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CURSO DE DIREITO 
Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 01: Conceito de banco 
 
Há várias definições acerca de Banco que, embora variem na forma, são 
coincidentes quanto ao tipo de atividade por ele exercitada. Uma definição muito boa 
é a de Mendonça (1997, p. 13): “são empresas comerciais, cujo objeto principal 
consiste na intermediação entre os que dispõem de capitais e os que precisam obtê-
los, isto é, consiste em receber e concentrar capitais para sistematicamente distribuí-
lo por meio de operações de crédito”. 
Tal definição tem um aspecto prático porque nos faz compreender melhor o 
universo onde tais contratos se inserem e são analisados. No sentido amplo a 
palavra, Banco designa todo estabelecimento de crédito comercial e financeiro, que 
tem por finalidade o comércio de dinheiro e de crédito privado. 
Todavia, as práticas bancárias são conhecidas desde a Antigüidade. Na 
Babilônia, na Fenícia e no Egito há referências sobre elas. Na Grécia os trapezistas 
e em Roma os argentari, aceitavam depósitos de moedas e de valores; faziam 
empréstimos a juros, garantidos ou a descoberto; interpunham-se nos pagamentos 
sobre praças diferentes; assumiam obrigações em nome dos clientes (HUGON, 
1973). 
Tais práticas floresceram com o renascimento do comércio na Idade Média, 
sobretudo nas cidades italianas e desembocaram no capitalismo liberal da Era 
Moderna, com o advento da Revolução Industrial. Então o sistema financeiro 
consolidou-se pelo aparecimento de grandes bancos e pela extensão de seus 
serviços em nível internacional. 
Mas, desde a origem, o sistema financeiro foi estreitamente aliado ao poder 
político, de modo que o atual sistema de tutela a que são submetidas as instituições 
financeiras modernas não provoca nenhuma comoção. 
Neste contexto, desde o primeiro banco brasileiro instalado na fase colonial 
– o Banco do Brasil foi fundado em 12.10.1808 por D.João VI –, o sistema bancário 
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Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
sempre foi controlado pelo Estado. Do pioneiro Banco do Brasil e da pioneira Caixa 
Econômica do Império (fundada mais tarde), o sistema evoluiu. 
Intensificando-se o comércio bancário, multiplicaram-se as casas bancárias 
e os bancos, até o surgimento definitivo do atual Sistema Financeiro Nacional, 
previsto no Art. 192 da Constituição Federal e regulado pela Lei 4.595 de 1964, 
ainda vigente. 
Já em relação aos tipos de bancos, o Art. 17 da Lei 4.595/64 acima citada 
dispõe: Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação 
em vigor, as pessoas jurídicas, públicas ou privadas, que tenham como atividade 
principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros 
próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira e a custódia de valor de 
propriedade de terceiros. 
Os comercialistas usam uma classificação de bancos que parte de suas 
operações financeiras, isto é, da origem dos fundos com que operam, e dos riscos 
que desejam correr, mas tal classificação está fadada ao desaparecimento porque 
hoje predomina uma tendência do “banco múltiplo”, isto é, megaempresas que 
operam em todos os setores do mercado financeiro. 
Mendonça classifica-os em: a) bancos de desenvolvimento; b) bancos de 
investimentos; c) bancos comerciais. Já Martin (1981) classifica-os mais 
detalhadamente em: a) bancos de emissão; b) bancos de depósito; c) bancos de 
crédito móvel; d) bancos de comércio exterior; e) bancos agrícolas; f) bancos de 
crédito real; g) bancos de crédito industrial. 
Passemos às diferenças entre eles, que são bastante sutis e esclarecem 
alguns aspectos dos contratos que a seguir analisaremos: 
a) Bancos de emissão (ou de circulação) são aqueles autorizados pelo 
governo a emitirem notas com promessa de pagamento à vista em dinheiro (papel-
moeda). 
1) Os bancos de desenvolvimento objetivam o fomento do desenvolvimento 
econômico-social. São bancos oficiais, em geral empresas públicas ou 
autarquias como o BNDES, o BDMIG, etc. 
2) Os bancos de investimentos têm cunho privado. Operam com valores 
mobiliários (aplicações em títulos e valores mobiliários e de administração de 
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Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
fundos) com autorização do Banco Central e são regidos pela Lei nº 4.728 de 1965, 
que disciplina o mercado de capitais. 
3) Os bancos comerciais são públicos ou privados, especializados em 
operações financeiras de médio e de curto prazo. Recebem capitais de terceiros em 
forma de depósito (aceitam dinheiro alheio em conta corrente à disposição do 
depositante, à vista ou a prazo mediante remuneração) e os emprestam em nome 
próprio. Correspondem aos Bancos de depósitos, da classificação de Martin. 
Os bancos de financiamentos também têm, em geral, cunho privado, e são 
especializados em financiamentos a médio e longo prazos através de operações de 
antecipação de créditos às empresas industriais e comerciais; podendo ser 
especializados em: bancos de crédito móvel; bancos de comércio exterior; bancos 
agrícolas; bancos de crédito real; e bancos de crédito industrial, conforme as 
atividades e as fontes de origem de recursos a que dirijam suas operações. 
O banco agrícola opera com os agricultores e pecuaristas, custeando-lhes a 
exploração agrícola, financiando-lhes o cultivo, financiando máquinas e insumos e 
tendo como garantia real o penhor de sua produção agrícola ou dos próprios 
produtos financiados. 
Já os bancos de crédito real atendem os empréstimos hipotecários, emitindo 
cédulas ou obrigações hipotecárias sobre as operações realizadas. 
Além disso, diferenciam-se os Bancos das Caixas Econômicas que são 
empresas bancárias destinadas originalmente a recolher e movimentar a poupança 
popular. Erigidas sob a forma de empresas públicas no Brasil, possuem uma função 
desenvolvimentista social relevante no financiamento público de saneamento 
urbano, no financiamento habitacional privado, na administração de loterias. 
Também são instituições financeiras equiparadas a bancos as Cooperativas 
de Crédito, sociedades com forma jurídica própria de sociedade simples (civil) sem 
finalidade lucrativa, não sujeitas à falência mercantil e que têm por objeto a 
mutualidade, isto é, fornecer o crédito necessário aos próprios associados 
cooperados. 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
CURSO DE DIREITO 
Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 02: Conceito de contratos bancários 
 
 As operações bancárias se dão por meio dos contratos bancários. O contrato 
bancário, como todo contrato, é um fato jurídico. E dentro do gênero fato jurídico, 
normalmente é enquadrado especificamente como negócio jurídico. Deste modo, 
dentro do âmbito das operações bancárias, os contratos bancários funcionam como 
seu esquema jurídico, como fato jurídico propulsor da relação jurídica obrigacional 
bancária, engendrando direitos subjetivos e deveres jurídicos. 
 Conceituar contrato bancário implica dar-lhe sua nota essencial, 
suficientemente restrito para os distinguir dos demais contratos civis e comerciais, e 
suficientemente amplo para abarcar todas as atividades historicamente incluídas no 
rol bancário. É tema árduo, pois, em essência, reflete dificuldade de mesma natureza 
daquela que sempre se encontrou para distinguir os contratos comerciais dos civis, 
porém agora mais avante, para distinguir contratos bancários dos comerciais e civis. 
 Não há unanimidadeentre os autores. Sérgio Carlos Covello localiza a 
questão afirmando que se podem adotar dois critérios fundamentais na conceituação 
dos contratos bancários: 1) o critério subjetivo, sendo contrato bancário aquele 
realizado por um banco; 2) o critério objetivo, pelo qual é contrato bancário aquele 
que tem por objeto a intermediação do crédito. 
 Os dois critérios sozinhos são insuficientes, como nota o autor: o primeiro 
porque o banco realiza contratos que não são bancários, como de locação, prestação 
de serviços, bancários, etc; o segundo porque o particular também pode realizar 
operação creditícia sem que se configure como bancária. Adota, então, uma 
concepção sincrética, recorrendo aos dois critérios, para conceituar o contrato 
bancário como "[...] o acordo entre Banco e cliente para criar, regular ou 
extinguir uma relação que tenha por objeto a intermediação do crédito." 
 Dornelles da Luz adota a definição de contrato bancário de Garrigues, como 
um "[...] negócio jurídico ‘concluído por um Banco no desenvolvimento de sua 
atividade profissional e para a consecução de seus próprios fins econômicos”. 
Adota o autor o critério subjetivo para definição, incluindo as atividades de 
prestação de serviços bancários que no conceito objetivo-subjetivo de Covello 
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Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
restavam excluídas. 
 Isto porque, observa Dornelles da Luz, o banco múltiplo não pode ser 
confundido com o antigo banco comercial, pois o desenvolvimento histórico conduziu 
a uma diversificação da atividade bancária, havendo hoje três tipos de contratos 
bancários: de moeda e crédito, mistos de crédito e serviço, e de prestação de 
serviços. A exigência do critério objetivo por Covello, deste ângulo, torna-se 
excessiva, pois exclui do rol dos contratos bancários atividades historicamente 
incorporadas pelos bancos em sua evolução, que são os contratos de prestação de 
serviços como o de caixa de segurança, custódia de bens, operações de cobrança, 
etc. Realmente estes contratos, que não raro vinculam-se às operações de crédito de 
modo acessório, parecem ter adquirido notas e peculiaridades de modo a merecerem 
o tratamento especial das normas bancárias. 
 Se, por um lado, a conceituação meramente subjetiva não é suficiente, como 
pontuara Covello, pois o conceito englobaria contratos realizados pelo banco de 
natureza evidentemente não bancária (como de trabalho, locação, compra e venda, 
etc.), por outro lado, a solução científica também não parece residir em seu critério 
objetivo. Parece, sim, adequada, a utilização do critério subjetivo com um "plus", 
sendo contrato bancário aquele em que o sujeito banco atua como comerciante, no 
exercício da mercancia enquanto profissão habitual (excluindo-se os contratos sem as 
notas da habitualidade, profissionalidade e comercialidade). 
 Neste sentido se direciona Rodrigues Alves, após criticar a conceituação com 
base no critério puramente subjetivo: "[...] em verdade, há operação bancária se 
existe suporte fático que se traduz empiricamente em atividades nas quais o banco 
opera com o cliente, atendendo-se ao fim comercial do banqueiro." 
Em suma, Contrato Bancário é o gênero contratual em que pelo menos uma 
das partes é um banco. Refere-se à captação, intermediação ou aplicação de 
recursos financeiros próprios ou de terceiros, e como apenas instituições financeiras 
autorizadas pelo Governo podem desenvolver tais atividades, todo contrato a elas 
relativo será considerado bancário. Portanto, contrato bancário é aquele em que a 
participação de um banco é inafastável. 
 
 
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CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 03: Classificação dos contratos bancários 
 
 Posto o conceito de contrato bancário, cumpre classificá-lo. Há diversas 
classificações dos contratos bancários, sendo a primeira e mais importante a que os 
divide em contratos bancários típicos e contratos bancários atípicos. 
 Os contratos bancários recebem o adjetivo típico quando se realizam para o 
cumprimento da função creditícia dos bancos (operação bancária típica, de crédito), e 
quando típicos se subdividem em ativos e passivos, conforme assuma o banco, 
respectivamente, a posição de credor ou devedor da obrigação principal. São atípicos 
os que o banco realiza para prestação de serviços (operação bancária atípica). 
 Contudo, há também uma terceira classe de contratos, notada pelo mestre 
Dornelles da Luz (ignorada pela grande maioria dos autores), que é uma categoria 
mista entre típicas e atípicas, sendo operações que envolvem créditos e serviços, que 
assumem caracteres próprios que as distinguem das outras duas categorias. 
 Duas espécies de obrigações costumam permear os contratos dos bancos 
múltiplos: de dar e de fazer. Os contratos típicos, isto é, de crédito, armam-se em 
estabelecer obrigações de dar dinheiro (moeda). Já os contratos atípicos, isto é, de 
mera prestação de serviços, contêm obrigação de fazer que vincula o banco. E nos 
contratos mistos, que envolvem créditos e serviços, como intermediação bancária 
no pagamento (pagamento e cobrança), intermediação bancária na emissão e venda 
de valores mobiliários, e no crédito documentário, assume o banco obrigações de 
fazer (prestação de serviço no recebimento e/ou pagamento de terceiro), as quais têm 
inerentes obrigações de dar, sendo a obrigação primeira e principal a de fazer. 
 A definição que traz Rodrigues Alves da operação bancária, a qual parece 
acertada, não exclui do âmbito desta as atividades bancárias secundárias. Enquanto 
as atividades principais concernem ao recolhimento e distribuição do capital, as 
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secundárias aparecem quando o banco age na função que não lhe é típica, ou seja, 
que não é a intermediação na circulação do dinheiro. Nas atividades secundárias 
também podem estar presentes os interesses bancários, de modo mediato, 
constituindo-se meio para a realização da atividade principal, através da captação de 
clientela. 
 Covello, em consonância com sua definição de contrato bancário, não traz a 
classificação em contratos bancários típicos e atípicos. É claro, porquanto, em sua 
definição, submeteu os contratos a um requisito objetivo muito estrito, restritivo, para 
que se configurem enquanto bancários. Só são bancários os que versam sobre o 
crédito. Deste modo desaparece a figura do contrato bancário atípico. 
 A atuação bancária se desenvolve, na sua esmagadora parte, em importância 
e quantidade, sobre os contratos típicos. Estes, como mencionados, podem ser ativos 
e passivos, conforme o banco assuma, respectivamente, posição de credor ou 
devedor da obrigação principal, isto é, o pólo ativo ou passivo. As operações passivas 
têm por objeto a captação de recursos junto à coletividade, pelo banco, dos quais 
necessita para processar sua atividade. Já nas operações ativas os bancos 
concedem crédito aos clientes com recursos arrecadados de outros clientes mediante 
as operações passivas. 
 Os contratos de crédito, ou contratos típicos, assumem, além da classificação 
em ativos e passivos, outras classificações, segundo doutrina liderada por Garrigues: 
 a) segundo a natureza do devedor, pode ser público ou privado, valendo aqui 
a crítica de Dornelles da Luz , segundo o qual o crédito é público ou privado segundo 
sua fonte,de recursos públicos ou privados, e não segundo o devedor; 
 b) segundo a duração, em de curto, médio e longo prazo, devendo-se 
considerar a possibilidade de renovação ou prorrogação, mas sendo em princípio: de 
curto prazo o de liquidez, normalmente para capital de giro, de até 360 dias, mais 
freqüentemente realizado até 120 dias; de médio prazo vai até cinco anos e tem 
variadas destinações, não se dando pesadas imobilizações; e o de longo prazo 
normalmente é de investimentos pesados, de lenta maturação, exigindo tempo de 
carência para ter retorno financeiro, excedendo cinco anos; 
 c) segundo a natureza da garantia, real (sobre bens móveis e imóveis) e 
pessoal (sobre o patrimônio todo de uma pessoa de confiança do garantido); 
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 d) segundo o destino dos bens financiados, de produção e de consumo. 
 Covello classifica também o contrato de crédito em nacional e internacional, 
segundo a posição das partes contratantes, sendo regidos por normas de um ou mais 
de um país. Aponta também uma classificação do contrato de crédito privado (ou de o 
crédito destinado a particular), podendo ser: 
 a) individual, ou pessoal, quando concedido a certas pessoas que, embora 
não tenham grande patrimônio, têm condições de honrar o compromisso pela 
estabilidade da profissão, fazendo o banco uma avaliação da confiança que pode ter 
no indivíduo com seu "levantamento cadastral", sendo não raro este crédito (contrato 
de crédito, na verdade) um crédito de consumo, destinado à aquisição de bens e 
serviços; 
 b) comercial, que visa a estimular o comércio, produção e venda de bens; 
 c) industrial, que não difere do comercial, mas é de longo prazo normalmente, 
fornecido por bancos de investimentos; 
 d) agrícola, modalidade importante, que estimula a agricultura; 
 e) marítimo, estimulando a construção naval e compra e venda de navios. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 04: As operações bancárias como contrato 
Mercantil 
 
Pode-se afirmar que as operações bancárias têm natureza mercantil, já que 
os bancos e as instituições ofertantes estão economicamente organizados para a 
prestação de serviços financeiros em troca de lucro. 
Tais atividades apresentam dois aspectos distintos: o aspecto econômico e o 
aspecto jurídico. No primeiro aspecto, caracterizam-se como uma série de 
prestações de serviços realizadas pelas instituições financeiras no setor financeiro 
da economia, e que resultam em proveito tanto para os clientes que desses serviços 
necessitam como para os bancos e instituições que os prestam mediante uma 
remuneração (tarifária) por esses serviços (COVELLO, 1981). 
O aspecto jurídico caracteriza-se pela sua natureza jurídica: tais atividades 
têm a natureza jurídica de um contrato realizado entre os bancos e os seus clientes, 
que podem variar de conteúdo conforme as finalidades pretendidas pelas partes, 
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Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
conforme as formas de adesão e conforme, sobretudo às garantias ofertadas e 
vinculadas às operações. 
O Código Comercial de 1850 em seus Art.119 e 120, bem como o 
Regulamento nº 737 de 25.11.1850 já definiam o contrato bancário como ato de 
natureza mercantil. O projeto de Lei nº 634/75 do qual resultou a edição da Lei 
10.406 de 2002 (o novo CCB) tinha vários dispositivos que disciplinavam os 
contratos bancários (Art. 866 a 889) a exemplo do Código Civil italiano, mas eles 
foram todos suprimidos na redação final. 
Portanto, embora conhecidas como operações bancárias no mercado 
financeiro, tais atividades se caracterizam juridicamente como contratos mercantis 
bancários. Que em grande parte são do tipo contratos de adesão, já que seus 
termos já vêm prontos e acabados, cabendo ao cliente aderir a eles ou não celebrar 
o negócio. 
Nesse sentido, Mendonça (1947) classificou as operações bancárias em: a) 
operações essenciais ou fundamentais – operações próprias de bancos e que 
consistem em coletar capitais junto aos poupadores e alocar tais capitais aos 
interessados promovendo operações de crédito, pelas quais recebem uma 
remuneração; b) operações acessórias – realizadas pelos bancos em caráter 
secundário e que consistem em prestações de serviços (não caracterizadoras de 
operações de crédito), mas que ainda assim proporcionam uma remuneração 
tarifária ao banco. 
A maioria dos autores modernos divide tais operações bancárias em três 
tipos, partindo da mesma lógica acima: 
a) operações essenciais ativas: são os Empréstimos; Antecipação de créditos 
cambiários; Desconto; Abertura de crédito; Operações de câmbio; Adiantamento 
sobre contratos de câmbio; Leasing; Factoring; Know-how; Alienação Fiduciária em 
Garantia e Cartão de Crédito, dentre outras. 
b) operações essenciais passivas: são os Depósitos; Conta Corrente; Redesconto, 
etc. 
c) operações acessórias: custódia de títulos e valores; aluguel de cofres de 
segurança; cobranças, etc. 
 
 
CURSO DE DIREITO 
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Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
CARACTERÍSTICAS DOS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 05: Instrumento de crédito e Rígida contabilidade 
 
INSTRUMENTO DE CRÉDITO 
 
O contrato bancário é instrumento de operação de crédito. O contrato 
bancário, em sua grande maioria, é de crédito, e daí assume várias outras 
características, decorrentes desta, apontadas por Covello: 
1) envolve confiança, pois de um lado o banco averigua a vida do cliente, e de outro 
deve haver rígido controle do Poder Público sobre a instituição financeira, vindo esta 
a inspirar a confiança da coletividade; 
2) envolve prazo, que é o tempo que medeia prestação e contraprestação (esta é 
diferida, e não imediata); 
3) envolve juro ou interesse, que é o preço de cada unidade de tempo em que se 
dilata o pagamento de um crédito; 
4) envolve risco, inseparável da operação de crédito, seja risco particular (relativo a 
uma pessoa ou operação), geral (relativo a acontecimentos gerais que envolvem 
toda a nação ou até várias nações) ou corporativo ou profissional (relativo a um 
setor, uma classe ou uma profissão qualquer). 
 
RÍGIDA CONTABILIDADE 
 
 O contrato bancário implica rígida contabilidade. Todos os contratos 
bancários, em função de em sua maioria lidarem com o crédito (pecuniaridade), são 
rigorosamente contabilizados, o que permite o controle da atividade bancária. Afirma 
Rizzardo que há a "[...] contabilização de todos os valores que ingressam e saem do 
banco, com a escrituração, de modo a não permitir margem de dúvidas quanto ao 
seu montante, ao vencimento, aos encargos inerentes e às amortizações." 
 Os assentos de contabilidade, segundo Covello, são anotações que 
permitem comprovação imediata da operação realizada, porque os contratos 
bancários não podem ficar circunscritos aos esquemas tradicionalmente seguidos 
CURSO DE DIREITO 
Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
nas matérias civil e comercial. Tais anotações são de indiscutível valor probatório, 
dada a escrupulosa contabilidade bancária e a presumível imparcialidade. Adverte 
Covello que, "Como assevera Garrigues, ‘os Bancos não realizam anotações em 
seus livros com fins de prova, e, por outra parte, uma contabilidade que não fora 
correta seria praticamente impossível de suportar, pois qualquer artifício ou 
alteração repercutiria no conjunto do sistema’." 
 
CARACTERÍSTICAS DOS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA06: Complexidade estrutural e busca de simplificação e 
Informalidade 
 
COMPLEXIDADE ESTRUTURAL E BUSCA DE SIMPLIFICAÇÃO 
 
 O contrato bancário revela uma complexidade estrutural e busca 
simplificação. A complexidade é, para Rizzardo, "[...] outra nota das operações 
bancárias, em razão do surgimento constante de novas relações econômicas entre o 
banco e os usuários, exigindo operações cada vez mais sofisticadas e complexas, 
não apenas no sentido de atualizar a escrituração, mas de acompanhar as contínuas 
modificações que ocorrem no mundo dos negócios." 
 Devido a esta complexidade grande, e a serem realizados em grande escala 
(em massa), coloca-se a busca por uma simplificação dessas operações, 
despontando isto também como característica. É neste sentido que se adotam 
documentos e títulos de crédito pelos quais se substitui o controle de uma situação 
jurídica material pelo de uma situação jurídica meramente formal. 
 
INFORMALIDADE 
 
 No contrato bancário prevalece a informalidade. Quanto à forma, como 
assevera Pontes de Miranda, "Não há resposta ‘a priori’ às questões. A forma é a 
que tem de ter a espécie de negócio jurídico." 
CURSO DE DIREITO 
Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
 Sabe-se que normalmente não se exige que a forma integre 
necessariamente a substância do ato. É o que afirma Dornelles da Luz. Para este, 
"Aliás, a informalidade crescente dos contratos do mercado financeiro é uma 
característica da atualidade, a maior parte dos quais materializam-se em fichas 
gráficas. A informatização e o uso do telefone têm propiciado movimentação de 
contas, aplicações em papéis [...].[...]. A agilidade do mercado financeiro e o alto 
grau de concorrência têm produzido essa inovação." 
 Arnoldo Wald afirma que o Direito Bancário contemporâneo tem por 
características a padronização, utilização da informática e formalismo. Mas utiliza o 
termo "formalismo" no sentido de "fôrmas", pois os contratos bancários são 
realizados padronizadamente, sendo contratos de adesão. Ressalta que os 
mecanismos utilizados são "rápidos, simples e seguros", destacando o importante 
papel que os computadores têm realizado ultimamente. 
 
