relativa: média anual de 90%.
Mediterrâneo ou Subtropical – Região: Litoral sul-Pacífico dos Estados Unidos, Golfo do México, sudeste da Austrália, sudeste da China, sul da Europa, norte da África e região de Buenos Aires, na Argentina
Características: verões quentes e invernos moderado. Temperatura: as máximas no verão podem chegar a 30°C, enquanto no inverno as mínimas atingem 0°C. Índice pluviométrico: a média situa-se entre 500 mm e 1.000 mm anuais. As chuvas são pouco intensas.
Umidade relativa: média anual é de 80%.
Montanhoso – Região: Áreas elevadas dos Andes, na América do Sul, Montanhas Rochosas, na América do Norte, Alpes, na Europa, e Himalaia
Características: é baixa, com uma queda de 6°C a cada 1.000 m de altitude. A neve é constante, acima de 2.000 m. Índice pluviométrico:nas regiões tropicais atinge 2.000 mm anuais e as precipitações aumentam até 1.500 m de altitude. Nas latitudes médias as chuvas sempre aumentam com a altitude. Umidade relativa: média de 90% (barlavento) e de até 30% (sotavento).
Oceânico – Região: Noroeste da Europa, litoral noroeste da América do Norte e litoral sudoeste do Chile
Características: as estações do ano são bem-definidas. Temperatura: os invernos são frios (média de -3°C) e os verões, moderados (média de 15°C). Índice pluviométrico: situa-se entre 1.500 mm e 2.000 mm anuais. Umidade relativa: a média anual está entre 80% (inverno) e 90% (verão).
Polar – Região: Áreas do extremo norte do Canadá e Federação Russa, pequena parte da Península Escandinava, Alasca e Antártica
Características: no verão a média é de 4°C e, no inverno, permanece em torno de -30°C. Índice pluviométrico: 100 mm de neve acumulada anualmente. Umidade relativa: a média anual está entre 70% (inverno) e 80% (verão).
Tropical – Região: Área entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio
Características: clima quente. Temperatura: a média anual é superior a 20°C. Índice pluviométrico: as médias anuais de chuvas variam entre 1.000 mm e 2.000 mm. Quanto mais distante do oceano, menor a quantidade de chuvas, que são intensas no verão. Umidade relativa: a média anual varia de 70% (interior dos continentes) até 90% (litoral).
Tropical Árido – Região: Saara, Arábia, centro da Austrália, norte do México e Arizona, nos Estados Unidos Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão), planalto entre as Montanhas Rochosas e as cadeias costeiras do oeste dos EUA e Patagônia, na Argentina.
Características: a amplitude térmica diária é de mais de 20°C. Índice pluviométrico: inferior a 250 mm e irregular ao longo do ano. Umidade relativa: média anual de 40%. Continental Árido Temperatura: contraste térmico entre o verão (média de 17°C) e o inverno (média de -20°C). Índice pluviométrico:abaixo de 250 mm ao ano. Umidade relativa: a média anual está entre 30% (inverno) e 70% (verão).
B - OS ASPECTOS GEOGRÁFICOS DO DESENVOLVIMENTO E DO SUBDESENVOLVIMENTO.
Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e econômico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução.
Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o fator determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colônias políticas diretas ou de colônias econômicas.
O subdesenvolvimento é o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão econômica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema econômico integrado. Só através de uma estratégia global do desenvolvimento, capaz de mobilizar todos os fatores de produção no interesse da coletividade, poderão ser eliminados o subdesenvolvimento e a fome da superfície da terra.
O maior de todos esses erros foi considerar o processo do desenvolvimento em toda parte como semelhante ao desenvolvimento dos países ricos do Ocidente. Uma espécie de etnocentrismo conduziu os teóricos do desenvolvimento a assentar as suas ideias e estabelecer os seus sistemas de pensamento em concepções de economia clássica que ignoravam quase totalmente a realidade socioeconômica das regiões de economia ocidental capitalista, uma economia socialista em elaboração acelerada e uma rede de abastecimento e de venda no resto do mundo. Não se ocupavam, pois, das estruturas econômicas desse resto do mundo, abandonado quer aos sociólogos, quer, antes, aos folcloristas.
Esta tremenda desigualdade social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso econômico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituído por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem, com receio da revolta dos que não comem.
Um dos fatores mais constantes e efetivos das terríveis tensões sociais reinantes é o desequilíbrio econômico do mundo, com as resultantes desigualdades sociais. Constitui um dos maiores perigos para a paz o profundo desnível econômico que existe entre os países economicamente bem desenvolvidos de um lado, e de outro lado os países insuficientemente desenvolvidos. Desnível que se vem acentuando cada vez mais, intensificando as dissensões sociais e gerando a inquietação, intranquilidade e os conflitos políticos e ideológicos.
Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que 2/3 estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, uma vez que os povos dominados tomaram consciência da realidade socioeconômica do mundo, nesta fase da história da humanidade que vivemos, fase de transformações explosivas, caracterizadas essencialmente por explosões diversas: a explosão psicológica dos povos explorados, não menos perigosa do que a explosão atômica com a qual se abriu uma nova era no nosso planeta: a era atômica.	 É urgente restabelecer o equilíbrio econômico do mundo aterrando o largo fosso que separa os países bem desenvolvidos dos países subdesenvolvidos, sem o que é bem difícil que se consiga a verdadeira paz e a tranquilidade entre os homens. Nenhuma tarefa internacional se apresenta mais árdua, mas ao mesmo tempo mais promissora para o futuro do mundo, do que a do desenvolvimento econômico destas áreas mais atrasadas, onde os recursos naturais e os potenciais geográficos se conservam relativamente inexplorados.
A paz depende mais do que nunca do equilíbrio econômica do mundo. A segurança social do homem é mais importante do que a segurança nacional baseada nas armas.
