Prévia do material em texto
Matéria: Introdução a Psicologia. (Resumo do livro Psicologias - Capítulo 1) Diferença entre psicologia científica e psicologia do senso comum: Psicologia refere-se ao estudo científico dos processos mentais e comportamento do ser humano. Por outro lado, o senso comum refere-se ao bom senso na prática clínica. A diferença fundamental entre psicologia e senso comum decorre de sua fonte de conhecimento. A psicologia se baseia em ciência, compreensão teórica e pesquisas, mas o senso comum se baseia na experiência e raciocínio. Senso comum é o modo de pensar da maioria das pessoas, são noções comumente admitidas pelos indivíduos. Significa o conhecimento adquirido pelo homem partir de experiências, vivências e observações do mundo acumulados ao longo da vida e passados de geração em geração. É um saber que não se baseia em métodos ou conclusões científicas, e sim no modo comum e espontâneo de assimilar informações e conhecimentos úteis no cotidiano. Também faz parte do senso comum os conselhos e ditos populares que são tidos como verdades e seguidos pelo povo. Por exemplo: “Deve-se cortar os cabelos na lua crescente para que cresçam mais rápido”. Definição de ciência e objeto de estudo da psicologia: A ciência tem uma característica fundamental: a objetividade. Suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção, para, assim, tornarem-se válidas para todos. Seu objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas, processo cumulativo do conhecimento, objetividade fazem da ciência uma forma de conhecimento que supera em muito o conhecimento espontâneo do senso comum. Na psicologia, o objeto alvo de estudo é o ser humano e seu comportamento. Diversidade de objeto da psicologia: O campo de conhecimento da psicologia se constituiu no final do século 19. A mesma estuda o comportamento humano, não havendo uma exatidão tal como as ciências exatas. Pois devido à diversidade de manifestações individuais e coletivas, uma pessoa não é igual à outra, da mesma forma que uma mente não age de forma padrão em relação à realidade. Psicologia é uma ciência nova diante de um universo de mistérios. Uma viagem infinita pelo vasto mundo da complexidade do Ser e do Estar. Assim, a Psicologia hoje se caracteriza por uma diversidade de objetos de estudo. Ou seja, o estudo da psicologia não tem um paradigma (padrão que serve como modelo) como modelo, pois tudo é passivo de mudança. Subjetividade como estudo da psicologia: O objeto de estudo que diferencia a Psicologia das demais ciências humanas. A mesma estuda a subjetividade, sendo essa a sua principal contribuição para o entendimento do Ser Humano. A subjetividade é a síntese única que cada indivíduo constrói através das suas experiências vividas social e cultural. Nesse sentido, a subjetividade não é inata e sim aprendida. Ela é construída continuamente pelo indivíduo e por todos os elementos presentes no ambiente em que ele vive, é algo que muda de acordo com cada pessoa, como o gosto pessoal, por exemplo, cada um possui o seu, portanto é algo subjetivo. O tema subjetividade varia de acordo com os sentimentos e hábitos de cada um, é uma reação e opinião individual, não é passivo de discussão, uma vez que cada um atribui um determinado valor para uma coisa específica. A subjetividade é formada através das crenças e valores do indivíduo, com suas experiências e histórias de vida. Psicologia e o misticismo: A Psicologia, como área da Ciência, vem se desenvolvendo na história desde 1875, quando Wundt (1832-1926) criou o primeiro Laboratório de Experimentos em Psicofisiologia na Alemanha. Esse marco histórico significou o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas (que só existe na ideia ou conceito) e espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens, a qual seria a sede da vida psíquica. A partir daí, a história da Psicologia é de fortalecimento de seu vínculo com os princípios e métodos científicos. A ideia de um homem autônomo, capaz de se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento e pela sua vida, também vai se fortalecendo a partir desse momento. Hoje, a Psicologia ainda não consegue explicar muitas coisas sobre o homem, pois é uma área da Ciência relativamente nova. Além disso, sabe-se que a Ciência não esgotará o que há para se conhecer, pois a realidade está em permanente movimento e novas perguntas surgem a cada dia, o homem está em movimento e em transformação, colocando também novas perguntas para a Psicologia. Alguns dos “desconhecimentos” da Psicologia têm levado os psicólogos a buscarem respostas em outros campos do saber humano. Com isso, algumas práticas não-psicológicas têm sido associadas às práticas psicológicas. O tarô, a astrologia, a quiromancia, a numerologia, entre outras práticas adivinhatórias e/ou místicas, têm sido associadas ao fazer e ao saber psicológico. A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes, deve ser capaz de enfrentá-los sem preconceitos, reconhecendo que o homem [pg. 26] construiu muitos “saberes” em busca de sua felicidade. Mas é preciso demarcar nossos campos. Esses saberes não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto de estudo. É possível estudar as práticas adivinhatórias e descobrir o que elas têm de eficiente, de acordo com os critérios científicos, e aprimorar tais aspectos para um uso eficiente e racional. Nem sempre esses critérios científicos têm sido observados e alguns psicólogos acabam por usar tais práticas sem o devido cuidado e observação. Esses casos, seja daquele que usa a prática mística como acompanhamento psicológico, seja o do psicólogo que usa desse expediente sem critério científico comprovado, são previstos pelo código de ética dos psicólogos e, por isso, passíveis de punição. No primeiro caso, como prática de charlatanismo e, no segundo, como desempenho inadequado da profissão. CONCEPÇÃO DE HOMEM Há diferentes concepções de homem na medida em que estudos filosóficos e teológicos e mesmo doutrinas políticas acabam definindo o homem de diferentes formas: Homem natural - A filosofia de Jean-Jacques Rousseau tem como essência a crença de que o Homem é bom naturalmente, embora esteja sempre sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à depravação. Ou seja, ele era puro e foi corrompido pela sociedade. Homem como ser abstrato - Por esta concepção o homem possuiria características definidas que não mudam, independentemente das condições sociais a que esteja submetido. Homem como ser histórico social - Esta concepção propõe que o homem é determinado pelas condições históricas e sociais que o cercam. Ou seja, o homem como um ser social, psicológico e biológico. Exercícios do capítulo 1 Questão 1: Você leu no texto que existem a Psicologia Científica e a Psicologia do senso-comum. Supondo que o seu contato até o momento só tenha sido com a Psicologia do senso comum, relacione situações do cotidiano em que você ou as pessoas com quem convive usem essa psicologia. R: Chá de boldo cura problemas no fígado: quando uma pessoa reclama de dores no fígado, é comum alguém dizer que ela pode tomar um chá de boldo que logo a dor vai passar. Esta é uma receita usada pelos mais antigos e que foi repassada de geração em geração, sem que as pessoas soubessem de fato o princípio ativo do boldo e seu efeito nas doenças hepáticas. Sexta-Feira 13: O número 13 é considerado de