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Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Parasitologia ClíniCa
Elaboração
Vitor Hugo Balasco Serrão
Marco Túlio Alves
Julio Cesar Pissuti Damalio
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APrESEntAção .................................................................................................................................. 4
orgAnizAção do CAdErno dE EStudoS E PESquiSA ..................................................................... 5
introdução ..................................................................................................................................... 7
unidAdE i
CONCEITOS GERAIS ............................................................................................................................. 9
CAPÍtuLo 1
RElAçãO PARASITA-HOSPEdEIRO .......................................................................................... 10
CAPÍtuLo 2
EPIdEmIOlOGIA ................................................................................................................... 12
CAPÍtuLo 3
ClASSIfICAçãO dOS SERES VIVOS ........................................................................................ 15
unidAdE ii
PARASITOlOGIA HUmANA ................................................................................................................... 17
CAPÍtuLo 1
PROTOzOáRIOS .................................................................................................................... 18
CAPÍtuLo 2
HElmINTOS ........................................................................................................................... 49
CAPÍtuLo 3
ARTRóPOdES ....................................................................................................................... 77
PArA (não) FinALizAr ...................................................................................................................... 86
rEFErÊnCiAS .................................................................................................................................... 87
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela 
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade 
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos 
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma 
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para 
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar 
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a 
como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de 
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões 
para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao 
final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e 
pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos 
e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
introdução
O Caderno de Estudos e Pesquisa “Parasitologia Clínica” foi elaborado com o objetivo de fornecer 
ao aluno os subsídios necessários para compreensão e identificação de doenças parasitárias, o que, 
infelizmente, ainda é um grave problema nacional ocasionado por inúmeros fatores que serão 
abordados nessa disciplina.
A identificação de um sistema Hospedeiro-Parasita, a identificação clínica por meio da morfologia do 
ser parasita, os sintomas ao qual o hospedeiro é acometido, a determinação das medidas profiláticas 
e o tratamento a fim de minimizar os sintomas e a busca da cura do hospedeiro. Todos esses tópicos 
serão discutidos no decorrer dos capítulos. As três principais classes de parasitas humanos serão 
amplamente discutidas, evidenciando as principais espécies e as sutis diferenças entre elas.
O aluno será levado a refletir sobre a influência do ambiente socioeconômico ao qual essas 
parasitemias são comumente relacionadas, além de permitir a reflexão sobre atitudes, não só com 
relação aos aspectos clínicos, mas muitas vezes psicológicos e sociais de abordagem aos pacientes, 
assim como a melhor maneira de prosseguir com o tratamento e medidas profiláticas.
Por fim, o aluno terá como objetivo na disciplina aprender ferramentas para: identificar, orientar, 
educar e tratar pacientes com doenças parasitárias, endêmicas de uma determinada região ou não, 
de maneira a compreender o ambiente ao qual o paciente está inserido, não observando somente o 
ambiente clínico. Ao final do curso, a avaliação será feita mediante aos exercícios propostos, levando 
em consideração fatores técnicos, poder de decisão e análise do contexto individual para cada evento 
aprendido no decorrer da disciplina.
“A parasitologia objetiva seu próprio fim.” (Prof. Erney P. Camargo – ICB/USP) 
Sejam bem-vindos!
objetivos
 » Definir os conceitos epidemiológicos relevantes. 
 » Compreender a relação parasita-humanos. 
 » Identificar as características morfológicas, patogênicas e sintomatológicas. 
 » Identificar procedimentos e diagnósticos a serem realizados.
 » Prover discussões com relação aos agentes difusores de tais epidemias.9
unidAdE iConCEitoS 
gErAiS
“Parasitas são organismos que vivem em associação com outros dos quais retiram 
os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo 
hospedeiro”. Essa é uma das definições para a relação parasita-hospedeiro, sendo 
a parasitologia a ciência que estuda essa tênue relação entre um determinado ser 
hospedeiro, neste caso o Homem, e outro, parasita.
Uma contextualização importante é que “Todas as doenças infecciosas e as infestações em animais 
e em plantas são causadas por seres considerados parasitas”. Sendo assim, o estudo das relações 
entre paciente e infecção não passa de uma análise do tipo Parasita-Hospedeiro.
Neste curso, daremos início à caracterização das relações de parasitismo em humanos, as diferentes 
abordagens técnicas e identificações para cada tipo existente, que, no Brasil, não são poucas.
Para compreensão plena dos assuntos discutidos nessa disciplina, o aluno terá de providenciar um 
bom GLOSSÁRIO das palavras envolvidas nos temas no decorrer do curso. Definições importantes 
como Epidemias, Cepa, Zoonoses, Vetor, Profilaxia, entre outras, serão comumente utilizadas, e 
fica a ideia da montagem de um glossário com as palavras a fim de favorecer o entendimento no 
decorrer das aulas.
10
CAPÍtuLo 1
relação Parasita-Hospedeiro
A relação entre organismos é imensa e fundamental para manutenção dos sistemas biológicos como 
os conhecemos, tão importante que podemos afirmar que nenhum ser vivo é capaz de sobreviver e/
ou reproduzir-se independentemente de outros seres vivos.
Das possíveis associações entre organismos, podemos classificar de modo direto duas maneiras: 
Harmônicas ou Positivas (benefícios ou ausência de prejuízos mútuos) e Desarmônicas ou Negativas 
(há prejuízo para algum dos participantes da associação). Os meios de associações mais comumente 
encontrados são: Competição, Neutralismo, Canibalismo, Predatismo, Parasitismo, Comensalismo, 
Mutualismo e Simbiose.
Portanto, alguns organismos apresentam uma relação não mutuamente benéfica entre os envolvidos, 
levando-os a prejuízos consideráveis e muitas vezes despercebidos de imediato. Esses organismos 
são os parasitas.
As classificações dos parasitas podem ser as mais diversas possíveis: Ectopoarasitas (vivem 
externamente ao corpo do hospedeiro); Endoparasitas (vivem internamente ao hospedeiro); 
Hemoparasitas (tecido hematopoiético); Holoparasitas e Hemiparasitas (extraem seivas de 
vegetais); Estenoxenos (vivem em vertebrados); Eurixenos (grande variedade de hospedeiros 
possíveis); Facultativos (parasitando ou vida livre); Obrigatórios (impossível viver sem a presença 
de um hospedeiro) e Acidental (vivem em hospedeiro que não é o costumeiro).
Pode haver uma caracterização em relação aos hospedeiros: Definitivo (abrigam os parasitas 
durante as fases de maturidade e de atividade sexual); Intermediário (abrigam durante fase larval 
ou assexuada) e Paratênico e Transporte (intermediários sem desenvolvimento, no entanto, 
apresentando viabilidade até entrar em contato com hospedeiro definitivo).
É possível classificar os parasitas, segundo a maneira de coleta de nutrientes do hospedeiro: 
Espoliativa (a absorção de nutrientes e sangue do hospedeiro), Enzimática (com a deterioração 
de tecidos do hospedeiro por ação enzimática do parasita), Irritativa (causam irritação local 
sem causar lesões traumáticas), Mecânica (interferência no fluxo alimentar ou de absorção de 
alimentos competindo com o hospedeiro), Tóxica (produção de enzimas e/ou metabólitos tóxicos 
ao hospedeiro), Traumática (provocam lesões no hospedeiro) e Anóxia (diminuição da taxa de 
oxigênio pelas hemoglobinas por interferência de parasitas).
Para esse curso, o foco será dado na relação HUMANO – PARASITA, abrangendo o ambiente no 
qual a espécie humana interfere, por exemplo, animais domesticados e condições socioeconômicas 
dos indivíduos.
Os mecanismos de entrada do parasita no hospedeiro podem ser por intermédio de penetração 
ativa (o parasita tem a capacidade de romper as barreiras do organismo hospedeiro) ou penetração 
passiva (o parasita adentra por intervenção de vetores ou ingestão/penetração por formas 
11
CONCEITOS GERAIS │ UNIDADE I
infectantes, normalmente ovos ou cistos). A transferência para o próximo hospedeiro pode ser por 
meio de: Pele (retirada de sangue por vetores hematófagos); Tecidos (permanência nos tecidos de 
seres predados) ou Fezes (eliminação de formas infectantes como ovos ou cistos).
No Brasil, por exemplo, existe uma relação interessante entre pequeno número de doenças parasitárias 
e elevado número de casos dessas doenças. Esse fato leva a crer que problemas endêmicos são as 
principais causas dessas doenças e que são refletidos em alguns fatores como: espécie do parasita, a 
idade média da população acometida pela doença, estado nutricional da população local, condições 
sanitárias e resposta imunológica do hospedeiro.
Condição de crescimento exacerbado e desordenado das cidades, baixa condição de vida e higiene das 
comunidades, falta de educação aos hábitos e costumes das pessoas além dos sistemas ineficientes 
de abastecimento de água, esgoto, coleta e tratamento dos dejetos são as principais causas de 
propagação de agente epidemiológico, sejam vetores ou mesmo os agentes causadores das doenças.
Este site faz uma síntese do que foi discutido nesse capítulo: 
<http://pessoal.educacional.com.br/up/81000001/5123693/Protozoologia.pdf>. 
Para compreensão dos vocábulos necessários, vale a pena a leitura da referência 1 
(NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2010).
Considerando os seguintes organismos parasitas humanos: Ascaris lumbricoides 
(lombriga), Schistosoma mansoni (agente causador da esquistossomose), 
Trypanosoma cruzi (agente causador da doença de Chagas) e Pediculus humanus 
capitis (piolho humano), agrupe-os de acordo com as possíveis classificações 
apresentadas nesse capítulo.
A esquistossome é uma doença endêmica que mata milhares de pessoas anualmente, 
sobretudo no Brasil e países africanos. Não existe um tratamento eficiente para 
combater a doença após o contagio, no entanto, a prevenção é extremamente 
simples. Quais são os empecilhos para não diminuição de casos dessa doença?
12
CAPÍtuLo 2
Epidemiologia
Epidemiologia é a ciência que interpreta e esclarece os meios de distribuição de doenças (características 
fisiológicas e sociais) e seus determinantes (ou fatores de risco) na população humana. O objetivo 
principal consiste na prevenção das doenças nos mais diversos grupos populacionais, definidos por 
área geográfica, faixa etária, determinação ocupacional, entre outras classificações. 
Os estudos epidemiológicos podem ser aplicados, refletindo uma função específica. Algumas 
especialidades de Epidemiologia são: molecular; genética; veterinária; doenças infecciosas e 
parasitárias; doenças não transmissíveis; neuroepidemiologia; da violência; controle da poluição; 
aplicada à administração de serviços de saúde; infecções hospitalares.
Nessa disciplina, vamos focar na Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias, ou seja, 
qualquer doença causada por alguns agentes biológicos (como protozoários, helmintos e artrópodes), em 
contraste com causa física (consequências ao hospedeiro). 
A compreensão da relação Agente – Vetor – Meio Ambiente – Hospedeiro são os principais enfoques de 
estudo da epidemiologia, em especial a relação direta de causa e consequência entre Agente e Hospedeiro 
(Figura 1).
Figura 1. Tríade epidemiológica de doenças.
(disponível em: <http://dc254.4shared.com/doc/laqK8-_P/preview.html>.
 Acesso em: 27 ago. 2012)
Existem inúmeras definições e conceitos que rodeiam a epidemiologia. Os conceitos 
estão muito bemexplicados na referência 1, mas para quem não tem acesso fácil ao 
livro, existem sites bem explicativos na internet que abrangem esse tema (NEVES, D. 
P. Parasitologia Humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2010). 
13
CONCEITOS GERAIS │ UNIDADE I
Os pontos fundamentais a serem analisados são:
Formas de Disseminação
 » Veículo comum: quando o agente etiológico (causador da doença) pode ser 
transferido por uma única fonte, por exposição única ou continuada.
 » Interpessoal: é disseminado pelo contato entre indivíduos, podendo ser de diferentes 
maneiras como contatos sanguíneo, sexual, mucosas ou mesmo respiratório. 
 » Porta de entrada: entrada direta pelo trato respiratório, gastrointestinal, cutâneo 
ou geniturinário. 
 » Reservatório de agentes: pode ser dividida quando o homem é o único agente 
infectado (antroponose) ou quando outros animais servem de reservatórios 
(zoonose).
Dinâmica da doença na população
 » Endemia: presença constante da doença em uma parcela da população de 
determinada área geográfica, grupo populacional ou classe social (Figura 2).
 » Epidemia: tem como característica elevação progressiva de casos, inesperada e 
descontrolada, ultrapassando os níveis endêmicos conhecidos. 
 » Pandemia: são epidemias que acontecem em proporções globais, ou pelo menos 
regiões distantes geograficamente.
Figura 2. Modelo de diferenciação entre endemia e epidemia em função do tempo.
(disponível em: <http://dc254.4shared.com/doc/laqK8-_P/preview.html>. Acesso em: 27 ago. 2012)
Medidas preventivas
 » Primárias: intervenção no contágio do indivíduo pelo controle dos fatores de risco, 
agindo preventivamente. 
14
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS
 » Secundárias: intervenção clínica sobre os indivíduos já acometidos pelo agente 
patogênico. 
 » Terciárias: intervenção visando à prevenção da incapacidade do indivíduo, 
normalmente processos de reabilitação, reeducação e readaptação de pacientes 
com sequelas.
Existe uma série de doenças endêmicas presentes nos países subtropicais que 
causam milhares de mortes por ano. No entanto, não há um esforço das grandes 
multinacionais para a criação e planejamento de uns medicamentos efetivos para 
essas infecções parasitárias. Será que isso se deve ao fato de serem doenças de 
países subdesenvolvidos cuja população não apresenta elevado poder aquisitivo? E 
como poderíamos mudar esse cenário?
Considerando os seguintes organismos parasitas humanos: Ascaris lumbricoides 
(lombriga), Schistosoma mansoni (agente causador da esquistossomose), 
Trypanosoma cruzi (agente causador da doença de Chagas) e Gripe H1N1, agrupe-os 
de acordo com as possíveis classificações apresentadas nesse capítulo, elucidando 
quais são as formas de disseminação. Explique a dinâmica populacional e as 
prováveis medidas preventivas. Além disso, monte as tríades epidemiológicas para 
cada uma dessas doenças.
15
CAPÍtuLo 3
Classificação dos Seres Vivos
São inúmeros os seres vivos e, para simplificar, eles foram agrupados com relação às características 
morfológicas, fisiológicas, estruturais, filogenéticas, entre outros critérios. 
Os níveis hierárquicos são representados na Figura 3 e seguem sempre a mesma organização: 
Domínio – Reino – Filo – Classe – Ordem – Família – Subfamília – Tribo – Gênero – 
Subgênero – Espécie.
Figura 3. Esquerda: Classificação hierárquica dos seres vivos em fluxograma. 
Direita: Exemplo prático de níveis organizacionais, sequência para o cão 
doméstico, podendo ser empregado para qualquer outro ser vivo, lembrando 
que a classificação é Vida seguida de Domínio, no caso do cão, Eukarya (seres 
eucarióticos, com núcleo envolto por uma membrana, resultando em uma célula 
com núcleo definido e separado do citoplasma).
(disponível em: <http://educar.sc.usp.br/ciencias/seres_vivos/seresvivos2.html>. Acesso em: 27 ago. 2012)
Os grupos de interesse em parasitologia não são todos. A espécie humana é hospedeira de organismos 
presentes no Reino Animalia de cinco filos distintos (Protozoa, Platyhelminthes, Nematoda, 
Acantocephala e Arthropoda), todos com inúmeras espécies e características únicas. Dentre os possíveis 
parasitas humanos, pode-se distingui-los pelo modo de transmissão: transmissão interpessoal por 
contato ou uso de objetos; transmissão por água, alimentos, falta de higiene, poeira; transmissão por 
contato com o solo contaminado por larvas ou seres unicelulares; transmissão por vetores ou hospedeiros 
intermediários em contato com o ser humano e a transmissão por mecanismos diversos.
16
UNIDADE I │ CONCEITOS GERAIS
Outro aspecto relevante é a nomenclatura das doenças parasitárias. Não há homogeneidade em 
relação às nomenclaturas ou uso dos sufixos corretos para a determinação adequada. O adotado 
convencionalmente foi a utilização dos sufixos ose acompanhando o gênero do agente etiológico.
Foi mencionado que somente 5 (cinco) filos do Reino Animalia são parasitas da 
espécie humana. Identifique pelo menos um organismo pertencente a cada um 
dos filos mencionados e uma característica morfológica que o identifique como 
membro do filo em questão. 
Todos nós ficamos, ao menos uma vez na vida, gripados. Sabe-se que a gripe é 
causada por contagio viral, e também é sabido que os vírus são parasitas celulares 
obrigatórios, ou seja, o vírus da gripe é um tipo de parasita da espécie humana. Qual 
seria então a classificação taxonômica de um vírus?
17
unidAdE iiPArASitoLogiA 
HuMAnA
Nesta unidade daremos início às análises dos organismos parasitas cujo ser humano é hospedeiro 
definitivo ou intermediário. Serão abordados os seguintes tópicos para o estudo e compreensão 
de cada organismo: morfologia; meio de reprodução; nutrição e características diferenciais; 
sistemática; principais ciclos biológicos; mecanismo de transmissão; patogenia; diagnóstico; 
profilaxia e tratamento.
18
CAPÍtuLo 1
Protozoários
Os protozoários são micro-organismos cuja classificação taxonômica é feita com base em suas 
estruturas de locomoção e são agrupados em um reino próprio, denominado Reino Protista (junto 
às algas unicelulares crisófitas, euglenófitas e pirrófitas) (Figura 4). São seres eucariontes (núcleo 
celular organizado dentro de uma membrana), a maioria é heterótrofa. Embora alguns sejam 
autótrofos, ou seja, produzem clorofila e com ela fazem a fotossíntese, produzindo seu próprio 
alimento a partir de compostos inorgânicos [Capítulo baseado nas referências apresentadas ou 
extraído da webpage: S5]. 
Figura 4. Exemplos de quatro protozoários: um ciliado (Paramecium caudatum), 
um flagelado (Trypanosoma brucei), um rizópode (Entamoeba histolytica) e um 
sem organelas locomotoras (Plasmodium vivax).
