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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA 
SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TELEFONIA BÁSICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
1. Histórico da Telefonia, 7 
1.1 - Histórico da Telefonia no Brasil, 9. 
1.2 - Evolução da Telefonia Fixa em Natal RN (Telern-Telemar), 12. 
2 - As normas das concessões e a qualidade do serviço, 15. 
2.1 Alcance das redes de telecomunicações, 17. 
3. Fundamentos de Acústica, 20. 
3.1 Voz X Audição, 20. 
3.2 – Inteligibilidade, 21. 
3.3 – Transformação de Energia Acústica em Energia Elétrica, 22. 
3.4 – Transformação de Energia Elétrica em Energia Acústica, 23. 
4 - Unidades de Medidas em Telecomunicações, 24. 
4.1 – Relação de Potências e quadripolos, 25. 
4.2 – Decibel, 26. 
4.3 – dBm, 28. 
4.4 – dBu, 30. 
4.5 – dBr, 33. 
4.6 – Outras unidades logarítmicas, 34. 
5 - Conceitos Elementares de Comutação, 34. 
5.1 - Nós e Arcos, 34. 
5.2 - Modelo elementar de comunicação, 35. 
5.3 - Introdução às centrais telefônicas, 37. 
5.4 - Centrais Telefônicas Manuais, 38. 
5.5 - Automatização das Comutações, 39. 
5.5.1 - Centrais Eletro-mecânicas, 39. 
5.5.2 - Centrais Eletrônicas, 41. 
5.5.3 – Centrais Digitais, 41. 
6 - Sistemas Telefônicos Públicos, 43. 
6.1 - Centrais Locais, 43. 
6.2 - Centrais Tandem, 44. 
6.3 - Centrais Mistas, 46. 
6.4 - Centrais de Trânsito, 47 
6.5 – Hierarquias Entre Centrais, 48 
6.6 - Diferentes Entroncamentos de Circuitos – Rotas, 49 
6.7 - Sistema de Telefonia no Rio Grande do Norte, 50 
6.8 – ELR (Estágios de Linha Remotos) ou URAs (Unidades Remotas de Assinantes), 
51 
6.9 - Estação Telefônica Local e Interurbana, 53. 
7 - Características da Rede Telefônica, 55. 
7.1 – Rede de Assinantes (Rede de Acesso), 55. 
7.1.1 – Tipos de Redes de Acesso, 57. 
7.1.1.1 – Redes Rígidas, 57. 
7.1.1.2 – Redes Flexíveis, 58. 
7.1.1.3 – Redes Múltiplas, 59. 
7.1.1.4 – Linha Privada, 60. 
7.2 – Elementos das Redes de Acesso, 61 
7.2.1 Blocos de Terminação, 61. 
7.2.2 - Fio Jumper ou FDG, 61. 
7.2.3 - Distribuidor Geral (DG), 61. 
7.2.4 - Caixa de DG, 65. 
7.2.5 - Caixa de distribuição, 65. 
7.2.6 - Caixa Subterrânea, 65. 
7.2.7 - Armário de Distribuição, 65. 
7.2.8 - Cabo Primário, 66. 
7.2.9 - Cabo Secundário, 66. 
7.3 – Cabos e Fios Telefônicos, 67. 
7.4 – Degenerações do Sinal de Áudio, 68. 
7.4.1 – Atenuação, 68. 
7.4.2 – Linha Condicionada (pupinização), 70. 
 5
7.4.3 – Ruído Branco, 72. 
7.5 – O Aparelho Telefônico, 73. 
7.5.1 - Circuito de áudio, 74. 
7.5.2 - Processador de chamadas - Pulse Dialer ou DTMF Generator, 74 
7.5.3 - Circuito de Campainha ou Ring (Tone Ring), 76. 
7.5.4 – Principais parâmetros para avaliação dos cabos com pares metálicos 
trançados, 77. 
8 – Sinalização, 78. 
8.1 - Sinalização de Assinante, 78. 
8.1.1 - Tom de Discar (TD), 78. 
8.1.2 - Tom de Chamada (TC) ou Tom de controle de Chamada, 79. 
8.1.3 - Tom de Ocupado (TO ou LO), 79. 
8.1.4 - Tom de Número Inacessível (TNI), 80. 
8.1.5 - Corrente de Toque (CT), 80. 
8.1.6 – Outros tipos, 81. 
8.2 - Sinalização de Linha, 81. 
8.2.1 - Tipos de Sinalização de Linha, 81. 
8.2.2 - Descrição dos Sinais, 82. 
8.3 - Sinalização de loop, 83. 
8.4 - Sinalização E & M Pulsada, 83. 
8.5 - Sinalização E & M Contínua, 84. 
8.6 - Sinalização de Registro, 85. 
8.6.1 - Sinalização Decádica, 85. 
8.6.2 - Sinalização Multifreqüencial Compelida ou MFC, 85. 
8.6.3 - Sinalização DTMF e MFP, 90. 
9 - Centrais privadas de Comutação telefônica (CPCT), 90. 
10 - Sistemas Multiplex, 92. 
10.1 – Modos de operação de um meio de transmissão, 92. 
10.2 – Conceito de Canal e Circuito, 92. 
10.3 – Circuitos a 2 Fios e a 4 Fios, 93. 
10.4 – Dispositivos Híbridos, 94. 
10.5 – Conceito de Multiplexação, 95. 
10.6 – Tipos de Multiplexação, 97. 
10.6.1 - Técnica digital, 97. 
10.6.2 – Técnina analógica, 97. 
11 – Multiplexação FDM – Frequency Division Multiplex, 97. 
11.1 – Canal Multiplex, 97. 
11.1.1 – Representação Convencional, 97. 
11.1.2 – Tipos de Canais Multiplex, 98. 
11.2 – Translação ou conversão de freqüências, 99. 
11.3 – Modulação e Demodulação, 99. 
11.3.1 – Tipos de Modulação, 100. 
11.4 – Modulação em amplitude, 100. 
11.4.1 – Representação matemática do sinal modulado, 101. 
11.4.2 – Percentagem de Modulação, 102. 
11.4.3 – Faixas Laterais, 104. 
11.4.4 – Distribuição de Potência na Modulação em Amplitude, 105. 
11.4.5 – Principais Processos de Modulação em Amplitude Utilizados pelo 
FDM, 107. 
11.5 – Demodulação em Amplitude, 109. 
11.6 – Princípio Básico do Multiplex por Divisão de Freqüência (FDM), 110. 
11.7 – Banda Básica, 112. 
11.7.1 – Conceito, 112, 
11.7.2 – Estágios de Translação, 112. 
11.7.3 – Procedimento, 113. 
11.8 – Representação das Bandas Básicas no Domínio do Tempo e da Freqüência, 
116. 
11.9 – Sistemas de Transmissão Multiplex via Rádio, 118. 
11.10 – Representação de transmissão Multiplex e etapas de uma ligação telefônica 
interurbana, 124. 
 6
1. Histórico da Telefonia 
 
Em todas as épocas, cada vez mais o homem tem procurado aprimorar 
a comunicação, fator primordial para escrever a sua própria história. Nos 
tempos mais remotos, a linguagem na forma de sons guturais foi único meio 
existente de exprimir idéias e pensamentos de uma pessoa para outra. Essa 
forma de comunicação foi desenvolvendo-se com o tempo, algumas em uso 
até hoje, sendo a mais importante forma de comunicação existente. 
A comunicação elétrica começou com a invenção do telégrafo, por 
Wheatstone e Morse em 1837, o qual se expandiu por todo o mundo. A 
Telegrafia é uma comunicação codificada (digital) direcional e que no Brasil 
teve na figura do marechal indianista e pacifista Cândido Mariano Rondon o 
seu grande implantador, especialmente na região norte do país. 
Naquela época, a única maneira de ampliar a voz era colocando as 
mãos ao redor da boca, em forma de cone, a fim de concentrar as ondas 
sonoras em direção ao ouvinte. Foi daí que surgiu a idéia de construção do 
Megafone, em forma de um grande cone, muito usado na comunicação de 
curta distância. Um outro aparelho inventado, baseado nos mesmos princípios, 
foi a trombeta de ouvido. Esse aparelho captava as ondas sonoras de uma 
área relativamente extensa e as concentrava no ouvido. 
Os esforços do homem para vencer a dissipação das ondas sonoras 
levaram-no à construção de túneis sonoros entre prédios medievais. Um 
moderno avanço dessa idéia é o tubo falante, usado em muitas casas e prédios 
antigos. 
Com a evolução, foi necessário que a voz fosse transmitida entre 
cidades; o meio científico percebeu que a resposta ao problema não estava na 
utilização da força bruta, num esforço para ampliar o campo de ação da 
comunicação da voz. 
Muitos estudiosos, cientistas e inventores tiveram uma idéia do que seria 
necessário para providenciar a resposta à procura de um melhor meio de 
transmitir a comunicação da voz. A invenção do telefone é atribuída a 
Alexander Graham Bell (1847-1922), que em 1876 requereu a patente de sua 
invenção, denominada na época de “melhoramento da telegrafia”. 20 anos 
antes, o francês Charles Bourseul (1829 – 1912), já havia mostrado o princípio 
da telefonia elétrica: uma placa móvel, interposta num circuito cortado por suas 
vibrações acústicas, poderia gerar uma corrente que, agindo à distância sobre 
outra placa móvel, poderia reproduzir a voz que fizesse vibrar a primeira placa. 
Em 1861, o fisco alemão Philip Reis (1834-1874) construiu uma 
engenhoca baseada no princípio anunciado anteriormente, mas que só 
transmitia tons musicais e não era capaz de reproduzir a intensidade ou timbre 
da voz humana. O transmissor consistia em um diafragma que vibrava com a 
pressão sonora, como mostra a Figura 1.1.7
 
Figura 1.1 - Fenômeno batizado de “Page Effect 
 
No centro desse diafragma havia um contato de platina que fechava ou 
abria de acordo com as vibrações. Em série com esse contato era colocada 
uma bateria e uma espécie de bobina enrolada num material previamente 
magnetizado, que com a variação da corrente elétrica produzia um fenômeno 
chamado de Page Effect. Nesse fenômeno, as linhas de forças do campo 
magnético do material são alongadas quando o sentido da corrente na bobina é 
um, quando o sentindo é outro, o campo magnético é comprimido. Com o 
alongamento e a compressão, produzia-se sons fracos no material 
magnetizado, na verdade a invenção serviu apenas para produzir tons 
musicais. 
Porém, só Bell conseguiu transmitir a primeira mensagem telefônica e 
em 14 de fevereiro de 1876, na cidade de Washington, um procurador seu deu 
entrada no pedido da patente, cujo diagrama é mostrado na Figura 1.2. 
 
 
 
Figura 1.2 – Diagrama da invenção de Bell apresentado no escritório de patentes 
 
Poucas horas antes, no United States Patent Office, Elisha Gray (1835 – 
1901), também requereu patente de outro invento contendo a mesma 
finalidade. Outros inventores e Gray entraram na Justiça contra Bell e depois 
de longa batalha judicial, Bell acabou por ganhar a causa e entrara para 
história como inventor do telefone. 
O invento de Bell foi o primeiro a utilizar uma corrente contínua cuja 
intensidade variava de acordo de acordo com as vibrações de uma membrana. 
Seu aparato, Figura 3, era transmissor e receptor ao mesmo tempo, sendo 
constituído por um ímã permanente sobre o qual se enrolava uma bobina e 
cuja armadura era formada por uma membrana de ferro. Ligando-se por meio 
de um fio as bobinas dos eletroímãs dos dois aparelhos, tinha-se um Telefone. 
 
 8
 
 
Figura 3 – Primeiro telefone 
As vibrações da voz humana faziam deslocar-se a membrana conjugada 
com o ferro onde uma variação do fluxo magnético produzia uma corrente no 
circuito (Lei de Faraday). Essa corrente provocava o deslocamento da 
armadura do aparelho receptor, reproduzindo com as vibrações, transmitindo 
assim a voz humana. O deslocamento da membrana era de pequena amplitude 
e Bell só conseguia o alcance de mais ou menos uns 200 metros. 
Bell tentou vender sua patente para a Western Telegraph Company por 
100.000 dólares e não conseguiu; a empresa recusou sua oferta, porém um 
ano depois, reconsideraram e ofereceram ao inventor a quantia de 25 milhões 
de dólares à vista, prontamente recusada por Bell, que conseguiu empréstimos 
bancários e criou uma das maiores empresas do mundo, a BELL TELEPHONE 
CO. 
 
1.1 - Histórico da Telefonia no Brasil 
 
D. Pedro II, quando em visita a uma exposição na Philadélfia, em 1876, 
teve o prazer de ser o primeiro Chefe de Estado a falar num telefone e em 
1877, ao voltar de uma viagem aos Estados Unidos e Europa, mandou instalar 
um telefone no Palácio de São Cristóvão. Era uma linha telefônica entre as 
Forças Armadas e o Quartel dos Bombeiros. Em 15 de Novembro de 1879, D. 
Pedro II criou a Companhia Telephonica do Brasil, cujas ações eram 
controladas pela Western Telegraph Company, a primeira concessionária da 
telefonia no Brasil. 
 
Linha do Tempo da telefonia no Brasil: 
 
1877 - D. Pedro II manda trazer dos Estados Unidos o primeiro telefone 
para ser instalado no Palácio Imperial de São Cristóvão. 
1889 – É dada a primeira concessão de uma linha telefônica no Brasil, 
sendo instaladas também linhas telefônicas de aviso de incêndio com a central 
de bombeiros. 
1893 – Já existiam no Rio de Janeiro 5 centrais telefônicas com 1000 
assinantes cada uma, e viabilizaram a primeira linha telefônica interurbana 
interligando o Rio com Petrópolis. 
1922 – O Rio já dispunha de 30.000 linhas instaladas, para uma 
população de 1.200.000 habitantes.Natal,com população de 45.000 habitantes, 
tem apenas 40 telefones 
1923 – É constituída a primeira companhia telefônica, a CTB 
(Companhia Telefônica Brasileira) 
1939 – È inaugurada a primeira estação telefônica automática, tendo 
sido instaladas até então um total de 100.000 linhas de assinantes. 
 9
1945 – Já havia cerca de 1.000.000 de terminais no Brasil, operados por 
800 empresas particulares, onde 75% dos serviços eram prestados pela CTB 
nos estados do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. 
Até 1962 – O Brasil sofreu uma estagnação no crescimento da 
Telefonia, com pouca oferta de linhas para a população. Eram muito freqüentes 
os congestionamentos dos serviços telefônicos. 
As comunicações internacionais estavam nas mãos das operadoras 
estrangeiras Western Telegraph, Radional, Italcable e Radiobrás. As únicas 
operações de telecomunicações em mãos do Estado eram a telegrafia, 
operada pelos Correios, e algumas emissoras de radiodifusão de alcance 
nacional. A situação geral sob o domínio de seis empresas estrangeiras 
revelou-se um desastre de ineficácia 
1962 – Cria-se o CONTEL (Conselho Nacional de Telecomunicações), 
órgão subordinado diretamente à Presidência da República, destinado a 
coordenar, supervisionar e regulamentar as telecomunicações no país. 
1963- É inaugurada a TELERN Companhia Telefônica do RGN, 
empresa estadual cujos objetivos principais são: ampliar a telefonia na capital e 
implantar a comunicação interurbana envolvendo as principais cidades do 
interior do estado. Governo de Aluísio Alves. 
1965 -Cria-se a EMBRATEL (Empresa Brasileira de Telecomunicações) 
com a finalidade de implantar e implementar os sistemas de longa distância no 
Brasil, para interligar as capitais e grandes cidades entre si. É criado também o 
DENTEL (Departamento Nacional de Telecomunicações), tendo como função a 
execução e fiscalização das normas e diretrizes editadas pelo CONTEL. 
Estabeleceu-se uma sobretaxa de 30% nas tarifas normais, com o propósito de 
se financiar a EMBRATEL através do Fundo Nacional de Telecomunicações. 
1967 – O governo cria o Ministério das comunicações para fixar a 
política nacional das telecomunicações, assumindo a coordenação central do 
crescimento de toda a Rede Nacional de Telefona, dos Correios e da 
Radiodifusão. 
1972 – O Ministério das Comunicações cria a TELEBRÁS, emprese de 
capital misto, reduzindo o número de empresas prestadoras de serviços para 
28, praticamente uma para cada estado e território do país. Com sua criação, a 
TELEBRÁS começou a contribuir de forma expressiva para o crescimento do 
plano de expansão nacional. AS Operadoras estaduais foram quase todas 
absorvidas pela Telebrás, a TELERN passou a denominar-se 
Telecomunicações do Rio Grande do Norte S.A. empresa de economia mista 
onde o principal acionista era a Telebrás, Ministério das Comunicações. 
1985 – O setor das telecomunicações tem uma taxa de crescimento 
econômico da ordem de 7,5% sendo considerada por especialistas como a 
maior do mundo, atingindo um índice de 96% na nacionalização dos 
equipamentos industrializados pr empresas do setor. 
1988 – Adotado o padrão AMPS pela TELEBRÁS para a telefonia 
celular 
1990 – Tem início o primeiro serviço móvel celular do Brasil, no Rio de 
Janeiro. 
1992 – O Brasil chega a instalar 14 milhões de linhas telefônicas, 
atingindo a proporção de 10 telefones para cada 100 habitantes e a 
TELEBRÁS é afiliada como membro internacional da CTIA. 
 10
1994 – A TELEBRÁS consegue cobrir com a telefonia celular todas as 
capitais dos Estados e cerca de 250 cidades do país, Natal foi a segunda 
capital nordestina a ter telefonia móvel celular. 
1997 – O Brasil fecha o ano com cerca de 4,3 milhões de terminais 
celulares em operação 
1998 – A TELEBRÁS é privatizada. 
Empresa Consórcio Comprador Valor (US$ bilhões) 
Embratel MCI 2,29 
Telesp (S.Paulo) 
Telefónica, Iberdrola, Banco 
Bilbao Vizcaya, RBS (Brasil), 
Portugal Telecom5,00 
Tele Centro Sul (Paraná, 
Santa Catarina, Mato 
Grosso do Sul, Mato 
Grosso, Goiás, Distrito 
Federal, Tocantins, 
Rondônia e Acre) 
Telecom Italia, Banco 
Opportunity (Brasil) 1,80 
Telemar (Rio de Janeiro, 
Minas Gerais, Espírito 
Santo, Bahia,RN e outros 
estados do Nordeste, 
Amazonas, Pará, Roraima e 
Amapá) 
Andrade Gutierrez, La 
Fonte, Inepar, Brasil 
Veiculos, Macal (todas 
brasileiras) 
3,00 
Telesp Celular (São Paulo) Portugal Telecom 3,10 
Tele Sudeste Celular (Rio de 
Janeiro, Espírito Santo) 
Telefónica, Iberdrola, NTT 
Mobile, Itochu 1,20 
Telemig Celular (Minas 
Gerais) 
Telesystems International, 
Banco Opportunity 0,66 
Tele Celular Sul (Paraná, 
Santa Catarina, Rio Grande 
do Sul) 
Organizações Globo (Brasil), 
Banco Bradesco (Brasil), 
Telecom Itália 
0,61 
Tele Norte Celular 
(Amazonas, Pará, Roraima, 
Pará, Maranhão) 
Telesystems International, 
Banco Opportunity 0,16 
Tele Centro Oeste Celular 
(Acre, Distrito Federal, 
Goiás, Mato Grosso, Mato 
Grosso do Sul, Rondônia, 
Tocantins) 
Splice do Brasil 0,38 
Tele Leste Celular (Bahia, 
Sergipe) Telefónica, Iberdrola 0,37 
Tele Nordeste Celular (seis 
estados do Nordeste: 
Alagoas, Ceará, 
Pernambuco, Paraíba, Piauí, 
Rio Grande do Norte) 
Organizações Globo, Banco 
Bradesco, Telecom Itália 0,58 
 Total 19,15 
 11
O processo de privatização criou ainda 10 empresas-espelho de 
telefonia celular para operar na banda B, competindo com as oito originalmente 
existentes. Atualmente operam também duas empresas nas bandas D e E 
(ambas com padrão GSM). Três empresas-espelho de telefonia fixa e uma 
operadora-espelho de longa distância (a Intelig, espelho da Embratel) foram 
também autorizadas a operar. 
A Telebrás detinha 77% do capital das empresas do sistema, e o 
governo federal era dono de 19,26% dessa porção - ou seja, o leilão de julho 
de 1998 vendeu 14,8% do valor total das empresas do sistema Telebrás - esta 
porcentagem correspondia a 51,79% do total de ações com direito a voto do 
sistema, ou 64,4 bilhões de ações. 
O total da venda dos 14,8% mencionados acima foi de US$19,15 
bilhões. A tabela anterior resume as aquisições. A preparação para o processo 
de privatização envolveu o desmembramento do sistema Telebrás em doze 
empresas, sendo três de telefonia fixa, oito de telefonia celular e uma de 
comunicação de longa distância. Assim, as operadoras de celular foram 
separadas das empresas de telefonia fixa, formando-se oito empresas 
regionais que operam telefonia celular na banda A, todas privatizadas em 1998. 
 
1.2 - Evolução da Telefonia Fixa em Natal RN (Telern-Telemar) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 12
 
 
 
 13
 
 
 
 
 
Existem cerca de 85 URAs (Unidades Remotas de Assinantes) vinculadas às 
Centrais-Mães acima apresentados espalhadas em Natal, garantindo para mais de 
70% dos assinantes uma distância em par metálico máxima de 1 Km . 
Nos entroncamentos ópticos predominam os sistemas SDH, STM-1 ou STM-4 com 
taxas de 155,2 e 622 Mbps. 
 
Evolução dos Serviços de Telecomunicações 
1870 1970 1990 2006 
 Internet banda 
larga 
 Home Shopping 
 Reconhecimento 
de Voz 
 Telecomandos 
 Disqueamizade Telealarmes 
 Serviços 
Suplementares 
Telemetria 
 Ligação à 
cobrar 
Serviços 0800 Serviços 0800 
 Radiofone Home Banking Home Banking 
 Telex Telefone com 
fichas 
Internet Celular 
 Telefonia Facsimilie Telex Dados Dados 
Telegrafia Telegrafia Telefonia Facsimilie Telefone a 
cartão 
Telefone a 
cartão 
 Telegrafia Telefonia Paging Comunicações 
 14
Móveis 
 Telegrafia Satélite Voice Banking 
 Satélite Telex Vídeo 
conferência 
 Serviços 
Suplementares
Facsimilie Satélite 
 Telefonia Paging 
 Telegrafia TV a Cabo 
 TV a Cabo Facsimilie 
 Telefonia 
 Telegrafia 
 Disqueamizade 
 Fax colorido 
 Telemedicina 
Evolução dos serviços de telecomunicações. Fonte: Telecommunications 
Switching Traffic and Networks, J.E. Flood, Prentice Hal 
International,2005. 
 
A Tabela anterior ilustra sinteticamente a evolução dos serviços de 
telecomunicações (só são citados os principais, mas existem outros). 
 
2 - As normas das concessões e a qualidade do 
serviço 
Até a privatização, o poder do setor estava centrado no Ministério das 
Comunicações, organismo controlador da Telebrás e da empresa estatal de 
correios (EBCT). 
Desde a criação da Telebrás não se via uma mudança tão significativa 
na estrutura de poder do setor no Brasil quanto a aprovação da emenda 
constitucional de agosto de 1995, que aboliu a perpetuidade do monopólio 
federal das telecomunicações. A preparação legal para o processo de 
privatização culminou com a Lei Geral das Telecomunicações, de 1997. 
Uma das mudanças significativas na estrutura de regulação e controle foi a 
criação da Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel (outubro de 1997), 
órgão regulador federal das telecomunicações concebido nos moldes da 
Federal Communications Commission (FCC) dos EUA. De fato, entre as 
obrigações da Anatel estão: 
• aprovar, suspender e cancelar concessões; 
• regulamentar os procedimentos de licenciamento e prestação de 
serviços; 
• fiscalizar o funcionamento das concessionárias; 
• gerenciar os espectros de telecomunicações, incluindo equipamento em 
órbita; 
• certificação de produtos e equipamentos. 
Nos últimos anos do monopólio Telebrás, a “holding” passaria a ser 
conhecida não por sua missão formal (estender os serviços públicos de 
 15
telecomunicações a todos os brasileiros), mas por sua ação na prática: 
restringir ou mesmo reprimir a demanda. 
A deterioração dos serviços, particularmente de telefonia, combinada com a 
impossibilidade na prática de obter melhora de serviços através de ações 
legais dos consumidores - havia uma única empresa provedora de serviços, 
que também era a reguladora da concessão - favoreceu os argumentos pró-
privatização em um contexto de uma imensa demanda frustrada em que só era 
possível obter linhas fixas ou ativação celular a curto prazo no mercado 
paralelo de linhas telefônicas. 
De certo modo reproduzia-se a mesma situação de quando a telefonia 
estava em mãos de operadoras estrangeiras ou de pequenas empresas 
privadas - só que num cenário de escala muito maior e de grandes mudanças 
tecnológicas no setor a nível mundial. Alguns dos argumentos que serviram 
para a estatização de 1962 em diante, serviam agora para a reprivatização dos 
serviços. 
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi instalada com a 
missão de viabilizar um novo modelo para as telecomunicações brasileiras, 
principiando com a definição e a execução do processo de privatização do 
Sistema Telebrás. Com a privatização, o papel fundamental da Anatel passou a 
ser o de regulamentação, outorga e fiscalização de serviços de 
telecomunicações no país. 
As concessionárias passaram então a responder perante a Anatel pela 
qualidade dos serviços e pelas metas estabelecidas nos contratos de 
concessão. Estão entre as determinações nos contratos: prazo de 18 meses a 
partir da aquisição para cumprir as novas regras; qualidade de serviço 
consistente com padrões internacionais até o ano 2000 (incluindo a instalação 
de linhas fixas residenciais em até 72 horas da solicitação do cliente); metas de 
instalação de terminais telefônicos compatíveis com a missão de serviço 
universal quantitativamente definidas ano a ano; redução progressiva de 
tarifas, com queda expressiva prevista até 2005. 
Não é surpresa saber que uma das tarefas da Anatel tem sido multar as 
concessionárias por não cumprimento das metas de qualidade e extensão dos 
serviços. Note-se que algumasdas empresas transnacionais controladoras 
de serviços no Brasil são também multadas em seus países-sedes. De acordo 
com El País (22 de julho de 2000) a Telefónica acumulava na época, na 
Espanha, por exemplo, um total de aproximadamente US$20 milhões em 
multas entre fevereiro de 1995 e julho de 2000, por falhas como atraso na 
entrega de linhas, cobrança indevida, obstáculos ilegais à entrada de 
competidoras, quebras de contrato e outras. 
No Brasil, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) de São Paulo já 
recebeu desde a privatização mais de 100 mil reclamações sobre serviços de 
telefonia - a maioria contra a Telefónica. O Idec estima que há pelo menos uma 
nova reclamação chegando aos órgãos de defesa do consumidor do país 
contra concessionárias de telefonia a cada 15 minutos. 
Neste contexto, é possível que as metas da Anatel (ver abaixo) não 
cheguem a ser alcançadas nos prazos estipulados. E há um agravante: além 
da duvidosa qualidade do serviço, as curvas de crescimento de demanda estão 
se achatando em um país de extrema concentração de renda e, somente pelas 
leis do mercado, é muito provável que não haverá consumidores suficientes 
para pagar por 116 milhões de linhas (entre linhas fixas e móveis) em 2006. 
 16
 
 
 
2.1 Alcance das redes de telecomunicações 
Telefonia fixa 
 
A tabela abaixo mostra a escala da telefonia brasileira em números 
absolutos e relativos, incluindo projeções a partir de dados da ANATEL até o 
ano de 2005. 
É importante destacar a importância da participação do governo através 
da ANATEL como órgão regulador. As Operadoras têm que atender diversas 
metas de universalização e de qualidade de serviço para poder prestar novos 
tipos de atendimentos. Dessa maneira, a Telemar, por exemplo, que presta 
serviços no norte-nordeste e leste do país, teve que antecipar o atendimento 
telefônico a todas as localidades com mais de 300 habitantes até dezembro de 
2001 para que em 2002 pudesse iniciar a prestação do serviço SMP (celular) 
através da OI. Também na área de telefones públicos a Telemar foi obrigada a 
instalar milhares de orelhões garantindo um espaçamento máximo de 300 
metros entre Telefones Públicos para qualquer cidade co mais de 700 
habitantes, isso tudo sem falar obrigatoriedade de instalação de orelhões na 
vizinhança de todas escolas e hospitais e no tempo máximo de 24 horas para 
conserto das linhas defeituosas. 
Alcance da telefonia fixa no Brasil 
Ano Linhas 
(milhões) 
Linhas por 100 
hab. 
Habitantes 
(milhões) 
1999 27 17 160 
2000 33 20 162 
2001 37 22 165 
2002 40 24 167 
2003 43 25 169 
2004 47 27 172 
2005 51 29 174 
Fonte: estimativas baseadas em dados da Anatel. 
 
