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Disciplina – Ergonomia Curso - Engenharia Mecânica Aula 10 – Condições Ambientais do Trabalho Profa. Roberta Martins Couto 2 AMBIENTES DE TRABALHO É um conjunto de fatores interdependentes, materiais ou abstratos, que atua direta e indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados dos seus trabalhos (Wada,1990). 3 AMBIENTES DE TRABALHO Um local de trabalho, seja um escritório, uma fábrica, um banco, deve ser sadio e agradável. O homem precisa encontrar aí condições capazes de lhe proporcionar o máximo de proteção e, ao mesmo tempo, satisfação no trabalho. 4 AMBIENTES DE TRABALHO Neste sentido, o ambiente de trabalho é composto de um conjunto de fatores, que podem ser agrupados da seguinte forma: Fatores físicos; Fatores organizacionais do ambiente de trabalho. É importante salientar que, não há uma hierarquização de importância, pois um ambiente de trabalho é, na verdade, produto da contribuição desses diversos fatores. 5 CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO O Ambiente de trabalho pode sofrer variações alterando suas condições podendo tornar-se um local impróprio. Estas alterações estarão relacionadas aos riscos existentes no mesmo, devido a fatores tais como: Temperatura; Ruído; Vibração; Iluminação 6 TEMPERATURA Na busca de condições adequadas de trabalho, a temperatura é um ponto que merece atenção. Pois,a temperatura de um ambiente pode promover uma sensação de conforto, tanto quanto, sensações desagradáveis e até prejudiciais à saúde. 7 O CORPO HUMANO E A TEMPERATURA O organismo humano, para a manutenção de sua estrutura, consome uma energia "mínima de repouso“ que se traduz por uma "temperatura interna constante". A fim de manter sua temperatura interna constante o homem deve então comunicar- se com seu meio ambiente (Noulin,1992). 8 O CONFORTO TÉRMICO É um estado de espírito que reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Se o balanço de todas as trocas de calor a que está submetido o corpo humano for nulo e a temperatura da pele e suor estiver dentro de certos limites, pode-se dizer que o homem sente conforto térmico (Lambert setal 1997). 9 O CONFORTO TÉRMICO As variáveis ambientais que influenciam este conforto são: Temperatura do ar; Umidade do ar; Velocidade do ar; Calor radiante. Além destas variáveis, a atividade desenvolvida pelo homem e a vestimenta que ele usa também interagem na sensação de conforto térmico do trabalhador, em seu ambiente de trabalho (Lambertsetal,1997). 10 TRABALHO EM TEMPERATURAS EXTREMAS O trabalho em ambientes particularmente quentes ou frios trazem riscos à saúde dos trabalhadores, podendo ser: Trabalho em Temperaturas elevadas; Trabalho em baixas temperaturas; 11 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS Durante o trabalho físico no calor, constata-se que a capacidade muscular se reduz, o rendimento decai e a atividade mental se altera, apresentando perturbação da coordenação sensório-motora. A frequência de erros e acidentes tende a aumentar pois o nível de vigilância diminui, principalmente apartir de 30°C. 12 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS Abaixo relaciona-se outros problemas ligada à saúde, quando o indivíduo está trabalhando em locais com temperaturas elevadas: Internação ou insolação; Prostração térmica; Cãibras; Catarata e conjuntivites; Dermatites. 13 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS Algumas recomendações para o trabalho em locais quentes: Isolamento das fontes de calor; Roupas e óculos adequados no caso de calor por radiação; Pausas para repouso; Reposição hídrica adequada-beber pequenas quantidades de líquido (0,25l/vez), freqüentemente. Ventilação natural. Caso a ventilação natural não seja suficiente, ventilação artificial. 14 TRABALHO EM BAIXAS TEMPERATURAS Os danos à saúde, nestes casos, apresentam uma relação direta entre o tempo de exposição e as condições de proteção corporal. Destaca-se, ainda, os cuidados necessários à prevenção dos denominados choques térmicos, que podem ocorrer quando o organismo é exposto a uma variação brusca de temperatura. 