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Prévia do material em texto

Ao mesmo tempo em que recebe-
mos uma enxurrada de notícias que 
expõem questões sociais e 
ambientais preocupantes para o 
Brasil – como a fome no Nordeste 
ou o desmatamento na Amazônia –, 
também recebemos informações 
sobre ações socioambientais 
significativas, que têm fomentan-
do a cidadania e a esperança do 
povo brasileiro por mudanças. 
Nesse contexto, Gestão 
socioambiental no 
Brasil emerge como 
instrumento de 
reflexão e de 
práticas a ser 
utilizado em salas 
de aula e em 
ambientes organi-
zacionais públicos 
e privados. Além 
disso, contribui para 
nos sentirmos aptos a 
argumentar sobre 
temas de domínio impres-
cindível neste século XXI: 
responsabilidade social, civilidade, 
e individualismo, coletivismos e 
sustentabilidade.
Assinado por quem tem autoridade 
no assunto, este livro apresenta 
subsídios para a atividade de 
gestão voltada para as práticas 
socioambientais e nos capacita 
para atuar com consciência 
socioambiental na comunidade 
em que estamos inseridos. 
Atualizações nas questões relativas à 
legislação ambiental.
Inserção de destaques para facilitar a 
visualização dos assuntos.
Infográficos para facilitar a compreensão.
Estudo de caso.
O que há de novo 
nesta edição:
Rodrigo Berté
gestão socioam
biental no brasil 
Rodrigo Berté
Uma análise ecocêntrica
2a e d i ç ã o
gestãosocio
ambiental
no brasil
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O selo DIALÓGICA da Editora Ibpex faz 
 referência às publicações que privilegiam uma 
 linguagem na qual o autor dialoga com o leitor por 
meio de recursos textuais e visuais, o que torna 
o conteúdo muito mais dinâmico. São livros que 
criam um ambiente de interação com o leitor – 
seu universo cultural, social e de elaboração de 
conheci mentos –, possibilitando um real processo 
de interlocução para que a comunicação se efetive.
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Av. Vicente Machado, 317 – 14º andar – Centro 
CEP 80420-010 – Curitiba – PR – Brasil
Fone: (41) 2103-7306
www.editoraibpex.com.br
editora@editoraibpex.com.br
Conselho editorial
Dr. Ivo José Both (presidente)
Dr.ª Elena Godoy
Dr. Nelson Luís Dias
Dr. Ulf Gregor Baranow
Editor-chefe
Lindsay Azambuja
Editor-assistente
Ariadne Nunes Wenger
Editor de arte
Raphael Bernadelli
Copidesque
Sandra Regina Klippel
Preparação de originais
Jassany Omura 
Capa
João Leviski Alves
Fotografia da capa
Minden Pictures/Latinstock
Projeto gráfico
Bruno Palma e Silva
Diagramação
Fernando Zanoni Szytko
Iconografia
Danielle Scholtz
Berté, Rodrigo 
 Gestão socioambiental no Brasil [livro eletrônico] / Rodrigo 
Berté. – Curitiba: Ibpex, 2012. – (Série Desenvolvimento 
Sustentável).
2 MB ; PDF
Bibliografia. 
ISBN 978-85-417-0000-9
1. Desenvolvimento sustentável 2. Empresas – 
Responsabilidade social 3. Gestão ambiental 4. Meio ambiente 
5. Proteção ambiental 6. Responsabilidade ambiental I. Título. 
II. Série.
12-14672 CDD-304.20981
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
1ª edição, 2012.
Índices para catálogo sistemático:
1. Brasil: Gestão socioambiental: Sociologia 
 304.20981
Informamos que é de inteira 
responsabilidade do autor a emissão de 
conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida por qualquer meio ou forma sem 
a prévia autorização da Editora Ibpex.
A violação dos direitos autorais é crime 
estabelecido na Lei nº 9.610/1998 e punido 
pelo art. 184 do Código Penal.
Esta obra é utilizada como material didátido 
nos cursos oferecidos pelo Grupo Uninter.
Foi feito o depósito legal. Ne
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Apresentação, 13
Como aproveitar ao máximo este livro, 15
c a p í t u l o 1 Ecologia e meio ambiente, 19
Ecologia, meio ambiente e natureza, 22 ~ As políticas de gestão das 
empresas brasileiras em relação ao meio ambiente, 28 
c a p í t u l o 2 A gestão ambiental e a responsabilidade social, 37
Dimensões da gestão, 40 ~ A variável ambiental e o seu 
enfrentamento, 43 ~ Meio social, 49 ~ Gestão socioambiental como 
mediação de conflitos, 57
c a p í t u l o 3 Uma prática de gestão participativa, 67
A necessidade dos processos educativos para gestores, 69 ~ Fatores 
complicadores para a gestão ambiental, 70 ~ Problemas e conflitos 
ambientais, 71 ~ Estudo de um problema ambiental e do processo de 
socialização de sua existência, 76
c a p í t u l o 4 A multidisciplinaridade na gestão ambiental, 95
Mecanismos multidisciplinares de defesa ambiental, 98 ~ Vulnerabilidade 
ambiental, 108
c a p í t u l o 5 Impactos ambientais, 119
Impacto ambiental: procedimentos e regulamentações, 122 ~ 
Como reconhecer os impactos, 132
c a p í t u l o 6 Instrumentos de proteção ao meio ambiente, 141
Meio ambiente: uma retrospectiva histórica brasileira, 144 ~ As propostas 
ambientalistas na virada do século, 155 ~ Licenciamento ambiental, 158
Gestão ambiental em áreas urbanas, 165
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c a p í t u l o 7 Soluções para áreas degradadas com 
passivos ambientais, 173
Definição legal e caracterização de áreas degradadas, 175 ~ Tratamento de 
passivos ambientais, 177 ~ Gerenciamento de resíduos, 180
ca p í t u l o 8 Certificação e responsabilidade social, 189
A série ISO, 191 ~ Órgãos acreditadores e certificadores, 196
Referências, 219
Respostas, 263
Sobre o autor, 269
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Dedico esta obra, primeiramente, a Deus, Pai de infinita 
bondade, Arquiteto do universo. Ao meu pai, Otávio Berté 
(in memoriam), por ter dedicado sua vida a seus filhos e à 
educação deles. À minha mãe, Irde Araldi Berté, às minhas 
irmãs Luciane e Emanuele, e ao meu cunhado Pedro (Neco). 
Aos meus sobrinhos, André Berté Busnelo (in memoriam), Maria 
Clara e Emanuel. Ao meu “filhotinho”, Rinco, que fez minha 
vida melhorar muito.
À justiça conquistada. A verdade sobre o acidente que levou à 
morte do meu pai foi restabelecida e as inverdades sobre os fatos 
vieram à tona. Creio que agora ele descansa em paz.
Também dedico este livro ao meu tio e padrinho Luiz Kohl, que 
tem sido importante na minha vida. Empresário de sucesso, ele é 
um espelho de bons exemplos.
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A g r a d e c i m e n t o s
Agradeço aos meus amigos e colaboradores da Universidade 
Livre de Proteção à Biodiversidade (Unibio), os quais sempre 
estiveram presentes nas horas mais difíceis. Aos amigos que 
ganhei na Petrobras em Santa Catarina, no Paraná e no Rio 
Grande do Sul. À minha afilhada, Letícia Kososki Rocha.
Aos amigos do Grupo Educacional Uninter, especialmente 
à família Picler (senhores Gabriel, Wilson e Edimilson) e 
ao professor Moacyr Paranhos Filho, exemplo de incansável 
dedicação à instituição. À Direção Executiva do Grupo 
Educacional Uninter, por acreditar nas minhas ações que 
justificam a gestão socioambiental nas nossas instituições de 
ensino superior.
À Coordenação da Educação a Distância e Presencial, aos 
coordenadores de curso e aos professores, em especial 
ao professor Dr. Osvaldo Vieira do Nascimento, nosso 
diretor, e aos coordenadores-gerais do ensino presencial e a 
distância, professores Benhur Etelberto Gaio e Luiz Roberto 
Dias de Macedo.
Nestes agradecimentos, dedico menção especial à nossa 
editora-chefe, sra. Lindsay Azambuja, por acreditar no meu 
trabalho e por dar-me a oportunidade para tornar públicas as 
minhas ideias. Agradeço, em particular, à sra. Sandra Regina 
Klippel, que me mostrou o melhor caminho a seguir nas belas 
páginas de meu livro, pois eu concebia o texto apenas sob o 
ponto de vista de quem escreve, sem o olhar do leitor, e ela, com 
simplicidade, humildade e coerência, ajudou-me a fazer desta 
uma obra inteligível para todos. Estendo esses agradecimentos 
aos demais participantes da equipe da Editora Ibpex.
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F o i c o m m u i t a s a t i s f a ç ã o e a l e g r i a q u e r e c e b i o h o n r o s o 
convite do professor Dr. Rodrigo Berté para elaborar o prefácio do seu excelente 
e oportuno livro sobre gestão socioambiental no Brasil. Digo excelente e oportuno 
porque atende com qualidade de conteúdo – este baseado em uma perspectiva 
inovadora – e clareza comunicativa à necessidade de informação e de formação 
em uma área essencial neste século: a da gestão ambiental.
Devo confessar que, ao ler seu texto, pude estabelecer relações com outros 
aspectos do conhecimento, entre eles os provenientes da física, a qual nos ensina 
que a dinâmica se caracteriza pela movimentação de corpos, isolados no espaço 
ou em conjunto. O fato é que essa movimentação de corpos quase sempre forma 
sistemas simples ou complexos de movimento, como é o caso tanto dos sistemas 
micro (átomos) quanto dos macro (planetários). A consciência dessa dinâmica 
nano/micro ou macro/cósmica levou milhares de anos e de sucessivas gerações 
para ser construída e se estabelecer na mente humana como um valor e, até 
mesmo, como um fator de sobrevivência da espécie, e é esse valor de civilidade 
o ponto que destaco nesta obra. Lembro, ainda, que ao processo de construção 
desse conhecimento e, sobretudo, de fixação desse valor, cuja importância alcança 
o nível da sobrevivência humana, chamamos de educação.
Tomando como base o mesmo ponto de vista físico, indivíduos e organiza-
ções são também sistemas dinâmicos complexos, uma vez que, tanto um como 
o outro – e, por via de consequência, ambos –, são construídos, estabelecidos, 
habitados, produzidos e movidos por seres humanos, o que traz igualmente im-
portantes valores de civilidade e de sobrevivência. Assim, mais uma vez surgem 
a educação e a gestão como processos construtivos de toda essa teia de complexi-
dade organizacional em que a espécie humana se engendrou a partir da evolução 
e da construção de sua consciência socioambiental, individual e coletiva.
É nesse contexto que a obra Gestão socioambiental no Brasil – com a auto-
ridade de quem conhece as peculiaridades do meio ambiente, como o profes-
sor Rodrigo Berté – discute problemas relacionados à gestão ambiental, tendo 
como foco principal a questão da responsabilidade social, aplicando conceitos 
universais ao tema da formação de uma consciência crítica sobre as questões de 
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meio ambiente e de sustentabilidade*, no que diz respeito ao desenvolvimento 
de todas as suas facetas, ou seja, nos contextos social, geográfico, econômico e 
político, tendo como alvo principal a problemática brasileira.
Outro aspecto de singular importância, presente no trabalho do professor 
Berté, é que não se trata de uma mera discussão teórica, mas sim de um texto 
objetivo e denso de praticidade, característica de quem viveu e vive os proble-
mas relacionados ao meio ambiente no contexto da responsabilidade social em 
nosso país. Com isso, a obra levanta problemas fundamentais e traz ferramentas 
importantes para o diagnóstico e para a atuação efetiva no que se refere tanto à 
legislação como às práticas de gestão ambiental. Aliás, o autor não esconde em 
momento algum a sua vocação inata de educador voltado para a prática da cátedra, 
ao inserir um modelo de projeto para o desenvolvimento de tais atividades e, até 
mesmo, uma descrição objetiva de procedimentos.
Também é necessário realçar os aspectos didáticos agregados à maneira como 
os temas são tratados e apresentados, assim como a clareza da linguagem, o 
que possibilita um fácil entendimento, sem, no entanto, cair ou sequer resvalar 
em nada que pareça simplório. A distribuição dos capítulos e de seus temas 
deixa nítida uma grande intencionalidade de organizá-los de forma racional 
e, ao mesmo tempo, um sutil planejamento do processo epistemológico do ato 
de aprender. Sem sombra de dúvida, é um trabalho que visa à conscientização 
sobre a importância da temática ambiental e da responsabilidade individual, 
social e coletiva de todos nós, bem como à capacitação de indivíduos para atuar, 
intervindo e agindo com conhecimento técnico e científico, com competência 
gerencial e, sobretudo, com plena responsabilidade social.
Como conclusão, podemos dizer que a comunidade acadêmica está de 
parabéns por esta obra, assim como todos nós, que nos tornamos realmente 
mais enriquecidos. O professor Rodrigo Berté nos deu mais este tesouro para 
que possamos assumir, cada vez com maior comprometimento, as nossas res-
ponsabilidades na gestão socioambiental deste nosso Brasil.
Prof. Dr. Osvaldo Vieira do Nascimento
* Sustentabilidade: o termo, quando relacionado à questão do desenvolvimento, 
significa a racionalização adequada dos recursos do patrimônio natural, am-
biental e cultural, em harmonia com a sobrevivência humana e com o bem-estar 
social, não apenas na atualidade, mas principalmente visando às gerações futuras. 
Observação: as notas de rodapé que dizem respeito à terminologia ambiental 
foram elaboradas com sustentação nas obras dos seguintes autores: Goldim (2011), 
Odum (1983), Rede Brasileira de Informação Ambiental (2011) e CIMM (2011).
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ocupação e de exploração do planeta, encontra-se em um momento crucial, pois 
a Terra emite sinais de alarme que indicam evidências de esgotamento da sua 
capacidade de suporte para as atividades humanas. Nessa conjuntura, torna-se 
urgente reexaminarmos e redimensionarmos os projetos de crescimento 
econômico, com base na perspectiva do desenvolvimento humano e da con-
servação ambiental. Esse é um desafio que se apresenta para todas as culturas 
do século XXI, e é dentro desse cenário que esta obra busca identificar os meca-
nismos da gestão ambiental brasileira, suas implicações e responsabilidade social.
Com esse objetivo, a temática do livro foi dividida em oito capítulos, cada 
um com exercícios propostos, por meio dos quais pretendemos levar o aluno 
dos cursos de tecnologia (ou os respectivos profissionais) às praxes empresariais, 
formando uma corrente de responsabilidade socioambiental. Inclusive, apresen-
tamos nos apêndices um resumo da legislação ambiental pertinente aos processos 
licenciatórios, conforme a vocação e a demanda das organizações, para que o 
leitor tenha acesso aos subsídios que legitimam essas atividades.
Temos, assim, a premissa de colaborar para o processo de conscientização e 
de internalização de novas concepções de desenvolvimento, processo que deve 
considerar a sustentabilidade, tanto nas atividades produtivas como nos proce-
dimentos habituais dos cidadãos, uma vez que ela se impõe como condição de 
governabilidade para todas as nações. Além disso, considerando a necessidade 
de formarmos um grande grupo de pensadores com visão protecionista na defesa 
do meio ambiente, a qual chamamos de tutela ambiental, cada capítulo tem um 
momento de reflexão em que são abordados temas locais e da sociedade em geral.
Com essa postura, buscamos oferecer instrumentos para sensibilizar os em-
preendedores no sentido de atingirem essa gestão, que caracteriza a empresa 
socialmente justa e ambientalmente responsável. A finalidade de tudo isso é 
buscar a tão almejada qualidade de vida, garantindo, desse modo, a sobrevi-
vência da raça humana e dos demais seres que integram a biosfera, a esfera da 
vida, no planeta. Para a execução de uma tarefa desse porte, é indispensável a 
atuação da gestão ambiental e da responsabilidade social, a que chamamos de 
gestão socioambiental (conforme abordagem civilizatória que detalhamos ao longo 
do texto). Considerando que a gestão ambiental tem como objetivo analisar 
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a questão ambiental, fazemos, com base na interação entre os meios social e 
físico-natural, a identificação dos principais aspectos da gestão ambiental no 
Brasil, bem como suas implicações. Nesse contexto, buscaremos o entendimento 
do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do pacto federativo relativo 
às atribuições estatais e, principalmente, da ampla discussão que se dá com a 
sociedade civil organizada.
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C o m o a p r o v e i t a r a o m á x i m o e s t e l i v r o
Este livro traz alguns recursos que visam enriquecer o seu aprendizado, facilitar 
a compreensão dos conteúdos e tornar a leitura mais dinâmica. São ferramentas 
projetadas de acordo com a natureza dos temas que vamos examinar. Veja a 
seguir como esses recursos se encontram distribuídos no projeto gráfico da obra.
C o n t e ú d o s d o c a p í t u l oLogo na abertura do capítulo, você fica conhecendo 
os conteúdos que serão abordados.
A p ó s o e s t u d o d e s t e 
c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
Você também é informado a respeito das compe-
tências que irá desenvolver mediante o estudo do 
capítulo.
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E s t u d o s d e c a s o
Nesta seção, serão apresentados 
relatos referentes a situações que se 
vinculam aos conteúdos abordados 
no capítulo.
S í n t e s e
Você dispõe, ao final de cada ca-
pítulo, de uma síntese que retoma 
resumidamente os principais con-
ceitos estudados.
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Q u e s t õ e s p a r a 
r e f l e x ã o
Nesta seção, você será estimu-
lado a refletir sobre os temas do 
capítulo por meio de questões 
dissertativas.
61
aumentando de tamanho nas duas últimas décadas, devemos reconhecer que 
ainda permanece uma visão pré-ambientalista e pré-sustentabilista, em parte 
pela falta de uma internalização dessa cultura institucional nova e também por-
que o modelo de administração atual é menos profissional e mais político. Os 
ministérios, assim como as secretarias, tanto nos governos estaduais como nos 
municipais, são loteamentos políticos. Há, portanto, uma necessidade urgente 
de se alterar essa conjuntura. A reforma não ensejou o novo pacto federativo. O 
que observamos são ainda desenhos precários. As áreas da gestão ambiental e da 
responsabilidade social ainda explicitam essa incompletude do pacto mais do que 
outras, pois têm como vocação a ordenação do território e do desenvolvimento.
Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
1. Você já observou quais são os recursos ambientais específicos da sua região? 
Faça um levantamento e verifique as condições em que se encontram esses 
recursos.
2. Você conhece comunidades da sua região que sofreram impactos ambien-
tais? Você sabe a razão desses impactos? Existem unidades de conservação 
na região onde você vive ou trabalha? Você lembra quais são? Sabe quais 
são os órgãos públicos responsáveis por elas? 
Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. Considerando que são as práticas do meio social que determinam a natureza 
dos problemas ambientais, os quais, como resultado, afligem a humanidade, 
o que se revela necessário nesse contexto em relação à área da gestão?
2. A concepção de que homem e a natureza encontram-se no mesmo nível e, 
portanto, as suas relações e inter-relações são igualitárias, corresponde à 
visão do biocentrismo. Justifique.
3. Os técnicos dos órgãos públicos convivem com uma série de dificuldades 
para agir no cumprimento da legislação ambiental. Por que isso ocorre?
i. Embora sempre exista vontade política dos governantes, as dificulda-
des são crônicas.
ii. Os técnicos convivem com dificuldades, como falta de equipes técnicas 
adequadas, recursos financeiros escassos e instalações precárias, falta 
de acesso a informações e, muitas vezes, falta de apoio da chefia, entre 
outros obstáculos.
iii. A falta de condições de trabalho é crônica.
iv. Há, inclusive, a falta de vontade política dos governantes.
Q u e s t õ e s p a r a 
r e v i s ã o
Esta seção engloba questões per-
tinentes aos conteúdos tratados, 
divididas em exercícios abertos 
e fechados.
P e r g u n t a s & r e s p o s t a s
Nesta seção, o autor responde a dú-
vidas frequentes relacionadas aos 
conteúdos do capítulo.
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C o n s u l t a n d o a 
l e g i s l a ç ã o
Esta seção destaca textos legais 
que regulam os assuntos aborda-
dos em cada capítulo.
P a r a s a b e r m a i s
Para propiciar o aprofundamento 
sobre os temas explorados, são in-
dicadas outras obras de relevância.
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Ecologia e meio ambiente
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • Conceituação de ecologia;
 • Relação entre as concepções de ecologia, natureza e ambiente;
 • Conceituação de meio ambiente;
 • As empresas brasileiras e o meio ambiente.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • fazer a relação entre as concepções de meio ambiente, ecologia e natureza;
 • diferenciar a visão antropocêntrica da visão biocêntrica da natureza; 
 • visualizar as interações entre as políticas ambientais e as concepções que 
as validam;
 • atentar para a importância da variável ambiental na gestão organizacional.
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N o p a s s a d o , a e c o l o g i a r e s u m i a - s e a o e s t u d o d a n a t u -
reza, uma espécie de história natural, que se inspirava em trabalhos de grandes 
observadores e pesquisadores do século XIX. Classificada pelo zoólogo alemão 
Ernst Haeckel como um ramo das ciências biológicas, foi proposta pela primeira 
vez em 1869 e tendo como finalidade estudar as relações entre os organismos 
vivos e seus ambientes.
Sendo um vocábulo derivado do grego oikos, que significa “casa”, e logos, que 
significa “estudo”,conforme Odum (1983), a ecologia é o estudo do lugar onde 
se vive. Esse estudo inclui todos os organismos contidos na biosfera, ou seja, 
a esfera da vida. Assim, onde houver vida, há biosfera, e onde há biosfera, 
encontra-se a ecologia. Trata-se do estudo da “casa”, das interações entre os 
seres vivos em um ambiente que evolui no tempo e no espaço e com os padrões 
que o próprio meio proporciona para essa evolução.
No entanto, com o passar do tempo, percebeu-se a necessidade de ampliar 
esses estudos, apesar do arcabouço de informações dos naturalistas e das dis-
cussões em torno da nova matéria. Assim, no início do século passado, por volta 
de 1925, surgiu a ecologia das comunidades, considerando a necessidade de se 
estudar as espécies* por grupos ou comunidades, e não apenas por indivíduos. 
O estudo da “casa” deveria ser ampliado e percebido no meio em que os seres 
vivos se relacionam e onde ocorrem as interações entre as mesmas espécies, e 
também levar em conta as diferenças entre as populações e as comunidades. Tal 
interação era chamada de comunidade biológica ou comunidade de vida.
Paralelamente a esse estudo que tem como foco as comunidades, houve e há 
a necessidade de estudarmos espécie por espécie. Isso porque existem os riscos 
parasitológicos, além de precisarmos de informações para os órgãos de saúde 
* Espécie: compõe-se de indivíduos semelhantes em todos ou na maioria de seus ca-
racteres estruturais e funcionais, que se reproduzem sexuada ou assexuadamente 
e constituem uma linhagem filogenética distinta. É uma categoria da classificação 
biológica subordinada imediatamente ao gênero ou ao subgênero, sendo a menor 
população natural considerada suficientemente diferente de outras para merecer 
um nome e da qual se assume ou se prova que permanecerá diferente, apesar de 
eventuais intercruzamentos com espécies aparentadas.
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pública, como as pesquisas sanitárias relacionadas à prevenção de doenças e à 
prevenção antiparasitária.
No entanto, conforme já foi dito, permanece a necessidade de estudarmos 
o conjunto, as diferentes espécies e a influência que elas têm sobre o meio. É 
importante o estudo por população, ainda que, pelo novo conceito de ecologia, 
devamos considerar como base o meio em que os seres vivos – as florestas, os 
animais, as bactérias, os fungos e as algas, entre outros – estão inseridos. É com 
base nessas relações de interação dos seres vivos (incluindo o ser humano) e os 
espaços (com todas as suas classificações e abrangências) por eles ocupados que 
surge o conceito de meio ambiente.
1 . 1 E c o l o g i a , m e i o a m b i e n t e e n a t u r e z a
A e c o l o g i a , d e a c o r d o c o m J o l l i v e t e P a v é ( 1 9 9 6 ) , c o m o 
foi proposta, deve ser repensada. Para esses autores, conceito de meio ambiente 
deve ser “talvez mesmo reinventado, mas não refeito. Devemos nos apoiar sobre 
a base de saberes e de técnicas já acumuladas, bem como numa identificação e 
numa definição mais precisa possível sobre o que entendemos exatamente como 
meio ambiente” (Jollivet; Pavé, 1996, p. 55). Assim, poderemos definir ecologia 
de forma coerente e, de fato, significativa.
Aliás, Medina (1989) declarou ser meio ambiente uma expressão polissêmica 
(uma palavra que apresenta uma gama variada de significados) que vem sendo 
desenvolvida, ampliada e construída ao longo da evolução do pensamento am-
biental, bem como das demais ciências, não se restringindo, portanto, a uma 
determinada área do saber. E você verá, ao longo deste e de outros estudos que 
venha a fazer, que são múltiplos os saberes que se interligam nesse contexto, como 
os relacionados às ciências biológicas, químicas, físicas, tecnológicas e sociológicas.
A palavra ambiente tem sua origem no latim – ambiens, significando “que 
rodeia”. Já a expressão meio ambiente é definida por vários autores de diferentes 
maneiras, das quais julgamos oportuno mencionar algumas para o entendimento 
mais amplo do assunto:
 • conforme Ricklefs (1996), meio ambiente é “a circunvizinhança de um 
organismo, incluindo as plantas, os animais e os microorganismos com 
os quais ele interage”. Nesse caso, o autor identifica a comunidade bioló-
gica, na qual os seres vivos realizam uma interação com o meio – plantas, 
animais e todos os organismos vivos;
 • por sua vez, Morán (1990) classifica o meio ambiente em mundo 
biótico e abiótico:
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 • o primeiro – mundo biótico – está relacionado à vida e pertence aos 
seres vivos, às comunidades e às populações, o que inclui a biosfera, isto 
é, as plantas, os animais, as bactérias, os fungos; ou seja, os organismos 
vivos de um ecossistema*, de uma região ou de um espaço geográfico.
 • no segundo – mundo abiótico –, não existem organismos vivos; ele é 
inerte, sem ação e impróprio para viver: é o ambiente físico-químico;
 • o meio ambiente também pode ser definido como uma unidade bió-
tica de maior expressão geográfica, compreendendo várias comunida-
des em diferentes estágios de evolução, os componentes necessários para 
a manutenção da vida e suas inter-relações com o meio. De acordo com 
Mello (2006, p. 96),
o meio ambiente é um objeto complexo, que pode ser estudado pelas 
Ciências Naturais (físicas, químicas, biológicas), mas, quando é visto 
pelo ângulo das relações que as sociedades humanas estabelecem 
com os sistemas** “naturais”, passa a ter outro conjunto de premissas 
e de conceitos básicos. [grifo nosso];
 • para Batalha (1987), meio ambiente é o “conjunto de todas as condi-
ções e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento de um 
organismo”.
Essas definições são de caráter biológico, referindo-se ao meio ambiente sem 
estabelecer um vínculo de interação do homem como parte integrante desse 
meio. Já as relações entre comunidade biológica e homem como organismo 
vivo podem ser definidas como a esfera da vida: onde houver vida, existe 
a biosfera; onde há a biosfera, existe uma integração entre todos os seres 
que a compõem.
Consultando a legislação
 • A Lei Federal n. 6.938, de 31 de agosto de 1981 (com várias alterações em sua 
redação dadas por leis posteriores), que dispõe sobre a Política Nacional do 
Meio Ambiente no Brasil, define a expressão meio ambiente como “o conjunto 
de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que 
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (Brasil, 1981b).
* No tópico “Indicadores de vulnerabilidade”, você encontra mais informações 
sobre ecossistemas.
** Sistema: grupo de componentes que se inter-relacionam de tal forma que as 
mudanças de um podem afetar alguns ou todos os demais componentes.
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 É uma definição de caráter amplo, pois em nenhum momento o homem que integra 
esse meio faz parte do referido conceito.
 • Já na Lei n. 5.793, de 16 de outubro de 1980, do Estado de Santa Catarina, que 
dispõe sobre a proteção e a melhoria da qualidade ambiental, encontramos uma 
lacuna para as relações entre o meio, o homem e a sociedade, quando, por exem-
plo, em seu artigo 2º, parágrafos I e II, a referida lei afirma que:
 I – meio ambiente é a interação de fatores químicos e biológicos que con-
dicionam a existência de seres vivos e de recursos naturais* e culturais;
 II – degradação da qualidade ambiental é a alteração das propriedades 
físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer 
forma de energia ou de substâncias sólidas, líquidas e gasosas, ou combi-
nação de elementos produzidos por atividades humanas ou delas decor-
rentes, em níveis capazes de, direta ou indiretamente:
a. prejudicar a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b. criar condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c. ocasionar danos relevantes à flora, à fauna e outros recursos naturais. 
(Brasil, 1980c, grifo nosso)
Citamos essa legislação como exemplo de posturas em que o ser humano é 
considerado parte do meio ambiente.
Também destacamos, nesse contexto de definições, que meio ambiente e 
natureza constituem outra relação que deve ser esclarecida.
A conceituação rigorosa e inflexível de meio ambiente o define apenas como 
“sinônimo de natureza”. Mas o que é natureza? Segundo Houaiss, Villar e Franco 
(2001), natureza diz respeito ao conjunto de elementos do mundo natural, tal 
como os mares, as montanhas, as árvores e os animais. Portanto, o meio ambiente, 
entendido como sinônimo de natureza, não abrange o componente humano.
Logo, nessa concepção, existe um distanciamento entre homem e natureza. 
Assim como nos conceitos citados anteriormente e por força de lei (Lei Federal 
n. 6.938/1981), o ser humano se dissocia do meio ambiente, o que constitui uma 
inverdade. Tal pensamento é oriundo do modelo positivista: o antropocen-
trismo. No entanto, no que diz respeito à matéria em estudo, contraditoriamente, 
o positivismo, ao dissociar o homem do meio, dá origem à visão que coloca a 
natureza – e não o homem – em uma posição de centralidade.
* Recursos: são aspectos do ambiente natural que facilitam a satisfação das necessi-
dades humanas e o alcance dos objetivos sociais; é qualquer coisa que seja útil para 
algo. Os recursos naturais, em sentido amplo, são bens procedentes da natureza 
não transformada pelo homem, entre os quais se incluem o ar, a água, a paisagem 
e a vida selvagem, e que são capazes de satisfazer as necessidades humanas.
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Contudo, podemos inferir, se partirmos do princípio de que o homem 
integra o meio – o que corresponde a uma nova ordem, isto é, à visão do 
biocentrismo, na qual ser humano e natureza estão no mesmo nível de in-
terações e de modificações –, que a natureza, o homem no meio social e a 
utilização dos recursos naturais estão em um mesmo patamar.
Portanto, na visão biocêntrica, todos esses três conjuntos de elementos relaciona-
dos são colocados no mesmo nível. Saímos, assim, da concepção de meio ambiente 
somente como unidade biótica e/ou abiótica para chegar à concepção de um meio 
ambiente multidimensional – que trata dos múltiplos aspectos e é abrangente.
Nessa conjuntura de teorias e de fatos, o que você pode observar na confi-
guração da paisagem* do país é que os resultados ocasionados pela degradação 
dos recursos naturais e dos ecossistemas já são fatos concretos, provocando o 
que se convencionou chamar de crise ambiental. Deparamo-nos, então, com a 
necessidade urgente de reverter essa situação provocada pela sociedade.
Figura 1.1 – A esfera da vida
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* Paisagem: é o sistema geográfico formado pela influência dos processos naturais 
e das atividades antrópicas, e configurado na escala da percepção humana.
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Perguntas e respostas
Falamos anteriormente em crise ambiental, e você pôde observar que no texto 
da lei se fala em qualidade ambiental; provavelmente essas são expressões que 
você conhece dos mais variados meios de comunicação (TV, jornais e revistas). 
No entanto, você já ponderou sobre o que é a qualidade ambiental? Quais 
fatores estão inseridos nessa concepção?
Podemos definir a qualidade ambiental como o conjunto de características 
biofísicas ou químicas que tornam determinado meio ou produto adequado ao 
uso pelos seres vivos. É a capacidade relativa que determinado meio ambiente 
apresenta para satisfazer as necessidades e os desejos de um indivíduo e da so-
ciedade como um todo. Assim, são parâmetros de qualidade ambiental a serem 
avaliados: a) o saneamento ambiental – disponibilidade, contaminação e qua-
lidade da água, efluentes locais, ar e conforto térmico; b) a estética ambiental 
– beleza dos elementos naturais e antropogênicos; c) o tratamento de resíduos 
domésticos e industriais – reciclagem e instalações operacionais; d) os valo-
res culturais da relação homem-meio ambiente – grau de cultura ecológica, 
apreciação social da percepção ambiental, respeito a normas e regras.
Diante desse panorama, você considera que já tem elementos para observar e 
estabelecer parâmetros da crise ambiental? Vamos ampliar nossas observações 
e estudos para realizarmos essa reflexão? 
Nesse contexto, uma nova concepção, a concepção sistêmica, vem sobre-
pujar a anterior (antropocêntrica).
Ao aplicarmos esse novo paradigma às relações do homem com o meio am-
biente, é importante destacar que a concepção sistêmica refere-se ao “resultado 
de processos de origem natural, não humana, e de ações antrópicas; estas últi-
mas adquirem uma importância considerável, pelo fato de interagirem com os 
processos naturais a ponto de conseguirem alterar suas tendências profundas” 
(Jollivet; Pavé, 1996).
Um fato que exemplifica apropriadamente esse processo de alterações a que se 
referem Jollivet e Pavé (1996) é o “efeito estufa”, o qual resulta dos danos provocados 
na atmosfera por ações antrópicas. Nesse sentido, destacamos que um conceito 
amplo de meio ambiente, no qual estão incluídos os constituintes da natureza, 
além da humanidade e de toda a tramade relações estabelecidas a partir das inte-
rações que surgem de tal contato, foi proposto em 1977, na Conferência de Tbilisi*.
* A Conferência de Tbilisi, realizada em 1977 pela Unesco, foi a primeira confe-
rência intergovernamental sobre educação ambiental, representando um marco 
para a educação ambiental.
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1 . 1 . 1 A conce pção s i s t êmica de me io ambient e
D i a n t e d a c o m p l e x i d a d e d o s f a t o r e s e x p o s t o s e d a 
dificuldade em definirmos meio ambiente, a nossa proposição, neste estudo, é a 
de optarmos pela conceituação sistêmica de meio ambiente, ou seja, consi-
derarmos “as relações existentes entre o comportamento dos elementos da 
natureza (físicos, químicos e biológicos) com o homem (como núcleo fami-
liar) e sociedade (estrutura política social e econômica)” (Hardt; Lopes, 1990).
Assim, passamos a visualizar um processo de interdependência entre subsiste-
mas da natureza (de caráter químico, físico e biológico) e destes com o subsistema 
social-humano. Resumindo, podemos dizer que é essa sequência de operações, 
com suas inter-relações e sucessivas conexões, que compõem o meio ambiente.
Nesse cenário, duas características, de acordo com Capra (1982), são peculiares 
aos subsistemas que formam o meio ambiente:
 • a natureza intrinsecamente dinâmica – as relações não são estáticas 
ou rígidas, mas flexíveis e em permanente transformação;
 • as relações simbióticas – significa que são mutuamente vantajosas para 
os parceiros associados, ou seja, animais e plantas desenvolvem-se em uma 
relação de competição e de mútua dependência. Isso explica o fato de, mui-
tas vezes, aparecerem sinais de descontrole se o sistema sofrer perturbações.
Podemos dizer, novamente recorrendo a Hardt e Lopes (1990) – mais espe-
cificamente aos estudos destes (interpretação e síntese de resultados em estudos 
e relatórios de impacto ambiental), divulgados em 1990 – que o meio ambiente, 
com base em uma visão integral e de forma mais detalhada, pode ser con-
ceituado como o resultado da combinação dinâmica dos subsistemas bio-
lógico, físico-químico e social-humano. Tais subsistemas, em determinada 
porção do espaço, do tempo e do momento social, formam um conjunto 
único e indissociável.
Perguntas e respostas
Antes de continuarmos o nosso estudo sobre os conceitos de meio ambiente, 
fazemos a você uma pergunta sobre algo fundamental, que se encontra em toda 
a estrutura desta obra: Você sabe o que é impacto ambiental?
A Resolução Conama n. 001, de 18 de março de 1986, define impacto am-
biental como:
qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio am-
biente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das ativi-
dades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
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II – as atividades sociais e econômicas; 
III – a biota[*]; 
IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V – a qualidade dos recursos ambientais. (Brasil, 1986c)
Retomaremos essa abordagem mais adiante.
1 . 2 A s p o l í t i c a s d e g e s t ã o d a s e m p r e s a s 
b r a s i l e i r a s e m r e l a ç ã o a o m e i o a m b i e n t e
C o n s i d e r a n d o e s s a c o n c e p ç ã o d e m e i o a m b i e n t e c o m o 
um conjunto único e indissociável, chegamos à compreensão de que a herança 
sociocultural da sociedade de um determinado espaço natural deve ser con-
siderada no âmbito dessas relações. E, com base nessa perspectiva, existe a 
necessidade de concebermos a natureza de uma forma em que não lhe seja 
atribuído apenas um valor instrumental ou de uso, pois, como diz Unger (1991), 
“ela tem valor real em si mesma, pelo fato de existir – é o valor de existência, 
traduzido como benefício sem consumo”. A compreensão e a aplicação dessa 
concepção permitem o desenvolvimento sustentável, de modo que homem e 
natureza sejam preservados.
No entanto, nas empresas de nosso país, a incorporação da variável am-
biental ainda é realizada basicamente por meio da fiscalização das instituições 
públicas ambientais e da pressão ecológica e social proveniente dos âmbitos 
nacional e internacional.
Perguntas e respostas
O que é variável ambiental?
