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1 Propriedades térmicas dos condutores Introdução: Entende-se por “Propriedades Térmicas” a resposta de um material a um estímulo térmico (aumento ou redução de temperatura). O que acontece quando fornecemos calor a um corpo? Variação dimensional Dilatação ou expansão térmica (em aquecimento); Contração (no resfriamento); Calor é absorvido ou transmitido; Transformações de fases. 2 Propriedades térmicas dos condutores Todos os corpos possuem energia interna. Esta energia está de certa maneira "armazenada" nos corpos, e vem, entre outras coisas, do movimento ou da vibração dos átomos e moléculas que formam o corpo. Veja a animação abaixo. Os pontinhos vermelhos representam as moléculas de um sólido qualquer. Logicamente este é um exemplo bem simplificado. As vibrações são muito mais rápidas e não ocorrem de maneira tão organizada assim. Nos sólido as moléculas não se locomovem de um lado para outro do material, somente vibram. No caso dos líquidos e gases, as moléculas conseguem, além de vibrar, locomover- se de um lado para o outro, principalmente nos gases. 3 Propriedades térmicas dos condutores A energia vibracional de um material consiste de uma série de ondas elásticas de comprimento de onda muito pequeno e freqüências muito altas, que se propagam através do material com a velocidade do som. A energia vibracional é quantizada, e um quantum desta energia é chamado fônon (designa um quantum de vibração em um retículo cristalino rígido). O fônon é análogo ao quantum de radiação eletromagnética, o fóton. O espalhamento dos elétrons livres que ocorre durante a condução elétrica é devido às ondas vibracionais. O estudo dos fônons é importante na física do estado sólido por facilitar a compreensão de muitas propriedades dos sólidos, como por exemplo o calor específico, a condução térmica, a condutividade elétrica e a propagação do som. 4 Propriedades térmicas dos condutores Fônons = ondas elásticas 5 Propriedades Térmicas mais importante: Resistência ao calor; Resistência ao frio; Calor específico; Condutividade térmica; Dilatação. 6 Propriedades térmicas dos condutores Capacidade térmica molar: ou capacidade calorífica, C, (J/mol.K) de um material é a quantidade de energia requerida para provocar a variação de temperatura desse material. Para normalizar - a quantidade de energia (calor) (J) necessária para aumentar em um grau (K ou C) a temperatura de um mol de um material. Esta propriedade representa a capacidade do material de absorver calor do meio circundante. Na maioria dos sólidos, o conteúdo térmico e a energia vibracional dos átomos estão diretamente relacionados. A contribuição eletrônica para a capacidade térmica é, em geral, insignificante, a não ser para temperaturas próximas a zero graus Kelvin. 8 Propriedades térmicas dos condutores Calor especifico de uma substância: Calor específico de uma substância (c) a razão entre a quantidade de calor que a substância troca e o produto entre a sua massa e a variação de temperatura sofrida. Esta grandeza tem sua unidade de medida no Sistema Internacional de Unidades ( S.I ) o J / kg.K, porém a mais usada é a cal/g.oC Quantidade de calor Massa vezes variação de temperatura 9 Propriedades térmicas dos condutores Os fenômenos de transferência de calor de um corpo podem ser medidos através da equação da calorimetria: TcmQ .. onde: Q quantidade de calor m massa c calor específico T variação de temperatura Observações: T > To T > 0 Q > 0 (calor recebido pelo corpo: o corpo ganha calor) (+) T < To T < 0 Q < 0 (calor cedido pelo corpo: o corpo perde calor) (-) 10 Significado Físico do Calor Específico Digamos que o calor específico de uma determinada substância seja expresso em cal/g.oC, isto significa que o calor específico informa a quantidade de energia, em calorias, que deve ser fornecida a cada 1 grama dessa substância para que a sua temperatura se eleve em 1oC. Por exemplo, fornecendo-se 1cal a 1g de água, sua temperatura se elevará de 1oC. Já no caso do alumínio, basta fornecer 0,22cal a 1g do mesmo, para que sua temperatura aumente de 1oC. Quanto menor o calor específico maior é a capacidade de absorver calor. Calor específico de alguns materiais: 11 Comparação entre calores específicos materiais: 12 Propriedades térmicas dos condutores Condução térmica: fenômeno pelo qual o calor é transportado em um material de regiões de alta temperatura para regiões de baixa temperatura. Condutividade térmica: habilidade do material de transferir calor de uma região mais quente para uma região mais fria. A condutividade térmica pode ser definida em termos de: A equação acima só é válida quando o fluxo de calor for estacionário (fluxo de calor que não se altera com o tempo) dx dT k A Q O calor é transportado de regiões de quentes para regiões frias. Q/A = fluxo de calor k = condutividade térmica dT/dx = gradiente de temperatura 13 O fluxo de calor é proporcional ao gradiente de temperatura na direção de propagação do