Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2018.1 
 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 1 
 
 
DIREITO DE FAMÍLIA E SUCESSÕES 
DIREITO DE FAMÍLIA .................................................................................................................. 16 
I. ABORDAGEM CRÍTICA E CONSTITUCIONAL, COM ÊNFASE NA DIMENSÃO 
SOCIOAFETIVA DO CONCEITO DE FAMÍLIA. ............................................................................ 16 
1. INTRODUÇÃO CONSTITUCIONAL AO DIREITO DE FAMÍLIA ............................................. 16 
1.1. A FAMÍLIA E A CF .......................................................................................................... 16 
1.2. CONCEITO DE FAMÍLIA ................................................................................................ 17 
1.3. CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA .................................................................................. 17 
1.3.1. Socioafetiva ............................................................................................................. 17 
1.3.2. Eudemonista ............................................................................................................ 17 
1.3.3. Anaparental ............................................................................................................. 17 
II. NOVOS RUMOS DO DIREITO DE FAMÍLIA ......................................................................... 17 
2. NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA ....................................................................... 17 
2.1. CONCEITO E EVOLUÇÃO ............................................................................................. 17 
2.1.1. Afeto ........................................................................................................................ 18 
2.1.2. Ética ........................................................................................................................ 18 
2.1.3. Dignidade ................................................................................................................ 19 
2.1.4. Solidariedade recíproca ........................................................................................... 19 
2.2. PERÍODO PRÉ CF/88 .................................................................................................... 20 
2.2.1. Família matrimonializada ......................................................................................... 20 
2.2.2. Família Patriarcal ..................................................................................................... 20 
2.2.3. Família Hierarquizada .............................................................................................. 20 
2.2.4. Família Biológica ..................................................................................................... 20 
2.2.5. Família Heteroparental ............................................................................................ 20 
2.2.6. Família Institucional ................................................................................................. 20 
2.3. PERÍODO PÓS CF/88 .................................................................................................... 21 
2.3.1. Família Múltipla........................................................................................................ 23 
2.3.2. Família Democrática ................................................................................................ 23 
2.3.3. Família Igualitária .................................................................................................... 23 
2.3.4. Família Socioafetiva ................................................................................................ 23 
2.3.5. Família heteroparental e homoparental ................................................................... 23 
2.3.6. Família Instrumental ................................................................................................ 23 
3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA (ART. 226 E 227 DA CF) ...... 25 
4. PRINCÍPIO DA MULTIPLICIDADE/PLURALIDADE DE ENTIDADES FAMILIARES .............. 25 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 2 
 
4.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL ..................................................................................... 25 
4.2. QUESTÕES POLÊMICAS RELATIVAS À PLURALIDADE DE ENTIDADES FAMILIARES
 27 
4.2.1. Família reconstituída/recomposta ou “ensamblada” (misturada) .............................. 28 
4.2.2. Família homoafetiva ................................................................................................ 29 
4.2.3. Família concubinária ................................................................................................ 30 
5. PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE HOMEM E MULHER .................................................. 32 
5.1. A IGUALDADE NA CF .................................................................................................... 32 
5.2. PROBLEMAS ................................................................................................................. 33 
6. PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE OS FILHOS ................................................................ 34 
6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS .......................................................................................... 34 
6.2. CRITÉRIOS FILIATÓRIOS ............................................................................................. 35 
6.2.1. Filiação biológica ..................................................................................................... 35 
6.2.2. Filiação socioafetiva ................................................................................................ 35 
6.2.3. Presunção legal (art. 1.597, “patter is est”) .............................................................. 35 
6.3. CASOS ESPECIAIS ....................................................................................................... 35 
6.3.1. Paternidade alimentar .............................................................................................. 35 
6.3.2. Ação de investigação de paternidade X investigação de ancestralidade ................. 36 
6.3.3. Multiparentalidade (teoria tridimensional do direito de família) ................................. 36 
7. PRINCÍPIO DA FACILITAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO ................................... 36 
8. PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PARENTAL .............................................................. 36 
8.1. 1ª CORRENTE: O ABANDONO AFETIVO NÃO É INDENIZÁVEL (4ªT DO STJ) ........... 37 
8.2. 2ª CORRENTE: O ABANDONO AFETIVO É INDENIZÁVEL (3ªT STJ) .......................... 37 
8.3. ENTENDIMENTO DO STF ............................................................................................. 38 
8.4. PRAZO PRESCRICIONAL ............................................................................................. 38 
III. CASAMENTO .................................................................................................................... 39 
1. CONCEITO ............................................................................................................................ 40 
2. TEORIAS EXPLICATIVAS DA NATUREZA JURÍDICA DO CASAMENTO ............................ 40 
2.1. CORRENTE DE DIREITO PÚBLICO .............................................................................. 40 
2.2. CORRENTE DE DIREITO PRIVADO ............................................................................. 40 
3. PROCEDIMENTO DE HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO .............................................. 40 
4. PLANO DE EXISTÊNCIA DO CASAMENTO ......................................................................... 44 
4.1. CELEBRAÇÃO POR AUTORIDADE MATERIALMENTE COMPETENTE ...................... 444.2. CONSENTIMENTO (ART. 1.538) ................................................................................... 44 
4.3. DIVERSIDADE DE SEXOS ............................................................................................ 45 
5. PLANOS DE VALIDADE E EFICÁCIA DO CASAMENTO: CONSIDERAÇÕES ..................... 46 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 3 
 
6. PLANO DA VALIDADE DO CASAMENTO ............................................................................ 46 
6.1. CASAMENTO NULO (IMPEDIMENTOS) ........................................................................ 46 
6.1.1. Legitimidade para a ação de nulidade ..................................................................... 48 
6.2. CASAMENTO ANULÁVEL (ART. 1.550) ........................................................................ 48 
6.2.1. Artigo 1.550: quando é anulável o casamento ......................................................... 48 
6.2.2. Vícios da vontade que podem anular o casamento (causas de anulação: 1556 a 
1558 CC) ............................................................................................................................... 50 
6.2.3. Legitimidade para a ação de anulação .................................................................... 53 
6.2.4. Natureza da sentença que anula o casamento ........................................................ 53 
6.2.5. Prazo para a ANULAÇÃO do casamento................................................................. 54 
7. PLANO DA EFICÁCIA DO CASAMENTO .............................................................................. 54 
7.1. CAUSAS SUSPENSIVAS (Art. 1.523) ............................................................................ 54 
7.2. MOMENTO E LEGITIMIDADE DE OPOSIÇÃO DOS IMPEDIMENTOS E CAUSAS 
SUSPENSIVAS ......................................................................................................................... 55 
8. NOIVADO (PROMESSA DE CASAMENTO OU ESPONSAIS) .............................................. 56 
9. FORMAS ESPECIAIS DE CASAMENTO .............................................................................. 56 
9.1. CASAMENTO POR PROCURAÇÃO (ART. 1.242) ......................................................... 56 
9.2. CASAMENTO NUNCUPATIVO (IN EXTREMIS OU IN ARTICULO MORTIS) ................ 57 
9.3. CASAMENTO EM CASO DE MOLÉSTIA GRAVE (ART. 1.539)..................................... 57 
10. “CASAMENTO PUTATIVO” ............................................................................................... 58 
11. CAPACIDADE PARA O CASAMENTO .............................................................................. 58 
12. REGIME DE BENS ............................................................................................................ 59 
12.1. CONCEITO ................................................................................................................. 59 
12.2. REGIME DE SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS (SEPARAÇÃO LEGAL) ......... 60 
12.3. REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS ............................................. 60 
12.4. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS ......................................................... 62 
12.5. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS ..................................................... 65 
12.6. REGIME DE SEPARAÇÃO CONVENCIONAL DE BENS ........................................... 66 
12.7. RESUMO DOS REGIMES .......................................................................................... 66 
12.8. AUTORIZAÇÃO CONJUGAL ...................................................................................... 67 
12.8.1. Atos que NECESSITAM da vênia conjugal .............................................................. 67 
12.8.2. Atos que PRESCINDEM da vênia conjugal ............................................................. 69 
13. DEVERES DO CASAMENTO ............................................................................................ 69 
IV. DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO ...................................................................................... 71 
1. SISTEMA DUALISTA DE DISSOLUÇÃO ............................................................................... 71 
1.1. DEFINIÇÃO .................................................................................................................... 71 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 4 
 
1.2. CAUSAS TERMINATIVAS .............................................................................................. 71 
1.3. CAUSAS DISSOLUTIVAS .............................................................................................. 72 
2. PONTOS POLÊMICOS DA DISSOLUÇÃO............................................................................ 72 
2.1. SOMENTE A MORTE REAL DISSOLVE O CASAMENTO? ........................................... 72 
2.2. ADMITE-SE A CUMULAÇÃO DE PEDIDOS NA AÇÃO ONDE SE BUSCA A 
DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO? ........................................................................................... 73 
2.3. INTERESSE DE AGIR NA AÇÃO DE ANULAÇÃO/NULIDADE DO CASAMENTO ........ 74 
3. SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO: CARACTERÍSTICAS MATERIAIS E PROCESSUAIS COMUNS
 74 
3.1. NATUREZA PERSONALÍSSIMA DA MEDIDA................................................................ 74 
3.2. POSSIBILIDADE DE DISPENSA DA PARTILHA DOS BENS (ART. 1.581 DO CC E 
SÚMULA 197 DO STJ). ............................................................................................................. 75 
3.3. REVELIA NA SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO (ART. 345, II DO CPC/2015) ........................ 75 
3.4. COMPETÊNCIA JUDICIAL PARA AS AÇÕES ............................................................... 76 
3.5. USO DO SOBRENOME ................................................................................................. 76 
3.6. DIVISÃO DE FRUTOS DECORRENTES DE COISA COMUM ....................................... 77 
3.7. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA ............................................. 77 
3.8. PARTILHA DE BENS ...................................................................................................... 78 
3.9. GUARDA UNILATERAL E COMPARTILHADA (ART. 1.583 E 1.584) ............................ 78 
3.9.1. Espécies de guarda ................................................................................................. 78 
3.9.2. Como é definida a espécie de guarda que será aplicada? ....................................... 80 
3.9.3. Sempre que possível, deve ser tentada a conciliação ............................................. 80 
3.9.4. Caso não tenha havido acordo, qual é a espécie de guarda que o juiz deverá 
preferencialmente determinar? .............................................................................................. 80 
3.9.5. Posição da doutrina ................................................................................................. 81 
3.9.6. Regras sobre a guarda compartilhada trazidas pela lei............................................ 81 
3.9.7. E se os pais morarem em cidades diferentes? ........................................................ 82 
3.9.8. Dever de os estabelecimentos públicos e privados prestarem informações aos pais
 82 
3.9.9. Descumprimento das regras .................................................................................... 82 
3.9.10. A guarda pode ser deferida para outra pessoa que não seja o pai ou a mãe? ......... 82 
3.9.11. Poder familiar .......................................................................................................... 82 
3.10. RESPONSABILIDADE CIVIL ENTRE CÔNJUGES ..................................................... 84 
4. SEPARAÇÃO DE CORPOS ..................................................................................................85 
5. SEPARAÇÃO DE FATO ........................................................................................................ 85 
5.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 86 
5.2. EFEITOS DA SEPARAÇÃO DE FATO ........................................................................... 86 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 5 
 
5.2.1. Contagem do prazo para o divórcio direto ............................................................... 86 
5.2.2. Permissão para caracterização da união estável (uma pessoa casada, embora 
separada de fato, pode constituir união estável - art. 1.723, §1º). .......................................... 86 
5.2.3. Cessação do regime de bens  POLÊMICA. .......................................................... 86 
5.2.4. Perda do direito sucessório (art. 1.830)  POLÊMICA ............................................ 87 
6. DIVÓRCIO ............................................................................................................................. 89 
6.1. EVOLUÇÃO E CONCEITO ............................................................................................. 89 
6.2. DIVÓRCIO LITIGIOSO ................................................................................................... 90 
6.3. DIVÓRCIO CONSENSUAL ............................................................................................. 91 
6.4. DIVÓRCIO CONSENSUAL EM CARTÓRIO ................................................................... 93 
7. SEPARAÇÃO DE DIREITO ................................................................................................... 93 
7.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 94 
7.2. ESPÉCIES DE SEPARAÇÃO ......................................................................................... 94 
7.3. SEPARAÇÃO CONSENSUAL ........................................................................................ 95 
7.4. SEPARAÇÃO LITIGIOSA (SANÇÃO, FALÊNCIA, REMÉDIO) ....................................... 96 
7.4.1. Separação sanção (ver abaixo sobre a EC/66) ........................................................ 96 
7.4.2. Separação falência .................................................................................................. 98 
7.4.3. Separação remédio ................................................................................................. 98 
8. PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA DE SEPARAÇAO OU DIVÓRCIO 
CONSENSUAIS ............................................................................................................................ 99 
9. SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO CONSENSUAIS NO CARTÓRIO .............................................. 99 
10. GUARDA DE FILHOS ...................................................................................................... 100 
11. DIVÓRCIO: IMPACTO DA EC/66 (AINDA POR PABLO STOLZE)................................... 101 
11.1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 101 
11.2. EFEITOS DA EC 66/2010 ......................................................................................... 102 
11.3. EMENDA 66/2010 E SEPARAÇÃO DE CORPOS ..................................................... 102 
11.4. EMENDA 66/2010 E GUARDA DE FILHO ................................................................ 102 
11.5. EMENDA 66/2010 E SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL ............................... 102 
11.6. EMENDA DO DIVÓRCIO E USO DO NOME ............................................................ 103 
11.7. EMENDA 66/2010 E ALIMENTOS ............................................................................ 103 
11.8. EMENDA 66/2010 E REGIME DE BENS .................................................................. 103 
11.9. ASPECTOS PROCESSUAIS DA NOVA EMENDA ................................................... 103 
12. USUFRUTO E ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DOS FILHOS .......................................... 104 
V. UNIÃO ESTÁVEL ................................................................................................................ 105 
1. INTRODUÇÃO HISTÓRICA À UNIÃO ESTÁVEL ................................................................ 105 
2. CONCEITO .......................................................................................................................... 106 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 6 
 
3. DEVERES (OU EFEITOS) DECORRENTES DA UNIÃO ESTÁVEL (ART. 1.724) ............... 107 
4. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DE DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL
 108 
4.1. NOÇÕES GERAIS ........................................................................................................ 108 
4.2. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DA UNIÃO 
ESTÁVEL E DIREITO DE HERANÇA ..................................................................................... 108 
4.3. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DA UNIÃO 
ESTÁVEL E ALIMENTOS ....................................................................................................... 108 
4.3.1. Situação 1: Inexiste o reconhecimento prévio do dever de assistência .................. 109 
4.3.2. Prova pré-constituída da relação de convivência ................................................... 109 
4.4. LEGITIMIDADE PARA A AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL ........ 109 
4.4.1. Ativa ...................................................................................................................... 109 
4.4.2. Legitimidade passiva ............................................................................................. 110 
5. DIREITOS DA (O) CONCUBINA (O) – DIREITOS DOS AMANTES .................................... 110 
5.1. PREVISÃO LEGAL E ENTENDIMENTOS .................................................................... 110 
5.2. É POSSÍVEL A EXISTÊNCIA DE DUAS FAMÍLIAS SIMULTÂNEAS (FAMÍLIAS 
PARALELAS)? ........................................................................................................................ 111 
5.3. CONCLUSÕES JURISPRUDENCIAIS E DOUTRINÁRIAS .......................................... 112 
5.4. VEDAÇÕES AO CONCUBINATO ................................................................................. 113 
5.5. “CONCUBINATO PURO” E “CONCUBINATO IMPURO” .............................................. 113 
VI. PARENTESCO ................................................................................................................ 114 
1. CONCEITO .......................................................................................................................... 114 
2. PARENTESCO CONSANGUÍNEO (OU NATURAL) ............................................................ 114 
2.1. PARENTESCO POR AFINIDADE ................................................................................. 115 
2.2. DISTINÇÕES ENTRE PARENTESCO NA LINHA RETA, COLATERAL E POR 
AFINIDADE ............................................................................................................................. 115 
VII. FILIAÇÃO (PARTE I) ........................................................................................................ 116 
1. CONCEITO .......................................................................................................................... 116 
2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA .................................................................................................. 116 
3. RECONHECIMENTO DE FILHOS ....................................................................................... 117 
3.1. INTRODUÇÃO ..............................................................................................................117 
3.2. FORMAS DE RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO DE FILHO (CC, ART. 1.609). 
PERFILHAÇÃO. ...................................................................................................................... 117 
3.2.1. Regras ................................................................................................................... 117 
3.2.2. Natureza jurídica do ato de reconhecimento de filhos ............................................ 118 
3.2.3. Unilateralidade e bilateralidade do reconhecimento de filho .................................. 118 
3.2.4. Características do reconhecimento voluntário de filho ........................................... 119 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 7 
 
3.2.5. Impugnação do reconhecimento de paternidade pelo filho .................................... 119 
3.2.6. Ação negatória de paternidade x Ação de impugnação de paternidade ................. 119 
3.3. RECONHECIMENTO JUDICIAL DOS FILHOS ............................................................ 120 
3.3.1. Ação investigatória de paternidade ........................................................................ 120 
4. CRITÉRIOS DE FILIAÇÃO .................................................................................................. 124 
4.1. CRITÉRIO DE FILIAÇÃO POR PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 1.597: PRESUNÇÃO 
RELATIVA DE FILIAÇÃO (“pater is est”) ................................................................................. 124 
4.2. CRITÉRIO DE FILIAÇÃO SOCIOAFETIVO: PATERNIDADE SOCIOAFETIVA ............ 125 
4.3. CRITÉRIO BIOLÓGICO ................................................................................................ 125 
VIII. FILIAÇÃO (PARTE II) ....................................................................................................... 125 
1. ISONOMIA ENTRE OS FILHOS – CF/88 ............................................................................ 125 
2. FORMAS (CRITÉRIOS) DE FILIAÇÃO ................................................................................ 126 
2.1. ESPÉCIES .................................................................................................................... 126 
2.2. CRITÉRIO DA PRESUNÇÃO LEGAL (PRESUNÇÃO PATER IS EST) ........................ 126 
2.2.1. Conceitos............................................................................................................... 126 
2.2.2. A presunção legal pelo casamento ........................................................................ 127 
2.2.3. Questionamentos importantes (retirados do Livro do Tartuce) ............................... 129 
2.3. CRITÉRIO BIOLÓGICO ................................................................................................ 131 
2.3.1. Conceitos............................................................................................................... 131 
2.3.2. DNA gratuito x Presunção ..................................................................................... 131 
2.4. CRITÉRIO DA FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA .................................................................. 132 
2.4.1. Conceitos............................................................................................................... 132 
2.4.2. Investigação de Origem Genética X Investigação de Parentalidade ...................... 133 
2.4.3. Outros reflexos da socioafetividade no direito de família ....................................... 134 
3. AÇÕES DE FAMÍLIA ........................................................................................................... 137 
3.1. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE FILIAÇÃO – OU AÇÃO DE PROVA DA FILIAÇÃO
 137 
3.2. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE OU DE IMPUGNAÇÃO DE PATERNIDADE – 
OU AÇÃO CONTESTATÓRIA DE PATERNIDADE ................................................................. 137 
3.3. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE (já vimos acima) ............................... 138 
3.4. IMPUGNAÇÃO AO RECONHECIMENTO .................................................................... 139 
3.5. IMPUGNAÇÃO DA MATERNIDADE PELA SUPOSTA MÃE ........................................ 139 
IX. ALIMENTOS .................................................................................................................... 139 
1. CONCEITO .......................................................................................................................... 139 
2. FUNDAMENTO ................................................................................................................... 140 
3. ESPÉCIES DE ALIMENTOS (CLASSIFICAÇÃO) ................................................................ 141 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 8 
 
3.1. QUANTO À NATUREZA DOS ALIMENTOS ................................................................. 141 
3.1.1. Alimentos Civis ou Côngruos ................................................................................. 142 
3.1.2. Alimentos necessários/Indispensáveis ................................................................... 142 
3.2. QUANTO À CAUSA (ORIGEM) DOS ALIMENTOS ...................................................... 144 
3.2.1. Alimentos Legítimos ou Legais .............................................................................. 144 
3.2.2. Alimentos Convencionais ou Voluntários ............................................................... 144 
3.2.3. Alimentos Ressarcitórios ou Reparatórios ............................................................. 144 
3.3. QUANTO AO MOMENTO DA EXIGIBILIDADE ............................................................ 145 
3.3.1. Pretéritos ............................................................................................................... 145 
3.3.2. Presentes .............................................................................................................. 145 
3.3.3. Futuros .................................................................................................................. 145 
3.4. QUANTO A FINALIDADE ............................................................................................. 146 
3.4.1. Alimentos Provisórios ............................................................................................ 146 
3.4.2. Alimentos Provisionais (antigo art. 852 CPC) ........................................................ 147 
3.4.3. Definitivos .............................................................................................................. 148 
3.5. OBSERVAÇÕES .......................................................................................................... 149 
4. CARACTERÍSTICAS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTÍCIA ........................................................ 151 
4.1. PERSONALÍSSIMA (INTUITO PERSONA) .................................................................. 151 
4.2. INTRANSMISSIBILIDADE ............................................................................................ 151 
4.3. IRRENUNCIÁVEIS (ART.1707, CC) ............................................................................. 153 
4.4. IMPRESCRITÍVEIS ...................................................................................................... 154 
4.5. IMPENHORÁVEIS E INCOMPENSÁVEIS .................................................................... 155 
4.6. IRREPETÍVEIS ............................................................................................................. 155 
4.7. FUTURIDADE (ALIMENTOS SÃO FUTUROS) ............................................................ 157 
5. SUJEITOS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTÍCIA ........................................................................ 157 
5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 157 
5.2.CÔNJUGE OU COMPANHEIROS ................................................................................ 157 
5.3. PARENTES .................................................................................................................. 158 
5.3.1. Regras gerais ........................................................................................................ 158 
5.3.2. Fundamentos dos alimentos entre ASCENDENTES e DESCENDENTES ............. 158 
5.4. ALIMENTOS GRAVÍDICOS: NASCITURO OU MÃE? .................................................. 159 
6. ASPECTOS PROCESSUAIS (ALIMENTOS: LEI 5478/68) .................................................. 160 
6.1. NOTAS INICIAIS .......................................................................................................... 160 
6.2. PROCEDIMENTO DA AÇÃO DE ALIMENTOS ............................................................ 160 
6.2.1. Petição Inicial ........................................................................................................ 160 
6.2.2. Competência ......................................................................................................... 161 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 9 
 
6.2.3. Fixação dos alimentos provisórios e despacho inicial ............................................ 161 
6.2.4. Citação .................................................................................................................. 161 
6.2.5. Audiência una de conciliação, instrução e julgamento ........................................... 161 
6.2.6. Sentença e Recurso .............................................................................................. 162 
6.2.7. Execução ............................................................................................................... 163 
6.3. JURISPRUDÊNCIA DO STJ ......................................................................................... 164 
6.4. A COBRANÇA DOS ALIMENTOS NO NCPC (MARIA BERENICE DIAS) .................... 165 
6.4.1. Cumprimento da sentença ..................................................................................... 168 
6.4.2. Execução de título extrajudicial .............................................................................. 171 
6.4.3. Rito da coação pessoal .......................................................................................... 171 
6.4.4. Rito da expropriação .............................................................................................. 172 
X. TUTELA E CURATELA ........................................................................................................ 174 
1. DIREITO DE FAMÍLIA ASSISTENCIAL ............................................................................... 174 
2. TUTELA ............................................................................................................................... 176 
2.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 176 
2.2. ESPÉCIES DE TUTELA ............................................................................................... 177 
2.2.1. Tutela documental ................................................................................................. 177 
2.2.2. Tutela testamentária .............................................................................................. 177 
2.2.3. Tutela legítima ....................................................................................................... 177 
2.2.4. Tutela dativa .......................................................................................................... 177 
2.3. DOS INCAPAZES DE EXERCER TUTELA .................................................................. 178 
2.4. DAS ESCUSAS DOS TUTORES .................................................................................. 179 
2.5. CONSENTIMENTO DO TUTELADO ............................................................................ 179 
2.6. DISPENSA DE ESPECIALIAÇÃO DE HIPOTECA LEGAL ........................................... 180 
2.7. RESPONSABILIDADE DO MAGISTRADO ................................................................... 180 
2.8. REMUNERAÇÃO, REPONSABILIDADE E PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO TUTOR 180 
2.8.1. Incumbências ........................................................................................................ 180 
2.8.2. Remuneração ........................................................................................................ 181 
2.8.3. Responsabilidade do Tutor .................................................................................... 181 
2.8.4. Prestação de contas .............................................................................................. 181 
2.9. DOS BENS DO TUTELADO ......................................................................................... 183 
2.10. DA CESSAÇÃO DA TUTELA .................................................................................... 184 
3. CURATELA.......................................................................................................................... 184 
3.1. TEORIA DA INCAPACIDADE JURÍDICA ...................................................................... 184 
3.2. CURATELA DOS INTERDITOS ................................................................................... 185 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 10 
 
3.2.1. Por enfermidade ou deficiência mental, não tivessem o necessário discernimento 
para os atos da vida civil ...................................................................................................... 185 
3.2.2. Hébrios habituais e os vicidos em tôxico ............................................................... 186 
3.2.3. Pródigos ................................................................................................................ 186 
3.3. CURATELA X CURADORIA ......................................................................................... 186 
3.4. CURATELAS PECULIARES ......................................................................................... 186 
3.4.1. Curador especial do nascituro ............................................................................... 186 
3.4.2. Curatelas especiais* .............................................................................................. 186 
3.5. TOMADA DE DECISÃO APOIADA ............................................................................... 187 
4. INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA VOLUNTÁRIA E INVOLUNTÁRIA...................................... 189 
DIREITO DAS SUCESSÕES ...................................................................................................... 190 
1. INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS SUCESSÕES ................................................................ 190 
1.1. CONCEITO ................................................................................................................... 190 
1.2. ESPÉCIES DE SUCESSÃO HEREDITÁRIA ................................................................ 191 
1.2.1. Testamentária ........................................................................................................ 191 
1.2.2. Legítima ................................................................................................................. 191 
1.3. LEI SUCESSÓRIA NO TEMPO E NO ESPAÇO ........................................................... 191 
1.4. PRINCÍPIO DA SAISINE .............................................................................................. 191 
1.5. ACEITAÇÃO E CESSÃO DA HERANÇA ...................................................................... 192 
1.6. RENÚNCIA DA HERANÇA ...........................................................................................193 
1.7. LEGITIMIDADE PARA SUCEDER (ART. 1.798 E 1.799) ............................................. 194 
2. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O DIREITO DAS SUCESSÕES ................... 196 
3. TERMINOLOGIA DO DIREITO DAS SUCESSÕES ............................................................. 197 
3.1. “AUTOR DA HERANÇA” .............................................................................................. 197 
3.2. “SUCESSOR” ............................................................................................................... 198 
3.2.1. “Herdeiro” .............................................................................................................. 198 
3.2.2. “Legatário” ............................................................................................................. 198 
3.3. “LEGÍTIMA” .................................................................................................................. 198 
3.4. “ABERTURA” DA SUCESSÃO ..................................................................................... 199 
3.5. “DELAÇÃO” E “ADIÇÃO” (CC/16) ................................................................................. 199 
3.6. “EREPÇÃO” (CC/16) .................................................................................................... 199 
3.7. DIFERENÇA: HERANÇA X ESPÓLIO .......................................................................... 199 
3.7.1. “Herança”............................................................................................................... 200 
3.7.2. “Espólio” ................................................................................................................ 200 
4. CONTEÚDO DO DIREITO DAS SUCESSÕES ................................................................... 200 
XI. SUCESSÃO EM GERAL: REGRAS GERAIS SUCESSÓRIAS ........................................ 201 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 11 
 
1. MOMENTO DE ABERTURA DA SUCESSÃO (CC, ART. 1.784) ......................................... 201 
1.1. TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA DAS RELAÇÕES JURÍDICAS: SAISINE .................... 201 
1.2. ABERTURA DA SUCESSÃO X ABERTURA DO INVENTÁRIO ................................... 202 
1.3. OUTROS EFEITOS JURÍDICOS QUE DECORREM DO PRINCÍPIO DA “SAISINE” .... 202 
1.3.1. Fixação da norma legal que regerá a sucessão ..................................................... 202 
1.3.2. Verificação da capacidade para suceder ............................................................... 202 
1.3.3. Cálculo da legítima ................................................................................................ 202 
1.3.4. Fixa o lugar da sucessão (art. 1.785) ..................................................................... 202 
2. CAPACIDADE SUCESSÓRIA ............................................................................................. 203 
2.1. CONCEITO ................................................................................................................... 203 
2.1.1. Elementos que compõem a capacidade sucessória (ou capacidade para suceder)
 203 
3. INDIGNIDADE E DESERDAÇÃO ........................................................................................ 204 
3.1. ASPECTOS GERAIS .................................................................................................... 204 
3.2. ASPECTOS DISTINTIVOS: DIGNIDADE x DESERDAÇÃO ......................................... 205 
3.3. CAUSAS DE INDIGNIDADE (ART. 1.814) .................................................................... 206 
3.4. CAUSAS DE DESERDAÇÃO (1.814, 1.962 E 1.963) ................................................... 206 
4. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (ART. 1.793)...................................................... 207 
4.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 207 
4.2. REQUISITOS DA CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS ....................................... 208 
4.2.1. Requisito temporal ................................................................................................. 208 
4.2.2. Requisito subjetivo ................................................................................................. 208 
4.2.3. Requisito formal ..................................................................................................... 209 
4.2.4. Requisito objetivo .................................................................................................. 209 
4.2.5. Observância do direito de preferência dos demais herdeiros ................................. 209 
4.3. POSIÇÃO DO CESSIONÁRIO E ESPÉCIE DE NEGÓCIO JURÍDICO QUE CONFIGURA 
A CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS ........................................................................... 210 
5. ACEITAÇÃO DA HERANÇA ................................................................................................ 211 
5.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 211 
5.2. CLASSIFICAÇÃO DA ACEITAÇÃO DA HERANÇA ...................................................... 211 
5.2.1. Quanto à pessoa que aceita .................................................................................. 211 
5.2.2. Quanto à manifestação de vontade ....................................................................... 211 
6. RENÚNCIA À HERANÇA .................................................................................................... 213 
6.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 213 
6.2. REQUISITOS DA RENÚNCIA À HERANÇA ................................................................. 213 
6.2.1. Capacidade do renunciante ................................................................................... 213 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 12 
 
6.2.2. Consentimento do cônjuge .................................................................................... 213 
6.3. RENÚNCIA ABDICATIVA OU TRANSLATIVA OU IN FAVOREM ................................ 214 
XII. SUCESSÃO LEGÍTIMA (DECORRE DA LEI) ................................................................... 214 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 214 
2. SUCESSÃO DOS DESCENDENTES .................................................................................. 215 
3. SUCESSÃO DOS ASCENDENTES ..................................................................................... 216 
4. SUCESSÃO DO CÔNJUGE ................................................................................................ 216 
4.1. CONCORRÊNCIA CÔNJUGE X DESCENDENTE ....................................................... 216 
4.1.1. Existência de descendentes .................................................................................. 217 
4.1.2. Depende do regime de bens (e da existência de bens particulares) ...................... 217 
4.1.3. Obediência ao percentual legal .............................................................................. 219 
4.2. CONCORRÊNCIA CÔNJUGE X ASCENDENTE .......................................................... 220 
4.2.1. Inexistência de descendentes ................................................................................ 220 
4.2.2. Independe do regime de bens ............................................................................... 220 
4.2.3. Concorrência incide sobre todo patrimônio ............................................................ 220 
4.2.4. Percentual de ½; 1/3 quando concorre com pai E mãe .......................................... 221 
4.3. SUCESSÃO DO CÔNJUGESOZINHO ........................................................................ 221 
4.3.1. Falta de ascendentes e descendentes ................................................................... 221 
4.3.2. Independe do regime de bens ............................................................................... 221 
4.3.3. O cônjuge no momento do óbito precisa estar convivendo para ter direito a herança.
 221 
4.3.4. Direito real de habitação: Art. 1.831. ...................................................................... 223 
5. SUCESSÃO DO COMPANHEIRO (art. 1790) ...................................................................... 224 
6. SUCESSÃO DOS COLATERAIS ......................................................................................... 229 
7. AÇÃO DE PETIÇÃO DE HERANÇA .................................................................................... 230 
7.1. CONCEITO ................................................................................................................... 230 
7.2. LEGITIMIDADE ATIVA ................................................................................................. 231 
7.3. LEGITIMIDADE PASSIVA ............................................................................................ 231 
7.4. NATUREZA JURÍDICA DA AÇÃO DE PETIÇÃO DE HERANÇA .................................. 231 
7.5. PROCEDIMENTO ........................................................................................................ 232 
7.6. PRAZO PRESCRICIONAL ........................................................................................... 232 
7.7. HERDEIRO PUTATIVO E TERCEIRO DE BOA-FÉ...................................................... 233 
XIII. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA ....................................................................................... 233 
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 233 
2. TESTAMENTO .................................................................................................................... 233 
3. CLASSIFICAÇÃO DO TESTAMENTO ................................................................................. 234 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 13 
 
3.1. NATUREZA NEGOCIAL ............................................................................................... 234 
3.2. CARÁTER PERSONALÍSSIMO .................................................................................... 234 
3.3. UNILATERALIDADE ..................................................................................................... 234 
3.4. GRATUIDADE .............................................................................................................. 234 
3.5. REVOGABILIDADE ...................................................................................................... 234 
3.6. SOLENE ....................................................................................................................... 235 
3.7. EFICÁCIA CAUSA MORTIS ......................................................................................... 235 
4. PRESSUPOSTOS DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA ...................................................... 235 
4.1. OBSERVÂNCIA DO LIMITE DA LEGÍTIMA .................................................................. 235 
4.2. PESSOA CAPAZ DE DISPOR POR MEIO DE TESTAMENTO (CAPACIDADE 
TESTAMENTÁRIA ATIVA) ...................................................................................................... 237 
4.3. PESSOA CAPAZ DE RECEBER HERANÇA OU LEGADO (CAPACIDADE 
TESTAMENTÁRIA PASSIVA) ................................................................................................. 237 
4.4. PROIBIDOS DE RECEBER HERANÇA OU LEGADO .................................................. 238 
4.5. CUMPRIMENTO DA FORMA PRESCRITA EM LEI ..................................................... 239 
4.5.1. Testamentos comuns............................................................................................. 240 
4.5.2. Testamentos excepcionais .................................................................................... 243 
4.6. CODICILO .................................................................................................................... 244 
4.6.1. Conceito ................................................................................................................ 244 
4.6.2. Problemática do codicilo: o que é pequeno legado? .............................................. 245 
4.6.3. Objeto do codicilo .................................................................................................. 245 
5. CLÁSULAS TESTAMENTÁRIAS ......................................................................................... 245 
5.1. CONCEITO ................................................................................................................... 245 
5.2. REGRAS INTERPRETATIVAS DAS CLÁUSULAS TESTAMENTÁRIAS ...................... 246 
5.3. REGRAS PROIBITIVAS ............................................................................................... 247 
5.4. REGRAS PERMISSIVAS ............................................................................................. 248 
5.4.1. Redução de cláusula testamentária ....................................................................... 250 
5.5. DIREITO DE ACRESCER............................................................................................. 252 
6. EXECUÇÃO DOS TESTAMENTOS..................................................................................... 253 
7. FIGURA DO TESTAMENTEIRO .......................................................................................... 253 
8. DA REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ................................................................................ 254 
8.1. FORMAS DE REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO ......................................................... 254 
8.1.1. Quanto à extensão da revogação de testamento ................................................... 254 
8.1.2. Quanto à forma da revogação de testamento ........................................................ 255 
8.2. REVOGAÇÃO POR TESTAMENTO ANULADO ........................................................... 255 
8.3. REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO REVOGATÓRIO .................................................... 255 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 14 
 
9. ROMPIMENTO DO TESTAMENTO ..................................................................................... 256 
9.1. SUPERVENIÊNCIA DE DESCENDENTE SUCESSÍVEL ............................................. 256 
9.2. SURGIMENTO DE HERDEIROS NECESSÁRIOS IGNORADOS, DEPOIS DO 
TESTAMENTO ........................................................................................................................ 256 
9.3. SUBSISTÊNCIA DO TESTAMENTO SE CONHECIDA A EXISTÊNCIA DE HERDEIROS 
NECESSÁRIOS ...................................................................................................................... 257 
XIV. INVENTÁRIO E PARTILHA .............................................................................................. 257 
1. CONCEITO .......................................................................................................................... 257 
2. PROCEDIMENTO DE INVENTÁRIO ................................................................................... 257 
2.1. INVENTÁRIO TRADICIONAL OU SOLENE ................................................................. 258 
2.2. ARROLAMENTO COMUM (ART. 664, NCPC) ............................................................. 258 
2.3. ARROLAMENTO SUMÁRIO (ARTS. 659 E 660, NCPC) .............................................. 259 
2.4. “INVENTÁRIO NEGATIVO” ..........................................................................................260 
3. EXCEÇÕES PROCEDIMENTAIS ........................................................................................ 260 
3.1. ALVARÁ JUDICIAL (LEI 6.858/80 E DL 85.845/81) ...................................................... 260 
3.2. INVENTÁRIO ADMINISTRATIVO OU CARTORÁRIO (LEI 11.441/07) ......................... 261 
4. REGRAS DO INVENTÁRIO SOLENE ................................................................................. 261 
4.1. COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 261 
4.2. PRAZO DE ABERTURA DO INVENTÁRIO .................................................................. 262 
4.3. LEGITIMIDADE PARA O REQUERIMENTO DE INVENTÁRIO E PARTILHA .............. 263 
4.4. A FIGURA DO INVENTARIANTE ................................................................................. 264 
4.4.1. Noções gerais ........................................................................................................ 264 
4.4.2. Nomeação do Inventariante ................................................................................... 264 
4.4.3. Atribuições do inventariante ................................................................................... 265 
4.4.4. Remoção e Destituição do inventariante ................................................................ 266 
4.5. PROCEDIMENTO DO INVENTÁRIO SOLENE ............................................................ 267 
4.5.1. Petição inicial ......................................................................................................... 267 
4.5.2. Decisão de nomeação do inventariante ................................................................. 267 
4.5.3. Compromisso do inventariante no prazo de 5 dias ................................................ 267 
4.5.4. Apresentação das primeiras declarações .............................................................. 267 
4.5.5. Citações ................................................................................................................ 267 
4.5.6. Fase de impugnações............................................................................................ 268 
4.5.7. Fase de avaliações ................................................................................................ 269 
4.5.8. Últimas declarações (art. 637, NCPC) ................................................................... 270 
4.5.9. Pagamento de dívidas e recolhimento fiscal .......................................................... 270 
4.5.10. Decisão de Partilha ................................................................................................ 271 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 15 
 
XV. DIREITO SUCESSÓRIO E O PODER PÚBLICO ............................................................. 272 
1. HERANÇA JACENTE .......................................................................................................... 272 
1.1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA .......................................................................... 272 
2. HERANÇA VACANTE: VACÂNCIA – ARRECADAÇÃO DOS BENS VAGOS ...................... 273 
3. PROCEDIMENTO................................................................................................................ 273 
3.1. REGRAS ...................................................................................................................... 273 
3.2. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL .................................................................................. 274 
4. NATUREZA DA SENTENÇA DE VACÂNCIA ...................................................................... 276 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 16 
 
DIREITO DE FAMÍLIA 
I. ABORDAGEM CRÍTICA E CONSTITUCIONAL, COM ÊNFASE NA DIMENSÃO 
SOCIOAFETIVA DO CONCEITO DE FAMÍLIA. 
1. INTRODUÇÃO CONSTITUCIONAL AO DIREITO DE FAMÍLIA 
1.1. A FAMÍLIA E A CF 
A CF/88, em seu art. 226, rompendo com o paradigma clássico de família, abriu a sua 
noção. Ao adotar um sistema aberto, não discriminatório, a CF rompeu com o paradigma único do 
casamento, reconhecendo também a união estável e o chamado núcleo monoparental como 
instituições familiares. 
Em razão disso, o STF, em uma interpretação conforme à CF, reconheceu a possibilidade 
de união estável às relações homoafetivas. 
CF Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. 
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável 
entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua 
conversão em casamento. Em uma interpretação conforme a CF, o STF 
reconheceu (ampliando) a união estável às relações homoafetivas. 
§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada 
por qualquer dos pais e seus descendentes. 
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos 
igualmente pelo homem e pela mulher. 
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. 
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da 
paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, 
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o 
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de 
instituições oficiais ou privadas. 
§ 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um 
dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito 
de suas relações. 
 
