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Matéria: Introdução a Psicologia. 
(Resumo do livro Psicologias - Capítulo 1) 
 
Diferença entre psicologia científica e psicologia do senso comum: 
Psicologia refere-se ao estudo científico dos processos mentais e comportamento do ser humano. 
Por outro lado, o senso comum refere-se ao bom senso na prática clínica. A diferença fundamental 
entre psicologia e senso comum decorre de sua fonte de conhecimento. A psicologia se baseia 
em ciência, compreensão teórica e pesquisas, mas o senso comum se baseia na experiência e 
raciocínio. 
Senso comum é o modo de pensar da maioria das pessoas, são noções comumente admitidas 
pelos indivíduos. Significa o conhecimento adquirido pelo homem partir de experiências, vivências 
e observações do mundo acumulados ao longo da vida e passados de geração em geração. 
É um saber que não se baseia em métodos ou conclusões científicas, e sim no modo comum e 
espontâneo de assimilar informações e conhecimentos úteis no cotidiano. Também faz parte do 
senso comum os conselhos e ditos populares que são tidos como verdades e seguidos pelo povo. 
Por exemplo: “Deve-se cortar os cabelos na lua crescente para que cresçam mais rápido”. 
 
Definição de ciência e objeto de estudo da psicologia: 
A ciência tem uma característica fundamental: a objetividade. Suas conclusões devem ser 
passíveis de verificação e isentas de emoção, para, assim, tornarem-se válidas para todos. Seu 
objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicas, processo cumulativo do 
conhecimento, objetividade fazem da ciência uma forma de conhecimento que supera em muito 
o conhecimento espontâneo do senso comum. Na psicologia, o objeto alvo de estudo é o ser 
humano e seu comportamento. 
 
Diversidade de objeto da psicologia: 
O campo de conhecimento da psicologia se constituiu no final do século 19. A mesma estuda o 
comportamento humano, não havendo uma exatidão tal como as ciências exatas. Pois devido à 
diversidade de manifestações individuais e coletivas, uma pessoa não é igual à outra, da mesma 
forma que uma mente não age de forma padrão em relação à realidade. Psicologia é uma ciência 
nova diante de um universo de mistérios. Uma viagem infinita pelo vasto mundo da complexidade 
do Ser e do Estar. Assim, a Psicologia hoje se caracteriza por uma diversidade de objetos de 
estudo. Ou seja, o estudo da psicologia não tem um paradigma (padrão que serve como modelo) 
como modelo, pois tudo é passivo de mudança. 
 
Subjetividade como estudo da psicologia: 
O objeto de estudo que diferencia a Psicologia das demais ciências humanas. A mesma estuda a 
subjetividade, sendo essa a sua principal contribuição para o entendimento do Ser Humano. A 
subjetividade é a síntese única que cada indivíduo constrói através das suas experiências vividas 
social e cultural. Nesse sentido, a subjetividade não é inata e sim aprendida. 
Ela é construída continuamente pelo indivíduo e por todos os elementos presentes no ambiente 
em que ele vive, é algo que muda de acordo com cada pessoa, como o gosto pessoal, por 
exemplo, cada um possui o seu, portanto é algo subjetivo. O tema subjetividade varia de acordo 
com os sentimentos e hábitos de cada um, é uma reação e opinião individual, não é passivo de 
discussão, uma vez que cada um atribui um determinado valor para uma coisa específica. A 
subjetividade é formada através das crenças e valores do indivíduo, com suas experiências e 
histórias de vida. 
 
 
 
Psicologia e o misticismo: 
A Psicologia, como área da Ciência, vem se desenvolvendo na história desde 1875, quando Wundt 
(1832-1926) criou o primeiro Laboratório de Experimentos em Psicofisiologia na Alemanha. Esse 
marco histórico significou o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas (que só existe 
na ideia ou conceito) e espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens, a 
qual seria a sede da vida psíquica. A partir daí, a história da Psicologia é de fortalecimento de seu 
vínculo com os princípios e métodos científicos. A ideia de um homem autônomo, capaz de se 
responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento e pela sua vida, também vai se fortalecendo a 
partir desse momento. Hoje, a Psicologia ainda não consegue explicar muitas coisas sobre o 
homem, pois é uma área da Ciência relativamente nova. Além disso, sabe-se que a Ciência não 
esgotará o que há para se conhecer, pois a realidade está em permanente movimento e novas 
perguntas surgem a cada dia, o homem está em movimento e em transformação, colocando 
também novas perguntas para a Psicologia. Alguns dos “desconhecimentos” da Psicologia têm 
levado os psicólogos a buscarem respostas em outros campos do saber humano. Com isso, 
algumas práticas não-psicológicas têm sido associadas às práticas psicológicas. O tarô, a 
astrologia, a quiromancia, a numerologia, entre outras práticas adivinhatórias e/ou místicas, têm 
sido associadas ao fazer e ao saber psicológico. A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes, 
deve ser capaz de enfrentá-los sem preconceitos, reconhecendo que o homem [pg. 26] construiu 
muitos “saberes” em busca de sua felicidade. Mas é preciso demarcar nossos campos. Esses 
saberes não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto de estudo. 
É possível estudar as práticas adivinhatórias e descobrir o que elas têm de eficiente, de acordo 
com os critérios científicos, e aprimorar tais aspectos para um uso eficiente e racional. Nem 
sempre esses critérios científicos têm sido observados e alguns psicólogos acabam por usar tais 
práticas sem o devido cuidado e observação. Esses casos, seja daquele que usa a prática mística 
como acompanhamento psicológico, seja o do psicólogo que usa desse expediente sem critério 
científico comprovado, são previstos pelo código de ética dos psicólogos e, por isso, passíveis de 
punição. No primeiro caso, como prática de charlatanismo e, no segundo, como desempenho 
inadequado da profissão. 
 
CONCEPÇÃO DE HOMEM 
Há diferentes concepções de homem na medida em que estudos filosóficos e teológicos e mesmo 
doutrinas políticas acabam definindo o homem de diferentes formas: 
Homem natural - A filosofia de Jean-Jacques Rousseau tem como essência a crença de que o 
Homem é bom naturalmente, embora esteja sempre sob o jugo da vida em sociedade, a qual o 
predispõe à depravação. Ou seja, ele era puro e foi corrompido pela sociedade. 
Homem como ser abstrato - Por esta concepção o homem possuiria características definidas que 
não mudam, independentemente das condições sociais a que esteja submetido. 
Homem como ser histórico social - Esta concepção propõe que o homem é determinado pelas 
condições históricas e sociais que o cercam. Ou seja, o homem como um ser social, psicológico 
e biológico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exercícios do capítulo 1 
Questão 1: Você leu no texto que existem a Psicologia Científica e a Psicologia do senso-comum. 
Supondo que o seu contato até o momento só tenha sido com a Psicologia do senso comum, 
relacione situações do cotidiano em que você ou as pessoas com quem convive usem essa 
psicologia. 
R: Chá de boldo cura problemas no fígado: quando uma pessoa reclama de dores no fígado, é 
comum alguém dizer que ela pode tomar um chá de boldo que logo a dor vai passar. Esta é uma 
receita usada pelos mais antigos e que foi repassada de geração em geração, sem que as pessoas 
soubessem de fato o princípio ativo do boldo e seu efeito nas doenças hepáticas. 
 
Sexta-Feira 13: O número 13 é considerado de má sorte, especialmente quando cai numa sexta-
feira. Muitas pessoas evitam fazer viagens, reuniões ou negócios neste dia. Mesmo que você não 
acredite nisso, de alguma maneira, esta crençaestá arraigada no seu cérebro e talvez nunca 
você se perguntou porque a sexta-feira 13 traz azar. 
 