calor, ou seja, à diferença de temperatura a cada unidade de comprimento ao longo do percurso percorrido pelo calor, ou seja: Gradiente de temperatura Condutividade térmica Condutividade Térmica (k): Habilidade do material de transferir calor de uma região mais quente para uma região mais fria. Condutividade térmica (k): 14 A constante k tem certa correspondência com a lei de Ohm, que relaciona a corrente elétrica (i) que passa através de um material com a tensão (V) aplicada no material. V é equivalente ao gradiente de temperatura (quanto maior a diferença de temperatura maior o transporte de calor), i é equivalente ao fluxo de calor e a resistência elétrica (R) é equivalente ao inverso da condutividade térmica (a resistência elétrica representa a resistência que o material oferece ao transporte de carga elétrica. A condutividade térmica está relacionada à facilidade que o material oferece ao transporte de calor). A unidade de condutividade térmica é W/m.K ou cal/s.cm.°C. Condutividade térmica (k): 15 Propriedades térmicas dos condutores dx dT k A Q 16 Propriedades térmicas dos condutores Mecanismos de condutividade térmica condutividade térmica por elétrons (ke) Os elétrons livres que se encontram em regiões quentes ganham energia cinética e migram para regiões mais frias. Em conseqüência de colisões com fônons, parte da energia cinética dos elétrons livres é transferida (na forma de energia vibracional) para os átomos contidos nessas regiões frias, o que resulta em aumento da temperatura. Quanto maior a concentração de elétrons livres, maior a condutividade térmica. condutividade térmica por fônons (kq) A condução de calor pode ocorrer também através de vibrações da rede atômica. O transporte de energia térmica associada aos fônons se dá na mesma direção das ondas de vibração. 17 Propriedades térmicas dos condutores A condutividade térmica (k) de um material é a soma da condutividade por elétrons (ke) e a por fônons (kq): Transporte de calor = Fônons + elétrons livres k = kf + ke kf = condutividade por fônons ke = condutividade por elétrons 18 Mecanismos de conduçãotérmica: 19 Propriedades térmicas dos condutores Capacidade térmica Coef. Dilatação condutividade 20 Propriedades térmicas dos condutores Condução de calor em metais Metal = grande número de elétrons livres O transporte eletrônico é muito eficiente! Condutividades entre 20 e 400 W/m-K Condução de calor em cerâmicas Cerâmica = isolante (poucos elétrons livres) Condutividade por fônons (pouco eficiente!) Condutividades entre 2 e 50 W/m-K 21 Propriedades térmicas dos condutores Condução de calor em polímeros A transferência de calor ocorre através da vibração e da rotação das moléculas das cadeias. A condutividade depende do grau de cristalinidade. Estruturas mais cristalinas têm maiores condutividades. Polímeros, que, em geral, têm condutividades térmicas da ordem de 0,3 W/m-K, são usados como isolantes térmicos. Ex. PS expandido (isopor). 22 Propriedades térmicas dos condutores Condutividade térmica versus temperatura O aumento da temperatura provoca o aumento da energia dos elétrons e das vibrações da rede cristalina. Maior energia dos elétrons = maior número de portadores = maior condutividade térmica Mais vibração da rede = maior contribuição dos fônons = maior condutividade térmica 23 Propriedades térmicas dos condutores DILATAÇÃO TÉRMICA: Dilatação térmica é o nome que se dá ao aumento do volume de um corpo ocasionado pela aumento de sua temperatura, o que causa o aumento no grau de agitação de suas moléculas e conseqüente aumento na distância média entre as ligações químicas. A dilatação ocorre de forma mais significativa nos gases, de forma intermediária nos líquidos e de forma menos explícita nos sólidos, podendo- se afirmar que: Dilatação nos gases > Dilatação nos líquidos > Dilatação nos sólidos. Nos sólidos, o aumento ou diminuição da temperatura provoca alteração nas dimensões lineares, como também nas dimensões superficiais e volumétricas. 24 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação Linear dos Sólidos: A maioria dos materiais sólidos se expandem no aquecimento e se contraem no resfriamento. A mudança no comprimento de um material sólido com a temperatura pode ser expressa da seguinte. ou onde ΔL é a variação do comprimento, ΔL = Lf – L0. Δt é a variação da temperatura, Δt = Tf – T0. α é uma constante de proporcionalidade denominada de coeficiente de dilatação linear, e a sua unidade é o °C-1. Cada material tem um coeficiente de dilatação linear próprio, o do alumínio, por exemplo, é 24.10-6°C-1. Unidade: cm 25 Propriedades térmicas dos condutores Exemplo de dilatação linear: os fios de telefone ou luz. Expostos ao Sol nos dias quentes do verão, variam suas temperaturas consideravelmente, fazendo com que o fio se estenda causando um envergamento maior, pois aumenta seu comprimento que passa de um comprimento inicial (L0) a um comprimento final (Lf). A mesma coisa acontece com o fio de cabelo quando se utiliza a "chapinha" para alisá-lo. Dizemos que a dilatação provocou um aumento no comprimento 26 Propriedades térmicas dos condutores Na tabela podemos verificar o valor do coeficiente de dilatação linear de algumas substâncias. 