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Centro Universitário de João Pessoa
UBTECH Business
Fundamentos
do
Geoprocessamento
Profa. Priscila Pereira Souza de Lima
2017
Apresentação
Esta apostila tem como objetivo a disponibilização de material didático
para os estudantes da disciplina de geoprocessamento, servindo como uma
referência bibliográfica básica e complementar às aulas teóricas e práticas.
Esta apostila resultou de um trabalho de pesquisa que buscou nas
instituições brasileiras, livros e material já disponível de forma digital com
referências sobre geoprocessamento, com linguagem técnica e acessível ao
aluno. Não há aqui nenhum interesse de apropriação intelectual do material já
publicado, todo o conteúdo aqui descrito tem interesse apenas didático para os
alunos que cursam a disciplina, visto que é um componente com conteúdo
teórico significativo para o andamento das atividades práticas. Segue, portanto,
no final da apostila as principais referências bibliográficas utilizadas para sua
construção.
Para os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo, a disciplina de
geoprocessamento tem como objetivo o ensino e a introdução ao estudo da
forma urbana e seus determinantes. Aprofunda o conhecimento entre a realidade
e as demandas das ocupações e usos do solo urbano e o desenvolvimento das
redes estruturais imprescindíveis para a vida na cidade. O entendimento das
características morfológicas e estruturais permite maior desenvolvimento na
capacidade de desenho urbano pelos estudantes de Arquitetura e Urbanismo. O
entendimento e a percepção são desenvolvidos com o uso de programas de
geoprocessamento, estes permitem o uso de informações cartográficas e
informações a que se possam associar coordenadas.
Aos alunos de gestão ambiental, a disciplina de geoprocessamento tem
como objetivo o entendimento das relações ambientais que ocorrem dentro do
espaço geográfico, estabelecendo correlações temáticas, diagnósticos,
monitoramento dos fenômenos espaciais; seguindo a perspectiva moderna de
gestão do território, onde toda ação de planejamento, ordenação ou
monitoramento do espaço deve incluir a análise dos diferentes componentes do
ambiente, incluindo o meio físico-biótico, a ocupação humana, e seu inter-
relacionamento.
SUMÁRIO
1-O QUE É GEOPROCESSAMENTO?............................................................. 4
1.1 Fonte de Dados para Geoprocessamento ............................................... 5
2-SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA-SIG ...................................... 7
2.1 Estrutura Geral de um SIG ....................................................................... 8
2.2 Análise Espacial e Funções de Consulta ............................................... 10
2.3 Aspectos Gerenciais na Escolha de Sistemas ....................................... 12
2.3 Entrada e Integração de Dados ............................................................. 13
3-BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS ......................................................... 14
4-CARTOGRAFIA PARA GEOPROCESSAMENTO ....................................... 15
4.1 Natureza dos Dados Espaciais .............................................................. 15
4.2 Escala .................................................................................................... 15
4.3 Escala maior ou escala menor ............................................................... 16
4.4 Precisão Gráfica .................................................................................... 16
4.5 Mapas, Cartas e Plantas ........................................................................ 17
4.6 Sistemas de Referência ......................................................................... 18
4.7 Sistemas de Coordenadas ..................................................................... 22
4.8 Sistema Universal Transversa de Mercator (UTM) ................................ 23
4.9 Sistemas de Projeções Cartográficas .................................................... 27
5 SENSORIAMENTO REMOTO ..................................................................... 30
5.1 Resolução das imagens ......................................................................... 31
6- SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL-GPS ..................................... 33
7- TOPOGRAFIA ............................................................................................ 35
8-REPRESENTAÇÃO DE DADOS GEOGRÁFICOS ...................................... 35
8.1 Dados Gráficos ..................................................................................... 35
8.1.1 Representação Matricial .................................................................. 36
8.1.2 Representação Vetorial .................................................................. 37
8.2 Dados Não Gráficos ............................................................................... 41
8.3 MODELOS DE DADOS EM GEOPROCESSAMENTO .......................... 41
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 50
1-O QUE É GEOPROCESSAMENTO?
O termo Geoprocessamento corresponde a um conjunto de técnicas e
ferramentas voltadas para a organização e o tratamento de informações. Denota
a disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais
para o tratamento da informação geográfica. Esta tecnologia, denotada por
Geoprocessamento, influência de maneira crescente as áreas de Cartografia,
Análise de Recursos Naturais, Transportes, Comunicações, Energia e
Planejamento Urbano e Regional.
As ferramentas computacionais para Geoprocessamento, chamadas de
Sistemas de Informação Geográfica (SIG), permitem realizar análises
complexas, ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados geo-
referenciados. Tornam ainda possível automatizar a produção de documentos
cartográficos. Num país de dimensão continental como o Brasil, com uma grande
carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os
problemas urbanos, rurais e ambientais, o Geoprocessamento apresenta um
enorme potencial, principalmente se baseado em tecnologias de custo
relativamente baixo, em que o conhecimento seja adquirido localmente.
Trabalhar com geoinformação significa, antes de mais nada, utilizar
computadores como instrumentos de representação de dados espacialmente
referenciados. Deste modo, o problema fundamental da Ciência da
Geoinformação é o estudo e a implementação de diferentes formas de
representação computacional do espaço geográfico.
É costume dizer-se que Geoprocessamento é uma tecnologia
interdisciplinar, que permite a convergência de diferentes disciplinas científicas
para o estudo de fenômenos ambientais e urbanos. Ou ainda, que “o espaço é
uma linguagem comum” para as diferentes disciplinas do conhecimento.
Outro termo frequentemente usado em geoprocessamento são as
geotecnologias. Sucintamente são tecnologias com pensamento espacial como
exemplo: a cartografia digital, fotogrametria e sensoriamento remoto, Global
Positioning System (GPS), automação da topografia e geodésia e os sistemas
de informações geográficas (GIS), incorporando outras áreas do conhecimento
para tratar, analisar e apresentar os dados espaciais, como geoestatística,
modelagem de dados 2d e 3d, topologia, análise de redes e teoria dos grafos,
reconhecimento de padrões, geometria computacional, algoritmos e realidade
virtual.
1.1 Fonte de Dados para Geoprocessamento
Para que seja possível a implementação de um projeto de
Geoprocessamento, há a necessidade de dados. A definição dos dadosnecessários para um projeto de geoprocessamento deve ser baseado em
critérios que estabeleçam uma relação com os resultados pretendidos. A busca
de dados secundários, em órgãos que utilizam informações geográficas e seus
atributos, como IBGE, prefeituras, concessionárias de serviços públicos e outros,
deve ser o primeiro passo para a aquisição dos dados.
Os dados inexistentes devem ser obtidos através de aquisição (compra)
de empresas e instituições de prestação de serviços na área de Agrimensura e
Cartografia, o que implicará em prazos e custos, que variam de acordo com o
método a ser empregado nas etapas de coleta e processamento das
informações.
Figura 1 – Fonte de Dados para Geoprocessamento.
A figura 1- apresenta os principais métodos de aquisição de dados gráficos e
descritivos (atributos).
Os dados espaciais existentes têm como fontes principais:
1) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Diretoria de Serviço
Geográfico do Exército (DSG) como organizações responsáveis pelo
mapeamento sistemático de todo o território nacional. A diretoria de Hidrografia
e Navegação (DHN) e o Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA) para trabalhos
específicos;
2) Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (IBAM), Instituto de Terras (caso do Planejamento Rural), Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto
Estadual de Florestas (IEF) e outras instituições Federais Estaduais;
3) Prefeituras Municipais e órgãos associados;
4) Universidades e Institutos de Pesquisa, através de estudos e pesquisas já
realizados e em execução sobre diversos campos, em especial sobre
Geoprocessamento, permitindo a utilização de dados já em formato digital.
No caso do IBGE e da DSG, a base cartográfica é composta pelas folhas do
Sistema Cartográfico Nacional (SCN), em escalas de 1:1.000.000, 1:500.000,
1:250.000, 1:100.000, 1:50.000 e 1:25.000 (Projeção UTM), constando das
seguintes categorias ou níveis de informação:
• curvas de nível;
• limites;
• pontos de referência;
• hidrografia;
• vegetação;
• localidades;
• sistemas de transporte;
• obras de edificações.
Outros dados complementares poderão ser obtidos nos seguintes órgãos:
• Geologia (DNPM, CPRM e universidades);
• Solos e Pedologia (EMBRAPA e universidades);
• Uso e Cobertura do Solo (Fundação CIDE, IEF, GeoMinas);
• Dados de GPS;
• Lineares, como estradas, junto ao DNER ou DER;
• Pontuais (Hospitais, Escolas, etc.), junto ao IBGE e prefeituras;
• Fotografias Aéreas e Ortofotos (DSG, IBGE e empresas privadas);
• Imagens de Satélites (INPE e empresas de Sensoriamento
Remoto).