Passar por debaixo da escada, quebrar um espelho ou um gato preto passar a sua frente te trarão 
anos de azar. 
 
Questão 2: Conversem sobre Psicologia Científica, sua matéria prima e seu enfoque. Para isso, 
retomem as seguintes questões: 
a) Qual é a matéria-prima da Psicologia? 
R: É o estudo do homem e sua subjetividade. A diversidade de mundos, internos e externos, 
individuais e sociais. 
 
b) O que é subjetividade? 
R: Subjetividade varia de acordo com os sentimentos e hábitos de cada um, é uma reação e 
opinião individual, não é passivo de discussão, uma vez que cada um atribui um determinado 
valor para uma coisa específica. A subjetividade é formada através das crenças e valores do 
indivíduo, com suas experiências e histórias de vida. 
c) Por que a subjetividade não é inata? 
R: Pois a subjetividade é obtida através de vivências do próprio indivíduo. É uma experiência 
pessoal adquirida de cada ser humano perante situações que foram vividas, ou seja, está sempre 
em construção. 
 
d) Por que as práticas místicas não compõem o campo da psicologia científica? 
R: Porque as práticas místicas não são construídas no campo da ciência, a partir dos princípios 
científicos. Além de ter pressupostos opostos a psicologia como a concepção de destino, 
existência de forças que não estão no campo do humano e do mundo material. 
 
Questão 3: Verifiquem quantas pessoas do grupo procuraram práticas adivinhatórias (tarô, 
astrologia etc.). A partir da leitura do texto, discutam a experiência, e ao final, diferenciem essas 
práticas das práticas do saber da Psicologia. 
R: A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes místicos, deve ser capaz de enfrentá-los sem 
preconceitos, reconhecendo que o homem construiu muitos “saberes” em busca de sua felicidade. 
Esses saberes místicos não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto de 
estudo. Por exemplo, a influência do misticismo na vida individual de cada ser humano. Pois cada 
um atribui um determinado valor a estas práticas. 
 
Ex: A prática da oração a Deus junto ao tratamento da medicina ajuda a uma determinada pessoa 
se recuperar melhor de um tratamento de câncer. 
Resumo de aulas do SIA 
Questões de Normalidade 
Não existe uma única, simples e satisfatória definição para o conceito de normalidade. Logo, o 
conceito de normalidade é algo dinâmico e relativo, deve ter em conta o contexto, bem como o 
próprio sujeito, já que muitas vezes a “anormalidade” está na “normalidade”. Vou então descrever 
um pouco das várias perspectivas: 
 
 Normal enquanto Saúde: nesta perspectiva, ninguém é completamente normal. 
Porém só se considera patológico quando a pessoa possui sintomas que prejudiquem a 
sua vida diária (trabalho, família, socialização, etc.); 
 
 Normal enquanto frequência estatística: nesta perspectiva, normal é o mais 
frequente. Tudo o que “não entra” nessa frequência não é normal. Contudo a carie 
dentária que afeta 95% da população, poderia ser considerada normal, visto que é mais 
frequente encontrar uma pessoa com a “doença” do que sem ela. O mesmo acontece 
com algumas doenças mentais. 
 
 Normal enquanto normas, valores ou regras definidos socialmente: esta 
perspectiva, provavelmente a mais correta, porém temos de ter consciência de que esta 
definição pressupõe algo constantemente dinâmico e mutável, pois o que hoje é 
saudável, amanhã pode não ser e vice-versa. 
 
 Normal enquanto algo que nós devemos aproximar: Nesta perspectiva a 
“normalidade” é vista como um objetivo a alcançar, como um culminar de um caminho. 
“Normal” é algo que devemos atingir e ambicionar. 
 
 Normal enquanto processo dinâmico de adaptação: nesta perspectiva “normal” é 
tudo o que está perfeitamente adaptado, logo o anormal ou patológico deve-se a uma 
desadaptação à sociedade, à família, etc. No entanto como tudo está em constante 
mutação, estamos simultaneamente em vários processos de adaptação. 
 
 Normal enquanto norma funcional: nesta perspectiva normal é quase sinónimo de 
funcional. Uma pessoa é normal enquanto “funcionar” corretamente, perante o meio e 
perante si próprio. 
 
Breve história da Loucura 
Principais estudos sobre a história da loucura foram realizados pelo filósofo francês Michel 
Foucault, mostrando interessantes características. Na idade média e no renascimento eram raros 
os casos de internação de loucos em hospitais e, quando isso ocorria, recebiam o mesmo 
tratamento dispensado aos demais doentes, com sangrias, purgações, ventosas e banhos. Nos 
séculos 17 e 18 os critérios para definir a loucura referiam-se à transgressão da lei e da 
moralidade dominante. Em 1656 foi criado, em Paris, os Hospital Geral que era uma instituição 
assistencial que retirava das ruas os “devassos”, os “feiticeiros”, os “libertinos” e os “loucos”. O 
critério de exclusão baseava-se na inadequação do “louco” à vida social. No final do 
século 18 surgiu a primeira instituição destinada à reclusão dos “loucos”: o asilo. Os métodos 
terapêuticos utilizados no asilo eram a religião, o medo, a culpa, o trabalho, a vigilância e o 
julgamento. A ação da psiquiatria era moral e social; iniciando a medicalização. 
 
 
 
A CONTRIBUIÇÃO DE SIGMUND FREUD 
Para a psicanálise o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza. 
Nos indivíduos normais e anormais existiriam as mesmas estruturas de personalidade e de 
conteúdo. Estas seriam as estruturas neuróticas (expressão simbólica de um conflito psíquico 
que tem suas raízes na história infantil do indivíduo) e psicóticas (refere-se a uma perturbação 
intensa do indivíduo na relação com a realidade. Na psicose ocorre uma ruptura entre o ego e a 
realidade, ficando o ego sob domínio do id). 
 
Tipos de neurose: 
 
 Neurose obsessiva – envolve comportamentos compulsivos. 
 Neurose fóbica ou histeria de angústia – a angústia é fixada, de modo mais ou 
menos estável, num objeto exterior, isto é, o sintoma central é a fobia, o medo. 
 Neurose histérica ou histeria de conversão – o conflito psíquico simboliza-se nos 
sintomas corporais de modo ocasional, isto é, como crises. 
 
Mas qual a diferença entre Neurose e Psicose? 
As neuroses são fruto de tentativas ineficazes de lidar com conflitos e traumas inconscientes. O 
que distingue a neurose da normalidade é assim a intensidade do comportamento e a 
incapacidade do doente de resolver os conflitos internos e externos de maneira satisfatória. 
Algumas pessoas sofrem sintomas mais graves de neurose do que outras, e algumas formas de 
neurose são mais acentuadas, como transtorno obsessivo-compulsivo. No entanto, a neurose não 
é tão grave como psicose. 
Psicose, ou uma desordem psicótica refere-se a qualquer estado mental que prejudica o 
pensamento, percepção e julgamento. Episódios psicóticos podem afetar uma pessoa com ou 
sem uma doença mental. A pessoa que experimenta um episódio psicótico pode ter diversos 
sintomas, como alucinações, paranoia, e até experimentar uma mudança na personalidade. 
Em essência, a principal diferença entre neurose e psicose é a forma em que elas afetam 
a saúde mental. O comportamento neurótico pode estar naturalmente presente em qualquer 
pessoa, ligado a uma personalidade desenvolvida. O comportamento psicótico pode ir e vir como 
resultado de várias influências. Os efeitos de alguns medicamentos podem causar episódios 
psicóticos, ou uma situação traumática que afeta o bem-estar psicológico de uma pessoa podendo 
desencadear o episódio. A distinção entre as condições ou distúrbios neuróticos e psicóticos é 
realizadaatravés de uma avaliação por um psiquiatra ou psicólogo, que pode tratar os sintomas 
com medicação ou terapia. 
 