má sorte, especialmente quando cai numa sexta- feira. Muitas pessoas evitam fazer viagens, reuniões ou negócios neste dia. Mesmo que você não acredite nisso, de alguma maneira, esta crençaestá arraigada no seu cérebro e talvez nunca você se perguntou porque a sexta-feira 13 traz azar. Passar por debaixo da escada, quebrar um espelho ou um gato preto passar a sua frente te trarão anos de azar. Questão 2: Conversem sobre Psicologia Científica, sua matéria prima e seu enfoque. Para isso, retomem as seguintes questões: a) Qual é a matéria-prima da Psicologia? R: É o estudo do homem e sua subjetividade. A diversidade de mundos, internos e externos, individuais e sociais. b) O que é subjetividade? R: Subjetividade varia de acordo com os sentimentos e hábitos de cada um, é uma reação e opinião individual, não é passivo de discussão, uma vez que cada um atribui um determinado valor para uma coisa específica. A subjetividade é formada através das crenças e valores do indivíduo, com suas experiências e histórias de vida. c) Por que a subjetividade não é inata? R: Pois a subjetividade é obtida através de vivências do próprio indivíduo. É uma experiência pessoal adquirida de cada ser humano perante situações que foram vividas, ou seja, está sempre em construção. d) Por que as práticas místicas não compõem o campo da psicologia científica? R: Porque as práticas místicas não são construídas no campo da ciência, a partir dos princípios científicos. Além de ter pressupostos opostos a psicologia como a concepção de destino, existência de forças que não estão no campo do humano e do mundo material. Questão 3: Verifiquem quantas pessoas do grupo procuraram práticas adivinhatórias (tarô, astrologia etc.). A partir da leitura do texto, discutam a experiência, e ao final, diferenciem essas práticas das práticas do saber da Psicologia. R: A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes místicos, deve ser capaz de enfrentá-los sem preconceitos, reconhecendo que o homem construiu muitos “saberes” em busca de sua felicidade. Esses saberes místicos não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto de estudo. Por exemplo, a influência do misticismo na vida individual de cada ser humano. Pois cada um atribui um determinado valor a estas práticas. Ex: A prática da oração a Deus junto ao tratamento da medicina ajuda a uma determinada pessoa se recuperar melhor de um tratamento de câncer. Resumo de aulas do SIA Questões de Normalidade Não existe uma única, simples e satisfatória definição para o conceito de normalidade. Logo, o conceito de normalidade é algo dinâmico e relativo, deve ter em conta o contexto, bem como o próprio sujeito, já que muitas vezes a “anormalidade” está na “normalidade”. Vou então descrever um pouco das várias perspectivas: Normal enquanto Saúde: nesta perspectiva, ninguém é completamente normal. Porém só se considera patológico quando a pessoa possui sintomas que prejudiquem a sua vida diária (trabalho, família, socialização, etc.); Normal enquanto frequência estatística: nesta perspectiva, normal é o mais frequente. Tudo o que “não entra” nessa frequência não é normal. Contudo a carie dentária que afeta 95% da população, poderia ser considerada normal, visto que é mais frequente encontrar uma pessoa com a “doença” do que sem ela. O mesmo acontece com algumas doenças mentais. Normal enquanto normas, valores ou regras definidos socialmente: esta perspectiva, provavelmente a mais correta, porém temos de ter consciência de que esta definição pressupõe algo constantemente dinâmico e mutável, pois o que hoje é saudável, amanhã pode não ser e vice-versa. Normal enquanto algo que nós devemos aproximar: Nesta perspectiva a “normalidade” é vista como um objetivo a alcançar, como um culminar de um caminho. “Normal” é algo que devemos atingir e ambicionar. Normal enquanto processo dinâmico de adaptação: nesta perspectiva “normal” é tudo o que está perfeitamente adaptado, logo o anormal ou patológico deve-se a uma desadaptação à sociedade, à família, etc. No entanto como tudo está em constante mutação, estamos simultaneamente em vários processos de adaptação. Normal enquanto norma funcional: nesta perspectiva normal é quase sinónimo de funcional. Uma pessoa é normal enquanto “funcionar” corretamente, perante o meio e perante si próprio. Breve história da Loucura Principais estudos sobre a história da loucura foram realizados pelo filósofo francês Michel Foucault, mostrando interessantes características. Na idade média e no renascimento eram raros os casos de internação de loucos em hospitais e, quando isso ocorria, recebiam o mesmo tratamento dispensado aos demais doentes, com sangrias, purgações, ventosas e banhos. Nos séculos 17 e 18 os critérios para definir a loucura referiam-se à transgressão da lei e da moralidade dominante. Em 1656 foi criado, em Paris, os Hospital Geral que era uma instituição assistencial que retirava das ruas os “devassos”, os “feiticeiros”, os “libertinos” e os “loucos”. O critério de exclusão baseava-se na inadequação do “louco” à vida social. No final do século 18 surgiu a primeira instituição destinada à reclusão dos “loucos”: o asilo. Os métodos terapêuticos utilizados no asilo eram a religião, o medo, a culpa, o trabalho, a vigilância e o julgamento. A ação da psiquiatria era moral e social; iniciando a medicalização. A CONTRIBUIÇÃO DE SIGMUND FREUD Para a psicanálise o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza. Nos indivíduos normais e anormais existiriam as mesmas estruturas de personalidade e de conteúdo. Estas seriam as estruturas neuróticas (expressão simbólica de um conflito psíquico que tem suas raízes na história infantil do indivíduo) e psicóticas (refere-se a uma perturbação intensa do indivíduo na relação com a realidade. Na psicose ocorre uma ruptura entre o ego e a realidade, ficando o ego sob domínio do id). Tipos de neurose: Neurose obsessiva – envolve comportamentos compulsivos. Neurose fóbica ou histeria de angústia – a angústia é fixada, de modo mais ou menos estável, num objeto exterior, isto é, o sintoma central é a fobia, o medo. Neurose histérica ou histeria de conversão – o conflito psíquico simboliza-se nos sintomas corporais de modo ocasional, isto é, como crises. Mas qual a diferença entre Neurose e Psicose? As neuroses são fruto de tentativas ineficazes de lidar com conflitos e traumas inconscientes. O que distingue a neurose da normalidade é assim a intensidade do comportamento e a incapacidade do doente de resolver os conflitos internos e externos de maneira satisfatória. Algumas pessoas sofrem sintomas mais graves de neurose do que outras, e algumas formas de neurose são mais acentuadas, como transtorno obsessivo-compulsivo. No entanto, a neurose não é tão grave como psicose. Psicose, ou uma desordem psicótica refere-se a qualquer estado mental que prejudica o pensamento, percepção e julgamento. Episódios psicóticos podem afetar uma pessoa com ou sem uma doença mental. A pessoa que experimenta um episódio psicótico pode ter diversos sintomas, como alucinações, paranoia, e até experimentar uma mudança na personalidade. Em essência, a principal diferença entre neurose e psicose é a forma em que elas afetam a saúde mental. O comportamento neurótico pode estar naturalmente presente em qualquer pessoa, ligado a uma personalidade desenvolvida. O comportamento psicótico pode ir e