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Gerenciamento 
do Processo de 
Documentação
Gestão de Documentos
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Ms. Elisabeth Virag Garcia
Revisão Textual:
Profa. Ms. Selma Aparecida Cesarin
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Leia atentamente o conteúdo desta Unidade, que introduz a Gestão de Documentos.
Você também encontrará uma atividade composta por questões de múltipla escolha, 
relacionada ao conteúdo estudado. 
Além disso, terá a oportunidade de trocar conhecimentos e debater questões no fórum de discussão.
É extremante importante que você consulte os materiais complementares, pois são ricos em 
informações, possibilitando o aprofundamento de seus estudos sobre este assunto.
 · Introdução à gestão de documentos e sua legislação. 
 · Estudo sobre correspondência, arquivo corrente (nos aspectos protocolo, 
expedição, arquivamento, empréstimo e consulta, avaliação e destinação de 
documentos) e arquivo intermediário.
Gestão de Documentos
 · Introdução
 · Correspondência
 · Arquivo Corrente
 · Instrumentos de destinação
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Unidade: Gestão de Documentos
Contextualização
Para iniciar esta Unidade, analise as informações sobre gestão de documentos apresentadas 
no quadro a seguir:
Fonte: arquivopublicors.wordpress.com
Procure, agora, imaginar uma definição para gestão de documentos e, posteriormente, 
compare sua definição com o conteúdo da Unidade. 
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Introdução
No Brasil, a gestão de documentos é regulamentada pela Lei nº 8.159/91 que dispõe sobre a 
política nacional de arquivos públicos e privados. O Artigo 3º desta Lei dispõe que:
Considera-se Gestão de Documentos o conjunto de procedimentos e operações 
técnicas referentes à produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em 
fase corrente ou intermediária, visando à eliminação ou recolhimento para 
guarda permanente.
Desta conceituação, podemos destacar as três fases básicas da gestão de documentos (PAES 
1997, p. 54):
 · Produção de documentos: as instituições criam documentos em função de suas 
atividades gerais ou setoriais, mas devem ter o cuidado de avaliar se são realmente 
vitais para a administração, evitando excesso de documentos novos ou a duplicação de 
documentos no momento em que são criados (excesso de cópias);
 · Utilização de documentos: envolve as atividades de protocolo de expedição, 
organização e arquivamento de documentos, ou seja, trata da correta tramitação do 
documento nos arquivos de primeira (correntes) e de segunda (intermediária) idade;
 · Avaliação e destinação de documentos: trata da análise e avaliação dos documentos 
guardados nos arquivos para determinar seus prazos de guarda. Esta etapa exige atenção 
pela complexidade de se determinar prazos de guarda para os documentos. 
Na unidade I, vimos que os documentos administrativos têm um ciclo vital que compreende 
três fases: arquivo corrente, arquivo intermediário e arquivo permanente. 
Trataremos, agora, da fase inicial dos arquivos: a corrente, seguida pela intermediária e, na 
próxima Unidade, da permanente.
É nestas duas fases, a corrente e a intermediária, que ocorre a Gestão de Documentos.
Podemos caracterizar a gestão de documentos como o ciclo que acompanha o documento 
desde seu “nascimento” até sua guarda definitiva ou eliminação, que abrange, segundo a Lei nº 
8.159/91, produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento. 
Dentro do gênero textual (estudado na Unidade I), destacamos a correspondência, que está 
presente em qualquer tipo de instituição, pública ou privada, cujo conteúdo trata basicamente 
de assuntos administrativos, essência do arquivo corrente. 
A correspondência é o principal motivo para a existência dos arquivos e sua tramitação 
em três ciclos vitais. E cada instituição, pública ou privada, produz e recebe, no decorrer 
de suas atividades internas e com outras instituições, correspondência que lhe é peculiar 
(PAES, 1997, p. 31).