Os sintomas mais frequentes de um neurótico são: 
 Insatisfação geral, excesso de mentiras, manias, problemas com o sexo, dentre outros. 
Exemplos deles são o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) 
 Depressão e a Síndrome do Pânico. 
 
Já a psicose é marcada por fases de delírios e alucinações. Podemos dar como exemplo de 
psicose: 
 Esquizofrenia – caracteriza se pelo afastamento da realidade, o indivíduo entra em um 
processo de centramento de si mesmo. 
 Transtorno Bipolar 
 Autismo. 
Há cura para a neurose, já para a psicose não há cura definitiva. 
Mania e melancolia ou psicose maníaco depressiva: caracteriza - se pela oscilação entre o estado 
de extrema euforia e estados depressivos. 
ANTIPSIQUIATRIA 
Em oposição às abordagens tradicionais da doença mental surgem outras que questionam o 
conceito de normalidade e os tratamentos propostos, como é o exemplo da antipsiquiatria que 
afirma que a doença mental é uma construção da sociedade e não existe em si. A antipsiquiatria 
e a psiquiatria social denunciaram a manipulação do saber científico, a retirada da humanidade 
e a utilização de condições perversas de tratamento. 
 
ESTUDO DE CASO 
É um método qualitativo que consiste, geralmente, em uma forma de aprofundar uma unidade 
individual. Ele serve para responder questionamentos que o pesquisador não tem muito controle 
sobre o fenômeno estudado. O estudo de caso contribui para compreendermos melhor os 
fenômenos individuais, os processos organizacionais e políticos da sociedade. É uma ferramenta 
utilizada para entendermos a forma e os motivos que levaram a determinada decisão. Conforme 
YIN, Roberto K. (2001) o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que compreende um 
método que abrange tudo em abordagens especificas de coletas e análise de dados sendo amplo 
e complexo não podendo ser estudado no contexto onde ele ocorre naturalmente. 
 
PESQUISA DE LEVANTAMENTO 
O que é pesquisa por levantamento: É aquela em que as características de interesse de uma 
população são levantadas (observadas ou medidas), mas sem manipulação. É a pesquisa 
realizada mediante a “... a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja 
conhecer.” 
 
Tipos de pesquisas são: 
Descritivas: As pesquisas descritivas fazem uma análise minuciosa e descritiva do objeto de 
estudo (população, empresa, governo, situação-problema). Investe-se na coleta e no 
levantamento de dados qualitativos, mas, principalmente, quantitativos. Utilizam-se gráficos de 
sexo, idade, nível de escolaridade e localidade, por exemplo. A finalidade da pesquisa descritiva 
é analisar os dados coletados sem que haja a interferência do pesquisador. Costuma fazer uso 
de levantamentos para coleta de dados e descreve, minuciosamente, experiências, processos, 
situações e fenômenos. Focando em descrever fatores. 
Exemplo: Verificar por que pacientes de um consultório esperam determinado tempo e depois 
desistem. Para isso, será preciso ficar lá observando e realizando anotações a fim de explicar o 
motivo do fenômeno. 
Pesquisa Descritiva: Quais são os fatores que fazem as pessoas desistirem? 
 
Explicativas: São aquelas pesquisas que têm como preocupação central identificar os fatores 
que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa 
que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. 
Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta 
consideravelmente. Registra fatos, analisa-os, interpreta-os e identifica suas causas. 
A pesquisa explicativa exige maior investimento em síntese, teorização e reflexão a partir do 
objeto de estudo. Visa identificar os fatores que contribuem para a ocorrência dos fenômenos ou 
variáveis que afetam o processo. Explica o porquê das coisas. 
 
Exemplo: Vamos imaginar um estudo de campo. O objetivo é observar o comportamento de um 
determinado grupo de pessoas, realizar anotações a fim de explicar o motivo de um fenômeno. 
É esperado nos resultados da pesquisa que você faça: Ir até o local, observar, anotar, 
sintetizar e explicar. 
Exemplo: verificar por que pacientes de um consultório esperam determinado tempo e depois 
desistem. Para isso, será preciso ficar lá observando e realizando anotações a fim de explicar o 
motivo do fenômeno. 
Pesquisa Explicativa: Porque as pessoas desistem? 
 
Correlacional: É o tipo de pesquisa que procura explorar relações que possam existir entre 
variáveis (duas coisas diferentes), exceto a relação de causa-efeito sendo algo como obrigatório. 
São investigadas as relações que existem entre variáveis, lidando com o que já existe nelas, ou 
seja, os indivíduos que participam do método já possuem atributos a serem pesquisados 
(estresse, ansiedade, entre outros). 
Exemplo: "Este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de um estudo correlacional entre 
habilidades sociais e traços de personalidade segundo o modelo dos cinco grandes fatores." 
 
Outros tipos de pesquisas científicas em Psicologia: 
 Pesquisa de estudo de caso - É a pesquisa que privilegia um caso particular que seja 
significativo, ou seja, um fenômeno que seja suficiente para análise efetiva. 
 Pesquisa experimental - É um método utilizado para demonstrar uma relação causal 
- entre variáveis, ou seja, o pesquisador manipulará sistematicamente uma variável 
chamada de variável independente (VI) e as medidas de efeito sobre outra variável 
conhecida como variável dependente (VD). Métodos experimentais podem ser usados 
para determinar se a evolução da variável causa uma mudança em outra variável. 
 Pesquisa de Campo - É a pesquisa que o investigador precisa ir ao local onde o 
fenômeno ocorre e coletar informações a serem documentadas. 
 Pesquisa bibliográfica - É a técnica que visa o recolhimento de informações 
previamente coletadas sobre o campo de interesse do investigador e tem como objetivo 
levantar materiais que seja fonte para o processo de pesquisa por meio de materiais 
audiovisuais, publicações de livros, artigos, monografias, imprensa escrita e etc. 
 
VARIAVEIS INDEPENDENTES, DEPENDENTES E ESTRANHA 
Variável dependente (VD): é a variável que sofre o efeito de outras variáveis no contexto da 
análise que estamos conduzindo (é nesse sentido que ela é “dependente”). A VD é, portanto, a 
variável que medimos ou observamos com o objetivo de detectar o efeito de outras variáveis 
sobre ela. VD – sofre mudanças. 
 
 Exemplo: Os pesquisadores estão interessados em investigar como o álcool 
influencia tempos de reação durante a condução de veículos. A quantidade de álcool que 
um participante ingere é a variável independente, enquanto que o seu desempenho em 
um teste de condução é a variável dependente. 
 
Variável independente (VI): é a variável que supomos que afeta a VD. A VI é, portanto, a 
variável que manipulamos (modificamos) para poder observar ou medir os efeitos dessas 
manipulações na VD. Na Análise do Comportamento, as variáveis independentes que buscamos 
relacionar com o comportamento são eventos ambientais. VI – causa mudanças. 
 
 Exemplo: Pesquisadores querem determinar se um novo tipo de tratamento vai levar a 
uma redução da ansiedade para os pacientes que sofrem de fobia social. Numa 
experiência, alguns voluntários recebem o novo tratamento, outro grupo recebe um 
tratamento diferente, e um terceiro grupo não recebe qualquer tratamento. A variável 
independente neste exemplo é o tipo de terapia. 
 