Igualmente falso é o conceito de desenvolvimento avaliado unicamente à base da expansão da riqueza material, do crescimento econômico. O desenvolvimento implica mudanças sociais sucessivas e profundas, que acompanham inevitavelmente as transformações tecnológicas do contorno natural. O conceito de desenvolvimento não é meramente quantitativo, mas compreende os aspectos qualitativos dos grupos humanos a que concerne. Crescer é uma coisa; desenvolver é outra. Crescer é; em linhas gerais, fácil. Desenvolver equilibradamente, difícil.
Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo Ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade.
O problema do desenvolvimento do Terceiro Mundo, e mesmo o do mundo inteiro que ainda se apresenta subdesenvolvido sob certos aspectos, é antes de tudo um problema de formação de homens. Se a revolução industrial dominou o século XIX, é a revolução cultural que deve dominar o século XX, isto é, a criação de uma cultura capaz de encontrar verdadeiras soluções para os grandes problemas da humanidade.
O subdesenvolvimento é uma forma de subeducação. De subeducação, não apenas do Terceiro Mundo, mas do mundo inteiro. Para acabar com ele, é preciso educar bem e formar o espírito dos homens, que foi deformado por toda parte. Só um novo tipo de homens capazes de ousar pensar, ousar refletir e de ousar passar à ação poderá realizar uma verdadeira economia baseada no desenvolvimento humano e equilibrado.
As contradições do desenvolvimento são múltiplas. Desenvolvimento significa ao mesmo tempo mutação e disciplina. Mas a disciplina impede muitas vezes a mutação. É o conservantismo das sociedades que alcançaram um auto grau de desenvolvimento, que se tomam como modelo ideal de sociedade e passam a combater o desejo da transformação.
Encarar aspectos isolados do problema na luta contra o subdesenvolvimento parece-nos algo ultrapassado, pois sabemos que as fórmulas tradicionais, as medidas isoladas e as concessões limitadas não bastam. A gravidade do problema requer urgentemente a adoção de uma estratégia global do desenvolvimento, comportamento e medidas convergentes por parte dos países desenvolvidos, assim como dos países em vias de desenvolvimento.
Só há um tipo de verdadeiro desenvolvimento: o desenvolvimento do homem. O homem, fator de desenvolvimento, o homem beneficiário do desenvolvimento. É o cérebro do homem a fábrica de desenvolvimento. É a vida do homem que deve desabrochar pela utilização dos produtos postos à sua disposição pelo desenvolvimento.
C - CARACTERÍSTICAS HUMANAS E ECONÔMICAS DOS PAÍSES CAPITALISTAS E SOCIALISTAS DESENVOLVIDOS.
Países capitalistas
O surgimento do capitalismo comercial, no início da Idade Moderna (entre os séculos XV e XVIII), está fundamentado tanto no progresso econômico dos séculos XVI - XIII quanto na crise dos séculos XIV - XV. O primeiro fator contribuiu para a formação da burguesia, o desenvolvimento da vida urbana, o incremento da produtividade agrícola e artesanal, a intensificação do comércio e o despontar de um sistema financeiro. O segundo fator desorganizou de tal maneira a sociedade europeia, que tornou necessáriaa intervenção do Estado, recém-nascido, para superar as dificuldades.
Num sentido genérico, o capitalismo pode ser definido como um sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção (terras, máquinas, mercadorias, moeda etc.), os quais são utilizados de maneira a se reproduzirem continuamente (lucro). Os indivíduos desprovidos de capital integram-se no sistema colocando à venda o único bem que possuem - sua força de trabalho, vista como uma mercadoria e, portanto, tendo valor variável, conforme a sua oferta e procura.
A expansão ultramarina - A expansão ultramarina europeia representou uma forma de superar a depressão econômicas dos séculos XIV – XV, através, fundamentalmente, da busca de trigo e ouro. As técnicas de navegação estavam sendo aperfeiçoadas, tornando mais simples a expansão. O
O desenvolvimento comercial - As grandes transformações comerciais deram-se no plano internacional, com os europeus inaugurando e coordenando um circuito mercantil pela primeira vez verdadeiramente mundial. A Índia foi, por muito tempo, a zona mais importante desse circuito, graças às especiarias ali produzidas.
O desenvolvimento artesanal - A evolução da indústria ocorreu quando, devido ao crescimento populacional e à formação de impérios coloniais, o setor produtivo foi pressionado para intensificar suas atividades. Consequentemente, a indústria artesanal precisou expandir-se, adotando a organização que vinha da Idade Média (as corporações de ofício) e desenvolvendo outra - o sistema doméstico.
O sistema corporativo generalizou-se na Idade Moderna por ser facilmente controlado pelo Estado, que procurava supervisionar todas as atividades econômicas. Cada corporação de ofício era rigidamente dirigida por um conjunto de regulamentos que estabelecia em detalhes as matérias-primas a serem utilizadas, as técnicas produtivas, as quantidades e o preço de venda da mercadoria. Comuns em toda a Europa, as corporações sobreviveram até a industrialização do século XIX.
Os comerciantes que desejavam escapar das regulamentações corporativas elaboraram o sistema doméstico, organização em que o artesão trabalhava em sua própria casa, com o auxílio de pessoas da família. O comerciante fornecia ao trabalhador a matéria-prima, pagando-lhe uma certa quantia por unidade produzida. Era ele o dono da mercadoria, podendo vendê-la da forma que mais lhe interessasse. Desta maneira, os mercadores não só atuavam na área comercial, mas também na produtiva.
O Mercantilismo - Como já mencionamos, a intervenção do Estado era a fórmula mais rápida e eficaz para se superar a crise de fins da Idade Média. Enquanto no plano político esse fortalecimento do Estado levou ao Absolutismo, no econômico gerou o Mercantilismo. Trata-se de uma política de intervenção econômica praticada pelo Estado Moderno, em especial na sua forma Absolutista, como instrumento de unificação, de superação das crises e de engrandecimento nacional.
O Metalismo - A primeira característica do mercantilismo era o metalismo, ou seja, a concepção de que a prosperidade de cada país estaria na razão direta da quantidade metais preciosos que possuísse.
