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Tração e Compressão Profa: Natasha Amador Mecânica dos Sólidos I Tensão Tensão Resistência dos Materiais: A força por unidade de área ou a intensidade das forças distribuídas numa certa seção transversal é chamada de Tensão atuante, e é indicada pela letra grega σ (Sigma). A tensão em uma barra de seção transversal A, sujeita a uma força axial P, é obtida dividindo-se o módulo P da força pela área A: 𝜎 = 𝑃 𝐴 Deformação: O alongamento total de uma barra que suporta uma força axial, será designado pela letra grega δ (Delta). Assim, o alongamento por unidade de comprimento, ou alongamento específico, denominado deformação específica representada pela letra grega ε (Epsilon), é calculada pela equação : Onde L é o comprimento total da barras. Note-se que a deformação ε é uma quantidade adimensional. Se a barra estiver sobre tração, será uma deformação de tração, representando um alongamento do material. Se a barra estiver sobre compressão, tem-se um deformação de compressão, o que significa que as seções transversais adjacentes irão se aproximar. Deformação 𝜀 = 𝛿 𝐿 𝛿 = 𝐿 − 𝐿0 Propriedades Mecânicas Teste de Tração: • A relação entre as tensões e as deformações, para um determinado material, é encontrada por meio de um teste de tração; • Um corpo-de-prova, em geral uma barra de seção circular, é colocado na máquina de testar e sujeito à tração; • A força atuante e os alongamentos resultantes são medidos à proporção que a carga aumenta; • As tensões são obtidas dividindo-se as forças pela área da seção transversal da barra e a deformação específica dividindo-se o alongamento pelo comprimento ao longo do qual ocorre a deformação. 𝜎 = 𝑃 𝐴 𝜀 = 𝛿 𝐿 𝛿 = 𝐿 − 𝐿0 Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas • As tensões são diretamente proporcionais às deformações e o diagrama é linear; • O Limite de Elasticidade é onde o ponto máximo onde, se a carga for removida, o corpo de prova ainda voltará à sua forma original. Limite de Elasticidade 𝜎𝑙𝑝 Tensão Limite de Proporcionalidade Linear Comportamento Elástico Propriedades Mecânicas • Um pequeno aumento na tensão acima do limite de elasticidade resultará no colapso do material e fará com que ele se deforme permanentemente; • Uma vez alcançado o ponto de escoamento, o corpo de prova continuará a alongar-se (deformar-se) sem qualquer aumento na carga; • Material perfeitamente plástico. Deformação Plástica. 𝜎𝑙𝑒=Tensão de Escoamento Escoamento Propriedades Mecânicas • Durante todo o ensaio, enquanto o corpo se alonga, sua seção transversal diminui. Essa redução na área é razoavelmente uniforme por todo o comprimento de referência do corpo de prova, até mesmo a deformação que corresponde ao limite de resistência. 𝜎𝑙𝑟=Tensão Limite de Resistência Endurecimento por Deformação / Encruamento Propriedades Mecânicas • No limite de resistência, a área da seção transversal começa a diminuir em uma região localizada do corpo de prova, em vez de em todo o seu comprimento. Como resultado, tende a formar-se uma constrição, ou “ estricção”, gradativa nessa região, à medida que o corpo de prova se alonga cada vez mais. 𝜎𝑟𝑢𝑝=Tensão de Ruptura Estricção Propriedades Mecânicas 𝜎𝑟𝑢𝑝=Tensão de Ruptura Estricção Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Materiais podem sofrer grandes deformações antes da ruptura, sendo classificados como dúcteis. Ex: Aços e ligas de alumínio; materiais frágeis ou quebradiços quebram com valores relativamente baixos das deformações. Ex: cerâmicas, ferro fundido, concreto, certas ligas metálicas e o vidro. Propriedades Mecânicas Elasticidade Os diagramas tensão-deformação ilustram o comportamento dos materiais, quando carregados por tração (ou compressão). Quando um corpo-de-prova do material é descarregado, isto é, a carga é gradualmente reduzida até zero, a deformação sofrida durante o carregamento desaparecerá parcial ou completamente. Esta propriedade do material, pela qual ele tende a retornar à forma original, é denominada elasticidade. Quando o material volta completamente à forma original, diz-se que é perfeitamente elástico. Se o retorno não for total, diz-se que é parcialmente elástico. Nesse caso, a deformação que permanece depois da retirada da carga é denominada deformação permanente. O processo de carregamento e descarregamento do material pode ser repetido sucessivamente, para valores cada vez mais altos de tração. À tensão cujo descarregamento acarrete uma deformação residual permanente, chama-se limite elástico. Para os aços e alguns outros materiais, os limites elástico e de proporcionalidade são aproximadamente coincidentes. Materiais semelhantes à borracha possuem uma propriedade – a elasticidade – que pode continuar muito além do limite de proporcionalidade. Elasticidade LEI DE HOOKE Os diagramas tensão-deformação da maioria dos materiais apresentam uma região inicial de comportamento elástico e linear. A relação linear entre a tensão e a deformação, no caso de uma barra em tração, pode ser expressa por: 𝜎 = 𝐸. 𝜀 E = Módulo de Elasticidade do Material / Módulo de Young 𝑃 𝐴 𝛿 𝐿 𝛿 = 𝑃. 𝐿 𝐸. 