Na mesma proporção em que a população se conscientiza da importância de 
preservar o meio ambiente, de evitar e/ou corrigir sua degradação, aumenta a 
necessidade de as organizações incluírem essa nova variável – que é a mensura-
ção do impacto ambiental – em seus planejamentos estratégicos. É a exigência 
por produtos ecologicamente corretos; mas que produtos são esses? A inclusão 
da variável ambiental no processo de produção caracteriza os produtos com selo 
verde ou selo ambiental, ou, ainda, aqueles que, além de serem elaborados com 
materiais ecologicamente corretos, apresentam um processo de fabricação que 
provoca o menor dano possível ao sistema ambiental da Terra.
* Biota: conjunto de plantas e de animais de uma determinada região ou província 
biogeográfica. Ex.: biota amazônica. É o conjunto de seres vivos que habitam um 
determinado ambiente ecológico, em estreita correspondência ou relação com as 
características físicas, químicas e biológicas desse ambiente.
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A inclusão da variável ambiental no sistema de gestão de uma organização pode ser 
realizada pela implantação do Total Quality Environmental Management (TQEM), 
como veremos no capítulo que trata das certificações e do uso das séries ISO.
Nesse processo, caso a liderança empresarial queira estabelecer as propostas 
de desenvolvimento sustentável como ponto de partida, já terá um direcio-
namento: a Agenda 21.
Nesse cenário, observamos que algumas indústrias já se adequaram à proposta 
de trabalhar e se relacionar com o meio ambiente dentro de uma perspectiva 
sustentável. Contudo, em sua grande maioria, as empresas brasileiras agem de 
forma pouco consciente e pouco responsável em relação aos problemas ambien-
tais. Por que isso ocorre?
Se você observar, verá que uma proporção relativamente grande de empre-
sários considera utópica a ideia de que é possível obter crescimento econômico 
juntamente com a proteção do meio ambiente. Dessa forma, observamos nor-
malmente que a prática ambiental restringe-se ao cumprimento das normas de 
poluição e aos relatórios de impactos ambientais (Maimon, 1992).
No entanto,nesse processo gradativo de assimilação das necessidades pre-
mentes de novas soluções ambientais para a preservação, inclusive da espécie 
humana, já é possível observar mudanças, como comenta Schmidheiny (1992). 
Assim, nesse cenário, embora a assimilação das novas demandas ambientais 
seja gradativa e lenta, encontramos um número crescente de empresas incor-
porando a variável ambiental a seus modelos de gestão. São empresas que 
percebem economia e vantagens competitivas nessa postura.
P a r a s a b e r m a i s
Agenda 21*
Um dos principais resultados da [Conferência] Rio-92, a Agenda 21 é o plano de 
ação da Organização das Nações Unidas para o início do século XXI. Em 1992, os 
países-membros presentes no Rio de Janeiro comprometeram-se em pautar suas 
políticas econômicas, sociais e ambientais com base no conceito do desenvolvi-
mento sustentável, segundo o qual se procura atender às necessidades das gerações 
presentes sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras também 
verem atendidas as suas. Para isso, define em 40 capítulos 2.500 recomendações 
e responsabilidades a curto, médio e longo prazos.
Fonte: Rio+10 Brasil, 2008. 
* Você pode acessar a Agenda 21 na íntegra no site da Ecol News. Disponível em: <http://www.
ecolnews.com.br/agenda21>.
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1 . 2 . 1 Prát i ca s t e cno l óg i ca s e ambienta i s cont emporâneas
N e s s e u n i v e r s o d e n o v o s p a r a d i g m a s , o b s e r v a m o s q u e 
práticas tecnológicas e ambientais contemporâneas ou vanguardistas podem gerar 
uma interação positiva entre empresas, natureza e meio social. Ademais, desse 
processo podem surgir soluções, como a transformação de resíduos* em novas 
oportunidades de negócios, em vez de serem tratados como dejetos poluidores.
Para que esse processo seja implantado, o ser humano deve atentar para 
alguns fatores, como:
 • a gestão dos ciclos de vida dos produtos;
 • a reciclagem.
Esses fatores, por sua vez, devem ser analisados sob o prisma de um novo 
processo mercadológico, a logística reversa. Isso significa que o desenvolvi-
mento pode:
 • utilizar tecnologias limpas;
 • realizar a troca de materiais e de processos poluentes** por outros, com 
índices de poluição menores.
A adequação a essas condições tem como resultado um instrumental para 
atingir a meta de índice zero de poluição, pois, dessa maneira, as empresas tra-
balham com a prevenção da poluição. No entanto, para que isso seja realizado 
efetivamente, devem ser agregados novos conceitos aos processos de gestão das 
empresas, como a ecoeficiência e o princípio da precaução.
 • Conceito de ecoeficiência – expressa uma postura de gestão cujo obje-
tivo é a sustentabilidade. Originou-se em uma publicação do Conselho 
Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (em inglês, 
Word Business Council for Sustainable Development – Schmidheiny, 1992), 
que o define como a “entrega de bens e serviços com preços competitivos que 
satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, reduzindo 
progressivamente impactos ambientais dos bens e serviços, através de todo 
o ciclo de vida, em linha com a capacidade estimada da Terra em suportar”. 
Entre os aspectos que caracterizam uma gestão nos moldes da ecoeficiência, 
encontram-se:
* Resíduo: material ou resto de material cujo proprietário ou produtor não mais 
o considera com valor suficiente para conservá-lo.
** Poluente: qualquer forma de matéria ou energia que interfira prejudicialmente 
nos usos preponderantes das águas, do ar e do solo.
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 • a diminuição do consumo de materiais e de energia nos processos de 
produção de bens e de serviços;
 • a diminuição da disseminação de matérias tóxicas;
 • o aumento das atividades de reciclagem dos vários tipos de materiais 
descartados; 
 • a maximização do aproveitamento sustentável dos recursos disponi-
bilizados pela natureza;
 • o aumento do tempo de uso dos produtos;
 • a incorporação do fator valor aos bens e aos serviços.
 • Princípio da precaução – consta na Declaração do Rio de Janeiro sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento (ONU, 1992, p. 4): “Com o fim de 
proteger o meio ambiente, [...] Quando houver ameaça de danos graves ou 
irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não será utilizada como 
razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir 
a degradação ambiental”. Assim, esse princípio, formalmente criado na 
Conferência Rio-92, refere-se a uma garantia contra os potenciais riscos a 
que o meio ambiente encontra-se suscetível, os quais, entretanto, ainda não 
são conhecidos ou identificados. Esse princípio afirma que, na ausência de 
certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irre-
versível requer a implementação de medidas que possam prever esse dano.
Outro aspecto essencial para a efetiva instauração de uma política ambiental 
sustentável é o de que o sistema de mercados também deve incorporar esses valores 
aos sistemas de preços dos produtos. Dessa forma, existe a necessidade de fixar 
os preços de forma que reflitam os custos do meio ambiente, o que significa in-
serir ou computar as externalidades. Estas, conforme esclarecimento de Maimon 
(1996), referem-se “aos danos ambientais causados por alguma atividade a terceiros”. 
Salientamos a questão das externalidades porque a economia tradicional 
não incorpora esses danos ambientais na elaboração e na fixação de preços dos 
produtos advindos de empreendimentos privados. Contudo, se você observar 
em seu entorno, talvez encontre algumas empresas ou produtos que estejam 
inseridos nessa nova concepção.
Sobre essa questão, Schmidheiny (1992) diz ser necessária uma nova relação, 
fundamentada na cooperação tecnológica. Esse processo deve ser estimulado e as-
sumir tal proporção que envolva governos, universidades, empresas, empregadores, 
empregados, fornecedores, consumidores e grupos de cidadãos. Além disso, de-
vemos atentar, dentro do paradigma da sustentabilidade, para aspectos como:
 • a questão energética;
 • a gestão da água;
 • a agricultura;
 • a exploração florestal. 
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Nesse contexto, ressaltamos a importância da criação do Business Council 
for Sustainable Delevopment (BCSD), ou Conselho de Negócio para o 
Desenvolvimento Sustentável, no final de 1990, por um grupo de líderes em-
presariais mundiais,o qual discute temas fundamentais para o processo de 
implantação do desenvolvimento sustentável, tais como:
 • o valor estratégico do conceito de desenvolvimento sustentável na gestão 
empresarial;
 • a educação para a sustentabilidade;
 • a produção e o consumo sustentáveis;
 • as parcerias envolvendo governo, empresas e sociedade civil.
É nesse cenário que a gestão socioambiental busca instaurar-se como mo-
dus operandi para incluir e implantar novas formas de pensar a ecologia, o meio 
ambiente, o ser humano, a sociedade e as múltiplas inter-relações resultantes da 
compreensão da interdependência que existe entre todos os seres, fatos e universos.
S í n t e s e
A f i n a l , o q u e s i g n i f i c a a g e s t ã o s o c i o a m b i e n t a l e 
qual o seu significado para a sociedade? Esse é o tema que fundamenta e per-
corre toda esta obra. Podemos dizer que todos os temas que abordaremos na 
sequência são aspectos da gestão socioambiental. Ela envolve procedimentos 
técnico-administrativos, mas é de fundamental importância entender que so-
mente se torna viável de fato quando é assimilada e compreende a vida a partir 
de sua pluralidade, dos sistemas, dos ciclos, das intersecções, do movimento 
conjunto dos universos de práticas e de saberes. Portanto, ao concluirmos esse 
traçado inicial do estudo que faremos nesta obra, em um percurso no qual fomos 
buscar os passos (os fatos) e os parâmetros que foram trazidos ao século XXI, 
sob o signo da gestão socioambiental, devemos ressaltar que a maioria dos países 
desenvolvidos permanecem fiéis a seus padrões tecnológicos de produção e de 
consumo, o que ocasiona uma forte pressão consumista e provoca o desgaste dos 
recursos naturais, enquanto a maioria da população dos países em desenvolvi-
mento encontra-se carente das necessidades mínimas e básicas. Nesse contexto, 
as empresas passam a ter enormes responsabilidades, em um processo de gestão 
que não poderá se dissociar das premissas de inserção na coletividade, ao mesmo 
tempo respondendo pela condição de sobrevivência das futuras gerações e não 
apenas pela preservação* de ambientes isolados ou de espécies específicas.
* Preservação: é a proteção rigorosa de determinadas áreas e de recursos naturais 
considerados de grande valor como patrimônio ecológico ou paisagístico. Não se 
admite qualquer intervenção humana no local protegido.
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Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
1. O que você considera necessário para que haja uma efetiva reformulação 
nos processos de produção, consumo e preservação ambiental? 
2. Estamos constantemente ouvindo ou lendo informações sobre o efeito 
estufa, sobre o caos previsível do clima na Terra. Obviamente, é necessá-
rio filtrar e buscar mais conhecimento sobre o assunto. No entanto, uma 
coisa é certa: estamos enfrentando os efeitos de processos poluidores da 
nossa civilização. Nesse contexto, como você pode ler em texto do site 
Portal Vegetariano Natureba:
o metano, gás do efeito estufa, responde por um terço do aquecimento 
do planeta. A sua capacidade de reter calor na atmosfera é 23 vezes 
maior que a do gás carbônico. Cerca de 28% das emissões mundiais 
desse gás vêm da pecuária. O gado envia milhões de toneladas anuais 
de metano para a atmosfera (ruminação, fermentação intestinal, es-
terco). O metano também é liberado na queima de gás natural, em 
campos de arroz inundados, em aterros e lixões (decomposição de resí-
duos orgânicos), no esgoto, na queima do carvão e de material vegetal, 
entre outros. O metano permanece ativo na atmosfera por 12 anos.
Segundo relatório da FAO (nov. 2006), a pecuária prejudica mais o am-
biente que os carros. (Portal Vegetariano Natureba, 2011, grifo do original)
O referido site, além da preocupação planetária, advoga a causa vegetariana 
como parte da solução para o problema. Você concorda com isso? A alimenta-
ção vegetariana é uma alternativa para diminuir a poluição? Já pensou sobre o 
desperdício (lixões produzindo metano)? Já pensou sobre a falta de cuidado com 
o meio ambiente (lixos depositados nos mais diversos espaços, provocando toda 
sorte de interferência no ambiente)?
Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. De forma resumida, como você definiria a visão biocêntrica do meio 
ambiente?
2. Qual o principal fator que não está relacionado à conscientização ambien-
tal, mas que tornou a inclusão da variável ambiental uma necessidade nas 
políticas de gestão das organizações? 
3. Leia atentamente as afirmativas a seguir e assinale “V” quando forem 
verdadeiras e “F” quando forem falsas:
( ) A realidade e/ou concepção da qual advém o conceito de meio ambiente 
compreende o espaço em que os seres vivos estão inseridos, as florestas, 
os animais, as bactérias, os fungos e as algas, entre outros.
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É a visão oriunda da concepção de que o meio compreende a natureza,nullo ser humano, o meio social e a utilização dos recursos naturais.
sousa
Texto digitado
A variável ambiental está sendo incorporada aos modelos de gestão,nullpor razões de ordem econômica e pelas vantagens competitivasnulladvindas dessa postura.
34
( ) As interações entre as mesmas espécies constituem o que se denomina 
de comunidade biológica ou comunidade da vida.
( ) Assim como não existem diferenças entre as populações e as comu-
nidades, não existe, de acordo com o critério da ecologia das comu-
nidades, a necessidade de se estudar as espécies por grupos – basta o 
estudo por indivíduos.
( ) O fato de as relações não serem estáticas ou rígidas, mas flexíveis e em 
permanente transformação, corresponde à característica dinâmica dos 
subsistemas que formam o meio ambiente.
A sequência correta é:
a. V, F, V, F.
b. V, V, V, F.
c. V, V, F, V.
d. F, V, F, V.
4. Assinale a alternativa correta: 
 Com base na opinião de Jollivet e Pavé (1996) relacionada à ecologia, po-
demos dizer que:
a. ecologia é o estudo da relação dos seres vivos entre si e com o meio 
em que vivem.
b. a ecologia, uma vez inserida na concepção de meio ambiente, deve ter 
seu conceito reinventado.
c. ecologia é o estudo das relações do homem com seu meio moral, social 
e econômico.
d. a ecologia trata dos aspectos referentes à natureza, esta compreendida 
como herança sociocultural da sociedade.
5. O conceito de meio ambiente passou por várias reformulações, em um 
processo de abrangência gradativa. Nas assertivas a seguir, assinale “V” 
(verdadeiro) e “F” (falso), considerando que esses conceitos são de caráter 
biológico:
( ) Meio ambiente é a comunidade biológica na qual os seres vivos pro-
movem uma interação com o meio, ou seja, as plantas, os animais e 
todos os organismos vivos.
( ) O meio ambiente compreende o mundo biótico e abiótico: um é rela-
tivo à vida e pertence aos seres vivos, às comunidades e às populações; 
o outro, aos aspectosfísico-químicos.
( ) Meio ambiente é o meio físico, químico e biológico de qualquer orga-
nismo, vivo ou não.
6. A Lei Federal n. 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio 
Ambiente no Brasil, define a expressão meio ambiente como “o conjunto de 
condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, 
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que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Considerando 
esse parâmetro legal, assinale a única alternativa correta: 
a. O meio ambiente foi considerado como um espaço em que se estabe-
lece um vínculo de interação do ser humano como parte integrante 
desse meio.
b. A biosfera foi definida como o elemento que estabelece uma integração 
entre todos os seres que a compõem.
c. O ser humano, embora tenha vida, não foi inserido no conceito de 
meio ambiente.
d. O meio ambiente pode ser conceituado como o resultado da combi-
nação dinâmica dos subsistemas biológico, físico-químico e social-hu-
mano que, em determinada porção do espaço, tempo e momento social, 
compõem um conjunto único e indissociável.
7. Nas afirmativas a seguir, assinale “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas.
 Quando afirmamos que o resultado das ações antrópicas é muito mais 
abrangente e drástico que aquele somente de origem natural, pois o ser 
humano tem condições de alterar as tendências da natureza, estamos:
( ) considerando o homem como parte integrante do meio ambiente.
( ) incluindo os constituintes da natureza, além da humanidade e toda a 
trama de relações estabelecidas a partir das interações que resultam 
de tais contatos como elementos constitutivos do meio ambiente.
( ) optando pela concepção sistêmica de meio ambiente.
( ) inferindo uma situação própria da concepção antropocêntrica.
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c a p í t u l o 2
A gestão ambiental e a responsabilidade social
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • Concepção sistêmica de meio ambiente;
 • Variável ambiental;
 • Concepção de gestão socioambiental; 
 • Dimensões da gestão socioambiental.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • compreender os princípios da gestão socioambiental;
 • estabelecer paradigmas de abordagens ecológicas dos processos de gestão;
 • identificar os fatores que provocam impacto ambiental;
 • identificar as bases legais que fundamentam a inclusão da variável 
ambiental nas atividades de gestão. 
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S e v o c ê e x a m i n a r c e r t o s a s p e c t o s r e l e v a n t e s d a p r o -
blemática ambiental, do ponto de vista da relação sociedade-natureza, terá a 
oportunidade de analisar a questão ambiental baseada na interação entre os 
meios social e físico-natural, com uma abordagem e uma visão holística e sis-
têmica de mundo.
Essa visão requer que a gestão ambiental e a responsabilidade social mostrem 
à sociedade suas correlações. Nesse processo, alguns procedimentos são impor-
tantes para os atores sociais, os quais, após as discussões de assuntos como os 
apresentados nesta obra, devem comprometer-se com a manutenção e com a 
melhoria do meio ambiente. Nesse cenário:
 • os ambientalistas devem consolidar as conquistas e conferir maior consis-
tência às propostas, tanto técnica como politicamente – o pragmatismo 
continua;
 • os técnicos e os gestores governamentais devem integrar as políticas am-
bientais de gestão às outras áreas políticas e administrativas dos governos – 
devem atuar nas interfaces; 
 • os empresários têm as tarefas de buscar a ecoeficiência e de utilizar os pa-
drões ambientais como incentivos às estratégias de competitividade, bem 
como de enfrentar os desafios das pequenas e médias empresas e alertar 
para uma política ambiental e de responsabilidade social; 
 • os pesquisadores, por meio dos centros de pesquisa e das universidades, 
devem produzir o conhecimento e as tecnologias que o desenvolvimento 
sustentável requer e, desse modo, formar quadros técnicos;
 • os parlamentares, no âmbito governamental, têm a obrigação de defen-
der os interesses nacionais nessa área e de garantir as institucionalidades 
conquistadas, bem como de responder às demandas da sociedade;
 • os movimentos sociais devem comprometer-se com o combate à pobreza e 
com a promoção do desenvolvimento socialmente justo e ecologicamente 
equilibrado, isto é, praticar a justiça ambiental.
Responsabilidade social é isso: o envolvimento de todas as pessoas e de todos 
os setores na gestão ambiental. Aliás, considerando o fato de ser complicado e 
até mesmo impossível viver sem os outros elementos do meio, estamos falando 
de decisões que influenciam grandemente a qualidade de vida da raça humana. 
No caso específico desta obra, o foco é a população brasileira e/ou o espaço 
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físico do Estado brasileiro. No entanto, é importante observarmos que as ações 
realizadas no nosso país têm reflexo nos demais espaços geográficos e sociais do 
planeta (e vice-versa), uma vez que a natureza é intercomunicante, tenhamos ou 
não a visão holística e sistêmica do processo ambiental.
Perguntas e respostas
O que significa uma abordagem e/ou uma visão holística e sistêmica?
Se você consultar o Dicionário Houaiss de língua portuguesa, irá encontrar o 
termo holismo, substantivo do qual deriva o adjetivo holística, cujo significado é 
o seguinte: “no campo das ciências humanas e naturais, abordagem que prioriza 
o entendimento integral dos fenômenos, em oposição ao procedimento analítico 
em que seus componentes são tomados isoladamente [Por ex., a abordagem so-
ciológica que parte da sociedade global e não do indivíduo.]” (Houaiss; Villar; 
Franco, 2001).
Contudo, ao atribuirmos a concepção sistêmica à visão ambiental, estamos con-
siderando que o meio ambiente é constituído por um grupo de componentes que 
se inter-relacionam de tal forma que as mudanças de um podem afetar alguns 
ou todos os demais componentes. Nesse contexto, é oportuno recorrermos à 
definição de Boff, citado por Nigro (2011, p. 23), segundo a qual “sistema significa 
um conjunto articulado de inter-retro-relacionamentos entre partes constituindo 
um todo orgânico. Ele é mais do que as próprias partes, um sistema dinâmico 
sempre buscando seu equilíbrio e se autorregulando permanentemente”. 
E, assim como Nigro (2011) afirma que “a concepção sistêmica da vida percebe 
a mente e a consciência como processos, e não como coisas”, o mesmo podemos 
dizer em relação à gestão ambiental, pois “refere-se à técnica dos sistemas com-
plexos”. Nessa concepção, sistemas são considerados “[estruturas que se organi-
zam] [...] com base em conjuntos de unidades inter-relacionáveis por dois eixos 
básicos: o eixo das que podem ser agrupadas e classificadas pelas características 
semelhantes que possuem; e o eixo das que se distribuem em dependência hie-
rárquica ou arranjo funcional” (Houaiss; Villar; Franco, 2001).
2 . 1 D i m e n s õ e s d a g e s t ã o
S e c o n s i d e r a r m o s a s c o n c e p ç õ e s v i s t a s n o t ó p i c o 
anterior, a partir do momento que optarmos por inserir a variável ambiental no 
processo de gestão de uma organização, é interessante observar que ela se interliga 
às demais, como, por exemplo, as variáveis econômica, tecnológica, competitiva, 
cultural, demográfica, sociocultural e político-legal.
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Além disso, esse sistema complexo constitui-se no que denominamos de meio 
ambiente, que é o cenário, ou melhor, a realidade na qual se desenrola a vida da 
organização e de todos os interessados e envolvidos com ela (denominados na 
linguagem administrativa de stakeholders). Nascimento, Lemos e Mello (2008, 
p. 19), com base em uma visão relativa à gestão de negócios, referem-se a esse 
contexto, dizendo que
A gestão socioambiental estratégica (GSE) de uma organização 
consiste na inserção da variável socioambiental ao longo de todo o 
processo gerencial de planejar, organizar, dirigir e controlar, utili-
zando-se das funções que compõem esse processo gerencial, bem como 
das interações que ocorrem no ecossistema do mercado, visando a 
atingir seus objetivos e metas da forma mais sustentável possível.
Como você pode perceber, nessa incorporação da variável ambiental ao pro-
cesso de gestão, obviamente há a absorção do princípio da sustentabilidade. Este, 
por sua vez, pela concepção sistêmica em que está inserido, agrega ao gerencia-
mento, além de fatores ambientais com seus possíveis impactos, também fatores 
sociais, econômicos, político-institucionais, de informação e de conhecimento 
(histórico, cultural e tecnológico).
Portanto, existe a necessidade de especificarmos, baseados na Agenda 21 
(Ecol News, 2011), os aspectos pontuais dessas dimensões, quando incorpora-
dos em um projeto ou planejamento organizacional, para então descrevermos 
o contexto ambiental.
 • Aspectos de responsabilidade da gestão que são caracterizados pela 
dimensão social:
 • reduzir as desigualdades entre as pessoas situadas nos diferentes ní-
veis de renda;
 • combater a pobreza;
 • promover a seguridade social;
 • criar e prestigiar atividades educacionais e culturais de estímulo à 
sustentabilidade;
 • promover ações que visam ao bem-estar da comunidade.
 • Aspectos de responsabilidade da gestão que são caracterizados pela 
dimensão econômica:
 • transformar padrões de produção e de consumo;
 • inserir a organização no espaço competitivo;
 • promover a geração de empregos e de renda;
 • gerar condições de acesso à habitação.
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 • Aspectos de responsabilidade da gestão que são caracterizados pela 
dimensão político-institucional da organização:
 • tomar decisões que permitam a integração entre meio ambiente e 
desenvolvimento;
 • estabelecer instrumentos reguladores e de descentralização da gestão;
 • estimular a cooperação, os trabalhos em parceria, as atitudes que vi-
sem ao desenvolvimento sustentável e à democratização das decisões.
 • Aspectos de responsabilidade da gestão que são caracterizados pela 
dimensão da informação e do conhecimento:
 • promover oportunidades de capacitação e de conscientização para 
desenvolver a sustentabilidade na organização e em seu entorno;
 • disponibilizar a difusão e a transferência de tecnologia na organização, 
participando do desenvolvimento tecnológico de modo cooperativo;
 • promover o acesso à informação adequada para as tomadas de decisão;
 • desenvolver ações que propiciem a geração, a absorção, a adaptação e 
a inovação do conhecimento.
Você pode concretizar todos esses aspectos no âmbito de uma organização, 
como também pode considerá-los no âmbito regional, nacional ou mundial. Se 
pesquisar na Agenda Global 21, verá que esse documento estabeleceu quatro 
objetivos irradiadores das ações por um planeta sustentável, que, em princípio, 
são os estímulos da gestão socioambiental. Esses quatro objetivos são:
1. reduzir pela metade a proporção das pessoas que não têm acesso à água 
potável ou ao saneamento* básico até 2015;
2. recuperar as áreas pesqueiras até 2015;
3. reduzir a perda da biodiversidade até 2010;
4. estabelecer um cronograma de ações de modo que se possa usar e pro-
duzir produtos químicos que não agridam a saúde humana e o ambiente 
natural até 2020.
Essas são, com certeza, metas ambiciosas e exigem de cada país um esforço 
conjunto de seus órgãos estatais e empresas privadas. No Brasil, todo o processo 
é desenviolvido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), pois envolve polí-
ticas públicas deorientação, de fiscalização e de estímulo à prática de ações que 
atendam a essa proposta ecológica ou ambientalista.
* Saneamento: controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem 
ou podem exercer efeito nocivo sobre seu bem-estar físico, mental ou social.
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Consultando a legislação
As competências do MMA, definidas na Lei n. 10.683, de 28 de maio de 2003 
(Brasil, 2003a), e mantidas pelo Decreto n. 6.101, de 26 de abril de 2007 (Brasil, 
2007a), estão em sintonia com os objetivos vistos. Senão, vejamos: 
Capítulo I
Da natureza e competência
Art. 1º O Ministério do Meio Ambiente, órgão da administração pública federal 
direta, tem como área de competência os seguintes assuntos:
I – política nacional do meio ambiente e dos recursos hídricos;
II – política de preservação, conservação e utilização sustentável de ecossistemas, 
e biodiversidade e florestas;
III – proposição de estratégias, mecanismos e instrumentos econômicos e sociais 
para a melhoria da qualidade ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais;
IV – políticas para a integração do meio ambiente e produção;
V – políticas e programas ambientais para a Amazônia Legal; e
VI – zoneamento* ecológico-econômico.
Uma questão que nos leva a sérias ponderações é a terceira meta da Agenda 
Global 21: reduzir a perda da biodiversidade até 2010. Esse ano já chegou, já 
passou e, considerando o que ocorre em nosso país, podemos dizer que atin-
gimos essa meta? Quais são os reais indicadores da biodiversidade? Você está 
informado a respeito?
2 . 2 A v a r i á v e l a m b i e n t a l e o 
s e u e n f r e n t a m e n t o
A s p r o p o s t a s , o s o b j e t i v o s e a s m e t a s t r a ç a d a s s ã o 
promissores; no entanto, diariamente os trabalhadores de órgãos de gestão am-
biental (prefeituras, órgãos estaduais e municipais de meio ambiente, e o Ibama), 
bem como os militantes de entidades da sociedade civil que atuam na área (ONGs 
ambientalistas, movimentos sociais, associações comunitárias, entidades de 
classes etc.), costumam tomar conhecimento de agressões e de ameaças ao meio 
ambiente. 
Nesse contexto, é importante destacarmos que de várias formas e de várias 
fontes chegam denúncias e informações de:
* Zoneamento: é a divisão de um território de acordo com os critérios e normas 
de uso e as formas de ocupação do solo.
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 • desmatamentos ilegais; 
 • aterramentos de manguezais;
 • derramamentos de óleo no mar;
 • pesca predatória;
 • tráfico de animais silvestres;
 • lixões; 
 • lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento no mar e 
nos rios;
 • destruição das nascentes;
 • funcionamento de empreendimentos potencialmente poluidores sem 
licença ambiental.
Essas são algumas das situações, mas há outras ocorrências que colocam 
em risco a integridade dos ecossistemas e interferem de forma negativa na qua-
lidade de vida das populações localizadas em ambientes assim impactados ou 
degradados.
2 . 2 . 1 Dif i cu ldades para cumpr ir a l eg i s l a ção ambienta l
H á c a s o s e m q u e o s p r ó p r i o s t r a b a l h a d o r e s o b s e r v a m 
as agressões ao meio ambiente no percurso diário de casa para o trabalho. Muitas 
vezes, surge um sentimento de angústia e de impotência dos cidadãos (técnicos 
ou não) diante das dificuldades e do tamanho dos problemas.
Os técnicos ambientais dos órgãos públicos convivem com uma série de di-
ficuldades para cumprir a legislação ambiental. São obstáculos de toda ordem, 
que vão desde a falta crônica de condições de trabalho (meios materiais, equipe 
técnica adequada, recursos financeiros, instalações, acesso às informações técni-
cas, apoio da chefia etc.) até a ausência pura e simples de vontade política dos 
governantes para tornar esses órgãos presentes e atuantes na realidade social.
Apesar de todos os esforços para vencerem as barreiras e “brigarem para tra-
balhar”, muitas vezes esses técnicos são rotulados de “corruptos”, “perseguidores 
dos ‘pequenos’” (com comentários do tipo “eles não mexem com os grandes”), 
“incompetentes”, “omissos” e “descomprometidos” com a causa ambiental. Diante 
disso, sentem-se incompreendidos e injustiçados, principalmente pelas críticas 
aos órgãos ambientais, os quais, em muitos casos, não levam em consideração 
as dificuldades e os esforços dos seus servidores. Um discurso comum no meio 
é: “de tanto apanhar, em certas horas a vontade é de desistir”.
Por outro lado, quando esses técnicos atuam em entidades da sociedade civil, 
deparam-se, em muitos casos:
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 • com a omissão, a incapacidade e, às vezes, a conivência dos órgãos 
públicos; ou 
 • com a indiferença, a incompreensão e o desinteresse de parte da po-
pulação diante das ameaças e das agressões ao meio ambiente.
Como se não bastasse, há situações em que as autarquias também não se 
entendem: é o chamado jogo de empurra. Isso significa que determinado órgão, 
quando cobrado para tomar providência em relação a determinado fato, diz que 
tal assunto é de competência de outro órgão; este, por sua vez, discordando ou 
alegando falta de condições, “passa o problema para frente”, “senta em cima”, ou 
ainda, “devolve a batata quente” ao remetente. Enquanto isso, nada se resolve – o 
agressor continua levando vantagem e a degradação ambiental continua cres-
cendo cada vez mais.
O mais complicado, nessa conjuntura, 
é que existem muitos problemas ambien-
tais cuja solução exige a participação de 
vários segmentos do setor público. É o 
caso de várias questões envolvendo as 
áreas costeiras, as quais demandam a in-
terferência da Secretaria de Patrimônio 
da União (responsável pela gestão dos 
terrenos da Marinha), do Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis – Ibama 
(responsável pela gestão ambiental dos 
bens da União) e do órgão estadual de meio ambiente, quando a infração se der 
em área fora da jurisdição das intituições citadas.
Entretanto, nos órgãos públicos há servidores profundamente comprometi-
dos com a causa ambiental, e na sociedade civil existem muitas entidades que, 
mesmo reconhecendo as fragilidades, as limitações e os defeitos do nosso serviço 
público, lutam por seu fortalecimento e buscam trabalhar em parceria, deixando 
de lado a competição.
Perguntas e respostas
As ações compartilhadas são comuns?
Você provavelmentejá percebeu que as questões aqui abordadas evidenciam a 
complexidade da problemática ambiental, e pode vir a pensar: “Isso é muito bom 
e muito bonito, mas muito difícil de acontecer na realidade”. Sobre isso, não há 
dúvida. Entretanto, também sabemos que em muitos lugares a parceria poder 
Os técnicos ambientais dos 
órgãos públicos convivem com 
uma série de dificuldades para 
cumprir a legislação ambiental. 
São obstáculos de toda ordem, 
que vão desde a falta crônica de 
condições de trabalho [...] até 
a ausência pura e simples de 
vontade política dos governantes 
para tornar esses órgãos presentes 
e atuantes na realidade social.
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público-sociedade civil acontece. O que procuramos evidenciar é o caminho de 
busca por formas participativas de contribuir para os processos de gestão ambien-
tal, em que a sociedade civil e os órgãos públicos trabalhem preferencialmente 
em ações compartilhadas e a partir de objetivos comuns.
Com isso, não é possível pensarmos, em meio a uma sociedade democrática, 
na prática da gestão ambiental sem a presença do Estado e da sociedade civil. 
Daí vem a convicção de que, no terreno da gestão ambiental, Poder Público e 
sociedade civil não se opõem, mas se complementam.
No entanto, um trabalho dessa natureza não acontece em um passe de mágica, 
assim como não há receitas prontas para sua realização. Sua efetivação exige das 
pessoas e das organizações envolvidas: objetivos comuns, compromisso com a 
causa ambiental, transparência, humildade e posturas negociadoras. Todos esses 
fatores podem ser considerados condições necessárias para “início de conversa”. 
Entretanto, mesmo que essas condições estejam estabelecidas, deve-se considerar 
ainda a necessidade daqueles profissionais diretamente envolvidos nos trabalhos. 
São pessoas que precisam, necessariamente, de conhecimentos e de habilidades 
para realizarem a tão sonhada parceria Poder Público – sociedade civil.
2 . 2 . 2 A questão ambienta l
C o n s i d e r a m o s , n o c e n á r i o q u e a c a b a m o s d e e s b o ç a r , 
que, na “busca por formas” eficientes (que respondam às expectativas da socie-
dade), o primeiro passo é o enfrentamento, a delimitação do problema, ou melhor 
dizendo, suas interligações. Afinal, qual é a questão ambiental? Sobre isso, é 
bastante ilustrativa a história contada por Morin, citado por Quintas (2000b):
Era uma vez um grão de onde cresceu uma árvore que foi abatida por 
um lenhador e cortada numa serração. Um marceneiro trabalhou-a 
a um vendedor de móveis. O móvel foi decorar um apartamento e, 
mais tarde, deitaram-no fora. Foi apanhado por outras pessoas que 
o venderam numa feira. O móvel estava lá no adeleiro, foi comprado 
barato e, finalmente, houve quem o partisse para fazer lenha. O 
móvel transformou-se em chama, fumo e cinzas.
O autor citado reclama para si – na condição de sujeito –, diante dos fatos, 
que lhe seja facultada a oportunidade de reflexão, de pensar sobre o processo que 
levou à sequência narrativa, dizendo: “Eu quero ter o direito de refletir sobre esta 
história, sobre o grão que se transforma em árvore que se torna móvel e acaba no 
fogo, sem ser lenhador, marceneiro, vendedor, que não veem senão um segmento 
da história” (Quintas, 2000b).
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Esse posicionamento – ou desejo – do autor corresponde diretamente a seu 
modo de pensar a “questão ambiental” como a define Quintas (1992): de que ela 
se refere aos diferentes modos pelos quais a sociedade se relaciona com o meio 
físico-natural ao longo dos tempos. Sobre isso, deve-se destacar, acompanhando 
a justificativa dada por Quintas para essa assertiva, alguns aspectos básicos da 
relação do ser humano com o meio físico-natural:
 • o ser humano sempre dependeu do meio físico-natural para sua 
sobrevivência;
 • ao longo de sua história, a humanidade contou sempre com o auxílio do 
meio físico-natural;
 • o uso do meio físico-natural e as alterações decorrentes desse uso como 
fator fundamental e essencial, para a sobrevivência dos seres humanos, 
remonta às origens destes no planeta.
Logo, podemos relacionar o tratamento dado à questão ambiental em 
diferentes momentos ou espaços da história com base em modelos de ges-
tão ambiental. Esses modelos revelam as mudanças radicais de diversas visões, 
conforme visto no Capítulo 1, pelas quais passaram o se humano e a natureza:
 • uma vem do antropocentrismo, ou seja, o ser humano como ser supremo 
sobre as demais espécies e seres do planeta;
 • a outra – na qual fundamentamos esta obra – é uma visão fundamen-
tada no biocentrismo; nesta, o ser humano e a natureza encontram-se 
no mesmo nível, pois suas relações e inter-relações são igualitárias. Isso 
comprova a afirmação de Quintas (1992), quando o autor diz ser o meio 
ambiente o resultante, aquilo que emerge dessas relações, tanto dos seres 
entre si como destes com o meio físico-natural. Assim, o meio ambiente 
agrega o trabalho do ser humano para ser construído e reconstruído e, 
portanto, para ter existência concreta como a conhecemos hoje.
É evidente que o meio ambiente passou e passa continuamente por trans-
formações de ordem físico-natural e também humana. Por exemplo, as cidades 
e as metrópoles são consideradas ecossistemas artificiais, ou seja, criados pelo 
homem, mas não deixam de ser locais de interações do homem com a natureza, 
mesmo que modificada.
Esse meio físico-natural, abordado por Quintas (1992), comprova o fato de 
que a gestão ambiental não é um problema de administração das relações do 
homem com a natureza, mas um processo de constantes mudanças nos pa-
radigmas socioambientais, os quais necessitam urgentemente de uma ruptura 
para provocar modificações nos processos de gestão.
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2 . 2 . 3 O homem natura l e soc ia l
O m e i o n a t u r a l e o m e i o s o c i a l s ã o f a c e s d e u m a m e s m a 
moeda, na concepção de Quintas e Gualda (1995), e, desse modo, indissociáveis. 
