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“Dor é uma desagradável experiência sensorial e emocional associada a uma lesão 
tecidual já existente ou em potencial, ou, ainda, relatada como se uma lesão existisse.” 
• É uma manifestação subjetiva variando sua apreciação de um indício para o outro e até 
em um mesmo indivíduo, quando submetido a estímulos idênticos em circunstâncias 
distintas. 
• A dor aguda é um sinal de alerta. 
• A dor crônica possui repercussão biopsicossocial. 
Anatomia
• TRANSDUÇÃO: é o mecanismo de ativação dos nociceptores, ocorre pela 
transformação de um estímulo nóxico (mecânico, térmico ou químico) em potencial de 
ação. Nociceptores são terminações nervosas livres de fibras A delta (mielínicas finas: 
dor em pontada) e C (amielínicas: dor em queimação). Os estímulos mecânicos e 
térmicos nóxicos, excitam os nociceptores e promovem dano tecidual e vascular local. 
• TRANSMISSÃO: conjunto de vias e mecanismos que possibilita que o impulso 
nervoso, gerado ao nível dos nociceptores seja conduzido para o sistema nervoso 
central. 
• MODULAÇÃO. 
• PERCEPÇÃO: a nível talâmico. 
Gabriela Reis Viol
Dor
Fisiopatologia
DOR NOCICEPTIVA 
• Dor gerada por uma lesão tecidual. 
• Decorre da ativação de nociceptores e da transmissão de impulsos pelos vias 
nociceptivas até regiões do sistema nervoso central. 
• Começa simultaneamente ao início do fator causal que lesionou o tecido e a eliminação 
desse fator, normalmente culmina no alívio da dor. 
• Quanto menos inervada a estrutura lesionada, mais localizada é a dor. 
• Pode ser espontânea (lesão tissular) e evocada (dor sentida pelo paciente). 
• Exemplos: dor secundária a agressões externas (picada de insetos, fratura óssea, 
corte), estiramento da raiz nervosa. 
DOR NEUROPÁTICA 
• Dor por lesão neural, por desaferentação (privação de um neurônio de suas aferências) 
ou central (quando secundária às lesões do sistema nervoso central). 
• Decorre de lesão do sistema nervoso central ou periférico, e pode apresentar-se de 
forma constante, intemitente (mais frequente nas lesões nervosas periféricas e da 
medula espinal, em choque e aguda) e evocada (alodínia e hiperpatia). 
• A lesão neural costuma gerar uma desaferentação, assim, esse neurônio sem aferência 
se torna hipersensível o que causa a dor constante descrita como em queimação ou 
formigamento. 
• As etiologias são diversas: trauma, inflamação, isquemia, neoplasia, degeneração 
neural, desmielinização e iatrogenia (devido a medicamentos). 
• Não responde bem a analgésicos. 
• São exemplos de dores neuropáticas as que ocorrem nas: 
1. Polineuropatias: em sua forma diabética, na qual há acometimento de fibras mielínicas 
finas e amielínicas; na alcoólica que compromete qualquer tipo de fibra; e na causada 
por deficiência de vitamina B12. 
2. Neuralgia pós-herpética: comente fibras mielínicas grossas do ramo oftálmico do 
nervo trigêmeo ou dos nervos intercostais. 
3. Membro fantasma. 
4. Avulsão do plexo braquial. 
Gabriela Reis Viol
5. Pós trauma raquimedular. 
6. Pós AVE (dor talâmica). 
DOR MISTA 
• É uma dor neuropatia associada a dor nociceptiva. 
• O principal exemplo é a dor neoplásica que é gerada por aumento do estímulo das 
fibras nociceptivas e por sua destruição. 
DOR PSICOGÊNICA 
• Toda dor tem um comportamento emocional associado, o que varia é sua magnitude. 
• É uma condição distinta, para a qual não há qualquer substrato orgânico, sendo gerado 
puramente por mecanismos psíquicos. 
• Tende a ser difusa, generalizada, mal definida (não segue padrões anatômicos). 
• Sinais e sintomas de depressão e ansiedade crônicas são identificados junto a ela. 