vir como resultado de várias influências. Os efeitos de alguns medicamentos podem causar episódios psicóticos, ou uma situação traumática que afeta o bem-estar psicológico de uma pessoa podendo desencadear o episódio. A distinção entre as condições ou distúrbios neuróticos e psicóticos é realizadaatravés de uma avaliação por um psiquiatra ou psicólogo, que pode tratar os sintomas com medicação ou terapia. Os sintomas mais frequentes de um neurótico são: Insatisfação geral, excesso de mentiras, manias, problemas com o sexo, dentre outros. Exemplos deles são o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) Depressão e a Síndrome do Pânico. Já a psicose é marcada por fases de delírios e alucinações. Podemos dar como exemplo de psicose: Esquizofrenia – caracteriza se pelo afastamento da realidade, o indivíduo entra em um processo de centramento de si mesmo. Transtorno Bipolar Autismo. Há cura para a neurose, já para a psicose não há cura definitiva. Mania e melancolia ou psicose maníaco depressiva: caracteriza - se pela oscilação entre o estado de extrema euforia e estados depressivos. ANTIPSIQUIATRIA Em oposição às abordagens tradicionais da doença mental surgem outras que questionam o conceito de normalidade e os tratamentos propostos, como é o exemplo da antipsiquiatria que afirma que a doença mental é uma construção da sociedade e não existe em si. A antipsiquiatria e a psiquiatria social denunciaram a manipulação do saber científico, a retirada da humanidade e a utilização de condições perversas de tratamento. ESTUDO DE CASO É um método qualitativo que consiste, geralmente, em uma forma de aprofundar uma unidade individual. Ele serve para responder questionamentos que o pesquisador não tem muito controle sobre o fenômeno estudado. O estudo de caso contribui para compreendermos melhor os fenômenos individuais, os processos organizacionais e políticos da sociedade. É uma ferramenta utilizada para entendermos a forma e os motivos que levaram a determinada decisão. Conforme YIN, Roberto K. (2001) o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que compreende um método que abrange tudo em abordagens especificas de coletas e análise de dados sendo amplo e complexo não podendo ser estudado no contexto onde ele ocorre naturalmente. PESQUISA DE LEVANTAMENTO O que é pesquisa por levantamento: É aquela em que as características de interesse de uma população são levantadas (observadas ou medidas), mas sem manipulação. É a pesquisa realizada mediante a “... a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer.” Tipos de pesquisas são: Descritivas: As pesquisas descritivas fazem uma análise minuciosa e descritiva do objeto de estudo (população, empresa, governo, situação-problema). Investe-se na coleta e no levantamento de dados qualitativos, mas, principalmente, quantitativos. Utilizam-se gráficos de sexo, idade, nível de escolaridade e localidade, por exemplo. A finalidade da pesquisa descritiva é analisar os dados coletados sem que haja a interferência do pesquisador. Costuma fazer uso de levantamentos para coleta de dados e descreve, minuciosamente, experiências, processos, situações e fenômenos. Focando em descrever fatores. Exemplo: Verificar por que pacientes de um consultório esperam determinado tempo e depois desistem. Para isso, será preciso ficar lá observando e realizando anotações a fim de explicar o motivo do fenômeno. Pesquisa Descritiva: Quais são os fatores que fazem as pessoas desistirem? Explicativas: São aquelas pesquisas que têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. Registra fatos, analisa-os, interpreta-os e identifica suas causas. A pesquisa explicativa exige maior investimento em síntese, teorização e reflexão a partir do objeto de estudo. Visa identificar os fatores que contribuem para a ocorrência dos fenômenos ou variáveis que afetam o processo. Explica o porquê das coisas. Exemplo: Vamos imaginar um estudo de campo. O objetivo é observar o comportamento de um determinado grupo de pessoas, realizar anotações a fim de explicar o motivo de um fenômeno. É esperado nos resultados da pesquisa que você faça: Ir até o local, observar, anotar, sintetizar e explicar. Exemplo: verificar por que pacientes de um consultório esperam determinado tempo e depois desistem. Para isso, será preciso ficar lá observando e realizando anotações a fim de explicar o motivo do fenômeno. Pesquisa Explicativa: Porque as pessoas desistem? Correlacional: É o tipo de pesquisa que procura explorar relações que possam existir entre variáveis (duas coisas diferentes), exceto a relação de causa-efeito sendo algo como obrigatório. São investigadas as relações que existem entre variáveis, lidando com o que já existe nelas, ou seja, os indivíduos que participam do método já possuem atributos a serem pesquisados (estresse, ansiedade, entre outros). Exemplo: "Este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de um estudo correlacional entre habilidades sociais e traços de personalidade segundo o modelo dos cinco grandes fatores." Outros tipos de pesquisas científicas em Psicologia: Pesquisa de estudo de caso - É a pesquisa que privilegia um caso particular que seja significativo, ou seja, um fenômeno que seja suficiente para análise efetiva. Pesquisa experimental - É um método utilizado para demonstrar uma relação causal - entre variáveis, ou seja, o pesquisador manipulará sistematicamente uma variável chamada de variável independente (VI) e as medidas de efeito sobre outra variável conhecida como variável dependente (VD). Métodos experimentais podem ser usados para determinar se a evolução da variável causa uma mudança em outra variável. Pesquisa de Campo - É a pesquisa que o investigador precisa ir ao local onde o fenômeno ocorre e coletar informações a serem documentadas. Pesquisa bibliográfica - É a técnica que visa o recolhimento de informações previamente coletadas sobre o campo de interesse do investigador e tem como objetivo levantar materiais que seja fonte para o processo de pesquisa por meio de materiais audiovisuais, publicações de livros, artigos, monografias, imprensa escrita e etc. VARIAVEIS INDEPENDENTES, DEPENDENTES E ESTRANHA Variável dependente (VD): é a variável que sofre o efeito de outras variáveis no contexto da análise que estamos conduzindo (é nesse sentido que ela é “dependente”). A VD é, portanto, a variável que medimos ou observamos com o objetivo de detectar o efeito de outras variáveis sobre ela. VD – sofre mudanças. Exemplo: Os pesquisadores estão interessados em investigar como o álcool influencia tempos de reação durante a condução de veículos. A quantidade de álcool que um participante ingere é a variável independente, enquanto que o seu desempenho em um teste de condução é a variável dependente. Variável independente (VI): é a variável que supomos que afeta a VD. A VI é, portanto, a variável que manipulamos (modificamos) para poder observar ou medir os efeitos dessas manipulações na VD. Na Análise do Comportamento, as variáveis independentes que buscamos relacionar com o comportamento são eventos ambientais. VI – causa mudanças. Exemplo: Pesquisadores querem determinar se um novo tipo de tratamento vai levar a uma redução da ansiedade para os pacientes que sofrem de fobia social. Numa experiência, alguns voluntários recebem o novo tratamento, outro grupo recebe um tratamento diferente, e um terceiro