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Gerenciamento do Processo de Documentação Gestão de Documentos Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Ms. Elisabeth Virag Garcia Revisão Textual: Profa. Ms. Selma Aparecida Cesarin 5 Leia atentamente o conteúdo desta Unidade, que introduz a Gestão de Documentos. Você também encontrará uma atividade composta por questões de múltipla escolha, relacionada ao conteúdo estudado. Além disso, terá a oportunidade de trocar conhecimentos e debater questões no fórum de discussão. É extremante importante que você consulte os materiais complementares, pois são ricos em informações, possibilitando o aprofundamento de seus estudos sobre este assunto. · Introdução à gestão de documentos e sua legislação. · Estudo sobre correspondência, arquivo corrente (nos aspectos protocolo, expedição, arquivamento, empréstimo e consulta, avaliação e destinação de documentos) e arquivo intermediário. Gestão de Documentos · Introdução · Correspondência · Arquivo Corrente · Instrumentos de destinação 6 Unidade: Gestão de Documentos Contextualização Para iniciar esta Unidade, analise as informações sobre gestão de documentos apresentadas no quadro a seguir: Fonte: arquivopublicors.wordpress.com Procure, agora, imaginar uma definição para gestão de documentos e, posteriormente, compare sua definição com o conteúdo da Unidade. 7 Introdução No Brasil, a gestão de documentos é regulamentada pela Lei nº 8.159/91 que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. O Artigo 3º desta Lei dispõe que: Considera-se Gestão de Documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente ou intermediária, visando à eliminação ou recolhimento para guarda permanente. Desta conceituação, podemos destacar as três fases básicas da gestão de documentos (PAES 1997, p. 54): · Produção de documentos: as instituições criam documentos em função de suas atividades gerais ou setoriais, mas devem ter o cuidado de avaliar se são realmente vitais para a administração, evitando excesso de documentos novos ou a duplicação de documentos no momento em que são criados (excesso de cópias); · Utilização de documentos: envolve as atividades de protocolo de expedição, organização e arquivamento de documentos, ou seja, trata da correta tramitação do documento nos arquivos de primeira (correntes) e de segunda (intermediária) idade; · Avaliação e destinação de documentos: trata da análise e avaliação dos documentos guardados nos arquivos para determinar seus prazos de guarda. Esta etapa exige atenção pela complexidade de se determinar prazos de guarda para os documentos. Na unidade I, vimos que os documentos administrativos têm um ciclo vital que compreende três fases: arquivo corrente, arquivo intermediário e arquivo permanente. Trataremos, agora, da fase inicial dos arquivos: a corrente, seguida pela intermediária e, na próxima Unidade, da permanente. É nestas duas fases, a corrente e a intermediária, que ocorre a Gestão de Documentos. Podemos caracterizar a gestão de documentos como o ciclo que acompanha o documento desde seu “nascimento” até sua guarda definitiva ou eliminação, que abrange, segundo a Lei nº 8.159/91, produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento. Dentro do gênero textual (estudado na Unidade I), destacamos a correspondência, que está presente em qualquer tipo de instituição, pública ou privada, cujo conteúdo trata basicamente de assuntos administrativos, essência do arquivo corrente. A correspondência é o principal motivo para a existência dos arquivos e sua tramitação em três ciclos vitais. E cada instituição, pública ou privada, produz e recebe, no decorrer de suas atividades internas e com outras instituições, correspondência que lhe é peculiar (PAES, 1997, p. 31). 8 Unidade: Gestão de Documentos Correspondência Definições Segundo Paes, correspondência “é toda e qualquer forma de comunicação escrita, produzida e destinada a pessoas jurídicas ou físicas, e vice-versa, bem como aquela que se processa entre órgãos e servidores de uma instituição” (1997, p. 31). Podemos definir Correspondência, ainda, como “Comunicação escrita, expedida (ativa) ou recebida (passiva) por entidades coletivas, pessoas ou famílias” Dicionário de Terminologia Arquivística (ARQUIVO NACIONAL, 2005). Pelo conceito apresentado acima, ao classificarmos a correspondência, devemos considerar o seu destino e a sua procedência, que pode ser externa ou interna: a) Externa: é a comunicação escrita entre instituições com finalidades diversas. Exemplos: carta, ofício, fax, correio eletrônico (e-mail); b) Interna: é a comunicação escrita