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Carlos Capela 
Glúcidos página 1 de 122 
GLÚCIDOS OU GLÍCIDOS 
GLÚCIDOS OU GLÍCIDOS ......................................................1 
A. INTRODUÇÃO ........................................................................6 
1. FUNÇÕES .................................................................................... 8 
1.a. Energética.................................................................................................. 8 
1.b. Estrutural .................................................................................................. 8 
1.c. Reserva Energética ................................................................................... 8 
 
 
B. AS OSES OU MONOSSACÁRIDOS ..........................................9 
1. NOMENCLATURA .......................................................................... 9 
2. ISÓMEROS ÓPTICOS ..................................................................... 9 
2.a. Enantiómeros .......................................................................................... 10 
2.b. Epímeros.................................................................................................. 10 
3. ESTRUTURA E DIAGRAMAS ........................................................ 11 
3.a. Projecções de Fisher ............................................................................... 11 
3.b. Estruturas cíclicas................................................................................... 11 
3.B.I. ESTRUTURA CÍCLICA DE TOLLENS .................................................................... 12 
3.B.II. ESTRUTURA CÍCLICA DE HAWORTH .................................................................. 13 
4. REACÇÕES DOS MONOSSACÁRIDOS .......................................... 15 
4.a. Muta-rotação........................................................................................... 15 
4.b. Reacções de Redóx .................................................................................. 16 
4.c. Isomerização............................................................................................ 16 
4.d. Esterificação............................................................................................ 17 
4.e. Formação de Glicósidos ......................................................................... 17 
5. MONOSSACÁRIDOS IMPORTANTES ............................................ 18 
5.a. Glicose ..................................................................................................... 18 
5.b. Fructose ................................................................................................... 18 
5.c. Galactose ................................................................................................. 18 
6. DERIVADOS DAS OSES ................................................................ 19 
6.a. Desoxioses ............................................................................................... 19 
6.b. Osaminas ................................................................................................. 19 
6.c. Ácidos Aldónicos ..................................................................................... 20 
6.d. Ácidos Urónicos ...................................................................................... 20 
Carlos Capela 
Glúcidos página 2 de 122 
6.e. Ácidos Aldáricos...................................................................................... 21 
6.f. Ácidos Siálicos......................................................................................... 21 
6.g. Lactonas................................................................................................... 22 
6.h. Ésteres das Oses ...................................................................................... 23 
6.i. Glicósidos................................................................................................. 23 
6.j. Alditóis ..................................................................................................... 24 
6.k. Ciclitóis .................................................................................................... 24 
 
 
C. ÓSIDOS ................................................................................25 
1. CLASSIFICAÇÃO.......................................................................... 25 
2. HOLÓSIDOS ................................................................................. 26 
2.a. Dissacáridos ............................................................................................ 26 
2.A.I. SACAROSE (GLICOSE+FRUTOSE)....................................................................... 26 
2.A.II. LACTOSE (GALACTOSE+GLICOSE) ................................................................... 26 
2.A.III. MALTOSE (GLICOSE+GLICOSE) ........................................................................ 27 
2.A.IV. CELOBIOSE (GLICOSE+GLICOSE) ..................................................................... 27 
2.b. Oligossacáridos ....................................................................................... 27 
2.c. Polissacáridos.......................................................................................... 27 
2.C.I. HOMOPOLISSACÁRIDOS ..................................................................................... 27 
2.c.i.1. Amido ........................................................................................................................... 27 
2.c.i.2. Glicogénio .................................................................................................................... 27 
2.c.i.3. Celulose........................................................................................................................ 27 
2.c.i.4. Dextrinas...................................................................................................................... 27 
2.C.II. HETEROPOLISSACÁRIDOS .................................................................................. 27 
3. HETERÓSIDOS............................................................................. 27 
 
 
D. METABOLISMO DOS GLÍCIDOS ..........................................27 
1. HIDRÓLISE ENZIMÁTICA – DIGESTÃO ...................................... 27 
2. GLICÓLISE OU VIA DE EMBDEN-MEYERHOF ........................... 27 
2.a. Introdução ............................................................................................... 27 
2.b. A Glicólise propriamente dita................................................................. 27 
2.B.I. REACÇÃO Nº 1 – FOSFORILAÇÃO ....................................................................... 27 
2.B.II. REACÇÃO Nº 2 E 3 – DA GLICOSE-6-FOSFATO À FRUTOSE-1,6-BISFOSFATO.... 27 
2.B.III. REACÇÃO Nº 4 – CISÃO DA FRUTOSE 1,6-BISFOSFATO EM TRIOSES-FOSFATO 27 
2.B.IV. REACÇÃO Nº 5 – GLICERALDEIDO-3-FOSFATO É OXIDADO A ÁCIDO 1,3-
BISFOSFOGLICÉRICO .......................................................................................................... 27 
2.B.V. REACÇÃO Nº 6 – TRANSFORMAÇÃO DO ÁCIDO 1,3-BISFOSFOGLICÉRICO EM 
ÁCIDO 3-FOSFOGLICÉRICO................................................................................................ 27 
2.B.VI. REACÇÃO Nº 7, 8 E 9 – FORMAÇÃO DO ÁCIDO PIRÚVICO ................................. 27 
Carlos Capela 
Glúcidos página 3 de 122 
2.c. Regulação da glicólise ............................................................................ 27 
2.C.I. REGULAÇÃO DA ENTRADA DE GLICOSE NA VIA: .............................................. 27 
2.c.i.1. Glicogénio Fosforilase: ............................................................................................... 27 
2.c.i.2. Hexocinase: ................................................................................................................. 27 
2.C.II. REGULAÇÃO DA VIA PROPRIAMENTEDITA: ...................................................... 27 
2.c.ii.1. Fosfofrutocinase I:..................................................................................................... 27 
2.c.ii.2. Piruvato-cinase: ......................................................................................................... 27 
2.d. Ciclo de Rapaport-Luebering ................................................................. 27 
2.e. Obtenção de energia no músculo ........................................................... 27 
2.f. Destino da Di-hidroxiacetona-fosfato.................................................... 27 
3. REOXIDAÇÃO DO NADH............................................................ 27 
3.a. Em Aerobiose .......................................................................................... 27 
3.A.I. TRANSPORTE PELO GLICEROL-3-FOSFATO....................................................... 27 
3.A.II. TRANSPORTE PELO ÁCIDO MÁLICO OU SHUTTLE DO ÀCIDO MÁLICO ............ 27 
3.A.III. RENDIMENTO ENERGÉTICO EM AEROBIOSE ...................................................... 27 
3.b. Em Anaerobiose ...................................................................................... 27 
3.B.I. FERMENTAÇÃO LÁCTICA ................................................................................... 27 
3.B.II. FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA .............................................................................. 27 
3.B.III. REDUÇÃO DA DI-HIDROXIACETONA-FOSFATO A GLICEROL ............................ 27 
3.B.IV. BALANÇO ENERGÉTICO EM ANAEROBIOSE........................................................ 27 
4. VIA DAS PENTOSES-FOSFATO .................................................... 27 
4.a. Introdução ............................................................................................... 27 
4.b. Fase oxidante .......................................................................................... 27 
4.c. Fase Não-oxidante .................................................................................. 27 
4.d. Balanço energético.................................................................................. 27 
4.e. Regulação:............................................................................................... 27 
5. DESCARBOXILAÇÃO OXIDANTE DO ÁCIDO PIRÚVICO A 
ACETIL-COA ....................................................................................... 27 
5.a. Introdução ............................................................................................... 27 
5.b. Descarboxilação Oxidante do Ácido Pirúvico ....................................... 27 
5.c. Balanço energético.................................................................................. 27 
5.d. Regulação ................................................................................................ 27 
6. CICLO DE KREBS ........................................................................ 27 
6.a. Introdução ............................................................................................... 27 
6.b. Ciclo de Krebs propriamente dito ........................................................... 27 
6.B.I. FORMAÇÃO DO ÁCIDO CÍTRICO ........................................................................ 27 
6.B.II. FORMAÇÃO DE ÁCIDO ISOCÍTRICO ................................................................... 27 
6.B.III. FORMAÇÃO DE ÁCIDO α-CETOGLUTÁRICO ...................................................... 27 
6.B.IV. FORMAÇÃO DE SUCCINIL-COA.......................................................................... 27 
6.B.V. FORMAÇÃO DE ÁCIDO SUCCÍNICO .................................................................... 27 
6.B.VI. REGENERAÇÃO DO ÁCIDO OXALOACÉTICO...................................................... 27 
6.c. Balanço Energético................................................................................. 27 
6.d. Regulação ................................................................................................ 27 
Carlos Capela 
Glúcidos página 4 de 122 
6.D.I. REGULAÇÃO DA ENTRADA DE ACETIL-COA: 2 ENZIMAS: ................................ 27 
6.d.i.1. Complexo da Piruvato-Desidrogenase: ...................................................................... 27 
6.d.i.2. Citrato-Sintase: ........................................................................................................... 27 
6.D.II. REGULAÇÃO DA VIA PROPRIAMENTE DITA: 3 ENZIMAS: ................................... 27 
6.d.ii.1. Isocitrato-Desidrogenase: .......................................................................................... 27 
6.d.ii.2. α-Cetoglutarato-Desidrogenase: ........................................................................................ 27 
6.d.ii.3. Succinato desidrogenase: .......................................................................................... 27 
6.D.III. REACÇÕES ANAPLERÓTICAS: ............................................................................ 27 
6.e. O ciclo de Krebs como placa giratória do metabolismo ........................ 27 
7. CADEIA TRANSPORTADORA DE ELECTRÕES ............................ 27 
7.a. Conceito:.................................................................................................. 27 
7.A.I. EQUAÇÃO TERMODINÂMICA DA REOXIDAÇÃO DAS COENZIMAS:..................... 27 
7.b. A Cadeia de Transportadores:................................................................ 27 
7.c. Organização Multimolecular dos Transportadores de Electrões: ........ 27 
7.C.I. COMPLEXO I:...................................................................................................... 27 
7.C.II. COMPLEXO II: .................................................................................................... 27 
7.C.III. COMPLEXO III: .................................................................................................. 27 
7.C.IV. COMPLEXO IV:................................................................................................... 27 
8. FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA ...................................................... 27 
8.a. Conceito:.................................................................................................. 27 
8.b. A Energia: ............................................................................................... 27 
8.c. A Enzima ATPase: .................................................................................. 27 
8.C.I. A FRACÇÃO F1:................................................................................................... 27 
8.C.II. A FRACÇÃO FO: .................................................................................................. 27 
8.d. Acoplamento Entre Cadeia Respiratória e Fosforilação Oxidativa:.... 27 
8.D.I. A HIPÓTESE QUIMIOSMÓTICA: ......................................................................... 27 
8.D.II. SUPORTE EXPERIMENTAL DA TEORIA DE MITCHELL:...................................... 27 
8.D.III. TRANSPORTE DE SUBSTRATOS ATRAVÉS DA MEMBRANA MITOCONDRIAL 
INTERNA ............................................................................................................................. 27 
8.d.iii.1. Transporte de Pi:....................................................................................................... 27 
8.d.iii.2. Transporte de ATP/ADP: ......................................................................................... 27 
8.d.iii.3. Transporte de Equivalentes Redutores: ................................................................... 27 
8.e. Rendimento da Respiração Celular: ...................................................... 27 
9. METABOLISMO DO GLICOGÉNIO .............................................. 27 
9.a. Introdução ...............................................................................................27 
9.b. Síntese – Glicogénese.............................................................................. 27 
9.c. Degradação – Glicogenólise ................................................................... 27 
9.d. Regulação do metabolismo do glicogénio.............................................. 27 
9.D.I. REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÉNIO NO MÚSCULO . 27 
9.d.i.1. A Epinefrina ou Adrenalina ....................................................................................... 27 
9.d.i.2. A insulina .................................................................................................................... 27 
9.D.II. REGULAÇÃO DO METABOLISMO DO GLICOGÉNIO NO FÍGADO ......................... 27 
9.d.ii.1. O Glucagón ou Glucagina ......................................................................................... 27 
9.d.ii.2. Cálcio.......................................................................................................................... 27 
9.d.ii.3. A insulina ................................................................................................................... 27 
9.d.ii.4. Glicose ........................................................................................................................ 27 
Carlos Capela 
Glúcidos página 5 de 122 
10. NEOGLICOGÉNESE ..................................................................... 27 
10.a. Introdução............................................................................................ 27 
10.b. Substratos da Neoglicogénese............................................................. 27 
10.B.I. AMINOÁCIDOS GLICOGÉNICOS OU GLICOFORMADORES................................... 27 
10.B.II. LÍPIDOS ............................................................................................................... 27 
10.B.III. OUTROS AÇÚCARES ........................................................................................... 27 
10.c. Neoglicogénese ou Gliconeogénese .................................................... 27 
10.C.I. TRANSFORMAÇÃO DO ÁCIDO PIRÚVICO EM ÁCIDO FOSFOENOLPIRÚVICO..... 27 
10.C.II. CONVERSÃO DA FRUTOSE-1,6-BISFOSFATO À FRUTOSE-6-FOSFATO E 
HIDRÓLISE DA GLICOSE-6-FOSFATO ................................................................................. 27 
10.d. Balanço energético .............................................................................. 27 
10.e. Regulação............................................................................................. 27 
10.f. Ciclos dos Cori e de Felig.................................................................... 27 
10.F.I. CICLO DOS CORI................................................................................................. 27 
10.F.II. CICLO DA ALANINA OU CICLO DE FEHLIG ........................................................ 27 
11. HOMEOSTASE DA GLICOSE........................................................ 27 
11.a. Regulação Hormonal .......................................................................... 27 
11.A.I. O CAMP ............................................................................................................. 27 
11.A.II. OS GLICOCORTICÓIDES – O CORTISOL ............................................................. 27 
11.A.III. A INSULINA ........................................................................................................ 27 
11.A.IV. A GLUCAGINA E A ADRENALINA ....................................................................... 27 
11.b. Fígado e Rim........................................................................................ 27 
11.c. Outros órgãos e tecidos ....................................................................... 27 
11.C.I. O MÚSCULO........................................................................................................ 27 
11.C.II. O TECIDO ADIPOSO............................................................................................ 27 
11.C.III. CÉREBRO ............................................................................................................ 27 
12. METABOLISMO DAS OUTRAS OSES ............................................ 27 
12.a. A frutose ............................................................................................... 27 
12.b. A Galactose .......................................................................................... 27 
12.c. O Ácido Glicurónico............................................................................ 27 
12.C.I. SÍNTESE............................................................................................................... 27 
12.C.II. CATABOLISMO .................................................................................................... 27 
 
 
E. ANEXOS ...............................................................................27 
1. PARA SABER MAIS … OS TRANSPORTADORES DE GLICOSE .... 27 
1.a. Introdução ............................................................................................... 27 
1.b. Transportadores de Glicose .................................................................... 27 
1.c. A absorção de glúcidos ........................................................................... 27 
2. PARA SABER MAIS … A DIABETES MELLITUS .......................... 27 
2.a. Introdução ............................................................................................... 27 
2.b. Diabetes Mellitus Insulino-Dependente................................................. 27 
2.c. Diabetes Mellitus Insulino-Independente.............................................. 27 
Carlos Capela 
Glúcidos página 6 de 122 
A. INTRODUÇÃO 
 
 
Os carbohidratos (também chamados sacáridos, glúcidos, oses, hidratos de carbono ou 
açúcares), são definidos, quimicamente, como poli-hidroxicetonas (cetoses) ou poli-hidroxialdeídos 
(aldoses), ou seja, compostos orgânicos com, pelo menos três carbonos onde todos os carbonos 
possuem um hidroxilo, com excepção de um, que possui o carbonilo primário (grupo aldeído) ou o 
carbonilo secundário (grupo cetona). 
Possuem fórmula empírica Cn(H2O)m, desde os mais simples (os monossacáridos, onde n = 
m) até aos mais complexos. Mas alguns carbohidratos, possuem na sua estrutura nitrogénio, fósforo 
ou enxofre não se adequando, portanto, à fórmula geral. 
A grande informação subjacente a esta fórmula geral é a origem fotossintética dos 
carbohidratos nas plantas, podendo-se dizer que os carbohidratos contêm na sua molécula a água, o 
CO2 e a energia luminosa que foram utilizados na sua síntese. A conversão da energia luminosa em 
energia química faz com que esses compostos fotossintetizados funcionem como um verdadeiro 
combustível celular, libertando uma grande quantidade de energia térmica quando quebrada as 
ligações dos carbonos das suas moléculas, libertando, também, a água e o CO2 que se encontravam 
ligados. 
 
 
Carlos Capela 
Glúcidos página 7 de 122 
A relação entre a fotossíntese e a função energética dos carbohidratos é indiscutível. De 
facto, a clorofila presente nas células vegetais é a única molécula da natureza que não emite energia 
na forma de calor após ter os seus electrões excitados pela luz: ela utiliza esta energia para unir 
átomos de carbono do CO2 absorvido, “armazenando-a” nas moléculas de glicose sintetizadas neste 
processo fotossintético. 
Os animais não são capazes de sintetizar carbohidratos a partir de substratos simples não 
energéticos, precisando obtê-los através da alimentação, produzindo CO2 (excretado para a 
atmosfera), água e energia (utilizados nas reacções intracelulares). 
Nos animais, há um processo chamado neoglicogénese que corresponde a uma síntese de 
glicose a partir de percursores não glucídicos. Umoutro processo de síntese endógena de glicose dá-
se através da glicogenólise do glicogénio sintetizado no fígado e músculos (glicogénese). Esses 
processos, entretanto, só são possíveis a partir de substratos provenientes de um prévio metabolismo 
glucídico, o que obriga a obtenção de carbohidratos pela alimentação, facto que torna os animais 
dependentes das plantas em termos de obtenção de energia. 
A energia térmica contida na molécula de glicose é libertada nas mitocôndrias e, por fim, 
convertida em ligações altamente energéticas de fosfato na molécula de ATP (adenosina tri-fosfato) 
durante o processo de respiração celular (fosforilação oxidativa). As duas primeiras ligações 
libertam elevada energia (± 10 Kcal) quando quebradas, ao contrário da primeira que possui baixa 
energia de ligação em relação às primeiras (± 6 Kcal). 
Note que o ATP corresponde, enfim, a um verdadeiro armazém da energia solar que foi 
conservada durante todo este fantástico processo biológico. 
 
 
 
Carlos Capela 
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1.FUNÇÕES 
 
 
1.a. Energética 
 
São os principais produtores de energia sob a forma de ATP, cujas ligações ricas em energia 
(±10 Kcal) são quebradas sempre que as células precisam de energia para as reacções bioquímicas. É 
a principal função dos carbohidratos. Todos os seres vivos (com excepção dos vírus) possuem um 
metabolismo adaptado ao consumo de glicose como substrato energético. Algumas bactérias 
consumem dissacáridos (p.ex.: a lactose) na ausência de glicose, porém a maioria dos seres vivos 
utiliza a glicose como a principal fonte energética. 
 
 
1.b. Estrutural 
 
A parede celular das plantas é constituída por um polímero de glicose – a celulose; a carapaça 
dos insectos contém quitina, um polímero que fornece extrema resistência ao exo-esqueleto; as 
células animais possuem uma série de carbohidratos na membrana plasmática responsáveis pelo 
reconhecimento celular, pela agregação das células num tecido e por alguma actividade enzimática – 
o glicocálice. 
 
 
1.c. Reserva Energética 
 
Nas plantas, há o amido, polímero de glicose; nos animais, há o glicogénio, também polímero 
de glicose porém com uma estrutura mais compacta e ramificada. 
 
