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DIAS, Reinaldo. Fundamentos de Sociologia Geral, 6ª Ed. Campinas: Editora Alínea, 2015, Cap. As Diferenças Sociais, p. 165-193. Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política pela UNICAMP. É especialista em Ciências Ambientais pela USF. Atuou como professor e Coordenador de curso em inúmeras instituições de ensino, entre as quais: Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), Centro Universitário UNA (MG), Universidade Paulista - UNIP (SP), Universidade São Francisco - USF entre outras. Atuação voltada para as áreas de: Sociologia, Administração, Sustentabilidade, Meio Ambiente, Gestão Pública entre outras. Tem artigos publicados em vários órgãos da imprensa, sites e blogs em todo país. Apresenta publicação recente de artigos científicos em revistas do Brasil e do Exterior. Tem livros publicados nas principais editoras do país, entre as quais: Atlas (Grupo GEN), Pearson e Saraiva entre outras. (PLATAFORMA LATTES, 2018) As diferenças sociais (cap.8) do autor Reinaldo Dias, fala de movimentos sociais que buscavam uma sociedade igualitária, que muitos já vinham lutando por isso desde séculos passados. A igualitariedade foi entendida, de forma equivocada, como se fosse possível construir uma sociedade de iguais. Essa utopia igualitária esteve bastante presente durante o século XX e não condiz com a realidade humana e sua complexidade. A utopia da igualdade a ser concretizada está na obtenção de direitos iguais a todos, independentemente de sua condição social. Com o tempo, a diferença entre os homens vão melhorando devido à sua capacidade e habilidade de cada um para trabalhar, permitindo que avancem em termos de suas necessidades que vão além das básicas, tendo em vista a existência de grau de diferenciação social e, consequentemente, irão formar camadas sociais hierarquizada. De acordo com Dias, o estabelecimento da equidade social, passa pela permanente redefinição e ampliação gradativa dos direitos fundamentais do ser humano. Tendo como exemplo a conquista do direito de voto feminino e de como os direitos se ampliam de acordo com a realidade social e o grau de participação. A expressão 'estratificação social' refere-se à divisão da sociedade em camadas (ou estratos), na qual os ocupantes têm acesso desigual a oportunidades sociais e recompensas. "Estratato” significa, nesse caso, um conjunto de pessoas que detêm o status ou posição social. Dentre os fatores principais que levam à estratificação estão: a competição, o conflito, a divisão do trabalho e a especialização. Em grau menor, mas não menos importantes estão as diferenças biológicas, como as de sexo, de idade, de raça e de etnia Uma barreira social tem com elemento cultural perfeitamente identificado, destinado a tomar difícil ou impossível o acesso a um grupo ou camada social. A existência de barreiras sociais está diretamente relacionada com a estratificação social. Por exemplo: na África do Sul, no período de existência do Apartheid, eram proibidos os casamentos entre pessoas de grupos raciais. Desigualdade social no texto descreve uma condição na qual os membros de uma sociedade possuem quantias diferentes de riquezas, prestigio ou poder. Sendo que, não é possível uma sociedade composta por membros exatamente iguais, quando utilizamos a expressão ‘sociedade igualitária’ estamos nos referindo à igualdade de oportunidades que devem ter todos os indivíduos dessa sociedade, sem discriminação de nenhuma espécie. No combate à desigualdade social, busca-se atingir a equidade, que é o direito de as pessoas participarem não só da atividade política e econômica, mas também o direito de contar com os meios de subsistência e com acesso a um conjunto de públicos que permitam manter um nível adequado de vida (Wolfe, 1991, p.21). Já de acordo com Marx, é essencialmente macrossociológica e dinâmica, ao passo que a de Weber se coloca mais do ponto de vista do indivíduo e procura analisar as relações entre os indivíduos e os grupos, e entre os grupos. Embora os dois tenham pensamentos diferentes, eles não se excluem metodologicamente. A expressão “classes sociais” foi usada intensamente pelo autor Marx. Para ele as classes são expressão do modo de produzir da sociedade no sentido de que o próprio modo de produção se define pelas relações que intermedeiam entre as Classes sociais, e tais relações dependem da relação das Classes com os instrumentos de produção. Numa sociedade em que o modo de produção capitalista domine, sem contrastes, em estado puro, as classes se reduzirão fundamentalmente em duas: a burguesia, composta pelos proprietários dos meios de produção, e o