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Rotinas Bancárias Ildérica Maria Souza Nascimento Rotinas Bancárias Ildérica Maria Souza Nascimento Rotinas Bancárias Natal/RN 2015 Catalogação da Publicação na Fonte (CIP). Ficha Catalográfica elaborada por Luís Cavalcante Fonseca Júnior - CRB 15/726. A553g Nascimento, Ildérica Maria Souza. Rotinas bancárias / Ildérica Maria Souza Nascimento ; edição e revisão do Instituto Tecnológico Brasileiro (ITB). – Natal, RN : 2015. 87 p. : il. ISBN 978-85-68100-49-3 Inclui referências 1. Rotinas bancárias. 2. Sistema financeiro brasileiro. 3. Sistema de cobrança bancária. I. Instituto Tecnológico Brasileiro. II.Título. RN/ITB/LCFJ CDU 336.717.12 presidente PROF. PAULO DE PAULA diretor geral PROF. EDUARDO BENEVIDES diretora acadêmica PROFA. LEIDEANA BACURAU diretora de produção de projeto PROFA. JUREMA DANTAS FICHA TÉCNICA gestão de produção de materiais didáticos PROFA. LEIDEANA BACURAU projeto gráfico ADAUTO HARLEY SILVA diagramação MAURIFRAN GALVÃO designer instrucional SÍLVIA BARBALHO BRITO revisão de língua portuguesa FERNANDO PAULO DE FARIAS NETO revisão das normas da ABNT LUÍS CAVALCANTE FONSECA JÚNIOR ilustração RAFAEL EUFRÁSIO DE OLIVEIRA CHRISTI ROCHETEAU “Existem dois tipos de riscos: aqueles que não podemos nos dar ao luxo de correr e aqueles que não podemos nos dar ao luxo de não correr.” (Peter Drucker) Índice iconográfico Diálogos Importante Querendo mais Internet Curiosidade Vocabulário Você conhece? Mídias Atividade O material didático do Sistema de Aprendizado itb propõe ao aluno uma linguagem objetiva, sim- ples e interativa. Deseja “conversar” diretamente, dialogar e interagir, garantir o suporte para o es- tudante percorrer os passos necessários a sua aprendizagem. Os ícones são disponibilizados como ferramentas de apoio que direcionam o foco, identificando o tipo de atividade ou material de estudo. Observe-os na descrição a seguir: Curiosidade – Texto para além da aula, explorando um assunto abordado. São pitadas de conheci- mento a mais que o professor pode proporcionar ao aluno. Importante! – Destaque dado a uma parte do conteúdo ou a um conceito estudado, que seja con- siderado muito relevante. Querendo mais – Indicação de uma leitura fora do material de estudo. Vem ao final da competência, antes do resumo. Vocabulário – Texto explicativo, normalmente curto, sobre novos termos que são apresentados no decorrer do estudo. Você conhece? – Foto e biografia de uma personalidade conhecida pelas suas obras relacionadas ao objeto de estudo. Atividade – Resumo do conteúdo praticado na competência em forma de exercício. Pode ser apre- sentado ao final ou ao longo do texto. Mídias – Contém material de estudo auxiliar e sugestões de filmes, entrevistas, artigos, podcast e outros, podendo ser de diversas mídias: vídeo, áudio, texto, nuvem. Internet – Citação de conteúdo exibido na Internet: sites, blogs, redes sociais. Diálogos – Convite para discussão de assunto pelo chat do ambiente virtual ou redes sociais. Apresentação institucional 09 Palavra do professor autor 11 Apresentação das competências 13 Competência 01 Identificar aspectos legais regulamentares e operacionais do Sistema Financeiro Brasileiro 17 Sistema Financeiro Nacional 18 Câmara de compensação bancária e sua função 28 Tecnologias de Home Banking e de Corporate Banking 29 Resumo 30 Autoavaliação 30 Competência 02 Definir contas a pagar e receber, tarifas e sistema de cobrança bancária 37 Processo gerencial: contas a pagar e contas a receber 38 Sistema de cobrança bancária 42 Diferentes meios de pagamentos 46 Tarifas bancárias 50 Resumo 52 Autoavaliação 52 Competência 03 Aplicar linhas de crédito, financiamento e empréstimo 59 Operações de crédito 60 Sumário Empréstimos 61 Financiamentos 64 Garantias 65 Resumo 66 Autoavaliação 67 Competência 04 Conhecer as práticas de relacionamento entre cliente e bancos 73 Negociação de dívidas bancáriasvisando o controle da inadimplência 75 Serviço de proteção ao crédito 77 Boas práticas de relacionamento entre banco e clientes 78 Resumo 78 Autoavaliação 79 Referências 83 Conheça o autor 87 Ro tin as B an cá ria s 9 Apresentação institucional O Instituto Tecnológico Brasileiro (itb) foi construído a partir do sonho de educadores e empreendedores reconhecidos no cenário educacional pelas suas contribuições no desen- volvimento econômico e social dos Estados em que atuaram, em prol de uma educação de qualidade nos níveis básico e superior, nas modalidades presencial e a distância. Esta experiência volta-se para a educação profissional, sensível ao cenário de desen- volvimento econômico nacional, que necessita de pessoas devidamente qualificadas para ocuparem vagas de trabalho e garantirem suporte ao contínuo crescimento do setor pro- dutivo da nação. O Sistema itb de Aprendizado Profissional privilegia o desenvolvimento do estudante a partir de competências profissionais requeridas pelo mundo do trabalho. Está direcionado a você, interessado na construção de uma formação técnica que lhe proporcione rapida- mente concorrer aos crescentes postos de trabalho. No Sistema itb de Aprendizado Profissional o estudante encontra uma linguagem clara e objetiva, presente no livro didático, nos slides de aula, no Ambiente Virtual de Aprendiza- gem e nas videoaulas. Neste material didático, um verdadeiro diálogo estimula a leitura, o projeto gráfico permite um estudo com leveza e a iconografia utilizada lembra as modernas comunicações das redes sociais, tão acessadas nos dias atuais. O itb pretende estar com você neste novo percurso de qualificação profissional, con- tribuindo decisivamente para a ampliação de sua empregabilidade. Por fim, navegue no Sistema itb: um estudo prazeroso, prático, interativo e eficiente o conduzirá a um posicio- namento profissional diferenciado, permitindo-lhe uma atuação cidadã que contribua para o seu desenvolvimento pessoal e do seu país. Ro tin as B an cá ria s 11 Seja bem-vindo! Para iniciar os estudos sobre Rotinas Bancárias, exalto a importância dessa prática para aqueles que atuam ou pretendem atuar na área financeira das organi- zações e que trabalham em bancos. O presente estudo tem como objetivo capacitar o profissional a operacionalizar proce- dimentos básicos das Rotinas Bancárias. Para tanto, nos empenhamos para desenvolver em você inicialmente a competência de conhecer os aspectos legais, regulamentares e operacionais que regem o Sistema Financeiro Brasileiro. Posteriormente, você terá a oportunidade de adquirir competência para lidar com as- suntos diversos, como exemplo: controlar os fluxos de contas a pagar e a receber, gerenciar diferentes tipos de cobrança bancária, compreender diversas linhas de crédito etc. Para atingir do objetivo proposto, tendo como foco a sua aprendizagem, o presente material foi desenvolvido alinhando teoria e prática, de forma que, ao longo do estudo, as competências adquiridas lhe sirvam de base para a execução das tarefas relacionadas às Rotinas Bancárias. É nosso desejo que este material seja para você uma agradável e produtiva leitura, e que seja seu guia de aprendizado na execução de rotinas bancárias. Palavra do professor autor Ro tin as B an cá ria s 13 Apresentação das competências Tendo como finalidade lhe proporcionar uma leitura clara e objetiva, o presente livro está divido em quatro competências, todas elaboradas de forma lógica, que lhe assegure uma melhor compreensão sobre o assunto. Almejo que as competências aqui adquiridas sejam por você desenvolvidascom eficiência no desenvolvimento do seu trabalho. O estudo da primeira competência oferecerá a oportunidade de compreender os aspec- tos legais, regulamentares e operacionais que regem processos e procedimentos relativos ao Sistema Financeiro Brasileiro. Além disso, abordaremos a atuação do Banco Central, da Câmara de Compensação, bem como a função dos bancos públicos de fomento ao desen- volvimento e das tecnologias de Home Banking. A partir do conteúdo da segunda competência, você será preparado para entender o controle dos fluxos de contas a pagar e a receber e para compreender a finalidade das tari- fas bancárias enquanto remuneração dos bancos por um serviço prestado. Você conhece- rá ainda o sistema de cobrança bancária (boletos, duplicatas e cartões de crédito), apren- dendo também sobre a cobrança sem registro (e-commerce), a cobrança registrada e, por fim, o fundamento das transações com cheques, sua legislação e práticas empresariais. A terceira competência oferecerá a você o conhecimento necessário para compreender a diferença entre linha de crédito, financiamento e empréstimo, identificando os diversos tipos de contratos, suas bases legais e sua operacionalização. Você aprenderá ainda sobre os tipos de garantias em contratos de financiamento e empréstimos. A quarta competência oferecerá conhecimentos para compreender como o serviço de proteção ao crédito e as boas práticas de relacionamento entre banco e clientes contri- buem para a negociação de dívidas bancárias, visando o controle eficaz da inadimplência. Faça uma boa leitura e bom aprendizado! Identificar aspectos legais, regulamentares e operacionais do Sistema Financeiro Brasileiro Competência 01 Ro tin as B an cá ria s 17 Identificar aspectos legais, regulamentares e operacionais do Sistema Financeiro Brasileiro Entendemos que o estudo eficiente sobre Rotinas Bancárias requer um conhecimento prévio sobre o Sistema Financeiro Brasileiro (SFN). De acordo com o que já foi comentado na apresentação das competências, neste nosso estudo alinharemos teoria e prática, o que facilitará sua compreensão, além do desenvolvimento das competências propostas. Nesse sentido, narramos a experiência de Júlia que iniciou sua vida profissional como me- nor aprendiz em uma Instituição Financeira. Júlia ingressou no seu primeiro emprego como menor aprendiz (pelo programa do Governo Federal) em uma instituição financeira, mas precisamente no Banco Real Valor. Ela inscreveu-se no programa e foi selecionada graças à média das suas notas escolares. Assim, Júlia não tinha nenhuma experiência profissional no que diz respeito às rotinas e aos procedimentos bancários. Logo nos primeiros dias de trabalho no Banco Real Valor, Júlia começou a ser orientada para executar tarefas bancárias. Tudo era muito novo: os termos ban- cários completamente desconhecidos e a exigência na exatidão dos lançamentos contábeis deixavam-na perturbada e preocupada. Foi então que o chefe imediato de Júlia a orientou para pesquisar sobre o Sistema Financeiro Brasileiro, para que ela compreendesse o ambiente macro onde esta- va começando a atuar e assim fosse descobrindo aos poucos o ambiente micro. Nesse contexto, vamos juntos com Júlia estudar e compreender o que é e como funciona o Sistema. Esse estudo será de grande valia para você e para ela! Ouso dizer: o que foi narrado sobre as dificuldades de Júlia não é diferente do que acon- tece com a maioria das pessoas que assumem um trabalho, ou seja, elas desconhecem o ambiente ou setor onde estão se inserindo. Como você já sabe, nesta competência, nós buscaremos compreender os aspectos le- Ro tin as B an cá ria s 18 gais, regulamentares e operacionais que regem processos e procedimentos relativos ao SFN. Além disso, abordaremos a atuação do Banco Central, da Câmara de Compensação, bem como a função dos bancos públicos de fomento ao desenvolvimento e das tecnologias de Home Banking. Para seu melhor entendimento sobre o assunto, começo falando sobre a função do dinheiro. É obvio para todos nós a conveniência do dinheiro para atender nossas necessi- dades básicas ou desejos de consumo. Sabemos que o dinheiro move o mundo, no sentido de troca entre os diversos produtos, de acordo com as valorações e vontades de compra- dores e vendedores. É pela troca direta ou pelo escambo que, com o passar do tempo e com a intensificação dos intercâmbios, surge espontaneamente a moeda, o que facilita a movimentação do comércio. De acordo com Garcia (2002, s. p.), O dinheiro é toda mercadoria que adquire a propriedade de meio comum de troca, passando a intermediar os atos de compra e venda [...], o que equivale a dizer que o dinheiro não é uma invenção maligna de uma classe dominante exploradora ou que decorre de um contrato social político mediado pelo Estado. Seria difícil imaginar a vida moderna sem o dinheiro, sem uma moeda de troca que garanta, inclusive, às pessoas, empresas, estados e países manterem saldos de reservas monetárias disponíveis para emergências. Tendo o dinheiro toda essa importância, cada país, estado e cidade se organiza com o intuito de fomentar sua própria maneira de ganhá-lo. No Brasil, o órgão formador da estra- tégia econômica do país é chamado de Sistema Financeiro Nacional. O que você sabe sobre o SFN? O nome parece complexo, o sistema, na realidade é complexo, mas iremos estudar o básico e necessário para seu entendimento. Portanto, fique tranquilo que tanto você quanto Júlia entenderá com clareza o funcionamento do Sistema. Vamos lá! Sistema Financeiro Nacional Imagino que esse assunto seja ainda novo para você. Entendo também que, ao iniciar- mos um novo estudo, é importante fazer um breve resgate histórico e assim conhecer a origem e o porquê dos fatos relacionados ao novo assunto. Dessa forma, me empenhei em pesquisar para você como surgiu a intermediação financeira no Brasil. