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Prévia do material em texto

4 
 
INTRODUÇÃO 
"Nada no mundo se compara à persistência. Nem o talento, afinal não há nada mais comum do que homens 
malsucedidos talentosos. Nem a genialidade, afinal existem gênios não recompensados. Nem educação, afinal o 
mundo está repleto de negligenciados cultos. Só a persistência e a determinação são onipotentes" - Calvin Coolidge 
 
Olá pessoal, aqui quem fala é a Professora Gabriela Xavier 
 
Eu sei que esse momento de preparação e de estudo exige, PRINCIPALMENTE, muita persistência 
e determinação, tendo em vista que o aprendizado e a memorização da disciplina é, muitas vezes, um 
exercício de repetição. Por essa razão, elaborei o 1º material de Direito Administrativo que é totalmente 
voltado para questões, dados estatísticos e que aponta os principais pontos da matéria. Essa apostila reúne 
todos os principais pontos da disciplina Direito Administrativo e foi elaborada com base em 3.000 questões 
cobradas nos últimos 3 anos pelas principais bancas de concursos públicos. Portanto, o que é REALMENTE 
cobrado por essas bancas vai estar em destaque. 
A metodologia utilizada na elaboração desse material foi idealizada e desenvolvida por mim, e ela 
irá mudar a sua forma de estudo e a maneira como você enxerga essa matéria. Esse trabalho é uma versão 
resumida do Manual de Direito Administrativo que será publicado no ano de 2017, pela Editora Saraiva e, 
haja vista o tamanho reduzido da apostila (em torno de 200 páginas), infelizmente, alguns pontos relevantes 
da matéria ficaram de fora. Todos aqueles que estiverem interessados em adquirir a versão estendida desse 
material devem entrar em contato com a nossa equipe pelo whatsapp (31) 98821-8889. 
 
Esse material, marca e logotipos são de propriedade de seus titulares. Todo o conteúdo 
está registrado sob direitos autorais submetido às leis brasileiras. 
 
Você deve ler essa apostila da seguinte forma: 
 todas as partes destacadas em negrito vocês DEVEM ter muita atenção-> pontos essenciais da 
matéria; 
 em cada capítulo, você poderá terá acesso a dados matemáticos a respeito dos pontos mais 
cobrados; 
 todos os comentários inseridos fazem referência a questões cobradas nos últimos anos; 
 ao final de cada capítulo, foi inserido um quadro resumo - leia antes da data da prova; 
 o símbolo indica que aquele ponto da matéria é recorrentemente cobrado pelas bancas de 
concurso, ou seja, trata-se de questão REPETIDA. Portanto, atenção para não perder esse ponto 
fácil. 
 os macetes estão destacados no texto, NÃO MENOSPREZEM a importância dessas brincadeiras. 
Facilitam, e MUITO, a memorização. 
 
Resolvam muitas, muitas, MAS MUITAS questões! 
 
Bons estudos e contem comigo 
Professora Gabriela Xavier 
 
Para entrar na lista de espera, acesse: www.gabrielaxavier.com.br 
whatsapp (31)98821-8889 
instagram: @profgabrielaxavier 
facebook: Professora Gabriela Xavier 
 
 
 
5 
 
SUMÁRIO 
 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................... 6 
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .......................................................... 14 
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA...........................................................................29 
TERCEIRO SETOR .......................................................................................................... 47 
PODERES ADMINISTRATIVOS....................................................................................54 
ATOS ADMINISTRATIVOS ........................................................................................... 63 
LICITAÇÕES PÚBLICAS................................................................................................79 
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS............................................................................102 
AGENTE PÚBLICO ....................................................................................................... 122 
RESPONSABILIDADE CIVIL ...................................................................................... 153 
SERVIÇOS PÚBLICOS ................................................................................................. 164 
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO .......................................................................... 175 
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA..........................................................................188 
PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL...............................................................197 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessa matéria, quais são os 
pontos mais cobrados do primeiro capítulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portanto, o conceito de Administração Pública (critério subjetivo/formal), seguido dos poderes 
estruturais do Estado (funções típicas e atípicas) e sistema de controle da administração (sistema inglês) 
são os pontos mais cobrados nessa parte inicial da matéria. Estejam atentos! 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Conceito de Estado
Poderes estruturais (Legislativo, Executivo e Judiciário)
Direito Administrativo - correntes
Sistema Francês e Inglês - Controle da Administração
Fontes do Direito Administrativo
Conceito de Administração Pública
7 
 
Direito administrativo 
Pessoal, o Direito Administrativo é o ramo do direito público que tem como objeto regulamentar 
as relações internas à administração pública (entre os órgãos e entidades administrativas), as relações 
entre a administração e os administrados e as atividades da administração (prestação de serviços públicos, 
atividades de fomento, intervenção, etc.). Tradicionalmente, o Direito é dividido em dois grandes ramos: 
direito público e o direito privado. O direito privado, como o próprio nome já diz, tem como objeto a 
regulação de uma relação jurídica firmada entre dois particulares. Desse modo, o direito privado tem como 
alicerce o pressuposto de igualdade existente entre as partes que travam determinada relação jurídica. São 
integrantes desse ramo o direito comercial e o direito civil. 
O direito público, por sua vez, tem como objeto a 
regulação dos interesses da coletividade, no sentido de 
disciplinar as relações jurídicas travadas pelo Estado, primando 
pela defesa do interesse público. No que se refere a esse ramo 
do direito, cumpre destacar a presença da desigualdade entre 
as partes nas relações jurídicas, uma vez que no intuito de 
assegurar o bem comum da sociedade, visando garantir a 
supremacia do interesse público, tem-se que os interesses da 
coletividade devem prevalecer sobre os interesses privados. 
Portanto, ao ente estatal, que tem como função a busca pelo 
bem comum, são conferidas PRERROGATIVAS E PODERES 
excepcionais que conferem a este ente uma posição jurídica de 
superioridade frente ao particular. Integram esse ramo o 
direito constitucional, o direito administrativo, o direito 
tributário, o direito penal, etc. 
Destaca-se que na maioria das situações verifica-se que os 
regimes se complementam, portanto, as relações travadas 
entre particulares serão regidas preponderantemente pelo 
direito privado, entretanto, serão aplicadas subsidiariamente normas de direito público. Assim, como as 
relações travadas pelo Estado que, em inúmeras situações, sujeitam-se à aplicação subsidiária do direito 
privado. 
Administração Pública e o Estado 
A palavra Estado vem do latim status que significa posição e ordem. Os termos “posição” e 
“ordem” transmitem a ideia de manifestação de poder, ou seja, podemos conceituar o Estado como uma 
entidade públicaque possui poder soberano para governar o povo dentro de uma área territorial 
delimitada. 
O Estado possui três elementos constitutivos, sendo que a falta de qualquer elemento 
descaracteriza a formação desse ente. Assim sendo, para o reconhecimento do Estado se faz necessária a 
presença dos elementos: povo, território e governo soberano. Um Estado soberano é sintetizado pela 
máxima "Um governo, um povo, um território". 
Atualmente, encontra-se superada a tese de que o Estado pode ostentar dupla personalidade 
jurídica (de direito público e de direito privado) conforme o âmbito de sua atuação. Portanto, ainda que o 
Estado atue no âmbito privado, o ente público sempre terá personalidade jurídica de direito público. 
 
O Estado possui poderes/prerrogativas (todo 
grande e poderoso na foto) de direito público 
que o particular não possui - Princípio da 
Supremacia do Interesse Público frente ao 
privado - entretanto, encontra-se sujeito as 
limitações do ordenamento jurídico (suas 
mãos encontram-se acorrentadas à legislação) 
- Princípio da Indisponibilidade do Interesse 
Público = Regime Jurídico Administrativo 
8 
 
Funções do Estado 
Segundo o filósofo Montesquieu, o exercício do poder 
estatal de forma centralizada sempre leva ao seu abuso, sendo 
necessária uma composição na qual o poder possa controlar o 
próprio poder. Nesse sentido, o filósofo apresenta o Princípio da 
Separação dos Poderes, que estabelece ser o poder UNO E 
INDIVISÍVEL, entretanto, o exercício desse poder deve ser dividido 
entre três poderes estruturais, quais sejam: Executivo, Legislativo e 
Judiciário. Nesse modelo, cada um dos poderes terá um conjunto de 
atribuições próprias e típicas a serem obrigatoriamente 
desenvolvidas, sendo que nenhum deles poderá sobrepor-se aos 
outros, ou seja, os poderes atuam de forma harmônica entre si de 
modo a tornar inviável qualquer abuso de poder. 
Destaca-se que essa é uma mera divisão estrutural e 
funcional com vistas a garantir a especialização interna de 
competências, no intuito de coibir a concentração e o abuso de 
poder. Desse modo, compete ao Poder Legislativo promover a 
edição de leis e inovar no ordenamento jurídico, ao Poder Executivo 
realizar a administração da máquina pública no sentido de alcançar 
o interesse público em fiel observância à lei e ao Poder Judiciário 
solucionar as controvérsias apresentadas em sociedade. 
Entretanto, cumpre destacar que a separação dos poderes não é absoluta, cada um desses 
poderes desempenha funções típicas e atípicas, ou seja, cada poder poderá exercer atipicamente uma 
função que é típica do outro poder, conforme previsto na Constituição Federal (modelo flexível). A título 
exemplificativo, podemos citar o fato de que o Poder Legislativo tem como função atípica conduzir uma 
investigação por meio de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desempenhando, nesse caso, função 
que é correlata à função típica desempenhada pelo Poder Judiciário. O Poder Judiciário, por sua vez, tem 
como função atípica realizar a gestão de seus órgãos, função esta que se refere à uma atividade que é típica 
do Poder Executivo. 
O exercício de funções atípicas possui caráter excepcional e só é 
possível porque a tripartição de poderes no Estado não é absoluta. 
Portanto, a separação de funções entre os três poderes é realizada a partir 
do CRITÉRIO DE PREPONDERÂNCIA e não de exclusividade, isto é, os 
poderes desempenham preponderantemente suas respectivas funções 
típicas e, em determinadas situações admitidas na Constituição Federal, realizam atividades atípicas. Dessa 
maneira, segue abaixo a descrição das funções típicas e atípicas de cada um dos poderes estruturais: 
 Função Típica Função Atípica (Judiciário) 
Função Atípica 
(Legislativo) 
Função Atípica 
(Executivo) 
Poder Legislativo 
Promover a 
inovação no 
ordenamento 
jurídico. 
Processar e julgar o 
Presidente da República nos 
crimes de responsabilidade. 
 
Promover a organização 
dos serviços internos e 
de seus agentes públicos. 
Poder Executivo 
Implementar 
políticas públicas 
mediante o 
cumprimento das 
leis. 
Realizar o julgamento das 
controvérsias apresentadas 
no processo administrativo 
(não gera coisa julgada). 
Edição de 
Medida 
Provisória. 
 
Poder Judiciário 
Solucionar 
controvérsias e 
conflitos de 
interesses (com 
caráter de 
definitividade). 
 
Elaboração dos 
Regimentos 
internos dos 
Tribunais. 
Promover a organização 
dos serviços internos, 
instauração de concurso 
público para nomear os 
próprios servidores 
públicos, etc. 
ATENÇÃO 
 
No que se refere aos poderes estruturais 
os pontos mais cobrados são: 
 
O poder estatal é uno e indivisível, 
contudo, os o exercício desse poder é 
dividido entre três poderes 
ESTRUTURAIS. 
 
Cada poder possui funções típicas e 
atípicas (correlatas as dos outros poderes), 
que estarão previstas no texto 
constitucional. A divisão dos poderes 
segue o critério da PREPONDERÂNCIA 
e não da exclusividade. 
 