proletariado, composto por aqueles que, não dispondo dos meios de produção, têm de vender ao mercado sua força de trabalho (Bobbio; Mateucci; Pasquino, 1993, p. 171). As classes do ponto de vista marxista constituem um sistema de relações em quem cada Classe pressupõe a existência de outra, não podendo haver burguesia sem proletariado ou vice-versa. Marx ao longo de sua obra, expõe seu pensamento acerca da divisão existente na sociedade e prioriza a existência de duas classes fundamentais. Por suas próprias palavras, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado (Marx; Engels, 1977, p. 22). Marx se refere às camadas intermediarias que se encontram entre a burguesia e o proletariado como classes médias, identificando-as como: os pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos e camponeses. O autor caracteriza tais classes como conservadoras, e afirma que elas só combatem a burguesia quando esta lhes compromete a existência como classe. Marx identifica também, o Lumpen-proletariado, formado pelas camadas mais baixas da sociedade e marginalizado do processo produtivo. Já Weber insistiu que uma única característica da realidade social, a posição de uma pessoa dentro do sistema de estratificação. Weber utiliza três dimensões da sociedade para identificar as desigualdades nela existentes: a econômica, a social e a política, que estão relacionadas com três componentes analiticamente distintos de estratificação: classe (riqueza e renda), status (prestígio) e poder. De acordo com Weber, cada uma das três ordens, ou sistemas, de estratificação que estão presentes em qualquer sociedade: a ordem econômica, a ordem social e a ordem política, apresentam sua própria hierarquia, chama de classe a todo grupo de pessoas que se encontra em igual situação de classe, e a situação de classe é definida por ele como: oportunidade típica de 1) abastecimento de bens, 2) posição de vida externa, 3) destino pessoal, que resulta, dentro de determinada ordem econômica, da extensão e natureza do poder de disposição (ou falta deste) sobre bens ou qualificação de serviço e da natureza de sua aplicabilidade para a obtenção de rendas ou outras receitas (Weber 1991, p. 199). Diferentemente de Marx, que conceituou classe social como algo determinado pelas relações sociais de produção. Max Weber afirmava que as classes sociais se estratificam segundo o interesse econômico, em função de suas relações de produção e aquisição de bens. As classes sociais estão diretamente relacionadas com o mercado e as possibilidades de acesso a ele que os grupos na sociedade possuem. Max Weber no estudo da hierarquia social. Baseia-se na "honra social". O prestígio e a honra não podem ser avaliados objetivamente como a posse de bens, as riquezas econômicas são objeto de opiniões pessoais e são pautados pelo consenso estabelecido numa determinada sociedade. Além disso, o prestígio social está ligado a comportamentos definidos como: a maneira de falar, de gastar, de ler, de comprar, de comportar-se em sociedade. Além das classes sociais e dos grupos de status, Max Weber distinguia um terceiro tipo de estratificação social, a baseada no poder político. Partido político, é uma associação cuja adesão é voluntária e quevisa assegurar o poder a um grupo de dirigentes, a fim de obter vantagens materiais para seus membros. No interior dos partidos políticos, encontramos outra hierarquia de poder, que começa no topo, com o líder do partido, e vai até o militante de base. Um outro conceito formulado por Weber é o de estamento. De acordo com ele, este é formado por quem compartilha uma situação estamental, definida como uma situação de privilégio típica, positiva ou negativa, quanto à consideração social, baseada: no modo de vida; no modo formal de educação (aprendizagem empírica ou racional); no prestígio obtido hereditária ou profissionalmente. Weber (1991) chama de sociedade estamental a estrutura social que se orienta, preferencialmente, pelos estamentos. Para ele, toda sociedade estamental é convencional, regulada por normas de modo de vida, criando, por isso, condições de consumo economicamente irracionais e impedindo, deste modo, por apropriações monopólicas...a formação livre do mercado (p. 203). Os estamentos ou estados são muito parecidos com as castas - mas diferem destas por não serem tão fechados. Os estamentos mantinham uma hierarquia de ocupações sancionada por Deus. Cada pessoa tinha de executar as tarefas próprias de sua ocupação, não podendo abandoná-la. Um indivíduo não poderia sair de seu estamento, este era regido por normas que definiam a posição do indivíduo dentro da sociedade, seus privilégios e obrigações. Os três