A Anatel previa ainda que os telefones públicos passassem de 713 mil 
em 1999 a 981 mil no final de 2001. Todas essas projeções são baseadas nos 
contratos de concessão, que determinam metas a serem cumpridas pelas 
concessionárias de telefonia. As projeções podem ser afetadas pela extensão e 
intensidade de uso de telefones celulares e similares que, dependendo de 
custo, avanço da tecnologia e eficácia, podem funcionar como substitutos de 
circuitos fixos. Hoje mesmo empresas-espelhos de telefonia fixa, sem a infra-
 17
estrutura de cabeamento disponível, instalam telefones “fixos” que na verdade 
são telefones sem fio usando a mesma tecnologia de spread spectrum dos 
celulares. 
Telefonia celular 
É mais difícil prever o alcance da telefonia celular no país nos próximos 
anos devido à rápida mudança de tecnologia, que envolve, entre outros 
elementos, a mudança rápida de padrões tecnológicos para fazer convergir as 
comunicações de dados e de voz, tornando o telefone celular em um sistema 
de comunicação pessoal (PCS) e possivelmente indo além, tornando-se uma 
estação de comunicações digitais portátil abrangendo dados, áudio e vídeo 
interativos. 
Um cenário possível, dada a concentração de renda extrema no país, é 
a coexistência por muitos anos do telefone celular digital básico (basicamente 
usado para voz e limitado a troca de dados em baixa velocidade) e de PCSs 
sofisticados permitindo uso interativo de multimeios com grande largura de 
banda. 
Ano Terminais 
móveis 
(milhões) 
Terminais 
móveis por 100 
hab. 
Habitantes 
(milhões) 
2000 23,19 14,31 162 
2001 28,75 17,42 165 
2002 34,88 20,89 167 
2003 46,37 27,44 169 
2004 (*) 49,14 28,57 172 
(*) Até março. Fonte: Anatel. 
Em 2003, o total de terminais móveis (celulares e serviços móveis 
similares) em uso no país ultrapassou os 46 milhões (quase três para cada 10 
habitantes), número próximo da meta prevista pela Anatel. A taxa de 
crescimento diminuiu bastante, já que a demanda extremamente reprimida de 
vários anos já foi satisfeita (não há mais fila de espera para conseguir um 
celular), e já ultrapassou o número de telefones fixos. Um processo de 
concentração empresarial resultou em apenas quatro grandes operadoras de 
telefonia celular (três baseadas na tecnologia européia GSM e uma baseada na 
tecnologia mais tradicional dos EUA, conhecida como CDMA): Claro/GSM, 
Oi/GSM, Tim/GSM e Vivo/CDMA, todas com cobertura nacional autorizada pela 
Anatel. 
Projeções com base nos dados da Anatel apontam para cerca de 58 
milhões de terminais móveis de todos os tipos em 2005 (mais de 30 celulares 
para cada 100 pessoas), praticamente igualando as projeções de telefones 
fixos para o mesmo ano. Como já mencionado, é preciso contrastar essa 
previsão de oferta com a realidade do mercado em um país de extrema 
concentração econômica. 
Fibra óptica 
A infra-estrutura de fibra óptica brasileira começou a ser implantada em 
1993, com a ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo. Só a rede da Embratel 
ultrapassava os 20 mil km de circuitos interurbanos de fibra no final de 1998. 
 18
Hoje há redes metropolitanas de fibra óptica nas principais cidades, operadas 
por várias empresas privadas, e as principais capitais estão também 
interligadas por fibra, com redundância entre as principais cidades (Rio de 
Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília). Todas as empresas de telefonia, 
além da Embratel, implantaram redes próprias de fibra, e as novas regras 
permitem que empresas de outros setores implantem redes de fibra 
aproveitando suas próprias infra-estruturas (como as empresas distribuidoras 
de eletricidade e outras -- um exemplo é a rede de fibra da Eletronet, sobre as 
linhas de transmissão de energia elétrica de alta voltagem). 
Além disso, grandes projetos multinacionais de fibra foram instalados em 
escala regional, interconectando vários países da região entre si e aos EUA. 
Entre os cinco maiores projetos que incluem o Brasil, destacam-se os sistemas 
Telefónica-Tyco (23 mil km de extensão) e Global Crossing (18 mil km) 
circundando a América Latina - ambos já em operação, com capacidade bruta 
regional de mais de um Tb/s (terabits por segundo) cada. 
. A redução de tarifas e expansão da telefonia móvel celular, além da 
saturação no mercado, conduziu à diminuição do crescimento de telefones 
fixos, no RN, por exemplo, a Telemar tem tido redução na quantidade total de 
telefones em serviço desde o ano de 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 19
 
 
 
 
3 - Fundamentos de Acústica 
 
 3.1 - Voz X Audição 
 
O som é sensação causada no sistema nervoso pela vibração de 
delicadas membranas no ouvido, como resultado da vibração de corpos rígidos 
ou semi-rígidos, tais como diapasão, alto-falante ou uma campainha. O som é 
uma energia mecânica, necessitando de um meio material para propagar, 
diferentemente da energia eletromagnética que se propaga no vácuo. 
O ar constitui um meio do qual o som pode ser transmitido. Entretanto, 
outros meios quer sólidosou líquidos podem servir para sua propagação. 
Constata-se que um meio com maior densidade, isto é, um sólido propaga o 
som melhor do que o ar. A Figura 3.1 ilustra as principais partes do ouvido 
humano. 
 
 
 
Figura 3.1 – Aspecto do ouvido humano 
 
As freqüências audíveis vão desde 20 Hz a 20kHz, sendo que o limite 
superior varia de pessoa para pessoa e decresce com a idade. Para que o som 
possa ser percebido pelos órgãos auditivos tem que haver uma intensidade 
mínima, que corresponde ao limite inferior de audibilidade, chamado umbral de 
audibilidade. Este limite varia com a freqüência. O ouvido humano tem uma 
sensibilidade maior para as freqüências de aproximadamente 3kHz. 
As principais características do ouvido humano são: 
* recepção: vibração do tímpano; 
* faixa de freqüência: 16 Hz a 20 kHz; 
* resposta: não-linear 
 20
 
A Figura 3.2 mostra a curva de resposta em freqüência do ouvido 
humano 
 
 
Figura 3.2 – Resposta em freqüência do ouvido humano 
A voz humana produz vibração sonora dentro de uma faixa de 
freqüências de 100 Hz a 10 kHz. Cada som emitido é composto, 
simultaneamente, de diversas freqüências. As freqüências dos sons vocais são 
harmônicos de uma certa freqüência fundamental das cordas vocais, razão 
principal da diferença entre a voz masculina (125 Hz) e a voz feminina (250 
Hz). 
A potência média da voz de diversas pessoas pode variar dentro de 
amplos limites, sendo, no entanto de um valor muito baixo; uma pessoa falando 
baixo produz 0,001 microwatt, falando normalmente 10 microwatts, e gritando 1 
a 2 miliwatts. Outra característica importante da voz que deve ser levada em 
conta, é que a maior parte da energia está concentrada nas baixas freqüências. 
As principais características da voz humana são: 
* emissão: vibração das cordas vocais; 
* faixa de freqüência: 20 Hz a 10 kHz; 
* faixa de maior energia: 100 Hz a 1500 Hz 
* faixa de maior inteligibilidade: 1500 Hz a 8000 Hz. 
 
 
Figura 3.2 - Curva característica da voz humana no domínio da freqüência. 
 
 
3.2 – Inteligibilidade 
 
Diversos estudos foram realizados para determinar qual a faixa de 
freqüências mais apropriada, sob o ponto de vista econômico e de qualidade, 
para as comunicações 
 Para fonia (transmissão de voz), foram basicamente levados em conta 
os seguintes fatores, resultantes das características da voz e do ouvido 
humano: inteligibilidade e energia da voz. 
 A inteligibilidade é definida como o percentual de palavras perfeitamente 
reconhecidas numa conversação. Verificou-se que na faixa de 100 a 1,5 KHz 
 21
estava concentrada 90% da energia da voz humana, enquanto que na faixa 
acima de 1,5 KHz estava concentrada 70% da inteligibilidade das palavras. 
 Baseado num compromisso entre estes dois valores, foi escolhida a 
faixa de voz entre 300 e 3,4 KHz para comunicações telefônicas, o que 
garante 85% de inteligibilidade e 68% de energia da voz recebida pelo ouvinte. 
Para transmissão de música, no entanto, é necessário uma faixa bem maior, de 
50 Hz a 10 Khz. 
 
Considerando esse fato, os sistemas telefônicos em geral foram 
projetados e construídos no mundo todo para atender bem ao espectro definido 
para telefonia simples, assim os aparelhos telefônicos têm boa resposta nas 
cápsulas transmissora e receptora para a parcela de energia da voz humana 
que se situa entre as freqüências de 300 e 3,4 Khz, garantindo 85% de 
inteligibilidade. 
A rede telefônica funciona bem em sistemas de cabos com pares 
metálicos (sem amplificadores de linha) trançados onde a distância entre a 
central telefônica e o aparelho telefônico do assinante situa-se até cerca de 7,5 
km (correspondendo ao limite de 2 KOhm de resistência Ôhmica), a partir daí a 
condição de sinalização e de conversação passa a ser restrita. Esse limite 
pode ser ampliado um pouco com utilização de fios mais grossos ou 
implantação de amplificação eletrônica. 
A chamada eletronização da rede telefônica com utilização de 
extensores de enlace e amplificadores de voz expostos a altas temperaturas, 
entretanto, se revelou como uma opção de custos elevados em termos de 
manutenção e só tem sido implementada em casos extremos. A implantação 
de linhas longas, como nos casos de atendimentos a granjas situadas na 
periferia das grandes cidades também é sujeita a constantes roubos em função 
do aproveitamento financeiro do cobre. 
A evolução da utilização da rede telefônica para outros serviços, 
especialmente a comunicação digital de dados em alta velocidade conduziu 
naturalmente à necessidade de utilização de bandas passantes superiores a 
3,4 KHz. Na seqüência da Apostila iremos explicar melhor como essa 
adaptação a bandas mais largas foi efetuada na rede telefônica especialmente 
com a redução da extensão da rede de acesso metálica pela utilização de 
URAs e adoção de dispositivos XDSL.. 
 
 
 
 
3.3 – Transformação de Energia Acústica em Energia Elétrica 
 
 A energia acústica produzida pela voz é transformada em energia 
elétrica por intermédio de um microfone, também conhecido como transdutor. 
Nos aparelhos telefônicos, o microfone é, geralmente, uma cápsula de carvão, 
constituída basicamente de grânulos de carvão, limitados por uma membrana 
(Figura 3.3), onde é aplicada uma diferença de potencial que faz circular uma 
corrente DC. 
 
 
 22
 
Figura 3.3 – Transformação de energia acústica em elétrica 
 
 
 Quando as vibrações sonoras incidem sobre a membrana, fazendo-a 
vibrar, este movimento comprime mais ou menos os grânulos, diminuindo ou 
aumentando a resistência, com uma correspondente vibração na corrente no 
mesmo ritmo das vibrações sonoras. Esta variação da corrente produz uma 
potência elétrica, que às vezes é maior que a potência acústica aplicada na 
vibração da membrana, fazendo com que a cápsula se comporte como um 
amplificador. 
 A cápsula de carvão é o microfone mais barato, porém apresenta 
algumas restrições: 
- Produz uma distorção maior que a dos outros microfones. 
- Tem uma sensibilidade que varia com a freqüência, atenuando muito 
as baixas freqüências. 
 
 
3.4 – Transformação de Energia Elétrica em Energia Acústica 
 
 Para transformação da energia elétrica em energia acústica, nos 
aparelhos telefônicos utilizam-se cápsulas magnéticas e dinâmicas. A cápsula 
magnética é constituída, basicamente, de um ímã permanente com duas peças 
polares, providas de bobinas, através das quais circula corrente DC; uma 
membrana metálica fecha o circuito magnético, e a força que atua sobre a 
mesma é proporcional ao quadrado da indução resultante (Figura 3.4). 
 
 
Figura 3.4 – Transformação de energia elétrica em acústica (cápsula magnética) 
 
 23
 Nas cápsulas receptoras dinâmicas, a bobina pela qual circula a corrente 
DC está unida à membrana, movendo-se num campo magnético cilíndrico 
(Figura 3.5); a força que atua sobre a bobina e a membrana é proporcional à 
força do campo magnético permanentemente e à energia que passa pela 
bobina. 
 Ns dois tipos de cápsulas receptoras conseguem-se características 
lineares para a faixa de freqüências de voz, bem como baixa distorção. 
 
Figura 3.4 – Transformação de energia elétrica em acústica (cápsula dinâmica) 
 
É interessante observar que a faixa de freqüência audível ao ser 
humano é cerca do dobro da faixa de freqüência gerada pelo mesmo, além 
disso a natureza nos proporcionou dois receptores (dois ouvidos) e só um 
transmissor (uma boca) ainda assim muitos escutam pouco e falam muito... 
 
4 - Unidades de Medidas em Telecomunicações 
 
 Medir uma grandeza é compará-la com outra de mesma espécie, 
preestabelecida e chamada unidade. A unidade de medida deve ser escolhida 
de maneira que os resultados de diversas medidas sejam números fáceis de 
serem manuseados. Por exemplo: para a grandezacomprimento, as estradas 
são medidas em quilômetros, enquanto o alfaiate usa uma ita graduada em 
centímetros; seria matematicamente exato, mas pouco prático, dizer-se que 
uma estrada tem 40 000 000 centímetros, ou um pedaço de tecido tem 0,00002 
quilômetros. 
 Considerando a potência de um sinal elétrico. Essa grandeza era 
normalmente medida em Watt (W), ou em seus múltiplos e submúltiplos, sendo 
o miliwatt (mW) a unidade que mais se adapta às medidas de potência elétrica 
realizadas em sistemas de Telecomunicações pois, como no item 3.1, a 
potência sonora máxima de uma pessoa pode chegar a ser dez mil vezes 
maior que a potência sonora mínima dessa mesma pessoa, numa conversação 
normal. 
 Isto significa que, na entrada de um equipamento de comunicação, a 
potência elétrica instantânea pode variar na razão de 10 000 para 1 e que, em 
casos extremos (uma pessoa gritando), pode atingir variações maiores ainda, 
da ordem de 10 000 000 para 1. Esta extensa variação torna pouco prática a 
medida da potência em questão, através de medidores com escalas decimais, 
pois teríamos uma escala de 1 até 10 milhões. 
 Este problema é resolvido comprimindo-se as escalas com o uso de 
logaritmos pois, como sabemos da matemática, uma variação de 1 para 10 000 
 24
000 significa em logaritmos decimais uma variação de somente 0 para 7, 
resultando com que, praticamente, todas as medidas de nível de potência em 
Telecomunicações sejam logarítmicas. 
 
 4.1 – Relação de Potências e quadripolos 
 
 Quando uma informação é enviada de um ponto a outro, os sinais 
elétricos passam através de diversos elementos que compõe o sistema de 
transmissão, tal como telefone, linha física, central telefônica, multiplex, etc. 
Cada um desses elementos, ou mesmo parte deles, pode ser representado por 
um quadripolo que tem a possibilidade de atenuar o sinal (significa que a 
potência do sinal de entrada do mesmo é maior que a de saída), ou amplificar 
o mesmo (significa que a potência do sinal de entrada é menor que a de saída). 
 Se considerarmos como relação de potência M de um quadripolo a 
razão entre a potência de saída e de entrada do mesmo, ao ligarmos em série 
N elementos do sistema de transmissão, conforme a Figura 4.1, poderemos 
calcular a relação de potência total do sistema. 
 
 
Figura 4.1 – Quadripolos em série. 
 
Como sabemos: 
 
 
 
 
 
 
então: 
 
 
 
ou ainda: 
 
 
 
 
Onde se conclui que: para N quadripolos em série, a relação de potência total é 
igual ao produto das relações de potências individuais dos N quadripolos. 
 
 
 
 
 25
4.2 - Decibel 
 
 Como vimos, poderemos então ter a relação entre as potências de 
entrada e saída de um quadripolo apresentando atenuação ou amplificação. Se 
tomarmos o logaritmo decimal dessa relação, estaremos definindo o BELL (B) 
 
 
 
 
 Na prática, devido a esta unidade ser muito grande, adota-se uma 
subunidade, o decibel (dB) 
 
 
Onde 
 
Gq = amplificação do quadripolo em dB; 
Pq = potência de saída do quadripolo; 
Pq - 1 = potência de entrada do quadriplo 
 
IMPORTANTE: 
Se Pq > Pq - 1 – Gq é maior que 0 (dB), e teremos amplificação 
Se Pq < Pq - 1 – Gq é menor que 0 (dB), e teremos atenuação 
Se Pq = Pq - 1 – Gq é igual a 0 (dB) e dizemos que o quadripolo é 
transparente 
 
 As vantagens de se expressar ganho em dB são as seguintes: 
- O cálculo da amplificação total de quadripolos em série passa a ser uma 
soma em dB, ao invés de uma multiplicação de relações de potência, pois 
como sabemos do Item 4.1 
 
 
 
Se tomarmos 10*log de ambos os termos teremos: 
 
 
(Transformamos produto de escalas lineares em somas de escalas 
logarítmicas) 
 
- relações de potências muito grandes passam a ser pequenos valores em dB, 
assim por exemplo: 
 
 
 
 26
 
 
Exemplo 1: 
 
- Numa linha é enviado um sinal com 400 mW de potência, obtendo-se no 
extremo distante 10 mW. Como a potência de saída é menor que a de entrada, 
calcule a atenuação da linha. 
 
 
Solução: 
 
 
Exemplo 2: 
 
- Um amplificador entrega 2W na saída quando um sinal de 10mW é aplicado 
na sua entrada. 
Calcule o ganho. 
 
 
 
Solução: 
 
 
 
 Como já vimos, ganho e a atenuação são expressos em dB, porém com 
sinais opostos. 
 A fim de evitar erros nos cálculos de amplificação de quadripolos em 
série, costuma-se expressar a atenuação com valor negativo e o ganho com 
valor positivo. 
 
 
 
Exemplo 3: 
- Ao ligarmos em série os quadripolos dos Exemplos 1 e 2, teremos ganho ou 
atenuação? 
 
Solução: 
 
 
Isto significa que teremos um ganho de 7 dB 
 
 
 27
 
Figura 4.2 – Ábacos para conversão de relação de potências em dB e vice-versa 
 
 
- Exemplo 4: 
Qual o ganho do amplificador abaixo? 
 
 
Solução: 
 
 
Da Figura 4.2 temos: 
 
 
G = 47 dB 
 
 
4.3 – dBm 
 
 Uma potência qualquer P pode ser expressa em 
termos da razão entre esta potência P e um valor de 
referência fixo. O valor da potência de referência é o 
mais variado possível, de acordo com o propósito a que 
se destina, como por exemplo: pura transmissão de 
energia elétrica adota-se 1 kW, enquanto que para 
acústica é usado 10-16 W; em Telecomunicações a 
potência de referência é 1mW. 
 
Se considerarmos na expressão 
 
 
 Figura 4.3 – Relação Watt dBm 28
 
esta relação passa a ser um valor absoluto de potência, indicando o número de 
decibéis abaixo ou acima de 1mW. Esta unidade é chamada de dBm e a 
equação passa a ter a forma: 
 
 
 
onde Pq é expresso em mW 
 
 A Figura 4.3 apresenta o ábaco da relação entre potências em Watt e 
dBm. Este ábaco, em conjunto com os da Figura 4.2, servem para os cálculos 
de conversão de unidades. 
 
 
Exemplo 5: 
- Calcule 3500 pW em dBm 
 
Solução: 
 
 
Exemplo 6: 
- Calcule –18 dBm em Watt 
 
Solução: 
 
 
 
 * É importante se observar que níveis absolutos em dBm nunca podem 
ser somados ou subtraídos. O valor de potência em dBm só pode ser 
somado ou subtraído à dB 
 
Exemplo 7: 
- Calcule as seguintes adições de potências 
a) 20 dBm com 20dBm 
b) 20 dBm com 20 dB 
 
Solução: 
 
 
 29
 
Deve-se ter sempre em mente que dBm é potência e dB é relação de 
potências. 
 
Exercícios 
 
1-Um amplificador com ganho nominal de 12 dB tem aplicado um sinal de -12 
dBm, qual a potência do sinal de saída em dBm e em miliwatt ? 
 
2-Um sinal de potência 2 miliwatts é aplicado em um atenuador e a potência de 
saída do mesmo é de 1 miliwatts, qual a atenuação em dB ? 
 
3- Três amplificadores são instalados em cascata (série), os ganhos 
respectivos dos mesmos são: 12 dB, 3 dB e 8 dB, qual a potência de saída em 
miliwatts de um sinal cuja potência na entrada é de 1 miliwatts ? 
 
 
 4.4 – dBu 
 
 Se na equação de definição de dB, substituirmos a potência por seu 
valor em função da tensão U e da impedância Z, obteremos: 
 
 (1) 
 
 Como já vimos anteriormente, uma potência qualquer pode ser 
expressa em termos da razão entre esta potência e um valor de referência fixo. 
Ao invés de tomarmos uma potência como referência, poderemos fixar a 
tensão e a impedância como valores de referência. Assim, a impedância de 
referência é fixada 600 Ω ( valor padronizado para a impedância característica 
dos circuitos de voz) e a tensão é obtida, por conveniência, aplicando-se 1mW 
sobre esta impedância: 
 
 
 
 Substituindo estes valores na Equação (1), obteremos uma potência (dBm) 
relativa à uma tensão de 0,775, aplicada sobre uma impedância de 600 Ω: 
 
 30
(2) 
 
 
 A expressão de U é por definição a unidade dBu, que indica quantos dB 
uma determinada tesão está acima ou abaixo de 0,775 V. 
 
 
 
 
 
 A Figura 4.4 apresenta os ábacos para conversão de tensão em dBu e 
vice-versa.Figura 4.4 – Ábacos para conversão de tensão em dBu e vice-versa 
 
 
 
 
 31
 Verifica-se agora a utilidade desta 
unidade dBu. Em Telecomunicações, o nível de 
potência em dBm, num determinado ponto de 
um circuito, é geralmente medido de maneira 
indireta da seguinte forma: termina-se o ponto 
em questão por uma resistência, cujo valor é 
igual à impedância nominal do ponto, medindo-
se a tensão desenvolvida através da mesma 
por intermédio de um voltímetro, cuja escala é 
calibrada conforme a Figura 4.5. Figura 4.5 – Escala de voltímetro 
calibrada para medir dBu 
 Quando a impedância característica no ponto de teste for 600 Ω, a 
potência em dBm será a leitura em dBu [vide Equação (20]. 
 
 Se a impedância não for 600 Ω, a potência em dBm será a leitura em 
dBu mais um fator de correção, dado por: 
 
 
 
onde Zq é a impedância característica no ponto de teste. Para a impedâncias 
mais usuais, os valores de K estão apresentados na tabela abaixo: 
 
 
 
Exemplo 8: 
 
- Um nível de –35 dBu é medido num ponto de 150 Ω de impedância. Qual é o 
nível em dBm? 
 
Solução: 
 
-35 dBm + 6 dB = -29 dBm 
 
Exemplo 9: 
 
- Num ponto de um circuito, cuja impedância é 75 Ω, tem-se uma potência de 
+5 dBm. Qual é o nível medido em dBu neste ponto? 
 
