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36 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA 
COM FÓRCEPS 
 
THE EXTRACTION OF ERUPTED TEETH - 
MECHANICS OF TEETH EXTRACTION 
WITH FORCEPS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Clóvis MARZOLA * 
João Lopes TOLEDO FILHO ** 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
____________________________________________ 
* Professor Titular Aposentado de Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP. 
Presidente da Academia Tiradentes de Odontologia e Diretor da Revista de 
Odontologia da Academia Tiradentes de Odontologia. Membro Titular do Colégio 
Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia BMF. Membro Titular da Academia 
Brasileira de Odontologia. Personalidade do ano na Odontologia no Brasil pela 
Associação Brasileira de Odontologia Estética (SBOE). drclovys@uol.com.br 
** Professor Titular Aposentado de Cirurgia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP. 
Professor do Curso de Residência e Especialização da APCD Regional de Bauru. 
37 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
RESUMO 
 
 O principal objetivo da Odontologia, como já foi visto 
anteriormente, é aquele de salvar um dente e, não a realização de 
completas mutilações, principalmente quando se tratar de crianças. São 
discutidas neste trabalho as forças de deslocamento e de manutenção 
exercidas aos fórceps na mecânica das exodontias. Além disso, são 
mostradas as funções dos movimentos de impulsão, lateralidade, rotação e 
expulsão para a extração de um dente. Tudo isto é apresentado com vistas 
à Física mostrando todos os objetivos e relacionamentos. 
 
ABSTRACT 
 
 The main goal of Dentistry, as has been seen previously, is that 
of saving a tooth and not the realization of complete mutilation, especially 
when dealing with children. Are discussed here the forces of displacement 
and maintenance performed on the mechanics of the forceps extractions. 
Moreover, the functions are shown on the movement of impulsion, laterality, 
rotation and expulsion for the extraction of a tooth. All this is presented with 
a view to showing all the physics goals and relationships. 
 
Unitermos: Exodontia; Dentes irrompidos; Mecânica da Exodontia com 
fórceps. 
 
Uniterms: Teeth extraction; Erupted teeth; Mechanics of teeth extraction 
with forceps. 
 
INTRODUÇÃO 
 
 O principal objetivo da Odontologia, como já foi visto 
anteriormente, é aquele de salvar um dente e, não a realização de 
completas mutilações, principalmente quando se tratar de crianças (Fig. 1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1 – Nota-se inicialmente a dificuldade em se estabelecer uma condição de higiene 
correta e a limitação do tipo de tratamento a seguir-se. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
38 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 2 e 3 - Aspectos intrabucais de uma criança com 13 anos que teve todos seus dentes 
extraídos, notando-se a total mutilação, dando a uma criança uma característica 
totalmente senil. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
TÉCNICA EXODÔNTICA 
 