A doutrina moderna diz, no entanto, que o conceito de família não se esgota nesse tripé 
(casamento, união estável hetero e homoafetiva e núcleo monoparental). Sustentam que a CF 
consagrou uma cláusula geral inclusiva de todo e qualquer arranjo familiar, não apenas aqueles 
explicitamente previstos. Em razão disso, o STF reconheceu a união estável homoafetiva. 
O sistema constitucional de família é inclusivo, aberto e não discriminatório. O conceito de 
família não pode ser definido pela Lei; deve ser reconhecido pela Lei. A família deve ser definida 
pelo afeto e não pelo Direito. 
A doutrina brasileira, reconhecendo não caber ao Estado estabelecer paradigmas e 
conceitos fechados de família, a exemplo do pensamento de Rodrigo da Cunha Pereira, tem 
reafirmado o “princípio da intervenção mínima do Direito de Família”. Segundo este princípio, 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 17 
 
não cabe ao Estado invadir e sufocar a seara do afeto e da família, como observamos na 
facultatividade do planejamento familiar. 
1.2. CONCEITO DE FAMÍLIA 
 Já houve quem defendesse (Savatier) que a família seria uma pessoa jurídica, posição 
que não prevaleceu. Trata-se, em verdade, de um ente despersonalizado, base da sociedade, 
moldado pelo vínculo da afetividade, não cabendo ao Estado defini-lo, mas apenas reconhecê-
lo. 
1.3. CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA 
Para a doutrina moderna a noção jurídica de família tem três características: 
1) Socioafetiva; 
2) Eudemonista; 
3) Anaparental. 
1.3.1. Socioafetiva 
A noção de família é moldada pela afetividade. 
Inclusive é pacífico no STJ que a paternidade socioafetiva prevalece sobre a genética. 
1.3.2. Eudemonista 
Eudemonismo é uma filosofia grega que prega que o homem vem a Terra para buscar a 
felicidade. A família é eudemonista, uma vez que deve servir como ambiência para que cada um 
dos seus membros busque a sua felicidade individual, realizando-se como pessoa. Todos os 
membros, sem discriminação, como ocorria com a mulher no CC/16, por exemplo. Diz-se que 
essa é a função social da família: buscara felicidade de cada membro. 
1.3.3. Anaparental 
Significa admitir e reconhecer família mesmo quando não exista vínculo parental técnico 
entre os seus integrantes. 
II. NOVOS RUMOS DO DIREITO DE FAMÍLIA 
2. NOÇÕES GERAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA 
2.1. CONCEITO E EVOLUÇÃO 
A família é o lugar ideal onde o ser humano nasce inserido e desenvolve sua 
personalidade. É por isso que o Direito Privado se preocupa com a família, dado o seu importante 
papel no desenvolvimento da personalidade humana. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 18 
 
IMPORTANTE: Paradigmas contemporâneos da família: A família contemporânea é 
permeada por quatro valores: 
1) Afeto; 
2) Ética; 
3) Dignidade; 
4) Solidariedade recíproca. 
 
Vejamos: 
2.1.1. Afeto 
Possibilidade de acréscimo do sobrenome do padrasto ou madrasta, Lei 11.924 (Lei 
Clodovil). 
Filiação socioafetiva. 
STJ entende, inclusive, a possibilidade de reconhecimento de paternidade socioafetiva 
post mortem, ou seja, mesmo após a morte do suposto pai socioafetivo. (Info. 581) 
2.1.2. Ética 
Cessação do regime de bens pela simples separação, independente de prazo. REsp 
555771/SP 
OBS: o Art. 1642, V, diz que a separação de fato só extingue o regime de bens após 05 
anos. STJ, nesse REsp, desconsiderou o prazo legal. 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a 
mulher podem livremente: 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos 
pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não 
foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver separado 
de fato por mais de cinco anos; 
 
DIREITO CIVIL. FAMÍLIA. SUCESSÃO. COMUNHÃO UNIVERSAL DE 
BENS. INCLUSÃO DA ESPOSA DE HERDEIRO, NOS AUTOS DE 
INVENTÁRIO, NA DEFESA DE SUA MEAÇÃO. SUCESSÃO ABERTA 
QUANDO HAVIA SEPARAÇÃO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE 
COMUNICAÇÃO DOS BENS ADQUIRIDOS APÓS A RUPTURA DA VIDA 
CONJUGAL. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. Em regra, o recurso 
especial originário de decisão interlocutória proferida em inventário não 
pode ficar retido nos autos, uma vez que o procedimento se encerra sem 
que haja, propriamente, decisão final de mérito, o que impossibilitaria a 
reiteração futura das razões recursais. 2. Não faz jus à meação dos bens 
havidos pelo marido na qualidade de herdeiro do irmão, o cônjuge que 
encontrava-se separado de fato quando transmitida a herança. 3. Tal fato 
ocasionaria enriquecimento sem causa, porquanto o patrimônio foi adquirido 
individualmente, sem qualquer colaboração do cônjuge. 4. A preservação 
do condomínio patrimonial entre cônjuges após a separação de fato é 
incompatível com orientação do novo Código Civil, que reconhece a 
união estável estabelecida nesse período, regulada pelo regime da 
comunhão parcial de bens (CC 1.725) 5. Assim, em regime de 
comunhão universal, a comunicação de bens e dívidas deve cessar 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 19 
 
com a ruptura da vida comum, respeitado o direito de meação do 
patrimônio adquirido na constância da vida conjugal. 6. Recurso 
especial provido. (REsp 555771/SP, Rel. MIN. LUIS FELIPE SALOMÃO, 
QUARTA TURMA, julgado em 05/05/2009, DJe 18/05/2009) 
 
Ressalta-se que para o STJ inexiste lapso temporal de separação de fato exigido para que 
o consorte possa contrair união estável, como, aliás, reconheceu o §1º do art. 1.723 do CC. 
CC - Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre 
o homem e a mulher (homoafetiva também), configurada na convivência 
pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição 
de família. 
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do 
art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa 
casada se achar separada de fato ou judicialmente. 
 
Art. 1.521. Não podem casar: 
VI - as pessoas casadas; 
2.1.3. Dignidade 
A possibilidade de escolha do regime de bens para o maior de 70 anos. A doutrina entende 
que o art. 1.641 é inconstitucional (fere a dignidade da pessoa humana), não sendo legítima a 
imposição de regime a pessoa maior de 70 anos. Mesmo com a alteração feita pela Lei 
12.344/2010 (antes era para o maior de 60 anos). 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: 
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas 
suspensivas da celebração do casamento; 
II - da pessoa maior de sessenta anos; 
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Lei nº 12.344, de 2010) 
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. 
 
Ressalta-se que se trata de separação legal obrigatória, ou seja, por força de lei. Assim, 
entende a doutrina e a jurisprudência que os bens adquiridos na constância, com esforço comum, 
comunicam-se. 
2.1.4. Solidariedade recíproca 
Possibilidade de recusar alimentos ao parente que se negou injustificadamente a prestá-
los anteriormente. 
LIBERALIDADE SOLIDARIEDADE 
É mera liberalidade, por isso é unilateral Solidariedade é bilateral, recíproca. Por 
isso, as obrigações decorrentes do direito 
de família quando favorecem um membro, 
também acarretam obrigação em seu 
desfavor. 
 
No Direito Brasileiro existem dois diferentes instantes de compreensão da família. Vejamos 
as características da entidade familiar em cada um dos momentos: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 20 
 
2.2. PERÍODO PRÉ CF/88 
Aqui a família era: 
1) Matrimonializada; 
2) Patriarcal; 
3) Hierarquizada; 
4) Biológica; 
5) Heteroparental; 
6) Institucional. 
2.2.1. Família matrimonializada 
Toda família deveria se constituir pelo casamento. Até mesmo os filhos fora do casamento 
eram considerados ilegítimos. A união de homem e mulher sem casamento era chamada de 
concubinato, que constituía mera sociedade de fato (campo obrigacional). 
2.2.2. Família Patriarcal 
O homem era o chefe da família. 
2.2.3. Família Hierarquizada 
A família era baseada no pátrio poder. Todos deviam obediência ao patriarca. 
2.2.4. Família Biológica 
O filho adotivo não tinha os mesmos direitos do filho biológico. Se os pais adotivos 
falecessem, extinguia-se a adoção. 
Havia uma trilogia casamento  sexo  reprodução. A reprodução dependia do sexo, que 
por sua vez dependia do casamento (só havia possibilidade de reconhecimento de filhos havidos 
no casamento). Somente em 1949, os filhos havidos fora do casamento puderam ser 
reconhecidos. 
2.2.5. Família Heteroparental 
Sexos diferentes, obrigatoriamente. 
2.2.6. Família Institucional 
A família era tida como uma instituição a ser protegida pelo Direito. Exemplos: 
a) Casamento era indissolúvel; 
b) A esterilidade do cônjuge poderia ensejar anulação do casamento (pois frustraria a 
procriação); 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 21 
 
c) As ações de anulação do casamento contavam com o “curador ao vínculo”, que era o 
responsável pela defesa obrigatória do casamento (CC/1916, art. 222). 
CC/16 - Art. 222. A nulidade do casamento processar-se-á por ação 
ordinária, na qual será nomeado curador que o defenda. 
 
OBS: o art. 34 da Lei do divórcio permitia que o juiz indeferisse o divórcio consensual. Preserva-se 
a família, inclusive com o sacrifício das pessoas. 
2.3. PERÍODO PÓS CF/88 
Além da incidência dos direitos e garantias fundamentais (tábua axiológica: dignidade da 
pessoa humana, solidariedade social e erradicação da pobreza, liberdade, igualdade substancial) 
no direito de família, o constituinte dedicou dois artigos (art. 226 e 227) específicos para o Direito 
de Família. Modificou-se, assim, a antiga concepção segundo a qual somente as leis 
infraconstitucionais regulavam o direito de família (incidência do Direito Civil Constitucional). 
 
CF - Art. 226. A família, base da sociedade, temespecial proteção do 
Estado. 
§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. 
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável 
entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua 
conversão em casamento. 
§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada 
por qualquer dos pais e seus descendentes. 
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos 
igualmente pelo homem e pela mulher. 
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (EC n 66, de 2010) 
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da 
paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, 
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o 
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de 
instituições oficiais ou privadas. 
§ 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um 
dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito 
de suas relações. 
 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, 
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. (EC nº 65, de 2010) 
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da 
criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades 
não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos 
seguintes preceitos: (EC nº 65, de 2010) 
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na 
assistência materno-infantil; 
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para 
as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como 
de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência, 
mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do 
acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos 
arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. (EC nº 65, de 2010) 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 22 
 
§ 2º - A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos 
edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a 
fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. 
§ 3º - O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: 
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o 
disposto no art. 7º, XXXIII; 
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; 
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola; 
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato 
infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por 
profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica; 
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à 
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de 
qualquer medida privativa da liberdade; 
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos 
fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de 
guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado; 
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao 
adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. 
§ 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual 
da criança e do adolescente. 
§ 5º - A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que 
estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de 
estrangeiros. 
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, 
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações 
discriminatórias relativas à filiação. 
§ 7º - No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á 
em consideração o disposto no art. 204. 
 
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão 
realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos 
no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes 
diretrizes: 
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as 
normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos 
respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a 
entidades beneficentes e de assistência social; 
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na 
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. 
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a 
programa de apoio à inclusão e promoção social até cinco décimos por 
cento de sua receita tributária líquida, vedada a aplicação desses recursos 
no pagamento de: 
I - despesas com pessoal e encargos sociais; 
II - serviço da dívida; 
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos 
investimentos ou ações apoiados. 
§ 8º A lei estabelecerá: 
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; 
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à 
articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas 
públicas. 
 
Aqui as características são as seguintes: 
1) Família múltipla; 
2) Família democrática; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 23 
 
3) Família igualitária; 
4) Família socioafetiva; 
5) Família heteroparental e homoparental; 
6) Família instrumental; 
2.3.1. Família Múltipla 
Existem diferentes formas de família: casamento, união estável (hetero e homoafetiva) e 
família monoparental (comunidade de ascendentes e descendentes). 
2.3.2. Família Democrática 
Homem e mulher iguais em direitos e deveres. 
2.3.3. Família Igualitária 
Igualdade substancial, tratando desigualmente os desiguais e buscando a igualdade fática 
entre os componentes familiares. Exemplo: Estatuto do idoso; ECA; Maria da Penha. 
2.3.4. Família Socioafetiva 
O filho adotivo tem os mesmos direitos do biológico. 
2.3.5. Família heteroparental e homoparental 
A família homoparental não necessariamente decorre de relações homossexuais. A 
homoparentalidade pode decorrer da monoparentalidade. Exemplo: família composta de Mãe 
solteira e sua filha. Existe uma homoparentalidade. 
2.3.6. Família Instrumental 
A família agora é um instrumento de proteção da pessoa humana. O fundamento do direito 
de família é proteger as pessoas que compõem os núcleos familiares, e não a proteção da 
instituição família. A família é meio; e não um fim. 
Exemplo dessa nova forma de família instrumental: Súmula 364 do STJ. 
Súmula: 364 - O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange 
também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. 
 
FCC 2016 – DPE/BA 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 24 
 
 
 
Exemplo2: O juiz pode indeferir pedido de separação consensual, se este se demonstrar 
prejudicial aos cônjuges ou aos filhos (art. 34, §2º da Lei do Divórcio). 
Lei do Divórcio - Art 34 - A separação judicial consensual se fará pelo 
procedimento previsto nos arts. 1.120 e 1.124 do Código de Processo Civil, 
e as demais pelo procedimento ordinário. 
§ 2º - O juiz pode recusar a homologação e não decretar a separação 
judicial, se comprovar que a convenção não preserva suficientemente os 
interesses dos filhos ou de um dos cônjuges. 
 
Crítica: É um dispositivo bem incoerente, pois atualmente existe a separação extrajudicial,onde não existe essa possibilidade de indeferimento. Outrossim, mesmo indeferido o pedido 
judicial, decorridos dois anos da separação de fato era possível ser requerido o divórcio. Após a 
EC 66/2010 esse prazo não é mais necessário. 
Lembrando o que foi dito acima: a família contemporânea é permeada por quatro valores - 
afeto, ética, dignidade e solidariedade recíproca. 
*Solidariedade recíproca: possibilidade recusar alimentos ao parente que se negou 
injustificadamente a prestá-los anteriormente. 
*O que é direito de família mínimo? É sinônimo de intervenção mínima estatal na família. 
Nada mais é do que o desenvolvimento ou aplicação do princípio da autonomia privada no campo 
das relações familiares. 
O aumento da autonomia privada no campo do direito de família traz a reboque a 
diminuição da interferência estatal. 
Exemplo: EC/66 eliminou o prazo para o divórcio; impossibilidade de discussão de culpa 
no divórcio. 
*E o sobrenome? Antes da EC 66, o art. 1.578 regulava a matéria, dizendo que era 
possível a perda do sobrenome quando o cônjuge era declarado culpado na ação de separação. 
Agora quem decide se manterá ou não o sobrenome é a própria pessoa que alterou (o art. 
1.578 foi parcialmente revogado). Desta forma, confirmou que nome é direito da personalidade e 
só depende do titular a não ser que presentes as hipóteses dos incisos do art. 1.578, casos em 
que o cônjuge deverá ficar com o sobrenome (Tartuce: não existe mais a regra de “perda do 
DIREITO ao nome”). Desta feita, não mais interessa ao Estado se uma pessoa vai manter ou não 
o sobrenome quando do divórcio. 
Pablo Stolze preleciona que no sistema anterior, o uso do nome era regulado no artigo 
1.578. A partir da EC 66/10, a regra natural é a perda do nome de casado a partir do divórcio, 
salvo estipulação em contrário no acordo (divórcio consensual) ou se o juiz, em respeito aos 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 25 
 
direitos da personalidade e ao direito constitucional à identidade vislumbrar qualquer das 
hipóteses do artigo 1.578. 
Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial 
perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente 
requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: 
I - evidente prejuízo para a sua identificação; 
II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da 
união dissolvida; 
III - dano grave reconhecido na decisão judicial. 
§ 1o O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a 
qualquer momento, ao direito de usar o sobrenome do outro. 
§ 2o Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de 
casado. 
 
Em suma: 
 
CC/1916 CF/88 e CC/2002 
Matrimonializada Múltipla, plural 
Patriarcal Democrática 
Hierarquizada Igualitária 
Biológica Biológica e socioafetiva 
Heteroparental Hetero ou homoparental 
Institucional Instrumental 
 
OBS: a homoparentalidade decorre da monoparentalidade (e não necessariamente da 
homossexualidade). 
3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DE FAMÍLIA (ART. 226 E 227 DA CF) 
São os seguintes: 
1) Multiplicidade/pluralidade de entidades familiares; 
2) Igualdade entre homem e mulher; 
3) Igualdade entre filhos; 
4) Facilitação da dissolução do casamento; 
5) Responsabilidade parental. 
 
Vejamos: 
4. PRINCÍPIO DA MULTIPLICIDADE/PLURALIDADE DE ENTIDADES FAMILIARES 
4.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
Previsto no art. 226, caput da CF/88: 
 
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
 
Toda e qualquer família tem especial proteção do Estado. O constituinte não restringiu ao 
casamento, fazendo menção nos parágrafos a 03 espécies de entidade familiar. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 26 
 
Nos §§1º e 2º o constituinte alude à família casamentaria. 
§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração. 
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 
 
No §3º trata da família convivencial (União Estável). 
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável 
entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua 
conversão em casamento. 
 
No §4º trata da família monoparental. 
§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada 
por qualquer dos pais e seus descendentes. 
 
Seria um rol taxativo ou exemplificativo de entidades familiares? 
 
Orlando Gomes ensinava que não se pode compreender dispositivos de um mesmo 
diploma normativo isoladamente. Como o caput fala em família de forma genérica, a simples 
interpretação do art. 226 nos leva a crer que se trata de rol exemplificativo. Existem outros núcleos 
familiares que também merecem especial proteção do Estado. 
O STJ vem entendendo que o rol é exemplificativo. Exemplo disso é a família 
anaparental, que é aquela formada por dois irmãos, que tem bem de família protegido. Outro 
exemplo, é a família entre tio e sobrinho. Podemos encontrar esses grupos familiares não 
previstos expressamente com o nome de famílias sociológicas. 
Enfim, o art. 226 é norma jurídica de inclusão (inclui institutos na proteção estatal), o que 
só vem a corroborar com a ideia de que o direito de família é instrumental. 
Concedeu-se ao direito de família uma visão eudemonista, ou seja, toda e qualquer 
família é vocacionada para a realização de seus componentes, e por isso tem especial proteção 
do estado. 
A nova Lei de adoção (Lei 12.010/09) modificou, entre outros, o art. 28 do ECA, que 
reconhece a pluralidade de famílias: Família natural; família estendida (ampliada) e família 
substituta. 
ECA Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante GUARDA, 
TUTELA ou ADOÇÃO, independentemente da situação jurídica da criança 
ou adolescente, nos termos desta Lei. 
 
Para fins de proteção de crianças e adolescentes existem três tipos de família: 
1) Família natural é o núcleo composto pelo menor mais o pai e/ou mãe (pode ser 
monoparental). 
 
2) Família ampliada ou extensa é aquela formada além dos pais e filhos, também por seus 
parentes. Exemplo: avós, irmãos, tios etc. A família ampliada tem prioridade quando da 
inserção de criança ou adolescente em família substituta (GUARDA e TUTELA), exceto 
para fins de adoção (avós e irmãos não podem adotar). O ECA parte do pressuposto de 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 27 
 
que a adoção por avós e irmãos implicaria em promiscuidade de vínculos de parentesco. 
Tios podem adotar. 
Esta prioridade da família ampliada é prevista no §3º do art. 28. Grupos de irmãos devem 
ser colocados, preferencialmente na mesma família substituta (a fim de evitar a quebra do vínculo 
familiar), salvo situações excepcionais. 
ECA Art. 28, § 3º Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de 
parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou 
minorar as consequências decorrentes da medida. 
 
3) Família substituta: É aquela que decorre de GUARDA, TUTELA e ADOÇÃO. O novo § 
5º do art. 28 do ECA diz que a inserção em família substituta deve ser precedida de 
preparação gradativa e garantido acompanhamento posterior. 
 
ECA Art. 28, § 5º A colocação da criança ou adolescente em família 
substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento 
posterior, realizados pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da 
Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos 
responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à 
convivência familiar. 
 
Agora, o juiz somente pode dispensar o estágio de convivência nos casos previstos em lei. 
Na adoção internacional o estágio é obrigatório. 
ECA Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivênciacom a 
criança ou adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, 
observadas as peculiaridades do caso. 
§ 1º O estágio de convivência PODERÁ ser dispensado se o adotando já 
estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente 
para que seja possível avaliar a conveniência da constituição do vínculo. 
§ 2º A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispensa da 
realização do estágio de convivência. 
§ 3º Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora 
do País, o estágio de convivência, cumprido no território nacional, será de, 
no mínimo, 30 (trinta) dias. 
 
Tratando-se de adolescente, é imprescindível seu consentimento para qualquer forma de 
inserção em família substituta (antes esse consentimento era necessário somente na adoção). 
Em sendo menor de 12 é dispensado o consentimento, mas mesmo assim deve o juiz, 
sempre que possível, ouvir a criança. Entretanto, a opinião da criança não vincula o juiz (mais de 
12 anos vincula), até porque pode surgir aqui a chamada SAP (Síndrome de Alienação Parental). 
SAP: Trata-se do efeito decorrente da atuação psicológica de um dos pais ou de um 
terceiro sobre a criança ou adolescente, influenciando seu estado de espírito. Demonstrada a 
SAP, a jurisprudência entende ser caso de inversão ou modificação de guarda, DE OFÍCIO. 
OBS: repisando - o ECA afirma que, na colocação em família substituta tem preferência a família 
ampliada e quando se tratar de irmãos, preferencialmente eles devem ser colocados na mesma 
família substituta. 
4.2. QUESTÕES POLÊMICAS RELATIVAS À PLURALIDADE DE ENTIDADES FAMILIARES 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 28 
 
Alguns autores, como Paulo Lobo, sustentam que este art. 226 trouxe uma “cláusula 
geral de inclusão familiar”. 
4.2.1. Família reconstituída/recomposta ou “ensamblada” (misturada) 
A psicologia chama isso de família mosaico. É o exemplo do filme “Os meus, os seus, os 
nossos”. É o caso de marido com filhos próprios que se casa com mulher com filhos próprios etc. 
Efeito jurídico: Parentesco por afinidade (art. 1.595 do CC). Único efeito decorrente da 
afinidade: Impedimento para casamento, sendo que o de linha reta é eterno. 
Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro 
pelo vínculo da afinidade. 
§ 1o O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos 
descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. 
§ 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do 
casamento ou da união estável. 
 
Não existe no vínculo por afinidade obrigação alimentícia e direito sucessório. O único 
efeito é o impedimento. 
FCC 2016 – DPE/BA: o padrasto tem mera relação de parentesco por afinidade com o afilhado, 
cujo único efeito para o direito de família é a imposição de impedimento matrimonial. 
Desta feita, no CC só temos o efeito mencionado acima, a outro giro, leis esparsas e 
jurisprudência trazem outros efeitos: 
1) Lei n.º 11.924/09 (Lei Clodovil): permite que o enteado adote o sobrenome do 
padrasto ou madrasta, DESDE que haja o consentimento de ambos (LRP, art. 57, 
§8º). 
LRP Art. 57, § 8o O enteado ou a enteada, havendo motivo ponderável e na 
forma dos §§ 2o e 7o deste artigo, poderá requerer ao juiz competente que, 
no registro de nascimento, seja averbado o nome de família de seu 
padrasto ou de sua madrasta, desde que haja expressa concordância 
destes, sem prejuízo de seus apelidos de família. 
 
Esse consentimento deve ser demonstrado através de procedimento de jurisdição 
voluntária. Requisitos do acréscimo: 
1-Decisão judicial em procedimento de jurisdição voluntária (Juiz da vara de registros 
públicos), ouvido o MP. 
2-Concordância expressa do padrasto ou madrasta (a lei não exigiu a concordância 
expressa do pai biológico). 
3- Citação dos interessados, entre eles os pais biológicos, isso no caso de filhos menores 
(NCPC. Art. 721). 
Art. 721. Serão citados todos os interessados, bem como intimado o 
Ministério Público, nos casos do art. 178, para que se manifestem, 
querendo, no prazo de 15 (quinze) dias 
. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 29 
 
Ou seja, os pais devem ser citados, sob pena de nulidade, porém a concordância deles é 
dispensável para a alteração do nome do filho. 
Este acréscimo não implica em direito sucessório ou obrigação alimentícia, vale dizer, o 
acréscimo é tão somente uma manifestação afetiva. 
2) Lei 8.112/90, art. 217. É possível incluir enteado ou enteada como dependente para 
fins previdenciários. Outra lei que confere efeitos jurídicos para família 
reconstituída. 
Lei 8112 - Art. 217. São beneficiários das pensões: 
II - temporária: 
a) os filhos, ou enteados, até 21 (vinte e um) anos de idade, ou, se 
inválidos, enquanto durar a invalidez; 
3) REsp. 36.365. O STJ reconheceu o direito de retomada de imóvel urbano que esteja 
em locação para fins de moradia de pessoa da família, assim também entendida a 
mosaico. 
CIVIL. PROCESSUAL. LOCAÇÃO. RETOMADA PARA USO PELA 
SOGRA. DESPEJO. RECURSO. 1. SOGRA E PARENTE, SIM, POR 
AFINIDADE EM PRIMEIRO GRAU EM LINHA RETA. 2. A LEI N. 6.649/79, 
ART. 52, III, ALCANÇA PARA PROTEGER NÃO SO ASCENDENTES E 
DESCENDENTES CONSANGUINEOS MAS IGUALMENTE AOS AFINS. 3. 
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARA RESTABELECER A 
SENTENÇA DE PRIMEIRO GRAU. (REsp 36365/MG, Rel. MIN. EDSON 
VIDIGAL, QUINTA TURMA, julgado em 18/08/1993, DJ 20/09/1993, p. 
19192) 
4.2.2. Família homoafetiva 
União Homoafetiva, Família Homoerótica, Parceria Civil de pessoas do mesmo sexo. 
Essa forma de família é reconhecida pela CF/88? 
Não há dúvidas de que a união homoafetiva produz efeitos jurídicos. A dúvida é saber se 
os efeitos estão no direito de família ou no direito obrigacional. Duas correntes: 
1ª C (minoritária): Maria Helena Diniz e Carlos Roberto Gonçalves entendem que as 
uniões homoafetiva não são unidades familiares. Entendem que são meras sociedades de fato. 
Dizem que a CF afirma que casamento e união estável somente podem ser constituídos entre 
pessoas de sexo diferentes. Assim, não poderia haver família homoafetiva. Casamento e União 
Estável somente existem entre pessoas de sexo diferentes. Ou seja, os efeitos são de ordem 
obrigacional. O juízo competente seria fará cível sem intervenção do MP. 
2ª C (majoritária): Maria Berenice Dias, Gustavo Tepedino, Luiz Edson Fachin, Cristiano 
Chaves, Caio Mário, Luiz Roberto Barroso e STF: União homossexual é família sim, em razão do 
princípio da pluralidade. 
Não se trata de casamento ou união estável, mas de entidade familiar protegida 
constitucionalmente, nos termos do caput do art. 226 da CF/88. Todos os efeitos gerados são 
de Direito de Família: alimentos, herança, adoção pelo par, acréscimo de sobrenome etc. O 
juízo competente será a vara de família. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 30 
 
Qual a legislação aplicável!? Sobre o tema, teremos a incidência do art. 4º da LINDB: 
recorrer a analogia, costumes, princípios gerais do direito etc. O mais próximo é a união estável, 
devendo esta ser aplicada, de acordo com a maioria. 
Jurisprudência 
TSE RE Eleitoral 24.564/PA e STJ RESp 820.475/RJ. Em ambos os julgados foi 
reconhecida a união homoafetiva como entidade familiar. 
TSE: Fins de inelegibilidade. 
STJ: Pedido de declaração de entidade familiar homoafetiva é juridicamente possível. 
STF: RECONHECEU A UNIÃO HOMOAFETIVA COMO UNIDADE FAMILIAR, DANDO 
INTERPRETAÇÃO CONFORME À CF, na ADPF 132. 
ATENÇÃO: O art. 5º da Lei 11.340/06 determina que a proteção contra violência doméstica 
pode ser aplicada às relações homoafetivas (ver Rogério). 
Lei 11.340/06 – Maria da Penha 
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar 
contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada nogênero que lhe 
cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou 
patrimonial: 
... 
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo 
INDEPENDEM de orientação sexual. 
 
Além disso, a IN 17 ou 37 do INSS reconhece as uniões homoafetivas como unidade 
familiar para fins previdenciários. 
4.2.3. Família concubinária 
É possível a existência de duas famílias simultâneas? 
O art. 1.727 do CC dispõe que não. 
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos 
de casar, constituem concubinato. 
 
O concubinato é uma relação meramente obrigacional. É considerada uma mera 
sociedade de fato. Concubinato exige um caráter não eventual da relação extraconjugal. 
OBS: se já há separação de fato, não se trata de concubinato, mas sim união estável. 
Manifestações jurisprudenciais e doutrinárias 
a) A amante não pode pedir alimentos, pois isso decorre de relação familiar. Ela pode 
pedir indenização por serviços domésticos e sexuais prestados. A jurisprudência 
recomenda que o juiz (que não é o de família) fixe indenização na forma de prestação 
periódica. 
b) STF e STJ dizem mais (posição anticoncubinária): não tem direito a benéficos 
previdenciários, nem indenização por serviços prestados. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 31 
 
c) Súmula 380 do STF. MP não intervém, pois não há interesse indisponível. 
STF SÚMULA 380 COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SOCIEDADE DE 
FATO ENTRE OS CONCUBINOS, É CABÍVEL A SUA DISSSOLUÇÃO 
JUDICIAL, COM A PARTILHA DO PATRIMÔNIO ADQUIRIDO PELO 
ESFORÇO COMUM. 
 
d) O §1º do art. 1.723 do CC prevê que quando a pessoa, embora casada, se encontra 
separada de fato, afasta-se o concubinato e reconhece-se a União Estável. 
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o 
homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do 
art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI (impedimento de 
pessoas casadas) no caso de a pessoa casada se achar separada de fato 
ou judicialmente. 
 
Contradição com o art. 1.642, V, que prevê que é mantida a comunhão de bens por 05 
anos desde a separação de fato. 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a 
mulher podem livremente: 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos 
pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não 
foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver 
SEPARADO DE FATO POR MAIS DE CINCO ANOS; 
 
STJ: A comunhão de bens, bem como o direito à herança, cessa com a simples separação 
de fato, independentemente de prazo. Aplicação da ética na relação familiar. 
Lembrar que o art. 1.830 diz que o direito à herança do cônjuge sobrevivente só é afastado 
se já estavam separados de fato por mais de 02 anos. 
Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge 
sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados 
judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, 
neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do 
sobrevivente. 
 
e) Maria Berenice Dias defende que o concubinato é entidade familiar, merecendo, 
portanto, proteção (posição minoritária). 
f) Cristiano Chaves, entre outros, defende que embora o concubinato não tenha amparo 
legal, a união estável putativa pode ter. É o concubinato de boa-fé. A amante não 
sabe que é amante. Nesse caso, se devem garantir direitos à amante. É uma posição 
doutrinária não acolhida pela jurisprudência, que aplica a regra da exclusividade da 
família. Essa união estável putativa pode-se basear também na boa-fé objetiva. Nesse 
caso, é possível falar em paralelismo (“família paralela”), em concubinato como 
entidade familiar (ou ainda: uniões estáveis – uma união e outra união putativa). Seria 
um meio termo entre a legislação e a posição da pobre MBD. 
Vedações ao concubinato 
 
1) Doação ao concubino, sob a pena de anulabilidade, Art. 550 do CC. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 32 
 
 
Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada 
pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois 
de dissolvida a sociedade conjugal. 
 
2) Proibição de seguro de vida ao concubino. Art. 793 do CC. 
Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao 
tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se 
encontrava separado de fato. 
 
3) Proibição de herança ou legado ao concubino, sob pena de nulidade. Art. 1.801. 
Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: 
III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver 
separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; 
 
CONCUBINATO “LATO SENSU” 
CONCUBINATO PURO CONCUBINATO IMPURO 
União estável (entidade familiar) Sociedade de fato (súmula 380 STF) 
Pessoa solteira, viúva, divorciada, separada de 
fato. 
 Impedimentos: 
-Pessoa casada não separada. 
-Impedimento de parentesco. 
-Impedimento de crime. 
Vara de Família Vara Cível 
 
DIREITO DE FAMÍLIA (UNIÃO ESTÁVEL) Ser casado constitui fato 
impeditivo para o reconhecimento de uma união estável. Tal óbice só 
pode ser afastado caso haja separação de fato ou de direito. Quarta 
Turma. REsp 1.096.539-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 
27/3/2012. 
5. PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE HOMEM E MULHER 
5.1. A IGUALDADE NA CF 
A CF no art. 5º, inciso I, adotou a formula de Rui Barbosa sobre o princípio da igualdade: 
“A verdadeira igualdade está em aquinhoar desigualmente quem está em posição desigual e 
igualmente quem está em posição igual”. 
Igualdade substancial (para NOVELINO, essa frase não traz a ideia de igualdade 
substancial e sim de igualdade formal, igualdade substancial ou material tem a ver com acesso 
aos bens da vida, direitos sociais). Tratar desigualmente quem está em posição desigual. 
“Conteúdo jurídico do princípio da igualdade” – CABM. Neste livro, o renomado autor adota 
o pensamento que se a constituição consagrou a igualdade substancial, é possível o tratamento 
desigual com base na própria igualdade. 
A igualdade substancial norteia-se pelo descrímen: é o elemento que permite a análise do 
caso concreto a fim de averiguar se existe desigualdade fática. Se há descrímen, pode haver 
tratamento diferenciado. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 33 
 
Exemplos: 
• Diferença etária para fins de aposentadoria; 
• Antigo art. 100, I CPC, foro privilegiado para mulher na ação de dissolução do 
casamento (para Chaves e Alexandre Câmara, esse dispositivo não foi recepcionado, 
eis que não há descrímen nessa situação, prevalece a opinião de Nery, por conta das 
históricas hipossuficiências impostas a mulher). 
O NCPC acaba com o foro privilegiado da mulher, o art. 53 prevê o seguinte: 
Art. 53. É competente o foro: 
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e 
reconhecimento ou dissolução de união estável: 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do 
casal; 
 
• Lei Maria da Penha, baseada num histórico de violência familiar contra mulher. Por 
isso, a lei protetiva se aplica somente à mulher, pois só em relação a ela há descrímen. 
A proteção do homem é a do CP. 
Desta feita, permite-se o tratamento desigual entre homem e mulher quando houver 
descrímen. 
É possível estender a aplicação a demais grupos perseguidos, pois quanto a eles também 
há descrímen, como homossexuais,transexuais (Rogério Sanches). 
5.2. PROBLEMAS 
1º Problema: CC, art. 1.736, inciso I. 
Art. 1.736. Podem escusar-se da tutela: 
I - mulheres casadas; 
 
Discutível constitucionalidade, pois nesse caso não há descrímen. A interpretação conforme 
desse dispositivo deveria estender aos homens casados essa escusa de tutela. Cristiano Chaves 
diz mais: homens e mulheres em união estável também poderiam se esquivar da tutela. Chaves 
diz ser coerente a aplicação da técnica de interpretação conforme a constituição. 
 
2º Problema: antigo CPC, art. 100, I  Foro privilegiado. 
CPC Art. 100. É competente o foro: 
I - da residência da mulher, para a ação de separação dos cônjuges e a 
conversão desta em divórcio, e para a anulação de casamento; 
 
Alexandre Câmara dizia que esse dispositivo não havia sido recepcionado, pela ofensa à 
igualdade. Era um posicionamento minoritário. Na doutrina (Didier) e jurisprudência (STJ) 
prevalecia que o dispositivo era constitucional, pois a mulher estaria em uma posição inferiorizada 
no momento da dissolução do casamento e, por isso, teria direito ao foro privilegiado. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 34 
 
Cristiano Chaves defendia que o foro privilegiado deveria ser do menor, e não da mãe. No 
caso do menor, a competência é absoluta (art. 148 do ECA). Pode-se dizer que essa norma é 
dotada de inconstitucionalidade progressiva. 
Com o CPC/2015, no caso das ações de divórcio, passa a ser competente o foro de quem 
ficou com a guarda dos filhos; não havendo filhos, do último domicílio do casal; caso nenhuma das 
partes resida no último domicílio, será competente o foro do domicílio do réu. Portanto, não mais 
existe o foro privilegiado da mulher. 
Art. 53. É competente o foro: 
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e 
reconhecimento ou dissolução de união estável 
a) de domicílio do guardião de filho incapaz; 
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; 
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do 
casal; 
 
6. PRINCÍPIO DA IGUALDADE ENTRE OS FILHOS 
6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Igualdade de herança e de origem: tratar igualmente os filhos conforme sua igualdade. 
Essa igualdade é compreendida no CC no art. 1.593: 
Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de 
consanguinidade ou outra origem. 
 
“Outra origem”: a filiação pode ser biológica, adotiva ou socioafetiva. 
 
Exemplos de filiação socioafetiva: adoção à brasileira, filho de criação, fertilização 
heteróloga (com autorização do marido). 
 
Hoje, é possível a investigação de paternidade socioafetiva. Não necessariamente pai e 
genitor serão a mesma pessoa. De acordo com o STJ, é ainda possível a investigação avoenga. 
 
Não se pode confundir a investigação de PARENTALIDADE ou PATERNIDADE com a 
investigação de ORIGEM GENÉTICA ou ANCESTRALIDADE, está no Art. 48 do ECA. 
 
ECA Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem 
como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e 
seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos. 
Parágrafo único. O acesso ao processo de adoção poderá ser também 
deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada 
orientação e assistência jurídica e psicológica. 
 
A investigação de origem genética é um direito de personalidade, de forma que o MP não 
tem legitimidade para a ação de investigação de origem genética (direito personalíssimo). A 
intenção é a aferição dos direitos eugênicos (ver abaixo). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 35 
 
Não há diferença no tratamento entre os filhos. A maioria dos autores fala que essa 
igualdade deve ser vista no âmbito patrimonial, ou seja, todo o filho, independentemente de sua 
origem, tem o mesmo direito dos irmãos. 
Essa igualdade refere-se não só ao direito sucessório, mas também aos alimentos. 
Entretanto, nada impede que os filhos de um mesmo pai tenham cotas alimentícias distintas. O 
CC/2002 não mais submete os alimentos apenas ao binômio necessidade-capacidade, mas 
acrescentou a requisito da proporcionalidade (hoje se fala em um trinômio). Assim, se um dos 
filhos tem uma mãe rica, seria desproporcional que recebesse a mesma pensão do filho com mãe 
pobre. Essa diferenciação não ofende ao princípio da igualdade. 
6.2. CRITÉRIOS FILIATÓRIOS 
6.2.1. Filiação biológica 
6.2.2. Filiação socioafetiva 
Exemplo: art. 1.597, V do CC (permissão do marido para a mulher realizar inseminação 
artificial heteróloga); adoção; adoção à brasileira. 
 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
6.2.3. Presunção legal (art. 1.597, “patter is est”) 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
 - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a 
convivência conjugal; 
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da 
sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do 
casamento; 
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o 
marido; 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões 
excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
 
É no caso concreto que o juiz decide qual o critério a ser aplicado. Exemplo: O sujeito que 
assumiu, adotou à brasileira e quiser desconstituir a paternidade, terá seu caso julgado pelo 
critério afetivo. 
Ver explicação do informativo 555 em filiação. 
6.3. CASOS ESPECIAIS 
6.3.1. Paternidade alimentar 
É a possibilidade excepcional de condenar o genitor a pagar os alimentos que o pai 
(socioafetivo) não consegue. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 36 
 
A paternidade sucessória, no entanto, não é estendida ao genitor nesse caso. Sucessão é 
somente do pai. 
6.3.2. Ação de investigação de paternidade X investigação de ancestralidade 
Ancestralidade: não se busca a paternidade, saber quem é o pai, mas sim quem é o 
genitor. 
Exemplo: O guri tem pai, mas quer investigar a origem genética. É o caso do filho adotivo. 
O direito de investigação de ancestralidade, sempre pelo biológico, não é um direito de 
família, mas sim um direito da personalidade. 
A nova redação do art. 48 do ECA estabelece o direito do filho adotivo de investigar a sua 
origem genética. Essa investigação não produz nenhum efeito patrimonial. O único efeito 
decorrente é o impedimento matrimonial. É possível sustentar também como efeito a 
possibilidade de transplantes, visto que a lei de transplantes exige o parentesco. 
6.3.3. Multiparentalidade (teoria tridimensional do direito de família) 
Há quem diga que a filiação pode ser biológica, afetiva e ONTOLÓGICA. Assim a pessoa 
pode ter três pais: afetivo (que criou), biológico (que gerou) e ontológico (exemplo). 
7. PRINCÍPIO DA FACILITAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO 
A liberdade de casar corresponde à liberdade de não permanecer casado. 
O STJ já vem abraçando o princípio constitucional da facilitação da dissolução do 
casamento. Mitigando a regra da nulidade da sentença extra petita, o juiz pode julgar procedente 
o pedido de separação, com base na insuportabilidade da convivência conjugal, mesmo que o 
autor não comprove os fatos alegados. 
EC/66 (ver abaixo) 
Efeitos jurídicos da EC/66: 
a) Extinção da separação; 
b) Abolição dos prazos para o divórcio; 
c) Impossibilidade de discussão de culpa. 
8. PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PARENTAL 
Pais devem ser responsáveis moral e materialmente pelos seus filhos. A responsabilidadematerial se dá através da pensão alimentícia, único caso que gera prisão civil no Brasil. 
Abandono afetivo gera dano moral indenizável? Duas correntes. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 37 
 
8.1. 1ª CORRENTE: O ABANDONO AFETIVO NÃO É INDENIZÁVEL (4ªT DO STJ) 
STJ no REsp 757411/MG. Neste julgado o STJ se manifestou no sentido de o dano moral 
afetivo não ser indenizável. Por quê? Entende que afeto não é um bem jurídico exigível. 4ª T do 
STJ. 
A falta na responsabilidade moral não enseja dano moral. Abandono afetivo não gera dano 
moral. Pode gerar outros efeitos, como perda do poder familiar (efeito caducificante), mas não 
dano moral. Em outras palavras, o afeto não pode ser imposto. Essa corrente não ignora que é 
ato ilícito, é ato ilícito, porém sem efeito indenizante. É um ato ilícito que gera outros efeitos como 
suspensão e/ou perda do poder familiar (não é um prêmio! Continua obrigado a prestar alimentos, 
a herança e etc.). 
Cristiano Chaves: a indenização por abandono afetivo resulta em monetarizar o afeto. 
8.2. 2ª CORRENTE: O ABANDONO AFETIVO É INDENIZÁVEL (3ªT STJ) 
É possível falar em dano moral afetivo (ato ilícito), este dano teria natureza punitiva Ver 
Pablo: teoria do punitive damage. Minoritária até pouco tempo. 3ªT do STJ. 
RESPONSABILIDADE CIVIL POR ABANDONO AFETIVO O abandono 
afetivo decorrente da omissão do genitor no dever de cuidar da prole 
constitui elemento suficiente para caracterizar dano moral 
compensável. A 3ª Turma do STJ, em decisão inédita na Corte, 
entendeu que o abandono afetivo decorrente da omissão do genitor no 
dever de cuidar da prole constitui elemento suficiente para caracterizar 
dano moral compensável. Terceira Turma. REsp 1.159.242-SP, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 24/4/2012. 
 