Origem
• DOR SOMÁTICA SUPERFICIAL. É a dor nociceptiva decorrente da estimulação de 
nociceptores do tegumento. Tende a ser bem localizada e se apresentar de maneira 
bem distinta (picada, pontada, rasgando, queimor) de acordo com o estímulo aplicado. 
Sua intensidade é variável e, de certa maneira, proporcional à intensidade do estímulo. 
Decorre, em geral, de trauma, queimadura e processo inflamatório. 
Gabriela Reis Viol
• DOR SOMÁTICA PROFUNDA. É a modalidade de dor nociceptiva consequente à 
ativação de nociceptores dos músculos, fáscias, tendões, ligamentos e articulações. É 
mais difusa que a superficial, apresenta localização imprecisa, sendo em geral, descrita 
como dolorimento, dor surda, dor profunda, dor em cãibra. Sua intensidade é 
proporcional à do estímulo causal. Suas principais causas são: estiramento muscular, 
contração muscular isquêmica (exercício exaustivo prolongado), contusão, ruptura 
tendinosa e ligamentar, síndrome miofascial, artrite e artrose. 
• DOR VISCERAL. É a dor decorrente da estimulação dos nociceptores viscerais. É 
profunda, e tem características similares às da dor somática profunda, é difusa, de 
difícil localização e descrita como um dolorimento ou uma dor surda, vaga, contínua, 
profunda, que tende a acentuar-se com a solicitação do órgão acometido. Segue o 
trajeto dos dermátomos. Pode ser relacionada com 4 condições: 
1. Comprometimento da própria víscera (dor visceral verdadeira); 
2. Comprometimento secundário do peritônio ou pleura parietal (dor somática profunda); 
3. Irritação do diafragma ou do nervo frênico; 
4. Reflexo víscerocutâneo (dor referida). 
A qualidade da dor é específica para o tipo de órgão acometido: 
a) Dor das vísceras maciças e dos processos não obstrutivos das vísceras ocas: dor 
surda; 
b) Dor obstrutiva das vísceras ocas: dor em cólica; 
c) Dor por isquemia do miocárdio: dor em aperto, constritiva; 
d) Dor por aumento da secreção de ácido clorídrico no estômago: dor em queimação. 
Gabriela Reis Viol
• DOR REFERIDA. É uma sensação dolorosa superficial, que está distante da estrutura 
profunda cuja estimulação nóxica é responsável pela dor. A explicação mais aceita para 
esse fenômeno é a convergência de impulsos dolorosos viscerais e somáticos 
superficiais e profundos para neurônios nociceptivos comuns localizados no corno 
dorsal da medula espinal. São exemplos: dor na face medial do braço em pacientes 
com IAM; epigástrica ou periumbilical na apendicite; no ombro em doença 
diafragmática ou irritação do nervo frênico. 
• DOR IRRADIADA. Caracteriza-se por ser sentida a distância de sua origem, porém 
ocorre obrigatoriamente em estruturas inervadas pela raiz nervosa ou em nervo cuja 
estimulação nóxica é responsável pela dor. O exemplo clássico é a ciatalgia, provocada 
pela compreensão de uma raiz nervosa por hérnia de disco lombar. 
Gabriela Reis Viol
Tempo
• DOR AGUDA. Tem o papel de alerta, comunicando ao cérebro que algo está errado. É 
acompanhada de manifestações neurovegetativas, como aumento da pressão arterial, 
taquicardia, ansiedade, sudorese e agitação. Ela desaparece com a remoção do fator 
causal e resolução da patologia. É precisa e bem localizada. Tem duração curta, de 
minutos a poucas semanas, sendo relacionada à traumas, infecções ou inflamações 
aguda. 
• DOR CRÔNICA. É a dor persistente por um período superior ao necessário para a cura 
de uma doença (sequela), ou que está associada a afecções crônicas (câncer, artrite 
reumatóide, alterações degenerativas da coluna, etc), ou ainda, que decorre de lesão 
do sistema nervoso. Geralmente é uma dor mal definida no tempo e espaço e sem 
resposta neurodegenerativa associada. Persiste por 3-6 meses a vários anos, não 
possui nenhuma função de alerta e determina sofrimento e estresse ao paciente. 
Semiologia da dor 
LOCALIZAÇÃO 
• Refere-se à região onde o paciente sente a dor. Descrição anatômica. 