 
 
ATENÇÃO 
 
Esse é o ponto mais cobrado 
desse tópico. 
9 
 
 
Cumpre destacar que para alguns autores, como Celso Antônio Bandeira de Mello, além das 
funções típicas e atípicas de cada um dos poderes existe, ainda, a FUNÇÃO POLÍTICA OU FUNÇÃO DE 
GOVERNO. Segundo esse ilustre doutrinador, essa função refere-se aos atos políticos de gestão superior 
da atividade estatal, como a sanção e o veto de lei, a declaração de guerra ou a decretação de Estado de 
calamidade pública. 
Forma de Estado 
A forma de Estado refere-se à organização política do Estado que poderá dar-se como Estado 
unitário ou Estado federado. O Estado unitário é aquele em que há um poder central único, exclusivo, para 
todo o território nacional e sobre toda a população. O Estado federado, por sua vez, é aquele Estado que é 
formado por várias entidades políticas autônomas, distribuídas pelo território. Neste, são diversos os 
centros de poder político (União, estados, Distrito Federal e municípios) autônomos, ou seja, não há 
hierarquia entre eles e sim uma relação de coordenação. Assim, coexistem, no Brasil, uma administração 
pública federal, estadual, distrital e municipal. 
Sistema de Governo 
 O sistema de governo refere-se à relação existente entre os 
poderes estruturais, podendo ser: sistema presidencialista e o 
sistema parlamentarista. No sistema presidencialista, o presidente 
exerce o comando do Poder Executivo, cumpre um mandato fixo e 
cumula as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo. O 
parlamentarismo, por sua vez, é o sistema de governo em que há uma 
relação de cooperação entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. 
Nesse sistema, a chefia de Estado é desempenhada pelo Presidente 
ou pelo monarca e a Chefia do Governo, por sua vez, é 
desempenhada pelo Primeiro-Ministro ou pelo Conselho de 
Ministros. 
As funções de chefe de Estado e chefe de Governo podem, a 
grosso modo, ser conceituadas em conformidade com o âmbito de 
atuação do líder: o chefe de Estado representa o país nas relações externas junto a outros países e o chefe 
de Governo, por sua vez, atua no âmbito da política interna do país. 
Forma de Governo 
A forma de Governo refere-se à relação entre governante e governados. Portanto, no caso em que 
o governante seja eleito mediante voto popular, por um certo período de tempo (não vitaliciedade), temos 
a forma de governo republicana. Na forma de governo republicana, o governante eleito tem a 
responsabilidade de prestar contas dos seus atos e medidas. 
Contudo, no caso em que a forma de governo for marcada pela hereditariedade, vitaliciedade e 
ausência de eleições, temos a monarquia. Na forma de governo monárquica, o governante não responde 
pelos seus atos e medidas. 
MACETESIstema de GOverno: SI + GO: SIGO O 
PRESIDENTE ---- PRESIDENCIALISMO 
FOrma de GOverno: FO + GO: FOGO na 
República ---- Forma Republicana 
REgime de GOverno: RE + GO: REGO 
DEMOCRÁTICO (essa não faz nenhum 
sentido, porém é engraçada. Vocês 
irão lembrar! 
Forma de Estado: F + E: FEDERALISMO 
 
10 
 
Direito Administrativo 
Conforme estudado, o Direito Administrativo é um ramo do 
direito público que tem como objeto as relações internas à administração 
pública (órgãos e entidades administrativas), as relações entre a 
administração e os administrados e as atividades da administração 
(prestação de serviços públicos, atividades de fomento, intervenção, etc.). 
Destaca-se que as atividades que são objetos do Direito 
Administrativo não serão desempenhadas somente pelo Poder Executivo, os outros poderes também 
desempenham atipicamente essas funções. 
Existem seis correntes que se propõem a conceituar e definir Direito Administrativo e devem ser 
estudadas na sua preparação, são elas: 
 Corrente Legalista (Escola Exegética): para os legalistas, o Direito Administrativo se resume no 
conjunto de leis administrativas. Essa corrente não prosperou ao longo dos anos em virtude de seu 
viés reducionista, uma vez que desconsidera o papel de outras fontes normativas importantes 
como a doutrina, jurisprudência, princípios e etc. 
 Corrente do Poder Executivo: essa corrente define o Direito Administrativo como um complexo 
de leis disciplinadoras da atuação do Poder Executivo. Essa corrente também não logrou êxito, 
uma vez que condensa a noção de Administração Pública em um único poder. Ora, conforme já 
estudado, outros poderes (Judiciário e Legislativo) também podem exercer a função administrativa 
de forma atípica. 
 Corrente das relações jurídicas: essa corrente conceitua o Direito Administrativo como o ramo do 
Direito que regula as relações jurídicas travadas entre o poder público e o particular. Contudo, 
esse é um conceito incompleto, tendo em vista que outros ramos jurídicos (como Direito Penal e 
o Direito Tributário) também regulamentam com essa relação Estado X Particular. 
 Corrente do serviço público: segundo essa corrente, o Direito Administrativo seria o ramo que 
disciplina a prestação de serviços públicos, tidos como os serviços prestados pelo Estado e 
necessários à existência dos cidadãos. Essa corrente surge com a Escola do Serviço Público francesa 
e segue as orientações de Leon Duguit. 
 Corrente teleológica ou finalística: segundo essa corrente, o Direito Administrativo seria formado 
por um sistema de princípios jurídicos que regulam a atividade do Estado para a persecução do 
bem comum da sociedade. Essa definição esta correta, porém é insuficiente e demasiadamente 
ampla. 
 Corrente negativista: essa corrente traça o conceito de Direito Administrativo por exclusão. Desse 
modo, o Direito Administrativo seria composto por toda a atuação estatal que não é objeto de 
outro ramo jurídico. Contudo, essa corrente também não conseguiu definir o Direito 
Administrativo de forma satisfatória, haja vista que utiliza um critério negativo para estabelecer 
uma área do Direito e, portanto, não apresenta uma definição clara. 
Atualmente, a melhor conceituação é a trazida pelo critério funcional, segundo a qual o Direito 
Administrativo é o ramo que tem por objeto a disciplina da função administrativa, independentemente 
de quem a exerça (Poder Executivo, Legislativo, Judiciário). 
Fontes do Direito Administrativo 
O termo “fonte” refere-se à origem, lugar de onde provém algo. No caso, de onde emanam as 
regras do Direito Administrativo. Nesse caso, são fontes do Direito Administrativo: 
ATENÇÃO 
 
Nesse ponto da matéria, o que é mais 
cobrado é o conceito de Direito 
Administrativo, e as correntes 
legalistas e do serviço público. 
11 
 
1. Lei em sentido amplo: constitui uma fonte primária. Conforme 
regra constante no art. 5º, II, da Constituição Federal: “ninguém 
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se não em 
virtude de lei.”. Em seu sentido amplo, a lei abrangerá as normas 
constitucionais, a legislação infraconstitucional, os regulamentos 
administrativos e os tratados internacionais; 
2. Jurisprudência: refere-se às reiteradas decisões judiciais que 
influenciam o direito administrativo. Trata-se de uma fonte 
secundária, haja vista que, em regra, as decisões judiciais não 
possuem uma aplicação geral e nem efeito vinculante. Nesse 
ponto, convém destacar que, em regra, as decisões judiciais não têm eficácia “erga omnes”, ou seja, 
eficácia perante sujeitos alheios ao processo. Entretanto, como exceção, temos as súmulas vinculantes, as 
decisões de mérito proferidas nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de 
constitucionalidade. Ora, se por um lado a jurisprudência em geral só vincula as partes que integram a 
relação processual influenciando o ordenamento jurídico de forma abstrata, por outro as súmulas 
vinculantes vinculam necessária e imediatamente a Administração Pública, razão pela qual não podem ser 
consideradas meras fontes secundárias de Direito Administrativo, mas fontes principais ou diretas. 
Nesse sentido, o art. 103-A da Constituição Federal dispõe que o STF pode, de ofício ou mediante 
provocação, por meio de decisão proferida por dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões 
sobre matéria constitucional, aprovar Súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito 
vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E 
INDIRETA, nas esferas federal, estadual e municipal. Ao sedimentar um posicionamento por meio da edição 
de Súmula Vinculante, pretende-se mitigar a insegurança jurídica e evitar a multiplicação de lides em torno 
de uma mesma questão. 
3. Doutrina: conjunto de teses e estudos acerca do Direito que influenciam a elaboração das leis, trata-se 
de uma fonte secundária; 
4. Costumes: conjunto de regras não escritas adotadas pela sociedade, trata-se de fonte secundária 
indireta (secundum legem, praeter legem). 
#FICA A DICA 
● Estado: Estado é um ente soberano que é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um 
território". 
● Governo: cúpula diretiva do Estado, responsável pela condução dos altos interesses estatais e pelo 
poder político; 
● Poder Executivo: complexo de órgãos estatais estruturados sobre a direção superior do Chefe do 
Executivo; 
● Administração Pública: conjunto de órgãos e agentes estatais que atuam no exercício da função 
administrativa, independentemente se os órgãos pertencem ao Poder Executivo, Legislativo ou 
Judiciário. 
Administração Pública – sentidos amplo e estrito 
O termo Administração Pública pode ser compreendido levando em consideração dois sentidos: 
amplo e estrito. Administração Pública em sentido amplo abrange as funções administrativas 
desempenhadas pelos órgãos e as funções políticas, ligadas às atividades de comando superior do Governo. 
ATENÇÃO 
A lei é a única fonte primária do Direito 
Administrativo e existe GRANDE 
divergência doutrinária acerca dos Atos 
Administrativos infralegais e se esses 
estariam, ou não, inseridos nessa fonte. Para 
fins de prova, considerem que os 
regulamentos administrativos infralegais 
encontram-se inseridos nessa fonte. 
 
Em 2016, a banca CESPE considerou certa 
essa assertiva. 
12 
 
A administração pública em sentido estrito, por sua vez, refere-se às atividades de cunho 
administrativo de execução dos programas governamentais, de forma profissional e apartidária, 
desempenhada pelos órgãos e pessoas administrativas. 
Administração Pública – sentidos subjetivo e objetivo 
Administração Pública é um conceito que abrange dois 
sentidos distintos, podendo ser entendida como o conjunto deestruturas estatais voltadas para o atendimento das necessidades da 
coletividade e como o conjunto de funções desempenhadas pela 
máquina estatal. Desse modo, a Administração pode ser conceituada 
segundo os critérios descritos abaixo: 
a) critério subjetivo/formal/orgânico: refere-se ao conjunto de 
órgãos, agentes e entidades que formam a estrutura que 
desempenha a função administrativa em conformidade com a lei – 
manifestando-se, tipicamente, por meio do Poder Executivo, mas, 
atipicamente, por meio dos poderes Judiciário e Legislativo. O Brasil adota esse critério e, por essa razão, 
nenhum particular, ainda que esteja eventualmente no exercício de função administrativa, integra o 
conceito de Administração Pública em sentido subjetivo. 
b) critério objetivo/material/funcional: trata-se da própria função ou atividade administrativa que é 
realizada. Nesse sentido, as principais atividades administrativas são: prestação de serviços público; 
exercício do Poder de Polícia; atividades de fomento – serviços de incentivo e atividade-estímulo que a 
Administração realiza; intervenção no direito de propriedade do particular, intervenção no domínio social 
e etc. Nesse sentido, as empresas privadas (concessionárias e permissionárias) que prestam serviços 
públicos desempenham a função administrativa em sentido material, mas não compõem a administração 
pública em sentido formal. 
Sistema Inglês e Sistema Francês 
O Sistema administrativo refere-se ao regime de controle dos Atos Administrativos editados pelo 
Estado. O sistema adotado poderá ser o sistema inglês ou sistema francês. 
No sistema inglês, o controle dos atos administrativos ilegais será realizado pelo Poder Judiciário 
(unicidade de jurisdição), haja vista que esse poder é o único que possui competência para decidir com 
força definitiva, formando coisa julgada. 
No sistema francês, por sua vez, tem-se o sistema de dualidade de jurisdição, ou seja, nesse 
sistema compete ao contencioso administrativo (tribunais administrativos) decidir/julgar as controvérsias 
que envolvam atos da administração pública, isto é, não compete ao Poder Judiciário a análise dos atos da 
administração, esse poder fica restrito à jurisdição comum e solução dos demais litígios apresentados em 
sociedade. Trata-se de sistema de dualidade de jurisdição: jurisdição administrativa e jurisdição comum. 
ATENÇÃO 
 
Despenca nas provas e é fácil! PONTO 
MAIS COBRADO DESSE CAPÍTULO 
 
Administração Pública: 
 
Critério SUbjetivo/formal: SUjeitos, 
órgãos, entidades que desempenham a 
função administrativa -> LEI (“SU” de 
SUbjetivo e de SUjeito) 
 
Critério material/objetivo: trata-se da 
matéria/função ou atividade 
administrativa. 
 