(disponíveis em: <http://www.alaquairum.net/generalidades_protozoos_2.htm>; <http://www.microscopy-uk.org.uk/mag/
indexmag.html>;<http://www.microscopy-uk.org.uk/mag/artdec00/amphileptus.html>. Acesso em: 30 ago. 2012)
Morfologia
Os protozoários são seres que apresentam variações diversificadas e abrangentes conforme sua fase 
evolutiva e o meio a que estejam adaptados. Podem ser esféricos, ovais ou mesmo alongados. Alguns 
são revestidos por estruturas conhecidas como cílios, outros possuem um ou vários flagelos. Além 
disso, existem ainda os que não possuem nenhuma organela locomotora especializada.
19
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
A atividade fisiológica influencia fazendo com que algumas espécies possuam fases bem definidas. 
Assim, temos:
 » trofozoíto: é a configuração ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se 
reproduz, por distintos processos;
 » cisto: é a configuração de resistência, onde o protozoário possui uma parede 
extracelular resistente que o protegerá enquanto estiver em ambiente impróprio e 
inadequado para a vidalivre ou durante sua fase de latência;
 » gameta: é a configuração sexuada, que aparece em algumas espécies de protozoários.
Os organismos participantes do Reino Protista são seres unicelulares que, para sobreviver, têm de 
ser capaz de realizar todas as funções necessárias para a manutenção da vida, ou seja, alimentação, 
respiração, reprodução, excreção e locomoção.
Para cada função existe uma organela própria. Vejamos. 
 » Cinetoplasto: é uma mitocôndria especializada, sendo rica em material genético. 
 » Corpúsculo basal: base de inserção do componente motor dos cí1ios e flagelos. 
 » Reservatório: hipóteses apontam para que seja um local onde ocorram processos de 
secreção, excreção e ingestão de partículas, pelo processo de pinocitose e fagocitose. 
 » Lisossomo: permite a digestão intracelular de partículas alimentares. 
 » Complexo de Golgiense: responsável pela síntese de carboidratos e condensação 
da função de secreção proteica para o meio extracelular ou para incorporação nas 
membranas lipídicas do organismo. 
 » Retículo endoplasmático: a) Liso: responsável pela síntese de esteroides; b) Granular 
ou Rugoso: responsável pela síntese de proteínas em seu lúmen. 
 » Mitocôndria: produção energética da célula. 
 » Microtúbulos: movimentos celulares (contração e distensão) e vias de transporte 
interno de vesículas.
 » Flagelos, cílios, membrana ondulante e pseudópodes: responsável pela locomoção 
da célula no meio em que se encontra. 
 » Axonema: eixo central do flagelo. 
 » Citóstoma: permite a ingestão de partículas alimentares.
Cada organela possui semelhança nas várias espécies dentro do reino, entretanto, é possível que 
haja pequenas distinções que podem ser observadas ao microscópio óptico ou, unicamente, por 
intermédio de um microscópio eletrônico. 
20
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
reprodução
Encontramos os seguintes tipos de reprodução:
Assexuada
 » Divisão Binária ou Cissiparidade.
 » Brotamento ou Gemulação. 
 » Endogenia: surgimento de células-filhas, duas ou mais, por brotamento interno à 
célula. 
 » Esquizogonia: divisão nuclear seguida da divisão celular, resultando em indivíduos 
isolados. Esses rompem a membrana celular da célula-mãe e continuam a 
desenvolver-se. Na realidade, existem três tipos de esquizogonia: merogonia 
(produz merozoítos), gametogonia (produz microgametas) e esporogonia (produz 
esporozoítos).
Sexuada
 » Conjugação: consiste na união temporária de dois indivíduos, com troca mútua de 
materiais nucleares. 
 » Singamia ou Fecundação: consiste na união de microgameta e macrogameta 
formando o ovo ou zigoto, que pode dividir-se para fornecer esporozoítos. A 
formação de gametas é denominada gametogonia.
nutrição e características
Quanto ao tipo de alimentação, dividem-se em:
 » Holofíticos ou Autotróficos: ou seja, a partir de pigmentos presentes no citoplasma 
conseguem sintetizar compostos orgânicos utilizando a energia provinda da luz 
solar pelo processo denominado fotossíntese. 
 » Holozoicos ou Heterotróficos: ingerem partículas orgânicas, digestão por ação 
enzimática. Essa ingestão pode ser denominada fagocitose (ingestão de partículas 
sólidas) ou pinocitose (ingestão de partículas líquidas). 
 » Saprozoicos: têm a capacidade de absorver substâncias inorgânicas, desde que essas 
estejam decompostas e dissolvidas em meio aquoso. 
 » Mixotróficos: são capazes de obter alimentos por mais de um dos métodos descritos.
21
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Patogenias
Micro-organismos de vida livre são presentes em muitos ambientes. No entanto, alguns levam vida 
parasitária e podem acometer doenças em animais. 
Febre, cistos dolorosos e outros são alguns sintomas em seus hospedeiros. Muitos protozoários 
podem causar doenças na espécie humana e em outros animais vertebrados. Por exemplo: 
Trypanosoma cruzi é um protozoário flagelado e agente causador da doença de Chagas. 
Entre doenças causadas por protozoários, podem-se destacar a amebíase (pela Entamoeba 
histolytica), a giardíase (pela Giardia lamblia), a malária (por Plasmódios sp), diferentes tipos 
de leishmaniose (pelas Leishmania sp) e diversas outras patogenias.
LEiSHMAnioSES
As leishmanioses podem ser causadas pelo contágio de diferentes espécies dos protozoários do 
gênero Leishmania, e são transmitidas pelo contato por meio da picada de um mosquito pertencente 
à sub-família Phlebotominae.
Apresenta três formas clínicas mais frequentes (Figura 5). 
 » Leishmaniose cutânea: causadora de feridas na pele. 
 » Leishmaniose muco-cutânea: cujas lesões podem levar a deterioração parcial ou 
total de mucosas, 
 » Leishmaniose visceral, também conhecida como calazar: é caracterizada por surtos 
de febre irregulares, substancial perda de peso, hepatoesplenomegalia e anemia 
severa. O não tratamento pode levar a morte na totalidade dos casos.
Figura 5. Da esquerda para direita, exemplos de: Leishmaniose cutânea presente 
em braço de indivíduo humano; Leishmaniose mucocutânea na região bucal e 
Leishmaniose visceral em um garoto da região nordeste brasileira. 
(disponíveis em: <http://forum.portaldovt.com.br/forum/index.php?showtopic=91709&st=30>; <http://www.estomatologia.com.
br/diagnosticos_det2.asp?cod_diag=21>; <http://www.mdsaude.com/2010/05/leishmaniose.html>. Acesso em: 18 set. 2012) 
22
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Atualmente, atingem cerca de 350 milhões de pessoas em 88 países do mundo, sendo 72 considerados 
países em desenvolvimento (Figura 6). A distribuição, segundo o tipo de leishmaniose, é: 
 » 90% dos casos de Leishmaniose visceral ocorrem em Bangladesh, Brasil, Índia, 
Nepal e Sudão;
 » 90% dos casos de Leishmaniose muco-cutânea ocorrem na Bolívia, Brasil e Peru;
 » 90% de todos os casos de Leishmaniose cutânea ocorrem no Afeganistão, Brasil, 
Irã, Peru, Arábia Saudita e Síria.
Figura 6. Distribuição dos casos de Leishmaniose no mundo (em destaque na cor 
escura), dados atualizados da WHO (Organização Mundial da Saúde) de 2003. 
 (disponível em: <http://www.bvgh.org/Biopharmaceutical-Solutions/Global-Health-Primer/diseases/cid/Viewdetails/ItemId/5.
aspx>. Acesso em: 18 set. 2012)
Agente etiológico
As leishmanioses são causadas por parasitas do gênero Leismania. As espécies L. donovani, L. 
infantum infantum, e L. infantum chagasi podem acarretar leishmaniose visceral, mas, em casos 
leves, apenas manifestações cutâneas.
As espécies L. major, L. tropica, L. aethiopica, L. mexicana, L. braziliensis, L. amazonensis e L. 
peruviana são as responsáveis pela leishmaniose cutânea ou mucocutânea.
Este protozoário apresenta ciclo de vida envolvendo dois hospedeiros, um vertebrado e um 
invertebrado (ciclo heteroxeno). Os hospedeiros vertebrados podem incluir uma grande variedade 
de mamíferos, entre eles: roedores; edentados (tatu, tamanduá, preguiça); marsupiais (gambá); 
canídeos e primatas, o que inclui o homem.
Os hospedeiros invertebrados, em geral, são pequenos insetos da ordem Diptera, família Psycodidae, 
sub-família Phlebotominae, gêneros Lutzomyia e Phebotomus.
23
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Uma característica morfológica interessante está na diferenciação nas conformações celulares 
mediante ao hospedeiro (Figura 7). 
 » Amastigotas: possuem forma oval ou esférica, sendo as formas encontradas no 
hospedeiro vertebrado. Não há flagelo livre, mas um rudimento presente na bolsa 
flagelar. 
 » Promastigotas: formas alongadas, com flagelo livre na região anterior. Encontradas 
no tubo digestivo do inseto vetor e hospedeiro intermediário e em meio de cultura. 
 » Paramastigotas: formas ovais ou arredondadas com flagelo livre. Encontradas 
aderidas ao tecido epitelial do sistema digestivo do inseto vetor, por meio de 
hemidesmossomas.
Figura 7. Da esquerda para direita,exemplos de: Leishmanias na forma amastigota 
e promastigota; e forma paramastigota. 
(disponíveis em: <http://enfermagem-sae.blogspot.com.br/2009/04/leishmaniose-visceral-ou-calazar.html>; <http://www.fcfrp.
usp.br/dactb/Parasitologia/Arquivos/Genero_leishmania.htm>. Acesso em: 19 set. 2012)
Ciclo
No vetor: o inseto pica o vertebrado contaminado e ingere macrófagos contendo as formas amastigotas 
do parasita. Ao chegarem ao estômago do inseto, essas células se rompem liberando as amastigotas 
que, por sua vez, passam por processo de divisão binária e, posteriormente, à forma promastigotas. 
Passam por divisão e se multiplicam ainda no sangue ingerido (envolto pela membrana peritrófica). 
Essa membrana se rompe entre terceiro e quarto dias liberando as células parasitas no hospedeiro. 
As formas promastigotas permanecem se reproduzindo por cissiparidade, com a possibilidade de 
duas vertentes distintas, de acordo com a espécie do parasita (Figura 8). 
As leishmanias do “complexo brasiliensis” migram para as regiões do piloro e do íleo (seção 
peripilária). Transformam-se de promastigotas para paramastigotas, aderindo ao epitélio do 
intestino do inseto. Nas leishmanias do “complexo mexicana”, ocorre de maneira análoga; no entanto, 
a fixação das células paramastigotas ocorre no estômago do inseto. Novamente transformando-se 
em promastigotas que migram para a região da faringe. Neste local, transformam-se para a forma 
paramastigota e, em seguida, diferenciam-se empromastigotas infectantes, altamente móveis, que 
se deslocam para o aparelho bucal do inseto.
24
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
No vertebrado: durante a ingestão de sangue, ocorre a injeção de protozoários na forma promastigota 
no local da picada. Em algumas horas, estes flagelados são interiorizados pelos macrófagos teciduais. 
Nesse momento, as formas promastigotas se diferenciam na forma amastigota, encontradas em meio 
sistêmico em cerca de um dia a partir do momento da fagocitose. As amastigotas são extremamente 
resistentes à ação dos macrófagos e possuem elevada taxa reprodutiva. 
Com o excesso de amastigotas no citoplasma dos macrófagos, o rompimento celular é inevitável, 
liberando as amastigotas, que penetram outros macrófagos, o que inicia a reação inflamatória.
Figura 8. Ciclo de vida e contágio da Leishmania sp na etapa de parasitismo 
humano. 
(disponível em: <http://dc236.4shared.com/doc/feNBlQeC/preview.html>. 
Acesso em: 18 set. 2012)
Epidemiologia
Iniciada como uma enzootia (doença cujos hospedeiros são somente animais) em animais silvestres. 
A transmissão ao ser humano ocorre quando este penetra selva adentro para realizar suas atividades 
ou as regiões de conurbação e de ocupação humana se aproximam demasiadamente das regiões de 
vida livre dos parasitas e dos hospedeiros invertebrados naturais. Neste caso, a doença é considerada 
como uma zoonose (doença cujo ciclo envolve animais e o homem). 
Profilaxia
 » Evitar picadas do mosquito vetor através de medidas de proteção individual: 
repelentes, tela de mosquiteiro de malha fina e embebidas em inseticidas;
25
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
 » Em áreas de colonização recente, é recomendada a construção de casas a uma 
distância de no mínimo 500 metros da mata, devido à baixa capacidade de voo dos 
insetos hospedeiros.
 » Vacinação em animais domésticos: em fase final de testes (Leishvacin, produzida 
pela Bioquímica do Brasil S/A – Biobrás, somente para a realização de ensaios 
clínicos. A produção em escala comercial ainda não é viável, segundo o Diretor de 
Desenvolvimento Tecnológico da Biobrás, Luciano Vilela, faltando a liberação do 
registro pelo Ministério da Saúde).
diagnóstico
a. Diagnóstico Clínico
 » Fundamentado na característica apresentada na lesão e em dados 
epidemiológicos da região previamente conhecidos.
b. Diagnóstico Laboratorial
 » Pesquisa do parasita através de exame direto de esfregaços corados: anestesia 
local retira-se um fragmento das bordas da lesão e analisa-se um esfregaço 
dessa amostra em lâmina, corado com derivados de Romanowsky, Giemsa 
ou Leishman.
 » Cultura: pode-se realizar a cultura de fragmentos de tecido ou de espirados 
da borda da lesão.
 » Inóculo em animais: utilizando o hamster como o animal mais utilizado para 
o isolamento de Leishmanias. Inocula-se, por via intradérmica, no focinho ou 
nas patas, um triturado do fragmento da lesão em solução fisiológica.
 » Métodos imunológicos: teste intradérmico de Montenegro – utilizado no 
país para levantamentos epidemiológicos, avalia a hipersensibilidade do 
paciente. Inocula-se pequeno volume de antígeno nos membros superiores 
do paciente, e para o caso de reações positivas, verificando o estabelecimento 
de uma reação inflamatória local, reversível em 72 horas.
 » Reação de Imunofluorescência indireta: teste bastante usado, apresentando alta 
sensibilidade, porém apresenta reação cruzada para outros tripanosomatídeos, 
como o Trypanosoma cruzi (causador da Doença de Chagas).
Para mais detalhes sobre os métodos diagnósticos, principalmente sobre o Teste 
Intradérmico de Montenegro, acesse o texto de Loureiro et al. (1998), disponível em: 
<http://www.dermato.med.br/publicacoes/artigos/1998leishmaniose.htm>. 
Pequeno documentário sobre a Leishmaniose: 
<http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=tNTYxFu49OY&feature=endscreen>.
26
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
tratamento
Uso de um antimonial tártaro hermético (introduzido pelo médico brasileiro Gaspar Vianna, em 
1912). Atualmente, é utilizado um antimonial pentavalente, Glucantime, onde somente a forma 
difusa não responde bem ao tratamento.
Outro tratamento considerado é a imunoterapia utilizando a Leishvacin, vacina utilizada para 
imunoprofilaxia. Ainda não apresenta escala comercial de produção.
Acabamos de ver a gravidade das leishmanioses no mundo, então por que não há 
um investimento maior a fim de erradicar essa doença?
Você é morador de uma região cuja leishmaniose é endêmica. Quais seriam suas 
principais ações a fim de reverter esse quadro?
Compare as leishmanioses visceral e cutânea com relação à gravidade, vetores e 
abrangência da doença.
triPAnoSoMÍASE AMEriCAnA ou doEnçA dE 
CHAgAS
A principal tripanosomíase humana, tripanossomíase americana ou, simplesmente, Doença de 
Chagas, uma homenagem a Carlos Chagas, infectologista brasileiro identificador do agente causador 
da doença, é causada pelo agente Trypanosoma cruzi (Figura 9).
Figura 9. Da esquerda para direita, exemplos de: Trypanosoma cruzi na forma 
tripomastigota; o inseto vetor conhecido como “Barbeiro” e uma foto do Dr. Carlos 
Chagas, descobridor da doença que ficou conhecida como Doença de Chagas.
 (disponíveis em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos/doencadeChagas.php>; <https://www.jyi.org/features/
ft.php?id=185>; <http://blig.ig.com.br/ebomsaber/2009/07/10/o-medico-que-descobriu-o-trypanosoma-cruzi-e-o-mal-de-
chagas/>. Acesso em: 19 set. 2012)
27
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Estima-se que a doença de Chagas afeta entre 8 e 10 milhões de pessoas no países latino-americanos, 
onde a doença é endêmica; e aproximadamente 500 mil indivíduos em países não endêmicos. 
Estima-se, ainda, que ocorram anualmente mais de 40 mil novos casos, e cerca de 20 mil óbitos 
por ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90 milhões de pessoas estão 
expostas ao risco de contágio e a Bolívia é o país que mais sofre com a doença (Figuras 10 e 11).
Figura 10. Distribuição dos casos de doença de Chagas no mundo. Quanto mais 
escuro maior a incidência da doença. Dados mais atualizados da WHO (Organização 
Mundial da Saúde) de 2004. 
 (disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ficheiro:Chagas_disease_world_map_-_dAlY_-_WHO2004.svg>.Acesso em: 19 set. 2012)
Figura 11. Distribuição dos casos de doença de Chagas na região endêmica, 
delimitada pelas Américas do Sul e Central. Dados atualizados da WHO 
(Organização Mundial da Saúde) de 2004. 
(disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ficheiro:distribution_of_Chagas%27_disease.svg>. 
 Acesso em: 19 set. 2012)
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UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Agente etiológico
Trypanosoma cruzi é o agente causador da Doença de Chagas, a forma mais grave de infecções 
desses parasitas em humanos.
Outra forma infectiva de tripanosomas, que não será tratada nessa disciplina, é a Doença do Sono 
(humanos), ou Nagana (gado), doença endêmica na África sub-saariana. É causada pela infecção 
por Trypanosoma brucei e contágio através do contato com a mosca de Tsé-Tsé.
Ciclo
Esse protozoário apresenta um ciclo de vida heteroxênico, passando por uma fase de multiplicação 
intracelular no hospedeiro vertebrado e extracelular no hospedeiro vetor (Figura 12).