Variável Estranha (VE): Quando o experimentador planeja e desenvolve ainvestigação, ele 
procura controlar todas as variáveis que o possam impedir de testar se a variável independente 
influencia efetivamente a variável dependente. O investigador tem de ter o controle da situação, 
bem como as características das atitudes do sujeito e os efeitos do experimentador, bem como 
as variáveis externas. As variáveis entranhas ou parasitas, são aquelas que o pesquisador não 
considerou na hipótese. Este tipo de variável afeta o resultado de toda a experiência, daí que 
seja conveniente elimina-las e neutraliza-las, para se assegurar que as respostas dos sujeitos só 
dependam da variável independente. VE – sofre mudanças não esperadas. 
 
ABORDAGENS DA PSICOLOGIA 
Vamos agora conhecer as diferentes concepções do fenômeno psíquico e visões de ser-humano 
subjacente em quatro abordagens: behaviorismo, gestaltismo, psicanálise e cognitivismo. 
 
Behaviorismo 
Teoria e método de investigação psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o 
comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e respostas), 
sem fazer recurso à introspecção. 
 
Deu início com Watson em 1913, consiste na teoria explicativa do comportamento 
publicamente observável da Psicologia, a qual postula que esta deve ocupar-se do 
comportamento animal (humano e não humano) apenas quando for possível uma observação 
pública para obter uma mensuração, ao invés de ocupar-se dos estados mentais que possam 
gerar ou influenciar tais comportamentos, ou seja, não acredita na introspecção. Sendo assim, o 
behaviorismo metodológico acredita na existência da mente, mas a ignora em suas 
explicações sobre o comportamento. Para o behaviorismo metodológico os estados mentais não 
se classificam como objetos de estudo empírico (observáveis), portanto, rege uma ciência 
positivista (a principal ideia do positivismo era a de que o conhecimento científico devia ser 
reconhecido como o único conhecimento verdadeiro. As superstições, religiões e demais ensinos 
teológicos devem ser ignorados, pois não colaboram para o desenvolvimento da humanidade. 
Não acredita na introspecção “olhar para dentro” como meio de se atingir o conhecimento). 
Watson demonstrou a sua teoria das respostas condicionadas nos estudos experimentais 
realizados com o bebé Albert de 11 meses condicionando-o a ter medo de um rato branco, que 
ele não temia antes de ser submetido ao condicionamento. (S – R) 
 
Para estabelecer a relação de medo, Watson provocou um enorme barulho atrás da cabeça do 
bebê Albert sempre que o rato lhe era mostrado. Em pouco tempo a mera visualização do rato 
produzia sinais de medo na criança. Esse medo condicionado generalizou-se a 
outros estímulos similares como um coelho, uma pele branca ou a barba do pai 
natal. 
 
 Estímulo incondicionado (martelo): provoca uma resposta natural 
e automática. 
 Resposta incondicionada (medo): naturalmente desencadeia uma 
resposta automática (você não tem que aprender para responder). 
 Estímulo neutro (rato): que não gera qualquer resposta. 
 Estímulo condicionado (rato pareado ao martelo): é um estímulo 
previamente neutro que, após preado com o estímulo incondicionado, 
eventualmente, desencadeia uma resposta condicionada. 
 Resposta condicionada (medo do rato): é a resposta aprendida ao 
estímulo antes neutro. 
Os estudos de Watson se baseavam no condicionamento clássico de Pavlov em 1903. Ele 
estava interessado em estudar o funcionamento do sistema digestório utilizando cães como 
seus sujeitos experimentais. O fisiólogo russo, pesquisou a salivação dos cachorros na presença 
da comida. Neste contexto, um dia percebeu que os cachorros começavam a salivar antes de 
virem a comida. Só o fato de submeter os cachorros às condições do experimento lhes causava 
a resposta da salivação. 
 
 
 
Skinner em 1945, inaugura o que ele próprio denomina de behaviorismo radical que não nega 
a possibilidade da autoobservação ou do autoconhecimento ou a sua possível utilidade mas 
questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado. Não insiste entretanto na verdade por 
consenso mas simplesmente questiona a natureza do objeto observado e a fidedignidade das 
observações. Behaviorismo Radical vê a causa como uma interação complexa que se estende em 
várias escalas temporais envolvendo organismos e o meio ambiente. Esta abordagem evita a 
causa mecânica, representa tanto comportamento aberto quanto encoberto, e conceitua o 
organismo em que o comportamento e meio ambiente interagem. Ligados a fisiologia animal 
humana e não-humano. 
 
Condicionamento operante é um método de aprendizado que ocorre através de recompensas e 
punições para o comportamento. Através do condicionamento operante, uma associação é feita 
entre um comportamento e uma consequência para esse comportamento. Então, o 
condicionamento operante considera que as consequências de um comportamento podem 
influenciar a probabilidade de este ocorrer novamente ou não. 
 
 Se essa consequência for agradável, a frequência do comportamento vai aumentar 
(reforço). 
 Se a consequência for desagradável a frequência do comportamento vai diminuir 
(punição). 
 Quando uma contingência se diz positiva significa que há uma apresentação de um 
estímulo que pode ser agradável ou desagradável. 
 Quando a contingência é negativa significa que há uma remoção de um evento ou 
estímulo (agradável ou desagradável). 
 
Daí quatro tipos de contingências operantes: 
Reforço positivo: apresentação de um estimulo agradável após um comportamento desejado. 
Aumento da frequência do comportamento 
Exemplo: 
 Se o pombo tocar a campainha recebe alimento suplementar; 
 Se o aluno tiver boas notas recebe um elogio; 
 
 
Reforço negativo: remoção (negativo) de um evento desagradável após o comportamento 
desejado. Aumento da frequência do comportamento. 
Exemplo: 
 Se o rato puxar a alavanca deixa de levar choques eléctricos; 
 Se o doente tomar os comprimidos deixa de sentir dores; 
 
Punição positiva: apresentação de uma consequência desagradável após a realização de um 
comportamento não desejado. Diminuição da frequência do comportamento. 
Exemplo: 
 Se o rato sair do perímetro definido leva choque eléctrico; 
 Se a criança faz birra leva uma repreensão; 
 
Punição negativa: remoção de um evento agradável após a realização de um comportamento 
não desejado. Diminuição da frequência do comportamento. 
Exemplo: 
 Se o pombo defecar fora do local apropriado é-lhe removida a alimentação; 
 Se criança partir um jarro deixa de poder ver televisão durante uma semana; 
 
A extinção e a punição tendem a diminuir a frequência dos comportamentos. Na extinção, o 
comportamento tende a diminuir de frequência em função da retirada de reforços contingentes 
à resposta (aqueles que são responsáveis pela sua manutenção). 
A técnica mais eficaz e recomendada para alterar comportamentos consiste na extinção e não 
na punição, pois esta última traz muitas consequências adversas. 
 
 
 
PRINCIPAIS CONCEITOS 
 
ESTÍMULO 
Qualquer acontecimento, externo ou interno a um organismo, susceptível de ser captado pelos 
seus receptores e de levar a uma reação. 
 
RESPOSTA 
Unidade de comportamento sob controlo de um ou mais estímulos. 
 
 
 
REFORÇO 
Qualquer acontecimento (estímulo) que segue uma resposta e aumenta a probabilidade dessa 
resposta ocorrer, na mesma situação 
 Reforço positivo - quando esse acontecimento comporta uma ocorrência agradável para 
o sujeito. 
 Reforço negativo- quando esse acontecimento envolve a remoção ou o afastamento de 
algo desagradável para o sujeito. 
 
PUNIÇÃO 
Ocorrência de um estímulo aversivo, após uma resposta indesejada. 
 