Os referidos autores consideram o homem como parte integrante da natureza 
e também um ser social; logo:
detentor de conhecimentos e valores socialmente produzidos ao longo 
do processo histórico, tem [consequentemente] ele o poder de atuar 
permanentemente sobre sua base natural de sustentação (material e 
espiritual), alterando suas propriedades, e sobre o meio social provo-
cando modificações em sua dinâmica.(Quintas; Gualda; 1995, p. 26)
Assim, o fator que distingue esse ser simultaneamente social e integrante 
da natureza é o conhecimento, ferramenta que lhe permite modificar a ordem 
socioambiental. Isso se realiza por meio de um processo em que o sujeito opera a 
transformação dos valores e das competências, integrando-os ao meio ambiente 
e modificando este conforme a sua – do sujeito – própria necessidade.
Sobre essa interação, Quintas e Gualda (1995) afirmam que, ao se construir e 
reconstruir o meio ambiente, sob a ação do homem, são criadas e recriadas novas 
formas de relacionamento deste com a natureza e com a própria sociedade. Os 
autores destacam o fato de que é na dinâmica dessas relações que o ser humano: 
desenvolve a criação e a produção de bens materiais, estabelece valores e modos de 
pensar, promove percepções de mundo e elabora interações com a natureza e com 
os outros seres humanos. Esse panorama, por sua vez, constitui o patrimônio 
cultural* construído pela humanidade ao longo de sua história.
Os autores advertem ainda sobre a concepção de que a questão ambiental diz 
respeito apenas à relação sociedade-natureza, afirmando não ser ela suficiente 
para direcionar um processo de análise e de reflexão que permita a compreensão 
desse relacionamento em toda a sua complexidade. Assim, no que diz respeito a 
essa relação, a descrição de um panorama possível de ser compreendido em suas 
inter-relações pressupõe pré-requisitos elucidativos ou concepções balizadoras:
 • o primeiro requisito encontra-se na postura de assumir que, nesse con-
texto, a construção do conhecimento é realizada sob a ótica dos pro-
cessos ocorridos na sociedade, e não no meio físico-natural;
 • o segundo requisito elucidativo refere-se à compreensão do significado 
do primeiro, ou seja, ao fato de ser necessário analisar o processo sob a 
* Patrimônio cultural: é o conjunto de bens materiais, culturais, simbólicos e espiri-
tuais de uma sociedade, nos quais se incluem os conjuntos urbanos, arquitetônicos e 
os sítios de valor histórico, paisagístico, arqueológico, paleontológico e científico.
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ótica da sociedade como um todo, pois, em decorrência desse fator, a 
chave do entendimento da problemática ambiental encontra-se no 
mundo da cultura;
 • a terceira concepção norteadora diz respeito à compreensão de que, em-
bora a chave esteja no mundo da cultura, o conhecimento do meio 
físico-natural é extremamente importante, pois possibilita que se verifi-
quem as implicações da ação do ser humano no meio natural e o seu reflexo 
nesse próprio meio e no meio social, uma vez que estes são indissociáveis.
O que se infere desse panorama é que as práticas do meio social tam-
bém contribuem para determinar a natureza dos problemas ambientais, 
os quais, no retorno e como resultado, afligem a humanidade. Todos esses 
elementos compõem a conjuntura que produz a necessidade da prática da 
gestão socioambiental.
2 . 3 M e i o s o c i a l
O s a s p e c t o s v i s t o s p e r m i t e m - n o s c o n c l u i r q u e a s p r á -
ticas do meio social constituem-se fatores provocadores das mudanças (positivas 
ou negativas) na qualidade do meio ambiente. Portanto, é necessário entendermos 
certas noções sobre o meio social. Para isso, é preciso olhá-lo “por dentro”, o que 
significa integrar-se no processo, observar e absorver o movimento da sociedade 
com todas as suas variáveis – ou seja, contextualizar-se.
2 . 3 . 1 Aspec tos he te rogêneos
A o c o l o c a r m o s o f o c o n o c o n t e x t o p r á t i c o d a v i d a , l o g o 
descobrimos que o meio social não é homogêneo. Assim, da mesma maneira que nos 
referimos à biodiversidade, quando o tema é o ambiente físico-natural, também é 
legítimo atentarmos para a sociodiversidade, a fim de caracterizar o meio social.
 • Sociodiversidade é um conceito cuja abrangência vai desde a concepção 
ecológica até as concepções baseadas em mecanismos de adaptação cultural:
 • a concepção ecológica refere-se a situações em que as funções, as 
atividades ou os papéis são assimilados com o objetivo de proporcio-
nar a fixação ou a permanência de uma espécie ou de uma população;
 • as concepções baseadas em mecanismos de adaptação cultural 
referem-se a procedimentos de seleção e de elaboração de estratégias 
com fundamentação cultural, possibilitando a atuação das comunida-
des humanas sobre os recursos do meio ambiente. Isso é realizado de 
maneira a conservar as formas tradicionais de interação entre o homem 
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e o meio, portanto, preservando a cultura dos variados povos existentes, 
em determinadas regiões ou mesmo no planeta como um todo.
No enfrentamento das questões ambientais, é importante refletirmos sobre 
esses conceitos, pois eles se encontram interligados nas ações que buscam con-
cretizar a inclusão das variáveis ambiental e social nos programas de gestão, 
como você poderá observar ao longo deste nosso estudo e na vida prática.
Perguntas e respostas
Você poderia resumir o significado de sociodiversidade?
Resumindo, o termo sociodiversidade compreende aspectos de adaptação do ser 
humano à paisagem física e de como esta interfere nas organizações sociais, bem 
como aspectos referentes a distintas manifestações culturais forjadas pela ação 
humana em diferentes ecossistemas. Logo, socio + diversidade = sociodiversidade, 
isto é, a diversidade das culturas sociais.
Hete rogene idade organizac ional : a soc iodive rsidade
Esse meio social a que nos referimos, que envolve todas essas interligações relativas 
à sociodiversidade, se observado pela ótica da organização, possibilita que encon-
tremos os seus atores na esfera da sociedade civil e do Estado, os quais passam a 
ter existência com base em variados motivos. Entre eles:
 • interesses;
 • valores;
 • necessidades;
 • aspirações;
 • ocupação do mesmo território.
Nessa conjuntura socioambiental, é interessante atentarmos para a visão que 
o economista indiano Vinod Thomas, ex-diretor do Banco Mundial em Brasília, 
expressa em seu livro O Brasil visto por dentro: o desenvolvimento em uma terra de 
contrastes, a qual podemos conferir em uma matéria publicada por Léo (2005) e 
que se resume em: a importância de se pensar o desenvolvimento econômico 
sem se perder de vista os aspectos socioambientais.
O Brasil não pode perder sua chance
É justo que as discussões sobre desenvolvimento se concentrem no tema do 
crescimento econômico, mas “também é importante se concentrar nos as-
pectos mais amplos da qualidade de vida, que incluem educação básica, saúde, 
água, saneamento, habitação e um meio ambiente limpo”, preconiza o econo-
mista, que considera indispensável incluir uma parcela maior da população 
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no processo produtivo, se o Brasil quiser crescer 7% ao ano. “Desse modo, os 
programas sociais eficazes não serão apenas bons complementos para o cres-
cimento, mas também contribuirão para o desenvolvimento”, avisa.
Fonte: Léo, 2005.
Nesse cenário, observamos que Thomas prognosticava para o Brasil um 
crescimento promissor de 7% ao ano, em 2005; no entanto, nosso país apresen-
tou o diminuto índice de 2,3% naquele ano, ficando à frente apenas do Haiti, 
na América Latina, enquanto países como Argentina e Venezuela atingiram 
percentuais na casa dos 9%.
Aqui, ocorre-nos uma pergunta: Será que o meio social não recebeu as inferên-
cias de que precisaria, como preconizou o autor, para atingir um índice melhor? 
Devemos nos lembrar de que os atores sociais que interagem nessa conjuntura 
fazem parte da sociedade civil ou da esfera estatal.
Na sociedade civil, encontram-se, como atores sociais:
 • sindicatos de trabalhadores e de patrões;
 • federações de trabalhadores e de patrões;
 • centrais sindicais;
 • partidos políticos;
 • grupos organizados por gênero (mulheres), por geração (terceira idade, 
jovens) e por etnia (negros, índios, descendentes de imigrantes etc.);
 • associações de moradores, de profissionais, de produtores, assistenciais etc.;
 • congregações religiosas católicas, evangélicas, espíritas, de candomblé e 
de umbanda etc.;
 • clubes;
 • blocos carnavalescos e escolas de samba;
 • entidades ambientalistas;
 • cooperativas e empresas rurais, comerciais, industriais etc.;
 • bancos;
 • comunidades de determinadas localidades (como ruas, povoados, vilas, 
bairros etc.) sem organização formal;
 • movimentos sociais e outras formas criadas pelos atores sociais para se 
agruparem e agirem no mundo real.
Na esfera estatal, os atores sociais são instâncias dos poderes públicos, 
assim constituídos:
 • Executivo – União, estados, Distrito Federal e municípios;
 • Legislativo – Câmara dos Deputados, Senado Federal, assembleias legis-
lativas e câmaras de vereadores;
 • Judiciário – Federal e Estadual.
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No Poder Executivo, encontram-se os órgãos que compõem as administra-
ções públicas federal, estadual e municipal (ministérios, secretarias, institutos, 
fundações, autarquias, empresas públicas, ministérios públicos etc.), das quais 
fazem parte os integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama, 
estabelecido pela Lei Federal n. 6.938/1981). Esse sistema tem como órgãos exe-
cutores o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 
conforme redação do Decreto n. 6.792, de 10 de março de 2009 (Brasil, 2009a).
Consultando a legislação
Você que está interessado em compreender as orientações e as determinações 
legais do Programa Nacional do Meio Ambiente (PNMA), pode informar-se 
acessando os seguintes sites:
•	 BRASIL.	Lei	n.	6.938,	de	31	de	agosto	de	1981.	Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 2 set. 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/Leis/L6938.htm>. Acesso em: 1º set. 2011.
Neste site, você encontrará a referida lei com suas respectivas alterações e acrés-
cimos, o que lhe permitirá ver o esboço jurídico da gestão ambiental.
•	 BRASIL.	Decreto	n.	99.274,	de	6	de	junho	de	1990.	Diário Oficial da União, 
Poder Executivo, Brasília, DF, 7 jun. 1990. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d99274.htm>. Acesso em: 1º set. 2011.
Neste site, você encontrará, entre outras informações, os dados da estrutura do 
Sistema Nacional do Meio Ambiente.
•	 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. O ministério. Organograma. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/secex_instituicao/_
imagens/88_10122008013203.jpg>. Acesso em: 24 ago. 2011.
Nesse site você encontrará a disposição hierárquica dos órgãos do MMA, de 
acordo com o Decreto n. 6.101/2007.
O Sisnama é – de acordo com o Decreto n. 99.274/1990 (Brasil, 1990d), 
que regulamenta a Lei n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b) e as alterações introduzidas 
pelo Decreto n. 6.792/2009 – constituído pelos órgãos e entidades da União, 
dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, bem como pelas fundações 
instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e pela melhoria da 
qualidade ambiental. 
Nessa estrutura, encontramos:
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 • o órgão superior – o Conselho de Governo; 
 • o órgão consultivo e deliberativo – o Conselho Nacional do Meio 
Ambiente (Conama); 
 • o órgão central – o Ministério do Meio Ambiente (MMA);
 • órgãos executores – o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade (ICMBio);
 • órgãos seccionais: 
 • os órgãos ou as entidades da administração pública federal direta e 
indireta;
 • as fundações instituídas pelo Poder Público cujas atividades estejam 
associadas às de proteção da qualidade ambiental ou àquelas de dis-
ciplinamento do uso de recursos ambientais;
 • os órgãos e as entidades estaduais responsáveis pela execução de pro-
gramas e projetos, pelo controle e pela fiscalização de atividades ca-
pazes de provocar a degradação ambiental; 
 • órgãos locais – os órgãos ou as entidades municipais responsáveis pelo 
controle e pela fiscalização das atividades referidas no item anterior, nas 
suas respectivas jurisdições.
Para saber mais
Você já ouviu falar do Instituto Chico Mendes? O professor Antonio Silvio 
Hendges, no portal EcoDebate (Hendges, 2010), esclareceu que o Instituto 
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é uma autarquia 
federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pela 
administração das unidades federais de conservação, pela execução de pes-
quisas e pela proteção e conservação da biodiversidade brasileira.
Essa instituição executa as ações da política nacional de Unidades de 
Conservação (UCs), propõe, implanta, gerencia, protege, fiscaliza e monitora 
as UCs instituídas pela União e as políticas de uso sustentável dos recursos 
naturais renováveis e de apoio ao extrativismo e às populações tradicionais nas 
UCs federais de uso sustentável, bem como exerce o poder de polícia ambien-
tal para a proteção das UCs federais. Foi criado por um desmembramento do 
Ibama, pela Lei n. 11.516, de 28 de agosto de 2007 (Brasil, 2007i).
No universo da esfera estatal, é preciso lembrar ainda da existência dos 
ministérios públicos (o Federal, os dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Territórios), pois eles têm desempenhado umpapel fundamental na proteção 
do meio ambiente do país.
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Figura 2.1 – Organograma do Ministério do Meio Ambiente (Decreto n. 6.101/2007) 
Órgãos de assistência direta e 
imediata ao ministro de Estado
Órgãos específicos singulares
Departamento 
de fomento 
ao desen-
volvimento 
sustentável
Departamento 
de Políticas 
para 
Combate ao 
Desmatamento
Departamento 
de 
Articulações 
de Ações da 
Amazônia
Departamento 
de Economia 
e Meio 
Ambiente
Órgãos colegiados
Entidades vinculadas
Gabinete
Assessoria 
de Assuntos 
Internacionais
Consultoria 
Jurídica
Ministro do 
Estado
Departamento 
de Gestão 
Estratégica
Secretaria 
Executiva
Departamento 
de Apoio ao 
Conama
Subsecretaria de 
Planejamento 
Orçamento e 
Administração
Secretaria 
de 
Mudanças 
Climáticas 
e Qualidade 
Ambiental
Secretaria de 
Biodiver- 
sidade e 
Floresta
Secretaria 
de Recursos 
Hídricos e 
Ambiente 
Urbano
Secretaria de 
Extrativismo e 
Desenvolvimento 
Rural Sustentável
Secretaria de 
Articulação 
Institucional e 
Cidadania Ambiental
Serviço 
florestal 
brasileiro
Conselho 
Nacional 
de Meio 
Ambiente 
Conama
Conselho 
nacional da 
Amazônia 
legal Conamaz
Conselho de 
Gestão do 
Patrimônio 
Genético
Conselho 
Nacional 
de Recursos 
Hídricos 
CNRH
Conselho 
Deliberativo 
do Fundo 
Nacional 
do Meio 
Ambiente
Comissão 
de Gestão 
de Florestas 
Públicas
Comissão 
Nacional 
de Florestas 
Conaflor
Instituto 
Brasileiro do Meio 
Ambiente e dos 
Recursos Naturais 
Renováveis Ibama 
(AUTARQUIA)
Instituto Chico 
Mendes de 
Conservação da 
Biodiversidade 
INSTITUTO 
CHICO MENDES 
(AUTARQUIA)
Instituto de 
Pesquisas Jardim 
Botânico do Rio 
de Janeiro JBRJ 
(AUTARQUIA)
Agência Nacional 
de Águas ANA 
(AUTARQUIA)
Campanha de 
Desenvolvimento de 
Barcarena Codebar 
(EMPRESA 
PÚBLICA)
Fonte: Brasil, 2011f.
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Aliás, um fato que expõe de forma clara essa situação, por ser amplamente di-
vulgado, é o julgamento da questão da reserva Raposa Serra do Sol, uma disputa 
de terras entre índios e colonos de Roraima, como você pode acompanhar na 
notícia da Agência Estado transcrita a seguir.
STF começa a julgar disputa na Raposa Serra do Sol
Distantes fisicamente dos conflitos entre índios e arrozeiros em Roraima por 
causa da reserva Raposa Serra do Sol, os 11 ministros do Supremo Tribunal 
Federal (STF) começam a decidir hoje [27 ago. 2008] a extensão e o formato 
da reserva indígena. Cientes da situação de tensão na área, os ministros do 
STF tentam costurar uma decisão que não desagrade muito aos índios e 
também aos arrozeiros que se instalaram na região. [...] Além de resolver 
o problema da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, o julgamento 
servirá de base para outros processos que tramitam no STF há anos. Três 
ministros do Supremo já disseram que o tribunal deverá definir uma regra 
geral para as demarcações. Atualmente, tramitam no STF nada menos que 
144 processos sobre terras indígenas. Esses processos discutem a posse de 
terras cujo tamanho total não é conhecido por autoridades dos órgãos envol-
vidos no debate – Supremo, Ministério Público, Advocacia-Geral da União 
(AGU) e Fundação Nacional do Índio (Funai). Algumas dessas autoridades 
deverão falar durante o julgamento de hoje. O advogado-geral da União, José 
Antonio Dias Toffoli, vai defender a demarcação contínua da Raposa Serra 
do Sol. Segundo a Advocacia-Geral da União, mesmo com a demarcação da 
terra indígena, será preservada a economia do Estado. 
Fonte: STF começa..., 2008.
Hete rogene idade do meio soc ia l : os 
conf l i tos soc ia i s e po l í t i cos
O u t r o f a t o r q u e f i c a e v i d e n c i a d o n o r e l a t o a n t e r i o r 
(reserva Raposa Serra do Sol) são os conflitos sociais e políticos que envolvem 
o enfrentamento de questões relativas ao meio ambiente, considerando a visão 
sistêmica da referida concepção. Aliás, uma evidência da heterogeneidade 
do meio social, segundo Santos (2003), são os conflitos sociais e políticos que 
ocorrem no cotidiano.
Os autores Bobbio, Matteucci e Pasquino (1992) afirmam que os conflitos 
(sociais e políticos) são formas de interação entre indivíduos, grupos, organiza-
ções e coletividades, que implicam choques para o acesso e para a distribuição 
de recursos escassos.
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Isso decorre do fato de que, na tomada de decisões, percebemos que a 
sociedade, de forma geral, produz conflitos baseados em interesses pessoais, os 
quais eventualmente se tornam coletivos. É evidente que, quando a sociedade é 
organizada com fundamento em preceitos democráticos, prevalece o interesse 
da maioria, o qual dependerá de fatos motivadores, como uma eleição ou uma 
grande obra com vários impactos ambientais, por exemplo.
Nessa perspectiva, conforme Santos (2003), “todo conflito tem como objeto 
a disputa de algum tipo de recurso escasso”:
 • no caso de uma eleição – exemplo de um conflito político –, as organiza-
ções (partidos políticos) interagem disputando “recursos escassos” (ou, em 
uma linguagem da dinâmica social, cargos públicos altamente seletivos) 
nessa esfera, como os cargos de presidente da República, de governador 
do estado, de prefeito do município, de deputado etc.;
 • nas situações de conflitos fronteiriços entre dois países, a disputa é, 
geralmente, pelo controle do território, e a interação entre eles pode se 
efetivar por via pacífica (negociação) ou por meio da violência (guerra);
 • em campeonatos esportivos, como de vôlei, lutas de boxe, olimpíadas 
ou mesmo em partidas de futebol, os recursos escassos em disputa são 
títulos, medalhas, classificações etc.
Em regra, o controle dos recursos escassos está associado ao poder, à 
riqueza e ao prestígio.
Também na área ambiental, a ideia de conflito está associada ao controle de 
recursos que, hoje sabemos, são limitados e não podem ser usados indiscrimi-
nadamente. Destacamos esse fato, pois o uso intensivo dos recursos ambientais 
tem provocado tanto a sua escassez quanto o comprometimento da qualidade 
ambiental. Essa situação tem suscitado uma série de campanhas que têm como 
objetivo motivar a sociedade a evitar o desperdício – estamos na era:
 • do “reutilizar”;• do “reciclar”;
 • do “dar destinação adequada”;
 • do “evitar certos consumos” – de sacolas plásticas, do abuso de água e luz etc.; 
 • do “identificar os produtos que possibilitam uma melhor qualidade de vida”.
Outro aspecto importante a ser considerado, de acordo com Santos (2003), 
quando analisamos os conflitos sociais e políticos, “é ter em mente que eles são 
inerentes à própria existência do meio social”. Por isso, não se tem notícia de 
uma sociedade sem conflitos. A respeito dessa condição, Quintas (2004, p. 17) 
acrescenta que “a sociedade não é lugar da harmonia, mas, sobretudo, o lugar 
dos conflitos e confrontos que ocorrem em suas diferentes esferas (da política, 
da economia, das relações sociais, dos valores etc.)”.
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Aliás, para Bobbio, Matteucci e Pasquino (1992), “um conflito social e polí-
tico pode ser suprimido, isto é, bloqueado em sua expressão pela força, coerci-
tivamente, como é o caso de muitos sistemas autoritários e totalitários, exceto 
o caso em que se reapresente com redobrada intensidade num segundo tempo”. 
No entanto, os mesmos autores alertam para o fato de que a “supressão” é rela-
tivamente rara. Da mesma forma, a completa resolução dos conflitos socioam-
bientais é praticamente impossível, pois os fatores que os desencadearam (causas, 
tensões e contrastes), os que estão no início dos desentendimentos, dificilmente 
são solucionados. Isso significa que, quase por definição, um conflito social 
não pode ser resolvido em toda sua extensão.
Assim, visto que não podemos acabar com conflitos no meio social, “o processo 
ou a tentativa mais frequente é o proceder à regulamentação dos conflitos, isto é, 
à formulação de regras aceitas pelos participantes, que estabelecem determinados 
limites aos conflitos” (Bobbio; Matteucci; Pasquino, 1992).
O que observamos nesse procedimento é uma estratégia de regulamentação 
das formas de manifestação dos conflitos, com a finalidade de torná-los menos 
destrutivos para os envolvidos, e não o seu fim. Aparentemente, isso pode suge-
rir uma ideia de simplicidade na resolução dos problemas; contudo, não é isso o 
que ocorre, pois “o ponto crucial é que as regras devem ser aceitas por todos os 
participantes e, se mudadas, devem ser mudadas por recíproco acordo” (Bobbio; 
Matteucci; Pasquino, 1992). E, como sabemos, isso não é fácil.
No entanto, “quando um conflito se desenvolve segundo regras aceitas, sancio-
nadas e observadas, há a sua institucionalização” (Bobbio; Matteucci; Pasquino, 
1992). Dessa concepção, decorre que os processos de disputa (como vimos no caso 
da reserva Raposa Terra do Sol) pelo uso e pelo acesso aos recursos ambientais 
situam-se no âmbito dos conflitos institucionalizados, quando acontecem dentro 
das regras estabelecidas na legislação ambiental.
2 . 4 G e s t ã o s o c i o a m b i e n t a l c o m o 
m e d i a ç ã o d e c o n f l i t o s
O b v i a m e n t e , o c o n f l i t o é a p e n a s u m a d a s p o s s í v e i s 
formas de interação entre indivíduos, grupos, organizações e coletividades. Outra 
forma possível de interação é a cooperação. Nesse contexto, a Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988*, em seu art. 225, ao consagrar o meio 
ambiente ecologicamente equilibrado como direito de todos, bem de uso co-
* Na sequência do texto, utilizaremos apenas o termo Constituição, sempre que 
nos referirmos à Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Para 
consultar o texto constitucional na íntegra, acesse: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>.
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mum e essencial à sadia qualidade de vida, atribuiu a responsabilidade de sua 
preservação e defesa não apenas ao Poder Público, mas também à coletividade. 
Em suma, a Constituição visa assegurar o direito à qualidade de vida da geração 
presente sem comprometer o da(s) geração(ões) futura(s).
Entretanto, mesmo conferindo também à coletividade a obrigação de prote-
ger o meio ambiente, segundo Brinckmann (1997), a Constituição fez do Poder 
Público o principal responsável pela garantia a todos os brasileiros do direito ao 
meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Consultando a legislação
A Constituição define como obrigação do Poder Público sete incumbências 
para que ele assegure a efetividade do direito ao meio ambiente equilibrado:
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover 
o manejo* ecológico das espécies e ecossistemas;
II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético 
do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação 
de material genético; 
III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços terri-
toriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo 
a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada 
qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos 
que justifiquem sua proteção;
IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou ativi-
dade potencialmente causadora de significativa degradação do 
meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará 
publicidade;
V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, 
métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade 
de vida e o meio ambiente; 
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino 
e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
* Manejo: aplicação de medidas para a utilização dos ecossistemas, naturais ou 
artificiais, fundamentada em teorias ecológicas sólidas, de modo a prevenir o 
esgotamento e a manter, da melhor maneira possível, as comunidades vegetais 
e/ou animais como fontes úteis de produtos biológicos para a espécie humana e 
manancial de conhecimento científico ou área de lazer. O manejo é dito de flora, 
de fauna ou de solo quando a ênfase é dada aos recursos vegetais, animais ou ao 
solo (Aciesp, 1987).
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VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas 
que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção 
de espécies ou submetam os animais à crueldade. (Brasil, 1988a)
Todavia, a mesma sociedade ou coletividade que tem – ou deveria ter – direito 
a viver em um ambiente que lhe proporcione uma sadia qualidade de vida, por 
outro lado, necessita usar os recursos ambientais para saciar suas necessidades 
básicas. E, comosabemos, não é possível ter uma vida digna e saudável sem o 
atendimento dessas necessidades.
Sobre essa questão, encontramos a opinião manifestada por Quintas (2004). 
Para o referido autor, na vida prática, o processo de apropriação e de uso dos 
recursos ambientais não acontece de forma tranquila. Existem interesses e con-
flitos (potenciais ou explícitos) entre os atores sociais que atuam de alguma 
forma sobre os meios físico-naturais e os meios construídos, visando ao seu 
controle ou à sua defesa e proteção, conforme determina a Constituição.
Uma relação de conflito entre os atores da sociedade pode se estabele-
cer a partir de um processo de degradação ambiental – quando, então, a 
qualidade de vida é comprometida.
Nesse cenário, e por ser o principal responsável pela proteção ambiental no 
Brasil, cabe ao Poder Público, por meio de suas diferentes esferas, intervir nesse 
processo. Essa intervenção deve ter o objetivo de evitar que os interesses de deter-
minados atores sociais (madeireiros, empresários de construção civil, industriais, 
agricultores, moradores etc.) provoquem alterações no meio ambiente, sob pena 
de colocar em risco a qualidade de vida da população. Nessa situação, o direito 
explicitado na Constituição, em seu art. 225, garante o restabelecimento do meio 
ambiente degradado, evitando os conflitos entre sociedade e Poder Público; este 
último funciona, nesse caso, como gestor da qualidade de vida.
A respeito dessa função de “gestor da qualidade de vida” atribuída ao 
Poder Público, Quintas (2004, p. 6) a justifica, dizendo que:
o Poder Público, como principal mediador deste processo, é detentor de 
poderes estabelecidos na legislação que lhe permitem promover desde 
o ordenamento e controle do uso dos recursos ambientais, inclusive 
articulando instrumentos de comando e controle com instrumentos 
econômicos, até a reparação e mesmo a prisão de indivíduos respon-
sabilizados pela prática de danos ambientais. Neste sentido, o Poder 
Público estabelece padrões de qualidade ambiental, avalia impactos 
ambientais, licencia e revisa atividades efetiva e potencialmente po-
luidoras, disciplina a ocupação do território e o uso de recursos natu-
rais, cria e gerencia áreas protegidas, obriga a recuperação do dano 
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ambiental pelo agente causador, e promove o monitoramento, a fisca-
lização, a pesquisa, a educação ambiental e outras ações necessárias 
ao cumprimento da sua função mediadora. [grifo nosso]
Esse exercício de poder e de direitos contemplados foram atribuídos ao 
Poder Público na gestão ambiental. Realizá-los requer uma visão estratégica e 
planejada; considerando isso, estratégia e planejamento devem ter como intuito 
preservar e condicionar, o que significa:
 • preservar, cada vez mais, as áreas protegidas;
 • condicionar, nos casos de infração e de penalidades ambientais, a imediata 
reparação do dano pelo infrator. 
Somente dessa maneira será efetivado e garantido o direito que a sociedade 
tem a um ambiente ecologicamente equilibrado. 
No entanto, de acordo com Quintas (2004), observamos uma assimetria 
no poder de decidir e de intervir nos processos pertinentes a tal direito (seja 
de transformação ou de preservação ambiental), tanto no âmbito do ambiente 
físico-natural como no do ambiente construído.
Esse processo não funcional se estabelece como consequência de uma conexão 
direta com o uso do poder e de suas influências. Sabemos – podemos até dizer 
que é conhecimento de domínio público – que os detentores de poder outorgam 
custos e benefícios diferenciados, de acordo com os diferentes espaços sociais e 
geográficos. Isso ocorre pelo fato de determinados atores sociais possuírem, “por 
serem detentores de poder econômico ou de poderes outorgados pela sociedade, 
por meio de suas ações, capacidade variada de influenciar direta ou indireta-
mente na transformação (de modo positivo ou negativo) da qualidade do meio 
ambiental” (Quintas, 2004, p. 6).
Nessa condição, ou com esse papel, encontram-se, principalmente:
 • empresários – exprimindo o poder do capital; 
 • políticos – representando o poder de legislar; 
 • juízes – espelhando o poder de condenar, de absolver etc.; 
 • Ministério Público – simbolizando o poder de investigar e de acusar; 
 • dirigentes de órgãos ambientais – representando o poder de embargar, 
de licenciar, de multar etc.; 
 • jornalistas e professores – expressando o poder de influenciar a forma-
ção da opinião pública; 
 • agências estatais de desenvolvimento – representando o poder de fi-
nanciamento e de construção de infraestrutura.
Devemos destacar que, além desses, existem “outros atores sociais cujos atos 
podem ter grande repercussão na qualidade ambiental e consequentemente na 
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qualidade de vida das populações” (Quintas, 2004, p. 6). O que fizemos foi des-
crever os mais expressivos ou mais constantes desses atores.
Acreditamos que somente com os atores sociais – sociedade civil organizada 
e Poder Público – assumindo o exercício pleno da cidadania (garantia dada pelo 
direito constitucional), como gestores do meio ambiente e exercendo o poder de 
denunciar, de opinar e de julgar (poder estatal), é que conseguiremos garantir 
que o meio ambiente não seja violado em seus direitos constitutivos.
Nesse panorama, o problema se encontra, de acordo com Quintas (2004, 
p. 7), no fato de que “estes atores, ao tomarem suas decisões, nem sempre levam 
em conta os interesses e as necessidades das diferentes camadas sociais direta 
ou indiretamente afetadas. As decisões tomadas podem representar benefícios 
para uns e prejuízos para outros”.
Assim, se trouxermos essa concepção, por exemplo, para a prática empresarial, 
muitas vezes uma atividade ou empresa que, embora gere lucros para alguns e 
demonstre ser altamente desejável por um grupo ou uma camada da população, 
pode ao mesmo tempo ocasionar perda para outros, tornando-a inaceitável. Na área 
ambiental, essa constatação é muito comum, pois, segundo Quintas (2000b, p. 7): 
um determinado empreendimento pode representar lucro para em-
presários, emprego para trabalhadores, conforto pessoal para mora-
dores de certas áreas, votos para políticos, aumento de arrecadação 
para Governos, melhoria da qualidade de vida para parte da popu-
lação e, ao mesmo tempo, implicar prejuízo para outros empresá-
rios, desemprego para outros trabalhadores, perda de propriedade, 
empobrecimento dos habitantes da região, ameaça à biodiversidade, 
erosão*, poluição atmosférica e hídrica, desagregação social e outros 
problemas que caracterizam a degradação ambiental.
O quadro descrito por Quintas (2000b), por si só, justifica a necessidade de 
associarmos a gestão ambiental à gestão social – em outras palavras, a gestão 
socioambiental.
Nesse tipo de caso, como o relatado, a sociedade civil deve ter pleno acesso 
às informações de empreendimentoscom vistas às causas e às consequências 
de sua instalação, sendo que a mera desculpa de geração de emprego poderá, 
no futuro, criar dificuldades. Conforme o empreendimento – se, por exemplo, 
for potencialmente poluidor –, poderá sofrer penalização do Poder Público e 
gerar o problema social do desemprego, além dos prejuízos já provocados por 
sua instalação.
* Erosão: consiste no desprendimento da superfície do solo pela ação do vento, da 
água e, muitas vezes, intensificado pelas práticas humanas de retirada da vegetação.
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Essas situações demonstram o quanto é importante que a sociedade esta-
beleça fóruns permanentes de discussões temáticas sobre o seu entorno e suas 
inter-relações com o meio. Aliás, segundo Quintas (2004, p. 7),
a prática da gestão ambiental não é neutra. O Estado, ao assumir 
determinada postura diante de um problema ambiental, está de 
fato definindo quem ficará, na sociedade e no país, com os custos, e 
quem ficará com os benefícios advindos da ação antrópica (ativida-
des socioeconômicas ou as ações provocadas pelo ser humano) sobre 
o meio, seja ele físico, natural ou construído. [grifo nosso]
Daí vem a importância de se praticar uma gestão ambiental participativa. 
Somente assim será possível avaliarmos os custos e os benefícios de forma 
transparente.
Para saber mais
Fizemos um percurso de fundamentações sob uma perspectiva ecológica das 
questões ambientais. No entanto, se você quiser fazer uma leitura ou um estudo 
sobre a gestão socioambiental do ponto de vista de estudiosos ligados às 
áreas da economia e da administração, com certeza enriquecerá seus conhe-
cimentos. Uma obra interessante é a de Nascimento, Lemos e Mello, indicada 
a seguir, na qual os autores fazem uma abordagem bastante útil com base na 
perspectiva de gerenciamento estratégico:
NASCIMENTO, L. F.; LEMOS, A. D. da C.; MELLO, M. C. A. de. Gestão socio-
ambiental estratégica. Porto Alegre: Bookman, 2008.
S í n t e s e
E n t e n d e m o s q u e o p r o c e s s o d e g e s t ã o a m b i e n t a l , m a i s 
especificamente de gestão socioambiental, aqui abordado, possa denominar-se 
“ecologização” da administração pública. No entanto, embora esta venha aumen-
tando de tamanho nas duas últimas décadas, devemos reconhecer que ainda 
permanece uma visão pré-ambientalista e pré-sustentabilista, em parte pela falta 
de uma internalização dessa cultura institucional nova e também porque o mo-
delo de administração atual é menos profissional e mais político. Os ministérios, 
assim como as secretarias, tanto nos governos estaduais como nos municipais, são 
loteamentos políticos. Há, portanto, uma necessidade urgente de se alterar essa 
conjuntura. A reforma não ensejou o novo pacto federativo. O que observamos 
são ainda desenhos precários. As áreas da gestão ambiental e da responsabilidade 
social ainda explicitam essa incompletude do pacto mais do que outras, pois têm 
como vocação a ordenação do território e do desenvolvimento.
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Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
1. Você já observou quais são os recursos ambientais específicos da sua região? 
Faça um levantamento e verifique as condições em que se encontram esses 
recursos.
2. Você conhece comunidades da sua região que sofreram impactos ambien-
tais? Você sabe a razão desses impactos? Existem unidades de conservação 
na região onde você vive ou trabalha? Você lembra quais são? Sabe quais 
são os órgãos públicos responsáveis por elas? 
Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. Considerando que são as práticas do meio social que determinam a natureza 
dos problemas ambientais, os quais, como resultado, afligem a humanidade, 
o que se revela necessário nesse contexto em relação à área da gestão?
2. A concepção de que ser humano e a natureza encontram-se no mesmo nível 
e, portanto, as suas relações e inter-relações são igualitárias, corresponde 
à visão do biocentrismo. Justifique.
3. Os técnicos dos órgãos públicos convivem com uma série de dificuldades 
para agir no cumprimento da legislação ambiental. Por que isso ocorre?
i. Embora sempre exista vontade política dos governantes, as dificulda-
des são crônicas.
ii. Os técnicos convivem com dificuldades, como falta de equipes técnicas 
adequadas, recursos financeiros escassos e instalações precárias, falta 
de acesso a informações e, muitas vezes, falta de apoio da chefia, entre 
outros obstáculos.
iii. A falta de condições de trabalho é crônica.
iv. Há, inclusive, a falta de vontade política dos governantes.
 Assinale a alternativa que indica as afirmativas corretas:
a. I e III.
b. I, II e IV.
c. II, III e IV.
d. I e IV.
4. Os órgãos de gestão ambiental e os militantes de entidades da sociedade 
civil que atuam na área são as pessoas que normalmente tomam conhe-
cimento das denúncias de agressão à natureza. Considerando esse fato, 
assinale “V” (verdadeiro) e “F” (falso) para as afirmações a seguir:
( ) As prefeituras, os órgãos estaduais e municipais de meio ambiente, 
o Ibama e a Agenda 21 fazem parte dos órgãos de gestão ambiental.
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Essa conjuntura faz surgir a necessidade da prática da gestão ambientalnulle, nesse contexto, o conhecimento do meio físico-natural é extremamentenullimportante, pois possibilita verificar as implicações da ação donullser humano no meio natural, bem como o seu reflexo no próprio meionulle no meio social. Alia-se a isso o conhecimento dos aspectos própriosnullda cultura local e a relação sociedade-natureza.
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Texto digitado
Com base em modelos de gestão ambiental que revelam mudanças radicaisnullde múltiplas visões pelas quais passam o homem e a natureza, considerandonulla visão biocêntrica, a gestão ambiental não é um problema denulladministração das relações do homem com a natureza, mas um processonullde constante mudança nos paradoxos socioambientais. O biocentrismonulltrouxe novas perspectivas para a gestão ambiental, pois considera o meionullambiente como o resultante, aquilo que emerge das relações, tanto dosnullseres entre si (incluindo o homem) como com o meio físico-natural.
64
( ) As ONGs ambientalistas, os movimentos sociais, as associações co-
munitárias, as entidades de classe, entre outras, fazem parte das or-
ganizações não governamentais.
( ) As denúncias e as informações de desmatamentos ilegais,aterramen-
tos de manguezais, derramamentos de óleo no mar, pesca predatória, 
tráfico de animais silvestres, lixões, lançamento de esgoto doméstico 
e industrial sem tratamento no mar e nos rios, destruição das nascen-
tes, funcionamento de empreendimentos potencialmente poluidores 
sem licença ambiental e outras ocorrências sempre são comunicadas 
à polícia militar ou civil.