CARACTERÍSTICAS DOS CONTRATOS BANCÁRIOS 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 07: Sigilo e Contrato de massa 
 
SIGILO 
Há como dever intrínseco ao contrato bancário o dever jurídico de sigilo. 
Outra característica, ressaltada por Covello, é o caráter sigiloso dos contratos 
bancários. O banco assume informações confidenciais no trato com os clientes, 
sendo-lhe imposto o dever de discrição, sigilo. É verdadeiro dever jurídico de sigilo 
profissional. Os contratos bancários, sejam típicos ou atípicos, trazem o dever de 
sigilo, pelo art. 38 da lei n° 4.595/64: "As instituições financeiras conservarão sigilo 
em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. 
Várias teorias procuram explicar o caráter sigiloso. A contratual afirma surgir 
do contrato, pois certas disposições, mesmo que não expressas, se pressupõem, 
como a do sigilo bancário se pressupõe frente à estrutura da operação bancária. É 
teoria bastante aceita, reforçada pela tese de que no contrato bancário estão os 
elementos do contrato de mandato, devendo o banco mandatário agir com diligência 
e discrição. 
CURSO DE DIREITO 
Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
Profª Janaína Machado Sturza 
 
 
Outra teoria é a de Direito Comercial, pois enquanto atos de comércio as 
operações bancárias se devem interpretar de acordo com os usos e costumes do 
comércio, que impõem o dever de sigilo, costume muito antigo (remonta à 
Antigüidade). A teoria do ato ilícito afirma, por sua vez, que a quebra do sigilo 
acarreta danos, ficando o banco obrigado à reparação do prejuízo. Teorias do direito 
penal também procuram explicar, pois a quebra do sigilo profissional configura crime 
contra o Sistema Financeiro Nacional (lei n° 7.492, art. 18). 
À quebra do sigilo imputam-se sanções civis, penais e administrativas. Mas 
o sigilo profissional não é absoluto, havendo limites naturais, bem como legais, 
casos em que sua quebra não é ato ilícito (penal ou civil) do banco. São naturais o 
direito de o banco levar a protesto título que representa empréstimo, acionar 
judicialmente o cliente, ou fornecer dados da operação quando o cliente solicita. Os 
limites legais são bem postos por Ulhoa Coelho, e são os: da lei n° 4.595/64 (LRB), 
art. 38, §§ 1º a 4º; da lei n° 8.021/90, art. 8º (que revogou os §§ 5º e 6º do art. 38 da 
LRB); da lei n° 4.728/65, art. 4º; da lei n° 7.492,/86, art. 29. 
Recentemente o tema emergiu com grande destaque, quando a lei 
complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada na mesma data, 
pelo decreto n° 3.724, outorgou a autoridades e agentes fiscais a possibilidade da 
quebra do sigilo bancário, sem prévia autorização do Poder Judiciário. A 
interpretação anteriormente a esta lei complementar era de que a quebra do sigilo 
bancário somente era possível mediante ordem judicial. A medida foi adotada para 
intensificar o combate à evasão fiscal, e é polêmica, porque pode violar a 
privacidade e a intimidade, asseguradas como direitos fundamentais pelo inciso X do 
art. 5° da CF. Dependerá do âmbito do conteúdo desses direitos, que será 
examinado pelo STF. 
 
CONTRATO DE MASSA 
 
O contrato bancário é um contrato realizado em massa. O banco realiza 
operações em massa, a um grande número de clientes indistintamente. São 
milhares de contratos firmados diariamente, o que gera uma padronização do 
contrato, estes passam a ser "produzidos em série", em massa, para uma sociedade 
de consumo que cada vez mais faz uso das operações creditícias. O atendimento a 
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um sem-número de clientes gera a uniformização do contrato, ao qual o cliente 
simplesmente adere. É, pois, um contrato de adesão, característica que será 
analisada no próximo item. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 08: Contrato de adesão 
 
CONTRATO DE ADESÃO E FORMULÁRIO 
 O contrato bancário é contrato de adesão e formulário. A partir do momento 
em que o banco passou a atender a uma infinita seqüência de operações, tornou-se 
inviável a elaboração de um contrato para atender cada relação contratual. Deu-se, 
então, a necessidade da elaboração de minutas, idênticas, formuladas com 
antecedência, isto é, passaram os contratos a serem pré-determinados, assumindo 
uniformidade, bem como por isso passam a ter suas cláusulas impostas 
unilateralmente, não sendo conferida à outra parte a possibilidade de discuti-las. 
 Conforme afirma o ilustre professor Alfredo de Assis Gonçalves Neto, quanto 
maior a empresa (organização dos fatores de produção por parte do empresário 
para exercer uma atividade econômica), mais o empresário se distancia da 
engrenagem que produz resultados. O grande empresário, em sua atividade em 
cadeia, uniforme, atua pelas diretrizes que dita aos seus prepostos, assim se 
justificando o surgimento dos contratos formulários. O contrato bancário é formulário 
e de adesão. 
 Leciona o mestre que a distinção entre contratos de adesão e formulário, 
embora irrelevante para muitos, encontra sustentação de outros. Para estes, "[...] o 
contrato de adesão seria o contrato formulário decorrente de uma atividade exercida 
sob regime legal ou virtual de monopólio ou de oligopólio (Orlando Gomes, op. cit., 
nº 83, p. 126)." As atividades dos bancos estão sob rígido controle estatal, e 
dependem de autorização administrativa. Este sistemaoriginou um "[...] mercado 
cativo, à semelhança de um clube fechado cujo acesso só é permitido a quem tem 
cacife e influências. Tal como jóias de entrada, as chamadas cartas patentes 
(licença para instalação e funcionamento) alcançam preços disputadíssimos nas 
transferências de agências. Isso é suficiente para caracterizar o monopólio ou 
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oligopólio virtual exigido por alguns para configurar o contrato de adesão. Aliás, 
nesse ponto, todos os autores são concordes em catalogar como de adesão os 
contratos bancários." 
 Elucida Covello que nos negócios jurídicos bancários a padronização atinge 
tal nível que passaram a se dar por condições gerais. Na evolução histórica dos 
bancos, as condições gerais se deram primeiramente num plano individual, tendo 
cada banco suas próprias condições, quando ainda não havia iniciativa dos círculos 
oficiais. Com o tempo, as condições se tornaram uniformes para todos os bancos, 
padronizando-se os formulários, por dois motivos: experiência de longos anos de 
trato com a clientela e desejo de eliminar a concorrência. Os bancos, em suas 
associações profissionais entabularam condições e se obrigaram a respeitá-las nas 
relações com os clientes. 
 Nos países cultos, como no Brasil, prossegue Covello, soma-se outro motivo 
engendrante da padronização: a intervenção do Estado, pelo Banco Central, nos 
bancos, chegando, várias vezes, a determinar até a minuta do contrato. São 
elementos que caracterizam os formulários, instrumentos da contratação bancária: 
identidade formal, predeterminação de cláusulas e rigidez. Daí, no contrato bancário, 
o consentimento do cliente manifesta-se sob forma de adesão ao esquema que o 
banco propõe, sendo praticamente obrigado a aceitar, porque é o adotado por todos 
os bancos. 
 Nota Orlando Gomes que a conceituação dos contratos de adesão é difícil, 
pois conforme a teoria que o explique, assume contornos diferentes (há, pelo 
menos, seis modos de caracterizá-lo). Para o autor, "O traço característico do 
contrato de adesão reside verdadeiramente na possibilidade de predeterminação do 
conteúdo da relação negocial pelo sujeito de direito que faz a oferta ao público." 
 Segundo os que continuam defendendo a tese contratualista para explicá-lo 
(pois há quem negue seu caráter contratual), "[...] o contrato de adesão é um novo 
método de estipulação contratual imposto pelas necessidades da vida econômica. 
Distingue-se por três traços característicos: 1) a uniformidade; 2) a predeterminação; 
3) a rigidez." A primeira é exigência da racionalização da atividade econômica. A 
segunda é a que o caracteriza com mais vigor. A uniformidade, sem 
predeterminação, não basta. A terceira é desdobramento das outras duas. 
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 Nos contratos de adesão ocorre o confronto entre uma parte, mais forte 
economicamente (conglomerados, empresas oligopolizadas, monopólios), que 
domina e mantém cativo o mercado, e uma parte fraca, que não tem qualquer 
condição de fazer imposições frente a um corpo pré-estabelecido de cláusulas 
fechadas, restando-lhe apenas a alternativa de aceitá-las ou rejeitá-las em bloco. 
Contudo, muitas vezes, nem esta alternativa resta à parte, que necessita de bens e 
serviços para prover e desenvolver sua vida. Não há também que dizer de optar por 
outras empresas, quando estas se organizam, no dizer do professor Assis, "[...] 
unidas por formas disfarçadas de inconfessáveis cartéis (mantidos à sombra da 
tolerância e da inércia do Estado)[...]" 
 Assim, como nota Arnaldo Rizzardo, coloca-se a parte fraca frente a 
cláusulas que muitíssimas vezes sequer lê. Se lê, não as entende. Se entende, e 
discorda, de nada adianta, pois não as pode alterar. E, como observado, fica entre 
aceitar ou rejeitar em bloco, sendo esta liberdade de escolha em vários casos 
ilusória, porque o autor da oferta goza de um monopólio, e a parte fraca tem 
necessidade do bem ou serviço. Daí afirmar Dornelles da Luz que se, a princípio, 
não há problema nos contratos de adesão, úteis e necessários, surgem os conflitos 
com o abuso de poder econômico de setores oligopolizados, mais fortes do que o 
aderente, o qual se subjuga e vincula frente à falta de alternativas concorrentes. 
 Em virtude disso tudo é que muitos autores, segundo Orlando Gomes, 
contestam a natureza contratual da figura do contrato de adesão. Saleilles, pai da 
expressão "contratos de adesão", já no início do século afirmava que de contrato 
tinha apenas o nome. 
Não obstante, esclarece Gomes: Entende a maioria, porém, que apesar de 
suas peculiaridades, devem ser enquadrados na categoria jurídica dos contratos. 
Origina-se a dúvida na confusão a respeito do elemento que define o contrato. Deve-
se distinguir, com Carnelutti, o concurso de vontades para a formação do vínculo e a 
regulamentação das obrigações oriundas desse vínculo. O concurso de vontades é 
indispensável à constituição dos negócios jurídicos bilaterais, dos quais o contrato 
constitui expressão mais comum. Por definição, o contrato é o acordo de duas 
vontades. Não se forma de outro modo. Já a regulamentação dos efeitos do negócio 
jurídico bilateral não requer a intervenção de duas partes. Pode ser expressão da 
vontade de uma com a qual concorda a outra, sem lhe introduzir alteração. A 
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regulamentação bilateral dos efeitos do contrato não é, enfim, elemento essencial à 
sua configuração. Por outras palavras, a circunstância de serem as obrigações 
estatuídas pela vontade predominante de um dos interessados na formação do 
vínculo jurídico não o despe das vestes contratuais. Afirma-se a contratualidade da 
relação pela presença do elemento irredutível, que é o acordo de vontades. No 
contrato de adesão não se verifica contratualidade plena, mas o mínimo de vontade 
existente no consentimento indispensável da parte aderente é suficiente para atestar 
que não é negócio unilateral. Prevalece, em conseqüência, a opinião de que possui 
natureza contratual." 
 Cumpre observar também que é cada vez mais volumosa a corrente a qual 
sustenta que o contrato de adesão não pode ser explicado como contrato. Para 
Paulo Lôbo, que está dentre os autores que entendem que a teoria do negócio 
jurídico não explica o contrato de adesão, o contrato evoluiu para além do negócio 
jurídico e de sua teoria. Insistir no negócio jurídico como categoria mais ampla e que 
abarca todos os contratos é um obstáculo epistemológico. Há um afastamento, 
explica o autor, em certos contratos, dos princípios fundamentais do direito privado 
(como a liberdade de contratar e o auto-regramento da vontade – autonomia 
privada), e a solução não está na ampliação dos conceitos, pois com a 
generalização cresce a imprecisão. 
 Dentro desse antagonismo é que sustenta o advogado Luiz Zenum 
Junqueira, em seu artigo "Natureza Jurídica do Contrato Bancário", que 
"Efetivamente – é do conhecimento geral das pessoas de qualidade média – os 
‘contratos bancários’ não representam natureza sinalagmática, porquanto não há 
válida manifestação ou livre consentimento por parte do aderente, com relação ao 
suposto conteúdo jurídico, pretensamente convencionado pelo credor." Para 
Rizzardo, que cita Junqueira, "A vontade fica alijada de qualquer manifestação livre." 
 E, por óbvio, as conseqüências jurídicas de se considerar, ou não, os 
contratos de adesão como verdadeiros contratos,são distintas, o que repercute 
diretamente nos contratos bancários. Apenas como provocação, pois não se 
encontram referências neste sentido, e é tema que merece estudo, se os contratos 
de adesão, aí os bancários, não forem contratos propriamente ditos, não aparecerão 
como figuras diretamente tratadas pelo direito. 
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 E reza o art. 4º, da LINDB: "Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de 
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito." Embora isto 
leve o juiz a tratar tais "contratos" de forma semelhante aos contratos propriamente 
ditos (por analogia), abre-se um maior espaço ao magistrado para a aplicação dos 
costumes e princípios gerais do direito, podendo-se escapar às normas jurídicas 
contratuais quando elas não se coadunem com o sentido distinto que adquirem os 
contratos de adesão, primando-se por princípios gerais do direito que então 
direcionem a resolução de conflitos de modo mais justo. 
 
INTERPRETAÇÃO ESPECÍFICA 
 O contrato bancário se submete a específica interpretação contratual, 
materialmente isonômica. Em função de o contrato bancário ter natureza de contrato 
de adesão, as regras gerais de interpretação dos contratos civis e comerciais se 
tornam insuficientes, vindo a doutrina em socorro colmatar tal lacuna. Embora esta 
não seja propriamente uma característica intrínseca, é uma projeção do caráter 
adesivo do contrato bancário, dizendo respeito à sua leitura, à sua própria 
visualização, sendo conveniente tal análise neste momento. 
 Sendo necessário interpretar as cláusulas do contrato, a interpretação, além 
das regras sobreditas, será regulada sobre as seguintes bases: 1. a inteligência 
simples e adequada, que for mais conforme à boa fé e ao verdadeiro espírito e 
natureza do contrato, deverá sempre prevalecer à rigorosa e restrita significação das 
palavras; 2. as cláusulas duvidosas serão entendidas pelas que o não forem, e que 
as partes tiverem admitido; e as antecedentes e subseqüentes, que estiverem em 
harmonia, explicarão as ambíguas; 3. o fato dos contraentes posterior ao contrato, 
que não tiver relação com o objeto principal, será a melhor explicação da vontade 
que as partes tiveram no ato da celebração do mesmo contrato; 4. o uso e a prática 
geralmente observada no comércio nos casos da mesma natureza, e especialmente 
o costume do lugar onde o contrato deva ter execução, prevalecerá a qualquer 
inteligência em contrário que se pretenda dar às palavras; 5. nos casos duvidosos, 
que não possam resolver-se segundo as bases estabelecidas, decidir-se-á em favor 
do devedor. 
 A doutrina também elaborou normas interpretativas para se atingir a vontade 
real das partes contratantes, tendo notabilizado-se as regras de Pothier. Mas os 
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contratos de adesão, em virtude de suas particularidades, merecem regras 
interpretativas específicas. Regras interpretativas legais específicas dos contratos de 
adesão são estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor, entre os arts. 51 e 
54, mas embora se dirijam a contratos de adesão, se aplicam quando se configurar 
relação de consumo (a aplicação do CDC às operações bancárias será 
posteriormente analisada). As regras vexatórias ou de especial gravidade são nulas, 
e as duvidosas se interpretam em favor do aderente. 
 Estabelece a doutrina também regras de interpretação dos contratos de 
adesão, e por conseguinte dos contratos bancários. Ressalta Covello que se deve 
buscar a vontade comum das partes contratantes, através das regras propostas por 
Orlando Gomes, as quais se inspiram em uma ética cristalizada juridicamente em 
princípios como os da boa-fé e da confiança e lealdade recíprocas: 
 O professor Orlando Gomes, após enfatizar que o juiz não deve verificar a 
vontade das partes à luz dos critérios mais usados no plano da concepção 
voluntarista do negócio jurídico e sim de conceitos flexíveis que lhe abram horizonte 
mais dilatado no sentido de evitar abusos por parte do estipulante, refere as 
seguintes regras: a) interpretação contra o estipulante; b) interpretação restritiva das 
regras que favoreçam o predisponente; c) prevalecimento das cláusulas especiais 
sobre as gerais, das manuscritas sobre as impressas; d) interpretação invariável das 
cláusulas gerais, sem se atentar para aspectos particulares de cada caso concreto. 
 De fato, afirma Orlando Gomes que "[...] a singularidade de sua estruturação 
[dos contratos de adesão] não permite seja interpretado do mesmo modo que 
contratos comuns, porque é relação jurídica em que há predomínio categórico da 
vontade de uma das partes. É de se aceitar, como diretriz hermenêutica, a regra 
segundo a qual, em caso de dúvida, as cláusulas do contrato de adesão devem ser 
interpretadas contra a parte que as ditou." 
 Afirma ainda o autor que o poder moderador do juiz deve ser usado de 
acordo com o princípio de que os contratos devem ser executados de boa-fé, sendo 
os abusos e deformações reprimidos. Para tanto a interpretação destes contratos 
comporta liberdade não admitida na interpretação dos contratos comuns. Mas 
também alerta que a tendência exagerada para negar a força obrigatória às 
cláusulas impressas é totalmente condenável, sendo até certas cláusulas rigorosas 
imprescindíveis para que os contratos de adesão em série atinjam os seus fins. 
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 Gonçalves Neto bem esclarece o fundamento da interpretação diferenciada 
dos contratos bancários: [...] se aqui o Estado não cumpre sua tarefa de interferir na 
vontade dos contratantes através de uma regulamentação legal e adequada dos 
contratos-tipo, celebrados em massa (já por meio de regras imperativas que 
impeçam estipulações arbitrárias que interessam exclusivamente a quem as redige, 
já por meio de órgãos a tanto autorizados), é imprescindível que o intérprete e o 
aplicador da lei preencham este papel, na compreensão plena do exato alcance do 
aludido princípio constitucional, que determina sejam os desiguais tratados na 
proporção de suas desigualdades. 
 Assim, a desigualdade real entre as partes contratantes conduz à uma 
desigualdade no tratamento jurídico, para que se atenda o princípio da isonomia em 
seu sentido material. Deve-se proceder, pois, uma interpretação materialmente 
isonômica. Segundo o professor Gonçalves Neto, este comportamento – de na falta 
de normas legais expressas, dar o intérprete ou aplicador tratamento, aos contratos 
bancários, diferenciado, buscando suprir a desigualdade entre os contraentes. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 09: Dos empréstimos bancários 
 
A principal operação ativa dos bancos é o Empréstimo bancário, assim 
denominado o “mútuo mercantil”. É conhecida como “papagaio” no jargão popular. 
Dispõe o Art. 586 do CCB que mútuo “é o empréstimo de coisas fungíveis1. O 
mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo 
gênero, qualidade e quantidade”. 
Quando a coisa emprestada é destinada a uso comercial, ou quando o 
mutuário ou o mutuante é empresário, o mútuo denomina-se “mútuo mercantil” (Veja 
nesse sentido o Art.247 do Código Comercial de 1850). O banqueiro ou instituição 
financeira só pode ser constituído como empresa sob a denominação de uma 
Sociedade Anônima por força do Art.16 da Lei 4595/1964. Ora, o Art. 982 do CCB 
considera-a sempre empresária.1 Coisas fungíveis são substituíveis por outras da mesma espécie. A coisa emprestada sendo fungível 
ou consumida não poderá ser devolvida ela mesma, pelo que sua restituição se faz por coisa 
equivalente. Art. 85 do CC. 
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Em Direito Civil são requisitos do contrato de empréstimo: a) a gratuidade; b) a 
fungibilidade da coisa; c) a temporariedade do empréstimo. 
Mas a gratuidade, que faz parte da natureza do mútuo, não é da sua essência, 
ao contrário do comodato, e, portanto, o mútuo civil pode não ser ato gratuito se 
expressamente for estipulada a sua onerosidade. Em outras palavras: no mútuo civil 
tal estipulação se permite, ao contrário do comodato2, e daí o mútuo recebe o nome 
de “Mútuo Feneratício”3 ou “Mútuo Frugífero”. 
Mas o mútuo mercantil, dada a natural busca de lucro por parte do empresário, 
será sempre ato oneroso. Dada a qualidade de empresário do banqueiro (ou da 
instituição financeira equiparada) é inevitável a incidência de juros e de correção 
monetária nos contratos de mútuo mercantil. 
Analisando o mútuo mercantil, podemos afirmar que, além de oneroso, ele é 
contrato real e unilateral. 
É real, porque se aperfeiçoa com a entrega da coisa pelo mutuante ao 
mutuário. É unilateral, porque gera obrigações apenas para o mutuário que se obriga 
a devolver o principal mais juros e correção monetária, além da comissão bancária, 
que é a remuneração cobrada pelo serviço prestado, autorizada pelo Banco Central. 
Já o mutuante a nada mais se obriga já que cumpriu a sua parte no contrato com a 
efetiva entrega do dinheiro na conta corrente do mutuário. O mutuante só necessita 
ter capacidade para negociar e alienar. 
Chama a atenção de que em algumas legislações, como na Itália, o contrato de 
mútuo é consensual e não unilateral. Podendo ser até mesmo objeto de um pré-
contrato (a promessa de mútuo). 
Com a entrega do dinheiro, a propriedade da coisa se transfere ao mutuário 
(fenômeno da alienação - Veja Art. 587 do CCB) ao contrário do que ocorre no 
comodato. Por isso o mútuo mercantil não tem possibilidade de estipular a reserva 
 
2 Arts. 579 a 585 CC. O comodato, etimologicamente derivado da locução latina commodum datum, 
significando aquilo que se dá em cômodo, em proveito de outrem, é um contrato de empréstimo 
regulamentado no CC/2002 a partir do artigo 579, que o define como empréstimo gratuito de coisas 
não fungíveis, que se perfaz com a tradição do objeto. 
3 Outra modalidade de empréstimo é o mútuo, definido no Código Civil/2002 como “...o empréstimo 
de coisas fungíveis”. O Mútuo, nos dias atuais, possui, em regra, caráter especulativo, em especial no 
que atine ao empréstimo de dinheiro, que a doutrina chama de mútuo feneratício (com juros). Os 
juros são o proveito auferido do empréstimo do capital, possuindo natureza compensatória, pois 
representam frutos do capital (vale ressaltar, há também juros de natureza moratória, decorrentes do 
atraso no cumprimento da obrigação). O mútuo feneratício, destinado a fins econômicos, é tratado no 
art. 591 do CC. 
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de domínio. E desde a tradição todos os riscos correm por conta do mutuário que 
tem a obrigação de devolver não a mesma coisa, mas coisa do mesmo gênero, 
qualidade e quantidade, o que no caso se faz com a devolução da mesma soma 
emprestada (mais juros, correção, etc.). 
O fator temporal é fundamental no mútuo bancário, porque serve de base para 
a incidência dos juros e da correção. Por isso mesmo é inconcebível que tal contrato 
não preveja o prazo de devolução, mas isto vindo a acontecer aplica-se o Art. 592, II 
do CCB (prazo de 30 dias pelo menos). Inaplicável sempre foi o Art. 137 do Código 
Comercial revogado, vez que aquela regra regulava obrigação de fazer, e o mútuo é 
uma obrigação de dar. 
Por causa disso, o mutuário tampouco pode exigir do mutuante de liberar-se da 
obrigação devolvendo o dinheiro antes do vencimento, exigindo um desconto pro-
rata nos juros devidos. Alguns contratos até admitem tal estipulação mediante uma 
multa de 2% (ou mais) sobre a soma restante devida em caso de pagamento 
antecipado em favor do mutuante, o que é aceitável e inquestionável como cláusula 
abusiva. 
O mútuo mercantil não tem forma solene. O instrumento particular é a forma 
mais usada, exceto se envolver garantia hipotecária e nesse caso deverá ser por 
instrumento público. 
A Súmula nº 258 do STJ dispõe que a Nota Promissória vinculado ao contrato 
de abertura de crédito (ou empréstimo) dada em garantia pignoratícia4 não gozará 
da autonomia natural nos Títulos de crédito em razão da iliquidez do título que a 
originou, razão pela qual qualquer garantia fiduciária dada nesses contratos padece 
dessa restrição. 
 