EXTINÇÃO 
Processo de diminuição da frequência de ocorrência de uma resposta, por supressão do reforço 
que a mantinha. 
 
 
PSICANÁLISE 
A Psicanálise foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud, com o objetivo de tratar 
desequilíbrios psíquicos. Este corpo teórico foi responsável pela descoberta do inconsciente, 
sendo este o objeto de estudo desta abordagem. 
 
A teoria psicanalítica é uma teoria que procura descrever a origem dos transtornos mentais, 
o desenvolvimento do homem e de sua personalidade, além de explicar a motivação humana. 
Principais pressupostos 
 Acreditar na existência do inconsciente. 
 A consideração da sexualidade infantil. 
 Reconhecimento do fenômeno da transferência. 
 O corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. 
 O impulso sexual tem seus alicerces na biologia do organismo. 
O princípio do determinismo psíquico é que tudo o que acontece na mente de uma pessoa 
e tudo o que uma pessoa faz tem uma causa específica. Na psicanálise não tem espaço 
para milagres, acidentes ou livre arbítrio. 
 
Método de investigação na psicanálise 
 Caracteriza-se pelo método interpretativo. 
 Interpretação dos sonhos, dos atos falhos e associações livres. 
 Busca significado oculto do que é manifesto através de ações e palavras. 
 Uma forma de tratamento psicológico (a análise), que visa o autoconhecimento. 
A livre associação de ideias – é um dos princípios fundamentais da terapia psicanalítica, que 
consiste no facto de o psicanalista pedir ao paciente que fale abertamente, de forma espontânea, 
dos seus desejos, recordações, pensamentos, fantasias, sonhos, por mais embaraçosos e 
vulgares que sejam. Sem censura e sem interrupção, o paciente deve relatar pensamentos e 
sentimentos tal como eles ocorrem. O analista, escutando atentamente, vai tentar ligar as peças 
do puzzle. 
A interpretação dos sonhos, segundo Freud, é “a estrada real de acesso ao inconsciente”, 
concluindo, sua visão de que os sonhos são na verdade uma expressão de desejos e conflitos 
que não podem se tornar conscientes e, portanto, ficam “censurados” em uma instância psíquica 
que ele denomina de “inconsciente”. Quando adormecemos a censura é reduzida e os sonhos 
são experiênciados de forma distorcida, revelando-se em uma forma manifesta (distorcida) e uma 
forma latente (censurada). 
A resistência é um processo que tem como tendência para evitar confronto com assuntos 
desagradáveis ou “ameaçadores”. A resistência é um conjunto de manobras defensivas em 
grande parte inconscientes destinadas a manter na penumbra acontecimentos e conflitos 
perturbadores. 
A Transferência pode ocorrer por deslocamento (de sentimentos e emoções) ou por projeção 
(de desejos, tendências e fantasias). Há Transferências positivas e negativas. Por exemplo: Você 
recebe um elogio do seu chefe por alguma iniciativa tomada para melhorar os processos da 
empresa. Ao retornar à sua sala, elogia sua secretária. Esta é uma situação de transferência 
positiva. Digamos que você recebeu uma bronca do seu chefe no meio de uma reunião. Acabou 
o expediente e você foi para casa, lá chegando seu cachorro, feliz por te ver, pula em você, que 
muito irado o chuta ou repreende com uma grosseria exagerada e desnecessária. Você acabou 
de fazer uma transferência negativa. Ou seja, os pacientes transferem para o analista os 
sentimentos característicos da sua relação com pessoas significativamente importantes, tais 
como: os pais, os irmãos, etc. 
Ex: Hoje fui visitar uma escola e quando lá cheguei havia um aluno do 9º ano (antiga 8ª série) 
na sala da Diretora. Aguardei que ela fizesse o atendimento dele e quando o aluno retornou à 
sala de aula, busquei saber qual ocorrência havia determinado sua visita à Diretoria. A Diretora 
relatou que o aluno foi encaminhado por dois professores devido ao mau comportamento em 
classe, marcado por uma agressividade gratuita, principalmente com os professores homens e 
(descobrimos mais tarde, ao analisarmos melhor a situação), com os professores carecas. No 
decorrer do dia a mãe do aluno compareceu à escola e relatou para a Diretora que o filho estava 
assim desde que ela havia “juntado as escovas” com o João. Detalhe importante: o João é careca. 
O garoto está deslocando nos professores que lembram o João a agressividade que gostaria de 
usar com ele, afinal, João é o cara que veio para atrapalhar, para “tirar” dele sua mãe, para 
“roubar” o amor que deveria ser só seu (ah! o Édipo por aqui!). Na verdade o alvo da raiva do 
aluno não são os professores, mas a identificação inconsciente que ele faz quando vê a figura do 
João no professor. Ele está inseguro e bravo com a situação e precisa extravasar isto de algum 
modo. Por transferência, ele agride os professores, atendendo ao desejo inconsciente de agredir 
o padrasto. 
PULSÕES 
O ser humano possui duas pulsões inatas: a sexual/libido e agressiva, são contrárias ao ideal 
da sociedade e são as forças propulsoras que incitam as pessoas à ação. São excitações de origem 
interna (no corpo) que produzem constantemente certo nível de tensão, pois têm a finalidade de 
manter o aparelho psíquico permanentemente excitado. 
 
 A energia gerada pelas pulsões não pode ser liberada de maneira direta. 
 Precisam ser controladas através da educação. 
 Gera no indivíduo um estado de tensão interna que necessita ser resolvido. 
 Assim, toda ação do homem é motivada pela busca prazerosa de dar vazão à energia 
psíquica acumulada. 
 
 
 
Conceito de pulsão tem por referência 
 Uma fonte: um processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo quando tem 
uma necessidade. 
 Uma finalidade: dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. 
 Uma pressão: a quantidade de energia ou força que ele representa. 
 Um objeto: qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade 
original. 
 
Ex: Uma pessoa com cede. 
 O corpo desidrata, até que precisa de mais líquido. 
 A fonte é: a necessidade crescente de líquido. 
 À medida que a necessidade se torna maior (sensação de sede), enquanto não for 
satisfeita, aumenta sua força ou energia. 
 Finalidade é de reduzir a tensão, matando a sede. 
 E o objeto é todo ato que busca reduzir à tensão, nesse caso, a água. 
 
Tensão-redução é: o ciclo completo de comportamento que parte do repouso para a tensão e 
a atividade, e volta para o repouso. 
 
PULSÃO DE VIDA E DE MORTE 
Para Freud, as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo, mas na fronteira 
entre os dois e teriam como fonte o ID. A pulsão de vida seria representada pelas ligações 
amorosas que estabelecemos com o mundo, com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto 
a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo 
e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão 
de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da 
compulsão à repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também. 
 
Embora pareçam concepções opostas, a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas, 
fundidas e onde há pulsão de vida, encontramos, também, a pulsão de morte. A conexão só seria 
acabada com a morte física do sujeito. 
 
Podemos constatar o enlaçamento existente entre as pulsões na dinâmica da neurose da 
angústia. A pulsão de morte no sujeito será a responsável pela elevação da tensão ou excitação 
libidinal que seráescoada pela pulsão de vida que levará o indivíduo, impulsionado pelo princípio 
do prazer, a procurar objetos que venham minimizar os impactos da angústia. 
 
ID, EGO e SUPEREGO. 
Estrutura da Personalidade 
 
ID: é a fonte da energia psíquica, a libido, formado pelas pulsões, instintos, impulsos orgânicos 
e desejos inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer, ou seja, busca sempre o 
que produz prazer e evita o desprazer. Não faz planos, não espera. Busca uma solução imediata 
para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a 
realidade e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de uma atingida através de uma 
ação. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego, 
irracional, antissocial e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente. 
 
