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Blumenau, 30 de abril de 2018. 
 
 
 
 
 
 
RELATÓRIO DE TOXICOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Beatriz Pansica Santos 
Bruna Hack 
Letícia Mueller Landi 
INTRODUÇÃO 
 
A Cromatografia em camada delgada (CCD) é uma técnica desenvolvida em 
1938 a partir do trabalho de IZMAILOV e SCHRAIBER. Essa técnica consiste na 
separação dos componentes de uma mistura, ou padronização de substâncias, 
através da migração, que deve ser diferente para cada substância, sobre uma fina 
camada de adsorvente retido sobre uma superfície plana. (Collins, Braga e Bonato, 
1997) 
 Entre as vantagens da utilização de CCD compreende-se, separação de 
substâncias em curto período de tempo, baixo custo, alta reprodutibilidade, fácil 
compreensão e execução. (Collins, Braga e Bonato, 1997) 
 Ao escolher a fase móvel deve-se levar em conta a natureza química das 
substâncias a serem separadas ou padronizadas e também a polaridade do 
solvente que constituirá a fase móvel. (Collins, Braga e Bonato, 1997) 
 As substâncias que foram separadas no processo foram, ácido salicílico, 
bromazepam, cloropromazina, diazepam, fenobarbital, Lidocaína, Morfina e 
Imipramina 
Bromazepam quando administrado em doses baixas reduz seletivamente a 
tensão e a ansiedade; porém se administrado em doses elevadas tem propriedades 
sedativas e relaxantes musculares. 
O abuso desse fármaco pode causar aumento no peso do fígado. Exames 
histopatológicos revelaram hipertrofia hepatocelular centrolobular, o que indica a 
indução enzimática por bromazepam. (ANVISA, 2018). 
Clorpromazina possui uma ação estabilizadora no sistema nervoso central e 
periférico e uma ação depressora seletiva sobre o SNC, atuando portanto, no 
controle dos mais variados tipos de excitação. É muito utilizado no tratamento das 
perturbações mentais e emocionais, portanto tem propriedades neurolépticas, 
vagolíticas, simpatolíticas, sedativas e antieméticas. (ANVISA, 2017) 
Diazepam é indicado para alívio dos sintomas da ansiedade, tensão e outras 
queixas somáticas ou psicológicas da ansiedade. 
O fármaco é útil no tratamento da ansiedade ou agitação associada a 
desordens psiquiátricas, quando associado à outras drogas. O diazepam também é 
útil no alívio do espasmo muscular reflexo cujo motivo seja lesões ou inflamações 
em traumas locais.(ANVISA, 2015) 
Fenobarbital é um barbitúrico, droga provenientes do ácido barbitúrico, com 
propriedades anticonvulsivantes e sedativas, pois tem a capacidade de elevar o 
limiar de convulsão, quantidade de estímulos necessários para provocar 
convulsões, pois age no sistema nervoso central. (ANVISA, 2015). 
Lidocaína é utilizada para o alívio temporário da dor, que pode ser associada 
a pequenos cortes e abrasões da pele que comprometem somente a epiderme, ou 
pequenas queimaduras incluindo as provocadas pela luz do sol; pequenas irritações 
e picadas de insetos. (ANVISA, 2014) 
Morfina é um analgésico opioide forte, sistêmico, usado para o alívio da dor 
intensa. a Morfina só deve ser usada em caso de dores muito fortes, como no infarto 
agudo do miocárdio, lesões graves ou dor crônica severa associada ao câncer 
terminal. 
Pode ser utilizado no alívio da dor do parto, quando administrado pela via 
intratecal. Também é eficaz no controle da dor pós-operatória e na suplementação 
da anestesia geral, regional ou local. 
Esse fármaco pode aliviar a ansiedade e reduzir o trabalho do ventrículo 
esquerdo, diminuindo a pressão pré-carga. (ANVISA, 2017) 
Imipramina pertence ao grupo de medicamentos conhecidos como 
antidepressivos tricíclicos, estes são usados para tratar depressão e distúrbios do 
humor, assim como estados de pânico, dores crônicas e incontinência urinária 
noturna em crianças acima de 5 anos de idade. (ANVISA, 2013) 
 
OBJETIVOS 
 
Padronização de fármacos ácidos e básicos, através de Cromatografia em 
Camada Delgada, neste caso sendo utilizada em triagem para identificação de 
fármacos em material biológico. 
 