grupo não recebe qualquer tratamento. A variável independente neste exemplo é o tipo de terapia. Variável Estranha (VE): Quando o experimentador planeja e desenvolve ainvestigação, ele procura controlar todas as variáveis que o possam impedir de testar se a variável independente influencia efetivamente a variável dependente. O investigador tem de ter o controle da situação, bem como as características das atitudes do sujeito e os efeitos do experimentador, bem como as variáveis externas. As variáveis entranhas ou parasitas, são aquelas que o pesquisador não considerou na hipótese. Este tipo de variável afeta o resultado de toda a experiência, daí que seja conveniente elimina-las e neutraliza-las, para se assegurar que as respostas dos sujeitos só dependam da variável independente. VE – sofre mudanças não esperadas. ABORDAGENS DA PSICOLOGIA Vamos agora conhecer as diferentes concepções do fenômeno psíquico e visões de ser-humano subjacente em quatro abordagens: behaviorismo, gestaltismo, psicanálise e cognitivismo. Behaviorismo Teoria e método de investigação psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e respostas), sem fazer recurso à introspecção. Deu início com Watson em 1913, consiste na teoria explicativa do comportamento publicamente observável da Psicologia, a qual postula que esta deve ocupar-se do comportamento animal (humano e não humano) apenas quando for possível uma observação pública para obter uma mensuração, ao invés de ocupar-se dos estados mentais que possam gerar ou influenciar tais comportamentos, ou seja, não acredita na introspecção. Sendo assim, o behaviorismo metodológico acredita na existência da mente, mas a ignora em suas explicações sobre o comportamento. Para o behaviorismo metodológico os estados mentais não se classificam como objetos de estudo empírico (observáveis), portanto, rege uma ciência positivista (a principal ideia do positivismo era a de que o conhecimento científico devia ser reconhecido como o único conhecimento verdadeiro. As superstições, religiões e demais ensinos teológicos devem ser ignorados, pois não colaboram para o desenvolvimento da humanidade. Não acredita na introspecção “olhar para dentro” como meio de se atingir o conhecimento). Watson demonstrou a sua teoria das respostas condicionadas nos estudos experimentais realizados com o bebé Albert de 11 meses condicionando-o a ter medo de um rato branco, que ele não temia antes de ser submetido ao condicionamento. (S – R) Para estabelecer a relação de medo, Watson provocou um enorme barulho atrás da cabeça do bebê Albert sempre que o rato lhe era mostrado. Em pouco tempo a mera visualização do rato produzia sinais de medo na criança. Esse medo condicionado generalizou-se a outros estímulos similares como um coelho, uma pele branca ou a barba do pai natal. Estímulo incondicionado (martelo): provoca uma resposta natural e automática. Resposta incondicionada (medo): naturalmente desencadeia uma resposta automática (você não tem que aprender para responder). Estímulo neutro (rato): que não gera qualquer resposta. Estímulo condicionado (rato pareado ao martelo): é um estímulo previamente neutro que, após preado com o estímulo incondicionado, eventualmente, desencadeia uma resposta condicionada. Resposta condicionada (medo do rato): é a resposta aprendida ao estímulo antes neutro. Os estudos de Watson se baseavam no condicionamento clássico de Pavlov em 1903. Ele estava interessado em estudar o funcionamento do sistema digestório utilizando cães como seus sujeitos experimentais. O fisiólogo russo, pesquisou a salivação dos cachorros na presença da comida. Neste contexto, um dia percebeu que os cachorros começavam a salivar antes de virem a comida. Só o fato de submeter os cachorros às condições do experimento lhes causava a resposta da salivação. Skinner em 1945, inaugura o que ele próprio denomina de behaviorismo radical que não nega a possibilidade da autoobservação ou do autoconhecimento ou a sua possível utilidade mas questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado. Não insiste entretanto na verdade por consenso mas simplesmente questiona a natureza do objeto observado e a fidedignidade das observações. Behaviorismo Radical vê a causa como uma interação complexa que se estende em várias escalas temporais envolvendo organismos e o meio ambiente. Esta abordagem evita a causa mecânica, representa tanto comportamento aberto quanto encoberto, e conceitua o organismo em que o comportamento e meio ambiente interagem. Ligados a fisiologia animal humana e não-humano. Condicionamento operante é um método de aprendizado que ocorre através de recompensas e punições para o comportamento. Através do condicionamento operante, uma associação é feita entre um comportamento e uma consequência para esse comportamento. Então, o condicionamento operante considera que as consequências de um comportamento podem influenciar a probabilidade de este ocorrer novamente ou não. Se essa consequência for agradável, a frequência do comportamento vai aumentar (reforço). Se a consequência for desagradável a frequência do comportamento vai diminuir (punição). Quando uma contingência se diz positiva significa que há uma apresentação de um estímulo que pode ser agradável ou desagradável. Quando a contingência é negativa significa que há uma remoção de um evento ou estímulo (agradável ou desagradável). Daí quatro tipos de contingências operantes: Reforço positivo: apresentação de um estimulo agradável após um comportamento desejado. Aumento da frequência do comportamento Exemplo: Se o pombo tocar a campainha recebe alimento suplementar; Se o aluno tiver boas notas recebe um elogio; Reforço negativo: remoção (negativo) de um evento desagradável após o comportamento desejado. Aumento da frequência do comportamento. Exemplo: Se o rato puxar a alavanca deixa de levar choques eléctricos; Se o doente tomar os comprimidos deixa de sentir dores; Punição positiva: apresentação de uma consequência desagradável após a realização de um comportamento não desejado. Diminuição da frequência do comportamento. Exemplo: Se o rato sair do perímetro definido leva choque eléctrico; Se a criança faz birra leva uma repreensão; Punição negativa: remoção de um evento agradável após a realização de um comportamento não desejado. Diminuição da frequência do comportamento. Exemplo: Se o pombo defecar fora do local apropriado é-lhe removida a alimentação; Se criança partir um jarro deixa de poder ver televisão durante uma semana; A extinção e a punição tendem a diminuir a frequência dos comportamentos. Na extinção, o comportamento tende a diminuir de frequência em função da retirada de reforços contingentes à resposta (aqueles que são responsáveis pela sua manutenção). A técnica mais eficaz e recomendada para alterar comportamentos consiste na extinção e não na punição, pois esta última traz muitas consequências adversas. PRINCIPAIS CONCEITOS ESTÍMULO Qualquer acontecimento, externo ou interno a um organismo, susceptível de ser captado pelos seus receptores e de levar a uma reação. RESPOSTA Unidade de comportamento sob controlo de um ou mais estímulos. REFORÇO Qualquer acontecimento (estímulo) que segue uma resposta e aumenta a probabilidade dessa resposta ocorrer, na mesma situação Reforço positivo - quando esse acontecimento comporta uma ocorrência agradável para o sujeito. Reforço