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ATIVIDADES COMPENSATÓRIAS DA DISCIPLINA DIREITO ADMINISTRATIVO I Prof. Eloisa Nair de Andrade Argerich Dia: 23/10- DIN82-3N Aluna: Valéria Da Ros Moresco Ler os problemas abaixo e responder de acordo com o solicitado no enunciado 1.João, servidor público federal, ocupante do cargo de agente administrativo, foi aprovado em concurso público para emprego de técnico de informática, em sociedade de economia mista do Estado X. Além disso, João recebeu um convite de emprego para prestar serviços de manutenção de computadores na empresa de Alfredo. Com base no exposto, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) É possível a cumulação do cargo técnico na Administração Federal com o emprego em sociedade de economia mista estadual? E com o emprego na iniciativa privada? Em relação ao emprego em sociedade de economia mista estadual não é possível a acumulação de cargo público pelo viés dos art. 37, XVII, da CF e art. 118, § 1º, da Lei nº 8.112/1990. Todavia, sobre emprego na iniciativa privada, não há nenhuma restrição constitucional ou legal que vede o exercício de atividade remunerada não comercial como prestador de serviços de manutenção de computadores, desde que os horários não sejam incompatíveis de forma a prejudicar o serviço público. B) Caso João se aposente do cargo que ocupa na Administração Pública federal, poderá cumular a remuneração do emprego na empresa de Alfredo com os proventos de aposentadoria decorrentes do cargo de agente administrativo? No caso em tela é possível a acumulação, pois somente é vedado nos casos apontados no art. 37, § 10, da CF, com a renumeração de cargo, emprego ou função pública. 2. Marcelo acumulava dois cargos públicos junto à União, um administrativo, que não exigia qualquer qualificação técnica ou científica, e outro de professor, e havia logrado obter a estabilidade em ambos. Ao ser constatado o referido acúmulo de cargos, ele foi notificado de que deveria optar por um deles no prazo de dez dias, o que não foi por ele realizado. Ato contínuo foi instaurado o respectivo processo administrativo disciplinar, com a constituição de comissão composta por dois servidores estáveis e, na fase instrutória, mediante a garantia da ampla defesa e do contraditório, verificou-se que a acumulação era efetivamente ilícita, de modo que a autoridade competente para o julgamento aplicou a pena de demissão, apesar de Marcelo ter optado pelo cargo de professor um dia antes do término do prazo para a defesa. Na qualidade de advogado(a) consultado(a), responda, fundamentadamente, aos questionamentos a seguir. A) Para a apuração dos fatos imputados a Marcelo, a comissão processante poderia ter a composição que a ela foi conferida? Sim, pois a comissão responsável pelo procedimento a acumulação ilegal de cargos pode ser composta por dois servidores estáveis, conforme o art. 133, I, da Lei nº 8.112/90. B) Agiu corretamente a Administração ao aplicar a pena de demissão? Não, pois como Marcelo optou pelo cargo de professor antes do termino do prazo é configurado sua boa-fé, sendo que assim o outro cargo automaticamente é exonerado, de acordo com art. 133, § 5º, da Lei nº 8.112/90. 3. João, servidor público federal estável, teve instaurado contra si processo administrativo disciplinar, acusado de cobrar valores para deixar de praticar ato de sua competência, em violação de dever passível de demissão. A respectiva Comissão Processante elaborou relatório, no qual entendeu que a prova dos autos não era muito robusta, mas que o testemunho de Ana, por si só, revelava-se suficiente para a aplicação da pena de demissão, o que foi acatado pela autoridade julgadora competente, a qual se utilizou do próprio relatório como motivação para o ato demissional. Diante da gravidade da conduta imputada a João, foi igualmente instaurado processo criminal, que resultou na sua absolvição por ausência de provas, sendo certo que o Magistrado, diante dos desencontros do testemunho de Ana na ação penal, determinou a extração de cópias e remessa para o Ministério Público, a fim de que tomasse as providências que entendesse cabíveis. O Parquet, por sua vez, denunciou Ana pelo crime de falso testemunho pelos exatos fatos que levaram à demissão de João no mencionado processo administrativo disciplinar, e, após o devido processo legal, ela foi condenada pelo delito, por meio de decisão transitada em julgado. Na qualidade de advogado(a) consultado(a), responda aos itens a seguir. A) Em sede de processo administrativo federal, poderia a autoridade competente para o julgamento ter se utilizado do relatório da comissão processante para motivar o ato demissório de João? No caso apresentado por ser processo administrativo federal pode ser utilizado o relatório para motivar a demissão, segundo art. 50, § 1º, da Lei nº 9784/99, e art.168 da Lei nº 8.112/90. B) A condenação penal de Ana poderia ensejar a revisão do processo administrativo disciplinar que levou à demissão de João? Sim, tendo o viés que com a condenação de Ana pode ser justificada a inocência do servidor e promover revisão no processo administrativo disciplinar, de acordo com art. 174, da Lei nº 8112/90. 4. Maria da Silva, médica, inscreveu-se no concurso de perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi aprovada. Após ser nomeada, tomou posse e, logo em seguida, entrou em exercício. Quatro anos depois, Maria foi diagnosticada com glaucoma e, em decorrência disso, infelizmente, perdeu a visão de um dos olhos. Passados alguns anos, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) abriu concurso para o cargo de médico. Maria solicitou inscrição para as vagas reservadas a candidatos com deficiência. Para comprovar sua condição, enviou à comissão do concurso laudo médico. A solicitação foi indeferida, sob a justificativa de que o portador de visão monocular não tem direito de concorrer às vagas reservadas aos deficientes. Na qualidade de advogado(a) consultado(a), responda aos itens a seguir. A) Maria pode acumular o cargo de perito do INSS com o de médico do TRT? Sim, pois as profissões são na área da saúde, desde que haja compatibilidade de horários, de acordo com art. 37, inciso XVI, alínea c, da CF. B) A decisão que indeferiu o pedido de Maria para concorrer às vagas reservadas a candidatos com deficiência é lícita? Não, uma vez que sendo portadora de visão monocular ela tem o direito de concorrer no concurso público as vagas reservadas aos deficientes, conforme, Súmula 377 do STJ. 5. José Maria, aprovado em concurso público para o cargo de Auditor Fiscal do Ministério da Fazenda, foi convocado a apresentar toda a sua documentação e os exames médicos necessários até o dia 13 de julho. Após a entrega dos documentos, José Maria foi colocado em treinamento, e, passadas duas semanas, iniciou o exercício de suas atividades funcionais, que consistiam no processamento de pedidos de parcelamento de débitos tributários. Ocorre que, meses depois, a Administração percebeu que José Maria não havia, formalmente, sido nomeado e nem assinado o termo de posse. Responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. A) Os atos praticados por José Maria podem gerar efeitos em relação a terceiros? Sim, pois ele é agente de fato, isto é, desempenha atividade pública com base na presunção de legitimidade de sua situação funcional, sendo assim seus atos podem ser válidos. B) A Administração pode exigir de José Maria a devolução dos valores por ele percebidos ao longo do tempo em que não esteve regularmente investido? Não, ainda que ilegítima, por ser agente de fato, agido de boa-fé e as verbas tinham caráter alimentar, tem direito a percepção de sua remuneração.