No vertebrado: as formas tripomastigotas eliminadas nas excreções dos insetos “barbeiros”, membros 
dos gêneros Triatoma, Panstrongylus e Rhodinus, durante ou logo após sua alimentação por ação 
hematófaga no hospedeiro humano. Os parasitas penetram pelo local da picada e interagem com as 
células da pele e mucosas internas. Nesse momento, ocorre a transformação das tripomastigotas em 
amastigotas, cuja multiplicação se dá por divisão binária. 
A próxima etapa é a diferenciação das amastigotas em tripomastigotas. Essas serão liberadas da 
célula hospedeira e se dirigem ao interstício e corrente sistêmica, onde atingem as demais células de 
qualquer outro tecido ou órgão, iniciando um novo ciclo celular. No entanto, alguns indivíduos são 
destruídos pela ação do sistema imune. 
No hospedeiro invertebrado: os “barbeiros” (Triatomíneos sp) se infectando ao ingerir as formas 
tripomastigotas presentes na corrente sistêmica, de um hospedeiro vertebrado contaminado, durante 
a hematofagia. No estômago do inseto, diferenciam-se na forma epimastigotas. Ao passar para o 
intestino médio do hospedeiro, as epimastigotas se reproduzem por cissiparidade, o que define a 
manutenção da infecção no vetor. No reto do inseto infectado, as epimastigotas se diferenciam em 
tripomastigotas metacíclicas, forma infectante para os vertebrados, sendo eliminadas nas fezes ou 
urina no ato da hematofagia, delimitando o ciclo do parasita.
29
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Figura 12. Ciclo de vida e contágio do Trypanosoma cruzi nas etapas de parasitismo 
humano e no hospedeiro invertebrado. 
 (disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/doen%C3%A7a_de_Chagas>. 
Acesso em: 18 set. 2012)
Os mecanismos de transmissão são diversos e o principal é o contágio vertical através do contato 
direto com inseto contaminado (transmissão pelo vetor). No entanto, o contágio direto pelo contato 
com espécimes sanguíneos humanos contaminados (transfusão sanguínea ou mesmo transmissão 
congênita de mãe para feto) ou acidental (acidentes de laboratório) pode ocasionar a contaminação. 
Algumas maneiras pouco usuais, mas com possível incidência, são através de lesões em mucosas 
(transmissão oral) ou mesmo transplantes utilizando órgãos de pacientes contaminados.
Profilaxia
Algumas medidas profiláticas consistem na melhoria das habitações rurais, combate ao inseto 
vetor (inseto “barbeiro”). Para evitar contágio horizontal, é necessário maior controle dos 
doadores de sangue, acompanhamento pré-natal e medidas preventivas pessoais, como exames 
de sangue periódicos. 
diagnóstico
 » Fase aguda: podendo ser sintomática ou assintomática, sendo a segunda mais 
frequente. Ambas são relacionadas com o estado imunológico do paciente. A fase 
inicia-se por meio das manifestações locais, quando o T. cruzi penetra no tecido 
conjuntivo (sinal de Romaña) ou na cútis (chagoma de inoculação). As manifestações 
30
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
gerais apresentam febre, edema localizado e generalizado, hepatoesplenomegalia, 
podendo causar insuficiência cardíaca e perturbações neurológicas. O óbito é devido 
à meningoencefalite aguda, insuficiência cardíaca ou miocardite aguda difusa (uma 
das manifestações mais violentas que se tem notícia).
 » Fase crônica: forma indeterminada, podendo ser caracterizada por alguns 
parâmetros, entre eles: a positividade de exames parasitalógicos ou sorológicos, 
ausência de sintomas, eletrocardiograma convencional normal, coração, esôfago 
e cólon radiologicamente normais. Cerca de 50% dos pacientes chagásicos que 
passaram pela fase aguda pertencem a esta forma.
 » Fase crônica sintomática: apresenta cardiopatia chagásica crônica sintomática, 
insuficiência cardíaca, devido à diminuição da massa muscular, arritmias cardíacas, 
fenômenos tromboembôlicos, que podem provocar infartos no coração, rins, 
pulmões, baço e encéfalo.
O diagnóstico pode ser dado de maneira:
 » Clínica: região de origem do paciente, presença dos sinais de entrada do parasito, 
acompanhados de febre intermitente, hepatoesplenomegalia, taquicardia, 
edema generalizado ou nos pés. As alterações cardiovasculares (reveladas pelo 
eletrocardiograma), do esôfago e do cólon (reveladas pelos raios-X) fazem suspeitar 
da fase crônica da doença.
 » Laboratorial: são utilizados métodos diferentes quando na fase aguda ou crônica. 
Na fase aguda, observa-se alta parasitemia, permitindo o uso de métodos diretos de 
busca do parasita. Na fase crônica, a parasitemia é pequena, fazendo-se necessário 
método imunológico.
 » Pesquisa do parasita: esfregaço sanguíneo corado pelo Giemsa, utilização de 
métodos de concentração, xenodiagnóstico, hemocultura.
 » Métodos sorológicos: reação de precipitação, reação de imunofluorescência 
indireta, reação de fixação do complemento (RFC), reação de hematoaglutinação 
indireta, ELISA (Ensaio Imunoenzimático), lise mediada pelo complemento, reação 
da polimerase em cadeia (PCR).
tratamento
Medicamentos utilizados na fase inicial aguda: a administração de fármacos como nifurtimox, 
alopurinol e benzonidazol podem curar completamente ou diminuir a probabilidade de atingir 
níveis crônicos em mais de 80% dos casos.
A fase crônica é incurável, uma vez que os danos em órgãos como o coração e o sistema nervoso são 
irreversíveis. O tratamento paliativo é o mais utilizado nesse estágio.
31
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Algumas complicações associadas são:
Cardiopatia Chagásica Crônica (CCC) é uma das principais complicações na doença de Chagas. 
Trata-se de uma inflamação com destruição progressiva do tecido cardíaco, levando a alterações 
dos impulsos elétricos no coração e, consequentemente, arritmias. Ocorre progressivo afinamento 
do músculo cardíaco, levando à dilatação das cavidades do coração, tendo como consequência 
a incapacidade de bombear adequadamente o sangue para o organismo, ou seja, um quadro de 
insuficiência cardíaca congestiva. 
Nos pacientes com CCC, o único caminho é o transplante cardíaco, procedimento dispendioso e 
inacessível à boa parte da população brasileira. 
Cerca de 5% a 8% dos infectados apresentam alterações no tubo digestivo (chamados megaesôfago 
e megacólon), ocorrendo alterações morfológicas e funcionais, como, por exemplo, a perda de 
coordenação motora (aperistelse, discinesia) no megaesôfago; e obstrução intestinal e perfuração 
para o megacólon.
Compare as leishmanioses e o mal de Chagas com relação a vetores de transmissão, 
métodos de profilaxia, endemias e sintomas.
Vídeo ilustrativo sobre a Doença de Chagas: 
<http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RNdPLMgHImw>.
MALÁriA
Trata-se de uma das doenças parasitárias que causou maior dano, resultando na morte de milhões 
de pessoas nas regiões tropicais e subtropicaisdo globo. É uma doença infecciosa de forma aguda ou 
forma crônica que é causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium e transmitidos pela 
fêmea do mosquito do gênero Anopheles (Figura 13). 
A malária presente no Brasil é causada por três espécies de Plasmodium: P. vivax, causador da terçã 
benigna; P. falciparum, agente da terçã maligna e P. malariae, causador da quartã benigna.
Figura 13. Da esquerda para direita, exemplos de: Plasmodium vivax infectando um 
macrófago humano; o inseto vetor, o mosquito do gênero Anopheles. 
(disponíveis em: <http://www.alunosonline.com.br/biologia/doencas-causadas-por-protozoarios-3.html>; <http://en.wikipedia.
org/wiki/file:Anopheles_albimanus_mosquito.jpg>. Acesso em: 19 set. 2012)
32
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
É uma das doenças mais importantes para a humanidade, devido ao seu elevado impacto e 
despesas, sendo extremamente custoso para as populações dos países atingidos, principalmente na 
África. Existente, potencialmente, em todas as regiões do globo onde existam mosquitos do gênero 
Anopheles e humanos em quantidade suficiente, incluindo todas as regiões tropicais dos cinco 
continentes e muitas regiões subtropicais (Figura 14). 
A Amazônia é uma das áreas com maior incidência de malária no Brasil. Isto se deve a uma série 
de fatores, como: população dispersa, difícil de ser atingida por medidas profiláticas e assistenciais, 
migrações constantes dos habitantes, moradia inadequada para a aplicação de inseticidas, resistência 
do P. falciparum à cloroquina, além de possuir muitas zonas de ocupação humana sem controle, 
como garimpos clandestinos.
Figura 14. Distribuição dos casos de malária no mundo (esquerda). Em destaque na 
cor escura, as regiões que não possuem a doença e, na cor clara, as áreas de risco, 
segundo dados da WHO (Organização Mundial da Saúde) de 2003. À direita, as 
regiões no Brasil de maior incidência da doença. 
(disponíveis em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ficheiro:malaria_geographic_distribution_2003.png>; <http://www.brasilturismo.
com/doencas/malaria.php>. Acesso em: 19 set. 2012)
Agente etiológico
Plasmodium sp são os agentes causadores da Malária. A transmissão ocorre pelo contato direto 
através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, o que acarreta transferência dos protozoários 
para corrente sistêmica do indivíduo ao realizar a hematofagia. O habitat do parasita varia conforme 
a fase do ciclo evolutivo do mesmo. Assim, no homem, existem formas parasitando os hepatócitos 
durante a fase pré-eritrocítica e formas parasitando hemácias na fase eritrocítica. No mosquito, 
encontram-se as formas parasitárias no estômago e glândulas salivares.
33
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Ciclo
O organismo possui um ciclo de vida heteroxeno em que o ser humano é o hospedeiro intermediário 
e os mosquitos do gênero Anopheles são os hospedeiros definitivos (Figura 15).
 » No homem
Divide-se em 2 fases: a fase exoeritrocítica, que consiste na fase do ciclo ocorrente 
nos hepatócitos antes de se desenvolver nos eritrócitos, também conhecida como 
ciclo pré-eritrocítico. A outra é a fase eritrocítica, que consiste na fase do ciclo que 
se passa nos eritrócitos.
No homem, a reprodução é assexuada do tipo esquizogonia. Já no mosquito, a 
reprodução é sexuada do tipo esporogonia.
O contágio se dá pela entrada de um indivíduo humano em uma zona malarígena 
e esse é picado por um mosquito fêmea do gênero Anopheles infectado, podendo 
inocular de 15 a 200 esporozoítos. Esses permanecem na corrente sanguínea por 
poucos minutos, menos de uma hora.
Ao migrar para o fígado penetram em hepatócitos iniciando o ciclo tissular, em 
que se multiplicam completando a esquizogonia com a produção de milhares de 
merozoítos. Essa fase dura em média uma semana.
Após esse período, hepatócitos contendo merozoítos sofrem lise e liberam milhares 
de merozoítos. O sistema imune consegue englobar algumas células parasitas e 
destruí-las, entretanto, as sobreviventes tomam duas direções: voltam para os 
hepatócitos e entram em um estado de dormência / em um novo ciclo esquizogônico 
ou iniciam o ciclo eritrocítico, ao invadir as hemácias. 
Na hemácia, o citoplasma se enche com um número variável de núcleos, 
dependendo da espécie. Cada núcleo independente se separa com uma porção de 
citoplasma, formando os merozoítos dentro dos glóbulos vermelhos, e ao conjunto 
denominamos rosácea ou merócito. Os intervalos podem variar de 36 a 72 horas.
Durante a fase eritrocítica, alguns merozoítos adentram em hemácias jovens (ainda 
na medula óssea), diferenciando-se em gametócitos. É o início da reprodução 
sexuada ou esporogonia, que se completará no mosquito. Aparecem na corrente 
sistêmica em aproximadamente uma semana.
A fêmea do mosquito Anopheles, ao se alimentar por hematofagia, ingere as formas 
sanguíneas do parasita, mas apenas os gametócitos conseguem evoluir no inseto. As 
outras degeneram e morrem.
 » No mosquito
O gametócito feminino amadurece e se transforma em um macrogameta. O 
gametócito masculino passa por um processo de exflagelação e dá origem a vários 
microgametas, podendo se movimentar ativamente atrás de um macrogameta, dos 
34
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
quais um deles penetra formando o ovo ou zigoto. Após 20 horas, o ovo se forma no 
sistema digestivo do mosquito e migra para a parede deste.
Rompendo a parede da célula, invade toda a cavidade geral do inseto, chegando 
até as glândulas salivares. Quando o mosquito vai se alimentar por hematofagia 
novamente, inocula com a saliva os esporozoítos, que caem na corrente sanguínea e 
vão para o fígado, iniciando um novo ciclo.
Figura 15. Ciclo de vida e contágio do Plasmodium sp na etapa de 
parasitismo humano e no inseto. 
(disponível em: <http://cievsrio.wordpress.com/2012/07/21/pesquisa-utiliza-bacteria-transgenica-para-interromper-cadeia-de-
transmissao-da-malaria/>. Acesso em: 18 set. 2012)
Profilaxia
O controle da malária pode ocorrer atingindo diferentes pontos da cadeia epidemiológica: tratar 
o indivíduo acometido pela doença (eliminando a fonte de infecção ou reservatório), proteger o 
homem sadio (quimioprofilaxia, telar janelas, proteções individuais), combater o agente transmissor 
(fase larval ou adulta). Métodos de proteção podem ser individuais ou coletivas. 
diagnóstico
a. Diagnóstico Clínico
Fundamentado em anamnese, o tipo de acesso, a anemia e a esplenomegalia. 
Porém, para a identificação da espécie, há necessidade de exames de laboratório. 
35
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
b. Diagnóstico Laboratorial
A necessidade em identificar a espécie do parasita reside no fato de que a 
terapêutica é específica. Para isso, podem ser usados métodos parasitalógicos e 
imunológicos.
Parasitalógicos: exame de sangue em esfregaços para evidenciar os parasitas. O diagnóstico é 
baseado na morfologia do plasmódio, no aspecto da hemácia e nos estágios encontrados no sangue. 
Os métodos de exame de sangue são: coloração com Giemsa, que ainda é considerado o “padrão 
ouro” dos testes diagnósticos de malária. Coloração com leishman usado para diagnóstico individual. 
Imunológicos: reação de imunofluorescência indireta e ELISA, para os quais já foram identificados 
vários antígenos altamente específicos, que conseguem inclusive separar as espécies de Plasmodium.
tratamento
Atualmente, o tratamento é feito usando a cloroquina, um derivado da quinina. Nos casos de 
plasmódios resistentes, pode-se utilizar a primaquina. Na malária, o tratamento dos doentes, e 
principalmente dos gametóforos, é um dos elos mais importantes do controle. No entanto, a maior 
parte são medidas paliativas.
Descreva em detalhes o ciclo de contágio e da doença. Durante a descrição, 
proponha métodos profiláticose de tratamentos para a doença/contágio. 
A malária atinge principalmente regiões amazônicas no país. Milhares de pessoas 
já morreram acometidas por essa doença durante construções de estações 
avançadas, estradas, ferrovias entre outras coisas dentro da floresta. Supondo que 
você é um engenheiro mandando para supervisionar as obras em meio à Floresta 
Amazônica, quais seriam suas preocupações, medidas preventivas e cuidados com 
os trabalhadores que estão sob sua responsabilidade?
triCoMonÍASE
O Trichomonas vaginalis é um parasita anaérobio facultativo, possui um conjunto de quatro flagelos 
desiguais e uma estrutura denominada membrana ondulante. Essas estruturas dão mobilidade, e uma 
protuberância em estilete denominada axóstilo – uma estrutura rígida, formada por microtúbulos, 
que se projeta através do seu centro até sua extremidade posterior. Não possui mitocôndrias, mas 
apresenta grânulos densos (hidrogenossomos) que podem ser vistos à microscopia óptica. É o 
agente causador da triconomíase e existe em apenas uma única forma denominada trofozoíto, 
simultaneamente infecciosa e ativa (Figura 16). 
36
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Figura 16. À esquerda, Trichomonas vaginalis corado e visualização em 
microscópio óptico; à direita, visão geral da morfologia do parasita e aspectos 
da cavidade vaginal e regiões externas à região pubiana de um paciente feminino 
contaminado. 
(disponíveis em: <http://www.papodeestudante.com/2010/04/tricomoniase.html>; <http://tododiasaude.com/tricomoniase-
dst-complicacoes-tratamento-e-prevencao/>. Acesso em: 19 set. 2012)
O T. vaginalis é o mais frequente patógeno encontrado entre as DSTs (Doenças Sexualmente 
Transmissíveis) (Figura 17). Estima-se que 180 milhões de mulheres no mundo se infectem 
anualmente, correspondendo a 1/3 de todas as vaginites diagnosticadas. O organismo, não possuindo 
forma de resistência cística, não é resistente à dessecação do local e a altas temperaturas.
Figura 17. Ciclo de contágio do Trichomonas vaginalis na transmissão por contágio 
sexual. 
(disponível em: <http://www.papodeestudante.com/2010/04/tricomoniase.html>. Acesso em: 18 set. 2012)
37
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Agente etiológico
São subdivididos de acordo com o organismo que parasitam: em humanos (Trichomonas vaginalis), 
suínos (Tritrichomonas suis), bovinos (Trichomonas foetus), aves (Trichomonas gallinae e 
Tetratrichomonas gallinarum).
O ciclo dos organismos é monoxeno e não possui forma cística, somente a trofozoítica. Reprodução 
por divisão binária longitudinal.
A transmissão acontece por relação sexual e pode sobreviver por período superior a um mês no 
prepúcio de um indivíduo masculino sadio após o coito com uma mulher infectada.
O homem é o vetor da doença; com a ejaculação, os parasitas presentes na mucosa da uretra são 
levados à vagina pelo esperma.
Ciclo
Por meio de relações sexuais ou do uso de objetos, como toalhas, contaminados, o indivíduo tem 
contato com o parasita que sob a forma trofozoíta, instalando-se na mucosa vaginal ou na uretra 
peniana. Por cissiparidade o número de indivíduos prolifera e coloniza as regiões infectadas.
