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O Primeiro Livro de
SAMUEL
Autor Os livros de Samuel não são designados
dessa forma por causa do seu autor, sendo provável
que a sua ligação com o nome de Samuel.reflita opa-
pel que ele desempenhou ungindo os primeiros reis
de Israel. Samuel é descrito como um homem idoso em 8.1 e já fa-
lecido em 25.1, bem antes de muitos dos acontecimentos registra-
dos em 1 e 2Samuel. Entretanto, 1 Cr 29.29 relaciona os nomes de
Samuel e dos profetas que o sucederam, Natã e Gade, com deter-
minadas fontes escritas, partes das quais podem ter sido incorpo-
radas na história registrada de Israel quando esta tomou forma. Os
livros de Samuel devem ter recebido a sua forma final pela mão de
alguém profundamente influenciado pela teologia de Deuteronô-
mio ("Introdução aos Livros Históricos").
Data e Ocasião Como em relação à autoria,
os livros de Samuel não dão qualquer indicação da data
em que foram escritos. Tanto Josué, Juízes, Samuel
como Reis claramente contêm informações provenien-
tes de fontes contemporâneas aos acontecimentos neles relatados,
porém não foram fixados em sua forma final antes do período do exílio
de Judá na Babilônia (ver "Introdução aos Livros Históricos").
Na segunda metade do século XI a.C., período em que as po-
tências internacionais do antigo Oriente Próximo estavam preocu-
padas com conflitos internos, Israel havia se transformado de uma
confederação tribal sem grande coesão em uma monarquia unida.
A instituição da monarquia foi um novo estágio na história política e
religiosa de Israel. embora a idéia da monarquia propriamente dita
fosse conhecida em Israel pela prática dos seus vizinhos (Jz 3.12;
4.2; 8 5). É de admirar, pois, não que Israel viesse a instalar um rei,
mas que tivesse deixado de fazê-lo por tanto tempo. Uma das cau-
sas da relutância de Israel está revelada nas palavras de Gideão:
"Não dominarei sobre vós, nem tampouco meu filho dominará so-
bre vós; o SENHOR vos dominará" (Jz 8.23). Um princípio fundamen-
tal na 1é do povo de Israel era de que o próprio Senhor (Javé) era o
soberano de Israel. o seu grande Rei (8. 7; 12.12; Nm 23.21; SI 5.2;
MI 1.14). Não obstante, os primE;?iros livros da Bíblia contêm indica-
ções que Israel, de acordo com a vontade divina, teria um dia um
monarca humano (Gn 49.10; Nm 24.7,17-19; cf. Gn 17.6,16;
35.11 ). Moisés prenunciou um tempo quando Israel estaria esta-
belecido na Terra Prometida e desejaria um rei, e deixou instruções
que regulamentassem a monarquia quando esta viesse a existir (Dt
17.14-20; cf. 28.36). 1Samuel inicia a sua narrativa quando esse
tempo está quase por chegar.
É difícil atribuir datas precisas à maioria dos acontecimentos
registrados em Samuel. Embora cifras precisas sejam dadas para a
duração do reinado de Davi sobre Judá e Israel (2Sm 5.4-5). não
existe nenhuma indicação clara da extensão do reinado de Saul
( 13 .1, nota). Os anos exatos dos reinados de Davi e de Saul têm de
ser estabelecidos através de cálculos retroativos a partir das datas
dos acontecimentos registrados em Reis, os quais também apre-
sentam as suas próprias dificuldades cronológicas (ver Introdução
a 1 Reis). Existe amplo consenso de que Davi teria consolidado o
seu reino tanto sobre Judá como sobre Israel um pouco antes do
ano 1000 a.C. (sobre Judá, c. 101 O a.C.; sobre Israel, c. 1003 a.C.).
Davi deve ter vivido entre aproximadamente 1040-970 a.C. Samuel
pode ter nascido em data próxima ao ano de 1100 a.C.
Características e Temas Os livros de
1 e 2Samuel são obras primas de literatura. O seu
propósito básico é oferecer um relato histórico do sur-
gimento e do desenvolvimento inicial da monarquia is-
raelita sob Saul e Davi. A história é seletiva e a natureza da seleção
revela as preocupações teológicas dos livros. A monarquia veio a
existir em Israel através da mediação de um profeta e a história re-
gistrada desta mudança apresenta uma perspectiva profética.
As narrativas de 1 e 2Samuel foram redigidas em um estilo su-
cinto, fazendo uso de uma variedade de técnicas narrativas: pala-
vras-chave (2.29, nota); caracterizações comparativas (Saul e
Jônatas, Davi e Urias; ver 13.22, nota; 14.6, nota; e 2Sm 11 ); repe-
tição e variação (as duas confissões de Saul em 15.24-25,30) e
analogia (Nabal comparado com Saul. cap. 25). Sensibilidade a tais
características literárias podem abrir as portas à compreensão his-
tórica e teológica e à percepção da unidade do texto.
O principal assunto de 1 Samuel é a ascensão de Saul ao poder
e a sua subseqüente rejeição. Conforme observado acima, os livros
de Samuel focalizam uma importante inovação na vida religiosa e
política de Israel - ter um rei terreno. O tema de 1 Samuel é, em
grande parte, a interseção da carreira de três personalidades: Sa-
muel. Saul e Davi. A questão chave é como um rei humano pode
ser enquadrado numa estrutura de relacionamento baseado na ali-
ança existente entre Deus e Israel. Como pode Israel ter um rei
sem, com isso, comprometer o reinado de .Deus?
Na Bíblia Hebraica, 1 Samuel vem depois de Juízes, o qual ter-
mina com o triste refrão, "Naqueles dias, não havia rei em Israel;
cada um fazia o que achava mais reto" (21.25; cf. 17.6; 18.1; 19.1 ).
Esse refrão também pode descrever os primeiros capítulos de
1 Samuel. O livro inicia com Israel sem um rei humano e com os is-
raelitas despreocupados em honrar o seu rei divino. Mesmo os sa-
cerdotes, os filhos de Eli, fazem simplesmente o que é correto aos
seus próprios olhos (2.12-17).
A primeira unidade relata o nascimento de Samuel e o seu
chamado como profeta (caps. 1-3). Em um cântico bastante co-
nhecido, Ana louva a Deus pelo nascimento de Samuel (2.1-1 O). O
seu cântico introduz os temas teológicos básicos dos livros - a
soberania e a santidade de Deus, a reversão divina da sorte huma-
na, o livramento divino e a futilidade da confiança na força humana.
A monarquia é antecipada em uma referência ao "ungido" do Se-
nhor, "seu rei" (2.10). A narrativa da decadência da casa sacerdotal
de Eli introduz o tema da rejeição divina e suas causas.
A seção 4.1-7.1 é muitas vezes chamada "a narrativa da
1 SAMUEL 312
arca." Nesses capítulos, o Senhor demonstra o seu poder, primeiro
contra as tentativas de Israel de explorar a arca como se ela fosse
um talismã mágico e, segundo, em uma marcha devastadora atra-
vés das cidades filistéias. Em 7.2-17, o poder de Deus para livrar
Israel e derrotar os seus inimigos é demonstrado através do ho-
mem de Deus, Samuel. Contra esse pano de fundo, vê-se com ela~
reza a pecaminosidade do clamor do povo por um rei humano (cap.
8). Não que Israel não devesse jamais ter um monarca humano,
pois desde muito tempo um rei havia sido antecipado. O que é cen-
surável é o desejo do povo de ter um rei "como o têm todas as na-
ções" (8.5), porque esse desejo significa a rejeição do maior de
todos os reis, o próprio Deus (8. 7). Apesar da estultícia do pedido
do povo, Deus o atenderá, sob as condições de que o povo seja
alertado a respeito dos abusos potenciais da monarquia e de que o
próprio rei esteja disposto a submeter-se ao governo de Deus.
O primeiro rei de Israel decepcionou. Saul é apresentado em
9.2 como uma pessoa impressionante de notável aparência, presu-
mivelmente como o povo queria. O profeta Samuel falou a Saul que
ele governar"1a Israel e então o ungiu em nome do Senhor
(9.26-10.1). Logo depois o Espírito do Senhor veio sobre Saul e
ele profetizou com um grupo de profetas. Ele reuniu uma força den-
tre todo Israel e liderou-a à vitória sobre os amonitas. Ele foi aprova-
do pelo povo e Samuel o ungiu publicamente como rei (10.24;
11.14-151. A monarquia em Israel foi claramente concebida como
tendo necessidade da orientação especial de Deus.
Em duas importantes ocasiões Saul falhou com relação às exi-
gências de Deus. Instruído a esperar por Samuel,ele impacien-
tou-se e ofereceu um sacrifício que Samuel deveria ter realizado
113.8-14). Depois, quando Deus ordenou a destruição dos amale-
quitas, Saul cumpriu somente parte da ordem de Deus (cap. 15).
Ele preservou a vida do rei e de muitos animais. Samuel o denunci-
ou com rigor e empunhou ele mesmo a espada para esquartejar o
rei. Nessa ocasião Samuel profetizou que Saul havia sido rejeitado
Esboço de 1 Samuel
1. Período anterior à monarquia: Deus governa e resgata o
seu povo (caps. 1-7>
"A. O homem de Deus: Samuel e Eli em Siló (caps. 1-3)
1. O nascimento de Samuel e o cântico de ação de
graças de Ana (1.1-2.10)
2. A rejeição da casa dé Eli (2.11-36)
3. A iniciação de Samuel como profeta (cap. 3)
8. Poder de Deus: a arca de Deus e a Filístia (4.1-7.1)
1: A área é capturada pelos filisteus (cap. 4)
2. A arca na filístia (cap. 5)
3: A arca é.déVólvidaa Israel (6.1-7.1)
C. Vitória de Deus: Samuetcontra os filisteus em Mispa
(7.2-17)
li. O início da monarquia: o povo exige um rei (caps. 8-12)
A. Samuel ouve e Deus atende ao pedido do povo
(cap. 8)
B. A ascensão de Saul: designação por Samuel e
demonstração em batalha (caps. 9-12)
Jl1Sfttíé:ungide·por Samuel (9.1-10.16)
2. Saul é selecionado publicamente por sorteio em
Mispa (10.17-27)
e que Deus havia dado o reino a outro (15.28). Deus retirou de Saul
seu favor (28.17).
A queda da dinastia de Saul coincide com a ascensão de Davi.
Davi, à semelhança de Saul, foi escolhido por Deus para ser rei.
Mas em seu caso, a escolha de Deus foi de certa forma mais ÇKG-
funda. Davi não estava livre de erros porém Deus lhe prometeu que
não o rejeitaria por esse motivo (2Sm 7.8-16). Ele o puniria, mas
Deus também o preservaria. Davi casou-se com Mica!, a filha de
Saul, e tornou-se amigo íntimo de Jônatas. também filho de Saul.
Mesmo que Ga\li tenha agido dessa forma, a inveja e a suspeita de
Saul caíram sobre ele. Saul ficou transtornado e tentou matar tanto
Davi como Jônatas (18.11; 19.1; 20.33). Davi foi obrigado a fugir
da corte e tornar-se um foragido em seu próprio país.
Ao final, reacendeu em Saul o chamado original para libertar o
seu povo dos filisteus e ele comandou uma batalha desastrosa em
Gilboa. Não aceitando que fosse capturado, o rei Saul cometeu sui-
cídio, abrindo o caminho de Davi ao trono.
De muitas maneiras, a carreira de Davi tipifica a do seu maior fi-
lho, Jesus Cristo. Ambos foram confirmados por um profeta, Davi por
Samuel (3.20; 16.13) e Jesus por João Batista (Mt 14.5; Jo 1.29-31;
5.31-35). O Espírito do Senhor veio sobre ambos (16.13; Me 1.9-11).
Ambos foram rejeitados por reis invejosos (18.9; Mt 2.16) e foram
advertidos a fugir para salvar as suas vidas (cap. 20; Mt 2.13-15).
Sendo também rejeitados sem motivo pelo seu próprio povo (23.12;
Jo 19.15), ambos aprenderam no exílio a depender de Deus.
j"="""'-:;..,~.:= Título Os livros de Samuel têm tido vários no-11 · ~ mes. A Septuaginta (a versão grega do Antigo Testa-[! ."-:-;.. menta) e a Vulgata (a tradução latina de toda a Bíblia)
agrupam 1 e 2Samuel e 1 e 2Reis como Primeiro, Se-
gundo, Terceiro e Quarto "Reinos" ou "Reis". A tradição judaica fa-
zia distinção entre Samuel e Reis mas não dividiu Samuel em dois
livros até o século XV d.C.
3. Saul livra Jabes-Gileade dos amonitas (cap. 11)
C. Samuel promulga advertências sobre a monarquia
(cap. 12)
Ili. A escolha do povo: o reinado e a rejeição de Saul
(caps. 13-15)
A. Saul contra os filisteus: a primeira rejeição de Saul
(caps. 13-14)
8. Saul contra os amalequitas: Saul é rejeitado
(cap. 15)
1. Jônatas ataca os filisteus; Saul falha no teste
(cap. 13)
2. Jônatas conduz o povo à vitória; Saul fica isolado
(cap. 14)
IV. A escolha de Deus: ascensão de Davi e queda de Saul
(caps. 16-31)
A. A ascensão de Davi agrada a todos, menos a Saul
(caps. 16-18)
1. Davi é ungido por Samuel e apresentado a Saul
(cap. 16)
2. Davi e Golias (cap. 17)
3. Davi e a <:asa de Saul (cap. 18)
B. S-;ru\ \\tocura matar a Davi (cap. 19-23)
1. Frustram-se as tentativas feitas por Saul de
assassinar Davi (cap. 19)
313
2. Jônatas ajuda e encoraja Davi (cap. 20)
3. Davi engana Aimeleque em Nobe e foge para Gate
(cap. 21)
4. Saul massacra os sacerdotes de Nobe; Davi livra o
povo de Queila (22.1-23.6)
5. Saul persegue a Davi mas é impedido pelos filisteus
(23.7-29)
C. Davi protege a vida de Saul
(caps. 24-26)
1. Davi poupa a vida de Saul na caverna (cap. 24)
1SAMUEL1
2. Abigail impede que Davi cometa um assassínio
em seu litígio com Nabal (cap. 25)
3. Davi poupa a vida de Saul no acampamento
(cap. 26)
D. Davi refugia-se entre os filisteus; Saul comete
suicídio (caps. 27-31)
1. Davi foge para os filisteus (cap. 27)
2. Saul e a médium em En-Dor (cap. 28)
3. Davi é rejeitado pelos filisteus (cap. 29)
4. Davi recupera o que havia sido tomado pelos
amalequitas (cap. 30)
5. Saul, ferido no Monte Gilboa, tira a sua própria
vida (cap. 31)
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E/cana e suas mulheres
1 Houve um homem de Ramataim-Zofim, da ªregião mon-tanhosa de Efraim, cujo nome era bE!cana, filho de Je-
roão, filho de 1Eliú, filho de 2 Toú, filho de Zufe, cefraimita.
2 Tinha ele d duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra,
Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha.
3 Este homem subia da sua cidade e de ano em ano! a ado-
rar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em gSiló. Estavam
ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do
SENHOR. 4 No dia em que Elcana hoferecia o seu sacrifício,
dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus
filhos e filhas. s A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele
a amava, ;ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado es-
téril. 6 (A sua rivaJia provocava excessivamente para a irritar,
porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre.) 7E assim o
fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à
Casa do SENHOR, a outra a irritava; pelo que chorava e não co-
mia. 8 Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que cho-
ras? E por que não comes? E por que estás de coração triste?
Não te sou eu 1melhor do que dez filhos?
A oração e o voto de Ana
9 Após terem comido e bebido em Si!ó, estando Eli, o sa-
cerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar mcto 3tem-
plo do SENHOR, 10 n1evantou-se Ana, e, com amargura de
alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente. 11 E ºfez
~~~~~~~~~~~~~
~ CAPÍTULO 1 1 aJs 17.17-18; 24.33 b 1Cr 6.27.33-38cRt1.2 1 Eliel, 1Cr6.34 2Toá, 1Cr 6.34 2 dDt 2115-17 3 ele 2.41/Dt12.5-7;
16.16gJs18.1 4hDt12.17-18 SiGn16.1;30.1-2 6iJó24.21 81Rt4.15 9m1Sm3.330upalácioHebr.heyka/ 1onJó7.11
11ºNm30.6-11
•1.1-7.17 Deus governa e liberta o seu povo antes dos tempos da monarquia.
Assim o faz suscitando Samuel (caps. 1-3), intervindo diretamente contra os fi-
listeus (4.1-7.1). e dando a Samuel a vitória contra os filisteus (7.2-17).
•1.1 um homem. Essa expressão com a genealogia que a acompanha sugere
que Elcana era um homem de posição. A referência a uma esposa estéril (v. 2) as-
semelha-se à introdução ao nascimento de Sansão (Jz 13.2).
Ramataim. Possivelmente significa "montanhas gêmeas." O nome ocorre so-
mente aqui no Antigo Testamento. Talvez seja a Arimatéia (Noroeste de Betel) do
No"o Testamento. A cidade natal de Samuel é geralmente chamada Rarná, uns
oito km ao norte de Jerusalém (1.19; 2.11; 7.17; 8.4; 15.34; 19.18; 25.1 ).
de Zufe. "Zufe" é tanto um nome pessoal (1Cr6.35) quanto um território (9.5).
efraimita. Efraim era seu lugar de origem, e não necessariamente a tribo dos
seus antepassados ( 1 Cr 6. 16-30,33-37)
•1.2 duas mulheres. A poligamia é mencionada primeiramente em Gn 4.19. É
reconhecida e regulamentada, porém não endossada, em Dt 21.15-17.
não os tinha. Ana não tinha filhos e era provocada pela suarival (vs 6-7). Uma
esposa estéril, porém favorecida, que recebe como bênção do Senhor um filho
especial, não é incomum no Antigo Testamento. Ver Gn 18.1-15 (Sara-lsaque);
25.21-26 (Rebeca-Esaú e Jacó); 30.22-24 (Raquel-José); Jz 13.2-5 (esposa de
Manoá-Sansão). No Novo Testamento, ver Lc 1.5-25 (Isabel-João).
•1.3 Este homem subia. Talvez estivesse observando a "solenidade do SENHOR
em Siló" (Jz 21.19). ou talvez fosse a uma cerimônia familiar (20.6). No Pentateu-
co (os cinco livros de Moisés, ou Torá). há referência a três grandes festas anuais
de peregrinação (Êx 23.14-17; 34.18-23; Dt 16 1-17).
SENHOR dos Exércitos. É aqui que esse título ocorre pela primeira vez no Antigo
Testamento. "SENHOR" representa o hebraico ':Javé", o nome pessoal do Deus de
Israel, em distinção à designação geral: "Deus." "Exércitos" é a tradução normal
de outra palavra. Conforme o contexto, pode incluir as hostes de Israel (17.45), as
hostes cósmicas ou os corpos celestiais (Dt 4.19). e as hostes angelicais (Js
5.14) De modo global, o título expressa a soberania do Senhor sobre todos os po-
deres terrestres e celestiais.
Siló. A meio caminho entre Siquém e Betel, Siló (atualmente Seilun) era um cen-
tro religioso israelita importante durante o período antes da monarquia (Js 18.1;
Jz 21.19) O santuário ali (Jr 7.12) pode ter sido destruído pelos filisteus depois da
batalha de Afeca (4.1-11)
Eli. Assim como no caso de outras pessoas bem conhecidas no Antigo Testa-
mento !Josué, Êx 17.9; e Jônatas, 1Sm13.2), Eli é apresentado pela primeira vez
simplesmente com seu nome.
•1.5 porção dupla. A expressão em hebraico é difícil, mas normalmente tem
sido interpretada no sentido de uma porção especialmente honrosa. As tentati-
vas de Elcana para diminuir a tristeza de Ana expressando seu amor por ela (v. 8)
não surtiram efeito.
o SENHOR a houvesse deixado estéril. A esterilidade de Ana não proveio do
acaso, nem como forma de castigo (2Sm 6.23). mas estava debaixo do controle
soberano do Senhor.
•1.6 A sua rival. Ver nota em 1 .2.
•1. 7 não comia. Ana se recusou a comer até que o Senhor respondesse à sua
oração; compare as ações de Davi em 2Sm 12. 16-20, e contraste com as de Saul
em 1 Sm 28.23-25. No Novo Testamento, o jejum freqüentemente acompanha
assuntos sérios com o Senhor (At 13.2-3; 14.23).
•1.9 templo. A menção de "pilares" aqui e "portas" em 3.15, bem como lugares
de dormir em 3.2-3, talvez sugira uma estrutura mais permanente do que a tenda
dos tempos de Moisés. Outras designações para a estrutura em Samuel são "a
Casa do SENHOR" (v. 7; 3.15) e "a tenda da congregação" (2.22). Em 2Sm 7.6, fica
claro que antes dos tempos de Davi o tabernáculo ou templo era uma tenda e não
uma estrutura permanente.
l
1 SAMUEL 1, 2 314
um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente
Patentares para a aflição da tua serva, e qde mim te lembra-
res, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho va-
rão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e 'sobre
a sua cabeça não passará navalha.
12 Demorando-se ela no orar perante o SENHOR, passou Eli a
observar-lhe o movimento dos lábios, 13 porquanto Ana só no
coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia
voz nenhuma; por isso, Eli a teve por embriagada 14 e lhe disse:
Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho!
15 Porém Ana respondeu: Não, senhor meu! Eu sou mulher atri-
bulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte; porém
5venho derramando a minha alma perante o SENHOR. 16 Não te-
nhas, pois, a tua serva por 1filha4 de Belial; porque pelo excesso
da minha ansiedade e da minha aflição é que tenho falado até
agora. 17 Então, lhe respondeu Eli: "Vai-te em paz, e vo Deus de
Israel te conceda a petição que lhe fizeste. 18 E disse ela: x Ache a
tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher zse foi seu cami-
nho e comeu, e o seu semblante já não era triste.
Nasce Samuel e é consagrado a Deus
19 Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o
SENHOR, e voltaram, e chegaram a sua casa, a Ramá. Elcana
ªcoabitou com Ana, sua mulher, e, blembrando-se dela o
SENHOR, 20 ela concebeu e, passado o devido tempo, teve um
filho, a que chamou 5Samuel, pois dizia: Do SENHOR o pedi.
21 e Subiu Elcana, seu marido, com toda a sua casa, a afere-
cer ao SENHOR o sacrifício anual e a cumprir o seu voto.
12 Ana, porém, não subiu e disse a seu marido: Quando for o
menino desmamado, dlevá-lo-ei para ser apresentado perante
0 SENHOR e epara lá ficar /para sempre. 23 Respondeu-lhe
gElcana, seu marido: Faze o que melhor te agrade; fica até
que o desmames; tão-somente 6confirme o SENHOR a 7sua pa-
lavra. Assim, ficou a mulher e criou o filho ao peito, até que o
desmamou. 24 Havendo-o desmamado, hlevou-o consigo,
com um novilho de 8 três anos, um efa de farinha e um odre
de vinho, e o apresentou ;à Casa do SENHOR, a Siló. Era o me-
nino ainda muito criança. 25 Imolaram o novilho e itrouxe-
ram o menino a Eli. 26 E disse ela: Ah! Meu senhor, 1tão certo
como vives, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo,
orando ao SENHOR. 27 m Por este menino orava eu; e o SENHOR
me concedeu a petição que eu lhe fizera. 28 Pelo que também
o trago como 9devolvido ao SENHOR, por todos os dias que vi-
ver; pois do SENHOR o pedi. E eles nadoraram ali o SENHOR.
O cântico de Ana
2 Então, ªorou Ana e disse: bO meu coração se regozija no SENHOR,
caminha 1 força está exaltada no SENHOR;
2 a minha boca se ri dos meus inimigos,
porquanto dme alegro na tua salvação.
2 eNão há santo como o SENHOR;
porque !não há outro além de ti;
e gRocha não há, nenhuma, como o nosso Deus .
• PS\25.18qGn8.1.'Nm6.5 l~SSl42.4;62.8 161Dt13.134istoéumamulherímpia 17UMc5.34VSl20.3-5 ,18XRt2.13Z~m
15.13 19 ª Gn 4.1 b Gn 21.1, 30 22 20 5 Lit. Ouvido por Deus 21 ClSm 1.3 22 d Lc 2.22 e 1Sm 1.11,28/Ex 21.6 23 g Nm
30. 7, 10-11 6 ou estabeleça 7 Conforme TM, T, V; MMM, LXX e S tua 24 h Nm 15.9-10 i Js 18.1 8 Cf. MMM, LXX e S 25 i Lc 2.22
2617Rs 2.2,4,6; 4.30 27 m [Mt 7.7] 28 nGn 24.26,52 9dado
CAPITULO 2 1 a Fp 4.6 hLc 1.46-55 cs175.10; 89.17,24; 92.10; 112.9 d SI 9.14; 13.5; 35.9 1 Lit. chifre 2Lit. a minha boca se alarga 2 eÊx
15.11; SI 86.8; Ap 15.4/Dt 4.35 g Dt 32.4,30-31, 2Sm 22.32; SI 18.2
•1.11 voto. Sobre votos feitos por mulheres casadas, e a responsabilidade do
marido de confirmá-los ou anulá-los, ver Nm 30.6-15.
e de mim te lembrares. Ana pede não simplesmente que o Senhor a mantenha
em mente, mas que ele faça algo especial para ajudá-la.
não passará navalha. O voto de Ana reflete elementos do voto do nazireado
(Nm 6.1-21 ). Especificamente, trata-se de abster-se de uvas ou de qualquer coi-
sa feita com uvas, deixar de cortar os cabelos e evitar todo e qualquer contato
com algum cadáver. Embora semelhantes votos geralmente fossem feitos por
um período limitado de tempo, o de Ana era por "todos os dias" da vida do seu fi-
lho (ver Jz 13.5, nota).
•1.13 embriagada. O fato de Eli ter concluído que Ana estava embriagada cons-
titui-se em elemento estranho na narrativa porque sugere que o fervor na oração
não era algo familiar a ele.
•1.16 filha de Belial. Ou "ímpia". Ver nota textual e 2.12.
•1.18 o seu semblante já não era triste. As atitudes de Ana como modo de
corresponder à bênção pronunciada no v. 17 evidenciam a sua fé.
•1.20 Samuel. Vários significados do nome "Samuel" têm sido sugeridos, inclu-
sive "ouvido por Deus" (nota textual), "aquele que provém de Deus," "nome de
Deus," e até mesmo "filho de Deus" (como aquele "dado" ou "prometido" por
Deus). "Saul" provém do verbo hebraico "pedir," que ocorre freqüentemente nes-
sa seção.
•1.21 voto. Ver Lv 7.16 e nota.
•1.22 desmamado. No antigo Oriente Médio, um filho era desmamado mais
tarde do que freqüentemente é o costume hoje (2Macabeus 7.27: "por nove me-
ses te trouxe em meu seio e por três anoste amamentei"). O desmame pode
também ter sido celebrado com uma festa (Gn 21.8).
•1,23 a sua palavra. Ou "a palavra dele". "A tua palavra" (de Ana) (nota textual)
talvez deva ser preferida aqui. Elcana, como marido de Ana ( 1.11, nota), invoca a
ajuda do Senhor no cumprimento do voto de sua esposa.
•1.24 um novilho de três anos ... odre de vinho. Segundo Nm 15.8-1 O, o
cumprimento de um voto deveria ser acompanhado pela oferta de um novilho, fa-
rinha e vinho. Ana traz tudo, porém, em medida maior do que a exigida.
•2.1·1 O Tendo recebido a resposta à sua oração, Ana entoa um cântico jubiloso de
ação de graças. Focalizando a soberania do Senhor e a sua graça aos humildes, Ana
antecipa os temas principais dos livros de Samuel. Os mesmos temas de soberania,
graça e libertação são reiterados no cântico de ação de graças de Davi, de perto do
fim de 2Samuel (cap. 22). Os dois cânticos fornecem um arcabouço poético para 1
e 2Samuel. O cântico de louvor (mais breve) de Maria (o Magnificai, Lc 1.46-55) pa-
rece ter seguido o modelo de Ana. Os dois cânticos iniciam-se com regozijo por
causa do livramento pelo Senhor \v. 1; Lc 1.46-48), exaltam a incomparabilidade e
santidade do Senhor (v. 2; Lc 1.49-50), condenam a jactância orgulhosa (v. 3; Lc
1.51), indicam mudança da sorte humana como resultado de intervenções pelo Se-
nhor soberano (vs. 4-8; Lc 1.52-53), e expressam o cuidado fiel que o Senhor dedica
aos seus (v. 9; Lc 1.54-55). O cântico de Ana tenmina com a asseveração de que o
próprio Senhor dará forças ao seu rei, ao seu ungido (vs. 9-10).
•2.1 força. Lit. "chifre," palavra esta que [em hebraiço] é usada figuradamente
no Antigo Testamento para significar orgulho e força. E Deus quem exalta a força
dos justos e abate as forças dos ímpios (SI 75.10). Davi exalta o Senhor como "o
meu escudo, a força da minha salvação" (v. 1 O, nota; 2Sm 22.3).
•2.2 Rocha. Como metáfora para Deus, esse tenmo está concentrado nos trechos
tais como o cântico de Moisés, em Dt 32. o cântico de Davi, em 2Sm 22, os Spoéti-
cos almas e Isaías. A metáfora sugere a força e a soberania de Deus, e a segurança
daqueles que confiam nele. Aqui recai o enfoque na incomparabilidade do único
Deus verdadeiro, em oposição às falsas fontes de segurança (cf. o contraste com
os falsos deuses, também chamados "rocha," em Ot 32.31,37; Is 44.8).
315 1SAMUEL2
3 Não multipliqueis palavras de orgulho,
hnem sai'iffi\ t<:J\'i.ôS arrogantes da vossa boca;
porque o SENHOR é o Deus da ;sabedoria
e pesa todos os feitos na balança.
410 arco dos fortes é quebrado,
porém os débeis, cingidos de força.
s Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão,
mas os que andavam famintos não sofrem mais fome;
até 1a estéril tem sete filhos,
e ma que tinha muitos filhos perde o vigor.
6 no SENHOR é o que tira a vida e a dá;
faz descer à sepultura e faz subir.
7 °0 SENHOR empobrece e enriquece;
Pabaixa e também exalta.
8 qLevanta o pobre do pó
e, desde o monturo, exalta o necessitado,
rpara o fazer assentar entre os príncipes,
para o fazer herdar o trono de glória;
5 porque do SENHOR são as colunas da terra,
e assentou sobre elas o mundo.
9 tEle guarda os pés dos seus santos,
porém "os perversos emudecem nas trevas da morte;
porque o homem não prevalece pela força.
10 Os que contendem com o SENHOR são vquebrantados;
xdos céus troveja contra eles.
zo SENHOR julga as extremidades da terra,
ªdá bforça ao seu rei
e e exalta o poder do seu ungido .
t t Então, Elcana foi-se a Ramá, a sua casa; porém o meni-
no ficou servindo ao SENHOR, perante o sacerdote Eli.
Os crimes dos filhos de Eli
12 Eram, porém, os filhos de Eli d filhos de Belial3 e enão se
importavam com o SENHOR; 13 pois o costume daqueles sacerdo-
tes com o povo era que, oferecendo alguém sacrifício, vinha o
moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo
de três dentes na mão; 14 e metia-o na caldeira, ou na panela, ou
no tacho, ou na marmita, e tudo quanto o garfo tirava o sacerdo-
te tomava para si; assim se fazia a todo o Israel que ia ali, a fSi!ó.
lSTarnbém, antes de se gqueimar a gordura, vinha o moço do
sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para
assar ao sacerdote; porque não aceitará de ti carne cozida, senão
crua. ló Se o ofertante lhe respondia: Queime-se primeiro a gor-
dura, e, depois, tomarás quanto quiseres, então, ele lhe dizia:
Não, porém hás de ma dar agora; se não, tomá-la-ei à força.
17Era, pois, mui grande o pecado destes moços hperante o
SENHOR, porquanto eles idesprezavam4 a oferta do SENHOR. ·
A mocidade de Samuel
18 /Samuel ministrava perante o SENHOR, sendo ainda me-
nino, 'vestido de uma estola sacerdotal de linho. 19 Sua mãe
lhe fazia uma túnica pequena e, de ano em ano, lha trazia
quando, com seu marido, m subia a oferecer o sacrifício anual.
20Eli nabençoava a Elcana e a sua mulher e dizia: O SENHOR
te dê filhos desta mulher, em lugar do filho que ªdevolveu5
ao SENHOR. E voltavam para a sua casa. 21 P Abençoou6 , pois,
• 3 h SI 94.4 ilSm 16.7 4 /SI 37 15; 46.9 5 ISI 113 9 m1s 54. 1; Jr 15.9 6 n Dt 32.39; 2Rs 5.7; Já 5.18; [Ap 1. 18] 7 ºDt 8.17-18; Já
1.21 p Já 5.11; SI 75.7; T g 4 1 o 8 q Jó 42. 10-12; SI 75.7; 113.7; Lc 1.5zr Já 36.7; SI 113.8 s Já 38.4-6; SI 75.3; 104.5 9 t SI 37.23-24;
91.11-12; 94 18; 121.3; Pv 3 26; [1Pe 1.5] u [Rm 3. 19] 10 VÊx 15.6; SI 2.9x1 Sm 7. 10; 2Sm 22. 14-15; SI 18.13-14ZSI 96. 13; 98.9; [Mt
25.31-32) a [Mt 28.18) bSI 21.1.7 cs1 89.24 12 dDt 13.13 e Jz 2.10; [Rm 1.28) 3 corruptos. ímpios, sem valor 14/lSm 1.3 15 glv
3.3-5,16 t 7 hGn 6. 11 i[MI 2.7-9) 4aborreciam 18 flSm 2.11; 3.1 IÊx 28.4 19m1Sm 1.3,21 20 nGn 14.19o1Sm 1.11,27-28 5Lit,
em Hebr., petição; LXX empréstimo 21 P Gn 21. 1 6 Lit visitou
•2.5 tem sete filhos, O número sete expressa o que é idealmente completo (Rt
415)
•2,9 porque o homem não prevalece pela força. As narrativas subseqüen-
tes confirmam que não é a proeza física, mas a presença de Deus. que traz a vitó-
ria. Na narrativa da arca, nos caps. ~. o Senhor faz os filisteus sentirem a sua
mão sem a ajuda de agentes humanos (5.6). Outros exemplos desse tipo são a vi-
tória do Senhor através de Samuel. no cap. 7; os resultados contrastantes de Saul
e Jônatas. nos caps. 13-14; a escolha de Davi, o mais jovem dos filhos de Jes-
sé, no cap. 16; e a vitória de Davi sobre Golias, no cap. 17.
•2.1 O seu rei. A referência aqui ao rei do Senhor antevê o evento central dos livros
de Samuel, a saber, a instituição de uma monarquia, e subentende que a idéia de
uma monarquia, corretamente cogitada, não é errada. Que Israel teria um rei é pre-
visto em vários trechos do Pentateuco (Gn 49.10; Nm 24. 7, 17-19; Dt 17. 14-20).
seu ungido, Numerosos objetos e pessoas estavam sujeitos à unção religiosa no
Israel antigo (Êx 30.22-33), mas era o rei que, em última análise. tinha o título de
"ungido do SENHOR" ou simplesmente de "ungido." As pessoas escolhidas para
servir a Deus eram ungidas para s"imbolizar que essa era a sua vocação, que eram
autorizadas para realizá-la. e que Deus lhes daria a ajuda da qual necessitassem.
As referências ao rei como o ungido do Senhor predominam nos livros de Samuel
(v. 35; 12.3,5; 16.6; 24.6) e nos Salmos (SI 2.2; 18 50) O presente trecho é a pri-
meira referência a um rei de Israel como o "ungido" de Deus, embora a idéia de
ungir um rei já se encontre na fábula de Jotão (Jz 9.8,15). A palavra "messias",
em português, representa a palavra hebraica para "ungido". No Novo Testamen-
to, "Cristo" representa a palavra grega Christos, que também significa "ungido."
•2.12 filhos de Belial. É uma expressão e~ hebraico que conota pessoas vis.
sem valor (que é a tradução literal de belial). E usada a respeito daqueles que inci-
tam à idolatria (Dt 13 13) ou à insurreição (10.27; 2Sm 16. 7; 20. 1 ); que são se-
xualmente imorais (Jz 19.22);ou que são mentirosos (1Rs 21.10, 13). Infelizmen-
te, a expressão podia ser aplicada aos filhos de Eli.
não se importavam. Lit "não conheciam." o que forma um contraste irônico en-
tre os filhos de Eli e Samuel (3.7, nota).
•2. 13 o costume daqueles sacerdotes, A prática descrita nos vs. 13-14 é
diferente dos preceitos de Lv 7.28-36; Dt 18.3. A cobiça dos filhos de Eli levou
os israelitas a desprezarem a oferta do SENHOR (v. 17).
•2.15 antes de se queimar a gordura. Desde os tempos em que Abel ofere-
ceu a gordura dos primogênitos do seu rebanho (Gn 4.4). as partes gordurosas
eram consideradas as melhores e, por isso mesmo, reservadas para o Senhor. Os
sacerdotes tinham o dever de queimar a gordura no altar, como oferenda ao Se-
nhor (Lv 3. 16; 731 ). Assim como o sangue. a gordura era rigorosamente proibida
para o consumo humano, e quem a comesse seria expulso do meio do povo de
Deus (Lv 3.17; 7.23-25).
•2, 18 Samuel. O comportamento de Samuel, que ministra fielmente diante do
Senhor, e também o de Eli, que regularmente abençoa Elcana com sua esposa (v.
20), está em nítido contraste com os abusos dos filhos de Eli.
estola sacerdotal de linho. Algum tipo de roupa interna curta, associada ao
serviço sacerdotal (22. 18). que também foi usada pelo rei Davi quando trouxe a
arca para Jerusalém (2Sm 6.14) Ver também 2.28, nota.
•2, 19 túnica. Uma roupa externa, que deveria ser usada por cima da estola sa-
cerdotal de linho.
•2.20filho que devolveu. As palavras de Eli relembram as de Ana em 1.27-28.
As palavras "dádiva" e "pedir" em hebraico são derivadas da mesma palavra que
o nome "Saul" (1.20, nota).
l
1SAMUEL2 316
o SENHOR a Ana, e ela concebeu e teve três filhos e duas filhas;
e o jovem Samuel qcrescia diante do SENHOR.
Eli repreende os seus filhos
22 Era, porém, Eli já muito velho e ouvia tudo quanto seus
filhos faziam a todo o Israel 7 e de como se deitavam com ras
mulheres que serviam à porta da tenda da congregação. 23 E
disse-lhes: Por que fazeis tais coisas? Pois de todo este povo
ouço constantemente falar do vosso mau procedimento.
24 Não, filhos meus, porque não é boa fama esta que ouço; es-
tais fazendo transgredir o povo do SENHOR. 25 Pecando o ho-
mem contra o próximo, 5Deus lhe será o 8árbitro; 1pecando,
porém, contra o SENHOR, quem intercederá por ele? Entretan-
to, não ouviram a voz de seu pai, uporque o SENHOR os queria
matar. 26 Mas o jovem Samuel vcrescia em estatura e xno fa-
vor do SENHOR e dos homens.
para trazer a estola sacerdotal perante mim; e e dei à casa de
teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel. 29 Por
que d pisais aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas de
manjares, que ordenei se me fizessem na minha e morada? E,
tu, por que honras a teus filhos mais do que/a mim, para tu e
eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu
povo de Israel? 30 Portanto, diz o SENHOR, Deus de Israel:
gNa verdade, dissera eu que a tua casa e a casa de teu pai an-
dariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o
SENHOR: hJ.onge de mim tal coisa, porque aos que me hon-
ram, honrarei, porém ios que me desprezam serão desmere-
cidos. 31 Eis que /vêm dias em que cortarei o teu 9braço e o
braço da casa de teu pai, para que não haja mais velho ne-
nhum em tua casa. 32 E verás o aperto da morada de Deus, a
um tempo com o bem que fará a Israel; e jamais haverá 1velho
em tua casa. 33 O homem, porém, da tua linhagem a quem
eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e
Profecia contra a casa de Elí para te entristecer a alma; e todos os descendentes da tua
27 2Veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o casa morrerão na flor da idade. 34 Ser-te-á mpor sinal o que so-
SENHOR: ªNão me manifestei, na verdade, à casa de teu pai, brevirá a teus dois filhos, a Hofni e Finéias: "ambos morrerão
estando os israelitas ainda no Egito, na casa de Faraó? 28 Eu no mesmo dia. 35 Então, ºsuscitarei para mim um sacerdote
bo escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sa- fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na
cerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e mente; Pedificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante
A q Jz 13-:;; 1S~2 2G~3 19-;1, L~ 80;-24~ 2; rÊx 3~--;;~~nformeT~. Te V; ~~~e~OO~mitemo~r~stant; do verso 25;Dt117;
25.1-2tNm15.30UJs11.20BTojuiz_ 26V1Sm2.21 xpy34 2721Rs13.1 ªÊx414-16;12.1 28bÊx28.1,4CNm59 29dDt
32.15eDt12.5fMt10.37 30Hx29.9hJr18.9-10iMl2.9-12 3111Rs2.27,359atuaforça 321Zc8.4 34m1Rs
13.3 n1Sm4.11,17 3Sº1Rs2.35P1Rs11.38
•2.21 diante do SENHOR. Ou "com o SENHOR"; a mesma expressão em hebraico
é usada no v. 26.
•2.22 Eli. Novamente, assim como no v. 12, o enfoque muda do menino Samuel
para a casa de Eli.
ouvia. Eli tinha que ser informado a respeito daquilo que ele já deveria ter obser-
vado e controlado por sua própria iniciativa. Mas seus delitos são muito mais pro-
fundos do que a simples falta de atenção lv. 29).
se deitavam com as mulh~es. Quanto à "tenda," ver nota em 1.9; quanto às
'"mulheres que serviam," ver Ex 38.8. A prostituição cultuai, embora fosse explici-
tamente condenada pela Lei IDt 23.17-18), era praticada pelos cananeus e se
constituía em perigo constante para os israelitas 11Rs15.12; 2Rs 23.7; Os 4 14).
