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PRÁTICA FORMATIVA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA Otto Henrique Martins da Silva Linda donzela, de olhos brilhantes, diz-me qual o número que, multiplicado por 3, somado a três quartos do produto, dividido por 7, subtraindo de um terço do quociente, multiplicado por si mesmo, subtraindo de 52, tendo sua raiz quadrada extraída, somado a 8 e depois dividido por 10, dá o número 2? (RHIND, cerca 1650 a.C.) SISTEMA NUMÉRICO EGÍPCIO Os Egípcios, uma das civilizações mais antiga de todas que conhecemos, junto às margens do rio Nilo desenvolveram um sistema de numeração de base dez, cuja representação numérica se dava por meio de símbolos e foram por meio desses símbolos que se representou as potências de dez – talvez as primeiras representações dessa natureza. A forma de contagem com a potência de dez da civilização egípcia consistia em separar agrupamentos de dez, mas não tinham o símbolo para o zero, representados por símbolos distintos e escritos em qualquer ordem. Assim, no sistema egípcio de numeração as quantidades de um até nove unidades eram representadas por agrupamentos de traços, onde a quantidade dez passava a ser representada por outro símbolo que formavam novos agrupamentos de dez; e, na sequência, outros agrupamentos de cem eram formados; depois, os agrupamentos de mil, dez mil, cem mil e um milhão. Ou seja, por meio da base de dez e as unidades de um a nove, podem representar pequenas e grandes quantidades de qualquer coisa, conforme a tabela a seguir. 02 A partir dessa base numérica, os egípcios desenvolveram a sua matemática, onde diversas aplicações se faziam necessárias por conta do modo de vida próprio que desenvolviam. Assim, eram necessários resolver problemas de contagem simples, cálculos de quantias que envolviam bens de valor ou riquezas, sejam na forma de metais preciosos, como ouro ou a prata, mas também posses de terras, animais e materiais de valor agregado correspondente à época. Portanto, a partir dessa economia apareciam diversos problemas matemáticos, similares aos contemporâneos, que necessitam resolver problemas matemáticos, cálculos de áreas cultiváveis dentre muitos, confirme podemos verificar nos papiros que remontam a essa época (Rhind e Moscow). Algumas representações numéricas com o sistema de numeração egípcios são mostrados a seguir: Representação do número 213: Representação do número 2435 03 PAPIRO DE RHIND Um dos papiros mais conhecidos, o papiro de Rhind datado de cerca de 1650 a. C. e que possui mais de 5 m de comprimentos e 33 cm de largura, é, provavelmente, o melhor registro da matemática que possuímos. Esse papiro, que foi adquirido pelo escocês Alexander Rhind em 1858, foi copiado pelo escriba Ahmes de outro texto matemático, provavelmente, mais antigo ainda, contém 84 problemas de geometria e de aritmética com suas respectivas soluções matemáticas. Dentre os problemas matemáticos, há problemas aritméticos, registros e estudos de frações unitárias e equações lineares, há cálculos com volumes e áreas de formas circulares e retangulares. Um dos problemas do papiro de Rhind que trata de volume é o de número 41 e corresponde ao cálculo do volume de um silo cilíndrico de diâmetro d e altura h, cujo valor é dado por: 𝑉 = [(1 − 1 9 ) 𝑑] 2 ℎ. Como sabemos que 𝑑 = 2𝑟, na notação moderna, temos: 𝑉 = 256 81 𝑟2ℎ. Observe que o número 𝜋 está sendo representado pela razão 256 81 ≅ 3,1605, ou seja, os egípcios já possuíam conhecimento acerca do significado desse número. 04 PAPIRO DE MOSCOU Outro papiro mais antigo e tão importante quanto o papiro de Rhind é o papiro de Moscou. Esse foi adquirido pelo egiptólogo russo Vladimir Golenishchev ao fim do século XIX, porém, é menor que o de Rhind, com dimensões de 5,4 m de comprimento e largura entre 4 e 7 cm. O papiro de Moscou é da época de 1850 a.C. e contém cerca de 25 problemas e suas respectivas soluções, onde o problema 14 desse papiro propõe uma forma para o cálculo da pirâmide de base quadrada, cujas dimensões das bases maior e menor, respectivamente, são a e b e altura h. A fórmula apresentada no papiro e equivalente aos nossos dias é: 𝑉 = 1 3 (𝑎2 + 𝑎𝑏 + 𝑏²)ℎ, no entanto, não há informação de como foi obtida essa fórmula de difícil dedução teórica. Além desse problema, o papiro de Moscou tem outros problemas da vida diária egípcia, onde se destacam um problema que corresponde a área de uma superfície curva e outros problemas que dão origem à equação 2x+x=9. Há outros papiros que contem problemas da matemática egípcia, como o de Berlim, e envolvem soluções de equações do 2° grau e sistemas de equações do 2° grau que, nos dias atuais, são dadas por: 𝑥2 + 𝑦2 = 100 e 4𝑥 − 3𝑦 = 0; 𝑥2 + 𝑦2 = 400 e 4𝑥 − 3𝑦 = 0. 