Profilaxia
As medidas profiláticas são, de certo modo, extremas, no entanto, aconselha-se a abstenção do ato 
sexual, uso de preservativos durante todo o intercurso sexual além de limitar o número de parceiros.
Caso um dos parceiros esteja infectado, o bom senso de comunicar ao outro parceiro é fundamental, 
prevenindo assim a reinfecção e proliferação.
diagnóstico
Para a mulher varia da forma assintomática ao estado agudo. A infecção vaginal provoca a vaginite, 
caracterizada por um corrimento vaginal fluido de cor amarelo-esverdeada, de odor fétido, mais 
comumente no período pós-menstrual, podendo apresentar dor e dificuldade nas relações sexuais, 
desconforto nos genitais internos, dor ao urinar e frequência miccional.
Para o homem é comumente assintomática. Para os casos de manifestações sintomáticas, apresenta 
como uma uretrite com fluxo leitoso ou purulento e uma leve sensação de prurido na uretra.
a. Diagnóstico Clínico
O diagnóstico diferencial da tricomoníase, tanto no homem como na mulher é 
difícil, sendo essencial o diagnóstico parasitalógico. 
38
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
b. Diagnóstico Laboratorial através da coleta da amostra
No homem: os pacientes devem comparecer no local pela manhã, sem terem 
urinado no dia e sem terem tomado nenhum medicamento tricomonicida há mais 
de 15 dias. O material uretral é colhido com uma alça de platina ou com swab de 
algodão não absorvente ou de poliéster. O organismo é mais encontrado no sêmen 
que na urina ou em esfregaços uretrais. Uma amostra fresca poderá ser obtida pela 
masturbação em um recipiente limpo e estéril. Também pode deve ser observado o 
sedimento centrifugado (600 g por 20 min.) dos primeiros 20 ml de urina matinal.
Na mulher: a vagina é o local mais facilmente infectado, e os tricomonas são 
mais abundantes durante os primeiros dias após a menstruação. O material é 
normalmente coletado na vagina com um swab de algodão não absorvente ou de 
poliéster. O diagnóstico é feito através da observação do material coletado a fresco 
no microscópio ou em cultura de parasitas.
Este é o mais prático e rápido método de diagnóstico, mas possui uma sensibilidade relativamente 
baixa.
Para aumentar a sensibilidade das preparações a fresco, estas podem ser coradas, com safranina, 
verde-malaquita ou azul de metileno. As culturas de parasita são mais sensíveis, porém demoram 
de 3 a 7 dias para fornecer resultados.
Os exames de Imunofluorescência indireta e ELISA são mais sensíveis e possuem maior significado 
em caso de pacientes assintomáticos.
tratamento
O tratamento é específico e eficiente, onde são utilizandos quimioterápicos de administração em 
dose oral única. 
Todos os parceiros sexuais devem ser simultaneamente tratados, de maneira a se evitar a reinfecção. 
Pelo menos até que se tenha a certeza de cura, os pacientes devem utilizar preservativos em todas 
as relações sexuais. A doença não confere imunidade permanente, podendo ocorrer a reinfecção. 
A resistência aos medicamentos é possível, porém é usualmente dose-dependente, bastando à 
administração de uma dose maior e/ou mais prolongada.
Supondo que no carnaval de 1980 houve um surto repentino dessa doença e você é 
um prefeito de uma cidade muito afetada por esse surto. Quais seriam suas medidas 
com a população: a) contaminada e b) ainda saudável?
39
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
giArdÍASE
Giardíase é a doença provocada pela infecção do intestino delgado pelo protozoário Giardia lamblia 
cuja infecção normalmente é assintomática. Entretanto, pode-se observar diarreia e má absorção 
intestinal de gorduras. Está presente em todo o mundo, mas afeta principalmente crianças em 
populações de nível socioeconômico inferior e em regiões de clima tropical ou subtropical (Figuras 
18 e 19).
Figura 18. Visualização em microscópio óptico e esquema ilustrativo das células e 
cisto da Giardia lamblia. 
(disponíveis em: <http://caminhosdabio.wordpress.com/2010/10/12/giardia-lamblia/>. Acesso em: 19 set. 2012)
Figura 19. Ciclo de autocontágio (esquerda) e de contágio via animais domésticos da 
Giardia lamblia. 
(disponíveis em: <http://criatividadeeciencia.blogspot.com.br/2011/03/parte-1-revisao-para-o-simulado-2-no-em.html>; 
<http://www.policlinicaveterinaria.com.br/art_saude.asp?xcod=31>. Acesso em: 18 set. 2012)
A giardíase é encontrada em todo o mundo; as crianças de até 10 a 12 anos constituem a faixa 
etária mais acometida. Tanto o clima (tropical ou subtropical) quanto às condições econômicas da 
40
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
população parece estar envolvidas na proporçãode pessoas infectadas. Levantamentos realizados 
em países desenvolvidos têm encontrado a infecção em 2% a 5% das pessoas, enquanto a taxa em 
países em desenvolvimento e subdesenvolvidos é de 20% a 30%. No Brasil, estudos indicam a 
infecção em 4% a 30% das pessoas.
Em países desenvolvidos, parece haver três grupos de risco para o desenvolvimento de giardíase. 
O primeiro, pessoas que viajam para locais com maior prevalência da infecção; como a giardíase 
demora cerca de 9 dias para se manifestar, esses viajantes frequentemente apresentam os sintomas 
já no país de origem. Outros grupos de risco são as crianças que frequentam creches, e os casais que 
praticam sexo anal.
Agente etiológico
Agente único, Giardia lamblia. Apresenta morfologia em duas formas: cística e trofozoítica.
Ciclo
É um parasita monoxeno de ciclo biológico direto. A via de infecção normal para o homem é a 
ingestão de cistos. Após a ingestão do cisto, o desencistamento ocorre no meio ácido do estômago 
e é completado no duodeno e jejuno, onde ocorre a colonização do parasita. Este se reproduz por 
divisão binária longitudinal. O ciclo se completa com o encistamento do parasita e a sua eliminação 
nas fezes. Quando o trânsito intestinal está acelerado, é possível achar trofozoítos nas fezes.
A ingestão de água sem tratamento ou deficientemente tratada (só com cloro), ingestão de alimentos 
contaminados, sendo que estes podem ser contaminados por moscas e baratas e contato direto 
pessoa a pessoa, por meio de mãos contaminadas são alguns meios de contágio.
As práticas de sexo anal e contato com animais domésticos contaminados também são meios de 
contaminação (Figura 19).
Profilaxia
Como medidas pode-se orientar a melhor higiene pessoal, a melhor proteção dos alimentos e 
cuidado com o tratamento de água no momento de fervê-la.
diagnóstico
A maioria das infecções é assintomática. Os casos sintomáticos dependem de fatores ainda não 
completamente determinados e está relacionada com a cepa e o número de cistos ingeridos, 
deficiência imunitária do paciente e principalmente por baixa acidez no suco gástrico.
A forma aguda apresenta-se como uma diarreia do tipo aquosa, explosiva, de odor fétido, 
acompanhada de gases, com distensão e dores abdominais. Costuma durar poucos dias e seus 
sintomas iniciais podem ser confundidos com diarreias virais e bacterianas.
41
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
a. Diagnóstico Clínico
Diarreia com esteatorreia, irritabilidade, insônia, náuseas e vômitos, perda de 
apetite e dor abdominal. Apesar de estes sintomas serem bastante característicos, é 
conveniente a comprovação por exames laboratoriais.
b. Diagnóstico Laboratorial através da coleta da amostra
Deve-se fazer exame de fezes nos pacientes para identificação.
Em fezes formadas: os métodos de escolha são os de concentração: método de Faust 
ou de MIFC.
Em fezes diarreicas: usar o método direto (com salina ou lugol) ou o método da 
hematoxilina férrica.
O diagnóstico da giardíase apresenta dificuldades devido ao fato de que pacientes infectados não 
eliminam cistos continuamente. Para contornar tal situação, recomenda-se fazer o exame de três 
amostras fecais em dias alternados.
Caso ainda não se encontrem cistos, recomenda-se o exame do fluído duodenal e biópsia jejunal, 
obtidas por meio de tubagem duodenal.
Os métodos imunológicos ainda carecem de padronização e são usados somente em levantamentos 
epidemiológicos. Os exames de imunofluorescência indireta e ELISA são mais sensíveis e possuem 
maior significado em caso de pacientes assintomáticos.
Para conhecer melhor o Método de Faust: 
<http://www.youtube.com/watch?v=4_ChZy8N3w0>.
tratamento
O medicamento mais utilizado é o metronidazol com eficiência entre 70% – 100%. Outras opções, 
com eficácia similar, são secnidadzol, tinidazol ou albendazol. Furazolidona, nitazoxanida e 
quinacrina são raramente utilizadas.
Diferencie um paciente com Giardíase de outro com Tricomoníase. Quais as 
semelhanças e diferenças entre essas duas doenças infecciosas?
42
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
AMEBÍASE
A causa da amebíase é pela infecção de protozoário (Entamoeba histolytica), podendo se beneficiar 
de seu hospedeiro sem causar benefício ou prejuízo ou, ainda, agir de forma invasora (Figura 20). 
Neste caso, a doença se manifesta dentro do intestino ou fora dele. Os principais sintomas são 
desconforto abdominal, sangue nas fezes, forte diarreia acompanhada de sangue ou mucoide, além 
de febre e calafrios.
Nos casos mais abrasivos, a forma trofozoítica do protozoário pode se espalhar pelo sistema 
circulatório, afetando o fígado, pulmões ou cérebro. O diagnóstico breve nestes casos é fundamental, 
uma vez que, este quadro clínico, pode levar o paciente ao óbito.
Figura 20. Visualização em microscópio óptico das células de Entamoeba 
histolytica. 
 (disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/ameba/amebiase-8.php>. Acesso em: 19 set. 2012)
Segundo a OMS, 50 milhões de novas infecções por ano e aproximadamente 70 mil óbitos. A 
disenteria amébica é mais prevalente nos países tropicais, podendo ocorrer nas zonas temperadas. 
Na África, Ásia tropical e América Latina, mais de dois terços da população terá estes parasitas 
intestinais, apesar de a maioria das infecções ser praticamente assintomática. 
A falta de condições higiênicas adequadas é a responsável por sua disseminação. No Brasil, estima-
se que a prevalência média de contágio, sintomática ou não, é de aproximadamente ¼ da população. 
Agente etiológico
Dentro da família Entamoebida, são quatro as espécies que podem habitar o corpo humano. Entre 
essas, destacam-se a Entamoeba histolytica e a Entamoeba coli como as principais de infecções 
em humanos.
Ambas apresentam duas formas: a forma de resistência, que também é a forma infectante, chamada 
cisto (esféricos ou ovais, possuindo quatro núcleos) e a forma reprodutiva, ou trofozoítica, que 
geralmente possui um só núcleo, bem nítido nas formas coradas e pouco visível nas formas vivas.
43
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Ciclo
A E. histolytica é um parasita monoxeno de ciclo biológico direto. A via de infecção normal para o 
homem é a ingestão de cistos. Após a ingestão, o desencistamento ocorre no meio ácido do estômago e 
é completado no duodeno e jejuno, onde ocorre a colonização do parasita. Este se reproduz por divisão 
binária longitudinal. O ciclo completa-se com o encistamento do parasita e a sua eliminação nas fezes. 
Quando o trânsito intestinal está acelerado, é possível achar trofozoítos nas fezes (Figura 21).
Figura 21. Ciclo de autocontágio da Entamoeba histolytica. 
 (disponível em: <http://parasitologiablog.blogspot.com.br/2011/02/representacao-da-amebiase-intestinal-e.html>. Acesso 
em: 20 set. 2012)
Profilaxia
As principais medidas profilaxias consistem na melhoria do saneamento básico e educação sanitária. 
A melhor cultura ao lavar os alimentos com substâncias amebicidas (permanganato de potássio, iodo).
diagnóstico
a. Diagnóstico Clínico
Difícil de ser feito, por apresentar sintomatologia comum a várias doenças intestinais. 
No trato hepático, além da dor, febre e esplenomegalia, pode-se fazer o diagnóstico 
por meio de raios-x, cintilografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada.
b. Diagnóstico Laboratorial através da coleta da amostra
Exame de fezes, procurando por cistos ou trofozoítos. O exame do aspecto e da 
consistência das fezes é muito importante, principalmente se ela é desintérica e 
44
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
contém muco e sangue. Deve ser fresco tão logo ela seja emitida, no máximo 20 a 30 
minutos após, pois tem o objetivo de encontrar trofozoítos. Como a emissão de cistos 
e trofozoítos não é constante, recomenda-sevários exames em dias alternados.
O diagnóstico sorológico pode ser realizado por ELISA, hemaglutinação direta, reação de 
imunofluorescência indireta.
tratamento
Usualmente, é prescrito metronidazol, iodoquinol, paramomicina ou furoato de diloxanida e, em 
alguns casos, dehidroemetina. Casos de danos hepáticos de maneira avançada poderão necessitar 
de intervenção cirúrgica.
O contato com amebas pode ocorrer de maneiras simples, diretas ou mesmo 
indiretas e extremamente frequentes. Descreva, em detalhes, o que pode levar um 
paciente a manifestar amebíase e outro, que esteve sujeito exatamente às mesmas 
condições, não.
toXoPLASMoSE
A toxoplasmose é uma protozoonose de distribuição mundial. Doença infecciosa, congênita ou 
adquirida, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, ocorrente em animais de estimação ou de 
produção o que inclui suínos, caprinos, aves, animais silvestres, gatos e a maioria dos vertebrados 
terrestres homeotérmicos. Pode acarretar em abortos e/ou nascimento de fetos que apresentam 
má-formação (Figura 22). 
Figura 22. À esquerda, visualização em microscópio óptico das células de 
Toxoplasma gondii. e corte histológico de tecido contendo bradizoíto. À direita, 
lesões no globo ocular de pacientes acometidos pela toxoplasmose. 
(disponíveis em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Toxoplasmose>; <http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Protozoa/
Toxoplasma.htm>; <http://www.axeopoajagunna.jex.com.br/saude/toxoplasmose>. Acesso em: 19 set. 2012)
45
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Existente em todo o globo, onde mais de metade da população tem anticorpos específicos contra 
o parasita, o que significa que está ou já esteve infectada (o que não denota que tenha tido a 
sintomatologia da doença, pode ter tido apenas a infecção assintomática). 
O ser humano é infectado após ingerir oocistos expelidos com as fezes por gatos infectados, ou ao se 
alimentar com carnes que apresentaram mal cozimento de um animal que tenha ingerido o parasita 
de fezes de felídeos. Levando em consideração, também, que o modo de contaminação mais comum 
é ingerindo carne mal cozida e contaminada, é importante que as mulheres grávidas façam o exame 
que detecta se elas são imunes à toxoplasmose durante os exames pré-natal.
Agente etiológico
O Toxoplasma gondii é um protozoário de distribuição geográfica mundial, com alta prevalência 
sorológica, atingindo 60% da população em determinados países. A doença é considerada como uma 
zoonose e atinge quase todas as espécies de mamíferos e aves. Os felinos são os hospedeiros definitivos. 
O parasita apresenta distintas formas durante as etapas da vida: Taquizoíto, forma encontrada na 
fase aguda da infecção, sendo denominada também forma proliferativa, forma livre ou trofozoítica. 
É uma forma móvel, de multiplicação rápida, por endodiogenia. São pouco resistentes à ação do 
suco gástrico, no qual são rapidamente destruídos. O Bradizoíto, forma localizada nos tecidos 
(musculares esquelético e cardíaco, nervoso e retina), geralmente é encontrado durante a fase crônica 
da infecção. Tem multiplicação lenta dentro do cisto por endodiogenia ou endopoliginia. A parede 
do cisto é resistente e elástica, isolando os bradizoítos da ação do sistema imune do hospedeiro. 
Estes são mais resistentes à passagem pelo estômago que os taquizoítos e podem permanecer viáveis 
por vários anos nos tecidos. 
Por fim, os oocistos são formas de resistência que possui uma parede dupla bastante resistente às 
condições do meio ambiente. São produzidos nas células intestinais dos felinos não imunes e são 
eliminados ainda imaturos junto com as fezes. Após a esporulação no meio ambiente, cada oocisto 
contém dois esporocistos, cada um com quatro esporozoítos.
Ciclo
O ciclo possui duas fases distintas, a fase assexuada, nos tecidos de vários hospedeiros, e a fase 
sexuada, nas células do epitélio intestinal de jovens felinos.
Durante a fase assexuada, o hospedeiro susceptível (mamíferos e aves) ingere oocistos maduros 
ou tecidos contendo cistos com bradizoítos. Os taquizoítos são destruídos pelo suco gástrico, mas 
se penetrarem na mucosa oral poderão evoluir como os oocistos e os bradizoítos. Os esporozoítos 
e bradizoítos transformam-se em taquizoítos dentro das células intestinais. Após esta rápida 
passagem pelo epitélio intestinal, os taquizoítos vão invadir vários tipos de células do corpo, 
formando um vacúolo parasitário, onde se multiplicarão intensamente por endodiogenia (Figura 
23), formando novos taquizoítos (fase proliferativa), que irão romper a célula e invadir novas 
células. Essa disseminação no organismo ocorre através de taquizoítos livres, na linfa e na corrente 
46
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
sanguínea pode acarretar um quadro polissintomático, de gravidade variável, levando possivelmente 
o indivíduo à morte.
Com o aparecimento da imunidade, os parasitas extracelulares desaparecem do sangue e há uma 
diminuição da multiplicação intracelular. Os parasitas resistentes evoluem para a produção de cistos.
Esta fase cística, juntamente com a diminuição dos sintomas, caracteriza a fase crônica, podendo 
durar por muito tempo. Por mecanismos ainda não totalmente esclarecidos (diminuição da 
imunidade, alteração hormonal etc.), poderá haver reagudização, com sintomatologia semelhante 
à primoinfecção.
Já durante a fase sexuada, somente nas células epiteliais do intestino de gatos e outros felinos jovens 
(não imunes). São por isso considerados hospedeiros definitivos. Assim, o gato não imune se infecta 
ingerindo oocistos, taquizoítos ou cistos tissulares (quem sabe comendo um rato), desenvolvendo 
o ciclo sexuado. 
