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ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E
MÉTODOS
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
GRADUAÇÃO
ADMINISTRAÇÃO
PROCESSOS GERENCIAIS
MARINGÁ-PR
2012
Reitor: Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho
Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva
Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenação de Marketing: Bruno Jorge
Coordenação Comercial: Helder Machado
Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha
Coordenação de Curso: Reginaldo Aparecido Carneiro
Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura
Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Luiz Fernando Rokubuiti, Renata Sguissardi e Thayla
Daiany Guimarães Cripaldi
Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo
Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, Gabriela Fonseca Tofanelo, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina
Kutsunugi e Maria Fernanda Canova Vasconcelos.
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação
a distância:
C397 Organização, sistemas e métodos/ Marilicy Maia Guerra Car
doso. Maringá - PR, 2012.
218 p.
“Curso de Graduação em Administração - EaD”.
1. Administração. 2. Organização e métodos. 3. Estrutura orga
nizacional. 4. EaD. I. Título.
CDD - 22 ed. 658.402
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR
“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHUTTERSTOCK.COM”.
Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br
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ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E
MÉTODOS
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
5ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
APRESENTAÇÃO DO REITOR
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos.
A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para
liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no
mundo do trabalho.
Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos
nossos fará grande diferença no futuro.
Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso
de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos
brasileiros.
No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-
extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que
contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.
Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de
referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição
de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação
da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-
estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa;
compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do
trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos,
incentivando a educação continuada.
Professor Wilson de Matos Silva
Reitor
6 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Caro aluno, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua
produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de
Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se
fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da
realidade social em que está inserido.
Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o
seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação,
determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas
necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que,
independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se
presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.
Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente,
você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada
especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do
material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de
estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para
a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu
processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências
necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.
Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os
textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos
fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados,
pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os
desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe
estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie
a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma
comunidade mais universal e igualitária.
Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!
Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR
7ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
APRESENTAÇÃO
Livro: ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Querido(a) aluno(a), é com muito prazer que participo com você de um assunto tão importante
e relevante para Administração. Acredito poder contribuir para a disseminação deste assunto
uma vez que tenho uma trajetória de vida profissional alinhada ao mesmo, junto com um
envolvimento afetivo muito prazeroso em atuar nesta área da Administração.
Você deve estar se perguntando, mas quando isto começou? Posso lhe afirmar que quando
ainda adolescente, ao fazer o primeiro curso voltado às técnicas administrativas da época,
tive o primeiro contato com alguns conteúdos da Administração, apesar de ter sido tratado de
maneira (metodologicamente falando) superficial, chamou muito minha atenção e interesse
pela área e acredito, o despertar de minha vocação pela atuação no monitoramento e controle
dos processos administrativos.
Com o passar do tempo, busquei reunir conhecimento por intermédio da leitura de referências
literárias sobre os assuntos que envolviam os estudos dos processos administrativos. Naquela
época não tínhamos tanto recursos tecnológicos, como você tem hoje, contudo a busca em
bibliotecas da escola, do bairro e da cidade eram constantes, por estes temas.
Ao ingressar na universidade, no curso de Administração, busquei dedicar-me em todas as
disciplinas ofertadas pelo curso, mas confessoque o interesse e a afeição pelas disciplinas
que focavam o estudo do método, a Administração de materiais, bem como as disciplinas que
envolviam o controle e monitoramento dos processos administrativos, passavam a assumir
um vínculo cada vez mais forte. Especialmente quando ingressei no meu primeiro emprego
como estagiária, no departamento de Recursos Humanos de uma empresa do segmento de
alimentos.
Durante minha formação acadêmica tive a disciplina de Estágio Supervisionado II que
contemplava a elaboração do trabalho final de conclusão de curso, a tão temida monografia.
Para minha sorte, pude contar com a orientação e envolvimento de um dos melhores
professores e educadores da época da área de Recursos Humanos de nossa Universidade
8 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
e inclusive com a disponibilidade (de dados, informações por intermédio de pesquisas, da
empresa a qual fazia o estágio em Recursos Humanos). Neste estudo, a pesquisa referia-se
ao levantamento e análise de todos os processos administrativos que envolviam a atuação
dos recursos humanos da empresa, nos módulos de recrutamento e seleção, treinamento e
desenvolvimento, recompensas e incentivos... nem preciso falar que este momento foi decisivo
para o meu total desprendimento e envolvimento pela área em questão.
Assim, concluída a graduação e atuando profissionalmente no departamento de recursos
humanos de uma empresa da região, optei pela Pós-Graduação “Latu Sensu” em MBA –
Recursos Humanos, quando pude conhecer e compreender com maior precisão e detalhes os
processos administrativos que envolvem a gestão de talentos, gestão por competências, que
contribuem tanto para o desenvolvimento organizacional e humano. Mais uma vez, você pode
imaginar como me esforcei para reunir e focar toda a minha atenção e tempo possível aos
estudos daquele momento, focando inclusive as aplicabilidades destes na vida profissional.
Com a Pós-Graduação também tive a disciplina de Metodologia do Ensino Superior –
Tecnologia no Processo Ensino-Aprendizagem em Administração, quando pude conceber
e reunir conhecimento das diversas metodologias para aprendizagem no ensino superior,
didáticas, plano de aula... a partir daí, e com a influência de profissionais renomados da área
acadêmica, passei a atuar como docente em disciplinas voltadas à Organização, Sistemas e
Métodos (OSM), disciplinas que envolvem e compreendem as quatro funções principais da
Administração, ou seja, o PODC (Planejamento, Organização, Direção e Controle) e disciplinas
focadas na Gestão de Pessoas.
Assim, espero que você encontre neste material inspiração e desejo de melhorar sempre:
seja na vida acadêmica, seja profissionalmente ou ainda em sua vida particular. Os conteúdos
que você verá aqui são muito importantes para sua formação e para a construção de uma
nova concepção da Organização, Sistemas e Métodos. Assim, é muito importante que você
compreenda o que é a OSM, sua finalidade e os profissionais que devem manter interação
com esta área de estudo da administração.
Na sequência, você constatará que vamos enfatizar a estrutura organizacional, apresentando
seus aspectos básicos, desde seus componentes, condicionantes, níveis de influência, as
características de estruturas voltadas a ambientes rígidos e as características de estruturas
9ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
voltadas a ambientes flexíveis, de inovação. Em suma, você compreenderá que a estratégia, o
tamanho, a tecnologia e o ambiente vão determinar o tipo de estrutura de uma empresa.
Na terceira unidade, trataremos do estudo da departamentalização como o processo de
divisão das tarefas em blocos de trabalhos chamados “departamentos”. A junção de todos
esses blocos em uma representação gráfica definirá o tipo de organograma existente.
Contudo, caro(a) aluno(a), você poderá verificar que o tipo e modelo de departamentalização
a ser utilizado dependerá dos condicionantes (ambiente, estratégias/ objetivos, fator humano e
tecnologia) que esta empresa está inserida.
Para nossa quarta unidade, reservei um espaço especial para tratar a função controle como uma
das atribuições do analista de OSM, no que diz respeito ao acompanhamento do desempenho
dos processos e sistemas administrativos, por intermédio da comparação entre os resultados
alcançados e o que era previsto. Na sequência, apresentaremos o “fluxograma” como uma
das representações gráficas utilizadas pelo profissional de OSM, para o delineamento,
monitoramento e manutenção dos processos administrativos. Em seguida, daremos ênfase
ao estudo do arranjo físico/layout, enfatizando o fluxo de documentos, pessoas, disposição
dos instrumentos de trabalho (máquinas/equipamentos e outros) partindo do princípio de
que o arranjo físico/layout adequado em um ambiente organizacional irá proporcionar maior
economia e produtividade.
Para encerrar o nosso livro com chave de ouro não poderia deixar de propor e dissertar sobre as
fases do desenvolvimento do projeto de sistemas, fazendo uma abordagem da sequência dos
passos necessários para o estudo do Método. Após isto, enfatizaremos o estudo e distribuição
do trabalho, como uma ferramenta essencial para a racionalização e simplificação do fluxo de
trabalho em uma organização. E, finalmente, para concluir nossos estudos, você observará
que apresentamos os manuais administrativos como um conjunto de normas e procedimentos
necessários a uma empresa, para a maior ordenação dos seus processos.
Caro(a) aluno(a), eu costumo usar o seguinte pensamento com meus discentes: “Existe algo
interessante a respeito da vida; se você se recusa a aceitar aquilo que não seja ótimo, com
muita frequência você a obtém” (W. SOMERSET MAUGHAM). Não preciso nem destacar
que você já fez a melhor opção! Contudo, os resultados finais dependerão com certeza da
sua disposição em buscar o conhecimento e aplicá-lo com comprometimento e dedicação.
10 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Acreditando que você tem potencial para alcançar topos mais altos, então lhe convido...
Vamos começar nossos estudos? Então, vamos lá...
Um forte abraço,
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
UNIDADE I
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS (OSM): O QUE É
E PARA QUE SERVE? 18
CULTURA ORGANIZACIONAL 28
CRESCIMENTO ORGANIZACIONAL 29
O SURGIMENTO DA ÁREA DE ORGANIZAÇÃO E MÉTODOS 30
AS EMPRESAS VISTAS COMO SISTEMAS 38
CONCEITUANDO “SISTEMAS ADMINISTRATIVOS” 39
UNIDADE II
UMA ABORDAGEM à ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 53
CONCEITUANDO A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 55
ESTRUTURA FORMAL E INFORMAL 56
COMPONENTES DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 61
SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS 69
CONDICIONANTES DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 71
NÍVEIS DE INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 73
NÍVEIS DE ABRANGÊNCIA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 74
AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 75
MODELOS DE ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS 76
PATOLOGIA ADMINISTRATIVA 80
UNIDADE III
ANÁLISE DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL IDEAL
DEPARTAMENTALIZAÇÃO: UMA ABORDAGEM QUANTO AO CONCEITO, OBJETIVO E MODELOS
EXISTENTES 93
TIPOS E MODELOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO 98
IDENTIFICANDO E RELACIONANDO AS ATIVIDADES DE LINHA E ATIVIDADES DE ASSESSORIA
NAS ORGANIZAÇÕES 113
CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO 117
UNIDADE IV
UMA ABORDAGEM AOS GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE
CONTROLE DE PROCESSOS 129
AS ETAPAS DO CONTROLE 133
GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE/FLUXOGRAMAS 135
ETAPAS PARA O ESTUDO DAS ROTINAS POR INTERMÉDIO DO USO DE FLUXOGRAMAS:
PRINCIPAIS VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DESsES 137
TIPOS DE FLUXOGRAMAS 146
FUNCIONOGRAMA 150
ESTUDO DO ARRANJO FÍSICO (LAYOUT) 151
ETAPAS DE UM PROJETO DE ARRANJOFÍSICO E/OU LAYOUT 154
UNIDADE V
DESENVOLVENDO UM PROJETO DE MUDANÇA
FASES DO DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE SISTEMAS 169
CONSIDERAÇÕES BÁSICAS SOBRE AS RESPECTIVAS FASES DA METODOLOGIA DE
LEVANTAMENTO, ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DE MÉTODOS
ADMINISTRATIVOS 170
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO 186
SISTEMÁTICA PARA ANÁLISE DO QDT 193
MANUAIS ADMINISTRATIVOS 197
TIPOS DE MANUAIS ADMINISTRATIVOS 202
PROCESSO DE ATUALIZAÇÃO DO MANUAL 208
CONCLUSÃO 214
REFERÊNCIAS 218
UNIDADE I
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE ORGANIZAÇÃO,
SISTEMAS E MÉTODOS
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Objetivos de Aprendizagem
• Levar o aluno ao estudo da área de Organização, Sistemas e Métodos (OSM): o
que é e para que serve.
• Conhecer as profissões que estão envolvidas com a área de OSM e o que são
processos empresariais.
• Analisar a diferença entre a gestão por processos e o modelo tradicional de gestão.
• Identificar o que é e o que trata a reengenharia de processos.
• Evidenciar a relação entre OSM e TI.
• Constatar a relação existente entre OSM e gestão da qualidade total.
• Detectar a relação entre OSM e auditoria interna.
• Analisar o significado do termo “Organização” para dar introdução ao estudo da
área de O&M.
• Relacionar os termos cultura e crescimento organizacional com a área de O&M.
• Abordar o surgimento da área de O&M.
• Apresentar os aspectos básicos sobre os sistemas administrativos (as empresas
vistas como sistemas).
• Expor a influência que os ambientes organizacionais estão sujeitos por parte dos
grupos de interessados (stakeholders).
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Introdução ao estudo da Organização, Sistemas e Métodos: levando o aluno
ao conhecimento do que trata OSM e sua finalidade
• Identificando quais profissões estão envolvidas no âmbito da área de OSM
• Compreendendo o que são processos empresariais
• Assimilando a diferença entre a gestão por processos e o modelo tradicional
de gestão
• Uma abordagem à reengenharia de processos
• Expondo a relação entre OSM e TI
• Apresentando a relação entre OSM e gestão da qualidade total
• Demonstrando a afinidade existente entre OSM e auditoria interna
• Analisando o significado do termo “Organização” para dar introdução ao es-
tudo da área de O&M
• Relacionando os termos cultura e crescimento organizacional com a área de
O&M
• Uma abordagem ao surgimento da área de O&M
• Apresentando os aspectos básicos sobre os sistemas administrativos (as
empresas vistas como sistemas)
• Os grupos de interessados (stakeholders) e a influência que estes podem
causar nos ambientes organizacionais
17ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caríssimo(a) aluno(a), diante das exigências impostas pelo mercado e da necessidade de
manter as organizações em equilíbrio com as constantes mudanças ambientais (internas e
externas), o intuito desta primeira unidade consistirá na compreensão dos conceitos e práticas
de OSM – Organização, Sistemas e Métodos, a partir do que é OSM, sua finalidade e que
tipos de profissionais devem manter interação com esta área de estudo da administração.
Para tanto, não existe a atuação do profissional de OSM sem que não tratemos do que sejam
os processos, bem como da reengenharia destes, como manutenção e reformulação dos
métodos administrativos.
Na sequência será feito um estudo do termo Organização para permitir inclusive um melhor
entendimento sobre os sistemas, ou seja, as empresas vistas como sistemas compostos de
unidades organizacionais que devem interagir com o ambiente interno e externo a fim de se
tornarem cada vez mais competitivas.
Finalizando a respectiva unidade abordaremos o surgimento da área de O&M, identificando
como os estudos da administração científica (Taylor) e da teoria administrativa (Fayol)
contribuíram em muito para chegarmos às técnicas de redução de tempo, simplificação de
trabalho e redução de custos usados pelas empresas em seus processos organizacionais, de
negócios e gerenciais.
18 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE ORGANIZAÇÃO, SISTEMAS E MÉTODOS
(OSM): O QUE É E PARA QUE SERVE?
Querido(a) aluno(a), antes de enfatizarmos especificamente a área de estudo conhecida como
Organização, Sistemas e Métodos, vamos apresentar o que trata a OSM, o que é OSM, já
que podemos imaginar que você deve estar se perguntando o que significa tal terminologia,
para que serve esta área de estudo e onde poderemos aplicá-la. Neste contexto, podemos
afirmar que a aplicabilidade de organização, sistemas e métodos (OSM) se torna vital no
mundo dos negócios. Nas empresas, o departamento de OSM costuma ser responsável por
formular, organizar e aperfeiçoar os processos empresariais, desde aqueles pertencentes ao
19ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
departamento administrativo, ao departamento de logística (que tem entre tantas atribuições
prover o armazenamento, a expedição e a distribuição dos produtos produzidos pelas empresas).
Essa afirmação coincide com o que ensina Chiavenato (2010, p. 4), quando afirma que OSM é
“a disciplina ou especialidade que trata da definição e do arranjo das principais características
de todos os processos nas organizações”. Uma visão estratégica de organização, sistemas e
métodos em uma empresa ajuda a promover, por exemplo, a escolha de procedimentos mais
eficientes, o que evita o desperdício de tempo, material e esforço humano.
De acordo com D’Ascenção (2007), a “febre” da eficiência só ganhou espaço no Brasil a
partir de 1968, quando teve início um conjunto de transformações econômicas. Em outras
palavras, mais especificamente a década de 1970, registrou um forte crescimento econômico
para as empresas brasileiras, levando as mesmas a revisarem seus processos empresariais
radicalmente a fim de torná-los mais enxutos e eficazes. Neste momento, você deve estar se
perguntando, mas qual o objetivo destas mudanças para as empresas? Podemos esclarecer
que o objetivo dessas mudanças era evitar os desperdícios e reduzir os custos, propiciando
uma combinação indispensável para a inserção e manutenção competitiva em um mercado
cada vez mais exigente.
Outro ponto muito relevante desta transformação empresarial diz respeito ao treinamento da
mão de obra. Em outras palavras, caro(a) aluno(a), como os funcionários são responsáveis
pela execução das tarefas, é imprescindível que eles conheçam estratégias que favoreçam a
simplificação e racionalização dos processos. Desta forma e em virtude da crescente procura
por estratégias de controle e aperfeiçoamento, os analistas de OSM ganharam espaço e
prestígio no mercado de trabalho. A título de exemplo podemos citar, de acordo com Llatas
(2011), uma empresa que se utilizou dos manuais (que veremos mais adiante) para instruir e
orientar o trabalho de seus funcionários e, em contrapartida, obteve ganhos em termos de
simplificação e racionalização dos processos empresariais.
Em suma, o departamento de OSM deve procurar os melhores moldes para o fluxo dos
processos empresariais, privilegiando sempre a eficiência e a simplificação. Para tanto, quatro
20 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
objetivos principais orientam as tarefas do setor, como: melhoria contínua, reorganização dos
processos, aumento da produtividade e busca do menor custo. Contudo, para o alcance desses
objetivos o analista de OSM deve ter uma atuação incontestável em alguns aspectos, tais como
no melhor aproveitamento dos recursos humanos, em outras palavras distribuindo devidamente
o trabalho, para que não ocorra gargalos ou ainda áreas funcionais sobrecarregadas que
nãoconseguem dar conta do trabalho existente. Em segundo lugar quanto, à atuação do
profissional de OSM, diz respeito aos recursos materiais, já que a administração eficiente
destes por intermédio do uso de formulários, fluxogramas etc., contribuirá com certeza para a
redução de custos e desperdícios influenciando positivamente no preço final do produto e/ou
serviço ofertado ao mercado. Em terceiro e quarto planos, respectivamente, quanto à atuação
do departamento de OSM, frisamos o manejo do tempo, que significa o aproveitamento
adequado do tempo dos funcionários em suas frentes de trabalho e o arranjo físico, que deve
ser alinhado às reais necessidades de cada setor. Por último, enfatizamos a importância da
atuação do profissional de OSM na definição da estrutura organizacional, uma vez que é
atribuição deste departamento criar, fazer a manutenção/atualização e ainda eliminação de
unidades organizacionais sempre que necessário.
Que profissões estão envolvidas com OSM e o que são processos empresariais?
Após a exposição do que é OSM e sua finalidade, vamos enfatizar quais são as profissões
que se interagem consideravelmente quando da aplicabilidade da OSM, em outras palavras
do estudo de estratégias administrativas, da reorganização e informatização dos processos
empresariais. Diante do propósito desta abordagem destacamos de acordo com Llatas (2011),
dois tipos diferentes de profissionais, citados a seguir:
• Analista de sistemas – expert na área de informática, graduado em Ciência da informa-
ção, Análise de sistemas e áreas afins, sua função é dispor de soluções tecnológicas mais
adequadas ao processo que tem necessidade de ser informatizado.
• Analista de OSM – sua especialidade está ligada às técnicas de otimização dos proces-
sos. Graduado em Administração ou Economia. Em suma, a informatização realizada pelo
21ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
analista de sistemas, na maioria das vezes, é precedida por uma ordenação e aprimo-
ramento por parte do analista de OSM. Assim, podemos concluir que ambas atividades
são complementares, já que compartilham um objetivo comum, quanto à racionalização
e simplificação dos processos empresariais. Por falar em processos empresariais, você
saberia dizer o que é um processo? Para contribuir com nosso estudo utilizaremos as
sábias palavras de Michael Hammer e o administrador James Champy (1994 apud LLA-
TAS, 2011), quando diz que um processo é composto por uma sequência de atividades
ordenadas de forma lógica, cujo objetivo é produzir um bem ou um serviço que tem valor
para um grupo de clientes. Contudo, Gonçalves (2000, p. 7 apud LLATAS, 2011, p. 12)
sugere que os processos empresariais podem ser vistos como um conjunto de atividades
“que toma um input, adiciona valor a ele e fornece um output a um cliente específico”.
Com o intuito de esclarecer com maior clareza os tipos de processos existentes, destacaremos
os três tipos específicos de processos existentes no ambiente empresarial, conforme a figura
abaixo.
Tipos de processos
Internos
Processos
organizacionais
Processos gerenciaisProcessos de negócios
Externos
Figura 01: Tipos de Processos
Fonte: adaptado de Gonçalves (2000 apud LLATAS, 2011, p. 13)
22 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 01: Tipos de processo
TIPO DE PROCESSO EXEMPLOS
Processos de negócio Fabricação de bicicletas e atendimento aos pedidos de clientes.
Processos organizacionais Pagamento de contas e compra de materiais.
Processos gerenciais Definição das metas da empresa, negociação de preços com o
fornecedor e planejamento do orçamento.
Fonte: adaptado de Gonçalves (2000, p. 11 apud LLATAS, 2011, p. 13)
Também conhecidos como processos de cliente, os processos de negócio resultam nos
produtos e serviços que a empresa oferece ao consumidor. Mesmo sendo externos, os
processos de negócios contam com o auxílio de atividades internas, que podem ser de
dois tipos: organizacionais ou gerenciais. Como o próprio nome indica, os processos
organizacionais abrangem as atividades administrativas que dão suporte aos processos de
negócio. Já os processos gerenciais incluem a tomada de decisões, a supervisão e a avaliação
do desempenho, bem como a realização de ajustes necessários.
Qual é a diferença entre a gestão por processos e o modelo tradicional de gestão?
Caro acadêmico, uma vez explorado o que é um processo, passaremos a analisar a distinção
da gestão por processos e o modelo tradicional de gestão. Como cada processo tem
características próprias, a distribuição de tarefas por departamentos nem sempre é a ideal. Às
vezes, o trabalho conjunto é a melhor saída para dar conta de determinadas atividades. Por
isso, o novo modelo de gestão não prioriza a segmentação da empresa em setores, mas sim a
divisão dos funcionários de acordo com as etapas do processo. O modelo tradicional de gestão
é voltado para questões internas, como a distribuição de tarefas entre os departamentos. A
gestão por processos desloca seu foco para os processos, entendidos como as atividades
que resultam nos produtos e serviços oferecidos ao cliente. Esse modelo de gestão não se
23ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
preocupa em erguer divisões rígidas entre os departamentos; ao contrário: é comum que
funcionários de departamentos diferentes tenham de cooperar para garantir a conclusão de
um processo compartilhado. Já quando da implantação da gestão por processos, além do
analista de OSM definir e descrever os processos, é incumbência do mesmo organizá-lo em
etapas, sem deixar de especificar os funcionários envolvidos e designar uma pessoa como
responsável por comandar a execução do processo todo — como um perpetuador do processo.
Esse “perpetuador” fica encarregado de monitorar o fluxo do trabalho e facilitar a interação
entre os demais. Após a conclusão das tarefas, ele também deve ser capaz de avaliar o
processo, como medir a importância deste processo para a empresa e indicar os aspectos
que precisam ser aperfeiçoados.
Nesta linha de estudo você deve estar se questionando: mas como medir um processo? O
analista de OSM poderá realizar este estudo e análise utilizando alguns requisitos essenciais,
que compreende avaliar e analisar:
• o processo que apresentar o orçamento mais alto;
• o processo que agregar vantagens competitivas aos produtos ou serviços;
• que incluir funções, cuja execução depende o funcionamento da empresa.
Enfim, o nível de prioridade dos processos é definido por critérios financeiros, estratégicos e
operacionais, segundo Llatas (2011).
O que é reengenharia de processos?
Seguindo nossa linha de estudo sobre o que trata OSM, acreditamos ser imensamente relevante
questionarmos e analisarmos o significado de reengenharia. Entende-se por reengenharia a
reformulação da maneira como a empresa executa tarefas e busca cumprir suas metas. Em
outras palavras, o objetivo é redefinir os processos, tornando-os mais eficientes, geralmente,
as mudanças englobam redução dos gastos, otimização do manejo do tempo e melhoria
24 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
da qualidade dos produtos ou serviços. Com o intuito de facilitar seu entendimento, caro(a)
aluno(a), ilustraremos abaixo as etapas da reengenharia de processos, em síntese, o que deve
ser tratada em cada momento desta reformulação de tarefas.
Identificação
do processo
problemático
Levantamento
detalhado do
processo
Análise crítica
do processo
Redesenho
do processo
Implantação do
novo processo
1 2 3 4 5
Figura 02: Etapas da reengenharia de processos
Fonte: adaptado de D’Ascenção (2007)
Como você mesmo pôde constatar, caro(a) aluno(a), o primeiro passo para que ocorra a
reengenharia de um processo tem seu início pela identificação e diagnósticodo problema
existente para que a partir deste ponto, o analista de OSM possa delinear e/ou definir as
possíveis soluções e melhorias para o problema existente. Nesta linha de estudo, Llatas (2011)
contribui quando afirma que os problemas mais frequentes nas pautas dos analistas de OSM
costumam ser em virtude do excesso de burocracia, a falta de treinamento dos profissionais
envolvidos nos processos e de equipamento/máquinas adequados para o desenvolvimento
das atividades organizacionais.
A Interação da área de OSM com as demais áreas organizacionais de uma empresa
Neste tópico, vamos nos ater à interação da área de OSM com as demais áreas organizacionais
da empresa, assim você poderá constar a importância da interação e integração do
profissional de OSM com todos os profissionais de uma empresa. Para tanto, vamos iniciar
esta importância em relação às Tecnologias de informação, ou essas, estas podem ajudar
o analista de OSM a alcançar seus objetivos de diversas formas. Em primeira instância, estes
recursos tecnológicos agilizam a troca de informações entre os funcionários, o que confere
maior rapidez e eficiência aos processos. Além do mais, as tecnologias de informação podem
25ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
servir como instrumento de controle, pois permitem que o analista de OSM monitore o fluxo de
trabalho a partir das trocas virtuais entre os funcionários. A utilização de tecnologia também
pode agregar mais valor às mercadorias da empresa, ou mesmo promover melhorias nos
produtos e serviços a fim de aumentar o nível de satisfação do cliente.
Quanto à Gestão da qualidade total podemos constatar que tanto a área de OSM quanto a
gestão da qualidade total, apresentam pontos comuns de trabalho que relaciona a melhoria
contínua, o foco nos processos e não nos departamentos, a realização de revisões periódicas
como manutenção dos processos e finalmente enfatizam o treinamento da mão de obra.
Já com respeito à auditoria interna, Llatas (2011) relata que a auditoria que usualmente
ocorre nas empresas torna-se semelhante a de OSM, uma vez que o seu objetivo é evitar
ou eliminar erros, “gargalos”, fraudes, entre outras práticas que prejudicam a eficiência dos
processos em análise. Assim, você pode concluir, caro(a) aluno(a), que o auditor interno e o
analista de OSM executam diversas atividades semelhantes relacionadas ao monitoramento
dos processos empresariais.
Análise do significado do termo “Organização” para dar introdução ao estudo da área
de OSM
Neste momento de estudo temos a pretensão de fazer uma abordagem ao termo Organização,
com o intuito de que você possa aprofundar seus conhecimentos sobre o que seja organização
empresarial. Assim, partimos para a definição de organização como o conjunto de atividades
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e:
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26 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
que visam à coordenação racional e lógica do esforço coletivo que auxiliam a divisão de
tarefas e no combate ao desperdício, como bem o diz D’Ascenção (2007, p. 37): “Às atividades
de formar agrupamentos humanos, distribuir o trabalho entre seus membros e equacionar a
utilização dos recursos, visando ao atendimento de suas necessidades, deu-se o nome de
organização”.
Também podemos focar Organização como o ambiente pelo qual pessoas de diferentes ou
iguais capacidades trabalham com o intuito de alcançar um objetivo único. Em outras palavras,
as organizações buscam lucratividade, qualidade de vida da sociedade, soluções de problemas
e muitos outros objetivos que podem ser alcançados com a interação de pessoas.
Para Araujo (1985), as organizações se diferem umas das outras, assim como as pessoas,
precisando ser tratadas e analisadas de maneiras diferentes.
Já Daft (2002) afirma que o principal elemento de uma organização são as pessoas e seus
relacionamentos e elas só existem quando as pessoas interagem para realizar funções
essenciais que auxiliam a alcançar metas. As mais recentes abordagens são desenhadas
com o intuito de dar aos funcionários maiores oportunidades de aprender e contribuir, visando
atingir metas comuns.
Embora o trabalho possa ser estruturado em departamentos separados ou em conjunto
de atividades, a maioria das organizações atuais está se esforçando para obter maior
coordenação horizontal das atividades relacionadas com o trabalho, muitas vezes
utilizando equipes de funcionários de diferentes áreas funcionais para trabalharem
juntas em projetos. As fronteiras entre os departamentos e entre as organizações
tornam-se mais flexíveis e difusas à medida que as empresas enfrentam a necessidade
de responder às mudanças do ambiente externo com maior rapidez (DAFT, 2002, p. 11).
De acordo com Chinelato (2001, p. 4), “as organizações não podem ser estáticas, já que
são compostas de seres humanos e voltadas para um mercado consumidor em constante
mutação”. Além do que as organizações sobrevivem das aquisições feitas pela sociedade e em
virtude dessa fusão de interesses, o mundo dos negócios, destaca organizações de diferentes
segmentos e objetivos, ou seja, enquanto algumas se apresentam como organizações fabris,
27ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
outras são comerciais, outras culturais, outras políticas, religiosas, filantrópicas etc.
Independente da área de atuação e do objetivo propriamente dito para a existência de uma
empresa, Daft (2002, p.12) colabora com nosso estudo quando lista sete razões pelas quais as
organizações são importantes:
• Reunir recursos para alcançar metas e resultados desejados.
• Produzir bens e serviços com eficiência.
• Facilitar a inovação.
• Utilizar tecnologia moderna de fabricação e tecnologia baseada no computador.
• Adaptar-se a um ambiente em transformação e influenciá-lo.
• Criar valor para proprietários, clientes e funcionários.
• Acomodar constantes desafios da diversidade, da ética e da motivação e coordenação
dos funcionários.
Concluímos, portanto, que o termo organização empresarial é uma entidade constituída de
pessoas (agrupamentos humanos) que visam um objetivo comum, distribuídas cada uma em
funções diferentes, que convivem em um ambiente interno e externo, utilizando diferentes
tecnologias e recursos.
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28 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CULTURA ORGANIZACIONAL
Caro(a) aluno(a), ao nos referirmos aos aspectos que norteiam e influenciam as organizações,
consideramos importante estudarmos o termo cultura organizacional, ou seja, toda organização
possui certa cultura que é iniciada com seus fundadores e permuta ou se altera de acordo
com os sucessores, funcionários, administração e acontecimentos. Desta forma, Silva (2008)
corrobora com nossos estudos quando afirma que a cultura organizacional é o sistema de
valores, crenças, normas e hábitos compartilhados que rege a interação dos elementos de
uma organização.
Já Chinelato (2001), faz sua contribuição a esta linha de estudo quando afirma que a cultura
da organização está ligada à natureza do trabalho, aos valores culturais, religiosos, morais e
políticos do grupo, aos fatores de ambientação do trabalho, ao nível de interação da empresa
com o ambiente externo, ao seu porte, tempo de existência no mercado e seu nível de
crescimento.
Em outras palavras podemos constatar que diante de ambos os conceitos apresentados, a
cultura é um conjunto de padrões de valores e crenças compartilhadas pelos membros da
organização e suposições sobre como as coisas são feitas dentro de uma organização. Esses
padrões são aprendidos pelos colaboradores de uma empresa, a título de exemplo, quando
enfrentam problemas de desajustes em seus processos internos sendo ensinados aos seus
membros efetivos e aos novos, como omodo correto de perceber, pensar, sentir e agir.
Os valores, por sua vez, podem estar no nível superficial e são notados, facilmente, como
formas de vestir, padrões de comportamento, símbolos e layout dos escritórios. Podendo
em outros momentos estar em um nível mais profundo, como valores e crenças expressos,
que não são observáveis, não sendo visíveis no primeiro momento, requerendo análise de
comportamentos e atitudes, podendo ser interpretados observando-se fatores como símbolos,
histórias, heróis, slogans e solenidades.
29ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
A cultura organizacional é responsável por algumas funções essenciais às empresas, como: criar e
possibilitar a distinção de uma empresa para outra; propiciar a identidade de seus membros; criar um
clima de comprometimento das pessoas com a organização; colaborar com a estabilidade do sistema
social; e, fi nalmente, direcionar e orientar os trabalhadores no que diz respeito ao comportamento e
atitudes desses.
CRESCIMENTO ORGANIZACIONAL
Este tópico tratará de um fenômeno inevitável para o ciclo de vida de uma empresa que
pretende manter-se no mercado, ou seja, o crescimento organizacional. Em outras palavras,
trata-se de um fenômeno natural na vida das organizações, até mesmo para que haja a
afirmação e solidificação desta empresa no mercado, seja pela elevação do nível do consumo
dos seus produtos, ou ainda pela diversificação ou geração do seu mix de produtos.
Para explicitarmos mais detalhadamente como pode se dar este tipo de crescimento, vamos
apresentar as diferentes formas de crescimento de uma organização, segundo Chinelato
(2008) sendo: a. vertical; b. horizontal e c. funcional. De forma:
a. Vertical: caracteriza-se o crescimento do número de funcionários no âmbito de um depar-
tamento. A título de exemplo, a empresa Fantasy Brinquedos, no início de suas atividades,
contava com o proprietário mais quatro funcionários (compreendendo atividades de produ-
ção e vendas). No terceiro ano de existência já contava com 14 funcionários (produção e
vendas).
b. Horizontal: entenda-se que há um acréscimo de novas atividades às atribuições de um
departamento, compondo mais de uma equipe de trabalho, havendo uma especialização
dentro das atividades já realizadas. A título de exemplo, podemos ter por intermédio do
30 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
acréscimo de novas atividades, em uma fábrica de brinquedos, o gerente geral além do se-
tor de Produção e Controle de Qualidade, deve gerenciar o setor de Vendas e Propaganda,
como ilustrado abaixo:
Crescimento Horizontal
Gerente
Setor de Produção e
Controle de Qualidade
Setor de Vendas e
Propaganda
Figura 03: Crescimento Horizontal
Fonte: Chinelato (2008, p. 07)
c. Funcional: e, finalmente, na de forma funcional quando existe a intensificação de novas
atividades, obrigando o administrador a fazer uso das técnicas de departamentalização,
da delegação de autoridade e dos demais instrumentos técnicos administrativos, neste
momento é comum inclusive a diretoria contar com a assessoria de áreas como de OSM,
jurídica...
Diante da exposição das formas de crescimento organizacional apresentadas, consideramos
importante frisar que o termo organização, neste momento, toma uma conotação empresarial,
ou seja, organização para Chinelato (2008, p. 7) significa “qualquer empreendimento humano
criado e mantido com certos objetivos a serem alcançados”.
O SURGIMENTO DA ÁREA DE ORGANIZAÇÃO E MÉTODOS
Neste tópico pretendemos levá-lo a compreensão dos fatos que influenciaram e engendraram
o surgimento da área de OSM, apesar de já havermos citado alguns fatos que propiciaram
a chegada desta área de estudo no Brasil no início desta unidade, temos a pretensão neste
31ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
momento, de dar um enfoque mais abrangente em termo do surgimento da disciplina de
OSM. Desta maneira, fazendo um link ao último tópico abordado, ou seja, ao crescimento
organizacional, podemos afirmar que o crescimento fez com que as organizações de um modo
geral se deparassem com problemas estruturais, como falhas e desvios em seus processos
internos de difícil solução, que levavam a consequências desastrosas como, desperdício de
tempo e esforços, como tarefas e atividades refeitas, consequentemente aumentando os
custos dos processos empresariais.
Tomando como base o período que antecede e que ocorre a Revolução Industrial, os
administradores e alguns estudiosos da ciência conhecida como a administração, passaram
a dar uma relevância maior aos estudos e processos relacionados às organizações. Neste
momento, é importante frisar que alguns estudiosos da administração contribuíram em
muito para o desenvolvimento de técnicas científicas e processos organizacionais aplicados
até os dias de hoje nos ambientes organizacionais. Dentre os estudiosos que tiveram uma
participação primordial para o desenvolvimento e surgimento desta área de estudo que
foca a eficácia e eficiência dos processos organizacionais, destacaremos Taylor e Fayol,
que contribuíram em muito para que se chegasse às técnicas administrativas e processos
organizacionais estabelecidos pelas empresas deste século. Contudo, vale a pena frisar, de
acordo com Chinelato (2008), que o elemento fundamental de qualquer processo produtivo, é
o homem. Ainda por intermédio da contribuição dada por estes precursores da Administração,
constatou-se que muitas das técnicas utilizadas pelas empresas no início do século passado,
quanto à produtividade organizacional, já estavam obsoletas e que a real eficiência somente
seria alcançada com condições que fossem favoráveis ao homem, levando em consideração
seu máximo rendimento físico e intelectual, focando uma maior produtividade.
