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SEE-PB
Professor de Educação Básica 3 – História
História Geral. As sociedades antigas orientais: Egito e Mesopotâmia – economia e sociedade. A
antiguidade clássica: formação e transformação da Grécia antiga – a Grécia clássica – aspectos da cultura
grega. Roma: da monarquia à república – origens e declínio – magia e religião. O Islã. O medievo: o
império carolíngio. Feudalismo: economia e sociedade – origem e desagregação. As Cruzadas. A era
moderna: a expansão ultramarina e a colonização. A América pré-colombiana. Renascimento cultural. O
absolutismo e o antigo regime. As revoluções inglesas. A revolução francesa. A contemporaneidade:
Revolução industrial. As revoluções liberais. Os grandes conflitos mundiais. O período entre-guerras. A
guerra fria. A formação e a desintegração do bloco soviético. O terceiro mundo e a dependência da
América Latina.. ....................................................................................................................................... 1
História do Brasil Colonização portuguesa: aspectos sociais, econômicos e políticos. A escravidão
indígena e africana. A vinda da família real. A Independência. Primeiro Reinado. As Regências. Segundo
Reinado. Desagregação do império e movimento republicano. A república das espadas e a república dos
coronéis. Tenentismo. Revolução de 1930. Era Vargas. O Estado Novo. O interregno democrático. A
ditadura militar. A Nova República. O Brasil na era da globalização. .................................................... 132
História da Paraíba Colonização; Resistência Indígena; Política; Economia; Diversidade Cultural;
Patrimônio Cultural e Histórico; Movimentos Sociais. ........................................................................... 234
PCN e OCN ..................................................................................................................................... 248
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O Crescente Fértil
O Crescente Fértil é considerada a região do planeta onde surgiram as primeiras civilizações,
englobando a Mesopotâmia, uma faixa de terra junto ao Mar Mediterrâneo e o nordeste da África. O nome
foi dado pois seu traçado forma um semicírculo que lembra a Lua no quarto crescente e também pela
presença de grandes rios, cujos vales apresentavam solos férteis propícios para a prática da agricultura.
Na antiguidade, existiam na região várias áreas férteis, que propiciaram a fixação de povos nômades
e impulsionaram a agricultura baseada na irrigação, principalmente na região do Egito e da Mesopotâmia.
Foi nesses vales – o Crescente Fértil, junto aos rios Nilo, Tigre e Eufrates – que se desenvolveram as
grandes civilizações da Antiguidade Oriental: egípcia, babilônica, persa, fenícia, assíria, entre outras.
Fonte: www.infoescola.com
História Geral. As sociedades antigas orientais: Egito e Mesopotâmia
– economia e sociedade. A antiguidade clássica: formação e
transformação da Grécia antiga – a Grécia clássica – aspectos da
cultura grega. Roma: da monarquia à república – origens e declínio –
magia e religião. O Islã. O medievo: o império carolíngio. Feudalismo:
economia e sociedade – origem e desagregação. As Cruzadas. A era
moderna: a expansão ultramarina e a colonização. A América pré-
colombiana. Renascimento cultural. O absolutismo e o antigo
regime. As revoluções inglesas. A revolução francesa. A
contemporaneidade: Revolução industrial. As revoluções liberais. Os
grandes conflitos mundiais. O período entre-guerras. A guerra fria. A
formação e a desintegração do bloco soviético. O terceiro mundo e a
dependência da América Latina.
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Egito
O trabalho coletivo deixou de ser uma necessidade no Egito. A civilização egípcia desenvolveu-se no
nordeste da África, às margens do rio Nilo. Situado em meio a dois desertos (Líbia e Arábia), o Egito
aproveitou a fertilidade do Nilo e suas características geográficas peculiares, com a ocorrência de cheias
que irrigavam áreas que tornavam-se propicias ao plantio, principalmente de trigo.
A desagregação das comunidades primitivas ocorreu na medida em que a agricultura se desenvolveu
e os utensílios de cobre foram substituindo os de osso e pedra até então utilizados. A perda das
propriedades por muitas famílias fez com que aumentasse o número de camponeses dominados pelos
senhores poderosos. Surgiram, assim, pequenas unidades politicamente independentes, denominadas
nomos, cada uma delas governada por um nomarca.
Mesmo possuindo um líder, as terras dos nomos não possuíam um proprietário. Além disso, a riqueza
produzida nas terras era dividida coletivamente.
Os nomos não demoraram a entrar em choque uns com os outros. Os nomos menores desapareceram,
anexados pelos mais fortes. O represamento das águas obrigou muitas famílias a abandonar suas terras
e ir trabalhar em nomos vizinhos.
As lutas levaram a se agruparem e a constituir dois reinos, um ao sul e outro ao norte, conhecidos
como Alto e Baixo Egito. O reino do sul tinha como símbolo uma coroa branca e o reino do norte era
simbolizada por uma coroa vermelha. Por volta de 3200 a. C o rei do sul, Menés, venceu o norte e com
isso unificou o Egito, colocando em sua cabeça as coroas branca e vermelha. A capital do reino passou
a ser Tinis, e Menés tomou-se o primeiro faraó. Com ele, começam as grandes dinastias (famílias reais
que governaram o Egito por quase 3.000 anos).
http://portalpesquisa.com/wp-content/uploads/2015/02/Coroas-do-Fara%C3%B3-Unifica%C3%A7%C3%A0o-Egito-Pesquisador-Urandir.jpg
Podemos dividir a história do Egito em tres partes, para facilitar o entendimento:
- Antigo Império: de 3200 a.C. até 2200 a.C.
- Médio Império: de 2200 a.C. a 1750 a.C.
- Novo Império: de 1580 a.C. a 1085 a.C.
O Antigo Império (3200 a 2200 a.C.)
Os sucessores de Menés continuaram a governar por mais de mil anos, e durante todo esse período
o Egito antigo viveu um isolamento quase completo. O faraó possuia poderes imensos, e era visto como
uma encarnação do deus do Sol, Rá. a quem eram atribuídas as enchentes do rio Nilo.
Foi durante o Antigo Império que os sacerdotes conquistaram poder, através da influencia e riqueza.
As grandes pirâmides de Gizé, consideradas maravilhas honorarias do mundo moderno, foram
construidas durante o Antigo Império, atribuídas aos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. Na nova
capital, Mênfis, havia grandes estoques de grãos arrecadados aopovo e rigorosamente vigiados pelos
escribas.
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Uma nobreza privilegiada cooperava na administração e na exploração dos camponeses, angariando
grande poder. Esse fortalecimento levou-a a tentar assumir o controle direto do Estado.
Seguiu-se um período de anarquia em que praticamente cada nobre se julgava em condições de
ocupar o trono faraônico; o clero aproveitou-se para expandir seu poder político, apoiando ora este, ora
aquele pretendente ao título de faraó.
O Médio Império (2000 a 1750 a.C.)
O Médio Império caracterizou-se por uma nova dinastia e uma nova capital: Tebas. O Egito havia se
expandido em direção ao sul, aperfeiçoou a rede de canais de irrigação e estabeleceu colônias
mineradoras no Sinai. A ambição dos nobres e do clero fez com que o cobre fosse buscado fora da África,
tomando o Egito conhecido de outras populações do Oriente Médio.
Alguns povos procedentes da Ásia Menor desencadearam uma série de ataques em direção ao vale
do Nilo. Finalmente, os hicsos, povo semita que já conhecia o cavalo e o ferro, derrotaram as forças
faraônicas do Sinai e ocuparam a região do delta do Egito, onde se instalaram de 1750 a 1580 a.C. Foi
durante essa dominação estrangeira que os hebreus se estabeleceram no Egito.
O Novo Império (1580 a 1085 a.C.)
O faraó Amósis I expulsou os hicsos, dando início a uma fase militarista e expansionista da história
egípcia. Sob o reinado de Tutmés III, a Palestina e a Síria foram conquistadas, estendendo o domínio do
Egito até as nascentes do rio Eufrates.
Durante esse período de apogeu, o faraó Amenófis IV empreendeu uma revolução religiosa e política.
O soberano substituiu o politeísmo tradicional, cujo deus principal era Amon-Ra, por Aton, simbolizado
pelo disco solar. Essa medida tinha por finalidade eliminar a supremacia dos sacerdotes, que ameaçavam
sobrepujar o poder real. O faraó passou a denominar-se Akhnaton, atuando como supremo sacerdote
do novo deus. A revolução religiosa teve fim com o novo faraó Tutancaton, que restaurou o politeísmo e
mudou seu nome para Tutancâmon.
Com a instauração da capital em Tebas, os faraós da dinastia de Ramsés II (1320-1232 a.C.)
prosseguiram as conquistas. O esplendor do período foi demonstrado pela construção de grandes
templos, como os de Luxor e Karnak.
As dificuldades do período começaram a surgir com as constantes ameaças de invasão das fronteiras.
No ano 663 a.C., os assírios invadiram o Egito.
O Renascimento Saíta (663 a 525 a.C.)
Os assírios foram expulsos do Egito pelo faraó Psamético I, que também mudou a capital,
transferindo-a para a cidade de Saís, no delta do rio Nilo. Após isso houve também uma ampliação do
comercio, incentivada pelos faraós que sucederam Psamético.
As lutas pela posse do trono levaram o Egito à ruína. Os camponeses se rebelaram e a nobreza
disputava o poder com o clero. Novas invasões aconteceram, fragmentando ainda mais o poder do Egito:
Os persas, em 525 a.C., na batalha de Pelusa;
O rei macedônio Alexandre Magno, em 332 a.C.;
Os romanos, em 30 a.C., pondo fim ao Egito como Estado independente.
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Economia do Egito Antigo
A economia do Egito estava baseada principalmente na agricultura, com o cultivo de cereais como o
trigo e a cevada, e também o cultivo de linho e papiro. O pastoreio completava os trabalhos na terra, com
a criação de rebanhos de gado bovino e ovino.
A agricultura foi amplamente favorecida pelo rio Nilo e seu regime de cheias. A cheia do Rio Nilo era
gerada por chuvas na África Oriental e pelo degelo nas terras altas etíopes. A cheia ocorria em junho, em
Assuã, e, como as águas não eram detidas por barragens ou diques, elas se dirigiam para o norte,
atingindo Mênfis cerca de três semanas depois. Entre agosto e setembro, todo o Vale do Nilo se
encontrava inundado, e, em outubro, o nível das águas baixava, deixando no solo uma enorme quantidade
de nutrientes importantes para sua fertilidade, como o húmus. A partir desse processo natural a sociedade
egípcia pôde desenvolver o cultivo.
A forma como a agricultura era praticada causava espanto e curiosidade nos estrangeiros. O
historiador grego Heródoto, em sua obra Histórias, escreveu: “O Egito é uma dádiva do Nilo”, associando
a formação do Egito à presença e utilização do rio.
Em sua obra, Heródoto também relata sobre a maneira como era feito o cultivo:
“Em todo o mundo, ninguém obtém os frutos da terra com tão pouco trabalho. Não se cansam de sulcar
a terra com arado e enxada, nem têm nenhum dos trabalhos que todos os homens têm para garantir as
colheitas. O rio sobe, irriga os campos e, depois de os ter irriga do, torna a baixar. Então, cada um semeia
o seu campo e nele introduz os porcos para que as sementes penetrem na terra; depois, só têm de
aguardar o período da colheita. Os porcos também lhe servem para debulhar o trigo, que é depois
transportado para o celeiro.”
Ao longo do Nilo estendiam-se essas plantações, cuidadas pelos felás (camponeses egípcios),
desenvolvendo-se rapidamente graças ao aperfeiçoamento das técnicas de plantio e semeadura. A
charrua, puxada pelos bois, e o emprego de metais propiciaram grandes colheitas. Teoricamente, as
terras pertenciam ao faraó, porém a nobreza detinha grande parte delas. Enormes armazéns guardavam
as colheitas, que eram administradas pelo Estado. Uma parte da produção chegava a ser exportada.
O comércio processava-se entre o Alto e o Baixo Egito por meio de embarcações que subiam e
desciam o rio abarrotado de cereais e produtos artesanais. A presença da tecelagem, da fiação e a
confecção de sandálias de folhas de papiro, bem como a ourivesaria, propiciaram um desenvolvimento
razoável do comércio interno, uma vez que poucas relações eram tidas com o exterior.
De um modo geral, a economia egípcia é enquadrada no modo de produção asiático, em que a
propriedade geral das terras pertencia ao Estado e as relações sociais de produção fundamentavam-se
no regime de servidão coletiva (não se pode, porém, falar em modo de produção servil, aplicável somente
ao sistema feudal). As comunidades camponesas, presas à terra que cultivavam, entregavam os
resultados da produção ao Estado, representado pela pessoa do rei. Este, às vezes, obrigava os
camponeses a trabalhar na construção de canais de irrigação e barragens, propiciando o
desenvolvimento da agricultura e o sustento precário dos aldeães.
A sociedade egípcia
O Egito é considerado uma Sociedade Hidráulica, cuja organização está relacionada com os períodos
de seca e cheia dos rios. Nessas “sociedades hidráulicas”, a distinção social começou a se fazer notar
quando a luta pela posse das áreas cultiváveis levou a se defrontarem os camponeses, na posição de
possuidores da força de trabalho, e os proprietários das terras, que delas se apoderaram e as mantinham
invocando a proteção dos deuses e dos sacerdotes.
O topo da pirâmide social era ocupado pela família do faraó; este, por se considerar um deus
encarnado, possuía benefícios singulares.
O grupo sacerdotal também ocupava uma posição invejável, juntamente com a nobreza detentora das
terras e do trabalho dos camponeses. Com o crescimento do comércio e do artesanato, durante o Médio
Império, surgiu uma classe média empreendedora, a qual chegou a conquistar uma certa posição social
e alguma influência no governo.
Os burocratas passaram a ocupar um lugar destacado na administração, principalmente no que tangia
ao recolhimento da produção dos camponeses. Havia toda uma hierarquia de escribas, cujo grau variava
de acordo com a confiança neles depositada pelo faraó e nobreza.
Os artesãos ocupavam uma posição inferiorizada, junto aos camponeses.Estes eram fiscalizados por
funcionários especiais.
Apesar de o governo manter escolas públicas, estas formavam, em sua maioria, escribas destinados
a trabalhar na administração do Estado Faraônico.
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Religião
Uma enorme variedade de deuses, fórmulas religiosas e cultos são provenientes da região que
consideramos “oriente”, tendo inclusive influenciado nas grandes religiões monoteístas ocidentais.
A existência dos deuses satisfazia à ânsia do homem em ver atendidas suas aspirações e ao mesmo
tempo afastava seus temores íntimos. Protetores da água, da chuva, da colheita, das plantas, dos
pescadores, eram todos cultuados por formas que iam desde o incenso até ao sacrifício de animais e
homens, tudo com intenção de conseguir suas boas graças. Os próprios governantes se revestiam de
caracteres divinos a fim de serem mais respeitados. Paralelamente à instituição religiosa, estruturaram-
se os sacerdotes, uma camada fechada que cresceu em praticamente todas as civilizações antigas. O
clero ocupava uma posição social e econômica privilegiada, influenciando o governo e o povo.
No Egito antigo, como em quase toda a Antiguidade, a religião assumia a forma politeísta,
compreendendo uma enorme variedade de deuses e divindades menores.
Muitos animais possuíam de um culto todo especial, como era o caso do gato, do crocodilo, do íbis,
do escaravelho e do boi Apis; havia também divindades híbridas, com corpo humano e cabeça de animal:
Hator (a vaca), Anúbis (o chacal), Hórus (o falcão protetor do faraó). Havia ainda deuses antropomórficos
(forma humana), como Osíris e sua esposa Isis.
O Mito de Osíris ilustra bem a religiosidade dos egípcios, a ponto de terem se decidido a erigir túmulos
e templos em homenagem à morte e à vida futura.
O principal deus egípcio era Amon-Ra, combinação de duas divindades, e que era representado pelo
Sol; em torno dele girava o poder sacerdotal. A preocupação com a vida futura era grande e os cuidados
com os mortos eram contínuos, bastando lembrar as cerimônias fúnebres, nas quais se realizavam as
oferendas de alimentos e de incenso.
Acreditava-se em um julgamento após a morte, quando o deus Osíris iria colocar em uma balança o
coração do indivíduo, para julgar seus atos. Os justos e os bons teriam como recompensa a
reincorporação e depois iriam para uma espécie de Paraíso.
O trecho abaixo, extraído do Livro dos Mortos dos egípcios, descreve o júbilo daquele que foi absolvido
pelo tribunal de Osíris:
“Salve, Osíris, meu divino pai! Tal como tu, cuja vida é imperecível, os meus membros conhecerão a
vida eterna. Não apodrecerei. Não serei comido pelos vermes. Não perecerei. Não serei pasto dos bichos.
Viverei, viverei! As minhas entranhas não apodrecerão. Os meus olhos não se fecharão, a minha vista
permanecerá tal como hoje é. Os meus ouvidos não deixarão de ouvir.
A minha cabeça não se separará do meu pescoço. A minha língua não me será arrancada, Os meus
cabelos não me serão cortados. Não me serão raspadas as sobrancelhas. O meu corpo conservar-se-á
intacto, não se decomporá, não será destruído neste mundo.”
Por volta de 1360 a.C., O Egito passou por um período de monoteísmo, ou seja, o culto a um único
deus, no caso, o culto a Aton. Afirma-se que foi a primeira religião monoteísta da História, anterior até
mesmo à dos hebreus. Como citado anteriormente, os sacerdotes adquiriram poder na sociedade egípcia
e o politeísmo entravava o progresso egípcio, pois a camada sacerdotal era muito grande e sua
manutenção resultava onerosa para o Estado. Os sacerdotes interferiam constantemente nos assuntos
políticos e o próprio faraó, muitas vezes, não passava de um joguete do clero. Aproveitando-se da
religiosidade do povo, os sacerdotes alcançaram uma extraordinária ascendência, convertendo a
civilização egípcia como que em sua propriedade particular.
O perigo do poder clerical foi sentido por Amenófis III que, para se livrar da influência do clero, mudou
seu palácio para longe dos templos, e, contra a tradição politeísta levantou-se o faraó Amenófis IV, que
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instituiu uma nova religião, com o culto dedicado a um deus único: Aton (o disco solar). O faraó esperava
com isso quebrar o poder da camada sacerdotal.
Foi organizado um novo clero e a capital foi transferida para a cidade de Amarna (akhenaton),
“horizonte de Aton” (atual Tell ElAmarna). Trocou seu nome para Akhnaton, “servidor de Aton”, e compôs
um Hino ao Sol. Essa tentativa monoteísta foi curta. Com a morte de Amenófis, as coisas voltaram ao
estágio anterior e o clero e a nobreza recuperaram sua influência.
Influências
Muitos edifícios construídos no Egito antigo chegaram até nós em bom estado de conservação.
Pirâmides, hipogeus, templos e palácios de dimensões gigantescas atestam a importância da arquitetura
egípcia.
Tendo-se voltado para a vida coletiva e religiosa, as construções egípcias são marcadas pela
grandiosidade dos templos e dos túmulos. Os templos de Karnac e Luxor nos dão mostras de como a
arte e a religião estavam interligadas. A solidez, a grandiosidade e os artifícios procurando exaltar o
volume são as características mais salientes dessas obras. Estátuas de deuses e faraós acompanham
essas dimensões, com decorações esculpidas e pintadas descrevendo episódios ligados às figuras
representadas.
A pintura egípcia prendeu-se principalmente a temas da Natureza e da vida cotidiana, sendo muitas
vezes acompanhada de hieróglifos explicativos.
A invenção da escrita propiciou o desenvolvimento da literatura. A escrita ideográfica, nascida no Egito,
evoluiu para o alfabeto fonético com os fenícios. Utilizando três formas de escrita (hieroglífica, hierática e
demótica), os egípcios deixaram-nos obras religiosas como o Livro dos Mortos e o Hino ao Sol, além da
literatura popular de contos e lendas.
A decifração da escrita egípcia foi feita por Jean-François Champollion que, observando e comparando
os diversos tipos de escrita encontrados em um achado arqueológico, estabeleceu um método de leitura
graças ao grego arcaico que também se encontrava no texto. Surgiu assim a ciência conhecida como
Egiptologia, a qual vem constantemente evoluindo com novas descobertas e restaurações.
As ciências exatas também tiveram oportunidade de expansão, uma vez que as necessidades de
ordem prática forçaram o desenvolvimento da Astronomia e da Matemática. A Geometria desenvolveu-
se pela necessidade de se redemarcarem as terras quando as águas do Nilo voltavam a seu leito. A
Medicina, por sua vez, está de certa forma ligada à própria prática da mumificação, o que a levou a um
desenvolvimento razoável; por outro lado, a farmacopeia egípcia notabilizou-se por sua variedade. Havia
instituições de sacerdotes-médicos e os papiros atestam o regular conhecimento de doenças e a própria
especialização da atividade médica.
A mumificação constituiu uma técnica de grande importância na civilização do Egito antigo. Os
métodos, até hoje pouco conhecidos, produziram resultados notáveis, que se podem ver em museus de
diversas partes do mundo.
Mesopotâmia
A Mesopotâmia que significa “entre rios” (do grego, meso = no meio; pótamos = rio), é uma antiga
região do Oriente Médio, compreendida entre os rios Tigre e Eufrates, e onde predominavam condições
semelhantes ao Egito, pois os dois rios forneciam facilidades para o transporte de mercadorias e as aves
ribeirinhas e os peixes eram abundantes.
O regime dos rios está preso ao derretimento da neve das grandes altitudes, onde se situam suas
cabeceiras, inundando as terras e propiciando a abertura de canais de irrigação e a construção de diques.
Apesar da presença das enchentes periódicasdos rios, a Mesopotâmia apresentou certas dificuldades
ao estabelecimento de populações ribeirinhas, pois, ao contrário do que acontecia no Egito com o rio Nilo,
essas cheias eram irregulares. Além disso, o clima mais seco e as doenças tropicais tornavam o trabalho
do solo mais difícil, apesar de sua fertilidade.
Sumérios, acádios, amoritas, cassitas, assírios, caldeus e mais um sem-número de povos lutaram
pela posse das terras aráveis. Os povos das planícies, agricultores, viviam assediados desde a época
dos primeiros estabelecimentos humanos na área pelos povos das montanhas, que viviam mais do saque
e do pastoreio.
As civilizações da Baixa Mesopotâmia puderam desenvolver-se mais, notabilizando-se por seus
aspectos econômicos e culturais. Surgiram, assim, importantes sociedades hidráulicas, com a instituição
de um Estado baseado na posse das terras e no controle das águas dos rios.
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Estendendo-se da Mesopotâmia em direção ao vale do rio Indo, encontra-se o Planalto Iraniano.
Grande parte dele está acima de 2.000 metros: aqui e ali surgem bruscas elevações, cujos vales são
regados pelos rios que buscam o mar. A região toda é pouco irrigada e por isso grande parte dela é
desértica.
A partir do II milênio a.C., essa região foi ocupada por grupos de pastores de origem ariana, os quais
deram origem a dois remos distintos: ao norte, a Média; e ao sul, a Pérsia.
Fonte:amorim.pro.br
Os Sumérios Acadianos
Os sumérios fixaram-se na Caldéia por volta de 3500 a.C., fundando diversas cidades-estados, como
Ur, Uruk, Nipur e Lagash. Cada cidade-estado era governada por reis absolutos (com total poder em suas
mãos), chamados Patesi, que lutavam entre si pelo predomínio na Caldéia. Foram os sumérios os
criadores da escrita mesopotâmica, a escrita cuneiforme.
Fonte: http://www.labeduc.fe.usp.br/
Inicialmente a escrita era composta de marcas simples, depois de pictogramas, depois as formas
tornaram-se mais simples e abstratas. Os primeiros documentos eram gravados em tabuletas de argila,
em sequências verticais de escrita, e com um estilete feito de cana que gravava traços verticais,
horizontais e oblíquos.
Os sumérios utilizavam a argila para escrever, e quando queriam que seus registros fossem
permanentes, as tabuletas cuneiformes eram colocadas em um forno, ou poderiam ser reaproveitadas
quando seus registros não fossem tão importantes que precisariam ser lembrados sempre.
A escrita cuneiforme foi uma forma de se expressar muito difícil de ser decifrada, pois possuía mais
de 2000 sinais e seu uso era de uma dificuldade enorme. O seu principal uso foi na contabilidade e na
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administração, pois facilitavam no registro de bens, marcas de propriedade, cálculos e transações
comerciais.
Por volta de 2300 a.C, os invasores acádios conquistaram a Mesopotâmia, dos quais se destacou o
rei Sargão I, o “soberano dos quatro cantos da terra”, o primeiro rei mesopotâmico.
Novas invasões estrangeiras arruinaram o Império Acádio, e em breve os sumérios ressurgiram, com
destaque para o governo de Dungui. Mas logo vieram outros invasores: desta vez os amoritas, que
fundariam o Primeiro Império da Mesopotâmia.
O Primeiro Império Mesopotâmico
Os amoritas submeteram os sumérios-acadianos e transformaram a sua cidade da Babilônia em capital
do Império. À força das conquistas, o comércio cresceu e a Babilônia transformou-se num dos principais
centros urbanos e políticos da Antiguidade, o Império Babilônico. O mais destacável imperador amorita
foi Hamurabi (1792-1750 a.C), que, além de estender as fronteiras do Império desde o Golfo Pérsico até
a Assíria, elaborou o primeiro código completo de leis. O “código de Hamurabi “. Considerado o maior
ordenamento jurídico da Antiguidade Oriental, era composto de 282 leis, muitas das quais compiladas do
direito sumeriano, e incluía a conhecida “lei de Talião” — “olho por olho, dente por dente…” Hoje, o Código
de Hamurabi, gravado num monumento de uma só pedra encontrado em 1901, está no museu do Louvre,
em Paris (França).
Detalhe da estela com o Código de Hamurabi, em exposição no museu do Louvre, em Paris. Fonte: http://www.sohistoria.com.br/
Após Hamurabi, o Império foi golpeado por várias invasões, como a dos hititas e a dos cassitas,
acabando por desaparecer.
O Império Assírio
Os assírios formavam um povo que antes de 2500 a.C. estabeleceu-se no norte da Mesopotâmia, na
região de Assur. Eram guerreiros, famosos pela crueldade com que tratavam os povos vencidos. Sob
governo de Sargão II, os assírios conquistaram o Reino de Israel; no governo de Tiglat-falasar, tomaram
a cidade da Babilônia. Dois outros importantes soberanos assírios foram Senaqueribe, que transferiu a
capital de Assur para Nínive, e Assurbanipal, construtor da famosa biblioteca de Nínive e conquistador do
Egito. Após sua morte, o Império entrou em lento declínio, com diversas revoltas internas. Finalmente,
Nabupolasar, comandando os caldeus e contando com a ajuda dos medos, destruiu o Império Assírio,
inaugurando o Segundo Império Babilônico (612 a.C).
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O Segundo Império Babilônico
Derrotados os assírios, a Babilônia voltou a ser a capital da Mesopotâmia, agora sob o domínio dos
caldeus. O apogeu do Império Babilônico se deu com Nabucodonosor (604-561 a.C). Durante o seu
reinado, a Palestina foi conquistada e seu povo, o hebreu, transportado como escravo para a Babilônia;
foi o chamado “Cativeiro da Babilônia”. Nabucodonosor foi o responsável, também, pela construção dos
“Jardins Suspensos da Babilônia”, considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo. Após a morte
de Nabucodonosor, iniciou-se a decadência do Império Caldeu (ou Babilônico). Em 539 a.C, a Babilônia
foi conquistada pelos Persas, comandados pelo imperador Ciro I. Foi o fim da Mesopotâmia com
autonomia política, transformada em província persa.
A Economia Mesopotâmica
A atividade econômica principal era a agricultura, produzindo sobretudo trigo e cevada. O artesanato
e o comércio atingiram alto grau de desenvolvimento, transformando a Babilônia num dos grandes centros
comerciais da Antiguidade. A sociedade possuía uma estrutura piramidal, como a egípcia: no topo, o rei
e a elite econômico-militar que faziam parte do Estado; na base, os camponeses, servindo coletivamente
o governo, e também os escravos.
O governo era uma monarquia teocrática, absoluta, mas com uma religiosidade menos acentuada que
a do Egito. O rei absoluto, os funcionários públicos e os sacerdotes formavam uma aristocracia
controladora das melhores terras e de toda a produção. Compunham a elite social mesopotâmica,
subjugando a grande massa de camponeses e escravos.
Religião
A maior parte dos costumes dos povos mesopotâmicos descende dos sumérios, inclusive a religião.
Acreditavam em vários deuses (eram politeístas), representantes de vários astros. Os principais eram:
Marduk, o deus da Babilônia e do comércio; Shamash, o sol; Anu, o céu; Enlil, deus do ar; Ea, da água;
Ishtar, deusa do amor e da guerra; e Tamus, deus da vegetação.
Os mesopotâmicos criaram o mito de Marduk e a lenda do Dilúvio: acreditavam que o deus Marduk
fora o criador do céu e da terra, dos astros e do homem, e que ajudara Gilgamesh a sobreviver ao dilúvio
em uma arca com vários animais e membros de sua família.
Para os mesopotâmicos, a religião servia para obter recompensas terrenas imediatas; não acreditavam
na vida após a morte. Os rituais religiosos, comandados pelos sacerdotes, faziam dos templos (zigurates)
o eixo da religiosidade mesopotâmica. Esses templos às vezescompreendiam também celeiro, armazém
e oficinas, neles se definindo o estoque e a distribuição do excedente agrícola tomado dos camponeses.
Imagem representando o Zigurate de Ur, próximo da cidade de Tell el-Muqayyar, no atual Iraque. Fonte: http://www.ancient-origins.net/
Cultura
A ciência foi importante para o desenvolvimento das sociedades na mesopotâmia. Fosse para
conhecer o regime das cheias dos rios Tigre e Eufrates ou para calcular a movimentação dos astros, os
mesopotâmicos desenvolveram um conhecimento científico respeitável. Os sacerdotes, a partir das
observações feitas do alto dos zigurates, desenvolveram a astronomia, descobrindo cinco planetas, divi-
dindo o círculo em 360 graus, criando o processo aritmético da multiplicação e dividindo o dia em 12 horas
de 120 minutos cada uma. Como acreditavam na influência dos astros sobre o dia-a-dia das pessoas,
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criaram a astrologia, o uso dos horóscopos, elaborando os 12 signos do zodíaco. Na matemática, além
da multiplicação, criaram também a raiz quadrada e a cúbica.
Na arquitetura, inovaram com a aplicação do sistema de arcos, abóbadas e cúpulas, e, na escultura,
com o uso do baixo-relevo em trabalhos de cerâmica, marfim e metais preciosos. Na literatura,
destacaram-se “O Mito da Criação” e a “Epopeia de Gilgamesh”. No Direito, o “Código de Hamurabi”
sobressai como a maior obra jurídica da região.
A escrita cuneiforme, criada pelos sumários, acabou sendo usada por vários povos vizinhos, sendo
decifrada em 1847 pelo inglês Rawlinson, que se utilizou de uma inscrição em babilônio e persa, no
rochedo de Behistur.
O Império persa
No leste da Mesopotâmia, região do Planalto iraniano, conviviam medos e persas, povos de origem
indo-europeia que desenvolveram uma intensa atividade pastoril.
No início, houve a dominação dos medos sobre os persas, quando Ciáxares construiu um poderoso
reino. Com o declínio da hegemonia medá, Ciro, rei dos persas, uniu os dois povos e fundou o Império
Persa, o maior até então organizado na Ásia Ocidental. Esse império desapareceu com a expansão
macedônica, comandada por Alexandre Magno.
Ciro foi responsável pela unificação política do Planalto Iraniano e a criação do Império Persa, após
anexar o Reino da Média (555 a.C.). Em seguida, Ciro derrotou Creso, rei da Lídia, e conquistou o
Segundo Império Babilônico, permitindo que os hebreus retomassem à Palestina.
Ciro buscou unificação econômica de seu império, além de garantir que os povos conquistados
mantivessem seus próprios costumes, língua e tradição. Foi visto pelos hebreus como um libertador do
jugo dos caldeus.
Fonte: www.scicast.com.br
Cambises, filho e sucessor de Ciro, conquistou o Egito na batalha de Pelusa (525 a.C.), vencendo o
faraó Psamético III. Morreu quando se preparava para voltar à Pérsia, a fim de sufocar uma revolta.
Em 522, Dario I subiu ao poder; com ele, o Império Persa atingiu o apogeu. Seus domínios estendiam-
se desde a Trácia, na Europa, até a Ásia Central. Dario consolidou o despotismo real, dando à sua pessoa
um caráter semidivino. Dividiu o império em satrápias, cuja administração civil e militar era confiada aos
nobres escolhidos; não obstante, as satrápias eram vigiados por funcionários reais (os “olhos e ouvidos
do rei”), que percorriam as províncias fiscalizando a ação dos dirigentes. Houve estímulos ao comércio e
o florescimento de várias capitais (Susa, Persépolis e Pasárgada), pois a Corte persa se deslocava
periodicamente.
Dario envolveu-se em uma disputa pela hegemonia comercial nos mares Egeu e Negro e, apoiado por
seus aliados fenícios, deu início às Guerras Médicas, sendo derrotado pelos atenienses na batalha de
Maratona.
A queda do grande Império Persa teve início no reinado de Xerxes, que também foi derrotado pelos
gregos (batalha de Salamina); o fim de sua independência política veio com a derrota e morte de Dario III
perante a investida dos gregos e macedônios, comandados por Alexandre Magno.
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A economia e a sociedade do Império persa
Durante o do reinado de Dario I, o império persa viveu um período de prosperidade econômica, através
do estímulo o comércio e a agricultura. Um dos fatores que contribuíram para o aumento da atividade
comercial foi a introdução do dárico, cunhado em ouro ou prata, de peso fixo e com a efígie do rei
(inovação trazida da Lídia), que instituiu um padrão monetário no reino. A construção de estradas, bem
como um eficiente policiamento efetuado por tropas reais, permitiram um tráfego maior de caravanas que
buscavam alcançar a Mesopotâmia, provenientes de partes distantes da Ásia. Os correios reais
facilitavam as comunicações e dizia-se que “na capital podia-se comer o peixe pescado no mar no mesmo
dia”.
O Império Persa nasceu do conflito entre as tribos pastoras e agricultoras. Quando o persa Ciro se
impôs pela força, a nobreza agrária e guerreira também se sobrepôs. O povo, constituído de artesãos,
agricultores e pastores, que podiam ser recrutados para a guerra, ocupava uma posição superior aos
escravos.
Entre os persas, o poder da camada sacerdotal era menor do que na maioria das civilizações da
Antiguidade Oriental.
Religião
A religião entre os persas caracterizou-se pela prática do Dualismo, que segundo a tradição, foi
proposta por Zaratustra (Também chamado Zoroastro), através dos escritos contidos no Zend-Avesta. O
dualismo espalhou-se pela Ásia, e com algumas alterações, é praticado até hoje.
O princípio do dualismo é a crença na existência dos princípios opostos: o bem, representado pelo
deus Aura-Mazda, e o mal, representado por Ahriman. A ideia é de que ambos viviam em constante luta
pelo controle das ações humanas. Os homens, agindo corretamente, estariam ajudando o bem a vencer
o mal. Zaratustra previa que no final dos tempos Aura-Mazda venceria e os que ficassem ao lado do mal
seriam destruídos.
O dualismo persa acabou por influenciar o Cristianismo, no que tange à dicotomia entre Céu e Inferno.
Previa a vinda de um Messias e se apresentava na condição de religião revelada. A religião persa sofreu
influência da Mesopotâmia, acabando por adotar fórmulas de horóscopos e a predição do futuro através
da posição dos astros. O culto de Mitra (auxiliar de Aura-Mazda) chegou a influenciar os próprios romanos,
que o representavam pelo Sol.
A cultura Persa
Os persas procuraram fora das suas fronteiras os elementos que marcaram suas construções.
Influências egípcias e mesopotâmicas fizeram-se sentir na arquitetura e a esculturas persas e os restos
de seus palácios evidenciam esse ecletismo cultural.
Os palácios do Império Persa possuíam alicerces de pedra, vastos terraplanos, paredes de tijolos,
colunas finas e elegantes, com capitéis esculpidos com cabeças de touro ou de cavalo. O teto era forrado
com madeira pintada. Muros recobertos de baixos-relevos ou ladrilhos esmaltados caracterizam as
principais construções existentes.
Hebreus
Antepassados do povo judeu, os hebreus têm sua trajetória marcada por migrações e pelo
monoteísmo. O Antigo Testamento da bíblia cristã é uma das maiores fontes de informação sobre o
povo Hebreu, já que cria uma mitologia para a criação desse povo.
A Origem dos Hebreus
Os hebreus originam-se da região da Palestina, localizada entre o deserto da Arábia, Líbano e Síria.
Na proximidade do Mar Mediterrâneo e cruzada pelo rio Jordão, a região da Palestina era considerada
um dos mais importantes centros comerciais do mundo antigo. Era uma região de conflito, uma vez que
era habitada por diferentes povos que disputavam territórios, bens e poder, sendo palco da histórica briga
árabese palestinos, que perdura até os dias de hoje.
Os hebreus são um povo com origem semita, que se diversificaram de outros povos contemporâneos
a eles por meio de uma crença religiosa monoteísta e por possuírem um líder religioso, Moisés.
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A palavra hebreu significa: "povo do outro lado do rio”, como referência ao Rio Jordão, uma vez que a
base de seu povoado deu-se após realizarem a travessia do rio e se fixarem na chamada “terra de Canaã”.
Além dos hebreus, os árabes também são um povo de origem semita. A civilização hebraica foi uma das
que mais exerceu influência sobre a civilização presente, em todas as partes do mundo, uma vez que a
sua religião, o judaísmo, forneceu subsídios para a constituição do cristianismo e do islamismo.
A população hebraica era organizada em vários clãs patriarcais, que, na verdade, eram tribos
seminômades. Essas tribos familiares dedicavam-se à criação de gado em pastagem próximas a oásis
espalhados pelo deserto da Arábia. Através de suas crenças, os hebreus fundaram uma religião
monoteísta baseada no culto ao Deus Javé (yahweh). Os hebreus seguiam líderes “escolhidos” por Javé
e consideravam-se uma nação santa que deveria expandir a sua população pela terra. Desse modo, as
famílias eram muito numerosas em integrantes. As mulheres recebiam o papel de criar os filhos e manter
o lar, enquanto os homens tinham a função de administrar as tribos e obter o sustento da família.
É possível dividir a trajetória dos Hebreus em três períodos:
- Período dos Patriarcas;
- Período dos Juízes;
- Período dos Reis.
No período dos patriarcas, que foi a primeira parte da história política dos hebreus, a população esteve
sob o domínio de uma liderança, um membro de uma das tribos que possuía o poder jurídico, militar e
religioso. Com relação à atividade econômica os hebreus sustentavam-se por meio de trabalhos pastoris
de caráter nômade, ou seja, o povo deslocava-se constantemente para regiões mais férteis.
Conduzidos por Abraão, deixaram a cidade de Ur, na Mesopotâmia, e se fixaram na Palestina (Canaã
a Terra Prometida), por volta de 2000 a.C.
A Palestina era uma pequena faixa de terra, que se estendia pelo vale do rio Jordão. Limitava-se ao
norte, com a Fenícia, ao sul com as terras de Judá, a leste com o deserto da Arábia e, a oeste com o mar
Mediterrâneo.
Governados por patriarcas, os hebreus viveram na palestina durante três séculos. Os principais
patriarcas hebreus, foram Abraão (o primeiro patriarca), Isaac, Jacó (também chamado Israel, daí o
nome israelita), Moisés e Josué.
Por volta de 1750 a.C. uma grande seca atingiu a Palestina. Os hebreus foram obrigados a deixar a
região e buscar melhores condições de sobrevivência no Egito. Permaneceram no Egito, cerca de 400
anos, até serem perseguidos e escravizados pelos faraós. Liderados pelo patriarca Moisés, os hebreus
abandonaram o Egito em 1250 a.C., retornando à Palestina. Essa saída em massa dos hebreus do Egito
é conhecida como Êxodo.
O período dos juízes tem início com a volta à Palestina. Sob a liderança de Josué, os hebreus tiveram
de lutar contra os cananeus e, posteriormente, contra os filisteus. Josué (sucessor de Moisés), distribuiu
as terras conquistadas entre as doze tribos de Israel. Nesse período os hebreus, passaram a se dedicar
à agricultura, a criação de animais e ao comércio, tornando-se, portanto, sedentários.
Nesse período de lutas pela conquista da Palestina, que durou quase dois séculos, os hebreus foram
governados pelos juízes. Os juízes eram chefes políticos, militares e religiosos. Embora comandassem
os hebreus de forma enérgica, não tinham uma estrutura administrativa permanente. Entre os mais
famosos juízes destaca-se Sansão, que ficou conhecido por sua grande força, conforme relata a Bíblia.
Outros juízes importantes foram Gedeão e Samuel.
Os conflitos e problemas sociais criaram a necessidade de um comando militar unificado, o que levou
os hebreus a adotarem a monarquia. O objetivo era centralizar o poder nas mãos de um rei e, assim, ter
mais força para enfrentar os povos inimigos, como os filisteus.
O primeiro rei dos hebreus foi Saul (1010 a.C.). Depois veio o rei Davi (1006-966 a.C.), conhecido por
ter vencido os filisteus. Com a conquista de toda a Palestina, a cidade de Jerusalém tornou-se a capital
política e religiosa dos hebreus.
O sucessor de Davi foi seu filho Salomão, que terminou a organização da monarquia hebraica e seu
reinado marcou o apogeu do reino hebraico. Durante o reinado de Salomão (966-926 a.C.), houve um
grande desenvolvimento comercial, e foram construídos palácios, fortificações, e o Templo de Jerusalém.
Além das construções, Salomão criou um poderoso exército, organizou a administração e o sistema de
impostos. Montou uma luxuosa corte, com muitos funcionários e grandes despesas.
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Para poder sustentar uma corte tão luxuosa, Salomão obrigava o povo hebreu a pagar pesados
impostos. O preço dessa exploração foi o surgimento de revoltas sociais.
Com a morte de Salomão, essas revoltas provocaram a divisão religiosa e política das tribos e o fim
da monarquia unificada.
Formaram-se dois reinos:
Ao norte, dez tribos formaram o reino de Israel, com capital em Samaria;
Ao sul, as duas tribos restantes formaram o reino de Judá, com capital em Jerusalém.
Fonte: http://gabinetedehistoria.blogspot.com.br/
Em 722 a.C., os reinos de Israel foram conquistados pelos assírios, comandados por Sargão II. Grande
parte dos hebreus foi escravizada e espalhada pelo Império Assírio.
Em 587 a.C., o reino de Judá foi conquistado pelos babilônios, comandados por Nabucodonosor. Os
babilônios destruíram Jerusalém e aprisionaram os hebreus, levando-os para a Babilônia. Esse episódio
ficou conhecido como o Cativeiro da Babilônia.
Os hebreus permaneceram presos até 538 a.C., quando o rei persa Ciro II conquistou a Babilônia, e
puderam então à Palestina, que se tornara província do Império Persa e reconstruíram então o templo de
Jerusalém.
A partir dessa época, os hebreus conseguiram conquistar a autonomia política da Palestina, que se
tornou sucessivamente província dos impérios persa, macedônio e romano.
Durante o domínio romano na Palestina, o sentimento de unidade dos hebreus fortaleceu-se, levando-
os a se revoltar contra Roma. No ano 70 d.C. o imperador romano Tito, sufocou uma rebelião hebraica e
destruiu o segundo templo de Jerusalém. Os hebreus, então, dispersaram-se por várias regiões do
mundo. Esse episódio ficou conhecido como Diáspora (Dispersão).
No ano de 136, sofreram a Segunda Diáspora, no reinado de Adriano (imperador romano), em que os
judeus foram definitivamente expulsos da Palestina.
Dispersos pelo mundo, o povo israelita, organizou-se em pequenas comunidades. Unidos,
preservaram os elementos básicos de sua cultura, como a linguagem, a religião e alguns objetivos
comuns, entre eles voltar um dia à Palestina. Assim, os hebreus se mantiveram como nação, embora não
constituíssem um Estado.
Somente em 1948, os judeus puderam se reunir num Estado independente, com a determinação da
ONU (Organização das Nações Unidas), que criou o Estado de Israel. Decisão que criou sérios problemas
na região do Oriente Médio, pois com a saída dos judeus da Palestina, no século I, outros povos,
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principalmente de origem árabe ocuparam e fixaram-se na região. A oposição dos árabes à existência do
Estado de Israel, tem resultado em contínuos conflitos na região.
Religião
A religião hebraica foi marcadamente monoteísta, vinculada também à ideia do messianismo.
Diferentemente da maioriados povos da região, a religião hebraica era monoteísta (crença em um único
deus), e não politeísta (crença em vários deuses e divindades) como os egípcios, por exemplo. Além
disso, também possuíam a ideia do messianismo.
