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Filo: Platyhelminthes Classe: Cestoda São 7 principais famílias de interesse veterinário na ordem Cyclophyllidae e seus principais gêneros: Taenidae: Taenia ; Echinococcus Anoplocephalidae: Anoplocephala; Moniezia Dilepedidae: Dipylidium; Amoebataenia; Choanotaenia Davaineidae: Davainea; Railletina Hymenolipididae: Hymenolepis; Rodentilepis Mesocestoididae: Mesocestoide ; Dithyridium Thysanosomidae: Stilesia; Thysonosoma; Avitellina Características: Corpo muito alongado - comprimento de centenas de vezes maior do que a largura Parte anterior – escólex com 4 ventosas com ou sem ganchos Colo ou pescoço – origina as proglotes (zona de crescimento) Estróbilo – cadeia de segmentos: proglotes jovens, maduras e grávidas São parasitas obrigatórios, ciclo heteroxeno Adultos – parasitam tubo digestivo, dutos biliares e pancreáticos de vertebrados Larvas – parasitam tecidos de vertebrados e invertebrados – cistos de diferentes tipos: Cisticerco Cisto hidático Cenuro, etc. Ciclo biológico dos Cestóides: Os ovos contendo embrião hexacanto são ingeridos por hospedeiros intermediários (HI). No tubo digestivo a casca é digerida liberando o embrião. As oncosferas invadem a mucosa intestinal, atingem a circulação linfática ou venosa e migram para os órgãos. O tipo de larva formada varia em função da espécie do cestóide. Hospedeiro definitivo (HD) se alimenta de tecido do HI contendo formas larvais No tubo digestivo do HD digestão dos tecidos do HI e liberação da larva. Os escólex fixam-se por meio das ventosas e acúleos crescimento e diferenciação das proglotes adulto. Adulto pode viver por muitos anos Taenia solium Hospedeiro definitivo: homem. Hospedeiro intermediário:: suíno, raramente o cão, o gato, os ruminantes, os eqüinos e o próprio homem. Localização: Adultos intestino delgado do homem Larvas (cisticercos) Cysticercus celullosae observado no tecido conjuntivo interfascicular dos músculos sublinguais, mastigadores, diafragma, músculo cardíaco e no cérebro. Distribuição: maior prevalência na América Latina, Índia, África e em determinadas regiões do Oriente Médio. Na América Latina: quase 0,5 milhão de pessoas são acometidas pela cisticercose. Ciclo Biológico: No trato digestivo o embrião hexacanto é liberado pela ação dos sucos gástricos e da bile Há penetração ativa da larva na mucosa e circulação sanguínea Há formação do cisticerco na musculatura No hospedeiro definitivo: no intestino, os cisticercos são liberados pela digestão da carne, o escólex desinvagina por ação da bile As ventosas se fixam à mucosa e o rostro insinua-se entre as vilosidades A vesícula atrofia-se e há o crescimento do estróbilo Particularidades do ciclo biológico: O homem pode apresentar a teníase (parasitismo com vermes adultos) ou a cisticercose (presença de formas larvais formando cisticercos). O homem pode desenvolver a cisticercose pela ingestão acidental de ovos de T. solium ou por retroperistaltismo até o estômago (auto-infecção) de oncosferas liberadas após a digestão de proglote grávida. Após três meses da infecção: proglotes grávidas eliminadas nas fezes, geralmente em número de 3 a 6 por vez. Os ovos podem permanecer viáveis no ambiente por até 12 meses. O cisticerco demora 3 meses para se formar a partir da infecção do suíno. Infecção crônica (após 8 meses): o cisticerco pode sofrer calcificação. Sintomas: Hospedeiro definitivo: tênias adultas podem causar anorexia ou apetite exagerado, náuseas, vômitos, diarréias alternadas com constipação, dores abdominais, perda de peso, manifestações alérgicas e neurológicas. Muitas