 Realizada a anestesia, como primeiro passo para a extração 
dental é necessário, em todos os casos, que se realize a sindesmotomia. 
Anteriormente à sindesmotomia, as papilas gengivais interdentais devem ser 
incisadas com uma lâmina de bisturi n° 11, para ser evitado seu 
desgarramento. Pela sindesmotomia, as fibras gengivais e cristodentais são 
cuidadosamente desinseridas por movimentos de lateralidade, contornando-
se todo o dente a ser extraído. A ponta ativa do sindesmótomo, podendo ser 
a espátula n° 7 não deve ser aprofundada demasiadamente no espaço 
periodontal, evitando-se movimentos intempestivos em sua introdução (Fig. 
4) (MARZOLA, 2000; 2005 e 2008). 
 Após a incisão das papilas e a sindesmotomia, deve-se 
verificar atentamente se as fibras foram corretamente desinseridas, bem 
como se a posição do paciente e do operador estão perfeitamente saudáveis 
para as manobras seguintes. 
39 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 4 – A sindesmotomia mostrada esquematicamente quando através de movimentos de 
lateralidade cuidadosos as fibras gengivais e crestodentais são desinseridas, 
contornando o dente a ser extraído. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 Nesta sequência, a próxima manobra é a preensão do dente 
pelas pontas ativas do fórceps (SANTOS PINTO; MARZOLA, 1960 e 
MARZOLA, 2000; 2005 e 2008). 
 O fórceps deve ser selecionado corretamente, de acordo com o 
dente a ser extraído. Esta tomada pelo fórceps deve ser realizada ao nível 
do colo dental ou num ponto situado mais próximo ao ápice radicular, 
introduzindo-se sua ponta ativa entre o alvéolo e o dente, primeiro na 
superfície lingual e a seguir na labial. As pontas ativas devem evitar os 
tecidos moles, permanecendo num mesmo plano perpendicular ao longo 
eixo dental, durante todo decurso da intervenção (Figs. 5 e 6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 5 – Vista esquemática lateral da colocação do fórceps num dente, inicialmente pela 
face lingual (1) e depois pela vestibular (2). 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
Fig. 6 - Vista da colocação do fórceps num dente pela frente, devendo ser adaptado 
corretamente. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
2 
1 
40 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 Para os tempos seguintes da mecânica da exodontia (SANTOS 
PINTO; MARZOLA, 1960) foram introduzidas modificações em todas as 
técnicas cirúrgicas exodônticas, baseados em considerações puramente de 
ordem física, iniciando pelo termo original empregado - “mecânica da 
exodontia” - adotado porque “mecânica é o ramo da Física que trata da 
ação das forças, seja para estabelecer na Estática as condições de 
equilíbrio, ou para estudar na Dinâmica as relações entre as forças e seus 
movimentos resultantes” (MARZOLA, 2000; 2005 e 2008). 
 
MECÂNICA DA EXODONTIA 
 
FORÇAS 
 
 Para que as pontas ativas do fórceps se mantenham 
firmemente unidas ao dente, para eliminá-lo de seu alvéolo, devem ser 
conferidas a seus braços duas forças: 1. força de deslocamento e, 2. força 
de manutenção de seus braços. 
 A força de deslocamento (F) é aquela conferida ao fórceps para 
deslocar o dente de um ponto A’ para B’, em todos os movimentos 
exodônticos. É uma força ativa, dinâmica (Figs. 7 e 8).Fig. 7 – As forças que atuam por meio do fórceps sobre o dente, com sua resultante 
luxação e dilatação alveolar, diante da pressão exercida. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
Fig. 8 - Observa-se também a colocação das pontas ativas do fórceps atuando 
perpendicularmente ao longo eixo dental. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 A força de manutenção dos braços do fórceps é aquela que 
deve manter em posição seus braços em todo o decurso da extração (Fig. 
9). Esta força de manutenção não deve ser menor que a força de 
A’ B’ 
F1 F2 
F 
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A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
deslocamento dental, pois as pontas ativas do fórceps sofreriam um 
deslizamento, com o aparecimento de dois planos de aplicação em relação 
ao longo eixo dental (Fig. 9). Não deve ser maior que a resistência à fratura 
do dente em questão (Fig. 10). Assim, apreendido corretamente o dente, 
com as forças de manutenção e deslocamento já agindo de maneira 
adequada, passa-se aos movimentos da exodontia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 9 – A força de manutenção conferida aos braços do fórceps mostrando que quando não 
ocorre, há o aparecimento de outra força (F’2). A correta preensão do dente pelas 
pontas ativas do fórceps. A força de deslocamento (F) conferida ao fórceps para 
deslocar o dente de A’ para B’, em todas as fases da mecânica da exodontia, ou 
seja, em todos seus movimentos exodônticos. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
Fig. 10 - A força do deslocamento conferida ao fórceps para deslocar o dente de A para B 
em todas as fases da mecânica da exodontia. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
MOVIMENTOS 
 