•2.25 Deus lhe será o árbitro. O argumento de Eli é que, embora possa haver al-
guma mediação nas disputas entre as pessoas, ninguém poderá intervir quando o
delito for contra o próprio Deus. Os filhos de Eli pecaram, antes de mais nada, contra
o Senhor lv. 17), e selaram o seu destino ao se recusar a prestar atenção à adver-
tência de Eli.
o SENHOR os queria matar. Essa declaração clara da soberania de Deus sobre o
destino dos ímpios não diminui a responsabilidade das pessoas pelas suas próprias
ações. Um exemplo do relacionamento entre a soberania divina e a responsabilida-
de ~umana acha-se no endurecimento do coração de Faraó nos primeiros capítulos
do Exodo. Em cerça de metade das ocasiões, é declarado que Faraó endureceu seu
P[óprio coração !Ex 8.15); nas demais ocasiões, é declarado que Deus o endureceu
IEx 4.21; Rm 9.17-18). Deus pode castigar o pecado persistente e deliberado, re-
movendo a capacidade de a pessoa se arrepender IJs 11.20; Rm 1.24,26,28).
•2.26 no favor do SENHOR. A gravidade da recusa dos filhos de Eli de prestarem
atenção aos homens ou a Deus é enfatizada pelo contraste marcante com Samuel,
que cresce no favor de Deus e dos homens. A ênfase dada ao crescimento de Sa-
muel como sendo mais do que meramente físico prenuncia um tema que é posteri-
ormente desenvolvido nas figuras contrastantes de Saul e de Davi. A expressão no
v. 6 é usada por Lucas para descrever a infância de Jesus ILc 2.52; ver Pli 3.4).
•2.27-36 As palavras do homem de Deus a Eli exibem características típicas dos
discursos proféticos de juízo. Há uma acusação !expressa aqui através das pergun-
tas acusadoras que enfatizam o contraste entre a graça do Senhor e a desobediên-
cia de Eli) e uma proclamação de juízo, confirmada por um sinal. Outros exemplos
de discursos proféticos desse tipo acham-se nos caps. 13; 15; 2Sm 12. 7-12.
•2.27 homem de Deus. No Antigo Testamento, esse título é freqüentemente
empregado com o sentido de "profeta" 198-11; 1Rs13.15-18; 2Rs 5.8; 6.10-12).
casa de teu pai ... no Egito. Embora a genealogia de Eli não esteja registrada
em nenhuma parte do Antigo Testamento. o v. 28 subentende que ele era um
descendente de Arão. A asseveração de que o Senhor se revelou e selecionou a
casa de Eli já nos tempos da servidão de Israel no Egito ressalta a ingratidão gros-
seira da casa de Eli.
•2.28 trazer a estola sacerdotal. A estola sacerdotal mencionada aqui não é a
roupa mencionada no v. 18, mas a estola do sumo sacerdote, que continha o "pei-
toral do juízo" e o "Urim e o Tumim," através dos quais se podia descobrir a vonta-
de do SenhorIÊx 28.4-30).
e dei ... as ofertas. Tanto no Antigo Testamento INm 18.8; Dt 18.1) quanto no
Novo 11Co9.13-14; 1T m 5.17-18), Deus providencia o sustento daqueles que es-
tão a seu serviço.
•2.29 honras. Embora os delitos dos filhos de Eli fossem mais atrevidos, ele próprio
não fica sem culpa. Como pai e sumo sacerdote, não deveria ter se limitado a confron-
tar seus filhos somente com palavras lvs. 23-25). Ter deixado de agir firmemente sig-
nificava honrar seus filhos acima do Senhor lv. 30). A palavra hebraica traduzida por
"honrar" é uma palavra-chave nos relatos subseqüentes da queda da família de Eli e
da captura e devolução da arca (caps. 4-7); ver notas em 4.21; 6.5-6.
•2.30 perpetuamente. Contínua ou indefinidamente.
•2.31 não haja mais velho nenhum em tua casa. A dizimação da casa de Eli
começa com a morte dos seus filhos 14.11) e a sua própria 14.18). Ela continua
com o massacre dos sacerdotes de Nobe por Saul 122.17-19) e culmina quando
Salomão remove Abiatar do sacerdócio (1Rs 2.26-27).
•2.32 o aperto da morada de Deus. Ou '"um inimigo em minha morada". O ter-
mo em hebraico é difícil, e partes dos vs. 31-32 faltam na Septuaginta e nos Ma-
nuscritos do Mar Morto. Se for correta a tradução "o inimigo na morada de Deus",
o versículo aludiria à captura da arca 14.1-11). à destruição da morada do Senhor
em Siló IJr 7.12-14), e à sua recolocação em Nobe (21.1 ).
•2.34 sinal. Pronunciamentos proféticos eram freqüentemente confirmados por
sinais 12.27-36, nota; cf. 10.7,9; 1Rs 13.3,5; 2f\s 1929; 20.8-9).
•2.35 sacerdote fiel. Embora a declaração em 3.20 de que Samuel foi "confir-
mado" como um profeta do Senhor sugira que Samuel possa ter sido o cumpri-
317 1SAMUEL2, 3
do qmeu ungido para sempre. 36 rserá que todo aquele que
Te'i>\'ô.! Ü'ô. t\la casa virá a inclinar-se diante dele, para obter
uma moeda de prata e um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que
me / admitas a algum dos cargos sacerdotais, para ter um pe-
daço de pão, que coma.
Deus fala com Samuel numa Yisão
3 ªO jovem Samuel servia ao SENHOR, perante Eli. Na-queles dias, ba palavra do SENHOR era mui rara; as visões
não eram freqüentes. 2 Certo dia, estando deitado no lugar
costumado o sacerdote Eli, e cujos olhos já começavam a es-
curecer-se, a ponto de não poder ver, 3 e tendo-se deitado
também Samuel, no 1templo do SENHOR, em que estava a
arca, antes que d a lâmpada de Deus se apagasse, 4 b SENHOR
chamou o menino: Samuel, Samuel! Este respondeu: Eis-
me aqui! s Correu a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu mecha-
maste. Mas ele disse: Não te chamei; torna a deitar-te. Ele se
foi e se deitou. 6 Tornou o SENHOR a chamar: Samuel! Este se
levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste.
Mas ele disse: Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te.
7 Porém Samuel e ainda não conhecia o SENHOR, e ainda não
lhe tinha sido manifestada a palavra do SENHOR. 8 O SENHOR,
pois, tornou a chamar a Samuel, terceira vez, e ele se levan-
tou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste.
Então, entendeu Eli que era o SENHOR quem chamava o jo-
vem. 9 Por isso, Eli disse a Samuel: Vai deitar-te; se alguém
te chamar, dirás: /fala, SENHOR, porque o teu servo ouve. E
foi Samuel para o seu lugar e se deitou.
10 Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das
outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque
o teu servo ouve. 11 Disse o SENHOR a Samuel: Eis que vou fa-
zer uma coisa em Israel, ga qual todo o que a ouvir lhe tinirão
ambos os ouvidos. 12 Naquele dia, suscitarei contra Eli htudo
quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o
cumprirei. 13 iPorque já lhe disse que ijulgarei a sua casa para
sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque 1seus
filhos se fizeram execráveis, e ele mos não repreendeu.
14 Portanto, jurei à casa de Eli que nnunca lhe será expiada a
iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares.
Samuel conta a Yisão a Elí
IS Ficou Samuel deitado até pela 2 manhã e, então, abriu as
portas da Casa do SENHOR; porém temia relatar a visão a Eli.
16 Chamou Elia Samuel e disse: Samuel, meu filho! Ele respon-
deu: Eis-me aqui! 17Então, ele disse: Que é que o SENHOR te fa-
lou? Peço-te que mo não encubras; assim ªDeus te faça o que
bem lhe aprouver se me encobrires alguma coisa de tudo o que
te falou. 18 Então, Samuel lhe referiu tudo e nada lhe encobriu.
E disse Eli: PÉ o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver.
19 QCrescia Samuel, e ro SENHOR era com ele, 5 e nenhuma
de todas as suas palavras deixou 3 cair em terra. 20 Todo o
Israel, 1desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava
~~~~~~~~~~~~~~ ~ q SI 18.50 36 r 1 Rs 2.27 1 nomeies a
CAPÍTUL03 1ª1Sm2.11,18bSl74.9 2C1Sm4.15 JdÊx27.20-2110upalácio 7e1sm2.12 9/1Rs2.17 11nRs21.12
12h1Sm2.27-36 13 i1Sm 2.29-31 i1Sm 2.22 11 Sm 2.12, 17,22 m 1Sm 2.23,25 14 n Nm 15.30-31 15 2Conforme TM, Te V; LXX
acrescenta e ele levantou-se pela manhã 17 ° Rt 1.17 18 Pls 39.8 19 q 1Sm2.21 rGn 21.22; 28.15; 39.2,21,23 s 1Sm9.6 3fracassar
20 t Jz 20.1
menta dessa predição, o cumprimento mais claro vem na pessoa de Zadoque,
que serviu como sumo sacerdote lado a lado com Abiatar no reinado de Davi
l2Sm 8.17, nota) e que chegou à preeminência no reinado de Salomão (1Rs
2.35). Os descendentes de Zadoque mantiveram-se no sumo sacerdócio desde
o reinado de Salomão até aos tempos de Antíoco Epifânio e dos macabeus !para
os detalhes, ver Introdução ao Período lntertestamentário).
meu ungido. Essa é a segunda alusão neste capítulo ao rei vindouro lv. 1 O, nota).
•2.36 um pedaço de pão. Os juízos proféticos eram caracterizados pela corres-
pondência entre o crime e o castigo. A fome ameaçada nesse versículo corres-
ponde com a satisfação da gula descrita nos vs. 12-27,29.
•3.1 a palavra do SENHOR era mui rara. Quando o Senhor retém a sua palavra,
é sinal do seu desagrado 114.37; SI 74.9; Lm 2.9; Am 8, 11-12). De maneira inver-
sa, sua comunicação com Samuel é sinal do seu favor.
visões. Tais visões ou revelações eram necessárias para o bem-estar do povo de
Deus IPv 29.18).
•3.3 templo. Ver nota em 1.9.
arca. Também chamada, em outros textos, "a arca do Testemunho" e "a arca da
Aliança," essa caixa de madeira de acácia revestida de ouro é descrita em Êx
25.10-22. A arca assume importância nos caps. 4----6 e de novo em 2Sm 6.
antes que a lâmpada de Deus se apagasse. Pode se tratar simplesmente de
uma referência ao horário IÊx 27.20-21; Lv 24.1-4). O emprego de "lâmpada"
como uma metáfora de esperança e de promessa é muito comum 12Sm 21.17;
22.29; 1Rs 11.36; 15.4; Jó 18.5; SI 132.17; Pv 13 9) e é possível também aqui.
Com Samuel no cenário, ainda há uma fagulha de esperança.
•3. 7 Samuel ainda não conhecia o SENHOR. A repetição da terminologia do v.
2.12 a respeito de "conhecer" a Deus serve para enfatizar o contraste no sentido.
Os filhos de Eli "não se importavam com o SENHOR" porque o desconsideravam
impiamente. Samuel era uma criança, e nenhuma revelação ainda viera até ele.
•3.8 Então, entendeu Eli. A lentidão de Eli em reconhecer que Deus estava
chamando Samuel relembra ocasiões anteriores de falta de percepção 11.12-16)
e de consciência 12.22, nota). o que contribui à impressão do leitor de Eli como
um sacerdote idoso cujos olhos se escureceram lv. Z) de mais de uma maneira.
•3.12 tudo quanto tenho falado. Ver 2.27-36. A repetição a Samuel do oráculo
contra Eli confirma o próprio oráculo e estabelece Samuel como um profeta do
Senhor lv 20)
•3.13 se fizeram execráveis. A Septuaginta lo Antigo Testamento em grego)
coloca "Deus" no lugar de "se". Isto representa a mudança de uma única conso-
ante no texto hebraico original. Se os filhos de Eli estavam blasfemando contra
Deus, tratava-se de um delito que levava à pena da morte llv 24.15-16).
e ele os não repreendeu. Eli, tendo em conta a sua posição de sumo sacerdo-
te, deveriater tomado medidas para refrear os seus filhos logo que a repreensão
verbal tivesse comprovado sua ineficácia 12.29, nota; 2Sm 13.21, nota).
•3.14 nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com
oferta de manjares. Embora houvesse provisões para a expiação dos pecados
não intencionais dos sacerdotes (Lv 4.1-12). os pecados da casa de Eli desafia-
vam diretamente a Deus (Nm 15.30-31). Eles tinham desprezado os meios nor-
mais de expiação: os sacrifícios e as oferendas 12.17,29).
•3.18 É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver. Eli aceita humildemente a
sua rejeição, e confessa o direito de Deus em governar os assuntos dos homens.
Suas palavras estabelecem um padrão segundo o qual os personagens posterio-
res na narrativa deveriam ser julgados: Saul 120.30-31) e Davi 12Sm 15.25-26).
•3.19 o SENHOR era com ele. Da perspectiva dos livros de Samuel, é a presen-
ça de Deus com alguém que faz a diferença entre a vitória e o fracasso l 16.18;
18.12,14,28)
e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. Ver 9.6. Samu-
el, portanto, foi aprovado como verdadeiro profeta (Dt 18.21-22).
•3.20 desde Dá até Berseba ... profeta do SENHOR. Embora as responsa-
bilidades de Samuel como juiz o levariam a servir numa determinada área nas
1SAMUEL3, 4 318
4 confirmado como profeta do SENHOR. 21 Continuou o
SENHOR a aparecer em Siló, enquanto por usua palavra o
SENHOR se manifestava ali a Samuel.
Os filisteus 11encem os israelitas
4 Veio a palavra de Samuel a todo o 1 Israel. Israel saiu à pe-leja contra os filisteus e se acampou junto a ª Ebenézer; e
os filisteus se acamparam junto a Afeca. 2 bDispuseram-se os
filisteus em ordem de batalha, para sair de encontro a Israel;
e, travada a peleja, Israel foi 2 derrotado pelos filisteus; e estes
mataram, no campo aberto, cerca de quatro mil homens.
3 Voltando o povo ao arraial, disseram os anciãos de Israel:
Por que nos feriu o SENHOR, hoje, diante dos filisteus? cTraga-
mos de Siló a arca da Aliança do SENHOR, para que venha no
meio de nós e nos livre das mãos de nossos inimigos. 4 Man-
dou, pois, o povo trazer de Siló a arca do SENHOR dos Exérci-
tos, dentronizado entre eos querubins; !os dois filhos de Eli,
Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da Aliança de Deus.
A arca é tomada. Hofn.i e Fínéias são mortos
5 Sucedeu que, vindo a arca da Aliança do SENHOR ao ar-
raial, rompeu todo o Israel em grandes brados, e ressoou a
terra. 6 Ouvindo os filisteus a voz do júbilo, disseram: Que
voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então,
souberam que a arca do SENHOR era vinda ao arraial. 7 E se
atemorizaram os filisteus e disseram: Os deuses vieram ao
arraial. E diziam mais: g AI de nós! Que tal jamais sucedeu
.~~~~
antes. s Ai de nós! Quem nos livrará das mãos destes gran-
diosos deuses? São os deuses que feriram aos egípcios com
toda sorte de pragas no deserto. 9 hSede fortes, ó filisteus!
Portai-vos varonilmente, para que não venhais a ser escra-
vos dos hebreus, icomo eles serviram a vós outros! 3 Por-
tai-vos varonilmente e pelejai! to Então, pelejaram os filisteus;
iJsrael foi 4 derrotado, e cada um fugiu para a sua tenda; foi
grande a derrota, pois foram mortos de Israel trinta milho-
mens de pé. 11 Foi tomada a 1arca de Deus, e mmortos os
dois filhos de Eli, Hofni e Finéias.
A morte de Elí
12 Então, correu um homem de Benjamim, saído das filei-
ras, e, no mesmo dia, n chegou a Siló; trazia rasgadas as vestes
e ºterra sobre a cabeça. 13 Quando chegou, Eli estava Passen-
tado numa cadeira, 5 ao pé do caminho, olhando como quem
espera, porque o seu coração estava 6 tremendo pela arca de
Deus. Depois de entrar o homem na cidade e dar as novas,
toda a cidade prorrompeu em gritos. 14 Eli, ouvindo os gritos,
perguntou: Que alvoroço é esse? Então, se apressou o ho-
mem e, vindo, deu as notícias a Eli. 15 Era Elida idade de no-
venta e oito anos; os qseus olhos tinham 7 cegado, e já não
podia ver. 16 Disse o homem a Eli: Eu sou o que saí das fileiras
e delas fugi hoje mesmo. Perguntou-lhe Eli: rQue sucedeu,
meu filho? 17 Então, respondeu o que trazia as novas e disse:
Israel fugiu de diante dos filisteus, houve grande morticínio en-
tre o povo, e também os teus dois filhos, Hofni e Finéias, foram
4 Ou estabelecido 21 u 1 Sm 3.1,4
CAPÍTULO 4 1 ª 1Sm7.12 1 Conforme TM e T; LXX e V acrescentam E veio a acontecer naqu~les dias que os filisteus reuniram-se para lutar;
LXX acrescenta ainda contra Israel 2b1Sm 12.9 2Lit.ferido 3 CNm 10.35; Js 6.6-21 4 d Ex 25.18-21; 1Sm6.2; SI 80.1 eNm 7.89/lSm
2.12 7 gÊx 15.14 9 h 1Co 16.13 iJz 13.1; 1Sm14.21 3 Lit. Sede homens 10 iLv 26 17; Ot 28.15,25; 1 Sm 4.2; 2Sm 18.17; 19.8; 2Rs
14.12; 2Cr 25.22 4Lit.gravemente ferido 11 11Sm2.32; SI 78.60-61 m 1Sm2.34; SI 78.64 12 n2sm 1.2 °Js 7.6; 2Sm 13.19; 15.32; Ne
9.1; Jó 2.12 13P1Sm1.9; 4.18 5Conforme TM e V; LXXao lado da porta, vigiando a estrada ô tremendo com ansiedade 15q1Sm 3.2;
1Rs 14.4 1parado 16 r2sm 1.4
regiões montanhosas centrais (7 .15-17), sua reputação como profeta espalha-
va-se por "todo o Israel" (2Sm 3.1 O; 17.11; 24.25; 1Rs 4.25).
•3.21 Siló. Ver nota em 1.3.
•4.1 Veio a palavra de Samuel a todo o Israel. O episódio que começou com
a notícia a respeito da raridade da palavra do Senhor (3.1) termina com a notícia
da mudança introduzida pela escolha de Samuel para ser "profeta do SENHOR"
(3.20 e nota).
filisteus. Os filisteus são um dos "Povos do Mar" mencionados nos textos egíp-
cios desde os tempos de Ramessés Ili. Até o tempo dos juízes (Jz 3.31, 13-16),
os filisteus tinham se estabelecido ao longo das praias do Sul de Canaã, numa as-
sociação de cinco cidades: Asdode, Asquelom, Ecrom, Gate e Gaza (6.17; Jz 3.3).
Os filisteus tentavam freqüentemente expandir os seus territórios, e nos tempos
de Samuel e da monarquia inicial, estavam em conflito direto com os israelitas ao
norte e ao leste.
Ebenézer. Este pode ser um local arqueológico cerca de 3 km a leste de Afeca
(cf. v. 6). Ebenézer (que significa "Pedra de Socorro") é mencionada de novo em
5.1. A Ebenézer em 7.12 relembra essas primeiras referências (7 .12, nota), mas é
um lugar diferente, perto de Mispa.
Afeca. Afeca estava na extremidade sul da planície de Saram, cerca de 8 km da
praia do Mediterrâneo, perto da nascente do rio Yarquom (29.1). Estava entre as
cidades conquistadas por Josué (Js 12.18).
••tl \>ot que nos feriu o SENHOR. A pergunta dos anciãos é apropriada porre-
fletir a crença de que "do SENHOR é a guerra" 117.47). Não esperam uma respos-
ta, mas imediatamente põem em prática seu próprio plano.
Tragamos ... a arca. A convicção aparente dos anciãos de que a arca seria uma
garantia mágica da presença do Senhor é semelhante àquela dos filisteus (vs.
7-9). A salvação depende da livre iniciativa de Deus e da sua graça soberana, e
não das técnicas ou planos humanos 12Sm 15.25 e nota).
•4.4 SENHOR dos Exércitos. Ver nota em 1.3.
Hofni e Finéias. Com seus dois filhos ímpios (2.12-17,27-36) encarregados da
arca, não é de admirar que o coração de Eli estava "tremendo pela arca de Deus"
lv. 13)
•4.6 hebreus. Essa palavra ocorre pela primeira vez em Gn 14.13 como uma
descrição de Abraão. Documentos extrabíblicos do segundo milênio a.C. mencio-
nam um povo diverso e disseminado chamado "habiru." Isso tem levado a deba-
tes consideráveis a respeito da identidade desse povo com os hebreus bíblicos.
Os habiru pareciam ser uma classe de estrangeiros ou refugiados sem terra, que
sobreviviam ou por se empregarem como soldados ou agricultores ou por meio
de pilhagem.
•4.8 grandiosos deuses ... que feriram aos egípcios. O clamor dos filisteus
revela sua perspectiva politeísta, mas deixa pouca dúvida quanto ao impacto que
aquele evento teve sobre as nações em derredor (6.6; Js 2.9-11).
•4.1 O trinta mil. Ao invés de trazer alívio, os israelitas, na sua tentativa demani-
pular o Senhor visando seus próprios interesses, sofreram uma derrota ainda
maior (v. 2).
•4.11 Foi tomada a arca de Deus. Um evento tão surpreendente quanto desas-
troso, a perda da arca certamente deve ter feito tinir ambos os ouvidos (3.11 ).
mortos ... Hofni e Finéias. Em cumprimento de 2.34; 3.12.
•4.13 seu coração estava tremendo pela arca de Deus. Eli, anteriormente
repreendido por honrar mais aos seus filhos do que ao Senhor 12.29), agora de-
monstra mais preocupação pela arca de Deus do que pelos próprios filhos lvs.
17-18).
319 1SAMUEL4, 5
mortos, e a arca de Deus foi tomada. 18 Ao fazer ele menção
da arca de Deus, caiu Eli da cadeira para trás, junto ao portão,
e quebrou-se-lhe o pescoço, e morreu, porque era já homem
velho e pesado; e havia ele julgado a Israel quarenta anos.
19 Estando sua nora, a mulher de Finéias, grávida, e próxi-
mo o parto, ouvindo estas novas, de que a arca de Deus fora to-
mada e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se
e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram. 20 Ao expirar,
5 disseram as mulheres que a assistiam: Não temas, pois tiveste
um filho. Ela, porém, não respondeu, nem fez 8caso disso.
21 Mas chamou ao menino 1lcabô 9 , dizendo: "Foi-se a glória
de Israel. Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada e
por causa de seu sogro e de seu marido. 22 E falou mais: Foi-se
a glória de Israel, pois foi tomada a arca de Deus.
A arca na casa de Dagom
5 Os filisteus tomaram a arca de Deus e a levaram ªde Ebe-nézer a Asdode. 2 Tomaram os filisteus a arca de Deus e a
meteram na casa de bDagom 1 , junto a este. 3 Levantando-se,
porém, de madrugada os de Asdode, no dia seguinte, eis que
cestava caído Dagom com o rosto em terra, diante da arca do
SENHOR; tomaram-no e dtornaram a pô-lo no seu lugar. 4 Le-
vantando-se de madrugada no dia seguinte, pela manhã, eis
que Dagom jazia caído de bruços diante da arca do SENHOR;
ea cabeça de 2 Dagom e as duas mãos estavam cortadas sobre
o limiar; dele ficara apenas o tronco. s Por isso, os sacerdotes
de Dagom e todos os que entram no seu templo não lhe /pi-
sam o limiar em Asdode, até ao dia de hoje.
6 Porém ga mão do SENHOR castigou duramente os de
Asdode, e "os assolou, e os feriu de 1tumores3 , tanto em
Asdode como ino seu território. 7Vendo os homens de Asdo-
de que assim era, disseram: Não fique conosco a arca do
1Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós e sobre Da-
gom, nosso deus. B Pelo que enviaram mensageiros, e congre-
garam a si todos mos príncipes dos filisteus, e disseram: Que
faremos da arca do Deus de Israel? Responderam: Seja levada
a arca do Deus de Israel até nGate e, depois, de cidade em ci-
dade. E a levaram até Gate. 9 Depois de a terem levado, ºa
mão do SENHOR foi contra aquela cidade, com mui grande ter-
ror; pois feriu os homens daquela cidade, desde o pequeno
até ao grande; 4 e lhes nasceram tumores. to Então, enviaram
a arca de Deus a Ecrom. Sucedeu, porém, que, em lá chegan-
do, os ecronitas exclamaram, dizendo: Transportaram até nós
a arca do Deus de Israel, para nos matarem, a nós e ao nosso
• 20 SGn 35.16-19 Bprestou atenção a isso 21 llSm 14.3 us126.8; 78.61 ºLitl~ng~/o~,é~io~~~~~-
CAPÍTULO 5 1 a 1Sm 4.1; 7.12 2 bl Cr 10.8-10 I Um ídolo filisteu 3 CJs 19.1; 46.1-2 dls 46.7 4 eMq 1 7 2Conforme LXX, S, Te V;
TM Dagon, lit. o peixe, ou seja, o tronco em forma de peixe S !SI 1.9 6 gÊx 9.3h1 Sm 6.5 iDt 28 27; SI 78.66 i Js 15.46-47 3Provavel-
mente peste bubônica. LXX e V acrescentam E no meio de seu país surgiram ratos e houve um grande pânico de morte na cidade 7 i 1 Sm 6.5
8 m 1 Sm 6.4 n Js 11.22 9 o Dt 2.15 4 V e eles tiveram tumores em suas partes secretas
•4. 18 menção da arca de Deus. Não foram as más notícias das perdas pesa-
das sofridas pelos israelitas. nem a notícia da morte dos seus próprios filhos (v
17). mas a informação de que a arca de Deus tinha sido tomada foi o motivo que
desencadeou a reação que resultou na morte do próprio Eli.
havia ele julgado a Israel. Não há nenhuma contradição necessária quando Eli
é descrito tanto como sacerdote quanto como juiz (Dt 17.8-12; 19.17; 1Cr23.2-4;
2Cr 19.8; Ez 44 24). ':Julgado" associa-o com os líderes que Deus suscitou entre a
morte de Josué e a instituição da monarquia.
quarenta anos. A liderança de Eli, de duração de quarenta anos. deve ter coinci-
dido parcialmente com as façanhas de Sansão (Jz 13-16) e possivelmente
também com a atividade dos juízes mencionados em Jz 12.8-15.
•4.21 lcabô ... Foi-se a glória. A esposa de Finéias, ao morrer, dá ao seu re-
cém-nascido o nome de lcabô, que significa tanto: "Nenhuma glória" quanto
"Onde está a glória?" (2.29, nota). Conforme deixa claro o v. 22, a "glória" à qual
ela se refere não é primariamente a casa de Eli, mas a arca de Deus, que agora se
encontrava perdida. Ver também nota em 14.3.
•5.1 Ebenézer. Ver 4.1, nota.
Asdode. Uma das cinco cidades filistéias principais (4.1 ). Asdode fica cerca de
80 km ao sul de Ebenézer e 4 km afastada da costa do Mediterrâneo. A ocupação
de Asdode pelos filisteus é atestada arqueologicamente já nos séculos XII e XI
a.C No período do Novo Testamento, o local era chamado Azoto (At 840).
•5.2 na casa de Dagom. No Oriente Médio antigo, o exército vitorioso levava
os deuses dos derrotados e os depositava no templo dos seus próprios deuses
como sinal da inferioridade e subordinação dos deuses conquistados. Embora a
arca de Deus não fosse um ídolo, foi tratada assim pelos filisteus.
Dagom. Uma deidade de destaque entre os filisteus. bem como na Mesopotâ-
mia, na Síria e na Fenícia, desde os meados do terceiro milênio a.C. Dagom era
considerado em tempos passados um deus-peixe por causa da semelhança en-
tre o nome Dagom e a palavra hebraica dag, que significa "peixe." Agora parece
mais provável que esse nome deva estar associado com a palavra hebraica da-
gan, que significa "grão,'' de modo que Dagom seria um deus da agricultura ou da
fertilidade. Dagom parece ter sido chefe do panteão filisteu (Jz 16.23; 1Cr10.1 O).
que incluía a deusa Astarte (plural Astarote) (31.8-1 O) e o deus Baal-Zebul ("O
Príncipe Baal"). Baal-Zebul era adorado em Ecrom, e seu nome era distorcido in-
ternacionalmente pelos israelitas para formar Baal-Zebube !''senhor das mos-
cas"; 2Rs 1.1-6. 16). A adoração de Dagom é atestada ainda no período macabeu
(século li a C.; 1 Macabeus 10.83-84)
•5.3 Dagom com o rosto em terra. A deidade supostamente vitoriosa está em
posição de prestar homenagem à deidade aparentemente vencida (v. 2, nota).
•5.4 cabeça ... mãos estavam cortadas. O dano específico ao ídolo deve ser
entendido à luz da prática comum na antiguidade de cortar a cabeça e as mãos
dos inimigos mortos (Jz 7.25; 8.6; 1Sm 17.54; 31.9; 2Sm 4.12).
•5.5 pisam no limiar. Os limiares estão freqüentemente investidos com signifi-
cado especial, e a prática de não pisar no limiar de um lugar sagrado era conheci-
da. senão mesmo aprovada, em Israel (SI 1.9). Ligar o costume dos sacerdotes
de Dagom com esse incidente humilhante talvez visasse ridicularizá-los mais do
que transmitir informações a respeito da sua prática ritual.
até ao dia de hoje. Essa frase sugere um intervalo significativo de tempo entre o
evento e o seu relato (cf. 6.18).
•5.6 a mão do SENHOR castigou duramente. Ver v. 11 e as notas nos vs. 1,4;
2.9. O Senhor não é domado por amigos nem inimigos Recusando-se a ser mani-
pulado por Israel. Deus revelou a sua presença no território dos inimigos de Israel
(4.21 ). Ali, ele demonstrou a sua soberania e levou os filisteus a sentirem o peso
da sua mão em julgamento.
tumores. A explicação mais plausível para os tumores é a de que eram sintomas
da peste bubônica. transmitida por roedores.
•5.8 os príncipes dos filisteus. Parece haver referência aos governantes de
uma aliança filistéia (4.1, nota). que podiam cooperar entre si em temposde
emergência.
Gate. É debatida a localização de Gate, mas a melhor candidata é Tell es-Safi,
cerca de 20 km ao leste de Asdode. É possível que o plano dos filisteus fosse o de
remover a arca para outra cidade na esperança de que a peste não irrompesse ali,
e assim poder comprovar que era por mera coincidência que a peste tinha sucedi-
do em Asdode. Essa esperança foi dramaticamente esmagada (v. 9).
•5. 1 O os ecronitas exclamaram. Após a experiência fracassada em Gate, o
povo de Ecrom. pelo menos, já não tem dúvidas a respeito dos perigos de ficar com
a arca (v. 8. nota). Ecrom ficava 8 km imediatamente ao norte de Gate. e das cida-
des principais do filisteus, era aquela que ficava mais perto do território israelita.
l
1SAMUEL5, 6 320
povo. 11 Então, enviaram mensageiros, e congregaram a to-
dos os príncipes dos filisteus, e disseram: Devolvei a arca do
Deus de Israel, e torne para o seu lugar, para que não mate
nem a nós nem ao nosso povo. Porque havia terror de morte
em toda a cidade, e a mão de Deus castigara duramente ali.
12 Os homens que não morriam eram atingidos com os tumo-
res; e Po clamor da cidade subiu até ao céu.
Os filisteus enYiam a arca para/ora da sua terra
6 Sete meses esteve a arca do SENHOR na terra dos filisteus. 2 Estes ªchamaram os sacerdotes e os adivinhadores e
lhes disseram: Que faremos da arca do SENHOR? Fazei-nos sa-
ber como a devolveremos para o seu lugar. 3 Responderam
eles: Quando enviardes a arca do Deus de Israel, não a envieis
bvazia, porém enviá-la-eis a seu Deus com cuma oferta pela
culpa; então, sereis curados e sabereis por que a sua mão se
não tira de vós. 4 Então, disseram: Qual será a oferta pela cul-
pa que lhe havemos de apresentar? Responderam: Segundo o
número dos príncipes dos filisteus, d cinco tumores de ouro e
cinco ratos de ouro, porquanto a praga é uma e a mesma so-
bre todos / vós e sobre todos os vossos príncipes. 5 Fazei umas
imitações dos vossos tumores e dos vossos ratos, que e andam
destruindo a terra, e f dai glória ao Deus de Israel; porventura,
8aliviará2 a sua mão de cima de vós, e hdo vosso deus, e da
vossa terra. 6 Por que, pois, endureceríeis o coração, icomo
os egípcios e Faraó endureceram o coração? Porventura, de-
pois de os haverem tratado tão mal, !não os deixaram ir, e eles
não se foram? 7 Agora, pois, fazei 1um carro novo, tomai duas
• 12P1Sm9.16;Jr14.2
vacas com crias, msobre as quais não se pôs ainda jugo, e
atai·as ao carro; seus bezerros, levá-los-eis para casa. 8 Então,
tomai a arca do SENHOR, e ponde-a sobre o carro, e metei num
cofre, ao seu lado, nas figuras de ouro que lhe haveis de entre-
gar como oferta pela culpa; e deixai-a ir. 9 Reparai: se subir
pelo caminho rumo do seu território a ªBete-Semes, foi ele
que nos 3 fez este grande mal; e, se não, Psaberemos que não
foi a sua mão que nos feriu; foi casual o que nos sucedeu.
A arca chega a Bete-Semes
10 Assim fizeram aqueles homens, e tomaram duas vacas
com crias, e as ataram ao carro, e os seus bezerros encerra-
ram em casa. 11 Puseram a arca do SENHOR sobre o carro,
como também o cofre com os ratos de ouro e com as imita-
ções dos tumores. 12 As vacas se encaminharam diretamente
para Bete-Semes e, andando e berrando, segulam sempre por
esse mesmo qcaminho, sem se desviarem nem para a direita
nem para a esquerda; os príncipes dos filisteus foram atrás de-
las, até ao território de Bete-Semes.
13 Andavam os de Bete-Semes fazendo ra sega do trigo
no vale e, levantando os olhos, viram a arca; e, vendo-a, se
alegraram. 14 O carro veio ao campo de Josué, o bete-
semita, e parou ali, onde havia uma grande pedra; fenderam
a madeira do carro e ofereceram as vacas ao SENHOR, em ho-
locausto. 15 Os levitas desceram a arca do SENHOR, como
também o cofre que estava junto a ela, em que estavam as
obras de ouro, e os puseram sobre a grande pedra. No mes-
mo dia, os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e
CAPÍTULO 6 2 ª Gn 41.8; Êx 7.11; Is 2.6; 47.13; Dn 2.2; 5.7 3 b Êx 23.15; Dt 16.16 e Lv 5.15-16 4d1 Sm 5.6,9, 12; 6.17 1 Lit. eles
5 e1sm 5.6.(Js 7.19; 1Cr 16.28-29; Is 42.12; Jr 13.16; MI 2.2; Ap 14.7 g1Sm 5.6,11; SI 39.10h1Sm 5.3-4,7 2moderará 6 iÊx 7.13; 8.15;
9.34; 14.17 JEx 12.31 7 i2Sm 6.3 mNm 19.2; Dt 21.3-4 8n1Sm 6.4-5 9 o Js 15.10; 21.16P1Sm 6.3 3fezesta calamidade para nós
12 QNm 20.19 13r1sm12.17
•5.11 Devolvei a arca. Os ecronitas, não podendo suportar estar debaixo da
forte "mão do SENHOR" (v 6, nota). agora imploram para que a arca seja devolvida
"para o seu lugar."
•6. 1 Sete meses. Os eventos registrados no capítulo anterior aconteceram, não
em questão de dias, mas de meses. O número sete freqüentemente significa in-
tegralidade.
•6.2 adivinhadores. Juntamente com a feitiçaria e a magia (Nm 23.23). a adivi-
nhação era explicitamente condenada em Israel (Dt 18.1O,14; Jr 27.9; Ez 13.23).
Era praticada por alguns dos vizinhos de Israel (Nm 22.7; Ez 21.21 ).
Que faremos. Eles tinham o mesmo problema que havia confrontado o povo de
Asdode (5.8). Tentar mudar a arca de lugar em lugar do território filisteu fracas-
sou, e tomou-se claro que a única solução era devolver a arca a Israel.
•6.3 oferta pela culpa. A oferta visa reconhecer a culpa e compensar pelo deli-
to de roubar a arca (v. 4).
•6.5 Fazei umas imitações dos vossos tumores. O procedimento adotado
pelos filisteus tinha vários propósitos. O ouro usado para os modelos era um tipo
de indenização por terem roubado a arca (v. 4). ao passo que as imitações dos tu-
mores e dos ratos eram, provavelmente, uma forma de magia. O propósito decla-
rado pelos filisteus, porém, era "dar glória" ao Deus de Israel: Com essa
proclamação, a narrativa da arca quase completa o seu circuito. Foi porque Israel
deixara de honrar o Senhor e de lidar corretamente com a arca que Deus a remo-
vera do seu povo.
do vosso deus. O tratamento opressivo que o Senhor aplicou aos deuses dos fi-
listeus é como seu tratamento aos "deuses do Egito" (Êx 12.12). Conforme indica
o versículo seguinte, os próprios filisteus perceberam essa comparação.
•6.6 Por que, pois, endureceríeis o coração. Formas da palavra hebraica
traduzida por "endurecer" nesta frase acham-se freqüentemente na história da
rejeição do sacerdócio de Eli e da perda da arca. Noutros contextos, a palavra é
traduzida por "glória" (v. 5; 4.21). e "honra" (ver 2.29 e nota).
depois de os haverem tratado tão mal. Ou "abusado deles", ou "feito grandes
coisas entre eles." A mesma expressão é usada em 31.4; Êx 10.2; Jr 38.19.
•6. 7-9 Um texto antigo de ritual heteu revela alguns paralelos com o procedi-
mento descrito nestes versículos. No ritual heteu, o alívio de uma peste que, se-
gundo se pensava, tinha sido causada por algum deus inimigo é buscado através
da coroação cerimonial de um carneiro a fim de pacificar o deus inimigo, para en-
tão tanger o carneiro ao longo de uma estrada que leva ao território inimigo. Na
versão filistéia, o motivo de escolher vacas que nunca tinham sido submetidas ao
jugo e de separá-las dos seus bezerros parece ser para garantir que, se as vacas
realmente seguissem na direção de Israel, não seria por causas naturais, nem por
coincidência, mas pela influência do Deus de Israel.
•6.9 Bete-Semes. Lit. "Casa do Sol." Um entre vários lugares em Israel com
este nome, esta Bete-Semes tem sido identificada com Te// er-Rumeileh, uns 12
km ao leste de Ecrom (5.1 O, nota). Bete-Semes era uma cidade fronteiriça (v. 12;
Js 15.1 O). freqüentemente sendo disputada por filisteus e israelitas (2Cr 28.18).
•6.12 andando e berrando. Obviamente não contentes em deixarem seus be-
zerros para trás, as vacas nem por isso se desviaram do seu caminho ordenado
por Deus.
•6.13 a sega do trigo. Ver 12. 17, nota.
•6. 14 Josué, o bete-semita. Embora esse Josué não seja mencionado noutra
parte da Bíblia, seu campo e a grande pedra nele localizadaeram aparentemente
bem conhecidos na ocasião em que foi escrita a presente narrativa (v. 18).
holocausto. Ver nota em 10.8.
•6.15 levitas. Bete-Semes era atribuída aos levitas; especificamente aos des-
cendentes de Arão (Js 21.16).
321 1SAMUEL6, 7
imolaram sacrifícios ao SENHOR. 16 Viram aquilo os s cinco
\)rínci\)es dos filisteus e voltaram para Ecrom no mesmo dia.
17 1São estes, pois, os tumores de ouro que enviaram os filis·
teus ao SENHOR como oferta pela culpa: por Asdode, um; por
Gaza, outro; por Asquelom, outro; por "Gate, outro; por
Ecrom, outro; 18 como também os ratos de ouro, segundo o
número de todas as cidades dos filisteus, pertencentes aos
cinco príncipes, desde as cidades fortes até às aldeias cam·
pestres. A grande pedra, sobre a qual puseram a arca do
SENHOR, está até ao dia de hoje no campo de Josué, o bete·
semita.
A arca chega a QuiriateJearim
19 vFeriu o SENHOR os homens de Bete-Semes, porque
olharam para dentro da arca do SENHOR, sim, xferiu4 deles
setenta homens; então, o povo chorou, porquanto o SENHOR
fizera tão grande morticínio entre eles. 20 Então, disseram
os homens de Bete-Semes: zouem poderia estar perante o
SENHOR, este Deus santo? E para quem subirá desde nós?
21 Enviaram, pois, mensageiros aos habitantes de ªOui-
riate-Jearim, dizendo: Os filisteus devolveram a arca do
SENHOR; descei, pois, e fazei-a subir para vós outros.
7 Então, vieram os homens de ªOuiriate-Jearim e levaram a arca do SENHOR à casa de b Abinadabe, no outeiro; e
e consagraram Eleazar, seu filho, para que guardasse a arca do
SENHOR.
Exortação de Samuel ao arrependimento
2 Sucedeu que, desde aquele dia, a arca ficou em Ouiria·
te-Jearim, e tantos dias se passaram, que chegaram a vinte
anos; e toda a casa de Israel dirigia lamentações ao SENHOR.
J Falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: dSe é de todo
o vosso coração que voltais ao SENHOR, e tirai dentre vós os deu-
ses estranhos e !os astarotes 1 , e gpreparai o coração ao
SENHOR, e hservi a ele só, e ele vos livrará das mãos dos filis-
teus. 4 Então, os filhos de Israel tiraram dentre si ;os baalins e
os astarotes2 e serviram só ao SENHOR.
Os filisteus são vencidos
5 Disse mais Samuel: iCongregai todo o Israel em Mispa,
e 'orarei por vós ao SENHOR. 6 Congregaram-se em Mispa,
muraram água e a derramaram perante o SENHOR; njejuaram
aquele dia e ali disseram: ºPecamos contra o SENHOR. E Sa-
muel julgou os filhos de Israel em Mispa.