estados que existiam na França do século XVIII são exemplos de estamentos. No primeiro estado, ou da nobreza. O segundo estado, o do clero. O terceiro estado era constituído do resto. Os estados tinham existência legal, eram reconhecidos juridicamente e tinham representação no parlamento. Um fato curioso era que, no parlamento, a nobreza sentava-se do lado direito, o clero possuía assento no centro e o povo, de modo geral, os comuns, sentavam-se sempre do lado esquerdo. Dizia-se dos estamentos que "a nobreza era constituída para defender a todos, o clero para rezar por todos, e os comuns para proporcionar comida para todos". Entende-se por casta um rígido sistema de estratificação social, no qual as pessoas não podem passar livremente de um nível ao outro. O casamento entre diferentes castas é rigorosamente proibido. A organização social era baseada no sistema de castas, em que a hierarquização rígida, baseada em critérios como hereditariedade, religião, profissão ou etnia, determinava a posição do indivíduo na sociedade. A casta brâmane é a casta superior em toda a Índia e considerada a mais pura. Há um número infinito de castas, inclusive por ocupação hereditária: dos barbeiros, dos oleiros, dos coureiros etc. O sistema de castas indiano é baseado numa classificação que vai do “puro" ao "impuro", e que estão em constante oposição. A purificação é feita com a água do banho. O banho que tem o máximo de virtudes purificadoras ou religiosas, como, por exemplo, a do Ganges. A vaca, além de pura, é considerada um animal sagrado. As reformas sociais, mudanças econômicas e a intensificação do processo de urbanização têm rompido muitas das regras de relacionamento entre as castas e a tendência é o desaparecimento gradativo desse sistema. O alto grau de desenvolvimento tecnológico neste início de século tem gerado uma expectativa bastante positiva e ocorre que outra preocupação vem tomando conta de muitos profissionais: a possibilidade de que a tecnologia da informação aumente as diferenças sociais existentes no mundo, ampliando o fosso entre aqueles que têm acesso à informática e aqueles que não a possuem. Outros acadêmicos argumentam que os avanços tecnológicos, como no passado, em última análise, criarão mais empregos que destruirão e que estes serão mais desejáveis que os anteriores. Os empregos irão para aqueles que adquirirem capacitação em novas tecnologias. Porém, na maioria dos países industrializados, apenas cerca de 25% da na população possui computadores pessoais e essa distribuição é fortemente inclinada para as faixas socioeconômicas mais altas. Outro tipo de exclusão é a de acesso a bens e serviços. A tecnologia da informação poderia ser utilizada para tirar da marginalização essas classes de pessoas desfavorecidas. E comum o receio de que as empresas usem os computadores para rastrear o comportamento das pessoas e há uma base racional cada vez maior para esse temor. Os pobres e os idosos poderão sofrer um grau maior de exclusão, ao lhe ser negado o acesso a muitos tipos de bens e serviços pelo fato de serem os únicos usuários de dinheiro vivo, quando pessoas mais prósperas terão adotado o dinheiro eletrônico. Os pobres poderão ser forçados a viver numa espécie de "gueto monetário" na economia. O estudo enfatiza a necessidade de estimular uma maior competição nos mercados de tecnologias de informação e de adotar medidas para proteger os vulneráveis. Neste tópico a constituição de um sistema mundial de relações econômicas e políticas a partir do século XV, levou as potências européias à criação de um sistema de dominação econômica, política e cultural denominado colonialismo. As colônias alcançaram independência política e estabeleceram os seus próprios governos. Porém, persistiu sua dependência em relação a questões administrativas e técnicas, investimentos de capital e fabricação de bens, o que fez essas ex-colônias permanecerem sob domínio e numa posição servil não só em relação às antigas metrópoles, mas também a outras nações industrializadas e a manutenção de uma dominação estrangeira é conhecida como neocolonialismo. Ambas as formas de dominação, o colonialismo e o neocolonialismo, mantém nações subjugadas e sem condições de um desenvolvimento autônomo e voltado para suas próprias necessidades. O processo de globalização foi desencadeado e desenvolve-se com velocidade nunca antes vista em função dos avanços da tecnologia, particularmente a informática e as telecomunicações. O enfraquecimento dos Estados - nação tem diminuído as políticas sociais que, durante longo tempo, contribuíram para amenizar as contradições sociais provocadas e intensificadas pelo desenvolvimento do