• Sempre que possível, pedir para que o paciente aponte a região da dor. 
• Dor somática superficial: bem localizada. 
• Dor somática profunda, visceral e neuropática: difusa.IRRADIAÇÃO 
• A dor irradiada segue o trajeto de uma raiz nervosa ou nervo conhecido. 
• A dor pode ser irradiada, localizada ou referida. 
• O reconhecimento da localização inicial da dor e de sua irradiação pode indicar a 
estrutura nervosa comprometida. 
Gabriela Reis Viol
QUALIDADE 
• O paciente é solicitado a descrever a dor ou dizer que tipo de sensação e emoção ela 
lhe traz. 
• Quando o paciente demonstrar dificuldade para para qualificar a dor, o médico deve 
oferecer a ele termos descritores mais comumente empregados. 
• Dor evocada: aquela que ocorre apenas mediante alguma provocação. 
• Alodínia: sensação dolorosa provocada pela estimulação tátil. 
• Hiperpatia: sensação mais dolorosa que a comum, provocada pela estimulação nóxica, 
sobretudo a repetitiva. 
• Hiperalgesia: é a resposta exagerada aos estímulos aplicados em uma região. 
• Dor constante: ocorre continuamente, podendo variar de intensidade, sem nunca 
desaparecer por completo. Quando é neuropatia é descrita como queimação ou 
dormência, formigamento (disestesia). 
• Dor intermitente: ocorre episodicamente sendo sua frequência e duração variáveis. É 
descrita como dor em choque, aguda, pontada, facada, fisgada. 
• Dor latejante ou pulsátil: ocorre na enxaqueca, abscesso e odontalgia. 
• Dor em choque: ocorre na neuralgia do trigêmeo e dor neuropática. 
• Dor em cólica: ocorre na cólica neurótica, biliar, intestinal ou menstrual. 
• Dor em queimação: ocorre na úlcera péptica e esofagite de refluxo. 
• Dor constritiva/em aperto: ocorre na angina do peito e infarto do miocárdio. 
• Dor em pontada: ocorre nos processos pleurais. 
• Dor surda: ocorre nas doenças de vísceras maciças. 
• Dor “doída” ou dolorimento: ocorre nas doenças das vísceras maciças e musculares, 
como a lombalgia e na dor neuropática. 
• Dor em cãibra: ocorre em afecções medulares, musculares e metabólicas. 
INTENSIDADE 
• É u m d a d o 
subjetivo que 
r e s u l t a d a 
interpretação 
g l o b a l d o s 
a s p e c t o s 
sensoriais. 
• Quanto doi? 
Gabriela Reis Viol
INÍCIO/EVOLUÇÃO 
• Inicialmente determina-se com máxima precisão a data de início da dor. 
• Quando ela é contínua, calcula-se a duração de acordo com o tempo transcorrido entre 
seu início e o momento da anamnese 
• Se é clínica, registra-se a data e a duração de cada episódio doloroso. 
• Se é intermitente e ocorre várias vezes ao dia, é suficiente que sejam registrados a 
data de seu início, a duração média dos episódios dolorosos, o número de crises por 
dia e de dias por mês em que se sente a dor. 
• Determinar se a instalação da dor foi súbita ou insidiosa. 
FATORES DESENCADEANTES/AGRAVANTES E ATENUANTES 
• São os fatores que desencadeiam, agravam e atenuam a dor. 
• Alimentos ácidos e picantes, bebidas alcoólicas e anti-inflamatórios hormonais: 
esofagite, gastrite e úlcera péptica. 
• Alimentos gordurosos: doença biliar. 
• Enxaqueca: chocolate, queijos, vinhos, barulho, luminosidade, esforço físico. 
• Tosse e espirro: cefaleia por HIC. 
• Flexão da nuca: meningite. 
• Esforço físico: doença coronariana. 
SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS 
• A dor aguda nociceptiva quando intensa, costuma acompanhar-se de manifestações 
neurodegenerativas que se devem à estimulação do sistema nervoso autônomo pelos 
impulsos dolorosos, incluindo sudorese, palidez, taquicardia, HA, náuseas e vômitos. 
• Sintomas associados não neurovegetativos como febre e tosse, ajudam no diagnóstico 
etiológico da dor. 
Gabriela Reis Viol

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