( ) Empreendimentos potencialmente poluidores sem licença ambiental 
colocam em risco a integridade dos ecossistemas e interferem nega-
tivamente na qualidade de vida das populações que vivem no local 
onde eles ocorrem.
5. Com base na gestão ambiental e na responsabilidade social, assinale as 
assertivas corretas:
a. A necessidade de se praticar a gestão ambiental surgiu da constatação 
de ser a natureza dos problemas ambientais decorrente das práticas 
do meio social que afligem a humanidade.
b. Na esfera estatal, os atores sociais são instâncias dos poderes públicos, 
como o Executivo, que compreende a União, os estados, o Senado 
Federal, os municípios e as Câmaras de Vereadores.
c. A sociedade é um lugar de harmonia, com conflitos e confrontos que 
ocorrem em diferentes esferas.
d. O poder de decidir e de intervir para modificar ou preservar o am-
biente (físico, natural ou construído), bem como os benefícios e os 
custos consequentes de tais procedimentos, estão distribuídos de modo 
assimétrico, tanto em relação ao espaço social quanto ao geográfico.
6. Classifique as questões de acordo com os tópicos a seguir:
a. Questão ambiental.
b. Meio social.
c. Gestão ambiental como mediação de conflitos.
( ) A união entre ser humano e meio físico-natural resulta no próprio 
meio ambiente.
( ) Para entender é preciso dar uma olhada “por dentro”, descobrindo assim 
que não é homogêneo.
( ) Como não se pode acabar com os conflitos, o processo ou a tentativa 
mais frequente é proceder à regulamentação.
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( ) Realização de mediação de interesses e conflitos entre atores sociais 
cuja atuação se faz sobre o meio físico-natural.
( ) Produz mudanças tanto positivas como negativas na qualidade do meio 
ambiente.
( ) A Constituição de 1988 fez do Poder Público o principal responsável 
pela garantia, a todos os brasileiros, do direito ao meio ambiente eco-
logicamente equilibrado. 
( ) Diferença de métodos em que a sociedade, ao longo do tempo, interage 
com o meio físico-natural. 
( ) Não é neutra, mas sim participativa, pois somente dessa maneira é 
possível avaliar custos e benefícios de forma transparente. 
( ) Um processo de análise e reflexão para possibilitar a compreensão de 
tal situação deve ir além da concepção da relação sociedade-natureza.
 Assinale a sequência correta:
a. b, b, b, c, b, c, a, c, a.
b. a, b, b, c, b, c, a, c, a.
c. a, b, b, c, a, c, a, c, a.
d. a, b, b, c, a, c, a, c, b.
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c a p í t u l o 3
Uma prática de gestão participativa
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • Concepções de problema e de conflito ambiental;
 • Abordagem de um problema ambiental sob a perspectiva da gestão 
participativa.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • identificar um problema ambiental;
 • reconhecer um conflito ambiental;
 • organizar a socialização de um problema ambiental;
 • relacionar os paradigmas da gestão participativa com a pesquisa-ação.
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C o m o v i m o s n o s c a p í t u l o s a n t e r i o r e s , a o r g a n i z a ç ã o 
do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) visa orientar a participação da 
sociedade civil e das demais esferas do Poder Público na resolução das questões 
ambientais. No entanto, precisamos estar atentos para o fato de que a gestão par-
ticipativa, relacionada com as questões ambientais, vai muito além de discussões, 
dos fóruns sociais ou do meio acadêmico. Nesse processo de democratização 
das decisões e de transparência dos atos e fatos, surge a necessidade de uma 
mudança nos paradigmas, o que significa buscar a mobilização com a finalidade 
de se alcançar objetivos nas diferentes esferas do poder. É considerando essa ne-
cessidade que este estudo objetiva validar a proposta do processo experimental, 
processo no qual, a partir do exame de uma situação-problema, devemos apontar 
suas causas e consequências para restabelecer o ambiente degradado por meio 
da mobilização da sociedade.
3 . 1 A n e c e s s i d a d e d o s p r o c e s s o s 
e d u c a t i v o s p a r a g e s t o r e s
E m r a z ã o d a c o m p l e x i d a d e d a q u e s t ã o a m b i e n t a l , 
existe a necessidade de os processos educativos proporcionarem condições para 
as pessoas adquirirem conhecimentos e habilidades, e desenvolverem atitudes 
a fim de intervir de forma participativa em processos decisórios que implicam a 
alteração, para melhor ou pior, da qualidade ambiental.
Com esse objetivo, a realização de atividades educativas programadas 
para gestores ambientais deve oferecerinstrumentos que facilitem a caracte-
rização de um problema ambiental e o envolvimento de outras pessoas na sua 
discussão, pois, com base em um problema ambiental observado, é possível:
 • verificar e reconhecer os principais atores sociais envolvidos, bem como 
suas formas de organização;
 • relacionar os efeitos sobre o meio físico-natural que ameaçam a qualidade 
de vida dos grupos sociais afetados;
 • conhecer o posicionamento da comunidade envolvida ou afetada;
 • distinguir os aspectos da legislação ambiental federal relacionados ao 
problema, e as possibilidades de sua utilização pelo órgão ambiental e 
por organizações da sociedade civil;
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 • aplicar procedimentos que facilitem a participação dos diferentes segmen-
tos sociais no estudo do problema, bem como na difusão dos resultados 
encontrados.
O ideal é realizar uma atividade educativa como essa em grupo (colegas dos 
diferentes órgãos ambientais que atuam no local, e de ONGs, se existirem), para 
que, desde o início, haja a possibilidade da socialização dos resultados. Caso não 
seja possível, a tarefa pode ser cumprida individualmente. Enfatizamos esse 
processo, pois, provavelmente, no seu dia a dia, o gestor ambiental irá lidar com 
a maioria dos conteúdos abordados aqui. O que faremos ao longo deste estudo 
será uma sistematização, ou seja, a elaboração de uma forma mais clara para que 
você possa visualizar o problema como um todo. Aliás, facilitar a compreensão 
para o gestor possibilita o envolvimento de outras pessoas no estudo do problema.
Vamos fazer uma breve retomada de aspectos referentes à pesquisa ambiental, 
apenas para subsidiar o entendimento do estudo que iremos propor na sequência.
3 . 2 F a t o r e s c o m p l i c a d o r e s 
p a r a a g e s t ã o a m b i e n t a l
Q u e m a t u a n a á r e a a m b i e n t a l s a b e q u e v á r i o s s ã o o s 
fatores que podem interferir e complicar um processo de gestão ambiental. Entre 
eles, destacam-se:
 • a dificuldade das pessoas em visualizar as causas e as consequências 
relacionadas à ação humana no meio ambiente;
 • a crença de que os recursos naturais são infinitos;
 • a sensação de impotência diante das questões ambientais.
A respeito do primeiro fator elencado, a não visualização de causas e con-
sequências, Quintas (2000a, p. 12) explica que:
o processo de contaminação de um rio, por exemplo, pode estar 
distante das comunidades afetadas, espacialmente (os objetos são 
lançados a vários quilômetros rio acima) e temporalmente (come-
çou há muitos anos, e ninguém lembra quando). O processo pode, 
também, não apresentar um efeito visível (a água não muda de 
sabor e de cor, mas pode estar contaminada por metal pesado, por 
exemplo) e nem imediato sobre o organismo humano (ninguém 
morre na mesma hora ao beber a água).
Nesse cenário, o segundo fator complicador apontado, a crença na pereni-
dade dos recursos, permite verificar que são vários os exemplos que a nossa 
cultura apresenta, entre eles:
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 • este rio jamais vai secar (dito em relação a um grande rio)!
 • uma floresta tão imensa não vai acabar!
 • os peixes continuarão abundantes todos os anos!
Isso ocorre até que a realidade mostre o contrário, ou seja, até que fique vi-
sível que a floresta está ficando cada vez mais distante, que o volume das águas 
está diminuindo e que os peixes estão desaparecendo. Dessa forma, a postura 
do “sou igual a São Tomé, só acredito vendo” provoca um imenso desafio para a 
educação ambiental: a necessidade de desenvolver, na nossa sociedade, atitudes 
preventivas diante das questões ambientais.
A última dificuldade apontada, a sensação de impotência das pessoas diante 
das questões ambientais, também se tornou um fator preocupante; seu reflexo está 
presente em uma vasta gama de situações comprometedoras, como, por exemplo, na 
ocupação desordenada de áreas litorâneas, a qual, por sua vez, provoca destruição 
de dunas*, aterramento de mangues, expulsão de comunidades e privatização de 
praias. Esse tipo de processo envolve, comumente, interesses de grandes grupos 
econômicos e/ou políticos. A atuação desses atores sociais com poder e respon-
sáveis pela degradação daquele ambiente faz o indivíduo, o cidadão afetado pelas 
ocupações desordenadas, sentir-se “pequeno”. Essa sensação é perfeitamente com-
preensível, mas, se não houver uma mudança de atitude por parte da população, 
todo o processo de gestão ambiental fica comprometido ou mesmo inviabilizado.
3 . 3 P r o b l e m a s e c o n f l i t o s a m b i e n t a i s
C o m o o b j e t i v o d e e l u c i d a r o s p r o c e s s o s d e a p r o p r i a -
ção e de usos dos recursos ambientais, é possível observar que estes sempre en-
volvem: os interesses da coletividade (cuja defesa é obrigação do Poder Público) 
e outros interesses específicos de determinados atores sociais. Estes últimos, 
no entanto, mesmo quando legítimos, nem sempre estão em conformidade com 
os da coletividade.
Nessas situações, tais atores sociais podem possuir grande capacidade para 
influir, a seu favor, nas decisões dos órgãos de meio ambiente, sobre a destinação 
dos recursos ambientais. Eles fazem isso ou pela via da pressão política direta, ou 
por meio da divulgação à sociedade sobre a importância econômica e social do 
seu empreendimento (a geração de empregos é um dos argumentos mais fortes) 
ou, ainda, pelas duas formas.
* Dunas: são montes de areia móvel depositada pelos ventos nas planícies areno-
sas do litoral. A ação contínua e multidirecional dos ventos provoca constante 
movimento das dunas, assim como mudanças de forma e tamanho, sendo então 
chamadas de dunas móveis ou ativas.
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Além disso, como vimos anteriormente, a disputa pelo controle de qualquer 
recurso escasso é própria da natureza da sociedade. Por conseguinte, o órgão 
de meio ambiente, no exercício de sua competência mediadora, deve proporcionar 
condições para que os diferentes atores sociais envolvidos tenham a oportunidade 
de expor a outros atores e ao conjunto da sociedade os argumentos que fundamen-
tam a posição de cada um quanto à destinação dos recursos ambientais em disputa. 
As audiências públicas surgem como um elemento de transição entre os conflitos 
gerados e a autonomia de cada cidadão participativo, o que promove a cidadania.
Entretanto, entre os envolvidos,existem aqueles que dispõem de conhecimentos 
e habilidades sobre a problemática em discussão (os empreendedores, por exemplo), 
o que lhes permite argumentar a seu favor com melhor fundamentação ou com 
argumentos mais convincentes. Ao mesmo tempo, há outros que, apesar de afe-
tados pelas decisões (por exemplo, comunidades costeiras, no caso da construção 
de um porto), não têm acesso aos conhecimentos e às habilidades necessárias para 
poderem defender seus interesses. Em muitas situações, caso tais interesses sejam 
contrariados, esse fato ameaça a própria sobrevivência da comunidade envolvida.
A experiência dos educadores tem mostrado que uma ferramenta importante 
para se compreender a complexidade da questão ambiental é o estudo de caso. 
Esse “caso”, por sua vez, pode ser:
 • um problema;
 • um conflito; ou 
 • uma potencialidade ambiental.
Nesta obra, abordaremos especificamente a análise de problemas ambien-
tais. Entretanto, os roteiros adotados para o estudo de problemas e para a so-
cialização de seu resultado poderão, com algumas adaptações, serem utilizados 
no estudo de conflitos e de potencialidades ambientais.
Perguntas e respostas
Afinal, o que é um problema ou conflito ambiental?
O termo problema, no nosso dia a dia, assume vários significados:
 • quando alguém fala de um problema financeiro, em geral está se referindo 
a fatos como falta de dinheiro, dificuldades para pagar contas etc.;
 • da mesma forma, se uma pessoa fala de um problema de saúde, pode estar 
querendo transmitir a ideia de risco ou ameaça (“essa doença pode deixar 
fulano sem condições de andar pelo resto da vida”), de dano temporário ou 
permanente ao organismo (“tal enfermidade deixou fulano com o pulmão 
comprometido para o resto da vida”; “a fratura deixou sicrano sem poder usar 
a mão direita por uns tempos” etc.);
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 • há também casos em que o termo está associado ao desafio de realizar uma 
tarefa prática (o problema da construção de uma ponte), além de inúmeros 
outros sentidos.
Recorrendo ao Dicionário Houaiss da língua portuguesa, encontramos para o 
termo conflito o significado de “profunda falta de entendimento entre duas ou 
mais partes” (Houaiss; Villar; Franco, 2001). Por extensão, na área administra-
tiva, ele se refere à “contestação recíproca entre autoridades pelo mesmo direito, 
competência ou atribuição”.
Contudo, essas são afirmações genéricas. O que nós chamaremos, aqui, de 
problema ou conflito ambiental? Existe(m) diferença(s) entre os dois?
Trataremos dessa questão na sequência.
3 . 3 . 1 O enfoque de probl ema ambienta l
C o m o s o m o s p e s s o a s e n v o l v i d a s c o m o c a m p o d a g e s -
tão do meio ambiente, quando usamos a expressão problema ambiental, tam-
bém atribuímos a ela vários sentidos. Ao mencioná-la, podemos estar nos 
referindo às:
 • dificuldades – o problema da fiscalização em alto-mar;
 • carências – o problema da falta de embarcações para fiscalizar em 
alto-mar;
 • tarefas práticas – o problema da criação de uma unidade de conservação.
No entanto, devemos estar cientes de que esses são apenas alguns significa-
dos, pois existem muitos outros. Conforme Carvalho e Scotto (1995), problema 
ambiental refere-se àquelas “situações onde há riscos e/ou dano social/ambiental, 
mas não há nenhum tipo de reação por parte dos atingidos ou de outros atores 
da sociedade civil face ao problema”.
De acordo com essa concepção, encontramos como problemas ambientais: 
 • a ameaça ou a extinção de espécies da fauna e da flora;
 • os lixões;
 • o uso de agrotóxicos;
 • os desmatamentos;
 • a contaminação de praias, rios e águas subterrâneas por metais pesados, 
chorume*, esgotos domésticos e industriais, agrotóxicos etc.;
* Chorume: líquido produzido pela decomposição de substâncias contidas nos 
resíduos orgânicos, que tem como características a cor escura, o mau cheiro e a 
elevada demanda bioquímica de oxigênio (DBO).
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 • a poluição do ar; além de outras formas de poluição.
É interessante refletirmos sobre o fato de que, embora os problemas admi-
nistrativos dos órgãos ambientais (falta de pessoal, de recursos materiais e fi-
nanceiros etc.) influenciem negativamente na qualidade ambiental, eles não são 
considerados problemas ambientais.
Assim, além de ser uma situação na 
qual observamos dano e/ou risco à qua-
lidade de vida das pessoas – em decor-
rência da ação de atores sociais sobre os 
meios físico-natural e/ou construído –, 
o problema ambiental caracteriza-se 
também pela inexistência de qualquer 
tipo de reação ou ação modificadora 
por parte dos atingidos ou de outros ato-
res sociais. Tem-se a constatação de sua presença – o fato problema –, mas não 
ocorre uma transformação da realidade constatada.
Nesse cenário, segundo Carvalho e Scotto (1995),
são frequentes os casos onde existe apenas uma construção 
técnico-científica do problema [, por exemplo,] – exames de laborató-
rio concluem que o rio está contaminado por metais pesados. Outras 
vezes, há sugestões de solução ou de encaminhamento para uma 
ação de governo, ou seja, uma política ambiental”. Evidentemente, 
atividades desse tipo não podem ser caracterizadas como uma ação 
contrária (reação) àquela que está provocando o risco e/ou o dano 
ao meio ambiente. Foi apenas uma análise que comprovou, que 
documentou, a existência do fato.
Verificamos essa postura, a de encarar a situação como problema ambiental, 
por exemplo: quando o esgoto a céu aberto, no espaço que um dia foi ocupado 
por um rio, transforma-se em um fato tão banal no cotidiano da comunidade 
que as pessoas passam a aceitar o seu mau cheiro, o seu mau aspecto e o risco de 
contaminação por doenças transmitidas por vetores diversos, como algo “normal”. 
Nesse tipo de situação, observamos que o fato de o rio contaminado ser uma 
realidade, parece que não incomoda, não interessa e não sensibiliza as pessoas.
3 . 3 . 2 O conf l i t o ambienta l
O c o n f l i t o a m b i e n t a l é a q u i e n t e n d i d o , s e g u n d o 
Carvalho e Scotto (1995), como “aquelas situações onde há confronto de 
[...] embora os problemas 
administrativos dos órgãos 
ambientais (falta de pessoal, de 
recursos materiais e financeiros 
etc.) influenciem negativamente 
na qualidade ambiental, eles 
não são considerados problemas 
ambientais.
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interessesrepresentados por diferentes 
atores sociais, em torno da utilização e/
ou gestão do meio ambiente”, diferente-
mente do que acontece na concepção de 
problema ambiental. Nesse caso, tem-se 
reação dos atores sociais diante de uma 
situação; eles reagem em defesa dos seus 
interesses, o que significa uma atitude participativa e consciente pela utilização 
e/ou pela gestão dos recursos ambientais.
Encontramos no conflito ambiental situações como as de:
 • moradores que se organizam para evitar a reativação de um aterro sanitário 
ou a construção de um incinerador de lixo pela prefeitura;
 • pescadores que contestam o período de defeso decretado pelo Ibama e 
exigem participar da elaboração da portaria referente ao evento;
 • grupos ambientalistas que se mobilizam para contestar a construção de 
uma hidrelétrica ou de uma estrada;
 • grandes fazendeiros de soja que lutam pela construção de uma hidrovia 
que vai facilitar o escoamento de sua produção;
 • outros atores sociais que se organizam para lutarem por seus interesses 
ou de sua coletividade.
Um caso significativo nesse contexto foi o dos seringueiros do Acre, que, nos 
anos 1970, impediram a transformação da floresta em pastagens (em defesa de 
sua potenciali dade) e conseguiram a criação de reservas extrativistas por parte 
do Governo Federal.
Podemos dizer que muitos conflitos ambientais envolvem um problema am-
biental, mas nem todo problema ambiental envolve um conflito. Como você pôde 
perceber, um conflito ocorre quando atores sociais tomam consciência de um 
dano e/ou risco ao meio ambiente e, assim, mobilizam-se e agem no sentido de 
interromper ou eliminar o problema ambiental.
Estabelecida as diferenças entre conflito e problema ambiental, vamos pra-
ticar, a seguir, o modo de proceder à análise deste último e de envolver o maior 
número de pessoas na sua discussão. A ideia é que as pessoas, durante o processo 
de estudo do problema ambiental, percebam os danos e/ou riscos e se sintam 
motivadas a participar do encaminhamento das soluções. Assim, ao partirmos 
do exame de um problema ambiental, esperamos atingir o estágio de conflito 
ambiental institucionalizado.
Você poderá observar que, em muitos casos, é necessário que aconteça uma 
situação de conflito explícito na sociedade civil, entre atores que representam 
interesses coletivos e atores que defendem interesses privados para, somente então, 
Podemos dizer que muitos 
conflitos ambientais envolvem um 
problema ambiental, mas nem 
todo problema ambiental envolve 
um conflito. 
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o Poder Público perceber a existência de um dano e/ou risco ao meio ambiente 
e tomar as providências cabíveis.
3 . 4 E s t u d o d e u m p r o b l e m a a m b i e n t a l e d o 
p r o c e s s o d e s o c i a l i z a ç ã o d e s u a e x i s t ê n c i a
N e s t a o b r a , d e s e n v o l v e m o s o p r e s e n t e e s t u d o d e c a s o 
com base em uma situação-problema idealizada (imaginária) e elaborada com 
objetivos didáticos. Obviamente, a situação vivida é mais complexa do que a situa- 
ção pensada. Entretanto, isso não invalida o exercício, que, embora não explore 
toda a riqueza da complexidade do mundo, não deixa de fornecer elementos 
importantes para a prática de uma gestão ambiental que pretende ter na ação da 
cidadania o antídoto ao clientelismo político, à corrupção, ao descompromisso 
e a muitos outros males que afetam o nosso serviço público.
Escolhemos para o estudo um caso prático, um fato bastante comum, embora 
desconhecido por muitos, que causa graves danos ao meio ambiente: a destina-
ção inadequada do óleo lubrificante queimado. Esse é o fato. Utilizaremos 
uma matéria, publicada em 1999, na Folha do Meio Ambiente, de Brasília, como 
suporte expositivo desse fato. Ou seja, o relato do caso, para maior veracidade, 
fica por conta do texto da referida publicação, transcrito a seguir*.
O óleo e o mico: o triste fim do lubrificante queimado
O s ó l e o s l u b r i f i c a n t e s b á s i c o s s ã o o b t i d o s d i r e t a -
mente a partir do petróleo bruto ou então são reciclados a partir de óleos 
já usados, aos quais adicionam-se obrigatoriamente, [sic] aditivos especiais, 
altamente poluentes (antioxidantes, anticorrosivos, dispersantes, antidesgas-
tantes, antiespumantes, reguladores de viscosidade etc.). Quando utilizados, 
contaminam-se ainda mais com poluentes diversos, como metais pesados, 
por exemplo. Portanto, quando se dirige um carro, caminhão, ônibus, não 
se está lançando apenas gases e até fumaça (particulados) no ambiente, mas 
utilizando, passivamente, poluentes altamente tóxicos na lubrificação forçada 
das peças metálicas do motor. Essas peças fatalmente se desgastam, somando 
então mais contaminantes perigosos aos componentes dos aditivos.
* O referido texto, a partir deste ponto até o início da Seção 3.4.1, foi extraído com 
adaptações da obra de Berté (2007).
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Esse óleo contaminado (“óleo vencido”), importante recurso econômico 
para uma nação e não um lixo qualquer, que você substitui por “óleo novo” 
(rerrefinando ou não), tem três destinos bem diversos. Um deles é a queima, 
geralmente descontrolada, em caldeiras industriais, podendo dar a sua contri-
buição negativa à atmosfera (5 litros podem conter até 20 gramas de chumbo). 
O outro é o econômico e ecologicamente correto, o rerrefino. Por fim, o outro 
tipo de destino é o simples descarte no meio ambiente, tremendo desperdício.
Só para se ter uma noção quantitativa do problema, que normalmente 
escapa até ao mais fanático “ecólogo de passeata”, a Petrobras, através de seu 
relatório “Rerrefino de óleos no Brasil” [busca através deste apontar a reuti-
lização dos óleos inservíveis]. Araújo (1992) aponta uma situação dramática, 
[estimando em números redondos a destinação dos óleos inservíveis]. [Do 
total] disponível no Brasil, somente 1/3 é coletado, contra mais de 2/3 em 
países civilizados. A Alemanha coleta quase todo o seu óleo usado.
O agravante dessa situação fica, portanto, por conta do volume não coletado 
para o processamento do rerrefino, conforme determina a legislação. Segundo 
estudos e dados disponíveis no Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino 
de Óleos Minerais, o volume não coletado é mais de 246 milhões de litros [...].
Fonte: Custódio, 1999. 
Como podemos deduzir do artigo de Custódio, a destinação inadequada 
do óleo lubrificante queimado é um problema ambiental presente no nosso 
dia a dia, ainda que poucas pessoas – provavelmente somente os especialistas – 
conheçam e/ou entendam a sua gravidade.
Por ser usado nos automóveis de todos os tipos, o óleo lubrificante queimado 
é um elemento que apenas se torna visível para a pessoa quando ela vai a um 
posto de gasolina e faz a troca de óleo.
Nessa hora, quando é retirado do motor pelo funcionário do posto, raramente 
alguém perguntapara onde vai aquele “óleo vencido” que não tem mais utilidade. 
Como todas as pessoas que têm carro, muitos de nós vamos periodica-
mente a um posto de gasolina fazer a troca de óleo. Será que antes de lermos 
a matéria de Custódio, já havíamos nos perguntado para onde vai o óleo 
queimado e qual o seu efeito sobre o meio ambiente?
O caso 
A g o r a q u e t o m a m o s c o n h e c i m e n t o d e s t a r e a l i d a d e ( a 
destinação inadequada do óleo queimado), vamos imaginar que o artigo que 
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lemos tenha provocado o interesse de um de-
terminado grupo de pessoas. Vamos supor 
que esse grupo seja composto por três jo-
vens estudantes do ensino médio que, após 
lerem a matéria da Folha do Meio Ambiente, 
ficaram preocupados com o destino dado 
pelos postos de gasolina do seu município 
ao “óleo vencido”, recolhido quando fazem a troca de óleo dos automóveis. 
Diante disso, os referidos estudantes resolveram tomar uma atitude.
Para acompanharmos os fatos a partir de então, iremos:
 • primeiramente, contextualizar a situação, descrevendo um espaço geo-
gráfico (utilizaremos um fato fictício para fins didáticos, mas que poderia 
acontecer em várias regiões do nosso país);
 • posteriormente, desenvolver a narrativa dos fatos relacionados à movi-
mentação e à organização da comunidade para o enfrentamento da degra-
dação ambiental provocada pela destinação inadequada do óleo queimado.
i. Descrição do município
 • O município imaginário, onde residem os tais jovens, está situado na 
área litorânea, e em seu território há uma grande extensão de praias 
margeadas por coqueirais e vegetação* de mata atlântica, inclusive 
próximo ao perímetro urbano. Em várias dessas praias, encontram-se 
pequenos núcleos populacionais, que vivem da atividade pesqueira e 
da lavoura de subsistência.
 • A sede do município está localizada na margem de um rio que desem-
boca no mar. Na foz** desse rio, forma-se um extenso manguezal, onde 
está instalada uma comunidade com cerca de 500 habitantes, os quais 
vivem basicamente da pesca e da cata dos caranguejos.
 • Por estar localizado na área do Projeto de Desenvolvimento Turístico 
do Estado, o município foi incluído entre aqueles beneficiados com a 
implantação de saneamento básico (abastecimento de água e rede de 
esgoto), coleta de lixo e obras de infraestrutura viária (pavimentação 
de ruas, iluminação pública, construção de calçadões na beira do rio, 
* Vegetação: é o conjunto de espécies vegetais que se associam sob condições ambien-
tais idênticas, para se constituírem em florestas (conjunto de indivíduos vegetais 
com forma de árvore), campos (conjunto de indivíduos com forma de grama) etc.
** Foz (desaguadouro): boca de descarga de um rio. O desaguamento de um rio 
pode ocorrer no mar, em uma lagoa ou mesmo em outro rio. A foz de um rio 
pode ser classificada como estuário ou como delta.
Será que antes de lermos 
a matéria de Custódio, já 
havíamos nos perguntado 
para onde vai o óleo 
queimado e qual o seu efeito 
sobre o meio ambiente?
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de acesso às praias e à rodovia litorânea etc.), construções de hospital 
e de postos de saúde.
 • Após a ligação com a rodovia litorânea, a comunicação, por via terrestre, 
do município com a capital e com o resto do país tornou-se mais fácil. 
Com a estrada, foi criada uma linha de ônibus diária entre a sede do 
município e a capital, permitindo que uma viagem, que anteriormente 
demorava até dois dias, seja realizada atualmente em oito horas.
 • Com o asfalto, cresceu consideravelmente o fluxo turístico, que quase 
duplicou a população do município na época de “alta estação”.
 • Com o turismo, a economia local, principalmente na alta estação, 
tornou-se bastante dinâmica. Nesse processo, surgiram hotéis, pou-
sadas, loteamentos para residências de praia, bares, quiosques e várias 
outras atividades econômicas até então desconhecidas na cidade.
 • Com o turismo, também aumentou o número de postos de gasolina 
na sede do município e nas suas redondezas.
ii. Socialização do problema
Conversando sobre o problema da destinação do óleo queimado, os jovens 
se perguntaram, preocupados: “O que fazer?” Em virtude do descritivo 
do município, é fácil perceber que havia uma grande quantidade de óleo 
queimado circulando na região. Entre suas indagações, encontravam-se:
 • Qual seria a condição poluidora desse resíduo na região?
 • “Deixar pra lá” ou procurar alguma autoridade?
 • Se sim, qual autoridade? O Ibama, o delegado de polícia, o juiz, o 
promotor, o prefeito ou o órgão de meio ambiente do município ou 
do estado?
Alguém lembrou que não existia um órgão de meio ambiente municipal, e 
que as representações do órgão estadual e do Ibama ficavam na capital, a 
cerca de 600 quilômetros de distância. Os jovens resolveram, então, antes 
de qualquer outra ação, procurar professores do colégio que, em suas aulas, 
tinham mostrado preocupação com o meio ambiente. Os professores 
de Química, de Biologia, de História e de Geografia se interessaram 
pelo problema – pois também não tinham “se tocado” – e entraram na 
discussão sobre o que fazer e por onde começar. Depois de uma longa 
conversa, o grupo – agora com a participação dos professores que aderiram 
à causa – concluiu que não adiantaria procurar as autoridades antes de 
saberem como “a coisa” acontecia por ali, e tomaram como ponto de 
partida a indagação: Por onde começar?
Porém, outro dilema surgiu: Como fazer algo, se todos tinham pouco 
tempo para se dedicar à causa? Os jovens estudavam, ajudavam seus 
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pais; os professores davam aulas em dois turnos e tinham família. O grupo 
combinou que, primeiramente, todos procurariam indagar nos postos de 
gasolina do município (dez, aproximadamente), “da forma mais natural 
possível”, o que eles faziam com o “óleo vencido” depois da troca.
Eles assim fizeram e constataram que:
 • todos os postos jogavam o óleo queimado no rio, diretamente ou pela 
rede de esgoto pluvial;
 • a maioria não sabia que o óleo poderia ser vendido na capital para ser 
refinado novamente nem tinha noção do risco que ele representa para 
a saúde das pessoas e para o ambiente;
 • um único dono de posto conhecia a possibilidade de vender o óleo 
vencido para ser refinado e reutilizado, porém, achava que a pouca 
quantidade coletada semanalmente (200 litros em média) nãodava 
para pagar o valor do frete do transporte por caminhão-tanque; e
 • não havia lugar para armazenar mais do que 300 litros de óleo e, por 
isso, tinha de fazer seu despejo no rio todas as semanas.
Com os dados levantados, o grupo resolveu atrair mais pessoas para 
discutir o problema. Ficou acertado que cada um tentaria trazer o máximo 
de amigos para uma reunião, no final de semana, na qual os jovens fariam 
uma apresentação sobre o que, até então, sabiam sobre o problema.
iii. Linha de ação
Na reunião, além dos quatro professores e dos três jovens, compareceram 
dez estudantes, entre moças e rapazes. Após a apresentação dos dados 
publicados na Folha do Meio Ambiente e da informação sobre o modo 
como é feito o descarte do óleo pelos postos de gasolina do município, o 
grupo passou a discutir uma linha de ação para conseguir interromper 
o processo de contaminação das águas do rio. Os professores sugeriram 
que fosse feito um estudo desse caso, com a realização de uma análise da 
situação, sendo esta a mais detalhada possível. Porém, foi consenso no 
grupo que o estudo seria um meio, um instrumento, para a elaboração 
coletiva do conhecimento sobre o problema e sua solução, não apenas 
o resultado do trabalho do grupo ali formado.
Por isso, previram a realização das duas tarefas iniciais, deixando a 
definição das demais para o futuro, quando teriam a participação de 
outros atores sociais, isto é, de um grupo maior de munícipes:
 • na execução da primeira tarefa, tentariam identificar os atores so-
ciais diretamente atingidos pelo problema, a forma como eles eram 
afetados, a situação deles em termos de organização e, ainda, os riscos 
e/ou danos visíveis sobre o meio físico natural; 
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 • na segunda tarefa, o desafio seria encontrar estratégias para envolver 
esses atores no processo de busca de soluções para o problema.
iv. A ação
Primeira tarefa
1º passo: Identificação dos atores sociais diretamente afetados
Nessa fase do processo, o grupo concentrou todo o esforço para obter as 
melhores respostas possíveis para perguntas como:
 • Quem são os afetados pelo descarte do óleo queimado? Como vivem? 
Onde vivem? De que vivem? De que modo o problema ameaça a sua 
qualidade de vida (saúde, economia, renda, lazer etc.)?
 • Essas pessoas estão formalmente organizadas? Estão iniciando ou 
reiniciando algum tipo de organização formal?
 • Mesmo não possuindo organização formal, elas apresentam outros ti-
pos de formação (grupos de oração, rodas de samba, grupos de dominó, 
grupo de elaboração e conserto de instrumentos de trabalho, grupo 
responsável pela festa de padroeiro ou da padroeira etc.)?
2º passo: Caracterização do ator social diretamente afetado
Realizada a primeira atividade (o levantamento de dados), da primeira 
fase do trabalho, passaram para a segunda atividade: discutiram o 
que caracterizaria um ator social como diretamente afetado pelo 
lançamento do óleo queimado no rio.
Nessa análise, surgiram várias hipóteses (opiniões):
 • alguns sugeriram que sofreriam os efeitos do descarte de óleo todas as 
pessoas que usassem de alguma forma o rio em locais abaixo (jusante) 
do ponto de lançamento do óleo, como as praias e o manguezal da foz;
 • outros ponderaram que esse critério não diferenciava, por exemplo, 
quem tomava banho esporadicamente no rio ou nas praias dos que 
consumiam diariamente a água, os peixes, os caranguejos e as ostras;
 • havia, ainda, o caso dos que consumiam os produtos pesqueiros even-
tualmente (turistas, por exemplo) e aqueles que dependiam da sua ex-
tração para sobreviver (alimentando-se deles e/ou comercializando-os).
Por fim, os participantes chegaram ao consenso de que os atores 
sociais diretamente afetados eram os que, em decorrência do descarte 
do óleo queimado no rio, tivessem sua saúde (pelo uso constante dos 
produtos contaminados) e/ou sua situação econômica sob ameaça.
Com esse critério, excluíram da condição de ator social diretamente 
afetado pela situação em foco:
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 • os usuários de água encanada, pois a captação é realizada acima dos 
pontos de lançamento;
 • os eventuais frequentadores das praias e consumidores dos produtos 
pesqueiros obtidos no mangue e em outros pontos da foz do rio.
Definidos os aspectos que caracterizavam o ator social diretamente 
afetado, o grupo decidiu identificar os locais de lançamento do óleo 
queimado (partindo do ponto de descarte mais distante da foz, desceram 
o rio até ela) e, ainda, visitar a comunidade situada na sua desembocadura.
3ª passo: Identificação dos riscos, dos danos visíveis e da organização 
da comunidade
Em conversas com vários moradores da comunidade da foz do rio, o grupo 
ficou sabendo que, de vez em quando, os pescadores observavam peixes e 
caranguejos mortos, manchas de óleo na água e árvores do mangue com 
“cara de que estavam morrendo”. Eles também comentaram que, às vezes, 
notavam um gosto “esquisito” nas ostras, nos caranguejos e nos peixes.
Disseram ainda que, na época “de muito turista”, apareciam mais 
caranguejos e ostras com gosto esquisito. Várias vezes os donos dos 
quiosques (que compram peixe, caranguejos e ostras dos pescadores) se 
queixaram de que, ao cozinharem caranguejos e ostras, notaram óleo na 
água e um gosto ruim neles. Por conta disso:
 • esses comerciantes ameaçaram comprar peixes, caranguejos e ostras 
em outros municípios, mesmo sabendo que seriam mais caros;
 • os pescadores passaram a pescar cada vez mais longe da foz (“Demora 
mais e é muito arriscado com nossos barcos pequenos”, dizem eles); e
 • os catadores cada vez entram mais mangue adentro (o que cansa muito 
e demora mais).
Perguntados a partir de quando começaram a notar essas mudanças, vários 
moradores disseram que “foi de uns anos para cá”. No entanto, o médico 
do posto de saúde do povoado, que atende duas vezes por semana, apesar 
de já ter ouvido comentários sobre o assunto, não observara nenhuma 
doença na população que pudesse associar ao consumo de alimentos 
contaminados com óleo queimado.
O grupo visitou também o padre, que desenvolve, no salão paroquial, 
várias atividades com idosos, casais, mulheres e jovens. Ele disse já ter 
ouvido comentários sobre o problema, mas não tinha noção de sua 
gravidade. Dispôs-se de pronto a colaborar com o grupo na mobilização 
dos moradores, oferecendo, inclusive, o salão paroquial para as reuniões 
de discussão da situação.
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Retornando à sede do município, os jovens se dividiram em dois grupos 
e visitaram os donos das pousadas e dos quiosques situados nas praias 
urbanas. Todos se mostraram preocupados quando ficaram sabendo do 
problema. Lembraram ter ouvido turistas e moradores comentarem que se 
sujaram de óleo enquanto tomavam banho nas praias próximas do núcleo 
urbano. Entretanto, não desconfiando da verdadeira razão, atribuíam a 
presença do óleo aos navios que, de vez em quando, viam no horizonte. Os 
comerciantes também comentaram que essa devia ser a causa de, às vezes, 
encontrarem óleo na água onde os caranguejos e as ostras eram cozidos.
O grupo não detectou qualquer tipo de organização formal entre os 
moradores da comunidade, e entre os donos de quiosques e de pousadas. 
Também não observou qualquer processo indicativo de início ou reinício 
de organização desses atores sociais.
Segunda tarefa
1º passo: Estratégia para o envolvimento dos atores sociais 
diretamente afetados
Após conhecer os atores sociais diretamente afetados, o grupo (estudantes 
e professores) discutiu qual seria a melhor estratégia para o envolvimento 
daqueles nas próximas etapas do trabalho. Todos concordaram que, 
caso os atores sociais diretamente atingidos pelo óleo queimado não se 
motivassem a defender seus interesses, ficaria muito difícil sensibilizar 
outros atores para participarem da busca de uma solução para o problema.