capitalismo. Ocorre que não existe no mundo outro agente econômico capaz de atuar para reduzir as desigualdades sociais com as condições que o Estado – nação possui. Embora enfraquecido, ele tem poder suficiente para enfrentar as grandes corporações transnacionais nas questões imediatamente relacionadas com o aumento da desigualdade social. Uma ideia que precisamos retomar e que está associada com o Estado a de desenvolvimento econômico em novas bases e, consequentemente, o planejamento. O desenvolvimento econômico vem sempre acompanhado de um crescimento da economia. Embora o crescimento não implique, necessariamente, desenvolvimento. Há países em que se verifica um aumento do produto nacional, portanto crescimento econômico, sem, no entanto, tal resultado se traduzir em um processo de desenvolvimento, que é caracterizado por mudanças qualitativas estruturais e de longo prazo da economia e que visam obter a melhoria das condições de vida das populações. O crescimento econômico, por sua vez, tem apenas uma conotação quantitativa, traduzindo-se por uma expansão global da produção de bens e serviços, sem reflexos sensíveis na distribuição de renda. Desse modo, sucintamente, podemos afirmar que o crescimento econômico constitui-se num aspecto do desenvolvimento econômico. Numa abordagem consagrada, Celso Furtado (1980), concebe a ideia de desenvolvimento baseada em três dimensões: aumento da eficácia do sistema de produção; satisfação das necessidades elementares da população e consecução de objetivos a que almejam grupos dominantes de urna sociedade e que competem na utiliza-se dos recursos escassos (p. 16-17). Aqueles que isolam essas relações de seu sistema de análise tendem a separar as decisões em dois tipos distintos: as "decisões econômicas", que alocam os recursos escassos, e as "decisões políticas", que procuram redistribuir - ou com - pensar- os resultados daalocação (Boulding, 1970 apud Haddad, 1980, p. 18). Quando se trata de planejamento econômico de médio e longo prazo, outras variáveis políticas, sociais e ambientais - devem ser consideradas e poderão vir a assumir um papel bastante relevante. Embora a discussão do planejamento governamental compreenda, quase sempre, em graus diferentes, condições e objetivos os mais diversos, econômicos, sociais, políticos, administrativos e ambientais, ele se dá, basicamente, em torno de duas estruturas: a de poder e a econômica. Podemos caracterizar um passo de desenvolvimento clássico pelas seguintes características: Elevação da renda per capita da população; Redução das desigualdades na distribuição da renda e entre as regiões; Alteração na estrutura da formação da renda, redução da participação do setor primário e aumento do setor industrial e de transportes, por exemplo; Alteração da estrutura da composição do produto industrial – aumento da participação relativa da produção de bens de capital e de bens intermediários e diminuição da produção de bens de consumo; Integração das atividades de todo o sistema econômico, eliminando-se a concentração ou dependência excessiva de setores ou atividades; Melhoria das condições sociais e culturais da população, com redução do analfabetismo e elevação dos padrões de escolarização; Ampliação das oportunidades de avanço social, a eliminação de tabus e preconceitos e a melhoria das condições de saúde, nutrição, higiene e habitação da comunidade. Em 1990, a ONU, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou o primeiro índice de Desenvolvimento Humano (IDH) composto por três indicadores interligados: alfabetização, expectativa de vida e poder de compra. Ao incluir dois indicadores sociais e um econômico na avaliação, desenvolvimento, objetivou-se reforçar o aspecto de embora indispensável, é um meio para se atingir determinado fim, n o qual se incluem: satisfação das necessidades básicas, qualidade de vida, equalização de oportunidades e direitos da cidadania (Demo, 1993, p. 144). Após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, consagrou-se, nos mais diversos fóruns, o termo 'desenvolvimento sustentável', que, de forma genérica, estabelece que o desenvolvimento deva ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas equitativamente as necessidades ambientais e de desenvolvimento de gerações presentes e futuras (ONU, 1992) No planejamento como política de governo, o estado desempenhou um papel indispensável na articulação dos interesses econômicos que forjaram os primeiros parques industriais nas nações mais desenvolvidas. A antiga União Soviética adotou a planificação no fim da década de 1920 (o primeiro plano quinquenal é de 1929) e era o único país que usava o planejamento de