EGO: desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, 
levando em conta o mundo externo. É o chamado princípio da realidade. É esse princípio que 
introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano. A satisfação das pulsões 
é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer 
e um mínimo de consequências negativas. 
 
SUPEREGO: a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. O superego 
tem três objetivos: 
 
1. Inibir os impulsos do id. 
2. Fazer o ego a substituir os alvos realistas por alvos moralistas. 
3. Lutar pela perfeição. 
 
O superego forma-se após o ego, onde a criança absorve os valores recebidos dos pais e da 
sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, 
punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos inaceitáveis, 
outra característica sua é o pensamento dualista (certo ou errado, sem meio-termo). O superego 
divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem a ser procurado, e a consciência, que 
determina o mal a ser evitado. 
 
Relação entre os Três Subsistemas: manter o equilíbrio. 
Obs: o id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte. 
 
Consciente 
O nível consciente nada mais é do que tudo aquilo do que estamos conscientes no momento, no 
agora. Ele corresponderia à menor parte da mente humana. Nele está tudo aquilo que podemos 
perceber e acessar de forma intencional. Outro aspecto importante é que o consciente funciona 
de acordo com as regras sociais, respeitando tempo e espaço. Isso significa que é por meio dele 
que se dá a nossa relação com o mundo externo. O consciente seria, portanto, a nossa capacidade 
de perceber e controlar o nosso conteúdo mental. Apenas aquela parte de nosso conteúdo mental 
presente no nível consciente é que pode ser percebida e controlada por nós. 
 
Pré-consciente 
O pré-consciente é muitas vezes chamado de “subconsciente”, mas é importante destacar que 
Freud não utilizava esse termo. O pré-consciente se refere àqueles conteúdos que podem 
facilmente chegar ao consciente, mas que lá não permanecem. São, principalmente, informações 
sobre as quais não pensamos constantemente, mas que são necessárias para que o consciente 
realize suas funções. Nosso endereço, o segundo nome, nome dos amigos, telefones, algumas 
coisas das quais gostamos – como a nossa comida preferida –, acontecimentos recentes e assim 
por diante. É importante lembrar ainda que, apesar de se chamar Pré-consciente, esse nível 
mental pertence ao inconsciente. Podemos pensar no pré-consciente como uma peneira que fica 
entre o inconsciente e o consciente, filtrando as informações que passarão de um nível ao outro. 
 
Inconsciente 
Inconsciente se refere a todo aquele conteúdo mental que não se encontra disponível ao indivíduo 
em determinado momento. Ele representa não só a maior fatia de nossa mente, mas também, 
para Freud, a mais importante. Quase todas as memórias que acreditamos estarem perdidas para 
sempre, todos os nomes esquecidos, os sentimentos e medos que conseguimos, de alguma 
forma, ignorar… todos esses elementos se encontram em nosso inconsciente. Isso mesmo: desde 
a mais tenra infância, os primeiros amigos, as primeiras compreensões: tudo está guardado. 
 
Mas seria possível acessá-lo? Seria possível reviver essas lembranças? Acessar essas lembranças 
é possível. Não em sua totalidade, mas de algumas fatias. Esse acesso acontece muitas vezes 
através dos sonhos de formas distorcidas, dos atos falhos e da terapia psicanalítica. 
 
É também no inconsciente que se encontram sublimadas as chamadas pulsões de vida e de 
morte, que seriam aqueles elementos intrínsecos a todo ser humano como o impulso sexual ou 
o impulso destrutivo. Como a vida em sociedade exige que determinados comportamentos e 
desejos sejam reprimidos, eles são aprisionados no inconsciente. 
 
O inconsciente é regido pelas próprias leis, além de ser atemporal: não existem as noções de 
tempo e espaço nesse nível psíquico, ou seja, o inconsciente não identifica cronologia nos fatos, 
nas experiências ou nas memórias. É ele, também, o principal responsável pela formação da 
nossa personalidade. 
 
Recapitulando: consciente, pré-consciente e inconsciente 
Ao analisar fenômenos psíquicos como a histeria, Freud identifica a impossibilidade de que a 
mente humana se constitua apenas de uma parte consciente. Com a necessidade de encontrar 
os elos mais obscuros entre comportamentos aparentemente incoerentes, o autor conclui 
existirem níveis mentais sobre os quais o indivíduo não tem absoluto controle ou acesso. Esses 
níveis são o Pré-consciente e o Inconsciente. O consciente representa todo o material mental 
acessível para o indivíduo naquele momento. Já o Pré-consciente representa uma ligação entre 
ele e o inconsciente. Este contém informações importantes para o nosso cotidiano, mas as quais 
acessamos apenas quando algo nos faz buscá-las. O inconsciente, por sua vez, representa a 
maior e mais importante parte da mente humana. É nele que se encontram nossas pulsões, 
nossas lembranças mais longínquas, nossos medos recalcados e a formação da nossa 
personalidade. 
 
FASES DO DESENVOLVIMETO PSICOSSEXUAL 
Freud acreditava que a personalidade era desenvolvida através de uma série de estágios de 
infância em que as energias da busca do prazer do ID tornam-se focadas em determinadas áreas 
erógenas. Esta energia psicossexual, ou libido, foi descrita como a força motriz por trás do 
comportamento. 
Se essas etapas psicossexuais são concluídas com êxito, uma personalidade saudável é o 
resultado. Se certas questões não são resolvidas na fase adequada, fixações podem ocorrer. A 
fixação é um foco persistente em um estágio psicossexual. Até que este conflito seja resolvido, o 
indivíduo mantém-se “preso” nesta fase. Fixação seria uma obsessão inconsciente com a sua fase 
que não foi passada com êxito. 
Por exemplo: uma pessoa que está fixada na fase oral pode ser mais dependente dos outros e 
pode buscar estimulação oral através de fumar, beber ou comer. 
 
FASE ORAL 
Período: de 0 a 1 ano aproximadamente. 
Características principais: a região do corpo que proporciona maior prazer à criança é a boca. É 
pela boca que a criança entra em contato com o mundo, é por esta razão que a criança pequena 
tende a levar tudo o que pega à boca. O principal objeto de desejo nesta fase é o seio da mãe, 
que além de a alimentar proporciona satisfação ao bebê. 
O conflito principal nesta fase é o processo de desmame – a criança deve tornar-se menos 
dependente de cuidadores. Se ocorrer a fixação nesta fase, Freud acreditava que o indivíduo teria 
problemas com dependência ou agressão. Fixação oralpode resultar em problemas com a bebida, 
morder, comer, fumar ou roer as unhas. 
 
FASE ANAL 
Período: 2 a 4 anos aproximadamente 
Características: Neste período a criança passa a adquirir o controle dos esfíncteres a zona de 
maior satisfação é a região do ânus. Ambivalência (impulsos contraditórios) A criança descobre 
que pode controlar as fezes que sai de seu interior, oferecendo-o à mãe ora como um presente, 
ora como algo agressivo. É nesta etapa que a criança começa a ter noção de higiene. Fases de 
birras. 
 
De acordo com Freud, o sucesso nesta fase é dependente da maneira com que os pais se 
aproximam no treinamento do toalete. Os pais que utilizam elogios e recompensas para usar o 
banheiro no momento oportuno incentivam resultados positivos e ajudam as crianças a se sentir 
capazes e produtivas. Freud acreditava que experiências positivas durante este estágio servem 
de base para que as pessoas tornem-se adultos competentes, produtivos e criativos. 
No entanto, nem todos os pais fornecem o apoio e encorajamento que as crianças precisam 
durante este estágio. Alguns pais vão punir com ridicularização ou vergonha os acidentes das 
crianças. 
 