Vejamos os principais argumentos apresentados: 
1) A omissão do genitor no dever de cuidar de sua filha viola um bem juridicamente 
tutelado, qual seja, o dever de cuidado (dever de criação, educação e companhia) 
que os pais devem ter para com seus filhos. 
 
2) Assim, ao omitir-se neste dever, o pai viola uma imposição legal, gerando a 
possibilidade de a pessoa lesada (filho) pleitear compensação por danos morais 
por abandono afetivo. 
 
3) Não há restrição legal em se aplicar as regras da responsabilidade civil ao Direito de 
Família. 
 
4) O “cuidado” é protegido como “valor jurídico objetivo”, não com essa expressão, 
mas com locuções e termos que manifestam suas diversas concepções, como se 
vê no art. 227 da CF: 
 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, 
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 38 
 
5) O descumprimento comprovado da imposição legal de cuidar da prole acarreta o 
reconhecimento da ocorrência de ilicitude civil sob a forma de omissão. 
 
6) Seja pela concepção, seja por meio da adoção, os pais assumem obrigações 
jurídicas em relação à sua prole. Estas obrigações jurídicas vão além das 
chamadas necessarium vitae (alimentos necessários para que a pessoa 
sobreviva). 
 
7) Desse modo, além do básico para a sua manutenção (alimento, abrigo e saúde), o ser 
humano precisa de outros elementos imateriais, igualmente necessários para a 
formação adequada (educação, lazer, regras de conduta etc.). 
 
8) O cuidado, vislumbrado em suas diversas manifestações psicológicas, é um fator 
indispensável à criação e à formação de um adulto que tenha integridade física e 
psicológica, capaz de conviver em sociedade, respeitando seus limites, buscando seus 
direitos, exercendo plenamente sua cidadania. 
 
9) Não se discute o “amar” – que é uma faculdade – mas sim a imposição biológica 
e constitucional de “cuidar”, que é dever jurídico, corolário da liberdade das 
pessoas de gerar ou adotar filhos. 
 
10) Os sentimentos de mágoa e tristeza experimentados por filho (a) e causados pela 
negligência paterna e pelo fato deste(a) descendente ser tratado(a) como filho(a) 
de segunda classe caracterizam dano moral in re ipsa (dano moral presumido) e 
permitem a compensação por danos morais. 
 
8.3. ENTENDIMENTO DO STF 
Este tema já chegou até o STF, mas a 2ª Turma entendeu que não cabia ao STF analisar 
a questão por meio de recurso extraordinário considerando que esta discussão envolveria apenas 
a legislação infraconstitucional, não havendo violação direta à Constituição. Com isso, a Turma 
manteve a decisão da 4ª Turma do STJ que havia negado direito à indenização. Confira a ementa: 
8.4. PRAZO PRESCRICIONAL 
DIREITO DE FAMÍLIA (INDENIZAÇÃO POR ABANDONO AFETIVO 
PRATICADO PELO GENITOR). O prazo prescricional das ações de 
indenização por abandono afetivo começa a fluir com a maioridade do 
interessado. Isso porque não corre a prescrição entre ascendentes e 
descendentes até a cessação dos DEVERES inerentes ao poder 
familiar (art. 197, II, do CC). Quarta Turma. REsp 1.298.576-RJ, Rel. Min. 
Luis Felipe Salomão, julgado em 21/8/2012. 
 
Perceba que indiretamente neste julgado a 4ª Turma acaba se curvando ao entendimento 
da corrente que entende o cabimento de indenização por dano moral decorrente de abandono 
afetivo. 
Qual é o prazo prescricional para as ações de indenização por abandono afetivo? 
 
1) No CC-1916: 20 anos (entendimento do STJ) 
2) No CC-2002: 3 anos (com base no art. 206, § 3º, V) 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 39 
 
 
CC Art. 206. Prescreve: 
§ 3º Em três anos: 
V - a pretensão de reparação civil; 
 
Quando se INICIA o prazo prescricional? 
O prazo prescricional das ações de indenização por abandono afetivo começa a fluir com a 
MAIORIDADE do interessado. Isso porque não corre a prescrição entre ascendentes e 
descendentes até a cessação dos deveres inerentes ao poder familiar, nos termos do art. 197, II, 
do CC: 
Art. 197. Não corre a prescrição: 
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; 
 
O prazo de prescrição começa a correr tão logo nasça a pretensão, a qual tem origem com 
a violação do direito subjetivo. Nesse sentido, o CC-2002 é expresso: 
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se 
extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. 
 
Dessa feita, o prazo prescricional começa a correr a partir do momento em que o genitor 
sabe que o lesado é seu filho e, mesmo assim, não cumpre seus deveres inerentes ao poder 
familiar. 
Logo, se o genitor sabe que é pai biológico de uma criança menor de 18 anos e mesmo 
assim não lhe fornece carinho e afeto, está praticando abandono afetivo. Essa criança, 
representada ou assistida pela mãe, pode, desde já, ajuizar ação de indenização contra seu pai. 
No entanto, o prazo prescricional ainda não começou a correr porque está suspenso. Quando 
esse filho completar 18 anos, começa a contagem do prazo de 3 anos para que ajuíze a ação de 
reparação civil. 
Caso julgado pelo STJ: Na situação julgada pelo STJ, “X” sempre soube que era pai 
biológico de “Y”, apesar de nunca ter feito o registro de nascimento em seu nome. “X” nunca 
desempenhou seus deveres inerentes ao poder familiar, de forma que “Y” estava em situação de 
abandono afetivo. Quando “Y” (o filho) já tinha 50 anos, decidiu ingressar com uma ação de 
reconhecimento de paternidade que foi julgada procedente, tendo transitado em julgado em 2007, 
de forma que restou consignado, agora juridicamente, a realidade que já se sabia: “X” é pai de “Y”. 
Em 2008, com basena sentença de procedência da ação de investigação, “Y” ajuizou ação de 
indenização por danos morais contra “X” por conta do abandono afetivo. O STJ considerou que a 
pretensão estava extinta por conta da prescrição. Para a Corte, o prazo prescricional começou a 
correr com a maioridade de “Y” e o fim do poder familiar. Como já se sabia desde sempre que “X” 
era pai de “Y”, não há como dizer que prazo prescricional teve início com o resultado da ação de 
investigação de paternidade. Vale ressaltar, por fim, que o reconhecimento da paternidade, apesar 
de ser um ato de efeitos ex tunc, não gera efeitos em relação a pretensões já prescritas. 
III. CASAMENTO 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 40 
 
1. CONCEITO 
Segundo Fan Wetter, o casamento traduz a união formal do homem e da mulher com o 
objetivo de constituir uma comunhão plena de vida. Essa ideia é prevista no art. 1.511 do CC: 
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base 
na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. 
 
Vê-se inclusive a eficácia horizontal dos direitos fundamentais (isonomia). 
2. TEORIAS EXPLICATIVAS DA NATUREZA JURÍDICA DO CASAMENTO 
2.1. CORRENTE DE DIREITO PÚBLICO 
O casamento seria um ato administrativo. Não prevaleceu. 
2.2. CORRENTE DE DIREITO PRIVADO 
Sustenta que o casamento é um instituto do direito privado (direito civil), ainda que as 
normas que o regulamentam sejam de ordem pública. Corrente que prevalece. 
Dentro da corrente de Direito Privado há divergências quanto à natureza jurídica: 
1) Instituição; 
2) Acordo; 
3) Negócio complexo; 
4) Ato condição (León Duguit): Seria uma manifestação de vontade que coloca os 
declarantes em uma situação jurídica impessoal. O ato de vontade seria uma condição para 
colocar os declarantes em situação de sujeição a normas cogentes. 
5) Contrato especial de direito de família: Orlando Gomes: O casamento é um contrato 
especial de família, pois o seu núcleo, a sua matriz é o consentimento. 
3. PROCEDIMENTO DE HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO 
 Leva-se uma série de documentos para o oficial do registro (certidão de nascimento, 
testemunhas etc.) comprovando que não há impedimentos. Serão publicados editais. Se ninguém 
suscitar nenhum impedimento, será emitido um certificado de habilitação, com o qual deverá ser 
efetuado o casamento em 90 dias, caso contrário, dever-se-á efetivar novamente o procedimento. 
 
CC Art. 1.525. O requerimento de habilitação para o casamento será 
firmado por ambos os nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por 
procurador, e deve ser instruído com os seguintes documentos: 
I - certidão de nascimento ou documento equivalente; 
II - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal 
estiverem, ou ato judicial que a supra; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 41 
 
III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que 
atestem conhecê-los e afirmem não existir impedimento que os iniba de 
casar; 
IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos 
contraentes e de seus pais, se forem conhecidos; 
V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de 
nulidade ou de anulação de casamento, transitada em julgado, ou do 
registro da sentença de divórcio. 
 
Art. 1.526. A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do 
Registro Civil, com a audiência do Ministério Público. 
Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou 
de terceiro, a habilitação será submetida ao juiz. 
 
Art. 1.527. Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, 
que se afixará durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de 
ambos os nubentes, e, obrigatoriamente, se publicará na imprensa local, se 
houver. 
Parágrafo único. A autoridade competente, havendo urgência, poderá 
dispensar a publicação. 
 
Art. 1.528. É dever do oficial do registro esclarecer os nubentes a respeito 
dos fatos que podem ocasionar a invalidade do casamento, bem como 
sobre os diversos regimes de bens. 
 
Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão 
opostos em declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato 
alegado, ou com a indicação do lugar onde possam ser obtidas. 
 
Art. 1.530. O oficial do registro dará aos nubentes ou a seus representantes 
nota da oposição, indicando os fundamentos, as provas e o nome de quem 
a ofereceu. 
Parágrafo único. Podem os nubentes requerer prazo razoável para fazer 
prova contrária aos fatos alegados, e promover as ações civis e criminais 
contra o oponente de má-fé. 
 
Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a 
inexistência de fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de 
habilitação. 
 
Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data 
em que foi extraído o certificado. 
 
Art. 1.533. Celebrar-se-á o casamento, no dia, hora e lugar previamente 
designados pela autoridade que houver de presidir o ato, mediante petição 
dos contraentes, que se mostrem habilitados com a certidão do art. 1.531 
(certificado de habilitação). 
 
Art. 1.534. A solenidade realizar-se-á na sede do cartório, com toda 
publicidade, a portas abertas, presentes pelo menos duas testemunhas, 
parentes ou não dos contraentes, ou, querendo as partes e consentindo a 
autoridade celebrante, noutro edifício público ou particular. 
§ 1o Quando o casamento for em edifício particular, ficará este de portas 
abertas durante o ato. 
§ 2o Serão quatro as testemunhas na hipótese do parágrafo anterior e se 
algum dos contraentes não souber ou não puder escrever. 
 
Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador 
especial, juntamente com as testemunhas e o oficial do registro, o 
presidente do ato, ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 42 
 
casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, 
nestes termos: "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar 
perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, 
vos declaro casados." 
 
Art. 1.536. Do casamento, logo depois de celebrado, lavrar-se-á o assento 
no livro de registro. No assento, assinado pelo presidente do ato, pelos 
cônjuges, as testemunhas, e o oficial do registro, serão exarados: 
I - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento, profissão, domicílio e 
residência atual dos cônjuges; 
II - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento ou de morte, domicílio 
e residência atual dos pais; 
III - o prenome e sobrenome do cônjuge precedente e a data da dissolução 
do casamento anterior; 
IV - a data da publicação dos proclamas e da celebração do casamento; 
V - a relação dos documentos apresentados ao oficial do registro; 
VI - o prenome, sobrenome, profissão, domicílio e residência atual das 
testemunhas; 
VII - o regime do casamento, com a declaração da data e do cartório em 
cujas notas foi lavrada a escritura antenupcial, quando o regime não for o da 
comunhão parcial, ou o obrigatoriamente estabelecido. 
 
Art. 1.537. O instrumento da autorização para casar transcrever-se-á 
integralmente na escritura antenupcial. 
 
Art. 1.538. A celebração do casamento será imediatamente suspensa se 
algum dos contraentes: 
I - recusar a solene afirmação da sua vontade; 
II - declarar que esta não é livre e espontânea; 
III - manifestar-se arrependido. 
Parágrafo único. O nubente que, por algum dos fatos mencionados neste 
artigo, der causa à suspensão do ato, não será admitido a retratar-se no 
mesmo dia. 
 
Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do 
ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à 
noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. 
§ 1o A falta ou impedimento da autoridade competentepara presidir o 
casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do 
oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. 
§ 2o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no 
respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando 
arquivado. 
 
Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, 
não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a 
de seu substituto, poderá o casamento ser celebrado na presença de seis 
testemunhas, que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta, 
ou, na colateral, até segundo grau. 
 
Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer 
perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que 
lhes tome por termo a declaração de: 
I - que foram convocadas por parte do enfermo; 
II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; 
III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e 
espontaneamente, receber-se por marido e mulher. 
§ 1o Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às 
diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 43 
 
habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, 
dentro em quinze dias. 
§ 2o Verificada a idoneidade dos cônjuges para o casamento, assim o 
decidirá a autoridade competente, com recurso voluntário às partes. 
§ 3o Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado, 
apesar dos recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do 
Registro dos Casamentos. 
§ 4o O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao 
estado dos cônjuges, à data da celebração. 
§ 5o Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se o 
enfermo convalescer e puder ratificar o casamento na presença da 
autoridade competente e do oficial do registro. 
 
Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante PROCURAÇÃO, por 
instrumento público, com poderes especiais. 
§ 1o A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do 
mandatário; mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro 
contraente tivessem ciência da revogação, responderá o mandante por 
perdas e danos. 
§ 2o O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se 
representar no casamento nuncupativo. 
§ 3o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. 
§ 4o Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. 
 
Art. 1.543. O casamento celebrado no Brasil prova-se pela certidão do 
registro. 
Parágrafo único. Justificada a falta ou perda do registro civil, é admissível 
qualquer outra espécie de prova. 
 
Art. 1.544. O casamento de brasileiro, celebrado no estrangeiro, perante as 
respectivas autoridades ou os cônsules brasileiros, deverá ser registrado 
em cento e oitenta dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges 
ao Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1o Ofício 
da Capital do Estado em que passarem a residir. 
 
Art. 1.545. O casamento de pessoas que, na posse do estado de casadas, 
não possam manifestar vontade, ou tenham falecido, não se pode contestar 
em prejuízo da prole comum, salvo mediante certidão do Registro Civil que 
prove que já era casada alguma delas, quando contraiu o casamento 
impugnado. 
 
Art. 1.546. Quando a prova da celebração legal do casamento resultar de 
processo judicial, o registro da sentença no livro do Registro Civil produzirá, 
tanto no que toca aos cônjuges como no que respeita aos filhos, todos os 
efeitos civis desde a data do casamento. 
 
Art. 1.547. Na dúvida entre as provas favoráveis e contrárias, julgar-se-á 
pelo casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou 
tiverem vivido na posse do estado de casados. 
 
 E quanto ao casamento religioso? A constituição estabelece que ele terá efeitos 
civis nos termos da lei. Como isso ocorre? 
 
CF Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 
 
CC - Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei 
para a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que 
registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua 
celebração. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 44 
 
 
Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos MESMOS 
REQUISITOS EXIGIDOS PARA O CASAMENTO CIVIL. 
§ 1o O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro 
de noventa dias de sua realização, mediante comunicação do celebrante 
ao ofício competente, ou por iniciativa de qualquer interessado, desde que 
haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste 
Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação. 
§ 2o O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste 
Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a 
qualquer tempo, no registro civil, mediante PRÉVIA HABILITAÇÃO perante 
a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532. (Eficácia da 
habilitação: 90 dias) 
§ 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, 
qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. 
4. PLANO DE EXISTÊNCIA DO CASAMENTO 
Os pressupostos existenciais do casamento são os seguintes: 
 
1) Celebração por autoridade materialmente competente; 
2) Consentimento; 
3) Diversidade de sexos*; 
 
Vejamos: 
4.1. CELEBRAÇÃO POR AUTORIDADE MATERIALMENTE COMPETENTE 
A autoridade deve ter competência material para o casamento. No casamento civil, são 
competentes o juiz de direito e o juiz de paz. No casamento religioso com efeitos civis, reconhece-
se autoridade ao padre etc. 
A incompetência material é absoluta e gera a inexistência do casamento. 
Já a incompetência territorial (relativa) torna o casamento inválido (anulável), conforme o 
art. 1.550, V do CC. 
Art. 1.550. É anulável o casamento: 
VI - por incompetência da autoridade celebrante. 
 
OB1: Sempre lembrar que há aqueles que não aceitam a Teoria da Inexistência. Dessa forma, a 
falta de competência deve ser reputada como uma invalidade. 
 
OBS2: Contemplando o princípio da boa-fé, o art. 1.554 admite, com amparo na Teoria da 
Aparência, a eficácia do casamento celebrado por pessoa desprovida de competência. É uma 
exceção. 
 
Art. 1.554. Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a 
competência exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de 
casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. 
4.2. CONSENTIMENTO (ART. 1.538) 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 45 
 
Art. 1.538. A celebração do casamento será imediatamente suspensa se 
algum dos contraentes: 
I - recusar a solene afirmação da sua vontade; 
II - declarar que esta não é livre e espontânea; 
III - manifestar-se arrependido. 
Parágrafo único. O nubente que, por algum dos fatos mencionados neste 
artigo, der causa à suspensão do ato, não será admitido a retratar-se no 
mesmo dia. 
4.3. DIVERSIDADE DE SEXOS 
No Brasil, não há norma proibitiva explícita, a exemplo do art. 1.628 do CC de Portugal, 
muito embora seja princípio do sistema a diversidade de sexos para o casamento (ver arts. 1.514, 
1.517 e 1.565 do CC). 
Art. 1.514. O casamento se realiza no momento em que o homem e a 
mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo 
conjugal, e o juiz os declara casados. 
 
Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, 
exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes 
legais, enquanto não atingida a maioridade civil. 
Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto 
noparágrafo único do art. 1.631. 
 
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a 
condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da 
família. 
§ 1o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o 
sobrenome do outro. 
§ 2o O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao 
Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse 
direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas 
ou públicas. 
 
Historicamente, a doutrina majoritária apontou a diversidade de sexos como um 
pressuposto para a existência do casamento. Assim, para o casamento ser considerado seria 
exigível que os nubentes fossem homem e mulher. Chegou-se mesmo a cogitar que as relações 
afetivas entre pessoas do mesmo sexo estariam marcadas pela inexistência, dela não decorrendo 
efeitos na órbita do Direito das Famílias. 
Em outra perspectiva, considerando que o casamento (como qualquer outra entidade 
familiar) está assentado na comunhão de vida afetiva e tendo em mira o faro de que não se 
pretende pelo casamento a perpetuação biológica da espécie, sobreleva reconhecer a falta de 
substrato jurídico para a manutenção do referido pressuposto. 
O STJ conferiu novo tratamento à matéria. No julgamento do REsp. 1.183.378/RS, 
reconheceu a existência e validade do casamento homoafetivo, invocando argumentos de 
inclusão social e jurídica emanados da CF. 
Ressalta-se que a Resolução 175/2013 do CNJ dispõe sobre a habilitação, celebração de 
casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 46 
 
Art. 1º É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, 
celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em 
casamento entre pessoas de mesmo sexo. 
 
Art. 2º A recusa prevista no artigo 1º implicará a imediata comunicação ao 
respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis. 
 
Art. 3º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
 
Portanto, não mais vigora o pressuposto de diversidade de sexos para a celebração do 
casamento. 
5. PLANOS DE VALIDADE E EFICÁCIA DO CASAMENTO: CONSIDERAÇÕES 
São os requisitos que interferem na validade ou na eficácia do casamento. 
Os antigos impedimentos absolutos (ou de ordem pública) do CC/16 são tratados no 
CC/2002 como impedimentos, em seu art. 1521, e sua infringência ocasiona a nulidade do 
casamento. 
Os antigos impedimentos relativos (ou privados) são tratados agora como causas de 
anulação do casamento, na forma do art. 1.550, acarretando a anulabilidade do casamento 
(mesma consequência que previa o CC/16). 
 Os antigos impedimentos impedientes (ou impeditivos) são agora as chamadas causas 
suspensivas do casamento, na forma do art. 1.523, acarretando uma imposição de sanção 
patrimonial (mesma consequência que previa o CC/16). 
 
CC/16 CC/02 CONSEQUÊNCIAS 
Impedimentos dirimentes públicos 
ou absolutos (art. 183, I a VIII) 
Impedimentos matrimoniais (art. 
1.521) 
Casamento nulo 
Impedimentos dirimentes privados 
ou relativos (art. 183, IX a XII) 
Causas de anulabilidade (art. 
1.550). 
Casamento anulável 
Impedimentos impedientes (art. 183, 
XIII a XVI) 
Causas suspensivas (art. 1.523). CC/16: gerava o 
“casamento irregular”. 
CC/02: impõem sanções 
aos cônjuges. 
6. PLANO DA VALIDADE DO CASAMENTO 
6.1. CASAMENTO NULO (IMPEDIMENTOS) 
Assim, é nulo o casamento contraído (art. 1.548): 
1) Pelo enfermo mental sem discernimento; Revogado pela Lei 13.146/2015 
 
2) Pela infringência de impedimento. São impedimentos (art. 1.521): 
 
2.1) Ascendentes com descendentes; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 47 
 
2.2) Afins em linha reta; 
2.3) Adotante com ex-cônjuge do adotado e vice versa; 
2.4) Irmãos e demais colaterais até 3º grau; 
2.5) Adotado com filho do adotante (irmãos?); 
2.6) Pessoas casadas; 
2.7) Do sobrevivente com pessoa condenada por homicídio ou tentativa contra o seu 
consorte. 
 
Vejamos: 
 
Art. 1.548. É NULO o casamento contraído: 
I - pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da 
vida civil; revogado pela Lei 13.146/2015 
II - por infringência de impedimento. 
 
Art. 1.521. Não podem casar (leia-se: impedimentos): 
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II - os afins em linha reta; 
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o 
foi do adotante; 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro 
grau inclusive; 
 
OBS: A doutrina já consolidou o entendimento (Maria Berenice e Jones Figueiredo Alves) 
segundo o qual o impedimento de casamento entre colaterais de terceiro grau (tios e sobrinhos), 
que visa a proteger a saúde genética da prole, é relativizado se houver laudo médico favorável, 
nos termos do Dec. Lei 3.200/41 (ver também enunciado 98 da I Jornada). Esse tipo de 
casamento, entre colaterais de 3º grau, chama-se casamento avuncular (não confundir esta 
palavra com “avoengo” que tem a ver com avós). 
CJF 98 - Art. 1.521, IV, do novo Código Civil: O inc. IV do art. 1.521 do novo 
Código Civil deve ser interpretado à luz do Decreto-lei n. 3.200/41, no que 
se refere à possibilidade de casamento entre colaterais de 3º grau. 
 
V - o adotado com o filho do adotante; 
 
Podem ser irmãos. 
VI - as pessoas casadas; 
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de 
homicídio contra o seu consorte. 
 
Conforme Flávio Tartuce se exige o trânsito em julgado da sentença. 
OBS: O antigo impedimento referente ao adultério foi banido do novo sistema, 
considerando-se a atipicidade penal da conduta. O CC/16 dizia: Não podem casar os condenados 
criminalmente por adultério. 
Importante destacar o revogado inciso I, do art. 1.548 do CC: “Casamento contraído por 
enfermo mental sem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil”. 
Esta previsão de nulidade era exatamente a mesma constante do art. 3.º, II, do CC, 
também incluindo os doentes mentais sem discernimento, eis que enfermidade e doença eram 
tidas como expressões sinônimas. Deveria apenas ser feita a ressalva de que não se exigia o 
processo de interdição prévio para o casamento ser considerado nulo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 48 
 
No passado, o Enunciado n. 332 do CJF/STJ, aprovado na IV Jornada de Direito Civil, deu 
interpretação restritiva ao dispositivo, não admitindo anteriormente a nulidade absoluta do 
casamento das pessoas descritas no então art. 3.º, III, do CC. Assim: “A hipótese de nulidade 
prevista no inc. I do art. 1.548 do Código Civil se restringe ao casamento realizado por enfermo 
mental absolutamente incapaz, nos termos do inc. II do art. 3.º do Código Civil”. 
De toda sorte, com vistas à plena inclusão das pessoas com deficiência, esse dispositivo 
foi revogado expressamente pelo art. 114 da Lei 13.146/2015. Assim, as pessoas antes descritas 
no comando podem se casar livremente, não sendo mais consideradas como absolutamente 
incapazes no sistema civil brasileiro. 
A inovação veio em boa hora, pois a lei presumia de forma absoluta que o casamento seria 
prejudicial aos então incapazes, o que não se sustentava social e juridicamente. Aliás, conforme 
se retira do art. 1.º da norma emergente, o Estatuto da Pessoa com Deficiência é destinado a 
assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades 
fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. A 
possibilidade atual de casamento dessas pessoas parece tender a alcançar tais objetivos, nos 
termos do que consta do art. 6.º da mesma Lei 13.146/2015.6.1.1. Legitimidade para a ação de nulidade 
Art. 1.549. A decretação de nulidade de casamento, pelos motivos previstos 
no artigo antecedente, pode ser promovida mediante ação direta, por 
qualquer interessado, ou pelo Ministério Público. 
 
A ação de nulidade de casamento pode ser proposta por qualquer interessado ou pelo MP. 
O juiz não pode pronunciar de ofício a nulidade absoluta, neste caso. 
Art. 1.562. Antes de mover a ação de nulidade do casamento, a de 
anulação, a de separação judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de 
união estável, poderá requerer a parte, comprovando sua necessidade, a 
separação de corpos, que será concedida pelo juiz com a possível 
brevidade. 
 
Art. 1.563. A sentença que decretar a nulidade do casamento retroagirá à 
data da sua celebração, sem prejudicar a aquisição de direitos, a título 
oneroso, por terceiros de boa-fé, nem a resultante de sentença transitada 
em julgado. (efeitos ex tunc da decretação de nulidade) 
 
Art. 1.564. Quando o casamento for ANULADO por CULPA de um dos 
cônjuges, este incorrerá: 
I - na perda de todas as vantagens havidas do cônjuge inocente; 
II - na obrigação de cumprir as promessas que lhe fez no contrato 
antenupcial. 
 
6.2. CASAMENTO ANULÁVEL (ART. 1.550) 
6.2.1. Artigo 1.550: quando é anulável o casamento 
Assim, o casamento é ANULÁVEL (art. 1.550): 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 49 
 
1) De quem não completou 16 anos; 
2) De quem não completou 18 anos, não autorizado pelo representante; 
3) Vício na vontade (1.556 a 1.558); 
4) Incapaz de manifestar o consentimento de modo inequívoco; 
5) Por mandatário sem que soubessem da revogação do mandato (não pode sobrevir 
coabitação); 
6) Incompetência territorial da autoridade celebrante. 
 
Vejamos: 
Art. 1.550. É anulável o casamento: 
I - de quem não completou a idade mínima para casar; 
 
Em regra, 16 anos. 
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante 
legal; 
 
Entre 16 e 18 anos é necessária a autorização do representante ou o suprimento de 
consentimento. 
 
OBS: 
Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que 
resultou gravidez. 
 
Art. 1.552. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será 
requerida: 
I - pelo próprio cônjuge menor; 
II - por seus representantes legais; 
III - por seus ascendentes. 
 
Art. 1.553. O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de 
completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus 
representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial. 
 
Art. 1.560. 
§ 1o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento 
dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em 
que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes 
legais ou ascendentes. 
 
Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado 
por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta 
em cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de 
seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. 
§ 1o O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a 
incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no 
terceiro, da morte do incapaz. 
§ 2o Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem 
assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer 
modo, manifestado sua aprovação. 
 
Então, temos duas situações: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 50 
 
1ª Situação: No caso de menor de 16 anos (sem autorização, por óbvio), para a anulação, 
conta-se: 180 dias do atingimento da idade núbil (16 anos) para o menor e 180 dias da data da 
celebração para os representantes e ascendentes. 
2ª Situação: No caso de menor 18 e maior de 16, para anulação, conta-se: 180 dias da 
maioridade para o menor (18 anos), do casamento para os representantes e ascendentes, e do 
óbito para os descendentes. 
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558; 
 
Ver abaixo. 
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o 
consentimento; 
 
Exemplo: Bêbado podre. 
V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse 
da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; 
 
Se os noivos venham a coabitar, o ato se convalida. 
VI - por incompetência da autoridade celebrante. 
 
Competência territorial. Lembrando que se for incompetência material absoluta o ato é 
inexistente. 
Parágrafo único. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato 
judicialmente decretada. 
 
Art. 1.562. Antes de mover a ação de nulidade do casamento, a de 
anulação, a de separação judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de 
união estável, poderá requerer a parte, comprovando sua necessidade, a 
separação de corpos, que será concedida pelo juiz com a possível 
brevidade. 
 
Art. 1.564. Quando o casamento for anulado por culpa de um dos cônjuges, 
este incorrerá: 
I - na perda de todas as vantagens havidas do cônjuge inocente; 
II - na obrigação de cumprir as promessas que lhe fez no contrato 
antenupcial. 
6.2.2. Vícios da vontade que podem anular o casamento (causas de anulação: 1556 a 
1558 CC) 
Aqui é o seguinte: 
 
1) Erro essencial sobre a pessoa; O erro pode ser: 
 
1.1) Sobre a honra e boa fama, tornando a vida insuportável; 
1.2) Sobre crime cometido ANTERIOR ao casamento, tornando a vida insuportável; 
1.3) Sobre defeito físico/moléstia grave ANTERIOR ao casamento; 
1.4) Sobre doença mental grave ANTERIOR ao casamento. 
 
2) Coação. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 51 
 
 
OBS: a coabitação diante da ciência do vício convalida o ato, exceto no caso de defeito 
físico/moléstia e doença mental. 
Vejamos: 
Art. 1.556. O casamento pode ser ANULADO por vício da vontade, se 
houve por parte de um dos nubentes, ao consentir, erro essencial quanto à 
pessoa do outro. 
 
Art. 1.557. Considera-se ERRO ESSENCIAL sobre a pessoa do outro 
cônjuge: 
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse 
erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em 
comum ao cônjuge enganado; 
 
Exemplo: Esposa descobre o marido é um jogador inveterado; mulher descobre que marido é 
Drag Queen. 
 
II - a ignorância de crime, ANTERIOR ao casamento, que, por sua natureza, 
torne insuportável a vida conjugal; 
 
Não necessita de trânsito em julgado da sentença criminal (ao contrário do caso de 
impedimento para casar: quando o indivíduo cometeu crime contra o cônjuge de quem pretende 
casar, exige-se o trânsito: Flávio Tartuce). 
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que 
não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por 
contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge 
ou de sua descendência; 
 
Pontue-se que a Lei 13.146/2015 incluiu a exceção destacada, a respeito da pessoa com 
deficiência, não cabendo a anulação do casamento em casos tais. 
Exemplos anteriores de defeito físico irremediável, mantidos no sistema: hermafroditismo 
(duas manifestações sexuais); deformações genitais; ulcerações no pênis e impotência 
coeundi (para o ato sexual). 
 É importante destacar que a impotência generandi ou concipiendi (para ter filhos) não gera 
a anulabilidade do casamento. 
Exemplos de moléstia grave e transmissível: tuberculose, AIDS, hepatite, sífilis, epilepsia, 
hemofilia etc. Em todos os casos, há presunção absoluta ou iure et de iure da insuportabilidade da 
vida em comum. 
IV - a ignorância, ANTERIOR ao casamento, de doença mental grave que, 
por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge 
enganado. 
 
Atente-seque foi revogado pela Lei 13.146/2015 o antigo inciso IV do art. 1.557 da 
codificação material que mencionava a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental 
grave que, por sua natureza, tornasse insuportável a vida em comum. Eram exemplos aqui antes 
referidos: a esquizofrenia, a psicopatia, a psicose, a paranoia, entre outros. Era apontada a 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 52 
 
desnecessidade de a pessoa estar interditada, no sistema anterior à revogação. Agora, reafirme-
se, o casamento das pessoas citadas será válido, o que visa a sua plena inclusão social, 
especialmente para os atos existenciais familiares, objetivo primordial do Estatuto da Pessoa com 
Deficiência (art. 6.º). 
OBS: O CC/2002 não reproduziu a inconstitucional hipótese de anulação de casamento por 
inexistência de virgindade da mulher. 
 
Art. 1.558. É anulável o casamento em virtude de COAÇÃO, quando o 
consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado 
mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a 
saúde e a honra, sua ou de seus familiares. 
 
Coação moral. Lembrando que temor reverencial não é coação. Ver em parte geral. 
IMPORTANTE! 
Art. 1.550, IV, Do incapaz de consentir e de manifestar de forma inequívoca 
a sua vontade 
 
Essa previsão continua a englobar os ébrios habituais (alcoólatras) e os viciados em 
tóxicos (art. 4.º, II, do CC/2002, atualizado pela Lei 13.146/2015). 
Todavia, o comando não incide mais para as pessoas com discernimento mental reduzido 
e aos excepcionais sem desenvolvimento completo, constantes do art. 4.º, incisos II e III, da 
codificação material, antes da recente alteração pela Lei 13.146/2015. 
Essas pessoas podem se casar livremente, até porque foi incluído um § 2.º no art. 1.550 
do CC/2002 pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. O preceito emergente passou a prever que 
a pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbil poderá contrair matrimônio, 
expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. Mais uma vez 
nota-se o objetivo de plena inclusão social da pessoa com deficiência, afastando-se a tese de que 
o casamento poderia ser-lhe prejudicial. 
Pois bem, segundo o entendimento considerado majoritário anteriormente, nessa previsão 
do art.1.550, IV, também se enquadrariam as pessoas que por causa transitória ou definitiva não 
pudessem exprimir vontade (antigo art. 3.º, III, do CC). Tal forma de pensar chegou a ser adotada 
pelo STJ, em remoto julgado, referente ao CC/1916 (STJ, EDcl no AgRg no Ag 24.836/MG, 4.ª 
Turma, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, j. 18.10.1993, DJ 13.12.1993, p. 27.463). 
Tartuce não concordava com o último posicionamento, pois em casos tais o casamento 
deveria ser considerado nulo, por equiparação ao que constava do art. 3.º, II, do CC. Assim, 
parecia correta a premissa categórica de que o art. 1.550, IV, do CC, somente se aplicaria aos 
relativamente incapazes descritos no art. 4.º. 
Todavia, o panorama mudou substancialmente, mais uma vez diante da recente Lei 
13.146/2015, que incluiu o Estatuto da Pessoa com Deficiência. A antiga previsão do art. 3.º, III, 
passou a compor o art. 4.º, III, no rol dos relativamente incapazes. Sendo assim, a posição atual a 
ser considerada, agora seguida também por Tartuce diante da mudança legislativa, é que o 
casamento das pessoas que por causa transitória ou definitiva não puderem exprimir vontade será 
anulável. Cite-se o caso da pessoa que se encontra em coma profundo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 53 
 
Em resumo no que toca aos incapazes, foi visto que os casos envolvendo os menores são 
de anulabilidade do casamento (art. 1.550, I e II); que não mais existem maiores absolutamente 
incapazes, tendo sido revogado o art. 1.548, I, do CC; e que as hipóteses concernentes aos 
demais incapazes são de anulabilidade (art. 1.550, IV). Vale repisar, ademais, que as pessoas 
com deficiência podem se casar livremente, nos termos do novo § 2.º do art. 1.550 do Código 
Civil. 
Assim, em relação aos incapazes da Parte Geral do CC/2002, falta abordar a situação dos 
pródigos (art. 4.º, IV). Ora, o pródigo pode se casar livremente, uma vez que a interdição é 
apenas relativa aos atos de disposição direta de bens, tais como vender, hipotecar e 
transigir, o que não atinge o casamento (art.1.782 do CC). Anote-se que não sendo celebrado 
pacto antenupcial, o regime do seu casamento será o da comunhão parcial (regime legal), e não o 
da separação obrigatória de bens, uma vez que o pródigo não consta expressamente no art. 1.641 
do CC. Filia-se à corrente doutrinária que afirma que, para fazer pacto antenupcial que altere o 
seu patrimônio, o pródigo necessita de assistência, sob pena de anulação do ato (art. 171, I, do 
CC). 
6.2.3. Legitimidade para a ação de anulação 
No caso do menor SEM idade núbil: do cônjuge menor (até 180 dias depois de alcançada 
a idade núbil), representantes e ascendentes (180 dias do casamento para ambos). 
No caso do menor COM idade núbil: cônjuge menor (180 dias depois de alcançar a maior 
idade), representantes (180 dias após o casamento) e herdeiros necessários (180 dias após o 
óbito). 
Nos demais casos é o próprio cônjuge. Vejamos ainda ao art. 1.559 em caso de erro ou 
coação. 
Art. 1.559. Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação 
(ou seja, nas hipóteses de VÍCIO NA VONTADE), pode demandar a 
anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do vício, 
valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557 
(defeito físico/moléstia grave ou doença mental anterior). Lembrar que o IV 
foi revogado. 
 
OBS: Perceber que na ação de NULIDADE pode ser qualquer interessado ou o MP. Nas ações de 
ANULAÇÃO que não por vício de vontade, pode ser o próprio cônjuge, ascendentes ou 
descendentes, dependendo do caso. 
6.2.4. Natureza da sentença que anula o casamento 
A doutrina diverge quanto à eficácia da sentença que anula o casamento. 
Uma primeira corrente (Orlando Gomes) sustenta que a sentença que anula casamento 
tem eficácia ex nunc. 
Uma segunda corrente, todavia, afirma que a eficácia é ex tunc (Pontes de Miranda e 
Clóvis Beviláqua). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 54 
 
6.2.5. Prazo para a ANULAÇÃO do casamento 
Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a 
contar da data da CELEBRAÇÃO, é de: 
I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550 (incapaz de 
consentir de modo inequívoco); 
II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante; (incompetência 
relativa) 
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557 (erros sobre a 
pessoa); 
IV - quatro anos, se houver coação (regra geral dos negócios jurídicos). 
§ 1o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento 
dos menores de dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em 
que perfez essa idade; e da data do casamento, para seus representantes 
legais ou ascendentes. (Lembrar que para o menor entre 16-18 o prazo é do 
atingimento da maioridade, para os seus representantes é da data do 
casamento, e, para os descendentes, do óbito) 
§ 2o Na hipótese do inciso V do art. 1.550 (mandatário), o prazo para 
anulação do casamento é de cento e oitenta dias, a partir da data em que 
o mandante tiver conhecimento da celebração. 
7. PLANO DA EFICÁCIA DO CASAMENTO 
7.1. CAUSAS SUSPENSIVAS (Art. 1.523) 
Não são causas que geram a nulidade ou anulabilidade do casamento (plano de validade), 
mas causas que geram sanções no plano de eficácia, como visto acima. 
Estão sujeitos: 
a) Viúvo (a) que tem filho do cônjuge falecido, enquanto não efetuado inventário e 
partilha; 
b) Viúva ou mulher com casamento nulo ou anulado até 10 meses depois;c) Divorciado enquanto não homologada a partilha; 
d) Tutor, curador (e parentes) com a pessoa assistida enquanto não cessar e não 
prestadas contas; 
Quando há violação dessas causas, o casamento é VÁLIDO, porém IRREGULAR, 
impondo-se aos cônjuges uma sanção patrimonial, qual seja, o regime de separação obrigatória 
de bens. 
 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: 
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas 
suspensivas da celebração do casamento; 
 
Causa suspensiva, pois resta suspensa a possibilidade de escolha do regime de bens. 
Art. 1.523. Não devem casar (leia-se: “se casarem terão restrições”): 
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer 
inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 55 
 
Para evitar confusão de patrimônio. 
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido 
anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da 
sociedade conjugal; 
Evitar a confusão de sangue. Ver isso. 
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a 
partilha dos bens do casal; 
 
OBS: No caso do divórcio, o CC/2002 admite o casamento do divorciado que não haja feito 
a partilha do primeiro casamento. Todavia, este novo matrimônio viola a causa suspensiva 
prevista no inciso III do art. 1.523, de maneira que se impõe a separação obrigatória de bens. A 
Lei do divórcio não permitia isso. 
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, 
cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não 
cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. 
Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes 
sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I (viúvo que 
tiver filho do falecido), III (divorciado enquanto não feita partilha) e IV (tutor 
ou curador enquanto não cessar) deste artigo, provando-se a inexistência 
de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a 
pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II (viúva ou com 
casamento nulo/anulado), a nubente deverá provar nascimento de filho, ou 
inexistência de gravidez, na fluência do prazo. 
 