A ideia messiânica foi divulgada pelos profetas. Acreditavam na vinda de um messias, um enviado de
Deus para conduzir os homens à salvação eterna. Para os cristãos (católicos e protestantes) esse
messias é Jesus Cristo. Os judeus não consideram Jesus como messias, e sim como apenas um dos
muitos profetas e pregadores que existiram na época. Os judeus continuam aguardando a vinda do
messias.
A doutrina fundamental da religião hebraica (o Judaísmo) encontra-se no Pentateuco, contido no Velho
Testamento da Bíblia. O Pentateuco é composto pelos primeiros livros da bíblia: Gênesis, Êxodo,
Deuteronômio, Números e Levítico. Os hebreus chamam esse livro de Torá.
A religião hebraica prescreve uma conduta moral orientada pela justiça, a caridade e o amor ao
próximo. Entre as principais festas judaicas, destacam-se: a Páscoa, que comemora a saída dos hebreus
do Egito em busca da Terra Prometida; o Pentecostes, que recorda a entrega dos Dez Mandamentos a
Moisés; o Tabernáculo, que relembra a longa permanência dos hebreus no deserto, durante o Êxodo.
Na literatura, o melhor exemplo são os livros bíblicos do Velho Testamento, dentre os quais destacam-
se os Salmos, o Cântico dos Cânticos, o Livro de Jó e os Provérbios.
Fenícios
A civilização fenícia desenvolveu-se na Fenícia, território do atual Líbano. Os fenícios foram povos de
origem semita, assim como os hebreus. Por volta de 3000 a.C., estabeleceram-se numa estreita faixa de
terra com cerca de 35 km de largura, situada entre as montanhas do Líbano e o mar Mediterrâneo. Com
200 km de extensão, corresponde a maior parte do litoral do atual Líbano e uma pequena parte da Síria.
Por habitarem uma região montanhosa e com poucas terras férteis, os fenícios dedicaram-se à pesca
e ao comércio marítimo.
Diferente de outros povos, os fenícios não chegaram a fundar um reino. A rivalidade entre as diversas
cidades-estados levou-as, no máximo, a constituir uma confederação.
A cidade de Biblos alcançou prestígio por volta de 2500 a.C., expandindo seu comércio e poderio por
uma grande área do Mediterrâneo. Sidon teve o seu período por volta de 1400 a.C., mantendo durante
séculos sua supremacia sobre todo o comércio realizado no mar. Finalmente, coube a Tiro alcançar a
hegemonia marítima, tendo acesso às rotas mais longínquas.
Mais tarde, os fenícios entraram em decadência, caindo sob o domínio dos assírios, babilônios e,
finalmente, dos persas. A colônia fenícia de Cartago, no norte da África, subsistiu até o século II a.C.,
quando foi destruída pelos romanos no final das Guerras Púnicas.
As atividades econômicas e a sociedade fenícia
Acredita-se que os fenícios foram povos originários da Caldéia, região no sul da mesopotâmia. As
condições do relevo na região em que habitavam foi essencial para seu expansionismo. Situados entre
os atuais Líbano e Síria, os fenícios dispunham de poucas terras férteis cultiváveis, o que contribuiu para
que desenvolvessem a prática da navegação.
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A proximidade do Egito, com sua grande produção de cereais, a abundância de madeira de cedro e
um litoral extenso fizeram dos fenícios hábeis navegadores.
Os fenícios desenvolveram extraordinariamente o artesanato comercial, produzindo em série objetos
facilmente negociáveis no mundo antigo, tais como armas, vasos, adornos de bronze e cobre, tecidos e
até mesmo objetos de vidro, que alcançavam ótimos preços. Conheciam todas as rotas de navegação do
Mediterrâneo e, transpondo o Estreito de Gibraltar, alcançaram as Ilhas Britânicas. Chegaram mesmo a
fazer uma viagem de circunavegação da África, a soldo de um faraó egípcio.
O comércio de escravos propiciava grandes lucros; muitos, porém, eram trazidos para a Fenícia a fim
de trabalhar nas oficinas de artesanato. Os fenícios fundaram colônias nas margens do mar Mediterrâneo,
as quais funcionavam como entrepostos de comércio e abastecimento. As mais conhecidas colônias
fenícias foram as cidades de Cartago, no Norte da África, e Cádiz, na Espanha.
Os fenícios detiveram a hegemonia comercial do Mediterrâneo (talassocracia) e foram sérios
concorrentes dos gregos, etruscos e romanos.
A maior parte da população fenícia era constituída de marinheiros e artesãos pobres, os quais
trabalhavam em função de uma classe rica que vivia do comércio marítimo. Essa classe de mercadores
detinha não só o poder político das cidades-estados, mas também a riqueza e o controle das atividades
comerciais. Os escravos e mercenários eram facilmente conseguidos nas viagens pelo Mediterrâneo;
enquanto os primeiros trabalhavam como remadores ou artesãos, os segundos protegiam as naus e as
muralhas das grandes cidades-portos
A religião dos fenícios
A religião dos fenícios, assim como outros povos da região adquiriu caráter politeísta. Cada cidade
possuía um Baal (deus) protetor: Melcart, em Tiro; Adonis, em Biblos; e Eshum, em Sidon. Cartago tinha
como protetor Moloc. Os fenícios possuíam ainda divindades menores protetoras do comércio, das rotas,
dos navios etc. Entre os rituais religiosos estavam o sacrifício de animais e pessoas, como forma de
agradar as divindades.
O alfabeto
Os fenícios desenvolveram o alfabeto em função de suas atividades comerciais.
Além das técnicas de navegação e dos conhecimentos geográficos, provenientes da exploração das
rotas marítimas, os fenícios trouxeram um fator de inegável valor para o progresso da humanidade. A
partir dos ideogramas egípcios, desenvolveram um alfabeto fonético de 22 letras, que mais tarde foi
adaptado pelos gregos e romanos. Provavelmente fizeram isso buscando simplificar as operações
comerciais, uma vez que não deixaram no campo literário, ou em qualquer outra atividade artística, nada
que mereça ser lembrado.
Também foram as inestimáveis contribuições que os fenícios deram para a astronomia e a matemática,
que foram ciências largamente aperfeiçoadas por eles.
Questões
01. (UFPE) Entre os povos do oriente médio, os hebreus foram os que mais influenciaram a cultura da
civilização ocidental, uma vez que o cristianismo é considerado como uma continuação das tradições
religiosas hebraicas.
A partir do texto anterior, assinale a alternativa incorreta:
(A) Originários da Arábia, os hebreus constituíram dois reinos: o de Judá e o de Israel na Palestina.
(B) As guerras geraram a unidade política dos hebreus. Essa unidade se firmou primeiro em torno de
juízes e, depois, em volta dos reis.
(C) Os profetas surgiram na Palestina por volta dos séculos VIII e VII a.C., quando ocorreu uma onda
de protestos dos trabalhadores contra os comerciantes.
(D) A religião hebraica passou por diversas fases, evoluindo do politeísmo ao monoteísmo difundido
pelos profetas.
(E) Os hebreus organizaram-se social e economicamente com base na propriedade da terra, o que
deu início à Diáspora.
02. (UFRN) Entre os hebreus da Antiguidade, os profetas eram considerados mensageiros de Deus,
lembrando ao povo as demandas da justiça e da Lei dadas por Javé. Isaías, um dos profetas dessa época,
em nome de Javé proclamou:
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Ai dos que decretam leis injustas; dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos
pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo, a fim de despojarem as viúvas e roubarem os
órfãos! (Isaías 10:1-2)
Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como
únicos moradores no meio da terra! (Isaías 5:8)
Essespronunciamentos do profeta Isaías estão ligados a uma época da história hebraica em que
ocorreu:
(A) a saída dos hebreus do Egito, sob o comando de Moisés, e o estabelecimento em Canaã,
conquistando as terras dos povos que ali habitavam.
(B) a imigração para o Egito, quando os hebreus receberam terras férteis no delta do rio Nilo, por
influência de José, que exercia ali o cargo de governador.
(C) a formação de uma aristocracia, que enriquecera com o comércio e com a apropriação das terras
dos camponeses endividados.
(D) a conquista de Jerusalém por Nabucodonosor, quando os judeus foram despojados de suas terras
e deportados para a Babilônia.
(E) ao domínio persa, como Ciro, o Grande, que massacrou milhares de camponeses hebreus.
03. Sobre a religião no Egito Antigo é falso afirmar que:
(A) Os egípcios acreditavam na vida após a morte e, por isso, desenvolveram a técnica da
mumificação.
(B) Os egípcios não acreditavam na vida após a morte e seguiam uma religião monoteísta (crença na
existência de apenas um deus).
(C) Os egípcios acreditavam na existência de vários deuses (religião politeísta).
(D) Na religião egípcia muitos animais eram considerados sagrados, como, por exemplo, gato, jacaré,
água, serpente, etc.
04. (ENEM) O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os quadrantes do planeta,
desejosos de ver com os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pedra há milênios: as
pirâmides de Gizé, as tumbas do Vale dos Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo. O
que hoje se transformou em atração turística era, no passado, interpretado de forma muito diferente, pois
(A) significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós tinham para escravizar grandes
contingentes populacionais que trabalhavam nesses monumentos.
(B) representava para as populações do alto Egito a possibilidade de migrar para o sul e encontrar
trabalho nos canteiros faraônicos.
(C) significava a solução para os problemas econômicos, uma vez que os faraós sacrificavam aos
deuses suas riquezas, construindo templos.
(D) representava a possibilidade de o faraó ordenar a sociedade, obrigando os desocupados a
trabalharem em obras públicas, que engrandeceram o próprio Egito.
(E) significava um peso para a população egípcia, que condenava o luxo faraônico e a religião baseada
em crenças e superstições.
05. (UFRS) Na África, durante a Antiguidade, entre 3000 a.C. e 322 a.C., desenvolveu-se o primeiro
Império unificado historicamente conhecido, cuja longevidade e continuidade ainda despertam a atenção
de arqueólogos e historiadores. Esse império
(A) legou a humanidade códigos e compilações de leis.
(B) desenvolveu a escrita alfabética, dominada por amplos setores da sociedade.
(C) retinha parcela insignificante do excedente econômico disponível.
(D) sustentou a crença de que o caráter divino dos reis se transmitia exclusivamente pela via paterna.
(E) dependia das cheias do rio Nilo para a prática da agricultura.
06. (FGV-SP) Das alternativas abaixo, a que melhor caracteriza a sociedade fenícia é:
(A) a existência de um Estado centralizado e o monoteísmo;
(B) o monoteísmo e a agricultura;
(C) o comércio e o politeísmo;
(D) as cidades-Estados e o monoteísmo;
(E) a agricultura e a forma de Estado centralizado.
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07. (UNESP) Na região onde atualmente se encontra o Líbano, instalou-se, no III milênio a. C., um
povo semita, que passou a ocupar a estrita faixa de terra, com cerca de 200 quilômetros de comprimento,
apertada entre o mar e as montanhas. Várias razões os levaram ao comércio marítimo, merecendo
destaque sua proximidade geográfica com o Egito; a costa, que oferecia lugares para bons portos; e os
cedros, principal riqueza, usados na construção de navios.
O contido nesse parágrafo refere-se ao povo:
(A) fenício.
(B) hebreu.
(C) sumério.
(D) hitita.
(E) assírio.
08. (UFRS) O soberano dividiu o seu império em províncias, chamadas satrápias, sendo a terra
considerada como propriedade real e trabalhada pelas comunidades.
Estas características identificam o:
(A) império dos persas durante o reinado de Dario.
(B) império babilônico durante o governo de Hamurabi.
(C) antigo império egípcio durante a dinastia de Quéops.
(D) reino de Israel sob o comando de Davi.
(E) estado espartano durante a vigência das leis de Dracon.
09. (PUC-SP) Pode-se dizer que um dos elementos fundamentais da religião persa na Antiguidade,
após Zaratustra, é:
(A) o politeísmo caracterizado pela prática da adoração dos ídolos zoomórficos nos templos religiosos.
(B) o caráter local do culto, já que cada região possuía suas próprias divindades supremas.
(C) o dualismo representado pela oposição entre o princípio do bem e do mal.
(D) a estrita obediência por parte de toda a população dos preceitos religiosos contidos nos Vedas
(E) a descrença na imortalidade da alma e na ressureição.
10. (SEDUC-PI – Professor de História – NUCEPE) Dividida em províncias, que ficaram conhecidas
como satrápias, as terras eram consideradas como propriedades do império e cultivadas pelas
comunidades. Considerando as características destacadas, podemos afirmar que estas se referem
(A) ao Império Babilônico.
(B) à fase unificada do Império Egípcio.
(C) ao reino de Israel.
(D) às Cidades-estados gregas.
(E) ao Império Persa.
Respostas
01. Resposta: E
A diáspora hebraica não ocorreu em razão da organização social e econômica baseada na propriedade
de terras (inclusive, durante uma boa parte da constituição enquanto civilização, os hebreus eram
seminômades), mas por esse povo ter sido submetido ao domínio de outras civilizações, como a
babilônica e, posteriormente, a romana e a árabe.
02. Resposta: C
Os textos proféticos do Antigo Testamento, além de guardarem consigo, segundo a tradição judaico-
cristã, o anúncio da vinda do Messias, também revelam muitos aspectos do contexto histórico que
permeava a vida dos hebreus daquele período. O trecho em questão evidencia a crítica do profeta Isaías
àqueles que se enriqueceram às custas da população camponesa.
03. Resposta: B
No Egito antigo, como em quase toda a Antiguidade, a religião assumia a forma politeísta,
compreendendo uma enorme variedade de deuses e divindades menores.
O Mito de Osíris ilustra bem a religiosidade dos egípcios, a ponto de terem se decidido a erigir túmulos
e templos em homenagem à morte e à vida futura.
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04. Resposta: A
As pirâmides, tumbas e templos na Antiguidade Oriental representavam também a autoridade e o
poder dos governantes, sempre associados a divindades.
05. Resposta: E
Esse enunciado refere-se ao Egito, Estado Teocrático organizado por volta de 3200 a.C., a partir de
comunidades de camponeses estabelecidas ao longo do rio Nilo.
06. Resposta: C
As condições do relevo na região em que habitavam foi essencial para seu expansionismo.
A proximidade do Egito, com sua grande produção de cereais, a abundância de madeira de cedro e
um litoral extenso fizeram dos fenícios hábeis navegadores.
A religião dos fenícios, assim como outros povos da região adquiriu caráter politeísta.
07. Resposta: A
O trecho refere-se aos fenícios, citando as condições geográficas, como o relevo e a proximidade com
o Egito, e o comércio marítimo.
08. Resposta: A
Em 522, Dario I subiu ao poder; com ele, o Império Persa atingiu o apogeu.
09. Resposta: C
O princípio do dualismo é a crença na existência dos princípios opostos: o bem, representado pelo
deus Aura-Mazda, e o mal, representado por Ahriman.
10. Resposta: E
Em 522, Dario I subiu ao poder; com ele, oImpério Persa atingiu o apogeu. Seus domínios estendiam-
se desde a Trácia, na Europa, até a Ásia Central. Dario consolidou o despotismo real, dando à sua pessoa
um caráter semidivino. Dividiu o império em satrápias, cuja administração civil e militar era confiada aos
nobres escolhidos; não obstante, as satrápias eram vigiados por funcionários reais.
Grécia
Situada atualmente na Europa Meridional, entre os mares Jônio, Egeu e Mediterrâneo, a Grécia é um
país montanhoso, em cuja costa existem muitos golfos e enseadas. A pobreza do solo e o litoral recortado
com muitas ilhas, contribuiu para que os gregos se tornassem excelentes navegadores, lançando-os à
conquista de outras regiões mais produtivas.
Diferente do país que conhecemos hoje, no passado a Grécia era formada por diversos territórios que
se espalhavam pelos mares que a cercavam. O próprio nome Grécia não era utilizado, pois os habitantes
da região chamavam a Grécia Antiga de Hélade e a si de helenos. Os povos que ali habitavam julgavam-
se autóctones descendentes de Heleno, filho de Deucalião, que havia escapado de um dilúvio provocado
por Júpiter, pai dos Deuses. Daí o nome de Hélade.
O Povo
Na verdade a civilização grega resultou numa mistura de diversos povos.
Por volta do segundo milênio a.C., a ilha de Creta, graças ao seu comércio marítimo possuía uma
civilização bastante complexa.
As comunidades neolíticas das costas do mar Egeu foram muito influenciadas pela metalurgia. O
comércio de metais e as novas armas conferiram superioridade a alguns povos, provocando mudanças
em sua organização.
A civilização grega teve suas raízes mais profundas na cultura cretense, desenvolvida nos milênios III
a.C. e II a.C, baseada na agricultura e em um rico comércio marítimo.
A partir de 2200 a.C, a ilha de Creta adquiriu um papel preponderante na região do mar Egeu.
Localizada nas proximidades do Egito e da Ásia Menor, seu esplendor se iniciou em torno do ano 2000
a.C, época na qual a cidade de Cnossos dominava a ilha.
A sociedade minoica era governada por príncipes, que criaram um império marítimo. Dentre eles
destacou-se o legendário Minos (o mesmo da lenda do minotauro), que teria construído numerosos
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palácios em Cnossos, a cidade mais importante de Creta. Por isso, a cultura cretense também é
denominada cultura minoica.
A economia, construída sobre uma base agrícola, evoluiu para o comércio. A aplicação do torno à
cerâmica e o domínio da metalurgia impulsionaram a exportação e a importação. Além de produtos
agrícolas, os cretenses exportavam suas manufaturas e importavam matérias-primas: cobre do Chipre e
estanho da Europa ocidental. Eles eram os intermediários comerciais entre os povos vizinhos. O comércio
favoreceu o desenvolvimento da vida das pessoas nas cidades.
A arte minoica esteve bastante presente na construção dos palácios e sobretudo na decoração de
seus interiores. As obras artísticas, que anteriormente tinham apenas inspiração religiosa, sofreram
mudanças graças às transformações ocorridas na vida e na mentalidade da sociedade. Assim, elas
deixaram de ter caráter apenas sagrado e passaram a ter sentido próprio, voltadas à simples
contemplação. Destacam-se as elegantes pinturas em afresco que representavam cenas da vida
cotidiana.
Os minoicos utilizavam dois tipos de escrita, Linear A e Linear B. O primeiro ainda não é bem
conhecido, mas o segundo está ligado à escrita grega.
Atraídos pelo desenvolvimento de Creta, por volta de 1400 a.C, os aqueus invadiram e conquistaram
a ilha. Contudo, não destruíram a cultura cretense; ao contrário, procuraram assimilá-la e preservá-la, de
onde surgiu a civilização micênica.
A Civilização Micênica é considerada uma das sociedades mais sofisticadas da cultura grega pela
grande disseminação artística e pela avançada organização política que via as mulheres com igualdade.
Ela sobreviveu entre os anos de 1600 a.C. e 1050 a.C. com a invasão dos aqueus na Grécia e se
desenvolveu na ilha de Creta, ao sul do Mar Egeu, após dominarem os pelágios.
Entretanto, ao contrário das civilizações gregas mais antigas que adoravam uma deusa-mãe, os
micênicos passaram a louvar Poseidon, que eles acreditavam ser o governador máximo da Terra.
Acredita-se que nesta civilização se dá início às primeiras lendas da Mitologia Grega, pois ao fim deste
período o deus principal passou a ser Zeus.
O sistema político e econômico era centrado na figura do rei, mas pouco se sabe sobre a hierarquia
social da época. Alguns especialistas sustentam que, abaixo dos reis, havia uma forte organização militar
detentora de grandes lotes de terra. Os escravos, trabalhadores livres e comerciantes faziam parte da
escala social mais baixa.
Os micênicos eram grandes navegadores e construíram embarcações bem mais avançadas que as
iniciadas pelos minoicos. Este povo, que se caracterizava pelo aspecto guerreiro, construiu barcos de
carga que eram propícias ao combate. Como armamento, os micênicos começaram a utilizar o ferro e o
bronze.
Não se sabe ao certo qual foi o real motivo de desaparecimento dessa civilização, mas alguns
historiadores acreditam que a invasão dos dórios na região de Creta foi o principal motivo. Os dórios
acabaram com toda a potência marítima iniciada pelos micênicos e a ilha de Creta, que se tornara uma
das regiões mais desenvolvidas da Grécia, perdeu sua hegemonia com sua divisão em cidades-Estado.
Os dóricos entraram violentamente na Grécia pouco depois da Guerra de Tróia, por volta de 1100 a.C.
Eram mais poderosos que os Aqueus do ponto de vista bélico, pois possuíam armas feitas de ferro. Com
a invasão de Creta as cidades micênicas foram destruídas.
Os dóricos não conseguiram absorver as conquistas micênicas, como a escrita, e a urbanização
praticamente desapareceu. A Grécia viveu um período conhecido como idade obscura ou período
Homérico (recebeu este nome por conta das poucas fontes, e sendo as obras Ilíada e Odisseia de Homero
as principais), do qual se conhece muito pouco.
Com a invasão dórica muitos habitantes fugiram da Península do Peloponeso, essa foi a primeira
diáspora grega.
A Grécia Primitiva
A Ilíada e A Odisseia, poemas atribuídos a Homero, nos fornecem muitos conhecimentos sobre a
Grécia Antiga.
A Ilíada narra a guerra entre os gregos e os troianos. A causa dessa guerra foi o rapto da bela Helena,
esposa de Menelau, por Páris, filho do rei de Tróia ou Ileo (daí Ilíada).
Comandados por Agamenon os gregos atacaram os troianos.
Durante as lutas Aquiles foi o destaque grego enquanto Heitor era o herói troiano.
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Protegido pelo deus Hefaísto, que lhe cedera uma armadura impenetrável, Aquiles atacou os troianos
que fugiram, exceto o corajoso Heitor, que enfrentou Aquiles. Apesar da bravura, Heitor foi morto por
Aquiles que acabou profanando o seu cadáver.
O irmão de Heitor, Paris, que jurara vingança, acabou matando Aquiles após feri-lo com uma flecha
em seu único lugar vulnerável: o calcanhar, daí o termo calcanhar de Aquiles que quer dizer o ponto fraco
de uma pessoa.
Não conseguindo tomar Tróia pela força, os gregos usaram da astúcia…
Após terem celebrado a paz com os troianos, os gregos enviaram à Tróia um grande cavalo de madeira
como presente (daí a expressão “presente-de-grego”). Acontece que dentro desse cavalo estavam os
melhores guerreiros gregos. Estes, já dentro da cidade,abriram as portas para que o exército grego
liquidasse os troianos que foram apanhados desprevenidos.
Assim que os gregos conquistaram Tróia, após uma guerra de durou 10 anos.
Hoje acredita-se que apesar da aventura contada no obra, os gregos forçaram a invasão a Tróia por
causa de sua localização estratégica para o comércio marítimo no mar Egeu).
A Odisséia narra as aventuras de Ulisses (ou Odisseu), rei da Ítaca, que após a destruição de Tróia
procura retornar a sua fiel esposa Penélope, que prometera escolher um noivo, assim que terminasse de
tecer um manto. Acontece que na esperança da chegada de Ulisses ela desmanchava, à noite, o trabalho
que fizera durante o dia.
Finalmente, Ulisses chegou. Disfarçado em mendigo, se dirigiu ao local onde se celebrava a festa em
honra do deus Apolo. Nesta festa, Penélope propôs que aquele que conseguisse disparar o arco e as
flechas de Ulisses ela desposaria. Todos tentaram, sem sucesso.
Ulisses, graças à interferência de Telêmaco, seu filho, que sabia de seu segredo, disparou as doze
flechas. Em seguida venceu os seus adversários e revelou-se a Penélope, que não acreditava ser aquele
velho esfarrapado o seu esposo. Para contornar a situação, a deusa Atenéia devolveu a Ulisses a sua
juventude e também a obediência a seu povo.
No final do período homérico, o aumento populacional e a falta de terras acabou desagregando a
comunidade primitiva.
As terras coletivas foram divididas pelo páter (chefe de família) entre seus parentes mais próximos,
surgindo dessa forma à propriedade privada e a hierarquização da sociedade em classes distintas.
Dessa forma, de um lado formou-se uma poderosa aristocracia que possuía as melhores terras e
controlava o poder político, do outro lado os despossuídos que passaram a trabalhar para os aristocratas
ou se dedicaram ao comércio e ao artesanato. Outros ainda acabaram emigrando para novas terras.
Cidades-Estado
A história da Grécia Antiga caracteriza-se pela presença da cidade-Estado (pólis). Havia ao todo cerca
de 160 cidades-Estado na Grécia, todas elas soberanas, com destaque para Atenas e Esparta. A
independência dessas cidades resultou de vários fatores: o relevo montanhoso, que dificultava as
comunicações terrestres; o litoral recortado e as numerosas ilhas existentes no Mar Egeu, que
estimulavam a navegação; a ausência de uma base econômica interna sólida, que poderia aglutinar os
gregos em um Estado-nação. Contudo, os gregos passaram por um processo de dispersão que os levou
a fundar numerosas colônias no litoral do Mediterrâneo e do Mar Negro. Essas colônias vieram a tornar-
se outras tantas cidades-Estado, de forma que não se estabeleceu uma unidade política entre elas.
Entretanto, como havia unidade cultural (identidade de língua, etnia, religião e costumes), podemos falar
em um Mundo Grego, mas não em um Império Grego.
Nessa época, os gregos viviam em pequenas comunidades agrícolas autossuficientes — os genos –
cujos membros eram aparentados entre si e obedeciam à autoridade de um pater famílias. A propriedade
da terra era coletiva. O sistema gentílico desintegrou-se quando o crescimento demográfico tornou
insuficiente a produção dos genos. Os parentes mais próximos do pater famílias (os eupátridas)
apropriaram-se das terras, transformando-as em propriedade privada; quanto aos parentes mais
afastados, estes se transformaram em camponeses sem terra ou então emigraram. Separando-se dos
camponeses, os eupátridas passaram a morar em locais fortificados que, com o correr do tempo e o
desenvolvimento do comércio, deram origem às pólis.
Constituída por um aglomerado urbano, abrangia toda a vida pública de um pequeno território e
geralmente encontrava-se protegida por uma fortaleza. Compreendia a totalidade dos cidadãos, exceto
os escravos, metecos e membros de populações subjugadas e distinguia-se de outras cidades pelo nome
dos seus habitantes.
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A criação da polis foi favorecida pelo progresso da agricultura, do comércio e pelo aparecimento da
indústria têxtil, bem como pela intensificação da vida política. Quando os habitantes de povoações
disseminadas transferiram a sua residência para perto das fortalezas, a acrópole se converteu no centro
político da polis.
A pólis era uma organização social constituída por cidadãos livres que discutiam e elaboravam as leis
relativas à cidade. Dentro dos limites de uma pólis ficavam a Ágora e a Acrópole, além dos espaços
urbano e rural. A agricultura era a base da economia da pólis.
A Ágora era uma grande praça pública, um espaço onde os cidadãos se reuniam para atividades
comerciais, discussões políticas e manifestações cívicas e religiosas.
A Acrópole era uma fortificação onde estavam os monumentos, os templos e os palácios dos
governantes.
Atenas e Esparta foram as pólis com maior reconhecimento através dos tempos, com fama até os dias
atuais.
Esparta
Esparta localizava-se na região da Lacônia, que ocupava a parte sudeste da Península do Peloponeso,
ao extremo sul da Grécia, sendo uma das primeiras cidades-Estado. Foi fundada pelos dórios, por volta
do século IX a.C., após a submissão dos aqueus.
Durante o Período Homérico, os dórios vivenciaram o sistema gentílico, como as demais regiões da
Grécia. Nesse período, as terras que haviam sido conquistadas aos aqueus foram distribuídas entre os
guerreiros, que as trabalhavam coletivamente, sob um regime patriarcal. No século VII a.C., em razão da
escassez de terras e do crescimento da população dória, teve início a expansão vitoriosa sobre a Planície
Messênia; os messênios foram reduzidos à condição de escravos. Esse fato promoveu profundas
alterações na estrutura econômica e fundiária de Esparta. As propriedades coletivas desapareceram,
cedendo lugar a uma vasta propriedade estatal, denominada de terra cívica — as terras centrais e mais
férteis da planície.
Essas terras foram divididas em cerca de 8.000 lotes, que foram distribuídos aos guerreiros dórios,
detentores da posse útil da terra cívica. Recebiam também cerca de seis escravos para realizar os
trabalhos. As terras periféricas foram divididas entre os aqueus, que detinham a propriedade privada
sobre a terra, podendo vendê-la ou dividi-la.
A conquista da Planície Messênia promoveu uma reestruturação social em Esparta. Basicamente,
após a conquista da Planície, a sociedade era composta de esparciatas (cidadãos e guerreiros de origem
dória, que constituíam a camada social superior e recebiam educação militar), periecos (aqueus,
habitantes da periferia, que, apesar de serem homens livres, não eram considerados cidadãos) e hilotas
(escravos). A sociedade era estamental, rigidamente hierarquizada e sem mobilidade social.
Até o século VII a.C., a legislação de Esparta—Grande Retra — estabelecia que o governo deveria ser
exercido por dois reis (diarquia), por um conselho e por uma assembleia. A sucessão ao trono era
hereditária e duas famílias dividiam o poder: os Ágidas e os Euripôntidas. O Conselho, denominado
Gerúsia, era formado pelos homens idosos e tinha um caráter apenas consultivo. A Assembleia, Ápela,
era o órgão mais importante, e os cidadãos tomavam as decisões finais sobre todos os assuntos. A
Constituição e a organização política eram praticamente imutáveis, pois eram atribuídas à lendária figura
de Licurgo, personagem histórica que, por ter um caráter divino, imprimia essa divinização às normas por
ele criadas. Com o processo de conquista da Planície Messênia concluído no século VII a.C., as
transformações políticas foram proporcionais às mudanças socioeconômicas. O governo passou por uma
transformação conservadora e mais uma vez essas alterações foram atribuídasa Licurgo. Esparta adotou
a oligarquia como forma de governo. A antiga Gerúsia passou a monopolizar o poder e, nesse momento,
compunha-se de 28 gerontes (cidadãos com mais de 60 anos), com poderes vitalícios.
O Poder Executivo passou a ser exercido pelos éforos, cinco magistrados escolhidos pelos gerontes,
com o mandato de um ano. A antiga Ápela aprovava as leis apenas por aclamação, correspondendo,
nesse contexto, a um órgão formal de decisões políticas, de caráter meramente consultivo. A diarquia
continuou a existir, mas os seus poderes políticos foram esvaziados, restando-lhe o exercício do poder
sacerdotal e as atribuições militares. O caráter conservador de Esparta resultou da preocupação da
minoria esparciatas em manter a maioria hilota subordinada. Daí o militarismo do estamento dominante,
a xenofobia (aversão ao estrangeiro) e o laconismo (forma sintética de expressão), que sufocavam o
surgimento de ideias e restringiam o espírito crítico.
A educação espartana estava voltada para a guerra, moldando os homens, desde crianças, que se
preparavam para tornar-se soldados.
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Esse processo de formação militar começava quando ainda criança, quando um grupo de anciãos
observava as crianças, que não poderiam ter problemas físicos e de saúde. Caso a criança fosse
completamente saudável ela ficaria sob a guarda da sua mãe até os sete anos de idade; após, quem se
tornaria responsável pela criança era o próprio Estado.
Assim, ao sete anos, a criança “entrava” para o exército onde permaneceria até seus doze anos de
idade, quando receberia alguns ensinamentos para que conhecesse a dinâmica do estado Espartano e
principalmente as tradições de seu povo, e após esses ensinamentos entrariam de fato em um
treinamento militar.
Aprendiam a combater com eficácia, eram testados fisicamente e psicologicamente, além de
aprenderem a sobrevivência em condições extremas e diversas, e principalmente aprendiam a obedecer
seus superiores. Se por algum acaso esses jovens soldados não conseguissem completar essas missões
pela qual eram submetidos, ocorriam punições.
O teste final na vida do soldado espartano era realizado aos seus 17 anos. Esse teste era conhecido
como Kriptia e funcionava como um jogo, onde os soldados escondiam de dia em campo para ao
anoitecer, saírem a caça do maior número de escravos (hilotas) possíveis.
Passando por esses processos de seleções o jovem espartano já poderia integrar oficialmente os
exércitos e teria direito também a um lote de terras.
Aos trinta anos de idade o soldado poderia ganhar a condição de cidadão e isso o dava o direito de
participar de todas as decisões e leis que seriam colocadas na mesa pela Apela, e aos sessenta anos o
indivíduo poderia sair do exército podendo integrar a Gerúsia.
Atenas
De origem jônica, Atenas se apresentou como um padrão para o desenvolvimento para outras cidades-
estados gregas. A região cercada de montanhas, foi poupada de uma ocupação dos Dórios. Ao lado de
Esparta, a cidade de Atenas é caracterizada como um modelo a ser seguido, isso pois, nessa cidade
aconteceu a formação e o desenvolvimento da Democracia. Essa palavra em sua origem representa:
DEMO (povo) KRATOS (poder), ou seja, poder do povo. A Democracia é até hoje o regime político
utilizado na maioria dos países Ocidentais, inclusive no Brasil.
Em 621 a.C, o legislador Drákon foi o encarregado de escrever as primeiras leis escritas em Atenas,
codificou portanto as antigas leis conhecidas pela tradição oral. Nada mudou em relação à legislação, os
eupátridas continuavam sendo os que detinham os maiores direitos políticos, por isso, aconteceram em
Atenas várias manifestações dos Thetas (camada social marginalizada, camponeses, servos...) que
queriam participar da política ateniense, lutando principalmente contra a escravidão por dívida que ainda
existia em Atenas.
Somente em 594 a.C. com o legislador Sólon, aconteceram reformas políticas em Atenas mais
próximas dos interesses dos Thetas. Sólon decretou a lei seisachtéia, a proibição da escravidão por
dívida, além de determinar o confisco de terras dos eupátridas e uma divisão de terras para as famílias
mais pobres, isso resultou numa grande paz e estabilidade social. No plano jurídico decretou a eunomia,
a igualdade de todos perante a lei. Essa reforma foi decisiva para o desenvolvimento de um sentimento
democrático em Atenas.
A Democracia em Atenas passaria ainda por algumas reformas, o que aconteceu em 507 a.C com o
legislador Clístenes, que recebeu o título de “pai da democracia”.
Educação
Na antiguidade, a cidade-estado grega de Atenas destacou-se nas áreas de artes, teatro, literatura e
outras atividades culturais. Desta forma, a educação ateniense refletiu os anseios e valores desta
sociedade.
A educação ateniense tinha como objetivo principal à formação de indivíduos completos, ou seja, com
bom preparo físico, psicológico e cultural.
Por volta dos sete anos de idade, o menino ateniense era orientado por um pedagogo. Na escola, os
jovens estudavam música, artes plásticas, Filosofia, etc.
As atividades físicas também faziam parte da vida escolar, pois os atenienses consideravam de grande
importância a manutenção da saúde corporal.
Já as meninas de Atenas não frequentavam escolas, pois ficavam aos cuidados da mãe até o
casamento.
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Cidadania e Democracia na Antiguidade
Comumente consideramos como antiguidade o período que vai do surgimento da escrita, por volta de
3000 a.C na Mesopotâmia, até a queda do Império Romano do Ocidente, no ano de 476 d.C. Diferentes
povos se desenvolveram na Idade Antiga, entre elas as civilizações do Egito, Mesopotâmia, China, as
civilizações clássicas como Grécia e Roma, os Persas, os Hebreus, os Fenícios, além dos Celtas,
Etruscos, Eslavos, dos povos germanos (visigodos, ostrogodos, anglos, saxões,) entre outros. Ela surge
como um período histórico de fundamental importância, destacadamente por suas criações e legados,
muitos dos quais lançaram as bases para a construção de muitas sociedades atuais.
Além de ser o período do surgimento da escrita, a antiguidade também viu nascerem os jogos
olímpicos, a organização do conhecimentos, o surgimento de diversas cidades e a criação do Estado
enquanto instituição capaz de regulamentar o convívio entre os homens. A partir de então, o crescente
nível de complexidade das civilizações comportou também o fortalecimento das relações políticas.
Política
Os sistemas de governo na Antiguidade estavam baseados em elementos teocráticos, ou seja,
sustentados por uma visão religiosa e dominado por uma pequena elite política. O Faraó no Egito era
visto como um enviado dos deuses, e, em alguns casos, como uma reencarnação divina. Nos povos
mesopotâmicos, assim como em grande parte das demais civilizações do período, eram frequentes as
interferências do sacerdote em assuntos políticos.
O exemplo de Esparta
Até o século VII a.C., a legislação de Esparta —Grande Retra — estabelecia que o governo deveria
ser exercido por dois reis (diarquia), por um conselho e por uma assembleia. A sucessão ao trono era
hereditária e duas famílias dividiam o poder: os Ágidas e os Euripôntidas.
O conselho, denominado Gerúsia, era formado pelos homens idosos e tinha um caráter apenas
consultivo. A Assembleia, Ápela, era o órgão mais importante, e os cidadãostomavam as decisões finais
sobre todos os assuntos.
A Constituição e a organização política eram praticamente imutáveis, pois eram atribuídas a lendária
figura de Licurgo, personagem histórica que, por ter um caráter divino, imprimia essa divinização às
normas por ele criadas.
Com o processo de conquista da Plante Messênia concluído no seculo VII a C., as transformações
políticas foram proporcionais às mudanças socioeconômicas. O governo passou por uma transformação
conservadora e mais una vez essas alterações foram atribuídas a Licurgo. Esparta adotou a oligarquia
como forma de governo. A antiga Gerúsia passou a monopolizar o poder e, nesse momento, compunha-
se de 28 gerontes (cidadãos com mais de 60 anos), com poderes vitalícios. O Poder Executivo passou a
ser exercido pelos éforos, cinco magistrados escolhidos pelos gerontes, com o mandato de um ano. A
antiga Ápela aprovava as leis apenas por aclamação, correspondendo, nesse contexto, a um órgão formal
de decisões políticas, de caráter meramente consultivo. A diarquia continuou a existir, mas os seus
poderes políticos foram esvaziados, restando-lhe o exercício do poder sacerdotal e as atribuições
militares. O caráter conservador de Espana resultou da preocupação da minoria esparciata em manter a
maioria hilota (escravos) subordinada. Daí o militarismo do estamento dominante, a xenofobia (aversão
ao estrangeiro) e o laconismo (forma sintética de expressão), que sufocavam o surgimento de ideias e
restringiam o espirito crítico.
A sociedade espartana era composta de esparciatas (cidadãos e guerreiros de origem dória, que
constituíam a camada social superior e recebiam educação militar), periecos (aqueus, habitantes da
periferia, que, apesar de serem homens livres, não eram considerados cidadãos) e hilotas (escravos).
A sociedade era estamental, rigidamente hierarquizada e sem mobilidade social.
A política nos exemplos citados possui uma maneira de organização pautada na hierarquia e na
participação de um seleto grupo de pessoas, que governavam e mantinham o poder através da
justificativa divina e também familiar.
Apesar do caráter oligárquico da política na Antiguidade, algumas experiências merecem destaque
por mudarem esse cenário, aumentando a participação da população nos assuntos políticos.
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A democracia em Atenas
A democracia, governo do povo (demo = povo, cracia=governo), foi implantada em Atenas, por volta
de 510 a.C., quando Clístenes comandou um revolta contra o último tirano que governou a cidade-estado.
As reformas políticas adotadas por Clístenes visavam a resolver os graves conflitos sociais decorrentes
da estratificação social em Atenas.
O regime político democrático instituído por Clístenes tinha por princípio básico a noção de que “todos
os cidadãos têm o mesmo direito perante as leis”.
E quem eram os cidadãos?
Somente os homens atenienses maiores de 21 eram considerados cidadãos, ou seja, eram
excluídos da vida política as mulheres, os estrangeiros, os escravos e os jovens. A democracia de Atenas
era, dessa forma, elitista, patriarcal e escravista, porque apenas uma pequena minoria de homens
proprietários de escravos poderia exercê-la.
Os cidadãos participavam da Assembleia do Povo, órgão de decisão que ficava a cargo de aprovar
ou rejeitar os projetos apresentados para a cidade. Esses projetos eram elaborados pelo Conselho dos
Quinhentos, um conjunto de 500 cidadãos eleitos anualmente. Após serem aprovados pela Assembleia
do Povo, os projetos eram executados, em tempos de paz, pelos estrategos.
A democracia ateniense acabou por volta de 404 a.C., quando a cidade-estado foi derrotada por
Esparta na Guerra do Peloponeso, voltando a ser governada por uma oligarquia.
Roma
Em Roma, também existia a ideia de cidadania como capacidade para exercer direitos políticos e civis
e a distinção entre os que possuíam essa qualidade e os que não a possuíam.
A sociedade romana era composta basicamente de três classes:
Patrícios (descendentes dos fundadores);
Plebeus (descendentes dos estrangeiros);
Escravos (prisioneiros de guerra e os que não saldavam suas dívidas).
Existiam também os clientes, que eram homens livres, dependentes de um aristocrata romano que
lhes fornecia terra para cultivar em troca de uma taxa e de trabalho
A cidadania em Roma era garantida aos homens livres. Apesar da garantia ao homens livres, não eram
todos aqueles considerados livres que tinham o direito de exercê-la. Inicialmente apenas os patrícios
possuíam direitos políticos, civis e religiosos. O cargo de senador, por exemplo, era vitalício e exclusivo
apenas para os patrícios. Essa diferenciação entre patrícios e plebeus gerou diversos conflitos. Após a
reforma do Rei Sérvio Túlio, os plebeus tiveram acesso ao serviço militar e lhes foram assegurados alguns
direitos políticos. Só a partir de 450 a.C., com a elaboração da famosa Lei das Doze Tábuas, foi
assegurada aos plebeus uma maior participação política, o que se deveu em muito à expansão militar
romana.
Direito Romano
Direito romano é um termo histórico-jurídico que se refere, originalmente, ao conjunto de regras
jurídicas observadas na cidade de Roma e, mais tarde, ao corpo de direito aplicado ao território do Império
Romano e, após a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., ao território do Império Romano
do Oriente. Mesmo após 476, o direito romano continuou a influenciar a produção jurídica dos reinos
ocidentais resultantes das invasões bárbaras, embora um seu estudo sistemático no ocidente pós-romano
esperaria a chamada redescoberta do Corpo de Direito Civil pelos juristas italianos no século XI.
Os historiadores do direito costumam dividir o direito romano em fases. Um dos critérios empregados
para tanto é o da evolução das instituições jurídicas romanas, segundo o qual o direito romano
apresentaria quatro grandes épocas:
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Época Arcaica (753 a.C. a 130 a.C.)
Época Clássica (130 a.C. a 230 d.C.)
Época Pós-Clássica (230 d.C. a 530 d.C.)
Época Justiniana (530 d.C. a 565 d.C.)
A influência do direito romano sobre os direitos nacionais europeus é imensa e perdura até hoje. Uma
das grandes divisões do direito comparado é o sistema romano-germânico, adotado por diversos Estados
continentais europeus e baseado no direito romano. O mesmo acontece com o sistema jurídico em vigor
em todos os países latino-americanos.
Durante o primeiro período da história romana, que vai até a criação da república em 510 a.C. o direito
era baseado nos costumes, com a ligação do Direito Sagrado ao humano.
No período republicano, que vai de 510 a.C. até Augusto, em 27 a.C., no Direito Romano prevalecia o
jus gentium sobressaindo sobre o jus fas (Direito Sagrado, religioso), que era o direito comum para todos
os povos que habitavam o Mediterrâneo, além do conceito do bonum et aequum, e o conceito da boa-fé;
O período do Direito clássico, é considerando a época áurea da jurisprudência, indo do reinado de
Augusto até o imperador Diocleciano. Existe uma participação maior dos jurisconsultos, que são os
conhecedores do Direito na época, além da substituição do direito magistratural (jus honorarium) que
auxiliava, e supria o cerne originário do Direito Quiritário; no lugar deste surge o cognitio extra ordinem,
administração da justiça de aplicação particular do imperador.
O último período do Direito Romano acontece após o imperador Diocleciano (século IV d.C.), e vai até
a morte do imperador Justiniano. Duranteeste período que surgiu o direito pós-clássico, havendo a
ausência de grandes jurisconsultos, e ocorrendo uma adaptação das leis em face da nova religião Cristã
que ficou popular no império. Durante este período ocorre a formação do direito moderno, que começa a
ser codificado a partir do século VI d.C. pelo imperador Justiniano.
Apesar de proteger as liberdades individuais e reconhecer a autonomia da família com o pátrio poder,
o Direito Romano não assegurava a perfeita igualdade entre os homens, admitindo a escravidão e
discriminando os despossuídos. Ao lado da desigualdade extrema entre homens livres e escravos, o
Direito Romano admitia a desigualdade entre os próprios indivíduos livres, institucionalizando a exclusão
social.
Império Romano1
Recebe o nome de Império Romano (em latim, Imperium Romanum) o estado existente entre 27 a.C.
e 476 d.C. e que foi o sucessor da República Romana. De um sistema republicano semelhante ao da
maioria dos países modernos, Roma passa a ser governada por um imperador vitalício, e que em 395
dividirá o poder com outro imperador baseado em Bizâncio, (depois rebatizada Constantinopla e
atualmente Istambul). Foi em sua fase imperial (por volta de 117 d.C.) que Roma acumulou o máximo de
seu poder e conquistou a maior quantidade de terras de sua história, algo em torno de 6 milhões e meio
de quilômetros quadrados, um território do tamanho do Brasil, sem os estados do Pará e Mato Grosso.