Solução: 
 
+5dBm – 9 dB = -4 dBu 
 
 
 
 
 
 32
 4.5 – dBr 
 
 Esta unidade é usada para referir o nível de sinal, em qualquer ponto de 
um sistema de transmissão, com relação a um ponto arbitrário do sistema, 
chamado ponto de nível relativo zero. O dBr difere da unidade dB pois, 
enquanto esta última é usada somente para indicar a amplificação ou 
atenuação de um quadripolo, dBr é utilizado para expressar a amplificação ou 
atenuação total que existe entre pontos arbitrários e um ponto de referência 
fixo, num sistema de transmissão. Deve-se notar que a unidade dBr não 
fornece nenhuma informação sobre o nível de potência absoluta no ponto, pois 
esta é função da potência absoluta no ponto de referência. 
 A Figura 4.6 apresenta o diagrama de nível relativo de uma linha de 
transmissão imaginária, na qual B é o ponto de referência de nível relativo zero. 
 
 
Figura 4.6 – Diagrama de nível relativo de uma linha de transmissão 
 
 É importante se notar que o ponto de nível relativo zero não indica 
obrigatoriamente um ponto físico no sistema de transmissão, podendo ser um 
ponto hipotético, como o da Figura 4.7, onde o ponto de nível relativo zero não 
está fisicamente indicado, pois está no meio do amplificador de 4 dB. 
 O dBr é menos utilizado que o dBm. 
 
Figura 4.7 – Diagrama de nível relativo de uma linha de transmissão 
 33
 4.6 – Outras unidades logarítmicas 
 
- O VU : unidade de medida de tensão, usada em estúdios de radio : 0 (zero) 
VU = +4 dBm = 1,228 V em 600 ohms. 
 
- O dBµ : unidade de medida de tensão onde 0 (zero) dbµ = 1 microvolt, usada 
para medir tensões muito pequenas como por ex. sensibilidade de receptores. 
Zero dbµ em 50 ohms equivale a uma potência de -107 dBm. 
 
- O dBmp e dBp: correspondem ao dBm (potência absoluta) e dB (ganho ou 
atenuação) respectivamente ponderados psofometricamente (psofos= ruído), 
ou seja, que levam em conta o somatório das respostas em freqüência do 
ouvido e da cápsula receptora telefônica, é usado para medir ruído e relações 
sinal/ruído em telefonia. Em síntese trata-se de uma unidade de medida com 
ponderação assemelhada à resposta de freqüência (sensibilidade) do ouvido 
humano. O dBmp, por exemplo, corresponde ao dBm medido após passar por 
um filtro com filtro psofométrico normalmente utilizada para medição de ruído. 
Convém destacar que no caso de medição da potência de ruído deve-se 
buscar uma avaliação da potência de “sinais indesejados” que ocupam uma 
determinada faixa de freqüência, distinto portanto da medição usual de um 
sinal de teste do qual já se tem uma idéia da sua freqüência específica. 
 
- O dBi : usado para expressar o ganho de uma antena em relação a antena 
ISOTRÓPICA. A antena isotrópica tem um diagrama de irradiação esférico, ou 
seja , irradia igualmente em todas as direções. O dBi é muito usado em 
cálculos de enlaces de telecomunicações. A antena isotrópica é uma referencia 
teórica, sendo de difícil construção prática. 
 
- O dBd : usado para expressar o ganho de uma antena em relação ao 
DIPOLO de meia onda. O dipolo de meia onda é a antena ressonante mais 
simples e fácil de ser construída e por isso é muito usada como referencia. Em 
espaço livre, o ganho do dipolo de meia onda é de 0 dBd = 2,15dBi 
 
5 - Conceitos Elementares de Comutação 
 
5.1 - Nós e Arcos 
 
Uma comutação é um processo que pode ser realizado por um evento 
mecânico, eletro-mecânico ou eletrônico, seja ele manual ou automático. Diz 
respeito a troca de caminho que um determinado sinal sofrerá, um circuito 
poderá definir a rota (caminho) que um determinado sinal tomará, comutando 
para tal direção. 
Veremos agora duas definições básicas para telecomunicação: Nós e 
Arcos. Nós são pontos de uma comunicação onde acontece uma comutação 
de sinais. Arcos são todos os pontos intermediários de interligação entre os 
Nós que normalmente são construídos com meios de transmissão físicos ou 
pelo espaço livre, tais como: pares de fios, cabos coaxiais, fibras ópticas, ou 
mesmo transmissão de ondas de rádio pelo espaço livre. O conjunto desses 
elementos formará uma rede de telecomunicações. 
 
 34
 
 
 
Figura 5.1 – Nós e Arcos 
 
 
5.2 - Modelo elementar de comunicação 
 
Uma comunicação, qualquer que seja, poderá ser representada por um modelo 
básico, não importando se for uma conversação telefônica, via Internet, sinais 
de fumaça ou a antiga brincadeira de criança com duas latinhas presas por um 
barbante. Vê-se, portanto, claramente que poderá ser uma comunicação 
eletrônica, verbal, por símbolos ou qualquer outro tipo de sinal. 
 
Os elementos básicos de qualquer comunicação são: 
 
Mensagem: conjunto de informações coerentes, previamente 
conhecidas e organizadas de tal forma que possam originar uma mensagem 
que poderá ser entendida por um destinatário; 
Fonte: elemento responsável pela geração da mensagem; 
Destinatário: elemento na comunicação para quem a informação é 
destinada. Será o usuário da informação recebida; 
Codificador: elemento nem sempre presente em uma comunicação. 
Tem como função, a partir do sinal recebido da fonte, produzir um 
embaralhamento da mensagem usando um código específico, para que 
durante o trânsito da informação haja maior dificuldade de interpretação da 
mensagem original por um elemento não autorizado. Portanto, proporciona 
sigilo na mensagem, haverá tanto maior sigilo quanto melhor for o grau de 
complexidade da codificação. Entregará a mensagem ao emissor; 
Emissor: também chamado de transmissor é dispositivo responsável 
pela adequação e inserção do sinal original produzido pela fonte ao meio de 
transmissão do sinal com potência e formato apropriado. É o elemento em que 
se inicia um processo de distorção do sinal, dependendo diretamente da 
qualidade do emissor; 
Meio: como o próprio nome indica é o elemento que se encontra no 
meio do processo de comunicação. Pode-se afirmar com certeza que é um dos 
elos mais importantes em uma comunicação porque ele tem a função de 
propagar a mensagem da fonte ao destinatário, via o conjunto 
emissor/receptor. O meio de transmissão é responsável pelo transporte e 
propagação da mensagem até o seu destino, e é onde ocorrem as maiores 
distorções na mensagem, dependendo diretamente da qualidade do meio e das 
distâncias envolvidas; 
Receptor: dispositivo que efetua a função inversa do emissor, isto é, 
retira a mensagem do meio de transmissão, tentando recuperar o sinal original 
da maneira mais precisa quanto possível. Se o sinal enviado tiversido 
 35
codificado entregará o sinal ao decodificador, caso contrário diretamente ao 
destinatário; 
Decodificador: responsável diretamente pelo processo inverso ao 
codificador, assim, ele fará a remontagem do sinal, de forma a obter o sinal 
original produzido pela fonte, posteriormente repassará o sinal para o 
destinatário; 
Distorção: processo praticamente inevitável em qualquer comunicação, 
onde ocorrerá uma alteração no formato original da mensagem produzida na 
fonte, acarretando erros na comunicação. É diretamente proporcional à 
qualidade dos elementos da comunicação, ao meio de transmissão e aos 
fatores externos à comunicação; 
Fatores externos: são interferências ocorridas no processo de 
comunicação, que não fazem parte do conjunto de dispositivos que 
disponibilizam o tráfego da mensagem, isto é, são de origem externa ao 
sistema, normalmente são introduzidas no processo de propagação pelo meio 
de transmissão, mas também podem ocorrer 
em qualquer ponto entre o emissor/receptor em proporções menores. Citemos 
um exemplo de fator externo a uma comunicação: imagine que você está 
conversando com um amigo e enquanto ele está lhe falando, uma ambulância 
passa bem próximo de vocês, tornando impossível o entendimento da 
mensagem dita por seu amigo enquanto ela estiver passando, pois bem, ai 
está um exemplo de fator externo, já que ela originalmente ela, a ambulância, 
não faz parte da comunicação; 
Canal: todo o conjunto de elementos que se encontra entre a fonte e o 
destinatário. Para o caso de um sistema de telecomunicações será todo o 
software, hardware, fiações e quaisquer equipamentos que se encontrem entre 
a fonte e o destinatário. Na prática chama-se, por exemplo, de canal telefônico 
ao meio físico que interliga dois pontos com disponibilidade de transmissão e 
recepção para a faixa de 0,3 a 3,4 KHz. Já canal de RF é a banda disponível 
na faixa de rádio freqüência podendo transmitir um ( caso de um rádio 
monocanal) ou mais canais (rádio multicanal) telefônicos. O canal telefônico 
muitas vezes é chamado “canal de voz”. 
Fatores Internos: são os fatores interferentes, que proporcionam 
distorções no sinal original, inerentes a um sistema de comunicação. Por 
exemplo, pense em um par de fios, ali estarão presentes características que 
não poderão ser eliminadas, como por exemplo, a resistência por unidade de 
comprimento (resistência por metro de fio) do condutor, além da capacitância 
por unidade de comprimento (capacitância por metro), só para citar dois. 
Quanto maior forem as distâncias envolvidas maiores serão esses parâmetros, 
sendo impossível eliminá-los, portanto sendo inerentes ao sistema. 
Poderá ocorrer que, conforme a complexidade do sistema de 
comunicação, hajam mais conjuntos de codificadores, emissores, meios, 
receptores e decodificadores. 
A Figura 5.2 ilustra o modelo básico de comunicação. 
 
 36
 
Figura 5.2 – Modelo elementar de comunicação 
 
 
5.3 - Introdução às centrais telefônicas 
 
Posteriormente a invenção do telefone, ele chegou a ser considerado um 
dispositivo totalmente inútil, mas gradualmente passou a ser utilizado por 
estabelecimentos comerciais e a partir de 1890 o número de usuários era 
crescente. As ligações ponto a ponto foram sendo superadas e surgiu a 
necessidade de um sistema de comutação para reduzir a complexidade e 
quantidade de conexões. Ao invés de ligações permanentes entre os aparelhos 
de assinantes, descobriu-se a conveniência de ligações que pudessem ser 
comutadas e comandadas por um dispositivo principal que se passou a chamar 
de Central Telefônica. A Figura 5.3 ilustra a inserção da central telefônica. 
 
 
 
 
 
Figura 5.3 – Ligação entre assinantes direta e via central 
 
No desenho indicado na figura anterior, os pontos A, B, C, D e E são 
todos interligados entre si diretamente por cabos ponto a ponto, veja que cada 
conexão origina 4 pontos de interligação, acarretando o inconveniente de 
várias fiações serem necessárias para interligação entre os usuários. Além 
desse fato há o problema de que dois ou mais usuários possam tentar acessar 
(falar) ao mesmo tempo com outro usuário comum, impossibilitando a 
comunicação. A existência de um dispositivo central torna o sistema muito mais 
simplificado. 
Veja que no primeiro exemplo serão necessárias 10 linhas (20 fios) e 4 
delas estarão ligadas em um 
mesmo usuário. No segundo exemplo as linhas e a complexidade será 
extremamente reduzida. 
 37
O número de linhas para conexão de assinantes quando temos ligação 
ponto-a-ponto é dado pela expressão abaixo, onde N é o número de assinantes 
(nós) de uma rede: 
 
LinhasNNL
2
)1( −= 
 
 
 
 
 
 
 
5.4 - Centrais Telefônicas Manuais 
 
 As primeiras centrais de comutação que entraram em serviço eram do 
tipo manual, nas quais o estabelecimento e a interrupção das ligações entre as 
linhas de assinantes eram feitos pela intervenção de pessoas denominadas 
“operadoras”, por meio da utilização de equipamentos chamados “cordões”. 
Inicialmente os operadores eram apenas homens, mas devido ao fato de se 
verificar que as mulheres tinham mais paciência no trato com o público e ao 
fato dos usuários se sentirem mais confortáveis em aguardar o atendimento 
sem reclamar exageradamente, se no outro lado da linha fossem atendidos por 
mulheres. 
 
 
 
Figura 5.4 – Telefonista em uma central de comutação manual 
 
Essas centrais eram totalmente manuais e comandadas por telefonistas, 
que normalmente eram mulheres. Nessa mesma época a ligação permanente 
entre um aparelho telefônico e o equipamento de comutação (central) passou-
se a chamar-se “Linha de Assinante”. 
 
 38
 
 
Figura 5.5 - Representação dos cordões e linhas de assinante 
 
 
 
 
 
5.5 - Automatização das Comutações 
 
O desenvolvimento crescente dos serviços de telefonia e os problemas 
surgidos com a comutação manual mostraram que a comutação automática era 
uma necessidade. Dentre os problemas ocorridos com a comutação manual 
pode-se citar: baixo nível de sigilo na comunicação, devido ao fato das 
telefonistas terem total acesso à conversa entre os usuários, porque de tempos 
em tempos teriam que escutar a conversação para saberem se a ligação entre 
os usuários ainda estava em curso para desfazerem a ligação do cordão que 
os interligava. Outros problemas diziam respeito às ligações erradas 
ocasionadas por distração das atendentes, gerando constantes 
aborrecimentos. Ainda havia o fato de que, uma conversação sempre 
obrigatoriamente deveria ser estabelecida por uma pessoa, tornando as 
conexões lentas devido ao crescente número de usuários, e que também 
dificultavam a memorização das centenas de nomes pelas telefonistas. Outro 
problema era a dificuldade de efetuar tarifação do uso do sistema, ficando 
apenas o assinante responsável pelo pagamento de um valor mensal. 
 
 5.5.1 - Centrais Eletro-mecânicas 
 
 
Uma funerária entra para a história – Em 1889 a rede telefônica de 
Kansas City era servida por uma única central manual. O Sr, Almon B. 
Strowger, estava exasperado, pois sendo um agente funerário, via seus 
negócios declinarem porque a esposa do seu concorrente, que era telefonista 
da central, ao atender às famílias enlutadas e solicitada a ligar para uma 
agência funerária, naturalmente conectava as ligações para a agência do seu 
marido. 
O Sr. Strowger, então, que não era nenhum técnico, mas desafiado pela 
sobrevivência do seu negócio, desenvolveu e patenteou um comutador 
telefônico automático no ano de 1891, que por movimentação de escovas na 
direção vertical e associado a rotação fazia a comutação para 100 posições em 
 39
um banco de contatos em uma superfície cilíndrica. Diz-se que ele se inspirou 
no movimento dos braços das telefonistas na mesa telefônica, ao plugarem oscordões nas linhas de assinante. Seu sistema, com o mesmo nome (Strowger), 
foi utilizado durante muitos anos. 
As primeiras interligações automáticas entre os usuários passaram a ser 
efetuadas em curtas distâncias (ligações locais), ficando ainda as ligações de 
longas distâncias (interurbanas) estabelecidas por telefonistas. Para tornar o 
processo automatizado, cada usuário passou a receber um número próprio e 
único, e que por meio de um disco com 9 dígitos cada usuário poderia fazer a 
conexão automática com o usuário desejado, bastando para isso 
discar a seqüência de números do assinante do sistema. 
 As primeiras centrais de comutação automática foram projetadas com 
sistemas de comutação que empregavam dispositivos eletro-mecânicos, 
utilizavam sistemas similares a relés com mecanismos que comutavam linhas e 
colunas para selecionar o número a ser conectado. 
 
 
 
 
 
Figura 5.6 - Representação das comutações vertical e horizontal 
 
Um pouco antes de 1890, em 1883, “Lars Magnus Ericsson” e o 
engenheiro “H.T. Cedergren” elaboraram um pequeno quadro comutador 
automático que proporcionaria aos assinantes de Estocolmo, na Suécia, cotas 
mais econômicas para os aparelhos telefônicos conectados a uma linha 
comum barateando o sistema. 
 
 
Figura 5.7 - Visualização de um seletor Strowger 
 
 
Em 1915, baseada em idéias e experimentos do engenheiro 
superintendente da rede telefônica de Estocolmo, Axel Hultman, a Lars Magnus 
 40
Ericsson executou uma instalação utilizando um seletor de 500 linhas, com 
capacidade total para atendimento de até 1000 terminais. 
O seletor de 500 linhas estava totalmente desenvolvido em 1919 e, em 
1923, as primeiras centrais automáticas foram colocadas em funcionamento 
com a utilização do seletor eletromecânico de 500 linhas, base de um sistema 
denominado de AGF. 
Dentre os principais problemas que as centrais eletro-mecânicas 
passaram a apresentar, um dos que passou a chamar muito a atenção foram 
as dimensões exageradas que esse tipo de central tinha. Portanto, passou-se a 
ambicionar um modelo de central que apresentasse dimensões reduzidas, 
principalmente devido a crescente quantidade de assinantes do sistema. 
Esse tipo de preocupação somente poderia ser solucionado com o 
advento das centrais eletrônicas. 
 
5.5.2 - Centrais Eletrônicas 
 
Posteriormente a invenção das centrais eletro-mecânicas, alguns 
problemas foram solucionados e novos problemas surgiram. Dentre eles o 
principal é que os sistemas de comutação eletro-mecânicos começaram a 
apresentar constantes mal-contatos devido a depreciação rápida dos contatos 
que comutavam constantemente, com isso começaram a surgir ruídos 
excessivos nas conversações e queda das ligações. 
Em 1947 com a invenção do transistor novos rumos puderam ser 
traçados e, a tão esperada comutação em estado sólido estava próxima de 
acontecer. Assim foram desenvolvidas as centrais eletrônicas, em que os 
dispositivos eletro-mecânicos passaram gradualmente a serem substituídos por 
versões semicondutoras elaboradas com transistores, tornando as 
conversações mais limpas de ruídos e com menos problemas de quedas de 
linha. Mais tarde viriam as centrais eletrônicas digitais que possibilitariam novos 
recursos, facilidades e qualidade na comunicação. 
 
5.5.3 – Centrais Digitais 
 
Como vimos, a central telefônica é o elemento de rede responsável pela 
interligação e comutação de sinais entre os usuários. As centrais mais antigas 
são interligadas entre si por cabos de pares, as centrais modernas são 
interligadas por fibras ópticas. Constatamos a evolução do sistema manual 
para parcialmente manual, combinado com eletromecânico, posteriormente 
para eletromecânico, eletrônico e finalmente digital. 
A primeira central pública de programa armazenado (digital), a central 
IESS (n.º 1 Electronic Switching System), desenvolvida pela AT&T, foi instalada 
em New Jersey, EUA, em maio de 1965. Esse evento deu início ao interesse 
mundial pela idéia de controle por programa armazenado. O controle por 
programa armazenado (Stored Program Control - SPC), utilizado nas centrais 
atuais, apresenta uma série de vantagens sobre os sistemas anteriores: 
 
Flexibilidade - como a central é controlada por um programa residente 
que permite alterações é 
possível, por exemplo, reconfigurar a central sem que ela tenha 
necessariamente tenha que ser desligada. Isso, 
 41
inclusive, pode ser feito remotamente pelo fabricante; 
Facilidade para os assinantes - centrais de programa armazenado 
(CPA) permitem um conjunto amplo de facilidades para os assinantes, 
incluindo: 
- Discagem abreviada; 
- Transferência de chamadas; 
- Restrição às chamadas recebidas; 
- Conta telefônica detalhada; 
- Identificação de chamadas maliciosas; 
Facilidade administrativas - são facilidades operacionais, do tipo: 
- Controle das facilidades dos assinantes; 
- Mudança no roteamento, para evitar congestionamento de curto prazo; 
- Produção de estatísticas detalhadas do funcionamento da central; 
Velocidade de estabelecimento da ligação - as conexões podem ser 
estabelecidas por meio de 
circuitos digitais muito mais rapidamente, em tempos da ordem de 250�s. Além 
disso, a repetição automática das 
chamadas na própria central pode ser programada, para evitar 
congestionamentos de rede; 
Economia de espaço - isso ocorre em vista das dimensões reduzidas 
das centrais de programa armazenado; 
Facilidade de manutenção - os equipamentos da CPA têm uma menor 
taxa de falhas, em relação aos usados em centrais convencionais, em função 
de não haverem partes móveis; 
Qualidade de conexão - visto que a perda total numa rede é 
independente do número de conexões efetuadas para a ligação, e porque o 
sinal é digital havendo muito menos problemas de conexão; 
Potencial para outros serviços - inclui a transmissão de dados e 
serviços tipo videofone; 
Custo - as centrais de programa armazenado são mais econômicas 
para manter em funcionamento e têm um custo menor final de fabricação; 
Tempo de instalação - com o constante aumento de assinantes torna-
se necessário cada vez mais velocidade na implementação de novas centris. E 
esse tempo é menor que o necessário para a instalação de centrais analógicas 
em virtude da modularização dos equipamentos digitais. 
 
Principais parâmetros de avaliação do desempenho telefônico 
decorrentes especialmente das centrais telefônicas: 
 
1- Tempo médio para obtenção do Tom de Discar (até 3 segundos em 
98 % dos casos é um bom resultado). 
2- Índice de Congestionamento por Rota de Acesso e em conexões 
internas.(até 2% de perdas em conexões interurbanas no horário de pico é 
aceitável) 
3- Taxa de Completamento de Chamadas (%) (ou Taxa de OK), 
corresponde á relação entre as chamadas completadas com sucesso e o total 
de tentativas, no caso de ligações interurbanas no horário de pico a relação de 
64% é um valor aceitável. As chamadas não completadas decorrem 
principalmente de linhas ocupadas, usuário que não atende (não responde), 
congestionamento e encaminhamento incorreto. 
 42
 
6 - Sistemas Telefônicos Públicos 
 
Uma central e o conjunto de linhas de assinantes que a ela estão ligadas 
constituem o sistema local que serve a uma área local, ou “área de 
comutação”. 
Quando os assinantes de uma região não podem ser atendidos por uma 
única central de comutação é necessário fazer uma divisão na região em 
diversas áreas de comutação. Nesse caso, torna-se necessária a interconexão 
dos diversos sistemas locais isolados geograficamente entre si e, estendendo-
se ainda mais esse raciocínio, para possibilitar a ligação entre dois assinantes 
quaisquer de uma país inteiro, torna-se necessário a previsão de um complexo 
sistema de meios de transmissão e comutação chamado de sistema nacional 
de telefoniaou sistema público telefônico. 
Percebe-se que a probabilidade de troca de comunicações entre dois 
assinantes é tanto menor quanto maior é a distância que os separa. Assim, 
verifica-se que as comunicações mais numerosas são aquelas efetuadas entre 
assinantes de uma mesma área de comutação próxima entre si, ou mesma 
cidade, por essa razão são denominadas “comunicações locais”. 
Para as outras comunicações, que não são locais, verifica-se que uma 
conexão permanente entre dois centros de áreas de comutação diferentes, 
nem sempre seria economicamente viável. Para esses casos não justificáveis 
economicamente são utilizadas as “centrais de trânsito” ou “centros de 
trânsito”. 
 
 6.1 - Centrais Locais 
 
 Uma central local, como o próprio nome revela, está situada em uma 
região de pequeno alcance, denominada de local. Nessa central, são 
interligados os assinantes, cada qual com uma numeração própria. São 
utilizados dispositivos para comutação totalmente automática. O comprimento 
médio da linha de assinante é de 5Km, isto é, é a distância aproximada dos 
condutores entre o assinante e a central. 
 
Figura 6.1 - Representação de uma Central Local 
 43
Uma central local tem como principais características: 
* possui alcance limitado à distâncias locais; 
* tem capacidade de funcionamento com até 10.000 assinantes; 
* possui a função de interligar os assinantes entre si na mesma central; 
* possui a função de possibilitar a interligação dos assinantes ao resto do 
sistema telefônico; 
* a quantidade de centrais locais em uma região será proporcional a densidade 
demográfica da área; 
* possui a função de gerar e repassar sinais de áudio e de sinalização aos 
assinantes e demais centrais; 
* cada central local terá um número que será denominado de prefixo; 
* possui a função de gerar o número de assinante. 
 
6.2 - Centrais Tandem 
 
Eventualmente, após a conveniência da utilização de centrais de 
comutação para gerenciar as comunicações telefônicas, elas começaram a 
“pipocar” em diferentes localidades de uma mesma região, ou ainda, em países 
diferentes. Uma vez que centrais locais estejam estabelecidas em localidades 
diferentes surgirá a necessidade de estabelecer a conexão entre elas, para que 
pessoas de pontos remotamente afastados possam conversar entre si. As 
primeiras centrais locais foram interligadas diretamente entre si de forma 
aleatória, conforme a necessidade de conversação foi surgindo. 
Com o constante aumento do número de assinantes, tornou-se 
insuficiente somente o uso das centrais locais diretamente interligadas entre si, 
porque isso estava acarretando o aumento indiscriminado de cabos de 
interligação, agora entre as centrais, ocorrendo o mesmo problema inicial que 
havia havido com os telefones, gerando altos custos financeiros para efetuar 
essas interligações e problemas técnicos. 
 
 
Figura 6.2 - Representação de ligações diretas entre Centrais Locais 
 
Para contornar os problemas de interligação vistos, foram criadas as 
centrais Tandem, ou seja, são centrais que têm a função de interligar diversas 
centrais locais entre si. As interligações entre as centrais são conhecidas pelo 
nome de “Cabos Tronco”. Nos grandes centros são utilizadas várias centrais 
Tandem ligadas entre si por cabos troncos. 
 
 44
 
 
Figura 6.3 - Representação de ligações entre Centrais Locais via Tandem 
 
Quando houver a necessidade impreterível de interligar duas ou mais 
centrais locais diretamente entre si, por razões de otimização econômica, como 
é o caso em bairros de uma cidade que tenham centrais locais onde o volume 
de tráfego de ligações entre elas seja muito intenso, poderá ser efetuada uma 
conexão especial que será denominada de “Linha de Junção”. 
Dessa maneira, poderá também haver uma ligação direta entre centrais 
locais para casos específicos onde seja justificável economicamente essa 
ligação, devido ao excesso de tráfego de dados entre elas. 
 