Art. 1.524. As causas suspensivas da celebração do casamento podem 
ser arguidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes, sejam 
consanguíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam 
também consanguíneos ou afins. 
7.2. MOMENTO E LEGITIMIDADE DE OPOSIÇÃO DOS IMPEDIMENTOS E CAUSAS 
SUSPENSIVAS 
Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer 
perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que 
lhes tome por termo a declaração de: 
I - que foram convocadas por parte do enfermo; 
II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; 
III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e 
espontaneamente, receber-se por marido e mulher. 
§ 1o Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às 
diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se 
habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, 
dentro em quinze dias 
 
OPOSIÇÃO MOTIVO MOMENTO DA 
OPOSIÇÃO 
LEGITIMADOS 
Em declaração escrita, 
assinada e com provas. 
IMPEDIMENTOS (plano 
da validade: casamento 
nulo) 
No processo de 
habilitação e até o 
momento da celebração. 
MP e qualquer 
interessado. 
Obs.: isso não impede a 
ação de nulidade. 
CAUSAS DE 
SUSPENSÃO (plano da 
eficácia: sanção 
patrimonial – regime de 
Só no processo de 
habilitação, até 15 dias 
após os proclamas. 
Parentes em linha reta e 
colateral até o 2º grau 
(consanguíneos ou 
afins). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 56 
 
bens) 
8. NOIVADO (PROMESSA DE CASAMENTO OU ESPONSAIS) 
Segundo Antônio Chaves, os esponsais consistem em um compromisso de casamento 
entre duas pessoas desimpedidas, de sexos diferentes, com o escopo de possibilitar que se 
conheçam melhor, que aquilatem suas afinidades e gostos. 
O noivado não acarreta a obrigação de casar. Todavia, a doutrina, desde Lafayette 
Rodrigues Pereira chegando a Maria Helena Diniz, com repercussão na própria jurisprudência 
(REsp. 251.689/RJ, Ap. Cível 02824469-5 do TJ-PR), tem admitido responsabilidade civil por 
ruptura injustificável de noivado. 
O problema está no exercício abusivo do direito (direito de não se casar), com quebra da 
boa-fé objetiva, em havendo demonstrado prejuízo, na forma de dano moral ou material. 
Lembrando que depende da análise do caso concreto. 
OBS: Prevalece ainda o entendimento no sentido de que a ruptura de namoro não gera 
responsabilidade civil (TJ/RS Ap. Cível 7.822.0634). 
9. FORMAS ESPECIAIS DE CASAMENTO 
As formas de casamento especial são: 
 
1) Casamento por procuração; 
2) Casamento nuncupativo; 
3) Casamento em caso de moléstia grave. 
 
Vejamos: 
9.1. CASAMENTO POR PROCURAÇÃO (ART. 1.242) 
Não cabe procuração particular; deve ser pública e com poderes especiais. 
 
Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por 
instrumento público, com poderes especiais. 
§1º A REVOGAÇÃO do mandato não necessita chegar ao conhecimento do 
mandatário (procurador); mas, celebrado o casamento sem que o 
mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação, 
responderá o mandante por perdas e danos. 
 
Um procurador apenas para os dois nubentes pode gerar certa insegurança, apesar de o 
CC não vedar. Há doutrina que diz não poder (uma só pessoa expressar duas manifestações de 
vontade absolutamente espontânea ficaria estranho). 
 
§ 2º O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se 
representar no casamento nuncupativo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 57 
 
§ 3º A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. 
§ 4º Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. 
9.2. CASAMENTO NUNCUPATIVO (IN EXTREMIS OU IN ARTICULO MORTIS) 
É o casamento da pessoa que se encontra no leito de morte; ocorre quando não há tempo 
de chamar a autoridade celebrante. É previsto no art. 1.540, in verbis: 
Art. 1.540. Quando algum dos contraentes ESTIVER EM IMINENTE RISCO 
DE VIDA, não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o 
ato, nem a de seu substituto, poderá o casamento ser celebrado na 
presença de seis testemunhas, que com os nubentes não tenham 
parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau. 
 
Posteriormente se procede ao registro pelas vias ordinárias. 
Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer 
perante a autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que 
lhes tome por termo a declaração de: 
I - que foram convocadas por parte do enfermo; 
II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo; 
III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e 
espontaneamente, receber-se por marido e mulher. 
§ 1o Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às 
diligências necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se 
habilitado, na forma ordinária, ouvidos os interessados que o requererem, 
dentro em quinze dias. 
§ 2o Verificada a idoneidade dos cônjuges para o casamento, assim o 
decidirá a autoridade competente, com recurso voluntário às partes. 
§ 3o Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado, 
apesar dos recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do 
Registro dos Casamentos. 
§ 4o O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao 
estado dos cônjuges, à data da celebração. 
§ 5o Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se 
o enfermoconvalescer e puder ratificar o casamento na presença da 
autoridade competente e do oficial do registro. 
 
Não se confunde com a próxima modalidade. 
9.3. CASAMENTO EM CASO DE MOLÉSTIA GRAVE (ART. 1.539) 
Nesse aqui, a pessoa está MUITO DOENTE, porém não está no leito de morte. Não se 
trata de um casamento tão urgente quanto o nuncupativo. 
Aqui, a autoridade comparece ao ato. 
Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do 
ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à 
noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. 
1o A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o 
casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do 
oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. 
§ 2o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no 
respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando 
arquivado. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 58 
 
 
OBS: O TJ/BA, julgando o MS 34.739-9/05, admitiu efeitos civis do casamento espírita kardecista. 
10. “CASAMENTO PUTATIVO” 
Trata-se simplesmente de um casamento NULO ou ANULÁVEL cujos efeitos jurídicos são 
preservados em favor de um ou ambos os cônjuges, conforme a boa-fé dos nubentes, 
homenageando a teoria da aparência. 
Art. 1.561. Embora ANULÁVEL ou mesmo NULO, se CONTRAÍDO DE 
BOA-FÉ por ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como 
aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. 
§ 1º Se UM DOS CÔNJUGES estava de BOA-FÉ ao celebrar o casamento, 
os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. 
§ 2º Se AMBOS os cônjuges estavam de MÁ-FÉ ao celebrar o casamento, 
os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. 
 
OBS: A despeito de a questão não ser pacífica, considerando-se a carga de ordem pública 
imanente ao princípio da boa-fé é razoável o entendimento segundo o qual o juiz pode, de ofício, 
reconhecer os efeitos jurídicos da putatividade. 
Na prática, segundo a doutrina e a jurisprudência brasileiras, reconhecida a putatividade, o 
cônjuge de boa-fé terá direito de haver de volta os bens que levou ao casamento, além de ter 
direito a eventual meação. Além disso, terá direito a alimentos, e, eventualmente, se a morte 
ocorre antes da sentença de invalidade, direito à herança. 
Se os dois estão de boa-fé, o juiz deve resolver o problema da putatividade como se 
estivesse dissolvendo a sociedade via separação judicial. 
11. CAPACIDADE PARA O CASAMENTO 
O CC/2002 estabeleceu a idade núbil, nos termos do art. 1.517, em 16 anos de idade, sendo 
que entre 16 e 18 os nubentes precisarão de autorização dos pais ou de suprimento de 
consentimento. 
 
Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, 
exigindo-se autorização de ambos os pais, ou de seus representantes 
legais, enquanto não atingida a maioridade civil. 
Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto 
no parágrafo único do art. 1.631. 
 
Art. 1631, Parágrafo único. Divergindo os pais quanto ao exercício do poder 
familiar, é assegurado a qualquer deles recorrer ao juiz para solução do 
desacordo. 
 
Art. 1.518. Até a celebração do casamento podem os pais, tutores ou 
curadores revogar a autorização. 
 
Art. 1.519. A denegação do consentimento, quando injusta, pode ser 
suprida pelo juiz. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 59 
 
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda 
não alcançou a idade núbil (art. 1517), para evitar imposição ou 
cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. 
 
Excepcionalmente pode o juiz autorizar o casamento abaixo dos 16 anos em caso de 
gravidez, ou para evitar a imposição ou cumprimento da pena criminal. 
Mesmo com a revogação parcial do art. 107 do CP, não mais contemplando explicitamente 
o casamento como causa de extinção de punibilidade, a aquiescência da vítima poderia 
caracterizar, na forma da lei penal (lembrando que hoje a ação penal no crime de estupro não é 
mais privada e sim, condicionada à representação), perdão ou renúncia, autorizando, assim, ao 
juiz permitir o casamento abaixo dos 16 anos de idade. 
Isso é controverso na doutrina, havendo parte que entende ter havido revogação do art. 
1.520 restando valido somente quanto à gravidez, frente à nova lei penal (estupro de vulnerável). 
12. REGIME DE BENS 
12.1. CONCEITO 
Trata-se do estatuto patrimonial do casamento, regido pelos princípios da liberdade de 
escolha, da variabilidade (não existe regime único) e da mutabilidade (o regime pode ser 
modificado no curso do casamento). 
Os nubentes fazem a escolha do regime de bens por meio de um contrato solene, lavrado 
em registro público, denominado “pacto antenupcial”. Desde 1977, e ainda hoje, nos termos do 
art. 1.640 do CC, o regime legal supletivo é o da comunhão parcial de bens. 
Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, 
vigorará, quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão 
parcial. 
Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar 
por qualquer dos regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir-
se-á a termo a opção pela comunhão parcial, fazendo-se o pacto 
antenupcial por escritura pública, nas demais escolhas. 
 
O CC/2002, inovando, passou a admitir também a mudança de regime de bens no curso 
do casamento (§2º, art. 1.639). 
Art. 1.639 - § 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante 
autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a 
procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. 
 
Esse pedido deve ser sempre conjunto, por isso não há lide. Trata-se de jurisdição 
voluntária. Essa alteração só é possível se não prejudicar direitos de terceiros de boa-fé. Por isso 
há, em muitos tribunais, a orientação de o juiz publicar em Diário Oficial o edital com a alteração 
do regime de bens, para que os terceiros possam se manifestar. 
OBS: O STJ já firmou entendimento no sentido de que é possível mudança de regime de 
bens de casamento celebrado antes do C/2002C (REsp. 821.870/PR). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 60 
 
A sentença que autoriza a mudança no regime tem eficácia ex tunc, em que pese a 
divergência. 
OBS: É defensável a retroatividade dos efeitos da sentença que autoriza a mudança de 
regime de bens, a despeito da polêmica (Ver TJ/RS Apel. 76.423.891). 
Os regimes são os seguintes: 
a) Separação obrigatória de bens (separação legal); 
b) Participação final nos aquestos; 
c) Comunhão parcial de bens; 
d) Comunhão universal de bens; 
e) Separação convencional de bens. 
Vejamos: 
12.2. REGIME DE SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS (SEPARAÇÃO LEGAL) 
As hipóteses de separação obrigatórias de bens estão previstas no art. 1.641, e se referem 
apenas ao casamento. 
Art. 1.641. É OBRIGATÓRIO o regime da separação de bens no 
casamento: 
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas 
suspensivas da celebração do casamento; 
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 
12.344, de 2010). Até meados de 2010 a idade era sessenta anos. A 
doutrina majoritária dizia ser inconstitucional. 
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. 
 
Quanto à hipótese do inciso III, para evitar as inconveniências do regime de separação 
obrigatória, bem como o enriquecimento sem causa de uma das partes, o STF editou a súmula 
377, que assim dispõe: 
STF Súmula 377 No regime de separação legal de bens, comunicam-se os 
adquiridos na constância do casamento. 
 
Essa súmula traz para a separação obrigatória um princípio da comunhão parcial, mas não 
identifica os regimes. 
OBS: A contribuiçãodo cônjuge, para efeito de meação, no âmbito desta súmula, pode ser 
indireta ou psicológica. Não precisa ser contribuição econômica (REsp. 736.627/PR). 
12.3. REGIME DE PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS 
Regime criado na Costa Rica. 
 
Art. 1.672. No regime de participação final nos aquestos, cada cônjuge 
possui patrimônio próprio, consoante disposto no artigo seguinte, e lhe 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 61 
 
cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos 
bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do 
casamento. 
 
Art. 1.673. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía 
ao casar e os por ele adquiridos, a qualquer título, na constância do 
casamento. 
Parágrafo único. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge, 
que os poderá livremente alienar, se forem MÓVEIS. 
 
Segundo este regime, durante o casamento, cada cônjuge preserva o seu patrimônio 
próprio e exclusivo, cabendo, todavia, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à 
metade dos bens adquiridos pelo casal (veja: somente pelo esforço mútuo) a título oneroso (art. 
1.672). 
Difere da comunhão parcial, onde TODOS os bens adquiridos onerosamente depois do 
casamento (não necessariamente adquiridos pelo esforço dos dois) são amealhados. 
Art. 1.674. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal, apurar-se-á o 
montante dos aquestos, excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: 
I - os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram; 
II - os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade; 
III - as dívidas relativas a esses bens. 
Parágrafo único. Salvo prova em contrário, presumem-se adquiridos durante 
o casamento os bens móveis. 
 
Art. 1.675. Ao determinar-se o montante dos aquestos, computar-se-á o 
valor das doações feitas por um dos cônjuges, sem a necessária 
autorização do outro; nesse caso, o bem poderá ser reivindicado pelo 
cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros, ou declarado no monte 
partilhável, por valor equivalente ao da época da dissolução. 
 
Art. 1.676. Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento 
da meação, se não houver preferência do cônjuge lesado, ou de seus 
herdeiros, de os reivindicar. 
 
Art. 1.677. Pelas dívidas posteriores ao casamento, contraídas por um dos 
cônjuges, somente este responderá, salvo prova de terem revertido, parcial 
ou totalmente, em benefício do outro. 
 
Art. 1.678. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do 
seu patrimônio, o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado, na 
data da dissolução, à meação do outro cônjuge. 
 
Art. 1.679. No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto, terá cada um 
dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo 
estabelecido. 
 
Art. 1.680. As coisas móveis, em face de terceiros, presumem-se do 
domínio do cônjuge devedor, salvo se o bem for de uso pessoal do outro. 
 
Art. 1.681. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome 
constar no registro. 
Parágrafo único. Impugnada a titularidade, caberá ao cônjuge proprietário 
provar a aquisição regular dos bens. 
 
Art. 1.682. O direito à meação não é renunciável, cessível ou penhorável na 
vigência do regime matrimonial. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 62 
 
Art. 1.683. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por 
divórcio, verificar-se-á o montante dos aquestos à data em que cessou a 
convivência. 
 
Art. 1.684. Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens 
em natureza, calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em 
dinheiro ao cônjuge não proprietário. 
Parágrafo único. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro, serão 
avaliados e, mediante autorização judicial, alienados tantos bens quantos 
bastarem. 
 
Art. 1.685. Na dissolução da sociedade conjugal por morte, verificar-se-á a 
meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos 
antecedentes, deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida 
neste Código. 
 
Art. 1.686. As dívidas de um dos cônjuges, quando superiores à sua 
meação, não obrigam ao outro, ou a seus herdeiros. 
12.4. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS 
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que 
sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos 
artigos seguintes. 
 
Na comunhão parcial, disciplinada a partir do art. 1.658, regra geral é no sentido de 
preservar o patrimônio anterior dos cônjuges, cabendo direito de meação quanto aos bens 
adquiridos onerosamente POR UM OU AMBOS os cônjuges na constância do casamento 
(perceber que na divisão final de aquestos, os bens devem ser adquiridos onerosamente pelo 
esforço comum). 
Se o bem for adquirido com dinheiro anterior ao casamento, o bem não é amealhado. 
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na 
constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em 
seu lugar; 
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos 
cônjuges em sub-rogação dos bens particulares; 
III - as obrigações anteriores ao casamento; 
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito 
do casal; 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; 
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; (direito ao salário). 
Ver explicação (Info 581) abaixo. 
VII - as pensões, meios-soldos, montepios (renda militar) e outras rendas 
semelhantes. 
 
Art. 1.660. Entram na comunhão: 
I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda 
que só em nome de um dos cônjuges; (diferentemente do regime da divisão 
final dos aquestos) 
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de 
trabalho ou despesa anterior; 
III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos 
os cônjuges; 
IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 63 
 
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, 
percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar 
a comunhão. 
 
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma 
causa anterior ao casamento. 
 
Art. 1.662. No regime da comunhão parcial, presumem-se adquiridos na 
constância do casamento os bens móveis, quando não se provar que o 
foram em data anterior. 
 
Art. 1.663. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos 
cônjuges. 
§ 1o As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens 
comuns e particulares do cônjuge que os administra, e os do outro na razão 
do proveito que houver auferido. 
§ 2o A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos, a título 
gratuito, que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. 
§ 3o Em caso de malversação dos bens, o juiz poderá atribuir a 
administração a apenas um dos cônjuges. 
 
Art. 1.664. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas 
pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família, às 
despesas de administração e às decorrentes de imposição legal. 
 
Art. 1.665. A administração e a disposição dos bens constitutivos do 
patrimônio particular competem ao cônjuge proprietário, salvo convenção 
diversa em pacto antenupcial. 
 
Art. 1.666. As dívidas, contraídas por qualquer dos cônjuges na 
administração de seus bens particulares e em benefício destes, não 
obrigam os bens comuns. 
 
Importante destacar dois julgados do STJ, são eles: 
1) Regime da comunhão parcial e doação feita a um dos cônjuges (Info 523) 
 
2) Comunhão parcial e FTGS (Info 581) 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 64 
 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Eduardoe Mônica casaram-se, em 2013, sob o regime da comunhão parcial de bens. Um 
mês depois do casamento decidiram comprar um apartamento que custava R$ 200 mil. Para 
tanto, Eduardo utilizou o dinheiro do seu FGTS e pagou R$ 30 mil à construtora. Mônica também 
se valeu de seu FGTS e pagou R$ 70 mil. Os R$ 100 mil restantes foram doados pelo pai de 
Mônica, que transferiu para a conta da construtora. 
Ocorre que o casamento não deu certo e, em 2014, o casal decidiu se divorciar. 
Surgiu, então, uma disputa entre os dois para saber como iriam dividir o apartamento. 
O advogado de Eduardo sustentava que eles deveriam vendê-lo por R$ 200 mil e dividir o 
dinheiro igualmente, metade para cada um, considerando que se trata de regime da comunhão 
parcial de bens. A advogada de Mônica, por sua, vez, concordava em vender, mas afirmava que 
Eduardo teria direito de receber de volta apenas 15% do valor da casa (R$ 30 mil), quantia com o 
qual ele contribuiu para a aquisição. Os demais 85% (R$ 170 mil pertenceriam à esposa já que R$ 
100 mil foi doado pelo pai dela e R$ 70 mil veio do seu FGTS). 
No caso concreto, Eduardo alegou que, como o pai de Mônica não especificou para quem 
estava doando o dinheiro, presume-se que foi um presente para o casal. Essa tese foi aceita pelo 
STJ? Os R$ 100 mil doados pelo pai de Mônica devem se comunicar? No momento do divórcio, 
tanto Eduardo como Mônica terão direito à metade desse valor cada um? 
NÃO. No caso concreto, o valor doado pelo pai de Mônica não se comunica e não deve ser 
partilhado no momento do divórcio. Isso porque não existe qualquer prova de que essa doação 
tenha sido feita em favor em ambos os cônjuges. 
Ressalte-se que a doação foi feita sem nenhuma formalidade nem indicação de quem seria 
o beneficiário. Diante disso, presume-se que o pai tenha querido beneficiar apenas a filha, sua 
herdeira. Para que se considerasse que a doação foi para o casal, isso deveria ter sido dito de 
forma expressa. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 65 
 
Dessa forma, os R$ 100 mil doados pelo pai de Mônica deverão ficar com ela no momento 
do divórcio, já que não se comunicaram por não ter sido uma doação em favor de ambos os 
cônjuges (art. 1.660, III, do CC). 
Parte do imóvel adquirida com recursos do FGTS 
Eduardo argumentou também que o valor do FGTS, a partir do momento que foi utilizado 
para a aquisição do imóvel, passou a integrar o patrimônio comum do casal. Dessa forma, 
sustentou que, por isso, deveriam ser somadas as quantias de FGTS disponibilizadas por cada 
um dos cônjuges (30 dele e 70 dela) e divididas em partes iguais (50% para cada um). 
Mônica refutou a alegação, afirmando que esse saldo de FGTS utilizado para a compra foi 
constituído antes do casamento, ou seja, refere-se a períodos trabalhados pelos dois antes de se 
casarem. Em outras palavras, antes de se casarem, cada um deles trabalhou e os respectivos 
empregadores depositaram as quantias no FGTS. Por mais que eles tenham utilizado só depois 
do matrimônio, são relacionados a período pretérito. 
Qual das duas teses foi acolhida pelo STJ? 
A de Mônica. 
Diante do divórcio de cônjuges que viviam sob o regime da comunhão 
parcial de bens, não deve ser reconhecido o direito à meação dos valores 
que foram depositados em conta vinculada ao FGTS em datas anteriores à 
constância do casamento e que tenham sido utilizados para aquisição de 
imóvel pelocasal durante a vigência da relação conjugal. STJ. 2ª Seção. 
REsp 1.399.199-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. para acórdão Min. 
Luis Felipe Salomão, julgado em 9/3/2016 (Info 581). 
 
12.5. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS 
Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de 
TODOS os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, 
com as exceções do artigo seguinte. 
 
No regime da comunhão universal, nos termos dos arts. 1.667 e seguintes, opera-se uma 
fusão tanto do patrimônio anterior ao casamento como do patrimônio posterior ao casamento, 
inclusive, na forma da lei, as respectivas dívidas de cada um. Era o regime supletivo até a entrada 
em vigor da Lei do Divórcio. 
 
Art. 1.668. São excluídos da comunhão: 
I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e 
os sub-rogados em seu lugar; 
II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro 
fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; 
III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas 
com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; 
V - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a 
cláusula de incomunicabilidade; 
V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. 
 
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: 
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; 
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 66 
 
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes. 
 
Art. 1.670. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no 
Capítulo antecedente, quanto à administração dos bens. 
 
Art. 1.671. Extinta a comunhão, e efetuada a divisão do ativo e do passivo, 
cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores 
do outro. 
12.6. REGIME DE SEPARAÇÃO CONVENCIONAL DE BENS 
Neste regime, mediante escolha no pacto antenupcial, as partes mantêm a exclusividade do 
seu patrimônio e de sua administração ao longo do casamento. É previsto no art. 1.687 e 1.688. 
 
Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a 
administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá 
livremente alienar ou gravar de ônus real. 
 
Art. 1.688. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas 
do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, 
salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. 
 
12.7. RESUMO DOS REGIMES 
 
 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 67 
 
 
 
12.8. AUTORIZAÇÃO CONJUGAL 
12.8.1. Atos que NECESSITAM da vênia conjugal 
Determinados atos necessitam das chamadas outorgas uxória (mulher) ou marital (marido 
ou mulher). São as hipóteses previstas no art. 1.647, in verbis: 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648 (suprimento de outorga), 
nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime 
da separação absoluta: 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
OBS: O que seria essa “separação absoluta”? Separação LEGAL (OBRIGATÓRIA) ou 
CONVENCIONAL? Conforme Nelson Nery e Rosa Nery, para efeito de dispensa da autorização 
conjugal, a expressão ‘separação absoluta’ refere-se à separação convencional, pois, neste 
caso, não há patrimônio comum a ser defendido nos termos da Súmula 377 (na separação 
obrigatória há comunicação na constância do casamento) do STF. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 68 
 
Se o regime for de participação final nos aquestos, a autorização conjugal para 
alienar/gravar bens imóveis é necessária, salvo se houver dispensa no pacto. 
 
Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final 
nos aquestos, poder-se-á CONVENCIONAR a livre disposição dos bens 
imóveis, desde que particulares. 
 
Art. 1.647, 
II - pleitear, como autor (não é litisconsórcio) ou réu (é litisconsórcio), acerca 
desses bens ou direitos; 
III - prestar fiança ou aval; 
 
OBS: Quanto à fiança, a Súmula 332 do STJ afirma que a anulação da fiança prestada 
sem vênia conjugal implica a ineficácia total da garantia (e não referente apenas aos 50% do 
cônjuge que não anuiu) 
STJ Súmula nº 332 - A fiança prestada sem autorização de um dos 
cônjuges implica a ineficácia TOTAL da garantia. 
 
ATENÇÃO! A jurisprudência do STJ tem mitigado a incidênciada regra de nulidade integral 
(total) da fiança nos casos em que o fiador omite ou presta informação inverídica sobre o seu 
estado civil. Em tais hipóteses, deverá ser prestada apenas a meação do cônjuge cuja autorização 
não foi concedida, não se protegendo a parte do cônjuge que agiu de má-fé. 
Por fim, a Súmula 332 não se aplica à união estável. 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que 
possam integrar futura meação. 
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando 
casarem ou estabelecerem economia separada. 
 
Art. 1.648. Cabe ao juiz, nos casos do artigo antecedente, suprir a outorga, 
quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo, ou lhe seja 
impossível concedê-la. 
 
O juiz pode supri-la. 
Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária 
(art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge 
pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade 
conjugal. 
Parágrafo único. A aprovação torna válido o ato, desde que feita por 
instrumento público, ou particular, autenticado. 
 
Art. 1.650. A decretação de invalidade dos atos praticados sem outorga, 
sem consentimento, ou sem suprimento do juiz, só poderá ser demandada 
pelo cônjuge a quem cabia concedê-la, ou por seus herdeiros. 
 
Art. 1.651. Quando um dos cônjuges não puder exercer a administração dos 
bens que lhe incumbe, segundo o regime de bens, caberá ao outro: 
I - gerir os bens comuns e os do consorte; 
II - alienar os bens móveis comuns; 
III - alienar os imóveis comuns e os móveis ou imóveis do consorte, 
mediante autorização judicial. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 69 
 
Art. 1.652. O cônjuge, que estiver na posse dos bens particulares do outro, 
será para com este e seus herdeiros responsável: 
I - como usufrutuário, se o rendimento for comum; 
II - como procurador, se tiver mandato expresso ou tácito para os 
administrar; 
III - como depositário, se não for usufrutuário, nem administrador. 
12.8.2. Atos que PRESCINDEM da vênia conjugal 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a 
mulher podem livremente: 
I - praticar todos os atos de disposição e de administração necessários ao 
desempenho de sua profissão, com as limitações estabelecida no inciso I do 
art. 1.647 (alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis); 
II - administrar os bens próprios; 
III - desobrigar ou reivindicar os imóveis que tenham sido gravados ou 
alienados sem o seu consentimento ou sem suprimento judicial; 
IV - demandar a rescisão dos contratos de fiança e doação, ou a invalidação 
do aval, realizados pelo outro cônjuge com infração do disposto nos incisos 
III e IV do art. 1.647 (1647: III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação, não 
sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura 
meação  atos que exigem autorização conjugal); 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos 
pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não 
foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver separado 
de fato por mais de cinco anos; 
VI - praticar todos os atos que não lhes forem vedados expressamente. 
 
Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do 
outro: 
I - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica; 
II - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa 
exigir. 
 
Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam 
SOLIDARIAMENTE ambos os cônjuges. 
 
Art. 1.645. As ações fundadas nos incisos III, IV e V do art. 1.642 
(desobrigar ou reivindicar imóveis gravados ou alienados sem seu 
consentimento; demandar rescisão de fiança/aval e doação de bens 
comuns; reivindicar bens comuns doados ou transferidos ao concubino) 
competem ao cônjuge prejudicado e a seus herdeiros. 
 
Art. 1.646. No caso dos incisos III e IV do art. 1.642 (desobrigar ou 
reivindicar imóveis gravados ou alienados sem seu consentimento, 
demandar rescisão de fiança/aval e doação de bens comuns), o terceiro, 
prejudicado com a sentença favorável ao autor, terá direito regressivo 
contra o cônjuge, que realizou o negócio jurídico, ou seus herdeiros. 
 
O que é alienação parental? A alienação parental traduz a interferência indevida 
promovida por um dos genitores na formação psicológica da criança, com o objetivo de que o 
menor repudie o outro genitor, impondo-se, neste caso, ao infrator, sanções que vão de uma 
simples advertência à perda do poder familiar. 
13. DEVERES DO CASAMENTO 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 70 
 
Previsão legal: Arts. 1.565 e 1.566. 
 
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a 
condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da 
família. 
§ 1o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o 
sobrenome do outro. 
 
OBS: A jurisprudência, desde que não haja prejuízo, admite a possibilidade da supressão 
de patronímico na oportunidade do casamento. 
§ 2o O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao 
Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse 
direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas 
ou públicas. 
 
Reprodução da CF. Princípio da intervenção mínima do Direito de Família. 
 
Art. 1.566. São DEVERES de ambos os cônjuges: 
I - fidelidade recíproca; 
 
A quebra da fidelidade pode se dar de várias maneiras desonrosas, sendo a mais grave o 
adultério (que pressupõe conjunção carnal). 
Conceitos especiais envolvendo adultério: 
a) “Quase adultério”: Situação em que os parceiros, em comportamento de infidelidade, 
trocam carícias, beijos, enfim, preliminares do amor sem consumar o ato sexual. 
b) Adultério inocente (adultério casto ou de seringa): Trata-se do comportamento de 
infidelidade, sem conjunção carnal, por meio de reprodução assistida. 
c) Adultério precoce: Se dá quando o cônjuge abandona o outro logo em seguida à 
celebração do matrimônio. 
d) Adultério virtual: A expressão mais técnica seria infidelidade virtual. Essa forma de 
infidelidade, típica do século XXI, opera-se por meio de relações eletrônicas espúrias 
entre pessoas impedidas. 
OBS: O que se entende por família virtual? Expressão utilizada pelo professor Lourival 
Serejo no boletim IBDFAM n. 54, em que o autor diagnosticou a criação de comunidades virtuais 
que servem de ambiência para a formação de famílias fisicamente inexistentes, como se dá por 
meio do programa Second Life. 
II - vida em comum, no domicílio conjugal; 
 
Dever de coabitação. Não significa morar na mesma casa. Significa um cônjuge não 
abandonar o outro. Esse dever engloba o chamado debitum conjugale, que é o dever de 
prestação sexual. Alguns autores criticam a expressão dever sexual, pois afrontaria a DPH (como 
MBD). 
Na realidade se trata de um dever, mas não executável; não é uma prestação típica 
patrimonial. Mas tanto é um dever que o seu descumprimento enseja a separação judicial. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 71 
 
III - mútua assistência; 
 
Assistência moral e material (alimentos). 
IV - sustento, guarda e educação dos filhos; 
 
Na realidade se trata de um dever familiar. 
V - respeito e consideração mútuos. 
 
IV. DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO 
1. SISTEMA DUALISTA DE DISSOLUÇÃO 
1.1. DEFINIÇÃO 
O Direito Brasileiro apresentava um sistema binário/dualista de formas dissolutivas do 
casamento, composto por CAUSAS TERMINATIVAS e CAUSAS DISSOLUTIVAS 
PROPRIAMENTE DITAS, nos termos do 1.571 do CC, in verbis: 
CC Art. 1.571. A sociedade conjugal TERMINA (causas terminativas): 
I - pela morte de um dos cônjuges (é uma causa dissolutiva também); 
II- pela nulidade ou anulação do casamento (é rigorosamente uma causa 
desconstitutiva); 
III - pela separação judicial (ou em cartório – Lei 11.441/07); (terminativa 
propriamente dita) *Atenção à EC/66 
IV - pelo divórcio (é uma causa dissolutiva também). 
§ 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou 
pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto 
ao ausente. 
§ 2o Dissolvido o casamento pelo divórcio direto ou por conversão, o 
cônjuge poderá manter o nome de casado; salvo, no segundo caso, 
dispondo em contrário a sentença de separação judicial. 
1.2. CAUSAS TERMINATIVAS 
Atacam a SOCIEDADE CONJUGAL. Essas causas colocam fim ao regime de bens e aos 
deveres conjugais recíprocos (fidelidade, coabitação etc. - art. 1.566). 
OBS: o único dever que se mantém é a assistência recíproca. Esse dever só é atacado 
pelas causas dissolutivas. É exatamente por isso que, mesmo depois da separação, é possível 
fixar pensão alimentícia. 
Quatro são as causas TERMINATIVAS (que fulminam com a sociedade conjugal): 
a) Separação; (terminativa propriamente dita); 
b) Divórcio; (também é dissolutiva); 
c) Morte; (também é dissolutiva); 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 72 
 
d) Anulação ou nulidade do casamento (desconstitutiva). 
1.3. CAUSAS DISSOLUTIVAS 
Atacam não apenas a sociedade conjugal, mas também aniquilam o casamento (vínculo 
matrimonial). 
a) Divórcio; 
b) Morte. 
Conclusão: Das quatro causas terminativas, duas também são dissolutivas (divórcio e 
morte), enquanto outra é, na realidade, desconstitutiva do casamento (anulação/nulidade, que 
fulminam o casamento por motivo anterior a sua celebração, de forma a retornar ao ‘status quo 
ante’ – ver acima). 
Com efeito, existia apenas uma causa terminativa propriamente dita (encerrava a 
sociedade sem encerrar o vínculo), qual seja, a separação. 
Exatamente por isso que a separação era a única das causas que não permitia a 
celebração de novas núpcias. Em havendo reconciliação do casal, a sociedade conjugal poderia 
ser reativada por mera petição dirigida ao juiz. 
IMPORTANTE: A EC/66, pôs fim a esse sistema dual, extirpando a separação do sistema. 
Sobra apenas o divórcio, que não mais está submetido a qualquer lapso temporal, como era até 
2010. Com isso, temos uma simplificação de procedimentos. 
2. PONTOS POLÊMICOS DA DISSOLUÇÃO 
2.1. SOMENTE A MORTE REAL DISSOLVE O CASAMENTO? 
NÃO, o casamento também se dissolve com a morte presumida (tanto a COM ausência 
como a SEM ausência). 
A morte presumida SEM ausência é prevista no art. 7º do CC. 
CC Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, SEM decretação de 
ausência: 
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for 
encontrado até dois anos após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente 
poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, 
devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. 
 
Esse artigo precisa ser harmonizado com o art. 88 da Lei de Registros Públicos. 
 
LRP Art. 88. Poderão os Juízes togados admitir justificação para o assento 
de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, 
terremoto ou qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua 
presença no local do desastre e não for possível encontrar-se o cadáver 
para exame. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 73 
 
 
Ou seja, as pessoas que desapareceram em situações catastróficas terão morte 
presumida SEM ausência, a ser decretada pelo juiz, e não por um médico, como de ordinário 
ocorre. Morte presumida sem ausência = Morte real sem cadáver. 
A morte presumida sem ausência produz TODOS os efeitos da morte real. Dessa forma, a 
partir da decisão do juiz que decretar a morte, estará desfeito o vínculo conjugal. 
E a morte presumida COM ausência? Ver em parte geral. 
O art. 1.571, §1º, ‘in fine’ prevê que a dissolução do casamento também ocorre quando da 
decretação da morte presumida do ausente. Porém, o CC não diz em que momento do 
procedimento de ausência ocorre essa dissolução. 
Art. 1.571 § 1o O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos 
cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste 
Código quanto ao ausente. 
 
O procedimento de ausência compreende (art. 37 e ss. do CC): 
a) Curadoria dos bens do ausente (por no mínimo 01 ano); 
b) Sucessão provisória (por no mínimo 01 ano ou 03 anos); 
c) Sucessão definitiva (por no mínimo 10 anos). 
d) Fim do procedimento (10 anos após a definitiva ainda pode reaver). 
Tempo mínimo do procedimento: 11 anos. 
A doutrina majoritária aplica a disposição do art. 6º, ou seja, o casamento somente se 
dissolve na abertura da sucessão definitiva (11 anos depois da morte). 
Ora, comparando esses 11 anos com os 02 anos da separação de fato que permitia o 
divórcio direto, a regra da dissolução por morte presumida fica totalmente inócua. Ainda mais 
agora com a EC/66. 
O art. 1.571 §1º se refere à sucessão definitiva apenas em relação aos efeitos 
patrimoniais. Porém, a dissolução de casamento é uma relação existencial, de forma que deve 
ocorrer com a abertura da sucessão provisória, ou seja, 01 ano após a arrecadação dos bens e 
nomeação de curador. 
Concluindo: O casamento também se dissolve com a declaração de ausência. 
E se ausente reaparece quando já desconstituído o vínculo? A doutrina pacífica diz 
que o eventual retorno do ausente é irrelevante, vale dizer, NÃO REESTABELECE O VÍNCULO. 
Qual o estado civil do ausente, depois do seu eventual retorno? Pergunta sem 
resposta. 
2.2. ADMITE-SE A CUMULAÇÃO DE PEDIDOS NA AÇÃO ONDE SE BUSCA A 
DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO? 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 74 
 
O NCPC, em seu art. 317, permite a cumulação de pedidos, que pode ser própria (regida 
pela partícula ‘E’) ou imprópria (regida pela partícula ‘OU’). 
 
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, 
de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. 
 
A própria pode ser simples (quero isso e aquilo) ou sucessiva (quero isso e aquilo, sendo 
que ‘aquilo’ depende ‘disso’). 
A imprópria pode ser eventual (eu quero isso, se não me der isso, eu passo a querer 
aquilo) ou alternativa (eu quero isso ou aquilo). 
A única cumulação possível é a eventual (subsidiária), como no caso do cônjuge que pede 
a anulação e, em não sendo caso, pede o divórcio. 
Pode haver pedido de alimentos, guarda etc. 
OBS: aqui nos referimos a cumulação de pedidos no que diz respeito à dissolução. Mas no 
que diz respeito a pedidos de outra natureza, como, por exemplo, a reparação civil? Veremos 
abaixo (responsabilidade civil entre cônjuges). 
2.3. INTERESSE DE AGIR NA AÇÃO DE ANULAÇÃO/NULIDADE DO CASAMENTO 
A eventual separação ou divórcio não obsta que o interessado obtenha a anulação ou 
nulidade do casamento, haja vista se tratarem de pedidos distintos, baseados em causas de pedir 
distintas. 
Dessa forma, não há que se falar em falta de interesse de agir. 
3. SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO: CARACTERÍSTICAS MATERIAIS E PROCESSUAIS COMUNS 
3.1. NATUREZA PERSONALÍSSIMA DA MEDIDA 
Somente podem ser pleiteados pelo próprio cônjuge. Por conta disso, nessas ações não 
cabe intervenção de terceiros ou substituição processual. 
OBS: A Lei 6.515/77 (Lei do Divórcio) somente remanesce no que se refere a alguns 
dispositivos processuais. Dentre eles, o art. 3º expressamente estabelece a possibilidade de o 
cônjuge incapaz ser representado pelo curador, ascendente ou irmão, NESTA ORDEM. 
Frise-se: Não se trata de substituição processual, mas sim de representação processual 
(demanda em nomealheio, defendendo interesse alheio). 
E se o curador for o próprio cônjuge? Art. 72, I do NCPC: Interesses conflitantes entre 
curador e curatelado  Nomeação de curador especial pelo juiz. 
CPC/2015 
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao: 
I - incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste 
colidirem com os daquele, enquanto durar a incapacidade; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 75 
 
II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora 
certa, enquanto não for constituído advogado. 
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, 
nos termos da lei. 
3.2. POSSIBILIDADE DE DISPENSA DA PARTILHA DOS BENS (ART. 1.581 DO CC E 
SÚMULA 197 DO STJ). 
Art. 1.581. O divórcio (direto ou indireto/separação) pode ser concedido 
sem que haja prévia partilha de bens. 
 
Súmula 197: O divórcio (direto ou indireto/separação) pode ser concedido 
sem que haja prévia partilha dos bens. 
 
Nesse caso, todos os bens permanecem na titularidade de ambos os cônjuges. Eles 
continuam coproprietários e copossuidores de todos os bens. No dia que qualquer deles tiver 
interesse, deverão propor a ação de partilha, que poderá ser ajuizada A QUALQUER TEMPO - 
direito potestativo (art. 1.321 do CC). 
Art. 1.321. Aplicam-se à divisão do condomínio, no que couber, as regras de 
partilha de herança (arts. 2.013 a 2.022). 
 
Divorciados podem casar de novo. A eventual superveniência de casamento antes da 
partilha dos bens IMPLICA no regime de separação obrigatória de bens no novo matrimônio, com 
o fim de evitar uma promiscuidade patrimonial (art. 1.641 do CC). 
É uma causa suspensiva de casamento (art. 1.523, III do CC). Depois de realizada a 
partilha, o regime de bens do novo casamento pode ser alterado. 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: 
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas 
suspensivas da celebração do casamento; 
 
Art. 1.523. Não devem casar: 
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a 
partilha dos bens do casal; 
 
Em que pese a divergência da doutrina, essa possibilidade de dispensa de partilha pode 
ocorrer tanto na dissolução consensual quanto na litigiosa. No caso de dissolução litigiosa de alta 
complexidade, não raras vezes a melhor solução é dissolver o casamento e remeter às vias 
ordinárias a partilha dos bens. 
3.3. REVELIA NA SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO (ART. 345, II DO CPC/2015) 
As ações de família, como um todo, admitem revelia? SIM, lógico que sim. 
Porém, nesse caso, há um detalhe: Por se tratar de causa que discute direitos 
INDISPONÍVEIS, a revelia não produzirá o mais famoso de seus efeitos, qual seja, a 
presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor (art. 345, II do NCPC). 
NCPC 
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: 
I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; 
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 76 
 
 
IMPORTANTE: a rigor, o único efeito que decorre da revelia nas ações que envolvem 
direitos indisponíveis é a desnecessidade de intimação do revel para os atos processuais 
subsequentes. 
3.4. COMPETÊNCIA JUDICIAL PARA AS AÇÕES 
O art. 100,1, do CPC/1973, previa como competente o foro da residência da mulher 
para as ações de separação, conversão desta em divórcio e anulação de casamento. O art. 53, 
I, do Novo CPC trata do mesmo tema, mas de forma diferente e ampliada. Mais abrangente 
porque inclui entre as ações também a de reconhecimento ou dissolução de união estável. 
E diferente porque cria duas regras, a depender da existência de filho incapaz: havendo 
filho incapaz, a competência será do domicílio do guardião; não havendo, a competência 
será do foro do último domicílio do casal e se nenhuma das partes residir em tal domicílio 
a competência será do foro do domicílio do réu. 
O legislador preferiu não prestigiar, ao menos em regra, o domicílio atual de nenhum 
dos cônjuges, mas o último domicílio do casal. A norma pode até ter tido um bom propósito, 
mas certamente afastará, ao menos em parcela dos casos, a proteção dispensada à mulher 
na regra atualmente em trâmite. Basta para chegar a essa conclusão imaginar-se a situação 
da mulher mudando de domicílio e o marido continuando no último domicílio do casal. 
Ainda que se considere que, tradicionalmente, é o marido que deixa o lar, há muito 
tempo já não é mais essa uma realidade absoluta, sendo inúmeros os casos em que a mulher 
deixa o lar e, justamente para se afastar de forma significativa do marido, muda-se inclusive 
de cidade, hipótese na qual deixará de ter a proteção legal que tem atualmente. 
Com isso o legislador aparentemente adequa o dispositivo legal à previsão contida 
no art. 226, § 5°, da CF, que prevê a igualdade de direitos e deveres entre os cônjuges. 
3.5. USO DO SOBRENOME 
Regra Geral do Sistema: Art. 1.578 §1º e §2º do CC  a decisão sobre a manutenção do 
sobrenome é do próprio cônjuge que o adulterou. 
Só existe um caso em que o titular perde o direito de uso do sobrenome do cônjuge contra 
sua própria vontade: Art. 1.578 do CC. 
Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial 
perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente 
requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: 
I - evidente prejuízo para a sua identificação; 
II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da 
união dissolvida; 
III - dano grave reconhecido na decisão judicial. 
§ 1o O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a 
qualquer momento, ao direito de usar o sobrenome do outro. 
§ 2o Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de 
casado. 
 