negativo- quando esse acontecimento envolve a remoção ou o afastamento de algo desagradável para o sujeito. PUNIÇÃO Ocorrência de um estímulo aversivo, após uma resposta indesejada. EXTINÇÃO Processo de diminuição da frequência de ocorrência de uma resposta, por supressão do reforço que a mantinha. PSICANÁLISE A Psicanálise foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud, com o objetivo de tratar desequilíbrios psíquicos. Este corpo teórico foi responsável pela descoberta do inconsciente, sendo este o objeto de estudo desta abordagem. A teoria psicanalítica é uma teoria que procura descrever a origem dos transtornos mentais, o desenvolvimento do homem e de sua personalidade, além de explicar a motivação humana. Principais pressupostos Acreditar na existência do inconsciente. A consideração da sexualidade infantil. Reconhecimento do fenômeno da transferência. O corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. O impulso sexual tem seus alicerces na biologia do organismo. O princípio do determinismo psíquico é que tudo o que acontece na mente de uma pessoa e tudo o que uma pessoa faz tem uma causa específica. Na psicanálise não tem espaço para milagres, acidentes ou livre arbítrio. Método de investigação na psicanálise Caracteriza-se pelo método interpretativo. Interpretação dos sonhos, dos atos falhos e associações livres. Busca significado oculto do que é manifesto através de ações e palavras. Uma forma de tratamento psicológico (a análise), que visa o autoconhecimento. A livre associação de ideias – é um dos princípios fundamentais da terapia psicanalítica, que consiste no facto de o psicanalista pedir ao paciente que fale abertamente, de forma espontânea, dos seus desejos, recordações, pensamentos, fantasias, sonhos, por mais embaraçosos e vulgares que sejam. Sem censura e sem interrupção, o paciente deve relatar pensamentos e sentimentos tal como eles ocorrem. O analista, escutando atentamente, vai tentar ligar as peças do puzzle. A interpretação dos sonhos, segundo Freud, é “a estrada real de acesso ao inconsciente”, concluindo, sua visão de que os sonhos são na verdade uma expressão de desejos e conflitos que não podem se tornar conscientes e, portanto, ficam “censurados” em uma instância psíquica que ele denomina de “inconsciente”. Quando adormecemos a censura é reduzida e os sonhos são experiênciados de forma distorcida, revelando-se em uma forma manifesta (distorcida) e uma forma latente (censurada). A resistência é um processo que tem como tendência para evitar confronto com assuntos desagradáveis ou “ameaçadores”. A resistência é um conjunto de manobras defensivas em grande parte inconscientes destinadas a manter na penumbra acontecimentos e conflitos perturbadores. A Transferência pode ocorrer por deslocamento (de sentimentos e emoções) ou por projeção (de desejos, tendências e fantasias). Há Transferências positivas e negativas. Por exemplo: Você recebe um elogio do seu chefe por alguma iniciativa tomada para melhorar os processos da empresa. Ao retornar à sua sala, elogia sua secretária. Esta é uma situação de transferência positiva. Digamos que você recebeu uma bronca do seu chefe no meio de uma reunião. Acabou o expediente e você foi para casa, lá chegando seu cachorro, feliz por te ver, pula em você, que muito irado o chuta ou repreende com uma grosseria exagerada e desnecessária. Você acabou de fazer uma transferência negativa. Ou seja, os pacientes transferem para o analista os sentimentos característicos da sua relação com pessoas significativamente importantes, tais como: os pais, os irmãos, etc. Ex: Hoje fui visitar uma escola e quando lá cheguei havia um aluno do 9º ano (antiga 8ª série) na sala da Diretora. Aguardei que ela fizesse o atendimento dele e quando o aluno retornou à sala de aula, busquei saber qual ocorrência havia determinado sua visita à Diretoria. A Diretora relatou que o aluno foi encaminhado por dois professores devido ao mau comportamento em classe, marcado por uma agressividade gratuita, principalmente com os professores homens e (descobrimos mais tarde, ao analisarmos melhor a situação), com os professores carecas. No decorrer do dia a mãe do aluno compareceu à escola e relatou para a Diretora que o filho estava assim desde que ela havia “juntado as escovas” com o João. Detalhe importante: o João é careca. O garoto está deslocando nos professores que lembram o João a agressividade que gostaria de usar com ele, afinal, João é o cara que veio para atrapalhar, para “tirar” dele sua mãe, para “roubar” o amor que deveria ser só seu (ah! o Édipo por aqui!). Na verdade o alvo da raiva do aluno não são os professores, mas a identificação inconsciente que ele faz quando vê a figura do João no professor. Ele está inseguro e bravo com a situação e precisa extravasar isto de algum modo. Por transferência, ele agride os professores, atendendo ao desejo inconsciente de agredir o padrasto. PULSÕES O ser humano possui duas pulsões inatas: a sexual/libido e agressiva, são contrárias ao ideal da sociedade e são as forças propulsoras que incitam as pessoas à ação. São excitações de origem interna (no corpo) que produzem constantemente certo nível de tensão, pois têm a finalidade de manter o aparelho psíquico permanentemente excitado. A energia gerada pelas pulsões não pode ser liberada de maneira direta. Precisam ser controladas através da educação. Gera no indivíduo um estado de tensão interna que necessita ser resolvido. Assim, toda ação do homem é motivada pela busca prazerosa de dar vazão à energia psíquica acumulada. Conceito de pulsão tem por referência Uma fonte: um processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo quando tem uma necessidade. Uma finalidade: dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. Uma pressão: a quantidade de energia ou força que ele representa. Um objeto: qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original. Ex: Uma pessoa com cede. O corpo desidrata, até que precisa de mais líquido. A fonte é: a necessidade crescente de líquido. À medida que a necessidade se torna maior (sensação de sede), enquanto não for satisfeita, aumenta sua força ou energia. Finalidade é de reduzir a tensão, matando a sede. E o objeto é todo ato que busca reduzir à tensão, nesse caso, a água. Tensão-redução é: o ciclo completo de comportamento que parte do repouso para a tensão e a atividade, e volta para o repouso. PULSÃO DE VIDA E DE MORTE Para Freud, as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo, mas na fronteira entre os dois e teriam como fonte o ID. A pulsão de vida seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo, com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também. Embora pareçam concepções opostas, a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas, fundidas e onde há pulsão de vida, encontramos, também, a pulsão de morte. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito. Podemos constatar o enlaçamento existente entre as pulsões na dinâmica da neurose da angústia. A pulsão de morte no sujeito será a responsável pela elevação da tensão ou excitação libidinal que seráescoada pela pulsão de vida que levará o indivíduo, impulsionado pelo princípio do prazer, a procurar objetos que venham minimizar os impactos da angústia. ID, EGO e SUPEREGO. Estrutura da Personalidade ID: é a fonte da energia psíquica, a libido, formado pelas pulsões, instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer, ou seja, busca sempre o que produz prazer e evita o desprazer. Não faz planos, não espera. Busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de uma atingida através de uma ação. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego, irracional, antissocial e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente. EGO: desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, levando em conta o mundo externo. É o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano. A satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas. SUPEREGO: a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos: 1. Inibir os impulsos do id. 2. Fazer o ego a substituir os alvos realistas por alvos moralistas. 3. Lutar pela perfeição. O superego forma-se após o ego, onde a criança absorve os valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos inaceitáveis, outra característica sua é o pensamento dualista (certo ou errado, sem meio-termo). O superego divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem a ser procurado, e a consciência, que determina o mal a ser evitado. Relação entre os Três Subsistemas: manter o equilíbrio. Obs: o id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte. Consciente O nível consciente nada mais é do que tudo aquilo do que estamos conscientes no momento, no agora. Ele corresponderia à menor parte da mente humana. Nele está tudo aquilo que podemos perceber e acessar de forma intencional. Outro aspecto importante é que o consciente funciona de acordo com as regras sociais, respeitando tempo e espaço. Isso significa que é por meio dele que se dá a nossa relação com o mundo externo. O consciente seria, portanto, a nossa capacidade de perceber e controlar o nosso conteúdo mental. Apenas aquela parte de nosso conteúdo mental presente no nível consciente é que pode ser percebida e controlada por nós. Pré-consciente O pré-consciente é muitas vezes chamado de “subconsciente”, mas é importante destacar que Freud não utilizava esse termo. O pré-consciente se refere àqueles conteúdos que podem facilmente chegar ao consciente, mas que lá não permanecem. São, principalmente, informações sobre as quais não pensamos constantemente, mas que são necessárias para que o consciente realize suas funções. Nosso endereço, o segundo nome, nome dos amigos, telefones, algumas coisas das quais gostamos – como a nossa comida preferida –, acontecimentos recentes e assim por diante. É importante lembrar ainda que, apesar de se chamar Pré-consciente, esse nível mental pertence ao inconsciente. Podemos pensar no pré-consciente como uma peneira que fica entre o inconsciente e o consciente, filtrando as informações que passarão de um nível ao outro. Inconsciente Inconsciente se refere a todo aquele conteúdo mental que não se encontra disponível ao indivíduo em determinado momento. Ele representa não só a maior fatia de nossa mente, mas também, para Freud, a mais importante. Quase todas as memórias que acreditamos estarem perdidas para sempre, todos os nomes esquecidos, os sentimentos e medos que conseguimos, de alguma forma, ignorar… todos esses elementos se encontram em nosso inconsciente. Isso mesmo: desde a mais tenra infância, os primeiros amigos, as primeiras compreensões: tudo está guardado. Mas seria possível acessá-lo? Seria possível reviver essas lembranças? Acessar essas lembranças é possível. Não em sua totalidade, mas de algumas fatias. Esse acesso acontece muitas vezes através dos sonhos de formas distorcidas, dos atos falhos e da terapia psicanalítica. É também no inconsciente que se encontram sublimadas as chamadas pulsões de vida e de morte, que seriam aqueles elementos intrínsecos a todo ser humano como o impulso sexual ou o impulso destrutivo. Como a vida em sociedade exige que determinados comportamentos e desejos sejam reprimidos, eles são aprisionados no inconsciente. O inconsciente é regido pelas próprias leis, além de ser atemporal: não existem as noções de tempo e espaço nesse nível psíquico, ou seja, o inconsciente não identifica cronologia nos fatos, nas experiências ou nas memórias. É ele, também, o principal responsável pela formação da nossa personalidade. Recapitulando: consciente, pré-consciente e inconsciente Ao analisar fenômenos psíquicos como a histeria, Freud identifica a impossibilidade de que a mente humana se constitua apenas de uma parte consciente. Com a necessidade de encontrar os elos mais obscuros entre comportamentos aparentemente incoerentes, o autor conclui existirem níveis mentais sobre os quais o indivíduo não tem absoluto controle ou acesso. Esses níveis são o Pré-consciente e o Inconsciente. O consciente representa todo o material mental acessível para o indivíduo naquele momento. Já o Pré-consciente representa uma ligação entre ele e o inconsciente. Este contém informações importantes para o nosso cotidiano, mas as quais acessamos apenas quando algo nos faz buscá-las. O inconsciente, por sua vez, representa a maior e mais importante parte da mente humana. É nele que se encontram nossas pulsões, nossas lembranças mais longínquas, nossos medos recalcados e a formação da nossa personalidade. FASES DO DESENVOLVIMETO PSICOSSEXUAL Freud acreditava que a personalidade era desenvolvida através de uma série de estágios de infância em que as energias da busca do prazer do ID tornam-se focadas em determinadas áreas erógenas. Esta energia psicossexual, ou libido, foi descrita como a força motriz por trás do comportamento. Se essas etapas psicossexuais são concluídas com êxito, uma personalidade saudável é o resultado. Se certas questões não são resolvidas na fase adequada, fixações podem ocorrer. A fixação é um foco persistente em um estágio psicossexual. Até que este conflito seja resolvido, o indivíduo mantém-se “preso” nesta fase. Fixação seria uma obsessão inconsciente com a sua fase que não foi passada com êxito. Por exemplo: uma pessoa que está fixada na fase oral pode ser mais dependente dos outros e pode buscar estimulação oral através de fumar, beber ou comer. FASE ORAL Período: de 0 a 1 ano aproximadamente. Características principais: a região do corpo que proporciona maior prazer à criança é a boca. É pela boca que a criança entra em contato com o mundo, é por esta razão que a criança pequena tende a levar tudo o que pega à boca. O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da mãe, que além de a alimentar proporciona satisfação ao bebê. O conflito principal nesta fase é o processo de desmame – a criança deve tornar-se menos dependente de cuidadores. Se ocorrer a fixação nesta fase, Freud acreditava que o indivíduo teria problemas com dependência ou agressão. Fixação oralpode resultar em problemas com a bebida, morder, comer, fumar ou roer as unhas. FASE ANAL Período: 2 a 4 anos aproximadamente Características: Neste período a criança passa a adquirir o controle dos esfíncteres a zona de maior satisfação é a região do ânus. Ambivalência (impulsos contraditórios) A criança descobre que pode controlar as fezes que sai de seu interior, oferecendo-o à mãe ora como um presente, ora como algo agressivo. É nesta etapa que a criança começa a ter noção de higiene. Fases de birras. De acordo com Freud, o sucesso nesta fase é dependente da maneira com que os pais se aproximam no treinamento do toalete. Os pais que utilizam elogios