Carlos Capela 
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B. AS OSES OU MONOSSACÁRIDOS 
 
 
 
1.NOMENCLATURA 
O nome genérico de um monossacárido inclui o tipo de função, um prefixo que indica o 
número de átomos de carbono e a terminação -ose. Por exemplo: 
• Aldohexose é um aldeído de 6 carbonos; 
• Cetopentose é uma cetona de 5 carbonos. 
 
 
 
2.ISÓMEROS ÓPTICOS 
Isómeros de monossacáridos rodam a luz polarizada em direcções diferentes. O isómero que 
faz rodar o plano de luz polarizada no sentido dos ponteiros do relógio é designado por dextrogiro 
(+). Se o isómero rodar o plano de luz polarizada no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio é 
designado por levrogiro (–). Este dado só é observado experimentalmente, através de um 
polarimetro. 
A aldotriose gliceraldeido é usada como referência para todas as aldoses. Um monossacárido 
é designado por D ou L dependendo do arranjamento dos átomos rodeando o carbono assimétrico 
(neste caso C2). Muitos dos monossacáridos possuem mais do que um carbono quiral, o que 
influencia a rotação da luz polarizada. Monossacáridos de cadeia longa possuem grupos adicionais 
H-C-OH entre o carbono carbonil e o carbono quiral considerado para a designação D ou L, o que 
pode promover designações opostas D/L e +/–. A maioria dos monossacáridos biológicos 
importantes possui configuração D. 
Mas vejamos como se classifica um isómero em D ou L. A configuração absoluta dos 
monossacáridos é determinado pela estereoquimica do átomo de carbono quiral mais afastado do 
carbono carbonil (numero 1 para os aldeídos e número mais baixo para uma cetona que geralmente é 
sempre o carbono 2). Com base na posição do OH do carbono quiral de número mais alto, um 
monossacárido é D se o OH se projectar para a direita, e L, se projectar-se para a esquerda. 
 
Carlos Capela 
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Ao aumentar o número de carbonos quirais, o número de isómeros possíveis aumenta. Se n é 
o número de carbonos quirais, o número possível de isómeros é 2n. 
 
 
2.a. Enantiómeros 
 
Estereoisómeros que são a imagem uma da outra num espelho plano são denominados por 
enantiómeros. São exemplos o L e D-gliceraldeido ou a L e D-Ribose. 
 
2.b. Epímeros 
 
Estereoisómeros que diferem na configuração em torno de apenas um carbono assimétrico 
são designados por epímeros. São exemplo a Glicose e Manose em C2. 
 
 
 D-gliceraldeido L-gliceraldeido 
Carlos Capela 
Glúcidos página 11 de 122 
3.ESTRUTURA E DIAGRAMAS 
Monossacáridos são moléculas tridimensionais por isso vários métodos de desenho em 2 
dimensões foram desenvolvidos. 
 
 
3.a. Projecções de Fisher 
 
O carbohidrato é desenhado com o esqueleto carbonado verticalmente e com os grupos –H e 
–OH. As linhas verticais representam ligações para trás do plano do papel enquanto as horizontais 
representam ligações acima do plano do papel. 
 
 
 
 
3.b. Estruturas cíclicas 
 
Em soluções aquosas (ou seja no organismo), aldeídos e cetonas reagem reversivelmente com 
grupos hidroxilos para formar Hemiacetais. Somente 0,02% dos monossacáridos em solução aquosa 
estão presentes na sua forma aberta. Esta ciclização ocorre, após hidratação, por eliminação de uma 
molécula de água entre o OH (que ficou ligado ao carbono 1 das aldoses ou geralmente o carbono 2 
das cetoses) e o OH ligado ao penúltimo ou antepenúltimo carbono da estrutura. Conforme a posição 
do segundo OH envolvido, tratar-se-á de uma piranose ou de uma furanose, ou seja estruturas em 
Carlos Capela 
Glúcidos página 12 de 122 
anel de 5 membros são denominadas furanose, enquanto estruturas em anel de 6 membros são 
designadas por piranose. 
 
 
 
 
 
Após ocorrer a ciclização, é gerado um novo carbono quiral (o carbono carbonil), designado 
por carbono anomérico. Isto possibilita a existência de 2 formas isómeras designadas por 
anómeros. 
Na projecção de Fisher, conforme a posição do OH ligado ao carbono anomérico – do mesmo 
lado ou do lado contrário ao OH que determina a classificação D ou L – teremos, respectivamente, o 
anómero α ou o anómero β. 
 
 
3.b.i. ESTRUTURA CÍCLICA DE TOLLENS 
Na representação cíclica de Tollens, e para a série D, os anómeros α serão aqueles em que o 
OH ligado ao carbono anomérico está à direita (isto é, do mesmo lado da ponte oxídica) enquanto 
que os anómeros β são representados com este à esquerda. 
O prefixo anomérico α ou β apenas deve ser utilizado em conjugação com o prefixo 
configuracional e precede-o imediatamente. Ex: α-D-glicose. 
Furanose Piranose
Carlos Capela 
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3.b.ii. ESTRUTURA CÍCLICA DE HAWORTH 
Na representação cíclica de Haworth, os grupos OH que figuravam à direita nas 
representações de Tollens, são representados para baixo do plano e os que figuravam à esquerda são 
representados para cima. 
Nesta configuração, o isómero é designado por α se o grupo OH e o grupo CH2OH nos 2 
átomos de carbono ligados pelo oxigénio estiver em trans um em relação ao outro e β se estiverem 
em cis. 
 
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Existe ainda a possibilidade de se dividir as estruturas em anel em 2 grupos, conforme a sua 
configuração espacial: 
• Estrutura em cadeira (mais comum pois é a mais estável) 
• Estrutura em barco 
 
 
 
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4.REACÇÕES DOS MONOSSACÁRIDOS 
 
 
4.a. Muta-rotaçãoA interconversão em solução aquosa entre as formas α e β, piranose e furanose é dinâmica e 
denomina-se Muta-rotação. 
Exemplo: Para a molécula da glicose, em solução aquosa, temos as seguintes proporções: 
• β-D-Glicopiranose: 62% 
• α-D-Glicopiranose: 38% 
• α-D-Glicofuranose: menos de 0,5% 
• β-D-Glicofuranose: menos de 0,5% 
• Forma aberta: menos de 0,02% 
 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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4.b. Reacções de Redóx 
 
Os monossacáridos podem sofrer uma variedade de reacções redóx, na presença de Cu2+, de 
agentes oxidantes e de certas enzimas. 
• Ácidos Aldónicos: resultam da oxidação de um grupo aldeído. 
• Ácidos Aldónicos: resultam da oxidação do grupo terminal CH2OH. 
• Ácidos Aldáricos: resultam da combinação das duas reacções prévias. 
• Lactonas: são ésteres cíclicos que resultam da reacção do carbono carboxilo de um ácido 
aldónico ou urónico com um grupo hidroxilo interno. Ex: Ácido L-ascórbico. 
• Alditóis: açucares álcoois resultantes da redução de um grupo aldeído ou cetona. Ex: 
glicerol. 
 
 
4.c. Isomerização 
 
Monossacáridos convertem-se facilmente nos seus isómeros, quimicamente ou 
enzimaticamente. Muitas reacções de isomerização requerem o rearranjo dos átomos de hidrogénio e 
das ligações duplas com a formação de intermediários enediol. 
 
Carlos Capela 
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4.d. Esterificação 
 
Os grupos hidroxilos dos monossacáridos podem reagir com ácidos formando ésteres. Esteres 
de fosfato e de sulfato são uns dos mais comuns na natureza. Açúcares fosforilados são mais 
reactivos do que os normais, o que releva especial importância nas substituições nucleofílicas, pois 
os grupos hidroxilos são grupos de saída fracos. 
 
 
4.e. Formação de Glicósidos 
 
Hemiacetais reagem com álcoois para formar acetais. A ligação formada é designada por 
ligação glicosídica, e o composto é denominado glicósido. A formação de acetais “fecha” a estrutura 
cíclica, prevenindo a oxidação redução e a muta-rotação. Glicósidos de um ou mais monossacáridos 
produzem carbohidratos complexos. A reacção de formação de glicósidos é uma reacção de 
condensação, que liberta uma molécula de água. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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5.MONOSSACÁRIDOS IMPORTANTES 
 
5.a. Glicose 
 
D-glicose é um dos mais comuns monossacáridos. É o 
combustível primário para as células vivas. Os neurónios e os 
eritrócitos usam quase exclusivamente glucose como fonte de 
energia. 
 
 
5.b. Fructose 
 
D-fructose é uma cetose encontrada em grandes 
quantidades na fruta e no mel. Nos animais, é produzido em 
grandes quantidades como componente do sémen, sendo 
usado como combustível para os espermatozóides. 
 
 
5.c. Galactose 
 
D-galactose é usada como percursora de muitas 
macromoléculas (glicolípidos, proteoglicanos, fosfolípidos e 
glicoproteínas) bem como da lactose (componente do leite). 
Uma desordem molecular denominada galactosemia é 
devido à incapacidade de metabolisar a galactose. A galactose e os 
seus derivados concentram-se em certas regiões do organismo, 
provocando danos hepáticos, cataratas e atraso mental. 
 
 
α- D-glucopiranose 
α- D-galactopiranose 
β- D-fructofuranose 
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6.DERIVADOS DAS OSES 
Modificações dos monossacáridos resultam em compostos que são de extrema importância 
no metabolismo. 
 
 
6.a. Desoxioses 
 
Quando um grupo oxidrilo (OH) de um monossacárido é substituído por um átomo de 
hidrogénio. Em sistemas biológicos, isto geralmente ocorre em C2. A 2-desoxi-β-D-ribose é a aldose 
que intervêm na estrutura dos ácidos nucleicos (DNA). 
 
 
 
6.b. Osaminas 
 
É um monossacárido em que um grupo OH foi substituído por um grupo amina (NH2), 
geralmente acetilado. Nos sistemas biológicos, isto ocorre novamente em C2. 
 
 
 
 
2-desoxi-β-D-ribose 
D-glucosamina D-galactosamina 
N-acetil-D-glucosamina 
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6.c. Ácidos Aldónicos 
 
Resultam da oxidação do grupo aldeído do monossacárido a COOH. São designados 
substituindo o sufixo “ose” por “ónico” e antepondo a palavra ácido. 
 
 
 
 
6.d. Ácidos Urónicos 
 
São formados pela oxidação do grupo terminal CH2OH das aldoses, a COOH. O respectivo 
nome é formado por substituição do sufixo “ose” por “urónico”, antepondo a palavra ácido ao nome 
da ose. O sílaba “ur” tem o significado de ω. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ácido D-glucurónico Ácido L-idurónico 
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6.e. Ácidos Aldáricos 
 
Resultam da combinação das duas reacções prévias, ou seja, oxidação das aldoses nos 2 
átomos de carbono terminais. São designadas substituindo o sufixo “ose” por “árico” e antepondo a 
palavra ácido. 
 
 
 
 
6.f. Ácidos Siálicos 
 
Os ácidos siálicos ou neuramínicos são derivados (em geral acetilados) do ácido 
neuramínico, formado pela condensação de uma molécula de ácido pirúvico (carbonos 1, 2, 3) com 
uma molécula de D-manosamina (carbonos 4 a 9). 
 
 
 
A acetilação do grupo amina do ácido neuramínico origina o ácido N-acetil-neuramínico. As 
outras acetilações, que conduzem a diferentes ácidos siálicos, incidem em oxidrilos (em particular 
em 4 e 7). Os ácidos siálicos são constituintes de diversas glicoproteínas e glicolípidos. 
Carlos Capela 
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6.g. Lactonas 
 
São ésteres cíclicos que resultam da reacção do carbono carboxilo de um ácido aldónico ou 
urónico com um grupo hidroxilo interno. Ex: Ácido L-ascórbico. 
O termo vitamina C deve ser usado como termo genérico para todos os compostos que 
apresentam qualitativamente a actividade biológica do ácido ascórbico. 
 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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6.h. Ésteres das Oses 
 
Os grupos hidroxilos dos monossacáridos podem reagir com ácidos formando ésteres. Esteres 
de fosfato e de Sulfato são uns dos mais comuns na natureza. Açúcares fosforilados são mais 
reactivos do que os normais, o que releva de especial importância nas substituições nucleofílicas, 
pois os grupos hidroxilos são grupos de saída fracos. 
 
 
 
 
6.i. Glicósidos 
 
Hemiacetais reagem com álcoois para formar acetais. A ligação formada é designada por 
ligação glicosídica, e o composto é denominado glicósido. A formação de acetais “fecha” a estrutura 
cíclica, prevenindo a oxidação-redução e a muta-rotação. Glicósidos de um ou mais monossacáridos 
produzem carbohidratos complexos. A reacção de formação de glicósidos é uma reacção de 
condensação, que liberta uma molécula de água. 
O nome forma-se mudando o “e” final do nome do monossacárido pelo sufixo “ido” e 
colocando antes dessa palavra o nome do substituinte orgânico. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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6.j. Alditóis 
 
São açucares álcoois resultantes da redução de um grupo aldeído ou cetona. Ex: glicerol. O 
nome forma-se mudando o sufixo “ose” para “itol”. 
 
 
 
 
6.k. Ciclitóis 
 
São poliálcoois cíclicos, existentes sobretudo nos tecidos vegetais. O seu principal 
representante é o mioinositol, que ocorre frequentemente associado aos fosfolípidos. 
 
 
 
Carlos Capela 
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C. ÓSIDOS 
 
 
 
1.CLASSIFICAÇÃO 
 
 
 
Holósidos 
Heterósidos 
Oligossacáridos
(2-10) 
Polissacáridos
(>10) 
Homo-polissacáridos: somente oses 
 
 
 
Homo-polissacáridos: oses + derivados de oses 
Por hidrólise originam, além das oses, compostos não glucídicos ou 
aglicanos 
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2.HOLÓSIDOS2.a. Dissacáridos 
 
Os dissacáridos são glicósidos compostos por dois monossacáridos. Em alguns dissacáridos, 
um dos monossacáridos mantêm o grupo carbonil livre, podendo sofrer muta-rotação e oxidação-
redução. Estes dissacáridos são redutores e como exemplo temos a maltose e a lactose. 
Outros não possuem carbonilos livres, e portanto estão encerrados na sua forma anomérica, 
sendo não reductores. Como exemplo temos sacarose. 
 
2.a.i. SACAROSE (GLICOSE+FRUTOSE) 
Resulta de uma ligação glicosídica α,β(1,2) entre os dois carbonos anoméricos da glicose e 
da frutose. Portanto é um açúcar não redutor. É o comum açúcar de mesa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.a.ii. LACTOSE (GALACTOSE+GLICOSE) 
Também conhecido como açúcar do leite, resulta de um ligação glicosídica β(1,4) entre a 
galactose e a glicose. 
Indivíduos com deficiências na enzima Lactase, possuem uma condição fisiológica 
denominada por intolerância à lactose. A lactose que é ingerida não é hidrolisada e absorvida no 
intestino delgado, sendo aproveitada pelas bactérias da flora intestinal do intestino grosso que a 
fermentam, produzindo quantidades elevada de gás. 
Sacarose Lactose 
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2.a.iii. MALTOSE (GLICOSE+GLICOSE) 
É um intermediário na hidrólise do amido. Resulta de uma ligação glicosídica α(1,4) entre 
dois resíduos de glicose. Não surge geralmente livre na natureza. 
 
 
 
2.a.iv. CELOBIOSE (GLICOSE+GLICOSE) 
É um intermediário na hidrólise da celulose. Resulta de uma ligação glicosídica β(1,4) entre 
dois resíduos de glicose. Tal como a Maltose, não surge geralmente livre na natureza. 
 
 
2.b. Oligossacáridos 
 
São pequenos polímeros que consistem em 2 a 10 unidades de monossacáridos. Muitos são 
encontrados como grupos prostéticos de glicoproteínas e glicolípidos. 
• N-ligação – o oligossacárido encontra-se ligado ao polipéptido através de uma ligação N-
glicosídica com o grupo amida da Asparagina; 
• O-ligação – o oligossacárido encontra-se ligado ao polipéptido através de uma ligação O-
glicosídica com o grupo hidroxil da serina ou treonina; ou com um grupo hidroxilo do 
lípido. 
 
 
Celobiose Maltose 
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2.c. Polissacáridos 
 
São constituídos por grande número de moléculas da mesma ose – Homopolissacáridos – ou 
de oses diferentes – Heteropolissacáridos. 
 
2.c.i. HOMOPOLISSACÁRIDOS 
 
2.c.i.1. Amido 
O Amido é formado por uma cadeia α-glicosídica que por hidrólise fornece sempre glicose, 
por isso é denominado de glicosana ou glicana. É a fonte alimentar mais importante de hidratos de 
carbono, sendo encontrado nos cereais, batatas, legumes e outros vegetais. 
Os 2 constituintes principais são a Amilose (15-20%) de estrutura helicoidal não ramificada, 
e a Amilopectina (80-85%), constituída por cadeias ramificadas formadas por 24-30 resíduos de 
glicose unidos por ligações α(1,4) nas cadeias e por ligações α(1,6) nos pontos de ramificação. As 
ramificações impossibilitam a formação de uma hélice. 
 
 
 
2.c.i.2. Glicogénio 
É o homopolissacárido de armazenamento do organismo humano. Possui uma estrutura 
idêntica à da amilopectina, sendo mais ramificado, tendo ramificações (ligações α(1,6)) a cada 11-18 
resíduos de glicose (ligações α(1,4)). 
 
 
Amilose 
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2.c.i.3. Celulose 
A celulose é um dos compostos orgânicos mais abundantes da biosfera e a principal 
substância responsável pela estrutura das paredes celulares das plantas. Faz aproximadamente um 
terço da biomassa de uma planta. 
Não é hidrolisável pelas enzimas presentes no aparelho digestivo do humano ou de outros 
mamíferos, devido à ausência de uma hidrolase que actue sobre a ligação β. É por isso importante na 
formação do bolo alimentar. A celulase é uma enzima microbial, portanto os ruminantes alojam no 
seu tracto digestivo, bactérias comensais que digerem a celulose. 
A celulose é constituída por cadeias muito longas, formadas por resíduos de β-D-glicose, 
ligadas por ligações glicosídicas β(1,4). O monómero estrutural é a celobiose. 
 
 
Ligação α(1,4) 
Ligação α(1,6) – ponto de ramificação 
 
 Ramo 
Amilopectina Glicogénio 
Celobiose 
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Glúcidos página 30 de 122 
As cadeias de celulose podem encontrar-se estreitamente associadas através de ligações de 
hidrogénio ou de tipo Van der Walls, formando microfibrilhas. As fibras de celulose consistem em 
aproximadamente 40 microfibrilhas. Estas estruturas complexas formam estruturas complexas, 
praticamente insolúveis, que constituem a base de utilização industrial da celulose (fibras de papel, 
tecidos, etc.). Mas, além das pontes de hidrogénio que se vão estabelecer entre cadeias, também 
dentro de cada cadeia ocorrem estas ligações. 
A ligação β confere às cadeias uma linearidade e uma resistência tênsil que as adequa então à 
construção de fibras e a servirem de material de construção nas plantas. 
 
 
 
2.c.i.4. Dextrinas 
São glucosanas resultantes das α-amilases sobre a amilopectina e glicogénio. Contêm em 
média 8 unidades de glicose, com uma ou mais ligações glicosídicas α(1,6). 
 