7 Quando, pois, os filisteus ouviram que os filhos de
Israel estavam congregados em Mispa, subiram os prínci-
pes dos filisteus contra Israel; o que ouvindo os filhos de
Israel, tiveram medo dos filisteus. B Então, disseram os fi-
lhos de Israel a Samuel: PNão cesses de clamar ao SE-
NHOR, nosso Deus, por nós, para que nos livre da mão dos
filisteus. 9 Tomou, pois, Samuel qum cordeiro que ainda
mamava e o sacrificou em holocausto ao SENHOR; 'Cla-
mou Samuel ao SENHOR por Israel, e o SENHOR lhe respon-
deu. 10 Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os
filisteus chegaram à peleja contra Israel; smas trovejou o
SENHOR aquele dia com grande estampido sobre os filis·
teus e os aterrou de tal modo, que foram derrotados dian-
te dos filhos de Israel. 11 Saindo de Mispa os homens de
Israel, perseguiram os filisteus e os 3 derrotaram até abaixo
de Bete-Car.
• 16 sJs 13.3 1711Sm6.4u1 Sm 5.8 19 VÊx 19.21 x2sm 6.7 4Qu Ele feriu setenta homens do povo e cinqüenta bois de um homem; ou feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens 20 ZMI 3.2 21 a 1Cr 13.5-6 CAPÍTULO 7 1 a 1Sm6.21 b2Sm 6.3-4 Clv 21.8 3 düt 30.2-10 eGn 35.2/Jz 2.13 g Jó 11.13 h Lc 4.8 /imagens de deusas cananitas
4 i Jz 2.11; 10.16 2 Imagens de deusas cananitas 5 i Jz 10.17; 20.1 11Sm 12.17-19 6 m 2Sm 14.14 n Jz 20.26; Ne 9.1-2; Dn 9.3-5; JI
2.12 o Jz 10.10; 1Sm 12.1 O; 1Rs 8.47; SI 106.6 8P1Sm12.19-24; Is 37.4 9 Hv 22.27r1Sm 12.18; SI 99.6; Jr 15.1 10 s Js 10.10;
2Sm 22.14-15; SI 18.13-14 11 3 feriram gravemente
e os puseram sobre a grande pedra. Essa rocha foi usada como um pedestal
para a arca e os objetos de ouro. e não como um altar improvisado.
•6. 18 até ao dia de hoje. Ver nota no v. 14.
•6.19 olharam para dentro da arca. Ver Nm 4.5.20. O manuseio presunçoso
da arca levara à sua perda. e um delito semelhante deve agora ser castigado na
ocasião da sua devolução. O problema de manusear a arca de modo impróprio
surgirá de novo em 2Sm 6.
•6.20 Quem poderia estar. Cf. Êx 9 .11 .
•6.21 Qui~earim. Localizada uns 15 km ao nordeste de Bete-Semes, Oui-
riate-Jearim também é chamada Ouiriate-Baal (Js 15.60; 18.14). Baalá (Js 15.9),
e Baalá de Judá (2Sm 6.2).
•7.2 vinte anos ... lamentações ao SENHOR. À luz da referência de Samuel a
"deuses estranhos" entre os israelitas (v. 3). parece que foi somente no fim des-
ses ~inte anos que Israel começou a buscar o Senhor.
•7.3 preparai o coração ao SENHOR ... e ele vos livrará. O ciclo da apostasia,
da opressão. do arrependimento e do livramento que era tão típico em Juízes (Jz
3. 7-9) é repetido nos eventos deste capítulo.
•7.4 os baalins e os astarotes. Ver notas em 5.2; 31.10.
•7.5 Mispa. Uma cidade em Benjamim, quase 12 km ao norte de Jerusalém e
13 km ao nordeste de Ouiriate-Jearim. Mispa desempenhou um papel de desta-
que em Israel antes da monarquia (10.17; Jz 20.1; 21.1,5,8) Era uma das para-
das regulares no circuito de Samuel (v. 16). O nome, que significa algo como
"lugar de vigia," subentende um ponto alto estratégico para ver a circunvizinhan-
ça. e foi dado a vários locais lp. ex., 22.3).
•7.6 tiraram água e a derramaram perante o SENHOR. Embora essa ação
não tenha paralelo em outros trechos das Escrituras, parece significar arrependi-
mento e, juntamente com o jejum, o desejo de buscar a Deus com sinceridade
(cf. 1.15; SI 62.8; Lm 2.19). A ação de Davi em 2Sm 23.16 ocorre num corrtexto
diferente e tem um significado diferente.
Pecamos contra o SENHOR. As palavras e as ações (v. 4) dos isráelitas dão evi-
dência do verdadeiro arrependimento. O tempo já está próximo para o Senhor li-
bertar seu povo dos seus opressores filisteus. A reação dos filisteus diante dessa
convocação em Mispa lv. 7) oferece uma oportunidade para esse livramento.
•7.8 clamar ao SENHOR. Em Juízes, "clamar" ao Senhor era atendido mediante
um libertador que o Senhor suscitaria (Jz 3.9, 15). Aqui, as funções de Samuel são
as de intercessor e intermediário, enquanto a vitória é claramente obra do Senhor
(v. 10).
•7.9 holocausto. Ver nota em 10.8.
•7.10 trovejou o SENHOR ... sobre os filisteus. Essa declaração relembra dra-
maticamente as palavras que Ana proferira anteriormente: "Os que contendem
com o SENHOR são quebrantados; dos céus troveja contra eles" (2.1 O; cf. 2Sm
22.14). Essas palavras de Ana foram imediatamente antecedidas por esta decla-
ração dela: "o homem não prevalece pela força" (2.9). A força humana pesa pou-
co na balança quando o Senhor resolve agir.
•7.11 Bete-Car. Sua localização é desconhecida.
l
1
1 SAMUEL 7, 8 322
12 1Tomou, então, Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e
Sem, e lhe chamou 4Ebenézer, e disse: Até aqui nos ajudou o
SENHOR. 13 u Assim, os filisteus foram abatidos e vnunca mais
vieram ao território de Israel, porquanto foi a mão do SENHOR
contra eles todos os dias de Samuel. 14 As cidades que os filis-
teus haviam tomado a Israel foram-lhe restituídas, desde
Ecrom até Gate; e até os territórios delas arrebatou Israel das
mãos dos filisteus. E houve paz entre Israel e os amorreus.
15 E xjuJgou Samuel todos os dias de sua vida a Israel.
16 De ano em ano, fazia uma volta, passando por Betel, Gilgal
e Mispa; e julgava a Israel em todos esses lugares. 17 Porém
zvoltava a Ramá, porque sua casa estava ali, onde julgava a
Israel e onde ªedificou um altar ao SENHOR.
4 Então, os anciãos todos de Israel se congregaram, e vie-
ram a Samuel, a Ramá,s e lhe disseram: Vê, já estás velho, e
teus filhos não andam pelos teus caminhos; 8constitui-nos,
pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o
têm todas as nações. 6 Porém esta palavra hnão agradou a Sa-
muel, quando disseram: Dá·nos um rei, para que nos gover-
ne. Então, Samuel ; orou ao SENHOR. 7 Disse o SENHOR a
Samuel; Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois
inão te rejeitou a ti, 1mas a mim, para eu não reinar sobre ele.
8 Segundo todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do
Egito até hoje, pois a mim me deixou, e a outros deuses ser-
viu, assim também o faz a ti. 9 Agora, pois, atende à sua voz,
porém adverte-o solenemente e mexplica-lhe qual será o di-
reito do rei que houver de reinar sobre ele.
Os israelitas pedem um rei to Referiu Samuel todas as palavras do SENHOR ao povo,
8 Tendo Samuel ªenvelhecido, bconstituiu seus cfilhos por que lhe pedia um rei, li e disse: nEste será o direito do rei que juízes sobre Israel. 2 O primogênito chamava-se Joel, e o houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos ºfilhos e os
segundo, Abias; e foram juízes em Berseba. 3 Porém seus filhos empregará no serviço dos Pseus carros e como seus cavalei-
dnão andaram pelos caminhos dele; antes, ese inclinaram à ros, para que corram adiante deles; 12 e qos porá uns por capi-
avareza, e /aceitaram subornos, e perverteram o direito. tães de mil e capitães de cinqüenta; outros para lavrarem os
·~--~~--- -------------~- ~~ ~~---
12 lj3n 28.18; 35.14; Js 4.9; 24.26 4 Lit. Pedra de Ajuda 13 u Jz 13.1 v 1 Sm 13.5 \5x1Sm 1l 11 17z1 Sm 8.4 ª Jz 21.4
CAPITULO 8 1a1Sm 12.2 b Dt 16.18-19; 2Cr 19.5 e Jz 10.4 3 d Jr 22.15-17 e Ex 18.21 /Ex 23.6-8; Dt 16.19; 1Sm 12.3 5 80t
17.14-15; Os 13.10-11, At 13.21 6 h 1Sm 12.17 i 1Sm 7.9 7 ! Êx 16.8 11Sm 10.19 9 m 1Sm 8.11-18 11 n Dt 17.14-20 o 1Sm
14.52P2Sm 15.1 12 q1Sm 22.7
•7.12 Ebenézer. Um local diferente daquele mencionado em 4.1 Inata) e em
5.1; mesmo assim. chamar este local de Ebenézes não deixa de relembrar o epi-
sódio anterior quando. então, os israelitas tentaram manipular seu Deus ao levar a
arca à batalha, só para serem totalmente derrotados. Agora, Deus lhes deu uma
grande vitória sobre os mesmos inimigos. Samuel levanta uma pedra memorial
com o nome de Ebenézer !"Pedra de Socorro"). não somente para comemorar a
Mar
Mediterrâneo
? L~calização incerta
--
\ ... '< .. ._,,--..'-_/'
o \ 30 mi
vitória. mas também como lembrete dos resultados diferentes trazidos pela pre-
sunção, por um lado. e pelo arrependimento. por outro.
Até aqui nos ajudou o SENHOR. A expressão significa que o Senhor tinha esta-
do com Elles por toda a caminhada "até este lugar." ou "até este momento."
• 7 .13 nunca mais vieram ao território de Israel. A referência aqui é quanto à
situação tática e não à posterior história de Israel. Os filisteus foram derrotados de
modo convincente e não tentaram nenhum contra-ataque !compare 2Sm 2.28
com 3.1; também 2Rs 6.23 com 6.241. mas isso não exclui agressões filistéias
'subseqüentes 19.16; 10.5; 13.3; 14.52)
foi a mão do SENHOR contra eles. O que Deus fizera enquanto a arca esteve no
território dos filisteus 15.4.6; 6.5 e notas). ele agora continua mediante a liderança
de Samuel. No decurso da vida de Samuel, Deus continuou a dar a Israel a vitória.
embora as batalhas às vezes fossem renhidas 114.52). A derrota narrada no cap.
31 veio somente depois da morte de Samuel 125 1)
•7.16 Betel. 16 km ao norte de Jerusalém.
Gilgal. Gilgal ficava. provavelmente, no vale do Jordão. perto de Jericó IJs 5.1 O).
Mispa. Ver nota em 7.5.
•7.17 Ramá. Vernota em 1.1.
•8.5 constitui-nos, pois, agora, um rei. Os motivos apresentados pelos an-
ciãos para desejarem um rei, embora fossem aceitáveis em si mesmos !segundo
confirma o narrador nos vs. 1-3). são realmente um pretexto; o que realmente
queriam era ser "como todas as nações" (ct. v. 20).
•8.7 não te rejeitou a li. Posto que os anciãos colocam seu pedido em termos
de "um rei. .. para que nos governe" (v. 5, nota), Samuel inicialmente interpreta
essa petição em termos de um ataque contra sua própria liderança lv. 6). Mas o
Senhor lhe indica que a afronta é muito mais grave do que isso.
rejeitou ... a mim. O ultraje no pedido dos anciãos acha-se não no conceito da
monarquia humana por si só. pois havia muito tempo desde que a monarquia em
Israel tinha sido prevista 12.1 O, nota) mas. sim, no rompimento do relacionamento
pactuai com Deus. O pecado deles foi o de rejeitar a Deus como seu Rei. e de
O ministério de Samuel
Em Siló, Deus chamou Samuel para ser seu servo e profeta. Na
função de juiz, Samuel visitou anualmente Betel, Gilgal e Mispa. Em
0 30 km Gilgal, Samuel renovou a aliança do reino com Israel e estabeleceu ~----'------------------'-----J Saul como rei.
· ..
323 1SAMUEL8, 9
seus campos e ceifarem as suas messes; e outros para fabrica-
rem suas armas de guerra e o aparelhamento de seus carros.
13 Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e pa-
deiras. 14 'Tomará o melhor das vossas lavouras, e das vossas
vinhas, e dos vossos olivais e o dará aos seus servidores. ts As
vossas sementeiras e as vossas vinhas dizimará, para dar aos
seus oficiais e aos seus servidores. 16 Também tomará os vos-
sos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores 1 jovens, e
os vossos jumentos e os empregará no seu trabalho. 17 Dizi-
mará o vosso rebanho, e vós lhe sereis por servos. 18 Então,
naquele dia, clamareis por causa do vosso rei que houverdes
escolhido; mas o SENHOR 5não vos ouvirá naquele dia.
19 Porém o povo 1não atendeu à voz de Samuel e disse:
Não! Mas teremos um rei sobre nós. 20 Para que sejamos tam-
bém u como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos,
sair adiante de nós e fazer as nossas guerras. 21 Ouvindo,
pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu perante o
SENHOR. 22 Então, o SENHOR disse a Samuel: v Atende à sua
voz e estabelece-lhe um rei. Samuel disse aos filhos de Israel:
Volte cada um para sua cidade.
Saul busca as jumentas extraviadas
e vai ter com Samuel
9 Havia um homem de Benjamim, cujo nome era ªQuis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de
Afias, benjamita, homem de 1 bens. 2 Tinha ele um filho cujo
nome era Saul, moço e tão belo, que entre os filhos de lsrael
não havia outro mais belo do que ele; bdesde os ombros para
cima, sobressaía a todo o povo. 3 Extraviaram-se as jumentas
de Quis, pai de Saul. Disse Quis a Saul, seu filho: Toma agora
contigo um dos moços, dispõe-te e vai procurar as jumentas.
4 Então, atravessando a região montanhosa de Efraim e a ter-
ra de csalisa, não as acharam; depois, passaram à terra de Saa-
lim; porém elas não estavam ali; passaram ainda à terra de
Benjamim; todavia, não as acharam.
5Vindo eles, então, à terra de dZufe, Saul disse para o seu
moço, com quem ele ia: Vem, e evoltemos; não suceda que
meu pai deixe de preocupar-se com as jumentas e se aflija por
causa de nós. 6 Porém ele lhe disse: Nesta cidade há !um
homem de Deus, e é muito estimado; gtudo quanto ele diz
sucede; vamo-nos, agora, lá; mostrar-nos-á, porventura, o
caminho que devemos seguir. 7 Então, Saul disse ao seu
moço: Eis, porém, se lá formos, hque levaremos, então,
àquele homem? Porque o pão de nossos alforjes se acabou, e
presente não temos que levar ao homem de Deus. Que
temos? 8 O moço tornou a responder a Saul e disse: Eis que
tenho ainda em mãos um quarto de siclo de prata, o qual
darei ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho.
9 (Antigamente, em Israel, iindo alguém 2consultar a Deus,
dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao profeta de
hoje, antigamente, se chamava ividente.) to Então, disse Saul
ao moço: 3 Dizes bem; anda, pois, vamos. E foram-se à cidade
• 14 '1As21.7; [Ez46.18]
Os 13.11
16 1 IY.Xrebanhos 18spy1.25-28; Is 1.15; Mq 3.419 tis 66.4; Jr 44.16 20u1Sm 8.5 22 v1sm 8.7;
CAPÍTULO 9 ia 1 Sm 14.51; 1 Cr 8.33; 9.36-39 1 poder ou riqueza 2 b 1 Sm 10.23 4 e 2As 4.42 5 d 1 Sm 1.1 e 1 Sm 10.2 6/Dt
33.1; 1Rs 13.1; 2As 5.8 g1Sm3.19 7 h Jz 6.18; 13.17; 1As14.3; 2As 4.42; 8.8 9 iGn 25.22 i2Sm 24.11; 2As 17.13; 1Cr26.28; 29.29; 2Cr
16 7-10; Is 30.10; Am 7.12 2Lit. buscara Deus 10 3Ut. Tua palavra é boa
querer, em seu lugar, um monarca humano (10.19; 12.12-20; contrastar a recusa
de Gideão em Jz 8.23).
•8.1 O que lhe pedia um rei. Pela segunda vez em 1 Samuel, um indivíduo é "pe-
dido." O indivíduo concedido como resposta ao primeiro pedido foi Samuel (1.20,
nota), e é Saul (cujo nome é baseado na raiz hebraica que significa "pedir") que
será dado como resposta ao segundo pedido.
•8.11 Este será o direito do rei. Os vizinhos cananeus de Israel, bem como
muitos dos reis israelitas, foram culpados de práticas opressivas como aquelas
que são descritas nos vs. 11-17.
carros. Ver 2Sm 8.4; 15.1; 1 Rs 4.26; 1026-29.
corram adiante deles. Compare as ações de Absalão, em 2Sm 15.1, com Ado-
nias, em 1 As 1.5.
•8.14 lavouras ... vinhas. Ver nota em 22.7.
•8, 15-17 dizimará. As exigências do rei ou tirarão daquilo que pertence ao Se-
nhor (Lv 27.30-32; Dt 14.22.28). ou criarão um novo fardo de impostos para os
seus súditos.
•8.18 vosso rei. Ver 12.13 e contrastar com 16.1.
mas o SENHOR não vos ouvirá. A julgar pelas conseqüências, rejeitar o Senhor
em favor de um rei humano é o equivalente moral e religioso de abandonar o Se-
nhor a fim de servir a outros deuses \Jz 1 O .1O-14)
•8.20 como todas as nações. Ver nota no v. 5.
fazer as nossas guerras. A serem contrastadas com "as guerras do SENHOR"
(18.17; 25.28)
•8.22 Atende à sua voz e estabelece-lhe um rei. A acolhida pelo Senhor do
pedido pecaminoso do povo a essas alturas da narrativa deixa o leitor perplexo. Se é
pecaminoso esse desejo do povo que pede um rei, e se equivale a rejeitar Deus
como rei {vs. 7, 18 e notas). como Deus pode concedê-lo? Uma resposta acha-se
nos padrões de monarquia aceitável que o Senhor estabelecerá. Deus está gracio-
samente disposto a dar ao povo um rei, e até mesmo a abençoá-lo, mas não o tipo
de rei que o povo tem em mente {10.1,7-8 e notas). Ao mesmo tempo, por terem
adotado a monarquia em incredulidade, vieram a padecer debaixo de reis como
aqueles das nações pagãs.
Volte cada um para sua cidade. Samuel, ao mandar para casa os homens de
Israel, subentende que estabelecer um rei requererá certa preparação. O decurso
dessa preparação será narrado nos capítulos que se seguem.
•9.1 homem de bens. O versículo inicial do relato das aventuras de Saul tem se-
melhança de forma com o início da narrativa do nascimento de Samuel ( 1.1). Nos
dois casos, o pai do personagem principal é apresentado com referências genea-
lógicas suficientes para sugerir um homem de posição. Também na apresentação
de Samuel somos informados a respeito da observância religiosa fiel do pai
11.3-5). ao passo que no presente relato passamos a conhecer imediatamente
Saul {v. 2). e o enfoque permanece exclusivamente em qualidades externas.
•9.2 filho ... moço ... belo. A ênfase dessa descrição é a estatura física de Saul e sua
aparência impressionante. Compare com a descrição de Absalão em 2Sm 14.25-26.
•9.6 Nesta cidade há um homem de Deus. Que Saul não tem consciência da
presença e da reputação do homem de Deus, ou que não pensou em consultá-lo.
reflete negativamente sobre seu julgamento.
tudo quanto ele diz sucede. O homem de Deus é Samuel, de quem foi dito em
3.19 que o Senhor não deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.
•9. 7 presente não temos que levar ao homem de Deus. Josefa (Antigüidades
6.4.1) interpreta as palavras de Saul como sinal de que ignorava que um profeta
verdadeiro não aceitaria pagamento. Os escritos dos profetas de Israel revelam
desdém por aqueles que profetizam por dinheiro !Mq 3.5, 11). embora haja várias
referências a bens sendo oferecidos em troca de favores proféticos (p. ex , 1 As
14.3; 2As 4.42; 8.8). Em dois casos, o pagamento é explicitamente recusado (1Rs
13.7-9; 2As 5.15-16), e em certa ocasião em que bens são aceitos, o pagamento
não beneficia pessoalmente o profeta, mas é distribuído entre o povo l2As 4.42)
•9.9 ao profeta ... antigamente, se chamava vidente. Os termos são sinônimos.
l
j
1 SAMUEL 9, 10 324
onde estava o homem de Deus. 11 Subindo eles pela encosta
da cidade, 'encontraram umas moças que saíam a tirar água e
lhes perguntaram: Está aqui o vidente? 12 Elas responderam:
Está. Eis aí o tens diante de ti; apressa-te, pois, porque, hoje,
veio à cidade; porquanto o povo oferece, hoje, msacriffcio nno
alto. 13 Entrando vós na cidade, logo o achareis, antes que
suba ao alto para comer; porque o povo não comerá enquanto
ele não chegar, porque ele tem de abençoar o sacrifício, e só
depois comem os convidados; subi, pois, agora, que, hoje, o
achareis. 14 Subiram, pois, à cidade; ao entrarem, eis que
Samuel lhes saiu ao encontro, para subir ao alto.
ts ºOra, o SENHOR, um dia antes de Saul chegar, o revelara
a Samuel, dizendo: 16 Amanhã a estas horas, Pte enviarei um
homem da terra de Benjamim, qo qual ungirás por 4 príncipe
sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo das mãos
dos filisteus; porque ratentei para o meu povo, pois o seu ela·
mor chegou a mim. 17 Quando Samuel viu a Saul, o SENHOR
lhe disse: 5 Eis o homem de quem eu já te falara. Este domina·
rá sobre o meu povo. 18 Saul se chegou a Samuel no meio da
porta e disse: Mostra-me, peço-te, onde é aqui a casa do vi·
dente. 19 Samuel respondeu a Saul e disse: Eu sou o vidente;
sobe adiante de mim ao alto; hoje, comereis comigo. Pela ma·
nhã, te despedirei e tudo quanto está no teu coração to decla·
rarei. 20 Quanto tàs jumentas que há três dias se te perderam,
não se preocupe o teu coração com elas, porque já se en-
contraram. E para quem está reservado "tudo o que é precio·
so em Israel? Não é para ti e para toda a casa de teu pai?
21 Então, respondeu Saul e disse: Porventura, vnão sou benja·
mita, da xmenor das tribos de Israel? E 2 a minha família, a
menor de todas as famílias da 5 tribo de Benjamim? Por que,
pois, me falas com tais palavras?
22 Samuel, tomando a Saul e ao seu moço, levou-os à sala
de jantar e lhes deu o lugar de honra entre os convidados, que
eram cerca de trinta pessoas. 23 Então, disse Samuel ao cozi·
nheiro: Traze a porção que te dei, de que te disse: Põe-na à
parte contigo. 24 Tomou, pois, o cozinheiro ªa coxa com o
que havia nela e a pôs diante de Saul. Disse Samuel: Eis que
isto é o que foi reservado; toma-o e come, pois se guardou
para ti para esta ocasião, ao dizer eu: Convidei o povo. Assim,
comeu Saul com Samuel naquele dia.
25 Tendo descido do alto para a cidade, 6 falou Samuel com
Saul sobre bo eirado. 26 Levantaram-se de madrugada; e, qua·
se ao subir da alva, chamou Samuel a Saul ao eirado, dizendo:
Levanta-te; eu irei contigo para te encaminhar. Levantou-se
Saul, e saíram ambos, ele e Samuel. 27 Desciam eles para a
extremidade da cidade, quando Samuel disse a Saul: Dize ao
moço que passe adiante de nós, e tu, tendo ele passado, 7 es-
pera, que te farei saber a palavra de Deus.
Samuel unge a Saul rei de Israel
1 O ªTomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, be o beijou, e disse: cNão te ungiu,
porventura, o SENHOR por príncipe sobre da sua 1herança, o
povo de Israel? 2 Quando te apartares, hoje, de mim, acharás
dois homens junto eao sepulcro de Raquel, no território de
Benjamim, !em Zelza, os quais te dirão: Acharam-se as
jumentas que foste procurar, e eis que teu pai já não pensa no
caso delas e gse aflige por causa de vós, dizendo: Que farei eu
por meu filho? 3 Quando dali passares adiante e chegares ao
carvalho de Tabor, ali te encontrarão três homens, que vãosubindo ha Deus a Betel: um levando três cabritos; outro, três
bolos de pão, e o outro, um odre de vinho. 4 Eles te 2 saudarão
e te darão dois pães, que receberás da sua mão. s Então,
seguirás a Gibeá·Eloim, ionde está a guarnição dos filisteus; e
.~ 11 lGn 24.11, 15; 29.8-9; Êx 2.16 12 mGn 31.54; 1Sm16.2 n 1 Sm 7.17; 10.5; 1Rs 3.2 15o1Sm15.1 16 PDt 17.15q1Sm 10.1 'Êx
2.23-25; 3.7,9 4Qu governante 17s1Sm16.12 20 tiSm 9.3u1Sm 8.5, 19; 12.13 21 v 1Sm 15.17 x Jz 20.46-48 z Jz 6.15 5Lit. das
tribos 24 ª Lv 7 .32-33 25 bDt 22.8 ó Conforme TM e T; !XX omite falou Samuel com Saul sobre o eirado. !XX e V em seguida acrescentam
E ele preparou uma cama para Sau/ sobre o eirado e ele dormiu 27 7 agora
CAPITULO 10 1 ª2Rs 9.3,6 bSI 2.12cAt13.21 dDt 32.9 1 Conforme TM, Te V; !XX seu povo, Israel; e governarás o povo do SenhodXXe
V acrescentam E livrarás o seu povo das mãos dos seus inimigos ao seu redor E isto será para ti um sinal, que Deus tem te ungido para seres uma
príncipe 2 e Gn 35.16-20; 48.7 f Js 18.28g1 Sm 9.3-5 3 h Gn 28.22; 35.1,3,7 4 2 perguntarão como estás 5 i 1 Sm 13.2-3
•9.12 Elas responderam. No hebraico, os vs. 12-13 transmitem emoção e
animação quando as moças conclamam Saul a subir depressa à cidade, onde
chegará na hora certa de se encontrar com Samuel.
no alto. Embora fosse reconhecido que semelhantes lugares altos
(freqüentemente locais da adoração cananéia) postulavam uma nítida ameaça con-
tra a pureza da adoração israelita (p. ex., Lv 26.30; Nm 33.52; Dt 12.2-3; Jr 220).
fica aparente em trechos semelhantes a este que a adoração a Javé, às vezes. era
dirigida ali, especialmente durante o primeiro período da monarquia (10.5; 1 As
3.2-4). Semelhantes cultos podem ter se tornado necessários pela perda do san-
tuário em Siló (1.3, nota). Depois da divisão do reino, a adoração no "altos" era um
problema grave tanto no Norte (1Rs 12.31-32; 13.32-34) quanto no Sul (1Rs
14.22-24). A remoção dos "altos" foi um dos alvos principais dos movimentos de
refonrna dirigidos pelos reis do Sul, tais como Ezequias (2Rs 18.4) e Josias (2Rs 23.5).
•9.16 o qual ungirás. Ver nota em 2.10.
príncipe. A palavra parece ser um título para "alguém designado para reinar" (cf.
seu uso com referência a Salomão como príncipe herdeiro em 1Rs1.35). A tarefa
de Saul no contexto imediato é libertar Israel dos filisteus e, no contexto do cap. 8,
a p1essupos1ção lógica é a de que ele passará a ser rei.
filisteus. Ver nota em 4 .1.
•9.18 Saul se chegou a Samuel. O fato de que Saul não reconheceu Samuel é
um indício perturbador da insensibilidade e descuido espirituais que caracteriza-
rão Saul cada vez mais à medida em que a narrativa progride.
•9.20 tudo o que é precioso em Israel. Ou "todo o desejo de Israel". Essa
expressão talvez sugira que Saul é exatamente o tipo de rei que o povo deseja no
cap. 8.
•9.24 Tomou ... a coxa ... e a pôs diante de Saul. O tratamento dado a Saul
ilustra não somente a mudança de sua condição social que acabara de ser
elevada, mas também a previsão que Samuel, com a ajuda divina, fizera da sua
chegada (vs. 15-16). ·
•10.1 te ungiu ... por príncipe. Ver nota em 9.16.
sua herança. Ver 9.16 ("meu povo de Israel"); 2Sm 20.19 e nota; Dt 32.9. A
disposição de Deus de conceder ao povo um rei humano não significa que ele
abriu mão do seu domínio sobre seu próprio povo, Israel. O rei constituído sempre
era subordinado a Deus.
•10.2-6 As palavras de Samuel serão confirmadas para Saul à medida em que a
seqüência de eventos se cumpre na ordem prevista. Finalmente, Saul ficará
debaixo do poder do Espírito (vs 5-6).
•10.5 a guarnição dos filisteus. A alusão a uma "guarnição dos filisteus"
prenuncia a tarefa que aguarda aquele que foi designado para livrar o povo de
Deus dos filisteus (9 .16). Quanto à colocação de guarnições nos territórios
sujeitados. ver a prática de Davi em 2Sm 8.6.
325 1SAMUEL10
há de ser que, entrando na cidade, encontrarás um grupo de
profetas que descem ido alto, precedidos de saltérios, e
tambores, e flautas, e harpas, 1e eles estarão profetizando. 6 mo
Espírito do SENHOR se apossará de ti, e nprofetizarás com eles e
tu serás mudado em outro homem. 7 Quando estes ºsinais te
sucederem, faze o que a ocasião te pedir, porque PDeus é
contigo. 8Tu, porém, descerás adiante de mim qa Gilgal, e eis
que eu descerei a ti, para sacrificar holocausto e para apresen-
tar ofertas pacíficas; 'sete dias esperarás, até que eu venha ter
contigo e te declare o que hás de fazer.
Saul entre os profetas
9 Sucedeu, pois, que, virando-se ele para despedir-se de Sa-
muel, Deus lhe mudou o coração; e todos esses sinais se de-
ram naquele mesmo dia. 10 5 Chegando eles a Gibeá, eis que
1um grupo de profetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de
Deus se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles.
11 Todos os que, dantes, o conheciam, vendo que ele profeti-
zava com os profetas, diziam uns aos outros: Que é isso que
sucedeu ao filho de Quis? "Está também Saul entre os profe-
tas? 12 Então, um homem respondeu: Pois vquem é o pai de-
les? Pelo que se tornou em provérbio: Está também Saul
entre os profetas? 13 E, tendo profetizado, seguiu para o alto.
14 xperguntou o tio de Saul, a ele e ao seu moço: Aonde
fostes? Respondeu ele: A buscar as jumentas e, vendo que não
apareciam, fomos a Samuel. 15 Então, disse o tio de Saul:
Conta-me, peço-te, que é o que vos disse Samuel? 16 Respondeu
Saul a seu tio: Informou-nos de que as jumentas ztoram
encontradas. Porém, com respeito ao reino, de que Samuel
falara, não lho declarou.
Saul escolhido rei
17 Convocou Samuel o povo ªao SENHOR, bem Mispa, 18 e
disse aos filhos de Israel: e Assim diz o SENHOR, Deus de Israel:
Fiz subir a Israel do Egito e livrei-vos das mãos dos egípcios e
das mãos de todos os reinos que vos oprimiam. 19 d Mas vós
rejeitastes, hoje, a vosso Deus, que vos livrou de todos os vos-
sos males e trabalhos, e lhe dissestes: Não! Mas constitui um
rei sobre nós. Agora, pois, ponde-vos perante o SENHOR, pelas
vossas tribos e pelos vossos grupos de milhares.
20 Tendo Samuel efeito chegar todas as tribos, foi indicada
por sorte a de Benjamim. 21 Tendo feito chegar a tribo de Ben-
jamim pelas suas famílias, foi indicada a família de Matri; e dela
foi indicado Saul, filho de Quis. Mas, quando o procuraram,
não podia ser encontrado. 22 Então, !tomaram a perguntar ao
SENHOR se aquele homem viera ali. Respondeu o SENHOR: Está
aí escondido entre a bagagem. 23 Correram e o tomaram dali.
Estando ele no meio do povo, gera o mais alto e sobressaía de
todo o povo do ombro para cima. 24 Então, disse Samuel a todo
o povo: Vedes a hquem o SENHOR escolheu? Pois em todo o
•==~= i1Sm19.12.20; 2Rs 2.3.5, 15 iÊx 15.20-21; 2Rs 3.15; 1Cr 25.1-6; 1Co 14.1 6 m Nm 11.25.29; Jz 14.6; 1Sm16.13n1Sm 10.10; 19.23-24 7 ºÊx4.8; Lc 2.12PJs1.5; Jz 6.12; 1Sm3.19; [Hb 13.5] 8 q1Sm11.14-15; 13.8 '1Sm 13.8-10 10 5 1Sm10.511Sm19.20 11 u1sm
19.24;Am7.14-15;Mt13.54-57;Jo7.15;At4.13 12 VJo5.30,36 14x1Sm14.50 16Z1Sm9.20 17ªJz20.1 b1Sm7.5-6 18CJz
6.8-9; 1 Sm 8.8; 12.6,8 19 d 1 Sm 8.7, 19; 12.12 20 e At 1 24,26 22 Íl Sm 23.2.4.10-11 23g1 Sm 9.2 24 h 2Sm 21.6
grupo de profetas. Samuel está associado com um grupo de profetas em
19.20, onde ele é tido como seu líder. Note a associação semelhante entre Eliseu
e os "filhos dos profetas", em 2Rs 2; 6.1; 9.1; etc. Esses grupos proféticos
parecem ter sido compostos de defensores da religião verdadeira em tempos de
apostasia e indiferença espiritual generalizadas.
profetizando. A profecia no Antigo Testamento é freqüentemente. mas não
exclusivamente. associada com a entrega de uma mensagem !ver o papel de
Arão como "profeta" ou porta-voz de Moisés. em Êx 7.1. e compare Ez 21.9; Am
3.8). Os profetas de Deus eram os seus mensageiros 12Sm 7.1-5; 12.1;
24.11-12). Em alguns lugares. a profecia está associada com a música IÊx15.20-21; 1 Cr 25.1). A profecia em vista aqui parece ser a de louvar a Deus e
exortar o povo, com acompanhamento musical.
•10.6 O Espírito do SENHOR se apossará de ti. Ver v. 1 O; 11.6. nota. A
atividade do Espírito com Sansão é expressa em termos idênticos IJz 14.6.19;
15.14). Embora o Espírito tivesse sido posteriormente retirado de Saul lcf. 16.14;
18.10). Davi foi revestido do Espírito de modo permanente 116.13).
Freqüentemente, no Antigo Testamento. a outorga do Espírito é um revestimento
de uma pessoa pelo poder de Deus para uma tarefa específica. De maneira
inversa. Deus pode enviar um espírito de mentira (1 Rs 22.23) ou um espírito
maligno (16.14-16,23; 18.10; 19.9; Jz 9.23)
•1O.7 faze o que a ocasião te pedir. À luz da comissão geral de Saul de livrar Is-
rael dos filisteus (9.16) e da menção específica por Samuel de um símbolo visível do
domínio filisteu no local do terceiro e último sinal lv. 5). as palavras de Samuel
podiam ser interpretadas no sentido de Saul corresponder à sua unção atacando o
posto avançado dos filisteus. No caso. essa possibilidade não foi concretizada. As
palavras de Samuel também podem ser interpretadas como sendo um
encorajamento para Saul se submeter à influência profética mencionada no v. 6.
•10.8 descerás adiante de mim a Gilgal. Depois de Saul ter feito ··o que a
ocasião pedia" (e!. v. 7). deve-se reunir com Samuel em Gilgal, para este oferecer
sacrifícios e dar mais instruções a Saul.
holocausto. Uma descrição completa do ritual do holocausto pode ser vista em
Lv 1.3-17. Os holocaustos também são mencionados em 6.14-15; 7 .9-1 O;
13.9,12; 15.22; 2Sm 6.17-18; 24.22-25.
ofertas pacíficas. A oferta de comunhão é descrita em Lv 3. e é mencionada
pela primeira vez em Êx 20.24. Outras referências em Samuel às ofertas de
comunhão são: 11.15; 13.9; 2Sm 6.17-18; 24.25.
•10.9 Deus lhe mudou o coração. A linguagem é semelhante a Ez 11 .19;
36.26 e. talvez. até mesmo a Jo 3.3 (ver também Jr 31.31 ). Entretanto. é difícil
definir com exatidão qual foi a experiência de Saul.
•10.11 também Saul entre os profetas. O provérbio (v. 12) expressa surpresa
diante de algo muito improvável. Os circunstantes que conheciam Saul estão
surpresos ao vê-lo associando-se com entusiastas religiosos.
•10.12 quem é o pai deles. Visto que os líderes dos grupos proféticos eram às
vezes chamados "Pai" (2Rs 2.12; 6.21 ), essa pergunta pode significar a tentativa
de se procurar o líder desse grupo específico. Se. por outro lado. os circunstantes
desprezavam a profecia, sua surpresa poderia ser que um homem tal como Saul,
de boa família e reputação social. se associasse a tais "loucos" lcf. 2Rs 9.11).
cujos pais eram inferiores ao dele. Ainda outra possibilidade é que a pergunta
signifique que o "Pai" ou origem dos grupos proféticos não segue regras nonmais.
e que Saul, por mais improvável que seja, tenha achado um lugar entre eles. Ver
"Profetas", em Dt 18.18.
•10.14-16 O significado desse diálogo tem deixado os comentaristas perplexos
por muito tempo. Alguns entendem que a relutância de Saul em mencionar o
reino (v. 16) era um sinal de sua humildade.
•10.17 Convocou Samuel o povo. A escolha que o Senhor fizera de Saul agora
é tornada pública em Mispa, aparentemente lançando sortes ou usando o Urim e
Tumim (v. 20 e nota).
•10.20 foi indicada por sorte a de Benjamim. Lançar sortes foi. provavel-
mente. o método da seleção lcf. Lv 16.8-10; Nm 26.55) e pode ter envolvido o
Urim e o Tumim 12.28; Êx 28.30. nota; Nm 27.21; Dt 33.8).
•10.22 escondido entre a bagagem. O Senhor seleciona Saul. embora este
não esteja imediatamente presente. Algo semelhante ocorre com Davi 116.11).
1 SAMUEL 10, 11 326
povo não há nenhum semelhante a ele. Então, todo o povo
rompeu em gritos, exclamando: 1Viva3 o rei!
25Declarou Samuel ao povo lo direito do reino, escreveu-o
num livro e o pôs perante o SENHOR. Então, despediu Samuel
todo o povo, cada wn para sua casa. 26Também Saul se foi para
sua casa, 1a Gibeá; e foi com ele uma tropa de homens cujo
coração Deus tocara. 27 mMas os "filhos de Belial disseram:
Como poderá este homem salvar-nos? E o desprezaram ºe não
lhe trouxeram presentes. Porém Saul se fez de surdo.
Saul 11ence os amonitas
11 Então, subiu ªNaás, amonita, e sitiou a bJabes-Gi-leade; e disseram todos os homens de Jabes a Naás:
e Faze aliança conosco, e te serviremos. 2 Porém Naás, amoni-
ta, lhes respondeu: Farei aliança convosco sob a condição de
vos serem vazados os olhos direitos, trazendo assim eu dver-
gonha sobre todo o Israel. 3 Então, os anciãos de Jabes lhe
disseram: Concede-nos sete dias, para que enviemos mensa-
geiros por todos os limites de Israel e, não havendo ninguém
que nos 1Iivre, então, nos entregaremos a ti. 4 Chegando os
mensageiros ea Gibeá de Saul, relataram este caso ao povo.
Então, !todo o povo chorou em voz alta.
5 Eis que Saul voltava do campo, atrás dos bois, e pergun-
tou: Que tem o povo, que chora? Então, lhe referiram as pala-
vras dos homens de J abes. 6 gE o Espírito de Deus se apossou
de Saul, quando ouviu estas palavras, e acendeu-se sobre-
modo a sua ira. 7Tomou uma junta de bois, hcortou-os em
pedaços e os enviou a todos os territórios de Israel por inter-
médio de mensageiros que dissessem: 1Assim se fará aos bois
de todo aquele que não seguir a Saul e a Samuel. Então, caiu
o temor do SENHOR sobre o povo, e saíram 2como um só ho-
mem. s Contou-os em IBezeque; dos filhos 1de Israel, havia
trezentos mil; dos homens de Judá, trinta mil.
9 Então, disseram aos mensageiros que tinham vindo: Assim
direis aos homens de Jabes-Gileade: Amanhã, quando aquentar
o sol, sereis socorridos. Vindo, pois, os mensageiros, e,
anunciando-o aos homens de Jabes, estes se alegraram toe
disseram aos amonitas: Amanhã, nos entregaremos a vós outros;
então, nos fareis segundo o que melhor vos parecer. 11 Sucedeu
que, ao outro dia, msaul dividiu o povo "em três companhias,
que, pela vigHia da manhã, vieram para o meio do arraial e
feriram a Amom, até que se fez sentir o calor do dia. Os
sobreviventes se espalharam, e não ficaram dois deles juntos.
Saul proclamado rei
12 Então, disse o povo a Samuel: ºQuem são aqueles que
diziam: Reinará Saul sobre nós? PTrazei-os para aqui, para que
os matemos. 13 Porém Saul disse: qHoje, ninguém será morto,
porque, no dia de hoje, 'o SENHOR salvou a Israel. 14 Disse
Samuel ao povo: Vinde, vamos 5 a Gilgal e renovemos ali o
reino. ts E todo o povo partiu para Gilgal, onde proclamaram
Saul seu rei, 1perante o SENHOR, "a cuja presença trouxeram
....... ~ ~ i1R~ 1 25,39 3 Ou seja. "Longa vida ao rei" 25 i1 Sm 8.11-18 26 1 Jz 20.14 27 m 1Sm 11.12 n Dt 13.13 o 1As421; 10.25
CAPITULO 11 1 ª 1 Sm 12.12 b Jz 21.8 e Gn 26.28 2 d Gn 34.14 3 1 salve 4 e 1 Sm 10.26; 15.34 f Jz 2.4; 20.23.26; 21.2 6 g Jz
3.10; 6.34; 11.29; 13.25; 14.6 7 h Jz 19.29 i Ji 21.5.8. 1 O 2 ou seja, consenso 8 i Jz 1.5 12sm 24.9 li m 1 Sm 31.11 n Jz 7.16,20
12o1Sm 10.27 P Lc 19.27 13 q 2Sm 19.22 'Ex 14.13,30 14 s 1Sm716; 10.8 IS 11 Sm 10.17u1Sm 10.8
•10.25 o direito do reino. Uma expressão semelhante em 8.9-11 refere-se às
conseqüências negativas de se ter um rei. Aqui, significa os regulamentos que
um rei deve seguir (Dt 17.14-20; 2Rs 11.12, nota).
e o pôs perante o SENHOR. Ver Dt 31.26; Js 24.26.