 Para a extração dental, devem ser considerados os seguintes 
movimentos: Impulsão, Lateralidade, Rotação e, Expulsão ou de extração. 
Luxação é o nome dado ao conjunto dos movimentos de lateralidade e de 
rotação. 
 O movimento de impulsão é a manobra cirúrgica exodôntica 
pela qual o dente é impelido ou impulsionado contra o fundo de seu alvéolo 
ou ainda, em direção ao ápice alveolar (Fig. 11), visando: 1. rompimento das 
fibras alvéolo-dentais e, 2. criação de um ponto de apoio para o ápice 
radicular. O rompimento das fibras do ligamento alvéolo dental prende-se ao 
A’ B’ 
F2 
F’2 
F1 
FM 
M 
A 
B 
B 
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A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
fato de que o dente se encontra, normalmente, fixado por estes ligamentos. 
Como se pode prever, um dos impedimentos mecânicos à extração dental é 
ocasionado por estas fibras. O movimento de impulsão conferido ao dente 
leva-o à eliminação deste impedimento, pela dupla ação de esmagamento 
das fibras apicais e, dilaceração das fibras mediais e cervicais (Figs. 12, 13 
e 14). Igualmente, a dilaceração das fibras mediais e cervicais ocorre 
quando, a distensão produzida nestas fibras, ultrapasse seus limites de 
elasticidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 11 – O movimento de impulsão. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 12 – O movimento de impulsão provocando o esmagamento das fibras apicais e a 
dilaceração das fibras mediais e cervicais. 
Fig. 13 - Os movimentos desordenados sofridos pelo dente, se não estiver devidamente 
apoiado no ápice radicular pelo movimento de impulsão. 
Fig. 14 - O movimento pendular característico de uma perfeita técnica exodôntica, bem 
ordenado, pela correta aplicação do movimento de impulsão. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
A 
A 
B 
A 
A’ A’’ 
F 
F 
B 
43 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 No ato da exodontia, em que o dente suportará uma série de 
deslocamentos, se ele não estiver apoiado em estrutura resistente sofrerá 
deslocamentos desordenados, sem que haja rendimento deste trabalho 
mecânico e, dificilmente será dilatado o alvéolo (Fig. 13). 
 No passo seguinte da exodontia, o dente sofrerá um 
movimento pendular, que não será obtido se o ápice radicular não estiver 
apoiado em seu respectivo ápice alveolar (Fig. 14). Pode-se deduzir que 
este movimento de impulsão é um preparo ao movimento de lateralidade e 
todos os movimentos sequentes devem apoiar-se neste movimento. Desta 
maneira, este movimento pode ser considerado com a manobra fundamental 
da mecânica da exodontia, visto que todos os movimentos desta mecânica 
vão depender da ação correta dele. 
 Pelo movimento de lateralidade dilata-se o alvéolo num sentido 
vestíbulo-lingual para a extração dental (Fig. 15). Este movimento nunca 
deve ser executado no sentido mésio-distal. Neste movimento de 
lateralidade (ML), as pontas ativas do fórceps continuam num mesmo plano 
perpendicular (F1 e F2) ao longo eixo dental (E) (Fig. 16). Com isto, a força 
de manutenção dos braços do fórceps (F) transmite às suas pontas ativas 
duas forças (F1 e F2) que, sendo iguais e em sentido contrário, se anulam no 
sentido do deslocamento dental, com a resultante correspondente. Assim, 
somente a força (F) conferida ao fórceps pelo movimento de lateralidade 
(ML) poderá deslocá-lo. 
 No movimento de impulsão, o ápice radicular terá seu ponto 
máximo de aplicação de resolução destas forças, situado no ápice alveolar 
(A). Assim, o dente será deslocado de uma posição A para outra B, contra 
as tábuas ósseas externa (RD) e interna (RE) do alvéolo, pelo movimento de 
lateralidade (Figs. 17 e 18). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 15 – O movimento de lateralidade. 
Fig. 16 - No movimento de lateralidade as pontas ativas do fórceps continuam num mesmo 
plano perpendicular ao longo eixo dental. 
Fig. 17 - Apoiado neste ápice radicular o dente será deslocado contra as tábuas ósseas 
interna e externa do alvéolo. 
Fig. 18 - A dilatação será maior para a tábua óssea externa, a mais delgada, conforme o 
tipo de dente. 
Fontes: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
A B 
F 
F1 F2 
E 
RE RD 
F1 F2 
A 
B B 
F 
RD 
A 
B B 
RE 
F 
44 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 Desta maneira, a força (F) transmitida pelo movimento de 
lateralidade ao dente atuará contra estas tábuas ósseas, deslocando-se com 
a resultante dilatação alveolar. Deduz-se que para que ocorra esta 
dilatação, a força (F) criada pelo movimento de lateralidade deva ser 
relativamente maior que a resistência imposta pelas tábuas ósseas mais 
espessas (RE) e delgada (RD). Como a tábua óssea externa, mais delgada 
na grande maioria dos dentes (RD), tem uma resistência menor que a 
interna (RE), sua dilataçãoserá maior para uma mesma força (F) (Fig. 18): 
 