• Da Vedação de Empréstimos Bancários 
O Art. 34 da Lei 4595/1964 proíbe o empréstimo ou qualquer outra modalidade 
de crédito, adiantamento de dinheiro ou financiamento bancário (exceto o desconto) 
a qualquer diretor das instituições financeiras ou a pessoas ligadas por parentesco 
até o segundo grau a essas pessoas (membros da diretoria, do conselho de 
 
4 Garantia real conferida ao credor através de penhor mercantil, de direitos, de títulos de crédito etc, 
onde o bem ou direito permanece empenhado até o cumprimento da obrigação garantida, ou por 
determinado prazo. Ela torna a propriedade do bem precária até a liquidação da dívida. 
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Administração ou do Conselho Fiscal). Também é vedada tal operação às pessoas 
físicas ou jurídicas que participem do capital social da instituição financeira 
concedente do crédito. Caso delas necessitem, devem os interessados procurar 
obter essas operações em outras instituições financeiras nas quais não estejam 
impedidos. 
 
 
ANÁLISE DOS CONTRATOS BANCÁRIOS I 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 10: Das antecipações bancárias 
 
A antecipação bancária pode ser definida como o contrato bancário pelo qual o 
Banco adianta certa importância pecuniária ao cliente contra a entrega de uma 
garantia real do pagamento do empréstimo, a qual será executada caso haja 
inadimplemento da obrigação. 
É uma operação de crédito pela qual a instituição ou banco entrega ao cliente 
uma determinada quantia a título de adiantamento sobre determinada atividade e 
mediante a constituição de uma garantia real em títulos de créditos, ou em 
mercadorias ou documentos representativos destas, dados em penhor mercantil e 
cujo valor tem relação com a soma adiantada. 
A antecipação bancária se caracteriza: a) pela oferta de uma garantia real dada 
pelo interessado; b) pelo adiantamento pecuniário de um crédito cambiário lastreado 
pela garantia; c) por ser concedido por banco ou instituição financeira equiparada5. 
As formas de Antecipação bancária variam em função dos objetos sobre os 
quais recairá a garantia real, podendo incidir: a) sobre mercadorias ou documentos 
representativos destas; b) sobre títulos de crédito representativos de mercadorias; c) 
sobre outros títulos crédito em geral; d) sobre direitos creditórios diversos. 
 
5 A prática de empréstimos a juros altos com garantia de coisas móveis foi introduzida pelos 
banqueiros judeus na Idade Média, porque contra eles não valia a proibição canônica da Igreja 
Católica da usura praticada com garantia de bens. Tal prática era contornada pelos católicos apenas 
por autorização especial do príncipe oudos bispos para certos tipos de operações. 
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O financiamento bancário, disciplinado pela Resolução nº 19 do BACEN, é uma 
espécie de antecipação, vinculada a um empreendimento determinado (cédula rural; 
cédula industrial, etc.). A antecipação sobre o Imposto de Renda da Pessoa Física 
concedida pelos bancos, também é dada contra a garantia do crédito líquido e certo 
representada pelo cheque devolução do imposto da Secretaria da Receita Federal. 
Já o penhor sobre os títulos representativos das mercadorias não é considerado 
penhor sobre o título de crédito, e sim sobre a própria mercadoria, a teor do Art. 895 
do CCB. 
Tal contrato é real, bilateral e oneroso. É real porque se aperfeiçoa com a 
tradição do dinheiro adiantado pelo banco ao cliente contra a garantia pignoratícia. É 
bilateral porque gera obrigações a ambas as partes: o banco fica obrigado pela 
guarda e conservação da garantia dada e à sua devolução havido o pagamento. É 
oneroso porque traz vantagens para ambas as partes: o banco percebe os juros 
remuneratórios e o cliente obtém o dinheiro que necessita sem precisar alienar o seu 
patrimônio. 
A obrigação do banco nesse tipo de contrato consiste em entregar ao cliente a 
quantia geralmente correspondente a 70% ou 80% do valor dos bens dados em 
garantia e sobre os quais o Banco manterá guarda e conservação. Não dispondo o 
banco de dependências para guarda e conservação das mercadorias ele pode 
confiar a custódia ao armazém geral às expensas do cliente ou mesmo nomeá-lo 
depositário mediante termo de responsabilidade cível e criminal, podendo ainda 
exigir um seguro do bem custodiado. 
Nesse tipo de contrato, o prazo se presume convencionado em favor do cliente 
devedor, que está interessado em desembaraçar-se do ônus o mais cedo possível. 
Por isso aqui, ao contrário do mútuo mercantil, entendemos que não é preciso 
aguardar o vencimento, podendo efetuar-se o pagamento antes dele que o banco 
terá de receber, sob pena de consignação judicial. 
Extingue-se o contrato não apenas pelo adimplemento da obrigação, mas 
também se houver perecimento ou diminuição da coisa dada em garantia sem 
reposição pelo devedor em tempo oportuno, ou vence antecipadamente o contrato 
em caso de falência do devedor. 
 
ANÁLISE DOS CONTRATOS BANCÁRIOS I 
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MICROCOMPETÊNCIA 11: Do desconto bancário 
 
Essa é uma operação bancária ativa típica. O CC italiano define-a no seu Art. 
1858: “é o contrato pelo qual o banco, com prévia dedução do juro, antecipa ao 
cliente a importância de um crédito para com terceiro ainda não vencido, mediante a 
cessão do próprio crédito”. 
O Banco adianta a importância constante do título de crédito ao seu possuidor 
mediante sua cessão via endosso.O desconto bancário se caracteriza: a) por uma 
antecipação feita pelo banco ao legítimo portador de título de crédito, ainda não 
vencido, da importância expressa neste; b) pela tradição do dinheiro ao portador, 
que aperfeiçoa o contrato; c) pelo portador, que endossa o título, transferindo-o ao 
banco, transmitindo sua propriedade, mas tornando-se responsável coobrigado pela 
sua solvência no vencimento; d) pela importância expressa no título de que o banco 
deduz certa quantia a título de juros remuneratórios, e comissão. 
Só os Títulos de Crédito com vencimento certo (NP; Duplicatas, etc.) podem 
ser objeto de desconto. O cheque só pode ser objeto de desconto se for pós-datado. 
Alguns autores analisam tal operação como uma verdadeira compra e venda 
mercantil de um Título de Crédito, mas pode-se defini-la como um empréstimo. Pois 
é que a compra e venda não se caracteriza porque nela o banqueiro compraria o 
crédito o mais barato que pudesse para vender o mais caro que pudesse. Não é 
assim que ocorre no desconto, de fato o que o banqueiro faz é uma operação de 
crédito, dela retirando antecipadamente a remuneração de seu capital, já que a 
dedução nada mais é do que o juro remuneratório do empréstimo. Então o desconto 
assemelha-se ao mútuo. 
É um contrato real, bilateral e oneroso. Real porque se aperfeiçoa na tradição 
do dinheiro contra a entrega do título endossado. É bilateral porque remanescem 
ônus para ambas as partes: o cliente cedente fica com a obrigação residual de pagar 
ao banco o principal, caso o devedor direto não o faça, e o Banco deve promover a 
cobrança do título em seu próprio nome como condição para exigir o pagamento do 
coobrigado (devedor indireto) caso o devedor direto não o faça. 
 
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• Do factoring (faturação) 
O contrato de faturização é aquele em que o empresário cede a outro 
empresário os seus créditos de vendas (ou faturamento), na totalidade ou em parte. 
O cedente recebe a antecipação dos recursos por conta dos recebimentos que 
possui, descontados os juros remuneratórios desse adiantamento, e o cessionário 
recebe além dos juros remuneratórios uma comissão. 
É uma variante do desconto bancário e o que pouca gente sabe é que tal 
atividade caracteriza-se por ser de fomento mercantil que se destina a ajudar, 
sobretudo às pequenas e médias indústrias, expandir seus ativos, aumentar suas 
vendas, sem fazer dívidas. Não se tratando propriamente de uma atividade bancária 
e os Art. 43 e 44 da Lei 4.595 de 31.12.1964 podem ser invocados contra os bancos 
que praticarem tal modalidade, que está reservada às empresas de fomento 
mercantil. 
Embora sua origem remonte à Antigüidade, guardando similitude com as 
operações de antecipação bancária, a modalidade é nova no Brasil e ainda não tem 
regramento legislativo. 
Há uma Associação Nacional de Factoring (ANFAC) que congrega as 
empresas que realizam tais contratos, porque ele tem respaldo legal na Lei 5.995 de 
31.12.1964, no Decreto 5.474/1966, na Lei 8.981 de 1995 e no atual CCB (Lei 
10.406 de 2002) nos Art. 246 a 298 e Art. 594. 
Há várias modalidades: a) o factoring convencional – compra de direitos 
creditórios ou ativos representativos de vendas mercantis a prazo, mediante a 
cessão pro soluto notificada pelo vendedor (endossante) ao comprador (sacado ou 
devedor) com assunção do risco de inadimplência; b) o Maturity – diferencia-se do 
convencional porque os títulos são enviados pelo cedente à sociedade de fomento 
mercantil e por esta liquidados no vencimento; c) o Trustee – que é mais uma gestão 
financeira de negócios da cedente pela sociedade de fomento mercantil. O cedente 
passa a trabalhar com 0 (zero) de ativos a receber, otimizando sua capacidade 
financeira; d) o de Exportação – voltado para as operações de venda do comércio 
internacional da cedente; o OverAdvance – que na verdade é um adiantamento à 
cedente para compra de matéria-prima com ativos casados e/ou compra de 
faturamentos futuros. 
 
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MICROCOMPETÊNCIA 12: Da abertura de crédito 
 
O contrato de Abertura de Crédito é, na verdade, uma promessa do banqueiro 
de consentir em uma determinada operação de crédito. O crédito prometido pode 
não estar ainda concedido, mas sê-lo-á, quando o cliente solicitar. 
Por esse tipo de contrato o banco se obriga a manter a disposição do creditado 
determinada importância por certo lapso de tempo ou até por tempo indeterminado. 
O cliente utiliza-se da importância creditada segundo as modalidades 
convencionadas no contrato. Em outras palavras: a obrigação do banco nesse tipo 
de contrato é colocar a hora e a tempoà disposição do creditado a soma 
convencionada. Enquanto o creditado não manifesta a vontade de utilizá-la nada 
deve ao banco. 
É contrato consensual, é oneroso bilateralmente, porque importa em 
obrigações de ambas as partes (o cliente fornece garantias, por exemplo), é não 
solene, porque não requer forma especial, e se caracteriza, principalmente, por ser 
de execução continuada. 
Diferentemente do mútuo, por exemplo, não requer a efetiva entrega do 
dinheiro (portanto não é contrato real, é consensual) já que se aperfeiçoa com a 
assinatura das partes (basta o consenso das partes). 
Ocorre freqüentemente nesse tipo de contrato que o banco exija do cliente 
notas promissórias para a recuperação ou desmobilização do seu eventual crédito, 
mas elas não representam, a teor da jurisprudência sobre Títulos de Crédito 
vinculados à Contrato, nenhuma ulterior garantia àquela pessoal do próprio 
creditado (Veja Súmula nº258 STJ). 
De fato, inadmite-se nesse tipo de contrato, que o banco exija que o cliente lhe 
outorgue procuração que resulte na emissão de cambial voltada para a cobrança 
dos valores devidos pelo cliente. A NP assim emitida não pode ser considerada um 
título executivo extrajudicial. 
Há farta jurisprudência em nossos Tribunais Superiores a respeito e há 
inclusive dispositivo legal no CDC (Lei 8078/90) que declara nula cláusula contratual 
que permite a emissão de cambial por procuração do emitente. 
Quanto à garantia ofertada pelo cliente, o contrato pode ser: a) a descoberto 
(sem garantia dada); b) garantido (por penhor ou hipoteca – garantia real, ou simples 
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fiança ou garantia fiduciária). Tal tipo de contrato bancário usa-se muito nos cheques 
especiais (nome bancário desse tipo de contrato quando utilizável mediante conta-
corrente garantida). Denomina-se cheque garantido o cheque emitido com o 
respaldo de um contrato subjacente de abertura de crédito. 
Como geralmente é celebrado por tempo determinado, extingue-se o contrato 
pela superveniência do termo. Se for por tempo indeterminado, por simples 
notificação de quaisquer das partes. Ou ainda pela morte, incapacidade ou falência 
do creditado ou do banco creditante. Também a exaustão do crédito causada pelo 
uso total que o creditado dele faz, enseja a extinção. 
A má utilização por parte do cliente do crédito concedido em conta corrente, 
por si só, não autoriza o encerramento do contrato. Nem a simples mantença do 
saldo negativo da conta corrente enseja o vencimento antecipado do contrato, 
embora a falta de pagamento de juros e comissões reiteradas vezes pelo creditado 
constitua motivo para sua extinção. 
A Portaria nº 3 da Secretaria de Direito Econômico, expedida em 15.03.2001, 
regula o Art. 51 do CDC que impossibilita a negativação do nome do devedor 
enquanto perdurar a discussão judicial do contrato e da dívida remanescente. 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 13: Das operações de crédito documentado 
 
As operações de crédito documentado são muito usadas nas operações de 
Comércio Internacional. Podem ocorrer nas operações internas, mas, devido às 
suas particularidades e aos problemas de transporte internacional, são utilizadas 
amiúde no comércio exterior. Consistem em uma técnica bancária que assegura o 
cumprimento recíproco das obrigações de compra e venda internacional, eliminando 
assim os riscos do pagamento e da entrega da mercadoria, o que vai ao encontro do 
melhor interesse de segurança jurídica dos exportadores e dos importadores. 
Segundo o texto das Normas e Usos Uniformes relativos aos Créditos 
Documentados, elaborado em Congresso realizado no México em 1962 e revisto em 
1974, entende-se pela expressão “crédito documentado” qualquer estipulação pela 
qual um banco (emitente), operando a pedido de um cliente (ordenante) e conforme 
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suas instruções, fica incumbido de pagar a um terceiro (beneficiário) ou à sua 
ordem, ou de aceitar ou negociar letras de câmbio sacadas pelo beneficiário, ou 
autorizar outro banco a fazer tais pagamentos. O saque opera-se apenas contra 
documentos convencionados. 
Em outras palavras: o banco, de acordo com instruções de seu cliente, 
importador de uma mercadoria, se compromete a pagar por ele, ao 
exportador/vendedor, contra a entrega de certos documentos e conforme os termos 
do contrato de comércio exterior celebrado entre ambos, o respectivo preço. E 
recebe uma pequena remuneração por esse importante serviço financeiro. 
Tal modalidade de contrato pode ter natureza diversa conforme o tipo: pode ser 
revogável ou irrevogável. Crédito Revogável é o que pode ser modificado ou 
cancelado a qualquer tempo. Crédito irrevogável é o que constitui para o banco 
emissor uma obrigação irrevogável (seja de aceitar os títulos, se o crédito for 
disponível para aceite do banco emissor; seja de assumir a responsabilidade de 
aceite e pagamento do título no seu vencimento; seja de pagar ou providenciar o 
pagamento do crédito se este for disponível contra remessa de um saque, ou não). 
O primeiro não oferece segurança tanto para o vendedor quanto para o banco 
emissor em caso de pagamento por correspondente, por isso é pouco usado. O 
segundo não pode sofrer contra-ordem seja do ordenante, seja do banco emissor. 
A operação de crédito documentado baseia-se fundamentalmente em uma 
carta de crédito, instrumento de redação padronizada, assinado pelo banco emissor, 
no qual este, por conta do seu cliente/importador, se obriga para com o 
beneficiário/exportador a pagar, aceitar ou negociar letras de câmbio contra a 
entrega dos documentos relativos à compra e venda internacional (fatura pró-forma, 
nota de transporte, bilhete de seguro, etc.). 
Ela se desenvolve em três etapas: a) na conclusão da venda, o 
vendedor/exportador exige e o importador promete a intervenção de um banco: 
firma-se uma convenção; b) na execução da convenção, o importador dá ordem ao 
seu banco para abrir crédito documentado em benefício do exportador: é na abertura 
do crédito que entra a Carta de Crédito emitida pelo Banco emissor; c) o exportador 
remete os documentos solicitados, comprovando o embarque das mercadorias e, 
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após a verificação documental, o banco ou paga ou aceita a Letra de Câmbio6 
sacada pelo exportador contra este, realizando o contrato de crédito documentado. 
Como se vê é um contrato complexo que extingue as obrigações próprias em 
três momentos distintos. 
 
• Das operações de câmbio e do adiantamento sobre contratos de câmbio 
Nas operações de comércio exterior há necessidade de realizar o câmbio das 
moedas, isto é, a troca do dinheiro de um país por quantia equivalente em dinheiro 
de outro país. 
O instrumento de execução do câmbio são as letras ou cambiais, denominadas 
“saques”. O mecanismo consiste no seguinte: o importador brasileiro comprou U$D 
10.000 em mercadorias de um exportador norte-americano. Como a nossa moeda 
não tem poder liberatório nos EUA, seria preciso que ele adquirisse tais dólares e os 
enviasse ao credor. 
Ora, o câmbio simplifica isto: o importador vai ao seu banco no Brasil, lá 
entrega quantia em reais equivalentes a U$D 10.000 e recebe uma ordem de 
pagamento (cambial) em favor do exportador americano contra um banco dos EUA. 
De posse dessa cambial, o exportador vai ao seu Banco nos EUA e lá recebe o 
dinheiro do preço das mercadorias exportadas. A grande utilidade dessa operação 
bancária é evitar a circulação da moeda. Por outro lado, além deimportadores e 
exportadores, também os turistas necessitam de moeda estrangeira para suas 
viagens internacionais. Isto enseja a emissão dos “travellers checks”, que funcionam 
analogamente como uma carta de crédito. 
A operação de câmbio não traria nenhuma dificuldade se os créditos recíprocos 
se compensassem exatamente. Então o câmbio estaria ao par. Mas isto nunca 
acontece, e daí é necessário estipular uma taxa de câmbio, isto é, o preço pelo qual 
uma moeda será convertida na outra. O valor de uma moeda em relação a outra 
 
6 A letra de câmbio é uma espécie de título de crédito, ou seja, representa uma obrigação 
pecuniária, sendo desta autônoma. A emissão da letra de câmbio é denominada saque; por meio 
dele, o sacador (devedor), expede uma ordem de pagamento ao sacado (normalmente uma 
instituição financeira), que fica obrigado, havendo aceite, a pagar ao tomador (um credor específico), 
o valor determinado no título. Apesar de atribuir ao sacado a obrigação de pagar o tomador, o 
sacador permanece subsidiariamente responsável pelo pagamento da letra. Não sendo pago o título 
no seu vencimento, poderá ser efetuado o protesto e a cobrança judicial do crédito, que se dá por 
meio da ação cambial. Porém, para que o credor possa agir em juízo, é necessário que esteja 
representado por um advogado. 
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denomina-se “cotação do câmbio”. Nestas cotações está embutida uma comissão do 
banco pelo serviço de câmbio. 
No Brasil tais operações são autorizadas às instituições financeiras pelo 
BACEN. Já os ACC (Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio) são operações 
bancárias ativas de antecipação de receita que se assemelham a um desconto de 
títulos de crédito, porém o exportador torna-se responsável pela moeda conversível 
que vai receber e deve repassá-la ao banco. No mais, o contrato funciona como uma 
antecipação bancária sobre o título do exportador. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 14: Do leasing ou arrendamento mercantil 
 
O leasing ou arrendamento mercantil é o contrato pelo qual uma pessoa 
jurídica mercantil arrenda a uma pessoa física ou jurídica, por tempo determinado, 
um bem comprado por ela seguindo as instruções do comprador, para fins de 
arrendá-lo ao comprador e daí retirar o capital investido. Cabendo ao arrendatário a 
opção de adquirir o bem arrendado ao final do contrato mediante um preço residual 
previamente estipulado (denominado valor residual geral-VRG). 
Na verdade a operação, quando foi concebida pioneiramente pela U.S. Leasing 
Boothe Junior (daí o nome “leasing” que a popularizou), não embutia totalmente o 
preço da aquisição, satisfazendo-se pelo retorno do capital via arrendamento. O 
tempo de arrendamento era fundamental para determinação do valor residual. 
Hoje há uma descaracterização do contrato original de leasing, porque as 
empresas financeiras oferecem um contrato de compra e venda com uma parte do 
VRG embutida e o restante diluído pelas parcelas a pagar até o final do contrato. 
Assim, ao chegar ao fim do contrato, o cliente não tem mais opção de compra, pois 
já pagou o bem, em alguns casos, até mais do que se o tivesse adquirido pela 
modalidade de financiamento. 
Pode-se financiá-lo sob a modalidade de alienação fiduciária, isto é, com 
transferência temporária da posse, mas sem transmissão do domínio, o que permite 
em caso de inadimplemento do contrato, a retomada do bem alienado por 
reintegração de posse. Mas não é assim que funciona o leasing, onde o proprietário 
é a empresa de leasing (instituição financeira) que cobra um aluguel pela posse e 
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uso do bem móvel ou imóvel e só no fim do contrato permite a opção de compra 
pelo arrendatário. 
No Brasil tal contrato é disciplinado pela Lei 6.099 de 12 de setembro de 1974 
(com a redação modificada pela Lei 7.132 de 1983). No seu Art. 1º o diploma legal 
define a operação: Considera-se arrendamento mercantil, para os efeitos dessa lei, 
o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e 
pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária que tenha por objeto o 
arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora segundo especificações da 
arrendatária e para uso desta. Por outro lado o Art. 7º determina que todas as 
operações de arrendamento mercantil subordinam-se ao controle e fiscalização do 
Banco Central do Brasil, segundo as normas do Conselho Monetário Nacional. 
Há quatro modalidades de leasing disponíveis no mercado: a) o leasing 
operacional ou renting – no qual empresa fabricante (ou proprietária), sem 
intermediários, arrenda prestando ainda assistência durante todo o período de 
arrendamento. É a ideal (para bens que logo ficam ultrapassados); b) o leasing 
financeiro – é o tipo básico adequado às instituições financeiras; c) o Leasing de 
retorno ou lease back – quando o proprietário usa o bem imóvel ou móvel para gerar 
caixa e no fim do contrato tem a oportunidade de readquirilo; d) O Self Leasing – 
utilizado por empresas que são coligadas a um mesmo grupo (o Art. 2º da Lei 6.099 
veda-o expressamente, mas ainda assim ocorre no mercado, sem as garantias da 
lei). 
Tal contrato é bilateral, porque cria obrigações para ambos os contratantes; é 
oneroso, porque há vantagens pecuniárias para ambas as partes; é comutativo, 
porque as prestações são certas e de execução continuada. É sempre realizado 
com prazo determinado e firmado intuitu personae porque a ausência de uma das 
partes contratantes extingue o contrato. 
 
