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L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNIDADE 2 REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR EsTA UNIDADE TEM pOR ObjETIvOs: Nessa unidade vamos: ● compreender a estrutura e as funções do regulamento aduaneiro. Estas administrativas e tributárias, além de identificar o conceito e as formas de organização do território aduaneiro: portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados, além dos recintos alfandegados e manifesto de carga; ● distinguir as habilitações dos demais intervenientes para o contexto aduaneiro e suas modalidades: ordinária, simplificada, especial e restrita; ● conhecer os sistemas informatizados vinculados ao comércio exterior e as funções do despachante aduaneiro e compreender como é estabelecido o valor aduaneiro na classificação fiscal, diferenciando a nomenclatura utilizada no Mercosul; ● identificar o tratamento administrativo do despacho aduaneiro de exportação, ou seja, os procedimentos operacionais que envolvem a concordância, a implementação e a observação de particularidades a que as exportações estão sujeitas; ● apontar as etapas do despacho aduaneiro de exportação e sua sistematização. As etapas referentes desde o Registro da Declaração de Despacho de Exportação (DDE) até a etapa de averbação da mercadoria; ● demonstrar os registros necessários para que o importador possa iniciar o procedimento de importação; ● distinguir a nomenclatura ou classificação fiscal com o objetivo de ordenar as mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e características e apontar os documentos utilizados para ingressar no país mercadorias oriundas do exterior. TÓpICO 1 – DIspOsIÇÕEs ADUANEIRAs TÓpICO 2 – DEspACHO ADUANEIRO DE EXpORTAÇÃO TÓpICO 3 – DEspACHO ADUANEIRO DE IMpORTAÇÃO pLANO DE EsTUDOs Esta unidade está dividida em três tópicos e em cada um deles você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A DIspOsIÇÕEs ADUANEIRAs 1 INTRODUÇÃO TÓpICO 1 UNIDADE 2 O Brasil, assim como os demais Estados que compõem a sociedade internacional, tende a defender seus interesses comerciais no sentido de garantir que os exercícios de comercialização não causem prejuízos aos atores domésticos e, ao mesmo tempo, salvaguardem os interesses econômicos e de soberania da nação. Trata-se de uma ação regulatória que intenciona estabelecer um ambiente confortável com o mínimo de conflitos possível para os agentes comerciais no sistema comercial internacional. As regulações das trocas comerciais no Brasil acontecem através de seu sistema aduaneiro, o qual funciona como uma malha circundante ao território nacional, estabelecendo as regras e a permissão ou não do que entra e sai do país. Ao contrário do que muitos operadores e viventes do comércio exterior possam imaginar, as questões relacionadas à legislação aduaneira brasileira têm mantido um caráter bastante constante já há muitos anos. Suas quatro décadas de existência são marcadas por essa característica, na qual muitos de seus institutos jurídicos já são utilizados da mesma forma há anos. As mudanças ocorridas se deram de maneira a adaptar esses institutos às novas realidades e práticas operacionais do comércio exterior. Além da consequente mudança tecnológica e informatização dos sistemas que operacionalizam as questões e exercícios aduaneiros. Quando nos referimos às questões do direito aduaneiro, temos que levar em conta que este é um ramo autônomo do direito que deriva das práticas, usos e costumes dentro do comércio exterior. Tal relação é possibilitada pela necessidade e pela vontade da realização de um contrato internacional que ensejará a satisfação de compradores e vendedores situados em territórios aduaneiros diferentes. UNIDADE 2TÓPICO 164 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A O que remete essa característica que confere ao direito aduaneiro o caráter de uma disciplina autônoma do direito é a especificidade de suas normas, as quais são aplicadas pelo poder público (direito administrativo), porém derivam da lex mercatoria. Ainda, os usos e costumes do comércio exterior, assim como os acordos internacionais, são as bases para a aplicação da legislação fiscal e tributária no país. O que reflete o direito aduaneiro no Brasil é o Regulamento Aduaneiro, criado pelo Decreto-Lei n◦ 37/66 e regulado pelo Decreto n◦ 6.759/09, o qual contempla todas as situações e regimes aduaneiros. Este pode ser considerado como um manual da administração aduaneira, o qual requer a utilização de instruções normativas e atos declaratórios na intenção de aplicar o regulamento e detalhar sua natureza normativa. Os princípios da legislação aduaneira incorporam os princípios de direito público interno: da soberania; da legalidade; da supremacia do interesse público; da moralidade; da submissão do Estado à ordem jurídica; da igualdade dos particulares perante o Estado; do devido processo legal; da publicidade; da responsabilidade objetiva. Caro(a) acadêmico(a), contextualizamos a lógica do direito aduaneiro e a partir de agora estaremos estudando algumas especificidades. Vamos a elas! 2 EsTRUTURA DO REGULAMENTO ADUANEIRO O Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de fevereiro de 2009, DOU 06/02/2009, que sofreu alterações pela entrada em vigor da Lei nº 7.213/2010, Decreto nº 7.296/2010 e Decreto nº 7.315/2010. Todos estes textos legais regulamentam a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização das operações de comércio exterior, sendo o mesmo decretado pelo presidente da República. (art. 1º). O Regulamento Aduaneiro está dividido em oito livros, dispostos em títulos, capítulos, artigos e parágrafos. A estrutura do mesmo pode ser resumida como: • Livro I, “Da Jurisdição Aduaneira e do Controle Aduaneiro de Veículos”, trata de estabelecer uma base de controle aos fluxos de mercadorias pela aduana. Estabelece os locais de saída e entrada no território nacional, os controles a serem aplicados aos transportes e demais veículos, armazenamento e toda documentação necessária para a dinâmica das trocas comerciais. UNIDADE 2 TÓPICO 1 65 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A • Livro II, “Dos Impostos de Importação e de Exportação”, trata desses tributos: incidência, fato gerador, contribuintes, base de cálculo, pagamento e isenções. Também reúne as formas especiais de tributação aplicadas à bagagem, remessas postais e remessas expressas. • Livro III, “Dos Demais Impostos e das Taxas de Contribuições, Devidos na Importação”. Este se refere aos tributos domésticos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nas transações de importação: IPI, PIS/PASEP, COFINS, CIDE-Combustíveis, Taxa do SISCOMEX. • Livro IV, “Dos Regimes Aduaneiros Especiais e dos Aplicados em Áreas Especiais”. Refere-se aos regimes aduaneiros que permitem suspensão do recolhimento dos tributos, parcialmente ou na sua integralidade. • Livro V, “Controle Aduaneiro de Mercadorias”. Regula o despacho aduaneiro, normatizando-o na dinâmica de importação/exportação e no processo de revisão. Explica os procedimentos de como agir em caso de mercadorias abandonadas, provenientes de naufrágios, avarias, extravios e define as normas sobre os tráfegos de cabotagem e postal. • Livro VI, “Das Infrações e Penalidades”. Este livro orienta sobre quais as penalidades a serem aplicadas às diversas infrações, assim como a gradação das mesmas. • Livro VII, “Do crédito Tributário,do Processo Fiscal e do Controle Administrativo Específico”. Trata das normas de lançamento de crédito tributário, decadência, prescrição, processo fiscal, processos de aplicação e de exigência dos direitos antidumping e compensatórios, além dos controles administrativos existentes. • Livro VIII, “Das Disposições Finais e Transitórias”. Este livro versa sobre a isenção e redução de impostos sobre produtos industrializados para as empresas nos ramos de informática e automação que investem na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias da informação. FONTE: Resumo explicativo adaptado pela autora do Regulamento Aduaneiro. 2.1 FUNÇÕES ADMINISTRATIVA E TRIBUTÁRIA Ao se fazer o controle aduaneiro das mercadorias, temos que realizar as duas funções concomitantes: tributária e administrativa. A função tributária: como o próprio nome indica, refere-se à arrecadação dos tributos concernentes ao comércio exterior. Nessa etapa deve-se incluir não somente os Impostos de Importação e Exportação, como também os tributos domésticos às respectivas modalidades. UNIDADE 2TÓPICO 166 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A A função administrativa: como mencionado na introdução deste caderno, exerce a função de monitoramento, de polícia, a qual irá controlar a entrada e saída dos produtos dentro do território aduaneiro, nas especificidades dos objetivos em que os mesmos foram importados ou exportados. A função administrativa da aduana faz-se de grande importância, pois, mais do que um monitoramento ligado ao cumprimento do recolhimento dos impostos (função tributária que exerce paralelamente), promove significantes ações de segurança para o país. UNI SAIBA MAIS O QUE É TRIBUTO? O conceito de tributo está previsto no Código Tributário Nacional: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, paga em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Logo, examinando o conceito legal de tributo, concluímos que é toda contribuição em dinheiro, paga pelo cidadão através de lei que o criou, para atender às atividades-fins do Estado, isto é, realizar o bem comum. FONTE: Conhecendo os Tributos. Disponível em: <http://www.receita.pb.gov.br/edufiscal/edu_02.htm>. Acesso em: 12 ago. 2012. Dentre essas ações de segurança, podemos citar: - o controle de pragas oriundas de cargas trazidas de outras localidades; - combate ao tráfego de materiais ilícitos como armas, drogas e substâncias perigosas; - assegurar o tesouro nacional e prevenir que patrimônios histórico-culturais, de fauna e flora sejam indevidamente subtraídos do território nacional. 2.2 O TERRITÓRIO ADUANEIRO Segundo o art. 2º do Decreto-Lei nº 6.759/2009 da jurisdição aduaneira (poder de aplicar o direito aduaneiro), o território aduaneiro compreende todo o território nacional. Ou seja, no interior dos limites da estrutura política e administrativa, o Estado brasileiro, será UNIDADE 2 TÓPICO 1 67 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A exercido o direito aduaneiro. A jurisdição dos serviços aduaneiros, abrangida pelo Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, art. 33, é dividida em duas seções: zona primária e zona secundária. A primeira compreende a área ocupada pelos portos, aeroportos e demais pontos de fronteira (pontos de carga e/ou descarga, embarque de passageiros provenientes de outros países). Por sua vez, a zona secundária corresponde ao restante da zona aduaneira, todas as outras partes do território nacional, incluindo as águas territoriais e o seu espaço aéreo. Na zona primária é feito o controle dos veículos, sendo que o controle das mercadorias é feito tanto nas zonas primária quanto secundária. Ainda sobre as zonas do território aduaneiro, as mesmas possuem atividades específicas, ou restritas a cada uma, fazendo-se necessária a verificação de cada caso particular. “As unidades da zona primária correspondem às unidades aduaneiras possuidoras da jurisdição sobre os pontos de entrada e saída de veículos: aeroporto, porto, ponto de fronteira, etc. Já as unidades de zona secundária podem ser especializadas (alfândegas ou inspetorias da Receita Federal) ou mistas (delegacias da Receita Federal)”. (ROCHA, 2005, p . 21). 2.3 PORTOS, AEROPORTOS E PONTOS DE FRONTEIRA ALFANDEGADOS Em sua interpretação do capítulo II do Regulamento Aduaneiro, Rocha (2005) apresenta uma síntese do papel desses pontos de passagem de mercadorias e pessoas: Os portos, aeroportos e pontos de fronteira são locais onde se processam os controles de entrada e saída de veículos, de pessoas ou de mercadorias, que estão entrando ou saindo do território nacional. Nestes locais são processados os controles de veículos ou mercadorias, podendo ter locais destinados ao armazenamento dos veículos. (ROCHA, 2005, p. 21). Assim, temos a especificação de cada um dos seguintes pontos da zona primária do território aduaneiro: 2.3.1 Portos marítimos O transporte marítimo é o modal mais utilizado no comércio internacional, sendo que sua atividade está associada à movimentação de cargas em navios de diferentes tipos e dimensões e possuindo rotas que ligam os portos e regiões de todo o globo. No Brasil, o modal UNIDADE 2TÓPICO 168 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI Com uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, o Brasil possui um setor portuário que movimenta anualmente cerca de 700 milhões de toneladas das mais diversas mercadorias e responde, sozinho, por mais de 90% das exportações. FONTE: Secretaria dos Portos 2011 O transporte marítimo permite a otimização do transporte global e o funcionamento da complexa cadeia logística, ao integrar os outros modais de transporte, como o ferroviário e o rodoviário. A necessidade de transportar por via marítima deriva do comércio de diferentes tipos de cargas, seus volumes, forma de distribuição por parcelas a transportar, local de recebimento e entrega, tempo utilizado no trânsito entre dois pontos e, principalmente, o custo desse transporte. FONTE: Adaptado de: <http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_1563/artigo_sobre_modal_ maritima>. Acesso em: 5 out. 2012. Os portos, além de desempenharem o papel de ligação entre os modais terrestres e marítimos, têm uma função adicional de amortecer o impacto do fluxo de cargas no sistema viário local, através da armazenagem e da distribuição física. FONTE: Disponível em: <www.geografiaememoria.ig.ufu.br/downloads.php?cat_id=1...id...>. Acesso em: 5 out. 2012. O sistema portuário do Brasil é composto pelo montante de 37 portos públicos, entre marítimos e fluviais, dos quais 18 são delegados, concedidos ou têm sua operação autorizada à administração dos governos estaduais e municipais. Existem ainda 42 terminais de uso privativo e três complexos portuários que operam sob concessão à iniciativa privada. FONTE: Disponível em: <http://www.comexblog.com.br/logistica/portos-afogados>. Acesso em: 5 out. 2012. São pontos de passagem (entrada e saída de mercadorias e/ou pessoas) por via aquática, ou seja, utilizam do transporte marítimo para embarque, desembarque e movimentação de cargas. Dentre os inúmeros atores que operam e convivem dentro desta estrutura alfandegária, marítimo responde por mais de 90% do transporte internacional dos produtos comercializados nas trocas exteriores. FONTE: Adaptado de: <http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_1563/artigo_sobre_modal_ maritima>. Acesso em: 5 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 1 69 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A DA podemos citar: as três esferas políticas (Governos Federal, Estadual e Municipal), as autoridades portuárias, os armadores, transportadores, operadores portuários, trabalhadores, donos de mercadorias, os agentes, despachantes aduaneiros e consignatários. A partir da Lei de Modernização dos Portos (Lei n◦ 8.630/1993), emergiu uma nova organização administrativa para o setor portuário brasileiro. Os principais objetivos associados à implementação desta são: conceder a operação portuária e o arrendamento de áreas portuárias, gerando recursos para o governo; incentivar a concorrência entre os portos e terminais, de modo a reduzir custos e obter maior eficiência; e acabar com o monopólio dos trabalhadores portuários. (CURCINO, 2007). FONTE: Disponível em: <www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/td_1423.pdf>. Acesso em: 5 out. 2012. Assim, a nova estrutura do sistema portuário brasileiro, no que diz respeito à administração, instituiu os seguintes atores: • Autoridade portuária (Ap): esta administra o porto organizado, gera seu patrimônio e controla as demais entidades públicas e privadas atuantes no porto. • O Conselho da Autoridade portuária (CAp): trata-se de um órgão de administração, planejamento e fiscalização ao qual a administradora do porto se encontra subordinada. Este, por sua vez, é formado por quatro blocos de atores participantes do porto: bloco do poder público (bpp). bloco dos Operadores portuários (bOp). bloco da Classe dos Trabalhadores portuários (bCTp). bloco dos Usuários dos serviços portuários (bUsp). UNIDADE 2TÓPICO 170 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FIGURA 1- LOCALIZAÇÃO DOS PORTOS MARÍTIMOS E FLUVIAIS DO BRASIL FONTE: ANTAQ. Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Disponível em: <http://www.antaq. gov.br/portal/localizaportos.html>. Acesso em: 20 jul. 2012. Em relação à operação do serviço portuário, temos os seguintes atores, subordinados à autoridade portuária: • Operador portuário (Op): trata-se do órgão executivo de gerência, fiscalização, regulamentação, organização e promoção da atividade portuária. • Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO): promove a gestão de recursos humanos efetivos e prestadores de serviços, administrando a contratação, a escala e a alocação de: Trabalhadores portuários (Tp). Trabalhadores portuários avulsos (TpA). O organograma a seguir resume a organização dos portos segundo sua administração e operacionalização. UNIDADE 2 TÓPICO 1 71 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FIGURA 2 - ORGANOGRAMA DA ORGANIZAÇÃO DOS PORTOS SEGUNDO SUA ADMINISTRAÇÃO E OPERACIONALIZAÇÃO FONTE: Figura própria baseada nos estudos do LIVRO 6 do IPEA (2010) 2.3.2 Aeroportos A globalização tem propiciado com que o transporte aéreo de passageiros e cargas tenha uma função primordial nos fluxos internacionais. Em relação às cargas, há uma indução nas cadeias logísticas complexas voltadas para o atendimento de clientes que passaram a comprar pela internet e também para aquelas mercadorias que demandam velocidade de entrega, justificando as transferências aéreas. Os aeroportos têm destinado cada vez maiores áreas para a transferência e embarque de cargas, valendo-se dos grandes avanços ocorridos na tecnologia aeronáutica. UNI ACADÊMICO(A), BUSQUE SABER MAIS Acesse o link: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/ viajantes/viajantechegbrasilsaber.htm> da Receita Federal e conheça o que o viajante que chega ao Brasil precisa saber. No transporte de passageiros, por sua vez, também houve grande crescimento do número de transações e movimentação, devido ao aumento na produtividade das companhias e o consequente barateamento das passagens aéreas. UNIDADE 2TÓPICO 172 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Essa difusão do hábito de transportar mercadorias pelo modal aéreo e as recorrentes e cada vez mais necessárias viagens de negócios, assim como uma promissora alavancada do turismo, propiciaram maior presença e agregação de valor à estrutura aeroportuária no Brasil. A existência de infraestruturas adequadas, sistemas operacionais eficientes e empresas nacionais privadas de porte para a logística e o transporte é hoje condição essencial para que as negociações entre países e blocos possam ser feitas em bases de maior reciprocidade. (BARAT, 2007). FONTE: Disponível em: <www.v-brazil.com/world-cup/documents/ipea-airports.pdf>. Acesso em: 5 out. 2012. O Brasil possui 4.263 aeroportos e aeródromos, sendo a segunda maior rede do mundo, apenas superado pelos Estados Unidos, com 14.497. Dos 67 aeroportos operados pela Infraero, 31 são internacionais e 36 domésticos. FONTE: LOGÍSTICA E TRANSPORTE NO BRASIL. Disponível em: <http://www.dcomercio.com.br/ especiais/outros/digesto/digesto_20_especial/03a.htm>. Acesso em: 25 set. 2012. Eles movimentaram, em 2008, um total de 113,3 milhões de passageiros e 1,5 milhão de toneladas de cargas, inclusive mala postal. O número de passageiros em tráfego internacional foi de 13,3 milhões. Na movimentação de cargas, 852,2 mil toneladas corresponderam ao tráfego internacional em 2008. FONTE: IPEA. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/39065989/19/Infraestrutura-aeroportuaria-no- Brasil>. Acesso: em 25 set. 2012. No Brasil, a administração dos aeroportos compete à Infraero, Empresa brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a qual é vinculada ao comando da Aeronáutica. Dentro dos aeroportos há uma infraestrutura de áreas cobertas e descobertas delimitadas para o recebimento, guarda, armazenagem, controle, movimentação e entrega de carga para transporte. Essa infraestrutura denomina-se TECA=Terminais de Carga, na qual todo material descarregado no aeroporto, seja qual for o modal de transporte, lá deve ser recebido, manuseado e armazenado. UNIDADE 2 TÓPICO 1 73 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 2.4 RECINTOS ALFANDEGADOS O conceito de recinto alfandegário refere-se ao local onde deve ser realizado o trabalho aduaneiro de controle fiscal de mercadorias, possibilitando a melhor fiscalização aduaneira. Este abrange espaços da zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira) e de zona secundária (terminais alfandegados). É o que nos ensina o art. 9º do Regulamento Aduaneiro (Decreto n◦ 6.759/09): Art. 9◦ Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: I - mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; II - bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados; e III - remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação de lojas francas. (BRASIL, 2012). Assim, os recintos alfandegados são reservados ao trânsito e estocagem de mercadorias a entrar ou sair do país, à fiscalização de bagagens provenientes do e procedentes para o exterior, e as dependências de lojas francas. UNI O regime aduaneiro especial de loja franca é o que permite a estabelecimento instalado em zona primária de porto ou aeroporto alfandegado vender mercadoria nacional ou estrangeira a passageiro em viagem internacional, contra pagamento em moeda nacional ou estrangeira. (art. 1º Instrução Normativa RFB nº 863, de 17 de julho de 2008). Nas zonas secundárias temos os terminais alfandegados, os quais são dotados de áreas para armazenagem, pátio de contêineres, perfeitocontrole de entrada e saída da carga e local para os serviços aduaneiros. UNIDADE 2TÓPICO 174 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 2.5 CONTROLE ADUANEIRO DE VEÍCULOS Com a finalidade de controlar a entrada e saída de mercadorias, a aduana exerce um rígido monitoramento do trânsito de veículos, os quais são utilizados para o transporte desses bens. Os veículos provenientes ou que têm destino ao exterior somente podem fazer a transição por meio dos portos, aeroportos ou pontos de fronteira alfandegados. UNI A exceção a essa regra é o caso dos naufrágios. No intuito de prevenir que se burle essa regra, temos a proibição do posicionamento de uma embarcação a certa distância de outra, evitando assim a possibilidade de um transbordo de carga ou pessoa. (art. 617, III). A autoridade aduaneira pode, através do ato de fiscalização visita aduaneira, visitar o veículo proveniente do exterior e receber do responsável a documentação relativa ao veículo, sua carga e demais elementos presentes no mesmo. Depois de constatada a regularidade, é emitido o termo de entrada. O regulamento aduaneiro não explicita quais veículos devem receber a visita aduaneira, no entanto, este ato só é realizado em navios, sendo dispensado na maioria das vezes. O acesso da carga a esses terminais é feito através do regime de trânsito aduaneiro. Tais terminais podem ser de uso público ou de uso privativo. Os terminais alfandegados devem pagar a taxa do FUNDAF (Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização). Este fundo foi criado pelo Decreto-Lei n◦ 1.437/55, que cuida da base de cálculo do IPI na importação, mas que no art. 6° o dispõe: Fica instituído no Ministério da Fazenda o Fundo Especial de Desenvolvimen- to e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização – FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de mercadorias e de exames laboratoriais. (BRASIL, 2012). UNIDADE 2 TÓPICO 1 75 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 2.6 MANIFESTO DE CARGA Segundo o artigo 39 do Regulamento Aduaneiro, a mercadoria transportada deve estar registrada no manifesto de carga ou em outras declarações equivalentes. No artigo 40 versa que o manifesto de carga geralmente engloba toda a carga e independe do fato desta ser entregue em um único ou vários destinos. Ou seja, haverá um manifesto de carga para cada local, no exterior, onde o veículo houver recebido carga destinada a esse ponto de descarga. A folha de descarga é assinalada pelo transportador e depositário no momento em que a mercadoria é descarregada, sendo essencial para fiscalização aduaneira. Os manifestos, geralmente, listam a quantidade de peças, peso, nome e endereço do destinatário. Na conferência final de manifesto é apurado se as quantidades e a integridade das mercadorias estão corretas. Segundo o Regulamento Aduaneiro, a conferência deveria ser feita ao serem contrastadas as folhas de descarga e o manifesto. No entanto, com o advento do Mantra e do siscarga, essa prática caiu em desuso e hoje em dia é feita automaticamente por esses sistemas informatizados. UNI Mantra - Manifesto de carga informatizado. Trata-se do conjunto de registros relativos à importação destinada a determinado ponto alfandegado de descarga de aeroporto, tais como o registro de saída e chegada da aeronave, dados sobre a carga, número do conhecimento de carga, beneficiário, consolidador e desconsolidador. A ementa e o artigo 1º da IN SRF 102/94 sinalizam que o MANTRA corresponde ao MANIFESTO DE CARGA no transporte aéreo. O sIsCOMEX CARGA (sIsCARGA) equivale ao manifesto de carga eletrônico na importação e exportação por modal marítimo. UNIDADE 2TÓPICO 176 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3 vALOR ADUANEIRO Este item busca explicar como é feito o estabelecimento do valor mais próximo do preço efetivo de uma mercadoria sem que este prejudique a arrecadação dos impostos. A forma de estabelecer o valor aduaneiro também contribui para solucionar os casos em que não há preço de venda, seja nas doações, locações e empréstimos. Assim, o valor aduaneiro é a base de cálculo do Imposto de Importação. O valor aduaneiro é apurado na forma prevista no Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de valoração Aduaneira ou AvA-GATT), aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30/94 e promulgado pelo Decreto Executivo nº 1.355/94, o qual possui status de lei e estabelece as normas fundamentais sobre valoração aduaneira no Brasil. A aplicação do AVA- GATT, atualmente, é disciplinada pelos artigos 76 a 83 do Decreto n◦ 4.543/02 e pela Instrução Normativa SRF nº 327/03. (PORTAL DO COMÉRCIO EXTERIOR, 2012). FONTE: Disponível em: <www.notafiscalfacil.com.br/nota-fiscal-de-importacao/>. Acesso em: 5 out. 2012. Desta forma, o AVA-GATT estabelece seis métodos para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, sendo que sempre que não for possível a utilização do primeiro método de valoração, passa-se ao método seguinte, sucessivamente, até que se chegue ao determinante do valor aduaneiro. Na Rodada do Uruguai em 1994, o acordo tornou-se parte integrante do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – (GATT), tornando-se obrigatório para todos os membros da Organização Mundial de Comércio (OMC). Os métodos de valoração previstos pelo Acordo de Valoração Aduaneira são: • 1º Método - método do valor da transação. • 2º Método - método do valor de transação de mercadorias idênticas. • 3º Método - método do valor de transação de mercadorias similares. • 4º Método - método do valor de revenda (ou método do valor dedutivo). • 5º Método - método do custo de produção (ou método do valor computado). • 6º Método - método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O primeiro método, do valor da transação, compreende o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, acrescido do custo do transporte da mercadoria até o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado, somado aos gastos relativos à carga, descarga, manuseio e ao seguro da mercadoria durante o trajeto (AVA, art. 1°). O valor da transação tem sua aplicabilidade condicionada a não ocorrência de algumas circunstâncias, como restrições ao seu uso pelo comprador. UNIDADE 2 TÓPICO 1 77 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A NO TA! � AVA (ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA). Caso o valor aduaneiro não puder ser determinado pelo primeiro método, o valor de transação passa a ser adotado pelo método das mercadorias idênticas, no qual tal valor será o mesmo aplicado na importação e exportação de mesmo produto para determinado país. Tomemos um exemplo de um benfeitor que deseja doar para um indivíduo em outro país um automóvel. Como não há preço de venda, também não é necessário considerar vinculação entre as partes. Houve certa quantidade de importações do mesmo carro por uma revendedora. O preço unitário aplicado à revendedora poderá ser aplicado, considerado o desconto que a revendedora recebeu da fábrica pelo número de importações. Caso seja encontrado mais de um valor de transação, opta-se pelo mais baixo deles na determinação do valoraduaneiro. Se o método de mercadorias idênticas não puder determinar o valor de transação, será recorrido ao valor de transação de mercadorias semelhantes. Elucidando: uma fábrica vende com exclusividade para uma empresa do mesmo grupo determinada mercadoria, cujo preço tenha sido afetado por essa vinculação. Não será encontrada nenhuma importação de produto idêntico, pois só existe um importador. Dessa forma, buscar-se-á importações de produtos contendo características semelhantes ao produto comercializado. Também nesse caso, se houver valores diferentes, opta-se pelo valor mais baixo na determinação do valor aduaneiro. Tendo o terceiro método falhado na determinação do valor aduaneiro, passa-se a adotar o método do valor deduzido, o qual é deduzido com base no preço pelo qual as mercadorias importadas são vendidas no mercado interno a pessoas não vinculadas e com uma série de deduções, como: tributos internos, comissões, custos de transporte e seguro dentro do país importador etc. Ou seja, toma-se como base o preço de venda no país importador deduzindo as despesas e custos nesse país para estimar o preço de exportação. Esse método pode ser aplicado depois do quinto método, invertendo assim a ordem seguida, sem prejuízo (AvA, art. 5º). Caso o importador não tenha sucesso nos métodos anteriores ou queira inverter a ordem do quarto com o quinto método, o do valor computado, este irá proceder na quantificação da soma do custo ou valor dos insumos e da fabricação ou processamento empregados na confecção das mercadorias importadas de mesma espécie que as mercadorias a serem valorizadas, das despesas gerais, do custo de transporte e seguro para se tentar obter um valor aproximado de compra e venda para exportação. Trata-se do caminho contrário feito ao método do valor deduzido. UNIDADE 2TÓPICO 178 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A O sexto e último método de valorização aduaneiro é determinado pelos critérios razoáveis, condizentes com os princípios do artigo VII do GATT 1994 e com base nos dados disponíveis no país de importação. (AVA, art. 7º). É um valor determinado com base em critérios razoáveis, com vedações como: não poder ser baseado em valor mínimo no preço de venda no país de importação de mercadorias produzidas neste, não poder ser o mais alto entre dois valores possíveis, não poder ser baseado nos preços do mercado interno do país de exportação, entre outras proibições. FONTE: Adaptado de: <pt.scribd.com/doc/.../SEXTO-METODO-–-CRITERIOS-RAZOAVEI...>. Acesso em: 5 out. 2012. O que vem nos ajudar é uma flexibilização da utilização de algum dos métodos anteriores como critério razoável. Seja em buscar transações de mercadorias idênticas ou semelhantes num período maior do que o previsto na aplicação dos métodos 2 e 3, sendo esse valor ajustado pela taxa de inflação do período, gerando uma alternativa razoável na valorização do preço aduaneiro. O que deve ser enfatizado no processo de construção do valor aduaneiro é que o mesmo deve ser explícito para o importador, sendo algo previsível e não deixando margem para arbitrariedade de pensamentos. 4 CLAssIFICAÇÃO FIsCAL A Classificação Fiscal de mercadorias é um importante instrumento que não somente determina os tributos envolvidos nas operações de importação e exportação, e de saída de produtos industrializados, mas também tem a finalidade de controle estatístico e determinação do tratamento administrativo requerido para determinado produto. (RECEITA FEDERAL, 2012). FONTE: Disponível em: <qmsconsultoria.com/...fiscal-de-mercadorias/saiba-o-que-e-classificac...>. Acesso em: 5 out. 2012. O Imposto de Importação é calculado através da multiplicação do valor aduaneiro da mercadoria pela alíquota do tributo. Tendo a base do cálculo uma situação invariável, devem- se discriminar as diversas mercadorias na obtenção de diferentes alíquotas aplicáveis, sendo essa uma alternativa, uma ferramenta necessária para intervenção na economia do país. A tarifa é representada pela tabela de alíquotas às diferentes mercadorias. No Brasil é usada a TEC, Tarifa Externa Comum, a qual é válida em todo o Mercosul. A TEC associa uma alíquota para cada código de classificação fiscal. E cada código de classificação fiscal é UNIDADE 2 TÓPICO 1 79 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.1 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL A NCM, Nomenclatura Comum do Mercosul, corresponde a uma lista de mercadorias, as quais são dispostas em ordem hierárquica, divididas em capítulos e agrupadas em seções, método baseado no sH (sistema Harmonizado). UNI Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias é uma nomenclatura aduaneira, utilizada internacionalmente como um sistema padronizado de codificação e classificação de produtos de importação e exportação, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Alfândegas. obtido pela tabela da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), a qual associa os grupos de mercadorias a códigos. Ou seja, para determinar a alíquota para importação, precisa-se primeiro classificar a NCM do produto e então consultar a TEC. Há uma divisão em alguns capítulos, subcapítulos, o que auxilia na pesquisa e facilita encontrar a classificação desejada. Os capítulos são numerados com dois algarismos de 00 a 99. FIGURA 3 - ESTRUTURA SISTEMÁTICA DE CLASSIFICAÇÃO DOS CÓDIGOS NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) FONTE: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2012) UNIDADE 2TÓPICO 180 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Dentro do capítulo há posições expressas em quatro algarismos, sendo os primeiros dígitos o número do capítulo. Por sua vez, as posições estão divididas em subposições de primeiro nível, com um algarismo, e estas, em subposições de segundo nível, também com um algarismo. Acima, temos página retirada do site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com figura que ilustra e melhor explicita a NCM. NO TA! � Para manter-se informado acerca das situações que envolvem o contexto do Mercosul, acesse o site: <http:// www.mercosul.gov.br/>, página brasileira que traz relatos do que acontece neste segmento de negociação. Aproprie- se deste conteúdo. 4.1.1 Estrutura e composição do NCM Dos oito dígitos que compõem a NCM (conforme figura acima), os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do Mercosul. 4.1.2 Regras de Classificação na NCM Com base na interpretação de Werneck (2008), apresentamos as regras de Classificação na NCM. 4.1.2.1 Regra Geral de Interpretação nº 1 RGI-1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e UNIDADE 2 TÓPICO 1 81 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A notas, pelas regras seguintes... FONTE: Disponível em: <http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/SijutIntAsp/REGRAS_GERAIS. htm>. Acesso em: 5 out. 2012. Os nomes das seções, capítulos e subcapítulos não servem como base de classificação. Deve-se primeiro pesquisar em que seções o artigo poderia ser classificado e verificar se as notas das seções confirmam ou refutam as escolhas feitas. Posteriormente, deve-se averiguar em que capítulos das seções o artigo poderia ser classificado com base em seus títulos, verificando se as notas dos capítulos confirmam ou refutamas opções realizadas. Da mesma forma, deve-se examinar os subcapítulos, se os mesmos existirem. Por último, deve-se apurar em que posições dos capítulos e subcapítulos o artigo se encaixa, conferindo as notas dos capítulos. Exemplo: Seja classificar cavalos de circo. Seria natural classificá-los na seção I, “animais vivos e produtos do reino animal”, capítulo 1, “animais vivos”, posição 0101, “animais vivos das espécies cavalar, asinina e muar”. Mas a nota 1 do capítu- lo exclui os animais da posição 9508, que se refere a “carrosséis, balanços, instalações de tiro ao alvo e outras diversões de parques e feiras; circos e coleções de animais ambulantes; teatros ambulantes”, que é a posição certa. (WERNECK, 2008, p. 155). 4.1.2.2 Regra Geral de Interpretação nº 2 RGI-2-a. Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontram, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 2012. A nomenclatura pode incluir artigos nela não literalmente descritos através da ampliação do significado de cada posição. Trata-se de abrir a nomenclatura. A característica essencial é aquilo que determina a diferença de um artigo ao outro. Assim, um bloco de mármore só será classificado como escultura se o mesmo não mais se prestar a outras finalidades. (WERNECK, 2008, p.155). UNIDADE 2TÓPICO 182 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.1.2.3 Regra Geral de Interpretação nº 3 A ampliação dos significados faz com que encontremos muitas possibilidades de se classificar um artigo, no entanto, com a regra três temos uma sequência de critérios para desempate. RGI-3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: FONTE: Adaptado de: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. O primeiro critério de desempate é a posição mais específica em que o artigo se encontra diante as diferentes possibilidades. RGI-3-a. A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicos, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria: FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. “Ainda no que diz respeito à ampliação de significados, a regra 2-B trata como iguais no que se refere à classificação os artigos puros ou misturados, constituídos inteira ou parcialmente de uma matéria”. (WERNECK, 2008, p.156). RGI-2-b. Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3. FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. Exemplo: “A farinha de trigo, mesmo misturada com fermento, poderá ser classificada em 1101, “farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio”. (WERNECK, 2008, p. 156). UNIDADE 2 TÓPICO 1 83 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Exemplo: Um parafuso de fixação do bloco do motor na carroceria poderia ser classificado em 8708, “partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 87.05”, mas classifica-se em 7318, “parafusos, pinos ou pernos, roscados, porcas, tira-fundos, ganchos roscados, rebites, chavetas, cavilhas, contrapinos ou troços, arruelas (incluídas as de pressão) e artefatos semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço. (WERNECK, 2008, p.157). Algumas vezes, o que é levado em conta é apenas a parte do produto na posição da classificação. Isto é elucidado na parte b da regra 3: RGI-3-b. Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação: FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. Exemplo: Um sortido contendo uma garrafa de champanhe e duas taças. As taças classificam-se na posição 7013, “objetos de vidro para serviço de mesa, co- zinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou usos semelhantes, exceto os das posições 7010 ou 7018”, o champanhe na 2204, “vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uva, excluídos os da posição 20.09” Considera-se o mais específico o champanhe, as taças servindo para permitir sua degustação, de modo que o sortido classifica-se em 2204. (WERNECK, 2008, p.157). Não obstante, alguns sortidos são compostos por produtos totalmente diferentes e desconexos. Neste sentido, a regra 3-c nos ajuda a resolver este problema: RGI-3-c. Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 2012. Exemplo: Um sortido contendo uma caneta e um isqueiro. A caneta classifica-se em 9608, “canetas esferográficas; canetas e marcadores, com ponta de feltro ou com outras pontas porosas; canetas tinteiro e outras canetas; estiletes para dupli- cadores; lapiseiras; canetas portas-pena, porta lápis e artigos semelhantes; suas partes (incluindo tampas e prendedores), exceto os artigos da posição 9609”; e isqueiro na 9613, “isqueiros e outros acendedores, mesmo mecânicos UNIDADE 2TÓPICO 184 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.1.2.4 Regra Geral de Interpretação nº 4 Ainda que as regras anteriores deem conta de abarcar vários problemas de ordem que tendem a surgir na escolha da NCM, ainda restou a preocupação de que algum artigo ficasse sem meios de classificação. Neste sentido, a regra número 4: RGI-4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. Exemplo: A nomenclatura é bastante aberta. Se descobríssemos um dragão vivo, aquele animal mitológico que voa e solta fogo pelas ventas, ele poderia ser classificado em 0106, “outros animais vivos”. (WERNECK, 2008, p. 158). 4.1.2.5 Regra Geral de Interpretação nº 5 Quando se trata de embalagens, existem regras especiais. Caso estas estejam vazias, estas serão classificadasconforme sua natureza: garrafas, caixas, estojos, etc. Não obstante, se as mesmas estiverem cheias, a classificação recairá sobre o conteúdo. Há casos como dispostos na RGI-5-b, em que o interessado pode classificar separadamente o continente e o conteúdo, como no caso de botijões de gás. (WERNECK, 2008, p.158). RGI-5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às regras seguintes: RGI-5- a. Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para joias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam-se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. FONTE: Disponível em: <web.videoaulasonline.com.br/.../comercio_internacional_08.pdf>. Acesso em: 5 out. 2012. ou elétricos, e suas partes, exceto pedras e pavios”. A posição será a maior numericamente, ou seja, 9613. (WERNECK, 2008, p. 157). UNIDADE 2 TÓPICO 1 85 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.1.2.6 Regra Geral Complementar nº 6 Segundo a interpretação de Werneck (2008): “após e somente nesse momento, a classificação do artigo na posição deverá repetir o processo para identificar as subposições de primeiro e segundo nível”. (WERNECK, 2008, p. 158). RGI-6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. FONTE: Disponível em: <adonisw.tripod.com/prova_oficial_19062000.htm>. Acesso em: 5 out. 2012. RGI-5-b. Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 2012. 4.1.2.7 Regra Geral Complementar nº 1 Depois da classificação da mercadoria no SH (seis primeiros algarismos), deve-se identificar o item e subitem conforme as regras gerais de interpretação: RGC-1. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id...>. Acesso em: 5 out. 2012. UNIDADE 2TÓPICO 186 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.1.2.8 Regra Geral Complementar nº 2 Quando se tem um regime de exportação ou admissão temporária, ou seja, quando a embalagem vai cheia e volta vazia, a RGI-5-b torna-se sem efeito: RGC-2. As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?...255249>. Acesso em: 5 out. 2012. 4.2 NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO As Notas Explicativas do sistema Harmonizado (NEsH) compreendem as notas de seção, de capítulo e de subposição. Trata-se de material extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e conteúdo da nomenclatura abrangida pelo SH. (BRASIL, 2012). ATE NÇÃ O! As notas são organizadas na ordem crescente das classificações e trazem exemplos e descrições da NCM. A publicação encontra-se disponível no seguinte endereço eletrônico: Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Disponível em: <http://www.fiscosoft.com.br/nesh/nesh.htm>. 5 HAbILITAÇÃO DOs DEMAIs INTERvENIENTEs No processo de importação e exportação, os agentes comerciais devem interagir com a Alfândega apresentando um representante de suas empresas, ou de pessoa física, de maneira a conferir ao mesmo autoridade de agir em seu nome. Isto se faz necessário no exercício do UNIDADE 2 TÓPICO 1 87 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A desembaraço aduaneiro e na aplicação dos regimes aduaneiros especiais. Neste sentido, tem-se o processo de habilitar o responsável legal da empresa perante a aduana, o qual irá nomear os representantes, que agirão no processo de desembaraço aduaneiro. É importante salientar que o responsável legal atuando com esse cargo não pode exercer as atividades do desembaraço aduaneiro, a menos que ele próprio se nomeie também representante. Quando se tratar de pessoa física, através da declaração de renda anual é verificado quais operações ela pode realizar. Deve-se lembrar que a pessoa física não pode comercializar, salvo artesão ou produtor rural. Quando a pessoa física é habilitada, ela poderá atuar diretamente ou escolher um despachante aduaneiro para representá-la. A pessoa jurídica deve provar que possui condições financeiras para reali- zar as operações pretendentes, demonstrando a relação da empresa com o responsável indicado através de seu estatuto ou contrato social. A escolha dos representantes da organização deve recair nos seus dirigentes máximos. (WERNECK, 2008, p. 161). Ao serem habilitados, os responsáveis legais recebem senhas com as quais acessam um programa informatizado disponibilizado na rede mundial de computadores, e nomeiam os representantes da empresa, que podem ser colaboradores de carteira assinada, despachantes aduaneiros ou mesmo os sócios e dirigentes da organização. Caso a empresa opte em terceirizar seus serviços, deve optar pelo despachante aduaneiro, não podendo contratar advogados ou contadores, pois os mesmos não são autorizados a atuar nessa área. Os representantes nomeados devem se identificar perante a secretaria da Receita Federal do Brasil para que possam receber suas senhas de atuação, que são pessoais e intransferíveis. Além da capacidade financeira, o representante legal deverá comprovar a existência da organização e sua regularidade fiscal e do cumprimento das obrigações acessórias, além de todos os sócios propostos. Se a empresa tiver intenção de atuar com o processo de importação por meio de outra empresa, nas condições de importação por encomenda ou por importação por conta e ordem, ambas devem ser habilitadas. UNIDADE 2TÓPICO 188 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI Importação por encomenda. Uma empresa contrata outra (importadora) para que esta adquira mercadorias no exterior, as interne e depois as venda para a empresa contratante. O risco do negócio é para a empresa importadora. Importação por conta e ordem. Uma empresa (importadora por conta e ordem) contrata uma empresa intermediária para que esta interne no país a mercadoria que a importadoraadquiriu, cobrando desta os serviços prestados. O risco do negócio é da empresa importadora por conta e ordem. As modalidades de habilitação, em função das características organizacionais, podem ser descritas, segundo Werneck (2008), como: ordinária, simplificada, especial e restrita. • Modalidade ordinária: trata-se da mais complexa. Empresas que pretendem operar grandes volumes financeiros, tendo que fornecer uma grande quantidade de informações para que a habilitação lhes seja conferida. • Modalidade simplificada: esta modalidade é reservada às pessoas físicas, às empresas públicas, entidades sem fins lucrativos, sociedades de economia mista, sociedades anônimas de capital aberto, às empresas que pretendem atuar no comércio exterior com operações de pequena monta ou para incorporar ao seu ativo permanente, para empresas encomendantes, ou apresentem mensalmente a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), ou para as empresas autorizadas a utilizar a Linha Azul (Despacho Aduaneiro Expresso). • Modalidade especial: com procedimentos ainda mais simples que a modalidade simplificada, é destinada aos órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações públicas, órgãos públicos autônomos e organismos internacionais. • Modalidade restrita: para pessoa física ou jurídica que já tenha operado anteriormente no comércio exterior, servindo para realizações de consultas ou retificação de declarações. Também é utilizada em situação em que a pessoa jurídica não existe mais, pois foi incorporada por outra empresa e esta necessita corrigir uma declaração anterior. A habilitação é feita com o CNPJ da empresa extinta. Através do aplicativo Cadastro de Representante Legal da página da Receita Federal na internet, o representante é habilitado pelo responsável legal. Não obstante, o cadastro não é suficiente, sendo que o representante deve se apresentar até uma unidade aduaneira e retirar sua senha ao mostrar a documentação que lhe vincule à empresa a ser representada. UNIDADE 2 TÓPICO 1 89 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Os demais interventores no comércio exterior, despachantes, transportadores, servidores dos órgãos públicos e depositários, devem se habilitar para poderem operar com os sistemas informatizados de comércio exterior. 6 sIsTEMAs INFORMATIZADOs Com o objetivo de aumentar a confiabilidade e a rapidez dos despachos aduaneiros, foi criado o sIsCOMEX (sistema Integrado de Comércio Exterior), que atende tanto às transações de importação quanto de exportação. Trata-se de um sistema informatizado que interliga exportadores, importadores, despachantes aduaneiros, comissários, transportadores e outras entidades ao Decex - Departamento de Operações de Comércio Exterior, Banco Central e à Secretaria da Receita Federal. O SISCOMEX foi implantado em 1993 para agilizar e desburocratizar as operações de exportação. As entidades interessadas em exportar necessitam de uma senha para operar o SISCOMEX, para o registro de suas operações, ou para autorizar bancos, corretoras de câmbio e despachantes aduaneiros, que disponham de senha, a efetuar registros no SISCOMEX. (BRASIL, 2012). Os sistemas têm ampliado cada vez mais a quantidade e confiabilidade de suas informações, reduzindo as falsificações e otimizando o tempo das operações, cujas informações são armazenadas e monitoradas cuidadosamente. Há, da mesma maneira, um aumento na integração com outros sistemas que tende a facilitar a operacionalização dos diversos agentes econômicos e governamentais e dificultando a ação de sonegadores e contrabandistas. A empresa interessada em efetuar o cadastro deve procurar a sECEX ou a Delegacia da Receita Federal. É requerida da empresa a apresentação do contrato ou estatuto social, cartão CGC, CPF do responsável pela empresa. Além do SISCOMEX, existem o sisbacen, sistema do Banco Central responsável pelo controle dos pagamentos e recebimentos; o Mantra, já mencionado, o qual permite o monitoramento da movimentação de carga; e o Mercante, responsável pela arrecadação do AFRMM. UNIDADE 2TÓPICO 190 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI De acordo com o Decreto-Lei nº 2.404/87, o AFRMM é o Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante - uma contribuição que visa ao desenvolvimento da marinha mercante e da indústria de construção e reparação naval brasileira. A tributação varia de 10% a 40%, com um prazo de 10 dias para o recolhimento após a entrada da embarcação no porto de descarga. Uma questão importante que é ressaltada na página eletrônica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sobre o sIsCOMEX, é que o brasil é o único país no mundo a dispor de um sistema de registro de exportações totalmente informatizado. 7 O DEspACHANTE ADUANEIRO Esse ator operacional do comércio exterior é um profissional registrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual representa o exportador ou importador perante a Receita Federal no processo de desembaraço aduaneiro. Como visto anteriormente, o desembaraço aduaneiro pode ser feito pelo próprio interessado na importação ou exportação, caso seja pessoa física, ou através de seus funcionários quando se tratar de uma pessoa jurídica. No entanto, caso queira terceirizar o serviço, o único profissional que se pode contratar para o serviço é o despachante aduaneiro registrado. A empresa que realiza os despachos aduaneiros representando terceiros que desejam importar ou exportar é chamada comissária de despachos, que por procuração subestabelece o serviço do despacho ao despachante aduaneiro. Há também a figura do ajudante de despachante aduaneiro, o qual também é registrado na Secretaria da Receita Federal, e auxilia o despachante aduaneiro, acumulando experiência e desenvolve sua carreira como um próximo despa- chante. Este tem como atribuições: preparação, entrada e acompanhamento da tramitação de documentos que tenham por objeto o despacho aduaneiro, assistência à verificação da mercadoria na conferência aduaneira; assistência na retirada de amostras para exames técnicos e parciais; recebimentos de mercadorias ou de bens desembaraçados, solicitação de vistoria aduaneira. (WERNECK, 2008, p.165). Por fim, o despachante aduaneiro tem competência para realizar todas as atividades do ajudante, além de desistir de vistoria aduaneira, subscrever documentos que sirvam de base ao despacho aduaneiro e termos de respon- UNIDADE 2 TÓPICO 1 91 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A sabilidade. Também tem a incumbência de receber intimações, notificações, autos de infração, despachos, decisões e demais atos e termos processuais relacionados com o procedimento fiscal. (WERNECK, 2008, p. 165). UNIDADE 2TÓPICO 192 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Neste tópico você: ● Compreendeu a estrutura e as funções do regulamento aduaneiro estas administrativas e tributárias. ● Identificou o conceito e as formas de organização do território aduaneiro: portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados, além dos recintos alfandegados e manifesto de carga. ● Compreendeu como é estabelecido o valor aduaneiro, a classificação fiscal, diferenciando a nomenclatura utilizada no Mercosul. ● Distinguiu as habilitações dos demais intervenientes para o contexto aduaneiro, e suas modalidades: ordinária, simplificada, especial e restrita. ● Conheceu os sistemas informatizados vinculados ao comércio exterior e as funções do despachante aduaneiro. REsUMO DO TÓpICO 1 UNIDADE 2 TÓPICO 1 93 L E G I S L A Ç ÃO A D U A N E I R A C O M P A R A D A 1 Qual a importância do Regulamento Aduaneiro para a economia do país e também para os indivíduos que atuam no comércio exterior? 2 Quais as funções que o Regulamento Aduaneiro exerce? Explique cada uma: Qual é a mais importante, em sua opinião? 3 Comente a afirmação: “O controle das mercadorias se dá exclusivamente na zona primária (portos, aeroportos e recintos alfandegados) de onde saem e entram todas as mercadorias”: 4 Como o manifesto de carga se relaciona com a folha de descarga? Qual a tendência destes dois documentos? 5 O Valor aduaneiro é passível de construção sob a utilização de seis métodos, sendo que segue-se uma ordem de utilização dos mesmos. Além da sequência dessa ordem, qual o outro fator importante para o estabelecimento do mesmo? AUT OAT IVID ADE � UNIDADE 2TÓPICO 194 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A DEspACHO ADUANEIRO DE EXpORTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓpICO 2 UNIDADE 2 Esse tópico tem por finalidade discorrer sobre a sistematização das exportações no que se refere aos aspectos administrativos, operacionais e financeiros. Para início de nossos estudos, no entanto, faz-se necessário entender o que significa exportar e para que esse exercício comercial é realizado. Segundo Faro (2012, p. 70): Exportar pode ser entendido como a transferência de riquezas de um país para outro, materializada pela remessa de bens, ou pelos efeitos gerados no exterior, em decorrência da execução de serviços (mesmo que essa atividade tenha sido realizada integralmente no território nacional). Trata-se de uma operação na qual um produto que se encontrava no território alfandegário de um país é levado para outro distinto. Esse procedimento independe da natureza do produto e do motivo que levou à sua externalização. As exportações podem ocorrer mediante um pagamento, ou não, e ser de natureza temporária ou definitiva. Também possuem procedimentos variados para que a mercadoria possa seguir seu destino licitamente. Os procedimentos são necessários de forma a adequar os seus custos à efetividade da fiscalização. Quanto aos procedimentos, Werneck (2008) nos resume da seguinte forma: Existem procedimentos específicos para bagagem acompanhada, para re- messas postais ou expressas. Mesmo o procedimento mais geral, com base em declaração de exportação (DDE) e registros de exportação (REs), eletrô- nicas, por meio do Siscomex, admite a modalidade simplificada, amparada por Declaração Simplificada de Exportação (DSE), também eletrônica, e outra modalidade ainda mais simples, com base em declaração simplificada de exportação (DSE), em papel. (WERNECK, 2008, p. 2001). UNIDADE 2TÓPICO 296 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A “No Brasil, as exportações estão quase livres de restrições, classificando-se em quatro grandes grupos: livres; sujeitas a limitações; suspensas e proibidas”. (FARO E FARO, 2012, p. 67). As exportações livres são as que não necessitam observações de qualquer tipo de procedimento especial. Algumas exportações requerem procedimentos especiais, dependendo de uma prévia análise de algum órgão anuente, ou observar algum procedimento especial. São as exportações sujeitas a limitações. Já as exportações suspensas são as que não podem ser autorizadas devido a políticas aplicadas que tenham o objetivo de regulação do mercado interno, ou por algum compromisso internacional que o Brasil tenha assumido. Por fim, as exportações proibidas, como o próprio nome indica, não podem ser operacionalizadas, seja por acordo interno ou internacional. Apresentamos conceitos vinculados à exportação e passaremos agora a verificar o conjunto de ações e atividades que a envolvem e as regras que a determinam. Bons estudos! 