05 SISTEMA DE NUMERAÇÃO BABILÔNICO A Mesopotâmia, considerada o berço da civilização, corresponde à região dos vales dos rios Tigre e Eufrates, onde, hoje se localiza o Iraque e regiões adjacentes da Síria, Turquia e Irã. Nessa região, cujo período vai desde 3500 a.C. até o começo da era cristã, desenvolveram-se vários reinos e dentre esses destaca-se o de Hamurabi que foi baseado na cidade da babilônia no período de 1800 a.C. a 1500 a.C. Essa grande região, prosperou com o domínio e evolução do conhecimento produzido e várias e isso refletiu na vida urbana, na arquitetura das construções dos grandes monumentos, na economia de grande escala, no uso da metalurgia e aplicações da engenharia em sistemas de irrigação e o controle de cheias. Vale lembrar que foi essa civilização que surgiu a forma de comunicação escrita mais antiga da humanidade cerca de 3500 a.C. : a escrita cuneiforme – desenvolvida pelos sumérios é feita na argila com auxílio de objetos em formato de cunha. Na matemática babilônia, registradas em tabuletas cuneiformes, verifica-se um grande conhecimento de cálculos e medidas com aplicações em problemas de natureza econômica e comercial, como trocas de mercadorias, taxas de juros simples e composta, cálculos de impostos e de divisão de colheitas, câmbios de moedas etc. Nessa tábuas de argilas, também há registros de tabelas de multiplicações e de recíprocos (divisão), de quadrados e cubos de números, raízes quadradas e cúbicas, progressões geométricas dentre outros. O sistema de numeração babilônico, que proporcionava toda essa matemática, era formado pela combinação do sistema sexagesimal e decimal, ou seja, sistemas numéricos de bases 60 e 10, respectivamente, e com princípio de posição numeral. A figura a seguir mostra os símbolos que representam o sistema numeral babilônico. 06 Nesse sistema, cravo indica o número 1 e a asna o número 10, conforme é mostrado na figura acima. As repetições desses símbolos representam, no caso do cravo, os numerais de 1 a 9; e a asna, os números de 10 a 90. Assim, o sistema é aditivo para representar os números de 1 até 59 na base de dez, conforme mostra a tabela; e utiliza as bases dez e sessenta para presentar outros valores maiores que 59, conforme é mostrado a seguir. Um muito importante da matemática, que corresponde ao valor de diagonal do quadrado, já era conhecido pelos babilônios dessa época, conforme é mostrado na figura a seguir. 07 Nessa representação, tem-se a razão entre o valor da diagonal e o lado do quadrado que está marcada na diagonal da figura na argila e representado a seguir: SISTEMA DE NUMERAÇÃO INDO-ARÁBICO Os algarismos indo-arábicos foram criados, incialmente, pelos hinduse aperfeiçoado e difundido pelos árabes, principalmente. No entanto, esse sistema sofreu várias evoluções em sua escrita e usavam um sistema de numeração de nove símbolos para representar os algarismos de 1 a 9, pois o zero anda não fora criado. O sistema indo-arábico é de base 10 e posicional e sua forma representativa mais antiga, a hindu, até a mais próximas dos nossos dias estão representadas nas figuras a seguir. 08 REFERÊNCIAS (fontes consultadas) LOVO, Leiliane de Fátima. SOUZA, Luana da Silva; BARANECK, Elda Fátima Zampiva. A EVOLUÇÃO DOS NÚMEROS ATRAVÉS DAS CIVILIZAÇÕES. Revista Eletrônica FACIMEDIT, v5, n1, Jan/Ago. 2016 Mol, Rogério Santos. INTRODUÇÃO à história da matemática / Rogério S. Mol. – Belo Horizonte: CAED-UFMG, 2013. RAFAEL RIX GERONIMO; FUMIKAZU SAITO. O papiro de Rhind: uma estudo preliminar. Rev. Prod. Disc. Educ. Matem., São Paulo, v.1, n.1, pp.123-132, 2012.