MICROCOMPETÊNCIA 15: Do depósito bancário 
 
Ocorre quando o cliente entrega dinheiro ao banco para depósito em conta 
corrente ou outra modalidade, e recebe deste a obrigação de restituição imediata 
quando assim o desejar. Se o depósito for à conta corrente, o cliente não recebe 
remuneração pelo dinheiro depositada. Se for por prazo determinado (depósito a 
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prazo fixo), sim. Nesse caso se precisar do dinheiro antes do termo convencionado 
haverá rateio dos juros remuneratórios. 
 
O depósito é uma espécie específica de contrato de depósito. No contrato de 
depósito, a pessoa depositária recebe, para guardar, um objeto móvel alheio com a 
obrigação de restituí-lo quando o depositante reclamar (Art. 627 a 652 do CCB). 
 
Quando a coisa depositada é infungível, o depósito é regular ou comum. 
Quando é fungível, o depósito é irregular. Alguns autores não admitem a natureza 
jurídica de depósito do depósito bancário, porque argumentam que no depósito 
bancário há transmissão do domínio para o banqueiro da coisa depositada, há uma 
verdadeira operação de crédito, o que não ocorre no depósito civil. 
 
Todavia, prefere-se entendê-lo como um depósito irregular porque o banco 
devolve ao cliente coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Quanto a ser ou 
não operação de crédito, é irrelevante porque sendo a coisa fungível, no caso, o 
banqueiro pode consumi-la ou dar-lhe outro destino. O contrato é real e unilateral: 
real porque se aperfeiçoa com a entrega do dinheiro e comprovante do depósito, 
unilateral porque as obrigações são devidas apenas pelo depositário já que a 
vontade da parte depositante já o aperfeiçoou. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 16: Da conta corrente bancária 
 
Em liguagem comum, a conta bancária é quando um indivíduo deposita 
dinheiro em alguma agência bancária ou instituição financeira (banco). O indivíduo 
se torna o titular de uma conta bancária ou conta corrente. Masas contas possuem 
inúmeras finalidades e registram diversas outras operações como empréstimos, 
linha de crédito, controle de recursos governamentais, entre outras. 
 
Como o titular do dinheiro dá a posse ao banco, que imediatamente passa a 
utilizar seu dinheiro em suas próprias operações, ou então os repassa 
compulsoriamente para o Banco Central, pode ocorrer de que quando o correntista 
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vier a sacar seu saldo, não haja recursos disponíveis para tanto. É um caso extremo 
que no Brasil já ocorreu em várias ocasiões: o governo pode congelar ou bloquear o 
dinheiro ou tomá-lo para si (tributando-o integralmente, já que a Constituição proíbe 
o confisco); também ocorre do banco ir a falência ou ficar com a imagem 
comprometida por algum evento (crise de confiança) e sofrer uma onda de saques. 
 
Assim, portanto, é através desse contrato que ocorrem as relações cotidianas 
entre banco e cliente. Nele o cliente faz remessa de dinheiro na sua conta corrente, 
tornando-se credor dessa importância, a qual pode dispor a qualquer tempo. 
 
Distingue-se da conta corrente contábil que é mero lançamento contábil. É 
espécie qualificada da conta corrente mercantil, conta aberta entre dois 
comerciantes para identificar suas obrigações recíprocas. É um tipo de contrato 
mercantil no qual duas pessoas, um necessariamente empresário, convencionam 
fazer recíprocas remessas de valores, sejam em dinheiro, títulos ou outros bens. 
Anotam-se os créditos daí resultantes em uma conta corrente contábil, para 
posterior verificação do saldo exigível através de balanço. 
 
No caso da conta corrente mercantil bancária, há créditos em dinheiro e 
créditos representados por pagamentos, transferências, juros, comissões, etc. 
 
É contrato bilateral porque têm obrigações recíprocas, é consensual porque 
realizado por consenso entre as partes, é oneroso porque a cada vantagem obtida 
por uma parte corresponde o sacrifício da outra parte quando não há vantagens para 
ambas as partes. Os contratantes devem ter capacidade civil para contratar; e uma 
das partes deve ser um banco para classificarmos como contrato bancário. A 
extinção ocorre no termo do contrato quando as obrigações contraídas cessam sua 
existência. Também há extinção por morte, interdição ou falência das partes. 
 
 
TÓPICOS EM CONTRATOS BANCÁRIOS I 
 
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MICROCOMPETÊNCIA 17: Conceitos gerais em Contratos Bancários 
 
 
Há várias definições acerca de Banco que, embora variem na forma, são 
coincidentes quanto ao tipo de atividade por ele exercitada. Uma definição muito boa 
é a de Mendonça (1997, p. 13): “são empresas comerciais, cujo objeto principal 
consiste na intermediação entre os que dispõem de capitais e os que precisam obtê-
los, isto é, consiste em receber e concentrar capitais para sistematicamente distribuí-
lo por meio de operações de crédito”. 
 
As operações bancárias se dão por meio dos contratos bancários. O contrato 
bancário, como todo contrato, é um fato jurídico. E dentro do gênero fato jurídico, 
normalmente é enquadrado especificamente como negócio jurídico. Deste modo, 
dentro do âmbito das operações bancárias, os contratos bancários funcionam como 
seu esquema jurídico, como fato jurídico propulsor da relação jurídica obrigacional 
bancária, engendrando direitos subjetivos e deveres jurídicos. 
 
Posto o conceito de contrato bancário, cumpre classificá-lo. Há diversas 
classificações dos contratos bancários, sendo a primeira e mais importante a que os 
divide em contratos bancários típicos e contratos bancários atípicos. Os 
contratos bancários recebem o adjetivo típico quando se realizam para o 
cumprimento da função creditícia dos bancos (operação bancária típica, de crédito), 
e quando típicos se subdividem em ativos e passivos, conforme assuma o banco, 
respectivamente, a posição de credor ou devedor da obrigação principal. São 
atípicos os que o banco realiza para prestação de serviços (operação bancária 
atípica). 
 
Pode-se afirmar que as operações bancárias têm natureza mercantil, já que os 
bancos e as instituições ofertantes estão economicamente organizados para a 
prestação de serviços financeiros em troca de lucro.Tais atividades apresentam dois 
aspectos distintos: o aspecto econômico e o aspecto jurídico. No primeiro aspecto, 
caracterizam-se como uma série de prestações de serviços realizadas pelas 
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instituições financeiras no setor financeiro da economia, e que resultam em proveito 
tanto para os clientes que desses serviços necessitam como para os bancos e 
instituições que os prestam mediante uma remuneração (tarifária) por esses serviços 
(COVELLO, 1981). 
 
Especificamente em relação às características dos contratos bancários, pode-se 
dizer que seguem da seguinte forma: Instrumento de crédito, Rígida contabilidade, 
Complexidade estrutural, busca de simplificação e Informalidade, Sigilo, Contrato de 
massa, Contrato de adesão e formulário, interpretação específica. 
 
Já em relação às espécies de contratos bancários, apresenta-se o seguinte: Dos 
empréstimos bancários, Das antecipações bancárias, Do desconto bancário, Da 
abertura de crédito, Das operações de crédito documentado, Do leasing ou 
arrendamento mercantil, Do depósito bancário, Da conta corrente bancária. 
 
 
 
 
FUNDAMENTOS DO SIGILO BANCÁRIO 
 
MICROCOMPETÊNCIA 18: Generalidades acerca do Sigilo Bancário 
 
Embora a maioria dos juristas exerça ferrenha defesa do sigilo bancário, a 
Constituição Federal não se referiu diretamente a isso. O que a Lei Maior garante é 
o direito à intimidade, à privacidade e a inviolabilidade da transmissão de dados. O 
direito à privacidade e à intimidade não têm definição fechada, estando no nebuloso 
campo interpretativo. Baseado nisso, muitos doutrinadores têm se esforçado em 
incluir o direito ao sigilo bancário como intrínseco à intimidade pessoal. Alguns por 
crerem estar defendendo o cidadão de intromissões indesejadas do Estado, outros 
por militarem na trincheira ideológica dos bancos. 
A inserção constitucional do sigilo bancário é interpretada por duas correntes 
antagônicas: A primeira, posiciona o sigilo bancário dentro do contexto dos direitos 
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à intimidade ou à privacidade, albergados pela Carta Maior. Esta corrente entende 
que a movimentação que alguém faz de seu patrimônio mobiliário, somente ao titular 
diz respeito, é um aspecto íntimo e a mais ninguém interessa. Prega que na 
intimidade, incluem-se também fatos de ordem econômica e material e que os 
negócios de uma pessoa são projeções de sua personalidade. Isto se faz sentir, com 
maior intensidade nas sociedades capitalistas. 
Para adentrarmos à análise da primeira tese é mister fazer uma incursão sobre 
intimidade. Por intimidade entende-se o espaço onde se exercita a liberdade interior. 
Marcuse, dá como definição de liberdade interior: "o espaço privado no qual o 
homem pode permanecer ele próprio". (1) 
Segundo o Jurista Jean Carbonnier, "a intimidade é a esfera secreta da vida do 
indivíduo". 
Paulo José da Costa Júnior, em sua célebre monografia O Direito de Estar só, 
define intimidade como: 
"A necessidade de encontrar na solidão aquela paz aquele equilíbrio, 
continuamente prometidos pela vida moderna; de manter-se a pessoa, querendo, 
isolada, subtraída ao alardee à publicidade, fechada na sua intimidade, resguardada 
dos olhares ávidos. A intimidade corresponderia à vontade do indivíduo de ser 
deixado só". (2) 
Para Milton Fernandes, vida privada representa "o direito de que sejam 
razoavelmente excluídos da informação alheia as idéias, fatos e dados próprios do 
sujeito". (3) 
Lucien Martin dizia que "a vida privada é a vida familiar, pessoal do homem, a 
sua vida interior, espiritual, aquela que leva quando vive por detrás de sua porta 
fechada". (4) 
Segundo René Ariel Dotti, "a intimidade é a esfera secreta da vida do indivíduo 
na qual este tem o poder legal de evitar os demais", que é semelhante ao conceito 
de Adriano de Cupis que define a intimidade (riservatezza) como o modo de ser da 
pessoa que consiste na exclusão do conhecimento de outrem de quanto se refira à 
pessoa mesma.(5) No dizer de Othon Sidou, "o direito à intimidade é, pois, o direito 
à dignidade humana, dês que é aí onde ele vai buscar todo seu conteúdo ético".(6) 
Da Conferência Nórdica sobre Direito à Intimidade, realizada em maio de 1967, 
em Estocolmo, extraiu-se a seguinte definição: "O direito à intimidade é o direito do 
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homem de viver em forma independente a sua vida, com um mínimo de ingerência 
alheia". (7) 
Mesmo com todas as dificuldades de formulação conceitual, denunciada pelos 
autores citados, verificamos que todas as definições do direito de intimidade são fiéis 
ao desejo de estar só e de excluir do conhecimento alheio fatos e dados registrados 
na esfera estritamente pessoal. 
De acordo com o posicionamento dominante dos Doutos que pesquisaram o 
assunto, não há dúvida de que o direito à intimidade é integrante dos direitos da 
personalidade, dada à abrangência maior do último e ao caráter essencial de 
ambos, representando um mínimo capaz de garantir ao homem sua condição 
humana. Como os direitos da personalidade o direito à intimidade é pessoal, 
extrapatrimonial, inalienável, absoluto, imprescritível e são postos e garantidos pelo 
Estado. 
Assim, a inclusão do sigilo bancário como uma das facetas da intimidade ou da 
vida privada, erige-o ao patamar de cláusula pétrea, oponível a todos e imune às 
emendas constitucionais. Mas os que adotam tal teoria, não conseguem 
compatibilizá-la com as demais normas constitucionais que versam sobre direito 
tributário, nem com a origem histórica do sigilo, como se verá na explanação da 
segunda corrente. Há prosélitos, nesta linha, que chegam a defender a total 
inviolabilidade dos dados, com fulcro na obscura redação do inciso XII do art. 5o. da 
Carta Maior. Aceitar tal tese é o mesmo que tornar imprestáveis todos os bancos de 
dados existentes. O dado só existe para ser acessado, se o acesso é proibido, perde 
a razão de ser. O que a Constituição quer tutelar é a transmissão dos dados, tanto 
que a elenca ao lado de outras modalidades de transmissão do pensamento. Esta 
nova modalidade de transmissão tecnológica era desconhecida das Constituições 
anteriores a 1988. 
A Segunda corrente entende que o sigilo bancário é uma decorrência da 
atividade comercial. Estudando a origem histórica do sigilo bancário, verifica-se que 
em muito se assemelha à do comércio. Embora de âmbito privado, o comércio não é 
onipotente: submete-se às regras da legalidade e do bem comum. Nem clientes nem 
comerciantes podem comercializar, indiscriminadamente, qualquer produto, pois 
alguns são proibidos. Se alguém vende ou adquire um produto vedado por lei, a 
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relação deixa de ser privada e passa a ser pública, pois ofende à sociedade e o fato 
deve ser apurado criminalmente. 
Em seu livro "O Sigilo Bancário", Sérgio Carlos Covello fez um minucioso 
estudo histórico sobre o desenvolvimento da atividade bancária, verificando que ao 
longo das civilizações mais conhecidas teve início junto ao templos: Na Babilônia, e 
na Grécia os sacerdotes recebiam depósitos, realizavam empréstimos e mediavam 
pagamentos. 
O Código de Hamurabi, embora não se referisse a banqueiros, fixou como 
norma, a taxa máxima de juros em 20% para dinheiro e 33.330 % para o trigo. Quem 
cobrasse juros superiores aos legais, seria punido com a perda do capital 
emprestado. 
Entre os hebreus, o empréstimo de dinheiro a juros só era permitido nas 
transações com os estrangeiros. Na Bíblia, Dt, 23,20-21 encontra-se a seguinte 
passagem: 
"Não empreste ao seu irmão com juros, quer se trate de empréstimo em 
dinheiro, quer em alimentos ou qualquer outra coisa sobre a qual é costume cobrar 
juros. Você poderá emprestar com juros ao estrangeiro. Mas ao seu irmão empreste 
sem cobrar juros, para que Javé, seu Deus abençoe tudo o que você fizer na terra 
em que você está entrando para dela tomar posse." (8) 
É bastante conhecida uma passagem do evangelho em que Jesus, revoltando-
se contra a excessiva atividade comercial e financeira exercida no templo, expulsa 
os cambistas e os vendedores dizendo: "minha casa será casa de oração. No 
entanto, vocês fizeram dela uma toca de ladrões." (9) Em outra passagem, 
conhecida como parábola dos talentos, Jesus Cristo faz alusão explícita ao juros 
pagos pelo banqueiros. (10) 
Na Idade Média. os bancos foram impulsionados pelo comércio e atividades 
industriais . Inicialmente, os bancos particulares foram criados sob o comando de 
judeus, já que para os cristãos o juro era proibido. Tão logo cessou a censura da 
Igreja aos juros, surgiram os banqueiros cristãos. 
O Banco de São Jorge, em Roma, foi a primeira instituição bancária nos 
moldes modernos. Sua origem foi estatal. Objetivava-se administrar as rendas do 
Estado. Este banco subsistiu de 1147 a 1767. Em todas as civilizações abordadas, 
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com exceção da egípcia, o autor citado encontrou presente a figura do sigilo nas 
operações bancárias. 
Neste sentido, existem várias teorias aptas a fundamentar a natureza do sigilo 
bancário. 
 
 
NOTAS: 
(1) MARCUSE. Ideologia da Sociedade Industrial, trad. Bras. Giasone Reburé, Rio de Janeiro, 1967, p. 30. 
(2) COSTA JUNIOR, Paulo José da. O Direito de Estar Só, São Paulo, Ed. Revista dos Tribunais, 1970. 
(3) FERNANDES, Milton. Proteção Civil da Intimidade, São Paulo, Saraiva, 197, p.82. 
(4) DOTTI, René Ariel. Proteção da Vida Privada e Liberdade de Informação, São Paulo, editora Revista dos 
Tribunais,1980 p. 68, citando Urabayen. 
(5) DOTTI, René Ariel. Proteção da Vida Privada e Liberdade de Informação, São Paulo, Editora Revista dos 
Tribunais, 1980 p. 69. 
(6) SIDOU, Othon . RT 421/10. 
(7) DEDA, Artur Oscar de Oliveira. Revista de Direito Civil 36/21 e Dotti, René Ariel. Proteção da Vida Privada e 
Liberdade de Informação, São Paulo, editora Revista os Tribunais, 1980, p.73. 
(8) BIBLIA.N.T. Português, Mateus, Bíblia Sagrada, Reed.Versão de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin. 
São Paulo; Edições Paulinas,1990, Deuteronômio, p.222. 
(9) ibidem, Lucas, p .1342. 
(10) ibidem, Mateus p.1273. 
 
Material baseado no artigo: 
ROQUE, Maria José Oliveira Lima. Sigilo Bancário. Material disponível em: 
http://www.aldemario.adv.br/sigilo.htm. Acesso em: 26 de novembro de 2011. 
 
 
 
 
FUNDAMENTOS DO SIGILO BANCÁRIO 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 19: Teorias aptas a fundamentar a natureza do sigilo 
bancário – contratualista e consuetudinária 
 
 
Teoria contratualista 
É a que reúne maior número de adeptos, liderada por Scheerer, fundamenta o 
sigilo no contrato firmado entre o banco e o cliente. Considera que existe implícita 
em qualquercontrato bancário, uma obrigação acessória de segredo por parte dos 
estabelecimentos bancários, em decorrência do segredo profissional. 
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A jurisprudência inglesa admitiu, em 1924, no caso Tournier v. Nacional 
Provincial Bank, a existência de uma cláusula implícita nas relações entre o cliente e 
o banqueiro, que obriga este a observar discrição sobre a conta do cliente e suas 
operações. Do Halsbury’s Laws of England enciclopédia jurídica britânica, extraí-se 
o seguinte: 
"O contrato firmado entre o banqueiro e seu cliente contém cláusula implícita 
que obriga o banqueiro a não revelar a terceiros, sem consentimento expresso ou 
tácito do cliente, nem a situação da conta do cliente nem suas transações com o 
banco, nem qualquer informação que chegue ao conhecimento do banqueiro em 
virtude do relacionamento com o cliente". 
Na Inglaterra não existe disposição legal expressa a respeito do sigilo, mas a 
teoria é amplamente aceita pelo costume. Também na Itália esta teoria é adotada. 
Em 19.07.74 a Corte de Cassação italiana assim decidiu: "No âmbito da relações 
internas entre o cliente e o banqueiro, a obrigação contratual deste último, de não 
revelar a outros o que fica sabendo (...) está destinada a permanecer em 
segredo".(11) 
Os opositores da teoria contratualista alegam que os formulários de 
contratação não abrigam nenhuma condição neste sentido e mesmo em se 
considerando a cláusula implícita, como explicar a manutenção do sigilo ainda 
quando o contrato não se ultimar e a subsistência dessa obrigação quanto a 
terceiros e mesmo após a extinção ou a declaração de nulidade do contrato? 
 
Teoria consuetudinária 
Os prosélitos desta teoria sustentam que o sigilo bancário se tornou obrigação 
jurídica em função de seu uso ao longo do tempo, observado como tradição 
universal por todos os estabelecimentos bancários e por serem atos de comércio, 
devem seguir o mesmo regime das práticas comerciais. O jurista espanhol Garrigues 
assim explica a teoria: 
"Em nossa opinião, o fundamento do dever de segredo que têm os bancos há 
que buscá-lo uma vez mais em normas usuais de vigência geral, e o fundamento, 
por sua vez, deste uso bancário há que buscar na natureza antes apontada do 
contrato bancário como uma relação de confiança. (...) Os remotos antecedentes 
deste uso bancário se situam por algum autor nas operações do trapezista grego, 
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mas é nos estatutos dos bancos criados na Europa a partir do século XV que se 
encontram cláusulas pelas quais o banco se compromete a guardar cuidadoso 
segredo de suas operações com a clientela (....). (12) 
No direito argentino, Cottely adota esta teoria considerando todas as operações 
bancárias atos de Comércio. Este é o princípio que vige no direito argentino, através 
do art. 8º do Código Comercial Argentino que se assemelha ao art. 632 do Código 
Comercial Francês. É curial que na interpretação de contratos pertinentes a 
operações bancárias, têm grande importância as prática aplicadas no comércio. (13) 
Dentre os jurista brasileiros, Lauro Muniz Barreto apoia esta teoria quando 
assevera que os bancos preservam o sigilo "por força e convicção consciente, por 
usos e costumes consagrados." (14) 
O professor Álvaro Mello Filho faz crítica a esta teoria dizendo que ela somente 
é importante nos países em que não existe imposição legislativa para o sigilo, 
perdendo importância nos demais países, inclusive no Brasil, onde o sigilo foi 
consagrado legalmente. (15) 
 
NOTAS: 
 (11) COVELLO, Sérgio Carlos. O Sigilo Bancário, com particular enfoque na tutela civil, São Paulo:Livraria 
Editora Universitária de Direito, 1991 p. 100 
(12) COVELLO, Sérgio Carlos. O Sigilo Bancário, com particular enfoque na tutela civil, São Paulo: Livraria 
Editora Universitária de Direito, 1991, p. 110 
(13) COTTELY, E. Derecho Bancario, Buenos Aires, ed.1956, citado por Covello 
(14) BARRETO L.M. Questões de Direito Bancário, 2ª ed. , São Paulo, Max Limonad,1972 in Covello opus cit 
p.111 
(15) MELLO, Filho Álvaro. Dimensões Jurídicas do Sigilo Bancário, Revista Forense,1984, vol. 287, p.p. 466-477. 
 
Material baseado no artigo: 
ROQUE, Maria José Oliveira Lima. Sigilo Bancário. Material disponível em: 
http://www.aldemario.adv.br/sigilo.htm. Acesso em: 26 de novembro de 2011. 
 
 
 
 
FUNDAMENTOS DO SIGILO BANCÁRIO 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 20: Teorias aptas a fundamentar a natureza do sigilo 
bancário – segredo profissional e legalista 
 
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Teoria do segredo profissional 
Grande parte da doutrina européia filia-se a esta corrente. Ela inclui os bancos 
dentre aqueles cujo exercício da atividade profissional leva a tomar conhecimento de 
certos fatos que dizem respeito à esfera íntima do indivíduo. 
A França foi o primeiro país a sancionar penalmente a quebra do sigilo 
profissional, porém, vê-lo apenas quanto aos médicos e outros profissionais ligados 
à área da saúde e quaisquer outras pessoas que, por estado ou profissão, sejam 
depositárias de segredo confiado, de modo que muitos autores entendem inviável 
estender esta obrigação aos profissionais da atividade bancária. Embora não 
presente na lei, a doutrina francesa incluiu os banqueiros no plantel dos profissionais 
obrigados ao sigilo. 
Dentre os inúmeros juristas internacionais e nacionais adeptos desta teoria 
convém citar o nosso Nelson Hungria que incluiu o banqueiro no rol das pessoas 
obrigadas ao sigilo profissional, pelo art. 154 do Código Penal: 
"Na atualidade, é geralmente reconhecido que entre os confidentes 
necessários, legalmente obrigados à discrição, figuram os banqueiros. Notadamente 
nas operações de crédito, o sigilo bancário é uma condição imprescindível, não só 
para a segurança do interesse dos clientes dos bancos como o próprio êxito da 
atividade bancária. Raros seriam, por certo, os clientes de bancos, se não 
contassem com a reserva dos banqueiros e seus prepostos ....".(16) 
Os opositores desta teoria dizem que ela não resolve o problema, pois propõe 
uma outra indagação: qual o fundamento do sigilo profissional? 
 