A Balança Comercial Favorável - Os países que não tivessem suas próprias fontes de metais preciosos deveriam obtê-los de outras nações, através da venda de mercadorias que seriam pagas em metal. Portanto, o fundamental era exportar mais do que importar, de forma que houvesse saldo positivo na balança comercial.
O Protecionismo - Dificultar as importações de mercadorias estrangeiras era um meio para se obter um saldo favorável na balança comercial. Assim, adotava-se uma política econômica protecionista, cobrando-se altos impostos alfandegários sobre os produtos importados, em especial aqueles que tivessem similares nacionais. As matérias-primas, contudo, escapavam a essa norma, pois eram transformadas em produtos manufaturados a serem exportados.
O protecionismo mercantilista não só procurava barrar a entrada de produtos estrangeiros, mas também impedir a saída de mercadorias nacionais que pudessem fortalecer e enriquecer outros países, como certas matérias-primas, ferramentas, navios e armas. Pela mesma razão, tentava-se proibir que pessoas possuidoras de determinados conhecimentos técnicos saíssem de seu país.
Antes da Primeira Guerra, cinco grandes potências influenciavam os rumos das demais nações do mundo: Reino Unido, França, Alemanha, Império Austro-Húngaro e Rússia. Estados Unidos e Japão eram, então, potências emergentes. Esse quadro de forças internacionais, dominado pela Europa, foi totalmente dissolvido após as duas grandes guerras mundiais. Em 1945, com a Europa arrasada pela guerra, o panorama internacional apresentava apenas duas grandes superpotências: Estados Unidos e União Soviética, representando respectivamente, os blocos capitalista e socialista.
Nas conferências de Ialta e Potsdam em 1945, foram estabelecidas áreas de influência soviéticas e norte-americanas. Os países do Leste europeu (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Iugoslávia e Albânia) ficaram na esfera soviética com o estabelecimento de regimes de governo comunistas. Também foi decidida a divisão de Berlim, a capital alemã, em quatro zonas de ocupação militar: Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética.
Para estabelecer uma zona de influência norte-americana (e capitalista) na Europa ocidental, os Estados Unidos lançaram o Plano Marshall em 1947, que injetou bilhões de dólares na região e impulsionou sua reconstrução. Também nesse ano, foi assinado o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) para promover e regular o comércio entre as nações. Em contrapartida, a União Soviética criou, em 1949, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon).
Países capitalistas desenvolvidos. A maior parte desses países já atingiu índices bastante elevados e, praticamente, máximos de urbanização. A tendência, portanto, é de estabilização em torno de índices entre 80 e 90%, embora alguns já tenham ultrapassado os 90%.
População urbana em alguns países desenvolvidos (1989)
	País
	Percentual
	Bélgica
	97,0
	Reino Unido
	92,5
	Holanda
	88,5
	RFA
	86,0
	Japão
	77,0
	França
	74,0
	EUA
	74,0
Países capitalistas subdesenvolvidos. Nesse grupo, bastante heterogêneo, destacamos:
Subdesenvolvidos industrializados. A recente e rápida industrialização gerou acentuado desequilíbrio das condições e da expectativa de vida entre a cidade e o campo, resultando num rapidíssimo processo de urbanização, porém com consequências muito drásticas (subemprego, mendicância, favelas, criminalidade etc.). Isso porque o desenvolvimento dos setores secundário e terciário não acompanhou o ritmo da urbanização, além da total carência de uma firme política de planejamento urbano. Alguns desses países apresentam taxas de urbanização iguais e até superiores às de países desenvolvidos, embora, com raras exceções, a urbanização dos países subdesenvolvidos se apresente em condições extremamente precárias (favelas, cortiços etc.).
População urbana em alguns países subdesenvolvidos industrializados (1989)
	País
	Percentual
	Cingapura
	100
	Argentina
	86
	Brasil
	76
	México
	72
	Coreia do Sul
	70
	Formosa
	67
Subdesenvolvidos não-industrializados. Em virtude do predomínio das atividades primárias, a maior parte desses países apresenta baixos índices de urbanização,
Países socialistas
Os países socialistas são relativamente pouco urbanizados. A razão fundamental está na planificação estatal da economia, que tem permitido ao estado controlar e direcionar os recursos (investimentos), podendo assim exercer maior influência na distribuição geográfica da população. Os índices de população urbana dos países socialistas desenvolvidos são semelhantes aos do subdesenvolvidos industrializados.
No século XIX, com a expansão industrial nos países da Europa, a classe operária se fortaleceu, passando a lutar contra os baixos salários, o desemprego, as longas jornadasde trabalho e a exploração do trabalho feminino e do menor, principalmente nas fábricas de tecidos.
As precárias condições de vida dos operários suscitaram também o surgimento dos ideais socialistas, voltados para a criação de uma sociedade coletivista sem exploradores e explorados.
Os primeiros pensadores a colocar essa questão foram os chamados socialistas utópicos: Charles Fourier, Saint-Simon e Robert Owen, entre outros.
Com Karl Marx e Friedrich Engels surgiu o socialismo científico. Para eles, o socialismo não seria fruto de planos fantasistas, mas o resultado da luta política dos trabalhadores contra a ordem capitalista.
Em sua obra O Capital, Marx fez rigorosas análises críticas da economia capitalista, aponto as contradições que conduziram à sua falência.
Durante a primeira Guerra Mundial, em 1917, foi implantada na Rússia um regime de inspiração marxista, seguindo-se posteriormente, sua adoção em vários países da Europa e Ásia.
Expansão do Socialismo
A Revolução Russa de 1917 foi a primeira tentativa de criação de um Estado socialista. De 1917 a 1945, a URSS era o único local do mundo onde tentava-se instalar o socialismo.
A incorporação da Europa Oriental ao socialismo não dependeu de revoluções, como na União Soviética. Tratou-se muito mais de uma imposição o que explica uma resistência ao modelo soviético por parte das populações daquela área.
Os pequenos Partidos Comunistas chegaram ao poder, em governos de coalizão, graças ao apoio do exército soviético às suas lideranças. Mantinham-se pluripartidarismo e, no setor econômico, instalava-se uma economia mista, uma vez que alguns setores foram estatizados enquanto outros continuavam com a iniciativa particular.