O império tinha por característica principal uma estrutura muito mais comercial do que agrária. Povos
conquistados eram escravizados e as províncias (regiões controladas por Roma) eram uma grande fonte
de recursos. O primeiro imperador foi Otávio, entre 27 a.C. a 14 d.C. Antes, porém, é importante citar
Júlio César, que com suas manobras políticas acabou por garantir seu governo vitalício, entre 49 a.C. até
seu assassinato em 44 a.C. Apesar de não ser considerado imperador, César foi o verdadeiro responsável
pela consolidação do regime; prova disso é que todos os seus sucessores passam a receber o título de
"césar", e seu perfil é incluído em meio ao dos imperadores romanos na histórica obra "As Vidas dos
Doze Césares", de Suetônio.
O Império Romano foi governado por várias dinastias:
Dinastia Júlio-Claudiana (de 14 a 68)
Dinastia dos Flávios (de 69 a 96)
1 http://www.infoescola.com/historia/imperio-romano/
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Dinastia do Antoninos (de 96 a 192)
Dinastia dos Severos (de 193 a 235)
A religião politeísta romana, em muitos aspectos similar à da Grécia antiga foi a principal do Estado
durante boa parte de sua história, até 313, quando o imperador Constantino institui o Edito de Milão, que
tornaria o cristianismo religião oficial do império até o seu final. Em 395, o imperador Teodósio divide o
império, estabelecendo uma duarquia, com um imperador em Roma, responsável pela metade ocidental
e outro em Bizâncio, responsável pela metade oriental do império.
Por volta do século III, inicia-se a lenta decadência do Império Romano, devido à corrupção dentro do
governo e os gastos com luxo, o que drenava os investimentos no exército. Com o fim das conquistas,
diminui o número de escravos, e há uma queda na produção agrícola. Isso gerava por sua vez um menor
pagamento de tributos das províncias. As constantes pressões do bárbaros, aliados aos problemas já
citados culminam com o fim do Império Romano do Ocidente, em 476.
De acordo com a leitura de muitos historiadores, porém, o Império Romano só chegou de fato ao seu
fim em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. Isto porque, apesar de ser
conhecido nos manuais de história como Império Bizantino (império cuja capital é Bizâncio), seu nome
oficial era Império Romano, e seus cidadãos geralmente se denominavam romanos, apesar da religião
estatal ser a ortodoxa grega e a língua oficial ser o grego. Aliás, o adjetivo "romano" permaneceu na
língua grega com o mesmo sentido até mesmo depois da unificação grega em 1821.
Império Romano - A desintegração: Divisão e invasões bárbaras2
(Veremos aqui alguns eventos e personagens anteriores ao período imperial (oficialmente falando)
mas que marcaram a história de forma a não existir maneiras de não abordá-los quando falamos em
Roma. Alguns desses personagens, como falamos de César acima, apesar de nunca usarem o título de
imperador, tiveram muito mais poder sobre Roma do que alguns imperadores já no período do Baixo
Império (235 – 476).
A ascensão dos militares
Com as vitórias do exército, os chefes militares conquistaram prestígio e começaram a ganhar
popularidade (competindo com o Senado).
Mário foi o primeiro a se destacar nessa área. Com fama após conquistar vitórias sobre a Numídia no
norte da África, no ano de 106 a.C., foi eleito cônsul no ano seguinte. Uma figura que já era amada por
soldados, principalmente de sua legião, Mário fez muito pelo exército romano. Foi ele quem instituiu o
pagamento de solto aos soldados, permitiu que eles participassem dos espólios de guerra lhes deu o
benefício de receber terras como prêmio após 25 de serviços.
Foi reeleito cônsul várias vezes (o que não era permitido) e suas medidas desagradavam os
conservadores do senado. Morre em 82 a.C., (segundo dizem, com “aprovação” do Senado e deu seu
maior rival militar na época, Sila).
Após da morte de Mário, Sila impõe uma ditadura em Roma e governa até 78 a.C.
César, Crasso e Pompeu
Crasso e Pompeu surgem também se aproveitando do prestígio militar. Após o governo de Sila, várias
revoltas ameaçaram o território romano, o que exigiu grandes campanhas militares.
Crasso foi responsável pela vitória contra Espártaco (líder da maior revolta de escravos do mundo
antigo).
Pompeu venceu uma rebelião popular comandada por Sertório na Península Ibérica entre os ano de
78 e 72 a.C.
César, que era sobrinho de Mário, vivenciou o melhor período e a queda do tio contra Sila e sofreu as
consequências por isso, começou a ganhar prestígio ligado ao partido popular (no qual Mário sempre
teve maior aproximação).
Em 60 a.C. Crasso, Pompeu e César foram eleitos senadores e se uniram (cada qual com seu
interesse) em um governo chamado de Primeiro Triunvirato.
2 http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/imperio-romano---a-desintegracao-divisao-e-invasoes-barbaras.htm
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Logo após a criação do Triunvirato, César parte com suas legiões para a Gália, com o intuito de
consolidar a conquista romana no território, e como sabia, aumentar o próprio prestígio através das
conquistas militares.
Com a morte de Crasso, César e Pompeu iniciam a disputa pelo poder. Pompeu se aproveitou de sua
influência dentro do senado (e do fato de César ainda estar na Gália) para que obtivesse o título de cônsul
com plenos poderes. E com o aval do senado ordena que César desmobilize suas legiões e retorne a
Roma.
César se recusa a obedecer as ordens de Pompeu e do senado e de forma rápida marchou com suas
legiões contra Roma (49 a.C.) com o discurso de que agora havia uma ditadura contra o povo governando
a cidade. Pompeu e seus aliados (grande parte dos senadores romanos) fogem para o oriente. César os
persegue até vencê-los na Grécia, e a seguir conquista o Egito, que foi transformado em protetorado
romano.
Retornando para Roma em triunfo, César foi proclamado ditador perpétuo. Em seu governo, promoveu
a construção de obras públicas, reorganizou finanças, fundou colônias e distribuiu terras.
Estendeu o direito de participaçãopolítica aos habitantes das províncias conquistadas em uma
tentativa de unificar o mundo romano.
Com um exército que o amava e com o apoio da plebe, Júlio César concentrava todo o poder em suas
mãos (o que descontentava o senado).
Uma conspiração de senadores faz com que César seja assassinado em 15 de março de 44 a.C.
Os herdeiros políticos de César
Com a morte de César, a disputa pelo poder ficou entre Marco Antônio (general popular e amigo de
César desde as campanhas na Gália) e Otávio (sobrinho de César e filho adotivo, uma vez que César
não teve filhos homens e em testamento deixa seus bens para Otávio e para o Povo de Roma).
Marco Antônio e Otávio se juntam a Lépido (um rico banqueiro romano) e forma o Segundo Triunvirato,
que teve apenas cinco anos de duração.
Os três dividiram o território romano entre si, e levados por Marco Antônio e Otávio, eliminam todos os
conspiradores da morte de César.
Após isso Otávio e Marco Antônio passam a brigar pelo poder e Otávio o vence em 31 a. C. Ao retornar
a Roma, Otávio recebe os títulos de primeiro cidadão (Princeps), divino (Augusto) e suprmo (Imperator).
Augusto, como passou a ser chamado, se tornou o primeiro imperador de Roma.
Território romano em seu auge.
Mapa extraído de "Acetato 7", História 7, Porto Editora
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O Baixo Império
O desguarnecimento do limes (ou fronteiras) tornava-se ainda mais grave naquelas regiões onde as
fronteiras naturais do Império (desertos, montanhas, oceano) eram mais frágeis. E essa fragilidade
mostrava-se mais acentuada na fronteira do Império com a vasta região conhecida como Germânia, a
qual tinha como fronteira básica os rios Reno e Danúbio.
A região conhecida pelos romanos como Germânia abrigava uma série de povos, genericamente
chamados de germânicos, como francos, vândalos, visigodos, ostrogodos, anglos, saxões, jutos, hérulos,
burgúndios, lombardos e vários outros. Tais povos representavam um potencial numérico muito grande e
uma ameaça efetiva ao Império, notadamente num quadro de retração do seu poderio militar.
Tetrarquia e divisão do Império
A crise econômica teve também uma clara manifestação administrativa. A redução da arrecadação
gerou uma queda no número de funcionários do Estado, tornando a administração mais difícil,
principalmente nas províncias mais distantes de Roma.
Numa tentativa de sanar esse problema, o imperador Diocleciano dividiu o Império em duas partes: o
Ocidente, com capital em Roma, e o Oriente, com capital em Bizâncio, às margens do mar Negro. Em
cada uma dessas partes havia um imperador, com o título de Augusto, e um outro governante para as
regiões mais distantes, com o título de César. Por contar com, na verdade, 4 governantes, essa forma de
divisão foi chamada de Tetrarquia.
A Tetrarquia durou pouco tempo. Já no início do século 4, o imperador Constantino reunificou o
Império. Entretanto, como o risco de invasão fosse maior na parte ocidental, ele transferiu a capital para
Bizâncio, mais protegida e, na época, mais rica. Ali, ele ergueu uma cidadela para servir de sede ao
governo, dando a ela o nome de Constantinopla, nome que, durante séculos, acabou designando toda a
cidade.
Durante o século 4, o Império manteve-se unificado, com sua sede em Constantinopla. No final do
século, o imperador Teodósio estabeleceu, em 395, a divisão definitiva: Império Romano do Ocidente,
com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, também chamado de Império Bizantino, com capital
em Constantinopla.
Decadência e êxodo urbano
Ao mesmo tempo em que o Império se debatia com toda a sorte de dificuldades administrativas e
militares, os aspectos econômico e social da crise iam gerando uma nova realidade. O declínio do
comércio gerava uma decadência de toda a atividade urbana. E a incapacidade crescente do Estado
romano de manter a ordem e a paz internas transformava as cidades em alvo de ataques e saques. Outro
elemento era a impossibilidade de manter a política de concessão de alimentos à plebe miserável,
tornando impossível sua permanência em Roma.
Esses elementos vão gerar um processo de êxodo urbano. A grande massa que sai das cidades para
o campo vai passar a viver e trabalhar naqueles mesmos latifúndios em que, até então, utilizava-se a
mão-de-obra escrava. O declínio da escravidão abria espaço, portanto, para o trabalho plebeu, mas em
condições significativamente diferentes.
Tais latifúndios continuavam com sua mesma extensão, sendo necessário que várias famílias
vivessem e trabalhassem dentro de uma mesma propriedade. Assim, a paisagem rural do Império,
notadamente no ocidente, passou a se caracterizar por um tipo de propriedade à qual os romanos davam
o nome de vilas, nas quais várias famílias de trabalhadores vivem e trabalham numa terra que não lhes
pertence.
Bases do feudalismo
Esse processo de ruralização apresentava outras características. Esses trabalhadores, apesar de
serem livres, não eram proprietários da terra. Ao mesmo tempo, a escassez de moedas inviabilizava o
pagamento de salários. Dessa forma, a única possibilidade de vida para esses trabalhadores era extrair
da terra o seu sustento, entregando ao proprietário um excedente - como forma de pagamento pelo uso
da terra. São os primeiros rudimentos econômicos do feudalismo, já presentes na crise do Império.
Ao lado desses elementos, outra realidade se desenrolava. Desde o início do século 3, o Império havia
adotado a política de permitir que tribos bárbaras se instalassem dentro das suas fronteiras. Essa relação
estabelecia-se com o Império cedendo a essas tribos terras, chamadas pelos romanos de feudus.
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Esses bárbaros eram admitidos na condição de colonos, segundo a qual, em troca da terra, eles se
comprometiam a cultivá-la, pagar tributos ao Império e, por lei, estar presos à terra, não podendo deixá-
la. Isso se explica pela necessidade romana de usar esses povos para a própria defesa das regiões
fronteiriças. Tanto que esses bárbaros eram também considerados como federados ao Império, termo
que tinha uma conotação de aliados militares.
Quando a crise no interior do Império agravou-se, no final do século 3, com Roma cada vez mais
dependente da produção agrícola, o regime de colonato foi estendido para as próprias populações
romanas. Tal medida foi baixada pelo imperador Diocleciano, tornando o colonato uma instituição.
Os hunos, os povos germânicos e o fim do Império
A partir do final do século 4, a situação do Império tendeu ao colapso. Já por volta de 370, a presença
de um povo asiático - os hunos - no sul da Europa contribuiu para destruir o frágil equilíbrio em que ainda
se assentava o Império e sua relação com os povos bárbaros.
Ao longo de quase um século, os hunos assolaram regiões da Europa, chegando mesmo a sitiar Roma
em 452. Ferozes, saqueadores e extremamente numerosos, eles espalharam terror por várias regiões da
Europa, incluindo a Germânia.
Para vários historiadores, os ataques dos hunos contribuíram largamente para pressionar os povos
germânicos em direção às terras pertencentes a Roma, acelerando o processo de invasões. Tais
invasões se estenderam ao longo do século 5. Os visigodos saquearam Roma em 410, e os vândalos em
455; os francos, após saquearem Roma, ocuparam a Gália; anglos, saxões e jutos invadiram a Bretanha;
burgúndios, o sul da França; lombardos, o norte da Itália; e, em 476, os hérulos, seguidos pelos
ostrogodos, depuseram o último imperador, Rômulo Augusto.
Esse evento assinala oficialmente o fim do Império Romano doOcidente. A parte oriental do Império
manteve-se unificada até 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos turcos. Entretanto, a influência
do chamado Império Bizantino sobre a Europa foi rapidamente esvaindo-se. As áreas dominadas pelos
vários povos germânicos deram origem a uma série de reinos fragmentados, destruindo a unidade
imposta pelos romanos. Também esse evento assinala o início da Idade Média europeia, erigida a partir
justamente da integração entre elementos romanos e germânicos.
Questões
01. Sobre a queda do Império Romano do Ocidente no ano de 476 d.C. podemos afirmar que:
(A) Ocorreu, após os conflitos entre Roma e os cartagineses, o que enfraqueceu as bases econômicas
do Império.
(B) Teve, no fortalecimento do cristianismo, a única motivação explícita.
(C) Foi provocada pela conjugação de uma série de fatores, destacando-se a ascensão do
cristianismo, as invasões bárbaras, a anarquia nas organizações militares e a crise do sistema escravista.
(D) Teve, na superioridade dos povos bárbaros, a única explicação possível.
(E) Teve, em Carlos Magno, Imperador dos francos, a principal liderança político-militar a comandar
os povos bárbaros na queda de Roma.
02. Podemos dizer que antes as coisas do Mediterrâneo eram dispersas... mas como resultado das
conquistas romanas é como se a história passasse a ter uma unidade orgânica, pois, as coisas da Itália
e da África passaram a ser entretecidas com as coisas da Ásia e da Grécia e o resultado disso tudo
aponta para um único fim.
(Políbio, História, I.3.)
No texto, a conquista romana de todo o Mediterrâneo é
(A) criticada, por impor aos povos uma única história, a ditada pelos vencedores.
(B) desqualificada, por suprimir as independências políticas regionais.
(C) defendida, por estabelecer uma única cultura, a do poder imperial.
(D) exaltada, por integrar as histórias particulares em uma única história geral.
(E) lamentada, por sufocar a autonomia e identidade das culturas.
03. "Os animais da Itália possuem cada um sua toca, seu abrigo, seu refúgio. No entanto, os homens
que combatem e morrem pela Itália estão à mercê do ar e da luz e nada mais: sem lar, sem casa, erram
com suas mulheres e crianças. Os generais mentem aos soldados quando, na hora do combate, os
exortam a defender contra o inimigo suas tumbas e seus lugares de culto, pois nenhum destes romanos
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possui nem altar de família, nem sepultura de ancestral. É para o luxo e enriquecimento de outrem que
combatem e morrem tais pretensos senhores do mundo, que não possuem sequer um torrão de terra.
(Plutarco, Tibério Graco, IX, 4. In: PINSKY, J. "100 Textos de História Antiga". São Paulo: Contexto, 1991. p. 20.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, pode-se afirmar que a Lei da Reforma Agrária
na Roma Antiga
(A) proposta pelos irmãos Graco, Tibério e Caio, era uma tentativa de ganhar apoio popular para uma
nova eleição de Tribunos da Plebe, pois pretendiam reeleger-se para aqueles cargos.
(B) proposta por Tibério Graco, tinha como verdadeiro objetivo beneficiar os patrícios, ocupantes das
terras públicas que haviam sido conquistadas com a expansão do Império.
(C) tinha o objetivo de criar uma guerra civil, visto que seria a única forma de colocar os plebeus numa
situação de igualdade com os patrícios, grandes latifundiários.
(D) era vista pelos generais do exército romano como uma possibilidade de enriquecer, apropriando-
se das terras conquistadas e, por isto, tinham um acordo armado com Tibério.
(E) foi proposta pelos irmãos Graco, que viam na distribuição de terras uma forma de superar a crise
provocada pelas conquistas do período republicano, satisfazendo as necessidades de uma plebe
numerosa e empobrecida.
04. Na atualidade, praticamente todos os dirigentes políticos, no Brasil e no mundo, dizem-se
defensores de padrões democráticos e de valores republicanos. Na Antiguidade, tais padrões e valores
conheceram o auge, tanto na democracia ateniense, quanto na república romana, quando predominaram
(A) a liberdade e o individualismo.
(B) o debate e o bem público.
(C) a demagogia e o populismo.
(D) o consenso e o respeito à privacidade.
(E) a tolerância religiosa e o direito civil.
05. As lutas por riquezas e territórios sempre estiveram presentes na História. Na Antiguidade, o
Mediterrâneo foi disputado nas Guerras Púnicas por:
(A) gregos e persas.
(B) macedônicos e romanos.
(C) romanos e germânicos.
(D) romanos e cartagineses.
(E) gregos e romanos.
Respostas
01. Resposta C.
O sistema escravista romano entra em declínio após o fim do expansionismo que Roma promovia há
alguns séculos. Os povos germânicos que ocupavam as bordas do império, sendo pressionados pelas
ondas migratórias aumentavam cada vez mais. O cristianismo ganhava também cada vez mais força
dentro do império, com a legalização do culto e a popularidade que a religião adquiria.
02. Resposta D.
O trecho exalta, ou seja, comemora e engrandece as conquistas romanas e a formação do império
como unidade de interligação de cultura e de organização espacial.
03. Resposta E.
Os irmãos Graco protestavam contra a distribuição desigual de terras. Apesar das conquistas cada
vez maiores de territórios, a partilha possuía um grau de desigualdade muito grande, ficando a maior
parte destinada aos patrícios que reuniam cada vez mais terras e conseguiam produzir e vender seus
produtos a preços que obrigavam os pequenos proprietários a abandonar suas atividades e rumar para a
cidade em busca de novas formas de sustento.
04. Resposta B.
Diferente dos períodos monárquicos e imperiais, onde o líder muitas vezes governava de forma
autoritária e ditava leis, a democracia ateniense e a república romana respeitavam os princípios do voto
dos cidadãos, que elegiam seus representantes através da escolha daquele que melhor atendesse seus
ideais.
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05. Resposta D.
A disputa entre romanos e cartaginenses pelo controle do mar Mediterrâneo resultou em disputas que
levaram à destruição de Cartago em 146 a.C. e garantiu o completo domínio romano sobre o comercio
no Mediterrâneo.
Expansão do Islã
Na Idade Média, os árabes formaram um vasto Império que passou a rivalizar com o Império Bizantino
(ou Império Romano do Oriente) e o Império Persa. A rápida expansão dos árabes, que constituiu um dos
principais aspectos da História Medieval, resultou da unificação política e religiosa da Arábia, efetuada
por Maomé, que lançou as bases da fundação do primeiro Estado nacional árabe.
A Península Arábica
A Península Arábica é uma região desértica em sua maior parte. Fica localizada entre o Mar Vermelho
e o Golfo Pérsico. Apesar do aspecto árido da região, os diversos oásis propiciaram o surgimento de
postos caravaneiros, além de algumas cidades situadas na proximidade da costa e dos portos.
A condição geográfica da região não despertou o interesse dos grandes impérios da antiguidade, como
o romano.
A religião na Península Arábica
A palavra islamita quer dizer "submisso a Deus" e muçulmano significa "crente. Os árabes acreditavam
em espíritos (djinns), representados por árvores e pedras, e em uma infinidade de divindades
subordinadas a um ser superior - Alá (Deus, a divindade). O único fator de unidade religiosa era o
santuário existente na cidade de Meca, a Caaba, em cujo interior era guardada uma Pedra Negra,
reverenciada por todos os árabes que para lá se dirigiam em peregrinação. Ali estavam também
representados os ídolos das diversas tribos da Arábia,que todos os anos eram visitados pelos peregrinos
que aproveitavam para realizar suas práticas comerciais.
Com o tempo, Meca ganhou importância e tornou-se um grande centro comercial e parada obrigatória
de caravanas e viajantes. Aos habitantes de Meca interessavam, sobretudo, as romarias que se
realizavam ao final de cada ano, pois dinamizavam as trocas e enriqueciam a cidade. Sua única grande
rival era Yatreb, velha cidade situada em um oásis, 350 quilômetros ao norte de Meca. Desse afluxo de
beduínos viviam os grandes comerciantes pertencentes à tribo dos coraixitas, que controlavam o
santuário da cidade e o poder político local.
Maomé
Maomé era filho de uma família pobre (haxemitas), porém, pertencia à tribo dos coraixitas. Dedicou-
se ao trabalho em caravanas, o que lhe permitiu viajar por toda a Península Arábica e além, conhecendo
outros povos do Oriente Médio. Em suas viagens também entrou em contato com o cristianismo e o
judaísmo. Após anos de trabalho nas caravanas, Maomé casou-se com uma rica viúva, Kadidja.
Após o casamento, Maomé entregou-se aos retiros espirituais e meditações, sem abandonar por
completo a atividade profissional. Segundo ele, teve sucessivas visões do arcanjo Gabriel. O Arcanjo
teria confiado a missão de propagar uma nova religião, cuja essência se consubstanciava na seguinte
frase: "Maomé, tu és o Profeta do Deus único, Alá." Maomé converteu primeiramente seus familiares e,
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em seguida, tentou convencer os coraixitas, porém, não conseguindo, teve de fugir de Meca para Yatreb,
que desde então passou a ser chamada Medina en Nabi, que significa “a Cidade que recebeu o Profeta”.
A fuga de Maomé com seus vários familiares, ficou conhecida como Hégira, que marca o início do
calendário muçulmano. Apoiando-se nos habitantes de Medina. Maomé deu início à Guerra Santa contra
Meca, atacando suas caravanas. O prestigio de Maomé cresceu com suas vitórias e, com o apelo dos
beduínos, marchou contra Meca, destruindo os ídolos da Caaba, declarando sagrado o recinto do
santuário e implantando definitivamente o monoteísmo. Nesse ano de 630, nasceu o Islã.
Maomé passou os últimos anos de sua vida convertendo os demais árabes pela força das armas.
Maomé morreu em 632 d.C., na cidade de Medina, onde construiu a primeira mesquita do Islã,
deixando elaborada a doutrina islâmica, que transmitiu a seus seguidores. As transcrições de seus
ensinamentos consubstanciaram-se mais tarde no livro sagrado, o Corão ou Alcorão. A doutrina islâmica
é um sincretismo fundamentado no cristianismo e no judaísmo, bem como nas tradições religiosas da
própria Arábia. Prega a crença em um único Deus, nos anjos, no paraíso celestial e no Juízo Final. Impõe
aos fiéis como princípios essenciais do dogma: peregrinar à Meca, pelo menos uma vez na vida; dar
esmolas; jejuar no mês do Ramadã; orar e pronunciar a profissão de fé cinco vezes ao dia, voltados em
direção a Meca; fazer a Guerra Santa (jihad), que representava uma obrigação ocasional. As tradições
sobre a vida de Maomé foram reunidas por seus seguidores em outro livro, chamado Suna (Tradição),
utilizado sempre que se tratava de achar argumentos para impor uma decisão ou definir uma norma de
governo para a qual o Corão não fornecesse elementos.
Fique Atento!
Jihad é um termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho. É muitas vezes considerado um
dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão
a Deus.
O termo jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana. É
também utilizado para indicar a luta pelo desenvolvimento espiritual.
Ao contrário do que muitas vezes é dito, jihad não significa uma guerra santa, implica mais uma luta
interna com o objetivo de melhorar o próprio indivíduo ou o mundo à sua volta.
Grupos extremistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico apropriaram-se do termo como justificativa
para as ações contra os considerados “infiéis” (normalmente países ocidentais, como Europa e Estados
Unidos)
A unidade do mundo muçulmano foi quebrada após a morte de Maomé, com o surgimento de vários
movimentos, entre os quais se destacam os sunitas e os xiitas. A divergência inicial entre os dois grupos
reside na questão do direito de sucessão ao governo do Islã. Segundo o Corão, somente os parentes de
Maomé poderiam substitui-lo no comando da fé. Mas na Suna não havia a mesma afirmação sobre a
questão. Assim, os xiitas constituíram o grupo fundamentalista que aceita apenas as regras estabelecidas
pelo Corão, ou seja, que apenas os descendentes de Maomé possuem o direito de governo, enquanto os
sunitas abraçaram a Suna e iniciaram um processo de disputa sucessória com os xiitas.
A Expansão Muçulmana (Séculos VII-XI)
Quando Maomé morreu, deixou Arábia unificada, com sua capital em Meca e sob a preponderância
política dos haxemitas. A morte de Maomé não provocou a dissolução do Estado árabe:
- Primeiro, porque os adeptos do islamismo, em sua maioria, eram crentes apegados à fé e à
propagação dos ideais religiosos;
- Segundo, porque surgiram de imediato dois homens, Abu Bekr e Omar - os dois primeiros califas -
que souberam assumir a sucessão e a herança de Maomé, exercendo autoridade civil, militar e religiosa.
Um ano após a morte de Maomé, Abu Bekr conseguiu eliminar os focos de resistência locais e consolidar
a unificação da península. A expansão islâmica, iniciada imediatamente após a morte de Maomé, foi
estimulada por diversos fatores:
- Econômico - interesse pelo saque contra os vencidos ("butim");
- Social - alta densidade demográfica, provocada pelo crescimento da população e pela grande
capacidade de miscigenação dos árabes;
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- Político - unificação política alcançada pela unidade religiosa;
- Religioso - obediência ao preceito de Guerra Santa contra os infiéis;
- Psicológico -atração exercida pelo paraíso muçulmano, que prodigalizava recompensas materiais.
Consideram-se ainda elementos propulsores da expansão árabe, facilitando suas conquistas, a
fraqueza dos Impérios Bizantino e Persa e a instabilidade política dos reinos germânicos do Ocidente.
Omar foi o principal califa da Dinastia Haxemita. Conquistou a Síria, a Palestina, a Pérsia e o Egito.
A substituição dos califas haxemitas pelos omíadas, em 660, levou a duas mudanças: a capital foi
transferida para Damasco, na Síria, e as conquistas voltaram-se para o Ocidente. Avançando de forma
fulminante, os maometanos conquistaram a África do Norte, a Península Ibérica e até o sul da Gália, onde
foram detidos pelos francos, liderados por Carlos Martel, na Batalha de Poitiers; as ilhas de Córsega,
Sardenha e Sicília também caíram sob dominação muçulmana Os árabes passavam a deter o controle
sobre o Mar Mediterrâneo. Em 750, em Damasco, um golpe político afastou os omíadas do poder. Nesse
momento, ascendia a Dinastia Abássida, formada por parentes de Maomé, instalando a capital em Bagdá.
O Islamismo, é a religião que mais cresce atualmente no mundo, mais de 1/4 da população Mundial é
Muçulmana, segundo o último censo Mundial realizado pela ONU.
Considera-se países muçulmanos aqueles em que os muçulmanos representem mais de 50% da
população e a maioria deles são membros da Organização do Congresso Islâmico, que foi fundado em
1969, com sede em Jedah na Arábia Saudita. Os presidentes e os reis destes países se reúnem a cada
3 anos.
Os países muçulmanos que não são membros do Congresso Islâmico são: Costado Marfim, Albânia,
Etiópia, República Centro Africana, Tanzânia e Togo.
Além disso há dois países Africanos em que os muçulmanos representam menos de 50%, e que são
membros da Organização e são eles Uganda e Gabão.
Fonte: cap-historia-21c.blogspot.com
O feudalismo
O Feudalismo, ou sistema feudal, corresponde ao modo de organização da vida durante a Idade Média
na Europa Ocidental. Suas origens remontam à crise do Império Romano a partir do século III.
A Idade Média abrange um longo período da história europeia, e é comum dividi-la em duas fases:
Alta Idade Média e Baixa Idade Média.
- A Alta Idade Média, é o período que vai do século V ao XI, corresponde à formação e consolidação
do sistema feudal;
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- A Baixa Idade Média, é o período que vai século XI ao XV, caracteriza-se pela crise do feudalismo
e início da formação do sistema capitalista.
A formação do sistema feudal tem início com a crise do século III do Império Romano e acentua-se
no século V, com as invasões dos povos germânicos. A queda do escravismo, a formação do colonato e
a posterior implantação de um regime servil constituem o passo decisivo para a formação do sistema.
Por outro lado, os germanos que invadiram o Império Romano levaram consigo relações sociais
comunitárias de exploração coletiva das terras e subordinação aos grandes chefes militares (comitatus).
As invasões, além de despovoar as cidades, aumentando a população rural, dificultaram as comu-
nicações e provocaram o isolamento das localidades, forçando-as a adotar uma economia de subsistência
autossuficiente.
O feudalismo pode ser definido de vários modos. A melhor maneira, porém, é defini-lo conforme suas
relações sociais básicas: relações vassálicas (entre os senhores ou nobreza), relações comunitárias
(entre os servos) e relações servis (que ligavam o mundo dos senhores ao mundo dos servos).
Esta última ligação se processava por meio das obrigações, que resultavam das imposições feitas pelo
senhor aos servos, de realizar paga mentos em produtos ou serviços, e que constituem a própria essência
do feudalismo. Tais obrigações eram costumeiras e não contratuais, como ocorre no sistema capitalista.
Note-se que o servo era vinculado ao feudo, dele não podendo sair.
Os feudos
A posse de bens variava de acordo com as circunstâncias:
Propriedade privada, no manso senhorial (terra do senhor);
Propriedade coletiva, nos pastos e bosques (de uso comum para senhores e servos);
Propriedade dupla, isto é, copropriedade, no manso servil. (O senhor detinha a posse legal e o servo,
a posse útil da terra.)
Levando-se em consideração que a maior parte da produção obtida pelo servo não se conservava em
suas mãos, pois passava para o senhor feudal, seu interesse era mínimo. Associando-se a este fato o de
que os trabalhos agrícolas eram realizados coletivamente, tolhendo a iniciativa individual, eles resultavam
em baixo nível da técnica e pequena produtividade: para cada grão semeado, colhiam-se dois. Daí o
regime de divisão das terras cultiváveis em três campos, destinados alternadamente para o plantio de
cereais e de forragem, reservando-se o terceiro para o descanso (pousio). Realizava-se a rotação trienal
dos campos, com vistas a impedir o esgotamento do solo.
A sociedade feudal
De acordo com as bases materiais descritas não havia possibilidade de mobilidade social nos feudos:
a sociedade era, portanto, estamental. O princípio de estratificação era o nascimento, surgindo então
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duas camadas básicas: senhores e servos. Existiam também categorias intermediárias, tais como os
vilões (camponeses livres) e os ministeriais (corpo de funcionários livres do senhor).
O número de escravos reduziu-se cada vez mais, pois não havia guerras de expansão para apresá-
los; além disso, a Igreja condenava a escravização de cristãos. Por outro lado, os vilões tendiam a se
tornar servos, pois de nada lhes adiantava a liberdade dentro da insegurança reinante: o fundamental era
a obtenção de proteção.
No topo da hierarquia social estavam os senhores feudais. Os senhores feudais viviam com suas
famílias em casas fortificadas. Nas regiões mais ricas, os nobres habitavam em castelos.
Na base da sociedade feudal estavam os servos, que representavam aproximadamente 98% da
população de um feudo. Os servos viviam nas terras do senhor e a ele deviam uma série de serviços
como a corveia, a talha e as banalidades.
Na corveia o servo ficava obrigado a trabalhar nas terras do nobre por alguns dias da semana;
Na talha, o camponês ficava obrigado a entregar ao senhor feudal parte de sua produção;
Nas banalidades o servo era obrigado a pagar pela utilização do moinho, do forno e demais utensílios
pertencentes ao senhor.
Mão-morta, uma espécie de taxa que o servo devia pagar ao senhor feudal para permanecer no feudo
quando o pai morria.
Tostão de Pedro (10% da produção), que o servo devia pagar à Igreja de sua região.
Outra classe social existente no feudo era o clero, os membros da Igreja. Os clérigos eram os
responsáveis pela transmissão religiosa e cultural. Também eram os responsáveis pelas leis, que nesta
época eram transmitidas pela interpretação religiosa. Isto tudo garantia ao clero a responsabilidade pelo
caráter moral da sociedade. E, não por acaso, que foi neste período que a Igreja Católica se transformou
na mais poderosa instituição da Idade Média. O domínio da Igreja foi garantido por ela ser a única com
acesso ao saber. Afinal, somente os membros do clero podiam ser instruídos de educação e,
consequentemente, eram os poucos que sabiam ler e escrever. O clero era sustentado pelos dízimos
entregues à Igreja.
A definição do bispo Adalberon de León para a sociedade medieval reflete muito bem o pensamento
da época, pois para o bispo “na sociedade feudal o papel de alguns é rezar, de outros é guerrear e de
outros trabalhar”. Para a Igreja medieval, cada indivíduo tinha um importante papel na sociedade, por
isso, deveria executar a sua função com zelo e gratidão como se estivesse trabalhando para o próprio
Deus. Com isso, a Igreja garantia a manutenção da sociedade tal e qual ela era.
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As relações vassálicas
O poder político no sistema feudal era exercido pelos senhores feudais, daí seu caráter localista. Não
tendo autoridade efetiva, os reis apenas aparentavam poder, pois na prática existia uma descentralização
político-administrativa.
Impossibilitados de defender o reino, os soberanos delegaram essa tarefa aos senhores feudais. Por
isso, e com vistas a se protegerem, os senhores procuravam relacionar-se diretamente por um
compromisso: o juramento de fidelidade. O senhor feudal que o prestasse tornar-se-ia vassalo e aquele
que o recebesse seria seu suserano. Na hierarquia feudal, suseranos e vassalos tinham obrigações
recíprocas, pois à homenagem prestada pelo vassalo correspondia o benefício concedido pelo suserano.
Essa relação definia-se em um rito denominado "cerimônia de investidura" ou "cerimônia de adubamento".
A Igreja Medieval
Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas invasões germânicas
e ao esfacelamento do Império Romano, a Igreja Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se
como instituição. Consolidando sua estrutura religiosa e difundindo o cristianismo entre os povos
bárbaros.
Valendo-se de sua crescente influência religiosa,a Igreja passou a exercer importante papel em
diversos setores da vida medieval, servindo como instrumento de unificação, diante da fragmentação
política da sociedade feudal.
Os sacerdotes da Igreja era divididos em duas categorias:
Clero secular (aqueles que viviam no mundo fora dos mosteiros), hierarquizado em padres, bispos,
arcebispos etc.
Clero regular (aqueles que viviam nos mosteiros), que obedecia às regras de sua ordem religiosa:
beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos.
No ponto mais alto da hierarquia eclesiástica estava o papa, bispo de Roma, considerado sucessor do
apóstolo Pedro. Nem sempre a autoridade do papa era aceitar por todos os membros da Igreja, mas em
fins do século VI ela acabou se firmando, devido, em grande parte, à atuação do papa Gregório Magno.
Além da autoridade religiosa, o papa contava também com o poder temporal da Igreja, isto é, o poder
advindo da riqueza que acumulara com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da
salvação.
Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa
Ocidental.
O papa, desde 756, era o administrador político do Patrimônio de São Pedro, o Estado da Igreja,
constituído por um território italiano doado pelo rei Pepino, dos francos.
O poder temporal da Igreja levou o papa a envolver-se em diversos conflitos políticos com monarquias
medievais. Exemplo marcante desses conflitos é a Questão da Investiduras, no século XI, quando se
chocaram o papa Gregório VII e o imperador do Sacro Império Romano Germânico, Henrique IV.
A Questão das Investiduras e o Movimento Reformista
A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de nomear sacerdotes
para os cargos eclesiásticos, ao papa ou ao imperador.
As raízes desse conflito remontam a meados do século X, quando o imperador Oto I, do Sacro Império
Romano Germânico, iniciou um processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer
seus poderes. Fundou bispados e abadias, nomeou seus titulares e, em troca da proteção que concedia
ao Estado da Igreja, passou a exercer total controle sobre as ações do papa.
Durante esse período, a Igreja foi contaminada por um clima crescente de corrupção, afastando-se de
sua missão religiosa e, com isso, perdendo sua autoridade espiritual. As investiduras (nomeações) feitas
pelo imperador só visavam os interesses locais. Os bispos e os padres nomeados colocavam o
compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa.
No século XI surgiu um movimento reformista, visando recuperar a autoridade moral da Igreja, liderado
pela Ordem Religiosa de Cluny. Os ideais dos monges de Cluny foram ganhando força dentro da Igreja,
culminando com a eleição, em 1073, do papa Gregório VII, antigo monge daquela ordem reformista.
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Eleito papa, Gregório VII tomou uma série de medidas que julgou necessárias para recuperar a moral
da Igreja. Instituiu o celibato dos sacerdotes (proibição de casamento), em 1074, e proibiu que o imperador
investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos, em 1075. Henrique IV, imperador do Sacro Império, reagiu
furiosamente à atitude do papa e considerou-o deposto. Gregório VII, em resposta, excomungou Henrique
IV. Desenvolveu-se, então, um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual
do papa.
Esse conflito foi resolvido somente em 1122, pela Concordata de Worms, assinada pelo papa Calixto
III e pelo imperador Henrique V. Adotou-se uma solução de meio termo: caberia ao papa a investidura
espiritual dos bispos (representada pelo báculo), isto é, antes de assumir a posse da terra de um bispado,
o bispo deveria jurar fidelidade ao imperador.
Inquisição
Nos países cristãos, nem sempre a fé popular manifestava-se nos termos exatos pretendidos pela
doutrina católica. Havia uma série de doutrinas, crenças e superstições, denominadas heresias, que se
chocavam com os dogmas da Igreja.
Para combater essas heresias, o papa Gregório IX criou, em 1231, os tribunais da Inquisição, cuja
missão era descobrir e julgar os heréticos. Os condenados pela inquisição eram entregues às autoridades
administrativas do Estado, que se encarregavam da execução das sentenças. As penas aplicadas a cada
caso iam desde a confiscação de bens até a morte em fogueiras.
O processo inquisitorial cumpria basicamente as seguintes etapas: o tempo de graça, o interrogatório
e a sentença.
A vida cultural
Quando se compara a produção cultural da Idade Média com a Antiguidade ou a Modernidade, ela é
considerada tradicionalmente um período de trevas. Ao longo do tempo, esse conceito tem sofrido
algumas revisões, graças à reabilitação da Idade Média por certos autores que nela encontram as raízes
culturais do Mundo Moderno e - num sentido mais imediato - do Renascimento.
Também é importante lembrar que a Igreja foi a grande mantenedora da cultura durante o Período
Feudal, apesar de o fazer de forma que justificasse suas ideias e dogmas. O privilégio da leitura e da
escrita também estava vinculado à Igreja.
Já na crise do feudalismo, com a expansão comercial e a criação das universidades, o pensamento
filosófico desenvolveu-se, surgindo, então, a escolástica ("filosofia da escola"), produzida por São Tomás
de Aquino, autor da Suma Teológica. O ideal tomista era conciliar o racionalismo aristotélico com o
espiritualismo cristão, harmonizando fé e razão.
A baixa Idade média e as mudanças na sociedade Feudal
Na Baixa Idade Média, ocorreu a transição para o sistema capitalista. Ao mesmo tempo, surgiram
novas classes sociais, principalmente a burguesia, que auxiliou a realeza no processo de centralização
política.
A questão fundamental para entender as mudanças durante a Baixa Idade Média é a crise do
feudalismo. A produção feudal era baseada no trabalho servil, sendo limitada e estática, o que, por sua
vez, representava o baixo nível de técnica do sistema feudal.
No século XI, cessaram as ondas invasoras, criando uma certa estabilidade na Europa, além de
condições de segurança para o aumento da circulação de mercadorias. Houve uma maior redistribuição
da produção, gerando um crescimento demográfico que não foi acompanhado pelo aumento da oferta de
empregos e alimentos.
Com o aumento da circulação de mercadorias e a introdução de novos artigos de luxo, os senhores
feudais passaram a ter necessidade de aumentar as suas rendas. Para obter mais recursos, eles eram
obrigados a aumentar as obrigações dos servos, que, pressionados, partiam para as cidades em busca
de uma vida melhor. A solução para a crise seria a substituição do regime de trabalho servil pelo trabalho
assalariado, porém essa mudança incentivou a evolução do modo de produção feudal para o capitalista,
o que não seria viável num curto período.
Dessa forma, a crise do feudalismo ocorreu pela incapacidade da antiga estrutura econômica de
sustentar as mudanças, o que foi gerando uma nova organização do modo de vida.
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A crise do sistema feudal deu origem a um processo de marginalização social, quer pela fuga dos
servos, quer pelos deserdamentos ocorridos na camada senhorial. Essa marginalização trouxe como
consequência o aumento da belicosidade, marcada por assaltos e sequestros a ricos cavaleiros.
A Igreja Católica, para tentar conter a crise, propôs a "Paz de Deus" (proteção aos cultivadores,
viajantes e mulheres) e a "Trégua de Deus" (na qual os dias para realizar guerras ficavam limitados a 90
por ano). Porém, essa intervençãoda Igreja não foi suficiente para conter a crise e a violência feudais.
As Cruzadas
Como as tentativas anteriores não obtiveram o resultado esperado, a Igreja propôs as Cruzadas, uma
contraofensiva da cristandade diante do avanço do Islã. A Europa, que, entre os séculos VIII e XI, não
teve condições de reagir contra os árabes, passava a reunir nesse momento as condições necessárias:
- Mão-de-obra militar marginalizada e ociosa;
- Controle espiritual e religioso que a Igreja exercia sobre o homem medieval, que o levou a crer na
necessidade de resgatar o Santo Sepulcro e combater o infiel muçulmano;
- Poder papal que se fortalecera quando Gregário VII impôs sua autoridade a Henrique IV, na Querela
das Investiduras:
-A Igreja do Ocidente pretendia a reunificação da cristandade, quebrada pelo Cisma de 1054;
- O desejo do imperador de Constantinopla em afastar o perigo que os muçulmanos representavam;
- Para Urbano II, o papa do exílio imposto pela Querela das Investiduras, convocar as Cruzadas
demonstrava prestígio e autoridade perante toda a Igreja.
Em 1095, durante Concílio de Clermont, Urbano II convocou a cristandade para uma guerra santa
contra o Islã. Foram realizadas oito Cruzadas, entre 1095 e 1270.
Apesar da mobilização realizada pelas Cruzadas, elas são consideradas um insucesso, que se deve
em primeiro lugar ao caráter superficial da ocupação. A presença cristã no Oriente Médio não criou raízes
entre as populações locais. Outra razão foi a anarquia feudal, que enfraquecia as colônias militares
estabelecidas em território inimigo. A luta fratricida foi uma constante entre as ordens religiosas e os
cruzados latinos.
Fonte: 10emtudo.com.br
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Consequências das Cruzadas
As Cruzadas não se limitaram às expedições ao Oriente. Ao mesmo tempo, os reinos ibéricos de Leão,
Castela, Navarra e Aragão começavam a Reconquista da Península Ibérica contra os muçulmanos. A
ofensiva teve início com a tomada da cidade de Toledo, em 1036, e concluiu-se, em 1492, com a tomada
de Granada. A vitória dos italianos sobre os muçulmanos no Mar Tirreno e norte da África fez com que
as cidades italianas iniciassem o seu domínio sobre o Mediterrâneo, lançando as sementes do comércio
e do capitalismo. As relações entre Ocidente e Oriente foram redinamizadas depois de séculos de
bloqueio, e as mercadorias orientais se espalhavam pela Europa. O contato com o Oriente trouxe o
conhecimento de novas técnicas de produção, fabricação de tecidos e metalurgia.
O Renascimento do Comércio
As transformações econômicas e sócias entre os séculos XI e XIV na Europa foram imensos. A crise
do feudalismo acentuou-se, principalmente depois das cruzadas. Ao voltarem das batalhas em terras
orientais, os cruzados traziam consigo produtos de luxo, como tapetes persas, porcelanas chinesas,
tecidos finos ou especiarias (temperos como cravo, canela e pimenta), que atraíam a população europeia,
proporcionado o Renascimento do Comércio.