 
 
 
13 
 
O Brasil adota o sistema inglês no qual, conforme 
estudado, todos os litígios – administrativos ou privados – 
estão sujeitos ao controle do Poder Judiciário, ao qual 
compete proferir decisões com caráter definitivo. O 
referido sistema encontra-se consubstanciado na 
Constituição Federal de 1988, no art. 5º, XXXV que assim 
dispõe: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito”. Destaca-se, novamente, que 
esse sistema não implica em retirar da Administração 
Pública a possibilidade de controle dos seus próprios atos 
(autotutela administrativa), contudo, as decisões tomadas 
em âmbito administrativo não são dotadas de 
definitividade, não geram coisa julgada e não têm caráter 
jurisdicional, ou seja, as decisões administrativas ficam 
sujeitas à revisão pelo Poder Judiciário. 
Cumpre ressaltar, ainda, que caso o particular opte 
por instaurar um processo em âmbito administrativo, o 
mesmo poderá a qualquer tempo recorrer ao Poder Judiciário, antes ou depois de esgotada a via 
administrativa. Portanto, o particular não precisa “esgotar” a instância administrativa, ou recorrer 
administrativamente, para que possa recorrer ao Judiciário, haja vista que a justiça é inafastável (a qualquer 
tempo -> Judiciário) 
QUADRO RESUMO 
Origem do Direito Administrativo Revolução francesa – surgimento do Estado de Direito 
Evolução do Estado e do Direito Administrativo ● Monarquia 
● Estado Liberal de Direito; 
● Estado de Bem-Estar Social de Direito; 
● Estado Democrático de Direito. 
Fontes de Direito Administrativo - Primária: Lei 
- Secundárias: 
● Doutrina; 
● Jurisprudência (súmulas vinculantes – fontes 
principais); 
● Costumes; 
● Princípios gerais do Direito. 
Controle Administrativo Sistema francês: Conselho de Estado controla a 
Administração; 
Sistema inglês: Poder Judiciário controla os Atos 
Administrativos em conformidade com a legalidade – 
ADOTADO NO BRASIL 
Definição do Direito Administrativo 1 - Corrente Legalista (Escola Exegética) 
2 - Corrente do Poder Executivo 
3 - Corrente das relações jurídicas 
4 - Corrente do serviço público 
5 - Corrente teleológica ou finalística 
6 –Corrente negativista 
O Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que reúne o conjunto harmônico de princípios que regem os órgãos e 
agentes que exercem a atividade pública para a realização dos fins almejados pelo Estado, de forma concreta, direta e 
imediata. 
PONTO MAIS COBRADO 
 
Administração Pública: 
 
 Critério SUbjetivo/formal: SUjeitos, órgãos, entidades que desempenham a função administrativa -> LEI – 
ADOTADO NO BRASIL 
 Critério material/objetivo: trata-se da matéria/função ou atividade administrativa. 
 
ATENÇÃO 
Esse parágrafo responde a cerca de 70% das questões 
sobre esse tópico da matéria. Isso você PRECISA 
MEMORIZAR. 
 
A justiça no Brasil é inafastável – decisões com caráter 
definitivo/coisa julgada -> Poder Judiciário. 
 
 
 
 
Sistema Inglês 
(dotado no 
Brasil)
Poder 
Judiciário
Sistema Francês 
Tribunal de 
Conflitos 
(competência)
Poder Judiciário 
(julgamento das 
causas comuns)
Conselho de Estado 
(julgamento dos 
atos 
administrativos)
14 
 
 
 
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessa matéria, quais são os 
pontos mais cobrados nesse capítulo. 
 
 
 
 
 
Portanto, os princípios mais cobrados são os Princípios da Impessoalidade, Publicidade, 
Legalidade, Autotutela e Continuidade. Cumpre destacar que os princípios que formam o Regime Jurídico 
Administrativo SEMPRE estão presentes nas provas! 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
15 
 
Regime Jurídico Administrativo 
O regime jurídico administrativo consiste no conjunto de princípios e regras que estruturam o 
Direito Administrativo e podem ser conceituados como as orientações normativas que propõem a 
interpretação e a aplicação do Direito, estabelecendo a lógica dessa disciplina. 
Os princípios são mandamentos gerais e verdadeiras diretrizes para a atuação 
dos entes da Administração Direta e Indireta, no âmbito de todos os poderes 
(quando estiverem no exercício da função administrativa) e para todos os 
entes da Federação. Destaca-se que todos os princípios administrativos são 
princípios que decorrem do texto constitucional, sendo que alguns 
encontram-se expressos na Constituição e outros implícitos. Além disso, 
cabe ressaltar que NENHUM princípio é absoluto ou se sobrepõe abstratamente frente aos outros. No 
momento em que houver contrariedade entre os princípios (antinomia jurídica imprópria), haverá uma 
ponderação de interesses no caso concreto, definindo-se uma solução que sacrifique o mínimo possível os 
princípios envolvidos. 
Posto isso, convém elencar os princípios que estruturam o Regime Jurídico de Direito Público, 
tratam-se de supraprincípios ou princípios centrais que norteiam a atuação da administração: 
a) Supremacia do interessepúblico sobre o privado: esse princípio 
estabelece que, havendo um conflito, no caso concreto, entre o 
interesse privado e o interesse público prevalecerá o interesse 
público, que reflete os anseios da coletividade. Nesse sentido, tendo 
em vista que o ente estatal busca atender a esse interesse, ao poder 
público são conferidos alguns poderes e prerrogativas especiais que 
o particular não possui, poderes esses necessários a garantir a supremacia do interesse público e assegurar 
o alcance do objetivo estatal. Ex: desapropriação, prerrogativas processuais e etc. 
b) Indisponibilidade do interesse público: esse princípio estabelece que, conforme o nome já diz, o 
interesse público é indisponível, ou seja, o agente público não pode fazer uso das prerrogativas e poderes 
públicos para alcançar um interesse diverso daquele relacionado ao interesse da coletividade (o agente 
não pode dispor do interesse público), esteja o Estado exercendo sua função sob o regime de direito 
público, regime híbrido ou regime de direito privado. 
Desse modo, o Estado, sendo o responsável pela administração da coisa alheia que pertence ao 
povo, fará uso dos poderes e prerrogativas especiais (que o particular não possui) estritamente para 
alcançar o bem comum. Portanto, o referido princípio estabelece limites à supremacia do Poder Estatal. 
Ex: obrigatoriedade de realização do procedimento administrativo licitatório prévio às contratações. 
FICA A DICA 
Cumpre ressaltar que o STF entende ser possível atenuar 
o princípio da indisponibilidade do interesse público em algumas 
situações específicas, em particular na realização da transação, 
quando este ato não se demonstrar oneroso para a Administração 
e representar a melhor maneira para ultimar o interesse coletivo. 
A tônica/lógica do Regime Jurídico Administrativo é 
estruturada por esses dois 
princípios que tratam das prerrogativas estatais (Princípio da 
Supremacia do Interesse Público frente ao Privado) e de suas 
limitações (Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público). 
Entretanto, cabe destacar que, a despeito do fato de que esses dois 
mandamentos representam a base do Regime Jurídico Administrativo, 
destaca-se NOVAMENTE que não há hierarquia entre os princípios 
ATENÇÃO 
 
As Empresas Públicas e 
Sociedade de Economia Mista 
devem observar os princípios 
administrativos. 
ATENÇÃO 
 
Essa noção do Regime Jurídico 
Administrativo SEMPRE está presente nas 
provas, não subestimem a importância 
dessa matéria! 
QUESTÃO CESPE 
 
O princípio da indisponibilidade do 
interesse público não impede a 
administração pública de realizar acordos e 
transações. 
 
Correto 
NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE 
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS, 
NENHUM PRINCÍPIO 
PREVALECE FRENTE A OUTRO 
PRINCÍPIO. Havendo conflito entre 
dois princípios haverá uma 
ponderação de interesses. 
16 
 
administrativos, sendo que todos esses terão a mesma força no ordenamento jurídico, sejam esses 
implícitos ou expressos na Constituição Federal. 
Princípios Administrativos Constitucionais expressos 
 Primeiramente, estudaremos os princípios administrativos expressos que encontram-se inseridos 
no artigo 37, caput, da CR/88. Contudo, cabe destacar que TODOS os demais princípios administrativos 
decorrem da Constituição Federal de 1988, ainda que 
implicitamente. In verbis: 
“Art. 37- A Administração Pública direta e indireta de qualquer 
dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos 
municípios obedecerá aos princípios de legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. 
Legalidade: esse princípio estabelece que a Administração 
Pública só poderá atuar quando a lei permitir. Segundo o 
Princípio da Legalidade enquanto o particular é livre para fazer 
tudo o que não esteja proibido em lei (art. 5º, inciso II, CF expõe 
“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei”), a Administração Pública deverá agir 
apenas em conformidade com o ordenamento jurídico e todos 
os instrumentos jurídicos existentes na ordem jurídica. 
Nesse ponto, convém esclarecer que a Legalidade não elimina a existência de atos discricionários, 
isto é, atos nos quais o agente público possui certa margem de liberdade e pode analisar a conveniência 
e a oportunidade (mérito administrativo) do interesse público em determinada situação. Claro né pessoal!, 
O legislador não poderia prever todas as situações que seriam evidenciadas pela Administração Pública no 
caso concreto e antecipar qual deve ser a melhor escolha para o Estado. Por essa razão, em algumas 
situações, a Lei confere ao administrador certa margem de discricionariedade para avaliar qual escolha 
atenderá aos objetivos perseguidos pela Administração (finalidade específica do ato). Deve-se destacar 
que essa escolha deve ser realizada dentro dos limites legais, e deve estar pautada pela busca do interesse 
público, bem como atender aos demais princípios constitucionais. 
É importante destacar que a Administração Pública 
encontra-se sujeita, ainda, à observância de seus próprios atos 
normativos editados, sendo que a edição dos atos normativos pela 
administração deve ser desempenhada dentro dos limites da lei, 
ou seja, não pode, EM REGRA, inovar no ordenamento jurídico. 
FICA A DICA − EXCEÇÕES À LEGALIDADE 
Em algumas situações excepcionais, previstas no texto constitucional, o Poder Executivo poderá 
editar medidas que promovem a INOVAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO (atos normativos primários). 
Tratam-se de situações em que há outorga de poderes atípicos ao Poder Executivo que alteram o 
funcionamento regular do Princípio da Legalidade (a competência para inovar no ordenamento jurídico é 
função TÍPICA do Poder Legislativo). Nessas situações, o Poder Executivo poderá editar medidas que 
promovem inovação no ordenamento jurídico, são elas: edição de Medida Provisória, elaboração de leis 
delegadas, edição de decreto autônomo que verse sobre organização e funcionamento da Administração 
Federal (desde que não implique em aumento de despesa e nem criação e extinção de órgãos públicos que 
deve ser realizada por lei), extinção de cargos e funções vagas. 
Ademais, em situações em que for instaurado o estado de defesa e estado de sítio, o Poder 
Executivo poderá editar medidas com força de lei e restringir direitos individuais. Portanto, nessas 
situações o Poder Executivo vai estar desempenhado, ATIPICAMENTE, função que é típica do Poder 
Legislativo. 
FICA A DICA 
Para memorização: as letras iniciais dos 
princípios administrativos expressos 
formam a palavra LIMPE = L (Legalidade) + 
I (Impessoalidade) + M (Moralidade) + P 
(Publicidade) + E (Eficiência). 
 
