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Esterilização de meio e equipamento CONJUNTAMENTE Modo descontínuo Aquecimento com vapor direto* Aquecimento elétrico Aquecimento com vapor indireto Resfriamento indireto O meio é agitado mecanicamente para assegurar a mesma T em todos os pontos do sistema * Acarreta diluição do meio (≈10-15%) Fases do modo descontínuo: I. aquecimento II. esterilização III. resfriamento q qe θe: t de esterilização Ti: T inicial Tm: T mínima letal (TML) Te: T esterilização Tf: T final do meio esterilizado = T de fermentação Algumas horas Esterilização de meio e equipamento CONJUNTAMENTE Modo descontínuo Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esteriliza-se o equipamento por radiação, calor úmido ou agentes químicos Agentes químicos Limpeza e desinfecção manual Desmontagem do equipamento Limpeza dos componentes: remoção de resíduos (uso de detergentes) Lavagem dos componentes com água: remoção dos detergentes Montagem do equipamento e introdução da solução aquosa germicida Drenagem da solução desinfetante Remoção dos resíduos através da circulação de água ou outro fluido estéril Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esteriliza-se o equipamento por radiação, calor úmido ou agentes químicos Calor úmido Injeção de vapor direta Válvula aberta Injeção de vapor direta até p = 1 atm Válvula fechada Válvula fechada testerilização a p = 1 atm (≈20 min) Entrada de ar estéril Resfriamento Equipamento estéril Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esteriliza-se o equipamento por radiação, calor úmido ou agentes químicos Agentes químicos CIP (clean in place) ou limpeza sem desmontagem Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esterilização do meio Modo contínuo O meio, sob Te, percorre o tubo de retenção ou de espera (TE), dimensionado de modo que o t de residência do meio no tubo seja igual a θe B: bomba TC1 e TC2: trocadores de calor I: injetor de vapor T: termômetro P: manômetro V: válvula de redução de pressão Haverá diluição do meio (≈10- 15%) Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esterilização do meio Modo contínuo qe θe: t de esterilização q Ti: T inicial Tm: T mínima letal (TML) Te: T esterilização Tf: T final do meio esterilizado = T de fermentação Alguns minutos Esterilização de meio e equipamento SEPARADAMENTE Esterilização do meio Esterilização descontínua Menor perigo de contaminação Problemas de corrosão Decomposição de nutrientes (T alta por longo t) Consumo elevado de vapor e água Maior t ocioso do tanque de fermentação Esterilização contínua Maiores T Menor t de operação Menor decomposição de nutrientes Menor consumo de vapor e água Melhor controle de T Vazão promove agitação Dimensões pequenas: tubo pode ser constituído de ligas metálicas especiais Pode ser usada nos processos de cozimento e sacarificação de matérias- primas amiláceas A velocidade de destruição, através do calor úmido, dos micro-organismos presentes em um dado meio depende de vários fatores: Do micro-organismo gênero espécie linhagens idade da cultura existência ou não de esporos Do meio composição pH presença de sólidos em suspensão Da temperatura K T constante Ln N q (min) Determinado micro-organismo, em suspensão em um dado meio, é mantido a T constante a maior do que TML Como T > TML, então o número de micro-organismos vivos é uma função decrescente do tempo Então, do ponto de vista cinético, a destruição do micro-organismo se comporta como uma reação de 1ª ordem N: número de micro-organismos sobreviventes após exposição a uma temperatura ‘T’ por um tempo ‘q’ K: constante da taxa (velocidade) de destruição térmica do micro-organismo, medida em tempo-1 𝑑𝑁 𝑑𝜃 = −𝐾𝑁 ↓K ↔ ↑resistência do micro-organismo 𝑑𝑁 𝑑𝜃 = −𝐾𝑁 Condições de contorno: θ = 0 → N = N0 θ = θ → N = N integrando... 