entre os setores internos de uma instituição. Exemplos: memorando, comunicação interna, correio eletrônico (e-mail), circular. A seguir, alguns exemplos de gêneros textuais de correspondência. Quadro 1. Exemplo de correspondências e sua caracterização. Correspondência Caracterização Ata Registro fiel dos fatos públicos, como atos, fatos, ocorrências e decisões de sessões, reuniões ou assembleias. Carta Instrumento empregado na comunicação escrita entre instituições públicas e privadas para tratar de assuntos im portantes para ambas as partes (remetente e destinatário). Circular Informação coletiva para vários destinatários. Contrato Instrumento de acordo entre órgãos públicos, privados ou particulares (pessoa física ou jurídica). Convocação Instrumento de poder de intimação para solicitar comparecimento obrigatório. Por isso, o não comparecimento deve ser justificado. Declaração Documento no qual o declarante (nome e título) declara um assunto com a finalidade de comprová-lo. E-mail (redução de eletronic mail), significa “correio eletrônico”. Mensagem enviada por meio da Internet. Suas características estruturais são semelhantes a outros gêneros textuais, como bilhete, memorando, ofício e carta. Edital Instrumento de notificação pública afixado em lugar público ou publicado em imprensa oficial ou particular para dar notícia, aviso, citação, intimação, convocação, leilão, concorrência pública etc. Memorando (ou Comunicação Interna – CI) Trata de assuntos mais informais entre departamentos de empresas e órgãos públicos. 9 Ofício Comunicação escrita utilizada exclusivamente pelos órgãos públicos. Procuração Instrumento público ou particular no qual a pessoa física ou jurídica dá poderes à outra para, em nome dela, praticar atos ou administrar bens. Relatório Descrição de fatos para orientar o serviço do relator ou de seu(s) superior(es). Relata situações de serviço, resultados de exames, averiguações técnicas, prestação de contas ao término de um exercício etc. Fonte: adaptado de Bellotto, 2002, p. 46-90. A seguir, exemplo do funcionamento da correspondência interna e externa. Figura 1. Correspondência interna e externa. Gênero textual Instituições Públicas Instituições Privadas Financeiras Pessoa Física Instituições Públicas Instituições Privadas Financeiras Pessoa Física Ofício Físicos Carta Email Virtual Assessoria Diretoria I Gerência I Gerência II Departamento I Legenda Gênero textual (Memorando, E-mail, circular Diretoria II Diretoria III Presidência Fonte: Adaptado de correios.com.br A correspondência também pode ser classificada em (adaptado de Paes, 1997, p. 31): a) Oficial: tem origem no serviço público; b) Comercial ou empresarial: trata das relações comercias entre comércio e indústria; c) Bancária: trata de assuntos bancários; d) Particular: os assuntos tratados são de interesse pessoal. 10 Unidade: Gestão de Documentos Arquivo Corrente Os arquivos correntes guardam os documentos parautilização funcional, administrativa e jurídica (procedimentos legais). Sendo assim, seu uso está relacionado aos motivos de sua criação. O que estabelece a permanência destes documentos em arquivo corrente depende de sua tipologia/função e, principalmente, de sua vigência, que normalmente é de um ano (BELLOTTO, 2004, p. 23-4). É no arquivo corrente “onde tudo começa. A organização dos arquivos, como pressuposto básico para a qualidade, deve ser iniciada nos arquivos correntes, continuada nos intermediários e mantida no central” (VIEIRA, 1999, p. 35). Com a afirmação acima de que é no arquivo corrente “onde tudo começa”, as atividades de recebimento, registro, distribuição, movimentação e expedição de documentos correntes são extremamente importantes para o seu bom funcionamento. Por isso, o arquivo corrente está no próprio setor que criou os documentos para tramitarem em seu dia a dia. Por isso, Paes (1997, p. 55) enfatiza a importância dos arquivos correntes estarem integrados às atividades de protocolo e de expedição e divide as atividades de arquivo corrente em cinco setores distintos: protocolo (incluindo recebimento e classificação, registro e movimentação), expedição, arquivamento (o arquivo propriamente dito), empréstimo e consulta e destinação: Protocolo Definição: “Protocolo é o serviço encarregado do recebimento, registro, classificação, distribuição, controle da tramitação e expedição de documentos. Dicionário de Terminologia Arquivística (ARQUIVO NACIONAL, 2005). Trata-se da entrada de documentos “externos” (de outras instituições) e também de documentos recebidos de outros departamentos internos, no caso dos arquivos setoriais. Nesta etapa, os documentos são recebidos, classificados, registrados e distribuídos. A finalidade essencial do protocolo é controlar documentos emitidos e recebidos. Vimos que o arquivo corrente é aquele formado por documentos de uso frequente da instituição e, por isso, devem ser organizados de tal forma a facilitar seu acesso. A seguir, veremos como um documento tramita no arquivo corrente. Iniciaremos com o protocolo do documento, que inclui o recebimento, a classificação, o registro e a movimentação de documentos. 