Os estudantes e professores planejaram, levando em conta a diferença 
existente entre o grupo de comerciantes (donos de pousadas e de quiosques) 
e a comunidade de pescadores, fazer reuniões distintas:
 • uma na cidade, com o pessoal das pousadas e dos quiosques;
 • outra no salão paroquial, com os moradores da foz do rio.
Além disso, optaram por, antes de marcar das reuniões, fazer uma 
consulta rápida a alguns donos de quiosques e de pousadas e ao padre 
da comunidade de pescadores sobre o dia e o horário mais conveniente 
para os participantes.
Com relação ao grupo de comerciantes, foi solicitado que alguns deles 
sugerissem o local e ajudassem na divulgação da reunião, visitando as 
pousadas e os quiosques em conjunto com alguns estudantes e professores 
em seus horários disponíveis. O grupo de professores e de estudantes tinha 
clareza de que, sendo um trabalho voluntário, sua execução teria de ser 
feita de acordo com a disponibilidade de horário de todos os envolvidos 
(inclusive eles próprios).
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No caso da comunidade da desembocadura do rio, combinaram que, parte 
do grupo, em conjunto com o padre, visitaria, no domingo (dia de folga 
dos pescadores), as casas de pessoas cujas opiniões são respeitadas na 
comunidade. O padre também se prontificou a avisar sobre a reunião 
durante a missa.
2º passo: Formação do “grupão”
Os comerciantes elegeram cinco pessoas (entre donos de pousadas e de 
quiosques) e os moradores da comunidade de pescadores escolheram dez 
(pensando em se revezarem) para integrarem ao grupo de estudantes e de 
professores, formando o que eles chamaram de “grupão”. Essas pessoas, 
além de atuarem no “grupão”, deveriam manter seu grupo de origem 
informado sobre todas as atividades programadas e mobilizado para 
participar da realização delas.
As atividades do “grupão”
A primeira tarefa do “grupão” foi definir os próximos passos:
 • Conversar com os donos dos postos de gasolina. Todos concordavam 
sobre a importância desse diálogo. A opinião geral era de que esses 
empresários, apesar de responsáveis diretos pelo problema, não tinham 
consciência da gravidade de seus atos.
 • Expor o problema ao promotor de justiça, ao juiz de direito e ao pre-
feito do município, visto não haver na região um órgão que tratasse 
especificamente do meio ambiente, ao qual pudessem recorrer.
 • Resolveram, inclusive, conversar com o representante da Ordem dos 
Advogados do Brasil (OAB) no município, para que a entidade propor-
cionasse assessoramento sobre os aspectos legais da questão durante os 
encontros com os donos dos postos e com as autoridades. No encontro 
com os advogados da OAB, ficou claro que tanto os postos quanto a 
prefeitura estavam descumprindo a legislação ambiental.
Consultando a legislação
Nesse contexto, se aplicada a lei, os postos poderiam ser enquadrados em artigos 
da Lei Federal n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b) e da Lei Federal n. 9.605/1998 (Brasil, 
1998e), conforme explicitaremos.
Art. 14 da Lei Federal n. 6.938/1981:
Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação federal, estadual e mu-
nicipal, o não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção 
dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambiental 
sujeitará os transgressores:
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I – à multa simples ou diária, nos valores correspondentes, no mínimo, a 10 (dez) e, 
no máximo, a 1.000 (mil) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional – ORTNs, 
agravada em casos de reincidência específica, conforme dispuser o regulamento, 
vedada a sua cobrança pela União se já tiver sido aplicada pelo Estado, Distrito 
Federal, Territórios ou pelos Municípios. 
[...]
IV – à suspensão de sua atividade.
§1º Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor 
obrigado, independentemente de existência de culpa, a indenizar ou reparar os 
danos causados ao meio ambiente e terceiros, efetuados por sua atividade. O 
Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação 
de responsabilidade civil e criminal por danos causados ao meio ambiente.
Art. 54 da Lei n. 9.605/1998:
Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam re-
sultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais 
ou a destruição significativa da flora:
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.
[...]
§2º Se o crime:
[...]
IV – dificultar ou impedir o uso público das praias;
V – ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, 
óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em 
leis ou regulamentos:
Pena – reclusão, de um a cinco anos.
Verificaram, também, que os postos estavam descumprindo a Resolução 
Conama 009/1993 (Brasil, 1993f) que estabelece, entre outros:
Art. 3º Ficam proibidos:
I – quaisquer descartes de óleos usados em solos, águas superficiais, subterrâneas, 
no mar territorial e em sistemas de esgoto ou evacuação de águas residuais;
II – qualquer forma de eliminação de óleos usados que provoque contaminação 
atmosférica superior ao nível estabelecido na legislação sobre proteção ao ar at-
mosférico (Pronar).
[...]
Art. 10. Obrigações dos receptores de óleos usados:
I – alienar o óleo lubrificante contaminado ou regenerável exclusivamente para 
o coletor ou rerrefinador autorizado;
II – divulgar, em local visível ao consumidor, a destinação disciplinada nestaResolução, indicando a obrigatoriedade do retorno dos óleos lubrificantes usados 
e locais de recebimentos;
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III – colocar, no prazo de 60 (sessenta) dias, a partir a publicação desta Resolução, 
à disposição de sua própria clientela, instalações ou sistemas, próprios ou de tercei-
ros, para troca de óleos lubrificantes e armazenagem de óleos lubrificantes usados;
IV – reter e armazenar os óleos usados de forma segura, em lugar acessível à 
coleta, em recipientes adequados e resistentes a vazamentos, no caso de instala-
ções próprias.
Já a prefeitura, como órgão responsável pelo “licenciamento ambiental de em-
preendimentos e atividades de impacto ambiental local”, segundo o art. 6º da 
Resolução Conama n. 237/1997 (Brasil, 1997g), no caso dos postos de gasolina, 
deveria ter exigido deles, como “receptores de óleos lubrificantes”, o cumpri-
mento dos arts. 3º e 10, citados anteriormente. O prefeito, por ter se omitido (a 
prefeitura não tem órgão de meio ambiente), pode ser enquadrado na Lei dos 
Crimes Ambientais, que estabelece, em seu art. 68: “Deixar, aquele que tiver o 
dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de relevante interesse 
ambiental: Pena – detenção, de um a três anos, e multa”.
A segunda tarefa do “grupão” foi realizar as reuniões e encaminha-
mentos do problema levantado.
No âmbito do Ministério Público:
 • O grupo, acrescido por representantes da OAB, teve um encontro com 
o representante do Ministério Público Estadual (promotor de justiça), 
em que expôs todo o problema e suas consequências para a qualidade 
ambiental. O promotor explicou que, como se tratava de dano ao meio 
ambiente, o Ministério Público (MP) poderia propor uma ação civil 
pública que, pela Lei n. 7.347/1985 (Brasil, 1985), art. 3º, “poderá ter 
por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação 
de fazer ou não fazer”.
 • Na situação exposta, o MP poderia, desde logo, propor uma ação cau-
telar na própria comarca, objetivando interromper as atividades dos 
postos até que se provasse que tinham resolvido a questão, conforme 
determina a Resolução Conama n. 009/1993.
No âmbito da prefeitura:
 • De posse das informações coletadas, o grupo foi conversar com o pre-
feito, chamando a atenção para a importância de a prefeitura se envolver 
na solução do problema, considerando que cabe a ela o licenciamento 
ambiental para o funcionamento dos postos de gasolina.
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 • Na ocasião, o prefeito esclareceu que não tinha ideia da gravidade do 
problema do descarte do óleo queimado e, muito menos, que cabia à 
prefeitura a responsabilidade pelo licenciamento ambiental para fun-
cionamento de postos de gasolina. Ele pensava que a prefeitura tinha 
obrigação apenas de conceder os alvarás de construção e de funciona-
mento, de acordo com o Plano Diretor do Município.
 • O prefeito declarou que estava disposto a tomar todas as providências 
de responsabilidade da prefeitura; entretanto, antes de aplicar a legis-
lação, declarou que gostaria de buscar uma solução negociada com os 
proprietários de postos, com a participação de todos os envolvidos e 
afetados.
 • Ficou acertado que ele convocaria os donos de postos para uma reu-
nião na prefeitura, juntamente com o “grupão”, a OAB e o MP, com o 
objetivo de solucionar a questão da forma mais rápida possível.
No âmbito das conclusões:
Após o encontro com o prefeito, o “grupão”, em conjunto com a 
OAB, realizaou uma avaliação das atividades e concluiu que era hora 
de fazer uma “prestação de contas” aos comerciantes afetados e aos 
moradores da comunidade da foz do rio, e também discutir os próximos 
encaminhamentos.
Na ocasião, levantaram-se indagações, como as seguintes:
 • O que será exigido dos donos dos postos? 
 • Como nós (Poder Público e sociedade civil) nos organizamos para 
evitar outros problemas ambientais?
 • Que atividades devem ser desenvolvidas para que a preocupação com 
o meio ambiente não seja passageira? 
 • Que outros atores sociais nas esferas da sociedade civil e do Estado de-
vem ser envolvidos nessa nova fase para se ampliar e se manter, perma-
nentemente, a discussão sobre a problemática ambiental do município? 
 • Como aproveitar o momento para fazer isso?
Nesse estágio do processo, o “grupão” estava com um problema ambiental 
constatado, bem como se encontravam definidas as ações que poderiam 
surgir na sequência. Essas ações visualizadas como os próximos passos após 
o levantamento do problema provavelmente se enquadram no conceito de 
conflito ambiental, pois representam a ação transformadora da situação.
No entanto, em consonância com a proposta desta obra, vamos 
acompanhar o fato só até aqui, uma vez que ele já cumpriu seu objetivo, 
ou seja, possibilitou o estudo de um caso prático, demonstrando certos 
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procedimentos que podem facilitar o trabalho, no sentido de instaurar 
processos participativos de gestão ambiental.
3 . 4 . 1 Conside raçõe s sobre o proce sso de e studo 
A p r á t i c a q u e f o i d e s c r i t a n e s t e e s t u d o c o n f i g u r a o 
processo denominado de educação no processo de gestão ambiental, ou educação 
ambiental, ou educação ambiental na gestão do meio ambiente. Tais métodos são 
aplicados com a finalidade de proporcionar condições para a produção e a aquisi-
ção de conhecimentos e de habilidades, bem como desenvolver atitudes, visando 
à participação individual e coletiva. Essa participação deve estar presente na 
gestão do uso dos recursos ambientais e, da mesma forma, na concepção e na 
aplicação de decisões que afetam a qualidade dos meios físico-natural e social.
Para saber mais
Você poderá aprofundar e ampliar conceitos, princípios e metodologias (pes-
quisa-ação, pesquisa-participante etc.) em obras específicas que abordam esses 
temas, pois tais conhecimentos são necessários para o desenvolvimento de pro-
cessos educativos em comunidades de diferentes contextos culturais no Brasil. 
Com esse propósito, sugerimos a leitura de duas obras:
MORIN, A. Pesquisa-ação integral e sistêmica: uma antropopedagogia renovada. 
Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
EL ANDALOUSSI, K. Pesquisas-ações: ciências, desenvolvimento, democracia. São 
Carlos: EdUFSCAR, 2004. Sinopse.
A importância da temática dessas obras soma-se ao entendimento de que:
Todo projeto de pesquisa-ação pressupõe uma forte interaçãocom atores. Esse 
postulado, hoje, tende a tornar-se mais aceito de que no passado, em função da 
generalização do trabalho em parceria. Um importante avanço na sistematização 
da pesquisa-ação, tal como a concebe o autor, consiste precisamente na proble-
matização dos papéis dos parceiros e no aprofundamento do próprio conceito 
de parceria. Isto é fundamental para pensar os processos e relacionamentos que 
ocorrem na pesquisa-ação e, ao mesmo tempo, para ampliar a habilidade e a ca-
pacidade de gestão por parte dos responsáveis de projetos. (El Andaloussi, 2004)
A preocupação, no sentido de desenvolver tais capacitações, justifica-se 
plenamente, pois a complexidade do exercício ou da prática da educação no 
processo de gestão ambiental exige profissionais especialmente habilitados 
para esse fim. Além disso, ao falarmos em educação no processo de gestão 
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ambiental, estamos nos referindo a uma prática que, inspirada nas Orientações 
da Conferência de Tbilisi, vem se propagando no espaço da gestão ambiental 
desenvolvida pelo Ibama.
Nesse documento (Orientações da Conferência de Tbilisi), foi definido 
que a educação ambiental se constitui em “uma dimensão dada ao conteúdo e 
à prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do 
meio ambiente por meio de enfoques interdisciplinares e de uma participação 
ativa e responsável de cada indivíduo e da sociedade” (Brasil, 1997b).
O propósito da pesquisa ambiental 
no âmbito das atividades de gestão
C a b e , a g o r a , u m e s c l a r e c i m e n t o e p i s t e m o l ó g i c o . C o m o 
vimos no início deste nosso estudo, as concepções sobre ecologia e meio am-
biente foram agregando novos significados à medida em que o homem foi 
ampliando sua visão e modificando suas compreensões. Logo, a aplicação des-
ses saberes à pesquisa ambiental (inserida no contexto da gestão ambiental) 
também se fez e se faz de forma progressiva e com contínuas alterações e/ou 
reformulações em seus métodos e práticas. Sobre isso, encontramos nas publi-
cações de Sato e Santos (2003, p. 265) um quadro (adaptado de Cantrel, 1996) 
que nos oferece uma síntese interessante sobre tal processo. Vamos transcrevê-
-lo parcialmente, ou seja, apenas o propósito da pesquisa.
Quadro 3.1 – Propósitos da pesquisa em educação ambiental
Pressupostos Positivismo Construtivismo Sócioconstrutivismo
Propósito da
pesquisa
Descoberta de leis 
que expliquem 
a realidade, 
permitindo 
controle e 
generalização.
Compreensão 
e emancipação 
dos atores e 
interpretação das 
estruturas sociais.
Emancipação dos 
atores sociais, através 
das críticas das 
desigualdades (práxis 
para a transformação).
Sempre que realizarmos uma pesquisa, devemos ter um propósito como pano 
de fundo do foco no problema ou conflito (o fato em si).
Além disso, como encontramos na síntese-quadro dos autores, existem ou-
tros pressupostos que sofrem modificações em função de nossa compreensão 
e concepção filosófica e metodológica. Assim, quando formos realizar uma 
pesquisa ambiental, inclusive para que possamos inseri-la adequadamente nas 
propostas de gestão ambiental, devemos deixar claros aspectos como:
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 • a ontologia – nossa visão sobre a realidade a ser pesquisada;
 • a epistemologia que iremos aplicar – espécie de conhecimento, modelos 
e métodos de pesquisa;
 • a finalidade – relação estabelecida entre o pesquisador ou pesquisadores 
e a descoberta.
Vamos lembrar, então, que realizamos 
um estudo de caso sob a perspectiva da 
gestão participativa, a qual traz em seu bojo 
a pesquisa participativa, a pesquisa com fun-
damentações epistemológicas e ontológicas 
provenientes do construtivismo, do sociocons-
trutivismo, do pós-construtivismo, e oriunda 
da visão biocêntrica, da abordagem sob a ótica 
dos sistemas complexos. Procuramos deixar 
expressa essa opção desde o início, bem como 
o fato de não ser o escopo desta obra fazer 
uma resenha filosófica; no entanto, esbar-
ramos em diversas teorias, às quais fizemos 
alusão, pois o saber é resultado da tessitura 
de inúmeros saberes.
Sobre a atualização das concepções sobre 
meio ambiente e gestão socioambiental, Sato 
e Santos (2003, p. 264) inter-relacionam os saberes de diversos estudiosos e 
concluem de forma bastante útil para ampliarmos a abrangência de nossa visão:
Na vertente pós-estruturalista, Gough (1996), Cheney (1989), Grün 
(2002) e Sato e Passos (2002) consideram que os objetos, os elementos 
e os significados constituem a compreensão da realidade, através da 
narrativa biorregional e na perspectiva biocêntrica. O biorregiona-
lismo nasce da ruptura do sistema “eu-mundo” para uma estrutura 
mais complexa do “eu-outr@-mundo”, ou seja, nossa relação não é 
direta com a natureza, mas mediatizada pelos complexos sistemas da 
sociedade. É uma vertente que tenta a conjugação entre a sociedade 
e a natureza; no diálogo necessário entre os diversos conhecimentos 
existentes, mergulhando a racionalidade na emoção; na necessidade 
da compreensão das ciências que estudam as partes, com as ciências 
que estudam o todo e as suas partes; e sobretudo no resgate da ética, 
solidariedade e coletivismo como alternativas possíveis para alcan-
çarmos uma humanidade mais responsável. (Toledo, 2000)
Nesse documento 
(Orientações da 
Conferência de Tbilisi), foi 
definido que a educação 
ambiental se constitui 
em “uma dimensão dada 
ao conteúdo e à prática da 
educação, orientada para 
a resolução dos problemas 
concretos do meio ambiente 
por meio de enfoques 
interdisciplinares e de 
uma participação ativa 
e responsável de cada 
indivíduo e da sociedade” 
(Brasil, 1997b).
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Nesse cenário – o da educação –, é habitual encontrarmos em documentos 
oficiais, nacionais e internacionais, inclusive na lei que dispõe sobre a Política 
Nacional de Educação Ambiental, a denominação de educação ambiental não for-
mal (para processos educativos praticados fora do currículo escolar), bem como 
de educação ambiental formal. O que podemos dizer sobre isso?
Acreditamos que “definir a galinha como a ave que não é pato não diz nada 
sobre ela”, pois podemos saber tudo sobre patos, mas, por essa definição, conti-
nuamos não sabendo nada sobre galinhas. Do mesmo modo, podemos adquirir 
vários conhecimentos sobre a educação ambiental formal, mas continuarmosignorando o que qualifica a chamada educação ambiental não formal. Por essa 
razão de ordem prática, e em concordância com a assertiva de que “negar o que 
um objeto é não significa afirmar o que ele é”, optamos pela linha de conceitua- 
ção dos educadores do Ibama, o que implica considerar a prática da educação am-
biental a partir do espaço em que ela se produz – o da gestão ambiental –, sem 
nos atermos a questões relativas às concepções de educação formal ou não formal.
S í n t e s e
A m o b i l i z a ç ã o s o c i a l t e m g a n h a d o e s p a ç o n o s c o n s e -
lhos municipais, estaduais e federais. É a garantia do pleno exercício de cidadania, 
na qual grupos organizados encontram soluções para os problemas comuns, de 
ordem coletiva e não individual. Nesse contexto, surgem os conselhos do meio 
ambiente em que, a exemplo do Conama, há a efetiva participação da sociedade 
na elaboração de resoluções que buscam melhor qualidade de vida. Sobretudo 
os governos que se dizem populares não podem deixar de usar plenamente os 
mecanismos de participação popular e de transparência que estão disponíveis. 
Com o objetivo de ilustrar esses processos, elaboramos um exemplo para estudo: 
a luta de uma comunidade contra a destinação inadequada de óleo combustível 
lubrificante queimado. Esse caso evidencia exatamente uma prática de gestão 
participativa para diagnosticar um problema ambiental, cuja sequência seria 
naturalmente a instauração do conflito e suas respectivas ações transformadoras.
Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
C o m o p r o p ó s i t o d e p r o v o c a r a s u a r e f l e x ã o , v a m o s 
ilustrar com fatos o paradigma de gestão ambiental apresentado nesta obra. 
Assim, transcrevemos um trecho de uma publicação do MMA, Caminhos para 
a sustentabilidade (Brasil, 2009b, p. 42).
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Ministério Público e promotorias de meio ambiente
O ordenamento legal sofreu profundas mudanças nos estados da Amazônia 
Legal, devido aos projetos e ações do PPG7/SPRN. As parcerias levaram a 
uma aproximação entre Oemas, Ministério Público e organizações da so-
ciedade civil e essas parcerias fortaleceram instituições como os núcleos de 
meio ambiente dos ministérios públicos estaduais, e as unidades de polícias 
especializadas em questões ambientais. A descentralização do Ministério 
Público incluiu nos mecanismos legais de negociação com o poder local os 
Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que possibilitam ao município 
condições para negociar a solução de passivos ambientais e adequação aos 
preceitos legais vigentes. Diversos ministérios públicos estaduais, em parti-
cular aqueles envolvidos nas ações de implementação dos PGAIs, passaram 
a atuar em parceria com os Oemas e polícias, adotando Termos de Correção 
de Conduta, instrumentos similares aos TACs como primeira alternativa 
para a correção de atividades.
Em Mato Grosso, as novas práticas de gestão participativa e compartilhada 
contribuíram para a criação do Centro de Apoio Operacional das Promotorias 
de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, no âmbito do Ministério Público 
Estadual. Essa nova estrutura foi complementada com três promotorias de 
Defesa do Meio Ambiente, para atender Cuiabá e dez polos administrativos 
no interior do Estado. Um resultado relevante foi a criação do Fórum do 
Ministério Público de Meio Ambiente da Amazônia, uma rede de articula-
ção interinstitucional que reúne os ministérios públicos dos nove estados da 
Amazônia Legal e tem como objetivo o apoio mútuo para desenvolvimento 
organizacional, capacitação e mobilização e para ampliar o alcance da atua-
ção da organização no cumprimento da sua missão de defesa jurídica do meio 
ambiente, em ação conjunta ou separadamente.
Fonte: Brasil, 2009b, p. 42.
Como você pode ver, aí está devidamente documentada a substancial parti-
cipação do Ministério Público na gestão ambiental.
1. Como você encara esse tipo de participação? Considera que existem as-
pectos fundamentais para tal envolvimento? Justifique sua resposta.
2. Da mesma forma, nessa mudança de paradigmas, você considera que os 
demais órgãos do Poder Público e da sociedade civil devem se integrar 
nesse processo de forma progressiva?
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Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. O que diferencia um conflito ambiental de um problema ambiental?
2. Quando afirmamos que neste capítulo realizamos um estudo de caso sob 
a perspectiva da gestão participativa, que espécie de pesquisa aplicamos?
3. Em razão da complexidade ambiental, existe a necessidade de os pro-
cessos educativos proporcionarem condições para as pessoas adqui-
rirem conhecimentos, habilidades e desenvolverem atitudes para que 
possam intervir de forma participativa nos processos decisórios. Após 
a realização das atividades programadas, os indivíduos passam a do-
minar um instrumental que facilita a caracterização de um problema 
ambiental e o envolvimento de outras pessoas na sua discussão. Isso 
quer dizer que, em relação a um problema ambiental observado, o 
indivíduo deve:
i. identificar os principais atores sociais envolvidos e suas formas de 
identificação.
ii. relacionar os efeitos sobre o meio físico-natural como ameaça direta 
à qualidade cultural e de lazer dos grupos afetados.
iii. identificar o posicionamento dos atores sociais envolvidos e afetados.
iv. aplicar procedimentos que facilitem a participação dos diferentes ato-
res sociais no seu estudo, bem como na difusão dos resultados.
Com base nas proposições anteriores, podemos afirmar que:
a. somente as alternativas I e II estão corretas.
b. somente a alternativa IV é correta.
c. somente a alternativa II é incorreta.
d. somente a alternativa IV é incorreta.
4. Ao falarmos em educação no processo de gestão ambiental, estamos nos 
referindo a uma prática inspirada:
a. nas orientações da Conferência de Tbilisi.
b. nas orientações da Agenda 21.
c. nas orientações da Conferência de Estocolmo.
d. nas orientações do Relatório de Subsídios Técnicos para a Elaboração 
do Relatório Nacional do Brasil para a Rio-92.
5. Complete as lacunas com os termos apropriados e em seguida marque a 
alternativa que fornece a sequência correta.
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Texto digitado
O problema ambiental caracteriza-se pela constatação e pela conscientizaçãonullda existência de um dano ao meio ambiente; é uma etapanulldeanálise e de conclusão. Já o conflito ambiental caracteriza-se pelanullmobilização dos atores sociais em um processo de interrupção ou eliminaçãonulldo problema ambiental. É uma etapa de ação transformadora.
sousa
Texto digitado
Em um estudo de caso sob a perspectiva da gestão participativa, aplicamosnulla pesquisa participativa, que se realiza com fundamentaçõesnullepistemológicas e ontológicas oriundas do construtivismo, do socioconstrutivismo,nulldo pós-construtivismo, da visão biocêntrica e de umanullabordagem que considera a ótica dos sistemas complexos.
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A técnica de estudar um caso prático para o entendimento de um problema 
ou conflito ambiental, quando da capacitação de pessoas para a gestão 
socioambiental, corresponde ao processo denominado de educação no 
processo de gestão ambiental, ou educação ambiental, ou educação ambiental 
na gestão do meio ambiente. Aplicam-se tais métodos com o , 
de proporcionar condições para e de 
e , bem como para desenvolver , 
visando à participação individual e coletiva. Essa participação deve estar 
presente na gestão do dos recursos ambientais, 
e da mesma forma na concepção e na aplicação de decisões que afetam a 
qualidade dos meios físico-natural e social.
a. uso, conhecimentos, habilidades, produção, aquisição, objetivo, 
atitudes.
b. objetivo, atitudes, uso, conhecimentos, habilidades, produção, aquisição.
c. objetivo, produção, aquisição, conhecimentos, habilidades, atitudes, 
uso.
d. uso, produção, aquisição, conhecimentos, habilidades, atitudes, 
objetivo.
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A multidisciplinaridade na gestão ambiental
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • O aspecto multidisciplinar da gestão ambiental;
 • A influência da perspectiva biocêntrica e ecocêntrica na gestão ambiental;
 • A abordagem geossistêmica e a vulnerabilidade ambiental.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • compreender a importância da geotecnia ambiental nos processos de 
gestão;
 • ampliar as interligações entre disciplinas para gerir os procedimentos de 
defesa ambiental;
 • definir geossistema e ecossistema;
 • aplicar fundamentos do pensamento contemporâneo, como o biocen-
trismo e o ecocentrismo, na gerência ambiental;
 • localizar as situações de aplicabilidade da geologia* ambiental;
 • identificar os indicadores de vulnerabilidade ambiental.
* Geologia: abrange o conhecimento da estrutura terrestre e dos seus processos, bem como 
da origem mineral dos solos.
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O s i n s t r u m e n t o s d e d e f e s a a m b i e n t a l , q u e t ê m c o m o 
objetivo estabelecer um elo entre o meio ambiente degradado e a sua reparação, 
compreendem técnicas e mecanismos aplicados nas diferentes áreas do conhe-
cimento, integrando diferentes conteúdos de forma pluridisciplinar, como se 
destaca nos vários enfoques dos capítulos desta obra. Nesse âmbito, é necessário, 
por exemplo, aprender, entre outros assuntos, sobre elementos do conhecimento 
técnico e metodológico dos indicadores de vulnerabilidade, bem como saber 
manejá-los em determinadas avaliações nas tomadas de decisão.
Portanto, podemos considerar que, além da capacidade administrativa e da 
fundamentação sociológica e filosófica, o gestor deve agregar ao processo de ges-
tão (ato ou efeito de gerir) os conhecimentos da geotecnia ambiental, em que 
estão incluídos conhecimentos biológicos, físicos e antrópicos*. 
Consideramos oportuno salientar que abordar a multidisciplinaridade 
na gestão ambiental é um fator relativo à tomada de consciência, pois estamos 
tratando, neste livro, de uma atividade administrativa – a gestão – que agrega, 
necessariamente, conhecimentos vários, por meio da contribuição de profissio-
nais de outras esferas que não a da administração. 
Esclarecemos isso porque, nesta obra, 
o enfoque central é a gerência ambien-
tal e esta é a administração voltada para 
o enfrentamento das questões relacio-
nadas com o meio ambiente, o que, por 
sua vez, implica abordar as conexões 
que se estabelecem com áreas diversas 
das tecnologias e das ciências, bem como 
com os parâmetros advindos da legisla-
ção ambiental. A multidisciplinaridade, 
portanto, é um tema que não se esgota neste capítulo, mas que perpassa toda a 
obra, embora esta também não o esgote.
Contudo, a gestão gerencia, enquanto as ferramentas são oriundas das 
mais variadas áreas do conhecimento.
* Antrópico: relativo ou pertencente ao homem ou ao seu período de existência 
na Terra; concernente à ação do homem. No contexto do tema meio ambiente, 
o termo é adotado para se referir aos fatores sociais, econômicos e culturais.
Além da capacidade 
administrativa e da 
fundamentação sociológica e 
filosófica, o gestor deve agregar ao 
processo de gestão (ato ou efeito 
de gerir) os conhecimentos da 
geotecnia ambiental, em que 
estão incluídos conhecimentos 
biológicos, físicos e antrópicos. Ne
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4 . 1 M e c a n i s m o s m u l t i d i s c i p l i n a r e s 
d e d e f e s a a m b i e n t a l
A c o m b i n a ç ã o e n t r e a c o n d i ç ã o d e a m e a ç a d e a c i d e n t e 
(probabilidade física) à exposição de uma comunidade (estrutura social) e sua 
condição de vulnerabilidade (os possíveis danos a que está sujeita a comunidade) 
caracteriza-se como risco na perspectiva ambiental. Diante desse cenário, 
você pode deduzir que realmente são necessários conhecimentos múltiplos para 
a gestão ambiental, pois faz parte de sua área de estudo prevenir e/ou sanar 
acidentes ambientais.
Podemos contextualizar esse 
cenário de atuação multidisciplinar 
em relação às interligações estabele-
cidas com base em diversas discipli-
nas, como a Geologia, por exemplo. 
Esta é uma das áreas de conheci-
mentos fundamentais para que o 
gestor possa realizar um trabalhode 
gerência de um determinado meio 
ambiente, pois a interligação da ge-
ologia ambiental (necessária nesse 
processo) faz-se principalmente com 
os campos da geologia de engenharia, da geologia econômica (no que se refere 
aos recursos minerais) e dos processos geológicos. Só nesse exemplo de conexões 
encontramos cinco disciplinas, considerando que as quatro aqui citadas (todas da 
Geologia) colocam-se em função da gestão ambiental. Agora, você pode imagi-
nar quantas interligações poderá fazer e quantas disciplinas poderá enumerar, 
se considerar os demais conhecimentos necessários para a gestão ambiental.
Perguntas e respostas
Você já havia pensado na possibilidade de os conhecimentos geológicos fa-
zerem parte da gestão ambiental? Afinal, gestionar significa gerir, gerenciar. 
E o que significa geologia?
O termo geologia, de acordo com o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, tem 
a concepção de “ciência que estuda a origem, história, vida e estrutura da Terra” 
(Houaiss; Villar; Franco, 2001) e, também, a de “conjuntos de terrenos, rochas 
e fenômenos de que trata essa ciência”. Nesse âmbito das definições, ao nos re-
ferirmos à geologia aplicada, estamos especificando-a e caracterizando-a como 
aquela que integra o conhecimento geológico para a solução de problemas. É 
nessa concepção que iremos inserir a geologia ambiental na gestão ambiental.
Consideramos oportuno salientar que 
abordar a multidisciplinaridade na 
gestão ambiental é um fator relativo à 
tomada de consciência, pois estamos 
tratando, neste livro, de uma atividade 
administrativa – a gestão – que agrega, 
necessariamente, conhecimentos 
vários, por meio da contribuição de 
profissionais de outras esferas que não 
a da administração.
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4 . 1 . 1 Contr ibuição da geo log ia ambienta l à ge stão
E x i s t e m v á r i a s d e f i n i ç õ e s p a r a e s s e r a m o d a g e o l o g i a , 
mas vamos nos pautar pela concepção de Flawn (1970), para quem a geologia 
ambiental é o ramo da ecologia que versa sobre as relações entre o homem 
e seu habitat* geológico. Ela se concentra em estudos e práticas cujo foco está 
nos problemas do homem com o uso da terra e a consequente reação da terra a 
tais ações antrópicas.
É importante, para entendermos a aplicação desses ramos da geologia no ce-
nário brasileiro, abrirmos um parêntese para acompanhar a trajetória histórica 
da geologia aplicada. Foi na década de 1930 que se instaurou a prática metodo-
lógica da geologia aplicada, por meio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do 
Estado de São Paulo (IPT), cujas atividades eram centradas na construção civil: 
materiais de construção, boçorocas**, escorregamentos. Em 1967, foi criada a 
Associação Paulista de Geologia Aplicada (APGA), a qual, em 1974, por ocasião 
do 2º Congresso Internacional de Geologia de Engenharia, transformou-se em 
Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE). Portanto, foi nesse 
período, nas décadas de 1960 e 1970, que ocorreu a consolidação da geologia 
aplicada em nosso país, em razão das atividades de construção de barragens 
e de obras viárias de grande porte. Nos anos de 1980, embora tenha existido a 
retração nos processos de construção de grandes obras de engenharia, avolu-
maram-se as preocupações com os impactos ambientais, o que intensificou 
os trabalhos de geologia ambiental, sendo que essa demanda foi estimulada 
por determinações legais, como quando se estabeleceu a exigência de estudos 
de impacto ambiental, ou seja, da utilização do EIA/Rima, promulgadas pelo 
Conama, assunto sobre o qual iremos discorrer na sequência deste estudo.
E como podemos analisar o meio ambiente, por exemplo, utilizando a 
geologia? Em que situações isso ocorre?
Esse aspecto específico, entre as inúmeras ciências que contribuem para a 
nossa análise, tem uma área de abrangência que compreende:
 • os fenômenos geológicos naturais que afetam o meio ambiente – 
tectonismo, vulcanismo, abalos sísmicos, variação do nível do mar;
 • a interferência do homem em acidentes ambientais naturais – escor-
regamentos de solo, erosão e enchentes.
* Habitat: local ou ambiente onde um organismo normalmente vive.
** Boçoroca: sinônimo de voçoroca, isto é, “escavação no solo ou rocha decomposta 
causada pela erosão do lençol de escoamento de águas pluviais” (Houais; Villar; 
Franco, 2001).
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4 . 1 . 2 Como são ut i l izadas a s c i ênc ia s 
apl i cadas na prát i ca ambienta l
C o n s i d e r a n d o a s á r e a s d o c o n h e c i m e n t o q u e s e c a r a c -
terizam como aplicadas e que se inserem na prática, na solução de problemas, é 
lógico perguntarmos: Como esses conhecimentos são aplicados? Como são 
utilizados? Em relação a isso, temos uma extensa área de abrangência, pois 
podemos observar tal uso em situações como as de:
 • análise do meio ambiente; 
 • estudo de infiltração de contaminantes pelo solo e pela interação solo- 
-contaminante, bem como os efeitos oriundos desse processo, no com-
portamento mecânico do solo (análise desse processo em solos tropicais, 
por exemplo);
 • estudo de tecnologias de disposição de resíduos sólidos;
 • análise de opções de monitoração e remediação de solos contamina-
dos, como, por exemplo, técnicas de estabilização físico-química e de 
biorremediação.
Esse uso é um quadro de aplicação da geotecnia ambiental. Ele apresenta 
diferentes técnicas utilizadas como instrumentos de defesa do meio ambiente 
na gestão ambiental. Esse é um cenário no qual outra disciplina, a Geofísica, 
ganhou visibilidade com o seu emprego e desempenho na exploração do petróleo, 
não se restringindo, no entanto, a esse campo de uso. Trata-se de um domínio 
técnico – no qual se agregam a geotecnia, a sondagem e a geoquímica – extre-
mamente importante em várias especificidades, operando por meio de:
 • sondagem por radar;
 • processos sísmicos;
 • processos de indução geoelétricos.
No entanto, devemos estar cientes quanto ao fato de que a capacitação para 
utilizar tais ferramentas (geotecnia ambiental) não se encontra somente na 
conscientização da necessidade de se preservar ou recuperar o meio ambiente; 
ela passa por conhecimentos técnicos, pelo entendimento de aspectos básicos, 
como as concepções de ecossistema e de geossistema.
Os ecossistemas compreendem áreas específicas, constituídas por clima, solo 
e comunidades de plantas e animais, bem como pela inter-relação entre essas 
partes, de modo a permitir que o sistema funcione como um todo.
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Quando falamos em geossistema, estamos nos referindo à combinação de 
determinada superfície de um geoma (rocha, ar, água) e de uma biocenose* 
(conjunto de organismos em interação em um mesmo biótipo**; comunidade), 
bem como considerando que as suas estruturas e o seu funcionamento sofrem 
fortes variações interanuais. Corresponde, portanto, o geossistema à visão sis-
têmica na geografia física.
Nessa conjuntura, conforme Beroutchachvili e Bertrand (1978), geossistema é 
“um conceito territorial, uma unidade espacial bem delimitada e analisada numa 
escala dada: o geossistema é bem mais amplo que o ecossistema que vem a ser, 
assim, uma parte do sistema geográfico natural”. Essa é uma discussão que você 
pode ampliar, e à qual pode agregar diferentes opiniões.
No estudo de tal enfoque, faremos um breve parêntese para analisar o que 
sejam essas duas concepções (ecossistema e geossistema). Assim, buscamos 
ampliar nossa visão multidisciplinar da gestão socioambiental.
4 . 1 . 3 Contr ibuiçõe s do e studo dos ecossi s temas
E s s e s s i s t e m a s n ã o s ã o f e c h a d o s . E m b o r a d i f e r e n t e s , 
eles compartilham elementos com outros ecossistemas pela própria condição de 
fazerem parte de um todo (biosfera***). Por exemplo: sementes que podem ser 
levadas de uma região para outra, animais que atravessam os espaços geográficos, 
nutrientes contidos no solo e distribuídos em várias áreas, bem como a água, o 
sol, a chuva etc.
É importante destacarmos que a delimitação de um ecossistema depende 
do nível de estudo que estivermos realizando. Lembramos ainda, conforme o 
infográfico, que é a reunião de todos os ecossistemas que constituem a biosfera.
