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Aula Técnica de Difração de Raio X (DRX) Profa. Tatiana Martelli Mazzo ANÁLISE QUALITATIVA: - Iden2ficação de materiais cristalinos, amorfos ou semicristalinos; - Iden2ficação da fase cristalina (estrutura cristalina) -Diferenciação de polimorfos; - Determinação dos parâmetros cristalográficos de materiais cristalinos; ANÁLISE QUANTITATIVA: - Determinação das quan2dades dos componentes de uma mistura de substâncias cristalinas diferentes (mineralogia); - Determinação do grau de cristalinidade. Aplicações da Técnica de DRX Fonte : https://arcestariufs.files.wordpress.com/2014/12/seminario-8.pdf Tela Platinocianeto de bário Fluoresceu Descoberta dos Raios-X Experimentos de Tubos de Raios Catódicos (XIX) 1896: Físico Wilhelm Conrad Rontgen - Professor na Universidade Wuerzburg, Alemanha Muitos prêmios Nobel foram conferidos a pesquisadores que conseguiram elucidar estruturas u@lizando a difração de raios-X”. Watson e Crick em 1962, receberam o prêmio Nobel por tornarem compreensível a estrutura cristalina do DNA. Rosalind Franklin (raios-X de fibras alinhadas de DNA purificado). Técnica de Difração de Difração de Raio X Que são Raios X? raios X ⇒ pequena parte do espectro eletromagnético, com comprimento de onda (λ) entre 0,01 e 100Å. São muito energéticos podem penetrar mais profundamente no material Para enxergarmos a estrutura atômica dos materiais precisamos de uma luz apropriada e detectores adequados. A região que permite dis@nguir a estrutura atômica, é a dos raios X. Difração de Raios X Fenômeno provocado pela interação entre o feixe de raios-X incidente e os átomos componentes de um material com ordenamento periódico. A difração ocorre porque o λ de um feixe de raios x é similar ao espaçamento dos átomos em um cristal (normalmente entre 1 e 10 Å). Cristais são arranjos atômicos ou moleculares cuja estrutura se repete numa forma periódica tridimensional. Um exemplo simples é o do sal de cozinha, NaCl Determinação da Estrutura Cristalina Reticulado Célula Unitária x, y, z = eixos a, b, c = comprimentos das arestas α, β, γ = ângulos interaxiais Estrutura Cristalina Os 7 Sistemas Cristalinos Cúbica a=b=c, α=β=γ=90° Ortorrômbica a≠b≠c, α=β=γ=90° Tetragonal a=b≠c, α=β=γ=90° Romboédrica a=b=c, α=β=γ≠90° Monoclínica a≠b≠c, α=γ=90°≠ β Hexagonal* a=b≠c, α=β=90°,γ=120° Triclínica a≠b≠c, α≠β≠γ≠90° 14 redes Bravais Estrutura cristalina metais A estrutura cristalina dos metais possuem um grande número de vizinhos e alto empacotamento atômico. Três estruturas : Estrutura cristalina cerâmicas Polímeros - Estruturas Polímeros ✔A arranjo atômico em polímeros é mais complexo do que em metais e cerâmicas; ✔Os polímeros são geralmente parcialmente cristalinos, com regiões cristalinas dispersas em uma matriz amorfa. Materiais sólidos com mais de uma estrutura cristalina ü A estrutura cristalina pode mudar com a mudança de temperatura ou devido a pressões externas. Polimorfismo Técnica de Difração de Raios X (DRX) Os átomos se ordenam em planos cristalinos separados entre si por distâncias da mesma ordem de grandeza dos comprimentos de onda dos raios X. A difração de raios X ocorre segundo a Lei de Bragg, a qual estabelece a relação entre o ângulo de difração e a distância entre os planos que a originaram (caracterís@cos para cada fase cristalina) Porque ocorre a Difração de Raios X em cristais? Padrão de Difração é único para cada composto Impressão Digital nλ = 2 d sen(θ) Lei de Bragg (1913) Parâmetro experimental: n = índice (ordem) de difração (número inteiro posi@vo, 1, 2 ou 3) λ - Comprimento de onda da radiação Parâmetros da amostra: d - distância entre planos atômicos θ - orientação desses planos em relação ao feixe, ângulo de Bragg Prêmio Nobel de [sica (1915) ⇒ determinação da estrutura cristalográfica do NaCl, ZnCl e do diamante. Técnica de Difração de Raios X (DRX) Determina experimentalmente a estrutura cristalina do material. No difratômetro, se obtém um registro gráfico das sinais que as reflexões originam em detectores eletrônicos de radiação. Em 1913 William Henry Bragg construiu o primeiro espectrômetro de raio-X Feixe: θ em relação à superjcie da amostra Detector: 2θ em relação ao feixe incidente Relação entre o ângulo de Bragg (θ) e o ângulo de difração (2θ) experimentalmente medido. Técnica de Difração de Raios X (DRX) θ 2θ - Fonte e detector se movem ao longo de um círculo (círculo do difratômetro), em cujo centro é fixada a amostra; - O movimento é sincronizado Geometria de Bragg-Brentano θ 2θ Técnica de DRX Incindir o feixe de raios X em diferentes ângulos de incidência (θ) e detectar a difração. Na medida em que se varia o ângulo de incidência e simultaneamente o ângulo do detector, produzem picos nos ângulos de refração do feixe incidente. DIFRATOGRAMA Difratômetro de Raios-X Instrumentação: Tubo de RX Cátodo: filamento que emite os elétrons (W) Ânodo: alvo metálico (Cu, Mo, etc) com o qual os elétrons colidem • tubo é isolado por um material que absorve os raios X (Pb). • Janelas permitem a formação de feixes dirigidos de raios X. Fonte de Raios X Fendas SOLLER: reduzem a divergência do feixe em uma direção Fendas an(-sca,ering: evitam que espalhamento por moléculas de ar seja captado pelo detector Equipamento Difratômetro de Raios X Fendas de colimação: horizontal e ver@cal, definem a área de iluminação sobre a superjcie da amostra Preparação da Amostra Análise dos Dados A técnica de DRX, determina um conjunto de picos com os quais se relacionam as distâncias interplanares e o ângulo de difração θ do composto e fornece uma espécie de “impressão digital” do mesmo. Distâncias interplanares (dhkl) ✔os diversos planos regulares de um mesmo retículo cristalino satisfazem a lei de Bragg em diferentes ângulos ✔padrão característico (“impressão digital”) Planos Cristalinos Notação para definir os planos de rede cristalina § Obtém-se as intersecções do plano com os eixos (x, y e z). § Correspondente das coordenadas no espaço recíproco: O inverso das intersecções Intersecções: 1/2, ∞, 1 Inversos: 2, 0 ,1 (coordenadas do espaço recíproco) h k l Índices de Miller: (201) x = 1/x (h) y = 1/y (k) z = 1/z (l) Planos cristalinos: Índices de Miller (h,k,l) Parâmetros de rede 1/2 1 y x z 0 (origem) Coordenada Espaço recíproco Parâmetros de Rede Célula unitária CCC Cada pico representa a difração de um feixe de raios-X por uma série de planos cristalinos paralelos (hkl) Intensidade dos picos de difração Existe um banco de dados que permite iden@ficar por semelhança centenas de milhares de fases de diferentes compostos de acordo com o padrão de difração. A intensidade de um pico de difração é proporcional à densidade de átomos do plano da estrutura que originou esse pico Intensidade do pico de difração Iden@ficação dos picos de difração Existe um banco de dados que permite iden@ficar por semelhança centenas de milhares de fases de diferentes compostos de acordo com o padrão de difração. Search Match Program 70 mil compostos cadastrados – ICDD (International Center for DifractionData) Iden@ficação dos PLanos Amorfo ou cristalino? Distinção entre polimorfos/TiO2 Amostra de Mineralogia Complexa: quartzo, fluorapa@ta, monazita, vermiculita, ana tásio, hidrobio@ta, gorceixita, goethita, priderita quartzo, feldspato e argilominerais bacias sedimentares Bacia do Tucano (BA) O que é importante observar no difratograma? Intensidade rela@va Parâmetro de rede (h,k,l) Tamanho do cristalito Distância interplanar Posição 2θ Dados importantes do difratograma