11 1. Recebimento, classificação, registro e movimentação de documentos Normalmente, um funcionário ou setor da instituição (setor de protocolo), dependendo do seu porte, é designado para receber a correspondência destinada à empresa, que inclui a triagem para redistribuí-la aos diferentes setores destinatários (PAES, 1997, p. 55-6). A seguir, utilizaremos um exemplo prático e simplificado de procedimento de recebimento, classificação, registro e movimentação de correspondência, realizado pela secretária (texto extraído e adaptado de Garcia, 2000 p. 72-5): A correspondência destinada ao executivo precisa ser organizada de forma a facilitar-lhe a leitura. Quando a correspondência chega às mãos da secretária, ela deve proceder à seguinte rotina: • separar a correspondência particular, confidencial e aquela destinada a outras áreas; • abrir o envelope com cuidado; • retirar todo o conteúdo do envelope; • verificar se a correspondência tem a identificação do remetente (por ex., anotar o endereço do envelope na carta); • assinar o protocolo, se houver, somente após verificar se o conteúdo é igual ao descrito no protocolo; • conservar os anexos junto à correspondência; • separar a correspondência mais importante de um lado e as publicações (como jornais, revistas etc.) de outro; • carimbar a data de recebimento (manualmente ou eletronicamente) no canto superior direito do documento; • registrar o documento em livro de registro de correspondência recebida (ou similar), anotando a data, o emitente e a referência. Ao ler a correspondência, a secretária deve ter em mente se: • há alguma correspondência anterior, para auxiliar o chefe a resolver o assunto desta. Em caso positivo, ela deve ser anexada ao documento; • o assunto já foi resolvido, fazendo as devidas anotações; • a correspondência está completa, caso contrário, a secretária deverá cobrar o que falta do emitente, antes de encaminhá-la ao chefe; • ela pode se antecipar ao chefe, tomando algumas providências (ex.: checar informações, preparar minuta de resposta etc.); • ela pode, nesta etapa, classificar o documento. Após o registro e a leitura da correspondência, ela deve ser colocada em uma pasta, por ordem de importância. Os documentos confidenciais e particulares, cuja abertura foi autorizada ou não pelo executivo, devem ser colocados à parte (...) Após a leitura da correspondência, o executivo devolverá a pasta à secretária, com os respectivos despachos, na maioria das vezes, na própria correspondência. A secretária irá providenciar esses despachos. Ela dará baixa em seu livro de registro de correspondência recebida, anotando se a correspondência será: • distribuída; • colocada em circulação; • colocada em follow-up; • inutilizada; • arquivada. 12 Unidade: Gestão de Documentos No exemplo acima, é importante observar que a fase de recebimento, classificação e registro requer muita atenção de quem os faz, pois se o documento recebido pela instituição não chegar à pessoa ou departamento certo, poderá causar sérios problemas administrativos. Isto também pode ocorrer quando não se registra os documentos recebidos, por avaliá-los incorretamente como não importantes, comprometendo, assim, a corroboração de recebimento e de prosseguimento dos documentos. Observemos, ainda, no exemplo da secretária, que a entrada correta de um documento na instituição (em seus setores) facilita as atividades administrativas que o envolvem, pois o documento estará sendo corretamente “rastreado” até o final de “sua vida útil”, que poderá ser “descansado” no arquivo permanente ou “eliminado” definitivamente. A secretária do exemplo, após carimbar ou protocolar a correspondência, realizou o registro do documento em livro ou caderno próprio. Normalmente, cada instituição e seus respectivos departamentos têm formas específicas de registrar documentos, conforme a natureza de suas atividades; porém, as principais informações registradas são: data de recebimento, data do documento, identificação do emissor, referência do documento ou resumo do assunto, para qual setor será enviado (para conhecimento, arquivo, providências