Teoria legalista 
Considera o sigilo bancário como "obrigação jurídica cujo fundamento repousa 
em uma norma legal, em sentido material." mas, é bom lembrar que a tese não é 
abrangente, pois não se aplica aos Estados cujos ordenamentos jurídicos não 
consagram o sigilo bancário em sua legislação.(17) 
A crítica a esta teoria funda-se em dois fatos; primeiro, que o sigilo também é 
observado em países onde não existe lei que o determine; segundo, porque não dá 
o fundamento do sigilo, apenas refere-se a sua forma e expressão. 
 
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NOTAS: 
 (16) HUNGRIA, Nelson e Heleno Cláudio Fragoso. Comentários ao Código Penal. Vol. VI, 5ª ed., Rio de Janeiro, 
Forense, 1983 
(17) MELLO, Filho Álvaro. Dimensões Jurídicas do Sigilo Bancário, Revista Forense,1984, vol. 287, p.p. 466-477 
 
 
Material baseado no artigo: 
ROQUE, Maria José Oliveira Lima. Sigilo Bancário. Material disponível em: 
http://www.aldemario.adv.br/sigilo.htm. Acesso em: 26 de novembro de 2011. 
 
 
 
FUNDAMENTOS DO SIGILO BANCÁRIO 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 21: Teorias aptas a fundamentar a natureza do sigilo 
bancário – direito de personalidade 
 
 
Teoria do direito de personalidade 
Esta teoria afirma que o sigilo sobre transações bancárias é uma manifestação 
do direito àintimidade e, portanto, faz parte dos direitos de personalidade 
necessários ao desenvolvimento da pessoa. Na Suíça o fundamento do sigilo 
bancário é a intimidade do cidadão. Esta teoria também tem defensores no Brasil, 
como João Bernardino Gonzaga assim a expressa: 
"Através de seus bens materiais, o homem também afirma a própria 
personalidade. O seu estado de fortuna, bom ou mau, muito interfere na sua 
projeção social. O modo como maneja os negócios depõe contra ou a favor de sua 
capacidade. Ele há de ter liberdade na vida de relação de ocultar os informes da sua 
economia privada.(...)"(18) 
O professor Milton Fernandes e o professor José Serpa de Santa Maria, em 
seus estudos sobre o assunto, consideram o direito ao segredo como uma das mais 
antigas manifestações do direito à intimidade. 
Sérgio Carlos Covello faz ardorosa defesa desta idéia, assim dissertando: 
"O sigilo bancário existe para proteger a intimidade do cidadão. Esta é a sua 
causa de ser. Sua causa final. Os bancos, no exercício de seu comércio, adentram 
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na vida privada de seus clientes e outras pessoas, inteirando-se de dados, aos 
quais, não fosse o desempenho de seu mister, jamais teriam acesso, porque 
geralmente aparecem excluídos do conhecimento alheio. Se, para exercer sua 
profissão, os bancos adentram na esfera da intimidade das pessoas, logicamente 
devem respeitá-la. 
Na intimidade, incluem-se tanto fatos de ordem espiritual como de ordem 
material, valendo ressaltar que o patrimônio e atividade negocial de uma pessoa 
constituem, indubitavelmente, projeção de sua personalidade, máxime numa 
sociedade capitalista como a ocidental, e é muito compreensível que as pessoas 
tenham interesse em preservar este aspecto da personalidade da indiscrição alheia. 
Nota-se, em quase todas as pessoas, certo pudor natural no que concerne à soma 
de seus bens, ao seu ordenado, a sua renda, a suas dívidas e a seu sucesso ou 
fracasso nas operações ... ".(19) 
Não concorda-se com a teoria acima exposta pois os direitos da personalidade 
se constituem no mínimo necessário para que a pessoa se desenvolva plenamente. 
São direitos imprescindíveis para dar a cada ser identidade própria. Alguns autores 
até frisam que são direitos inatos, congênitos e extrapatrimoniais, como Pontes de 
Miranda, Orlando Gomes, de Cupis e Ferrara, além de outros. (20) 
Os direitos de personalidade nascem com a pessoa. Todos vêm ao mundo com 
direito à vida, à saúde, a um nome, a professar uma fé, à integridade física, a honra, 
a ter vida íntima, etc.. , mas ninguém nasce com direito ao sigilo bancário, porque 
pode ser que venha ao mundo em local onde não existam bancos, ou, como ocorre 
com a maioria dos brasileiros, que nunca chegue a ser cliente de um banco.( 
segundo o IBGE a renda média do brasleiro é 4 salários mínimos) Ora, se o Estado 
não pode garantir a todos, sequer o direito de ser cliente de um banco, porque, 
como atividade privada é o banco que seleciona seus clientes segundo o aspecto 
econômico, como pretender que o sigilo seja um direito da personalidade? Assim, 
com mais razão, o direito de ser cliente bancário teria o mesmo quilate do direito ao 
sigilo bancário. Quem não pode o menos, também não pode o mais. Ademais, os 
direitos de personalidade são oponíveis a todos e irrenunciáveis e o sigilo comporta 
exceções e é renunciável pelo titular. 
Observe-se que o sigilo nas transações comerciais e bancárias, conforme já 
narrado surgiu muito antes da noção de personalidade que é bastante recente na 
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história da civilização. No passado, um escravo não era considerado pessoa, mas 
lhe seria garantido sigilo se realizasse operações bancárias. Como admitir a 
existência de direitos a quem não é sujeito de direitos? Daí se vislumbra que o sigilo 
nasceu desvinculado da personalidade ou intimidade do cliente, visando apenas 
proteção da atividade comercial. 
Vale lembrar, que na idade média, sequer haviam direitos subjetivos, existiam 
apenas privilégios (21) e os bancos já funcionavam a pleno vapor. 
O primeiro direito individual reivindicado foi o da liberdade de opção religiosa. 
(22) Depois da Reforma, os direitos individuais foram sendo proclamados nas 
declarações de direitos, dentre as quais a de Virgínia e a Declaração Francesa. Foi 
na passagem do Estado Absolutista para o Estado de Direito que se corporificou a 
noção de direitos individuais. O direito à inviolabilidade de domicílio, dos mais 
antigos só aparece em 1776, sendo defendido no Parlamento Inglês por Lord 
Chatham (23) 
A teoria consuetudinária é a mais coerente com a história e as origens dos 
bancos, sempre considerados atividade de cunho comercial. Em todos os povos, os 
bancos guardam segredo, ou de maneira espontânea, ou obrigados pela lei. Esta 
conduta teve sua gênese na imitação da atividade comercial, evoluindo da prática 
constante para o costume, até transmudar-se em norma legal em alguns países ou 
permanecendo como costume, em outros. 
É conhecido o adágio popular "o segredo é a alma do negócio". A simplicidade 
do ditado revela que o segredo está ligado ao negócio e não à pessoa. 
Acresça-se que por intimidade entende-se tudo que está adstrito à cidadela 
interior de cada um, tudo que não produza reflexo no mundo social. Se a 
movimentação bancária ou o patrimônio de alguém gera nova relação de direitos 
com outros titulares, deixa de ser assunto de mera intimidade. É o que se dá com 
quem utiliza cheque sem fundos, movimenta dinheiro para burlar tributação ou para 
prejudicar credores, etc.. . Não se pode admitir que em nome de um direito subjetivo 
o indivíduo possa prejudicar o direito subjetivo alheio. Logo, não é possível, sob 
pena de subversão da própria concepção do direito, admitir-se sigilo bancário 
absoluto, sob o pálio dos direitos de intimidade, quando se sabe que operações 
bancárias são utilizadas para liquidar compromissos assumidos com terceiros e, não 
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raro, para prática de crimes financeiros, lesar credores e burlar o fisco. No 
pensamento de Sacha Calmon Navarro Coelho: 
"Não pode a ordem jurídica de um país razoavelmente civilizado fazer do sigilo 
bancário um baluarte em prol da impunidade, a favorecer proxenetas, lenões, 
bicheiros, corruptos, contrabandistas e sonegadores de tributos. O que cumpre ser 
feito é uma legislação cuidadosa que permita a manutenção dos princípios da 
privacidade e do sigilo de dados, sem torná-los bastiões da criminalidade. De resto 
reza a sabedoria popular que quem não deve não teme. A recíproca é verdadeira." 
(24) 
Em alguns Estados modernos, como nos EUA, observa-se que não há 
necessidade de lei para que o sigilo exista. Assim como o comerciante, 
historicamente sempre escondeu o valor de suas operações de aquisição, para que 
nem o concorrente, nem o cliente calculassem o seu lucro, o banqueiro que é um 
comerciante de valores mobiliários e de dinheiro, também oculta o que pode. A 
prática é universal, o que varia é a intensidade do sigilo. 
A Segunda corrente consegue compatibilizar, ao contrário da primeira, os 
princípios do parágrafo 1o. do art. 145 com os direitos e garantias fundamentais da 
Constituição Federal relativizando os direitos à intimidade e à privacidade, em face 
da apuração da capacidade contributiva. 
Para o cálculo do imposto de renda da pessoa física é necessário aferir-se a 
capacidade contributiva, o que só é possível, examinando o patrimônio imobiliário e 
mobiliário, emcotejo com as despesas efetuadas ( médicos, psicólogos, instituições 
de ensino, pensões alimentícias e etc..) Estes são fatos inegáveis, que derivam do 
poder de tributar do Estado, aplicados em todos os países do mundo, aí incluídos os 
mais liberais. 
Assim, ainda que se inclua o sigilo bancário como integrante do artigo 5º, inciso 
X, da Constituição Federal, por uma questão de lógica jurídica e de integração das 
normas constitucionais, este cederá, tanto ante as necessidades fiscais quanto às 
do Ministério Público Federal, pois a apuração dos crimes financeiros também é 
interesse da coletividade e princípio constitucional garantido pela inafastabilidade do 
poder judiciário. 
A evolução da história exige contrapartida do avanço do Direito. Atualmente 
não só os grandes crimes contra o sistema financeiro, tributário, mas também o 
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tráfico de drogas e a corrupção desembocam seus resultados no porto seguro dos 
bancos. No passado não era assim, já se usou até enterrar tesouros Desta forma, O 
sigilo posta-se frente ao Fisco e ao Ministério Público como forte empecilho à 
obtenção das provas de delinqüência. Submeter ao judiciário o pedido de quebra de 
sigilo nos casos de fortes indícios de crime dá ao meliante tempo suficiente para 
movimentar a conta, impedindo o ressarcimento do dano e dificultando a apuração. 
Até a Suiça, meca do sigilo bancário, preocupada com a fama de lavanderia do 
ocidente, mercê de abrigar os enormes lucros obtidos ilicitamente, com o tráfico de 
drogas e outros crimes, está caminhando na direção contrária ao sigilo: por 
enquanto com muita timidez, já admite quebra de sigilo nos casos de comprovada 
ilicitude. (25) 
Os sistemas de proteção do créditos são alimentados diariamente com dados 
bancários e comerciais, graças, principalmente, aos bancos que incluem na rede as 
contas encerradas, os cheques sem fundos e as ocorrências de inadimplência, sem 
qualquer ordem judicial mas, sem o menor pejo, esses mesmos bancos apregoam a 
inviolabilidade de seus dados diante do Fisco, do Ministério Público Federal e de 
terceiros interessados. Atualmente, o privilégio de conhecer a probabilidade da lisura 
de uma pessoa é apenas dos bancos e dos comerciantes. Acaso um terceiro que 
negocia com o cliente de um banco não teria também o direito de conhecer a 
idoneidade de quem com ele transaciona? São indagações que ainda não se ousa 
fazer na discussão do tema, mas que são necessárias. O excesso de inadimplência 
mudou os costumes comerciais, a lei precisa avançar enfrentando a nova realidade. 
A Internet revela que são centenas as sociedades de proteção ao crédito que 
trabalham com as informações dos bancos e do comércio. No entanto é paradoxal 
que os bancos e o comércio que garantem sua higidez mediante consulta aos 
bancos de dados protetivos do crédito, isto é, os que constantemente quebram o 
sigilo, sejam , justamente, os mais acirrados adeptos da primeira corrente, fulcrando-
a no artigo 5º , inciso X da Carta Maior. 
Enquanto muitos juristas defendem um sigilo bancário de foro constitucional, a 
defesa do crédito que só funciona alimentada por um sistema de informações, na 
prática, há muito tempo, já colocou o sigilo para escanteio, até porque, sem o crédito 
o capitalismo não funciona e sua manutenção é interesse de toda sociedade . 
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Observe-se que em meio a tantas e firmas especializadas em interpretar 
cadastros e informar sobre o comportamento financeiro das pessoas, o sigilo não 
existe entre instituições financeiras e comerciais, pretende-se que exista apenas 
para barrar a fiscalização fazendária, a atuação do Ministério Público Federal e a 
busca do credor não comerciante. Ora, justamente os dois primeiros que exercem 
misteres específicos, sob a égide da Lei Maior é que vêm encontrando maiores 
dificuldades em acessar os dados. 
Além disso é conveniente ressaltar que o esforço daqueles que querem incluir 
o direito ao sigilo bancário dentro dos direitos de personalidade esbarra em fatos 
notórios, pois na verdade, no Brasil, pelo menos, 50% da população nunca possuiu 
conta bancária, e esta privação, afora inferioridade econômica, em nada afetou o 
desenvolvimento destes cidadãos. 
Merece destaque constatar que os bancos vêm, cada vez mais, selecionando 
sua clientela por faixa econômica. Vale observar que até os bancos mais populares, 
embora de forma velada, não aceitam clientes com remuneração inferior a três 
salários mínimos, porque não lhes interessa administrar contas de valores diminutos. 
Já não mais recebem contas de água e luz a não ser por débito em conta. Apesar 
disso, não se vê dentre os defensores do sigilo quem alegue que tal seleção seja 
ilegal por violar direito de personalidade. 
É preciso romper com o tabu de que as operações bancárias fazem parte do 
direito à intimidade e/ou privacidade. "A intimidade não exige publicidade, porque 
não envolve direitos de terceiros (...) . A intimidade é o âmbito exclusivo que alguém 
reserva para si, sem nenhuma repercussão social". (26) Para endossar o 
pensamento é de se citar o voto do Ministro Francisco Rezek, no MS 21729-4 DF: 
"O inciso X do rol de direitos fala assim numa intimidade onde a meu ver seria 
extraordinário agasalhar a contabilidade das pessoas naturais, e, por melhor razão a 
das empresas. Observa-se, a propósito o parecer do Vice-procurador-Geral não 
obstante essa repercussão mais ampla o núcleo da privacy situa-se na esfera das 
convicções íntimas do indivíduo, como as religiosas e políticas, nas relações de 
convivência familiar e afetiva, nos costumes sexuais, hábitos, dados clínicos, enfim 
naquele reduto que não se exterioriza na vida pública. 
E prossegue alegando que mesmo se dos dados bancários se possa 
vislumbrar aspectos da vida individual como gastos com doença ou determinadas 
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pessoas íntimas que o cliente queira ocultar, isso tudo é exceção, porque em regra, 
a maioria das operações não está acobertada pela privacidade. Certas operações, 
como pagamentos para compra de imóveis, financiamentos para aquisição de casa 
própria ou financiamentos públicos para desenvolvimento de atividade produtivas 
são alguns dos exemplos de informações que não se inserem no núcleo irredutível 
da privacidade". 
Não se pode admitir que em nome de um direito subjetivo o indivíduo possa 
prejudicar o direito subjetivo de outrém. Logo, não é possível, sob pena de 
subversão da própria concepção do direito, admitir-se sigilo bancário absoluto, sob o 
pálio dos direitos de intimidade, quando se sabe que as operações bancárias, 
mesmo as mais lícitas, envolvem mais de duas pessoas: o cliente, o banco e um 
terceiro interessado, que no mínimo, é a Fazenda Pública. Isso sem levar em 
consideração que toda sorte de falcatruas, improbidades e lavagem de dinheiro 
desenrolam-se nos bancos e são utilizadas para a prática de crimes financeiros, 
lesar credores e burlar o fisco. Sopesando os argumentos lançados, a sociedade 
está a exigir o abrandamento do sigilo, já que de direito à intimidade não se trata. 
 
 
NOTAS: 
 (18) João Bernardino Gonzaga citado por Covello. Sérgio Carlos. O Sigilo Bancário, com particular enfoque na 
tutela civil, São Paulo:Livraria Editora Universitária de Direito, 1991 p. 100 in opus cit. p.135 
(19) COVELLO, Sérgio Carlos. O Sigilo Bancário, com particular enfoque na tutela civil, São Paulo: Livraria 
Editora Universitária de Direito, 1991 p. 137 
(20) vide notas 2, 5, 6, 10 . 
(21)LAFER, Celso. A Reconstrução dos Direitos Humanos: Um dialógo com Hannah Arendt, São Paulo, 
Companhia das Letras, 1988, p.119. 
(22) Ibidem.,. p. 121 
(23) COLLIARD.Les Libertés Publiques, Paris, Dalloz, 1982, 6.ed., p. 368, citado por FERREIRA, Manoel 
Gonçalves Filho:"Comentários à Constituição Brasileira de 1988. 
(24) COELHO, Sacha Calmon Navarro. "Princípios Constitucionais Tributários", Cadernos de Pesquisas (25) 
Tribuárias, vol. 18. São Paulo: Ed. Resenha Tributária, 1993 v.18. 
(25) Dessandre, Adilson. O Sigilo Bancário. Seleções Jurídicas ADV Advocacia Dinâmica, maio 1997 
(26) FERRAZ JR, Tércio de Sampaio . Revista da USP. 
 
 
Material baseado no artigo: 
ROQUE, Maria José Oliveira Lima. Sigilo Bancário. Material disponível em: 
http://www.aldemario.adv.br/sigilo.htm. Acesso em: 26 de novembro de 2011. 
 
 
 
O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR E OS CONTRATOS BANCÁRIOS 
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MICROCOMPETÊNCIA 22: Generalidades acerca da relação Código de Defesa 
do Consumidor versus Contratos Bancários 
 
Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a preocupação 
legislativa em tutelar o consumidor. A atual Carta Política prevê no artigo 24, inciso 
VIII, a competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal para 
legislar sobre “responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens 
e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.” 
Já no capítulo destinado aos princípios gerias da atividade econômica, a Lei 
Maior dispõe que a ordem econômica tem por fim assegurar a todos existência 
digna, observando-se, dentre outros, o princípio da defesa do consumidor (artigo 
170, caput e inciso V). No entanto, as mais relevantes previsões constitucionais 
acerca da defesa do consumidor parecem ter sido a do artigo 5°, inciso XXXII, 
inserido no rol de direitos e garantias fundamentais, ao prelecionar que o Estado 
promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor, bem como o artigo 48 do Ato 
das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, dispositivo este que concede 
o prazo improrrogável de cento e vinte dias, a contar da data de promulgação da 
Carta Magna de 1988, para que o Congresso nacional elabore um Código de Defesa 
do Consumidor. 
Destarte, no dia 11 de setembro de 1990 foi publicada a Lei 8.078, o decantado 
Código de Defesa do Consumidor, com vigência a ser iniciada em 180 dias a contar 
da data de sua publicação, conforme determinação do artigo 118 da mesma Lei. 
Em relação ao referido Código, felizes são os dizeres de Martsung F.C.R. 
Alencar (2006): 
“O código brasileiro de defesa do consumidor é importante conquista do 
cidadão em nosso ordenamento jurídico, sendo sua aplicação de absoluto interesse 
social, especialmente por sua moderna disciplina contratual, privilegiando a boa-fé 
objetiva, a equivalência material, o equilíbrio das relações e, porque não dizer, a 
justiça contratual entre partes tão díspares.” 
O diploma consumerista define o que, nos termos da lei, se deve entender por 
consumidor (artigo 2°) e fornecedor (artigo 3°). Não se discute a parcialidade do 
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diploma em comento, pois, claramente, é uma lei tendenciosa com vistas à proteção 
do consumidor. Todavia, não se pode ignorar que esta superioridade jurídica 
concedida pela Lei 8.078/1990 tem por finalidade, justamente, equilibrar a relação 
tão díspare entre os sujeitos definidos nos artigos 2° e 3°. É a aplicação da velha 
máxima segundo a qual deve-se tratar os desiguais desigualmente e na medida de 
sua desigualdade. 
Precisando-se os conceitos, consumidor é toda pessoa física ou jurídica que 
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, equiparando-se a esta 
definição a coletividade de pessoas que haja intervindo nas relações de consumo. 
Os fornecedores, por sua vez, correspondem, segundo o artigo 3° do CDC, a 
toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem 
como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, 
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição 
ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. 
A partir da publicação do Código de Defesa do Consumidor, passou-se a 
discutir quais relações poderiam ser consideradas consumeristas e, 
consequentemente, a elas ser aplicado referido diploma. A discussão foi, e ainda o 
é, mais acalorada no que diz respeito aos contratos bancários, objeto principal deste 
trabalho. 
O tema continua sendo causa de cizânia doutrinária, existindo correntes em 
vários sentidos possíveis. Um dos primeiros argumentos apontados por aqueles que 
defendem as instituições financeiras foi o de que, apesar da lei 8.078/1990 incluir a 
atividade de natureza bancária no conceito de “serviço” do artigo 3°, parágrafo 2°, 
deixa claro que tais atividades devem ser fornecidas no mercado mediante 
remuneração. Em outros termos, apregoa esta corrente que as atividades bancárias 
em que o consumidor não necessita realizar pagamentos ao banco em virtude do 
serviço prestado não estariam abrangidas pelo estatuto consumerista. 
Percebe-se, contudo, que mesmo os adeptos deste entendimento por vezes 
acabam caindo em dúvidas e reelaborando seus raciocínios. Tome-se como 
ilustração o escólio de Eduardo Gabriel Saad, citado por Alexsandro Gomes de 
Oliveira (2009): 
“Remunerar, no caso, tem significação muito ampla. Não se reduz, apenas, à 
retribuição paga pelo serviço recebido; é, em verdade, a vantagem pecuniária obtida 
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pelo fornecedor e representada por taxas, lucros, juros etc. Na edição anterior, 
chegamos a pensar que serviço, no caso, era restrito a umas tantas operações que 
tinham, como contraprestação, a remuneração paga pelo consumidor. Depois de 
meditar sobre o assunto, concluímos que, na hipótese do § 2º do art. 3º deste 
Código, serviço é mais abrangente, pois reúne todas as atividades que visem ao 
lucro e desenvolvidas nas áreas que menciona.” 
Posição mais moderada é a apresentada pelo professor Fábio Ulhoa Coelho 
(2009, v.3, p. 128) ao reconhecer que, em determinados casos pode-se aplicar o 
Código de Defesa do Consumidor aos contratos feitos com instituições bancárias, 
mas em outras situações sua aplicação estaria vedada. O mencionado doutrinador 
realça que, para a aplicação da lei consumerista aos contratos bancários, há que se 
verificar, principalmente, se no caso concreto o cliente do banco pode ser 
considerado consumidor nos termos definidos pelo artigo 2° do respectivo Código, 
posto que, segundo seu entendimento, não há dúvidas quanto ao abarcamento das 
instituições financeiras ao conceito de fornecedor do artigo 3° da lei em tela. In 
verbis: 
Assim, se o banco contrata com o destinatário final da operação financeira, 
caracteriza-se a relação de consumo, e o contrato bancário submete-se ao Código 
de Defesa do Consumidor, mas, se contrata com outro empresário, para o qual a 
operação financeira é insumo, não se caracteriza a relação de consumo, e é 
inaplicável a legislação tutelar dos consumidores. Fábio Ulhoa Coelho, por fim, 
acertadamente, faz uma única ressalva de quando o Código de Defesa do 
Consumidor se aplicaria aos contratos bancários celebrados com outros 
empresários. Seria a hipótese de o empresário cliente provar “sua condição de 
vulnerável análoga à de consumidor” (op.cit.). 
A questão somente se tornou mais pacífica depois do Supremo Tribunal 
Federal julgar a AçãoDireta de Inconstitucionalidade n° 2.591, proposta pela 
Confederação Nacional do Sistema Financeiro – CONSIF. Referida ação pleiteava a 
declaração de inconstitucionalidade, com requerimento de medida liminar, da 
expressão “inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária” 
constante do artigo 3°, parágrafo 2° do Código de Defesa do Consumidor. 
No julgamento desta ação, o Pretório Excelso, no dia 7 de junho de 2006, 
pronunciou-se pela improcedência do pedido, isto é, entende não ser 
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inconstitucional os mencionados dispositivos do estatuo consumerista e, 
consequentemente, esta legislação deve ser aplicada aos contratos bancários. 
Comentando a decisão do STF, Alexsandro Gomes de Oliveira pondera que: 
Verdadeiramente, o Supremo Tribunal Federal pôs uma pá de cal sobre 
as divergências que se avolumavam nos Tribunais Regionais e Estaduais e fez 
calar as vozes que soavam em dissonância aos arts. 5º, XXXII e 170, V, da 
Constituição Federal de 1988, assegurando a incidência das normas trazidas 
pelo Código de Defesa do Consumidor aos contratos bancários firmados com 
as instituições financeiras. 
 