15 TRABALHO EM BAIXAS TEMPERATURAS Os efeitos sobre a saúde do trabalhador frente a um ambiente de trabalho com baixas temperaturas são, entre outros: enrigecimento dos membros devido a má circulação do sangue; ulcerações de correntes da necrose dos tecidos expostos; redução das habilidades motoras como a destreza e a força, da capacidade de pensar e julgar; tremores, alucinações e a inconsciência. 16 TRABALHO EM BAIXAS TEMPERATURAS Algumas recomendações para o trabalho em baixas temperaturas: Para os trabalhos externo se prolongados, recomenda-se uma boa alimentação em calorias e roupas quentes. 17 RUÍDO O SOM se caracteriza por flutuações de pressão em um meio compressível. Não são todas as flutuações de pressão que produzem a sensação de audição quando atingem o ouvido humano; A sensação de som só ocorrerá quando a amplitude destas flutuações e a frequência com que elas se repetem estiverem dentro de determinadas faixas de valores. 18 RUÍDO Estas flutuações têm as seguintes características: a) Freqüência(f): é definida como o n° de repetições das flutuações de pressão ou ciclos/segundo ou n° de ciclos/segundo (1ciclo/segundo=1Hz). b) Amplitude: é o deslocamento máximo da posição de equilíbrio. c) Comprimento de onda(l): é a distância entre dois picos sucessivos de ondas com amplitudes similares. 19 ACÚSTICO - RUÍDO Definição subjetiva: som desagradável e indesejável; Definição operacional: é um estímulo que não contém informações úteis à tarefa em execução; Exemplo: o bip intencional de uma máquina, ao final de um ciclo de operação, pode ser considerado útil ao operador (aviso), mas para seu colega pode ser considerado um ruído, se estiver concentrado em outra tarefa. 20 RUÍDO A Influência do ruído na saúde e no desempenho do trabalhador A consequência mais evidente do ruído é a surdez. A surdez pode ter naturezas diferentes: surdez de condução; surdez nervosa; surdez temporária ou permanente. 21 RUÍDO Surdez de condução: causada por infecção, perfuração do tímpano, acúmulo de cera; Surdez nervosa: redução da sensibilidade das células nervosas. Essa insensibilidade pode ocorrer, principalmente, nas faixas de maior frequência, acima de 1000 Hertz e em função da idade, sobre tudo após os 40 anos. Os homens apresentam uma perda auditiva mais rápida do que as mulheres, principalmente na faixa de 2000 a 4000Hz; 22 RUÍDO Surdez temporária ou permanente: a exposição diária a um certo Nível de Pressão Sonora, NPS, elevado, durante a jornada de trabalho, sempre provoca algum tipo de surdez temporária, que tende a desaparecer com o descanso diário (desaparece num intervalo de 24 a 48 horas). Fatores diversos como frequência, intensidade e tempo da duração da exposição podem influir de modo a não haver m ais a recuperação, tendendo a um efeito acumulativo, nestes casos a surdez temporária passa a ser permanente e irreversível. 23 FORMAS DE REDUZIR O RUÍDO NOS LOCAIS DE TRABALHO Para combater o ruído deve-se agir sobre: a) a prevenção no planejamento (quando da concepção da empresa); b) a fonte; c) a propagação (direta e indireta - via aérea ou sólida); d) Proteção individual do operador (menos aconselhável); 24 VIBRAÇÃO Vibração é qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo. Esse movimento pode ser regular, do tipo senoidalou irregular, quando não segue nenhum movimento determinado, como no sacolejar de um carro andando em uma estrada de terra (IIDA) Um corpo é dito em vibração quando ele descreve um movimento oscilatório em torno de um ponto de referência. O número de vezes de um ciclo completo de um movimento durante um período de um segundo é chamado de frequência e é medido em Hertz[Hz]. (FERNANDES). 25 VIBRAÇÃO PARÂMETROS UTILIZADOS NA DETERMINAÇÃO DA VIBRAÇÃO Velocidade Deslocamento Aceleração - (m/s2) 26 VIBRAÇÃO – CLASSIFICAÇÃO DA VIBRAÇÃO VIBRAÇÕES DE CORPO INTEIRO – são as vibrações transmitidas ao corpo como individuo sentado (Reclinado ou não) em pé ou sentado. Normalmente ocorrem em trabalho com máquinas pesadas. 27 VIBRAÇÃO – CLASSIFICAÇÃO DA VIBRAÇÃO VIBRAÇÕES LOCALIZADAS – São vibrações que atingem certas regiões do corpo, principalmente as mãos, braços e ombros. Normalmente ocorrem em operações com ferramentas manuais vibratórias: Marteletes Motoserras Compactadores 28 VIBRAÇÃO – EFEITO SOBRE O CORPO HUMANO Os efeitos da vibração no homem dependem, entre outros aspectos, das frequências que compõem a vibração; As baixas frequências são as mais prejudiciais – de 1 até 80 - 100HZ. Nessas faixas de frequência ocorre a ressonância das partes do corpo humano, que pode ser considerado como um sistema mecânico complexo; Acima de 100hz, as partes do corpo absorvem a vibração, não ocorrendo ressonância. 