 
 
RE > RD RD < = > Dil 
 
 
 
 O objetivo do movimento de lateralidade é, pois, aquele de 
dilatar o alvéolo com amplitude tal que seja possível a exodontia. A 
dilatação deverá ser assim, maior para a tábua óssea menos espessa (RD), 
que para a maxila é a externa, além dos dentes anteriores inferiores e, no 
sentido da tábua óssea interna para pré-molares e molares inferiores, 
através dos movimentos de lateralidade, com maior amplitude em direção a 
esta tábua, a interna (RE). 
 O movimento de rotação é a manobra exodôntica pela qual o 
dente a ser extraído deverá sofrer uma pequena rotação, discreta mesmo, 
em torno de seu longo eixo (Fig. 19), visando a dilatação do alvéolo e a 
eliminação do impedimento mecânico representado pelas fibras 
remanescentes do ligamento alvéolo dental (Figs. 20, 21, 22 e 23). 
 Este movimento, que é discreto, deverá ser realizado sempre 
após o movimento de impulsão e, apoiado neste movimento, devendo ser 
sempre precedido pelo movimento de lateralidade e, somente executado em 
dentes com raízes cônicas, sem displasias apicais e unirradiculares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 19 – O movimento de rotação. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
A 
B 
45 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 20, 21, 22 e 23 – O movimento de rotação visto esquematicamente em dentes com 
raízes cônicas, com a consequente eliminação do impedimento representado 
pelas fibras remanescentes do ligamento periodontal (Figs. 22 e 23) e pelo 
restante das fibras periodontais. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
A B 
F1 
F2 
F3 
F4 
A’’ 
A’ 
A’’ 
C 
A’ 
D 
C 
D 
DIL 
46 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
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Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 A dilatação alveolar já foi considerada com relação ao 
movimento de lateralidade, ao ser ampliada no sentido vestíbulo lingual 
(Figs. 24 e 25). No movimento de rotação, o dente impelido contra as 
paredes mésio-distais do alvéolo, aumentará esta dilatação (Fig. 26). 
 Este movimento de rotação levará o dente ainda, de encontro 
às fibras do ligamento alvéolo dental, sendo por meio dele, esmagadas e 
dilaceradas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 24, 25 e 26 - Aspectos esquemáticos da realização do movimento de rotação, sempre 
em dentes unirradiculares e com raízes cônicas. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 O movimento de extração ou de expulsão, decorrente da tração 
dental, é aquele que realmente caracteriza o ato de extração. Por este 
movimento o dente, com as fibras já desinseridas e luxado, é extraído (Figs. 
27 e 28). 
47 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
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Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 27 e 28 - O movimento de expulsão visto esquematicamente e ao vivo. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 Para isto, é importante o conhecimento da inclinação do longo 
eixo dental relacionado com o arco alveolar, no ato da extração 
propriamente dita (Quadro I). Este conhecimento é necessário a fim de 
serem evitados acidentes como as fraturas alveolares, do túber da maxilar e 
da mandibular. 
 Estas considerações devem ser realizadas e aplicadas para a 
extração de qualquer dente ou raiz que esteja normalmente implantado nos 
arcos dentais, variando-se, conseqüentemente, sua aplicação de acordo 
com as técnicas exodônticas. 
 