2-SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA-SIG
O termo Sistemas de Informação Geográfica (SIG) é aplicado para
sistemas que realizam o tratamento computacional de dados geográficos e
recuperam informações não apenas com base em suas características
alfanuméricas, mas também através de sua localização espacial; oferecem ao
administrador (urbanista, planejador, engenheiro) uma visão inédita de seu
ambiente de trabalho, em que todas as informações disponíveis sobre um
determinado assunto estão ao seu alcance, interrelacionadas com base no que
lhes é fundamentalmente comum – a localização geográfica. Para que isto seja
possível, a geometria e os atributos dos dados num SIG devem estar
georreferenciados, isto é, localizados na superfície terrestre e representados
numa projeção cartográfica.
O requisito de armazenar a geometria dos objetos geográficos e de seus
atributos representa uma dualidade básica para SIGs. Para cada objeto
geográfico, o SIG necessita armazenar seus atributos e as várias
representações gráficas associadas. Devido a sua ampla gama de aplicações,
que inclui temas como agricultura, floresta, cartografia, cadastro urbano e redes
de concessionárias (água, energia e telefonia), há pelo menos três grandes
maneiras de utilizar um SIG:
como ferramenta para produção de mapas;
como suporte para análise espacial de fenômenos;
como um banco de dados geográficos, com funções de armazenamento
e recuperação de informação espacial.
Estas três visões do SIG refletem a importância relativa do tratamento da
informação geográfica dentro de uma instituição. Para esclarecer ainda mais o
assunto, apresentam-se a seguir algumas definições de SIG:
“Um conjunto manual ou computacional de procedimentos utilizados para
armazenar e manipular dados georreferenciados” (Aronoff, 1989);
“Conjunto poderoso de ferramentas para coletar, armazenar, recuperar,
transformar e visualizar dados sobre o mundo real” (Burrough, 1986);
“Um sistema de suporte à decisão que integra dados referenciados
espacialmente num ambiente de respostas a problemas” (Cowen, 1988);
“Um banco de dados indexados espacialmente, sobre o qual opera um conjunto
de procedimentos para responder a consultas sobre entidades espaciais” (Smith
et al., 1987).
Estas definições de SIG refletem, cada uma à sua maneira, a
multiplicidade de usos e visões possíveis desta tecnologia e apontam para uma
perspectiva interdisciplinar de sua utilização. A partir destes conceitos, é possível
indicar as principais características de SIGs:
Inserir e integrar, numa única base de dados, informações espaciais
provenientes de dados cartográficos, dados censitários e cadastro urbano
e rural, imagens de satélite, redes e modelos numéricos de terreno;
Oferecer mecanismos para combinar as várias informações, através de
algoritmos de manipulação e análise, bem como para consultar,
recuperar, visualizar e plotar o conteúdo da base de dados
georreferenciados.
2.1 Estrutura Geral de um SIG
Numa visão abrangente, pode-se indicar que um SIG tem os seguintes
componentes:
Interface com usuário;
Entrada e integração de dados;
Funções de consulta e análise espacial;
Visualização e plotagem;
Armazenamento e recuperação de dados (organizados sob a forma de
um banco de dados geográficos).
Estes componentes se relacionam de forma hierárquica. No nível mais
próximo ao usuário, a interface homem-máquina define como o sistema é
operado e controlado. No nível intermediário, um SIG deve ter mecanismos de
processamento de dados espaciais (entrada, edição, análise, visualização e
saída).
No nível mais interno do sistema, um sistema de gerência de bancos de
dados geográficos oferece armazenamento e recuperação dos dados espaciais
e seus atributos.
De uma forma geral, as funções de processamento de um SIG operam
sobre dados em uma área de trabalho em memória principal. A ligação entre os
dados geográficos e as funções de processamento do SIG é feita por
mecanismos de seleção e consulta que definem restrições sobre o conjunto de
dados. Exemplos ilustrativos de modos de seleção de dados são:
· "Recupere os dados relativos à carta de Guajará-Mirim " (restrição por definição
de região de interesse);
· "Recupere as cidades do Estado de São Paulo com população entre 100.000
e 500.000 habitantes" (consulta por atributos não-espaciais).
· "Mostre os postos de saúde num raio de 5 km do hospital municipal de
S.J.Campos" (consulta com restrições espaciais).
A Figura 2 indica o relacionamento dos principais componentes ou
subsistemas de um SIG. Cada sistema, em função de seus objetivos e
necessidades, implementa estes componentes de forma distinta, mas todos os
subsistemas citados devem estar presentes num SIG.
Figura 2 - Estrutura Geral de Sistemas de Informação GeográficaUma característica básica e geral no SIG é sua capacidade de tratar as
relações espaciais entre os objetos geográficos. Denota-se por topologia a
estrutura de relacionamentos espaciais (vizinhança, proximidade, pertinência)
que podem se estabelecer entre objetos geográficos. Armazenar a topologia de
um mapa é uma das características básicas que fazem um SIG se distinguir de
um sistema CAD. A outra diferença fundamental é a capacidade de tratar as
diversas projeções cartográficas. Para aplicações em análise geográfica e redes,
o armazenamento da topologia permite o desenvolvimento de consultas a um
banco de dados espacial, que não seriam possíveis de outra maneira.
2.2 Análise Espacial e Funções de Consulta
O objetivo principal do Geoprocessamento é fornecer ferramentas
computacionais para que diferentes analistas determinem as evoluções espacial
e temporal de um fenômeno geográfico e as inter-relações entre diferentes
fenômenos. Tomemos um exemplo: ao analisar uma região geográfica para fins
de zoneamento agrícola, é necessário escolher as variáveis explicativas (p.ex.,
o solo, a vegetação e a geomorfologia) e determinar qual a contribuição de cada
uma delas para a obtenção de um mapa resultante.
As atividades humanas sempre são desenvolvidas em alguma localidade
geográfica e, portanto, podem ser geograficamente referenciadas, desta forma,
são praticamente infindáveis as possibilidades de aplicações de Sistemas de
Informações Geográficas. No entanto, serão relacionadas as aplicações mais
comuns e consagradas mundialmente.
As companhias de gestão de infraestruturas, tais como gás, telefone,
eletricidade, água, esgoto, TV a cabo, entre outras. Cada uma dessas
companhias geralmente possui milhares de consumidores, cada um deles com
uma conexão com a rede de infraestrutura, além disso, necessitam gerenciar
milhares de quilômetros de fios e dutos (subterrâneos e aéreos), com
transformadores, chaves, válvulas, representando muitas vezes bilhões de
dólares em infraestrutura instalada. Os sistemas de informações Geográficas
aplicados à gestão de infraestruturas também recebem o nome de AM/FM
(Automatic Mapping/ Facility Management).
Uma companhia de gestão de infraestrutura pode receber milhares de
telefonemas para manutenção em um único dia assim, necessitam gerenciar
todas essas atividades, manter informações acuradas sobre o posicionamento
geográfico de todos consumidores, equipamentos e atividades, manter os
registros de atividades atualizados, realizar avaliações diárias dos serviços
executados e ainda fornecer informações para outras instituições, por exemplo,
fornecer as informações sobre a tubulação subterrânea da rede de esgoto para
a empresa de telefonia que necessita cavar um buraco em uma determinada
posição geográfica.
No caso de uma empresa responsável por rodovias, se faz necessário,
armazenar informações sobre o estado da pavimentação em toda a rede de
rodovias, além disso, manter um cadastro de toda a sinalização vertical e
horizontal das rodovias e analisar dados de acidentes. Atualmente, algumas
localidades no Brasil e muitos países desenvolvidos, contam com a possibilidade
de carros contendo sistemas de navegação pelo sistema viário, contendo mapas
digitais de ruas e rodovias, conectados a receptores GNSS. Empresas de
distribuição de bens e serviços mantêm suas frotas conectadas a receptores
GNSS e desta forma, realizam o monitoramento e controle de cada um de seus
veículos em tempo real.
Na agropecuária, atualmente é possível utilizar mapas e imagens
detalhadas, para planejar o plantio, a aplicação de insumos agropecuários e
ainda planejar a colheita, além de analisar e realizar a previsão de safra.
Atualmente, essa aplicação de SIG é denominada agricultura de precisão.