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (2008, p. 84) afirma que: Ro tin as B an cá ria s 19 O surgimento da intermediação financeira no Brasil coincide com o término do período colonial, quando prevaleceram ideias e procedimentos de política eco- nômica mercantilista, que bloqueavam quaisquer iniciativas que promovessem o desenvolvimento da colônia (conforme os interesses da Coroa portuguesa). [...] Com a transferência da família real para o Brasil, em 1808, criaram-se as pré-condições necessárias para o surgimento da intermediação financeira no país, mediante a constituição de bancos comerciais. Ainda de acordo com a UFRGS (2008), a necessidade de criar um mercado financeiro que fosse capaz de assistir às atividades de importação e exportação foi uma consequ- ência da “abertura dos portos, com a celebração de novos acordos comerciais e com a articulação de relações econômicas e financeiras com a Europa, as colônias africanas e asiáticas e diversos países sul-americanos” (UFRGS, 2008, p. 84). Você deve estar curioso para saber quando afinal foi criada a primeira instituição fi- nanceira no país e o nome dessa instituição. Calma! Já passo para você essa informação: o Banco do Brasil foi a primeira instituição financeira do país. Criada em 1808, segundo UFRGS (2008, p. 85), as operações realizadas naquela época limitava-se ao “desconto de letras de câmbio, o depósito de metais preciosos, papel-moeda e diamantes, a emissão de notas bancárias, a captação de depósitos a prazo, e eram direito exclusivo das operações financeiras do governo”. Na década de 1860, no nosso país já existiam o Banco Comercial do Rio de Janeiro, o Banco da Bahia, o Banco do Maranhão e o Banco de Pernambuco. Na época do Império,a liberação de crédito, que ficava exclusivamente a cargo do Te- souro, foi passada para os bancos. Essa mudança aconteceu em virtude das necessidades de novos financiamentos, pressionados pelos assalariados, categoria em crescimentos. No entanto, as grandes mudanças nesse sentido aconteceram no período de 1945 a 1964, quando foi montada uma nova estrutura a partir das reformas institucionais de 1964-65. As principais mudanças na economia do país, de acordo com Lopes e Rossetti (apud UFRGS, 2008, p. 87) foram: • A expansão do número de agências bancárias nas diferentes regiões do país; • A implantação de órgão normativo, de assessoria e de fiscalização do sistema financeiro – o primeiro passo para a criação de um banco cen- tral no país; • A criação de uma instituição de fomento, o Banco Nacional de Desenvol- vimento Econômico (BNDE), bem como criação de instituições financeiras de apoio a regiões carentes, como o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o Banco de Crédito da Amazônia e, já no final do período, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Ro tin as B an cá ria s 20 Embora seja um breve histórico o que você acabou de ler sobre o surgimento do siste- ma financeiro do Brasil, tenho certeza que aguçou em você e em Júlia a curiosidade para conhecer mais sobre o assunto. Para conhecer melhor esse histórico, acesse: <http://www.ufrgs. br/.../5%20sistema%20financeiro%20nacional%5b1%5d.do>. Querendo mais Vamos então ao estudo sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN)? A pedido de Júlia e seguindo uma linha de raciocínio, vou iniciar fazendo uma metáfora que vai ajudar você e ela a entenderem melhor o porquê da existência SFN e sua principal função. Imagine um país com grande extensão marítima e imensos portos, de onde saem am- plas embarcações transportando uma grande quantidade de recursos financeiros vindos de todas as regiões do país, bem como indo para todas as regiões. Agora, pense se nos pa- íses, no caso específico do Brasil, os recursos financeiros dos Governos Federal, Estadual e Municipal, além dos recursos financeiros dos seus habitantes, circulassem através dessas embarcações. Seriam necessárias milhares de grandes embarcações, além de outras tan- tas milhares menores embarcações a um custo elevadíssimo. É aqui onde entra a metáfora. O Sistema Financeiro Brasileiro (SFB) seria a Marinha comandando todas as grandes embarcações que compõem seu sistema, bem como as embarcações de menor porte, no caso, as instituições financeiras. Para melhor compreen- são, abordaremos a seguir os aspectos legais e regulamentares do SFN. Aspectos legais e regulamentares A Constituição Federal do Brasil cita que o Sistema Financeiro Brasileiro tem a função de controlar todas as instituições que são ligadas às atividades econômicas dentro do país. Retomando e ratificando nossa metáfora, o SFB seria a Marinha que controla todas as embarcações, ou seja, todas as instituições ligadas às ações econômicas do país. No entanto, o Sistema é formado por diversos componentes, além de exercer outras funções. O Sistema Financeiro Nacional “é um conjunto de instituições, órgãos e afins que con- trolam, fiscalizam e fazem as medidas que dizem respeito à circulação da moeda e de cré- Ro tin as B an cá ria s 21 Conheça o Conselho Monetário Nacional visitando o site <http://www.bcb. gov.br/Pre/composicao/CMN.asp>. Internet dito dentro do país” (SFN, 2014, s. p.). Assim, o SFN, estruturado e regulado pela presente Lei nº 4.595, de 31 de Dezembro de 1964, é constituído dos seguintes órgãos: I – Conselho Monetário Nacional; II – Banco Central do Brasil; III – Banco do Brasil S. A.; IV – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico; V – Demais instituições financeiras públicas e privadas. Dentre os diversos grupos que formam o SFB (citados acima), o mais importante é o Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem a função essencial de tomar as decisões mais importantes para que o país funcione de forma equilibrada e garanta a sua saúde financeira. De acordo com o Banco Central do Brasil (2015), o Conselho Monetário Nacional (insti- tuído pela Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964) é o órgão responsável por transmitir as orientações gerais para o desempenho adequado do SFN. Dessa forma, na nossa metá- fora, entende-se que o CMN seria como que a Capitania dos Portos, que orienta as demais embarcações. Fazem parte do CMN: o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil (BCB) e dentre as suas atribuições estão: [...] adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da eco- nomia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos; orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras; Ro tin as B an cá ria s 22 propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros; zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras; coordenar as polí- ticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa (BCB, 2015, s. p.). O Conselho Monetário Nacional é formado por diversos integrantes importantes, cada um na sua função. Entretanto, o mais importante desses membros é o Banco Central do Brasil. O Banco Central do Brasil é o responsável pela produção de papel-moeda e de moeda metálica, do dinheiro que circula no país. “Ele exerce, junto ao Conselho Monetário Nacional, um trabalho de fiscalização nas institui- ções financeiras do país. Além disso, tem diversas utilidades, como realizar operações bancárias, como empréstimos, cobrança de créditos e outros, de outras instituições financeiras. O Banco Central é considerado o banco mais importante do Brasil, acima de todos os outros, uma espécie de ‘banco dos bancos’” (Fonte: <http://sistema-financeiro-nacional.info/>.). Importante Esperamos que tanto você quanto Júlia tenha entendido que o SFN é o meio de várias entidades se organizarem para manter a máquina do governo funcionando. Sua principal função é acompanhar na forma de fiscalização todas as atividades financeiras do Brasil. Já a coordenação fica a cargo do Banco Central que age, segundo suas responsabilidades, no cenário financeiro (SNF, 2014). Portanto, o SFN, se comparado ao sistema marítimo, seria a Marinha que acompanha e coordena todas as atividades marítimas do país. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN, 2015), o sistema finan- ceiro é dividido em dois subsistemas. Subsistema normativo – Composto pelas instituições que definem regras e diretrizes de funcionamento, ele estabelece limites para a mediação financeira, além de fiscalizar a atuação das instituições operativas. O subsistema normativo é composto dos seguintes Ro tin as B an cá ria s 23 órgãos: Conselho Monetário Nacional (CMN), Banco Central do Brasil (Bacen), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as instituições especiais: Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal; Subsistema operativo – Funciona de acordo regras, diretrizes e parâmetros estabelecidos pelo subsistema normativo. Esse sistema é composto pelas instituições que atuam na me- diação financeira entre fornecedores e tomadores de recursos, ou seja, clientes. Para sua melhor compreensão faz-se importante comentar que o desenvolvimento da sociedade brasileira, dos sistemas de arrecadação, da diversidade das relações econô- micas em crescimento, além da considerável demanda dos serviços públicos e da ajuda através de benefícios passaram a consumir recursos de valores cada vez maiores. Esse ambiente de crescimento da economia possibilitou aos bancosa propagação da rede de agências por todo o país. Logo a seguir destacamos o sistema normativo e as principais leis que influenciaram consideravelmente nas reformas do SFN. Subsistema normativo Completando a ideia que iniciamos, recorremos mais uma vez à UFRGS (2008, p. 87- 88) para citar as principais leis que trouxeram importantes alterações na estrutura do sis- tema financeiro nacional nos anos 1964-65: • Lei nº 4.357, de 1964 (Lei da Correção Monetária) – Instituiu normas para a inde- xação de débitos fiscais e criou títulos públicos federais com cláusula de correção monetária (ORTN); • Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964 (Lei do Plano Nacional da Habitação) – O BNH tornou-se o órgão gestor do Sistema Brasileiro de Habitação; • Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964 (Lei da Reforma do Sistema Financeiro Nacional) – Dispôs sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e credi- tícias. Criou o CMN e o Banco Central do Brasil; • Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965 (Lei do Mercado de Capitais) – Disciplinou e reformou o mercado de capitais. Vale destacar que as mudanças bancárias e do mercado de capitais que ocorreram no Ro tin as B an cá ria s 24 país foram reproduzidas do sistema norte-americano, ou seja, foram criadas instituições especializadas com áreas específicas de atuação. Citando ainda UFRGS (2008, p. 88-89) e considerando os aspetos legais do Sistema Financeiro Nacional na sua organização, faz-se importante citar as seguintes leis: • Lei n. 6385, de 1976 (Lei da CVM) – Criou a Comissão de Valores Mobiliários-CVM; • Lei n. 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas) – Estabeleceu regras quanto às características, forma de constituição, composição acionária, estrutura de de- monstrações financeiras, obrigações societárias, direitos e obrigações de acionis- tas e órgãos estatutários e legais; • Lei n. 10.303, de 2001 (Nova Lei das S.A.), Decreto 3.995 e MP 8 – Consolidam os dispositivos da Lei da CVM e da Lei das S.A. Cabe aqui ampliar seu conhecimento falando sobre a estrutura hierárquica desse siste- ma, que é o seguinte: no topo do subsistema normativo, encontra-se o Conselho Monetário Nacional; a seguir, o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. Pesquise a função desses órgãos (Conselho Monetário Nacional, Banco Central do Brasil e Comissão de Valores Mobiliários) e quais as principais atividades desenvolvidas pelo subsistema normativo. Elabore um texto com suas conclusões e compartilhe-o em nosso fórum. Atividade 01 Sendo assim, após esse breve relato sobre o sistema normativo do SFN, apresentamos a seguir o sistema operativo. Aspectos operativos Entenda que a palavra “operativo” significa produzir, operar. Voltando a nossa metáfora, o subsistema operativo do SFN equivale ao sistema da Marinha que opera, produz, ou seja, Ro tin as B an cá ria s 25 que faz as embarcações funcionarem de acordo com as normas pré-estabelecidas. Segundo a FEBRABAN (2015), o sistema operativo é composto por instituições que atu- am na intermediação financeira com a responsabilidade de realizar transferências de re- cursos. Vale ressaltar que as operações realizadas por esse subsistema seguem as regras, diretrizes e modelos definidos pelo subsistema encarregado das leis e regras, ou seja, o subsistema normativo. Quando Júlia tomou conhecimento do você acabou de ler, fez uma pergunta bastan- te interessante, que talvez seja a mesma que você esteja querendo saber também: “se no Subsistema normativo encontra-se o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, quais instituições fazem parte do sub- sistema operativo?” Fazem parte desse subsistema, segundo a FEBRABAN (2015, s. p.), “todas as institui- ções financeiras bancárias e não bancárias, o Sistema Brasileiro de Poupança e Emprésti- mo (SBPE), além das instituições não financeiras e auxiliares”. Preste atenção: as instituições que fazem parte do subsistema operativo são subordinadas e regulamentadas pelo CMN e Bacen. Essa subordina- ção implica em penalidades às instituições, caso não cumpram as normas expedidas pelo CMN, que podem chegar à suspensão da autorização de funcionamento das instituições e seus dirigentes. Importante De acordo com Souza (2012), o SFB é composto de bancos múltiplos ou universais e são assim chamados porque são autorizados a operar com grande variedade de serviços bancários. No entanto, existem outros tipos de instituições com atividades mais voltadas para a especialização. “Especialização? Como assim?” Imagino que seja essa a sua per- gunta. Lembra-se da nossa metáfora? No sistema marítimo brasileiro existem embarca- ções especializadas como: embarcação de pesca, de passageiros, de carga, de turismo etc. Da mesma forma, no SFN existem instituições financeiras também especializadas, embora desenvolvam outros serviços. Vamos lá, você vai saber quais os tipos de instituições e o que elas fazem. Como citei Ro tin as B an cá ria s 26 acima, de acordo com Souza (2015), elas são as seguintes: • Bancos comerciais – São especializados em captar depósitos à vista e depósitos de poupança, além de fornecer crédito para as pessoas físicas e jurídicas; • Bancos de investimento – Além da captação de depósitos a prazo, sua principal atua- ção é realizar operações financeiras de médio e longo prazo; • Caixas econômicas – Sua principal atuação é no crédito habitacional, no entanto, cap- tam também depósitos a vista e depósitos de poupança; • Bancos Cooperativados e as Cooperativas de Crédito – Tem como principal atuação a concessão de crédito e prestação de serviços bancários aos cooperados, essencial- mente a produtores rurais; • Sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimo – Exer- ce atividades semelhantes às Caixas Econômicas, no que diz respeito ao crédito habi- tacional; • Sociedades de crédito e financiamento – Especializado em crédito ao consumidor; • Empresas corretoras e distribuidoras – Atividades especializadas nos mercados de câmbio, títulos públicos e privados, valores mobiliários, mercadorias e futuros. Portanto, é esse o cenário de atuação das instituições financeiras do país de acordo com as estratégias e perfil do SFN, considerando sua estrutura, os negócios e cultura do país, além do perfil das pessoas. Nesse contexto, destacamos aqui os Bancos Públicos de Fomento ao Desenvolvimento, objetivando sua compreensão em relação ao papel e função dessas instituições. Antes de explicar o que seja Bancos Públicos de Fomento ao Desenvolvimento, é inte- ressante falar de forma sucinta o que seja “fomento ao desenvolvimento”. Fomento signi- fica estímulo, incentivo. De acordo com Dicionário Online de Português (2015), fomento é também a “ação do governo que visa a facilitar o desenvolvimento de um país, de uma região ou de um setor econômico”. Então, agora ficou fácil de entender a função dos Bancos Públicos de Fomento ao De- senvolvimento? É isso mesmo, esses bancos têm como principal função fomentar o desen- volvimento das regiões e consequentemente do país através da concessão de crédito de longo prazo. Entretanto, esses bancos prestam outros tipos de serviços bancários, tal quais os bancos comerciais. Ro tin as B an cá ria s 27 Dentre os Bancos Públicos de Fomento ao Desenvolvimento, destaca-se o Banco Nacio- nal de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como o principal banco de fomento brasileiro. Não posso deixar de enfatizar que o BNDES encontra-se entre os maiores do mundo entre os seus semelhantes. Dentre os bancos públicos federais voltados para o desenvolvimentoregional, além do BNDES, estão o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, além das instituições regio- nais como o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco da Amazônia (Basa), considera- dos como bancos múltiplos. Ainda nesta competência não podemos deixar de falar sobre a forma de organização das autoridades do SFN. De acordo com Sistema Financeiro Nacional (2014), as autorida- des do Sistema estão divididas em dois grupos: Autoridades Monetárias – São constituídas pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esses são responsáveis pela produção de normas e execução das operações de produção de moeda; Lembra-se que no