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Unidade: Gestão de Documentos
Correspondência
Definições
Segundo Paes, correspondência “é toda e qualquer forma de comunicação escrita, produzida 
e destinada a pessoas jurídicas ou físicas, e vice-versa, bem como aquela que se processa entre 
órgãos e servidores de uma instituição” (1997, p. 31).
Podemos definir Correspondência, ainda, como “Comunicação escrita, expedida (ativa) ou 
recebida (passiva) por entidades coletivas, pessoas ou famílias” Dicionário de Terminologia 
Arquivística (ARQUIVO NACIONAL, 2005).
Pelo conceito apresentado acima, ao classificarmos a correspondência, devemos considerar 
o seu destino e a sua procedência, que pode ser externa ou interna:
a) Externa: é a comunicação escrita entre instituições com finalidades diversas. Exemplos: 
carta, ofício, fax, correio eletrônico (e-mail);
b) Interna: é a comunicação escrita entre os setores internos de uma instituição. Exemplos: 
memorando, comunicação interna, correio eletrônico (e-mail), circular.
A seguir, alguns exemplos de gêneros textuais de correspondência.
Quadro 1. Exemplo de correspondências e sua caracterização.
Correspondência Caracterização
Ata Registro fiel dos fatos públicos, como atos, fatos, ocorrências e decisões de sessões, reuniões ou assembleias.
Carta
Instrumento empregado na comunicação escrita entre instituições 
públicas e privadas para tratar de assuntos im portantes para 
ambas as partes (remetente e destinatário).
Circular Informação coletiva para vários destinatários.
Contrato Instrumento de acordo entre órgãos públicos, privados ou particulares (pessoa física ou jurídica).
Convocação Instrumento de poder de intimação para solicitar comparecimento obrigatório. Por isso, o não comparecimento deve ser justificado.
Declaração Documento no qual o declarante (nome e título) declara um assunto com a finalidade de comprová-lo.
E-mail (redução de eletronic 
mail), significa “correio 
eletrônico”.
Mensagem enviada por meio da Internet. Suas características 
estruturais são semelhantes a outros gêneros textuais, como bilhete, 
memorando, ofício e carta.
Edital
Instrumento de notificação pública afixado em lugar público ou 
publicado em imprensa oficial ou particular para dar notícia, 
aviso, citação, intimação, convocação, leilão, concorrência 
pública etc.
Memorando (ou Comunicação 
Interna – CI)
Trata de assuntos mais informais entre departamentos de 
empresas e órgãos públicos.
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Ofício Comunicação escrita utilizada exclusivamente pelos órgãos públicos.
Procuração
Instrumento público ou particular no qual a pessoa física ou 
jurídica dá poderes à outra para, em nome dela, praticar atos 
ou administrar bens.
Relatório
Descrição de fatos para orientar o serviço do relator ou de seu(s) 
superior(es). Relata situações de serviço, resultados de exames, 
averiguações técnicas, prestação de contas ao término de um 
exercício etc. 
Fonte: adaptado de Bellotto, 2002, p. 46-90.
A seguir, exemplo do funcionamento da correspondência interna e externa.
Figura 1. Correspondência interna e externa.
Gênero textual
Instituições
Públicas
Instituições
Privadas
Financeiras
Pessoa Física
Instituições
Públicas
Instituições
Privadas
Financeiras
Pessoa Física
Ofício
Físicos
Carta
Email
Virtual
Assessoria
Diretoria I
Gerência I Gerência II
Departamento I
Legenda
Gênero textual (Memorando, E-mail, circular
Diretoria II Diretoria III
Presidência
Fonte: Adaptado de correios.com.br
A correspondência também pode ser classificada em (adaptado de Paes, 1997, p. 31):
a) Oficial: tem origem no serviço público;
b) Comercial ou empresarial: trata das relações comercias entre comércio e indústria;
c) Bancária: trata de assuntos bancários;
d) Particular: os assuntos tratados são de interesse pessoal.