27 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação Superficial dos Sólidos: Há corpos que podem ser considerados bidimensionais, pois sua terceira dimensão é desprezível frente às outras duas, por exemplo, uma chapa. Neste caso, a expansão ocorre nas suas duas dimensões lineares, ou seja, na área total do corpo. Para calcularmos a variação da área do corpo que sofreu a dilatação superficial utilizamos a seguinte equação: 28 Propriedades térmicas dos condutores Para calcularmos a variação da área do corpo que sofreu a dilatação superficial utilizamos a seguinte equação: onde: ∆S: variação da área da superfície do corpo que sofreu a dilatação superficial. S0 : área inicial da superfície do corpo. β: coeficiente de dilatação superficial do material que constitui o corpo. É importante saber que o coeficiente de dilatação superficial de um material é igual ao dobro do coeficiente de dilatação linear do mesmo material, ou seja, β = 2α. ∆T: variação de temperatura sofrida pelo corpo. Unidade: cm2 29 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação Volumétrica dos Sólidos: É aquela em que predomina a variação em três dimensões, ou seja, a variação do volume do corpo. Imaginemos um paralelepípedo de volume inicial Vo e temperatura inicial To. Ao aquecermos este corpo para uma temperatura t ele passará a ter um novo volume V. Para calcularmos a variação da área do corpo que sofreu a dilatação superficial utilizamos a seguinte equação: V = V0 (1 + γ . Δθ) 30 Propriedades térmicas dos condutores Para calcularmos a variação da área do corpo que sofreu a dilatação superficial utilizamos a seguinte equação: Onde: V = volume final V0 = volume inicial Δθ = θ – θ0 = variação da temperatura = 3α = coeficiente de dilatação volumétrico Relação entre os coeficientes de dilatação linear, superficial e volumétrica Partindo do coeficiente de dilatação linear () notamos que o coeficiente de dilatação superficial (β) e volumétrica () depende dele, pois 2 é igual a β e 3 é igual a γ, portanto podemos escrever a seguinte relação: V = V0 (1 + γ . Δθ) Unidade: cm3 31 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação nos metais: Os coeficientes lineares de expansão térmica para alguns dos metais comuns variam na faixa de cerca de 5x10-6 e 25x10-6 (oC)-1. Para algumas aplicações, um alto grau de estabilidade dimensional com flutuação da temperatura é essencial. Isso tem resultado no desenvolvimento de uma família de ligas ferro- níquel e ferro-cobalto que têm valores de 1 da ordem de 1x 10-6 (oC)-1. Uma tal liga foi projetada para ter características de expansão iguais àquelas do vidro Pyrex; quando ajuntada ao Pyrex e submetida a variações de temperatura, tensões térmicas e fratura possível na junção são evitadas. Fotografia mostrando produtos tubulares que têm junção vidro-metal. O coeficiente de dilatação térmica da liga metálica (Kovar) que tem o mesmo coeficiente de expansão térmica do vidro pirex. Como os coeficientes de expansão térmica são próximos, minimiza-se fraturas devido a tensões térmicas. Propriedades térmicas dos condutores 33 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação nos cerâmicos: cerâmicos são refletidas nos comparativamente baixos coeficientes de expansão térmica; valores tipicamente variam entre cerca de 0,5x10-6 a 15x10-6 (oC)-1. Para cerâmicas não cristalinas e também aquelas contendo estruturas cristalinas cúbicas, 1 é isotrópico. De outro modo, ele é anisotrópico e, de fato, alguns materiais cerâmicos, durante o aquecimento, contraem-se em algumas direções cristalográficas enquanto se expandem em outras. Para vidros inorgânicos, o coeficiente de expansão depende da composição. Sílica fundida (vidro de SiO2 de alta pureza) tem uma extremamente pequena expansão térmica, 0,5x10-6 (oC)-1. Isso é explicado por uma baixa densidade de empacotamento atômico de maneira que expansão interatômica produz relativamente pequenas variações dimensionais macroscópicas. Adição de impurezas na sílica fundida aumenta o coeficiente de expansão térmica. 34 Propriedades térmicas dos condutores Dilatação nos polímeros: Alguns materiaispoliméricos experimentam muito grandes expansões térmicas no aquecimento como indicado por coeficientes que variam desde aproximadamente 50x10-6 até 300x10-6 (oC)-1. Os mais altos valores de 1 são encontrados em polímeros lineares e ramificados porque as ligações intermoleculares secundárias são fracas e existe uma mínima ligação cruzada. Com aumentada ligação cruzada, a magnitude do coeficiente de expansão térmica decresce, os mais baixos coeficientes são encontrados em polímeros reticulares termofixos tais como Baquelita, nos quais a ligação é quase que inteiramente covalente. Propriedades térmicas dos condutores 36 3.2 – Propriedades térmicas dos condutores