Por haverem estabelecido feitorias nessas regiões mais afastadas, os europeus abriram um novo eixo
comercial ligando o Ocidente ao Oriente. As principais rotas de comércio eram feitas pelo mar
Mediterrâneo e estavam sob o controle de cidades como Gênova, Veneza, Pisa, Constantinopla,
Barcelona e Marselha. No mar Báltico e no mar do Norte, o domínio ficava por conta de cidades como
Hamburgo, Bremen e pela região de Flandres (Países Baixos).
Burgos e burgueses
Com a retomada do comércio, muitos europeus deixaram o campo e foram viver dentro dos burgos -
vilas fortificadas com muralhas, construídas entre os séculos IX e X e posteriormente abandonadas -,
onde esperavam encontrar melhores condições de vida. Em pouco tempo, contudo, esses lugares
tomaram-se pequenos e as pessoas viram-se obrigadas a se instalar do lado de fora de suas muralhas.
Essa população, formada principalmente por artesãos, operários e comerciantes, acabou dando
origem a novos burgos em vários pontos da Europa. Seus habitantes, por oposição aos nobres que viviam
em castelos, ficaram conhecidos como burgueses.
O aumento do comércio e do volume de negociações gerou uma nova necessidade: a padronização
de unidades de valor. O uso de moedas tornou-se essencial, substituindo o escambo ou troca de
mercadorias. Com a criação das moedas, surgiram também primeiras casas bancárias, responsáveis
pelas operações de câmbio e empréstimos a juros. Toda essa dinâmica fez com que o dinheiro passasse
a ganhar importância e a terra e a produção agropecuária deixassem de ser a base da riqueza na Europa.
Com o aumento do comércio, e, consequentemente, dos lucros, os mercadores e banqueiros
conquistavam maior status social e passaram a ansiar pelo poder político. A burguesia ganhava prestígio
e espaço, aproximando-se dos reis e emprestando-lhes dinheiro em troca de medidas políticas favoráveis
ao comércio. Ao mesmo tempo, os senhores feudais viam-se envolvidos em dívidas, muitas delas
decorrentes das altas despesas com as Cruzadas.
Humanismo
Além dos empreendimentos comerciais, o maior contato entre os burgueses e os monarcas financiou
o surgimento de novas universidades. Com a expansão comercial surgiu a necessidade de formar
pessoas que entendessem de direito e comércio. Com a criação das universidades, a difusão do
conhecimento deixou de ser algo exclusivo da Igreja, e o ensino tomou-se laico, voltado cada vez mais
para questões mundanas.
As aulas voltaram-se para os textos clássicos, principalmente os dos gregos e romanos, e as atenções
dos estudiosos dirigiam-se a diversas áreas do saber e das artes. Iniciava-se o Humanismo, movimento
cultural que viria a influenciar a Europa por quase três séculos. Até então hegemônico, o pensamento da
Igreja passou a ser questionado por religiosos e filósofos leigos.
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Guerra, fome e peste
O crescimento que a Europa obteve nos séculos anteriores sofreu um forte golpe no século XIV. As
mudanças climáticas geraram um grave colapso no abastecimento agrícola e, apesar dos diversos
avanços tecnológicos verificados no campo, como a invenção da charrua, da ferradura, a difusão dos
moinhos de vento, a produção não era suficiente para abastecer a população europeia, que duplicou
entre o ano 1000 e o ano 1300, levando boa parte da população a passar fome.
Entre 1346 e 1352, o continente foi assolado pela Peste Negra, uma epidemia decorrente das
péssimas condições de higiene das cidades, transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos-
pretos ou outros roedores, matando cerca de 30 milhões de pessoas, mais de um terço da população
europeia na época. A situação ficou ainda mais grave depois que a nobreza da França e Inglaterra deram
início à chamada Guerra dos Cem Anos, conflito que se estendeu de 1337 a 1453 provocando grande
número de mortos em ambos os países. Outras guerras ocorreram também na Península ibérica, na Itália
e na Alemanha.
Questões
01. (FGV) "A palavra 'servo' vem de 'servus' (latim), que significa 'escravo'. No período medieval, esse
termo adquiriu um novo sentido, passando a designar a categoria social dos homens não livres, ou seja,
dependentes de um senhor. (...) A condição servil era marcada por um conjunto de direitos senhoriais ou,
do ponto de vista dos servos, de obrigações servis". (Luiz Koshiba, "História: origens, estruturas e
processos")
Assinale a alternativa que caracterize corretamente uma dessas obrigações servis:
(A) Dízimo era um imposto pago por todos os servos para o senhor feudal custear as despesas de
proteção do feudo.
(B) Talha era a cobrança pelouso da terra e dos equipamentos do feudo e não podia ser paga com
mercadorias e sim com moeda.
(C) Mão morta era um tributo anual e per capita, que recaía apenas sobre o baixo clero, os vilões e os
cavaleiros.
(D) Corveia foi um tributo aplicado apenas no período decadente do feudalismo e que recaía sobre os
servos mais velhos.
(E) Banalidades eram o pagamento de taxas pelo uso das instalações pertencentes ao senhor feudal,
como o moinho e o forno.
02. (Fatec-SP) Uma das características a ser reconhecida no feudalismo europeu é:
(A) A sociedade feudal era semelhante ao sistema de castas.
(B) Os ideais de honra e fidelidade vieram das instituições dos hunos.
(C) Vilões e servos estavam presos a várias obrigações, entre elas o pagamento anual de capitação,
talha e banalidades.
(D) A economia do feudo era dinâmica, estando voltada para o comércio dos feudos vizinhos.
(E) As relações de produção eram escravocratas.
03. (FUVEST) Politicamente, o feudalismo se caracterizava pela:
(A) atribuição apenas do Poder Executivo aos senhores de terras;
(B) relação direta entre posse dos feudos e soberania, fragmentando-se o poder central;
(C) relação entre a vassalagem e suserania entre mercadores e senhores feudais;
(D) absoluta descentralização administrativa, com subordinação dos bispos aos senhores feudais;
(E) existência de uma legislação específica a reger a vida de cada feudo.
04. (UNIP) O feudalismo:
(A) deve ser definido como um regime político centralizado;
(B) foi um sistema caracterizado pelo trabalho servil;
(C) surgiu como consequência da crise do modo de produção asiático;
(D) entrou em crise após o surgimento do comércio;
(E) apresentava uma considerável mobilidade social.
05. (PUC) A característica marcante do feudalismo, sob o ponto de vista político, foi o enfraquecimento
do Estado enquanto instituição, porque:
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(A) a inexistência de um governo central forte contribuiu para a decadência e o empobrecimento da
nobreza;
(B) a prática do enfeudamento acabou por ampliar os feudos, enfraquecendo o poder político dos
senhores;
(C) a soberania estava vinculada a laços de ordem pessoal, tais como a fidelidade e a lealdade ao
suserano;
(D) a proteção pessoal dada pelo senhor feudal a seus súditos onerava-lhe as rendas;
(E) a competência política para centralizar o poder, reservada ao rei, advinha da origem divina da
monarquia.
Respostas
01. Resposta: E
Na corveia o servo ficava obrigado a trabalhar nas terras do nobre por alguns dias da semana;
Na talha, o camponês ficava obrigado a entregar ao senhor feudal parte de sua produção;
Nas banalidades o servo era obrigado a pagar pela utilização do moinho, do forno e demais utensílios
pertencentes ao senhor.
Mão-morta, uma espécie de taxa que o servo devia pagar ao senhor feudal para permanecer no feudo
quando o pai morria.
Tostão de Pedro (10% da produção), que o servo devia pagar à Igreja de sua região.
02. Resposta: C
Apesar de não serem escravos, os servos estavam presos à terra do senhor feudal, através de diversas
obrigações e impostos que deveriam ser pagos para usufruir da terra e das benfeitorias do feudo.
03. Resposta: B
O feudalismo marcou a descentralização do poder, com cada feudo funcionando como uma unidade
autônoma, onde o senhor feudal, dono da terra, era o soberano.
04. Resposta: B
Na base da sociedade feudal estavam os servos, que representavam aproximadamente 98% da
população de um feudo. Os servos viviam nas terras do senhor e a ele deviam uma série de serviços
como a corveia, a talha e as banalidades.
05. Resposta: C
O poder político no sistema feudal era exercido pelos senhores feudais, daí seu caráter localista. Não
tendo autoridade efetiva, os reis apenas aparentavam poder, pois na prática existia uma descentralização
político-administrativa.
Expansão Ultramarina
A Expansão Ultramarina europeia dos séculos XV e XVI foi liderada por Portugal e Espanha, que
conquistaram novas terras e rotas de comércio, como o continente americano e o caminho para as Índias
pelo sul da África.
Desde o Renascimento comercial, durante a Baixa Idade Média, até a expansão ultramarina, as
cidades italianas foram os principais polos de desenvolvimento econômico europeu. Elas detinham o
monopólio comercial do mar Mediterrâneo, abastecendo os mercados europeus com os produtos obtidos
no Oriente (especiarias), especialmente Constantinopla e Alexandria.
Durante a Idade Média, as mercadorias italianas eram levadas por terra para o norte da Europa,
especialmente para o norte da França e Países Baixos. Contudo, no século XIV, diante da Guerra dos
Cem Anos e da peste negra, a rota terrestre tornou-se inviável. A partir de então, começou a ser utilizada
uma nova rota, a rota marítima, ligando a Itália ao mar do Norte, via Mediterrâneo e oceano Atlântico.
Esta rota transformou Portugal num importante entreposto de abastecimento dos navios italianos que
iam para o mar do Norte, estimulando o grupo mercantil luso a participar cada vez mais intensamente do
desenvolvimento comercial europeu. No início do século XV, Portugal partiu para as grandes navegações,
objetivando contornar a África e alcançar as Índias, para obter diretamente as lucrativas especiarias
orientais.
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A expansão marítima portuguesa foi acompanhada, em seguida, pela espanhola e depois por vários
outros Estados europeus, integrando quase todo o mundo ao desenvolvimento comercial capitalista da
Europa.
Motivos para as expansões
Entre as principais razões para a expansão, estavam:
- O desejo de descobrir uma nova rota para o Oriente, com o objetivo de reduzir o custo do produtos
comercializados na Europa, visto que as cidades italianas detinham o monopólio do mar Mediterrâneo;
- Obter acesso à metais preciosos, que eram necessários para a cunhagem de moedas e para o
desenvolvimento econômico. Esses metais eram pouco encontrados na Europa;
- Aumento do poder da burguesia (mercadores), que ambicionavam expandir seus negócios;
- Aumento do poder real, fundamental para a organização das expedições marítimas;
- Desenvolvimento de novos instrumentos e técnicas de navegação, como o astrolábio, o quadrante,
e a bússola, além de melhorias na construção dos navios, permitindo viagens mais longas;
- Queda de Constantinopla, em 1453, que apesar de ter ocorrido após o início das primeiras expedições
marítimas, ajudou a acelerar o desejo europeu por novas rotas, já que a cidade era o principal entreposto
comercial entre Ocidente e Oriente.
Mitos e as Grandes Navegações
Uma das barreiras para concretizar as viagens no além-mar eram os medos que os navegantes
possuíam em relação ao mar aberto, um lugar desconhecido, que na mente de muitos marinheiros era
povoado por seres extraordinários e criaturas fantásticas, mas também por monstros e horrores.
Esses medos eram originários do imaginário medieval e da falta de conhecimento sobre lugares ainda
não mapeados, em uma época de pouco ou nenhuma divulgação cultural ou científica. Vale lembrar que
os europeus, até o século XVI conheciam apenas o norte da África e a região que hoje chamamos de
Oriente Médio.
Fonte: Raisz, Erwin. Cartografia Geral, 1969
O mapa acima é uma reprodução de um tipo de mapa muito comum na Idade Média, conhecido como
Orbis Terrarum, ou mapa T no O, por sua forma. No mapa é possível perceber a representação do mundo
conhecido na Idade Média, em que haviam apenas três continentes, não sendo incorporados nem a
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América, a Antártida ou Oceania. Apesar da forma arredondada, a terra era entendida como um disco
plano, cercada por mares que terminavam em um abismo profundo. Apesar das teorias de que o mundo
possuía um formato esférico existirem desde a antiguidade, ainda era comum aceitá-lo como uma tábula
cercada pelos astros celestes.
Outro fator importante a ser notado no mapa é a influência que a religião(cristianismo) exercia sobre
todos os aspectos da vida dos europeus. A orientação geográfica coloca a Ásia onde o norte está
localizado, lugar que em um mapa moderno seria ocupado pela Europa. Antes da utilização da bússola
de maneira definitiva na Europa, o norte não possuía a primazia da parte superior dos mapas e cartas. A
parte superior era reservada ao Oriente, a terra do Sol nascente, da luz, do paraíso, de onde haviam sido
expulsos Adão e Eva. Por essa razão, acreditava-se que o paraíso, descrito no livro bíblico de Gênesis,
estava localizado em algum lugar da Ásia, que não havia sido ainda reencontrado pelos cristãos.
Jerusalém, cidade de importante significado religioso e alvo de conquista das cruzadas é entendida como
o centro do mundo.
De acordo com outros mapas do período, a divisão dos continentes seria uma referência aos filhos de
Noé, como pode ser observado na passagem bíblica: “E os filhos de Noé, que da arca saíram, foram
Sem, Cão e Jafé; e Cão é o pai de Canaã; Estes três foram os filhos de Noé; e destes se povoou toda a
terra.” (Gênesis, 9: 18 e 19). Um exemplo pode ser observado na figura abaixo:
Fonte: PORTO-GONCALVES, DE ARAUJO QUENTAL, Colonialidade do poder e os desafios da integração regional na América Latina.
Como as outras regiões do planeta era praticamente desconhecidas até então, elas eram descritas de
maneira fantástica e misteriosa, habitadas por seres totalmente diferentes dos encontrados até então na
Europa.
Um dos exemplos pode ser encontrado na obra As viagens de Marco Polo, em que o veneziano
constrói sua fortuna no longínquo Catai, como era conhecida a região da China. O livro descreve a terra
distante como um lugar de imensas riquezas, onde inclusive certas habitações seriam feitas inteiramente
de ouro maciço.
Outras lendas comuns incluíam também o mito da Fonte da Juventude, que dizia que aqueles que
encontrassem tal fonte poderiam obter cura e vida eterna. O Reino de Preste João, recorrente,
principalmente em Portugal. Preste João era um pescador e teria desaparecido durante uma pescaria,
arrastado por peixes. Em uma terra distante, fundou um reino cristão perfeito. Cercado de mistério, o mito
alimentava a ideia de que um poderoso soberano viria da Ásia e atacaria o Islã. O mito começou a circular
à época da Primeira Cruzada, por volta do século XI.
A imagem abaixo mostra como eram imaginados alguns dos habitantes destas terras distantes,
dotados de características físicas totalmente diferentes, com pessoas que possuíam formas animalescas,
anões de duas cabeças, homens com pés tão grandes que eram capazes de fazerem sombra e serem
utilizados como abrigo do sol, ciclopes e criaturas com a cabeça no lugar do tronco.
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Fonte: Münster, S., Monstra humana. pp. 1080.
No mar também habitavam incertezas. Era comum a ideia de que existiam lugares onde os ventos
paravam de soprar, ficando os barcos presos em meio ao oceano, sem ter como prosseguir ou voltar. O
medo do abismo do fim do oceano, localizado após a linha do horizonte, era também uma constante.
Os monstros também teu seu papel de destaque. Krakens, Jörmungandr, Sereias, baleias gigantes,
navios assombrados, e muitos outros, eram recorrentes nas ilustrações sobre o mundo desconhecido.
Fonte: Typus Orbis Universalis - 1561 - Sebastian Munster
Expansão Ultramarina Portuguesa e a chegada ao Brasil
Portugal foi o primeiro país a investir na expansão marítima em virtude de uma série de fatores:
- Desenvolvimento comercial, que proporcionou o surgimento de uma burguesia dinâmica e
economicamente forte;
- Interesse do grupo mercantil em expandir suas transações comerciais; consolidação do poder real
por meio da Revolução de Avis (1383-85), promovida pela burguesia;
- Aperfeiçoamentos náuticos pela invenção da caravela, utilização da vela triangular ou "latina" e,
possivelmente, a existência de um centro de estudos náuticos em Sagres;
- Posição geográfica favorável em direção à costa africana.
Os empreendimentos marítimos portugueses são divididos em duas etapas distintas:
-Reconhecimento e exploração do litoral da África e procura de um novo caminho marítimo para o
Oriente (índias). A primeira foi iniciada pela tomada de Ceuta em 1415, um entreposto mercantil norte-
africano até então controlado pelos mouros(árabes). Nessa fase, durante a qual foram fundadas várias
feitorias na costa africana para traficar escravos e produtos locais (ouro, marfim, pimenta-vermelha),
descobriram-se as ilhas atlânticas da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde; as ilhas Canárias foram
descobertas em um período anterior.
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- “Périplo africano" - Com a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453, os preços das
especiarias orientais elevaram-se repentinamente, incentivando ainda mais a busca de uma rota para as
índias. Assim, com a morte do Infante D. Henrique (1460), que até então dirigira a expansão marítima
portuguesa, o Estado luso empenhou-se em completar o "périplo africano" (contorno do continente).
Nessa nova etapa, destacaram-se as viagens de Bartolomeu Dias (Cabo das Tormentas ou Boa
Esperança, em 1488) e de Vasco da Gama (chegada a Calicute, na índia, em 1498). Pouco depois a
esquadra de Pedro Álvares Cabral, que chegou ao Brasil, em 1500.
Já no século XVI, sob o comando do almirante Francisco de Almeida, novas tentativas são
desenvolvidas, mas somente por volta de 1509 os portugueses vêm a conhecer suas vitórias mais
significativas. Entre esse ano e aproximadamente 1515, o comandante alm. D. Afonso de Albuquerque
— considerado o formador do Império português nas Índias — passou a ter sucessivas vitórias no Oriente,
conquistas que atingiram desde a região do Golfo Pérsico (Áden), adentraram a Índia (Calicute, Goa, Diu,
Damão), a ilha do Ceilão (Sri Lanka) e chegaram até à região da Indochina, onde foi conquistada a
importante Ilha de Java.
Conflito, dominação e resistência dos indígenas
Resistências à escravidão
O processo de interação e dominação entre indígenas e europeus começa com os primeiros contatos
nas ilhas da América Central em 1492. Lá foram implantados os “repartimentos” que consistiam na
distribuição de indígenas a alguns espanhóis, conhecidos como encomendeiros, que tinham a função de
cuidar e os catequizar na fé cristã, ganhando em troca a mão de obra indígena. Em 1500 a coroa
espanhola tornou os indígenas livres e não mais sujeitos a servitude. Ao mesmo tempo ainda era possível
dominar e escravizar indígenas através da chamada “Guerra Justa”, quando as ações dos espanhóis
pudessem ser consideradas morais.
Os espanhóis possuíam vantagem em relação aos povos americanos pela estranheza e admiração
que causavam. O cavalo era um animal nunca antes visto no continente e impressionava os indígenas.
Também a crença espanhola na superioridade cultural, moral, e principalmente religiosa ajudou no
processo de dominação, além dos equipamentos de combate, como armaduras e arcabuzes (primeiras
espingardas) contra lanças e flechas.
O impacto da escravidão das populações indígenas foi imenso. Poucos anos após a chegada de
Colombo em 1492 grande parte da população nativa da América havia sido dizimada por doenças econflitos com europeus. Em 1512, tentando regular o funcionamento das Encomiendas, surgiu a Lei de
Burgos (primeiro código de leis que deveria guiar o comportamento os espanhóis na América, entre suas
diretrizes, estava a proibição ao mal trato indígena). Porém, a lei pouco adiantou, pois a ação intensiva
dos encomendeiros e a falta de fiscalização sobre suas ações não acabaram com as práticas de morte e
trabalhos forçados.
Além dos elementos bélicos, os espanhóis também se aproveitaram dos conflitos já existentes entre
grupos indígenas distintos para conquistar as populações da América. Diferentemente do caso brasileiro,
onde existiam diversas etnias diversificadas entre si, os espanhóis encontraram grandes impérios nos
caso Inca e Asteca, onde o poder ficava centralizado na figura de um único individuo, e a conquista e
dominação destes significava a desestruturação da sociedade que comandavam. Em casos como o
Asteca, os espanhóis utilizaram seus inimigos que foram dominados por um longo período. A derrubada
do império Asteca também significava para esses indivíduos o fim da opressão que vinham sofrendo de
seus dominadores. Apesar da vitória contra os Astecas e o auxílio aos espanhóis, essas populações
acabaram por ter o mesmo destino, que seus inimigos, indo de encontro também à escravidão.
No caso Inca a geografia de seus territórios auxiliou para prolongar a resistência. Apesar da rápida
conquista que obtiveram, optaram por fundar uma nova capital para comandar a região, em Lima (Atual
capital do Peru), deixando a antiga capital do império Inca em Cuzco na mão de subordinados do antigo
império. A distribuição desigual de riquezas entre os lideres incas pelos espanhóis causaram revoltas,
como as ocorridas entre 1536 e 1537, na tentativa de recuperar as terras que haviam sido dominadas. A
vantagem dos indígenas nesse caso foi a altitude dos Andes, que lhes rendeu vitórias em batalha por
algum tempo, já que os espanhóis não estavam acostumados com a falta de oxigênio causada pela
altitude das montanhas.
Apesar dos impérios americanos constituírem grande parte do território de ação dos espanhóis, alguns
grupos autônomos renderam aos espanhóis grandes preocupações e conflitos. Grupos como os
Araucanos e Mixtecas, que viviam nas fronteiras dos grandes impérios, não possuíam a mesma unidade
de Incas e Astecas, e tinham de ser conquistados um por um. A existência de grupos não pacificados ou
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dominados gerava uma grande perda para a economia local, pois os gastos com a defesa desses lugares
era muito grande, além dos prejuízos gerados pelos ataques, como são os casos das Guerras de Arauco
na região do Chile e as rebeliões no norte do México causados por Mixtecas.
A escravidão no Brasil
O domínio da América portuguesa se deu de forma muito diferente da América espanhola. O território
brasileiro possuía uma grande variedade de povos indígenas, de diferentes culturas e costumes. É
importante destacar a heterogeneidade dos povos que aqui viviam. Há uma estimativa de que no
momento do contato com os europeus viviam aqui entre 2 e 4 milhões de pessoas, que estariam, segundo
alguns autores, divididos em mais de 1000 povos diferentes, que desapareceram por conta de epidemias,
conflitos armados e desorganização social e cultural.
Entre os povos que habitaram o Brasil, podemos destacar o pertencimento a dois grandes Troncos
Linguísticos: Tupi-Guarani e Macro-Jê, além das famílias Linguísticas Aruaque, Carariba, Cariri, Pano,
Tukano e Charrua, entre outros.
Entre os povos Jê, atualmente habitam o Brasil:
Xavantes: autodenominados Akwén, entraram em contato com mineradores na província de Goiás,
no início do século XVIII. Atualmente habitam o estado do Mato Grosso.
Apinayé: entram em contato com jesuítas no Tocantins em 1633, sendo contrários à ideia de
pacificação. Estiveram em conflito com portugueses e com o governo do brasileiro ao longo de vários
séculos. Atualmente habitam o estado do Tocantins.
Kaingang: Os Kaingang são um dos grupos indígenas mais numerosos do Brasil, com uma população
estimada em aproximadamente 30 mil pessoas. Habitam os estados de São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. Desde o século XVI possuem contato com europeus, quando eram
denominados Guaianazes. Eram também conhecidos por coroados, devido ao corte de cabelo que
utilizavam, semelhante a uma coroa. Sua relação com os colonizadores e funcionários do governo sempre
adquiriram caráter hostil, até que em meados do século XIX seus líderes resolveram aliar-se aos não-
índios, e auxiliando na pacificação dos diversos grupos espalhados pelo interior dos estados que ainda
habitam.
Kayapó: habitantes da região da floresta amazônica. Atualmente vivem nos estados de Mato Grosso
e Pará.
Timbira: entram em contato com os não-índios a partir do início do século XVIII, na capitania do Piauí.
Atualmente habitam os estados de Tocantins, Pará e Maranhão.
Xokleng: Habitantes do sul do Brasil, os primeiros registros de contatos datam do século XVIII. Vivem
atualmente no estado de Santa Catarina
Entre os povos Tupi podemos destacar:
Caetés
Ficara conhecidos pelo episódio em que teriam supostamente feito um banquete com a tripulação que
naufragou juntamente com Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo português a chegar no Brasil.
Habitavam a região dos estados de Alagoas e Pernambuco.
Potiguaras. Povo que tinha no caráter guerreiro seu valor fundamental. Praticavam a antropofagia
(ato de comer partes de um ser humano) ritual. Foram inimigos dos portugueses durante o processo de
conquista do território, formando alianças com franceses. Viviam do litoral do atual estado da Paraíba ao
estado do Ceará. Inimigos dos tabajaras
Tabajaras
Viviam no litoral dos estados de Alagoas e Sergipe, migrando para a Paraíba, território de domínio
Potiguara, o que gerou grandes conflitos entre os povos. Os Tabajaras acabaram aliando-se aos
portugueses após os primeiros contatos.
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Tamoios
Eram praticantes também da antropofagia. Habitavam o litoral norte de São Paulo e o vale do Paraíba,
sendo inimigos dos portugueses.
Tupinambás
Habitaram porções de terra no norte da Bahia e Sergipe, e também do litoral norte do Rio de Janeiro
até São Sebastião em São Paulo. Foram inimigos dos Tupiniquim e também dos portugueses.
Tupiniquins
Os tupiniquins viviam na região do atual estado da Bahia e possuíam uma grande concentração de
pessoas no território do atual estado de São Paulo. Foram aliados dos portugueses.
Para os portugueses o desafio foi diferente do enfrentado pelos espanhóis. A mão de obra indígena
era indispensável para as intenções mercantilistas de Portugal, que pretendia iniciar a produção da cana-
de-açúcar para a produção do açúcar voltada para a exportação para o mercado europeu, o gerava a
necessidade da existência de uma grande quantidade de mão de obra barata para gerar lucros.
Apesar de serem considerados súditos da coroa, e portanto, não poderem ser escravizados, a
legislação criada por Portugal permitia recursos legais para a pratica da dominação das populações
nativas. O grupos indígenas que sofreram o maior impacto da escravidão foram aqueles localizados no
nordeste do país, nas capitanias de Pernambuco e Bahia. Durante o período de 1540 a 1570 muitos
colonos que habitavam as citadas capitanias fizeram contato com indígenas da região e começaram a
estabelecer trocas. Pelo fato de existirem muitos grupos indígenas no Brasil, existiam também muitas
diferenças e as guerras entre eles era algo constante. Muitos dos prisioneirosfeitos nesses conflitos eram
trocados com os portugueses, que os utilizavam como escravos.
Muitos padres da Companhia de Jesus, conhecidos por Jesuítas condenavam as ações praticadas
pelos colonos portugueses em relação aos escravos indígenas, já que a rotina de trabalho nos canaviais
era árdua e durava longas horas diárias. Por pressão dos Jesuítas, a Coroa portuguesa estabeleceu que
os escravos fossem liberados de suas atividades durante os domingos para praticar a fé cristã e
frequentar a missa. Apesar da determinação real, a medida não era seguida por muitos senhores de
engenhos e quando era praticada, muitos indígenas acabavam usando o dia para descansar ou praticar
outras atividades que lhes rendessem uma alimentação complementar, deixando de lado as obrigações
religiosas.
Os Jesuítas criaram aldeamentos com o objetivo de batizar os índios na fé católica. Com a ideia de
que poderiam alcançar o paraíso e praticar a fé cristã, os índios eram catequizados. Para conseguir uma
aproximação e conquistar os interesses indígenas, os Jesuítas aprenderam sua linguagem e seus
costumes, para pouco a pouco incorporar elementos religiosos em sua cultura e finalmente torna-los
completamente cristãos
O abandono das antigas crenças e aceitação da fé cristã, mesmo quando imposta, era considerada
pelos jesuítas, que acreditavam que a melhor maneira de conquistar os índios era através da fé, o que os
tornaria mais pacíficos e facilitariam a vida dos colonos pois auxiliariam em guerras contra tribos
consideradas perigosas e hostis, além dos invasores franceses e holandeses que possuíam grande
interesse pelo território brasileiro. É importante notar o ponto de vista indígena, muitas vezes atraídos
para os aldeamentos com o objetivo de fugir da escravidão imposta pelos colonos e das guerras
praticadas por seus rivais.
Ao passo em que não se mostra mais atrativa, a colonização indígena no Brasil, assim como na
América espanhola passa a ser considerada sob a pretensão da “Guerra Justa”
Ocupar, dominar e colonizar o Brasil
O termo “Descobrimento do Brasil” traz uma visão pautada no eurocentrismo, que é a valorização da
cultura europeia em detrimento das outras, já que expõe a chegada (termo mais apropriado) dos
portugueses ao Brasil como o início da civilização e da presença humana no país, desconsiderando a
presença e a cultura indígena já presentes há milhares de anos neste território. Os portugueses chegam
ao Brasil em 22 de abril de 1500, com a esquadra de Pedro Alvares Cabral, iniciando o período conhecido
como Pré-Colonial.
Durante o período Pré-Colonial foi grande a exploração do pau-brasil, que alcançava um bom valor na
Europa, utilizado no tingimento de tecidos (daí vem o nome Brasil, pois a madeira soltava um pigmento
avermelhado, semelhante à cor de uma brasa). O corte e transporte das toras de pau-brasil eram feitas
pelos indígenas, a partir de trocas (escambo) com os portugueses. Os portugueses não encontraram de
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imediato metais ou pedras preciosas no Brasil, e também não tiveram interesse em criar colônias no
território recém descoberto.
Durante os primeiros trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e franceses que
tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras
recém descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam e contrabandeavam o pau-
brasil. O medo da coroa portuguesa era perder o território brasileiro para um outro país. Para tentar evitar
estes ataques, Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições Guarda-Costas, porém com poucos
resultados.
Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo as feitorias no litoral que nada mais
eram do que armazéns e postos de trocas com os indígenas.
No ano de 1530, o rei de Portugal, D. João III, organizou a primeira expedição com objetivos de
colonização, comandada por Martin Afonso de Souza, com a intenção de povoar o território brasileiro,
expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil.
Questões.3
01. No final do Século XIV, o único Estado centralizado e livre de guerras, o que lhe permitiu ser o
pioneiro na expansão ultramarina, era o
(A) espanhol.
(B) inglês.
(C) francês.
(D) holandês.
(E) português
02. A aliança entre Rei e Burguesia no final da Idade Média e início da Idade Moderna não teve como
objetivo:
(A) o fortalecimento da centralização política contra o particularismo feudal vigente até então;
(B) a unificação de moedas, pesos e medidas, a fim de facilitar as transações comerciais;
(C) a definição de fronteiras e, ao mesmo tempo, de mercados internos e externos;
(D) descentralização administrativa do Estado. Consolidação da monarquia descentralizada
(E) a imposição de código único de leis para o país em lugar do direito consuetudinário feudal.
03. Ao final da Idade Média, a necessidade de novas rotas de comércio gerou a expansão mercantil e
marítima desenvolvida pelos países atlânticos. Até então, a principal via comercial europeia era o
Mediterrâneo, cujo monopólio estava concentrado nas mãos dos comerciantes:
(A) venezianos e pisanos
(B) espanhóis e muçulmanos
(C) venezianos e mouros
(D) italianos e árabes
(E) italianos e ibérico.
04. A expansão marítima e comercial empreendida pelos portugueses nos séculos XV e XVI está
ligada:
(A) aos interesses mercantis voltados para as "especiarias" do Oriente, responsáveis inclusive, pela
não exploração do ouro e do marfim africanos encontrados ainda no século XV;
(B) à tradição marítima lusitana, direcionada para o "mar Oceano" (Atlântico) em busca de ilhas
fabulosas e grandes tesouros;
(C) à existência de planos meticulosos traçados pelos sábios da Escola de Sagres, que previam poder
alcançar o Oriente navegando para o Ocidente;
(D) a diversas casualidades que, aliadas aos conhecimentos geográficos muçulmanos, permitiram
avançar sempre para o Sul e assim, atingir as Índias;
(E) ao caráter sistemático que assumiu a empresa mercantil, explorando o litoral africano, mas sempre
em busca da "passagem" que levaria às Índias
05. A partir dos estudos realizados pelo governo português, o pioneirismo na expansão ultramarina
estava em suas mãos, como grande marco do início da dominação portuguesa, responda qual foi o marco
que dá início a sua dominação.
3 SOUZA, G, RAINER. Exercícios sobre o período pré-colonial. Exercícios Brasil Escola. Disponível em: <http://exercicios.brasilescola.uol.com.br/exercicios-
historia-do-brasil/exercicios-sobre-o--periodo-pre-colonial.htm#questao-1> Acesso em 09 de junho de 2017.
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(A) Colonização da Guiné
(B) Chegada dos portugueses ao Brasil
(C) Dominação de Ceuta
(D) Chegada as Índias
(E) Realização do chamado “périplo africano”
06. Uma forma de resistência indígena, consistia no isolamento, eles foram se deslocando para regiões
mais pobres, onde o homem branco ainda não havia chegado. Permitindo que houvesse a preservação
da herança biológica, social e cultural.
(A) Certo
(B) Errado
07. (Cesgranrio)
O início da colonização portuguesa no Brasil, no chamado período "pré-colonial" (1500-1530), foi
marcado pelo(a):
A) envio de expedições exploratórias do litoral e pelo escambo do pau-brasil;
B) plantio e exploração do pau-brasil, associado ao tráfico africano.
C) deslocamento, para a América, da estrutura administrativa e militar já experimentada no Oriente;
D) fixação de grupos missionários de várias ordens religiosas para catequizar os indígenas;
E) implantaçãoda lavoura canavieira, apoiada em capitais holandeses.
08. (USS)
Assinale a alternativa correta a respeito do período pré-colonial brasileiro:
A) Os franceses não reconheciam o domínio português, tanto que chegaram a se estabelecer no Rio
de Janeiro e no Maranhão.
B) O trabalho intenso de Anchieta e Nóbrega na catequese dos índios tinha o objetivo de impedir a
escravização do gentio.
C) A ocupação temporária europeia, por meio de feitorias, deveu-se à inexistência de organização
social produtora de excedentes negociáveis.
D) A cordialidade dos indígenas contrastava com a hostilidade europeia dos portugueses, cujo objetivo
metalista conduzia sempre à prática da violência.
E) A cordialidade inicial entre europeus e índios deveu-se ao fato de que o objetivo catequético
superava os fins materiais da expansão marítima.
09. "De começo, e fosse qual fosse, após a exploração cabralina, a importância dos conhecimentos
geográficos sobre o Brasil, o interesse de D. Manuel pelos seus novos territórios da América foi, ao que
parece, mais de ordem estratégica que econômica."
(CORTESÃO, Jaime. Os descobrimentos portugueses, p. 1086, citado em MORAES, Antonio Carlos Robert. Bases da formação territorial do Brasil. São
Paulo: HUCITEC, 2000, p. 174.)
Segundo o historiador português, Jaime Cortesão, no início do século XVI, a importância econômica
dada à América pelo Estado português foi de ordem estratégica. Isto, porque:
A) apesar de terem sido encontrados imediatamente metais preciosos no território, os portugueses não
tinham maior interesse neles;
B) as comunidades indígenas do litoral sul da América eram hostis a qualquer contato com os
portugueses, o que impediu o desenvolvimento de atividades econômicas na região;
C) a extensão do litoral e o clima tropical impediam o desenvolvimento de atividades econômicas que
permitissem a produção de bens valorizados na Europa;
D) o interesse português estava voltado para o Oriente, e o controle do litoral sul da América deveria
garantir, fundamentalmente, o monopólio da navegação da rota do Cabo;
E) a instalação de feitorias que estimulassem o plantio, pelas comunidades indígenas, do pau-brasil,
produto valorizado no mercado europeu e, por isso, gerador de lucros para o Estado português.
Respostas.
01. Resposta E.
A reconquista das terras ocupadas pelos Mouros e a centralização do estado a partir do poder
concentrado na figura do rei permitiram a Portugal os recursos necessários para se lançar ao mar em
busca de novas rotas comerciais e novas terras para exploração.
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02. Resposta D.
O objetivo da aproximação entre o poder real e a burguesia era justamente a unificação do poder para
garantir um governo forte e centralizado na mão do rei.
03. Resposta D.
A região do mar Mediterrâneo era controlada por italianos, e também por árabes. O monopólio das
rotas terrestres levou muitos europeus, em especial portugueses e espanhóis, que começavam a criar
estados unificados, a explorar a rota marítima.
04. Resposta E.
Apesar das viagens às índias garantirem muito dinheiro, o tempo gasto para fazer a rota poderia levar
longos meses. Um caminho mais curto garantiria uma maior obtenção de lucros.
05. Resposta: C.
O fato que marca o início do processo de conquista português é a dominação da região de Ceuta (atual
Marrocos), logo após esta conquista os portugueses dão início a conquista do litoral africano.
06. Resposta: A.
A forma de resistência usada pelos indígenas, que consistia no isolamento em regiões mais pobres,
garantiu sua sobrevivência biologia, social e cultural.
07. Resposta: A.
Nos primeiros trinta anos da colonização, observamos que os portugueses limitaram-se a enviar
expedições de reconhecimento e proteção ao litoral brasileiro. Sob o ponto de vista econômico, a extração
do pau-brasil era realizada através da mão de obra voluntária dos índios, que recebiam pequenas
mercadorias pelo serviço prestado (escambo).
08. Resposta: A
Vista como uma das mais graves consequências do desinteresse português em relação às terras
brasileiras, a invasão dos franceses revelou o desenvolvimento de uma concorrência de outras nações
europeias no processo de colonização do continente americano. Sem reconhecer a validade do Tratado
de Tordesilhas, os franceses realizaram o contrabando do pau-brasil e tentaram consolidar algumas
colônias no litoral brasileiro.
09. Resposta: D
Apesar da imensidão do território conquistado, os portugueses pretendiam expandir suas fronteiras
econômicas comercializando com os povos do Oriente. Quando muito, os portugueses realizavam rápidas
expedições de exploração e reconhecimento do território brasileiro. Com o passar do tempo, o insucesso
do comércio oriental e as sucessivas tentativas de invasão motivaram a organização das primeiras ações
de natureza colonizadora.
Culturas Indígenas: Mais, Astecas e Incas
Com a expansão marítima do século XV, um novo continente, até então nunca explorado pelo europeu,
surgia no mapa. No dia 12 de outubro de 1492, chega na América, a expedição comandada por Cristóvão
Colombo, que na verdade estava à procura de um novo caminho para as Índias quando encontrou a
América.
Quando os exploradores espanhóis chegam, encontram grandes civilizações, extremamente
organizadas. Dentre os povos encontrados, três ganham maior destaque, os Maias, os Astecas e os
Incas.
A civilização Maia
Segundo estudos, a civilização Maia teria começa a se desenvolver por volta de 2000 a.C. Eles
habitaram a região que corresponde atualmente ao México, Guatemala e Honduras. O auge de sua
prosperidade ocorreu entre os séculos III e X, muito antes da chegada dos espanhóis na América.
Os maias se destacaram na área da Astronomia, Matemática, Arquitetura e por terem desenvolvido
uma escrita complexa, feita através de símbolos – hieróglifos – que são considerados uma das formas de
escrita mais sofisticadas no mundo pré-colombiano.
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. 51
Eles eram politeístas, ou seja, cultuavam vários deuses. Tais deuses estavam ligados ao nascimento,
a morte e a fenômenos naturais. Eles cultuavam os mortos e faziam sacrifícios humanos e de animais em
oferenda a divindade. Em homenagem a eles, os maias ergueram grandes templos, altares e santuários,
onde realizavam seus rituais e sacrifícios. Nesses templos ocorreram diversas celebrações que
marcavam deferentes datas no calendário. Os maias acreditavam na vida após a morte, pois os seus
mortos eram colocados em suas sepulturas com alimentos e utensílios pessoais que poderiam ajudar o
morto durante sua viagem.
Sua economia era baseada na agricultura, tendo o milho como principal alimento. As suas técnicas
de irrigação eram extremamente avançadas para a época. A civilização Maia também praticava o
comercio de mercadorias com povos vizinhos, o que favoreceu o surgimento de estradas de estradas e
o crescimento de cidades. O produto de maior valor era o cacau, que além de ser utilizado como alimento,
era também uma moeda de troca.
Uma das grandes realizações desse povo foi a observação dos astros, que permitiu a criação de dois
calendários, um religioso, de 260 dias e outro civil, de 365 dias. O conhecimento dos ciclos da lua, do Sol
e de Vênus, foi o que permitiu a sua eficiência na produção agrícola.
A sociedade Maia era organizada de forma descentralizada, ou seja, não chegaram a construir um
império que fosse unificado. Cada cidade tinha seu próprio governo, formando cidades-Estados, eram
unidades políticas independentes.
A estrutura social dessa civilização era bem rígida, a sua classe era determinada ao nascerem.
Existiam trêscamadas, a família real, militares e sacerdotes, comerciantes e funcionários do Estado e por
último camponeses.
O declínio da civilização Maia começa no século IX pode estar ligado a problemas ambientais, como
o desmatamento. Outro fato que pode ter acontecido é o número populacional ter aumentado a ponto que
houvesse falta de recursos. Guerras e conflitos internos também podem ter favorecido esse declínio. O
que se pode afirmar é que quando os espanhóis chegaram à América, a civilização Maia não existia mais.
Os Astecas
Até o século XII os Astecas viviam na região norte do atual México, aos pouco esse grupo foi migrando
para o sul à procura de terra mais férteis. Ao deslocar para essa região, encontraram alguns grupos que
já viviam por lá, como os tapanecas, que apesar de serem derrotas, influenciaram muito em suas práticas
culturais, políticas e religiosas. Os Astecas atingiram o auge do seu desenvolvimento na região conhecida
como Mesoamérica.
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Dentre os principais povos da América, os Astecas foram os que mais se desenvolveram. Eram
politeístas e assim como os Maias, realizavam sacrifícios. A capital do império era a cidade de
Tenochtitlán, onde também estava localizado o seu principal templo religioso.
O campo de maior destaque desta civilização, foi a agricultura. Apesar da pouca quantidade de terra
propícias para o plantio, os Astecas desenvolveram um sistema de irrigação muito avançado e
construíram ilhas artificiais, chamados de chinampas. Entre os principais cultivos estavam o feijão, o
cacau, a batata e fumo.
Editora ática
A sociedade era dividida hierarquicamente, e a administração era feita de forma centralizada em
torno de um governante. Eram organizados em classes, como nobres, soldados, comerciantes,
trabalhadores e por último os escravos e servos. O governo era uma monarquia, onde o conselho do
imperador elegia o sucessor, desde que este pertencesse a linhagem governante. O imperador contava
com o auxílio de um conselho e tinha por obrigação proteger o seu povo.
Desenvolveram um sistema complexo de escrita e um calendário de 365 dias, baseado no ano solar.
Seu conhecimento em astronomia era bem avançado, fato que impressiona até hoje.
No final do século XV, quando os espanhóis chegam na América e dão início ao reconhecimento do
novo continente, o império Asteca contava com uma população de cerca de cinco milhões de habitantes
e uma área de domínio de 200 mil quilômetros quadrados.
Os Incas
A partir do século XII, os Incas migrarão para a região do vale do Cuzco, no Peru. Já instalados na
região do Andes, conseguiram constituir um império que dominou grande parte das terras do território sul-
americano.
Assim como os Maias e os Astecas, os Incas eram politeístas, sua religiosidade era caracterizada
pela adoração de diversos elementos da natureza. Como os outros povos, eles também realizavam
sacríficos, com a intenção de demonstrar sua gratidão.
O Império Inca chegou a ter cerca de cem povos diferentes, seu Estado era centralizado e
extremamente militarizado. Havia um imperador, nomeado Inca – descendente do Sol – que estava no
topo da pirâmide social, ele detinha o controle das terras e das minas. Logo abaixo vinha a aristocracia,
que era formada por altos funcionários do governo, sacerdotes e antigos chefes das aldeias. Por último,
os artesão, militares e escravos ficavam na base da pirâmide social.
Apesar de não terem desenvolvido a escrita, criaram um sistema numérico, chamado de “quipos”,
esse sistema auxiliava na contagem e era usado no comércio. As cordas indicavam a centena, dezena e
milhar.
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A maioria da população inca exerciam atividades pastoris e agrícolas, que formavam a base
econômica e de subsistência. Entre os seus principais cultivos, estava o milho, a batata-doce, a quinoa,
a batata e o amendoim. Também dominavam a metalurgia, e a cerâmica. Eles tinham grande experiência
com o trabalhado de metais preciosos, como o ouro e a prata.
Desenvolveram em suas cidades um sistema de esgoto e água encanada, além da técnica de
construção de casas, que dispensavam o uso de argamassa. Uma das obras arquitetônicas que ainda
sobreviveram aos dias de hoje é a cidade de Machu Picchu, construída no alto de uma montanha, no
atual Peru. É considerada o maior conjunto arquitetônico da América pré-colombiana. Para que houvesse
a ligação entre as cidades do império, estradas em pedra foram construídas.