Neste momento da história, caríssimo(a) aluno(a), relata Chinelato (2008) que o surgimento de
problemas complexos nas organizações passaram a exigir uma atenção especial às revisões
e controles internos. Contribuindo com nossa linha de estudo, Araujo (1985, p. 18) reforça a
presente questão quando relata sobre o surgimento da área de O&M e os estudos de Taylor:
32 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Frederick Winslow Taylor é, sem dúvida, a figura que mais se destacou na história
da administração. Precursor da administração cientifica, Taylor é, rigorosamente,
aquele que mais contribuiu para a formação da tecnologia de Organização e Métodos,
principalmente a nível da instrumentação para fins de racionalização do trabalho ou, se
o leitor preferir, simplificação do trabalho. De qualquer maneira, dizer-se que a ou b está
aplicando a “teoria de Taylor” seria o mesmo que dizer que a ou b está, praticamente,
aplicando O&M.
Analisando os estudos realizados por Taylor, caro(a) aluno(a), vale a pena enfatizar que o
sistema de Taylor, ou melhor dizendo, seus estudos e experimentos caracterizavam-se pelos
seguintes aspectos, de acordo com Silva (2008):
a. Análise do trabalho.
b. Padronização das ferramentas.
c. Seleção e treinamento dos trabalhadores.
d. Supervisão e planejamento.
e. Pagamento por produção.
Contudo, os estudos de Taylor se dividiram em duas fases marcantes, a primeira datada por
volta de 1903, trata de técnicas de racionalização do trabalho do operário por meio do estudo
dos tempos e movimentos, enquanto a segunda apresenta os estudos sobre a administração
geral, que dominou a administração científica, sem deixar a preocupação com relação às
tarefas dos operários. Todavia, os estudos de Taylor eram pautados nos males aos quais as
indústrias da época padeciam, que compreendia segundo Taylor: - a vadiagem sistêmica por
parte dos operários; - o desconhecimento, pela gerência, da rotina de trabalho e do tempo
necessários para sua execução e finalmente - afalta de uniformidade das técnicas e dos
métodos de trabalho dos empregados. A partir destes problemas organizacionais, Taylor
criou e definiu os princípios da administração científica, destacados a seguir, que como já
mencionado, contribuíram e muito para o desenvolvimento das técnicas científicas de redução
de tempo, esforços e custos, nas empresas, mais especificamente nas áreas produtivas:
33ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Desenvolvimento de um método científico para o trabalho dos operários.
• Estabelecimento de processo científico de seleção e treinamento do operário.
• Cooperação entre as gerências e os operários.
• Divisão do trabalho dos operários em função da sua especialização.
Já com respeito a Henri Fayol e o surgimento da área de O&M, é importante afirmar que:
Henri Fayol, engenheiro francês, contribuiu diferentemente de Taylor, mas, assim mesmo,
os estudiosos da Teoria das organizações colocam-no dentro do mesmo grupamento
histórico. Administrar, para Fayol, é prever, organizar, comandar e controlar. Embora
ele tenha desenvolvido a previsão, coordenação e controle, é muito mais acentuada
a sua preocupação com a organização e o comando. Daí, o reconhecimento de que
organização e métodos receberam grande influência “faylorista” (ARAUJO, 1985, p.18).
Ainda para Fayol:
Todos os empregados em uma organização participam, em maior ou menor grau,
da função administrativa... [e] têm oportunidade para executar suas faculdades
administrativas e ser reconhecidos por isso. Aqueles que são particularmente talentosos
podem subir dos degraus mais baixos aos mais altos da hierarquia da organização
(FAYOL, em folheto apresentado no Congresso Internacional de Mineração e Metalurgia,
1900).
Tanto Taylor como Fayol contribuíram com a área de estudo da administração conhecida como
O&M, sendo que Fayol acrescentou na formulação do prisma estrutural, isso porque esteve
sempre voltado para a cúpula, portanto, apontava a estrutura central, superior da organização,
devido suas influências e experiências. E Taylor sempre esteve mais interessado com a linha
de produção. E, por consequência, seus estudos ficaram evidentes no campo operacional.
Em uma linguagem bem simples, poderíamos simplificar da seguinte forma: Organização
= Taylor e Métodos = Fayol. Contudo, ao analisarmos a história da administração, no que
tange a esta disciplina de O&M, não podemos deixar de lado contribuições dadas por outros
precursores da Administração, tais como: Henry Ford, Aleksei Stakhanov, Henry L. Gantt,
Harrigton Emerson e outros.
34 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Em suma, esses fatores alavancaram para o surgimento de mais uma das funções
administrativas, chamada Organização e Métodos. Com base no estudioso Araujo (1985), esse
termo O&M, (empregando a utilização dessas duas palavras, com um significado expressivo),
teve como primeira referência pelo norte-americano Thomas Woodrow Wilson, cientista
político e então professor da Universidade de Princeton.
Na Inglaterra O&M foi incorporado às unidades da administração pública que cuidavam dos
processos de organização e racionalização do trabalho. E seu início foi por volta da Segunda
Guerra Mundial. E por volta de 1950, mais de 20 países contavam com uma unidade de O&M.
É interessante sabermos que essa nova área da administração tomou corpo. Foi na Inglaterra
e logo se espalhando pelo resto da Europa. Devemos lembrar que essa nova área surgiu na
administração pública, e logo depois chegou às empresas particulares.
Esse termo chegou ao Brasil pelos meados de 1955, em que se deu início com a criação do
Curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e contratação
de um consultor da Organização das Nações Unidas – ONU, professor Harry Miller, autor
inclusive, do primeiro livro editado no Brasil sobre O&M.
Acrescenta Araujo (1985) que OSM é uma atividade do governo que atua como um órgão
de assessoria e aconselhamento, que presta assistência aos administradores e gerentes em
todos os aspectos que envolvam a organização e a metodologia dos processos administrativos,
focando a eficiência do trabalho.
Com o intuito de apresentar uma definição mais atual, citamos Cruz (2002) que define OSM
como a área responsável pela análise e delineamento das estruturas organizacionais, no que
diz respeito ao estudo minucioso de todas as suas atividades, propiciando mecanismos que
facilitem a interação destas diversas atividades dentro de uma visão holística, ou seja, visão
sistêmica.
Diante desta definição, caro(a) aluno(a), você poderá concluir que as decisões do departamento
35ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
de OSM de uma empresa não são tomadas repentinamente, pelo contrário, essas são
resultados de uma série de estudos prévios que envolvem a estrutura e o funcionamento
das organizações. Comparando o significado com Chinelato podemos observar o seguinte
conceito:
Organização é atividade voltada para a estruturação harmoniosa dos recursos
disponíveis com intuito de promover uma atuação sistêmica eficiente e, assim, obter a
esperada eficácia de conjunto. Método, por sua vez, refere-se à economia de esforços,
tempo e movimentos por meio da simplificação do trabalho, tendo, como resultados
diretos, o aumento da produtividade e a diminuição de despesas (CHINELATO FILHO,
2008, p.35).
Aprofundando no raciocínio do autor citado, Organização é a atividade que estrutura os recursos
organizacionais, promovendo atuação sistêmica eficiente e eficaz do conjunto. Métodos é a
economia de esforços, tempos e movimentos por meio da simplificação do trabalho, resultando
aumento de produtividade e diminuição de despesas.
O surgimento da área de OSM tem como importância, conforme discorre Chinelato Filho
(2008), equilibrar e ponderar os esforços humanos, recursos materiais e tecnológicos a fim de
manter a dignidade do homem e suas limitações biológicas. Essa integralização pode trazer
para a organização resultados satisfatórios, como reduções de custos, harmonia entre os
funcionários, melhor produtividade e qualidade.
Desta forma, você poderá chegar à conclusão, caro(a) aluno(a), que esta nova área
administrativa preocupa-se com o sentido lógico de cada operação e de cada sistema, baseado
no questionamento do “por quê e para quê”. Em outras palavras, um empreendimento deve
apresentar efetividade, sentido lógico de existir, caso contrário de nada adiantará os esforços
do profissional de OSM no sentido de revitalizá-lo, por exemplo, aplicando a reengenharia
de processos, uma vez que o negócio em si não apresenta coerência em existir, não sendo
efetivo.
Em contrapartida, havendo efetividade em um empreendimento Chinelato (2008) enfatiza
que cabe ao analista de OSM exercer atividades, tais como: o estudo da estrutura
36 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
organizacional; racionalização do trabalho; elaboração e avaliação de instrumentos de controle
de sistemas; assessoria aos setores pertinentes a O&M; disseminação de procedimentos,
métodos, metodologias e terminologias técnicas e uniformes abrangentes aos programas da
Qualidade e de Reengenharia. Ainda neste sentido, acrescenta Miller:
As atribuições do analista de O&M são: reconhecimento de métodos e técnicas
administrativas (organização, delegação de responsabilidade, planejamento e controle,
orçamentos, manuais e regulamentos); técnicas de análise na área administrativa
(distribuição do trabalho, procedimentos, desenho e controle de formulários,
programação do trabalho, distribuição do espaço etc.); técnicas de análise nas áreas
da indústria e vendas (tempos e movimentos, movimentação de material, vendas e
distribuição); serviços de escritório (processamento eletrônico de dados, comunicação,correspondência, arquivo, serviço de estenodatilografia, reprodução de documentos,
conservação e manutenção de prédios, localização de prédios e condições do
trabalho); outros serviços administrativos (administração de pessoal, administração de
equipamentos de escritório, administração de material, administração de serviços e
equipamentos) (MILLER apud ARAUJO, 1985, p.39).
Devemos lembrar que Miller deixou alguns excessos referentes às atribuições ao analista de
Organização, Sistemas e Métodos. Mas se formos avaliar seus estudos, chegamos à ideia,
por exemplo, que seja exigido pelo analista conhecimento de distribuição. Isso não significa
que ele tenha que ser especialista em logística, mas o objetivo é saber analisar os meios para
melhor distribuir os produtos, a eficiência dos sistemas, fluxo de trabalho etc.
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37ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
No que diz respeito ao posicionamento do órgão de O&M, Araujo (1985) acrescenta que o
analista dever ter a posição de staff (posição de aconselhamento e não mandatório). Esse
profissional deve ser staff e não linha (vale mencionar que este conteúdo, linha e assessoria,
veremos mais adiante em tópico especial), como é comum encontrar em algumas organizações,
tanto públicas como privadas no Brasil. O órgão de O&M não tem autoridade de mandar
mesmo que seus estudos indicam serem necessários, pois os subordinados podem desprezar
as recomendações do Departamento sem mais nem menos.
No passado a abordagem estrutural era o mais importante, desta forma as abordagens
realizadas tinham foco na consecução dos objetivos de racionalização e estruturação. Ainda
conforme Araujo (1985), em consequência, a mudança organizacional tinha como base a
análise estrutural e sua meta era a transformação, sendo esta também estrutural. Assim era a
maneira de o profissional de Organização e Métodos atuar na organização. Com a evolução
das teorias e novas pesquisas realizadas por renomados da época, os estudos de O&M
avançaram até atingir uma nova óptica mais realista, visando à organização como um todo
integrado e sistêmico assim atingindo os componentes mencionados acima.
Neste contexto discorre Araujo: “não temos dúvida em afirmar que a função de organização
e métodos passa a ocupar um lugar de destaque na estrutura das organizações, pois reduz
custos, elimina movimentos supérfluos e prepara a organização para o crescimento” (ARAUJO,
1985, p.18).
A área de OSM deve apresentar como característica básica a Imparcialidade com que se deve tratar
as questões e demais áreas de uma empresa. Em suma, não há interesse particular a preservar.
38 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
AS EMPRESAS VISTAS COMO SISTEMAS
Neste tópico, caro(a) aluno(a), enfocaremos as empresas como sistemas vivos, entretanto para
o seu melhor entendimento do que seja um “sistema”, tomaremos a princípio os primórdios
do século XVII com o estudo da Mecânica, Matemática e Física. Os homens interpretavam
e conviviam em sociedade usando os mesmos conceitos e suposições que essas ciências
defendiam, a partir daí passaram a rejeitar de certa forma a teologia, o misticismo e o
antropomorfismo como forma de interpretação da sociedade, segundo Oliveira (2011).
Contudo, esta forma mecânica de pensar, fixada nas mentes dos homens durante tantas
décadas, alicerçou o estilo burocrático criando dificuldades para entrada de novas percepções
organizacionais, prevalecendo assim, a imagem da empresa constituída de partes que se
interligam formando o funcionamento do todo, a “máquina”.
Desta forma, assim como o modelo mecânico aconteceu em uma era de progresso da Física,
o modelo orgânico da sociedade foi inspirado pelos progressos da Biologia. Trata-se de um
princípio de mútua dependência das partes, assemelhando-se a sociedade a um organismo
vivo. Partindo desta linha de pensamento, segundo o autor citado, o homem passa a interpretar
as corporações como “sistemas vivos” que existem em um ambiente mais amplo, do qual
dependem em termos de satisfação das suas várias necessidades. Tal como um organismo
vivo as empresas / organizações nascem, crescem, se desenvolvem, declinam e morrem.
Promovem mudanças e se adaptam a ambientes em mutação, interagindo com a natureza e
suas diferentes espécies.
Portanto, o “moderno enfoque dos sistemas” procura desenvolver: - uma técnica para lidar
com a grande e complexa empresa; - um enfoque sintético do todo, não permitindo a análise
separada das partes do todo; e – um estudo das relações entre os elementos componentes.
39ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONCEITUANDO “SISTEMAS ADMINISTRATIVOS”
O moderno enfoque dos sistemas administrativos, caro(a) aluno(a), busca desenvolver
técnicas, procedimentos e ferramentas para aplicar nas empresas complexas. Vale a pena
frisar, que trata-se de um enfoque que não permite a análise separada das partes do todo,
mas dentro de um visão sistêmica e holística, levando em consideração a inter-relação das
partes entre si e com o todo. Para tanto, consideramos importante apresentar o que trata
um sistema, termo este que será consideravelmente utilizado e aplicado neste estudo. Desta
forma, segundo Llatas (2011), os sistemas são compostos por partes que cumprem papéis
distintos a fim de atingir um objetivo coletivo. As empresas também são sistemas, formadas
por sistemas menores, muitas vezes chamados de subsistemas. Por trás desses subsistemas,
geralmente encontra-se o subsistema administrativo. Um sistema, por sua vez, é constituído
dos seguintes componentes:
Quadro 02: Componentes do sistema administrativo
COMPONENTES DO
SISTEMA ADMINISTRATIVO
DEFINIÇÕES
Objetivo
Entradas
Processo de transformação
Saídas
Padrões de qualidade
Controle e avaliação
Finalidade do sistema, razão de sua criação.
Elementos necessários para atingir o objetivo do
sistema. As entradas podem ser recursos naturais,
dados, mão de obra ou conhecimento tecnológico,
por exemplo.
Processo que transforma as entradas em saídas.
Processo de análise que verifica se as saídas obtidas
atendem aos padrões de qualidade estabelecidos.
Medidas ideais de qualidade esperadas das saídas.
Resultados do processo de transformação.
Fonte: adaptado de D’Ascenção (2007 apud LLATAS, 2011, p. 58)
40 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Ainda como componentes de um sistema, Oliveira (2011) enfatiza a retroalimentação, ou
realimentação, ou feedback do sistema, que pode ser considerado como a reintrodução
de uma saída sob forma de informação. Essa realimentação é um instrumento de controle,
em que as informações realimentadas são resultados das divergências verificadas entre as
respostas de um sistema e os padrões previamente estabelecidos. Desta forma, o objetivo do
controle é reduzir as discrepâncias ao mínimo, bem como propiciar uma situação em que esse
sistema se torne autorregulador.
Outro aspecto a ser estudado e analisado é o ambiente da empresa, quer seja quando o
sistema considerado é a empresa inteira (estrutura organizacional), quer seja um procedimento
específico (no caso de um método). Desta maneira, utilizaremos a figura abaixo para definir o
ambiente de um sistema.
AMBIENTE
CONJUNTO DE
ELEMENTOS QUE
NÃO PERTENCEM
AO SISTEMA
ONDE
QUALQUER ALTERAÇÃO
NO SISTEMA PODE MUDAR
OU ALTERAR OS ELEMEN
-
TOS.
QUALQUER ALTERAÇÃO
NOS ELEMENTOS PODE
MUDAR OU ALTERAR O
SISTEMA.
Figura 04: Definição de ambiente
Fonte: adaptado de Oliveira (2011)
Em outras palavras a todo esse conjunto de variáveis externas, tangíveis ou não, que interferem
no funcionamento das empresas damos o nome de ambiente (LLATAS, 2011). As empresas
recebem pressões de todas as partes. De um lado,os clientes demandam sofisticação a
preços mais acessíveis. De outro, os órgãos reguladores introduzem continuamente novas
exigências relacionadas à qualidade e à segurança dos produtos. A concorrência ameaça
ganhar mais espaço no mercado, graças a campanhas de marketing e inovações nos produtos
e serviços oferecidos. Em um mercado tão exigente e competitivo, a chave para o sucesso
empresarial está, portanto, na qualidade e na rapidez das respostas às mudanças ao seu
41ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
redor. Para tanto, ressaltaremos algumas considerações quanto às empresas e os sistemas
abertos, ou seja, são aquelas que estão em permanente intercâmbio com seu meio ambiente
caracterizando um equilíbrio dinâmico.
Sindicatos
Clientes
Fornecedores
Ciência e
tecnologia
Política
Concorrentes
Órgãos
reguladores
Empresa
Acionistas
Mudanças
internacionais
Economia
AMBIENTE
Figura 05: Componentes do ambiente de sistemas
Fonte: adaptado de Rebouças (2009 apud LLATAS, 2011, p. 59)
De acordo com Von Bertalanffy (apud OLIVEIRA, 2011), existem duas premissas que facilitam
o entendimento da empresa como sistema aberto e sua integração com o ambiente:
a) equifinalidade, segundo a qual um mesmo estado final pode ser alcançado, partindo de
diferentes condições iniciais e por maneiras diferentes; e
b) entropia negativa, que mostra o empenho dos sistemas em se organizarem para a sobre-
vivência, por meio de maior ordenação.
O processo entrópico, normalmente se considera em sua forma negativa, entretanto, ESSE
pode ser considerado em sua forma positiva, ou seja, na afirmação da desorganização e do
desgaste do sistema ou subsistema, alvo de análise e estudo.
Para estar à frente o administrador deve ver o planejamento organizacional como um
instrumento de fundamental importância, pois visa antecipar-se às alterações da realidade
42 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
por intermédio do planejamento da mudança (evolução dos sistemas). Em suma, para evitar
o processo entrópico, a empresa deve planejar a trajetória dos sistemas e subsistemas pela
aplicação da análise e previsão da evolução das variáveis ambientais, ou seja, deve estar
atento às mudanças que possam surgir externas ao sistema, ou ainda as internas, que podem
ocorrer dentro do próprio sistema. Para tanto, os sistemas quando sujeitos a mudanças desta
natureza, devem estar propensos às adaptações internas (dentro do sistema) ou externas (em
seu ambiente) (OLIVEIRA, 2011).
Desta maneira, adaptação é a habilidade do sistema para se modificar ou modificar seu
ambiente quando algum deles sofreu uma mudança.
A preservação do caráter do sistema estabelece que o ciclo de eventos de um sistema pode
conduzi-lo a um estado firme ou a um processo entrópico. A eficiência com que o sistema
trabalha pode conduzir a uma relação saída/entrada cada vez maior ou menor (entropia). O
estado firme caracteriza a constância no intercâmbio de energia com o ambiente. Contudo, é
interessante que o sistema apresente equilíbrio, mas que o estado homeostático deste e a sua
preservação (caráter do sistema) sejam trabalhados de forma dinâmica, isto é, de maneira que
haja contínuos ganhos do processador, sendo expressos pela relação saída/entrada.
O avanço tecnológico, o crescimento dos mercados, o aumento de concorrência, o aumento
da complexidade e da efervescência dos aspectos econômicos, políticos e sociais levam
os sistemas mais simples a se transformarem em complexos, caracterizando-se, em
consequência, por um volume maior de entropia e desagregação e exigindo técnicas mais
avançadas para evitar o envelhecimento e a morte (OLIVEIRA, 2011).
Elementos com Interesses nas Organizações
Quando apresentamos e dissertamos sobre o ambiente nas organizações podemos verificar
que o ambiente é formado por um conjunto de elementos que não pertencem ao sistema.
Esses elementos, por sua vez, vão formar os grupos de interessados nas organizações
43ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
(stakeholders), que sugere em outras palavras, que as incorporações estejam a serviço
da sociedade maior. Esta abordagem reconhece que as exigências sobre as organizações
empresariais crescem continuamente, o que inclui uma variedade mais ampla de grupos que
não eram tradicionalmente definidos como parte do interesse da organização. Esses grupos
são chamados de interessados, ou em inglês, stakeholders.
Em um sentido restrito, eles são os grupos ou pessoas identificáveis, de que uma organização
depende para sobreviver: acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e entidades
governamentais. Contudo, a um nível mais amplo, um interessado é qualquer grupo ou
indivíduo que possa afetar ou ser afetado pelo desempenho da organização em termos
de seus produtos, políticas e processos operacionais (STONER; FREEMAN, 1999). Neste
sentido, grupos de interesse público, grupos de protesto, comunidades locais, entidades
governamentais, associações comerciais, concorrentes, sindicatos e a imprensa também
são interessados na organização. Os acionistas continuam a ocupar um lugar de destaque,
mas seus interesses específicos devem ser defendidos no contexto mais amplo do interesse
público.
De fato, durante as duas últimas décadas as organizações empresariais e sua administração
enfrentaram muitas exigências novas, baseadas em expectativas da sociedade em mudança,
sobre o papel apropriado das corporações na sociedade maior. Neste sentido, às empresas,
foi solicitado reavaliar seus processos produtivos à luz de riscos iminentes ao meio ambiente,
a modificar a composição racial e sexual de sua força de trabalho, a melhorar a segurança dos
produtos, a garantir uma representação mais exata nos seus argumentos de propaganda, e a
mostrar uma preocupação maior para com a saúde e bem-estar geral de seus funcionários.
A estrutura dos interessados propicia aos administradores uma maneira mais dirigida de
pensar sobre o ambiente da organização. O raciocínio básico é ser capaz de compreender
as maneiras em que os diversos interessados são ou podem ser afetados pelas políticas e
práticas da organização, como irão provavelmente reagir, e quais são as próprias opções para
lidar com essas reações.
44 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
A conscientização sobre as múltiplas forças que influenciam os acontecimentos nos colocará
em uma posição melhor para tomar decisões empresariais. Finalmente, o modelo dos
interessados se alinha com as noções contemporâneas de justiça. Contribuindo com nosso
estudo, Stoner e Freeman (1999) e Oliveira (2011) permite-nos a conceituação e fixação dos
seguintes termos, estudados nesta unidade:
Stakeholders: grupos ou indivíduos direta ou indiretamente afetados pela busca de uma organização
por seus objetivos.
Stakeholders Externos: grupos ou indivíduos do ambiente externo de uma organização e que afetam
suas atividades.
Stakeholders Internos: grupos ou indivíduos, como empregados, por exemplo, que não fazem es-
tritamente parte do ambiente de uma organização, mas pelos quais um administrador individual é
responsável.
Entropia: estado de desordem e de caos a que tende um sistema.
Entropia Negativa: empenho dos organismos que se organizam para a sobrevivência, mediante
maior ordenação. É uma função que representa o grau de ordem existente em um sistema.
Entropia Positiva: confi rmação do desgaste de um sistema. Representa a desordem de um sistema.
Sistema Aberto: possui ambiente. Troca com o ambiente matéria e/ou energia e/ou informações.
Fo
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45ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, troca-
rem os pães, cada um vai emboracom um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um
com uma ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas (Provérbio
chinês).
Leia mais sobre o assunto:
Caro(a) aluno(a), no link abaixo você poderá encontrar materiais de apoio referentes ao estudo do
surgimento da área de OSM, desde sua origem, a importância da estrutura organizacional para os
estudos do analista de OSM. Também poderá evidenciar como surgem os paradigmas e o que os
mesmos podem signifi car para as empresas em um processo de mudança.
<http://www.uff.br/sta/textos/fs006.pdf>.
<http://www.youtube.com/watch?v=2WkazAAuKnk>.
46 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro discente, podemos concluir com esta primeira unidade que OSM é o estudo das
organizações por meio da análise de cada uma de suas atividades, a fim de criar procedimentos
que venham a interligá-las de forma sistêmica. Serve, portanto, para assegurar a melhoria
contínua do desempenho empresarial da grande e complexa empresa, por meio da avaliação
e da reformulação dos processos que compõem o fluxo de trabalho.
Você pôde também observar durante a apresentação dos conteúdos trabalhados nesta unidade
que as mudanças rápidas que ocorrem no ambiente externo exigem cada vez mais a atuação
do profissional de OSM, visando o alcance da eficiência e da eficácia organizacional, cabendo
a esta área, dentre muitas das suas atribuições, a racionalização e simplificação do trabalho,
a reformulação das estruturas organizacionais levando em consideração as mutações do
ambiente externo e interno, a implantação de métodos para o aumento da produtividade etc.
Contudo, o elemento responsável por todas estas mudanças às quais as organizações estão
sujeitas, define-se como stakeholders, ou seja, os grupos interessados nas organizações. Em
outras palavras, são os grupos de interessados que têm impacto direto sobre as atividades
das organizações. Desta forma, caro(a) aluno(a), cabe à área de OSM, monitorar os ambientes
interno e externo, antecipando-se às mudanças que poderiam afetar a organização.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
Estudo De Caso: Ilustrando o Ambiente na McDonald’s
Uma população cada vez mais consciente da relação entre sal, gordura na alimentação e saúde,
junto a preocupações com o meio ambiente e uma queda no ímpeto das vendas, estão forçando o
McDonald’s a olhar de modo diferente o mercado de refeições rápidas que ela dominou durante tantos
anos.
Considere as estatísticas da McDonald’s, a maior cadeia americana de fast-food. Apesar das vendas
em 1990 terem passado de 18 bilhões de dólares, quase um terço desse valor veio de operações em
outros países. As vendas domésticas, em contraste, estão se estabilizando, e a percentagem de cres-
cimento vem se reduzindo há oito trimestres seguidos. Depois de um desempenho ruim no segundo
47ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
trimestre de 1990, os analistas de valores da Prudential Bache baixaram o status da McDonald’s,
sugerindo vender suas ações ao invés de mantê-las, mesmo com a classificação da empresa como
uma das 500 da revista Fortune e com sua inclusão na Dow Jones 30 Industrials.
O que os críticos podem não estar vendo, entretanto é a tradição de resiliência da McDonald’s, sua co-
nhecida agilidade em encontrar soluções para problemas difíceis. Um problema é enfrentar o objetivo
tradicional de abrir mais 500 unidades a cada ano, numa época em que pontos de venda bem locali-
zados estão se tornando escassos e caros. (Para a McDonald’s a expressão bem localizados significa
que eles podem usar padrões de demografia e de tráfego para prever se um local irá gerar uma certa
quantidade de dólares por ano). O custo de abrir uma nova loja cresceu em 10,2% em 1989, mas as
vendas subiram apenas 1,6 % no mesmo período. Essas considerações vêm há muito impedindo a
McDonald’s de se expandir para muitas cidades menores. A solução? A empresa está experimentando
um conceito de restaurante para cidades pequenas da década de 1950 e abriu o primeiro Golden Arch
Café em Hartsville, Tennesse, em 1989. O fato de não usar o nome da McDonald’s dá a empresa mais
liberdade para experimentar novas idéias, dizem os administradores. Outro problema é a crescente
competição da Pizza Hut, pertencente à Pepsi Co., da Taco Bell e da Kentucky Fried Chicken, que
oferecem menus mais variados. Em resposta, a McDonald’s está acelerando a introdução de novos
itens no cardápio. Tradicionalmente, ela testava a venda de novos itens do cardápio durante uma mé-
dia de cinco anos antes de introduzi-los em nível nacional, mas agora está testando alguns itens mais
saudáveis, que não contêm hambúrguer, com planos de levar os mais promissores para distribuição
em todo o país, o mais rápido possível.
A McDonald’s também precisou enfrentar críticas quanto ao conteúdo de gordura em seu cardápio.
Em resposta passou a usar apenas óleo vegetal em suas famosas batatas fritas e reduziu a quanti-
dade de gordura nos hambúrgueres, introduzindo em abril de 1991 o McLean de Luxe, 91% livre de
gordura. Reduziu em 30% o sódio em suas panquecas e tirou também o glutamato monossódico de
seus Chicken Mc-Nuggets. Como diz Ed Rensi, Coo. (Chief Operating Officer) da McDonald’s, “Dei-
xamos as condições de mercado, o meio ambiente e nossos clientes nos guiarem estrategicamente”.
Agora a empresa está no processo de seguir outro “guia” ambiental, abandonando suas embalagens
de espuma plástica.
A decisão de passar a usar embalagens de papel, em substituição às de isopor, foi difícil, cara e ainda
continua sujeita a controvérsias. A empresa tem uma história de preocupação ambiental, e inicialmen-
te mudou as embalagens de papel para as de isopor em meados dos anos 70, quando pesquisadores
insistiram na redução de quantidade de papel usado, para impedir a devastação das florestas. Nos
anos 80, a empresa reduziu ainda mais o lixo sólido, diminuindo a espessura de seus canudinhos e
embalagens. A McDonald’s tornou-se a primeira empresa a assinar um acordo voluntário, em 1987,
para abandonar o tipo de poliestireno (espuma plástica) que é fabricado com o uso de clorofluorcarbo-
nos (CFC), prejudiciais à camada de ozônio.
Ainda assim, a companhia era criticada pela quantidade de lixo sólido que gerava, inclusive uma
quantidade anual de 20.000 toneladas de lixo de poliestireno. A McDonald’s assumiu a liderança da
reciclagem de poliestireno, iniciando em Massachusetts o que era provavelmente o maior programa
do mundo. Ali, o poliestireno proveniente de 450 lojas McDonald’s de New England era convertido
em resina plástica e vendido a empresas fabricantes de produtos plásticos, inclusive as bandejas da
própria McDonald’s. A companhia se comprometeu a gastar 100 milhões de dólares por ano nos dois
48 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
anos seguintes em esforços de reciclagem.
Em seguida, embarcou num programa destinado a educar a população americana sobre a reciclagem
de poliestireno. Os estudos iniciais mostraram uma participação de 70% nos consumidores dentro
das lojas. Os críticos diziam, entretanto, que mesmo a espuma plástica sem CFC podia prejudicar a
atmosfera durante o processo de fabricação. Além disso, afi rmavam, a reciclagem só funcionava para
as refeições feitas nas lojas; mais da metade das vendas da McDonald’s é “para viagem”.
Em resposta, os fabricantes de plásticos argumentavam que o consultor externo contratado pela
McDonald’s descobriu que o material não continha substâncias tóxicas, gastava menos energia do
que o papel para ser produzido e não exigia o corte de árvores.
Mas os protestos continuaram. Em outubro de 1990 a Earth Action Network quebrou vitrines e van-
dalizou uma loja em San Francisco. Um movimento de crianças de escola, chamado de Kids Against
Polystyrene (“crianças contra o poliestireno”)insistia para que as pessoas boicotassem a McDonald’s.
Foi iniciada uma campanha de devolução, encorajando os consumidores a mandar pelo correio suas
embalagens de styrofoam para a sede da corporação em Oak Brook, Illinois.
Em agosto de 1990, a empresa anunciou uma aliança estratégica com o Fundo de Defesa Ambiental,
baseado em Washinton, D.C., para produzir o primeiro estudo conjunto sobre o problema do lixo nos
serviços de alimentação. O resultado foi um programa ambicioso de 42 iniciativas para reduzir o lixo da
McDonald’s e o impacto ambiental de determinadas práticas, como o uso de sacos de papel alvejado.
A mudança mais notável foi o abandono, em novembro de 1990, das embalagens de isopor em for-
mato de concha, características da McDonald’s, em favor das de papel. Ironicamente, as embalagens
de papel para sanduíche não podem ser recicladas. Entretanto, elas irão reduzir o volume de lixo
em 90%; o material continuará indo para aterros sanitários, mas ocupará menos espaço. Além dis-
so, a McDonald’s está lançando um programa de reciclagem para reduzir o lixo produzido atrás dos
balcões, que representa 80% do lixo gerado numa loja McDonald’s. (Um terço é representado pelas
caixas de papelão corrugado usadas para transporte de suprimentos).
A fi losofi a que orienta a McDonald’s, criada por seu fundador Ray Kroc, é que o cliente é o rei. Hoje em
dia, entretanto, essa linha mestra parece menos clara, já que não há “uma voz” que fale pelo mercado.
Atualmente a McDonald’s, junto com outras corporações, está descobrindo que suas decisões devem
refl etir as opiniões de muitos stakeholders.
Fonte: STONER, James A. F; FREEMAN, Edward. Administração. Rio de Janeiro: Prentice Hall do
Brasil, 1999, pp. 67-68.
49ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Pergunta-se:
1. Diante da abordagem apresentada pelo estudo de caso e do conteúdo trabalhado em
sala de aula, como você defi ne o tipo de sistema trabalhado pela McDonald’s, aberto ou
fechado? Explique de acordo com os estudos realizados nesta unidade.
2. A padronização da McDonald’s é conhecida no mundo inteiro – um Big Mac é igual em
qualquer uma das lojas da empresa. Essa padronização retrata aspectos de que tipo
de estrutura: mecanicista/rígida ou orgânica/fl exível? Resolva a questão argumentando a
mesma.
3. Levando em consideração o sistema organizacional da McDonald’s apresentado no es-
tudo de caso, você recomendaria a atuação do órgão de OSM nesta rede de fast-food?
Se positivo, argumente sua resposta apontado que tipos de atribuições o órgão de OSM
poderia estar executando nesta organização.
4. Como vimos por intermédio de Stoner e Freeman (1999), os stakeholders são grupos
ou indivíduos direta ou indiretamente afetados pela busca de uma organização por seus
objetivos. Diante da contribuição dada por esses autores, discorra sobre os stakehol-
ders externos e os internos do McDonald’s. Explique inclusive a relação desses com o
Mcdonald’s.
Caro(a) aluno(a), na obra Organização e métodos: uma visão holística de Antonio Cury, você poderá
constatar que este autor retrata a função organização e métodos, com uma nova dimensão, sistêmica,
orgânica, aberta, global, não convencional, com suporte em três premissas interdependentes – uma
visão holística de organização e métodos, evidenciando os três cenários componentes de uma orga-
nização complexa (o institucional, o dos processos organizacionais e o dos processos e métodos de
trabalho); um profundo enfoque comportamental, considerando que o aumento de produtividade de-
pende, essencialmente, de mudanças no comportamento humano, evidenciando que as modifi cações
organizacionais pressupõem amplo desenvolvimento do público interno; a plena consciência, advinda
do enfoque contingencial, de que diferentes situações impõem diversifi cadas soluções, e de que, por-
tanto, a melhor alternativa é aquela contingente à situação sob análise. Na Parte I, são analisadas as
diferentes correntes da teoria administrativa. A Parte II estuda os diferentes processos organizacionais
que os compõem. Finalmente, a Parte III apresenta, além de uma metodologia de análise administra-
tiva, as técnicas relativas aos principais processos e métodos de trabalho de organização e métodos.
50 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Leia mais em:
CURY, Antonio. Organização e métodos: uma visão holística. 8. ed., ver. e ampl. – 2. Reimpr. – São
Paulo: Atlas, 2006.
UNIDADE II
UMA ABORDAGEM À ESTRUTURA
ORGANIZACIONAL
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Objetivos de Aprendizagem
• Abordar as funções da Administração (PODC) relacionando-as com a área de O&M.
• Conceituar a Estrutura Organizacional.
• Relatar sobre a estrutura organizacional formal e a informal.
• Expor os componentes da Estrutura Organizacional/Sistema de Informação
Gerencial.
• Explicitar os condicionantes da Estrutura Organizacional e os níveis de influência.
• Avaliar a Estrutura Organizacional.
• Distinguir os Modelos de Estrutura Organizacional (Mecanicistas/Rígidas e
Flexíveis/Orgânicas).
• Apresentar o que trata o termo Patologia Administrativa.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Uma abordagem referenciando as quatro funções da administração, relacio-
nando-as com OSM
• Apresentando a Estrutura Organizacional, focando suas características e par-
ticularidades
• Destacando a Estrutura Organizacional Formal e a Informal
• Os aspectos que norteiam os componentes da Estrutura Organizacional e o
sistema de informação gerencial nas organizações
• Os aspectos e características que norteiam os condicionantes da Estrutura
Organizacional e os níveis estratégicos de influência
• Analisando e avaliando a Estrutura Organizacional em tempos de mudanças
• Apresentando as características das Estruturas Mecanicistas Rígidas x Estru-
turas Flexíveis Orgânicas
• Um estudo sobre o termo Patologia administrativa e a importância desse para
o reconhecimento de problemas nas estruturas organizacionais
53ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caríssimo(a) aluno(a), nesta segunda unidade iremos enfatizar a estrutura organizacional,
apresentando seus aspectos básicos, desde seus componentes, condicionantes, níveis de
influência, as características de estruturas voltadas a ambientes rígidos e as características de
estruturas voltadas a ambientes flexíveis, de inovação. Veremos, portanto, que a estratégia,
o tamanho, a tecnologia e o ambiente vão determinar o tipo de estrutura da organização.