Intensidade Relat. I/I1 I1 pico de maior intensidade Forma β (2θ) Largura na metade da altura do pico I1 I (110) (111) (210) (220) (211) (300) (311) (320) (321) (410) (330) (420) (332) (422) 2θ I/I1 h k l 7.193 100 1 0 0 10.156 69 1 1 0 12.449 35 1 1 1 16.085 25 2 1 0 17.632 2 2 1 1 20.368 6 2 2 0 21.638 36 3 0 0 23.960 53 3 1 1 26.077 16 3 2 0 27.077 47 3 2 1 29.913 55 4 1 0 Zeólita A ICDD – 38-0241 Parâmetros de Rede – Planos Cristalinos Cálculo das Distâncias Interplanares Cristal de NaCl (simetria cúbica, com parâmetros de rede a=b=c=5.640Å, α=β=δ=90°). Fatores experimentais: λ= 1.54Å (Kα1 do Cu) a) Calcule a Distância entre dois planos 220 (hkl=220): b) Encontre o ângulo de Bragg rela2vo a esse plano, sendo n=1: Cálculo das Distâncias Interplanares a) b) nλ = 2 d sen(θ) Θ = 22.7° O significado desses cálculos é que, incidindo um feixe de raios-x a um ângulo de incidência de 22.7°, haverá um pico de intensidade, devido ao plano 220 Tamanho do cristalito (Diâmetro médio das parnculas) Equação de Scherrer )cos(θβ λKDhkl = Onde: D - diâmetro médio das partículas K - constante que depende da forma das partículas (esfera = 0,94) λ - comprimento de onda da radiação eletromagnética θ - ângulo de difração β= β (2θ) - largura na metade da altura do pico de difração LARGURA A MEIA ALTURA PEAK FIT PROGRAM )cos(θβ λKDhkl = U@lizado para calcular a % de cristalinidade. O Grau de cristalinidade tem influência direta na propriedade do polímero Usa-se ferramentas computacionais para determinar a área do pico amorfo e cristalino. A técnica pode também ser u@lizada para avaliar o tamanho dos cristais DRX para Polímeros Aanálise dos difratogramas permite a identificação de planos de difração e a atribuição de um hábito cristalino, como nos cristais iônicos e metálicos. Polymer Handbook: dados cristalográficos de mais de 250 polímeros Nylon66 Que cristaliza na forma Triclínica Polímeros Difratograma de Polímeros Grau de Cristalinidade (%C) Método de Ruland onde - %C é a porcentagem cristalina, - Ic é o resultado da integração dos picos de difração da porção cristalina, - Ia é o resultado da integração do halo amorfo - K é a constante de proporcionalidade, caracterís@ca do polímero. No caso do polipropileno, essa constante é igual a 0,98 por ex. Fonte: Canevarolo Jr., S. V. (2004). Técnicas de Caracterização de Polímeros. São Paulo: Artliber Editora. Amorfo Semi cristalino DRX PET Aplicações da Técnica na Pesquisa/Indústria Polímero Compósito Pigmentos Farmacêu@ca Aeroespacial Cerâmica ✔ A difração de raios-X é, entre outras técnicas analíticas, uma poderosa ferramenta de auxilio no desenvolvimento e na produção de um conjunto de novos materiais metálicos, cerâmicos, poliméricos e compósitos! ✔ Na área ambiental : o estudo da contaminação de solos e a reciclagem/reaproveitamento de materiais são atividades que fazem uso da difração de raios X para a identificação de fases cristalinas. Aplicações da Técnica na Pesquisa/Indústria Aplicações da Técnica na Indústria do Petróleo • A difração de raios-X está presente em pra@camente toda cadeia produ@va da indústria de petróleo. • Necessita da caracterização mineralógica completa da rocha, para iden@ficação do @po de argilo-mineral. • Também se u@liza na caracterização de incrustações em dutos e impurezas em filtros No setor de refino, a difração de raios-X é empregada na análise qualita@va, e na determinação de parâmetro de rede de catalisadores, como a Zeólita. No transporte, contribui com a manutenção da integridade de dutos e gasodutos, na caracterização dos produtos de corrosão. Aplicações da Técnica na Indústria do Petróleo Jenkins and Snyder, 1996. Introduction to X-ray powder diffractometry, Wiley Tilley, 2006, Crystals and crystal structures, Wiley Referências