A cidade de Machu Picchu foi construída por volta de 1450, nas proximidades de Cuzco, antiga capital do Império Inca
Quase um século antes da chegada dos espanhóis, o Império Inca promoveu uma grande expansão
territorial e cultural, chegando a atual divisa da Colômbia e Equador. Contudo já no século XVI, a
civilização sofreu com diversos conflitos internos, facilitando a dominação espanhola.
América Espanhola4
Os espanhóis, logo após empreenderem um sangrento processo de dominação das populações
indígenas da América, efetivaram o seu projeto colonial nas terras a oeste do Tratado de Tordesilhas.
Para isso montaram um complexo sistema administrativo responsável por gerir os interesses da Coroa
espanhola em terras americanas. Todo esse esforço deu-se em um curto período de tempo. Isso porque
a ganância pelos metais preciosos motivava os espanhóis.
As regiões exploradas foram divididas em quatro grandes vice-reinados: Rio da Prata, Peru, Nova
Granada e Nova Espanha. Além dessas grandes regiões, havia outras quatro capitanias: Chile, Cuba,
Guatemala e Venezuela. Dentro de cada uma delas, havia um corpo administrativo comandado por um
vice-rei e um capitão-geral designados pela Coroa. No topo da administração colonial havia um órgão
dedicado somente às questões coloniais: o Conselho Real e Supremo das Índias.
Todos os colonos que transitavam entre a colônia e a metrópole deviam prestar contas à Casa de
Contratação, que recolhia os impostos sob toda riqueza produzida. Além disso, o sistema de porto único
também garantia maior controle sobre as embarcações que saiam e chegavam à Espanha e nas
Américas. Os únicos portos comerciais encontravam-se em Veracruz (México), Porto Belo (Panamá) e
Cartagena (Colômbia). Todas as embarcações que saíam dessas regiões colônias só podiam
desembarcar no porto de Cádiz, na região da Andaluzia.
Responsáveis pelo cumprimento dos interesses da Espanha no ambiente colonial, os chapetones eram
todos os espanhóis que compunham a elite colonial. Logo em seguida, estavam os criollos. Eles eram os
4 SOUSA, Rainer Gonçalves. "Colonização Espanhola"; Mundo Educação. Disponível em <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-america/colonizacao-
espanhola.htm>.
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filhos de espanhóis nascidos na América e dedicavam-se a grande agricultura e o comércio colonial. Sua
esfera de poder político era limitada à atuação junto às câmaras municipais, mais conhecidas como
cabildos.
Na base da sociedade colonial espanhola, estavam os mestiços, índios e escravos. Os primeiros
realizavam atividades auxiliares na exploração colonial e, dependendo de sua condição social, exerciam
as mesmas tarefas que índios e escravos. Os escravos africanos eram minoria, concentrando-se nas
regiões centro-americanas. A população indígena foi responsável por grande parte da mão de obra
empregada nas colônias espanholas. Muito se diverge sobre a relação de trabalho estabelecida entre os
colonizadores e os índios.
Alguns pesquisadores apontam que a relação de trabalho na América Espanhola era escravista. Para
burlara proibição eclesiástica a respeito da escravização do índio, os espanhóis adotavam a mita e a
encomienda. A mita consistia em um trabalho compulsório onde parcelas das populações indígenas eram
utilizadas para uma temporada de serviços prestados. Já a encomienda funcionava como uma “troca”
onde os índios recebiam em catequese e alimentos por sua mão-de-obra.
No final do século XVIII, com a disseminação do ideário iluminista e a crise da Coroa Espanhola (devido
às invasões napoleônicas) houve o processo de independência que daria fim ao pacto colonial, mas não
resolveria o problema das populações economicamente subordinadas do continente americano.
Processo de Independência5
O processo de independência da América Espanhola ocorreu em um conjunto de situações
experimentadas ao longo do século XVIII. Nesse período, observamos a ascensão de um novo conjunto
de valores que questionava diretamente o pacto colonial e o autoritarismo das monarquias. O iluminismo
defendia a liberdade dos povos e a queda dos regimes políticos que promovessem o privilégio de
determinadas classes sociais.
Sem dúvida, a elite letrada da América Espanhola inspirou-se no conjunto de ideias iluministas. A
grande maioria desses intelectuais era de origem criolla, ou seja, filhos de espanhóis nascidos na América
desprovidos de amplos direitos políticos nas grandes instituições do mundo colonial espanhol. Por
estarem politicamente excluídos, enxergavam no iluminismo uma resposta aos entraves legitimados pelo
domínio espanhol, ali representado pelos chapetones.
Ao mesmo tempo em que houve toda essa efervescência ideológica em torno do iluminismo e do fim
da colonização, a pesada rotina de trabalho dos índios, escravos e mestiços também contribuiu para o
processo de independência. As péssimas condições de trabalho e a situação de miséria já tinham, antes
do processo definitivo de independência, mobilizado setores populares das colônias hispânicas. Dois
claros exemplos dessa insatisfação puderam ser observados durante a Rebelião Tupac Amaru
(1780/Peru) e o Movimento Comunero (1781/Nova Granada).
No final do século XVIII, a ascensão de Napoleão frente ao Estado francês e a demanda britânica e
norte-americana pela expansão de seus mercados consumidores serão dois pontos cruciais para a
independência. A França, pelo descumprimento do Bloqueio Continental, invadiu a Espanha,
desestabilizando a autoridade do governo sob as colônias. Além disso, Estados Unidos e Inglaterra
tinham grandes interesses econômicos a serem alcançados com o fim do monopólio comercial espanhol
na região.
É nesse momento, no início do século XIX, que a mobilização ganha seus primeiros contornos. A
restauração da autoridade colonial espanhola seria o estopim do levante capitaneado pelos criollos.
Contando com o apoio financeiro anglo-americano, os criollos convocaram as populações coloniais a se
rebelarem contra a Espanha. Os dois dos maiores líderes criollos da independência foram Simon Bolívar
e José de San Martin. Organizando exércitos pelas porções norte e sul da América, ambos sequenciaram
a proclamação de independência de vários países latino-americanos.
No ano de 1826, com toda América Latina independente, as novas nações reuniram-se no Congresso
do Panamá. Nele, Simon Bolívar defendia um amplo projeto de solidariedade e integração político-
econômica entre as nações latino-americanas. No entanto, Estados Unidos e Inglaterra se opuseram a
esse projeto, que ameaçava seus interesses econômicos no continente. Com isso, a América Latina
acabou mantendo-se fragmentada.
O desfecho do processo de independência, no entanto, não significou a radical transformação da
situação socioeconômica vivida pelas populações latino-americanas. A dependência econômica em
relação às potências capitalistas e a manutenção dos privilégios das elites locais fizeram com que muitos
5 SOUSA, Rainer Gonçalves. "Independência da América Espanhola"; Mundo Educação. Disponível em <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historia-
america/independencia-america-espanhola.htm>.
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dos problemas da antiga América Hispânica permanecessem presentes ao longo da História latino-
americana
Questões
01. Uma das diferenças essenciais entre a Independência da América Espanhola e a Independência
Brasileira está no:
(A) modelo político adotado, haja vista que na América Hispânica predominou o modelo republicano,
enquanto no Brasil adotou-se o modelo monárquico.
(B) modelo de guerra adotado, já que no Brasil a guerrilha foi o modelo de combate adotado no
processo de independência.
(C) modelo econômico, haja vista que o Brasil, ao contrário da América Espanhola, sofreu um grave
transtorno na produção agrícola, levando a política colonial ao colapso.
(D) carisma do líder, já que Bolívar tinha menos impacto na consciência da população do que Dom
Pedro I.
(E) papel do exército, já que, no caso brasileiro, o exército precisou impedir que Portugal retomasse o
Brasil como sua colônia.
02. (Unesp – 2013) Leia:
É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma única nação com um único vínculo
que ligue as partes entre si e com o todo. Já que tem uma só origem, uma só língua, mesmos costumes
e uma só religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados
que haverão de se formar; mas tal não é possível, porque climas remotos, situações diversas, interesses
opostos e caracteres dessemelhantes dividem a América.
(Simón Bolívar. Carta da Jamaica [06.09.1815]. In: Simón Bolívar: política, 1983.)
O texto foi escrito durante as lutas de independência na América Hispânica. Podemos dizer que:
(A) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar não aceitou a diversidade americana e, em sua ação
política e militar, reagiu à iniciativa autonomista do Brasil.
(B) ao contrário do que afirma na carta, Bolívar combateu as propostas de independência e unidade
da América e se empenhou na manutenção de sua condição de colônia espanhola.
(C) conforme afirma na carta, Bolívar defendeu a unidade americana e se esforçou para que a América
Hispânica se associasse ao Brasil na luta contra a hegemonia norte-americana no continente.
(D) conforme afirma na carta, Bolívar aceitou a diversidade geográfica e política do continente, mas
tentou submeter o Brasil à força militar hispano-americana.
(E) conforme afirma na carta, Bolívar declarou diversas vezes seu sonho de unidade americana, mas,
em sua ação política e militar, reconheceu que as diferenças internas eram insuperáveis.
Respostas
01. Resposta: A
Na América Espanhola, o processo de Independência foi permeado por guerras sangrentas e culminou
na implementação de regimes republicanos. No Brasil, o processo de independência não chegou ao
confronto armado com a coroa portuguesa e o regime político adotado passou a ser a monarquia
constitucional.
02. Resposta: E
Simón Bolívar foi o principal líder que conduziu o processo de Independência da América Espanhola.
Seu epistolário (isto é, seu conjunto de cartas escritas e enviadas a diversas pessoas) é um dos mais
impressionantes de que se tem notícia desse período. Em suas milhares de cartas, Bolívar deixou claras
as contradições que o atormentavam enquanto homem que tinha consciência de ser um ator político de
seu tempo. Apesar da vontade de promover uma América Latina integrada, sabia que o projeto não
poderia ser levado a cabo à época.
Renascimento cultural
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização europeia que se desenvolveu entre 1300
e 1650. Além de reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreram nesse período muitos progressos e
incontáveis realizações no campo das artes,da literatura e das ciências, que superaram a herança
clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do
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Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a ressurreição consciente (o re-
nascimento) do passado (antiguidade, pincipalmente Grécia e Roma), considerado agora como fonte de
inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização
do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam
impregnado a cultura da Idade Média.
Características gerais:
-Racionalidade
-Dignidade do Ser Humano
-Rigor Científico
-Ideal Humanista
-Reutilização das artes greco-romana
Arquitetura
Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas
estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto
em que se coloque.
“Já não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui
o segredo do edifício” (Bruno Zevi, Saber Ver a Arquitetura)
Principais características:
-Ordens Arquitetônicas
-Arcos de Volta-Perfeita
-Simplicidade na construção
-A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas
-Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)
O principal arquiteto renascentista:
Brunelleschi - é um exemplo de artista completo renascentista, pois foi pintor, escultor e arquiteto.
Além de dominar conhecimentos de Matemática e Geometria, foi grande conhecedor da poesia de Dante.
Foi como construtor, porém, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral
de Florença e a Capela Pazzi.
Pintura
Principais características:
-Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre
si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.
-Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes
reforça a sugestão de volume dos corpos.
-Realismo: o artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que
expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é
pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.
-Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo.
-Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de
obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes.
-Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo
ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.
Os principais pintores foram:
Botticelli - os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe
proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão.
Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo
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tempo, melancólicas porque supõem que perderam esse dom de Deus. Obras destacadas: A Primavera
e O Nascimento de Vênus.
Leonardo da Vinci - ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma
atmosfera que parte da realidade mas estimula a imaginação do observador. Foi possuidor de um espírito
versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento
humano. Obras destacadas: A Virgem dos Rochedos e Monalisa.
Michelangelo - entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para
essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas que
expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a criação do homem. Obras
destacadas: Teto da Capela Sistina e a Sagrada Família
Rafael - suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os
elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de acordo com uma
simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Obras destacadas: A Escola de Atenas
e Madona da Manhã.
O Renascimento na Itália
Considerada o berço do Renascimento, na Itália esse movimento se desenvolveu em plenitude, tanto
nas artes plásticas quanto na literatura e ciência (Humanismo).
Os humanistas, geralmente eram eclesiásticos ou professores universitários que desprezavam a
cultura gótica medieval e primavam pelo individualismo, o refinamento cultural e espiritual.
Em razão das obras e das características que elas apresentam, o Renascimento pode ser dividido em
três fases distintas:
- A primeira é denominada Trecento, correspondente ao século XIV, na transição do Período Medieval
para o Renascimento. Nessa fase, destacam-se Dante, com a Divina Comédia, Petrarca, com África, e
Boccaccio, com a obra Decameron. Nas artes plásticas, Giotto representa os ideais precursores da arte
renascentista.
- No Quatrocento, que corresponde ao século XV, Florença abrigou um dos mais célebres momentos
do Renascimento, com o mecenato da Família Médici. Lorenzo de Médici, o 'Magnífico", que fundou a
"Academia Platônica", na qual pensadores ilustres buscavam conciliar o ideal cristão com o pensamento
antigo é um dos principais mecenas. Nas artes plásticas, o período representou um grande brilhantismo
na produção de obras, sendo seus expoentes Masaccio, Boticelli, Tintoretto, Ticiano e Leonardo Da Vinci
("O Génio Universal da Humanidade").
- A terceira e última fase do Renascimento é denominada Cinquecento e corresponde à arte do século
XVI, que, apesar de ter artistas como Rafael e Michelangelo, apresenta a decadência do movimento
dentro da Itália. Em meados do século XV, os papas de Avinhão voltam para Roma, que adquire prestígio.
Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no Vaticano. Ali, grandes
escultores se revelam, sendo o mais conhecido deles Michelangelo, que domina toda a escultura italiana
do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá. Michelangelo também pintou os afrescos
na Capela Sistina Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em
ourivesaria e esse fato acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.
Mas sem dúvida, Florença nesse período abrigou o maior dos humanistas italianos: Nicolau Maquiavel,
que, ao escrever O Príncipe, estabeleceu os fundamentos teóricos do Estado Moderno, essencialmente
na formulação da razão de Estado, que seria posteriormente, pedra angular na teoria política dos Estados
europeus.
O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, chegando a outros países, como:
Países Baixos
Erasmo de Rotterdam, foi o maior expoente do Humanismo nos Países Baixos. Em 1509 publicou sua
obra mais famosa, Elogio da Loucura, na qual tece críticas satíricas à sociedade de seu tempo. Tendo
dedicado a sua vida à carreira eclesiástica, Erasmo é considerado um humanista cristão.
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Nas artes plásticas, o Renascimento teve maior expressão do que o Humanismo. Na região dos Países
Baixos, as artes plásticas desenvolveram-se de forma independente dos modelos clássicos e refletiam o
luxo da vida dos comerciantes. Seus maiores expoentes foram Peter Brueghel, Bosch, Van Eych e
Rembrandt.
Inglaterra
Destaque para Sir Thomas Morus,com a obra Utopia, que, diante das mudanças sociais promovidas
na Inglaterra em decorrência da manufatura, condenou os abusos da nova sociedade que se formava e
propôs uma sociedade ideal.
William Shakespeare foi o representante máximo da obra teatral, escrevendo mais de 40 peças para
a dramaturgia, entre elas Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet e Rei Lear.
Países Ibéricos
Miguel de Cervantes foi o maior representante do Humanismo na Espanha. Em sua obra Dom Quixote
de La Mancha, satirizou a sociedade feudal e os costumes da cavalaria. Nas artes plásticas, El Greco e
Murillo desenvolveram obras impregnadas de religiosidade e emoção. Em Portugal, Luís Vaz de Camões,
com sua obra Os Lusíadas, traçou a épica narrativa das navegações portuguesas. Gil Vicente produziu
uma obra considerável, tendo títulos como A Farsa de Inês Pereira e Auto da Barca do Inferno.
França
François Rabelais satirizou a Filosofia Escolástica e a Igreja nas obras Gargántua e Pantagruel.
Michel Montaigne, em Ensaios, criticou a sociedade francesa de seu tempo.
Renascimento Científico
O conhecimento medieval era fundamentalmente baseado nas informações e explicações contidas
nos livros sagrados e profanos. A curiosidade impõe o surgimento de experiências e observações durante
o Renascimento. O resultado foi um extraordinário desenvolvimento científico.
Um dos melhores exemplos da ciência renascentista é Leonardo da Vinci. Sua obra é principalmente
artística. Somente após sua morte é que foram difundidas suas ideias científicas, que são precursoras de
inventos modernos. Teorizou alguns princípios da geologia e pode ser considerado precursor remoto do
avião, do submarino e do carro de assalto.
O polonês Nicolau Copérnico concluiu que a Terra não era o centro do Sistema Solar, mas sim o
Sol. Não era o Sol que girava em torno da Terra, corno se pensava na Idade Média, mas a Terra que
girava em torno do Sol. Suas pesquisas foram completadas pelo alemão Keppler e pelo italiano Galileu.
Na medicina, Versálio publicou uma obra que continha os princípios da anatomia: o espanhol Miguel
Servet descobriu uma parte da lei da circulação sanguínea: o médico francês Paré encontrou uma nova
forma de estancar a hemorragia.
Questões
01. (Enem) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a
natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os
cientistas também iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a
luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento.
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela
constante relação entre
(A) fé e misticismo.
(B) ciência e arte.
(C) cultura e comércio.
(D) política e economia.
(E) astronomia e religião.
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02. (Uerj- Adaptada) Eu te coloquei no centro do mundo, a fim de poderes inspecionar, daí, de todos
os lados, da maneira mais cômoda, tudo que existe. Não te fizemos nem celeste, nem terreno, mortal ou
imortal, de modo que assim, tu, por ti mesmo, qual modelador e escultor da própria imagem, segundo tua
preferência e, por conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar.
Fala de Deus a Adão.Pico della Mirandola, 1486.PICO DELLA MIRANDOLA, Giovanni. A dignidade do homem. São Paulo: GRD, 1988.
O trecho acima reflete as novas ideias introduzidas no ocidente europeu, a partir do século XV, que
permitiram o desabrochar de um pensamento mais original em relação às artes, às ciências e ao
conhecimento.
Estas ideias podem ser relacionadas ao seguinte processo histórico:
(A) Iluminismo
(B) Revolução Científica
(C) Reforma Religiosa
(D) Renascimento
03. (Enem) O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos
teólogos, por uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e também por
introduzir, no ensino, as ideias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu: "Pode ser que se
fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem
mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma
velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem
(...) bata o ar com asas como um pássaro. Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios"
(apud. BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII. São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3).
Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-se afirmar que as ideias de Roger Bacon
(A) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiarem a crença em Deus como o
principal meio para antecipar as descobertas da humanidade.
(B) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao desconsiderarem os instrumentos intelectuais
oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade.
(C) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revolução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da
matemática e do método experimental nas invenções industriais.
(D) eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como
também baseavam-se na tradição e na teologia.
(E) inseriam-se num movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento, ao contemplarem a
possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções.
04. (Enem)
"Os próprios céus, os planetas, e este centro
reconhecem graus, prioridade, classe,
constância, marcha, distância, estação, forma,
função e regularidade, sempre iguais;
eis porque o glorioso astro Sol
está em nobre eminência entronizado
e centralizado no meio dos outros,
e o seu olhar benfazejo corrige
os maus aspectos dos planetas malfazejos,
e, qual rei que comanda, ordena
sem entraves aos bons e aos maus."
(personagem Ulysses, Ato I, cena III).
SHAKESPEARE, W. Tróilo e Créssida. Porto: Lello & Irmão, 1948.
A descrição feita pelo dramaturgo renascentista inglês se aproxima da teoria
(A) geocêntrica do grego Claudius Ptolomeu.
(B) da reflexão da luz do árabe Alhazen.
(C) heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico.
(D) da rotação terrestre do italiano Galileu Galilei.
(E) da gravitação universal do inglês Isaac Newton.
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05. (Ufc) A análise histórica do Renascimento italiano, caso das obras de Leonardo da Vinci e de
Brunelleschi, permite identificar uma convergência entre as artes plásticas e as concepções burguesas
sobre a natureza e o mundo naquele período. Acerca da relação entre artistas e burgueses, é correto
afirmar que ambos:
(A) convergiram em ideias, pois valorizavam a pesquisa científica e a invenção tecnológica.
(B) retomaram o conceito medieval de antropocentrismo ao valorizar o indivíduo e suas obras
pessoais.
(C) adotaram os valores da cultura medieval para se contrapor ao avanço político e econômico dos
países protestantes.
(D) discordaram quanto aos assuntos a serem abordados nas pinturas, pois os burgueses não
financiavam obras com temas religiosos.
(E) defenderam a adoção de uma postura menos opulenta em acordo com os ideais do capitalismo
emergente e das técnicas mais simples das artes.
Respostas
01. Resposta: B
O Renascimento é caracterizado pela valorização dos costumes greco-romanos e pelo distanciamento
entre a ciência e a religião. A figura humana passa a ser retratado de forma naturalizada, com a busca
por retratar o corpo da maneira mais fiel possível, através deestudos de perspectiva, luz, sombras etc.
02. Resposta: D
A expressão renascentista nos remete à Idade Moderna, momento em que uma nova visão de mundo
se desenvolveu ao mesmo tempo em que a burguesia e o comércio estavam em expansão. A cultura
renascentista resgatava valores greco-romanos em contraposição a visão medieval ainda predominante
na sociedade e, dessa maneira, revalorizou a razão, estimulando a reflexão e o senso crítico, com novas
descobertas científicas, assim como uma nova arte, que refletia não apenas a adoção de novas técnicas,
mas a valorização do ser humano e de sua vida cotidiana.
03. Resposta: E
Roger Bacon viveu na baixa idade média, quando alguns teólogos vislumbraram possibilidades
maiores do que aquelas definidas pela Bíblia. A crença na capacidade criadora do homem chocava-se
com as concepções teocêntricas da Igreja Católica, que entendia que apenas Deus era “criador”. A
escolástica, filosofia que incorporou aspectos humanistas e racionais ao cristianismo, representou uma
porta para o desenvolvimento de novas visões de mundo que, séculos depois, permitiram o renascimento
cultural.
04. Resposta: C
Shakespeare é um autor da época do renascimento cultural e foi influenciado pelas descobertas
científicas da época. O texto enfatiza a importância do sol, entronizado (colocado no trono) e, portanto,
equivalente a um rei em meio a outros astros. O heliocentrismo foi uma importante teoria do renascimento,
defendida por Copérnico, que chocou-se com as teses da Igreja, predominantes até então, que defendiam
a Terra como centro do universo (geocentrismo).
05. Resposta: A
Uma das características básicas do Renascimento era o racionalismo, indutor do cientificismo. As
descobertas científicas fundamentavam as concepções de um contexto de transição, contrárias ás
concepções medievais formuladas e afirmadas pela Igreja.
O Estado moderno e o Absolutismo monárquico6
No final da Idade Média o feudalismo entrou em uma profunda crise. A guerra, a fome e a peste
desestruturaram a sociedade e a economia.
Nesse contexto, a burguesia, interessada no desenvolvimento do comércio (eliminação dos entraves
feudais, unificação da moeda e do sistema de pesos e medidas), apoiou o processo de centralização
monárquica financiando os exércitos nacionais.
6 http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:7GmysO_qwr0J:www.santadoroteia-rs.com.br/wp-
content/uploads/2011/05/prof_vander_aula_absolutismo_mercantilismo.doc+&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br.
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No rastro das guerras surgiram Estados fortes nos quais surgiram soberanos absolutistas. Os
principais Estados Nacionais modernos foram França, Inglaterra, Portugal e Espanha.
Características do Estado Moderno
Centralização administrativa: o rei passou a controlar todas as decisões importantes do Estado.
Soberania: o rei é soberano nas atitudes relativas ao Estado que governa, substituindo o conceito
feudal de suserania.
Burocracia: o rei era auxiliado na administração do Estado por um amplo funcionalismo.
Exército nacional: veio substituir a cavalaria feudal para impor as vontades do rei e garantir a
integridade do território do Estado, assim como fazer guerras contra Estados vizinhos ou senhores
insubordinados.
Delimitação fronteiriça: o rei precisava saber até onde poderia exercer o seu poder.
Tributação: somente o Estado poderia cobrar impostos da população.
Exercício da violência: o Estado tomou para si o direito de fazer justiça, reprimindo as formas
tradicionais e pessoais de justiçamento (“fazer justiça com as próprias mãos”).
Uniformização do sistema de pesos e medidas: visava facilitar as trocas comerciais, favorecendo o
desenvolvimento econômico estatal.
Uniformização linguística: a língua nacional era necessária para que as pessoas se sentissem parte
de um todo coeso.
Teóricos do Absolutismo
Nicolau Maquiavel (1469-1527): Sua obra mais conhecida “O Príncipe”, foi escrita para a educação
de um futuro soberano. Nela argumentou que “os fins justificam os meios”; esse novo princípio ético
separou a condição de moral individual da condição de moral pública. Esse posicionamento lhe deu o
título de pai da ciência política moderna. Maquiavel foi conselheiro de muitos governantes poderosos de
seu tempo.
Thomas Hobbes (1588-1679): Tem fundamental importância no pensamento político contemporâneo.
Seu livro “Leviatã”, é um elogio ao absolutismo, onde o autor destaca o papel do Estado absoluto no
aprimoramento social, pois sem Estado “o homem é o lobo do homem”, eternamente dilacerando-se
em contendas sangrentas. Ao Estado Leviatã coube a tarefa de impor regras de conduta civilizadas aos
súditos, mesmo que para isso tenha de usar de violência (exército ou polícia).
Jean Bodin (1530-1596): Este autor defendeu a tese da autoridade divina do rei na obra “A
República”. Assim, o poder real deveria ser total tanto sobre o Estado como sobre os súditos.
Jacques Bossuet (1627-1704): pregava que o Estado deveria se resumir a “um rei, uma lei, uma
fé”. Na obra “Política Segundo as Sagradas Escrituras”. Defendeu que o poder do rei (predestinado)
provém diretamente de Deus. Assim, somente Deus tem o direito de julgar os atos reais.
Hugo Grotius (1583-1645): é considerado o “pai do direito internacional”, pois articulou seu
pensamento em torno dos problemas envolvendo as relações entre os Estados absolutistas.
O Absolutismo Inglês
A Inglaterra foi derrotada na Guerra dos Cem Anos em 1453. Essa derrota alimentou as disputas
internas e apenas dois anos depois os principais representantes da nobreza inglesas iniciaram a Guerra
das Duas Rosas (1455-1485), entre as família aristocrática de York, cujo brasão trazia uma rosa branca
e a família nobre de Lancaster que tinha por símbolo heráldico uma rosa vermelha.
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A longa e sangrenta guerra chegou a seu termo em 1485 e deixou como saldo um feudalismo
enfraquecido na Inglaterra. Esse fato desencadeou a centralização monárquica pelas mãos da dinastia
Tudor iniciada por Henrique VII (1485-1509).
Os governantes Tudor implementaram o absolutismo. Pacificaram a Inglaterra, o comércio da lã teve
um grande desenvolvimento e a indústria naval floresceu.
Henrique VIII governou a Inglaterra de 1509 a 1547, e teve um
importante papel na consolidação do absolutismo inglês. A partir de
1527 envolveu-se num grande litígio em torno do divórcio com sua
primeira esposa, a espanhola Catarina de Aragão.
A recusa do Papa em desfazer o casamento real foi o estopim do
rompimento inglês com Roma pelo Ato de Supremacia, em 1534.
Henrique VIII tornou-se a cabeça da Igreja anglicana e casou-se
com a cortesã Ana Bolena, mãe de Elizabeth.
Em 1547, o único filho de Henrique VIII, Eduardo VI tornou-se rei
aos 10 anos para morrer aos 15 sem governar. Em 1553 ascendeu
ao trono a ultra-católica Maria Tudor que declarou guerra aos
protestantes e passou para a história como “a sanguinária”.
Elizabeth I governou no auge do absolutismo inglês entre 1558 e
1603. Incentivou a construção naval, criou a Companhia das Índias
Orientais e apoiou a pirataria. Interferiu na religião consolidando o
anglicanismo pela lei dos 39 pontos de 1563. Derrotou a invencível
armada da Espanha em 1588. O teatro floresceu com as peças de William Shakespeare.
(Elizabeth I)
Elizabeth I foi a última governante Tudor. Durante seu reinado a Inglaterra tornou-se a maior potência
mercantilista europeia. Foi sucedida por Jaime I, fundador da dinastia Stuart.
O Absolutismo Francês
O feudalismo francêssofreu um golpe de misericórdia com a Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
Esse fato favoreceu a centralização do poder na França, mas o absolutismo teve de esperar o fim das
guerras religiosas entre católicos e protestantes (huguenotes) que dividiram e abalaram profundamente
a França no século XVI.
A pacificação religiosa começou com a ascensão de um huguenote (calvinista) ao trono em 1594. O
novo rei era Henrique de Navarra que havia destronado a rei católico Henrique III.
Os católicos franceses opuseram-se violentamente a ter um protestante no governo. Diante de tal
resistência o novo rei converteu-se ao catolicismo (“Paris bem vale uma missa”). Henrique de Navarra
subiu ao trono como Henrique IV no ano de 1594.
O novo rei iniciou a dinastia Bourbon que levou a França a ser o país mais absolutista da Europa.
Em 1598, Henrique IV assinou o Édito de Nantes, pelo qual concedeu direito de livre culto aos
protestantes pondo fim às contendas religiosas na França.
Henrique IV foi morto por um católico inconformado em 1610. Seu filho e sucessor, Luís XIII (1610-
1643), contava apenas 9 anos e a regência ficou a cargo de Maria de Médicis.
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Em 1624, Luís XIII convocou o Cardeal Richelieu como seu primeiro ministro. Esse empenhou-se em
impor controle aos protestantes, transformar a França numa potência mercantilista e a consolidar o poder
absoluto preparando o caminho para Luís XIV.
Luís XIV (1643-1715) entrou para a história como o “Rei Sol”, em seu extenso reinado, levou a França
ao apogeu do absolutismo.
Em 1685, revogou o Édito de Nantes, pois temia que os huguenotes se tronassem “um Estado dentro
do Estado”. Calcula-se que perto de 500.000 ricos burgueses huguenotes tenham deixado a França
provocando grandes problemas econômicos.
Em seus delírios de grandeza o rei sol dilapidou as finanças públicas em guerras e na construção do
Palácio de Versalhes, no qual viviam milhares de nobres ociosos parasitando os cofres públicos.
O brilho fulgurante da corte em Versalhes contrastava com a acelerada deterioração econômica do
país. Os impostos abusivos pesavam sobre o povo e as insatisfações contra o governo aumentavam sem
parar, nesse momento podemos já reconhecer os fundamentos do pensamento iluminista e da Revolução
Francesa.
Luís XV (1715-1774), herdou uma França em grave crise financeira. Não obstante continuou a política
belicista do pai travando entre 1756 e 1763 a guerra dos sete anos com a Inglaterra.
O último representante da dinastia Bourbon foi Luís XVI (1774-1792), que herdou do pai uma França
completamente falida com um povo que se agitava por mudanças drásticas. A Revolução Francesa de
1789 significou o fim do absolutismo na França e a execução do rei na guilhotina em 1793.
O mercantilismo
O renascimento comercial da Baixa Idade Média favoreceu o desenvolvimento do capitalismo moderno
que ficou conhecido como Capitalismo Comercial ou Mercantil.
O mercantilismo significou a transição entre o modo de produção feudal e o modo de produção
capitalista.
A acumulação de capital provocada pelo mercantilismo na Europa favoreceu o desenvolvimento da
Revolução Industrial na Inglaterra a partir do século XVIII.
Caracteristicas do mercantilismo
Metalismo ou Bulionismo: o mercantilismo foi muito influenciado pela ideia metalista de acumulação
de capital, ou seja, o Estado seria tão mais rico quanto mais metais moedáveis (ouro e prata) dispusesse.
Tendo amplos recursos minerais em suas colônia da América (Peru, Colômbia e México), a Espanha
adotou o bulionismo com maior ênfase.
Balança Comercial Favorável: exportar muito e importar o mínimo necessário foi um estratagema
utilizado por vários Estados para acumular capital através do superávit na balança comercial.
Protecionismo: tributar as importações e incentivar a produção manufatureira interna foi a forma de
evitar evasão de divisas (metais) encontrada por Estados pobres em recursos minerais. O protecionismo
favoreceu o desenvolvimento de uma maior organização do trabalho manufatureiro, o que repercutiu na
Revolução Industrial.
Intervenção Estatal: o Estado centralizado encontrou na economia mercantilista a forma de alicerçar
e fortalecer o absolutismo monárquico e dar respostas à greve crise que se enunciou em todos os setores
da sociedade europeia em fins da Idade Média e início da Era Moderna.
Industrialismo ou Colbertismo: essa política foi implementada na França por Colbert, ministro de
Luís XIV. Baseava-se no incentivo à produção de artigos de luxo que a França poderia exportar facilmente
obtendo superávit comercial.
Colonialismo: A adoção simultânea de medidas protecionistas por vários Estados europeus
neutralizou grande parte das trocas comerciais na Europa. Assim, o colonialismo surgiu como forma de
dinamizar o comércio e obter imensos lucros na exploração colonial da América, África e Ásia.
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A Revolução Inglesa
A dinastia Tudor
Após o fim da Guerra dos Cem Anos, travada contra a França, a Inglaterra viveu uma forte crise
dinástica, quando duas famílias de nobres disputaram o trono, envolvendo o país na Guerra das Duas
Rosas, que foi uma guerra civil ocorrida entre os anos de 1455 e 1485. Os conflitos ocorreram pela
disputa do trono inglês entre duas importantes famílias nobres britânicas: Lancaster e York.
O nome da guerra vem dos emblemas que representavam estas duas famílias: Casa de Lancaster
(rosa vermelha) e Casa de York (rosa Branca).
O conflito terminou quando Henrique Tudor foi coroado rei, com o nome de Henrique VII. Nesse
momento, a autoridade do monarca esbarrou no Parlamento, que restringiu sua atuação e impediu a
implantação do absolutismo.
Com a morte de Henrique VII, o poder foi transmitido a seu filho Henrique VIII, que começou a impor
seu poder aos nobres feudais, com a ajuda da burguesia, carente de apoio na sua expansão comercial.
A partir desse momento, o poder real passou a centralizar-se cada vez mais na figura do rei.
Este rei rompeu com a Igreja Católica, apoderando-se de todos os seus bens e aumentando seu poder
político. Por meio do Ato de Supremacia, o Parlamento investiu o rei com a suprema autoridade
eclesiástica.
O rei governava por decretos que não eram submetidos à sanção parlamentar. O Parlamento era figura
decorativa, sendo convocado em raras oportunidades. O Conselho real era instrumento fundamental do
poder monárquico.
No governo da rainha Isabel I (Elizabeth), o Parlamento foi mantido com um poder apenas aparente,
porém o absolutismo foi implantado de fato.
Nesse período, a tensão entre Inglaterra e Espanha cresceu.
Nesse momento, a hegemonia espanhola foi substituída pela hegemonia da Inglaterra, que passou a
exercer a supremacia comercial no Atlântico. Durante o reinado de Isabel I, foi iniciado o processo de
"cercamentos", arruinando os pequenos proprietários, que passaram a concentrar-se nas cidades.
Buscando solucionar a crise social resultante, Isabel I assinou em 1601 a 'Lei dos Pobres", que obrigava
a população marginalizada e sem ocupação a trabalhar em oficinas, abastecendo o setor manufatureiro
de grande quantidade de mão de obra barata.
Durante o longo reinado de Isabel, o poder absoluto foi implantado de fato. A próxima dinastia, Stuart,
tentaria legalizá-lo. Esse esforço dos Stuarts iniciou-se com a ascensão ao trono de Jaime I, primo de
Isabel e rei da Escócia, e terminaria com a Revolução Gloriosa de 1688.
As etapas da Revolução
As Revoluções Inglesas podem ser separadas nas seguintes fases:
- A Revolução Puritana, de 1642 a 1649;
- O Protetorado de Cromwell, de 1649 a 1658, que corresponde à República;
- Um intervalode dois anos, bastante confuso, que levou à restauração da Monarquia em 1660;
- A Revolução Gloriosa, completada em 1688.
Todos estes períodos revolucionários constituem um único problema, que é a Revolução Inglesa,
iniciada em 1640 e completada em 1688.
A revolução da burguesia na Inglaterra contra os entraves ao seu desenvolvimento, representados
pelo rei, é um marco importantíssimo na história da Inglaterra. Depois da Revolução Gloriosa de 1688,
nenhuma outra revolução se produziu na Inglaterra, até hoje. Somente por este fato, pode-se perceber a
sua importância.
No plano da história europeia, as Revoluções Inglesas precederam a Revolução Francesa,
constituindo um exemplo para esta, com a qual se igualam em importância histórica, e mesmo a
Revolução Francesa supera-as por ter sido definitiva.
Com a morte de Elisabeth I, a Inglaterra foi governada por Jaime I, iniciando-se a Dinastia dos Stuarts,
de origem escocesa. Sua atuação absolutista chocou-se contra o Parlamento, que iniciou uma luta política
com os Stuarts.
Fatores das Revoluções Inglesas
Na Revolução Inglesa, os problemas econômicos, sociais e políticos misturaram-se aos religiosos.
Com o aumento de importância da agricultura (em 1640 a Inglaterra fornecia quatro quintos do
consumo europeu, já que o seu intenso comércio estimulou a produção de alimentos e matéria-prima),
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. 65
os empresários capitalistas passaram a investir na compra e exploração das terras, adotando
técnicas e equipamentos que aumentavam a produção. Com os pequenos
proprietários, a quem se uniram, estavam interessados em expulsar das terras os seus antigos
rendeiros. Mas esses rendeiros eram protegidos pelo rei, pelos nobres e pelos chefes da Igreja
Anglicana, que estavam todos ligados à agricultura, também, e em nada queriam alterar a situação
vigente. Os monopólios concedidos pelo rei a alguns grandes capitalistas, e os privilégios
("herdados" da Idade Média) que tinham as corporações na produção de artigos artesanais nas
cidades constituíam outros motivos de insatisfação para a burguesia.
Empobrecidos pela concorrência burguesa na agricultura, os nobres viram sua riqueza diminuir
ainda mais com a inflação (que enriquecia os burgueses); agarraram-se então às rendas do Estado,
controlando a administração. Os burgueses, por seu lado, controlavam o poder local e elegiam seus
representantes para o Parlamento.
Ao pretender aumentar os impostos pagos pela burguesia para manter os nobres (seu instrumento
contra a ascensão burguesa, que ameaçava o poder real), o rei entrou em choque com o Parlamento,
que se considerava o único com direito a legislar sobre essa matéria.
Rei e burgueses opuseram-se também por questões religiosas. O puritanismo tinha numerosos
adeptos na burguesia, pois pregava o trabalho e a poupança, tão ao gosto dessa classe social. O
rei, para quem o c o n t r o l e d a I g r e j a e r a u m instrumento indispensável do poder, protegia
a Igreja Anglicana e perseguia os que atacavam a rel ig ião oficial. Os conflitos religiosos entre
puritanos e anglicanos foram, desse modo, a expressão de uma luta mais importante: o choque entre
burguesia e realeza. A prova é que o primeiro movimento revolucionário pelo controle do poder na
Inglaterra foi chamado de revolução puritana.
A Revolução Puritana
A luta entre o Parlamento e o rei começou em 1628, quando o Parlamento impôs a Carlos I a "Petição
dos Direitos", pela qual problemas relativos a impostos, prisões, julgamentos e convocações do exército
não poderiam ser executados sem a autorização parlamentar. Carlos I disse que aceitava a imposição,
mas não a cumpriu. Quando a reunião parlamentar do ano seguinte condenou sua política religiosa e o
aumento dos impostos, o rei dissolveu o Parlamento e governou sem ele durante onze anos. As decisões
que tomou durante esse tempo provocaram protestos em toda a Inglaterra.
A revolta começou na Escócia, por causa da tentativa de imposição do anglicanismo aos puritanos e
presbiterianos, e logo espraiou-se. Os rebeldes, que se negaram a pagar os novos impostos instituídos
por Carlos I, foram condenados pelos tribunais reais, em 1639 e 1640.
Em 1640, os problemas financeiros obrigaram o rei a convocar o Parlamento; este só funcionou du-
rante um mês, pois foi dissolvido ao negar-se a aumentar os impostos, como queria Carlos I. Ainda nesse
mesmo ano foi reunido um novo Parlamento, que, durante os dezoito meses nos quais trabalhou, transfor-
mou a administração da Inglaterra, perseguiu ministros do rei e passou a controlar a convocação do
exército e a política religiosa.
Em 1641, a eclosão de uma revolta separatista na Irlanda forçou a organização de um exército, cujo
comando foi negado ao rei. Tornou-se, então, obrigatória a reunião do Parlamento pelo menos a cada
três anos, e o rei perdeu o direito de dissolvê-lo.
Ainda em 1641, porém, o Parlamento dividiu-se entre alguns líderes radicais (que queriam desapropriar
as terras dos senhores religiosos) e a aristocracia unida aos burgueses capitalistas conservadores (que
se sentiram ameaçados pelo povo e voltaram-se para o rei, "encarnação" da ordem e da segurança).
Aproveitando-se disso, Carlos I tentou recuperar seu poder, indo contra as medidas parlamentares.
Começou então a guerra civil, no início de 1642.
O comando do exército parlamentarista foi dado a Cromwell, que revolucionou a organização militar
da época, tornando-a muito mais eficiente. A ascensão aos postos começou a ser feita por merecimento,
e não por nascimento, como antes. O povo pôde participar da revolução, pois foi organizado em grupos
para discutir os problemas mais importantes. Embora precisasse dele na sua luta contra o rei, a burguesia
começou a temê-lo, vendo que o povo começava a influir no curso dos acontecimentos.
O exército de Cromwell foi influenciado durante algum tempo pelas ideias democráticas de certos
grupos artesãos, os "niveladores", que não conseguiram, no entanto, convencê-lo de suas ideias radicais.
A sua luta pelo poder favoreceu o aparecimento dos "escavadores", proletários urbanos e rurais que não
possuíam terras. Em 1649, quando se apossaram de terras no condado de Surrey e começaram a escavá-
las, para demonstrar que elas lhes pertenciam, foram dizimados pelos soldados da República. O mesmo
movimento surgiu em outras regiões da Inglaterra, mas em todas elas foi reprimido.
C
E
e
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Muito disciplinado, o exército de Cromwell acabou por tornar-se uma força política poderosa: ocupou
cidades; pôs em fuga líderes do Parlamento e assumiu o controle da situação; destituiu a Câmara dos
Lordes; aprisionou e depois mandou decapitar em praça pública o rei. A guerra civil culminou com a
implantação da República, em 1649.
Commonwealth
Com a República, começou a segunda fase da Revolução Puritana, a Commonwealth. Em poucos
anos, Cromwell venceu Carlos II (filho de Carlos I) e dominou todo o Império Britânico. O "Ato de
Navegação", baixado em 1651 (os produtos importados pela Inglaterra só podiam ser transportados por
navios britânicos ou pertencentes aos países produtores), provocou a luta com os Países Baixos, cujo
comércio se baseava no transporte de mercadorias. Esse ato permitiu que fosse estabelecida a su-
premacia inglesa nos mares.
Cromwell governou com intolerância e rigidez, impondo a todos as suas ideias puritanas. Quando, em
1653, o Parlamento tentou limitar seu poder, Cromwell dissolveu-o e fez-se proclamar "Protetor" da
Inglaterra, Escócia e Irlanda. A partir daí governou com plenos poderes, até a sua morte, em 1658.
Sucedeu-o seu filho Ricardo, que, não tendo as qualidades do pai, foi considerado incapaz e destituído
do poder,em 1659. Os burgueses desejavam a segurança, e os irlandeses e escoceses, a volta da
realeza. O Parlamento procurou então Carlos II, que estava refugiado na Holanda. Ao ser restaurado no
poder, em 1660, Carlos II prometeu a anistia geral, a tolerância religiosa e o pagamento ao exército.
Embora tudo parecesse continuar como antes, o Estado tinha sido reorganizado em outras bases: o rei
era agora uma espécie de funcionário da nação, a Igreja Anglicana deixou de ser um instrumento do
poder real, e a burguesia já estava bem mais poderosa que a nobreza.
A Revolução Gloriosa
Sentindo-se totalmente limitado pelo Parlamento (que legislava sobre as finanças, a religião e as
questões militares), Carlos II uniu-se secretamente a Luís XIV da França, rei católico e absolutista, o que
o tornou suspeito ao Parlamento. Desse momento em diante, o rei não pôde mais interferir na política
europeia sem o consentimento parlamentar.
Seu irmão e sucessor, Jaime II, era católico e amigo da França. Como tomasse várias medidas a favor
dos católicos, o Parlamento revoltou-se e chamou Maria Stuart e seu marido, Guilherme de Orange, dos
Países Baixos, para assumir o governo em lugar do rei, que fugiu para a França.