Os esporozoítos, bradizoítos ou taquizoítos, ao penetrarem no epitélio intestinal do gato sofrerão 
um processo de multiplicação por endodiogenia e merogonia, dando origem a vários merozoítos. 
Alguns merozoítos penetrarão em novas células epiteliais e se transformarão nas formas sexuadas 
masculinas e femininas: os gametócitos.
Após um processo de maturação, transformam-se no gameta masculino móvel (microgameta) e no 
feminino, imóvel (macrogameta). O macrogameta permanece dentro da célula epitelial enquanto 
os microgametas irão sair da sua célula e fecundar o macrogameta, formando o ovo ou zigoto. 
Este evoluirá dentro do epitélio, formando uma parede externa dupla, resistente, dando origem ao 
oocisto. A célula epitelial se rompe e os oocistos são liberados na luz do intestino e levados ao meio 
ambiente pelas fezes. Em um período de quatro dias, ficará maduro com dois esporocistos com 
quatro esporozoítos cada. O felino é capaz de eliminar oocistos por um mês, aproximadamente. O 
oocisto, em boas condições de umidade e temperatura e em local sombreado, é capaz de se manter 
infectante por cerca de 12 a 18 meses.
Figura 23. Ciclo de contágio da Toxoplasma gondii. 
(disponível em: <http://launelle.blog.uol.com.br/>. Acesso em: 20 set. 2012)
47
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Profilaxia
Gestantes devem evitar o contato com excrementos de gatos, pois estes podem conter cistos. Além 
disso, não se deve ingerir água de origem desconhecida, sem estar fervida, nem carne crua ou mal 
cozida durante a gravidez. No caso dos gatos, é aconselhável lavar as caixas dos excrementos com 
água fervente e nunca tocá-las por mãos sem luvas. 
diagnóstico
O homem adquire a doença por três vias principais: a ingestão de oocistos presentes em jardins, 
caixas de areia, latas de lixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas etc.; por 
meio da ingestão de cistos tissulares encontrados nas carnes crua ou mal cozida, especialmente 
nas de porco e de carneiro (o congelamento a 0° C e o cozimento acima de 60° C matam os cistos 
na carne); a outra, por contágio e congênita ou transplacentária(cerca de 40% dos fetos 
pode adquirir a doença se a mãe estiver na fase aguda da doença durante a gestação, podendo servir 
como vias de infecção do feto, transplacentária, o rompimento de cistos no endométrio – útero – ou 
mesmo taquizoítos livres no líquido amniótico).
a. Diagnóstico Clínico
Difícil, porque a maioria das infecções é assintomática ou se confunde com sintomas 
de outras doenças.
b. Diagnóstico Laboratorial através da coleta da amostra
Demonstração do parasita obtida na fase aguda. A forma encontrada é o trofozoíto, 
melhor evidenciado após centrifugação. Esses métodos não são utilizados na rotina.
Durante a fase crônica, a demonstração do parasita é feita através da biópsia 
de tecidos diversos contendo os cistos. O material obtido pode ser inoculado 
em camundongos ou usado para exame histopatológico. Apesar de raramente 
empregado, quando utilizado, a dificuldade frequente é a diferenciação com outros 
parasitas que formam cistos, como Sarcocystis e Histoplasma.
Imunofluorescência indireta é o melhor, mais sensível e seguro método de 
diagnóstico, podendo ser usado tanto na fase aguda quanto na fase crônica. É 
possível, ainda, a utilização da técnica de hematoaglutinação, mais usada em 
levantamentos epidemiológicos, devido à alta sensibilidade e facilidade de execução, 
porém inadequada para diagnóstico precoce.
A metodolgia de ELISA apresenta a vantagem sobre a Reação de Imunofluorescência 
indireta por sua objetividade, automação e quantificação. Sua desvantagem é poder 
apresentar resultados falso-positivos. 
48
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
tratamento
O tratamento atual só é eficaz na fase aguda, não existindo medicamento eficaz na fase crônica 
da doença. Os medicamentos só agem nas formas proliferativas, e não nos cistos tissulares. É 
comumente utilizado pirimetamina com sulfadiazina ou sulfadoxina.
Vimos as principais doenças infecciosas acometidas por protozoários. Não sei 
se notaram, quais e quantas delas não são presentes no Brasil? É coincidência? 
Descaso? Não conhecimento? Qual a sua opinião?
Faça uma tabela comparando todas as doenças apresentadas neste capítulo. Usem 
como comparativos: agente causador, agente vetor, sintomas, métodos profiláticos 
e de diagnósticos e semelhanças entre as doenças apresentadas.
49
CAPÍtuLo 2
Helmintos
Os helmintos são responsáveis pelas helmintoses, e são divididos em dois filos de interesse: 
platelmintos (trematoda e cestoda) e nematelmintos. As helmintoses ou verminoses intestinais 
são responsáveis por desnutrição, avitaminoses, distúrbios gástricos e/ou intestinais, estados 
convulsivos, prejuízos ao desenvolvimento físico e mental das crianças e adultos. Seu estudo é 
extremamente importante, especialmente para aqueles que se preocupam com os problemas de 
Saúde Pública, desenvolvimento do país, e com os milhões de indivíduos parasitados no Brasil. 
São vermes que possuem o corpo alongado, cilíndrico (arredondado) e que se afilam nas duas 
extremidades. Com tamanho variável, dimorfismo sexual (sexos separados) nítido, há exceções e 
espécies partenogenéticas (Figura 24). Neste filo, podem-se encontrar indivíduos parasitas ou de 
vida livre, com as seguintes classes: Rotifera, Gordiacea (antiga classe Nematomorfa integrante 
dos vermes górdios que, no estado larvar, parasitam a cavidade geral dos artrópodes), Priapulida 
e Nematoda. Destas, a que mais interessa é a última, na qual se encontram numerosas espécies 
parasitando animais, inclusive o homem <http://www.marcasaude.com.br/pdf/parasitologia/
estudo_dos_helmintos.pdf>.
Figura 24. Exemplos de helmintos pertencentes aos filos nematelmintos e 
platelmintos.
(disponíveis em: <http://bca.org/gallery/bioimages2010.html>;<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/esquistossomose/
index.php>;<http://biologiafilo.blogspot.com.br/2010/09/teniase-e-doenca-causada-por-tenias_01.html>;<http://
combatendoafilariose.blogspot.com.br/2009/11/o-que-e.html>;<http://www.inf.furb.br/sias/parasita/Textos/parasitologia.
htm>;<http://www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTml/Imagelibrary/A-f/Enterobiasis/body_Enterobiasis_il2.htm>, respectivamente. 
Acesso em: 26 set. 2012)
Morfologia
As características morfológicas são distintas para cada um dos filos. 
50
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Platyhelminthes são animais parasitas ou de vida livre, com simetria bilateral, formado por um 
ou mais segmentos achatados no sentido dorsoventral, tegumento liso ou guarnecido de cílios. São 
divididos nas seguintes classes:
1. Classe Turbellaria: de vida livre, com corpo ciliado, tubo digestivo sem ânus, 
unissegmentados.
2. Classe Polystomata: ectoparasitas de vertebrados aquáticos, com ventosas em 
número variável, monoxenos, tubo digestivo sem ânus, unissegmentados. 
3. Classe Trematoda: endoparasitas de vertebrados, com uma ventosa anterior ou oral e 
uma anterior ou acetábulo, heteroxenos, tubo digestivo sem ânus, unissegmentados 
(Schistosoma mansoni, Fasciola hepatica). 
4. Classe Cestoda: endoparasitas de vertebrados, corpo formado pôr três partes: 
escólex, pescoço e estróbilo, tegumento sem cílios, heteroxenos, aparelho digestivo 
ausente, número variável de segmentos (Taenia sp, Echinococcus granulosus, 
Hyminolepis sp).
Nemathelminthes são metazoários de corpo cilíndrico alongado, não segmentado, simetria 
bilateral, aparelho digestivo (presença de boca e ânus anterior). Estão divididos nas seguintes classes. 
1. Classe Nematoda: aparelho digestivo completo no adulto (Ascaris lumbricoides, 
Toxocara sp, Enterobius vermiculares, Strongyloides stercoralis, Ancylostoma sp, 
Necator americanus, família Filariidae). 
2. Classe Nematomorfa: aparelho digestivo incompleto no adulto (Schistosoma 
mansoni). Baseada na referência [NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11. 
ed. São Paulo: Atheneu, 2010] e [<http://www.inf.furb.br/sias/parasita/Textos/
Helmintologia.html>].
reprodução
Geralmente, os helmintos são hermafroditas (podendo ou não fazer a autofecundação dependendo 
da espécie) monoicos, sendo que alguns se reproduzem por partenogênese. Os platelmintos de menor 
porte conseguem se dividir por fissão (também chamada de bipartição) que é uma forma de reprodução 
assexuada. Vale lembrar que os platelmintos também podem realizar reprodução sexuada. [<http://
biologiasilvana.blogspot.com.br/2007/05/platelmintos-so-animais-do-filo.html>].
nutrição e características
Possui apenas uma abertura em todo o sistema, definindo assim como sistema incompleto. 
Constituem-se por boca, faringe e intestino ramificado que termina em fundo cego. Os cestoides 
não possuem sistema digestivo. A digestão pode ser extra e intracelular [<http://biologiasilvana.
blogspot.com.br/2007/05/platelmintos-so-animais-do-filo.html>].
51
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Patogenias
Inúmeras doenças são causadas pela presença de maneira parasitária desses organismos no ser 
humano. A maioria delas apresentam características endêmicas e são tratadas como doenças 
negligenciadas; no entanto, outras apresentam características de infecção aleatórias, mediante a 
exposição aos agentes de contágio. Alguns exemplos de doenças são: ascaridíase (pela Ascaris 
lumbricoides), a elefantíase ou filaríoses (causada pela Filarioidea sp) e esquistossomose 
(pelo Schistosoma mansoni).
ASCAridÍASE
Uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo, principalmente em países pobres e/ou 
em desenvolvimento, devido à falta de saneamento básico ou ausência de informação à população 
em relação às consequências do contágio com Ascaris lumbricoides ou, popularmente dizendo, a 
lombriga (Figura 25).
Figura 25. Da esquerda para direita: exemplos de pedaços do sistema digestivo de 
pacientes com infecções não controladas por Ascaris lumbricoides; necessidade de 
intervençãocirúrgica Ascaris lumbricoides. 
(disponíveis em: <http://janyelle-enfermagem.blogspot.com.br/2011_04_01_archive.html>; <http://www.graphicshunt.
com/health/images/ascaris_lumbricoides-479.htm>; <http://www.futurity.org/top-stories/worm-genome-%E2%80%98major-
step%E2%80%99-tostop-killer/>. Acesso em: 26 set. 2012)
Agente etiológico
O Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, é o maior nematódeo intestinal do 
homem. Possui coloração amarelo-rosada, três lábios em sua extremidade anterior, tem uma cutícula lisa e 
duas linhas brancas lateralmente distribuídas pelo corpo. O verme macho adulto mede aproximadamente 
15-30 cm de comprimento, a fêmea mede aproximadamente 35-40 cm de comprimento. 
Quando adulto, o verme vive como parasita humano no interior do intestino delgado, onde se 
alimenta do conteúdo intestinal, locomovendo-se facilmente sem se fixar à mucosa intestinal, 
podendo ali permanecer por cerca de seis meses. A taxa de produção de ovos nesse período é de 
cerca de 200 mil. 
Relatos médicos mostram que um único humano pode abrigar cerca de 500-600 vermes.
52
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Ciclo
Os ovos fecundados são excretados juntamente às fezes e desenvolvem-se a uma temperatura entre 
30° C e 35° C, em ambientes com elevada umidade e oxigênio, podendo desenvolver-se em apenas 
12 dias, dando origem a uma larva rabditoide, ainda interna ao ovo.
O homem infecta-se ingerindo água contaminada ou alimentos crus infectados. Crianças ainda 
podem se contaminar por meio do solo, pelo fato de levarem as mãos à boca e descuido ao lavá-las. 
Os ovos ingeridos atravessam o estômago e as larvas são liberadas no intestino delgado. Podem 
ainda atravessar a parede do intestino e cair na corrente sistêmica, atingindo coração ou pulmões, 
onde sofrem novas mudas e depois migram pela árvore brônquica e são eliminados pela saliva ou 
deglutidos. Quando deglutidos, chegam ao intestino provocando a infecção. No intestino, ao atingir 
a maturidade, são capazes de reiniciar o seu ciclo pela liberação de novos ovos. O ser humano é o 
único hospedeiro (Figura 26).
Figura 26. Ciclo de vida e contágio da Ascaris lumbricoides na etapa de 
parasitismo humano.
(disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/ascaridiase/ascaridiase-2.php>.Acesso em: 26 set. 2012) 
Epidemiologia
Relatos de contagio em todo o mundo, com um maior número de casos em países tropicais. No 
Brasil, acaba sendo muito frequente. Cerca de 1,38 bilhões de pessoas estão infectadas [OMS], ou 
seja, 20% da população humana. 
53
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Profilaxia
Não existe uma medida eficaz para a erradicação da doença; no entanto, existem medidas paliativas 
para controle e minimização de novos casos de contágio. A educação sanitária assim como uma 
significativa melhora no saneamento básico, com ênfase para o destino adequado das fezes humanas. 
O maior controle no tratamento da água usada para consumo humano, cuidados higiênicos no 
preparo dos alimentos (particularmente de verduras) e higiene pessoal são medidas fundamentais.
Como o próprio ser humano facilita o contágio, seja autocontágio ou proliferação no ambiente em 
que ele vive, o tratamento das pessoas parasitadas passa a ser crucial para controlar a disseminação 
de pessoas acometidas com o contágio.
diagnóstico
O diagnóstico é feito pela observação microscópica de ovos nas fezes, através do Exame Parasitalógico 
de Fezes, pelo método do HPJ (Método de Sedimentação Espontânea). O diagnóstico também pode ser 
feito por testes imunológicos ou exames de imagem, como endoscopias, ultrassonografias e raios-X e, 
consequente, observação dos vermes em estágio adulto no interior do sistema digestivo do indivíduo.
tratamento
Fármacos utilizados no tratamento de ascaridíase são os azólicos como o mebendazol e o albendazol. 
Para os casos extremos de obstrução intestinal, é indicado que antes da administração desses 
medicamentos seja utilizado piperazina e óleo mineral. Deve ser sequencial e interrupto por algumas 
semanas para matar larvas que possam estar migrando. O tratamento deve ser feito de imediato, 
mesmo com pequeno número de vermes.
Você conhece alguém que já foi acometido de ascaridíase? Caso positivo, faça um 
levantamento do ambiente e levante hipóteses de contágio. Caso negativo, elabore 
uma possibilidade de contágio e tratamento no seu bairro, sempre com medidas 
preventivas.
AnCiLoStoMÍASE
É uma doença causada por vermes nematódeos conhecidos como Ancylostoma duodenale (Figura 
27) e está presente principalmente no continente europeu. Nas Américas, a doença mais comum 
é a Necatoríase, relacionada ao verme Necator americanus. No Brasil, a doença é popularmente 
conhecida como amarelão.
54
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Figura 27. Imagens do Ancylostoma duodenale em microscópio óptico (esquerda) e 
visualização da abertura bucal através de microscopia eletrônica de varredura (direita).
(disponíveis em: <http://www.coladaweb.com/doencas/ancilostomiase-ou-ancilostomose>; <http://biomedicina.digitalnews.
com.br/ancilostomiase-ou-ancilostomose/>, respectivamente).
Agente etiológico
Os ancilostomídeos são pequenos vermes redondos, nematodes, esbranqueçados, com 1 cm. O 
Ancylostoma duodenale possui dimensões diferentes um pouco maior que o Necator americanus, 
seu corpo é encurvado, lembrando a letra C. O Necator apresenta outra curvatura na região 
esofagiana, voltada dorsalmente, pelo que imita um S alongado. 
Ciclo
infecção por Necator americanus
Ocorre com a penetração cutânea das formas infectantes, ou seja, das larvas filarioides embainhadas. 
Em contato com a pele humana, as larvas penetram utilizando as lancetas do vestíbulo bucal e suas 
secreções contendo enzimas. A bainha das larvas é abandonada à superfície da pele.
Alcançada a circulação linfática ou sanguínea, elas são levadas ao coração e aos pulmões, onde 
chegam a três ou cinco dias, começando a passagem ativa dos parasitas do interior dos capilares 
pulmonares para os alvéolos pulmonares. Nos pulmões, tem lugar à terceira muda que produz 
larvas do quarto estádio. Arrastadas pelas secreções da árvore respiratória e os batimentos ciliares 
da mucosa dos bronquíolos, brônquios e traqueia, elas sobrem até a laringe e faringe do hospedeiro. 
Completa-se o ciclo pulmonar.
Ao serem deglutidas com o muco, as larvas vão até o intestino delgado e dão início a hematofagia e 15 
dias sofrem a quarta muda, e se transforma em larvas do quinto estádio, passando a ter características 
de um verme adulto. Tempo de penetração e até a eliminação pelas fezes varia de 1 a 2 meses. 
infecção por Ancylostoma duodenale
A infecção ocorre por via cutânea: onde ocorre a migração parasitária, realizando o ciclo pulmonar, 
como no Necator (Figura 28). Infecção por via oral ou ingestão de larvas através de alimentos ou 
55
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
água contaminada com larvas na forma infectante, larvas filarioide, onde as larvas infectantes 
atravessam incólume o estômago e dirigem-se para o duodeno, onde sofrem a terceira muda, 
penetrando na mucosa do intestino e permanecendo por três ou quatro dias. Nessa fase, fixam-
se à mucosa do intestino e iniciam a hematofagia; 15 dias depois já se diferenciaram para vermes 
adultos. Por meio da infecção oral, o período pré-patente é menor, em torno de 1 mês [Disponível 
em: http://biomedicina.digitalnews.com.br/ancilostomiase-ou-ancilostomose/].
Figura 28. Ciclo de vida e autocontágio. 
(disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos2/Ancilostomiase.php>. Acesso em: 2 out. 2012)
Epidemiologia
Possui uma distribuição geográfica mundial infectando somente humanos. A forma infectante 
são as larvas filarioides infectantese transmissão por contato com solo areno-argiloso, úmido 
e sombreado contaminado com essas larvas. A penetração em humano se dá por duas portas de 
entrada: pele e boca.