forma sistemática nesse período. A crescente globalização da economia vem tornando necessário pensar, com mais frequência, numa certa planificação econômica global. Não existe um organismo internacional que estabeleça diretrizes e possua autoridade suficiente para fazê-las cumprir, persistem os Estados nacionais como únicos agentes políticos importantes no cenário internacional capazes de, ainda, implementarem determinadas políticas setoriais e com poder suficiente para fazer que sejam cumpridas. Nessa fase, é fundamental, para que haja um mínimo de planejamento dentro da economia globalizada, que os Estados Nacionais estabeleçam metas realizáveis e mantenham um mínimo de coerência operacional, de modo que os outros agentes do cenário internacional possam, com base nesses dados- de certo modo estáveis - executar uma determinada planificação. Um dos aspectos importantes da regionalização é a possibilidade de planejamento do desenvolvimento de forma integrada, por um número maior de países que passam a complementar as necessidades um do outro, compondo, desse modo, uma nova unidade econômica internacional que passará a ter um papel cada vez mais relevante, não só no aspecto econômico, mas assumindo outras ações de âmbito cultural, político, social e ambiental. Ao decidirmos fazer um planejamento, na verdade, estamos optando por um determinado futuro e, com base nessa escolha, organizaremos o presente para que possamos atingir o objetivo traçado. Em termos gerais, podemos afirmar que o planejamento busca definir e alcançar objetivos para o futuro, de tal maneira nas sociedades humanas não sejam determinadas por circunstâncias fortuitas ou externas, mas sejam resultado de decisões e propósitos gerados por um conjunto de pessoas determinadas (Bromley, 1982, p. 124) No âmbito do poder público, o planejamento pode ser definido como uma técnica de tomada de decisão que dá importância para a escolha de objetivos bem determinados e estabelece os meios mais apropriados para atingi-los (Rattner, 1979, p. 8) Quando se trata de planejar ações derivadas de qualquer segmento humano, deve-se compreender toda a complexidade dessa abordagem e aceitar que o planejamento deve corresponder às expectativas da sociedade como um todo. Ao se cumprirem algumas metas do planejamento, podemos proceder a uma avaliação da proposta estratégica e, se necessário, fazer correções em relação aos rumos escolhidos inicialmente. As formas de ingerência do Estado que podem causar alguma confusão sobre a existência ou não de planejamento propriamente dito são o intervencionismo e o dirigismo estatal. O intervencionismo, por sua vez, não age sobre as causas, mas sobre algumas consequências do processo socioeconômico. A ingerência do Estado não é sistemática nem orientadora. São expressões dessa ação, por exemplo: incentivos fiscais, o protecionismo alfandegário, política cambial, controle de preços e salários etc. Todo e qualquer tipo de planejamento é um instrumento de poder significativo, pois, ao nos decidirmos por uma das alternativas de diversos cenários futuros, podemos optar por aquela que mais nos interessa, ou aquela que vai ao encontro das nossas aspirações ou das do grupo social a que pertencemos. O exercício do poder começa no ato de decidir realizar o planejamento, decisão esta essencialmente política. A técnica do planejamento legitima um determinado poder, pois aquele que a utiliza impõe sua vontade ao interferir na vida das pessoas e direcionar suas atividades, dentre outras possibilidades. A mistificação da prática do planejamento integra um dos mecanismos utilizados pelos agentes ou sujeitos do planejamento para manterem sob seu controle todos os mecanismos do processo de planificação. Num Estado mais democrático, embora dominado por um grupo social determinado, o planejamento sofrerá influências de outros grupos ou classes sociais que poderão, por meio dos mecanismos institucionalizados, ou não, interferir na escolha das alternativas propostas. Mesmo assim, deve haver um apoio inequívoco da comunidade, que precisa estar estrutura política deve respaldar sua aplicação. Que é necessária a participação da comunidade-alvo do planejamento, não resta a menor dúvida. Os problemas começam a surgir quando se discutem as formas em que se realiza essa participação. Ao se planejar uma cidade, uma região, ou um segmento da economia, pode-se considerar possível uma participação direta daqueles que serão envolvidos pelo planejamento. Quando se trata de planejamento do desenvolvimento de um país, a questão deve ser encarada de outra maneira. Seria uma profunda demagogia querer incorporar as massas no debate do conteúdo de