Requisitos cumulativos para perda do sobrenome contra a vontade: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 77 
 
1) Pedido expresso; 
2) Culpa grave; 
3) Não prejuízo para a prole; 
4) Inexistência de prejuízo para o próprio titular. 
3.6. DIVISÃO DE FRUTOS DECORRENTES DE COISA COMUM 
Na separação e divórcio devem entrar na partilha, também, os frutos de bens comuns. 
Dessa forma, se um dos cônjuges está colhendo os frutos ISOLADAMENTE, deverá indenizar ao 
outro. 
Exemplo: Casal se separa e a mulher passa a morar sozinha no imóvel, enquanto marido 
sai de casa. Essa mulher está colhendo sozinha os frutos do imóvel, logo deverá pagar uma 
espécie de aluguel ao marido, sob pena de enriquecimento sem causa. 
Nada mais é do que uma interpretação do art. 1.319 a luz da dissolução do casamento. 
Art. 1.319. Cada condômino responde aos outros pelos frutos que percebeu 
da coisa e pelo dano que lhe causou. 
 
Não confundir esse ‘aluguel’ com a ‘taxa de ocupação’, que diz respeito ao que deve 
pagar o promitente comprador no contrato de compra e venda rescindido. 
3.7. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
Este é terreno fértil para a ocorrência da denominada desconsideração inversa, onde, 
verificando que sócio se valeu da pessoa jurídica para ocultar bens, o juiz atinge o patrimônio da 
empresa para alcançar o agente causador do dano. 
É o caso daquele cônjuge que é empresário e vai passando os bens comuns para a 
empresa e depois que passa o último bem decide se separar. Só que na empresa, somente 10% 
do capital é dele, pois, todo o resto ele já passou adiante. Ou seja, ocorrendo a separação, ele vai 
dividir esses 10% com a mulher e depois dá um jeito de pôr a mão de volta no capital desovado. 
Nesse caso, dada a confusão patrimonial ocorrida, pode haver a desconsideração da 
personalidade jurídica inversa (e objetiva – confusão patrimonial) para alcançar os bens da 
sociedade (que se locupletou indevidamente) para fimde dar a mulher o que lhe é de direito. 
Essa desconsideração não pode ser decretada de ofício: depende de requerimento do 
interessado ou do MP ‘cutos legis’. Está prevista no NCPC. 
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será 
instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber 
intervir no processo. 
§ 1o O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os 
pressupostos previstos em lei. 
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração 
inversa da personalidade jurídica. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 78 
 
3.8. PARTILHA DE BENS 
a) Bens adquiridos a título eventual: Todos entram na partilha. Exemplo: Prêmio de 
Loteria, aluvião, avulsão. 
b) Bens adquiridos com FGTS: Tudo que foi adquirido com dinheiro do FGTS entra na 
partilha. 
ATENÇÃO! FGTS anterior ao casamento não entra na partilha, apenas o que foi 
depositado durante o casamento. 
c) Imóvel financiado: Todos os valores (parcelas) pagos na constância do casamento 
devem ser partilhados. 
Exceção: regime da separação convencional de bens. Lembrar que na separação absoluta 
(obrigatória) os bens se comunicam na constância do casamento. 
3.9. GUARDA UNILATERAL E COMPARTILHADA (ART. 1.583 E 1.584) 
3.9.1. Espécies de guarda 
Existem quatro espécies de guarda, duas delas estão previstas no Código Civil e duas 
outras são criações da doutrina que, apesar de não serem fixadas judicialmente, algumas vezes 
são verificadas na prática. 
a) UNILATERAL (EXCLUSIVA): 
Ocorre quando o pai ou a mãe fica com a guarda e a outra pessoa possuirá apenas o 
direito de visitas. 
Segundo a definição do Código Civil, a guarda unilateral é aquela “atribuída a um só dos 
genitores ou a alguém que o substitua” (art. 1.583, § 1º). 
Ainda hoje é bastante comum. 
Ex: João e Maria se divorciaram; ficou combinado que Maria ficará com a guarda da filha 
de 5 anos e o pai tem direito de visitas aos finais de semana. 
Vale ressaltar que, se for fixada a guarda unilateral, o pai ou a mãe que ficar sem a guarda 
continuará com o dever de supervisionar os interesses dos filhos. Para possibilitar tal supervisão, 
qualquer dos genitores sempre será parte legítima para solicitar informações e/ou prestação de 
contas, objetivas ou subjetivas, em assuntos ou situações que direta ou indiretamente afetem a 
saúde física e psicológica e a educação de seus filhos (§ 5º do art. 1.583). 
Pensando nisso, a Lei n. 13.058/2014 acrescentou no art. 1.583 do Código Civil o § 6º 
prevendo que os estabelecimentos públicos e privados são obrigados a prestar informações a 
qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos reais) a 
R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia pelo não atendimento da solicitação. 
b) COMPARTILHADA (CONJUNTA): 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 79 
 
Ocorre quando o pai e a mãe são responsáveis pela guarda do filho. 
A guarda é de responsabilidade de ambos e as decisões a respeito do filho são tomadas 
em conjunto, baseadas no diálogo e consenso. 
Segundo o Código Civil, entende-se por guarda compartilhada “a responsabilização 
conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto, 
concernentes ao poder familiar dos filhos comuns.” (Art. 1.583, § 1º). 
É considerada a melhor espécie de guarda porque o filho tem a possibilidade de conviver 
com ambos e os pais, por sua vez, sentem-se igualmente responsáveis. 
Vale ressaltar que nessa espécie de guarda, apesar de tanto o pai como a mãe possuírem 
a guarda, o filho mora apenas com um dos dois. 
Ex.: João e Maria se divorciaram; ficou combinado que a filha do casal ficará morando com 
a mãe; apesar disso, tanto Maria como João terão a guarda compartilhada (conjunta) da criança, 
de forma que ela irá conviver constantemente com ambos e as decisões sobre ela serão tomadas 
em conjunto pelos pais. 
c) ALTERNADA 
Ocorre quando o pai e a mãe se revezam em períodos exclusivos de guarda, cabendo ao 
outro direito de visitas. 
Em outras palavras, é aquela na qual durante alguns dias a mãe terá a guarda exclusiva e, 
em outros períodos, o pai terá a guarda exclusiva. 
Ex: João e Maria se divorciaram; ficou combinado que durante uma semana a filha do 
casal ficará morando com a mãe (e o pai não pode interferir durante esse tempo) e, na semana 
seguinte, a filha ficará vivendo com o pai (que terá a guarda exclusiva nesse período). 
“Essa forma de guarda não é recomendável, eis que pode trazer confusões psicológicas à 
criança. Com tom didático, pode-se dizer que essa é a guarda pingue-pongue, pois a criança 
permanece como cada um dos genitores por períodos ininterruptos. Alguns a denominam como a 
guarda do mochileiro, pois o filho sempre deve arrumar a sua malinha ou mochila para ir à outra 
casa. É altamente inconveniente, pois a criança perde seu referencial, recebendo tratamentos 
diferentes quando na casa paterna e na materna.” (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito 
Civil. Volume único. São Paulo: Método, 2013, p. 1224). 
d) ANINHAMENTO (NIDAÇÃO) 
Ocorre quando a criança permanece na mesma casa onde morava e os pais, de forma 
alternada, se revezam na sua companhia. 
Assim, é o contrário da guarda alternada, já que são os pais que, durante determinados 
períodos, se mudam. 
Ex: João e Maria se divorciaram; ficou combinado que a filha do casal ficará morando no 
mesmo apartamento onde residia e no qual já possui seus amiguinhos na vizinhança. Durante 
uma semana, a mãe ficará morando no apartamento com a criança (e o pai não pode interferir 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 80 
 
durante esse tempo). Na semana seguinte, a mãe se muda temporariamente para outro lugar e o 
pai ficará vivendo no apartamento com a filha. 
Defendida por alguns como uma forma de a criança não sofrer transtornos psicológicos por 
ter que abandonar o meio em que já vivia e estava familiarizada. Apesar disso, é bastante rara 
devido aos inconvenientes práticos de sua implementação. 
A palavra “aninhamento” vem de “aninhar”, ou seja, colocar em um ninho. Transmite a 
ideia de que a criança permanecerá no mesmo ninho (mesmo lar) e os seus pais é quem se 
revezarão em sua companhia. 
Como já dito acima, o Código Civil somente fala em unilateral ou compartilhada (art. 
1.583), mas as demais espécies também existem na prática. 
3.9.2. Como é definida a espécie de guarda que será aplicada? 
a) A guarda será definida por consenso entre o pai e a mãe; ou 
b) se não houver acordo, será decretada pelo juiz. 
Quando o magistrado for fixar a guarda, deverá levar em consideração as necessidades 
específicas do filho e a distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e a mãe. 
3.9.3. Sempre que possível, deve ser tentada a conciliação 
Em sede de medida cautelar de separação de corpos, em sede de medida cautelar de 
guarda ou em outra sede de fixação liminar de guarda, a decisão sobre guarda de filhos, mesmo 
que provisória, será proferida preferencialmente após a oitiva de ambas as partes perante o juiz, 
salvo se a proteção aos interesses dos filhos exigir a concessão de liminar sem a oitiva da outra 
parte (art. 1.585 do CC). 
Na audiência de conciliação, o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda 
compartilhada, a sua importância, a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as 
sanções pelo descumprimento de suas cláusulas (§ 1º do art. 1.584) como uma forma de 
estimular o acordo. 
3.9.4. Caso não tenha havido acordo, qual é a espécie de guarda que o juiz deverá 
preferencialmente determinar? 
Essa foi uma das alterações impostas pela Lei n. 13.058/2014. 
Com a novidade legislativa, a situação agora passa a ser a seguinte:Regra: quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, o juiz irá 
aplicar a guarda compartilhada. 
Exceções: 
Não será aplicada a guarda compartilhada se: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 81 
 
a) um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar; ou 
b) um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor. 
3.9.5. Posição da doutrina 
Antes mesmo de ser sancionada a lei, o projeto de lei já recebeu críticas de diversos 
doutrinadores. Isso porque ela praticamente impõe aos pais algo que, na prática, não funciona se 
não for consensual. 
A guarda compartilhada exige como pressuposto que haja um mínimo de convivência 
harmônica entre os pais, já que as decisões a respeito do filho deverão ser tomadas em conjunto, 
com base no diálogo e consenso. 
Ora, se os pais da criança não gozam de uma relação harmoniosa, é extremamente 
improvável que consigam dialogar e decidir, de forma amistosa, pontos conflituosos em relação ao 
filho, como, por exemplo, a escola em que ele irá estudar, o tempo que cada um passará com a 
criança, as obrigações de cada genitor etc. 
Na guarda compartilhada muito pouco adianta que tais cláusulas sejam impostas pelo juiz 
porque o Poder Judiciário não terá condições de acompanhar, na prática, o cumprimento de tais 
medidas e a sua efetividade será mínima se não houver disposição e compromisso dos pais em 
respeitá-las. 
Enfim, apesar de a guarda compartilhada ser a espécie ideal, ela tem que ser conquistada 
com a conscientização e nunca pela imposição, o que gerará um efeito inverso e talvez acirre o 
relacionamento já desgastado dos pais da criança. 
3.9.6. Regras sobre a guarda compartilhada trazidas pela lei 
Além de fixar a guarda compartilhada como prioridade, a lei também trouxe algumas regras 
para disciplinar essa espécie de guarda. Vejamos: 
a) Tempo de convivência 
Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma 
equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os interesses 
dos filhos (§ 2º do art. 1.583). 
b) Orientação técnico-profissional 
Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda 
compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá basear-se em 
orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar, que deverá visar à divisão equilibrada 
do tempo com o pai e com a mãe (§ 3º do art. 1.584 do CC). 
Assim, com a ajuda de psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, o juiz já 
deverá estabelecer as atribuições que caberão a cada um dos pais e o tempo de convivência com 
o filho. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 82 
 
Ex: João irá buscar o filho no colégio todos os dias às 12h; no período da tarde, a criança 
continuará na companhia do pai e às 18h, ele deverá deixá-lo na casa da mãe. 
3.9.7. E se os pais morarem em cidades diferentes? 
A Lei estabeleceu que a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que 
melhor atender aos interesses dos filhos (§ 3º do art. 1.584). 
3.9.8. Dever de os estabelecimentos públicos e privados prestarem informações aos pais 
Tanto na guarda compartilhada como na guarda unilateral, tanto o pai como a mãe 
possuem o direito de acompanhar e fiscalizar a educação e saúde de seus filhos. 
Pensando nisso, e a fim de evitar qualquer embaraço, a Lei n. 13.058/2014 acrescentou o 
§ 6º ao art. 1.584 do CC, com a seguinte redação: 
§ 6º Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar 
informações a qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de 
multa de R$ 200,00 (duzentos reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia 
pelo não atendimento da solicitação. 
 
Essa regra vale mesmo que o pai (ou a mãe) que esteja requerendo a informação não 
detenha a guarda do filho. Ex: João e Maria divorciaram-se e a mãe ficou com a guarda exclusiva 
da criança; determinado dia, João foi até o colégio de sua filha para ter acesso às notas do 
boletim escolar, tendo a escola negado acesso afirmando que somente a mãe poderia obtê-lo. 
Esse estabelecimento de ensino poderá ser multado na forma do § 6º do art. 1.584 do CC. O 
mesmo vale para um hospital, por exemplo. 
Essa multa deve ser cobrada na via judicial (Justiça Estadual / Vara de Família), devendo o 
pai (ou a mãe) comprovar que fez a solicitação não atendida. 
3.9.9. Descumprimento das regras 
A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda 
unilateral ou compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. 
(§ 4º do art. 1.584). 
3.9.10. A guarda pode ser deferida para outra pessoa que não seja o pai ou a mãe? 
SIM. Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe, 
deferirá a guarda a pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida, considerados, 
de preferência, o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade (§ 5º do art. 1.584). 
O exemplo mais comum dessa situação é a guarda atribuída aos avós. 
3.9.11. Poder familiar 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 83 
 
Por fim, a Lei n. 13.058/2014 alterou o art. 1.634 do Código Civil, que trata sobre o poder 
familiar. Vejamos o que mudou: 
Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação 
conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos 
filhos: 
 
A redação do caput do art. 1.634 foi apenas atualizada, não tendo havido modificação 
substancial. 
I - dirigir-lhes a criação e a educação; 
 
Não houve alteração, sendo exatamente a mesma redação do inciso I anterior. 
II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; 
 
A redação desse inciso II foi melhorada, suprimindo a expressão “companhia” que não era 
adequada, mantendo-se apenas “guarda”. 
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; 
 
Não houve alteração, sendo exatamente a mesma redação do inciso III anterior. 
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior; 
 
Trata-se de novidade no Código Civil. Vale ressaltar, no entanto, que esse consentimento 
já era exigido no ECA. Confira: 
ECA Art. 83. Nenhuma criança poderá viajar para fora da comarca onde 
reside, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa 
autorização judicial. 
(...) 
ECA Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é 
dispensável, se a criança ou adolescente: 
I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; 
II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo 
outro através de documento com firma reconhecida. 
 
V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua 
residência permanente para outro Município; 
 
Trata-se de novidade no Código Civil. 
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro 
dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder 
familiar; 
 
Houve apenas alteração da numeração do inciso, sendo exatamente a mesma redação do 
inciso IV anterior. Confira: 
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, 
nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem 
partes, suprindo-lhes o consentimento; 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 84 
 
Não houve alteração substancial, sendo praticamente a mesma redação do inciso V 
anterior. 
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 
 
Houve apenas alteração da numeração do inciso, sendo exatamente a mesma redação do 
inciso VI anterior. 
IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de 
sua idade e condição. 
 
Houve apenas alteração da numeraçãodo inciso, sendo exatamente a mesma redação do 
inciso VII anterior. 
3.10. RESPONSABILIDADE CIVIL ENTRE CÔNJUGES 
Um dos maiores problemas surgidos com a promulgação da Emenda Constitucional 
66/2010 refere-se à viabilidade jurídica de discussão da culpa para dissolver o casamento, em 
sede de ação de divórcio. O debate, as reflexões e o tempo devem sanar tais dificuldades. Pelo 
menos é o que se espera. 
Até o presente momento, parece prevalecer, principalmente entre os juristas que compõem 
o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a tese de impossibilidade de discussão da 
culpa em sede de ação de divórcio. Assim, se posicionam, por exemplo, Rodrigo da Cunha 
Pereira, Paulo Lôbo, Maria Berenice Dias, Rolf Madaleno, Giselda Maria Fernandes Novaes 
Hironaka, José Fernando Simão, Antonio Carlos Mathias Coltro, Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo 
Pamplona Filho, Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald. 
Para essa corrente, desaparecendo a separação judicial, com ela foi a culpa, não sendo 
possível a sua discussão em sede de ação de divórcio para dissolver o casamento. Argumenta-se 
que a culpa é algo que apenas gera uma injustificada demora processual em se colocar fim ao 
vínculo, violando o seu debate a dignidade da pessoa humana (art. 1.º, III, da CF/1988). Ademais, 
passa a existir um direito potestativo com a extinção do casamento. 
Tartuce defende posição intermediária, pois se deve admitir a discussão da culpa em 
casos excepcionais, de maior gravidade. Por essa forma de pensar estão mantidos os deveres do 
casamento (art. 1.566 do CC), pela sua aceitação pelo senso comum em geral. Conserva-se 
ainda um modelo dualista, com e sem culpa, como ocorre com outros ramos do Direito Civil, caso 
do direito contratual e da responsabilidade civil. Em reforço, a culpa gera consequências para a 
responsabilidade civil dos cônjuges e os alimentos, conforme ainda será aprofundado. 
Por esse caminho de conclusão, o divórcio poderá ser litigioso – com pretensão de 
imputação de culpa – ou consensual – sem discussão de culpa. Deve ficar claro que, para este 
autor, está mantida a ideia de mitigação da culpa – na esteira da doutrina e da jurisprudência 
anterior –, em algumas situações, como nos casos de culpa recíproca dos cônjuges ou de sua 
difícil investigação, a tornar o processo tormentoso para as partes. Do mesmo modo, é possível a 
mitigação da culpa em situações de fim do amor ou de deterioração factual do casamento, 
decretando-se agora o divórcio por mera causa objetiva. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 85 
 
Consigne-se que essa tendência de afastamento da culpa como motivo da separação de 
igual modo foi observada pela aprovação de enunciado doutrinário na III Jornada de Direito Civil. 
Conforme proposta do desembargador do TJRS e membro do IBDFAM, Luiz Felipe Brasil 
Santos, foi aprovado o Enunciado n. 254 do CJF/STJ: 
“Formulado o pedido de separação judicial com fundamento na culpa (art. 
1.572 e/ou art. 1.573 e incisos), o juiz poderá decretar a separação do casal 
diante da constatação da insubsistência da comunhão plena de vida (art. 
1.511) – que caracteriza hipótese de ‘outros fatos que tornem evidente a 
impossibilidade da vida em comum’ – sem atribuir culpa a nenhum dos 
cônjuges”. 
 
De fato, em muitas situações é difícil ou até impossível a prova de quem, realmente, foi o 
culpado pelo fim do casamento ou pela quebra da afetividade. Em casos tais, deve-se decretar o 
divórcio do casal, postergando para outras demandas o debate da culpa, se for o caso. Julga-se 
de forma antecipada e parcial o mérito, conforme está consagrado pelo art. 356 do Novo CPC. 
Para encerrar o tópico, pelas razões a seguir expostas, a culpa não só pode como deve 
ser discutida em algumas situações complexas que envolvem o casamento, notadamente para os 
fins de atribuição de responsabilidade civil ao cônjuge e fixação dos alimentos. 
4. SEPARAÇÃO DE CORPOS 
A separação de corpos é uma medida judicial que tem por escopo a saída ou a retirada de 
um dos cônjuges do lar conjugal, por autorização judicial, espontânea ou compulsoriamente. 
Essa medida estava prevista expressamente no art. 888, inciso VI do antigo CPC, segundo 
o qual o juiz poderá ordenar ou autorizar, na pendência da ação principal, ou, antes de sua 
propositura, o afastamento temporário de um dos cônjuges da morada do casal. 
O CPC 2015 não prevê, expressamente, a separação de corpos, mas unificou os 
procedimentos. A nova legislação regulamentou o que já era praticado em diversas varas de 
família. 
Assim, basta entrar com a ação cautelar de separação de corpos e, no prazo de 30 dias, 
ajuizar, nos mesmos autos, a ação principal de divórcio ou de dissolução de entidade familiar ou 
outra ação que for mais adequada ao caso concreto. Portanto, não haverá mais duas custas 
processuais e dois desnecessários processos. Em um único processo discutirá a medida cautelar 
e a ação principal. 
A separação de corpos tem a finalidade de evitar o convívio com o outro cônjuge e poderá 
acontecer quando um dos dois quiser, e no momento do pedido de divórcio ou de dissolução de 
união estável. A medida também é utilizada em casos de agressão. 
Nesta situação, o cônjuge agredido pode pedir para sair do lar conjugal ou a retirada do 
cônjuge agressor. 
5. SEPARAÇÃO DE FATO 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 86 
 
5.1. CONCEITO 
É uma situação não jurídica, mas um estado de ânimo das partes. É a ruptura da 
convivência, da conjugalidade. 
Essa separação se dá sob o prisma FÁTICO e não JURÍDICO. Esta ruptura da 
convivência, embora fática, produz vários efeitos JURÍDICOS. 
5.2. EFEITOS DA SEPARAÇÃO DE FATO 
Os efeitos são os seguintes: 
a) Contagem do prazo para o divórcio direto; 
b) Permissão para caracterização da união estável (uma pessoa casada, embora 
separada de fato, pode constituir união estável - art. 1.723, §1º); 
c) Cessação do regime de bens - POLÊMICA; 
d) Perda do direito sucessório (art. 1.830) – POLÊMICA. 
5.2.1. Contagem do prazo para o divórcio direto 
CC Art. 1.580. Decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que 
houver decretado a separação judicial, ou da decisão concessiva da medida 
cautelar de separação de corpos, qualquer das partes poderá requerer sua 
conversão em divórcio. 
§ 1o A conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges será 
decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a 
determinou. 
§ 2o O divórcio poderá ser requerido, por um ou por ambos os cônjuges, no 
caso de comprovada SEPARAÇÃO DE FATO por mais de dois anos. 
5.2.2. Permissão para caracterização da união estável (uma pessoa casada, embora 
separada de fato, pode constituir união estável - art. 1.723, §1º). 
CC Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o 
homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do 
art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa 
casada se achar SEPARADA DE FATO OU JUDICIALMENTE. 
 
Art. 1.521. Não podem casar: 
... 
VI - as pessoas casadas; 
5.2.3. Cessação do regime de bens  POLÊMICA. 
O STJ, no Resp. 555.771, definiu que a separação de fato põe fim ao regime de bens. A 
polêmica existe, pois essa interpretação vai contra a absurda redação do art. 1.642, V do CC, in 
verbis: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 87 
 
CC Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto 
a mulher podem livremente 
... 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos 
pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não 
foram adquiridospelo esforço comum destes, se o casal estiver separado 
de fato por mais de cinco anos; 
 
O que diz o artigo? Somente depois de 05 anos de separação de fato é que o regime 
cessa. 
Um artigo sem nenhum sentido. O sujeito já pode até estar em união estável com outra 
pessoa, e ainda assim terá que dividir seus bens. 
Em suma: a simples separação de fato põe fim ao regime de bens, cessando a comunhão 
de todo e qualquer bem adquirido posteriormente, salvo a hipótese de sub-rogação de bens. 
STJ: “não faz jus à meação de bens havidos pelo marido na qualidade de irmão o cônjuge 
que se encontrava separado de fato quando transmitida a herança. Tal fato ocasionaria 
enriquecimento sem causa, porquanto o patrimônio foi adquirido individualmente, sem qualquer 
colaboração do cônjuge”. 
5.2.4. Perda do direito sucessório (art. 1.830)  POLÊMICA 
CC Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge 
sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados 
judicialmente, nem separados de fato HÁ MAIS DE DOIS ANOS, salvo 
prova, neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem 
culpa do sobrevivente. 
 
O CC diz que, mesmo que haja separação de fato há mais de 02 anos quando da abertura 
da sucessão, o cônjuge sobrevivente terá direito à herança, desde que prove que a culpa da 
separação foi do outro cônjuge, ou seja, do morto. É a chamada CULPA MORTUÁRIA ou CULPA 
FUNERÁRIA (culpa do morto). 
IMPORTANTE! INFORMATIVO 573 DO STJ 
 
# Se a pessoa morrer e for casada, o cônjuge terá direito à herança? O cônjuge é 
herdeiro? SIM. O cônjuge é herdeiro necessário (art. 1.845 do CC). 
Exceção: 
O cônjuge não será herdeiro se, quando houve a morte, o casal estava separado há mais 
de dois anos, nos termos do art. 1.830 do CC: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 88 
 
Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge 
sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados 
judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, 
neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do 
sobrevivente. 
Resumindo: 
 Regra 1: o cônjuge sobrevivente (viúvo/viúva) tem direito sucessório. 
 Regra 2: o cônjuge sobrevivente (viúvo/viúva) não terá direito sucessório se, quando seu 
(ua) esposo (a) morreu, eles estavam separados judicialmente ou divorciados. 
 Regra 3: o cônjuge sobrevivente não terá direito sucessório se, quando seu (ua) esposo 
(a) morreu, eles estavam separados de fato há mais de dois anos. 
 Exceção à regra 3: o cônjuge sobrevivente, mesmo estando separado de fato há mais 
de dois anos no momento da morte, continuará tendo direito sucessório se ele (cônjuge 
sobrevivente) não teve culpa pela separação de fato. 
 O art. 1.830 do CC fala em "culpa" e a doutrina brasileira possui ojeriza (aversão) à culpa 
nas relações familiares. Diante disso, indaga-se: esse dispositivo continua válido e sendo aplicável 
pela jurisprudência? 
SIM. Ocorrendo a morte de um dos cônjuges após dois anos da separação de fato do 
casal, é legalmente relevante, para fins sucessórios, a discussão da culpa do cônjuge 
sobrevivente pela ruptura da vida em comum. 
Assim, o STJ continua aplicando o art. 1.830 do CC, que permanece válido. 
Críticas da doutrina 
Como já dito, esse dispositivo é amplamente criticado pela doutrina brasileira, 
principalmente, no que diz respeito à possibilidade de discussão de culpa como requisito para se 
determinar a exclusão ou não do cônjuge sobrevivente da ordem de vocação hereditária. 
Rolf Madaleno, por exemplo, em texto carregado de ironia, fala que o art. 1.830 institui a 
“culpa mortuária” ou "culpa funerária", ressaltando a dificuldade de produção da prova após o 
falecimento de um dos cônjuges, que poderá gerar longas e desgastantes discussões processuais 
(Rolf Madaleno, A concorrência sucessória e o trânsito processual: a culpa mortuária., In: Revista 
brasileira de direito de família, v. 7, n. 29, p. 144-151, abr./maio 2005). 
Paulo Lôbo sustenta que a imputação da culpa do falecido pela separação de fato viola os 
princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, impedindo que o falecido possa 
contraditar a acusação de culpa (Direito Civil: Sucessões. São Paulo: Saraiva, 2014). 
Francisco José Cahali e Giselda Hironaka são também críticos da previsão e observam 
que a imputação de culpa para fins de direito sucessório representa verdadeiro retrocesso, 
principalmente diante da EC 66/2010, que trouxe a possibilidade da dissolução do casamento 
diretamente por divórcio sem observação de tempo mínimo de convivência ou discussão de culpa 
(CAHALI, Francisco José; HIRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Direito das Sucessões. 
5ª ed. São Paulo: RT, 2014). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 89 
 
Apesar disso, o STJ considerou que não há que se falar em ilegalidade ou impertinência 
da discussão da culpa no vigente direito sucessório, devendo ser mantida a aplicação do art. 
1.830 do CC para os casos em que ele regular. 
Qual será o parâmetro utilizado pelo juiz para aferir a culpa de que trata o art. 1.830 do 
CC? 
O magistrado deverá utilizar como critérios os motivos elencados no art. 1.573 do CC, que 
caracterizam a impossibilidade da comunhão de vida: 
Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a 
ocorrência de algum dos seguintes motivos: 
I - adultério; 
II - tentativa de morte; 
III - sevícia ou injúria grave; 
IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; 
V - condenação por crime infamante; 
VI - conduta desonrosa. 
Parágrafo único. O juiz poderá considerar outros fatos que tornem evidente 
a impossibilidade da vida em comum. 
 
De quem é o ônus de provar a culpa mencionada no art. 1.830 do CC? O cônjuge 
sobrevivente é quem deverá provar que não teve culpa? Ou os demais herdeiros interessados 
(exs: filhos, irmãos etc.) na herança é que deverão provar que o falecido não teve culpa? 
O ônus da prova é do cônjuge sobrevivente. 
O cônjuge sobrevivente é que deverá provar que não teve culpa pela separação. Ele que 
terá que comprovar que a convivência se tornou impossível sem culpa sua. 
Se o cônjuge sobrevivente não conseguir provar isso, ele não terá direito à herança. Isso 
se justifica porque, conforme se verifica da ordem de vocação hereditária prevista no art. 1.829 do 
CC/2002, o cônjuge separado de fato é exceção à ordem de vocação. 
Assim, em regra, o cônjuge separado há mais de dois anos não é herdeiro, salvo se ele 
(cônjuge sobrevivente) provar que não teve culpa pela separação. 
Resumindo: 
Ocorrendo a morte de um dos cônjuges após dois anos da separação de fato do casal, é 
legalmente relevante, para fins sucessórios, a discussão da culpa do cônjuge sobrevivente pela 
ruptura da vida em comum, cabendo a ele o ônus de comprovar que a convivência do casal se 
tornara impossível sem a sua culpa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.513.252-SP, Rel. Min. Maria Isabel 
Gallotti, julgado em 3/11/2015 (Info 573). 
6. DIVÓRCIO 
6.1. EVOLUÇÃO E CONCEITO 
É a dissolução do VÍNCULO matrimonial, encerrando também a SOCIEDADE conjugal (se 
esta ainda não havia sido terminada). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 90 
 
O divórcio surgiu com a EC 09/77. Até então só existia o “desquite” (equivalente à 
separação), que só colocava fim à sociedade conjugal. Vale dizer: As pessoas não podiam 
realizar novas núpcias. 
Regulamentando o permissivo constitucional, foi editada a Lei 6.515/77 (Lei do Divórcio). 
De lá para cá ele vem sendo facilitado. 
Somente em 1988 o divórcio perdeu seu caráter de excepcionalidade. Até CF/88, só era 
possível UM divórcio por pessoa. Se esse divorciado se casasse com uma solteira, tirava dela a 
oportunidadede se divorciar. Isso era a UNICIDADE DO DIVÓRCIO. 
Atualmente, a pessoa pode se divorciar quantas vezes possa casar, podendo fazê-lo, 
inclusive, extrajudicialmente, nos termos do art. 733 do NCPC. 
Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção 
consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e 
observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura 
pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. 
 
 
 No Brasil existiam duas espécies de divórcio: divórcio direto e divórcio indireto (EC 66/2010 
acabou com esta distinção) 
6.2. DIVÓRCIO LITIGIOSO 
Sempre será em juízo (procedimento comum ordinário). 
Antes do Novo CPC, o divórcio litigioso se submetia ao procedimento comum ordinário, ou 
seja, seguia as regras comuns do CPC. 
Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos 
de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, 
guarda, visitação e filiação. 
Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de 
criança ou de adolescente observarão o procedimento previsto em 
legislação específica, aplicando-se, no que couber, as disposições deste 
Capítulo. 
Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para 
a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de 
profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e 
conciliação. 
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a 
suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação 
extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar. 
Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as 
providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu 
para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o 
disposto no art. 694. 
§ 1o O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à 
audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, 
assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo. 
§ 2o A citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da 
data designada para a audiência. 
§ 3o A citação será feita na pessoa do réu. 
§ 4o Na audiência, as partes deverão estar acompanhadas de seus 
advogados ou de defensores públicos. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 91 
 
Art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas 
sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, 
sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do 
direito. 
Art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as 
normas do procedimento comum, observado o art. 335. 
Art. 698. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá 
quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à 
homologação de acordo. 
Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a 
abuso ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, 
deverá estar acompanhado por especialista. 
 
6.3. DIVÓRCIO CONSENSUAL 
Pode ser obtido em cartório (procedimento administrativo) ou em juízo (procedimento de 
jurisdição voluntária). 
NCPC Art. 731. A homologação do divórcio ou da separação consensuais, 
observados os requisitos legais, poderá ser requerida em petição assinada 
por ambos os cônjuges, da qual constarão: 
I - as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; 
II - as disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; 
III - o acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e 
IV - o valor da contribuição para criar e educar os filhos. 
Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, 
far-se-á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos 
arts. 647 a 658. 
Art. 732. As disposições relativas ao processo de homologação judicial de 
divórcio ou de separação consensuais aplicam-se, no que couber, ao 
processo de homologação da extinção consensual de união estável. 
Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção 
consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e 
observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura 
pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. 
§ 1o A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil 
para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância 
depositada em instituições financeiras. 
§ 2o O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem 
assistidos por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e 
assinatura constarão do ato notarial. 
Art. 734. A alteração do regime de bens do casamento, observados os 
requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição 
assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que 
justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros. 
§ 1o Ao receber a petição inicial, o juiz determinará a intimação do Ministério 
Público e a publicação de edital que divulgue a pretendida alteração de 
bens, somente podendo decidir depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) 
dias da publicação do edital. 
§ 2o Os cônjuges, na petição inicial ou em petição avulsa, podem propor ao 
juiz meio alternativo de divulgação da alteração do regime de bens, a fim de 
resguardar direitos de terceiros. 
§ 3o Após o trânsito em julgado da sentença, serão expedidos mandados de 
averbação aos cartórios de registro civil e de imóveis e, caso qualquer dos 
cônjuges seja empresário, ao Registro Público de Empresas Mercantis e 
Atividades Afins. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 92 
 
O CPC exige um requisito objetivo: CONSENSO, vontade das partes, independentemente 
da existência de filhos menores incapazes. 
Se as partes chegaram a um consenso sobre as cláusulas do divórcio, mesmo que exista 
interesse de incapazes, o procedimento de jurisdição voluntária poderá ser utilizado. 
Impossibilidade de recusa pelo juiz e a impossibilidade de retratação pelas partes, após a 
audiência de reconciliação. 
* CLÁUSULAS OBRIGATÓRIAS QUE DEVEM CONSTAR DO DIVÓRCIO CONSENSUAL 
EM JUÍZO (além da certidão de casamento e do contrato antenupcial, se houver): 
1) Ajuste sobre a partilha dos bens do casal (possibilidade de manutenção dos bens em 
condomínio). 
Obs: é possível celebrar o divórcio sem a partilha de bens (Súmula 197 do STJ e art. 1582 
do CC/2002). 
Assim sendo, a cláusula obrigatória é sobre a declaração do patrimônio do casal. Eles 
devem informar se vão proceder a partilha dos bens ou não. Se não for feita a partilha, os bens 
permanecerão em condomínio. Quando um deles tiver interesse, requererá uma ação de partilha. 
Se o casal não proceder a partilha de bens, eles vão se divorciar, podendo casar de novo, 
mas se casarem de novo estarão submetidos ao regime de separação obrigatória (art. 1523, III do 
CPC), até que façam a partilha de bens do casamento anterior. 
Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, 
far-se-á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos 
arts. 647 a 658. 
 
2) Acordo sobre guarda e visitação dos filhos menores ou incapazes. 
O direito de ser visitado é do filho. O pai e a mãe são obrigados a dizer como será a visita. 
A regra geral é que a guarda deve ser compartilhada, mesmo em se tratando de divórcio 
litigioso. 
A jurisprudência tem reservas a guarda alternada, pois não é psicologicamente adequada. 
3) Referência a eventual pensão alimentícia devida entre cônjuges. 
São livres para estabelecer a pensão. 
4) Previsão de pensão alimentícia devida aos filhos menores. 
Obrigatoriamente o casal vai deliberar acerca dosalimentos devido aos filhos. Mesmo que 
a guarda seja compartilhada, continua sendo devida a pensão alimentícia ao filho. 
5) Acordo sobre o uso do sobrenome. 
No silêncio das partes, presume-se que continua a utilizar o nome que adquiriu depois do 
casamento. Nada obstará a retirada posterior do nome. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 93 
 
Se houver incapaz, o MP intervirá como fiscal da Lei, para precaver os interesses dos 
incapazes. Depois da intervenção, o juiz homologa. 
O juiz pode recusar a homologação ou cindir o acordo. É absolutamente possível a cisão 
do acordo. 
Não se formará coisa julgada material, pois é procedimento de jurisdição voluntária. 
Se não tiver incapaz esse divórcio pode ser feito em cartório. Entretanto, tendo incapaz, é 
obrigatório que seja em juízo. 
6.4. DIVÓRCIO CONSENSUAL EM CARTÓRIO 
A Lei 11.441/07 concebeu a possibilidade de divórcio consensual em cartório, através de 
um procedimento administrativo, sendo decretado por meio de escritura pública e não por 
sentença. 
Essa escritura pública independe de intervenção do MP e homologação judicial. O próprio 
tabelião lavrará a escritura pública quando presentes os requisitos. 
O uso da via cartorária é facultativo e não obrigatório, não havendo interesse de incapaz. 
O casal pode optar pelo uso da via judicial. 
Havendo interesse de incapaz o uso da via judicial é necessário. 
NCPC 
Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção 
consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e 
observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura 
pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. 
§ 1o A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil 
para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância 
depositada em instituições financeiras. 
§ 2o O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem 
assistidos por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e 
assinatura constarão do ato notarial. 
 
Se for eleita a via administrativa, o casal obrigatoriamente deve estar assistido por 
advogado ou defensor público. 
Por outro lado, o casal pode estar pessoalmente ou por procurador em cartório, constituído 
por escritura pública e com poderes especiais. 
Esse procedimento pode ser gratuito para as pessoas pobres na forma da lei (isenção de 
taxas). 
A via cartorária não se submete às regras de competência, podendo ser obtido em 
qualquer cartório do país, mesmo que o domicílio dos cônjuges seja outro. Competência é 
repartição de competência jurisdicional. 
7. SEPARAÇÃO DE DIREITO 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 94 
 
7.1. CONCEITO 
A separação é a antessala do divórcio. É uma medida dissolutiva da SOCIEDADE 
CONJUGAL, sem comprometimento do VÍNCULO (que se dá pelo divórcio). Em nosso sistema 
a separação tem caráter transitório, pois o objetivo é sua conversão em divórcio (essa é a vontade 
do sistema). 
CC Art. 1.575. A sentença de separação judicial importa a separação de 
corpos e a partilha de bens. 
Parágrafo único. A partilha de bens poderá ser feita mediante proposta dos 
cônjuges e homologada pelo juiz ou por este decidida. 
 
Art. 1.576. A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e 
fidelidade recíproca e ao regime de bens. 
Parágrafo único. O procedimento judicial da separação caberá somente aos 
cônjuges, e, no caso de incapacidade, serão representados pelo curador, 
pelo ascendente ou pelo irmão. 
 
Se as partes separadas quiserem retomar a vida conjugal, podem fazê-lo por mera petição 
dirigida ao juiz. Ou seja, as partes não precisam casar de novo. Seria essa a vantagem da 
separação, mas que, na realidade, não se perfaz: os arts. 1.515 e 1.516 trazem uma facilitação do 
casamento entre ex-cônjuges, tão singela quanto a mera petição ao juiz dos separados que 
querem restabelecer a sociedade conjugal. 
Art. 1.577. Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta 
se faça, é lícito aos cônjuges restabelecer, a todo tempo, a sociedade 
conjugal, por ato regular em juízo. 
Parágrafo único. A reconciliação em nada prejudicará o direito de terceiros, 
adquirido antes e durante o estado de separado, seja qual for o regime de 
bens. 
 
Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para 
a validade do casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado 
no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. 
 
Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos MESMOS 
REQUISITOS EXIGIDOS PARA O CASAMENTO CIVIL. 
§ 1o O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro 
de noventa dias de sua realização, mediante comunicação do celebrante 
ao ofício competente, ou por iniciativa de qualquer interessado, desde que 
haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste 
Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação. 
§ 2o O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste 
Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a 
qualquer tempo, no registro civil, mediante PRÉVIA HABILITAÇÃO perante 
a autoridade competente e observado o prazo do art. 1.532. 
§ 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, 
qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. 
7.2. ESPÉCIES DE SEPARAÇÃO 
No Brasil, a separação pode se apresentar de 2 formas: ela pode ser LITIGIOSA (art. 
1.572) ou CONSENSUAL (art. 1.574). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 95 
 
A separação CONSENSUAL, tal como o divórcio, pode ser em CARTÓRIO, se 
preenchidos alguns requisitos, que veremos adiante. Continua prevista no NCPC. 
Art. 1.574. Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos 
cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem 
perante o juiz, sendo por ele devidamente homologada a convenção. 
Parágrafo único. O juiz pode recusar a homologação e não decretar a 
separação judicial se apurar que a convenção não preserva suficientemente 
os interesses dos filhos ou de um dos cônjuges. 
 