QUESTÃO ESAF 
A pretexto de atuar eficientemente, é possível 
que a administração pratique atos não 
previstos na legislação. 
Errado 
 
QUESTÃO CESPE 
 
Em razão do Princípio da Legalidade, a 
Administração Pública está impedida de 
tomar decisões fundamentadas nos 
costumes. 
 
Errado 
17 
 
 
 
Impessoalidade (princípio da não discriminação): esse 
princípio estabelece que a atuação do gestor público deve ser 
impessoal, ou seja, o gestor público não pode atuar para fins 
de beneficiar e nem para prejudicar o particular. Portanto, o 
administrador deverá atuar na busca pelo interesse público, 
independentemente de quem seja a pessoa a qual o Ato 
Administrativo irá atingir. 
Destaca-se que tal premissa não se refere a conferir 
o mesmo tratamento a todos, mas, sim, a tratar os iguais 
igualmente e os desiguais desigualmente, na medida em que 
se desigualam (Princípio da Isonomia – igualdade material). 
Sabemos que os cidadãos não possuem as mesmas condições 
e, muitas vezes, mostra-se necessário conferir um tratamento 
diferenciado a uma determinadaclasse de pessoas no intuito 
de garantir o acesso aos serviços públicos e promover a 
redução das desigualdades. Nessa medida, o ente estatal irá 
conferir um tratamento diferenciado a essas pessoas no 
intuito de alcançar a denominada ISONOMIA MATERIAL. Ex.: 
reserva de vagas aos portadores de deficiência nos concursos 
públicos. 
Cabe destacar que quando o agente pratica o ato não é o servidor público quem está atuando, mas 
sim o Estado por meio desse agente. Este pensamento traduz a Teoria da imputação volitiva, segundo a 
qual a vontade do agente público é imputada ao Estado. Dessa forma, segundo o entendimento da 
professora Maria Sylvia Zanella di Pietro, o Princípio da Impessoalidade é fundamento para fins de 
reconhecimento de validade dos atos praticados por “funcionário de fato” (aquele que não foi investido 
no cargo ou função pública regularmente), haja vista que a conduta desse agente, que encontra-se irregular, 
é imputada ao órgão no qual encontra-se inserido e, por essa razão, o ato será válido (vício sanável no 
elemento competência. 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
No ano de 2016 o servidor público requereu a concessão do direito de aposentadoria que estava sob análise 
do Tribunal de Contas. Em determinada data, o Tribunal aprovou e concedeu o direito de aposentaria ao 
servidor. Contudo, esse servidor (sem tomar conhecimento do registro da aposentadoria) continuou 
atuando no serviço público com aparência de legalidade. Nessa situação, haja vista a boa-fé do servidor, 
considerando o atributo de presunção de legitimidade dos atos administrativos e, por fim, tendo em vista 
a Teoria da imputação volitiva (a vontade desse servidor é imputada à pessoa jurídica na qual o mesmo 
encontra-se lotado) tem-se o reconhecimento e a convalidação do vício de competência. 
 
Em decorrência dessa teoria, é vedada a realização de promoção 
pessoal/publicidade da figura do agente público (prefeito, governador, presidente) 
nas medidas implementadas pela Administração Pública (ex.: obras públicas), 
considerando-se que o ente estatal é o RESPONSÁVEL pela medida e não o agente 
público. Desse modo, a publicidade do Ato Administrativo deverá respeitar o 
caráter meramente informativo e educativo. Portanto, uma obra promovida em um 
determinado município deve ser atribuída à Prefeitura Municipal e não ao Prefeito, 
ATENÇÃO 
 
ESSE É O PRINCÍPIO MAIS COBRADO NAS 
PROVAS DE CONCURSO. Fique atento: 
 
A finalidade da atuação do agente público é o 
atendimento ao interesse público; 
 
Teoria da imputação volitiva: a vontade do agente 
público é imputada ao Estado. 
 
É vedada a realização de promoção 
pessoal/publicidade da figura política/agente 
público nas medidas implementadas pela 
Administração Pública. 
 
 
OBRA DO 
Governador do Estado 
de Minas (ERRADO) 
 
Obra do Governo do 
Estado de Minas 
(CERTO) 
18 
 
ou seja, a publicidade não poderá ser utilizada com caráter promocional à figura do agente público e a 
divulgação deverá ser atribuída ao ente estatal. 
FICA A DICA 
No que tange ao tema, a título de complementação, destaca-se que o STJ reconhece a possibilidade de 
homenagear servidores ou autoridades que não mais estão em atividade 
"O Conselho Nacional de Justiça, considerando que a Lei n. 6.454, de 24 de outubro de 1977, que veda a 
atribuição de nome de pessoa viva a bem público, por ser anterior à Constituição Federal de 1988, há de ser 
dada interpretação conforme a Lei Maior, fez editar a Resolução n. 52, de 08 de abril de 2008, que, mesmo 
mantendo a proibição de homenagem à pessoa viva através da denominação de prédios da justiça, ressalvou 
a hipótese de se homenagear o servidor ou autoridade que já se encontre em inatividade." (RECURSO 
ESPECIAL Nº 1.370.468 - RN (2011⁄0305676-8) 
No que se refere ao Princípio da Impessoalidade, cumpre destacar que não se admite na 
Administração Pública a prática do nepotismo, ainda que cruzado, pois implicaria no uso da máquina 
pública para favorecimento pessoal (cabide de emprego). O nepotismo refere-se ao ato de nomeação “de 
cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da 
autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou 
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na 
administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal 
e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas” (Súmula Vinculante n. 13). 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? O que é nepotismo? 
Ex.: “João” não poderia nomear um parente até o terceiro grau como seu subordinado por se tratar de 
manifesta hipótese de nepotismo. Então, “João” nomeia um parente de “Carlos” e “Carlos” nomeia uma 
parente de “João”. Nesse caso também estaria configurado o nepotismo cruzado – designações recíprocas 
− que, conforme transcrito acima, também é vedado. 
Assista ao Minuto do Direito: https://www.youtube.com/watch?v=MPFspNrKPIo 
Portanto, essa reciprocidade de nomeações é vedada expressamente por texto da súmula, 
inadmitindo-se qualquer expediente que, ainda que de forma indireta, atente contra a impessoalidade 
das nomeações. O texto da súmula abrange, ainda, a nomeação de companheiros ou companheiras, ou 
seja, aqueles que possuem relação de união estável com a autoridade nomeante. 
Todavia, destaca-se que, conforme entendimento firmado pelo próprio STF, a vedação ao 
nepotismo não se aplica à nomeação para o exercício de cargos políticos, como é o caso dos cargos de 
Secretário ou de Ministro de Estado. Nessa hipótese, inexiste proibição à nomeação de parentes, desde 
que o parente possua condição técnica de exercer o “munus” público a ele transferido. Isso deve-se ao 
fato de que a nomeação para o exercício de função política se reveste da qualidade de ato político e, como 
tal, goza de amplo grau de discricionariedade. Exemplo: O Governador do Estado poderia nomear um 
parente de 1º grau para o cargo de secretário de Estado, por se tratar de um cargo político, desde que o 
mesmo possua capacidade técnica para exercê-lo. 
FICA A DICA 
Considerando a temática licitações públicas, o Princípio 
da Impessoalidade obriga à Administração tratar todos os 
licitantes de forma isonômica, preservando a igualdade de 
condições de participação a todos esses. 
 
QUESTÃO CESPE 
 
A impessoalidade é princípio que norteia a 
administração e está intimamente afeta às 
licitações públicas. 
 
Correto 
19 
 
Moralidade: esse princípio trata da moralidade jurídica, ética, lealdade, boa-fé de conduta, honestidade 
e probidade no trato com a coisa pública. O referido princípio não se refere à moralidade social comum 
vigente na comunidade, e sim a respeito da MORALIDADE JURÍDICA OBJETIVA. Destaca-se que a moral 
que guia esse princípio não é a moral comum, trata-se da moral jurídica, e NÃO SUBJETIVA, sendo 
absolutamente irrelevante investigar os fatores subjetivos e as motivações psicológicas de quem realizou 
o comportamento imoral. 
FICA A DICA 
O ato que viole o Princípio da Moralidade é um ato viciado e não deve ser revogado e sim anulado. 
O ordenamento jurídico prevê diversos instrumentos de controle da moralidade administrativa e 
que poderão ensejar a anulação do ato administrativo, tais como: Ação de improbidade (Lei 8.429/1992), 
Ação Popular (Lei 4.717/1965), Controle externo exercido pelo Tribunal de Contas, hipóteses de 
inelegibilidade (LC 64/90), sanções administrativas e judiciais previstas na Lei 12.846/2013. O dever de 
probidade do agente público alcança a observância a todos os princípios administrativos, haja vista que a 
ofensa a esses ditames poderá configurar ato de improbidade administrativa.Publicidade: trata-se do dever de clareza, de transparência dos 
atos administrativos, ou seja, tudo o que acontece na esfera 
administrativa deve ser publicizado. A transparência dos Atos 
Administrativos possibilita a realização do controle e o 
conhecimento, pela sociedade, dos atos editados pela 
administração. Nesse sentido, são funções da publicidade: 
 Exteriorização de vontade da Administração; 
 Requisito de eficácia do ato administrativo – a produção 
de efeitos dos atos administrativos ocorre a partir da 
publicidade; 
 A publicidade do ato torna exigível o conteúdo da medida 
administrativa; 
 Transparência dos atos, possibilitando o conhecimento e, consequentemente, o controle de 
legalidade das medidas da Administração pela população (controle social); 
A publicidade é imprescindível, pois a partir dela é que se admite a presunção do conhecimento dos 
atos administrativos pela sociedade. Portanto, a publicidade é necessária para fins de conferir eficácia ao 
ato administrativo, marcando o início da contagem dos prazos. Entretanto, destaca-se que ainda que a 
atuação da Administração não fosse eficaz antes da notificação, não restam dúvidas que o ato poderá ser 
considerado válido, uma vez que a publicidade é requisito de eficácia dos atos administrativos E NÃO DE 
VALIDADE. 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
Ex.: no caso em que uma multa é imputada a determinado cidadão por ter ultrapassado, de forma indevida, 
o sinal vermelho, enquanto o administrado não for notificado do auto de infração, a contagem do prazo 
para a apresentação de sua defesa não se iniciará, pois ele sequer tomou conhecimento da atuação estatal. 
Ou seja, a publicidade é o requisito necessário para que o ato passe a produzir efeitos. 
Destaca-se que o termo publicidade não é o mesmo que publicação do ato, a publicação é uma das formas 
de se dar publicidade ao ato, porém, não é o único meio utilizado. Ex: uma mudança no transito será 
publicizada através da colocação de placas de “proibido estacionar” e sinais de transito. 
ATENÇÃO 
 
Esse é o segundo princípio mais cobrado. O ponto 
mais recorrente nas provas diz respeito às 
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA 
PUBLICIDADE, são elas: 
 restrição à publicidade para a proteção 
da intimidade, honra, vida privada, 
relevante interesse coletivo e proteção 
da segurança nacional. 
 