𝑑𝑁 𝑁 = −𝐾𝜃 𝜃 0 𝑁 𝑁0 𝐥𝐧 𝑵 𝑵𝟎 = −𝑲𝜽 T = constante 𝑵 = 𝑵𝟎𝒆 −𝑲𝜽 N0: nº de micro-organismos no início da exposição à T, correspondente à θ = 0. K é uma função: do micro-organismo do meio da temperatura Tempo de redução decimal (D) tempo necessário para reduzir o nº de micro-organismo a 1/10 do valor inicial ou seja: para destruir 90% dos micro-organismos vivos existentes ln 𝑁 𝑁0 = −𝐾𝜃 N = 0,1N0 θ = D ln 0,1𝑁0 𝑁0 = −𝐾𝐷 ln 0,1 = −𝐾𝐷 𝑫 = 𝟐, 𝟑𝟎𝟑 𝑲 T = constante D é uma função: do micro-organismo do meio da temperatura Ou seja: os mesmos fatores que afetam K Tempo de redução decimal (D) Destruição térmica de esporos de Bacillus stearothermophilus a 105°C θ (min) N 25 8,5.104 50 3,5.104 100 6,0.103 200 2,0.102 250 40 ln 𝑁 𝑁0 = −𝐾𝜃 ln𝑁 = ln𝑁0 − 𝐾𝜃 Por regressão linear: ln𝑁 = 12,1626−0,0341𝜃 (r2 = 0,9998) Neste caso (T=105°C): K = 0,0341 min-1 Se T = 121°C: K ≈ 3 min-1 T influencia K... 𝐷 = 2,303 𝐾 Neste caso (T=105°C): D = 67,5 min Ou seja: à T = 105°C, 90% dos micro-organismos presentes no meio considerado serão destruídos em 67,5 min A: constante de Arrhenius (empírica) E: energia aparente de ativação de destruição (Kcal/mol de micro-organismos) R: constante dos gases perfeitos T: temperatura absoluta (K) Dependência de K com a temperatura Equação de Arrhenius: 𝐾 = 𝐴 ∙ 𝑒− 𝐸 𝑅𝑇 linearizando... 𝐥𝐧𝑲 = 𝐥𝐧𝑨 − 𝑬 𝑹 𝟏 𝑻 Dependência de K com a temperatura Determinação de E tendo as curvas de destruição térmica Conhecendo-se os valores de K para diferentes T´s: ln𝐾 = ln𝐴 − 𝐸 𝑅 1 𝑇 Por regressão linear: E = 68,7 kcal/mol Bacillus stearothermophilus Para muitos micro-organismos: 65 < E < 85 kcal/mol) Destruição dos nutrientes do meio em função da esterilização aquecimento de um meio destruição de micro-organismos alterações em sua composição decomposição de vitaminas reações entre açúcares e proteínas T escolhida para a esterilização do meio desempenha papel relevante ↑Te ↔ ↓ destruição de nutrientes existentes neste meio Como assim?! Destruição dos nutrientes do meio em função da esterilização Vitamina E (Kcal/mol) Vitamina A 14,6 Ácido fólico 16,8 Ácido ascórbico 23,1 Álcool pantotenílico 21 Cianocobalamina 23,1 Cloridrato de tiamina 22 Micro-organismo E (Kcal/mol) Bacillus stearothermophilus 68,7 Bacillus subtilis 76,0 Clostridium botulinum 82,0 Anaeróbico NCA 3679 72,4 Menores valores de E São mais sensíveis à ação de T Ou seja: são mais termolábeis Destruição dos nutrientes do meio em função da esterilização Inativação, por ação do calor, de tiamina contida em meios de cultivo Te (°C) θ (min) Perda de tiamina (%) 100 843 99,9 110 75 89 120 7,6 27 130 0,851 10 140 0,107 3 150 0,015 1 + p re se rv ad a Esterilização HTST (high temperature short time) Melhores serão os resultados obtidos no bioprocesso Trabalho valendo ponto!!! Data da entrega: 23/05/2017 (terça-feira) Prove que, sob temperaturas mais elevadas, a destruição de nutrientes termossensíveis é reduzida (S2 > S1). Dados: • T1: temperatura de esterilização com tempo θ1 • T2: temperatura de esterilização com tempo θ2 • Si: concentração donutriente no meio esterilizado à temperatura