 
 
Material baseado em: http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/2124/2272. Acesso 
em: 12 de maio de 2012. 
 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 23: A aplicabilidade do Código de Defesa do 
Consumidor aos contratos bancários 
 
 Não há mais dúvidas quanto à aplicação do Código de Defesa do 
Consumidor, introduzido pela Lei 8.078, de 11.09.1990, aos contratos bancários, o 
que se pode observar por vários enfoques ou ângulos distintos e mutuamente 
encaixados, reforçando-se um a um e conferindo coesão ao sistema e solidez à 
conclusão. 
 Se analisarmos a questão sob a ótica do enquadramento dos contratos 
bancários no signo contratos de adesão, vemos que é bastante comum as 
instituições financeiras usarem em suas atividades contratos que, em geral, 
obedecem a padrões prévios, não conferindo qualquer margem negocial, 
normalmente recheados de cláusulas pouco compreensíveis (e menos ainda 
indiscutíveis!) e leoninas, limitando-se aqueles que necessitam de crédito para suas 
atividades a aderir ou não, se bem que muitas vezes nem esta mínima possibilidade 
de opção conservam, pois às vezes o contrato é realmente indispensável e não há a 
quem recorrer. 
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 Se nos preocupamos com a configuração dos bancos no signo fornecedor 
delineado pelo próprio CDC, verificando em suas operações o fornecimento de 
produtos e/ou serviços, esbarramos no texto expresso do art. 3°, que define 
fornecedor como sendo toda pessoa física ou jurídica que desenvolve atividades de 
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços, e combinando 
com o § 2° desse mesmo artigo, que define serviço, neste incluindo as operações de 
natureza bancária, financeira, de crédito, temos que os bancos são realmente 
fornecedores, não restando a menor dúvida. 
 Nery Junior (1995, p. 371-372), quanto às operações de crédito, distingue 
quais revelam relação de consumo, nos seguintes termos: 
 Havendo outorga do dinheiro ou do crédito para que o devedor o utilize como 
destinatário final, há a relação de consumo que enseja a aplicação dos dispositivos 
do CDC. Caso o devedor tome dinheiro ou crédito emprestado do banco para 
repassá-lo, não será destinatário final, e, portanto, não há que se falar em relação de 
consumo. Como as regaras normais de experiências nos dão conta de que a pessoa 
física que empresta dinheiro ou toma crédito de banco o faz para sua utilização 
pessoal, como destinatário final, existe aqui presunção hominis, júris tantum, de que 
se trata de relação de consumo. O ônus de provar o contrário, ou seja, que o 
dinheiro ou crédito tomado pela pessoa física não foi destinado ao uso final do 
devedor, é do banco, quer porque se trata de presunção a favor do mutuário ou 
creditado, quer porque poderá incidir o art. 6.º, VIII, do CDC, com a inversão do ônus 
da prova a favor do consumidor. 
 Evidente que há relação de consumo no fornecimento do crédito, onde o 
princípio da autonomia da vontade fica reduzido à mera aceitação do conteúdo do 
contrato. Daí, sem dúvida, enquadrar-se como hipossuficiente o aderente, posto que 
obrigado a aceitar cláusulas aleatórias, abusivas, unilaterais, como a que permite ao 
banco optar unilateralmente por índice de atualização monetária que quiser, sem 
consultar o consumidor; a que possibilita ao mesmo banco utilizar a taxa de mercado 
por ele praticada; aquela que autoriza o vencimento antecipado do contrato em caso 
de protesto ou execução judicial do outras dívidas; a cláusula que impõe a eleição 
do foro de comarca diferente ou daquela onde foi celebrada a operação; e a relativa 
à outorga de mandato ou poderes para o credor contra ele emitir título de crédito, 
dentre inúmeras outras. 
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 Comentando a resistência dos bancos à aplicação do Código de Defesa do 
Consumidor, Rizzatto Nunes (2000, p. 98) faz um registro histórico que pode ser tido 
por cômico, se não trágico, da preocupação do legislador em não deixar lacunas, por 
onde os bancos buscassem escapar da incidência normativa, e que, quase não 
conseguia, tanto que o judiciário precisou ser acionado e, após muita controvérsia, 
aclarar o já claro, e que a lei já, textualmente, dispunha: 
 Ninguém duvida de que esse setor da economia presta serviços ao 
consumidor e que a natureza dessa prestação se estabelece tipicamente numa 
relação de consumo. Foi um reforço acautelatório do legislador. Que, aliás, 
demonstrou-se depois, era mesmo necessário. Apesar da clareza do texto legal, que 
coloca, com todas as letras, que os bancos prestam serviços aos consumidores, 
houve tentativa judicial de obter declaração em sentido oposto. Chegou-se, então, 
ao inusitado: O Poder Judiciário teve de declarar exatamente aquilo que a lei já 
dizia: que os bancos prestam serviços. 
 A despeito dessa resistência, e das muitas tentativas processuais 
empreendidas, em todas as instâncias do judiciário pátrio, bem como dos pareceres 
conseguidos pela FEBRABAN, como seus sempre convincentes "argumentos", os 
bancos vêm perdendo essa batalha, eis que se formou jurisprudência maciçamente 
dominante no sentido da aplicabilidade do CDC aos contratos bancários. 
 O código brasileiro de defesa do consumidor é importante conquista do 
cidadão em nosso ordenamento jurídico, sendo sua aplicação de absoluto interesse 
social, especialmente por sua moderna disciplina contratual, privilegiando a boa-fé 
objetiva, a equivalência material, o equilíbrio das relações e, porque não dizer, a 
justiça contratual entre partes tão díspares. 
 
 
Material baseado no artigo: ALENCAR; Martsung. Aplicabilidade do Código de Defesa do 
Consumidor aos contratos bancários e a posição do STJ e STF. Disponível em: 
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8338. Acesso em: 18 de abril de 2012. 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 24: Princípios do CDC aplicáveis às operações 
bancárias típicas 
 
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No Código de Defesa do Consumidor, estão referidos no art. 4º, princípios, 
não especificamente para os contratos, menos ainda regulamentos explícitos quanto 
às taxas de juros, mas princípios que são diretrizesdo próprio sistema nacional das 
relações de consumo. 
 Paulo Luiz Netto Lôbo (2002, p. 3) agrupa trechos do mencionado artigo, de 
modo a deles extrair os princípios contratuais que considera típicos do Estado social, 
que informam a sistemática adotada no CDC, quais sejam: o princípio da função 
social do contrato; o princípio da boa-fé objetiva e o princípio da equivalência 
material do contrato, nos seguintes termos: 
 No Código de Defesa do Consumidor os princípios referidos no seu art. 4º 
revelam uma certa imprecisão entre o que denomina os princípios e as diretrizes 
gerais contidas no mencionado artigo. As expressões empregadas no referido artigo 
podem ser agrupadas segundo a classificação dos princípios sociais adotadas: 
 a) "compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de 
desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos 
quais se funda a ordem econômica": esse trecho do inciso III do art. 4º, 
implicitamente, conduz ao princípio da função social; 
 b) "transparência", "boa-fé", "informação": princípio da boa-fé; 
 c) "vulnerabilidade", "harmonização dos interesses", "equilíbrio nas relações": 
princípio da equivalência material. 
 Tais princípios são perfeitamente aplicáveis às operações bancarias típicas 
(de intermediação de crédito), onde também é necessário o equilíbrio entre as 
prestações. 
 Assim, o sistema do CDC é, por exemplo, absolutamente incompatível com a 
cobrança de taxas de juros exorbitantes, que afrontam, de modo direto, tanto a 
função social do contrato, que evidentemente não é servir de instrumento de 
enriquecimento sem causa para os detentores do capital, em detrimento da 
exploração dos mutuários, assim como a noção de boa-fé contratual, e, mais ainda, 
o intuito de equilíbrio nas relações, princípio da equivalência material, quando um 
mesmo agente financeiro remunera cadernetas de poupança ou demais depósitos 
para aplicação que recebe com 8 ou 10% ao ano, em média, ao mesmo tempo em 
que cobra taxas de 150 ou até 200% ao ano pelos empréstimos que concede. 
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 Nesse contexto, o CDC, cuidando da proteção contratual, especialmente no 
art. 51, onde trata das cláusulas abusivas, menciona o princípio da boa-fé e esboça, 
com caráter imperativo, para as relações contratuais, a necessidade de "eqüidade", 
"equilíbrio contratual", "justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes", 
noções que nos levam a entender como abusivas as estipulações de taxas de juros 
desproporcionais, com desequilíbrio tamanho entre a remuneração dos depósitos e 
o valor cobrado pelos financiamentos. 
 Só para ilustramos essa desproporção, se um consumidor fizer um depósito 
de R$ 10,00 (dez reais), numa caderneta de poupança, e lá deixar seu dinheiro 
"rendendo", por dez anos, deverá encontrar um saldo de, aproximadamente, R$ 
25,93 (vinte e cinco reais e noventa e três centavos), enquanto um empréstimo, dos 
mesmos R$ 10,00 (dez reais), pelos mesmos dez anos, num cheque especial, por 
exemplo, renderia ao mutuário um "débito" de cerca de R$ 95.367,43 (noventa e 
cinco mil trezentos e sessenta e sete reais e quarenta e três centavos)! Ou seja, o 
mutuante cobraria, mais ou menos, 9.536 vezes o dinheiro emprestado, a título de 
juros. 
 Seria tal realidade compatível com o princípio da boa-fé contratual ou com a 
equivalência material, vedação ao desequilíbrio nas relações e à onerosidade 
excessiva? Estaria um empréstimo dessa estirpe atendendo à função social dos 
contratos? 
 Evidentemente que não. E aqui, pertinente a lição de Lôbo (2002, p. 4), 
quanto à possibilidade de se lançar mão dos princípios para a realização da justiça 
contratual, a despeito da resistência que o individualismo jurídico típico do Estado 
liberal, refletido, evidentemente, na contratualística liberal (assentada nos dogmas 
da autonomia da vontade e da pacta sunt servanda) tenha impregnado em nossos 
juristas: 
 A utilização de princípios e cláusulas gerais sempre foi vista com muita 
reserva pelos juristas, ante sua inevitável indeterminação de conteúdo e, no que 
concerne ao hegemônico individualismo jurídico do Estado liberal, o receio da 
intervenção do Estado nas relações privadas, por meio do juiz. Todavia, para a 
sociedade em mudanças, para a realização das finalidades da justiça social e para o 
trato adequado do fenômeno avassalador da massificação contratual e da parte 
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contratante vulnerável, constituem eles ferramentas hermenêuticas indispensáveis e 
imprescindíveis. 
 Os princípios e regras do CDC são, portanto, claramente incompatíveis com 
a cobrança de juros usurários, fixados de modo excessivamente oneroso para o 
consumidor, constituindo limitação à prática dessa relação contratual desequilibrada. 
O que fazer-se, então, respeitar-se o CDC e defender o consumidor contra tais 
desproporções, ou proclamar inconstitucionalidade dessa norma (que nada mais 
busca a não ser a justiça e equilíbrio contratual), quanto às operações bancárias 
típicas, liberando-se a pratica de quaisquer abusos? 
 Não há qualquer sentido em afastar a incidência do CDC de relações desta 
natureza, onde está nítido o desequilíbrio entre as partes e suas respectivas 
obrigações no contrato, com afronta aos princípios da boa-fé contratual, da 
equivalência material e vedação ao desequilíbrio nas relações e à onerosidade 
excessiva. Não nos parece jurídico afastar-se um diploma de defesa dos 
hipossuficientes, em relações de grande freqüência e importância, para viabilizar a 
pratica de abusos pela parte mais forte. 
 
Material baseado no artigo: ALENCAR; Martsung. Aplicabilidade do Código de Defesa do 
Consumidor aos contratos bancários e a posição do STJ e STF. Disponível em: 
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8338. Acesso em: 18 de abril de 2012. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 25: O Código de Defesa do consumidor, as relações 
bancárias e a ADIN 2591-1 
 
 
A ADIN 2591-1 editada após a ratificação da lei no. 8.078/90, argumenta no 
sentido da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, paragrafo 2º do CDC que 
diz ser aplicável o CDC às atividades “de natureza bancária, financeira, de crédito e 
securitária” definindo essas como “serviço”. Podemos entender que essa declaração 
de inconstitucionalidade se dá devido ao fato de que na prática o que ela faria seria 
tornar inaplicável o CDC às relações bancárias. Os argumentos usados são então 
que o dinheiro oferecido pelos bancos não poderia ser objeto de relações de 
consumo (conforme os termos do art. 2º do CDC que diz que para ser consumidor 
deve a pessoa jurídica ou física usar o produto sendo seu destinatário final); e 
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também que de acordo com o caput do art. 192 o sistema financeiro deve ser regido 
por lei complementar e o CDC não é lei complementar, não podendo então se 
aplicar ao sistema bancário e então só se aplicando a lei 4595/64 recepcionada pela 
Constituição. 
Assim, se a ação fosse procedente, o CDC deixaria de ser aplicável às 
relações consumidor-banco, dentro do sistema financeiro, incluídas nisso as 
interações como, por exemplo, empréstimos e então nos casos onde certa pessoa 
pegue dinheiro emprestado mas não consiga pagar, ela não poderia alegar sua 
vulnerabilidade segundo o art. 4º, inciso I, do CDC. Essa condição, de 
vulnerabilidade,traz vantagens para os consumidores que devem ser tratados como 
parte mais fraca da relação. 
 
Em seu voto, o ministro relator Carlos Velloso analisou a questão, a partir da 
caracterização da concessão de crédito bancário. Para tal citou corrente doutrinária 
que prega que o crédito concedido não tem como destinatário final o mutuário e que 
então, assim sendo, esse mutuário não seria um consumidor, (como prega o art. 2º 
da lei 8.078/90). Ainda assim, o ministro se opõe a essa doutrina citando Marcio 
Mello Casado que diz que o crédito é um bem juridicamente consumível, servindo a 
uma utilidade pessoal do consumidor (“destinatário final”) e que então, de fato, se 
estabelecem relações de consumo entre as pessoas que pegam empréstimos e os 
bancos, sendo esses prestadores do serviço empréstimo de dinheiro e portanto 
sendo aplicável o CDC. Ademais, ele aponta a doutrina de Milton de Lucca que 
chama atenção para o art. 51 do Código Civil o qual diz ser dinheiro um bem 
juridicamente consumível. Em resposta ao segundo argumento apresentado pelo 
impetrante da ação, o ministro respondeu afirmando que a lei complementar 
mencionada no art. 192 deveria ser feita para regular o campo próprio reservado ao 
Sistema Financeiro Nacional e que então, o que teria de se ver era se a criação do 
CDC invadiu essa esfera do sistema financeira nacional que estava reservada para 
a lei complementar. O ministro disse que não estaria invadindo em razão do CDC 
não interferir na estrutura institucional desse sistema e que somente essa deve ser 
regulada pela lei complementar. Além disso, ele disse que a defesa do consumidor é 
um princípio já elevado ao nível constitucional (art. 5 inciso XXXII e art. 48 ADCT) e 
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que sendo as relações de empréstimo caracterizadas como de consumo, devem ser 
protegidas por esse princípio. 
Ademais o ministro entrou na questão das implicações que isso traria para a 
aplicabilidade do art. 192, parágrafo 3º, mencionando, inclusive, uma outra decisão 
já tomada sobre a aplicabilidade desse artigo. Assim, o ministro disse que o 
posicionamento da Corte tinha sido que a norma que restringe a taxa de juros a 12% 
ano não seria auto-aplicável tendo de ser regulada por lei complementar além da 
frase “taxa de juros” aceitar interpretações muito amplas. O ministro diz discordar 
desse posicionamento, considerando que esse art. seria auto-aplicável o que 
significaria que a taxa de juros deve ser restringida a 12 % a.a. Ainda assim, ele 
admite que essa não é a posição atual do STF e então julga procedente, em parte, a 
ADIN. 
As razões do alto valor nas taxas de juros são compreendidas no alto número 
de pessoas que não pagam seus empréstimos, e da morosidade do Judiciário que 
não permite que os bancos entrem com ações contra os devedores. Ademais, nos 
casos onde eles entram com essas ações, os bancos, diversas vezes, perdem 
devido a tendência do Judiciário politizar suas decisões e decidir em favor dos 
devedores inadimplentes considerando-lhes como consumidores nessa relação e 
aplicando o art. 4º do CDC. Portanto, os artigos que esse Código traz em sua 
proteção, incluindo nessa o instituto criado pelo principio da vulnerabilidade. Assim, 
nesse âmbito, podemos entender por que seria importante a declaração de 
inconstitucionalidade já que ela poderia tornar a cobrança dessa dívida mais rápida 
e eficaz, faticamente levando a um decréscimo positivo das taxas de juros. Porém, 
ainda assim, também devemos considerar os outros pontos trazidos pelo ministro e 
então concordar com o fato de que ele somente decide a ação como parcialmente 
procedente. 
Finalmente, só para constar, o Ministro Cesar Pelluso concordou com a 
argumentação exposta pelo Carlos Velloso, mas adotou postura ainda mais forte, 
julgando a ação totalmente improcedente. Interessante constar que aparentemente o 
legislativo ficou em consonância com essas decisões já que, hoje em dia, foram 
revogados todos os incisos e parágrafos do art. 192 da Carta Magna, não havendo 
então mais nem mesmo a questão da restrição taxativa em 12% das taxas de juros. 
 
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Material baseado em http://academico.direito-
rio.fgv.br/wiki/Defesa_do_consumidor_e_sua_%28in%29aplicabilidade_%C3%A0s_rela%C3%A7%C
3%B5es_banc%C3%A1rias._ADIN_2591-1. Acesso em: 12 de maio de 2012. 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 26: O sistema financeiro nacional sob o aspecto 
constitucional 
 