 
20 
 
 
O ordenamento jurídico consagrou diversos instrumentos aptos a exigir o cumprimento do 
Princípio da Publicidade pela Administração Pública, tais como: o direito de petição ao Poder Público, o 
direito de receber certidões em repartições públicas para defesa de direitos e esclarecimentos de 
situações de interesse pessoal, mandado de segurança, habeas data, etc. 
Como todo e qualquer princípio, o Princípio da Publicidade não 
é ABSOLUTO, de sorte que a própria Constituição Federal estabelece 
exceções: restrição à publicidade para a proteção da intimidade, honra, 
vida privada, relevante interesse coletivo e proteção da segurança 
nacional. Desse modo, a Administração deve manter sigilo de suas condutas sempre que a publicidade de 
seus atos for de encontro a alguma dessas garantias constitucionais. Entretanto, destaca-se que nenhuma 
informação que o poder público possua poderá ser mantida em segredo eterno sob a alegação de proteção 
a segurança nacional, a restrição será temporária conforme a classificação do documento. 
Contudo, cumpre ressaltar que, em conformidade com a jurisprudência do STF (ARE 652.777/SP 
repercussão geral), considera-se lícita a divulgação do nome e da 
remuneração dos servidores na internet. Trata-se de uma 
aplicação do Princípio da Publicidade, que assegura o acesso a 
informações de interesse geral e coletivo. Além disso, as verbas 
indenizatórias para exercício da atividade parlamentar têm 
natureza pública, não havendo razões de segurança ou de 
intimidade que justifiquem genericamente seu caráter sigiloso. 
Por fim, destaca-se, novamente, que a publicidade NÃO 
É ELEMENTO FORMATIVO DO ATO, é requisito de eficácia. Por essa razão, os atos irregulares não se 
convalidam com a publicação, nem os atos regulares dispensam a publicação para sua exequibilidade. 
Eficiência: O princípio da eficiência administrativa estabelece que a 
Administração Pública deve atender aos mandamentos legais e 
buscar alcançar resultados positivos com o menor gasto possível, 
atingir metas. O referido princípio foi inserido na Constituição com 
a edição da Emenda Constitucional 19/98, com o objetivo de 
substituir a Administração Pública burocrática pela Administração Pública gerencial, no que tange aos 
procedimentos administrativos adotados bem como à prestação de serviços a coletividade. Trata-se de uma 
norma de aplicação imediata. Ex: o servidor público está sujeito a uma avaliação especial de desempenho 
para fins de aquisição da estabilidade – avaliação de eficiência. 
A noção de eficiência está relacionada à economicidade, ou seja, atuação que alcance uma melhor 
relação custo/benefício da atividade administrativa ao atender ao interesse público. Destaca-se que a 
atuação administrativa que não observar a orientação de eficiência é ilegal, o que ensejará a ANULAÇÃO 
da medida, salvo quando a anulação representar prejuízo ainda maior ao interesse público. 
Outros Princípios expressos na Constituição Federal 
 
● Princípio da Participação (art.37, § 3º, da CF/88): esse princípio trata acerca das formas de 
participação do cidadão na gestão da coisa pública. Ex.: possibilidade de envio de reclamações 
relativas aos serviços públicos prestados, acesso a registros, representação contra ato abusivo e 
etc. 
● Celeridade Processual (art. 5, LXXVIII, da CF/99): esse princípio assegura a todos os processos, 
judicial ou administrativo, a razoável duração e os meios que garantem a celeridade e rapidez de 
sua tramitação. 
● Devido processo legal (art. 5, LIV da CF/88): vide tópico abaixo; 
NENHUM princípio é ABSOLUTO, 
fiquem ATENTOS para as exceções 
ao Princípio da Publicidade -> esse é 
o ponto que mais cai em prova! 
QUESTÃO FCC 
 
A publicidade é fator de eficácia e requisito 
de moralidade dos Atos Administrativos; 
entretanto, a publicação de atos irregulares 
não os convalida. 
 
Correto 
A parte grifada responde praticamente 
TODAS as questões relativas a esse 
princípio. 
21 
 
● Contraditório (art. 5, LV da CF/88): vide tópico abaixo; 
● Ampla Defesa (art. 5, LV, da CF/88): vide tópico abaixo; 
Princípio do devido Processo Legal Administrativo: o direito ao devido processo legal também se encontra 
expresso na Constituição Federal (artigo 5º, LIV e LV da CR/88) e integra a Teoria Geral de Processo, sendo, 
portanto, válido tanto para o processo judicial quanto para o processo administrativo, vejamos: 
“Art. 5º (...) LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; 
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e ampla defesa, com os meios recursos a ela inerentes;” 
 
Tal princípio consiste no direito de que seja rigorosamente respeitada no processo uma série de atos 
(transparentes e impessoais) que visam a um resultado final. Nesse sentido, em sede do devido processo 
legal administrativo deve ser assegurado o direito ao contraditório e a ampla defesa. A ampla defesa 
abarca o direito a: 
● Defesa prévia: o particular terá o direito de se manifestar antes 
do julgamento, mesmo que não seja representado por 
advogado. Nesse sentido, destaca-se o texto da Súmula 
Vinculante nº 5 que estabelece: “A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a 
Constituição”. 
● Defesa técnica: o particular poderá, caso seja de seu interesse, 
manifestar-se mediante a representaçãode um advogado; 
● Duplo grau de julgamento: o duplo grau de jurisdição estabelece que a decisão administrativa 
poderá ser revista, lembrando que, conforme estabelece a Súmula Vinculante nº 21: “é 
inconstitucional a exigência de depósito prévio, caução, garantia para a interposição de recurso 
administrativo”. Ou seja, o particular não precisa pagar nenhuma quantia para fins de interposição 
do recurso administrativo; 
● Direito à informação: refere-se ao direito de acesso aos atos, provas e decisões do processo em 
que o sujeito é uma parte interessada. Destaca-se que o juridicamente interessado no feito tem 
direito a ter vista dos autos e de tirar cópia (sob suas expensas) dos atos processuais 
considerados, por si, relevantes, quando não for possível a realização de carga dos autos para 
análise acurada do procedimento. 
FICA A DICA – SÚMULA VINCULANTE Nº 3 DO STF 
“Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando 
da decisão puder resultar anulação ou revogação de Ato Administrativo que beneficie o interessado, excetuada a 
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão”. 
ATENÇÃO 
 
A súmula vinculante nº 5 é o aspecto 
MAIS COBRADO nas provas de 
Concurso Público, no que tange a esse 
princípio. Segundo o texto da Súmula, 
qualquer pessoa pode se defender no 
processo administrativo sem precisar 
constituir um advogado para tanto. 
22 
 
Princípios Constitucionais implícitos 
Princípio da Continuidade 
Trata-se da orientação acerca do fato de que a 
atividade pública não pode sofrer interrupções 
desarrazoadas, tendo em vista a necessidade permanente de 
satisfação dessa utilidade pelos cidadãos. O referido princípio 
abrange a prestação de serviços públicos, o exercício do poder 
de polícia e as atividades de fomento, porém não atinge a 
atuação do Estado enquanto agente econômico, a atividade 
política de governo, a atividade legislativa e a atividade 
jurisdicional. 
Entretanto, em algumas situações previstas em lei, 
admite-se exceções a esse princípio, quais sejam: paralisação 
da prestação do serviço devido a questões de ordem técnica 
ou segurança das instalações (Ex.: a empresa pública não 
distribui energia elétrica durante um período porque é 
necessário realizar um reparo na rede), situações de urgência 
e devido à falta de pagamento pelo usuário no caso de prestação de serviços públicos. 
Tal norma vem prevista no artigo 6º, § 3º da lei nº 8.987/95 com a seguinte redação: 
“Art. 6º, § 3º(...)Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de 
emergência ou após prévio aviso, quando: 
I – motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, 
II – por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade”. 
 
Nos casos elencados acima, não resta configurado a descontinuidade do serviço público. Destaca-
se que em se tratando de serviços que afetam diretamente o interesse da coletividade a interrupção do 
serviço por inadimplemento do usuário é inviável (Ex.: a concessionária não poderá interromper a prestação 
CAI EM PROVA 
 
- Hipóteses de interrupção do serviço público; 
- Direito de greve do servidor público. 
 
ATENÇÃO 
 
Hipóteses de interrupção na prestação do serviço 
público: 
- Razões de urgência/emergência – sem prévio 
aviso; 
- razões de ordem técnica – mediante prévio 
aviso; 
- por razões de inadimplemento do usuário – 
mediante prévio aviso (ESSA É A HIPOTESE 
MAIS COBRADA). 
 
 
23 
 
do serviço a um hospital). Ademais, o STJ entende que a 
inadimplência que justifica a interrupção da prestação do 
serviço é a de débitos referentes à conta atual de consumo 
e não de débitos pretéritos, como os de outras contas do 
antigo morador do imóvel. 
Em razão dos imperativos traçados pelo Princípio da 
Continuidade, surgem alguns questionamentos: 
1 – Professora, se a Administração Pública deve prestar suas 
atividades continuamente, o servidor público possui direito 
de greve? 
O servidor militar não tem direito de greve e nem 
de sindicalização. Os servidores públicos civis, por sua vez, 
possuem direito de greve que será desempenhado nos 
termos de lei específica, conforme disposição constitucional. 
Contudo, até o presente momento não foi editada a 
mencionada lei especifica regulamentando o exercício desse 
direito. Nesse sentido, haja vista que o direito de greve do 
servidor é uma norma constitucional de eficácia limitada, ou 
seja, o exercício desse direito depende de uma lei que o 
regulamente, e em razão do fato de que até o momento a 
referida norma não foi elaborada, o STF estabeleceu que o 
servidor público poderá exercer o direito de greve nos 
termos da Lei Geral de Greve (inclusive servidores que estão 
no estágio probatório). 
Destaca-se, ainda, que o Superior Tribunal Federal 
firmou entendimento recente (2016) de que, caso o servidor 
exerça esse direito de greve de forma legal, o mesmo sofrerá 
o corte da remuneração durante o exercício deste direito. O 
corte da remuneração justifica-se em razão do fato de que o 
ônus da greve deve ser suportado não só pela 
Administração Pública, como também pelo servidor 
público, uma vez que caso o servidor continuasse recebendo 
sua remuneração, o mesmo teria um incentivo permanecer 
em greve. 
Entretanto, destaca-se que se caso a greve for 
ensejada em razão de medida ilegal da Administração, a 
remuneração dos servidores poderá ser mantida. Ademais, 
admite-se a negociação dos servidores junto à Administração 
no sentido de possibilitar o exercício da greve e garantir a 
manutenção da remuneração. Contudo, nesse último caso, 
ao encerrar a greve, esse servidor deverá compensar os dias 
que ficou parado, sob pena de ressarcimento ao erário. 
2 – Admite-se a aplicação da Cláusula de Exceção de 
Contrato não cumprido no contrato Administrativo? 
A Exceção de Contrato não Cumprido prevista no art. 
476 do Código Civil refere-se à determinação de que “nos 
contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o 
implemento do outro”, ou seja, em um contrato firmado entre dois particulares, se caso uma das partes não 
cumprir as obrigações contratuais, a outra parte poderá se abster do cumprimento dos compromissos. 
O DESASTRE – PRINCÍPIO DA 
CONTINUIDADE – INTERREUPÇÃO DA 
PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO 
 
Hoje eu marquei de sair com o gato com o 
objetivo de fisgar de uma vez por todas o rapaz 
💑💕💍💒👪 
 
Bom, então eu fiz todo um planejamento 
sensacional (muito COMPLEXO, homem dá 
trabalho demais) para ficar estrategicamente 
arrumada sem parecer que eu fiz muito esforço 
(as meninas entendem o que eu estou falando). 
Então, liguei para ele e falei: "Oi gatinho, nem 
vou me arrumar hoje, vou só terminar de escrever 
esse capítulo do livro e você pode passar aqui em 
30 min. Meu celular vai ficar sem bateria, você 
pode me chamar pelo interfone" 
 
Aiiiiii quando eu saí correndo feito louka para 
tomar um banho, fazer escova, fazer chapinha, 
passar maquiagem, escolher a produção "não 
muito arrumada, porém perfeita para conquistar 
o boy", eu percebo que não tinha água no 
chuveiro. Eu havia esquecido que a empresa 
estatal que distribui água em BH tinha enviado 
um aviso, falando que naquele dia ficaríamos 
sem água em razão de um reparo na rede. 
 
Então, eu pensei: "vou ligar para minha amiga e 
tomar banho na casa dela". Mas, quando eu 
menos esperava, a luz da minha casa apaga. 
Estava chovendo muito e um poste de iluminação 
caiu no meio da rua e, para completar, a bateria 
do meu celular acaba. Nisso eu corri para o 
telefone fixo. Maaaas devido ao não pagamento 
daconta de telefone (e vocês ainda acham que 
professor tá tudo rico kkkk) a linha não estava 
funcionando. 
 