 
 
Figura 6.4 - Representação de Linhas de Junção 
 
 
As centrais Tandem se subdividem em centrais Tandem Locais, que 
interligam Centrais Locais entre si e s centrais Tandem Interurbanas, que 
interligam centrais do tipo Interurbana, que estudaremos a seguir. 
As interconexões entre centrais, sejam elas por linhas de junção ou por 
centrais Tandem são denominadas “Rotas”. As linhas de junção que possuem 
interligação direta entre centrais específicas são chamadas de Rotas Diretas”, 
são necessárias por terem alto tráfego de interesse entre elas, como é o caso 
que acontece entre a Central Local 1 e a Central Local 2. Veja a Figura 6.5 
 45
Por sua vez, por exemplo: as rotas 1-T e T-2 (Central Local 1 � Tandem 
� Central Local 2) são consideradas “Rotas Alternativas”, via Central Tandem, 
entre a central número 1 e 2. 
 
 
 
Figura 6.5 - Rotas diretas e tráfego de transbordo 
 
O tráfego de conversação é encaminhado para a rota alternativa, 
quando houver um aumento no tráfego, com ocupação de todos os 
denominados “juntores de rota direta”, que são os pontos extremos de 
interconexão entre as centrais (ponto de partida e chegada dos troncos). Esse 
tráfego resultante é denominado de “Tráfego de Transbordo”. Pode haver mais 
de um
ue gerencia as 
centra
estudos de 
tráfego e outros recursos que caracteriz m mais economia. Cada caso envolve 
grande volume de cálculos estatísticos e simulações para obtenção da melhor 
configuração do sistema e melhor aproveitamento custo-benefício. 
 
estiver preparada para essa possibilidade. A esse tipo de central, que interliga 
nto linhas de assinantes quanto linhas de junção, denominamos de “Central 
Mista”. No RN praticamente todas as centrais com função Tandem são Mistas. 
 
 
a rota alternativa entre as centrais e, nesse caso, deve-se definir uma 
ordem de prioridade entre elas, programada no sistema q
is. 
Quando não há uma rota alternativa entre duas centrais, como é o caso 
da rota 3-4, por exemplo, dizemos que a rota é “Full Tandem”. 
Qualquer configuração de centrais é obtida por meio de 
a
 
6.3 - Centrais Mistas 
 
Tipo especial de central que possui as características das Centrais 
Tandem em que podem também ser interconectados assinantes, é claro se ela
ta
 46
 
 
Figura 6.6 - Representação de ligações diretas entre Centrais Locais 
 
 
6.4 - Centrais de Trânsito 
 
Seguindo o mesmo raciocínio, podemos dizer que as Centrais de 
Trânsito são aquelas destinadas à interligação de centrais de áreas locais 
diferentes. Por elas circulam o tráfego interurbano, delimitado por uma área de 
atendimento regional, agregando uma certa quantidade de centrais locais. 
Essa hierarquia de interligação entre centrais pode crescer mais, 
interligando as centrais de trânsito, diferentes diretamente entre si, por meio de 
outras centrais de trânsito com classes diferenciadas (superiores), 
responsáveis pelo encaminhamento das chamadas no âmbito regional, 
estadual, nacional ou internacional respectivamente. 
Quando o volume de trânsito entre centrais de uma mesma região for 
muito grande, também poderá haver uma central de trânsito que as interligue, 
sendo denominada de “Central de Trânsito Local”. 
Basicamente as centrais de trânsito visam atender, de forma econômica, 
o fluxo de tráfego entre as áreas de comutação. Os Centros de Trânsito são 
para os centros locais o que esse últimos são para os assinantes e, se dividem 
em: 
 
* Centrais de Trânsito Interurbano: interligam dois ou mais sistemas locais 
completos da rede nacional. Essas centrais se interligam diretamente ou por 
meio de outra central de trânsito. Visam interconectar o volume de tráfego dos 
assinantes de uma região de atuação previamente estabelecida (exemplo: 
código 84, referente ao Rio Grande do Norte) com outra região de atuação 
(exemplo: código 83, referenteà Paraíba). 
* Centrais de Trânsito Internacional: visam interconectar os assinantes em 
nível internacional, isto é países entre si, situam-se em localidades específicas, 
normalmente em grandes centros urbanos. As conexões podem ser 
estabelecidas por meio de cabos submarinos (o primeiro foi instalado por volta 
de 1940) que ainda se encontra em operação ou via satélite, onde a maioria 
das conexões acorre atualmente. 
 
 47
 
Figura 6.7 - Estrutura das Centrais de Trânsito 
 
6.5 – Hierarquias Entre Centrais 
 
Entre as diferentes centrais telefônicas da “Rede de Telefonia Pública 
Comutada (RTPC)” se estabeleceu uma hierarquia, onde fundamentalmente os 
centros locais dependem hierarquicamente de centros de trânsito 
correspondentes. 
A Figura 6.8 demonstra a hierarquização, chamada de 
“Encaminhamento Nacional”, onde existem os centros locais e os centros de 
classes I, II, III, IV e V. 
 
Figura 6.8 - Representação gráfica de centros de classes I, II, III, IV e V 
 48
 
Centro Classe V (Local): Centro de comutação onde são ligadas: a redes de 
assinantes e os troncos de conexão a outros centros locais, ou mesmo ao 
centro de trânsito de área. É o centro de comutação hierarquicamente mais 
baixo. 
Centro de Trânsito Classe IV: Centros onde ligam-se os centros locais ou 
linhas de assinantes. São as Centrais Tandem locais ou Mistas. 
Centro de Trânsito Classe III: Centros onde ligam-se os circuitos que 
constituem as rotas finais de centros classe IV, centros locais ou ainda linhas 
de assinantes, podem ser Centrais Mistas ou Tandem Locais. 
Centro de Trânsito Classe II: Centros onde ligam-se os circuitos que 
constituem as rotas finais de centros classe III. São as Centrais de Trânsito 
Interurbano. Necessariamente não têm a função de interligar centrais entre si, 
apenas são trânsito para o tráfego de comunicação. 
Centro de Trânsito Classe I: Centro onde ligam-se os circuitos que 
constituem as rotas finais de centros classe II. Representa o nível mais elevado 
da rede interurbana. Essa central tem acesso a pelo menos uma central que 
processa o tráfego internacional. 
Centro de Trânsito Internacional: Centro onde ligam-se os circuitos que 
constituem as rotas finais de centros de no mínimo um Centro da Classe I. São 
responsáveis pelas comunicações internacionais e concebidas com Centrais 
denominadas Internacionais. 
 A quebra do monopólio interurbano (anteriormente exercido pela 
Embratel) a partir da privatização das telecomunicações no Brasil levou à 
disponibilização de opções para conexão interurbana, dessa forma,por 
exemplo, quando uma ligação vai ser efetuada de Natal para Goianinha a 
primeira central de Trânsito terá alternativas de acordo com o código da 
Operadora escolhido pelo usuário,pelo 21 haverá conexão via Embratel,pelo 31 
a ligação será pela Telemar,etc. 
O curioso é que eventualmente uma Operadora pode não dispor 
efetivamente de rota para atendimento de determinada região, mas 
simplesmente aluga circuitos a sua concorrente. Tudo isso é transparente para 
o assinante que faz a ligação. 
Em Natal o sistema Telemar de Telefonia apresenta como principais 
centrais trânsito /Tandem as centrais Mistas do Alecrim (localizada na Av. 
Presidente Bandeira próximo ao Nordestão, com prefixos locais 3213, 
3223,etc) e do Centro (localizada na esquina da Prudente de Morais com 
Jundiaí, com prefixos 3222, 3221, 3211, 3611, 3215, etc). As referidas centrais 
correspondem também às portas de acesso para conexão com outras 
Operadoras como Embratel, Claro, TIM e OI. 
 
 
 
6.6 - Diferentes Entroncamentos de Circuitos – Rotas 
 
O número de circuitos em uma determinada rota depende do tráfego ou 
número de comunicações a serem comutadas, conforme já vimos 
anteriormente. Em um sistema de encaminhamento como indicado na Figura 
6.8 podem ocorrer dois tipos de feixes: 
 49
* Os feixes normais ou finais, que interligam obrigatoriamente um centro de 
nível determinado com o centro de trânsito do qual ele depende 
hierarquicamente, e, eventualmente, aos centros que dependem dele 
diretamente. Representado pelas linhas horizontais no gráfico. 
* Os feixes transversais ou de primeira escolha, são ligações eventuais entre 
os centros de comutação, que “fogem” a hierarquia das rotas normais, isto é, 
são ligações entre os centros de comutação por linhas transversais, que 
permitem realização uma comunicação direta, em caso de transbordamento de 
tráfego. 
 
 
 
Figura 6.9 - Representação de Rotas Normais e Transversais 
 
Um feixe de circuitos pode ser calculado para escoar todo o tráfego 
entre dois centros de comutação (feixe direto), ou, apenas, parte dele, sendo 
que neste último caso, o tráfego em excesso é desviado para um feixe 
alternativo. Os feixes ou rotas mais curtas são diretos quando economicamente 
justificáveis, como, por exemplo, entre dois centros de área adjacentes. 
 
6.7 - Sistema de Telefonia no Rio Grande do Norte 
 
A Telemar é a principal empresa operadora da telefonia fixa no estado, 
em 2006 abrange mais de 80% dos terminais (market share), suas principais 
áreas de numeração são centradas em Natal (centrais trânsito mistas do 
Centro e Alecrim), Mossoró (central Trãnsito Mista conectada com toda região 
Oeste, região Salineira e parte da região Central), Currais Novos (região 
Seridó). 
As regiões: Agreste, Litorânea, Mato Grande e cidades próximas têm 
suas centrais locais conectadas à central Natal Centro. 
 50
O sistema de transmissão que interliga a região Oeste (Mossoró) com 
Natal é composto por cabos ópticos enterrados ao longo da margem da rodovia 
correspondente. 
A região do Seridó tem seu sistema de transmissão na direção de Natal ( 
Currais Novos- Serra Verde- Serra do Sapato- Santa Maria) composto por 
rádio-enlaces de microondas em visibilidade (distãncias entre estações 
menores que 50 km) de alta capacidade. A partir de Santa Maria até Natal o 
sistema adota a fibra óptica como meio de transmissão. 
A figura seguinte não mostra detalhes do sistema de transmissão, mas 
dá uma noção das principais centrais trânsito do estado e das centrais 
celulares, denominadas CCCs (Centrais de Comutação e Controle). 
A Embratel (Vésper) atua em Natal com sistema Wireless, telefonia sem 
fio, adotando o padrão CDMA (Code Division Multiple Access). 
Todas as centrais telefônicas da Telemar, Embratel, Oi, Claro e TIM no 
RN são digitais. 
 
Figura 6.10 - Visão simplificada das conexões entre as principais centrais telefônicas em 
funcionamento do RN, sistemas fixos e celulares. 
 
 
6.8 – ELR (Estágios de Linha Remotos) ou URAs (Unidades 
Remotas de Assinantes) 
 
O ELR ou URA corresponde a um equipamento que integra as funções 
de comutação, transmissão de energia, climatização e distribuição geral, em 
um robusto gabinete mecânico (container), para um número limitado de 
assinantes, em torno de no máximo 700 terminais. 
Geralmente, esse equipamento é pré-testado em fábrica antes da sua 
implantação, de forma a facilitar e agilizar sua instalação e ativação prática, 
 51
que poderá ser feita de forma interna ou externa, essa última conhecida como 
“instalação no tempo”. 
Diversas URAS são interligadas a uma central de maior porte, 
denominada de “Central Mãe” , constituindo assim um sistema distribuído de 
comutação, cujas funções são completamente transparentes aos usuários. 
A interligação entre a central mãe e a URA também é conhecida pelo 
nome de entroncamento, que pode ser realizado fisicamente por meio de par 
metálico ou fibra óptica. A sinalização poderá ficar a cargo da URA ou da 
própria central a qual estiver ligada. Isso promove a liberação de terminais 
próximos à central mãe e a redução no custo da “rede primária”, que é o 
sistema que forma as linhas de assinante, em que o raio médio entre URA 
(ELR) e assinantecai para em torno de1 Km, reduzindo a complexidade do 
sistema. 
 
 
Figura 6.10 - Representação gráfica de ELRs ou URAs 
 
 
Figura 6.11-Equipamentos de transmissão e banco de baterias ao fundo. 
 52
 
Na verdade uma URA corresponde a uma parte da central-mãe 
envolvendo as funções de conversão Analógico / Digital , sinalização de 
assinante e interface com a rede externa, é uma espécie de mini-central local, 
claro que com funções limitadas permitindo obter a redução da fiação das 
linhas de assinante até as centrai locais. 
Além da função técnica, também diminuem os custos de infra-estrutura, 
já que o equipamento não necessita de instalações prediais, uma vez que foi 
projetado para instalação diretamente “em campo”. 
A URA é adequada a aplicações como central autônoma, principalmente 
em pequenas localidades, áreas rurais, grandes clientes, central de quarteirão 
ou condomínios, soluções rápidas ou em lugares nos quais a rede a expandir 
encontra-se saturada. 
Em Natal existem cerca de 85 URAs instaladas pela Telemar, em todas 
elas o raio máximo de atendimento a assinantes via par metálico é de 1 km, 
sendo que a conexão entre a central mãe e a URA é normalmente efetuada por 
fibra óptica aérea. As URAs de Natal na maioria das vezes são instaladas em 
calçadas, mas também existem URAs que atendem especificamente a grandes 
condomínios residenciais como o Serrambi I, Serrambi II e Plano 100. 
Localidades como Pipa, Barra de Cunhaú, Tangará; Barra de 
Maxaranguape e Carnaúba dos Dantas são atendidas com URAS via rádio. 
Estudos efetuados pela Austrália Telecom nos anos 90 indicam que a 
adoção de URAS aumenta o custo da rede de transporte (que normalmente 
nas áreas urbanas são via fibras ópticas) e diminui o custo da rede de acesso 
(que são metálicas e se tornam mais curtas), isso na maioria dos casos dá um 
resultado total de redução de investimentos e de tempo para implantação, daí a 
frenética utilização dessa alternativa nos últimos tempos no Brasil. 
As URAS contribuem para a melhoria da condição de oferta e qualidade 
de novos serviços especialmente aqueles de banda mais larga, isso porque o 
trecho metálico fica limitado e aumenta a utilização de fibras. 
Exemplificando de uma forma simplista: o serviço banda larga Velox 
quando implantado em uma rede de acesso metálica de 7,5 km poderá não 
funcionar bem, em vista dessa rede praticamente funcionar como um “filtro 
passa baixas de 3,4 KHz”,daí o sinal, que ocupa originalmente uma faixa mais 
larga, irá ter uma parte da informação perdida e terá provavelmente maior taxa 
de erros na recepção. 
Se o mesmo serviço Velox for implantado em uma rede de acesso de 
0,8 km (800 metros) essa poderá se comportar como um “filtro passa baixas 
com maior largura de espectro”, algo como 300 KHz, daí toda a banda original 
poderá ser transmitida e recebida com menor taxa de erros. 
 
6.9 - Estação Telefônica Local e Interurbana 
 
O diagrama abaixo ilustra a constituição de uma estação telefônica típica 
onde a Unidade de Supervisão de Corrente Alternada (USCA) é um quadro de 
comando automático que dá prioridade à conexão 380 V trifásico via rede da 
Concessionária Pública de Energia, no caso de falha em um ou mais fases 
dessa rede, então um comando é gerado para acionar um grupo motor-gerador 
trifásico (normalmente à diesel) que passa a gerar energia AC 380 V trifásica 
em vazio. 
 53
A USCA monitora a estabilização de freqüência e tensão das 3 fases e 
,quando essas estão dentro dos padrões pré-definidos (cerca de 3 minutos) , 
ocorre a transferência de carga e os retificadores passam a ser alimentados 
pelo GMG. 
No intervalo em que os retificadores estão sem alimentação, o banco de 
baterias descarrega parcialmente e mantém ininterrupta a alimentação da 
central telefônica e equipamentos de transmissão. 
Se a rede da COSERN normaliza, então a USCA, após um tempo de 
garantia de estabilização (cerca de 3 minutos) retira a carga do GMG e 
transfere novamente para a rede prioritária da COSERN. 
Sempre que existe AC alimentando os retificadores, então as baterias 
ficam no regime de “flutuação”, atuando como uma espécie de filtro adicional 
que minimiza a ondulação “ripple”da onda retificada de -48 Volts. 
 O Multiplex é um equipamento que visa possibilitar a transmissão de 
diversos canais telefônicos em um único meio de transmissão, no caso 
exemplificado na figura esse meio é o canal de RF, ou seja uma portadora na 
faixa de UHF ou SHF para transmissão e outra com freqüência diferente para 
recepção ambas operando normalmente em uma mesma antena direcional 
(parabólica , ou helicoidal, principalmente). A Multiplexação pode ser do tipo 
FDM (Frequency Division Multiplex) ou TDM (Time Division Multiplex). 
 
 
 Figura 6.12 - Diagrama Simplificada de uma estação telefônica com conexão interurbana via 
Multiplex 
 
O sinal contendo o pacote dos canais já multiplexado é denominado de 
Banda Básica. Outra alternativa de transmissão bastante utilizada é a fibra 
óptica, no caso o Transceptor (Transmissor + Receptor) e a antena são 
substituídos por um conversor eletro-óptico e pelo cabo contendo fibras 
ópticas.O sinal transmitido deixa de ser de radio-freqüência (RF) e passa a ser 
um sinal óptico (laser). 
 54
 Na medida em que a capacidade e importância da central telefônica 
diminui, o sistema esboçado na Figura 6.12 sofre naturais simplificações 
visando reduzir custos de implantação, assim,por exemplo, em localidades 
com apenas uma central telefônica e menos de 2.000 terminais telefônicos o 
GMG e a USCA eventualmente não são instalados. Nesse caso, o banco de 
baterias assume uma responsabilidade maior de garantir a autonomia do 
istema nos períodos de falta de AC. s
 Convem destacar que todas as estações são telesupervisionadas, as 
principais anormalidades existentes nos equipamentos são imediatamente 
visualizadas através de um painel central de controle. Dessa forma, se faltar 
energia AC, ocorre o alarme de “bateria em descarga” e a concessionária de 
energia elétrica é cobrada imediatamente para solucionar o caso, em casos de 
demora na solução pela concessionária elétrica, então um GMG móvel é 
conduzido até o local. 
 
 
7 - Características da Rede Telefônica 
 
7.1 – Rede de Assinantes (Rede de Acesso) 
 
Antigamente, as redes telefônicas eram formadas por fios desencapados 
de diâmetro bem maior do que os usados atualmente, sustentados por postes 
de madeira ao longo do trajeto até a casa do assinante. Quando eram bem 
construídas, ofereciam pouca perda na transmissão, porém, as condições 
atmosféricas afetavam significativamente a atenuação e também provocavam 
interferência nas linhas aéreas. 
Com o passar do tempo e com ampliação significante de usuários de 
telefonia, a quantidade de fios telefônicos nos postes cresceu de forma 
assustadora, ficando impraticável a manutenção, controle e a ampliação do 
número de assinantes, daí surgiram os Cabos Telefônicos de Pares. 
A principal característica dos cabos telefônicos de pares é concentrar 
num mesmo núcleo um grande número de pares condutores, que ocupam um 
espaço consideravelmente menor em comparação aos fios nus. No início de 
sua utilização eram revestidos de chumbo e seus fios isolados por papel. 
Atualmente o isolamento dos fios é feito com plástico. 
Apesar da enorme vantagem de se utilizar cabo telefônico de pares, 
algumas desvantagens precisam ser consideradas: 
1 – As características de transmissão são inferiores às de um circuito de 
fio nu equivalente. 
2 – Os cabos precisam ser emendados, par a par, em distâncias 
determinadas ao longo do trajeto, introduzindo assim pontos passíveis de 
apresentar defeitos. 
Apesar dessas desvantagens, o seu uso tornou-se um padrão nas redes 
telefônicas do mundo todo. 
Alguns desenvolvimentos foram necessáriospara minimizar os 
problemas apresentados, tais como: bobinas de pupinização, capacitores de 
compensação, extensores de enlace, amplificadores de freqüência de voz. 
Além disso, novos métodos de dimensionamento de redes telefônicas 
urbanas surgiram, novos tipos de emendas também, equipamentos eletrônicos 
 55
que possibilitam a instalação de mais de um assinante no mesmo par de fios 
foram inventados. 
Novamente, com o crescimento acelerado do número de assinantes, 
ficou impossível a sua sustentação de cabos telefônicos com alta capacidade 
nos postes, devido ao peso excessivo. Foram então criadas as linhas de Dutos 
Telefônicos e respectivamente as Caixas Subterrâneas, além de novos tipos de 
cabos telefônicos para essa aplicação. 
Portanto, num sistema telefônico convencional é denominado Rede de 
Acesso ou Rede de Assinantes o conjunto de cabos de assinantes e demais 
dispositivos complementares (linhas de duto, ferragens, postes, blocos 
terminais, etc) que atendem a uma determinada localidade ou área. 
 O atendimento aos assinantes é completado com os fios (“drop”) que 
dão acesso aos assinantes, assim como os cabos de entroncamento para 
edifícios residenciais / comerciais e as redes internas dos edifícios,. 
Hoje as redes são constituídas com condutores de cobre que podem 
variar de 0,4 a 0,9 mm de diâmetro. A Figura 7.1 mostra o diagrama 
esquemático de uma Rede de Acesso. 
 
 
 
Figura 7.1 – A Planta Externa representa a Rede de Assinantes. 
 
A Rede de Acesso, no caso de telefonia, precisa apresentar resistência 
Ôhmica máxima em torno de 2 KOhm para permitir a realização do processo 
de sinalização e conversação. Supondo uma rede sem utilização de 
dispositivos eletrônicos na linha e com a bitola mais comumente usada, então a 
distância máxima fica em torno de 7,5 km. 
A Rede de Acesso tradicional utiliza um par de fios para atender a cada 
assinante possibilitando a sinalização e comunicação bidirecional entre duas 
pessoas, sendo que o elo inteligente no processo é a central telefônica. 
Visando facilitar a manutenção e proporcionar melhor estética (evitando 
poluição visual) é recomendável que os fios FE que saem da CEV para as 
residências tenham, no máximo, 300 metros de extensão. 
 
 56
 
 Figura 7.2 - Fios FE saindo diretamente de um armário para prédio em Beirute no 
Líbano. O correto seria utilizar cabo telefônico subterrâneo. 
 
 
As Redes de Transporte correspondem às conexões envolvendo duas 
centrais telefônicas distintas.Atualmente a maioria das redes de transporte são 
compostas por sistemas de fibra óptica ou sistemas via rádio. Ainda existem 
redes de transporte utilizando pares metálicos. 
 
 
7.1.1 – Tipos de Redes de Acesso 
 
Foram criados levando-se em consideração as condições regionais, os 
recursos econômicos disponíveis para a implantação, a melhoria de 
confiabilidade, tipos diversos de redes, cada um com suas vantagens e 
desvantagens. Numa mesma área de central telefônica, podem existir diversos 
tipos de redes, estando interligadas sem causar maiores problemas. 
O objetivo único é levar os pares de fios desde o DG (Distribuidor Geral) 
até a casa do assinante, prevalecendo os padrões de qualidade, conciliados 
com os recursos econômicos. Conforme normas da ANATEL, podemos 
encontrar 3 tipos de redes: 
 
 7.1.1.1 – Redes Rígidas 
 
Chama-se Rede Rígida a rede que não possui nenhum ponto de 
seccionamento entre a central e o assinante. Os pares dos cabos subterrâneos 
são ligados diretamente aos pares dos cabos aéreos, como mostra a Figura 
7.3. 
 
 57
 
Figura 7.3 – Rede Rígida 
 
Isto quer dizer que as emendas são permanentes, ou seja, os 
condutores vão sendo emendados desde o DG até as caixas terminais, e só 
poderá ser feita alguma alteração mediante a abertura das emendas. 
Este tipo de rede, é utilizada em locais onde a densidade telefônica é 
baixa ou onda as linhas dos assinantes são curtas. 
A grande vantagem em utilizar este tipo de rede está na facilidade de ser 
tirar defeitos em sua extensão, porque são poucas as intermediações até a 
casa do assinante, em contrapartida, no momento da implantação as emendas 
devem ser abertas para a nova configuração. Além disso, a quantidade de 
pares reserva tem que ser alta, diminuindo a ocupação dos cabos 
alimentadores. Observe que não existe armário de distribuição na rede rígida. 
 
 
 7.1.1.2 – Redes Flexíveis 
 
 Chama-se de Rede Flexível a rede que possui seccionamento entre a 
central e o assinante; para isso, empregam-se Armários de Distribuição que 
interligam os pares dos cabos da rede primária com os pares da rede 
secundária. A Figura 7.4 mostra o diagrama de uma Rede Flexível. 
Um par de fios do cabo primário, que termina no armário, pode ser 
conectado a qualquer par do cabo secundário, que deixa o armário. Todas as 
conexões são feitas por intermédio de fios “Jumper”, facilitando em muito a 
manutenção dos pares. 
A rede flexível é a mais comumente adotada no Brasil, em decorrência 
das Operadoras terem, nessa alternativa, uma margem maior para atendimento 
a uma demanda futura de assinantes onde não há uma segurança quanto às 
características e o tempo das edificações que irão surgir na área.Na dúvida 
(falta de dados precisos quanto às novas edificações e ampliações) o 
projetista brasileiro tipicamente prefere a precaução e espalha uma rede de 
cabos com pares com alguma folga na região de crescimento urbano. 
 
Neste tipo de rede, o lado secundário pode ser ampliado além da conta, 
ou seja, instalar pares a mais do que o necessário previsto, pois este lado da 
rede tem custo menor em relação a rede primária. Em contrapartida, os 
armários de distribuição, têm seu custo elevado e um planejamento mal feito 
pode tornar o lado secundário ocioso por muito tempo. 
 58
 
 
 
Figura 7.4 – Rede Flexível 
 
 
Figura 7.5- Exemplo de como não deve ser um armário de distribuição, Líbano Telecom, 
Beirute, Líbano, os pedaços de papeis são os registros dos telefones, 1997. 
 
