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14/08/2018 T H A U: ARQUITETURA DA ILUSTRAÇÃO
http://thaudois.blogspot.com/2008/03/arquitetura-da-ilustrao.html 1/7
Textos, fichas de leitura, trabalhos de alunos da disciplina Teoria da arquitetura e do urbanismo,
Departamento de Arquitetura e Urbanismo, UFES. Recorte histórico: do iluminismo ao segundo pós
guerra
T H A UT H A U
q u i n t a - f e i r a , 2 0 d e m a r ç o d e 2 0 0 8
ARQUITETURA DA ILUSTRAÇÃO
Etiene-Louis Boullé - 1728-1799 
Aluno de J. François Blondel, aprende com ele formas do classicismo francês. Com Jean Legay aprende
todo um mundo da imaginação e novas possibilidades da história. 
Crítica a academia 
História, para Boullé é o conjunto de estudos que versam sobre a origem das ordens - fonte do bom
gosto. Boullé é contra as proporções estabelecidas por estas ordens, como também o uso de um
edifício regulado por um programa - define novas opções, o caráter. Seus projetos questionam a
norma, mas mantém a ordem, não a ordem geométrica, mas a classificatória - organização entre
coisas. 
A contestação da norma clássica, não busca criar novos códigos, trata os elementos como observados
na natureza pelo homem. propõe não o estudo dos mestres mas a meditação sobre a própria natureza -
a base do estudo. 
Questiona a história como material da arquitetura, para ele é um elemento de reflexão. O problema
para ele é qual é o papel o projeto desempenha no seu tempo. Para ele o projeto é o centro da
definição das normas. 
A argumentação sobre a linguagem torna-se o eixo do raciocínio: “É mais importante saber o nome das
coisas do que saber o que estas são”. 
Os problemas de projeto para Boullé: 
· Explicar como se identifica os elementos e como destacá-los da natureza. 
· Definir a linguagem que utiliza. 
· Arquitetura não é arte de construir, mas a arte de conceber. Boullé vê ambigüidade nos termos de
Vitrúvio: utilitas, firmitas e venustas, distingue concepção de execução, meios e o fim. Distingue arte
e ciência (cf. Diderot abaixo). 
Influência de Condillac que estuda a origem do conhecimento do homem, a lógica das sensações que
são a base da formação do conhecimento - sensação / experiência. 
Reflexo de Diderot que define que a execução de um objeto caracteriza-o como produto da arte, e se
este é apenas observado, sob diversos pontos de vista, o processo é denominado ciência. 
Quando Boullé diz que arquitetura não é arte de construir, porém a arte de conceber imagens, de
desenvolver formas que sintetizam idéias, para ele estas não provém da simples vontade, mas do
embate com as forças que agem no problema. Concebe-se as imagens mediante a pesquisa, busca-se
um esquema genérico comum entre objetos comparados - o tipo. O raciocínio analítico funciona por
meio da comparação, Condillac chama de síntese. A busca da norma (tipo) não se estabelece por
normas, mas no processo de análise das idéias. O elemento mais simples é o mais perfeito, o corpo
puro é o mais perfeito. 
 
 
 
 
 
 
Biopolis - Patrick Geddes And The City Of
Life. Autor: WELTER, VOLKER M.. MIT Press
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Foucault em as “Palavra e as Coisas” fala sobre a mudança do estatuto do saber neste período (séc.
XVII-XVIII), que propõe a análise como método universal, os exemplos vêm das ciências naturais, para
Buffon a pesquisa define tipos de plantas, de montanhas, de nuvens, etc. O problema da percepção
tem como paradigma Newton que define a lei da gravidade a partir da percepção da natureza.
Starobinsk, relata que o olhar é o sentido do século XVIII, “O historiador é aquele que narra fatos, a
partir do que vê”. 
A linguagem é o mesmo que caráter, assim o significado deve aparecer na forma. Boullé diz que ao
olhar um objeto, o primeiro sentimento experimentado “é de que maneira o objeto nos afeta”.
Denomina de caráter “o efeito que resulta deste objeto e que o que causa em nós uma determinada
impressão” 
“Introduzir caráter em uma obra é empregar com equidade todos os meios próprios para fazer-nos
experimentar sensações além daquelas que devem resultar do tema”. (Boullé, p. 67). 
Para Boullé a arte é símbolo, a arquitetura deve falar, daí a definição de arquitetura parlante. Para
Boullé, a arquitetura não é relativa ao espaço em que se situa, é uma forma do pensamento sobre uma
natureza informe e irracional. O pensamento que se manifesta na forma é social e político, é humano,
por isso deve ser geométrico e regular, a natureza está repleta de coisas informes. A regularidade
geométrica fala, enquanto o disforme é mudo. 
Adota-se o uso da razão para apreender das coisas aquilo que é absolutamente necessário, a
regularidade adquire um novo sentido em Boullé: 
“Tive que reconhecer que somente a regularidade poderia dar as pessoas idéias nítidas acerca da
figura dos corpos e determinar sua denominação (...) Composta por uma multitude de caras, todas
diferentes, a figura dos corpos irregulares (...) escapa a nosso entendimento”. (Boullé, Ensaio sobre a
Arte, p. 56). 
 