PS: eu havia mesmo recebido uma cartinha 
falando que eu estava inadimplente e avisando 
sobre o corte e blá, blá, blá (Afinal, quem usa 
telefone fixo hoje em dia?!?!?! Rs). 
 
Conclusão: desmarquei o meu encontro, a luz 
voltou e sabe o que eu fiz? NADA. Sabe por quê? 
 
Porque em conformidade com a Lei 8.987/95 
admite-se a interrupção da prestação do serviço 
público nas seguintes situações: 
 
1- situação de emergência (poste de iluminação 
que caiu); 
 
2- paralisação por motivos de ordem técnica 
(manutenção na rede de distribuição de água - 
prévio aviso); 
 
3- devido ao inadimplemento do usuário 
(ausência do pagamento da conta de telefone - 
prévio aviso); 
 
TENHO CERTEZA QUE NINGUÉM VAI 
ESQUECER! 
 
24 
 
Entretanto, haja vista que o Contrato Administrativo é regido pelo Regime Jurídico de Direito Público e 
considerando a hipótese em que a Administração Pública seja a parte que encontra-se inadimplente, cabe 
analisar essa possibilidade com muita atenção. Sobre o tema, o Art. 78, XV da Lei nº 8.666 estabelece que: 
“o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, 
serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade 
pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela 
suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação.” 
 
Portanto, somente após 90 dias de inadimplemento dos pagamentos devidos pela Administração 
Pública é que o particular poderá suspender a prestação do serviço – Exceção do Contrato Não Cumprido 
diferida (após 90 dias de inadimplemento). “Professora, quer dizer que o particular deve continuar 
prestando o serviço/produto para a Administração mesmo sem receber o pagamento devido?” SIM, 
somente após 90 dias de inadimplemento pelo Poder Público é que o partilhar pode paralisar suas 
atividades. 
 
3 – Admite-se a aplicação da Cláusula de exceção de contrato não cumprido no contrato administrativo 
de concessão de serviço público? 
Conforme entendimento do doutrinador Marçal Justen Filho, é inviável a aplicação da mencionada 
cláusula nos Contratos de concessão de serviços públicos que, na forma do art. 39 da Lei 8.987/1995, serão 
interrompidos ou paralisados somente em situações excepcionais, AUTORIZADAS JUDICIALMENTE, quando 
direitos fundamentais da concessionária estiverem ameaçados. 
Ademais, no que se refere ainda ao Princípio da Continuidade, destaca-se que nos Contratos de 
concessão de serviços públicos admite-se a transferência de propriedade de bens da concessionária para 
o Estado, no final do Contrato, bens estes que estejam atrelados à prestação do serviço público, instituto 
este denominado reversão de bens. Nesse sentido, o art. 36 da Lei nº 8.987/95 dispõe que “reversão no 
advento do termo contratual far-se-á com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens 
reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir 
a continuidade e atualidade do serviço concedido”. Tal previsão está diretamente relacionada ao dever que 
a Administração Pública tem de prestar o serviço público de maneira contínua. 
FICA A DICA 
As hipóteses de interrupção legalmente previstas podem ser relativizadas nos casos de interrupção de 
SERVIÇO LIGADO A INTERESSES RELEVANTES DA SOCIEDADE. Portanto, seria ilegal, por exemplo, a 
interrupção de fornecimento de energia elétrica por uma concessionária a um hospital (mesmo quando o 
hospital encontra-se inadimplente - serviços essenciais). 
Princípio da Razoabilidade 
Trata-se do princípio que estabelece que a atuação administrativa deve ser realizada em 
conformidade com os padrões médios de aceitabilidade da sociedade, sendo esse princípio um dos mais 
importantes instrumentos de defesa dos direitos fundamentais. Isto é, os agentes públicos devem realizar 
suas funções com equilíbrio, coerência e bom senso. Esse princípio encontra-se expressamente previsto na 
Lei 9.784/99. 
A proporcionalidade, por sua vez, é um aspecto da razoabilidade que trata da adequação da 
atuação da Administração Pública em conformidade com a ponderação entre meios e fins (relação custo-
benefício da medida). Por exemplo, as sanções aplicadas pela Administração devem estar em conformidade 
com a gravidade da infração, traduzindo a aplicação do Princípio da Proporcionalidade – proibição de 
excessos. Ou seja, em conformidade com os princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade, a autoridade 
administrativa deve fazer uso do meio que se mostre menos gravoso/menos restritivo aos administrados, 
para consecução de seu fim. 
25 
 
No âmbito da Administração Pública, os 
referidos princípios têm aplicação no controle realizado 
pelo judiciário dos atos discricionários editados pela 
Administração que ensejam restrição de direitos ou 
aplicação de sanções, sendo esse um controle legalidade 
e não controle de mérito. Nesse sentido, cabe ao Poder 
Judiciário analisar as medidas administrativas sob a luz 
desses princípios, ou seja, se caso a medida discricionária 
mostrar-se desarrazoada e desproporcional a mesma 
deverá ser anulada. 
Dessa forma, a Administração não pode extrapolar os limites legais do mérito administrativo ao 
editar medidas desproporcionais, sendo essa medida passível de anulação (controle de legalidade) e não 
revogação (controle de mérito). “Professora, o Poder Judiciário pode controlar os atos discricionários 
editados pela Administração Pública?” SIM. Controle quanto à aspectos da legalidade, ou seja, verificação 
se as medidas administrativas foram editadas em observância aos princípios. 
Princípio da Autotutela 
Súmula 473 do STF estabelece que: 
“A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque 
deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os 
direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” (independência funcional – não 
precisa recorrer ao Poder Judiciário). 
Conforme o enunciado acima transcrito, a administração poderá rever seus próprios atos de ofício 
ou mediante provocação, caso sejam verificados vícios de legalidade ou, se caso a medida não se mostrar 
conveniente e oportuna, revogar os atos administrativos independentemente de qualquer provocação 
(de ofício). Trata-se do poder/dever que a Administração possui de rever os seus próprios atos. 
Nesse sentido, a Administração poderá: 
• Anular o ato administrativo em razão do vício de legalidade. 
A anulação gera efeitos ex tunc, efeitos que retroagem à data 
de edição do ato, como se o ato nunca houvesse existido – 
recomposição da ordem jurídica. MACETE: ex tunc, “t” de 
testa, quando você bate na testa ela vai para trás, ou seja, 
efeitos que retroagem para o passado. 
• Revogação do Ato Administrativo inconveniente e 
inoportuno, gerando efeitos ex nunc (efeitos que não 
retroagem à data de edição do ato), ou seja, o ato não mais 
será válido a partir daquele momento da revogação. 
Contudo, todos os efeitos até então gerados quando da vigência do ato serão perfeitos e válidos. MACETE: 
ex nunc, “n” de nuca, quando você bate na nuca ela vai para frente, ou seja, dali para frente (após a 
revogação) o ato não gera mais efeitos. 
Destaca-se que a autotutela não afasta a possibilidade de controle pelo Poder Judiciário dos atos 
administrativos, haja vista que a tutela jurisdicional no Brasil é inafastável: “Art. 5º, XXXV, CF/88 – A lei não 
excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Portanto, o PoderJudiciário poderá 
controlar aspectos de LEGALIDADE do ato administrativo e ensejar a anulação desse ato. 
Cumpre ressaltar que a Lei nº 9.784/99 prevê, no âmbito federal, um prazo DECADENCIAL de cinco 
anos para que a Administração Pública exerça a autotutela e anule seus Atos Administrativos quando 
geradores de efeitos favoráveis a particulares, salvo comprovada má-fé por parte do beneficiário. Ou seja, 
a Administração não pode anular o ato ilegal a qualquer tempo, tendo até 5 anos para anular seus atos. 
 
ATENÇÃO 
 
Então quer dizer que o Poder Judiciário pode julgar o 
mérito dos Atos Administrativos discricionários? 
NÃO! O controle que o Judiciário desempenha é um 
controle de legalidade, para fins de verificar se o ato 
administrativo atendeu aos princípios da razoabilidade 
e proporcionalidade! 
TEM QUE DECORAR! Súmula STF 473 
 
26 
 
FICA A DICA 
A anulação dos Atos Administrativos ilegais, EM REGRA, 
gera efeito ex tunc, ou seja, os efeitos retroagem à data de edição 
do ato. Contudo, em algumas situações, caso o efeito retroativo 
ocasionar prejuízos ao cidadão que, atuando de boa-fé, agiu em 
conformidade com atos presumidamente válidos (presunção de 
legitimidade dos atos administrativos), a doutrina e a 
jurisprudência vem admitindo que os efeitos produzidos por 
aquele ato deverão ser preservados, ainda que o ato esteja 
maculado por vício insanável (EXCEÇÃO: anulação gerando 
efeitos ex nunc). Em alguns casos, é possível que não só os efeitos, como o próprio ato em si seja mantido 
no ordenamento jurídico, como forma de proteção ao cidadão e garantia da Segurança Jurídica. 
Princípio da Motivação 
Segundo esse princípio, o ente estatal deve indicar os pressupostos de fato e de direito que 
determinaram a prática do Ato Administrativo, bem como demonstrar a correlação lógica existente entre 
esses motivos e a conduta deles decorrentes, sob pena de nulidade. 
Assim como o Princípio da Publicidade, a motivação tem o 
escopo de possibilitar o controle da atividade administrativa e a 
verificação da consonância existente entre a conduta do agente e o 
interesse público. Ademais, o §1º do artigo 50, da Lei nº 9.784/99 
estabelece que "a motivação deve ser explícita, clara e congruente, 
podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos 
de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, 
neste caso, serão parte integrante do ato." 
Destaca-se que, em conformidade com a Teoria dos Motivos 
Determinantes, uma vez declarado o motivo do ato, este deve ser respeitado. Portanto, esta teoria vincula 
o administrador ao motivo declarado. Caso o motivo seja viciado, o ato restará viciado. Vale dizer, a teoria 
dos motivos determinantes não condiciona a existência do ato, mas sim sua validade. 
É importante lembrar que o motivo difere de motivação, uma vez que motivo é o fato que autoriza 
a realização do ato administrativo e a motivação, por sua vez, é a justificativa escrita sobre as razões 
fáticas que levaram à pratica do ato. Segundo Bandeira de Mello, a motivação deve ser prévia ou 
contemporânea à expedição do ato. 
Motivação Motivo 
Justificativa escrita – razões de fato apresentadas 
como fundamento para a prática do ato. 
Fato que autoriza a realização do Ato Administrativo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO CESPE 
 
O Princípio da Segurança Jurídica não se 
sobrepõe ao da Legalidade, devendo os Atos 
Administrativos praticados em violação à 
lei, em todo caso, ser anulados, a qualquer 
tempo. 
 