Apenas depois da doutrina Truman e da criação da OTAN é que este quadro foi modificado. Às pressões norte-americanas, Stálin respondeu com a imposição do modelo soviético a toda a Europa Oriental. Implantou-se o regime de partido único e a economia foi totalmente estatizada, adotando-se a planificação econômica e a coletivização das terras.
A única exceção a este quadro é a Iugoslávia, onde o presidente Tito discordava da orientação soviética. Desta maneira, a Iugoslávia tornou-se socialista sem estar subordinada a Moscou. A experiência iugoslava é interessante, pois baseou-se na autogestão, isto é, os trabalhadores juntamente com burocratas do governo, são responsáveis pela decisões relativas a produção.
A União Soviética ingressou na fase do planejamento econômico com Stálin no poder. Foi a época dos planos quinquenais inaugurados em 1928. Os planos sucederam e transformaram a União Soviética numa potência industrial. É preciso lembra que Stálin utilizou a violência numa escala enorme, principalmente nas coletivizações forçadas da terra. Milhões de pessoas foram perseguidas presas e mortas. Sob o governo de Stálin, a revolução, que fora feita para acabar com a desigualdade e a injustiça, foi o contrário disso tudo. Stálin perseguiu implacavelmente todos os seus opositores, a começar por Trótski. Este, banido da União Soviética, foi assassinado no México, em 1940, a mando de Stálin.
Desestalinização
A morte de Stálin ocorreu em 1953. Os novos dirigentes da URSS, especialmente o primeiro ministro Kruschev, iniciaram o processo de liberalização do regime, tomando algumas medidas importantes como:
controle, pelo partido, das forças policiais;
denúncia dos crimes cometidos por Stálin;
a direção deveria ser colegiada;
a revisão do processo da época stalinista;
anistia e a libertação de presos políticos;
busca de coexistência pacífica com os Estados Unidos.
Verifica-se também que intelectuais, estudantes e operários questionam o regime e procuram avançar mais ainda, pressionando no sentido de se aplicarem as reformas. Em alguns países da Europa Oriental a situação tornou-se crítica, caminhando para uma contestação severa ao regime e provocando violenta repressão por parte da URSS.
A Crise
MiKhail Gorbachev era o novo dirigente da URSS, empossado em 1985 e que trazia um discurso diferente dos líderes anteriores. As palavras Perestróika e Glasnost ficaram associadas ao novo líder.
Perestroika, ou reestruturação, é um nome pelo qual ficaram conhecidas as reformas econômicas. Glasnost significa "grito livre" e passou a designar a abertura política.
As razões para essas mudanças econômicas e políticas estavam sem dúvidas na estagnação econômica observada na URSS. O desenvolvimento, ao longo desse século, de uma estrutura econômica dominada por uma Burocracia atingia níveis insuportáveis para a sociedade.
Uma ala do Partido Comunista, percebendo que a continuidade do regime estava ameaçada pela a insatisfação social, elaborou então o projeto de mudanças que Gorbachev procurou implementar.
No entanto, a resistência às reformas foram muito grandes, pois muitos setores não queriam perder seus privilégios.
O resultado mais concreto dessa luta entre os reformadores e os conservadores pode ser visto em agosto de 1991, com a tentativa de golpe para tirar Gorbachev do poder. O fracasso do golpe não impediu que várias repúblicas iniciassem o processo separatista. Várias tiveram sua independência reconhecida. O governo tentou desesperadamente, impedir a fragmentação da URSS.
As reformas implantadas por Gorbachev tiveram ressonância no Leste europeu. O fato marcante é, sem dúvida a unificação da Alemanha. A parte da oriental, que fazia parte do bloco soviético, hoje já está incorporada a parte ocidental. Não está sendo muito fácil converter o lado socialista ao capitalismo, devido às diferenças de estruturas econômicas que existiam.
Na Hungria e na Polônia, as reformas caminham com mais rapidez. Já existe o pluripartidarismo, empresas estrangeiras estão podendo se instalar.
Na Romênia, o ditador Ceausescu foi derrubado pela população; na Tchecoslovaquia elegeu-se um novo governo. A Albânia, que é mais resistente às mudanças já começa a demonstrar que não é mais possível continuar como estava: as mudanças, ainda que lentas, já começaram a ser implementadas.
Os países socialistas da Ásia também experimentam uma crise semelhante à dos europeus.
Na China, as mudanças econômicas estavam ocorrendo desde os anos 70, mas não se faziam acompanhar de modificações políticas, o que gerou os protestos. Queria-se o fim dos privilégios e mais democracia.
O colapso do "Socialismo Real"
O processo de mudanças deflagrado por Gorbatchev provocou algumas consequências:
a tendência desintegradora da URSS, uma vez que a enorme diversidade étnica e cultural dos povos que compunham o império soviético começou a manifestar-se com ímpetos separatistas;
o golpe contra Gorbatchev em agosto de 1991, foi apresentado e justificado pelos golpistas (a já comentada linha dura do partido) como resultado do afastamento de Gorbatchev devido a uma misteriosa doença que este teria contraído. A resistência popular foi intensa e o presidente da Rússia Boris Yeltsin capitalizou a seu favor a frustrada tentativa golpista.
As consequências do frustrado golpe se manifestaram de imediato:
crescente perda de poder por parte de Gorbatchev;
dissolução do PCUS;
renúncia do próprio Gorbatchev ao cargo de secretário geral do PCUS, já extinto e colocado na ilegalidade;
fortalecimento da posição de Boris Yeltsin.
A 08 de dezembro de 1991 a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia assinaram o acordo de Minsk, proclamando a formação da Unidade dos Estados Independes - CEI. Esta proclamação, na prática, significava o fim da URSS.
Ao longo de 1922 e 1993 o que se assistiu foi a difícil travessia de uma economia de mercado que, se por um lado deu origem a um grupo de novos ricos, por outro empobreceu terrivelmente a maior parte da população das repúblicas.