A separação LITIGIOSA, por sua vez (sempre judicial), pode vir de 03 formas: separação 
SANÇÃO (caput), separação FALÊNCIA (§ 1º) ou separação REMÉDIO (§ 2º e §3º) 
 
Art. 1.572. Qualquer dos cônjuges poderá propor a ação de separação 
judicial, imputando ao outro qualquer ato que importe grave violação dos 
deveres do casamento e torne insuportável a vida em comum. 
(separação sanção) 
 
Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a 
ocorrência de algum dos seguintes motivos: 
I - adultério; 
II - tentativa de morte; 
III - sevícia ou injúria grave; 
IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; 
V - condenação por crime infamante; 
VI - conduta desonrosa. 
Parágrafo único. O juiz poderá considerar outros fatos que tornem evidente 
a impossibilidade da vida em comum. 
§ 1o A separação judicial pode também ser pedida se um dos cônjuges 
provar ruptura da vida em comum há mais de um ano e a impossibilidade de 
sua reconstituição. (separação falência) 
§ 2o O cônjuge pode ainda pedir a separação judicial quando o outro estiver 
acometido de doença mental grave, MANIFESTADA APÓS O 
CASAMENTO, que torne impossível a continuação da vida em comum, 
desde que, após uma duração de dois anos, a enfermidade tenha sido 
reconhecida de cura improvável. (separação remédio) 
§ 3o No caso do parágrafo 2o, reverterão ao cônjuge enfermo, que não 
houver pedido a separação judicial, os remanescentes dos bens que levou 
para o casamento, e se o regime dos bens adotado o permitir, a meação 
dos adquiridos na constância da sociedade conjugal. 
7.3. SEPARAÇÃO CONSENSUAL 
Está submetida a um requisitomaterial e a requisitos processuais. 
Art. 1.574. Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos 
cônjuges se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o 
juiz, sendo por ele devidamente homologada a convenção. 
Parágrafo único. O juiz pode recusar a homologação e não decretar a 
separação judicial se apurar que a convenção não preserva suficientemente 
os interesses dos filhos ou de um dos cônjuges. 
 
Requisito material: Estar casado há pelo menos 01 ano (nesse primeiro ano, inclusive, a 
única separação possível é a baseada na culpa  separação sanção). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 96 
 
Requisitos processuais: Estando em JUÍZO ou em CARTÓRIO (somente quando não tem 
interesse de incapaz – permissão no CPC) os requisitos processuais são: 
a) Assistência por advogado ou defensor público; 
b) Acordo sobre a partilha dos bens (que pode ser postergado com base na súmula do 
STJ acima); 
c) Acordo sobre pensão alimentícia; 
d) Acordo sobre o uso do sobrenome. 
e) Acordo sobre guarda e visitação dos filhos. 
O casal pode se fazer representar por procurador, desde que constituído por escritura 
pública e com poderes específicos. 
Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção 
consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e 
observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura 
pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. 
 
Art. 731. A homologação do divórcio ou da separação consensuais, 
observados os requisitos legais, poderá ser requerida em petição assinada 
por ambos os cônjuges, da qual constarão: 
I - as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; 
II - as disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; 
III - o acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e 
IV - o valor da contribuição para criar e educar os filhos. 
Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, 
far-se-á esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida 
nos arts. 647 a 658. 
. 
Súmula 305 do STF: O acordo é irretratável. 
 
STF SÚMULA Nº 305 ACORDO DE DESQUITE (SEPARAÇÃO, DIVÓRCIO 
OU DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL) RATIFICADO POR AMBOS OS 
CÔNJUGES NÃO É RETRATÁVEL UNILATERALMENTE. 
 
7.4. SEPARAÇÃO LITIGIOSA (SANÇÃO, FALÊNCIA, REMÉDIO) 
7.4.1. Separação sanção (ver abaixo sobre a EC/66) 
Art. 1.572. Qualquer dos cônjuges poderá propor a ação de separação 
judicial, imputando ao outro qualquer ato que importe grave violação dos 
deveres do casamento e torne insuportável a vida em comum. 
(separação sanção) 
 
Causa de pedir  CULPA. 
Única que não depende de prazo. 
Está baseada em CULPA  Violação de dever do casamento (critério objetivo) ou 
conduta desonrosa (critério subjetivo). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 97 
 
O art. 1.573 prevê que o rol das hipóteses de culpa é exemplificativo (numerus apertus). O 
juiz não fica adstrito às hipóteses legais. 
Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a 
ocorrência de algum dos seguintes motivos: 
I - adultério; 
II - tentativa de morte; 
III - sevícia ou injúria grave; 
IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; 
V - condenação por crime infamante; 
VI - conduta desonrosa. 
Parágrafo único. O juiz poderá considerar OUTROS FATOS que tornem 
evidente a impossibilidade da vida em comum. 
 
O CC só prevê DOIS EFEITOS para o reconhecimento da culpa do cônjuge (os dois únicos 
efeitos para a culpa): 
1) Excepcional perda do sobrenome (culpa grave) - art. 1.578; 
 
Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial 
perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente 
requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: 
I - evidente prejuízo para a sua identificação; 
II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da 
união dissolvida; 
III - dano grave reconhecido na decisão judicial. 
§ 1o O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a 
qualquer momento, ao direito de usar o sobrenome do outro. 
§ 2o Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de 
casado. 
 
2) Mudança na natureza dos alimentos - art. 1704, parágrafo único. 
 
Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de 
alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada 
pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação 
judicial. 
Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de 
alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-los, nem aptidão 
para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz 
o valor indispensável à sobrevivência. (são os alimentos necessários) 
 
Parcela significativa da doutrina brasileira (Berenice, Tepedino, Fachin, Chaves) entende 
que a discussão sobre a culpa pode ser inconstitucional no caso concreto. Motivo: A discussão 
sobre a culpa pode invadir a privacidade da pessoa, como na discussão sobre a sexualidade do 
cônjuge. 
OBS: Imagine que a parte autora não consegue provar os fatos alegados na inicial, quanto 
à culpa. Ele não consegue se desincumbir do ônus da prova, qual o efeito desse fato? R: Não se 
pode julgar o pedido improcedente, porque o casal continuaria casado, e eles não querem mais 
essa situação. Assim, o STJ, no RESP 466.329 do RS, Ministra Nancy Andrighi, neste caso, 
recomenda que ao invés do juiz julgar improcedente o pedido, o juiz deve decretar a separação 
judicial do casal com base na insuportabilidade da vida conjugal (CC, art. 1.573, parágrafo único). 
Porque esta vida é indigna. O Enunciado 254 da JDC do CFJ é claro nesse sentido. Aqui, 
o juiz pode se afastar do pedido descrito na inicial. Isso ocorre com frequência no direito de 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 98 
 
família, porque há uma MITIGAÇÃO DO PRINCÍPIO DISPOSITIVO. Exemplo: o juiz aplica 
alimentos provisórios de ofício. 
JDC 254 Art. 1.573: Formulado o pedido de separação judicial com 
fundamento na culpa (art. 1.572 e/ou art. 1.573 e incisos), o juiz poderá 
decretar a separação do casal diante da constatação da insubsistência 
da comunhão plena de vida (art. 1.511) – que caracteriza hipótese de 
“outros fatos que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum” – 
sem atribuir culpa a nenhum dos cônjuges. 
7.4.2. Separação falência 
Art. 1.572 § 1o A separação judicial pode também ser pedida se um dos 
cônjuges provar ruptura da vida em comum há mais de um ano e a 
impossibilidade de sua reconstituição. (separação falência) 
 
Causa de pedir  PRAZO. 
É a ruptura da vida conjugal a mais de 01 ano. Ruptura da convivência. 
Melhor exemplo: Abandono do lar. 
No entanto, nada impede a separação falência mesmo que o casal continue sob o mesmo 
teto. 
7.4.3. Separação remédio 
Art. 1.572 § 2o O cônjuge pode ainda pedir a separação judicial quando o 
outro estiver acometido de doença mental grave, manifestada após o 
casamento, que torne impossível a continuação da vida em comum, desde 
que, após uma duração de dois anos, a enfermidade tenha sido 
reconhecida de cura improvável. (separação remédio) 
 
Causa de pedir  MOTIVO + PRAZO. 
É aquela que decorre de doença mental de cura improvável ou impossível, manifestada em 
um dos cônjuges a mais de 02 anos. Se a doença existia antes do casamento, mas só foi 
descoberta depois, será causa de anulação (erro essencial). 
Essa forma de separação impõe uma sanção ao cônjuge: se o casamento for sob o regime 
de comunhão universal, o cônjuge são que pediu a separação perde o direito sobre os bens 
que o doente tinha antes de casar. 
 
Art. 1.572 § 3o No caso do parágrafo 2o,reverterão ao cônjuge enfermo, que 
não houver pedido a separação judicial, os remanescentes dos bens que 
levou para o casamento, e se o regime dos bens adotado o permitir, a 
meação dos adquiridos na constância da sociedade conjugal. 
 
A lei só menciona o regime da comunhão universal, pois nos demais regimes já é regra o 
cônjuge não ter direito aos bens particulares do outro. 
Essa forma de dissolução é inócua, pois o cônjuge pode simplesmente pleitear o divórcio 
direto com base na separação de fato por 02 anos. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 99 
 
8. PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA DE SEPARAÇAO OU DIVÓRCIO 
CONSENSUAIS 
Exige-se petição inicial assinada pelos cônjuges e pelo advogado. Excepcionalmente, 
admite-se também a separação consensual SEM petição inicial. 
As cláusulas obrigatórias que devem constar no acordo de separação ou de divórcio 
consensuais feito em juízo são as seguintes: 
1) Partilha dos bens (Súmula 197 do STJ) – não é obrigatória; 
STJ Súmula nº 197 O divórcio direto pode ser concedido sem que haja 
prévia partilha dos bens. 
 
2) Pensão de alimentos para os filhos; 
3) Guarda e visitação dos filhos (inclusive a guarda compartilhada que é a mais indicada 
para esse tipo de separação ou de divórcio) – art. 1584, II expressamente estabelece a 
visita com uma obrigação dos pais, pois é uma obrigação dos pais, e não um direito. 
Isso está se estendendo até mesmo para as madrastas e os padrastos; 
Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: 
... 
II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou 
em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e 
com a mãe. 
 
4) Pensão alimentícia entre os cônjuges (se um deles renunciar, essa cláusula é válida e 
eficaz, pelo STJ, apesar do CC discordar). 
5) Direito de uso do nome de casado. 
Depois de apresentada a inicial com o acordo, o juiz designará audiência de ratificação 
(súmula 305 do STF) do acordo de separação ou de divórcio consensuais. 
STF SÚMULA Nº 305 ACORDO DE DESQUITE RATIFICADO POR 
AMBOS OS CÔNJUGES NÃO É RETRATÁVEL UNILATERALMENTE. 
 
 Ele se torna ratificado definitivamente, não admitindo retratação. Depois, se submete ao 
MP e o juiz dá a sentença. 
9. SEPARAÇÃO E DIVÓRCIO CONSENSUAIS NO CARTÓRIO 
No cartório, ou seja, na via administrativa, o divórcio e a separação consensuais podem 
ocorrer, mas as partes devem estar assistidas de advogado ou defensor público. A gratuidade 
judiciária, mesmo em cartório, do procedimento, está garantida. Os emolumentos não estão 
empreendidos aqui. Este é a posição do STJ. 
Este procedimento em cartório somente pode ser utilizado se não existir INTERESSE de 
incapaz, que neste caso, deverá ser pela via judicial. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 100 
 
Se esses interesses já foram atendidos judicialmente, através de um acordo já 
homologado, nada impede que agora se faça a separação em cartório. 
Aqui, no cartório, o acordo tem que ter 3 cláusulas obrigatórias: 
1) A partilha de bens. (que não é obrigatório!!!); 
2) A pensão alimentícia entre os cônjuges; 
3) O direito de uso do nome de casado; 
 
Aqui, no cartório, não há intervenção do MP e nem homologação judicial. Isso está em 
consonância com a lei 11.441/07. 
O prazo de separação de fato pode ser comprovado por simples declaração das 
testemunhas, elas não precisam comparecer. Essa declaração escrita tem o mesmo valor que a 
declaração falada. 
No cartório, as partes podem ser representadas por Procurador, com poderes especiais, 
constituídos por Escritura Pública. Isso é indicado para pessoas que moram em Estados 
diferentes ou Países diferentes. 
A lei optou pela facultatividade do procedimento em cartório, ou seja, a parte pode sempre 
escolher se quer se separar ou se divorciar, consensualmente, por via judicial ou cartorial. 
Alexandre Câmara e o Professor entendem que não deve haver essa opção. Ou seja, não 
havendo interesse de menor envolvido, a separação ou o divórcio consensual devem ser feito no 
cartório. 
Há apenas um caso em que a separação ou o divórcio consensual deverão ser em juízo, 
mesmo que não haja interesse de menores, que é o caso de haver pensão entre os cônjuges, 
porque neste caso, se o título não for judicial, não se poderá impingir pena de prisão a quem 
descumprir essa obrigação (obrigação pessoal). No cartório, esse título será de cunho patrimonial, 
apenas. 
10. GUARDA DE FILHOS 
Não se trata da guarda do ECA, mas sim da guarda decorrente do PODER FAMILIAR 
(antigo pátrio poder). 
A guarda, decorrência do poder familiar, traduz um conjunto de obrigações e direitos em 
face da criança ou adolescente, especialmente de assistência material e moral. 
A luz do princípio da isonomia não existe prevalência do pai ou da mãe para ter a guarda; 
A guarda deve ser conferida baseada no melhor interesse existencial da criança. 
Existem quatro espécies de guarda (quando da dissolução da sociedade conjugal ou união 
estável): 
1) Guarda unilateral ou exclusiva: A guarda fica com apenas uma pessoa (pai ou mãe), 
cabendo ao outro o direito de visitas. Fim de semana alternado e metade das férias 
escolares. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 101 
 
2) Guarda alternada: O pai e a mãe revezam períodos exclusivos de guarda, cabendo ao 
outro direito de visitas. Não confundir com a guarda compartilhada. 
 
3) Nidação (aninhamento): Nesta modalidade de guarda, a criança permanece na mesma 
morada, alternando-se os pais em seu convívio. 
 
4) Guarda compartilhada ou conjunta: Trata-se de uma manifestação primordial do princípio 
da isonomia, onde não existe exclusividade: a guarda é exercida bilateral e 
simultaneamente pelo pai e pela mãe, que se corresponsabilizam pela vida do seu filho. 
Waldyr Grisard Filho diz que essa modalidade tem a função de acabar com a cultura 
belicosa entre os pais. 
11. DIVÓRCIO: IMPACTO DA EC/66 (AINDA POR PABLO STOLZE) 
11.1. INTRODUÇÃO 
Depois do estudo completo do sistema anterior, passamos ao estudo da EC/66. 
CF Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
... 
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada 
Pela Emenda Constitucional nº 66, de 2010) 
 
Retomando: 
 
Segundo o Concílio de Trento, ocorrido no século XV, o matrimônio passaria a ser, por 
dogma da igreja católica, indissolúvel. 
No Brasil, desde a Constituição de 1934 até a de 1967, a indissolubilidade do matrimônio 
era norma constitucional. 
Somente em 1977, por meio da EC nº 9, a Constituição da época foi alterada para se 
permitir o divórcio no Brasil, que passaria a ser disciplinado pela famosa Lei 6.515 de 1977. 
OBS.: a lei 6.515/77, a despeito de consagrar o divórcio, não o facilitou, na medida em 
que, como regra geral, tratou-o como um desdobramento da separação judicial, e, foi somente a 
CF/88 que, no dispositivo regulador da separação e do divórcio, cuidaria de aprimorar o sistema 
por meio do divórcio direto. 
A partir da EC 66/2010, que, em seu objeto: baniu a separação judicial do direito brasileiro 
(MBD, Paulo Lobo, Rodrigo da Cunha Pereira) e suprimiu os prazos para o divórcio, revogando 
diversos artigos do Código Civil, inclusive o 1.580, não há mais sentido em se classificar o divórcio 
em direto e indireto (por conversão). 
Manter-se o sistema da separação judicial é afrontar o princípio da vedação ao retrocesso 
desenvolvido por Canotilho. 
Vale acrescentar, em reforço ao adequado entendimento dos limites desta emenda, que, 
da parte final da PEC original, fora suprimida a expressão “na forma da lei”, impedindo uma 
indevida atuação do legislador ordinário, especialmente no que tange à disciplina da separação 
judicial.CS - CIVIL IV 2018.1 102 
 
Devo frisar haver desaparecido ainda o prazo de separação de fato de mais de dois anos 
para o divórcio direto, de forma que a (em geral alegórica) figura da “testemunha comprobatória 
do lapso” torna-se finalmente desnecessária, inclusive para escritura pública de divórcio 
administrativo. 
Em síntese, a partir da nova emenda, o divórcio passa a ser simplesmente um direito 
potestativo não subordinado a critérios temporais, passível de ser exercido em conjunto ou 
separadamente, pela via judicial ou administrativa. 
11.2. EFEITOS DA EC 66/2010 
1) O novo divórcio e a separação de corpos; 
2) O novo divórcio e os alimentos; 
3) O novo divórcio e o uso do nome; 
4) O novo divórcio e a guarda de filhos (já na perspectiva do atual tema alienação parental); 
5) O novo divórcio e o regime de bens; 
6) Aspectos processuais do novo divórcio e o direito intertemporal. 
11.3. EMENDA 66/2010 E SEPARAÇÃO DE CORPOS 
Vale lembrar que a separação de corpos é medida judicial que visa a suspender o dever de 
coabitação, determinando a saída de um dos cônjuges ou autorizando a saída do requerente. 
A partir da promulgação da emenda, não houve alteração na conjuntura jurídica que 
justificasse a supressão da separação de corpos em nosso sistema. 
OBS.: as medidas preventivas da lei Maria da Penha, pela mesma razão, também não 
foram atingidas pela emenda do divórcio. 
OBS: Conforme visto acima, o NCPC não previu a separação de corpos. 
11.4. EMENDA 66/2010 E GUARDA DE FILHO 
A emenda do divórcio não alterou o sistema de guarda de filhos (artigos 1.583 e 1.584) 
que, no dizer de Perlingieri (Perfis de Direito Civil Constitucional), já tomava em conta o interesse 
existencial dos filhos, e não a culpa, para efeito de fixação da guarda. 
A guarda deve ser deferida observando-se as dimensões moral e psicológica de cada um 
dos pais, sem necessária vinculação com a culpa pelo fim do casamento, preferindo-se a 
modalidade de guarda compartilhada. 
11.5. EMENDA 66/2010 E SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL 
A partir da promulgação da emenda, o divórcio torna-se mais facilitado no Brasil, exigindo-
se redobrada atenção quanto à SAP. 
A expressão SAP deve-se a Richard Gardner, que publicou estudo sobre o tema em 1985: 
trata-se de um distúrbio da infância, que frequentemente aparece nas disputas de custódia, em 
que um dos pais interfere indevidamente na dimensão psíquica do filho para que repudie o outro. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 103 
 
A Lei nº 12.318/10, regulamentou a matéria, estabelecendo sanções ao genitor alienador 
como advertência, multa, alteração da guarda, e até mesmo suspensão do poder familiar. 
11.6. EMENDA DO DIVÓRCIO E USO DO NOME 
No sistema anterior, o uso do nome era regulado no artigo 1.578. 
A partir da EC 66/10, a regra natural é a perda do nome de casado a partir do divórcio, 
salvo estipulação em contrário no acordo (divórcio consensual) ou se o juiz, em respeito aos 
direitos da personalidade e ao direito constitucional à identidade vislumbrar qualquer das 
hipóteses do artigo 1.578. 
11.7. EMENDA 66/2010 E ALIMENTOS 
Não há óbice em se cumular o pedido de divórcio com outros pedidos atinentes a efeitos 
colaterais do descasamento: alimentos, guarda de filhos, uso do nome e partilha de bens. O que o 
moderno direito de família sustenta, reforçado pela EC 66/10, é o banimento da discussão da 
CULPA nessa seara. Em via própria, outrossim, em sede de ação de responsabilidade civil, nada 
impede seja a culpa discutida. 
11.8. EMENDA 66/2010 E REGIME DE BENS 
Para efeito de partilha, a culpa não é enfrentada, mas sim o regime de bens adotado pelo 
casal. Trata-se de uma posição que já existia no próprio direito anterior. 
Vale lembrar que, nos termos do artigo 1.581, a partilha de bens não é conditio sine qua 
non para o divórcio. 
11.9. ASPECTOS PROCESSUAIS DA NOVA EMENDA 
Nos termos do art. 1.582, não alterado pela emenda 66, o pedido de divórcio somente 
competirá ao cônjuge, mas se for incapaz, ao seu curador, ascendente ou irmão. 
 
Art. 1.582. O pedido de divórcio somente competirá aos cônjuges. 
Parágrafo único. Se o cônjuge for incapaz para propor a ação ou defender-
se, poderá fazê-lo o curador, o ascendente ou o irmão. 
 
No divórcio LITIGIOSO, a designação de audiência permanece necessária, mas em sendo 
o pedido conjunto e consensual, uma eventual audiência de tentativa de reconciliação ficará a 
cargo do juiz. 
ATENÇÃO! INFORMATIVO 558 DO STJ 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 104 
 
 
Em matéria de defesa, ressalvados efeitos colaterais (alimentos, guarda de filhos, partilha 
de bens), a resistência ao pedido de divórcio litigioso, em termos de mérito, é quase inexistente 
(nem o argumento do prazo da separação de fato existe mais). 
Qual é o estado civil das pessoas separadas judicialmente a partir da emenda do 
divórcio? 
Maria Berenice Dias sustenta que a partir da emenda, com o fim da separação, as pessoas 
separadas judicialmente estão automaticamente divorciadas. Discorda desta tese Paulo Lobo, 
para quem o pedido de divórcio é necessário, já sem a contagem de prazo. 
12. USUFRUTO E ADMINISTRAÇÃO DOS BENS DOS FILHOS 
Art. 1.689. O pai e a mãe, enquanto no exercício do poder familiar: 
I - são usufrutuários dos bens dos filhos; 
II - têm a administração dos bens dos filhos menores sob sua autoridade. 
 
Art. 1.690. Compete aos pais, e na falta de um deles ao outro, com 
exclusividade, representar os filhos menores de dezesseis anos, bem como 
assisti-los até completarem a maioridade ou serem emancipados. 
Parágrafo único. Os pais devem decidir em comum as questões relativas 
aos filhos e a seus bens; havendo divergência, poderá qualquer deles 
recorrer ao juiz para a solução necessária. 
 
Art. 1.691. Não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis 
dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os 
limites da simples administração, salvo por necessidade ou evidente 
interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz. 
Parágrafo único. Podem pleitear a declaração de nulidade dos atos 
previstos neste artigo: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 105 
 
I - os filhos; 
II - os herdeiros; 
III - o representante legal. 
 
Art. 1.692. Sempre que no exercício do poder familiar colidir o interesse dos 
pais com o do filho, a requerimento deste ou do Ministério Público o juiz lhe 
dará curador especial. 
 
Art. 1.693. Excluem-se do usufruto e da administração dos pais: 
I - os bens adquiridos pelo filho havido fora do casamento, antes do 
reconhecimento; 
II - os valores auferidos pelo filho maior de dezesseis anos, no exercício de 
atividade profissional e os bens com tais recursos adquiridos; 
III - os bens deixados ou doados ao filho, sob a condição de não serem 
usufruídos, ou administrados, pelos pais; 
IV - os bens que aos filhos couberem na herança, quando os pais forem 
excluídos da sucessão. 
V. UNIÃO ESTÁVEL 
1. INTRODUÇÃO HISTÓRICA À UNIÃO ESTÁVEL 
O Direito Previdenciário foi o primeiro ramo do Direito brasileiro que, efetivamente se 
preocupou, ainda que em um âmbito restrito, com os direitos da concubina. O Direito Civil, de 
feição casamentária e conservadora, somente se voltaria a esta tutela por meio do direito 
obrigacional: a concubina teria ao menos direito à indenização por serviços domésticos prestados. 
O Direito, todavia, ainda no campo obrigacional, avançaria para deixar de tratar a concubina como 
mera prestadora de serviços, passando a encará-la como integrante de uma sociedade de fato. 
OBS: A Súmula 380 do STF traduz essa época: 
STF S. 380. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SOCIEDADE DE FATO 
ENTRE OS CONCUBINOS, É CABÍVEL A SUA DISSSOLUÇÃO JUDICIAL, 
COM A PARTILHA DO PATRIMÔNIO ADQUIRIDO PELO ESFORÇOCOMUM. 
 
Essa ação de dissolução tramitava em vara cível ou comercial. 
Foi somente a partir da CF/88 que a União Estável passou a ter dignidade constitucional 
de família. CONCUBINATO passou a ser UNIÃO ESTÁVEL; CONCUBINOS passaram a ser 
COMPANHEIROS ou CONVIVENTES. Até então o tratamento dispensado à companheira era 
tipicamente obrigacional. 
Pouco tempo depois, duas importantes leis foram editadas regulamentando a União 
Estável (Lei 8.971/94 e Lei 9.278/96). Essas leis passaram a reconhecer, de forma pioneira no 
Brasil, direitos de família à União Estável, tais como alimentos, divisão patrimonial e herança. 
OBS: O STJ tem admitido o direito aos alimentos à companheira, mesmo ANTES da lei de 
1994, com fundamento direto na CF. 
Atualmente, a União Estável é regulada pelo CC/2002, a partir do art. 1.723. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 106 
 
2. CONCEITO 
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o 
homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
 
Percebe-se que NÃO EXISTE TEMPO MÍNIMO PARA A CONFIGURAÇÃO DA UNIÃO 
ESTÁVEL. Além disso, não é exigida prole comum, nem coabitação (Súmula 382 do STF). 
STF Súmula 382 A VIDA EM COMUM SOB O MESMO TETO, "MORE 
UXORIO", NÃO É INDISPENSÁVEL À CARACTERIZAÇÃO DO 
CONCUBINATO. 
 
Não são elementos obrigatórios, mas obviamente, se reunidos, comprovam mais 
facilmente a existência da União Estável. 
São dois os elementos fundamentais para a configuração da União Estável (que não 
existem no namoro): 
1) A estabilidade ou permanência; 
 
2) Objetivo de constituição de família. É o elemento finalístico da União Estável. Na 
União estável os companheiros aparentam estar casados. 
 
IMPORTANTE! INFORMATIVO 557 STJ 
 
 
 
OBS: Vale lembrar que o fato de a parte ser casada não impede a configuração da União Estável, 
desde que esteja, pelo menos, separada de fato (§1º) 
 
Art. 1.723 § 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os 
impedimentos do art. 1.521 (impedimentos = nulo); não se aplicando a 
incidência do inciso VI (pessoas casadas) no caso de a pessoa casada se 
achar separada de fato ou judicialmente. 
§ 2o As causas suspensivas do art. 1.523 NÃO impedirão a caracterização 
da união estável. 
 
Art. 1.523. Não devem casar: 
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer 
inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros; 
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido 
anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da 
sociedade conjugal; 
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a 
partilha dos bens do casal; 
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, 
cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não 
cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 107 
 
3. DEVERES (OU EFEITOS) DECORRENTES DA UNIÃO ESTÁVEL (ART. 1.724) 
Art. 1.724. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos 
deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e 
educação dos filhos. 
 
O descumprimento desses deveres pode gerar ação de dissolução de união estável. 
Quanto ao âmbito patrimonial, o CC/2002, em seu art. 1.725, inovou ao dispor que, salvo 
contrato escrito em contrário, aplica-se à União Estável o regime de comunhão parcial de bens. 
Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, 
aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão 
parcial de bens. 
 
Esse contrato é denominado “contrato de convivência”. Vale lembrar que esse contrato 
não cria a União Estável; somente reconhece-a. 
Não confundir ‘contrato de convivência’ com o ‘contrato de namoro’. Esse último tem por 
escopo a declaração formal da instabilidade do relacionamento (namoro), tentando evitar, assim, o 
regramento da União Estável. 
Entretanto, vale lembrar que a União Estável é um fato da vida, não podendo, portanto, ter 
regramento afastado por um contrato. 
 
Art. 1.726. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante 
pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. 
 
 
OBS1: O que é união estável PUTATIVA? Trata-se da situação em que, com base na 
Teoria da Aparência, são preservados os efeitos jurídicos em favor de um ou ambos os 
companheiros que houverem atuado de boa-fé. No REsp. 789.293/RJ o STJ não acatou a tese da 
união estável putativa. 
OBS2: É possível uniões estáveis PARALELAS? 
UNIÕES ESTÁVEIS PARALELAS. A Turma, ao prosseguir o julgamento, 
deu provimento ao recurso especial e estabeleceu ser impossível, de 
acordo com o ordenamento jurídico pátrio, conferir proteção jurídica a 
uniões estáveis paralelas. Segundo o Min. Relator, o art. 226 da CF/1988, 
ao enumerar as diversas formas de entidade familiar, traça um rol 
exemplificativo, adotando uma pluralidade meramente qualitativa, e não 
quantitativa, deixando a cargo do legislador ordinário a disciplina conceitual 
de cada instituto – a da união estável encontra-se nos arts. 1.723 e 1.727 do 
CC/2002. Nesse contexto, asseverou que o requisito da exclusividade 
de relacionamento sólido é condição de existência jurídica da união 
estável nos termos da parte final do § 1º do art. 1.723 do mesmo 
código. CONSIGNOU QUE O MAIOR ÓBICE AO RECONHECIMENTO 
DESSE INSTITUTO NÃO É A EXISTÊNCIA DE MATRIMÔNIO, MAS A 
CONCOMITÂNCIA DE OUTRA RELAÇÃO AFETIVA FÁTICA 
DURADOURA (CONVIVÊNCIA DE FATO) – até porque, havendo 
separação de fato, nem mesmo o casamento constituiria impedimento 
à caracterização da união estável –, daí a inviabilidade de declarar o 
referido paralelismo. Precedentes citados: REsp 789.293-RJ, DJ 
20/3/2006, e REsp 1.157.273-RN, DJe 7/6/2010. REsp 912.926-RS, Rel. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 108 
 
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/2/2011. (Informativo 464 – 4ª 
Turma) 
4. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DE DISSOLUÇÃO DA UNIÃO 
ESTÁVEL 
4.1. NOÇÕES GERAIS 
A AÇÃO DECLARATÓRIA DE UNIÃO ESTÁVEL pode visar tanto a mera declaração da 
união havida, como também conter pretensões cumuladas, como partilha de bens ou efeitos de 
família. Importante dizer que o Superior Tribunal de Justiça já entendeu existir o legítimo interesse 
do companheiro em promover a ação declaratória da união estável, com fundamento no antigo art. 
4º do Código de Processo Civil, independentemente da existência de bens a partilhar. 
Por outro lado, com o rompimento da vida em comum e, quando não realizada a divisão 
patrimonial de forma amigável, com acerto financeiro entre as partes, deverá ser feito o pedido de 
meação sobre os bens adquiridos durante a convivência. Com efeito, nestas situações, a ação 
declaratória de reconhecimento e dissolução da união estável será cumulada com o pedido 
de meação sobre os bens adquiridos durante a convivência. 
4.2. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL 
E DIREITO DE HERANÇA 
 O art. 1.790 do Código Civil, de 2002, modificou significativamente a posição sucessória do 
companheiro, passando este a ter direitos concorrentes com os herdeiros sucessíveis 
(descendentes, ascendentes e colaterais), tão somente no que se refere aos bens adquiridos 
durante a união estável. 
 
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão 
do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união 
estável, nas condições seguintes: 
I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à 
que por lei for atribuída ao filho; 
II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á ametade do que couber a cada um daqueles; 
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da 
herança; 
IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. 
 
 O reconhecimento da união estável e os direitos sucessórios decorrentes poderão ser 
efetivados, sob o aspecto processual, de duas formas: 
 
1) Pedido de partilha subsequente ao reconhecimento da união estável e declaração da 
qualidade de herdeiro; 
 
2) Diretamente no processo de inventário, mediante pedido de habilitação do 
companheiro sobrevivente. 
4.3. AÇÃO DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL 
E ALIMENTOS 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 109 
 
 Desde a vigência das Leis 8.971/94 e 9.278/96 já estava estabelecida a obrigação 
alimentar na união estável. O Código Civil, nos artigos 1.694 e 1.724, manteve a obrigação 
alimentar entre os companheiros, impondo-os o dever de assistência em caso de necessidade, 
mesmo quando tenha havido culpa na dissolução, hipótese em que serão destinados os alimentos 
necessários à subsistência do infrator, condicionada referida obrigação ao não estabelecimento de 
nova união. No âmbito processual, o direito de alimentos do companheiro poderá ser 
instrumentalizado de diferentes formas, dependendo da existência ou não da prova pré-existente 
da obrigação alimentar. 
 
CC Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou COMPANHEIROS pedir 
uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo 
compatível com a sua condição social, inclusive para atender às 
necessidades de sua educação. 
 
Art. 1.724. As relações pessoais entre os COMPANHEIROS obedecerão 
aos deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e 
educação dos filhos. 
4.3.1. Situação 1: Inexiste o reconhecimento prévio do dever de assistência 
Em relação à situação em que inexiste o reconhecimento prévio do dever de assistência, 
quando deverá ser adotado o procedimento ordinário em prejuízo ao procedimento especial 
previsto na Lei de alimentos, o qual exige a prova pré-constituída da obrigação alimentar (art. 2º 
da Lei 5.478/68). 
 
Art. 2º. O credor, pessoalmente, ou por intermédio de advogado, dirigir-se-á 
ao juiz competente, qualificando-se, e exporá suas necessidades, 
PROVANDO, APENAS, o parentesco ou a OBRIGAÇÃO DE ALIMENTAR 
do devedor, indicando seu nome e sobrenome, residência ou local de 
trabalho, profissão e naturalidade, quanto ganha aproximadamente ou os 
recursos de que dispõe. 
 
 Neste caso, a primeira faculdade processual dada ao companheiro necessitado é a de 
ingressar com a ação declaratória de reconhecimento e de dissolução da união estável 
cumulada com a ação de alimentos. 
 
4.3.2. Prova pré-constituída da relação de convivência 
Por outro lado, se já houver prova pré-constituída da relação de convivência, tal como 
um contrato de União Estável, será possível ao convivente ajuizar a ação e alimentos pelo rito 
especial estabelecido na lei própria. 
4.4. LEGITIMIDADE PARA A AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL 
4.4.1. Ativa 
Terão legitimidade para figurar no polo ativo e no polo passivo de uma ação de 
reconhecimento e dissolução da união estável cumulada com outro pedido, ou não, todos aqueles 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 110 
 
que possuírem legítimo interesse, em função de terem a sua esfera jurídica atingida pelos efeitos 
da ação. 
Ainda, no que concerne à legitimidade ativa da ação de dissolução e reconhecimento da 
união estável, confere-se ao herdeiro, nos termos do art. 1.791 do Código Civil, poderes para, 
sozinho, ajuizar demanda visando a defesa da herança até a efetivação da partilha. 
Ademais, o parágrafo único do art. 1.791 do Código Civil estabelece que até a partilha, o 
direito dos coerdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á 
pelas normas relativas ao condomínio. Para tanto, não é do espólio a legitimidade ativa para 
ingressar com a ação de reconhecimento e dissolução da união estável, conclusão que se 
justifica, ainda mais, pela possibilidade de existir interesses contrários entre os herdeiros. 
4.4.2. Legitimidade passiva 
Em princípio, terá legitimidade passiva na ação declaratória de reconhecimento e 
dissolução da união estável o companheiro ou companheira. Na hipótese de seu falecimento, 
apesar da acirrada discussão doutrinária e jurisprudencial, prevaleceu que a ação de 
reconhecimento da união estável post mortem deve ser proposta contra os herdeiros do 
falecido e não contra seu espólio, pois o interesse na preservação da herança é de todos os 
sucessores habilitados. Com efeito, os herdeiros possuem legitimidade para figurar no polo 
passivo das ações de reconhecimento e dissolução da união estável, aplicando-se, o já citado art. 
1.791 do Código Civil de 2002 e seu parágrafo único. 
Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários 
sejam os herdeiros. 
Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos coerdeiros, quanto à 
propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas 
normas relativas ao condomínio. 
5. DIREITOS DA (O) CONCUBINA (O) – DIREITOS DOS AMANTES 
5.1. PREVISÃO LEGAL E ENTENDIMENTOS 
O único dispositivo que faz menção ao assunto é art. 1.727: 
 
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, 
impedidos de casar, constituem concubinato. 
 
Primeiramente coloco a visão majoritária em nossos Tribunais Superiores acerca do 
concubinato. A seguir, destaco uma visão crítica desses entendimentos, como, por exemplo, o 
reconhecimento da “TRIAÇÃO”. 
Conforme o entendimento majoritário na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e 
Supremo Tribunal Federal as relações paralelas constituídas com pessoas casadas, não 
separadas de fato, ou que já tenham constituída União Estável, não constituem família, mas 
uma mera sociedade de fato. 
Destaque-se, ainda, que conforme a doutrina de TARTUCE, também constitui concubinato 
se houver impedimento matrimonial decorrente de parentesco ou crime. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 111 
 
Nesses casos de uniões paralelas, tem-se aplicado Súmula 380 do STF, a qual, consagra 
o direito do concubino à participação patrimonial em relação aos bens adquiridos pelo esforço 
comum. 
STF SÚMULA 380 COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SOCIEDADE DE 
FATO ENTRE OS CONCUBINOS, É CABÍVEL A SUA DISSSOLUÇÃO 
JUDICIAL, COM A PARTILHA DO PATRIMÔNIO ADQUIRIDO PELO 
ESFORÇO COMUM. 
Citando, ainda, a doutrina de Flávio Tartuce, destaca-se que a jurisprudência também 
TINHA o costume de indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados. Porém, a 
tendência é afastar tal direito. 
Ademais, destaca Tartuce, a concubina não tem direito à meação patrimonial, não tem 
direito a alimentos, nem direitos sucessórios. 
Os STF e STJ também têm negado direitos previdenciários aos concubinos. 
 A ação cabível à concubina, conforme o entendimento que prevalece na jurisprudência, é 
a de RECONHECIMENTO DE DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE DE FATO, que corre na VARA 
CÍVEL. 
 
A fidelidade é um valor jurídico que deve ser protegido. Entretanto, a luz do princípio da 
intervenção mínima, não pode o Estado impor sanções à decisão de flexibilização tomada pelo 
casal. A famosa teoria do POLIAMORISMO traduzida na jurisprudência pela figura do concubinato 
consentido dá-nos a exata dimensão do que se disse. O cônjuge consente que o consorte tenha 
outro relacionamento. Já decidiu o TJ/RS pela divisão do patrimônio. 
Em linha de princípio não há direito das amantes, mormente em virtude das relações 
passageiras. O problema está quando a relação se prolonga no tempo. O STJ, como dito, tinha o 
entendimento no sentido de que a concubina de homem casado, demonstradaa contribuição 
direta ou indireta para a formação de patrimônio teria, pelo menos, direito à indenização por 
serviços prestados (REsp. 303.604 de 2003). Hoje, como visto acima, não lhe é mais concedido 
esse direito. Vislumbra-se que, se a concubina demonstra que colaborou na formação do 
patrimônio, pode-se conferir-lhe direito à parte do patrimônio (sociedade de fato). 
OBS: Em uma linha mais avançada, seguindo pensamento de autores como Maria Berenice Dias, 
tem se defendido a excepcional aplicação do direito de família, guardadas as suas justas 
proporções a luz do caso concreto. 
 
Em uma banca mais conservadora, chegar somente até a posição do STJ. 
5.2. É POSSÍVEL A EXISTÊNCIA DE DUAS FAMÍLIAS SIMULTÂNEAS (FAMÍLIAS 
PARALELAS)? 
O art. 1.727 do CC dispõe que não. Como vimos acima, pela jurisprudência dos tribunais 
superiores, também não. 
 
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos 
de casar, constituem concubinato. 
 
O concubinato é uma relação meramente obrigacional. É considerado uma mera sociedade 
de fato. Concubinato exige um caráter não eventual da relação extraconjugal. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 112 
 
 
OBS: se já há separação de fato, não se trata de concubinato, mas sim união estável. 
 
Sobre a questão cite-se julgado do STJ, que desacolhe o reconhecimento da união estável 
paralela, julgando incabível a também a equiparação ao casamento putativo, senão vejamos: 
 
UNIÃO ESTÁVEL. RECONHECIMENTO DE DUAS UNIÕES 
CONCOMITANTES. EQUIPARAÇÃO AO CASAMENTO PUTATIVO. LEI Nº 
9.728/96. 1. Mantendo o autor da herança união estável com uma mulher, o 
posterior relacionamento com outra, sem que se haja desvinculado da 
primeira, com quem continuou a viver como se fossem marido e mulher, 
não há como configurar união estável concomitante, incabível a 
equiparação ao casamento putativo. 2. Recurso especial conhecido e 
provido. REsp 789293 / RJ 
5.3. CONCLUSÕES JURISPRUDENCIAIS E DOUTRINÁRIAS 
1) A amante não pode pedir alimentos, pois isso decorre de relação familiar. Ela poderia 
pedir indenização por serviços domésticos e sexuais prestados (o que não tem sido 
aceito ultimamente). A jurisprudência recomenda que o juiz (que não é o de família) fixe 
indenização na forma de prestação periódica. 
 
2) STF e STJ dizem mais (posição anticoncubinária): não tem direito a benefícios 
previdenciários, nem indenização por serviços prestados. 
 
3) Súmula 380 do STF. MP não intervém, pois não há interesse indisponível. 
 
STF SÚMULA 380 COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE SOCIEDADE DE 
FATO ENTRE OS CONCUBINOS, É CABÍVEL A SUA DISSSOLUÇÃO 
JUDICIAL, COM A PARTILHA DO PATRIMÔNIO ADQUIRIDO PELO 
ESFORÇO COMUM. 
 
4) O §1º do art. 1.723 do CC prevê que quando a pessoa, embora casada, se encontra 
separada de fato, afasta-se o concubinato e reconhece-se a União Estável. 
 
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o 
homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do 
art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI (impedimento de 
pessoas casadas) no caso de a pessoa casada se achar separada de fato 
ou judicialmente. 
 