De posse destes estudos e diante do conteúdo abordado na primeira unidade, quanto
às atribuições do analista de OSM, poderemos constatar que a estrutura organizacional
é, portanto, imprescindível para os trabalhos desse profissional, no que diz respeito à
racionalização do trabalho; elaboração e avaliação de instrumentos de controle de sistemas;
assessoria aos setores pertinentes a OSM; disseminação de procedimentos, métodos,
metodologias e terminologias técnicas e uniformes, abrangentes aos programas da Qualidade
e de Reengenharia, enfim ações e medidas utilizadas por esse profissional para combater e
antecipar-se às doenças administrativas.
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Com o intuito de levá-lo a entender a estrutura organizacional, vamos focar em um primeiro
momento as funções as quais o executivo (administrador) deve trabalhar nos diversos níveis
hierárquicos de uma empresa. Em primeiro plano temos a organização da empresa, que em
poucas palavras podemos definir como a ordenação e o agrupamento de atividades e recursos
(bens), que visam o alcance dos objetivos estabelecidos pela empresa, segundo Oliveira (2011).
Por sua vez, a adequada organização de uma empresa deve considerar o desenvolvimento de
aspectos,tais como: - a estrutura organizacional (que nada mais é que o conjunto ordenado de
responsabilidades, autoridades, comunicações e decisões das unidades organizacionais de
uma empresa); - e as rotinas e os procedimentos administrativos (métodos).
54 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Além da contribuição dada por Oliveira (2011) quanto ao conceito do termo organização, Silva
(2008) também contribui quando disserta sobre as quatro funções básicas que o executivo
deve assumir quando da arte de Administrar.
Desta forma, caríssimo(a) aluno(a), podemos retratar as funções administrativas exercidas
pelos administradores ilustrando-as da seguinte maneira:
• Planejamento: determinação de objetivos, metas, tarefas e recursos utilizados.
• Organização: designação de tarefas, agrupamento de tarefas e alocação de recursos.
• Direção: influência para que outras pessoas realizem suas tarefas.
• Controle: comparar o desempenho atual com os padrões predeterminados.
Quadro 03: As quatro funções básicas do administrador/executivo
•Definir a missão
•Formular objetivos
•
para alcançá-los
Definir os planos
•
atividades
Programar as
Planejamento Organização
Controle Direção
•Dividir o trabalho
•Designar as
atividades
•Agrupar as
Atividades em
órgãos e cargos
•Alocar os recursos
•Definir autoridade
e responsabilidade
•Designar as
pessoas
•Coordenar os
esforços
•Comunicar
•Motivar
•Liderar
•Orientar
•Definir os padrões
•Monitorar o
desempenho
•Avaliar o
desempenho
•Ação corretiva
Fonte: adaptado de Oliveira (2011)
55ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Diante das definições e conceitos apresentados pelos autores citados, podemos constatar que
ambos os conteúdos abordados apresentam aspectos comuns que o executivo deverá reunir
para aplicar quando da arte de administrar e que por intermédio destas quatro funções (PODC)
o administrador poderá delinear e direcionar a estrutura organizacional para o alcance dos
melhores resultados organizacionais.
CONCEITUANDO A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Você deve estar se perguntando, mas o que é estrutura organizacional? Estrutura organizacional
é o desenho, o formato pela qual a empresa apresenta suas áreas, seus níveis hierárquicos
e seus departamentos. É por meio dela que se verifica, de maneira geral, como a empresa
trabalha para alcançar seus objetivos, quais são os subordinados e os responsáveis e até
mesmo qual o modelo de poder que a empresa apresenta.
Para conduzir o trabalho de forma eficiente, essa estrutura precisa estar em sintonia com os
objetivos da instituição, de acordo com Oliveira (2011, p. 63): a estrutura organizacional deve
ser delineada de acordo com os objetivos e as estratégias estabelecidas, ou seja, a estrutura
organizacional é uma ferramenta básica para alcançar as situações almejadas pela empresa.
Já para Cury (2006), a estrutura organizacional atende a três funções básicas, de maneira
que a primeira é a de atingir metas organizacionais. A segunda função é a de regulamentar
as variações individuais sobre a organização. A última é relacionada ao exercício do poder,
e a ordem pela qual as decisões são tomadas e ainda onde são executadas as atividades da
organização.
Para Oliveira (2011), uma estrutura organizacional adequada proporciona ganho no alcance
dos objetivos estipulados no planejamento estratégico, mostra os níveis de autoridade
e responsabilidades, facilidade e qualidade nos processos decisórios e nos relatórios
gerenciais, melhora a comunicação interna e externa da empresa, estabelece indicadores
56 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
de desempenho correlacionados com os objetivos estipulados no planejamento estratégico,
maior comprometimento para com os resultados esperados.
Quando a estrutura organizacional é estabelecida de forma adequada, de acordo com o autor
citado, ela propicia para a empresa alguns aspectos:
• identificação das tarefas necessárias;
• organização das funções e responsabilidades;
• informações, recursos e feedback aos empregados;
• medidas de desempenho compatíveis com os objetivos; e
• condições motivadoras.
Caro(a) aluno(a), ao abordarmos a estrutura organizacional vimos a necessidade premente
de explorar o que trata um organograma, em outras palavras segundo Stoner e Freeman
(1999, p. 231), trata-se de um diagrama da estrutura de uma organização, mostrando as
funções, os departamentos ou as posições na organização e ainda como estes elementos
se relacionam. Contudo, vale frisar que esta representatividade abordará os aspectos formais
desta organização. Considerando o assunto importante para análise e estudo, apresentaremos
a seguir, portanto, a que se refere estrutura formal e informal de uma organização.
ESTRUTURA FORMAL E INFORMAL
Caro(a) aluno(a), toda e qualquer empresa possui a estrutura formal e a informal. Em poucas
palavras, a estrutura formal é o objeto de estudo de grande parte das organizações
empresariais, é aquela deliberadamente planejada e formalmente representada, em alguns
de seus aspectos, pelo organograma. Contribuindo com o desenvolvimento do nosso
estudo e abordagem, Oliveira (2011, p. 101) colabora quando afirma que o Organograma
é a representação gráfica de determinados aspectos da estrutura organizacional. Contudo,
57ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
acreditamos ser de mera importância acrescentar a este conceito que se trata da
representação gráfica de determinados aspectos da estrutura organizacional, em um dado
momento, já que as empresas por uma questão de adaptação, necessidade, por intermédio
da tecnologia, ou de seu ambiente, sofrem alterações e mudanças em seus componentes e
condicionantes organizacionais. Estes são aspectos da estrutura organizacional (componentes
e condicionantes), querido(a) aluno(a), que na sequência deste estudo serão abordados com
propriedade.
Em contrapartida, a estrutura informal não é planejada e surge, naturalmente, da interação
social dos membros de uma organização, ou seja, de acordo com (OLIVEIRA, 2011):
é a rede de relações sociais e pessoais que não é estabelecida ou requerida pela
estrutura formal. Surge da interação social das pessoas, o que significa que se
desenvolve espontaneamente quando as pessoas se reúnem. Portanto, apresenta
relações que usualmente não aparecem no organograma (OLIVEIRA, 2011, p.65).
A abordagem na estrutura informal está nas pessoas e em suas relações, enquanto a estrutura
formal dá ênfase a posições em termos de autoridades e responsabilidades. Do ponto de vista
dos executivos, a estrutura informal é um empecilho que, regularmente, oferece resistência às
ordens formais, ou as altera, ou ainda as cumpre por um procedimento diferente do desejado,
no entanto, não demora para o executivo perceber que a estrutura informal não pode ser
extinta, pois enquanto houver pessoas nas empresas, haverá grupos informais.
A estrutura informal é geralmente mais instável do que a autoridade formal, pois está sujeita
aos sentimentos pessoais. Em razão da sua natureza subjetiva, a estrutura informal não está
sujeita ao controle da direção como está a estrutura formal.
Os líderes de grupos informais surgem por várias causas. Algumas dessas causas são:
antiguidade, idade, localização do trabalho, competência técnica, liberdade de se mover
na área de trabalho e uma agradável e comunicativa personalidade. Cada executivo deve
saber quem é o líder informal de seus subordinados e trabalhar com essa pessoa a fim de
58 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
se assegurar que essa liderança esteja acompanhando os objetivos da empresa em vez de
antagonizá-los.
A estruturainformal é um bom lugar para líderes formais se desenvolverem, mas deve-se
lembrar que nem sempre um líder informal se constitui no melhor dirigente formal. Alguns
líderes informais falham como líderes formais porque temem responsabilidade formal, algo que
eles não têm enquanto líderes informais.
Um desejo que parece ser sentido por todos os grupos informais é a necessidade de perpetuar
sua cultura, e esta é uma importante função de toda estrutura informal. Uma segunda função
do grupo informal é a comunicação. A fim de atender a seus desejos e conservar seus
membros informados do que está havendo que possa afetar a satisfação dos desejos, o grupo
desenvolve sistemas e canais de comunicação. Uma terceira função é o controle social pelo
qual o comportamento dos outros é influenciado e regulado. O controle social é interno e
externo. O controle interno é dirigido no sentido de fazer os membros do grupo surgirem de
conformidade com sua cultura, enquanto o controle externo é dirigido para os que estão fora
do grupo, tais como o governo, o sindicato ou outros grupos informais. O executivo deve saber
que a pressão do controle externo pode ser bastante forte, tal como quando uma greve ocorre.
O executivo deve administrar a estrutura formal e informal de maneira que ambas se interajam,
ou seja, propiciar um clima organizacional em que a estrutura informal ajude o trabalho da
estrutura formal. Todavia, o executivo deve estar atento, pois a liderança informal não conserva
sempre o grupo em um curso em direção aos objetivos formais da empresa.
59ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
As principais vantagens da estrutura informal são, de acordo com Oliveira (2011):
• proporciona maior rapidez no processo;
• reduz distorções existentes na estrutura formal;
• complementa a estrutura formal;
• motiva e integra as pessoas da empresa.
Já as desvantagens da estrutura informal são:
• desconhecimento das chefias;
• dificuldade de controle; e
• possibilidade de atritos entre as pessoas.
Neste sentido, podemos considerar alguns fatores que condicionam o aparecimento dos
chamados grupos informais nas organizações de acordo com o autor citado, como:
• os interesses comuns que se desenvolvem em certo número de pessoas e que, por meio
deles, passam a sintonizar-se mais intimamente;
• a interação provocada pelo própria estrutura formal;
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60 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• os defeitos da estrutura formal;
• a flutuação do pessoal dentro da empresa, a qual provoca, normalmente, a alteração dos
grupos sociais informais;
• os períodos de lazer; e
• a disputa do poder.
Nesta linha de estudo, querido(a) aluno(a), podemos afirmar de acordo com Daft (2002),
que a estrutura organizacional deve realizar duas coisas para a organização. Ela precisa
fornecer um referencial de responsabilidades, relações de subordinação e arranjos, e
deve fornecer mecanismos para vincular e coordenar os elementos organizacionais
em um todo coerente. A estrutura formal, portanto, se reflete no organograma. A conexão
da organização a um todo coerente, requer o uso de sistemas de informação e dispositivos de
ligação além do organograma.
É importante entender a perspectiva do processamento de informações sobre a estrutura. A
estrutura organizacional pode ser projetada para fornecer ligações verticais e horizontais de
informação com base no processamento das informações necessárias para alcançar a meta
global da organização. Os gerentes podem optar entre a orientação rumo a uma organização
tradicional projetada para a eficiência, que enfatiza ligações verticais como hierarquia, regras e
planos e sistemas de informação formais, ou a orientação rumo a uma organização moderna de
aprendizagem, que enfatiza a comunicação e a coordenação horizontais. As ligações verticais
não são suficientes para a maioria das organizações de hoje. As organizações garantem
ligações horizontais por meio de sistemas de informação interfuncionais, contato direto entre
gerentes atravessando fronteiras departamentais, forças-tarefas temporárias, integradores em
tempo integral e equipes.
Para o autor citado, caro(a) aluno(a), um organograma consiste apenas em muitas linhas e
blocos em um pedaço de papel. Uma nova estrutura organizacional para algumas situações não
61ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
resolverá necessariamente os problemas de uma organização. O organograma simplesmente
reflete o que as pessoas deveriam fazer e quais são as suas responsabilidades. O propósito
do organograma é encorajar e dirigir os funcionários para atividades e comunicações que
permitam à organização alcançar suas metas. O organograma fornece a estrutura, mas os
funcionários fornecem o comportamento. O diagrama é uma diretriz para estimular as pessoas
a trabalharem juntas, mas a administração precisa implementar a estrutura e sustentá-la.
COMPONENTES DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Neste momento, caro acadêmico, vamos fazer uma abordagem referente aos componentes
da estrutura organizacional e para sua maior compreensão iremos apresentá-los, de acordo
com a contribuição dada por Oliveira (2011) e Llatas (2011). Para o estudioso Oliveira (2011),
são quatro os componentes da estrutura organizacional, classificando-os em: - sistemas de
responsabilidades, sistemas de autoridade, sistemas de comunicação e sistemas de decisão.
Já para Llatas (2011), são três os sistemas que compõem a estrutura organizacional: sistema
de responsabilidade, sistema de autoridade e sistema de comunicação.
Para Llatas (2011), uma vez definidos os objetivos organizacionais, é hora de enumerar as
atividades administrativas e operacionais necessárias para alcançá-los. Na sequência,
essas funções devem ser agrupadas em unidades organizacionais, contudo vale a pena
lembrar que antes de criar novos departamentos ou fundir os existentes, o analista de OSM
precisa analisar a situação cuidadosamente, usando dois critérios: o da diferenciação e o
da integração. Resumidamente, o critério da diferenciação estabelece: que atividades
diferentes não podem ser atribuições de um único departamento: elas precisam ser alocadas
em departamentos separados. Já o critério da integração: é relevante identificar as tarefas
semelhantes e agrupá-las em uma mesma unidade organizacional. Para melhor entendimento
destes conceitos quando da criação ou da reformulação dos departamentos de uma empresa,
temos o seguinte quadro referente a esses critérios.
62 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 04: Características da diferenciação e da integração
CARACTERÍSTICAS DA
DIFERENCIAÇÃO
CARACTERÍSTICAS DA
INTEGRAÇÃO
A mão de obra necessária para
a execução das atividades é
diferente.
A qualificação da mão de obra
para a execução das atividades
é semelhante.
A tecnologia empregada nas
atividades é diferente.
A tecnologia empregada nas
atividades é semelhante.
Os objetivos das atividades são
diferentes.
Os objetivos das atividades são
semelhantes.
Fonte: Llatas (2011, p. 37)
Desta forma, sendo as funções agrupadas em unidades organizacionais, na sequência, é preciso
distribuir as responsabilidades entre os diferentes cargos, discriminando detalhadamente as
tarefas compatíveis com a função de cada um na empresa. Em outras palavras, o sistema de
responsabilidade é composto pela distribuição do trabalho; ou seja, pela divisão de tarefas
entre os diferentes funcionários. Quando determinada tarefa é alocada sob a responsabilidade
de um empregado, é importante estabelecer um esquema de supervisão e prestação de
contas, a fim de garantir a execução da atividade.
Em seguida, aos postos de confiança convém conferirautoridade sobre os demais, bem
como encarregá-los das atividades de supervisão e controle. A fim de estruturar o sistema de
autoridade, é preciso fazer escolhas muito importantes sobre como distribuir o poder decisório.
É necessário, por exemplo, definir os níveis hierárquicos e suas respectivas amplitudes de
controle. Também é indispensável optar pela centralização ou descentralização das tomadas
de decisão, bem como estabelecer limites de autoridade. Quanto aos aspectos da centralização
e descentralização estes tópicos serão tratados com maior ênfase na terceira unidade deste
estudo. Ainda quanto ao sistema de autoridade o analista de OSM deve estabelecer limites
63ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
de autoridade — fronteiras que demarcam o alcance da área de decisão de cada líder, a fim
de minimizar as chances de confronto entre eles, já que quanto mais autoridade um chefe
acumula, maior o número de funcionários sob sua supervisão. Por sua vez, a quantidade de
subordinados recebe o nome de amplitude de controle ou amplitude administrativa.
Por último, é imprescindível estabelecer canais de comunicação para interligar os
departamentos criados.
A comunicação, por sua vez, é uma peça-chave para o sucesso empresarial, porque ao
aproximar funcionários de diferentes departamentos, ela confere à mão de obra uma visão
mais holística da instituição. Recomenda-se, portanto, no âmbito organizacional, utilizar-se
de salas de reunião e auditórios como espaços de integração física entre diferentes setores. É
atribuição do analista de OSM, neste momento, garantir e propiciar a eficácia da comunicação,
monitorando as trocas que são constantemente feitas entre os diversos departamentos e níveis
hierárquicos existentes em uma organização. Para alcance dos objetivos organizacionais, você
já deve ter percebido que este profissional tem que estar continuamente atento aos fluxos de
comunicação que uma empresa pode utilizar. Para maior clareza e exposição dos possíveis
fluxos de comunicação que uma empresa pode adotar, apresentaremos o quadro 5 abordando
o referido conteúdo.
64 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 05: Tipos de fluxo de comunicação
TIPOS DE FLUXO CONCEITO EXEMPLO
Troca de informações entre
departamentos do mesmo
nível hierárquico
Intercâmbio de dados entre a
direção de finanças e a
direção de Marketing
Vertical Troca de informações entre
departamentos de níveis
hierárquicos diferentes, mas
que atuam na mesma hora
Intercâmbio de dados entre a
direção de finanças e a
tesouraria.
Diagonal ou
transversal
Troca de informações entre
departamentos de níveis
hierárquicos diferentes que
atuam em áreas distintas.
Intercâmbio de dados entre a
direção de marketing e a
tesouraria.
Horizontal
Fonte: Rebouças (2009 apud LLATAS, 2011, p. 34)
Em suma, as comunicações horizontais e diagonais podem ser muito úteis quando o objetivo
é solucionar um impasse com certa rapidez, sem sobrecarregar as chefias envolvidas. Em
contrapartida, pode também apresentar desvantagens quando um diretor administrativo não
é consultado durante uma troca diagonal entre os recursos humanos e a direção de vendas.
Para Oliveira (2011), como já mencionado, são quatro os componentes da estrutura
organizacional, sendo esses apresentados a seguir de forma mais detalhada. Entenda-se
por Sistemas de Responsabilidades: os aspectos e características que envolvem o modelo
de departamentalização utilizado por uma organização, que se refere ao agrupamento das
correspondentes atividades e recursos humanos em unidades organizacionais; - as atividades
de linha e assessoria existentes nesta estrutura, (de maneira que a primeira executa, a
segunda é conselheira), e a especialização do trabalho que se refere às atribuições das
unidades organizacionais.
Já o Sistema de Autoridade é representado na estrutura organizacional quando temos a
65ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Autoridade Formal, representada pelo superior hierárquico imediato; e a Autoridade Informal
que se manifesta como uma espécie de uma “autoridade adquirida”, ambas já apresentadas
neste módulo. Para melhor interpretação do que seja o sistema de autoridade de uma estrutura
organizacional vamos apresentar os tipos de autoridade a seguir com maiores informações
quanto às autoridades: hierárquica e funcional.
Sistema de Autoridade como componente da estrutura organizacional: tipos de
autoridades
Para Oliveira (2011), podemos ter dois tipos de autoridade de acordo com a distribuição do
poder em uma organização, sendo estas:
• Hierárquica: a autoridade hierárquica segue as linhas de comando estabelecidas pela
estrutura hierárquica da empresa.
A
CB
ED
A B
C C
D E
TEM AUTORIDADE HIERÁRQUICA SOBRE
E . POR OUTRO LADO, TEM AUTORIDADE
SOBRE E .
• Funcional: a autoridade corresponde à autoridade estabelecida pela função exercida pe-
las unidades organizacionais.
AUTORIDADE FUNCIONAL
AUTORIDADE FUNCIONAL
CORRESPONDE À AUTORIDADE
ESTABELECIDA PELA FUNÇÃO
EXERCIDA PELAS UNIDADES
ORGANIZACIONAIS
PRESIDENTE
DIRETOR
FINANCEIRO
DIRETOR DE
MARKETING
DIRETORIAS
REGIONAIS
DIRETORIAS
REGIONAIS
DIRETORIAS
REGIONAIS
DIRETORIAS
REGIONAIS
66 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O sistema de autoridade é constituído por aspectos que envolvem a delegação, centralização,
descentralização, níveis hierárquicos e amplitude de controle, na prática organizacional. Ao
estudarmos esses aspectos em uma empresa, poderemos constatar o grau de rigidez ou
flexibilidade existente. Em outras palavras, poderemos definir as características desta estrutura
organizacional, ou seja, se esta estrutura está mais propensa às atividades mecanicistas/
rígidas ou para atividades que exijam mais flexibilidade/inovação. Para maior detalhamento
sobre os aspectos podemos afirmar, de acordo com Oliveira (2011), que:
a) Delegação: é a transferência de determinado nível de autoridade de um chefe para seu su-
bordinado, criando a correspondente responsabilidade pela execução da tarefa delegada.
b) Centralização e Descentralização: a primeira trata da maior concentração do poder deci-
sório na Alta administração de uma empresa; a segunda, trata da menor concentração do
poder decisório na alta administração da empresa sendo, portanto, mais distribuído pelos
seus diversos níveis hierárquicos.
c) Níveis Hierárquicos: representam o conjunto de cargos na empresa com um mesmo nível
de autoridade.
d) Amplitude de Controle: também conhecida como amplitude administrativa ou ainda am-
plitude de supervisão, refere-se ao número de subordinados que um chefe pode supervi-
sionar pessoalmente, de maneira efetiva e adequada.
Sistema de Comunicação como componente da estrutura organizacional
Diante dos estudos realizados até aqui referente à estrutura organizacional, você já deve
ter em mente que a comunicação é uma ferramenta essencial que a empresa deve ter para
alcançar seus objetivos organizacionais. Diante disto, podemos afirmar que a estrutura
organizacional deve ser delineada de acordo com as necessidades de comunicação da
empresa. Neste sentido, Oliveira (2011, p. 79) contribui com nosso estudo quando diz que
“comunicação é o processo interativo em que dados, informações, consultas e orientações
são transacionados entre pessoas, unidades organizacionais e agentes externos à empresa”.
Neste sentido, o clima organizacional existente em uma organização pode sofrer impactos de
67ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
acordo com os esquemas de comunicação existentes. Para tanto, vamos analisar os conceitos
de comunicação formal e comunicação informal.
• Formal: conscientementeplanejada, facilitada e controlada, segue uma escala hierárqui-
ca.
• Informal: que surge espontaneamente na empresa, em reação às necessidades de seus
membros. Pode ser considerada ruim, quando propaga muitos boatos e sendo considera-
da boa quando facilita a ajuda entre seus membros.
É importante frisar que amortizar a Comunicação Informal Negativa, caro(a) aluno(a),
significa fazer com que cada chefe faça parte do seu fluxo, inclusive este pode fazer uso de
alguns artifícios para aumentar ou diminuir a mesma. De acordo com o autor citado, temos:
• Alteração do arranjo físico: (o arranjo físico adequado proporciona para a empresa
maior economia e produtividade, a partir da boa disposição dos instrumentos de trabalho
e mediante a utilização otimizada dos equipamentos de trabalho e do fator humano aloca-
do no sistema).
• Utilização de pequenas salas de reunião e de café.
• Alteração da estrutura organizacional; e
• Práticas de competições esportivas.
Com respeito aos fluxos de comunicações nas empresas, esses podem ser realizados por
intermédio dos seguintes fluxos:
• Horizontal: entre unidades organizacionais diferentes, mas do mesmo nível hierárquico.
• Diagonal ou Transversal: realizada entre unidades organizacionais e níveis diferentes; e
• Vertical: realizado entre níveis diferentes, mas de mesma área de atuação.
Para algumas empresas, a comunicação vertical é essencial, enquanto para outros tipos
de estruturas organizacionais, as comunicações horizontais e diagonais são extremamente
68 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
necessárias. Este último tipo pode ocorrer, uma vez que esta empresa tem como objetivo
e estratégia propiciar maior rapidez no processo de comunicação ou ainda proporcionar
uma visão mais integrada da empresa, já que os funcionários poderão conhecer as várias
atividades desenvolvidas, bem como seus responsáveis. É importante mencionar, portanto,
que a comunicação vertical pode apresentar aspectos inversos aos fluxos de comunicação
horizontal e diagonal.
De acordo com o autor citado, no que diz respeito ao Custo da Comunicação, podemos
afirmar que a transmissão das informações mostra que esta é muito mais custosa do que se
pode imaginar. Ou seja, principalmente em função do tempo que ela absorve e das demoras
que acarreta.
Sistema de Decisão como componente da estrutura organizacional
Caro(a) aluno(a), ao analisarmos os aspectos essenciais de um sistema de decisões em uma
estrutura organizacional, consideramos ser válido apresentarmos o que é decisão. Para tanto,
faremos uso da contribuição dada por Oliveira (2011, p. 468) quando afirma que decisão
corresponde a uma escolha entre vários caminhos alternativos que levam a determinado
resultado. Já para Peter Drucker, citado pelo mesmo autor, diz que para se estabelecer a
estrutura organizacional ideal, faz-se necessário efetuar uma análise das decisões que
norteiam a administração desta empresa, devendo-se levar em consideração:
• A análise das decisões que são necessárias para a realização dos objetivos, inclusive
deve-se observar de que espécie são essas decisões.
• Em que nível da empresa devem ser tomadas e que atividades elas acarretam e afetam.
• Que executivos devem participar dessas decisões, ou seja, aqueles que devem ser con-
sultados previamente e aqueles que devem ser informados, posteriormente às decisões.
Já no que diz respeito, caro(a) aluno(a), aos pontos mais baixos em que “deve” e “pode” ser
tomada a decisão, o executivo deve ter em mente:
69ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
- a decisão deve ser tomada sempre no nível mais baixo possível e o mais perto possível
da cena de ação; e
- a decisão deve ocorrer sempre em nível que assegure a consideração plena de todos
os objetivos e atividades afetadas (OLIVEIRA, 2011, p. 84).
Fechando este tópico, referente aos componentes da estrutura organizacional, podemos
concluir que a decisão corresponde a uma escolha entre vários caminhos, que levará o
executivo a um determinado resultado. Em virtude disto, o executivo/administrador deve
estar atento à estrutura organizacional existente, a fim de que as tomadas de decisões sejam
realizadas para propiciar o alcance dos objetivos organizacionais.
SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS
Por entendermos que a tecnologia de informação é essencial para o mundo dos negócios,
já que as distâncias perdem importância, consideramos extremamente importante focarmos
os sistemas de informação gerencial. Para tanto, primeiramente vamos tratar o significado
de informação que, em outras palavras, para Rebouças (2009, p. 24 apud LLATAS, 2011, p.
61) constitui o dado trabalhado que permite ao executivo tomar uma decisão. Desta forma, a
função de um sistema de informação (SI) é justamente transformar dados em informações.
Assim, um sistema de informação pode ser definido tecnicamente como um conjunto
de componentes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), processam, armazenam e
distribuem informações destinadas a apoiar a tomada de decisões, a coordenação e o controle
de uma organização, afirma Laudon e Laudon (2007, p. 9 apud LLATAS, 2011, p. 61).
Para o autor citado, os sistemas de informação podem tomar algumas dimensões quanto a:
• organizacional: a história, a cultura e a estrutura de uma empresa determinam o modo
como ela utiliza a tecnologia e os sistemas de informação;
• a humana: evidentemente, são pessoas que desenvolvem e usam os sistemas de in-
formação, portanto elas devem estar capacitadas o suficiente para desempenhar essas
tarefas da melhor maneira possível;
70 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• a tecnológica: os sistemas de informação vão além dos recursos tecnológicos, mas nem
por isso prescindem deles; uma boa infraestrutura de tecnologia da informação é funda-
mental para alcançar os resultados desejados.
Abaixo segue exemplo de transformações operadas por um sistema de informação gerencial,
para seu melhor entendimento do referido conteúdo.
{Arquivo depedidos Sistema deprocessamentode pedidos Número e valordas vendas SIG Relatórios Gerentes
Figura 06: Transformações operadas pelo SIG
Fonte: adaptado de (LAUDON; LAUDON, 2007, p.48 apud LLATAS, 2011)
Na verdade, os sistemas de informação gerenciais (SIGs) podem ser entendidos sob duas
perspectivas: sob a primeira, mais ampla, eles são o estudo sobre o melhor uso dos sistemas
de informação em uma empresa, levando em conta os aspectos organizacionais, humanos e
tecnológicos de tais sistemas; sob a segunda, mais específica, os SIGs são um instrumento
que auxilia os gerentes de nível médio a consolidar os dados rotineiros dos sistemas de
processamento de transações em informações úteis, dispostas em relatórios gerenciais.
Tão importante quanto os sistemas de informação gerencial, temos os sistemas de apoio à
decisão, que nada mais é que um desdobramento dos SIGs sendo sua finalidade auxiliar a
tomada de decisão nas empresas. Este sistema designa um modelo de tomada de decisão
que conta com o auxílio de hardwares e softwares para armazenar e buscar uma grande
quantidade de informações.
Desta forma, às decisões que fazem parte da rotina empresarial damos o nome de decisões
programadas ou estruturadas. As decisões que resultam de imprevistos são chamadas de
decisões não programadas ou não estruturadas.
71ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Em contrapartida, temos também o sistema de apoio às operações que busca auxiliar a
execução das diferentes atividades da empresa. Seu objetivo é aperfeiçoar o funcionamento
da organização, aliando o aumento da qualidade e da produtividade à luta contra o desperdício
e à redução dos custos.
Finalizando, temos o sistema integrado que é formado por um conjunto de módulosde software
interligados e um banco de dados central, no qual as diferentes unidades e departamentos
compartilham seus registros. Sua função é superar as barreiras entre os segmentos de uma
empresa e conectá-los, a fim de tornar os processos empresariais mais ágeis e eficientes.
CONDICIONANTES DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Após estudar e expor os componentes da estrutura organizacional, bem como os sistemas
de informações gerenciais levaremos você a conhecer e analisar os condicionantes de uma
estrutura organizacional que compreende quatro aspectos essenciais, entre eles temos:
• Fator Humano: para o desenvolvimento de uma estrutura organizacional eficiente deve-
-se levar em consideração o comportamento e os conhecimentos das pessoas que terão
de desempenhar as funções que lhes serão atribuídas. Neste sentido, o coeficiente huma-
no que pondera a qualidade da estrutura é produto dos seguintes fatores:
• o valor dos homens;
• os conhecimentos que eles possuem da estrutura; e
• sua motivação para fazê-lo funcionar da melhor forma possível.
• Fator Ambiente Externo: para entendimento e estudo deste fator, caríssimo(a) aluno(a),
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72 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
torna-se essencial analisar o processo de relacionamento entre a empresa e o seu am-
biente externo. Para que tal análise surta os efeitos desejados devemos verifi car:
• determinar os stakeholders externos, ou seja, de quais pessoas, externas à em-
presa, são as necessidades e os desejos que a empresa tenta atender;
• estabelecer como essas necessidades ou desejos chegam às empresas, ou seja
como são comunicadas às empresas;
• demonstrar e constatar como a informação necessária é registrada e transmitida a
outras pessoas na empresa.
• Fator Sistema de Objetivos e Estratégias: este fator, por sua vez, querido(a) aluno(a),
tem infl uência na estrutura organizacional à medida que, quando os objetivos e estraté-
gias estão bem defi nidos e claros, é mais fácil organizar, pois se sabe o que esperar de
cada membro do grupo que compõe a empresa. Entenda-se, portanto, segundo Oliveira
(2009, p. 86):
• Objetivo é o alvo ou situação que se pretende atingir.
• Estratégia é a defi nição do caminho mais adequado para alcançar o objetivo.
• Fator Tecnologia: neste sentido, nos referimos ao conjunto de conhecimentos que são
utilizados para operacionalizar as atividades na empresa para que seus objetivos possam
ser alcançados.
Toda organização tem pelo menos uma tecnologia para converter seus recursos fi nanceiros, humanos
e físicos em produtos ou serviços. A Ford Motors, à título de exemplo, utiliza o processo da linha de
montagem para fabricar seus produtos. Por outro lado, as universidades e faculdades, podem utilizar
diversas técnicas didáticas, como as aulas expositivas, estudos de caso, aulas em laboratórios de
informática, exercícios práticos e tantos outras, para alcançar seus objetivos de ensino-aprendizagem.
73ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
NÍVEIS DE INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Neste tópico vamos fazer uma abordagem aos níveis de influência de uma estrutura
organizacional. Neste sentido, você poderá constatar que os níveis de influência relacionam-
se com os tipos de planejamentos estratégico, tático e operacional, de forma que:
• Nível Estratégico: o nível estratégico de influência considera a estrutura organizacional
de toda a empresa e a melhor interação desta com o meio ambiente.
• Nível Tático: tem por finalidade otimizar determinada área de resultado e não a empresa
como um todo.
• Nível Operacional: pode ser considerado como a formalização, principalmente por meio
de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implementação esta-
belecidas. O planejamento operacional cria condições para a adequada realização dos
trabalhos diários da empresa.
Nível decisório
estratégico
Planejamento
Estratégico
Planejamento
Operacional
Planejamento
Tático
Nível decisório
tático
Nível decisório
operacional
Figura 07: Estrutura Organizacional – Níveis de Influência
Fonte: Oliveira (2011, p. 87)
Contudo, esses níveis de influência apresentam as seguintes características quanto ao
conteúdo do plano, ao tempo de projeção e a amplitude do plano:
74 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 06: Níveis de influência e suas respectivas características
Micro-orientado.
Abrange cada
atividade, tarefa ou
operação.
Curto Prazo
Detalhado e analítico
Operacional
Operacional
Abrange cada
unidade
organizacional (depto,
setor).
Médio prazo
Menos genérico e
mais detalhado
Tático
Intermediário
Abrange a
organização como um
todo.
Longo prazo
Genérico e sintético
Estratégico
Institucional
Amplitude
do Plano
Tempo Projeção
Conteúdo do
Plano
Tipo de
Planejamento
Nível Organizacional
Fonte: adaptado de Oliveira (2011)
NÍVEIS DE ABRANGÊNCIA DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
• Nível de Abrangência da Empresa: neste caso, considera-se para estudo a empresa como
um todo, quer ela tenha um ou mais negócios no seu contexto de atuação de mercado.
• Nível de Abrangência da UEN – UNIDADE ESTRATÉGICA DE NEGÓCIO: neste caso, a
amplitude de análise organizacional é realizada em nível de unidade estratégico de negó-
cio, pois esta pode ser considerada como um sistema.
• Nível de Abrangência da Corporação: neste caso, considera-se a administração corpora-
tiva.
75ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
O analista de OSM ao fazer a avaliação da estrutura organizacional existente, caro discente,
se deparará, com certeza, com pontos fortes (bons) e com pontos fracos, ou seja, ruins. Para
tanto, deverá fazer: - o levantamento da estrutura atual; e delineamento da estrutura ideal.
Quanto ao levantamento, os aspectos a serem diagnosticados e estudados se referem a:
• identificação dos problemas evidenciados pelos usuários; e
• entrevista com os elementos-chave da empresa (com ou sem uso de questionário). Pode-
-se considerar como ideal a utilização de um roteiro estruturado de entrevistas.
Já no que diz respeito à análise o analista de sistemas, organização e métodos deverá efetuar:
• análise dos dados levantados anteriormente;
• interligação dos dados levantados, verificando sua veracidade e considerando os vários
subsistemas da empresa;
• identificação do efeito de cada um dos dados levantados na situação atual da estrutura
organizacional da empresa.
Finalmente, na fase referente à avaliação, deve-se dar a devida atenção aos aspectos:
• o estabelecimento da situação dos quatro componentes da estrutura organizacional na
empresa;
• verificação do envolvimento de cada um dos quatro condicionantes sobre a estrutura or-
ganizacional;
• verificação do nível de influência de cada nível da empresa – estratégico, tático e opera-
cional – para com o delineamento da estrutura organizacional; e
• verificação do nível de abrangência da abordagem da estrutura organizacional, quer seja
em nível de empresa, em nível de unidade estratégica de negócio ou em nível de corpo-
ração.
76 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Políticas para avaliação da estrutura organizacional
Para se avaliar adequadamente a estrutura organizacional de uma dada empresa, Oliveira
(2011) recomenda que se estabeleça um conjunto de políticas que vão dar suporte e sustentação
para todo o processo decisório. Desta forma, citaremos algumas políticas inerentes à estrutura
organizacional que uma dada empresaqualquer pode julgar válido:
• ter estrutura organizacional adequada aos mercados existentes;
• ter estrutura organizacional adequada às novas tecnologias;
• ter estrutura organizacional descentralizada no processo decisório e centralizada
no sistema de controle;
• ter estrutura organizacional voltada para resultados; e
• ter estrutura organizacional racionalizada com operacionalização descentralizada
dos sistemas administrativos (OLIVEIRA, 2011, p. 94)
Espera-se que de posse deste conjunto de políticas, o analista de OSM tenha parâmetros
suficientes para um adequado sistema de avaliação de toda estrutura organizacional existente.