 
Microfibrilhas de Celulose 
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Glúcidos página 31 de 122 
2.c.ii. HETEROPOLISSACÁRIDOS 
Glicósidos composto por múltiplos monossacáridos de pelo menos dois tipos. Podemos 
também encontrar derivados dos monossacáridos. 
Devido à sua importância e abundância destaco os glicosaminoglicanos (GAGs) que 
consistem em cadeias de hidratos de carbono complexos caracterizados pelo seu teor em osaminas e 
ácidos urónicos. 
Os GAGs são classificados tendo em atenção os resíduos de açúcar, tipos de ligações, 
presença e localização dos grupos sulfato. A ligação glicosídica do dissacárido base pode ser do tipo 
α (Heparina, Heparina sulfato) ou do tipo β (os restantes). 
O carácter ácido resulta da presença de grupos carboxílicos, sulfúricos, ou ambos. No pH 
fisiológico, estão todos carregados negativamente, o que produz repulsão entre eles. Este carácter 
poli-aniónico é também aproveitado para atrair e reter cargas positivas, em especial o Na+, 
desempenhando assim um papel muito importante na hidratação do meio biológico, pois a água 
acompanha o Na+ por osmose. 
Os GAGs são geralmente encontrados como grupos prostéticos em lípidos e proteínas, 
formando os glicoconjugados. 
• Ácido hialurónico – encontrado no humor vítreo do olho, no fluido sinovial das 
articulações e nas matrizes dos tecidos. 
• Condroitina-6-sulfato – é um componente da cartilagem. 
• Dermatano sulfato – componente do tecido de sustentação, cuja concentração aumenta 
com a idade. 
• Heparina/Heparano sulfato – anticoagulante encontrado nos mastócitos. 
• Queratano sulfato – encontrado na córnea, cartilagem e discos intervertebrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Glúcidos página 32 de 122 
 
 
Ácido Hialurónico 
Ácido D-glicurónico + GlcNAc 
Ligação β(1, 3) 
 
 
 
Dermatano sulfato 
Ácido L-idurónico + GalNAc-4-sulfato 
Ligação β(1, 3) 
 
 
 
Condroitina-4 ou 6-sulfato 
Ácido D-glicurónico + GalNAc-6-sulfato 
Ligação β(1, 3) 
 
 
Heparina/Heparano sulfato 
Ácido D-glicurónico-2-sulfato (ou Ácido L-
idurónico) + N-sulfo-D-glucosamina-6-sulfato 
Ligação α(1, 4) 
Heparanos tem menos sulfatos que as Heparinas 
 
 
 
Queratano sulfato 
Galactose + GlcNAc-6-sulfato 
Ligação β(1, 4) 
 
 
 
 
 
 
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Glúcidos página 33 de 122 
3.HETERÓSIDOS 
Os heterósidos resultam de uma ose, através da sua função semi-acetálica, com um composto 
que não é nem uma ose nem um derivado de ose.A porção não glucídica é designado por aglicano, enquanto a porção glucídica é denominada 
por glicano. Como exemplo, temos os proteoglicanos, que são heterósidos constituídos por resíduos 
glucídicos – os glicosaminoglicanos – ligados a uma cadeia proteica. 
 
 
 
 
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D. METABOLISMO DOS GLÍCIDOS 
 
As OSES, em particular a Glicose, devem a sua importância ao facto de a sua oxidação fornecer 
aos organismos vivos grande parte da energia que lhes é necessária. Porém, outro aspecto não menos 
relevante é que os átomos de carbono da glicose vão encontrar-se num grande número de compostos 
– aminoácidos, ácidos gordos, esteróis, glicerol, etc. 
Os glícidos presentes nos alimentos são geralmente dissacáridos, como a lactose e a sacarose, e 
polissacáridos como o amido e glicogénio, que têm de ser hidrolisados antes de poderem atravessar 
as membranas celulares. 
 
 
 
1.HIDRÓLISE ENZIMÁTICA – DIGESTÃO 
A digestão dos glícidos inicia-se na cavidade bucal. O amido e o glicogénio são parcialmente 
hidrolisados por amilases que catalisam a ruptura das ligações glicosídicas α-1,4. Nos animais as α-
amilases são enzimas da saliva e do suco pancreático. 
No caso das cadeias lineares – a amilose – atinge-se a hidrólise completa em unidades de 
maltose e de glicose. 
 
 
Porém, no caso da amilopectina e do glicogénio, a hidrólise das ligações glicosídicas α-1,4, 
realiza-se com dificuldade na proximidade dos pontos de ramificação, e as ligações glicosídicas α-
1,6 aí existentes não são atacadas pela α-amilase. Obtêm-se assim uma mistura de maltose, de 
maltotriose e de α-dextrina (oligossacárido constituído por unidades de glicose unidas por ligações 
α-1,4 e α-1,6). 
A hidrólise, nas dextrinas residuais, das ligações glicosídicas α-1,6 entre os pontos de ligação 
é efectuada pela oligo-1,6-glicosidase segregada pelas células da mucosa intestinal. A hidrólise é 
completada por uma α-glicosidase, a maltase, que quebra as unidades de maltose (provenientes da 
acção da α-amilase e da oligo-1,6-glicosidase) originando-se 2 moléculas de glicose. 
 
 
 
AMILOSE 
α-amilase 
MALTOSE + GLICOSE 
MALTOSE 
Maltase 
GLICOSE + GLICOSE 
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No intestino do Homem encontra-se ainda outras enzimas que atacam os dissacáridos: 
• A β-frutosidase ou Sacarase catalisa a hidrólise da Sacarose em Glicose e Frutose. 
 
 
 
• A β-galactosidase ou Lactase, catalisa a hidrólise da Lactose em Galactose e Glicose. 
 
 
 
Portanto, a digestão dos glícidos alimentares conduz predominantemente à glicose, mas 
também à galactose e à frutose. Porém, o metabolismo da frutose e da galactose entroca no da 
glicose. 
Nas células intestinais verifica-se também, o transporte activo de glicose que depois é 
fosforilada a glicose-6-fosfato pela hexocinases ou fosforilases. A glicose-6-fosfato é depois 
hidrolisada, obtendo-se glicose livre no sangue, sendo esta reacção catalisada pela Glicose-6-
fosfatase. 
Como já referi, a maior parte da glicose passa, através das células do tracto intestinal, para o 
sangue portal e, depois para a circulação geral, para ser usada pelos outros tecidos. O fígado é o 1º 
órgão a ter a oportunidade de remover glicose do sangue portal. Quando a glicemia (concentração de 
glicose no sangue) é alta, o fígado remove a glicose, para os processos de Glicogénese e Glicólise, 
que consomem glicose. Quando a glicemia baixa, o fígado fornece glicose ao sangue pelos processos 
produtores de glicose, a Glicogenólise e a Neoglicogénese. 
O fígado é também, o 1º órgão exposto ao sangue que flúi directamente do pâncreas, e, 
portanto, está exposto às concentrações mais elevadas de hormonas libertadas pelo pâncreas 
endócrino – Glucagina e Insulina. Estes importantes reguladores hormonais dos níveis de glicose 
sanguínea têm efeitos sobre as etapas catalisadas por enzimas no fígado. 
 
 
 
SACAROSE 
Sacarase 
FRUTOSE + GLICOSE 
LACTOSE 
Lactase 
GALACTOSE + GLICOSE 
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2.GLICÓLISE OU VIA DE EMBDEN-MEYERHOF 
 
 
2.a. Introdução 
 
A Glicose é o principal hidrato de carbono que é absorvido no intestino e aproveitado pelas 
células do corpo que dela retiram energia, sendo a única fonte de energia para algumas células 
(como os eritrócitos e células do SNC). A Glicose é tão importante para estas células que vários 
outros tecidos do corpo funcionam em conjunto para assegurar a utilização contínua desta substância 
(como o fígado). 
É uma via singular, porque pode funcionar quer na presença de oxigénio se este estiver 
presente (glicólise aeróbia), ou na ausência deste (glicólise anaeróbia). Assim a glicólise permite ao 
músculo-esquelético níveis bastante elevados de actividade, mesmo não dispondo de oxigénio e 
permite que tecidos com capacidade glicolítica significativa sobrevivam a episódios anóxios. 
A Glicólise processa-se no citosol uma vez que as enzimas participantes também se 
encontram neste compartimento celular. Consiste em 9 reacções ou passos: 
 
 
2.b. A Glicólise propriamente dita 
 
2.b.i. REACÇÃO Nº 1 – FOSFORILAÇÃO 
A concentração de glucose na corrente sanguínea é mantida a níveis sensivelmente constantes 
de cerca de 4-5 mM. A glucose entra nas células por difusão facilitada. Este processo não permite a 
acumulação na célula de concentrações de glucose superiores às existentes no sangue, pelo que a 
célula deve ter um processo para acumular glucose no seu interior. Isto é feito por modificação 
química da glucose pela enzima hexocinase. No entanto, nas células parenquimatosas do fígado e 
nos ilhéus de Langerhans do pâncreas, este processo é catalisado pelas glucoquinases ou hexocinase 
VI. 
Carlos Capela 
Glúcidos página 37 de 122 
 
 
A membrana celular é impermeável à glucose-6-fosfato, que pode por isso ser acumulada na 
célula. A glucose-6-fosfato será utilizada na síntese do glicogénio (uma forma de armazenamento de 
glucose), para produzir outros compostos de carbono na via das pentoses fosfato, ou degradada para 
produzir energia – glicólise. Nesta etapa é necessária a utilização de ATP como dador de fosfatos 
que é transformado em ADP. A reacção é acompanhada por perda significativa de energia livre sob a 
forma de calor, o que torna a reacção irreversível em condições fisiológicas. A hexocinase possui 
uma elevada afinidade para a glicose fosforilando toda a glicose que entra na célula, mesmo quando 
as suas concentrações sanguíneas são baixas. Esta enzima sofre retro-inibição alostérica pelo produto 
desta reacção: Glicose 6-fosfato. 
 
2.b.ii. REACÇÃO Nº 2 E 3 – DA GLICOSE-6-FOSFATO À FRUTOSE-1,6-
BISFOSFATO 
Para poder ser utilizada na produção de energia, a glucose-6-fosfato é primeiro isomerizada a 
frutose-6-fosfato pela fosfohexoisomerase. A frutose-6-fosfato é depois fosforilada a frutose-1,6-
bisfosfato, com gasto de ATP pela fosfofrutocinase. Este é o ponto de não-retorno desta via 
metabólica: a partir do momento em que a glucose é transformada em frutose-1,6-bisfosfato já não 
pode ser usada em nenhuma outra via. 
Hexocinase 
Mg2+ 
Carlos Capela 
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2.b.iii. REACÇÃO Nº 4 – CISÃO DA FRUTOSE 1,6-BISFOSFATO EM 
TRIOSES-FOSFATO 
Seguidamente, a frutose-1,6-bisfosfato é clivada em duas moléculas de três carbonos cada, 
pela aldolase: 
 
Estas duas moléculas (dihidroxiacetona fosfato e gliceraldeído-3-fosfato) são facilmente 
interconvertíveis por isomerização catalisada pela fosfotriose-isomerase. Portanto, basta uma via 
Aldolase 
Isomerase
Isomerase Fosfofrutocinase 
Glucose-6-P 
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metabólica para degradar as duas. É por esta razão que a glucose-6-P foi isomerizada a frutose-6-P: a 
clivagem da glucose daria origem a duas moléculas bastante diferentes, de dois e quatro átomos de 
carbono, respectivamente, que exigiriam duas vias metabólicas diferentes para a sua degradação. 
A Di-hidroxiacetona-fosfato é convertida a gliceraldeido-3-fosfato, continuando a via 
glicolítica a partir do último composto. 
 
2.b.iv. REACÇÃO Nº 5 – GLICERALDEIDO-3-FOSFATO É OXIDADO A 
ÁCIDO 1,3-BISFOSFOGLICÉRICO 
Os aldeídos têm potenciais de oxidação-redução bastante baixos (cerca de -600 a -500 mV). 
A reacção de oxidação do gliceraldeído-3-fosfato pelo NAD+ (E0=-320 mV) é portanto bastante 
espontânea. Dá-se a oxidação do gliceraldeído-3-fosfato à Ácido 1,3-Bisfosfoglicérico, devido à 
Gliceraldeido-3-fosfato-desidrogenase que é NAD+ dependente, transformando-se este em NADH 
+ H+, por transferência dos equivalentes redutores removidos na oxidação. Por fosforólise é 
adicionado um fosfato inorgânico (Pi). Ocorre aqui a única reacção de oxidação da Glicólise. 
 
2.b.v. REACÇÃO Nº 6 – TRANSFORMAÇÃO DO ÁCIDO 1,3-
BISFOSFOGLICÉRICO EM ÁCIDO 3-FOSFOGLICÉRICO 
Os ácidos fosforilados têm grupos fosfatos bastante energéticos: a saída do grupo fosfato dá 
origem a espécies muito mais estabilizadas por ressonância. O grupo fosfato do carbono 1 do 1,3-
bisfosfoglicerato pode por isso ser transferido para o ADP, produzindo ATP, pela acção da 
fosfoglicerato-cinase, formando-se Ácido 3-fosfoglicérico. Visto que se formam 2 moléculas de 
triose-fosfato por molécula de glicose, nesta etapa são formadas 2 moléculas de ATP por molécula 
de glicose (mas recordemos que já gastamos também 2, ou seja, o saldo energético é nulo). 
 
 
 
 
 
Gliceraldeido-3-P-desidrogenase 
Fosfoglicerato-cinase 
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2.b.vi. REACÇÃO Nº 7, 8 E 9 – FORMAÇÃO DO ÁCIDO PIRÚVICO 
O Ácido 3-fosfoglicérico é convertido a Ácido 2-fosfogliceríco pela fosfoglicerato-mutase, 
que depois de desidratado pela acção de uma enolase dá origem a um fosfoenol, o Ácido fosfoenol-
pirúvico. 
 
 
 
Devido ao seu elevado potencial de transferência de fosfato o Ácido fosfoenol-pirúvico pode 
transferir um fosfato ao ADP através da enzima Piruvato-cinase. Neste estágio formam-se 2 
moléculas de ATP e 2 moléculas de ácido pirúvico por glicose oxidada. 
 
 
 
 
Fosfoglicerato-mutase 
Enolase 
Piruvato-cinase 
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2.c. Regulação da glicólise 
 
São 4 as enzimas reguladoras da via glicolítica; 2 regulam a entrada de glicose na via, e outras 2 
regulam a via propriamente dita. 
 
2.c.i. REGULAÇÃO DA ENTRADA DE GLICOSE NA VIA: 
 
2.c.i.1. Glicogénio Fosforilase: 
• Enzima que catalisa a hidrólise do glicogénio celular em glicose-1-fosfato. 
• Sofre regulação covalente e alostérica: 
o Regulação Covalente: Fosfo e Defosforilação: 
 
Fosforilase A – Activa 
Fosforilada 
↓ 
Fosforilase B – Inactiva 
Desfosforilada 
↓ 
Fosforilase B – Activa 
Desfosforilada (na presença de AMP) 
 
o Regulação Alostérica: A forma “B”, normalmente inactiva, pode ser activada pela 
presença do modulador alostérico positivo AMP, cuja concentração aumenta no músculo 
após a quebra do ATP. 
 
2.c.i.2. Hexocinase: 
• Catalisa a fosforilação da glicose a glicose-6-fosfato – Primeira reacção da via glicolítica. 
• As hexocinase I, II e III, ao contrário da IV, são inibidas pelo produto da reacção glicose-6-
fosfato. Se a metabolização da glicose-6-fosfato é menor que a sua síntese, esta acumula-se 
inibindo a hexocinase. 
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2.c.ii. REGULAÇÃO DA VIA PROPRIAMENTE DITA: 
 
2.c.ii.1. Fosfofrutocinase I: 
• Enzima muito complexa que catalisa a fosforilação da frutose-6-fosfato – terceira etapa da 
via. É unifuncional pois é incapaz de catalisar a reacção inversa que se efectua na 
neoglicogénese pela acção da frutose-1,6-bisfosfatase. 
• É alostérica: possui vários activadores e inibidores, tais como os activadores AMP, ADP 
(que sinalizam a falta de energia disponível) e fosfato, e os inibidores ATP, frutose-1,6-
bisfosfato e ácido cítrico (que sinaliza a abundância de intermediários do ciclo de Krebs). É 
também inibida por H+, o que é importante em situações de anaerobiose (a fermentação 
produz ácido láctico, que faz baixar o pH). Provavelmente este mecanismo impede que 
nestas situações a célula esgote toda a sua reserva de ATP na reacção da fosfofrutocinase, o 
que impediria a activação da glucose pela hexocinase. 
• Dentro do sistema regulador desta enzima a frutose-2,6-bisfosfato desempenha um papel 
crucial pois é o efector positivo mais poderoso desta enzima. É sintetizada pela fosforilação 
da Frutose-6-fosfato pela acção da fosfofrutocinase II – enzima bifuncional pois também 
possui uma actividade frutose-2-6-bisfosfatase. A cinase corresponde a um domínio N-
terminal e a fosfatase a um domínio carboxi-terminal. A proteína fosforilada actua como 
uma bisfosfatase e desfosforilada como cinase. Os mecanismos de fosforilação dependem 
duma proteína-cinase dependente de cAMP e a desfosforilação duma fosfatase. A 
fosfofrutocinase II é então uma enzima bifuncional e está sob o controlo alostérico da 
frutose-6-fosfato, que pelo aumento da concentração de glicose no estado bem alimentado 
activa a quinase e inibe a fosfatase, acelerando a glicólise. Por outro lado, quando a glicose 
estiver baixa, a glucagina estimula a produção de cAMP, activando a proteína quinase 
dependente dele, que por sua vez inactiva a fosfofrutocinase II e activa a frutose-2,6-
bisfosfatase, através da fosforilação. 
 
 
 
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2.c.ii.2. Piruvato-cinase: 
• Catalisa a última reacção da via, a conversão do ácido PEP em ácido pirúvico. 
• É alostérica e inibida por ATP, Acetil-CoA e Ácidos Gordos. 
 
 
 
 
 
 
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Resumo da regulação 
 
 
 
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2.d. Ciclo de Rapaport-Luebering 
 
Como no eritrócito não há mitocondrias, não pode haver nem ciclo de Krebs, nem cadeia 
respiratória. Deste modo, toda a energia terá que ser fornecida pela glicólise. 
Todavia, no eritrócito há uma grande concentração de ácido 2,3-bisfosfoglicérico (2,3-BPG) que 
se forma por um “desvio” da glicólise, o ciclo de Rapaport-Luebering, podendo-se formar, quer pela 
acção de uma mutase sobre o ácido 1,3-bisfosfoglicérico, quer pela acção de uma quinase sobre o 
ácido 3-fosfoglicérico. 
Mas qual é o papel do ácido 2, 3-bisfosfoglicérico? As suas cargas negativas unem-se a cargas 
positivas das duas cadeias da hemoglobina, atraindo-as e aumentando, assim, a expulsão de oxigénio 
para os tecidos (deslocamento da curva de dissociação da oxihemoglobina para a direita), o que é um 
benefício em situações de falta de oxigénio. 
 