etc.) e onde será arquivado. Figura 2. Carimbo datador / Protocolador para documentos elétrico / mecânico automático marca IRCE iStock/Getty Images Figura 3. Livro de registro de correspondência recebida. iStock/Getty Images Em muitos casos, os documentos são recebidos e registrados; porém, nem sempre classificados corretamente. Vários especialistas da área de arquivística ressaltam a importância de classificar os documentos nos locais de expedição e de protocolo. Destacamos Gonçalves: A classificação é o procedimento mais determinante na organização dos documentos de arquivo: no que se refere especificamente à fase corrente, os documentos podem ser classificados durante a própria tramitação, o que já os “prepara” para a integração aos demais documentos, quando tiverem de ser arquivados (GONÇALVES, 1998, p. 33). A autora sugere a criação de um plano de classificação de documentos, aplicado a todos os setores que protocolam, expedem ou arquivam documentos, como um importante instrumento da gestão de documentos. 13 Ainda segundo a autora, o plano deve ter três características principais: Simplicidade, flexibilidade e expansividade. Estas três qualidades possibilitam a facilidade de aplicação e adaptação às novas situações imprevistas (novas atividades ou junção de novos documentos à classificação já existente). No plano de classificação de documentos de arquivo, a ordenação de documentos deverá levar em conta os tiposde busca da instituição. Para isso, será determinante a escolha correta de um método de arquivamento adequado para facilitar a consulta e a guarda dos documentos. Documentos colocados em circulação ou destinados a outros setores internos da instituição, quando forem de valor (administrativo, fiscal etc.), após registro no livro de registro de correspondência recebida, também deverão ser protocolados (retome o exemplo da secretária). Pode-se utilizar formulário próprio feito pelo setor ou utilizar os livros e blocos de protocolo impressos vendidos nas papelarias. Figura 4. Caderno e bloco. Enfatiza-se a necessidade de tratar a correspondência com toda atenção, vez que seu processamento implica: · Responsabilidade; · Ética profissional no trato das informações contidas nos documentos; · Conhecimentos gerais sobre a instituição e seus assuntos afins; · Conhecimentos específicos de arquivística. Observe, a seguir, um exemplo extraído do Manual do Arquivista 3 (SENAC 1977, p. 62) sobre o processamento da correspondência: 14 Unidade: Gestão de Documentos Figura 5. Processamento da correspondência. Alguns podem contestar que o exemplo é muito antigo, de 1977. Realmente. Onde se lê fichamento, podemos substituir por registro, para abranger, além do fichamento, o registro em livro próprio ou por outros meios, como o informático. Mas, o que vale observar é que o princípio desse fluxo continua atual, mesmo com a mudança dos meios de fazê-lo, incluindo os informáticos. Se a correspondência e a documentação não forem preparadas adequadamente, caminhamos para o caos dos arquivos, físicos ou eletrônicos, o que, atualmente, afeta muitas instituições e faz crescer o número de empresas especializadas em “arquivamento”, conforme atesta a figura ao lado, extraída de site que oferece serviços de arquivamento. iS to ck /G et ty Im ag es 15 Expedição É também uma atividade protocolar referente à saída da correspondência e de documentos. Expedir um documento consiste em enviar o documento e seus respectivos anexos, quando for o caso, por correio, malote, portador etc. Cada instituição tem seus procedimentos próprios de envio de documentos e quando devem ser protocolados ou não (PAES, 1997, p. 60). Arquivamento (na fase corrente) O arquivamento na gestão de documentos visa à funcionalidade dos arquivos correntes, por isso a ação de arquivar documentos deve ser feita com bastante cuidado e atenção, tanto na fase corrente, como nas seguintes. A responsabilidade ao arquivar determinará a confiabilidade e acesso às informações guardadas (PAES, 1997, p. 96). Para PAES (1997, p. 96), as etapas de arquivamento são: inspeção, estudo, classificação, codificação, ordenação e guarda (arquivamento) de documentos: · Inspeção: averiguar se o documento realmente deve ser arquivado, verificando se é o último despacho do documento ou se ele terá outro destino (PAES, 1997, p. 97); · Estudo, classificação e codificação: podem ser agrupados como análise do documento (VALENTINI, 2013, p. 71), pois se trata de ler e interpretar o documento para classificá- lo e codificá-lo (de acordo com o método de arquivamento escolhido) adequadamente. Nesta etapa, devemos verificar se