MODELOS DE ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS
Caro(a) aluno(a), você já deve ter percebido que as empresas, mais especificamente o analista
de OSM, dedica considerável tempo à concepção da estrutura organizacional correta, ou ainda
mais adequada a seu ambiente. Contudo, para se chegar à estrutura organizacional correta,
Robbins (2000) afirma que este procedimento dependerá de pelo menos quatro variáveis
contingenciais, sendo: a estratégia, o tamanho, a tecnologia e o grau de incerteza ambiental
da organização.
Aspectos que envolvam as decisões sobre a divisão do trabalho, especialização do trabalho
e o sistema de autoridade revelam características a respeito da estrutura organizacional,
existente. Elas podem ser de dois tipos: Mecanicistas (também conhecidas como Rígidas) e/ou
Orgânicas (também conhecidas como Flexíveis). As atividades da organização em estruturas
77ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
voltadas para o Sistema mecanicista são partidas em tarefas separadas e especializadas. Os
objetivos e a autoridade para cada indivíduo e cada unidade são definidos com precisão pelos
administradores de níveis mais elevados.
Nessas organizações o poder segue a cadeia de comando burocrática clássica. Como
Características Gerais deste tipo de estrutura, ainda apresentamos:
• Filosofia da administração enfatiza a previsibilidade.
• Tarefas e departamentos têm baixo nível de interdependência.
• Elevado nível de especialização.
• Cargos com responsabilidades definidas.
• Centralização da autoridade (liderança autocrática).
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78 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Regras e regulamentos bem definidos e por escrito.
• A fonte da autoridade é a posição da pessoa no organograma.
• As relações humanas tendem a ser formais.
Em oposição ao modelo mecanicista apresentamos a organização orgânica, ou seja, o Sistema
Orgânico, no qual é mais provável que os indivíduos trabalhem em grupo do que sozinhos.
Há menos ênfase em receber ordens de um superior ou em dar ordens aos subordinados. Os
membros se comunicam por meio de todos os níveis da organização para obter informações e
conselhos. Já com respeito às Características Gerais deste tipo de modelo estrutural, citamos,
de acordo com o autor mencionado acima:
• Enfatiza a necessidade de mudança e propensão ao risco.
• Os objetivos organizacionais são definidos com ampla participação, incluindo as pessoas
de todos os níveis.
• A fonte de autoridade é o conhecimento e o estilo de liderança é democrático.
• A decisão é compartilhada entre chefes e subordinados.
• Reduzido nível de especialização.
• Os critérios de departamentalização são heterogêneos. A organização pode usar tantos
modelos quantos forem necessários para atender suas operações e missão.
Para os estudiosos Burns e Stalker (apud ROBBINS, 2000), o sistema mecanicista é mais
adequado a um ambiente estável. Em um ambiente estável cada membro da organização
provavelmente continuará fazendo a mesma tarefa. Assim, a especialização de capacidades é
adequada. Em contrapartida, o sistema orgânico é mais adequado a um ambiente turbulento.
Neste tipo de ambiente, os trabalhos devem ser redefinidos constantemente para se ajustarem
às necessidades da organização, que estão sempre mudando.
79ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Contribuindo com nossa linha de estudo, Morse e Lorsch (apud ROBBINS 2000) descobriram
que o departamento de fabricação mais eficaz era estruturado de modo mecanicista, com
papéis e deveres bem definidos, enquanto que o departamento de pesquisas mais eficaz
era estruturado de modo orgânico, com papéis e deveres definidos de forma pouco precisa.
Para melhor visualização das características de ambos os modelos, apresentamos um quadro
comparativo das mesmas.
Quadro 07: Características das estruturas mecanicistas x estruturas orgânicas
MODELOS MECANICISTAS: MODELOS ORGÂNICOS:
• Estrutura burocratizada onde a hierarquia
é altamente respeitada.
• Procura imitar o funcionamento padroni-
zado de uma máquina.
• Pessoas tem pouca autonomia e não se
permite improvisações.
• Perfil geral das empresas: impessoais,
rígidas e regulamentadas.
• Procuram reduzir a formalidade e a im-
pessoalidade.
• Ênfase no sistema social e nas pessoas.
• Hierarquia e especialização são menos
importantes (que o mecanicista). A auto-
nomia das pessoas é maior e o grupo tem
um papel fundamental no desempenho
profissional.
Fonte: Robbins (2000)
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80 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Desta forma, após a apresentação destes conteúdos você poderá chegar à conclusão que
uma mesma organização pode apresentar características mecanicistas e orgânicas ao mesmo
tempo. Ou seja, enquanto os níveis inferiores que residia no meio da organização utilizavam a
lógica de sistema fechados, níveis mais altos e situados na periferia organizacional trabalhavam
dentro da lógica aberta. Assim, as organizações são ao mesmo tempo sistemas abertos cheio
de componentes de sistemas fechados.
A força motriz da reestruturação das organizações rumo à forma orgânica é o aumento da incerteza
ambiental. Em outras palavras, a competição global, a inovação de produtos por parte dos concorren-
tes de maneira rápida, junto às exigências cada vez maiores dos clientes em busca de qualidade são
exemplos de fatores ambientais dinâmicos aos quais os gerentes de hoje se deparam. Neste ponto,
as organizações com características mecanicistas/rígidas não estão devidamente preparadas para
reagirem rapidamente a estas mudanças ambientais.
PATOLOGIA ADMINISTRATIVA
Neste momento você deve estar se questionando, por que estudar sobre Patologias
administrativas? O que trata este assunto? Por entendermos que o analista de OSM deve
estar sempre atento a estrutura organizacional mais adequada ao ambiente e realizando o
delineamento e manutenção desta sempre que necessário, caro(a) aluno(a), vamos apresentar
aqui que este termo será usado no sentido de assemelhar uma organização ao corpo humano.
Fazendo uma analogia ao corpo humano, imagine você que a estrutura organizacional de uma
empresa apresenta diversos tipos de enfermidades que, se não medicadas em tempo hábil,
irão se agravando e prejudicando os demais órgãos que com eles interagem (COLENGHI,
2007).
81ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Para melhor entendimento abordaremos um resumo das dez doenças que, normalmente,
ocorrem no “corpo organizacional”.
1. Empresa excessivamente organizada: tudo bem definido em seus mínimos detalhes,
tarefas superdivididas, chegando a confundir com passos. Excesso de normas, dificultando
o surgimento de ideias, inovação de um modo geral. Como medidas para melhoria deste
tipo de patologia, orienta-se:
● a revisão dos manuais administrativos;
● revisão das normas existentes, construção de normas que possibilitem a criativida-
de e iniciativa das pessoas;
● propiciar a flexibilização da estrutura organizacional (comoparticipação das pesso-
as, envolvimento destas nas tomadas de decisões).
2. Inexistência de instrumentos de formalização estrutural: ao contrário da situação an-
terior, todos ficam perdidos, os funcionários conhecem parcialmente as suas atividades, os
clientes não sabem a quem se dirigir para a resolução dos problemas. Para amenizar este
tipo de problemas, colocamos as seguintes situações:
● Elaboração de documentos formais, que irá favorecer a organização dos processos
e procedimentos organizacionais.
● Estabelecimento dos comandos de autoridades, bem como das normas e regras
operacionais.
3. Coordenação acumulativa: ocorre quando existe um grande número de subordinados
para um chefe, tornando este atendimento moroso e de difícil resolução de problemas
existentes. Neste caso, orienta-se, para se evitar tais transtornos:
● A divisão do trabalho entre várias chefias, de acordo com sua área de atuação.
● Reestabelecer o número ideal de subordinados para cada chefe.
4. Multicomando: ocorre quando várias pessoas dão ordem a um mesmo subordinado e/ou
setor. Para esta patologia, é importante entender que:
82 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
● Que o funcionário seja responsável apenas perante um superior na cadeia hierár-
quica.
● A autoridade funcional deve ser utilizada com moderação, não invadindo o nível de
autoridade de outras áreas de atuação.
5. Falta e excesso de delegação de autoridade: os dois problemas dificultam a vida da
empresa, ou pela ausência de poderes de decisão nos escalões inferiores, ou por excesso
de descentralização. Para solucionar tal questão, deve-se:
● Ter um ponto de equilíbrio entre estes dois processos de comando da autoridade, ou
seja, quando necessário propiciar a descentralização de poder, contudo, mantendo
controle sobre os resultados.
6. Conjunção de atividades divergentes: fato comum em empresas que foram concebidas
sem planejamento e análises das atribuições de cada departamento, em outras palavras,
atividades opostas e, às vezes, conflitantes são alocadas a uma mesma chefia. Para tal
patologia, recomenda-se:
● Promover a redepartamentalização das atividades organizacionais, realinhando-as
de acordo com as chefias específicas.
7. Excesso de níveis hierárquicos: ocorre em empresas verticalizadas, em que existe
“muito cacique para pouco índio”, ocasionando a proliferação de ruído nas comunicações,
demora nas tomadas de decisões e custo alto, para manter o grande número de chefias
existentes. Como solução existente, oreinta-se:
● Fazer uma análise da funcionalidade desta estrutura, enxugando-a, aplicando o
downsizing, reduzindo as chefias desnecessárias.
8. Insegurança executiva ou “Trincheira de assessores”: este fato acontece quando há
um número excessivo de assessorias para uma mesma chefia, o que pode ocasionar de-
mora nas decisões, ociosidade da maioria dos assessores, atenção no que diz respeito à
incapacidade técnica do executivo. Para tal patologia, colocamos as seguintes soluções:
● Readequação das assessorias existentes, eliminando aquelas que, porventura, sejam des-
necessárias.
83ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
9. O chefe do chefe: ocorre quando determinada chefia possui somente um órgão subordina-
do, favorecendo situações como ociosidade de uma das partes, briga pelo poder, despesa
desnecessária. Como solução para este último tipo de patologia, sugerimos:
● A eliminação de uma das duas unidades.
10. Outros problemas de natureza diversa: estrutura organizacional antiquada; tolerância à
incompetência; limitações no processo de comunicação e sintomas de problemas das mais
diversas áreas departamentais de uma empresa.
Ainda com respeito aos tipos de doenças e sintomas que as mesmas podem apresentar
ao “corpo organizacional”, temos conforme o quadro apresentado abaixo.
Quadro 08: Exemplos de doenças e sintomas empresariais
DOENÇAS SINTOMAS
ECONÔMICAS Retorno nulo ou irrisório sobre o capital investido
Retorno baixo sobre o ativo total
FINANCEIRAS Despesas financeiras elevadas
Alta necessidade de capital de giro
Alta influência de capital de terceiros
TÉCNICAS Alto nível de reclamações e devoluções de clientes
Alta dependência tecnológica externa
MERCADOLÓGICAS Processo de distribuição inadequado
Preços inadequados para os produtos vendidos
Falta de competitividade no mercado
Baixo retorno nas campanhas promocionais
ADMINISTRATIVAS Inadequada utilização de recursos disponíveis
Trabalhos repetidos
COMPORTAMENTAIS Falta de motivação
Baixo nível de coesão
Alto nível de atritos
Alto nível de rejeição às mudanças
Fonte: Oliveira (2011, p. 439)
84 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Diante de todos estes problemas e sintomas de doenças, cabe ao analista de OSM, analisar
as causas dos reais problemas detectados para após isto dar início ao processo de análise
funcional/estrutural (já mencionado), utilizando-se das seguintes ferramentas:
a. Organograma: analisando as unidades organizacionais que compõe esta estrutura, bem
como sua hierarquia.
b. Funcionograma: verifi cando as atribuições de cada unidade desta, se existe harmonia,
entre o negócio e a missão da empresa.
c. Tipos de autoridade: avaliando os tipos de interatividade (relacionamento) entre as unida-
des organizacionais; e
d. Questionário de levantamento de dados: permitirá analisar todos os dados coletados
durante o levantamento das informações.
Para apresentação de possíveis alternativas no que diz respeito a uma nova proposta estrutural,
do analista de OSM, para os executivos de uma empresa, apresentaremos a seguir os modelos
de departamentalização existentes, focando suas características, vantagens, desvantagens e
limitações.
Caro(a) aluno(a), no link anexado abaixo e no link da sugestão de vídeo, você poderá constatar os
tipos de organogramas existentes para o delineamento das estruturas organizacionais, bem como as
características e aspectos pertinentes nas estruturas mecanicistas rígidas e nas estruturas fl exíveis
orgânicas. Acredito que após a visualização dos mesmos e refl exão destes conteúdos, você poderá
melhor compreender os assuntos abordados nesta unidade.
<http://www.ofi cinadanet.com.br/artigo/1554/tipos_de_organograma>.
85ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
<http://www.youtube.com/watch?v=k87RCtu5GYQ>.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluindo esta segunda unidade, caro(a) aluno(a), podemos verificar que a estrutura
organizacional deve fornecer para a organização o estabelecimento das responsabilidades,
os tipos de decisões a serem tomadas, as formas de comunicação (vertical ou horizontal,
diagonal), as relações de subordinação e o agrupamento das atividades, em unidades
organizacionais. Desta forma, analisadas e definidas as características e os aspectos referentes
aos componentes da estrutura organizacional, os condicionantes e seus níveis de influência,
os sistemas de informações a serem utilizados para favorecer a melhor comunicação possível
entre todos os níveis desta estrutura, o analista de OSM, junto com o corpo estratégico desta
organização, poderá partir para a definição do tipo de departamentalização a ser incorporado
por esta organização, delineando assim, a representação gráfica desta, por intermédio do
organograma. O delineamento (definição gráfica da estrutura e manutenção da estrutura
organizacional ideal ou da estrutura mais adequada) deve ter, dentre suas finalidades,
a prevenção e o combate às doenças administrativas, as quais as organizações como um
todo estão sujeitas. Contudo, no que se refere ao tipo e modelos de departamentalizações
existentes, você constatará ao estudarmos a unidade seguinte, com todas as especificações
necessárias para o maior entendimento e compreensão deste assunto.86 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
ESTUDO DE CASO: EMPRESA VENDENADA
A Empresa Vendenada atua no ramo imobiliário e tem fi liais por todo o estado de São Paulo e uma
fi lial em Florianópolis S/C.
A Diretoria de Marketing é muito forte e conta com boa qualifi cação no campo de vendas imobiliárias.
Trinta e duas pessoas compõem a diretoria: 20 corretores, 6 funcionários voltados à burocracia, 02
advogados, 2 secretárias, 1 contínuo e o próprio diretor.
Dias atrás o Diretor recebeu memorando interno confi dencial da Presidência que exigia da direção
uma atuação mais rigorosa com relação ao pessoal de vendas, os corretores. Logo em seguida, o
diretor marcou uma reunião com toda a diretoria, sem especifi car qual seria a agenda. A reunião foi
marcada para o fi nal da tarde, praticamente após o expediente.
A reunião aconteceu ontem, e vale a pena lembrar fatos importantes e, possivelmente, vitais para
a continuidade dos esforços de todos da Empresa Vendenada. O início não poderia ter sido pior: o
diretor reclamou de empenho de todos; das poucas vendas, e disse que todos eram culpados. Um
funcionário quis interromper, e foi advertido: “Silêncio!”.
Exemplos foram dados como demonstração da falta de empenho: muita gente chegando atrasado;
ninguém atendendo ao telefone; muita gente saindo mais cedo; fofocas de corredor; gente faltando às
sextas-feiras e outras reclamações.
Houve quem argumentasse dizendo que tudo isso acontecia porque não havia movimento, não havia
clientela interessada na compra de imóveis. O diretor irritou-se mais ainda, e disse:
“Isso não interessa. A empresa paga vocês religiosamente. Não deve nada. Todos têm de estar pron-
tos para o trabalho. Se há ou não gente querendo comprar é outro problema. [...] Está certo que no
ano passado vendemos muito e neste ano as vendas despencaram, mas, mesmo assim, não aceito
desculpas de que a falta de clientes trouxe toda esta bagunça pra dentro da minha diretoria. Quero
todos animados, motivados. Os clientes ‘já-já’ vão aparecer”.
Uma das secretárias usando de instrumentos em sua defesa começou a argumentar, [...] mas nem
conseguiu terminar. “A Senhora tem de entender: a empresa paga um salário para a Senhora trabalhar
com efi ciência, sempre. Mude seu comportamento para melhor,caso contrário ...”,disse o diretor.
Um dos corretores pediu uma informação sobre como iam os planos para os novos lançamentos e se
esses lançamentos iriam, de fato, ocorrer em curto prazo de tempo. O diretor pediu que ele entendes-
se a posição do dirigente, pois nada poderia ser dito até a decisão fi nal da presidência. Por enquanto,
as atividades eram aquelas determinadas por ele, diretor.
O chefe administrativo aproveitou a pergunta do corretor e colocou o seu questionamento: “Senhor
Diretor, e a compra do fax que eu havia solicitado?” O diretor mais uma vez retornou à sua irritação:
“Pra que fax?” Se você está com pressa de enviar um documento, chegue mais cedo em sua sala,
87ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
prepare e mande pelo correio com a tarifa de urgência. Essas novidades da tecnologia servem mesmo
para impressionar a clientela. O fax pra mim é um instrumento que serve ao incompetente, pois ajusta
a perda de tempo na execução com a rapidez da transmissão. E não venha me dizer que eu sou re-
sistente, pois com o microcomputador eu não tenho nenhum problema. “Acho realmente necessário.
Um funcionário lá atrás disse: Mas já foi contra!”.
O diretor olhou para o funcionário, encerrou a reunião e marcou outra para hoje. Ninguém sabe o que
vai acontecer.
Fonte: Teste ANPAD – Caderno de processo decisório. 2. ed., 2002, pp. 34-35.
Questiona-se:
1. A Postura do diretor de Marketing da empresa pode ser relacionada, na situação descrita,
com que perfi l de liderança:
a) Centralizador.
b) Democrático.
c) Situacional.
d) Autocrático.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
Explique sua resposta de acordo com os estudos realizados nesta unidade.
2. O problema da empresa está relacionado a:
a) queda nas vendas;
b) falta de autonomia para o diretor de Marketing;
c) desinteresse dos clientes nos produtos oferecidos pela empresa;
d) incompetência profi ssional do diretor de marketing;
e) falta de percepção e de acompanhamento das mudanças ambientais, principalmente do
mercado imobiliário.
Argumente sua resposta descrevendo, inclusive, os tipos de doenças e sintomas de
88 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
problemas detectados por você diante da situação apresentada por esta empresa. Faça,
inclusive, alusão aos conteúdos abordados por Oliveira (2011).
3. Avaliando a realidade desta empresa, você como analista de OSM contratado pela mesma,
proporia uma mudança na estrutura organizacional desta? Por quê? Se positivo, o que
você proporia como mudança? O que você pretenderia alcançar? Explique sua resposta
tendo como embasamento os estudos realizados a respeito.
4. Esta empresa apresenta características mecanicistas/rígidas ou orgânicas/fl exíveis? No
seu ponto de vista e diante dos conteúdos estudados, qual destas estruturas seria a mais
adequada para esta empresa? Explique sua resposta.
5. Um sistema de informação gerencial integrado a todas as unidades organizacionais desta
empresa, poderia ser a solução dos problemas enfrentados por ela? Argumente sua res-
posta.
Richard Hall, autor do livro “Organizações: estruturas, processos e resultados”, tem como fi nalidade,
ao expor esta obra, trazer à luz as principais mudanças pelas quais as organizações estão passando
e por que é tão importante estudá-las, além de oferecer ao aluno o conteúdo necessário sobre os
processos sociais e suas formas estruturadas, mais frequentes e signifi cativas. Neste livro, segundo
o autor, o aluno vai encontrar: - a natureza das organizações, que aborda os impactos das organiza-
ções, sua natureza e tipos; - estrutura organizacional (formas, impactos e explicações); - processos
organizacionais, que trata do poder e seus impactos, liderança, tomada de decisões, comunicação e
mudança; - ambientes organizacionais; e efi cácia e teoria organizacional. Indicado para estudantes
das áreas de Administração, Sociologia e afi ns, este livro é uma excelente ferramenta para aqueles
que atuam no fascinante mundo das organizações.
89ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
HALL, Richard H. Organizações: estruturas, processos e resultados. São Paulo: Pearson Prentice
Hall, 2004.
UNIDADE III
ANÁLISE DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
IDEAL
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Objetivos de Aprendizagem
• Evidenciar os aspectos pertinentes à departamentalização.
• Conceituar organograma, explicitando os aspectos relevantes para a elaboração
desta ferramenta administrativa.
• Apresentar os modelos de departamentalização existentes.
• Identificar e relacionar as atividades de linha e as atividades de assessoria nas
empresas.
• Abordar os aspectos da descentralização, delegação e centralização do poder.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Departamentalização: uma abordagem quanto ao conceito, objetivo e mode-
los existentes
• Organograma: apresentando os aspectos gerais desta representação gráfica
• Tipos e Modelos de Departamentalização
• Identificando e Relacionando as Atividades de Linha e Atividades de Asses-
soria nas Organizações
• Descentralização, Delegação e Centralização
93ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caríssimo(a) aluno(a), nesta terceira unidade iremos estudar a departamentalização como o
processo de divisão das tarefas em blocos de trabalhos chamados, “Departamentos”. A junção
de todos esses blocos em umarepresentação gráfica definirá o tipo de organograma existente.
Contudo, caro(a) aluno(a), o tipo e modelo de departamentalização a ser utilizado dependerá
dos condicionantes a que esta empresa está inserida, como em ambientes estáveis, de certeza,
a estrutura ideal deverá conter características mecanicistas e rígidas, como as estabelecidas
pela departamentalização funcional, ou seja, quando se enfatiza a eficiência, previsibilidade,
segurança e aversão ao risco. Em contrapartida, quando se está em um ambiente instável, de
incerteza, com ruídos as organizações devem buscar modelos de departamentalização mais
flexíveis (orgânicos), como a matricial, por exemplo. Assim, as organizações que optaram por
este último tipo de estrutura citada, com certeza, enfatizam critérios de desempenho como a
eficácia, adaptabilidade, sensibilidade para a necessidade de mudanças e propensão a risco.
Desta forma, pretendemos abordar tais características e modelos de departamentalização
como as atividades de linha e atividades de assessoria dentro da estrutura organizacional e os
aspectos essenciais para a descentralização, delegação e centralização, que poderão estar
contribuindo para a empresa alcançar seus objetivos organizacionais.
DEPARTAMENTALIZAÇÃO: UMA ABORDAGEM QUANTO AO CONCEITO,
OBJETIVO E MODELOS EXISTENTES
Fazendo-se uma abordagem ao que trata departamentalização, temos a contribuição dada por
Robbins (2006, p. 173) quando o mesmo afirma que departamentalização é a base pela qual
os trabalhos são agrupados. Em outras palavras, isto quer dizer, que departamentalização é
a junção de grupos internos de uma organização que agrupam atividades com um mesmo
critério e que tenham objetivos e características semelhantes.
Já Oliveira (2011, p. 101) define departamentalização como “o agrupamento, de acordo com um
94 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
critério específico de homogeneidade, das atividades e correspondentes recursos – humanos,
financeiro, materiais e equipamentos – em unidades organizacionais”. Podemos assim
constatar pelas contribuições dadas pelos autores, que todas se referem ao agrupamento das
atividades de uma dada área da organização, em virtude da semelhança apresentadas pelas
mesmas, a título de exemplo, as atividades que se referirem ao controle e monitoramento de
informações e documentos administrativos deverão se agrupar ao departamento administrativo
de uma organização, assim como as atividades voltadas ao processo produtivo de uma fábrica
de calçados devem ser agrupadas ao departamento de produção desta.
Desta forma, questionamos a você, mas qual o objetivo da departamentalização? O objetivo
é aproveitar a especialização, maximizar os recursos disponíveis, facilitar o controle e a
coordenação das áreas organizacionais, estimular a descentralização do poder e da execução
das tarefas, integrar ambiente e organização e reduzir possíveis conflitos (ARAUJO, 1989).
Dá-se início à departamentalização quando se cria órgãos especializados agrupando atividades
homogêneas, dividindo as grandes áreas da empresa em unidades menores, deixando a
estruturação dos órgãos inferiores para o final. Se esse processo obedecer a um criterioso
planejamento e levar em conta alguns fatores importantes, poderá permitir a elaboração de
uma estrutura consistente com os propósitos da organização (CURY, 2006).
Existem vários modelos e tipos de departamentalização, elas são classificadas e constituídas
de acordo com características existentes. Oliveira (2011) divide as departamentalizações em
modernas e tradicionais, citando como moderna a governança corporativa, rede de integração
entre empresas, unidade estratégica de negócios, departamentalização por processos. As
tradicionais são classificadas como departamentalização funcional, por quantidade, por turno,
territorial ou por localização geográfica, por clientes, por produtos ou serviços, por projetos,
matricial e mista.
É importante levar em consideração que no processo de análise e implantação da
departamentalização serão encontradas áreas formais e informais dentro de cada
95ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
departamento. De acordo com Cury (2006), existem alguns fatores que devem ser levados em
consideração:
1. Área formal:
a) Importância das atividades: quanto mais importante for uma atividade para o produto final da
empresa, mais elevado deve ser seu nível na hierarquia, possibilitando melhor supervisão.
b) Ênfase na especialização: aproveitar as habilidades dos empregados, permitindo à empre-
sa a adoção de planos de ação compatíveis com suas necessidades.
c) Processo de coordenação: a departamentalização deve ser orientada no sentido de facilitar
a coordenação.
d) Processo de controle: para facilitar o processo de controle é necessário definir comple-
tamente as atividades dos diversos órgãos componentes da estrutura, posicionar o su-
pervisor fisicamente próximo das unidades organizacionais que deve controlar, posicionar
departamentos semelhantes de modo paralelo, subordinar atividades que controlam outras
a chefias diferentes.
e) Custo da estrutura: o aumento do número de órgãos deve ser avaliado em função do seu
reflexo no custo operacional da empresa.
2. Área informal:
a) Processo político: deve dar especial atenção, nos contatos com a cúpula e nas entrevistas
com gerentes setoriais, e suas colocações pessoais, que provavelmente irão exercer influ-
ências ponderáveis na solução final.
b) Preparo dos empregados para a mudança: o público interno deve ser informado das mudan-
ças, bem como ter participação ativa nas diversas fases do processo.
c) Treinamento dos empregados: a força de trabalho dos órgãos sob intervenção deverá ser
submetida a treinamento.
d) Diferenciação e integração: que tipo de organização deve a empresa adotar para se relacio-
nar com diferentes condições do ambiente.
96 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Já Araujo (1985) faz uma abordagem de alguns aspectos para o delineamento mais adequado
da estrutura organizacional formal, levando a saber:
a) Aproveitar a especialização, saber tirar proveito das qualidades dos colaboradores, au-
mentando a sua eficiência nos seus devidos papéis organizacionais. Essa especialização
realça a qualidade do trabalho.
b) Maximizar os recursos disponíveis, por haver melhor especialização, cada um na orga-
nização se sentirá responsável em ajustar os recursos da organização, assim saberão
melhor empregá-los.
c) Controlar seria delimitar as responsabilidades, pois o colaborador não conseguirá ser um
bom profissional, por exemplo, se for um contador e ter que cuidar da produção. Então,
esse objetivo vem para controlar as funções.
d) Coordenar, “quanto maior for o grau de coordenação em uma organização, mais serão
integrados os esforços individuais durante a execução, evitando ajustes posteriores”. Em
outras palavras, é mais fácil coordenar uma organização departamentalizada com seus
devidos especialistas e responsáveis do que o oposto.
e) Descentralizar, onde ocorre a delegação de responsabilidades. E o significado de delegar
significa descentralizar.
f) Integrar ambiente e organização, “muitas turbulências internas têm como causa imediata
as alterações advindas do ambiente”. No entanto, cabe à organização analisar o ambiente
onde se encontra e quais são suas forças.
g) Reduzir conflitos, os conflitos existem em qualquer organização, pois conforme o autor,
onde há conflito, significa que a organização vive. Mas esse é um objetivo de balancear os
conflitos para não haver prejuízos e desgastes necessários e poucos produtivos.
Assim, concluímos que a departamentalização deverá ser distribuída mediante critérios técnicos
de agrupamento, como recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos. Contudo,
asgrandes organizações habitualmente combinam diversas formas de departamentalização
em virtude de suas necessidades. Desta forma, mais adiante ainda nesta unidade, vamos
apresentar e descrever as várias formas de departamentalização as quais uma empresa
97ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
poderá optar para alcançar seus objetivos existenciais.
Organograma: apresentando os aspectos gerais desta representação gráfica
Apesar da abordagem já feita a respeito do que trata um organograma na unidade anterior,
consideramos importante expor a relação existente entre departamentalização e organograma,
desta forma vamos fazer uma breve exposição sobre o mesmo. Em suma, o organograma
permite que qualquer funcionário possa verificar quais os níveis hierárquicos e como estão
dispostas as diversas áreas ou unidades da empresa. Possibilita ao colaborador verificar até
onde ele pode alcançar e quais os caminhos e serem seguidos.
Neste sentido, o analista de OSM deve desenvolver organogramas que descrevam as
Fo
nt
e:
S
HU
TT
ER
ST
OC
K.
CO
M
98 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
responsabilidades das tarefas, as relações de subordinação e o agrupamento de indivíduos
em departamentos. Mesmo porque, alguns organogramas também apresentam o nome
do dirigente do órgão, o número de subordinados sob sua responsabilidade e informações
relacionadas à divisão do trabalho, assim afirma Llatas (2011).
Para tanto, deverá fornecer documentação suficiente de forma que todos na organização saibam
quem se reporta a quem e o posicionamento de cada um no quadro geral da organização.
Finalizando nossa linha de estudo, apresentamos a definição dada por Cury (2006) quando diz
que organograma é a representação gráfica e abreviada da estrutura da organização, sendo
utilizados para representar os órgãos componentes da empresa e as funções que cada um
desenvolve, vinculações de interdependência entre os órgãos, os níveis administrativos que
compõem a organização e a via hierárquica.
Existem vários modelos para se representar a estrutura de uma empresa. Entretanto, a escolha do
tipo ideal, fi ca a critério do analista, que deve considerar a natureza da organização e o seu nível de
concentração e desconcentração.
TIPOS E MODELOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO
Caríssimo(a) aluno(a), além dos critérios de diferenciação e integração já mencionados neste
estudo, quatro princípios podem ser úteis na hora de departamentalizar as atividades de uma
empresa, segundo Llatas (2011):
• Princípio de maior uso: signifi ca que o departamento que mais realiza determinado tipo de
atividade deve assumir a responsabilidade por sua execução.
99ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Princípio de maior interesse: em miúdos, a supervisão de uma atividade deve ser respon-
sabilidade do departamento que mais se interessa pelo sucesso de sua execução.
• Princípio de separação do controle: em síntese, esse princípio sugere que as atividades
de supervisão sejam independentes daquelas de execução.
• Princípio da supressão da concorrência: significa que dois departamentos não podem es-
tar executando as mesmas atividades, isto quer dizer que se deve concentrar atividades
semelhantes em uma mesma unidade organizacional.
Levando em consideração, portanto, os critérios de diferenciação e integração e os quatro
princípios básicos para se definir o modelo de departamentalização mais adequado a um
ambiente organizacional abordaremos a seguir alguns modelos de departamentalização,
apresentados por Oliveira (2011) e Llatas (2011). Em outras palavras, apresentaremos algumas
formas das empresas departamentalizarem suas atividades, sendo:
• Departamentalização por quantidade.
• Departamentalização funcional.
• Departamentalização territorial (ou por localização geográfica).
• Departamentalização por produtos (ou serviços).
• Departamentalização por clientes.
• Departamentalização por processo.
• Departamentalização por projeto.
• Departamentalização matricial; e
• Departamentalização mista.
100ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Departamentalização por Quantidade
Segundo Oliveira (2011), a departamentalização por quantidade é o agrupamento de pessoas,
e tem como obrigação, executar ordens de um superior. Neste modelo de departamentalização,
procura-se ter um melhor equilíbrio entre os diferentes níveis de poder. Esse modelo de
departamentalização é raro de ser aplicado, pois comparado com os trabalhos em equipes
a departamentalização por quantidade é menos eficiente, não serve para níveis mais
elevados das organizações e mesmo no chão de fábrica pode ocorrer algumas restrições em
determinados processos produtivos.
DIRETORIA
DE PRODUÇÃO
GERÊNCIA DA
UNIDADE I
GERÊNCIA DA
UNIDADE III
GERÊNCIA DA
UNIDADE II
S4
S3
S2
S1
S1
S2
S3
S4
S4
S3
S2
S1
Figura 08: Departamentalização por quantidade
Fonte: Oliveira (2011)
Quanto e este modelo de departamentalização, Llatas (2011) contribui quando afirma que esse
modelo é utilizado quando se pretende dividir o número de funcionários em turnos de trabalho,
como identificado na figura seguinte.
Funcionário 1 Funcionário 2 Funcionário 3 Funcionário 4 Funcionário 5
Diretoria
Gerente 1
Turno do dia
Gerente 2
Turno da noite
Figura 09: Departamentalização por quantidade ilustrando turnos de trabalho
Fonte: Llatas (2011)
101ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Contudo, pode-se constatar que este modelo somente será bem-sucedido quando as
atividades exercidas são consideravelmente repetidas e similares, o que não retrata a realidade
da maioria das empresas da atualidade, uma vez que a diferenciação entre a mão de obra é
cada vez maior.
Departamentalização Funcional
Neste caso, as atividades são agrupadas de acordo com as funções da empresa. Pode ser
considerado o critério de departamentalização mais usado pelas empresas. Segundo Carreira
(2009), a departamentalização por atividade é também conhecida por departamentalização
por função, como: Gerente de Recursos humanos, Gerente financeiro, Gerente de Marketing
entre outros.
Já para Llatas (2011), este tipo de departamentalização agrupa os empregados de acordo com
as funções que desempenham. Para o autor citado, a grande vantagem da departamentalização
funcional é a especialização da mão de obra, que contribui para aperfeiçoar o desempenho
do profissional e aumentar a qualidade dos produtos e serviços prestados. Mas esse tipo
de departamentalização também tem suas desvantagens. Às vezes, a divisão por funções
contribui para o isolamento dos departamentos, reduzindo ao mínimo a interação entre eles.
Para Oliveira (2011), este tipo de departamentalização reúne as seguintes vantagens:
• Maior estabilidade quando comparada a outros tipos de departamentalização (matricial e
projetos).
• Maior Segurança, no que diz respeito ao conhecimento de sua área de atuação.
• Especialização do trabalho, quando as tarefas são bem definidas e considerando-se o
aspecto da estabilidade.
• Maior concentração e uso de recursos especializados. Exemplo: área de informática.
• Influências positivas sobre a satisfação da equipe técnica pela proximidade com elemen-
tos de mesma especialidade.
102ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Economia pela maximização das máquinas e produção em massa.
• As pessoas são orientadas para uma específica atividade.
• Indicada para circunstâncias estáveis que requer desempenho continuado de tarefas roti-
neiras.
• Ideal para empresas que tenham linhas de produtos, permanecendo inalteradospor longo
tempo.
Em contrapartida, também apresenta as seguintes desvantagens:
• Insegurança das pessoas em virtude do aumento de complexidade da empresa.
• Especialização do trabalho, quando cada chefia estabelece que a sua função é a mais
importante da empresa.
• A responsabilidade pelo desempenho total está somente na cúpula.
• A comunicação é geralmente deficiente, centralizadas nos níveis mais altos.
• Baixa adaptabilidade, em razão de formação de feudos de especialização.
• Visão parcial da empresa, somente os níveis mais altos têm a visão do todo.
• Resistência ao ambiente pró-inovação, em razão da alta estabilidade e baixa adaptabili-
dade.
• Pior cumprimento de prazos e orçamentos.
Em suma, como já citado, você poderá concluir que este tipo de departamentalização pode ser
utilizado em empresas, cujas atividades sejam:
• bastante repetitivas; e
• altamente especializadas, podendo apresentar a seguinte estrutura a título de exemplo:
103ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
DIRETORIA
GERAL
GERÊNCIA
DE
PRODUÇÃO
GERÊNCIA
FINANCEIRA
GERÊNCIA
DE
MARKETING
GERÊNCIA
DE RH
Figura 10: Departamentalização funcional
Fonte: Oliveira, 2010.
Quando for projetar a estrutura organizacional geral, escolha uma estrutura funcional quando a efi -
ciência for importante, quando o conhecimento e a experiência a fundo forem críticos para atingir as
metas organizacionais e quando a organização necessitar ser controlada e coordenada mediante
uma hierarquia vertical. Use uma estrutura divisional em uma grande empresa com múltiplas linhas de
produtos quando quiser dar prioridade às metas de produto e à coordenação entre funções.
Departamentalização Territorial (ou por localização geográfica)
Geralmente usada em empresas territorialmente dispersas. Baseia-se no princípio de que todas
as atividades que se realizam em determinado território devem ser agrupadas e colocadas
sob as ordens de um executivo. Também conhecida como departamentalização por divisão
geográfica, podendo ocorrer em uma indústria de lenços umedecidos, que possuem equipe
de vendas no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e demais regiões
104ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
como objetivo da empresa. Em um mundo globalizado, este tipo de departamentalização vem
se tornando cada vez mais frequente. Basta considerar as inúmeras gigantes multinacionais
que segmentam a cadeia produtiva em diferentes partes do planeta (LLATAS, 2011).