destas perturbações digestivas podem ser decorrentes de irritações nas terminações nervosas do plexo nervoso simpático provocadas pela movimentação do rostro ou rostelo. Hospedeiro intermediário: Suínos infectados com cisticerco os sinais clínicos são inaparentes Cisticercose em humanos: forma larvar olhos, cérebro e tecido subcutâneo podendo levar a alterações patológicas como cegueira, nódulos no olho, transtornos neurológicos... Epidemiologia: Suínos podem se infectar com água, alimentos contaminados com ovos. Tipos de infecção no homem: Teníase – pela ingestão de carne crua ou mal passada contendo cisticercos Cisticercose – pela ingestão de ovos presentes em alimentos contaminados com ovos, ou por re-infecção com a oncosfera por retroperistaltismo. Controle: Legislação Inquéritos e vigilância epidemiológica Medidas de controle da carne Inspeção rigorosa dos músculos mastigadores, da língua, faringe esôfago e coração Também diafragma e outros músculos esqueléticos Encontro de 1 cisticerco vivo: carne destinada à salsicharia Poucos cisticercos vivos: salga ou fabricação de banha Muitos cisticercos: condenação Medidas ecológicas e de proteção ambiental Educação sanitária Diagnóstico: Exame de fezes: pesquisa de proglotes (hospedeiro definitivo) Verificação de cisticerco na carcaça (hospedeiro intermediário). Detecção de cisticerco no homem (tomografia, pesquisa de anticorpos). Tratamento: Suíno: não há tratamento eficaz que elimine os cisticercos. Homem: cirúrgico e anti-helmínticos Taenia saginata Hospedeiro definitivo: Homem Hospedeiro intermediário: Bovino, raramente ovinos e caprinos. Não há cisticercose no homem. Localização: Adulto: intestino delgado do homem Larvas (cisticercos): Cysticercus bovis musculatura esquelética e cardíaca, pulmões e fígado do hospedeiro intermediário. Distribuição: mundial Importância na Medicina Veterinária: Cisticerco na musculatura do animal condenação parcial ou total da carcaça (prejuízo econômico). Países em desenvolvimento: 30 a 60% de animais infectados detectados durante a inspeção das carcaças. Países desenvolvidos: menos de 1% Ciclo: semelhante ao da T. solium Tratamento: não há tratamento efetivo através das drogas contra os cisticercos. Controle Evitar que bovinos tenham acesso à água contaminada com esgoto de origem humana. Ingerir carne bovina bem passada Inspeção sanitária em abatedouros Profilaxia do Complexo Teníase-Cisticercose”, que baseia-se nos seguintes procedimentos: Inspeção das carcaças localização dos cisticercos Carcaças parasitadas devem ser tratadas ou terem um destino adequado, levando-se em consideração o grau de infecção: Encontro de 1 a 5 cisticercos: tratamento pelo congelamento (- 10 0 C / 10 dias) ou salga. Encontro de 6 a 20 cisticercos: tratamento pelo calor (carne industrial) Mais de 20 cisticercos: condenação total da carcaça Educação sanitária orientar a população para o consumo de carne inspecionada, diminuir consumo de carne crua ou mal passada, esclarecer sobre a importância do destino adequado das excretas. T.hydatigena Hospedeiro definitivo: cão e canídeos silvestres Hospedeiro intermediário: ruminantes, suínos Forma larvar: Cysticercus tenuicollis, vulgarmente conhecido como "bolha d'água". Localização: Adulto: intestino delgado do cão Forma larvar nas serosas, fígado, cavidade peritoneal e mais raramente na pleura e no pericárdio do hospedeiro intermediário. Ciclo: Típico de cestóides, com as seguintes particularidades: Oncosferas migram pelo fígado por aproximadamente 4 semanas antes de emergirem e se fixarem no peritôneo. Após a fixação, cada oncosfera se