•10.27 Como poderá este homem salvar-nos. Os que levantam essa dúvida
são rebeldes porque lançam dúvidas contra o processo de seleção dirigido pelo
Senhor.
•11.1 Naás, amonita. Os amonitas. descendentes de Ló, eram um povo
semítico (Gn 19.38; Dt 2.19) cujo reino estava estabelecido ao lado leste do
Jordão, ao sul do rio Jaboque. Embora os amonitas às vezes ficassem em paz
com Israel (2Sm 10.2). freqüentemente exerciam pressões na fronteira oriental
de Israel (Jz 3.13; 11.4-321. assim como faziam os filisteus ao oeste. Segundo os
Manuscritos do Mar Morto eJosefa (Antigüidades 6.5.1 ). o cerco de
Jabes-Gileade fazia parte de uma campanha maior por Naás.
Jabes-Gileade. Uma cidade principal no território que pertencia. prova-
velmente. a Gade. Jabes-Gileade ficava ao leste do rio Jordão, quase 36 km ao
sul do mar de Ouinerete (Galiléia).
•11.2 vos serem vazados os olhos direitos. Embora a razão declarada para
semelhante tratamento fosse "trazer ... vergonha sobre todo o Israel," Josefa
(Antigüidades 6.5.1) observa que a perda do olho direito impossibilitaria o serviço
militar, posto que a visão do olho esquerdo ficava escondida pelo escudo.
•11.3 nos entregaremos a ti. Embora os anciãos de Jabes claramente
pretendiam que Naás entendesse suas palavras como uma rendição, o verbo
hebraico aqui empregado é freqüentemente usado no sentido de soldados "saindo"
à batalha \8.20; 18.30; 2Sm 18.2-4,61. Quando, no v. 10, os homens de Jabes
prometem, novamente. que "sairão" aos amonitas. vemos certa ironia. porque os
amonitas ainda estão pensando em termos de rendição, quando a verdadeira
intenção é a de atacar.
•11.6 o Espírito de Deus se apossou de Saul. Essa frase relembra a atividade
do Espírito com Sansão (10.6, nota). só que, aqui (como também em 10.10).
"Deus" consta no lugar do nome pessoal "SENHOR"
•11. 7 cortou-os em pedaços. A ação de Saul toscamente forma um paralelo
com a do levita em Jz 19. O pecado do levita era bem conhecido, e a comparação
não serviria de elogio para Saul.
e a Samuel. Ver notas em 10.1,7-8.
•11.8 Bezeque. Localizada uns 14 km ao oeste do rio Jordão, do outro lado de
onde estava Jabes-Gileade.
filhos de Israel ... homens de Judá. Até mesmo antes da divisão do reino (1Rs
12), era freqüentemente feita uma distinção entre as tribos do Norte e do Sul
(17 52; 18.16; 2Sm 2.10; 3.10; 5.5; 11.11; 12.8; 1911.40-43; 20.2; 21 2; 241,9).
•11.10 nos entregaremos a vós outros. Ver nota no v. 3.
•11.11 três companhias. Ver 13.17; Jz 7.16; 9.43; 2Sm 18.2.
pela vigília da manhã. Entre 2h e 6h da madrugada. aproveitando a escuridão
como escudo.
•11.12 Trazei-os. A referência inclui. mas talvez não esteja limitada aos "filhos
de Belial", em 10.27.
•11.13 o SENHOR salvou a Israel. Saul interrompe uma pergunta dirigida a
Samuel com uma confissão que denota o ponto alto da sua própria vida. Sua
anistia ou perdão daqueles rebeldes (10.27) que o rejeitaram pode,
possivelmente, ser comparado à sua relutância em matar Agague e os rebanhos
de Amaleque (15.9). se for considerado como uma recusa de cumprir os
aspectos mais severos de uma comissão divina.
•11. 14 vamos a Gilgal e renovemos ali o reino. Em certo nível, trata-se do
processo da ascensão de Saul ao trono que agora pode ser retomado (v. 15,
nota). mas. num nível mais profundo, é o reino contínuo do Senhor que deve ser
renovado (cap. 12).
Gilgal. Ver nota em 13.4.
•11. 15 proclamaram Saul seu rei. A análise da ascensão de uma pessoa no
Israel antigo a uma posição de liderança divide-se num processo de três passos:
327 1SAMUEL12
ofertas pacíficas; e Saul muito se alegrou ali com todos os
homens de Israel.
Samuel resigna o seu cargo
12 Então, disse Samuel a todo o Israel: Eis que ouvi ªa vossa voz em tudo quanto me dissestes e bconstituí
sobre vós um rei. 2 Agora, pois, eis que tendes o rei cà vossa
frente. dJá envelheci e estou cheio de cãs, e meus filhos estão
convosco; o meu procedimento esteve diante de vós desde a
minha mocidade até ao dia de hoje. 3 Eis-me aqui, testemunhai
contra mim perante o SENHOR e perante eo seu ungido: Ide
quem tomei o boi? De quem tomei o jumento? A quem defrau-
dei? A quem oprimi? E das mãos de quem aceitei gsuborno
para hencobrir com ele os meus olhos? E vo-lo restituirei.
4 Então, responderam: ;Em nada nos defraudaste, nem nos
oprimiste, nem tomaste coisa alguma das mãos de ninguém.
s E ele lhes disse: O SENHOR é testemunha contra vós outros, e
o seu ungido é, hoje, testemunha dei que nada tendes achado
1nas minhas mãos. E o povo confirmou: Deus é testemunha.
6 Então, disse Samuel ao povo: mrestemunha é o SENHOR,
que escolheu a Moisés e a Arão e tirou vossos pais da terra do
Egito. 7 Agora, pois, ponde-vos aqui, e npleitearei convosco
perante o SENHOR, relativamente a todos os seus ºatos de jus-
tiça que fez a vós outros e a vossos pais. 8 PHavendo entrado
Jacó no 1Egito, qclamaram vossos pais ao SENHOR, e o SENHOR
r enviou a Moisés e a Arão, que os tiraram do Egito e os fize-
ram habitar neste lugar. 9 Porém s esqueceram-se do SENHOR,
seu Deus; então, os entregou nas mãos de tSísera, comandan-
te do exército de Hazor, e nas mãos dos "filisteus, e nas mãos
do rei de vMoabe, que pelejaram contra eles. 10 E clamaram
ao SENHOR e disseram: xpecamos, pois deixamos o SENHOR z e
servimos aos baalins e 2 astarotes; agora, pois, livra-nos das
mãos de nossos inimigos, e te serviremos. 11 O SENHOR en-
viou a 3Jerubaal, e a 4 Baraque, e a ªJefté, e a bSamuel5; e vos
livrou das mãos de vossos inimigos em redor, e habitastes em
segurança.
12 Vendo vós que cNaás, rei dos filhos de Amom, vinha
contra vós outros, dme dissestes: Não! Mas reinará sobre
nós um rei; ao passo que eo SENHOR, vosso Deus, era o vosso
rei. 13 Agora, pois, f eis aí o rei g que elegestes e que pedistes;
e eis que ho SENHOR vos deu um rei. 14 ;Se temerdes ao
SENHOR, e o servirdes, e lhe atenderdes à voz, e não lhe for-
des rebeldes ao mandado, e seguirdes o SENHOR, vosso
Deus, tanto vós como o vosso rei que governa sobre vós,
bem será. 15 iSe, porém, não derdes ouvidos à voz do
SENHOR, mas, antes, 1fordes rebeldes ao seu mandado, a
mão do SENHOR será contra vós outros, como o foi contra
vossos pais. 16 m Ponde-vos também, agora, aqui e vede esta
grande coisa que o SENHOR fará diante dos vossos olhos.
17 Não é, agora, o tempo da nsega do trigo? ºClamarei, pois,
ao SENHOR, e dará trovões e Pchuva; e sabereis e vereis que é
grande 0a vossa maldade, que tendes praticado perante o
SENHOR, pedindo para vós outros um rei. 18 Então, invocou
Samuel ao SENHOR, e o SENHOR deu trovões e chuva naquele
• CAPÍTULO 12 1 ª1Sm 85.7.9.20.22b1Sm1024; 111~1~ Z~N~ 2717 d1Sm 81,5 3e1Sm10 1; 2~6/~m 16.15 gÊx23.8 hDt
16.19 4iLv19.13 5 i At 23.9; 24.20 iÊx 22.4 6 mMq 6.4 7 n1s 1.18 oJz 5.11 8 PGn 46.5-6 oÊx 2.23-25 'Êx3.10; 4.14-16 1 Con-
forme TM. Te V; lXX acrescenta e os egípcios os afligiram 9 sJz 3.7 IJz 4.2 ujz 3.31; 10.7; 13.1 v Jz 3.12-30 10 xJz 10.10 z Jz 2.13;
3.7 21magens de deusas cananitas 11 ªJz 11.1 b 1Sm 7.13 3Gideáo, comparar com Jz 6.25-32; S Débora. T Gideão 4l)()( e S Baraque; T
Simson 5SSimson 12C1Sm11.1-2 d1Sm8.5.19-20 eJz8.23 13f1Sm 10.24g1Sm8.5; 12.17.19hüs13.11 14 iJs24.14 lSiDt
28.15 ils 1.20 16 m Êx 14.13,31 17 n Gn 30.14 o [Tg 5.16-18] P Ed 10.9q1Sm 8.7
(a) a designaçáo como tendo sido a escolha do Senhor; (b) uma demonstração de
bravura e de ter recebido poder da parte do Senhor. ao realizar uma façanha
heróica; e (c) a confirmação pelo povo. Saul fora designado por Samuel e tivera uma
experiência profética (cap. 10). Embora pudesse ter atacado imediatamente a
guarnição filistéia em Gibeá (10.5,8), obtém, pouco depois, uma vitória importante
ao libertar Jabes-Gileade (v. 13). Passa. entáo, a ser coroado em Gilgal.
ofertas pacíficas. Ver nota em 10.8.
•12.1 constituí sobre vós um rei. O processo da ascensão ao trono foi
completado, e o discurso de Samuel no cap. 12 marca o fim do período dos juízes.
•12.3-15 Samuel apresenta três argumentos para compelir o povo a reconhecer a
sua \l\Ó\)ria culpa em pedir um rei. Primeiro, convida o povo a concordar que ele
tinha sido um líder inculpável (vs. 4-5). Segundo. ressalta que. no passado, sempre
tinha sido o Senhor quem nomeava líderes (v. 6) e que estes sempre tinham
revelado ser plenamente adequados (vs. 7-8). Terceiro. enfatiza que, mesmo
quando os israelitas "esqueceram-se do SENHOR, seu Deus", o Senhor fora graciosopara com eles. Embora os sujeitasse à opressáo dos inimigos (v. 9). ele atendia suas
confissões de pecado e seus rogos por livramento (v. 1 O) e suscitava juízes, entre os
quais estava o próprio Samuel (v 11 ). Dentro desse contexto da suficiência da
provisão do Senhor, a exigência do povo em ter um rei humano, embora o próprio
Senhor fosse seu rei (v. 12), pode ser considerada rebelião (8. 7). Mesmo assim, a
monarquia pode ter sucesso. se tanto o rei quanto o povo temerem ao SENHOR, o
seivirem e atenderem à sua voz (v. 14).
•12.3 seu ungido. Ver nota em 2.1 O. A unçáo de Saul é ordenada em 9.16 e
realizada em 10.1.
de quem tomei o boi ... o jumento. O boi e o jumento. possessões valiosas nos
tempos bíblicos. sáo mencionados no décimo mandamento como objetos típicos
da cobiça (Êx 20.17; Dt 521).
•12. 7 pleitearei convosco. Samuel pessoalmente se apresentara como réu e
fora inocentado (vs. 3-5); agora, desempenha o papel de promotor, e o povo se
torna o réu. Seu crime é o de ter desejado ter um rei. em total desrespeito para
com todos os "atos de justiça" do Senhor durante todo o período do êxodo e dos
juízes (vs. 7-11 ).
•12.12 Vendo vós que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós
outros. Embora o fato náo seja explicitamente mencionado no cap. 8, é possível
que a ameaça dos amonitas já tenha sido motivo de preocupaçáo naquela
ocasião (11.1. nota). Por outro lado. Samuel pode ter meramente citado o
episódio com os amonitas como sendo o exemplo mais recente da tendência
infiel do povo de buscar a ajuda dos homens, e náo de Deus. Saul pessoalmente
deu ao Senhor todo o crédito pela vitória ( 11.13).
•12.13 o rei que elegestes. Ver 8 .18 e contrastar com 16.1
e que pedistes. Ver 8.1 O. nota.
•12.14 Se temerdes ao SENHOR. Uma condição prévia fundamental para a
bênção segundo a aliança, nos dias de Moisés (Dt 6.2,24; 10.12; 31.12-13). nos
dias de Josué (Js 4.24; 24.14) e agora, na nova era da monarquia, o "temor ao
SENHOR" significa reverenciar e dar-lhe a honra e obediência que lhe pertencem
como Deus e como Pai gracioso.
•12.16-19 Tendo pleiteado a sua causa contra o povo nos vs. 3-15, Samuel
passa a invocar um sinal dramático para reforçar sua declaração da culpa do
povo. O sinal produz o resultado desejado. e o povo se arrepende porque "a todos
os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós um rei" (v. 19).
Quanto aos sinais que acompanham as declarações proféticas. ver 2.34, nota.
•12.17 sega do trigo. O trigo era. provavelmente. segado em maio e junho, no
começo da estação seca de Israel.
l
1 SAMUEL 12, 13 328
dia; pelo que 'todo o povo temeu em grande maneira ao
SENHOR e a Samuel.
19Todo o povo disse a Samuel: 5 Roga pelos teus servos ao
SENHOR, teu Deus, para que não venhamos a morrer; porque a
todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós
um rei. 20 Então, disse Samuel ao povo: Não temais; tendes
cometido todo este mal; 1no entanto, não vos desvieis de seguir
o SENHOR, mas servi ao SENHOR de todo o vosso coração.
21 "Não vos desvieis; vpois seguiríeis coisas vãs, que nada
aproveitam e tampouco vos podem livrar, porque vaidade são.
22 Pois o SENHOR, xpor causa do seu grande nome, znão desam-
parará ªo seu povo, porque baprouve ao SENHOR fazer-vos o seu
povo. 23 Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o
SENHOR, e deixando de orar por vós; antes, dvos ensinarei eo
caminho bom e direito. 24.ffão-somente, pois, temei ao SENHOR
e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois gvede quão
hgrandiosas coisas vos fez. 2S Se, porém, perseverardes em fazer
o mal, iperecereis, itanto vós como o vosso rei.
Guerra entre os israelitas e os filisteus
1 3 Um ano 1 reinara Saul em Israel. No segundo ano de seu reinado sobre o povo, 2 escolheu para si três mil
homens de Israel; estavam com Saul dois mil em ª Micmás e na
região montanhosa de Betel, e mil estavam com bJônatas em
ccibeá de Benjamim; e despediu o resto do povo, cada um
para sua casa. 3 Jônatas derrotou da guarnição dos filisteus que
estava em eGibeá, o que os filisteus ouviram; pelo que Saul fez
tocar a trombeta por toda a terra, dizendo: Ouçam isso os
hebreus. 4 Todo o Israel ouviu dizer: Saul derrotou a guarnição
dos filisteus, e também Israel se fez odioso aos filisteus.
Então, o povo foi convocado para junto de Saul, em Gilgal.
5 Reuniram-se os filisteus para pelejar contra Israel: 2 trinta
mil carros, e seis mil cavaleiros, e povo em multidão !como a
areia que está à beira-mar; e subiram e se acamparam em
Micmás, ao oriente de gBete·Áven. 6 Vendo, pois, os homens
de Israel que estavam em apuros (porque o povo estava aper·
tado), hesconderam-se pelas cavernas, e pelos buracos, e pe:
los penhascos, e pelos túmulos, e pelas cisternas. 7 Também
alguns dos hebreus passaram o Jordão para ia terra de Gade e
Gileade; e o povo que permaneceu com Saul, estando este
ainda em Gilgal, se encheu de temor.
Saul oferece sacrifícios e é reproYado por Samuel
8/Esperou Saul sete dias, segundo o prazo determinado por
Samuel; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se foi espa·
lhando dali. 9 Então, disse Saul: Trazei-me aqui o holocausto e
ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. 10 Mal acabara ele de
oferecer o holocausto, eis que chega Samuel; Saul lhe saiu ao en·
contro, para o 3saudar. tt Samuel perguntou: Que fizeste? Res·
pondeu Saul: Vendo que o povo se ia espalhando daqui, e que tu
não vinhas nos dias aprazados, e que os filisteus já se tinham
ajuntado em Micmás, 12 eu disse comigo: Agora, descerão os
filisteus contra mim a Gilgal, e ainda não obtive a benevolên·
eia do SENHOR; e, forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaus·
tos. 13 Então, disse Samuel a Saul: 1Procedeste nesciamente
mem não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te
ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu reino so·
bre Israel para sempre. 14 nJá agora não subsistirá o teu reino .
• 18'Êx14.3; !9 5 Êx9.28 201Dt1116 21 "2Cr25.15Vls41.29 22XJr14.21ZDt31.6ª1s43.21 bDt7.6-11 23CRm1.9dSI
34. q e 1Rs 8.36 24/Ec 12.13 g Is 5.12 h Dt 10.21 25 i Js 24.20 i Dt 28.36
CAPITULO 13 1 1 Hebr. é difícil; comparar com 2Sm 5.4; 2Rs 14.2; ver também 2Sm 2.10 e At 13.21 2a1Sm14.5.31 b1Sm 14.1 C1 Sm
10.26 3d1Sm 10.5 e 2Sm 5.25 5 f Jz 7.12 g Js 7.2 2 Conforme TM. LXX, Te V; Se alguns mss. da LXX três mil 6 h Jz 6.2 7 iNm
32.1-42 8i1 Sm 10.8 1 O 3 Lit. abençoar 13 12Cr 16.9 m 1 Sm 15.11,22,28 14 n 1 Sm 15.28; 31.6
•12.20-25 Tendo visto o arrependimento do povo. Samuel os conforta: "Não
temais," e os desafia a renovar a sua dedicação a Deus lv. 20)
•12.23 orar por vós ... vos ensinarei. As responsabilidades de Samuel no reino
incluirão a intercessão e instrução (12.1, nota; para outros deveres de Samuel.
ver 10.8).
•12.24 temei ao SENHOR. Ver nota no v. 14.
de todo o vosso coração. Ver v. 20; 16. 7.
•13.1-14.52 Começa oficialmente o reinado de Saul. Compare a informação
cronológica de 13.1 com fórmulas semelhantes em 2Sm 2.10; 5.4; 1Rs 14.21;
22.42. A narrativa se volta para os embates iniciais entre Saul e os filisteus, que
eram uma ameaça contínua contra Israel.
•13.1 É provável que Saul tenha reinado cerca de vinte anos, e a cifra "quarenta".
em At 13.21, seria um número redondo com o significado de "um tempo
prolongado." Ver a cronologia na Introdução: Data e Ocasião.
•13.2 Micmás. Uns 7 km ao sudeste de Betel. no lado norte de Wadi Suwenet.
um vale formado por uma torrente que flui na estação das chuvas e que era usado
para viagens entre o vale do Jordão e as terras altas centrais.
Gibeá de Benjamim. Pode se tratar da Gibeá a uns 5 km ao norte de Jerusalém.
ou talvez tenha sido uma aldeia voltada para o vale de Micmás, do lado sul do
Wadi Suwenet.
•13.3 Jônatas derrotou a guarnição ... em Gibeá. Talvez seja a mesma
guarnição em cujas redondezas Saul profetizara.
fez tocar a trombeta.As trombetas eram usadas na guerra como modo de
sinalização l2Sm 2.28; 18.16; 20.1 ).
hebreus. Ver nota em 4.6.
•13.4 Gilgal. Saul reage à crise precipitada por Jônatas (v. 3). reunindo o povo
em Gilgal em conformidade com as instruções de Samuel 110.8). A posição de
Gilgal no vale do Jordão, perto de Jericó. colocou-a fora do controle imediato dos
filisteus, e assim era um local estratégico para uma mobilização geral. Gilgal
desempenhara um papel de destaque na história anterior de Israel IJs 4.19-20;
5.10; 9.6; 106-15.43; 1Sm 7.16; 1114).
•13.7 o povo. Trata-se das pessoas mobilizadas no v. 4, e não das tropas que já
estavam em ação no v. 2.
•13.8 o prazo determinado por Samuel. Samuel tinha especificado previa-
mente sete dias 110.8).
•13.9 o holocausto e ofertas pacificas. Ver 10.8, nota.
•13.11 Que fizeste. Ver nota em 2.27-36.
Vendo. Da perspectiva puramente humana, as desculpas de Saul pareceriam ter
algum valor Entretanto, elas não levam em conta a liberdade de Deus para agir
em prol do seu povo. segundo a confirmação dada pelo testemunho de Jônatas
em 14.6.
•13.13 Procedeste nesciamente. Essa expressão hebraica subentende o fra-
casso tanto intelectual quanto moral. Para uma confrontação semelhante entre
um profeta e um rei. ver 2Cr 16.7-9.
em não guardar o mandamento. Nesse contexto. Saul transgredira ao ofere-
cer sacrifícios pela sua própria autoridade.
•13.14 não subsistirá o teu reino. As esperanças que Saul tinha de estabele-
cer uma dinastia foram desfeitas, mas o próprio Saul ainda não será deposto
115.23)
329 1 SAMUEL 13, 14
0 0 SENHOR buscou para si um homem Pque lhe agrada e já lhe or-
denou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto qnão guar-
daste o que o SENHOR te ordenou. 15 Então, se levantou Samuel e
subiu de Gilgal a Gibeá de 4Benjamim. Logo, Saul contou o povo
que se achava com ele, 'cerca de seiscentos homens.
16 Saul, e Jônatas, seu filho, e o povo que se achava com
eles ficaram em 5 Geba de Benjamim; porém os filisteus se
acamparam em Micmás. 17 Os saqueadores saíram do campo
dos filisteus em três tropas; uma delas tomou o caminho de
sofra à terra de Suai; 18 outra tomou o caminho de 1Bete-
Horom; e a terceira, o caminho a cavaleiro do vale de "Zebo-
im, na direção do deserto.
19 Ora, vem toda a terra de Israel nem um ferreiro se acha-
va, porque os filisteus tinham dito: Para que os hebreus não
façam espada, nem lança. 20 Pelo que todo o Israel tinha de
descer aos filisteus para amolar a relha do seu arado, e a sua
enxada, e o seu machado, e a sua foice. 21 Os filisteus cobra-
vam dos israelitas 6dois terços de um sido para amolar os fios
das relhas e das enxadas e 7 um terço de um sido para amolar
machados e aguilhadas. 22 Sucedeu que, no dia da peleja,
xnão se achou nem espada, nem lança na mão de nenhum do
povo que estava com Saul e com Jônatas; porém se acharam
com Saul e comJônatas, seu filho. 23 zsaiu a guarnição dos fi-
listeus ao desfiladeiro de Micmás.
A 11itória de Jônatas sobre os filisteus
14 Sucedeu que, um dia, disse Jônatas, filho de Saul, ao seu jovem 1 escudeiro: Vem, passemos à guarnição
dos filisteus, que está do outro lado. Porém não o fez saber a
seu pai. 2 Saul se encontrava na extremidade de ªGibeá,
debaixo da romeira em Migram; e o povo que estava com ele
eram cerca de seiscentos homens. 3 b Aías, filho de Aitube,
cirmão de lcabô, filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote do
SENHOR em Siló, d trazia a estola sacerdotal. O povo não sabia
que Jônatas tinha ido. 4 Entre os desfiladeiros pelos quais
J ônatas procurava passar e à guarnição dos filisteus, deste lado
havia uma penha íngreme, e do outro, outra; uma se chama-
va Bozez; a outra, Sené. 5 Uma delas se erguia ao norte,
defronte de Micmás; a outra, ao sul, defronte de Geba.
6 Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à
guarnição destes /incircuncisos; porventura, o SENHOR nos
ajudará nisto, porque para o SENHOR nenhum impedimento há
g de livrar com muitos ou com poucos. 7 Então, o seu escudeiro
lhe disse: Faze tudo segundo inclinar o teu coração; eis-me
aqui contigo, a tua disposição será a minha. 8 Disse, pois,
Jônatas: Eis que passaremos àqueles homens e nos daremos a
conhecer a eles. 9 Se nos disserem assim: Parai até que
cheguemos a vós outros; então, ficaremos onde estamos e não
subiremos a eles. to Porém se disserem: Subi a nós; então,
subiremos, pois o SENHOR no-los entregou nas mãos. hJsto nos
servirá de sinal. 11 Dando-se, pois, ambos a conhecer à guarni-
ção dos filisteus, disseram estes: Eis que já os hebreus estão
saindo dos buracos em que se tinham ;escondido.
12 Os homens da guarnição responderam a Jônatas e ao
seu escudeiro e disseram: Subi a nós, e nós vos daremos uma
2 Jição. Disse Jônatas ao escudeiro: Sobe atrás de mim, porque
o SENHOR os entregou nas mãos de Israel. 13 Então, trepou
J ônatas de gatinhas, e o seu escudeiro, atrás; e os filisteus
• o 1Sm 16.1 PAt 7.46; 13.22q1Sm15.11.~~ 15 r1s~ 13.2.6-7; 14.2 4Conforme TM e T; LXX e V acrescentam E orestodopovosubiuapós
Sau/ para encontrara povo que lutara contra eles, indo de Gilgal até Gibeá no monte de Benjamim 16 Sou Gibeá 17 5 Js 18.23 18 t Js
16.3; 18.13-14 u Ne 11.34 19 v Jz 5.8 21 ô Hebr. pim, equivalente a oito gramas de prata 70u e para as forquinhas de três dentes, e para
os machados, e para consertar as aguilhadas 22 x Jz 5.8 23z1Sm 14.1.4
CAPÍTUL014 t Iaorapazquecarregavasuasarmas 2ª1Sm13.15-16 Jb1Sm229.11,20C1Sm4.21 d1Sm2.28 4e1Sm13.23
611Sm17.26.36; Jr 9.25-26 g Jz 7.4.7; 1Sm17.46-47; 2Cr 14.11; [SI 115.3; 135.6; Zc 4.6; Mt 19.26; Rm 8.31] 10 h Gn 24.14; Jz 6.36-40
ti i1Sm 13.6; 14.22 t22Lit.faremos-vosaprenderumacoisa
um homem que lhe agrada. A frase pode ser interpretada como "um homem
da sua própria escolha." ressaltando a eleição soberana da parte de Deus.
Mesmo assim, à luz de textos bíblicos tais como 2.35; 16.7, o texto também diz
que Davi, o escolhido do Senhor, "era segundo o coração de Deus" no sentido de
estar dedicado à sua vontade e aos seus propósitos.
•13.15 Então, se levantou Samuel. Por causa das ações estultas de Saul,
parece que Samuel partiu sem dar mais instruções a ele (10.8). O texto mais
longo na Septuaginta (a antiga tradução grega do Antigo Testamento; ver a nota
textual) é. provavelmente, correto e sugere que, depois de Samuel partir, Saul
voltou a ficar com Jônatas em Geba (v. 2. nota; v. 16, nota).
•13.16 Geba. Ver nota textual. Outra leitura possível é "Gibeá" (v 2, nota).
•13.17 saqueadores saíram ... em três tropas. Grupos de assalto
aterrorizavam e saqueavam, além de manter a pressão militar mediante o
reconhecimento e o controle de vias de acesso importantes.
•13.19-21 Aos israelitas faltavam armas, e até mesmo dependiam dos filisteus
para afiar seus instrumentos agrícolas. As evidências arqueológicas sugerem que
os filisteus aprenderam a forjar ferro antes dos seus vizinhos.
•13.22 com Saul e com Jônatas, seu filho. Esse fato lança as esperanças de
Israel em duas pessoas em particular. e o capítulo seguinte faz uma comparação
entre elas, deixando Saul em desvantagem.
•14.1 Porém não o fez saber a seu pai. Jônatas. ao resolver não contar ao
seu pai a respeito do seu plano ousado, talvez dê a entender sua falta de
confiança neste (cf. a reação semelhante de Abigail diante da atitude do marido
Nabal, em 25 19).
•14.3 filho de Aitube, irmão de lcabô. A presença de um membro da casa sa-
cerdotal de Eli, rejeitada por Deus (2.30). no arraial de Saul traz à memória arejei-
ção recente da própria casa real de Saul (13.14).
trazia a estola sacerdotal. A presença no arraial de Saul da estola sacerdotal,
que era usada para indagar a vontade de Deus (2.28. nota). encoraja a expectati-
va de que a usará para pedir a orientação divina. conforme fez Davi em data pos-
terior (23.9-12; 30 7-8). Nesse caso. no entanto. Sauldeixa por conta de Jônatas
a tarefa de descobrir a vontade do Senhor (v. 1 O, nota). No v. 19 (nota). Saul de-
monstra uma falta de respeito para com a estola sacerdotal; e, mais tarde, ataca
de modo selvagem aqueles cujo dever é cuidar da estola sacerdotal e zelar pelo
seu devido uso (22.18; cf. 21.9). No fim, os esforços de Saul para descobrir a von-
tade do Senhor recebem só o silêncio como resposta (28.6, nota).
•14.4 Bozez ... Sené. Esses nomes significam, possivelmente, "escorregadio" e
"espinhoso" e assim dramatizam o desafio que Jônatas tinha diante dele.
•14.6 incircuncisos. Os incircuncisos eram pessoas que, assim como os filiste-
us, estavam fora da aliança com Deus (Gn 17.14; Êx 12.48; Jz 14.3; 15.18).
para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar. Compare a confiança de
Davi em 17.47. Embora o narrador não ofereça nenhuma crítica à desculpa de
Saul em 13.11 (que "o povo ia se espalhando," etc.), a confissão corajosa de Jô-
natas serve de comentário indireto sobre a mediocridade daquela desculpa.
•14.10 Isto nos servirá de sinal. Jônatas não quer adiantar-se sem a
aprovação do Senhor. Nisto, é mais fiel do que o seu pai, que parece demonstrar
cada vez menos compromisso com a busca da orientação divina (13.8-15;
14.18-19,36 e notas).
•14.11 hebreus. Ver nota em 4.6.
1SAMUEL14 330
icaíram diante de Jônatas, e o seu escudeiro os matava atrás
dele. 14 Sucedeu esta primeira derrota, em que Jônatas e o
seu escudeiro mataram perto de vinte homens, em cerca de
3 meia jeira de terra. ts 1Houve grande 4espanto no arraial, no
campo e em todo o povo; também a mesma guarnição e mos
saqueadores tremeram, e até a terra se estremeceu; e tudo
passou a ser num terror de Deus.
16 Olharam as sentinelas de Saul, em Gibeá de Benjamim,
e eis que a multidão se dissolvia, ºcorrendo uns para cá,
outros para lá. t7Então, disse Saul ao povo que estava com
ele: Ora, contai e vede quem é que saiu dentre nós. Conta-
ram, e eis que nem Jônatas nem o seu escudeiro estavam ali.
18 Saul disse a Aías: Traze aqui a 5 arca de Deus (porque,
naquele dia, ela estava com os filhos de Israel). 19 Enquanto
Saul Pfalava ao sacerdote, o alvoroço que havia no arraial dos
filisteus crescia mais e mais, pelo que disse Saul ao sacerdote:
Desiste de trazer a arca. 20 Então, Saul e todo o povo que
estava com ele se ajuntaram e vieram à peleja; e q a espada de
um era contra o outro, e houve mui grande tumulto.
21 Também com os filisteus dantes havia hebreus, que
subiram com eles ao arraial; e também estes se ajuntaram
com os israelitas que estavam com Saul e Jônatas. 22 Ouvin-
do, pois, todos os homens de Israel que 'se esconderam pela
região montanhosa de Efraim que os filisteus fugiram, eles
também os perseguiram de perto na peleja. 23 s Assim, livrou
o SENHOR a Israel naquele dia; e a batalha passou além de
1Bete-Áven.
O voto de Saul
24 Estavam os homens de Israel angustiados naquele dia,
porquanto Saul "conjurara o povo, dizendo: Maldito o ho-
mem que comer pão antes de anoitecer, para que me vingue
de meus inimigos. Pelo que todo o povo se absteve de pro-
var pão. 25 vTodo o povo chegou a um bosque onde havia
xmel no chão. 26 Chegando o povo ao bosque, eis que corria
mel; porém ninguém chegou a mão à boca, porque o povo
temia a conjuração. 27 Jônatas, porém, não tinha ouvido
quando seu pai conjurara o povo, e estendeu a ponta da vara
que tinha na mão, e a molhou no favo de mel; e, levando a
mão à boca, tornaram a brilhar os seus olhos. 28 Então, res-
pondeu um do povo: Teu pai conjurou solenemente o povo
e disse: Maldito o homem que, hoje, comer pão; estava
exausto o povo. 29 Então, disse Jônatas: Meu pai turbou a
terra; ora, vede como brilham os meus olhos por ter eu pro-
vado um pouco deste mel. 30 Quanto mais se o povo, hoje,
tivesse comido livremente do que encontrou do despojo de
seus inimigos; porém desta vez não foi tão grande a derrota
dos filisteus.
31 Feriram, porém, aquele dia aos filisteus, desde Micmás
até Aijalom. O povo se achava exausto em extremo; 32 e, lan-
çando-se ao ó despojo, tomaram ovelhas, bois e bezerros, e os
mataram no chão, e os comeram z com sangue. 33 Disto infor-
maram a Saul, dizendo: Eis que o povo peca contra o SENHOR,
comendo com sangue. Disse ele: Procedestes aleivosamente;
rolai para aqui, hoje, uma grande pedra. 34 Disse mais Saul:
Espalhai-vos entre o povo e dizei-lhe: Cada um me traga o seu
boi, a sua ovelha, e matai-os aqui, e comei, e não pequeis con-
tra o SENHOR, comendo com sangue. Então, todo o povo trou-
xe de noite, cada um o seu boi de que já lançara mão, e os
mataram ali. 35 ªEdificou Saul um altar ao SENHOR; este foi o
primeiro altar que lhe edificou.
fônatas sal\lo pelo pOYo
36 Disse mais Saul: Desçamos esta noite no encalço dos
filisteus, e despojemo-los, até o raiar do dia, e não deixemos
de resto um homem sequer deles. E disseram: Faze tudo o
que bem te parecer. 37 Disse, porém, o sacerdote: Chegue-
mo-nos aqui a Deus. Então, bconsultou Saul a Deus, dizen-
do: Descerei no encalço dos filisteus? Entregá-los-ás nas
mãos de Israel? Porém e aquele dia Deus não lhe respondeu.
38 Então, disse Saul: d Chegai-vos para aqui, todos os chefes
do povo, e informai-vos, e vede qual o pecado que, hoje, se
-~~~~~~~~~~~
13 iLv 26.8; Js 23.10 14 3Lit.metadedaárealavradaporumajuntadebois em um dia 15 1Dt28.7; 2Rs 7.6-7; Jó 18.11 m 1Sm 13.17 nGn
35.54terror 16°1Sm14.20 t85ConformeTM.TeV;LXXephod 19PNm27.21 20qJz7.22;2Cr20.23 22'1Sm13.6 2JSÊx
14.30; 2Cr 32.22; Os 1. 7 t 1 Sm 13.5 24 u Js 6.26 25 v Dt 9.28; Mt 3.5 x Êx 3.8; Nm 13.27; Mt 3.4 32 z Gn 9.4; Lv 3.17; 17.10-14;
19.26; Dt 12.16,23-24; At 15.20 ô espólio ou saque 35a1 Sm 7.12,17; 2Sm 24.25 37 bJz 20.18 C1Sm 28.6 38 d Js 7.14
•14.18 arca de Deus. Ver nota textual. A Septuaginta (antiga tradução grega do
Antigo Testamento) contém o termo "estola sacerdotal", o que é, provavelmente,
correto, pois essa estola sacerdotal estava claramente presente em Gibeá (v. 3,
nota) e era usada para inquirir do Senhor (2.28, nota). O texto existente em
hebraico, "arca," é duvidoso, porque a arca estava em Quiriate-Jearim nessa
ocasião (7.1-2); nunca é dito que a arca foi usada como meio de obter uma
mensagem divina; e tocar na arca (cf. v. 19) resultava em morte (6.19; 2Sm 6.6-7).
•14. 19 Desiste. Ao mandar o sacerdote deixar de fazer uso do instrumento
mediante o qual a vontade do Senhor poderia ter sido determinada, Saul assume
sobre si mesmo a responsabilidade pelos acontecimentos (cf. 139).
•14.21 hebreus. Ver nota em 4.6
•14.24 angustiados naquele dia. Esse é um relato de algo que aconteceu
anteriormente naquele mesmo dia, ou seja, depois de Jônatas sair para atacar os
filisteus (vs. 13-14). mas antes de Saul entrar na batalha (v 20).
porquanto Saul. Isto também pode significar "assim Saul'', significando que
Saul colocou o povo sob um juramento por causa da tristeza deles, e não que a
tristeza houvesse sido causada por aquilo que Saul disse ao povo.
•14.27 Jônatas, porém, não tinha ouvido. Isso, provavelmente, porque saíra
do arraial antes do juramento ter sido imposto (v. 24, nota)
•14.29 Meu pai turbou a terra. A falta de confiança de Jônatas em seu pai,
implícita na exclusão dele de seus planos (v. 1). agora passa a ser uma condenação
aberta da ação estulta do seu pai ao submeter o povo a um juramento. Assim como
no caso de Acã (Js 7.16-18,25). a sorte será lançada para desmascarar o culpado,
o "perturbador" da terra. A sorte revela Jônatas como aquele que violou o
juramento (v 42), mas o verdadeiro perturbador de Israel era Saul.
•14.31 Aijalom. Cerca de 24 km ao oeste de Micmás, no vale de Aijalom, que
parece ser o caminho que os filisteus seguiram de volta ao seu país.
•14.33 comendo com sangue. No Antigo Testamento, são registradas
proibições freqüentes contra comer sangue (Gn 9.4; Lv 3.17; 7.26-27;17.10, 12;
19.26; Dt 15.23; Ez 33.25).
•14.35 o primeiro altar. É também o único altar a ser mencionado.
•14.37 Disse, porém, o sacerdote. É incomum que o sacerdote, provavel-
mente Aías (v 3). tenha tomado a iniciativa. Mas o fato condiz com o padrão cada
vez menor do compromisso de Saul na busca pela orientação do Senhor (v. 1 O,
nota).
331 1 SAMUEL 14, 15
cometeu. 39 Porque e tão certo como vive o SENHOR, que sal-
va a Israel, ainda que com meu filho Jônatas esteja a culpa,
seja morto. Porém nenhum de todo o povo lhe respondeu.
40 Disse mais a todo o Israel: Vós estareis de um lado, e eu e
meu filho Jônatas, do outro. Então, disse o povo a Saul: Faze
o que bem te parecer. 41 Falou, pois, Saul ao SENHOR, Deus
de Israel: 1Mostra7 a verdade. 8Então, Jônatas e Saul foram
indicados por sorte, e o povo saiu livre. 42 Disse Saul: Lançai a
sorte entre mim eJônatas, meu filho. E foi indicado Jônatas.
43 Disse, então, Saul aJônatas: hDeclara-me o que fizeste.
E Jônatas lhe disse: ;Tão-somente provei um pouco de mel
com a ponta da vara que tinha na mão. Eis-me aqui; estou
pronto para morrer. 44 Então, disse Saul: !Deus me faça o que
bem lhe aprouver; 1 é certo que morrerás, Jônatas. 45 Porém o
povo disse a Saul: Morrerá Jônatas, que efetuou tamanha
salvação em Israel? Tal não suceda. mTão certo como vive o
SENHOR, não lhe há de cair no chão um só cabelo da cabeça!
Pois nfoi com Deus que fez isso, hoje. Assim, o povo salvou a
Jônatas, para que não morresse. 46 E Saul deixou de perseguir
os filisteus; e estes se foram para a sua terra.
47 Tendo Saul assumido o reinado de Israel, pelejou contra
todos os seus inimigos em redor: contra Moabe, os filhos de
0 Amom e Edom; contra os reis de P Zobá e os filisteus; e, para
onde quer que se voltava, era 8 vitorioso. 48 Houve-se
varonilmente, e qferiu 9 os amalequitas, e libertou a Israel das
mãos dos que o saqueavam.
49 'Os filhos de Saul eram Jônatas, IJsvi e Malquisua; os
nomes de suas duas filhas eram: o da mais velha, Merabe; o
da mais nova, 8 Mical. 50 A mulher de Saul chamava-se Ainoã,
filha de Aimaás. O nome do general do seu exército, Abner,
filho de Ner, 1tio de Saul. 51 "Ouis era pai de Saul; e Ner, pai
de Abner, era filho de Abiel. 52 Por todos os dias de Saul,
houve forte guerra contra os filisteus; pelo que Saul, a todos
os homens fortes e valentes que via, vos agregava a si.
A desobediência de Saul e a sua rejeição
15 Disse Samuel a Saul: ªEnviou-me o SENHOR a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; atenta, pois, agora,
às palavras do SENHOR. 2 Assim diz o SENHOR dos Exércitos:
Castigarei Amaleque pelo que fez a Israel: bter-se oposto a Is-
rael no caminho, quando este subia do Egito. 3 Vai, pois,
agora, e Cfere' a Amaleque, e ddestrói totalmente a tudo o
que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e
mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos
e jumentos.
4 Saul convocou o povo e os contou em Telaim: duzen-
tos mil homens de pé e dez mil homens de Judá. 5 Chegan-
do, pois, Saul à cidade de Amaleque, pôs emboscadas no
vale. 6 E disse e aos queneus: !\de-vos, retirai-vos e saf do
meio dos amalequitas, para que eu vos não destrua junta-
mente com eles, porque 8usastes de misericórdia para com
todos os filhos de Israel, quando subiram do Egito. Assim, os
queneus se retiraram do meio dos amalequitas. 7 hEntão,
feriu Saul os amalequitas, desde iHavilá até chegar a /Sur,
que está defronte do Egito. 8 1Tomou vivo a Agague, rei dos
amalequitas; porém ma todo o povo destruiu a fio de espada .