Embora a departamentalização territorial ofereça a oportunidade de gerenciar a produção de
forma estratégica, ela também aumenta alguns gastos, multiplicando pelo número de filiais as
despesas com instalações e salários de gerentes, por exemplo. Por isso, o planejamento desse
tipo de departamentalização precisa ser muito eficiente, de modo a evitar a geração de custos
desnecessários. Quantas vantagens este tipo de departamentalização pode apresentar:
• Obter as vantagens econômicas de determinadas operações locais.
• Possibilidade de maior treinamento do pessoal.
• Possibilidade de uma ação mais imediata em determinada região.
• Maior facilidade de conhecer os fatores e problemas locais por ocasiões da decisão.
Já quanto às desvantagens, a Departamentalização Territorial pode propiciar à estrutura
organizacional:
• Duplicação de instalação e de pessoal.
• Pode acontecer de deixar em segundo plano a coordenação, em virtude da liberdade e
autonomia colocadas nas regiões ou filiais.
• A preocupação estritamente territorial concentra-se mais nos aspectos mercadológicos e
de produção e quase não requer especialização.
105ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Gerência
Região Norte
Amazonas Pará
Diretoria Geral
Gerência
Região Sul
São Paulo Minas Gerais
Figura 11: Departamentalização territorial/geográfica
Fonte: a autora
Departamentalização por produtos (ou serviços)
Neste tipo de departamentalização, você poderá verificar que o agrupamento é feito de acordo
com as atividades inerentes a cada um dos produtos ou serviços da empresa. Complementando,
Carreira (2009) menciona que a departamentalização por linha de produtos pode ocorrer em
uma indústria de bebidas, em que pode se criar uma diretoria de departamento de cerveja e
outra diretoria de refrigerantes. Com respeito a principal vantagem desse tipo de distribuição
de tarefas é que cada unidade organizacional é responsável pelo sucesso de um produto
específico. Sendo assim, fica mais fácil mensurar o desempenho das unidades, uma vez que
ele se reflete diretamente no desempenho do produto no mercado (LLATAS, 2011). Contudo,
este tipo de departamentalização pode apresentar mais algumas vantagens, tais como:
• Facilita a coordenação dos resultados esperados de cada grupo de produtos.
• Propicia a alocação de capital especializado para cada grupo.
• Facilita a utilização máxima da capacitação dos recursos, inclusive os humanos.
• Fixa a responsabilidade dos departamentos para um produto (comercialização, desenvol-
vimento).
106ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Propicia maior facilidade para a coordenação interdepartamental (foco principal no produ-
to).
• Permite maior flexibilidade, pois as unidades de produção podem ser maiores ou meno-
res, sem interferir na estrutura organizacional.
• O enfoque da empresa é predominantemente sobre o produto ou serviços, por isto torna-
-se mais versátil e flexível.
• Propicia condições para inovação e criatividade.
Como todo tipo de departamentalização existente também pode apresentar algumas
desvantagens, tais como:
• Pode ser mais difícil, quando do estabelecimento da visão sistêmica da empresa.
• Propiciar aumento dos custos pelas duplicidades de atividades nos vários grupos de pro-
dutos.
• Gerar uma situação em que os gerentes de produtos se tornam muito poderosos (confli-
tos).
• Pode provocar problemas humanos, quando em situação de instabilidade externa.
Para melhor visualização sua, apresentamos a figura abaixo ilustrando a departamentalização
por produtos e serviços.
Presidente
Divisão de
Produto 1
Divisão de
Produto 2
Diretor
Comercial
Diretor
Comercial
Diretor
Financeiro
Diretor
Financeiro
Diretor
Administrativo
Diretor
Administrativo
Diretor
Produção
Diretor
Produção
Figura 12: Departamentalização por produtos e serviços
Fonte: <http://www.google.com.br/search?q=organograma+unilever>
107ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
A Johnson & Johnson possui uma estrutura organizacional por produto para a fabricação e comercia-
lização de produtos voltados aos mercados de consumo, farmacêutico e profi ssional. Cada uma das
suas 200 unidades operacionais é bastante autônoma, com pessoal próprio nas áreas fi nanceiras, de
recursos humanos e outras. Essa estrutura descentralizada apoia a estratégia da Johnson & Johnson
de crescimento por meio de inovação, em que cada unidade se responsabiliza por desenvolver linhas
lucrativas de produtos, como o novo Band-Aid com tratamento anticicatriz.
Departamentalização por clientes (ou por fregueses)
Neste caso, as atividades são agrupadas de acordo com as necessidades variadas e especiais
dos clientes ou fregueses da empresa. O objetivo deste tipo de departamentalização consiste
em agrupar as atividades de acordo com cada público-alvo dos produtos e serviços oferecidos
pela empresa (LLATAS, 2011).
O principal ganho da departamentalização por clientes é que esse modelo favorece o
atendimento das necessidades do consumidor.
A título de exemplo de departamentalização por clientes, podemos citar as instituições de
ensino, em quehá coordenação de cursos técnicos, graduação e especialização. Este tipo de
departamentalização por clientes possui vantagens e desvantagens, podendo apresentar as
seguintes vantagens/benefícios:
• Quando a satisfação do cliente é o aspecto mais crítico da organização.
• A departamentalização por cliente é a abordagem mais extrovertida da organização, mais
preocupada com o cliente do que consigo mesma.
• Quando o negócio depende de diferentes tamanhos ou características de produtos ou
108ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
serviços que variam conforme o tipo ou o tamanho do cliente. O cliente é mais importante
do que os produtos ou serviços, que devem ser adaptados a ele, principalmente quando
os clientes podem ser indivíduos, organizações ou o próprio governo.
• Dispõe os executivos e todos os participantes da organização para a tarefa de satisfazer
às necessidades e aos requisitos dos clientes.
• Permite à organização concentrar seus conhecimentos sobre as distintas necessidades e
exigências dos canais mercadológicos.
Por outro lado, a departamentalização por cliente pode apresentar as seguintes desvantagens:
• As demais atividades da organização (como produção, finanças etc.) podem tornar-se
secundárias ou acessórias, em face da preocupação compulsiva pelo cliente.
• Os demais objetivos da organização (como lucratividade, produtividade, eficiência etc.)
podem ser deixados de lado ou sacrificados em função da satisfação do cliente.
A fim de ilustrar a estrutura organizacional com características da departamentalização por
clientes, segue exemplo abaixo:
Departamento
Feminino
Seção
Perfumaria
Seção
Modas
Diretoria
Comercial
Departamento
Masculino
Seção
Calçados
Seção
Roupas
Departamento
Infantil
Seção
Brinquedos
Seção
Roupas
Figura 13: Departamentalização por clientes
Fonte: a autora
109ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Departamentalização por processo
O trabalho flui de uma unidade organizacional para outra, seguindo o fluxo lógico da produção.
Tradicionalmente, esse modelo é bastante comum no setor industrial, em que o objeto em
produção segue o percurso da linha de montagem (LLATAS, 2011). A grande vantagem desse
modelo é que todas as etapas do processo ficam compreendidas em um único departamento,
o que torna mais eficaz a coordenação e a avaliação das atividades que o compõem.
Neste tipo de departamentalização, as atividades são agrupadas de acordo com as etapas
de um processo. Considera a maneira pela qual são executados os trabalhos ou processos
para a consecução de uma meta específica. É basicamente empregado nos estabelecimentos
industriais, de modo especial nos níveis hierárquicos mais baixos da empresa. Em suma, a
departamentalização por processos também é conhecida como linha de montagem.
Em uma indústria de acolchoados os processos seriam setores responsáveis pela fabricação da
espuma, setor de corte, setor de costura, embalagem e distribuição. Para melhor compreensão
sua segue exemplo de departamentalização por processo abaixo.
Seção de
preparação
Seção de
pré-montagem
Seção de
montagem
Seção de
estamparia
Seção de
corte
Figura 14: Departamentalização por processo
Fonte: Llatas (2011)
Departamentalização por projetos
No arranjo de departamentalização por projetos, as atividades e as pessoas recebem
atribuições temporárias. Isso significa que a divisão em departamentos não é permanente:
uma vez concluída a tarefa, a mesma pessoa pode ser designada para desempenhar um novo
papel.
110 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O gerente de projeto é responsável pela realização de todo o projeto ou de uma parte dele.
Terminada a tarefa, o pessoal que temporariamente havia sido destinado a ela é designado para
outros departamentos ou outros projetos. Já a departamentalização por projetos, corrobora
Oliveira (2011, p. 112) quando conceitua projeto, ou seja, é um trabalho, com datas de início e
término, com resultado final previamente estabelecido, em que são alocados e administrados
os recursos, tudo isso sob a responsabilidade de um coordenador. Em suma, o contexto ideal
para este tipo de departamentalização deve conter, segundo Llatas (2011, p. 43), quanto ao
fluxo de trabalho, perfil de equipe e prioridades aos seguintes parâmetros:
Quadro 09: Contexto ideal para a departamentalização por projetos
Prioridades
Atendimento personalizado ao cliente da cada projeto e
cumprimento dos prazos acordados.
A equipe é multidisciplinar, porque cada projeto demanda a
participação de funcionários com especialidades distintas.
Projetos de curta, média e longa duração que necessitam
de mão de obra em período integral.
Perfil da equipe
Fluxo de trabalho
Fonte: Llatas (2011)
Segue exemplo contendo a departamentalização por projetos para sua análise e melhor
compreensão.
DIRETORIA
FINANÇAS PROJETOS COMERCIAL
PROJETO A
PROJETO B
PROJETO C
Figura 15: Departamentalização por projeto
Fonte: a autora
111ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Departamentalização Matricial
Entende-se por departamentalização matricial a sobreposição de dois ou mais tipos de
distribuição de tarefas. Os casos mais comuns são os de fusão entre departamentalização
funcional e departamentalização por projetos ou produtos. O surgimento dessa
departamentalização híbrida foi causado pelos frequentes problemas gerados pelos modelos
tradicionais, incapazes de responder a demandas mais complexas (LLATAS, 2011).
Neste tipo de departamentalização, afirma Oliveira (2011), os gerentes de projetos não
apreciam assumir responsabilidades sem ser por completo sobre as áreas funcionais, sendo
que os gerentes das áreas funcionais não gostam de compartilhar responsabilidades com
os gerentes de projetos. Outro ponto a ser notado, é que os gerentes de projetos tendem a
alocar a maior quantidade de recursos para si. No entanto, os gerentes funcionais ao não
envolverem suas responsabilidades com os de projetos, anula sua eficiência, fazendo com que
eles desistam da empresa.
Com o intuito de ilustrar com melhor exatidão as características da departamentalização
matricial segue exemplo abaixo.
Diretoria
Mecânica Eletricidade Eletrônica
Projeto A
Projeto B
Projeto C
Recursos
humanos,
tecnológicos,
materiais e
equipamentos
Recursos
humanos,
tecnológicos,
materiais e
equipamentos
Recursos
humanos,
tecnológicos,
materiais e
equipamentos
Coordenação
de projetos
Figura 16: Departamentalização matricial
Fonte: Rebouças (2009, p. 115 apud LLATAS, 2011, p. 44)
112 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Como todo modelo de departamentalização ora apresentados, este modelo também
apresenta limitações e benefícios. Para melhor entendimento seu, caro(a) aluno(a),
segue um quadro comparativo de vantagens e desvantagens ao se utilizar este tipo de
estrutura (matricial).
Quadro 10: Comparativo de vantagens e desvantagens da estrutura matricial
VANTAGENS DESVANTAGENS
• Coordenação necessária para atender a de-
manda de duais clientes.
• Compartilhamento flexível de recursos hu-
manos entre os produtos.
• Tomadas de decisões complexas e modifi-
cações frequentes em ambientes instáveis.
• Oportunidades para o desenvolvimento tan-
to de habilidades funcionais como de pro-
duto.
• Melhor em organizações de porte médio
com múltiplos produtos.
• Autoridade dual, o que pode ser frustrante
e confuso.
• Participantes precisam de boas habilidades
interpessoais e treinamento extensivo.
• Envolve frequentes reuniões e sessões de
resolução de conflitos.• Só funcionará se os participantes a conhe-
cerem e adotarem relações colegiadas em
lugar de relação de tipo vertical.
• Exige grande esforço para manter o equilí-
brio de poder.
Fonte: a autora
Departamentalização Mista
Caro(a) aluno(a), você poderá constatar que este tipo de departamentalização é a mais
frequente, pois cada parte da empresa deve ter a estrutura que mais se adapte à sua realidade
organizacional. Esse tipo de departamentalização mista permite diversos agrupamentos de
recursos, uma indústria de bebidas, por exemplo, pode produzir refrigerantes e cervejas
(departamentalização de linha de produto) e conter uma departamentalização por processos,
na área de produção e ainda apresentar uma departamentalização por divisão geográfica (com
uma equipe de vendas), para atender a demanda de várias regiões distintas, geograficamente
113ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
falando. Neste sentido, segue exemplo abaixo, para maior entendimento.
DIRETORIA
GERÊNCIA DE
PROJETOS
GERÊNCIA
FINANCEIRA
GERÊNCIA
COMERCIAL
PROJETO
C
PROJETO
B
PROJETO
A
REGIÃO
SUL
REGIÃO
NORTE
Figura 17: Departamentalização mista
Fonte: Oliveira (2010)
IDENTIFICANDO E RELACIONANDO AS ATIVIDADES DE LINHA E
ATIVIDADES DE ASSESSORIA NAS ORGANIZAÇÕES
Em termos estruturais, querido(a) aluno(a), é importante a consideração das unidades de
linha como atividade-fim e das unidades de assessoria como atividade-meio. Desta forma,
as unidades organizacionais relativas à atividade-fim devem ser as primeiras a serem
estruturadas, em contrapartida, as unidades organizacionais relativas à atividade-meio devem
ser estruturadas posteriormente.
Para Llatas (2011), o modelo staff and line acrescenta a ideia de assessoria à estrutura linear,
pois posiciona órgãos de apoio (órgãos de staff) junto aos gerentes de linha. Neste sentido,
para sua melhor compreensão, segue exemplo do autor citado.
114 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Gerência geral
Gerência
industrial
Gerência de
serviços
Assessor
jurídico
Seção de material e
serviços de apoio
Seção
financeira
Seção de
pessoal
Seção de
fabricação
Seção
comercial
Assessor
técnico
Órgão
de staff
Órgão
de staff
Figura 18: Órgãos de staff
Fonte: Llatas (2011)
Diante da ilustração acima podemos fazer algumas referências às unidades de assessoria,
com a contribuição de Litterer (apud OLIVEIRA 2011), os propósitos da unidade organizacional
de assessoria se referem a:
• Facilitação do controle e coordenação organizacionais.
• Aquisição e manutenção de recursos.
• Como agente para adaptação organizacional; e
• Desenvolvimento de conselhos e serviços.
Resumidamente, as atividades de linha e as atividades de assessoria de uma organização
podem ser representadas ainda da seguinte maneira, quando nos referirmos às unidades
organizacionais, como: Diretoria Industrial, Diretoria Comercial e Diretoria Administração-
Financeira.
115ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
PRESIDÊNCIA
DIRETORIA
INDUSTRIAL
DIRETORIA
ADM-FINANC.
DIRETORIA
COMERCIAL
ATIVIDADE-FIM
ATIVIDADE-FIM
ATIVIDADE-MEIO
LINHA
LINHA
ASSESSORIA
-
LINHA COMO ATIVIDADE-FIM E ASSESSORIA COMO ATIVIDADE -MEIO
Figura 19: Linha como atividade-fim e assessoria como atividade-meio
Fonte: Oliveira (2011, p.152)
Quanto aos tipos básicos de Assessoria, Oliveira (2011) contribui quando apresenta as
seguintes performances:
• Assistente (auxiliar).
• Assessoria geral.
• Assessoria especializada (detém conhecimentos específicos).
• Serviços de operação (considerados os sistemas de trabalho de importância secundária).
Contudo, as atividades de assessoria podem no dia a dia demonstrar algumas limitações
quanto ao seu uso, ou seja, evidenciam-se algumas desvantagens a se reconhecer:
• Quando usada como válvula de escape.
• Quando a assessoria dificultar a delegação de tarefas ao pessoal de linha.
116 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Quando a assessoria assumir funções de linha.
• Quando o administrador ignorar seus subordinados de linha.
• Quando ocorrerem diferenças pessoais entre o pessoal de linha e de assessoria.
• Quando os custos operacionais da unidade organizacional de assessoria forem muito
elevados.
Com o intuito de amenizar os pontos fracos quanto ao uso das atividades de assessoria,
torna-se meramente importante enfatizarmos os requisitos mais importantes para o
êxito do trabalho do assessor:
• Facilitar ao assessor o acesso às informações necessárias.
• Consultar o assessor antes de tomar qualquer decisão, ou seja, linha deve consultar as-
sessoria para que tenha uma menor margem de erros nas tomadas de decisões.
• Permitir ao assessor a iniciativa e envolvimento necessário nas atividades em que estiver
envolvido; e
• Insistir que a área de assessoria venda suas ideias para as unidades organizacionais de
linha.
Equipes de assessoria têm sido usadas no decorrer da história, caríssimo(a) aluno(a), por
tomadores de decisões (órgãos de linha), desde imperadores e reis até governos parlamentares
e ditaduras, segundo Stoner (1999). Desta maneira, as atividades de assessoria conhecidas
também por staff, proporcionam aos administradores, vários tipos de ajuda e aconselhamentos
especializados. Entretanto, apesar de toda esta contribuição às atividades-fim das empresas,
a autoridade de staff (assessoria) também apresenta algumas limitações quanto ao seu uso,
como:
• Sobrecarregar o pessoal alocado nas unidades organizacionais de linha.
• Enfraquecer a influência do superior de linha.
117ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Provocar uma administração autocrática e inflexível; e
• Criar atritos com o pessoal de linha da empresa.
Em algumas situações, torna-se difícil distinguir entre linha e assessoria, ou seja, os
administradores de linha parecem estar realizando funções de staff, enquanto estes últimos
parecem ter algumas ações, responsabilidades de linha. O órgão de assessoria/staff dedica-
se na maior parte do tempo, fornecendo orientações, suporte ao pessoal de linha, em
contrapartida, o pessoal de linha dedica-se diretamente na produção dos produtos e serviços
das empresas. Entretanto, existem algumas situações, segundo Oliveira (2011), que a atuação
dos órgãos de staff são imprescindíveis, favorecendo a atuação destas:
• Quando os chefes das unidades organizacionais de linha não possuem o necessário co-
nhecimento técnico para o desenvolvimento do trabalho considerado; e
• Quando é essencial assegurar ação uniforme em e entre várias unidades organizacionais
de linha.
Enfim, caro(a) aluno(a), você deve ter chegado à conclusão que o analista de OSM deve estar
atento quanto à atuação de ambos os tipos de atividades apresentadas neste módulo, a fim
de tirar o máximo de proveito das atividades de linha e de assessoria/staff, focando sempre o
alcance dos melhores resultados.
CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO
Quando pensamos na relação entre nível hierárquico e amplitude de controle, segundo
Llatas (2011), é importante considerar duas opções: a centralização e a descentralização da
autoridade.
Neste conteúdo, você poderá observar e constatar que os aspectos que envolvem a
centralização, a descentralização e a delegação poderão colaborar, ou prejudicar os trabalhos
118 ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
de coordenação e supervisão em um ambiente organizacional. Em outras palavras, a
concentração do poder decisório na alta direçãopoderá ser extremamente importante em um
dado ambiente, enquanto em um ambiente de incerteza/turbulência, quando se está trabalhando
com equipes de projetos, por exemplo, a situação pede que haja maior descentralização do
poder, de maneira que todos possam participar e opinar para o alcance do objetivo final.
Mas afinal de contas o que é centralização? Para esclarecermos esta questão usaremos a
definição dada por Oliveira (2011), quando afirma que centralização é a maior concentração
do poder decisório na alta administração de uma empresa. Em contrapartida, por
intermédio do mesmo autor, temos que a descentralização é a menor concentração do
poder decisório na alta administração da empresa, sendo, portanto, mais distribuído
por seus diversos níveis hierárquicos.
Dentro de uma visão holística, bem o diz Cury (2006), que é de bom tamanho haver uma
dosagem adequada entre ambos os processos de autoridade em um ambiente organizacional,
pois não se aconselha ter uma empresa totalmente centralizada ou descentralizada devido às
exigências dos ambientes internos e externos. Nesta linha de estudo, Stoner (1999, p. 267)
contribui com o desenvolvimento do assunto, quando acrescenta:
Fo
nt
e:
S
HU
TT
ER
ST
OC
K.
CO
M
119ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
[...] o grau apropriado de descentralização varia com o tempo e as circunstâncias.
Também varia para as diferentes subunidades da organização. Por exemplo, em muitas
empresas os departamentos de produção e de vendas conquistaram um alto grau de
descentralização, ao passo que os departamentos financeiros tenderam a permanecer
comparativamente centralizados.
Segue um exemplo de organização centralizada versus descentralizada, conforme Chiavenato
(2003).
Quadro 11: Organização Centralizada versus Descentralizada
(Os quadrados reticulados indicam o grau de autoridade para decidir).
Fonte: Chiavenato (2003)
Acrescenta Oliveira (2011), que o conhecimento desses dois tipos de estrutura, proporciona
ao Analista de O&M, uma visão mais ampla, contribuindo para o desenvolvimento de uma
estrutura organizacional que melhor atenda às necessidades das organizações atuais.
Acrescentando alguns argumentos de extrema importância quanto a este estudo, complementa
Araujo (2008, p. 393) ao afirmar que a organização horizontal (descentralização de poder e/ou
organograma mais achatado), “são aquelas que reduzem os níveis hierárquicos existentes na
empresa, de modo que todos empregados fiquem mais próximos da clientela”. Esse modelo
120ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
eleva o grau de responsabilidade dos envolvidos no processo tornando-os, assim, mais ativos.
Desta forma, a organização incluirá muitas pessoas na tomada de decisão incentivando-as a
conhecerem os variados processos organizacionais. Já no que diz respeito às estruturas com
tendências à centralização de poder, Araujo (2008, p.393) acrescenta:
O maior problema da estrutura convencional, piramidal, hierárquica é o que chamamos
de ruído. Como são muitos os níveis hierárquicos entre a base e o topo da estrutura, é
comum existirem as seguintes situações: a) a base não consegue passar adiante, até
os altos cargos diretivos, informações por vezes vitais para a saúde empresarial; e b) o
topo não consegue tornar suas ordens e instruções inteligíveis para a base.
Neste tipo de estrutura organizacional a concentração de poder fica no topo das organizações
centralizadas, criando acúmulo de informações, decisões. Também há pouco envolvimento
dos colaboradores não por desapego ou por falta de competência, mas por faltarem dados que
as credenciem e capacitem a participar dos processos decisórios da organização. No entanto,
a descentralização pode estimular e deixá-los mais pró-ativos. Quanto às características da
centralização e da descentralização, Llatas (2011) vem somar aos nossos estudos quando nos
demonstra as diferenças existentes entre estes dois processos.
Centralização Descentralização
Concentração do poder decisório na
alta administração.
Distribuição do poder decisório, incluindo
também a baixa e a média administração.
Maior número de níveis hierárquicos.
Objetivo é distribuir a carga de trabalho e
promover o engajamento dos diversos níveis.
Menor número de níveis hierárquicos.
Objetivo é manter a uniformidade nas
decisões.
Figura 20: Diferenças entre centralização e descentralização
Fonte: Llatas (2011)
Assim, podemos concluir que os dois processos apresentam diferenças que devem ser levadas
em conta quando das suas aplicabilidades. Desta forma, para fechar este tópico, acreditamos
121ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
ser de grande valia ressaltar por intermédio do autor citado, em que condições ou ainda em
que momento o analista de OSM, ou o administrador/executivo deve utilizar o processo de
centralização:
• não se tem confi ança sufi ciente nos funcionários que compõem os níveis médio e baixo
da hierarquia;
• a segmentação promovida pela descentralização é indesejável, porque as atividades da
empresa precisam ser mais integradas;
• é necessário manter um controle mais rígido sobre as atividades.
Em contrapartida, a descentralização é adequada, segundo o mesmo autor, quando:
• é necessário distribuir as atribuições de uma alta administração sobrecarregada;
• o processo decisório está lento por conta da centralização excessiva;
• os funcionários estão desmotivados por causa da baixa parcela de participação nas deci-
sões da empresa.
Leia mais sobre o assunto:
Caro(a) aluno(a), por intermédio dos links anexados abaixo, você poderá compreender a importância
dos trabalhos realizados pelas assessorias administrativas de uma empresa, como a auditoria interna
que, em suma, auxilia a alta administração a desenvolver adequadamente suas atribuições, desen-
volvendo análises, recomendações referentes às atividades que foram ou estão sendo examinadas.
Ainda nesses links você poderá constatar a importância do processo de descentralização e centraliza-
ção em um ambiente em globalização.
<http://www.netlegis.com.br/indexRC.jsp?arquivo=detalhesArtigosPublicados.jsp&cod2=1132>.
<http://www.ibrad.org.br/site/Upload/Artigos/9.pdf>.
122ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caríssimo(a) aluno(a), podemos concluir com esta terceira unidade que Departamentalização
significa dividir o trabalho existente em departamentos com base em critérios de diferenciação
e de integração. Neste sentido, quatro princípios devem orientá-la: o princípio de maior
uso, o princípio de maior interesse, o princípio de separação do controle e o princípio de
supressão da concorrência. Uma vez levados em consideração ambos os critérios citados
e os princípios também apresentados nesta unidade, você pôde constatar que para o
desenho e elaboração da estrutura organizacional formal, é necessário o estudo dos nove
tipos de departamentalização existentes, ou seja: departamentalização por quantidade;
funcional; territorial (ou por localização geográfica); por produtos (ou serviços); por clientes;
por processo; projeto; matricial; e departamentalização mista. Contudo, para se definir o tipo
de departamentalização a ser utilizado em uma estrutura organizacional, será necessário
fazer a análise do ambiente existente. Em outras palavras, do nível de ruído existente (como
o sistema de comunicação que poderá ser mais horizontal ou vertical), de aspectos voltados
a incertezas e a pressões. Também foram abordados os aspectos referentes às atividades
de linha e de assessoria, sendo as atividades àqueles que possuem ação de comando,
enquanto as atividades de assessoria não possuem ação de comando. Na sequência foram
abordados os processos de descentralização e centralização, nos quais se evidenciouque
a centralização é a maior concentração do poder decisório na alta administração de uma
empresa. Em contrapartida, a descentralização é a menor concentração do poder decisório
na alta administração da empresa. Enfim, pretende-se com estas abordagens levá-lo a
compreensão e desenvolvimento da estrutura organizacional mais adequada para cada tipo
de ambiente, respeitando suas características, adversidades e diferenças.
123ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
MINICASO: ILHA DO TESOURO
Ilha do tesouro é uma empresa que até recentemente fabricava e comercializava brinquedos e jogos
para crianças. Tinha uma organização funcional, com três departamentos: produção, marketing e
fi nanças. No departamento de produção, fi cava a área de projetos, em que eram desenvolvidos novos
brinquedos e feitas adaptações nos brinquedos de tecnologia adquirida. Há alguns anos, a Ilha do Te-
souro decidiu entrar no mercado dos brinquedos e jogos para adultos. A nova linha de produtos incluía
jogos de estratégia, usados em treinamento gerencial e jogos tradicionais, como xadrez.
Em pouco tempo, as vendas dessa nova linha aumentaram muito. O presidente da companhia come-
çou a pensar em reorganização e achou que seria melhor mudar para uma departamentalização por
produto. O pessoal de marketing apoiou essa idéia. No entanto, o chefe da produção achou que essa
mudança iria trazer confusão. Em sua opinião, o formato funcional era mais que adequado. Para o
pessoal de fi nanças, qualquer solução era boa. Se o presidente desejasse, eles fariam um estudo dos
custos de cada alternativa.
O presidente pretendia montar três divisões: brinquedos para meninos e meninas e produtos para
adultos. As duas primeiras linhas, respondiam por 75% do faturamento, mas a terceira vinha crescen-
do rapidamente.
Fonte: MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Introdução à administração. 5. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Atlas, 2000, p. 320.
Pergunta-se:
De acordo com Chinelato (2008, p. 59), “o organograma é o gráfico que representa a estrutura
formal, ou seja, a disposição e a hierarquia dos órgãos. Existem várias maneiras de representar-
se a estrutura da empresa”. Neste sentido:
1. Faça o esboço dos organogramas trabalhados e apresentados pela Ilha do Tesouro em
cada momento, (antes da mudança e após a reestruturação organizacional), identifi cando
o modelo de departamentalização prevalecente.
2. Analise as características básicas das unidades de linha e assessoria na Ilha do Tesouro,
124ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
levando em consideração a contribuição dada por Oliveira (2011), ou seja, as unidades
organizacionais de linha têm ação de comando, enquanto as unidades organizacionais de
assessoria não têm ação de comando. Desta forma, identifique de acordo com as áreas
funcionais abaixo relacionadas, quais são atividades de linha e quais são atividades de
assessoria desta empresa: nas áreas funcionais de: a) produção; b) marketing e c)
finanças. Explique de acordo com os estudos feitos a respeito.
3. Quais são as vantagens da departamentalização por produto em relação à funcional? E o
inverso?
4. Imagine você respondendo por uma área de OSM, como assessor. Quais suas recomen-
dações para o Presidente? Qual das opções você proporia para o mesmo e por quê?
Argumente sua resposta!
125ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Luis César G. de Araujo, é doutor em Administração pela Escola de Administração de Empresas de
São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV), mestre em Administração Pública pela Univer-
sity of Califórnia, Los Angeles (UCLA), pós-graduado, com Certifi cação de Especialista em Adminis-
tração de Empresas pela EAESP/FGV e graduado em Administração Pública e de Empresas da FGV
(EBAPE/FGV). É professor titular da EBAPE/FGV, no Rio de Janeiro, transferido que foi da EAESP/
FGV. Leciona regularmente na graduação, no mestrado, nos cursos MBA e no doutorado. É pesquisa-
dor, conferencista e consultor organizacional de instituições públicas e de empresas privadas. Livro-
-texto para a disciplina de Organização, Sistemas e Métodos do curso de Administração de Empresas.
Também indicado para cursos stricto (principalmente mestrado) e lato sensu que envolvam a teoria e
prática organizacional como cenários essenciais.
ARAUJO, Luis César G. de. Organização, sistemas e métodos e as tecnologias de gestão or-
ganizacional: arquitetura organizacional, benchmarking, empowerment, gestão da qualidade total,
reengenharia, vol. 1, 3. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
UNIDADE IV
UMA ABORDAGEM AOS GRÁFICOS DE
ORGANIZAÇÃO E CONTROLE
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Objetivos de Aprendizagem
• Abordar controle de processos.
• Demonstrar as etapas do controle de processos.
• Apresentar os gráficos de organização e controle/Fluxogramas.
• Ilustrar as etapas para o estudo das rotinas administrativas.
• Relacionar as principais simbologias e significados convencionais utilizados nos
fluxogramas.
• Identificar e abordar os tipos e modelos de fluxogramas.
• Expor os aspectos e características essenciais para o estudo e análise do arranjo
físico/layout.
• Explicar as etapas de um projeto de arranjo físico e/ou layout.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Controle de Processos
• As etapas do controle de processos
• Gráficos de organização e controle/fluxogramas
• Etapas para o estudo das rotinas administrativas
• Principais simbologias e significados convencionais utilizados em fluxogra-
mas
• Tipos de fluxogramas
• Estudo do arranjo físico/layout
• Etapas de um projeto de arranjo físico e/ou layout
129ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caríssimo(a) aluno(a), nesta quarta unidade iremos expor a função controle como uma das
atribuições do analista de O&M, no que diz respeito ao acompanhamento do desempenho dos
sistemas administrativos, por intermédio da comparação entre os resultados alcançados e o
que era previsto. Na sequência, apresentaremos uma das representações gráficas utilizadas
pelo profissional de O&M, para o monitoramento dos processos administrativos, ou seja,
dentre suas finalidades, para revisão e melhoramento contínuo dos processos administrativos.
Finalizando esta unidade, abordaremos o estudo do arranjo físico/layout, enfatizando o fluxo
de documentos, pessoas, disposição dos instrumentos de trabalho (máquinas/equipamentos
e outros), pois partimos do princípio de que o arranjo físico adequado em um ambiente
organizacional irá proporcionar maior economia e produtividade.
CONTROLE DE PROCESSOS
Caro acadêmico, neste tópico vamos enfatizar a função controle e avaliação relacionando-a
com a estrutura organizacional, com as rotinas, métodos e processos administrativos,
pois, como já falado anteriormente, é de extrema importância para uma organização
fazer esporadicamente a manutenção de sua estrutura organizacional e para tanto se faz
necessário controlar e monitorar os resultados alcançados. Mas de que forma isto pode ser
realizado? Segundo Oliveira (2011), comparando os resultados obtidos com os padrões que
haviam sido pré-estabelecidos, ou ainda com as metas a serem alcançadas. Contudo, para
darmos a devida abordagem a esta função da administração, relembraremos primeiramente
o termo processo, dada a fusão existente entre estas duas terminologias administrativas, ou
seja, é muito comum nos depararmos com a utilização da função controle de processos nos
ambientes organizacionais.
Na verdade, este termo já foi abordado neste estudo mais precisamente na primeira unidade,
quando Gonçalves (2000, p. 7) afirmou que os processos empresariais podem ser vistos como
130ORGANIZAÇÕES, SISTEMASE MÉTODOS | Educação a Distância
um conjunto de atividades “que toma um input, adiciona valor a ele e fornece um output a um
cliente específico”. Diante da contribuição dada pelo autor citado, uma empresa é um processo
e dentro dela existem vários processos, a título de exemplo, um dos fatores relacionado com os
processos seria o de manufatura que está relacionado com as matérias-primas (Fornecedores
e Fornecimento próprio), máquinas (Deteriorização e Manutenção), medidas (Instrumento,
Condições locais e Inspeção), meio ambiente (Oficina e Clima), mão de obra (Físico e Mental)
e método (Informação, Instrução e Procedimento). O processo, por sua vez, é controlado por
meio dos seus efeitos.
No nosso dia a dia quando ocorre um problema não existe culpado, é preciso que todas
as pessoas envolvidas no processo busquem as causas do ocorrido. Para tanto, faz-se
necessário utilizar a ferramenta “Controle”, ou seja, implica em saber localizar o problema,
analisar o processo, identificar os itens de controle e comparar os resultados alcançados com
os padrões que haviam sido pré-estabelecidos. Contudo, para Campos (1992) o objetivo
de se estabelecer os itens de controle, (em outras palavras o que será monitorado) é
para que o problema não volte a ocorrer, para tanto se torna importante padronizar os
processos.
Uma vez estabelecido os itens de controle e a padronização do processo, ocorre um
replanejamento destes o que pode ser considerado um dos pilares de um bom gerenciamento.
Corroborando com nossa linha de estudo, Oliveira (2011) afirma se tratar da função
administrativa que consiste em medir e corrigir o desempenho, a fim de assegurar que os
objetivos organizacionais e os planos estabelecidos para alcançá-los sejam realizados.
Conceituando mais técnicamente tal função, ainda temos, pelo mesmo autor:
Controle é uma função do processo administrativo que, mediante a comparação
com padrões previamente estabelecidos, procura medir e avaliar o desempenho e o
resultado das ações, com a finalidade de realimentar os tomadores de decisões, de
forma que possam corrigir ou reforçar esse desempenho ou interferir em funções do
processo administrativo, para assegurar que os resultados satisfaçam aos desafios e
os objetivos esatabelecidos (OLIVEIRA, 2011, p.402).
131ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Representativamente demostrando os aspectos da função controle e avaliação, temos:
Quadro 12: Conceitualização geral da função controle e avaliação
NÃO
SIM
NÃOSIM
INÍCIO DO PROCESSO
AVALIAÇÃO E CONTROLE
PADRÕES
ESTABELECIDOS
VA ALIA E
COMPARA
ALCANCE DOS
RESULTADOS
ACERTA E
REFORMULA
DESEMPENHO
GERA INFORMAÇÕES
HÁ
DESVIOS
ALIMENTA O TOMADOR
DE DECISÕES
AÇÃO
É DE
DESEMPENHO?
AÇÃO
ALCANCE DOS
RESULTADOS
REFORMULA
SISTEMA
ADMINISTRATIVO
Fonte: Oliveira (2011, p. 406)
O controle tem a finalidade de identificar falhas, erros e problemas que se transformam em
desvios do que havia sido planejado, com o objetivo de corrigi-los e de previnir um novo
desvio, assim como, fazer com que o resultado obtido nas realizações das operações estejam
próximos dos resultados esperados e que seja alcançado os objetivos já estabelecidos. Com
o controle a empresa trabalha de maneira mais adequada, proporcionando informações mais
precisas para agilidade dos processos.
Seguindo este contexto, o controle pode ser exercido em três estágios, segundo o autor
citado:
• Controle preliminar, que corresponde ao controle feito antes da ocorrência do fato que
132ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
se pretende controlar e minimiza o surgimento de problemas.