 
O sistema financeiro encontra-se sinteticamente previsto no art. 192 da 
Constituição Federal, que, em sua redação original, já estabelecia que o SFN 
deveria ser estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País 
e a servir aos interesses da coletividade e que deve ser regulado por leis 
complementares. 
Até o advento da Emenda Constitucional nº 40/2003, o dispositivo estabelecia, 
de forma pormenorizada, algumas diretrizes a serem seguidas pelo legislador na 
edição da norma de regência a ser editada. 
A entrada em vigor da Constituição Federal de 1988 trouxe pelo menos duas 
grandes repercussões para a regulação do SFN. A primeira delas dizia respeito às 
condições de ingresso de novas instituições financeiras no mercado. Anteriormente, 
vigorava o sistema de cartas-patentes (espécies de autorizações conferidas pelo 
Banco Central às IF) em que o Conselho Monetário Nacional fixava um número 
máximo de instituições (e até mesmo agências) que poderiam ser autorizadas a 
atuar no mercado. 
Assim, para que uma IF pudesse entrar no mercado ou mesmo para que 
pudesse ampliar sua atuação, eram necessário adquirir a carta patente de outra, 
criando uma espécie de reserva de mercado. 
Com a redação conferida ao art. 192, §1º, da CF/88, as autorizações para o 
funcionamento de novas instituições passaram a ter caráter inegociável e 
intransferível, sendo concedida sem ônus às IF que preencherem os requisitos 
técnicos previstos em lei. A superação do sistema de cartas patentes removeu a 
principal barreira para o ingresso de novas instituições no mercado, o que, na 
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prática, representou a transição do sistema financeiro para um regime de livre 
mercado. 
Outra mudança importante foi a introdução de uma limitação à taxa de juros 
reais cobradas pelas IFs. O §3º do mesmo artigo 192 tipificava como crime de usura 
a cobrança em patamar superior a 12% ao ano. 
Com a promulgação da EC 40/2003, o dispositivo constitucional passou a 
contar com redação extremamente sintética, remetendo a regulação de toda matéria 
à reserva de lei complementar, incluindo a participação do capital estrangeiro nas 
instituições financeiras. 
A mesma emenda conferiu nova redação ao art. 52 do ADCT, estabelecendo 
que, até que sejam fixadas as condições do art. 192, são vedados a instalação, no 
País, de novas agências de instituições financeiras domiciliadas no exterior e o 
aumento do percentual de participação, no capital de instituições financeiras com 
sede no País, de pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. 
Atualmente, portanto, praticamente toda a regulação do SFN tem sede 
infraconstitucional, estando esparsa em leis e atos normativos infralegais. 
Todavia, há uma grande confusão conceitual acerca do que constitui, em 
verdade, o Sistema Financeiro Nacional. Numa visão ampla, que considera tal 
sistema como aquele em que são desempenhadas atividades de cunho financeiro, é 
possível afirmar que o SFN compreende quatro grandes mercadosou segmentos, 
cada qual regulado por legislação e órgãos específicos: 
 Mercado Financeiro – é o conjunto de instituições, práticas e normas que 
viabilizam as relações financeiras entre credores (agentes superavitários) e 
devedores (agentes deficitários). Uma das características principais desse mercado 
é a intermediação financeira especializada. É regido principalmente pela Lei nº 
4.595/64. 
 Mercado de Capitais – segmento específico do mercado financeiro, em que 
a transferência de recursos aos poupadores/agente superavitários para os 
investidores/agentes deficitários ocorre mediante colocação de títulos e valores 
mobiliários emitidos pelas empresas, como ações e debêntures, negociados 
especialmente em Bolsa de Valores e Mercado de Balcão, sem a necessária 
intermediação do sistema bancário. É regido principalmente pela Lei nº 4.728/65 e 
pela Lei nº 6.385/76; 
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 Mercado de Seguros Privados e Capitalização – é aquele onde são 
negociados os contratos de seguros oferecidos pela sociedades autorizadas a 
operar com seguros privados. De forma coligada, são também oferecidos os títulos 
de capitalização, por sociedades especificamente constituídas para este fim. É 
disciplinado principalmente pelo Decreto-Lei nº 70/66. 
 Mercado de Previdência Complementar – compreende a negociação de 
planos privados de previdência, de caráter facultativo, complementar e organizado e 
forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social. Sua regra-matriz 
tem sede no art. 202 da CF/88, sendo disciplinado principalmente pela Lei 
Complementar nº 109/2001. É dividido em: 
 Previdência privada aberta – é operado pela entidades abertas de 
previdência, que oferecem planos de benefícios a quaisquer pessoas físicas (planos 
individuais) ou a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma ou mais 
pessoas jurídicas contratantes (planos coletivos). 
 Previdência fechada – é operado pelas entidades fechadas de previdência 
complementar, comumente chamadas de “fundos de pensão”. Somente é acessível: 
aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados 
patrocinadores; e aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter 
profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. 
Já especificamente em relação à ESTRUTURA DO SFN, esta organiza-se da 
seguinte forma: 
Órgãos Normativos 
 Conselho Monetário Nacional – é o órgão responsável por expedir 
diretrizes gerais para o bom funcionamento do SFN. O CMN é integrado pelo 
Ministro da Fazenda (que o preside), pelo Ministro do Planejamento, Orçamento e 
Gestão e pelo Presidente do Banco Central do Brasil. 
 Conselho Nacional de Seguros Privados – órgão colegiado responsável 
por fixar as diretrizes gerais e normas da política de seguros privados, por regular a 
constituição, organização, funcionamento e fiscalização das empresas que atuam no 
âmbito do Sistema Nacional de Seguros Privados, e, ainda, por fixar as 
características gerais dos contratos de seguro, previdência privada aberta, 
capitalização e resseguro. É integrado pelo Ministro da Fazenda ou seu 
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representante (que o preside) e por representantes do Ministério da Justiça, 
Ministério da Previdência, Superintendência de Seguros Privados, Banco Central e 
Comissão de Valores Mobiliários. 
 Conselho de Gestão de Previdência Complementar – órgão colegiado 
responsável pela regulação das atividades das entidades fechadas de previdência 
complementar, funcionando ainda como órgão recursal, responsável pela apreciação 
de recursos interpostos contra decisões da SPC, versando sobre penalidades 
administrativas. O CGPC é composto por representantes indicados pelo Governo 
(Ministérios da Previdência,Fazenda e Planejamento), pelos fundos de pensão, 
pelos participantes e assistidos e pelos patrocinadores e instituidores de planos de 
previdência. 
Entidades Supervisoras 
 Banco Central do Brasil – autarquia criada pela Lei nº 4.595/64, a quem 
compete cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela 
legislação em vigor e as normas expedidas pelo CMN. Na prática, o BCB é o 
principal executor das orientações do CMN. Dentre outras atribuições, cabe ao BCB: 
emitir papel-moeda e moeda metálica; executar os serviços do meio circulante; 
receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e 
bancárias; realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições 
financeiras; regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros 
papéis; efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais; exercer o 
controle de crédito; exercer a fiscalização das instituições financeiras; autorizar o 
funcionamento das instituições financeiras; estabelecer as condições para o 
exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras; vigiar a 
interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar 
o fluxo de capitais estrangeiros no país. 
 Comissão de Valores Mobiliários – é uma autarquia vinculada ao 
Ministério da Fazenda, a quem cabe precipuamente a regulamentação, controle e 
fiscalização do mercado de valores mobiliários. Compete à CVM, dentre outros: 
regulamentar, com observância da política definida pelo CMN, as matérias 
expressamente previstas na Lei nº 6.385/76 e na lei de sociedades por ações; 
fiscalizar permanentemente as atividades e os serviços do mercado de valores 
mobiliários, bem como a veiculação de informações relativas ao mercado, às 
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pessoas que dele participem, e aos valores nele negociados; fiscalizar e inspecionar 
as companhias abertas. 
 Superintendência de Seguros Privados – é também um autarquia 
vinculada ao Ministério da Fazenda, a SUSEP foi criada pelo Decreto-lei nº 73/66 e é 
o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, 
resseguro, previdência privada aberta e capitalização. 
 Secretaria de Previdência Complementar – integrante da estrutura do 
Ministério da Previdência, a SPC é responsável pela fiscalização das atividades das 
Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). São 
algumas das competências da SPC: propor as diretrizes básicas para o Sistema de 
Previdência Complementar; harmonizar as atividades das entidades fechadas de 
previdência privada com as políticas de desenvolvimento social e econômico-
financeira do Governo; fiscalizar, supervisionar, coordenar, orientar e controlar as 
atividades relacionadas com a previdência complementar fechada; analisar e 
aprovar os pedidos de autorização para constituição, funcionamento, fusão, 
incorporação, grupamento, transferência de controle das entidades fechadas de 
previdência complementar, bem como examinar e aprovar os estatutos das referidas 
entidades, os regulamentos dos planos de benefícios e suas alterações. 
 
Instituições operadoras 
Supervisionadas pelo Banco Central 
a) Instituições financeiras captadoras de depósitos à vista: 
- Bancos Comerciais 
- Bancos Múltiplos 
- Banco do Brasil 
- Caixa Econômica Federal 
- Cooperativas de Crédito 
b) Demais Instituições financeiras: 
- Agências de fomento 
- Bancos de Desenvolvimento 
- Bancos de Investimento 
- BNDES 
- Banco de Câmbio 
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- Sociedades de crédito, financiamentoe investimento (“financeiras”) 
- Sociedades de Crédito ao microempreendedor 
- Sociedades de Crédito Imobiliário 
- Companhias Hipotecárias 
- Cooperativas Centrais de Crédito 
c) Outros intermediários financeiros: 
- Administradoras de Consórcio 
- Sociedades de arrendamento mercantil (leasing) 
- Corretoras de câmbio 
- Corretoras de títulos e valores mobiliários (apenas no que tange às operações 
com títulos de renda fixa) 
- Distribuidoras de títulos e valores mobiliários (apenas no que tange às 
operações com títulos de renda fixa) 
 
 
OS CONTRATOS BANCÁRIOS E O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 27: As funções do Conselho Monetário Nacional e do 
Banco Central 
 
AS FUNÇÕES DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL 
 
No Brasil, a regulação bancária é conduzida por uma estrutura híbrida de 
regulação. A função normativa do sistema é conferida primordialmente ao Conselho 
Monetário Nacional, cabendo ao Banco Central um papel mais executivo, embora 
lhe sejam atribuídas também atribuições normativas. 
 
Composição e funcionamento 
- A partir da Lei nº 9.069/95 (art. 8º), passou a ser composto pelo MF 
(Presidente), MPOG e Presidente do BCB; 
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- Tem reuniões ordinárias mensais, mas podem ser convocadas 
extraordinariamente; 
- Deliberações veiculadas em Resoluções; 
- É assessorado pela COMOC (Comissão Técnica da Moeda e do Crédito), que 
faz a análise técnica das medidas a serem adotadas pelo CMN; 
- Tem os serviços de Secretaria-Executiva providos pelo BCB; 
Principais atribuições 
- Objetivos: Segundo o art. 3º da Lei nº 4.595/64, a atuação do CMN deve ter 
por objetivo: adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da 
economia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de 
pagamentos; orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras; propiciar 
o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros; zelar pela 
liquidez e solvência das instituições financeiras; coordenar as políticas monetária, 
creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa. 
- Competências: O art. 4º elenca um extenso rol de competências ao CMN, nas 
quais se destacam: Estabelecer condições para que o BCB emita moeda; o Fixar as 
diretrizes e normas da política cambial; Disciplinar o crédito em todas as suas 
modalidades e as operações creditícias em todas as suas formas; Regular a 
constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades 
disciplinadas na Lei nº 4.595/64, bem como a aplicação das penalidades previstas; 
Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras 
poderão emprestar a um mesmo cliente ou grupo de empresas; Estipular índices e 
outras condições técnicas sobre encaixes, mobilizações e outras relações 
patrimoniais a serem observadas pelas instituições financeiras; Expedir normas 
gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições 
financeiras; Delimitar o capital mínimo das instituições financeiras privadas; Baixar 
normas que regulem as operações de câmbio. 
 
AS FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL 
Embora sua atuação seja umbilicalmente ligada à regulação bancária, o BCB 
desempenha uma série de outras funções tão importantes quanto esta para a 
solidez da economia e do SFN. 
 
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Monopólio de Emissão de Moeda 
Por força do art. 164 da Constituição Federal, bem como do art. 10, inciso I, da 
Lei nº 4.595/64, a competência para emissão de moeda é privativa do BCB. 
Segundo a definição clássica, há emissão de moeda quando o BCB entrega o 
numerário (cédulas ou moedas metálicas) ao banco, colocando-o em circulação e 
não quando a moeda é confeccionada. Logo, a impressão ou cunhagem da moeda 
(que, no Brasil, é feita com exclusividade pela Casa da Moeda, por determinação 
legal) é apenas uma etapa preparatória à emissão propriamente dita. 
A emissão de moeda é um dos serviços de meio circulante executados pelo 
BCB, que envolve ainda: os estudos e pesquisas para elaboração de novas cédulas; 
o atendimento e controle das necessidades de numerário da população; e o 
saneamento do meio circulante (com a destruição e substituição das cédulas 
desgastadas pelo uso). 
Banco do Governo 
O art. 164, § 3º, da Constituição Federal estabelece que as disponibilidades de 
caixa da União devem ser depositadas no BCB. 
Antes da CF/88 e da Lei de Responsabilidade Fiscal, as relações financeiras 
entre o BCB e o Governo Federal eram bastante confusas e desorganizadas, o que 
se devia principalmente às constantes ingerências do Poder Executivo federal sobre 
as atividades do BCB. Em tempos de surto inflacionário, traço característico das 
décadas de 80 e 90 no Brasil, os déficits orçamentários do Governo federal eram 
freqüentemente financiados não só pela emissão de títulos e de moeda como 
também pela obtenção de créditos externos pelo BCB. 
Com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, em 1986, e com a 
promulgação da CF/88, houve uma série de reformas na gestão das contas públicas 
que culminaram com a segregação de atividades do Tesouro e do BCB. 
Segundo o art. 164, §1º da Carta Magna, passou a ser vedado ao BCB 
conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer 
órgão ou entidade que não seja instituição financeira. Com isso, o BCB, na verdade, 
não emite títulos públicos, mas apenas compra e vende títulos de emissão do 
Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. 
Formulação, execução e acompanhamento da Política Monetária 
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A política monetária é uma das vertentes de política econômica e, talvez, a 
principal função, em termos políticos e econômicos, que é tradicionalmente 
desempenhada por um banco central. 
Por meio dos instrumentos de PM, o BCB zela pela estabilidade da moeda, de 
forma a manter seu poder de compra. Nesse mister, o BCB busca adequar o volume 
dos meios de pagamento (todos os ativos que funcionam como moeda) à real 
capacidade da economia de absorver recursos sem causar desequilíbrio dos preços. 
Para tanto, a Autarquia usa instrumentos como o redesconto, o recolhimento 
compulsório, as operações de mercado aberto e a taxa básica de juros da economia 
(no caso do Brasil, a taxa Selic). 
Desde 1999, a política monetária brasileira adota o chamado Regime de Metas 
para a Inflação, no qual o BCB se compromete a atuar de forma a garantir que a 
inflação medida em determinado período atenda a uma meta pré-estabelecida. No 
Brasil, a taxa-meta é fixada pelo CMN. O Comitê de Política Monetária (COPOM), 
formado pelos Diretores do Banco Central, se reúne então a cada 45 dias para aferir 
como fazer para cumprir a meta. 
Como o instrumento tradicional de execução de PM baseada no regime de 
metas inflacionárias é a taxa básica de juros da economia, as reuniões do COPOM 
são, atualmente, voltadas para decidir basicamente o percentual da taxa Selic que 
irá vigorar no período entre suas reuniões. 
Quando as metas fixadas pelo CMN não são cumpridas (ou seja, quando a 
inflação fica acima ou abaixo do intervalo estabelecido), o Presidente do BCB deve 
enviar um carta aberta ao Ministro da Fazenda para explicitar os motivos do 
descumprimento. 
Política Cambial e Relações com o Exterior 
Segundo o art. 4º, incisos V e XXXI, a competência para fixação de diretrizes 
gerais para a política cambial e para baixar normas que regulem as operaçõesde 
câmbio é do CMN. 
Contudo, a competência para executar a política cambial estabelecida pelo 
CMN, bem como para regulamentar suas disposições, estabelecendo os 
procedimentos operacionais necessários, é do BCB. É no exercício dessa atribuição 
que, uma vez fixadas as normas gerais de operação do mercado de câmbio pelo 
CMN, o BCB edita normativos disciplinando as minúcias e a dinâmica dessas 
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operações. Atualmente, tais normas estão contidas no Regulamento do Mercado de 
Câmbio e Capitais Internacionais, veiculado por circular editada pelo BCB. 
Além dessa atividade regulatória, o BCB atua na administração das reservas 
internacionais do país, consoante determinado pelo art. 10, inciso VIII da Lei nº 
4.595/64. Tais reservas se formam, em geral, a partir do saldo positivo entre o 
volume de exportações e importações, bem como de entrada e saída de capitais 
estrangeiros no País. Assim, um maior volume de exportações e de ingresso de 
recursos no Brasil, frente às importações e à saída de recursos leva a um aumento 
das reservas internacionais. 
Por fim, cabe ao BCB entender-se, em nome do governo brasileiro, com 
instituições financeiras estrangeiras e internacionais (art. 11, inciso I da Lei nº 
4.595/64). 
Banco dos Bancos 
Esta é outra das funções mais importantes de um Banco Central, que já se 
insere no contexto da regulação bancária. 
Na função de banco dos bancos, o BCB atua prestando assistência financeira 
às instituições financeiras e prestando serviços de transferência de fundos e de 
liquidação de operações no sistema bancário. Nesse contexto, há um instituto muito 
importante: a conta Reservas Bancárias, que compreende as disponibilidades, em 
moeda nacional, que instituições financeiras mantém obrigatoriamente depositadas 
no BCB. Tal conta não pode apresentar saldo negativo nem mesmo no decorrer de 
um mesmo dia. Ela é sensibilizada (isto é, tem seu saldo alterado) pelas operações 
realizadas pelos bancos e seus respectivos clientes, como saques, transferências, 
compensação de cheques. 
 
Material baseado em: 
http://www.tvjustica.jus.br/documentos/Curso%20de%20Regulacao%20do%20Sistema%20Financeiro
%202%20-%20Fabiano%20Jantalia.pdf 
. Acesso em: 12 de maio de 2012. 
 
MICROCOMPETÊNCIA 27: As funções do Conselho Monetário Nacional e do 
Banco Central 
 
AS FUNÇÕES DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL 
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No Brasil, a regulação bancária é conduzida por uma estrutura híbrida de 
regulação. A função normativa do sistema é conferida primordialmente ao Conselho 
Monetário Nacional, cabendo ao Banco Central um papel mais executivo, embora 
lhe sejam atribuídas também atribuições normativas. 
 
Composição e funcionamento 
- A partir da Lei nº 9.069/95 (art. 8º), passou a ser composto pelo MF 
(Presidente), MPOG e Presidente do BCB; 
- Tem reuniões ordinárias mensais, mas podem ser convocadas 
extraordinariamente; 
- Deliberações veiculadas em Resoluções; 
- É assessorado pela COMOC (Comissão Técnica da Moeda e do Crédito), que 
faz a análise técnica das medidas a serem adotadas pelo CMN; 
- Tem os serviços de Secretaria-Executiva providos pelo BCB; 
Principais atribuições 
- Objetivos: Segundo o art. 3º da Lei nº 4.595/64, a atuação do CMN deve ter 
por objetivo: adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da 
economia; regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de 
pagamentos; orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras; propiciar 
o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros; zelar pela 
liquidez e solvência das instituições financeiras; coordenar as políticas monetária, 
creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa. 
- Competências: O art. 4º elenca um extenso rol de competências ao CMN, nas 
quais se destacam: Estabelecer condições para que o BCB emita moeda; o Fixar as 
diretrizes e normas da política cambial; Disciplinar o crédito em todas as suas 
modalidades e as operações creditícias em todas as suas formas; Regular a 
constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades 
disciplinadas na Lei nº 4.595/64, bem como a aplicação das penalidades previstas; 
Determinar a percentagem máxima dos recursos que as instituições financeiras 
poderão emprestar a um mesmo cliente ou grupo de empresas; Estipular índices e 
outras condições técnicas sobre encaixes, mobilizações e outras relações 
patrimoniais a serem observadas pelas instituições financeiras; Expedir normas 
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gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições 
financeiras; Delimitar o capital mínimo das instituições financeiras privadas; Baixar 
normas que regulem as operações de câmbio. 
 
AS FUNÇÕES DO BANCO CENTRAL 
Embora sua atuação seja umbilicalmente ligada à regulação bancária, o BCB 
desempenha uma série de outras funções tão importantes quanto esta para a 
solidez da economia e do SFN. 
 
Monopólio de Emissão de Moeda 
Por força do art. 164 da Constituição Federal, bem como do art. 10, inciso I, da 
Lei nº 4.595/64, a competência para emissão de moeda é privativa do BCB. 
Segundo a definição clássica, há emissão de moeda quando o BCB entrega o 
numerário (cédulas ou moedas metálicas) ao banco, colocando-o em circulação e 
não quando a moeda é confeccionada. Logo, a impressão ou cunhagem da moeda 
(que, no Brasil, é feita com exclusividade pela Casa da Moeda, por determinação 
legal) é apenas uma etapa preparatória à emissão propriamente dita. 
A emissão de moeda é um dos serviços de meio circulante executados pelo 
BCB, que envolve ainda: os estudos e pesquisas para elaboração de novas cédulas; 
o atendimento e controle das necessidades de numerário da população; e o 
saneamento do meio circulante (com a destruição e substituição das cédulas 
desgastadas pelo uso). 
Banco do Governo 
O art. 164, § 3º, da Constituição Federal estabelece que as disponibilidades de 
caixa da União devem ser depositadas no BCB. 
Antes da CF/88 e da Lei de Responsabilidade Fiscal, as relações financeiras 
entre o BCB e o Governo Federal eram bastante confusas e desorganizadas, o que 
se devia principalmente às constantes ingerências do Poder Executivo federal sobre 
as atividades do BCB. Em tempos de surto inflacionário, traço característico das 
décadas de 80 e 90 no Brasil, os déficits orçamentários do Governo federal eram 
freqüentemente financiados não só pela emissão de títulos e de moeda como 
também pela obtenção de créditos externos pelo BCB. 
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Com a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, em 1986, e com a 
promulgação da CF/88, houve uma série de reformas na gestão das contas públicas 
que culminaram com a segregação de atividades do Tesouro e do BCB. 
Segundo o art. 164, §1º da Carta Magna, passou a ser vedado ao BCB 
conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer 
órgão ou entidade que não seja instituição financeira. Com isso, o BCB, na verdade, 
não emite títulos públicos, mas apenas compra e vende títulos de emissão do 
Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. 
Formulação, execução e acompanhamento da Política Monetária 
A política monetária é uma das vertentes de política econômica e, talvez, a 
principal função, em termos políticos e econômicos, que é tradicionalmente 
desempenhadapor um banco central. 
Por meio dos instrumentos de PM, o BCB zela pela estabilidade da moeda, de 
forma a manter seu poder de compra. Nesse mister, o BCB busca adequar o volume 
dos meios de pagamento (todos os ativos que funcionam como moeda) à real 
capacidade da economia de absorver recursos sem causar desequilíbrio dos preços. 
Para tanto, a Autarquia usa instrumentos como o redesconto, o recolhimento 
compulsório, as operações de mercado aberto e a taxa básica de juros da economia 
(no caso do Brasil, a taxa Selic). 
Desde 1999, a política monetária brasileira adota o chamado Regime de Metas 
para a Inflação, no qual o BCB se compromete a atuar de forma a garantir que a 
inflação medida em determinado período atenda a uma meta pré-estabelecida. No 
Brasil, a taxa-meta é fixada pelo CMN. O Comitê de Política Monetária (COPOM), 
formado pelos Diretores do Banco Central, se reúne então a cada 45 dias para aferir 
como fazer para cumprir a meta. 
Como o instrumento tradicional de execução de PM baseada no regime de 
metas inflacionárias é a taxa básica de juros da economia, as reuniões do COPOM 
são, atualmente, voltadas para decidir basicamente o percentual da taxa Selic que 
irá vigorar no período entre suas reuniões. 
Quando as metas fixadas pelo CMN não são cumpridas (ou seja, quando a 
inflação fica acima ou abaixo do intervalo estabelecido), o Presidente do BCB deve 
enviar um carta aberta ao Ministro da Fazenda para explicitar os motivos do 
descumprimento. 
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Política Cambial e Relações com o Exterior 
Segundo o art. 4º, incisos V e XXXI, a competência para fixação de diretrizes 
gerais para a política cambial e para baixar normas que regulem as operações de 
câmbio é do CMN. 
Contudo, a competência para executar a política cambial estabelecida pelo 
CMN, bem como para regulamentar suas disposições, estabelecendo os 
procedimentos operacionais necessários, é do BCB. É no exercício dessa atribuição 
que, uma vez fixadas as normas gerais de operação do mercado de câmbio pelo 
CMN, o BCB edita normativos disciplinando as minúcias e a dinâmica dessas 
operações. Atualmente, tais normas estão contidas no Regulamento do Mercado de 
Câmbio e Capitais Internacionais, veiculado por circular editada pelo BCB. 
Além dessa atividade regulatória, o BCB atua na administração das reservas 
internacionais do país, consoante determinado pelo art. 10, inciso VIII da Lei nº 
4.595/64. Tais reservas se formam, em geral, a partir do saldo positivo entre o 
volume de exportações e importações, bem como de entrada e saída de capitais 
estrangeiros no País. Assim, um maior volume de exportações e de ingresso de 
recursos no Brasil, frente às importações e à saída de recursos leva a um aumento 
das reservas internacionais. 
Por fim, cabe ao BCB entender-se, em nome do governo brasileiro, com 
instituições financeiras estrangeiras e internacionais (art. 11, inciso I da Lei nº 
4.595/64). 
Banco dos Bancos 
Esta é outra das funções mais importantes de um Banco Central, que já se 
insere no contexto da regulação bancária. 
Na função de banco dos bancos, o BCB atua prestando assistência financeira 
às instituições financeiras e prestando serviços de transferência de fundos e de 
liquidação de operações no sistema bancário. Nesse contexto, há um instituto muito 
importante: a conta Reservas Bancárias, que compreende as disponibilidades, em 
moeda nacional, que instituições financeiras mantém obrigatoriamente depositadas 
no BCB. Tal conta não pode apresentar saldo negativo nem mesmo no decorrer de 
um mesmo dia. Ela é sensibilizada (isto é, tem seu saldo alterado) pelas operações 
realizadas pelos bancos e seus respectivos clientes, como saques, transferências, 
compensação de cheques. 
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Material baseado em: 
http://www.tvjustica.jus.br/documentos/Curso%20de%20Regulacao%20do%20Sistema%20Financeiro
%202%20-%20Fabiano%20Jantalia.pdf 
. Acesso em: 12 de maio de 2012. 
 