 
 
Gliceraldeido-3-fosfato 
Ácido 1,3-
Bisfosfoglicérico 
Ácido 2,3-
Bisfosfoglicérico 
Ácido 3-Fosfoglicérico 
Ácido Pirúvico 
Gliceraldeido-3-fosfato 
desidrogenase 
Ácido 1,3-Bisfosfoglicérico 
mutase 
Ácido 2,3-Bisfosfoglicérico 
fosfatase 
Ácido 1,3-
Bisfosfoglicérico 
cinase 
Ácido-3-
Fosfoglicérico 
cinase 
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2.e. Obtenção de energia no músculo1 
 
A forma mais simples e mais directa de obtenção de energia é a hidrólise do ATP. De notar, que 
o ATP que existe normalmente no tecido muscular apenas chega para aproximadamente 1 segundo 
de actividade contráctil. É por isso importante, ressintetizá-lo de imediato. Para este objectivo o 
músculo contem um outro composto com uma ligaçãofosfato de alta energia, a fosfocreatina ou 
creatina-fosfato que irá ser utilizado, nestas ocasiões. A fosfocreatina pode transferir o seu grupo 
fosfato para o ADP, num processo catalisado pela creatina fosfocinase. 
No entanto, se o esforço se prolongar, os músculos podem obter ATP (a partir de substratos 
como a glicose e ácidos gordos): 
• Por fosforilação oxidativa, um processo energeticamente eficaz que utiliza o oxigénio 
molecular, mas que é algo lento; 
• Por glicólise anaeróbia, um processo rápido, mas que esgota facilmente as reservas de 
glicose. 
Acabado o esforço torna-se necessário refazer as reservas. Quando o ATP não é tão necessário, 
este vai decompor-se em ADP regenerando a fosfocreatina a partir da creatina. 
 
 
1 Ver derivados de aminoácidos: creatina 
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2.f. Destino da Di-hidroxiacetona-fosfato 
 
Na glicólise, vimos que na reacção catalisada pela Frutose-1,6-bisfosfato aldolase, se 
formava, a partir da Frutose-1,6-bisfosfato, Gliceraldeido-3-fosfato e Di-hidroxiacetona-fosfato (2 
trioses-fosfato). Esta última é em princípio totalmente convertida em Gliceraldeido-3-fosfato pela 
Triose-fosfato isomerase. Assim uma molécula de glicose é convertida em 2 moléculas de 
Gliceraldeido-3-fosfato. 
 
 
 
Quando isto não acontece, a Di-hidroxiacetona-fosfato pode ser convertida em Glicerol-3-
fosfato (que é um percursor dos lípidos) numa reacção reversível catalisada pela Glicerol-3-fosfato 
desidrogenase, em que o NADH é oxidado a NAD+. 
O Glicerol-3-fosfato é, a par da Acetil-Coenzima A, o principal ponto de contacto entre os 
metabolismos lipídicos e glucídicos. 
Por outro lado, o glicerol pode ser fosforilado pela Glicerolcinase em Glicerol-3-fosfato, e 
deste em Di-hidroxiacetona-fosfato. 
 
Aldolase 
Isomerase
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Estas vias exprimem a relação entre o glicerol dos lípidos e o metabolismo da glicose. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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3.REOXIDAÇÃO DO NADH 
 
A reacção de oxidação do Gliceraldeido-3-fosfato requer NAD+, mas o teor deste é baixo nas 
células, pelo que o NADH tem de ser reoxidado a NAD+. 
A reoxidação pode ser realizada em condições aeróbias ou anaeróbias: 
 
 
3.a. Em Aerobiose 
 
Em aerobiose, esta reoxidação processa-se através da Cadeia Transportadora de Electrões (CTE). 
Porém, enquanto a glicólise é um processo citoplasmático, o transporte electrónico é um processo 
mitocondrial. E sucede que o NADH citoplasmático não consegue atravessar a membrana 
mitocondrial interna. 
O transporte dos electrões do NADH para a mitocôndria terá, portanto, de realizar-se através de 
um transportador que os transfira do citosol até à membrana mitocondrial interna e aí os entregue a 
um aceitador do CTE. Por outras palavras, tem que ser um transportador ao qual a membrana 
mitocondrial interna seja permeável. 
Existem vários transportadores, sendo o Glicerol-3-fosfato e o Ácido Málico os que intervêm 
com mais frequência. Este sistema é conhecido como Shuttle. 
 
 
3.a.i. TRANSPORTE PELO GLICEROL-3-FOSFATO 
No citoplasma, o NADH vai reduzir a Di-hidroxiacetona-fosfato a Glicerol-3-fosfato, por acção 
de uma desidrogenase, a Glicerol-3-fosfato desidrogenase citoplasmática. O Glicerol-3-fosfato 
atravessa a membrana e, já na mitocôndria, é reoxidado a Di-hidroxiacetona-fosfato por uma 
desidrogenase dependente de FAD, a Glicerol-3-fosfato desidrogenase mitocondrial. 
A reacção global consiste, assim, na transferência de 2 electrões do NADH, do citosol para a 
CTE mitocondrial. Porém, como o aceitador é o FAD, a reoxidação do FADH2 formado apenas 
permite a síntese de 2 ATP’s. 
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3.a.ii. TRANSPORTE PELO ÁCIDO MÁLICO OU SHUTTLE DO ÀCIDO 
MÁLICO 
Neste caso o NADH citoplasmático transfere os seus electrões para o Ácido Oxaloacético, 
reduzindo-o a Ácido Málico. Já na mitocondria este composto é reoxidado a Ácido Oxaloacético por 
uma desidrogenase dependente de NAD+ do ciclo de Krebs. Trata-se de um sistema de transporte 
mais eficiente, mas também mais complexo. É utilizado pelos mamíferos ao nível dos rins, fígado e 
coração. 
Assim quando o transportador é o Ácido Málico não há perda no rendimento energético da 
Glicólise. 
 
Carlos Capela 
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3.a.iii. RENDIMENTO ENERGÉTICO EM AEROBIOSE 
 
Reacções ATP 
consumido 
ATP 
formados 
Glicose → Glicose-6-fosfato 1 
Frutose-6-fosfato → Frutose-1,6-bisfosfato 1 
2 Ácido-1,3-bisfosfoglicérico → Ácido-3-fosfoglicérico 2 
2 Ácido Fosfoenolpirúvico → 2 Ácido Pirúvico 2 
Reoxidação de 2 NADH pela CTE 4 ou 62 
Total 2 8 ou 103 
Saldo energético 6 ou 84 
 
2 Consoante o transporte de e- do NADH citoplasmático seja realizado através do Glicerol-3-fosfato ou do Ácido Málico. 
3 Idem 1 
4 Idem 1 
Carlos Capela 
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3.b. Em Anaerobiose 
 
Quando a glicólise decorre na ausência de oxigénio, e portanto a CTE não funciona (pois o 
ultimo aceitador de electrões é o oxigénio molecular), a célula tem de utilizar outras reacções para 
reoxidar o NADH. Veremos 3 vias, das quais as duas primeiras são as mais utilizadas. 
 
3.b.i. FERMENTAÇÃO5 LÁCTICA 
Nas células musculares (quando o oxigénio é utilizado mais rapidamente do que é fornecido 
às células ocorrem aí, muitas vezes, condições de anaerobiose) ou nas bactérias lácticas (que vivem 
em anaerobiose), o Ácido Pirúvico é reduzido a Ácido Láctico, enquanto o NADH é oxidado a 
NAD+. Esta reacção reversível é catalisada por uma Lactato-desidrogenase. 
 
 
 
3.b.ii. FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA 
Nomeadamente em leveduras, o Ácido Pirúvico é numa primeira etapa, descarboxilado a CO2 
e Acetaldeído por uma Piruvato-descarboxilase que possui como coenzima o Pirofosfato de Tiamina 
(vit. B1) e que contêm Zn2+. 
Em seguida, numa reacção catalisada por uma álcool-desidrogenase, o Acetaldeído é 
reduzido a etanol, enquanto o NADH é oxidado a NAD+. 
 
 
 
5 Fermentação é um processo em que o aceitador final dos electrões provenientes da degradação é um produto orgânico 
da própria degradação. 
Carlos Capela 
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A reacção global da glicólise anaeróbia com fermentação alcoólica será: 
Glicose + 2ADP + 2Pi + 2H+ → 2etanol + 2ATP + 2CO2 + 2H2O 
 
 
Tanto a álcool-desidrogenase como a Lactato-desidrogenase têm o NADH como coenzima e 
são enzimas alostéricas (tetrâmeros). 
A Piruvato-descarboxilase da fermentação alcoólica não existe nos tecidos dos vertebrados 
ou nos organismos que realizam a fermentação láctica. 
No fígado humano, a álcool-desidrogenase catalisa a oxidação do etanol (ingerido ou 
produzido pelos microorganismos intestinais), com a redução do NAD+ a NADH. 
 
3.b.iii. REDUÇÃO DA DI-HIDROXIACETONA-FOSFATO A GLICEROL 
A fermentação da glicose pelas leveduras é sempre acompanhada pela formação de pequenas 
quantidades de glicerol. Uma Glicerol-3-fosfato-desidrogenase catalisa a redução da Di-
hidroxiacetona-fosfato a Glicerol-3-fosfato, enquanto o NADH é oxidado a NAD+. Em seguida, uma 
fosfatase específica pode cindir a ligação éster e origina o glicerol. 
 
 
 
3.b.iv. BALANÇO ENERGÉTICO EM ANAEROBIOSE 
Visto que não há intervenção da CTE forma-se apenas 4 ATP (tendo-se gasto 2) por 
molécula de glicose. O Saldo é de 2 ATP. 
 
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4.VIA DAS PENTOSES-FOSFATO 
 
Esta série de reacções é também conhecida “Shunt” Hexose-monofosfórico, ou Via doFosfogluconato, ou Via de Dickens-Horecker. 
 
4.a. Introdução 
 
Importância Biológica: 
• Para realizar o seu anabolismo, a célula não precisa apenas de energia (ATP): também 
precisa de poder redutor, sob a forma de NADPH. O NADPH é produzido durante a 
oxidação da glucose-6-P por uma via distinta da glicólise, a via das pentoses-fosfato. 
Esta via é muito activa em tecidos envolvidos na biossíntese de colesterol e de ácidos 
gordos (fígado, tecido adiposo, córtex adrenal, glândulas mamárias). 
• Esta via também produz ribose-5-P, o açúcar constituinte dos ácidos nucleicos. 
• Permite também às células, se for caso disso metabolisar a glicose-6-fosfato com 
produção de ATP sem utilizar a via da glicólise. 
 
Ao contrário do que sucede na Glicólise, não consome ATP, e é um processo essencialmente 
aeróbio, pois a reoxidação das coenzimas reduzidas só é possível através da CTE ou de reacções de 
biossíntese, que utilizem o NADPH e gerem, portanto, NADP+. 
As enzimas envolvidas nesta via estão localizadas no citosol. Esta via divide-se em 2 etapas: 
1. A glicose-6-fosfato é descarboxilada a Ribulose-5-fosfato, precedida por 2 reacções de oxidação, 
com a formação de NADPH – Fase Oxidante. 
2. Interconversão das pentoses-fosfato e das hexoses-fosfato por transaldolização e transcetolisação 
– Fase Não-oxidante. 
 
 
 
 
 
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6-fosfogluconato 
desidrogenase 
Fosfopentose 
isomerase 
Fosfopentose 
epimerase 
4.b. Fase oxidante 
 
A glucose-6-P é primeiro oxidada no seu carbono 1, dando origem a uma lactona (um ácido 
carboxílico cíclico). Os electrões libertados são utilizados para reduzir uma molécula de NADP+. O 
anel é então aberto por reacção com água: 
 
 
 
A descarboxilação do gluconato liberta dois electrões, que vão reduzir outra molécula de 
NADP+. Obtém-se assim um açúcar de 5 carbonos, a ribulose-5-fosfato, que por isomerização é 
transformado em ribose-5-P6. 
 
 
6 Na figura assinalam-se a verde as diferenças entre os isómeros 
Glicose-6-fosfato 
desidrogenase 
6-fosfo-gluco-
lactonase 
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4.c. Fase Não-oxidante 
 
Nesta fase ocorrem transferências de grupos com 3 átomos de carbono – Transaldolisação – 
e com 2 átomos de carbono – Transcetolisação. A enzima responsável pela transaldolisação é a 
Transaldolase enquanto que pela transcetolisação é a Transcetolase7. 
Esta etapa depende das necessidades da célula: se a célula só precisar de NADPH e não 
precisar de ribose-5-P, esta poderá ser reaproveitada. Isto é feito através de 3 reacções. Na primeira, 
a ribose-5-P recebe dois carbonos da xilulose-5-P (obtida por epimerização da ribulose-5-P): 
 
 
Seguidamente, são transferidos três carbonos da sedoeptulose-7-P para o gliceraldeído-3-P: 
 
 
 
7 A Transcetolase é controlada pela vitamina B1 na sua forma activa, TPP (Tiamina de Pirofosfato). A TPP é essencial 
para a indução da síntese de transcetolase. Este facto é tão importante que se pode ter uma ideia do grau de carência de 
vit. B1, através do doseamento da transcetolase dos eritrócitos. 
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Por transferência de dois carbonos da xilulose-5-P para a eritrose-4-P, forma-se outra 
molécula de frutose-6-P e uma molécula de gliceraldeído-3-P: 
 
 
 
O balanço das reacções da fase não oxidante é: 
2 Xilulose-5-P + Ribose-5-P → 2 frutose-6-P + gliceraldeído-3-P 
 
A frutose-6-P e o gliceraldeído-3-P podem ser utilizados na glicólise para produção de 
energia, ou reciclados pela Neoglucogénese para formar novamente glicose-6-P. 
Quando as necessidades de ribose-5-P são superiores às de NADPH, esta pode ser produzida 
por estas reacções a partir de frutose-6-P e gliceraldeído-3-P. 
 
4.d. Balanço energético 
 
Ocorrem 2 oxidações, com a formação de NADPH, cujos electrões poderão ser transferidos 
para a CTE com a formação de ATP. Já se esclareceu que o destino habitual do NADPH produzido 
pela via das pentoses-fosfato não é a produção de ATP, mas sim contribuir com o seu poder redutor 
nas biossínteses. 
Numa volta de ciclo o equivalente a uma molécula de glicose em cada seis é completamente 
oxidada. Através de seis ciclos da via das pentoses-fosfato e da gluconeogénese, por cada molécula 
de glucose-6-P completamente oxidada a seis moléculas de CO2 são reduzidas 12 moléculas de 
NADP+ com a formação de 12 NADPH. 
6 Glicose-6-P + 12 NADP+ → 5 Glicose-6-P + 6 CO2 + 12 NADPH + 12 H+ + Pi 
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4.e. Regulação: 
 
O factor de regulação mais importante da via das pentoses é ao nível do NADP+, que é o 
aceitador de electrões na oxidação da glicose-6-fosfato a ácido-6-fosfoglucónico. 
Devido ao efeito do teor em NADP+, no citosol, sobre a velocidade da fase oxidante da via, 
fica assegurada uma relação muito estreita entre a produção de NADPH e a sua utilização nas 
reduções metabólicas e, desta forma, regulando o valor do quociente NADP+/NADPH. 
Assim, se o organismo requer maior quantidade de ribose-5-fosfato do que de NADPH – isto 
é, se a biossíntese das proteínas predomina sobre a dos lípidos, apenas funcionará a fase não 
oxidante da via. Nestas condições, a frutose-6-fosfato e o gliceraldeído-3-fosfato (formados pela via 
da glicólise a partir da glucose-6-fosfato) são transformados em ribose-5-fosfato sem formação de 
NADPH. 
No caso contrário, e em alternativa à fase inversa da via das interconversões, a ribose-5-
fosfato formada na fase oxidante, pode ser convertida em frutose-6-fosfato e em gliceraldeído-3-
fosfato, e daí em ácido pirúvico. Por este processo gera-se ATP e NADPH, e cinco dos seis átomos 
de carbono da glucose-6-fosfato vão formar ácido pirúvico. 
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As inter-relações das vias da glicólise e das pentoses-fosfato permitem ajustar às 
necessidades celulares os teores de NADPH, de ATP e de compostos centrais como a ribose-5-
fosfato e o ácido pirúvico. 
O peróxido de hidrogénio é removido pela glutatião peroxidase. O glutatião oxidado é 
reduzido pela glutatião redutase, na presença de NADPH, cuja concentração diminui, activando a 
via. A via das pentoses fosfato é muito importante no eritrócito, para manter o glutatião reduzido, 
para que este remova o peróxido de hidrogénio, lesivo para o eritrócito, em especial para a 
membrana celular. 
 
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5.DESCARBOXILAÇÃO OXIDANTE DO ÁCIDO 
PIRÚVICO A ACETIL-COA 
 
5.a. Introdução 
 
O ácido pirúvico formado no final da glicólise pode ter vários destinos metabólicos: 
 
 
 
5.b. Descarboxilação Oxidante do Ácido Pirúvico 
 
Mas aquele que nos importa salientar é a sua descarboxilação oxidante (que é o elo de ligação 
entre a glicólise e o ciclo de Krebs). 
Antes que o ácido pirúvico possa entrar no ciclo de Ácido cítrico, ele deve ser transportado 
para dentro da mitocôndria através de um transportador especial de ácido pirúvico que ajuda a sua 
passagem através da membrana mitocondrial interna, o que envolve um mecanismo de simporte no 
qual um protão é co-transportado. 
Já dentro da mitocôndria, o ácido pirúvico sofre descarboxilação oxidante, formando-se 
acetil-CoA. Esta reacção é catalisada por várias enzimas diferentes que operam sequencialmente 
num complexo multienzimático denominado por Complexo Piruvato-desidrogenase. A coenzima da 
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reacção é o Pirofosfato de Tiamina (TPP), ligado à enzima por interacções não covalentes. O Mg2+ é 
o cofactor da reacção. 
O ácido pirúvicoé descarboxilado a um derivado hidroxietil do anel tiazólico do difosfato de 
tiamina ligado à enzima, o qual por sua vez reage com o Ácido Lipóico, formando Acetil-lipoato. Na 
presença da Dihidrolipoil-transacetilase (uma enzima do complexo), o Acetil-lipoato reage com a 
Coenzima-A, formando-se Acetil-CoA e Ácido Lipóico reduzido. O ciclo da reacção termina quando 
o Ácido Lipóico é reoxidado por uma flavoproteina na presença da Ácido Lipóico-desidrogenase. 
 
 
Carlos Capela 
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5.c. Balanço energético 
 
A flavoproteina reduzida é oxidada pelo NAD+, o qual por sua vez, transfere os equivalentes 
redutores para a cadeia respiratória, correspondendo-lhe a formação de 3 ATP. Deve-se ter em 
atenção que por cada molécula de glicose são originadas duas de ácido pirúvico e assim também 2 
moléculas de Acetil-CoA, formando-se 6 ATP. 
 
 
 
 
 
5.d. Regulação 
 
A Piruvato-desidrogenase é inibida pelos seus produtos (retro-inibição): Acetil-CoA e 
NADH. O complexo é então regulado pelo jogo quinase/fosfatase. A quinase vai ser activada pelo 
aumento das razões (Acetil-CoA/CoA), (NADH/NAD+) e (ATP/ADP), fosforilando o complexo, 
inactivando-o. A Piruvato-desidrogenase não é portanto apenas inibida por um alto potencial 
energético, mas também nas condições de oxidação dos ácidos gordos que conduzem ao aumento 
destas razões. 
Por outro lado a diminuição destas razões, inibe a cinase, estimula a fosfatase que 
desfosforila o Complexo Piruvato-desidrogenase, activando-o. 
 
 
Carlos Capela 
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O Acetil-CoA é o composto de partida para a síntese de todos os lípidos. 
 