• Controle corrente ou também denominado tempo real, o controle é realizado ao mes-
mo tempo da ocorrência do fato que se pretende controlar, busca corrigir o desempenho
durante a execução.
• Pós-controle, ocorre o controle após a ocorrência do fato que se pretende controlar,
avalia os desvios ocorridos, estabelece as causas dos mesmos e corrigi o desempenho.
Desta forma, você pode agora ter em mente que a função controle e avaliação pode ser
realizada em qualquer momento dentro de uma organização, cabendo ao analista de OSM
junto a alta direção, criar medidas de controle que venham ao encontro das reais necessidades
desta estrutura, lembrando que não se deve menosprezar o tipo de ambiente que esta empresa
está inserida, pelo contrário, já que uma medida de controle tardia poderá exercer pouca ou
nenhuma influência a um dado resultado.
Fo
nt
e:
S
HU
TT
ER
ST
OC
K.
CO
M
133ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
AS ETAPAS DO CONTROLE
Neste tópico vamos abordar as etapas do controle, contudo vale a pena lembrar que o controle
de processo é para ser entendido por todas as pessoas da empresa e todos devem praticar as
três etapas do controle, segundo Campos (1992).
A primeira etapa do controle de processo é o estabelecimento da “diretriz de controle”, melhor
dizendo o planejamento que é estabelecido sobre os fins e meios de um processo, sendo assim,
o fim é a Meta que define o nível de controle e o Meio denominado como Método que são os
procedimentos utilizados para se atingir a Meta. Este estabelecimento da “diretriz do controle”
também é denominado de planejamento da qualidade, pois o controle tem a finalidade de
sempre garantir a satisfação das necessidades das pessoas. Esta fase é conhecida também
como “estabelecimento de padrões”.
A segunda etapa é a Manutenção do nível de controle, em que se todos os planejamentos da
etapa anterior forem cumpridos resultarão em qualidade, custo, entrega, moral e segurança
padrão. Caso ocorram desvios em um desses planejamentos é preciso atuar no resultado para
que o processo seja colocado em funcionamento rapidamente e atuar na causa para previnir
o reaparecimento do desvio. Existem dois tipos de causa: causa assinaláveis, no qual a causa
é encontrada mediante uma análise de falhas que é registrado em relatório e causa crônica,
em que é necessario conduzir para o método de solução de problemas por meio da análise do
processo. Esta fase é também denominada “manutenção de padrões”.
A terceira e última etapa é a Alteração da diretriz de controle, em que a diretriz do controle
deve ser constante e alterada de tal forma a garantir a sobrevivência do processo e quando a
mesma é alterada é preciso alterar a meta estabelecida na primeira etapa e alterar o método
que significa alterar os procedimentos – padrão para que o novo nível de controle seja atingido.
Existem quatro fases do processo de controle sendo elas, segundo Oliveira (2009):
• Estabelecimento de padrões de medida e avaliação, os padrões são a base para po-
134ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
der comparar os resultados desejados, bem como se referem à quantidade, qualidade e
tempo.
• Medida dos desempenhos apresentados, significa estabelecer o que medir e selecio-
nar como medir, seguindo os critérios de quantidade, qualidade e tempo. É preciso que
os critérios tenham um certo tipo de homogeneidade e integração de medição do desem-
penho, pois se este processo não for muito bem realizado, o processo de controle fica
prejudicado.
• Comparação do realizado com o esperado, nas comparações é viável usar um critério
de coerência, caso aconteça um desvio dentro do esperado, o responsável não deve se
preocupar, todavia, se o desvio execer um pouco do que era esperado, deve continuar
procedendo com as devidas ações que possibilite retornar à situação adequada, mas se
o desvio exceder muito do que era esperado, o analista deve parar com as ações até que
todas as causas sejam identificadas, analisadas e eliminadas.
• Ação corretiva, significa corrigir possíveis falhas, criando medidas e providências para a
eliminaçãodos desvios.
Estabelecimento
de padrões
de desempenho
Avaliação do
desempenho
atual
Comparação do
desempenho com
o padrão
estabelecido
Ação
corretiva
Figura 21: Fases do processo de controle e avaliação
Fonte: adaptado de Oliveira (2011)
135ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O mesmo autor menciona que o processo de controle pode ter resistência e conflitos quando
são desnecessários ou impossíveis de ser aplicados, isso pode ocorrer devido a falta de
atenção a algumas falhas durante todo o processo de controle, muitas vezes sendo tratadas
com indiferença pelos próprios controladores, a título de exemplo podem ser consideradas
causas de resistência: falta de conhecimento para realizar o controle preciso, padrões de
controle inadequado, avaliações incorretas e ações corretivas com críticas pessoais.
GRÁFICOS DE ORGANIZAÇÃO E CONTROLE/FLUXOGRAMAS
Para o exercício de uma dada função, especialmente quando se pretende alcançar bons
resultados, você já deve ter percebido que é necessário seguir uma determinada rotina. É
importante que essas rotinas sejam claras e enxutas, sem a presença de gargalos e devem
ser simples de serem realizadas.
Quando o analista de OSM parte para a análise e estudo dos processos administrativos
entende-se que esse tem como objetivo, segundo Cruz (1997, p. 114):
Fo
nt
e:
S
HU
TT
ER
ST
OC
K.
CO
M
136ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Identificar cada etapa que compunha a rotina que estivesse sendo analisada;
• Analisar a necessidade de cada etapa existir na rotina;
• Analisar a sequência das operações e a conveniência de alterá-la ou não;
• Avaliar se as pessoas estão ajustadas às operações que executam;
• Desenvolver formulários para suportar o fluxo de informações entre os diversos
passos da rotina;
• Desenvolver treinamento para aumentar a eficiência das pessoas na execução
das operações;
• Implantar as melhorias desenvolvidas para a rotina.
Em termos gerais, a análise de rotinas visa identificar e promover melhorias nos processos
executados dentro da empresa, visando eliminar gargalos e duplicidade em ações realizadas.
Para Llatas (2011), fluxograma é a representação gráfica que apresenta a sequência de um
trabalho de forma analítica, caracterizando as operações, os responsáveis e/ou unidades
organizacionais envolvidos no processo.
Em outras palavras, o fluxograma é um recurso gráfico que serve para descrever a ordem
em que é executado um determinado conjunto de atividades, possibilitando a avaliação e
o redesenho do modus operandi, se for o caso, isto quando se tratar da manutenção e/ou
reformulação de um processo administrativo, a título de exemplo.
Outros autores também fazem sua contribuição quanto ao estudo desta ferramenta quando
afirmam, “de maneira geral ele procura apresentar a rotina passo a passo, ação por ação.
Toda ocorrência em um determinado processamento deve merecer o registro na folha de
fluxograma” (ARAUJO, 1989, p. 82).
Já para Chinelato (2001), fluxograma é a representação gráfica dos diversos processos
executados entre diversas unidades da organização. Ele representa um importante instrumento
para compreensão e análise do funcionamento dos sistemas, em que é possível visualizar a
sequência, a eficiência e a possível presença de duplicidade nas operações de um sistema.
137ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Para complementar o significado do fluxograma, Araujo (2008) afirma que “consiste em
representação dos passos de um processo. É ferramenta útil quando se deseja determinar
como um processo realmente funciona. Ao examinar como vários passos do processo se
relacionam entre si e com outros”. Podemos concluir, portanto, caro(a) aluno(a), diante dos
autores pesquisados, que o fluxograma é a técnica mais utilizada no estudo de rotinas, ou seja,
para o delineamento e manutenção dos processos administrativos de um modo geral.
ETAPAS PARA O ESTUDO DAS ROTINAS POR INTERMÉDIO DO USO DE
FLUXOGRAMAS: PRINCIPAIS VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DESSES
Caro(a) aluno(a), para o estudo e análise das rotinas administrativas, Chinelato (2008) cita que
após definido o processo administrativo a ser analisado, o analista de OSM, poderá seguir o
seguinte roteiro técnico:
a) Após pesquisa realizada junto ao pessoal envolvido no processo, com o propósito de cole-
tar todas as informações pertinentes a este, parte-se para o levantamento dos passos.
b) Elaborar o fluxograma de acordo com a simbologia própria.
c) Realizar uma análise lógica da rotina/processo.
d) Fazer uma proposta de racionalização da rotina/processo, se for o caso.
e) Implantar a nova rotina/processo proposta.
f) Avaliar os resultados e adotar medidas de ajuste, se assim couber.
Nesta linha de estudo, Cruz (1997) descreve as etapas de maneira mais resumida, ou seja,
aponta as seguintes etapas: a) escolher a rotina a ser trabalhada; b) coletar os dados e; c)
desenhar a rotina por intermédio do uso de fluxograma.
Como podemos verificar, ambos os autores citam o uso dos fluxogramas para o desenho e
análise da rotina, ou seja, da sequência, passo a passo de um determinado processo. Desta
138ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
forma, consideramos importante ressaltar as vantagens obtidas por intermédio do uso dos
fluxogramas de acordo com a figura abaixo.
Descrição de qualquer
tipo de processo
Simplificação
da leitura e da
identificação dos
processos
Visão clara e ampla
de todo o processo
Representação
gráfica padronizada
Fluxograma
Figura 22: Vantagens do fluxograma
Fonte: Llatas (2011, p. 95)
Diante dos benefícios apresentados, torna-se fácil entendermos porque os fluxogramas são
tão populares entre os profissionais de OSM.
Principais símbolos e significados convencionais utilizados em fluxogramas
Como vimos, para o delineamento e formalização de um processo por intermédio do fluxograma,
o analista de OSM vai precisar das chamadas simbologias convencionais para identificar a
cada momento o que está sendo tratado, em outras palavras trata-se da identificação e registro
da ocorrência do fato em si, lembrando que esta deve ser realizada da maneira mais clara e
objetiva possível, com o intuito de permitir uma leitura de fácil entendimento aos leitores. Neste
sentido, segue uma lista com as principais simbologias utilizadas em trabalhos organizacionais.
139ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 13: Fluxogramas – Simbologia
SÍMBOLOS
Simbologia adotada em fluxogramas e diagramas de blocos.
Fonte: Chinelato (2008)
140ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Simbologia adotada em fluxogramas e diagramas de blocos.
Fonte: Chinelato (2008)
Em seguida, apresentar-se-á a representação das rotinas administrativas e suas
respectivas simbologias, com a colaboração de Oliveira (2011) para a elaboração de
fluxogramas.
141ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 14: Simbologia geral para representação de rotinas administrativas
Fonte: Oliveira (2011, p. 274)
De acordo com Llatas (2011), os fluxogramas podem ser construídos manualmente ou por
meio de softwares. O uso de softwares vai propiciar mais rapidez à elaboração de fluxogramas
e não deixa dúvidas acerca dos símbolos e seus significados.
Quanto à elaboração do fluxograma, o analista de OSM deve, em primeiro lugar, listar as
atividades que compõem o fluxo do trabalho para depois inseri-las no gráfico.
Além de representar graficamente as rotinas empresariais, o analista de OSM precisa ser
capaz de avaliar os processos ilustrados pelo fluxograma. Para tanto, é fundamental fazer
alguns questionamentos importantes. Em primeira instância, devequestionar como cada
atividade do fluxo contribui para que a empresa alcance seus objetivos.
142ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Também é preciso avaliar se a qualificação da mão de obra é compatível com as funções
desempenhadas. Em alguns casos, pode ser necessário redistribuir as tarefas, alocando-as
nas mãos de funcionários com nível de treinamento suficiente para executá-las melhor.
Uma vez concluída a análise do fluxograma, cabe ao analista de OSM organizar suas
conclusões em um relatório e apresentá-lo à alta administração.
Neste sentido, vamos apresentar resumidamente, por intermédio da figura anexada abaixo, os
tópicos indispensáveis em um relatório sobre o fluxograma.
Relatório
Descrição do
Fluxograma atual
Informações
complementares
Identificação de falhas
Recomendações
Atrasos
Falta ou excesso de
controle
Ociosidade
Desperdício de mão
de obra e recursos
Gargalos
Falta ou excesso de
documentos
Figura 23: Tópicos indispensáveis em um relatório sobre o fluxograma
Fonte: Cury (2007 apud LLATAS, 2011, p. 105)
Em relação a alguma indicação de falhas como citado na figura acima, acrescenta Araujo
(1985), a título de exemplo, o acúmulo de papéis na mesa de funcionários pode indicar que
a rotina esteja mal formulada. A demora em certos pontos de relacionamento ou processo
143ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
decorrente da reclamação de outros pontos sobre o fluxo vagaroso, torna-se inevitável estudar
uma rotina sem correlacionar outra.
Outro indicador de grande sensibilidade é a formulação de filas de espera em atendimentos,
cujas causas são: morosidade no atendimento, regras de base técnicas para manter a rotina
interna da unidade em funcionamento, dias de pico, único dia de pagamento etc. Esses são
alguns índices que pressupõe a inexistência de um órgão de OSM, pois se existisse não
haveria filas. Por essas razões, o profissional analista deve ir de encontro a essa rotina e tentar
reduzir, por meio de técnicas, os pontos conflitantes.
A formulação de um fluxograma nas empresas deve ser baseada em uma estratégia. Conforme
acrescenta Araujo (1985), essa estratégia é formada por um conjunto de fases ou etapas com
o objetivo de colocar o investigador em uma trilha de ação que lhe permitirá conduzir um
estudo eficiente. A sequência, segundo este último autor, será a seguinte:
a) Escolha da rotina a estudar. O profissional de O&M, deve nessa etapa, formular questões
às pessoas que operam diretamente na rotina, procurando colher dados atingindo o inte-
gral da rotina.
b) Coleta dos passos e sua representação gráfica. Neste passo será a fluxogramação,
sendo um dos passos mais exaustivos. A exigência é a busca do passo a passo do que faz
cada um (aonde faz e como faz, o porquê faz). Nesta etapa, convém o profissional de O&M
conversar a nível informal com aqueles que terão a tarefa de detalhar os passos, que a
tarefa é individual e que é no mínimo cansativa. É bom lembrar que além de ser um grande
auxílio para o analista de O&M, também é um instrumento que vai possibilitar um melhor
entendimento da rotina por parte dos que executam.
c) Análise dos métodos empregados no processamento atual. É a característica de aná-
lise de toda rotina, incluídas nestas as pessoas, o que é feito, a visão que essas têm da
sua parte e de toda a rotina. Enfim, é a análise de tudo o que contribui para a realização da
rotina. Procurando alargar um pouco mais o aspecto da análise evitando uma visão focada
na rotina, segue um questionário desenvolvido por alguns autores, conforme cita Araujo:
1. O que se faz? Quais as informações a passar, controlar e coletar?
144ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
2. Onde se faz? Isto é, onde são executados os registros? De que forma são executa-
dos esses registros? Se forem arquivados, onde? São desarquivados para algum
outro trabalho?
3. Quando se faz? Quando se recebe, expede e arquiva o documento?
4. Como se faz? Como são transmitidas as informações, os documentos e outros
dados? Como são executados os controles?
5. Quais são os pontos de contato dessa rotina com outras rotinas? São esses os
pontos de contato importantes para o andamento dessa rotina? É possível que
dificuldades estejam surgindo em função desses pontos de contato?
6. Quais as dificuldades percebidas? Essas dificuldades são específicas da rotina?
São dificuldades criadas em outros pontos da organização, cujo reflexo é nessa
rotina? Seria possível considerar as dificuldades existentes como sendo de outra
ordem, ou seja, que pouco se relacionam com o estudo da rotina?
7. Por que se executam os passos da rotina dessa maneira? (destacar e apontar os
passos).
8. Podem ser eliminados passos? Ou criados passos? Ou, então, alterar a sequência
dos passos? Nesse caso, qualquer modificação feita traria benefícios para esta
e outras rotinas que de uma forma ou de outra dependam da rotina em análise?
9. As pessoas, que participam da rotina, sentem alguma dificuldade no desempenho
relativo à análise?
10. As alterações irão afetar as relações pessoais internas? Em caso positivo, é reco-
mendável mudar mesmo sabendo das insatisfações e eventuais conflitos?
11. Convém reunir as várias chefias que participam da rotina para debate das dificul-
dades encontradas? E convém aumentar esse grupo com inclusão dos executores
da rotina?
12. Os formulários integrantes da rotina merecem um estudo pormenorizado? São
encontradas falhas no número de cópias, no conteúdo, nos campos de utilização e
no peso do formulário (a frequência de manuseio indicará o peso ideal)?
145ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
13. Na eventualidade de eliminação total da rotina, quais seriam as resistências à
eliminação e suas origens?
d) Implantação de nova rotina. O profissional de O&M deve estar sempre junto da implanta-
ção de uma nova rotina e de adaptação do pessoal à nova circunstância.
Quanto à implantação de uma rotina, Araujo aponta três sugestões a seguir:
1º - acompanhar os funcionários empregados no desenvolvimento dos novos métodos
durante a fase de atuação prática, ajudando-os a esclarecer dúvidas e resolver
problemas;
2º - verificar a correta aplicação dos métodos sugeridos eliminando eventuais
tendências a deformações ou, coisa ainda mais comum, perigosas tendências a uma
volta ao estudo primitivo; e
3º controlar para que os novos métodos constituam uma efetiva solução aos vários
problemas e tomar nota de eventuais imprevistos e consequentes adaptações, aos
quais os métodos possam ainda estar sujeitos (RONCHI apud ARAUJO, 1985, p.86).
O acompanhamento sugerido proposto por Ronchi avalia o efetivo grau de aperfeiçoamento,
permitindo a visualização de quaisquer divergências.
Fo
nt
e:
S
HU
TT
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146ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
a) Manualização da rotina: a fim de formar um padrão de trabalho, tanto aos atuais quanto
aos novos profissionais entrantes na organização é sempre necessário a manualização
da rotina, pois traz grandes benefícios aos processos de simplificação e racionalização do
trabalho.
TIPOS DE FLUXOGRAMAS
Neste tópico você terá conhecimento dos tipos de fluxogramas aos quais o analista de OSM
pode fazer uso, para tanto Chinelato (2008) nos diz que existem várias formas de representação
de um fluxograma, ficando a critério de escolha aquele que melhor se adequar a cada caso
em específico. Sendo os mais utilizados, segundo Oliveira (2011), o vertical, parcial ou
descritivo e o global ou de coluna.
Contribuindo com nossos estudos, Llatas (2011) menciona que este também é conhecido como
diagrama de processo, o fluxograma vertical é um formulário impresso que contém colunas
verticais. Elecostuma ser amplamente utilizado para detalhar as operações executadas por
um departamento específico da empresa, fragmentando atividades complexas em pequenas
etapas.
Já para Cruz (1997) o fluxograma vertical é uma ferramenta poderosa para levantamento e
análise de rotinas, utiliza simbologia internacionalmente conhecida.
De acordo com Araujo (1985) o fluxograma vertical exige bastante do colaborador por ser
bem mais complexa que os outros fluxogramas e não é indicado para grupo de pessoas que
tenham alguma dificuldade na leitura e interpretação de gráficos. Com o intuito de ilustrar as
simbologias utilizadas neste tipo de fluxograma segue abaixo legenda referente ao mesmo,
citado por Llatas.
147ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 15: Legenda do fluxograma vertical
Análise ou operação
Execução ou inspeção
Demora ou atraso
Arquivo provisório
Arquivo definitivo
S
ím
b
o
lo
s
Transporte
Fonte: Llatas (2011, p. 96)
Quadro 16: Fluxograma vertical
Fonte: Oliveira (2011, p. 272)
148ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O segundo tipo de fluxograma ao qual você conhecerá, de acordo com Oliveira (2009), é
o fluxograma parcial ou descritivo. Ele descreve o curso das ações, e é mais utilizado para
levantamentos. Sua elaboração é mais dificultosa e é mais utilizado em rotinas que envolvam
poucas unidades organizacionais. Segue abaixo um modelo deste tipo de fluxograma:
A regra básica de um fluxo é facilitar a compreensão do usuário, utilizando-se de legenda
sempre.
Figura 24: Fluxograma – Corte de Cabelo
Fonte: Chinelato (2008, p. 64).
149ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O terceiro tipo de fluxograma citado, ou seja, o fluxograma global ou de coluna é o mais
utilizado pelas empresas, pois é utilizado tanto no levantamento quanto na descrição das
rotinas, permite demonstrar o fluxograma com maior clareza e apresenta maior versatilidade.
Este tipo de fluxograma pode ser usado para detectar problemas na distribuição de tarefas,
segundo Llatas (2011). Com o intuito de melhor esclarecer o que seja o fluxograma global,
segue abaixo exemplo referente ao mesmo:
DEPARTAMENTO DE VENDAS DEPARTAMENTO DE FINANÇAS DEPARTAMENTO DE VENDAS
Início
Recebe pedido de um
cliente que deseja efetuar
a compra por meio de
financiamento
Confere o histórico do
relacionamento do cliente
com a empresa
Confere se o cliente tem
registro no SERASA ou
no SPC
Recomenda a condição
de pagamento compatível
com o perfil do cliente
efetua a venda com base
nas recomendações do
departamento de finanças
Nota
fiscal
Término
Figura 25: Fluxograma Global ou de Colunas
Fonte: adaptado de (CURY, 2007, p. 356 apud LLATAS, 2011, p. 103)
150ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
FUNCIONOGRAMA
Conforme Cury (2006), o funcionograma é um gráfico de uso específico e restrito utilizados
apenas por órgãos adotantes e tem como objetivo principal detalhar atividades/tarefas que
compõem uma função no que originou um órgão no organograma. Esse funcionograma
pode ter múltiplas funcionalidades, inclusive para processos de racionalização, análise da
distribuição do trabalho, padronização de atividades e fluxos, estudos de layout entre outros.
Segue modelo abaixo para melhor compreensão:
Figura 26: Modelo de Funcionograma
Fonte: Cury (2006)
151ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Os gráfi cos são instrumentos de organização que substituem centenas de palavras e que devem ser
autoexplicativos. Devem constituir uma forma clara e objetiva de apresentar os processos. A intenção
é proporcionar aos leitores a compreensão e a veracidade dos fatos. De acordo com a característica
da informação, precisamos selecionar o gráfi co mais adequado àquela realidade em estudo.
ESTUDO DO ARRANJO FÍSICO (LAYOUT)
Neste tópico, caro(a) aluno(a), vamos apresentar os aspectos que norteiam o estudo do arranjo
físico/layout (administrativo), pois em decorrência desse, depende o bem-estar, o melhor
rendimento das pessoas envolvidas em um dado processo, naquela atividade. Mas o que é
um layout? Em poucas palavras, a maneira como organizamos o espaço físico damos o nome
de layout, segundo Llatas (2011). Para o mesmo autor, o estudo do layout compreende alguns
objetivos a serem destacados.
Aproveitamento do
espaço físico
Ambiente
agradável
para clientes e
funcionários
Facilidade de
coordenação e
supervisão
Tramitação eficaz
dos processos
de trabalho e
documentos
Comunicação
eficiente
Objetivos
do layout
Figura 27: Objetivos do layout
Fonte: Llatas (2011, p. 126)
152ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Em contrapartida, a displicência em relação ao layout pode provocar demora na execução
das tarefas, insatisfação da mão de obra, bem como o trâmite ilógico de documentos, peças
e pessoas.
Nesta linha de raciocínio, Chinelato (2008) corrobora quando afirma que o espaço físico
organizacional influi no trabalho desenvolvido pelos indivíduos dentro da empresa e para a
determinação e elaboração do arranjo físico ideal, o referido autor disponibiliza um roteiro a
ser seguido:
1. Obter informações das atividades realizadas em um certo espaço disponível.
2. Ter ciência das condições (tamanho e demais características pertinentes) dos móveis e
equipamentos necessários neste ambiente, como também do número de pessoas e seus
respectivos fluxos de trabalho, locadas para esta área administrativa.
3. Confrontar a área disponibilizada com uma planta baixa para melhor análise da realidade
existente.
4. Partir para a reformulação deste arranjo, buscando melhorias nos fluxos de trabalho, le-
vando em conta a realidade da empresa.
5. Fazer um teste com uso de uma maquete, para disposição de móveis e equipamentos.
6. Apresentar a solução encontrada aos usuários do sistema, bem como para a Direção da
empresa.
Já no que diz respeito à análise de layout existente, aplicam-se os mesmos critérios, podendo,
entre outras ações, realocar funcionários, equipamentos ou ainda máquinas que não tenham
mais utilidade serem retiradas deste espaço.
Para Chinelato (2008), ao se estudar o arranjo físico existente, ou ainda na determinação do
mesmo, a empresa de um modo geral deve levar em conta:
• Importa mais o fluxo entre papéis e pessoas que o aspecto visual e de conforto.
• Estabelecido a partir do estudo do sistema de informações relacionado com a distribuição
153ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
dos móveis, equipamentos e pessoas.
• Maior economia e produtividade.
• Pode influir na motivação.
Uma empresa pode estar decidindo por reavaliar seu arranjo físico/layout, quando se detiver
com sintomas de problemas da seguinte natureza:
• Demora excessiva.
• Perda de tempo no deslocamento.
• Fluxo confuso de trabalho.
• Decisões errôneas e consultas desnecessárias.
• Excessiva acumulação de pessoas e documentos.
• As unidades “incham” e aumentar o espaço físico é difícil.
• Projeto deficiente de locais de trabalho.
• Devido às vontades do grupo ou preferências pessoais.
• Perda de tempo no deslocamento, de documentos e pessoas.
Fo
nt
e:
S
HU
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OC
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CO
M
154ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
ETAPAS DE UM PROJETO DE ARRANJO FÍSICO E/OU LAYOUT
Neste conteúdo, caro acadêmico, você conhecerá e compreenderá as fases e/ou etapas
consideradas essenciais para o estudo e reconfiguração de um arranjo físico. Desta forma,
apresentaremos dois autores que trataram deste assunto com muita providência. O primeiro
autor, ou seja, Llatas (2011) contribui com nosso estudo quandomenciona três etapas que
a seu ponto de vista são necessárias para este momento: (1) estudo do layout atual, (2)
elaboração do novo layout e (3) aprovação, implantação e avaliação do novo layout. Já para
Oliveira (2011) o estudo do arranjo físico/layout, torna-se mais prático e dinâmico, quando seu
projeto assume as seguintes etapas:
• - levantamento da situação atual;
• - estudo das soluções alternativas;
• - consolidação da solução escolhida; e
• - implementação e avaliação do arranjo físico escolhido.
Apesar de entendermos que ambos os autores tratam deste conteúdo com muita propriedade,
faremos o detalhamento das respectivas etapas para desenvolvimento de um layout, sobre a
ótica de Oliveira (2011), com a contribuição em alguns conteúdos do primeiro autor, mesmo
porque ambos tratam estes conteúdos com considerável semelhança.
Neste sentido, temos algumas considerações que serão feitas sobre as respectivas etapas,
por Oliveira (2011):
1ª Etapa do estudo do Layout: Levantamento da Situação Atual
a) Estudo do local do qual o analista pode considerar os seguintes aspectos:
• Planta baixa do espaço disponível.
• Vias de Acesso.
155ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Análise da adequação do ponto de localização.
• Preço do metro quadrado tanto para compra como para locação.
• Possibilidades de adaptações em níveis de reformas possíveis.
• Possibilidades de ampliações e nível de flexibilidade do imóvel.
• Análises das instalações do imóvel.
• Limite de carga suportado pelo imóvel.
b) Estudo das divisões, móveis e equipamentos, considerando os seguintes aspectos:
• Formatos e amplitude das salas.
• Medidas e quantidade dos móveis e equipamentos.
• Forma de uso de salas, móveis e equipamentos identificados; e
• Aparência e ambiente proporcionado.
c) Levantamento do fluxo de trabalho e das atividades relacionadas, no qual o analista de
sistemas, organização e métodos pode considerar os seguintes aspectos, entre outros:
• Identificação e análise das atividades dos funcionários.
• Estudo do fluxo de trabalho.
• Estudo dos movimentos efetuados pelos funcionários no desempenho de suas
tarefas.
• Estudo dos tempos de execução das várias operações.
• Estudo da adequação do uso de máquinas e equipamentos.
d) Análise do ambiente para a execução das atividades em que o analista de O&M pode con-
siderar os seguintes aspectos básicos:
• Temperatura (ideal entre 16º a 20º).
156ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Umidade (ideal é a baixa).
• Ventilação, espaço, ruído, tipos e cores das pinturas.
• Poeira e iluminação.
• De um modo geral, esses aspectos do ambiente de trabalho podem aumentar
significativamente a produtividade dos funcionários.
IMPORTANTE: no que diz respeito à psicodinâmica das cores, Carreira (2009) afirma que as
sensações causadas pelas cores relacionam-se com o estado emocional e motivacional de
cada pessoa/colaborador. Ou seja, se porventura o funcionário estiver propenso à depressão,
a cor marrom o estimulará mais ainda a este quadro. Com o intuito de conhecermos os
estímulos que os indivíduos podem receber pelos diferentes tipos de cores, segue quadro
abaixo ilustrando os efeitos psicológicos causados nas pessoas.
157ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 17: Psicodinâmica das cores – efeitos psicológicos
COR EFEITOS PSICOLÓGICOS ILUSÃO FÍSICA
Amarela Sensação de conforto, prazer e estado de
alerta, produzida pelas flores e luz.
Impressão de calor e de aumento
de volume
Azul Sensação de frio, refrescância e repouso.
Grande apelo à natureza, forte incitação à
verdade, paz.
Refrescante, diminuição de peso.
Branca Sensação de otimismo da juventude por seus
ideais quando associada a trabalhos de criação.
Cansativa pelo seu alto índice de reflexão.
Aumento de volume
Cinza Cuidado, pois ela pode causar efeitos, tais como
tédio, tristeza, aborrecimento, depressão.
Contudo, é a cor da sabedoria.
Diminuição de volume
Laranja Sensação de alegria, prazer e senso de humor,
lembra o fogo.
Impressão de calor e aumento de
volume.
Marrom Atua, simultaneamente, nos limites da saúde e
da doença, da excitação e da depressão.
Diminuição de volume
Preta É repousante, pois reduz os estímulos visuais,
porém pode causar depressão, por estar
associada à sujeira e desgraça.
Aumento de peso e calor,
diminuição de volume.
Verde Sensação de paz, saúde, bem-estar, segurança,
equilíbrio.
Impressão de frescura e leveza.
Vermelha É a mais envolvente, quente, estimulante e
excitante. Em contrapartida, pode inclinar-se a
ira, combate. É a cor do coração, representa
força e energia.
Aumento de volume, peso e calor.
Fonte: adaptado de (CARREIRA, 2009, p. 206)
158ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Os ajustes do clima do ambiente de trabalho visam adequá-lo às necessidades dos clientes, fornece-
dores, visitantes, funcionários, materiais, produtos, máquina e equipamentos da empresa. O uso da
cor no ambiente de trabalho é mais do que um elemento decorativo, é parte do programa de motivação
dos recursos humanos e ferramenta do sistema de segurança.
e) Preparação da lista de checagem, quando o analista consolida uma série de itens a serem
considerados no estudo e na implementação do novo arranjo físico.
f) Preparação de miniaturas dos móveis e equipamentos, de acordo com a escala da planta
baixa. Esses procedimentos são importantíssimos, principalmente quando do estudo de
alternativas do arranjo físico.
Item muito importante neste momento é reforçado por Llatas (2011) quanto à disponibilidade
financeira da empresa em questão, ou seja, em outras palavras convém analisar a necessidade
de reforma ou ampliação das instalações, sem perder de vista a quantia que a alta administração
está disposta a investir. É preciso levar em conta se os equipamentos e os móveis alocados
nos diferentes departamentos são capazes de atender à demanda. A capacidade de lotação e
o formato das salas devem ser comparados à sua utilização na prática.
2ª Etapa do estudo do Layout: Estudo das soluções alternativas
Nesta fase, caro(a) aluno(a), o analista deve levar em consideração as medidas padrões
para o desenvolvimento de seu estudo. Ou seja, levar em consideração as medidas padrões
para arranjo físico de escritório e inclusive a análise de interligações preferenciais que, em
outras palavras, indica o posicionamento relativo entre as várias unidades organizacionais da
empresa.
159ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Isto quer dizer que é importante construir um arranjo físico coerente com a intensidade das
trocas entre os departamentos. Segundo Oliveira (2011), o analista de OSM deve alocar os
setores que cooperam em seções próximas, diminuindo assim o consumo de tempo e recursos
financeiros com o transporte de pessoas, documentos e materiais. Para que se faça a análise
das aproximações necessárias entre os diversos setores de uma organização, o autor sugere
o uso do quadro de interligações preferenciais, que nada mais é do que uma matriz triangular,
que contém nos seus diversos cruzamentos um código indicativo da espécie de ligação
desejável para dada situação. Para seu maior esclarecimento segue modelo abaixo ilustrando
o referido quadro e legenda.
Tipo de Ligação Código Representação gráfica
Essencial 2
Desejável 1
Não 0
Indesejável X
Presidente
Secretária
Desenvolvimento
Reuniões
Vendas
Contabilidade
Laboratório
Desenho
Programação
Suprimentos
Tesouraria
Pessoal
Almoxarifado
2
2
1
1
1
1
1
1
1
2
1
x
Figura 28: Quadro de interligações preferenciais
Fonte: Oliveira(2011, pp.353-354)
3ª Etapa do estudo do Layout: Consolidação da solução
O analista deve consolidar e apresentar o arranjo físico, utilizando as seguintes ferramentas:
• Desenhos – gráficos de linha, representando os fluxos.
• Maquetes – miniaturas dos móveis e equipamentos. O objetivo neste momento é o de
facilitar a visualização do arranjo físico atual.
• Planta Baixa; e
• Cronograma da implantação: indicando dias, horas e prazo total.
160ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
4ª Etapa do estudo do Layout: Implantação e avaliação do arranjo físico escolhido
Nesta fase, o analista de O&M deve efetuar a implantação de acordo com o cronograma
e acompanhamento das medidas propostas. Para concretizar de maneira adequada a
implementação do arranjo físico o analista deve:
• Fornecer cópia das plantas aprovadas para todos os profissionais envolvidos nestas mu-
danças (pintor, técnico de telefones etc.).
• Entrega de relatório contendo todas as informações a respeito do novo projeto à equipe
de trabalho.
• Estabelecer data de conclusão do projeto.
• Preparar o pessoal envolvido na véspera da mudança, a fim de tomarem as providências
cabíveis.
• Organização do material, identificando o usuário, a unidade em que trabalha...
• Fixação dos móveis do escritório em seus novos lugares.
• Por fim, cada funcionário deve organizar seu ambiente de trabalho de acordo com o novo
arranjo físico do mesmo.
Concluída esta fase, o controle e avaliação de resultados vão permitir acompanhar se
a mudança efetuada foi a melhor solução para a situação anterior.
161ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Segue modelo de arranjo físico:
4
3
6
5
1
Seguros P.J
Teleacessória
Corretor P.F
Corretor VIP
Xerox
Sala de Reunião
Autoatendimento
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
Corretora de Seguros
Figura 29: Modelo de arranjo físico para escritório
Fonte: adaptado pelo autor
Leia mais sobre o assunto:
Caro(a) aluno(a), nestes links você poderá verifi car os aspectos pertinentes a elaboração dos fl uxo-
gramas para a análise dos processos administrativos, bem como para a padronização desses. Ainda
poderá constatar os conceitos referentes a layout, bem como os modelos principais, apresentando
suas vantagens e desvantagens, como também a aplicabilidade destes nas empresas.
<http://www.doceshop.com.br/blog/modelos-e-tipos-de-fluxograma-para-quase-todos-os-proces-
sos/>.
<http://www.saepro.ufv.br/Image/artigos/Artigo17.pdf>.
162ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), você pôde concluir nesta quarta unidade que a função controle e avaliação
em OSM consiste em medir e corrigir o desempenho, a fim de assegurar que os objetivos
organizacionais e os planos estabelecidos para alcançá-los sejam realizados. Desta forma,
há que se estabelecer uma comparação dos resultados obtidos com o que se pretende
alcançar. Também pudemos constatar que o fluxograma, sendo uma representação gráfica
dos processos administrativos, dos mais simples aos mais complexos, é um dos instrumentos
que permite o monitoramento e a avaliação dos resultados alcançados em uma unidade
organizacional ou ainda em uma empresa. Diante disto, foram expostas as etapas para
estudo das rotinas administrativas, as principais simbologias e convenções utilizadas na
elaboração e confecção dos fluxogramas em suas diversas modalidades e/ou modelos, como
os fluxogramas: vertical, parcial/descritivo e o global por colunas. Finalizando nosso estudo,
nesta quarta unidade abordamos o estudo do arranjo físico/layout, com o intuito de melhor
adaptar as pessoas ao ambiente de trabalho, segundo a natureza da atividade desempenhada,
envolvendo também a arrumação dos móveis, máquinas, equipamentos e matérias-primas,
como também melhorar os fluxos de trabalho existente no que diz respeito ao trânsito de
pessoas, circulação de documentos, enfatizando a economia de esforços e o aumento da
produtividade organizacional.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
ESTUDO DE CASO: Fórum do estado do Colorado utiliza fl uxogramas em investigações Forenses
O objetivo do Fórum de Investigação do Estado do Colorado (Colorado Bureau of Investigation – CBI),
nos Estados Unidos, é promover a segurança pública por meio de investigações criminais que forne-
çam dados confi áveis aos tribunais e a polícia. A fi m de cumprir sua missão, o CBI precisa manipular
e armazenar uma quantidade vultosa de informações. Em 2009, por exemplo, foram conduzidas mais
de oito mil investigações, a maioria com linhas de investigação bastante ramifi cadas e milhares de
163ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
pistas que precisavam ser consideradas. Para conferir mais agilidade aos processos de investigação,
sem abrir mão da precisão e confi abilidade dos dados, o CBI decidiu investir em tecnologia. Hoje, a
entidade conta com o auxílio do Visio, da Microsoft, software de diagramação que permite apresentar
os resultados da investigação em diferentes formatos. Por meio da nova ferramenta, o CBI utiliza
recursos gráfi cos na hora de apresentar suas conclusões para investigadores, tribunais, promotores
e advogados de defesa.