No setor florestal, o SIG pode ser aplicado ao manejo de árvores, com
vistas à extração sustentável de madeira. Todas as árvores produtoras de
madeira são georreferenciadas, e sua volumetria sistematicamente monitorada.
Quando o volume de madeira na floresta diminui a taxa de crescimento, essas
árvores podem ser seletivamente retiradas e sua madeira encaminhada para a
indústria. No entanto, a retirada de árvores da floresta também é um problema
geográfico e necessita ser cuidadosamente planejado para não comprometer as
árvores em crescimento. Após a retirada das árvores é realizado o replantio das
mesmas espécies, nas mesmas posições geográficas, mantendo assim a
floresta saudável e produtiva. A floresta ainda pode ser utilizada em outras
atividades humanas sustentáveis tais como turismo e extrativismo (apicultura,
extração de resina, frutos, flores, etc.).
No planejamento e gestão das cidades a maior parte das decisões
tomadas por órgãos públicos envolve o componente geográfico diretamente ou
por implicação, o que destaca a importância que as tecnologias de
geoprocessamento adquirem para moderna gestão do território. Uma das mais
importantes funções de um SIG urbano é a possibilidade que ele oferece para
integrar dados de diversas fontes e formatos e gerar informação adicional pelo
cruzamento de destes dados. De modo geral, geoprocessamento em estudos
urbanos poderá ser empregado em todas as áreas que demandam análise
espacial e apresentação cartográfica. Podemos destacar o uso do
geoprocessamento em alguns seguimentos dentro do planejamento urbano:
Cadastro Urbano;
Análise da Ocupação Urbana;
Análise de Exclusão Social;
Mapeamento e Avaliação do Uso do Solo Urbano;
Zoneamentos e Avaliação de Áreas de Aptidão;
Estudos de Clima urbano
Simulação de Processos Dinâmicos
Segurança Pública
Saúde Pública
Setor de Tráfego/transportes
2.3 Aspectos Gerenciais na Escolha de Sistemas
A comparação entre os atributos de cada sistema não deve ser o único
fator na escolha de um ambiente de Geoprocessamento. É preciso levar em
conta o custo do software e hardware, de estabelecer equipes treinadas e de
aquisição de dados. Os custos de treinamento e aprendizagem são muitas vezes
subestimados ao se planejar a implantação de Geoprocessamento em uma
organização. Os SIG’s são sistemas complexos, com muitos conceitos de lento
aprendizado. Estima-se que o tempo para adquirir eficiência na operação de um
GIS leve de 6 meses a 2 anos.
É importante levar em conta os problemas de suporte técnico. Dada a
complexidade de um SIG, é importante verificar se o vendedor tem condições
efetivas de apoiar o uso operacional do sistema.
A aquisição de dados é o maior componente de custos, uma vez
estabelecido o ambiente computacional. Como o trabalho de digitalização
manual ainda é o fator limitante para aplicações de Geoprocessamento em larga
escala, é fundamental considerar alternativas de digitalização automática por
"scanners" e dados disponíveis em meios digitais.
2.3 Entrada e Integração de Dados
Existem quatro modos principais de entrada de dados: digitalização em
mesa, digitalização ótica, entrada de dados via caderneta de campo e leitura de
dados na forma digital. Neste último caso, está incluída a importação de dados
em outros formatos.
A digitalização em mesa é processo custoso e demorado, envolve os
passos de: digitalização de linhas, ajuste de nós, geração da topologia e
rotulação (identificação) de cada objeto geográfico. Nos melhores sistemas, a
topologia é armazenada de forma dinâmica. Deste modo, uma alteração em um
nó não implica em ter de gerar novamente toda a topologia do mapa digitalizado.
A digitalização ótica por instrumentos de varredura ("scanners") é
atualmente a forma de entrada mais utilizada, em ambientes deprodução. A
tecnologia mais usual é baseada em câmaras CCD ("charge coupled devices")
sendo necessário o uso de dispositivos de alta qualidade (com pelo menos 600
dpi) para obter resultados aceitáveis, e algoritmos de conversão de formato
matricial para vetor requerem intervenção humana parcial.
Historicamente, muitos levantamentos topográficos utilizam cadernetas
de campo para armazenar os resultados. Quando se dispõe deste tipo de dado,
é fundamental poder inseri-lo no sistema, com as devidas checagens e
correções. O advento do GPS ("Global Positioning System"), sistema de
posicionamento geodésico baseado numa rede de satélites, permite a realização
de trabalhos de campo com alto grau de acurácia e com registro digital direto.
Atualmente, todos os SIG’s de mercado possuem interface para importar
dados oriundos de sistemas GPS. No caso de importação de dados digitais, é
muito importante aproveitar o investimento já feito por outras instituições no
Brasil, na coleta e armazenamento de geográficos. As principais fontes de dados
do INPE, dados digitais do IBGE e do Centro de Cartografia Automatizada do
Exército (CeCAu/EX) e dados disponíveis nos formatos DXF (AutoCAD),
SGI/INPE, ARC/INFO, ARC/VIEW, IDRISI, MGE e MAXICAD.
3-BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS
Um Banco de Dados Geográficos é o repositório de dados de um SIG,
que armazena e recupera dados geográficos em suas diferentes geometrias
(imagens, vetores, grades), bem como as informações descritivas (atributos não-
espaciais). Tradicionalmente, os SIG’s armazenavam os dados geográficos e
seus atributos em arquivos internos. Este tipo de solução vem sendo substituído
pelo uso cada vez maior de sistemas de gerência de banco de dados (SGBD),
para satisfazer à demanda do tratamento eficiente de bases de dados espaciais
cada vez maiores.
Um SGBD apresenta os dados numa visão independente dos sistemas
aplicativos, além de garantir três requisitos importantes: eficiência (acesso e
modificações de grandes volumes de dados); integridade (controle de acesso
por múltiplos usuários); e persistência (manutenção de dados por longo tempo,
independentemente dos aplicativos que acessem o dado). O uso de SGBD
permite ainda realizar, com maior facilidade, a interligação de banco de dados já
existente com o sistema de Geoprocessamento.
A interligação de um SGBD convencional com um SIG dá origem a um
ambiente "dual": os atributos convencionais são guardados no banco de dados
(na forma de tabelas) e os dados espaciais são tratados por um sistema
dedicado. A conexão é feita por identificadores de objetos.
Para usar eficientemente a tecnologia de banco de dados, um sistema de
Geoprocessamento deve ter sido concebido e projetado para funcionar em
conjunto com um SGBD. Soluções "a posteriori" são sempre insuficientes.
4-CARTOGRAFIA PARA GEOPROCESSAMENTO
4.1 Natureza dos Dados Espaciais
Dados espaciais caracterizam-se especificamente pelo atributo da
localização geográfica. Um objeto qualquer (como uma cidade, a foz de um rio
ou o pico de uma montanha) somente tem sua localização geográfica
estabelecida quando se pode descrevê-lo em relação a outro objeto cuja posição
seja previamente conhecida ou quando se determina sua localização em relação
a um certo sistema de coordenadas.
O estabelecimento de localizações sobre a superfície terrestre sempre foi
um dos objetos de estudo da Geodésia, ciência que se encarrega da
determinação da forma e das dimensões da Terra. A seguir são apresentados
alguns conceitos de Geodésia que desempenham um papel de extrema
importância na área de Geoprocessamento.
4.2 Escala
É a relação entre as dimensões dos elementos representados em um
mapa e aquelas medidas diretamente sobre a superfície da Terra. A escala é
uma informação que deve estar presente em qualquer mapa e, em geral,
também é apresentada na forma de escala gráfica. A escala numérica indica no
denominador o valor que deve ser usado para multiplicar uma medida feita sobre
o mapa e transformá-la num valor correspondente na mesma unidade de medida
sobre a superfície terrestre. Abaixo a descrição de escala numérica e gráfica.
A escala de uma planta ou desenho é definida pela seguinte relação:
E= 1/ N onde N é o fator de escala
E= d/D onde d é a distância no terreno e D a distância
Então: D=N x d
Exemplo de aplicação:
Em um mapa em escala 1:80.000 a distância gráfica entre os pontos C e
D mede 2,4 cm. Qual seria distância real no terreno?
D=N x d → D = 2,4 cm x 80.000 →D = 1.920 m ou 1,92 km
D = 192.000 cm
Uma estrada ligando o ponto A ao B mede 50 km de distância no terreno.
Sabendo-se que a mesma distância no mapa mede 5cm, qual seria a
escala do mapa.