 
7.1.1.3 – Redes Múltiplas 
 
 Chama-se de Rede Múltipla (adotada muito nos EUA) a rede que tem 
todos ou alguns pares de sues cabos, terminados em mais de um local através 
de ligações em paralelo, como mostra a Figura 7.6. 
 
 59
 
Figura 7.6 – Rede Múltipla 
 
 
Em outras palavras, o número do par permanece o mesmo desde a 
central até o assinante. A vantagem para este tipo de rede está em se utilizar 
um par reserva em mais de um ponto, fazendo com que a ocupação média dos 
pares aumente. As desvantagens são: controle dos registros, perda no sinal de 
transmissão por estarem em paralelo e maior dificuldade na localização dos 
defeitos. 
 
 
7.1.1.4 – Linha Privada 
 
A Linha Privada ou LP não se trata de um tipo de rede, mas é um tipo 
de conexão especial amplamente utilizada. A LP une dois pontos fixos, sem 
passar pelos circuitos de comutação da central, e não possui voltagem DC 
em seus terminais. Naturalmente, esse tipo de linha não permite a ligação do 
aparelho telefônico tradicional, do qual falamos, mas pode ser utilizada para a 
transmissão de qualquer sinal, desde que este ocupe uma faixa compatível 
com a resposta em freqüência da linha, com veremos adiante. Este tipo de 
linha pode ser instalada pela concessionária com a finalidade exclusiva de 
transmissão de dados. Normalmente, o seu custo é maior que o da linha 
comutada convencional, mas tem as vantagens de manter a ligação de modo 
permanente entre os dois pontos e possui uma qualidade melhor já que não 
passa pelos circuitos de comutação da central. 
Emissoras de radiodifusão alugam Linhas Privadas para interligação 
entre um ponto externo (ex. campo de futebol) e o estúdio. As LP´s para 
radiodifusão têm tarifas subsidiadas e podem ser a 2 ou 4 fios, caracterizandorespectivamente as condições de transmissão sem retorno e com retorno. A 
Rádio Rural de Natal utiliza LP´s permanentemente para interligar seu estúdio 
aos transmissores da emissora. 
Nos últimos anos aumentou bastante a demanda por LPs para 
atendimento de serviços de comunicação de dados como “caixas rápidos” dos 
bancos e redes LAN. 
Convém destacar que apenas as Operadoras do STFC (Sistema 
Telefonia Fixo Comutado) (Telemar, Embratel, Brasil Telecom), devidamente 
outorgadas pela ANATEL, detenhem o direito de lançar esse tipo de cabos no 
 60
ambiente público. Exceções são abertas para as concessionárias de TV à 
cabo. 
 
 
7.2 – Elementos das Redes de Acesso 
 
Descrevemos agora de forma resumida todos os elementos que fazem 
parte das redes telefônicas urbana e interna, e como são aplicados. Na Figura 
7.7 temos um exemplo típico de redes urbanas interna, com boa parte dos 
elementos que as constituem. 
Convém salientar que o diagrama anexo corresponde a aplicação em 
cidades do porte de Natal, Mossoró, João Pessoa,mas, em cidades menores 
como Goianinha, Tangará, Nova Cruz, a rede é simplificada e construída toda 
na forma aérea visando diminuição de custos. 
 
7.2.1 Blocos de Terminação 
 
 São destinados à interligação de pares de fios permitindo que sejam 
efetuadas trocas nas ligações. Possuem uma base de material isolante 
(madeira ou plástico) onde são alojados pinos metálicos que recebem as 
conexões dos fios. Esses pinos possuem diversos formatos de acordo com o 
processo de conexão poderá ser: por parafusamento, por enrolamento, por 
encaixe, etc. 
 
 
7.2.2 - Fio Jumper ou FDG 
 
Entende-se por jumpeamento, a conexão física de pares de cabos 
diferentes ou de pares de cabos com a fiação de equipamentos de 
telecomunicações. O FDG mais utilizado é formado por um par de fios 
trançados, em geral de duas cores, fornecidos em bobinas contendo 500 
metros, possuindo as cores preto/laranja ou preto/branco. 
 
7.2.3 - Distribuidor Geral (DG) 
 
Os pares de fios provenientes da planta externa do sistema penetram no 
centro telefônico normalmente por dutos subterrâneos, e alcançam uma galeria 
também subterrânea, denominada “Galeria de Cabos”. Nesta, os cabos de 
grande diâmetro, que possuem milhares de pares de fios cada, são 
subdivididos em cabos menores e mais flexíveis, que são direcionados para 
uma série de “subidas” verticais e passam ao piso superior, onde se acha o 
Distribuidor Geral (abreviadamente DG). 
A planta externa (ver Figura 7.1) está exposta a uma série de riscos 
potenciais de sobretensão e correntes induzidas, por exemplo: descargas por 
raios, queda da rede elétrica sobre cabos telefônicos, induções de corrente 
oriundas de sistemas de energia próximos, etc. As instalações elétricas na 
casa do usuário são também fontes de tensões e correntes estranhas que 
poderiam danificar o equipamento comutador, não fosse a proteção dos blocos 
do DG. 
 61
Cada par no DG é protegido por fusíveis em série em cada par condutor 
e pára-raios (centelhador). Dessa maneira, do lado da planta externa temos 
blocos protetores fixados nos perfís verticais, por isso essa face do DG 
denomina-se “Lado Vertical”. Nele está representado cada para dos cabos da 
planta externa que partem deste DG. 
 
 62
 
Figura 7.7 - Uma rede telefônica urbana típica 
 
 
 63
 
 
 
Figura 7.8 - Galeria de entrada de cabos do DG 
 
A face oposta do DG possui perfis dispostos horizontalmente, também 
equipados com blocos, porém distintos dos primeiros. São “Blocos de Corte”, 
onde os dois fios do par podem ser interrompidos por “Pinos de Corte”. Cada 
par de terminais do bloco de corte recebe um par do equipamento comutador e 
correspondente a um “Número de Assinante”. É no DG que a “Planta Externa “ 
e a “Central Comutadora” se encontram. Há milhares de pares protegidos no 
lado vertical e milhares de terminais numerados no lado horizontal. Atribui-se 
um número ao telefone pela interligação de um par do lado horizontal com um 
par do lado vertical, feito por um par flexível jumper na operação de conexão. 
A Figura 7.9 e 7.10 Ilustram um DG típico. 
 
 
 
Figura 7.9 – Armário distribuidor geral 
 
 
 64
 
Figura 7.10 - DG 
 
 7.2.4 - Caixa de DG 
 
Utilizada nas instalações da rede interna dos assinantes. É um armário 
metálico com fundo de madeira podendo ser embutido ou não na parede, que 
recebe os blocos terminais para a interconexão da rede externa com a rede 
interna. Anéis de guia são fixados para que a fiação de interconexão (fio FDG) 
seja passada e organizada 
 
 7.2.5 - Caixa de distribuição 
 
É um armário metálico de tamanho inferior ao da caixa de DG, usado na 
rede interna comportando os blocos terminais, fios e cabos internos. A caixa de 
distribuição num edifício é o ponto de interligação do cabeamento externo com 
a fiação interno do assinante 
 
7.2.6 - Caixa Subterrânea 
 
Quando uma rede telefônica tiver proporções grandes, torna-se 
necessária a utilização de caixas subterrâneas para que comportem as 
emendas dos cabos de capacidade superior e para que as derivações possam 
ser efetuadas. 
 
7.2.7 - Armário de Distribuição 
 
Geralmente tem a função de interligar os cabos primários (oriundos da 
central telefônica) com os cabos secundários (destinados à distribuição dos 
assinantes). O armário de distribuição comporta os blocos de terminais para 
que sejam feitas manobras entre a rede primária e secundária por intermédio 
 65
de jumpers. Os armários são instalados em lugares estratégicos, podendo ser 
de pedestal ou para poste, como mostra a Figura 7.11. 
 
 
Figura 7.11 – Armários de distribuição 
 
Todos os cabos telefônicos têm os pares trançados (twisted pairs) para 
minimizar a indução eletromagnética entre eles e conseqüente diafonia (linha 
cruzada). 
O trançamento dos pares aumenta a reatância capacitiva equivalente 
entre os eles,ou seja melhora o isolamento entre as linhas de transmissão. 
A rede subterrânea de cabos, quando submetida a dias seguidos de 
chuva e na situação de inundação dos dutos e pontos de emendas (caixas 
subterrâneas) , podem absorver umidade em excesso e o isolamento existente 
(de papel ou plástico) perde sua característica n 
 
 
7.2.8 - Cabo Primário 
 
 É o cabo de distribuição que sai do DG da central pública e chega até o 
armário de distribuição. É um cabo com capacidades elevadas, em torno de 
1200 a 3600 pares. 
 
7.2.9 - Cabo Secundário 
 
É o cabo que sai do armário de distribuição e vai até um outro ponto 
intermediário, por exemplo, uma Caixa de Emenda Ventilada (CEV), ou até à 
propriedade dos usuários. Normalmente este cabo é aéreo e utiliza-se da 
posteação. 
 
A Figura 7.12 mostra o diagrama das redes telefônicas em questão, para 
um melhor entendimento. 
 
 
 
Figura 7.12 – Estrutura da Rede de Acesso 
 66
 
 
7.3 – Cabos e Fios Telefônicos 
 
A definição de cabo telefônico poderia ser: um conjunto de pares de 
cobre isolados individualmente por uma película de papel ou plástico, 
trançados entre si formando grupos independentes e protegidos por camadas 
de papel ou plástico helicoidalmente e com uma capa de alumínio ou chumbo 
externa revestida de polietileno, como mostra a Figura 7.13, pelo qual são 
feitas as interligações entre centrais, assinantes ou central e assinantes. 
 
 
 
Figura 7.13 – O cabo telefônico 
 
Uma rede telefônica pode possuir diversos tipos de cabos, conforme 
mostra a tabela abaixo. 
 
TIPO DE CABO INTERLIGAÇÕES INSTALAÇÃO 
Cabo Tronco Entre Centrais Locais ou entre 
Centrais Tandem 
Em dutos 
Cabo Primário Da Central ao armário (rede 
primária com secundária) 
Em dutos 
Cabo Secundário Do armário ao terminal de 
distribuição (rede secundária 
comterminal) 
Em dutos, enterrados ou 
aéreos 
 
A bitola representa o diâmetro do condutor e o padrão utilizado é o da 
escala AWG, onde são mostradas na tabela seguinte, as bitolas mais comuns, 
bem com os valores em milímetros. 
 
Bitola AWG Diâmetro (mm) Simbologia de 
desenho 
26 0,404 40 
24 0,511 50 
22 0,643 65 
20 0,8 80 
19 0,912 90 
 
 
Os cabos primários e cabos troncos são de grande capacidade (de 200 
a 3600 pares) e os cabos secundários são de baixa capacidade (de 10 a 200 
 67
pares). É bastante comum pressurizar-se os cabos de alta capacidade para 
evitar a entrada de água em pontos críticos da rede. 
 
 
Figura 7.14- Visualização da Rede de Transporte e Rede de Acesso. 
 
7.4 – Degenerações do Sinal de Áudio 
 
 As linhas telefônicas possuem certas particularidades que degeneram 
qualquer sinal que por ela trafegue e, quanto mais acentuada for a 
degeneração imposta ao sinal, mais difícil será sua recuperação pelo receptor. 
 Veremos a seguir as alguns problemas encontrados pelos sinais e 
algumas contra-medidas. 
 
7.4.1 – Atenuação 
 
 O par de fios utilizado para interconectar os elementos do sistema 
telefônico é chamado de par fisco. Este par de fios, aparentemente inofensivo, 
pode causar uma grave distorção de amplitude, dependendo do seu 
comprimento e da espessura do fio utilizado. 
 O par de fios forma uma linha de transmissão, que possui 4 parâmetros 
primários: 
 R = resistência de enlace pr Km – Corresponde a resistência do par de 
fios, a cada Km, considerando ida e volta. 
 C = capacitância por Km – Provocada pela proximidade entre os dois 
fios. 
 L = indutância de enlace por Km – Provocada pelo campo magnético 
entre os fios. 
 G = condutância por Km – Provocada por fuga entre os isolantes dos 
dois fios. 
 Um quilômetro de linha pode ser representado pelo esquema da Figura 
7.15. 
 
 68
 
Figura 7.15 – Modelo Pi de uma linha de transmissão 
 
Como a indutância e a condutância são parâmetros de pouca influência, 
podemos simplificar o modelo Pi do par físico e considerar somente a 
resistência e a capacitância, e o modelo do da linha de transmissão resume-se 
ao esquema mostrado na Figura 7.16. 
 
 
Figura 7.16 – Modelo Pi reduzido 
 
A tabela abaixo, mostra valores desses parâmetros para os fios mais 
utilizados. 
 
 
Diâmetro do fio (mm) R (Ω/Km) C (nF/Km) AWG 
0,404 288 49 26 
0,511 184 51 24 
0,643 106 51 22 
0,9 56 51 19 
 
 
Esses dois parâmetros, distribuídos ao longo da linha, fazem o efeito de 
um filtro que atenua mais as freqüências altas, provocando distorção de 
amplitude. 
 
A Figura 7.17 mostra a resposta em freqüência de um par de fios 0,4 
mm, para diversos comprimentos. 
Observe que quanto maior o comprimento do cabo mais severa é a 
atenuação – este fenômeno pode prejudicar a inteligibilidade nas ligações 
telefônicas. 
 
 
 
 69
 
 
Figura 7.17 – Resposta em freqüência do fio 0,4 mm (AWG 26) 
 
 
 
7.4.2 – Linha Condicionada (pupinização) 
 
 A fim de compensar a distorção de amplitude presente ns pares físicos, 
Michael Pupin propôs equalizar a resposta em freqüência, inserindo bobinas 
distribuídas ao longo da linha, regularmente espaçadas, conforme mostra a 
Figura 7.18. Quando o par físico recebe esse tratamento, dizemos que é uma 
linha condicionada ou pupinizada. 
 
 
 
Figura 7.18 – Linha condicionada ou pupinizada. 
 
 
 As bobinas compensam a distorção natural do par físico até uma certa 
freqüência, e a partir desse ponto, elas provocam uma distorção mais 
acentuada, conforme está ilustrado na Figura 7.110. 
 
 70
 
Figura 7.19 – Efeito do condicionamento da linha. 
 
 Observe, pela Figura 7.16, que a resposta em freqüência melhorou 
bastante dentro da faixa de voz (300 a 3400 Hz), e piorou, no entanto, para 
freqüências acima de 3.400 Hz. 
 Esta atenuação, mais acentuada a partir de certa freqüência, obriga 
praticamente o sinal a estar contido na faixa de voz (banda base), para que 
consiga passar por essa linha. 
 Naturalmente, esta limitação em freqüência não se torna um problema, 
pois o sinal a trafegar nessa linha seria exatamente o sinal de voz, que, 
conforme a proposta inicial, deve ter garantida sua inteligibilidade. 
O problema, na realidade, surge quando necessitamos lançar uma LP de 
comunicação de dados que ocupa uma faixa de espectro acima de 3,4 KHz. ou 
seja transmissão de dados não pode ser efetuada passando por uma linha 
pupinizada, nesse caso é possível, em um mesmo cabo, deixar alguns pares 
sem pupinização. 
 A indutância das bobinas de pupinização varia de 15 a 66 mH para 
linhas de assinantes e de 44 a 100 mH para linhas tronco. 
 Normalmente se refere a uma linha condicionada da seguinte forma: 
24H88 
 
Onde: 
- 24 é a bitola do fio em AWG 
- H é o espaçamento 
- 88 é a indutância em mH 
 
Alguns sistemas utilizados na prática são: 
 
Sistema Intervalo (m) Indutância da bobina (mH)
H-44 1.830 44 
H-88 1.830 88 
D-66 1.372 66 
H-88 915 88 
 
A pupinização foi um processo largamente utilizado nas redes de 
transporte metálicas em conexões locais envolvendo apenas voz (telefonia 
pura e simples), entretanto após o surgimento das linhas de comunicação de 
 71
dados (utilizando a rede telefônica) e a crescente velocidade requerida, a faixa 
de freqüência necessária por canal passou a ser um aspecto de maior rigor,daí 
a pupinização começou a atrapalhar nesses casos e sua aplicação decresceu 
de forma acentuada. 
Atualmente a grande maioria das redes de transporte utilizam fibras 
ópticas e conseqüentemente não há mais sentido em falar de pupinização. 
 
 7.4.3 – Ruído Branco 
 
 Chama-se de ruído branco ao sinal cujo espectro cobre toda a faixa de 
freqüências, ou seja, vai de menos infinito a mais infinito. Claramente essa 
definição é teórica e quer dizer, em outras palavras que o ruído branco possui 
componentes em todas as freqüências. 
 O ruído branco aparece somado ao sinal, na recepção, devido 
principalmente ao movimento aleatório de elétrons nos pares telefônicos e 
também nos componentes eletrônicos, que também é conhecido como ruído 
térmico. É desejável que a contaminação de ruído branco no sinal recebido 
seja a menor possível. Em outras palavras, é desejável que a relação entre as 
potências de sinal e ruído seja a maior possível: quanto maior for a relação 
sinal/ruído, menos erros ocorrerão na detecção do sinal. 
 As relações entre potências, normalmente são expressas em dB 
 ( )Pr/log10)(/ PsdBRS ⋅= 
 Onde: 
S/R = Relação Sinal/Ruído em dB 
Ps = Potência do Sinal (W ou mW) 
Pr = Potência do Ruído (W ou mW) 
 É especificada nas linhas americanas uma relação Sinal/Ruído mínima 
de 24 dB, e um nível de ruído máximo de –40 dBm. 
 Por exemplo, suponha que uma transmissão via linha telefônica tenha as 
características abaixo: 
 Nível de transmissão = 0 dBm 
 Atenuação da linha = 18 dB 
Então: 
 Nível de recepção = -18 dBm 
Se: 
Nível de ruído = -45 dBm 
Logo: 
 Relação Sinal/Ruído = 27 dB 
 O conceito de relação Sinal/Ruído (Signal to Noise) se aplica a qualquer 
meio físico de transmissão, seja ele por par de cobre ou por rádio freqüência 
(RF), por exemplo. Ele também pode ser designado como qualidade do sinal. 
A Figura 7.20 ilustra a variação do Sinal, Ruído e da relação Sinal/Ruído 
no tempo, de um enlace de internet via rádio 802.11b. 
 72
 
S/R
Sinal
Ruído
Figura 7.20 – Relação Sinal/Ruído em canal de RF 
 
7.5 – O Aparelho Telefônico 
 
Para um perfeito conhecimento do sistema telefônico, devemos 
conhecer o aparelho telefônico e suas características. O aparelho telefônico ou 
simplesmente telefone é o aparelho que permite a conversação entre os 
assinantes, além de trocar informações com a central telefônica. 
O telefone é um equipamentoeletrônico, como a grande maioria deles, 
que necessita de uma alimentação de corrente contínua (DC). Antigamente os 
aparelhos telefônicos utilizavam uma “bateria local” junto ao próprio aparelho, 
isso tornava o aparelho dispendioso e complicado para o usuário, além de 
originar problemas técnicos freqüentemente. 
Atualmente, os aparelhos telefônicos utilizam o que chamamos de 
“bateria central”, proveniente da própria central telefônica, conforme já vimos. 
Com isso temos a redução de custos, facilidades de operação e manutenção 
do aparelho. 
A resistência de “loop”, medida entre os terminais do par de fios de 
assinante que chegam na central telefônica, para que o aparelho funcione 
corretamente, estando o monofone fora do gancho, incluindo a resistência do 
fio da linha telefônica, deve ser menor do que 2.000 ohms. 
 
Figura 7.21 – Diagrama básica de um sistema telefônico de baterial lo
 
 
 
cal 
73
Existe uma enorme variedade de aparelhos telefônicos disponíveis no 
mercado com baixo custo. O usuário pode escolher o modelo que mais lhe 
agrade, desde que esteja dentro das recomendações da UIT-T (Union 
International Telecommunication - Telefony), que é um órgão não 
governamental que regulamenta as telecomunicações mundialmente, e o 
próprio usuário poderá instalar ou substituir o aparelho por outro. 
O telefone é um aparelho utilizado para transmitir sons a distância, 
constituído basicamente de dispositivos para converter ondas sonoras em 
ondas elétricas - o microfone; para reverter esse processo – o receptor; o 
gancho que serve como interruptor; a campainha que dá o sinal de que o 
aparelho está recebendo uma ligação; e o disco, ou teclas, que selecionam o 
telefone com o qual se pretende estabelecer comunicação. 
Genericamente, um aparelho telefônico constitui-se de três circuitos 
básicos: 
 
a) Circuito de Voz ou Áudio (Speech Circuit); 
b) Processador de chamadas (Pulse Dialer ou DTMF Generator); 
c) Circuito de campainha ou Ring (Tone Ringer)., 
 
 
7.5.1 - Circuito de áudio 
 
O circuito de áudio permite a conversão de sinais acústicos (voz) em 
sinais elétricos e vice-versa. Isto é, quando o interlocutor “X” fala ao interlocutor 
“Y”, os sinais acústicos devem ser convertidos em sinais elétricos de forma que 
a informação possa ser transmitida pela linha telefônica (par de fios trançados). 
Essa informação, quando chega ao interlocutor “Y”, deve então voltar a sua 
forma original, sinal acústico, para que possa ser compreendida pelo usuário. 
O circuito de áudio do telefone divide-se em duas partes principais: a 
cápsula transmissora e a cápsula receptora, como visto no Capítulo 3 na parte 
de conversão dos sinais mecânicos em elétricos e vice-versa. 
Para que as cápsulas (transmissora e receptora) funcionem 
adequadamente, elas utilizam um circuito que alimenta a parte referente à 
transmissão e faz o acoplamento do sinal na parte referente à recepção. Esse 
circuito é denominado de híbrida ou bobina híbrida, que pode ser, 
dependendo da tecnologia e qualidade do aparelho, transistorizado ou com 
circuito integrado. A função principal da híbrida do telefone é fazer com que o 
assinante não ouça o que está falando no seu próprio fone de ouvido. Essa 
técnica é conhecida como anti-local. 
 
7.5.2 - Processador de chamadas - Pulse Dialer ou DTMF 
Generator 
 
Um assinante, quando deseja originar uma chamada ou efetuar uma 
ligação, retira o monofone do gancho e aguarda o tom de discar (ou tom de 
linha). Após a confirmação do sinal, ele deverá enviar a informação à central 
local do número com quem deseje falar. 
Para isto, os aparelhos telefônicos são dotados de um teclado ou disco 
numérico, de forma que o assinante chamador envie à central o número do 
 74
assinante chamado. O sinal produzido pode ser uma seqüência de pulsos ou 
sinais multifreqüenciais DTMF. 
 
* Pulse Dialer (Discagem por Pulso) - Nos telefones com disco, o 
usuário gira o disco no sentido horário até o chamado apara-dedo ou encosto. 
O disco ao retornar a posição normal, devido à ação de uma mola, provoca 
abertura no loop de corrente da linha, tantas vezes quanto for o número 
discado. A central percebe a interrupção do loop de corrente e contabiliza os 
pulsos enviados, que chegam na razão aberto-fechado de 2:1, divididos em 
33,33ms e 66,66ms, um pulso totalizando 100ms (0,1s). O processo deve ser 
repetido para cada dígito discado. A Figura 7.22 mostra o sinal de uma 
discagem por pulsos, também conhecida como decádica. 
 
 
Figura 7.22 – Pulsos decádicos de discagem (dígito 3) 
 
A esse processo dá-se o nome de “discagem decádica”, em que cada 
dígito é enviado com duração de 10 pps ou 20 pps (pulsos por segundo). Os 
mais comuns possuem duração do pulso de 0,1 segundo (um décimo de 
segundo). Os discos constituem-se de peças eletromecânicas, e por motivos 
óbvios foram substituídos por teclados com dispositivos eletrônicos, sem peças 
móveis, mantendo-se os mesmos padrões elétricos de temporização. 
Logicamente o telefone de teclas é mais fácil de usar e mais dinâmico. 
Algumas funções, como rediscagem do último número, pausa, entre outras 
funções puderam ser incorporadas. 
O dígito “1” será produzido com um único pulso, o “2” com uma 
seqüência de dois pulsos, o “3” com três pulsos, e assim sucessivamente, a 
exceção do dígito “0” que será produzido por uma seqüência de 10 pulsos. 
Porém, esse tipo de técnica de discagem, para um número de 10 dígitos levaria 
em média cinco segundos até que todo o número fosse concluído, piorando 
quanto maior for a quantidade de dígitos “0” ou de maior número como o “9”, 
por exemplo. Para esse processo não está contabilizada a chamada pausa 
interdigital, que é a demora entre a discagem entre um dígito e outro. Logo, 
facilmente chega-se a conclusão que a discagem decádica é processada de 
maneira lenta. 
Para corrigir esse inconveniente, o telefone com teclas, além de ser o 
mais utilizado, sofreu evoluções de forma a se tornar ainda mais rápido. Trata-
se do telefone com envio de informações por tons multifrequenciais ou 
DTMF (Dual Tone Multi Frequency). 
 
 * DTMF Generator (Multifreqüencial) - Nos telefones multifreqüenciais, 
quando uma tecla é pressionada, ativa a emissão de um par de freqüências 
(DTMF) na faixa de áudio, por um período de tempo de aproximadamente 
100ms, à central local, que filtra e identifica o par como sendo o código de um 
número predeterminado. Cada dígito decimal ou tecla possui um par de 
freqüências específicas, como mostra a Figura 7.23. 
 75
 
 
Figura 7.23 – Tons mutifreqüenciais 
 
Os aparelhos modernos possuem uma chave de seleção “tom / pulso” e 
ainda a opção de conversão para tom durante a ligação decádica, utilizando 
uma tecla específica para esse fim (tecla “tom” ou “*”). 
Os sinais DTMF, por serem confiáveis e facilitarem o projeto de circuitos 
eletrônicos têm contribuído para o desenvolvimento de equipamentos 
sofisticados para automação e controle, como, por exemplo, os atendedores 
automáticos para saldo bancário, saldo de cartão de crédito, identificadores de 
chamada (BINA), atendedores digitais PABX (DISA), telesupervisão, 
telecontrole, etc. 
A opção DTMF proporciona diminuição do tempo de transmissão da 
sinalização, portanto é mais vantajosa. Atualmente quase todas as centrais 
digitais fazem automaticamente o reconhecimento da opção de sinalização 
utilizada pelo assinante. 
 