Carlos Capela 
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6.CICLO DE KREBS 
 
 
6.a. Introdução 
 
Também é designado por Ciclo dos Ácidos Tricarboxílicos ou Ciclo do Ácido Cítrico. 
O ciclo de Krebs ocorre na mitocôndria e compreende essencialmente, a combinação de uma 
molécula de Acetil-CoA com o ácido dicarboxílico de 4 carbonos, o ácido oxaloacético, resultando a 
formação de um ácido tricarboxílico de 6 carbonos, o ácido cítrico. Segue-se um conjunto de 
reacções através das quais 2 moléculas de dióxido de carbono se perdem, e é regenerado o ácido 
oxaloacético. 
Visto que não são precisas mais do que pequenas quantidades de ácido oxaloacético para 
transformar grande número de unidades acetílicas a CO2, considera-se que o ácido oxaloacético 
desempenha o papel catalítico. 
Este processo necessita de O2 como receptor final dos equivalentes redutores que são produzidos 
sob a forma de H+ e e-. Assim, a ausência (anóxia) ou a deficiência parcial (hipóxia) de O2 determina 
a inibição total ou parcial do ciclo. 
As enzimas do ciclo do Ácido cítrico estão localizadas na matriz mitocondrial, livres ou ligadas à 
superfície interna da membrana mitocondrial. 
 
 
 
Carlos Capela 
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6.b. Ciclo de Krebs propriamente dito 
 
6.b.i. FORMAÇÃO DO ÁCIDO CÍTRICO 
A 1ª reacção do ciclo consiste na condensação do Acetil-CoA com o Ácido Oxaloacético para 
formar o Ácido Cítrico. Esta reacção é catalisada pela Citrato sintetase, que efectua uma ligação 
carbono-carbono entre o carbono-metílico do Acetil-CoA e o carbono carbonil do ácido 
oxaloacético. A reacção de condensação a Citroil-SCoA, é acompanhada pela hidrólise da ligação 
tioéster da CoA, perdendo-se grande parte da energia livre como calor, o que garante que a reacção 
ocorra até ao fim. 
 
 
 
6.b.ii. FORMAÇÃO DE ÁCIDO ISOCÍTRICO 
O ácido cítrico é isomerizado a Ácido Isocítrico pela acção da enzima Aconitase (aconito-
hidratase) que contém ferro no estado Fe2+, na forma de uma proteína ferro-enxofre (Fe:S). Esta 
conversão ocorre em 2 etapas: desidratação a Ácido Cis-aconítico, e a rehidratação a Ácido 
Isocítrico. 
A reacção é inibida pelo Ácido flúor-acético, o qual, na forma de fluoracetil-CoA condensa-se 
com o ácido oxaloacético para formar o ácido fluorcítrico. Este último inibe a aconitase, 
ocasionando a acumulação de ácido cítrico. 
É possível que o ácido cis-aconítico não seja um intermediário obrigatório entre o ácido cítrico e 
o ácido isocítrico, sendo na realidade uma ramificação lateral da via principal do ciclo. 
A isomerização produz um composto de carbono ramificado mais fácil de metabolizar. 
Citrato Sintetase 
Ácido Oxaloacético 
Citroil-SCoA 
Ligado à enzima Ácido Cítrico 
Acetil-CoA 
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6.b.iii. FORMAÇÃO DE ÁCIDO α-CETOGLUTÁRICO 
O ácido isocítrico sofre desidrogenação em presença da Isocitrato-desidrogenase para formar 
ácido Oxalosuccínico. 
Foram descritas 3 enzimas. Uma, que é NAD+-dependente, é encontrada somente nas 
mitocôndrias. As outras 2 enzimas são NADP+-dependentes e são encontradas nas mitocondrias e no 
citosol. A oxidação, ligada à cadeia respiratória do ácido isocítrico ocorre quase exclusivamente 
através da enzima NAD+-dependente. 
Segue-se uma descarboxilação a Ácido α-cetoglutárico, também catalisada pela Isocitrato-
desidrogenase. É possível que o ácido Oxalosuccínico permaneça ligado à enzima como 
intermediário na reacção global. 
 
 
 
6.b.iv. FORMAÇÃO DE SUCCINIL-COA 
Tal como o ácido pirúvico, o ácido α-cetoglutárico é um α-cetoácido (isto é, possui um grupo 
carbonilo adjacente ao grupo ácido carboxílico). É portanto de prever que reaja exactamente como o 
ácido pirúvico, isto é, que a sua descarboxilação forneça energia suficiente para que se forme uma 
ligação tioéster com a coenzima A. E é isto que de facto ocorre. A enzima responsável por esta 
Aconitase 
Ácido Cítrico cis-Aconitato Ácido Isocítrico 
Isocitrato Desidrogenase 
Ácido Isocítrico Ácido Oxalosuccínico Ácido α-cetoglutárico 
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reacção, a α-cetoglutarato desidrogenase, é aliás bastante análoga à piruvato desidrogenase na sua 
composição e cofactores: Pirofosfato de Tiamina (TPP), ácido lipóico, NAD+, FAD e CoA. 
A reacção resulta na formação de Succinil-CoA (um tioéster com uma ligação de alta energia). O 
equilíbrio desta reacção é de tal modo a favor da formação de Succinil-CoA que, fisiologicamente, 
ela deve ser considerada unidireccional. O Arsenito inibe a reacção, causando a acumulação do 
substrato, o ácido α-cetoglutárico. 
 
 
 
6.b.v. FORMAÇÃO DE ÁCIDO SUCCÍNICO 
Para continuar o ciclo, o Succinil-CoA é convertido a Ácido Succínico pela Succinil-CoA 
Sintetase. Esta reacção requer GDP, que é convertido em GTP, em presença de fosfato inorgânico. 
Este é o único exemplo, no ciclo do ácido cítrico, da formação de um fosfato de alta energia ao nível 
do substrato, e surge em virtude da libertação oxidativa do ácido α-cetoglutárico. O ATP pode ser 
formado a partir do GTP por meio de uma nucleósido-difosfato-cinase: ADP + GTP → ATP + GDP. 
 
 
 
 
 
 
Succinil-CoA 
Sintetase 
Ácido Succínico Succinil-CoA 
Ácido α-cetoglutárico 
α-cetoglutarato 
desidrogenase 
Succinil-CoA Succinil-CoA 
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6.b.vi. REGENERAÇÃO DO ÁCIDO OXALOACÉTICO 
O ácido succínico sofre metabolização adicional passando, primeiro por uma desidrogenação, 
seguida pela adição de H2O, e subsequentemente, por uma nova desidrogenação, que regenera o 
ácido oxaloacético. 
A 1ª reacção de desidrogenação é catalisada pela Succinato-desidrogenase, que está ligada à 
superfície interna da membrana mitocondrial interna, ao contrário das outras. Esta é a única 
desidrogenação do ciclo de Krebs que envolve a transferência directa de hidrogénio do substrato sem 
a participação do NAD+, uma vez que o aceitador é o FAD. Forma-se Ácido Fumárico como 
resultado da desidrogenação. A adiçãode Ácido Málico ou Oxaloacético inibe competitivamente a 
Succinato-desidrogenase provocando a acumulação de ácido succínico. 
Sobre a influência da Fumarase, a água é adicionada ao ácido fumárico para originar-se Ácido 
Málico. 
O ácido málico é convertido a ácido oxaloacético pela Malato-desidrogenase, reacção que requer 
NAD+. Embora o equilíbrio desta reacção seja muito favorável ao ácido málico, o fluxo efectivo é na 
direcção do ácido oxaloacético porque esse composto, juntamente com outro produto da reacção, o 
NADH + H+, é removido nas reacções subsequentes. 
 
 
As enzimas que participam no ciclo do ácido cítrico podem ser também encontradas fora da 
mitocôndria, excepto a α-cetoglutarato desidrogenase e a Succinato-desidrogenase. 
 
 
 
 
 
 
Ácido Succínico Ácido Fumárico Ácido Málico Ácido Oxaloacético
Succinato 
Desidrogenase 
Fumarase 
Malato 
Desidrogenase 
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Visão geral 
 
 
 
 
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6.c. Balanço Energético 
 
Os equivalentes redutores formados como resultado da acção das desidrogenases são transferidos 
para a cadeia respiratória na membrana interna da mitocôndria. 
Os equivalentes redutores formados são 3 moléculas de NADH + H+ e uma de FADH2 por cada 
molécula de Acetil-CoA catabolisada numa volta completa do ciclo. 
Durante a passagem, pela cadeia transportadora de electrões, os equivalentes de redução do 
NADH + H+ origina 3 ATPs. Contudo, o FADH2 produz somente 2 ATPs, visto que transfere o seu 
equivalente redutor directamente à coenzima Q, o que significa que entra na cadeia respiratória 
depois do NADH, perdendo a 1ª bomba de protões8. 
Um outro fosfato de alta energia é formado no próprio ciclo, durante a conversão do Succinil-
CoA a ácido succínico. 
Assim 12 ATPs são formados por cada ciclo de ácido cítrico, e como cada molécula de glicose 
origina 2 ciclo, consideram-se 24 ATPs. 
 
Equivalentes redutores ATPs formados 
3 NADH + H+ 3 ATPs 
1 FADH2 2 ATPs 
Reacção: Succinil-CoA a ácido succínico 1 ATP 
Total: 12 ATPs 
1 Molécula de glicose → 2 Acetil-CoA 2 × 12 = 24 ATPs 
 
 
 
 
8 ver fosforilação oxidativa 
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6.d. Regulação 
 
O ciclo de Krebs é controlado fundamentalmente pela disponibilidade de substratos, inibição 
pelos produtos e por outros intermediários do ciclo. 
A actividade é imediatamente dependente do fornecimento dos co-factores oxidados das 
desidrogenases, os quais, por sua vez, devido à forte ligação entre a oxidação e a fosforilação na 
CTE, são dependentes da disponibilização de ADP e, portanto, da velocidade de utilização de ATP. 
Portanto, se houver suficiente fornecimento de O2, a velocidade de realização do trabalho através da 
utilização de ATP determina tanto a velocidade da reacção quanto a actividade do ciclo do ácido 
cítrico. 
Algumas enzimas, pelas suas propriedades, indicam também que o controlo pode ser efectuado 
ao nível do próprio ciclo. Estas são responsáveis pelo estado de energia expresso pelas relações 
ATP/ADP e NADH/NAD+: 
São 5 as enzimas que regulam a velocidade do Ciclo de Krebs, actuando na regulação do 
fornecimento de combustível para a via – Acetil-CoA – e no ciclo propriamente dito. 
 
6.d.i. REGULAÇÃO DA ENTRADA DE ACETIL-COA: 2 ENZIMAS: 
 
6.d.i.1. Complexo da Piruvato-Desidrogenase: 
• Sofre regulação alostérica e covalente. 
• A regulação covalente: fosfo e defosforilação: 
 
Piruvato Desidrogenase Activa 
(Defosforilada) 
↓ 
Piruvato Desidrogenase Inactiva 
(Fosforilada) 
 
• A regulação alostérica: Inibida por ATP, Acetil-CoA e NADH + H+ → “feed back” negativo. 
 
6.d.i.2. Citrato-Sintase: 
• Catalisa a 1ª etapa do ciclo; 
• Sofre regulação alostérica: é inibida pelo ácido cítrico, succinil-CoA e NADH + H+; 
• A concentração de ácido oxaloacético também é um factor importante de regulação da 
actividade desta enzima. 
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6.d.ii. REGULAÇÃO DA VIA PROPRIAMENTE DITA: 3 ENZIMAS: 
 
6.d.ii.1. Isocitrato-Desidrogenase: 
• Cataliza a 3ª etapa do ciclo; 
• Sofre regulação alostérica: é activada por ADP e inibida por NADH + H+ e NADPH. 
 
6.d.ii.2. α-Cetoglutarato-Desidrogenase: 
• Cataliza a etapa 4 do ciclo; 
• Também é alostérica e inibida por succinil-CoA. 
 
Estas desidrogenases mencionadas são estimuladas pelo ião cálcio. 
 
6.d.ii.3. Succinato desidrogenase: 
• É inibida pelo ácido oxaloacético. 
 
 
6.d.iii. REACÇÕES ANAPLERÓTICAS: 
Ou “reacções que completam”. São reacções que completam as concentrações de intermediários 
do Ciclo de Krebs, quando a concentração de um deles diminui na célula, garantindo assim a 
continuidade da via. 
Exemplo: carboxilação do ácido pirúvico a ácido oxaloacético: 
Ácido Pirúvico + CO2 + ATP + H2O → ácido Oxaloacético + ADP + Pi + H+ 
Enzima: Piruvato-Carboxilase 
 
 
Carlos Capela 
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6.e. O ciclo de Krebs como placa giratória do metabolismo 
 
Importantes vias metabólicas tem como produto final um constituinte do ciclo, enquanto outros 
se originam no ciclo. Estas vias compreendem processos como a Neoglicogénese, Transaminação, 
Desaminação e Síntese de ácidos gordos. Portanto, o ciclo do ácido cítrico desempenha funções 
tanto nos processos catabólicos quanto nos anabólicos, sendo por isso designado Anfibólico. 
Todos os metabólitos intermediários do ciclo desde o ácido cítrico até ao ácido oxaloacético são 
potencialmente glicogénicos, visto que podem originar uma produção efectiva de glicose no fígado 
ou no rim, uma vez que estes órgãos são os únicos que possuem as enzimas necessárias à 
neoglicogénese9. A enzima chave que permite a transferência efectiva para fora do ciclo, de um dos 
seus componentes, para a via da neoglicogénese, é a fosfoenolpiruvato-carboxicinase, que catalisa a 
descarboxilação do ácido oxaloacético a ácido fosfoenolpirúvico, funcionando o GTP como fonte de 
energia. 
As reacções de transaminação produzem ácido pirúvico a partir da alanina, ácido oxaloacético a 
partir do ácido aspártico e ácido α-cetoglutárico a partir do ácido glutâmico. Pelo facto de estas 
reacções serem reversíveis, o ciclo fornece também os esqueletos carbonados para a síntese de 
alguns dos aminoácidos não essenciais. Outros aminoácidos contribuem para a neoglicogénese, 
porque a totalidade ou parte dos seus esqueletos carbonados são introduzidos no ciclo depois da 
desaminação ou transaminação.10 
O acetil-CoA, formado a partir do ácido pirúvico, pela acção da piruvato-desidrogenase, é o 
principal composto que inicia a síntese dos ácidos gordos. No entanto, o acetil-CoA não consegue 
atravessar a membrana mitocondrial interna, e portanto tem que ser transformado em ácido cítrico 
para ser transportado para fora da mitocôndria, onde se refaz a acetil-CoA, uma vez que as enzimas 
responsáveis pela síntese dos ácidos gordos são extramitocondriais e a piruvato-desidrogenase é 
exclusivamente mitocondrial.11 
 
 
 
 
 
 
 
9 Ver Neoglicogénese 
10 Rever Metabolismo dos Aminoácidos 
11 Ver síntese de ácidos gordos no capítulo dos Lípidos 
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Por tudo isto, o ciclo de Krebs é a placa giratória do metabolismo intermediário. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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7.CADEIA TRANSPORTADORA DE ELECTRÕES 
 
 
7.a. Conceito: 
 
Também denominada por cadeia respiratória, é a via de convergência de todo o metabolismo 
aeróbio da célula; é formada por uma sequência de compostos transportadoresde electrões 
localizados na membrana mitocondrial interna, e dirige um fluxo de pares de electrões das 
coenzimas captadoras – NADH + H+, FADH2 – ao oxigénio molecular, com grande libertação de 
energia. 
O oxigénio, ao receber o par de electrões, reduz-se a água, e a energia libertada é dirigida para a 
síntese do ATP, num processo acoplado ao transporte de electrões chamado Fosforilação Oxidativa. 
 
½ O2 + 2 e- + 2H+ → H2O 
 
7.a.i. EQUAÇÃO TERMODINÂMICA DA REOXIDAÇÃO DAS COENZIMAS: 
 
NADH + H+ + ½ O2 → NAD+ + H2O ∆G = - 52,6 Kcal/Mol 
FADH2 + ½ O2 → FAD + H2O ∆G = - 43,4 Kcal/Mol 
 
 
7.b. A Cadeia de Transportadores: 
 
Os transportadores de electrões da cadeia respiratória e a sua sequência estão descritos a seguir: 
• NADH-Desidrogenase: É o primeiro transportador da sequência; recebe os pares de 
electrões do NADH e transfere-os para a Ubiquinona ou Coenzima Q. Possui um grupo 
prostético FMN – Flavina Mononucleotídeo – que intermedia o processo. 
NADH + H+ + FMN → NAD+ + FMNH2 
 
• Succinato-Desidrogenase: Actua no Ciclo de Krebs, e tem o FAD como grupo prostético. 
Transfere os electrões do FADH2 directamente para a Ubiquinona. 
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• Ubiquinona: Recebe os pares de electrões do NADH e do FADH2 e transfere-os para uma 
sequência de Hemeproteínas denominadas Citrocomos. 
 
• Os Citocromos distribuem-se em 3 classes principais: Citocromos a, b e c: 
o Citocromo b: É o primeiro citocromo da sequência a reduzir. Transfere os electrões da 
ubiquinona para o citocromo c1. 
o Citocromo c1: Recebe os electrões do b e transfere-os para o citocromo c. 
o Citocromo c: Transfere os electrões do c1 para o citocromo a. Difere dos outros 
citocromos por ser uma proteína hidrossolúvel. 
o Citocromo a: Transfere os electrões de c para o citocromo a3. 
o Citocromo a3: É o último citocromo da sequência, transferindo o par de electrões para o 
oxigénio, que o reduz, formando uma molécula de água. 
 
• Oxigénio: É o aceitador final de electrões da cadeia respiratória. A sua redução a água é a 
última etapa da respiração celular. 
 
 
NADH + H+ 
↓ 
FMN (NADH-Desidrogenase) 
↓ 
Ubiquinona ← FADH2 ← Ácido Succínico 
↓ 
Citocromo b 
↓ 
Citocrocromo c1 
↓ 
Citocromo c 
↓ 
Citocromo a 
↓ 
Citocromo a3 
↓ 
Oxigénio 
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7.c. Organização Multimolecular dos Transportadores de 
Electrões: 
 
Experiências através da actuação de detergentes sobre a membrana mitocondrial interna 
demonstraram que os transportadores de electrões, com excepção da ubiquinona e do citocromo c, 
estão organizados em 4 grandes complexos multimoleculares, a saber: 
• Complexo da NADH-Desidrogenase, ou Complexo I; 
• Complexo da Succinato-Desidrogenase ou Complexo II; 
• Complexo Citocromo bc1 ou Complexo III; 
• Complexo da Citocromo-Oxidase ou Complexo IV. 
 
 
 
 
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7.c.i. COMPLEXO I: 
É o maior dos 4 complexos; formado por 26 cadeias polipeptídicas, incluindo 7 centros de 
enxofre/ferro e a flavoproteina ligada ao FMN; 
O sítio de ligação com o NADH está voltado para a matriz mitocondrial, favorecendo a 
transferência de electrões. 
A ubiquinona reduzida pelo complexo I difunde-se pela bicamada lipídica da membrana 
mitocondria interna até o complexo III. A ubiquinona reduzida é a mediadora da transferência dos 
electrões dos complexos I e II ao complexo III. 
Os protões que acompanham os electrões são transferidos da matriz para o espaço 
intermembranar. 
 
7.c.ii. COMPLEXO II: 
Formado principalmente pela succinato-desidrogenase, a única enzima do ciclo de Krebs que se 
situa na membrana mitocondrial interna. 
Possui 4 sub-unidades, incluindo 2 proteínas com grupos enxofre/ferro, e uma delas ligada ao 
FAD. 
Os sítios de oxi-redução do ácido succínico do complexo II, estão voltados para a matriz 
mitocondrial. 
 