 
 
METODOLOGIA 
 
A prática foi realizada em três etapas, conforme demonstrado em cada tópico 
abaixo. 
O motivo pela qual as técnicas de identificação de fármacos ácidos e básicos 
serem feitos separadamente é devido às suas características químicas serem 
diferentes (ácido vs base, etc), precisando de sistemas solventes e pH diferenciados 
um do outro durante as técnicas, portanto utilizando metodologias distintas. 
 
A) Padronização de fármacos por cromatografia em camada delgada 
Foram utilizados soluções-padrão de 4 fármacos ácidos e 4 fármacos 
básicos: 
ÁCIDOS BÁSICOS 
Ácido Salicílico (AS) Cloropromazina (CL) 
Bromazepam (BR) Morfina (MO) 
Diazepam (DI) Imipramina (IM) 
Fenobarbital (FE) Lidocaína (LI) 
 
Foram utilizadas duas placas cromatográficas, em uma foram aplicadas 
soluções-padrão dos fármacos ácidos e em outra soluções-padrão dos fármacos 
básicos (mencionados acima). Em um béquer foi preparada uma solução solvente 
clorofórmio-acetona (4:1), utilizada como fase móvel de substâncias de caráter 
ácido. Neste mesmo béquer foi colocada para eluição a placa cromatográfica com 
as soluções padrão dos fármacos ácidos, após o desenvolvimento a placa foi 
retirada da cuba e colocada em temperatura ambiente para evaporar o solvente. 
Após a evaporação foi feita a revelação da placa cromatográfica com os agentes 
cromogênicos, primeiro utilizando solução de cloreto férrico (FeCl3) e em seguida 
reativo de Dragendorff Iodado (DI). 
Em outra béquer foi preparada uma solução solvente clorofórmio – metanol 
(9:1), utilizada como fase móvel para substâncias de caráter básico. Neste segundo 
béquer foi colocada para eluição a placa cromatográfica com as soluções-padrão 
dos fármacos básicos, após o desenvolvimento, foi colocada em temperatura 
ambiente para evaporar o solvente. Em seguida foi feita a revelação da placa 
cromatográfica com o agente cromogênico reativo de Dragendorff Iodado e então 
foram analisados os resultados. 
 
B) Identificação de fármacos em material biológico - substâncias de caráter 
ácido e/ou neutro 
Para esta etapa, foi coletado 5ml de uma amostra de urina e colocado em um 
béquer, onde foi lido o pH através de fitas de medição de pH. Foi feito o ajuste do 
pH para ficar entre 4,0 e 5,0 através da adição de solução H2SO4 2,5%; o ajuste de 
pH é feito tanto neste tópico quanto no próximo, com objetivo de assegurar maior 
afinidade com o solvente orgânico, fazendo com que ocorra a extração de fármacos 
ácidos em pH ácido, fármacos básicos em pH básico (LINI R. S., ​et al, ​2014) ​. A 
amostra foi transferida para um funil de separação onde foi adicionado uma mistura 
de 7,5ml éter etílico e clorofórmio (1:3) para realizar a extração líquido-líquido, com 
objetivo de extrair do meio apenas o analito objeto da análise, agitando o funil 
durante 1 min. Em seguida o funil ficou em repouso por 5 minutos para poderocorrer a separação das fases orgânica e aquosa. A fase orgânica foi recolhida em 
um béquer e o remanescente aquoso foi desprezado. Foi então feita a evaporação 
do solvente e os resíduos obtidos reservados para análise. A análise do resíduo foi 
feita através de cromatografia em camada delgada, conforme padronizado 
previamente. 
 
C) Identificação de fármacos em material biológico - substâncias de caráter 
básico e/ou neutro 
Para esta etapa foi utilizado também uma amostra de urina, sendo coletado 
5ml e colocado em um béquer para leitura de pH através de fitas de medição. O pH 
então foi ajustado para ficar entre 8,0 - 9,0 através da adição de solução NaOH 5%. 
Transferindo a amostra para um funil de separação, foi adicionado 7,5ml de mistura 
éter-clorofórmio (1:3) para realização da extração, agitando bem o funil durante 1 
min. O funil ficou em repouso durante 5 minutos, onde ocorreu a separação das 
fases orgânica, que foi recolhida em um béquer, e da fase aquosa. que foi recolhida 
e teve seu pH ajustado novamente para ficar entre 10,5 - 11,0 com solução NaOH 
5%. Foram então repetidas as etapas extração e separação de fases com o objetivo 
de extrair o máximo possível de fase orgânica. No extrato foi adicionada uma gota 
de HCl 1%. Foi feita então a evaporação do solvente e os resíduos obtidos foram 
reservados para análise. O remanescente aquoso foi desprezado e a análise do 
resíduo foi feita através de cromatografia em camada delgada conforme 
padronizado previamente. 
 