7.5.3 - Circuito de Campainha ou Ring (Tone Ring) 
 
A central telefônica, após identificar o assinante chamado, deve enviar 
um sinal e fazer soar a campainha do telefone. Esse sinal deve ter potência 
suficiente para avisá-lo da chamada a uma distância razoável. 
Nos aparelhos rudimentares foi utilizada uma campainha 
eletromagnética. A corrente necessária e padronizada para esse fim foi de 
correntealternada, senoidal, cujo valor poderá estar situado entre 70 a 90 Vrms 
(eficazes) com freqüência de 25Hz ± 20%. 
A corrente denominada de corrente de toque é enviada ao assinante 
chamado de forma pulsada, de maneira a provocar um segundo toque de 
campainha e quatro segundos de silêncio (1:4s). 
Dessa forma, todos os circuitos combinados formam o diagrama geral 
do telefone, que é indicado na Figura 7.24. 
 
Figura 7.24 – Diagrama de blocos do telefone. 
 
 76
 
 
 
7.5.4 – Principais parâmetros para avaliação dos cabos com 
pares metálicos trançados 
 
- Resistência do Enlace: Resistência CC máxima em torno de 1,8 kOhm sem 
o aparelho telefônico . 
 
- Desequilíbrio Resistivo: diferença de resistência ôhmica existente entre dois 
fios que formam um par simétrico. 
 
- Desequilíbrio capacitivo: diferença de capacitância existente entre os fio de 
um condutor e o terra ou entre dois pares de cabo. 
 
- Resistência de Isolamento ou de isolação: resistência ôhmica entre os dois 
fios condutores ou entre um deles e terra, quanto maior melhor para o sistema, 
pois minimizará a corrente de fuga.Cabos subterrâneos que são atingidos por 
inundações tendem naturalmente a ter deterioração no material isolante e daí 
têm diminuição da resistência de isolamento. O reflexo desse problema para o 
assinante é o surgimento de “chiados” e evoluindo para a total impossibilidade 
de comunicação. Em certos casos ocorre o fenômeno da diafonia. 
 
- Taxa de Erro de Bit (BER): a aferição global dos erros ocorridos a partir da 
transmissão de uma seqüência de bits em velocidade operacional real conduz 
a uma avaliação global da condição de um cabo metálico, todos os problemas 
eventualmente existentes no cabo irão afetar o resultado. Os limites admitidos 
são fixados em documentos de referência utilizados pelas Operadoras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 77
8 – Sinalização 
 
Sem dúvida, os equipamentos que compõem um sistema telefônico 
foram criados para possibilitar a comunicação entre os humanos. Porém, entre 
as centrais telefônicas, deverão precisará haver uma comunicação protocolar 
para que o sistema funcione de forma auto-controlada e auto-sustentada, 
conhecidas pelo nome de sinalização. 
A sinalização telefônica é de suma importância para o processo de 
efetivação e tarifação das chamadas. É a sinalização quem informa a 
prestadora de serviços os dados necessários para faturar as contas dos 
assinantes, através dela também as Operadoras têm dados estatísticos 
extremamente importantes para a gestão operacional. 
Basicamente existem dois tipos de sinalização: a primeira será entre os 
aparelhos telefônicos dos usuários e a central de comutação a que estiverem 
conectados e a segunda são as sinalizações ocorridas entre as centrais 
telefônicas. 
Existem os seguintes grupos de sinalização padronizados: 
 
- Sinalização de Assinante (Acústica); 
- Sinalização de Linha; 
- Sinalização de Registro; 
- Sinalização Associada à Central; 
- Sinalização por Canal Comum. 
 
8.1 - Sinalização de Assinante 
 
Também conhecida como Sinalização Acústica, consiste em uma série 
de sinais audíveis com freqüências e cadências preestabelecidas emitidas da 
central telefônica para o assinante e se divide em: 
 
 
8.1.1 - Tom de Discar (TD) 
 
Também chamado tom de teclar, é o sinal que informa ao assinante 
originador da chamada o momento de iniciar o processo de chamada, por meio 
da discagem ou teclagem do número do assinante destino. 
A central enviará esse sinal toda vez que for reconhecido que o 
assinante retirou o fone do gancho, pois isso indicará que ela estará pronta 
para receber o número do assinante destino. A tensão presente na linha de 
assinante quando o fone estiver no gancho (loop aberto) será de 48 volts DC, 
quando o usuário retirar o fone, uma chave fechará o loop de linha e a tensão 
cairá para aproximadamente 12 Volts DC, que será detectada pela central e 
assim saberá que o fone foi retirado do gancho. 
O assinante que deseja fazer a ligação terá um tempo determinado pela 
central entre 15 a 20 segundos para fazê-lo, caso não o faça, será desligado da 
central, para que não ocupe o sistema e receberá um sinal de ocupado, 
sinalizando para que refaça a ligação. 
 78
O sinal é enviado ao assinante originador continuamente em uma 
freqüência de 425 Hz ± 25Hz até a recepção do primeiro dígito acionado pelo 
mesmo. 
 
 
Figura 8.1 - Gráfico do Sinal elétrico do Tom de Discar 
 
 
8.1.2 - Tom de Chamada (TC) ou Tom de controle de Chamada 
 
O sinal (também denominado RBT) que informa ao assinante originador 
da chamada que ela foi processada pela central e que o assinante de destino 
foi localizado. Nesse momento, no mesmo instante o assinante chamado 
recebe a corrente de toque de campainha, fazendo soar um sinal no seu 
telefone. 
O sinal vem de forma cadenciada, na razão de 1:4, isto é, um segundo 
de toque (corrente de toque de campainha) para 4 segundos de silêncio. A 
freqüência desse sinal é de 425Hz ± 25Hz. 
 
 
 
Figura 8.2 – Gráfico do Sinal elétrico do Tom de Discar 
 
 
 
8.1.3 - Tom de Ocupado (TO ou LO) 
 
É enviado diretamente da central para o assinante que originou a 
chamada, informando-o das seguintes situações: 
 79
- se a linha do assinante destino encontra-se ocupada no momento do 
chamado; 
- se há congestionamento em algum ponto da cadeia de comutação, seja nas 
rotas diretas ou no tráfego de transbordo; 
- se os dígitos não foram enviados satisfatoriamente ou em tempo hábil para a 
central; 
- se o enlace não pôde ser processado em algum ponto da cadeia de 
comutação, por problemas técnicos; 
Esse sinal será de 425Hz, cadenciado em ciclos iguais de 250ms de sinal e 
250ms de silêncio (1/4 de segundo). 
 
 
 
Figura 8.3 – Gráfico do Sinal elétrico do Tom de Ocupado 
 
 
8.1.4 - Tom de Número Inacessível (TNI) 
 
Também é chamado de Tom de Nível Vago ou Número Inexistente. É 
um sinal de 425Hz enviado ao assinante originador da chamada (chamador) 
em uma seqüência de sinal com duração de 250ms por 750ms, intercalado por 
um período de silêncio de 250ms. Indica as seguintes possíveis situações: 
- número do assinante enviado não existe; 
- a linha do assinante destino está com defeito; 
- número do assinante destino foi mudado; 
- acesso ao número é negado para a sua categoria de usuário. 
 
Esse sinal tem sido gradativamente substituído por uma gravação do tipo “esse 
número não existe ou foi mudado, favor ligar para o serviço de auxílio à Lista 
102”. 
 
8.1.5 - Corrente de Toque (CT) 
 
É uma corrente alternada produzida com uma tensão de 75 Volts rms 
(eficazes) com tolerância de +20% e freqüência de 25Hz, enviada à campainha 
(circuito ring) do telefone do assinante de destino, informando-o sobre a 
existência da chamada. 
A corrente é enviada na mesma cadência do tom de controle de 
chamada, um segundo de sinal por quatro segundos de silêncio, até que o 
assinante atenda ou após completar um período de temporização. 
Lembrar o exemplo cômico da “corrente do cachorro” ocorrido numa 
fazenda do município de Macaíba em 1979. 
 
 80
 
 
 
 8.1.6 – Outros tipos 
 
 Existem outros tons, como o Tom de advertência de Telefone Público, 
que informa ao usuário de telefone público o momento de trocar o cartão ou 
colocar outra ficha (moeda); Tom de Confirmação de Programação, utilizado 
nas programações de centrais privadas tipo PABX, Tom de Chamada em 
Espera, utilizado pelas centrais digitais quando o assinante usufrui a facilidade 
de atender duas chamadas em uma mesma linha, dentre outras sinalizações 
de assinante. 
 
 8.2 - Sinalização de Linha 
 
É o tipo de sinalização utilizada nas supervisões das linhas de junção e 
estágios de conexão entrecentrais interligadas entre si. Os circuitos 
responsáveis por essa troca de sinalização são denominados de Juntores 
(JT), e conforme já vimos a interligação entre centrais dá-se o nome de 
entroncamento. 
 
 
Figura 8.4 - Linha de Junção e Sinalização de Linha 
 
8.2.1 - Tipos de Sinalização de Linha 
 
Os meios para transmissão de sinais utilizados para comunicação entre 
as centrais podem ser: por cabos (pares de fios trançados), cabos coaxiais, 
rádio-enlace analógico ou digital (rádio transmissão), satélite ou ainda fibra 
óptica. 
Existem quatro variantes de sinalizações de linha adotadas conforme o 
tipo de entroncamento e sua evolução tecnológica: 
* Sinalização de Loop ou Corrente Contínua; 
* Sinalização E & M Pulsada; 
* Sinalização E & M Contínua; 
* R2 Digital. 
A escolha do sistema de sinalização de linha adequado a um dado 
entroncamento resulta do prévio estudo técnico-econômico, considerando o 
tipo de transmissão, quantidade de Juntores e conversores envolvidos. Veja 
abaixo, os sistemas de sinalização aplicáveis ao meio de transmissão. 
 
 
 
 81
 
 
A sinalização linha de loop raramente é adotada nos dias atuais, ficando 
a sinalização E&M pulsada (principalmente) e a R2 Digital como alternativas 
mais comuns, posteriormente abordaremos a Sinalização por Canal Comum 
número 7 que surgiu nos anos 90 e já é opção mais adotada em sistemas 
digitais. 
 
 
8.2.2 - Descrição dos Sinais 
 
Os sinais enviados pela central de origem são conhecidos como sinais 
para frente, são os que efetivamente são produzidos pela central que inicia um 
processo de sinalização, e os sinais enviados pela central de destino (em 
resposta), como sinais para trás. 
 
1. Ocupação: pulso de terra com duração de 150 ms transmitido para frente, 
pela central de origem, solicitando à central de destino que seus circuitos 
passem da condição de repouso para a condição de operação. 
2. Atendimento: pulso de terra com duração de 150 ms ,sinal para trás 
transmitido pela central de destino, indicando que o assinante chamado 
atendeu à ligação e que a tarifação pode ser iniciada. 
3. Desligar para Frente: pulso de terra com duração de 600 ms transmitido 
para frente, pedido de liberação de todos os elementos envolvidos na ligação. 
Primeiro os elementos da própria central solicitante e depois os da central de 
trânsito, de forma a voltar à posição de repouso, esperando uma próxima 
ligação. 
4. Desligar para Trás: pulso de terra com duração de 600 ms transmitido pela 
central de destino para a de origem da ligação, indica que o assinante 
chamado desligou. 
5. Confirmação de Desconexão: sinal emitido pela central de destino (600ms) 
em resposta ao sinal de desligar para frente, indicando a liberação de seus 
elementos. 
6. Desconexão Forçada: substitui o sinal de desligar para trás. É emitido(600 
ms) num ponto conveniente da cadeia interurbana, após esgotado o tempo de 
supervisão entre o sinal de desligar para frente e o sinal de desligar 
para trás. 
7. Bloqueio: sinal de terra fixo emitido para provocar o bloqueio dos circuitos 
de um juntor de saída, na central de origem, a fim de evitar sua a ocupação, 
por razões pertinentes ao sistema. 
8. Tarifação: transmitido do juntor de entrada para o juntor de saída da central 
de origem a partir do ponto de tarifação por multimedição, de acordo com a 
cadência correspondente ao degrau tarifário. Quando a tarifação é por 
bilhetagem automática esse sinal não é enviado. 
9. Rechamada: sinal para rechamar o assinante imediatamente após a sua 
desconexão, pela telefonista. Não é um sinal obrigatório. 
 82
10. Falha: o juntor de saída informa que houve falha no equipamento de 
origem. 
 
 
8.3 - Sinalização de loop 
 
O entroncamento é feito com par de fios trançados, a dois fios, e os 
sinais consistem na variação da intensidade e inversão da polaridade da 
corrente de loop. Observe na Figura 8.5, que o circuito de entrada (chamado de 
juntor de entrada - JE), que recebe a conexão, é que alimenta o circuito de 
saída (juntor de saída - JS), o que encaminha a chamada. A resistência 
máxima de loop é de 2,2 K Ω ou 1,5 K Ω para a tarifação por multimedição. A 
resistência mínima de isolação entre os fios “a” e “b” ou entre um condutor e o 
terra é de 30K Ω e a tensão de linha é de 28 ± 4V. 
 
 
Figura 8.5 – Sinalização Loop. 
 
As sinalizações por corrente contínua ou loop baseiam-se em juntores a 
dois fios onde há a combinação da variação de corrente, resistência e 
polaridade por um determinado período de tempo. A combinação entre elas 
origina as sinalizações vista no item anterior. Esse método é pouco utilizado 
atualmente. 
 
8.4 - Sinalização E & M Pulsada 
 
Quando o meio de transmissão utilizado entre as centrais for feito por 
intermédio de rádio transmissão ou satélite poderá ser efetuada a sinalização 
por meio de dois métodos: E & M Pulsada ou E & M Contínua. 
Neste caso, entre o juntor e o sistema de transmissão de Rádio Multiplex 
geralmente se utilizam seis fios. O sinal de áudio passa por um circuito 
denominado de Híbrida que converte o circuito de dois para quatro fios, de 
forma a individualizar (separar) a transmissão e a recepção do sinal de voz. Um 
quinto e um sexto fios são utilizados um para transmissão Mouth (boca) e o 
outro para a recepção Eear (ouvido) durante a troca de sinalização. Um sétimo 
fio poderá ser utilizado para supressão de eco em comunicações via satélite. 
A Figura 8.6 mostra a representação de um sistema via rádio entre duas 
centrais remotas. Note que existem 6 fios: 2 para Tx (transmissão), 2 para Rx 
(recepção e 2 para sinalização. A conversão de 2 para 4 fios será vista no 
Capítulo 9 
 
 83
 
Figura 8.6 – Representação de uma ligação entre centrais usando sinalização E & M 
 
 
 
A emissão dos sinais é feita com a aplicação de pulsos de terra (0 volt) 
no fio M, referidos a um potencial de 48 Volts, com durações preestabelecidas. 
Os pulsos podem ser curto ou longo, ou seja, 150ms ou 600ms 
respectivamente, com tolerância de 20%. O intervalo mínimo entre dois sinais 
consecutivos deve ser de 240ms. 
Para que os pulsos possam ser transmitidos, eles passam por um 
sistema de transmissão em que são multiplexados e modulados com uma 
freqüência de 3825Hz em rádios analógicos ou presença de nível lógico “1” nos 
bits correspondentes ao canal de sinalização em sinais digitais. 
Como a faixa de áudio está compreendida entre 300 e 3400Hz (canal de 
voz), essa técnica é conhecida também como sinalização Fora de Faixa 
(freqüência de 3825Hz). A tabela abaixo ilustra os sinais utilizados durante uma 
troca de sinalização E & M Pulsada, entre juntores, e a correspondência entre 
os sinais e os pulsos. O sentido das setas indica a sinalização enviada da 
central de origem para a central de destino e vice-versa, ou seja, os sinais para 
frente e os sinais para trás respectivamente. 
 
 
Tabela 8.1 – E & M Pulsada 
 
Observe que temos dois tipos de sinais, o curto e o longo, com durações 
de 150 e 600ms respectivamente, podemos atribuir, em resumo, as seguintes 
condições em função do sentido do sinal. 
 
Curto ⎯⎯⎯⎯→ Ocupação ou Rechamada 
Curto ←⎯⎯⎯⎯ Atendimento ou Tarifação 
Longo ←⎯⎯⎯⎯ Desligar/Desconexão Forçada/Confirmação de Desconexão 
Longo ⎯⎯⎯⎯→ Desligar para frente 
 
 
8.5 - Sinalização E & M Contínua 
 
A diferença de sinalização da E & M Pulsada para a E & M Contínua 
reside no fato de que a sinalização contínua utiliza apenas a presença ou 
ausência de sinal, o que corresponde a apenas dois estados possíveis em 
 84
cada direção. A tabela a seguir ilustra o protocolo de sinalização E & M 
Contínua. 
 
 
Tabela 8.2 – E & M Contínua 
 
 
8.6 - Sinalização de Registro 
 
Registro ou Registrador é uma denominação genérica dada aos circuitos 
ou elementos deuma estação de comutação, capazes de interpretar e enviar 
informações para outros centros de comutação. 
As sinalizações de registro são informações relacionadas às condições 
particulares aos assinantes originador e recebedor de chamadas e, 
eventualmente, às condições dos circuitos e elementos de comutação 
envolvidos. Essas informações devem ser trocadas entre registradores das 
centrais, de forma a estabelecer uma conexão. As sinalizações de registros 
podem ser efetuadas por pulsos decádicos (DP) ou por pares de freqüência, 
sinais multifreqüenciais (MF). 
 
8.6.1 - Sinalização Decádica 
 
O juntor de saída funciona como um telefone com discagem por pulsos 
decádicos. Cada conjunto de pulsos corresponde a um dígito decimal (0 a 9). 
Muito embora esse processo seja bastante simples e de custo reduzido, 
ele apresenta algumas desvantagens, como o tempo elevado para troca de 
sinalizações entre as centrais, estando em desuso. 
Esse método é empregado somente em centrais interligadas fisicamente 
por pares de fios e com pouca distância, pois os pulsos sofrem deformações na 
transmissão, devido às características inerentes dos condutores elétricos como 
dito anteriormente, e possuem somente sinais em um sentido, para frente. 
 
8.6.2 - Sinalização Multifreqüencial Compelida ou MFC 
 
A sinalização MFC utiliza pares de freqüências senoidais combinadas 
(compelidas) entre si para a codificação dos sinais. As trocas de informações 
são muito rápidas, em aplicações por meios terrestres, e não deformam o sinal, 
sendo utilizadas freqüências dentro do canal de voz. 
São doze freqüências utilizadas, divididas em dois grupos de seis, 
denominados de freqüências altas e de freqüências baixas. A tabela abaixo 
mostra as freqüências utilizadas nessa sinalização. 
 
 85
 
Tabela 8.3 – Freqüências MFC 
Cada sinal corresponde a duas freqüências dentro do grupo. As 
freqüências altas são transmitidas para frente, no sentido do estabelecimento 
da cadeia de comutação, e as freqüências baixas são transmitidas para trás, 
como resposta às primeiras. 
Trata-se de um sistema bastante seguro, pois, além do sinal ser 
reconhecido apenas pela composição de duas freqüências, os circuitos 
receptores possuem filtros seletivos com sensibilidade para detectar sinais com 
níveis muito fracos, compreendidos entre –5 e –35dBm e com variações de 
freqüência de 10Hz. 
Após a filtragem, o sinal é decodificado. Observe que na linha de junção 
pode haver simultaneamente, quatro freqüências, duas combinadas 
referentes aos sinais para frente e outras duas referentes aos sinais para trás, 
o que não impede a detecção e interpretação do sinal de interesse aos filtros 
ativos. Abaixo, temos a tabela com as combinações de freqüências para 
formação dos dígitos. 
 
 
Tabela 8.4 – Tabela de combinações MFC dos sinais 
 
 
Interpretação dos Sinais para Frente 
 
Os quinze códigos dos sinais para frente, formados pela combinação de 
freqüências da Tabela 8.4, foram divididos em dois grupos denominados de 
Grupo I e Grupo II. 
Os sinais do grupo I fornecem informações numéricas e de controle, 
enquanto os do grupo II fornecem informações sobre o assinante que está 
originando a chamada. 
A mudança do grupo I para o grupo II ocorre durante a troca de 
sinalização, quando o registrador de origem (circuito ou elemento de uma 
estação de comutação, capaz de interpretar e enviar informações para outros 
centros de comutação) receber o sinal para trás A5 (Algarismo 5). 
 
 86
 
Tabela 8.5 – Sinais para frente 
 
Interpretação dos Sinais para Trás 
 
Da mesma forma, os sinais para trás também são divididos em dois 
grupos denominados de Grupo A e Grupo B. Os sinais de grupo A são de 
“solicitação de envio” da central destino à central de origem. 
Os sinais do Grupo B fornecem informações sobre o assinante destino e 
congestionamento de tráfego. O registrador de destino envia o sinal A3 
(Algarismo 3), quando da mudança do grupo A, para que o registrador de 
origem passe a interpretar os sinais do Grupo B, ou seja, comutar da 
interpretação dos sinais do Grupo A para o B 
ou vice-versa. 
Inicialmente, a rede brasileira utilizou o padrão “MFC 5B” baseado no 
sistema europeu, entretanto, atualmente, o mais utilizado é o padrão “MFC 5C” 
(uma variante do 5C). Há também o padrão Berne R2 empregado nas centrais 
de trânsito internacional. O que muda são os significados para alguns sinais do 
Grupo B. 
 
 
Tabela 8.6 - Significado de sinais para trás padrão “5C” 
 87
 
 
- Exemplo de troca de sinalização MFC entre duas centrais numa 
ligação local. 
 A partir de pulso de ocupação (150 ms) a central de destino se “prepara” 
para o processo de sinalização de registro e posterior conversação com 
tarifação. A rotina para conexão entre duas centrais telefônicas incia-se com o 
envio da sinalização de linha que é reconhecida pela central de destino. A 
Figura 8.7 mostra esse processo. Note que a sinalização de registro MFC 
trafega pelos fios Tx e Rx e a sinalização E & M trafega pelos fios E e M. A 
conversão de 2 para 4 fios será melhor explorada no próximo capítulo. 
 
 
3206-1245 3213-3199 
 88
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Telefone Tocando
E M 
600 ms 
Confirmação de desconexão
Elimina tom de 
controle de chamada 
Conversação 
com pulsos de 
tarifação 
Encerramento M 
150 ms 
600 ms 
E M Atendimento 
Tom de fim de chamadaE 
Desligar para frente
A3
Rx
Tom de controle 
de Chamada B1
... 45 
A1
3 
2 
A1
A5
II-X 
A5
A1
... 99 
2 
A1
150 ms (ocupação de juntor)
M E 
3 
Tx Rx 
3213-3199
Juntor 
Saída
Juntor 
Entrada
Central B Central A 
Meio de transmissão
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx Rx 
Rx Tx 
Tx 
Figura 8.7 – Troca de sinalização MFC e E&M Pulsada
O assinante chamador(3206-1245) retira o telefone do gancho, a central A 
percebe isso e envia o tom de discar. O assinante chamador digita o número 
do assinante de destino (3213-3199) e a central percebendo que o número de 
destino é externo, ela ocupa um juntor de saída com um pulso de 150 ms para 
a central de destino. Inicia-se a troca de registros entre as centrais seguindo as 
tabelas 8.5 e 8.6, até que o assinante chamador desliga e encerra-se a ligação. 
 
- Exemplo de troca de sinalização MFC entre duas centrais numa 
ligação interurbana via central Tandem. 
 
 
3206-2267 3431-1245
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Central A Tandem Central B 
Tx 
Tx 
Tx 
Tx 
Tx 
Tx 
Rx
Rx
Rx
Rx
Rx
Rx
1...2...4...5 
150 ms 
B1B1
Telefone Tocando
150 ms 150 ms 
Conversação com pulsos de tarifação
Elimina tom de 
controle de chamada Atendimento 
Tom de controle 
de chamada 
0 xx 84 3431-1245 
J
S
J
E
J
S
Tx 
E 150 ms M 
Rx 
Tx 
Rx 
Tx 3...4...3...1 
Rx 3...4...3...1 
Tx 
Rx 
Tx 
Rx 
Tx 
Rx 
Tx 
Rx 
Tx 
A3A3
1...2...4...5 
A1
I-15 
A5
206 22 67 
A5
3 
A5
II-X 
A5
A1
X..X.. 8...4 
A1
0 
J
E
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tom de f
Confirmação de desconexão
600 ms 600 ms 
Encerramento 
600 ms 600 ms 
 Figura 8.8 – Troca de sinalização MFC e E&M Pulsada via Tandem 
 
im de chamada
89
 Na Figura 8.8, temos uma ligação interurbana via central Tandem. 
Quando a origem disca o número de destino, a central local verifica na tabela 
de rotas que para chegar ao destino deve acionar um juntor de saída para a 
central Tandem, que por sua vez sabe como chegar ao destino.8.6.3 - Sinalização DTMF e MFP 
 
São utilizadas na troca de informações com equipamentos terminais. No 
item referente ao aparelho telefônico, vimos que este processa as discagens 
de maneira decádica ou via DTMF. 
Outros equipamentos também fazem uso desses recursos. A discagem 
decádica é mais lenta e limitada, sendo substituída pelo processamento DTMF. 
Os sinais DTMF são mais precisos e a troca de sinalização torna-se mais 
confiável e segura. As freqüências e a codificação utilizadas na sinalização 
DTMF são: 
 
 
Tabela 8.7 – Codificação DTMF 
 
A sinalização DTMF passou a ter aplicações também em sistemas de 
controle à distância em equipamentos com atendimento interativo, como por 
exemplo: atendedores digitais automáticos, administradoras de cartão de 
crédito, saldo eletrônico, home banking, secretária eletrônica, solicitação de 
serviços à operadoras, entre outros. 
Os primeiros identificadores de chamada BINA (B Identifica Número A), 
utilizaram inicialmente uma interface (posicionada na central) para recepção de 
sinais MFC enviados entre as centrais analógicas imediatamente antes de 
enviar o toque da campainha (ring) ao assinante chamado, enviando o número 
ao usuário. 
As centrais digitais modernas, no entanto, por conveniência, já 
fornecem, quando programadas para esse fim, sinais DTMF ou MFP antes do 
ring. Os circuitos se tornaram mais simples com implementação quase que 
imediata e com reduzido custo para o usuário. Os sinais MPF originam-se de 
Multifreqüencial Propelido (ou pulsado), padronizado pela Telebrás, para 
centrais CPA. 
 