Profilaxia
Medidas paliativas como a utilização de calçados nos ambientes de possível contágio ajudam a 
evitar o contato direto com o solo contaminado. Fornecer infraestrutura básica para a população, 
principalmente em regiões carentes das cidades, e proporcionar saneamento básico e condições 
adequadas de higienização coletiva e educação individual à população. Além do tratamento das 
pessoas doentes com o intuito de minimizar fontes de propagação de novos ovos e limitar a 
região de contágio.
56
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
diagnóstico
Diagnóstico direto, uma vez que os ovos são característicos e visíveis através de um exame 
coproscópico feito com um simples esfregaço, em lâmina e microscopia, preparado com fezes e 
soluções fisiológicas.
tratamento
O tratamento da ancilostomose deve ser feito procurando-se atingir a eliminação dos helmintos e a 
reposição de ferro, causa dos sintomas de amarelamento do paciente. 
Quanto aos helmintos, medicamentos indicados são os derivados do benzimidazol (albedazol e 
mebendazol) e de pirimidina (pamoato de pirantel). São usados não só como terapia individual, 
mas para terapia coletiva. A ferroterapia é utilizada por pacientes com anemia, ou seja, em um 
estado mais agravado da doença, e é fundamental para a recuperação do paciente. 
EStrongiLoidÍASE
Trata-se de uma infecção intestinal causada pelo verme nemátode Strongyliodes stercoralis 
(Figura 29). Uma das características relevantes é que esse é um parasita facultativo, podendo viver 
indefinidamente no solo em forma livre.
Figura 29. Imagens do Strongyliodes stercoralis em microscópio óptico (direita) e 
esquema representativo da morfologia do verme (esquerda). 
 (disponíveis em: <http://www.misodor.com/PARASITOSES.html>)
Agente etiológico
O S. stercoralis é um pequeno nematódeo fusiforme. Só fêmeas podem ser parasitas; logo, os 
machos vivem sempre livres no solo, alimentando-se de dejetos orgânicos. Durante o parasitismo, 
as fêmeas reproduzem-se assexuadamente por partenogénese, enquanto as formas livres são de 
reprodução sexual. 
57
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Ciclo
As fêmeas parasitam o lúmen intestinal, onde são capazes de produzir, assexuadamente, ovos clone, 
portanto, todos geram a indivíduos fêmeos. As larvas eclodem dos ovos ainda dentro do intestino 
parasitado e, posteriormente, expulsas nas fezes. Algumas larvas antes de saírem nas fezes podem 
penetrar na mucosa e voltam ao lúmen como formas adultas, um processo denominado autoinfecção, 
mas em indivíduos imunocompetentes isso, na prática, não ocorre com frequência. 
As larvas excretadas com as fezes são as formas infecciosas. Porém, se tiverem boas condições na terra 
onde foram depositadas, desenvolvem-se em formas adultas femininas de vida livre alimentando-se 
de detritos orgânicos. Durante a vida livre, podem acasalar com machos, produzindo sexualmente 
ovos que se desenvolvem em larvas. Os descendentes machos continuam a viver livremente na terra, 
mas as larvas femininas, apesar de serem capazes de sobreviver em vida livre, podem infectar o ser 
humano por penetração direta da pele. 
Após invasão de um ser humano, a larva passa para a corrente sanguínea, no lúmen das veias e 
passando pelo coração vai estabelecer-se no pulmão sendo posteriormente expulsa para a faringe 
onde é deglutida e chegando ao trato gastrointestinal. No intestino, chega à forma adulta e alimenta-
se do bolo alimentar do indivíduo parasitado, dando reinício ao ciclo (Figura 30).
Figura 30. Ciclo de vida e autocontágio.
(disponível em: <http://www.misodor.com/PARASITOSES.html>. Acesso em: 2 out. 2012)
Epidemiologia
Segundo a OMS, há cerca de 100 milhões de pessoas infectadas. É uma doença existente em todo o 
mundo, sendo predominante em regiões tropicais, afetando o homem e outros primatas. A infecção é 
direta pela penetração das larvas através da pele, logo, é frequente em agricultores de campos irrigados.
58
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Profilaxia
Como o contágio é direto pelo contato com solo contaminado, assim como a Ancilostomíase, as 
medidas profiláticas são análogas às apresentadas no caso anterior.
diagnóstico
Clínico: pouco preciso em decorrência da grande diversidade clínica. 
Laboratorial: realizado pela pesquisa de larvas nas amostras fecais pelo método de Baerman-Moraes. 
Pode-se realizar procura de larvas nas secreções e coprocultura, além de métodos imunológicos 
como ELISA; Imunofluorecência Indireta (IFI) e radioimunoabsorção.
tratamento
A medida tradicional é a utilização de albendazol ou tiabendazol. Recentemente, o uso de ivermectina 
mostrou-se mais eficaz.
As doenças apresentadas até aqui são bem semelhantes, discorra sobre uma maneira 
única de prevenção e tratamento para elas.
São doenças tão parecidas em maneiras de contágios e tratamentos. Por que ainda 
existem? Poderíamos determinar maneiras de minimizar ou erradicar essas infecções 
no bairro em que cada um de nós vivemos, ou mesmo no país?
EntEroBÍASE
Também conhecida como enterobiose, oxiurose ou mesmo oxioríase. Esses são os nomes dados 
à infecção causada pelo verme Enterobius vermicularis, um nematódeo parasita de mamíferos e 
extremamente comum em países pobres (Figura 31).
Figura 31. Imagens do Enterobius vermicularis. As setas indicam as asas cefálicas 
presentes nos vermes adultos. 
 (disponíveis em: <http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Animalia/Enterobius%20vermicularis.htm>).
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PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Agente etiológico
É um helminto nematódeo, conhecido como oxiúrus. Morfologicamente, apresenta como característica 
do verme adulto um par de asas cefálicas. Após o acasalamento, o macho é eliminado com os 
excrementos e a fêmea adulta se dirige até o ânus para fazer a ovipostura, principalmente à noite. 
Ciclo
A transmissão de forma direta ocorre quando o indivíduo coça a região anal e, em seguida, coloca 
a mão infectada pelo verme na boca. A transmissão indiretamente ocorre pela ingestão de água 
contaminada ou alimento, ou mesmo ao cumprimentar uma pessoa que esteja com a mão suja 
contendo ovos do verme. É frequente em ambientes que possuam pessoas que tenha a doença 
encontrar ovos do verme em roupas de cama, toalhas e objetos da casa, sendo comuns epidemias 
locais entre aqueles que habitam a mesma residência (Figura 32). 
Figura 32. Ciclo de vida e autocontágio.
 (disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Enterob%C3%Adase>. Acesso em: 2 out. 2012)
Epidemiologia
Possui distribuição geográfica mundial, mas tem incidência maior nas regiões de clima temperado. 
Acredita-se que tenha sido originada no continente africano, sendo disseminada com as migrações 
ocorridas no passado para outros continentes. 
60
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Profilaxia
A higiene permite reduzir a probabilidade de contaminação, assim como a limpeza frequente dos 
quartos. Outro grande cuidado deve ser o banho diário e o lavar as mãos antes de qualquer refeição 
para evitar a reinfecção. Todos os materiais infectados ou em contato com o corpo de alguém 
infectado deve ser lavado com água morna (superior a 55° C) e sabão diariamente. 
O uso de água sanitária diluída em água serve para desinfetar brinquedos e roupas. A contaminação 
entre pessoas da mesma casa é comum.
diagnóstico
Utiliza-se a técnica dos “swabs anais”, também denominada de método da fita de celofane adesiva 
e transparente, ou da fita gomada, reportada por Graham. 
A outra técnica não habitual descrita na literatura é chamada de vaselina-parafina (VASPAR), onde 
se adotacomo padrão da colheita do material o horário no período matutino, antes de o paciente 
defecar ou tomar um banho. Com estas técnicas, aumenta-se sensivelmente a positividade do achado 
dos ovos e, se realizado em dias consecutivos, com, no mínimo, três coletas.
tratamento
O tratamento de escolha é o pamoato de pirantel. Como terapia alternativa à participação dos benzi-
midazólicos (albedazol) de uso em humanos.
triCurÍASE
Trata-se de uma verminose intestinal causada pelo nematóde Trichuris trichiura. Possui a forma 
de um chicote e quando adulto seu comprimento varia de três a cinco centímetros. A estimativa é de 
que cerca de 900 milhões de pessoas estejam infectadas atualmente. Diferentemente da ascaridíase, 
causada pelo A. Lumbricoides que habita o intestino delgado, o Trichuris trichiura permanece no 
intestino grosso do hospedeiro (Figura 33). 
Figura 33. Imagens do Trichuris trichiura. Visualização do casal isolado (esquerda) 
e dos parasitas em meio ao tecido de indivíduo hospedeiro. 
 (disponíveis em: <http://www.inf.furb.br/sias/parasita/Textos/parasitologia.htm>; <http://trichuris-trichiura.blogspot.com.
br/2011_05_01_archive.html>, respectivamente. Acesso em: 3 out. 2012).
61
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Agente etiológico
O T. trichiura é um verme fusiforme nematódeo. Os vermes adultos são dioicos, com diferenciação 
sexual. Os machos possuem cerca de 2,5 a 4 cm de comprimento enquanto as fêmeas são maiores, 
cerca de 4 a 5 cm. Os ovos têm o aspecto típico de barril e aproximadamente 50 μm de comprimento. 
Ciclo
Inicialmente, os ovos são expelidos junto às fezes de hospedeiro infectados, permanecendo viáveis 
por longos períodos, podendo variar entre meses a anos em solo úmido e quente. Sua forma 
infecciosa desenvolve-se até virar larva no seu interior. Se ingeridas, as larvas saem dos ovos no 
lúmen do intestino, migram para o ceco e penetram na mucosa intestinal, desenvolvendo as formas 
adultas depois de alguns meses. As fêmeas têm a capacidade de postura de mais de 3000 ovos/dia, 
excretados nas fezes. O tempo de vida das formas adultas chega a vários anos, alimentando-se do 
bolo intestinal. Alguns vermes podem adquirir o hábito de hematofagia (Figura 34).
Figura 34. Ciclo de vida e autocontágio.
(disponível em: <//bioinfo-aula.blogspot.com.br/2007/11/ciclo-biolgico-dos-nematelmintos.html>. Acesso em: 3 out. 2012)
Epidemiologia
Segundo a OMS, cerca de 20% da humanidade estão principalmente em países tropicais e em locais 
com poucas condições higiênicas. É uma infecção cosmopolita, ou seja, infecção frequentemente 
paralela à infecção por Ascaris lumbricoides. É um parasita exclusivo de primatas. 
62
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Profilaxia
A grande necessidade de melhorias em educação sanitária, construção de fossas sépticas, criação 
do hábito de lavagem das mãos antes de refeições ou preparo dos alimentos. O tratamento das 
pessoas parasitadas para minimizar a endemia e controle de proliferação. Outro fator importante 
é a eficiente proteção dos alimentos contra moscas e baratas, impedindo assim que esses insetos, 
trazendo em suas patas ovos por contato direto, contaminem os alimentos.
diagnóstico
O diagnóstico direto e feito pela observação ao microscópio dos ovos do parasita em amostras fecais 
preparadas em solução salina.
tratamento
O tratamento mais eficiente utiliza os fármacos como mebendazol e oxantel que têm ação direta e 
matam as formas adultas no lúmen intestinal. 
ELEFAntÍASE ou FiLArioSE LinFÁtiCA
É uma doença parasitária causada por nematódeos da família Filarioidea. Considerada como doença 
tropical infecciosa, sua forma sintomática é conhecida como filaríase linfática, também denominada 
elefantíase, uma alusão ao inchaço e mudanças na pele e tecidos adjacentes do hospedeiro (Figura 35).
Figura 35. Imagens do Wuchereria bancrofti; imagem de microscopia eletrônica de 
varredura do verme (esquerda); de dois casos crônicos de elefantíase nos membros 
inferiores (meio) e do inseto vetor no Brasil, o mosquito do gênero Culex. 
 (disponíveis em: <http://www.fiocruz.br/~ccs/estetica/filariose.htm>; 
<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/filariose/filariose-8.php>. Acesso em: 3 out. 2012)
Sua causa é a obstrução do sistema linfático pelo verme parasita, afetando principalmente as 
extremidades inferiores, embora a extensão dos sintomas dependa da espécie de verme envolvido. O 
vetor de transmissão são os mosquitos dos gêneros Culex, e algumas espécies do gênero Anopheles, 
presentes nas regiões tropicais e subtropicais (Figura 36). Quando o verme obstrui o vaso linfático, 
o edema é reversível, no entanto, a prevenção é a melhor atitude.
63
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Figura 36. Distribuição mundial da doença, segundo a OMS (destaque escuro). 
Nota-se a conservação de casos em regiões tropicais do planeta.
(disponível em: <http://www.usfsalgadinhositionovo.com/2010/10/programa-de-eliminacao-da-filariose-e.html>. 
Acesso em: 3 out. 2012)
Agente etiológico
As formas adultas são vermes nematódeos. As fêmeas são maiores que os machos e a reprodução é 
exclusivamente sexual, com geração de microfilárias. Estas são pequenas larvas fusiformes.
São conhecidos nove nematoides filariais conhecidos, que usam os humanos como hospedeiros 
definitivos. São divididos em três grupos de acordo com o nicho que ocupam dentro do corpo:
 » filariose linfática;
 » filariose subcutânea;
 » filariose da cavidade serosa. 
A filariose linfática é causada pelos vermes Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori. 
Essas filárias ocupam o sistema linfático, incluindo os gânglios, causando linfodemas e, em casos 
crônicos, levando à doença conhecida como elefantíase.
A filariose subcutânea é causada por loa loa (a «larva do olho»), Mansonella streptocerca, 
Onchocerca volvulus e Dracunculus medinensis (o “verme da Guiné”). Esses vermes ocupam a 
camada subcutânea de gordura.
A filariose da cavidade serosa é causada pelos vermes das espécies Mansonella perstans e Mansonella 
ozzardi, que ocupam a cavidade serosa do abdômen.
Em todos os casos, os vetores de transmissão são insetos sugadores de sangue (moscas ou mosquitos), 
ou copépode crustáceos no caso do Dracunculus medinensis. 
64
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Ciclo
As larvas são transmitidas pela picada dos mosquitos Culex, Mansonia ou Aedes, Anopheles. Da 
corrente sanguínea, elas dirigem-se para os vasos linfáticos, onde se maturam nas formas adultas 
sexuais. Após cerca de oito meses da infecção inicial, começam a produzir microfilárias que surgem 
no sangue, assim como em muitos órgãos. 
O mosquito é infectado quando pica um ser hospedeiro infectado. Dentro do mosquito, as 
microfilárias modificam-se em formas infectantes, que migram principalmente para os lábios do 
mosquito, assim quando o hospedeiro definitivo for picado, a larva escapa do mosquito e cai na 
corrente sanguínea do homem – seu único hospedeiro definitivo (Figura 37).
Figura 37. Ciclo de vida do parasita.
 (disponível em: <http://megaarquivo.com/2012/08/17/6553-doencas-tropicais-a-elefantiase/>. Acesso em: 3 out. 2012)
Epidemiologia
Cerca de 120 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS. A existência é 
diversificada para cada espécime de parasita em regiões distintas do mundo.
O Wuchereria bancrofti existe nos continentes africano, asiático e sul-americano, o que inclui o 
Brasil. No Brasil, o vetor primário e principal é o Culex quinquefasciatus. 
O Brugia malayi está limitado ao Subcontinente Indiano e a algumas regiões da Ásia oriental. O 
transmissor pode ser qualquer mosquito dos gêneros Anopheles, Culex ou Mansonia. 
65
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Por fim, o Brugia timori existe em Timor-Leste e Ocidentale na Indonésia e é transmitido por 
mosquitos do gênero Anopheles.
No Brasil, as regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas, especialmente onde não há tratamento 
apropriado de água e esgoto. Grandes epidemias nas décadas de 1950 e 1960, minimizadas com a 
urbanização e combate aos vetores. 
Como o parasita só se desenvolve em condições úmidas com temperaturas altas, casos na Europa e 
América do Norte são importados de indivíduos provenientes de regiões tropicais.
Profilaxia
O desenvolvimento de fármacos administrados como prevenção e criação de inseticidas eficientes. 
Aconselha-se a utilização de roupas que cubram o máximo possível da pele, repelentes de insetos, 
além de dormir protegido com redes e evitar deixar águas paradas. 
diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito por cinco formas:
 » Busca direta de microfilárias: realizada por meio de exames de gota espessa, análise 
direta do sangue, método de concentração de Knott e filtração de membrana de 
policarbonato.
 » Busca de vermes adultos: realizada por meio de exames de biópsias linfonodais e 
US (detecta a movimentação dos vermes e dilatação dos vasos linfáticos). 
 » Diagnóstico sorológico: realizado com a pesquisa de anticorpo IgG-4, método de 
ELISA e teste de imunocromatografia rápida. 
 » Diagnóstico molecular: realizado com a análise de PCR (reação em cadeia da 
polimerase) de genes específicos, eosinofilia e presença de linfócitos na urina. 
 » Diagnóstico por imagem: realizado por linfocintigrafia (exame com contrastedos 
vasos linfáticos). 
tratamento
Realizado através de medicamentos, de acordo com as manifestações clínicas resultantes da infecção 
pelos vermes adultos e conforme o tipo e grau de lesão que estes vermes provocaram, bem como 
suas consequências clínicas. Comumente, usa-se a dietilcarbamazina, que elimina as microfilárias 
e o verme adulto. Casos extremamente graves devem recorrer à cirurgia reparadora (fase crônica 
da doença). É necessário o tratamento de infecções secundárias que se aproveitam do momento 
debilitado do paciente.
66
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
A filariose atua de maneira distinta das demais doenças causadas por helmintos. 
Discorra quais as semelhanças e as diferenças. Podemos comparar a um ciclo de 
algum protozoário parasítico? Qual?
CiStiCErCoSE HuMAnA
É uma doença provocada pelas larvas (cisticerco) da Taenia solium, um parasita também conhecido 
como solitária (Figura 38). O cisticerco recebe o nome de acordo com a carne que ele infecta: 
Cysticercus bovis (proveniente de carne bovina) e Cysticerius celulosae (proveniente de carne suína).