• 39 e2Sm 12.5- 41/At1.24-2681Sm10.20-21 7Confor~e TM e T; OOe V Ó SENHOR, Deus de Israel, po~quetunãorespo;deshojeaoteu
servo? Se a injustiça é comigo ou meu filho Jônatas, ó SENHOR Deus de Israel, dá prova; e se tu dizes que é com o teu povo Israel, dá santidade
43 hJs 7.19 i1Sm 14.27 44 iRt 1.17 11Sm14.39 45 m 1Rs 1.52 n [2Co 6.1] 47o1Sm 11.1-13 P2Sm 10 6 BConforme 00 e V; TM
procedia perversamente 48q1Sm 15.3-7 9ou seja, atacou 49 r1sm 312 s1Sm 18.17-20,27; 19.12 1 Abinadabe, 1Cr 8.33; 9.39 50 11Sm
10.14 51"1Sm9.1,21 52V1Sm8.11
CAPÍTULO 15 1 a 1Sm 9.16; 10.1 2 bOt 25.17-19 3 cot 25.19 dNm 24.20 1 Ou seja, ataque 6 eNm 24.21; Jz 1.16; 4.11-22; 1Cr
2.55/Gn 18.25; 19 12,14; Ap 18.4 gÊx 18.10, 19; Nm 10.29,32 7h1Sm14.48 iGn 2.11; 25.17-18 /Gn 167; Êx 15.22; 1Sm27.8 8 11 Sm
15.32-33m1Sm 27.8-9
•14.39 Porém nenhum ... lhe respondeu. O povo protegia Jônatas.
•14.45 Tal não suceda. Ao ser forçado pela severidade de Saul (vs. 39,44) a
escolher entre Saul e Jônatas, o povo optou por Jônatas, claramente
reconhecendo-o como aquele que o Senhor usara na batalha naquele dia. O
comportamento estulto de Saul o alienara de todos ao seu redor, inclusive dos
seus próprios seguidores. Seu isolamento não é permanente, no entanto, pois
Jônatas volta posteriormente a ser da sua confiança (20.2), e o povo demonstra
sinais de lealdade renovada (2319; 24.1). Até mesmo Samuel passa a ter mais
contatos com ele (cap. 15).
•14.47-51 Aqui temos um resumo das façanhas militares de Saul (vs. 47-48) e
pormenores acerca de sua família e de Abner (vs. 49-51). Uma comparação entre
essa seção e o resumo mais longo das vitórias de Davi e dos seus oficiais, em
2Sm 8, revela várias semelhanças, mas também uma diferença reveladora: em
nenhuma parte do resumo a respeito de Saul existe algo semelhante à
declaração repetida a respeito de Davi: "o SENHOR dava vitórias a Davi, por onde
quer que ia" (2Sm 8.6,14).
•14.52 forte guerra. Ver notas em 7.13.
•15.1 Enviou-me o SENHOR a ungir-te. Samuel menciona seu papel na unção
de Saul a fim de estabelecer o contexto da continuação de seu serviço como
mediador das ordens de Deus a Saul 110.1, nota).
atenta, pois, agora, às palavras do SENHOR. As palavras hebraicas traduzidas
por "atentar" e "palavras" (lit. "voz") são repetidas várias vezes nesse capítulo,
ressaltando o tema central da obediência (''atentar,'' "dar ouvidos,'' "obedecer,'' e
"voz," e "balido. mugido", nos vs. 1,14,19-20,22.24).
•15.2 Amaleque. Descendentes de Esaú (segundo Gn 36.12, 16), os
amalequitas eram um povo nômade do deserto que habitava no Sul de Judá e
além, na direção do Egito. Lutavam freqüentemente contra os israelitas. Ver
referências lateral, e Jz 3.13; 6.3-5,33; 7.12; 10.12.
•15.3 destrói totalmente. Lit. "coloca-os sob a maldição." Isso significa
devotar pessoas ou objetos completamente ao Senhor. Na guerra, isso
normalmente exigia a destruição total das propriedades e a execução das
pessoas. A inclusão de animais nesse versículo é algo especialmente notável.
Essa maldição era um elemento da "guerra santa" e não podia ser decretada por
ninguém a não ser Deus.
homem e mulher, meninos e crianças de peito. Ver 22.19 e nota.
•15.4 Telaim. Trata-se, provavelmente, de Telém, alistada em Js 15.24 como
uma das cidades de Judá. A Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento)
contém "Gilgal" que, segundo alguns têm sugerido, foi o local onde Samuel deu
suas instruções a Saul (vs. 1-3).
•15.6 porque usastes de misericórdia. Talvez uma alusão à bondade do
sogro queneu de Moisés (Jz 1 .16), registrada em Êx 18.
•15.7 desde Havilá até ... Sur. Ver Gn 25.18. Sur é mencionada em 27.8 como
sendo um local nas fronteiras do território amalequita, perto da fronteira oriental
do Egito. A localização de Havilá permanece incerta, mas o sentido geral da
referência é que a vitória de Saul foi bastante ampla.
•15.8 Agague. Este é um nome pessoal, ou um título, assim como "Faraó"; ver
Nm 24.7; "agagita", em Et 3.1.
todo o povo. Não se trata de "todos" sem exceção, mas de todos .quantos
l
j
1SAMUEL15 332
9 E Saul e o povo npouparam Agague, e o melhor das ove- caminho e disse: Vai, e destrói totalmente estes pecadores, os
lhas e dos bois, e os animais gordos, e os cordeiros, e 0 me- amalequitas, e peleja contra eles,até exterminá-los. 19 Por que,
lhor que havia e não os quiseram destruir totalmente; pois, não atentaste à voz do SENHOR, mas te lançaste ao
porém toda coisa vil e desprezível destruíram. 2despojo e fizeste o que era mau aos olhos do SENHOR?
to Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: 20 Então, disse Saul a Samuel: xpelo contrário, dei ouvidos à
t t 0 Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto voz do SENHOR e segui o caminho pelo qual o SENHOR me
Pdeixou de me seguir qe não executou as minhas palavras. enviou; e trouxe aAgague, rei de Amaleque, e os amalequitas,
Então, 'Samuel se éontristou e toda a noite clamou ao SENHOR. os destruí totalmente; 21 zmas o povo tomou do despojo
12 Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã; e ovelhas e bois, o melhor do designado à destruição para
anunciou-se àquele: Já chegou Saul ao scarmelo, e eis que oferecer ao SENHOR, teu Deus, em Gilgal. 22 Porém Samue\
levantou para si um monumento; e, dando volta, passou e disse: ªTem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaus-
desceu a Gilgal. 13 Veio, pois, Samuel a Saul, e este lhe disse: tos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis
tBendito sejas tu do SENHOR; executei as palavras do SENHOR. que bo obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender,
14 Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos melhor do que a gordura de carneiros. 23 Porque a rebelião é
meus ouvidos e o mugido de bois que ouço? ts Respondeu como o pecado de 3feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria
Saul: De Amaleque os trouxeram; "porque o povo poupou o e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR,
melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao SENHOR, teu e ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
Deus; o resto, porém, destruímos totalmente. 16 Então, disse 24 dEntão, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o
Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o SENHOR me disse mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque e temi o
esta noite. Respondeu-lhe Saul: Fala. povo e dei ouvidos à sua voz. 2s Agora, pois, te rogo, perdoa-
17 Prosseguiu Samuel: Porventura, vsendo tu pequeno aos me o meu pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR.
teus olhos, não foste por cabeça das tribos de Israel, e não te 26 Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; /visto
ungiu o SENHOR rei sobre ele? 18 Enviou-te o SENHOR a este que rejeitaste a palavra do SENHOR, já ele te rejeitou a ti, para
• 9n1Sm 15.3,15,19 11°Gn6.6-7; 1Sm 15.35; 2Sm 24.16 PJs 22.16;-~~ 96q1Sm 13.13; 15.3,9 '1Sm 15.35; 16.1 12 sJs 15.55;
1Sm 25.2 13 IGn 14.19; Jz 17.2; Rt 3.10; 2Sm 2.5 IS u [Gn 3.12-13; Êx 32.22-23); 1Sm 15.9,21; [Pv 28 13] 17v1Sm 9.21; 10.22
19 2espólio ou saque 20 x1Sm15 13; [Pv 28.13] 21 z1sm 15.15 22 a [Is 1.11-17] b [Os 6 6] 23 CJSm 13.14; 16.1 3adivinhação
24 dJs 7.20 '[Is 5112-13] 26f1Sm 2.30
caíram nas mãos de Saul (há referências posteriores aos amalequitas em 27 .8;
30.1, 18) Para este sentido limitado de "todos", cf. 13.7; 31.6.
•15.9 Saul e o povo pouparam. Agiram de modo contrário às ordens do
Senhor (v. 3). O desejo de tirar proveito da vitória pode ter sido o motivo da
relutância em destruir coisas de valor. Acã apropriou-se de bens que tinham sido
condenados à destruição, aparentemente porque era cobiçoso (Js 7.1). Ao leitor
não é contado o motivo de Saul ter poupado Agague, mas talvez seja a política,
assim como a misericórdia (\Ue Acabe teve com Ben-Hadade (1 Rs 20.30-34), ou
o orgulho, o desejo de demonstrar publicamente seus cativos como troféus de
guerra. Saul realmente levantou um monumento da vitória, "para si" (v. 12).
•15.11 "Arrependo-me." Ver nota em v. 29.
deixou de me seguir. Essa é uma grave acusação formal, tendo em vista 12.14,
onde a obediência e o seguir ao Senhor são citados como sendo os requisitos
essenciais para um reinado bem sucedido.
Samuel se contristou. Lit. "Samuel irou-se." A mesma expressão hebraica é
empregada em 18.8; 2Sm 6.8.
toda a noite clamou ao SENHOR. Fica claro que Samuel não sente nenhum
prazer na rejeição de Saul (v. 35; 16.1).
•15.12 Carmelo. Cerca de 12 km ao sul de Hebrom (25.2; Js 15.55). Não se
trata do monte Carmelo, ao norte.
levantou para si um monumento. O paralelo mais próximo acha-se em 2Sm
18.18, onde Absalão "levantara para si uma coluna" a fim de celebrar o seu nome.
•15.14-23. Esses versículos demonstram as características padronizadas de um
discurso de julgamento profético contra um indivíduo (2.27-36, nota), mas nesse
caso, o aeusado, Saul. vigorosamente contesta as acusações.
•15.15 os trouxeram ••• para os sacrificar. Comei resposta à acusação de
Samuel, Saul oferece duas desculpas: primeiro, o povo é o culpado, e não ele;
segundo. os animais seriam oferecidos como sacrifício. Samuel responderá a
essas· desculpas.
•15.17 pequeno aos teus olhos. Sejam quais tertham sido as idéias de Saul a
respeito da sua condição como rei, Samuel rejeita sua tentativa de evitar sua
responsabilidade pessoal por aquilo que acontecera.
•15.19 te lançaste ao despojo. Samuel rejeita a alegação de que os animais
foram poupados por serem necessários para o sacrifício. Quanto ao verbo
traduzido por "lançar-se," ver 25.14, nota.
•15.20-21 Desconsiderando o repúdio de Samuel às suas desculpas, Saul as
repete com teimosia.
•15.22-23 A forma poética desses dois versículos ressalta sua importância
culminante nesse episódio.
•15.22 holocaustos. Ver nota em 10.8.
o obedecer é melhor do que o sacrificar. Embora Samuel obviamente não
acredite na desculpa de Saul (v. 19, nota), mostra que, mesmo na hipótese de
haver verdade nisso, a lição é que a prática de rituais não tem valor quando não é
acompanhada por um espírito sincero e submisso. Ver denúncias semelhantes de
rituais sem conteúdo, feitas posteriormente por outros profetas de Israel: Is
110-17; Jr 6.19-20; 7.21-26; Os 6.6; Am 5.21-24; Mq 6.6-8; também SI
5116-17; Pv 15.8; 21.3,27.
•15.23 rebelião ... feitiçaria ... idolatria. A feitiçaria e a idolatria eram pecados
especialmente graves.
Visto que rejeitaste ... ele também te rejeitou a ti. Quando Samuel chega ao
ponto de pronunciar a sentença contra Saul, expressa-a de uma maneira que
deixa clara a justiça do veredito divino. O delito e o castigo correspondem entre si
(2.27-36, nota). Embora a falha de Saul no cap. 13 resultasse no fim de suas
esperanças para sua dinastia (13.14), sua desobediência no contexto presente
implica no fim do seu direito pessoal de ser rei. O capítulo seguinte narra como
Davi foi ungido e como o Espírito do Senhor afastou-se de Saul (16.13-14).
•15.24-25 Finalmente. Saul começa a aceitar a responsabilidade ("Pequei"),
embora continue culpando o povo por ter dado início aos eventos lastimáveis
("temi o povo e dei ouvidos à sua voz"). Superficialmente, a confissão de Saul
parece adequada, mas levando-se em conta as advertências de Samuel em
12.14-15, suas confissões parecem não conduzi-los à possibilidade de uma
reconciliação, mas à certeza de que "perecerá" (12.25). Saul passará a oferecer
uma segunda confissão, mais honesta. no v. 30.
•15.26 Não tomarei contigo. Samuel, ao recusar-se a voltar com Saul, dá a
impressão de não estar satisfeito com a sinceridade da confissão como um todo
(v 30, nota).
333 1 SAMUEL 15, 16
que não sejas rei sobre Israel. 27 Virando-se Samuel para se
ir, gSaul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou_
28 Então, Samuel lhe disse: hQ SENHOR rasgou, hoje, de ti o
reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que
tu. 29 Também a Glória de Israel inão mente, nem se arre-
pende, porquanto não é homem, para que se arrependa.
30 Então, disse Saul: Pequei; ihonra-me, porém, agora, dian-
te dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comi-
go, para que adore o SENHOR, teu Deus. 31 Então, Samuel
seguiu a Saul, e este adorou o SENHOR.Samuel mata a Agague
32 Disse Samuel: Traze-me aqui Agague, rei dos amale-
quitas. Agague veio a ele, confiante; e disse: Certamente, já se
foi a amargura da morte. 33 Disse, porém, Samuel: 1Assim
como a tua espada desfilhou mulheres, assim desfilhada
ficará tua mãe entre as mulheres. E Samuel despedaçou a
Agague perante o SENHOR, em Gilgal.
34 Então, Samuel se foi a mRamá; e Saul subiu à sua casa, a
nGibeá de Saul. 35 ªNunca mais viu Samuel a Saul até ao dia
da sua morte; porém tinha pena de SauL O SENHOR se
arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.
Samuel en\/iado a]essé
1 6 Disse o SENHOR a Samuel: ªAté quando terás pena de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine
sobre Israel? bEnche um chifre de azeite e vem; enviar-te-ei a
cJessé, o belemita; porque, dentre os seus filhos, dme provi1
de um rei. 2 Disse Samuel: Como irei eu? Pois Saul o saberá e
me matará. Então, disse o SENHOR: Toma contigo um novilho
e dize: eVim para sacrificar ao SENHOR. 3 Convidarás Jessé
para o sacrifício; eu te mostrarei o que hás de fazer, e llllgir-
me-ás a quem eu te designar. 4 Fez, pois, Samuel o que
dissera o SENHOR e veio a Belém. Saíram-lhe ao encontro os
anciãos da cidade, !tremendo, e perguntaram: gÉ de paz a tua
vinda? 5 Respondeu ele: É de paz; vim sacrificar ao SENHOR.
n Santificai-vos2 e vinde comigo ao sacrifício. Santificou ele a
Jessé e os seus filhos e os convidou para o sacrifício.
6 Sucedeu que, entrando eles, viu a ;Eliabe e idisse consigo:
Certamente, está perante o SENHOR o seu llllgido. 7 Porém o
SENHOR disse a Samuel: 1Não atentes para a sua aparência, nem
para a sua altura, porque o rejeitei; mporque3 o SENHOR não vê
como vê o homem. O homem nvê o exterior, porém o SENHOR,
o ªcoração. 8 Então, chamou Jessé a Abinadabe e o fez passar
diante de Samuel, o quai disse: Nem a este escolheu o SENHOR.
9 Então, Jessé fez passar a Samá, porém Samuel disse:
Tampouco a este escolheu o SENHOR. to Assim, fez passar Jessé
os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a
Jessé: O SENHOR não escolheu estes_ t t Perg®tou Samuel a
Jessé: Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: Ainda falta o
mais moço, que está apascentando Pas ovelhas. Disse, pois,
Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos 4 assentaremos
à mesa sem que ele venha. 12 Então, mandou chamá-lo e fê-lo
entrar. Era ele qruivo, rde belos olhos e boa aparência. 5Disse o
SENHOR: Levanta-te e unge-o, pois este é ele. 13 Tomou Samuel
o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos; e, daquele
• 27g1Rs11.30-31 28h1Rs11.31 29iNm23.19 30i[Jo5.44;12.43] JJl[Gn96] J4m1Sm7.17n1S~11.4 JSº1Sm19.24
CAPÍTULO 16 t a1sm 15.23,35 b1Sm 9.16; 10.1 CR\4.18-22dAt13.22 1 Lit.tenho visto para mim 2 f1Sm 9.12 4f1Sm 21 .1 g1Rs
2.13 S hÊx 19.10 2Consagrai-vos 6 i1Sm17.13,28 i1Rs 12.26 7151147.10 m1s 55.8-9n2Co10.7o1Rs 8.39 31Ji.XPois Deus não vê
como o homem vê; T Não é pela aparência de um homem; V Nem eu julgo de acordo com a aparência de um homem 11 P2Sm 7.8 4Con-
forme lXX e V; TM nos voltaremos; Te S nos afastaremos 12q1Sm 17.42 rGn 39.6s1Sm 9.17
•15.28 rasgou ... o reino. Samuel aproveita o incidente do manto como símbolo
apropriado de o Senhor ter "rasgado o reino" de Saul lcf 24.4-5; 1 Rs 1129-33)
•15.29 não mente, nem se arrepende. A rejeição de Saul é decisiva, e
nenhuma tentativa de mitigar as suas conseqüências surtirá efeito. Não há
contradição entre essa declaração e as declarações nos vs. 11,35 de que o
SENHOR "se arrependeu" de ter constituído Saul rei. embora "arrepender-se"
represente a mesma palavra hebraica que "lastimar-se" nesse versículo. Assim
como em Nm 23.19, a lição é que, quando o Senhor faz um pronunciamento que
visa ser definitivo, ele não pode ser persuadido a mudar de idéia.
•15.30 honra-me. A verdadeira preocupação de Saul torna-se clara na sua
segunda confissão lvs. 24-25 e nota). Conforme Samuel parece já suspeitar lv.
26, nota). Saul se interessa menos por se reconciliar com o Senhor do que por ser
honrado diante dos anciãos do "meu povo." Em troca dessa honra, Saul se
oferece a tratar com reverência o SENHOR "teu" Deus.
•15.31 Samuel seguiu a Saul. Vários motivos pela mudança da decisão ante-
rior de Samuel lv. 26) podem ser sugeridos: la) Saul finalmente fez uma confissão
sincera; lbl não existe o perigo, depois dos vs. 28-29. de que Saul interprete a
atitude de Samuel como retratação do julgamento que pronunciou; lei Samuel
ainda vai lidar com Agague.
• 15.35 Samuel... tinha pena de Saul. Ver nota no v. 11.
•16.1-31.13 Esses capítulos narram a ascensão de Davi ao poder e a perda do
poder de Saul. bem como a sua morte. A ascensão de Davi é marcada pela sua
unção por Samuel e seu período a serviço de Saul lcaps. 16-18). sua fuga de
Saul (caps. 19-23). seu cuidado em não cometer o crime de sangue lcaps.
24-26) e sua fuga aos filisteus lcaps. 27-31).
•16.1 belemita. Belém, mencionada pela primeira vez em Gn 35.19, é a cidade
natal de Davi 117.12. 15). Quanto à relevância dessa localidade para o Messias ("o
ungido"). ver Mq 5.2; Mt 2.5-6; Jo 7.42.
me provi. A seleção de um rei para "mim" lo Senhor) contrasta com a escolha de
um rei para "eles" lo povo) em 8.22 18.18; 12.13)
•16.2 Vim para sacrificar. Embora essa declaração seja verdadeira em si, não
revela o motivo principal para a viagem de Samuel a Belém lv. 1 ). É bem provável
que haja um tom irônico na ordem que o Senhor deu a Samuel, justamente por ter
sido dada não muito depois de Saul ter alegado que poupou o melhor dos animais
somente "para os sacrificar" 115.15.21). Casos de "informação incompleta"
como este precisam ser pesados dentro das suas circunstâncias específicas
(20.6; 21.2; 27.10; 2Sm 16.17-19; Js 24 e notas)
•16.3 ungir-me-ás. Ver nota em 2.1 O.
•16.4 os anciãos da cidade, tremendo. Ver a reação semelhante de
Aimeleque quanto Davi chegou sozinho em Nobe (21.1). Não é mencionado
nenhum motivo para o grande temor dos anciãos. Provavelmente tivesse a ver
com a função profética de Samuel como instrumento do juízo divino.
•16. 7 nem para a sua altura, porque o rejeitei. A referência à estatura
como uma medida errônea para classificar a qualificação de um indivíduo para
ser rei, juntamente com o aviso de que esse filho de Jessé é "recusado," faz
relembrar Saul, cuja altura era notável (9.2; 10.23) mas que foi rejeitado
[1523,26).
o SENHOR, o coração. É axiomático que os padrões divinos são interiores, e não
exteriores 113.14, nota; Rm 2.28-29). Ver "Deus Vê e Conhece: A Onisciência
Divina", em Pv 15.3.
•16.13 no meio de seus irmãos. É provável que os anciãos também tenham
presenciado a unção de Davi lvs_ 4-5). A ênfase na presença dos inmãos nesse
evento talvez lance luz sobre o comportamento de Eliabe em 17.28.
1 SAMUEL 16, 17 334
dia em diante, 10 Espírito do SENHOR se apossou de Davi.
Então, Samuel se levantou e foi para Ramá.
Davi tange sua ha.rpa perante Saul
14 "Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da
parte deste vum espírito maligno o atormentava. ts Então, os
servos de Saul lhe disseram: Eis que, agora, um espírito
maligno, enviado de Deus, te atormenta. 16 Manda, pois,
senhor nosso, que teus servos, que estão em tua presença,
busquem um homem que saiba tocar harpa; e será que,
quando o espírito maligno, da parte do SENHOR, vier sobre ti,
então, ele xa dedilhará, e te acharás melhor. 17 Disse Saul aos
seus servos: Buscai-me, pois, um homem que saiba tocar bem
e trazei-mo. 18 Então, respondeu um dos moços e disse:
Conheço um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é
forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras e de
boa aparência; e zo SENHOR é com ele. 19 Saul enviou mensa·
geiros a Jessé, dizendo: Envia-me Davi, teu filho, o que está
com as ovelhas. 20 ªTomou, pois, Jessé um jumento, e o
carregou de pão, um odre de vinho e um cabrito, e enviou-osa Saul por intermédio de Davi, seu filho. 21 Assim, Davi foi a
Saul e besteve perante ele; este o amou muito e o fez seu
escudeiro. 22 Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar Davi
perante mim, pois me caiu em graça. 23 E sucedia que,
quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre
Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia
alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.
vale de Elá, e ali ordenaram a batalha contra os filisteus.
3 Estavam estes num monte do lado dalém, e os israelitas, no
outro monte do lado daquém; e, entre eles, o vale.
4 Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro,
cujo nome era bGolias, de e cate, da altura de seis côvados e um
palmo. s Trazia na cabeça um capacete de bronze e vestia uma
couraça de escamas cujo peso era de cinco mil sidos de bronze.
6 Trazia caneleiras de bronze nas pernas e um dardo de bronze
entre os ombros. 7 A haste da sua lança era como o eixo do
tecelão, e a ponta da sua lança, de seiscentos sidos de ferro; e
diante dele ia o escudeiro. 8 Parou, clamou às tropas de Israel e
disse-lhes: Para que saís, formando· vos em linha de batalha? Não
sou eu filisteu, e vós, dservos de Saul? Escolhei dentre vós um
homem que desça contra mim. 9 Se ele puder pelejar comigo e
me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer e o ferir,
então, sereis nossos servos e e nos servireis. 10 Disse mais o
filisteu: Hoje, !afronto as tropas de Israel. Dai-me um homem,
para que ambos pelejemos. 11 Ouvindo Saul e todo o Israel estas
palavras do filisteu, espantaram-se e temeram muito.
Davi enviado a seus innãos
12 Davi era gfilho daquele hefrateu de Belém de Judá cujo
nome era Jessé, que tinha 1 oito filhos; nos dias de Saul, era já
velho e adiantado em anos entre os homens. 13 Apresenta·
ram·se os três filhos mais velhos de Jessé a Saul e o seguiram
à guerra; jchamavam·se: Eliabe, o primogênito, o segundo,
Abinadabe, e o terceiro, Samá. 14 Davi era o mais moço; só
os três maiores seguiram Saul. 15 Davi, porém, ia a Saul e
O desafio de Golias voltava, 'para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
1 7 Ajuntaram os filisteus as suas tropas para a guerra, e 16 Chegava-se, pois, o filisteu pela manhã e à tarde; e apre· congregaram-se em ªSocá, que está em Judá, e sentou-se por quarenta dias.
acamparam-se entre Socá e Azeca, em Efes-Damim. 2 Porém 17 Disse Jessé a Davi, seu filho: Leva, peço-te, para teus
Saul e os homens de Israel se ajuntaram, e acamparam no irmãos um efa deste trigo tostado e estes dez pães e corre a
• 1JIN~2718 -l~~z~:Jz923 16X1Sm1~10;199 18Z1S~319;1812,14 20ª1S~104,27;Pv1816 zlbGn
41.41); Pv 22.29
CAPITULO 17 ta Js 15.35; 2Cr 28.18 4 b 2Sm 21.19 e Js 11.21-22 8 d 1 Sm 8.17 9 e 1Sm 11.1 JO/ 1 Sm 17.26,36.45; 2Sm
21.21 12 gRt4.22; 1Sm 16.1,18; 17.58 hGn35.19ilSm16.10-11; 1Cr2.13-15 13j1Sm 16.6,8-9; 1Cr2.13 1511sm16.11,19; 2Sm 7.8
o Espírito do SENHOR se apossou de Davi. Ver notas em 10.6; 11.6. O
revestimento de Davi pelo Espírito "daquele dia em diante" destaca-o de Saul le
também de Sansão), sobre quem o Espírito vinha apenas esporadicamente.
•16.14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR. A presença do Espí-
rito de Deus. que confere poder e validade. deve ter sido removida de Saul na oca-
sião da sua rejeição definitiva como rei no cap. 15 lcf. também v. 1 ).
um espírito maligno. Cf. 1 Rs 22.21-23. A palavra hebraica pode descrever algo
que perturba, aflige ou que é danoso.
•16.18 homem de guerra. Esse relatório talvez pareça estar em conflito com a
declaração de Saul em 17.33 de que Davi, sendo só um jovem na ocasião, não es-
tava em pé de igualdade com Golias. Pode-se dizer, como resposta, que a reco-
mendação feita de Davi era, decerto. um exagero, assim como uma carta de
referência nos dias de hoje. Por outro lado, Saul estava comparando Davi com Go-
lias e relutava em tomar o risco de mandar alguém contra o gigante filisteu.
o SENHOR é com ele. Esse fato, mais do que qualquer qualidade humana, expli-
cará a ascensão persistente !embora custosa) de Davi ao poder, ao passo que o
crescente reconhecimento de Saul de que Davi havia sido preferido em lugar dele
desempenhará um papel considerável na sua própria desintegração psicológica
13.19; 17.37; 18.12.28-29; 20.13; 2Sm 7.9 e notas)
•16.19 Envia-me Davi, teu filho, o que está com as ovelhas. Saul, sem o
saber, convida seu futuro substituto a fazer parte da sua corte. A ascensão de
Davi ao poder é dirigida providencialmente. não sendo resultado do esforço hu-
mano ou da cobiça pelo poder.
•16.21 este o amou muito. Não fica claro no texto se essas palavras descrevem
a atitude de Saul para com Davi ou de Davi em relação a Saul. Note, também, o
modo de Jônatas corresponder a Davi 118.1,3; 20.17), bem como o de Mica!
118.20,28), do povo 118.16) e, possivelmente, até mesmo os demais seivos de Saul
118.22). O sentido provável é o de que "Saul amou a Davi" !ver o v. 22).
•17.1 entre Socó e Azeca, em Efes-Damim. Socá ficava 24 km ao oeste de Be-
lém, perto da fronteira da Filistéia. e Azeca ficava quase 4 km ao noroeste de Socá.
•17.2 vale de Elá. O vale desce do leste para o oeste, e passa imediatamente
ao norte de Socá e Azeca.
•17 .4 guerreiro. É raro no Antigo Testamento o resultado de uma luta mortal en-
tre dois campeões ser considerado como a vontade dos deuses !compare 2Sm
2.14-16). É bem atestado, porém, entre alguns dos vizinhos de Israel.
seis côvados e um palmo. São quase 3 metros A Septuaginta !tradução grega
primitiva do Antigo Testamento), os Manuscritos do Mar Morto, e Josefa !Anti-
güidades 6.9.1) registram quatro côvados ao invés de seis. Assim, Golias teria
cerca de dois metros, o que não deixava de ser uma altura notável segundo os pa-
drões da antiguidade.
•17.5-7 É surpreendente a descrição pormenorizada da armadura e das armas
de Golias. Davi, porém, não precisa confiar em equipamentos lvs 39,50).
•17.11 Saul. O desafio dos filisteus aos "servos de Saul" tinha sido o de
"escolher um homem" (v. 8). A escolha lógica teria sido Saul (9.2; 10.23-24). mas
este se encontrava tão aterrorizado quanto os demais.
•17.12 efrateu. Ver Gn 35.19; 48.7; Rt 1.2; 4.11; 1Cr 44; Mq 5.2.
335 1SAMUEL17
levá-los ao acampamento, a teus irmãos. 18 Porém estes dez
queijos, leva-os ao comandante de mil; e visitarás teus irmãos,
ma ver se vão bem; e trarás uma prova de como passam.
19 Saul, e eles, e todos os homens de Israel estão no vale de
Elá, pelejando com os filisteus.
20 Davi, pois, no dia seguinte, se levantou de madrugada,
deixou as ovelhas com um guarda, carregou-se e partiu,
como Jessé lhe ordenara; e chegou ao acampamento quando
já as tropas saíam para formar-se em ordem de batalha e, a
gritos, chamavam à peleja. 21 Os israelitas e filisteus se
puseram em ordem, fileira contra fileira. 22 Davi, deixando o
que trouxera aos cuidados do guarda da bagagem, correu à
batalha; e, chegando, perguntou a seus irmãos se estavam
bem. 23 Estando Davi ainda a falar com eles, eis que vinha
subindo do exército dos filisteus o duelista, cujo nome era
Golias, o filisteu de Cate; e falou nas mesmas coisas que antes
falara, e Davi o ouviu.
O gigante Cofias insulta os israelitas
24Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam de
diante dele, e temiam grandemente, 25 e diziam uns aos
outros: Vistes aquele homem que subiu? Pois subiu para
afrontar a Israel. A quem o matar, o rei o cumulará de grandes
riquezas, e ºlhe dará por mulher a filha, e à casa de seu pai
isentará de impostos em Israel. 26 Então, falou Davi aos
homens que estavam consigo, dizendo: Que farão àquele
homem que ferir a este filisteu e tirar Pa afronta de sobre Israel?
Quem é, pois, esse qincircunciso filisteu, para rafrontar os
exércitos 5 do Deus vivo? 27E o povo lhe repetiu as mesmas
palavras, dizendo: 1Assim farão ao homem que o ferir.28 Ouvindo-o Eliabe, seu irmão mais velho, falar àqueles
homens, "acendeu-se-lhe a ira contra Davi, e disse: Por que
desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no
deserto? Bem conheço a tua presunção e a tua maldade;
desceste apenas para ver a peleja. 29 Respondeu Davi: Que fiz
eu agora? vFiz 1 somente uma pergunta. 30 Desviou-se dele
para outro e XfaJou a mesma coisa; e o povo lhe tornou a
responder como dantes.
Dan dispõe-se a pelejar contra o gigante
31 Ouvidas as palavras que Davi falara, anunciaram-nas a
Saul, que mandou chamá-lo. 32 Davi disse a Saul: zNão
desfaleça o coração de ninguém por causa dele; ªteu servo irá e
pelejará contra o filisteu. 33 Porém Saul disse a Davi: bContra o
filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu és ainda
moço, e ele, guerreiro desde a sua mocidade. 34 Respondeu
Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai;
quando veio cum leão ou um urso e tomou um cordeiro do
rebanho, 35 eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua
boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o
feli, e o matei. 36 O teu servo matou tanto o leão como o urso;
este incircunciso filisteu será como um deles, porquanto
afrontou os exércitos do Deus vivo. 37Disse mais Davi: dQ
SENHOR me livrou das garras do leão e das do urso; ele me
livrará das mãos deste filisteu. Então, disse Saul a Davi: evai-te,
e o SENHOR seja contigo. 38 Saul vestiu a Davi da sua 2 armadu-
ra, e lhe pôs sobre a cabeça um capacete de bronze, e o vestiu
de uma couraça. 39 Davi cingiu a espada sobre a armadura e
experimentou andar, pois jamais a havia usado; então, disse
Davi a Saul: Não posso andar com isto, pois nunca o usei. E
Davi tirou aquilo de sobre si. 40Tomou o seu cajado na mão, e
escolheu para si cinco pedras lisas do Iibeiro, e as pôs no alforje
de pastor, que trazia, a saber, no surrão; e, lançando mão da sua
funda, foi-se chegando ao filisteu.
Dan encontra-se com o gigante e mata-o
41 O filisteu também se vinha chegando a Davi; e o seu
escudeiro ia adiante dele. 42 Olhando o filisteu e vendo a
Davi, lo desprezou3 , porquanto era moço gruivo e de boa
aparência. 43 Disse o filisteu a Davi: hSou eu algum cão, para
vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o
filisteu a Davi. 44 ;Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e
·~ ;;Gn~ll;,4-23n~m178~ -;5-;,Js 15.;~ ;P~S~~;q1~:1~6~~~~~Sm 17.10 5 Dt5.26;2Rs 19.4;Jr
10.1 O 2711Sm17.25 28 uGn 37.4,8-36; [Pv 18.19; Mt 1036] 29 v1Sm 17.17 I Lit. Não é uma palavra? ou um assunto? 30 x1sm
17.26-27 32 zDt20.1-4 a1Sm 16.18 33bNm1331; Dt9.2 34CJz14.5 37d[2Co1.10; 2Tm417-18] e1Sm20.13; 1Cr22.11,16
38 2Lit. vestimenta 42/[SI 123.4; Pv 16.18; 1Co 1.27-28] glSm 16.12 3fezpouco caso dele 43h1Sm 24.14; 2Sm 3.8; 9.8; 16.9; 2Rs 8.13
44 ilSm 17.46; 1Rs 20.10-11
•17 .15 Davi ... ia a Saul e voltava. O tempo de Davi era dividido entre os
deveres ao seu rei 116 21-23) e ao seu pai. A família inteira de Davi é apresentada
juntamente com ele lvs 12-14).
•17.25 lhe dará ... a filha. Ver notas em 18.17-19,20-27.
•17 .26 incircunciso filisteu. Ver nota em 14.6.
•17 .28 Ouvindo-o Eliabe ..• acendeu-se-lhe a ira. A ira repentina de Eliabe é a
reação de um homem que não tinha a capacidade de enfrentar um desafio e que
ressentiu-se ao ser sobrepujado por seu irmão menor. O fato de Davi ter sido ungi-
do só seJViria para aumentar o ciúme de Eliabe. Em Gn 37, os irmãos mais velhos
de José reagem da mesma maneira ao saberem que um dia ele viria a ser supe-
rior a eles IGn 37.2-19)
a quem deixaste aquelas poucas ovelhas. Por mais inquieto que Davi tivesse
ficado no tocante à batalha, agiu com responsabilidade para com seus deveres
mais corriqueiros lvs. 20,22).
tua presunção. Ou "'teu orgulho'", "'tua insolência".
a tua maldade. L1t. .. a insolênC1a do teu coração." Contrastar o modo de Eliabe
julgar Davi com o de Deus. conforme indicam declarações tais como: um
homem que lhe agrada" 113.14) lit: "um homem segundo seu coração". e "o
SENHOR [vê] o coração" 116. 7).
•17 .33-37 A conversa entre Saul e Davi ilustra vividamente a diferença radical
entre suas perspectivas. Saul continua pensando naquilo que é humanamente
possível l"não poderás," v. 33), ao passo que Davi confia que "D SENHOR. me
livrará" lv. 37).
•17.36 incircunciso filisteu. Ver 14.6, nota.
•17 .37 o SENHOR seja contigo. A ascensão de Davi ao poder continua sendo
promovida por Saul, sem ter este a mínima consciênc·1a disso. Tendo ·introduzido
Davi na corte real (16.19, nota). Saul passa a enviá-lo para lutar em seu lugar.
Mais irônico de tudo. Saul invoca sobre Davi a bênção que faz a distinção mais
nítida entre os dois e que explica o sucesso que Davi teve em sua vida - '"o
SENHOR seja contigo" 116.18 e nota).
•17 .38-39 A rejeição por Davi da armadura de Saul apóia a lição da narrativa. de
que ··o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a
guerra" lv. 4 7).
l
1 SAMUEL 17, 18 336
darei a tua carne às aves do céu e às bestas-feras do campo.
4S Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com
espada, e com lança, e com escudo; Jeu, porém, vou contra ti
em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de
Israel, a quem tens 1afrontado. 4ó Hoje mesmo, o SENHOR te
entregará nas minhas mãos; ferir·te-ei, tirar-te-ei a cabeça e
mos cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às
aves dos céus e às bestas-feras da terra; n e toda a terra saberá
que há Deus em Israel. 47 Saberá toda esta multidão que o
SENHOR salva, ºnão com espada, nem com lança; porque Pdo
SENHOR é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos.
48 Sucedeu que, dispondo-se o filisteu a encontrar-se com
Davi, este qse apressou e, deixando as suas fileiras, correu de
encontro ao filisteu. 49 Davi meteu a mão no alforje, e tomou
dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na
testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto
em terra. so Assim, prevaleceu Davi contra o filisteu, com
'uma funda e com uma pedra, e o feriu, e o matou; porém
não havia espada na mão de Davi. st Pelo que correu Davi, e,
lançando-se sobre o filisteu, tomou-lhe s a espada, e desembai-
nhou-a, e o matou, cortando-lhe com ela a cabeça. Vendo os
filisteus que era morto o seu herói, 1fugiram. s2 Então, os
homens de Israel e Judá se levantaram, e jubilaram, e
perseguiram os filisteus, até 4 Gate e até às portas de Ecrom. E
caíram filisteus feridos pelo caminho, de "Saaraim até Gate e
até Ecrom. S3 Então, voltaram os filhos de Israel de persegui-
rem os filisteus e lhes despojaram os acampamentos.
S4 Tomou Davi a cabeça do filisteu e a trouxe a Jerusalém;
porém as armas dele pô-las Davi na sua tenda.
ss Quando Saul viu sair Davi a encontrar-se com o filisteu,
disse a v Abner, o comandante do exército: xDe quem é filho
este jovem, Abner? Respondeu Abner: Tão certo como tu
vives, ó rei, não o sei. Só Disse o rei: Pergunta, pois, de quem
é filho este jovem. 57Voltando Davi de haver ferido o filisteu,
Abner o tomou e o levou à presença de Saul, trazendo ele na
mão a zcabeça do filisteu. 58 Então, Saul lhe perguntou: De
quem és filho, jovem? Respondeu Davi: ªFilho de teu servo
Jessé, belemita.
A amizade de fônatas para com Da\li
18 Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, ªa alma 1 de Jônatas se ligou com a de Davi; be Jônatas o
amou como à sua própria alma. 2 Saul, naquele dia, o tomou
ce não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai.
3 Jônatas e Davi fizeram d aliança; porque Jônatas o amava
como à sua própria alma. 4 Despojou-se Jônatas da capa que
vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a
espada, o arco e o cinto. 5 Saía Davi aonde quer que Saul o
enviava e se 2 conduzia com prudência; de modo que Saul o
pôs sobre tropas do seu exército, e era ele benquisto de todo o
povoe até dos próprios servos de Saul.
O cântico d.as mulheres indigna a Saul
6 Sucedeu, porém, que, vindo Saul e seu exército, e
voltando também Davi de ferir os filisteus, eas mulheres de
todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, can-
tando e dançando, com tambores, com júbilo e com instru-
mentos de música. 7 As mulheres se alegravam e, !cantando
alternadamente, diziam:
gSaul feriu os seus milhares,
porém Davi, os seus dez milhares.
8 Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras hlhe
desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas
a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta,
•=~· 4S i2Sm 22.33,35; 2Cr 32.8; SI 124.8; [2Co 10.4]; Hb 11.33-34 11 Sm 17.1 O 46 m Dt 28.26 n Js 4.24; 1Rs8.43; 18.36; 2Rs 19.19; Is 52.1 O
47o1Sm 14.6; 2Cr 14.11; 20.15; SI 44.6; Os 1.7; Zc 4.6 P2Cr 20.15 48 qSI 27.3 50 r Jz 3.31; 15.15; 20.16 51 s 1Sm 21.9; 2Sm 23.21 IHb
11.34 52 u Js 15.36 4Conforme LXX; TM. S. Te V um vale 55 v1sm 14.50x1sm16.21-22 57 z1sm 17.54 58a1Sm 17.12
CAPITULO 18 1 ª Gn 44.30 b Dt 13.6; 1 Sm 20.17; 2Sm 1.26 Ia vida de Jônatas estava ligada com a vida de 2 e 1 Sm 17.15 3 d 1 Sm
20.8-17 520uprosperava 6eÊx15.20-21 7/Êx15.2181Sm2111;29.5 ShEc4.4
•17.45 em nome do SENHOR dos Exércitos. Ver nota em 1.3. Davi vem "em
nome" de Deus, ou seja, pela autoridade e poder de Deus. Quanto ao significado
do nome de Deus como expressão do seu caráter, ver, por exemplo, Êx 34.5-7.
•17 .46 os cadáveres ... dos filisteus. Davi sobrepuja as ameaças de Gol ias (v.
44). pois a sua contra-ameaça abrange a totalidade do exército filisteu.