Errado 
ATENÇÃO 
 
Aspectos mais importantes sobre esse 
princípio: 
 
- Motivação: consonância entre a 
conduta do agente e o interesse público; 
 
- Teoria dos Motivos Determinantes 
 
27 
 
Princípio da Isonomia 
O Princípio da Isonomia tem o escopo de promover a igualdade de oportunidades e veda que a 
Administração confira tratamento desigual a sujeitos que se encontram em condição de igualdade, de 
maneira impessoal, isto é, a Administração não pode conceder benefícios indevidos, deve tão somente 
visar a redução das desigualdades primando pela 
denominada igualdade material. 
A isonomia justifica, portanto, o estabelecimento de 
garantias a determinados grupos socialmente desfavorecidos, 
como forma de diminuir o nível de desigualdade e fomentar 
a inclusão desses. 
Princípio da Segurança Jurídica 
Trata-se de princípio geral do direito, base do Estado 
de Direito, que garante aos cidadãos não serem surpreendidos 
por alterações repentinas na ordem jurídica posta de forma a 
assegurar a estabilização do ordenamento jurídico e 
proteção da confiança. Nesse diapasão, as modificações 
supervenientes de normas jurídicas não deverão retroagir 
para atingir atos jurídicos perfeitos, sob pena de instabilidade 
do ordenamento e, por consequência, de instabilidade social 
(proteção do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da 
coisa julgada). 
A proteção da confiança, desdobramento e aspecto 
subjetivo do Princípio da Segurança Jurídica, por sua vez, 
impede a administração de adotar posturas 
manifestadamente contraditórias, ou seja, externando 
posicionamento em determinado sentido, para, em seguida, 
ignorá-lo, frustrando a expectativa dos cidadãos de boa-fé. 
FICA A DICA 
Em algumas situações, ainda que a regra acerca da 
anulação de Atos Administrativos ilegais gere efeito ex tunc 
(os efeitos da anulação retroagem à data de edição do ato) se 
o efeito retroativo ocasionar prejuízos ao cidadão que, 
atuando de boa-fé, agiu em conformidade com atos 
presumidamente válidos editados pela Administração, os 
efeitos produzidos por aquele ato deverão ser preservados, 
ainda que o ato esteja maculado por vício insanável. Em alguns casos, é possível que não só os efeitos, 
como o próprio ato seja mantido no ordenamento jurídico, como forma de proteção ao cidadão e garantia 
da Segurança Jurídica. Trata-se de entendimento recente da doutrina e jurisprudência. 
 
 
 
 
 
 
SEGURANÇA JURÍDICA, AMOR E 
DINHEIRO 
 
No começo do relacionamento... 
-Linda eu faço questão de pagar o jantar, você é 
a minha princesa. Não preocupa com isso! 
-Não, que isso. Eu faço questão de pagar! 
(Traduzindo: graças a Deus que ele é cavalheiro. 
Acho POUCO e BOM) 
 
6 meses de relacionamento... 
- Amor ando sem grana, tá complicado a minha 
situação financeira (aquela indireta, bem direta) 
- Lindo, eu vou te ajudar! Você paga o jantar e eu 
o cinema. Ok? (Traduzindo: vou pagar uns 30% 
da saída. Onde já se viu?!?! Eu ganho menos que 
ele, o mundo é machista, eu ainda tenho que 
cuidar da casa e gastar dinheiro para ficar bonita 
- repito: GASTAR MUITO DINHEIRO para 
ficar bonita rs) 
 
1ano de namoro... 
 
- Gabriela, tá complicado para mim. Vamos 
dividir tudo meio a meio. 
- Tudo bem amor, claro (traduzindo: mongolóide, 
mudou totalmente agora que já me conquistou) 
- Que bom que você compreende amor da minha 
vida (já vem elogiando afff). Aliás, como 
durante um bom tempo eu paguei a maior parte 
das contas, eu acho que seria justo você ressarcir 
uma parte do que eu paguei. Você sabe...eu quero 
trocar meu carro, comprar um relógio... 
- Na na ni na não! E o princípio da segurança 
jurídica???? 
- oi 😛? 
- É isso mesmo!!! Você não pode estabelecer uma 
nova regra AGORA e fazê-lá retroagir para o 
passado. Pagou já pagou, ato jurídico perfeito, 
não tem o que fazer! Portanto, somente a partir de 
AGORA, eu vou pagar os 50%. Entendeu? rsrs 
 
 
 
28 
 
QUADRO RESUMO 
Princípio Descrição 
Legalidade A lei rege a prática dos Atos Administrativos 
Impessoalidade Não discriminação com relação aos administrados 
atingidos pelo Ato Administrativo 
Proibição da promoçãopessoal do agente público nas 
medidas editadas pela Administração 
Moralidade Atuação em consonância com a ética, probidade, decoro e 
boa-fé 
Publicidade Transparência das medidas editadas pelo Poder Público 
Condição de eficácia dos Atos Administrativos 
Eficiência Administração gerencial 
Razoabilidade e Proporcionalidade Adequação entre meios e fins: propõe a aplicação da 
medida menos gravosa ao particular em atenção aos 
direitos fundamentais 
Supremacia do Interesse Público Interesse primário: bem comum da sociedade 
Interesse secundário: interesse da máquina pública 
estatal/erário (aumentar receita e diminuir despesa) 
Autotutela Poder que a Administração tem de rever seus próprios atos 
Segurança Jurídica Objetivo: orienta a estabilização do ordenamento jurídico 
Subjetivo: proteção à confiança das pessoas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRAÇÃO 
 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessa matéria, quais são os 
pontos mais cobrados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resta claro que as entidades da Administração Pública Indireta são mais cobradas, dentre elas cumpre 
destacar as Autarquias. Além disso, as características do regime jurídico hibrido ao qual as empresas estatais 
estão sujeitas, e as SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE AMBAS É ALGO CONSTANTE NAS PROVAS. 
 
ORGANIZAÇÃO 
ADMINISTRATIVA
Administração Pública Direta
Administração Pública Indireta
CENTRALIZAÇÃO, 
DESCONCENTRAÇÃO E 
DESCENTRALIZAÇÃO
Centrelização Desconcentração
Descentralização
Autarquias
Fundações
Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA
Autarquia comum
Agencia Reguladora
Autarquia Fundacional
Associações públicas
AUTARQUIAS
AUTARQUIAS
30 
 
Administração Pública Direta e Indireta 
Em conformidade com Decreto-lei nº 200/67, a estrutura da Administração Pública é dividida em 
Administração Pública Direta e Administração Pública Indireta: 
 Administração Pública Direta: formada pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Trata-
se das próprias entidades políticas, dotadas de competências de natureza política, legislativa e 
administrativa conferidas pela Constituição. Tais entes criam as denominadas entidades 
administrativas, que compõem a Administração Pública Indireta, quando entendem que 
determinada competência constitucional pode ser desempenhada por outra pessoa jurídica de 
forma descentralizada. 
 
Os entes da Administração Direta se organizam internamente em um 
conjunto de órgãos públicos que estão subordinados ao chefe da esfera 
governamental que os integram. Os órgãos são meras unidades de competência 
e, ao contrário dos entes políticos, não possuem personalidade jurídica própria. 
 Administração Pública Indireta: formada por entidades administrativas com personalidade 
jurídica própria, patrimônio próprio, autonomia administrativa e cujas despesas são realizadas 
através de orçamento específico. A criação dessas pessoas jurídicas será realizada em razão do 
fato de que a Administração Pública Direta, para fins de garantir a eficiência, transfere a execução 
de determinados serviços públicos para outras pessoas jurídicas (Administração Pública Indireta) 
que se especializarão na prestação dessa atividade (descentralização). 
Essas entidades administrativas são pessoas jurídicas que 
integram a administração indireta e possuem autonomia 
administrativa e capacidade de autoadministração, sem dispor de 
autonomia política. As entidades são criadas pelas entidades 
políticas mediante lei, e encontram-se vinculadas ao ente federado 
criador, que exerce o controle/tutela/supervisão no intuito de 
verificar se a instituição está cumprindo sua finalidade legal. Entretanto, destaca-se que essas entidades 
não se encontram hierarquicamente subordinadas à pessoa política instituidora, há somente o controle 
finalístico/supervisão ministerial. 
Desse modo, todas as entidades da Administração Pública indireta submetem-se, em alguma 
medida, ao controle finalístico, que tem o escopo de verificar se essas estão cumprindo a finalidade para a 
qual foram criadas. Compõem a Administração Pública Indireta: Autarquias, Fundações Públicas, Empresas 
Públicas e Sociedades de Economia Mista. 
FICA A DICA 
A Administração Pública Direta tem competência para criar, por meio de lei, as Autarquias e 
autorizar a criação das Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. Atenção: 
criar é diferente de autorizar! A lei automaticamente cria a Autarquia e autoriza a criação das Fundações 
Públicas e das Empresas Estatais, que somente serão constituídas mediante registro dos seus atos 
constitutivos. 
Destaca-se que essas entidades somente poderão ser criadas e extintas mediante lei, em 
conformidade com o Princípio da Simetria ou Paralelismo de Formas, ou seja, se a entidade foi criada por 
lei, por lei ela será extinta. Além disso, a finalidade das entidades que compõem a Administração Indireta 
será determinada pela lei específica que as criou ou autorizou a criação. 
Por fim, ao lado do Estado encontra-se o denominado terceiro setor que, sem integrar a 
Administração Pública, colaboram com o ente público ao desempenhar atividades de interesse público 
não exclusivas de Estado, sem possuir qualquer finalidade lucrativa. Desse modo, o Terceiro Setor é 
formado por pessoas jurídicas privadas que colaboram com o Estado. São denominadas entidades 
Aspectos mais cobrados 
no que se refere à 
Administração Pública 
Direta. 
NÃO HÁ HIERARQUIA ENTRE 
PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS – 
não há controle hierárquico entre a 
Administração Pública Direta e a 
Administração Pública Indireta -> há 
controle finalístico/supervisão ministerial 
31 
 
paraestatais: os Serviços Sociais Autônomos, Organizações Sociais, Organizações da Sociedade Civil de 
interesse público e as Entidades de Apoio. 
Organização da Administração 
No momento em que estudamos o funcionamento e a estruturação da Administração Pública, devemos 
conceituar os termos centralização, descentralização e desconcentração: 
● Centralização: trata acerca da prestação de serviços 
públicos de forma centralizada, realizada diretamente 
pelos entes federados, ou seja, pela Administração 
Pública Direta. Destaca-se que o conjunto de órgãos 
integrantes de cada entidade federativa também 
recebe o nome de Administração Direta ou 
Administração Centralizada. 
● Desconcentração: refere-se à distribuição de 
competências internas entre os órgãos (repartição de 
competências entre os Ministérios, Secretarias, etc.) 
que compõem uma mesma pessoa jurídica. O órgão 
público não possui personalidade jurídica própria, isto 
é, não é titular de direitos e obrigações, não responde 
pelos seus atos, não tem pessoal e nem patrimônio 
próprio. O órgão nada mais é do que um conjunto de 
competências − unidade administrativa integrante de 
uma pessoa jurídica responsável, estando sujeito ao 
controle hierárquico. 
Desse modo, em razão do fato de que a 
desconcentração ocorre no âmbito interno de uma 
pessoa jurídica, tem-se uma relação de hierarquia e 
subordinação entre os órgãos de modo a assegurar a 
organização interna daquela entidade. A 
desconcentração ocorre, exclusivamente, dentro de 
uma pessoa jurídica, seja esta da Administração 
Pública Direta ou Indireta. 
Entretanto, destaca-se que mesmo sem ter 
personalidade jurídica, alguns órgãos públicos 
independentes e autônomos possuem capacidade 
processual ativa e podem figurar no polo ativo de ações judiciais, como a Assembleia Legislativa 
Estadual, a Mesa do Senado, a Presidência da República (possuemcapacidade processual especial). 
Em algumas situações, a capacidade processual se restringe à possibilidade de alguns órgãos 
realizarem a defesa de suas prerrogativas em juízo (Ministério Público, Defensoria Pública -> 
Mandado de Segurança e Habeas Data). 
● Descentralização: trata acerca da prestação de serviços públicos de forma descentralizada, 
mediante a transferência de competências da Administração Direta a uma entidade da 
Administração Pública Indireta ou a um particular concessionário/permissionário de serviço 
público. 
A descentralização pode ocorrer mediante: 
CAI EM PROVA 
 
Essa matéria despenca em prova e é FÁCIL. 
NÃO PERCA ESSE PONTO! 
 
MACETE 
 
Centralização: prestação de serviços de forma 
centralizada – entes políticos 
 
DescOncentração: distribuição de 
competência entre Órgãos que compõem 
aquela pessoa jurídica. Os Órgãos nãO 
possuem personalidade jurídica própria -> 
descOncentração, destaque para a letra “O” de 
Órgão. 
 
DescEntralização: transferência de 
competência à Entidades que possuem 
personalidade jurídica própria -> 
descEntralização, destaque para letra “E” de 
Entidade com personalidade jurídica própria. 
 