De acordo com Freud, as respostas parentais inadequadas podem resultar em resultados 
negativos. Se os pais levam uma abordagem que é muito branda, Freud sugeriu que poderia se 
desenvolver uma personalidade anal-expulsiva, em que o indivíduo tem uma personalidade 
confusa ou destrutiva. Se os pais são muito rigorosos ou começam o treinamento do toalete 
muito cedo, Freud acreditava que uma personalidade anal-retentiva se desenvolveria, na qual o 
indivíduo é rigoroso, ordenado, rígido e obsessivo. 
 
FASE FÁLICA 
Período: de 4 a 6 anos aproximadamente. 
Características: Nesta etapa do desenvolvimento a atenção da criança volta-se para a região 
genital. Inicialmente a criança imagina que tanto os meninos quanto as meninas possuem um 
pênis. Ao serem defrontadas com as diferenças anatômicas entre os sexos, as crianças criam as 
chamadas "teorias sexuais infantis", imaginando que as meninas não tem pênis porque este órgão 
lhe foi arrancado (complexo de castração, que é um conceito freudiano em que uma criança tem 
medo que sua genitália será prejudicada pelo genitor do mesmo sexo como punição por 
sentimentos sexuais com o outro progenitor.). Neste período surge o complexo de Édipo, no qual 
o menino passa a apresentar uma atração pela mãe e a se rivalizar com o pai, e na menina ocorre 
o inverso sendo o complexo de Electra que trata-se de uma atitude que implica uma identificação 
tão completa com a mãe que a filha deseja, inconscientemente, eliminá-la e possuir o pai. O 
surgimento do complexo de castração surge devido ao complexo de Édipo/Electra. O termo 
complexo de Electra tem sido usado para descrever um conjunto semelhante de sentimentos 
vivenciados pelas jovens. Freud, no entanto, acredita que as meninas, em vez disso 
experimentam a inveja do pênis. Freud acreditava que a inveja do pênis não foi totalmente 
resolvida e que todas as mulheres continuam a ser um pouco fixadas neste estágio. Psicólogos 
como Karen Horney contestam esta teoria, chamando-a de um tanto imprecisa e degradante 
para as mulheres. Horney propôs que os homens experimentam sentimentos de inferioridade 
porque eles não podem dar à luz à filhos, um conceito à que ela se referiu como inveja do 
útero. 
 
 
FASE DE LATÊNCIA 
Período: de 6 a 11 anos aproximadamente. 
Características: este período tem por característica principal um deslocamento da libido da 
sexualidade para atividades socialmente aceitas, ou seja, a criança passa a gastar sua energia 
em atividades sociais e escolares. O desenvolvimento do ego e superego contribuem para este 
período de calma. O estágio começa na época em que as crianças entram na escola e tornam-se 
mais preocupadas com as relações entre colegas, hobbies e outros interesses. O período de 
latência é um tempo de exploração em que a energia sexual ainda está presente, mas é 
direcionada para outras áreas. 
Esta etapa é importante para o desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação e 
autoconfiança. 
 
FASE GENITAL 
Período: a partir de 11 anos. 
Características: neste período, que tem início com a adolescência, há uma retomada dos impulsos 
sexuais, o adolescente passa a buscar, em pessoas fora de seu grupo familiar, um objeto de 
amor. A adolescência é um período de mudanças no qual o jovem tem que elaborar a perda da 
identidade infantil e dos pais da infância para que pouco a pouco possa assumir uma identidade 
adulta. O indivíduo desenvolve um forte interesse sexual no sexo oposto. Esta fase começa 
durante a puberdade, mas passa por todo o resto da vida de uma pessoa. 
Em fases anteriores, o foco foi exclusivamente nas necessidades individuais, porém o interesse 
pelo bem estar dos outros cresce durante esta fase. Se as outras etapas foram concluídas com 
êxito, o indivíduo deve agora ser bem equilibrado, tenro e carinhoso. O objetivo desta etapa é 
estabelecer um equilíbrio entre as diversas áreas da vida. 
 
COMPLEXO DE ÉDIPO 
Complexo de sentimentos e afetos com componentes de agressividade, fúria e medo, paixões, 
amor e ódio, oriundos dos desejos sexuais em relação aos genitores de sexo oposto que acontece 
entre os 5 e 6 anos de idade. O complexo de Édipo se manifesta no menino desejando a mãe e 
querendo eliminar o pai, seu concorrente. O medo da castração por parte do pai faz com que 
renuncie ao desejo incestuoso e aceite as regras ou a lei da cultura. Na menina se manifesta pelo 
fato de descobrir que não tem o pênis-falo, e com isto, sente-se prejudicada, tem inveja do pênis. 
Ao perceber que a mãe também não o tem, passa a desvalorizá-la e, nessa medida, se dirige 
para a figura do pai, dotado de falo e, portanto, cheio de poder e fascinação. Mas apesar do 
menino abandonar o desejo pela mãe por medo da castração ela não deixa de acontecer para 
ambos os sexos e de forma simbólica de acordo com a interpretação de Lacan. Castração no 
sentido simbólico significa a impossibilidade de retorno ao estado narcísico do qual fomos 
expulsos com o nosso nascimento. Castração significa a perda, a falta, o limite imposto à 
onipotência do desejo. É um processo que já acontece desde o corte do cordão umbilical. A rigor 
quem castra é a mãe. Se a mãe permite a independência da criança, negando formar um todo 
narcísico com ela, ela castra. A castração é um evento absolutamente progressista na nossa vida 
e que torna possível a vida em sociedade e a nossa autonomia. Com a Castração introduz-se a 
lei da cultura que é produto de Eros e não de Thanatos. A lei não existe para aniquilar o desejo 
e sim para articulá-lo com a convivência social. É a guardiã do desejo na medida em que o 
encaminha no sentido de uma subordinação ao Princípio da Realidade" (Os Sentidos da Paixão, 
Hélio Pellegrino). A Castração nos faz sentir como seres incompletos, carentes. Demonstra-nos 
que é da brecha entre tudo o que se quer e aquilo que se pode (princípio de realidade) que 
nascem as possibilidades de movimentos do desejo. Mas o seu exagero pode trazer 
consequências negativas como as neuroses. Segundo Freud, as práticas perversas presentes ao 
longo da constituição da sexualidade, como: o exibicionismo, a manipulação dos órgãos sexuais, 
o prazer de sucção, o prazer ligado à defecação entre outras, tendem a sucumbir à repressão, 
submetendo-se ao domínio das práticas genitais com vistas à procura de um outro corpo e à 
procriação. As mesmas deixarão suas marcas, que estarão presentes nas manifestações 
consideradas normais da sexualidade adulta (nas preliminares do ato sexual), conquanto não 
assumam um caráter prioritárioe não se constituam em única forma possível na obtenção do 
prazer. Isto refletiria uma recusa da pulsão em submeter-se à repressão e ao domínio da 
genitalidade, resultando em uma perversão adulta. 
 