desenvolve em um cisticerco. Migração das oncosferas pode causar “hepatite cisticercosa”, que pode ser fatal. A resposta imune do hospedeiro é capaz de destruir os cisticercos em desenvolvimento com a formação de nódulos esverdeados de aproximadamente 1 cm de diâmetro na superfície do órgão. Sintomas e Diagnóstico: Clínico: sintomatologia, presença de proglotes nas fezes, às vezes se observa um emaranhado de tênias pendentes no ânus. Laboratorial: pesquisa de ovos nas fezes pelo método desedimentação espontânea (Hoffmann). ELISA e imunofluorescência indireta podem ser usados Controle: não alimentar cães com vísceras E. granulosos Hospedeiro definitivo: E. g. granulosus : cão e canídeos silvestres (menos a raposa vermelha) E. g. equinus : cão e raposa vermelha Hospedeiro intermediário: E g. granulosus : ruminantes domésticos e silvestres, homem, primatas, suínos, coelhos. E. g. equinus : eqüinos e asininos Ciclo: HD cão doméstico HI ovino, homem (acidental) O homem pode adquirir a infecção pela ingestão de oncosferas da pelagem dos cães ou de alimentos contaminados com fezes de cães hidatidose (zoonose). Os cistos hidáticos tem crescimento lento e só são percebidos alguns anos após a infecção. Há citações de cistos de até 50 litros de líquido em humanos. A ruptura pode causar choque anafilático e morte. Ciclo silvestre entre canídeos e ruminantes selvagens, se baseia na predação ou ingestão de cadáveres. Importância econômica: condenação nos abatedouros. O HD se infecta ao ingerir vísceras do HI com cisto hidático larvas adultos no tubo digestivo do cão (cerca de 7 semanas) as proglotes grávidas se destacam e vão para o meio ambiente com as fezes. Os ovos se disseminam HI se infecta ingerindo ovos nas pastagens ou em alimentos contaminados larvas hexacanto sistema porta fígado ou pela circulação vão ao pulmão e cérebro. Oncosferas (embrião hexacanto) são resistentes e podem sobreviver no ambiente por cerca de 2 anos. Cisto hidático ou hidátide atinge a maturidade em seis a doze meses. Em ovinos: Maior parte das hidátides se formam nos pulmões, também se formam no fígado. Eqüinos e bovinos: maioria se forma no fígado. Localização: Adultos: intestino delgado do cão Larvas (cistos hidáticos): fígado e pulmões (principalmente) do HI. Distribuição: E. g. granulosus: mundial E. g. equinus: Europa, principalmente. Patogenia: Hospedeiro definitivo: geralmente é assintomático. Em infecções maciças podem ocorrer episódios de diarréia catarral hemorrágica. Hospedeiro intermediário: sintomas relacionados ao local e ao tamanho da hidátide, pode ocorrer compressões de outros órgãos. hidatidose hepática hiporexia, ruminação alterada, diarréia, emagrecimento progressivo e hepatomegalia. hidatidose pulmonar tosse sibilante, pode ocorrer taquipnéia e dispnéia. Pode ocorrer degeneração da hidátide com calcificação. Se um cisto hidático se romper pode ocorrer choque anafilático e desenvolvimento de cistos secundários em outras regiões do corpo. Diagnóstico: Clínico: pouco elucidativo, sintomatologia pouco evidente Laboratorial: pesquisa de proglotes nas fezes dos cães (difícil, proglotes pequenas e escassas). ELISA – coproantígenos em fezes de canídeos Outros testes sorológicos – reatividade cruzada com Taenia Necroscópico: encontro dos pequenos cestóides no intestino delgado (HD), presença do cisto hidático (HI). Humanos - diagnóstico por imagem (cisto hidático), ELISA Controle: Canídeos silvestres – controle pouco viável Cães: tratamento preventivo, impedir acesso às vísceras, destruição das vísceras parasitadas. Humanos - educação sanitária e medidas de higiene