Figura 38. Imagens dos cistos, visualização em corte histológico de cérebro de 
humano acometido pela cisticercose (esquerda); presença de cisto em intestino de 
paciente (meio) e tomografia de RMN computadorizada. As setas evidenciam as 
posições de dois cistos no cérebro de paciente humano. 
 (disponíveis em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cisticercose/cisticercose-2.php>; <http://saudeanimal.blogspot.com.
br/2007_02_01_archive.html>; <http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1329>, respectivamente. Acesso em: 3. out. 2012).
Em humanos, a doença pode ser assintomática ou demorar muitos anos para se desenvolver. 
Tem como principal característica a formação de cisticercos localizados nos músculos, coração, 
pulmões, olhos e, no caso mais grave, no cérebro. Doença extremamente relacionada à teníase, 
por motivos óbvios.
Agente etiológico
Causado pelas larvas de duas espécies de parasitas humanos, a Taenia solium e a Taenia saginata. 
A transmissão se dá pela ingestão de alimentos com ovos do agente causador ou contato com fezes 
infectadas.
Ciclo
Por meio da ingestão de alimentos contaminados por fezes humanas que contenham ovos das 
espécies de Tênia. Principalmente, verduras e legumes mal lavados podem transmitir a doença. Um 
indivíduo portador de teníase pode se reinfestar ao ir ao banheiro e não lavar bem as mãos, levando-
as à boca em seguida ou tocando alimentos. É frequente em locais sem saneamento básico e com 
higiene precária (Figura 39).
67
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Figura 39. Ciclo de vida e autocontágio. 
(disponível em: <http://biologiaparaestudantes.blogspot.com.br/2011/04/teniase-e-cisticercose.html>. 
Acesso em: 3 out. 2012).
Epidemiologia
Segundo a OMS, cerca de 50 milhões de indivíduos estão infectados pelo complexo teníase/
cisticercose e aproximadamente 50 mil morrem anualmente. 
A neurocisticercose é o caso mais grave, ocorre quando o cisticerco se fixa em regiões do cérebro 
do paciente. Não é representativa em países desenvolvidos. Nos EUA, não apresentava um número 
significativo de casos; no entanto, nas últimas duas décadas elevaram-se devido ao fator migratório 
dos países latino-americanos. Na Ásia, a doença mostra-se frequente nas Filipinas, Tailândia, Coreia 
do Sul e, principalmente, na China e na Índia. Na África, a incidência varia em relação à população 
e sua religião.
Na América Latina já é relatada a existência de neurocisticercose em 18 países, com uma estimativa 
de 350 mil indivíduos. No Brasil, é encontrada com elevada frequência em São Paulo, Minas Gerais, 
Paraná e Goiás. 
Profilaxia
Algumas medidas básicas de saneamento e até mesmo de bom senso, como: não defecar ao ar livre 
e lavar sempre as mãos, principalmente antes de se alimentar ou manusear os alimentos e após usar 
o sanitário. Não utilizar fezes humanas, nem esgoto como adubo e não irrigar horta com água de rio. 
Lavar bem as frutas e verduras antes de prepará-las. Utilizar água para consumo apenas se estiver 
tratada. Caso haja a utilização de carne de suínos, cozinhar muito bem.
68
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
diagnóstico
O diagnóstico desta infecção em diversos casos resulta difícil e pode requerer vários tipos de testes. 
Para identificar lesões, são necessárias radiografias, tomografias computadorizadas, exame do 
líquido cefalorraquidiano, provas sorológicas, biópsia dos tecidos. Mesmo não sendo precisos, os 
exames de sangue também podem ser solicitados. 
tratamento
Varia de acordo com a localização dos cisticercos, período de contaminação e estado de saúde do 
paciente.
Utilizam-se medicamentos antiparasitários, comumente combinados com anti-inflamatórios. 
Para alguns casos, é necessário extirpar a área infectada por meio de um procedimento cirúrgico. 
A cisticercose pode causar diminuição da visão e até mesmo cegueira em alguns casos, assim 
como pode provocar dores abdominais, anorexia, insuficiência cardíaca, ritmo cardíaco anormal, 
convulsões, aumento da pressão intracerebral e até mesmo o óbito do indivíduo. 
Não são todos os casos de cisticercose que podem ser tratados. Em caso de lesões cardíacas, dano 
cerebral ou cegueira, normalmente ainda é possível o tratamento do paciente. 
tEnÍASE
Trata-se de uma infecção intestinal causada pelos mesmos dois parasitas causadores da cisticercose, 
a Taenia solium e a Taenia saginata (Figura 40). 
Figura 40. Imagens dos organismos. Visualização de um indivíduo adulto 
(esquerda); detalhes das proglotes e escoléx do organismo.
(disponíveis em: <http://www.ckirner.com/midias/animais/pag/pag-14/index.html>; <http://mccorreia.com/verminose/teniase.
htm>, respectivamente. Acesso em: 3. out. 2012).
Teníase e cisticercose são causadas pelo mesmo parasita, porém com uma fase de vida diferente. A 
teníase ocorre devido à presença de Taenia solium adulta ou Taenia saginata dentro do intestino 
delgado dos humanos, que são os hospedeiros definitivos, podendo levar a casos graves de anemia 
e problemas para absorção alimentar.
69
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Ciclo
O homem portador da teníase apresenta o parasita em seu intestino delgado e é seu hospedeiro 
definitivo.As tênias são hermafroditas, sendo que os proglotes maduros, isto é, aptos à reprodução, 
possuem em seu interior um aparelho reprodutor masculino e um feminino, o que resulta no fato 
de os espermatozoides de um proglote fecundar os óvulos de outro no mesmo animal. A quantidade 
de ovos produzidos chega a 80 mil em cada proglote. Os proglotes grávidos desprendem-se 
periodicamente e são eliminados junto com as fezes. 
Os hospedeiros intermediários são os suínos e os bovinos, que se infectam ingerindo água ou 
alimentos contaminados com ovos ou proglotes eliminados nas fezes humanas. Dentro do intestino 
do animal, os embriões deixam a proteção dos ovos e perfuram a mucosa intestinal. Por meio da 
circulação sanguínea, alcançam os músculos e o fígado do suíno, em forma de larvas (cisticercos). 
Quando o homem se alimenta de carne suína/bovina crua contendo estes cisticercos, as vesículas 
são digeridas, liberando o cisto que se fixa nas paredes intestinais, evoluindo então para a forma 
adulta (Figura 41).
Figura 41. Ciclo de vida e autocontágio.
(disponível em: <http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/biologia/parasitoses/verminoses/verminoses_
teniase_cisticercose>. Acesso em: 3 out. 2012)
Epidemiologia
Idêntica à mencionada anteriormente para a Cisticercose.
Profilaxia
Como já mencionado, consiste na educação sanitária para que não contamine o meio ambiente com 
fezes, faça uso de instalações sanitárias adequadas, lave as mãos após usar o sanitário e antes de 
manipular alimentos, em cozinhar bem as carnes e não consumir carnes mal cozidas e mal assadas.
70
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Entre as medidas profiláticas deve também existir um bom saneamento básico, vermifugação dos 
rebanhos bovino e suíno (hospedeiros intermediários), e congelamento/irradicação das carnes para 
haver desparasitação massiva do hospedeiro definitivo, o homem.
diagnóstico
Observação das proglotes e/ou ovos em exames de fezes simples com diluição em solução salina 
realizados periodicamente em pacientes com suspeitas de serem hospedeiros.
tratamento
Consiste na aplicação de niclosamida, havendo outros medicamentos alternativos como diclorofeno, 
mebendazol ou albendazol. Popularmente, o chá de sementes de abóbora dito como remédio e auxiliar 
no tratamento. No entanto, deve-se ressaltar a necessidade de utilização de fármaco no tratamento.
A cisticercose e teníase são meramente diferentes alocações para o mesmo agente 
externo. Sugira como evitá-lo e indique propostas de erradicação dessas duas 
doenças parasitárias.
HiMEnoLEPÍASE
Infecção observada em seres humanos e roedores denominados himenolepíase, causada pelo 
Hymenolepis nana, uma espécie de tênia. Caso a infecção do indivíduo seja severa, poderá causar 
forte diarreia, perda de peso, desnutrição, desidratação e forte dor abdominal. É a única tênia que 
infecta o homem sem um hospedeiro intermediário obrigatório (Figura 42).
Figura 42. Visualização do verme causador da himenolepíase (esquerda) e dos 
cistos produzidos durante a infestação em humanos (direita). 
 (disponíveis em: <http://www.infoescola.com/doencas/himenolepiase/>; <http://saudeanimal.blogspot.com.br/2007_02_01_
archive.html>. Acesso em: 3 out. 2012).
71
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Agente etiológico
A Hymenolepis nana mede cerca de 4 cm. Cada proglote madura possui genitália masculina e 
feminina, porém a proglote grávida apresenta apenas o útero abarrotado de ovos. O escólex possui 
quatro ventosas e um rostro retrátil, armado com 20 a 30 ganchos ou acúleos. Ocorre a produção de 
ovos e possui larvas cisticercoides.
Ciclo
Ciclo monoxênico: eliminação dos ovos juntos às fezes. No exterior, podem contaminar qualquer 
humano através do contato com alimentos ou nas mãos sujas. Ao chegar ao estômago, o embrióforo 
é semidigerido pelo suco gástrico e chega ao duodeno, onde eclode e se prende nas microvilosidades 
do jejuno ou do íleo. Em quatro dias, dá origem a uma larva cisticercoide. Cerca de dez dias depois, 
essa larva já está madura, solta-se, desenvagina-se e fixa-se pelo rastro e ventosas ao habitat 
definitivo. Logo, já está na fase madura e inicia a eliminação de proglotes maduras. Possui vida 
curta, sendo eliminado nas fezes. Se não houver reinfecção, o parasitismo encerra-se (Figura 43). 
Ciclo heteróxeno: os ovos que alcançaram o meio exterior, especialmente os presentes nas frestas 
de assoalhos ou em locais onde se armazenam alimentos, são ingeridos por larvas dos insetos. No 
intestino de algum desses hospedeiros intermediários, transformam-se em larva cisticercoide. Essa 
larva continua no inseto após se tornar adulta. Logo, os humanos podem-se infectar ao ingerir 
acidentalmente larvas ou insetos adultos contendo as larvas cisticercoides (Figura 43). 
Figura 43. Ciclo de vida e autocontágio.
(disponível em: <http://www.fcfrp.usp.br/dactb/Parasitologia/Arquivos/Genero_Hymenolepis.htm>. 
Acesso em: 3 out. 2012).
72
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Epidemiologia
Sua infecção ocorre em todo o mundo, com maior frequência no sul dos Estados Unidos, América 
Latina, Índia, Oriente Médio, Austrália e países do Mediterrâneo.
Em regiões de clima temperado, a infecção em crianças e grupos fechados é mais alta. As crianças 
são mais susceptíveis a esse tipo de verme; em crianças desnutridas sua infestação é mais intensa. 
Estima-se que atinja 75 milhões de pessoas no mundo, que vivem aglomeradas em baixas condições 
sociais e sanitárias. 
Profilaxia
Principalmente, da higiene individual e coletiva e da educação sanitária da população. O combate 
aos insetos domésticos tais como carunchos e pulgas é altamente recomendável; esse combate pode 
ser feito com relativa facilidade, varrendo-se (ou passando-se o aspirador de pó) diariamente no 
canil, no domicílio e incinerando-se a sujeira recolhida.
diagnóstico
É feito por meio da identificação microscópica dos ovos nas fezes. Sendo, às vezes, necessário repetir 
o exame para fechar o diagnóstico. 
tratamento
O tratamento é eficaz com os medicamentos praziquantel, teniacid ou niclosamida. Os resultados 
são muito eficientes, mas em decorrência da possibilidade de autoinfecção interna é importante 
a repetição do medicamento com o intervalo de duas semanas. Além disso, é indispensável uma 
adequada higienização do ambiente e cuidados higiênicos das pessoas participantes do grupo 
familiar ou coletivo. 
ESquiStoSSoMoSE
A esquistossomose é uma doença crônica, endêmica e considerada como doença negligenciada. 
Causada por platelmintos parasitas do gênero Schistosoma (Figura 44).
73
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Figura 44. Visualização do verme causador da esquistossomose (esquerda) através 
de microscopia eletrônica de varredura e observação do casal separado. Ao centro, 
menino acometido pela doença também conhecida como barriga d’agua e o molusco 
hospedeiro secundário. À esquerda, microscopia de varredura mostrando o casal de 
parasitas unidos. 
 (disponíveis em: <http://www.brasilescola.com/doencas/esquistossomose.htm>;<http://www.mundoeducacao.
com.br/doencas/esquistossomose.htm>;<http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2010/10/05/fiocruz-realiza-12o-
simposiointernacional-de-esquistossomose-no-rio-de-janeiro>. Acesso em: 3 out. 2012)
Agente etiológico
Existem seis espécies de Schistosoma que podem causar a esquistossomose ao homem: S. 
hematobium, S. intercalatum, S. japonicum, S. malayensis, S. mansoni e S. mekongi. Destas, 
apenas a S. mansoni é encontrada no continente americano. 
Ciclo
O ciclo de vida inicia-se no caramujo do gênero Biomphalaria (B. glabrata, no Brasil), este 
é hospedeiro intermediário do Schistosoma, albergando o ciclo assexuado. Nos seus tecidos, 
multiplicam-se os esporocistos,dando mais tarde origem às formas de cercárias multicelulares, 
que abandonam o molusco e nadam na água. O homem é contaminado ao entrar em contato com as 
águas dos rios onde existem estes caramujos infectados, dando início à esquistossomose. Se estas 
larvas encontrarem um ser humano na água, penetram pela pele nua e intacta, ou pelas mucosas, 
como da boca e esófago após ingestão da água, anal ou genital. Ela continua a penetrar os tecidos até 
encontrar pequenos vasos sanguíneos, então viaja passando pelo coração e atinge os pulmões pelas 
artérias pulmonares, onde se fixa. 
Após alguns dias, ocorre a transformação para a forma jovem, liberam-se e migram pelas veias 
pulmonares, coração e artéria aorta até atingirem o fígado. Lá, ocorre o amadurecimento das larvas 
em formas sexuais macho e fêmea, e o acasalamento (forma sexuada). Após este acasalamento, 
os parasitas migram juntos (a fêmea no canal ginecóforo do macho), contra o fluxo sanguíneo 
74
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
(migração retrógrada), atingindo as veias mesentéricas e do plexo hemorroidário superior (ou, no 
caso do S.hematobium, o plexo vesical da bexiga). Os parasitas põem milhares de ovos todos os dias, 
durante anos (entre três e quarenta anos). No caso do Schistosoma mansoni, acredita-se que sua 
longevidade perdure pelo dobro que as demais espécies. Esses passam do lúmen dos vasos sanguíneos 
ao lúmen do intestino ou bexiga simplesmente destruindo todos os tecidos intervenientes. 
Não são todos os ovos que passarão para o lúmen do intestino. Sendo assim, os ovos que continuarão 
na circulação serão arrastados pela corrente sanguínea até chegar ao fígado via veia porta, 
onde se estabelecerá e provocará um processo inflamatório circunscrito ao ovo, e este processo 
evoluirá para um tecido circunscrito fibroso cicatricial, e o conjunto desta reação inflamatória e 
o ovo do Schistosoma no fígado chama-se granuloma hepático. Estes atravessam as paredes dos 
vasos sanguíneos, causando danos tanto com os seus espinhos como pela reação inflamatória do 
sistema imunitário que lhes reage. Atingindo o intestino são eliminados pelas fezes (ou, no caso do 
S.hematobium, atingem a bexiga e são libertados na urina). Os ovos, em contato com a água, liberam 
os miracídios que nadam livres até encontrar um caramujo (caracol aquático), penetrando-o. Dentro 
do caramujo ocorre a multiplicação da forma assexuada, o esporocisto, que se desenvolve na forma 
larvar e é libertada seis semanas após a infecção do caramujo, novamente recomeçando o ciclo 
(Figura 45). 
Figura 45. Ciclo de vida.
 (disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquistossomose>. Acesso em: 3. out. 2012)
75
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Epidemiologia
Números da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam também que 800 milhões de pessoas 
vivem em zonas de risco da doença, que atualmente é tratada com antiparasitários, que não eliminam 
o risco de novas infeções. A esquistossomose é a segunda doença parasitária mais devastadora, atrás 
da malária, segundo a OMS. Na América do Sul e no Caribe, estimam-se vários milhões de casos. 
No Brasil, admite-se existir mais de 10 milhões de indivíduos infectados. A gravidade que assume a 
doença em muitos casos e o déficit orgânico que produz fazem da esquistossomose um dos mais sérios 
problemas da saúde pública, e pesado fardo para as populações das áreas endêmicas (Figura 46). 
Figura 46. Distribuição mundial da doença, segundo a OMS.
 (Vide legenda disponível em: <http://alpha.cpqrr.fiocruz.br:81/labes/paginas/pagina_interna_disc.asp?cod_
menudisc=17&cod_submenu=9>. Acesso em: 3 out. 2012) 
Profilaxia
Saneamento básico com esgotos e água tratados. Erradicação dos caramujos que são hospedeiros 
intermediários da doença. Proteção dos pés e pernas com botas de borracha com solado 
antiderrapante. Informar a população das medidas profiláticas da doença. Evitar entrar em contato 
com água que contenha cercárias. 
diagnóstico
Os ovos podem ser encontrados no exame parasitalógico de fezes, mas nas infecções recentes o 
exame apresenta baixa sensibilidade. Para aumentar a sensibilidade, podem ser usados coproscopia 
qualitativa, como Hoffman, ou quantitativo, como Kato-Katz. A eficácia com três amostras chega 
apenas a 75%.
O hemograma demonstra leucopenia, anemia e plaquetopenia. Ocorrem alterações das provas de 
função hepática, com aumento de TGO, TGP e fosfatase alcalina. Embora crie a hipertensão portal, 
76
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
classicamente a esquistossomose preserva a função hepática. Assim, os critérios de Child-Pught, 
úteis no cirrótico, nem sempre funcionam no esquistossomótico que não tem associado hepatite 
viral ou alcoólica.