* Biocenose: conjunto de seres vivos (animais, plantas e micro-organismos) dentro de um mesmo 
ambiente (biótopo) e em equilíbrio dinâmico. É o mesmo que comunidade biológica ou biótica.
** Biótipo: conjunto de características fundamentais, comuns ou semelhantes, de grupos 
de indivíduos.
*** Biosfera: bios vem do grego e significa “vida”. A biosfera abrange certo espaço acima e 
abaixo da superfície do planeta. Segundo o Dicionário Houaiss de língua portuguesa, é o 
conjunto de todas as partes do planeta Terra onde existe ou pode existir vida, e que abrange 
regiões da litosfera, da hidrosfera e da atmosfera; é a chamada ecosfera. Também pode 
ser definida como o conjunto de seres vivos existentes na superfície terrestre; parte sólida e 
líquida da Terra e de sua atmosfera onde é possível a vida. Sistema integrado de organismos 
(vivos e seus suportes), compreendendo a atmosfera circundante e o interior da Terra onde 
possa existir qualquer forma de vida. Por fim, é a área de vida do planeta.
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Ecossistema é, portanto, uma fração da biosfera possível de ser estudada 
ou analisada, de forma isolada. Nesse cenário, podemos dizer que um pân-
tano, um lago ou um trecho de Mata Atlântica constituem-se em ecossistemas 
distintos. Isso, de forma sucinta, significa que naqueles espaços geográficos existe 
uma diversidade – um conjunto – própria de seres vivos que se relacionam entre 
si, constituindo o processo de manutenção daquele meio.
Figura 4.1 – Os níveis de organização na ecologia
1. Biosfera
2. Ecossistema
3. Comunidades
4. Populações
5. Indivíduos
6. Sistemas de órgãos
7. Órgãos
8. Tecidos
9. Células
10. Organelas
11. Moléculas
11
10
9
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6
5
4
3
2
1
Equilíbrio nos ecossistemas
A p r o d u ç ã o d e u m s i s t e m a a m b i e n t a l p o r u n i d a d e d e 
tempo é proporcional à quantidade (massa) de matéria disponível, à quantidade 
de energia necessária para a transformação e, visto que a fonte de matérias-primas 
é esgotável, à sua taxa de renovação. Nesse processo, os principais agentes de 
influência são:
 • a energética da produção primária (organismos autótrofos);
 • o equilíbrio térmico e hídrico;
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 • o armazenamento de energia (húmus*);
 • a energia da produção secundária (matéria orgânica por heterótrofos**);
 • a interação de autótrofos*** e heterótrofos (transferência de nutrientes).
Devemos considerar, nessa dinâmica de equilíbrio dos ecossistemas, além dos 
fatores de influência, também os chamados significados de estabilidade: constância, 
persistência, inércia, elasticidade, amplitude, ciclo e trajetória. Essas caracterís-
ticas são determinantes fundamentais nos processos dos sistemas ambientais, 
na sua fixação e na sua evolução:
 • Constância – ausência de mudanças nos parâmetros do sistema ambiental, 
como, por exemplo, no número de espécies, na composição taxonômica, 
na estrutura em tipos biológicos de uma comunidade, ou em alguma ca-
racterística do ambiente físico.
 • Persistência – tempo (prazo) de sobrevivência de um sistema ambiental 
ou de alguns de seus componentes. Nesse sentido, uma população poderia 
ser considerada mais “estável” que outra se o tempo médio (persistência) 
até a sua extinção for maior, por exemplo.
 • Inércia – capacidade de um sistema ambiental para resistir às pertur-
bações externas. Nessas condições, as mudanças podem medir-se em 
vários parâmetros ou variáveis, que incluem todas as características da 
estabilidade aqui mencionadas. Na estrutura da rede trófica****, mudanças 
iguais na abundância de uma das espécies produzem mudanças distintas 
(caracterizando a capacidade inercial destas) nas abundâncias das demais, 
(similar à flexibilidade).
* Húmus: produto da decomposição microbiana e química dos detritos orgânicos, 
cuja composição química é muito variável. Atua, em geral, como ácido orgânico 
bivalente com cerca de 60% de H, 3% de N e 2% de S, P, Ca, Fe e K e outros 
elementos. Quando quase saturado de Ca (cálcio), constitui terras ricas. Solúvel, 
em grande parte, em hidróxidos alcalinos, mas insolúvel em hidróxidos alca-
lino-terrosos e em ácidos.
** Heterótrofo: organismo que necessita, no meio em que vive, de compostos orgâ-
nicos para sua nutrição.
*** Autótrofo: diz-se de organismo autotrófico (vegetal autotrófico), que é capaz de 
produzir seu próprio alimento a partir de compostos inorgânicos e com a utili-
zação de uma fonte de energia.
**** Rede trófica: é o conjunto formado por várias cadeias tróficas que, por força de suas 
estruturas, naturezas e disposições no ecossistema, sobrepõem-se e interligam-se 
parcialmente, apresentando-se como uma trama sem início nem fim, em razão de 
sua complicada aparência, imposta pelas relações entre seus níveis tróficos.
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 • Elasticidade – velocidade com a qual um sistema ambiental retorna a seu 
estado anterior após uma perturbação. Existe, em nível formal, a possi-
bilidade de comparar elasticidade de uma maneira quantitativa (modelos 
matemáticos).
 • Amplitude – superfície sobre a qual um sistema ambiental é estável. Um 
sistema tem uma amplitude elevada se puder alterar consideravelmente 
seu estado prévio e retornar a ele. Esse processo tem sido descrito, muitas 
vezes, como estabilidade global e é de particular interesse para vários pro-
blemas ecológicos aplicados, como perícia e auditoria ambiental.
 • Estabilidade cíclica – propriedade de um sistema ambiental de realizar 
ciclos ou oscilar ao redor de algum ponto ou zona central de determinado 
sistema. Alguns importantes processos de interação ecológica, notavel-
mente os sistemas predador-presa, têm essa propriedade, que se tem de-
nominado ciclo limite estável.
 • Estabilidade de trajetória – propriedade de um sistema ambiental de al-
terar algum ponto ou zona final, apesar das diferenças no ponto de partida. 
Esse é o significado de estabilidade durante a sucessão ecológica, na qual se 
pode alcançar um único estágio-clímax a partir de vários pontos de partida.
Afinal, que leis e sistemas operam 
nesse processo? Por exemplo: nesse pa-
norama, o da continuidade da vida, um 
fato que chama a atenção da humanidade 
é o aquecimento global. Por meio dele, 
percebemos a mudança climática, em re-
lação aos efeitos dos organismos da fauna 
e da flora, principalmente com a redução 
dos seus habitats e seus processos de ex-
tinção. Nesse caso, o aquecimento global 
age como mecanismo de persistência junto 
ao ecossistema. Isso significa que, apesar 
dessa tamanha crise ambiental, as es-
pécies procuram sobreviver mesmo em 
severas condições ambientais. Você já 
pensou sobre isso?
4 . 1 . 4 Contr ibuiçõe s da abordagem geossi s têmica
A a p l i c a ç ã o d a t e o r i a d o s s i s t e m a s à g e o g r a f i a f í s i c a 
deu origem à abordagem do geossistema. Nesse contexto, aplica-se a definição 
C
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de Bertrand (1971), segundo a qual, o meio é “o resultado da combinação dinâmica, 
portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, ao reagir uns 
em relação aos outros, fazem da paisagem um conjunto único e indivisível em evo-
lução perpétua”. O que isso significa? Principalmente que a concepção de ação 
antrópica foi aglutinada, acrescentada, ao conceito inicial de complexo territorial 
natural, pois este compreende apenas aspectos correspondentes à geologia, ao 
clima, à geomorfologia, à pedalogia e à capacidade da biótica (flora e fauna naturais).
Nesse contexto, também é importante ficar claro, de acordo com Dias e 
Santos (2007), que, “na análise geossistêmica, o geossistema é uma categoria de 
sistemas territoriais regido por leis naturais, modificados ou não pelas ações 
antrópicas” [grifo nosso].
Aqui, é importante fazermos um parêntese para melhor entendermos o pa-
pel epistemológico de geossistema. A teoria geral dos sistemas de Bertalanffy 
(desenvolvida nos anos 1950) teve repercussão em todas as áreas de estudos, e 
a geografia não ficou imune à influência desse tipo de análise. Jean Tricart, ao 
realizar a “classificação ecodinâmica dos meios ambientes”, reconheceu o papel 
da teoria sistêmica no âmbito da geografia. Em 1977, ele declarou que o “conceito 
de sistema é, atualmente, o melhor instrumento lógico de que dispomos para 
estudar os problemas do meio ambiente” (Tricart, 1977, p. 17).
Equilíbrio biogeocenótico 
O q u e o b s e r v a m o s n o e q u i l í b r i o b i o g e o c e n ó t i c o é a 
atividade geomorfológica e biogeocenótica na composição diferenciada das pai-
sagens naturais e construídas. A formação dessas áreas ou geossistemas não 
ocorre, portanto, ao acaso: é determinada por aspectos oriundos tanto das deci-
sões humanas quanto das leis da natureza. As diferenciações decorrentes dessas 
influências (humanas e do meio físico-natural) podem ocorrer, algumas vezes, 
de forma repentina e bem definida; outras vezes, acontecem gradualmente.
Neste último caso (modo gradual), ocorrem espaços de transição com graus 
de variações de certas características, possibilitando que surjam áreas de transição 
entre duas comunidades vizinhas, as quais se fixam como novos espaços definidos – 
diferenciados ou mistos – do seu meio ambiente de origem, como, por exemplo, 
entre uma floresta e uma pradaria (os espaços formados dessa forma chamam-se 
ecótonos). Isso torna possível a inserção, dentro da mesma unidade elementar (área 
em transição), tanto de uma clareira de pastagens como de um campo agrícola ou 
de uma mancha florestal – variações que, de modo gradual, modificam a paisagem.
Nesse âmbito, as inter-relações entre produtores e consumidores estão de-
terminadas por seu número, pela efetividade com que a energia é aproveitada 
pelos níveis tróficos inferiores, pela velocidade de renovação das populações 
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dominantes, pela capacidade dos produtores de renovar a produção consumida e 
pela relação entre a energia que se necessita para a manutenção e a que se encontra 
disponível para a produção nas espécies dominantes das distintas cadeias tróficas*.
O panorama descrito nos permite inferir que, nesse processo de equilíbrio 
biogeocenótico, no qual prevalece a visão biocêntrica, englobando homem e na-
tureza, existem vários agentes de influência. Entre eles, destacam-se:
 • as diferenças entre biomas;
 • a influência das flutuações da população;
 • a influência dos consumidores sobre a produção primária;
 • as diferenças entre a ação dos consumidores homeotérmicos** e dos 
pecilotérmicos.
Portanto, ao realizarmos a análise de uma área territorial, devemos observar 
suas origens, influências biofísicas, funcionais e estéticas. A ótica contemporâ-
nea privilegia essa ética multidimensional, uma vez que o panorama terrestre 
não é uniforme e se estruturar com base em relações pluralísticas que situam, 
delineiam e distinguem um determinado geossistema.
Para saber mais
Se você quiser aprofundar seu conhecimento sobre a visão sistêmica e a concei-
tuação teórica e metodológica do geossistema, seria interessante ler os seguintes 
textos:
TROPPMAIR, H. Biogeografia e meio ambiente. 7. ed. Rio Claro: Ed. da Unesp, 2007.
TROPPMAIR, H.; GALINA, M. H. Geossistemas. Mercator. Revista de Geografia 
da Universidade Federal do Ceará, ano 5, n. 10, 2006. Disponível em: <http://www.
mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/viewFile/69/44>. Acesso em: 1º set. 2011.4 . 1 . 5 As contr ibuiçõe s do pensamento 
contemporâneo para a ge stão ambienta l
A s s i m , e m e r g i n d o d e s u c e s s i v o s p o s i c i o n a m e n t o s e m 
relação ao meio ambiente (concernentes ao pensamento dominante em cada época 
* Cadeias tróficas: também chamadas de cadeias alimentares, são representadas pela 
consecução das relações alimentares de um grupo de organismos por outros, o que 
forma níveis tróficos englobando os produtores, os consumidores e os decompositores.
** Consumidores homeotérmicos: consumidores de temperatura constante, 
independentemente da temperatura ambiente.
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da civilização), os quais Siqueira (2002) classifica em sete períodos distintos, che-
gamos ao século XXI, ainda buscando, em muitos lugares, fazer valer a visão 
biocêntrica ao mesmo tempo em que avançamos para a visão ecocêntrica. O 
processo evolutivo desses dois modos de pensar a problemática ética-ambiental 
fica bem definido na caracterização do sexto e do sétimo períodos, conforme 
delineado por Siqueira (2002, p. 15-17):
O sexto momento é o “biocêntrico”, surge no final do século XIX e 
evolui através do século XX, sua marca está na valorização da vida, 
nos aspectos evolutivos dos organismos vivos e no extraordinário 
avanço das ciências da vida, como a genética e seus processos de 
clonagem, por exemplo.
O sétimo e último momento é o “ecocêntrico”, é um novo momento 
na cultura ocidental, está em construção, sua preocupação é com o 
meio ambiente e as questões sociais, desde a escala micro até a escala 
macro da problemática ambiental e social do planeta Terra. O eco-
centrismo vai tentar articular os inúmeros fragmentos do fenômeno 
da globalização atual, o ecocentrismo é um processo de construção 
de valores éticos, para a construção de uma cidadania, apesar de 
seu processo global, ele age no local, no regional. [grifo nosso]
Nesse contexto, partindo da valorização da vida, surgem novas perspectivas, 
novos parâmetros que fundamentam a gestão ambiental na busca por um equi-
líbrio entre, de um lado, a preservação de traços socioambientais particulares e 
regionais e, de outro, o processo de interação global.
Isso faz com que a humanidade, a começar por aqueles que estão envolvidos 
nos procedimentos de gestão ambiental, busque novos valores éticos. É o que 
se denominou de ética multidimensional, sobre a qual provavelmente muito 
ainda está para ser construído, mas cujas bases já estão lançadas:
 • visão sistêmica do meio ambiente;
 • redirecionamento dos focos econômico, social e político (com processos 
mais justos e igualitários), privilegiando o desenvolvimento sustentável;
 • novos conceitos científicos;
 • observação e respeito às inter-relações e às interdependências;
 • menor consumo de recursos naturais;
 • desenvolvimento de tecnologias adaptadas aos ecossistemas e às regiões 
específicas;
 • implantação da gestão ambiental participativa e da educação ambiental.
Obviamente, embora tenhamos destacado a gestão e a educação ambiental, 
bem como o desenvolvimento sustentável, a implantação de tais processos só é 
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possível se observarmos os demais aspectos que envolvem a complexa teia das 
estruturas socioambientais pela perspectiva da valorização da vida, como a 
entendemos aqui: visão biocêntrica e não antropocêntrica, enquanto cami-
nhamos, como já foi dito, para a construção do ecocentrismo.
4 . 2 Vu l n e r a b i l i d a d e a m b i e n t a l
To d o s o s a s p e c t o s l e v a n t a d o s e a n a l i s a d o s n o s i t e n s 
anteriores justificam-se em função da vulnerabilidade ambiental. Esta pode ser 
analisada por meio da observação e da mensuração da pressão das atividades 
humanas sobre o meio ambiente ou sobre o ecossistema local (atividades que 
comprometem a estabilidade natural), bem como pelas condições da própria 
natureza. Nesses procedimentos, utilizando-se de ferramentas de análise, como 
os vários aspectos de intervenção do conhecimento a que já nos referimos, os 
técnicos poderão chegar a conclusões referentes aos danos ambientais causados 
por um determinado empreendimento.
Nesse cenário, as pressões sobre o meio ambiente (considerando especifica-
mente os fatores provocados pela ação humana) que provocam a vulnerabilidade 
ambiental são:
 • a pressão industrial;
 • a pressão agrícola;
 • a pressão urbana.
O que existe de comum a esses três aspectos de pressão sobre o meio é a ação 
antrópica, a qual pode causar impactos ou resultar em desastres ambientais.
Na interligação desses três fatores que podem desencadear a vulnerabilidade 
do meio ambiente, podemos observar a degradação do potencial agrícola de várias 
regiões. Nessa degradação, percebemos o efeito dos constantes processos erosivos 
negativos, como a construção urbana, ou mesmo de indústrias, em terras com 
condições próprias para a agricultura. Outras situações constatadas nesse cenário 
são as de obras que acabam por interferir nos ecossistemas, ao abranger extensas 
regiões, e as de uso indevido de determinados agrotóxicos ou de formas erradas 
de manejo agrícola. Aliás, você já deve ter ouvido falar sobre a desertificação da 
Amazônia motivada pelo mau uso do solo. É algo para refletirmos.
Nessa conjuntura em que encontramos a vulnerabilidade ambiental versus 
as atividades antrópicas, um dos mais graves problemas a ser solucionado 
é o das águas residuais. Os esgotos, tanto de origem doméstica como indus-
trial, são, em sua quase totalidade, lançados nas águas dos rios. Um exemplo 
bem característico de tal situação é a do rio Tietê, em São Paulo, com o seu 
elevado grau de poluição. No entanto, infelizmente, em outros lugares do país a 
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situação não é diferente. Grande parte dos municípios e das indústrias do país 
não apresentam solução para esse problema, pois “estações de tratamento de 
águas residuais” em perfeito funcionamento, devidamente adequadas, não se 
veem com frequência; pelo contrário, elas são, por assim dizer, quase utópicas. 
Enquanto isso, os rios estão sendo mortos (afetados em seu equilíbrio natural) e 
com eles a vida que lhes é própria com todas as suas interligações (ecossistema).
4 . 2 . 1 Indicadore s de vu lne rabi l idade
Para avaliar a condição de vulnerabilidade de determinado ambiente, exis-
tem vários indicadores, que são classificados em:
 • indicadores desensibilidade do solo;
 • indicadores de sensibilidade do clima e da atmosfera;
 • indicadores de sensibilidade de águas interiores*;
 • indicadores de sensibilidade da vegetação;
 • indicadores de sensibilidade da fauna.
Sustentando-nos em Araujo et al. (2005), devemos nos ater, de modo mais 
aprofundado, em cada um desses indicadores, conforme demonstramos a seguir.
Indicadores de sensibilidade do solo
É c o n s e n s o c o n s i d e r a r m o s q u e o s i n d i c a d o r e s d e s e n -
sibilidade do solo constituem conjunto de dados que fornecem a condição 
para avaliar a situação de determinado terreno, no que concerne à sua situa- 
ção em questões básicas: espessura ou profundidade do solo, textura, estrutura, 
capacidade de retenção hídrica e de infiltração, erodibilidade** e drenabilidade. 
Essas condições constituir-se-ão em fatores que autorizam ou restringem prá-
ticas específicas, a saber:
 • espessura ou profundidade do solo – constitui-se em fator que facilita, 
inibe ou impede o desenvolvimento das raízes das plantas;
 • textura – representa um fator que irá determinar o uso ou o não uso do 
solo para fins agrícolas;
 • estrutura – apresenta fatores relativos às condições de armazenamento 
e de filtração da água no subsolo;
* Águas interiores: também chamadas de águas territoriais, dizem respeito à 
presença da água no litoral, como baías, portos, abras, recôncavos, estuários, 
enseadas, assemelhadas aos lagos e rios.
** Erodibilidade: suscetibilidade de um solo à erosão.
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 • capacidade de retenção hídrica e de infiltração – define a condição de 
se desenvolver, ou não, culturas cíclicas ou perenes;
 • erodibibilidade e drenalidade – informa os fatores de condições dos 
usos que são associados ao indicador estrutura.
Indicadores de sensibilidade do clima e da atmosfera
O s i n d i c a d o r e s d e s e n s i b i l i d a d e c l i m á t i c a , s e a o r i g e m 
dos danos estiver em ações provocadas pelo homem, podem ser agrupados em 
dois tipos:
 • o de sensibilidade aos componentes físicos; e 
 • o de sensibilidade em relação à constituição da atmosfera.
No entanto, há ocasiões em que os dois tipos de sensibilidade estão intrinse-
camente associados. Assim, uma alteração na composição química atmosférica 
pode modificar o clima; em situação oposta, uma alteração em algum elemento 
físico do clima pode mudar a composição atmosférica. Nesse contexto, os indi-
cadores se expressam em aspectos como:
 • estabilidade do microclima* – depende dos ciclos diurnos da tempe-
ratura, da umidade, da radiação solar, dos ventos, dos balanços de água 
e de energia etc.;
 • estabilidade do ciclo hidrológico** e do clima regional – está ligada a 
mudanças nos padrões das chuvas, dos ventos, da temperatura, da umi-
dade, da duração das estações etc.;
 • equilíbrio do sistema florestal – depende da manutenção da vegetação;
 • estabilidade da composição da atmosfera – está sujeita a queimadas, 
inversão térmica, efeito estufa, concentração de poluentes etc.
Nesse sentido, o Quadro 4.1, que apresentamos a seguir, oferece uma visua- 
lização objetiva da relação entre os componentes naturais e os indicadores de 
sensibilidade de estado do clima e da atmosfera, constituindo-se em um padrão 
interessante e importante para uma análise técnica, considerando a situação 
aqui abordada.
* Microclima: clima local em um espaço muito reduzido ou micro-habitat. Pode-se 
considerar como um microclima as condições existentes no interior de uma ca-
verna, por exemplo.
** Ciclo hidrológico: movimento da água pelo ecossistema. Esse ciclo depende da 
capacidade de a água estar presente nas formas líquida e gasosa. O ciclo tem 
quatro fases: evaporação, condensação, precipitação e deflúvio.
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Quadro 4.1 – Exemplos de indicadores de estado do clima e da atmosfera
Componente 
natural
Indicadores Observações
Microclima
Ciclos diurnos de temperatura, 
umidade, radiação solar, ventos; 
balanços de água e energia; 
temperatura e umidade do solo (até 
um metro de profundidade).
A temperatura da 
superfície é o melhor 
indicador, devido à 
praticidade de obtenção.
Ciclo 
hidrológico 
e do clima 
regional
Padrões (espaciais e temporais) 
das chuvas, ventos, temperatura, 
umidade; alteração na frequência da 
ocorrência de extremos e na duração 
da estação seca.
As vazões dos grandes 
rios são os melhores 
indicadores, porque 
integram a precipitação***** 
de enormes extensões.
Sistema 
florestal
Vegetação nas áreas de transição 
entre os biomas* ou entre as 
expressões vegetais do mesmo bioma 
do indivíduo (fenologia**, taxa 
fotossintética***, produtividade, 
estratégia de reprodução, 
suscetibilidade a doenças e perda de 
variedade genética) e na comunidade 
(mudanças na fisionomia****, perda 
ou substituição de espécies, invasão de 
espécies exóticas, perdas de extratos e 
mudança no índice de área foliar).
* Bioma: amplo conjunto de ecossistemas terrestres caracterizados por tipos de vegeta-
ção fisionomicamente semelhantes. No Brasil, existem os seguintes grandes biomas: 
floresta amazônica, floresta atlântica, cerrado, caatinga, floresta de araucária, cam-
pos e zonas de transição (Pantanal e zona costeira). O termo bioma é usado para 
denominar um grande sistema biológico ou ecossistema de proporções regionais e 
até subcontinentais (caracteriza-se pela existência de um tipo específico).
** Fenologia: estudo das características que se referem às datas, nas diversas fases 
de cultivo do arroz – data de emergência, de floração, de emissão de panícula e 
de ciclo.
*** Taxa fotossintética: intensidade do processo de fotossíntese que a planta realiza.
**** Fisionomia: feições características no aspecto de uma comunidade vegetal.
***** Precipitação: queda de água meteórica em estado líquido ou sólido.
(continua)
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Componente 
natural
Indicadores Observações
Composição 
da atmosfera
Quantificação de queimadas (focos, 
área, biomassa******); frequência 
e altura das inversões térmicas; 
concentrações de poluentes na 
atmosfera: Hg vapor, CO2, CO, 
O3, CH4, H2O, NO, SO2, H2S, 
hidrocarbonetos, agrotóxicos, 
material particulado.
A quantificação das 
queimadas, seja em área 
total ou em quantidade 
de biomassa envolvida nos 
processos de combustão, é 
o indicador mais óbvioda 
qualidade do ar em relação 
à emissão de poluentes 
pelas queimadas.
Fonte: Araujo et al., 2005, p. 14.
Indicadores de sensibilidade de águas interiores
A d e s e s t a b i l i z a ç ã o d o s e c o s s i s t e m a s a q u á t i c o s t e m s e 
mostrado um fator corriqueiro, em consequência de várias atividades do ser 
humano, constituindo-se em um fato divulgado e conhecido. No entanto, em 
uma análise técnica da qualidade das águas, devemos considerar que os aspec-
tos analisados são complexos e exclusivos de cada situação. Devemos, pois, levar 
em consideração a região ou microrregião em sua singularidade e seus fatores 
biogeoquímicos. Na análise da sensibilidade de águas interiores, os principais 
indicadores dos danos resultantes dos usos antrópicos são:
 • poluição por salinidade;
 • poluição tóxica – metais pesados, organoclorados* e outros defensivos 
agrícolas, óleos e graxas, fenóis** etc.;
* Organoclorados: inseticidas orgânicos sintéticos que contêm, em suas moléculas, 
átomos de cloro, de carbono e de hidrogênio. Exemplos: DDT, Aldrin e Dieldrin.
** Fenóis: grupo de compostos aromáticos, com um grupo hidroxila ligado dire-
tamente ao núcleo benzênico. Eles são altamente tóxicos aos organismos vivos 
ou durante a ingestão do iodo. Não obstante, em determinadas condições, eles 
podem ser decompostos por tratamento biológico.
****** Biomassa: conjunto constituído pelos componentes bióticos de um ecossistema.
(Quadro 4.1 – conclusão)
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 • poluição orgânica – eutrofização*, coliformes fecais e totais, cor, turbidez;
 • poluição por sólidos dissolvidos ou em suspensão – descarga sólida, sólidos 
suspensos e dissolvidos, mudanças hidráulicas e na morfometria dos rios.
Considerando que as atividades humanas responsáveis por esses tipos de da-
nos são, entre outras, a silvicultura, a pecuária, a agricultura, a mineração, as obras 
de infraestrutura e as construções urbanas e industriais, torna-se fácil perceber 
a complexidade da situação, pois tais empreendimentos são necessários para a 
sobrevivência. No entanto, devemos destacar que, justamente por isso, a gestão 
ambiental se impõe como fator de relevância para o equilíbrio socioambiental.
 Nesse tipo de gestão, o que se busca são as possibilidades de controle, o en-
frentamento do problema para se encontrar as soluções, como: práticas adequa-
das na agricultura e no manejo pastoril; controle ambiental dos garimpos e da 
erosão; adoção de novas tecnologias adequadas à preservação do meio ambiente; 
tratamento de resíduos; planejamento do desenvolvimento das áreas urbanas; 
estudos de impacto ambiental, entre outros.
Indicadores de sensibilidade da vegetação
O s l i m i t e s d e t o l e r â n c i a d a v e g e t a ç ã o à s a l t e r a ç õ e s 
ou às interferências desordenadas nas características de seu meio físico são in-
dicados por aspectos como:
 • a mudança no padrão fenológico;
 • a taxa de fotossíntese; 
 • a produtividade;
 • a estratégia reprodutiva;
 • o aumento da suscetibilidade a doenças;
 • as perdas de estratos**;
* Eutrofização: aumento da concentração de nutrientes na água natural, doce 
ou salgada, decorrente de um processo de intensificação do fornecimento ou de 
produção de nutrientes (principalmente nitratos e fosfatos), o que acelera o cres-
cimento de algas e de formas mais desenvolvidas de vegetais e a deterioração da 
qualidade da água. Esse processo, quando provocado pelo lançamento de águas 
residuárias, ou dos afluentes do seu tratamento, em um lago, constitui um dos 
principais problemas no gerenciamento dos recursos hídricos.
** Estrato: possui características idênticas às reservas biológicas, mas permite 
alterações antrópicas, com finalidade de pesquisa ou outras atividades, em até 
10% da sua área, desde que não coloque em perigo a sobrevivência das espécies 
ali existentes.
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 • a mudança completa na fisionomia;
 • a mudança na cobertura.
Nesse cenário, a desestabi-
lização do ecossistema de uma 
área ou região (biota) pode de-
correr de consequências de or-
dem direta ou indireta das ações 
inadequadas do ser humano no 
meio físico-natural. O desequilí-
brio, provocado dessa forma, traz 
consigo, entre outros aspectos: a 
perda da biodiversidade; altera-
ções na distribuição da temperatura; a proliferação de pragas e de doenças; o 
desenvolvimento de espécies exóticas (ou espécies invasoras, que destroem as es-
pécies nativas); a ativação e a dinamização de processos erosivos; a contaminação 
de aquíferos; o assoreamento de cursos de água; a deterioração das condições de 
fertilidade dos solos e as voçorocas.
Indicadores de sensibilidade da fauna
Q u a n d o r e a l i z a m o s u m a a n á l i s e t é c n i c a d o s i n d i c a -
dores da sensibilidade da fauna, existem procedimentos que provocam alterações 
no meio físico-natural desta.
Nesses processos, devemos considerar escalas de mensuração temporal e espa-
cial, nas quais, necessariamente, ocorre a interferência de aspectos da vegetação 
presente. Entre os indicadores que são utilizados para detectar as condições de 
qualidade da fauna, destacamos:
 • o tamanho e a distribuição espacial da população;
 • a probabilidade de desastres naturais;
 • o número de espécies;
 • as estruturas de cadeias alimentares/nível trófico*;
 • o tempo de existência da comunidade;
 • as taxas de extinção de espécies;
 • o potencial reprodutivo.
Quando falamos de fauna, estamos nos referindo aos mais diversos portes 
das espécies, com variados períodos de vida (variação relativa à diversidade de 
* Nível trófico: posição ocupada por um organismo na cadeia alimentar (produtor 
primário, decompositor, entre outros).
Considerando que as atividades 
humanas responsáveis por esses tipos de 
danos são, entre outras, a silvicultura, a 
pecuária, a agricultura, a mineração, as 
obras de infraestrutura e as construções 
urbanas e industriais, torna-se fácil 
perceber a complexidade da situação, 
pois tais empreendimentos são 
necessários para a sobrevivência. 
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espécies). Isso significa que uma análise dos fatores desestabilizadores desse pro-
cesso é complexa, pois são inúmeros os fatores que influenciam a sensibilidade 
das espécies e das comunidades. Ressalta-se o fato de a sensibilidade da fauna 
à ação antrópica refletir-se, principalmente, no fatorpopulação: alterações na 
composição, na extinção em uma determinada região ou no aumento da 
população de uma espécie específica.
Você já observou como ocorre a urbanização em nosso país? Considerando 
os fatores e os indicadores analisados até aqui, e se observamos nosso entorno, 
a resposta parece unânime: de forma desordenada, principalmente nas regiões 
metropolitanas das capitais.
Nesse contexto, claramente a 
questão da vulnerabilidade am-
biental torna-se crítica, pois, com 
o crescimento populacional, as áreas 
preservadas, ou seja, os ambientes de 
reprodução de animais e uma quan-
tidade significativa de organismos 
florestais sofrem a supressão provo-
cada pela ação antrópica sem plane-
jamento por parte do Poder Público, 
que em determinadas ocasiões é o 
próprio motivador desses processos. 
Portanto, este se constitui em um mo-
mento propício para refletir sobre os 
dados, os enfrentamentos necessários, bem como as perspectivas socioambientais 
a que estamos expostos.
S í n t e s e
A p r e s s ã o d a s a t i v i d a d e s h u m a n a s s o b r e o m e i o a m -
biente atinge a vulnerabilidade ambiental, a qual, por sua vez, exerce influên-
cia nas relações entre populações e organismos da fauna e da flora e provoca a 
degradação ambiental. Nesse contexto, uma das alternativas destacadas para a 
verificação do nível de degradação ambiental é a adoção de indicadores de vul-
nerabilidade, os quais possibilitam que autoridades e técnicos possam avaliar e 
buscar soluções para os problemas ambientais. Assim, por meio dos instrumentos 
de defesa do ambiente na gestão ambiental, lançamos a base fundamental deste 
estudo, ou seja, técnicas e métodos para a avaliação do ecossistema ou de uma 
determinada área. Consideramos tal abordagem extremamente importante, pois, 
com o avanço significativo da tecnologia, encontramos uma série de instrumentos 
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que podem medir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, encontrar signifi-
cados para a sua vulnerabilidade e/ou estabilidade. Por outro lado, os desastres 
ambientais comprovam que o modelo de exploração do meio ambiente que o 
homem adotou deve ser repensado. As agressões são constantes e, por isso, ne-
cessitamos conhecer e estabelecer mecanismos para a recuperação dos ambientes 
degradados, o que implica uma abordagem ou atuação multidisciplinar. Essa é 
uma necessidade concreta e urgente.
Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
C o n s i d e r a n d o o s d o i s t r e c h o s d e d o c u m e n t o s d e o r i e n -
tação da administração pública, transcritos a seguir, o que nós já discutimos até 
aqui, a sua observação do local em que vive e o que você tem de informações 
sobre a realidade de diversas regiões do país, reflita sobre o que ocorre no nosso 
meio em relação à gestão ambiental.
A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA)
A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) tem como 
meta promover um significativo avanço, no menor prazo possível, 
rumo à universalização do abastecimento de água potável, esgota-
mento sanitário (coleta, tratamento e destinação final), gestão de 
resíduos sólidos urbanos (coleta, tratamento e disposição final), além 
do adequado manejo de águas pluviais urbanas, com o consequente 
controle de enchentes. (Brasil, 2011b)
No manual do Programa Nacional de Capacitação de Gestores 
Ambientais, consta que:
B. Gerir quer dizer administrar, dirigir, manter determinada situa-
ção ou processo sob controle para obter o melhor resultado. Realizar 
a gestão do meio ambiente significa executar uma série de ações, de 
forma encadeada e articulada, que resultem em:
 • maior consciência sobre as consequências da atuação humana 
sobre o ambiente; e
 • adoção de práticas e de comportamentos que melhorem essa 
atuação. (Ceará, 2011, grifo nosso)
1. Você já observou se essa preocupação com o saneamento é traduzida por 
fatos objetivos, por ações? E mais, você considera que tais medidas de 
suporte urbano e de conscientização educacional implicam atividades 
multidisciplinares?
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2. Especificamente sobre o manejo das “águas pluviais urbanas”, qual é a sua 
opinião? Você acredita que elas sejam fatores importantes para prevenir 
os aspectos vulneráveis de um determinado local? E para as enchentes, 
quais medidas você proporia?
Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. Geologia ambiental é o ramo da ecologia que trata das relações entre o ser 
humano e seu habitat geológico; ela se ocupa, por exemplo, dos problemas 
do homem com o uso da Terra – e a reação da Terra a esse uso. A geologia 
ambiental inclui os ramos tradicionais da geologia de engenharia e da 
geologia econômica, ou uma pequena parte desta última, referente aos 
recursos minerais. Você pode relatar algumas situações em que podemos 
utilizar a geologia para analisar o meio ambiente? 
2. A vulnerabilidade ambiental pode ser analisada com base na pressão das 
atividades humanas sobre o meio físico-natural. Nesse contexto, relacione 
quais são os indicadores de vulnerabilidade.
3. Em relação aos indicadores da sensibilidade do clima e da atmosfera, as-
sinale “V” para as proposições verdadeiras e “F” para as falsas:
( ) Estabilidade do microclima (ciclos diurnos de temperatura, umidade, 
radiação solar, ventos, balanços de água e energia etc.).
( ) Estabilidade dos recursos não renováveis.
( ) Estabilidade do ciclo hidrológico e da temperatura média do globo 
terrestre (mudança nos padrões das chuvas, dos ventos, da tempera-
tura, da umidade etc.).
( ) Estabilidade da composição da atmosfera (queimadas, inversão térmica, 
efeito estufa, concentração de poluentes etc.).
( ) Equilíbrio do sistema de sustentabilidade espacial e econômica.
A sequência correta é:
a. V, F, F, V, F.
b. F, F, V, V, F.
c. V, F, V, F, V.
d. F, V, F, V, F.
4. No que se refere aos significados de estabilidade, podemos dizer que:
i. Constância é a ausência de mudanças nos parâmetros do sistema 
ambiental, como, por exemplo, caça predatória, destruição de habitats 
e ação de novos predadores e competidores.
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Texto digitado
No caso de fenômenos geológicos, como otectonismo e o vulcanismo,nullos abalos sísmicos e as variações do nível do mar; na interferência donullhomem em acidentes ambientais naturais, como o escorregamentonullde solo, a erosão e as enchentes; no uso de tecnologias de disposiçãonullde resíduos sólidos.
118
ii. Amplitude é a velocidade com a qual um sistema ambiental retorna 
a seu estado anterior após uma perturbação, podendo ser comparada 
a modelos matemáticos.
iii. Estabilidade cíclica é a propriedade que tem um sistema ambiental 
para alterar algum ponto ou zona final, apesar das diferenças no ponto 
de partida.
iv. Persistência consiste na capacidade que um sistema ambiental tem 
para resistir às perturbações externas.
Com base nas informações anteriores, podemos dizer que:
a. somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. somente as afirmativas II e III estão corretas.
c. somente as afirmativas I e IV estão corretas.
d. Nenhuma das alternativas anteriores.
5. Assinale as alternativas corretas.
a. A gestão ambiental se impõe como fator de relevância para o equilíbrio 
socioambiental.
b. O ecocentrismo é um processo de construção de valores éticos, para a 
construção da cidadania, e o conflito de tal abordagem reside no fato 
de seu processo agir apenas no nível global.
c. Com base na valorização da vida, surgem novas perspectivas, novos 
parâmetros que fundamentam a gestão ambiental, na busca por um 
equilíbrio entre, de um lado, a preservação de traços socioambientais 
particulares e regionais e, de outro, o processo de interação global.
d. A gerência ambiental caracteriza a administração voltada para o en-
frentamento das questões relacionadas com o meio ambiente, o que, 
por sua vez, implica abordar as conexões que se estabelecem com áreas 
diversas das tecnologias e das ciências, bem como com os parâmetros 
advindos da legislação ambiental.