Quadro V. 1 - Graus de inclinação dental relacionado com os arcos alveolares (APRILE, 
1954). 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DENTE INCLINAÇÃO GRAU
S 
Incisivo medial superior Vestibular 17° 
Incisivo lateral superior Vestibular 20° 
Canino superior Vestibular 17° 
Primeiro Pré-molar superior Vestibular 11° 
Segundo Pré-molar superior Vestibular 7° 
Primeiro Molar superior Vestibular 15° 
Segundo Molar superior Vestibular 11° 
Terceiro Molar superior Vestibular 17° 
Incisivo medial inferior Vestibular 15° 
Incisivo lateral inferior Vestibular 2° 
Canino inferior Vestibular 2° 
Primeiro Pré-molar inferior Lingual 3° 
Segundo Pré-molar inferior Lingual 9° 
Primeiro molar inferior Lingual 13° 
Segundo molar inferior Lingual 12° 
Terceiro molar inferior Lingual 25° 
A 
B 
48 
A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
 Para a grande maioria dos dentes são seguidos estes 
movimentos, podendo-se notar que na extração de incisivos e caninos 
superiores, podem ser efetuados todos os movimentos, seguindo-se 
evidentemente o planejamento radiográfico (Fig. 29). Para os primeiros pré-
molares superiores (Fig. 30), molares superiores (Fig. 31) e, nos molares 
inferiores, não podem ser utilizados os movimentos de rotação. Nota-se que 
nos incisivos, caninos e segundos pré-molares superiores, todos estes 
movimentos podem estar associados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 29, 30 e 31 - Aspectos esquemáticos da realização dos movimentos que um incisivo, 
um pré-molar e um molar, podem sofrer no ato de uma exodontia. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
 
 Nos primeiros pré-molares e molares superiores, o movimento 
de rotação não deve ser aplicado, sendo que os movimentos de lateralidade 
deverão estar em perfeita associação com o movimento de impulsão. 
Evidentemente, para a realização destes movimentos torna-se necessário 
exame detalhado da radiografia do elemento em questão. 
 Nos dentes inferiores, o movimento de rotação deve ser 
executado com certa amplitude apenas nos caninos e pré-molares, muito 
discretamente nos incisivos e, nunca nos molares. Da mesma forma que 
nos superiores, os movimentos deverão sempre ser realizados em correta 
associação e sincronização. 
 Após toda exodontia o alvéolo deverá ser irrigado, apenas 
curetado quando houver necessidade, as tábuas ósseas comprimidas, 
suturado, além de ser observada a cicatrização adequada da região quando 
da retirada dos pontos (Figs. 32 e 33). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figs. 32 e 33 - Aspectos do dente extraído e da sutura em X do alvéolo. 
Fonte: MARZOLA, C. Fundamentos de Cirurgia Buco Maxilo Facial. São Paulo: Ed. 
BigForms, 2008, 6 vs. 
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A EXTRAÇÃO DE DENTES IRROMPIDOS - 
MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
DISCUSSÃO 
 