ACHEI INTERESSANTE E ACRESCENTEI 
O homossexualismo (prazer anal) e o voyeurismo (contemplação), decorrem de uma fixação do 
prazer. A essas perversões, Freud chama pulsões parciais. São elas: oral, anal, escópica, fálica. 
Assim, a sexualidade infantil funciona como se composta por fragmentos (impulsos parciais), que 
agem como se fossem diversas estações que vão aparecendo e assumindo lideranças e 
predominâncias. Apenas no adulto ela alcançará níveis totais, integrativos e sintetizadores desses 
impulsos. Age como se fosse uma massa de excitações cuja origem se encontrasse em qualquer 
parte do corpo. Na realidade, só o adulto consegue distinguir o ponto de origem de uma excitação 
e, o tempo decorrido até atingir seu clímax e sua posterior satisfação, enquanto a criança sequer 
distingue bem entre a excitação e a satisfação. Qualquer ponto do organismo é capaz de se 
converter em fonte excitável, e portanto de satisfação, não apenas os pontos clássicos 
correspondentes às fases oral, anal e fálica. Como exemplo podemos citar a atividade mecânica 
musculoesquelética, a atividade intelectual, os estímulos proprioceptivos e exteroceptivos e até a 
própria dor. Chamamos, pois de primazia genital a adultificação da sexualidade infantil, ou seja, 
à medida que o tempo passa, e isso é variável de criança para criança, as zonas genitais vão 
adquirindo maior importância sobre as demais e o pênis, o clitóris, a vagina e toda a zona genital 
passam a ser capazes de concentrar toda a energia, toda a excitação que anteriormente se 
encontrava espalhada e repartida em outras zonas. 
 
Ressaltamos que essas etapas nunca se dão de um modo claro, existindo uma interpenetração 
entre as mesmas. Diante de exposto temos crianças de tenra idade que sentem prazer ao urinar 
ou defecar querendo brincar ou pegar. Podem querer examinar seus genitais ou dos amiguinhos. 
Os pais ao ver qualquer destas cenas, não devem surpreender-se ou aborrecer-se. Os pais ou 
pessoas que trabalham com crianças devem ter em mente que a masturbação é normal e faz 
parte do processo de conhecimento de seu corpo. O problema é que isto nos traz um certo 
desconforto porque é muito provável que nossos pais tenham nos dito que isto era feio ou para 
não fazer isto de novo. É difícil para os pais lidarem com essas situações, mas é necessário 
aprender para não serem severos. Não devemos olhar os atos infantis comparando com a dos 
adultos. A criança não faz nenhuma relação com o sexo em si, ela apenas sente prazer. Mais 
tarde poderá sentir-se culpada pela desaprovação dos pais ou pessoas que trabalham com elas 
e essa culpa poderá ser levada para sua própria experiência sexual. Freud coloca os pais como 
pessoas incompetentes para a tarefa da educação sexual preferindo que estes não se ocupem 
desta tarefa. Para ele, os pais esqueceram-se da sexualidade infantil e, se esqueceram, é porque 
houve repressão. (KUPFER, 1997). Se houve repressão inevitavelmente algum recalque ainda 
permanece. Então como agir mesmo com todas as nossas frustrações, recalques e conflitos ainda 
que inconscientes? É no lar que o ser humano deveria ter sua primeira educação sexual. Uma 
criança falante e curiosa pode começar a mostrar interesse pelo sexo aos 2-3 anos, mesmo sem 
o uso da palavra. A maioria o fará com 4-5 anos de idade (Suplicy, 1983). Nesta fase o que a 
criança quer saber é muito pouco, não é preciso explicar detalhes, mas também não minta, não 
brigue, não desconverse, explique o básico da linguagem para o entendimento. Muitos pais 
acreditam que as crianças não devem fazer perguntas sobre sexo por acreditar que não possuem 
idade suficiente para entender, considerando, portanto, um absurdo qualquer menção a este 
assunto. Muitos adultos se escondem, sentem vergonha e a causa pode estar numa infância mal 
orientada. 
 
No texto de Freud "Esclarecimento sexual das crianças" em resposta a uma carta de Dr. M. Fürst, 
ele afirma que as crianças devem receber educação sexual assim que demonstrem algum 
interesse pela questão (KUPFER, 1997). A criança que tem idade para perguntar também tem 
idade para ouvir. Os pais nunca devem dar respostas imaginárias e irreais como, por exemplo: 
se a criança perguntar sobre seu nascimento e o pai responde que foi trazido pela cegonha, ao 
invés de falar a verdade na linguagem adequada para idade. Quando a criança descobre as 
mentiras dos pais sente-se enganada. No mesmo instante que seu filho descobre que você o 
engana deixará de ser um pai ou mãe perguntável. Perdendo a credibilidade, sendo que assim 
mesmo seu filho continua curioso e perguntará aos colegas. Não adianta falar sobre 
espermatozoides e óvulos com uma criança de 2 ou 3 anos, nesta idade muita explicação pode 
confundir e o tempo de concentração é muito pequeno, portanto os pais devem ser breves, e 
devem falar com naturalidade. Nas primeiras perguntas das crianças são: Porque o pipi do papai 
maior que o meu? Porque ele tem esses pelinhos e eu não? Onde está o pipi da mamãe? Por 
onde saem os bebês? Essas são perguntas que a criança faz pela constatação do que observa. 
Conforme a criança vai crescendo as perguntas vão se sofisticando, e aos quatro/cinco anos ela 
quer saber como o bebê sai da barriga da mãe. E também quer saber como entrou. Responda a 
essas perguntas de forma mais natural possível. Se for repreendida, a criança nunca mais irá 
perguntar, mas continuará tão curiosa quanto antes, pois está numa fase de descobertas. Sem a 
ajuda deles ela poderá interpretar o sexo de forma errada, acreditando, por exemplo, que seu 
pênis tem algum problema por ser menor que o do pai, que o pênis da mamãe ou da irmã foi 
cortado. 
 
Muitos pais não sabem como responder. Uma das perguntas mais difícil para os pais 
responderem: como o bebê entrou na barriga da mamãe? Temos uma literatura imensa sobre 
sexualidade infantil que ajudam os pais e até filmes, que podem ajudar a tirar as dúvidas das 
crianças. Mas sempre deve ser utilizado o real, verdadeiro e claro. A partir de quatro anos já é 
possível falar sobre o parto natural ou cesárea, sobre a relação do papai e da mamãe, lembrando-
se que a linguagem deve ser adequada e sem assombros. Se a criança não tem desde cedo 
esclarecimentos sobre os assuntos ligados ao sexo, não compartilha seus medos e ansiedade 
com seus pais, se os pais não lhe dão apoio nas suas descobertas, certamente ela será um 
adolescente carregado de dúvidas buscando em revistas e conversas com amigos o entendimento 
deste processo e futuramente poderá ser um adulto com complexos, culpas e preconceitos. 
 
Os tempos mudaram. As crianças devem ter limites bem estabelecidos, com firmeza, pelos pais. 
Pais inseguros, com falta de atenção e o descontrole pessoal são as principais causas da opção 
do castigo físico como forma pedagógica. Acredito que até a palmada, culturalmente aceita por 
muitos, é dispensável, mas de qualquer forma, não transmito sentimento de culpa para os pais. 
Ser pai é uma tarefa extremamente difícil, que exige um treino contínuo e de perseverança. 
Segundo Winnicott, a vida é essencialmente difícil de ser vivida por todos, e os pais devem 
procurar ser suficientemente bons para seus filhos - nem permissivos, nem agressivos. Sabemos 
que crianças que crescem aterrorizadas e com medo dos pais, em que a chama de estúpidas, 
burras, incompetentes, preguiçosas, que ouvem você não deveria ter nascido, estão sofrendo 
maus tratos psicológicos que poderão marcá-las por toda vida. Esses pais são maltratantes e 
negligentes. O mesmo é peloabandono, não só o abandono de crianças deixadas em lugares 
públicos, mas também de pais ausentes que deixam seus filhos abandonados em suas próprias 
casas.

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