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Impactos ambientais
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • A concepção de AIA, EIA e Rima;
 • A fundamentação legal da aplicação da AIA, do EIA e da elaboração do 
Rima;
 • Ferramentas para realização do EIA e da AIA.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • conhecer a fundamentação legal que viabiliza a gestão socioambiental;
 • definir o que é o AIA, o EIA e o Rima, no âmbito da gestão ambiental;
 • identificar a área de aplicação desses instrumentos de avaliação, de estudo 
e de elaboração de pareceres sobre o meio;
 • identificar a necessidade de projetos multidisciplinares para a gestão 
ambiental;
 • descrever as áreas de utilização e os procedimentos necessários para os 
estudos e avaliação ambiental;
 • definir o impacto ambiental, os indicadores, os bioindicadores e os mé-
todos geofísicos;
 • caracterizar os impactos ambientais;
 • elaborar um Rima.
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O s i m p a c t o s a m b i e n t a i s s ã o o c a s i o n a d o s p o r c h o q u e s 
de interesses diretos ou indiretos, envolvendo o homem e a natureza. Esses con-
frontos são classificados como positivos ou negativos, diretos ou indiretos, oca-
sionais ou permanentes, locais ou globais. Nesse embate, desmatamentos, quei-
madas, erosão, aumento ou redução da camada de ozônio*, efeito estufa, inversão 
térmica e poluição são as consequências mais graves. Diante desse quadro, surge 
a necessidade de estudarmos, conhecermos e aplicarmos determinados princí-
pios, técnicas e também recorrer a dispositivos legais para a efetividade da gestão 
ambiental (Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EIA, Avaliação de Impacto 
Ambiental – AIA, Relatório de Impacto Ambiental – Rima e outros). Por essa 
razão, esses aspectos devem ser abordados pela perspectiva da representação 
do fenômeno dos impactos ambientais relacionados a diversas áreas de estudo.
A aplicação da política ambiental, no Brasil, encontra-se essencialmente 
baseada em dispositivos legais.
Consultando a legislação
No Brasil, o gestor ambiental encontra na Resolução Conama n. 001/1986 
(Brasil, 1986c) o parâmetro legal que indica a forma de avaliar o impacto am-
biental, expressão cujo conceito é apresentado nessa mesma resolução:
Art. 1º Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental qualquer alte-
ração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada 
por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas 
que, direta ou indiretamente, afetam:
I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II – as atividades sociais e econômicas;
* Ozônio: é uma variedade de oxigênio composta por três átomos. Apresenta-se sob a 
forma de um gás azulado e de odor acre, que ocorre naturalmente na atmosfera, a 22 
quilômetros do solo. Esse “filtro” protege o planeta contra a ação direta dos raios solares, 
garantindo, assim, a vida na superfície terrestre. A destruição do ozônio pela emissão 
de clorofluorocarboneto (CFC) afeta a camada, que diminui ao ritmo de 4% por década, 
aumentando a radiação dos raios UVA e UVB, responsáveis pelos dois tipos de câncer 
de pele mais comuns: os carcinomas baso e espinocelular. Calcula-se que 900 mil casos 
dessa doença tenham surgido no Brasil nos últimos anos.
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III – a biota;
IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
V – a qualidade dos recursos ambientais. 
5 . 1 I m p a c t o a m b i e n t a l : 
p r o c e d i m e n t o s e r e g u l a m e n t a ç õ e s
C o m o o b j e t i v o d e e l u c i d a r m o s a o p e r a c i o n a l i z a ç ã o 
dos procedimentos estabelecidos para organizar a gestão ambiental, vamos fazer 
algumas inferências em relação ao uso e à finalidade de alguns instrumentos 
reguladores, pois toda atividade poluidora, ou que apresente a possibilidade 
de sê-lo, necessita de autorização da autoridade ambientalcompetente para se 
estabelecer. Por esse motivo, apresentamos um breve resumo dos principais do-
cumentos inseridos no processo de estudo de impacto ambiental.
Figura 5.1 – Documentos de estudo do impacto ambiental
Relatório de Impacto de VizinhançaEstudo de Impacto de Vizinhança
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA): foi instituída pela Lei Federal 
n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b), que estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA) e definiu, em seu art. 9º, alínea III, a AIA como um de seus instrumentos. 
A sua regulamentação deu-se por meio Decreto n. 99.274/1990, que designou como 
finalidade prática desse instrumento o seu uso pelos sistemas de licenciamento de 
atividades poluidoras ou modificadoras do meio ambiente, bem como as atividades 
ligadas às entidades ambientais dos governos estaduais (Brasil, 1990d).
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA): estão englobadas nesse estudo 
várias atividades de cunho técnico e científico, como o diagnóstico ambiental, 
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123
a identificação de fatores impactantes, a previsão e a medição de impactos, além 
da interpretação e da valoração de dados em relação a atividades impactantes, 
bem como a indicação de ações amenizadoras por meio de programas de moni-
toração de tais atividades. Inserem-se, portanto, no âmbito do EIA, os estudos 
indicativos das modificações que possam ser causadas por um projeto (obra ou 
atividade) sobre as características socioeconômicas e biofísicas do meio ambiente 
de forma significativa, ou seja, que tenha um potencial de degradação considerável.
O Relatório de Impactos Ambientais (Rima): constitui-se em um 
documento do processo de Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) e deve 
esclarecer todos os elementos do estudo (EIA), de modo que possam ser utili-
zados na tomada de decisões e divulgados para o público em geral (em especial, 
para a comunidade afetada). O Rima formaliza as conclusões do EIA, devendo 
conter a discussão dos impactos positivos e negativos.
Os EIAs e os respectivos Rimas servem para estabelecer a avaliação de im-
pacto ambiental como preconizado na AIA. Estes são instrumentos de política 
ambiental formados por um conjunto de procedimentos que tem como objetivo 
assegurar o desenvolvimento de projetos. Faz parte do processo de otimizar as 
decisões, de proporcionar uma retroalimentação contínua entre as conclusões e 
a concepção da proposta (projeto, programa, plano ou política).
Nesse contexto das avaliações ambientais com os instrumentos propostos 
pelo EIA/Rima, devemos ter em mente quais são os impactos ambientais de 
um empreendimento, bem como o seu significado, considerando o que diz a 
Resolução do Conama n. 001/1986, em seu art. 1º, conforme citação no início deste 
capítulo; devemos, portanto, levar em conta as características ali apresentadas.
A abrangência do EIA deve considerar os processos biogeoquímicos como 
transformadores da crosta terrestre (duração, forma, extensão, causas, conse-
quências etc.), dentro do uso e da apropriação dos espaços urbano e rural pelas 
atividades humanas.
5 . 1 . 1 Aval ia ção de Impacto Ambienta l (AIA)
C o m o j á f o i d i t o , a A I A s u r g i u n o B r a s i l c o m o a d -
vento da Lei Federal n. 6.938/1981, que criou a PNMA, que, por sua vez, dispõe 
sobre os fins e os mecanismos de formulação e de aplicação dessas políticas. Nesse 
período, ainda não estava muito claro para os empreendedores o funcionamento 
e a aplicação dos dispositivos legais em relação aos impactos e aos empreendi-
mentos que se sujeitam a essa lei. Com o tempo, outras ferramentas de caráter 
legal foram adequando-se ao modelo de desenvolvimento adotado, e as normas 
ambientais foram ampliadas com:
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 • a Resolução do Conama n. 001/1986 – que estabelece diretrizes, con-
forme declara no preâmbulo do documento: “Considerando a necessidade 
de se estabelecerem as definições, as responsabilidades, os critérios básicos 
e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação de Impacto 
Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio 
Ambiente”. Portanto, constitui-se em um manual da AIA;
 • a Resolução do Conama n. 237/1997 – que elabora uma lista de empreen-
dimentos em relação à licença ambiental, pois revisa procedimentos e crité-
rios, incorpora instrumentos de gestão ambiental, regulamenta, estabelece 
competências e se manifesta em relação à necessidade de “ação integrada” 
entre os órgãos do Sisnama na execução da PNMA (Brasil, 1997g);
 • a Resolução Sema n. 031/1998 (Estado do Paraná) – que estabelece 
normas para a licença ambiental no que se refere a empreendimentos mi-
nerários, ou seja, licença prévia, de instalação, de operação e de renovação 
de licença de operação (também outros estados dispõem de resoluções 
similares) (Brasil, 1998i).
Além disso, foram criados, nas esferas governamentais (federal, estadual e 
municipal), processos de instrumentalização para o licenciamento ambiental 
(iniciativa privada), bem como procedimentos estatísticos.
5 . 1 . 2 Leg i s la ção brasi l e ira e ge stão ambienta l
F o i e m f u n ç ã o d a s e x i g ê n c i a s p r o v e n i e n t e s d e ó r g ã o s 
financiadores internacionais que se instituiu a AIA no Brasil (acompanhando a 
tendência mundial da década de 1980); esse instrumento, portanto, não repre-
sentava uma postura de conscientização em relação aos fatores ambientais. Mais 
tarde, ela passou a compor as informações fornecidas aos sistemas de licencia-
mento ambiental e, posteriormente, foi incorporada à PNMA na sua execução.
Os marcos fundamentais da legislação ambiental no Brasil foram:
1. Decreto n. 73.030/1973 (Brasil, 1973) – criou a Secretaria Especial do Meio 
Ambiente (Sema – não confundir com as secretarias estaduais do meio 
ambiente com a mesma sigla).
2. Lei n. 6.803/1980 (Brasil, 1980b) – instituiu o zoneamento industrial e 
incorporou a avaliação de impacto ambiental ao licenciamento industrial.
3. Lei n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b) – instituiu a Política Nacional do Meio 
Ambiente (PNMA).
4. Decreto n. 88.351/1983 (Brasil, 1983b) – regulamentou a Lei n. 6.938/1981.
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5. Lei n. 7.347/1985 (Brasil, 1985) – importante instrumento na socialização 
da gestão ambiental, ela instituiu a ação civil pública contra os danos ao 
meio ambiente.
6. Resolução Conama n. 001/1986 – regulamentou e disciplinoua avaliação 
de impactos ambientais.
7. Constituição Federal de 1988 (Brasil, 1988a) – dedicou um capítulo 
(art. 225, parágrafo 1º, inciso IV) ao meio ambiente, no qual determina que 
o Poder Público deve exigir, na forma da lei, para a instalação de obra ou 
atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio 
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade.
8. Decreto n. 99.274/1990 (Brasil, 1990d) – novo regulamento que abrangeu 
as Leis n. 6.902/1981 (Brasil, 1981a) e n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b), as quais 
definem os parâmetros para a criação de estações ecológicas e áreas de 
proteção ambiental e direcionam a Política Nacional do Meio Ambiente, 
respectivamente.
9. Criação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) pela Lei n. 8.490/1992 
(Brasil, 1992) – o qual passou por sucessivas alterações no nome e no âm-
bito das competências e das estruturas organizacionais.
10. Decreto n. 6.101/2007 (Brasil, 2007a) – estabeleceu a atual estrutura re-
gimental, a natureza e as competências do MMA.
Consultando a legislação
A Resolução Conama n. 001/1986 contém os elementos básicos dos EIA/
Rima. De acordo com seu art. 5º, o EIA deve:
I – Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de 
projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto;
II – Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados 
nas fases de implantação e operação da atividade;
III – Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente 
afetada pelos impactos, denominada “área de influência do projeto”, con-
siderando, em todos os casos, a bacia hidrográfica* na qual se localiza;
IV – Considerar os planos e programas governamentais, propostos e 
em implantação na área de influência do projeto, e sua compatibilidade.
No seu art. 6°, consta que o EIA desenvolverá, no mínimo, as atividades técni-
cas que listamos a seguir:
* Bacia hidrográfica: área de terra drenada por um determinado curso d’água e 
seus tributários, e que é limitada perifericamente pelos divisores de água.
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I – Diagnóstico ambiental* da área de influência do projeto, completa 
descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como 
existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da 
implantação do projeto, considerando: 
a. o meio físico – o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos 
minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o 
regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas;
b. o meio biológico e os ecossistemas naturais – a fauna e a flora, des-
tacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor 
científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de 
preservação permanente;
c. o meio socioeconômico – o uso e ocupação do solo, os usos da água 
e a socioeconomia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, 
históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência en-
tre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização 
futura desses recursos.
 II – Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, 
através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da im-
portância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos 
positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos 
e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de rever-
sibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos 
ônus e benefícios sociais.
 III – Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre 
elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, 
avaliando a eficiência de cada uma delas. 
 IV – Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os 
impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem 
considerados).
A análise atenta desses dois artigos nos fornece um panorama abrangente, ao 
mesmo tempo em que faz uma descrição detalhada dos aspectos envolvidos no 
EIA e cuja aplicação é imprescindível para a gestão socioambiental. Por exemplo: 
a construção de uma usina hidrelétrica, que, além de alterar o ecossistema local, 
promove um aumento de algas (estas funcionam como bioindicadores), pois a 
massa biológica que ficou submersa com o enchimento do lago causa a redução 
* Diagnóstico ambiental: consiste no conhecimento e na interpretação da interação 
e da dinâmica do estado ambiental em uma determinada área, relacionando-o 
aos fatores abióticos, bióticos e antrópicos.
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do oxigênio e o aumento de temperatura da água, o que aumenta, consequen-
temente, a população desses organismos. É um impacto visível, porém pode ser 
mitigável, ou seja, existem mecanismos técnicos para minimizar o nível desse 
impacto. Nesse contexto, a aplicação dos procedimentos do EIA, bem como da 
elaboração da Rima, constituem-se em instrumentos viabilizadores da gestão 
socioambiental.
5 . 1 . 3 Classi f i cação dos impactos
A c l a s s i f i c a ç ã o d o s i m p a c t o s a m b i e n t a i s d e v e c o n t e m -
plar aspectos ecológicos, sociais, culturais e econômicos, considerando os pres-
supostos da sustentabilidade. Nesse contexto, impactos sobre os elementos so-
cioeconômicos do meio ambiente são, geralmente, identificados como:
 • desapropriações;
 • situação populacional;
 • núcleos populacionais;
 • atividades econômicas;
 • infraestrutura regional;
 • saúde pública;
 • educação;
 • recreação e lazer;
 • patrimônio paisagístico, cultural, histórico e arquitetônico.
Devemos destacar que, durante esse processo de classificação e de identi-
ficação dos impactos ambientais, surge a necessidade de nos valermos do uso 
dos documentos já elencados, relacionados ao EIA; no entanto, quando da elabo-
ração de documentos para o estudo dos impactos ambientais, existem situações 
em que eles se tornam inadequados, porque apresentam características que os 
desclassificam. Alguns exemplos são os documentos viciosos, os sem conteúdo 
científico ou, ainda, os com informações escassas:
 • Documentos viciosos – trazem informações distorcidas, em razão de 
interesses financeiros da consultoria, a qual mantém acordo com o em-
preendedor; sendo assim, o documento perde a imparcialidade própria de 
uma análise técnica e científica, pois os dados irão favorecer o empreen-
dedor em detrimento do meio ambiente.
 • Documentos sem conteúdo científico (sem dados primários) – são 
produzidos pela denominada indústria de Rimas. Nesses documentos, 
constam apenas dados secundários (muitas vezes não relacionados) sobre 
o empreendimento e o meio ambiente.
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 • Documentos com informação insuficiente – desconexas, evasivas e sem 
abrangência, as informações sobre o empreendimento e o meio ambiente 
neles contidas não preenchem todos os requisitos, pois são insuficientes. 
Revelam falta de capacitação técnica da equipe e/ou recursos insuficientes 
para a realização das pesquisas, das análises e dos estudos.
Salientamos o fato de que os documentos são os mesmos, o que os torna ade-
quados ou inadequados são os processos ou os procedimentos durante sua elabo-
ração. Se no processo de elaboração forem observados os princípios éticos e cien-
tíficos, os documentos (relatórios e análises) serão adequados para a classificação 
e a identificação dos impactos ambientais.
5 . 1 . 4 Diag nóst i co ambienta l
O d i a g n ó s t i c o a m b i e n t a l é r e a l i z a d o c o m b a s e n a a n á -
lise da totalidade de dados do Rima; podemos também dizer que ele ocorre 
após a avaliação de todas as variáveis do geossistema estudado. Assim, abrange:
 • a descrição e a análise dos componentes de um ambiente, bem como as 
suas interligações, relatando a condição ambiental da área de influência;
 • as variáveis sujeitas a impactos, diretos ou indiretos, cujos efeitos sejam 
altamente expressivos em função de atividades, quer seja no planejamento, 
na implantação, na operacionalização ou, ainda, na desativação destas;
 • a apresentação de um quadro de informações cartográficas em escalas 
compatíveis, utilizando, em sua elaboração, dados ambientais (físicos, 
biológicos, sociais, econômicos e culturais), e orientando os métodos pró-
prios para a análise desses processos com o propósito de caracterizar 
as inter-relações estabelecidas entre os elementos integrantes da biota 
(abióticos e antrópicos) do sistema a ser atingido pela obra ou atividade;
 • a identificação das tendências evolutivas dos fatores mais importantes 
para caracterizar a interferência (impacto).
Nesse processo, fazemos a caracterização do meio físico pelas condições ex-
pressas pelo clima e pelas condições meteorológicas da área potencialmente utili-
zada do empreendimento, bem como pela qualidade do ar e dos níveis de ruídos 
na região, além das características geológicas e dos recursos hídricos (bacia hidro-
gráfica, hidrogeologia, oceanografia física, qualidade do uso da água, entre outros).
Já a caracterização do meio biológico ocorre pela observância da caracte-
rização e análise dos ecossistemas terrestres, aquáticos e de transição da área de 
influência do empreendimento; pela descrição da cobertura vegetal, do mapea-
mento temático, dos indicadores da qualidade do ar, da umidade e da perturbação 
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do solo; bem como pela descrição geral das inter-relações fauna-flora; além do 
inventário de espécies por ecossistema, seus sítios de reprodução, territórios e 
áreas de ocorrência.
O meio antrópico é caracterizado, no processo do diagnóstico ambiental, por 
vários fatores e implica uma complexidade própria da atividade humana. Entre 
os aspectos indicativos e descritivos desse meio, encontra-se:
 • distribuição, densidade e dinâmica populacional, mapa de localização das 
aglomerações urbanas e rurais, taxa de crescimento demográfico;
 • aspectos do uso e de ocupação do solo, e estrutura fundiária (zoneamento);
 • quadro referencial do nível de vida;
 • dados sobre a estrutura produtiva e de serviços;
 • organização social da área de influência.
Uma vez ciente de tais caracterizações, para a elaboração do diagnóstico, a aná-
lise dos impactos ambientais segue uma série de procedimentos, quais sejam:
 • identificação, valoração e interpretação dos prováveis impactos ambientais 
nas fases de planejamento, implantação, operação e desativação, sobre os 
meios físicos, biológicos e antrópicos;
 • avaliação dos impactos: diretos e indiretos; benéficos e adversos; tem-
porários, permanentes e cíclicos; imediatos e de médio e longo prazo; 
reversíveis e irreversíveis; locais e estratégicos;
 • dimensionamento da magnitude, da abrangência e da interpretação da 
importância de cada um dos impactos.
O resultado dessa análise, seguindo os passos apresentados, resulta 
no documento denominado Prognóstico da qualidade ambiental da área 
de influência, o qual possibilita a prescrição de medidas mitigadoras e de 
procedimentos para os impactos.
As medidas mitigadoras devem explicitar os procedimentos que visam mini-
mizar os impactos adversos quanto:
 • à natureza (preventiva ou corretiva);
 • à fase do empreendimento;
 • aos fatores ambientais (físico, biológico ou socioeconômico);
 • ao prazo de permanência (curto, médio ou longo);
 • ao responsável pela medida (empreendedor, Poder Público e outros).
Esses processos de minimização dos impactos ambientais, para serem 
efetivos, devem ser monitorados. As medidas que permitem esse monito-
ramento são:
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 • indicação e justificativa dos parâmetros selecionados para avaliação dos 
impactos;
 • análise de rede de amostragem, dimensionamento e distribuição espacial;
 • uso de métodos de coleta e análise de amostras, parâmetros e periodização;
 • elaboração e observação do quadro da evolução dos impactos ambientais, 
considerando as fases do empreendimento.
Não devemos nos esquecer, nesse processo de pesquisa e de avaliação, da 
importância de se buscar informações referentes ao Estudo de Impacto de 
Vizinhança (EIV) e ao Relatório de Impacto de Vizinhança (Rivi), determinado 
pelo Estatuto das Cidades (Lei n. 10.257/2001). Aqueles instrumentos (estudo e 
documento) não são de caráter obrigatório, mas são necessários em empreendi-
mentos onde haja uma comunidade atingida diretamente pelos aspectos neles 
levantados e relatados.
5 . 1 . 5 Re latór io de Impacto Ambienta l (Rima)
O R i m a é o r e s u l t a d o d e t o d a s a s p e s q u i s a s e d i s c u s s õ e s 
técnicas encontradas no EIA, obedecendo ao disposto na Resolução Conama 
n. 001/1986. No texto do art. 9º dessa resolução, são definidos a finalidade e o 
conteúdo do Rima.
Consultando a legislação
Art. 9º [...] O Rima deve conter, no mínimo: 
 I – Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade 
com as políticas setoriais, planos e programas governamentais;
 II – A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, 
especificando para cada um deles, nas fases de construção e operação, a 
área de influência, as matérias-primas, e mão de obra, as fontes de ener-
gia, os processos e técnica operacionais, os prováveis efluentes,emissões, 
resíduos de energia, os empregos diretos e indiretos a serem gerados;
 III – A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da 
área de influência do projeto;
 IV – A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e 
operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os hori-
zontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os métodos, técnicas 
e critérios adotados para sua identificação, quantificação e interpretação;
 V – A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, 
comparando as diferentes situações da adoção do projeto e suas alterna-
tivas, bem como com a hipótese de sua não realização;
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 VI – A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas 
em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não pude-
ram ser evitados, e o grau de alteração esperado;
 VII – O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos;
 VIII – Recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões 
e comentários de ordem geral).
Além disso, deve constar no relatório a composição da equipe técnica res-
ponsável pela sua elaboração: nome, título e registro profissional. E, no tocante 
aos elementos constitutivos do texto, no parágrafo único do art. 9º fornece uma 
importante explicação da forma de estruturação prevista para o Rima.
Consultando a legislação
Resolução Conama n. 001/1986, art. 9º, parágrafo único:
O RIMA deve ser apresentado de forma objetiva e adequada à sua compreensão. 
As informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por ma-
pas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo 
que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas 
as consequências ambientais de sua implantação. 
Já no art. 11 da referida resolução, são definidos os critérios éticos e de publi-
cação do relatório:
Respeitado o sigilo industrial, assim solicitando e demonstrando pelo in-
teressado, o RIMA será acessível ao público. Suas cópias permanecerão 
à disposição dos interessados, nos centros de documentação ou bibliotecas 
da SEMA e do órgão estadual de controle ambiental correspondente, in-
clusive o período de análise técnica.
Como você pode deduzir, pela riqueza de detalhes, esse relatório constitui-se 
no documento que registrará, ou seja, espelhará os levantamentos e as análises 
realizados na área de instalação de determinado projeto. Apresenta a sua via-
bilidade e as correções necessárias, bem como as condições ambientais atuais e 
futuras, oriundas da instalação de tal projeto, o que pode significar a recomen-
dação para a sua não instalação.
Para saber mais
Se você estiver envolvido com as práticas da gestão ambiental, é interessante 
acessar o site do Conama. Lá encontram-se todas as resoluções deste órgão, 
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inclusive as de 2011. Essa leitura é importante, pois irá mantê-lo atualizado e 
fornecer detalhes técnicos fundamentais do processo.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conama. Resoluções. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/port/conama/legiano.cfm?codlegitipo=3>. Acesso em: 1º set. 2011.
5 . 2 C o m o r e c o n h e c e r o s i m p a c t o s
S e r á q u e p o d e m o s r e c o n h e c e r o s i m p a c t o s a m b i e n t a i s 
sem que sejam conhecidos os processos que os produziram? Que processos 
são esses? E, afinal, quais são os seus elementos constituintes?
Embora reconheçamos que seja difícil conceituar os impactos ambientais 
provocados por um projeto (âmbito da ação antrópica), destacamos que, de 
acordo com Bolea (citado por La Rovère, 2001), são eles “a diferença entre a situa- 
ção do meio ambiente (natural e social) futuro, modificado pela realização de 
um projeto, e a situação do meio ambiente futuro tal como teria evoluído sem o 
projeto”, por nos parecer esta definição concisa e aplicável.
Podemos dizer que os elementos constituintes dos impactos ambien-
tais são:
 • relações dinâmicas entre os processos sociais e ecológicos;
 • estrutura dos indicadores de primeiro nível (origem direta), de segundo 
e de terceiro níveis (origem indireta);
 • aspectos ecológicos e socioeconômicos.
Nesse contexto, entre as alternativas de análise para avaliar as condições 
do meio, sugerimos a utilização de bioindicadores de poluição, os quais são 
organismos vivos que reagem em ambientes poluídos ou degradados, possibili-
tando a verificação do impacto ambiental, sua magnitude e amplitude, e podem 
confirmar ou não o dano ambiental.
Quando falamos de indicadores ambientais, estamos nos referindo a fatores 
que decorrem de “estatísticas selecionadas que representam ou resumem alguns 
aspectos do estado do meio ambiente, dos recursos naturais e de atividades hu-
manas relacionadas” (Brasil, 2011d).
5 . 2 . 1 Bio indicadore s
O s b i o i n d i c a d o r e s ( o r g a n i s m o s , o u c o m u n i d a d e d e 
 organismos) constituem-se em importante ferramenta nos processos de ava-
liação ambiental, pois, uma vez que reagem perante as alterações do meio onde 
estão inseridos com a modificação de suas atividades vitais normais e/ou de sua 
composição química, eles possibilitam a elaboração de conclusões a respeito das 
condições ambientais.
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O uso de bioindicadores permite verificar várias condições referentes 
ao ambiente analisado. Entre elas:
 • a verificação do impacto da poluição, pois somente bioindicadores con-
seguem provar que um determinado poluente, ou mistura de poluentes, 
realmente provoca um determinado efeito;
 • a integração de todos os fatores endógenos* de uma planta que podem 
influenciar a resposta à poluição, como o estágio de desenvolvimento e a 
idade dessa planta, a resistência de espécies e variedades, possibilitando 
a delimitação de populações de risco;
 • a integração de todos os fatores externos, como condições climáticas e 
edáficas**, a ocorrência de outros poluentes ao mesmo tempo ou a concor-
rência entre espécies, características que viabilizam a avaliação de efeitos 
sinérgicos e aditivos;
 • a detecção de estresse crônico por níveis baixos de poluição atuando por 
períodos prolongados.
Em função das características apresentadas, ou seja, por serem indicativos bio-
lógicos de uma determinada condição ambiental, os bioindicadores são aptos a:
 • provar o impacto da poluiçãosobre um ecossistema;
 • fornecer informações sobre as causas de efeitos observados no ecossistema; 
 • demonstrar a distribuição espacial e temporal do impacto;
 • fornecer dados sobre um potencial risco para a flora, a fauna e a popula-
ção humana.
Os bioindicadores, em razão dessas propriedades, representam uma 
dentre as várias ferramentas úteis para você implantar um sistema de ges-
tão ambiental. Nesse âmbito, considerando ainda a importância de se manter a 
estabilidade do meio ambiente e diante da série de agressões às quais esse mesmo 
meio está sujeito, é possível definir as principais áreas de utilização desses indi-
cadores ambientais. Entre elas, destacam-se:
 • o monitoramento de fontes de emissão*** singulares;
 • o controle da eficiência de medidas técnicas para a redução de emissões;
 • as redes de monitoramento regionais, nacionais e internacionais em áreas 
urbanas e industriais;
 • o monitoramento global e em áreas remotas;
* Endógeno: proveniente do interior ou produzido pelo interior.
** Edáfico: relativo ao solo.
*** Emissão: lançamento de descargas na atmosfera.
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 • os estudos de impactos ambientais (EIA);
 • o controle da qualidade do ar dentro de moradias e de instalações 
industriais.
No âmbito das pesquisas e projetos, devemos destacar que há exemplos de 
estudos com bioindicadores nativos ou tradicionalmente cultivados na América 
do Sul. No entanto, há muito a ser realizado em relação aos impactos ambientais 
com a utilização desses indicadores em pesquisas e projetos, como:
 • melhorar o intercâmbio de grupos de trabalho;
 • criar um banco de dados relativo ao impacto da poluição e à sensibilidade 
versus a resistência de espécies nativas e/ou cultivadas;
 • intensificar os estudos experimentais, incluindo estudos de campo.
Para esses procedimentos de avaliação ambiental, consideramos três 
grupos de organismos: os de apontadores e indicadores ecológicos, os de 
testes e os de monitores:
1. Organismos apontadores e indicadores ecológicos – indicam o im-
pacto da poluição pelas mudanças no tamanho de sua população ou por 
sua existência ou desaparecimento sob certas condições ambientais. Isso 
acontece, por exemplo, com as algas, que, em ambientes poluídos, podem 
aumentar de quantidade.
2. Organismos testes – são indicadores cuja característica principal é a de 
serem altamente padronizados, utilizados em testes (bioensaios) em labo-
ratórios toxicológicos e ecotoxicológicos, tais como a Daphnia, a Lemna 
e a Tradescantia, que são utilizados em testes de toxicidade.
3. Organismos monitores (biomonitores) – mostram, qualitativa e quan-
titativamente, o impacto da poluição ambiental sobre os organismos vivos. 
São utilizados para o monitoramento da qualidade do ar ou da água, como, 
por exemplo, musgos, liquens, trevos, entre outros, pois esses organismos 
perdem aspectos de qualidade, bem como podem reduzir ou aumentar o 
seu número ou mesmo extinguirem-se em ambientes poluídos. Os liquens, 
quando em ambientes urbanos, podem ser completamente extintos pelos 
gases poluentes despejados no ar.
Existe, na área da gestão ambiental, a necessidade de a gerência realizar 
projetos multidisciplinares (contando com biólogos, químicos, geofísicos etc.) 
nos quais haja a cooperação entre os pesquisadores, projetos de pesquisas do 
acompanhamento do desenvolvimento industrial e urbano para estabelecer pa-
râmetros de sensibilidade do meio, da percepção e da reação dos bioindicadores.
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5 . 2 . 2 Métodos geof í s i cos
N e s s e c e n á r i o m u l t i d i s c i p l i n a r d a t e c n o l o g i a c o m o 
instrumento de suporte para o enfrentamento dos impactos ambientais, a 
geofísica ambiental também constitui-se em uma ferramenta respeitada, princi-
palmente, na elaboração de estudos e diagnósticos. Nesse trabalho, ela é utilizada 
em várias situações, como nas investigações confirmatórias, nas investigações de 
passivos ambientais e nas averiguações dos níveis de contaminação dos solos. Os 
objetivos desses procedimentos consiste em verificar, entre outros:
 • a resistência à penetração oferecida pelo solo;
 • o atrito lateral e a permeabilidade do subsolo;
 • o nível do lençol freático;
 • a pressão de infiltração de um líquido no subsolo.
A notoriedade dos métodos geofísicos na área ambiental deve-se também ao 
fato de essa tecnologia, e o seu manejo, estarem em sintonia com pressupostos 
fundamentais da gestão ambiental, bem como da visão biocêntrica. Isso porque 
utiliza procedimentos que, além de possibilitarem ações em tempo redu-
zido, são não invasivos, limpos e não produzem resíduos.
Em relação a esses atributos, podemos observar que as características dos 
equipamentos utilizados constituem-se em fatores que possibilitam tais resul-
tados operacionais. Em geral, eles são portáteis, leves e apresentam alta produ-
tividade e grande resolução; consequentemente, o impacto ambiental é mínimo 
quando do uso dos métodos geofísicos nas questões ambientais.
S í n t e s e
P a r a c o n h e c e r o i m p a c t o a m b i e n t a l e a s u a p r o p o r c i o -
nalidade, devemos entender seus mecanismos causadores; assim, um dos proce-
dimentos adotados é a avaliação preliminar. A partir da AIA, o profissional terá 
um instrumento de avaliação no qual poderá estabelecer a duração, a forma, a 
extensão, a causa e as consequências de tais impactos sobre o meio ambiente e as 
atividades humanas. O conhecimento desses fatores possibilita definir estraté-
gias para a recuperação ambiental de áreas impactadas. Nesse sentido, podemos 
observar que os impactos ambientais ocorrem pelo confronto direto ou indireto 
entre o ser humano e a natureza. Assim, percebemos que inúmeros empreendi-
mentos possuem impactos significativos.
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Q u e s t õ e s p a r a r e f l e x ã o
C r i s t i n a Á v i l a ( 2 0 1 1 ) i n f o r m a , n o t e x t o I n v e n t á r i o v a i 
indicar fontes de emissões por poluentes orgânicos persistentes, entre outras coisas, que:
A queima de lixo ou de pneus a céu aberto causa mais do que a 
poluição do ar. Esses tipos de combustão geram dioxinas e furanos – 
substâncias que provocam doenças como o câncer nas pessoas e 
também afetam a vida silvestre. A preocupação é internacional e 
está explícita na Convenção de Estocolmo, que trata dos Poluentes 
Orgânicos Persistentes(POPs) e já foi ratificada pelo Brasil. [...]
Além da queima de pneus e lixo, esses poluentes provêm de vá-
rios meios, como, por exemplo, da produção de cimento e de pa-
pel. Persistentes, são capazes de entrar na cadeia alimentar sem 
se degradar. Isso significa que podem passar de uma planta para o 
animal que a come.
Uma pesquisa realizada em dez cidades do País, pela Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2001, constatou ní-
veis acima da média aceitável de dioxinas e furanos no leite de mães 
em Cubatão, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Índices 
próximos à média foram encontrados em Caapora (PB), Belém 
(PA), São Paulo (SP) e Fortaleza. Níveis mais baixos ficaram em 
Brasília (DF) e Recife (PE).
Dioxinas e furanos são produzidos de modo involuntário, com a 
combinação de carbono, oxigênio, hidrogênio, cloro, em tempera-
turas abaixo de 800°C (para se ter uma ideia, um forno doméstico 
chega a 300°C). Produzem-se inclusive em processos de aquecimento 
e resfriamento. As substâncias viajam pelo planeta, por meio e cor-
rentes de ar, rios ou oceanos. Já foram encontradas em animais que 
vivem em ambientes teoricamente livres de poluição, como ursos no 
Ártico e pinguins do Polo Sul. [...]
Como o tema abrange outras áreas além da ambiental, foi criado 
um grupo interinstitucional que vai avaliar o texto do inventário 
a ser apresentado pelo MMA em maio. Representantes de áreas 
como saúde, indústria, comércio, ciência, trabalho e agricultura vão 
se encontrar na sede do próprio ministério. Eles terão a companhia 
de Heidelore Fiedler, especialista que faz parte do secretariado da 
Convenção de Estocolmo. [...]
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1. Se você considerar, como vimos em nosso estudo, que entre os elementos 
constituintes dos impactos ambientais encontramos as relações dinâmicas 
entre os processos sociais e ecológicos, e os aspectos ecológicos e socioeco-
nômicos, pode dizer que nos fatos relatados tais fatores estão presentes? 
Você já detectou a presença dessas interações em alguma situação do 
ambiente em que, vive ou já havia pensado sobre isso?
2. Também verificamos que entre os elementos constituintes dos impactos 
ambientais, devemos detectar a estrutura dos indicadores de origem di-
reta e de origem indireta. No presente relato de Ávila (2011), eles são um 
fato. Isso fica claro quando a autora se refere à série de consequências 
desencadeada pela queima de pneus. Como relatado, além da poluição do 
ar (indicadores de origem direta), várias outras contaminações de origem 
indireta, por exemplo, a comprovação da presença de dioxinas e de furanos 
no leite de mães (origem indireta) de várias regiões de nosso país. Você já 
observou ou teve informações de fatos análogos a esse? Como você vê o 
enfrentamento de tais situações? Na sua opinião, a nossa legislação está 
sendo devidamente aplicada? Justifique sua resposta.
Q u e s t õ e s p a r a r e v i s ã o
1. Defina impacto ambiental de acordo com a Resolução do Conama 
n. 001/1986.
2. Quais são os principais textos da legislação ambiental no Brasil que de-
terminaram a aplicação da AIA?
3. Segundo a Resolução Conama n. 001/1986, art. 6°, o EIA realiza deter-
minadas atividades. Assinale “V” para as proposições verdadeiras e “F” 
para as falsas:
( ) Desenvolve análises dos impactos ambientais do projeto e de suas 
alternativas, por meio da identificação, da previsão da magnitude e 
da interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, 
discriminando os impactos positivos e negativos, diretos e indiretos, 
imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu 
grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a 
distribuição dos ônus e dos benefícios sociais.
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Texto digitado
V
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Texto digitado
Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicasnulle biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma denullmatéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ounullindiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população,nullas atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticasnulle sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.
sousa
Texto digitado
Decreto n. 73.030/1973; Lei n. 6.803/1980; Lei n. 6.938/1981; Decretonulln. 88.351/1983; Lei n. 7.347/1985; Resolução Conama n. 001/1986;nullConstituição Federal de 1988; Decreto n. 99.274/1990; Lei n. 8.490/1992;nullDecreto n. 6.101/2007.
138
( ) Elabora o programa de acompanhamento e monitoramento dos im-
pactos positivos e negativos, indicando os fatores e os parâmetros a 
serem considerados.
( ) Define as medidas mitigadoras dos impactos positivos, avaliando a 
deficiência.
( ) Considera que, antes do projeto, é importante atentar para o meio 
físico (o subsolo, o ar, o clima etc.), o meio biológico e os ecossistemas 
naturais (a fauna, a flora) e o meio sociocultural (lazer, teatro etc.).
( ) Realiza o diagnóstico ambiental da área de influência do projeto.