Fonte: MICROSOFT, Colorado Bureau of investigation, 12 maio 2010. Disponível em:<http://www.
microsoft.comcasestudies/Case_Study_Detail.aspx?CaseStudyID=4000006880>. Acesso em: 26 set.
2010.
Pergunta-se: as questões 01 e 02 referem-se ao estudo de caso.
1. De acordo com o estudo de caso, podemos concluir que os fl uxogramas mostram como
se apresenta um determinado processo ou procedimento e penetra em problemas cuja
solução interessa, diretamente, ao exercício de uma administração racional. Nesta linha
de raciocínio, descreva três das informações básicas que devem ser levantadas para a
elaboração de um fl uxograma do CBI. Argumente sua resposta de acordo com Oliveira
(2011).
2. Dos modelos de fl uxogramas que estudamos, qual você recomendaria ao CBI? Por quê?
Explique sua resposta.
3. Quando estudamos o layout, fi zemos um reconhecimento e análise das interligações
preferenciais que uma organização deve fazer quando do estudo do seu arranjo físico.
Pergunta-se: o que indica a análise de interligações preferenciais, quando do estudo do
arranjo físico? Explique e Exemplifi que.
4. Imagine que você foi convidado para assumir o cargo de analista de O&M em uma empre-
sa de médio porte. Sua primeira atribuição é redefi nir o layout, levando em consideração
os seguintes aspectos:
I. O ritmo de trabalho expõe os funcionários a muita pressão, o que gera uma atmos-
fera estressante.
II. A empresa está tendo problemas frequentes com a disposição de postos de traba-
lhos frontais (frente a frente).
III. Atividades que exige maior concentração ou que tratam de assuntos sigilosos divi-
dem o mesmo espaço com os funcionários que mantêm contato com o público, e
com equipamentos que produzem ruídos.
164ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
IV. O sistema de fiação elétrica está sobrecarregado, com muitos fios expostos a uma
mesma tomada, sem falar da aparência ruim do ambiente causada pela exposição
de diversos fios expostos pelo chão.
Descreva, passo a passo, como você redefiniria o layout proposto, utilizando os conteúdos
estudados por Oliveira (2011). Não se esqueça de argumentar sua resposta.
165ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Dorival Carreira, aos nove anos de idade, iniciou sua jornada nas empresas trabalhando como offi ce-
-boy. Três anos mais tarde, trabalhou em um escritório de contabilidade, depois no escritório deenge-
nharia Lutz e Melo Matos, no laboratório Skisa, no Banco Nacional de Minas Gerais, no Banco Moreira
Salles, no Governo do Estado de São Paulo e na Escola de Administração de Empresas de São Paulo
da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP). Graduado em Administração de Empresas pela FGV/
EAESP, onde atua como professor da cadeira de Sistemas e Métodos Administrativos desde 1987, em
Cursos de Educação Continuada GVpec para executivos, onde foi vice-coordenador; atuou também,
como vice-coordenador da Revista de Administração de Empresas e foi Membro da Comissão de
ética. O livro em análise apresenta as ferramentas utilizadas na elaboração de um projeto de mudan-
ça organizacional (PMO) e as metodologias de trabalho que garantem intervenções nas estruturas
organizacionais e operacionais de forma científi ca e segura.
CARREIRA, Dorival. Organização, sistemas e métodos: ferramenta para racionalizar as rotinas de
trabalho e a estrutura organizacional da empresa. São Paulo: Saraiva, 2009.
UNIDADE V
DESENVOLVENDO UM PROJETO DE MUDANÇA
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar as fases do desenvolvimento do projeto de mudança.
• Demonstrar as considerações básicas sobre as respectivas fases de um projeto de
mudança.
• Apontar os aspectos essenciais da análise da distribuição do trabalho.
• Expor o Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT).
• Mostrar a sistemática utilizada para a análise do (QDT).
• Apresentar os Manuais Administrativos.
• Identificar a estrutura de um manual administrativo.
• Relacionar os tipos de manuais administrativos.
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• O reconhecimento e a análise das fases de desenvolvimento do projeto de
sistemas
• Apresentando as considerações básicas sobre as fases do desenvolvimento
do projeto de sistemas
• Estudo e análise da distribuição do trabalho
• Uma abordagem sobre o Quadro de Distribuição do Trabalho, explorando sua
importância e aplicabilidade
• Sistemática para análise do quadro de distribuição do trabalho
• Contextualizando e apresentando os Manuais administrativos
• Descrevendo a estrutura do manual administrativo
• Contextualizando os tipos e modelos de manuais administrativos
169ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), nesta quinta e última unidade iremos expor as fases do desenvolvimento do
projeto de sistemas, fazendo uma abordagem da sequência dos passos necessários para o
estudo do Método que, por sua vez, podem ajudar a empresa a encontrar meios de diminuir
o tempo de produção e aperfeiçoar produtos e serviços. Você poderá constatar, por sua vez,
que os métodos são utilizados nas empresas a fim de elaborar modelos eficientes, capazes de
proporcionar maiores índices de produtividade aliados à redução de custos. Diante de todas
estas premissas, referentes ao método, esta unidade fará uma abordagem ao levantamento e
análise do método administrativo. Com esta abordagem, pretendemos enfatizar a reorganização
a título de exemplo da estrutura organizacional, por intermédio de um projeto de mudança, para
tanto, demonstraremos as fases necessárias para que esse projeto ocorra na mais perfeita
ordem, assegurando assim os melhores resultados. Na sequência, enfatizar-se-á o estudo e
distribuição do trabalho, como uma ferramenta essencial para a racionalização e simplificação
do fluxo de trabalho existente em uma organização. Com esta análise do trabalho realizada
nas diversas unidades organizacionais de uma empresa, pretende-se enfatizar a redução de
perdas (desperdícios) como ociosidade das pessoas envolvidas. E, finalmente, para concluir
nossos estudos, apresentaremos os manuais administrativos como um conjunto de normas
e procedimento necessários a uma empresa, para a maior ordenação dos seus processos.
Contudo, para que os manuais cumpram com eficiência e eficácia sua finalidade, devem reunir
uma série de requisitos (quanto a sua estrutura, por exemplo) que o analista de OSM, deve
estar sempre atento.
FASES DO DESENVOLVIMENTO DO PROJETO DE SISTEMAS
O projeto de um sistema, ou ainda o estudo e reformulação do método administrativo torna-
se mais fácil de ser executado e controlado, quando dividido em fases em que os objetivos
e resultados sejam claramente definidos. O conhecimento das principais fases a serem
170ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
seguidas é de suma importância para o adequado desenvolvimento dos trabalhos do analista
de sistemas. Assim, apresentamos a figura a seguir, contemplando as respectivas fases para
a metodologia, levantamento e análise dos métodos administrativos.
IDENTIFICAÇÃO, SELEÇÃO
E CONHECIMENTO
FASE 1
LEVANTAMENTO E
ANÁLISE DA
SITUAÇÃO ATUAL
FASE 3
ACOMPANHAMENTO,
AVALIAÇÃO E
ATUALIZAÇÃO
FASE 7
DETALHAMENTO
DO NOVO SISTEMA
FASE 5
ESTUDO DA VIABILIDADE
E ALTERNATIVAS
FASE 2
DELINEAMENTO E
ESTRUTURAÇÃO DO
NOVO SISTEMA
FASE 4
TREINAMENTO, TESTE
E IMPLEMENTAÇÃO
FASE 6
FASES DO DESENVOLVIMENTO
DO PROJETO DE SISTEMAS
Figura 30: Fases da metodologia de levantamento e análise, desenvolvimento e
implementação de métodos administrativos
Fonte: adaptado de Oliveira (2011, p. 229).
CONSIDERAÇÕES BÁSICAS SOBRE AS RESPECTIVAS FASES DA
METODOLOGIA DE LEVANTAMENTO, ANÁLISE, DESENVOLVIMENTO E
IMPLEMENTAÇÃO DE MÉTODOS ADMINISTRATIVOS
A primeira fase da metodologia de levantamento, análise, desenvolvimento e
implementação de métodos administrativos refere-se a Identificação, Seleção e
171ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Conhecimento. Você poderá conferir, nesta etapa, que para melhorar o funcionamento da
organização faz-se necessário identificar as falhas existentes e rastrear os departamentos/
unidades organizacionais envolvidas no problema. Para tanto, o analista de OSM deverá,
segundo Oliveira (2011):
• Identificar o sistema a ser analisado.
• Detectar quais são as unidades organizacionais envolvidas.
• Esclarecer qual a ideia preliminar que envolve todo o estudo deste projeto; e
• Constatar o esforço necessário para o adequado desenvolvimento do presente projeto.
Contudo, quanto aos critérios utilizados para a escolha do sistema a ser estudado
minuciosamente, o analista de OSM dever levar em conta os seguintes aspectos:
• A integração do sistema a ser analisado, com os outros sistemas da empresa.
• Viabilidade técnica e financeira.
• Oportunidade para desenvolver e implantar o sistema.
• Desejos e aspirações da alta administração.
• Capacidade técnica para desenvolvimento e implantação do novo sistema; e
• Expectativa do retorno do investimento feito.
É natural neste momento, caro(a) aluno(a), o analista de OSM, ater-se a algumas deficiências
que podem indicar a necessidade da implantação ou atualização dos sistemas da empresa,
podendo ser, dentre muitas, segundo Llatas (2011):
• burocracia excessiva;
• a utilização de equipamentos inadequados;
• a existência de gargalos operacionais e administrativos;
• falta de capacitação da mão de obra.
172ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Contribuindo com as inúmeras deficiências e desvios que possam apontar a necessidade de
reformulação do método administrativo, Oliveira (2011) também faz sua contribuição, quando
afirma:
• Duplicidade de formulários, registros e funções.
• Formulários mal delineados ou projetados.
• Estrutura organizacional inadequada.
• Manuais desatualizados e inadequados.
• Ambiente de trabalho desmotivador e inadequado.
• Arranjo físico deficiente.
• Falta de padronização de sistemas similares; e
• Inadequado e incompletosistema de informações.
Para que haja sucesso nesta etapa da metodologia, levantamento e análise do método
administrativo é interessante que o profissional de OSM selecione: a primeiro momento
sistemas de pequena escala, a fim de serem desenvolvidos rapidamente, com pouco custo; -
Fo
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e:
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173ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
sistemas considerados básicos, em cada unidade organizacional; - que existe a participação
dos clientes externos e internos (usuários) do sistema; e que apresentem estimativas de custos
e benefícios.
Já na segunda fase da metodologia de levantamento, análise, desenvolvimento e
implementação de métodos administrativos dar-se-á o Estudo da Viabilidade e de
Alternativas. O objetivo maior é elaborar um relatório indicador dos possíveis meios de
desenvolvimento do sistema, definindo os custos e benefícios de cada alternativa. Neste
sentido, segue ilustração a respeito da respectiva fase:
OBJETIVO
DESTA
FASE
Elaborar um relatório
indicador dos possíveis
meios de desenvolvimento
do sistema, definindo
custos e benefícios
para cada alternativa.
Estudo de
viabilidade
Análise do
custo/benefício
Análise:
1. do custo
2. dos benefícios
3. do retorno do
investimento
Figura 31: Aspectos a serem considerado no estudo da Viabilidade e de alternativas
Fonte: adaptado pela autora
Nesta segunda fase de estudo de viabilidade e alternativa, Oliveira (2011) faz sua
contribuição quando afirma que as principais atividades que vão requerer um estudo de
viabilidade, consistem em:
1. Definir as características principais do sistema.
174ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
2. Determinar as principais necessidades de saída, incluindo os tempos de resposta.
3. Analisar o organograma da empresa, analisando a distribuição dos departamentos envol-
vidos.
4. Determinar os tipos de dados e as estimativas de volumes.
5. Considerar as possíveis alternativas de atendimento às necessidades dos usuários.
6. Examinar outros sistemas que atendam a necessidades semelhantes.
7. Elaborar estimativas de custos de implantação e operacionais para cada alternativa apre-
sentada.
8. Documentar o estudo de viabilidade em relatório para o usuário e os administradores da
empresa.
9. Verificar a adequação das exigências dos sistemas aos objetivos da empresa.
Para Llatas (2011), depois de identificar o “calcanhar de aquiles” da empresa, é necessário
levantar dados, a fim de conhecê-lo melhor. Este momento compreende a terceira fase da
metodologia de levantamento, análise, desenvolvimento e implementação de métodos
administrativos, que diz respeito ao Levantamento e Análise da Situação Atual, a equipe
de análise OSM, irá efetuar o diagnóstico da situação existente, para posteriormente desenhar
o sistema a ser implementado, isto na fase seguinte.
É importante ressaltar que a utilização de gráficos favorece a visualização do problema.
Quando a falha identificada diz respeito à estrutura organizacional, por exemplo, o organograma
é a representação gráfica ideal, pois organiza visualmente a hierarquia e os diferentes
departamentos e cargos que compõem a empresa.
Contudo, com o intuito de ter uma visão sistêmica (de toda a estrutura, compreendendo todas
as suas partes) o analista de OSM deve estar atento aos seguintes aspectos quando do
levantamento de dados.
175ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 18: Aspectos básicos do levantamento de dados
Documentação
existente
ASPECTO DESCRIÇÃO
Distribuição das
atividades
Uso de recursos
materiais
Tempo de
execução
Fluxo do
processo
Tecnologia da
informação
A má distribuição das atividades cria «gargalos», ou seja, a sobrecarga
de um setor operacional ou administrativo. No outro extremo, a falta de
equilíbrio na divisão de tarefas estimula a ociosidade de funcionários.
Em geral, esse tipo de problema resulta em desperdício de recursos
financeiros, mão de obra e tempo.
É fundamental monitorar o caminho percorrido pelos diferentes
processos da empresa. Não é raro identificar etapas desnecessárias e
falhas na execução de atividades essenciais para o sucesso dos negócios.
É importante verificar se os hardwares e softwares são capazes de
atender à demanda. Vale a pena identificar também quais sistemas de
informação são usados, sem deixar de observar se eles estão ou não em
sintonia com os objetivos da empresa.
É preciso estipular um tempo ideal para a execução dos processos
operacionais e produtivos. Atrasos podem indicar problemas no processo
em análise.
O consumo de materiais é um componente expressivo no cálculo do
custo final do produto. No entanto, há empresas que não monitoram de
forma eficiente o uso de tais recursos, aumentando desnecessariamente
o custo de produção.
Frequentemente, a ausência ou desatualização de documentos causa
problemas graves, como a falta de padronização dos procedimentos.
Fonte: adaptado de D’Ascenção (2007, p. 71 apud LLATAS, 2011, p. 81)
Entretanto, para que se faça o levantamento da documentação existente, a título de exemplo,
o analista de OSM poderá utilizar-se das seguintes atividades:
a. Entrevista com os Usuários.
b. Análise das políticas e diretrizes existentes.
c. Análise da interação do sistema considerado com a atual estrutura organizacional.
176ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
d. Análise da documentação existente, bem como do tipo de arquivamento desta documenta-
ção.
Ainda para o desenvolvimento desta terceira fase, em se tratando do levantamento de dados
e informações do sistema a ser considerado, o analista /equipe de trabalho, poderá fazer uso
das seguintes técnicas de levantamento de dados: questionário, entrevista e observação
pessoal.
● O QUESTIONÁRIO COMO TÉCNICA DE LEVANTAMENTO DE DADOS:
Segundo Nogueira (apud FACHIN 2007, p.147), questionário pode ser conceituado “como uma
série de perguntas organizadas com o fim de se levantar dados para uma pesquisa, com
respostas fornecidas pelos informantes, sem assistência direta ou orientação do investigador”.
• Caso este seja operado pelo pesquisado na ausência do pesquisador, deverá ser acom-
panhado de instruções específicas e de uma carta pessoal, com envelope endereçado
para a resposta.
Algumas Regras essenciais para a elaboração do questionário, segundo o autor citado:
a. Incluir questões comprovadamente essenciais.
b. Evitar questões que não servem para a identificação do que é pesquisado.
c. Não incluir perguntas cujas respostas possam propiciar inexatidões.
d. Não incluir questões cujas respostas possam ser obtidas por outra pessoa que não o pes-
quisado.
e. Não sugerir respostas, questões neutras.
f. Não incluir questões que obriguem o pesquisado a responder por suposições.
g. Usar palavras e expressões familiares ao pesquisado.
h. Questões que produzam a informação desejada (vocabulário).
177ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
i. Antes da aplicação, deve ser submetido a provas quanto a sua fidelidade e validade.
j. Considerar o nível intelectual da população pesquisada.
Em virtude da importância da coleta de dados e que esta pode influir no resultado
final do levantamento de dados, destacaremos algumas Vantagens da Técnica do
Questionário:
I. Pode ser encaminhado por correio ou por malote.
II. Pode ser aplicado em áreas geográficas de grande extensão.
III. Anonimato, muitas vezes necessário.
IV. As instruções uniformes que, em geral, acompanham os questionários, levam à obtenção
de respostas precisas.
V. O pesquisadotem mais tempo para responder às perguntas, comparado com o formulário.
Em contrapartida, é interessante que o analista de OSM tenha em mente que a Técnica
do Questionário também apresenta algumas limitações, a saber:
a. Não sendo bem redigido, conduz à incompreensão e compromete relativamente as respos-
tas.
b. O pesquisado por falta de compreensão, pode ser tendencioso nas respostas.
c. Pode ser extraviado, seja pelo correio ou até pelo próprio pesquisado, afetando a represen-
tatividade dos resultados da pesquisa.
d. Pode ocorrer atraso no seu preenchimento, em face do desinteresse do pesquisado, ou
ainda respostas em branco ou incompletas.
e. A população a ser pesquisada deve ser homogênea, por exemplo, todos devem ser alfabe-
tizados.
178ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Em termos metodológicos, caro(a) aluno(a), o analista de OSM poderá usar nos
questionários e formulários (que será apresentado a seguir) questões abertas e
questões fechadas. De repente, você pode estar se questionando, mas o que trata
esses tipos de questões? Para sanar e contribuir com nossa linha de estudo Fachin
(2007) bem o diz que:
• Questões Abertas: são aquelas que dão condição ao pesquisado de discorrer esponta-
neamente sobre o que se está questionando; as respostas são de livre deliberação, sem
limitações e com linguagem própria.
• Questões Fechadas: são aquelas em que o pesquisado escolhe sua resposta em um
conjunto de categorias elaboradas juntamente com a questão. Direciona o pesquisado
para as alternativas já estruturadas; não há liberdade para que ele expresse sua opinião.
Podem ser limitadas entre duas opções, como em alguns casos merecem ter mais de
duas alternativas, dependendo do objetivo que se quer alcançar com a resposta.
● A ENTREVISTA COMO TÉCNICA DE LEVANTAMENTO DE DADOS:
Para Fachin (2007), a entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas
obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de
natureza profissional. Sendo utilizada na investigação social, para a coleta de dados ou para
ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social. Seu objetivo é focado na
obtenção de informações do entrevistado, sobre determinado assunto ou problema.
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179ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• TIPOS DE ENTREVISTAS:
a. Padronizada ou Estruturada: acompanha um roteiro previamente estabelecido pelo en-
trevistador do que será questionado e tratado no decorrer da entrevista.
b. Despadronizada ou não estruturada: não possui um roteiro previamente estabelecido,
permitindo maior liberdade quanto ao transcorrer dos assuntos a serem tratados durante a
mesma; e
c. Painel: tipo especial de entrevista que comporta um entrevistador e vários entrevistados
(grupos de 5 a 8 pessoas). Os entrevistados são submetidos em conjunto a essa técnica,
ocorrendo o anonimato dos participantes. O entrevistador levantará uma questão, solicitan-
do que um entrevistado coloque seu ponto de vista, levando outras pessoas a participarem
do debate colocando seus pontos a favores ou contra. Exige, portanto, um espaço adequa-
do para que ocorram as entrevistas.
Em virtude da importância da coleta de dados e que esta técnica também pode
influenciar no resultado final do levantamento de dados, destacaremos algumas
Vantagens da Técnica da Entrevista:
a) Pode ser utilizada com todos os segmentos da população: analfabetos ou alfabetizados.
b) Há maior flexibilidade (para o entrevistador).
c) Oportunidade para observar atitudes.
d) Obtenção de dados que não se encontram em fontes documentais; e
e) Permite que os dados sejam quantificados e tratados estatisticamente.
Em contrapartida, é interessante que o analista de OSM tenha em mente que a Técnica
da entrevista assim como o questionário também apresenta algumas limitações, a
saber:
a. Dificuldade de expressão e comunicação (ambas as partes).
b. Incompreensão, por parte do informante.
180ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
c. Possibilidade de o entrevistado ser influenciado.
d. Retenção em alguns dados (pela identidade revelada).
e. Ocupa muito tempo e é difícil de ser realizada.
Quanto às Diretrizes da Entrevista o analista de OSM deve ficar atento a alguns aspectos
que a primeiro momento podem superficialmente aparentar pouco importância, mas
que na prática, sabe-se de acordo com os estudiosos do assunto como Fachin (2007),
podem afetar o resultado final, caso não sejam observados:
1. Contato inicial.
2. Formulação de Perguntas.
3. Registro de Respostas.
4. Término da Entrevista; e
5. Requisitos Importantes: segundo Lodi (apud LAKATOS 2003, p. 200), as respostas de
uma entrevista devem atender aos requisitos: validade, relevância, especificidade e clare-
za, profundidade e extensão.
● A OBSERVAÇÃO COMO TÉCNICA DE LEVANTAMENTO DE DADOS:
A técnica de levantamento de dados conhecida como observação, caro(a) aluno(a), tem como
finalidade conseguir informações utilizando os sentidos na obtenção de determinados aspectos
da realidade. Entretanto, não consiste em apenas ver e ouvir, mas também em examinar fatos
ou fenômenos que se desejam estudar.
Em se tratando de ser tão importante quanto às técnicas de levantamento de dados
apresentadas até então, a Técnica da Observação apresenta algumas Vantagens que
merecem destaque:
a. Possibilita meios diretos e satisfatórios para estudar uma ampla variedade de fenômenos.
181ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
b. Exige menos do observador do que as outras técnicas.
c. Permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas.
d. Depende menos da introspecção ou da refl exão.
e. Permite a evidência de dados não constantes do roteiro de entrevistas ou de questionários.
Não obstante a referida Técnica da Observação também apresenta alguns malefícios, que
merecem a análise do pesquisador:
a) O observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador.
b) A ocorrência espontânea não pode ser prevista, o que impede, muitas vezes, o observador
de presenciar o fato.
c) Fatores imprevistos podem interferir na tarefa do pesquisador.
d) A duração dos acontecimentos é variável: pode ser rápida ou demorada e os fatos podem
ocorrer simultaneamente.
e) Vários aspectos da vida cotidiana, particular, podem não ser acessíveis ao pesquisador.
Importante: realizado o estudo das possíveis soluções para o problema em questão, o analista de
OSM deverá buscar a alternativa mais adequada para as condições específi cas da empresa em es-
tudo. Contudo, na hora de escolher a alternativa mais adequada, é preciso levar em consideração os
benefícios tangíveis e intangíveis. Em geral, recebem o nome de benefícios tangíveis as vantagens
mensuráveis, como a redução das despesas, a diminuição do tempo de execução das atividades e o
aumento do lucro líquido. Os benefícios intangíveis não podem ser medidos numericamente. Eles
costumam se manifestar sob a forma de qualidade dos produtos e serviços e na inserção estratégica
da empresa.
182ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Na quarta fase da metodologia de levantamento, análise, desenvolvimento e
implementação de métodos administrativos, você verificará que será dada a definição do
sistema que deverá ser implantado, ou seja, trata-se do Delineamento e Estruturação do
Novo Sistema. As atividades básicas que a compreendem são representadas na figura a
seguir.
DELINEAMENTO
E ESTRUTURA
DO NOVO
SISTEMA
CONCEITUAR E
DEFINIR O
SISTEMA A SER
IMPLANTADO
1.
DETERMINAROS OBJETIVOS DO SISTEMA ATUAL.
2.
ESTUDAR O SISTEMA ATUAL.
3.
ANALISAR AS NECESSIDADES DOS USUÁRIOS E DA EMPRESA.
4. ANALISAR AS RESTRIÇÕES IMPOSTAS PELA ÁREA DO USUÁRIO.
5. DEFINIR A RESPONSABILIDADE DOS USUÁRIOS.
6.
EXAMINAR A INTERAÇÃO DO SISTEMA PROPOSTO COM OUTROS
7.
SISTEMAS.
8.
DETALHAR AS NECESSIDADES DOS USUÁRIOS.
9.
PREPARAR AS ESPECIFICAÇÕES DO PROJETO DO NOVO SISTEMA.
10.
PLANEJAR AS FASES
DO PROJETO DO NOVO SISTEMA E DE SUA
11.
IMPLANTAÇÃO.
12.
ELABORAR UM RELATÓRIO PARA O USUÁRIO E PARA A ÁREA DE
13.
SISTEMAS.
OBJETIVO
Figura 32: Delineamento e estruturação do novo sistema
Fonte: adaptado pela autora
Durante essa fase é comum ocorrer a escolha da tecnologia de informação mais adequada
à realidade da empresa, para tanto, é fundamental contar com uma equipe integrada por
analistas de OSM, analistas de sistemas, analistas de rede de computadores e especialistas
nas tecnologias de Internet e intranet.
Desta forma, a equipe de TI e o analista de OSM também devem assegurar que as tecnologias
de informação empregadas serão capazes de disponibilizar os dados apenas para os
funcionários encarregados de gerenciá-las, segundo Llatas (2011).
183ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
A quinta fase da metodologia de levantamento, análise, desenvolvimento e
implementação de métodos administrativos diz respeito ao Detalhamento do Novo
Sistema. Esta fase tem como objetivo detalhar o projeto a um nível que permita a implantação
da melhor maneira possível à empresa. Para tanto, as principais atividades desenvolvidas
neste momento, compreende:
1. Complementação dos fluxogramas geral e parciais.
2. Identificação do volume total de dados e informações tratadas no sistema.
3. Desenho dos formulários.
4. Definição da necessidade de relatórios, volume, frequência e distribuição.
5. Desenvolvimento da lógica geral do sistema.
6. Determinação dos procedimentos de controle, avaliação e de auditoria do sistema.
7. Definição dos dispositivos de arquivamento a utilizar.
8. Revisão da estimativa do custo operacional do novo sistema.
9. Elaboração de um plano detalhado para a implementação do novo sistema.
Depois do detalhamento do novo sistema o analista de OSM terá o novo modelo (projeto)
“finalizado” — que pode ser um novo processo, um novo desenho organizacional, uma nova
distribuição de tarefas — e prepará-lo para a etapa de implementação. A partir deste momento
dar-se-á início a sexta fase do projeto com o intuito de orientar a atuação dos funcionários
e sanar possíveis dúvidas. É interessante, neste momento, padronizar os procedimentos
operacionais e administrativos, bem como determinar com clareza os objetivos e a política do
projeto.
Diante do que já expomos a respeito da penúltima e sexta fase da metodologia de
levantamento, análise, desenvolvimento e implementação de métodos administrativos
184ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
você já deve ter em mente que esta tratará do Treinamento, Teste e Implantação do Novo
Sistema.
Depois de finalizada a construção do novo modelo, é preciso aprovar a proposta, reunindo as
áreas responsáveis, a alta direção etc. Uma vez aprovado o projeto, é hora de normatizá-lo,
estabelecendo um conjunto de procedimentos uniformizados para cada situação. Desta forma,
essas normas devem ser reunidas em um manual (que será estudado ainda nesta unidade),
documento que deve ser utilizado pelos gerentes e funcionários como um guia prático para
consulta e orientação.
Todavia durante a etapa de treinamento com os usuários e colaboradores do novo sistema, as
normas contidas nos manuais devem ser expostas e ensinadas aos mesmos.
Quadro 19: Treinamento, teste e implantação do novo sistema
TREINAMENTO
DOS USUÁRIOS
- O PROCESSO DE TREINAMENTO DEVE SER DESENVOLVIDO, EM CONJUNTO
COM O USUÁRIO, DESDE OS PRIMEIROS PASSOS D O TRABALHO. SE O TREI-
NAMENTO FOR FEITO DESSA FORMA, HAVERÁ MAIOR POSSIBILIDADE DE O
USUÁRIO ADQUIRIR MAIOR CONFIANÇA PELO SIST EMA.
TESTE DO
NOVO
SISTEMA
-
O ADMINISTRADOR PODE ESCOLHER:
1. TESTAR O SISTEMA ANTES DE IMPLANTÁ -LO.
SEM TESTES ESPECIAIS.
3. IMPLANTAR O NOVO SISTEMA EM PARALELO COM O VELHO SISTEMA.
-
ORIENTAÇÕES PARA TESTAR O SISTEMA:
1. TESTAR CADA MÓDULO DO SISTEMA SEPARADAMENTE.
2. UTILIZAR DADOS REAIS, ALÉM DOS DADOS DE TESTE.
3. EXECUTAR UM PROCESSAMENTO EM PARALELO, ANTES DO PROCESSA -
MENTO DEFINITIVO.
4. TESTAR O SISTEMA COMO UNIDADE.
5. FAZER COM QUE O USUÁRIO TESTE O SISTEMA.
6. INCLUIR DELIBERADAMENTE DADOS DE OUTRO SISTEMA TOTALMENTE
DIFERENTE PARA SE CERTIFICAR SE SÃO COMPLETAMENTE REJEITADOS.
7.
EXPERIMENTAR PROCEDIMENTOS
DE COMEÇO A FIM DE MÊS E DE ANO.
8. CONVENCER OS AUDITORES DA EMPRESA A TESTAREM O SISTEMA.
IMPLANTAÇÃO
DO NOVO
SISTEMA
-
O ADMINISTRADOR DEVE ESTAR BASTANTE ATENTO NESTA ETAPA, POIS É
NA IMPLANTAÇÃO QUE MUITOS SISTEMAS BEM PROJETADOS FALHAM, DEI -
XANDO DE ENTRAR EM FUNCIONAMENTO OU SÃO IMPLANTADOS SEM O ADE -
QUADO CONTROLE.
Fonte: adaptado de Oliveira (2011)
185ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Concluindo a metodologia levantamento e análise dos métodos administrativos, apresentamos
a sétima e última fase que corresponde ao Acompanhamento, Avaliação e Atualização do
Sistema Implantando. Esta fase, para Llatas (2011), corresponde ao monitoramento periódico
do novo modelo permitindo identificar o surgimento de novos problemas e implementar um
programa de melhoria contínua. Além disso, a realização de auditorias também auxilia a
verificação de compliance, averiguando se as atividades da organização estão de acordo com
as normas legais que regem o ramo de atuação da empresa.
Já na perspectiva de Oliveira (2011), o Acompanhamento dirá respeito a:
a. Fixar pontos de controle no sistema.
b. Especificar os critérios para avaliar a frequência do controle nos pontos considerados.
c. Entrevistar os usuários do sistema e investigar quais problemas ou melhorias o sistema
está trazendo.
d. Efetuar todos os ajustes necessários e de forma adequada.
e. Quanto à avaliação do sistema a ser considerado, o autor citado destaca como imprescin-
dível:
I. Preparar um programa de trabalho para a auditoria.
II. Fazer uma auditoria adequada.
III. Entrevistar os usuários e anotar os problemas e/ou sugestões.
IV. Documentar os pontos e os aspectos a serem analisados
V. Preparar um relatório sobre a auditoria e soluções recomendadas.
E, finalmente, para concluir a atualização do novo sistema, o analista de OSM, deve estar
atento, segundo o mesmo autor a: ajustes e modificações necessários ou convenientes,
devem ocorrer a qualquer tempo, tendo em vista a modificação constante do ambiente em que
a empresa encontra-se.
186ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O analista de OSM, quando da reorganização de uma estrutura organizacional, ou ainda dos seus
processos, deve buscar coletar informações, avaliar a qualidade dessas, coletar opiniões dos futuros
usuários dos sistemas, discutir com as partes interessadas em cada etapa do novo projeto, submeten-
do o projeto de mudança à apreciação de todas as pessoas envolvidas, treinando o pessoal e somente
a partir deste ponto, implantar o novo projeto, para a partir daí efetuar o controle do mesmo.
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO
Este tópico permitirá que você venha a conhecer e compreender o que trata o estudo da
distribuição do trabalho em termos organizacionais, Para tanto, vamos esclarecer o objetivo
deste estudo (da distribuição do trabalho), que é garantir queo tempo de execução das
tarefas atenda às necessidades organizacionais e que as habilidades dos funcionários sejam
compatíveis com os cargos que ocupam, colabora Llatas (2011). Em síntese, espera-se que
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187ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
com este estudo e aplicabilidade do mesmo, o analista de OSM possa promover a distribuição
do trabalho entre os diversos cargos e departamentos de uma empresa de maneira equilibrada.
Durante o estudo da distribuição do trabalho ou da análise do Quadro de Distribuição do
Trabalho (QDT), você poderá inclusive detectar alguns aspectos inerentes à centralização e
descentralização do poder (assuntos já vistos na unidade anterior).
Com a análise da distribuição do trabalho também se torna possível detectar possíveis
sobrecargas ou ociosidades em determinados cargos e funções, permitindo uma verificação
profunda da necessidade de criação ou extinção de cargos, além de promover qualidade e
melhoria no desempenho e satisfação na realização de tarefas.
De acordo com Chinelato (2008, p.66), “o estudo da distribuição do trabalho tem por fim analisar
a efetividade das atividades de cada órgão, a participação igualitária de todas as pessoas no
sentido de alcançar os objetivos do órgão e a pertinência de cada empregado”.
Contribuindo com este estudo, “a análise da distribuição do trabalho deve ser desenvolvida no
sentido de identificar e criticar a carga de trabalho de cada unidade da organização, visando
aferir a nacionalidade de sua distribuição” (CURY, 2006, p. 412).
A análise da distribuição do trabalho permite diagnosticar eventuais tempos mortos, identificar
as tarefas de maior importância ou que exijam maior tempo em manipulação, controlar a
correspondência entre o treinamento dos empregados e as tarefas a estes atribuídas, verificar
a existência de um equilíbrio na distribuição das várias tarefas, segundo Cury (2006).
Quadro de distribuição do trabalho (QDT)
O estudo da distribuição do trabalho conduz a elaboração do QDT – Quadro de Distribuição do
Trabalho. Ao sintetizar as atividades inerentes a cada cargo de chefia, o quadro de distribuição
do trabalho é útil para o analista de OSM, pois proporciona uma visão global sobre tudo o que
é feito nos departamentos da empresa. De acordo com Rebouças (2009 apud LLATAS, 2011)
o quadro deve ser elaborado para atender aos seguintes objetivos:
188ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• verificar se a mão de obra está sendo devidamente aproveitada;
• averiguar se há equilíbrio na distribuição do trabalho entre os departamentos;
• analisar o grau de especialização das tarefas;
• verificar o critério vigente para distribuição do trabalho;
• verificar se há tarefas desconexas, dispersas em departamentos diferentes.
Para Araujo (1989), o Quadro de Distribuição do Trabalho é a técnica que mais se adapta a
estudos ligados à distribuição do trabalho, sendo este de elaboração simples, em que a própria
análise é facilitada pelo uso do gráfico demonstrativo, as alternativas de análise são amplas e
é possível saber até mesmo o custo de determinada tarefa.
Quanto a Elaboração do quadro de distribuição do trabalho, o analista de OSM deve
segmentar a elaboração do quadro de distribuição do trabalho em duas etapas principais:
coleta de dados e listagem das atividades (LLATAS, 2011).
Elaboração do quadro de
distribuição do trabalho
Coleta de dados
Listagem das atividades
Figura 33: Etapas da elaboração do quadro de distribuição do trabalho
Fonte: Llatas (2011, p. 155)
As informações obtidas com o auxílio da técnica do questionário devem ser utilizadas
para detectar o volume de trabalho alocado em cada um dos departamentos e as ligações
funcionais existentes entre eles. O resultado desses procedimentos é o quadro de distribuição
do trabalho, para o autor citado.
189ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 20: Perguntas do questionário para o levantamento de dados das atividades
individuais e organizacionais
Descreva, em sua opinião, a função de sua unidade organizacional.
Liste as operações que estão sob responsabilidade de sua unidade organizacional.
Quais são os objetivos dessas operações?
Que operações são realizadas no desenvolvimento de políticas e estratégias relativas à
empresa e/ou sua unidade organizacional?
Existem outras operações que também deveriam ser realizadas?
Que resultados sua unidade organizacional tem obtido?
Que outros resultados deveriam ser alcançados?
Que operações são executadas em parceria com outras unidades organizacionais?