existem outros documentos relacionados. Resumindo: “Todos os documentos de, para ou sobre uma pessoa, assunto ou acontecimento devem estar classificados sob o mesmo título e arquivados juntos, formando, assim, uma unidade de arquivamento, à qual denominamos dossiê” (PAES, 1997, p. 97); · Ordenação: é a ordem dos documentos de acordo com a classificação e a codificação escolhidas para facilitar o arquivamento e racionalizar as atividades envolvidas (reunir documentos corretamente reduz as idas ao móvel arquivo); · Arquivamento: guardar o documento em local a ele destinado (pasta, arquivo etc.) Documento guardado não significa documento seguro e rápido de ser encontrado. se ele for arquivado de forma errônea, nenhum método de arquivamento será eficiente! Empréstimo e consulta Paes (1997, p.101) considera empréstimo e consulta “uma atividade nobre dos arquivos, vez que corresponde à própria essência de sua formação: servir à administração e à história”. Segundo a afirmação da autora, de nada vale um arquivo bem organizado se as pessoas não tiverem acesso ao seu conteúdo. Ou, ainda, se os usuários acessarem o arquivo e não fizerem a devolução do documento, devolverem o documento rasgado, o documento for arquivado na pasta errada, e assim por diante. 16 Unidade: Gestão de Documentos · Porém, ao emprestar um documento de arquivo, devemos obedecer a uma padronização de empréstimo para a garantia de sua devolução (PAES, 1997, p. 103): · Atender à solicitação do requisitante quanto ao documento solicitado; · Preencher um recibo em duas vias (ou controle similar), que deve ser assinado pelo requisitante; · Colocar uma via na pasta onde ficava o documento emprestado e a outra via arquivar na pasta de follow-up, para controlar o prazo de devolução; · Cobrar usuários que não devolveram os documentos retirados no prazo combinado; · Arquivar o documento retornado e eliminar as duas vias de recibo. Avaliação e destinação de documentos Avaliação A avaliação de documento considera a função da criação de documento e identifica seu valor (primário ou secundário) e grau de uso. O valor primário é atribuído ao uso do documento na instituição e o motivo de sua criação. Muito provavelmente, sua duração será equivalente ao cumprimento de sua finalidade administrativa, legal ou fiscal. O valor secundário é a utilização do documento para outros fins diferentes daquele para o qual foram criados, podendo ser probatório, ao comprovar a existência, o funcionamento e as atividades da instituição, e informativo, por conter informações sobre a instituição importantes para pesquisa futura (PAES, 1997, p. 104-5). A avaliação é feita por meio de análise e seleção de cada documento para fixar prazos de guarda ou eliminação; Destinação Na destinação, o documento poderá ser destinado à guarda temporária ou ao arquivo permanente, de acordo com o seu valor, visto na fase de avaliação (Paes, 1997, p. 105). É a mais importante fase da gestão de documentos, vez que ela envolve, como vimos no início desta Unidade, no art. 3, da Lei nº 8.159/91, o conjunto de procedimentos e operações técnicas relativas às idades corrente e intermediária. Cabe ressaltar que a importância da destinação está na sua ação de determinar antecipadamente para onde o documento será destinado no futuro. Para que isso ocorra, a destinação dispõe de instrumentos que são, segundo a lei citada acima, a tabela de temporalidade e a lista de eliminação de documentos. 17 Instrumentos de destinação Os instrumentos de destinação são: Tabela de Temporalidade e Lista de Eliminação. Tabela de Temporalidade É um instrumento de destinação que estabelece prazos de permanência de documentos em arquivos correntes e intermediários ou o recolhimento para os arquivos permanentes, verificando a necessidade de microfilmar documentos e eliminação, que deverá ser aprovado por autoridade competente da instituição (PAES, 1997, p. 105). Com a elaboração da tabela de temporalidade já é possível eliminar documentos ainda na fase de arquivo corrente. A tabela de temporalidade deve ter os itens a seguir (VALENTINI, 2013 p. 118): · Identificação do documento (tipo e assunto, entre outros); · Prazo de retenção nas fases corrente e intermediária; · Destinação (transferência, recolhimento, microfilmagem ou eliminação); · Observações para esclarecimentos necessários; Lista de Eliminação Lista os documentos que devem ser eliminados em uma única etapa e também necessita da aprovação de autoridade competente (PAES, 1997, p. 108).Eliminação significa a destruição ou expurgo de documentos avaliados como sem valor permanente. As formas de eliminação de