e recompensas para usar o banheiro no momento oportuno incentivam resultados positivos e ajudam as crianças a se sentir capazes e produtivas. Freud acreditava que experiências positivas durante este estágio servem de base para que as pessoas tornem-se adultos competentes, produtivos e criativos. No entanto, nem todos os pais fornecem o apoio e encorajamento que as crianças precisam durante este estágio. Alguns pais vão punir com ridicularização ou vergonha os acidentes das crianças. De acordo com Freud, as respostas parentais inadequadas podem resultar em resultados negativos. Se os pais levam uma abordagem que é muito branda, Freud sugeriu que poderia se desenvolver uma personalidade anal-expulsiva, em que o indivíduo tem uma personalidade confusa ou destrutiva. Se os pais são muito rigorosos ou começam o treinamento do toalete muito cedo, Freud acreditava que uma personalidade anal-retentiva se desenvolveria, na qual o indivíduo é rigoroso, ordenado, rígido e obsessivo. FASE FÁLICA Período: de 4 a 6 anos aproximadamente. Características: Nesta etapa do desenvolvimento a atenção da criança volta-se para a região genital. Inicialmente a criança imagina que tanto os meninos quanto as meninas possuem um pênis. Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos, as crianças criam as chamadas "teorias sexuais infantis", imaginando que as meninas não tem pênis porque este órgão lhe foi arrancado (complexo de castração, que é um conceito freudiano em que uma criança tem medo que sua genitália será prejudicada pelo genitor do mesmo sexo como punição por sentimentos sexuais com o outro progenitor.). Neste período surge o complexo de Édipo, no qual o menino passa a apresentar uma atração pela mãe e a se rivalizar com o pai, e na menina ocorre o inverso sendo o complexo de Electra que trata-se de uma atitude que implica uma identificação tão completa com a mãe que a filha deseja, inconscientemente, eliminá-la e possuir o pai. O surgimento do complexo de castração surge devido ao complexo de Édipo/Electra. O termo complexo de Electra tem sido usado para descrever um conjunto semelhante de sentimentos vivenciados pelas jovens. Freud, no entanto, acredita que as meninas, em vez disso experimentam a inveja do pênis. Freud acreditava que a inveja do pênis não foi totalmente resolvida e que todas as mulheres continuam a ser um pouco fixadas neste estágio. Psicólogos como Karen Horney contestam esta teoria, chamando-a de um tanto imprecisa e degradante para as mulheres. Horney propôs que os homens experimentam sentimentos de inferioridade porque eles não podem dar à luz à filhos, um conceito à que ela se referiu como inveja do útero. FASE DE LATÊNCIA Período: de 6 a 11 anos aproximadamente. Características: este período tem por característica principal um deslocamento da libido da sexualidade para atividades socialmente aceitas, ou seja, a criança passa a gastar sua energia em atividades sociais e escolares. O desenvolvimento do ego e superego contribuem para este período de calma. O estágio começa na época em que as crianças entram na escola e tornam-se mais preocupadas com as relações entre colegas, hobbies e outros interesses. O período de latência é um tempo de exploração em que a energia sexual ainda está presente, mas é direcionada para outras áreas. Esta etapa é importante para o desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação e autoconfiança. FASE GENITAL Período: a partir de 11 anos. Características: neste período, que tem início com a adolescência, há uma retomada dos impulsos sexuais, o adolescente passa a buscar, em pessoas fora de seu grupo familiar, um objeto de amor. A adolescência é um período de mudanças no qual o jovem tem que elaborar a perda da identidade infantil e dos pais da infância para que pouco a pouco possa assumir uma identidade adulta. O indivíduo desenvolve um forte interesse sexual no sexo oposto. Esta fase começa durante a puberdade, mas passa por todo o resto da vida de uma pessoa. Em fases anteriores, o foco foi exclusivamente nas necessidades individuais, porém o interesse pelo bem estar dos outros cresce durante esta fase. Se as outras etapas foram concluídas com êxito, o indivíduo deve agora ser bem equilibrado, tenro e carinhoso. O objetivo desta etapa é estabelecer um equilíbrio entre as diversas áreas da vida. COMPLEXO DE ÉDIPO Complexo de sentimentos e afetos com componentes de agressividade, fúria e medo, paixões, amor e ódio, oriundos dos desejos sexuais em relação aos genitores de sexo oposto que acontece entre os 5 e 6 anos de idade. O complexo de Édipo se manifesta no menino desejando a mãe e querendo eliminar o pai, seu concorrente. O medo da castração por parte do pai faz com que renuncie ao desejo incestuoso e aceite as regras ou a lei da cultura. Na menina se manifesta pelo fato de descobrir que não tem o pênis-falo, e com isto, sente-se prejudicada, tem inveja do pênis. Ao perceber que a mãe também não o tem, passa a desvalorizá-la e, nessa medida, se dirige para a figura do pai, dotado de falo e, portanto, cheio de poder e fascinação. Mas apesar do menino abandonar o desejo pela mãe por medo da castração ela não deixa de acontecer para ambos os sexos e de forma simbólica de acordo com a interpretação de Lacan. Castração no sentido simbólico significa a impossibilidade de retorno ao estado narcísico do qual fomos expulsos com o nosso nascimento. Castração significa a perda, a falta, o limite imposto à onipotência do desejo. É um processo que já acontece desde o corte do cordão umbilical. A rigor quem castra é a mãe. Se a mãe permite a independência da criança, negando formar um todo narcísico com ela, ela castra. A castração é um evento absolutamente progressista na nossa vida e que torna possível a vida em sociedade e a nossa autonomia. Com a Castração introduz-se a lei da cultura que é produto de Eros e não de Thanatos. A lei não existe para aniquilar o desejo e sim para articulá-lo com a convivência social. É a guardiã do desejo na medida em que o encaminha no sentido de uma subordinação ao Princípio da Realidade" (Os Sentidos da Paixão, Hélio Pellegrino). A Castração nos faz sentir como seres incompletos, carentes. Demonstra-nos que é da brecha entre tudo o que se quer e aquilo que se pode (princípio de realidade) que nascem as possibilidades de movimentos do desejo. Mas o seu exagero pode trazer consequências negativas como as neuroses. Segundo Freud, as práticas perversas presentes ao longo da constituição da sexualidade, como: o exibicionismo, a manipulação dos órgãos sexuais, o prazer de sucção, o prazer ligado à defecação entre outras, tendem a sucumbir à repressão, submetendo-se ao domínio das práticas genitais com vistas à procura de um outro corpo e à procriação. As mesmas deixarão suas marcas, que estarão presentes nas manifestações consideradas normais da sexualidade adulta (nas preliminares do ato sexual), conquanto não assumam um caráter prioritárioe não se constituam em única forma possível na obtenção do prazer. Isto refletiria uma recusa da pulsão em submeter-se à repressão e ao domínio da genitalidade, resultando em uma perversão adulta. ACHEI INTERESSANTE E ACRESCENTEI O homossexualismo (prazer anal) e o voyeurismo (contemplação), decorrem de uma fixação do prazer. A essas perversões, Freud chama pulsões parciais. São elas: oral, anal, escópica, fálica. Assim, a sexualidade