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Unidade: Gestão de Documentos
Arquivo Corrente
Os arquivos correntes guardam os documentos parautilização funcional, administrativa 
e jurídica (procedimentos legais). Sendo assim, seu uso está relacionado aos motivos de sua 
criação. O que estabelece a permanência destes documentos em arquivo corrente depende 
de sua tipologia/função e, principalmente, de sua vigência, que normalmente é de um ano 
(BELLOTTO, 2004, p. 23-4).
É no arquivo corrente “onde tudo começa. A organização dos arquivos, como pressuposto 
básico para a qualidade, deve ser iniciada nos arquivos correntes, continuada nos intermediários 
e mantida no central” (VIEIRA, 1999, p. 35).
Com a afirmação acima de que é no arquivo corrente “onde tudo começa”, as atividades 
de recebimento, registro, distribuição, movimentação e expedição de documentos correntes são 
extremamente importantes para o seu bom funcionamento. Por isso, o arquivo corrente está no 
próprio setor que criou os documentos para tramitarem em seu dia a dia.
Por isso, Paes (1997, p. 55) enfatiza a importância dos arquivos correntes estarem integrados 
às atividades de protocolo e de expedição e divide as atividades de arquivo corrente em cinco 
setores distintos: protocolo (incluindo recebimento e classificação, registro e movimentação), 
expedição, arquivamento (o arquivo propriamente dito), empréstimo e consulta e destinação:
Protocolo
Definição: “Protocolo é o serviço encarregado do recebimento, registro, classificação, 
distribuição, controle da tramitação e expedição de documentos. Dicionário de Terminologia 
Arquivística (ARQUIVO NACIONAL, 2005).
Trata-se da entrada de documentos “externos” (de outras instituições) e também de 
documentos recebidos de outros departamentos internos, no caso dos arquivos setoriais. 
Nesta etapa, os documentos são recebidos, classificados, registrados e distribuídos.
 
 A finalidade essencial do protocolo é controlar documentos emitidos e recebidos.
Vimos que o arquivo corrente é aquele formado por documentos de uso frequente da 
instituição e, por isso, devem ser organizados de tal forma a facilitar seu acesso. A seguir, veremos 
como um documento tramita no arquivo corrente.
Iniciaremos com o protocolo do documento, que inclui o recebimento, a classificação, o 
registro e a movimentação de documentos.
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1. Recebimento, classificação, registro e movimentação de documentos
Normalmente, um funcionário ou setor da instituição (setor de protocolo), dependendo do 
seu porte, é designado para receber a correspondência destinada à empresa, que inclui a triagem 
para redistribuí-la aos diferentes setores destinatários (PAES, 1997, p. 55-6).
A seguir, utilizaremos um exemplo prático e simplificado de procedimento de recebimento, 
classificação, registro e movimentação de correspondência, realizado pela secretária (texto 
extraído e adaptado de Garcia, 2000 p. 72-5):
A correspondência destinada ao executivo precisa ser organizada de forma a 
facilitar-lhe a leitura. Quando a correspondência chega às mãos da secretária, 
ela deve proceder à seguinte rotina:
• separar a correspondência particular, confidencial e aquela destinada a outras áreas;
• abrir o envelope com cuidado;
• retirar todo o conteúdo do envelope;
• verificar se a correspondência tem a identificação do remetente (por ex., 
anotar o endereço do envelope na carta);
• assinar o protocolo, se houver, somente após verificar se o conteúdo é igual 
ao descrito no protocolo;
• conservar os anexos junto à correspondência;
• separar a correspondência mais importante de um lado e as publicações 
(como jornais, revistas etc.) de outro;
• carimbar a data de recebimento (manualmente ou eletronicamente) no canto 
superior direito do documento;
• registrar o documento em livro de registro de correspondência recebida (ou 
similar), anotando a data, o emitente e a referência.