RESULTADO 
 
Os resultados obtidos da padronização dos fármacos deveriam ser 
equivalentes aos resultados descritos na ​Tabela 01​, portanto como mostra a ​Figura 
01 as substâncias de caráter básico, tiveram o comportamento previsto frente ao 
sistema-solvente empregado. Porém as substâncias de caráter ácido não se 
comportaram de modo previsto frente ao sistema-solvente, demonstrado na ​Figura 
01 ​e ​Figura 02. 
O resultado da triagem para fármacos, de caráter ácido e/ou neutro, em 
material biológico não teve indicativos (foi insatisfatório). 
O resultado da triagem para identificação de fármacos, de caráter básico e/ou 
neutro, em material biológico foi indicativo para lidocaína, como mostra a ​Figura 03. 
Tabela 01 - Valores de Rf e comportamento de fármacos de caráter ácido, 
básico e neutro frente aos reveladores 
 
Figura 01 - Substâncias de caráter ácido vs caráter básico 
 
Figura 02 - Substâncias de caráter ácido 
 
Figura 03 - Substâncias de caráter básico em amostra de urina 
 
 
DISCUSSÃO 
 
De acordo com as fotos acima, no processo de padronização dos fármacos 
de caráter básico, podemos ver que a Lidocaína (LI) é a substância mais compatível 
com o sistema-solvente, pois foi a droga que mais correu junto à fase móvel, desse 
modo podemos observar que a morfina (MO) é o fármaco que menos tem afinidade 
pelo sistema solvente, pois foi a substância que ficou mais retida na placa. 
A padronização dos fármacos de caráter ácido não teve resultado satisfatório, 
pois somente o ácido salicílico teve o comportamento previsto pela ​Tabela 01. Esse 
resultado pode ter ocorrido por problemas no sistema-solvente utilizado, ou por 
vencimento de substâncias, ou até por manuseio incorreto, nesse caso deve-se 
analisar todos os produtos usados na padronização, achar o erro, e efetuá-la 
novamente. 
O resultado da triagem de substâncias ácidas e/ou neutras em material 
biológico, não teve resultado satisfatório, ou seja, o resultado foi incorreto, esse fato 
pode ter ocorrido devido à falta de concentração da amostra de material biológico, 
uma vez que este ficou pouco tempo em banho-maria, ou como já dito 
anteriormente, na padronização dos fármacos de caráter ácido, pode ter ocorrido 
por problemas no sistema-solvente utilizado, ou por vencimento de substâncias, ou 
até por manuseio incorreto, desse modo toda a metodologia deveria ser efetuada 
novamente para que se tenha um resultado correto. Sendo que o resultado certo 
seria indicativo para ácido salicílico. 
O resultado da triagem de substâncias básicas e/ou neutras em material 
biológico, foi indicativo para Lidocaína (LI), pois como mostra a ​Figura 03 a amostra 
alcançou uma posição muito semelhante à posição da LI, e muito distante dos 
outros fármacos utilizados. 
 
 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
De acordo com o resultado apresentado, na prática de identificação de 
substâncias básicas em amostras biológicas, há indicativo de presença de lidocaína 
em níveis detectáveis, observado através da cromatografia em camada delgada, 
onde houve a eluição da amostra em nível semelhante ao padrão de lidocaína. 
Conforme mencionado anteriormente, o resultado para triagem de 
substâncias ácidas em amostras biológicas foi inconclusivo, onde seria necessário 
repetição do teste. 
Visto ser apenas um teste de triagem, faz-se necessário testes 
complementares para confirmação da substância e qual a quantidade presente no 
organismo deste paciente, podendo então determinar prognóstico, e se em caso de 
intoxicação, tratamento correto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 25 de fevereiro de 2017. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 02 de julho de 2014. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 25 de novembro de 2013. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 19 de agosto de 2015. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 05 de novembro de 2014. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 02 de março de 2017. 
● ANVISA, AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução da 
diretoria colegiada- RDC 60/12 , de 19 de março de 2018. 
● COLLINS, C.H, BRAGA, G.L, BONATO, P.S - ​Introdução a Métodos 
Cromatográficos​, 7ª edição (1997) 
● LINI R.S. ​et. al - ​Caracterização de fármacos por cromatografia em 
camada delgada​. Maringá, PR. 2014.

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