E= d/ D → E= 5cm/ 50km→ 5cm/ 5.000.000
Escala= 1: 1.000000
4.3 Escala maior ou escala menor
Escalas diferentes indicam maior ou menor redução. Em razão disso, são
usadas as expressões Escala Maior e Escala Menor para se fazer comparações
entre várias escalas. Uma escala será maior quando indica menor redução. Por
sua vez, uma escala será menor quando indica mais redução.
Veja a relação crescente de escalas a seguir:
1:5.000 (maior)
1:50.000
1:500.000
1:5.000.000 (menor)
4.4 Precisão Gráfica
Adota-se como parâmetro para determinar a precisão gráfica de um mapa
a menor grandeza de medida no terreno possível de ser representada na escala
escolhida. Para efeito prático convencionou-se que a medida gráfica a ser
adotada como erro admissível corresponde à acuidade visual do ser humano, ou
seja, 1/5 mm ou 0,2 mm.
Dessa forma temos que: E = 1/ N , então e = 0,0002 m x M
onde: N= denominador da escala = erro tolerável em metros
Exemplo: Qual a precisão gráfica em um mapa na escala 1:25.000?
Aplicando a equação temos: e=0,0002m x 25.000→e= 5m
Onde se conclui que nesta escala qualquer representação maior que 5 m será
perceptível no mapa.
4.5 Mapas, Cartas e Plantas
Mapa: representação gráfica, geralmente numa superfície plana e em
determinada escala, das características naturais e artificiais, terrestres ou
subterrâneas, ou, ainda, de outro planeta. Os acidentes são representados
dentro da mais rigorosa localização possível, relacionados, em geral, a um
sistema de referência de coordenadas. Igualmente, uma representação gráfica
de uma parte ou total da esfera celeste.
Carta: representação dos aspectos naturais e artificiais da Terra, destinada a
fins práticos da atividade humana, permitindo avaliação precisa de distâncias,
direções e a localização geográfica da pontos, áreas e detalhes; representação
Plana, geralmente em média ou grande escala, duma superfície da Terra,
subdividida em folhas, de forma sistemática, obedecendo um plano nacional ou
Internacional. Nome tradicionalmente empregado na designação do documento
Cartográfico de âmbito naval. É empregado no Brasil também como sinônimo de
Mapa em muitos casos.
Planta: representação cartográfica, geralmente em escala grande, destinada a
fornecer informações muito detalhadas, visando, por exemplo, ao cadastro
urbano, a certos fins econômicos-sociais, militares, dentre outros.
Figura 3: Representação das categorias e finalidade do mapa.
4.6 Sistemas de Referência
Os sistemas de referência, são utilizados para descrever as posições de
objetos. Quando é necessário identificar a posição de uma determinada
informação na superfície da Terra são utilizados os Sistemas de Referência
Terrestres ou Geodésicos. Estes, por sua vez, estão associados a umasuperfície que mais se aproxima da forma da Terra, e sobre a qual são
desenvolvidos todos os cálculos das suas coordenadas. Três superfícies são
consideradas: Física, Geóide e Elipsóide.
Superfícies consideradas:
• Superfície física: A superfície física da Terra (superfície topográfica ou
superfície real) é uma superfície entre as massas sólidas ou fluídas e a
atmosfera. Esta superfície contendo os continentes e o fundo do mar é irregular
e incapaz de ser representada por uma simples relação matemática (TORGE,
1996).
• Superfície geodal: O modelo geoidal é o que mais se aproxima da forma da
Terra. É definido teoricamente como sendo o nível médio dos mares em repouso,
prolongado através dos continentes. Não é uma superfície regular e é de difícil
tratamento matemático. Na figura abaixo são representados de forma
esquemática a superfície física da Terra, o elipsoide e o geoide. O geoide é
utilizado como referência para as altitudes ortométricas (distância contada sobre
a vertical, do geoide até a superfície física) de um ponto considerado.
Onde:
H= altitudes ortométricas ou geoideal
H=altitudes geométricas ou elipsoidal
N=Ondulação do geoide
Em função de sua rapidez e precisão na obtenção de coordenadas, os
Sistemas Globais de Navegação por Satélite – GNSS (na sigla em inglês)
revolucionaram as atividades que necessitam de posicionamento. Entretanto, a
altitude determinada utilizando um receptor GNSS não está relacionada ao nível
médio do mar (ou, de forma mais rigorosa, ao geoide), mas a um elipsoide de
referência com dimensões específicas. Portanto, torna-se necessário conhecer
a diferença entre as superfícies do geoide e do elipsoide, isto é, a altura (ou
ondulação) geoidal, para que se possa obter a altitude acima do nível médio do
mar (denominada ortométrica).
Para converter a altitude elipsoidal (h), obtida através de receptores
GNSS, em altitude ortométrica (H), é necessário utilizar o valor da altura geoidal
(N) fornecida por um modelo de ondulação geoidal, utilizando a seguinte
expressão:
H = h- N
Nessa superfície, as linhas de força ou linhas verticais são
perpendiculares a essas superfícies equipotenciais e materializadas, por
exemplo, pelo fio de prumo de um teodolito nivelado, no ponto considerado. A
reta tangente à linha de força em um ponto simboliza a direção do vetor
gravidade neste ponto, e também é chamada de vertical. De uma forma mais
simplificada, permite que a superfície terrestre seja representada por uma
superfície fictícia definida pelo prolongamento do nível médio dos mares por
sobre os continentes.
• Superfície elipsoidal:
Como a simplificação da forma da Terra para uma esfera não é precisa o
suficiente para gerar mapas em escala maior (com maior detalhe), é necessário
utilizar elipsoides de revolução, que possuem achatamento nos polos, para
tentar definir uma superfície mais simples de se trabalhar do que o geoide, e
ainda assim precisa o suficiente para fins cartográficos. Matematicamente, o
elipsoide de referência é normalmente um esferoide oblato (achatado) com dois
eixos diferentes, o raio equatorial (semieixo maior, a) e o raio polar (semieixo
menor, b).
É o mais usual de todos os modelos. Nele, a Terra é representada por
uma superfície gerada a partir de um elipsoide de revolução. Dado que a Terra
é ligeiramente achatada nos polos e se alarga mais no equador, a figura
geométrica regular usada em Geodésia e que mais se aproxima de sua
verdadeira forma é o elipsoide de revolução. O elipsoide de revolução é a figura
que se obtém ao se rodar uma elipse em torno de seu eixo menor. Um elipsoide
de revolução fica definido por meio de dois parâmetros, os semi-eixos a (maior)
e b (menor). Em Geodésia é tradicional considerar como parâmetros o semi-eixo
maior a e o achatamento f, expresso pela equação ƒ=(a-b)/a.
Elipsóide de revolução é uma superfície matemática adotada como
referência para o cálculo de posições, distâncias, direções e outros elementos
geométricos da mensuração, o elipsoide se ajusta ao Geoide com uma
aproximação de primeira ordem, para um bom ajuste, cada país ou região adotou
um Elipsoide de referência diferente e que melhor ajustou às suas dimensões. O
elipsoide de revolução difere do geoide em até ± 50 metros (VEIGA; ZANETTI e
FAGGION, 2013, p.12).
Sendo assim, as coordenadas geodésicas (Latitude e Longitude) de um
ponto sobre o elipsoide ficam assim definidas.
Geoide x Elipsoide
O geoide é uma superfície irregular com saliências “buracos” ocasionado
pela maior ou menor concentração de massa no interior da Terra. Para identificar
a posição de uma determinada informação ou de um objeto, são utilizados os
sistemas de referência. Também conhecidos como sistemas de referência
terrestres ou geodésicos, estão associados a uma superfície que se aproxime
do formato da Terra, ou seja, um elipsoide. Sobre esta figura matemática são
calculadas as coordenadas, que podem ser apresentadas em diversas formas
(VOLPI, 2007).
A evolução dos Sistemas Geodésicos de Referência (SGR), no Brasil, propiciou,
ao longo do tempo, uma melhoria na qualidade e produção dos dados sistemáticos.
Estes sistemas englobam: o Sistema Córrego Alegre, o SAD 69 e, a partir de 2014, o
SIRGAS (IBGE, 2010).
Com estes Sistemas, se pode localizar espacialmente qualquer objeto ou feição
sobre a superfície terrestre. Cada sistema é definido a partir da adoção de um elipsoide
de referência, orientado, posicionado e ajustado às dimensões do planeta. Ao se adotar
um Sistema de Referência, entre os procedimentos necessários ao desenvolvimento
dos trabalhos, está a implantação de uma origem, estabelecida como um marco inicial
para caminhamentos de quaisquer trabalhos de georreferenciamento, chamado de
Datum.