7.c.iii. COMPLEXO III: 
Formado por 2 tipos de citocromo b (bL e bH), pelo citocromo c1, uma proteína enxofre/ferro e 
entre 4 a 6 proteínas adicionais. 
O caminho dos electrões através do complexo III é sinuoso e complexo; o citocromo c que os 
recebe está localizado na camada fosfolipídica da membrana mitocondria interna do lado do espaço 
intermembranar da mitocôndria. O citocromo c, por ser hidrossolúvel, tem baixa afinidade para a 
bicamada lipídica da membrana mitocondria interna e difunde-se através desta, mediando a ligação 
entre os complexos III e IV. 
O processo leva ao transporte de electrões até o citocromo c, e ao bombeamento de protões da 
matriz mitocondrial para o espaço intermembranar. 
 
 
 
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7.c.iv. COMPLEXO IV: 
Contém cerca de 13 sub-unidades polipeptídicas, e 2 átomos de cobre, além dos grupos heme 
característicos dos citocromos a e a3. 
Os electrões doados pelo citocromo c são transportados através dos átomos de cobre e ferro até 
ao lado da matriz mitocondrial, onde vão reduzir o O2 em H2O. 
A redução incompleta do O2 pode levar à geração de espécies reactivas de oxigénio como o ião 
superóxido, o peróxido de hidrogénio e o radical hidroxilo, todos muito reactivos e tóxicos para as 
células. 
 
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8.FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA 
 
 
8.a. Conceito: 
 
Processo metabólico de síntese de ATP a partir da energia libertada pelo transporte de electrões 
na cadeia respiratória. 
 
• Depende de alguns factores: 
o Energia Livre: obtida do transporte de electrões; 
o Uma enzima transmembranar denominada ATPase. 
 
 
8.b. A Energia: 
 
Durante o fluxo de electrões ocorre a libertação de energia livre suficiente para a síntese de ATP 
em 3 locais da cadeia respiratória: Complexos I, III e IV. Estes locais são denominados “Sítios de 
Fosforilação Oxidativa”. 
Nestes locais a libertação de energia livre é em quantidade semelhante à necessária para a síntese 
do ATP. 
 
 
8.c. A Enzima ATPase: 
 
Também denominada por ATP Sintetase, ou F1FoATPase, ou ainda, oxissoma. 
É uma enzima de estrutura muito complexa, formada por 16 sub-unidades polipeptídicas 
distribuídas em 2 fracções funcionais: As fracções Fo e F1. 
 
8.c.i. A FRACÇÃO F1: 
É semelhante a uma maçaneta cujo cabo seria a fracção Fo. Está ligada à membrana mitocondrial 
interna, sempre voltada para o lado da matriz mitocondrial. 
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Possui 9 unidades polipeptídicas de 5 tipos diferentes – 3 α, 3 β, 1 γ, 1 δ e 1 ε – e vários sítios de 
ligação com o ATP, ADP e fosfato. 
Tem actividade de síntese do ATP, mas para isso precisa estar associada à fracção Fo. Quando 
dissociada de Fo, só é capaz de hidrolisar o ATP. 
 
8.c.ii. A FRACÇÃO FO: 
Actua como um canal de protões através da membrana mitocondrial interna. 
É formada por um conjunto de 9 a 12 polipéptidos localizados através da membrana mitocondrial 
interna, e está ligada à F1 sempre no lado da matriz mitocondrial. 
O “o” subscrito não é um zero, mas sim a letra inicial da palavra “oligomicina”, um potente 
inibidor desta enzima e, por consequência, da fosforilação oxidativa. 
 
 
 
 
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8.d. Acoplamento Entre Cadeia Respiratória e 
Fosforilação Oxidativa: 
 
“Como é que a energia libertada no transporte de electrões é utilizada pela célula para a 
síntese de ATP?” 
 
Várias hipóteses já foram apresentadas para tentar explicar o processo; 
Hipóteses como o “acoplamento químico”, ou o “acoplamento conformacional”, mas foram 
abandonadas por falta de evidências experimentais concretas. 
Actualmente, a hipótese aceita foi descrita por Peter Mitchellem 1961, e é designada por 
“Hipótese Quimiosmótica de Mitchell”. 
 
8.d.i. A HIPÓTESE QUIMIOSMÓTICA: 
Segundo Mitchell, as condições necessárias para que a fosforilação oxidativa ocorra são: 
• Uma bomba de protões na cadeia respiratória, criando um fluxo da matriz para o citosol; 
• Uma membrana mitocondrial interna íntegra e impermeável a protões; 
 
A partir desta situação, Mitchell prevê os seguintes eventos na membrana mitocondrial interna: 
• A Cadeia Respiratória, ao transportar os electrões utiliza a energia libertada para bombear 
protões da matriz para o citosol; 
• A membrana mitocondrial interna, por ser impermeável a protões, impede o retorno destes à 
matriz; 
• Gera-se assim um Gradiente Duplo – de pH e electrostático – através da membrana 
mitocondrial interna, que gera uma situação de elevada instabilidade e, por consequência, 
uma força que atrai os protões de volta à matriz; 
• Esta força, denominada Força Protão-Motriz, dirige o refluxo de protões para a matriz 
mitocondrial através dos canais de protões da enzima ATPase; 
• A passagem dos protões pela ATPase determina a síntese do ATP. 
 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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8.d.ii. SUPORTE EXPERIMENTAL DA TEORIA DE MITCHELL: 
Não existe nenhum intermediário rico em energia na Cadeia Respiratória e a fosforilação 
oxidativa requer uma membrana mitocondrial interna intacta. 
A membrana mitocondrial interna é impermeável a protões e outros iões como Cl-, OH- e K+. 
A fosforilação oxidativa pode ser inibida por agentes ionóforos (transportadores de iões) e 
desacopladores (transportadores de H+ através da membrana mitocondrial interna). 
O fluxo de electrões na cadeia respiratória ejecta protões da matriz mitocondrial para o espaço 
intermembranar da mitocondria. 
 
Carlos Capela 
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8.d.iii. TRANSPORTE DE SUBSTRATOS ATRAVÉS DA MEMBRANA 
MITOCONDRIAL INTERNA 
Como a membrana mitocondrial interna é altamente selectiva, existem através dela sistemas de 
transporte de ATP, ADP, Pi e equivalentes redutores do NADH que permitem a troca destes 
substratos entre a mitocondria e o citosol. 
 
8.d.iii.1. Transporte de Pi: 
Realizado por uma proteína específica que promove a troca de fosfato, que entra na matriz na 
forma de iões fosfórico H2PO4-, com hidroxilos OH-. 
 
8.d.iii.2. Transporte de ATP/ADP: 
A saída do ATP da matriz para o citosol está condicionada com a entrada do ADP. Este processo 
ocorre através da mesma proteína transportadora. 
 
8.d.iii.3. Transporte de Equivalentes Redutores: 
Os electrões do NADH que são obtidos em vias oxidativas citosólicas – como a cadeia 
glicolítica, por exemplo, entram na mitocondria através de um sistema de transporte conhecido como 
o Shuttle Ácido Málico/Acido Aspártico. 
Através deste processo, o ácido oxaloacético é reduzido a ácido málico no citosol, este atravessa 
a membrana mitocondrial interna para ser reoxidado a ácido oxaloacético com a redução do NAD+, 
agora na matriz mitocondrial. O processo ocorre com gasto de energia. 
 
 
Carlos Capela 
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8.e. Rendimento da Respiração Celular: 
 
Ao calcularmos o rendimento em ATPs da oxidação total de uma molécula de glicose, e 
considerando que cada par de electrões do NADH rende 3 ATPs, e cada par de electrões do FADH2 
rende 2 ATPs na fosforilação oxidativa, temos: 
 
Fenómeno Saldo Energético (ATPs) 
Glicólise 6 ou 8 
Descarboxilação oxidante do ácido pirúvico 6 
Ciclo de Krebs 24 
Total: 36 ou 38 
 
Este número pressupõe gasto de ATP zero em processos paralelos, o que não ocorre na prática. 
Aceita-se como um número mais realista 30 ATPs/Glicose o rendimento real, considerando-se a 
energia gasta durante todo o processo. 
 
Carlos Capela 
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9.METABOLISMO DO GLICOGÉNIO 
 
 
9.a. Introdução 
 
O glicogénio é a principal forma de armazenamento de hidratos de carbono nos animais, 
correspondendo ao amido nas plantas. 
Localiza-se preferencialmente no fígado e músculos, sendo a quantidade superior nos músculos, 
uma vez que a massa muscular é muito superior à massa do fígado. 
O glicogénio age como fonte rapidamente disponível de unidades de hexose para a glicólise, no 
músculo. O glicogénio hepático, por sua vez, encontra-se sobretudo relacionado com o 
armazenamento e libertação de unidades de glicose para a manutenção da glicose sanguínea – 
glicemia – particularmente no intervalo das refeições. 
 
 
9.b. Síntese – Glicogénese 
 
A Glicogénese é o processo pelo qual a glicose vai ser transformada em glicogénio. 
Logo que entra na célula, a glucose é fosforilada a glucose-6-P pela enzima hexocinase: 
 
 
 
A membrana celular é impermeável à glucose-6-fosfato, que pode por isso ser acumulada na 
célula. A glucose-6-fosfato será utilizada na síntese do glicogénio (uma forma de armazenamento de 
glucose), na síntese de outros compostos de carbono na via das pentoses fosfato, ou degradada para 
produzir energia – glicólise. 
Carlos Capela 
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Grandes quantidades de glucose-6-P dentro da célula provocam um aumento da pressão 
osmótica. Nessas condições a água terá tendência a entrar para dentro da célula, provocando um 
aumento do seu volume e eventual lise. Por isso, a glucose-6-P vai ser armazenada sob a forma de 
um polímero: o glicogénio. O glicogénio é um polissacárido pouco solúvel (e que portanto não 
provoca aumento da pressão osmótica), bastante ramificado e constituído exclusivamente por 
monómeros de glucose unidos entre si por ligações α-1,4 e α-1,6 (nas ramificações): 
 
Para poder ser utilizada na síntese do glicogénio, a glucose-6-fosfato é primeiro isomerizada a 
glucose-1-fosfato, pela enzima Fosfoglucomutase. 
 
 
 
A adição de glucose-1-P ao carbono 4’ de uma extremidade da cadeia de glicogénio não é uma 
reacção favorecida termodinamicamente em condições fisiológicas, uma vez que o potencial de 
transferência de fosfato das ligações C-O-P normais é bastante baixo. Por isso, a glucose-1-P vai ser 
activada, isto é, vai ser transformada numa espécie com alto potencial de transferência de fosfato, 
Carlos Capela 
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pela acção da UDP-Glicose pirofosforilase. Isto é conseguido por reacção com uridina trifosfatada 
(UTP, uma molécula análoga do ATP, mas com uridina no lugar da adenina). 
 
 
Esta reacção, só por si, não parece ser termodinamicamente favorável, pelo que se poderia pensar 
que não teria utilidade. No entanto, o pirofosfato (PPi) que se forma nesta reacção pode ser 
hidrolisado, numa reacção bastante exoenergética. A eliminação do PPi impele o equilíbrio no 
sentido de formação da UDP-glucose, ilustrando mais uma vez o princípio da utilização de uma 
reacção bastante exoenergética para tornar espontânea uma outra reacção que de outra forma não 
seria favorecida termodinamicamente. 
A UDP-glucose tem um elevado potencial de transferência de fosfato, o que lhe permite doar 
glucose à extremidade 4’ de uma cadeia de glicogénio (ligações α-1,4), numa reacção catalizada pela 
Glicogénio sintetase: 
 
 
Carlos Capela 
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A glicogénio sintetase só consegue adicionar glucose a cadeias de glicogénio pré-existentes ou 
primer, isto é, não é capaz de começar a síntese de uma nova molécula de glicogénio. A síntese do 
glicogénio é iniciada pela adição de uma molécula de glucose a um resíduo de tirosina de uma 
proteína denominada glicogenina. 
As ramificações (ligações α-1,6) são realizadas por uma “enzima ramificadora”. Esta actua 
sobre cadeias lineares de glicogénio com pelo menos 11 glicoses. A enzima ramificadora (amilo(1,4→1,6)-transglicosilase) transfere segmentos terminais de glicogénio de cerca de 7 resíduos de 
glicose para o grupo OH do carbono 6 de um resíduo de glucose (que pode estar na mesma ou noutra 
cadeia). As ramificações devem estar a pelo menos 4 resíduos de distância uma da outra. 
 
 
 
 7 UDP-Glicose
 7 UDP
Glicogénio 
 sintetase 
 Enzima 
ramificadora 
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9.c. Degradação – Glicogenólise 
 
A glicogenólise consiste na degradação de glicogénio a glicose. O glicogénio é degradado pela 
acção conjunta de três enzimas: 
• Glicogénio fosforilase (é uma cinase), que cliva uma ligação α-1,4 com fosfato inorgânico 
(Pi). Esta enzima remove os resíduos glicosil-1,4 das cadeias mais externas da molécula de 
glicogénio até restarem, aproximadamente, 4 resíduos de glucose por ramificação. Utiliza 
fosfato de piridoxal, um derivado da vitamina B6, como cofactor. É o passo limitante da 
glicogenólise e nele forma-se glicose-1-P. 
 
 
 
Uma molécula de glicogénio com ramos de apenas 4 glicoses (o que se denomina uma “dextrina-
limite”) não pode ser degradada apenas pela glicogénio fosforilase. Necessita da acção da enzima 
seguinte: 
• Enzima desramificadora do glicogénio: transfere três resíduos de glicose de um ramo 
limite para outro ramo. O último resíduo da ramificação (com uma ligação α-1,6) é eliminado 
por hidrólise, dando como resultado glucose livre e glicogénio desramificado. A hidrólise é 
catalizada pela mesma enzima desramificadora. 
Carlos Capela 
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A glicogénio fosforilase é bastante mais rápida do que a enzima desramificadora, pelo que os 
ramos exteriores do glicogénio são degradados muito rapidamente no músculo em poucos segundos 
quando é necessária muita energia. A degradação do glicogénio para lá deste ponto exige a enzima 
desramificadora e é portanto mais lenta, o que explica em parte o facto do músculo só poder exercer 
a sua máxima força durante poucos segundos. 
• Fosfoglucomutase: cataliza a isomerização de glucose-1-P a glucose-6-P, e vice-versa: 
 
 
 
Carlos Capela 
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A glucose 6-fosfato pode então ser utilizada na glicólise. Ao contrário do músculo, o fígado (e 
em menor extensão, o rim) possui glucose-6-fosfatase, uma enzima hidrolítica que cataliza a 
desfosforilação da glucose 6-fosfato, o que lhe permite fornecer glucose ao resto do organismo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9.d. Regulação do metabolismo do glicogénio 
 
A regulação do metabolismo do glicogénio faz-se, essencialmente, através de duas enzimas 
fundamentais, a glicogénio sintetase e a glicogénio fosforilase. O cAMP (é um sinalizador de baixos 
níveis energéticos) desempenha, um papel fundamental na regulação destas enzimas, pois medeando 
a fosforilação destas enzimas, inibe a sintetase e estimula a fosforilase, actuando, assim, no sentido 
da glicogenólise. 
A glicogénio sintetase existe sob duas formas. A forma a, não fosforilada, activa, e a forma b, 
fosforilada, inactiva. A forma a é fosforilada por uma quinase. A quinase tem, por sua vez, uma 
forma inactiva (I) e uma forma activa (A). A forma I é activada pelo cAMP. 
 
 
Carlos Capela 
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A glicogénio fosforilase também existe sob duas formas: a e b. A forma a é activa e a forma b 
não. A forma b converte-se na forma a pela acção da quinase, na presença de ATP e Mg2+. Como 
vimos anteriormente, a quinase existe sob duas formas – activa (A) e inactiva (I) – intervindo na 
activação o cAMP formado pela adenilciclase. 
As fosforilações geralmente dão-se nos resíduos de serina, originando-se fosfoserina. 
 
 
 
A desfosforilação é assegurada principalmente pela fosfoproteína fosfatase I, que pode 
desfosforilar a glicogénio sintetase, a glicogénio fosforilase e a quinase. Esta converte a glicogénio 
fosforilase a na forma b, a glicogénio sintetase b na glicogénio sintetase a, e inactiva a quinase. 
A fosfoproteína fosfatase é inibida pelo inibidor proteico I, que se forma por fosforilação da sua 
forma inactiva pela proteína quinase formada pelo cAMP. O inibidor é inactivado ao ser 
desfosforilado por uma fosfoproteína fosfatase I. 
 
Carlos Capela 
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Podemos concluir que o principal regulador do metabolismo do glicogénio é o cAMP, pois 
estimula a glicogenólise e inibe a glicogénese dependendo, portanto, o sentido do metabolismo do 
glicogénio do balanço dos mecanismos estimuladores e inibidores do cAMP. 
 
 
9.d.i. REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÉNIO NO 
MÚSCULO 
 
9.d.i.1. A Epinefrina ou Adrenalina 
Em situações de stress, a medula supra-renal liberta para a circulação grandes quantidades de 
adrenalina e alguma nor-adrenalina. Estas hormonas estimulam a produção de cAMP e 
consequentemente a glicogenólise. A adrenalina combina-se com uma proteína específica existente 
no interior da membrana, o receptor adrenérgico. O complexo adrenalina-receptor na presença de 
GTP combina-se com a proteína G, que traduz o sinal capaz de activar a adenilciclase. 
 
 
Carlos Capela 
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9.d.i.2. A insulina 
A insulina facilita o transporte da glicose para o interior da célula, estimula a glicogénio sintetase 
favorecendo, assim, a glicogénese, uma vez activa a fosfoproteína fosfatase I. É uma hormona 
hipoglicemiante. 
 
 
9.d.ii. REGULAÇÃO DO METABOLISMO DO GLICOGÉNIO NO FÍGADO 
A regulação do metabolismo do glicogénio no fígado utiliza os mesmos mecanismos gerais que 
descrevemos para o músculo, embora haja diferenças quanto às hormonas intervenientes. 
 
9.d.ii.1. O Glucagón ou Glucagina 
No fígado, a glucagina toma o lugar da adrenalina. Como resposta a uma descida da glicemia 
(hipoglicémia), as células do pâncreas (células α dos ilhéus de Langerhans) secretam glucagina que, 
ao combinar-se a um receptor específico da membrana celular, estimula a adenilciclase (por um 
mecanismo semelhante ao da adrenalina), favorecendo assim, a glicogenólise. A glicose-6-fosfato, 
formada pela glicogenólise no fígado, pode transformar-se em glicose pela acção da glicose-6-
fosfatase, enzima que não existe no músculo. A glicose é exportada para a corrente sanguínea, 
repondo assim os valores normais de glicemia. É uma hormona hiperglicemiante. 
 
9.d.ii.2. Cálcio 
O aumento do cálcio citoplasmático tem também um efeito regulador. O aumento dos níveis de 
cálcio deve-se a 2 hormonas: a vasopressina ou ADH e a adrenalina. 
Tanto a vasopressina como a adrenalina combinam-se com receptores específicos que, no caso 
da adrenalina são os receptores adrenérgicos. O complexo hormona-receptor vai activar um lípido da 
membrana, o fosfatidil-inositol-4,5-bisfosfato, que se irá cindir em dois mensageiros, o inositol-
1,4,5-trifosfato (IP3) e o 1,2-diacilglicerol. O IP3 liberta cálcio do retículo endoplasmático, que por 
sua vez, irá activar a quinase. O 1,2-diacilglicerol activa directamente a quinase. Em suma, a acção 
destes dois mensageiros conduz à glicogenólise. 
 
