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1 Movimentos Sociais Profª Maria Angela Santini TA 1 Estado e sociedade civil no estudo dos movimentos sociais Resumo Unidade de Ensino: 1 Competência da Unidade de Ensino: Classes e movimentos sociais, clássicos da teoria política na concepção teórica de Estado: na perspectiva moderna, na concepção marxista e no pensamento neoliberal. A constituição do Estado no capitalismo monopolista e as lutas de classes presentes e o papel do Estado brasileiro no trato da questão social. Resumo: A constituição do Estado, assimilando o seu processo de formação na concepção tradicional/moderna, marxista e neoliberal e identificando o Estado no capitalismo monopolista, as lutas de classes e o papel do Estado brasileiro no trato da questão social. Palavras-chave: Estado, luta de classes, questão social. Título da teleaula: Estado e sociedade civil nos clássicos da teoria política. Teleaula nº: 1 Como conhecer e estabelecer a relação entre as bases teóricas sobre as classes sociais, o Estado e a sociedade civil? § Analisando e refletindo sobre suas manifestações sociopolíticas e culturais e sua organização. Convite ao estudo VA Caminho de Aprendizagem Contratualismo: configura-se como a doutrina que abrange as teorias políticas que situam a origem da sociedade e a fundamentação do poder político, traduzindo um pacto social, ou também, contrato social, dando origem assim ao termo. Observe que o pacto ou o contrato social se configura no acordo dos indivíduos que se encontram reunidos em um mesmo território, geograficamente, e que mais tarde farão parte das mesmas regras, do mesmo acordo e do mesmo corpo político. Conhecimentos prévios 2 Jusnaturalismo: uma doutrina segundo a qual existe e pode ser conhecido um “direito natural” (ius naturale), ou seja, um sistema de normas de conduta intersubjetiva diverso do sistema constituído pelas normas fixadas pelo Estado (direito positivo). Este direito natural tem validade em si, é anterior e superior ao direito positivo e, em caso de conflito, é ele que deve prevalecer (FASSÓ, 1998, p. 655-656). Conhecimentos prévios Direito: direito é algo que faculta, que cria possibilidades de ação, sem obrigar a sua consecução. Lei, por outro lado, é a obrigação, o dever, a imposição, a feitura, a realização de um ato. Ao usá-los como intercambiáveis quer-se dizer que a constituição racional humana é de tal forma que, ao descobrir quais são os seus direitos naturais, o homem, justamente por fazer o uso da razão, encontra-se como que obrigado por ele mesmo a observá-los, a fazer valer desses direitos para que possa viver, não como animal somente, mas como humano, diferente dos outros animais, senão por ter e fazer uso da razão. Conhecimentos prévios Pensando a aula: situação geradora de aprendizagem Qual a origem e a formação do Estado? Para chegar ao modelo de Estado que vivemos, construímos formas contratuais e legais de nos relacionarmos coletivamente? Como entender o Estado Moderno e a sociedade civil nos clássicos da teoria política? Cápsula 1 “Iniciando o estudo” Estado Moderno e sociedade civil nos clássicos da teoria política § O estado de natureza é aquele que os homens primitivos viviam. Quando nascemos, o processo de socialização que recebemos e a cultura na qual estamos inseridos permitem a nossa emancipação para além das necessidades primárias e não precisamos reinventar a roda, mas socializar a partir dela; § Epicuro (1998) prolonga o pensamento e situa que todos os acordos previstos em lei são justos; do contrário, caso eles não alcancem as necessidades das relações sociais, tornam-se injustos. Ainda na trajetória histórica, no período medieval, veremos que os contratos eram estabelecidos de forma centralizada, com consultas aos sacerdotes, sem uma noção política; Situação-Problema 1 § O filósofo Santo Agostinho (1996) descreveu a concepção de Estado, compreendendo que o governo terrestre tinha o papel de auxiliar seus cidadãos a levar uma vida regrada para que pudessem estar com o Criador na morada celestial; Situação-Problema 1 3 § Hegel (2004) compreendia o Estado pela dimensão ética, como solucionador de todos os problemas do mundo, tais como as contradições existentes. Porém, para que possamos chegar a estas conclusões, precisamos compreender os seus argumentos; § O Estado, segundo Hegel (1998), tem funções significativas que merecem o nosso destaque, como: ter de cuidar dos seus indivíduos para a sua emancipação, conforme o arbítrio de cada um; os indivíduos devem permanecer ligados a ele; não agir com violência extrema e externa, estando ligado a uma ética superior. Portanto, a interferência do Estado só deveria ocorrer na sustentação socioeconômica dos indivíduos, quando em crise social; Situação-Problema 1 § Marx (2005), por sua vez, inicia a sua compreensão a partir das obras de Hegel e evidencia que ele mantinha a sua concepção camuflando o jogo de interesses entre estas duas instâncias da sociedade. Assim, um salto qualitativo surge neste sentido, que reverberou até o presente momento. Situação-Problema 1 A luta de classes inicia-se a partir do momento em que Estado passa a privilegiar somente os valores das classes economicamente hegemônicas? Você consegue compreender