início desta competência falamos sobre o dinheiro, sua impor- tância e função? Então, agora você ficou sabendo quem produz todo dinheiro que circula no mercado Do país, que serve para movimentar a economia e atender nossas necessidades e desejos de consumo. Autoridades de Apoio – Aqui encontramos as instituições que auxiliam as autoridades mo- netárias na execução da política monetária. Não entendeu? Fique tranquilo, veja o ícone a seguir e você vai entender. A política monetária consiste em todas as decisões tomadas pelas autorida- des econômicas (governo, banco central) para controlar a quantidade de mo- eda existente em circulação no mercado, além da quantidade de crédito con- cedido e as taxas de juro (Fonte: <http://www.significados.com.br/politica/>). Importante Ro tin as B an cá ria s 28 Dentre essa autoridades/instituições de apoio encontra-se o Banco do Brasil e a Comis- são de Valores Mobiliários, além das instituições com poderes de normatização para um setor específico. Antes de prosseguir, senti a necessidade de esclarecer para você e Júlia o que significa instituições financeiras. Essas são empresas, ou seja, pessoas jurídicas classificadas como públicas ou privadas com o papel e função de preservar, intermediar ou aplicar recursos financeiros próprios e/ou de terceiros. Entretanto, pessoas físicas podem também exercer essas atividades e são consideradas instituições financeiras, desde que sejam previamen- te autorizadas pelo governo, através do Banco Central. No caso de estrangeiros, a autoriza- ção só poderá ser concedida por um decreto da presidência da república. É relevante comentar que as decisões do CMN (ou seja, pelo SNF) estão diretamente ligadas com as condições econômicas do país, tendo em vista que suas decisões são deci- sivas para o manejo do mercado financeiro. Após conhecer os aspectos legais e regulamentares e tantas outras informações, infiro que tanto você quanto Júlia estejam curiosos em saber como as instituições financeiras fazem com os documentos, por exemplo, cheques de outros bancos. Esse procedimento é realizado através da Câmara de Compensação. Vamos conhecer esse novo assunto? Câmara de compensação bancária e sua função Para compreender o que seja Câmara de Compensação, vou falar sobre uma experiên- cia que com certeza você já viveu ou presenciou de um amigo ou familiar: imagine que você está no comércio realizando alguma compra e pagando com cheque. Suponha que o seu cheque é do banco “A”, no entanto, a loja onde você comprou tem conta em vários bancos, menos no banco “A”. E agora, o que fará essa empresa com o seu cheque? É exatamente aqui onde entra a atuação da Câmara de Compensação. De acordo com o Banco do Brasil (2014), a “Câmara de Compensação é uma central ou mecanismo por meio do qual as instituições financeiras acordam trocar instruções de pagamento ou outras obrigações financeiras”. Dessa forma, o cheque que você emitiu será compensado através da compensação de cheques, que é um acordo entre institui- ções financeiras para troca de cheques depositados em empresas diferentes dos emi- tentes dos cheques. Assim, conforme o Banco Central do Brasil (2014), “todas as instituições financeiras que mantém contas de depósito movimentadas por cheques são obrigadas a participar da Compensação”. Certamente você está cheio de dúvidas. Que tal voltarmos a nossa metáfora? Ro tin as B an cá ria s 29 Imagine agora milhares de embarcações transportando milhões de cheques emitidos por correntistas em todos os bancos do país, em todas as cidades de todas as regiões. Suponho que o controle das Capitanias dos Portos seria complicado, não é verdade? Da mesma forma, seria inviável para bancos e empresas, bem como uma missão impossível para o SFB. Mas, afinal, como é feita essa compensação? Nesse momento, vale uma ressalva sobre o avanço da tecnologia da informação, que possibilita a simplificação das atividades de compensação de cheques que são executados com grande agilidade, além de maior segurança. O Bacen determina que a compensação de cheques seja realizada exclusivamente através de imagem digital e de outros registros eletrônicos do cheque. Já falamos que, de acordo com determinação do Bacen, todas as instituições financei- ras são obrigadas a participar da compensação. Assim, é fácil imaginar que a compen- sação de cheques é considerada “serviço essencial” e, por conseguinte, as instituições financeiras não podem cobrar por esse serviço. Tecnologias de Home Banking e de Corporate Banking Novos conceitos de praticidade e instantaneidade foram incorporados no dia a dia de todas as pessoas com a democratização da Internet e, principalmente, da tecnologia mó- vel. É obvio que as transações bancárias não poderiam ficar de fora desse universo. O aces- so ao banco e suas funções através da Internet (Home Banking) já é amplamente difundido e diariamente usado por milhares clientes correntistas de bancos. Você sabe exatamente o que é Home Banking? Esse termo, segundo Futurecom (2015), é usado para simbolizar a execução de operações bancárias através da Internet. A origem desse nome deve-se ao fato dessas operações serem realizadas normalmente de casa, contemplando desde consultas de saldo, extratos, transferências, pagamentos, dentre ou- tras operações financeiras. Sendo assim, a Internet está transformando a forma de realizar negócios, segundo Cas- tells (apud DINIZ; SANTOS, 2013, p. 4), no que se refere à relação com “fornecedores e clientes, gestão, processo de produção, cooperação com outras empresas, financiamento, e valor das ações no mercado financeiro”. Outrossim, a tecnologia da informação usada pelos bancos tem facilitado a vida in- clusive de deficientes visuais através do Sistema Braille como meio principal de acesso à informação. Ro tin as B an cá ria s 30 Sobre o acesso de deficientes visuais aos serviços bancários, acesse: <http://sindivarejista.com.br/LerNoticia/1995/bancos-se-adaptarao-a- -deficientes-visuais>. Querendo mais Resumo Sabemos da relevância do Sistema Financeiro Nacional para a economia do país, mas conhecer seus aspectos legais, regulamentares e operacionais ratifica essa importância. O que significa Sistema Financeiro Nacional, seus aspectos e sua formação, a função da câmara de compensação e a tecnologia usada pelos bancos foi o que você aprendeu nesta primeira competência dos estudos sobre Rotinas Bancárias. Para melhor entendimento do sistema financeiro, iniciamos falando sobre o dinheiro e sua importância. Através de um breve histórico, você conheceu como e quando se inicia- ram as operações financeiras no Brasil, continuando nosso estudo, você ficou conhecendo o Sistema Financeiro Nacional, a sua finalidade, bem como os órgãos que o compõe. Você ainda aprendeu que existem diferentes tipos de Instituições Financeiras e o foco de atua- ção de cada uma delas. Nesse sentido, foi dado destaque para os bancos públicos. Por fim, você adquiriu competênciapara diferenciar o campo de atuação dos principais órgãos que compõem o Sistema Financeiro Brasileiro. Autoavaliação 01. O surgimento da intermediação financeira no Brasil coincide com o término do período colonial, quando prevaleceram ideias e procedimentos de política econômica mercan- tilista, que bloqueavam quaisquer iniciativas que promovessem o desenvolvimento da colônia, conforme os interesses da Coroa portuguesa. Analise as sentenças a seguir: I – Em outubro de 1808, foi criada a primeira instituição financeira do país, o Banco do Brasil; II – Em outubro de 1808, foi criada a primeira instituição financeira do país, o Banco Cen- tral; III – Na década de 1860 existiam no Brasil: O Banco Comercial do Rio de Janeiro, o Banco Ro tin as B an cá ria s 31 da Bahia, o Banco do Maranhão e o Banco de Pernambuco; IV – O Banco do Brasil em nenhum período da história teve necessidade de fazer fusão com outro banco; V – O período 1945 a 1964, foram vinte anos de transição, quando ocorreram importantes mudanças na estrutura da economia do país, assim, o sistema financeiro nacional pas- sou por marcantes transformações. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e IV; b) IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 02. O Sistema Financeiro Nacional “é um conjunto de instituições, órgãos e afins que con- trolam, fiscalizam e fazem as medidas que dizem respeito à circulação da moeda e de crédito dentro do país” (SISTEMA, 2014, s. p.). Fazem parte do Sistema: I – Conselho Monetário Nacional; Banco Central do Brasil; Banco do Brasil; II – Banco do Brasil S. A.; Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico; III – Banco do Brasil S. A.; Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico; instituições financeiras públicas e privadas; IV – Cooperativas de Crédito; Caixa Econômica; V – Banco do Brasil; Banco do Nordeste do Brasil; Banco da Amazônia. É correto o que se afirma somente em: a) I, II e IV; b) IV e V; c) I, II e III; d) Todas as alternativas. 03. Dentre os diversos grupos que formam o Sistema Financeiro Nacional (SFN), o mais im- portante é o Conselho Monetário Nacional (CMN). Sobre o CMN, analise as afirmações a seguir: I – O Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por expedir diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN; II – Integram o CMN o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamento, Orça- mento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil; III – O Presidente do Banco do Brasil faz parte do CMN; IV – Dentre as diversas funções do CMN estão: adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos, dentre outras; V – O órgão mais importante do CMN é o Banco do Brasil. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e IV; b) IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 04. Dentro do sistema Financeiro Brasileiro, o Banco Central é considerado o banco mais importante do país, está acima de todos os outros, uma espécie de “Banco dos Bancos”. I – O Banco Central do Brasil é o responsável pela produção do dinheiro que circula no país, ou seja, de papel-moeda e de moeda metálica; II – O Banco Central não realiza operações bancárias, como empréstimos, cobrança de créditos; III – Junto ao Conselho Monetário Nacional, o Banco Central exerce um trabalho de fiscali- zação nas instituições financeiras do país; IV – A coordenação das atividades financeiras do país fica a cargo do Banco Central que age, segundo suas responsabilidades, no cenário financeiro; V – O Banco Central fiscaliza apenas os bancos públicos. Marque apenas o que estiver correto: Ro tin as B an cá ria s 33 a) I, II e IV; b) IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 05. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), o sistema financeiro brasileiro é dividido em dois subsistemas, quais sejam: normativo e operativo. Sobre esses sistemas analise as sentenças a seguir: I – O subsistema normativo é formado por instituições que estabelecem as regras e diretri- zes de funcionamento do SFN. II – O subsistema normativo define os parâmetros para a intermediação financeira além de fiscalizar a atuação das instituições operativas. III – O subsistema operativo é composto por: Conselho Monetário Nacional; Banco Central do Brasil; Comissão de Valores. IV – O subsistema operativo é composto pelas instituições que atuam na intermediação financeira e tem como função operacionalizar a transferência de recursos entre forne- cedores de fundos e os tomadores de recursos, a partir das regras, diretrizes e parâme- tros definidos pelo subsistema normativo. V – O subsistema normativo tem em sua composição: o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil (Bacen), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as Instituições Especiais (Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal). Marque apenas o que estiver correto: a) I, II, IV e V; b) IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 35 Definir contas a pagar e receber, tarifas e sistema de cobrança bancária Competência 02 Nessa segunda competência, você será preparado para entender o controle dos fluxos de contas a pagar e a receber, além de compreender sobre sistema de cobrança bancária (cobrança sem registro e cobrança registrada). Você conhecerá ainda a dinâmica de dife- rentes formas de pagamentos (como boletos, duplicatas e cartões de crédito), o fundamen- to das transações com cheques e as práticas empresariais. Por fim, entenderá a finalidade das tarifas bancárias enquanto remuneração dos bancos por um serviço prestado. Daremos continuidade ao nosso estudo conhecendo sobre rotinas bancárias propria- mente ditas. Agora que você e Júlia já conhecem o funcionamento do Sistema Financeiro Brasileiro e conheceram o ambiente macro onde os bancos estão inseridos, tenho a certe- za de estarem mais motivados para aprender alguns procedimentos bancários. Vamos lá! O setor de contas a pagar e receber tem a responsabilidade de controlar os compromis- sos financeiros de uma organização. Isso implica em fazer os registros em computadores dos documentos referentes a faturas, notas fiscais, contratos, recibos diversos etc., com a finalidade de efetuar os pagamentos nas respectivas datas de vencimentos. Esse setor ainda se responsabiliza pelo controle da movimentação bancária, com o fim de controlar possíveis saldos negativos, além dos lançamentos bancários e contábeis. Para você compreender melhor o que significa contas a pagar e contas a receber, veja a ilustração a seguir: Ro tin as B an cá ria s 37 Definir contas a pagar e receber, tarifas e sistema de cobrança bancária Como você sabe, Júlia ingressou no seu primeiro emprego como menor aprendiz em uma instituição financeira chamada “Banco Real Valor”. Ainda inexperiente, mas com muita vontade de aprender, Júlia conversou com seu chefe imediato e eles combinaram que ela trabalharia em vários setores (o chamado “rodízio”) para que assim tivesse oportunidade de conhecer os diversos procedimentos bancá- rios. Ela, é claro, ficou feliz com essa possibilidade de aprendizagem. Dessa for- ma, o primeiro setor que Julia irá trabalhar será de conta a pagar e receber. Ro tin as B an cá ria s 38 Figura 1 – O que significa contas a pagar e contas a receber Fonte: autoria própria (2015). Toda organização possui inúmeras e diferentes contas para serem pagas, referentes a despesas com mercadorias, matéria-prima ou serviços adquiridos junto aos seus fornece- dores. Além disso, existem as despesas fixas,aquele tipo de despesa absolutamente fun- damental para manter a empresa em funcionamento, como despesas com pessoal, água, telefone, condomínio, aluguel etc. Você percebeu que as contas mencionadas compõem o que chamamos de contas a pagar? Para dar conta de todos os gastos, faz-se necessário a entrada de dinheiro em quanti- dade suficiente para cobrir todas as despesas e ainda sobrar, para que assim a empresa tenha reserva (o lucro) para o capital de giro, os investimentos e o essencial para manter- -se no mercado. Mas, esse é assunto para outros estudos. Essa entrada de dinheiro é que chamamos de contas a receber. Ah! É importante você observar que o que vale para as empresas, vale também para as organizações familiares, ou seja, nossa casa. Processo gerencial: contas a pagar e contas a receber Logo que Júlia assumiu seu novo posto como auxiliar no setor de contas a pagar e con- tas a receber, encontrou certa dificuldade no entendimento sobre o assunto. Foi então que tivemos a ideia de inicialmente