infantil funciona como se composta por fragmentos (impulsos parciais), que agem como se fossem diversas estações que vão aparecendo e assumindo lideranças e predominâncias. Apenas no adulto ela alcançará níveis totais, integrativos e sintetizadores desses impulsos. Age como se fosse uma massa de excitações cuja origem se encontrasse em qualquer parte do corpo. Na realidade, só o adulto consegue distinguir o ponto de origem de uma excitação e, o tempo decorrido até atingir seu clímax e sua posterior satisfação, enquanto a criança sequer distingue bem entre a excitação e a satisfação. Qualquer ponto do organismo é capaz de se converter em fonte excitável, e portanto de satisfação, não apenas os pontos clássicos correspondentes às fases oral, anal e fálica. Como exemplo podemos citar a atividade mecânica musculoesquelética, a atividade intelectual, os estímulos proprioceptivos e exteroceptivos e até a própria dor. Chamamos, pois de primazia genital a adultificação da sexualidade infantil, ou seja, à medida que o tempo passa, e isso é variável de criança para criança, as zonas genitais vão adquirindo maior importância sobre as demais e o pênis, o clitóris, a vagina e toda a zona genital passam a ser capazes de concentrar toda a energia, toda a excitação que anteriormente se encontrava espalhada e repartida em outras zonas. Ressaltamos que essas etapas nunca se dão de um modo claro, existindo uma interpenetração entre as mesmas. Diante de exposto temos crianças de tenra idade que sentem prazer ao urinar ou defecar querendo brincar ou pegar. Podem querer examinar seus genitais ou dos amiguinhos. Os pais ao ver qualquer destas cenas, não devem surpreender-se ou aborrecer-se. Os pais ou pessoas que trabalham com crianças devem ter em mente que a masturbação é normal e faz parte do processo de conhecimento de seu corpo. O problema é que isto nos traz um certo desconforto porque é muito provável que nossos pais tenham nos dito que isto era feio ou para não fazer isto de novo. É difícil para os pais lidarem com essas situações, mas é necessário aprender para não serem severos. Não devemos olhar os atos infantis comparando com a dos adultos. A criança não faz nenhuma relação com o sexo em si, ela apenas sente prazer. Mais tarde poderá sentir-se culpada pela desaprovação dos pais ou pessoas que trabalham com elas e essa culpa poderá ser levada para sua própria experiência sexual. Freud coloca os pais como pessoas incompetentes para a tarefa da educação sexual preferindo que estes não se ocupem desta tarefa. Para ele, os pais esqueceram-se da sexualidade infantil e, se esqueceram, é porque houve repressão. (KUPFER, 1997). Se houve repressão inevitavelmente algum recalque ainda permanece. Então como agir mesmo com todas as nossas frustrações, recalques e conflitos ainda que inconscientes? É no lar que o ser humano deveria ter sua primeira educação sexual. Uma criança falante e curiosa pode começar a mostrar interesse pelo sexo aos 2-3 anos, mesmo sem o uso da palavra. A maioria o fará com 4-5 anos de idade (Suplicy, 1983). Nesta fase o que a criança quer saber é muito pouco, não é preciso explicar detalhes, mas também não minta, não brigue, não desconverse, explique o básico da linguagem para o entendimento. Muitos pais acreditam que as crianças não devem fazer perguntas sobre sexo por acreditar que não possuem idade suficiente para entender, considerando, portanto, um absurdo qualquer menção a este assunto. Muitos adultos se escondem, sentem vergonha e a causa pode estar numa infância mal orientada. No texto de Freud "Esclarecimento sexual das crianças" em resposta a uma carta de Dr. M. Fürst, ele afirma que as crianças devem receber educação sexual assim que demonstrem algum interesse pela questão (KUPFER, 1997). A criança que tem idade para perguntar também tem idade para ouvir. Os pais nunca devem dar respostas imaginárias e irreais como, por exemplo: se a criança perguntar sobre seu nascimento e o pai responde que foi trazido pela cegonha, ao invés de falar a verdade na linguagem adequada para idade. Quando a criança descobre as mentiras dos pais sente-se enganada. No mesmo instante que seu filho descobre que você o engana deixará de ser um pai ou mãe perguntável. Perdendo a credibilidade, sendo que assim mesmo seu filho continua curioso e perguntará aos colegas. Não adianta falar sobre espermatozoides e óvulos com uma criança de 2 ou 3 anos, nesta idade muita explicação pode confundir e o tempo de concentração é muito pequeno, portanto os pais devem ser breves, e devem falar com naturalidade. Nas primeiras perguntas das crianças são: Porque o pipi do papai maior que o meu? Porque ele tem esses pelinhos e eu não? Onde está o pipi da mamãe? Por onde saem os bebês? Essas são perguntas que a criança faz pela constatação do que observa. Conforme a criança vai crescendo as perguntas vão se sofisticando, e aos quatro/cinco anos ela quer saber como o bebê sai da barriga da mãe. E também quer saber como entrou. Responda a essas perguntas de forma mais natural possível. Se for repreendida, a criança nunca mais irá perguntar, mas continuará tão curiosa quanto antes, pois está numa fase de descobertas. Sem a ajuda deles ela poderá interpretar o sexo de forma errada, acreditando, por exemplo, que seu pênis tem algum problema por ser menor que o do pai, que o pênis da mamãe ou da irmã foi cortado. Muitos pais não sabem como responder. Uma das perguntas mais difícil para os pais responderem: como o bebê entrou na barriga da mamãe? Temos uma literatura imensa sobre sexualidade infantil que ajudam os pais e até filmes, que podem ajudar a tirar as dúvidas das crianças. Mas sempre deve ser utilizado o real, verdadeiro e claro. A partir de quatro anos já é possível falar sobre o parto natural ou cesárea, sobre a relação do papai e da mamãe, lembrando- se que a linguagem deve ser adequada e sem assombros. Se a criança não tem desde cedo esclarecimentos sobre os assuntos ligados ao sexo, não compartilha seus medos e ansiedade com seus pais, se os pais não lhe dão apoio nas suas descobertas, certamente ela será um adolescente carregado de dúvidas buscando em revistas e conversas com amigos o entendimento deste processo e futuramente poderá ser um adulto com complexos, culpas e preconceitos. Os tempos mudaram. As crianças devem ter limites bem estabelecidos, com firmeza, pelos pais. Pais inseguros, com falta de atenção e o descontrole pessoal são as principais causas da opção do castigo físico como forma pedagógica. Acredito que até a palmada, culturalmente aceita por muitos, é dispensável, mas de qualquer forma, não transmito sentimento de culpa para os pais. Ser pai é uma tarefa extremamente difícil, que exige um treino contínuo e de perseverança. Segundo Winnicott, a vida é essencialmente difícil de ser vivida por todos, e os pais devem procurar ser suficientemente bons para seus filhos - nem permissivos, nem agressivos. Sabemos que crianças que crescem aterrorizadas e com medo dos pais, em que a chama de estúpidas, burras, incompetentes, preguiçosas, que ouvem você não deveria ter nascido, estão sofrendo maus tratos psicológicos que poderão marcá-las por toda vida. Esses pais são maltratantes e negligentes. O mesmo é peloabandono, não só o abandono de crianças deixadas em lugares públicos, mas também de pais ausentes que deixam seus filhos abandonados em suas próprias casas.