9 - Centrais privadas de Comutação 
telefônica (CPCT) 
 
São centrais telefônicas simplificadas para utilização interna 
principalmente em empresas e Instituições visando evitar que essas tenham de 
pagar por ligações telefônicas efetuadas dentro do ambiente físico das 
mesmas. 
 90
Os principais tipos de CPCTs são: PABX, Micro-PABX e KS. 
As CPCTs podem ser interligadas às centrais locais da Operadora 
através de linhas telefônicas normais que recebem a denominação de linhas-
tronco.Normalmente têm a função DDR (discagem direta a ramal) para diminuir 
o número de telefonistas. 
CPCTs de maior porte são interligadas via digitroncos de 2 Mbit/s ou em 
taxas mais elevadas via fibra óptica, mas esses casos serão estudados mais 
adiante, na segunda avaliação. 
 
Figura 9.1 - Configuração típica de interligação de uma CPCT com a rede pública. 
 
 
 O sistema KS (Key Systems) corresponde a um conjunto de aparelhos 
com teclas onde a ocupação dos troncos é visualizada em todos os aparelhos 
através leds ou lâmpadas. O KS é aplicável em pequenas empresas e 
escritórios, onde a quantidade de ramais é reduzida, tipicamente existem 
sistemas KS com 2 troncos/ 8 ramais, 3 troncos/ 15 ramais, 4 troncos/ 20 
ramais, etc. 
 Todos os aparelhos que compõem um sistema KS são interligados com 
uma cabeação contendo a totalidade dos troncos paralelados, o que torna o 
custo da cabeação alto, dessa forma, o KS só é viável em ambientes onde as 
distâncias envolvendo os pontos (ramais) não sejam elevadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 91
10 - Sistemas Multiplex 
 
10.1 – Modos de operação de um meio de transmissão 
 
Um meio qualquer de transmissão pode ser operado de 3 modos: 
simplex, semiduplex e duplex. 
No modo simplex interessa apenas transmitir uma informação de A para 
B (transmissão unidirecional). 
No modo semiduplex interessa não só transmitir informação de A para B, 
como de B para A, porém num sentido de cada vez (transmissão bidirecional 
alternada). 
No modo duplex interessa transmitir ao mesmo tempo informação de A 
para B e de B para A (transmissão bidirecional simultânea). A Figura 10.1 
exemplifica melhor estes modos de operação. 
 
 
Figura 10.1 – Modos de transmissão 
 
 
10.2 – Conceito de Canal e Circuito 
 
 Canal é um conjunto de recursos técnicos que permitem a transmissão 
da informação de um ponto A para um ponto B. Como verificamos, este 
conceito é o de uma ligação unidirecional 
 Na prática, entretanto, na maioria das utilizações, como por exemplo, 
numa ligação telefônica, o que mais interessa é permitir que A converse com B, 
isto é, deve haver recursos tanto para transmitir a ida (para transmitir de A para 
B), quanto um canal de retorno (para transmitir de B para A). 
 O conjunto canal de ida e canal de retorno é denominado circuito. 
 A Figura 10.2 exemplifica ambos os conceitos: o conjunto composto 
pela cápsula transmissora de A, o par de fios e a cápsula receptora de B, 
compõem o canal de ida. A cápsula transmissora de B, o par de fios e a 
cápsula receptora de A, compõem o canal de volta. Os dois canais em conjunto 
formam o circuito telefônico AB. 
 
 
 
 
 92
 
 
 
Figura 10.2 – Ligação telefônica utilizando dispositivo antilocal. 
 
 Como verificamos, um canal só pode ser operado no modo simplex, 
enquanto que um circuito admite tanto a operação semiduplex, como a duplex. 
 
 10.3 – Circuitos a 2 Fios e a 4 Fios 
 
As linhas telefônicas urbanas formadas por pares de fios metálicos, permitem 
transmissão nos dois sentidos porque não possuem componentes 
unidirecionais em sua composição (por exemplo, amplificadores). O mesmo 
para de fios pode funcionar como canal de ida e canal de retorno, e o circuito, 
por empregar apenas um par de fios, é chamado de circuito a 2 fios 
 As vias interurbanas, devido à sua grande extensão, exigem a 
introdução de amplificadores para compensar a atenuação do sinal no 
percurso, e como estes componentes são unidirecionais (só permitem a 
passagem do sinal num sentido), o canal de ida e o canal de retorno têm 
obrigatoriamente de ser individualizados. Devido a isto, o circuito neste caso 
apresenta 4 terminais de cada lado, sendo chamado de circuito a 4 fios 
(Figura 10.3). 
 
 
 
Figura 10.3 – Circuito a 4 fios 
 
 É possível, entretanto, mediante o emprego de um dispositivo chamado 
híbrida, fazer a conversão da montagem a 4 fios para a montagem a 2 fios, 
dessa forma podendo-se ligar a via interurbana à via urbana, como mostra a 
Figura 10.4. 
 93
 
Figura 10.4 – Ligação interurbana. 
 
 
 
10.4 – Dispositivos Híbridos 
 
Os dispositivos híbridos são circuitos de seis pólos (hexapolo) ou oito 
pólos (octopolo), normalmente conhecidos como híbridas, e que têm largo 
emprego nos equipamentos multiplex. 
Conforme vimos no item anterior, quando temos um circuito a 2 fios que 
necessita ser transmitido pr uma via a 4 fios, torna-se necessário o emprego de 
um dispositivo que transforme 2 fios em 4 fios e vice-versa. 
A Figura 10.5 apresenta este processo, onde H1 e H2 são as híbridas 
utilizadas para a transformação 2 fios em 4 fios, cuja função é fazer com que os 
sinais enviados de A para C sigam somente a via ABC (sem penetrar na via 
CDA), enquanto que os sinais enviados de C para A sigam somente a via CDA 
(sem penetrar na via ABC). Em outras palavras: a atenuação entre os terminais 
44´ e 22´ de cada híbrida deve ser a maior possível, teoricamente, infinita. Esta 
atenuação é chamada de perda trans-híbrida ou isolamento entre 
transmissão e recepção; um valor baixo desta atenuação pode provocar 
problemas de transmissão. 
Para um perfeito casamento das híbridas com os circuitos a 2 fios e a 4 
fios, é necessário que a impedância de cada par de terminais da híbrida seja, 
respectivamente, igual à impedância do circuito a que este par se conecta. 
Como nos terminais multiplex, geralmente, a impedância Z dos circuitos a 2 fios 
é igual à impedância dos circuitos a 4 fios, para uma perda de retorno alta, nos 
terminais das híbridas devemos ter Z11´ = Z22´ = Z33´ = Z44´ = Z. 
 
 
Figura 10.5 – Híbrida para conversão de 2 em 4 fios 
 94
Observação: Na Figura 10.5, BAL é uma rede de balanceamento ouequilíbrio 
cuja função é fazer o casamento da híbrida com o circuito a 2 fios, para que 
obtenhamos uma alta perda de retorno nos terminais 11´, a fim de não 
provocar problemas de transmissão. 
 Em resumo, para e execução do circuito de uma híbrida para 
transformação de 2 fios em 4 fios, basicamente, teremos dois problemas: 
 
• Uma alta perda trans-híbrida (A24 = infinito) 
• As seguintes igualdades de impedâncias no octopolo: Z11´ = Z22´ = Z33´ = 
Z44´ = Z. 
• É importante também se determinar a atenuação que os sinais sofrem 
na passagem dos terminais 11´ para 22´, e dos terminais 44´ para 11´. 
 
10.5 – Conceito de Multiplexação 
 
Se um circuito utilizando um par de condutores, permite que duas 
pessoas possam estabelecer um diálogo sem problemas, conforme foi 
apresentado anteriormente, vejamos o que poderia ocorrer se colocássemos, 
num mesmo meio de transmissão, quatro circuitos telefônicos (Figura 10.6). 
 
 
Figura 10.6 – Ligação telefônica de 4 assinantes 
 
 
Percebe-se pela simples observação da figura que, se os quatro 
assinantes tirassem o telefone do gancho ao mesmo tempo, todos ouviriam a 
conversa dos outros, sendo difícil entabular uma comunicação sem ser 
perturbado. 
Quanto maior o número de circuitos telefônicos utilizando o mesmo 
meio, maior seria o problema (Figura 10.7) 
Pelo exposto, verificamos que, quando são transmitidos vários circuitos 
telefônicos entre dois pontos A e B, utilizando um meio de transmissão comum 
(par de condutores, rádioenlace, etc), há necessidade de utilização de uma 
técnica que possibilite a comunicação sem interferência entre os circuitos, e 
que permita a identificação entre eles; essa técnica é conhecida como 
multiplexação. Como já foi anteriormente informado, a multiplexação utiliza 
circuitos a 4 fios, em que são empregados canais de ida e de volta. 
 
 
 
 95
 
Figura 10.7 – Ligação telefônica de 8 assinantes sem multiplexação 
 
Na Figura 10.8 temos do lado A a multiplexação, onde unimos vários canais 
1A, 2A,... nA, e transmitimos os mesmos de A para B, através de um par de 
fios (de B para A o processo é idêntico). No lado B temos a demultiplexação, 
ou seja, a identificação e separação dos canais transmitidos de A para B. 
 
 
 
 
Figura 10.8 – Ligação telefônica através de um multiplex. 
 
Se forem transmitidas diversas informações, conforme indica a Figura 10.8, 
estas serão identificadas perfeitamente e separadas sem que haja interferência 
entre as mesmas. Como verificamos, a multiplexação é uma técnica de grande 
utilização para que se possa, racionalmente, aproveitar um meio de 
transmissão. 
 
 
 
 96
 10.6 – Tipos de Multiplexação 
 
 Atualmente são utilizado diversos tipos de multiplexação os quais estão 
divididos em dois grupos, de acordo com a técnica utilizada: 
 
10.6.1- Técnica digital 
 
A multiplexação que utiliza esta tecnologia é chamada multiplexação 
por divisão de tempo (TDM – Time Division Multiplex), que será 
apresentada na segunda avaliação. 
 
10.6.2 – Técnina analógica 
 
A multiplexação que utiliza esta tecnologia é chamada de multiplexação 
por divisão de freqüência (FDM – Frequency Division Multiplex), sendo o 
próximo capítulo dedicado a esta técnica de multiplexação. 
 
11 – Multiplexação FDM – Frequency Division 
Multiplex 
 
 Neste capítulo apresentaremos os conceitos sobre translação ou 
conversão de freqüências e banda básica, descrevendo a modulação AM, que 
é a operação utilizada pelo multiplex analógico FDM para fazer translações, 
bem como mostrar os estágios de translação recomendados pelo CCITT para 
compor as bandas básicas. 
 
11.1 – Canal Multiplex 
 
Como a utilização primordial do multiplex é para comunicações 
telefônicas, o canal utilizado neste sistema é chamado de canal multiplex ou 
canal de voz, e o circuito é chamado de circuito multiplex telefônico ou 
circuito de voz. 
 
 11.1.1 – Representação Convencional 
 
O canal de voz é indicado, segundo convenções internacionais, por um 
triângulo (Figura 11.1), em que a base representa a faixa de freqüências 
disponível para transmitir a informação e a altura corresponde a maior 
freqüência. 
 
Figura 11.1 – Representação convencional do canal multiplex 
 
 97
11.1.2 – Tipos de Canais Multiplex 
 
O CCITT recomenda a utilização de dois tipos de canal multiplex, 
visando o aproveitamento mais racional possível do meio de transmissão: 
 
 
a) Canal multiplex de 6 Khz de faixa (Figura 11.2) 
 
Este tipo de canal tem emprego somente em sistemas de pequena 
capacidade, onde o baixo preço do equipamento é mais importante que o 
aproveitamento do meio para transmissão de um número maior de canais. 
 
 
Figura 11.2 – Canal multiplex de 6 Khz 
 
 
A qualidade da comunicação telefônica utilizando canais deste tipo, é muito 
boa pois a faixa disponível para transmissão de voz é maior que aquela 
recomendada no capítulo 3. 
 
 
b) Canal multiplex de 4 Khz de faixa (Figura 11.3) 
 
 
Este é o tipo de canal mais empregado em sistemas multiplex, onde a 
faixa de freqüências utilizada para transmissão de voz é aquela indicada no 
capítulo 3. 
Quando se fala em canal multiplex, sem indicar a faixa passante, a 
referência é sempre para o canal de 4 Khz. 
 
 
 
 
Figura 11.3 – Canal multiplex de 4 Khz 
 
 
 
 
 98
 
11.2 – Translação ou conversão de freqüências 
 
 É uma transferência de sinais que ocupam uma determinada faixa no 
espectro de freqüências, para uma outra posição deste espectro, de tal 
maneira que seja mantida a posição relativa das freqüências dentro da faixa. 
 Por exemplo, se considerarmos uma faixa de 3Khz de largura, ocupando 
no espectro de freqüências a posição de 1 a 4 Khz, se esta faixa for 
transladada para a posição de 7 a 10 Khz, as freqüências de 2 e 3 Khz 
ocuparão a posição de 8 e 9 Khz, respectivamente, na faixa transladada. A 
Figura 11.4 mostra a translação. 
 
 
Figura 11.4 – Translação de freqüências 
 
11.3 – Modulação e Demodulação 
 
A modulação é um processo onde duas freqüências ou sinais são 
combinados, de tal maneira que são criadas novas freqüências. Este processo 
difere totalmente da adição de freqüências ou sinais, operação esta que não 
gera novas freqüências, como ilustrado na Figura 11.5. 
 
 
Figura 11.5 – Diferença entre modulação e soma de freqüências. 
 
Na modulação, um dos sinais que será combinado é chamado de 
portadora e ou outro, sinal modulante. Ao produto da modulação damos o 
nome de sinal modulado. 
Basicamente, a modulação consiste em se fazer variar a amplitude ou a 
freqüência da portadora, em função do sinal modulante. 
Ao processo de restauração do sinal modulante, a partir do sinal 
modulado e da portadora, chamamos de demodulação. 
 
 
 
 
 99
11.3.1 – Tipos de Modulação 
 
 Existem várias maneiras de se modular um sinal, e geralmente, a 
portadora é uma onda senoidal cuja amplitude, a cada instante, pode ser 
expressa matematicamente por: 
 
 (1) 
 
 Nesta expressão Ep é a amplitude máxima e a quantidade entre 
parênteses é um ângulo que varia em função do tempo: 
 
 (2) 
 
 O exame das equações (1) e (2) mostra que a forma de onda pode ser 
variada, a cada instante, através de duas quantidades 
 A modulação em amplitude é obtida somente pela variação da 
amplitude Ep, de forma que o desvio resultante, em relação à amplitude Ep, seja 
diretamente proporcional ao valor instantâneo do sinal modulante, porém 
independente da sua freqüência. 
 A modulação em ângulo é obtida quando, em função do valorinstantâneo do sinal modulante, faz-se variar Como o ângulo, num 
determinado instante, pode ser alterado, seja por variação da freqüência fo, 
seja da fase a modulação angular se divide em duas modalidades, 
dependendo do tipo de variação: modulação em freqüência e modulação em 
fase. Como este tipo de modulação não tem aplicação direta no equipamento 
multiplex, não será aqui abordado. 
 Existe uma outra forma de modulação, a modulação por amplitude de 
pulsos, na qual a onda portadora é formada por pulsos curtos, de forma 
retangular. A forma desses pulsos é variada pelo sinal modulante. Esta técnica 
será apresentada na segunda avaliação, no capítulo referente à multiplexação 
por divisão de tempo. 
 
 
11.4 – Modulação em amplitude 
 
 Na modulação em amplitude, o valor máximo da onda portadora é 
variado pela intensidade do sinal modulante, que é a quantidade moduladora. 
 Na Figura 11.6 pode-se observar o efeito da modulação em amplitude. 
Em A e B tem-se a representação de um sinal modulante de forma senoidal; a 
forma senoidal é utilizada para permitir mostrar com mais clareza o efeito da 
modulação. 
 Em C e D está representada uma onda portadora de alta freqüência, 
com amplitude e freqüência constantes. 
 Em E e F está mostrado o resultado da modulação da portadora pelo 
sinal modulante. Examinando-se E, verifica-se que os limites externos da onda 
portadora modulada apresentam uma forma similar à do sinal modulante, rezão 
porque a figura formada é comumente chamada de envelope de modulação. 
 
 
 
 100
 
 
 
 
Figura 11.6 – Representação dos diversos sinais na modulação em amplitude 
 
 
 11.4.1 – Representação matemática do sinal modulado 
 
A onda portadora em C (Figura 11.6) pode ser representada pela 
expressão: 
 
 
 
onde tomamos arbitrariamente 
 E o sinal modulante A (Figura 11.6) pode ser representado por: 
 
 
 
 Considerando a onda modulada em amplitude da Figura 11.6 E: a 
variação de amplitude em torno de Ep é senoidal, de forma que a amplitude em 
função do tempo é dada pela expressão sendo o valor 
 101
máximo da amplitude igual a e o valor mínimo correspondente, 
respectivamente, aos casos em que o sinal modulador tem maior e menor 
amplitude. 
 Como a onda modulada também é senoidal, a amplitude instantânea da 
mesma pode ser representada por: 
 
 
 
se chamarmos a razão de m, temos: 
 
 
 
que é a expressão do sinal modulado em amplitude. 
 
11.4.2 – Percentagem de Modulação 
 
Na modulação em amplitude é comum falar-se em percentagem de 
modulação m. Trata-se de uma maneira de expressar o grau em que o sinal 
modula a portadora. 
A relação entre os valores máximos do sinal modulante e da portadora 
chama-se fator, índice ou grau de modulação m. Da Figura 11.6 temos: 
 
 
 A percentagem de modulação é o valor do índice de modulação 
expresso em percentagem: 
 
 
 Analisemos agora o efeito do índice de modulação no sinal modulado. 
 Pela Figura 11.6, os picos máximo e mínimo de amplitude da onda 
modulada podem ser representados por: 
 
 
 
 Dessas equações tiramos: 
 
 
 
 
 Como sabemos e podemos escrever: 
 
 
 102
 
 
 
 
 
 
 Aplicando diversos valores de m, vamos verificar como se comporta a 
onda modulada. 
 
- Se m = 0, teremos pelas Equações 1 2, não havendo 
modulação como mostra a Figura 11.7B. 
- Se 0 < m < 1, por exemplo m = 0,5, teremos por (1) e (2), 
 significando que o sinal está confinado à envoltória, 
como mostra a Figura 11.7 C (submodulação). 
- Se m = 1, teremos de (1) e (2), obtendo-se uma excursão 
da portadora com amplitude como mostra a Figura 11.7A (portadora 
completamente modulada) 
- Se m > 1, por exemplo m = 1,5, teremos por (1) e (2) 
 significando que a excursão corta o eixo do tempo, 
caracterizada por “brancos ou zeros” na onda modulada, como mostra a Figura 
11.7D (sobremodulação). 
 Devemos evitar a sobremodulação pois, como verificamos pela figura 
correspondente à envolvente da onda modulada, esta fica deformada. 
 
 
 
Figura 11.7 – Representação do sinal modulado para diversos índices de modulação 
 
 
 103
11.4.3 – Faixas Laterais 
 
Do Item 11.5.1 sabemos que a representação matemática da onda 
modulada é: 
 
 
 
Expandindo-se a equação teremos: 
 
 
 
Da trigonometria sabemos que: 
 
 
 
 
Donde: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta equação indica a existência de três freqüências distintas na onda 
modulada, a saber: a freqüência da portadora, uma freqüência inferior (fp – fm) e 
uma superior (fp + fm). A inferior denominada freqüência lateral inferior e a 
superior, freqüência lateral superior. 
Como foi dito no início de 11.5, o sinal modulante foi considerado como 
uma freqüência individual, de forma senoidal, com a finalidade de facilitar a 
explanação. No entanto, nos casos reais, este sinal varia continuamente numa 
faixa considerável, fazendo com que os valores singelos inferior e superior que 
encontramos, sejam substituídos por faixas de freqüências, denominadas 
banda lateral inferior e banda lateral superior, cuja largura é igual à 
diferença entre o valor máximo e o valor mínimo das freqüências do sinal 
modulante. Por exemplo, quando uma portadora de 1000 KHz é modulada por 
um sinal de áudio que varia de 100 a 5000 Hz, a freqüência máxima da faixa 
superior será 1005 Khz e a freqüência mínima da faixa inferior será 995 KHz, 
como está ilustrado na Figura 11.8. 
 
 
 
 104
 
Figura 11.8 – Ilustração da modulação em amplitude de um canal de voz 
 
Como podemos notar pela Figura 11.8, a banda lateral superior tem seu 
espectro de freqüências na mesma direção da original (posição direta), 
enquanto que a banda lateral inferior tem seu espectro na direção contrária 
(posição invertida). Este fenômeno ocorre sempre para os casos reais, onde o 
sinal modulante é composto por mais de uma freqüência. 
 
11.4.4 – Distribuição de Potência na Modulação em Amplitude 
 
Os gráficos apresentados nas Figuras 11.6 e 11.7 correspondem em 
amplitude à tensões ou correntes. 
Como sabemos da eletrônica, o valor eficaz de uma onda senoidal é 
dado por sendo E o seu valor de pico, e que a potência média é 
calculada por intermédio da expressão onde se 
a tensão ou corrente tiver sido aplicada a uma resistência R. Com estas 
considerações e lembrando da expressão obtida no item 11.5.3, podemos 
escrever: 
 
 
 
Pela expressão concluímos que: 
 
- a potência média associada à portadora, após a modulação, 
independe do índice de modulação 
- as potências associadas às bandas laterais são iguais e dependem 
do índice de modulação. 
 
Aplicando diversos valores a m, vamos verificar como se comporta a 
potência média total e suas componentes. 
 
 
 
 105
- Para m = 0, teremos: 
 
 
- Para m = 0,5, teremos: 
 
 
 
 
 
 
 
- Para m = 1, teremos: 
 
 
A Figura 11.9 ilustra todos estes casos. 
 
 
Figura 11.9 – Distribuição de potência na modulação em amplitude. 
 106
Para exemplificar, consideremos na saída de um modulador uma onda 
portadora modulada em amplitude por um sinal de áudio senoidal com 100% 
de modulação, obtendo-se uma potência média total de 600W. Porém, com 
50% de modulação, teremos somente 450W de potência média total de saída. 
À primeira vista parece que o segundo caso nos poupa potência, no 
entanto, observamos que no primeiro caso para 600W de saída, cada faixa 
lateral apresenta uma potência de 100W, enquanto que no segundo caso para 
450W de saída cada faixa lateral apresenta somente 25W de saída, insto é: 
economizando 150W, tivemos uma redução de 75% na potência de cada 
banda lateral, o que não é vantajosos pois estamos interessados em 
concentrarpotência na informação e não na portadora. 
Concluímos então que: com a diminuição do índice de modulação, as 
quantidades relativas de potência média das bandas laterais diminuem 
rapidamente; portanto, deve-se fazer o índice de modulação tão próximo 
quanto possível de 1, a fim de que o rendimento da transmissão seja otimizado. 
 
11.4.5 – Principais Processos de Modulação em Amplitude 
Utilizados pelo FDM 
 
 Os principais processos de modulação AM utilizados pelo FDM são: 
 
1) AM-DSB (Double Side Band) – modulação em amplitude com faixa 
lateral dupla 
2) AM-DSB/SC (Doublé Side Band Supressed Carrier) – modulação em 
amplitude com faixa lateral dupla e portadora suprimida. 
3) AM-SSB (Single Side Band) – modulação em amplitude com faixa lateral 
única. 
4) AM-SSB/SC (Sigle Side Band Supressed Carrier) – modulação em 
amplitude com faixa lateral única e portadora suprimida. 
 
De todos estes processos o mais empregado é o AM-SSB/SC, limitando-
se os outros a utilização em alguns sistemas de baixa capacidade. 
Vamos, pois, verificar a causa desta escolha. 
Se considerarmos a expressão: 
 
 
obtida para a onda modulada do item 11.5.3, verificamos que o termo 
representativo da onda portadora independe da amplitude e freqüência do sinal 
modulante. Desta observação concluímos: torna-se desnecessária a 
transmissão da portadora que, além de não levar nenhuma informação, ainda é 
responsável pelo maior percentual gasto da potência total numa transmissão 
AM, como foi explicado em 11.5.4. 
 Da mesma expressão verificamos também que as duas bandas laterais 
possuem a mesma informação e potência, bastando por isso a transmissão de 
somente uma delas, o que traz duas grandes vantagens: economia de potência 
e de faixa de freqüência (ocupa-se somente a metade da faixa de freqüência – 
vide Figura 11.8). 
 107
 Se por exemplo, considerarmos uma modulação AM tendo M = 100%, 
com a supressão da portadora e de uma banda lateral, estaremos 
necessitando somente 1/6 da potência total para transmitir a informação, 
usando metade da faixa de freqüências, além de que toda potência disponível 
pode ser utilizada para transmissão da banda lateral. A onda portadora 
somente é necessária para a demodulação, podendo ser gerada e aplicada no 
extremo receptor, sendo suficiente que tenha a mesma freqüência da portadora 
de transmissão. 
 A supressão parcial ou total da portadora é realizada por moduladores, 
chamados moduladores balanceados. A seleção da banda lateral a ser 
transmitida é executada por filtros passa-faixa. 
 A Figura 11.10 apresenta o diagrama em blocos de uma modulação em 
amplitude com portadora suprimida e transmissão de uma só banda lateral, 
bem como a indicação das operações realizadas no domínio da freqüência. 
 