Os reflexos da implosão da União Soviética rapidamente, se fizeram sentir no Leste europeu. A Polônia destacou-se como o país em que a crítica foi mais longe. Não por acaso, a classe trabalhadora polonesa foi pioneira com o confronto com a burocracia, criando a sua própria estrutura de poder. O Solidariedade,que ganhou a confiança do povo com Lech Walesa à frente.
Outra questão importante quando se examina o desmoronamento dos regimes comunistas do Leste europeu é o da reunificação alemã. Se por um lado a reunificação fortaleceu ainda mais o poderio econômico da Alemanha, por outro, fez ressurgir uma perigosa onda nacionalista que se traduz em perseguição a imigrantes, anti-semitismo e racismo.
A Iugoslávia, localizada na região balcânica, surgiu como Estado soberano após a primeira Guerra Mundial. Era formada por seis repúblicas: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia, além de duas regiões autônomas. Acrescente-se a esta pluralidade étnica e cultural, a existência de quatro línguas diferentes, três religiões e dois alfabetos. Com a morte de Tito e a queda do regime comunista os anseios separatista puderam se manifestar. Em junho de 1991, a Croácia e a Eslovênia declararam-se independentes. As tropas iugoslavas, controladas pela Sérvia, iniciam uma guerra contra as duas repúblicas.
A guerra civil tornou-se inevitável. Os países da antiga Iugoslávia mergulharam num conflito bárbaro, com milhares de mortos e muita destruição.
Em março de 1992, também a Bósnia-Herzegovina e a Macedônia declararam-se independentes. É importante considerar que a população da Bósnia é composta por muçulmanos, croatas e sérvios. Nesta caso as diferenças estão presentes também no plano religioso. Os bósnios são em sua maioria muçulmanos, os croatas, católicos e os sérvios, cristãos ortodoxos.
Enquanto a comunidade internacional manifestava sua perplexidade ante os acontecimentos, a ferocidade da guerra civil continuava e o número de mortos e feridos ultrapassava cem mil. Somente Sarajevo, capital da Bósnia, calcula-se que 10% dos 380 mil habitantes, em sua maioria muçulmanos, foram mortos ou feridos, ao mesmo tempo que planos de paz fracassavam.
O mundo socialista passou por grandes transformações nos anos 80. Gorbatchev empreendeu uma modernização culminando na própria extinção da URSS e o nascimento da CEI. Por outro lado as condições de vida da maior parte da população desceu a níveis insustentáveis. O paraíso capitalista com base na propriedade privada dos meios de produção comprovou o seu alto custo.
A concepção de uma sociedade socialista, na qual os interesses sociais prevalecem sobre os interesses individuais e houvesse igualdade entre as pessoas, começou a se desenvolver no século XVIII e definiu-se melhor no século XIX. Concretamente, só no início do século XX foram instalados governos socialistas, primeiramente na União Soviética e mais tarde em outros países, em especial no leste da Europa.
O principal objetivo do socialismo é construir uma sociedade com o mínimo de desigualdades. Para conseguir isso, o socialismo tem como princípio básico a propriedade coletiva dos meios de produção, pelo menos dos mais importantes, como as fábricas, os bancos. Além disso, o sistema não admite que uns se apropriem dos frutos do trabalho dos outros para fins de enriquecimento. A riqueza, portanto, incluindo suas fontes, deve pertencer a toda sociedade.
Como a prática nem sempre corresponde à teoria, o socialismo real, instituído na União Soviética e no leste europeu, desviou-se do seu objetivo maior: a construção coletiva de uma sociedade de homens livres e iguais.
O governo, intitulando-se representante da sociedade, assumiu o controle de tudo. Não apenas as terras, as fábricas e os bancos, mas até as pequenas lojas, as oficinas mecânicas, as quitandas, as padarias, as farmácias, tudo era propriedade do estado. Havendo um único e grande patrão, os trabalhadores passaram a ser empregados do governo, recebendo salário por seu trabalho.
Como senhor absoluto das decisões nacionais, o governo planejava e dirigia a economia, tendo em vista os interesses e objetivos que ele próprio estabelecia como sendo de toda sociedade. Agindo assim, estava negando o direito de as pessoas expressarem o que realmente desejavam para si e para seu país.
Para executar suas numerosas funções, o Estado foi aos poucos criando um imenso quadro de funcionários, nem sempre necessários ao bom desempenho das atividades governamentais. Surgiu assim uma enorme burocracia, responsável pelo consumo de boa parte dos recursos nacionais. Esses recursos seriam mais bem aproveitados se fossem destinados a obras e serviços em benefício da população. Além disso, os dirigentes dos órgãos do governo obtiveram vantagens que a maioria da população não possuía, como altos salários, residências confortáveis, automóveis, etc. Desse modo, constituíram um segmento social que se assemelhava à classe alta dos países capitalistas.
Apesar dos desvios sofridos pelo socialismo, a União Soviética e os países do leste da Europa passaram a apresentar indicadores econômicos típicos dos países desenvolvidos. E isso graças sobretudo à planificação econômica introduzida pelo novo sistema. O plano regulava o que, onde, como e quando produzir, bem como a forma de distribuir a produção. O governo aplicava os lucros da produção em obras para desenvolver a economia, corrigir as diferenças regionais e prestar serviços, como assistência médica e educação, que eram gratuitas.
Foi assim que tais países tiveram um grande crescimento econômico, um considerável avanço da ciência e da tecnologia, uma melhoria substancial dos transportes e das comunicações.
TEMPO DE REFORMAS
No caso da União Soviética, a falta de liberdade e o exagerado poder do governo criaram problemas sérios, que foram se agravando com o tempo. A situação econômica dos países socialistas tornou-se muito difícil. Faltavam produtos, obrigando as pessoas a enfrentar horas de fila para comprar coisas simples, como papel higiênico ou pão. Além de escassos, os produtos eram de má qualidade, antiquados, e os equipamentos funcionavam mal. Havia muita corrupção e muitos privilégios entre altos funcionários.
