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Oscilações no Pêndulo Simples Edson V. Berçan, Luana Márcia de A. Bernardes, Mirian V. de Souza, Yasmim G. Xavier Física Experimental I – Engenharia Química – CCAE Universidade Federal do Espírito Santo – UFES 2018/1 - Alegre-ES Resumo. No nosso dia a dia encontramos vários tipos de oscilações, onde temos objetos que descrevem um vai e vem em torno das suas posições de equilíbrio, como os pêndulos. Para evidenciar a importância do movimento oscilatório, temos o exemplo do experimento de Foucault, que comprovou o movimento rotacional da Terra a partir de um pêndulo simples. O presente relatório tem a finalidade de descrever o estudo do movimento periódico de oscilação de um pêndulo simples e determinar o valor da aceleração gravitacional local. Aplicamos os métodos de regressão linear e do valor médio para os cálculos do valor da aceleração da gravidade, utilizamos o erro relativo percentual e construímos gráficos para representar a relação entre o comprimento do fio e o período ao quadrado. Palavras chave: oscilações, pêndulo simples, aceleração da gravidade. ___________________________________________________________________________________ 1. Introdução Quando o movimento de uma partícula descreve uma trajetória que se repete a partir de um certo instante, dizemos que esse movimento é periódico ou harmônico. Em nosso cotidiano encontramos vários tipos de oscilações, onde temos objetos que descrevem um vai e vem em torno das suas posições de equilíbrio, como por exemplo o movimento pendular de um relógio. Esse vai e vem caracteriza o movimento harmônico simples (MHS). Os pêndulos são uma classe de osciladores harmônicos simples nos quais a força de retorno está associada à gravitação. (HALLIDAY et al., 1996) O pêndulo simples é composto de um corpo suspenso através de um fio de massa desprezível posto a oscilar em torno de sua posição de equilíbrio. No seu movimento o corpo descreve um arco de circunferência. Uma propriedade importante do movimento oscilatório é o período, que é o tempo necessário para uma oscilação completa. O período do pêndulo simples é dado pela equação a seguir: T = 2π √ gL onde: L: comprimento do fio; g: aceleração da gravidade. No ano de 1851, Foucault (um físico e astrônomo francês) comprovou experimentalmente o movimento rotacional da Terra utilizando a oscilação de um pêndulo simples. O pêndulo de Foucault consiste em um dispositivo composto por uma massa suspensa por um fio, onde seu ponto de apoio é livre para girar. O objetivo era que o pêndulo oscilasse em um movimento retilíneo em um único plano vertical. Porém, observou-se que a oscilação do pêndulo parecia girar com o tempo, mudando sua direção em relação a esse plano considerado. Como não existia força atuante para mudar a direção da oscilação do pêndulo, concluiu-se que o que girava não era o pêndulo, mas sim o plano da Terra. O experimento de Foucault provava a rotação da Terra de forma tão simples que foi considerado um dos dez mais belos experimentos científicos. O objetivo desta prática foi estudar o movimento periódico de oscilação de um pêndulo simples e determinar o valor da aceleração gravitacional local. A equação do pêndulo é dada por uma equação diferencial ordinária de segunda ordem não-linear dada por: + senθ = 0 dt² d²θ L g Resolvendo a EDO acima temos como solução a função posição θ(t), de onde seria possível obter o período. Porém, como se trata de uma EDO não-linear, podemos usar a aproximação = 1 lim θ→0 θ senθ e a equação torna-se uma EDO linear, onde senθ ≈ θ para pequenos ângulos e a solução desta nova EDO é a fórmula do período citada anteriormente. 2. Procedimento Experimental Realizamos o mesmo experimento em dois corpos de prova diferentes. Inicialmente medimos a massa do corpo de prova com uma balança analógica. Em seguida, cortamos aproximadamente 1,5 metros de linha e amarramos uma extremidade no suporte para pêndulo e a outra no corpo de prova. Enrolamos a linha no suporte até que seu comprimento inicial fosse de aproximadamente 30 cm, variando esse comprimento de 5 em 5 cm treze vezes até o que o comprimento final fosse próximo de 90 cm. Dando início às medições de tempo com um cronômetro digital, fixamos um ângulo de θ ≈ 10º a partir da posição de equilíbrio e soltamos o corpo de prova, deixando-o oscilar vinte vezes. 