•17.47 do SENHOR é a guerra. Ver notas nos vs. 38-39; 14.6.
•17.50 matou. Ou seja, deu-lhe a ferida mortal (v. 51, nota).
não havia espada. Esse versículo assinala o auge da luta entre Golias, que tinha
todas as vantagens (do ponto de vista físico). e Davi, que tinha Deus do seu lado e
que conseguiu triunfar até mesmo sem uma espada (cf. vs. 45-47).
•17.51 matou. Aqui é usada uma forma diferente do verbo hebraico usado no v.
50; o sentido seria "liquidou.'' assim como também em 14.13.
•17 .52 Gate e ••• Ecrom. Ver notas em 4.1; 5.8, 1 O.
•17.54 e a trouxe a Jerusalém. Visto que Jerusalém ainda estava nas mãos
dos jebuseus (2Sm 5.6-9 e notas). essa observação deve ser entendida como
uma referência a uma ocasião posterior.
•17.55 De quem é filho este jovem. A pergunta de Saul e a resposta de Abner
parecem estar em conflito com os eventos descritos em 16.18-22. Ao mesmo
tempo, parece haver um relacionamento cronológico entre os caps. 16-17 (v.
15; 18.2). A pergunta de Saul pode ter sido inspirada pela preocupação em saber
mais a respeito da posição social de quem receberia a promoção prometida em
1725, inclusive o casamento com sua filha. A intensidade do interesse de Saul
talvez reflita. também. seu conhecimento de que seu reino acabaria sendo dado
"ao teu próximo, que é melhor do que tu" (15.28). Ver 18.8 e nota.
•18.2 não lhe permitiu que tomasse para casa de seu pai. Ver nota em 17 .15.
•18.3 aliança. A natureza da aliança não é declarada explicitamente. Ver o v. 4, nota.
Mais referências à aliança entre Jônatas e Davi incluem 20.8, 13-17.42; 22.8; 23.18.
•18.4 Despojou-se Jônatas da capa. Como príncipe herdeiro (20.31 ). era de
se esperar que sucederia seu pai como rei. Em 13.22. Jônatas e Saul tinham sido
distinguidos do restante do povo por possuírem espadas e lanças. Nesse caso,
Jônatas, ao doar a Davi sua capa e suas armas. não somente quis demonstrar a
sua lealdade, mas também o seu reconhecimento de Davi como sendo a escolha
de Deus para ser o próximo rei. Ver a confissão explícita de Jônatas em 23.17; ver
também 2Sm 1 .1 O, nota.
•18.5 Saul o pôs sobra tropas. O sucesso militar continua a distinguir Davi, e
Saul concede a Davi um comando militar à altura das suas realizações.
•18.7 Davi, os seus dez milhares. Ver 21.11; 29.5. Um aspecto comum da
poesia hebraica é aumentar ou intensificar um ou mais termos da primeira
metade de um verso na segunda metade. Quanto ao paralelismo entre mil e dez
mil, verDt32.30; SI 91.7; 144.13; Mq 6.7. Quero cântico das mulheres louve Saul
e Davi de maneira igual, quer subentenda que Davi é melhor do que Saul, este
certamente fica ofendido (v. 8).
•18.8 que lha falta, senão o reino. Saul lcom razão) percebe que Davi pode
ser o "próximo" que o substituirá 115.28; 17.55, nota).
337 1 SAMUEL 18, 19
senão ;o reino? 9 Daquele dia em diante, Saul não 3via a Davi
com bons o\hos.
10 No dia seguinte, ium espírito maligno, da parte de
Deus, se apossou de Saul, 1que teve uma crise de raiva em
casa; e Davi, como nos outros dias, mdedilhava a harpa;
nsaul, porém, trazia na mão uma lança, 11 que ªarrojou,
dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou
dele por duas vezes.
12 PSaul temia a Davi, porque qo SENHOR era com este e
rse tinha retirado de Saul. 13 Pelo que Saul o afastou de si e o
pôs por chefe de mil; sele fazia saídas e entradas militares
diante do povo. 14 Davi lograva bom êxito em todos os seus
empreendimentos, pois 10 SENHOR era com ele. 15 Então,
vendo Saul que Davi lograva bom êxito, tinha medo dele.
16 Porém "todo o Israel e Judá amavam Davi, porquanto fazia
saídas e entradas militares diante deles.
Saul intenta matar a Da'li pela astúcia
17 Disse Saul a Davi: Eis aqui Merabe, minha filha mais
velha, que vte darei por mulher; sê-me somente filho valente
e guerreia xas guerras do SENHOR; porque Saul dizia consigo:
zNão seja contra ele a minha mão, e sim a dos filisteus.
18 Respondeu Davi a Saul: ªQuem sou eu, e qual é a minha
vida e a família de meu pai em Israel, para vir a ser eu genro
do rei? 19 Sucedeu, porém, que, ao tempo em que Merabe,
filha de Saul, devia ser dada a Davi, foi dada por mulher a
b Adriel, cmeolatita.
Mica/ ama a Da'li e casa com ele
20 dMas Mica!, a outra filha de Saul, amava a Davi. Con-
taram-no a Saul, e isso lhe agradou. 21 Disse Saul: Eu lha da-
rei, para que ela lhe sirva de 4 laço e para que ea mão dos
filisteus venha a ser contra ele. Pelo que Saul disse a Davi:
Com esta segunda/serás, hoje, meu genro. 22 Ordenou Saul
aos seus servos: Falai confidencialmente a Davi, dizendo:
Eis que o rei tem afeição por ti, e todos os seus servos te
amam; consente, pois, em ser genro do rei. 23 Os servos de
Saul falaram estas palavras a Davi, o qual respondeu: Pare-
ce-vos coisa de somenos ser genro do rei, sendo eu homem
pobre e de humilde condição? 24 Os servos de Saul lhe refe-
riram isto, dizendo: 5 Tais foram as palavras que falou Davi.
25 Então, disse Saul: Assim direis a Davi: O rei não deseja
gdote algum, mas cem prepúcios de filisteus, para tomar
hvingança dos inimigos do rei. Porquanto Saul ;tentava fa-
zer cair a Davi pelas mãos dos filisteus. 26 Tendo os servos
de Saul referido estas palavras a Davi, agradou-se este de
que viesse a iser genro do rei. Antes de vencido o prazo,
27 dispôs-se Davi e partiu 1com os seus homens, e feriram
dentre os filisteus duzentos homens; mtrouxe os seus prepú-
cios e os entregou todos ao rei, para que lhe fosse genro.
Então, Saul lhe deu por mulher a sua filha Mica!. 28 Viu Saul
e reconheceu que o SENHOR era com Davi; e Mica!, filha de
Saul, o amava. 29 Então, Saul temeu ainda mais a Davi e
6continuamente foi seu inimigo.
JO Cada vez que os príncipes dos filisteus nsaíam à batalha,
Davi ºlograva mais êxito do que todos os servos de Saul;
portanto, o seu nome se tornou muito estimado.
Jônatas intercede por Da'li
19 Falou Saul a Jônatas, seu filho, e a todos os servos sobre matar ªDavi. Jônatas, filho de Saul, bmui
afeiçoado a Davi, 2 o fez saber a este, dizendo: Meu pai, Saul,
procura matar-te; acautela-te, pois, pela manhã, fica num
lugar oculto e esconde-te. 3 Eu sairei e estarei ao lado de meu
pai no campo onde estás; falarei a teu respeito a meu pai,e
verei o que houver, e cte farei saber. 4 Então, Jônatas dfaJou
bem de Davi a Saul, seu pai, e lhe disse: e Não peque o rei con-
tra seu servo Davi, porque ele não pecou contra ti, e os seus
feitos para contigo têm sido mui importantes. 5 Arriscando
ele la vida, gferiu os filisteus e h efetuou o SENHOR grande
·~1S~15;-;-~3V/ac~msu;Ma - tohS~~ 14-;1Sm 1924m1sm1623n1Sm19.9-10 11ª1Sm19.10; 20.33 12 P1S~--;-;1~J;~
q 1Sm 16.13,18 r1Sm 16.14; 28.15 13 sNm 27.17 14 tJs 6.27 16 u1sm 18.5 17 v1sm 14.49; 17.25 XNm 32.20,27,29 z1sm 18.21,25
18ª2Sm7.18 19b2Sm218CJz7.22 20d1Sm1828 21 e1Sm18.17Í1Sm18.2641sca 245Litconformeestaspalavras 2SgÊx
2217h1Sm 1424 i1Sm 1817 26 i1Sm 18.21 27 11Sm 18.13m2Sm114 29 ó todos os dias 30 n 2Sm 11.1 o 1Sm 18.5
CAPÍTULO 19 1 a 1Sm 8.8-9 b 1Sm 18.1 3 C1Sm 20.8-13 4d1Sm 20.32; [Pv 31 8-9] e Gn 4222; [Pv 17.13]; Jr 18.20 Si Jz 9.17;
12.3 g1Sm 1749-50 h 1Sm 11.13; 1Cr11.14
•18.10 espírito maligno. Ver nota em 16.14.
teve uma crise de raiva. Ou "profetizou" Experiências estáticas poderiam ser
causadas pelo Espírito de Deus 110.6, 15) ou também por espíritos malignos ou
falsos profetas 11Rs 1829].
•18.12 o SENHOR era com este. Ver 16.18 e nota.
se tinha retirado de Saul. Ver 16.14 e nota.
•18.13-16 Saul, ao remover Davi da corte e também do alto comando militar,
talvez tenha pretendido diminuir a visibilidade e popularidade deste, além de
aumentar seu risco de morrer numa batalha. No entanto, o efeito das tramas de
Saul, acabou resultando no inverso. Davi é levado a um contato mais estreito com
o povo, de modo que "todo o Israel e Judá amavam Davi" lv. 16).
•18.17-19 Tendo em vista a grande popularidade de Davi, Saul não pôde
continuar adiando o cumprimento da sua promessa 117.25). Mesmo assim,
acrescenta uma condição adicional: "guerreia as guerras do SENHOR," na
esperança de que os filisteus le não Saul) matassem Davi lvs. 17,21,25). Davi diz
que não tem posição social para casar-se com a filha do rei, protesto
convencional em tais circunstâncias lcl. 9.21]. No último momento, Saul viola a
sua promessa e dá Merabe a outro homem.
•18.20-27 Quando a segunda filha de Saul, Mica!, apaixona-se por Davi, Saul
oferece a este uma segunda oportunidade de tornar-se seu genro lvs. 20-21 ).
Mais uma vez, ele aumenta as condições prévias que Davi precisava cumprir lv.
25). Davi não demora lv. 26) em cumprir em dobro a exigência de Saul, e assim se
torna genro do rei lv. 27).
•18.28-29 o SENHOR era com Davi. O medo cada vez maior que Saul tinha
de Davi tem fundamento, visto que o Senhor é com Davi lvs. 12, 14). O
sucesso de Davi não teria deixado Saul tão aflito se este. da mesma maneira
que Jônatas, tivesse conseguido aceitar com equanimidade a sua própria
rejeição.
•19.1 sobre matar Davi. Os atentados indiretos de Saul contra a vida de Davi
não surtiram efeito lcap. 18). por isso ele resolve agir de modo mais direto.
•19.4 Jônatas falou bem de Davi. A magnanimidade de Jônatas para com
Davi forma um contraste marcante com a malevolência de Saul, continuando,
assim, a comparação desfavorável entre o pai e o filho, já mencionada 113.22;
14.1,6, 10,29 e notas). Parece provável que a lealdade de Jônatas a Davi tenha se
originado não da ignorância acerca do destino de Davi, mas de uma aceitação
voluntária do mesmo 1184, nota; 23.17, nota)
l
1 SAMUEL 19, 20 338
livramento a todo o Israel; tu mesmo o viste e te alegraste;
ipor que, pois, ipecarias contra sangue inocente, matando
Davi sem causa? 6 Saul atendeu à voz de Jônatas e jurou: Tão
certo como vive o SENHOR, ele não morrerá. 7Jônatas cha-
mou a Davi, contou-lhe todas estas palavras e o levou a Saul;
e esteve Davi perante este 1como dantes.
Saul procura, de novo, matar a DaYi
8 Tornou a haver guerra, e, quando Davi pelejou contra os
filisteus me os feriu com grande derrota, e fugiram diante
dele, 9 no espírito maligno, da parte do SENHOR, tornou sobre
Saul; estava este assentado em sua casa e tinha na mão a sua
lança, enquanto Davi dedilhava o seu instrumento músico.
10 Procurou Saul encravar a Davi na parede, porém ele se
desviou do seu golpe, indo a lança ferir a parede; então, fugiu
Davi e escapou. 11 ° Porém Saul, naquela mesma noite,
mandou mensageiros à casa de Davi, que o vigiassem, para
ele o matar pela manhã; disto soube Davi por Mica!, sua
mulher, que lhe disse: Se não salvares a tua vida esta noite,
amanhã serás morto.
Mica/ engana a seu pai e salva a DaYi
12 Então, Mica! Pdesceu Davi por uma janela; e ele se foi,
fugiu e escapou. 13 Mica! tomou um 1ídolo do lar, e o deitou
na cama, e pôs-lhe à cabeça um tecido de pêlos de cabra, e o
cobriu com um manto. 14 Tendo Saul enviado mensageiros
que trouxessem Davi, ela disse: Está doente. 15 Então, Saul
mandou mensageiros que vissem Davi, ordenando-lhes:
Trazei-mo mesmo na cama, para que o mate. ló Vindo, pois,
os mensageiros, eis que estava na cama o ídolo do lar, e o
tecido de pêlos de cabra, ao redor de sua cabeça. 17 Então,
disse Saul a Mica!: Por que assim me enganaste e deixaste ir e
escapar o meu inimigo? Respondeu-lhe Mica!: Porque ele me
disse: Deixa-me ir; qse não, eu te mato .
Saul e seus mensageiros profetizam
18 Assim, Davi fugiu, e escapou, e veio a rsamuel, a 5 Ramá, e
lhe contou tudo quanto Saul lhe fizera; e se retiraram, ele e Sa-
muel, e ficaram na casa dos profetas. 19 Foi dito a Saul: Eis que
Davi está na casa dos profetas, em Ramá. 20 Então, 1 enviou Saul.
mensageiros para trazerem Davi, "os quais viram um grupo de
profetas profetizando, onde estava Samuel, que lhes presidia; e o
Espírito de Deus veio sobre os mensageiros de Saul, e também
eles vprofetizaram. 21 Avisado disto, Saul enviou outros mensa-
geiros, e também estes profetizaram; então, enviou Saul ainda
uns terceiros, os quais também profetizaram. 22 Então, foi tam-
bém ele mesmo a Ramá e, chegando ao poço grande que estava
em Seco, perguntou: Onde estão Samuel e Davi? Responde-
ram-lhe: Eis que estão na casa dos profetas, em Ramá. 23 Então,
foi para a casa dos profetas, em Ramá; e xo mesmo Espírito de
Deus veio sobre ele, que, caminhando, profetizava até chegar à
casa dos profetas, em Ramá. 24zTarnbém ele despiu a sua túni-
ca, e profetizou diante de Samuel, e, ªsem ela, esteve deitado
em terra todo aquele dia e toda aquela noite; pelo que se diz:
bEstá também Saul entre os profetas?
A amizade entre DaYi e Jônatas
2 O Então, fugiu Davi da casa dos profetas, em Ramá, e veio, e disse a Jônatas: Que fiz eu? Qual é a minha
culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura
tirar-me a vida? 2 Ele lhe respondeu: Tal não suceda; não serás
morto. Meu pai não faz coisa nenhuma, nem grande nem
pequena, sem primeiro me dizer; por que, pois, meu pai me
ocultaria isso? Não há nada disso. 3 Então, Davi respondeu
enfaticamente: Mui bem sabe teu pai que da tua parte achei
mercê; pelo que disse consigo: Não saiba isto Jônatas, para que
não se entristeça. ªTão certo como vive o SENHOR, e tu vives,
Jônatas, apenas há um passo entre mim e a morte. 4 Disse
Jônatas a Davi: O que tu desejares eu te farei. s Disse Davi a
• i 1 Sm 20.32 i [Dt 19.10-13] 711 Sm 16.21; 18.2.10, 13 8 m 1Sm 18.27; 23.5 9 n 1Sm 16.14; 18.10-11 ti o Jz 16.2; SI 59.título 12 PJs 2.15; At 9.25; 2Co 11.33 13 1 Hebr. teraphim 17 q2Sm 2.22 18 r1Sm 16.13 s1sm 7.17 20 11Sm19.11, 14; Jo 7.32 u1Sm 10.5-,6,10; [1Co 14.3,24-25] VNm 11.25; JI 2.28 23x1Sm10.1 O 24 z1s 20.2 a Mq 1.8 b 1 Sm 10.10-12
CAPITULO 20 3 a 1 Sm 27.1; 2Rs 2.6
•19.9 espírito maligno. Ver nota em 16.14.
•19.1 O Procurou Saul encravar a Davi na parede. Talvez por sentir ciúmes
dos sucessos militares de Davi [v. 8; 18.8). Saul apela a um dos seus velhos
truques [18.10-11 ).
•19.11 disto soube Davi por Mical, sua mulher. À medida que os atentados
de Saul contra a vida de Davi se tornam cada vez mais intensos e visíveis. Davi éalertado primeiramente pelo filho de Saul (v. 2) e, depois, pela filha do mesmo.
•19.12 fugiu e escapou. A partir desse incidente. Davi sempre estará fugindo
de Saul.
•19.13 um ídolo do lar. A mesma expressão que surge em Gn 31.19,34-35; Jz
18.14. As referências em Gênesis subentendem objetos pequenos, ao passo que
a referência aqui sugere algo maior.
•19.17 ele me disse. Mical. escondendo os fatos do seu pai. visa preservar sua
própria vida. Levando-se em conta o comportamento posterior de Saul
(20.32-33), Mical tinha justo motivo para ter medo dele (cf. 16.2).
•19.18 Ramá. Ver nota em 1.1.
casa dos profetas. Essa expressão, que traduz uma palavra que ocorre só nes-
se capítulo. pode ser transcrita por "Naiote," como se tosse urn nome de um lu-
gar. e está associada com o nome da cidade de Ramá. É bem possível que se
retira aos "acampamentos" onde os profetas em Ramá habitavam [cf. "o lugar
em que habitamos" em 2Rs 6.1-2).
•19.20 grupo de profetas profetizando. Ver nota em 10.5.
•19.22 poço grande ... em Seco. Não é conhecida a localidade de Seco. mas
talvez fique a quase 3 km ao norte de Ramá. Alguns têm sugerido uma reconstru-
ção da difícil expressão hebraica com base na Septuagmta {traduçãu grega primi-
tiva do Antigo Testamento). dando à expressão o sentido de "poço da eira na
colina descalvada." Esse pode ter sido um marco bem conhecido. do tipo que é
mencionado mais de uma vez em Samuel 120.19; 2Sm 20.8).
•19.23 o mesmo Espírito de Deus veio sobre ele. Desde o início de suas ten-
tativas de liquidar com Davi, Saul foi frustrado por Jônatas. por Mical, por Samuel
e. agora, finalmente. pelo próprio Deus.
•19.24 Também ele despiu a sua túnica.Túnicas, nos livros de Samuel, pare-
cem ter geralmente um significado simbólico. que freqüentemente diz respeito à
monarquia 115.28; 18.4; 24.4-6 e notas). Enquanto Jônatas deu voluntariamente
a sua capa a Davi, em 18.4. a ação de Saul aqui foi feita sob a compulsão do Espí-
rito de Deus.
•20.1 casa dos profetas. Ver nota em 19.18.
•20.2 Tal não suceda. Parece que Jônatas desconhece os atentados mais re-
centes contra a vida de Davi 119.9-24) e toma por certo que o juramento feito em
19.6 ainda está sendo cumprido.
339 1SAMUEL20
Jônatas: Amanhã é ba Festa da Lua Nova, em que sem falta
deveria assentar-me com o rei para comer; mas deixa-me ir, e
e esconder-me-ei no campo, até à terceira tarde. 6 Se teu pai
notar a minha ausência, dirás: Davi me pediu muito que o
deixasse ir a toda pressa d a Belém, sua cidade; porquanto se faz
lá o sacrifício anual para toda a família. 7 ese disser assim: Está
bem! Então, teu servo terá paz. Porém, se muito se indignar,
sabe que já! o mal está, de fato, determinado por ele. 8 8Usa,
pois, de misericórdia para com o teu servo, porque hlhe fizeste
entrar contigo em aliança no SENHOR; ise, porém, há em mim
culpa, mata-me tu mesmo; por que me levarias a teu pai?
9 Então, disse Jônatas: Longe de ti tal coisa; porém, se dalguma
sorte soubesse que já este mal estava, de fato, determinado por
meu pai, para que viesse sobre ti, não to declararia eu?
10 Perguntou Davi a Jônatas: Quem tal me fará saber, se, por
acaso, teu pai te responder asperamente? 11 Então, disse
Jônatas a Davi: Vem, e saiamos ao campo. E saíram.
Jônatas faz aliança com Davi
12 E disse Jônatas a Davi: O SENHOR, Deus de Israel, seja
testemunha. Amanhã ou depois de amanhã, a estas horas
sondarei meu pai; se algo houver favorável a Davi, eu to
mandarei dizer. 13 Mas, se meu pai quiser fazer-te mal, ifaça
com Jônatas o SENHOR o que a este aprouver, se não to fizer sa·
ber eu e não te deixar ir embora, para que sigas em paz. E 1seja
o SENHOR contigo, como mtem sido com meu pai. 14 Se eu,
então, ainda viver, porventura, não usarás para comigo da
bondade do SENHOR, para que não morra? 15 nNem tampouco
1 cortarás jamais da minha 2 casa a tua bondade; nem ainda
quando o SENHOR desarraigar da terra todos os inimigos de
Davi. 16 Assim, fez Jônatas aliança com a 3 casa de Davi,
dizendo: ªVingue o SENHOR os inimigos de Davi. 17 Jônatas fez
jurar a Davi de novo, pelo amor que este lhe tinha, Pporque
Jônatas o ama'la com todo o amor da sua alma. 18 Disse-lhe
Jônatas: q Amanhã é a Festa da Lua Nova; perguntar-se-á por ti,
porque o teu lugar estará vazio. 19 Ao terceiro dia, descerás
apressadamente e irás para ro lugar em que te escondeste no
dia do ajuste; e fica junto à pedra de Ezel. 20 Atirarei três
flechas para aquele lado, como quem atira ao alvo. 21 Eis que
mandarei o moço e lhe direi: Vai, procura as flechas; se eu
disser ao moço: Olha que as flechas estão para cá de ti, traze-as;
então, vem, Davi, porque, 5 tão certo como vive o SENHOR,
terás paz, e nada há que temer. 22 Porém, se disser ao moço:
Olha que as flechas estão para lá de ti. Vai-te embora, porque o
SENHOR te manda ir. 23 Quanto 1àquilo de que eu e tu falamos,
eis que o SENHOR está entre mim e ti, para sempre.
24 Escondeu-se, pois, Davi no campo; e, sendo a Festa da Lua
Nova, pôs-se o rei à mesa para comer. 25 Assentou-se o rei na sua
cadeira, segundo o costume, no lugar junto à parede; Jônatas4 ,
defronte dele, e Abner, ao lado de Saul; mas o lugar de Davi
estava desocupado. 26 Porém, naquele dia, não disse Saul nada,
pois pensava: Aconteceu-lhe alguma coisa, pela qual não está
limpo; talvez esteja "contaminado. 27 Sucedeu também ao
outro dia, o segundo da Festa da Lua Nova, que o lugar de Davi
continuava desocupado; disse, pois, Saul aJônatas, seu filho: Por
que não veio a comer o filho de Jessé, nem ontem nem hoje?
28 vRespondeuJônatas a Saul: Davi me pediu, encarecidamente,
que o deixasse ir a Belém. 29 Ele me disse: Peço-te que me
deixes ir, porque a nossa família tem um sacrifício na cidade, e
um de meus irmãos insiste comigo para que eu vá. Se, pois,
agora, achei mercê aos teus olhos, peço-te que me deixes partir,
para que veja meus irmãos. Por isso, não veio à mesa do rei.
Saul irado contrafônatas
30 Então, se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e dis-
se-lhe: Filho de mulher perversa e rebelde; não sei eu que
• 5 bN~-1-0 m-281-1--1-5 CJSm 19.2-3 6 d1Sm 16.4; 1712; J~;.42 7-;Dt ~23; 2Sm 17.4Í1Sm 25.17; Et 7.7 8 gJs 2.14h1Sm18.3;
20.16; 23.18 i2Sm 14.32 13 iRt 1 17; 1 Sm 3.17 1Js1.5; 1Sm17.37; 18.12; 1Cr 22.11, 16 m 1Sm 10.7 15 n 1 Sm 24.21; 2Sm 9.1,3,7;
21.7 1 deixarás de seres bom para com a minha casa 2família 16 ºDt 23.21, 1Sm 25.22; 31.2; 2Sm 4.7; 21.8 3família 17P1Sm 18.1
18 q 1 Sm 20.5,24 19 r 1 Sm 19.2 21 s Jr 4.2 23 t 1 Sm 20.14-15 25 4 Conforme LXX; TM, S, Te V E Jônatas se levantou 26 u Lv
7.20-21; 15.5 28 v1sm 20.6
•20.5 a Festa da Lua Nova. Essa festa era uma ocasião de regozijo no início de
cada mês. Era marcada pelo ressoar das trombetas INm 10.1 O; SI 81.3) e por sa-
crifícios específicos (Nm 28.11-15). A festa é freqüentemente mencionada em
conjunto com o sábado l2Rs 4.23; 1Cr 23.31; Ne 10.33; Is 66.23; Ez 46.3) e talvez
tenha sido sujeitada a regulamentos semelhantes IAm 8.5). A celebração da Fes-
ta da Lua Nova é mencionada uma vez no Novo Testamento ICI 2.16).
•20.6 dirás, Jônatas faz uso da desculpa de Davi, nos vs. 28-29. Ao avaliarmos a éti-
ca de semelhantes ações, podemos fazer uma comparação com as instruções que o
Senhor deu a Samuel em 162 (nota), embora naquele contexto a desculpa era uma
meia verdade, e não uma inverdade total, conforme parece ter sido o caso aqui.
Belém. Ver nota em 16.1.
sacrifício anual. Ver nota em 1.3; cf 1.21.
•20. 7 teu servo. Trata-se de uma expressão de humildade e deferência
(1.11,16; 3.10; 17.32; 22.15; 23.10; 25.24).
•20.8 aliança, Ver 18.3-4 e notas. Promessas mútuas de amizade e de lealdade
são reiteradas nos vs. 13-17,42.
•20.13 seja o SENHOR contigo, como tem sido com meu pai. Essa única re-
ferência ao Senhor estando "com Saul" deve ser entendida como referindo-se à
monarquia. Reconhecendoque Davi agora é o rei escolhido por Deus 118.4, nota;
23.17 e nota), Jônatas lhe oferece uma lealdade maior e acima da lealdade que
deve ao seu próprio pai (v. 16).
•20, 15 Nem tão pouco cortarás ... a tua bondade. Para o cumprimento deste
pedido. ver 2Sm 9.1-8; 21.7.
•20.16 os inimigos de Davi. Ver nota no v. 13. Posto que é o próprio Davi que as-
sume o compromisso de manter a aliança com Jônatas, é provável que "inimigos"
seja uma referência eufemística a Saul, pai de Jônatas (cf 25.22; 2Sm 12.14).
•20.17 jurar. Ver nota no v. 8.
•20.18 Festa da Lua Nova. Ver nota no v. 5.
•20.19 pedra de Ezel. Fora desse texto, o local é desconhecido. O significado
em hebraico pode ser algo como "Pedra da Saída." A pedra era, possivelmente,
um marco conhecido na saída da cidade; quanto a outros marcos desse tipo men-
cionados em Samuel, ver 19.22; 2Sm 20.8 e notas
•20.23 o SENHOR está entre mim e ti. Ver Gn 31 50.53
•20,24 Festa da Lua Nova. Ver nota no v. 5.
•20.25 Abner. Era parente de Saul e comandante militar (14.50).
•20.26 não está limpo. Ver especialmente Lv 7.19-21. As \eis óa purern são
tratadas mais detalhadamente em Lv 11-15, embora referências a "puro" e
"impuro" sejam freqüentes por todo o Pentateuco (Gn 7.2; Lv 5.2; Nm 5.2; Ot
14.3-21; etc.). A questão em pauta é a impureza ritual ou religiosa, e não especifi-
camente a física.
•20.28-29 Ver nota no v. 6.
•20.30 Filho de mulher perversa e rebelde. Assim como nas interjeições
l
1 SAMUEL 20, 21 340
elegeste o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergo-
nha do recato de tua mãe? 31 Pois, enquanto o filho de Jes-
sé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o
teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve
5morrer. 32 Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe
disse: xpor que há de ele morrer? Que fez ele? 33 Então,
Saul zatirou-lhe com a lança para o 6ferir; ªcom isso enten-
deu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a
Davi. 34 Pelo que Jônatas, todo encolerizado, se levantou
da mesa e, neste segundo dia da Festa da Lua Nova, não co-
meu pão, pois ficara muito sentido por causa de Davi, a
quem seu pai havia ultrajado.
Jônatas despede-se de Da11i
35 Na manhã seguinte, saiu Jônatas ao campo, no tempo
ajustado com Davi, e levou consigo um rapaz. 36 Então, disse
ao seu rapaz: Corre a buscar as flechas que eu atirar. Este
correu, e ele atirou uma flecha, que fez passar além do rapaz.
37 Chegando o rapaz ao lugar da flecha que Jônatas havia
atirado, gritou Jônatas atrás dele e disse: Não está a flecha
mais para lá de ti? 38 Tornou Jônatas a gritar: Apressa-te, não
te demores. O rapaz de Jônatas apanhou as flechas e voltou
ao seu senhor. 39 O rapaz não entendeu coisa alguma; só
Jônatas e Davi sabiam deste ajuste. 40 Então, Jônatas deu as
suas 7 armas ao rapaz que o acompanhava e disse-lhe: Anda,
leva-as à cidade. 41 Indo-se o rapaz, levantou-se Davi do lado
do sul e prostrou-se rosto em terra três vezes; e beijaram-se
um ao outro e choraram juntos; Davi, porém, muito mais.
42 Disse Jônatas a Davi: bVai-te em paz, porquanto juramos
ambos em nome do SENHOR, dizendo: O SENHOR seja para
Da11í 11aí ter com o sacerdote Aímeleque
21 Então, veio Davi a Nobe, ~o sacerdote Aimeleq~e; ªAimeleque, btremendo, sam ao encontro de Davi e
disse-lhe: Por que vens só, e ninguém, contigo? 2 Respondeu
Davi ao sacerdote Aimeleque: O rei deu-me uma ordem e me
disse: Ninguém saiba por que te envio e de que te incumbo;
quanto aos meus homens, combinei que me encontrassem em
tal e tal lugar. 3 Agora, que tens à mão? Dá-me cinco pães ou o
que se achar. 4 Respondendo o sacerdote a Davi, disse-lhe: Não
tenho pão 1 comum à mão; há, porém, cpão 2sagrado, dse ao
menos os teus homens se abstiveram das mulheres. 5 Respon·
deu Davi ao sacerdote e lhe disse: Sim, como sempre, quando
saio à campanha, foram-nos vedadas as mulheres, e eos3
corpos dos homens não estão imundos. Se tal se dá em viagem
comum, /quanto mais serão puros hoje! ógDeu-lhe, pois, o
sacerdote o pão sagrado, porquanto não havia ali outro, senão
os pães da proposição, hque se tiraram de diante do SENHOR,
quando trocados, no devido dia, por pão quente.
7 Achava-se ali, naquele dia, um dos servos de Saul, detido
perante o SENHOR, cujo nome era ;Doegue, edomita, o
maioral dos pastores de Saul.
s Disse Davi a Aimeleque: Não tens aqui à mão lança ou
espada alguma? Porque não trouxe comigo nem a minha
espada nem as minhas armas, porque a ordem do rei era
urgente. 9 Respondeu o sacerdote: A espada de Golias, o
filisteu, a quem mataste jno vale de Elá, 1está aqui, envolta
num pano detrás da estola sacerdotal; se a queres levar,
leva-a, porque não há outra aqui, senão essa. Disse Davi: Não
há outra semelhante; dá-ma.
sempre entre mim e ti e entre a minha descendência e a tua. Da11ífoge para Aquís, rei de Gate
43 Então, se levantou Davi e se foi; e Jônatas entrou na 10 Levantou-se Davi, naquele dia, e fugiu de diante de
cidade. Saul, e foi a Aquis, rei de Gate. 11 Porém mos servos de Aquis
• 31 5 Lit é ~m filho de morte 32 x~~ 31.36; 1S~-~-95; [~ 31;;; 27;;; Lc 23.22 ~3 z 1Sm 18.11; 1910 a 1Sm 20.7 ó ferir
mortalmente 40 7 o seu equipamento 42 b 1 Sm 1 .17
CAPÍTULO 21 1 ª 1Sm14.3; Me 2.26b1Sm 16.4 4 cÊx 25.30; Lv 24.5-9; Mt 12.4 dÊx 19.15 I ordinário 2consagrado S eÊx 19.14-15;
1Ts 4.4/Lv 8.26 3 Os homens estavam cerimonialmente puros 6 gMt 12.3-4; Me 2.25-26; Lc 6.3-4 h Lv 24.8-9 7i1Sm 14.47; 22.9; SI
52.título 9j1Sm17.2,50 11 Sm 31 10 11 m SI 56.título
semelhantes de nossos dias, a ofensa é dirigida contra Jônatas, e não
necessariamente contra a mãe deste.
•20.31 nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino. Apesar das palavras
de Samuel em 13.14, Saul ainda se apega à esperança em favor da sua dinastia (cf.
18.8, nota). Contraste com a maneira bem disposta de Jônatas aceitar a vontade
do Senhor (v. 13; 18.4; 23.17 e notas). As palavras de Saul deixam inferir que Jôna-
tas era seu primogênito e, portanto, o próximo herdeiro do trono.
•20,33 Saul atirou-lhe com a lança. As reações opostas de Saul e Jônatas di-
ante de Davi tinham começado a criar uma barreira de separação entre pai e filho.
O atentado de Saul contra a vida de Jônatas está em conformidade com suas
tentativas anteriores de matar Davi 118.11, 19.10).
•Z0.42 juramos. Ver nota no v. 8
•21.1 Nobe. Provavelmente localizada a menos de 4 km ao nordeste de Jerusa-
lém (Is 10.32), Nobe tornou-se "cidade destes sacerdotes" (22.19) algum tempo
depois da desgraça que caiu sobre Siló (1.3, nota; 2.32, nota) por intermédio dos
filisteus (4.1-11).
Aimeleque. Quer se trate do irmão de Aías, ou simplesmente de outro nome de
Aías (14 .31. Airne(eque ocupa o cargo de sumo sacerdote que antigamente tinha
sido ocupado pelo seu bisavô Eli (1.9). Ver também Me 2.26 e nota.
•21.2 O rei deu-me uma ordem. Tendo tirado proveito de um pretexto apre-
sentado numa ocasião recente (20.6, nota), Davi volta a usar o mesmo método,
mas com resultados desastrosos para Aimeleque e os sacerdotes em Nobe
(22619)
•21.4 pão sagrado. Ou seja "os pães da proposição" (v. 6; Êx 25.30; 35.13; Lv
24.5-9; 1Cr 9.32). Ver a referência de Jesus a esse episódio em Mt 12.3-4; Me
2 25-26; Lc 6.3-4.
se abstiveram das mulheres. A pureza ritual fazia parte da consagração antes
de batalha ou de outras ocasiões importantes (Êx 19.15; Lv 15.18; Dt 23.9-14; Js
3.5; 2Sm 1111-12).
•21.6 pães da proposição. Ver v. 4 e nota.
•21.7 Doegue, edomita. A presença de Doegue desperta a apreensão do lertor,
assim como fez com Davi (22.22). Essa preocupação revela ser bem fundamenta-
da à medida em que a narrativa progride (22.9-10,18-19). Doegue é mencionado,
também, no título do SI 52.
•21.9 espada de Golias. Ver 17.51,54.
estola sacerdotal. Ver 2.28, nota.
•21.10 Aquis. Ver 27.2-12; 29.1-11; título do SI 34, onde "Abimeleque"pode ser
um título para reis filisteus.
Gate. Ver notas em 4.1; 5.8.
341 1 SAMUEL 21, 22
lhe disseram: Este não é Davi, o rei da sua terra? Não é a este
que se cantava nas danças, dizendo:
nsaul feriu os seus milhares,
porém Davi, os seus dez milhares?
12 Davi 0 guardou estas palavras, 4 considerando-as consigo
mesmo, e teve muito medo de Aquis, rei de Cate. 13 Pelo que
Pse contrafez diante deles, em cujas mãos se fingia 5doido,
6 esgravatava nos postigos das portas e deixava correr saliva
pela barba. 14 Então, disse Aquis aos seus servos: Bem vedes
que este homem está louco; por que mo trouxestes a mim?
IS Faltam-me a mim doidos, para que trouxésseis este para fa·
zer doidices diante de mim? Há de entrar este na minha casa?
Da'li esconde-se em Adulão e em Moabe
22 Davi retirou-se dali e ªse refugiou bna caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a
casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. 2 e Ajunta-
ram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e
todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito,
e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns dquatrocentos
homens.
3 Dali passou Davi a Mispa de e Moabe e disse ao seu rei:
Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que eu saiba
o que Deus há de fazer de mim. 4 Trouxe-os perante o rei de
Moabe, e com este moraram por todo o tempo que Davi
esteve neste lugar seguro. s Porém o profeta !Gade disse a
Davi: Não fiques neste lugar seguro; vai e entra na terra de
Judá. Então, Davi saiu e foi para o bosque de Herete.
Saul mata todos os sacerdotes de Nobe
6 Ouviu Saul que Davi e os homens que o acompanhavam
foram descobertos. Achando-se Saul em gGibeá, debaixo de
um arvoredo, numa colina, tendo na mão a sua lança, e todos
os seus servos com ele, 7 disse a todos estes: Ouvi, peço-vos,
filhos de Benjamim, hdar-vos-á também o filho de Jessé, a
todos vós, terras e vinhas e vos fará a todos chefes de milhares
e chefes de centenas, 8 para que todos tenhais conspirado
contra mim? E ninguém houve que me desse aviso de que
imeu filho fez aliança com o filho de Jessé; e nenhum dentre
vós há que se doa por mim e me participe que meu filho con-
tra mim instigou a meu servo, para me armar ciladas, como se
vê neste dia. 9 Então, respondeu iDoegue, o edomita, que
também estava com os servos de Saul, e disse: Vi o filho de
Jessé chegar a Nobe, a 1Aimeleque, filho de mAitube, toe
como Aimeleque, a pedido dele, nconsultou o SENHOR, e ºlhe
fez provisões, e lhe deu a espada de Golias, o filisteu.
11 Então, o rei mandou chamar AimeJeque, sacerdote, fi-
lho de Aitube, e toda a casa de seu pai, a saber, os sacerdotes
que estavam em Nobe; todos eles vieram ao rei. 12 Disse Saul:
Ouve, peço-te, filho de Aitube! Este respondeu: Eis-me aqui,
meu senhor! 13 Então, lhe disse Saul: Por que conspirastes
contra mim, tu e o filho de Jessé? Pois lhe deste pão e espada
e consultaste a favor dele a Deus, para que se levantasse con-
tra mim e me armasse ciladas, como hoje se vê. 14 Respondeu
Aimeleque ao rei e disse: E quem, entre todos os teus servos,
há tão Pfiel como Davi, o genro do rei, chefe da tua guarda
pessoal e honrado na tua casa? IS Acaso, é de hoje que con-
sulto a Deus em seu favor? Não! Jamais impute o rei coisa ne-
nhuma a seu servo, nem a toda a casa de meu pai, pois o teu
servo de nada soube de tudo isso, nem muito nem pouco.
16 Respondeu o rei: Aimeleque, morrerás, tu e toda qa casa
de teu pai. 17 Disse o rei aos da guarda, que estavam com ele:
Volvei e matai os sacerdotes do SENHOR, porque também es-
tão de mãos dadas com Davi e porque souberam que fugiu e
•.. ;~S~ 18 6-8; ;~ 5 -1; o Lc-; 19-; Lit ~~oco;;st~s p~/::r~s e~:e~~o;a~; lJP ;1-34 t;;;;lo ;;:iul~~~ insam~a~ ó r~~~;c~va ~-~.~
CAPÍTULO 22 1as157.título; 142.título bJs 12.15; 15.35; 2Sm 23.13 2 e Jz 11.3 d1Sm 25.13 3 e2Sm 8.2 Sf2Sm 24.11; 1Cr
21 9; 29 29; 2Cr29.25 6 g1Sm15.34 7h1Sm 8.14 8 i1Sm18.3; 20 16,30 9 i1Sm 21 7; 22 22; SI 52 titulo 11Sm 21.1 m 1Sm 14.3
10nNm27.21;1Sm 10.22 º1Sm21.6,9 14P1Sm 19.4-5;20.32; 24.11 16 qDt2416
•21.11 Davi, o rei. Tanto dentro quanto fora de Israel, o destino de Davi ao trono
parece ser esperado, mesmo se a declaração dos filisteus possa ser melhor
compreendida como um exagero popular.
Davi, os seus dez milhares. Ver nota em 18.7.
•22.1 caverna de Adulão. Adulão. que talvez signifique "refúgio," tem sido
identificado com um local a uns 25 km ao sudoeste de Jerusalém, a meio caminho
entre Gate e Hebrom. Ver também 2Sm 23.13; Js 12.15; títulos dos SI 57; 142.
toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele. A veemência com
que Saul atacou sua própria família (20.33) deixou os familiares de Davi com
poucos motivos de se sentirem seguros.
•22.3 Mispa de Moabe. A localização específica dessa cidade é desconhecida
Quanto ao nome Mispa ("torre de vigia"). ver 7.5, nota.
rei. Moabe já tinha um rei em Jz 3.12.
Deixa estar ... convosco. A resolução de Davi, ao buscar refúgio em Moabe,
talvez tenha se baseado. não somente na suposição de que uma nação inimiga
de Sau\ \14.47) bem poderia apoiar um rival deste, mas também nos vínculos en-
tre os familiares de Davi e os moabitas (Rt 4.13-17).
o que Deus há de fazer de mim. Davi, ao tomar todas as medidas práticas ao
seu alcance. não deixa de reconhecer o soberano controle de Deus sobre a sua
situação (2Sm 15.25-26)
•22.4 lugar seguro. Ver nota em 23.14.