Tais problemas causaram grande insatisfação no povo, que passou a reivindicar mudanças profundas. Como consequência das pressões, numerosas e significativas transformações ocorreram nos países de economia planificada. Uma das mais expressivas foi a extinção da própria União Soviética, em 1991.
As transformações iniciaram-se por volta de 1986, na União Soviética, e atingiram grande intensidade a partir de 1989, tanto no campo econômico quanto no social e no político. Propriedade particular, liberdade de produção, greves por melhores salários, instalação de empresas multinacionais, organização de sindicatos, liberdade de imprensa e religião, eleições livres – todos esses fatos, ausentes por muitas décadas nos países de formação socialista, tornaram-se comuns na década de 1990.
As transformações ocorridas nesses países produziram resultados diversos. Alguns antigos países socialistas, com certa homogeneidade étnica e cultural e que, sobretudo, já tinham tradição industrial, assemelham-se agora a países desenvolvidos capitalistas. É o caso da Hungria, da República Tcheca e da Eslovênia. A maioria deles, contudo, enfrenta dificuldades com a instituição do capitalismo, como o surgimento de muitos pobres e miseráveis, ao lado de pessoas que enriqueceram em poucos anos. Isso acontece na Rússia, por exemplo. Alguns países mergulharam em grave crise econômica, social e política, como ocorreu com a Albânia, cuja população sofreu um empobrecimento quase generalizado.
OS TRÊS MUNDOS
A ampliação do mundo socialista, desde o fim da Segunda Guerra (1945), permitiu uma outra classificação do espaço mundial, baseada em critérios políticos, além de socioeconômicos. Assim, a humanidade foi dividida e, três grandes conjuntos de países:
¨ Primeiro Mundo – países capitalistas desenvolvidos (Estados Unidos, França, etc.).
¨ Segundo Mundo – países desenvolvidos socialistas (União Soviética, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, etc.).
¨ Terceiro Mundo – países subdesenvolvidos, constituindo um conjunto muito heterogêneo (Brasil, Nigéria, Índia, etc.).
Com as profundas alterações sofridas pelos países socialistas,o Segundo Mundo desintegrou-se, deixando de existir como tal. Assim, a classificação do espaço mundial em três mundos perdeu a atualidade, pois não mais espelha a realidade de hoje.
No entanto, por força da tradição, ainda se usa muito a expressão “Primeiro Mundo”, principalmente para identificar os países mais avançados do ponto de vista do desenvolvimento econômico e tecnológico e da organização da vida social e política. Também permanece em uso a expressão “Terceiro Mundo”, que serve para designar o conjunto de países marcados pela subordinação externa (econômica, tecnológica e política) e por desigualdades sociais internas.
A OPOSIÇÃO NORTE-SUL
Com a desintegração do Segundo Mundo, a grande divisão do espaço mundial no final do século XX e início do novo milênio é entre países ricos e países pobres; as desigualdades entre esses grupos, aliás, acentuaram-se nos anos 80 e 90.
Com exceção da Austrália e da Nova Zelândia, os países ricos, desenvolvidos em graus variados, localizam-se no hemisfério norte. No Sul ficam os países pobres, todos subdesenvolvidos. Por isso, os países ricos são chamados de “países do norte”, enquanto os países pobres são conhecidos como “países do sul”.
Devido ao baixo nível de vida da população, China, Mongólia e Coreia do Norte estão incluídas entre os países do Sul, embora não possuam as características do subdesenvolvimento.
D - DIVERSIDADE POLÍTICA, HUMANA E ECONÔMICA DOS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO.
A expressão Terceiro Mundo surgiu em 1952. Ela Foi usada pela primeira vez pelo demógrafo economista francês Alfred Sauvy para se referir aos países pobres do mundo.
Essa expressão foi criada por Sauvy por comparação com o Terceiro Estado da França, na época da Revolução Francesa,em 1789.
Nessa época o regime político da França era a monarquia não absolutista. Quando a Revolução Francesa substituiu esse regime pela República, as pessoas começaram a se referir à monarquia como o Velho Regime.
Durante o Velho Regime, o clero e a nobreza tinham grande poder político e econômico.
Essas duas classes sociais receberam respectivamente o nome de Primeiro Estado e de Segundo Estado. Os trabalhadores, que na sua maioria eram camponeses, e os burgueses, que não tinham poder político, receberam a denominação de Terceiro Estado.
Como o tempo, os trabalhadores do campo foram passando em número cada vez maior para o sistema de trabalho assalariado. A burguesia, por sua vez, estava em ascensão naquele momento. Assim, trabalhadores e burgueses combatiam o Velho Regime, propondo um "novo", em que pudessem ter maior participação nas decisões políticas. E foi isso que a Revolução Francesa fez: pôs fim à monarquia absolutista e aos privilégios do clero e da nobreza e deu origem a um regime baseado no voto e nas eleições.
Por isso, quando Sauvy compara o Terceiro Mundo com o Terceiro Estado, ele sugere que os países subdesenvolvidos desempenhem um papel revolucionário semelhante ao que o Terceiro Estado desempenhou em 1789. Sauvy quis chamar a atenção para as contradições existentes entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
Alguns estudiosos criaram também a expressão nações proletárias para designar o Terceiro Mundo ou o conjunto de países subdesenvolvidos. Com isso queriam sugerir que essas nações desempenhavam o papel do proletariado (trabalhadores assalariados) em conflito com os patrões, representados pelos países desenvolvidos.
Já se passaram quase quarenta anos desde que a expressão Terceiro Mundo foi criada. Durante esse tempo ela se popularizou e está sendo cada vez mais utilizada. Mas seu significado foi aos poucos se tornando diferente daquele dado por seu criador, originando controvérsias e interpretações variadas.
O que significa, hoje, a expressão Terceiro Mundo?
Desde o início, a comparação do Terceiro Mundo com o Terceiro Estado foi criticada pelos estudiosos, pois estes duvidavam que o Terceiro Mundo fosse uma força revolucionária.