planejamento. Mas há mecanismos institucionais pelos quais essa parte da população pode expressar-se e que devem ser usados, tais como, os partidos políticos, representantes no parlamento, organizações representativas da comunidade, organizações não governamentais etc. No Brasil, a Constituição Federal prevê, ainda, mecanismos de democracia direta, como o referendo e o plebiscito, que podem ser utilizados em vários níveis de articulação da planificação. A questão da participação tem relação direta como conceito de cidadania, na medida em que este se refere à condição de um indivíduo portador de direitos. Não há direito maior de um indivíduo que o de decidir seu próprio destino. Nessas circunstâncias, a participação no planejamento vai depender da correlação de forças, entre diversos grupos envolvidos no plano, tanto aqueles que o idealizam, com aqueles que serão atingidos. A ação das ONGs insere-se no contexto de um aumento da participação de cidadão e articula-se de tal forma, ao mesmo tempo em que supre deficiências do Estado no cumprimento de sua ação social, constitui-se, cada vez mais. As ONGs, de modo geral, têm no Estado o seu principal interlocutor e em torno dele se articulam, reivindicando para sim um certo monopólio da verdade e justeza ética sobre algum valor, ideal ou política. De todo modo, constitui-se em novos atores no cenário internacional e nacional em todos, sejam locais, municipais, estaduais, ou nacionais. Hoje, no âmbito internacional, praticamente todas as grandes questões são propostas patrocinadas pelas das ONGs. Atualmente, a atuação das ONGs ocorre em todos os níveis e uma de suas características é um grande conhecimento do contexto social, político e econômico em que operam, o que as caracteriza como importantes atores em qualquer processo de planejamento do desenvolvimento. A desigualdade social é um problema basicamente político e não falta de recursos. O problema está em que poucos controlam a maior parte da riqueza gerada pela maioria. Tendo em vista tais correlações, podemos resolver a questão da participação, sem tecnicismo e sem demagogia, pois cada nível de planejamento permite um determinado tipo de participação, um determinado grau de envolvimento na sociedade. O planejamento não resolve, por si só, os problemas de desigualdade social, mas permite melhorar a distribuição dos recursos e planejar o desenvolvimento de forma que seja corretamente contemplada a problemática social. O autor conclui que existem diferenças, desigualdades e estratificação social, trazendo abordagens teóricas, para abordar os dois, Marx e a de Weber, e que, além disso, tem toda uma relação dessa questão de qualidade com a questão de planejamento social. O capitulo é bastante claro, compreensível, e que todos deveriam conhecer, por se tratar de uma obra abrangente e didática não é fácil de ser encontrada. Para tanto, acho ser recomendável, aos alunos de sociologia especialmente, e não só por ter um conteúdo claro, mais também por conter uma linguagem fácil e bem acessível. Os autores usados para embasar o texto de Dias foram: Wolfe; Karl Marx; Max Weber; Bobbio; Mateucci; Pasquino; Engels; Artigo de Black; Celso Furtado; Bolding; Holanda; Demo; Negret; Folha de São Paulo; ONU, Comissão Mundial para o Meio Ambiente e desenvolvimento; Castro; Miglioli; Bromley; Rattner; Kaplan; Cintra; Briones; Roque. O texto de Dias é muito interessante, por exemplo, ele faz um aporte com planejamento, que outros autores como Vila Nova (2006) e Lakatos e Marconi (1990) não fazem. Eles vão direto para os conceitos de estratificação, os tipos, as normas e não para essa abordagem de planejamento. Recomendo esse texto a todos aqueles que pretendem aprender sobre a sociedade e como um indivíduo pode inteirar-se numa sociedade diferente daquela que pertence, aos alunos do ensino médio como também universitários nas diferentes áreas. Com o conhecimento exibido nesse livro tem-se um aporte de informações para várias áreas do conhecimento como ciências humanas, ciências sociais aplicadas e faculdades de direito. Referências LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Sociologia Geral. São Paulo: Atlas, 1990, p. 235 Disponível em:>https://professorsauloalmeida.files.wordpress.com/2014/08/sociologia-geral-lakatos-eva-maria.pdf< Acessado em: Novembro, 2018. VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. São Paulo: Atlas, 2006. p.150-170. DIAS, Reinaldo. Fundamentos de Sociologia Geral, 6ª Ed. Campinas: Editora Alínea, 2015, Cap. As Diferenças Sociais, p. 165-193. DIAS, Reinaldo, Plataforma Lattes. Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/5937396816014363.> Acesso em: Novembro, 2018.