A ultrassonografia em mãos experientes pode fazer o diagnóstico, sendo patognomônico a fibrose e 
espessamento periportal, hipertrofia do lobo hepático esquerdo e aumento do calibre da mesentérica 
superior. A biopsia retal é uma técnica também utilizável, tendo uma sensibilidade de 80%.
tratamento
O tratamento é feito com antiparasitários como o praziquantel ou a oxamniquina para matar o 
parasita dentro do corpo e dura 1 ou 2 dias. Recentemente, pesquisadores da FIOCRUZ disseram 
haver desenvolvido uma vacina, baseados no isolamento de uma proteína essencial ao parasita, a 
SM14. Essa vacina ainda entrará em fase de teste.
Vimos as principais doenças infecciosas acometidas por helmintos. Não sei se 
notaram, mas responda: quais e quantas delas não são presentes no Brasil? É 
coincidência? Descaso? Não conhecimento? Qual a sua opinião? Descreva maneiras 
de erradicá-las e medidas paliativas para melhorar as condições de vida dos 
indivíduos hospedeiros.
Faça uma tabela comparando todas as doenças apresentadas neste capítulo. Usem 
como comparativos: agente causador, agente vetor, sintomas, métodos profiláticos 
e de diagnósticos e semelhanças entre as doenças apresentadas. Somado a isso, 
compare com as doenças apresentadas no capítulo anterior, e monte uma tabela 
com as informações desses dois capítulos apresentados.
Para uma visão geral do diagnóstico clínico e dos diversos métodos utilizados para 
cada uma das enteroparasitoses aqui tratadas, acesse 
<http://www.fmt.am.gov.br/manual/parasitose.htm>.
77
CAPÍtuLo 3
Artrópodes
Ectoparasita ou parasitas externos são os tipos de parasitas que se instalam fora do corpo do 
hospedeiro, como no caso de piolhos, ácaro vermelho, pulgas e carrapatos (Figura 47). 
Figura 47. Exemplos de artrópodes parasitários.
 (disponíveis em: <http://www.insecta.ufv.br/Entomologia/ent/disciplina/ban%20160/Importancia%20medica/INSETOS%20E%20
%E7CAROS%20dE%20ImPO~de.htm>. Acesso em: 4 out. 2012)
Como são organismos bem diferenciados, não vamos especificar características de nutrição, 
reprodução e morfologia para cada integrante desse capítulo.
Patogenias
Algumas doenças são causadas pela presença de maneira parasitária desses organismos no ser 
humano. Exemplos de doenças são: sarna e ftirose. 
ESCABioSE
A sarna é uma infecção parasitária contagiosa ocorrente na pele de animais, incluindo o homem e é 
causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei (Figura 48).
Figura 48. Da esquerda para direita, indícios de sarna na pele de hospedeiro 
humano; imagens do parasita por diferentes posicionamentos e de seu ovo; mão de 
paciente com sarna, aspecto de vermelhidão e pequenas bolhas.
(disponíveis em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/mylinks/viewcat.php?cid=0&letter=f&min=510&orderby=
titleA&show=10>; <http://www.conhecersaude.com/adultos/3137-Escabiose-Sarna.html>. Acesso em: 4 out. 2012)
78
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Agente etiológico
Artrópode parasita de animais domésticos e do homem, causando uma doença conhecida como 
escabiose no homeme sarna sarcóptica nos animais. 
Ciclo
É transmitida pelo contato direto entre pessoas, sendo uma doença comum entre seres humanos e 
não está associada diretamente com a falta de higiene. Não pode ser considerada uma DST, pois a 
transmissão pode ocorrer em qualquer situação ou ambiente que propicie o contato com o ácaro. A 
transmissão através de outros contatos físicos não sexuais é bem mais rara, embora seja possível. 
Normalmente, o contágio dá-se a partir de outro ser humano. 
O ácaro é capaz de perfurar e penetrar a pele em questão de minutos. Isso leva a uma coceira intensa, 
associada a lesões de pele causadas pela penetração do ácaro e pelas coçaduras. Às lesões, seguem-
se infecções secundárias que podem ser bem mais graves, especialmente em pacientes portadores 
de HIV ou outras doenças imunológicas. As áreas preferenciais de infecção são os punhos, as axilas, 
o ventre, as nádegas, os seios e os órgãos genitais masculinos.
A postura das fêmeas (ovíparas) é feita em parcelas, abaixo da epiderme do hospedeiro. Com 
incubação de três a cinco dias, ocorrendo posteriormente eclosão desses ovos, surgindo as larvas. 
Com o desenvolvimento das larvas, o ácaro passa ao estágio de ninfa. Essa transformação de larva 
para ninfa pode ocorrer na “galeria” ou na pele. A ninfa passa a adultos imaturos na pele. Após a 
fertilização, esses são considerados adultos. Durante as trocas de fases, os ácaros sofrem ecdise 
(muda da pele), possibilitando que esses cresçam.
Epidemiologia
Sua distribuição é cosmopolita e é totalmente democrática na escolha das vítimas. A prevalência é 
global é de aproximadamente 300 milhões de casos.
Profilaxia
Ter uma boa higiene diária e lavar sempre a roupa quando se esteve em contato com alguém 
infectado. 
diagnóstico
Áreas alopécicas na região da face, membros ou dorso. Eritema (vermelhidão), pústulas («bolhas», 
vesículas), hiperpigmentação, escamas, colaretes epidérmicos, prurido intenso devido à perfuração 
da epiderme pelo acaro juntamente com produtos do metabolismo do parasita e a ação de sua saliva; 
crostas salientes quando em grande quantidade. 
79
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
tratamento
É feito à base de inseticidas especiais, ou escabicidas. Já existem remédios por via oral que também 
são eficientes no tratamento da escabiose.
FtirÍASE
O piolho-da-púbis, ou Pthirus pubis, também conhecido como piolho-caranguejo ou chato, é um 
inseto parasita. O parasita infesta pelos humanos, que são os únicos hospedeiros e é hematófago 
obrigatório (Figura 49).
Figura 49. Exemplo de piolho-carangueijo e região infestada por esse parasita.
(disponíveis em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Piolho-da-p%C3%BAbis>. Acesso em: 4 out. 2012).
Agente etiológico
Possui corpo dorsoventral achatado e dividido em cabeça, tórax e abdômen. Têm peças bucais 
adaptadas a perfurar a pele e sugar o sangue. Protuberâncias abdominais nos lados do corpo são 
características dessa espécie. Os machos são sutilmente menores que as fêmeas e os ovos possuem 
forma oval.
Ciclo
Os piolhos-caranguejo são parasitas que passam toda a vida nos pelos dos hospedeiros e 
hematófagos exclusivos. Seu tempo de vida dura em média um mês. Os ovos eclodem, produzindo 
seu primeiro estágio de ninfa que após três mudas evolui para fêmea ou macho adulto. O período de 
incubação do ovo é de, aproximadamente, uma semana, enquanto o resto do ciclo é finalizado com 
o desenvolvimento dos estágios ninfas.
Epidemiologia
Os piolhos-caranguejo geralmente infestam um novo hospedeiro somente com o contato próximo 
entre os indivíduos. O contato sexual entre adultos e as interações pais e filhos são vias mais comuns.
80
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Profilaxia
Análoga ao caso anterior.
diagnóstico
A infestação por chatos, geralmente, é identificada pelo exame minucioso dos pelos púbicos à 
procura de lêndeas, ninfas e adultos. 
Piolhos e lêndeas podem ser removidos com o auxílio de uma pinça ou com a ajuda de uma tesoura 
para cortar o pelo infestado ou remédios específicos. Uma lupa pode ser utilizada para uma 
identificação precisa. 
tratamento
Loções de limpeza com piretrinas podem ser utilizadas no tratamento da ftiríase e não devem ser 
utilizadas em mulheres infectadas que estejam grávidas ou amamentando. É essencial mudar os 
lençóis da cama depois do primeiro tratamento.
PEdiCuLoSE
Doença parasitária causada por piolhos. No homem, a infestação é causada pelo Pediculus humanus, 
que pode ser encontrado no couro cabeludo e no corpo. A pediculose também é muito comum nos 
animais, sendo causada por uma grande variedade de espécies específicas (Figura 50). 
Figura 50. Animação e visualização do modo de agarre do piolho no fio de cabelo 
humano (esquerda e centro).
(disponíveis em: <http://www.blogcaicara.com/2012/04/conheca-os-insetos-piolho-pediculus.html>. Acesso em: 4 out. 2012).
Causadores da pediculose do corpo encontram-se principalmente nas dobras do corpo, presos à 
roupa e suas picadas causam inflamação aguda da pele e prurido. Historicamente, são responsáveis 
pela transmissão de várias doenças infecciosas que causaram inúmeras mortes em épocas passadas, 
como o tifo, a febre recorrente e a febre das trincheiras.
81
PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
Agente etiológico
A variedade conhecida popularmente como “muquirana” é um inseto sem asas com corpo dividido 
claramente em cabeça, tórax e abdômen. Seu ovo fixa-se ao fio de cabelo por uma substância pegajosa, 
assumindo a forma vulgarmente conhecida como lêndea e podem ser encontradas aderidas as fibras 
dos tecidos das roupas, assim como o próprio inseto. 
Ciclo
Autoxênico inicia-se com a ovipostura. Os ovos necessitam de, em média, uma semana para incubar. 
Após a eclosão, surgem as ninfas, que atingem o estágio adulto em 2 semanas. A maturidade sexual 
nos adultos ocorre em 4 horas, com cópula imediata. Sobrevivem de 3 a 4 semanas; ovipostura de 
aproximadamente 300 ovos.
Epidemiologia
São comumente encontrados em todo o mundo, sem exclusão de classe ou raça.
Profilaxia
O simples hábito de trocar e lavar regularmente as roupas (com água quente e detergente) foi 
suficiente para diminuir drasticamente a incidência dessa parasitose no homem. 
diagnóstico
Semelhante ao apresentado para o caso anterior.
tratamento
Semelhante ao apresentado para o caso anterior.
tungÍASE
Doença cutânea infecciosa, causada pela fêmea do bicho-de-pé ou Tunga penetrans (Figura 51).
82
UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Figura 51. Fêmea de bicho-de-pé (esquerda) e hospedeiro humano infectado 
(esquerda). 
(disponíveis em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/bicho-de-pe/bicho-de-pe-5.php>; 
<http://www.historiaambiental.org/?p=343>. Acesso em: 4 out. 2012)
Agente etiológico
O Tunga penetrans, mais conhecido como bicho-de-pé, é relativamente comum nas zonas rurais. 
Causador de forte coceira e ulceração que pode servir como porta para infecções de agentes 
patogênicos como o causador do tétano. 
Ciclo
O bicho-de-pé é frequentemente encontrado em solos quentes, secos e arenosos, além de chiqueiros 
e currais. A transmissão se dá pelo contato direto com solo contaminado. A fêmea grávida do 
parasita penetra na epiderme do hospedeiro e começa a sugar o sangue. Os principais hospedeiros 
são os suínos e o homem. Em seguida, o parasita começa a produzir ovos, que se desenvolvem 
e são posteriormente eliminados no solo. A infecção dura entre quatro a seis semanas, porém 
frequentemente ocorrem novas infestações nas áreas endêmicas. Um mesmo indivíduo infectado 
pode apresentar vários parasitas em diferentes estágios de desenvolvimento.
Epidemiologia
É mais comum em países subdesenvolvidos, tais como as regiões tropicais da África, oeste daÍndia, 
Caribe e as Américas Central e do Sul.
Profilaxia
A utilização de calçados em locais frequentados por animais é o principal método de se evitar a 
tungíase. 
diagnóstico
A lesão causada consiste em uma elevação circular e amarelada da pele com um ponto negro central, 
que é o último segmento abdominal do bicho-de-pé, o qual contém os ovos. As áreas mais afetadas 
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PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
do hospedeiro são os pés, geralmente na planta, ao redor das unhas e nos calcanhares. A irritação 
no local infectado provoca coceira, dor e secreção purulenta.
tratamento
O tratamento da doença consiste na remoção do bicho-de-pé com agulha estéril ou bisturi, seguido 
de desinfecção. É possível destruí-lo com eletrocautério ou eletrocirurgia após anestesia tópica. Em 
caso de infecção secundária, pode ser necessário o uso de antibióticos locais. O uso da ivermectina 
mostrou-se eficiente em alguns pacientes.
dErMAtoBioSE
Dermatobiose, ou popular Berne, é uma infecção produzida por um estágio larval da mosca 
Dermatobia hominis, popularmente conhecida no Brasil como mosca-varejeira, que infecta diversos 
animais (Figura 52).
Figura 52. Mosca da espécie Dermatobia hominis (esquerda), larva causadora da 
dermatobiose (centro) e hospedeiro humano infectado (direita).
(disponíveis em: <http://blogbiologico.wordpress.com/author/blogbiologico/>;<http://www.casa-sem-inseto.com.br/moscas.
htm>. Acesso em: 4 out. 2012)
Agente etiológico
São moscas de grande tamanho, geralmente verde-azulado metálico. Sua larva é parasita obrigatório, 
mas os adultos são de vida livre. 
A espécie Dermatobia hominis deposita uma única larva esbranquiçada por lesão, conhecida por 
berne.
Trata-se de um problema de saúde pública porque parasitam animais domésticos e o homem. As 
moscas que produzem o berne não depositam seus ovos diretamente no hospedeiro, necessitam que 
outros insetos os veiculem até a vítima. 
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UNIDADE II │ PARASITOLOGIA HUMANA
Ciclo
O início do ciclo se dá em dias muito quentes, quando os animais procuram sombreamento para 
se protegerem do sol e calor e então são atacados pelas moscas vetoras, contendo massas de 
ovos que variam de 30 a 60 ovos. Após o amadurecimento dos ovos (embrionamento), as larvas 
desenvolvidas escapam. Nessa fase, a mosca veiculadora pousa sobre o hospedeiro, estimulada pela 
temperatura corpórea e liberação de dióxido de carbono. Durante 35-50 dias, a larva desenvolve-se 
no tecido subcutâneo do animal, alcançando a fase de maturidade. Após estar amadurecida, cai no 
solo, de preferência em local umedecido e protegido, onde inicia a sua fase de pupa. A mosca adulta 
desprovida de aparelho bucal não se alimenta e sobrevive de 4 a 19 dias. Uma fêmea de D. hominis 
pode ovipositar até 200 ovos, em várias posturas e o ciclo total do berne pode durar em média de 3 
a 5 meses (Figura 53).
Figura 53. Ciclo de contágio do rebanho bovino, principal hospedeiro da larva.
(disponível em: <http://www.msd-saude-animal.com.br/doencas/Berne/025_Ciclo_Evolutivo.aspx>. Acesso em: 4 out. 2012)
Epidemiologia
Regiões tropicais, sendo muito frequente no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste 
do país.
Profilaxia
O controle profilático do berne é feito por meio de higienificação de estábulos, manejo das fezes e, 
se necessário, o uso de inseticidas nas instalações, para controle das moscas veiculadoras do berne. 
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PARASITOLOGIA HUMANA │ UNIDADE II
diagnóstico
O diagnóstico é simples e é feito pela visualização dos nódulos no corpo dos animais, contendo as 
larvas do berne no seu interior. 
tratamento
No caso de hospedeiro humano, a remoção da larva baseia-se em impedir a respiração da larva 
(asfixia do parasita) e fazer a sua retirada cirúrgica. O berne deve ser morto antes de ser removido. 
Após, normalmente são procedidas a aplicação de éter iodoformado e a cobertura da lesão. É 
indicado o uso de vacina antitetânica.
Descreva maneiras de erradicá-las e medidas paliativas para melhorar as condições 
de vida dos indivíduos hospedeiros. Apesar de serem doenças de regiões rurais 
ou contato com regiões não tão urbanizadas, elas podem acometer indivíduos 
em diversos tipos de moradias e não distingui classe social. Como resolver uma 
hipotética pandemia de alguma dessas parasitoses?
Faça uma tabela comparando todas as doenças apresentadas nesse capítulo, assim 
como para os capítulos 1 e 2 da Unidade II e, novamente, compare com as demais.
Agora, vocês estão capacitados a montar uma tabela com todas as possibilidades de 
parasitoses e compará-las em diversas categorias.
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PArA (não) FinALizAr
A motivação pelo qual essa disciplina e esse curso são extremamente válidos e fundamentais consiste 
em diversos aspectos discutidos neste material. Doenças parasitárias estão presentes em todos os 
cantos do mundo, mas, infelizmente, os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento são os que 
apresentam as maiores incidências. 
Muitos poderão discorrer acerca da posição geográfica e argumentar que são países, em sua 
maioria, de regiões tropicais ou subtropicais, o que favoreceria a procriação de vetores ou mesmo 
dos parasitas.
Outros levarão em consideração o descaso das autoridades que são omissas em medidas preventivas, 
informativas ou mesmo de erradicação dos possíveis culpados dessas endemias.
Ainda poderia ser argumentado acerca da falta de responsabilidade, informação e prevenção da 
própria população, o que favorece que essas doenças continuem a estar presente no nosso dia a dia.
Mas ao final dessa apostila, gostaria que tivesse ficado claro que a culpa não é de um fator isolado, e 
sim da somatória de inúmeros fatores; às vezes, maiores que esses que acabei de listar.
Por isto, a importância de profissionais que transmitam esse conhecimento, como vocês: a 
possibilidade de informar, prevenir e orientar os potenciais hospedeiros assim como conscientizar 
sobre os riscos que estão envolvidos em contágios com qualquer uma dessas doenças listadas 
nessa apostila. Somente assim, podemos minimizar os impactos causados por essas endemias na 
população local ou mesmo brasileira.
Não podemos esquecer que as doenças apresentadas não são recentes, estão perpetuadas e algumas 
já controladas por meio de medidas paliativas, prevenção ou mesmo tratamento. Mas a necessidade 
de desenvolvimento de novas drogas para algumas delas ainda, infelizmente, acomete milhares de 
pessoas e causa inúmeras mortes.
O papel de uma pessoa conscientizada é contribuir com a prevenção e melhorar a qualidade de vida 
das populações de risco, ou mesmo minimizar as consequências de uma infecção como essa.
As medidas preventivas e de tratamento estão evoluindo, o que faz com que você, aluno, esteja em 
constante manutenção de seu conhecimento, necessitando pesquisar, ir atrás, buscar conhecimento 
sobre as pesquisas de ponta para que futuramente seja possível seu uso em grande escala.
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