Ao ler a correspondência, a secretária deve ter em mente se:
• há alguma correspondência anterior, para auxiliar o chefe a resolver o assunto 
desta. Em caso positivo, ela deve ser anexada ao documento;
• o assunto já foi resolvido, fazendo as devidas anotações;
• a correspondência está completa, caso contrário, a secretária deverá cobrar o 
que falta do emitente, antes de encaminhá-la ao chefe;
• ela pode se antecipar ao chefe, tomando algumas providências (ex.: checar 
informações, preparar minuta de resposta etc.);
• ela pode, nesta etapa, classificar o documento.
Após o registro e a leitura da correspondência, ela deve ser colocada em uma 
pasta, por ordem de importância. Os documentos confidenciais e particulares, cuja 
abertura foi autorizada ou não pelo executivo, devem ser colocados à parte (...)
Após a leitura da correspondência, o executivo devolverá a pasta à secretária, 
com os respectivos despachos, na maioria das vezes, na própria correspondência. 
A secretária irá providenciar esses despachos. Ela dará baixa em seu livro de 
registro de correspondência recebida, anotando se a correspondência será:
• distribuída;
• colocada em circulação;
• colocada em follow-up;
• inutilizada;
• arquivada.
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Unidade: Gestão de Documentos
No exemplo acima, é importante observar que a fase de recebimento, classificação e 
registro requer muita atenção de quem os faz, pois se o documento recebido pela instituição 
não chegar à pessoa ou departamento certo, poderá causar sérios problemas administrativos. 
Isto também pode ocorrer quando não se registra os documentos recebidos, por avaliá-los 
incorretamente como não importantes, comprometendo, assim, a corroboração de recebimento 
e de prosseguimento dos documentos.
Observemos, ainda, no exemplo da secretária, que a entrada correta de um documento 
na instituição (em seus setores) facilita as atividades administrativas que o envolvem, pois o 
documento estará sendo corretamente “rastreado” até o final de “sua vida útil”, que poderá ser 
“descansado” no arquivo permanente ou “eliminado” definitivamente.
A secretária do exemplo, após carimbar ou protocolar a correspondência, realizou o registro 
do documento em livro ou caderno próprio. Normalmente, cada instituição e seus respectivos 
departamentos têm formas específicas de registrar documentos, conforme a natureza de suas 
atividades; porém, as principais informações registradas são: data de recebimento, data do 
documento, identificação do emissor, referência do documento ou resumo do assunto, para qual 
setor será enviado (para conhecimento, arquivo, providências etc.) e onde será arquivado.
Figura 2. Carimbo datador / Protocolador para 
documentos elétrico / mecânico automático marca IRCE
iStock/Getty Images
Figura 3. Livro de registro de correspondência 
recebida.
iStock/Getty Images
Em muitos casos, os documentos são recebidos e registrados; porém, nem sempre classificados 
corretamente. Vários especialistas da área de arquivística ressaltam a importância de classificar 
os documentos nos locais de expedição e de protocolo. 
Destacamos Gonçalves:
A classificação é o procedimento mais determinante na organização dos 
documentos de arquivo: no que se refere especificamente à fase corrente, os 
documentos podem ser classificados durante a própria tramitação, o que já os 
“prepara” para a integração aos demais documentos, quando tiverem de ser 
arquivados (GONÇALVES, 1998, p. 33).
A autora sugere a criação de um plano de classificação de documentos, aplicado a todos os 
setores que protocolam, expedem ou arquivam documentos, como um importante instrumento 
da gestão de documentos. 
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Ainda segundo a autora, o plano deve ter três características principais:
Simplicidade, flexibilidade e expansividade.
Estas três qualidades possibilitam a facilidade de aplicação e adaptação às novas situações 
imprevistas (novas atividades ou junção de novos documentos à classificação já existente).
No plano de classificação de documentos de arquivo, a ordenação de documentos deverá 
levar em conta os tiposde busca da instituição. Para isso, será determinante a escolha correta 
de um método de arquivamento adequado para facilitar a consulta e a guarda dos documentos.