2 TRATAMENTO ADMINIsTRATIvO Os procedimentos operacionais que envolvem a concordância, a implementação e a observação de particularidades a que as exportações estão sujeitas são chamados de tratamento administrativo. Existem operações de exportação que não estão voltadas ao comércio, ou seja, não possuem expectativa de retorno. Elucidando esse tratamento administrativo, exemplificamos com materiais de competição esportiva que foram enviados para uma competição no exterior. Outro tipo de tratamento administrativo é a exportação em consignação, na qual os materiais podem ser enviados ao exterior para que a venda ocorra posteriormente, sem que antes seja feita uma negociação prévia. “Existem alguns produtos que não podem obedecer a esse tipo de tratamento, como a soja, o álcool etílico e cigarros (com tabaco)”. (FARO E FARO, 2012, p. 68). O exportador tem 720 dias, contados a partir do embarque da mercadoria, para comprovar a efetiva venda da mesma no exterior ou retornar a mesma para o país. Pode UNIDADE 2 TÓPICO 2 97 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A haver prorrogação deste prazo de permanência da mercadoria em consignação, não obstante, o não cumprimento deste compromisso pode gerar sanções ao exportador, de acordo com a legislação vigente. As mercadorias destinadas ao uso e consumo a bordo, tais como combustível, lubrificantes etc., utilizadas em transportes de tráfego internacional, correspondem, para os efeitos fiscais, a uma exportação (exportação para uso e consumo de bordo). As mesmas também requerem um Registro de Exportação (RE), o qual poderá ser obtido depois do fornecimento do material até o último dia útil do mês subsequente. A exportação destinada a feiras, exposições e certames semelhantes permite o embarque das mercadorias sem comprovação de pagamento. Em até 365 dias, contados do embarque das mercadorias, o exportador deve promover o retorno das mesmas ao país ou regularizar as possíveis vendas ocorridas nesse tempo. O não cumprimento das especificações desse tratamento administrativo gerará sanções ao exportador. As exportações com descontos são aquelas amparadas em RE, em que o exportador pretenda conceder um desconto pela mercadoria, sendo autorizado pelo DECEX. O exportador formula o pleito ao departamento, apresentando informações detalhadas sobre o que motiva esse desconto, de maneira a justificá-lo. Devem ser fornecidas cópias das faturas comerciais e conhecimentos de embarque, assim como correspondências trocadas com o importador sobre o desconto. Há também a exportação de material usado, quando devem ser observadas as normas gerais de sua composição sujeitas ao despacho aduaneiro de exportação. “Em relação à exportação comercial, deve-se antes de tudo verificar como enquadrar a operação na legislação, procurando, em princípio, utilizar o procedimento mais favorável”. (WERNECK, 2008, p. 201). O objetivo maior no enquadramento do procedimento de exportação está em desonerar e facilitar a exportação, garantindo assim um aumento das vendas, melhorando a balança comercial. Justifica-se a esse objetivo a existência de poucas mercadorias sujeitas ao Imposto de Exportação ou outros procedimentos administrativos. O procedimento geral na exportação comercial é o seguinte: fechar o negócio com o importador; formular o registro de exportação, RE (obter uma autorização para exportar o produto); formular a Declaração de Exportação (pode englobar vários REs); desembaraçar a mercadoria na alfândega; embarcar a mercadoria. UNIDADE 2TÓPICO 298 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3 DOCUMENTOs pARA EXpORTAÇÃO Um bom resultado em negócios internacionais advém da circunstância dedominar bem os documentos do comércio exterior. Não é diferente no ato de exportar uma mercadoria, a qual, apesar de seguir uma padronização internacional de documentos, pode requerer uma especificidade em seu tratamento. Assim, temos uma série de documentos que podem ter caráter administrativo, comercial, financeiro, contábil ou fiscal. 3.1 DOCUMENTOS ELETRÔNICOS As exportações são licenciadas por um conjunto de documentos obtidos no módulo exportação do SISCOMEX, no qual serão feitas, além de sua operação, retificações em qualquer tempo, emissão de extratos, consultas sobre o status (em análise, aprovado, negado etc). Os documentos eletrônicos são: Registro de Exportação (RE). Registro de Operação de Crédito (RC). Registro de Exportação Simplificada (RES). Declaração de Despacho de Exportação (DDE). Declaração Simplificada de Exportação (DSE). Comprovante de Exportação (CE). 3.1.1 Registro de Exportação (RE) O Registro de Exportação (RE) trata-se de “um conjunto de informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracteriza a exportação de uma mercadoria e define seu enquadramento legal”. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p.189). É o conjunto de informações necessárias para desembaraço da mercadoria nos portos, aeroportos e pontos de fronteiras, e também para que os agentes financeiros fechem o câmbio e efetuem os pagamentos das exportações. “Em suma, o RE corresponde ao licenciamento da exportação. Este detalha todas as UNIDADE 2 TÓPICO 2 99 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A características da operação, discriminando se será realizada com cobertura cambial ou não, se sua condução envolve algum mecanismo de crédito etc”. (FARO E FARO, 2012, p. 47). NO TA! � Caro(a) acadêmico(a)! Todas as mercadorias exportadas pelo Brasil necessitam que sejam emitidos os Registros de Exportações, exceto aquelas mercadorias ou operações relacionadas na Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, Anexo A (casos especiais, como emissão de bagagem de viajante ao exterior, urnas funerais, animais domésticos, objetos sem cobertura cambial e sem finalidade comercial). FIGURA 4 – MODELO DE REGISTRO DE EXPORTAÇÃO - RE UNIDADE 2TÓPICO 2100 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: CENTRO DAS INDÚSTRIAS DO VALE DO RIO GRANDE - CIGRADisponível em: <http://www.cigra.com.br/aprendaexportar/paginas/comExportar/pp_regExpModelo. html>. Acesso em: 20 jul. 2012. 3.1.2 Registro de Operação de Crédito (RC) O RC é um documento eletrônico que contém informações cambiais e financeiras referentes a exportações com prazo maior de 180 dias para pagamento (exportações financiadas). Seu preenchimento é feito antes do RE. Entretanto, o RC deverá ser registrado posteriormente ao RE quando a exportação for realizada em consignação ou destinada a feiras e exposições, e posteriormente ocorrer negociação com prazo de pagamento superior a 360 dias. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, 2012). A validação do mesmo é confirmada pelo Banco do Brasil ou DECEX (de acordo com o tipo de enquadramento da operação), e o Siscomex fornece ao exportador um número para cada RC emitido. UNIDADE 2 TÓPICO 2 101 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI SAIBA MAIS! O passo a passo do Registro de Operação de Crédito pode ser visualizado no sítio eletrônico da Receita Federal, com o endereço: <http://www.receita.fazenda.gov.br/ manuaisweb/exportacao/guia/telas-por-assunto/de/ registro-operacao-credito-rc.htm>. 3.1.3 Registro de Exportação Simplificado (RES) O RES corresponde a um Registro de Exportação para facilitar as operações em que empresas atuem num montante de até US$ 50 mil. As informações e dados exigíveis são menores e os procedimentos operacionais mais simples do que as demais exportações. Além do valor máximo das operações, não pode ser aplicado nas operações sujeitas ao Imposto de Exportação ou a procedimentos especiais; financiadas; contingenciadas em função de compromissos internacionais assumidos pelo país ou aquelas conduzidas ao amparo do Regime Automotivo. 3.1.4 Declaração de Despacho de Exportação (DDE) Documento eletrônico que provoca junto à Receita Federal o início do despacho aduaneiro de exportação. Através de sua emissão inicia-se a possibilidade de adotar os procedimentos alfandegários referentes ao desembaraço aduaneiro da mercadoria (exame documental, verificação de mercadoria, autorização para embarque ou transposição de fronteira, emissão do comprovante de exportação). UNI Instrumento de política setorial que estabelece parâmetros para a realização de transações internacionais de compra e venda envolvendo o setor automotivo. (FARO E FARO, 2012). UNIDADE 2TÓPICO 2102 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Em cada DDE, um ou mais Registros de Exportação podem ser consolidados, caso envolvam operações de um mesmo exportador, negociados em mesma moeda e condição de venda. Para isso, os REs devem estar vinculados às mesmas unidades de despacho e de embarque da RFB (local de conferência e desembaraço da mercadoria a ser exportada). FIGURA 5 – MODELO DDD FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http:// www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_fatComComInvDModelo.html>. Acesso em: 19 jul. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 2 103 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3.1.5 Declaração Simplificada de Exportação (DSE) Trata-se de uma alternativa à DDE, permitindo à repartição aduaneira da Receita Federal jurisdicionante iniciar o despacho aduaneiro de exportação de mercadorias. É passível de utilização em casos que admitem um procedimento simplificado, como: importação de bens até o limite de US$ 50 mil; exportação de bens integrantes de bagagem desacompanhada; exportação de amostras sem valor comercial, animais domésticos sem cobertura cambial e finalidade comercial. 3.1.6 Comprovante de Exportação (CE) Este documento é emitido pela unidade aduaneira da Receita Federal via Siscomex, o qual sintetiza todos os dados e registros vinculados a uma exortação. É obtido ao final do despacho aduaneiro de exportação. (FARO E FARO, 2012, p. 50). UNI A maneira de solicitar a CE está descrita passo a passo no site eletrônico da Receita Federal na página disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/manuaisweb/exportacao/guia/ telas-por-assunto/de/registro-operacao-credito-rc.htm>. Acesso em: 6 out. 2012. 3.2 OUTROS DOCUMENTOS Durante a preparação das mercadorias, outros documentos são emitidos e solicitados, tais como: Fatura Proforma. Fatura Comercial (Commercial Invoice). Nota Fiscal. Romaneio (Packing list). UNIDADE 2TÓPICO 2104 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Conhecimento de embarque. Contrato de câmbio. Apólice de seguro. Fatura consular. Certificados (de origem, fitossanitário etc.). 3.2.1 Fatura Proforma A Fatura Proforma é o primeiro documento oficial, porém sem valor comercial. Também é conhecida como Pro Forma Invoice, sendo que nesta constam todos os elementos indispensáveis para ser considerado um documento, incluindo as condições passíveis de serem praticadas na venda. Também são encontradas na Proforma as características da mercadoria, como quantidades, valores, descrição, enfim, tudo o que o vendedor está oferecendo para o importador. Tal documento é enviado ao importador quando este demonstra manifesto interesse sobre a mercadoria, ou seja,trata-se de uma cotação de um negócio. Trata-se da base do contrato preliminar, sendo que sua geração não incide compromisso efetivo a qualquer uma das partes. Assim, uma Fatura Proforma deve conter obrigatoriamente: A denominação: FATURA PROFORMA ou PROFORMA INVOICE. Caracterização adequada do destinatário, comprador em potencial. Descrição da mercadoria ou produto. Modalidade de venda (Incoterms). Condições de pagamento. Quantidade do produto. Preço do produto. Embalagem de apresentação e de transporte. Volumes. Transporte e seguro internacional. Prazo de entrega. Prazo de validade da cotação. Após a confecção da Fatura Proforma, faz-se necessário um bom contrato que esclareça todas as dúvidas que possam existir entre as partes. O exportador receberá um pedido de compra ou uma carta de crédito de um banco estrangeiro, ou seja, documentos que confirmem a aquisição da mercadoria. O exportador deve conferir os dados da carta de crédito ou no pedido da mercadoria, contrastando-os com a Fatura Proforma ou o contrato de compra e venda. UNIDADE 2 TÓPICO 2 105 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3.2.2 Fatura comercial Também conhecida como Commercial Invoice, trata-se de um documento que representa a realização do negócio e essencial para o desembaraço aduaneiro de exportação e importação. Trata-se da confirmação do pedido feito na Fatura Proforma. Esta deve ser emitida no idioma do importador ou em inglês. Nela devem constar, segundo Dias e Rodrigues (2010): Modalidade de pagamento. Modalidade de transporte. Local de embarque e desembarque. Número e data do conhecimento de embarque. Nome da empresa de transporte. Descrição da mercadoria. Peso bruto e líquido. Tipo de embalagem, número e marca de volumes. Preços unitário e total. Valor total da mercadoria. NO TA! � O Modelo da Fatura Comercial é o mesmo apresentado na Fatura Proforma, modificando apenas a sua Denominação (título). UNIDADE 2TÓPICO 2106 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FIGURA 6 – FATURA PROFORMA UNIDADE 2 TÓPICO 2 107 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http://www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_ fatComComInvDModelo.html>. Acesso em: 19 jul 2012. 3.2.3 Nota fiscal A nota fiscal tem validade dentro do território nacional. Esta é emitida e acompanha a mercadoria desde o local em que a mesma foi produzida até o local onde será desembaraçada para o exterior. Tem por finalidade comprovar a regularidade fiscal da mercadoria, mencionando que a mesma destina-se à exportação. A nota fiscal deve ser emitida na moeda nacional com base no preço FOB (Free On Board), por questões de ordem legal. Tratando-se de UNIDADE 2TÓPICO 2108 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A uma exportação direta, a nota é emitida em nome da empresa importadora. No caso de uma exportação indireta, a trading company ou o operador que realizará a importação deve ter o nome emitido em nota. 3.2.4 Romaneio (packing list) Trata-se da identificação da mercadoria, suas quantidades, volumes, referências, peso bruto e líquido, marca etc., enfim, a listagem ocasionada na preparação das mercadorias a exportar. Trata-se de um documento informal, que serve como referência para conferência da mercadoria pelo importador e fiscal da alfândega, tanto na origem quanto no destino da mesma. Segundo Rodrigues (1996), o romaneio deve conter: Número do documento. Nome e endereço do exportador. Data de emissão. Descrição da mercadoria, quantidade, unidade, peso bruto, peso líquido. Local de embarque e desembarque. Nome da transportadora e data de embarque. Número de volumes, identificação dos volumes por ordem numérica, tipo de embalagem, peso bruto e líquido por volume, e dimensões em metros cúbicos. FONTE: Disponível em: <201.2.114.147/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid...>. Acesso em: 6 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 2 109 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http://www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_romEmbPacLisModelo.html>. Acesso em: 20 jul. 2012. FIGURA 7 – ROMANEIO DE EMBARQUE 3.2.5 Conhecimento de embarque Este documento é emitido pela companhia de transporte do produto negociado, atestando o recebimento da carga, suas condições de transporte e a sua obrigação de entrega ao destino estabelecido de acordo com as vias de seu translado (aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário). UNIDADE 2TÓPICO 2110 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Tal documento tem uma tripla função, podendo ser considerado um recibo de mercadorias, um contrato de entrega e um documento de propriedade. (BANCO DO BRASIL, 2010). “Devido a essas características, é considerado um título de crédito. Trata-se de um documento essencial para a negociação junto aos bancos com os quais estarão sendo feitos a operação e o fechamento do câmbio”. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p.195). Ainda, este é o único documento que concede posse da carga à empresa ou pessoa em que o nome nele está consignado. Quando o mesmo está consignado a um banco para garantia do pagamento ao exportador, tal banco deve endossar o Conhecimento Internacional de Embarque, transferindo para o importador o recebimento da carga. O conhecimento é redigido em língua inglesa e expressa a garantia aos bancos de que a mercadoria foi embarcada para o exterior. De acordo com o modal em que a mercadoria será transportada, este recebe diferentes nomes. No caso do modal marítimo, o conhecimento de embarque é chamado de bL (Bill of Landing). No transporte aéreo, recebe a denominação de AWb (Airway Bill). Nos modais rodoviário e ferroviário recebe, respectivamente, os nomes de CRT (Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovias) e TIF (Conhecimento Internacional de Transporte Ferroviário). 3.2.6 Contrato de câmbio, apólice de seguro e fatura consular O contrato de câmbio refere-se à compra e venda de moeda estrangeira na negociação entre o exportador e o banco operador, na qual pode ou não haver intermediação de corretora, firmado no sistema de intermediação do Banco Central (Sisbacen). O exportador tem o compromisso de transferir ao banco operador em moeda local o valor em moeda estrangeira da operação de exportação. A letra de câmbio (bill of Exchange), saque (Draft) ou cambial refere-se ao título de crédito, de saque internacional, que equivale a uma duplicata com aceite. Esta possui um modelo oficial, impressa em inglês, a qual é emitida pelo exportador (credor) contra o importador (devedor), a ordem do beneficiário indicado no prazo determinado. A letra de câmbio ocorre nas operações sob a modalidade de cobrança e nas operações amparadas por carta de crédito. (BANCO DO BRASIL, 2010). A Apólice de Seguro é um documento emitido pela companhia seguradora com base na proposta do exportador ou importador. Esta cobre os riscos de transporte da mercadoria, e quando se tratar de um seguro de crédito, também cobre os riscos comerciais, políticos e extraordinários. Existem dois tipos de apólices de seguro: apólice aberta e apólice avulsa. UNIDADE 2 TÓPICO 2 111 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A A primeira comporta mais de uma operação de seguro em um único documento e éutilizada mediante uma averbação para cada operação a ser coberta. A apólice avulsa, por sua vez, cobre uma única operação de exportação e dispensa averbações. FONTE: Disponível em: <www.educacional.com.br/upload/.../RCE%20Guia%20Comex.doc>. Acesso em: 6 out. 2012. “A fatura consular objetiva atender às formalidades alfandegárias do despacho aduaneiro de importação. Poderá ser obtida junto às câmaras de comércio que representem os interesses do país importador no Brasil”. (FARO E FARO, 2012, p. 74-75). FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http:// www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_romEmbPacLisModelo. html>. Acesso em: 20 jul. 2012. FIGURA 8 – CONHECIMENTO DE EMBARQUE UNIDADE 2TÓPICO 2112 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3.2.7 Certificados e demais comprovantes Determinados países exigem documentos referentes a algumas mercadorias que serão importadas. Desta maneira, o exportador deve estar ciente e observar a emissão de certificados que atestem diversas características do produto, como: qualidade, padrões fitossanitários, especificações, índice de nacionalização etc. “Tais certificados são imposições das legislações nacionais ou estrangeiras provenientes de negociações bi ou multilaterais”. (DIAS E RODRIGUES, 2010, p. 196). Nas linhas que se seguem temos alguns exemplos dos certificados existentes no processo de despacho aduaneiro de exportação. 3.2.7.1 Certificados de origem O certificado de origem é o documento que atesta a origem e a procedência da mercadoria a ser exportada, assegurando que foi elaborada utilizando-se os critérios de produção previamente estabelecidos e cumpre com as exigências dos países importadores. Através deste certificado, os parceiros comerciais envolvidos na comercialização da mercadoria são assegurados e são beneficiados por concessão de preferência tarifária resultante do acordo comercial. O comércio internacional utiliza o certificado de origem preferencial impresso em papel. NO TA! � O certificado de origem somente poderá ser emitido a partir da data da Fatura Comercial correspondente, ou durante os 60 dias consecutivos, sempre que não supere os dez dias úteis posteriores ao embarque. (FECOMÉRCIO MINAS, 2012). Há diferentes certificados de origem, que irão se distinguir a partir de particularidades referentes ao produto ou ao mercado consumidor. UNIDADE 2 TÓPICO 2 113 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 3.2.7.1.1 Certificado de origem padrão ou comum O certificado de origem comum ou padrão é utilizado somente para comprovar a origem da mercadoria, quando a legislação do país importador ou o próprio comprador assim o exigir, independentemente da concessão de preferência tarifária (benefícios fiscais) na importação daquela mercadoria. FONTE: Disponível em: <www.fecomerciomg.org.br/index.php?arquivo...certorigem_oque...>. Acesso em: 6 out. 201. 