A arquitetura de Boullé se coloca no espaço natural como elemento dotado de significação própria. 
Influência da “Querela entre os Antigos e Modernos” na arquitetura da Ilustração. 
A posição relativa a história de Boullé resulta da “Querela entre os antigos e modernos” em meados do
séc. XVIII. Nesta estava em jogo a definição da verdade da natureza dos estilos. Para os antigos a
história têm um valor mítico, enquanto para os modernos a história é processo que muda os costumes,
o gosto, os estilos. 
O resultado desta disputa entre os “antigos e modernos”: 
· A distinção das ordens clássicas da ordem como estrutura da arquitetura 
· A definição de um aspecto permanente, absoluto, estrutural da arquitetura, e de um aspecto
contingente, costume, linguagem, estilo. 
 
Há imagens magníficas neste site:
 
http://expositions.bnf.fr/boullee/index.htm
 
 
 
 
 
 
 
Claude-Nicolas Ledoux (n. 1736) 
Também foi aluno de Blondel, mas não o seguiu como fez Boullé. Construi seu percurso fora do
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racionalismo francês, com influência de Rousseau, também não foi a Roma como seus colegas, centrou-
se no estudo de Paris. 
Ledoux x Rousseau 
Rousseau, de seu mote de que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, passa em seus escritos
da denúncia do mal social à proposição dos remédios. Deste modo, “como a sociedade afastou-se da
natureza, não seria o caso de voltar a ela, mas por um processo de desnaturação recompor as
qualidades perdidas” (educação). Como Rousseau, Ledoux sonhava em encontrara as bases de uma
moral natural de educação, e foi buscar em sua ética pessoal o modelo de uma moral universal (Vidler,
p. 11). 
Rousseau é perseguido na França devido suas idéias não possuírem cientificidade e sua aparente
hostilidade ao progresso. É contemporâneo de Ledoux e os dois têm em comum a proposição de um
estreito contato com a natureza. A natureza é o lugar do idílio, para eles que manifestam um amor
ativo em relação à natureza. Os seus objetivos não são reformar a natureza, mas os homens.
Conformam-seque a natureza tende a imperfeição de cada espécie, objeto. Assim para Ledoux, ao
contrário que Boullé, não é o tipo central que testemunha a intenção criadora, mas o indivíduo. Para
Ledoux o homem participa das intenções permanentes da natureza. Boullé crê numa natureza-objeto,
calculável, mecânica - de ordem científica, e situa arte como expressão ideal. 
Arquitetura autônoma 
A referência primeira de Ledoux é a arquitetura clássica, não a mítica grega mas a romana civil, sua
metodologia de comparação é moral e laica. Não desfez-se de Vitrúvio, antes adotou particularmente
palavras chaves acadêmicas deste: salubridade, ordenação, simetria, proporção, conveniência. O
contato com a estética sensualista de seu tempo leva a afirmação dos termos: caráter, contraste,
variedade; e de termos decorrentes das novas exigências práticas: distribuição e necessidade[1]. 
Ledoux se coloca contra a unidade barroca, cuja supressão de uma parte destrói o conjunto. Propõe a
autonomia dos elementos volumétricos, o sistema de pavilhões, que não são partes, mas elementos
independentes. A parte é livre no marco definido como todo. “O todo é um embuste”. 
Até mesmo a representação de seus projetos é analítica. A perspectiva (axonométrica) encontra-se
sobre uma decomposição analítica do objeto em planta, seção e elevação. 
A cidade da salinas de Chaux é um projeto em que propõe a dissolução da unidade barroca, os
diferentes edifícios aparecem desligados. Utiliza os sistema dos pavilhões, o edifícios são dispostos
segundo pontos de vista prático. O centro da cidade, localizado no centro do desenho, não é pensado
do ponto de vista plástico espacial, ergue um edifício no centro. Um espaço barroco tentaria envolver
o vazio em muros. Ledoux exalta o volume em detrimento do espaço. 
Os materiais têm leis próprias, pedra aparece como pedra, em sua condição natural e valor. Propõe
uma arquitetura da produção (Vidler). Para Ledoux “Ao arquiteto corresponde a vigilância do princípio,
pode ativar os recursos da indústria, velar pelos produtos, evitar empreendimentos onerosos, pode
fazer aumentar os tesouros graças a combinações nas que a arte é pródiga”. 
 