Documentos colocados em circulação ou destinados a outros setores internos da instituição, 
quando forem de valor (administrativo, fiscal etc.), após registro no livro de registro de 
correspondência recebida, também deverão ser protocolados (retome o exemplo da secretária).
Pode-se utilizar formulário próprio feito pelo setor ou utilizar os livros e blocos de protocolo 
impressos vendidos nas papelarias.
Figura 4. Caderno e bloco.
Enfatiza-se a necessidade de tratar a correspondência com toda atenção, vez que seu 
processamento implica:
 · Responsabilidade;
 · Ética profissional no trato das informações contidas nos documentos; 
 · Conhecimentos gerais sobre a instituição e seus assuntos afins;
 · Conhecimentos específicos de arquivística. 
Observe, a seguir, um exemplo extraído do Manual do Arquivista 3 (SENAC 1977, p. 62) 
sobre o processamento da correspondência:
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Unidade: Gestão de Documentos
Figura 5. Processamento da correspondência.
Alguns podem contestar que o exemplo é muito antigo, de 1977. Realmente. Onde se lê 
fichamento, podemos substituir por registro, para abranger, além do fichamento, o registro em 
livro próprio ou por outros meios, como o informático.
Mas, o que vale observar é que o princípio desse fluxo continua atual, mesmo com a mudança 
dos meios de fazê-lo, incluindo os informáticos. 
Se a correspondência e a documentação não 
forem preparadas adequadamente, caminhamos 
para o caos dos arquivos, físicos ou eletrônicos, 
o que, atualmente, afeta muitas instituições e 
faz crescer o número de empresas especializadas 
em “arquivamento”, conforme atesta a figura 
ao lado, extraída de site que oferece serviços de 
arquivamento.
 
iS
to
ck
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et
ty
 Im
ag
es
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Expedição
É também uma atividade protocolar referente à saída da correspondência e de documentos. 
Expedir um documento consiste em enviar o documento e seus respectivos anexos, quando for 
o caso, por correio, malote, portador etc. Cada instituição tem seus procedimentos próprios de 
envio de documentos e quando devem ser protocolados ou não (PAES, 1997, p. 60).
Arquivamento (na fase corrente)
O arquivamento na gestão de documentos visa à funcionalidade dos arquivos correntes, por 
isso a ação de arquivar documentos deve ser feita com bastante cuidado e atenção, tanto na 
fase corrente, como nas seguintes. A responsabilidade ao arquivar determinará a confiabilidade 
e acesso às informações guardadas (PAES, 1997, p. 96).
Para PAES (1997, p. 96), as etapas de arquivamento são: inspeção, estudo, classificação, 
codificação, ordenação e guarda (arquivamento) de documentos:
 · Inspeção: averiguar se o documento realmente deve ser arquivado, verificando se é o 
último despacho do documento ou se ele terá outro destino (PAES, 1997, p. 97);
 · Estudo, classificação e codificação: podem ser agrupados como análise do documento 
(VALENTINI, 2013, p. 71), pois se trata de ler e interpretar o documento para classificá-
lo e codificá-lo (de acordo com o método de arquivamento escolhido) adequadamente. 
Nesta etapa, devemos verificar se existem outros documentos relacionados. Resumindo: 
“Todos os documentos de, para ou sobre uma pessoa, assunto ou acontecimento devem 
estar classificados sob o mesmo título e arquivados juntos, formando, assim, uma unidade 
de arquivamento, à qual denominamos dossiê” (PAES, 1997, p. 97);
 · Ordenação: é a ordem dos documentos de acordo com a classificação e a codificação 
escolhidas para facilitar o arquivamento e racionalizar as atividades envolvidas (reunir 
documentos corretamente reduz as idas ao móvel arquivo);
 · Arquivamento: guardar o documento em local a ele destinado (pasta, arquivo etc.)