falar sobre fluxo de caixa, com a certeza que traria clareza ao entendimento, inclusive o seu. Preciso que você entenda que o fluxo de caixa de uma empresa é o composto das entra- das e saídas de recursos durante um determinado período. Isso significa dizer que esse é formado por todas as fontes de recursos e todos os seus usos. Compreendeu? Calma, vou Capital de giro: Em termos contá- beis, o capital de giro representa o ativo circulante da empresa, os bens que podem ser convertidos em capital dentro de um curto prazo, por exemplo: mercadorias em estoque, dinheiro em caixa, matérias-primas e aplicações financeiras (Fonte: <http://contaazul. com/blog/o-que- -e-capital-de- -giro/>.). Ro tin as B an cá ria s 39 esclarecer melhor: o fluxo de caixa é a representação das previsões de entradas e saídas, ou a movimentação de dinheiro da empresa para um determinado período. Imagino que agora já podemos falar especificamente sobre contas a pagar e contas a receber. Contas a pagar O processo gerencial chamado “contas a pagar” objetiva controlar de forma antecipada, gerando previsão, todas as obrigações financeiras que a empresa tem a pagar no mês ou em determinado período. Para sua melhor compreensão, garantindo devido embasamento sobre administração financeira, recorremos a Weston e Brigham (2000, apud REINERT; BERTOLINI, 2011), quan- do explica que a administração financeira tem aumentado sua importância nas empresas contemporâneas. Assim, os controles são fundamentais para uma eficiente administração, tendo em vista que a empresa que não controla suas finanças pode passar a fazer parte das estatísticas de mortalidade de empresas. Isso significa dizer que é da máxima importância que a empresa planeje e tenha total controle das contas a pagar para evitar pagamentos em atraso que geram juros aumentando suas despesas, além do acúmulo de dívidas. Aproveito esse momento para lembrar a você e à Júlia que tão importante quanto planejar é o controle. Importante No que se refere às finanças da empresa, o ato de controlar significa efetuar o registro de tudo que a empresa recebe, bem como dos pagamentos realizados no dia a dia. Logo, esse controle oferece à empresa uma visão geral de todas as obrigações financeiras, o que possibilita um acompanhamento eficaz dos pagamentos nas datas previstas. Você já deve ter percebido que controlar as contas a pagar não se restringe ao ato de quitar boletos bancários ou simplesmente cumprir com os compromissos financeiros assumidos. Refere-se essencialmente ao monitoramento de todos os gastos provenientes de compras e contratos, além de assegurar os respectivos pagamentos de forma correta e dentro do prazo estabelecido nos referidos contratos. Ro tin as B an cá ria s 40 Fique atento: o funcionário responsável pelas contas a pagar verifica, controla e efetua os pagamentos de contas relativas às faturas emitidas por fornecedores, notas fiscais, recibos etc. Dessa forma, Júlia deverá solicitar autorização de pagamentos com as devidas comprovações ao responsável pelo setor de finanças que deverá assinar todos os documentos. Pesquise outras obrigações financeiras que a empresa assume no seu dia a dia e se é da responsabilidade do setor de contas a pagar realizar os de- vidos pagamentos. Elabore um texto com suas descobertas e compartilhe- -o em nosso fórum! Atividade 01 Além da efetivação dos pagamentos nas devidas datas de vencimento, Júlia deverá elaborar uma planilha que apresente os futuros compromissos (chamados “compro- missos a vencer”), com o fim de programar os recursos para as devidas liquidações. Observe que essa planilha serve de norte para a empresa definir o melhor período para assumir novos compromissos, ou seja, alerta para evitar o acúmulo de novos compro- missos no mesmo período. Contas a receber Assim como contas a pagar, contas a receber tem sua função específica: criar na em- presa uma política de crédito que garanta o capital de giro necessário para o seu funciona- mento, bem como assegure o financiamento do cliente. Faz-se necessário comentar que o financiamento ou crédito aos clientes é o mesmo que venda a prazo. Essa prática (tão necessária tanto para a empresa quanto para grande parte dos clien- tes) não deixa de ser um risco para a empresa, tendo em vista a possiblidade de atrasos no recebimento, além de possíveis perdas, se o cliente não efetuar o pagamento. Vale a pena comentar, para seu melhor entendimento, que as vendas a prazo acarretam despesas ex- tras relativas à análise de crédito e cobrança. Entretanto, o que se constata no mercado, em todos os tipos de atividades, é que o crédito ao consumidor é responsável por grande parte das transações comerciais. Ro tin as B an cá ria s 41 Capital de giro é a parte dos investimentos que compõe uma reserva de re- cursos para ser utilizada conforme as necessidades financeiras da empresa ao longo do tempo. Esses recursos ficam alocados nos estoques, nas contas a receber, no caixa ou na conta corrente bancária. Fonte: <http://www2. rj.sebrae.com.br/boletim/o-que-e-capital-de-giro-e-como-calcula-lo/>. Aces- so em: 28 fev. 2015. Importante Mas, vamos voltar a falar especificamente da função essencial do controle de contas a receber, que é monitorar de forma direta os recebimentos da empresa. No caso dos bancos, os recebimentos referem-se aos créditos em favor da empresa cliente, através do sistema de cobrança. Geralmente, essas contas são recebidas através de faturas, duplicatas, cartão de crédito ou cheques, e estão atreladas às receitas da empresa. Você não pode esquecer que o controle do recebimento é tão importante quanto o pagamento nas datas previstas, tendo em vista que a liquidação das contas a pagar depende dos recebimentos também nas datas previstas. De acordo com Portal de Auditoria (2015, extraído da internet), O controle de contas a receber possibilita o conhecimento dos seguintes pon- tos: montante dos valores a receber; contas vencidas e a vencer; clientes que não pagam em dia; como programar suas cobranças. Nesse sentido, a eficiente gestão das contas a receber provoca impacto positivo nos resultados financeiros da empresa, entretanto, é necessário um sistema de cobrança efi- ciente que assegure os recebimentos nos prazos previstos. Acesse o site a seguir, baixe a planilha de contas a pagar e receber e exercite sua aplicabilidade: <http://www.netplanilhas.com.br/planilha-de- -contas-a-pagar-e-contas-a-receber/>. Querendo mais Ro tin as B an cá ria s 42 Sendo assim, a principal obrigação de Júlia e detodos os funcionários do setor de contas a receber é, além do monitoramento, o recebimento de todos os pagamentos em favor da empresa cliente. Júlia deve verificar todas as faturas (valores, prazos, orientações de negociação) e elas se estão aprovadas pelo setor. Essas providências asseguram, ou diminuem os riscos, para os recebimentos em favor da empresa. Vale ressaltar que o setor deve realizar os registros financeiros diariamente. Outra importante obrigação do setor é enviar com antecedência as faturas aos forne- cedores, realizar as devidas cobranças, além de monitorar as contas vencidas. Portanto, o departamento de contas a receber é o responsável em checar as datas de vencimento dos títulos e em controlar os recebimentos realizados. É preciso ficar atento aos atrasos ou pagamentos a menor, para informar ao setor de cobrança responsável para contatar o cliente devedor. Como você pode perceber, o tema contas a receber está atrelado ao sistema de co- brança bancária. Entendemos que você precisa de mais informações sobre essa prática, sendo assim, daremos continuidade falando sobre o sistema de cobrança bancária. Está preparado? Vamos lá! Sistema de cobrança bancária Você acabou de conhecer o movimento de contas a receber. Quando trabalhamos nes- se setor, devemos cuidar das formas de receber os créditos e reconhecer a importância de uma eficiente gestão do processo. Para que as empresas tenham um eficiente setor de contas a receber, elas precisam também de um eficiente sistema de cobrança, que pode ser executado através de instituições financeiras. Para o Banco Central, o processo da atividade do contas a receber por parte dos ban- cos incorpora a gestão dos títulos em carteira (títulos para cobrança), que compreende: a comunicação da dívida ao sacado, o recebimento da dívida e o crédito na conta corrente do cliente (cedente). A cobrança bancária é um serviço prestado pelos bancos, portanto, é um produto bancário que tem por finalidade viabilizar o processo de contas a Importante Ro tin as B an cá ria s 43 receber dos seus clientes. A cobrança bancária é feita segundo as orien- tações do cedente, que é aquele que cede seus direitos a outro. no caso específico, aqueles que cedem direitos aos bancos para receber valores dos seus devedores, ou seja, os sacados. Se você refletir sobre o assunto, vai constatar que existem diversas vantagens para o banco ao realizar cobrança para o cliente. Você sabe quais são essas vantagens? De acor- do com Silva (2010), as vantagens são: • Aumento dos depósitos a vista, pelos créditos das liquidações; • Aumento das receitas pela cobrança de tarifas sobre serviços; • Consolidação do relacionamento com o cliente; • Inexistência do risco de crédito. Agora, você deve estar se questionando: “as vantagens são apenas para o banco?” Eu respondo: não. Por outro lado, ainda de acordo com Silva (2010), existem também as van- tagens da cobrança para o cliente: Capilaridade da rede bancária; • Crédito imediato dos títulos cobrados; • Consolidação do relacionamento com o banco; • Garantia do processo de cobrança (quando necessário o protesto). Capilaridade: nesse contexto, significa aumentar, expandir a pre- sença da empresa numa determinada área ou setor; melhorar o relacio- namento na rede bancária.Conhecidas as vantagens da cobrança bancária, tanto para o banco quanto para os clientes, acredito que você esteja curioso em conhecer os diferentes tipos de cobrança, além das diferentes particularidades que envolvem cada uma. Os principais tipos de cobranças são: cobrança com registro e cobrança sem re- gistro. Para incrementar seu estudo, antes de explicar o que seja um e outro tipo de cobrança, chamamos sua atenção para a importância de conhecer as vantagens tanto para o banco como para o cedente ao contratar determinada modalidade de cobrança. Ro tin as B an cá ria s 44 É importante comentar que existe no banco uma tabela de tarifas e que essa pode ser negociada com o gerente. Cobrança com registro Na cobrança com registro, a empresa cedente paga ao banco uma tarifa pela emis- são do boleto de cada título. Atenção: o cliente paga pelo título, se liquidado ou não. Outro custo para o cedente é que qualquer alteração feita no boleto já emitido será remunerada. Essa alteração pode decorrer de cancelamento ou nova emissão (troca de valor e troca de data, por exemplo). Quando o assunto é cobrança bancária, é muito importante que você conheça as vantagens de cada tipo, para o banco e para a empresa cliente. Essa competência o ajudará em ações e decisões corretas. Então, vamos conhecer essas vantagens! De acordo com a CredSIS (2015), as vantagens da cobrança com registro são: • Gestão eficiente e moderna da carteira de cobrança; • Controle da carteira através do site; • Possibilita registro, protesto e alteração (instrução) cadastral nos boletos; • Possibilita antecipação dos recursos através de desconto de título; • Acompanhamento da trajetória do título até a liquidação ou registro em cartório. Ratificando: na cobrança com registro, existe a possibilidade do cedente imprimir a segunda via do boleto através da Internet, bem como atualizar valores após a data do vencimento e comandar protesto, descontos, prorrogação etc. Na cobrança com registro, de acordo com Boleto Atualizado (s/d), há a facilidade do cedente enviar um arquivo com todas as informações sobre os títulos em cobrança para o banco, através de um software fornecido pelo banco. Recebido o arquivo, após o banco imprimir o boleto, ele o envia pelo correio para o cliente devedor. Dessa forma, existem ainda as seguintes vantagens: envio pelo correio; permissão ao próprio banco protestar o título; nome de quem pagou no controle do banco exposto no ato do paga- mento; o cedente pode negociar o título com o banco. Todavia, existem também desvantagens desse tipo de cobrança, de acordo com Boleto Atualizado (s/d), são elas: Ro tin as B an cá ria s 45 • Demora até o cliente (sacador) receber o boleto em casa; • Custo mais alto para o cedente; • Dificuldade para fazer alterações de vencimento ou prorrogar. Como você já deve ter observado, existem contradições entre as citações sobre o assunto no que diz respeito à possibilidade de alterações dos boletos. Chamamos a atenção que essa contradição foi propositalmente colocada para que você tenha uma aguçada percepção sobre esse tipo de cobrança. A aplicação e o uso dessas vantagens dependem do software fornecido pelo banco. É preciso entender ainda que nesse tipo de cobrança, caso o sacado não efetue o pagamento do boleto e a empresa cedente não opte pela baixa do título, ela será obri- gada a pagar uma taxa de permanência do mesmo no banco. Cobrança sem registro Acredito que, pelo fato de você já conhecer a cobrança com registro, ficou muito mais simples para compreender a cobrança sem registro. Como você aprendeu, na co- brança com registro (ou registrada) os títulos são cadastrados ou registrados no banco. Já na cobrança sem registro (ou cobrança simples) o cedente realiza o preenchimento dos títulos e se encarregada de emitir o boleto para seus clientes indicando o banco responsável pelo recebimento dos devidos valores. Observe que nesse caso não há registro prévio dos títulos no sistema bancário. Você deve está curioso para saber como o cedente receberá os valores que lhes são devidos. É o seguinte: quando o sacado efetua o pagamento, o banco cobrador comunica ao cedente, normalmente, através de arquivo magnético ou de outra modalidade acorda- do com o cedente. Nessa comunicação, devem constar os dados que se referemaos títulos recebidos, bem como a quantia creditada na conta corrente do cliente. Portanto, essa alternativa de cobrança é usada por empresas que não desejam fazer registro dos seus títulos na rede bancária, nesse caso, o cedente pagará taxas apenas pelo boleto efetivamente liquidado. Diante do exposto, vamos então resumir as principais características da cobrança sem registro: • O boleto pode ser emitido pela empresa cedente; Ro tin as B an cá ria s 46 • Dependendo do banco, esse pode fornecer boletos pré-impressos ou software para impressão; • O boleto pode ser personalizado com o logotipo da empresa; • A empresa pode fazer seus controles de recebimento a partir das informações que re- cebe dos bancos; • Não existe opção para realizar: prorrogação de vencimentos, abatimento, desconto, protesto etc. Como falamos anteriormente, nesse modelo de cobrança existe a impossibilidade de alteração de valores do boleto para pagamento após o vencimento. Logo, essa se caracteriza como uma desvantagem, tendo em vista que o cliente não consegue pagar através da Internet depois de vencido. Entretanto, a grande vantagem em relação à cobrança com registros é a redução dos custos para a empresa, ou seja, a taxa que incidente é apenas por ocasião da liqui- dação do título. Ainda comparando as duas modalidades, o título sem registro não pode ser protestado