Contradição com o art. 1.642, V, que prevê que é mantida a comunhão de bens por 05 anos 
desde a separação de fato. 
 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de bens, tanto o marido quanto a 
mulher podem livremente: 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos 
pelo outro cônjuge ao concubino, desde que provado que os bens não 
foram adquiridos pelo esforço comum destes, se o casal estiver 
SEPARADO DE FATO POR MAIS DE CINCO ANOS; 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 113 
 
STJ: A comunhão de bens, bem como o direito à herança, cessa com a simples separação 
de fato, independentemente de prazo. Aplicação da ética na relação familiar. 
 
Lembrar que o art. 1.830 diz que o direito à herança do cônjuge sobrevivente só é afastado 
se já estavam separados de fato por mais de 02 anos. 
 
Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge 
sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam separados 
judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, 
neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do 
sobrevivente. 
 
5) Maria Berenice Dias defende que o concubinato é entidade familiar, merecendo, portanto, 
proteção (posição minoritária). 
 
6) Cristiano Chaves, entre outros, defende que embora o concubinato não tenha amparo 
legal, a união estável putativa pode ter. É o concubinato de boa-fé. A amante não sabe 
que é amante. Nesse caso, se devem garantir direitos à amante. Essa união estável 
putativa pode-se basear também na boa-fé objetiva. Nesse caso, é possível falar em 
paralelismo (“família paralela”), em concubinato como entidade familiar (ou ainda: uniões 
estáveis – uma união e outra união putativa). Seria um meio termo entre a legislação e a 
posição da pobre MBD. 
 
 É uma posição doutrinária não acolhida pela jurisprudência, que aplica a regra da 
exclusividade da família. 
5.4. VEDAÇÕES AO CONCUBINATO 
1) Doação ao concubino, sob a pena de anulabilidade, Art. 550 do CC. 
 
Art. 550. A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada 
pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois 
de dissolvida a sociedade conjugal. 
 
2) Proibição de seguro de vida ao concubino. Art. 793 do CC. 
 
Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao 
tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se 
encontrava separado de fato. 
 
3) Proibição de herança ou legado ao concubino, sob pena de nulidade. Art. 1.801. 
 
Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: 
.... 
III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver 
separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; 
5.5. “CONCUBINATO PURO” E “CONCUBINATO IMPURO” 
CONCUBINATO “LATO SENSU” 
CONCUBINATO PURO CONCUBINATO IMPURO 
União estável (entidade familiar) Sociedade de fato (súmula 380 STF) 
Pessoa solteira, viúva, divorciada, separada Impedimentos: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 114 
 
de fato. -Pessoa casada não separada (“concubinato 
adulterino”). 
-Impedimento de parentesco. 
-Impedimento de crime. 
Vara de Família Vara Cível 
 
VI. PARENTESCO 
1. CONCEITO 
Segundo o professor Caio Mário, o parentesco é a mais importante e constante relação 
humana. Na vereda do pensamento de Maria Helena Diniz, trata-se da relação vinculatória entre 
pessoas que descendem umas das outras ou, de um mesmo tronco comum (consanguíneo), bem 
como o vínculo existente entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do outro (afinidade). 
Além disso, o parentesco poderá ainda ser civil: é aquele derivado da afetividade, como se 
dá na adoção e na reprodução humana assistida. 
MBD afirma que parentesco e família não se confundem. As relações de parentesco 
decorrem de vínculos de consanguinidade e de afinidade. Além disso, cônjuges e companheiros 
não são parentes. A identificação dos vínculos de parentesco tem reflexos nos impedimentos 
matrimoniais, na obrigação alimentar e no direito sucessório. 
2. PARENTESCO CONSANGUÍNEO (OU NATURAL) 
É a relação que vincula pessoas que derivam de um mesmo tronco comum (arts. 1.591 e 
1.592). 
 
Art. 1.591. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para 
com as outras na relação de ascendentes e descendentes. 
 
Art. 1.592. São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto 
grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma daoutra. 
 
Tanto pode ser na linha reta, quanto na linha colateral. Lembrando que na linha reta o 
parentesco é ad infinitum. Já na linha colateral o parentesco consanguíneo limita-se ao quarto 
grau (primos, sobrinho-neto e tio-avô). 
 Com relação aos irmãos, MDB enfatiza a inconstitucionalidade da distinção por estirpe, 
que diferencia entre irmãos germanos e irmãos unilaterais. Salienta que não faz sentido assegurar 
direitos sucessórios diferenciados (CC, art. 1841), quando a obrigação alimentar entre todos os 
irmãos é a mesma (CC, art. 1697). 
 
Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos 
unilaterais, cada um destes herdará metade do que cada um daqueles 
herdar. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 115 
 
Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, 
guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim 
germanos como unilaterais. 
 
No que se refere à obrigação alimentar, MBD afirma que, a despeito da enumeração do 
art. 1697 do CC, a obrigação de prestar alimentos se estende entre todos os parentes colaterais, e 
não apenas aos irmãos, já que os direitos sucessórios os alcançam (CC, art. 1829). 
 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: 
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo 
se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da 
separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no 
regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens 
particulares; 
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; 
III - ao cônjuge sobrevivente; 
IV - aos colaterais. 
2.1. PARENTESCO POR AFINIDADE 
Já o parentesco por afinidade, que também pode ser na linha reta ou colateral, é aquele 
travado entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do outro. Entre os cônjuges não há 
parentesco, há casamento. O vínculo não é parental; é CASAMENTÁRIO. 
O parentesco por AFINIDADE na linha reta também é ad infinitum. Já na linha colateral, 
limita-se ao cunhadio (2º grau). Com a sogra o sujeito jamais pode casar; mas com a cunhada 
pode. 
MBD sustenta que se o parentesco por afinidade na linha reta se mantém mesmo após o 
fim do casamento ou da união estável, deve ser mantido o dever de alimentar, subsidiário e 
complementar, entre ex-sogro/ex-sogra e ex-genro/ex-nora. Isso seria decorrência da 
solidariedade familiar. A responsabilidade alimentar, pelo mesmo motivo, também se manteria 
entre padrasto e enteado. 
Lembrando que, JURIDICAMENTE, não existe relação de parentesco entre parentes por 
afinidade (concunhado não é parente). 
Berenice Dias sustenta que o vínculo de afinidade também se estabelece com relação aos 
filhos de um dos cônjuges ou companheiros. Reconhece-se a filiação socioafetiva. 
2.2. DISTINÇÕES ENTRE PARENTESCO NA LINHA RETA, COLATERAL E POR AFINIDADE 
 Parentes em linha reta: descendem um dos outros e o grau é ilimitado. Os vínculos são 
perpétuos (inclusive na afinidade). O grau de parentesco na linha reta é contado pelo número de 
gerações. 
 
 Parentes em linha colateral: têm somente um ascendente comum e é limitado ao quarto 
grau na consanguinidade e ao segundo grau na afinidade. O parentesco na linha colateral nunca 
se dissolve. Contudo, na afinidade, findo o relacionamento, o parentesco termina (lembrando que 
o impedimento na linha reta – sogra – continua, embora MBD defenda que o parentesco se 
mantém). O grau de parentesco entre colaterais é contado também pelo número de gerações, 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 116 
 
“mas é necessário subir até o ascendente comum e depois descer até o outro parente para se 
identificar o grau de parentesco (CC 1.594)”. 
 
 
VII. FILIAÇÃO (PARTE I) 
1. CONCEITO 
A filiação pode ser conceituada como sendo a relação jurídica decorrente do parentesco 
por consanguinidade ou outra origem, estabelecida particularmente entre os ascendentes e 
descendentes de primeiro grau. 
O dispositivo inaugural quanto ao tema, o art. 1.596 do CC, consagrando o princípio da 
igualdade entre os filhos, repete o que consta no art. 227, §6º da CF (visto abaixo). 
CC Art. 1.596. Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por 
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer 
designações discriminatórias relativas à filiação. 
2. PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
Princípio da isonomia: Todos os filhos têm direitos iguais (CF/88). 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, 
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 117 
 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, 
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações 
discriminatórias relativas à filiação. 
 
*O reconhecimento dos filhos pode ser voluntário ou judicial (forçado). 
 
*O critério de filiação pode ser legal, biológico ou socioafetivo. 
 
Vejamos: 
3. RECONHECIMENTO DE FILHOS 
3.1. INTRODUÇÃO 
O art. 1.597 (pater is est, será visto abaixo) firma a presunção relativa de filiação para a 
prole havida no casamento. O reconhecimento de filhos no direito brasileiro se submete a dois 
critérios. 
 
1) Reconhecimento voluntário: é o que ocorre por ato espontâneo do pai e/ou da mãe. 
 
2) Reconhecimento forçado: se dá através de ação filiatória (ação de investigação de 
paternidade). 
3.2. FORMAS DE RECONHECIMENTO VOLUNTÁRIO DE FILHO (CC, ART. 1.609). 
PERFILHAÇÃO. 
3.2.1. Regras 
É ato espontâneo do pai e/ou da mãe, tendo em vista que pode ser feito em conjunto ou 
separadamente. 
 
Art. 1.609. O reconhecimento dos filhos havidos FORA DO CASAMENTO 
(porque no casamento temos o critério da presunção legal) é irrevogável e 
será feito: 
I - no registro do nascimento; 
 
Mediante declaração de nascido vivo. 
II - por escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartório; 
Cartório de registro civil. 
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado; 
 
Mesmo revogando o testamento, o reconhecimento não é revogado. Em que pese a 
revogabilidade do testamento, é irrevogável a cláusula deste que reconhece o filho. 
 
IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o 
reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o 
contém. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 118 
 
No curso de qualquer audiência. No curso de qualquer audiência, ainda que o tema do 
processo não seja a paternidade, e mesmo que declarada por acidente pelo pai. 
 
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho 
ou ser posterior ao seu falecimento, se ele deixar descendentes. 
 
Duas regras: 
1) Pode o nascituro ser reconhecido; 
 
2) Pode o filho morto ser reconhecido, mas somente se deixar descendentes (para evitar 
interesses patrimoniais), os ascendentes não herdam, de modo que inibirá o pai de 
reconhecer o filho apenas para ser herdeiro. 
 
Tais regras são previstas também no art. 26 do ECA 
ECA Art. 26 Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o 
nascimento do filho ou suceder-lhe ao falecimento, se deixar descendentes. 
 
Todavia, o reconhecimento póstumo do filho encontra limite, qual seja, o reconhecimento 
do filho morto só é possível se ele deixou descendentes. Isto porque poderia o pai que nunca 
considerou o filho, reconhecê-lo apenas para virar sucessor deste, ou seja, usar a facultatividade 
do reconhecimento comouma conduta de torpeza, buscando auferir vantagem patrimonial 
indevida. Mas tendo o filho a ser reconhecido deixado descendentes, os ascendentes não 
herdam, de modo que inibirá o pai de reconhecer o filho apenas para ser herdeiro. Por isso, nessa 
hipótese, é permitido o reconhecimento póstumo. 
 OBS: na época em que vigia a classificação entre filhos legítimos e ilegítimos, era proibido 
o reconhecimento de filhos na ata de casamento, pois esse filho já seria reconhecido como 
ilegítimo. Hoje, pela igualdade constitucional entre os filhos, foi revogada essa proibição, podendo 
haver tal reconhecimento. 
3.2.2. Natureza jurídica do ato de reconhecimento de filhos 
A natureza jurídica desse ato é de confissão, se enquadrando como ato jurídico em 
sentido estrito (com efeitos pré-determinados por lei), sendo por isso IRREVOGÁVEL e 
IRRETRATÁVEL. 
Apesar da irrevogabilidade e irretratabilidade do ato de reconhecimento, é possível sua 
anulação, por meio de medida judicial que o desconstitua. 
3.2.3. Unilateralidade e bilateralidade do reconhecimento de filho 
Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu 
consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro 
anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. 
 
1) Filho menor – ato unilateral do genitor: Em se tratando de filho menor de idade, o 
reconhecimento será unilateral, vale dizer, depende somente da vontade do pai. 
 
2) Filho maior – ato bilateral – necessidade de consentimento do filho: Em se tratando, 
porém, de filho maior e capaz, o reconhecimento será bilateral, e depende de anuência do 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 119 
 
reconhecido. Aqui, mais uma vez, busca-se evitar o comportamento torpe do pai, que 
busca reconhecer o filho já maior de idade, o qual ele nunca considerou, apenas no intuito 
de auferir vantagem econômica, como pleitear alimentos. 
3.2.4. Características do reconhecimento voluntário de filho 
Ato solene, espontâneo, irrevogável, incondicional, personalíssimo (ninguém pode 
reconhecer meu filho por mim). 
OBS: Admite-se o reconhecimento por procurador com poderes especiais (art. 59 da Lei de 
Registros Públicos). 
 
LRP Art. 59. Quando se tratar de filho ilegítimo, não será declarado o nome 
do pai sem que este expressamente o autorize e compareça, por si ou por 
procurador especial, para, reconhecendo-o, assinar, ou não sabendo ou 
não podendo, mandar assinar a seu rogo o respectivo assento com duas 
testemunhas. 
 
A doutrina, em geral, entende que o menor RELATIVAMENTE incapaz pode 
reconhecer um filho sem ser assistido. Conforme Marcos Bernardes de Melo, não se trata de 
celebração de negócio jurídico, por isso a assistência é desnecessária. 
Agora, no caso de menor ABSOLUTAMENTE incapaz, por cautela, deve haver um 
procedimento para registro junto ao juiz, com intervenção do Ministério Público (Maria Berenice 
Dias). 
OBS: O procedimento de registro pode observar ainda a Lei 9.560/92. 
 
CC Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu 
consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro 
anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. 
 
Há até quem critique esse prazo, pois seria um obstáculo à busca da verdade real. 
3.2.5. Impugnação do reconhecimento de paternidade pelo filho 
O CC, no art. 1.614, permite que o filho menor impugne a paternidade que lhe foi 
reconhecida, desde que tal medida seja adota em até 04 anos após atingir a MAIORIDADE ou ser 
EMANCIPADO. Este direito é potestativo e se sujeita ao prazo decadencial de 04 anos, contados, 
como já dito, da maioridade ou da emancipação do filho. 
Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu 
consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro 
anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação. 
3.2.6. Ação negatória de paternidade x Ação de impugnação de paternidade 
 Ação NEGATÓRIA de 
Paternidade 
Ação IMPUGNATÓRIA de 
Paternidade 
 LEGITIMIDADE Pai e herdeiros. Somente o filho. 
 PRAZO Imprescritível Decadencial de 04 anos 
FUNDAMENTO Depende de causa de pedir É imotivada, ou seja, basta o 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 120 
 
expressa. pedido do filho. 
DISPOSITIVO CC 1.601. Art. 1.601. Cabe ao 
marido o direito de contestar a 
paternidade dos filhos nascidos de 
sua mulher, sendo tal ação 
imprescritível. Parágrafo único. 
Contestada a filiação, os herdeiros 
do impugnante têm direito de 
prosseguir na ação. 
CC. Art. 1.614. O filho maior não 
pode ser reconhecido sem o seu 
consentimento, e o menor pode 
impugnar o reconhecimento, nos 
quatro anos que se seguirem à 
maioridade, ou à emancipação. 
 
 
3.3. RECONHECIMENTO JUDICIAL DOS FILHOS 
É o que se dá por meio da ação filiatória. Essa ação é a famosa AÇÃO INVESTIGATÓRIA 
DE PATERNIDADE. 
OBS: Chaves sustenta não ser o nome investigação de paternidade o mais adequado, pois 
é possível investigar outras relações de parentesco, tais como o vínculo de maternidade ou a 
relação parental avoenga, de modo que o nome mais adequado seria AÇÃO INVESTIGATÓRIA 
DE PARENTALIDADE. 
3.3.1. Ação investigatória de paternidade 
1) Competência 
Sobre a competência para ação investigatória de paternidade, muito importante atentar-se 
para a Súmula n. 01 do STJ. 
 Nos termos da Súmula 01 do STJ, a ação de paternidade cumulada com alimentos a 
competência é do foro do DOMICÍLIO DO AUTOR. 
 
STJ SÚMULA Nº 1. O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o 
competente para a ação de investigação de paternidade, quando 
cumulada com a de alimentos. 
 
Fazendo-se a leitura a contrário senso da súmula em análise, tem-se que a investigatória 
de paternidade NÃO cumulada com alimentos segue a regra geral de foro do art. 43 do NCPC, ou 
seja, o foro competente será do domicílio do réu. 
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens 
móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. 
 
Todavia, tanto em um como em outro caso, temos hipótese de competência relativa, que, 
como é sabido, não pode ser conhecida de ofício pelo magistrado, nos termos da Súmula 33 do 
STJ: 
 
STJ S.33. A incompetência relativa NÃO pode ser declarada de ofício. 
 
OBS: Posição de Nelson Nery: sustenta que toda ação de paternidade, em razão do art. 
7º, traz consigo implicitamente pedido de alimento. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 121 
 
Lei 8560/92 (investigação de paternidade - LIP) 
Art. 7° Sempre que na sentença de primeiro grau se reconhecer a 
paternidade, nela se fixarão os ALIMENTOS provisionais ou definitivos do 
reconhecido que deles necessite. 
 
Com base no entendimento de Nelson Nery, Chaves considera que, na verdade, a 
competência para julgar a ação investigatória SEMPRE será do domicílio do autor. Todavia, este 
entendimento é controvertido, de regra, adota-se o entendimento da Súmula 01 do STJ. 
2) Cumulabilidade de pedidos 
O sistema processual brasileiro permite a cumulação de pedidos em um mesmo processo. 
Do mesmo modo, na investigação de paternidade pode haver essa cumulação de pedido. 
Quando se fala em cumulação de pedidos na ação investigatória, logo se pensa em 
alimentos. Todavia, outras hipóteses existem, tais como o pedido de petição de herança ou a 
indenização por danos morais afetivos. 
 OBS: quando houver cumulação de pedidos na investigação, sua imprescritibilidade não 
alcançará os demais pedidos cumulados, nos termos da súmula 149 do STF: 
 STF Súmula nº 149. É IMPRESCRITÍVEL A AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE 
PATERNIDADE, MAS NÃO O É A DE PETIÇÃO DE HERANÇA. 
 
OBS: A petição de herança prescreve em 10 anos e ação indenizatória em 03 anos. 
3) Termo inicial dos alimentos na ação investigatória de paternidadeO STJ editou a súmula 277, pacificando a matéria, dizendo que os alimentos na ação 
investigatória serão devidos desde a citação. 
STJ S. nº 277. Julgada procedente a investigação de paternidade, os 
alimentos são devidos a partir da CITAÇÃO. 
 
Essa sumula 277 do STJ está conectada com o art. 13 da Lei de Alimentos: 
Art. 13 O disposto nesta lei aplica-se igualmente, no que couber, às ações 
ordinárias de desquite, nulidade e anulação de casamento, à revisão de 
sentenças proferidas em pedidos de alimentos e respectivas execuções. 
§ 1º. Os alimentos provisórios fixados na inicial poderão ser revistos a 
qualquer tempo, se houver modificação na situação financeira das partes, 
mas o pedido será sempre processado em apartado. 
§ 2º. Em qualquer caso, os alimentos fixados retroagem à DATA DA 
CITAÇÃO. 
§ 3º. Os alimentos provisórios serão devidos até a decisão final, inclusive o 
julgamento do recurso extraordinário. 
 
No Brasil a única hipótese de alimentos que NÃO serão devidos desde a CITAÇÃO é a 
hipótese dos alimentos GRAVÍDICOS, que serão devidos desde a concepção, além dos 
alimentos PROVISIONAIS, que serão desde o despacho da petição inicial. 
 LAG (lei dos alimentos gravídicos) Art. 2o Os alimentos de que trata esta 
Lei compreenderão os valores suficientes para cobrir as despesas 
adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, DA 
CONCEPÇÃO AO PARTO, inclusive as referentes à alimentação especial, 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 122 
 
assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, 
parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas 
indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere 
pertinentes. [...] 
 
Relembrando: alimentos provisórios x provisionais. 
PROVISÓRIOS PROVISIONAIS 
São aqueles fixados de imediato na ação de 
alimentos que segue o rito especial previsto na Lei 
7.478/68. Em outras palavras: estão fundados na 
obrigação alimentar e, por isso, exigem prova pré-
constituída do parentesco (certidão de 
nascimento) ou do casamento (certidão de 
casamento). São frutos da cognição sumária do juiz 
antes mesmo de ouvir o réu da demanda. 
São aqueles fixados em outras ações que não 
seguem o rito especial mencionado, visando 
manter a parte que os pleiteia no curso da lide, por 
isso sua denominação AD LITEM. São fixados por 
meio de antecipação de tutela em ações em que 
não há a mencionada prova pré-constituída, caso 
da ação de investigação de paternidade ou da 
ação de reconhecimento e dissolução da união 
estável. Nesse sentido, dispõe o art. 1.706 do atual 
CC que “os alimentos provisionais serão fixados 
pelo juiz nos termos da lei processual”. 
 
4) Legitimidade na ação de investigação de paternidade 
 Legitimidade ativa: pode ser promovida pelo filho, que se for menor, será representado 
ou assistido. Ainda, até mesmo o nascituro pode ajuizar a demanda. 
O filho tem legitimidade ainda que esteja registrado em nome de outro homem. Nesse 
caso, todavia, haverá um litisconsórcio passivo necessário entre o suposto pai e o pai registral, em 
razão da natureza jurídica da relação, pois a questão da filiação tem de ser decida da mesma 
forma para os dois, ou seja, unitariamente (litisconsórcio necessário unitário). 
O MP também possui legitimidade para o ingresso desta ação. Essa legitimidade do 
Parquet independe da existência ou não do procedimento de investigação oficiosa de paternidade. 
Legitimidade passiva: o réu da investigação de paternidade é o suposto pai. Todavia, se 
o suposto pai for falecido, a legitimidade passiva será dos HERDEIROS e NÃO do espólio. Isto 
porque o espólio somente representa os interesses do morto no ÂMBITO PATRIMONIAL, e a 
ação investigatória é pessoal e trata de DIREITOS EXISTENCIAIS. 
Há possibilidade, como já foi dito, de formação de litisconsórcio passivo na ação 
investigatória. 
IMPORTANTE – INFORMATIVO 578 STJ 
 
5) Coisa julgada na investigação de paternidade 
Para o STJ a coisa julgada na ação de investigação de paternidade segue o regime 
secundum eventum probationis (mesmo modelo das ACPs). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 123 
 
A coisa julgada Secundum Eventum Probationis é a coisa julgada que incide tão somente 
sobre a prova que foi produzida, ou seja, a coisa julgada não incide sobre a decisão, a menos que 
tenha se esgotado a possibilidade probatória. Com isso, se uma ação de investigação de 
paternidade foi julgada improcedente, mas nela não foi realização o exame de DNA, será possível 
repropor a ação, pois se tem uma prova nova que poderá alterar o resultado da demanda. Mas 
lembre-se que essa não realização da prova tem de decorrer da impossibilidade de sua 
realização, e não meramente da recusa das partes em se submeter a ela. 
Na ação de investigação de paternidade que mais se aplicado a teoria da relativização da 
coisa julgada. 
STJ: 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Em 1995, Daniel ajuizou uma ação de investigação de paternidade contra Honofre, seu 
suposto pai, tendo esta sido julgada improcedente. Vale ressaltar que, na época, não foi realizado 
exame de DNA, que ainda era raro no Brasil. A sentença transitou em julgado. 
Daniel poderá ajuizar nova ação de investigação de paternidade contra Honofre pedindo 
agora a realização do exame de DNA? É possível flexibilizar a coisa julgada material formada em 
investigação de paternidade julgada improcedente e na qual não foi feito exame de DNA? 
SIM, é possível a flexibilização da coisa julgada material nas ações de investigação de 
paternidade, na situação em que o pedido foi julgado improcedente por falta de prova. 
Esse é o entendimento do Plenário do STF: 
(...) Deve ser relativizada a coisa julgada estabelecida em ações de 
investigação de paternidade em que não foi possível determinar-se a efetiva 
existência de vínculo genético a unir as partes, em decorrência da não 
realização do exame de DNA, meio de prova que pode fornecer segurança 
quase absoluta quanto à existência de tal vínculo. (...) (STF RE 363889, 
Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 02/06/2011) 
 
Cuidado: o STJ, até bem pouco tempo, vinha adotando entendimento diverso sob o 
argumento de que haveria violação à segurança jurídica (nesse sentido: AgRg no 
REsp1257855/RS, AgRg no REsp 1236166/RS). No entanto, como a decisão do STF foi tomada 
pelo Plenário, o STJ vem, aos poucos, também decidindo que é possível a relativização da coisa 
julgada nesses casos (AgRg no REsp 929.773-RS). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 124 
 
Exceção: 
Não será cabível a nova propositura de ação de investigação de paternidade, caso a 
primeira tenha sido julgada improcedente pelo fato de ter sido comprovado, segundo as técnicas 
científicas existentes à época, que o autor não pode ser filho do réu (ex: o exame de sangue 
atestou que o grupo sanguíneo do suposto pai é incompatível com o do autor): 
“Não se admite o ajuizamento de nova ação para comprovar a paternidade 
mediante a utilização de exame de DNA, em caso no qual o pedido anterior 
foi julgado improcedente com base em prova pericial produzida de acordo 
com a tecnologia então disponível, a qual excluiu expressamente o 
pretendido vínculo genético, em face da impossibilidade de duas pessoas 
do tipo sanguíneo "O” gerarem um filho do grupo A. Hipótese distinta da 
julgada pelo STF no RE 363.889.” (STJ AgRg no REsp 929773/RS, Rel. 
Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 06/12/2012). 
. 
 
4. CRITÉRIOS DE FILIAÇÃO 
4.1. CRITÉRIO DE FILIAÇÃO POR PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 1.597: PRESUNÇÃO 
RELATIVA DE FILIAÇÃO (“pater is est”) 
O art. 1.597 firma a presunção RELATIVA de filiação para a prole havida no casamento. 
 
Art. 1.597. PRESUMEM-se concebidos na constância doCASAMENTO os 
filhos: 
 
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a 
convivência conjugal; 
 
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade 
conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento; 
 
 A causa suspensiva do casamento pela turbatio sanguinis encontra sua justificativa aqui. 
 
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o 
marido; 
 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões 
excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; 
 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
 
É uma presunção exclusiva do casamento, não se aplicando à União Estável. 
 
OBS: Chaves diz que não há problema em o dispositivo diferenciar o Casamento da União 
Estável, pois a CF não estabelece a igualdade entre as instituições, mas apenas garante a 
proteção das duas. Todavia, considera que estabelecer presunção para filhos oriundos do 
casamento, sem fazer o mesmo para a União Estável cria diferença entre os filhos e isso sim não 
é correto. Há uma tendência na Europa em acabar com essa forma de paternidade (paternidade 
por presunção decorrente do casamento), tendo em vista a existência de meios mais modernos 
de se estabelecer a paternidade, tal como o DNA. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 125 
 
Em que pese a observação acima, o CC de 2002 não só manteve a presunção de 
paternidade decorrente do casamento, como a ampliou, estendendo também para a concepção 
artificial (como se depreende dos incisos III, IV e V do art. supracitado). 
4.2. CRITÉRIO DE FILIAÇÃO SOCIOAFETIVO: PATERNIDADE SOCIOAFETIVA 
Evolução da paternidade: 
1) 1ª fase da paternidade no Brasil: paternidade LEGAL ou JURÍDICA (final do século 
XIX e início do século XX): cabia à lei determinar quem era o pai; havia uma presunção 
quase intransponível de que o marido da genitora era o pai; 
 
2) 2ª fase da paternidade no Brasil: paternidade BIOLÓGICA ou CIENTÍFICA: o direito 
deixa de atribuir importância à lei e passa a atribuir importância à ciência. O pai é definido 
pelo exame de DNA. 
 
3) 3ª fase da paternidade no Brasil: paternidade socioafetiva: valoriza a paternidade não 
decorrente de laços sanguíneos, aprimora a paternidade biológica ou científica. Eis um 
julgado que retrata isso: 
Pai vai ao cartório e reconhece um filho que era de sua companheira, mas não seu. Com 
essa mesma companheira, teve outros cinco filhos de sangue. O pai morreu e os cinco irmãos de 
sangue ingressaram em juízo para dizer que o pai declarou falsamente a paternidade do meio-
irmão. Objetivo: parcela maior na herança. O TJ/PR negou o pedido sob o fundamento da 
paternidade socioafetiva. 
4.3. CRITÉRIO BIOLÓGICO 
Via exame de DNA. Veremos com mais profundidade os critérios de filiação na parte II. 
Esta foi uma noção introdutória. 
VIII. FILIAÇÃO (PARTE II) 
*Cristiano Chaves 
1. ISONOMIA ENTRE OS FILHOS – CF/88 
O CC de 1916 era retrato de uma sociedade conservadora, adotava o sistema francês de 
filiação, diferenciando os filhos legítimos dos ilegítimos. Pela revogada Codificação Civil, os filhos 
ilegítimos tinham apenas metade dos direitos conferidos aos filhos legítimos. Ainda, a antiga 
norma civil estabelecia que os filhos adotados não possuíam direito algum, até porque a adoção 
no CC de 1916 era tratada como uma relação contratual, extinguindo-se com a morte do adotante. 
 
Contudo, a CF/88, nos seus artigos 226 e 227, estabeleceu a igualdade entre os filhos, 
vedando, para além da mera discriminação em relação aos direitos econômicos, até mesmo as 
designações discriminatórias, como a distinção entre filhos legítimos e ilegítimos. Com a CF/88, 
filho passou a ser simplesmente filho. 
 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, 
ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 126 
 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
 
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, 
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações 
discriminatórias relativas à filiação. 
 
Assim, note-se que a igualdade entre os filhos estabelecida pela CR, seja qual for a origem 
destes (frutos do casamento, união estável, concubinato, adoção), é, além de econômica, também 
emocional e afetiva. 
 
Todavia, essa igualdade se dá sob o prisma da isonomia, ou seja, se refere a uma igualdade 
substancial, de modo que pode haver, por exemplo, pensões alimentícias em patamares 
diferentes entre os filhos, desde que a necessidade de todos sejam atendidas da mesma maneira. 
 
O art. 1.593 do novo CCB reconhece a isonomia estabelecida pela CF: 
 
Art. 1.593. O parentesco é NATURAL ou CIVIL, conforme resulte de 
consanguinidade ou outra origem. 
2. FORMAS (CRITÉRIOS) DE FILIAÇÃO 
2.1. ESPÉCIES 
A filiação pode decorrer de três critérios (critérios de filiação): 
1) Critério da Presunção Legal (presunção pater is est): o filho da mãe casada 
presumidamente é do seu respectivo marido. 
 
2) Critério Biológico: a paternidade é estabelecida pelo DNA (investigação de 
paternidade). 
 
3) Critério Socioafetivo: a paternidade é estabelecida pelos laços de convivência entre 
pais e filhos 
 
OBS: tendo em vista a isonomia entre os filhos estabelecida na CF, não há hierarquia entre tais 
critérios. 
 
Vejamos: 
2.2. CRITÉRIO DA PRESUNÇÃO LEGAL (PRESUNÇÃO PATER IS EST) 
2.2.1. Conceitos 
É uma presunção relativa, podendo ser desfeita. É prevista no art. 1.597. 
 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os 
filhos: 
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a 
convivência conjugal; 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 127 
 
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da 
sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do 
casamento; 
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o 
marido; 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões 
excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
 
Em que pese a observação acima, o CC de 2002 não só manteve a presunção, como a 
ampliou, estendendo também para a concepção artificial: 
 
Art. 1.597 
... 
III - havidos por FECUNDAÇÃO artificial homóloga, mesmo que falecido o 
marido; 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões 
excedentários, decorrentes de CONCEPÇÃO artificial homóloga; 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
 
CONCEPÇÃO BIOLÓGICA CONCEPÇÃO ARTIFICIAL 
É a concepção tradicional, realizada por meio 
do ato sexual. 
É a concepção realizada por fertilização 
medicamente assistida, a qual pode se dar de 
duas formas: 
 
1) Fertilização em vitro: também chamada de 
fertilização na proveta, ocorre quando o médico 
prepara o embrião em laboratório, para depois 
inseri-lo no corpo da mulher. 
 
2) Inseminação artificial: Aqui o médico trabalho 
apenas com o sêmen, realizando a concepção 
diretamente no útero da mulher (in vivo). 
 
Fecundação 
homóloga: médico 
trabalha somente 
material genético do 
próprio casal. 
Fecundação 
heteróloga: aqui o 
médico trabalha com 
material genético de 
pessoa estranha ao 
casal. 
2.2.2. A presunção legal pelo casamento 
1) Concepção SEXUAL (art.1597, I e II) 
 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a 
convivência conjugal; 
Prazo mínimo de gestação. 
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade 
conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento; 
Prazo máximo de gestação. 
 
OBS: A causa suspensiva do casamento pela turbatio sanguinis encontra sua justificativa aqui. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 128 
 
2) Concepção ARTIFICIAL (art. 1597, III, IV, e V) 
 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
 
... 
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o 
marido; 
 
OBS: o filho concebido por fecundação artificial DEPOIS do falecimento do pai, na forma 
do art. 1.597, III, do CC pode ser herdeiro? 
Para esta pergunta, duas posições, ambas baseadas no art. 1.798 do CC: 
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já 
CONCEBIDAS no momento da abertura da sucessão. 
 
1ª C – Caio Mário – Concepção tem sentido apenas uterino, de modo que para esta 
corrente, a concepção não abrangeria o embrião de laboratório. Por isto, o filho gerado por esta 
forma de concepção não seria herdeiro. 
2ª C - Maria Berenice Dias e Giselda Hironaka – PREVALECE: Concepção tem sentido 
amplo, de modo que abrange a um só tempo a concepção uterina e ambulatorial, assim, mesmo o 
embrião concebido em laboratório teria direito sucessório. Cristiano se filia a esta corrente, por 
entender que ela vai ao encontro da busca da igualdade entre os filhos, seja qual for sua origem. 
 Nesse caso, o filho oriundo do sêmen utilizado para concepção após a morte do pai 
seria herdeiro? NÃO, pois o art. 1.798 fala em concebido, que equivale a embrião: 
 
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas 
no momento da abertura da sucessão 
 
Repita-se: o art. 1.798 fala em concebido, que equivale a embrião. Assim, o sêmen 
congelado não tem capacidade sucessória, pois, obviamente, não é embrião. Desse modo, 
se o falecido deixou apenas o sêmen congelado, que ainda não foi utilizado, eventual filho que 
resulte da utilização desse sêmen será filho pelo critério biológico, mas não será seu sucessor. 
 
Veja que a relação de parentesco não é afetada, mas apenas a sucessória. Desse modo, 
esse filho teria direito, por exemplo, pleitear alimentos dos avôs. 
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: 
... 
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões 
excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; 
 
OBS1: por quanto tempo deve ser guardado o feto criogenizado (congelado)? A Lei 
da biossegurança, em seu art. 5º (já declarado constitucional pelo STF – ADI 3510), estabelece 
que o médico deve guardar o embrião congelado por 03 (três) anos. Depois desse prazo deve 
procurar o casal e perguntar se desejam ter o filho. Se o casal não mais desejar a prole, o embrião 
poderá ser encaminhado para pesquisas com células-tronco. 
OBS2: O direito brasileiro permite a preparação de embriões para células-tronco? 
Não, o direito brasileiro somente permite o preparo de embriões com finalidade reprodutiva. O 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 129 
 
encaminhamento para pesquisas com células-tronco é apenas o descarte de embriões que 
sobraram, dentre aqueles destinados a reprodução. 
Art. 1.597 
... 
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia 
autorização do marido. 
 
Exemplo: Marido estéril. Vê-se que essa autorização tem natureza de verdadeiro 
reconhecimento de filho. Essa é a única hipótese de presunção absoluta de filho. 
OBS1: porque há essa presunção ABSOLUTA de filiação? Se se permitisse ao marido 
que autorizasse a fertilização heteróloga e depois impugnasse a paternidade, seria permitido uma 
ação contraditória, as quais, como se sabe são vedadas pelo venire contra factum proprium. 
OBS2: JDC 257 
JDC 257 - Art. 1.597: As expressões “fecundação artificial”, “concepção 
artificial” e “inseminação artificial”, constantes, respectivamente, dos incs. III, 
IV e V do art. 1.597 do Código Civil, devem ser interpretadas 
restritivamente, não abrangendo a utilização de óvulos doados e a 
gestação de substituição (leia-se: barriga de aluguel). 
2.2.3. Questionamentos importantes (retirados do Livro do Tartuce) 
QUESTÃO1: As presunções dos incisos III, IV e V do art. 1.597 do CC devem ser aplicadas 
também nos casos de União Estável? Quais os argumentos a favor e contrários a esse 
entendimento? 
 
Conforme a melhor doutrina, as presunções dos incisos. III, IV e V do art. 1.597 devem ser 
aplicadas à união estável. Consolidando tal forma de pensar, na VI Jornada de Direito Civil foi 
aprovado o Enunciado n. 570, in verbis: 
“O reconhecimento de filho havido em união estável fruto de técnica de 
reprodução assistida heteróloga ‘a patre’ consentida expressamente pelo 
companheiro representa a formalização do vínculo jurídico de paternidade-
filiação, cuja constituição se deu no momento do início da gravidez da 
companheira”. 
 
Em complemento, o STJ já concluiu que os incisos anteriores do art. 1.597 também se 
aplicam à união estável, deduzindo que: 
 “a presunção de concepção dos filhos na constância do casamento prevista 
no art. 1.597, II, do CC se estende à união estável. Para a identificação da 
união estável como entidade familiar, exige-se a convivência pública, 
contínua e duradoura estabelecida com o objetivo de constituição de família 
com atenção aos deveres de lealdade, respeito, assistência, de guarda, 
sustento e educação dos filhos em comum. O art. 1.597, II, do CC dispõe 
que os filhos nascidos nos trezentos dias ubsequentes à dissolução da 
sociedade conjugal presumem-se concebidos na constância do casamento. 
Assim, admitida pelo ordenamento jurídico pátrio (art. 1.723 do CC), 
inclusive pela CF (art. 226, § 3.º), a união estável e reconhecendo-se nela a 
existência de entidade familiar, aplicam-se as disposições contidas no art. 
1.597, II, do CC ao regime de união estável” (STJ, REsp 1.194.059/SP, Rel. 
Min. Massami Uyeda, j. 06.11.2012, publicado no seu Informativo n. 508). 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 130 
 
Essa realmente parece ser a melhor conclusão. Primeiro, porque não há vedação de 
aplicação da norma por analogia, pois não se trata de norma restritiva da autonomia privada. 
Segundo, a união estável é entidade familiar protegida no Texto Maior, o que deve abranger os 
filhos havidos dessa união. 
Nesse sentido, o PL 470/2013 – PL 2.285/2007 – pretende introduzir previsão expressa a 
respeito da presunção na relação convivencial. Consigne-se que a recente Resolução 2.121/2015, 
do Conselho Federal de Medicina, na linha da anterior Resolução 2.013/2013 do mesmo Órgão, 
consagra a possibilidade de companheiros, inclusive homoafetivos masculinos e femininos, 
fazerem uso de tais técnicas. 
QUESTÃO2: É possível a inseminação artificial heteróloga em caso de UNIÃO 
HOMOAFETIVA? 
 
A doutrina sempre debateu a possibilidade jurídica da técnica de reprodução assistida 
heteróloga em casos de união homoafetiva. Seguindo o entendimento de que a união homoafetiva 
não é entidade familiar, a resposta seria negativa, conforme opina Maria Helena Diniz, que lidera 
tal corrente. 
 Em sentido contrário, Maria Berenice Dias sempre entendeu que isso não só é viável 
como vem efetivamente ocorrendo na prática. O último entendimento segue a linha de 
pensamento de que a união homoafetiva constitui uma entidade familiar, o que está concretizado 
no Direito de Família brasileiro desde 5 de maio de 2011, com a decisão do Supremo Tribunal 
Federal nas ADPF 132/RJ e ADI 4.277/DF.Anote-se que a interpretação da Resolução CFM 
1.957/2010 já conduzia a tal possibilidade, pois mencionava que qualquer pessoa capaz poderia 
fazer uso da técnica de reprodução assistida. 
A nova Resolução 2.121/2015, em substituição à Resolução 2.013/2013, que já trazia tal 
possibilidade, é clara, afastando qualquer dúvida, ao expressar que “é permitido o uso das 
técnicas de RA para relacionamentos homoafetivos e pessoas solteiras, respeitado o direito da 
objeção de consciência do por parte do médico. É permitida a gestação compartilhada em união 
homoafetiva feminina em que não exista infertilidade”. Pontue-se que a última frase, a respeito do 
casal homoafetivo feminino, não constava da anterior Resolução 2.013/2013”. 
Confirmando tais premissas, no âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 
pode ser encontrado aresto que admitiu a adoção unilateral por companheira homoafetiva de 
mulher que havia se submetido a reprodução assistida heteróloga. Nos termos da publicação do 
acórdão: 
“a adoção unilateral prevista no art. 41, § 1.º, do ECA pode ser concedida à 
companheira da mãe biológica da adotanda, para que ambas as 
companheiras passem a ostentar a condição de mães, na hipótese em que 
a menor tenha sido fruto de inseminação artificial heteróloga, com doador 
desconhecido, previamente planejada pelo casal no âmbito de união estável 
homoafetiva, presente, ademais, a anuência da mãe biológica, desde que 
inexista prejuízo para a adotanda. O STF decidiu ser plena a equiparação 
das uniões estáveis homoafetivas às uniões estáveis heteroafetivas, o que 
trouxe, como consequência, a extensão automática das prerrogativas já 
outorgadas aos companheiros da união estável tradicional àqueles que 
vivenciem uma união estável homoafetiva. Assim, se a adoção unilateral de 
menor é possível ao extrato heterossexual da população, também o é à 
fração homossexual da sociedade. Deve-se advertir, contudo, que o pedido 
de adoção se submete a norma-princípio fixada no art. 43 do ECA, segundo 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 131 
 
a qual ‘a adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o 
adotando’. Nesse contexto, estudos feitos no âmbito da Psicologia afirmam 
que pesquisas têm demonstrado que os filhos de pais ou mães 
homossexuais não apresentam comprometimento e problemas em seu 
desenvolvimento psicossocial quando comparados com filhos de pais e 
mães heterossexuais. Dessa forma, a referida adoção somente se mostra 
possível no caso de inexistir prejuízo para a adotanda” (STJ, REsp 
1.281.093/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 18.12.2012, publicado no seu 
Informativo n. 513). 
 