3.2.7.1.2 Certificado de Origem SGP – Formulário A (Form A) Este certificado é emitido com o propósito de possibilitar a redução ou isenção do Imposto de Importação aos produtos provenientes de países em desenvolvimento, beneficiados pelo mecanismo Sistema Geral de Preferências (sGp). Este, preenchido pelo exportador e emitido pelas agências habilitadas do Banco do Brasil, quando a mercadoria pertencer ao grupo de produtos amparados pelo SGP. Em exportações para Estados Unidos da América, Canadá, Porto Rico e Nova Zelândia, o exportador pode emitir o certificado diretamente sem a chancela governamental. 3.2.7.1.3 Certificado de origem SGPC O certificado de origem do Sistema Global de Preferências Comerciais é um documento preenchido pelo exportador e emitido pela Confederação Nacional das Indústrias ou por entidades a ela filiadas (federações estaduais de Indústria). Este permite que sejam obtidas margens preferenciais na aplicação do Imposto de Importação incidente sobre as mercadorias negociadas aos países do sistema. (FARO E FARO, 2012; BANCO DO BRASIL, 2010). 3.2.7.1.4 Certificado de Origem Mercosul Este certificado é emitido pelas federações estaduais de Indústria, Comércio e Agricultura, além das entidades credenciadas pelo Governo Federal, atestando a origem e procedência UNIDADE 2TÓPICO 2114 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A das mercadorias e, principalmente, possibilitando a obtenção de tratamento preferencial pelos países do bloco do Mercosul. UNI O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um amplo projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Envolve dimensões econômicas, políticas e sociais, o que se pode inferir da diversidade de órgãos que ora o compõem, os quais cuidam de temas tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o Mercosul assume, hoje, o caráter de união aduaneira, mas seu fim último é constituir-se em verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, por meio do qual o bloco foi fundado, em 1991. (MERCOSUL, 2012). Disponível em: <http://www.mercosul.gov.br/>. Acesso em: 20 jul. 2012. O formulário do Certificado de Origem MERCOSUL deverá ser apresentado ante a autoridade aduaneira, confeccionado mediante qualquer processo de impressão, sempre que sejam atendidas todas as exigências de medida, de formato (IsO/A4 - 210 x 297mm) e numeração correlativa. De acordo com a normativa jurídica ou administrativa de cada Estado parte e com a prática existente em cada um deles, os formulários de Certificados de Origem poderão ser pré-numerados. O mesmo não será aceito entre outras versões em fotocópia ou transmitidos por fax. (FECOMÉRCIO MINAS, 2012). FONTE: Disponível em: <www.fecomerciomg.org.br/index.php?arquivo...certorigem_oque...>. Acesso em: 6 out. 2012. Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiar-se dos tratamentos preferenciais pactuados nesses acordos, o exportador deverá fazer com que os documentos de exportação sejam acompanhados do Certificado de Origem adotado pela Mercosul, comprovando previamente perante a entidade certificadora que as mercadorias vendidas cumprem com os requisitos de origem preestabelecidos nos respectivos acordos firmados entre os países membros. (FECOMÉRCIO MINAS, 2012). 3.2.7.1.5 Certificado de origem ALADI O certificado de origem deverá ser expedido pelas Confederações Nacionais da Agricultura, Indústria ou Comércio em formulário padrão aprovado pela ALADI com o objetivo de comprovar a origem brasileira das mercadorias exportadas para fins de percepção de tratamento UNIDADE 2 TÓPICO 2 115 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A preferencial (benefícios fiscais) nos demais países importadores integrantes da associação. UNI A Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é um organismo intergovernamental que, continuando com o processo iniciado pela Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) em 1960, promove a expansão da integração da região, com vistas a garantir seu desenvolvimento econômico e social e tendo como meta final a criação de um mercado comum latino- americano. (ALADI, 2012). As normas de origem da ALADI seguem o estipulado na Resolução do Comitê de Representantes de nº 78, de 24 de novembro de 1987, que cuida do ESTABELECIMENTO DO REGIME GERAL DE ORIGEM. Entretanto, as normas que devem constar dos Certificados de Origem, no campo apropriado, estão definidas nos textos dos acordos. (FECOMÉRCIO MINAS, 2012). 3.2.7.1.6 Outros certificados No tratamento administrativo do despacho aduaneirode exportação existem outros documentos que poderão ser exigidos, de acordo com as legislações do país do importador em questão. Seguem então, resumidamente, alguns destes documentos: A União Europeia exige o comprovante de origem de carnes de ave e seus derivados, para fins de tratamento tarifário preferencial. Este bloco econômico também requer um certificado de autenticidade-artesanato para comprovar a origem brasileira de certos produtos feitos de juta, seda e algodão. A UE também exige nas exportações de fumo o certificado de autenticidade do tabaco, o qual pode ser obtido nas entidades credenciadas pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. (FARO; FARO, 2012). Os certificados fitossanitário e de sanidade animal são emitidos pelas entidades vinculadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atestando sobre a origem e sanidade dos produtos agrícolas e florestais/animais. (FARO; FARO, 2012). UNIDADE 2TÓPICO 2116 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4 FORMAÇÃO DE pREÇO NA EXpORTAÇÃO Talvez o passo mais difícil de ser tomado no instante em que o empreendedor pretende exportar sua mercadoria seja o momento de fixação de preço da mesma no mercado externo. Esse exercício compete muitos estudos e uma intensa preparação, no sentido de fazer com que a mercadoria possa ser bem aceita no exterior, gerando competitividade aos demais produtos no mercado e, principalmente, ser rentável ao exportador. Segundo Faro e Faro (2012): É preciso determinar qual preço pode ser praticado de forma a imprimir competi- tividade ao produto no mercado externo, e, ao mesmo tempo, não comprometer a saúde econômica e financeira do exportador. (FARO; FARO, 2012, p. 77). Para o exercício da formação dos preços no mercado internacional deve-se ter os preços praticados no âmbito interno como um referencial. No entanto, os preços no mercado interno não podem ser utilizados em cotações internacionais. Isto se dá porque a agregação ou subtração de alguns elementos na base de cálculo dos preços muda de acordo com cada mercado. Na figura a seguir, Faro e Faro (2012) demonstram como é constituído o preço de venda no mercado interno. FONTE: Adaptado de Faro e Faro (2012, p. 77) FIGURA 9 - ESQUEMA DEMONSTRATIVO DA CONSTITUIÇÃO DO PREÇO DE VENDA NO MERCADO INTERNO UNIDADE 2 TÓPICO 2 117 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Destarte, é de suma importância o cálculo do preço FOB da mercadoria a ser exportada. Com esse cálculo tem-se a análise do impacto do preço FOB no mercado externo em três cenários: PREÇO FOB < preço no mercado externo. PREÇO FOB> preço no mercado externo. PREÇO FOB = preço no mercado externo. UNI FOB significa em inglês Free On Board, que, traduzindo para a língua portuguesa, Livre a Bordo. Ou seja, o preço FOB representa o preço ofertado cobrindo todas as despesas e riscos do produto até que este ultrapasse a amurada do navio no país de embarque, sem a contratação do frete internacional (BRASIL, MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. APRENDENDO A EXPORTAR, 2012). Quando o preço da mercadoria no local de embarque for menor que o preço exercido no mercado externo, poderá ser considerada a sua elevação, ou seja, tem-se o cenário propício para ampliação da margem de lucro da empresa exportadora. Quando o preço no local do embarque for maior que o praticado no exterior, deverão ser reduzidos os custos de produção, pois este não está competitivo no mercado almejado, inviabilizando o processo de exportação da mercadoria. Quando o preço no local do embarque for igual ao preço praticado no mercado exterior, tem-se o cenário que reflete as condições mínimas para que a empresa exportadora continue atuando no mercado internacional. Assim, o preço de exportação das mercadorias depende da apuração do preço interno das mesmas. Tem-se: ● PREÇO INTERNO = custo industrial (matéria-prima + mão de obra + custos indiretos fabris) + despesas comerciais + despesas administrativas + despesas financeiras + tributos (ICMS; IPI; PIS; COFINS) + LUCRO. Para se conseguir o preço de exportação, ao preço interno serão acrescidas as despesas com a exportação (Frete + Seguro + Embalagens especiais + Demais custos) e retirados os tributos referentes ao preço local, os quais deixam de ser cobrados como forma de incentivo às exportações. São retiradas ainda as despesas incidentes nas vendas internas, como comissões, por exemplo. UNIDADE 2TÓPICO 2118 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: Faro; Faro (2012, p. 78) FIGURA 10 - ESQUEMA DEMONSTRATIVO DA CONSTITUIÇÃO DO PREÇO DE VENDA NO MERCADO EXTERNO 5 TIpOs DE EXpORTAÇÃO As empresas brasileiras contam com diferentes maneiras para realizar suas exportações, dependendo de como o empresário traçará o plano de venda de suas mercadorias. Este plano levará em consideração o conhecimento das operações e custos, os quais foram apresentados no capítulo anterior referente à formação de preços no mercado externo, sendo que o produto precisa possuir um preço competitivo. Os modos de exportar são: Exportação direta. Exportação indireta. Exportação por consórcios. A exportação por consórcios pode ser subdividida em: ● Consórcio de promoção de exportações. ● Consórcio de vendas. ● Consórcio de área ou país. Segundo Dias e Rodrigues (2010), existe ainda a exportação de amostras e duas modalidades especiais de exportação que são objeto de regulação específica, já mencionadas no início do Tópico 2: exportações temporárias e exportações em consignação. UNIDADE 2 TÓPICO 2 119 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 5.1 EXPORTAÇÃO DIRETA “Corresponde à operação em que a mercadoria exportada é faturada pelo próprio produtor/ comerciante ao importador”. (DIAS E RODRIGUES, 2010, p. 201). A empresa é ciente de todo o processo de exportação, sendo que mesmo que o produtor/comerciante utilize de um agente comercial para a exportação, essa operação não se descaracteriza de uma exportação direta. Na exportação direta, a mercadoria é isenta do Imposto sobre produtos Industrializados (IpI) e não ocorre incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e serviços (ICMs). 5.2 EXPORTAÇÃO INDIRETA Trata-se de operações realizadas por intermédio de empresas situadas e estabelecidas no Brasil, as quais adquirem mercadorias para então exportá-las. Tais empresas podem ser: Trading companies: em termos fiscais, a venda da mercadoria pela produtora/ comerciante a uma trading é equiparada a uma operação de exportação. Empresas comerciais exclusivamente exportadoras. Empresas comerciais que operam no mercado interno e externo. Outro estabelecimento da empresa produtora. 5.3 CONSÓRCIOS DE EXPORTAÇÃO “Os consórcios são associações de empresas juridicamente constituídas, que somam esforços e/ou estabelecem uma divisão interna de trabalho com vistas à redução de custos, aumento da oferta de produtos destinados ao mercado externo e ampliação das exportações”. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 202). Estes são formados por empresas que possuem mercadorias complementares umas às outras ou mesmo empresas concorrentes que desejam dividir os custos e entrar de certa forma equilibradas no mercado externo. UNIDADE 2TÓPICO 2120 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Algumas motivações para a realização de consórcios são: A dependência de poucos provedores da mercadoria. Escassez de pessoal qualificado nas técnicas de comércio exterior. Falta de informação sobreos mercados. Falta de capital para investir. Falta de poder contratual com fornecedores, bancos e entidades governamentais. Falta de volume de produção para interessar grandes compradores. Falta de uma marca própria. 5.3.1 Consórcio de promoção de exportações Nesse tipo de consórcio, as empresas que dele participam é que promovem as vendas no mercado externo. A finalidade desse consórcio é desenvolver atividade de capacitação, treinamento e promoção de negócios. É recomendável para empresas que já possuem experiência em comércio exterior. (BRASIL, 2012). 5.3.2 Consórcio de vendas As exportações são realizadas pelo consórcio, por intermédio de uma empresa comercial exportadora. Este tipo de exportação é recomendável para empresas que não possuem experiência em comércio exterior. FONTE: Disponível em: <www.exportplastic.com.br/admin/.../ExportacaoPassoAPasso_Novo.p...>. Acesso em: 8 out. 2012. 5.3.3 Consórcio de área ou país Esse tipo de consórcio reúne empresas que desejam concentrar suas vendas em um único país ou em uma região determinada. O consórcio pode ser de promoção de exportações ou de vendas. Ainda, estes consórcios podem ser mono ou multissetoriais. Consórcio monossetorial: agrega empresas de um mesmo setor. Consórcio multissetorial: os produtos das empresas integrantes podem ser complementares (mesma cadeia produtiva) ou diferentes, destinados ou não a um mesmo cliente. UNIDADE 2 TÓPICO 2 121 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 5.4 EXPORTAÇÃO DE AMOSTRAS As normas administrativas que cercam as exportações de amostras fazem com que as mesmas tenham um caráter específico. Trata-se de uma remessa ao exterior sem cobertura cambial. Dias e Rodrigues (2010) observam que as exportações de amostras devem ser analisadas sob dois aspectos: 1º Até US$ 5.000,00 (cinco mil dólares americanos ou equivalentes em outra moeda), mediante a elaboração de RE, feito na forma simplificada, com código 99101 de enquadramento da operação. 2º Idêntico ao primeiro aspecto, porém dispensando a emissão de RE e respeitando as particularidades a seguir: ● Amostras representadas por quantidades, fragmentos ou partes de qualquer mercadoria estritamente necessária para dar a conhecer sua natureza, espécie e qualidade. ● As exportações de pequenas encomendas sem fins comerciais e sem cobertura cambial também estão dispensadas de emissão de RE. 6 DEspACHO ADUANEIRO DE EXpORTAÇÃO O despacho aduaneiro de exportação corresponde ao procedimento fiscal para desembaraçar a mercadoria destinada ao exterior. O mesmo é formulado com base na Declaração para Despacho de Exportação (DDE) e instruído com a primeira via da nota fiscal, conhecimento e manifesto de carga, sendo que a entrega dos documentos deve ser no prazo máximo de 15 dias contados do início do despacho. (WERNECK, 2008, p. 203). 6.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO O despacho aduaneiro de exportação é desenvolvido em cinco etapas, conforme enumerado por Faro e Faro (2012): 1. Registro da Declaração de Despacho de Exportação (DDE). UNIDADE 2TÓPICO 2122 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 2. Confirmação da presença de carga e recepção de documentos. 3. Parametrização e distribuição da DDE. 4. Desembaraço aduaneiro e registro dos dados de embarque. 5. Averbação de embarque/emissão do Comprovante de Exportação (CE). Após o Registro de Exportação (RE), no Siscomex, inicia-se o registro da Declaração de Despacho de Exportação (DDE), ou poderá alternativamente ser utilizada uma Declaração Simplificada de Exportação (DsE). O procedimento fiscal é formalizado com a confirmação da presença da carga para fiscalização e a entrega dos documentos do despacho à autoridade aduaneira. A confirmação da carga pode ser feita pelo depositário ou pelo exportador em recinto alfandegado ou não. A fiscalização é realizada por amostragem indicada automaticamente pelo Siscomex. Os parâmetros dessa fiscalização são estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal (sRF), considerando aspectos da mercadoria, tais como: volume, valor da exportação, características da mercadoria, origem e procedência do produto, e regularidade do exportador. Essa parametrização é feita mediante a designação da mercadoria para um dos três canais de conferência: verde, laranja ou vermelho. No canal verde são dispensados o exame documental e a verificação física da mercadoria. Ou seja, o Siscomex realiza todo o desembaraço aduaneiro de exportação, automaticamente. No canal laranja realiza-se o exame documental e é dispensada a verificação física da mercadoria. No canal vermelho, o exame documental, assim como a verificação física da mercadoria é feita pela aduana. Uma vez concluído o processo de conferência de mercadoria nos indicados canais, registra-se o desembaraço aduaneiro de exportação, habilitando a mesma para o embarque. Então se efetua o registro dos dados de embarque. ATE NÇÃ O! Quando o embarque for aéreo, marítimo ou ferroviário, o transportador deverá efetuar os registros dos dados do embarque no Siscomex após a sua realização, considerando para esse efeito o manifesto e conhecimento de carga. Entretanto, quando forem utilizados os transportes rodoviário, fluvial ou lacustre, a autoridade aduaneira somente receberá os documentos após o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque. Dessa forma, fica evidente que o momento do registro do embarque no Sistema depende, portanto, do modal de transporte utilizado. (FARO;FARO, 2012, p. 72) UNIDADE 2 TÓPICO 2 123 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Finalmente, a última etapa do processo do despacho aduaneiro é representada pela averbação de embarque, que está referida à confirmação pelas autoridades aduaneiras do embarque da mercadoria ou da transposição de fronteira. Não conflitando os dados de desembaraço da DDE, o Siscomex operacionaliza essa etapa automaticamente. Caso os dados divirjam, a repartição aduaneira faz a conferência dos documentos apresentados com os dados do desembaraço e do embarque, manualmente. Ao fim da averbação, o Siscomex disponibiliza ao exportador o Comprovante de Exportação (CE). 6.2 ETAPAS DE UMA EXPORTAÇÃO Após analisar todo o processo do despacho aduaneiro de exportação, numa visão mais abrangente, tem-se o passo a passo de uma exportação em todas as etapas para que o aluno ou o aspirante a exportar possa se guiar. Sobre a objetividade de Faro; Faro (2012), a quem recorremos inúmeras vezes nesse tópico, os procedimentos administrativos e operacionais que envolvem a sistemática das exportações se apresentam: 1) Cadastramento: uma empresa brasileira é habilitada à atividade exportadora através da sua inscrição em dois cadastros com fins específicos, o Registro de Exportadores e Importadores (REI) e o Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR), sob a gestão do MDIC/SECEX e do MF/RFB. UNI O cadastro no REI é feito automaticamente na primeira operação e é realizado com fins comerciais. O RADAR permite um maior controle do Estado no combate às fraudes no comércio exterior. 2) Análise mercadológica: através da avaliação potencial do mercado consumidor, consideram- se os preços praticados no local, a capacidade de consumo, exigências de mercado, além de outros fatores que influenciaram na decisão da empresa exportadora. 3) seleção do canal de venda: o exportador decidirá entre uma venda direta ou por intermediários. Essa opção poderá influenciar o desempenho comercial da empresa. 4) Negociação: nesta fase há o contato com os importadores na busca de suas necessidades. Há uma troca deinformações entre as partes, com o conhecimento das empresas e mercadorias, definições de preços, realização das cotações e emissão da fatura Proforma. UNIDADE 2TÓPICO 2124 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 5) Fechamento do negócio: trata-se da concretização da venda e caracteriza-se pela formalização de um contrato comercial, produção da mercadoria e suas especificidades. Deve-se observar sempre a legislação cambial vigente. 6) sIsCOMEX e documentos de exportação: há a obtenção dos registros eletrônicos, assim como os demais documentos de exportação que irão guiar o despacho aduaneiro. 7) Despacho aduaneiro de exportação e embarque: nesta etapa tem-se a execução do processo fiscal que compreende o desembaraço aduaneiro para o exterior com a averbação para embarque. Também é nessa etapa que a mercadoria deixa o território nacional. 