•22.5 profeta Gade. A presença desse profeta, que posteriormente serviria a Davi
como vidente 12Sm 24.11; 2Cr 29.25; cf. 1Cr 29.29). fica sendo, nessas alturas, uma
lembrança de que o destino de Davi havia sido determinado por Deus. que lhe dá
a sua proteção. Mais tarde. Davi também se ajuntaria a um sacerdote (vs. 20-23).
•22.6 tendo na mão a sua lança. A alusão aqui à lança de Saul talvez seja um
lembrete do seu gênio violento ( 18.10-11; 19 1 O; 20.33). que chega à sua plena
expressão nesse episódio.
•22.7 filhos de Benjamim. Saul, tendo escolhido só membros da sua própria
tribo para ficarem ao seu redor (9.1-2; 10.21). agora procura aumentar a lealdade
deles a ele apelando aos seus interesses: será que Davi, da tribo de Judá. tenderá
a tratar com justiça os benjamitas7
terras e vinhas. As perguntas dirigidas por Saul aos seus oficiais sugerem que
ele se ocupava em pelo menos algumas das práticas abusivas da realeza contra
as quais Samuel advertira 18.10-18)
•22.8 meu filho fez aliança. Ver notas em 18.3-4.
•22.9 Doegue, o edomita. Ver 21 . 7 e nota.
Aimeleque, filho de Aitube. Ver 21.1 e notas.
•22.13 conspirastes contra mim. A suposição de Saul. de que Aime\eque
tinha conspirado com Davi contra o rei. não tem fundamento; Aimeleque foi
simplesmente enganado por Davi (21.2. nota).
se levantasse contra mim e me armasse ciladas. A suposição de Saul de
motivos hostis da parte de Davi é tão sem fundamento quanto a sua
pressuposição a respeito de Aimeleque.
•22.14 chefe da tua guarda pessoal. Aimeleque deve estar ainda pensando
l
1
1 SAMUEL 22, 23 342
não mo fizeram saber. Porém os servos do rei 'não quiseram
estender as mãos contra os sacerdotes do SENHOR. 18 Então,
disse o rei a Doegue: Volve-te e arremete contra os sacerdo·
tes. Então, se virou Doegue, o edomita, e / arremeteu contra
os sacerdotes, e smatou, naquele dia, oitenta e cinco homens
que vestiam estola sacerdotal de linho. 19 1Também a Nobe,
cidade destes sacerdotes, passou a fio de espada: homens, e
mulheres, e meninos, e crianças de peito, e bois, e jumentos,
e ovelhas.
Abiatar refugia-se com Davi
20 ªPorém dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, um
só, cujo nome era Abiatar, vsalvou·se e fugiu para Davi; 21 e
lhe anunciou que Saul tinha matado os sacerdotes do
SENHOR. 22 Então, Davi disse a Abiatar: Bem sabia eu, na·
quele dia, que, estando ali Doegue, o edomita, não deixaria
de o dizer a Saul.Fui a causa da morte de todas as pessoas da
2 casa de teu pai. 23 Fica comigo, não temas, xporque quem
procura a minha morte procura também a tua; estarás a sal·
vo comigo .
Da\li livra a Queila
2 3 Foi dito a Davi: Eis que os filisteus pelejam contra ªOueila e saqueiam as eiras. 2 bConsultou Davi ao
SENHOR, dizendo: Irei eu e ferirei estes filisteus? Respondeu o
SENHOR a Davi: Vai, e 1 ferirás os filisteus, e livrarás Oueila.
3 Porém os homens de Davi lhe disseram: Temos medo aqui
em Judá, quanto mais indo a Oueila contra as tropas dos
filisteus. 4 Então, Davi tornou a consultar o SENHOR, e o
SENHOR lhe respondeu e disse: Dispõe-te, desce a Oueila,
porque te dou os filisteus nas tuas mãos. 5 Partiu Davi com
seus homens a Oueila, e rpelejou contra os filisteus, e levou
todo o gado, e fez grande morticínio entre eles; assim, Davi
salvou os moradores de Oueila.
6 Sucedeu que, quando Abiatar, filho de Aimeleque, dfu.
giu para Davi, a Oueila, desceu com a estola sacerdotal na
mão.
7 Foi anunciado a Saul que Davi tinha ido a Oueila. Disse
Saul: Deus o entregou nas minhas mãos; está encerrado, pois
entrou numa cidade de portas e ferrolhos. 8 Então, Saul
mandou chamar todo o povo à peleja, para que descessem a
• 17 'Êx 1.17 18s1Sm 231 / ~~acou 19 t Js 2~ 1:~~ lS~-;29,11 -;-Ou 1Sm236,9,;7~~s 2;~-27V lS~ 233 ~2 2;amília - ~
23 XlRs 2.26
CAPÍTULO 23 1 ªJs 15.44; Ne 3.17-18 2 blSm 22.1 O; 23.4,6,9; 28.6; 30.8; 2Sm 5.19,23 / Ou seja, atacarei S c1sm 19.8; 2Sm 5.20
6 d1Sm 22.20
Mar
Mediterrâneo
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A.. '"'\ •. ...,Gata. •Azeca •Belém
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' ' ~Queila --"\ 11.f
--·- : ~~
Habromº ~-
• earmelo
Maomo
(
Mar
20mi
-----20km
que Davi estivesse prestando algum tipo de serviço secreto para Saul (21.2)
quando veio lhe pedindo auxílio.
• 22.17 não quiseram estender as mãos contra os sacerdotes. A ordem de
Saul, no sentido de extemn·1nar os sacerdotes do Senhor, é tão maligna e ·irracional que
seus próprios soldados se recusam a cumpri-la. Pelo menos uma vez antes, os ho-
mens de Saul tinham achado necessário contrariar as suas ordens (14.45 e nota).
•22.18 matou ... oitenta e cinco homens. Ver nota em 2.31.
estola sacerdotal de linho. Ver nota em 2.18.
•22.19 homens, e mulheres, e meninos, e crianças de peito. É uma ironia
que a chacina total dos habitantes de Nobe, "a cidade dos sacerdotes," forme um
paralelo quase literal com a ordem que tinha sido dada para o extermínio dos
amalequitas ( 15.3) que Saul deixara de cumprir, prejudicando ainda mais a sua re-
putação.
•22.20 Abiatar ... fugiu para Davi. O apoio a Davi continua a aumentar,
mormente como resultado dos próprios esforços impensados de Saul visando
sua autopreservação. Agora, Davi tem o apoio tanto de profetas (v. 5) quanto de
sacerdotes. Abiatar traz a Davi a estola sacerdotal (23.6), que era um meio de
discernir a vontade do Senhor (2 28, nota; 14.3, nota).
•22.22 Fui a causa. Seria fácil para Davi desculpar-se pelo massacre em Nobe,
simplesmente condenando Saul. Ao invés disso, não hesita em reconhecer sua
própria parte na culpa pela tragédia (21.2, nota). Nessa confissão, o leitor recebe
um vislumbre de uma diferença notável entre Davi e seu antecessor: a qualidade
do seu arrependimento (15.24-26,30 e notas; 2Sm 12.13, nota) .
Antes de Davi tornar-se rei
Próximo a Sucote, Davi derrotou o gigante Golias (1 Sm 17).
Visto que a ira de Saul contra o pastor-soldado se inflamou. Davi
fugiu da presença de SauL
Primeiramente, tomou o caminho para Nobe, onde convenceu o
sacerdote Aimeleque a dar-lhe pão e a espada de Golias. Depois,
procurou refúgio em Gate junto ao rei filisteu Aquis.
As suspeitas dos filisteus forçaram Davi a prosseguir na fuga,
desta vez para a caverna de Adulão, onde foi encontrado por sua
família. Depois de levar sua família para um lugar seguro em Moabe,
Davi fixou acampamento na fortaleza (1 Sm 22.4) conhecida como
Massada.
343 1 SAMUEL 23, 24
Oueila e cercassem Davi e os seus homens. 9 Sabedor
porém, Davi de que Saul maquinava o mal contra ele, e disse~
Abiatar, sacerdote: Traze aqui a estola sacerdotal. 10 Orou
Davi: ó SENHOR, Deus de Israel, teu servo ouviu que Saul, de
fato, procura vir a Oueila, /para destruir a cidade por causa de
mim. 11 Entregar-me-ão os homens de Oueila nas mãos dele?
Descerá Saul, como o teu servo ouviu? Ah! SENHOR, Deus de
Israel, faze-o saber ao teu servo. E disse o SENHOR: Descerá.
12 Perguntou-lhe Davi: 2 Entregar-me-ão os homens de
Oueila, a mim e aos meus servos, nas mãos de Saul? Respon-
deu o SENHOR: Entregarão. 13 Então, se dispôs Davi com os
seus homens, guns seiscentos, saíram de Queila e se foram
sem rumo certo. Sendo anunciado a Saul que Davi fugira de
Queila, cessou de persegui-lo. 14 Permaneceu Davi no
deserto, nos lugares seguros, e ficou hna região montanhosa
no deserto de iZife. Saul !buscava-o todos os dias, porém
Deus não o entregou nas suas mãos.
Da\li e f ônatas renovam a aliança
15 Vendo, pois, Davi que Saul saíra a tirar-lhe a vida, deteve-se
no deserto de Zife, 3em Horesa. 16 Então, se levantou Jônatas,
filho de Saul, e foi para Davi, a Horesa, e lhe 4fortaleceu a
confiança em Deus, 17 e lhe disse: 1Não temas, porque a mão de
Saul, meu pai, não te achará; porém tu reinarás sobre Israel, e eu
serei contigo o segundo, mo que também Saul, meu pai, bem
sabe. 18 E ambos nfizeram aliança perante o SENHOR. Davi ficou
em Horesa, e Jônatas voltou para sua casa.
A traição dos zifeus
19 Então, ºsubiram os zifeus a Saul, a Gibeá, dizendo: Não
se escondeu Davi entre nós, nos lugares seguros de Horesa,
no outeiro de Haquila, que está ao sul de Jesimom? 20 Agora,
pois, ó rei, desce conforme te impõe o coração; Ptoca-nos a
nós entregarmo-lo nas mãos do rei. 21 Disse Saul: Benditos
sejais vós do SENHOR, porque vos compadecestes de mim.
22 Ide, pois, informai-vos ainda melhor, sabei e notai o lugar
que freqüenta e quem o tenha visto ali; porque me foi dito
que é astutíssimo. 23 Pelo que atentai bem e informai-vos
acerca de todos os esconderijos em que ele se oculta; então,
voltai a ter comigo com seguras informações, e irei convosco;
se ele estiver na terra, buscá-lo-ei entre todos os 5 milhares de
Judá.
24 Então, se levantaram eles e se foram a Zife, adiante de
Saul; Davi, porém, e os seus homens estavam no deserto q de
Maom, na planície, ao sul de Jesimom. 25 Saul e os seus homens
se foram ao encalço dele, e isto foi dito a Davi; pelo que desceu
6para a penha que está no deserto de Maom. Ouvindo-o Saul,
perseguiu a Davi no deserto de Maom. 26 Saul ia de um lado do
monte, e Davi e os seus homens, da outra; rapressou-se Davi em
fugir para escapar de Saul; porém este e os seus homens
5cercaram Davi e os seus homens para os prender. Z7 1Então,
veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te e vem, porque
os filisteus invadiram a terra. 28 Pelo que Saul desistiu de
perseguir a Davi e se foi contra os filisteus. Por esta razão, aquele
lugar se chamou 7Pedra de Escape. 19 Subiu Davi daquele lugar
e ficou nos lugares seguros de "En-Gedi.
Da\li poupa a \lida de Saul
24 ªTendo Saul voltado de perseguir os filisteus, foi-lhe dito: Eis que Davi está no deserto de En-Gedi.
2 Tomou, então, Saul três mil homens, escolhidos dentre
todo o Israel, e bfoi ao encalço de Davi e dos seus homens,
• ;~N:;~~~ 1Sm 236; 30J lOfl_S_~ 2; 19 ~2 2Encerrar-m~-".;-~:Jg1Sm 222; 2513 14hSI11-; i Js 1;5;~Cr 1~---
327; 54.3-4 15 3Lit. na floresta 16 4Lit.fortaleceu sua mão em Deus 17 i[SI 27 1-3; Hb 13.6] m 1Sm 20.31, 24.20 18n1Sm18.3;
20 12-17,42; 2Sm 9.1; 21.7 19 o 1 Sm 26 1; SI 54.título 20 PSI 54.3 23 5 Ou clãs 24 q Js 15.55; 1Sm 25.2 25 6 Ou da penha
26rs1 31.22 ss117.9 27 12Rs 19.9 28 7Hebr. Hammahlekoth 29 u Js 15.62; 2Cr 20.2
CAPÍTULO 24 1 a 1 Sm 23.19,28-29 2 b 1 Sm 26.2; SI 38.12
•23.1 Queila. Localizada acerca de 5 km ao sul de Adulão (221 ), perto do terri-
tório filisteu, Queila também é mencionada em Js 15.44.
saqueiam as eiras. Cf. Jz 6.3-6.
•23.6 estola sacerdotal. Não a "estola sacerdotal de linho" tradicionalmente
usada por todos os sacerdotes (cf. 22.18). mas aquela que se associa com as
consultas a Deus (2.28, nota).
•23. 7 Deus o entregou nas minhas mãos. A interpretação dos eventos apre-
sentada por Saul não tem fundamento, conforme deixa claro a asseveração total-
mente oposta do narrador: "Deus não o entregou nas suas mãos" (v. 14).
•23.12 Entregar-me-ão os homens de Queila. Tendo em vista o modo impla-
cável de Saul tratar a cidade de Nobe, o comportamento dos homens de üueila
reflete, provavelmente, mais medo do que ingratidão a Davi.
•23. 13 homens, uns seiscentos. O aumento do número dos homens de Davi
de quatrocentos (22.2) para seiscentos é uma indicação de sua força crescente
(22 20, nota)
•23.14 no deserto, nos lugares seguros. Essa expressão sugere uma área
geográfica, e não uma localização específica (22.4; 2Sm 5.17; 23.14).
deserto de Zife. A aldeia de Zrfe fica a mais de 20 km ao sudeste de Queila e a 8 km
ao sudeste de Hebrom. Esse deserto seria o ermo ao sul de Hebrom. Zife é menciona-
da em Js 15.55, juntamente com Maom (v 24) e Carmelo (1Sm 15.12; 252).
Deus não o entregou nas suas mãos. Deus exerce controle soberano sobre o
destino de Davi (v 7; 22.20 e notas).
•23.16 Jônatas, filho de Saul ... lhe fortaleceu a confiança em Deus. Já
não ignorando a maldade do seu pai para com Davi (contrastar 20.2). Jônatas age
como amigo leal ao ajudar Davi a achar força na única fonte onde a verdadeira for-
ça pode ser encontrada. Ver 30.6, onde Davi mais uma vez "se reanimou no
SENHOR, seu Deus."
•23.17 eu serei contigo. Embora Jônatas não sobreviveria para servir a Davi
(31.2). sua boa disposição em abrir mão de suas ambições pessoais por amor ao
rei escolhido por Deus (18.4; 20.13) estabelece um contraste nítido com os esfor-
ços desesperados que Saul fazia para manter-se agarrado a um reino que já não
lhe pertencia (15.23).
Saul ... bem sabe. Ver 20.30-31. Saul, quando não quis aceitar a sua re1eição
(compare a reação de Eli em 3.1 B) não pode ser desculpado sob a alegação de
não saber para quem o reino passaria.
•23.18 aliança. Ver notas em 18.3-4.
•23.19 zifeus. Ver nota no v. 14; 26.1.
Gibeá. Essa era a cidade natal de Saul (10.26).
•23.24 deserto de Maom. Mais de 12 km ao sul de Heb1om, Maom é mencio-
nada em 25.2 como a cidade natal de Nabal.
•23.27 os filisteus invadiram a terra. A cronologia pro~ide\\\:.ia\ de:,:,a incu1-
são pelos filisteus é óbvia.
•23.28 Saul desistiu de perseguir a Davi. Saul se distingue por sacrificar
seus interesses pessoais por amor à segurança nacional.
•23.29 lugares seguros de En-Gedi. En-Gedi era uma fonte grande na costa
íngreme ocidental do mar Morto. Nas proximidades dela, Davi tinha acesso a
provisões e proteção durante sua fuga de Saul.
•24.1 deserto de En-Gedi. Ver nota em 23.29.
l
1
1SAMUEL24 344
A CONSCIÊNCIA E A LEI
1Sm 24.5
A consciência é o poder alojado dentro de nossa mente para formular juízos. morais sobre nós mesmos, aprovando ou
desaprovando nossas ações, pensamentos e planos e dizendo-nos, se aquilo que fizemos é tido por errado, que merecemos
sofrer por isso. A consciência tem em si dois elementos: a percepção de certas coisas como certas ou erradas e a capacidade
ele aplicar lei e regras a situações específicas. A consciência insiste em julgar-nos pelos mais altos padrões que conhecemos.
Por isso, a chamamos de a voz de Deus na alma, e, em certo sentido, ela o é.
Paulo diz que Deus gravou um certo conhecimento de sua lei em cada coração humano (Rm 2.14-15), e a experiência
confirma isso. Mas a consciência pode estar enganada ou condicionada a considerar o mal como bem ou tornar-se
cauterizada ou entorpecida por meio de pecados repetidos (1Tm 4.2). Os julgamentos da consciência podem ser
considerados a voz de Deus somente quando refletem a própria verdade de Deus e a sua lei, segundo as Escrituras. A
consciência dever ser educada a julgar segundo as Escrituras.
A superstição ou o escrúpulo pode levar uma pessoa a considerar pecaminosa uma ação que, segundo a Palavra de Deus,
não é. Porém, para uma tal consciência "fraca" (Rm 14.1-2; 1Co 8.7, 12), seria pecado agir contra si mesmo e fazer o que
equivocadamente julga ser errado (Rm 14.23). Aqueles cuja consciência é "fraca" nunca devem ser pressionados ou
persuadidos a fazer aquilo que destrói sua boa consciência.
O ideal do Novo Testamento é uma consciência livre de culpa e capaz de guiar-nos numa direção santa. A consciência só
pode ser libertada da culpa pelo poder do sangue de Cristo. Uma vez libertada e protegida em sua liberdade pelo dom da
justificação, a consciência é capaz de crescer através do ensino das Escrituras e pelos meios de graça na vida cristã.
nas faldas das penhas das cabras monteses. 3 Chegou a uns próprios olhos viram, hoje, que o SENHOR te pôs em minhas
currais de ovelhas no caminho, onde havia uma caverna; mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse;
centrou nela Saul, a d aliviar o ventre. Ora, eDavi e os seus porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei
homens estavam assentados no mais interior da mesma. a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de Deus. 11 Olha,
4/Então, os homens de Davi lhe disseram: Hoje é o dia do pois, meu pai, vê aqui a orla do teu manto na minha mão. No
qual o SENHOR te disse: Eis que te entrego nas mãos o teu fato de haver eu cortado a orla do teu manto sem te matar,
inimigo, e far-lhe-ás o que bem te parecer. Levantou-se Davi reconhece e vê que 1não há em mim nem mal nem rebeldia,
e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul. 5 Sucedeu, e não pequei contra ti, ainda que mandas à caça da minha
porém, que, depois, gsentiu Davi bater-lhe o coração, por ter vida para ma tirares. 12 nJulgue o SENHOR entre mim e ti e
cortado a orla do manto de Saul; 6 e disse aos seus homens: vingue-me o SENHOR a teu respeito; porém a minha mão não
hQ SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu será contra ti. 13 ºDos perversos procede a perversidade, diz
senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o o provérbio dos antigos; porém a minha mão não está contra
ungido do SENHOR. 7 Com estas palavras, 1Davi conteve os ti. 14 Após quem saiu o rei de Israel? A quem persegue? P A
seus homens e não lhes permitiu que se levantassem contra um cão morto? o A uma pulga? 15 'Seja o SENHOR o meu juiz,
Saul; retirando-se Saul da caverna, prosseguiu o seu caminho. e julgue entre mim e ti, e 5Veja, e 1pleiteie a minha causa, e
8 Depois, também Davi se levantou e, saindo da caverna, me faça justiça, e me livre da tua mão.
gritou a Saul, dizendo: Ó rei, meu senhor! Olhando Saul para 16 Tendo Davi acabado de falar a Saul todas estas palavras,
trás, inclinou-se Davi e fez-lhe reverência, com o rosto em disse Saul: "É isto a tua voz, meu filho Davi? E chorou Saul
terra. 9 Disse Davi a Saul: iPor que dás tu ouvidos às palavras em voz alta. 17 vDisse a Davi: xMais justo és do que eu; pois
dos homens que dizem: Davi procura fazer-te mal? to Os teus 2 tu me recompensaste com bem, e eu te paguei com mal.
• 3 ~-1~m24~0 dJz32~~s157 tí;~lo; ,~;título 4/1sm ;68-11~-~ g2~~ 241~-" 6 ,;~s~ 2~ 71s17.4; [~t;;4; Rm ~21~~1-~~
9 jS/ 141.6; [Pv 16.28; 17.9] 11 1 Jz 11.27; SI 7.3; 35.7 m 1 Sm 26.20 12 n Gn 16.5; Jz 11.27; 1 Sm 26 10-23; Já 5.8 13 o [Mt 7.16-20]
14P1Sm 17.43; 2Sm 9 8 q 1Sm 26.20 15r1Sm 24.12 s 2Cr 24.22 t SI 351. 43 1; 119 154; Mq 7.9 16 u 1Sm 26.17 17v1Sm
26.21xGn38.26 Z(Mt 5.44]
•24.4 Hoje é o dia do qual o SENHOR te disse. Embora tosse providencial queSaul tivesse entrado justamente na caverna onde Davi e seus homens se oculta-
vam. não houve a mínima indicação de que Deus pretendesse que Davi levantas-
se a sua mão contra Saul (ct v. 6). A sugestão feita pelos homens de Davi nesse
sentido teria sido uma conclusão errônea tirada por eles.
cortou a oda do manto de Saul. Davi se limita a um ato simbólico (v. 5, nota)
•24.5 sentiu Davi IJater.lle o coração. Embora Davi posteriormente chegasse a
exibir essa orla do manto de Saul como prova da sua lealdade para com Saul (v 11).
suas dores de consciência (cf. 2Sm 24.10) sugerem que o dese10 de obter semelhan-
te prova pode não ter sido a única razão para ele se aproximar de Saul. Tendo em vista
a relevância régia desses mantos (15.28; 18.4; 19.24 e notas). Davi pode ter se senti-
do culpado por cobiçar erroneamente a realeza e por um ato de agressão contra o un-
gido do Senhor (v. 6). Ver a nota teológica "A Consciência e a Lei".
•24.6 o ungido do SENHOR. Davi reconhece a santidade do ungido do Senhor e
a salvaguarda 126.9; cf 2.10, nota). deixando ao Senhor o julgamento e a
vingança (v. 12)
•24.13 provérbio. Davi parece estar ressaltando uma verdade tal como o
ensino de Jesus: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16,20). Davi é
conhecido por seu domínio próprio, mas Saul é conhecido pelos seus esforços em
tentar destruir Davi.
•24.14 um cão morto. Davi se humilha diante de Saul, assim como Mefibosete
posteriormente fará diante de Davi (2Sm 9.8). A expressão "cão morto" ocorre só
mais uma vez no Antigo Testamento, em 2Sm 16.9. "Cão" é no1malmente usado
como insulto (17.43; 2Sm 3.8; 2Rs 8.13)
•24.17 Mais justo és do que eu. Tendo acabado de escapar com a sua vida,
Saul experimenta um raro momento de remorso. O testemunho que dá quanto à
345 1 SAMUEL 24, 25
18 Mostraste, hoje, que me fizeste bem; pois ªo SENHOR me
havia posto em tuas mãos, e tu me não mataste. 19 Porque
quem há que, encontrando o inimigo, o deixa ir por bom
caminho? O SENHOR, pois, te pague com bem, pelo que, hoje,
me fizeste. 20 Agora, pois, btenho certeza de que serás rei e
de que o reino de Israel há de ser firme na tua mão.
21 cportanto, jura-me pelo SENHOR dque não eliminarás a
minha descendência, nem desfarás o meu nome da casa de
meu pai. 22 Então, jurou Davi a Saul, e este se foi para sua
casa; porém Davi e os seus homens subiram eao lugar seguro.
A morte de Samuel
25 ªFaleceu Samuel; todos os filhos de Israel se ajunta-ram, e bo prantearam, e o sepultaram na sua casa, em
Ramá. Davi se levantou e desceu cao deserto de 1Parã.
Dalli e Nabal
2 Havia um homem, dem Maom, que tinha as suas posses·
sões no ecarmelo; homem abastado, tinha três mil ovelhas e
mil cabras e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo.
3 Nabal era o nome deste homem, e Abigail, o de sua mulher;
esta era sensata e formosa, porém o homem era duro e malig-
no em todo o seu trato. Era ele da casa de ICalebe. 4 Ouvindo
Davi, no deserto, que Nabal gtosquiava as suas ovelhas, s en-
viou dez moços e lhes disse: Subi ao Carmelo, ide a Nabal,
perguntai-lhe, em meu nome, como está. 6 Direis àquele
próspero: hpaz seja contigo, e tenha paz a tua casa, e tudo o
que possuis tenha paz! 7 Tenho ouvido que tens tosquiadores.
Os teus pastores estiveram conosco; nenhum agravo lhes fi-
zemos, e ide nenhuma coisa sentiram falta todos os dias que
estiveram no Carmelo. 8 Pergunta aos teus moços, e eles to
dirão; achem mercê, pois, os meus moços na tua presença,
porque viemos em iboa hora; dá, pois, a teus servos e a Davi,
teu filho, qualquer coisa que tiveres à mão.
9 Chegando, pois, os moços de Davi e tendo falado a Na·
bal todas essas palavras em nome de Davi, aguardaram.
10 Respondeu Nabal aos moços de Davi e disse: 'Quem é
Davi, e quem é o filho de Jessé? Muitos são, hoje em dia, os
servos que fogem ao seu senhor. 11 mTomaria eu, pois, o meu
pão, e a minha água, e a 2 carne das minhas reses que degolei
para os meus tosquiadores e o daria a homens que eu não sei
donde vêm? 12 Então, os moços de Davi puseram-se a cami-
nho, voltaram e, tendo chegado, lhe contaram tudo, segundo
todas estas palavras. 13 Pelo que disse Davi aos seus homens:
Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e
também Davi, a sua; subiram após Davi uns quatrocentos ho-
mens, e duzentos nficaram com a bagagem. 14 Nesse meio
tempo, um dentre os moços de Nabal o anunciou a Abigail,
mulher deste, dizendo: Davi enviou do deserto mensageiros
a saudar a nosso senhor; porém este 3 disparatou com eles.
15 Aqueles homens, porém, nos têm sido muito bons, e ªnun-
ca fomos agravados por eles e de nenhuma coisa sentimos fal-
ta em todos os dias de nosso trato com eles, quando
estávamos no campo. 16 De Pmuro em redor nos serviram,
tanto de dia como de noite, todos os dias que estivemos com
eles apascentando as ovelhas. 17 Agora, pois, considera e vê o
que hás de fazer, porque qjá o mal está, de fato, determinado
contra o nosso senhor e contra toda a sua casa; e ele é rfilho
de Belial, e não há quem lhe possa falar.
Abigail apazigua a Dalli
18 Então, Abigail 5 tomou, a toda pressa, duzentos pães,
dois odres de vinho, cinco ovelhas preparadas, cinco me-
didas de trigo tostado, cem cachos de passas e duzentas
pastas de figos, e os pôs sobre jumentos, 19 e disse aos seus
moços: IJde adiante de mim, pois vos seguirei de perto.
Porém nada disse ela a seu marido Nabal. 20 Enquanto ela,
cavalgando um jumento, descia, encoberta pelo monte,
~~~~~~~~~~~~
~ 18a1Sm 26.23 20 blSm 23.17 21cGn21.23; 1Sm 20.14-17 d2Sm 21.6-8 22e1Sm 23.29
CAPÍTULO 25 1ª1Sm28.3 bNm 20.29; Dt34.8 cGn 21.21; Nm 10.12; 13.3 f Confoíllle TM, S, Te V; LXX Maom 2 dlSm 23.24eJs15.55
3/ Js 15.13; 1Sm 30.14 4 gGn 38.13; 2Sm 13.23 6 h Jz 19.20; 1Cr12.18; SI 122.7; Lc 10 5 7i1Sm 25.15,21 8iNe 8.10-12; Et
8.17; 9.19,22 10 1 Jz 9.28 11 m Jz 8.6, 15 2 Lit. abate 13 n 1Sm 30.24 14 3 ralhou ou desdenhou 15 °1 Sm 25.7,21 16 P Êx
14.22; Jó 1.10 17q1Sm 20.7 TDt 13.13; Jz 19.22 18 s Gn 32.13; [Pv 18.16; 21.14] 19 IGn 32.16,20
retidão de Davi reconhece o direito deste de ser rei; até o próprio Saul reconhece
que Davi não teve sua ascensão ao poder por meios ilícitos.
•24.20 tenho certeza de que serás rei. Contraste a repreensão que Samuel
dirigiu a Saul em 13.14: "Já agora não subsistirá o teu reino." Mas Saul,
diferentemente de Jônatas, em 18.4 (nota), não dá o mínimo sinal de estar
disposto a ceder o trono a Davi (ver 26.25, nota).
•25.1 os filhos de Israel ... o prantearam. A extensão desse luto é sinal do
destaque que Samuel tinha como líder. Compare o luto que acompanhou a morte
de Jacó (Gn 50.10). de Arão (Nm 20.29) e de Moisés (Dt 34.8).
Ramá. A cidade natal de Samuel (1.1, nota).
•25.2 Carmelo. O mesmo Carmelo onde Saul erigiu um monumento em
homenagem à sua própria pessoa (15.12, notas). O local desse incidente perto do
Carmelo é a primeira de muitas lembranças de Saul nesse capítulo.
•25.3 Nabal. No v. 25, Abigail explica que o nome significa "loucura". Se parece
improvável que os pais tenham pretendido dar um nome assim ao filho, talvez se
trate simplesmente de um jogo zombeteiro de palavras com um nome que tinha
semelhança com "louco".
casa de Calebe. Quanto às posses tribais de Calebe, ver Js 14.13; 15.13. A
semelhança entre o nome "Calebe" e a palavra "cão" em hebraico (cf. 24.14,
notai talvez explique a inclusão desse detalhe específico na apresentação da
pessoa de Nabal.
•25.8 Davi, teu filho. Compare a atitude de respeito e de deferência adotada
por Davi ao chamar Saul de "meu pai", em 24.11.
•25.14 este disparatou com eles. O modo de Nabal atacaras mensageiros de
Davi é maligno. A palavra hebraica traduzida por "disparatou" significa "gritar
fortemente contra" ou "voar em cima de" alguma coisa, e está estreitamente
relacionada com o substantivo hebraico para "aves de rapina." O mesmoverbo é
aplicado a Saul, em 15. 19, para descrever sua maneira desenfreada de
"lançar-se" ao despojo tirado dos amalequitas (cf. 14.32).
•25.16 De muro em redor nos serviram. Não somente os homens de Davi se
refrearam de causar danos (v. 7), como também a sua presença oferecia
proteção aos pastores de Nabal (v 21 ).
•25.17 ele é filho de Belial. e não há quem lhe possa falar. A lastimável
situação em que Nabal se acha provém da sua própria maldade. Sua falta de
sabedoria é uma recusa a conhecer.
•25.19 Porém nada disse ela a seu marido Nabal. O cuidado de não levar
sua ação ao conhecimento do seu marido demonstra a falta de confiança de Abi-
gail nele. Tendo em vista o seu reconhecimento da escolha de Davi por parte do
Senhor (v. 28 e nota), sua decisão de ir contra os interesses de seu marido parece
1SAMUEL25 346
Davi e seus homens também desciam, e ela se encontrou
com eles. 21 Ora, Davi dissera: Com efeito, de nada me
serviu ter guardado tudo quanto este possui no deserto, e
de nada sentiu falta de tudo quanto lhe pertence; ele me
"pagou mal por bem. 22 vFaça Deus o que lhe aprouver
aos inimigos de Davi, se xeu deixar, ao amanhecer, 2 um
só do sexo masculino dentre os seus.
23 Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, ªdesceu do
jumento e prostrou-se sobre o rosto diante de Davi, incli-
nando-se até à terra. 24 Lançou-se-lhe aos pés e disse: Ah!
Senhor meu, caia a culpa sobre mim; permite 4 falar a tua
serva contigo e ouve as palavras da tua serva. 25 Não se
5 importe o meu senhor com este homem de Belial, a sa-
ber, com Nabal; porque o que significa o seu nome ele é.
6Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele; eu, porém,
tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste.
26 Agora, pois, meu senhor, btão certo como vive o
SENHOR e a tua alma, cfoste pelo SENHOR impedido de der-
ramar sangue e de dvingar-te 7 por tuas próprias mãos.
Como Nabal, esejam os teus inimigos e os que procuram
fazer mal ao meu senhor. 27 !Este é o presente que trouxe
a tua serva a meu senhor; seja ele dado aos moços que se-
guem ao meu senhor. 28 Perdoa a transgressão da tua ser-
va; pois, de fato, go SENHOR te fará casa firme, porque
hpelejas as batalhas do SENHOR, ie não se ache mal em ti
por todos os teus dias. 29 Se algum homem se levantar
para te perseguir e buscar a tua vida, então, a tua vida
iserá atada no feixe dos que vivem com o SENHOR, teu
Deus; porém a vida de teus inimigos, este a 1 arrojará como
se a atirasse da cavidade de uma funda. 30 E há de ser que,
usando o SENHOR contigo segundo todo o bem que tem
dito a teu respeito e te houver estabelecido m príncipe so-
bre Israel, 31 então, meu senhor, não te será por tropeço,
nem por pesar ao coração o sangue que, sem causa, vieres
a derramar e o te haveres vingado com as tuas próprias mãos;
quando o SENHOR te houver feito o bem, lembrar-te-ás da
tua serva.
32 Então, Davi disse a Abigail: nBendito o SENHOR, Deus
de Israel, que, hoje, te enviou ao meu encontro. 33 Bendita
seja a tua prudência, e bendita sejas tu mesma, que hoje ºme
tolheste de derramar sangue e de que por minha própria mão
me vingasse. 34 Porque, tão certo como vive o SENHOR, Deus
de Israel, que Pme impediu de que te fizesse mal, se tu não te
apressaras e me não vieras ao encontro, não teria ficado a Na-
bal, o até ao amanhecer, nem um sequer do sexo masculino.
35 Então, Davi recebeu da mão de Abigail o que esta lhe havia
trazido e lhe disse: rsobe em paz à tua casa; bem vês que ouvi
a tua petição e s a ela atendi.
A morte de Nabal
36Voltou Abigail a Nabal. Eis que ele 1fazia em casa um
banquete, como banquete de rei; o seu coração estava alegre,
e ele, já mui embriagado, pelo que não lhe referiu ela coisa
alguma, nem pouco nem muito, até ao amanhecer. 37 Pela
manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher lhe deu a
entender aquelas coisas; e se amorteceu nele o coração, e
ficou ele como pedra. 38 Passados uns dez dias, "feriu o
SENHOR a Nabal, e este morreu.
Da\li casa com Abígail
39 Ouvindo Davi que Nabal morrera, disse: vBendito seja
o SENHOR, que xpleiteou a causa da afronta que recebi de
Nabal e 2 me deteve de fazer o mal, ªfazendo o SENHOR cair o
mal de Nabal sobre a sua cabeça. Mandou Davi falar a Abigail
que desejava tomá-la por mulher. 40 Tendo ido os servos de
Davi a Abigail, no Carmelo, lhe disseram: Davi nos mandou a
ti, para te levar por sua mulher. 41 Então, ela se levantou, e se
inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis que a tua serva é
criada para blavar os pés aos criados de meu senhor. 42 Abigail
se apressou e, dispondo-se, cavalgou um jumento com as
cinco moças que a 8assistiam; e ela seguiu os mensageiros de
Davi, que a recebeu por mulher.
43Também tomou Davi a Ainoã cde Jezreel, de ambas
foram suas mulheres, 44 porque Saul tinha dado sua filha
eMical, mulher de Davi, a 9Palti, filho de Laís, o qual era de
IGalim .
• 21 u SI 109.5 . ~~ v 1Sm 3.17; 20.13.16X 1Sm 25.34 z lRs-14.10; 21.21. 23 a Jz 1.14 24 4 Lit falar a tua serva aos-teus ouvidos
25 5 Não preste atenção o meu senhor nesse 6 Lit Insensato 26 b 2Rs 2.2 e Gn 20.6 d [Rm 12 19] e 2Sm 18.32 7Lit salvar-te 27 /Gn
33.11 28 g2Sm 7.11-16,27 h 1Sm 18.17i1Sm 24 11 29 i[CI 33] I Jr 1018 30 m 1Sm 13.14; 15.28 32 n Lc 1.68 33o1Sm
25.26 34P1 Sm 25 26 q 1 Sm 25.22 35'2Rs 5.19 sGn 19.21 36 t2Sm 13.28 38 u 1Sm26.1 O 39 v1 Sm 25 32 xPv 22.23 z1 Sm
25.26,34 ª 1Rs 2.44 41 b [Pv 15.33]; Lc 7.38.44 42 8 Lit com cinco de suas criadas aos seus pés 43 e Js 15.56 d 1 Sm 27.3; 30.5
44e1Sm 18.20; 2Sm 3.14/ls 10.30; 2Sm 3.15 9falt1el. 2Sm 3.15
estar apoiada no pensamento de que é melhor obedecer a Deus do que aos
homens [At 5.29).
•25.22 se eu deixar, ao amanhecer, um só do sexo masculino. Sem se re-
frear por causa dalguma condição social especial de Nabal [contrastar 24.9-12). a
intenção de Davi é tomar vingança pessoal.
•25.25 Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele. Ver nota no v. 3.
•25.28 casa firme. A percepção que Abigail tem de Davi está tão certa quanto
a do seu marido está errada [vs. 10-11. 2Sm 7.11-16).
pelejas as batalhas do SENHOR. As palavras de Abigail fazem uma alusão indi-
reta à diferença entre o papel correto que Davi desempenhava como militar e a
vingança pessoal que agora está querendo. Participar honrosamente em conflitos
envolve tomar posição firme em favor de Deus e deixar que o Senhor lide pessoal-
mente com quem nos lesou [24.12).
não se ache mal em ti. Se Davi tivesse se vingado por conta própria contra o
seu inimigo. teria se assemelhado a Saul, e Davi posteriormente louva ao Senhor
por ter enviado Abigail para dissuadi-lo de semelhante transgressão (v. 32).
•25.29 atada no feixe ... cavidade de uma funda. Note a repetição poética
no discurso de Abigail.
•25.36 como banquete de rei. Essa expressão traz a idéia de que Nabal, de al-
guma maneira. era semelhante a outro rei, Saul.
•25.39 Bendito seja o SENHOR. Davi teria errado se tivesse liquidado o caso
com suas próprias mãos. mas não porque Nabal era inocente. Tendo ouvido a no-
tícia da morte de Nabal, Davi dá graças ao Senhor por tê-lo impedido de cometer
pessoalmente um crime sem, porém. deixar de apoiar a sua causa.
•25.411-44 Abigail... Ainoã ... Mical. Davi agora tem três esposas: Mical, filha
de Saul, que tinha sido dada a outro homem; Ainoã; e Abigail. Ver também 2Sm
2.2; 3.2-3.
347 1SAMUEL26
Dal/i, outra vez, poupa
a vida de Saul
2 Ó Vieram os zifeus a Saul, a Gibeá, e disseram: ªNão se acha Davi escondido no outeiro de Haquila, defronte
deJesimom? 2 Então, Saul se levantou e desceu ao deserto de
Zife, e com ele, btrês mil homens escolhidos de Israel, a bus-
car a Davi. 3 Acampou-se Saul no outeiro de Haquila, defron-
te de Jesimom, junto ao caminho; porém Davi ficou no
deserto, e, sabendo que Saul vinha para ali à sua procura,
4 enviou espias, e soube queSaul tinha vindo. s Davi se levan-
tou, e veio ao lugar onde Saul acampara, e viu o lugar onde se
deitaram Saul e e Abner, filho de Ner, comandante do seu
exército. Saul estava deitado no acampamento, e o povo, ao
redor dele.
6 Disse Davi a Aimeleque, o heteu, e a Abisai, d filho
de Zeruia, irmão de eJoabe: Quem !descerá comigo a
Saul, ao arraial? Respondeu g Abisai: Eu descerei contigo.
7 Vieram, pois, Davi e Abisai, de noite, ao povo, e eis que
Saul estava deitado, dormindo no acampamento, e a sua
lança, fincada na terra à sua cabeceira; Abner e o povo es-
tavam deitados ao redor dele. 8 Então, disse Abisai a
Davi: hDeus te entregou, hoje, nas mãos o teu inimigo;
deixa-me, pois, agora, encravá-lo com a lança, ao chão,
de 1 um só golpe; não será preciso segundo. 9 Davi, po-
rém, respondeu a Abisai: Não o mates, ipois quem have-
rá que estenda a mão contra o ungido do SENHOR e fique
inocente? to Acrescentou Davi: Tão certo como vive o
SENHOR, ieste o ferirá, ou 1o seu dia chegará em que mor-
ra, ou em que, mdescendo à batalha, seja morto. 11 no
SENHOR me guarde de que eu estenda a mão contra o seu
ungido; agora, porém, toma a lança que está à sua cabe-
ceira e a bilha da água, e vamo-nos. 12 Tomou, pois, Davi
a lança e a bilha da água da cabeceira de Saul, e foram-se;
ninguém o viu, nem o soube, nem se despertou, pois to-
dos dormiam, porquanto, da parte do SENHOR, lhes havia
caído ºprofundo sono.
13 Tendo Davi passado ao outro lado, pôs-se no cimo do
monte ao longe, de maneira que entre eles havia grande
distância. 14 Bradou ao povo e a Abner, filho de Ner, dizen-
do: Não respondes, Abner? Então, Abner acudiu e disse:
Quem és tu, que bradas ao rei? 15 Então, disse Davi a
Abner: Porventura, não és homem? E quem há em Israel
como tu? Por que, pois, não guardaste o rei, teu senhor?
Porque veio um do povo para destruir o rei, teu senhor.