Historicamente o Brasil adotou, como referencial geodésico para seu território,
os seguintes Datums:
Córrego Alegre, que é o datum local mais antigo
South American Datum 1969 (SAD-69),
World Global System 1984 (WGS84) que é o datum mundial utilizado pelo
sistema de posicionamento global – GPS.
SIRGAS 2000, efetivado em 2015.
4.7 Sistemas de Coordenadas
Sistema de coordenadas geográficas
É o sistema de coordenadas mais antigo. Nele, cada ponto da superfície
terrestre é localizado na interseção de um meridiano com um paralelo. Num
modelo esférico os meridianos são círculos máximos cujos planos contêm o eixo
de rotação ou eixo dos polos.
Já num modelo elipsoidal os meridianos são elipses definidas pelas
interseções, com o elipsoide, dos planos que contêm o eixo de rotação.
Meridiano de origem (também conhecido como inicial ou fundamental) é aquele
que passa pelo antigo observatório britânico de Greenwich, escolhido
convencionalmente como a origem (0°) das longitudes sobre a superfície
terrestre e como base para a contagem dos fusos horários. A leste de Greenwich
os meridianos são medidos por valores crescentes até +180°. A oeste, suas
medidas decrescem até o limite de -180°.
Tanto no modelo esférico como no modelo elipsoidal os paralelos são
círculos cujo plano é perpendicular ao eixo dos pólos. O Equador é o paralelo
que divide a Terra em dois hemisférios (Norte e Sul) e é considerado como o
pararelo de origem (0°). Partindo do equador em direção aos pólos tem-se vários
planos paralelos ao equador, cujos tamanhos vão diminuindo até que se
reduzam a pontos nos pólos Norte (+90°) e Sul (-90°).
Latitude: ângulo que a normal forma com sua projeção no plano do equador,
sendo positiva para o Norte e negativa para o Sul. Varia de 0° a ±90°
Longitude: ângulo diedroformado pelo meridiano geodésico de Greenwich
(origem) e do ponto P, sendo positivo para Leste e negativo para Oeste. Varia
de 0° a ±180°.
Figura 3- Representação da Latitude e LOngitude
Sistema de Coordenadas Planas
As coordenadas podem ser representadas no plano através dos
componentes Norte (N) e Leste (E) regularmente utilizadas em mapas e cartas,
referidas a um determinado sistema de referência geodésico. Para representar
uma superfície curva em plana são necessárias formulações matemáticas
chamadas de projeções. Diferentes projeções poderão ser utilizadas na
confecção de mapas, no Brasil a projeção mais utilizada é a Universal
Transversa de Mercator (UTM).
4.8 Sistema Universal Transversa de Mercator (UTM)
Conforme LOPEZ & ESTEVES (1993), a projeção UTM (Universal
Transverso de Mercator), é uma representação de caráter universal com uma
formulação comum para qualquer zona da terra e que dadas suas propriedades
de conformidade, facilita a resolução dos problemas geodésicos sobre o plano.
A projeção UTM se define como um sistema cilíndrico transverso (figura 4),
conforme e tangente ao elipsóide ao longo do meridiano central do fuso que se
toma como origem.
Figura 4-Representação do sistema cilíndrico transverso
UTM é um sistema de coordenadas baseado no plano cartesiano (eixo
x,y) e usa o metro (m) como unidade para medir distâncias e determinar a
posição de um objeto. D’ALGE (2001), afirma que o mapeamento sistemático do
Brasil, que compreende a elaboração de cartas topográficas nas escalas
1:250.000,1:100.000, 1:50.000 e 1:25.000, é feito na projeção UTM.
Diferentemente das Coordenadas Geodésicas, o sistema UTM, não
acompanha a curvatura da Terra e por isso seus pares de coordenadas também
são chamados de coordenadas planas.
Os fusos do sistema UTM indicam em que parte do globo as coordenadas
obtidas se aplicam, uma vez que o mesmo par de coordenadas pode se repetir
nos 60 fusos diferentes.
De uma forma mais simples, é o mundo é dividido em 60 fusos, onde cada
um se estende por 6º de longitude. Os fusos são numerados de um a sessenta
começando no fuso 180º a 174º W Gr. e continuando para leste.
Cada um destes fusos é gerado a partir de uma rotação do cilindro de
forma que o meridiano de tangência divide o fuso em duas partes iguais de 3º
de amplitude (IBGE, 2013).
O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano-
retangulares, tal que um eixo coincide com a projeção do Meridiano Central do
fuso (eixo N apontando para Norte) e o outro eixo, com o do Equador. Assim
cada ponto do elipsoide de referência (descrito por latitude, longitude) estará
associado ao terno de valores Meridiano Central, coordenada E e coordenada
N.
Mesmo sendo considerada como um dos melhores sistemas de projeção
para a cartografia de médias de grandes escalas, a projeção UTM apresenta
algumas limitações para a representação do globo terrestre, pois mantém
precisão dos ângulos, mas possui imprecisões nas medições de áreas e
distâncias (INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA, 2013)
Para evitar coordenadas negativas, são acrescidas constantes à origem
do sistema de coordenadas, conforme especificado na figura abaixo, 10.000.000
m para a linha do Equador, referente ao eixo das ordenadas do hemisfério sul,
com valores decrescentes nesta direção; 0 m para a linha do Equador, referente
ao eixo das ordenadas do hemisfério norte, com valores crescentes nesta
direção; e 500.000 m para o meridiano central, com valores crescentes do eixo
das abscissas em direção ao leste.
Como convenção atribui-se a letra N para coordenadas norte-sul
(ordenadas) e, a letra E, para as coordenadas leste-oeste (abscissas). Um par
de coordenadas no sistema UTM é definido, assim, pelas coordenadas (E, N).
Cada fuso, na linha do equador, apresenta, aproximadamente, 670 km de
extensão leste-oeste, já que a circunferência da Terra é próxima a 40.000 km.
Como o meridiano central possui valor de 500.000 m, o limite leste e oeste de
cada fuso corresponde, na linha do Equador, respectivamente, valores próximos
a 250.000 m e 750.000 m. (IBGE,2005).
Devido à sua extensão longitudinal, o território brasileiro possui oito fusos
UTM, do fuso 18, situado no extremo oeste, ao fuso 25, situado no extremo leste
do território, ver figura abaixo.
Figura 5: Representação dos Fusos UTM no território brasileiro.
Fonte: Google Earth.
Como quase toda a extensão latitudinal do território está situada no
hemisfério sul, as coordenadas situadas ao norte da linha do Equador, que
deveriam apresentar valores crescentes e sequenciais a partir do zero, de acordo
com a convenção atribuída à origem do sistema de coordenadas, apresentam
valores crescentes e sequenciais a partir de 10.000.000 m, dando continuidade
às coordenadas atribuídas ao hemisfério sul.
4.9 Sistemas de Projeções Cartográficas
Todos os mapas são representações aproximadas da superfície terrestre.
Isto ocorre porque não se pode passar de uma superfície curva para uma
superfície plana sem que haja deformações. Por isso os mapas preservam certas
características ao mesmo tempo em que alteram outras.
A elaboração de um mapa requer um método que estabeleça uma relação
entre os pontos da superfície da Terra e seus correspondentes no plano de
projeção do mapa. Para se obter essa correspondência, utilizam-se os sistemas
de projeções cartográficas.
Há um número grande de diferentes projeções cartográficas, uma vez que
há vários modos de se projetar os objetos geográficos que caracterizam a
superfície terrestre sobre um plano. Consequentemente, torna-se necessário
classificá-las de acordo com diversos aspectos com a finalidade de melhor
estudá-las.
Classificação das projeções
Analisam-se os sistemas de projeções cartográficas pelo tipo de
superfície de projeção adotada e pelas propriedades de deformação que as
caracterizam, conforme as figuras abaixo: Quanto ao tipo de superfície de
projeção adotada, classificam-se as projeções em: planas ou azimutais,
cilíndricas, cônicas e poliédricas, segundo se represente a superfície curva da
Terra sobre um plano, um cilindro, um cone ou um poliedro tangente ou secante
à Terra.
Figura 6-Classificação das projeções cartográficas
Figura 7-Classificação das projeções cartográficas quanto a superfície adotada.
Algumas considerações:
Não existe uma projeção cartográfica que serve para todas as aplicações.
Para cada tipo de aplicação existe uma projeção cartográfica mais
adequada.
A grande maioria dos softwares de geoprocessamento possuem
ferramentas para transformação de projeções cartográficas e trazem em
média a possibilidade de alterar 30 a 40 projeções.