Guilherme só foi proclamado rei (com o nome de Guilherme III) depois de ter aceito a Declaração de
Direitos (Bill of Rights), que limitava muito a sua liberdade e dava ainda mais poder ao Parlamento: o rei
não podia cancelar as leis parlamentares e o próprio trono podia ser dado pelo Parlamento a quem lhe
aprouvesse, após a morte do rei em função; as reuniões parlamentares e as eleições seriam regulares; o
orçamento anual seria votado pelo Parlamento; inspetores controlariam as contas reais; os católicos
foram afastados da sucessão; a manutenção de um exército permanente em tempo de paz foi
considerada ilegal. Todas as decisões começaram a ser tomadas pelos ministros, sob a autoridade do
lorde tesoureiro. O Tesouro passou a ser dirigido por funcionários que, na época das guerras, orientavam
a política interna e externa. Em 1694, foi criado o Banco da Inglaterra, para emprestar dinheiro ao Tesouro
e aconselhar seus funcionários.
Ficou assim organizado o tripé do desenvolvimento do capitalismo inglês, montado pela burguesia: o
Parlamento, o Tesouro e o Banco da Inglaterra. Encerra-se, sem derramamento de sangue, a Revolução
Gloriosa, que marcou a ascensão da burguesia ao controle total do Estado. Nesse sentido, ela pode ser
considerada o complemento da Revolução Puritana.
Uma vez estabelecida no poder, a burguesia fez com que fossem retirados os obstáculos à sua
expansão: a terra foi liberada para os comerciantes e completou-se a expulsão dos rendeiros. O
desenvolvimento da Inglaterra, depois disso, foi enorme.
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Questões.7
01. (MACK) O período em que Oliver Cromwell dirigiu a Inglaterra, decretando, entre outros, o Ato de
Navegação que consolidou a marinha inglesa em detrimento da holandesa, ficou conhecido como:
a) Monarquia Absolutista
b) Monarquia Constitucional
c) Restauração Stuart
d) República Puritana
e) Revolução Gloriosa
02. A morte de Cromwell, em 1658, desencadeou uma nova onda revolucionária na Inglaterra, pois
seu filho e sucessor, Richard, não conseguiu ter a mesma força política do pai. A situação na Inglaterra
só se estabilizou em 1688, com a chamada:
a) Revolução Anarquista.
b) Reforma Anglicana
c) Revolução dos Navegadores
d) Revolução Gloriosa
e) Revolução Industrial
03. (UERJ - Modificada) “O rei é vencido e preso. O Parlamento tenta negociar com ele, dispondo-se
a sacrificar o Exército. A intransigência de Carlos, a radicalização do Exército, a inépcia do Parlamento
somam-se para impedir essa saída "moderada"; o rei foge do cativeiro, afinal, e uma nova guerra civil
termina com a sua prisão pela segunda vez. O resultado será uma solução, por assim dizer,
moderadamente radical (1649): os presbiterianos são excluídos do Parlamento, a câmara dos lordes é
extinta, o rei decapitado por traição ao seu povo após um julgamento solene sem precedentes,
proclamada a república; mas essas bandeiras radicais são tomadas por generais independentes,
Cromwell à testa, que as esvaziam de seu conteúdo social.” (RENATO JANINE RIBEIRO. In: HILL,
Christopher. "O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640". São
Paulo: companhia das letras, 1987).
O texto faz menção a um dos acontecimentos mais importantes da Europa no século XVII: a Revolução
Puritana (1642-1649). A partir daquele acontecimento, a Inglaterra viveu uma breve experiência
republicana, sob a liderança de Oliver Cromwell. Dentre suas realizações mais importantes, destaca-se
a decretação do primeiro Ato de Navegação. A determinação do Ato de Navegação consistia em:
a) não permitir que nenhuma matéria-prima de origem asiática entrasse na Inglaterra.
b) não permitir que nenhuma embarcação estrangeira atracasse no litoral inglês;
c) permitir que os portos ingleses fossem usados livremente por outras nações;
d) permitir que os holandeses usufruíssem da frota marítima inglesa.
e) não permitir que as frotas marítimas inglesas trafegassem fora dos mares do norte.
Respostas.
1. Resposta D
Oliver Cromwell foi o responsável pela implementação da República Puritana em meios às ondas
sucessivas de revoluções que mudaram a Inglaterra no início da modernidade.
2. Resposta D
A chamada Revolução Gloriosa completou o processo revolucionário desencadeado na Inglaterra. A
solução encontrada foi o modelo da Monarquia Parlamentarista, no qual há a representação simbólica do
monarca, porém as decisões políticas efetivas são tomadas pelo parlamento, que tem como
representante periódico um Primeiro-Ministro.
3. Resposta B
A política dos Atos de Navegação proibia que os portos ingleses fossem usados por navios de outras
nações, exceto quando estes transportavam matéria-prima inglesa. A importância dessa lei para a
7 FERNANDES, Cláudio. Exercícios sobre Cromwell e a Revolução Puritana Inglesa. Mundo Educação. Disponível em: <
http://exercicios.mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-historia/exercicios-sobre-cromwell-revolucao-puritana-inglesa.htm#resposta-1660> Acesso em 02 de
maio de 2017.
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economia inglesa foi enorme, pois, a longo prazo, forneceu os meios e estrutura básica para o
desenvolvimento industrial desse país.
Revolução Francesa
O ano de 1789 marca a divisão entre a Idade Moderna e a Idade Contemporânea. Ao proporem a
divisão quadripartite da História (Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea), os
historiadores positivistas do século XIX elegeram a Revolução Francesa como um dos grandes marcos
divisórios da chamada “História Geral” – baseada na concepção eurocêntrica –, por ter representado uma
profunda mudança nos padrões de vida e da sociedade da época (sendo os outros divisores: a invenção
da escrita, a queda do Império Romano do Ocidente e a queda de Constantinopla).
Os antecedentes da revolução
Na França do século XVIII vigorava um sistema de governo conhecido como absolutismo monárquico.
O rei francês, que no período revolucionário era Luís XVI, personificava o Estado, reunindo em sua pessoa
os direitos de criar leis, julgar e governar, daí a referência ao poder absoluto.
Dentro da França absolutista havia uma divisão de três grupos diferenciados, chamados de Estados
Gerais.
O primeiro estado era representado pelos bispos do Alto Clero; o segundo estado tinha como
representantes a nobreza, ou a aristocracia francesa – que desempenhava funções militares (nobreza
de espada) ou funçõesjurídicas (nobreza de toga); o terceiro estado, por sua vez, era representado pela
burguesia e pelos camponeses, totalizando cerca de 97% da população.
Apesar de representar a maioria esmagadora da população, o terceiro estado possuía direitos limitados
e estava subordinado aos interesses do primeiro e segundo estados. O Terceiro Estado era bastante
heterogêneo. Dele faziam parte:
Alta burguesia: banqueiros e grandes empresários;
Média burguesia: profissionais liberais;
Pequena burguesia: artesãos e lojistas;
Sans-culottes: trabalhadores, aprendizes e marginalizados urbanos, 20 milhões de camponeses, dos
quais, cerca de 4 milhões ainda viviam em estado de servidão feudal.
Era sobre o Terceiro Estado que pesava o ônus dos impostos e das contribuições para a manutenção
do Estado e da Corte. Mesmo sem ter uma unidade, os membros do Terceiro Estado, de uma maneira
geral, concordavam em reivindicações como o fim dos privilégios de nascimento e que se instaurasse a
igualdade civil.
Ao longo do século XVIII vários fatores contribuíram para a agitação política e a insatisfação popular
verificadas no instante da revolução. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763), travada contra a Inglaterra,
contabilizou milhares de mortos, feridos e elevadíssimos gastos e prejuízos materiais para ambos os
países, além da derrota sofrida pela França. A derrota levou o país a financiar e instigar os colonos
britânicos da América a buscarem autonomia, o que resultou no processo de independência dos Estados
Unidos. Ao mesmo tempo, a Corte absolutista francesa, que possuía um alto custo de vida, era financiada
pelo Estado, que, por sua vez, já gastava bastante seu orçamento com a burocracia que o mantinha em
funcionamento. Aos fatores destacados ainda vale acrescentar a crise que afetou a produção agrícola
francesa nas décadas de 1770 e 1780, que resultou em péssimas colheitas e alta da inflação.
O resultado dos fatores acima destacados gerou uma crise financeira, ao passo em que o Estado
terminava por arrecadar uma quantidade inferior aos gastos anuais, com uma dívida pública que se
acumulava, sobretudo pela falta de modernização econômica – principalmente a falta de investimento no
setor industrial.
Outro fator que deve ser levado em conta é a ascensão da burguesia. Resultado do desenvolvimento
do capitalismo comercial, essa classe social apresentava duas tendências marcantes: ou procurava
ingressar na nobreza por meio da compra de títulos, ou tentava afirmar os seus valores, impondo critérios
econômicos de hierarquização social em substituição ao critério do nascimento e da tradição, típico da
sociedade estamental. Assim sendo, a ascensão da burguesia rompeu os quadros da sociedade do
Antigo Regime.
Em meio ao caos econômico vivido pela França, Luis XVI chega ao poder em 1774, enfrentando desde
o início, o problema de insuficiência na arrecadação de impostos. Turgot, primeiro de seus ministros de
finanças, no período de 1774 a 1776, tenta cobrar impostos de padres e nobres. Foi obrigado a renunciar.
Turgot foi substituído por Necker, que incentivou o apoio francês à independência dos Estados Unidos
como forma de revidar o resultado da Guerra dos Sete Anos. Necker permaneceu até 1781, quando
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contraiu grandes empréstimos para cobrir os gastos com o financiamento da emacipação americana e
acabou por aumentar a dívida francesa. Calonne, seu sucessor, buscou cobrar impostos sobre as terras
da nobreza e acabou substituído por Brienne, que teve o mesmo destino. A saída de Brienne gerou uma
crise ministerial, resolvida com a volta de Necker.
Somente em 1789, durante o mandato de Necker, as autoridades reais abriram portas para o
movimento reformista. Em maio daquele ano, os Estados-gerais foram convocados para a formação de
uma assembleia que deveria mudar o conjunto de leis da França.
A Assembleia dos Estados Gerais (em francês États Généraux) era um órgão político de carácter
consultivo e deliberativo (servia para que o rei consultasse a opinião e poderia também tomar decisões,
se o rei assim permitisse), constituído por representantes dos três estados. Na contagem dos
representantes de cada estado, o primeiro estado contava com 291 membros, o segundo com 270 e o
terceiro estado dispunha de 578 membros votantes. Apesar da maioria absoluta, a forma de voto da
Assembleia dos Estados Gerais impedia a hegemonia dos interesses do terceiro estado. Conforme
previsto, os votos eram dados por estados, com isso a aliança de interesses entre o clero e a nobreza
impedia a aprovação de leis mais transformadoras que beneficiassem o terceiro estado.
Os Estados Gerais reuniram-se em Versalhes, em 5 de maio de 1789. O Terceiro Estado queria
votações individuais. Os notáveis insistiam em voto por Estado, tendo o apoio do rei.
O Terceiro Estado, revoltado com a situação, reuniu-se separadamente na sala de jogo da péla (um
jogo de arremesso de bola), em 20 de junho, tendo jurado não se dispersar enquanto o rei não aceitasse
uma Constituição que limitasse seus poderes.
A partir do juramento do jogo da péla Luís XVI cedeu, mandando o clero e a nobreza juntarem-se ao
Terceiro Estado, surgindo assim a Assembleia Nacional Constituinte. O rei queria ganhar tempo, pois
pretendia juntar tropas para dispersar a Assembleia. Os produtos alimentícios começavam a faltar,
surgindo revoltas nas cidades e nos campos. Os rumores de composição aristocrática da realeza
cresciam. O medo do Terceiro Estado era muito grande em julho de 1789. A reunião de tropas, próximo
a Paris, e a demissão de Necker provocaram a insurreição.
Em 14 de julho de 1789 ocorre a queda da Bastilha.
A Bastilha foi construída em 1370, e era uma fortaleza utilizada pelo regime monárquico como prisão
de criminosos comuns. Na regência do Cardeal Richelieu, entre 1628 e 1642, o prédio foi transformado
em prisão de intelectuais e nobres, especialmente os opositores à monarquia, sua política ou mesmo à
religião católica, oficial no período monárquico. Apesar de ser uma prisão, na data de sua invasão a
Bastilha contava com apenas sete presos.
Para além do sentido físico de domínio do prédio, a tomada da Bastilha representou a derrota do Antigo
Regime para a revolta da população, sendo considerada a data de início da Revolução Francesa.
O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o
povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido
e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram.
Assembleia Nacional (1789-1791)
Após a invasão de Bastilha, a Assembleia Geral Nacional se transformou em Assembleia Constituinte,
onde os deputados elaboraram uma constituição que determinou o fim dos privilégios feudais e de
nascimento, a igualdade de todos perante a lei e a garantia de propriedade. Foi feito um juramento, que
deu origem ao lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (Déclaration des Droits de l'Homme et du
Citoyen), proclamada em 26 de agosto de 1789 determinou o fim das estruturas restantes do Antigo
Regime. Ela proclama que todos os cidadãos devem ter garantidos os direitos de “liberdade, propriedade,
segurança, e resistência à opressão”. Isto argumenta que a necessidade da lei provém do facto que “…
o exercício dos direitos naturais de cada homem tem só aquelas fronteiras que asseguram a outros
membros da sociedade o desfrutar destes mesmos direitos”. Portanto, a Declaração vê a lei como “uma
expressão da vontade geral”, que tem a intenção de promover esta igualdade de direitos e proibir “só
acções prejudiciais para a sociedade”. Sobre ela, o historiador inglês EricHobsbawm escreveu:
"Este documento é um manifesto contra a sociedade hierárquica de privilégios nobres, mas não um
manifesto a favor de uma sociedade democrática e igualitária. Os homens nascem e vivem livres e iguais
perante as leis”, dizia seu primeiro artigo; mas ela também prevê a existência de distinções sociais, ainda
que “somente no terreno da utilidade comum”. A propriedade privada era um direito natural sagrado,
inalienável e inviolável.” 8
8 Eric Hobsbawm, A ERA DAS REVOULUÇÕES
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Segue abaixo a reprodução do texto da Declaração:
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a
ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males
públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis
e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo
social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder
Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda
a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos,
doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da
Constituição e à felicidade geral.
Em razão disto, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser
Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:
Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem
fundamentar-se na utilidade comum.
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis
do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.
Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação,
nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.
Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício
dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros
membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela
lei.
Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não
pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer,
pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja
para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a
todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que
não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.
Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de
acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar
ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve
obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.
Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser
punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.
Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável
prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.
Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua
manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
Art. 11º. A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem.
Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos
desta liberdade nos termos previstos na lei.
Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é,
pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.
Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável
uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.
Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da
necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar
a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.
Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a
separação dos poderes não tem Constituição.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não
ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia
indenização.
Luís XVI, mesmo derrotado, se opunha aos decretos e recusava-se a ratificá-los. Tendo o rei se
recusado a sancionar estes últimos decretos, o povo de Paris, a comuna, marchou em direção ao Palácio
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de Versalhes, trazendo o rei para a cidade, obrigando-o a assiná-los. Como consequência, a nobreza
francesa, sentindo-se ameaçada, fugiu para o Império Austríaco.
Em 1790, os bens do clero foram confiscados, servindo de lastro para a emissão dos assignats (papel
moeda), por intermédio da Constituição Civil do Clero.
A lei visava reorganizar em profundidade a Igreja da França, transformando os párocos em
"funcionários públicos eclesiásticos”, e serviu de base para a integração da Igreja Católica ao novo
sistema político em vigor a partir de 1789.
A Lei sobre a Constituição Civil do Clero se compunha de quatro partes, dedicadas aos cargos
eclesiásticos, o pagamento dos religiosos e outras questões práticas. As circunscrições das dioceses
foram adaptadas às novas unidades estatais dos départements, cada um destes correspondendo a um
bispado. A redistribuição reduziu o número de sedes episcopais de 139 para 83.
A Constituição francesa ficou pronta em setembro de 1791, modificando completamente a organização
social e administrativa da França. O documento concebeu uma forma de governo baseada no princípio
da separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), proposta por Montesquieu.
O poder executivo, responsável por gerir o Estado, foi confiado à monarquia, que agora deveria
obedecer os princípios determinados na constituição, ou seja, também estava sujeita à força da lei,
conforme deixavam bem claros os artigos 3 e 4 do capítulo II:
Artigo 3. Não existe na França autoridade superior à da Lei. O Rei reina por ela e não pode exigir a
obediência senão em nome da lei.
Artigo 4. O Rei, no ato de sua elevação ao trono, ou a partir do momento em que tiver atingido a
maioridade, prestará à Nação, na presença do Corpo legislativo, o juramento de ser fiel à Nação e à Lei,
de empregar todo poder que lhe foi delegado para, manter a Constituição decretada pela Assembleia
Nacional constituinte nos anosde 1789, 1791, e de fazer executar as leis.
O poder legislativo passava a ser formado por uma assembleia, que não poderia ser violada ou
dissolvida (evitando o abuso do poder real). Ela era eleita através do voto censitário, e tinha o poder de
fiscalizar os ministros, as finanças e a política estrangeira. O voto censitário era a concessão do direito
do voto apenas àqueles cidadãos que possuíam certos critérios que comprovassem uma situação
financeira satisfatória.
Na prática, a política continuava nas mãos da classe abastada, em geral dos grandes proprietários,
excluindo do processo mais de 20 milhões de franceses que não atendiam os critérios estabelecidos pelo
voto censitário.
A exclusão da maior parte da população do processo político logo tornou o novo governo impopular,
gerando também rupturas internas e a Assembleia dividiu-se em várias tendências:
Feuillants: Monarquistas constitucionais, liderados por La Fayette e Barnave
Jacobinos: Defensores da República democrática
Girondinos: Grupo de deputados convencionais, liderados por representantes da região da Gironda,
partidários da Revolução e da República, mas com posições bem mais moderadas do que os Jacobinos,
especialmente quanto ao papel das massas populares no movimento revolucionário.
Cordeliers: Clube político muito próximo das posições dos “sans-culottes”, representando a população
mais pobre.
A dificuldade para governar enfraqueceu a Assembleia, o que garantiu a Luis XVI a chance de tentar
escapar para o Império Austríaco, com o objetivo de organizar uma contrarrevolução. O rei foi
reconhecido próximo a região de Varennes, onde foi capturado e enviado para Paris. Após a tentativa
frustrada de fuga, a Assembleia suspendeu seu poder.
O êxito da Revolução na França deu novo estímulo aos revolucionários de outros países, onde, porém,
não surtiu efeito, corno nos Países Baixos, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália.
Ainda assim, simpatizantes com a Revolução na França organizaram demonstrações de apoio. Os
déspotas esclarecidos, alarmados, abandonaram seus programas de reformas e se aproximaram da
aristocracia contra as classes baixas.
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Alguns escritores na Europa defenderam a contrarrevolução, ou seja, a retomada do poder na França
pela força das armas e restauração da Monarquia Absoluta.
Muitos franceses abandonaram o país. Nobres, clérigos e mesmo burgueses esperavam o auxílio das
potências europeias. Estas se mantiveram indiferentes, a princípio, mas, quando as ideias que resultaram
da Revolução ameaçavam abalar os soberanos absolutos da Europa, modificaram sua atitude.
Em 20 de abril de 1792, a perseguição dos emigrados pelos franceses provocou a guerra com a
Áustria, que continuaria com poucas interrupções até 1815. Os insucessos repetiram-se de abril a
setembro.
O avanço do exército prussiano rumo a Paris fez crescer o temor da contrarrevolução, arquitetada pelo
rei e pela aristocracia. Em 10 de agosto as tulherias foram ocupadas e o rei aprisionado no templo. No
início de setembro, a massa parisiense atacou as prisões e massacrou os nobres feitos prisioneiros. O
Exército passou a convocar voluntários para defender a Revolução. Em Valmy, as forças francesas
venceram os invasores (20 de setembro). No mesmo dia, uma nova Assembleia tomava posse: a
Convenção. A República foi proclamada. A segunda fase da guerra, de setembro de 1792 a abril de 1793,
é marcada pelas vitórias da França, que avançou em direção à Bélgica, região do Reno, Savoia e Nice.
A Convenção Nacional
A ocupação dos franceses na Bélgica abalou a continuidade da revolução, e a Assembleia foi
substituída pela Convenção Nacional, dando início à República, em fins de 1792.
Os membros eleitos para a Convenção Nacional organizaram-se em três grandes partidos: Gironda,
Montanha e Planície.
Gironda: Os Girondinos faziam parte um grupo político moderado durante o processo da Revolução
Francesa. Seus integrantes faziam parte da burguesia francesa. Entre seus líderes destacavam-se Brissot
e Vergniaud.
Montanha (ou Jacobinos): Os jacobinos faziam parte de uma organização política, criada em 1789
na França durante o processo da Revolução Francesa. No princípio tinham uma posição moderada sobre
os encaminhamentos revolucionários, porém, com a liderança de Robespierre, passaram a ter posições
radicais e esquerdistas. Pequenos comerciantes e profissionais liberais eram as principais camadas
sociais que compunham este grupo. Entre seus líderes destacavam-se Saint Just, Marat, Danton e
Robespierre.
Planície (ou Pântano): apesar de ser formada por membros da burguesia, era considerado um partido
de centro, fazendo acordos e estabelecendo relações com ambos os partidos.
A Convenção Girondina (1792-1793)
Após seu estabelecimento, a Convenção foi liderada pelos girondinos, sob forte oposição jacobina.
O rei foi julgado pela Convenção em 21 de janeiro de 1793 e, a despeito do esforço dos Girondinos,
foi condenado à morte como traidor, sendo guilhotinado.
A condenação do rei abalou as demais monarquias absolutistas europeias, que temiam sofrer
processos revolucionários parecidos em seus países. Assim, os impérios da Áustria, da Rússia e da
Prússia uniram-se militarmente com Inglaterra e Holanda, contestadoras da ocupação francesa sobre a
Bélgica, e formaram a I Coligação. A união de forças foi capaz de derrotar as tropas francesas, além de
incentivarem os contrarrevolucionários a influenciarem a revolta camponesa da Vendéia.
As derrotas sofridas pelas tropas, aliadas aos problemas internos, acentuaram os ânimos dos
extremistas montanheses. Os Jacobinos, núcleo mais radical da Montanha, eram apoiados pela Comuna
de Paris, composta por trabalhadores, artífices, pequenos proprietários e trabalhadores rurais.
O acirramento dos ânimos levou a exigência da criação de um tribunal revolucionário contra os
suspeitos e chefes girondinos, além da criação de um exército revolucionário para a defesa do país. As
reivindicações foram suficientes para reunir as camadas mais baixas e resultaram na queda dos
girondinos em junho de 1793.
A Convenção Montanhesa (1793-1794)
Os montanheses chegaram ao poder com o apoio dos sans-culottes, porém buscaram conter o
movimento popular para evitar extremos. Como parte das reformas introduzidas, no campo político
aboliram a escravidão nas colônias e confiscaram as terras dos nobres emigrados, transformando-as em
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pequenas propriedades. Na política, introduziram uma constituição democrática, assegurando uma
participação mais ativa das camadas mais baixas.
As tensões internas e as vitórias da I Coligação criaram um clima de insegurança, que aumentou ainda
mais quando o líder montanhês Marat foi assassinado pela monarquista Charlotte Corday, o que revelou
a possibilidade do restabelecimento da monarquia. Esses fatores colaboraram para a instalação do Terror
O Terror
Colocado em prática em setembro de 1793, o Terror contou com amplo apoio dos sans-culottes.
Liderados por Robespierre, os montanheses criaram os Comitês da Salvação Pública e da Segurança
Geral com o objetivo de governar o país, e o Tribunal Revolucionário, para aplicar a justiça.
As prisões eram feitas com base na Lei dos Suspeitos, que permitia capturar e julgar todos aqueles
considerados suspeitos de traição contra a República. Milhares de pessoas foram enviadas para a
guilhotina, entre elas a rainha Maria Antonieta.
Com o mesmoargumento de proteção da Revolução, as igrejas também foram fechadas, sendo
instituído o “culto do Ser Supremo”, que na verdade tratava-se de uma devoção à razão.
No plano econômico foi instituída a lei do máximo Geral, ou seja, a fixação de um teto máximo para os
produtos de primeira necessidade.
O calendário também foi substituído, dando lugar ao Calendário Revolucionário (veja o box abaixo)
.
O novo calendário9
Além da formação da Convenção Nacional, os revolucionários propuseram a utilização de um novo
calendário, que deveria diferenciar-se do calendário gregoriano, símbolo do cristianismo e do Antigo
Regime Monárquico que havia sido extinto. Ele foi adotado a partir de 1793, mas seu início marcaria a
data de 22 de setembro de 1792, dia em que foi instaurada a República.
O objetivo era iniciar a marcação de uma nova era de ruptura com as tradições cristãs e mais próxima
ao racionalismo burguês. O ano I, iniciado em 1792, era o ano da adoção da Constituição que havia
instituído o sufrágio universal, a democratização.
A elaboração do calendário foi obra do matemático Gilbert Romme, que manteve a divisão do ano
em 12 meses, mas com profundas alterações nas demais marcações. Os meses seriam compostos
por trinta dias, divididos em semanas de 10 dias, que foram chamadas de decêndios. Os dias eram
numerados de um a dez, recebendo os seguintes nomes: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi,
septidi, octidi, nonidi e décadi. Posteriormente, cada dia receberia um nome específico, retirado de
elementos da natureza como plantas, animais, pedras etc. A quantidade de dias dentro desses meses
somava 360 dias. E havia ainda a defasagem entre o tempo do calendário e o tempo dos movimentos
da terra e dos demais astros celestes. Para isso instituiu-se cinco dias de feriados, os dias dos sans-
culottes, mantendo ainda a utilização do dia bissexto a cada quatro anos.
A marcação do tempo dentro de um dia também foi alterada com o estabelecimento do dia de 10
horas, contando cada hora com 100 minutos e cada minuto com 100 segundos. Pode-se perceber que
a base do cálculo era a numeração decimal.
Para a denominação dos meses, os revolucionários pediram que o poeta Fabre d’Eglantine criasse
uma nova denominação para cada um deles. Sua inspiração foi encontrada na referência às estações
do ano, ficando da seguinte forma o calendário:
Outono
Vindimiário (vendémiaire, remetendo à colheita da uva): 22 de setembro a 21 de outubro;
Brumário (brumaire, remetendo às brumas, aos nevoeiros): 22 de outubro a 20 de novembro;
Frimário (frimaire, remetendo às geadas): 21 de novembro a 20 de dezembro.
Inverno
Nivoso (nivôse, remetendo à neve): 21 de dezembro a 19 de janeiro;
Pluvioso (pluviôse, remetendo às chuvas): 20 de janeiro a 18 de fevereiro;
Ventoso (ventôse, remetendo aos ventos): 19 de fevereiro a 20 de março.
Primavera
Germinal (germinal, remetendo à germinação): 21 de março a 19 de abril;
Florial (floréal, remetendo às flores): 20 de abril a 19 de maio;
Prairial (prairial, remetendo aos prados): 20 de maio a 18 de junho.
9 Adaptado de http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/
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Verão
Messidor (messidor, remetendo às colheitas): 19 de junho a 18 de julho;
Termidor (thermidor, remetendo ao calor): 19 de julho a 17 de agosto;
Frutidor (fructidor, remetendo ao fruto, à frutificação.): 18 de agosto a 20 de setembro.
Os dias dos sans-culottes seriam entre 17 de setembro e 21 de setembro.
Este calendário eliminou ainda os feriados religiosos, bem como os domingos utilizados pelos
cristãos como dia de adoração a Deus. O resultado foi a oposição da população ao calendário, já que
a sua maioria era cristã.
O terror gerou resultados, com a derrota da Vendéia e da Coligação. Superadas as dificuldades,
Robespierre acreditava que a ditadura era a única forma de manter a Revolução, e não hesitou em enviar
para a guilhotina todos aqueles que considerou inimigos.
Paris, durante esse período, passava por um momento de grande efervescência política, e grupos
distintos, com visões completamente diferente acabaram levando o mesmo fim, tendo as cabeças
separadas dos corpos. Os enragés (enraveicidos) propunham a taxação e a suspensão da especulação
monetária, tinham e muito prestígio perante os sans-culottes, porém foram guilhotinados.
Os indulgentes, liderados por Danton, acreditavam que as medidas eram enérgicas e autoritárias
demais, por outro lado, os hebertistas, liderados por Hébert, consideravam que elas ficavam aquém do
necessário para salvar a Revolução. Para Robespierre tanto um quanto outro, e qualquer outro tipo de
divergência eram uma ameaça, e ambos foram guilhotinados. Nem mesmo o cientista Lavoisier escapou
da condenação, pois era visto com maus olhos por possuir origem nobre e ser membro da Ferme
Générale, agência ligada ao governo e responsável pelo recolhimento de impostos, vista como corrupta.
O Terror não poupou nem mesmo seus dirigentes. As execuções em massa, a ditadura e a intervenção
na economia acabaram enfraquecendo o poder de Robespierre, que teve sua queda votada pela
Convenção em 27 de julho de 1794. Juntamente com dezenove partidários, o líder acabou enfrentando o
destino que muitos de seus tiveram: a própria guilhotina.
A Guilhotina
Criada pelo médico Joseph Ignace Guillotin, a guilhotina não apareceu como um método de
execução usado para amedrontar os inimigos da revolução. Criada com a finalidade de proporcionar
uma morte rápida e sem dor aos condenados à morte, o doutor Gillotin defendeu na Assembleia
Nacional que esse seria um método mais humanitário, eficaz e igualitário, pois os condenados teriam
a mesma pena e o executor não precisaria necessariamente sujar suas mãos com sangue.
Porém, com a Revolução Francesa todo e qualquer suspeito de se opor ao regime passou a ser
decapitado, dessa forma a guilhotina ficou marcada como símbolo de crueldade e opressão.
Mesmo com o fim da Revolução na França, a guilhotina continuou a funcionar como aparelho de
execução, com a última condenação registrada em 1977, quase duzentos anos após sua utilização em
massa.
A Convenção Termidoriana
Após a queda de Robespierre, um novo governo assumiu o poder, liderado pela Planície. O novo
governo buscou afastar-se da pequena burguesia e dos sans-culottes, e pouco a pouco retirou os poderes
do Comitê de Salvação Pública, além de revogar as leis dos Suspeitos e do Máximo. A Igreja e o novo
governo estabeleceram um acordo de separação.
O fim da Lei do Máximo provocou um aumento nos preços dos produtos, inflacionando os assignats.
O aumento nos preços gerou novas tensões populares, e a alta burguesia, com medo de perder seus
privilégios e seu poder, eliminou o governo de convenção e criou a Constituição do ano III que instituía
o Diretório, em 1795. A nova constituição buscou reafirmar o direito à propriedade e a liberdade
econômica, através do restabelecimento do voto censitário, o que excluiu novamente as camadas
populares do processo político.
O Dieretório (1795-1799)
O novo governo baseava-se na teoria da separação dos poderes. O poder legislativo dividia-se entre
o Conselho dos Quinhentos (em que os membros deveriam ter mais de 30 anos) e o conselho dos Anciãos
(que deveriam ter mais de 40 anos). O poder executivo era composto por um Diretório (junta de diretores)
que era eleito pelos conselhos.
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A nova constituição não conseguiu estabilizar o país, e também não conseguiu afastar os opositores
(nobres emigrados e sans-culottes). Os nobres tentaram um golpe de retomada do poder, porém foram
impedidos pelo general Napoleão Bonaparte. Entreas camadas populares, o crítico da propriedade
privada, Graco Babeuf articulou uma conjuração, a Revolta dos Iguais, que buscava derrubar o
diretória, porém não obteve sucesso.
A corrupção no governo e a má administração enfraqueceram o regime. Juntamente com os problemas
internos, foi formada a II Coligação, através da união militar entre o Império Turco, a Rússia, a Inglaterra
e a Áustria, com o objetivo de retomar o poder na França.
Frente aos problemas enfrentados, alguns membros do Diretório defendiam a ideia de que a única
forma de manter o poder era o estabelecimento de uma nova monarquia. Preocupando-se em perder o
poder, parte da alta burguesia apoiou um golpe de Estado, contando com a popularidade de Napoleão,
que havia conquistado vitórias importantes no Egito e no norte da Itália. Apoiado por Roger Ducos e pelo
abade Sièys, ambos lideres burgueses, em 9 de novembro de 1799 Napoleão derrubou o Diretório e
estabeleceu um consulado provisório, composto pelo general e pelos dois líderes que ajudaram a
arquitetar o golpe.
A chegada de napoleão ao poder ficou conhecida como golpe de 18 Brumário, data que correspondia
aos meses de outubro e novembro no calendário revolucionário. Os apoiadores do golpe acreditavam
que através de um poder executivo autoritário poderiam conter os contrarrevolucionários. Contudo, ao
assumir o poder, Napoleão buscou satisfazer suas próprias ambições, e impôs um ditadura na França.
O período napoleônico
Ao chegar ao poder, em 1799, a França apresentava um aspecto desolador: a indústria e o comércio
estavam arruinados, os caminhos e os portos, destruídos, o serviço público, desorganizado; todos os dias
mais e mais pessoas deixavam o país, fugindo da desordem e da ameaça de ver os seus bens
confiscados; os clérigos que se tinham negado a jurar fidelidade à nova Constituição eram perseguidos;
a guerra civil ameaçava estourar em numerosas províncias.
Napoleão buscou conciliar os diferentes grupos em conflitos, na tentativa de restabelecer a paz e a
segurança.
Em 1799 uma nova constituição foi submetida a um plebiscito, e com a aprovação por mais de 3
milhões de votos, Napoleão agora possuía poderes ilimitados, sob o disfarce do consulado. O voto voltou
a ser universal, e os candidatos eram escolhidos através de uma lista dos mais votados. O Poder
legislativo perdeu grande parte de sua importância, tornando-se basicamente um poder formal. Era
composto de quatro assembleias: o Conselho de Estado, que preparava as leis; o Tribunal, que as
discutia; o Corpo Legislativo, que as votava; o Senado, que velava pela sua execução.
O Poder Executivo, confiado a três cônsules nomeados pelo Senado por dez anos, era o mais forte de
todos. Quem detinha efetivamente o poder era o primeiro-cônsul, que propunha, mandava publicar as
leis e nomeava os ministros, os oficiais, os funcionários e os juízes. As guerras continuaram até 1802,
quando Napoleão assinou a Paz de Amiens, pondo fim ao conflito europeu iniciado em 1792. A
administração do Estado foi reorganizada e centralizada.
Importantes medidas financeiras, como a criação de um corpo de funcionários para arrecadar os
impostos e a fundação do Banco da França (que recebe o direito de emitir papel moeda), foram tornadas,
melhorando sensivelmente a situação econômica do pais.
Na educação, o ensino secundário foi organizado com o objetivo de instruir funcionários para o Estado.
Uma das maiores contribuições do de Napoleão foi a criação do Código Civil, inspirado no Direito
Romano, nas Ordenações Reais e no Direito Revolucionário; completado em 1804, continua, na essência,
em vigor até hoje na França.
As relações com a Igreja Católica foram retomadas, através de Concordata com o papa. O sumo-
pontífice aceitou o confisco dos bens eclesiásticos e o Estado ficou proibido de interferir no culto; os
bispos, indica dos pelo governo e investidos de funções religiosas pelo papa, prestariam juramento de
fidelidade ao governo; as bulas só entrariam em vigor de pois de aprovadas por Napoleão.
Os êxitos obtidos tanto internamente como externamente permitiram a Napoleão conquistar o direito
de nomear seu sucessor, garantido pelo senado, em 1802. Na prática, estabelecia-se uma Monarquia
hereditária.
Com o reinício dos conflitos externos, em 1803, o Consul aproveitou-se da situação de perigo nacional
para que fosse proclamado imperador da França. Já em 1804 uma nova Constituição legalizava a
instituição do Império e convocava um plebiscito para confirmá-la. Oficializada a proclamação através da
vontade popular, Napoleão foi sagrado imperador pelo papa, e tratou de formar uma nova corte, com
muitos membros da antiga nobreza francesa.
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Além do Código Civil, que já vinha sendo elaborado, foram criados o Código Comercial e o Código
Penal. A economia sofreu um grande impulso, tanto pelo aumento da produção no campo – o que levou
os camponeses a apoiarem o imperador – quanto no incentivo pela industrialização do país. Os projetos
de reformas de pontes e estradas foram concluídos e novos portos e canais concluídos.
Ao mesmo tempo em que era verificada prosperidade em algumas áreas, em outras as coisas não
pareciam caminhar tão bem. Com o aumento da popularidade, Napoleão tornava-se cada vez mais
despótico, até mesmo para os padrões da monarquia francesa. As assembleias foram suprimidas, o poder
judiciário passou cada vez mais para as mãos do imperador e as liberdades individuais foram revogadas.
A imprensa também passou a ser censurada, e o ensino modelado para garantir a obediência ao
imperador, tanto que estendeu-se à educação superior: a Universidade imperial monopolizou o ensino r
e as disciplinas consideradas perigosas para o regime (História e Filosofia) tiveram seus programas
alterados.
No plano religioso, o catecismo orientava que os deveres existiam para com Deus e também com o
Imperador. As desavenças com poder papal, que não aceitou as imposições feitas pelo imperador,
resultaram no confinamento do pontífice em Savoia e na tomada de seus Estados. Os bispos que
buscaram apoiar a Igreja foram também perseguidos.
O resultado foi uma nova onda de crises e descontentamento: a burguesia opunha-se à perda de
liberdade e às perseguições policiais; as guerras arruinavam a economia e os portos; o restabelecimento
de antigos impostos irritava os contribuintes; os jovens procuravam fugir ao serviço militar obrigatório.
Conflitos externos
Apesar de Napoleão ter assinado com a Inglaterra a Paz de Amiens, em 1805, as ameaças francesas
promoveram a formação da primeira coligação antifrancesa, reunindo a Inglaterra, Rússia e Áustria.
Napoleão venceu em Ulm e Austerlitz, mas a esquadra franco-espanhola foi derrotada em Trafalgar pelo
almirante inglês lorde Nelson. Após a vitória contra a nova coligação, em 1806, Napoleão dissolveu o
Sacro Império Romano-Germânico, fundando a Confederação do Reno. No mesmo ano, formou-se ainda
outra aliança contra Napoleão: a Prússia, vencida em lena (Confederação do Reno), e a Rússia, em
Friedland (Prússia). Pela Paz de Tilsit, a Prússia foi desmembrada e a Rússia aliou-se à França. Após
derrotar a Prússia, decretou o Bloqueio Continental contra a Inglaterra. Em 21 de novembro de 1806, foi
decretado que os países que estavam sob o domínio do império francês estavam proibidos de fazer
comércio ou autorizar o acesso aos portos para navios ingleses. A medida visava enfraquecer o
concorrente, afim de poder dominá-lo.
Para que o bloqueio fosse efetivo, Napoleão necessitava que todas as nações sob sua influência
aderissem totalmente ao acordo, o que foi feito pela Rússia e Pela Áustria, mas não por Portugal.
Portugal era um pequeno reino na Península Ibérica, que dependia imensamente de suas colônias
para o sustentoeconômico. O principal parceiro econômico de Portugal era a Inglaterra, e desde 1703 os
dois países estavam sob um acordo conhecido como Tratado de Methuen, que recebeu o nome em
função do embaixador inglês que conduziu as negociações. O Tratado estabelecia o comércio de panos
ingleses e vinhos portugueses, o que a longo prazo provou-se desvantajoso para Portugal, pois o volume
panos que chegava era maior que o volume de vinhos que saía. Com o investimento na produção de
vinho, Portugal perdeu muitas das áreas de produção de alimentos, o que obrigou-o a importar parte dos
gêneros alimentícios. Além dos alimentos, Portugal deixou de investir em sua indústria, e importava uma
grande quantidade de produtos manufaturados da Inglaterra.
Por conta de todos os fatores citados, o Bloqueio Continental era desvantajoso para o pequeno país,
que optou por não aderir à estratégia de Napoleão. Sentindo-se prejudicado pela decisão portuguesa, e
vendo que seus esforços para impedir o comércio não estavam rendendo o esperado, em agosto de 1807
Napoleão envia um ultimato ao Príncipe Regente, D. João: ou Portugal rompia suas relações com a
Inglaterra, ou seria invadido.
Como Portugal manteve-se firme em sua decisão, a França assinou em conjunto com a Espanha o
Tratado de Fontainebleau, que dividia o território português entre os dois países e extinguia a dinastia
dos Bragança, à qual pertencia D. João.
Buscando manter suas relações comerciais, a Inglaterra, que possuía um poderoso poder naval,
pressionou Portugal, através de seu embaixador em Lisboa, lorde Strangford, a fugir para o Brasil.
Em novembro de 1807, o Príncipe Regente reuniu a família real e toda sua corte, totalizando cerca de
15 mil pessoas, e partiu para o Brasil, aportando em 22 de janeiro de 1808 na Bahia.
Aproveitando-se da luta de Napoleão na Espanha, a Áustria formou, em 1809, uma coligação, sendo,
porém, derrotada em Wagram, perdendo vastos territórios e transformando-se em potência secundária.
Nesse momento, o Império napoleônico encontrava-se em seu apogeu, com mais de 70 milhões de
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habitantes, dos quais somente 27 milhões eram franceses. O exército francês parecia imbatível. Em 1812,
porém, a Rússia rompeu o bloqueio ao comércio inglês, sendo invadida por um poderoso exército. Apesar
da vitória na Batalha de Moscou, Napoleão foi obrigado a fazer uma retirada desastrosa, na qual morreram
milhares de homens.
Entusiasmados por este fracasso de Napoleão, Inglaterra, Áustria, Prússia, Rússia e Suécia formaram
uma coligação, derrotando os franceses na Batalha de Leipzig, em 1813. Napoleão foi então aprisionado
na ilha de Elba, de onde fugiu um ano depois, retornando à França e retomando o poder. Inicia-se o
governo dos Cem Dias. Durante esse governo, enfrentou a última coligação contra a França, sendo
derrotado pelos ingleses em Waterloo, na Bélgica, e novamente aprisionado e exilado na ilha de Santa
Helena, onde morreu em 1821.
Questões
01. A Revolução Francesa representou uma ruptura da ordem política (o Antigo Regime) e sua
proposta social desencadeou:
(A) a concentração do poder nas mãos da burguesia, que passou a zelar pelo bem-estar das novas
ordens sociais.
(B) a formação de uma sociedade fundada nas concepções de direitos dos homens, segundo as quais
todos nascem iguais e sem distinção perante a lei.
(C) a formação de uma sociedade igualitária regida pelas comunas, organizadas a partir do campo e
das periferias urbanas.
(D) convulsões sociais, que culminaram com as guerras napoleônicas e com a conquista das Américas.
(E) o surgimento da soberania popular, com eleição de representantes de todos segmentos sociais.
02. "Artigo 6 - A lei é a expressão da vontade geral; todos os cidadãos têm o direito de concorrer,
pessoalmente ou por seus representantes, à sua formação; ela deve ser a mesma para todos, seja
protegendo, seja punindo. Todos os cidadãos, sendo iguais a seus olhos, são igualmente admissíveis a
todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo sua capacidade e sem outras distinções que
as de suas virtudes e de seus talentos".
("Declaração dos direitos do homem e do cidadão", 26 de agosto de 1789.)
O artigo acima estava diretamente relacionado aos ideais
(A) socialistas que fizeram parte da Revolução Mexicana.
(B) capitalistas que fizeram parte da Independência dos EUA.
(C) comunistas que fizeram parte da Revolução Russa.
(D) iluministas que fizeram parte da Revolução Francesa.
(E) anarquistas que fizeram parte da Inconfidência Mineira.
03. A Revolução Francesa de 1789 foi diretamente influenciada pela Independência dos Estados
Unidos da América e pelo Iluminismo no combate ao Antigo Regime e à autoridade do clero e da nobreza
na França. Além do mais, a França passava por um período de crise econômica após a participação
francesa na guerra da independência norte-americana e os elevados custos da Corte de Luís XVI, que
tinham deixado as finanças do país em mau estado. Em 1791, os revolucionários promulgaram uma nova
Constituição, a partir dos princípios preconizados por Montesquieu, que consagrou, como fundamento do
novo regime:
(A) a subordinação do Judiciário ao Legislativo.
(B) a divisão do poder em três poderes.
(C) a supremacia do Judiciário sobre os outros poderes.
(D) o estabelecimento da soberania popular.
(E) o fortalecimento da monarquia absolutista.
04. De um modo geral, observa-se como numa sociedade a intervenção dos detentores do poder no
controle do tempo é um elemento essencial (...). Depositário dos acontecimentos, lugar das ocasiões
místicas, o quadro temporal adquire um interesse particular para quem quer que seja, deus, herói ou
chefe, que queira triunfar, reinar, fundar.
JACQUES LE GOFF
Adaptado de "Memória-História". Lisboa: Imprensa Nacional; Casa da Moeda, 1984.