16 Não é bom isso que fizeste; tão certo como vive o
SENHOR, deveis morrer, vós que não guardastes a vosso se-
nhor, o ungido do SENHOR; vede, agora, onde está a lança
do rei e a bilha da água, que tinha à sua cabeceira.
Saul, outra vez, se reconcilia
com Davi
17 Então, reconheceu Saul a voz de Davi e disse: PNão
é a tua voz, meu filho Davi? Respondeu Davi: Sim, a mi-
nha, ó rei, meu senhor. 18 Disse mais: qPor que persegue o
meu senhor assim seu servo? Pois que fiz eu? E que malda-
de se acha nas minhas mãos? 19 Ouve, pois, agora, te rogo,
ó rei, meu senhor, as palavras de teu servo: se é o SENHOR
que 'te incita contra mim, aceite ele a oferta de manjares;
porém, se são os filhos dos homens, malditos sejam peran-
te o SENHOR; 5 pois eles me expulsaram hoje, para que eu
não tenha parte na 1herança do SENHOR, como que dizen-
do: Vai, serve a outros deuses. 20 Agora, pois, não se derra-
me o meu sangue longe desta terra do SENHOR; pois saiu o
rei de Israel em busca de "uma pulga, como quem perse-
gue uma perdiz nos montes.
21 Então, disse Saul: vpequei; volta, meu filho Davi,
pois não tornarei a fazer-te mal; porque foi, hoje, preciosa
a minha vida aos teus olhos. Eis que tenho procedido
como louco e errado excessivamente. 22 Davi, então, res-
pondeu e disse: Eis aqui a lança, ó rei; venha aqui um dos
moços e leve-a. 23 xpague, porém, o SENHOR a cada um a
sua justiça e a sua lealdade; pois o SENHOR te havia entre-
gado, hoje, nas minhas mãos, porém eu não quis esten-
dê-las contra o ungido do SENHOR.
24 Assim como foi a tua vida, hoje, de muita estima aos
meus olhos, assim também seja a minha aos olhos do
SENHOR, e ele me livre de toda tribulação. 25 Então, Saul
disse a Davi: Bendito sejas tu, meu filho Davi; pois gran-
des coisas farás e, de fato, zprevalecerás. Então, Davi con-
tinuou o seu caminho, e Saul voltou para o seu lugar.
• CAPÍTUL026 1ª1Sm23.19;Sl54.título 2b1Sm13;;2~.2 5Cl;m14.50-51;17.55 6d1Cr2.16e2Sm2.13/Jz7.10-11nSm
2.18,24 8 h 1 Sm 24.4 1 Ou uma única vez 9 i 1 Sm 24.6-7; 2Sm 1.14, 16 1 Oi [Dt 32.35]; 1 Sm 25.26,38; [Lc 18. 7; Rm 12.19; Hb
10.30] IGn 47.29; Dt 31.14; [Jó 7.1; 14.5]; SI 37.13m1Sm 31.6 11n1Sm 24.6-12; [Rm 12.17,19] 12 ºGn 2.21; 15~12; Is 29.10
17P1 Sm 24.16 18q1 Sm 24.9, 11-14 19 '2Sm 16.11; 24.1 s Dt 4.27-28 12Sm 14.16; 20.19 20u1Sm 24.14 21 V Ex 9.27; 1 Sm
15.24,30; 24.17; 2Sm 12.13 23 x1sm 24.19; 2Sm 22.21; SI 7.8; 18.20; 62.12 25 zGn 32.28; 1Sm 24.20
•26.1 Vieram os zifeus a Saul. Ver nota em 23.19.
•26.6 Abisai, filho de Zeruia. Ver nota em 2Sm 2.18.
•26.8 Deus te entregou ... o teu inimigo. Ver nota em 24.4.
•26.9 contra o ungido do SENHOR. Ver 24.6 e nota.
•26.1 O o SENHOR ... o ferirá. As palavras de Davi expressam uma certeza
baseada (ou pelo menos confirmada) pelo modo recente de o Senhor lidar com
Nabal (25 38-39)
•26.12 da parte do SENHOR ... profundo sono. A sobrevivência de Davi e o seu
êxito definitivo dependiam do governo e da orientação de Deus (ver tarnbérn
30.2, 19 e notas).
•26.19 na herança do SENHOR. Ver nota em 2Sm 20.19.
Vai, serve a outros deuses. Davi quer dizer que tinha sido expulso para viver
entre estranhos, longe do povo de Deus.
•26.20 uma perdiz. A perdiz, cujo nome em hebraico significa "aquele que
chama", é um termo sabiamente escolhido para Davi, que fica em pé na crista da
montanha e "clama" (vs 13-14).
•26.21 Pequei; volta. D modo de Davi corresponder à confissão e con-
vite de Saul (v. 22) indica que duvida da sinceridade de Saul; compare a
resposta de Samuel diante de um convite semelhante da parte de Saul em
15.24-26.
•26.25 Bendito sejas tu, meu filho Davi. O comportamento de Saul é
errático, e Davi não confia nas suas confissões, nern nas suas bênçãos (27 .1; ver
nota em 24.20).
1 SAMUEL 27, 28 348
Davi, outra ve~ com Aquis, rei de Gate
2 7 Disse, porém, Davi consigo mesmo: Pode ser que algum dia venha eu a perecer nas mãos de Saul; nada
há, pois, melhor para mim do que fugir para a terra dos
filisteus; para que Saul 1 perca de todo as esperanças e deixe
de perseguir-me por todos os limites de Israel; assim, me
livrarei da sua mão. 2 ªDispôs-se Davi e, com os seiscentos
homens que com ele estavam, passou ba Aquis, filho de
Maoque, rei de Cate. 3 Habitou Davi com Aquis em Cate, ele
e os seus homens, cada um com a sua família; Davi, ccom
ambas as suas mulheres, Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva
de Nabal, o carmelita. 4 Avisado Saul de que Davi tinha
fugido para Cate, desistiu de o perseguir.
5 Disse Davi a Aquis: Se achei mercê na tua presença,
dá-me lugar numa das cidades da terra, para que ali habite;
por que há de habitar o teu servo contigo na cidade real?
6 Então, lhe deu Aquis, naquele dia, a cidade de Ziclague.
Pelo que dZiclague pertence aos reis de Judá, até ao dia de
hoje. 7 E todo o 2 tempo que Davi epermaneceu na terra dos
filisteus foi um ano e quatro meses.
8 Subia Davi com os seus homens, e davam contra f os ge-
suritas3, g os gersitas e h os amalequitas; porque eram estes os
moradores da terra desde 4Telã, ina direção de Sur, até à terra
do Egito. 9 Davi 5 feria aquela terra, e não deixava com vida
nem homem nem mulher, e tomava as ovelhas, e os bois, e os
jumentos, e os camelos, e as vestes; voltava e vinha a Aquis.
to E perguntando Aquis: Contra quem deste hoje? Davi res-
pondia: Contra o Sul de Judá, e o Sul J dos jerameelitas, e o Sul
idos queneus. 11 Davi não deixava com vida nem homem
nem mulher, para os trazer a Cate, pois dizia: Para que não
nos denunciem, dizendo: Assim Davi o fazia. Este era o seu
proceder por todos os dias que habitou na terra dos filisteus.
12 Aquis confiava em Davi, dizendo: Fez-se ele, por certo,
aborrecível para com o seu povo em Israel; pelo que me será
por servo para sempre.
Saul consult.a a médium de En-Dor
2 8 ªSucedeu, naqueles dias, que, juntando os filisteus os seus exércitos para a peleja, para fazer guerra con-
tra Israel, disse Aquis a Davi: Fica sabendoque comigo
sairás à peleja, tu e os teus homens. 2 Então, disse Davi a
Aquis: Assim saberás quanto pode o teu servo fazer. Disse
Aquis a Davi: Por isso, te farei minha guarda pessoal para
sempre.
3 Já bSamuel era morto, e todo o Israel o tinha chorado e o
tinha sepultado em cRamá, que era a sua cidade; Saul havia
desterrado dos médiuns e os adivinhos. 4 Ajuntaram-se os fi-
listeus e vieram acampar-se em esuném; ajuntou Saul a todo
·-~:~~;fs~o ~~-1~~g~s:~~ i~~~~~ie~1aTª-~~~s~{3~1~3~~~~~6~~~:fJi h i~ i fif~1~~4-~~8~~~1255~~; 1{x~1~~; 12o1~ ~
gezritps 4 os tempos antigos 9 5 Ou seja, atacava l O J 1 Cr 2.9,25 1 Jz 1.16
CAPITULO 28 l ª 1Sm29.1-2 3 b1Sm 25.1 C1Sm 1.19 dÊx 22.18; Lv 19.31; 20.27; Dt 18.10-11; 1Sm 15.23; 28.9 4 eJs 19 18; 1 Sm
28.4; 1 Rs 1.3; 2Rs 4.8
•27.1 algum dia ... nas mãos de Saul. Apesar das lições de fé que tinha
aprendido recentemente (26 10). Davi cansa de ser um fugitivo passando
constante perigo de vida e cede diante do temor humano de que Saul acabará
conseguindo destruí-lo. A ansiedade de Davi talvez tenha sido aumentada pelo
fato de ele e seus homens terem consigo os seus familiares (v. 3). Pela segunda
vez (21.10). Davi busca refúgio entre os arquiinimigos de Israel. os filisteus
•27 .2 Aquis. Sendo, agora. óbvio e indiscutível o rompimento entre Davi e Saul,
Aquis prontamente aceita a presença de Davi, esperando, indubitavelmente.
obter benefícios do apoio de Davi nas suas próprias lutas contra Saul (29 6)
•27.3 com ambas as suas mulheres. Ver nota em 25.40-44.
•27.5 contigo na cidade real. Embora o pedido de Davi, no sentido de receber
moradia "numa das cidades da terra", baseie-se grandemente no desejo de não
ser um peso financeiro para a cidade real, ele também espera ter maior liberdade
de ação por estar longe dos olhos de Aquis (vs 8-11).
•27.6 Ziclague. Alistada entre as cidades de Judá (Js 15.31; 19 5). a cidade
antiga de Ziclague pode ter sido em Tell Esh-Shariá, 24 km ao noroeste de
Berseba. Tendo sido uma possessão israelita, Ziclague estava debaixo do controle
dos filisteus naqueles tempos.
reis de Judá. Essa expressão é segundo o ponto de vista de um período poste-
rior à divisão de Israel entre os reinos do Norte e do Sul ( 1 Rs 12).
•27 .8 gesuritas. Vizinhos dos filisteus (Js 13.2). esses povos não eram os
mesmos que os gesuritas ao leste do Jordão (Js 13.11; 2Sm 15.8; 1 Cr 2.23). A
esposa de Davi, mãe de Absalão (2Sm 3.3), provinha dos gesuritas ao leste do
Jordão.
gersitas. Não identificáveis; Gezer (ver nota textual) fica bem distante.
amalequitas. Ver nota em 15.2.
Sur. Ver nota em 15.7.
•27.9 não deixava com vida nem homem nem mulher. Esse método de Davi
ocultaria de Aquis a sua vida dupla (v. 11). É duvidoso se esta prática foi correta
- tendo em vista a falta de quaisquer indicações de que o Senhor lhe ordenara
esse tipo de atuação.
•27 .1 O Davi respondia. Não é esta a primeira ocasião em que Davi acha
necessário usar de engano (20.6; 21.2 e notas; cf 16.2, nota).
o Sul de Judá. Ver 2Sm 24.7; 2Cr 28.18. A grande região Sul de Israel, o Negue-
be, estendia-se desde Berseba para o sul, até ao Golfo de Ácaba.
jerameelitas. 1 Cr 2.9-15 menciona Jerameel como um descendente de Judá
através de Hezrom e como um irmão de Rãa. ancestral de Davi.
queneus. Os queneus e os jerameelitas são mencionados juntos em 30.29.
•27 .12 Aquis confiava em Davi. Aquis foi enganado pelo logro de Davi. que
alegava ter atacado aldeias em Judá e na sua vizinhança.
•28.1 Fica sabendo. Aquis indica que sua benevolência para com Davi acarreta
certas obrigações. A mesma frase em hebraico é usada na advertência que Salo-
mão deu a Simei em 1 Rs 2.37.42.
•28.2 quanto pode o teu servo. A ironia da resposta ambígua de Davi (este lu-
tará em favor de Aquis. ou contra ele?) tem seu paralelo na ironia !talvez inconsci-
ente) da resposta de Aquis.
minha guarda pessoal para sempre. Supõe-se que a oferta de Aquis depende
do desempenho de Davi na batalha. A expressão hebraica aqui empregada por
Aquis significa "guardador da minha cabeça," que é uma escolha infeliz de pala-
vras. tendo em vista o que Davi fez com Golias (17.49-54).
•28.3 Samuel era morto. A morte de Samuel sinaliza o fim de uma era.
os médiuns e os adivinhos. Embora a expulsão por Saul dos médiuns e espíri-
tas esteja em total conformidade com a lei de Moisés (lv 19.31; 2\l.o,21; íl\
18.11 ). isso é só uma demonstração parcial de zelo pela religião de Israel. Saul, ao
consultar uma médium. indica claramente sua própria infidelidade e desobediên-
cia (1Cr10.13). ao passo que Lv 20.6 diz que semelhante pessoa deve ser "elimi-
nada do seu povo."
•28.4 Suném. Localizada um pouco ao sudoeste da colina de Maré e 25 km ao
sudoeste do mar de Ouinerete (Galiléia), Suném era o local do arraial dos filisteus
na véspera da batalha em que Saul morreu (cap. 31 ).
349 1 SAMUEL 28, 29
o Israel, e se acamparam em fGiJboa. s Vendo Saul o acampa-
mento dos filisteus, foi tomado de 8medo, e muito se estre-
meceu o seu coração. 6 Consultou Saul ao SENHOR, porém ho
SENHOR não lhe respondeu, nem por isonhos, nem !por Urim,
nem por profetas. 7 Então, disse Saul aos seus servos: Apon-
tai-me uma mulher que seja médium, 1para que me encontre
com ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Há uma
mulher em En-Dor que é médium.
8 Saul disfarçou-se, vestiu outras roupas e se foi, e com ele,
dois homens, e, de noite, chegaram à mulher; e m1he disse:
Peço-te que me adivinhes pela necromancia e me faças subir
aquele que eu te disser. 9 Respondeu-lhe a mulher: Bem sabes
o que fez Saul, como neliminou da terra os médiuns e
adivinhos; por que, pois, me armas cilada à minha vida, para
me matares? 10 Então, Saul lhe jurou pelo SENHOR, dizendo:
Tão certo como vive o SENHOR, nenhum castigo te sobrevirá
por isso. 11 Então, lhe disse a mulher: Quem te farei subir?
Respondeu ele: Faze-me subir Samuel. 12 Vendo a mulher a
Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que
me enganaste? Pois tu mesmo és Saul. 13 Respondeu-lhe o
rei: Não temas; que vês? Então, a mulher respondeu a Saul:
Vejo ºum deus 1 que sobe da terra. 14 Perguntou ele: Como é
a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está
envolto Pnuma capa. Entendendo Saul que era Samuel,
inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou.
IS Samuel disse a Saul: Por que qme inquietaste, fazen-
do-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, por-
mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se
fez teu inimigo? 17 Porque o SENHOR fez para 2 contigo
1como, por meu intermédio, ele te dissera; tirou o reino da
tua mão e o deu ao teu companheiro Davi. 18 "Como tu não
deste ouvidos à voz do SENHOR e não executaste o que ele,
no furor da sua ira, ordenou contra v Amaleque, por isso, o
SENHOR te fez, hoje, isto. 19 O SENHOR entregará também a
Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus fi-
lhos estareis xcomigo; e o acampamento de Israel o SENHOR
entregará nas mãos dos filisteus.
20 De súbito, caiu Saul estendido por terra e foi tomado de
grande medo por causa das palavras de Samuel; e falta-
vam-lhe as forças, porque não comera pão todo aquele dia e
toda aquela noite. 21 Aproximou-se de Saul a mulher e, ven-
do-o assaz perturbado, disse-lhe: Eis que a tua serva deu ouvi-
dos à tua voz, e, 2 arriscando a minha vida, atendi às palavras
que me falaste. 22 Agora, pois, ouve também tu as palavras da
tua serva e permite que eu ponha um bocado de pão diante
de ti; come, para que tenhas forças e te ponhas a caminho.
23 Porém ele o recusou e disse: Não comerei. Mas os seus ser-
vos e a mulher o constrangeram; e atendeu. Levantou-se do
chão e se assentou no leito. 24 Tinha a mulher em casa um be-
zerro cevado; apressou-se e matou-o, e, tomando farinha, a
amassou, e a cozeu em bolos asmos. 25 E os trouxe diante de
Saul e de seus servos,e comeram. Depois, se levantaram e se
foram naquela mesma noite.
que os filisteus guerreiam contra mim, e roeus se desviou Os filisteus desconfiam de Dalli
de mim e 5 já não me responde, nem pelo ministério dos pro- 2 9 ªAjuntaram os filisteus todos os seus exércitos bem
fetas, nem por sonhos; por isso, te chamei para que me reve- Afeca, e acamparam-se os israelitas junto à fonte que
leso que devo fazer. 16 Então, disse Samuel: Por que, pois, a está em Jezreel. 2 cos príncipes dos filisteus se foram para lá
• ! 1Sm 31.1 5 g Já 18.11; [Is 57.20] 6 h 1Sm 14.37; Pv 1.28; Lm 2.9; Nm 12.6; JI 2.28 /Êx 28.30; Nm 27.21; Dt 33.8 7l1Cr 10.13
smDt18.10-11; 1Cr10.13;1s8.19 9n1Sm28.3 13ºÊx22.28;Sl138.11Hebrelohim 14P1Sm15.27;2Rs2.8,13 15q1s
14.9r1 Sm 16.14; 18.12s1 Sm 28.6 17t1 Sm 15 28 2 Ou por ele, ou seja, Davi 18 u 1 Sm 13.9-13; 15.1-26; 1 Rs 20.42; 1Cr 10.13; Jr
48.1Ov1Sm 15.3-9 19x1Sni 31.1-6; Já 3.17-19 21 z Jz 12.3; 1 Sm 19.5; Já 13.14
CAPÍTULO 29 1ª1Sm28.1bJs12.18; 19.30; 1Sm 4.1; 1Rs 20.30 2 C1Sm 6.4; 7.7
Gilboa. Essa é, provavelmente, a cordilheira montanhosa que começa a 8 km ao
sul de Suném e que se estende para o sul, ao longo da margem oriental da
planície de Jezreel. Pode, também, ser uma aldeia localizada no âmago da
cordilheira de Gilboa, 17 km ao sul de Suném. Ver 29.1 e nota.
•28.5 muito se estremeceu o seu coração. Ver 17.11 e nota.
•28.6 o SENHOR não lhe respondeu. A consulta por Saul foi instigada pela
ansiedade (v. 5), e não pela piedade; a recusa do Senhor em responder relembra a
ameaça em 8.18.
nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. Saul rejeitara o Senhor e,
como conseqüência, foi rejeitado pelo Senhor 115.23 e nota). Assim, foi excluído dos
meios nonmais de buscar conselhos de Deus. Enquanto Davi tinha o profeta Gade no
seu séquito (22.5), é improvável que houvesse um profeta verdadeiro acompanhando
Saul. Além disso, a estola sacerdotal legítima contendo o Urim e o Tumim 12.28, nota)
passou a fazer parte das possessões de Davi através de Abiatar (23.6).
•28. 7 Apontai-me uma mulher que seja médium. Apesar dos elementos
desse tipo terem sido expurgados da terra (v. 3, nota), Saul parece não ter dúvida
nenhuma de que seria possível achar uma médium, e seus atendentes conseguem
imediatamente indicar uma.
En-Dor. Js 17.11-12 testifica acerca de uma influência cananéia persistente em
En-Dor, que ficava uns 8 km ao norte de Suném (v. 4, nota). Saul, para chegar a
En-Dor. teve que ir além das linhas dos filisteus.
•28.12 Vendo a mulher a Samuel. Esta expressão relata o que a mulher disse ter
visto, porém, nem mesmo Saul viu coisa alguma. Em uma primeira leitura, a surpresa
da mulher pode dar a entender que de fato Samuel apareceu diante dela e que o
fenômeno era algo fora do seu controle. A surpresa, no entanto, pode ter sido
causada porque, de alguma fonma, ela reconheceu o rei. Dizer que a aparição foi, de
fato, de Samuel contraria vários argumentos na área teológica. O diálogo nos versos
seguintes entre o suposto Samuel e Saul também foi feito através da mulher, sem ter
nenhuma evidência de que o verdadeiro Samuel tenha dito qualquer das coisas
mencionadas. Isso sem contar a descrição vaga e imprecisa que a médium dá nos
próximos versos da suposta figura de Samuel. Ainda mais, seria incoerente que, uma
vez que Saul não foi respondido pelo Senhor por várias fonmas (nem por sonhos, nem
por Urim, nem por profetas, v. 6), venha agora receber uma resposta através do
finado profeta Samuel (se fosse mesmo Samuel falando através da necromante, o
Senhor agora estaria respondendo, pois Samuel não falaria de si mesmo). O autor de
Crônicas, ao relatar as causas da morte de Saul 11 Cr 10.13-14), diz que este morrera
porque "interrógara e consultara uma necromante e não ao Senhor".
•28.14 Entendendo Saul que era Samuel. Segundo parece, Saul reconheceu
Samuel quando a médium descreveu a sua capa. O destino da monarquia de Saul
tem sido simbolizado de várias maneiras por capas, e a alusão à capa de Samuel
relembra o pronunciamento devastador em 15.28 (ver também 18.4; 24.4-6).
•28.19 tu e teus filhos estareis comigo. Ou seja, entre os mortos \31.2-4\.
•28.23 Não comerei. Ver nota em 1.7.
•28.24 bezerro cevado. Muito havia mudado desde o primeiro encontro de
Saul com Samuel, quando ele foi designado como aquele que livraria Israel dos
filisteus 19 16) e lhe foi oferecido uma refeição festiva pelo profeta (9.22-24).
Agora, no último encontro com Samuel, na véspera da sua morte e da derrota
esmagadora de Israel, a médium oferece a Saul um bezerro cevado.
1 SAMUEL 29, 30 350
com centenas e com milhares; e dDavi e seus homens iam com
Aquis, na retaguarda. 3 Disseram, então, os príncipes dos filis·
teus: Estes hebreus, que fazem aqui? Respondeu Aquis aos
príncipes dos filisteus: Não é este Davi, o servo de SauJ, rei de
Israel, que esteve comigo ehá muitos dias ou anos? E f coisa ne·
nhuma achei contra ele desde o dia em que, tendo desertado,
passou para mim, até ao dia de hoje. 4 Porém os príncipes dos
filisteus muito se indignaram contra ele; e lhe disseram: gFaze
voltar este homem, para que torne ao lugar que lhe designaste
e não desça conosco h à batalha, ipara que não se faça nosso ad·
versário no combate; pois de que outro modo se reconciliaria
como o seu senhor? Não seria, porventura, com as cabeças
destes ihomens? s Não é este aquele Davi, 1de quem uns aos
outros respondiam nas danças, dizendo:
msaul feriu os seus milhares,
porém Davi, os seus dez milhares?
6 Então, Aquis chamou a Davi e lhe disse: Tão certo
como vive o SENHOR, tu és reto, e nme parece bem que to·
roes parte comigo nesta campanha; porque ºnenhum mal
tenho achado em ti, desde o dia em que passaste para mim
até ao dia de hoje; porém aos príncipes não agradas. 7 Volta,
pois, agora, e volta em paz, para que não desagrades aos
príncipes dos filisteus. B Então, Davi disse a Aquis: Porém
que fiz eu? Ou que achaste no teu servo, desde o dia em que
entrei para o teu serviço até hoje, para que não vá pelejar
contra os inimigos do rei, meu senhor? 9 Respondeu, po·
rém, Aquis e disse a Davi: Bem o sei; e que, na verdade, aos
meus olhos és bom Pcomo um anjo de Deus; porém qos
príncipes dos filisteus disseram: Não suba este conosco à ba-
talha. 10 Levanta-te, pois, amanhã de madrugada com os
teus servos, 'que vieram 1 contigo; e, levantando-vos, logo
que haja luz, parti. 11 Então, Davi de madrugada se levan-
tou, ele e os seus homens, para partirem e voltarem à terra
dos filisteus. sos filisteus, porém, subiram a Jezreel.
Ziclague é saqueada pelos amalequitas
3 O Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus ho· mens, ao terceiro dia, a ªZiclague, já bos amalequitas
tinham dado com ímpeto contra o Sul e Ziclague e a esta,
ferido e queimado; 2 tinham levado cativas e as mulheres que
lá se achavam, porém a ninguém mataram, nem pequenos
nem grandes; tão-somente os levaram consigo e foram seu
caminho. 3 Davi e os seus homens vieram à cidade, e ei-la
queimada, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram
levados cativos. 4 Então, Davi e o povo que se achava com ele
ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para
chorar. 5 Também d as duas mulheres de Davi foram levadas
cativas: Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva de Nabal, o
carmelita. 6 Davi muito se angustiou, pois e o povo falava de
apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um
por causa de seus filhos e de suas filhas; !porém Davi se
reanimou no SENHOR, seu Deus.
Dal/Í liwa os cati11os
7 gDisse Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque:
Traze-me aqui a estola sacerdotal. E h Abiatar a trouxe a Davi.
8 1Então, consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Perseguirei eu o
bando? Alcançá-lo-ei? Respondeu-lhe o SENHOR: Persegue-o,
porque, de fato, o alcançarás e tudo libertarás. 9 Partiu, pois,
Davi, ele e os seiscentoshomens que com ele se achavam, e
chegaram ao ribeiro de Besor, onde os retardatários ficaram.
10 Davi, porém, e quatrocentos homens continuaram a
perseguição, ipois que duzentos ficaram atrás, por não
poderem, de cansados que estavam, passar o ribeiro de Besor .
• d1Sm28.1-2 3 e1sm 277 f1Sm 271-6; 1C;1219-;~: Dn 65 4g1Sm276h1Sm1421 i1Sm29.9!1Cr12.19-20 ~ 11S~m~2~1~1~1~~~
m 1 Sm 18.7 6 n 2Sm 3.25; 2Rs 19.27 o 1 Sm 29.3 9 P 2Sm 14.17.20; 19.27 q 1 Sm 29.4 1 O r 1 Cr 12.19.22 I Conforme TM. T, V; LXX
acrescenta e vai para o lugar que eu escolhi para vós ai(· e não coloques nenhuma palavra aborrecida em teu coração, pois tu és bom diante de
mim. E levantai-vos no vosso caminho 11 s 2Sm 4.4
CAPÍTULO 30 1a1Sm 27.6b1Sm 15.7; 27.8 2e1Sm 27.2-3 5d1Sm 25.42-43 6 e Êx 17.4; Jo 8.59/1Sm 23.16; Is 25.4; Hc
3.17-19 7g1Sm23.2-9h1Sm23.6 Bi1Sm23.2,4;Sl50.15;91.15 tOi1Sm309.21
•29.1 Ajuntaram os filisteus. Essa declaração volta à narrativa iniciada em
28.1-2. porém interrompida a fim de descrever a visita de Saul à médium (28.3-25).
Afeca. Provavelmente, a mesma Afeca mencionada em 4.1 (nota). 45 km ao
norte de Gate. Os filisteus reuniram as suas forças em Afeca antes de
continuarem a sua marcha para o norte (v. 2).
Jezreel. Ao norte do monte Gilboa. poucos quilômetros ao sul de Suném. e 64
km ao nordeste de Afeca.
•29.3 hebreus. Ver nota em 4.6.
coisa nenhuma achei contra ele. Esse juízo revela a medida da ingenuidade
de Aquis, e não da sinceridade de Davi (27 8-12).
•29.4 para que não se faça nosso adversário no combate. Os demais co-
mandantes filisteus são menos ingênuos do que Aquis. e talvez ainda guardem lem-
branças dolorosas de traição em meio a uma batalha anterior contra Israel (14.21 ).
•29.5 Não é este aquele Davi, de quem uns aos outros respondiam nas
danças. Ver nota em 18.7; 21.11.
•29.8 Porém que fiz eu. Essa pergunta, um protesto de inocência genuína ao
ser dirigida a Saul (26.18). agora não passa de disfarce enganoso Davi tinha, na
realidade. feito bastante coisa errada (27.8-12). Se Aquis tão-somente pudesse
ver isso.
para que não vá pelejar contra os inimigos do rei, meu senhor. Assim
como em 28.2, Davi volta a empregar ambigüidades que são aparentes ao leitor,
mas não a Aquis. A ambigüidade aqui é a identidade de o "rei. meu senhor." Podia
ser Aquis, Saul. ou possivelmente o próprio Deus.
•29.9 aos meus olhos és bom como um anjo de Deus. A confiança de
Aquis. que é um erro grosseiro nesse caso, deixa-o praticamente com papel de
tolo. Quanto à expressão "anjo de Deus." ver 2Sm 14.17.20; 19.27.
•30.1 Ziclague. Ver nota em 27.6.
amalequitas tinham dado com ímpeto. Ver notas em 15.2.8. lendo sido as
vítimas das incursões vitoriosas de Davi (27.8). os amalequitas aproveitaram a
ausência de Davi de Ziclague para retaliarem.
o Sul. Ver nota em 27.10.
•30.2 a ninguém mataram. É evidência notável da proteção providencia\ que o
Senhor dera a Davi lv. 19; 26.12). cuja própria prática tinha sido bem diferente
127.9).
•30.3 suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados cativos.
Essa virada dos eventos deve ter causado consternação excepcional, porque era
a solicitude pela segurança das famílias que desde o início deve ter motivado a
retirada de Davi e seus homens ao território dos filisteus 127.1, nota).
•30.6 Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus. Ver nota em 23.16.
•30.7 Abiatar a trouxe. Ver nota em 22.20.
•30.9 ribeiro de Besor. Ribeiros da estação chuvosa da vizinhança de Berseba
e do sul convergem para o ribeiro de Besor. que corre para o noroeste até
351 1 SAMUEL 30, 31
11 Acharam no campo um homem egípcio e o trouxeram
a Davi; deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber água.
12 Deram-lhe também um pedaço de 1pasta de figos secos e
dois cachos de passas, e mcomeu; recobrou, então, o alento,
pois havia três dias e três noites que não comia pão, nem be-
bia água. 13 Então, lhe perguntou Davi: De quem és tu e de
onde vens? Respondeu o moço egípcio: Sou servo de um
amalequita, e meu senhor me deixou aqui, porque adoeci
há três dias. 14 Nós demos com ímpeto contra o lado sul
n dos queretitas, contra o território de Judá e contra o lado
sul ºde Calebe e pusemos fogo em Ziclague. 15 Disse-lhe
Davi: Poderias, descendo, guiar-me a esse bando? Respon-
deu-lhe: Jura-me, por Deus, que me não matarás, nem me
entregarás nas mãos de meu Psenhor, e descerei e te guiarei
a esse bando. ló E, descendo, o guiou. Eis que estavam espa-
lhados sobre toda a região, qcomendo, bebendo e fazendo
festa por todo aquele grande despojo que tomaram da terra
dos filisteus e da terra de Judá. 17 Feriu-os Davi, desde o cre-
púsculo vespertino até à tarde do dia seguinte, e nenhum
deles escapou, senão só quatrocentos moços que, montados
em camelos, fugiram. 18 Assim, Davi salvou tudo quanto ha-
viam tomado os amalequitas; também salvou as suas duas
mulheres. 19 Não lhes faltou coisa alguma, nem pequena
nem grande, nem os filhos, nem as filhas, nem o despojo,
nada do que lhes haviam tomado: 'tudo Davi tornou a tra-
zer. 20 Também tomou Davi todas as ovelhas e o gado, e o le-
varam diante de Davi e diziam: Este é o despojo de Davi.
Da11i estabelece a lei da di11isão da presa
21 Chegando Davi saos duzentos homens que, de cansa-
dos que estavam, não o puderam seguir e ficaram no ribeiro
de Besor, estes saíram ao encontro de Davi e do povo que
com ele vinha; Davi, aproximando-se destes, os / saudou cor-
dialmente. 22 Então, todos os maus e 1filhos de Belial2, den-
tre os homens que tinham ido com Davi, responderam e
disseram: Visto que não foram conosco, não lhes daremos do
despojo que salvamos; cada um, porém, leve sua mulher e
seus filhos e se vá embora. 23 Porém Davi disse: Não fareis as-
sim, irmãos meus, com o que nos deu o SENHOR, que nos
guardou e entregou às nossas mãos o bando que contra nós
vinha. 24Quem vos daria ouvidos nisso? Porque uqual é a
parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que fica-
ram com a bagagem; receberão partes iguais. 25 E assim, des-
de aquele dia em diante, foi isso estabelecido por estatuto e
direito em Israel, até ao dia de hoje.
26Chegando Davi a Ziclague, enviou do 3despojo aos an-
ciãos de Judá, seus amigos, dizendo: Eis para vós outros um pre-
sente do despojo dos inimigos do SENHOR: 27 aos de Betel, aos de
vRamote do Neguebe, aos de xJatir, 28 aos de 2 Aroer, aos de ªSif-
mote, aos de bEstemoa, 29 aos de Racal, aos que estavam nasci-
dades cdos jerameelitas e nas cidades ddos queneus, 30aos de
eHorma, aos de 4Borasã, aos de Atace, 31 aos de IHebrom e ga
todos os lugares em que andara Davi, ele e os seus homens.
A derrota de Israel e a morte de Saul
31 Entretanto, ªos filisteus pelejaram contra Israel, e, ten-do os homens de Israel fugido de diante dos filisteus,
caíram feridos no monte bGiJboa. 2 Os filisteus apertaram com
Saul e seus filhos e mataram cJônatas, Abinadabe e Malquisua,
filhos de Saul. 3 d Agravou-se a peleja contra Saul; os flecheiros
o avistaram, e ele muito os temeu. 4 eEntão, disse Saul ao seu
escudeiro: Arranca a tua espada e atravessa-me com ela, para
que, porventura, não venham lestes incircuncisos, e me tras-
passem, e / escarneçam de mim. Porém o seu escudeiro não o
A ;2 11~m--;~~R lRs~~-7-~-J;-1519; 1Sm 1427-- 14n2Sm81~;1Rs 1.38.44; Ez2516; Sf2.5oJs14;3; 1-513~- 15 PDt~;~~ 1-~~~T~--
5.3 19 '1Sm 30.8 21 5 1Sm30.10 1 perguntou-lhes como estavam 22 IDt 13.13; Jz 19.22 2Lit homens ímpios ousem valor 24 uNm
31.27; Js 22.8 26 3espólio ou saque 27 v Js 19.8 xJs 15.48; 21.14 28 z Js 1316 a 1Cr27.27 b Js 15.50 29 C1 Sm 27.1 O d Jz 1.16;
1Sm15.6; 27.10 30 eNm 14.45; 21.3; Js 12.14; 15.30; 19.4; Jz 1.17 40u8orasã 3t!Nm 13.22; Js 14.13-15; 21.11-13; 2Sm 2.1 gl Sm
23.22
CAPÍTULO 31 1a1Cr 10.1-12 b 1Sm 28.4 2 e 1Sm 14.49; 1Cr 8.33 3 d 2Sm 1.6 4 e Jz 9.54; 1Cr 10.4/ Jz 14.3; 1Sm 14.6;
17.26,36 1 me torturem
desembocar nomar Mediterrâneo. Davi e seus homens devem ter chegado à
ravina uns 20 km ao sul de Ziclague.
•30.10 cansados. Sua exaustão não é de se estranhar depois de uma marcha
de mais de 96 km a partir de Afeca 1291-11) até ao ribeiro de Besor.
•30.14 o lado sul dos queretitas. Os queretitas provinham, provavelmente, de
Creta. São freqüentemente mencionados com os filisteus IEz 25.16; Sf 2.5). Eles
serJiam sob o comando de Benaia, filho de Joiada. como tropas profissionais leais
a Davi l"a guarda real": 2Sm 8.18; 15.18; 20. 7.23) e. pelo menos durante algum
tempo, também a Salomão 11 Rs 1.44). Que formavam o "guarda real" deduz-se
de 2Sm 23.20,23.
o lado sul de Calebe. Calebe, filho de Jefoné, é mencionado pela primeira vez
em Nm 13.6 como um dos espias escolhidos para fazer um reconhecimento da
terra de Canaã. É elogiado em Nm 14.24 como quem "perseverou" em seguir ao
Senhor e que. portanto, receberia uma herança na Terra Prometida. Sua herança
incluía Hebrom IJs 1413-14; Jz 1.20).
•30.19 Não lhes faltou coisa alguma. Essa é mais uma prova marcante de
como o Senhor vigiava com solicitude a situação de Davi lv. 2, nota).
•30.21 ribeiro de Besor. Ver nota no v. 9.
•30.22 filhos de Belial. Ver nota em 2.12. onde é usada a mesma expressão
hebraica.
•30.23 o que nos deu o SENHOR. Davi reconhece que o salvamento bem suce-
dido não foi obra dele mesmo, mas do Senhor (vs. 2. 19 e notas). Foi por isso que
rejeitou a idéia de que as tropas na linha da frente têm o direito a mais despojos
do que aqueles que permaneceram na retaguarda.
•30.26 despojo aos anciãos de Judá. É provável que estivesse agradecendo
a eles pela ajuda que lhes deram na sua fuga de Saul (v. 31 ). Entretanto, também
foi nessa região que Davi foi primeiramente reconhecido oficialmente como rei
12Sm 21-4).
•30.27-31 Conforme diz o v. 31. essas cidades estavam dentro do alcance das
peregrinações de Davi como fugitivo. Todas elas ficam ao sul de Judá. Essa Betel
(v. 27). por exemplo, não deve ser confundida com a cidade mais ao norte, de
mesmo nome 17.16, nota)
•31.1 monte Gilboa. Ver nota em 28.4.
•31.2 Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul. Ver 14.49. Quanto a
uma lista de todos os quatro filhos de Saul, ver 1 Cr 8.33. Crônicas registra o nome
de Esbaal, que deve ter sido alterado mais tarde para lsbosete ("homem de vergo-
nha") para evitar qualquer associação com o deus dos cananeus, Baal. lsbosete foi
o único filho de Saul que sobreviveu depois da derrota no monte Gilboa.
•31.4 estes incircuncisos. Ver nota em 14.6.
l
r
1SAMUEL31 352
quis, Kporque temia muito; então, Saul tomou da espada e
"se lançou sobre ela. s Vendo, pois, o seu escudeiro que Saul
já era morto, também ele se lançou sobre a sua espada e mor-
reu com ele. ó Morreu, pois, Saul, e seus três filhos, e o seu es-
cudeiro , e também todos os seus homens foram mortos
naquele dia com ele. 7Vendo os homens de Israel que esta-
vam deste lado do vale e daquém do Jordão que os homens
de Israel fugiram e que Saul e seus filhos estavam mortos, de-
sampararam as cidades e fugiram; e vieram os filisteus e habi-
taram nelas.
A sepultura de Saul
8 Sucedeu, pois, que, vindo os filisteus ao outro dia a des-
pojar os mortos, acharam Saul e seus três filhos caídos no
monte Gilboa. 9 Cortaram a cabeça a SauJ e o despojaram
das suas armas; enviaram mensageiros pela terra dos filis-
teus, em redor, ia levar as boas-novas à casa dos seus ídolos e
entre o povo. 10 iPuseram as armas de Saul no templo de
1 Astarote e mo seu corpo afixaram no muro de n Bete-Seã2.
11 ºEntão, ouvindo isto os moradores de Jabes-Gileade, o
que os filisteus fizeram a Saul, 12 Ptodos os homens valentes
se levantaram, e caminharam toda a noite, e tiraram o corpo
de Saul e os corpos de seus filhos do muro de Bete-Seã, e,
vindo a Jabes, qos queimaram. 13 Tomaram-lhes os ossos, e
'os sepultaram debalxo de um arvoredo, em Jabes, 5 e jejua-
ram sete dias .
• ~~~~~~~~~~~ K2Sm 1.14 h 2Sm 1 6.10 9 iJz 16.23-24; 2Sm 1.20 10 i1Sm 21 .9 t Jz 2.13; 1 Sm 7.3 m2Sm 21 .12 nJz 1.27 2Hebr. Beth Shan; em Js
17.11 , Hebr. Heth Sheam 11 ° 1Sm11 .1-13 12 P1Sm 11 .1-11 ; 2Sm 2.4-7 Q2Cr 16.14; Jr 34.5; Am 6.10 13 r2sm 2.4-5; 21 .12-14
sGn 50.10
Saul tomou da espada e se lançou sobre ela. Embora alguns louvem a ação
de Saul como digna de um herói trágico, o teor dos livros de Samuel indica o
contrário. Recomendáveis são aqueles que, assim como Davi. acham em
Deus a sua força nos tempos de aflição 123.16; 30.6) e qúe. assim como
Jônatas, rendem-se totalmente à sua vontade 118.4,28-29; 19.4; 20 .31;
23 .17 e notas).
•31 .6 todos os seus homens. Quanto ao significado de "todos,'' ver a nota .em
15.8.
•31 .10 Astarote. Trata-se da deusa da fertilidade dos cananeus.
Bete-Seã. Localizada no vale do Jordão. uns 24 km ao sul do mar de Ouinerete
!Galiléia), essa cidade fronteiriça do território de Manassés está alistada em Js
17.11 , 16; Jz 1.27 entre aquelas cidades que resistiram à ocupação pelos
israelitas e que permaneceram como fortalezas dos cananeus e filisteus. ·
•31.11 Jabes-Gileade. Ver nota em 11.1.
•31.12 tiraram o corpo de Saul ... do muro. Esse ato corajoso dos "homens
valentes" de Jabes Gileade é uma expressão de gratidão pelo seu próprio resgate
efetuado por Saul, narrado no cap. 11. Além disso, era considerado extremamen-
te vergonhoso aos mortos ficarem sem sepultamento.
O declínio e queda do rei Saul (31.6)
Causas Resultados
Um sacrifício presunçoso (13. 7-14) A perda do reino é predita (13.14)
-
Uma maldição insensata (14.24-28) A maldição cai sobre Jônatas (14.43-45)
-Ter poupado a vida de Agague e rebanhos (15.7-9) A perda do reino (15.27-28)
----~
Ter perdido comunhão com Deus (28.16-17) Não obtém resposta à oração (28.6)
-Consulta a uma médium (28.7-8) A ruína é predita (28.19)
Dá cabo da própria vida (31.4) O fim da dinastia (31.4-6)
1 SAMUEL
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