esta relação como exploração e/ou submissão da classe explorada? Enquanto Hegel (1997) compreendia o Estado como divino, Marx (2005) o qualificava como um aparelho que resulta da divisão de classes, sendo uma esfera repressora. Problematizando a Situação-Problema 1 O primeiro pressuposto de Marx em relação ao Estado foi o da desvinculação religiosa, descortinando a relação entre os homens com os homens e destes com a sociedade. O seu avanço foi significativo ao desmascarar a crítica do céu e a crítica da terra, utilizando a filosofia para descrever as autoalienações humanas nas suas formas não sagradas, ou seja, para realizar uma crítica teológica na crítica da política (MARX, 2005). Problematizando a Situação-Problema 1 Marx questiona se a emancipação seria real e possível, ou não. Marx (2005) evidencia que a emancipação humana vai advir somente quando o homem, enquanto ser genérico, reconhecer em si a sua cidadania individual e quando reconhecer e organizar a sua força social. Assim, evidencia que somente os homens esquecem que são eles que transformam a realidade, as circunstâncias. Resolvendo a Situação-Problema 1 Cápsula 2 “Participando da aula” 4 O Estado no capitalismo monopolista e as lutas de classes § Você acredita que as mudanças do capitalismo realmente foram profundas no final do século XX e foram significativas no campo do trabalho e na vida social como um todo? § Como isso pode ter ocorrido e que modificações, então, foram essas? Situação-Problema 2 Pensamento politico neoliberal: § [...] o Estado de bem-estar social é concebido como um momento no desenvolvimento (endógeno) dessa instituição. Assim, o Estado é autonomizado dos fundamentos econômicos do modo de produção capitalista e separado dos determinantes políticos das lutas de classes a partir dos interesses sociais e das correlações de forças. É visto como uma instituição autônoma e seu desenvolvimento é compreendido como natural (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2010, p. 140). Problematizando a Situação-Problema 2 Para Tocqueville (1986), os princípios da igualdade da justiça social são fundamentais para o exercício da democracia, contra o modelo político tirano ou anárquico, e para Marshall (1967), os direitos sociais constituem o último momento para o desenvolvimento da cidadania, sendo uma característica própria do século XX, mas sem considerar os elementos sócio-históricos do pensamentomarxista (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2010). Problematizando a Situação-Problema 2 Para o pensamento marxista também existe uma heterogeneidade de vertentes. O Estado é compreendido como “uma instituição que faz parte de um sistema social mais amplo, em que estão presentes os interesses de classes, determinado em última instância pelas relações de produção, pela luta de classes, a partir das correlações de forças” (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2010, p. 140). Problematizando a Situação-Problema 2 [...] a organização estatal (e dentro delas as políticas sociais) reflete então a síntese das lutas sociais históricas que, incorporando conquistas dos trabalhadores e setores subalternos, confluem em um projeto político-econômico da (fração de) classe hegemônica (o capital monopolista) para a reprodução da ordem, em face das necessidades de superação das crises econômicas – reproduzindo e ampliando a acumulação de capital – e políticas – legitimando o sistema perante as demandas populares e reduzindo os níveis de conflitividade (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2010, p. 145-146). Problematizando a Situação-Problema 2 A intervenção estatal sobre a questão social materializa-se, portanto, de forma fragmentada e parcializada, e que as políticas sociais atendem às sequelas da questão social como problemáticas particulares. O autor enfatiza que as sequelas da questão social particulares são traduzidas como: § O desemprego; § A fome; § O acidente de trabalho; § A carência habitacional; § A falta de escolas; § A incapacidade física; § Entre outras. Resolvendo a Situação-Problema 2 5 O conflito encontra-se no campo das lutas de classes, no espaço da cidadania. O Estado, no pós-guerra, ou seja, já no contexto do capitalismo tardio, possui três funções, segundo Mandel (1982). São elas: a) Criar condições gerais de produção, não asseguradas no âmbito privativo da classe hegemônica dominante; b) Reprimir qualquer ameaça das classes dominadas ou de qualquer fração da classe dominante ao modo de produção e acumulação, via exército, polícia, sistemas judiciário ou penitenciário; c) Integrar as classes subalternadas/dominadas, garantindo que a ideologia continue sendo a da classe dominante. Resolvendo a Situação-Problema 2 Cápsula 3 “Participando da aula” O papel do Estado brasileiro no trato das questões sociais § Qual o papel do Estado brasileiro no trato das questões sociais? § Quais as redefinições das ações do Estado brasileiro a partir da década de 1980? § Como ocorreu a formação da Constituição Federal de 1988, que desencadeou o olhar sobre os direitos humanos e sociais e as políticas sociais neoliberais? Situação-Problema 3 Diante do quadro de descontrole, instabilidade e desiquilíbrios econômicos, o pacto de classes articulado