pelo banco cobrador e não pode ser pago por meio débito automático. Saiba mais sobre o protesto de títulos sem registros consultando o site: <http://cobrancainternet.brb.com.br/?ID_MATERIA=7&t=Perguntas%20 Frequentes>. Querendo mais Além dos aspectos já mencionados, a cobrança bancária é realizada por meio de bole- tos, que podem transitar na câmara de compensação, além de substituir duplicatas, reci- bos, cheques, notas promissórias e letras de câmbio. Diferentes meios de pagamentos Diante do que você acabou de aprender, percebemos a necessidade de ir mais além e explicar as particularidades do boleto bancário, da duplicata, dos cheques e do cartão de crédito. Ro tin as B an cá ria s 47 Boleto bancário De acordo com Cobre Bem (2013), “o boleto bancário é um título executivo de cobrança, pagável em qualquer agência bancária, Home Banking, casas lotéricas, supermercados e agências dos correios existentes em território brasileiro”. Com base no conceito de “Cobre Bem”, podemos deduzir que o boleto bancário é um meio de pagamento prático e de cus- tos baixos, tanto para o empresário quanto para os clientes. No entanto, a emissão do boleto bancário deve ser feita de acordo com o manual da Federação Brasileira das Associações de Bancos (FEBRABAN), que normatiza seu modelo. Dentre outras exigências, no boleto deve está contido o recibo do sacado e ficha de compensação, bem como conter itens imprescindíveis como o nome do banco, sacado e cedente. Ainda de acordo com FEBRABAN (2015), alguns elementos são importantes em um boleto. São eles: código de barras (representação gráfica de dígitos numéricos); linha digitável (representação numérica do código de barras, contendo todas as informações necessárias para a identificação da conta para o crédito da cobrança que está sendo re- alizada); nosso número (identificação do boleto no setor de cobrança, conforme manuais de cada Banco). Duplicatas Duplicata é um título de crédito pelo qual o comprador se obriga a pagar dentro do prazo a importância representada na fatura (SINIFICADOS, 2015). A duplicata deve conter o nome do credor e do devedor, o valor da fatura correspondente à venda de produtos (ou serviços), além da data do vencimento em no máximo 30 dias. Fique atento: a duplicata requer o aceite do devedor. A duplicata é, portanto, um compromisso ou uma prova de compra e venda, resultante de uma única fatura. No entanto, essa fatura pode gerar várias duplicatas. Cheques Conforme FEBRABAN (2015, extraído do Internet), “o cheque é uma ordem de paga- mento à vista. Pode ser recebido diretamente na agência em que o emitente mantém conta ou depositado em outra agência, para ser compensado e creditado na conta do correntis- ta”. A emissão de cheques pode ser: Ao portador – O cheque é emitido sem a indicação do beneficiário; Ro tin as B an cá ria s 48 Nominal – O emitente é obrigado a indicar o nome do beneficiário (pessoa ou empresa a quem está efetuando o pagamento); Cruzado – Qualquer tipo de cheque pode ser cruzado, com dois traços paralelos, em senti- do diagonal, na frente do documento. O cheque cruzado só pode pago através de depósito em conta corrente. Administrativo – É o cheque emitido pelo próprio banco. Pode ser comprado pelo cliente em qualquer agência bancária. O banco o emite em nome de quem o cliente efetuará o pagamento. Especial – O banco concede ao titular da conta um limite de crédito para saque. O cheque especial é concedido ao cliente mediante contrato firmado previamente. Você certamente já ouviu falar na emissão de “cheques sem fundos”. Eles são assim chamados quando o emitente não possui saldo suficiente na sua conta, nesse caso o ban- co pode devolvê-lo. Quando o cheque é devolvido pela segunda vez, o banco inclui o emi- tente no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) do Banco Central. A decisão de manter ou encerrar a conta fica a critério do banco. Não podemos deixar de citar aqui os cheques pré-datados, tão conhecidos no mercado brasileiro. É fato que, com a expansão dos cartões de crédito, essa prática passou a ser menos usada. Perante a lei, todo cheque deve ser pago na sua apresentação ao banco, isso implica em dizer que o cheque pré-datado não tem amparo legal. Caso o portador do cheque pré-datado o apresente ao banco para pagamento e na conta não tenha saldo su- ficiente, o banco pode devolvê-lo sem fundo, mesmo que a data do cheque seja posterior a da apresentação, ficando assim seu emitente prejudicado. Cartão de crédito O cartão de crédito popularmente (conhecido como “dinheiro de plástico”) é um meio de pagamento eletrônico. A estrutura do cartão de crédito é bastante simples, na parte da frente apresenta o nome do portador, o número do cartão e a data de validade. Na parte posterior ou verso apresenta um espaço onde o cliente deve assinar, o número de segu- rança, além da faixa magnética. Dependendo do cartão, esse pode conter ou não um chip. De acordo com Pacievitch [201?], o cartão de crédito foi criado nos Estados Unidos, em 1950. No entanto, na década de 20, o crédito já era concedido aos clientes fiéis pela rede hoteleira, postos de gasolina e outros tipos de comércio. A aceitação e a praticidade do cartão de crédito fizeram com que na atualidade ele se multiplicasse em tipos e operadoras. O cartão de crédito tem facilitado à vida do cliente, entretanto, esse benefício tem um custo muito elevado no que diz respeito à taxa anual de manutenção, bem como os juros que incidem sobre a dívida, caso essa seja paga pelo valor mínimo. O funcionamento do cartão de crédito dar-se da seguinte forma: ao portador do cartão é concedido um limite de crédito para uso conforme suas necessidades ou desejos de consu- mo (isso implica em dizer que, para efetuar suas compras, ele não precisa ter o dinheiro em mãos). Após efetuar as compras, a empresa envia a fatura a um banco ou financeira que paga o valor da fatura de acordo com a forma de pagamento acordada na hora da compra, entre o consumidor e o estabelecimento comercial. O consumidor tem um prazo de até 40 dias para liquidar a dívida. Certamente, você deve estar se perguntando: “quais são as principais características, essencialmente do cartão de crédito, se comparadas à outraforma de pagamento?” Vou responder para você: • A compra é considerada como pagamento à vista, exceto se o consumidor parcelar as compras; • Por ocasião do pagamento da fatura, o consumidor pode escolher qualquer valor entre o mínimo e o total. Se a dívida não for totalmente quitada, o restante é financiado com cobrança de juros; • Os cartões possuem um limite de crédito, que representa o valor máximo que o cliente pode utilizar; Ro tin as B an cá ria s 49 O primeiro cartão de crédito a ser lançado foi o Diners Club Card, inicial- mente feito de papel cartão, contendo de um lado o nome do cliente e no verso o nome das empresas que o aceitavam. Somente a partir de 1955 o cartão foi confeccionado com material plástico. Curiosidade • Podem também ser utilizados para saques em dinheiro com cobrança de juros; • Normalmente, estão agregados a outros serviços como seguros, programas de recom- pensa e descontos exclusivos; • A administradora do cartão geralmente cobra uma taxa de anuidade pelos serviços prestados; • O pagamento é feito através do código de barra apresentado na fatura, que também apresenta todos os gastos realizados no mês (CARTÃO DE CRÉDITO, 2015). Na verdade, o cartão de crédito é um excelente meio de pagamento, desde que seu uso seja disciplinado e controlado. Caso contrário, pode trazer sérios transtornos financeiros ao usuário. Tarifas bancárias Passado algum tempo, Júlia já contratada como funcionária, está atuando no setor de tarifas bancárias. Vamos compreender o que seja tarifa bancária? Primeiramente lembra- mos que todo prestador de serviço precisa ser remunerado pelo serviço prestado, o que significa dizer que, tarifa é a compensação financeira pela prestação de um serviço, como por exemplo, passagem de ônibus, telefone, internet gás, luz, etc., são serviços prestados mediante cobrança de tarifas. Essa realidade não é diferente para os bancos que são pres- tadores de serviços. De acordo com a FEBRABAN (2007, p. 7), Os bancos são prestadores de serviços, tanto quanto intermediários financei- ros, ou seja, além do crédito, obtêm receitas pela administração de recursos de terceiros, por operações de comércio exterior e câmbio, pela facilitação de serviços de cobrança, arrecadação e pagamentos das empresas, indivíduos e de entidades públicas, entre um amplo leque de outros serviços. Para a FEBRABAN (2007, extraído da internet), com o crescimento da automação e informatização do sistema bancário brasileiro – decorrentes de grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento –, os bancos passaram a oferecer novos serviços, como exem- plo, “a cobrança com código de barras, o débito automático em conta corrente e o DOC”. Esses serviços oferecem maior agilidade e segurança para os clientes; em contrapartida, oferecem aos bancos mais opções de cobrança de tarifas. Ro tin as B an cá ria s 50 Segundo o Banco Central do Brasil (2013), a cobrança de tarifas bancárias é discipli- nada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) através das Resoluções nº 3.516, de 2007, 3.919, de 2010 e 4.196, de 2013, objetivando transparência e clareza à prestação de serviços oferecidos pelas instituições financeiras. É preciso comentar que as tarifas aplicadas pelos bancos variam de banco para banco, o que acarreta uma intensa competição entre esses. O Banco Central estabelece apenas os va- lores máximos e mínimos que os bancos podem cobrar para pessoas físicas e pessoas jurídi- cas. Dessa forma, as instituições financeiras desenvolvem diferentes estratégias para atrair e fidelizar clientes através de diferente “pacotes” de serviços com diferentes e atrativas formas de cobrança de tarifas. Entretanto, o cliente tem direito a existem alguns serviços gratuitos. Ro tin as B an cá ria s 51 Para conhecer os serviços bancário gratuitos, visite o site: <http://www.bcb. gov.br/?TARBANSERV>. Internet Para o Banco Central (2014, extraído da Internet), o CMN criou quatro categorias de “serviços prestados pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a fun- cionar pelo Banco Central”, quais sejam: - [...] serviços essenciais: aqueles que não podem ser cobrados; - serviços prioritários: aqueles relacionados a cadastro, contas de depósitos, transferências de recursos, operações de crédito e de arrendamento mercantil, cartão de crédito básico e operações de câmbio manual para compra ou venda de moeda estrangeira relacionada a viagens internacionais [...]; - serviços especiais: [...] serviços referentes ao crédito rural, ao Sistema Finan- ceiro da Habitação (SFH), ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ao Fundo PIS/PASEP, às chamadas "contas-salário”, bem como às operações de microcrédito de que trata a Resolução CMN 4.000, de 2011; - serviços diferenciados: aqueles que podem ser cobrados desde que explicita- das ao cliente ou ao usuário as condições de utilização e de pagamento. Por último, porém não menos importante, ressaltamos, segundo a FEBRABAN (2007), que os bancos no Brasil são responsáveis pela arrecadação de impostos fe- Ro tin as B an cá ria s 52 derais, estaduais e municipais, bem como pela arrecadação das contribuições e paga- mentos dos benefícios da Previdência Social, além de receberem as contas das con- cessionárias de serviços públicos. Resumo Nesta competência, você conheceu sobre a dinâmica do fluxo de caixa e compreendeu que esse é composto do contas a pagar e contas a receber. Vale a pena lembrar que o con- trole do contas a pagar é tão importante quanto do contas a receber, tendo em vista que um dependo do outro para a saúde financeira da empresa. A partir desse momento, ficou mais fácil estudar e compreender particularidades do sistema de cobrança bancária. Assim, você compreendeu as vantagens e desvantagens da cobrança com e sem registro. Na perspectiva das formas de pagamento, você conheceu particularidades inerentes ao boleto bancário, duplicatas, cheques e cartão de crédito. Por fim, desenvolveu competência sobre as tarifas bancárias enquanto remuneração dos bancos por um serviço prestado. Autoavaliação 01. O Fluxo de caixa de uma empresa é o composto das entradas e saídas de recursos durante um determinado período. Com base nessa afirmativa, analise as afirmativas a seguir antes de escolher a resposta correta. I – O Fluxo de caixa é formado por todas as fontes de recursos e todos os seus usos; II – O fluxo de caixa é a representação das previsões de entradas e saídas; III – As entradas são o mesmo que receitas; IV – As saídas são as receitas; V – Contas a pagar não faz parte do fluxo de caixa Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e III; b) IV e V; c) I, III e V d) I, III e IV. Ro tin as B an cá ria s 53 02. “Contas a pagar” é um processo gerencial que objetiva controlar de forma antecipada, gerando previsão de todas as obrigações financeiras que a empresa tem a pagar no mês ou em determinado período. Sobre esse assunto, analise as afirmativas a seguir: I – O controle das contas a pagar se restringe ao ato de quitar boletos bancários na data do vencimento para evitar juros e acúmulo de dívidas; II – Controlar as contas a pagar limita-se ao ato cumprir com os compromissos financeiros assumidos, referentes a todos os gastos provenientes de compras e contratos; III – O responsável por contas a pagar verifica, controla e efetua os pagamentos de contas relativas às faturas emitidas por fornecedores, notas fiscais, recibos etc.; IV – O setor do contas a pagar deverá elaborar uma planilha que apresente os futuros compromissos, chamados compromissos a vencer, com o fim de programar os recursospara as devidas liquidações; V – A planilha do contas a pagar serve de orientação e rumo para a empresa definir o me- lhor período para assumir novos compromissos no mesmo período. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e III; b) III, IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 03. A função do controle de contas a receber é monitorar de forma direta os recebimentos da empresa. No caso dos bancos, os recebimentos referem-se aos créditos em favor da empresa cliente, através do sistema de cobrança. Sobre esse assunto, analise as afirmativas a seguir. I – A gestão eficiente das contas a receber provoca impacto positivo nos resultados finan- ceiros da empresa; II – Um sistema de cobrança eficiente não contribui para os recebimentos nos prazos previstos; III – O departamento de contas a receber é o responsável em checar as datas de vencimen- to dos títulos e controlar os recebimentos realizados; IV – O setor de contas a receber está diretamente vinculado ao sistema de cobrança bancária; Ro tin as B an cá ria s 54 V – Apesar do vinculo do contas a receber com o sistema de cobrança, para que as em- presas tenham um eficiente setor de contas a receber, não é preciso também de um eficiente sistema de cobrança. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e III; b) III, IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 04. A cobrança bancária é um serviço prestado pelos bancos, portanto, é um produto ban- cário que tem por finalidade viabilizar o processo de contas a receber dos seus clientes. Com base nessa afirmativa, analise as afirmativas a seguir antes de escolher a resposta correta. I – O aumento dos depósitos a vista, pelos créditos das liquidações em cobrança, caracte- riza-se como vantagem para os bancos; II – Inexistência do risco de crédito é uma das vantagens para o cliente em relação à co- brança bancária; III – Garantia de protesto de títulos é uma das vantagens do cliente no processo de cobran- ça bancária; IV – Aumento das receitas pela cobrança de tarifas sobre serviços é uma vantagem do cliente no processo de cobrança bancária; V – A cobrança bancária pode ser com registro e sem registro. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e III; b) III, IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. Ro tin as B an cá ria s 55 05. Na cobrança com registro, há a facilidade do cedente enviar um arquivo com todas as informações sobre os títulos em cobrança para o banco, através de um software forne- cido pelo banco. Já na cobrança sem registro ou cobrança simples, o cedente realiza o preenchimento dos títulos e se encarregada de emitir o boleto para seus clientes indicando o banco responsável pelo recebimento dos devidos valores. Com base nessa afirmativa, analise as afirmativas a seguir antes de escolher a resposta correta. I – A cobrança com registro possibilita o acompanhamento da trajetória do título até a liqui- dação ou registro em cartório; II – Na cobrança sem registro, quando o sacado paga, já aparece o nome de quem pagou no controle do banco; III – Na cobrança com registro existe a possibilidade do cedente imprimir a segunda via do boleto através da Internet, bem como atualizar valores após a data do vencimento; IV – O custo mais alto para o cedente é uma característica da cobrança com registro; V – O boleto pode ser personalizado com o logotipo da empresa na cobrança registrada. Marque apenas o que estiver correto: a) I, II e III; b) III, IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 57 Aplicar linhas de crédito, financiamento e empréstimo Competência 03 A terceira competência oferecerá a você o conhecimento necessário para compreender aspetos relacionados às linhas de crédito, como financiamento e empréstimo, identifican- do os diversos tipos de contratos, suas bases legais e sua operacionalização. Você apren- derá ainda sobre os tipos de garantias em contratos de financiamento e empréstimos. Ro tin as B an cá ria s 59 Aplicar linhas de crédito, financiamento e empréstimo Dando continuidade ao rodízio de Júlia nos diferentes setores do Banco Real Valor, seu gerente imediato avaliou que a mesma estava pronta para conhecer e operacionalizar no setor de crédito. Afinal, ela já está algum tempo no banco como funcionária, além de estar cursando faculdade. Assim, Júlia teve as primei- ras orientações sobre as diferentes linhas crédito, financiamentos e empréstimos. Nessas orientações, foram passadas para Júlia as diferenças entre cada um des- ses assuntos, bem como os tipos de garantias existentes para assegurar ao banco o crédito tomado pelos seus clientes. Antes de prosseguir com a leitura, é importante ter conhecimento, mesmo que resumi- damente, de um breve histórico conceitual sobre a atividade bancária como concessor de crédito. Como já foi dito na primeira competência, o sistema bancário no Brasil surgiu com a vinda da Família Real em 1808. Entretanto, de acordo com o Banco Central do Brasil (2015, extraído da internet), “o primeiro banco fundado no país não tinha como objetivo a captação de depósitos e concessão de empréstimos”, limitava-se apenas a emitir papel moeda. Assim, a atividade de captar recursos e conceder crédito surgiu no ano de 1838, em decorrência das necessidades da sociedade. Nesse sentido, no início do capitalismo, os bancos centraram suas atividades no financia- mento da dívida pública que tinha como garantia os impostos arrecadados pelo governo e, ain- da, do comércio. De acordo com Belluzzo (2004, apud FREITAS, 2004), após a Revolução In- dustrial, com o crescimento acelerado das organizações empresariais e, consequentemente, a aceleração dos negócios, houve considerável aumento das operações de desconto mer- cantil, bem como a expansão de crédito aos empreendedores privados. Ro tin as B an cá ria s 60 Importante você saber que o papel do crédito é antecipar capital monetário aos em- presários, o que possibilita a eles utilizar nos negócios valores superiores às suas arreca- dações decorrentes das vendas, compreendendo os bancos e os demais intermediários financeiros (BELLUZZO, 2004, apud FREITAS, 2004). Entretanto, essa antecipação implica em possíveis perdas de valor no processo produtivo, considerando a mão de obra assala- riada e os componentes do capital utilizados na produção de bens, com o intuito de gerar receita proveniente da venda de produtos acabados. Por outro lado, a facilidade das empresas ao crédito lhes oferece a possibilidade de investir em novos negócios, na expansão e modernização de suas atividades e existe ainda a tendência do crescimento de consumo das famílias. Observe que essa dinâmi- ca comportamental das empresas e famílias influencia de forma direta o crescimento econômico do país. Dessa forma, você já pode inferir que o crédito bancário propõe-se a financiar as fases ou ciclo operacional das empresas que compreende desde a compra de mercadorias até os negócios, com recebimento proveniente das vendas. Nesse ciclo produtivo financiado pelos créditos bancários, de acordo com Emprego e Renda (2014), está incluso “matérias- -primas, pagamento a fornecedores, salários e encargos com pessoal, além dos tributos”. Nesse momento, você já deve estar cheio de dúvidas quanto aos significados de em- préstimos e de financiamentos. Ou você pensa que eles são a mesma coisa? Não são! Vou explicar: empréstimo é a ação de emprestar esperando receber de volta, é mesmo que custeio, custeamento. Exemplo: emprestar um livro, um CD etc. Enquanto que finan- ciamento é prover recursos, dinheiro, linha de crédito, estrutura financeira ou física [...], gerando no futuro umreembolso dos valores ou dos bens, geralmente com juros que foram financiados, responsabilidade essa que é do Financiado. Operações de crédito Prosseguimos explicando inicialmente para você o que são operações de crédito. Para tanto, fomos buscar em fonte fidedigna o seu real significado: Russar (2015, s.p.) cita o art. 29, III, c/c § 1º da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/00), que define operação de crédito: [...] é todo compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, ar- rendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros, bem como a assunção, o reconhecimento ou a con- fissão de dívidas pelo ente da Federação. Ro tin as B an cá ria s 61 Com base no conceito acima, podemos dizer que operação de crédito é um contrato fir- mado entre um cliente (identificado como devedor ou tomador de crédito) e uma instituição financeira (chamada de credora). Essa coloca recursos financeiros à disposição do cliente de acordo com suas condições de pagamento. O tomador se compromete de devolver ao banco os recursos em um prazo determinado, acrescido de juros. As operações de crédito bancários, ainda de acordo com Russar (2015), dividem-se entre operações de financiamento e de empréstimo. Sobre esses assuntos, estudaremos separadamente. Empréstimos Iniciamos comentando que o papel do sistema bancário na economia do país é aumen- tar o montante de dinheiro que circula no mercado, consequentemente, atingindo a oferta de crédito. Segundo Leandro Roque (2012, extraído da Internet), “os manuais de economia e até mesmo de direito dizem que a função de um banco é a de servir de intermediário entre o poupador e o investidor”. Esclareço o conceito para você: o banco, usando de dife- rentes estratégias de marketing e financeiras, atrai um depósito de clientes, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, conhecidos também como poupadores, e transfere na forma de empréstimos estes valores para um empreendedor, no caso, o tomador de crédito. Como esse processo acontece? O banco no papel de intermediador financeiro empresta o dinheiro em forma de título para um empreendedor que esteja necessitando de financia- mento. Por esse serviço, o banco paga uma taxa de juros “A”. No entanto, o banco cobra do tomador de crédito uma taxa de juros “B”, que deve ser maior que “A”. É exatamente nessa transação onde entra o lucro do banco como financiador, sendo essa a principal fon- te de receita dos bancos. “A diferença entre a taxa de juros que o banco paga para captar recursos e a taxa de juros que ele cobra para emprestar se chama spread” (ROQUE, 2012, extraído da Internet). Ao emprestar dinheiro, os bancos criam e aumentam suas contas de depósitos. A dinâ- mica desse processo consiste em: os depositantes, ao consumirem, realizam seus paga- mentos através de cheque ou cartão de débito; da mesma forma, os tomadores de crédito seguem gastando – teoricamente – o mesmo dinheiro e ao mesmo tempo. Tanto os clientes depositantes quanto os mutuários ou tomadores de empréstimos podem ser ou não clientes do mesmo banco ou de bancos diferentes. Se são clientes do mesmo banco, o processo de multiplicação monetária será e terá maior valia para o ban- co. Sendo assim, para entendermos melhor esse processo, ratificamos que, a atividade do banco como Ro tin as B an cá ria s 62 No que diz respeito à liquidação do empréstimo, essa pode ser antecipada: o Conse- lho Monetário Nacional prevê e assegura ao tomador de empréstimo o direito à quitação antecipada. Nesse caso, as instituições financeiras são obrigadas a reduzir os juros de forma proporcional, devendo esse aspecto constar no contrato assinado pelas duas par- tes: cliente e banco. Os empréstimos feitos através de instituições financeiras ou bancos podem ser destina- dos para as pessoas físicas ou jurídicas. No segundo caso, são direcionados para empre- sas com a finalidade de realizar reformas ou ainda para aquisição de capital de giro. Esse tipo de operação de crédito pode ser de curto, médio e em longo prazo. No Brasil, existem diversos tipos de empréstimos, cada um com suas especificida- des, vantagens e desvantagens. Os mais conhecidos ou solicitados, de acordo com [...] intermediador financeiro seria a de coletar poupança e direcioná-la para empreendedores [...], ou seja, [...] os empréstimos feitos pelos bancos advém de uma poupança real que estaria apenas sendo transferida de um indivíduo para o outro, o que significa dizer crédito real, que é a base da acumulação de capital e do crescimento econômico (ROQUE, 2012, extraído da Internet). Certamente, agora ficou mais fácil entender o que seja empréstimo bancário. Vamos lá: empréstimo bancário é um acordo contratual firmado entre um cliente (também chama- do de mutuário ou tomador de crédito) e uma instituição financeira (nesse caso, chamada de credora). Pelo contrato firmado, o cliente recebe um valor em dinheiro com prazo deter- minado para ser devolvido ao banco acrescido dos juros previsto e acordados no contrato. Quanto às taxas de juros cobradas pelos bancos na concessão de crédito, essas variam de banco para banco. Geralmente, essas taxas são aquelas aplicadas no mercado financei- ro. Os bancos públicos normalmente utilizam taxas menores que os bancos privados (uma dica: vale voltar a nossa primeira competência para relembrar o que são bancos públicos e bancos privados). Pesquise sobre as taxas de juros aplicadas pelos bancos nas operações de crédito. Elabore um texto com suas observações e compartilhe-o em nosso fórum. Atividade 01 Ro tin as B an cá ria s 63 Karluti (2009), são: empréstimo consignado, empréstimo com cheque especial, em- préstimo rotativo e empréstimo com penhor. Vamos conhecer as características de cada um isoladamente? Empréstimo consignado Esse tipo de empréstimo é destinado a funcionários de órgãos públicos ou de em- presas privadas, aposentados e pensionistas. A principal característica dessa moda- lidade de empréstimo é que as parcelas do empréstimo são descontadas em folha de pagamento, do benefício de aposentadoria ou pensão do tomador. Nesse caso, as taxas de juros são mais baixas que aquelas aplicadas em outros tipos de empréstimos ou crédito pessoal, não podendo ultrapassar a 2,5% ao mês, De acordo com José Mário (2011, extraído da internet), as normas preveem que o “valor máximo da prestação não poderá ultrapassar 30% do salário líquido mensal” e que o pagamento será em “prestações iguais, mensais, sucessivas e pré-fixadas, com limite máximo de 60 parcelas”. Empréstimo com cheque especial É uma linha de crédito que o banco disponibiliza na conta do cliente para utilização imediata, sendo uma alternativa para cobrir uma despesa não planejada ou fora do or- çamento. É o tipo de operação de crédito automático, ou seja, sem aprovação prévia: o crédito fica diretamente ligado à conta corrente e os valores são utilizados de acordo com a necessidade do cliente. A grande desvantagem desse tipo de crédito são as taxas de juros muito altas, em virtude disso, o PROCON recomenda cautela ao realizar esse tipo de operação. Entretanto, o cliente pode obter menores taxas quando participar do programa de relacionamento com seu banco credor. Empréstimo rotativo Existem as opções de crédito rotativo de cartão de crédito e crédito rotativo com cau- ção de duplicatas. O crédito associado ao cartão de crédito, de acordo com Cosif (2015, extraído da Internet), é o “limite adicional fornecido pela administradorado cartão de cré- dito ao seu cliente, permitindo que esse efetue saque de dinheiro em caixas eletrônicos”. O cliente pode utilizar esse tipo de crédito, por exemplo, quando não efetua o pagamento da fatura tendo como consequência altas taxas de juros cumuladas. Nesse caso, é melhor Ro tin as B an cá ria s 64 fazer esse tipo de empréstimo do que ficar pagando os juros do cartão de crédito. Já no crédito rotativo com caução de duplicatas (ou com outras garantias, como che- ques, cartões, alienação fiduciária), ainda segundo Cosif (2015), “o banco concede um limite de crédito para empresas. Nesse caso, os juros são calculados pelo saldo devedor diário e cobrados mensalmente”. Para saber o que significa alienação fiduciária, acesse: <http://www.cosif. com.br/mostra.asp?arquivo=alienacaofiduciaria>. Querendo mais Empréstimo com penhor De acordo Dicionário inFormal (2015, extraído da Internet), penhor é o direito real de garantia vinculado a uma coisa móvel ou mobilizável. Genericamente, o penhor é qualquer objeto que garante o direito imaterial, não palpável (o penhor do trabalho é o dinheiro; o da divida, é algo de valor, dado como garantia – não necessariamente bens móveis). A partir desse conceito, você pode entender que empréstimo com penhor é uma linha de crédito em que o contratante, pessoa física, dá como garantia (em troca do dinheiro que recebe) bens que podem ser, segundo a Caixa Econômica Federal (2015), joias de ouro, metais nobres, diamante, relógio, caneta, prataria, dentre outros bens de valor. Finalizando esse assunto, faz-se importante você entender que as instituições finan- ceiras não são obrigadas a conceder empréstimos, essas o fazem de acordo com seus próprios critérios. Financiamentos O financiamento, a exemplo do empréstimo, também é um contrato firmado entre o cliente e a instituição financeira. Entretanto, esse tem prévia e específica destinação dos recursos financiados. A destinação pode ser, por exemplo, a aquisição de veículo ou de bem imóvel (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2015). Ro