Para se escolher a projeção mais adequada a uma determinada aplicação,
o usuário deve ler as características das projeções, as restrições de uso e
as aplicações mais indicadas. Geralmente vários softwares trazem na
Ajuda esses detalhes sobre cada projeção.
Em um SIG, os sistemas de coordenadas utilizados para armazenamento
e visualização da componente gráfica são o geográfico e o cartesiano. Este
último corresponde ao sistema de coordenadas da projeção cartográfica,
dentre estes o mais conhecido é a UTM.
Para que seja possível a correta sobreposição entre os planos de
informação, o sistema de coordenadas deve ser comum entre os planos,
bem como as unidades das coordenadas que devem ser mesmas. Caso
contrário, é necessário se faça uma conversão para um sistema e uma
unidade comuns, utilizando o próprio SIG ou um outro sistema
computacionalque apresente esta rotina.
Em geral, as coordenadas cartesianas apresentam-se em unidades
métricas – quilômetro ou metro, enquanto que as coordenadas geográficas
são expressas em graus, minutos e segundo e graus decimais.
5 SENSORIAMENTO REMOTO
A definição clássica do termo Sensoriamento Remoto (SR), refere-se a
um conjunto de técnicas destinado à obtenção de informação sobre objetos,
sem que haja contato físico com eles.
De acordo com JUNIOR (2007), o termo Sensoriamento Remoto refere se
à aquisição de informação sobre um objeto por um sensor que está a certa
distância desse objeto. Devido a suas diferentes propriedades físicas e
composições químicas, a variedade de materiais sobre a superfície da terra
emite, reflete e absorve a radiação eletromagnética de diferentes formas.
Sensores são capazes de registrar o comportamento desses diferentes
materiais quando da interação com o fenômeno físico ao longo do espectro
eletromagnético, e estabelecer a relação existente entre eles, o qual pode ser
entendido e interpretado através das técnicas de processamento de imagens.
Imagens digitais são representações digitais de uma porção da superfície
da terra. Uma imagem digital também pode ser vista como uma matriz de pontos
(pixels) com n linhas e m colunas, onde o valor de cada elemento representa a
magnitude do total de energia eletromagnética refletida e emitida por uma área
de locação específica na superfície da terra.
Segundo CROSTA (1992), o objetivo principal do processamento de
imagens é fornecer ferramentas para facilitar a identificação e a extração de
informações contidas nas imagens, para posterior interpretação.
A discriminação dos materiais por SR é feita com base no registro, na
forma de imagens, da radiação eletromagnética - REM refletida ou emitida pelos
alvos e captada por Sistemas Sensores (ou simplesmente sensores). O
processo envolve:
Figura 7: Processos envolvidos na captação de informações por meio de
imagens de satélites.
a) existência de uma fonte de emissão de REM;
b) captação de parte desta energia por algum tipo de sensor após incidir sobre
o alvo;
c) transformação dessa energia refletida em dados computacionais que são
transmitidos para estação de recepção.
5.1 Resolução das imagens
Resolução espacial
Cada sensor é projetado para fornecer dados a um determinado nível de
detalhe espacial. Quanto menor o objeto possível de ser identificado, maior a
resolução espacial. A resolução espacial pode ser definida como a habilidade
que um sensor possui de distinguir objetos que são próximos espacialmente. A
referência mais usada para a resolução espacial, é o tamanho do pixel. Em geral,
só objetos maiores do que a área do pixel podem ser identificados Um dos
fatores mais importantes para a escolha da imagem mais adequada a um projeto
de levantamento de recursos terrestres é a resolução espacial.
Resolução Espectral
A capacidade de discriminação dos materiais da superfície da terra por
SR fundamenta-se no comportamento dos mesmos ao longo do espectro
eletromagnético – assinatura espectral. Uma premissa fundamental em SR é a
possibilidade de discriminar materiais pela sua resposta espectral característica
em diferentes faixas de comprimento de onda. Diferentes materiais podem ter
respostas espectrais semelhantes em um determinado intervalo de comprimento
de onda e respostas distintas em outra faixa do espectro. Portanto, quanto maior
o número de canais espectrais maior a capacidade discriminatória. A resolução
espectral tem a ver com o número com canais espectrais, e é definida como a
habilidade de separar coisas espectralmente semelhantes.
Resolução Radiométrica
A resolução radiométrica refere-se, aos níveis digitais, representados por
níveis de cinza (NC) possíveis numa imagem e é expressa pelo número de
dígitos binários (bits) necessários para armazenar o valor máximo de NC dos
pixels. Por exemplo, para armazenar 64 níveis são necessários 6 bits (26 = 64);
a resolução de 8 bits (1 byte) permite representar 256 níveis (28 = 256). A
resolução radiométrica implica diretamente no tamanho dos arquivos de
imagem. Para imagens com resolução de 8 bits, é necessário um byte para cada
pixel. Uma cena inteira do satélite LANDSAT é formada por aproximadamente
41 000 000 pixels (6 200 linhas por 6 600 colunas), resultando um arquivo de
aproximadamente 41 Mb.
Resolução Temporal
Refere-se à frequência com que o sensor imageia uma determinada área. É
também referida como periodicidade ou repetitividade. A resolução temporal do
LANDSAT/TM é de 1 6 dias, enquanto a resolução temporal do SPOT é de 26
dias. Esta propriedade do sensor é referida como capacidade de revisita, ou seja,
o tempo que o satélite (sensor) demora em passar novamente sobre o mesmo
ponto da superfície terrestre.
6- SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL-GPS
O sistema GPS, ou NAVSTAR-GPS, como um sistema de rádio
navegação desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da
América, com o intuito de ser o principal sistema de navegação das forças
armadas daquele país. Em razão da alta acurácia proporcionada pelo sistema e
do grande desenvolvimento da tecnologia envolvida nos receptores GPS, uma
grande comunidade de usuários emergiu dos mais variados segmentos da
comunidade civil (MONICO,2000)
Para Gomes (2001) o GPS é um dos grandes avanços tecnológicos do
fim do século XX, revolucionado as técnicas de engenharia de mapeamento,
transporte, navegação, agrimensura, agronomia e um número crescente de
atividades.
A concepção do sistema GPS permite que um usuário, em qualquer local
da superfície terrestre, ou próximo a ela, tenha à sua disposição, no mínimo,
quatro satélites para serem rastreados, permitindo que se realize um
posicionamento em tempo real.
O princípio básico de navegação pelo GPS consiste na medida de
distâncias entre o usuário e três satélites, como apresenta a figura 8.
Figura 8 : Princípio Básico do Sistema GPS
Loch & Cordini (2000), citam que de maneira geral, o sistema NAVSTAR-GPS
subdivide-se em três segmentos:
1) Segmento espacial: formado pela constelação de satélites;
2) Segmento de controle: formado pelas estações terrestres responsáveis pela
operação do sistema GPS e;
3) Segmento dos usuários: formado pela comunidade usuária, incluindo
receptores, algoritmos, software, etc., com vistas à determinação da posição,
velocidade e/ou tempo.
De acordo com SILVA (1999), os satélites que compõe o GPS orbitam ao
redor da Terra distribuídos em 6 órbitas distintas, possuem uma altitude de
10.900 milhas náuticas (20.200 km), em 6 planos orbitais com inclinação de 550,
com um período de revolução de 12 horas siderais, o que acarreta que a
configuração dos satélites se repete 4 minutos mais cedo diariamente em um
mesmo local.
Segundo Lima (1999) o emprego do GPS nos levantamentos dos
produtos cartográficos destinados ao Cadastro técnico multifinalitário- CTM é
condicionado à existência de redes geodésicas regionais e globais bem
estabelecidas, as quais são essenciais para a preparação de dados espaciais
regionais e locais existentes.
7- TOPOGRAFIA
Segundo Lopez & Esteves (1993), a topografia é um conjunto de métodos
e instrumentos necessários para representar o terreno com todos os seus
detalhes naturais e artificiais. Para ESPARTEL (1980), a topografia é a ciência
que tem por finalidade determinar o contorno, dimensão e posição relativa de
uma porção limitada da superfície terrestre, sem levar em conta a curvatura da
terra.
Loch & Cordini(2000), observam a evolução tecnológica nos campos da
Geodésia, Cartografia, Fotogrametria e Sensoriamento Remoto e consideram a
prática topográfica de vital importância para qualquer levantamento físico
espacial, validando assim a Topografia Contemporânea. Os autores ainda
destacam que os novos equipamentos e o surgimento de programas de
computadores que automatizam os processos de levantamento, cálculo e
representação gráfica utilizados para as atividades topográficas, proporcionam
um aprendizado moderno e performance indiscutível.