Unidade organizacional:_______________________
1
3
4
5
6
7
8
2
Fonte: Llatas (2011, p. 156)
Já para Cury (2006), o QDT deve ser constituído por meio do preenchimento de uma sequência
de quatro formulários: elaboração das relações individuais de tarefas (quadro 21); consolidação
da lista diária em lista de tarefas semanais (quadro 22); elaboração da lista de atividades do
órgão (quadro 23) e; elaboração do quadro de distribuição do trabalho (quadro 24), ilustrados
a seguir.
190ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 21: Lista de tarefas individuais
Logotipo e
nome da empresa Lista de Tarefas Individuais
Divisão:
Seção:
Nome:
Cargo: Data:
Atividade:
Número Tarefas
Diárias
regulares ou
esporádicas
(Indicar % dia)
Fonte: Cury (2006, p. 416)
Quadro 22: Lista de tarefas semanais
Logotipo e
nome da empresa Lista de Tarefas semanais
Divisão:
Seção:
Nome:
Cargo: Data:
Atividade:
Número Tarefas Diárias
Total
semanal
(horas/semana)
Fonte: Cury (2006, p. 417)
191ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 23: Lista de atividades
Logotipo e
nome da empresa
Lista de Atividades
Divisão:
Seção:
Nome do responsável:
Cargo/função:
Assinatura:
Data:
Número
Atividades desenvolvidas
Fonte: Cury (2006, p. 418)
192ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 24: Quadro da distribuição do trabalho
Acompanhamento do Fluxo de Trabalho - Quadro de Distribuição do Trabalho (QDT)
Data: Nome: Chefia: Analista
Unidade: Cargo: Cargo: Data de revisão
Nº Atividades Principais Nº Subatividades Horas %Horas Obs.:
Início Fim Total Sobre 480min=08:00hs
TOTAL
Obs.: a carga horária poderá variar de acordo com o cargo em estudo (ver coluna de % Horas)
Fonte: Oliveira (2008, p. 322)
De acordo com o autor Cury (2006), a análise do quadro de distribuição do trabalho deve ser
desenvolvida pelos seguintes fatores:
1) Fator tempo: deve-se considerar o tempo consumido pelas diversas atividades/tarefas.
2) Fator capacidade profissional: neste item, devemos procurar um equilíbrio entre as atri-
buições e responsabilidades dos empregados, em função dos respectivos cargos e as
tarefas que lhes são cometidas; igualmente, pode servir como diagnóstico de necessidade
de treinamento.
3) Equilíbrio no volume de trabalho dos diversos empregados: é necessário verificar se o
trabalho está sendo distribuído equitativamente entre os diversos empregados, se há acú-
193ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
mulo de trabalho se existe empregadosexecutando várias tarefas desconexas se existe
alguma tarefa dispersa por vários executantes.
4) Possibilidades preliminares de simplificações no trabalho: verificar se existe superes-
pecialização no trabalho existência de duplicidade de trabalhos possibilidade de substituir
trabalho manual por mecânico, simplificação de formulários utilizados e análise do layout.
SISTEMÁTICA PARA ANÁLISE DO QDT
Para uma perfeita análise do QDT – Quadro de Distribuição do Trabalho, caro(a) aluno(a),
podemos adotar o seguinte roteiro, segundo Chinelato (2008, p. 67), questionando os seguintes
aspectos:
a) Quais as atividades que, na prática, estão tomando mais tempo do órgão;
b) Pesquisar as atividades que deveriam tomar mais tempo do órgão, tendo em vista
os seus objetivos;
c) Algumas tarefas ou atividades podem ser suprimidas, sem danos ao serviço;
d) Alguma tarefa ou atividade essencial para o órgão está deixando de ser realizada;
e) O tempo gasto em cada tarefa é compatível com o seu grau de importância;
f) Ver se existe coerência entre a capacitação técnica de cada empregado e as tarefas
que ele executa;
g) Há tarefa sendo executadas em duplicidade;
h) Há equanimidade na distribuição do trabalho pelos diversos empregados;
i) Há compatibilidade entre os cargos dos empregados e as atividades do órgão;
j) Há sobrecarga ou ociosidade no órgão.
Com esses questionamentos, pretende-se efetuar uma das formas de se analisar a distribuição
do trabalho de uma unidade organizacional, ou ainda em uma organização. Contudo, é
importante frisar que o analista de O&M deve reunir um profundo conhecimento prévio do
órgão, não só em nível de estrutura formal, como em nível de relações e estruturas informais.
Para a análise dos aspectos: - Tempo, Capacidade Profissional, Equilíbrio no volume de
194ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
trabalho dos diversos funcionários envolvidos nas atividades e Possibilidades preliminares de
simplificação, torna-se importante levar em consideração algumas recomendações feitas por
Chinelato (2008).
Quanto ao TEMPO, o analista de O&M deve questionar sobre assuntos que envolvem a
atividades, por exemplo:
• Quais as atividades e tarefas que tomam mais tempo?
• São estas realmente as que deveriam tomar mais tempo?
• O tempo gasto em umas e outras é compatível com a respectiva importância?
• Existem relações formais e informais com um elevado consumo de tempo?
• É dada a necessária prioridade de execução às tarefas mais urgentes?
Quanto a CAPACIDADE PROFISSIONAL, podemos indagar:
• São aproveitadas com acerto as habilidades e a formação técnica de cada um?
• Há pessoal de nível superior exercendo trabalhos que possam ser feitos por empregados
de nível inferior?
• Há indícios de que os empregados necessitam de treinamento especial?
• Os empregados sabem trabalhar com as máquinas e outros instrumentos existenteb no
escritório?
• Há empregados executando tarefas que não tenham relações entre si?
• Há vantagens de agrupar tarefas com características operativas semelhantes?
Já com respeito ao EQUILÍBRIO NO VOLUME DE TRABALHO DOS VÁRIOS
FUNCIONÁRIOS, torna-se importante interrogar:
• Existem funcionários com excessiva carga de trabalho e outro com excessiva folga?
195ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Há acúmulo de trabalho?
• Existem trabalhos que se processam em ondas?
E, para finalizar, referente a POSSIBILIDADES PRELIMINARES DE SIMPLIFICAÇÃO das
tarefas realizadas, temos os seguintes questionamentos:
• São necessárias todas as tarefas executadas?
• Há duplicidade de trabalho?
• Existe algum trabalho que possa ser vantajosamente substituído por trabalho mecânico,
ou vice-versa?
• É possível modificar a localização de mesas e arquivos, a fim de encurtar e facilitar o fluxo
de documentos?
196ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Quadro 25: MODELO DE QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DO TRABALHO
Fonte: Cury (2006)
197ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
MANUAIS ADMINISTRATIVOS
Fechando nossos estudos com Manuais Administrativos, esperamos atender vossa expectativa
quanto à disciplina de OSM, no que diz respeito a esta lhe proporcionar ferramentas e
técnicas para a melhor aplicabilidade das quatro funções da arte de administrar, ou seja, do
planejamento, organização, direção e controle. Mas como ainda não encerramos nossos
estudos aqui, indagamos a você: o que são manuais? Com a colaboração de alguns estudiosos
já mencionados temos que os manuais organizacionais são instrumentos fundamentais para
empresas que pretendem implantar certo grau de formalização. Em outras palavras, os
manuais organizacionais são conjuntos de normas que têm por objetivo padronizar as políticas,
as instruções e os procedimentos que devem ser adotados no dia a dia da empresa (LLATAS,
2011).
Na sequência será focado aspectos, como a importância destes, finalidade, tipos, estrutura de
um manual, em outras palavras, uma abordagem que envolverá todos os aspectos básicos para
a utilização desta ferramenta tão importante, para toda estrutura organizacional. Desta forma,
caro(a) aluno(a), o Manual deve espelhar as políticas, diretrizes, normas e procedimentos mais
convenientes para a empresa e não o inverso, ou seja, o Manual não deve constituir-se em
uma camisa de força para a empresa (WATANABE, 2005, p. 102). Contribuindo com nossa
linha de estudo, Araujo (1985) diz que:
A elaboração e uso de manuais é um artifício aplicado pela maioria das organizações de
certa complexidade. A grande quantidade de textos dispersos (regulamentos, instruções,
circulares, atos oficiais, leis em geral etc.) que as pessoas têm de manejar para resolver
dificuldades relativas à organização como um todo torna conveniente dispor de meios
que sejam acessíveis, claros, sistemáticos e susceptíveis de atualização. Esses meios
informativos são os manuais (p.130).
Contribuindo com nosso estudo, Cury (2006) acrescenta que os manuais são documentos
elaborados dentro das organizações a fim de uniformizar os procedimentos, sendo assim
utilizado como instrumento de racionalização de métodos e sistema de comunicação com
integração entre os diversos setores organizacionais. Estes são constituídos de normas,
198ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
instruções, rotinas e outras ferramentas auxiliares como tabelas, fluxogramas, listas etc.
Observa Araujo com a tese:
Os manuais contêm fatos e dados em forma de regra, procedimentos operacionais,
diretrizes e instruções. É certo que pessoas de todos os níveis hierárquicos consideram
útil a existência dos vários tipos de manuais, desde o manual que aponta uma pequena
rotina até o manual que indica as grandes diretrizes da organização (KELLY apud
ARAUJO, 1985, p.130).
Em outra visão, acrescenta Dale (apud CURY, 2006, p. 428), o manual de Organizações
“tem ainda a possibilidade de se tornar um rico repositório das experiências acumuladas dos
gerentes mais antigos, que poderão ser aproveitadas para facilitar o treinamento dos mais
novos, também, constituir-se em um útil manual de consultas”. Neste sentido, discorre sobre
o assunto Watanabe:
O Manual constitui, ainda, um eficiente instrumento de treinamento e reciclagem de
funcionários, bem assim de integração de pessoal recém-contratado, na medida em
que ele apresenta, não apenas as atividades e as rotinas da instituição, mas também o
inter-relacionamento das várias unidades funcionais, mediante os vários processos ou
sistemas administrativos (WATANABE, 2005, p. 101).
Para Watanabe (2005), os manuais estão sempre em crescimento junto com a organização.
Ele deve ser dinâmico e flexível e servir de guia para os que utilizam, estãosujeitos a sofrer
alterações e adaptações sempre que necessário.
Um indicador do uso de manuais aparece quando o analista de OSM está desenvolvendo
alguma técnica de simplificação de trabalho, por exemplo, quando o estudo é direcionado às
rotinas. Conforme Araujo (1985), logo lhe caberá a elaboração e aplicação de fluxogramas.
Nesse momento, é discutida a manualização. Independente do estudo específico, basta que o
analista utilize alguma ferramenta como questionário, entrevista e observação “para concluir
pela elaboração de informações habilmente colocadas no papel e transformadas em guias
orientados”.
Os objetivos da manualização conforme cita Araujo, (1985) é: permitir que a reunião de
informações dispostas de forma sistematizada, criteriosa e segmentada atue como instrumento
199ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
facilitador do funcionamento da organização. Neste sentido, Llatas acrescenta quanto aos
objetivos dos manuais.
Fixar critérios e
procedimentos
padronizados
Objetivos
dos manuais
organizacionais
Facilitar
treinamento de
funcionários
Facilitar a
avaliação e a
revisão das
práticas
Eliminar
improvisos
inadequados
Figura 34: Objetivos dos manuais administrativos
Fonte: Llatas (2011, p. 169)
Contudo, não devemos interpretar que os manuais são de usos obrigatórios, e sim pelo
contrário. Conforme Araujo (1985), “há quem afirme que o manual tem apenas limitações,
restrições”. Se alguém está contido em um ambiente muito burocrático carregado de normas,
procedimentos e rotinas automaticamente terão seu desempenho reduzido, senão limitado. Em
alguns momentos os manuais têm como papel limitativo ou regulativo, mas normalmente seu
uso é acessório, subsidiário. Quanto às vantagens dos Manuais Administrativos, Oliveira
(2011) contribui quando diz que:
• É uma importante fonte de informações sobre os trabalhos na empresa.
• Facilita o processo de efetivar normas e funções administrativas.
• Ajuda a fi xar critérios e padrões, possibilitando a normatização das atividades administra-
tivas (inclusive pelas várias unidades organizacionais da empresa); - Evita discussões e
200ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
equívocos, a respeito de temas conflitantes.
• Possibilita treinamento aos novos e antigos funcionários da empresa.
• Restringe a improvisação inadequada.
• Aumenta a predisposição do pessoal para assumir responsabilidades, uma vez que o
que tem de ser feito está estabelecido por escrito; e representa um legado histórico da
evolução administrativa da empresa.
Em contrapartida, há também algumas restrições e limitações quanto ao uso dos Manuais,
segundo o autor citado, ou seja:
• Constituem um ponto de partida, porém não a solução para todos os problemas.
• Incluem somente os aspectos formais.
• Quando malfeita sua preparação, traz sérios inconvenientes no desenvolvimento normal
das operações.
• O custo de preparação e de atualização pode ser elevado.
• Quando não utilizados adequadamente perde seu valor.
• Quando muito sintéticos, tornam-se pouco úteis; quando muito detalhados, tornam-se
obsoletos.
• Diminuem a incidência do julgamento pessoal, tornando-se às vezes um freio para a ini-
ciativa pessoal.
• Seu uso pode ficar prejudicado em virtude de uma redação pouco clara e deficiente.
201ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
O manual deve ser elaborado para quem não sabe. Quem sabe não o consulta. Portanto, quando
da elaboração desta ferramenta, este deve indicar todas as informações sobre o objeto a ser manu-
alizado. Até mesmo o que pode ser considerado óbvio, deve constar neste instrumento de consulta.
Devendo ser bem elaborado, claro, lógico, sem ser limitador da criatividade humana.
Estrutura de um Manual
No que diz respeito à estruturação de um manual, caro discente, Llatas (2011) acrescenta a
este conteúdo, que o manual deve conter a seguinte composição:
• Índice numérico ou sumário: corresponde a indicação do assunto tratado e da sua
respectiva numeração de página.
• Apresentação: nesta parte é expresso o objetivo, razão da existência do respectivo ma-
nual, bem como se apresenta uma carta da direção da empresa esclarecendo a obrigato-
riedade de seu uso.
• Instruções para uso: essa parte deve ser objetiva, já que deve expressar a disposição
do conteúdo básico deste manual, codifi cação etc.
• Conteúdo básico: corresponde a todo o conteúdo trabalhado, em outras palavras condiz
com a razão de ser deste documento.
• Apêndice e/ou anexo: diz respeito a gráfi cos, formulários, tabelas etc., que vão ser ane-
xados na parte fi nal do manual, com o objetivo de esclarecer, contribuir com o entendi-
mento de determinado assunto.
• Glossário: trata de uma espécie de dicionário de termos técnicos, sendo dispostos em
ordem alfabética. Ex.: Fluxograma, sinergia etc.
• Índice temático: refere-se à junção dos assuntos abordados no manual, facilitando a
202ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
localização dos mesmos.
• Bibliografia: trata das referências bibliográficas tratadas no manual, expressa em ordem
alfabética.
Para fechar este conteúdo temos o seguinte:
7. Bibliografia
6. Glossário
5. Apêndice
4. Conteúdo
propriamente
dito
Componentes
básicos dos
manuais
organizacionais
3. Instruções
2. Apresentação
1. Sumário
Figura 35: Componentes básicos dos manuais administrativos
Fonte: Llatas (2011, p. 175)
TIPOS DE MANUAIS ADMINISTRATIVOS
Neste tópico, caro(a) aluno(a), vamos fazer uma abordagem aos tipos de manuais
administrativos aos quais o analista de OSM poderá optar quando da real necessidade da
implantação deste instrumento, mesmo porque cada modelo aqui abordado, estará atendendo
a uma necessidade específica da empresa.
203ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Manual de normas e
procedimentos
Manual do empregado
Tipos de manuais
Manual de finalidades
múltiplas
Manual de instruções
especializadas
Manual de organização
Manual de política e
diretrizes
Figura 36: Tipos de Manuais Administrativos
Fonte: Llatas (2011, p. 178)
Fazendo-se uma análise de cada modelo deste ora apresentados temos as seguintes
características a explorar:
Manual de Política e Diretrizes
O objetivo deste tipo de manual é divulgar a filosofia, os objetivos e os valores da empresa e,
assim, colocar os executivos em sintonia com esses princípios. De acordo com Cury (2006), o
manual de política e diretrizes permite à alta administração:
• comunicar suas decisões aos executivos responsáveis por diferentes setores;
• descentralizar e delegar autoridade sem abrir mão dos valores e objetivos da empresa;
• evitar que problemas ou dúvidas de menor relevância sejam submetidos à alta adminis-
tração;
• coordenar o esforço conjunto dos líderes para que os objetivos empresariais sejam atingi-
dos.
204ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Manual de Normas e Procedimentos
Este modelo, por sua vez, deve descrever as diversas atividades atribuídas a cada unidade
organizacional da empresa, tendo como objetivos:
Veicular
instruções
corretas
Estabelecer métodos para
execução uniforme das
operações
Coordenar as
atividades dos
diferentes setores
Objetivos
Figura 37: Objetivos do manual de normas e procedimentos
Fonte: Llatas (2011, p. 179)
Com respeito ao conteúdo que este tipo de manual deve conter, temos:
• Normas: é a indicação de quem executa ou pode executar os diversos trabalhos do pro-
cesso administrativo.
• Procedimentos: é a indicação de como serão executados os trabalhos dentro do proces-
so administrativo.
• Formulários:são os documentos e a forma como devem ser manipulados.
• Fluxogramas: é a descrição dos processos por meio de gráficos.
• Anexos.
Manual de Organização
Este tipo específico de manual deve focar os aspectos formais das relações existentes entre os
diferentes departamentos, bem como visa estipular os direitos e deveres de cada departamento,
assim como retrata o nível hierárquico dos cargos. Em outras palavras, esse tipo de manual
205ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
descreve os componentes da estrutura organizacional e tem como finalidade, por sua vez:
• Definir as várias unidades organizacionais da empresa.
• Identificar o plano organizacional e a filosofia de gestão.
• Identificar formalmente como a empresa está organizada.
• Estabelecer níveis de autoridade e as responsabilidades.
• Definir a missão, visão, crenças, valores e objetivos.
Com respeito ao conteúdo que deve integrar a este manual citamos:
• Objetivos gerais e objetivos departamentais.
• Organograma geral e organogramas setoriais.
• As funções principais a serem executadas.
• Relações de linha e de assessoria (staff).
• Níveis hierárquicos e amplitude de controle.
• Grau de autoridade que cada um recebe e pode delegar.
• Aspectos de centralização e descentralização.
• Sistemas de informações e comunicações
Manual de Instruções Especializadas
Este modelo de manual consolida normas e instruções específicas de determinado tipo de
atividade, a título de exemplo, citamos o “Manual do motorista”. O manual de instruções
especializadas, segundo Llatas (2011), é uma espécie de guia de trabalho voltado para um
grupo profissional específico.
Tem como finalidade este modelo, segundo Oliveira (2011):
206ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
• Possibilitar maior e melhor treinamento e capacitação a determinado grupo profissional de
funcionários.
• Proporcionar um guia de trabalho e consulta para o grupo profissional.
Referente ao conteúdo apresentado neste tipo de manual, enfatizamos para o autor citado:
• Objetivos básicos.
• Informações Básicas.
• Relação das tarefas básicas.
• Interação dessas tarefas básicas com as tarefas de outros cargos e funções da empresa.
• Instruções básicas para execução das tarefas; e
• Instruções básicas para avaliação das tarefas.
Manual do Empregado
Este modelo específico de manual, caro(a) aluno(a), é utilizado por médias e grandes empresas,
sendo muito útil nos níveis intermediários e mais baixos do organograma. O objetivo do manual
do empregado é proporcionar um rápido entendimento sobre a organização e lançar as bases
do treinamento que será realizado posteriormente, acrescenta Llatas (2011).
A finalidade do mesmo, segundo Oliveira (2001), corresponde a:
• Propiciar ao funcionário o seu rápido entendimento sobre a empresa.
• Propiciar bom clima entre o empregado e a empresa, explicitando deveres e direitos do
mesmo.
• Facilitar o posterior treinamento do novo empregado.
O conteúdo deste tipo de manual irá variar de acordo com a empresa em análise, contudo,
207ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
abordam-se geralmente os seguintes aspectos, conforme OLIVEIRA (2011):
• Atividades desenvolvidas pela empresa.
• Breve resumo histórico.
• Objetivos gerais perseguidos pela alta administração.
• Regime de incentivos / direitos e obrigações do empregado.
• Normas de comportamento básico e de cumprimento obrigatório para todo o pessoal; e
• Serviços que a empresa presta a seus empregados.
Manual de Finalidade Múltipla
Reúne o conteúdo dos demais tipos de manuais em um único volume, a fim de propiciar uma
visão completa sobre diversos aspectos da empresa (LLATAS, 2011). De maneira a obtermos
a junção de dados, informações e aspectos de todos os modelos vistos até então. Para melhor
esclarecimento e entendimento seu, lançamos a seguinte ilustração:
Manual de
finalidade
múltipla
Manual de
instruções
especializadas
Manual de
organização
Manual do
empregado
Manual de
normas e
procedimentos
Manual de
política e
diretrizes
Visão geral da
empresa
Normas e
instruções
para um
determinado
cargo
Direitos
e deveres
de cada
departamento
ou cargo da
empresa
Regras e
procedimentos
padronizados
Filosofia,
valores e
objetivos
da
empresa
Figura 38: Componentes de um manual de finalidade múltipla
Fonte: Llatas (2011, p. 181)
208ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
PROCESSO DE ATUALIZAÇÃO DO MANUAL
Com o auxílio dos líderes das unidades organizacionais, o analista de OSM deve planejar a
distribuição dos manuais, como a quantidade necessária de exemplares. Uma vez distribuídos
os manuais organizacionais, o analista de OSM precisa criar mecanismos para sua avaliação
periódica, a fim de detectar a necessidade de revisão ou mesmo de substituição total.
Neste momento, o analista de OSM, segundo Oliveira (2011), deve ater-se aos passos e
medidas necessárias para manter a validade dos manuais apresentados.
Para tanto, os usuários dos manuais poderão responder algumas perguntas enfatizando
aspectos quanto à validade dos mesmos, conforme citado abaixo:
Qual é a opinião dos usuários sobre o manual?
Com que frequência o manual é consultado? Por quê?
É fácil localizar informações no manual?
O manual contém um glossário?
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
O número de exemplares é suficiente?
O manual conta com gráficos e figuras para facilitar a compreensão do texto?
A diagramação do manual é adequada?
A encadenação, o tamanho e o armazenamento do manual facilitam seu manuseio diário?
O Manual é de fácil leitura?
O conteúdo e o estilo de redação do manual são compatíveis com suas finalidades?
Figura 39: Perguntas para o processo de avaliação dos manuais
Fonte: Llatas (2011, p. 177)
Uma vez coletados os dados quanto à validade dos manuais por parte dos usuários da
empresa e/ou departamento, o analista de OSM poderá finalmente realizar o processo de
revisão, ou seja, em outras palavras sempre que houver alterações que afetem parte do
209ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
manual administrativo, devem ser emitidas revisões para substituir as partes emendadas.
OBS.: a inserção de folha revisada pode ser realizada; - adiante ou atrás da norma a ser
substituída; ou – em uma seção especial do manual dedicada a normas que devem entrar em
vigência em datas futuras.
• REEMISSÃO: é uma nova edição completa do corpo do manual administrativo e/ou dos
elementos adicionais, que substitui a publicação original e inclui todas as revisões.
• CANCELAMENTO: o cancelamento de um manual administrativo ou parte dele pode
ocorrer com a publicação da folha de cancelamento.
Leia mais sobre o assunto:
Caro(a) aluno(a), nestes links você poderá constatar a importância da manualização dos processos
voltados a importação e exportação de uma empresa, que visa a melhoria da qualidade de seus
serviços prestados. Ainda poderá reforçar que a análise da distribuição do trabalho é uma técnica es-
pecializada de OSM que tem por fi nalidade analisar as diversas atividades atribuídas a cada uma das
unidades administrativas existentes em uma empresa, mediante o diagnóstico das tarefas executadas
por seus empregados.
<http://siaibib01.univali.br/pdf/Daiane%20Rosa.pdf>.
<http://jwnovato.sites.uol.com.br/QuadrodeDistribuicaodoTrabalho.htm>.
210ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Querido(a) aluno(a), podemos concluir com esta quinta e última unidade que o desenvolvimento
de um projeto de mudança consiste na execução de sete fases que tem porobjetivo nortear o
analista de OSM e as pessoas envolvidas no projeto de mudança a analisar e avaliar, passo
a passo, os pontos relevantes e pertinentes a reorganização e/ou a reestruturação de um
sistema, ou de um método específico.
Já no que diz respeito ao estudo da distribuição do trabalho que, sem sombra de dúvidas,
pode ser objeto de estudo durante as fases da metodologia, levantamento e análise do método
administrativo, pudemos constatar que esta é uma ferramenta essencial para o trabalho do
analista de OSM, uma vez que permite detectar possíveis sobrecargas ou ociosidades em
determinados cargos e funções. Isso permite uma verificação profunda da necessidade de
criação ou extinção de cargos, além de promover qualidade e melhoria no desempenho e
satisfação na realização de tarefas.
Finalizando o nosso estudo e esta unidade, apresentamos os manuais administrativos como
o instrumento que deve espelhar as políticas, diretrizes, normas e procedimentos mais
convenientes para a empresa e não o inverso. Ou seja, o Manual não deve constituir-se em
uma camisa de força, mas deve servir como instrumento de racionalização de métodos e
sistema de comunicação com integração entre os diversos setores organizacionais. Desta
forma, foram apresentados os seis tipos de manuais organizacionais: manual de política e
diretrizes manual de normas e procedimentos, manual de organização, manual de instruções
especializadas, manual do empregado e manual de finalidade múltipla.
ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Por que os softwares estão se consolidando como alternativa à elaboração de manuais
de normas e procedimentos ou ainda de instruções especializadas, como de uma Usina
de Açúcar da região Sul do país? Exponha as vantagens (no mínimo duas) estabelecidas
por estas ferramentas em relação aos processos administrativos.
2. O estudo da distribuição do trabalho conduz a elaboração do QDT – Quadro de Distribui-
ção do Trabalho, segundo Oliveira (2011). Contudo, o que é o Q.D.T.? Como devemos
analisá-lo e que fatores devem ser levados em consideração neste momento de análise?
211ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Responda, identificando apenas as questões básicas.
3. Por que razão a coleta de dados é um aspecto importante na montagem do QDT? Expli-
que a sua resposta.
4. De acordo com a metodologia, levantamento e análise dos métodos administrativos, uma
organização deve seguir algumas fases/etapas no desenvolvimento de um projeto/sis-
tema de mudança. Explique as respectivas fases relacionadas abaixo, considerando os
aspectos essenciais.
a. Estudo da Viabilidade e Alternativas; e
b. Delineamento e Estruturação do Novo Sistema.
5. SOBRE MANUAIS ADMINISTRATIVOS, correlacione o tipo de manual descrito na pri-
meira coluna com as frases extraídas de manuais da segunda coluna:
1- MANUAL DE POLÍTICAS E DIRETRIZES
2- MANUAL DO EMPREGADO
3- MANUAL DE INSTRUÇÕES ESPECIALIZADAS
4- MANUAL DA ORGANIZAÇÃO
5- MANUAL DE NORMAS E PROCEDIMENTOS
( ) Ao arquivar as segundas vias de
documentos, deverá ser obedecida a ordem
alfabética dos nomes registrados e manter
sempre em ordem diária/cronológica.
( ) Para acessar os registros de entradas e
saídas de estoque no Sistema STOCKIN,
primeiro tecle F4; em seguida, digite seu login e
sua senha; aguarde a solicitação para a tecla
ENTER.
( ) A empresa XYZ busca prestar serviços de
excelência e manter seus clientes internos e
externos sempre satisfeitos e felizes,
contribuindo para uma vida e uma sociedade
melhores.
( ) Para executar suas tarefas, será obrigatório
que utilizem toda vestimenta e acessórios de
segurança fornecidos pela Divisão de
Segurança do Trabalho da empresa. Aquele
que não utilizar destas, será advertido
formalmente.
( ) A Empresa JKL nasceu em 1967, com o
objetivo de produzir produtos e acessórios
elétricos para residências e empresas... Hoje a
empresa conta com 156 funcionários e 03 filiais
distribuídas no estado...
212ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Stephen P. Robbins trabalhou para a Shell e para a Reynolds Metal antes de se doutorar pela Univer-
sidade do Arizona. Lecionou nas Universidades de Nebraska, Concórdia, Baltimore, Southern Illinois
e San Diego State. Seus interesses de pesquisa têm-se concentrado nos termos do poder, confl ito
e política nas organizações, bem como no desenvolvimento de habilidades interpessoais efi cazes.
Seus artigos sobre esses e outros assuntos tem sido publicados em periódicos como Business Ho-
rizons, Califórnia Management, Management Review etc. Nos últimos anos, as mudanças ocorridas
no campo da administração, na economia, no ambiente de trabalho e, principalmente, na função
gerencial foram tão radicais que acabaram por criar a necessidade de um livro de administração com-
pletamente diferente dos tradicionais. Assim, surgiu Administração – Mudanças e Perspectivas,
capaz de defi nir e explicar esse novo “paradigma” e suas consequências. Uma obra que, em lugar de
apenas acrescentar tópicos à abordagem tradicional, formando no fi nal um todo sem coerência nem
uniformidade – como uma casa que vai sendo reformada e ampliada sem um planejamento de longo
prazo – optou por partir da estaca zero.
Leia mais em:
ROBBINS, Stephen Paul. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2000.
213ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
CONCLUSÃO
É com grande alegria que concluo com você este livro sobre “Organização, Sistemas e
Métodos”. Espero que você tenha aprendido tanto quanto eu aprendi neste processo de
pesquisa e escrita. Abordamos aqui temas da administração essenciais para o delineamento
e manutenção dos métodos e processos administrativos. Você deve ter percebido que nos
preocupamos em reunir uma bibliografia de autores renomados a fim de apresentarmos
técnicas e ferramentas da OSM com uma visão mais contemporânea.
Minha primeira preocupação ao escrever este material era apresentar o significado de OSM,
sua finalidade e que tipos de profissionais devem manter interação com esta área de estudo
da administração.
Neste sentido, você pôde constatar que a atuação do profissional de OSM está intimamente
ligada aos processos administrativos. Isto quer dizer ao melhoramento contínuo ou ainda da
reengenharia destes, propiciando assim, organizações mais consistentes e adaptáveis às
exigências e mudanças ambientais.
Nesta linha de estudo, partimos para o estudo do termo Organização, com o intuito de levá-lo a
compreender as empresas como sistemas compostos de unidades organizacionais que devem
interagir com o ambiente interno e externo a fim de se tornarem cada vez mais competitivas. E,
finalizando, na primeira unidade abordamos o surgimento da área de OSM, identificando como
os estudos da administração científica (Taylor) e da teoria administrativa (Fayol) contribuíram
em muito para chegarmos às técnicas de redução de tempo, simplificação de trabalho e
redução de desperdícios, utilizadas pelas empresas em seus processos organizacionais, de
negócios e gerenciais.
Meu desejo na segunda unidade foi de enfatizar para você as particularidades que envolvem
o estudo da estrutura organizacional, apresentando seus aspectos básicos, desde seus
componentes, condicionantes, níveis de influência, as características de estruturas voltadas
a ambientes rígidos e as características de estruturas voltadas a ambientes flexíveis, de
inovação. Espero que você tenha compreendido que o ambiente, a estratégia, o tamanho e a
tecnologia são fatores essências para determinar o tipo de estrutura organizacional de uma
empresa. Por falar em estrutura organizacional, você deve ter observado que esta é o ponto
de partida para os trabalhos do profissional de OSM, no que diz respeito à racionalização214ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
do trabalho; a elaboração e avaliação de instrumentos de controle de sistemas; ao suporte
e assessoria às demais áreas funcionais da organização; a disseminação de procedimentos,
métodos, metodologias e terminologias técnicas e uniformes, abrangentes aos programas da
Qualidade e de Reengenharia, enfim ações e medidas utilizadas por este profissional para
combater e antecipar-se às patologias administrativas.
O principal intuito da terceira unidade foi de estudar a departamentalização como o processo
de divisão das tarefas em blocos de trabalhos chamados, “Departamentos”. A junção de
todos estes blocos em uma representação gráfica define o tipo de organograma existente.
Contudo, você deve ter observado que o tipo e modelo de departamentalização a ser utilizado
dependerão dos condicionantes a que esta empresa está inserida, como em ambientes
estáveis, de certeza, a estrutura ideal deverá conter características mecanicistas e rígidas,
como as estabelecidas pela departamentalização funcional, ou seja, quando se enfatiza a
eficiência, previsibilidade, segurança e aversão ao risco. Em contrapartida, quando se está em
um ambiente instável, de incerteza, com ruídos as organizações devem buscar modelos de
departamentalização mais flexíveis (orgânicos), como a matricial, por exemplo. Observe que
as organizações que optaram por este último tipo de estrutura citada, com certeza, enfatizam
critérios de desempenho como a eficácia, adaptabilidade, sensibilidade para a necessidade de
mudanças e propensão a risco.
Desta maneira, abordamos tais características e modelos de departamentalização, como as
atividades de linha e atividades de assessoria dentro da estrutura organizacional, lembrando que
as primeiras são as atividades-fim, que tem ação de comando, enquanto as segundas referem-
se às atividades-meio que não tem ação de comando. Ainda, quanto ao tipo de estrutura mais
adequado a um ambiente, enfatizamos os aspectos pertinentes à descentralização, delegação
e centralização de poder, que quando usados na medida certa poderão contribuir para a
organização alcançar seu melhor desempenho organizacional.
Por falar em desempenho, iniciamos a próxima unidade fazendo uma abordagem ao processo
de controle e avaliação, que consiste em medir e corrigir o desempenho, a fim de assegurar
que os objetivos organizacionais e os planos estabelecidos para alcançá-los sejam realizados.
Desta forma, há que se estabelecer uma comparação dos resultados obtidos com o que se
pretende alcançar. Também pudemos constatar que o fluxograma, sendo uma representação
gráfica dos processos administrativos, dos mais simples aos mais complexos, é um dos
instrumentos que permite o monitoramento e a padronização dos procedimentos e processos
215ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
administrativos. Diante disto, foram expostas as etapas para estudo das rotinas administrativas,
as principais simbologias e convenções utilizadas na elaboração e confecção dos fluxogramas
em suas diversas modalidades e/ou modelos, como os fluxogramas: vertical, parcial e/ou
descritivo e o global por colunas.
Finalizando nosso estudo, na quarta unidade abordamos o estudo do arranjo físico/layout,
com o intuito de melhor adaptar as pessoas ao ambiente de trabalho, segundo a natureza
da atividade desempenhada, envolvendo também a arrumação dos móveis, máquinas,
equipamentos e matérias-primas, como também melhorar os fluxos de trabalho existente no
que diz respeito ao trânsito de pessoas, circulação de documentos, enfatizando a economia de
esforços e o aumento da produtividade organizacional.
Na quinta unidade de nosso livro tivemos uma ampla visão do que trata o desenvolvimento
de um projeto de mudança, para que você compreendesse o que trata a metodologia, o
levantamento e a análise dos métodos administrativos. Assim, apresentamos as sete fases de
um projeto de mudança. Em outras palavras, consiste na execução de sete fases que tem por
objetivo nortear o analista de OSM e as pessoas envolvidas a analisar e avaliar, passo a passo,
os pontos relevantes e pertinentes à reorganização e/ou à reestruturação de um sistema, ou de
um método em específico. Já no que diz respeito ao estudo da distribuição do trabalho que, sem
sobras de dúvidas, pode ser objeto de estudo durante as fases da metodologia, levantamento
e análise do método administrativo, você pôde constatar que esta é uma ferramenta essencial
para o trabalho do analista de OSM, uma vez que permite detectar possíveis sobrecargas
ou ociosidades em determinados cargos e funções, permitindo uma verificação profunda da
necessidade de criação ou extinção de cargos, além de promover qualidade e melhoria no
desempenho e satisfação na realização de tarefas.
Finalizando nosso estudo e unidade, apresentamos os manuais administrativos como
o instrumento que deve espelhar as políticas, diretrizes, normas e procedimentos mais
convenientes para a empresa e não o inverso, ou seja, o Manual não deve constituir-se em
uma camisa de força, mas deve servir como instrumento de racionalização de métodos e
sistema de comunicação com integração entre os diversos setores organizacionais. Desta
forma, foram apresentados os seis tipos de manuais organizacionais: manual de política e
diretrizes, manual de normas e procedimentos; manual de organização, manual de instruções
especializadas, manual do empregado e manual de finalidade múltipla.
216ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
Caro(a) aluno(a), espero que ao final da leitura deste livro você tenha concebido que uma
visão estratégica de organização, sistemas e métodos em uma empresa poderá ajudá-lo a
promover, por exemplo, a escolha de procedimentos mais eficientes, evitando o desperdício
de tempo, material e esforço. Partindo desta premissa, tenho a certeza de que você poderá
administrar um empreendimento com eficiência e eficácia, fatores estes essenciais para o
sucesso de uma empresa. Parabéns! Foi muito bom trabalhar com você.
Um forte abraço,
Professora Esp. Marilicy Maia Guerra Cardoso
217ORGANIZAÇÕES, SISTEMAS E MÉTODOS | Educação a Distância
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