 
Documento guardado não significa documento seguro e rápido de ser encontrado. se 
ele for arquivado de forma errônea, nenhum método de arquivamento será eficiente!
Empréstimo e consulta
Paes (1997, p.101) considera empréstimo e consulta “uma atividade nobre dos arquivos, vez 
que corresponde à própria essência de sua formação: servir à administração e à história”.
Segundo a afirmação da autora, de nada vale um arquivo bem organizado se as pessoas não 
tiverem acesso ao seu conteúdo. Ou, ainda, se os usuários acessarem o arquivo e não fizerem 
a devolução do documento, devolverem o documento rasgado, o documento for arquivado na 
pasta errada, e assim por diante.
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Unidade: Gestão de Documentos
 · Porém, ao emprestar um documento de arquivo, devemos obedecer a uma padronização 
de empréstimo para a garantia de sua devolução (PAES, 1997, p. 103):
 · Atender à solicitação do requisitante quanto ao documento solicitado;
 · Preencher um recibo em duas vias (ou controle similar), que deve ser assinado pelo 
requisitante;
 · Colocar uma via na pasta onde ficava o documento emprestado e a outra via arquivar 
na pasta de follow-up, para controlar o prazo de devolução;
 · Cobrar usuários que não devolveram os documentos retirados no prazo combinado;
 · Arquivar o documento retornado e eliminar as duas vias de recibo.
Avaliação e destinação de documentos
Avaliação 
A avaliação de documento considera a função da criação de documento e identifica seu valor 
(primário ou secundário) e grau de uso. 
O valor primário é atribuído ao uso do documento na instituição e o motivo de sua 
criação. Muito provavelmente, sua duração será equivalente ao cumprimento de sua finalidade 
administrativa, legal ou fiscal. 
O valor secundário é a utilização do documento para outros fins diferentes daquele para o 
qual foram criados, podendo ser probatório, ao comprovar a existência, o funcionamento e as 
atividades da instituição, e informativo, por conter informações sobre a instituição importantes 
para pesquisa futura (PAES, 1997, p. 104-5).
A avaliação é feita por meio de análise e seleção de cada documento para fixar prazos de 
guarda ou eliminação; 
Destinação 
Na destinação, o documento poderá ser destinado à guarda temporária ou ao arquivo 
permanente, de acordo com o seu valor, visto na fase de avaliação (Paes, 1997, p. 105).
É a mais importante fase da gestão de documentos, vez que ela envolve, como vimos no 
início desta Unidade, no art. 3, da Lei nº 8.159/91, o conjunto de procedimentos e operações 
técnicas relativas às idades corrente e intermediária.
Cabe ressaltar que a importância da destinação está na sua ação de determinar 
antecipadamente para onde o documento será destinado no futuro. 
Para que isso ocorra, a destinação dispõe de instrumentos que são, segundo a lei citada 
acima, a tabela de temporalidade e a lista de eliminação de documentos.
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Instrumentos de destinação
Os instrumentos de destinação são: Tabela de Temporalidade e Lista de Eliminação.
Tabela de Temporalidade
 É um instrumento de destinação que estabelece prazos de permanência de documentos 
em arquivos correntes e intermediários ou o recolhimento para os arquivos permanentes, 
verificando a necessidade de microfilmar documentos e eliminação, que deverá ser aprovado 
por autoridade competente da instituição (PAES, 1997, p. 105).
Com a elaboração da tabela de temporalidade já é possível eliminar documentos ainda na 
fase de arquivo corrente.
A tabela de temporalidade deve ter os itens a seguir (VALENTINI, 2013 p. 118):
 · Identificação do documento (tipo e assunto, entre outros);
 · Prazo de retenção nas fases corrente e intermediária;
 · Destinação (transferência, recolhimento, microfilmagem ou eliminação);
 · Observações para esclarecimentos necessários;
Lista de Eliminação
Lista os documentos que devem ser eliminados em uma única etapa e também necessita da 
aprovação de autoridade competente (PAES, 1997, p. 108).Eliminação significa a destruição ou expurgo de documentos avaliados como sem valor 
permanente.