documentos mais indicados, segundo Paes (1997, p. 109) são: fragmentação, maceração, alienação por venda ou doação. A incineração, destruição por queima, não é recomendada devido aos danos causados ao meio ambiente. Já a fragmentação ou trituração, por meio de lâminas, ou a maceração, por meio de imersão em solvente, são os mais indicados para destruição dos documentos (PAES 1997, p. 109). Arquivo intermediário O arquivo intermediário surgiu da necessidade de se resolver problemas de espaço para os arquivos correntes. Nesta fase, não há necessidade de o documento estar ao alcance do setor, mas ainda não é tempo de enviá-lo ao arquivo permanente ou, como as consultas ainda têm certa frequência, a distância seria um empecilho (VIEIRA 1999, p. 39). 18 Unidade: Gestão de Documentos Segundo Vieira (1999, p. 39): “Intermediário é a fase do resolvido; porém, não dispensável ao serviço; ainda lhe incidem muitas pesquisas, e não se pode precisar – com números, o que é o arquivo intermediário”. A função do arquivo intermediário é de arquivamento transitório, para manter preservados os documentos sem movimentação e que ainda precisam ser mantidos temporariamente para cumprirem os prazos estabelecidos por comissões de avaliação para então serem eliminados ou arquivados definitivamente (PAES, 1997, p. 117). Segundo Vieira (1999, p. 39), os setores financeiros e da área de pessoal são exemplos de setores que utilizam arquivo intermediário, pois são setores que precisam constantemente provar suas ações e guardar volume grande de informações diversas. Os Tribunais e a Juntas são órgãos públicos que normalmente solicitam aos dois setores documentos comprobatórios. A vantagem do arquivo intermediário é “centralizar e administrar os documentos que perderam sua utilidade corrente para as administrações. Ele evita a eliminação descontrolada e permite uma verdadeira política de conservação dos arquivos” (PAES, 1997, p. 118). 19 Material Complementar Para complementar os conhecimentos adquiridos nesta Unidade, acesse o link a seguir e salve em seu computador o texto em extensão .pdf sobre Classificação, temporalidade e destinação de documentos de arquivo relativos às atividades-meio da administração pública do CONARQ, que constituem elementos essenciais à organização dos arquivos correntes e intermediários, permitindo acesso aos documentos por meio da racionalização e controle eficazes das informações nele contidas. Acesse, também, a lei que regulamenta a gestão de documentos no Brasil: Lei nº 8.159/91, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências, e também salve em seu computador. Explore Classificação, temporalidade e destinação de documentos de arquivo relativos às atividades-meio da administração pública: · http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/publicacoes/cdigo_de_ classificacao.pdf LEI nº 8.159, de 8 de Janeiro de 1991: · http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8159.htm 20 Unidade: Gestão de Documentos Referências BELLOTO, H. L. Arquivos permanentes: tratamento documental. 2.ed.rev.ampl. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2004. ______. Como fazer análise diplomática e análise tipológica de documento de arquivo. São Paulo: Arquivo do Estado/Imprensa Oficial, 2002. Disponível em: <http://www. arquivoestado.sp.gov.br/pdfs/texto_pdf_17_Como%20fazer%20analise%20diplomatica%20 e%20analise%20tipologica.pdf>. Acesso em: 12 set. 2014. ______. Como fazer análise diplomática e análise tipológica de documentos de arquivo. Projeto como fazer. São Paulo: Arquivo do Estado/Imprensa Oficial, 2002. v. 8. BERNARDES, I. P. Como avaliar documentos de arquivo. Projeto como fazer. São Paulo: Arquivo do Estado de São Paulo, 1998. v. 1. BRASIL. Arquivo Nacional. Conselho Nacional de Arquivos. Classificação, temporalidade e destinação de documentos de arquivo; relativos as atividades-meio da administração pública. Arquivo Nacional. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.conarq. arquivonacional.gov.br/Media/resolucao_14.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. ______. Arquivo Nacional. Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/ L9261.htm>. Acesso em: 12 set. 2014. ______. Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Diário Oficial da União. Poder Executivo, Brasília. DF. 9 jan. 1991. Disponível em: <https:// http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L8159.htm>. Acesso em: 12 set. 2014. ______. Resolução nº 36, de 19 de dezembro de 2012. Diário Oficial da União. Poder Executivo; Brasília. DF. 20 dez. 2012. 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