8) Acompanhamento pós-venda: o desinteresse, nessa etapa, pode causar problemas na internacionalização da mercadoria. Faz-se necessário acompanhar todo o processo logístico na operação comercial, de forma a confirmar que a mercadoria foi entregue em sua integridade ao importador, fortalecendo assim o vínculo entre as partes e a potencialidade para futuros negócios entre as mesmas. É interessante que o exportador firme seu compromisso em relação a um suporte técnico no pós-venda, como forma de adensar ainda mais a relação com o importador. 9) Controle documental: nesta etapa, “tem-se o arquivamento documental da operação de exportação, observando os prazos fixados pelos dispositivos regulamentares para a sua manutenção e guarda, para atendimento de ordem fiscal, tributária e contábil”. (FARO; FARO, 2012, p. 79-80). UNIDADE 2 TÓPICO 2 125 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Neste tópico você: ● Identificou o tratamento administrativo do despacho aduaneiro de exportação, ou seja, os procedimentos operacionais que envolvem a concordância, a implementação e a observação de particularidades a que as exportações estão sujeitas. ● Distinguiu os documentos necessários ao despacho aduaneiro de exportação. Neste tópico são listados e apresentados tanto os documentos eletrônicos que o exportador deve se submeter para o exercício, quanto os demais documentos de negociação, operacionalização, embarque e averbação da mercadoria. ● Observou como são formados os preços para exportação. Através da análise do preço interno da mercadoria, o caminho para se chegar a um preço competitivo no mercado exterior. ● Compreendeu os tipos de exportação existentes e como deve ser a escolha do exportador por alguma delas. Apresentação das exportações diretas, indiretas e consórcios. ● Apontou as etapas do despacho aduaneiro de exportação e sua sistematização. As etapas referentes desde o Registro da Declaração de Despacho de Exportação (DDE) até a etapa de averbação da mercadoria. ● Assinalou as etapas do processo de exportação. Uma síntese de como é executada uma exportação, desde o momento em que a empresa se habilita a exportar até o momento que se refere ao controle documental. REsUMO DO TÓpICO 2 UNIDADE 2TÓPICO 2126 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 1 A exportação pode ser compreendida como forma de transferência de riquezas de um país para outro. Com relação a este contexto, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Exportações livres. II- Exportações sujeitas a limitações. III- Exportações proibidas. IV- Exportações suspensas. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – II – IV – I. b) ( ) I – II – III – IV. c) ( ) IV – III – I – II. d) ( ) III – IV – II – I. 2 Para que se efetive o procedimento da exportação, alguns processos estão vinculados à sua organização. Dentre eles temos o despacho aduaneiro de exportação. O que é e de que forma é formalizado? 3 O ato de exportar envolve o conhecimento de diversas práticas, para que os processos e procedimentos alcancem os objetivos daqueles que optam por esta forma de vocação de sua empresa. Conhecemos no território brasileiro algumas formas de exportar, quais são elas? AUT OAT IVID ADE � L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A DEspACHO ADUANEIRO DE IMpORTAÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓpICO 3 UNIDADE 2 Como já mencionado, o comércio internacional é essencial para todos os países, em diferentes graus de desenvolvimento, pois contribui com as atividades de circulação de capitais e com o próprio desenvolvimento econômico. Neste tópico tem-se a pretensão de se trabalhar o despacho aduaneiro referente às importações, sendo que para isso faz-se necessária uma conceitualização do que seria uma importação e qual a sua importância para os países. Segundo Werneck (2008), a importação pode ser descrita como a operação pela qual um bem material é trazido para o país, a título definitivo ou temporariamente. Ricardo; Fátima; Faro (2012) observam que a importação seria o ingresso, no país, de riquezas originárias do exterior, materializadas por bens ou, ainda, pelos efeitos da execução de serviços. Segundo Maria Rebono (2010), em seu capítulo no livro de Dias e Rodrigues (2010): A importação tem a finalidade de suprir possíveis falhas na estrutura econô- mica, colaborando na complementação dos produtos disponíveis à população de um país, ou de bens de capital necessários às empresas, cumprindo o papel de modernização da economia por estimular a competição e permitir a comparação de processos e produtos. (REBONO, 2010, p. 212) Assim, pode-se notar que nenhum país consegue estar à parte do processo de importação, pois depende de recursos que não se encontram em seu território nacional. O que se tem é uma especialização natural dos segmentos produtivos em que estes são eficientes, gerando excedentes que lhe permitirão comprar o que não é produzido em seu território. Serão abordados, nesse tópico, os aspectos administrativos, financeiros e operacionais que permeiam o despacho aduaneiro de importação. Nesse sentido, serão estudadas as maneiras como uma mercadoria possa entrar regularmente no país e os seus procedimentos geridos e operacionalizados pelo interessado nesse exercício. UNIDADE 2TÓPICO 3128 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 2 REGIsTROs pARA IMpORTAÇÃO Em se tratando de uma importação, tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas podem efetuar essa operação. No entanto, há uma série de especificidades que devem ser observadas a cada pessoa. Uma pessoa física, por exemplo, poderá importar desde que seja para uso próprio e as quantidades não caracterizem objeto de revenda ou outra operação comercial. O produtor rural também poderá importar seus insumos, desde que comprove que está devidamente registrado. Uma pessoa jurídica, seja comercial ou industrial, caso queira importar, deverá alterar seu contrato ou estatuto social, incluindo a importação aos seus objetivos sociais. Para iniciar o exercício de importação devem ser realizados dois tipos de registros básicos que qualificarão as empresas para tal. 2.1 REGISTRO DE IMPORTADOR A empresa deve estar cadastrada no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da secretaria de Comércio Exterior (secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) - de acordo com a Portaria 280, de 12/07/95. O registro é feito através do Siscomex, automaticamente, durante o registro da primeira operação de importação. Neste momento, deve-se informar no sistema o CGC, a constituição societária, o capital social e os demais dados cadastraissolicitados. FONTE: Disponível me: <http://www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012. As pessoas físicas (artesãos, produtores rurais, artistas plásticos) também deverão ser registradas como importadores, providenciando seu cadastramento diretamente no DECEX. 2.2 REGISTRO NO SISTEMA INTEGRADO DE COMÉRCIO EXTERIOR (SISCOMEX) Como visto em tópicos anteriores, o Siscomex corresponde ao sistema informatizado da secretaria da Receita Federal (sRF), sendo que as atividades de importação também deverão ser orientadas pelo mesmo. É através do Siscomex que o importador registra todas as informações da operação comercial e da mercadoria, para que sejam emitidos o Licenciamento Não Automático de Importação (LI), Declaração de Importação (DI), Registro de Operações UNIDADE 2 TÓPICO 3 129 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Financeiras (ROF) e, ainda, a consulta e as retificações do Extrato da DI. O Siscomex integra as atividades da Secex, da SRF e do banco Central do brasil (bacen), nos procedimentos e controles das operações de comércio exterior. Após o registro do desembaraço da mercadoria no sistema, a SRF emite o Comprovante de Importação (CI). FONTE: Disponível em: <www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012. Em 2002, a SRF passou a adotar mudanças à habilitação dos agentes de comércio exterior, com a criação do Registro de Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros da Receita Federal, RADAR. Esse sistema integra todos os outros existentes e efetua a interposição automática de dados, capaz de comparar volumes de importações e exportações, faturamento, patrimônio da empresa e dos sócios, movimento financeiro e outras informações para fiscalização mais eficaz da Receita. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 239). Para que a empresa se habilite a importar, deve solicitar o credenciamento ao sistema junto à SRF apresentando o documento referente ao anexo IV da instrução normativa IN SRF 70/96, sob o título "Inclusão/Exclusão de Representante Legal", devidamente preenchido. Com a apresentação do mesmo, a empresa receberá uma senha, permitindo seu acesso e inclusões de seus dados no sistema. Esta senha estará vinculada ao CPF do exportador ou ao seu representante. FONTE: Adaptado de: <www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 out. 2012. O importador poderá dispor de um terminal próprio ou acessar o sistema através do terminal de um despachante aduaneiro ou, ainda, em locais disponibilizados pelo SRF em portos e aeroportos. 3 CLAssIFICAÇÃO FIsCAL DAs MERCADORIAs Terminada a parte de habilitação e conclusão dos registros, faz-se necessário que o importador conheça as normas que regulam o comércio internacional. Como visto no primeiro tópico desta unidade, o instrumento da atividade dessa classificação de mercadorias é realizado através da Nomenclatura ou Classificação Fiscal (NCM ou NALADI). A nomenclatura ou classificação fiscal tem por objetivo ordenar as mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e características. Isto é necessário para que se tenham as informações básicas para a concretização de uma exitosa transação comercial, além de indicar a incidência de impostos e normas administrativas. UNIDADE 2TÓPICO 3130 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4 DOCUMENTOs pARA IMpORTAÇÃO Assim como no processo de exportação, é essencial ao agente de comércio exterior o conhecimento dos documentos utilizados no sentido de ingressar no país mercadorias oriundas do exterior. Esses documentos têm finalidades diversas e distintas, compreendendo as dimensões administrativas, comerciais, cambiais, contábeis e fiscais. (FARO; FARO, 2012, p. 87). Os documentos eletrônicos obtidos no Siscomex são: Declaração de Importação (DI), Declaração Simplificada de Importação (DsI - quando aplicável), Licenciamento de Importação (LI) e o Comprovante de Importação (CI). Os demais documentos utilizados no processo de importação guardam os mesmos congêneres emitidos na exportação. Então, a seguir serão apresentados os documentos necessários para a importação e o seu despacho aduaneiro. 4.1 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO Feitos os registros da empresa, o Siscomex gerará o Extrato da Declaração de Importação (DI), com um resumo das informações da operação. Este é o documento base do processo de despacho de importação, pois comprova que a transação está autorizada. FONTE: Adaptado de: <www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012. “Este documento representa uma série de informações sobre cada mercadoria a ser importada, tomadas do Siscomex, contendo os dados necessários para o fechamento do contrato de câmbio, o valor dos impostos e as taxas a serem pagas”. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 254). Existem alguns tipos de Declaração de Importação, conforme apresentado por Dias e Rodrigues (2010): a) Declaração de Importação Comum: esta prevê a nacionalização total da mercadoria e pode ser utilizada nos terminais alfandegados e nas zonas primárias. O prazo máximo para nacionalização da mercadoria é de 90 dias, com exceção do porto seco, em que o prazo é de 120 dias. b) Declaração de Importação Antecipada: esta DI poderá ser registrada na unidade da Receita Federal de despacho antes da chegada da mercadoria do exterior. Beneficiam-se deste tipo UNIDADE 2 TÓPICO 3 131 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A de DI as mercadorias inflamáveis, corrosivas, radioativas, que representam algum tipo de periculosidade, animais vivos e frutas frescas. c) Declaração Simplificada de Importação, DSI: esta é utilizada como documento básico para casos tais como: amostras sem valor comercial, matérias-primas, insumos e produtos acabados sem cobertura cambial, catálogos e folhetos, manuais, encomendas internacionais, remessas postais a pessoa física, bagagem desacompanhada, doações etc. O importador, ou seu representante legal, deve imprimi-la em duas vias, sendo que a primeira deve ser apresentada à unidade da Receita Federal junto de alguns documentos (os quais já foram apresentados no tópico anterior desta unidade) que instruem a DI: Conhecimento de embarque original. Fatura comercial. Comprovante do recolhimento de impostos (Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF). Romaneio de Embarque (Packing List). Os documentos exigidos por força de acordos internacionais ou legislação específica. Certificados de origem e demais certificados. 4.2 LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES As importações, de maneira geral, seguem dispensadas de licenciamento, sendo que os importadores devem providenciar a Declaração de Importação (DI), no Siscomex, para que seja iniciado o processo de despacho aduaneiro de importação. No entanto, a sistemática de tratamento administrativo aplicado às importações define as situações em que o licenciamento torna-se previsto, classificado em três modalidades: Dispensadas de licenciamento. Licenciamento automático. Licenciamento não automático. 4.2.1 Dispensadas de licenciamento As importações dispensadas de licenciamento são aquelas que não são obrigadas à observação de procedimentos especiais. Segundo o Portal de Comércio Exterior do Ministério UNIDADE 2TÓPICO 3132 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, estão dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I - Sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado. II - Sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime AduaneiroEspecial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro). III - Sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial. IV - Com redução da alíquota de Imposto de Importação decorrente da aplicação de “ex-tarifário”. V - Mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados. VI - Peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia. VII - Doações, exceto de bens usados. VIII - Filmes cinematográficos. IX - Retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ ou pesquisas, com finalidade industrial os científica. X - Amostras. XI - Arrendamento mercantil (leasing), arrendamento simples, aluguel ou afretamento. XII - Investimento de capital estrangeiro. XIII - Produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento automático e não automático. XIV - Sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks, termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar. XV - Nacionalização de máquinas e equipamentos que tenham ingressado no país ao amparo do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica, aprovado pela RFB, na condição de novas. FONTE: Disponível em: <http://www.comexbrasil.gov.br/conteudo/ver/chave/importacoes- dispensadas-de-licenciamento>. Acesso em: 8 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 133 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A NO TA! � Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex acarretar licenciamento (automático ou não automático) para as importações definidas nos incisos I a II e IV a XV, a necessidade de licenciamento prevalecerá sobre a dispensa. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, 2012). 4.2.2 Licenciamento automático Este é o procedimento mais comum no que se refere ao registro de uma importação, sendo feito automaticamente durante a formulação da DI com a chegada da mercadoria no país. São aplicadas as importações conduzidas ao regime aduaneiro de drawback, ou operações previstas na tabela de tratamento administrativo do Siscomex. UNI O regime aduaneiro de Drawback consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produtos a serem exportados. Trata-se de um regime especial de incentivo às exportações. Cabe ao importador registrar as informações comerciais, financeiras, cambiais e fiscais da operação no Siscomex. Vale frisar que somente com a DI processada poderá ser feito o despacho aduaneiro de importação. UNIDADE 2TÓPICO 3134 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI Ainda que o licenciamento seja automático, é preciso verificar até o momento do desembaraço os casos sujeitos a procedimentos especiais, entre eles: Exigências sanitárias ou zoosanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento para produtos de origem vegetal ou animal. Exigências estabelecidas pelo IBAMA para borracha natural, sintética ou artificial. Número de registro da empresa e/ou produto para amianto, defensivos agrícolas, produtos farmacêuticos, produtos de perfumaria e correlatos da área médico-hospitalar. 4.2.3 Licenciamento não automático (LI) “As importações sujeitas ao Licenciamento não automático (LI) são aquelas que devem observar algum procedimento especial, ou dependam da intervenção de algum órgão anuente”. (FARO; FARO, 2012, p. 82). Neste procedimento, o importador deve prestar informações mais detalhadas de sua carga, sendo que a LI é solicitada antes do desembaraço da importação da mercadoria, e em alguns casos ela pode ser solicitada antes do embarque da mercadoria, no exterior. FONTE: Disponível em: <http://www.greenservicos.com.br/ferramentas_importacao.asp?ex=3>. Acesso em: 8 out. 2012. O processo para aquisição do licenciamento é feito via Siscomex, sendo que o formulário da LI é preenchido off-line e transmitido para o computador central do SERPRO, individualmente ou em lotes. O sistema fará a verificação dos campos e dará a Aceitação do LI, fornecendo o número de Registro do LI e indicando a qual análise a operação será submetida. (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). FONTE: Adaptado de: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 135 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI SERPRO, Serviço Federal de Processamento de Dados. Uma empresa pública de prestação de serviços em tecnologia da informação. Criado com o objetivo de modernizar e agilizar os setores estratégicos da administração pública. (SERPRO, 2012). Disponível em: <https://www.serpro.gov.br/conteudo-oserpro/a- empresa-1>. Acesso em: 20 jul. 2012. NO TA! � O registro não significa autorização para importação, sendo que o solicitante deve aguardar o deferimento do órgão anuente, que só então concederá a LI. De posse deste documento, o importador tem 60 dias para embarcar a mercadoria ou solicitar o despacho aduaneiro. Importante lembrar ainda que os dados da LI migram automaticamente para a DI. Este tipo de licenciamento é requerido para mercadorias com características peculiares e que estão sujeitas a controles especiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ou de outro órgão anuente. As mercadorias sujeitas a esse tipo de licenciamento são: FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 out. 2012. 4.2.3.1 Antes do despacho aduaneiro Importações através do regime de drawback. Importações sob o amparo dos Decretos-Leis 1.219 (15/05/72) e 2.433 (19/05/88). Transações sob o amparo da Lei n◦ 8.010 (29/03/90), que estabelece o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. Compras externas para a Zona Franca de Manaus. Operações com destinos às Áreas de Livre Comércio (Tabatinga-AM; Guajará-Mirin-RO; Macapá e Santana-AP. Cruzeiro do Sul, Brasiléia e Epitaciolândia - AC). UNIDADE 2TÓPICO 3136 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 4.2.3.2 Antes do embarque da mercadoria Mercadorias sujeitas a quotas (tarifária e não tarifária). Sujeitas a exame de similaridade. Material usado. Importações de produtos da lista de ex-tarifários com alíquotas reduzidas a zero. Operações sem cobertura cambial de obras audiovisuais em CD-ROM; amostras com valor inferior a US$ 1.000; donativos; substituição de mercadorias; leasing; aluguel ou afretamento; investimentos de capitais estrangeiros; operações em reais e admissão temporária de obras audiovisuais. Importações originárias do Iraque. Entorpecentes e psicotrópicos. Produtos para pesquisa clínica. Armas, munições e correlatos. Produtos radioativos. Petróleo e seus derivados. Medicamentos com plasma, sangue humano e soro anti-hemofílico. Produtos nocivos ao meio ambiente. Peles e couros de animais silvestres. Aeronaves. Mercadorias com controle de preços e prazos de pagamento. FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 out. 2012. 