Ti • Ki: constante de destruição térmica do micro-organismo à temperatura Ti • Ki’: constante de destruição térmica do nutriente à temperatura Ti • E: energia de ativação de destruição do micro-organismo • E’: energia de ativação de destruição do nutriente • T2 > T1 • θ2 < θ1 • E’ < E 𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 𝜃1 𝜃2 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑚𝑖𝑐𝑟𝑜 − 𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑠𝑚𝑜𝑠 𝑒 𝑛𝑢𝑡𝑟𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 Algumas considerações... os meios de fermentação não possuem uma única espécie de micro- organismo a ser destruída desta forma, escolhe-se um micro-organismo de referência conhecido, altamente resistente ao calor em geral: Bacillus stearothermophilus esporulado lembrando que a esterilização é a operação que tem por finalidade destruir TODOS os micro-organismos vivos então: N = 0 no final da esterilização ln 𝑁 𝑁0 = −𝐾𝜃 𝜽 = 𝟏 𝑲 ∙ 𝐥𝐧 𝑵𝟎 𝑵 N = 0 ??? Impossível de resolver a equação... Definimos a probabilidade de falha (P) Seja: Et = nº total de operações de esterilização realizadas nas mesmas condições Ef = nº total de operações de esterilização que falharam, ou seja, que não conduziram a um meio estéril 𝑷 = 𝑬𝒇 𝑬𝒕 𝜽 = 𝟏 𝑲 ∙ 𝐥𝐧 𝑵𝟎 𝑷 Se multiplicar por 100... 𝑷 = % Probabilidade de falha (P) Exemplo: P = 0,03 (ou 3%) Ou seja: A cada 100 reatores esterilizados, 3 não estão estéreis Se N0 = nº micro-organismos vivos em cada reator antes da esterilização Então: nº de micro-organismos vivos em 100 reatores será 100.N0 Se considerarmos que a condição necessária e suficiente para que falhe a esterilização de um reator seja que nele exista, após o tratamento térmico, 1 micro-organismo vivo Então: nº de micro-organismos vivos no final do tratamento térmico em 100 reatores será 3 Ou seja: 1 em cada reator onde a esterilização falhou Probabilidade de falha (P) Exemplo: 𝜃 = 1 𝐾 ∙ ln 𝑁0 𝑃 Então: 𝜃 = 1 𝐾 ∙ ln 100𝑁0 3 = 1 𝐾 ∙ ln 𝑁0 0,03 Exemplo numérico: um dado volume de meio a esterilizar contém 2,5.1010 micro-organismos vivos; K = 3,4 min-1. Calcular θ para que: a) P = 10% 𝜃 = 1 3,4 ∙ ln 2,5. 1010 0,1 = = 𝟕, 𝟕 𝒎𝒊𝒏 b) P = 1% 𝜃 = 1 3,4 ∙ ln 2,5. 1010 0,01 = = 𝟖, 𝟒 𝒎𝒊𝒏 c) P = 0,1% 𝜃 = 1 3,4 ∙ ln 2,5. 1010 0,1 = = 𝟗, 𝟏 𝒎𝒊𝒏 Outras definições 𝐺𝑟𝑎𝑢 𝑑𝑒 𝑒𝑠𝑡𝑒𝑟𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝑁0 𝑁 𝐸𝑓𝑖𝑐𝑖ê𝑛𝑐𝑖𝑎 = η = 𝑁0 −𝑁 𝑁0 Calcular o grau de esterilidade (N0/N) para a uma esterilização descontínua, com eficiência η= 99,9999999999% 𝑁0 𝑁 = 1012 Modo contínuo qe q Tanto o aquecimento quanto o resfriamento são muito rápidos O cálculo de θ se resume na aplicação da equação: 𝜽 = 𝟏 𝑲 ∙ 𝐥𝐧 𝑵𝟎 𝑷 T (oC) Te TML Tamb qo q1 q2 q3 q (min) No qAquecimento qe qResfriamento No N1 < No N < N2 < N1 N População contaminante se reduz de N1 para N2 T = cte Modo descontínuo Modo descontínuo Para calcularmos θ precisamos conhecer: N0 P As curvas de aquecimento e resfriamento TML Te A variação de K com T K1 K2 K3 T1 T2 T3 Ln N/N0 q (min) T1 > T2 > T3 ln 𝑁 𝑁0 = −𝐾𝜃 ln𝐾 = ln𝐴 − 𝐸 𝑅 1 𝑇 (Arrhenius) Modo descontínuo ln 𝑁 𝑁0 = −𝐾𝜃 𝐾 = 𝐾(𝑇) 𝑇 = 𝑇(𝜃) 𝑲 = 𝑲(𝜽) q qe A Aquecimento: ln 𝑁𝑜 𝑁1 = 𝐴 𝐴 = 𝐾 ∙ 𝑑𝜃 𝜃1 𝜃0 T = Te = constante Esterilização: ln 𝑁1 𝑁2 = 𝐾𝑒𝜃𝑒 Resfriamento: ln 𝑁2 𝑁 = 𝑅 𝑅 = 𝐾 ∙ 𝑑𝜃 𝜃3 𝜃2 R Modo descontínuo Só interessam os valores inicial e final de micro-organismos. Então: ln 𝑁0 𝑁1 ∙ 𝑁1 𝑁2 ∙ 𝑁2 𝑁 = 𝐾𝑒𝜃𝑒 + 𝐴 + 𝑅 ln 𝑁0 𝑁 = 𝐾𝑒𝜃𝑒 + 𝐴 + 𝑅 ln 𝑁0 𝑃 = 𝐾𝑒𝜃𝑒 + 𝐴 + 𝑅 𝜽𝒆 = 𝟏 𝑲𝒆 ∙ 𝐥𝐧 𝑵𝟎 𝑷 − 𝑨 + 𝑹 𝑲𝒆