 
Figura 11.10 – Modulação AM com banda lateral única com portadora suprimida 
 
 108
 É importante notar que qualquer uma das bandas laterais poderá ser 
selcionada, de posição direta (mesma direção da original) ou invertida, como é 
o caso do exemplo. A banda escolhida é indicada pela posição do triângulo. 
 
 11.5 – Demodulação em Amplitude 
 
Como já vimos anteriormente, ao processo de restauração do sinal 
modulante ou informação, a partir do sinal modulado e da portadora, 
chamamos de demodulação. 
 De maneira idêntica à modulação, a forma senoidal será utilizada para 
permitir mostrar com maior clareza como se processa a demodulação. 
 Como para o FDM o principal interesse é para a modulação do tipo 
SSB/SC, tomemos como exemplo um sinal modulado em freqüência lateral 
inferior, cuja expressão encontrada no item 11.5.5 representa um sinal senoidal 
de freqüência (fp – fm): 
 
 
 
 A onda portadora, idêntica em freqüência à da modulação, é 
representada pela expressão: 
 
 
 Se modularmos em amplitude a portadora ep pelo sinal eBLI, obteremos 
uma outra onda modulada que também tem forma senoidal e cuja amplitude 
em função do tempo é dada pela expressão: 
 
 
 
 A amplitude instantânea da mesma pode ainda ser representada por: 
 
 
 
 Como teremos: 
 
 
 
Da trigonometria sabemos que: 
 
 
Onde: 
 
 
 109
 
 
 Como podemos verificar, a demodulação nada mais é do que a 
modulação na direção inversa, na qual obtemos, para o exemplo, uma 
freqüência lateral inferior idêntica à informação original, porém com uma 
amplitude menor 
 Se tivéssemos tomado, como exemplo do sinal modulado, a freqüência 
lateral superior, obteríamos resultado idêntico. 
 
11.6 – Princípio Básico do Multiplex por Divisão de Freqüência 
(FDM) 
 
O FDM é um método de multiplexação no qual diversos canais de voz, 
todos com a mesma faixa de freqüências, mas em pares de condutores 
diferentes, são transladados para posições adjacentes e predeterminadas do 
espectro de freqüência mútua. Na recepção o processo é o inverso, 
reconstituindo-se cada canal de voz e o enviando separadamente ao seu 
destino. Seja como exemplo, 3 canais de voz de 4 KHz que desejamos 
multiplexar para utilizar um meio de transmissão que possui uma faixa de 
freqüência de 12 a 24 Khz. 
A Figura 11.11 apresenta todo o processo de multiplexação, bem como 
a demultiplexação no terminal distante. No lado de transmissão, cada canal 
modula uma portadora, obtendo-se em cada modulação duas bandas laterais 
com a portadora suprimida. A seguir, os filtros passa-faixa selecionam as 
bandas requeridas para compor a faixa de freqüências no meio de transmissão 
(12 a 24 KHz), agrupando-as lado a lado, e entregando o sinal assim formado 
para o meio de transmissão. 
No lado de recepção o processo é o inverso para se reconstituir cada 
canal de voz, sendo necessário que as portadoras usadas na demodulação 
sejam idênticas às utilizadas na modulação. 
 110
 
 
Figura 11.11 – Multiplexação e demultiplexação de 3 canais de voz. 
 
 
Quando, num sistem multiplex, a freqüência da portadora de uma das 
Estações Terminais se encontra diferente da outra, diz-se que há falta de 
sincronismo. Este fenômeno torna irreconhecível a voz do interlocutor (voz de 
robô) que se encontra no outro extremo. Por exemplo, seja a multiplexação e 
demultiplexação de um canal de 0 a 4 KHz, indicado na Figura 11.12: 
 
- Em A está indicada a informação a ser modulada, bem como a 
portadora de 12 KHz a ser utilizada na modulação SSB/SC 
 
- Em B temos a informação já transladada, após a modulação 
 
- Em C apresentamos a informação reconstituída, após ser 
demodulada com uma portadora de 11 KHz, diferente da portadora da 
modulação. Como podemos verificar, a informação obtida difere da original, isto 
é, todas as freqüências estão deslocadas de 1 Khz, fazendo com que a voz do 
interlocutor se torne mais aguda. 
 
- Em D apresentamos a demodulação com uma portadora de 13 
KHz, obtendo-se uma informação reconstituída, também diferente da original, 
porém neste caso a voz do interlocutor se torna ininteligível devido à 
superposição de faixas de freqüências, conforme mostra a figura; este fato 
ocorre devido à inversão da faixa de freqüências na demodulação pois não 
existe freqüências negativas. 
 
 
 
 
 
 
 111
 
Figura 11.12 – Falta de sincronismo entre Terminais Multiplex 
 
11.7 – Banda Básica 
 
 11.7.1 – Conceito 
 
Banda básica, no sentido multiplex, é a faixa de freqüências necessária 
para a transmissão do sinal multiplex por um meio de transmissão qualquer. 
Geralmente é definida pelo número máximo de canais telefônicos que podem 
ser transmitidos, ou pela especificação das freqüências externas da banda 
básica do sinal multiplex. 
Por exemplo, se um sistema rádio-microondas em visibilidade tem um 
faixa de freqüências disponível de 60 a 1364, podemos utilizar este meio de 
transmissão para um sistema multiplex de 300 canais telefônicos, com uma 
banda básicade 64 2660 Khz. 
É importante observar dois aspectos relacionados com a faixa de 
freqüências: 
- quando estamos falando em canal multiplex telefônico sem indicação 
do tipo, estamos sempre nos referindo àquele de 4 KHz de faixa. 
- A faixa de freqüências disponível num meio de transmissão utilizado 
pelo multiplex é, geralmente, maior que a banda básica do sinal 
mutiplex. Esta faixa de freqüências a mais é necessária para a 
transmissão de informações do próprio meio de transmissão. 
 
11.7.2 – Estágios de Translação 
 
Com a evolução do FDM, houve um rápido crescimento do número de 
canais transmitidos por um único meio e os sistemas evoluíram em pouco 
tempo de 3 para 12 canais, de 12 para 60 canais, alcançando os 10 800 canais 
rapidamente. 
 112
A fim de que se obtivesse um crescimento ordenado e racional da 
canalização, visando, principalmente, fazer com que os sistemas de pequena 
capacidade pudessem compor os sistemas de alta capacidade e que, na 
construção dos diferentes sistemas, se utilizassem as mesmas unidades 
fundamentais, facilitando assim a fabricação dos equipamentos, o CCITT 
padronizou o processo de translação para obter os sistemas de alta 
capacidade, dividindo-o em estágios de translação. 
É importante observar que, quando nos referimos a estágio de 
translação, estamos indicando sempre as duas operações: multiplexação e 
demultiplexação. 
Os estágios de translação foram agrupados pelo CCITT em dois 
conjuntos, chamados Procedimento 1 e Procedimento 2, sendo este último 
de pouco interesse. 
 
11.7.3 – Procedimento 1 
 
 Os estágios de translação utilizados neste procedimento são os 
seguintes: 
 
a) Translação de canal 
 
Neste estágio os canais de voz são transladados para a faixa de 60 a 
108 Khz, compondo um grupo básico. 
 
 No item 11.1 vimos que o CCITT recomenda dois tipos de canais de voz 
e, em conseqüência, teremos dois tipos de grupos básicos: 
- Grupo básico de 8 canais de voz de 6 Khz de faixa. 
- Grupo básico de 12 canais de voz de 4 Khz de faixa. 
 
A locação destes canais no espectro de freqüências do grupo básico 
está apresentado na Figura 11.13. 
 
 
Figura 11.13 – Locação de canais no grupo básico. 
 
 Como o CCITT não recomenda quais as portadoras que devem ser 
utilizadas para essas translações, cada fabricante de equipamento MUX 
(Multiplex) utiliza um processo para locar os canais no grupo básico. 
 A seguir apresentaremos as translações de canal mais usuais, utilizadas 
pelos diversos fabricantes, lembrando, no entanto, que as mesmas não são 
padronizadas pelo CCITT. 
 
 
 
 
 113
1º tipo de grupo de 12 canais 
 
 Alguns fabricantes utilizam um estágio intermediário de translação, no 
qual três canais são, inicialmente, transladados para a faixa de 12 24 KHz, 
compondo um pré-grupo básico. A Figura 11.14 apresenta a locação dos 
canais no pré-grupo como as portadoras utilizadas. 
 
Figura 11.14 – Locação dos canais no pré-grupo. 
 
 Após, quatro pré-grupos são transladados para a faixa de 60 a 108 KHz, compondo um 
grupo básico do CCITT. A Figura 11.15 apresenta a locação dos pré-grupos no espectro de 
freqüências do grupo básico, bem como as portadoras utilizadas. 
 
Figura 11.15 – Locação dos pré-grupos no grupo básico do CCITT. 
 
 2º Tipo de grupo de 12 canais 
 
 Outros fabricantes utilizam outro tipo de estágio intermediário, no qual 
seis canais são transladados, inicialmente, para faixa de 12 a 36 KHz, 
compondo um pré-grupo básico. A Figura 11.16 apresenta a locação dos 
canais no pré-grupo, bem como as portadoras utilizadas. 
 114
 
Figura 11.16 – Locação dos canais no pré-grupo. 
 
 Após, dois pré-grupos são transladados para a faixa de 60 a 108 KHz, 
compondo um grupo básico do CCITT. A Figura 11.17 apresenta a locação dos 
pré-grupos no espectro de freqüências do grupo básico, bem como as 
portadoras utilizadas. 
 
 
Figura 11.17 – Locação dos pré-grupos no grupo básico do CCITT. 
 
 3º Tipo de grupo de 12 canais 
 
 Existem ainda fabricantes que fazem a translação direta dos doze canais 
para a faixa de 60 a 108 KHz, compondo o grupo básico do CCITT. 
 A Figura 11.18 apresenta a locação dos canais no grupo básico, bem 
com as portadoras utilizadas. 
 115
 
Figura 11.18 – Locação dos canais no grupo básico do CCITT. 
 
 
 
 11.8 – Representação das Bandas Básicas no Domínio do Tempo e 
da Freqüência. 
 
 Agora que já verificamos como é a locação dos canais no espectro de 
freqüências para informação dos diversos tipos de banda básica, é importante 
que se tenha uma idéia de como se apresenta a forma deste sinal, tanto no 
domínio do tempo como no domínio da freqüência. 
 Assim, tomemos como exemplo um banda básica com 12 canais, na 
faixa de 60 a 108 KHz, na qual consideraremos três casos distintos: 
 
 A – Um canal de voz sendo utilizado 
 
 B – Três canais de voz sendo utilizados ao mesmo tempo. 
 
 C – Utilização de todos s canais de voz ao mesmo tempo 
 
 Como podemos verificar pela Figura 11.19, no domínio da freqüência, a 
medida que aumentamos a ocupação dos canais, vamos preenchendo o 
espectro de freqüências da banda básica. No domínio do tempo, quando 
aumentamos o número de canais ocupados, vetorialmente somam-se as fases 
e ocorrem picos maiores e em maior número. Pela Figura 11.19 podemos 
verificar claramente que os picos do caso C são maiores que os do caso B e 
estes, maiores que do ª É importante observar, no entanto, que o valor eficaz 
destes sinais fica bem abaixo dos picos, fato este que será de grande 
importância para a carga do multiplex. 
 
 
 
 116
 
Figura 11.19 – Representação da ocupação dos canais de uma banda básica no domínio do 
tempo e da freqüência. 
 117
11.9 – Sistemas de Transmissão Multiplex via Rádio 
 
A Figura 11.20 apresenta a configuração básica da ligação entre duas 
localidades feitas por meio de um sistema rádio, onde está indicada como é 
realizada a conexão entre a Estação Multiplex à Estação Rádio. 
 
 
Figura 11.20 – Ligação via rádio 
 
A Estação Rádio é composta basicamente por um transmissor e um 
receptor, chamado transceptor, por um modulador e um demodulador, 
chamado MODEM, e pelas antenas de transmissão e recepção. Na prática 
existe apenas uma antena para recepção e transmissão e um duplexador, que 
separa o que é transmissão e o que é recepção. 
Um transmissor de rádio pode ser encarado como um elemento que 
provoca continuamente, através de uma antena; uma pertubação 
eletromagnética, de forma localizada, que se propaga no espaço, em todas as 
direções, atenuando-se com a distância. Uma antena receptora pode sentir 
estas pertubações e, se estiver ligada a um equipamento conveniente 
(receptor), haverá recepções dos sinais daquele transmissor. 
Deste modo, na localidade A, ao enviarmos o sinal multiplex para a 
Estação Rádio, esta informação é processada pelo modulador-transmissor, 
fazendo com que tenhamos uma onda portadora modulada na antena 
transmissora. Esta onda é captada pela antena receptora da Estação Rádio da 
localidade B, sendo processada pelo receptor-demodulador, regenerando-se a 
informação original da localidade A, que é então entregue ao multiplex B. 
A rádio-freqüência (onda portadora) utilizada para a transmissão de 
informação da localidade A para B, chamamos de canal RF (canal de rádio-
freqüência). As Estações Rádio de A e B são chamadas de estações 
terminais. 
Quando existem obstáculos físicos que atrapalham a propagação das 
ondas no espaço, ou quando este sinal está demasiadamente enfraquecido 
devido às características de propagação, utilizam-se estações intermediárias 
ao longo das rotas de rádio, chamadas estações repetidoras, a fim de 
regenerar ou retransmitir as ondas. 
 118
Ao conjunto de estações terminais e repetidoras chamamosde tronco 
de rádio. 
É importante observar que num tronco de rádio podemos ter mais de um 
canal de RF em cada direção. Geralmente, nos sistemas de alta confiabilidade, 
temos um canal de RF para transmitir as informações, chamado principal, e 
um outro em paralelo para substituir o principal em caso de falhas, chamado de 
proteção. 
As ondas eletromagnéticas propagam-se de maneiras diferentes, 
dependendo da freqüência emitida pelo transmissor. Devido a isto, os sistemas 
rádio são classificados internacionalmente de acordo com as faixas de 
freqüências utilizadas e que estão apresentadas na tabela a seguir, onde estão 
indicados alguns serviços que empregam estes sistemas. 
 
Faixa de freqüência Designação técnica Designação leiga Exemplo de utilização 
300Hz a 3kHz ELF 
(Extremely Low 
Frequency) 
Ondas extremamente 
longas 
3kHz a 30kHz VLF 
(Very Low Frequency) 
Ondas muito longas 
Comunicação para 
submarino, escavação 
de 
Minas etc 
30kHz a 300kHz LF 
(Low frequency) 
Ondas longas 
300kHz a 3MHz MF 
(Medium Frequency) 
Ondas médias 
Auxílio à navegação 
aérea, serviços 
marítimos, radio 
difusão 
local. 
(reflexão ionosférica) 
3MHz a 30MHz HF 
(High Frequency) 
Ondas tropicais 
Ondas curtas 
 
 
Radiodifusão local e 
distante, serviços 
marítimos. 
(reflexão ionosféica) 
30MHz a 300MHz VHF 
(Very High Frequency)
 
 
Transmissão de TV, 
sistemas comerciais de 
comunicações, 
comunicação particular 
e 
serviços de segurança 
pública etc 
300MHz a 3GHz UHF 
(Ultra High Frequency)
 
3GHz a 30 GHz 
 
SHF 
(Super High 
Frequency) 
30GHz a 300GHz EHF 
(Extremely High 
Frequency) 
Microondas 
 Comunicação pública a 
longa distância: 
sistemas interurbano e 
internacional em 
radiovisibilidade, 
tropodifusão e satélite 
 
 
 
 
 
 119
 Como os sistemas de telecomunicações utilizam principalmente 
freqüências a partir de HF, há interesse no estudo dessas propagações. Vamos 
então analisar de forma bem simples, os princípios básicos de propagação dos 
sistemas rádio empregados no multiplex. 
 
a) Sistemas de rádio HF 
 
 A Figura 11.21 apresenta uma antena de rádio HF emitindo ondas 
esféricas e concêntricas. As partes inferiores das ondas se propagam junto a 
superfície da Terra (onda terrestre), acompanhando a curvatura desta e 
perdendo energia rapidamente com a distância, por absorção no terreno. As 
partes superiores da onda se expandem para o espaço e, numa altura de 80 a 
150 Km, encontram uma das principais camadas da atmosfera terrestre, 
chamada ionosfera. Nestas alturas, a atmosfera é tão rarefeita, que as 
moléculas dos gases estão bem mais afastadas uma das outras do que nas 
menores alturas. A energia solar, principalmente na forma de raios 
ultravioletas, incidindo sobre essas moléculas, arrancam seus elétrons, 
transformando-as em íons positivos. Desta maneira, nestas alturas formam-se 
camadas de íons e de elétrons livres, determinando o nome de ionosfera. 
 Dependendo da concentração dos elétrons formados, a ionosfera 
apresenta índices de refração diferentes das camadas mais baixas, 
encurvando e mudando de direção as ondas de rádio que nela penetram de 
baixo para cima. Esta mudança na direção é tal que faz as ondas retornarem 
para a Terra como se refletissem na ionosfera. O fenômeno, na realidade, é de 
refração ionosférica (por mudança de índice de refração) mas comumente se 
diz reflexão ionosférica, quando se refere apenas ao efeito do retorno da onda. 
 Esta onda que retorna é chamada onda celeste; pode se refletir 
novamente na superfície terrestre, repetindo o fenômeno da refração 
ionosférica e, através de vários saltos, atingir grandes distâncias. 
 
 
Figura 11.21 – Propagação em HF 
 
 
 
 120
 Este mecanismo de propagação não é confiável para sistemas multiplex, 
porque, sendo a energia solar incidente na alta atmosfera de intensidade 
variável, os índices de refração na ionosfera são instáveis, fazendo com que a 
onda celeste tenha também intensidade variável. 
 Quando ocorrem grandes perturbações solares, estas provocam 
tempestades magnéticas que, atingindo a ionosfera, modificam os índices de 
refração de tal maneira, fazendo com que as ondas não sejam mais refratadas 
de volta para a Terra. Nesta situação interrompem-se as comunicações. 
 
b) Sistemas de rádio VHF/UHF 
 
 Passando-se a transmissão para freqüências mais elevadas, nas faixas 
de VHF (30 MHz a 300 MHz) e UHF (300 MHz a 900 MHz), a experiência 
mostra que a ionosfera é transparente a essas freqüências, não as refratando 
mais de volta para a Terra. Além disso, nessas freqüências, as ondas de rádio 
começam a se comportar como ondas de luz, isto é, propagam-se em linha 
reta, refletem-se em obstáculos, podem ser focalizadas por antenas 
convenientes. 
 Na Figura 11.22 está exemplificando o que falamos: a parte das ondas 
que vai para cima atravessa a ionosfera e se perde no espaço. A parte da onda 
que se irradia junto a superfície terrestre é útil até o horizonte, ou seja, até uma 
distância de mais ou menos 80 a 100 Km do ponto de transmissão. Daí em 
diante a onda se afasta da Terra, perdendo-se no espaço exterior. 
 
 
Figura 11.22 – Propagação VHF/UHF 
 
 Podemos imaginar que a antena transmissora ilumina diretamente a 
antena receptora que, por sua vez deve estar quase ao alcance visual. Por isso 
este mecanismo de propagação também se chama em linha de visada ou 
visada direta. 
 Este tipo de transmissão é utilizada em serviço que exigem alta 
confiabilidade à distâncias menores que em HF, podendo alcançar até 200 Km 
se forem empregadas duas a quatro estações repetidoras. 
 121
 Os sistemas rádio VHF/UHF utilizados pelo multiplex são empregados 
nas comunicações interurbanas estaduais, tendo média capacidade (12, 24 ou 
60 canais) 
 
b) Sistemas de rádio-microondas em visibilidade 
 
Subindo mais ainda a freqüência, chegamos na região de microondas 
(900 MHz a 30000 MHz). Nestas freqüências as ondas de rádio se comportam 
praticamente como ondas de luz, podem ser focalizadas como em grandes 
lanternas e se propagam em linha reta, como mostra a Figura 11.23. O rádio 
transmissor está ligado à antena por um condutor especial, chamado de guia 
de onda, estando fixada, juntamente com o refletor, numa torre. A antena se 
comporta como a lâmpada de uma lanterna e o refletor focaliza as ondas de 
rádio para a sua frente. 
As microondas focalizadas pela parábola transmissora incidem 
diretamente sobre a parábola receptora que, por sua vez, focaliza as ondas no 
seu ponto central, onde está a antena receptora. Dessa antena as ondas são 
levadas por um guia de onda até o rádio receptor. 
Cada antena de microondas com sua respectiva parábola, geralmente, 
serve para transmitir e/ou receber mais de um canal de RF. 
 
 
Figura 11.23 – Utilização de refletores parabólicos em microondas. 
 
 
 Vemos, portanto, que nenhum obstáculo pode interceptar o feixe de 
microondas entre duas antenas. Por isso as torres são normalmente colocadas 
em pontos elevados e estão distanciadas no máximo 50 a 60 Km, dependendo 
do relevo, ao longo da rota de transmissão, a fim de regenerar o sinal de RF 
enfraquecido devido as perdas na propagação. 
 Assim, através de repetições sucessivas, o sinal de microondas sai da 
estação terminal da localidade de origem e atinge a estação terminal da 
localidade de destino, conforme mostra a Figura 11.24. 
 
 
 
 122
 
Figura 11.24 – Tronco em microondas. 
 
Representação de transmissão Multiplex analógico 
 
 
Figura - 11.25 - Interligação de uma central telefônica analógica com sistema de transmissão 
interurbano via Multiplex e Rádio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 123
11.10 – Representação de transmissão Multiplex e etapas de uma 
ligaçãotelefônica interurbana. 
 
 
Figura 11.25 – Multiplexação em uma chamada telefônica interurbana – Visão geral 
 124
 O registrador ao receber um número (0 XX 84 ZYXW RTUX) diferente 
daquele prefixo interno, irá procurar num arquivo (na matriz de comutação) qual 
a rota (caminho) a utilizar para alcançar aquele destino, daí localiza um juntor 
livre nessa rota e procura ocupá-lo. Isto é feito com a geração de um pulso de 
terra (0 volt com duração de 150 ms) que sai pelo fio M do juntor escolhido, 
esse sinal entra no ponto 2 do canal multiplex ao qual o juntor está conectado, 
daí fecha-se a chave (vide Figura 11.25) para liberação para frente de um tom 
de 3,825 KHz que sai pelo ponto 3, passa pelo filtro passa-faixa e chega ao 
ponto 4 dentro da unidade de canal do MUX. Ao ser processado no modulador 
de canal, o sinal periódico pulsado de 3,825 KHz é transladado para as 
freqüências Fp + 3,825 KHz e Fp – 3,825 KHz. Onde Fp é a freqüência da 
portadora do canal correspondente. No caso da Figura 11.25, temos Fp = 108 
KHz e seriam obtidas no ponto 8: 108 + 3,835 KHz e 108 – 3,825 KHz, daí 
passando no filtro 104 – 108 KHz, teríamos no ponto 9 apenas o sinal de 104, 
175 KHz, esse sinal entraria no combinador de canais Tx e seria transmitido na 
direção do Rádio e conseqüentemente da central de destino. 
 A central de destino receberá o sinal de 104,175 KHz que passará (lado 
B não mostrado na figura) pelos pontos 12 -> 13 -> 14 -> 15 -> chegando ao fio 
E do juntor da central de destino, representando um sinal de terra durante 150 
ms. 
 Daí seria iniciada a seqüência de envio da sinalização MFC através do 
par de fios Tx, (pontos 5 -> 6 -> 7-> 8 -> 9 -> 10), ocorrendo sempre a 
translação de freqüências no modulador de canal do MUX FDM. Os sinais MFC 
transmitidos correspondem a pares de freqüências da tabela dos grupos I e II, 
conforme mostrado na Tabela 8.4. 
 Para cada sinal MFC enviado no par Tx, haveria um retorno da central 
de destino que chegaria na estação de origem através dos pontos 12 -> 13 -> 
14 -> 17, ocorrendo sempre a translação de freqüências no demodulador de 
canal do MUX FDM. Observe que a mesma portadora é utilizada no modulador 
e no demodulador. 
 O último sinal MFC do processo é chamado de fim de seleção, que 
indica a condição do assinante B, supondo que a linha de destino esteja livre 
com tarifação, então a central B enviará um sinal fim de seleção B1 
correspondente a um par espefícico de freqüências, como dito anteriormente. 
Esse sinal irá acionar envio da corrente de toque para o assinante de destino 
e o tom de controle de chamada para o assinante de origem. 
 Após concluído o processo MFC, a campainha de B tocará e se o 
mesmo retirar o fone do gancho, imediatamente a central de destino manda 
para a de origem um pulso de terra durante 150 ms que sai pelo fio M do 
destino e chega (central de origem) pela seqüência de demodulação: (108-
3,825 KHz) Ponto 12 -> 13 -> 14 -> 15 -> 16 -> fio E do juntor. Daí a 
conversação e a tarifação correspondente são iniciadas, sendo interrompido 
também o tom de controle de chamada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 125
Bibliografia 
 
1. Jeszensky, P. J. E., Sistemas Telefônicos, Editora Manole, 2004. 
2. Notas de Aula – Sistemas de Telecomunicações I 
3. http://paginas.terra.com.br/lazer/py4zbz/ 
4. http://w3.ualg.pt/~sjesus/aulas/pds/node7.html 
5. http://www.eppet.pt/data/linkserv/telei/curso_telei/m1_43.html
6. http://www.infonet.com.br/users/jfonseca/TELECOMUNICACOES.HTM
7. BARRADAS, O & SILVA, A. F. Telecomunicações: Sistemas de energia. Ed. 
Livros Técnicos e científicos, Embratel, 1983. 
8. http://pessoal.cefetpr.br/lcvieira/sistel/apostilasistel/index.html
 
 
 126
	TELEFONIA BÁSICA
	Sumário
	Telefonia fixa
	8.6.2 - Sinalização Multifreqüencial Compelida ou MFC
	Interpretação dos Sinais para Frente
	Interpretação dos Sinais para Trás

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