4.3 COMPROVANTEDE IMPORTAÇÃO (CI) O comprovante de importação representa o documento que promove definitivamente a nacionalização de uma mercadoria importada. Trata-se de um documento eletrônico, emitido pela Secretaria da Receita Federal, após o registro de desembaraço e do pagamento de impostos, quando exigíveis. UNIDADE 2 TÓPICO 3 137 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: Haroldo Guieros (2012) FIGURA 11 – MODELO DE COMPROVANTE DE IMPORTAÇÃO 5 CÂMbIO E CONDIÇÕEs DE pAGAMENTO A cobertura cambial corresponde ao pagamento da mercadoria no exterior, mediante contratação de câmbio. Ou seja, compra de moeda estrangeira para saldar a dívida da importação. No Brasil, apenas os bancos e algumas instituições são autorizados pelo BACEN a efetuar este tipo de operação. Ademais, toda operação de câmbio deve ser efetuada por meio de Contrato de Câmbio, ou seja, um documento que formaliza a operação de pagamento, sendo um comprovante que deverá ser apresentado à fiscalização. UNIDADE 2TÓPICO 3138 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Referente ao regime cambial, há duas modalidades de importação: com ou sem cobertura cambial. UNI Informações retiradas do sítio eletrônico da FIRST PRIME ASSESSORIA ADUANEIRA. Disponível em <http://www.firstprime. com.br/imp_sem_cob_camb.asp>. Acesso em 20 em Jun. 2012. Nas operações sem cobertura cambial não há pagamentos da mercadoria diretamente ao exterior. O procedimento é feito mediante pagamento com moeda nacional, no qual não ocorre a contratação de câmbio. São consideradas importações sem cobertura cambial: 1. Sem ônus: Investimento estrangeiro. Doação. Empréstimo. Remessas para testes ou doações. 2. Com ônus: Aluguel. Empréstimo a título oneroso. Leasing. Importação em moeda nacional. FONTE: Disponível em: <http://www.facebook.com/notes/china-link-trading/como-importar-passo-vi- c%C3%A2mbio-e-condi%C3%A7%C3%B5es-de-pagamento/312056615549700>. Acesso em: 8 out. 2012. NO TA! � Existem casos especiais, como as mercadorias transferidas para entrepostos aduaneiros, as Estações Aduaneiras Interior (Eadis). São consideradas importações sem cobertura cambial e posteriormente, no ato da nacionalização, ou seja, na aquisição de propriedade da mercadoria, passam a ser operações com cobertura cambial. (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). FONTE: Disponível em: <http://www.facebook.com/notes/ china-link-trading/como-importar-passo-vi-c%C3%A2mbio-e- condi%C3%A7%C3%B5es-de-pagamento/312056615549700>. Acesso em: 8 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 139 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI Informações retiradas do sítio eletrônico da FIRST PRIME ASSESSORIA ADUANEIRA. Disponível em <http://www.firstprime. com.br/imp_sem_cob_camb.asp>. Acesso em 20 em Jun. 2012. As importações com cobertura cambial são todas as operações que envolvem remessa de recursos ao exterior, como forma de pagamento à apropriação de um bem, as quais podem ser à vista ou a prazo. Em operações com prazo de pagamento até 360 dias, as indicações podem ser feitas diretamente na Declaração de Importação (DI). No caso de importações financiadas, as remessas de juros devem ser pactuadas entre as partes, porém celebradas na mesma moeda do financiamento e com apresentação de aviso de cobrança ou documento que comprove: - o valor remetido; - cópia do CI; - aviso de desembolso da entidade credora e comprovante de pagamento de IR ou isenção. FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012. Para mercadorias importadas em caráter definitivo, os juros começam a correr a partir da data de embarque. Para as destinadas à entrepostagem aduaneira, a partir do ato da nacionalização. (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). FONTE: Disponível em: <http://chinalinktrading.com/blog/como-importar-da-china-guia-passo-a- passo-parte-33/>. Acesso em: 8 out. 2012. Para as importações com prazos acima de 360 dias é necessário o Registro de Operações Financeiras (ROF) no Banco Central, antes da confecção da DI, assim como as remessas de juros. Existem, como regra geral, três formas de pagamento: ● Pagamento antecipado: o importador remete o valor da importação ao exterior antes do embarque da mercadoria. Trata-se de uma operação de risco para o importador, em que o pagamento pode ser feito até 180 dias antes da data prevista para o embarque ou da nacionalização da mercadoria. UNIDADE 2TÓPICO 3140 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A O importador apresenta ao banco a fatura Proforma e o contrato comercial, os quais apresentam os valores da transação, as condições pactuadas para a antecipação e o prazo de entrega da carga. Caso a mercadoria esteja sujeita a aprovação de LI antes do embarque, deve ser apresentado o número dela. Na ocasião do registro da DI deve ser informado o pagamento antecipado. A partir da data prevista para embarque ou nacionalização, o importador tem 60 dias para realizar o desembaraço aduaneiro e a vinculação do contrato de câmbio à DI. ● Cobrança: na cobrança, o exportador encaminha a mercadoria e só após o recebimento o importador envia o pagamento. A cobrança pode ser através de remessa sem saque; à vista; e a prazo. FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 out. 2012. - No primeiro tipo de cobrança, remessa sem saque: as transações acontecem diretamente entre exportador e importador, o qual despacha a mercadoria, envia os documentos ao importador e este, após receber a carga, efetua o pagamento. O risco, neste caso, fica com o exportador, sendo comum entre empresas coligadas. A vantagem desse tipo de cobrança é que a documentação chega mais rápido ao importador, o qual pode agilizar o desembaraço da mercadoria. - Na cobrança à vista ou cobrança documentária à vista: o exportador embarca a mercadoria, encaminha a documentação e a cambial ao banco que realizará a cobrança. O importador faz o pagamento, retira os documentos e só então pode desembaraçar a mercadoria. - Na cobrança a prazo ou cobrança documental a prazo: tem-se um procedimento semelhante ao da cobrança à vista. O que difere é que, no destino, o importador assina o "aceite do saque" e só então recebe os documentos para fazer o desembaraço. A liquidação cambial é feita na data do vencimento do saque. FONTE: Adaptado de: <http://translatorscafe.com/tcTerms/FR/thQuestion.aspx?id=67850>. Acesso em: 8 out. 2012. ● Carta de Crédito (Letter of Credit - L/C): esta modalidade é a mais onerosa e mais segura, pois envolve pelo menos quatro bancos para operar no comércio internacional. O banco emitente da carta de crédito garante, em nome do importador, o pagamento das divisas ao exportador, desde que sejam respeitados os termos e condições descritos no documento. UNIDADE 2 TÓPICO 3 141 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 6 FORMAÇÃO DOs CUsTOs NA IMpORTAÇÃO No processo de importação, a tributação tem como finalidade a instrumentação política, regulando as relações de mercado e monitorando o desenvolvimento dos setores produtivos do país. Segundo Faro; Faro (2012): É efetuada de forma cumulativa e sucessiva, isto é, considerando o montante correspondente ao somatório do valor da importação acrescido do tributo anteriormente cobrado, a partir da cobrança do Imposto de Importação (II), seguido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. (ICMS) (FARO; FARO, 2012, p. 87-88). Ainda há outros tributosaplicados à importação, como o AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante), o qual foi explicado no primeiro tópico desta unidade; taxa de capatazia, taxa de armazenagem, entre outros. UNI Taxa de capatazia se refere aos serviços de movimentação de mercadorias em terra ou de terra para o navio e vice-versa. A seguir, temos a representação, na figura, na qual Faro e Faro (2012) esquematizam o custo de importação: UNIDADE 2TÓPICO 3142 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A FONTE: Faro; Faro (2012) FIGURA 12 – CUSTO DE INPORTAÇÃO 6.1 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II) O Imposto de Importação é um tributo cobrado pela União que incide diretamente sobre a entrada da mercadoria no país, uma vez que o fato gerador é a data de registro da DI. Para isso, consideram-se mercadorias estrangeiras as mercadorias nacionais ou nacionalizadas que tenham sido exportadas e que estejam retornando ao país, salvo as situações especiais em que as mercadorias foram enviadas em consignação e não foram vendidas, ou que tenham sido devolvidas por defeito, para reparo ou substituição. UNIDADE 2 TÓPICO 3 143 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A A referência ou base para o cálculo do II depende da tarifa a ser aplicada na cobrança, sendo específica ou ad valorem. Ou seja, numa importação em que a mercadoria seja negociada em função do peso, a base do cálculo do II não será pelo valor da transação, mas pela quantificação da mercadoria em sua unidade de medida. Já a tarifa ad valorem representa a base de cálculo em função do valor aduaneiro da mercadoria, determinada pela alíquota prevista na TEC. A cobrança do imposto é efetuada à razão de um percentual em relação ao valor aduaneiro da mercadoria de acordo com o local de desembarque, incluindo o frete e o seguro. 6.2 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Trata-se do tributo sobre os produtos industrializados nacionais ou estrangeiros, cuja cobrança compete à União, incidindo sobre o montante correspondente à soma do valor aduaneiro apurado, acrescido do total relativo do Imposto de Importação. O fato gerador deste imposto ocorre com o desembaraço aduaneiro do produto importado. A alíquota utilizada varia, conforme o produto. As alíquotas estão dispostas na TIpI (Tabela de Incidência do Imposto sobre produtos Industrializados). Na importação, a base de cálculo é o preço de venda da mercadoria, acrescido do II, frete, seguro e demais taxas exigidas. Este imposto tem por finalidade estimular ou frear o consumo de um produto na alteração de suas alíquotas. FONTE: Adaptado de: <www.grupos.com.br/group/mkt.etec/Messages.html?...>. Acesso em: 8 out. 2012. 6.3 IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS OU SERVIÇOS (ICMS) Este imposto é de competência estadual e também tem como fato gerador o desembaraço da mercadoria. A base de cálculo inclui o valor aduaneiro, acrescido do II, do IPI e Imposto sobre Operações Cambiais e despesas aduaneiras. As alíquotas variam de acordo com o produto. Na maior parte dos estados, as alíquotas são de 17% e 18%, mas podem variar ainda entre 12% e 25%. FONTE: Adaptado de: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 out. 2012. UNIDADE 2TÓPICO 3144 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 6.4 ADICIONAL AO FRETE PARA A RENOVAÇÃO DA MARINHA MERCANTE (AFRMM) Já mencionado no primeiro tópico dessa unidade, o Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) é um tributo incidente sobre as importações realizadas pelo modal marítimo, correspondente a 25% sobre o frete marítimo e demais despesas de manipulação das cargas nos portos. O AFRMM é recolhido pelo armador e destinado ao Fundo de Marinha Mercante, que tem como objetivo renovar e recuperar a frota naval mercante do país. FONTE: Adaptado de: < http://www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012. 6.5 TAXA DE CAPATAZIA E ARMAZENAGEM Com o intuito de remunerar os recintos alfandegados, ou seja, os portos e aeroportos, são cobradas taxas referentes à movimentação e manuseio das mercadorias que chegam e acomodam-se nesses estabelecimentos. A taxa de capatazia refere-se a essa movimentação e ao manuseio das mercadorias, também é conhecida nos termos inglês Wharfage, Handling ou THC (Terminal Handling Charge). A remuneração aos portos e aeroportos pelo serviço de depósito e controle de mercadorias que entram no país é obtida pela taxa de armazenagem, também conhecida no termo inglês de Storage cost ou Storage fee. UNI A cobrança das taxas de capatazia e de armazenagem é variável de acordo com cada recinto alfandegado utilizado. 7 DRAWbACK: UM REGIME ADUANEIRO EspECIAL DE IMpORTAÇÃO Trata-se de um procedimento especial de importação que possibilita ao produtor nacional importar insumos sem a incidência de impostos, mediante a utilização dos mesmos na confecção de mercadorias que terão como destino a exportação. UNIDADE 2 TÓPICO 3 145 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A O Regime Aduaneiro Especial de Drawback está descrito no Regulamento Aduaneiro e na Portaria 4/97 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no qual consta a sistemática operacional e administrativa do benefício. (RECEITA FEDERAL, 2012). O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) tem a autonomia para a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportar da empresa produtora que importou os insumos. O sistema Drawback Eletrônico, implantado desde novembro de 2001 em módulo específico do sIsCOMEX, foi desenvolvido pela sECEX e a sERpRO e concedido a empresas industriais ou comerciais com o intuito de exportar produtos beneficiados de insumos importados. As principais funções do sistema são: a) o registro de todas as etapas do processo de concessão do drawback em documento eletrônico (solicitação, autorização, consultas, alterações, baixa); b) tratamento administrativo automático nas operações parametrizadas; c) acompanhamento das importações e exportações vinculadas ao sistema. FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/drawback/regime.htm>. Acesso em: 8 out. 2012. Existem duas modalidades de drawback. 7.1 DRAWBACK SUSPENSÃO Esta modalidade deve ser pleiteada pela empresa produtora vinculada ao compromisso de exportação, antes da importação dos insumos. Tem-se o prazo de exportar a mercadoria beneficiada de um ano, podendo ser prorrogado por igual período. No entanto, há casos em que a produção da mercadoria requer um período extenso, cabendo a essa situação o prazo máximo de cinco anos após a importação do insumo. Para a habilitação do benefício, a empresa produtora deverá apresentar o "pedido de Drawback", formulário específico que dará origem ao Ato Concessório no qual é fixado o prazo de cumprimento. Na chegada da importação, a empresa firma Termo de Responsabilidade junto à Receita Federal para a suspensão dos impostos. (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). UNIDADE 2TÓPICO 3146 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 7.2 DRAWBACK ISENÇÃO Trata-se da modalidade destinada à reposição de estoques dos insumos utilizados na confecção de mercadorias que já foram exportadas. Assim como na suspensão, são necessárias à expedição do pedido de Drawback e do Ato Concessório documentos que comprovem a exportação e os respectivos Comprovantes de Importações (CI). (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). UNI A empresa deve, tanto na modalidade de isenção como na de suspensão de tributos, utilizar o Relatório Unificado de Drawback para informaros documentos registrados no SISCOMEX, tais como: o RE (Registro de Exportação), a DI (Declaração de Importação), o RES (Registro de Exportação Simplificado), bem como manter em seu poder as notas fiscais de venda no mercado interno. (RECEITA FEDERAL, 2012). 8 DEspACHO ADUANEIRO DE IMpORTAÇÃO O despacho aduaneiro de importação é o processo de ações que permitirão a liberação da mercadoria para sua entrada em território nacional. Este é concluído com a conferência aduaneira da mercadoria, permitindo a entrega desta ao importador. 8.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO O despacho aduaneiro de importação é desenvolvido em cinco etapas: 1. Formulação da DI após a chegada da mercadoria ao território nacional. 2. Pagamento dos tributos incidentes à importação. 3. Apresentação dos documentos de importação. 4. Parametrização da mercadoria. 5. Emissão do Comprovante de Importação (C.I.) pela Secretaria da Receita Federal. UNIDADE 2 TÓPICO 3 147 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A UNI Como será visto posteriormente nesse capítulo, existe a modalidade de despacho antecipado em que a DI é formulada antes da chegada da mercadoria em território nacional. O importador ou seu representante (legalizado), através da documentação correspondente à importação LI (quando for o caso), conhecimento de embarque, fatura comercial e demais documentos específicos à mercadoria, elaborará a DI ou DSI no registro do Siscomex. O preenchimento da DI é feito off-line através do Siscomex, sendo que cada DI corresponde a um conhecimento de embarque. Para cada mercadoria deve ser formulada uma adição na DI, a qual gerará um número sequencial agregado à mesma pelo sistema. Com o preenchimento dos campos no modo off-line, deve-se transmitir a DI para o computador central do Serpro para conferência dos dados ou para registro. Mediante o pagamento dos impostos concernentes à importação (II, IPI, ICMS, taxa do Siscomex), efetuará o registro, caracterizando o início do despacho aduaneiro de importação. NO TA! � O procedimento só pode ter início após a chegada da mercadoria na unidade da Receita Federal onde será processado. Com o Sistema de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (Mantra), pode-se considerar como chegada o momento em que é possível vincular, no sistema, a DI ao conhecimento de embarque. (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012). Após a DI ser elaborada e os impostos pagos, o Siscomex automaticamente seleciona a parametrização da mercadoria, indicando-a ao canal de conferência aduaneira com as seguintes possibilidades: ● Canal verde: o registro do desembaraço aduaneiro é automático, ou seja, a mercadoria já está liberada para ser retirada do local de armazenamento na alfândega ou no porto seco. Em alguns casos, o inspetor da alfândega ou um auditor da Receita Federal efetua a “malha fina”, selecionando um percentual de processos em canal verde para inspeção física e documental. UNIDADE 2TÓPICO 3148 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A ● Canal amarelo: o registro do desembaraço aduaneiro é mediante a verificação documental da mercadoria, a qual, não apresentando irregularidades, estará liberada. O auditor fiscal pode solicitar a conferência física da mercadoria sem apresentar qualquer justificativa. ● Canal vermelho: neste canal é realizado tanto o exame documental quanto a verificação física da mercadoria para o seu desembaraço. ● Canal cinza: sendo a DI selecionada para o canal cinza, é realizada a verificação documental e física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro que tem por finalidade verificar elementos indiciários de fraude. NO TA! � Quando o despacho é selecionado para os canais amarelo, vermelho ou cinza, é necessário que o importador apresente à Alfândega todos os documentos necessários à sua análise. O ato final do Despacho Aduaneiro, uma vez atendidas as exigências fiscais inerentes à importação, é a emissão do Comprovante de Importação (C.I.) pela Secretaria da Receita Federal, e a mercadoria entregue ao importador. FONTE: Disponível em: <logisunip.files.wordpress.com/2011/09/importac3a7c3b5es.ppt>. Acesso em: 8 out. 2012. Como mencionado no início deste capítulo, o procedimento do desembaraço aduaneiro de importação só pode ter início após a chegada da mercadoria na unidade da Receita Federal onde será processado. No entanto, há casos em que se deve aplicar o Despacho Antecipado (RECEITA FEDERAL, IN 69 - DISCIPLINA O DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO, 1996): 1. Granel descarregado em oleodutos, silos ou depósitos apropriados. 