 
 
Carlos Capela 
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9.d.ii.3. A insulina 
A insulina estimula a glicogénio sintetase favorecendo, assim, a glicogénese, uma vez que activa 
a fosfoproteína fosfatase I. É uma hormona hipoglicemiante. 
 
9.d.ii.4. Glicose 
A glicose tem uma acção reguladora, uma vez que se combina com a glicogénio fosforilase a 
convertendo-a num substrato óptimo para as fosfatases. Por outro lado, activa a glicogénio sintetase. 
Em suma, o excesso de glicose favorece a glicogénese. 
 
 
Carlos Capela 
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10. NEOGLICOGÉNESE10.a. Introdução 
 
Existem duas formas principais de manter os níveis de glucose no sangue entre as refeições: a 
degradação do glicogénio e a Neoglicogénese ou Gliconeogénese. 
Define-se Neoglicogénese como a formação de glicose a partir de material não glucídico e 
do ácido láctico. 
Os órgãos com elevada capacidade neoglicolítica são o Fígado e o Rim. Estes processos 
realizam-se em situações de fome prolongada. 
As reacções irreversíveis da glicose impedem que a neoglicogénese seja uma simples 
reversão do processo. Há 3 reacções que, por razões de ordens termodinâmica, não são reversíveis 
nas condições fisiológicas: 
 
• Transformação do Ácido Fosfoenolpirúvico em Ácido Pirúvico – Piruvato-cinase 
 
 
 
• Fosforilação da Frutose-6-fosfato a Frutose-1,6-Bisfosfato – Fosfofrutocinase I 
 
 
Carlos Capela 
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• Fosforilação da glicose a glicose-6-fosfato – Glicocinase ou Hexocinase 
 
 
 
A estes níveis, a neoglicogénese utiliza reacções catalisadas por enzimas diferentes. 
 
Glicólise Neoglicogénese 
• Hexocinase • Glucose-6-fosfatase 
• Fosfofrutocinase I • Frutose-1,6-bisfosfatase 
• Piruvato cinase • Piruvato-carboxilase 
• Fosfoenolpiruvato-carboxicinase 
 
 
10.b. Substratos da Neoglicogénese 
 
10.b.i. AMINOÁCIDOS GLICOGÉNICOS OU GLICOFORMADORES 
Aminoácidos que por desaminação ou transaminação originam ácido pirúvico ou 
intermediários do Ciclo de Krebs: 
• Ácido α-cetoglutárico: ácido glutâmico, glutamina, histidina, arginina e prolina; 
• Ácido Oxaloacético: ácido aspártico e asparagina; 
• Ácido Pirúvico: alanina, triptofano, serina, treonina, cisteína e glicina; 
• Succinil-CoA: treonina, valina, isoleucina e metionina; 
• Ácido Fumárico: tirosina e fenilalanina. 
 
 
 
Carlos Capela 
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10.b.ii. LÍPIDOS 
• GLICEROL: é um dos produtos do metabolismo do tecido adiposo e só os tecidos que 
possuem a enzima activadora, a Glicerolcinase, podem utilizá-lo. Esta requer ATP e 
catalisa a conversão de Glicerol a Glicerol-3-fosfato. Este vai ser oxidado a Di-
hidroxiacetona fosfato pelo NAD+, na presença da Glicerol-3-P-desidrogenase. Esta 
enzima é encontrada entre outros tecidos, especialmente no fígado e nos rins. 
• ÁCIDOS GORDOS: os ácidos gordos com um número par de carbonos originam Acetil-
CoA. Por outro lado, o Acetil-CoA activa a Piruvato-carboxilase e inibe a Piruvato-
desidrogenase. Os ácidos gordos com um número impar de carbonos, para além de 
originarem Acetil-CoA, também originam Proprionil-CoA, que depois se transforma em 
Succinil-CoA. 
 
10.b.iii. OUTROS AÇÚCARES 
A frutose, a galactose e a manose podem entrar na via da neoglucogénese.12 
 
10.c. Neoglicogénese ou Gliconeogénese 
 
Na gluconeogénese, cada um dos passos irreversíveis da glicólise, é substituído por reacções 
termodinamicamente favoráveis. 
 
10.c.i. TRANSFORMAÇÃO DO ÁCIDO PIRÚVICO EM ÁCIDO 
FOSFOENOLPIRÚVICO 
Dos três passos, a síntese do Ácido fosfoenolpirúvico a partir do ácido pirúvico é o mais 
exigente em termos energéticos, por ter um ∆G bastante positivo. Para ultrapassar a barreira 
termodinâmica, esta reacção vai ser acoplada a uma descarboxilação, uma estratégia usada 
frequentemente pela célula para impelir um equilíbrio no sentido da formação de produtos, como se 
viu em várias reacções do ciclo de Krebs. Como quer o ácido pirúvico quer o ácido 
fosfoenolpirúvico (PEP) são compostos com três carbonos, isto implica uma carboxilação prévia, 
cuja energia provém da hidrólise do ATP. A descarboxilação do ácido oxaloacético assim formado 
produz a energia necessária para a fosforilação do carbono 2 pelo GTP, dando origem ao PEP (numa 
reacção catalizada pela fosfoenolpiruvato carboxicinase – PEPCK). 
 
12 Ver o metabolismo das outras oses 
Carlos Capela 
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A enzima responsável pela carboxilação do ácido pirúvico (a piruvato carboxilase) existe na 
matriz mitocondrial, e contém biotina (uma coenzima transportadora de CO2 retirado ao HCO3-); ao 
passo que as outras enzimas da neoglicogénese são citoplasmáticas. Por outro lado o ácido 
oxaloacético (OAA) formado nesta reacção é incapaz de atravessar a membrana interna da 
mitocôndria. Como resolve o organismo este problema? 
Pode sair da mitocôndria apenas depois de transformado em ácido Málico ou Aspártico. A 
escolha do processo depende da disponibilidade de NADH (necessário para a gluconeogénese) no 
citoplasma. Se houver NADH suficiente no citoplasma (por exemplo: se se estiver a realizar 
gluconeogénese a partir do ácido láctico) o OAA é transaminado a ácido Aspártico. Caso contrário, 
Ácido pirúvico 
Ácido Oxaloacético 
Ácido Málico 
Piruvato-carboxilase 
Ácido Fosfoenolpirúvico 
Ácido Málico 
Ácido Oxaloacético 
Malato-desidrogenase (mit.) 
Malato-desidrogenase (cit.)
Fosfoenolpiruvato-carboxicinase (cit.)
Carlos Capela 
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o OAA é reduzido a ácido málico, que sai da mitocôndria para o citoplasma, onde é novamente 
oxidado a OAA com produção simultânea de NADH. O OAA é então descarboxilado a PEP pela 
PEPCK citoplasmática. Em humanos, existe também uma PEPCK mitocondrial. 
 
10.c.ii. CONVERSÃO DA FRUTOSE-1,6-BISFOSFATO À FRUTOSE-6-
FOSFATO E HIDRÓLISE DA GLICOSE-6-FOSFATO 
As reacções catalizadas pela fosfofrutocinase I e pela hexocinase são substituídas na 
gluconeogénese por reacções hidrolíticas. Neste ponto, em vez de fosforilar ADP a ATP (o inverso 
da glicólise, mas desfavorecido termodinamicamente em condições fisiológicas), ocorre a libertação 
do fosfato por hidrólise. Esta é a enzima chave, no sentido que a sua presença determina se um 
tecido é ou não é capaz de ressintetizar o glicogénio ou glicose a partir do ácido pirúvico e das 
triose-fosfato. Julga-se que não existe nos músculos cardíacos e liso. 
 
 
A frutose 1,6-bisfosfatase existe em quase todos os tecidos, mas a glucose-6-fosfatase 
existe apenas no fígado e no rim, o que lhes permite fornecer glucose ao resto do organismo. A 
glicose só pode passar através da membrana celular para o meio exterior depois de desfosforilada. 
Esta enzima encontra-se na membrana do Retículo endoplasmático. 
 
 
 
Carlos Capela 
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10.d. Balanço energético 
 
A síntese de glicose requer ATP. São necessárias 6 moléculas de ATP para a síntese de uma 
molécula de glicose a partir de 2 moléculas de ácido láctico. O ATP de que as células hepáticas 
necessitam para a síntese de glicose é fornecido em grande parte pela oxidação dos ácidos gordos. 
As condições metabólicas sob as quais o fígado deve sintetizar a glicose, favorecem, geralmente, um 
aumento na disponibilidade de ácidos gordos no sangue provenientes das reservas adiposas. Esses 
ácidos gordos são oxidados, pelas mitocôndrias hepáticas a corpos cetónicos com a produção 
concomitante de grandes quantidades de ATP. Esse ATP é utilizado para suportar as necessidades 
energéticas da neoglicogénese, independentemente do substrato usado como fonte de carbono para o 
processo. 
 
 
10.e. Regulação 
 
A glicólise e a neoglicogénese são controladas pelos mecanismos para que seja possível que 
apenas uma das vias funcione. A inibição da glicólise nos seus pontos principais, ou a repressão da 
síntese das enzimas envolvidas nesses pontos, favorece a efectividade das enzimas neoglicogénicas 
opostas. 
A fosfofrutocinase é estimulada pelo AMP e inibida pelo ATP e ácido cítrico. Estes têm uma 
acção oposta sobre a frutose-1,6-bisfosfatase. Assim, quando há um baixo nível energético, indicado 
por concentrações baixas de ATP e elevadas de AMP, a frutose-1,6-bisfosfataseé inibida e a 
glicólise favorecida. Por outro lado, quando o nível energético é elevado, indicado por elevadas 
concentrações de ATP, frutose-1,6-bisfosfatase é activada enquanto a fosfofrutocinase é inibida, 
favorecendo assim a neoglicogénese. 
A frutose-2,6-bisfosfato também tem uma acção regulatória.13 
A piruvato-cinase é inibida pelo ATP e alanina, ao contrário da carboxicinase, que é inibida 
pelo ADP e estimulada pelo ATP e acetil-CoA. Aqui, também, os elevados níveis energéticos 
favorecem a neoglicogénese e os baixos níveis a glicólise. 
Para melhor explicitar esta regulação, temos como exemplo, a oxidação de ácidos gordos. 
Esta oxidação faz mais do que simplesmente fornecer ATP para o processo. Promove a síntese de 
glicose, através do aumento da concentração no estado estacionário de Acetil-CoA mitocondrial, um 
 
13 Ver regulação da glicólise: regulação da via propriamente dita. 
Carlos Capela 
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efector alostérico positivo da Piruvato-carboxilase mitocondrial. A elevação de acetil-CoA e da 
actividade da Piruvato-Carboxilase resulta numa maior síntese de ácido cítrico, um efector negativo 
da fosfofrutocinase e positivo da frutose-1,6-bisfosfatase. A inibição desta enzima provoca uma 
diminuição na concentração de Frutose-1,6-bisfosfato, um activador da piruvato-cinase. Assim, 
reduz-se o fluxo do ácido fosfoenolpirúvico a ácido pirúvico, pela acção da piruvato-cinase, 
aumentando por outro lado os esforços combinados da piruvato-carboxilase e da fosfoenolpiruvato-
carboxicinase, na conversão do ácido pirúvico a ácido fosfoenolpirúvico. 
Em suma, um aumento dos níveis de ATP, com o consequente decréscimo dos níveis de 
AMP, favorece a neoglicogénese através da inibição da fosfofrutocinase e da piruvato-cinase, e da 
activação da frutose-1,6-bisfosfatase. 
Para terminar, é de referir que esta regulação faz-se não só de um modo passivo, regulando-
se a actividade das enzimas, mas também a sua síntese, alterando-se, essencialmente, a velocidade de 
transcrição. Por exemplo, a insulina, estimula a síntese de fosfofrutocinase e da piruvato-cinase, 
enquanto a glucagina têm uma acção oposta. 
 
Carlos Capela 
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Carlos Capela 
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10.f. Ciclos dos Cori e de Felig14 
 
Dois ciclos importantes entre tecidos que envolvem a neoglicogénese são conhecidos, o ciclo 
dos Cori e o ciclo de Felig ou da Alanina. Estes ciclos dependem da neoglicogénese no fígado, 
seguida da libertação da glicose e o seu uso num tecido periférico. 
 
10.f.i. CICLO DOS CORI 
No músculo, no decorrer de um esforço muscular intenso, forma-se ácido láctico. Este tecido, 
não tem a capacidade de fazer a reacção inversa, para que o ácido láctico se converta em ácido 
pirúvico. Por isso, o ácido láctico é transportado para o fígado ou para o rim, para aí ser oxidado a 
ácido pirúvico. 
 
 
 
10.f.ii. CICLO DA ALANINA OU CICLO DE FEHLIG 
Como o músculo não tem enzimas neoglicogénicas chave, o ácido pirúvico não se poderá 
converter em ácido fosfoenolpirúvico. Todavia, no músculo, o ácido pirúvico pode sofrer uma 
transaminação, originando alanina (uma das formas de transporte da amónia), que pode ir para o 
fígado e aí ser reconvertida em ácido pirúvico e entrar na neoglicogénese. 
 
 
 
14 Para os exemplos, utilizou-se o músculo, mas pode ser qualquer tecido que não tenha as enzimas neoglicogénicas 
chave, ou seja, a capacidade de converter o ácido láctico a ácido pirúvico; e/ou este ultimo a ácido fosfoenolpirúvico. 
Carlos Capela 
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Em suma, como o músculo não tem enzimas neoglicogénicas chave, o ácido pirúvico é 
transportado ao fígado sob a forma de ácido láctico (ciclo dos Cori), ou como alanina (ciclo de 
Fehlig). 
 
Carlos Capela 
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11. HOMEOSTASE DA GLICOSE 
O fígado dos mamíferos é o directo responsável pela manutenção dos níveis normais da 
glicemia. 
Quando o teor em glicose do sangue portal é elevado, o fígado aumenta a absorção de glicose, e 
quando é baixo, liberta glicose. Por outras palavras, quando há excesso de glúcidos, funciona a 
glicólise e a glicogénese; quando há falta, funciona a glicogenólise e a neoglicogénese. 
 
 
11.a. Regulação Hormonal 
 
O papel das hormonas já foi referido anteriormente. Aqui, iremos aborda-las numa visão de 
conjunto. 
 
11.a.i. O CAMP 
Muitas hormonas utilizam o cAMP como segundo mensageiro através do sistema da 
adenilciclase, e algumas podem actuar na sua destruição. O cAMP sinaliza um baixo nível 
energético. 
A acção do cAMP está relacionada com a formação de glicose pois estimula a neoglicogénese e 
a glicogenólise, inibindo a glicólise. 
 
11.a.ii. OS GLICOCORTICÓIDES – O CORTISOL 
Os glicocorticóides, sintetizados e secretados pelo cortéx da supra-renal, dos quais o seu 
representante mais quantitativo é o cortisol, actuam pelos seguintes mecanismos: 
• Permitem a neoglicogénese a partir das proteínas e lípidos, uma vez que aceleram os 
catabolismos proteicos e lipídicos; 
• Ao activarem o metabolismo dos lípidos, forma-se mais acetil-CoA que activa a piruvato 
carboxilase e a frutose-1,6-bisfosfatase, inibindo pelo outro lado, a enzimas glicolíticas 
chave; 
• Induz a síntese das enzimas neoglicogénicas, uma vez que acelera a sua transcrição. 
Em suma, estes mecanismos estimulam a neoglicogénese e inibem a glicólise. Os 
glicocorticóides são hormonas hiperglicemiantes. 
Carlos Capela 
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11.a.iii. A INSULINA 
A insulina tem uma acção fundamental sobre o metabolismo glucídico. Para além de promover a 
entrada de glicose nas células. Para além desta importante acção, possui outras como: 
• Estimulação e indução das enzimas glicolíticas chave; 
• Inibição das enzimas neoglicogénicas chave; 
• Indução das enzimas da lipogénese; 
• Diminuição da lipólise. 
Em suma, a acção da insulina está ligada à diminuição da glicose, estimulando a glicogénese e 
muito especialmente, a glicólise e estimulando a transformação de glúcidos em lípidos. É uma 
hormona hipoglicemiante. 
 
11.a.iv. A GLUCAGINA E A ADRENALINA 
A glucagina e a adrenalina têm uma acção oposta à da insulina pois estimulam o cAMP. A 
adrenalina tem um efeito mais poderoso do que a glucagina. 
 
 
11.b. Fígado e Rim 
 
O fígado é o órgão fundamental na regulação da glicemia. Funciona como uma reserva de 
glicose na forma de glicogénio. É o órgão que possui a maior reserva de glicose, só superado pelo 
tecido muscular, uma vez que a massa deste é bastante superior à sua. 
Basicamente, tem como função descer a glicemia quando está elevada, e elevá-la quando está 
baixa, mantendo-a dentro dos parâmetros biológicos recomendados, necessários à homeostase do 
organismo. 
O rim desempenha um importante papel, pois é responsável pela reabsorção de glicose até 
valores séricos de cerca de 180 mg/100 ml, a partir dos quais o rim elimina a glicose na urina 
(glicosúria). A glicosúria é um dos sinais da diabetes mellitus. 
 
 
Carlos Capela 
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11.c. Outros órgãos e tecidos 
 
11.c.i. O MÚSCULO 
A insulina facilita a entrada de glicose nas células musculares, sendo esta passagem um factor 
limitante e constituindo, assim, um sistema de regulação do metabolismo da glicose, criando 
limitações à quantidade de glicose disponível para a glicólise e glicogénese. 
A adrenalina estimula a glicogenólise com a formação final de glicose-6-fosfato, mas como o 
músculo não possui a enzima glicose-6-fosfatase, toda a glicose-6-fosfato seguirá a via glicolítica.11.c.ii. O TECIDO ADIPOSO 
A insulina promove no tecido adiposo a lipogénese, devido ao excesso de acetil-CoA e ATP 
fornecidos pela glicose. Como iremos ver no capítulo dos lípidos, os glícidos são passíveis de ser 
transformados a ácidos gordos. É por esta razão que a ingestão de grandes quantidades de glúcidos 
também provoca um acréscimo do tecido adiposo. 
 
11.c.iii. CÉREBRO 
Ao contrário das outras células do nosso organismo, que consomem, para a formação de energia, 
não só glicose, mas também ácidos gordos livres (FFA) e corpos cetónicos, as células cerebrais 
utilizam unicamente a glicose. Em situações de hipoglicémia prolongada, podem também utilizar 
corpos cetónicos como fonte de energia. 
A glicose entra nas células cerebrais em função de um gradiente de concentração, sem qualquer 
acção da insulina (o Glut 3 é independente da insulina). 
 
Carlos Capela 
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12. METABOLISMO DAS OUTRAS OSES 
A maior parte das transformações das oses em energia, faz-se através do metabolismo do 
glicogénio e da glicose. As outras hexoses transformam-se em glicose ou intermediários da glicólise, 
assim como a glicose pode originar várias hexoses. 
 