29 VIBRAÇÕES NO CORPO HUMANO 30 ILUMINAÇÃO Na sociedade moderna as pessoas passam a maior parte do tempo em ambientes iluminados, parcialmente por aberturas, mas predominantemente iluminado artificialmente (ex:nas estradas, à noite, estamos totalmente dependentes dos faróis dos veículos e das luminárias das ruas para nossa segurança). Desta forma, a maior parte dos ambientes que vemos, seja de trabalho ou não, é iluminado artificialmente. 31 ILUMINAÇÃO Boa iluminação aumenta a produtividade, gera um ambiente mais prazeroso e pode também salvar vidas. Portanto, garantir a iluminação adequada é uma das principais responsabilidades não só dos projetistas, mas também de administradores e autoridades; Conforto visual, segundo Lamberts et al (1997),é entendido como a existência de um conjunto de condições, num determinado ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver suas tarefas visuais com o máximo de acuidade (medida da habilidade do olho humano em discernir detalhes) e precisão visual. 32 ILUMINAÇÃO Principais Grandezas do Ambiente Lumínico : Alguns requisitos são necessário para a avaliação do conforto visual de um ambiente, como: Iluminação suficiente; Boa distribuição de iluminância; Ausência de ofuscamento; Contrastes adequados (equilíbrio de luminâncias). 33 ILUMINAÇÃO As consequências de uma iluminação inadequada são notadas: na segurança – implicando no aumento do número de acidentes; na produtividade –maior desperdício de material, pior qualidade do produto final; no bem-estar –maior fadiga visual e geral, ambiente desagradável baixando o moral dos trabalhadores; 34 FOTOMETRIA A fotometria realiza medidas da Luz. E este conceito é utilizado para o correto planejamento da iluminação e das cores, contribuindo para aumentar a satisfação no trabalho e melhorar a produtividade, além de reduzir a fadiga e os acidentes. As principais unidades fotométricas são: Intensidade luminosa (I), Fluxo luminoso (F), Iluminamento(E) Luminância(L) 35 FOTOMETRIA Intensidade Luminosa: Luz emitida por uma fonte ou refletida em uma superfície iluminada; Fluxo Luminoso: Energia luminosa que flui a partir de uma fonte; Iluminamento: É a luz que incide sobre uma superfície, e é medido em Lux; Luminancia: É a luz emitida ou refletida, que incide nos olhos. 36 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA ILUMINAÇÃO Existem vários fatores que influenciam na capacidade visual, que vão desde a faixa etária até as diferenças individuais. Os fatores de maior importância são: A quantidade de luz Contraste entre figura e fundo. 37 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA ILUMINAÇÃO Quantidade de luz: Durante muito tempo a iluminação dos ambientes de trabalho eram planejadas para poupar o máximo possível de energia. Os valores até a década de 50 eram em torno de 10 a 50 lux; A maior consequência de uma iluminação deficiente é a fadiga visual, que causa 20% de todos os acidentes (1998); Devemos ter cuidado, pois o excesso de iluminamento não apresenta nenhuma melhora no rendimento, podendo provocar a fadiga; É recomendado 2.000lux como o máximo. 38 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA ILUMINAÇÃO Contraste é a diferença de luminância entre a figura e fundo. Ex: Uma folha de papel em branco em cima de uma mesa com revestimento branco. Ofuscamento é uma redução da eficiência visual provocada por um ponto luminoso brando presente no campo visual. Ex: sol, janelas, lâmpadas mal colocadas,etc... 39 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA ILUMINAÇÃO Exemplo interessante: A iluminação de um túnel deve ser maior durante o dia, quando os olhos estão acostumado com maior claridade ambiental. 40 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA ILUMINAÇÃO Existem vários níveis de ofuscamento, desde o desconforto até incapacitação visual. Em casos mais grave causa cegueira temporária permanecendo por alguns segundos mesmo após a retirada da fonte. É mais frequente em pessoas idosas.