tin as B an cá ria s 65 Ao realizar o contrato do financiamento, o credor assume responsabilidade do montan- te emprestado acrescido do valor dos juros, sempre calculados de acordo com as normas vigentes, o tipo de financiamento e sobre o valor emprestado. Em caso de atraso, os ban- cos cobram multas e outros encargos. Os contratos mais comuns de financiamentos são de automóveis, motocicletas, caminhões, máquinas agrícolas, computadores etc. O financia- mento bancário geralmente é destinado para a aquisição de bens e serviços, como exem- plo, expansão de negócios empresariais, financiamento de equipamentos, instalações etc. De acordo com Finança na Prática (2011), os financiamentos têm vantagens e desvan- tagens. São elas: Vantagens: • Opção por parcelas fixas; • Opção de antecipação total ou parcial com amortização de encargos financeiros; • Disponibilidade imediata de bem; • Em alguns casos, não há necessidade de entrada. Desvantagens: • Juros mais caros que as demais modalidades (consórcio e leasing); • Dificuldade de aprovação de cadastro; • Obrigatoriedade de contratação de seguro no caso de financiamento imobiliário; • Prazo alongado fazendo com que o bem fique obsoleto quando do término do pagamento. O Banco do Nordeste (2015) explica que “existe hoje uma variedade de linhas de crédito distribuídas nos principais setores do mercado, cada um desses setores conta com progra- mas de financiamento específicos para a sua atividade, a saber: agroindustrial; comércio e serviço; infraestrutura; industrial; rural; tecnologia; turismo”. Você sabia que geralmente o financiamento exige algum tipo de garantia? Você sabe o que é garantia? É o que vamos estudar a seguir. Garantias De acordo com SEBRAE (2015), garantia é um ativo, um título de crédito, um contrato, Ro tin as B an cá ria s 66 uma fiança ou um aval que o banco exige para conceber um crédito com menor risco. Des- sa forma, as garantias asseguram às instituições financeiras o ressarcimento integral ou parcial, nos casos do cliente não cumprir com o pagamento. Normalmente, as empresas tomadoras de créditos oferecem aos bancos credores garantias no valor entre 100% a 200% do valor financiado. Ainda conforme o SEBRAE (2015), as garantias estão dividas em dois grupos, quais sejam: reais e fidejussórias. Garantias reais são asseguradas por meio de um bem móvel. As principais modalida- des de garantias reais são o penhor e a hipoteca. No penhor, o tomador do crédito dis- ponibiliza um bem móvel à instituição financeira, no entanto, mantém sua propriedade. Somente no caso de não quitação do empréstimo a instituição financeira se apodera do bem penhorado. Já a hipoteca é garantida a partir de um bem imóvel. O tomador do cré- dito mantém a posse do bem, entretanto só readquire a propriedade plena por ocasião da liquidação da dívida. As garantias fidejussórias são garantias prestadas por pessoas. No caso da dívida não ser quitada, essa será garantida por uma terceira que não seja o devedor. As modalidades de garantias pessoais são o aval e a fiança. O aval é o tipo de garantia dada por uma pes- soa física ou jurídica quando esta assume a responsabilidade de quitar a dívida caso o tomador de crédito não o faça. Nesse caso, é necessário que o avalista comprove por meio do patrimônio que ela tem condições de assumir essa responsabilidade. Outra possibili- dade de aval é o fundo de aval, criado por Prefeituras, Estados, Federações de comércio e indústria e o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para prestar garantia (total ou parcial) de empréstimos levantados por MPEs que não consigam apresentar outras formas de garantia para o empréstimo. Em troca do aval, a empresa paga uma taxa que varia entre 1% a 3% sobre o valor garantido (SEBRAE, 2015). Existe ainda o aval solidário, garantia dadas por pessoas de uma mesma comunidade que mutuamente avalizam uma operação de crédito. Nesse tipo de aval, se uma pessoa do grupo não cumpre seus compromissos, todas as outras são solidariamente responsáveis (SEBRAE, 2015). Por fim, a fiança é uma obrigação escrita feita em um contrato através do qual o fiador garante o pagamento da dívida do devedor caso este não o faça. Resumo Os assuntos tratados nesta competência, assim como os anteriores, são específicos das instituições financeiras. Dessa forma, as normas e regras também o são. Assim, tive- mos a preocupação de buscar informações atualizadas por meio de fontes confiáveis sobre Ro tin as B an cá ria s 67 cada assunto, tendo em vista que as normas sobre empréstimos e financiamento podem variar de acordo com determinações do Banco Central, por exemplo. Neste estudo, você desenvolveu habilidades básicas sobre empréstimos e suas carac- terísticas. Compreendeu que nos empréstimos bancários o valor tomado não tem desti- nação específica. Sobre financiamentos, você conheceu suas principais características e que, diferentemente de empréstimos, a destinação dos recursos é previamente conhecida. Você ainda ficou conhecendo os principais tipos de garantias, bem como as diferenças entre um e outro. Autoavaliação 01. Determinado senhor “A” foi abordado pelo amigo “B” para intervir como avalista em uma operação de crédito em seu favor. Passado um tempo, o Sr. “A” recebe comunica- ção da instituição financeira credora de que havia pendência de pagamento da dívida da qual é avalista. Cheio de dúvidas, o referido senhor pediu que esclarecesse sobre esse tipo de garantia, tendo em vista que ele aceitou ser avalista do amigo, mas não pe- diu as explicaçõesnecessárias. Sobre a garantia do aval, analise as questões a seguir: I – Cláusulas contratuais estipuladas em favor do devedor; II – Responsabilidade de quitar a dívida caso o tomador de crédito não o faça; III – Necessária comprovação de patrimônio; IV – Qualquer pessoa pode ser avalista sem exigências de comprovação de patrimônio; V – O avalista pode ser penas pessoas jurídicas. Marque apenas a alternativa que indicar as afirmativas corretas: a) I, II e III; b) IV e V; c) I, III e V; d) I, III e IV. 02. Empréstimo bancário é um acordo contratual firmado entre um cliente (também cha- mado de mutuário ou tomador de crédito) e uma instituição financeira (nesse caso, chamada de credora). Pelo contrato firmado o cliente recebe um valor em dinheiro com prazo determinado para ser devolvido ao banco acrescido dos juros previsto e acorda- Ro tin as B an cá ria s 68 dos no contrato. Analise as afirmativas a seguir: I – As taxas de juros cobradas pelos bancos na concessão de crédito são iguais em todos os bancos. II – A liquidação do empréstimo pode ser antecipada; III – Por ocasião da contratação do empréstimo, o tomador é obrigado a especificar a des- tinação dos recursos; IV – No caso de antecipação de liquidação da dívida, as instituições financeiras são obriga- das a reduzir os juros de forma proporcional; V – Os empréstimos feitos através de instituições financeiras ou bancos podem ser desti- nados para as pessoas físicas ou jurídicas. Marque apenas a alternativa que indicar as afirmativas corretas: a) I, II e III; b) IV e V; c) II, IV e V; d) I, III e IV. 03. No Brasil, existem diversos tipos de empréstimos, cada um com suas especificida- des, vantagens e desvantagens. Sobre os tipos de empréstimos, analise a senten- ças a seguir: I – Empréstimo com cheque especial é uma linha de crédito que o banco disponibiliza na conta do cliente para utilização imediata, ou seja, sem aprovação prévia. II – No empréstimo com penhor, o contratante (pessoa física) dá como garantia em troca do dinheiro que recebe bens que podem ser joias de ouro, metais nobres, diamante, relógio etc.; III – O crédito com cheque especial exige um avalista; IV – O empréstimo rotativo pode ser com cartão de crédito e com caução de duplicatas e outra garantias; V – No crédito rotativo com caução de duplicatas as instituições financeiras não aceitam outros tipos de garantias, a não ser a própria duplicata. Ro tin as B an cá ria s 69 Marque apenas a alternativa que indicar as afirmativas corretas: a) I, II e III; b) IV e V; c) I, IV e V; d) I, II e IV. 04. O financiamento, a exemplo do empréstimo, também é um contrato firmado entre o cliente e a instituição financeira, entretanto, esse tem prévia e específica des- tinação dos recursos financiados. Sobre esse assunto leia a questões a seguir e marque o correto. I – O financiamento bancário geralmente é destinado para a aquisição de bens e serviços, como por exemplo, expansão de negócios empresariais, financiamento de equipamen- tos, instalações etc. II – Uma das desvantagens do financiamento é a obrigatoriedade de contratação de seguro no caso de financiamento imobiliário III – Prazo longo para quitação do financiamento, inicialmente vantajoso, torna-se desvan- tagem em virtude do bem já estar obsoleto quando do término do pagamento IV – As linhas de crédito de financiamento seguem regras iguais para todos os tipos de atividades. V – Os financiamentos de móveis e imóveis não exigem garantia. Marque apenas a alternativa que indicar as afirmativas corretas: a) I, II e III; b) IV e V; c) I, IV e V; d) I, III e IV. 05. De acordo com SEBRAE (2015), garantia é um ativo, um título de crédito, um contrato, uma fiança ou um aval que o banco exige para conceber um crédito com menor risco. Com base nesse conceito, analise as questões que seguem: I – As garantias asseguram às instituições financeiras o ressarcimento integral ou parcial nos casos do cliente não cumprir com o pagamento; II – Normalmente, as empresas tomadoras de créditos oferecem aos bancos credores ga- rantias no valor entre 100% a 200% do valor financiado; III – Garantias reais são feitas por meio de um bem imóvel. As principais modalidades de garantias reais são o penhor e a hipoteca; IV – Garantias fidejussórias são prestadas por pessoas. No caso da dívida não ser quitada, essa será garantida por uma terceira que não seja o devedor. V – A fiança é criada por prefeituras, estados, federações de comércio e indústria e pelo Sebrae. Marque apenas a alternativa que indicar as afirmativas corretas: a) I, II e III; b) IV e V; c) I, IV e V; d) I, II e IV. Ro tin as B an cá ria s 71 Conhecer as práticas de relacionamento entre cliente e bancos Competência 04 Conhecer as práticas de relacionamento entre cliente e bancos 73 A quarta competência oferecerá conhecimentos para você compreender que a negocia- ção de dívidas bancárias, o serviço de proteção ao crédito e as boas práticas de relaciona- mento entre banco e clientes contribuem para o controle eficaz da inadimplência. Como é do seu conhecimento, Júlia está trabalhando no setor de crédito do Banco Real Valor. Entusiasmada, ela já consegue realizar operações de crédito, quer se- jam de empréstimos ou de financiamentos, com muita competência. O banco possui um programa de administração de relacionamento com o cliente e, dessa forma, o gerente imediato de Júlia começou a prepará-la para esse tipo de ação — especifica- mente no que diz respeito à recuperação de crédito. Sabemos que diante da situação econômica do país, que teve crescimento baixíssimo em 2014, pois o PIB (Produto Interno Bruto) subiu apenas 0,1%, milhares de pessoas e empresas foram atingidas, tendo como consequência a inadimplência de alguns compromissos assumidos. Nesse sentido, a primeira ação de Júlia será fazer um levantamento dos contratos de crédito com prestações vencidas e a vencer nos próximos dias, a fim de contatar o cliente e, se for o caso, renegociar a dívida. Assim, o Banco Real Valor está preparan- do Júlia e outros funcionários para a recuperação de crédito, diminuindo, com isso, a inadimplência dos clientes. Vamos juntos aprender com a Júlia? Nas competências anteriores, entendemos que as instituições financeiras têm como uma das suas principais finalidades fazer a intermediação de recursos financeiros entre clientes que estejam necessitando deles com aqueles que possuem recursos disponíveis e depositam no banco. Para isso, antes ele precisa receber de seus clientes tomadores de crédito para poder pagar aqueles de quem captou os recursos, ou seja, as operações de crédito nada mais são do que a troca de dinheiro presente pela promessa de pagamento futuro, dentro de um prazo acordado no contrato da operação. A gestão das operações de crédito deve ser iniciada desde a proposta ao cliente, ou seja, a instituição financeira deve fazer uma criteriosa análise de risco com fundamentos técnicos. Importante Vou explicar para você o que é a análise de risco de crédito. De acordo com Castro [201?], “o risco de crédito está relacionado com a possibilidade do não pagamento pelo tomador do crédito na data pactuada com o devedor”. Dessa forma, os critérios utilizados na avaliação de risco definirão os bons e os maus pagadores. Esse risco está diretamente ligado, dentre outros aspectos, à inadimplência. O Banco do Brasil, por exemplo, tem seu processo de crédito constituído por etapas, como as demonstradas na Figura 2: Figura 2 – Processo de crédito do Banco do Brasil Fonte: adaptado de<http://www.bb.com.br/portalbb/page3,136,3789,0,0,1,8.bb>. Acesso em: 19 jun. 2015. Ro tin as B an cá ria s 74 Nesse sentido, além da gestão das operações de crédito — que necessita de processos, de sistemas e de ações eficazes que garantam retorno financeiro aos acionistas e não tra- gam prejuízos aos clientes —, a gerência de um banco, para tentar suprir parte das dívidas, se preocupa mais e gasta muito tempo no cumprimento de metas relativas à venda dos produtos bancários — cartões de crédito, seguros, títulos de capitalização etc. Segundo site do Banco do Brasil, a recuperação de crédito, assunto que nos interessa nessa competência, trata-se da fase em que o banco busca reduzir as perdas de crédito, minimizar os custos de recuperação e aumentar a taxa de recuperação. Estão contem- plados nessa etapa o processo de cobrança extrajudicial, terceirização (contratação de empresas para prestar serviços de cobrança e recuperação de créditos jurídicos) e a cobrança judicial. Como pôde ser observado no comentário acima, a recuperação de crédito pode ter vá- rias etapas. Vamos entender melhor o assunto? Negociação de dívidas bancárias visando o controle da inadimplência Ao iniciarmos esse tópico, é importante explicar para você o significado de inadimplên- cia. De acordo com o Dicionário Informal (2015, extraído da internet), “Inadimplência. 