Assinale a sequência correta:
a. V, V, F, F, V.
b. V, V, F, V, F.
c. V, F, V, F, V.
d. F, V, F, F, V.
4. Considerando o uso de bioindicadores, verifique a veracidade das afir-
mações a seguir.
i. Permite verificar o impacto da poluição: somente bioindicadores conse-
guem provar que um determinado poluente ou a mistura de poluentes 
realmente provoca efeito.
ii. Consegue fornecer dados somente sobre riscos à população humana.
iii. Consegue integrar todos os fatores externos, como condições climáti-
cas e edáficas, a ocorrência de outros poluentes ao mesmo tempo ou a 
concorrência entre espécies, características que viabilizam a avaliação 
de efeitos sinérgicos e aditivos.
iv. Consegue integrar todos os fatores endógenos da planta que podem ou 
não influenciar a resposta da poluição, como, por exemplo, os estágios 
de desenvolvimento e a idade desta.
v. Consegue integrar determinados fatores endógenos da planta que po-
dem influenciar a resposta da poluição, como, por exemplo, os estágios 
de desenvolvimento e a idade desta etc.
vi. Permite demonstrar dados espaciais e temporais do impacto.
Após a análise da veracidade, podemos afirmar que:
a. somente as alternativas II e V estão corretas.
b. somente as alternativas I, II, IV e VI estão corretas.
c. somente as alternativas I, III, IV e VI estão corretas.
d. somente as alternativas III e IV estão corretas.
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Texto digitado
F
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Texto digitado
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Texto digitado
V
sousa
Realce
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5. Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre o estudo de impacto ambiental.
i. O diagnóstico ambiental deve conter a descrição e a análise dos fatores 
ambientais e de suas interações.
ii. As informações cartográficas do diagnóstico ambiental não necessitam 
de escalas compatíveis.
iii. A caracterização do meio físico deve conter o clima e as condições 
meteorológicas da área potencialmente utilizada do empreendimento; 
qualidade do ar e níveis de ruídos na região; abundância relativa e 
absoluta de espécies, e descrição do forrageamento ótimo.
iv. A caracterização do meio biológico deve distinguir e analisar os ecos-
sistemas terrestres, aquáticos e de transição da área de influência do 
empreendimento.
v. Dados sobre a estrutura produtiva e de serviços estão diretamente 
relacionados com a caracterização do meio antrópico.
vi. O resultado da análise dos impactos ambientais gera o Prognóstico 
da qualidade ambiental da área de influência.
Assinale a sequência correta:
a. II, IV, V, VI. 
b. I, IV, V, VI. 
c. II, III, IV, V. 
d. III, IV, V, VI.
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c a p í t u l o 6
Instrumentos de proteção ao meio ambiente
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C o n t e ú d o s d o c a p í t u l o :
 • Aspectos fundamentais da proteção ambiental;
 • Evolução histórica da gestão ambiental no Brasil;
 • Licenciamento ambiental e sua função preservacionista;
 • Instrumentos multidisciplinares da gestão urbana.
A p ó s o e s t u d o d e s t e c a p í t u l o , v o c ê s e r á c a p a z d e :
 • entender a importância dos fatores legais, constitucionais e sociais que 
instrumentalizam a gestão ambiental;
 • conhecer a trajetória histórica do nosso PNMA;
 • visualizar o conjunto de medidas que provocaram os procedimentos de 
proteção ambiental;
 • identificar a necessidade e os passos do licenciamento ambiental;
 • compreender a importância da gestão ambiental urbana pelo viés da sus-
tentabilidade para a proteção ao meio ambiente.
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A base para a gestão ambiental encontra-
-se agregada aos dispositivos legais (leis, 
decretos, resoluções) e às políticas públi-
cas. É nesse contexto que vamos encontrar 
os instrumentos de normatização e de orien-
tação quanto à proteção ao meio ambiente. 
Constatamos, por exemplo, que com o ad-
vento da PNMA, pela Lei n. 6.938/1981 (Brasil, 1981b), houve um avanço no sis-
tema de gestão ambiental, sendo observado, naquele período, o crescimento em 
importância e em consistência da atuação estatal na proteção ao meio ambiente. 
Enquanto isso, com a Constituição de 1988 (Brasil, 1988a), houve uma mudança 
na cultura jurídica ambiental e a necessidade de se colocar em prática os ins-
trumentos de proteção ao meio ambiente por meio de procedimentos expressos 
nos documentos legais. 
Conferiu-se, assim, a ênfase ao licenciamento ambiental, instrumento que, 
até então, não era uma prática comum em todos os estados da Federação. Foi 
nesse contexto que os aspectos da gestão ambiental passaram a ser pensados e 
respeitados. Devemos ainda atentar para o fato de que, com o crescimento po-
pulacional, existiu e existe a necessidade de se estabelecer mecanismos para o 
ordenamento urbano, como instrumento de proteção ao meio ambiente.
Segundo Souza (2000), “A gestão ambiental encontra na legislação, na po-
lítica ambiental e em seus instrumentos e na participação da sociedade suas 
ferramentas de ação”. Logo, tudo o que foi discutido até agora se constitui em 
fundamentos ou instrumentos de proteção ao meio ambiente, partindo-se dos 
pressupostos do desenvolvimento sustentável.
Se você considerar esses fatores modificadores que comentamos nos pará-
grafos anteriores, como o avanço no sistema de gestão ambiental, a nova cultura 
jurídica ambiental, a necessidade de mecanismos para o ordenamento urbano sus-
tentável e a participação da sociedade, torna-se claro que o gestor deve conhecer:
 • a prática do licenciamento ambiental nas esferas da União, dos estados 
e dos municípios;
 • os princípios de legalidade e de autuação dos órgãos ambientais; e 
 • os aspectos da gestão ambiental urbana.
“A gestão ambiental 
encontra na legislação, na 
política ambiental e em 
seus instrumentos e na 
participação da sociedade 
suas ferramentas de ação”.
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Para você se situar nos conceitos e paradigmas dos instrumentos de gestão 
ambiental inseridos em um contexto de desenvolvimento sustentável, “o plane-
jamento da ocupação do espaço geográfico deve basear-se no reconhecimento 
das potencialidades e fragilidades dos fatores físicos, biológicos e antrópicos 
que compõem o meio ambiente ante as características e especialidades das ati-
vidades a serem acomodadas” (Souza, 2000, p. 17). Além disso, deve considerar 
que estamos tratando da construção ou da desconstrução de um espaço onde o 
ser humano está inserido.
6 . 1 M e i o a m b i e n t e : 
u m a r e t r o s p e c t i v a h i s t ó r i c a b r a s i l e i r a
C o n s i d e r a m o s q u e , c o m o g e s t o r e s , n a t e n t a t i v a d e 
entendermos as questões ambientais em nosso país, é importante fazermos 
uma retrospectiva do desenvolvimento dos aspectos político-econômicosda 
sociedade brasileira. Dessa forma, poderemos analisar, com mais detalhes, os 
fatos e os fatores, tanto de degradação como de preservação do meio ambiente 
em nosso país.
6 . 1 . 1 O prote sto dos inte l ec tuai s
A d e g r a d a ç ã o a m b i e n t a l * , d e a c o r d o c o m e s t u d o a p r e -
sentado por Pádua (1999), foi objeto de preocupação da intelectualidade bra-
sileira. Prova disso é que, a partir de 1780, os protestos se tornaram firmes, 
constituindo-se em atitudes de crítica ambiental que permearam a história do 
Brasil. Entre esses intelectuais ativistas, encontramos: Baltazar da Silva Lisboa 
e Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá, na Bahia; José Severiano Maciel 
da Costa, no Rio de Janeiro; Manuel Arruda da Câmara, em Pernambuco; José 
Vieira Couto e José Gregório de Morais Navarro, em Minas Gerais; Antônio 
Rodrigues Veloso de Oliveira, no Maranhão; e José Bonifácio de Andrada e 
Silva, em São Paulo.
Entre 1786 e 1888, Pádua (1999) esclarece que foram produzidos 150 textos, 
preparados por 38 autores brasileiros, que denunciavam e debatiam os danos 
ambientais ocorridos no Brasil. Por exemplo, o baiano Baltazar S. Lisboa publi-
cou o Discurso histórico, político e econômico dos progressos e estado atual da filosofia 
natural portuguesa, acompanhado de algumas reflexões sobre o estado do Brasil, no 
* Degradação ambiental: termo usado para designar alterações adversas, 
resultantes da atividade humana no ambiente e que podem causar desequilí-
brio e destruição, parcial ou total, dos ecossistemas.
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qual relata que a agricultura era desenvolvida no país da forma mais miserável que 
possamos imaginar. As técnicas que, na época, já haviam sido desenvolvidas, como 
o uso do arado, entre outras, eram desconhecidas no território nacional e, concomi-
tante a isso, era grande a quantidade de lenha consumida pelas fornalhas de açúcar.
É preciso ressaltar que, naquela época, as denúncias sobre danos ambientais 
eram feitas responsabilizando-se o atraso tecnológico pela degradação ou des-
truição da natureza. Nesse processo, observamos que a importância do meio 
natural era avaliada com base na concepção do valor instrumental dos 
seus recursos.
6 . 1 . 2 Os pe r íodos re pub l i canos
P r i m e i r a m e n t e , e n f o c a r e m o s a n o s s a o b s e r v a ç ã o c o m 
base nos fatores que provocaram a degradação ambiental no Primeiro Período 
Republicano ou Primeira República, que se estendeu de 1889 a 1930. As ca-
racterísticas que predominaram nessa fase foram:
 • o crescimento e a ampla propagação do setor agrícola;
 • a preponderância de extensos latifúndios;
 • o predomínio do cultivo de um só produto (monoculturas).
No entanto, esse ambiente latifundiário, da República Velha, no qual ocorria 
o cultivo concentrado em uma única espécie, sofreu um choque com a Revolução 
de 1930, que marcou o início do Segundo Período Republicano ou República 
Nova.
Naquela ocasião, inúmeras mudanças políticas, sociais e econômicas foram 
introduzidas no país, o que representou um estímulo ao desenvolvimento in-
dustrial, embora o apoio de fato às indústrias de base só tenha sido fomentado 
a partir de 1937, com a institucionalização do Estado Novo.
Entre as consequências dessa expansão industrial, podemos mencionar o 
surgimento da(o):
 • Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), fundada em 1941, na região de 
Volta Redonda, no Rio de Janeiro;
 • Serviço Social da Indústria (Sesi), criado em 1942;
 • Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial (Senai), criado em 1943.
Tanto o Senai como o Sesi foram criados com a finalidade de promover a 
formação de mão de obra para o setor industrial.
Após essa primeira fase de desenvolvimento industrial, outro momento mar-
cante foi o da redemocratização do país, em 1946. Implantou-se, naquela 
ocasião, um programa de modernização industrial e urbana no Brasil. Essa 
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condição assumiu proporções verdadeiramente transformadoras no período 
compreendido entre os anos de 1951 e 1961; portanto, foi uma década caracteri-
zada por inúmeras mudanças.
É nesse cenário progressista que se insere o governo de Juscelino Kubitschek 
(1956-1961), identificado pelo lema “Cinquenta anos de progresso em cinco anos 
de governo”. No plano de desenvolvimento de seu governo, o chamado Plano de 
Metas, constam como objetivos prioritários o desenvolvimento dos setores de 
energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação.
O resultado principal desse projeto foi a construção de estradas e de usinas 
hidrelétricas. Além disso, criou-se a Superintendência do Desenvolvimento do 
Nordeste (Sudene), expandiu-se o polo automobilístico e de eletrodomésticos 
do ABC paulista e construiu-se a cidade que passou a ser a nova capital da nação, 
Brasília, no Planalto Central, inaugurada em 21 de abril de 1960.
Essa movimentação e interligação de forças e de ideias tornaram aquele pe-
ríodo um marco para a sociedade brasileira. Especificamente no período com-
preendido entre 1960 e 1969, foram editados documentos cuja repercussão 
quanto aos fatos relativos à questão ambiental foram marcantes. São eles:
 • o Estatuto da Terra, pela Lei Federal n. 4.504/1964 (Brasil, 1964), cujo 
objetivo foi “a execução da Reforma Agrária e a promoção de Política 
Agrícola”, no qual consta a possibilidade de desapropriação de áreas para 
a implantação de reservas florestais;
 • o Novo Código Florestal, pela Lei Federal n. 4.771/1965 (Brasil, 1965b), 
que, entre outros aspectos, trata do desmatamento e da exploração das 
matas nativas;
 • a Política Nacional de Saneamento, que resultou de leis e decretos 
criados no período compreendido entre os anos de 1965 e 1969 e que, 
posteriormente, mais especificamente em 1976, foi a base geradora do 
Programa de Saneamento Ambiental.
Como você pode constatar por meio desses marcos relativos ao meio ambiente 
em nossa história, assim como a degradação ambiental não é recente, a preocu-
pação com a degradação ambiental no Brasil também não o é. Nesse contexto, 
em 1965, o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, analisando o avanço 
da migração da Região Sul para o Centro-Oeste e, consequentemente, para o 
Norte, promulgou a Lei Federal n. 4.771/1965, que instituiu o então denominado 
novo Código Florestal Brasileiro (que substituiu o de 1934).
Houve, na ocasião (1965), o estímulo à referida migração pela necessidade de 
ocupação da Amazônia; no entanto, além das questões de soberania, a preocupa-
ção do governante era com a devastação de florestas tropicais e, consequentemente, 
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com os problemas ambientais futuros. Essa lei, um princípio legal com mais de 
40 anos, é utilizada pelos órgãos ambientais na atualidade.
A propósito, neste início do terceiro milênio, são inúmeras as discussões no 
Congresso Nacional, com o objetivo de alterar essa lei. Há os que veem nela 
amarras para o desenvolvimento e outros que a consideram um dos instrumentos 
de salvaguarda não só das florestas, mas também da própria territorialidade da 
nação. Aliás, é uma das controvérsias que tem originado choques governamentais, 
como você deve ter acompanhado pela imprensa nos últimos meses.
Consultando a legislação
Códigos Florestais Brasileiros:
1. 1934 – Primeiro Código Florestal Brasileiro – Decreto n. 23.793/1934 (Brasil, 
1934a):
a. Objetivo – estatizar as fontes de energia disponíveis. Estabeleceu 
regras de proteção e de uso das florestas com o propósito básico de 
salvaguardar os solos, as águas e os mercados de madeira. Na época, 
o carvão era a principal fonte de energia.
b. Estratégia de preservação das fontes de energia do governo Vargas.
2. 1965 – Segundo Código Florestal Brasileiro – Lei n. 4.771/1965:
a. Objetivo – viabilizar a ocupação da Amazônia. Quem explorasse uma 
determinada área, tornava-se responsável pela preservação de florestas 
de uma certa área indicada por percentuais de acordo com a região.
b. Estratégia de defesa do território nacional do governo Castelo 
Branco.
c. Alterações – foi atualizado e modificado com revogações e inserções 
feitas principalmente pela Medida Provisória n. 2.166-67/2001 (Brasil, 
2001e), no governo de Fernando Henrique Cardoso.
3. 2010/2011 – Terceiro Código Florestal Brasileiro – ainda em discussão, 
apresenta pontos polêmicos introduzidos pelo relator, o Deputado Aldo Rebelo.
6 . 1 . 3 A evo lução da que stão ambienta l e 
o pro je to Brasi l Grande Potênc ia
E m 1 9 6 9 , a p r e s i d ê n c i a d o p a í s p a s s o u à s m ã o s d o 
General Emílio Garrastazu Médici. A sociedade brasileira passara por profundas 
modificações advindas de um processo político que implantou o sistema ditato-
rial e o projeto Brasil Grande Potência. Naquele período, o desenvolvimento 
caracterizou-se pelo crescimento econômico a qualquer custo, incluindo-se, 
nesses custos, a forma predatória.
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Passou a haver um total descaso com preocupações preservacionistas. Entre 
as atitudes reveladoras desse descaso, está o fato de não se exigirem equipamen-
tos antipoluentes para as atividades destacadamente poluidoras. A postura era 
deixar para mais tarde a solução para os possíveis danos ao meio ambiente.
Nessa mentalidade, conforme esclarecido por Maimon (1992), havia um total 
desinteresse pelas questões do meio ambiente. Além disso, os recursos naturais 
eram considerados abundantes e inesgotáveis. Concomitantemente a essa con-
cepção, a situação foi agravada pela cultura da exploração predatória, própria 
da mentalidade do lucro fácil – a qual não considera os prejuízos causados nos 
aspectos social, econômico e ecológico de uma comunidade ou de toda a humani-
dade –, que herdamos da época do Brasil Colônia e permaneceu como substrato 
imediatista para as ações da República.
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Unced)
C o m o r e s u l t a d o d e s s a v i s ã o , n a C o n f e r ê n c i a d a s 
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Unced), realizada em Estocolmo, na 
Suécia, no ano de 1972, o governo brasileiro assumiu uma posição desenvol-
vimentista. Argumentaram os representantes do país que a preocupação com 
aspectos relativos à proteção ambiental serviria aos propósitos dos países ricos 
no sentido de impedir a expansão das indústrias dos países em desenvolvimento 
e, assim, bloquear os processos de crescimento. Na ocasião, os países subdesen-
volvidos foram liderados pelo Brasil no intento da não aprovação das propostas 
de crescimento zero. Essas propostas foram elaboradas e defendidas pelo Clube 
de Roma e constavam do relatório O limite do crescimento.
Perguntas e respostas
Qual o contexto de O limite do crescimento ou Relatório Meadows?
Este relatório, conforme nos informa Ferreira (2011), em seu artigo Economia 
ecológica, causou grande impacto, pois, ao apontar um cenário catastrófico, no 
qual não seria possível continuar infinitamente com o crescimento econômico, 
uma vez que este levava ao esgotamento dos recursos ambientais, apresentou 
como solução o “crescimento zero”. 
O que isso significava? De forma resumida, podemos dizer que propunha que 
fossem reduzidas as taxas de natalidade e os índices de crescimento nos países em 
desenvolvimento. Sob a perspectiva dessa análise, considerada “neomalthusiana”, 
a explosão demográfica era a grande vilã da civilização. No entanto, os críticos 
da proposta apontam para o fato de que ela assinalava para a manutenção ou 
preservação dos negócios, e não do ecossistema. O fato é que se confrontava de 
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forma acintosa com as posições desenvolvimentistas do “direito ao crescimento”, 
que era a tese defendida pelas nações do mundo em desenvolvimento.
Essa declaração polêmica foi amplamente discutida na Conferência da Unced 
(Estocolmo, 1972), onde foi proposto o “ecodesenvolvimento”, cujo sustentáculo 
é a ideia de que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental são 
passíveis de coexistir ou de serem harmonizáveis, pois são interdependentes na 
geração do progresso econômico. Tal debate continuou ardoroso na primeira 
reunião do Conselho Administrativo do Programa das Nações Unidas para o 
Meio Ambiente (Pnuma), realizado em Genebra, em junho de 1973.
Nessa conferência, o chefe da missão brasileira foi o General Costa Cavalcanti 
(ministro do Interior, na época), o qual repetia como slogan (de acordo com a 
sua conveniência) a frase que fora dita pela primeira-ministra da Índia, Indira 
Ghandi: “A pior poluição é da miséria”. Argumentava que, para combater a mi-
séria, deveríamos buscar um crescimento econômico maior, ou seja, conforme 
destaca Zucca (1991), o propósito era tornar o Brasil uma potência no cenário 
internacional.
Essa postura, como você pode deduzir, era resultante da política do projeto 
Brasil Grande Potência. E foi esse projeto que, posteriormente, em 1973, resul-
tou no ambicioso empreendimento energético, envolvendo Brasil e Paraguai, 
que criou a empresa binacional de Itaipu. Esta foi construída no rio Paraná, na 
fronteira entre os dois países, e é considerada a maior hidrelétrica do mundo em 
extensão (comprimento da barragem) e em volume de energia gerada.
Criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema)
O a m b i c i o n a d o c r e sc i m e n t o e c o n ô m i c o d a q u e l e p e r í o - 
do, conforme os estudos de Viola (1987) e Maimon (1992), foi considerado incom-
patível com a harmonia ambiental. Até então não havia uma política de controle 
ambiental* no país. Contudo, em 1973, conforme o esclarecimento de Monteiro 
(1981), principalmente em função da repercussão negativa que teve a posição 
desenvolvimentista do Estado brasileiro na Conferência de Estocolmo, e contra-
pondo-se aos objetivos dos ambientalistas, o presidente Geisel criou a Secretaria 
Especial do Meio Ambiente (Sema). Esta era vinculada ao Ministério do Interior, 
sendo seu titular, na ocasião, o Dr. Paulo Nogueira Neto. Posteriormente, a Sema, 
foi extinta pela Lei n. 7.735/1989 (Brasil, 1989a), que criou o Instituto Brasileiro 
* Controle ambiental: é a atividade que exerce a orientação, a correção, a fisca-
lização e o monitoramento sobre as ações referentes à utilização dos recursos 
ambientais, de acordo com as técnicas administrativas e as leis em vigor.
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do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As atribuições 
em matéria ambiental pertencem atualmente ao Ministério do Meio Ambiente.
Com base nos estudos de Monteiro (1981), podemos concluir que eram duas 
as linhas básicas de ação dessa secretaria:
a. conservar o meio ambiente, considerando a utilização de um modo 
racional na apropriação e no uso dos recursos naturais;
b. preservar, no sentido de intocabilidade (de biomas, por exemplo).
A Sema tinha como propósito fazer com que fossem respeitadas e 
cumpridas normas ambientais de algumas instituições internacionais. 
Posteriormente, como vimos, foi extinta.
Viola (1987) esclarece que os empréstimos designados para obras públicas só 
eram liberados quando tais exigências eram atendidas. É importante que se diga, 
de acordo com a opinião de Monteiro (1981) e de Dias (1993), que, embora tenha 
sido constituída com a finalidade de exercer o papel de uma agência de controle 
da poluição, a secretaria estabeleceu programas de estações ecológicas e deixou os 
fundamentos para as leis ambientais; portanto, os atos que estabeleceram o res-
peito às normas internacionais relativas ao meio ambiente foram de fundamental 
importância para o desenvolvimento do pensamento ecológico no Brasil.
Nesse ínterim, agências estaduais de meio ambiente foram sucessivamente 
criadas nas regiões Sul e Sudeste. Destacamos, por exemplo, a Companhia de 
Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que aplicou normas de insti-
tuições internacionais em relação a problemas de excesso de poluição industrial, 
embora tenha atuado no quesito licenciamento ambiental apenas a partir do 
início dos anos 1980 (Viola, 1987).
Em 1973, outro fator que agravou o descaso ecológico foram os dois choques 
mundiais provocados pela crise do petróleo, os quais fizeram com que o Brasil 
investisse na busca de alternativas energéticas. Isso seria altamente salutar para 
o país, afirma Maimon (1992), se os programas desenvolvidos nessa área, como a 
expansão de hidrelétricas e o Programa Pró-Álcool, não estivessem empenhados 
apenas na busca de mais uma economia de divisas, sem preocupação com os im-
pactos ambientais que tais empreendimentos poderiam produzir.
Alguns fatos devem ser destacados para que possamos compreender 
melhor as questões ambientais no Brasil naquele período:
 • os projetos do Pró-Álcool provocaram a diminuição na poluição do ar nas 
cidades e nos polos industriais, apesar de produzirem um alto índice de 
poluentes nos locais de produção;
 • o processo de geração de energia nuclear, introduzido no Brasil em 1975, com o 
objetivo de suprir as necessidades energéticas do país, não alcançou o sucesso 
esperado, representando somente 1% da geração total de energia elétrica;
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 • ainda no ano de 1975, o Brasil constou em editorial da revista científica 
Science como uma reserva mundial de energia, uma região capaz de ofe-
recer fontes de energia alternativa; também destacou-se a importância 
que deveria ser dada à preservação e à produção dos recursos naturais do 
país (Maimon, 1992).
Em 1975, a questão ambiental ainda era tratada de forma pontual na 
esfera do governo. No entanto, a introdução da temática ambiental no II Plano 
Nacional de Desenvolvimento (PND) trouxe a abordagem de três linhas de ação 
importantes para a evolução do processo de gestão ambiental:
 • política ambiental na área urbana e definição de áreas críticas de poluição;
 • política de preservação de recursos naturais;
 • política de proteção à saúde humana.
Consequentemente, como analisa Maimon (1992), a aprovação da implanta-
ção de projetos industriais ficou sujeita à observância de normas antipoluidoras.
6.1.4 A questão ambiental brasileira nas décadas de 1980 e 1990
U m m a r c o e s s e n c i a l n e s s a p r o g r e s s ã o d e f a t o s r u m o a 
uma política ambiental foi, em 1981 (governo do Presidente João Figueiredo), a 
entrada em vigor da Lei Federal n. 6.938/1981 (já abordada neste estudo), que 
estabeleceu a Política Nacional de Meio Ambiente.
O objetivo dessa política, conforme exposto no art. 2º da lei, era a:
 • preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à 
vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeco-
nômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade 
da vida humana [...] (Brasil, 1981).
Considerando o meio ambiente um patrimônio público, é do entendimento 
da lei que este deve ser necessariamente assegurado e protegido, uma vez que 
seu uso é coletivo. Assim, atendendo aos parâmetros legais e à diretiva governa-
mental, bem como à consciência ambiental daquele período, foi criado o Sistema 
Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). O seu propósito era:
 • integrar e coordenar a política ambiental nacional; e
 • compatibilizar a atuação municipal, estadual e federal.
Também foi criado, na ocasião, o Conselho Nacional de Meio Ambiente 
(Conama). Entre os aspectos organizacionais relacionados à questão ambiental 
de maior expressão que resultaram da criação do Sisnama e do Conama, encon-
tramos a diretiva que estabeleceu o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o 
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respectivo Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (Rima), pela Resolução 
Conama n. 001/1986 (Brasil, 1986c).
É importante observarmos novamente que a legislaçãoambiental brasileira, 
embora seja uma das mais completas do mundo, apresenta um caráter excessiva-
mente biótipo (grupos com a mesma estrutura), pois não inclui explicitamente 
o ser humano na sua conceituação de meio ambiente, apenas implicitamente, 
em alguns casos. 
Contudo, não devemos nos enganar com essa sua completude, pois, quanto à 
sua aplicabilidade e implementação, os fatos chegam a ser constrangedores, em 
função de fatores como:
 • o quadro de pessoal nas agências estaduais de controle de poluição é 
reduzido;
 • as políticas dos municípios, estados e do país como um todo não apre-
sentam uma coordenação inter e intragovernamental, embora tenhamos 
o Sisnama;
 • por último, a falta de recursos financeiros.
Nesse contexto, a adoção, por parte do Banco Mundial, de uma política 
que estabeleceu como pré-condição (a partir de setembro de 1988), para liberar 
financiamentos de obras para países em desenvolvimento, a apresentação de 
estudos de impactos ambientais, teve um efeito enorme na sociedade brasileira, 
minimizando os problemas ambientais do país. A aplicação dessa condição, no 
Brasil, causou maior efeito no setor elétrico e na mineração, como bem observou 
Maimon (1992).
No entanto, em outubro de 
1988, um fato trágico – o assas-
sinato, em Xapuri, no Acre, de 
Chico Mendes, ambientalista que 
lutava por um projeto de desen-
volvimento conhecido como re-
serva extrativista – foi fator pre-
ponderante para a manifestação 
de inúmeros protestos por parte 
da comunidade internacional em 
relação à negligência do governo brasileiro no que diz respeito ao desmatamento 
da Floresta Amazônica.
Isso se explica pelo fato de Chico Mendes ser reconhecido internacionalmente 
por sua luta em favor de ações de sustentabilidade do meio ambiente, pois ganhara 
o Prêmio Global 500, outorgado pelo Pnuma para pessoas que contribuem com 
as causas ambientais.
É importante observarmos novamente 
que a legislação ambiental brasileira, 
embora seja uma das mais completas 
do mundo, apresenta um caráter 
excessivamente biótipo (grupos com 
a mesma estrutura), pois não inclui 
explicitamente o ser humano na sua 
conceituação de meio ambiente, apenas 
implicitamente, em alguns casos.
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Perguntas e respostas
O que é o Projeto Reserva Extrativista?
A reserva extrativista é a reforma agrária dos seringueiros. É o reconhecimento 
de áreas de floresta, ocupadas tradicionalmente por seringueiros e outros extrati-
vistas, como áreas de domínio da união, com usufruto exclusivo dos seringueiros 
organizados em cooperativas ou associações. Nas reservas extrativistas, não há 
títulos individuais de propriedade. Nelas serão respeitadas a cultura e as formas 
tradicionais de organização e de trabalho dos seringueiros, que continuarão a 
realizar a extração de produtos de valor comercial como a borracha, a castanha 
e muitos outros, bem como a caça e a pesca não predatória, juntamente com 
pequenos roçados de subsistência em harmonia com a regeneração da mata. As 
reservas extrativistas não serão áreas inviáveis economicamente: garantida a 
floresta, os seringueiros organizados aumentarão a produtividade, introduzindo 
inovações tecnológicas adequadas. Além disso, darão continuidade à criação de 
escolas, postos de saúde e cooperativas geridas por seringueiros.
A reserva extrativista não é apenas a reforma agrária dos seringueiros, mas tam-
bém uma forma de preservação da natureza pelos que dela dependem, e uma 
alternativa econômica para a Amazônia. (Silva, 2011)
A criação de programas e institutos de políticas ambientais, bem como a 
fusão de outros pelo presidente José Sarney, nos últimos anos da década de 
1980, constituíram-se em medidas visando à execução de políticas e diretrizes 
ambientais, esclarece Maimon (1992). Foram eles:
 • o Programa Nossa Natureza;
 • o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis 
(Ibama), resultado da fusão da Secretaria Especial do Meio Ambiente 
(Sema), da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca (Sudepe), 
da Superintendência do Desenvolvimento da Borracha (Sudhevea) e do 
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF);
 • a Divisão de Educação Ambiental, criada dentro do Ibama.
Nesse período, o Brasil passou por movimentos de pressão internacional em 
razão de sua contraditória política social, bem como por ser apontado como um 
dos grandes responsáveis pelo “efeito estufa”, o qual, em muitos casos, é provo-
cado pelo aumento do desmatamento e pelas queimadas.
Esses fatores relacionados com a política externa, ainda segundo Maimon 
(1992), fizeram com que o governo Collor, no intuito de obter apoio internacional, 
estabelecesse como um dos eixos da política externa do Brasil o desenvolvimento 
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sustentável. Dentro desse paradigma, criou-se a Secretaria Nacional de Meio 
Ambiente (em 1990) e entregou-se a sua coordenação ao engenheiro agrônomo 
José Lutzemberger.
No seu governo, Fernando Collor de Mello também lutou para que o 
Brasil sediasse a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (também conhecida como Rio-92 ou Eco-92), que foi realizada 
na cidade do Rio de Janeiro. Sediar tal congresso foi muito significativo, pois 
a finalidade desse encontro era formular uma nova política ambiental mundial.
Assim, embora não se possa dizer que esse presidente tenha implantado 
uma política ambiental como era seu projeto, é justo reconhecermos que legou 
à nação três documentos fundamentais no que diz respeito à questão ambiental:
 • o Programa Nacional de Meio Ambiente;
 • o Projeto de Reconstrução Nacional; e
 • os Subsídios Técnicos para a Elaboração do Relatório Nacional do Brasil 
para a Rio-92.
A abrangência e as ações básicas relativas a tais documentos podem ser resu-
midas, baseando-nos em Maimom (1992), nos seguintes pontos:
 • Programa Nacional de Meio Ambiente – foi financiado pelo Banco 
Mundial e executado pelo Ibama. O seu objetivo era fortalecer a proteção 
das áreas de conservação e proteger ecossistemas já ameaçados, como o 
Pantanal Mato-Grossense, a Mata Atlântica e a costa brasileira, entre 
outros. Além disso, tinha a responsabilidade de reestruturar o Ibama.
 • Projeto de Reconstrução Nacional – esse projeto abarcou as propostas 
de desenvolvimento sustentável sob a ótica do Relatório Brundtland*, ou 
seja, enfocou os conflitos ou resoluções ligadas aos ecossistemas naturais, à 
preservação da biodiversidade e à exploração racional das espécies nativas 
e exóticas. Além disso, demonstrou que o modelo de crescimento adotado 
nas décadas anteriores a 1990 foi a causa da degradação ambiental no 
Brasil. Assim, apesar de, na prática, ter sido inviabilizada a implantação 
do projeto de reconstrução, em razão das trocas na equipe econômica do 
governo ocorridas na ocasião, o projeto trouxe elementos que subsidiaram* Produzido pela Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (em 
1987), esse relatório recomendou a realização de uma conferência mundial para 
orientar as questões ambientais, resultando na Rio-92. O seu nome deve-se ao 
fato de a comissão ser presidida pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem 
Brundtland.
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as futuras tratativas do assunto ambiental, bem como uma conscientização 
relativa à gestão ambiental.
 • Subsídios Técnicos para a Elaboração do Relatório Nacional do 
Brasil para a Rio-92 – esse documento foi produzido pela Comissão 
Interministerial para a Preparação da Conferência das Nações Unidas 
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cima). É constituído por 
uma introdução (intitulada “O desafio do desenvolvimento sustentável”) 
e mais seis capítulos, cujos títulos indicam o teor do estudo: 
 • “Desenvolvimento brasileiro e suas implicações socioambientais”;
 • “Evolução da política ambiental”;
 • “Situação atual dos grandes biomas brasileiros”; 
 • “Realidade socioambiental brasileira e os problemas globais”;
 • “Dimensões básicas de um novo estilo de desenvolvimento”;
 • “O meio ambiente e as negociações internacionais”.
Efetivamente, sediar a Rio-92 foi um desafio para o Brasil, principalmente 
pelo fato de o governo e de significativa parcela da sociedade brasileira, naquela 
ocasião, somarem suas forças na defesa da necessidade do crescimento econô-
mico e do respeito à soberania nacional para discutir questões ambientais, sem 
considerar o ambiente como o todo planetário.
Outro fator de destaque nos anos 1990 foi a criação do Ministério do Meio 
Ambiente, pela lei sancionada em 19 novembro de 1992, sobre a qual já discor-
remos anteriormente.
6 . 2 A s p r o p o s t a s a m b i e n t a l i s t a s 
n a v i r a d a d o s é c u l o
A g e s t ã o a m b i e n t a l n o B r a s i l c o n t i n u a e m d i s c u s s ã o , 
com avanços e recuos; no entanto, as questões ambientais encontram-se cada vez 
mais interligadas com as questões e as políticas públicas. Por exemplo, no ano 
2000 foi criado o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza 
(SNUC), pela Lei n. 9.985/2000 (Brasil, 2000g). Este dispositivo legal orienta 
a criação, a implantação e a gestão de unidades de conservação em todo o ter-
ritório nacional.
Trata-se, sem dúvida, de um instrumento legal de grande valia para os ges-
tores, principalmente para a gestão pública, uma vez que nele estão previstas 
categorias diversas de proteção, as quais são agregadas em dois grupos distintos:
 • Unidades de proteção integral – estações ecológicas, reservas biológicas, 
parques nacionais, monumentos naturais e refúgios silvestres.
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 • Unidades de uso sustentável – áreas de proteção ambiental, áreas de 
relevante interesse ecológico, florestas nacionais, reservas extrativistas, 
reservas de fauna, reservas de desenvolvimento sustentável e reservas 
particular do patrimônio natural.
Consultando a legislação
Lei n. 9.985/2000
Art. 4o O SNUC tem os seguintes objetivos:
 I – contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos 
genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;
 II – proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e 
nacional;
 III – contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de 
ecossistemas naturais;
 IV – promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
 V – promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da 
natureza* no processo de desenvolvimento;
 VI – proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;
 VII – proteger as características relevantes de natureza geológica, geo-
morfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural;
 VIII – proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;
 IX – recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;
 X – proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, 
estudos e monitoramento ambiental;
 XI – valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;
 XII – favorecer condições e promover a educação e interpretação ambien-
tal, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico;
 XIII – proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações 
tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e 
promovendo-as social e economicamente. (Brasil, 2000g)
Ainda em 2002, foi instituída a Política Nacional da Biodiversidade, pelo 
Decreto n. 4.339/2002 (Brasil, 2002e), cuja ação em relação à biodiversidade 
ocorre nas seguintes áreas:
* Conservação da natureza: é o uso equilibrado e autossustentado dos recursos 
naturais. É a manutenção do equilíbrio ecológico natural por meio de técnicas 
adequadas de manejo. O conceito de conservação é distinto do conceito de preser-
vação, porque implica a interferência do homem para assegurar a manutenção 
das espécies ou dos ecossistemas.
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 • do conhecimento;
 • da conservação;
 • da utilização sustentável de seus componentes;
 • do monitoramento, avaliação, prevenção e mitigação de impactos.
Esse documento foi um dos resultados mais expressivos das discussões da 
Eco-92 e continua orientando os projetos de proteção ao meio ambiente. Nesse 
âmbito, temos a atuação do Programa Nacional da Biodiversidade (Probio) e 
da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio).
No ano de 2011, foi editada a Resolução Conama n. 429/2011 (Brasil, 2011g), 
que dispõe sobre a metodologia de recuperação das Áreas de Preservação 
Permanente (APPs), que são instrumentos importantes para a gestão ambien-
tal no que concerne à preservação.
Para saber mais
Ao nos dedicarmos à gestão ambiental, é necessário que estejamos em constante 
atualização e, por isso, recomendamos que você acesse os seguintes sites:
 • BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conama. Resoluções. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano1.
cfm?codlegitipo=3&ano=2010>. Acesso em: 5 set. 2011.
Nesse endereço, você encontrará as sucessivas resoluções do Conama com ca-
racterização e metodologias para a aplicação das políticas ambientais e para o 
uso dos instrumentos de proteção e de recuperação do meio ambiente.
 • BRASIL. Ministério do Meio ambiente. Assessoria de Comunicação. 
Disponível em: <http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.

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