 
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La Saline royale d'Arc-et-Senans 
 
 
 
 
 
 
Teatro Besançon
 
 
 
 
 
 
 
Boullé e Ledoux: "a forma é pura" 
Tanto Boullé quanto Ledoux defendem que a “forma é pura”, esse formalismo geométrico é bastante
distinto da ordenação geométrico-matemática da perspectiva. O problema da regularidade explica essa
diferença, em parte, a resposta coloca-se na explicação do sentido que possui o espaço constituído por
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formas regulares. 
Na arquitetura da Ilustração o princípio da proporcionalidade é substituído pelo domínio de um
princípio formal e visual radicalmente novo, contrapondo a ordem de valores numérico-proporcionais e
harmônicos da ordem clássica com os volumes, principalmente o cubo, que se torna uma unidade
espacial modular reprodutível, como um standard de princípio construtivo-racionalizador (abstrato).
Robert Morris elabora na Inglaterra um método de estudo das qualidades da arquitetura, baseado na
compreensão dos princípios compositivos reguladores através da combinação de cubos horizontal e
verticalmente.
 
Contra o valor de semelhança que a perspectiva tem com a realidade, o cubo é mais regular, abstrato,
simbólico (convencional) e imutável. Ocorre uma decomposição do espaço na ilustração, ou seja, uma
prevalência do volume em relação à experiência (contato) com o espaço própria do renascimento.
Pode-se remeter essa transformação às formulações de Kant que pensa no espaço enquanto uma forma
a priori da intuição. Uma forma de nos localizarmos no mundo. 
Para Boullé, a regularidade é a primeira lei, é a que estabelece os princípios construtivos da
arquitetura, seu valor artístico consiste em que a “regularidade e simetria são a imagem da ordem”.
Boullé ainda argumenta que a analogia, variedade e harmonia, em relação à simetria devem ser
necessariamente deduzidas da imagem de ordem, e “o domínio da simetria deve comportar tudo o que
compraz a nossos sentidos”.
 
[1] A definição da enciclopédia era que arquitetura era a arte de embelezar a necessidade, nunca foi
bem aceita por ser superficial, traduzida como “máscara embelezada”. Os arquitetos responderam que
a arquitetura era distribuição (adaptação funcional) e o Abade Laugier (figura Cabana Primitiva,
abaixo), retornando às fontes da arquitetura, propõe a integridade estrutural como definição. Outros
ao promoverem uma linguagem das formas, centram-se no problema do caráter. 
 
 
 
Referências: 
 
BOULLÉ, E. L. Ensaio sobre a Arte.
 
 
D'AGOSTINO, Mário Henrique Simão - "As prímicas da cordem" (xerox)
KAUFMANN, Emil - De ledoux a le corbusier - Colección punto e línea
 
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Postado por Clara Luiza Miranda às 06:47 
PAUSE, Michael; CLARK, Roger H.. Precedents in Architecture. New Yok: Van Nostrand Reinhold
Company, 1985
 
STAROBINSKI, Jean. A Invenção da Liberdade. São Paulo: EdUNESP. 1994.
 
Anthony Vidler, 1987. Ledoux. Madrid, 1994.
 
ver também trabalho feito por Pedro Fonceca em THAU2:
 
http://lasalinesdeledoux.blogspot.com/
 
 
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