OS CONTRATOS BANCÁRIOS E O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN 
 
MICROCOMPETÊNCIA 28: A supervisão bancária enquanto função do Banco 
Central 
 
De modo geral, a atividade de supervisão visa a assegurar a solidez do SFN e 
o regular funcionamento das entidades supervisionadas. Segundo o Manual de 
Supervisão do BCB, tal atividade tem como objetivos: 
- Avaliar as instituições supervisionadas, no tocante aos riscos assumidos e à 
capacidade de gerenciamento dentro de limites regulamentares e prudenciais; 
- Verificar o cumprimento das normas específicas de sua competência, para 
que as instituições supervisionadas atuem em conformidade às leis e à 
regulamentação; 
- Fomentar a divulgação de informações pelas instituições supervisionadas, 
com vistas às melhores práticas de governança corporativa nos aspectos de 
transparência e eqüidade no relacionamento com os participantes do mercado; 
- Prevenir a utilização do sistema financeiro para o trânsito de recursos 
oriundos da prática de ilícitos financeiros, da lavagem de dinheiro e financiamento do 
terrorismo; e 
- Atender denúncias, reclamações e pedidos de informações. 
É importante esclarecer que, apesar da competência fiscalizatória do BCB ter 
sido inicialmente delimitado pela Lei nº 4.595/64 – alcançando assim apenas as 
instituições financeiras – outras leis atribuíram competência à Autarquia para 
fiscalização e supervisão de outras instituições. É o caso, por exemplo, das 
corretoras e distribuidoras de valores mobiliários (Lei nº 4.728/65), das cooperativas 
de crédito (Lei nº 5.764/91) e das administradoras de consórcio (originalmente em 
decorrência da Lei nº 8.177/91 e agora com base na Lei nº 11.795/08). 
 
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Disciplina: CONTRATOS BANCÁRIOS 
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Autorização para funcionamento de instituições supervisionadas 
Uma etapa preliminar, que consubstancia uma espécie de supervisão prévia, 
tem sede no art. 10, inciso X, c/c art. 18 da Lei nº 4.595/64, que estatui que as 
instituições financeiras somente podem funcionar no País mediante prévia 
autorização do BCB. 
Após o início das atividades da instituição, caberá à Autarquia conceder 
autorização para uma série de atos societários e negociais, como a transformação, 
fusão, incorporação ou encampação. As instituições supervisionadas pelo BCB 
precisam também de autorização para praticar operações de câmbio, crédito real e 
venda habitual de títulos da dívida pública federal, estadual ou municipal, ações, 
debêntures, letras hipotecárias e outros títulos de crédito ou mobiliários; alterar seus 
estatutos; ou ainda para alienar ou, por qualquer outra forma, transferir o seu 
controle acionário. 
O BCB pode ainda estabelecer condições para a posse e para o exercício de 
quaisquer cargos de administração de instituições financeiras privadas, assim como 
para o exercício de quaisquer funções em órgãos consultivos, fiscais e semelhantes, 
segundo diretrizes gerais expedidas pelo CMN. 
 
Supervisão Indireta 
A supervisão indireta das instituições que integram o SFN é conduzida pela 
área técnica do BCB mediante o monitoramento, por meio eletrônico, da situação 
econômico-financeira, do atendimento aos limites operacionais, dos riscos incorridos 
pelas instituições (como risco de liquidez e de crédito), bem como pelo 
monitoramento dos estoques e das operações cursadas em sistemas de registro e 
de liquidação financeira das instituições por ele supervisionadas. 
Essa atividade de supervisão está baseada na coleta e análise das 
informações enviadas pelas instituiçõese conta com o suporte de sistemas de 
grande porte desenvolvidos pelo BCB para o bom exercício de suas funções. Dentre 
os instrumentos utilizados pela Autarquia destacam-se: 
- Sistema de Informações sobre Entidades de Interesse do Banco Central 
(UNICAD) – contém informações cadastrais das entidades supervisionadas pelo 
Banco Central, bem como de pessoas físicas vinculadas a essas entidades. Estão 
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ali retratadas informações como a composição societária, autorizações obtidas e 
pendentes e instalações e agências, dentre outros; 
- Sistema de Informações de Crédito (SCR) – consiste num banco de dados 
sobre operações de crédito das instituições fiscalizadas pelo BCB. Seu principal 
objetivo é permitir à supervisão do Banco Central aferir as condições econômico-
financeiras das instituições financeiras, com o propósito de proteger seus 
depositantes. Se forem observados indícios de operações ilícitas, o BCB dá início a 
processo administrativo para apuração dos fatos. Sem prejuízo disso, a Autarquia 
comunica a(s) operação(ões) suspeita(s) ao Conselho de Controle das Atividades 
Financeiras (COAF) – quando verificados indícios de crime de lavagem de dinheiro – 
e à Secretaria da Receita Federal do Brasil – quando verificados indícios de ilícitos 
fiscais. 
 
Supervisão Direta 
A supervisão direta é aquela que se dá pela inspeção in loco (ou à distância, 
em alguns casos) dos técnicos do BCB. Normalmente, a supervisão direta ocorre 
posteriormente à indireta, diante dos resultados ou suspeitas levantadas pela 
fiscalização do BCB quanto às informações e dados previamente analisados na SI. 
Nessa inspeção, muitas vezes os dados contábeis não são o elemento de 
maior preocupação. Seu real objetivo é identificar e avaliar os riscos e os controles 
inerentes a cada área ou atividade da instituição, bem como a atuação da alta 
administração na manutenção da solidez e do regular funcionamento da entidade. 
A decisão sobre o tipo e o alcance da inspeção leva em conta as 
características e o porte da instituição, bem como sua situação econômico-financeira 
e seu perfil de risco. 
 
Processos Administrativos 
Consoante disposto no art. 4º, inciso VIII, da Lei nº 4.595/64, compete ao CMN 
regular a aplicação das penalidades previstas. Por sua vez, o Art. 10, inciso IX, da 
mesma lei, estabelece a competência do BCB para exercer a fiscalização das 
instituições financeiras e aplicar as penalidades previstas. 
No exercício de suas competências normativas, o CMN editou a Resolução nº 
1.065/85, que veicula o Regulamento de Aplicação de Penalidades às instituições 
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financeiras, seus administradores, membros de conselhos consultivos, fiscais e 
semelhantes, gerentes e outras pessoas que infrinjam as disposições das Leis n. 
4.595/64, bem como outras normas legais ou regulamentares aplicáveis. Esse 
regulamento é parte integrante do Manual de Normas e Instruções do BCB. 
Após instaurados, os processos administrativos punitivos no âmbito do BCB 
passam pelas fases de defesa do acusado e exame do processo, até a prolação da 
decisão administrativa pelo BCB. As penas aplicadas pela Autarquia variam de 
acordo com a instituição supervisionada e com a respectiva previsão legal, indo 
desde a mera advertência e multa até a suspensão ou inabilitação para o exercício 
de cargos (no caso de pessoa física) ou a cassação da autorização de 
funcionamento (pessoa jurídica). Dessa decisão cabe recurso ao Conselho de 
Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), ou, quando a penalidade for 
imposta com amparo na Lei nº 9.613/98, ao Ministro da Fazenda. 
O CRSFN é um órgão colegiado, de segundo grau, integrante da estrutura do 
Ministério da Fazenda, cuja Secretaria-Executiva funciona no Edifício Sede do BCB. 
É constituído por oito conselheiros com conhecimentos especializados em assuntos 
relativos aos mercados financeiro, de câmbio, de capitais, de crédito rural e industrial 
e de consórcios, sendo quatro indicados pelo Governo (Ministério da Fazenda, BC, 
CVM e Secretaria de Comércio Exterior do MDIC) e quatro indicados pelas 
entidades de classe dos mercados supervisionados, em lista tríplice. Seu Regimento 
Interno é veiculado em Decreto Presidencial. Após a decisão administrativa proferida 
pelo CRSFN, ou pelo Ministro de Estado da Fazenda, e sua posterior publicação no 
Diário Oficial, o BCB pode aplicar a penalidade. 
Em todo o processo administrativo aqui abordado, a Lei nº 9.784/99, que regula 
o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, tem 
aplicabilidade apenas subsidiária. Isto é, somente é aplicada diante da inexistência 
de regramento específico nos diplomas já citados. 
 
Material baseado em: 
http://www.tvjustica.jus.br/documentos/Curso%20de%20Regulacao%20do%20Sistema%20Financeiro
%202%20-%20Fabiano%20Jantalia.pdf 
. Acesso em: 12 de maio de 2012. 
 
OS CONTRATOS BANCÁRIOS E O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – SFN 
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MICROCOMPETÊNCIA 29: O saneamento do Sistema Financeiro Nacional 
enquanto função do Banco Central 
 
A função de saneamento do SFN exercida pelo BCB está relacionada à sua 
atuação diante da iminência ou efetiva concretização de crises bancárias. Tal como 
hoje se vê com a crise norteamericana dos subprimes, a grande relevância do 
sistema bancário para a economia real torna as crises bancárias potencialmente 
perigosas para os demais segmentos da economia, principalmente porque o sistema 
atua na captação de poupança popular. 
É preciso então que as entidades reguladoras do sistema financeiro (no caso 
específico, o Banco Central) sejam dotados de um arsenal normativo para combater 
e debelar as crises, inclusive intervindo na atividade das instituições financeiras e 
até de outras instituições que, as não financeiras, mas que atuem como 
intermediários. 
No Brasil, a legislação atribui ao BCB o poder de aplicar os chamados Regimes 
Especiais, em que a Autarquia efetivamente atua da administração da instituição. 
Contudo, o BCB, antes de decidir pela instauração de um regime especial, tem o 
poder de determinar às instituições financeiras a adoção de determinadas medidas. 
Em nosso sistema, há três tipos de regimes especiais que podem ser aplicados 
às instituições financeiras privadas e às públicas não federais: 
- Intervenção; 
- Liquidação; 
- Regime de Administração Especial Temporária (RAET) 
 
A Intervenção 
Regida pela Lei nº 6.024/74, a intervenção pode ser decretada de ofício pelo 
BCB ou por solicitação dos administradores da instituição, quando se verificar: 
- prejuízo, decorrente da má administração, que sujeite a riscos os seus 
credores; ou 
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- diante da constatação de reiteradas infrações a dispositivos da legislação 
bancária não regularizadas após as determinações do BCB no uso das suas 
atribuições de fiscalização; 
Trata-se de medida de caráter cautelar e, por isso, a lei fixa um prazo de seis 
meses para sua conclusão, prorrogáveis por mais seis meses. Seu objetivo principal 
é evitar o agravamento da situação patrimonial da instituição ou fazer cessar a 
prática de irregularidades que já foram reiteradamente constatadas pelo BCB. 
Uma vez decretada, a intervenção importa a suspensão da exigibilidade das 
obrigações vencidas; a suspensão da fluência do prazo das obrigações vincendas 
anteriormente contraídas; e a inexigibilidadedos depósitos já existentes à data de 
sua decretação. 
Sua execução fica a cargo de um interventor nomeado pela Autarquia, que 
pode atuar mesmo antes da publicação do ato de sua nomeação no Diário Oficial. A 
lei prevê a possibilidade do início de sua atuação a partir da transcrição ou registro 
de seu termo de posse ou de sua nomeação nos registros internos do BCB. 
Ao assumir, o interventor deverá imediatamente iniciar o levantamento da real 
situação financeira da instituição, devendo, para tanto, arrecadar, mediante termo, 
todos os livros da entidade e os documentos de interesse da administração, bem 
como levantar o balanço geral e o inventário de todos os livros, documentos, 
dinheiro e demais bens da entidade, ainda que em poder de terceiros, a qualquer 
título. 
Os poderes do interventor são bem amplos no que diz respeito à auditoria de 
contas da empresa, mas, no plano negocial, são limitados à administração cotidiana 
da instituição. Os atos de disposição patrimonial e de admissão e demissão de 
pessoal dependem de prévia e expressa autorização do BCB. Das decisões do 
interventor, cabe recurso à Autarquia no prazo de dez dias. 
No prazo de 60 dias a partir de sua posse, o interventor deve apresentar um 
relatório ao BCB, contendo fundamentalmente o exame da escrituração, da 
aplicação dos fundos e disponibilidades, e da situação econômico-financeira da 
instituição; a indicação, devidamente comprovada, dos atos e omissões danosos 
que eventualmente tenha verificado; e uma proposta justificada da adoção das 
providências que lhe pareçam convenientes à instituição. 
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Diante do relatório, o BC pode determinar a cessação da intervenção, manter a 
instituição sob intervenção - até que sejam sanadas as irregularidades que a 
motivaram – ou decretar a liquidação extrajudicial da entidade. É importante frisar 
que o BCB não está vinculado ao relatório e à proposta do interventor. 
 
A Liquidação Extrajudicial 
Diferentemente da intervenção, a liquidação tem cunho definitivo, tendo por 
objetivo viabilizar o pagamento dos credores e promover a extinção da instituição. 
Pode ser decretada de ofício pelo BCB em três hipóteses previstas no art. 15 da Lei 
nº 6.024/74: 
- em razão de ocorrências que comprometam sua situação econômica ou 
financeira especialmente quando deixar de satisfazer, com pontualidade, seus 
compromissos ou quando se caracterizar qualquer dos motivos que autorizem a 
declararão de falência; 
- quando a administração violar gravemente as normas legais e estatutárias 
que disciplinam a atividade da instituição bem como as determinações do CMN ou 
do BCB; 
- quando a instituição sofrer prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores 
quirografários; 
- quando, cassada a autorização para funcionar, a instituição não iniciar, nos 90 
dias seguintes, sua liquidação ordinária, ou quando, iniciada esta, o BCB verificar 
que a morosidade de sua administração pode acarretar prejuízos para os credores; 
Ela também pode ser decretada pelo BCB por solicitação dos administradores 
da instituição – se o estatuto social lhes conferir esta competência – ou por proposta 
do interventor. No ato que decretar a liquidação extrajudicial, o BCB deve indicar a 
data em que se tenha caracterizado o estado que a determinou, fixando o termo 
legal da liquidação, que não poderá ser superior a 60 dias, contados do primeiro 
protesto por falta de pagamento ou, em sua falta, do ato que haja decretado a 
intervenção ou a liquidação. A decretação da liquidação tem efeitos bem mais 
amplos que o da intervenção, a saber: 
- suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses 
relativos ao 
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acervo da entidade liquidanda, não podendo ser intentadas quaisquer outras, 
enquanto 
durar a liquidação; 
- vencimento antecipado das obrigações da liquidanda; 
- não atendimento das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos em 
virtude da 
decretação da liquidação extrajudicial; 
- não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não 
integralmente pago o passivo; 
- interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da 
instituição; 
- não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem 
de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. 
A liquidação é conduzida por um liquidante nomeado pela Autarquia, que tem 
amplos poderes de administração e liquidação, especialmente os de verificação e 
classificação dos créditos, podendo nomear e demitir funcionários, fixando-lhes os 
vencimentos, outorgar e cassar mandatos, propor ações e representar a massa em 
Juízo ou fora dele. No entanto, é necessária a prévia e expressa autorização do 
BCB para que ele conclua os negócios pendentes e onere ou aliene bens da massa, 
o que, segundo a lei, deve ocorrer por meio de licitação. Das decisões do liquidante, 
cabe recurso ao BCB, sem efeito suspensivo. 
Diante de sua complexidade, não há prazo fixado em lei para a conclusão da 
liquidação. No entanto, tal como ocorre com a intervenção, o liquidante tem um 
prazo de 60 dias para apresentar um relatório sobre a situação da liquidanda. De 
posse desse relatório, o BCB pode autorizar o prosseguimento da liquidação ou 
autorizar o liquidante a requerer diretamente a falência da entidade, que se 
processará na forma do art. 75 e seguintes da Lei nº 11.101/05 (nova Lei de 
Falências), quando o seu ativo não for suficiente para cobrir pelo menos a metade 
do valor dos créditos quirografários ou quando houver fundados indícios de crimes 
falimentares. 
Uma das etapas mais importantes da liquidação é a chamada dos credores, 
que dá início à classificação dos créditos, culminando com a formação do quadro 
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geral de credores, que servirá de base para a conclusão da liquidação, mediante a 
satisfação dos passivos da liquidanda. 
 
O Regime de Administração Especial Temporária (RAET) 
O RAET é disciplinado pelo Decreto-lei nº 2.321/87, consistindo num regime 
em que, à diferença do que ocorre com a intervenção e a liquidação, não implica 
interrupção nem suspensão das atividades normais da instituição. 
Com a decretação, ocorre a perda do mandato dos administradores e membros 
do Conselho Fiscal da instituição, ficando sua execução a cargo de um conselho 
diretor, nomeado pelo BCB, com plenos poderes de gestão, constituído de tantos 
membros quantos julgados necessários para a condução dos negócios sociais. 
A instituição do RAET atendeu a razões circunstanciais: na época, muitos 
bancos estaduais começaram a apresentar problemas, o que, em condições 
normais, poderia levar à intervenção ou mesmo à liquidação de tais instituições. 
Contudo, por serem bancos dos Estados, muito se questionava se eventual atuação 
do BCB, enquanto autarquia federal, constituiria violação ao pacto federativo. Daí 
surgiu a concepção do RAET, que, por não contemplar uma forma tão brusca de 
intromissão na atividade da instituição, não desafia tantos questionamentos quanto 
os demais regimes especiais. 
Com o advento do PROES e das muitas privatizações ocorridas com estes 
bancos, o RAET foi perdendo importância, tendo, hoje, pouca aplicabilidade. 
 
A atuação preventiva do BC: a Lei nº 9.447/97 
Até o advento da Lei nº 9.447/97, o BCB não dispunha de muitos instrumentos 
para uma atuação preventiva e, na prática, só tinha como alternativa a aplicação dos 
regimes especiais. 
Com a ediçãoda Medida Provisória nº 1.182/95, posteriormente transformada 
na Lei nº 9.447/97, o arsenal normativo da Autarquia ganhou substancial incremento. 
Segundo a norma, quando verificada a ocorrência de qualquer das hipóteses 
ensejadoras da intervenção, liquidação ou RAET, o BCB, em vez de decretar 
imediatamente a instauração do regime especial e visando assegurar a normalidade 
da economia pública e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e 
demais credores, pode determinar aos administradores da instituição que promovam 
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a capitalização da sociedade – com o aporte de recursos necessários ao seu 
soerguimento, em montante por ele fixado – a transferência do controle acionário, ou 
a reorganização societária, inclusive mediante incorporação, fusão ou cisão. 
Além disso, a lei previu que, a partir da instauração de processo administrativo, 
o BCB pode adotar medidas cautelares, como determinar o afastamento dos 
indiciados da administração dos negócios da instituição, enquanto perdurar a 
apuração de suas responsabilidades; impedir que os indiciados assumam quaisquer 
cargos de direção ou administração de instituições financeiras ou atuem como 
mandatários ou prepostos de diretores ou administradores; impor restrições às 
atividades da instituição financeira; ou ainda determinar à instituição financeira a 
substituição da empresa de auditoria contábil ou do auditor contábil independente. 
A lei permitiu ainda ao interventor, ao liquidante e ao conselho diretor da 
instituição submetida ao RAET, mediante prévia e expressa autorização do BCB, 
transferir para outra(s) sociedade(s), isoladamente ou em conjunto, bens, direitos e 
obrigações da empresa ou de seus estabelecimentos; alienar ou ceder bens e 
direitos a terceiros e acordar a assunção de obrigações por outra sociedade; 
proceder à constituição ou reorganização de sociedade ou sociedades para as quais 
sejam transferidos, no todo ou em parte, bens, direitos e obrigações da instituição 
sob intervenção, liquidação extrajudicial ou administração especial temporária, 
objetivando a continuação geral ou parcial de seu negócio. 
Outras medidas importantes implementadas pela lei foram no campo da 
responsabilização dos controladores e dos prestadores de serviço de auditoria. A 
partir da Lei nº 9.447/97, os controladores passaram a ser solidariamente 
responsáveis pelos prejuízos apurados em sede de intervenção ou liquidação, 
respondendo com seus bens pessoais. Os auditores que tenham analisado os 
balanços e demonstrações contábeis de instituições que, posteriormente, sejam 
submetidas a regimes especiais passaram a estar sujeitos à apuração de 
responsabilidade. 
 
 
 
Material baseado em: 
http://www.tvjustica.jus.br/documentos/Curso%20de%20Regulacao%20do%20Sistema%20Financeiro
%202%20-%20Fabiano%20Jantalia.pdf 
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. Acesso em: 12 de maio de 2012. 
 
 
 
 
MICROCOMPETÊNCIA 30: Conceitos gerais em Contratos Bancários 
 
Embora a maioria dos juristas exerça ferrenha defesa do sigilo bancário, a 
Constituição Federal não se referiu diretamente a isso. O que a Lei Maior garante é 
o direito à intimidade, à privacidade e a inviolabilidade da transmissão de dados. O 
direito à privacidade e à intimidade não têm definição fechada, estando no nebuloso 
campo interpretativo. Baseado nisso, muitos doutrinadores têm se esforçado em 
incluir o direito ao sigilo bancário como intrínseco à intimidade pessoal. Alguns por 
crerem estar defendendo o cidadão de intromissões indesejadas do Estado, outros 
por militarem na trincheira ideológica dos bancos. 
 
Teorias aptas a fundamentar a natureza do sigilo bancário 
Teoria contratualista 
É a que reúne maior número de adeptos, liderada por Scheerer, fundamenta o 
sigilo no contrato firmado entre o banco e o cliente. Considera que existe implícita 
em qualquer contrato bancário, uma obrigação acessória de segredo por parte dos 
estabelecimentos bancários, em decorrência do segredo profissional. 
Teoria consuetudinária 
Os prosélitos desta teoria sustentam que o sigilo bancário se tornou obrigação 
jurídica em função de seu uso ao longo do tempo, observado como tradição 
universal por todos os estabelecimentos bancários e por serem atos de comércio, 
devem seguir o mesmo regime das práticas comerciais. 
 
Teoria do segredo profissional 
Grande parte da doutrina européia filia-se a esta corrente. Ela inclui os bancos 
dentre aqueles cujo exercício da atividade profissional leva a tomar conhecimento de 
certos fatos que dizem respeito à esfera íntima do indivíduo. 
Teoria legalista 
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Considera o sigilo bancário como "obrigação jurídica cujo fundamento repousa 
em uma norma legal, em sentido material." mas, é bom lembrar que a tese não é 
abrangente, pois não se aplica aos Estados cujos ordenamentos jurídicos não 
consagram o sigilo bancário em sua legislação. 
Teoria do direito de personalidade 
Esta teoria afirma que o sigilo sobre transações bancárias é uma manifestação 
do direito à intimidade e, portanto, faz parte dos direitos de personalidade 
necessários ao desenvolvimento da pessoa. Na Suíça o fundamento do sigilo 
bancário é a intimidade do cidadão. 
 
A aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor aos contratos bancários: 
não há mais dúvidas quanto à aplicação do Código de Defesa do Consumidor, 
introduzido pela Lei 8.078, de 11.09.1990, aos contratos bancários, o que se pode 
observar por vários enfoques ou ângulos distintos e mutuamente encaixados, 
reforçando-se um a um e conferindo coesão ao sistema e solidez à conclusão. 
 
O sistema financeiro nacional sob o aspecto constitucional: O sistema 
financeiro encontra-se sinteticamente previsto no art. 192 da Constituição Federal, 
que, em sua redação original, já estabelecia que o SFN deve ser estruturado de 
forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses 
da coletividade e que deve ser regulado por leis complementares. Até o advento da 
Emenda Constitucional nº 40/2003, o dispositivo estabelecia, de forma 
pormenorizada, algumas diretrizes a serem seguidas pelo legislador na edição da 
norma de regência a ser editada. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ABRÃO, Nelson. Direito Bancário. Saraiva, 2009. 
COVELLO, S. Contratos bancários. São Paulo: Saraiva. 
DALLAGNOL, Deltan Martinazzo. Contratos bancários: conceito, classificação e 
características. Disponível em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3262. 
Acesso em: 18 de junho de 2010. 
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RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. 
RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: dos contratos e das declarações unilaterais da 
vontade. São Paulo: Saraiva. 
SALOMÃO NETO, Eduardo. Direito Bancário. São Paulo:Atlas, 2009.

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