Essa dúvida surgiu porque eles perceberam que nos países do Terceiro Mundo existem minorias privilegiadas que não querem que ocorram grandes mudanças na sociedade. Essas minorias são, portanto, cúmplices da situação de pobreza e dependência desses países. Assim, por exemplo, não tem sentido opor os Estados Unidos à América Latina, como se fossem patrões versus empregados, esquecendo que também nos países latino-americanos as classes dominantes se beneficiam dos baixos salários que aí são pagos aos trabalhadores.
Por sinal, as classes Dominantes dos países subdesenvolvidos são geralmente mais ricas e dispõem de mais privilégios do que as classes dominantes dos países desenvolvidos. Além disso, os trabalhadores dos países desenvolvidos também são explorados: eles trabalham para sustentar a classe dominante. Portanto, não seria correta a contraposição entre um país subdesenvolvido e outro desenvolvido, pois em ambos existem dominantes e dominados.
Quando consideramos que nos países desenvolvidos só existem ricos e nos paises subdesenvolvidos só existem pobres, estamos fazendo o jogo das classes dominantes dos países do Terceiro Mundo. Isso porque para essas classes interessa esconder as desigualdades sociais que existem no país e culpar sempre os países ricos pelos problemas aí existentes.
Por isso, a ideia de nações proletárias e a comparação do papel que o Terceiro Mundo deveria ter com o papel do Terceiro Estado na época da Revolução Francesa acabaram sendo esquecidas. No entanto, a expressão Terceiro Mundo permaneceu, ganhando um novo significado.
Basicamente, essa expressão refere-se hoje aos países subdesenvolvidos, que dependem do sistema capitalista internacional, constituindo a periferia desse sistema. Por isso, não podemos falar em Terceiro Mundo sem nos referir ao Primeiro e ao Segundo. Ou seja, a expressão Terceiro Mundo exprime a ideia de que, atualmente, os países estão divididos em três grupos, segundo critérios políticos e econômicos.
Os três mundos
Tomando como critérios o regime político e o sistema econômico, os estudiosos agruparam os países atuais em três conjuntos ou "mundos":
Primeiro Mundo, formado pelas nações capitalistas desenvolvidas: Estados Unidos, Canadá, países da Europa Ocidental, Japão, Austrália e Nova Zelândia;
Segundo Mundo, constituído pelos países socialistas ou de economia planificada: União Soviética (atualmente desmembrada), países da Europa Ocidental, Cuba, Vietnã, entre outros. Desde 1989 existe uma profunda crise nas economias planificadas, que passam por grandes transformações. Apesar disso, esses países ainda constituem um grupo à parte, pois nem são desenvolvidos nem nações tipicamente subdesenvolvidas;
Terceiro Mundo, ou países subdesenvolvidos: países da América Latina, da África e da Ásia, em geral.
Essa divisão dos países em três "mundos" é resultado de um processo histórico, iniciado com o desenvolvimento e a expansão do capitalismo – sistema socioeconômico que nasceu na Europa Ocidental e se difundiu por todo o planeta, criando um mundo unificado. O capitalismo trouxe grande progresso material para a humanidade – desenvolveu a tecnologia moderna, construindo pontes, edifícios, trens, aviões -, mas também gerou enormes desigualdades entre pessoas e entre países.
Para corrigir essas desigualdades, foram propostas novas formas de organização da sociedade, especialmente da economia. Nesse sentido, os países denominados socialistas procuram planejar as atividades econômicas de maneira que não ocorram diferenças sociais tão grandes entre as pessoas. Eles surgiram, portanto, como uma tentativa de superar as contradições do capitalismo.
O que é a economia capitalista?
A economia capitalista se baseia no mercado.
O que significa isso?
Significa que é a oferta (produção) e a procura (consumo) de mercadorias que levam as empresas a tomarem as decisões econômicas.
Numa economia de mercado predominam as empresas particulares. Cada empresa, baseada nas tendências do mercado, planeja o que vai produzir tendo em vista a obtenção de lucros. Assim, se houver muitaprocura de eletrodomésticos, por exemplo, será interessante aplicar dinheiro na produção desses aparelhos. Por outro lado, se o mercado estiver saturado desses produtos, ou seja, se poucas pessoas estiverem comprando eletrodomésticos, não será interessante investir nesse ramo. Essa é a chamada "lei da oferta e da procura", básica no capitalismo. Por isso, dizemos que o capitalismo é uma economia de mercado.
Nesse tipo de economia prevalecem duas classes essenciais:
os burgueses ou capitalistas, que vivem do lucro das empresas;
os proletários ou trabalhadores assalariados, que vivem de seu trabalho e são fundamentais para o lucro das empresas.
É evidente que a realidade é mais complicada do que descrevemos. Além das empresas particulares, existem o governo, as empresas públicas, as forças armadas etc.
Há também outras classes além da burguesia e do proletário, como os profissionais autônomos, os pequenos proprietários que trabalham em base familiar, os subempregados etc.
Mas o que você precisa saber neste momento é que a economia capitalista surgiu na Europa Ocidental nos séculos XI e XII e cresceu muito, expandindo-se por todo o mundo a partir das grandes navegações, nos séculos XV e XVI.
A internacionalização do capitalismo.
A expansão marítimo-comercial dos europeus no séculos XV e XVI criou um mundo unificado, com a descoberta e colonização da América, as trocas comerciais na África e na Ásia, que depois também seriam colonizadas, e a colonização da Oceania no século XVIII.
Esse mundo unificado representou, inicialmente, uma europeização, ou seja, um domínio do povo, da economia e da cultura europeia sobre os outros povos. Todas as regiões do globo passaram, no decorrer de vários séculos, a fazer parte de um sistema de trocas imposto pelas potências europeias da época. Esse processo levou ao massacre de numerosos povos, à escravização de outros e à expulsão de muita gente de suas terras.
O sistema internacional de trocas de mercadorias, estabelecido a partir da Europa, foi baseado na economia de mercado. Nesse sistema uns levavam vantagem – as metrópoles europeias – e outros desvantagem – as colônias americanas, as nações asiáticas e africanas subjugadas. Essa internacionalização do capitalismo unificou os povos e gerou inúmeras desigualdades entre países e entre regiões.