 As forçasde deslocamento e de manutenção utilizadas para o 
deslocamento de um dente, bem como a ampliação do alvéolo sugerem que 
quando bem realizadas impedem qualquer tipo de acidente e qualquer 
destruição do rebordo alveolar, tão necessário para a formação de um 
processo de reparo adequado para a colocação de implantes (GIETZ, 1946; 
MEAD, 1948; SANTOS-PINTO; MARZOLA, C, 1960; SANTOS PINTO; 
MARZOLA, 1962; RIES CENTENO, 1964; GRAZIANI, 1968; WALKER, 
1970; HOWE, 1971; KRUGER, 1974; CARVALHO; OKAMOTO, 1987 e 
MARZOLA, 2008). 
 Os movimentos perfeitos numa exodontia possibilitam uma 
cirurgia correta e, sem nenhum tipo de acidente (GIETZ, 1946; MEAD, 1948; 
SANTOS-PINTO; MARZOLA, C, 1960; SANTOS PINTO; MARZOLA, 1962; 
RIES CENTENO, 1964; GRAZIANI, 1968; WALKER, 1970; HOWE, 1971; 
KRUGER, 1974; CARVALHO; OKAMOTO, 1987 e MARZOLA, 2008). 
 Assim, pela movimentação de impulsão, cria-se um ponto de 
apoio no ápice do alvéolo possibilitando que todos os outros movimentos 
sejam executados de maneira perfeita, sendo corretamente pendulares. 
Pela movimentação de lateralidade sempre no sentido vestíbulo-lingual, 
dilata-se o alvéolo o suficiente para possibilitar a extração perfeita sem 
nenhum tipo de acidente. As fibras periodontais são esmagadas e, assim, o 
dente é corretamente extraído. Essa movimentação sempre é executada no 
sentido mais amplo para aquela tábua mais delgada, permitindo melhor 
dilatação do alvéolo. Por este motivo que a maior movimentação para se 
extrair um primeiro molar inferior sempre deverá ser o movimento mais 
amplo no sentido lingual, que é a tábua menos resistente. A movimentação 
de rotação sempre em dentes uniradiculares e com raízes cônicas, também 
facilita a extração de dentes com raízes robustas e, muito bem inseridas em 
seus alvéolos como os caninos. A movimentação de extração sempre é a 
última fase, levando-se sempre em consideração que o dente já está 
praticamente livre de seus ligamentos e, completamente fora do alvéolo 
(AVELLANAL, 1946; GIETZ, 1946; MEAD, 1948; BERGER, 1950; 
CHOMPRET et al. 1951; FELDMAN, 1951; APRILE, 1954; MAUREL, 1959; 
ARCHER, 1966; SANTOS-PINTO; MARZOLA, C, 1960; SANTOS PINTO; 
MARZOLA, 1962; THOMA, 1963; RIES CENTENO, 1964; MOORE, 1965; 
PETERSON; ELLIS III; HUPP, 1965; COOK, 1966; GINESTET; 
FREZIERES; PONS et al., 1967; GRAZIANI, 1968; WALKER, 1970; 
HOWE, 1971; KRUGER, 1974; CARVALHO; OKAMOTO, 1987; ZANINI, 
1990 e MARZOLA, 2008). 
 Todos os aspectos que devem ser perfeitamente analisados 
em todas as fases de uma exodontia para que um dente seja extraído e, não 
arrancado. Maior motivo da extração é uma cirurgia perfeita para possibilitar 
um processo de reparo alveolar digno, que venha sustentar um rebordo em 
perfeitas condições para a aplicação de um implante (AVELLANAL, 1946; 
GIETZ, 1946; MEAD, 1948; BERGER, 1950; CHOMPRET et al. 1951; 
FELDMAN, 1951; APRILE, 1954; MAUREL, 1959; ARCHER, 1966; 
SANTOS-PINTO; MARZOLA, C, 1960; SANTOS PINTO; MARZOLA, 1962; 
THOMA, 1963; RIES CENTENO, 1964; MOORE, 1965; PETERSON; ELLIS 
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MECÂNICA DA EXODONTIA COM FÓRCEPS 
MARZOLA, C.; TOLEDO-FILHO, J. L. A extração de dentes irrompidos – Mecânica da exodontia com fórceps. Rev. 
Odontologia (ATO), Bauru, SP., v. 14, n. 1, p. 36-52, jan., 2014. 
 
III; HUPP, 1965; COOK, 1966; GINESTET; FREZIERES; PONS et al., 
1967; GRAZIANI, 1968; WALKER, 1970; HOWE, 1971; KRUGER, 1974; 
CARVALHO; OKAMOTO, 1987; ZANINI, 1990 e MARZOLA, 2008). 
 
CONCLUSÕES 
 
 Por todas estas ocorrências pode-se concluir que: 
 1. As forças de deslocamento e manutenção são 
completamente importantes e necessárias para a extração de um elemento 
dental. 
 2. Os movimentos de impulsão, lateralidade, rotação e extração 
são dignos de nota para a perfeita exodontia. 
 3. O processo de reparo correto de um alvéolo se inicia quando 
as forças de deslocamento e manutenção e as movimentações 
consequentes são efetuados com correta naturalidade e atenção. 
 
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_____________________________________ 
* De acordo com as normas da ABNT e modificadas pela Revista da ATO. 
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