1 – É o não pagamento, até a data do vencimento, de um compromisso financeiro com outrem; 2 – É o descumprimento de um contrato, ou de qualquer uma de suas condições (descum- primento total ou parcial)”. Talvez você já saiba, mas, é importante destacar que, sobre os créditos inadimplentes incidem juros e correções monetárias com fim de ressarcir as perdas pelo descumprimento do contrato — isso, no que se refere ao pagamento. A correção monetária evita a desva- lorização da moeda diante da inflação. Assim, fica bastante clara a necessidade das ins- tituições financeiras terem uma eficiente e eficaz política de crédito com processos bem definidos. Nisso, não tenha dúvida, os bancos são muitos bons. Agora, vamos entender o que é, em si, negociação, para depois falarmos sobre nego- ciação bancária. Negociação é o processo dinâmico diante de um problema que envolve mais de um interessado na busca de solução, é um acordo mútuo visando satisfação às partes envolvidas. Nesse processo, o que conta como diferencial é a capacidade de ouvir e compreender os dois lados, exigindo uma comunicação hábil por parte dos profissionais, pois, não há outra maneira de negociar que não seja através do diálogo. De acordo com Macagnan e Lindemann (2009), a negociação acontece por um proces- so formado de diferentes etapas — diagnóstico da situação, planejamento, tratativas —, que resultarão em um acordo ou não. Quando há acordo, o processo é finalizado. Sendo assim, é entendido que o planejamento das informações que envolvem o problema e os seus aspectos legais definiu os resultados da negociação. Agora, no caso da negociação de crédito bancário, o conhecimento do mercado finan- Ro tin as B an cá ria s 75 ceiro, das taxas de juros cobradas, aceitas e possíveis de negociação é fundamental para o fechamento do acordo. A definição de uma boa política de crédito pode fazer grande diferença para a instituição financeira, desde a concessão do crédito até a recuperação desse — nos casos de inadimplência. Uma boa política de crédito, de acordo com Maia (2007), dentre outras variáveis, define quem pode receber o crédito, com seus respectivos limites; as políticas de concessão de descontos e a forma de tratamento da inadimplência. Ressaltamos que os diferentes tipos de dívidas podem ser renegociados, no entanto, uma boa política crediária tem capacidade de identificar os riscos das operações de crédito, diminuindo perdas do capital empresta- do, além de reconhecer os motivos da inadimplência por meio de métodos estatísticos. Dessa forma, as instituições financeiras administram suas carteiras de crédito com muito rigor, objetivando ter o maior índice possível de adimplência. Para reforçar seus conhecimentos, não podemos deixar de falar sobre adimplência. Ainda de acordo com Maia (2007), a adimplência é o cumprimento do pagamento da dívida. Ela possui importante função social, pois garante o retorno do capital ao mercado, gerando mais emprego e a dinâmica da concessão de crédito. Apesar disso, ela nem sempre é a realidade das carteiras de crédito, tendo em vista que existe um elevado índice de contratos com des- cumprimento dos prazos de pagamentos, o que gera um elevado índice de inadimplência. Ro tin as B an cá ria s 76 Pesquise sobre os índices de inadimplência no Brasil referente às operações de créditos das Instituições Financeiras. Atividade 01 Nesse contexto, você poderá constatar as seguintes regras de recuperação das opera- ções inadimplentes: As operações que apresentam atraso são recuperadas de acordo com a se- guinte regra: com atraso de 1 a 30 dias (1 a 21 dias úteis), 30% retornam ao curso normal; com atraso de 31 a 60 dias (22 a 42 dias úteis), 10% retornam ao curso normal; com atraso de 61 a 90 dias (43 a 63 dias úteis), 5% retornam ao curso normal; e, 100% das operações com mais de 90 dias de atraso (63 dias úteis) são baixadas para prejuízo, após o transcurso de 360 dias de atraso (252 dias úteis). (ANNIBAL, 2009) Ro tin as B an cá ria s 77 Agora que você já detém conhecimento sobre a inadimplência, que tal conhecermos suas consequências? Serviço de proteção ao crédito Para o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (IBEDEC), “cada tipo de contrato tem uma lei especial que regula as consequências de juros de mora e da inadimplência, além do que estiver disposto em contrato”. É preciso observar o que rege o contrato antes da cobrança judicial. As instituições financeiras podem e devem to- mar algumas providências contra o devedor, entretanto, é necessário cumprir regras para realizar as cobranças. O tomador de crédito que não cumpre os prazos de pagamento das prestações dos seus débitos enfrenta sérias consequências. Elas vão da cobrança de juros pelo atraso até a penhora de bens, como imóveis e carros. De acordo com Spatafora (2013), os principais efeitos do atraso no pagamento das contas são: • Inclusão em cadastros de inadimplentes: esse procedimento se inicia quando a insti- tuição que prestou o serviço informa aos órgãos de proteção ao crédito que o consumi- dor possui um débito em atraso. Esses órgãos notificam o cliente que ele tem um prazo de 10 dias, contados a partir da data da notificação de débito, para pagar a conta. Após esse prazo, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o devedor poderá ser incluído nos cadastros de inadimplência, que ficam disponíveis para consulta públi- ca. Alguns dos principais cadastros de inadimplência do país são: Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), o Serasa e o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que per- tencem a duas empresas privadas, a Serasa Experian e a Boa Vista Serviços; • Restrições de crédito: sempre que o consumidor efetua uma compra a prazo ou con- trata uma operação de crédito, e não cumpre com a liquidação da dívida no prazo, a empresa inclui seu CPF no SCPC e no Serasa, deixando todo crédito restrito. Nesse caso, o consumidor com restrição pode encontrar dificuldades, por exemplo, para fazer pagamentos com cheques, abrir contas em banco, alugar imóveis, fazer compras a pra- zo e para obter um empréstimo. Quando a dívida é paga, a empresa comunica os órgãos de proteção ao crédito e o CPF do consumidor é retirado automaticamente do banco de dados dentrode três a cinco dias. No caso do não pagamento, somente após cinco anos o nome do consumidor é excluído do cadastro de inadimplentes; • Ações judiciais: outro recurso bastante usado pelas empresas, além dos acima men- cionados para pressionar os consumidores devedores, são as ações judiciais. Nesse Juros de mora: é um percentual chamado de taxa que incide sobre o pagamento de um determinado título de crédito em atraso. Essa mora pode se estabelecido no contrato ou o que determina a lei. Ro tin as B an cá ria s 78 caso, segundo o IBEDEC, quando o devedor perde a ação, ele pode ter a poupança e a conta corrente bloqueadas por ordem judicial e, dependendo do caso, pode ter bens, como sua casa e seu carro, penhorados; • Pagamento de juros: o atraso ou o não pagamento da dívida implica ainda em custos adicionais e possíveis sanções previstas no contrato. Esses custos se referem aos juros de mora e devem se limitar a 2% sobre o valor da parcela devida. Além dos juros mora- tórios, também podem ser cobrados os juros compensatórios, ou seja, juros para com- pensar a empresa pela perda que ela teve devido ao atraso, de acordo com o contrato; • Suspensão dos serviços: essa suspensão depende do tipo de serviço, de acordo com regras determinadas pelo código do consumidor. Boas práticas de relacionamento entre banco e clientes As Instituições financeiras podem e devem adotar diferentes práticas visando alinha- mento com o mercado e à satisfação do cliente. As boas práticas empresariais impactam diretamente em melhoria nos processos decisórios da empresa, especificamente no apri- moramento das relações empresa x cliente x empresa, o que resulta em maior confiança de todas as pessoas envolvidas. Entende-se que o consumidor cliente espera da empresa um atendimento envolvente, entre outros atributos. No entanto, muitas empresas, especificamente as instituições fi- nanceiras, ainda não valorizam esses atributos e priorizam seus esforços no desempenho financeiro, na venda e na distribuição de produtos e serviços; outras, nas estratégias do marketing, tendo por prejuízo a satisfação do cliente. Quanto ao relacionamento das empesas com seus clientes, vivemos hoje na conhecida “era do relacionamento”. Era consolidada em virtude da grande concorrência em todos os setores da economia, da expansão dos meios de comunicação e, principalmente, pelo fato do cliente ser mais bem informado. A era do relacionamento exige estratégias de aproxima- ção por parte da empresa, sempre ouvindo o cliente, resultando em uma relação criadora de oportunidades de novos negócios empresariais — além de garantir a satisfação dos consumidores. Resumo Nesta última competência sobre as rotinas bancárias, enfatizamos assuntos relaciona- dos à negociação de dívidas bancárias. Você teve a oportunidade de aprender que essa Ro tin as B an cá ria s 79 prática precisa fazer parte da gestão das operações de crédito e deve ser iniciada desde a proposta do cliente, com criteriosa análise de risco — espera-se que essa prática possa evitar a inadimplência no futuro. Sobre a inadimplência, você conheceu as regras para recuperação das operações inadimplentes e as suas consequências: os efeitos para quem não cumpre os prazos de pagamento de seus débitos, que vão desde a cobrança de juros pelo atraso até a penhora de bens. Por fim, abordamos a importância das boas práticas de relacionamento entre bancos e clientes. Por fim, aproveito para recomendar a releitura de seu material didático, o que, com cer- teza, ajudará você no desenvolvimento de novas habilidades. Autoavaliação Objetivando avaliar seu próprio conhecimento, responda as questões a seguir: 01. Para o IBEDEC – Defesa do Consumidor: “cada tipo de contrato tem uma lei especial que regula as consequências da mora e da inadimplência, além do que estiver disposto em contrato”. Assim, é preciso observar o que rege o contrato antes da cobrança judi- cial. As instituições financeiras podem e devem tomar algumas providências contra o devedor, entretanto, é necessário cumprir regras para realizar cobranças. Sobre essas regras, leia com atenção as sentenças a seguir. I. A Inclusão no cadastro de inadimplentes é um procedimento iniciado quando a institui- ção prestadora do serviço informa aos órgãos de proteção ao crédito que o consumidor possui débito em atraso; II. Ao serem informados sobre um devedor inadimplente, os órgãos de proteção o notifi- ca. Ele possui prazo de 10 dias, contados a partir da data de notificação, para pagar a conta. Somente após esse prazo, o devedor poderá ser incluído nos cadastros de inadimplência; III. Nos casos de ações judiciais, quando o devedor perde a ação, pode ter a poupança e a conta corrente bloqueadas por ordem judicial e, dependendo do caso, pode ter bens, como sua casa e o seu carro, penhorados; IV. Todo e qualquer serviço com pagamentos em atraso pode ser suspensos; V. Quando o consumidor efetua uma compra a prazo ou contrata uma operação de crédi- to, mas não cumpre com a liquidação da dívida, a empresa inclui seu CPF no SCPC e no Serasa, o que não significa que seu acesso ao crédito seja restrito. Ro tin as B an cá ria s 80 Marque apenas o que estiver correto: A) I, II e III. B) IV, V. C) I, IV e V. D) I, III e IV 02. Negociação é o processo dinâmico diante de um problema que envolve mais de um interessado na busca de solução, é um acordo mútuo visando satisfação às partes envolvidas. No caso específico da negociação de crédito bancário, o conhecimento do mercado financeiro, das taxas de juros cobradas, aceitas e possíveis de nego- ciação é fundamental para o fechamento do acordo. Analise as questões a seguir. I. A negociação acontece em diferentes etapas: diagnóstico da situação, planejamento, tratativas, que resultarão em acordo ou não. Quando há acordo, o processo é finalizado; II. As políticas de crédito das instituições financeiras, que tratam desde sua concessão, não interferem na recuperação dos mesmos em casos de inadimplência; III. Nos processos de negociação, o que conta mesmo é a capacidade de comunicação, ou seja, a capacidade de ouvir e compreender as partes; IV. A adimplência é o cumprimento do pagamento da dívida e tem importante função so- cial, uma vez que garante o retorno do capital ao mercado; V. Sobre os créditos inadimplentes incidem apenas juros que têm o objetivo de ressarcir as perdas pelo descumprimento do contrato, no que se refere ao pagamento. Marque apenas o que estiver correto: A) I, II e III. B) I, II e IV. C) I, IV e V. D) I, III e IV. Ro tin as B an cá ria s 81 03. Sobre as regras de recuperação de créditos inadimplentes, analise as afirmativas a seguir: I. Com atraso de 1 a 30 dias (1 a 21 dias úteis), 30% retornam ao curso normal; II. Com atraso de 31 a 60 dias (22 a 42 dias úteis), 20% retornam ao curso normal; III. Com atraso de 61 a 90 dias (43 a 63 dias úteis), 5% retornam ao curso normal; IV. 80% das operações com mais de 75 dias de atraso são baixadas para prejuízo; V. 100% das operações com mais de 90 dias de atraso (63 dias úteis) são baixadas para prejuízo após o transcurso de 360 dias de atraso (252 dias úteis). Marque apenas o que estiver correto: A) I, II e III. B) IV, V. C) I, III e V. D) I, II e IV. 04. A gerência de um banco, dentre suas diversas atribuições, além do cumprimento de metas relativas à venda dos produtos bancários (cartões de crédito, seguros, títulos de capitalização etc.), ainda se preocupa e gasta muito tempo na gestão das operações de crédito. I. Na gestão das operações creditarias, a administraçãodo risco de crédito está relacio- nada com a possibilidade do não pagamento pelo tomador do crédito na data pactuada com o devedor; II. Os critérios utilizados na avaliação de risco definirão os bons e maus pagadores; III. A recuperação de crédito é a fase em que o banco busca reduzir as perdas de crédito, minimizar os custos de recuperação e aumentar a taxa de recuperação; IV. A cobrança extrajudicial, terceirização e a cobrança judicial não fazem parte do proces- so de recuperação de crédito; V. A correção monetária, que evita a desvalorização da moeda diante da inflação, não é mais cobrada no Brasil desde que os índices de inflação baixaram. Ro tin as B an cá ria s 82 Marque apenas o que estiver correto: A) I, II e III. B) IV e V. C) I, IV e V. D) I, II e IV. 05. As boas práticas empresariais impactam diretamente em melhorias nos processos de- cisórios da empresa, especificamente no aprimoramento das relações empresa x clien- te x empresa. Leia atentamente as sentenças que seguem. I. Dentre as boas práticas empresariais, uma que se destaca é o aprimoramento das re- lações empresa x cliente x empresa; II. A prática de relacionamento empresarial influencia positivamente em muitos aspectos, no entanto, não interfere na confiança das pessoas envolvidas com a empresa; III. O atendimento se destaca dentre as boas práticas de relacionamento, pois envolve, entre outros atributos, a cordialidade, o conhecimento e velocidade na solução de pro- blemas; IV. A era do relacionamento é consolidada em virtude da grande concorrência em todos os setores da economia, da expansão dos meios de comunicação e principalmente pelo fato do cliente ser mais bem informado; V. A era do relacionamento não exige das empresas estratégias de aproximação. Marque apenas o que estiver correto: A) IV e V B) I, III e IV. C) I, III e V. D) I, II e IV. ANNIBAL, CLODOALDO APARECIDO. Inadimplência do Setor Bancário Brasileiro: uma avaliação de suas medidas. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/pec/wps/port/ wps192.pdf. Acesso em: 15 de Abr 2015. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Cobrança. 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Possui mestrado em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade Potiguar (UnP); especialização em Gestão da Qualidade Total pela UFRN e capacitação em- presarial no Banco do Nordeste do Brasil S.A. Atua como professora na Escola de Gestão e Negócios da UnP, onde ministra diversas disciplinas na área de gestão, com predominância na área de recursos humanos, além de atuar como orientadora de trabalhos de conclusão de curso. Além disso, é também poeta, escrevendo sobre diferentes temas. Ro tin as B an cá ria s 87