3. Resultados e Discussão As massas dos corpos de prova obtidas foram: m1: (86,5 ± 0,3) g m2: (30,9 ± 0,3) g A partir dos dados coletados de comprimento do fio e de tempo para 20 oscilações, foi possível calcular o período e, consequentemente, o valor da gravidade, que é o nosso objetivo principal. Os resultados obtidos para o primeiro e o segundo corpo de prova encontram-se nas tabelas 1 e 2, respectivamente. Tabela 1: Dados do primeiro corpo de prova. L (m) t (s) T (s) x (s²) xy (ms²) x² (s⁴) y/x (m/s²) 0,310 20,62 1,0310 1,0630 0,3295 1,1300 0,2916 0,355 23,17 1,158 1,3421 0,4764 1,8012 0,2645 0,400 24,61 1,2305 1,5141 0,6056 2,2925 0,2642 0,440 25,68 1,2840 1,6487 0,7254 2,7182 0,2669 0,500 28,01 1,4005 1,9614 0,9807 3,8471 0,2549 0,555 29,04 1,4500 2,1083 1,1701 4,4449 0,2632 0,600 29,95 1,4975 2,2425 1,3455 5,0288 0,2676 0,650 31,45 1,5715 2,4696 1,6052 6,0989 0,2632 0,705 32,80 1,6400 2,6896 1,8962 7,2339 0,2601 0,755 34,00 1,7000 2,8900 2,1820 8,3521 0,2612 0,815 35,28 1,7640 3,1117 2,5360 9,6827 0,2519 0,875 36,30 1,8150 3,2942 2,8824 10,8518 0,2656 0,910 37,29 1,8645 3,4764 3,1635 12,0854 0,2618 L (ou y): comprimento do fio; t: tempo gasto para as 20 oscilações; T: tempo gasto para uma oscilação completa (período); x: período ao quadrado. Tabela 2: Dados do segundo corpo de prova. L (m) t (s) T (s) x (s²) xy (ms) x² (s⁴) y/x (m/s 0,300 21,54 1,0770 1,1599 0,3480 1,3454 0,2586 0,340 22,68 1,134 1,2860 0,4372 1,6538 0,2644 0,395 24,38 1,2190 1,4860 0,5870 2,2082 0,2658 0,450 25,93 1,2965 1,6809 0,7564 2,8254 0,2677 0,495 27,19 1,3595 1,8482 0,9149 3,4158 0,2678 0,540 28,50 1,4250 2,0306 1,0965 4,1233 0,2659 0,610 30,06 1,5030 2,2590 1,3780 5,1031 0,2700 0,665 31,40 1,5700 2,4649 1,6392 6,0757 0,2698 0,710 32,57 1,6285 2,6520 1,8829 7,0331 0,2677 0,755 33,45 1,6725 2,7973 2,1120 7,8249 0,2699 0,790 34,99 1,7495 3,0608 2,4180 9,3685 0,2581 0,830 35,20 1,7600 3,0976 2,5710 9,5951 0,2679 0,890 36,40 1,8200 3,3124 2,9480 10,9720 0,2687 L (ou y): comprimento do fio; t: tempo gasto para as 20 oscilações; T: tempo gasto para uma oscilação completa (período); x: período ao quadrado. A partir dos dados das tabelas, pudemos calcular a aceleração da gravidade (g) a partir de dois métodos: regressão linear e valor médio. Pelo método da regressão linear, obtivemos um valor de g = 10,423 m/s² para a tabela 1, e um valor de g = 10,528 m/s² para a tabela 2. Pelo método do valor médio, usando a fórmula do período para pequenos ângulos, obtivemos um valor de g = 10,715 m/s² para a tabela 1, e um valor de g = 10,807 m/s² para a tabela 2. Calculamos o erro relativo percentualpara os valores da aceleração da gravidade obtidos a partir dos dois métodos, considerando como valor teórico g = 9,777 m/s² (obtido pelo MicroPython numa prática realizada anteriormente). Os valores de erro relativo percentual pelo método da regressão linear foram 6,697% para a tabela 1 e 7,681% para a tabela 2. Enquanto os valores pelo método do valor médio foram 9,594% para a tabela 1 e 10,535% para a tabela 2. Todos estes cálculos estão no Anexo 1. A partir disso, podemos verificar que o método da regressão linear foi mais preciso para a obtenção do valor da gravidade, pois, comparado ao método do valor médio, apresentou erros relativos percentuais menores. Como fatores de influência nas medidas em cada situação, temos a imprecisão dos equipamentos utilizados (cronômetro e régua), erros de observação na contagem do número de oscilações, imprecisão no comprimento do fio utilizado no pêndulo, erros de cálculos e pequenos desvios no ângulo inicial para oscilação do pêndulo simples. A relação que existe entre o comprimento de um pêndulo simples e o quadrado do seu período é a aceleração da gravidade representada por uma reta. Construímos dois gráficos de comprimento (L) versus período ao quadrado (x), um para os dados da tabela 1 e outro para os dados da tabela 2, a fim de provar que a relação entre essas variáveis é uma reta (Anexo 2). Comparando os dados das tabelas para dois corpos de prova de massas distintas, observamos que a massa não interfere nos dados de período, nem no cálculo para a aceleração da gravidade. Com base nos resultados e nos pontos discutidos, concluímos que nossos dados foram bons para obtermos o valor da aceleração gravitacional local. 4. Conclusão O experimento realizado comprova a fundamental importância do estudo de oscilações no pêndulos simples, desde quando Foucault, no século XIX, demonstrou o movimento rotacional da Terra a partir do mesmo experimento. Com base nos resultados e nos pontos discutidos, concluímos que nossos dados foram bons para obtermos o valor da aceleração gravitacional local. Observamos que a massa não possui influência nesse cálculo e que podemos obter este valor a partir de vários métodos por análise do movimento oscilatório no pêndulo simples. Os gráficos de comprimento versus período ao quadrado construídos evidenciaram que a relação entre essas variáveis é uma reta. 5. Referências Halliday, D., Resnick, R. e Walker, J. Fundamentos de Física, ed.7, V.1. Rio de Janeiro: LTC, 1996.