𝐴 Lei de Hooke Esta equação mostra que o alongamento de uma barra linearmente elástica é diretamente proporcional à carga e ao seu comprimento e inversamente proporcional ao módulo de elasticidade e à área da seção transversal. 𝑬. 𝑨 é a Rigidez Axial da Barra, 𝑳 𝑬.𝑨 é a Flexibilidade, definida como a deformação decorrente de uma carga unitária; 𝑬𝑨 𝑳 é a Rijeza da barra, e é definida como a força necessária para produzir uma deformação unitária. Elasticidade LEI DE HOOKE Elasticidade COEFICIENTE DE POISSON – Variação Volumétrica Quando uma barra é tracionada, o alongamento axial é acompanhado por uma contração lateral, isto é, a largura torna-se menor e seu comprimento cresce. A relação entre as deformações transversal e longitudinal é constante, dentro da região elástica, e é conhecida como relação ou coeficiente de Poisson; dada por: 𝜈 = 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑎𝑥𝑖𝑎𝑙 0 ≤ 𝜈 ≤ 0,5 Δ𝑉 𝑉 = 𝜀 1 − 2𝜈 Esta equação pode ser usada para calcular a variação do volume de uma barra tracionada, desde que se conheçam a deformação ε e o coeficiente de Poisson ν. Elasticidade COEFICIENTE DE POISSON – Variação Volumétrica COEF. POISSON DEFORMAÇÃO LATERAL DEFORMAÇÃ O AXIAL O sinal negativo é utilizado pois o alongamento longitudinal (deformação positiva) provoca contração lateral ( deformação negativa) e vice-versa. Elasticidade COEFICIENTE DE POISSON – Variação Volumétrica O coeficiente de Poisson é adimensional e seu valor se encontra entre zero e meio. Coeficiente de Poisson Elasticidade Princípio de Saint-Venant O principio de Saint–Venant permite analisar diferentes formas de carregamento (aplicação de cargas) de uma mesma maneira, desde que, em uma situação de cargas concentradas, se desconsidere a distribuição das tensões nas regiões próximas ao ponto de aplicação. Isto por que nessas condições o perfil de tensão nas proximidades do ponto de aplicação da força é de difícil análise, sendo necessários métodos matemáticos avançados para a determinação dessas tensões. No entanto, à medida que nos afastamos dessa região pode-se considerar distribuição uniforme de tensões. Quanto mais próximas do ponto de aplicação da carga estão as tensões a serem analisadas, menos uniformetende a ser sua distribuição numa determinada seção transversal. Elasticidade Princípio de Saint-Venant Elasticidade Princípio de Saint-Venant Exemplos da Utilidade Prática do Princípio de Saint-Venant: O princípio de Saint-Venant tem sido largamente utilizado por engenheiros civis, pois a partir desse princípio pode-se classificar, por exemplo, um bloco de fundação em rígido ou flexível, podendo-se então dar o tratamento matemático mais adequado aos blocos de fundação entre duas estacas em uma estrutura construída onde a visualização desses blocos não seja possível. Conforme o enunciado do princípio de Saint-Venant, é previsível que as tensões na proximidade do ponto de aplicação são altamente concentradas, isto é, não uniformes, além de diminuírem conforme nos afastamos desse ponto de aplicação. Essa evidência é de fundamental importância no estudo de sistemas mecânicos em geral e em ortopedia, quanto à colocação de próteses. Embora nesses casos, o Princípio de Saint Venant não possa ser utilizado como um artifício facilitador de cálculos, essa constatação é de fundamental importância, pois revela a necessidade da introdução de fatores de correção às equações de distribuição de tensões. Deformação elástica de um elemento com carregamento axial A partir da aplicação da lei de Hooke e das definições de tensão e deformação , pode-se desenvolver uma equação para determinar a deformação elástica de um elemento submetido a cargas axiais. Deformação elástica de um elemento com carregamento axial Deformação elástica de um elemento com carregamento axial Em muitos casos, a barra tem área da seção transversal constante A; o material será homogêneo, logo E é constante. Além disso, se uma força externa constante for aplicada em cada extremidade como mostra a figura, então a força interna P ao longo de todo o comprimento da barra também será constante. Deformação elástica de um elemento com carregamento axial Se a barra for submetida a diversas forças axiais diferentes ou, ainda, a área da seção transversal ou o módulo de elasticidade mudarem abruptamente de uma região para outra da barra, deve-se calcular o deslocamento para cada segmento da barra e então realizar a adição algébrica dos deslocamentos de cada segmento. Tensão Admissível ou Tensão-Limite Para permitir sobrecargas acidentais, bem como para levar em conta certas imprecisões na construção e possíveis desconhecimentos de algumas variáveis na análise da estrutura, normalmente emprega-se um coeficiente de segurança. Elasticidade COEFICIENTE DE POISSON Estado Múltiplo de Carregamento 𝜀𝑥 = + 𝜎𝑥 𝐸 − 𝜈𝜎𝑦 𝐸 − 𝜈𝜎𝑧 𝐸 𝜀𝑦 = − 𝜈𝜎𝑥 𝐸 + 𝜎𝑦 𝐸 − 𝜈𝜎𝑧 𝐸 𝜀𝑧 = − 𝜈𝜎𝑥 𝐸 − 𝜈 𝜎𝑦 𝐸 + 𝜈𝜎𝑧 𝐸 Referência Bibliográfica • BEER, Ferdinand Pierre; JOHNSTON, Elwood Russell. Resistência dos materiais. 3. ed., São Paulo: McGraw-Hill, 2008. • HIBBELER, Russell C. Resistência dos materiais. São Paulo: Prentice-Hall, 2006. • GERE, Jame M. Mecânica dos materiais. São Paulo: CENGAGE, 2010.