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Diversas experiências políticas contemporâneas alteraram as representações do tempo histórico, na
forma como são mencionadas no texto. Uma ação política que exemplifica essa intervenção no controle
do tempo, e que resultou na implantação de um novo calendário, ocorreu no contexto da revolução
denominada:
(A) Cubana
(B) Francesa
(C) Mexicana
(D) Americana
05. O início da Revolução Francesa tem como marco simbólico:
(A) a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789
(B) a instalação da Assembleia dos Estados Gerais, em maio de 1789
(C) a "Noite do Grande Medo"
(D) a aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em agosto de 1789
(E) a execução do rei Luís XVI, em 1793
Respostas
01. Resposta B.
A partir da Revolução francesa é redigida a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que
pregava uma igualdade jurídica entre as pessoas. A revolução e a declaração porém não garantiram a
igualdade social da população.
02. Resposta D.
O iluminismo esteve presente de maneira enraizada nos ideais revolucionários, como pode ser
observado no lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, além de uma defesa pelos direitos dos cidadãos
presente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
03. Resposta B.
Montesquieu foi um defensor da ideia de que o poder, se concentrado nas mãos de uma única pessoa,
seria mal utilizado. Para combater essa falha propõe que exista uma divisão de poderes entre Legislativo,
Executivo e Judiciário. Os princípios defendidos por Montesquieu iam de encontro as ideias iluministas,
inclusive sendo adotados ainda hoje na sociedade Brasileira.
04. Resposta B.
A revolução Francesa representou uma mudança muito grande na forma de entendimento de política
e organização de uma sociedade. Durante sua fase mais radical foi criado até mesmo um novocalendário
baseado nos ideais iluministas e rompendo com o calendário Gregoriano, de origem cristã.
05. Resposta A.
A Bastilha, que funcionava como uma prisão, representava também o símbolo da opressão do Antigo
Regime na sociedade francesa. Sua tomada e queda representam o domínio da população sobre o antigo
sistema e a dominação do rei.
Revolução Industrial
A revolução industrial é um dos momentos de maior importância e influência sobre o modo de vida das
sociedades atuais. Ela marca a passagem e as transformações sociais ocorridas primeiramente na
Europa e que se espalharam pelo restante do mundo, principalmente a passagem da sociedade rural
para a sociedade urbana e a transformação do trabalho artesanal e manufatureiro para o trabalho
assalariado e a organização fabril.
A Revolução Industrial normalmente é dividida em três fases:
A Primeira Fase que vai de 1760 a 1850, predominantemente na Inglaterra, quando surgiram as
primeiras maquinas a vapor;
A Segunda Fase que vai de 1830 a 1900 e marca a difusão da revolução por países europeus como
Bélgica, França, Alemanha e Itália, além dos Estados Unidos e Japão. Durante esse período surgem
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formas alternativas de energia, como a hidrelétrica e motores de combustão interna, movidos a gasolina
e diesel.
A Terceira Fase começa em 1900, caracterizada pela inovação nas comunicações e o aumento da
produção em massa.
O que é Industrialização?
A industrialização pode ser entendida como a transformação de matérias-primas para serem
consumidas e utilizadas pelo ser humano.
A transformação de matérias-primas em produtos através da utilização de maquinas é conhecida como
maquinofatura. A transformação manual é conhecida como manufatura e existe também o artesanato,
em que o processo de produção é efetuado por uma única pessoa do início ao fim. O processo artesanal
também pode ser conhecido como indústria doméstica.
A manufatura é um estágio mais avançado, em que numerosos trabalhadores dividem um mesmo
espaço, possuem funções definidas e são coordenados por um chefe que gerencia a produção.
A maquinofatura e a manufatura possuem diferenças em relação às maquinas e ferramentas que são
utilizadas.
A imagem mostra crianças trabalhando um uma fábrica. O trabalho infantil era comum até o início do século XX e ainda existe em várias partes do mundo.
Um dos elementos marcantes da revolução industrial foi a passagem da indústria doméstica para a
manufatura. Mas como isso aconteceu?
Quando os artesões não conseguiam competir com o preço dos produtos no mercado, passava a
trabalhar para um grande comerciante, que normalmente é dono dos meios necessários para a produção,
como maquinas e ferramentas que aceleram a transformação de matéria prima em produtos. Ao trabalhar
para esse comerciante o artesão torna-se um empregado, que agora recebe um salário fixo por seus
serviços.
Como começou?
Para entender a revolução industrial é preciso entender as mudanças ocorridas na Inglaterra a partir
do século XVIII e o restante da Europa no século XIX.
Um dos fatores que colaborou com a Revolução Industrial é a melhoria de condições de higiene e
alimentação, garantindo uma maior longevidade, que aumentava o consumo de produtos e também
disponibilizava mão-de-obra para o trabalho na indústria.
As revoluções inglesas que ocorreram no século XVIII colocaram o poder político da Inglaterra nas
mãos da burguesia capitalista. Seu interesse no desenvolvimento econômico colaborou para a
organização do sistema de circulação de mercadorias através da abertura de canais, estradas, portos e
comercio exterior. Além disso os impostos foram organizados.
A subida da burguesia ao poder colaborou para o processo de cercamento de terras baldias e terras
de uso comum, o que extinguiu os yeomen, que formavam uma classe de pequenos proprietários e
trabalhadores rurais que sobreviviam do cultivo de terras arrendadas e da utilização de das áreas comuns.
Com as terras que eram utilizadas pelos yeomen confiscadas pelo governo, muitos trabalhadores rurais
acabaram migrando para as cidades em busca sobrevivência, onde acabavam tornando-se empregados
nas manufaturas.
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A religião teve um importante papel para a mentalidade e economia na Inglaterra. O Puritanismo é
uma concepção da fé cristã que surgiu na Inglaterra, criada por grupos protestantes radicais após as
reformas que ocorreram no país. Inspirados pelo calvinismo, tinham a crença da acumulação, poupança
e enriquecimento, que eram vistos como demonstrativos da salvação.
Além disso, durante muito tempo, os ingleses desenvolveram sua maneira de fazer comercio e sua
agricultura. O comercio foi expandido em escala mundial, criando um grande mercado que pudesse
comprar seus produtos e absorver sua produção de produtos industrializados, em especial o algodão.
Antes do algodão, a lã foi o produto de investimento dos industriais ingleses. Percebendo sua
importância, o poder político da época buscou protegê-la através do regulamento de sua produção e
comercio com uma legislação rígida.
O algodão mostrou-se uma alternativa mais atraente para os comerciantes ingleses, devido à sua
abundancia de produção nas colônias britânicas no Oriente e nos Estados Unidos, que ainda pertenciam
à Inglaterra. Como não havia regulamentação sobre o comercio do algodão e a mão-de-obra disponível
juntamente com a matéria-prima era extremamente atraente do ponto de vista econômico, os esforços
empresariais concentraram-se nessa área.
Toda essa rede de comercio e produção garantiu para a Inglaterra o acumulo de capital, ou seja os
recursos necessários para investir e aumentar a produção industrial. Além do capital, outros fatores
ajudaram a Inglaterra a destacar-se como pioneira na revolução industrial como o aluguel de terras
produtivas, o lucro obtido na venda de matérias primas e a elevação constante de preços, que garantiam
uma grande margem de lucro para os comerciantes. Com uma grande quantidade de capital disponível
era possível fazer empréstimos que possuíam juros baixos, o que permitia fazer investimentos e
empréstimos a longo prazo, em produtos e maquinas que levavam um longo tempo para garantir retorno
e compensação financeiros.
A Inglaterra possuía além de fatores econômicos e sociais necessários para a criação de industrias,
elementos minerais que eram utilizados na construção das maquinas: Ferro e Carvão.
A existência de ferro e carvão no país colaboraram para as invenções que ajudaram a mudar a
indústria. A criação de mecanismos que aumentavam determinada etapa da produção obrigava outros
setores a buscar alternativas para acompanhar o ritmo de produção, transformando-se em um ciclo de
desenvolvimento industrial, gerados através da busca pela produção.
A industrialização e o trabalho
Para suprir a grande produção e atender o mercado consumidor, as fabricas precisavam de mão-de-
obra para operar a produção. Se antes os trabalhadores, principalmente artesãos, trabalhavam em suas
casas, agora o trabalho era concentrado no ambiente das fabricas. Para conseguir lucros as fabricas
precisavam produzir em larga escala, o que barateava a produção. Não fazia sentido a utilização de
recursos imensos como maquinas a vapor e represamento de rios para a utilização de energia hidráulica
para produzir pouco.
Outra grande mudança para os trabalhadores era a relação entre o tempo e o trabalho. Para produzir
com eficiência as fabricas precisavam organizar seus funcionários, seja em turnos ou escalas, que
garantam que a produção nunca pare ou caia, o que ajudava a maximizar os lucros e evitar prejuízos, é
ai que entra oconceito de tempo. Até o período anterior à revolução industrial era comum que pessoas
trabalhassem sem horários ou dias fixos, normalmente até obter o necessário para os gastos da semana
ou semelhante.
Com o trabalho concentrado nas fabricas e a necessidade de manter a produção, era agora essencial
que os trabalhadores cumprissem horários determinados de entrada e saída de seus postos de serviço.
O relógio popularizou-se, já que era necessário para garantir a rotina imposta pela fábrica.
Com a introdução da maquinofatura outro importante aspecto ganha forma: a separação entre
trabalhador e meio de produção. Como assim?
Antes da Revolução Industrial um artesão era capaz de produzir com suas próprias ferramentas. Com
o trabalho nas indústrias e o custo dos equipamentos, o trabalhador agora utilizava os meios de produção,
mas não os possuía. Se antes da Revolução industrial um fabricante de tecidos utilizava seus
equipamentos como a roca de fiar, agora ele dependia de equipamentos sofisticados para tornar seus
produtos competitivos. O preço desses equipamentos normalmente atingiam valores altos, que poucas
pessoas poderiam pagar.
Como não possuía os meios necessários para produzir de maneira competitiva, a pessoa acabava
tornando-se funcionário de uma empresa, e a partir daí utilizar os meios de produção. Com essa mudança
a sociedade divide-se em duas categorias: quem possuía os meio de produção, capital, matéria prima e
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equipamentos – uma pequena minoria; e as pessoas que vendiam sua força e capacidade de trabalho
para o primeiro grupo em troca de um salário.
As mudanças que ocorriam no século XVIII não agradaram a todos. Muitos artesãos e trabalhadores
ficaram insatisfeitos com as rotinas de trabalho de impostas. Não era nada incomum existirem jornadas
de trabalho de 14 a 16 horas diárias em condições extremamente desfavoráveis e arriscadas como o
barulho incessante de maquinas e o trabalho repetitivo a que se sujeitavam para receber baixos salários.
A situação era ainda mais complicada no caso de mulheres e crianças, que recebiam uma quantia menor,
independentemente do nível de trabalho executado em relação aos homens.
O desemprego era algo que assombrava as pessoas. Com a grande leva de camponeses que
buscavam oportunidade nos centros industriais, a concorrência aumentava, com os donos de fabricas
dando preferência para a mão-de-obra barata e abundante que vinha do campo. Além disso muitos
perdiam empregos quando as fabricas atingiam excessos de produção, que paralisava as atividades.
A concentração em grandes centros também prejudicava aqueles com pouco poder aquisitivo. Nas
regiões industrializadas a população crescia em ritmo acelerado, chegando a cidade a possuir mais de 1
milhão de habitantes antes do século XIX. O crescimento da população nem sempre era acompanhado
pela oferta de moradia, o que gerava alugueis com altos preços e aglomeração de pessoas em pequenos
espaços, muitas vezes abrigando diversas famílias. Nessa época a Inglaterra dividia-se em dois
contextos: a Inglaterra Negra, que era dominada por industrias, instaladas principalmente onde havia
disponibilidade de carvão, em geral no norte e oeste do país, e a Inglaterra Verde no sul e sudeste, que
era responsável pela agricultura e pastoreio.
Movimentos organizados
As dificuldades enfrentadas levaram à criação de movimentos organizados de trabalhadores que
reivindicavam melhores condições de remuneração e segurança no trabalho.
Entre os movimentos de reinvindicação que ocorreram no século XVIII, o Ludismo possui grande
importância.
Os ludistas eram contra a mecanização e a industrialização da produção e do trabalho. Ficaram
famosos por quebrarem maquinas em indústrias têxteis. Seus membros acreditavam que as maquinas
tiravam o trabalho das pessoas e que era necessário acabar com elas para garantir empregos para a
população. Apesar do movimento ludista ter durado pouco tempo (Entre 1811 e 1812) ele teve uma
grande repercussão e serviu de inspiração para movimentos posteriores. Entre os atos mais notáveis de
seus participantes está a invasão noturna na manufatura de William Cartwright que ficava no condado de
York, durante abril de 1812. 64 pessoas foram acusados de participar da invasão e julgadas um ano
depois. Dentre as penas sofridas, 13 pessoas foram condenadas à pena de morte, sob o crime de
atentado contra a manufatura de Cartwright e duas pessoas foram deportadas para as colônias britânicas.
O termo Ludismo ainda hoje é utilizado para referir-se a pessoas que são contra o desenvolvimento
tecnológico e industrial. Seu nome deriva do nome de um operário chamado Ned ludd, que supostamente
teria quebrado as maquinas de seu patrão. A história serviu de inspiração para que outras pessoas
aderissem a essa ideia.
O Cartismo foi outro movimento importante, que ocorreu nas décadas de 1830 e 1840 na Inglaterra.
Sua origem vem da carta escrita pelo radical William Lovett, que ficou conhecida como Carta do Povo,
documento que continha as reivindicações do grupo.
Suas exigências eram:
-voto universal;
-igualdade entre os distritos eleitorais;
-voto secreto por meio de cédula;
-eleição anual;
-pagamento aos membros do Parlamento;
-abolição da qualificação segundo as posses para a participação no Parlamento;
O movimento cartista buscava melhorias nas condições dos operários, que mesmo após quase cem
anos do início da Revolução Industrial ainda eram péssimas. Possuiu uma grande adesão da população
e é considerado o primeiro grande movimento tanto de classe como de caráter nacional que lutava contra
a condição social na Grã Bretanha. A intenção era de que a Carta do Povo fosse aprovada pelo
parlamento inglês, de maneira a garantir os direitos reivindicados. O parlamento não só rejeitou a carta
como perseguiu os líderes e simpatizantes do movimento, com a intenção de acabar com sua influência.
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Apesar dos esforços do parlamento, o movimento exerceu grande influência no operariado, tanto inglês
como internacional e conseguiu convocar para 1848 uma grande mobilização que estimava reunir 500 mil
trabalhadores e pressionar o parlamento. Apesar do fracasso da mobilização por conta de uma grande
tempestade, diversas leis trabalhistas foram criadas para beneficiar os trabalhadores.
As Trade Unions
Como maneira de conseguir melhores condições de trabalho, muitos trabalhadores partiram para a
formação de associações e clubes para lutar por seus direitos. Entre as primeiras organizações desse
tipo surgiu o clube dos tecedores e artesãos na Inglaterra na primeira metade do século XVIII e que teve
uma curta duração, pois assim que seus membros atingiram os objetivos desejados foi dissolvido.
Em várias partes da Inglaterra, em especial nas cidades com grande concentração de indústrias como
Lancashire, Yorkshire e Manchester, diversas sociedades de trabalhadores (conhecidas como Trade
Unions) começam a aparecer com o objetivo de promover ajuda mútua entre os trabalhadores.
É claro que os patrões ficaram atentos ao movimento dos trabalhadores e também se organizaram
para conter as revoltas. Uma das formas de protesto mais prejudiciais para a indústria, até hoje, eram as
greves. Com trabalhadores paralisados em manifestações e protestos, as maquinas paravam e portanto
não produziam, o que afetava os lucros. De olho em formas de conter tanto greves como associações,
os empresários e patrões tiveram que recorrer à influência que possuíam no governo da Inglaterra. Em
1799 uma lei foi criada para proibir as associações de trabalhadores, que foi derrubada pela oposição
forte que eles conseguiram fazer. Além de leis também era utilizada a violência paraconter o aumento de
associações de trabalhadores. Apesar da grande disputa entre os dois lados, em 1824 as leis que
proibiam as associações foram revogadas.
Outros países na disputa
Durante mais de 50 anos, desde 1760 até 1930, a Revolução Industrial ocorreu praticamente na
Inglaterra, que fez o possível para manter as maquinas e técnicas de produção em seu território. Apesar
de toda a legislação e proibições, muitos fabricantes tinham interesse em expandir seus negócios.
Em 1807 William Cockrill criou fabricas para a produção de tecidos na Bélgica, que se desenvolveram
com bastante eficiência, já que além do interesse também haviam ferro e carvão disponíveis em
quantidades satisfatórias.
A França passava por um período turbulento na época, com o fim da Revolução Francesa. Além disso
havia uma tradição da pequena indústria no país juntamente com a produção de artigos de luxo. Somente
após 1848 a indústria começa a desenvolver-se timidamente e com uma política protecionista de
mercado, ou seja, com o impedimento de importações e o incentivo de exportação de produtos franceses.
Tanto Itália como Alemanha começam a desenvolver suas industrias após 1870, quando os países
terminam seus processos de unificação.
Fora da Europa os Estados Unidos foram o único país a desenvolver com êxito a Revolução Industrial,
com uma grande produção de artigos manufaturados no fim do século XIX
A segunda Revolução Industrial
No final do século XIX novas tecnologias propiciaram o que ficou conhecido como Segunda
Revolução Industrial ou Revolução Tecno-científica. A produção agora não estava restrita somente a
tecidos e produtos do gênero, com o investimento em pesquisa e produção em outras áreas e a
descoberta de novas fontes de energia e transporte.
No setor energético duas mudanças foram significativas: a utilização de produtos derivados do
petróleo e a energia elétrica. Edwin Drake perfurou o primeiro poço de petróleo em 1859, no estado da
Pensilvânia. A técnica utilizada por Drake foi desenvolvida a partir das técnicas de exploração das minas
de sal. A descoberta de uma maneira viável de extrair o petróleo ajudou a expandir sua utilização em
vários setores industriais.
O dínamo industrial também foi um passo muito importante e marcou a passagem da utilização do
carvão para a energia elétrica, que se mostrava mais barata e eficiente. O dínamo é um aparelho que
gera corrente contínua, convertendo energia mecânica em eléctrica, através de indução eletromagnética.
A descoberta de novas técnicas para a produção de aço, como o processo de Bessemer na Inglaterra
possibilitou a criação de maquinas mais resistentes. A indústria química também se desenvolveu e
possibilitou a criação de novos ramos de produção como tintas, corantes, fertilizantes e munições.
Os transportes se desenvolveram em grande escala com a invenção e aprimoramento de maquinas
a vapor, com destaque para a locomotiva criada na Inglaterra em 1814 e o navio a vapor em 1805 nos
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Estados Unidos. A criação de meios de transporte mais rápidos e eficientes possibilitou uma melhor
movimentação no transporte de cargas e produtos, deixando de depender de condições climáticas e
naturais. Um exemplo são os trilhos da locomotiva que estavam sempre no mesmo lugar e evitavam que
ela atolasse ou tivesse que parar durante a viagem. Os navios também não dependiam mais da força dos
ventos para navegar.
Outras invenções que revolucionaram o setor de transportes foram o avião, no início do século XX e
motor de combustão interna, que popularizou a utilização do automóvel como meio de transporte.
As comunicações passaram por grandes mudanças durante o período e permitiram o contato entre
duas pessoas a uma longa distância através de mensagens em tempo real. Em 1837 Samuel Morse
inventou o telégrafo nos Estados Unidos e ao longo do século XIX a colocação de cabos submarinos
permitiram a ligação telegráfica entre os Estados Unidos e a Europa.
O trabalho também passou por diversas mudanças que buscavam aumentar a eficiência e os lucros
das empresas através da organização da produção. O fordismo e o taylorismo foram as duas principais
ideias adotadas.
O Fordismo tem como características: produção em série e a introdução de linhas de produção
mecanizadas. É famosa a frase de seu idealizador Henry Ford quando se referia ao seu famoso
automóvel, o Ford T: “Quanto ao meu automóvel, as pessoas podem tê-lo em qualquer cor, desde que
seja preta!”. Acontece que, para a Linha de Produção Fordista, a cor preta é o que secava mais rápido.
No Taylorismo existe o controle da produtividade dos operários através da análise técnica de seus
gestos e movimentos diante das maquinas.
As grandes inovações e novas invenções que surgiam quase diariamente tornavam cada vez mais
difícil os investimentos feitos por uma única pessoa. Nesse contexto os bancos ganham muito destaque,
lucrando através de empréstimos e de ações de empresas na bolsa de valores. Você sabe como funciona
a bolsa de valores?
A bolsa de valores é o mercado organizado onde se negociam ações de sociedades de capital
aberto (públicas ou privadas) e outros valores mobiliários, tais como as opções
Tudo começa quando uma empresa decide lançar ações ao público. Essa iniciativa é
conhecida como abrir o capital. Com o capital aberto, novos acionistas são atraídos e injetam
dinheiro na empresa. Em caso de lucro, todos ganham. Se houver prejuízo, as perdas também
são divididas proporcionalmente. Para participar das apostas na bolsa, a companhia precisa
credenciar-se em uma corretora de valores. Essas instituições estão por trás de todas as
negociações, fazendo as transações para quem quer investir em ações e mantendo a bolsa
financeiramente.
Neste período as práticas monopolistas também se intensificaram. As consequências foram o
acumulo de capital nas mãos de poucos grupos ou pessoas. Assim surge o que ficou conhecido como
capitalismo financeiro ou monopolista.
O monopólio é a pratica de dominação do mercado através do controle de um determinado produto.
Além do monopólio outras práticas surgiram e se fortaleceram:
Cartel: O cartel é um acordo entre empresas independentes com a finalidade de criar uma ação
coordenada para o estabelecimento de preços. Atualmente no Brasil a prática de cartel é considerada
uma atividade criminosa, e como exemplo é possível citar os carteis em redes de postos de combustível.
Dumping: O dumping é a pratica da venda de produtos a um preço artificialmente baixo, para eliminar
a concorrência e voltar a praticar preços mais altos.
Holding: O holding é a pratica de uma empresa controlar as ações de diversas outras empresas.
Sociedades anônimas: são um tipo de sociedade em que o capital é dividido em ações que podem
ser livremente negociáveis.
Truste: É a fusão de empresas que visam obter controle sobre alguma atividade econômica.
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A Terceira Revolução Industrial
A Terceira Revolução Industrial ocorre após o termino da Segunda Guerra Mundial, em meados de
1940. Sua principal característica é o uso de tecnologias avanças para a produção industrial e teve como
líder os Estados Unidos e ajudou o país a firmar-se como grande potência econômica.
As fontes de energia passam a ter importância maior ainda e começa a busca por fontes alternativas
como a energia nuclear e eólica.
A tecnologia tem papel fundamental na para a Terceira Revolução Industrial. Sua utilização vem sendo
cada vez mais explorada e comercializada.
Uma grande mudança proporcionada pela tecnologia é a disputa com a mão-de-obra humana. Linhas
de produção passaram a dispensar trabalhadorese substitui-los por maquinas que conseguem fazer o
serviço com mais rapidez e precisão e abrir o leque de industrias ainda mais, com destaque para a
Biotecnologia e a Nanotecnologia.
No cenário mundial surgem outras potências tecnológicas como a Alemanha, o Japão e a China. A
globalização é um fenômeno bem característico do período, com a produção de produtos com peças que
são fabricados em diversas partes do mundo.
Com o grande investimento e desenvolvimento da tecnologia, ela passa a ser cada vez mais acessível
para as pessoas, o que revolucionou novamente os meios de comunicação com a produção em massa e
de baixo custo de telefones celulares, computadores pessoais, notebooks, tablets e smartfones.
Questões
01. "As primeiras máquinas a vapor foram construídas na Inglaterra durante o século XVIII. Retiravam
a água acumulada nas minas de ferro e de carvão e fabricavam tecidos, muitos tecidos. Graças às
máquinas a vapor, a produção de mercadorias ficou muito maior."
(Schmidt, Mário. "Nova História Crítica". São Paulo: Nova Geração, 2002).
O texto citado refere-se:
(A) à Revolução Francesa
(B) à Revolução Industrial
(C) à Revolução Gloriosa
(D) ao Renascimento
(E) à Revolução Russa
02. "Um fato saliente chamou a atenção de Adam Smith, ao observar o panorama da Inglaterra: o
tremendo aumento da produtividade resultante da divisão minuciosa e da especialização de trabalho.
Numa fábrica de alfinetes, um homem puxa o fio, outro o acerta, um terceiro o corta, um quarto faz-lhe a
ponta, um quinto prepara a extremidade para receber a cabeça, cujo preparo exige duas ou três
operações diferentes: colocá-la é uma ocupação peculiar; prateá-la é outro trabalho. Arrumar os alfinetes
no papel chega a ser uma tarefa especial; vi uma pequena fábrica desse gênero, com apenas dez
empregados, e onde consequentemente alguns executavam duas ou três dessas operações diferentes.
E embora fossem muito pobres, e portanto mal acomodados com a maquinaria necessária, podiam fazer
entre si 48.000 alfinetes num dia, mas se tivessem trabalhado isolada e independentemente, certamente
cada um não poderia fazer nem vinte, talvez nem um alfinete por dia."
FARIA, Ricardo de Moura et all. "História". Vol. 1. Belo Horizonte: Lê, 1993. [adapt.].
O documento sobre a Revolução Industrial, na Inglaterra,
(A) relaciona a divisão de trabalho com a alta produtividade, situação bem diferente da produção
artesanal característica da Idade Média.
(B) enfatiza o trabalho em série e as condições do trabalhador nas fábricas, reforçando a importância
das leis trabalhistas, no início da Idade Moderna.
(C) demonstra que a produtividade está diretamente relacionada ao número de empregados da fábrica,
ao contrário das Corporações de Ofício, em que a produção artesanal dependia do mestre.
(D) destaca a importância da especialização do trabalho para o aumento da produtividade, situação
semelhante à que ocorria nas Corporações de Ofício, de que participavam aprendizes, oficiais e mestre.
(E) evidencia as ideias fisiocráticas e mercantilistas, ao realçar a divisão do trabalho, características
marcantes da Revolução Comercial.
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03. São razões para a ocorrência da Revolução Industrial, que teve como berço a Inglaterra:
(A) forte envolvimento britânico nas guerras continentais em consequência da sua localização.
(B) os "cercamentos" que ampliaram as áreas de cultivo agrícola.
(C) rede fluvial limitada.
(D) riqueza abundante do subsolo, com a presença de ferro, estanho, carvão dentre outros minerais.
(E) alta concentração de camponeses nas áreas rurais.
04. Leia os dois textos seguintes.
"No Ocidente Medieval, a unidade de trabalho é o dia [...] definido pela referência mutável ao tempo
natural, do levantar ao pôr-do-sol. [...] O tempo do trabalho é o tempo de uma economia ainda dominada
pelos ritmos agrários, sem pressas, sem preocupações de exatidão, sem inquietações de produtividade".
(Jacques Le Goff. "O tempo de trabalho na 'crise' do século XIV".)
"Na verdade não havia horas regulares: patrões e administradores faziam conosco o que queriam.
Normalmente os relógios das fábricas eram adiantados pela manhã e atrasados à tarde e em lugar de
serem instrumentos de medida do tempo eram utilizados para o engano e a opressão".
(Anônimo. "Capítulos na vida de um menino operário de Dundee", 1887.)
Entre as razões para as diferentes organizações do tempo do trabalho, pode-se citar:
(A) a predominância no campo de uma relação próxima entre empregadores e assalariados, uma vez
que as atividades agrárias eram regidas pelos ritmos da natureza.
(B) o impacto do aparecimento dos relógios mecânicos, que permitiram racionalizar o dia de trabalho,
que passa a ser calculado em horas no campo e na cidade.
(C) as mudanças trazidas pela organização industrial da produção, que originou uma nova disciplina e
percepção do tempo, regida pela lógica da produtividade.
(D) o conflito entre a Igreja Católica, que condenava os lucros obtidos a partir da exploração do
trabalhador, e os industriais, que aumentavam as jornadas.
(E) a luta entre a nobreza, que defendia os direitos dos camponeses sobre as terras, e a burguesia,
que defendia o êxodo rural e a industrialização.
05. A Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, gerou profundas
transformações, econômicas e sociais.
Entre essas transformações, pode-se apontar
(A) a retração do mercado consumidor nos países industrializados.
(B) a superação do conflito capital-trabalho em face dos acordos sindicais.
(C) a dominação de todas as etapas da produção pelo trabalhador.
(D) a proliferação do trabalho doméstico nas áreas mais mecanizadas.
(E) a redução dos preços ampliando o mercado consumidor.
Respostas
01. Resposta B.
O aprimoramento e a invenção de novas tecnologias de produção permitiram uma grande mudança
na maneira de produzir. Maquinas faziam em um tempo menor o trabalho dos homens, gerando menos
gastos e mais lucros. Esse conjunto de mudanças ficou conhecido como revolução industrial
02. Resposta A.
A divisão do trabalho foi um grande avanço para o aumento da produção. A partir da divisão era
possível aumentar consideravelmente a quantidade de produtos, mesmo com funcionários de baixa
instrução e conhecimento do ofício pois as operações tornavam-se simples e rápidas, de modo que
qualquer pessoa pudesse executá-las.
03. Resposta D.
Além do grande potencial mineral do subsolo da Inglaterra, o acumulo de capital garantido pelas
atividades de comercio marítimo e exploração colonial foram outro fator que garantiram aos país as
condições necessárias para iniciar o processo de industrialização.
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04. Resposta C.
O modo de produção industrial estava ligado à quantidade de produtos que os funcionários pudessem
criar. A partir de agora o relógio domina a rotina e a vida das pessoas, tornando-se cada vez mais popular
e presente na sociedade.
05. Resposta E.
A partir da Revolução Industrial a produção passa a fazer parte importante do contexto das fábricas.
O aumento da produção significava a diminuição nos preços e consequentemente um alcance maior do
público consumidor de produtos. Durante o período as máquinas já faziam parte importante do processo
de produção e as condições de trabalho eram árduas, com jornadas que chegavam até 16 horas diárias,
havendo ainda uma diferenciação em relação ao pagamento de homens mulheres e crianças
Primeira Guerra Mundial
A Primeira Guerra Mundial ou Grande Guerra, como foi chamada na época, aconteceu entre os anos
de 1914 e 1918. Foi chamada assim por seus contemporâneos,pois nenhuma das guerras europeias
haviam atingido proporções globais.
I - Antecedentes
A Primeira Guerra Mundial, surgiu a partir de tensões formadas na segunda metade do século XIX. O
desenvolvimento do nacionalismo e do imperialismo – prática que consistiu no domínio de nações
poderosas sobre povos mais pobres – desencadeou a formação dos Estados nacionalistas. O capitalismo,
motivou o conflito entres as grandes potências europeias. O desejo de ampliar mercados, através do
imperialismo, aumenta ainda mais a tensão entre os países da Europa.
Um dos fatores que fez aumentar a insatisfação entre os países europeus, foi a má divisão da África e
Ásia, que ocorreu no final do século XIX. Como a Itália e a Alemanha haviam se unificado tardiamente,
fato que fez com que eles ficassem fora do processo neocolonial, enquanto a França e a Inglaterra
exploravam as novas colônias, ricas em matérias-primas, gerou descontentamento, e aumentou o
sentimento de rivalidade já existente entre a Alemanha e a França, já que os franceses haviam perdido
para a Alemanha a região da Alsácia-Lorena. As tensões crescem mais ainda quando a Alemanha, de
forma diplomática, exige o domínio de regiões afro-asiáticas, pertencentes a Inglaterra.
Apesar de ter se unificado tardiamente, a Alemanha conseguiu que seus produtos industrializados
ganhassem espaço. Os alemães conseguiram formar uma grande indústria que conseguiu superar a
tradicional potência britânica.
A partir do Imperialismo, um novo sentimento surge na paisagem pré Primeira Guerra. O nacionalismo,
aparece como uma fonte legitimadora da guerra. Esse sentimento aparece sob diversas formas, por
exemplo, na França o revanchismo aparece, provocado pela sua derrota na Guerra Franco-Prussiana.
Na Rússia, surge o pan-eslavismo, que se baseava na teoria de que todos os eslavos pertencentes a
Europa Oriental, deveriam constituir-se como uma família, e a Rússia como país mais poderoso dos
estados eslavos, deveria ser o líder e o protetor. Já na Alemanha, aparece uma forma de nacionalismo
que se manifesta na forma de pangermanismo, uma corrente ideologia que lutava para que todos os
povos germânicos se unissem sob a liderança alemã.
O grande sentimento nacionalista e a disputa imperialista, fazem com que as nações formem dois
blocos. O primeiro a surgir foi a Tríplice Aliança, formada pela Alemanha, Austro-Hungria e a Itália no
ano de 1882. Logo depois, surge a Tríplice Entente, aliança militar formada pela Inglaterra, França e
Rússia.
Dessa forma, as seis maiores potências europeias estavam prontas para a guerra, a Europa estava
dividida politicamente em dois blocos. A única coisa que faltava para iniciar um confronto era um pretexto,
e ele surge no dia 28 de junho de 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro
do trono austríaco, na capital da Bósnia, Sarajevo, por um estudante sérvio.
II - A Guerra
Com a morte do arquiduque austríaco, a Áustria culpou a Sérvia e exigiu que providencias fossem
tomadas. Como a Sérvia não encontrou uma saída que agradece ambos, a Áustria declara guerra à
Sérvia. No dia 30 de julho a Rússia entra na guerra, mobilizando suas tropas para atacar a Áustria, em
resposta a Alemanha declara guerra aos russos. Logo em seguida, no dia 3 de agosto, a Alemanha
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declara guerra à França e invade o território Belga, um país neutro. Devido a violação da neutralidade, a
Alemanha da motivo para a Inglaterra intervir e declarar guerra à Alemanha, no dia 4 de agosto.
II.a - Primeira Fase da Guerra: Guerra de movimento
A primeira fase da guerra, iniciada em agosto de 1914, contou com ataques a França, realizados pela
Alemanha. Os alemães planejavam derrotar a França de forma rápida, contudo o exército francês
conseguiu deter o ataque, esse conflito ficou conhecido como a primeira batalha de Marne. Essa batalha
inaugurou a chamada guerra de trincheiras (frentes estáticas escondidas em valas cavadas no chão). Os
franceses conseguiram deter a ofensiva alemã, a apenas 40 km de Paris, graças à ajuda dos britânicos,
esse avanço é contido, mas a capital do país passa a ser Bordeaux. A Rússia, em 15 de agosto de 1914,
invade a Alemanha e a Austro-Hungria.
II.b - Segunda Fase da Guerra: Guerra de Trincheiras ou Guerra de posições
A segunda fase da Primeira Guerra Mundial, foi a época em que ocorreu os avanços estratégicos. O
uso das trincheiras foram amplamente utilizados. O armamento despertou um surto industrial fazendo
com que novas armas aparecessem.
Em 1917, com o triunfo da revolução Russa, a Rússia assina um acordo com a Alemanha, que
oficializava a sua saída da guerra, o acordo levou o nome de Tratado de Brest-Litovsk.
No mesmo ano os Estados Unidos entram na Guerra após ter seus navios mercantes atacados em
águas internacionais, por submarinos alemães. Apesar de manterem uma política de não-intervenção nos
assuntos europeus, depois do ataque, o presidente declara guerra à Alemanha.
Com a intensificação da guerra, as alianças estavam desenhadas da seguinte forma: A Tríplice
Aliança, antes de iniciar a guerra, reunia a Alemanha, Austro-Hungria e Itália. Com o início dos conflitos,
O império Turco-Otomano alia-se com a Alemanha, devido a sua rivalidade com a Rússia em 1914, a
Bulgária se une a eles em 1915. A Tríplice-Entente, antes formada pela Inglaterra, França e Rússia,
durante a guerra, mais 24 nações são incorporadas. Nações como o Japão (1915), Portugal e Romênia
(1916), Estados Unidos, Grécia e Brasil (1917). A Itália que antes pertencia a Tríplice Aliança, entra no
conflito em 1915 ao lado dos países da tríplice Entente.
III - O Final da Guerra
Depois da saída da Rússia e com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a situação da Aliança foi
ficando cada vez mais crítica. E março de 1918 os alemães iniciaram mais uma ofensiva na frente
ocidental, utilizando aviões, canhões e tanques, nessa investida, chegaram a 46 km de Paris. Nesse
momento, com a ajuda dos norte-americanos, os alemães forma obrigados a recuar. A partir de então,
eles começaram a perder aliados até o ponto da situação ficar insustentável.
Neste momento o povo alemão sofria com a fome, devido a um bloqueio naval, a escassez de
alimentos levou a população a fazer uma manifestação pedindo o a saída da guerra. A população de
Berlim, em novembro de 1918, conseguiu tirar do poder o imperador Guilherme II, implantou-se então um
governo provisório, sob a liderança do Partido Social-Democrata, que assinou um acordo de paz com os
Aliados, terminando assim, a Primeira Guerra Mundial
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IV – Consequências
Com a rendição dos países que formavam a Tríplice Aliança, um acordo foi assinado, nas proximidades
de Paris, apenas os países vencedores participaram. Pelo acordo a Alsácia-Lorena, voltava a pertencer
a França, além de ter perdido território para outros países. Este tratado também impôs fortes punições, a
Alemanha foi obrigada a pagar uma indenização aos países, afim de pagar os prejuízos da guerra, outra
imposição foi a de que deveria ser entregue aos países vencedores uma parte de sua frota mercante,
suas locomotivas e suas reservas de ouro. Seu exército teve de ser reduzido, assim como sua indústria
bélica. Esse tratado, assinado em junho de 1919 levou o nome de Tratado de Versalhes, pois foi
assinado na sala dos Espelhos do palácio de Versalhes.
A Primeira Guerra Mundial, deixou um legado de aproximadamente 10 milhões de mortos, e quase o
triplo de feridos. Campos a indústria foram destruídos, além dos grandes prejuízos.
O conceito de guerra mudou a partir da Primeira Guerra Mundia, o modelo aristocrático que
caracterizou asguerras de Napoleão, não existia mais. O uso de novas armas, como bombas, tanques,
rifles de precisão e metralhadoras, transformou os exércitos em uma máquina mortífera. Esse motivo fez
com que a guerra durasse mais do que se esperava.
As Influências da Primeira Guerra Mundial no Cenário Brasileiro10
A primeira guerra representa para a industrialização brasileira um momento de desenvolvimento
acelerado. Por ser o Brasil geograficamente complexo, com suas unidades distantes e pobres,
representava um mercado interno incipiente. Somente através das medidas fiscais e protecionistas de
certos governos, pode-se localizar uma indústria caseira nos fins do século XIX e início do XX. Com a
Guerra dificultam-se as importações de produtos, incentivando-se o surgimento de novos ramos
industriais. Por ser este um processo de transformação das estruturas de certas zonas geográficas é um
processo lento. Esta expansão é liderada pelas regiões Sul e Leste, por serem ricas e variadas
climaticamente.
Os elementos da acumulação capitalista são a aplicação de pequeno capital e o baixo salário, que
acrescia, além dos lucros normais, pela inflação e pela aplicação de parte dos lucros do café, devido à
proibição de novos plantios em 1902.
Depois de 1914 surgem as grandes indústrias e uma concentração operária. Dá seus primeiros passos
a indústria pesada e vai ocupar parcialmente um mercado que demanda uma autossuficiência, somente
alcançada no período da Segunda Guerra, em Volta Redonda. Paradoxalmente, desenvolvem-se as
indústrias subsidiarias estrangeiras de petróleo e derivados, químicos e farmacêuticos, que
conjuntamente aos trustes estrangeiros, crescem acompanhando as necessidades do país.
As classes dominantes não apoiam esta expansão, por ser formada basicamente por proprietários de
terras. A indústria só superará a atividade agrária após a Segunda Guerra. Somente no governo de Afonso
Pena que se compreendeu a necessidade de um equilíbrio entre indústria e consumidor. No Governo de
Hermes da Fonseca e de Venceslau Brás, tentava-se rever as taxas alfandegárias. A guerra precipita a
solução, onde, nota-se a necessidade de desenvolver os recursos industriais de energia e ferro próprios.
Devido à guerra, ocorrem grandes dificuldades fiscais, levando o país a uma inflação acelerada, onde
a moeda circulante ultrapassa a casa de um milhão de contos de réis de emissão do tesouro, sem contar
as emissões bancárias. O presidente Epitácio Pessoa (1919- 1922), adota uma política de baixa cambial.
Com esta situação, aumenta as reivindicações operárias e pequeno-burguesas com relação a custo de
vida e moradia. Este governo foi o último que tentou uma política antiindustrialista. Os governos
posteriores tiveram de reconhecer a necessidade da industrialização.
Diferentemente da produção industrial, exclusivamente de consumo interno, a produção industrial,
exclusivamente de consumo interno, a produção agrícola é basicamente de exportação.
Esta produção primária aumenta progressivamente, acarretando em um saldo credor para o Brasil,
onde, se permitia cobrir compromissos externos e suprir algumas necessidades internas. Com a
concorrência das plantações africanas e asiáticas, onde ocorre aplicação de grandes capitais e uso de
técnica racional, com mão-de-obra mais barata e clima propício, fizeram com que certos produtos de
exportações brasileiras a partir da Primeira Guerra fossem declinando.
Por sua vez, o café, teve vários fatores a seu favor. O Brasil que possuía ¾ da produção mundial
expandia-se nas terras roxas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente. Aumenta
continuamente sua produção devido a interesses capitalistas estrangeiros, que participaram
principalmente de sua distribuição. Devido ao consumo ser menor que a produção, sente-se à
consequência da acumulação que se dá a partir da Crise de 1893.
10 BRASIL ESCOLA. As influências da Primeira Guerra Mundial no cenário brasileiro. Brasil Escola. Disponível em:
<http://brasilescola.uol.com.br/historiab/influencias-da-primeira-guerra-cenario-brasileiro.htm> Acesso em 10 de maio de 2017.
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Com estas ações protecionistas, que garantia a estabilidade, guerra, em um país como o Brasil, um
círculo vicioso entre bons preços e mais aplicações de capitais em novas lavouras, tendo como resultado
um acúmulo de estoque que tendia à crise, desenrolada e m 1929. (Esta crise de 1929 foi uma crise
mundial que assolou em especial os EUA com o Crack da bolsa de Nova York que depois da primeira
guerra viveram um fortalecimento da suas economias por tudo que produzirem ser exportado para a
Europa que ficou destruída com a Guerra neste período já estavam quase que recuperada e não
precisava mais nem dos empréstimos em dinheiro americano ou de produtos dos demais países os
excedentes de produção levaram muitos destes países à crise econômica). Em continuação aos
prósperos anos de guerra, as mercadorias agrícolas e industriais atingem um superávit, com relação às
importações. Passada a euforia econômica de 1919, segue uma paralisação e a crise de 1920, acelerada
devido à política titubeante e antiindustrialista do governo.
Questões
01. (CVM - Agente Executivo – ESAF) Atritos permanentes decorrentes de disputas imperialistas,
profundas rivalidades políticas assentadas em extremado nacionalismo e constituição de dois blocos
antagônicos de alianças entre países, a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente, configuram, entre outros
aspectos, o quadro histórico que resultou na:
(A) Segunda Guerra Mundial.
(B) Guerra Franco-Prussiana
(C) Guerra dos Boxers
(D) Guerra Civil Americana
(E) Primeira Guerra Mundial
02. (PC-MG - Escrivão de Polícia Civil – FUMARC) São conjunturas que precedem à eclosão da
Primeira Guerra Mundial, EXCETO:
(A) A presença de várias potências europeias na Ásia e na África fez com que interesses imperialistas
se antagonizassem, sobretudo, no que se refere ao controle de territórios.
(B) A política de alianças produzirá um “efeito dominó”, lançando à guerra, uma após outra as nações
signatárias dos acordos.
(C) O nacionalismo adquire grande importância na eclosão da guerra, uma vez que as alianças entre
as nações europeias, no período que precede o conflito, nortearam-se fundamentalmente, por questões
étnicas.
(D) A escalada inflacionária, o desemprego e o ódio racial favoreceram a subida ao poder de partidos
totalitários como o Partido Nacional dos Trabalhadores Alemães. Antissemitismo e expansionismo
territorial faziam parte da política desses partidos, o que acabou determinando a guerra.
03. (CONFERE – Auditor - INSTITUTO CIDADES) Vários problemas atingiam as principais nações
europeias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países
estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX.
Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e
Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado
consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das
causas da:
(A) Guerra Fria
(B) Grande Guerra
(C) Segunda Guerra Mundial
(D) Revolução Socialista Marxista
04. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) Acerca do processo histórico que desencadeou a I
Guerra Mundial, julgue (C ou E) os itens a seguir.
A expansão econômica da Alemanha levou-a a competir com a Inglaterra e com a França.
(A) Certo
(B) Errado
05. (SEE-AL - Professor – História – CESPE) No que se refere à Idade Contemporânea e ao período
que abrange as duas guerras mundiais e seus efeitos,julgue os itens a seguir.