 
12.a. A frutose 
 
O metabolismo da frutose pode seguir dois caminhos: 
1. A hexocinase pode transformar a frutose em frutose-6-fosfato que será catabolisada a 
glicose-6-fosfato. Esta via é pouco significativa. 
2. A frutocinase transforma a frutose em frutose-1-fosfato, que seguidamente, pela acção da 
frutose-1-fosfato aldolase, se cinde em gliceraldeído e dihidroxiacetona fosfato. O 
gliceraldeído é fosforilado pela tioquinase, originando o gliceraldeído-3-fosfato. A triose 
isomerase converte dihidroxiacetona fosfato em gliceraldeído-3-fosfato. Desta maneira a 
frutose entra na glicólise através de 2 moléculas de gliceraldeído-3-fosfato. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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12.b. A Galactose 
 
A galactose, pela acção da galactocinase, é fosforilada em galactose-1-fosfato, que combinando-
se com a UDP-glicose, forma a UDP-galactose, que seguidamente, se epimeriza em UDP glicose 
pela acção da UDP glicose epimerase. 
 
 
 
 
Carlos Capela 
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12.c. O Ácido Glicurónico 
 
12.c.i. SÍNTESE 
A primeira etapa é a formação de UDP-Glicose. A glicose-6-fosfato será isomerizada em 
glicose-1-fosfato pela fosfoglucomutase. Pela acção da UDP-Glicose pirofosforilase, a glicose-1-
fosfato combina-se com o UTP originando UDP-Glicose. 
A UDP-glicose pela oxidação do álcool primário em C6 formará o UDP-glicuronato, que em 
seguida, dará o ácido glicurónico. 
 
12.c.ii. CATABOLISMO 
O ácido glicurónico transforma-se em L-xilulose. A L-xilulose isomerisar-se-á em D-xilulose 
que entrara no ciclo de Dickens-Horecker. 
 
 
 
Carlos Capela 
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E. ANEXOS 
 
 
 
1.PARA SABER MAIS … OS TRANSPORTADORES 
DE GLICOSE 
 
1.a. Introdução 
 
A insulina é produzida em resposta à hiperglicémia. Esta quando captada pelos receptores 
específicos na membrana plasmática das células promove a libertação de transportadores do interior 
da célula para a membrana, sob a forma de vesícula de secreção. 
O número ou a afinidade dos receptores de insulina – ou ambos – são afectados pela insulina e 
por outras hormonas. A exposição a quantidades aumentadas de insulina diminui a concentração de 
receptores (“down-regulation”), enquanto a exposição a níveis diminuídos de insulina aumenta a 
afinidade e o número. 
 
 
1.b. Transportadores de Glicose 
 
A glicose penetra nas células por difusão facilitada, ou no intestino e nos rins por transporte 
activo secundário com o Na+. No músculo, no tecido adiposo e em alguns outros tecidos, ela facilita 
a sua própria entrada nas células, aumentando o número de transportadores de glicose nas 
membranas celulares. 
Os transportadores de glicose responsáveis pela sua difusão facilitada através das membranas 
celulares constituem uma família de proteínas estreitamente relacionadas que atravessam a 
membrana celular 12 vezes. 
 
Carlos Capela 
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Diferem dos transportadores de glicose dependentes de sódio SGLT 1 e SGLT 2, com os quais 
não tem qualquer homologia, embora os SGLT também apresentem 12 domínios transmembranares; 
o SGLT 1 e o SGLT 2 são responsáveis pelo transporte activo secundário de glicose para fora do 
intestino e dos túbulos renais. 
Particularmente nos segmentos transmembranares helicoidais 3, 5, 7 e 11, os aminoácidos dos 
transportadores facilitadores parecem circundar canais pelos quais a glicose pode penetrar. Supõe-se 
que a conformação modifica-se e a glicose é libertada no interior da célula. 
Foram caracterizados sete transportadores diferentes de glicose, designados pela sua ordem de 
descoberta GLUT 1 a GLUT 7. Eles contêm 492 a 524 aminoácidos e sua afinidade pela glicose 
varia. Cada transportador parece ter evoluído para exercer tarefas especiais. O GLUT 4 é o 
transportador no tecido muscular e adiposo, sendo estimulado pela insulina. O reservatório de 
moléculas de GLUT 4 é mantido no citoplasma das células sensíveis à insulina e, quando essas 
células são expostas à insulina, os transportadores deslocam-se rapidamente para a membrana 
celular, aparentemente por exocitose. Quando cessa a estimulação pela insulina, os transportadores 
retomam ao citoplasma, provavelmente por endocitose, ficando prontos para a próxima exposição à 
insulina. Os outros transportadores GLUT parecem permanecer na membrana celular. 
Nos tecidos em que a insulina aumenta o número de transportadores de glicose na membrana 
celular, a fosforilação da glicose uma vez no interior da célula é regulada por outras hormonas. 
Tanto a hormona do crescimento (GH) quanto o cortisol inibem a fosforilação em certos tecidos. 
Entretanto, o processo normalmente é tão rápido que só constitui uma etapa limitadora da velocidade 
do metabolismo da glicose quando a entrada de glicose está elevada. 
A insulina também aumenta a entrada da glicose nos hepatócitos, porém não exerce esse efeito 
por aumento do número de transportadores GLUT 4 nas membranas celulares. Na verdade, ela induz 
a hexocinase, que aumenta a fosforilação da glicose de modo que a concentração intracelular de 
glicose livre permanece baixa, facilitando a sua entrada no interior da célula. 
Orientação da proteína transportadora de 
glicose na membrana plasmática. Existem 12 
domínios que atravessam a membrana, 
indicados pelas áreas sombreadas, e um local 
de glicosilação (CHO) no exterior da 
membrana. As extremidades aminoterminal e 
carboxiterminal localizam-se no citoplasma no 
interior da célula. 
 
Carlos Capela 
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 Função Km (mM)15 Principais locais de expressão
Transporte activo secundário (co-transporte de Na+-Glicose) 
SGLT 1 Absorção de Glicose 0,1 a 1,0 Intestino delgado, túbulos renais 
SGLT 2 Absorção de Glicose 1,6 Túbulos renais 
Difusão Facilitada 
GLUT 1 Captação basal de glicose 1 a 2 Placenta, barreira hematoencefálica, 
cérebro, eritrócitos, rins, cólon, e muitos 
outros órgãos. 
GLUT 2 Sensor de glicose das células β; 
transporte para fora das células 
epiteliais intestinais e renais 
12 a 20 Células β dos ilhéus de Langerhans, fígado, 
células epiteliais do intestino delgado, rins 
GLUT 3 Captação basal de glicose <1 Cérebro, placenta, rins, e outros órgãos 
GLUT 4 Captação de glicose, 
estimulada pela insulina 
5 Músculo esquelético e cardíaco, tecido 
adiposo, e outros tecidos 
GLUT 5 Transporte de frutose 1 a 2 Jejuno, esperma 
GLUT 6 Nenhuma − Pseudogene 
GLUT 7 Transportadorde glicose-6-
fosfato no retículo 
endoplasmático 
− Fígado, outros órgãos? 
 
 
 
15 Km é a concentração de glicose em que o transporte corresponde à metade do valor máximo. 
Carlos Capela 
Glúcidos página 116 de 122 
1.c. A absorção de glúcidos 
 
As hexoses e pentoses são rapidamente absorvidas através da parede do intestino delgado. 
Praticamente todas as hexoses são removidas antes de alcançarem a porção terminal do íleon. As 
moléculas de açúcar passam das células da mucosa para o sangue, alcançando posteriormente a veia 
porta. 
O transporte da maioria das hexoses é singularmente afectado pela quantidade de Na+ no lúmen 
intestinal; a presença de elevada concentração de Na+ na superfície das células da mucosa facilita o 
influxo de açúcar para as células epiteliais, sendo inibido por baixas concentrações de Na+, porque a 
glicose e o Na+ compartilham o mesmo co-transportador ou simporter, o transportador de glicose 
dependente de sódio (SGLT, sodium-dependent glucose transporter, co-transportador de Na+-
glicose). Os membros dessa família de transportadores, SGLT 1 e SGLT 2, assemelham-se aos 
transportadores de glicose responsáveis pela difusão facilitada, uma vez que cruzam a membrana 
celular 12 vezes, possuindo as suas extremidades –COOH e –NH2 terminais no lado citoplasmático 
da membrana. Entretanto não existe qualquer homologia com a série GLUT de transportadores, o 
SGLT 1 e o SGLT 2 também são responsáveis pelo transporte da glicose para fora dos túbulos 
renais. 
Como a concentração intracelular de Na+ é baixa nas células intestinais e renais, como nas outras 
células, o Na+ penetra na célula pelo seu gradiente de concentração. A glicose desloca-se com o Na+, 
sendo libertada no interior da célula. O Na+ é transportado para os espaços intercelulares laterais, 
enquanto a glicose é transportada pelo GLUT 2 para os capilares. Por conseguinte, o transporte da 
glicose constitui um exemplo de transporte activo secundário, pois a energia para o transporte de 
glicose é fornecida indirectamente pelo transporte de Na+ para fora da célula, o que mantém a 
concentração de Na+ baixa no interior da célula, e como consequência entra mais Na+ e, portanto, 
mais glicose. 
O mecanismo que serve para a glicose também transporta a galactose. A frutose utiliza um 
mecanismo diferente. A sua absorção é independente do Na+ ou do transportador de glicose e 
galactose; com efeito, é transportada por difusão facilitada do lúmen do intestino para os enterócitos 
pelo GLUT 5 e dos enterócitos para os capilares pelo GLUT 2. Parte da frutose é convertida em 
glicose nas células da mucosa. O GLUT 5 pode também transportar glicose e galactose, mas a sua 
afinidade para estas hexoses é extremamente baixa. 
A insulina exerce pouco efeito sobre o transporte intestinal de açúcares. Nesse aspecto, a 
absorção intestinal assemelha-se à reabsorção de glicose nos túbulos contornados proximais dos rins; 
Carlos Capela 
Glúcidos página 117 de 122 
nenhum desses processos requer fosforilação e ambos continuam praticamente normais na diabetes. 
A intensidade máxima de absorção de glicose pelo intestino é de cerca de 120 g/hora. 
 
 
 
A reabsorção de glicose nos rins assemelha-se à que ocorre no intestino. A glicose e o Na+ 
ligam-se ao transportador comum SGLT 2 na membrana luminal, e a glicose é transportada para o 
interior da célula à mediada que o Na+ se desloca para o interior devido ao seu gradiente eléctrico e 
químico. Em seguida, o Na+ é bombeado para fora da célula, para os espaços intercelulares laterais, 
enquanto a glicose é transportada pelo GLUT 2 para o líquido intersticial. Por conseguinte, o 
transporte de glicose nos rins, bem como no intestino, é um exemplo de transporte activo secundário. 
 
 
Carlos Capela 
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2. PARA SABER MAIS … A DIABETES MELLITUS 
 
 
2.a. Introdução 
 
É uma doença metabólica hereditária, caracterizada pela insuficiência da acção hormonal da 
insulina, frequentemente pela diminuição ou ausência da secreção pelas células β dos ilhéus de 
Langerhans do pâncreas, ou raramente por ineficácia no sistema receptor celular para a insulina. É 
influenciada por múltiplos e complexos factores genéticos e ambientais, que interagem 
potencializando a sua expressão patológica. 
O conhecimento da diabetes é muito antigo, sendo uma das doenças metabólicas com um 
historial bem definido na história da medicina. Para se classificar a diabetes mellitus, deve-se levar 
em consideração factores clínicos importantes, sendo que a classificação mais correntemente 
utilizada (e por isso talvez a menos correcta) divide os pacientes em dois grupos: 
1. Diabetes do tipo I ou Insulino-Dependente – também denominada de diabetes infanto-
juvenil porque, geralmente, aparece na infância ou na adolescência, mas não é limitada a 
estes pacientes; 
2. Diabetes do tipo II ou Insulino-Independente – também denominada diabetes do adulto 
obeso, por ocorrer, geralmente, em indivíduos obesos, de meia-idade. 
 
O carácter hereditário da diabetes mellitus está relacionado com um gene regulador da produção 
de anticorpos anti-células β, localizado no braço curto (p) do cromossoma 6, devendo existir, 
provavelmente, factores ambientais que estimulam a sua expressão génica mais precoce ou tardia, o 
que justifica as diferentes faixas etárias de manifestação da sintomatologia. 
 
 
 
Carlos Capela 
Glúcidos página 119 de 122 
2.b. Diabetes Mellitus Insulino-Dependente 
 
Em contraste com a diabetes insulino-independente, há uma ausência completa da produção de 
insulina pelo pâncreas nesta doença. 
Devido à produção defeituosa de insulina pela células β, os níveis de insulina sanguínea não 
aumentam em resposta aos níveis elevados de glicose sanguínea (Hiperglicémia)16. Mesmo quando a 
glicose da alimentação está sendo absorvida pelo intestino, a relação insulina/glucagina não pode 
aumentar e o fígado continua neoglicogénico e cetogénico. Como é impossível, mudar para 
processos de glicólise, glicogénese e lipogénese, o fígado não pode regular apropriadamente os 
níveis de glicemia. De facto, como a neoglicogénese é contínua, o fígado contribui para a 
hiperglicémia, no estado bem alimentado. A incapacidade de alguns tecidos, especialmente o 
músculo, de captar glicose na ausência de insulina, contribui ainda mais para a hiperglicémia. A 
neoglicogénese acelerada, sustentada pela proteólise tecidular mantém a hiperglicémia, mesmo no 
estado de jejum. 
Paralelamente, há a extrapolação do limiar renal da glicose (a partir ± 160 mg/dl de glicemia) e a 
sua libertação na urina (Glicosúria). Devido à hiperglicemia há perda osmótica de água a nível 
tubular renal, promovendo perda excessiva de urina (Poliúria), o que induz um processo de 
desidratação, levando o diabético a beber água exageradamente (Polidipsia). 
A ausência da insulina provoca também lipólise acentuada no tecido adiposo, e 
consequentemente um aumento dos níveis plasmáticos de ácidos gordos, e numa acelerada produção 
de corpos cetónicos pelo fígado. Se os corpos cetónicos não forem usados tão rapidamente quanto 
são formados, desenvolve-se cetoacidose diabética, devido ao acumulo de corpos cetónicos. O 
excesso de corpos cetónicos provoca a sua eliminação pela respiração, dando ao hálito um cheiro 
adocicado (hálito cetónico), e pela urina (cetonúria). O carácter ácido dos corpos cetónicos é 
responsável pela queda acentuada do pH sanguíneo, que acarretará consequências nefastas ao 
equilíbrio ácido-base, podendo levar, inclusive, à morte, associado a outras complicações clínicas 
envolvidas no processo. O baixo pH plasmático estimula o centro respiratório,produzindo a rápida 
respiração profunda, descrita por Kussmaul como “fome de ar” e denominada em sua homenagem 
por respiração de Kussmaul. 
Mas, nem todos os ácidos gordos captados pelo fígado, podem seguir a via da oxidação e da 
cetogénese. O excesso é esterificado e direccionado para a síntese de VLDL. Assim, como resultado, 
vamos ter uma hipertriacilgliceridémia porque as VLDLs são sintetizadas e libertadas pelo fígado 
 
16 Valores normais: 70-110 mg/dl 
Carlos Capela 
Glúcidos página 120 de 122 
mais rapidamente do que são depuradas do sangue pela lipoproteina lipase. A quantidade desta 
enzima é dependente do nível de insulina no sangue. O defeito da lipoproteina lipase também resulta 
numa hiperquilomicranémia, um vez que esta enzima também é necessária para o catabolismo das 
quilomicras, no tecido adiposo. 
Em suma, na diabetes insulino-dependente, cada tecido continua a executar o seu papel 
catabólico para o qual foi designado no jejum, apesar da absorção de combustível adequada, ou 
mesmo em excesso, no intestino. Isto resulta numa elevação de todos os combustíveis no sangue, 
com severa perda dos tecidos corporais e, finalmente, morte, a menos que a insulina seja 
administrada. A insulina exógena promove a captação de glicose pelos tecidos e inibe a 
neoglicogénese, a lipólise e a proteólise. 
 
 
 
Carlos Capela 
Glúcidos página 121 de 122 
2.c. Diabetes Mellitus Insulino-Independente 
 
Em contraste com a diabetes insulino-dependente, a insulina não está ausente na diabetes 
insulino-independente. 
De facto, níveis normais a elevados de insulina podem ser observados nesta forma de diabetes e 
o problema é, principalmente, resistência à acção da insulina. A obesidade muitas vezes precede o 
desenvolvimento da diabetes insulino-independente e parece ser o principal factor contribuinte. 
Pacientes obesos, são, geralmente, hiperinsulinêmicos. A resistência à insulina é um fenómeno 
pouco entendido no qual os tecidos não respondem à insulina. O número ou a afinidade dos 
receptores de insulina está reduzido em alguns pacientes; outros apresentam ligação normal da 
insulina, porém respostas pós-receptores anormais, como a activação do transporte de glicose. Como 
regra geral, quanto maior a massa de tecido adiposo num organismo, maior a resistência das células 
normalmente insulino-sensíveis à acção da insulina. Dados bem recentes sugerem que níveis 
aumentados da expressão do factor de necrose tumoral α (TNF-α “Tumor Necrosis Factor-α”), em 
adipócitos de indivíduos obesos, contribuam para a resistência. Quanto maior a massa do tecido 
adiposo, maior a produção de TNF-α, que actua prejudicando o funcionamento do receptor de 
insulina. 
Como consequência, os níveis de insulina plasmática estão muito elevados no sangue de um 
indivíduo obeso. Enquanto as células β do pâncreas produzirem a insulina suficiente para superar a 
resistência à insulina, um indivíduo obeso terá níveis sanguíneos relativamente normais de glicose e 
lipoproteinas. Mas, embora os níveis de insulina de pacientes diabéticos insulino-independente 
possam estar, muitas vezes elevados, não são tão elevados quanto num indivíduo não diabético, 
porém igualmente obeso. As células β dos ilhéus de Langerhans desses pacientes diabéticos não 
produzem insulina suficiente para superar a resistência à insulina, induzida pela sua obesidade. Por 
isso, esta forma de diabetes é também uma forma de falha das células β dos ilhéus de Langerhans. 
Desta forma, a doença não é causada somente pela resistência à insulina, mas também por 
funcionamento prejudicado das células β. 
A hiperinsulinémia constante pode agravar a situação, pois a partir de um certo nível deixa de 
estimular o receptor de insulina (e a consequente transdução de sinal, exocitose das vesículas 
contento os transportadores de glicose, e logicamente a entrada de glicose na célula), tendo mesmo 
um carácter inibitório, provocando a diminuição dos receptores de insulina. 
Carlos Capela 
Glúcidos página 122 de 122 
A dieta, por si só, já é capaz, frequentemente, de controlar a doença em diabéticos obesos. Se o 
paciente puder ser motivado a perder peso, os receptores de insulina aumentarão em número e as 
anormalidades pós-receptor melhoram, o que aumentará a sensibilidade tecidual à insulina. 
Outra solução é a administração de insulina exógena que reduzirá a hiperglicémia, esta deve ser 
administrada frequentemente para controlar os níveis de glicemia de pacientes diabéticos insulino-
independente. 
A hiperglicémia resulta, principalmente, da captação insuficiente de glicose pelos tecidos 
periféricos, especialmente o músculo. Em contraste com a diabetes insulino-dependente, a 
cetoacidose não se desenvolve porque os adipócitos permanecem sensíveis aos efeitos da insulina 
sobre a lipólise. Hipertriacilgliceridémia é característica da diabetes insulino-independente, mas 
geralmente resulta de um aumento nas VLDLs, sem hiperquilomicronemia (uma vez que a 
lipoproteina lipase é activada pela acção da insulina). Isto é provavelmente explicado pelas 
velocidades rápidas da síntese hepática de novo de ácidos gordos, estimulada pela hiperglicémia e 
hiperinsulinémia.

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