 No âmbito da doutrina, concluindo da mesma maneira, destaque-se enunciado aprovado 
na VII Jornada de Direito Civil, promovida em 2015, com a seguinte redação: “é possível o registro 
de nascimento dos filhos de pessoas do mesmo sexo originários de reprodução assistida, 
diretamente no Cartório de Registro Civil, sendo dispensável a propositura de ação judicial, nos 
termos da regulamentação da Corregedoria local” (Enunciado n. 608). No mesmo caminho, o 
Enunciado n. 12 do IBDFAM, aprovado no seu X Congresso, do mesmo ano: “é possível o registro 
de nascimento dos filhos de casais homoafetivos, havidos de reprodução assistida, diretamente 
no Cartório do Registro Civil”. Como se nota, os enunciados possibilitam o registro dos filhos 
havidos de técnica de reprodução assistida engendrada por casais homoafetivos, sem ação 
judicial, o que é um passo decisivo para a saudável desjudicialização das contendas 
2.3. CRITÉRIO BIOLÓGICO 
2.3.1. Conceitos 
É o critério da determinação de um filho pelo exame de DNA. 
Primeiramente, cumpre dizer que o STF tem entendimento pacificado desde 1990 que 
ninguém pode ser compelido a realizar exame de DNA, sob a pena de ferir-se garantia pessoal da 
dignidade da pessoa humana. 
Todavia, a recusa em realizar o exame gera uma presunção relativa de paternidade em 
desfavor daquele que se recusou a fazê-lo, nos termos da súmula 301 do STJ: 
STJ Súmula 301. Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a 
submeter-se ao exame de DNA induz presunção (judicial) juris tantum de 
paternidade. 
 
A lei 12.004/09 acrescentou o art. 2º-A na Lei 8.560/92 (lei de Investigação de 
paternidade): 
Art. 2o-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, 
bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para provar a verdade 
dos fatos. 
Parágrafo único. A recusa do réu em se submeter ao exame de código 
genético - DNA gerará a presunção (legal e relativa) da paternidade, a ser 
apreciada em conjunto com o contexto probatório. 
 
Assim, com o novo dispositivo, é a própria Lei que faz essa presunção. É algo mais forte 
que a presunção judicial que havia antes. Todavia, a presunção continua a ser relativa. 
2.3.2. DNA gratuito x Presunção 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 132 
 
O exame de DNA será gratuito para as pessoas que se declarem pobres na forma da Lei: 
NCPC Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com 
insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e 
os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da 
lei. 
§ 1o A gratuidade da justiça compreende: 
V - as despesas com a realização de exame de código genético - DNA e de 
outros exames considerados essenciais; 
. 
2.4. CRITÉRIO DA FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA 
2.4.1. Conceitos 
A filiação socioafetiva decorre de um laço de convivência cotidiana. O velho ditado “pai é 
quem cria”, bem define essa forma de filiação. 
O CC define a filiação socioafetiva pela “posse do estado de filho”. 
OBS: No que consiste a “posse do estado de filho”? Posse do estado de filho é 
projeção da teoria da aparência no âmbito da filiação, e significa tratar alguém como se seu filho 
fosse. 
 A filiação socioafetiva é uma FICÇÃO JURÍDICA criada pelo direito, para, em respeito ao 
princípio constitucional da igualdade entre os filhos, garantir os direitos filiatórios do filho, cujo 
vínculo foi determinado pela convivência cotidiana. São exemplos de filiação socioafetiva (rol 
exemplificativo): 
a) Fertilização heteróloga, com prévia autorização do marido; 
b) Adoção; 
c) Adoção “à brasileira”: registrar como seu um filho que sabe não ser; 
d) “Filho de criação”; 
e) Filho registrado por erro. 
OBS1: o rol é exemplificativo, pois não há como se delimitar previamente todas as 
situações de posse de estado de filho. 
Determinada a filiação pelo critério socioafetivo, todos os efeitos familiares vão decorrer 
automaticamente na relação afetiva, tais como sucessão, alimentos, parentesco, sobrenome, etc. 
 A filiação socioafetiva jamais poderá ser usada para NEGAR a paternidade. A falta de 
afeto nunca negará o vínculo biológico. O vínculo socioafetivo serve apenas para ESTABELECER 
um vínculo de filiação. 
O critério SOCIOAFETIVO e o critério BIOLÓGICO estão no mesmo patamar (não há 
hierarquia entre eles), definindo-se qual deverá prevalecer em caso de conflito apenas a luz do 
caso concreto. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 133 
 
OBS2: O que é “DESBIOLOGIZAÇÃO” da paternidade? É o estágio que vive o atual 
sistema de filiação no direito de família brasileiro, que estabelece que NÃO necessariamente PAI 
E GENITOR SERÃO A MESMA PESSOA. Na adoção, por exemplo, o pai afetivo será um, ao 
passo que o genitor será outro, como também na filiação socioafetiva, onde a diferença entre a 
pessoa do pai e do genitor também ocorre. 
A AFETIVIDADE precisa estar presente no momento da sentença? NÃO. A afetividade 
precisa ser apenas a causa determinante do vínculo, precisa ter sido construída durante a 
formação do vínculo. A investigação da afetividade será analisada no passado, no tempo emque 
pai e filho afetivos conviveram. 
Do contrário, seria possível que pai afetivo, a seu mero talante e a qualquer momento, 
decidisse não ser mais pai, deixando o filho afetivo em permanente estado de insegurança sobre 
sua paternidade. 
A adoção é a forma mais comum de paternidade socioafetiva. 
Pensando na adoção, o filho socioafetivo tem direito de saber sua origem genética 
(sua família biológica)? STJ já tinha fixado entendimento que o conhecimento a origem genética 
é direito da personalidade, sendo direito do filho socioafetivo conhecer sua família biológica. Esse 
entendimento do STJ foi positivado na nova redação do art. 48 do ECA. 
ECA Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem 
como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e 
seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos. 
Parágrafo único. O acesso ao processo de adoção poderá ser também 
deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada 
orientação e assistência jurídica e psicológica. 
 
Essa nova redação do art. 48 do ECA tornou revogável a adoção? Não. A adoção 
permanece irrevogável e irretratável, mas a irrevogabilidade e irretratabilidade da adoção NÃO 
impedem que o adotado saiba quem é o seu genitor. 
Veja-se que não se poderá ingressar com uma demanda visando estabelecer vínculo de 
PARENTALIDADE com a família biológica, mas nem por isso, será negado o direto de se buscar a 
origem genética, por meio da ação de investigação de ORIGEM GENÉTICA. 
2.4.2. Investigação de Origem Genética X Investigação de Parentalidade 
INVESTIGAÇÃO DE ORIGEM 
GENÉTICA 
INVESTIGAÇÃO DE 
PARENTALIDADE 
É exercício dos Direitos da 
Personalidade, pois busca proporcionar 
ao seu autor o conhecimento de suas 
origens. 
É exercício de direito de família, ou 
seja, busca-se investigar quem são 
seus parentes. Pode ser uma 
investigação de paternidade, 
maternidade, avoenga (neto contra o 
avô). 
Somente pode se basear no critério 
BIOLÓGICO. Isto porque, aqui não se 
busca estabelecer vínculos parentais, 
mas sim descobrir a origem da pessoa 
Pode se basear tanto em critério 
biológico, como socioafetivo, pois 
ambos são critérios que determinam 
parentesco. 
NÃO produz nenhum efeito jurídico-
familiar, salvo o impedimento 
matrimonial eugênico: o direito 
Gera efeitos jurídicos de direito de 
família: tais como herança, alimentos, 
sobrenome, parentesco e etc. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 134 
 
proporcionado por ela é só do 
conhecimento da origem. Com relação 
ao matrimônio, gera o impedimento 
eugênico por este se basear 
unicamente nos problemas genéticos 
que podem ser causados a prole. 
MP NÃO tem legitimidade: isto porque a 
ação se baseia em direito da 
personalidade, sendo, por isso, 
personalíssima. 
Legitimidade do MP: aqui há 
legitimidade do MP, com vistas a 
proteger os direitos decorrentes dos 
vínculos parentais de crianças, 
adolescentes. 
 
Pontos de afinidade entre a ação de investigação de parentalidade e investigação de 
origem genética: 
1) Ambas são de competência da vara de família, por serem ações relativas ao estado da 
pessoa. 
 
2) Ambas terão a intervenção do MP como fiscal da Lei. Lembrando que MP só pode ser 
autor da ação de investigação de parentalidade. 
 
3) Ambas são imprescritíveis 
 
OBS1: Súmula 149 do STF – Ações de Investigação de Paternidade e de Petição de Herança – 
Prescritibilidade da petição de herança: A Súmula 149 do STF estabelece a ação de investigação 
de paternidade é imprescritível, mas a petição de herança, ainda que cumulada com a 
investigação, estará sujeita ao prazo prescricional, que será de dez anos. 
STF SÚMULA 149. É IMPRESCRITÍVEL A AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE 
PATERNIDADE, MAS NÃO O É A DE PETIÇÃO DE HERANÇA. 
 
2.4.3. Outros reflexos da socioafetividade no direito de família 
1) Acréscimo do nome do padrasto ou da madrasta 
Art. 57 da Lei dos Registros Públicos – LRP. § 8o O enteado ou a 
enteada, havendo motivo ponderável e na forma dos §§ 2o e 7o deste artigo, 
poderá requerer ao juiz competente que, no registro de nascimento, seja 
averbado o nome de família de seu padrasto ou de sua madrasta, desde 
que haja expressa concordância destes, sem prejuízo de seus apelidos de 
família. 
 
Essa inclusão de nome não gera qualquer direito patrimonial ou alimentar. Não necessita 
consentimento dos pais, mas apenas do padrasto ou da madrasta, pois nome refere-se ao direito 
da personalidade do filho. 
 
E se o filho for menor de idade, e os pais não quiserem representar o filho? Pela 
nomeação de curador especial, com base no art. 72, I, do NCPC. 
 
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao: 
I - incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste 
colidirem com os daquele, enquanto durar a incapacidade; 
II - réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora 
certa, enquanto não for constituído advogado. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 135 
 
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, 
nos termos da lei. 
 
Todavia, nessa hipótese de nomeação de curador especial por não consentimento dos 
pais ou de algum deles, deverá haver citação dos pais, nos termos do art. 721 do NCPC: 
 
 
Art. 721. Serão citados todos os interessados, bem como intimado o 
Ministério Público, nos casos do art. 178, para que se manifestem, 
querendo, no prazo de 15 (quinze) dias. 
2) Adoção à Brasileira 
Tema da peça da 2ª fase da DPE/RN. 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João e Maria viviam em união estável, quando ela engravidou. O casal vivia uma relação 
aparentemente monogâmica e, quando a criança nasceu, João registrou o menino (chamado de 
Eduardo) como seu filho e de Maria. Durante os primeiros cinco anos de vida de Eduardo, João e 
Maria ainda estavam juntos e educavam a criança normalmente como pais. Ocorre que, 
determinado dia, mexendo no whatsapp de Maria, João viu uma conversa dela com a amiga na 
qual revelava que Eduardo não era filho biológico de João, mas sim de Ricardo, um antigo 
namorado. Arrasado por ter descoberto a traição, João exigiu de Maria um teste de DNA e o 
resultado foi... que ele não era pai de Eduardo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 136 
 
A partir daí, João saiu de casa e não quis mais ter nenhum tipo de contato nem com Maria 
nem com Eduardo. 
Oito anos depois disso, João começou a estudar Direito e decidiu resolver formalmente a 
situação, razão pela qual ajuizou ação negatória de paternidade contra Eduardo pedindo que 
fosse reconhecido que ele não era seu filho biológico e, como consequência, que fosse retificado 
o registro de nascimento excluindo-se o seu nome como pai. 
Em uma situação semelhante a essa, o STJ admitiu a desconstituição da paternidade? 
SIM. REsp 1.330.404-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 5/2/2015 (Info 555). 
O STJ entendeu que, como o pai registral foi enganado (induzido em erro), deveria ser 
aplicado ao caso os arts. 1.601 e 1.604 do Código Civil: 
Art. 1.601. Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos 
nascidos de sua mulher, sendo tal ação imprescritível. 
(...) 
Art. 1.604. Ninguém pode vindicar estado contrário ao que resulta do 
registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro. 
 
No caso concreto, houve vínculo de afeto entre o pai registral (João) e Eduardo. Não seria 
possível manter o registro com base na paternidade socioafetiva? 
A 3ª Turma do STJ, neste julgado, entendeu que não. Segundo defendeu o Min. Relator “o 
estabelecimento da filiação socioafetiva perpassa, necessariamente, pela vontade e, mesmo, pela 
voluntariedade do apontado pai, ao despender afeto, de ser reconhecido comotal. É dizer: as 
manifestações de afeto e carinho por parte de pessoa próxima à criança somente terão o condão 
de convolarem-se numa relação de filiação, se, além da caracterização do estado de posse de 
filho, houver, por parte daquele que despende o afeto, a clara e inequívoca intenção de ser 
concebido juridicamente como pai ou mãe daquela criança.” 
No caso concreto, a relação afetiva que havia entre pai registral e filho foi rompida quando 
este tinha cinco anos, de forma que há oito anos eles não mais teriam qualquer contato. Segundo 
foi apurado, atualmente é impossível o restabelecimento desse vínculo que um dia existiu. 
Para o Min. Marco Aurélio Bellizze, “não se pode obrigar o pai registral, induzido a erro 
substancial, a manter uma relação de afeto, igualmente calcada no vício de consentimento 
originário, impondo-lhe os deveres daí advindos, sem que, voluntária e conscientemente, o queira. 
Como assinalado, a filiação sociafetiva pressupõe a vontade e a voluntariedade do apontado pai 
de ser assim reconhecido juridicamente, circunstância, inequivocamente, ausente na hipótese dos 
autos.” 
E se, no momento em que descobriu a traição, o pai registral tivesse continuado a ter 
contato com Eduardo como se nada tivesse acontecido? Nesse caso, poderia João, depois de uns 
anos, ajuizar a ação e conseguir a desconstituição? 
NÃO. O Min. Relator afirmou que se o pai registral, mesmo após ter obtido ciência da 
verdade dos fatos, ou seja, de que não era pai biológico do filho, mantivesse com este, 
voluntariamente, vínculos de afetividades, aí não seria possível a desconstituição porque teria 
ficado provada a paternidade socioafetiva. 
Resumindo a tese adotada neste julgado: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 137 
 
• Se o marido ou companheiro descobre que foi induzido em erro no momento de 
registrar a criança e que não é pai biológico do seu filho registral, ele poderá contestar 
a paternidade, pedindo a retificação do registro (arts. 1.601 e 1.604 do CC). 
• Para que o pai registral enganado consiga desconstituir a paternidade, é indispensável 
que, tão logo ele tenha sabido da verdade (da traição), ele tenha se afastado do 
suposto filho, rompendo imediatamente o vínculo afetivo. 
• Se o pai registral enganado, mesmo quando descobriu a verdade, ainda manteve 
vínculos afetivos com o filho registral, neste caso ele não mais poderá desconstituir a 
paternidade porque teria manifestado, ainda que implicitamente, o desejo de continuar 
sendo pai socioafetivo da criança, não podendo, depois de um tempo, arrepender-se e 
querer retificar o registro. 
Em outras palavras, o pai registral enganado terá êxito em conseguir a desconstituição da 
paternidade se foi induzido a erro, mesmo que antes tivesse bom relacionamento com o suposto 
filho. 
3. AÇÕES DE FAMÍLIA 
3.1. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE FILIAÇÃO – OU AÇÃO DE PROVA DA FILIAÇÃO 
Tem por finalidade a comprovação do fato da posse do estado de filho cuja aparência 
resulta de presunção veemente ou de começo de prova escrita por pais ausentes ou falecidos – 
aqui a paternidade nunca foi discutida, pois o pai sempre se comportou como tal (não cabe o 
exame de DNA). O exercício de ação cabe com exclusividade ao filho que não pode ser 
substituído por quem quer que seja. Ação imprescritível. Os herdeiros não têm direito de iniciativa 
ao direito de ação. Quando se tratar de filho menor, a ação de prova de filiação poderá ser 
intentada pelo representante legal. 
3.2. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE OU DE IMPUGNAÇÃO DE PATERNIDADE – OU 
AÇÃO CONTESTATÓRIA DE PATERNIDADE 
Destina-se a excluir a presunção da paternidade. 
CC. Art. 1.601. Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos 
filhos nascidos de sua mulher, sendo tal ação imprescritível. 
Parágrafo único. Contestada a filiação, os herdeiros do impugnante têm 
direito de prosseguir na ação. 
 
Ação personalíssima – exclusiva do esposo (marido da mãe) – ninguém, nem mesmo o 
filho ou a mãe poderão impugnar a paternidade. Alguns autores entendem ser possível ser 
ajuizada pelo curador nos casos de interdição). A ação será proposta contra o filho, que se menor, 
deverá ser representado ou assistido. Considerando que a mãe do menor exerce o poder familiar 
conjuntamente com o pai, e sendo este o impugnante, cabe a ela a defesa, sem necessidade de 
nomeação de curador especial (CRG entende que a mãe deve ser litisconsorte já que efetuado o 
registro pela mãe). 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 138 
 
ATENÇÃO! INFORMATIVO 533 
 
 
Ainda que imprescritível tal ação não poderá ser exercida se fundada APENAS em origem 
genética, em aberto conflito com o estado de filiação. Para que possa ser impugnada a 
paternidade, independentemente do tempo de seu exercício, terá o marido da mãe que provar não 
ser o genitor, no sentido biológico (resultado de DNA) e não ter existido o estado de filiação, de 
natureza socioafetiva, e se foi o próprio declarante perante o registro do nascimento, comprovar 
que teria agido induzido em erro ou em razão de dolo ou coação. 
Tratando-se de ação negatória de paternidade, é competente para a sua apreciação e 
julgamento, o juízo das varas de família DO FORO DO DOMICÍLIO DO RÉU e não a vara dos 
registros públicos, porquanto envolve matéria relativa ao estado das pessoas, visto que matéria a 
filiação, sendo a alteração do registro civil de nascimento mera consequência de acolhimento da 
pretensão. 
O MP atua como fiscal da lei, mas não pode assumir a qualidade de substituto processual 
(como nas investigatórias de paternidade). 
3.3. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE (já vimos acima) 
Através desta ação somente o filho poderá demandar o estado de filiação. Enquanto 
menor será representado pelo genitor que promoveu seu registro de nascimento (mãe e pai), ou o 
que o reconheceu como filho, contra o outro. 
Não há impedimento para que sejam demandados o pai ou a mãe casados. O direito de 
investigar a paternidade ou maternidade é indisponível. O filho não pode celebrar negócio jurídico 
com o pai ou a mãe de modo a abrir mão do reconhecimento de filiação em troca de vantagens 
econômicas. É imprescritível podendo ser proposta a qualquer tempo. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 139 
 
A legitimidade para PROMOVER a ação é exclusiva do filho, mas pode ser CONTESTADA 
por qualquer pessoa que justo interesse tenha (o pai biológico, o pai registral, e se houver, o pai 
afetivo), o cônjuge ou companheiro do suposto genitor e os herdeiros deste. – os parentes 
colaterais, inclusive os irmãos, não apresentam interesse juridicamente protegido para contestar 
tal ação. 
Não confundir direito de família a que serve o reconhecimento forçado, com direito da 
personalidade a que serve o conhecimento da origem genética, o exame de DNA confirma ou não 
a origem genética, mas não a filiação. 
A sentença de procedência depois de registrada produz efeitos ex tunc . 
O reconhecimento seja ele voluntário ou forçado é declaratório do estado de filiação, que já 
existia antes. 
3.4. IMPUGNAÇÃO AO RECONHECIMENTO 
A impugnação ao reconhecimento é exercício do direito a ter ou não como pai ou mãe 
quem reconheceu o titular da ação como filho, havido fora do casamento ou união estável, 
posteriormente ao registro. É o oposto da investigação de paternidade. O prazo de quatro anos é 
decadencial e não pode ser interrompido ou suspenso, mas a jurisprudência moderna está 
abolindo o prazo pré-estabelecido em face da imprescritibilidade da ação negatória de 
paternidade. 
3.5. IMPUGNAÇÃO DA MATERNIDADE PELA SUPOSTA MÃE 
Art. 1.608. Quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho, 
a mãe só poderá contestá-la, provando a falsidade do termo, ou das 
declaraçõesnele contidas. 
 
O Art. 1608 do CC admite que a mulher cujo nome conste do registro de nascimento possa 
impugná-lo, provando a falsidade da declaração. A norma abre exceção à presunção mater in jure 
sempre certa est. – O direito de impugnação é privativo da mãe – não podem seus outros 
descendentes ou o próprio Ministério Público 
 
IX. ALIMENTOS 
*Cristiano Chaves 
1. CONCEITO 
Com base nos ensinamentos de Orlando Gomes e MHD, os alimentos podem ser 
conceituados como as prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais 
daquele que não pode provê-las pelo trabalho próprio. Aquele que pleiteia alimentos é 
denominado alimentando ou credor, enquanto aquele que deve pagar é o alimentante ou devedor. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 140 
 
Juridicamente não se pode restringir o conceito de alimentos somente em alimentação. 
Ora, alimentos há de ser mais do que a simples alimentação. Sendo assim, alimentos é tudo 
aquilo que é necessário para subsistência e manutenção da pessoa com vida digna. 
A concepção jurídica de alimentos traz consigo tudo aquilo que é necessário para manter 
vida digna. Os alimentos abrangem: saúde, educação, moradia e, até, lazer e cultura. 
2. FUNDAMENTO 
Os alimentos decorrem da solidariedade social que, no âmbito da obrigação alimentícia, 
ganha o nome de solidariedade familiar (art. 3º, CF). 
 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e SOLIDÁRIA; 
 
O fundamento da obrigação alimentícia é a solidariedade recíproca que se aplica a todos 
os membros de uma família, ou seja, todas as pessoas que compõem um núcleo familiar 
assumem a obrigação e têm o direito recíproco de prestar alimentos, manutenção digna de uns e 
outros. 
Não se pode confundir solidariedade com caridade. 
A caridade é UNILATERAL (quem o faz não olha a quem). Já a solidariedade não tem 
caráter de liberalidade, mas de reciprocidade, sendo um ato BILATERAL. 
A obrigação alimentar, portanto, não é um ato de liberalidade, mas sim de solidariedade 
familiar. 
O membro da família que violar o princípio da solidariedade familiar não pode requerer, 
posteriormente, que os outros membros lhe prestem alimentos. 
Exemplo: pai que nunca prestou alimentos aos filhos não pode pedir aos filhos, no futuro, 
que eles lhe prestem alimentos. 
Existe norma-regra no CC que dispõe que pais e filhos se devem reciprocamente 
alimentos. Mas, como o pai rompeu o princípio da solidariedade, não lhe era lícito requerer 
alimentos dos filhos. 
A obrigação alimentar é uma prova cabal da função social da família. 
A obrigação alimentar, embora não tenha caráter salarial e remuneratório, pode ser abatida 
do Imposto de Renda. 
Mas, hipoteticamente, essa situação pode gerar algumas fraudes. 
Os alimentos podem ser prestados in natura ou in pecúnia. 
a) in natura: fixação de alimentos em plano de saúde e mensalidade escolar. 
 
b) in pecúnia: é a pensão alimentícia. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 141 
 
 
A pensão alimentícia pode ser fixada em salário mínimo? O art. 7º da CF dispõe que 
o salário-mínimo não pode servir como indexador. 
 
CF Art. 7º, IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz 
de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com 
moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte 
e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder 
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; 
 
Mas o art. 475-Q, §4º, do antigo CPC, que confirma a posição do STF, dispunha que era 
possível fixar os alimentos em salários mínimos, mesmo que não sejam os alimentos de direito de 
família. 
 
CPC/73 Art. 475-Q. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação 
de alimentos, o juiz, quanto a esta parte, poderá ordenar ao devedor 
constituição de capital, cuja renda assegure o pagamento do valor mensal 
da pensão. 
.... 
§ 4o Os alimentos podem ser fixados tomando por base o salário-mínimo. 
 
O NCPC, em seu art. 533, §4º, mantém a mesma redação. 
CPC/2015 Art. 533. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação 
de alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir 
capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 
§ 4o A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando por base o salário-
mínimo. 
 
Essa, portanto, é uma exceção do dispositivo constitucional. 
Sendo assim, é plenamente possível fixar alimentos em salários mínimos, tanto os 
alimentos do direito de família como os alimentos de outra natureza. 
Neste sentido, a Súmula 490 do STF: 
Súmula 490 STF: a pensão correspondente a indenização oriunda de 
responsabilidade civil deve ser calculada com base no salário-mínimo 
vigente ao tempo da sentença e ajustar-se-á às variações ulteriores. 
3. ESPÉCIES DE ALIMENTOS (CLASSIFICAÇÃO) 
Existem 04 critérios classificatórios dos alimentos: 
1) Quanto à natureza; 
2) Quanto à causa (origem); 
3) Quanto ao momento da exigibilidade; 
4) Quanto à finalidade. 
3.1. QUANTO À NATUREZA DOS ALIMENTOS 
Aqui estudaremos: 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 142 
 
1) Alimentos civis ou côngruos; 
2) Alimentos necessários ou indispensáveis. 
3.1.1. Alimentos Civis ou Côngruos 
São chamados de côngruos (art. 323, CC do Chile). 
A regra geral é de que os alimentos são civis, ou seja, os alimentos servem não só para a 
subsistência, mas também para manutenção social. 
A regra geral é de que os alimentos tenham uma acepção ampla, pois servem a um só 
tempo para a subsistência e para a manutenção social. 
Os alimentos civis são, portanto, a regra. 
Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos 
outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com 
a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua 
educação. 
3.1.2. Alimentos necessários/Indispensáveis 
Os alimentos necessários são exceção, razão pela qual devem estar previstos em lei. Os 
alimentos serão necessários quando o CC assim determinar. 
 
CC Art. 1.694, § 2o Os alimentos serão apenas os INDISPENSÁVEIS À 
SUBSISTÊNCIA, quando a situação de necessidade resultar de culpa de 
quem os pleiteia. 
 
Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de 
alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada 
pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação 
judicial. 
Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de 
alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-los, nem aptidão 
para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o 
juiz o valor INDISPENSÁVEL À SOBREVIVÊNCIA. 
 
Os alimentos serão necessários quando decorrerem de culpa de quem o pleiteia, deve ser 
provada e não presumida. 
Toda vez que os alimentos decorrerem de culpa de quem os pleiteia, eles serão fixados 
apenas para a sobrevivência. 
Exemplo: culpa na separação. 
O reconhecimento da culpa não implica em perda do direito a alimentos, mas somente 
a modificação da natureza da obrigação alimentar, que passa a ser o necessário para a 
subsistência. 
A culpa, portanto, tem o condão de tão somente modificar a natureza da obrigação 
alimentar que de civil, passa a ser o necessário para a sobrevivência daquele que os pleiteia. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 143 
 
O juiz não pode reconhecer a culpa de ofício, pois essa depende de pedido da parte. 
No que tange ao casamento e a união estável, os critérios de identificação da culpa são 
meramente exemplificativos. 
Porém, em relação a parentes, a doutrina identifica 02 critérios para a sua configuração:indignidade SUCESSÓRIA (art. 1.814, CC) e indignidade da DOAÇÃO (art. 557, CC). 
 
CC Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: 
I - que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio 
doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, 
seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; 
II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança 
ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou 
companheiro; 
III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o 
autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última 
vontade. 
 
Art. 557. Podem ser revogadas por ingratidão as doações: 
I - se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de 
homicídio doloso contra ele; 
II - se cometeu contra ele ofensa física; 
III - se o injuriou gravemente ou o caluniou; 
IV - se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este 
necessitava. 
 
O problema é saber se esses dois critérios devem ser interpretados de forma ampliativa 
ou restritiva. No que tange aos alimentos e a doação, a doutrina e a jurisprudência entendem que 
esses critérios são exemplificativos. 
 
Enunciado 33, I Jornada de Direito Civil → o novo Código Civil estabeleceu 
um novo sistema para a revogação da doação por ingratidão, pois o rol legal 
previsto no art. 557 deixou de ser taxativo, admitindo, excepcionalmente, 
outras hipóteses. 
 
Sendo assim, as hipóteses de culpa entre parentes também são exemplificativas. 
Mesmo o cônjuge ou companheiro vítima (inocente) pode ser obrigado a prestar alimentos, 
que serão puramente necessários. 
Art. 1704, § único Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de 
alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-los, nem aptidão 
para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz 
o valor indispensável à sobrevivência. 
 
Na prática, será muito difícil diferenciar os alimentos civis e necessários daquele que 
ganha, por exemplo, UM salário-mínimo. 
OBS: a doutrina brasileira criou uma nova categoria de alimentos com a intenção de 
manter o status social e econômico, evitando uma desigualdade social. Trata-se dos alimentos 
compensatórios, que são expressos no CC francês, mas não possuem previsão legal no Brasil. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 144 
 
A doutrina extrai essas espécies de uma interpretação principiológica. Exemplo: casal tem 
vasto patrimônio, ocorre o divórcio. Ela ganha 5.000 por mês e o marido 100.000, para compensar 
a perda da condição social, a justiça poderia determinar que o marido pagasse os alimentos (em 
tese ela não precisaria). 
3.2. QUANTO À CAUSA (ORIGEM) DOS ALIMENTOS 
Aqui estudaremos: 
1) Alimentos legítimos ou legais. 
2) Alimentos convencionais ou voluntários (legado/doação por subvenção periódica). 
3) Alimentos ressarcitórios ou reparatórios. 
3.2.1. Alimentos Legítimos ou Legais 
São aqueles que decorrem de uma relação de direito de família. Exemplo: casamento, 
união estável. São os alimentos familiares. 
3.2.2. Alimentos Convencionais ou Voluntários 
São aqueles que decorrem de liberalidade, isto é, ato de vontade do alimentante. 
O ato de liberalidade pode ser inter vivos ou causa mortis. 
*causa mortis = legado. 
* inter vivos = doação por subvenção periódica. 
Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado 
extingue-se morrendo o doador, salvo se esta outra coisa dispuser, mas não 
poderá ultrapassar a vida do donatário. 
3.2.3. Alimentos Ressarcitórios ou Reparatórios 
Decorrem da obrigação de indenizar, de reparar dano. Ou seja, decorrem de uma sentença 
em ação de indenização de reparação de danos. Exemplo: morte de parentes em acidente de 
carro. 
Exemplo: 
CC Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir 
outras reparações: 
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o 
luto da família; 
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, 
levando-se em conta a duração provável da vida da vítima. 
 
Sempre que o juiz fixar uma indenização em quotas periódicas restará configurado os 
alimentos ressarcitórios. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 145 
 
O juiz, ao fixar alimentos reparatórios, deve determinar que o réu preste uma garantia, qual 
seja, constituição de capital para assegurar o pagamento. 
NCPC Art. 533. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de 
alimentos, caberá ao executado, a requerimento do exequente, constituir 
capital cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão. 
§ 2o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela inclusão do 
exequente em folha de pagamento de pessoa jurídica de notória 
capacidade econômica ou, a requerimento do executado, por fiança 
bancária ou garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo juiz. 
 
A ideia é fazer que essa obrigação alimentícia dilatada no tempo não corra risco. Esse 
artigo facilita a prestação de garantia, pois o réu poderá prestar a garantia através do desconto em 
folha de pagamento. 
Para que a pessoa jurídica não sofra prejuízo em suas atividades, devido à ‘constituição de 
capital’ (que na verdade é imobilização de capital para o pagamento), o juiz pode determinar a 
inclusão para desconto em folha. 
A prisão civil como meio coercitivo de pagamento só é admitida para os alimentos de 
direito de família, portanto, só os alimentos legítimos admitem prisão civil pelo inadimplemento 
(assim como a penhora de salário). Não é admitida prisão civil para os alimentos reparatórios e 
convencionais (que permitem apenas o desconto em folha). 
3.3. QUANTO AO MOMENTO DA EXIGIBILIDADE 
Esse é um critério criado pela jurisprudência do STJ. 
Aqui estudaremos: 
1) Alimentos pretéritos; 
2) Alimentos presentes; 
3) Alimentos futuros. 
3.3.1. Pretéritos 
São os alimentos que estão vencidos há MAIS de 03 meses e que não foram cobrados. 
3.3.2. Presentes 
São os alimentos vencidos no período dos 03 ÚLTIMOS meses. 
3.3.3. Futuros 
São os alimentos que ainda não são exigíveis, ou seja, que vão se vencer dentro de uma 
execução de alimentos. 
São, portanto, os alimentos VINCENDOS dentro da relação processual. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 146 
 
A prisão civil do devedor não pode ser utilizada como mecanismo de coerção para 
pagamento dos alimentos pretéritos, mas somente como coerção para o pagamento dos 
alimentos presentes e futuros. 
Súmula 309, STJ → O débito alimentar que autoriza a prisão civil do 
alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao 
ajuizamento da execução (presentes) e as que se vencerem no curso do 
processo (futuros). 
 
O não pagamento dos alimentos pretéritos enseja o ajuizamento de execução 
patrimonial. 
Já o não pagamento dos alimentos presentes e futuros pode ensejar prisão civil ou 
execução patrimonial, dependo da escolha do credor (ver procedimentos). 
Mas, se tratando de alimentos pretéritos, a cobrança obrigatoriamente deverá ser feita por 
meio de execução patrimonial. 
O fundamento da súmula 309 do STJ é o dever de mitigar as próprias perdas (“duty to 
mitigate the loss“), ou seja, variação da aplicação do abuso do direito que tem como fundamento a 
boa-fé objetiva. 
Ressalta-se que o CPC/2015 acolheu, expressamente, em seu art. 528, §7º o enunciado 
da Súmula 309 do STJ. 
Art. 528, §7º - O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é 
o que compreende até as três prestações anteriores ao ajuizamento da 
execução e as que se vencerem no curso do processo. 
3.4. QUANTO A FINALIDADE 
Aqui estudaremos: 
1) Alimentos provisórios; 
2) Alimentos provisionais; 
3) Alimentosdefinitivos. 
3.4.1. Alimentos Provisórios 
São os alimentos fixados liminarmente, tendo natureza antecipatória (aqui não é 
antecipação genérica de tutela), exigindo-se como requisito específico prova pré-constituída da 
obrigação (art. 2º, Lei de Alimentos – Lei 5.478/68). 
 
Lei 5.478/68 Art. 2º. O credor, pessoalmente (aqui o indivíduo tem 
capacidade postulatória!), ou por intermédio de advogado, dirigir-se-á ao 
juiz competente, qualificando-se, e exporá suas necessidades, provando, 
apenas, o parentesco ou a obrigação de alimentar (prova pré-constituída) 
do devedor, indicando seu nome e sobrenome, residência ou local de 
trabalho, profissão e naturalidade, quanto ganha aproximadamente ou os 
recursos de que dispõe. 
 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 147 
 
Os alimentos provisórios devem ser fixados de ofício pelo juiz; o juiz somente não fixará de 
ofício os alimentos provisórios se a parte autora disser que deles não precisa. 
Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos 
provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente 
declarar que deles não necessita. 
 
Observar que na tutela antecipatória genérica o juiz não pode fixar de ofício. 
Só pode falar de alimentos provisórios em ação de alimentos ou em ação cumuladas com 
o pedido de alimentos provisórios. 
3.4.2. Alimentos Provisionais (antigo art. 852 CPC) 
O Novo CPC já não os contempla expressamente, mas o juiz poderá conceder alimentos 
provisionais. 
Pode ser medida cautelar preparatória ou incidental. É uma ação cautelar que necessita 
do oferecimento da ação principal. 
Segue explicação sobre alimentos provisionais, não mais previsto no CPC. 
São alimentos topologicamente cautelares. Os alimentos provisionais não têm natureza 
cautelar, mas foram previstos dentre as medidas cautelares. 
OBS: Existem dois tipos de medidas cautelares. 
Por natureza: assecuratórias, garantir o resultado útil da demanda. Exemplo: arresto e 
sequestro. São assecuratórias por essência. São as verdadeiras cautelares. 
Por topologia: o antigo CPC estabelecia outras medidas que não são cautelares 
ontologicamente, pois elas tinham natureza satisfativa. Na verdade, o CPC queria submeter 
algumas medidas (satisfativas, não cautelares) ao procedimento cautelar. Exemplo: homologação 
de penhor legal, posse em nome do nascituro, produção antecipada de provas. 
Nessas medidas não havia a obrigatoriedade de proposição da ação principal em 30 dias. 
(Não mais previsto) Antigo CPC Art. 852. É lícito pedir alimentos 
PROVISIONAIS: 
I - nas ações de desquite e de anulação de casamento, desde que estejam 
separados os cônjuges; 
II - nas ações de alimentos, desde o despacho da petição inicial; 
III - nos demais casos expressos em lei. 
Parágrafo único. No caso previsto no no I deste artigo, a prestação 
alimentícia devida ao requerente abrange, além do que necessitar para 
sustento, habitação e vestuário, as despesas para custear a demanda. 
 
Os requisitos necessários para a sua concessão são o periculum in mora e o fumus bonis 
juris, isto é, os mesmos de qualquer ação cautelar. 
Os alimentos provisionais podem ser pleiteados quando NÃO existir prova pré-
constituída para o ajuizamento da ação de alimentos. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 148 
 
Exemplo: criança que não foi registrada pelo pai, mas foi feito o DNA que deu positivo, 
sendo ajuizada ação de investigação de paternidade. Nesse caso, cabe uma “cautelar” 
preparatória ou incidental de fixação de alimentos provisionais enquanto não existir prova pré-
constituída da obrigação alimentar. Depois que for processada a ação de investigação de 
paternidade os alimentos provisionais se convertem em alimentos definitivos. 
Sejam os alimentos provisórios ou provisionais, eles sempre ensejam execução definitiva. 
Ora, não existe execução provisória de alimentos em razão de seu caráter irrepetível. 
Além disso, a cobrança dos alimentos provisórios e provisionais pode ser feita através da 
prisão civil. 
A diferença em provisórios e provisionais está na causa ou no efeito?! Sob o ponto 
de vista consequencial, os efeitos são os mesmos, não há diferença entre eles, pois ambos são 
satisfativos. Sejam os provisórios, sejam os provisionais. Ambos servem para a subsistência, para 
a manutenção, a diferença se baseia na causa, qual seja: na prova pré-constituída (provisórios) 
ou no fumus e periculum (ou seja, sem prova pré-constituída, - provisionais). 
 
 
 
 
Provisórios x Provisionais 
 
PROVISÓRIOS PROVISIONAIS 
São aqueles fixados de imediato na ação de 
alimentos que segue o rito especial previsto na 
Lei 7.478/68. Em outras palavras: estão fundados 
na obrigação alimentar e, por isso, exigem prova 
pré-constituída do parentesco (certidão de 
nascimento) ou do casamento (certidão de 
casamento). São frutos da cognição sumária do 
juiz antes mesmo de ouvir o réu da demanda. 
São aqueles fixados em outras ações que não 
seguem o rito especial mencionado, visando 
manter a parte que os pleiteia no curso da lide, por 
isso sua denominação AD LITEM. São fixados por 
meio de antecipação de tutela ou em liminar 
concedida em medida cautelar em ações em que 
não há a mencionada prova pré-constituída, caso 
da ação de investigação de paternidade ou da 
ação de reconhecimento e dissolução da união 
estável. Nesse sentido, dispõe o art. 1.706 do atual 
CC que “os alimentos provisionais serão fixados 
pelo juiz nos termos da lei processual”. 
NÃO ESTÁ PREVISTO NO CPC/2015, MAS 
CONTINUA EXISTINDO. 
 
3.4.3. Definitivos 
São os alimentos fixados por sentença proferida em ação de alimentos ou em alguma 
outra ação que contenha pedido de alimentos (exemplo: ação de investigação de paternidade, 
divórcio, separação). 
Os alimentos definitivos são aqueles que estão gravados pela cláusula “rebus sic 
stantibus”, ou seja, os alimentos definitivos são fixados para se manterem enquanto a situação 
fática que os ensejou perdurar. 
 
 
CS - CIVIL IV 2018.1 149 
 
Se houver posterior modificação na necessidade de quem recebe ou na possibilidade de 
quem presta é possível modificar os alimentos definitivos. 
Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação 
financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o 
interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, 
redução ou majoração do encargo. 
 
Vale dizer, são fixados em sentença para perdurar enquanto mantiver a situação fática 
subjacente, do momento da sua prolação. 
A COISA JULGADA na ação de alimentos é FORMAL ou MATERIAL? A coisa julgada 
na ação de alimentos é material, pois há o trânsito em julgado da mesma, mas com cláusula 
“rebus sic stantibus”. Sendo assim, havendo modificação das condições fáticas de quem pleiteia 
ou de quem presta haverá modificação dos alimentos definitivos. 
O pedido e a causa de pedir da ação revisional ou exoneratória são diferentes, então não 
há litispendência e ambas sentenças fazem coisa julgada material. 
Os alimentos definitivos podem decorrer da conversão dos provisórios ou provisionais. 
3.5. OBSERVAÇÕES 
1) Sejam os alimentos provisórios ou definitivos, o art.13, §2º, da Lei 5474/68 indica que 
os alimentos serão devidos sempre desde a data da citação. 
Os alimentos sempre retroagem a data da citação em face de sua natureza irrepetível. 
 
Lei 5474/68 Art. 13 O disposto nesta lei aplica-se igualmente, no que 
couber, às ações ordinárias de desquite (divórcio), nulidade e anulação de 
casamento, à revisão de sentenças proferidas em pedidos de alimentos e 
respectivas execuções. 
§ 1º. Os alimentos provisórios fixados na inicial poderão ser revistos a 
qualquer tempo, se houver modificação na situação financeira das partes,

Mais conteúdos dessa disciplina