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Durante a Primeira Guerra Mundial, a Espanha, a Suíça e os Países Baixos mantiveram-se imparciais
e conseguiram permanecer relativamente distantes do conflito.
(A) Certo
(B) Errado
06. (Prefeitura de Betim – MG – Professor PII - História - Prefeitura de Betim – MG) É coerente
com as razões que levaram à 1ª Grande Guerra Mundial:
(A) Um dos fatos que contribuiu para o final do confronto foi a entrada da Rússia na Guerra, pois tinha
um exército grande e bem preparado, impondo aos alemães derrotas vexatórias.
(B) O processo de Imperialismo, promovido pelas grandes potências capitalistas da Europa,
principalmente França, Inglaterra e Alemanha, gerou conflitos e até confrontos pela disputa de territórios,
ao ponto de desencadear a 1ª Guerra.
(C) Temendo uma ofensiva alemã, Japão, Inglaterra e França formaram a Tríplice Aliança.
(D) O início da Guerra se deu quando as tropas alemãs invadiram a Polônia, apresentando ao mundo
a famosa Guerra Relâmpago, deixando marcas desastrosas para os poloneses.
07. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) Acerca do processo histórico que desencadeou a I
Guerra Mundial, julgue (C ou E) os itens a seguir.
A ascensão econômica e política do Império Austro-Húngaro levou-o a confrontar os interesses
ingleses nos Bálcãs. O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, permitiu que se
atribuísse ao imperialismo britânico a responsabilidade pelo clima de tensão regional, e constituiu o marco
inicial da guerra.
(A) Certo
(B) Errado
08. Os países envolvidos na I Guerra Mundial dividiram-se em duas coligações de nações que se
enfrentaram durante os anos da guerra, incialmente eram formados por seis países. Das alternativas
abaixo, qual está correta?
(A) Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão; e os Aliados, composto por França, Inglaterra e
Estados Unidos.
(B) Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão; e Tríplice Entente, formada pela França, Inglaterra e
Rússia.
(C) Tríplice Aliança, composta pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália; e a Tríplice Entente, formada
pela França, Inglaterra e Rússia
(D) Tríplice Aliança, composta pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália; e os Aliados, composto por
França, Inglaterra e Estados Unidos.
09. Após o início da guerra, os bloco antes formados por seis países, sofrem alterações, A Tríplice-
Entente, antes formada pela Inglaterra, França e Rússia, durante a guerra, mais 24 nações são
incorporadas. Nações como o Japão, Portugal e Romênia, Estados Unidos, Grécia e Brasil. Sobre a
formação da Tríplice Aliança, podemos afirmar que quais países compunham esse bloco?
(A) Alemanha, Império Turco-Otomano, Bulgária e Austro-Hungria.
(B) Alemanha, Rússia e Itália.
(C) Alemanha, Inglaterra e Rússia.
(D) Alemanha, Itália, Império Austro-húngaro
10. Qual foi o estopim para que acontece a Primeira Guerra Mundial?
(A) O não cumprimento do Tratado de Versalhes pela Alemanha.
(B) Assassinato do primeiro-ministro francês General De Gaulle.
(C) Assassinato do príncipe herdeiro do trono austríaco Francisco Ferdinando.
(D) A Revolução Socialista em 1917 na URSS.
Respostas
01. Resposta: E.
Podemos afirmar que os antecedentes da Primeira Guerra Mundial surgiu a partir de tensões formadas
na segunda metade do século XIX, com o desenvolvimento do nacionalismo e do imperialismo nos países
europeus. A partir dessas tensões dois blocos antagônicos se formas, a Tríplice Aliança, formada pela
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Alemanha, Austro-Hungria e a Itália no ano de 1882 e a Tríplice Entente, aliança militar formada pela
Inglaterra, França e Rússia.
02. Resposta: D.
A opção D é a única que não se refere ao período que antecede a Primeira Guerra Mundial, pois a
afirmativa da questão, refere-se aos motivos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. As opções A,
B e C estão corretas a respeito dos motivos que precederam o início da Grande Guerra.
03. Resposta: B.
A unificação tardia da Alemanha e da Itália, faz com que ambas as nação ficassem fora do processo
neocolonial, gerando um grande descontentamento. As tensões crescem mais ainda quando a Alemanha,
de forma diplomática, exige o domínio de regiões afro-asiáticas, pertencentes a Inglaterra.
04. Resposta: A.
Apesar de ter se unificado tardiamente, a Alemanha conseguiu que seus produtos industrializados
ganhassem espaço. Os alemães conseguiram formar uma grande indústria que conseguiu superar a
tradicional potência britânica.
05. Resposta: A.
A afirmativa da questão está correta, Espanha, a Suíça e os Países Baixos mantiveram-se imparciais
durante a Primeira Guerra, conseguindo manter uma certa distância dos conflitos acontecidos entre os
anos de 1914 a 1918.
06. Resposta: B.
O capitalismo, motivou o conflito entres as grandes potências europeias. O desejo de ampliar
mercados, através do imperialismo, aumentou ainda mais a tensão entre os países da Europa, pois como
a Alemanha e a Itália se unificaram tardiamente, ambas ficaram fora do processo neocolonial, o que gerou
grande descontentamento.
07. Resposta: B.
A Afirmativa da questão está errada. Primeiramente a responsabilidade pelo assassinado do
arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, foi dada a Sérvia. A Inglaterra só entra na guerra a partir
do ataque a Bélgica, pais neutro, pelo exército alemão.
08. Resposta: C
O grande sentimento nacionalista e a disputa imperialista, fazem com que as nações formem dois
blocos. O primeiro a surgir foi a Tríplice Aliança, formada pela Alemanha, Austro-Hungria e a Itália no ano
de 1882. Logo depois, surge a Tríplice Entente, aliança militar formada pela Inglaterra, França e Rússia.
09. Resposta: D
A Tríplice Aliança, antes de iniciar a guerra, reunia a Alemanha, Austro-Hungria e Itália. Com o início
dos conflitos, O império Turco-Otomano alia-se com a Alemanha, devido a sua rivalidade com a Rússia
em 1914, a Bulgária se une a eles em 1915.
10. Resposta: C
Com a formação dos blocos formados, a única coisa que precisavam para iniciarem uma guerra era
um pretexto e ele surge no dia 28 de junho de 1914, com o assassinato do arquiduque Francisco
Ferdinando, herdeiro do trono austríaco, na capital da Bósnia, Sarajevo, por um estudante sérvio.
Revolução Russa
Antecedentes
A Rússia era o único país da Europa a manter um governo absolutista na virada do século XX. O Antigo
Regime na Rússia compunha-se de um poder político absoluto exercido pelo imperador (tsar ou czar), da
antiga dinastia dos Romanov. Apoiava-se em uma organização basicamente agrária, tendo em vista que
85% da população vivia no campo. Os nobres proprietários de terra e a burguesia industrial e mercantil
concentravam-se nas cidades, bem como os cossacos da Guarda Imperial, que representavam outros
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pontos de apoio. O governo era autocrático. O imperador escolhia um corpo de ministros, seus auxiliares
no governo. Não havia nenhuma forma de restrição efetiva ao seu poder.
O Império Russo começou a enfrentar diversos problemas a partir de 1905, com o início da Guerra
Russo-Japonesa, causada pelo interesse de ambos os países na região chinesa da Manchúria. Apesar
dos esforços, o exército russo sofreu uma desastrosa derrota, frente aos armamentos mais avançados
dos japoneses.
A derrota ante os japoneses mostrou a deficiência do Estado tsarista, tornando evidente a urgência de
reformas. A partir de então, começam as manifestações e revoltas contra o Império. Os partidos políticos
mais organizados destacaram-se, principalmente oPartido Operário Social-Revolucionário Russo,
fundado em 1898, e o Partido Social-Democrático Russo, de 1902. O Partido Social-Democrático era
composto por dois grupos surgidos nas reuniões em Londres e Genebra em 1903:
Bolcheviques, de tendência radical;
Mencheviques, moderados e conciliadores.
Os protestos e movimentos de rua foram reprimidos de maneira extrema pelas tropas imperiais, com
destaque para o episódio do Domingo Sangrento, de 22 de janeiro de 1905, em que mais de 100 pessoas
morreram em um protesto pacífico pelas ruas de São Petersburgo. Enquanto isso, a tripulação do
couraçado Potemkin amotinava-se contra seus oficiais. As greves multiplicavam-se, atingindo até mesmo
a zona rural. Esse conjunto de pressões levou o imperador a criar a Duma, espécie de Assembleia
Legislativa. No fundo, era uma reação do poder imperial, que pretendia com essa concessão estancar os
movimentos de rua e ganhar tempo para controlar o problema. As Dumas eleitas entre 1905 e 1912, ao
todo em número de quatro, foram pressionadas, nada podendo fazer. O disfarce constitucional do Império
Russo não durou muito tempo. Os efeitos da Grande Guerra, na qual a Rússia se viu envolvida, acabaram
por desmascará-lo. A crise gerada pela guerra evidenciava a deficiência da estrutura imperial. Alguns
dados poderão exemplificar melhor a questão: o exército precisava de 1,5 milhão de obuses e conseguiu
apenas 360 mil; a balança comercial entre 1914 e 1917 apresentava um déficit que subira de 214 milhões
de rublos em 1914 para 1,658 bilhões em 1917; em 1914, a dívida pública do Estado era de 1 bilhão de
rublos, e em 1917 chegara a 10 bilhões; o meio circulante passou de 1,6 bilhão em 1914 para 9,5 bilhões
em 1917.
Os salários eram assim desvalorizados, por causa da inflação violenta, e as empresas com capitais
nacionais iam à falência, aumentando a entrada do capital estrangeiro, o qual alcançaria 50% do capital
total da Rússia em 1917 (33% era francês, 23% inglês, 20% alemão, 14% belga e 5% norte-americano).
Nessa conjuntura de crises, os descontentamentos sociais cresceram; as greves eram numerosas.
Somente no ano de 1916, entraram em greve cerca de 1 170 000 operários.
Fevereiro de 1917: A Revolução Burguesa
As medidas tomadas pelo governo imperial não agradavam a maioria dos setores da população russa.
As manifestações aumentavam diariamente, tanto nas cidades quanto no campo. A burguesia liberal, com
apoio da esquerda moderada, pressionavam o governo por meio de greves gerais, como aconteceu em
Petrogrado. O imperador não deu muita atenção ao movimento, que estava restrito à capital, que contava
com uma guarnição militar forte.
Mas ele não contava com dois pontos essenciais: os soldados não se prestaram a reprimir os
movimentos, com os quais eram coniventes, e os chefes socialistas puseram-se imediatamente a
organizar a luta. No dia 12 de março (27 de fevereiro pelo calendário russo, atrasado 13 dias em relação
ao calendário ocidental), os soldados recusaram-se a marchar contra o povo amotinado. Sem o exército,
o poder político imperial desapareceu. Dois governos foram constituídos imediatamente, o primeiro por
deputados da Duma; o segundo, intitulado soviete, era um conselho de soldados, trabalhadores e
camponeses. Inicialmente, a Revolução limitou-se a Petrogrado, mas em seguida difundiu-se
rapidamente. O tsar abdicou e os sovietes, que se organizavam para dirigir as grandes cidades, formaram,
junto com a Duma, um governo provisório; a monarquia absolutista estava vencida. O governo provisório
era dirigido pelo príncipe Lvov e dominado pela burguesia. Pusera fim ao tsarismo para organizar uma
República parlamentar liberal. Era fundamental, portanto, manter a Rússia no sistema de alianças
mundial, o que significava continuar a guerra contra a Alemanha. A partir de maio, o ministro da Guerra,
Kerensky, preparou uma grande ofensiva contra a Áustria-Hungria, aliada da Alemanha. O país não tinha
condições para dar sequência à guerra, estava esgotado. Além disso, a burguesia não representava a
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massa. Era uma minoria reduzida que não tinha força suficiente para impedir a elevação dos preços,
estimular a produção ou impedir as deserções dos soldados, muitos dos quais lutavam descalços.
A Revolução Socialista
O governo provisório foi marcado pela instabilidade política e Petrogrado transformou-se em núcleo
revolucionário. Os bolcheviques aumentavam suas fileiras e o Congresso dos sovietes, controlado por
eles, exigia a retirada da Rússia da guerra. O governo provisório perseguiu os líderes bolcheviques e
reprimiu violentamente as manifestações públicas; para escapar da perseguição, Lenin refugiou-se na
Finlândia.
Em julho, os bolcheviques contavam com o considerável número de cerca de 200 mil partidários.
Contavam ainda com o apoio dos marinheiros da base de Kronstadt. O fracasso da ofensiva contra a
Áustria-Hungria deu oportunidade à manifestação do dia 17 de julho, em Petrogrado. Caiu o governo
provisório de Lvov, que foi substituído por Kerensky. Adversário dos bolcheviques, Kerensky não era
menos socialista, só que mais moderado. Em setembro, o general Kornilov, ligado ao Antigo Regime,
marchou em direção a Petrogrado. Kerensky foi obrigado a pedir ajuda, até mesmo aos bolcheviques.
Kornilov foi batido, mas Kerensky mostrou sua dependência em relação aos trabalhadores e aos
bolcheviques.
A Revolução de Outubro
A crise na Rússia era enorme, e foi apenas agravada pela participação do país na Primeira Guerra.
Aproveitando-se da situação, o partido bolchevique deu um golpe de Estado, comando por Lenin. O
episódio ficou conhecido como Revolução de Outubro.
Logo que foi declarada a revolução, uma coligação internacional esforçou-se reverter a situação em
que a Russia encontrava-se. Os confrontos duraram até 1921, quando a Rússia saiu vencedora. Durante
esse período, Trotsky organizou o Exército Vermelho e propôs a ideia de uma revolução permanente que
deveria ser difundida por todo o mundo, ao que se opôs Stalin, que pretendia consolidar a Revolução na
Rússia em primeiro lugar.
Assim que os comunistas tomaram o poder na Rússia, implantaram o governo do povo, a ditadura do
proletariado, que se fazia representar pelos sovietes. Decretou-se a comunização total: os bens de
produção foram estatizados, as indústrias com mais de cinco empregados e as terras foram coletivizadas,
a moeda foi extinta, criando-se um bónus correspondente às horas de trabalho e que poderia ser trocado
por alimentos e serviços. As dificuldades foram a oposição interna (camadas descontentes) e a pressão
externa. Por isso foi adotada a NEP (Nova Política Econômica), a partir de 1921. As pequenas indústrias
voltaram à situação anterior; a venda dos produtos agrícolas foi devolvida aos camponeses; e a moeda
voltou a circular. Lenin pretendia dar um passo atrás para poder "dar dois passos à frente". A produção
agrícola recuperou-se rapidamente, bem corno a produção industrial. Porém, os kulaks, camponeses
abastados, enriqueciam com a alta de preços.
A morte de Lenin
No mesmo ano da criação da União Soviética, 1922, Lênin contraiu uma doença que o levaria à morte
em 21 de janeiro de 1924.
Vladimir Ilyitch Ulianov nasceu em Simbirsk, na Rússia, no dia 22 de abril de 1870. Entre os seis
filhos da família, o jovem se tornou conhecido como Lênin. Desde adolescente teve contato com
ideologias políticas, especialmente por causa da influência de seu irmão Alexandre Uilánov. Este, aos
21 anos fazia parte de um grupo de estudantes niilistas em São Petersburgo. O irmão de Lênin integrou
um grupo de extrema esquerda chamado Pervomartovtsi, o qual foi responsável pela tentativa de
assassinato do czar Alexandre III. Uilánov foi preso juntamentecom o restante do grupo, sendo
condenado à morte em 1887, quando Lênin tinha apenas 17 anos. O ocorrido deixou Lênin muito
impressionado e convencido de que o anarquismo não oferecia a melhor alternativa para se derrubar o
czarismo na Rússia.
No mesmo ano da morte do irmão, Lênin começou a alterar o destino de sua vida. Em 1887 mudou-
se para Kazan, onde foi cursar a faculdade de Direito. No decorrer dos estudos que o jovem Lênin teve
contato com as ideologias que realmente marcariam suas ações futuras. E, principalmente, tornou-se
um marxista. Após se formar, Lênin dedicou-se ao estudo dos problemas econômicos da Rússia, tendo
como base orientadora os escritos de Marx e Engels.
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Após sua morte, seu corpo foi embalsamado e permanece até hoje exposto em seu mausoléu na Praça
Vermelha, em Moscou.
A Sucessão de Lenin
Com a morte de Lenin, as visões sobre a continuidade da revolução ficam divididas entre os dois
membros do Partido Comunista dispostos a substitui-lo: Joseph Stalin e Leon Trotsky.
Para Trotsky, a União Soviética não deveria limitar seus anseios revolucionários aos limites da nação
russa. A Revolução deveria espalhar-se pela Europa, com a União Soviética agindo como incentivadora
de novas revoluções, criando uma comunidade de países que compartilhassem uma visão política
semelhante e com interesse na cooperação, como definia a doutrina do marxismo.
Stalin, por outro lado, acreditava que a revolução deveria manter-se dentro do país, desenvolvendo
suas forças produtivas e abstendo-se da participação em processos revolucionários exteriores.
Através de uma aliança com outros líderes bolcheviques, Stalin derrotou Trotsky e foi eleito líder da
União Soviética, durante o XIV Congresso do Partido Comunista Russo (1925). Ocupando a função de
chefe de Estado, Stalin logo determinou a expulsão partidária e o exílio de Leon Trotsky.
Stalinismo
O termo stalinismo define o período em que a URSS foi governada por Josef Vissarionovith
Djugatchvili, ou simplesmente Josef Stalin (que significa "de aço"), entre 1924 e 1953.
A ascensão de Stalin representou uma enorme mudança no processo de implantação do socialismo.
O foco voltou-se para o interior do país, deixando de lado a revolução internacional. Stalin implantou um
governo autoritário e burocratizado, controlado por uma elite militar e alheio às decisões de conselhos
populares e seus representantes.
Com o objetivo de desenvolver a indústria pesada no país, em 1927 foi anunciado o primeiro plano
quinquenal. Os planos quinquenais foram um instrumento de planificação econômica implantado por
Stalin na antiga União Soviética, com o objetivo de estabelecer prioridades para a produção industrial e
agrícola do país para períodos de cinco anos.
Seguiram-se outros planos quinquenais, que desenvolveram a produção industrial e agrícola. A grande
dificuldade estava na agricultura, em relação à qual o governo abandonou a ideia de coletivização total e
criou as granjas coletivas (kolkhozes) e as fazendas estatais (sovkhozes). Existia um mercado paralelo
em que os camponeses podiam vender os excedentes da produção, a qual deveria ser fornecida ao
Estado a preços de custo. A produção econômica global era planificada e dirigida por um órgão central,
o Gosplan. Um banco central, o Gosbank, acumulava os capitais em nome do Estado, cerca de 25% do
produto global, e os distribuía para os bancos industriais, comerciais e agrícolas. Os bens de produção
foram incrementados em detrimento dos bens de consumo.
O comércio era realizado em grandes lojas do Estado e a variedade dos produtos era muito reduzida,
pois a padronização diminuía os custos. O avanço da economia soviética em relação aos países
capitalistas foi muito grande no setor industrial, mas permaneceu atrasado no setor agrícola. A ideia de
uma sociedade comunista preconizada por Marx esteve bem longe de realizar-se na Rússia, onde foi
necessário distinguir com salário os trabalhadores mais eficientes, e ao mesmo tempo realizar a
conversão da produção industrial para bens de consumo. Existia uma elite intelectual, os grandes
cientistas e a cúpula dirigente do partido, que preservava alguns privilégios em relação aos demais
membros da população. Os países socialistas são monopartidários, isto é, só o Partido Comunista é
legalizado e a única forma de participação política é pertencer ao partido. A unidade básica de poder é o
soviete de camponeses, operários e soldados, de onde saem os representantes para eleger os membros
do governo. Abolindo os cultos e as religiões tradicionais, violentamente perseguidos nos países
socialistas, acabou-se por criar uma nova forma de religião, a religião do Estado.
Questões
01. (IF-AL – História – CEFET-AL) A Revolução Russa de 1917 marca o início de uma experiência
cujos reflexos se fazem sentir ainda hoje. Esse movimento representou uma grande ruptura econômica,
política e social, sem precedentes, possibilitando, apesar das mais variadas pressões externas, a
superação de um atraso até então secular do povo russo. Sobre esse fato, considere as seguintes
preposições:
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I. Embasada ideologicamente nos fundamentos liberais, a Revolução Russa de 1917 consolidou o
primeiro Estado socialista, representativo das aspirações do proletariado.
II. O movimento revolucionário agregou em si, diferentes segmentos sociais, da burguesia ao
campesinato, tendo neste último o principal mentor do processo de tomada ao poder.
III. Na queda do regime czarista e deflagração da Revolução Russa em 1917, houve a participação de
líderes, grupos e organizações de oposição com divergências na estratégia de encaminhamento do
movimento.
IV. Stalin e Trotsky divergiram quanto aos rumos da revolução, já que o primeiro defendeu o “socialismo
em um só país”, ao passo que o segundo propôs a “revolução permanente”.
Podemos considerar falsas apenas as seguintes afirmativas:
(A) I, II e IV
(B) I e II
(C) III e IV
(D) II e IV
(E) I e IV
02. (Fgv) Em abril de 1917, o líder bolchevique Lenin, exilado em Zurique (Suíça), voltou à Rússia
lançando as Teses de Abril. Nesse programa político é incorreto afirmar que Lenin propunha a/o:
(A) formação de uma República de sovietes;
(B) concessão à defesa nacional, dando total apoio ao governo provisório;
(C) nacionalização dos bancos e das propriedades privadas;
(D) reconstituição da Internacional;
(E) controle da produção pelos operários.
03. (Puccamp) A Revolução Socialista na Rússia, em 1917, foi um dos acontecimentos mais
significativos do século XX, uma vez que colocou em xeque a ordem socioeconômica capitalista. Sobre
o desencadeamento do processo revolucionário, é correto afirmar que:
(A) os mencheviques tiveram um papel fundamental no processo revolucionário por defenderem a
implantação ditadura do proletariado.
(B) os bolcheviques representavam a ala mais conservadora dos socialistas, sendo derrotados, pelos
mencheviques, nas jornadas de outubro.
(C) foi realimentado pela participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, o que desencadeou uma
série de greves e revoltas populares em razão da crise de abastecimento de alimentos.
(D) foi liderada por Stalin, a partir de outubro, que estabeleceu a tese da necessidade da revolução em
um só país, em oposição a Trotsky, líder do exército vermelho.
(E) o Partido Comunista conseguiu superar os conflitos que existiam no seu interior quando
estabeleceu a Nova Política Econômica que representava os interesses dos setores mais conservadores.
Respostas
01. Resposta: B
A ideologia de base da Revolução Russa foram as ideias do comunismo de Marx e Engels. A revolução
começa comoum movimento urbano, apesar da participação dos camponeses, porém estava mais
concentrado nos trabalhadores urbanos.
02. Resposta: B
Lenin era totalmente contra o governo provisório. O próprio Lenin foi um dos elementos que ajudaram
a decretar seu fim
03. Resposta: C
A Rússia já passava por diversos problemas internos como a falta de alimentos e a crise política. A
entrada e desempenho desastroso do país na Primeira Guerra serviu apenas para alimentar os ânimos
revolucionários.
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Crise de 1929, New Deal e a hegemonia dos EUA no pós-guerra11
A crise de 1929 e a Grande Depressão
A atual crise que assola o capitalismo tem sido comparada ao “crash” (quebra) de 1929, que iniciou
uma longa depressão na economia mundial e teve efeitos catastróficos para a classe trabalhadora. O que
aconteceu naqueles dias de outubro não foi apenas um pequeno abalo ou uma turbulência semelhante a
várias outras crises capitalistas.
A crise de 1929 foi o maior desastre da história capitalismo no século 20 e representou uma devastação
da economia mundial. Os resultados foram a pobreza generalizada das massas, uma drástica
desvalorização e a aniquilação de capitais e mercadorias. O tombo, evidentemente, foi mais alto nos EUA,
epicentro da crise e a maior economia global.
Os historiadores E. Hobsbawn e Paul Kennedy estimam que, entre 1929 e 1931, a produção norte-
americana de automóveis caiu pela metade. A produção industrial dos EUA caiu em um terço no mesmo
período. Entre 1929 e 1932, as exportações e importações (trigo, seda, borracha, chá, cobre, algodão,
café etc.) despencaram em taxas de 70%. Em 1929, apenas nos EUA, 4,6 milhões de trabalhadores
tinham perdido seus empregos. Em outubro de 1931, eram 7,8 milhões; em 1932, somavam 11,6 milhões;
e em 1933 havia nos EUA 16 milhões de desempregados, 27% de toda força de trabalho do país.
A crise se expandiu para todo o sistema capitalista. O comércio mundial caiu 60%. Houve uma crise
na produção básica de alimentos e matérias-primas devido à queda vertiginosa dos preços destes
produtos. O Brasil tornou-se símbolo do desespero e da dramaticidade da crise, quando o governo
queimou os estoques de café (principal produto de exportação do país) em locomotivas a vapor numa
inútil tentativa de frear a queda dos preços do produto.
A Grande Depressão não teve efeitos catastróficos apenas para os trabalhadores norte-americanos.
No pior período da depressão, entre 1932 e 1933, o desemprego chegou a níveis nunca vistos na história
do capitalismo. Na Inglaterra, o índice chegava a 23%. Na Alemanha, a taxa de desemprego atingiu os
espantosos 44%.
O desemprego em massa produziu cenas macabras como as enormes filas de sopas – conhecidas
como Marchas da Fome – em bairros operários onde as fábricas estavam totalmente paradas. O drama
dos trabalhadores também foi registrado pelo o olhar de artistas da época. É o caso do livro A Vinha da
ira, do escritor norte-americano John Steinbeck, cuja história é de uma família pobre do estado de
Oklahoma durante a Grande Depressão, que se vê obrigada a abandonar suas terras, perdidas por
dívidas bancárias. Ou ainda, o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, fabuloso registro da miséria
daqueles tempos e uma rigorosa crítica da produção com base no sistema de linha de montagem e
especialização do trabalho.
Uma crise inevitável
Não há como entender a quebra de 1929 sem compreender as contradições econômicas, sociais e
políticas do mundo que emerge após a Primeira Guerra Mundial (1914-1919).
A guerra foi consequência de uma profunda transformação estrutural do capitalismo com o advento do
imperialismo, grau superior do desenvolvimento capitalista.
As transformações econômicas dessa nova fase histórica do capitalismo são assim definidas por Lênin:
→ substituição da livre concorrência entre capitalistas pelos monopólios das grandes corporações;
→ exportação de capitais dos países imperialistas em escala global;
→ domínio absoluto do capital financeiro, a partir da fusão do capital bancário com o industrial.
Lênin afirmava que, no limiar do século 20, estava dada uma “situação monopolista de uns poucos
países riquíssimos, nos quais a acumulação do capital tinha alcançado proporções gigantescas. Constitui-
se um enorme ‘excedente de capital’ nos países avançados”. Daí a necessidade de que esse capital
excedente fosse exportado em busca de uma colocação lucrativa. A possibilidade da exportação de
capitais vinha do fato de existirem países onde “os capitais são escassos, o preço da terra e os salários
relativamente baixos, e as matérias-primas baratas (...) já incorporados na circulação do capitalismo
mundial”.
11 https://www.algosobre.com.br/historia/crise-de-1929-new-deal-e-a-hegemonia-dos-eua-no-pos-guerra.html.
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Como consequência, era preciso controlar o mercado mundial. Por isso as burguesias das principais
potências imperialistas empenharam-se febrilmente na preparação da Primeira Guerra Mundial como
forma de dividir e conquistar os mercados.
EUA: um gigante do pós-guerra
A Primeira Guerra fez com que os EUA emergissem como a principal economia do planeta. As
transações de produtos industriais e agrícolas se ampliaram com a abertura de créditos aos países
aliados, seguidas pela concessão de empréstimos à Inglaterra, França e, posteriormente, Alemanha. A
produção norte-americana deu um salto gigantesco em vários setores, destacando-se a indústria bélica,
de material de campanha e alimentos. Os EUA se tornaram o maior credor do mundo e no final dos anos
1920, o país respondia por mais de 42% da produção industrial global. Enquanto isso, França, Inglaterra
e Alemanha juntas detinham 28%.
O fim da guerra, porém, provocou uma pequena queda na economia norte-americana. Mas logo o
crescimento econômico é retomado, quando a França e a Inglaterra (e posteriormente Alemanha) passam
a saldar suas dívidas com os EUA. Esse período é marcado por grande entusiasmo e ficou conhecido
como “Big Bussines”, ou grandes negócios, caracterizado por uma superprodução de mercadorias e um
mercado em expansão.
Em 1924, a economia mundial parecia retomar o crescimento, embora o desemprego nos países da
Europa continuasse muito alto, com 12% na Inglaterra e 18% na Alemanha. A superprodução foi
característica de todo esse período, favorecida pela política de liberalismo econômico, responsável pelo
aumento dos estoques, pela queda nos preços, pela redução dos lucros e pelo desemprego.
No entanto, já em 1921, na contramão dos prognósticos mais otimistas, Trotsky avaliava que o breve
crescimento da economia era algo efêmero e cíclico que não deteria a crise estrutural do capitalismo:
“Quais são as perspectivas econômicas imediatas? É evidente que América se verá obrigada a diminuir
sua produção, não tendo a possibilidade de reconquistar o mercado europeu de antes da guerra. Por
outro lado, Europa não poderá reconstruir suas regiões mais devastadas nem os ramos mais importantes
de sua indústria. Por essa razão, assistiremos no futuro a uma volta penosa ao estado econômico de
antes da guerra e a uma dilatada crise: ao marcado estancamento em alguns países e em ramos das
indústrias particulares; em outros, a um desenvolvimento muito lento. As flutuações cíclicas seguirão
tendo lugar, mas em geral, a curva do desenvolvimento capitalista não se inclinará para cima senão para
abaixo” (relatório aos membros do Partido Comunista Russo, utilizado por Trotsky para o III Congresso
da Internacional Comunista; 23 de junho de 1921).
Com o início da recuperação do setor produtivo dos países europeus, a produção norte-americanacomeçou a entrar em declínio. Essa situação expressou-se principalmente no setor agrícola, com o
aprofundamento da queda dos preços dos produtos primários.
A crise dos agricultores norte-americanos seria o prenúncio de 1929. Na medida em que as
exportações diminuíam, os grandes proprietários não conseguiam saldar as dívidas contraídas com os
bancos. Além disso, as ações das empresas tinham se sobrevalorizado imensamente num movimento de
especulação financeira.
Foi questão de tempo para que a crise no campo causasse desabastecimento nas cidades que já
enfrentavam problemas com o desemprego.
Quando veio o colapso das bolsas, no dia 29 de outubro, dia conhecido como “quinta-feira negra”, os
bancos do país estavam sobrecarregados de dívidas não saldadas, ações supervalorizadas de empresas
que estavam em queda e, assim, recusaram refinanciamentos ou novos empréstimos para a habitação,
automóveis etc. Calcula-se que cerca de mil hipotecas de casas foram executas por dia após 1929.
A quebradeira levou centenas de bancos à falência. Na época, o sistema financeiro norte-americano
era extremamente débil. Não havia bancos gigantes, como na Europa. O sistema bancário do país
consistia em pequenos bancos locais e regionais. Mas o tombo da economia norte-americana só estava
começando.
Hegemonia dos EUA no pós-guerra
A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque não só iniciou uma profunda depressão econômica
internacional que perdurou por toda a década de 1930. Também aprofundou os enormes conflitos
interimperialistas, abrindo, assim, os portões para uma nova guerra mundial.
Na Grande Depressão, os Estados imperialistas procuravam defender suas burguesias como podiam.
Não hesitaram em levantar barreiras tarifárias para proteger seus mercados dos efeitos da crise,
contrariando as doutrinas de livre comércio em que afirmavam repousar a prosperidade do mundo.
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O fim da Primeira Guerra já marcava claramente a crise final da hegemonia inglesa no sistema
capitalista, o declínio econômico da Europa e a expansão econômica dos EUA. No entanto, o imperialismo
norte-americano ainda não tinha conquistado a posição de potência hegemônica na esfera capitalista.
Isto é, sua ascensão ainda não representava uma nova divisão mundial de forças, esferas de influência
e mercados.
O poderio dos EUA e a debilidade do imperialismo europeu aumentaram os conflitos com as potências
da Europa. Uma tendência prevista em análises da Internacional Comunista, particularmente por Trotsky,
nos anos 1920.
Mediante uma política expansionista e agressiva, potências imperialistas, como o Japão e a Alemanha
dos anos 1930, procuraram uma maior participação no mercado mundial.
Já nos EUA, a partir do New Deal, plano empregado pelo presidente eleito Franklin Roosevelt, pôs
uma breve interrupção à depressão. Diante de um enorme desemprego e um possível descontrole social,
o governo fez com que o Estado interviesse na economia, criando grandes obras de infra-estrutura,
salário-desemprego, assistência aos trabalhadores e concessão de empréstimos. No entanto, os Estados
Unidos só conseguiram retomar seu crescimento econômico com o início da produção armamentista para
a Segunda Guerra Mundial, no final de 1940.
New Deal – Superação da Crise nos EUA
1933 a 1935 (Primeira Etapa de Assistência e Recuperação.)
Política de recuperação econômica após a crise de 29, expandindo a intervenção do Estado na
economia e buscando a ampliação do mercado interno.
Abandono do liberalismo clássico que se opunha a qualquer tipo de intervenção na economia e adoção
de um liberalismo que previa a intervenção do estado na economia, como regulador do processo
econômico, sem eliminar a iniciativa privada. Ao mesmo tempo cresce a indústria bélica, acentuando a
militarização.
Em 21 de junho de 1931 o presidente americano Hoover propôs moratória de um ano sobre todos os
pagamentos intergovernamentais, inclusive dívidas e moratórias. Em junho/julho de 1932 uma comissão
concluiu um acordo que praticamente abolia as reparações de guerra. A Conferência Econômica Mundial
de junho/julho 1933 fracassou pela recusa dos EUA de colaborar com a estabilização das moedas
nacionais.
Com a crise o partido Republicano (Hoover) perdeu o poder e assumiu Roosevelt pelo Partido
Democrata e que será responsável pelo programa. Franklin Delano Roosevel (1882-1945), primo em
quinto grau de republicano Theodore Roosevel, presidente entre 1901 e 1909, foi acometido de pólio em
1921 o que o deixou paralítico e mesmo assim foi o único americano a ser eleito por quatro vezes segui
as, entre 1932 a 1944, sendo o grande responsável por tirar o país da depressão e leva-lo à condição de
superpotência.
Em seu discurso de posse na presidência dos Estados Unidos, Roosevelt, em 1933, acusava a
profunda crise econômica e social: “... grande quantidade de cidadãos desempregados vê surgir à sua
frente o problema sinistro da existência, e um número igualmente grande labuta com escassa
remuneração”. Ao mesmo tempo, Roosevel propunha: “Esta nação exige ação, e ação imediata “ (Franklin
Delano Roosevelt, Documentos Históricos dos estados Unidos.)
Roosevelt Socialista?
O New Deal representou o abandono das políticas tradicionais do liberalismo, ineficazes diante da
nova situação, e decorreu de análises feitas pelo economista John M. Keynes. Porém o Estado não foi
utilizado para concorrer com a iniciativa privada ou a substituir, mas para estimular a recuperação do
empresariado e do mercado consumidor.
Muitos industriais e líderes do Partido Democrata de Roosevelt acusaram o presidente de ser "
socialista". Os conservadores direitistas fundaram a Liga Americana da Liberdade e chamavam Roosevelt
de " o coveiro da América " e alertavam para o perigo " acabaremos tendo um governo socialista que
destruirá a iniciativa privada, que fez grande este país. "
Roosevelt respondia:
"Ninguém nos EUA acredita mais firmemente do que eu no sistema de livre-empresa, propriedade
privada e lucros individuais. Foi este governo que salvou o sistema, quando ele estava à beira da ruína".
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Para Peter Irons, autor de A People’s History of the Supreme Court, “Era difícil imaginar leis que fossem
mais agressivas ao laissez-faire, à liberdade de contrato e à competição de livre mercado. Também era
difícil imaginar leis que se baseassem em noções tão elásticas dos poderes constitucionais”.
Roosevelt tinha poderes amplos. O governo podia ficar o preço do litro de leite, estabelecer cotas de
produção de petróleo, definir o tamanho da jornada de trabalho dos bancários, fechar o mercado a
indústrias estrangeiras, dar e cancelar licenças de negócios. Roosevelt criou uma burocracia tão
volumosa que alguns patrões tinham de pagar salários diferentes em diferentes horas do dia de trabalho.
Cabia ao governo dizer aos agricultores o número de hectares em que podiam plantar algodão ou milho.
Ao pecuarista, quantas cabeças de gado podia criar ou o tamanho do seu aviário. (Veja, 18.03.2009, p.
86-87).
"Encontrando-se o Estado em situação de poder calcular a eficiência (...) dos bens de capital a longo
prazo e com base nos interesses gerais da comunidade, espero vê-lo assumir uma responsabilidade cada
vez maior na organização direta dos investimentos. (J. M. Keynes. A Teoria Geral do Emprego, do Juro
e da Moeda. 1936.)
O New Deal teve três momentos
O primeiro, de 1933 a 1934 teve início com o controle financeiro.
Recuperação econômica com as características de uma revolução. Decretou feriado bancário por 10
dias e proibiu a acumulação de ouro no tesouro, abandonando o padrão ouro.
Emitiu moeda para recuperar os preços dos produtos básicos.Proibiu-se a exportação de ouro, desvalorizou-se o dólar e houve intervenções bancárias.
Procurou eliminar os abusos financeiros. Criou o “Federal Deposit Insurance Corporation”, garantindo
depósitos de até 5000 dólares. Restringiu o crédito bancário para fins de especulação evitando a
verticalização do mercado, “pools”, vendas fictícias de títulos e outros mecanismos para influenciar os
mercados.
Desenvolveu-se um programa de recuperação financeira, limitando o poder do grande capital e criando
o Sistema Federal de Reserva, aumentando as garantias aos investidores. Depósitos até US$ 2,5 mil
teriam garantia do governo. Se o banco quebrasse, o governo pagaria ao cliente. O “Reconstrution
Finance Corporation criada por Hoover em janeiro de 1932 foi utilizada para promover a reestruturação
do sistema bancário e financeiro. Foi feita a separação entre os bancos financeiro e de investimentos,
proibido o pagamento de juros sobre depósitos à vista e estabelecidos tetos no pagamento de juros para
os depósitos.
O programa de investimentos enfrentou resistências no meio empresarial, que se opunha à intervenção
estatal e por isso nunca foi plenamente aplicado.
Foram criados vários atos legais:
AAA – Agricultural Adjustment Act – maio de 1933 – fornecimento de crédito para a agricultura, pois
havia 15 milhões de agricultores arruinados. Os agricultores receberam subsídios para reduzir a área de
plantio. Em 1933 o governo destruiu 4 milhões de fardos de algodão e 20% da colheita de trigo e eliminou
6 milhões de suínos.
NIRA – National Industrial Recovery Act - junho de 1933 – para acabar com o desemprego e garantir
recursos ás empresas e salários aos trabalhadores. Suspenderam-se as leis antitrustes, mas protegendo
consumidores e sindicatos, para aumentar a produção e o salário.
NIRA e AAA foram declarados posteriormente inconstitucionais.
O Emergency Bank Bill, de 9 de março de 1933 e o Glass-Steagall Act de junho de 1933 permitiram
um maior controle do Fed sobre o sistema bancário
Cerca de US$ 500 milhões foram repartidos entre os mais necessitados. Mais de US$ 3 bilhões foram
aplicados em grandes obras: construção ou restauração de estradas (400.000 km), barragens, usinas de
energia, 3,5 milhões de metros de tubulações de água e esgoto, 40 mil escolas, combate à erosão,
reflorestamento, demolição de “favelas”, hospitais, absorvendo a mão de obra desempregada.
Megaprojeto de desenvolvimento do vale do Rio Tenessee, na época uma das regiões mais pobres
dos EUA, resultou na construção de 15 represas, capazes de controlar as persistentes cheias do rio.
O Congresso criou o Federal Home Loan Banks, de financiamento imobiliário.
Welfare State
O New Deal está na origem dos programas de criação de empregos e redução das desigualdades
sociais (Social Security Act), que gerou o chamado Welfare State, ou Estado do Bem Estar Social,
adotado em vários países europeus.
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Com o Social Security Act que definiu um segundo momento (1935-1936) criaram-se seguros
contra desemprego, pensões por velhice, doenças e acidentes, auxílio financeiro às crianças e mães
desvalidas e crianças aleijadas. Foram propostas ainda medidas para solucionar problemas rurais
imediatos.
Na verdade o pioneiro do conceito de Estado do Bem Estar Social foi Bismarck que para combater o
socialismo, pouco depois de 1880 criou o seguro saúde, seguro contra acidentes industriais e pensões
para a velhice. Depois da Primeira Guerra Mundial os ingleses criaram o seguro desemprego.
O Welfare State teve seu auge entre 1945 e 1973 após a Segunda Guerra Mundial juntamente com a
expansão da social democracia e da economia capitalista.
Segundo o historiador inglês David Reynolds “Durante a década de 30, mais de um terço da população
chegou a receber ajuda do governo. Os fundos públicos para esses programas não existiam antes de
1929. Dez anos depois, tomavam mais de um quarto de todo o gasto do governo”. Programas criados na
gestão Roosevelt, como o seguro-desemprego e a aposentadoria por idade, sobreviveram até o século
XXI. (Exame, 8.4.2009, p. 150).
O Fim Do Laissez Faire na Suprema Corte
A Suprema Corte americana julgou inconstitucionais apenas dois atos do Congresso entre 1790 e
1860, mas derrubou 58 entre 1860 e 1930, e sete de onze disposições legislativas importante do New
Deal, entre 1933 e 1936, na maioria dos casos argumentando que a Constituição proibia ao governo
federal interferir em contratos privados. Isso acabou em 1937, quando o presidente Roosevelt criou uma
crise constitucional ao propor a entrada de vários novos magistrados na Suprema Corte, com o intuito de
dissolver o poder de cinco juízes conservadores, que, ao barrar reformas econômicas propostas por via
legislativa, acabavam efetivamente escrevendo leis eles mesmos. Roosevelt e seus partidários
argumentaram, com justeza, que a Constituição não impunha o laissez-faire ou qualquer outra
modalidade de capitalismo. E de 1937 a 1981, os EUA experimentaram uma forma de capitalismo muito
próxima ao da Europa de hoje, caracterizado pela regulamentação governamental das atividades
econômicas.
Porém, Milton Friedman em seu famoso livro Capitalismo e Liberdade, afirmou que as operações de
mercado representam transações bilaterais e voluntárias, que são auto regulatórias e, portanto,
representam automaticamente o melhor para a sociedade, como no modelo de Adam Smith. Com a
presunção de que os mercados regulam a si mesmos, a desnormatização se converteria em prioridade,
como de fato ocorreu nos Estados Unidos de 1980 em diante”. Bruce Scott, Veja, 31.12.2008, p. 178-
179).
Corrupção Sob Controle
Estudo feito pelo Serviço Nacional de Pesquisa Econômica afirma que “antes de 1932, a administração
da assistência pública era vista por todos como politicamente corrupta “, e os imensos programas de
assistência do New Deal “ofereciam uma oportunidade de corrupção única na história do país “. No
entanto, “por volta de 1940 as acusações de corrupção e manipulação política haviam diminuído
consideravelmente “.
Roosevelt conseguiu expandir o governo e mantê-lo livre de corrupção em grande parte pela
fiscalização incorporada desde o início aos programas do New Deal. A Administração de Progresso de
Obras (WPA), em particular, tinha uma poderosa divisão independente de “investigação de progresso”,
cuja função era investigar queixas de fraude. A divisão era tão diligente que, em 1940, quando uma
subcomitê do Congresso estudou a Administração de Progresso de Obras, não conseguiu encontrar nem
ao menos uma irregularidade séria que a divisão não tivesse detectado.
Roosevelt também garantiu que o Congresso não enxertasse medidas politiqueiras nos projetos de lei
de estímulo: não havia verbas reservadas a fins políticos nas leis que criaram a WPA e nas demais
medidas de emergência.
Por fim, não menos importante, Roosevelt criou um elo emocional com os americanos da classe
trabalhadora, que ajudou a sustentar seu governo em meio aos revezes e fracassos em seus esforços
para resolver os problemas econômicos. (Paul Krugman, F S P, 27.12.2008, p. B-6).
Fair Deal
Em 1948, Harry Truman, que havia assumido o cargo de presidente quando da morte de Franklin
Delano Roosevelt, candidatou-se à reeleição, apresentando um programa inspirado no New Deal, que
denominou de Fair Deal (Acordo Justo).
As medidas previam controle de salários e preços, construção de casas populares, melhoria do sistema
previdenciário, subsídios à agricultura, proposta de lei sobre os direitos civis e revogação da lei Taft-
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Harley que havia sido aprovada em 1947 restringindo a ação dos sindicatos e proibindo as closed shops,
pelas quais uma empresa