De acordo com Comastri & Junior (1990), chama-se levantamento
topográfico o conjunto de operações, no campo e no escritório, por meio de
métodos e instrumentos próprios destinados à obtenção dos elementos
necessários à representação geométrica de certa extensão do terreno,
denominada superfície topográfica. Nos trabalhos de campo os pontos do
terreno definidos pela medição de ângulos e alinhamentos, constituem os
elementos básicos para a representação geométrica da área. No escritório, feitos
os cálculos necessários dos dados (ângulos e distâncias) numericamente
determinados no campo, executa-se o desenho em papel, representando a
projeção horizontal da área levantada.
8- REPRESENTAÇÃO DE DADOS GEOGRÁFICOS
8.1 Dados Gráficos
A estrutura dos dados corresponde à base cartográfica. Os dados gráficos
podem ter representação Vetorial e Raster.
8.1.1 Representação Matricial
Nesta representação, o espaço é representado como uma matriz P(m, n)
composto de m colunas e n linhas, onde cada célula possui um número de linha,
um número de coluna e um valor correspondente ao atributo estudado e cada
célula é individualmente acessada pelas suas coordenadas.
A representação matricial supõe que o espaço pode ser tratado como uma
superfície plana, onde cada célula está associada a uma porção do terreno. A
resolução do sistema é dada pela relação entre o tamanho da célula no mapa ou
documento e a área por ela coberta no terreno. A Figura 9 mostra um mesmo
mapa representado por células de diferentes tamanhos (diferentes resoluções),
representando diferentes áreas no terreno.
Figura 9 - Diferentes representações matriciais para um mapa.
Como o mapa do lado esquerdo possui uma resolução quatro vezes
menor que o do mapa do lado direito, as avaliações de áreas e distâncias serão
bem menos exatas que no primeiro. Em contrapartida, o espaço de
armazenamento necessário para o mapa da direita será quatro vezes maior que
o da esquerda.
Os dados são codificados, célula a célula, atribuindo a cada uma o código
correspondente à uma classe referente ao fenômeno estudado. Para fazer isto,
é necessário estabelecer um critério a ser obedecido em toda a operação. Pode-
se, por exemplo, atribuir a cada célula o código da classe sobre a qual estiver o
centro da quadrícula. Outra possibilidade é adotar-se o critério da maior
ocorrência. Neste caso, o código corresponde ao da classe que ocupar a maior
parte da célula.
8.1.2 Representação Vetorial
No modelo vetorial, a localização e a aparência gráfica de cada objeto são
representadas por um ou mais pares de coordenadas. Este tipo de
representação não é exclusivo do GIS: sistemas CAD e outros tipos de sistemas
gráficos também utilizam representações vetoriais. Isto porque o modelo vetorial
é bastante intuitivo para engenheiros e projetistas, embora estes nem sempre
utilizem sistemas de coordenadas ajustados à superfície da Terra para realizar
seus projetos, pois para estas aplicações um simples sistema de coordenadas
cartesianas é suficiente. Mas o uso de vetores em GIS é bem mais sofisticado
do que o uso em CAD, pois em geral GIS envolve volumes de dados bem
maiores, e conta com recursos para tratamento de topologia, associação de
atributos alfanuméricos e indexação espacial.
No caso de representação vetorial, consideram-se três elementos
gráficos: ponto, linha poligonal e área (polígono). Um ponto é um par ordenado
(x, y) de coordenadas espaciais. Além das coordenadas, outros dados não-
espaciais (atributos) podem ser arquivados para indicar de que tipo de ponto se
está tratando.
As linhas poligonais, arcos, ou elementos lineares são um conjunto de
pontos conectados. Além das coordenadas dos pontos que compõem a linha,
deve-se armazenar informação que indique de que tipo de linha se está tratando,
ou seja, a que atributo ela está associada. Um polígono é a região do plano
limitada por uma ou mais linha poligonais conectadas de tal forma que o último
ponto de uma linha seja idêntico ao primeiro da próxima.
Figura 10 - Elementos da representação vetorial
Observe-se também que o polígono divide o plano em duas regiões: o
interior, que convencionalmente inclui a fronteira (a poligonal fechada) e o
exterior. Assim, quando utilizamos a expressão vetores, estamos nos referindo
a alguma combinação de pontos, linhas poligonais e polígonos, conforme
definidos acima.
Vetores e Topologia
Apesar de estarmos sempre concebendo representações sob a forma de
pontos, linhas e áreas para objetos em GIS, existem algumas variações com
relação à adaptação destas representações à realidade, ou seja, considerando
a forma com que estes objetos ocorrem na natureza.
Essa relação é dada pela topologia, que é um conjunto de regras e
comportamentos que se estipulam como pontos, linhas e polígonos e partilham
geometrias coincidentes. Nos SIG, em muitos casos, é fundamental utilizar uma
topologia para garantir a integridade dos dados. A topologia é utilizada
fundamentalmente para assegurar a qualidade dos dados e para permitir a
execução de algumas funções de análise espacial (por exemplo, a procura do
caminho mais curto entre 2 pontos de uma rede de estradas). Um modelo de
dados topológico representa os objetos espaciais (ponto, linha e polígono) tendo
subjacente um grafo composto por nós e arcos. Um arco é definido por 2 nós .
O ponto de intersecção de 2 arcos é sempre um nó.
Figura 11-Topologia Arco-Nó-Polígono.
Objetos de área podem ter três formas diferentes de utilização: como
objetos isolados, objetos aninhados ou objetos adjacentes. O caso de objetos
isolados é bastante comum em GIS urbanos, e ocorre no caso em que os objetos
da mesma classe em geral não se tocam. Por exemplo, edificações, piscinas, e
mesmo as quadras das aplicações cadastrais ocorrem isoladamente, não
existindo segmentos poligonais compartilhados entre os objetos. O caso típico
de objetos aninhados é o de curvas de nível e todo tipo de isolinhas, em que se
tem linhas que não se cruzam, e são entendidas como estando “empilhadas”
umas sobre as outras. Finalmente, temos objetos adjacentes, e os exemplos
típicos são todas as modalidades de divisão territorial: bairros, setores
censitários, municípios e outros.
Comparação entre Representações Matricial e Vetorial
Dados temáticos admitem tanto a representação matricial quanto a
vetorial; deste modo, é relevante compará-las. Para a produção de cartas e em
operações onde se requer maior precisão, a representação vetorial é mais
adequada. As operações de álgebra de mapas são mais facilmente realizadas
no formato matricial. No entanto, para um mesmo grau de precisão, o espaço de
armazenamento requerido por uma representação matricial é substancialmente
maior. Isto é ilustrado na Figura 12.
Figura 12 - Representação vetorial e matricial de um mapa temático.
A Tabela 1 apresenta uma comparação entre as vantagens e
desvantagens de armazenamento matricial e vetorial para mapas temáticos.
Esta comparação leva em conta os vários aspectos:relacionamentos espaciais,
análise, armazenamento. Nesta tabela, o formato mais vantajoso para cada caso
é apresentado em destaque.
TABELA 1: COMPARAÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÕES PARA MAPAS
TEMÁTICOS
8.2 Dados Não Gráficos
Entende-se por dados não gráficos (atributos) qualquer informação
descritiva (nomes, números, tabelas e textos) relacionada com um único objeto,
elemento, entidade gráfica ou um conjunto deles, que caracteriza um dado
fenômeno geográfico.
Os atributos podem fornecer informações descritivas acerca de
caraterísticas de um dado espacial. Estão ligados aos elementos espaciais
através de indicadores, normalmente chamados de geocódigos, que estão
armazenando tanto registros espaciais como não espaciais.
Podem fornecer informações qualitativas ou quantitativas associadas as
feições espaciais.
8.3 MODELOS DE DADOS EM GEOPROCESSAMENTO
As estruturas de dados gráficos podem assumir um ou mais modelos:
Modelo Temático
Dados temáticos descrevem a distribuição espacial de uma grandeza
geográfica, expressa de forma qualitativa, como os mapas de uso e ocupação,
pedologia e a aptidão turística de uma região. Estes dados, obtidos a partir de
levantamento de campo, são inseridos no sistema por digitalização ou, de forma
mais automatizada, a partir de classificação de imagens. Os dados apresentados
como Mapa de População da Paraíba e Mapa de uso e ocupação do solo
urbanos são exemplos de dados temáticos ( Figura 13).