pelo Golpe de 64 – grande burguesia interna e externa somada a setores médios – foi colocado em questão. O esgotamento do modelo vigente colocou fim na Ditadura e o que entrou em pauta foram as disputas de projetos econômicos ao longo da década de 1980, tendo como foco a redefinição das atribuições do Estado. O processo político brasileiro perpassava diversas pautas por demandas sociais, e com a não aprovação da emenda pela eleição direta para presidente da República, em 1984, as mobilizações desencadearam greves gerais. A medida estabelecia a realização de eleições diretas para presidente da República. Problematizando a Situação-Problema 3 [...] a partir dos anos 70 e principalmente nos anos 80, a economia mundial enfrenta uma nova grande crise. No primeiro mundo, as taxas de crescimento reduzem-se para a metade em relação ao que foram nos primeiros 20 anos após a Segunda Guerra Mundial, enquanto as taxas de desemprego aumentam, principalmente na Europa, e o milagre japonês que sobrevivera aos anos 80, afinal soçobra nos anos 90. Na América Latina e no Leste Europeu, que se recusam a realizar o ajustamento fiscal nos anos 70, a crise se desencadeia nos anos 80 com muito mais violência (PEREIRA, 1988, p. 53). Problematizando a Situação-Problema 3 Nos anos 80 que as forças populares começaram a definir os blocos de força, através da luta popular, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e de inúmeras entidades e partidos políticos (como o nascimento do Partido dos Trabalhadores – PT), registrando, portanto, um grande desenvolvimento sócio-político. Problematizando a Situação-Problema 3 6 O país foi tomado de Norte a Sul por maciços atos de protesto. Os mais importantes aconteceram no Rio de Janeiro, com a presença de um milhão de pessoas, e em São Paulo, que contou com 1,5 milhão de participantes. Apesar de a emenda não ter sido aprovada, as mobilizações prosseguiram em greves gerais, inúmeras paralisações localizadas e na grande pressão para a aprovação de emendas populares – algo inédito – na Constituinte, instalada em 1987 (MARANGONI, 2012, p.03). Resolvendo a Situação-Problema 3 A mobilização nacional convergia na participação de toda a sociedade civil. Com o falecimento de Tancredo Neves, dias antes da posse, o seu vice, José Sarney, assumiu o governo em 1985, após eleição indireta pelo Colégio Eleitoral. O presidente José Sarney convocou uma Assembleia Nacional Constituinte, com a finalidade de rever a Constituição Federal vigente (de 1967), que estava defasada diante das transformações nacionais e mundiais. Garantiu-se na Constituição Federal, através dos artigos 203º e 204º, que tratam da assistência social como direito do cidadão. A CF 88 institui um Estado democrático, com extensas garantias aos brasileiros. Resolvendo a Situação-Problema 3 A configuração moderna dos Direitos Humanos representa um grande avanço no processo de desenvolvimento do gênero humano, pois ao retirar os DH do campo da transcendência, os coloca no patamar da práxis, ou seja, das ações humanas conscientes dirigidas à emancipação. Ao adotar os princípios e os valores da racionalidade, da liberdade, da universalidade, da ética, da justiça e da política, incorpora conquistas que não pertencem exclusivamente à burguesia: são parte da riqueza humana produzida pelo gênero humano ao longo de seu desenvolvimento histórico, desde a antiguidade (BARROCO, 2008, p. 3) – ONU – Organização das Nações Unidas (1948). Resolvendo a Situação-Problema 3 Cápsula 4 “Participando da aula” No Brasil, o Neoliberalismo surgiu, após a Constituição Federal de 1988, no governo de Fernando Collor de Mello, e instalou-se no governo de Fernando Henrique Cardoso/FHC. No governo Collor, encontramos o veto à Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e distorções em relação ao seguro-desemprego, investidas que visavam desqualificar a seguridade social. A organização e o controle das política sociais, na era Collor, caracterizaram-se pelo seu uso como moeda de troca. Provocando novas situações A LOAS só foi revista e aprovada, posteriormente, no governo de Itamar Franco. No governo de FHC, a proposta da mudança gerencial do Estado para a sua eficiência não provocou mudanças estruturais, pelo contrário, abriu as fronteiras para o desmonte de direitos sociais, no âmbito da seguridade social (saúde, assistência social e previdência social). Posteriormente durante quatro governos a proposta de um governo de esquerda alterou a forma de condução das políticas públicas. Provocando novas situações 7 Na consolidação da Constituição Federal de 1988, a garantia dos direitos humanos e sociais está presente no texto e no cotidiano profissional, sendo que a luta dos assistentes sociais caminha rumo ao mesmo projeto societário democrático. As políticas sociais tornam-se instrumentos para atentativa de minimizar as disparidades e as desigualdades sociais, diante do papel reduzido do Estado nos direitos sociais. Diálogo do professor com alunos Como desencadear na prática ações de resolutividade para as questões/demandas levantadas pela população, relativas ao acesso aos equipamentos públicos. Qual o papel do Estado brasileiro no trato da questão social. Diálogo do professor com alunos VE Caminho de Aprendizagem