As áreas dominantes ou centrais deram origem ao que hoje chamamos de nações desenvolvidas. E as áreas periféricas ou colonizadas deram origem, a partir da independência dessas nações, aos países hoje denominados subdesenvolvidos.
O Primeiro e o Terceiro Mundo
As origens do Primeiro Mundo e do Terceiro Mundo estão na expansão do capitalismo a partir da Europa ocidental.
O Primeiro Mundo corresponde às áreas onde o capitalismo nasceu, enquanto o Terceiro Mundo corresponde às áreas onde ele foi imposto por outras nações. 
Os países desenvolvidos ou centrais foram os pioneiros na industrialização. São os países que conheceram a Revolução Industrial do final do século XVIII e do século XIX, feita em grande à custa das matérias-primas baratas vindas do restante do mundo.
Os países capitalistas periféricos, subdesenvolvidos, constituem as áreas que foram colonizadas pelos europeus nesse processo de expansão mundial do capitalismo. Para atender aos interesses dos colonizadores, esses países tiveram sua economia e muitos traços culturais destruídos ou profundamente modificados.
A Índia é um ótimo exemplo desse processo de dominação. No século XVIII, a manufatura indiana era superior à europeia, mas os ingleses a destruíram para que esse país asiático tivesse de comprar produtos manufaturados da Inglaterra, pagando elevados preços por eles. Alem disso, os ingleses não estavam interessados na manufatura indiana e sim na produção, por baixos preços, de gêneros primários em falta na Europa.
Outro exemplo é o das nações latino-americanas, onde as sociedades indígenas foram em grande parte destruídas pelos colonizadores europeus, que preferiram organizar outra sociedade em suas colônias, com base no trabalho escravo trazido da África.
Os países do Terceiro Mundo são subdesenvolvidos, não por razões naturais, mas por razões históricas. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e econômico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução
Até ao período dos descobrimentos, existiam em África, na Ásia e na América pré-colombiana grandiosas civilizações. Todavia, nessa altura, entre essas regiões e a Europa não havia desigualdades significativas relativamente à repartição da riqueza.
Com o processo de colonização, as diferenças vão acentuar-se, fundamentalmente após a Revolução Industrial. As colônias europeias passarão a ser fornecedoras de matérias-primas minerais e de bens primários como a borracha, o algodão e o café, produzidos pelas economias de plantação.
Após a independência, os jovens países do 3º Mundo, herdeiros de estruturas econômicas deformadas, rapidamente se organizam para resolver os problemas comuns e manter uma posição de “não alinhamento” face ás duas super potências, durante o período da guerra fria. Em 1955, a conferência de Bandung foi o embrião do Movimento dos Não Alinhados (MNA). Porém, foi difícil a este movimento manter-se fora do campo de ação da URSS ou do bloco ocidental da Aliança Atlântica.
Ao longo de mais de três décadas as desigualdades Norte/Sul vão aumentando e o Terceiro mundo acentuará a sua heterogeneidade.
Os países do 3º Mundo, devido ao processo de colonialização que sofreram, apresentam características comuns, entre as quais destacamos as seguintes:
 forte crescimento populacional
 subalimentação
 forte dependência externa ao nível comercial, financeiro, político e cultural
 estado de pobreza de grandes massas populacionais;
 elevadas taxas de analfabetismo;
 falta de quadros técnicos;
 dualismo econômico;
 desarticulação da economia;
 carência de infra-estruturas;
 ausência de quadros dirigentes;
 alto índice de doenças e mortalidade infantil;
 predomínio da agricultura baseada em processos arcaicos;
 precária industrialização;
 etc.
Apresentando estas características, e com vista a superar este estado de pobreza, muitos países do 3º Mundo viram-se obrigados a recorrer a ajuda financeira do exterior pois, o nível de acumulação de capital era muito baixo. No entanto, com o decorrer dos anos estes países constatam que o seu desenvolvimento foi bloqueado em grande parte, pelo peso da dívida externa. Como tal, atualmente pede-se a muitos países desenvolvidos que perdoem a dívida aos países do 3º mundo.
Principais diferenças entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos
	Países desenvolvidos
	Países subdesenvolvidos
	Regime alimentar rico e equilibrado
	Regime alimentar insuficiente em quantidade e em qualidade
	Estado sanitário satisfatório
	Situação sanitária deficiente
	Baixa taxa de natalidade
	Elevada taxa de natalidade
	Elevada esperança média de vida à nascença
	Baixa esperança média de vida à nascença
	Saldo fisiológico baixo
	Saldo fisiológico elevado
	Baixa taxa de analfabetismo
	Elevada taxa de analfabetismo
	Inexistência de trabalho infantil
	Importância do trabalho assalariado infantil 
	Potencialidades naturais convenientemente exploradas
	Potencialidade naturais inexploráveis ou mal exploradas
	Agricultura altamente mecanizada, ocupando uma pequena parcela da população ativa
	Agricultura arcaica e manual ocupando a maior parte da população activa
	Grande industrialização
	Industrialização incipiente
	Grande consumo de energia
	Fraco consumo de energia
	Mão-de-obra especializada, com elevada produtividade
	Mão-de-obra não especializada, com baixa produtividade
	Rede de transportes e vias de comunicação diversificada
	Meios de transporte insuficientes, território mal servido em vias de comunicação
	Comércio interno em larga escala
	Comércio interno rudimentar
	Comércio externo equilibrado
	Comércioexterno dependente
	Forte propensão para investir, grande crescimento econômico
	Fraca propensão para investir. Fraco crescimento econômico
	Dominação econômica ou política sobre outros países
	Dependência econômica e financeira
	Relações sociais arcaicas substituídas por relações sociais modernas
	Sobrevivência de relações sociais arcaicas
	Tendência para se atenuarem as desigualdades sociais
	Fortes assimetrias sociais
	Instituições políticas estáveis
	Instabilidade política
	Participação dos cidadãos na tomada de decisões políticas
	Afastamento dos cidadãos do processo da tomada de decisões políticas

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