Mapa de População
Figura 13- Representação do Modelo Temático
MODELO CADASTRAL
Um dado cadastral distingue-se de um temático, pois cada um de seus
elementos é um objeto geográfico, que possui atributos e pode estar associado
a várias representações gráficas. Por exemplo, os lotes de uma cidade são
elementos do espaço geográfico que possuem atributos (dono, localização, valor
venal, IPTU devido, etc.) e que podem ter representações gráficas diferentes em
mapas de escalas distintas. Os atributos estão armazenados num sistema
gerenciador de banco de dados.
A Figura 14 mostra um exemplo de dado cadastral da América do Sul, onde os
países possuem atributos não-gráficos (PIB e população).
Modelos de Redes
Redes são compostas por informações associadas a serviços de utilidade
pública, como água, luz e telefone, redes de drenagem (bacias hidrográficas) ou
malha viária. Cada objeto geográfico (por exemplo um cabo telefônico,
transformador de rede elétrica ou cano de água) possui uma localização
geográfica exata e está associado a atributos descritivos, presentes no banco de
dados.As informações gráficas de redes são armazenadas em coordenadas
vetoriais, com topologia arco-nó: arcos tem um sentido de fluxo e nós tem
atributos (podem ser fontes ou sorvedouros). A topologia de redes constitui um
grafo, armazenando informações sobre recursos que fluem entre localizações
geográficas distintas.
No caso de redes, cada objeto geográfico (ex: cabo telefônico,
transformador de rede elétrica, cano de água) possui uma localização geográfica
exata e está sempre associado a atributos descritivos presentes no banco de
dados. As informações gráficas de redes são armazenadas em coordenadas
vetoriais, com topologia arco-nó: os atributos de arcos incluem o sentido de fluxo
e os atributos dos nós sua impedância (custo de percorrimento). A topologia de
redes constitui um grafo, que armazena informações sobre recursos que fluem
entre localizações geográficas distintas, como ilustra a Figura 15.
Figura 15 - Elementos de Rede.
Para Goodchild (1992), uma rede é um sistema de endereçamento1-D
embutido no espaço 2-D. Para citar um exemplo, tome-se uma rede elétrica, que
tem, entre outros, os componentes: postes, transformadores, subestações,
linhas de transmissão e chaves. As linhas de transmissão serão representadas
topologicamente como os arcos de um grafo orientado, estando as demais
informações concentradas em seus nós.
Modelo de Imagens
Obtidas por satélites, fotografias aéreas ou "scanners" aerotransportados,
as imagens representam formas de captura indireta de informação espacial.
Armazenadas como matrizes, cada elemento de imagem (denominado "pixel")
tem um valor proporcional à energia eletromagnética refletida ou emitida pela
área da superfície terrestre correspondente.
Figura 16–Imagem Landsat 5 TM de João Pessoa-PB.
Fonte: Google Earth
Pela natureza do processo de aquisição de imagens, os objetos
geográficos estão contidos na imagem, sendo necessário recorrer a técnicas de
fotointerpretação e de classificação para individualizá-los.
Características importantes de imagens de satélite são: o número e a
largura de bandas do espectro eletromagnético imageadas (resolução
espectral), a menor área da superfície terrestre observada instantaneamente por
cada sensor (resolução espacial), o nível de quantização registrado pelo sistema
sensor (resolução radiométrica) e o intervalo entre duas passagens do satélite
pelo mesmo ponto (resolução temporal).
Modelos Numéricos do Terreno
Um Modelo Numérico de Terreno (MNT) é uma representação
matemática computacional da distribuição de um fenômeno espacial que ocorre
dentro de uma região da superfície terrestre. Dados de relevo, informação
geológicas, levantamentos de profundidades do mar ou de um rio, informação
meteorológicas e dados geofísicos e geoquímicos são exemplos típicos de
fenômenos representados por um MNT.
Dentre alguns usos do MNT pode-se citar:
Armazenamento de dados de altimetria para gerar mapas topográficos;
Análises de corte aterro para projeto de estradas e barragens;
Elaboração de mapas de declividade e exposição para apoio a análise de
geomorfologia e erodibilidade;
Apresentação tridimensional (em combinação com outras variáveis).
Para a representação de uma superfície real no computador é
indispensável a elaboração e criação de um modelo digital, que pode estar
representado por equações analíticas ou uma rede (grade) de pontos, de modo
a transmitir ao usuário as características espaciais do terreno. A criação de um
modelo numérico de terreno corresponde a uma nova maneira de enfocar o
problema da elaboração e implantação de projetos. A partir dos modelos
(grades) pode-se calcular diretamente volumes, áreas, desenhar perfis e
secções transversais, gerar imagens sombreadas ou em níveis de cinza, gerar
mapas de declividade e aspecto, gerar fatiamentos nos intervalos desejados e
perspectivas tridimensionais.
O processo de geração de um modelo numérico de terreno pode ser
dividido em 2 etapas: (a) aquisição das amostras ou amostragem e (b) geração
do modelo propriamente dito ou interpolação. Após a geração do modelo, pode-
se desenvolver diferentes aplicações.
A amostragem compreende a aquisição de um conjunto de amostras
representativas do fenômeno de interesse. Geralmente essas amostras estão
representadas por curvas de isovalores e pontos tridimensionais.
A interpolação envolve a criação de estruturas de dados e a definição de
superfícies de ajuste com o objetivo de se obter uma representação contínua do
fenômeno a partir das amostras. Essas estruturas são definidas de forma a
possibilitar uma manipulação conveniente e eficiente dos modelos pelos
algoritmos de análise contidos no SIG.
A interpolação consiste em determinar, a partir de um conjunto de dados
discretos, uma função ou um conjunto de funções analíticas que possam servir
para a determinação de qualquer valor no domínio de definição. Pode-se ver a
interpolaçãocomo um processo numérico que mapeia uma função discreta para
uma função contínua. A interpolação tem vasta aplicação em diversos campos
da ciência, como por exemplo, na computação gráfica, no processamento de
sinais e imagens.
As estruturas de dados mais utilizadas em modelos numéricos do terreno
são a grade regular e a malha triangular.
Grade Regular
A grade regular é uma representação matricial aonde cada elemento da
matriz está associado a um valor numérico, como mostra a Figura 17. Para a
geração da grade torna-se necessário estimar, através de interpoladores
matemáticos, os valores para as células que não possuem medidas de elevação,
considerando-se a vizinhança de medidas de elevação conhecidas.
Os procedimentos de interpolação para geração de grades regulares a
partir de amostras variam de acordo com a grandeza medida. No caso de
altimetria, é comum o uso de funções de ponderação por inverso do quadrado
da distância. Já para variáveis geofísicas, procedimentos de filtragem
bidimensional ou de geoestatística (como a krigeagem) são utilizados.
Figura 17 - Superfície e grade regular correspondente.
Fonte: Namikawa 1995
Grades Triangulares
A grade triangular ou TIN (do inglês “triangular irregular network”) é uma
estrutura do tipo vetorial com topologia do tipo nó-arco e representa uma
superfície através de um conjunto de faces triangulares interligadas. Para cada
um dos três vértices da face do triângulo são armazenados as coordenadas de
localização (x, y) e o atributo z, com o valor de elevação ou altitude. Em geral,
nos SIGs que possuem pacotes para MNT, os algoritmos para geração da grade
triangular baseiam-se na triangulação de Delaunay com restrição de região.
Quanto mais equiláteras forem as faces triangulares, maior a exatidão
com que se descreve a superfície. O valor de elevação em qualquer ponto dentro
da superfície pode ser estimado a partir das faces triangulares, utilizando-se
interpoladores. A Figura 18 mostra uma superfície tridimensional e a grade
triangular correspondente.
Figura 18 - Superfície e malha triangular correspondente.
Fonte: Namikawa 1995.
Comparação entre Representações de MNT
As malhas triangulares são normalmente melhores para representar a
variação do terreno, pois capturam a complexidade do relevo sem a necessidade
de grande quantidade de dados redundantes. As grades regulares têm grande
redundância em terrenos uniformes e dificuldade de adaptação a relevos de
natureza distinta no mesmo mapa, por causa da grade de amostragem fixa.
Para o caso de variáveis geofísicas e para operações como visualização
3D, as grades regulares são preferíveis, principalmente pela maior facilidade de
manuseio computacional. A Tabela abaixo resume as principais vantagens e
desvantagens de grades regulares e malhas triangulares.
Os modelos numéricos de terreno também podem ser convertidos para
mapas temáticos e para imagens. Em ambos os casos, a grandeza numérica é
quantificada, seja para um número pequeno de valores (caso de dados
temáticos) seja para a variação associada a imagens (valores discretos).
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