2. Inflamáveis ou mercadorias que apresentem risco. 3. Plantas e animais vivos e produtos perecíveis. 4. Papel para impressão. 5. Mercadorias transportadas via terrestre, fluvial ou lacustre. 6. Mercadorias endereçadas a órgãos de administração pública. FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 149 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A NO TA! � As mercadorias que estiverem em recintos alfandegados têm até 90 dias para iniciar o despacho, sendo que as retiradas para zona secundária têm prazo de 45 dias. Caso esses prazos não sejam cumpridos, ou o processo fique paralisado por mais de 60 dias, as cargas ficam sujeitas às penas de perdimento. (RECEITA FEDERAL, IN 69 - DISCIPLINA O DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO, 1996). FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/ download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012. 8.2 ETAPAS DE UMA IMPORTAÇÃO Apresentado o processo do despacho aduaneiro de importação, tem-se um resumo de como segue o processo de importação de uma mercadoria. Tal metodologia serve como um guia dos procedimentos básicos e registros que devem ser providenciados pela empresa importadora e seus agentes. A listagem desses procedimentos propostos por Faro; Faro (2012) procura separar cada etapa, para que o aluno e interessado no processo de importação possa consultar a particularidade do exercício. 1) Cadastramento: a habilitação da empresa nacional interessada no exercício de importação inicia-se com a sua inscrição e cadastro em dois registros: Registro de Exportadores e Importadores (REI) e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR), os quais se encontram sob gestão do MDIC/SECEX e MF/RFB. 2) Negociação preliminar: trata-se do contato inicial com o vendedor da mercadoria, no qual serão estabelecidas as definições do que se procura importar, além das condições de transporte, de pagamento, documentação, embalagens especiais etc. Nesse momento é emitida a fatura Proforma. 3) Avaliação mercadológica: neste momento é verificado o correto enquadramento da mercadoria na TEC, o que permitirá a formação dos custos da importação e também as perspectivas de comercialização da mercadoria no mercado interno. 4) Concretização das negociações: refere-se à concretização da compra/venda da mercadoria, em que são assinados os contratos comerciais e emitidas as faturas comerciais. A parte final desta etapa é o embarque da mercadoria com destino ao exterior. UNIDADE 2TÓPICO 3150 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A 5) pagamento da importação: os pagamentos irão sofrer variação de acordo com a modalidade escolhida. Visto anteriormente no tem 5 deste tópico, a ordem dos passos e procedimentos pode ser guiada de acordo com a negociação estabelecida. 6) Licenciamento: nas operações sujeitas a licenciamento não automático é necessária a obtenção da LI antes do embarque das mercadorias. 7) Embarque: nesta etapatem-se a autorização para o exportador embarcar as mercadorias. 8) Despacho aduaneiro de importação: é formulada a DI com a chegada da mercadoria ao território nacional, posteriormente são pagos os tributos incidentes na operação de importação; há a apresentação dos documentos de importação; a obtenção do CI; e, por último, a retirada da mercadoria. 9) Controle documental: a última etapa é a do arquivamento dos documentos de importação, observando as exigências de ordem fiscal, tributária e contábil. UNIDADE 2 TÓPICO 3 151 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A LEITURA COMpLEMENTAR pORTARIA MF Nº 440, DE 30 DE jULHO DE 2010 DOU de 2.8.2010 CApÍTULO I DAs DIspOsIÇÕEs pRELIMINAREs Art. 1º Os bens de viajante procedente do exterior, a ele destinado ou em trânsito de saída do país ou de chegada a este, serão submetidos ao tratamento tributário estabelecido nesta Portaria. Art. 2º Para os efeitos desta Portaria, entende-se por: I - bens de viajante: os bens portados por viajante ou que, em razão da sua viagem, sejam para ele encaminhados ao país ou por ele remetidos ao exterior, ainda que em trânsito pelo território aduaneiro, por qualquer meio de transporte; II - bagagem: os bens novos ou usados que um viajante, em compatibilidade com as circunstâncias de sua viagem, puder destinar para seu uso ou consumo pessoal, bem como para presentear, sempre que, pela sua quantidade, natureza ou variedade, não permitirem presumir importação ou exportação com fins comerciais ou industriais; III - bagagem acompanhada: a que o viajante levar consigo e no mesmo meio de transporte em que viaje, exceto quando vier em condição de carga; IV - bagagem desacompanhada: a que chegar ao território aduaneiro ou dele sair, antes ou depois do viajante, ou que com ele chegue, mas em condição de carga; V - bens de uso ou consumo pessoal: os artigos de vestuário, higiene e demais bens de caráter manifestamente pessoal, em natureza e quantidade compatíveis com as circunstâncias da viagem; e VI - bens de caráter manifestamente pessoal: aqueles que o viajante possa necessitar para uso próprio, considerando as circunstâncias da viagem e a sua condição física, bem como os bens portáteis destinados a atividades profissionais a serem executadas durante a viagem, excluídos máquinas, aparelhos e outros objetos que requeiram alguma instalação para seu uso e máquinas filmadoras e computadores pessoais. Parágrafo único. Não se enquadram no conceito de bagagem constante no inciso II do caput, os seguintes bens: I - veículos automotores em geral, motocicletas, motonetas, bicicletas com motor, motores para embarcação, motos aquáticas e similares, casas rodantes (motor homes), aeronaves e embarcações de todo tipo; e Dispõe sobre o tratamento tributário relativo a bens de viajante. UNIDADE 2TÓPICO 3152 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A II - partes e peças dos bens relacionados no inciso I, exceto os bens unitários, de valor inferior aos limites de isenção, relacionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Art. 3º É proibida a importação, mediante a utilização dos procedimentos aduaneiros e tributários próprios para as bagagens previstos nesta Portaria, de mercadorias que não se enquadrem no conceito de bagagem ou que estejam sujeitas a proibições ou restrições de caráter não econômico. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplicará aos bens integrantes de bagagem sujeitos a controles específicos, quando houver anuência do órgão regulador competente. CApÍTULO II DO TRATAMENTO TRIbUTÁRIO NA IMpORTAÇÃO seção I Da Não Incidência Art. 4º Não haverá incidência de tributos no retorno ao país de bens nacionais ou nacionalizados de viajante residente no Brasil. § 1º O disposto no caput aplicar-se-á inclusive a animais de vida doméstica. § 2º No caso de bens de origem estrangeira, a autoridade aduaneira poderá solicitar a comprovação da respectiva nacionalização, para verificação da não incidência. seção II Da suspensão Art. 5º Poderão ingressar no país com suspensão do pagamento de tributos os bens aos quais se aplique o regime de admissão temporária ou de trânsito aduaneiro. seção III Da Isenção Art. 6º Será concedida isenção do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da contribuição para os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor público incidente na importação de produtos estrangeiros ou serviços (Contribuição para o PIS/Pasep-Importação) e da contribuição social para o financiamento da seguridade social devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior (Cofins-Importação) incidentes sobre a importação de bagagem de viajantes, observados os termos e condições estabelecidos nesta Seção. § 1º A isenção a que se refere o caput, estabelecida em favor do viajante, é individual e intransferível, observado o disposto no inciso II do caput do art. 2º desta Portaria e no art. 160 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 - Regulamento Aduaneiro (RA/2009). § 2º Independentemente da fruição da isenção de que trata o caput, o viajante poderá adquirir UNIDADE 2 TÓPICO 3 153 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A bens em loja franca em território brasileiro, por ocasião de sua chegada ao país, com isenção, até o limite de valor global de US$ 500,00 (quinhentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, observado o disposto na Portaria MF nº 112, de 10 de junho de 2008, e em sua regulamentação. subseção I Da Isenção de Caráter Geral Art. 7º O viajante procedente do exterior poderá trazer em sua bagagem acompanhada, com a isenção dos tributos a que se refere o art. 6º: I - livros, folhetos e periódicos; II - bens de uso ou consumo pessoal; e III - outros bens, observado o disposto nos §§ 1º a 5º, e os limites de valor global de: a) US$ 500,00 (quinhentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, quando o viajante ingressar no país por via aérea ou marítima; e b) US$ 300,00 (trezentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, quando o viajante ingressar no país por via terrestre, fluvial ou lacustre. § 1º Os bens a que se refere o inciso III do caput, para fruição da isenção, submetem-se ainda aos seguintes limites quantitativos: I - bebidas alcoólicas: 12 (doze) litros, no total; II - cigarros: 10 (dez) maços, no total, contendo, cada um, 20 (vinte) unidades; III - charutos ou cigarrilhas: 25 (vinte e cinco) unidades, no total; IV - fumo: 250 (duzentos e cinquenta) gramas, no total; V - bens não relacionados nos incisos I a IV, de valor unitário inferior a US$ 10,00 (dez dólares dos Estados Unidos da América): 20 (vinte) unidades, no total, desde que não haja mais do que 10 (dez) unidades idênticas; e VI - bens não relacionados nos incisos I a V: 20 (vinte) unidades, no total, desde que não haja mais do que 3 (três) unidades idênticas. § 2º Os limites quantitativos de que tratam os incisos V e VI do § 1º referem-se à unidade nas quais os bens são usualmente comercializados, ainda que apresentados em conjunto ou sortidos. § 3º A RFB poderá estabelecer limites quantitativos diferenciados tendo em conta o tipo de mercadoria, a via de ingresso do viajante e as características regionais ou locais. § 4º O direito a isenção a que se refere o inciso III do caput somente poderá ser exercido uma vez a cada intervalo de 1 (um) mês. § 5º O controle da fruição do direito a que se refere o § 4º independerá da existência de tributos a recolher em relação aos bens do viajante. UNIDADE 2TÓPICO3154 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Art. 8º A bagagem desacompanhada é isenta de tributos relativamente a roupas e bens de uso pessoal, usados, livros, folhetos e periódicos, não se beneficiando dos limites de isenção previstos no inciso III do art. 7º. Parágrafo único. Para fruição da isenção, a bagagem desacompanhada deverá: I - chegar ao território aduaneiro dentro dos 3 (três) meses anteriores ou até os 6 (seis) meses posteriores à chegada do viajante; e II - provir do local ou de um dos locais de estada ou de procedência do viajante. subseção II Da Isenção de Caráter Especial Art. 9º Os residentes no exterior que ingressem no país para nele residir de forma permanente, e os brasileiros que retornem ao país, provenientes do exterior, depois de lá residirem há mais de 1 (um) ano, poderão ingressar no território aduaneiro os seguintes bens, novos ou usados, isentos de tributos: I - móveis e outros bens de uso doméstico; e II - ferramentas, máquinas, aparelhos e instrumentos necessários ao exercício de sua profissão, arte ou ofício, individualmente considerados. § 1º A fruição da isenção para os bens referidos no inciso II do caput estará sujeita à prévia comprovação da atividade desenvolvida pelo viajante e, no caso de residente no exterior que regresse, do decurso do prazo estabelecido no caput. § 2º No caso de estrangeiro, enquanto não lhe for concedido o visto permanente, seus bens poderão ingressar no território aduaneiro sob o regime de admissão temporária. § 3º O disposto neste artigo não prejudica a aplicação dos tratamentos tributários gerais de isenção e de tributação especial para viajantes procedentes do exterior, referidos, respectivamente, nos arts. 7º e 12 desta Portaria. Art. 10. A bagagem de tripulante, assim considerada a pessoa que esteja a serviço no veículo durante o percurso da viagem, estará isenta de tributos somente quanto a roupas e outros bens de uso pessoal, livros, folhetos e periódicos, não se beneficiando o tripulante dos limites de isenção previstos nesta Portaria. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, a bagagem dos tripulantes dos navios de longo curso procedentes do exterior será submetida aos tratamentos de isenção e de tributação especial referidos, respectivamente, nos arts. 7º e 12 desta Portaria, quando os tripulantes desembarcarem definitivamente no país. § 2º Na hipótese a que se refere o § 1º, o direito à isenção de que trata o inciso III do caput do art. 7º somente poderá ser exercido uma vez a cada intervalo de 1 (um) ano. UNIDADE 2 TÓPICO 3 155 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A § 3º O tratamento previsto neste artigo estende-se à bagagem de viajante, civil ou militar, embarcado em veículo militar procedente do exterior. Art. 11. O disposto nesta Subseção não prejudicará a aplicação das isenções de caráter especial para viajantes procedentes do exterior previstas nos arts. 142, 143, 163 e 187 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA/2009). seção Iv Da Tributação Especial Art. 12. O regime de tributação especial é o que permite o despacho de bens integrantes de bagagem mediante a exigência somente do Imposto de Importação, calculado pela aplicação da alíquota de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor tributável dos bens. § 1º O valor tributável a que se refere o caput corresponde ao valor: I - global que exceder o limite de isenção previsto para: a) a via de transporte, expresso no inciso III do caput do art. 7º; e b) aquisição de bens em loja franca de chegada no país, a que se refere o § 2º do art. 6º; ou II - dos bens a que se refere o inciso III do caput do art. 7º, integrantes de bagagem: a) desacompanhada, atendidos os requisitos de que trata o parágrafo único do art. 8º; b) acompanhada de viajante que já tiver usufruído a isenção de tributos dentro do período a que se refere o § 4º do art. 7º; c) de tripulante; e d) de viajante, civil ou militar, embarcado em veículo militar procedente do exterior. § 2º Aos bens do viajante que excederem os limites quantitativos de que tratam os §§ 1º a 3º do art. 7º, aplicar-se-á o regime previsto no art. 13. § 3º Os bens tributados pelo regime de que trata o caput são isentos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação. § 4º O disposto neste artigo não se aplicará aos bens de viajante de que trata o art.13. seção v Da Tributação Comum Art. 13. Aplicar-se-á o regime comum de importação aos bens trazidos por viajante: I - que não se enquadrem como bagagem, conforme disposto no inciso II do caput e no parágrafo único do art. 2º, e no art. 3º; II - que excedam os limites quantitativos de que tratam os §§ 1º a 3º do art. 7º; ou III - integrantes de bagagem desacompanhada, quando não atendidas as condições estabelecidas no parágrafo único do art. 8º. § 1º As pessoas físicas somente podem importar mercadorias para uso próprio, nos termos do art. 161 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA/2009), com a redação dada pelo art. 1º do Decreto UNIDADE 2TÓPICO 3156 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A nº 7.213, de 15 de junho de 2010, e observada a regulamentação a ser expedida pela RFB, no âmbito de sua competência. § 2º O disposto no § 1º não se aplica se o viajante, antes do início de qualquer procedimento fiscal, informar que os bens destinam-se a pessoa jurídica determinada, estabelecida no país, à qual incumbe promover o despacho aduaneiro para uso ou consumo próprio. CApÍTULO III DO TRATAMENTO TRIbUTÁRIO NA EXpORTAÇÃO Art. 14. Os bens integrantes de bagagem de viajante, acompanhada ou desacompanhada, que se destine ao exterior estão isentos de tributos. Art. 15. Será dado o tratamento de bagagem a outros bens adquiridos no país, levados pessoalmente pelo viajante para o exterior, até o limite de US$ 2.000,00 (dois mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, observado o disposto no art. 225 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA/2009), com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 7.213, de 2010. Art. 16. Aplicar-se-á o regime comum de exportação aos bens levados por viajante que não se enquadrem como bagagem, conforme disposto no parágrafo único do art. 2º e no art. 3º. CApÍTULO Iv DAs DIspOsIÇÕEs FINAIs Art. 17. O recolhimento de bens a depósito de mercadorias apreendidas, por necessidade logística da administração aduaneira, não prejudica a contagem dos prazos referidos na alínea "c" do inciso II do caput e no § 3º do art. 642 do Decreto no 6.759, de 2009 (RA/2009). Art. 18. A RFB, no âmbito de sua competência, disciplinará os procedimentos para a aplicação do disposto nesta Portaria. Art. 19. Esta Portaria entra em vigor no dia 1º de outubro de 2010. Art. 20. Ficam revogadas a Portaria MF nº 39, de 3 de fevereiro de 1995, e a Portaria MF no 141, de 12 de abril de 1995. FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/Portarias/2010/ MinisteriodaFazenda/portmf440.htm>. Acesso em: 9 out. 2012. UNIDADE 2 TÓPICO 3 157 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A Neste tópico você: ● Identificou os registros necessários para que o importador possa iniciar o procedimento de importação. ● Distinguiu a nomenclatura ou classificação fiscal com o objetivo de ordenar as mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e características. ● Apontou os documentos utilizados no sentido de ingressar no país mercadorias oriundas do exterior. ● Compreendeu a cobertura cambial e as formas de pagamento da mercadoria no exterior e a formação dos custos na importação, os impostos incidentes na importação. ● Entendeuo regime aduaneiro especial de drawback na importação como forma de incentivar as exportações nacionais. ● Assinalou as etapas do despacho aduaneiro de importação e as etapas do processo de importação. REsUMO DO TÓpICO 3 UNIDADE 2TÓPICO 3158 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A AUT OAT IVID ADE � 1 Após o processo de despacho aduaneiro de importação, segue um processo de importação de mercadoria que tem procedimentos básicos e registros que necessitam ser realizados. Com relação às etapas de uma importação, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Negociações preliminares. II-Controle documental. III-Licenciamento. IV-Concretização das negociações. ( ) Serão definidas as formas de pagamento, os produtos, as embalagens, os preços do que será importado. ( ) Consiste na observação das exigências fiscais, tributárias e contábeis, no momento do arquivamento. ( ) Quando necessário, é indispensável que se obtenha o licenciamento em momento anterior à importação. ( ) Neste momento serão assinados os contratos e emitidas as notas fiscais que formalizarão a importação. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) IV – III – II – I. b) ( ) III – IV – II – I. c) ( ) I – II – IV – III. d) ( ) I – II – III – IV. 2 Os processos e procedimentos de importação integram o despacho aduaneiro de importação. Qual o significado deste contexto? 3 O Extrato da Declaração de Importação contém um resumo das informações da importação. É o documento base do processo de despacho de importação, comprovando que a transação está autorizada. Com relação a estas declarações, conceitue Declaração de Importação Comum e Antecipada. UNIDADE 2 TÓPICO 3 159 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A AVA LIA ÇÃO Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. UNIDADE 2TÓPICO 3160 L E G I S L A Ç Ã O A D U A N E I R A C O M P A R A D A