As formas de eliminação de documentos mais indicados, segundo Paes (1997, p. 109) são: 
fragmentação, maceração, alienação por venda ou doação. 
A incineração, destruição por queima, não é recomendada devido aos danos causados ao meio 
ambiente. Já a fragmentação ou trituração, por meio de lâminas, ou a maceração, por meio de 
imersão em solvente, são os mais indicados para destruição dos documentos (PAES 1997, p. 109).
Arquivo intermediário
O arquivo intermediário surgiu da necessidade de se resolver problemas de espaço para os 
arquivos correntes. Nesta fase, não há necessidade de o documento estar ao alcance do setor, 
mas ainda não é tempo de enviá-lo ao arquivo permanente ou, como as consultas ainda têm 
certa frequência, a distância seria um empecilho (VIEIRA 1999, p. 39).
18
Unidade: Gestão de Documentos
Segundo Vieira (1999, p. 39): “Intermediário é a fase do resolvido; porém, não dispensável 
ao serviço; ainda lhe incidem muitas pesquisas, e não se pode precisar – com números, o que 
é o arquivo intermediário”.
A função do arquivo intermediário é de arquivamento transitório, para manter preservados 
os documentos sem movimentação e que ainda precisam ser mantidos temporariamente para 
cumprirem os prazos estabelecidos por comissões de avaliação para então serem eliminados ou 
arquivados definitivamente (PAES, 1997, p. 117).
Segundo Vieira (1999, p. 39), os setores financeiros e da área de pessoal são exemplos 
de setores que utilizam arquivo intermediário, pois são setores que precisam constantemente 
provar suas ações e guardar volume grande de informações diversas. Os Tribunais e a Juntas 
são órgãos públicos que normalmente solicitam aos dois setores documentos comprobatórios.
A vantagem do arquivo intermediário é “centralizar e administrar os documentos que 
perderam sua utilidade corrente para as administrações. Ele evita a eliminação descontrolada e 
permite uma verdadeira política de conservação dos arquivos” (PAES, 1997, p. 118).
19
Material Complementar
Para complementar os conhecimentos adquiridos nesta Unidade, acesse o link a seguir e 
salve em seu computador o texto em extensão .pdf sobre Classificação, temporalidade e 
destinação de documentos de arquivo relativos às atividades-meio da administração pública 
do CONARQ, que constituem elementos essenciais à organização dos arquivos correntes e 
intermediários, permitindo acesso aos documentos por meio da racionalização e controle 
eficazes das informações nele contidas. 
Acesse, também, a lei que regulamenta a gestão de documentos no Brasil: Lei nº 8.159/91, 
que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências, 
e também salve em seu computador.
 
 Explore
Classificação, temporalidade e destinação de documentos de arquivo 
relativos às atividades-meio da administração pública:
 · http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/publicacoes/cdigo_de_
classificacao.pdf
LEI nº 8.159, de 8 de Janeiro de 1991:
 · http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8159.htm
20
Unidade: Gestão de Documentos
Referências
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Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004. 
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arquivoestado.sp.gov.br/pdfs/texto_pdf_17_Como%20fazer%20analise%20diplomatica%20
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______. Como fazer análise diplomática e análise tipológica de documentos de 
arquivo. Projeto como fazer. São Paulo: Arquivo do Estado/Imprensa Oficial, 2002. v. 8.
BERNARDES, I. P. Como avaliar documentos de arquivo. Projeto como fazer. São Paulo: 
Arquivo do Estado de São Paulo, 1998. v. 1.
BRASIL. Arquivo Nacional. Conselho Nacional de Arquivos. Classificação, temporalidade 
e destinação de documentos de arquivo; relativos as atividades-meio da administração 
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VALENTINI, R. Arquivologia para concurso. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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Ideias, 1999.
21
Anotações

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