 
 
32 
 
 outorga/por serviços/funcional: transferência da 
titularidade e execução do serviço público a ente da 
Administração Pública Indireta mediante lei. Nesse caso, 
a Administração Pública Direta, mediante lei, cria e 
transfere à entidade da Administração Pública Indireta 
determinada competência e, em conformidade com a 
finalidade da instituição disposta em lei, desempenha o 
controle finalístico/supervisão ministerial. Ex.: criação de 
Universidade pública federal pela União, sob a forma de 
Autarquia, com a finalidade de prestar serviço público de 
ensino superior. 
● delegação/colaboração/descentralização contratual/descentralização negocial: 
transferência da execução do serviço público mediante contrato por prazo determinado ao 
particular. Exemplo: assinatura de contratos de concessão e permissão de serviço público. 
Desse modo, a delegação corresponde à transferência da execução de determinado serviço 
público a particulares por meio da celebração de contratos de concessão/permissão. Diferentemente do 
que ocorre na outorga, nesse caso, apenas a execução do serviço é transferida, de sorte que o Estado 
preserva a titularidade do serviço. 
Na delegação, o controle exercido pelo poder concedente é maior do que o controle decorrente 
da descentralização por serviços, haja vista a possibilidade de extinção unilateral da delegação pelo poder 
público motivada por prestação inadequada do serviço delegado (rescisão unilateral). Entretanto, devemos 
destacar que não há hierarquia entre a Administração e o particular. 
FICA A DICA 
A doutrina majoritária entende que a outorga somente poderá ser conferida às pessoas jurídicas 
de direito público, como as Autarquias ou Fundações Públicas de direito público, uma vez que essas se 
tornariam titulares do serviço, executando-o por sua conta e risco, sem, contudo, excluir o controle e a 
supervisão realizada pelos entes federativos. Assim, a outorga, também denominada de descentralização 
por serviço ou descentralização funcional, é concedida sempre mediante a edição de lei específica, que 
institui uma entidade e transfere a ela a atividade pública. Nesse ponto, convém destacar que, mesmo 
quando a titularidade do serviço público for transferida para outra pessoa jurídica, o Estado continua tendo 
responsabilidade pelos danos decorrentes do exercício daquela atividade, porém, de forma subsidiária. 
 Descentralização territorial ou geográfica: acontece na hipótese de criação de Território Federal, 
pessoa jurídica de direito público criada pela União com limites territoriais bem definidos e 
competências administrativas definidas (art. 18, 2º da Constituição Federal). A doutrina entende 
que os territórios seriam verdadeiras Autarquias que excepcionam o princípio da especialização. 
Notem, portanto, que os territórios não são entidades federativas, tratam-se de autarquias 
territoriais que, como tal, não possuem autonomia política. 
Órgão Público 
O art. 1º, §2º, I da Lei nº 9784/99 define o órgão público como uma unidade integrante de pessoa 
jurídica, sendo um conjunto de competências que é parte de uma entidade. Vejamos: 
“§ 2º Para os fins desta Lei, consideram-se: 
I – órgão – a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 
Administração indireta;” 
 
Conforme estudado, a distribuição de competências entre órgãos visa garantir uma maior 
eficiência e especialização no exercício da atividade pública. Destaca-se que é admitida a divisão de 
 
OUTORGA
X 
DELEGAÇÃO
Delegação Outorga
33 
 
atribuições entre órgãos dentro dos entes da Administração Direta e também nos entes da Administração 
Indireta, como é o caso das Autarquias e Fundações Públicas. 
Cumpre ressaltar que a criação e a extinção de órgãos 
públicos carecem de inovação no ordenamento jurídico, razão 
pela qual não podem ser feitas por meio de atos normativos 
infralegais (apenas mediante lei). Nesse sentido, o art. 84, VI da 
Constituição Federal, ao admitir a expedição de decreto 
regulamentar autônomo que, excepcionalmente, irá inovar no 
ordenamento jurídico ao tratar da matéria de organização 
administrativa, ressalta que esse decreto não poderá ensejar a 
criação ou extinção de órgãos. Vejamos: 
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:... 
VI – dispor, mediante decreto, sobre: 
a) organização e funcionamento da administração federal, 
quando não implicar aumento de despesa nem criação ou 
extinção de órgãos públicos;” 
 
Destaca-se que alguns órgãos públicos, conforme estudado, ainda que não possuam personalidade 
jurídica própria, gozam de capacidade processual ativa, possuem maior independência e autonomia. Além 
disso, alguns órgãos atuam em defesa de suas prerrogativas institucionais e sua capacidade processual ativa 
decorre da legislação aplicável. O exemplo clássico apontado pela doutrina é o Ministério Público e a 
Defensoria Pública, os quais possuem capacidade postulatória para propor uma variedade de ações 
judiciais. 
Teoria da Imputação Volitiva 
Conforme entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência, essa teoria estabelece que o 
agente público, ao editar Atos Administrativos, atua em nome do Poder Público e, portanto, sua atuação é 
juridicamente imputada ao Estado. Em consonância com essa teoria e em conformidade com os ditames 
da responsabilidade civil objetiva do Estado, tem-se que o Estado responderá objetivamente pelos danos 
que seus agentes, no exercício da atividade pública, causarem a terceiros, haja vista que a conduta do 
agente é imputada ao ente estatal. 
Essa teoria estabelece que as pessoas jurídicas manifestam sua vontade através dos órgãos que as 
compõem. Portanto, no momento que o agente público edita determinada medida administrativa, o 
mesmo está atuando em nome do próprio Estado, ou seja, a vontade do agente é imputada ao órgão no 
qual o mesmo encontra-se inserido. 
Classificação dos órgãos públicos 
O ilustre autor Hely Lopes Meirelles classifica os órgãos públicos com base em três critérios 
distintos, que são: hierárquico, estrutural e funcional. 
Classificação Hierárquica 
Essa classificação considera os órgãos existentes em uma mesma pessoa jurídica. Desse modo, os 
órgãos podem ser: 
1. Independentes: são os órgãos que se encontram no topo da hierarquia. Ex.: Presidência da República, 
Governadoria, Prefeitura. 
2. Autônomos: órgãos subordinados aos órgãos independentes que se encontram na cúpula da 
administração, mas que conservam autonomia administrativa, técnica e financeira. Ex.: Ministérios, 
Secretarias estaduais. 
ATENÇÃOA criação e extinção de órgão exige a 
edição de LEI! 
 
QUESTÃO DO CESPE 
 
Por meio da técnica denominada 
desconcentração, poderá o presidente da 
República, utilizando-se de decreto, criar 
dois novos ministérios e repartir entre eles 
as competências do MP, desde que não 
haja aumento de despesa. 
 
Errado 
34 
 
3. Superiores: órgãos vinculados aos órgãos autônomos, mas que detêm poderes de direção e controle, ou 
seja, possuem somente o poder de decisão. Não tem autonomia financeira e nem administrativa. Ex.: 
Procuradoria da Fazenda, Secretaria da Receita, etc. 
4. Subalternos: órgãos que atuam somente na execução da atividade administrativa (não possuem poder 
de decisão). Ex.: seções de expedientes. 
Classificação segundo a estrutura 
Essa classificação não leva em conta a quantidade de agentes públicos que integram o quadro do 
órgão e sim a inexistência de outros órgãos compondo a sua estrutura organizacional. 
1. Simples (ou unitários): órgão formado por um único órgão, não é a transitoriedade do órgão que define 
se o mesmo é simples ou composto. Ex.: Presidência da República. 
2. Compostos: órgão composto por mais de um órgão, o que enseja a desconcentração de sua atividade. 
Ex.: Congresso Nacional é formado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. 
Classificação quanto à atuação funcional 
1. Singular: órgão cuja titularidade pertence a um único agente, chefe ou representante da entidade. 
Assim, a manifestação desse agente se confunde com a manifestação de vontade do próprio órgão. Ex.: 
Presidência da República. 
2. Colegiado: órgãos cuja atuação e poder de decisão estão nas mãos de um colegiado de agentes. Ex.: 
Assembleia Legislativa. 
Classificação segundo o âmbito de atuação 
1. Central: órgão que atua em TODO o âmbito da pessoa jurídica no qual se encontra inserido. Ex.: a 
Secretaria de Estado de Defesa Social é um órgão do estado de Minas Gerais que atua no âmbito de todo o 
Estado; 
2. Local: órgão que atua em parte do âmbito da pessoa jurídica no qual encontra-se inserido. Ex: a Delegacia 
de Polícia de Belo Horizonte é um órgão do Estado de Minas Gerais que atua somente na capital do Estado; 
Quanto às funções: 
1. Ativos: órgãos que atuam diretamente no exercício da função administrativa. Esses órgãos podem 
assumir as funções de: a) prestação de serviços públicos; b) execução de obras; c) exercício do poder de 
polícia, etc. 
2. Consultivos: órgãos que prestam suporte e auxílio técnico ou jurídico aos demais órgãos estatais, por 
meio da emissão de pareceres. Ex.: Ministério Público. 
3. De controle: órgãos que exercem atividade de controle dos demais órgãos e agentes públicos. Esse 
controle pode ser interno, no âmbito de um mesmo poder (Controladoria Geral da União), ou externo, 
quando um poder controla a atuação do outro (Tribunal de Contas da União que auxilia o Poder Legislativo 
no que tange ao controle das contas públicas). 
 
 
 
 
35 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS 
Quanto à hierarquia 
-Independentes 
-Autônomos 
-Superiores 
-Subalternos 
Quanto à estrutura 
-Simples/Unitários 
-Compostos 
Quanto à atuação funcional 
-Singular 
-Colegiado 
Quanto ao âmbito de atuação 
-Central 
-Local 
 
FICA A DICA 
A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos 
órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta poderá ser 
ampliada mediante contrato a ser firmado entre seus 
administradores e o poder público que tenha por objeto a fixação de 
metas de desempenho para o órgão ou entidade. 
Administração Indireta: Autarquias, Fundações Públicas, 
Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas 
 
Conforme estudado, a Administração Pública Indireta da União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios é composta por pessoas jurídicas autônomas e, para tornar o aprendizado mais simples, 
inicialmente iremos tratar acerca de algumas regras/semelhanças que abrangem todos os entes que 
compõem a Administração Pública Indireta (Autarquias, Fundações, Empresas Públicas, Sociedade de 
Economia Mista): 
1. Personalidade Jurídica: todas as entidades da Administração Pública Indireta possuem personalidade 
jurídica própria, respondem por seus atos, são titulares de direitos e obrigações, possuem patrimônio 
próprio e pessoal próprio. 
2. Lei Específica: de acordo com a Constituição Federal, a Lei 
específica cria as Autarquias e autoriza a criação das Fundações 
Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. 
Portanto, com a simples publicação da Lei, a entidade autárquica 
já estará criada. Por sua vez, nos casos em que a lei somente 
autoriza a criação, é imprescindível o registro dos atos 
constitutivos da entidade no Cartório de Pessoas Jurídicas (caso 
tratar-se de entidade que presta serviços públicos) ou na Junta 
Comercial (no caso das estatais que exploram atividade 
econômica). 
Contudo, no que tange às Fundações cabe destacar que, 
em conformidade com o entendimento majoritário da doutrina, as 
mesmas poderão ser criadas com personalidade jurídica de direito 
público e de direito privado. Nesse caso, as Fundações que possuem personalidade jurídica de direito 
público serão criadas automaticamente pela lei, uma espécie de Autarquia fundacional, e as Fundações 
com personalidade jurídica de direito privado terá sua criação autorizada por lei (Fundação governamental). 
#FICA A DICA 
QUESTÃO CESPE 
 
Órgãos e entidades públicos, tanto da 
administração direta quanto da indireta, 
podem aumentar a sua autonomia 
gerencial, orçamentária e financeira 
mediante Contratos firmados, conforme 
previsão legal. 
 
Correta 
QUESTÃO – Prova para Procurador 
do Estado/BA 
 
Desde que presentes a relevância e 
urgência da matéria, a criação da autarquia 
pode ser autorizada por medida provisória, 
devendo, nesse caso, ser providenciado o 
registro do ato constitutivo na junta 
comercial competente. 
 
Errado 
 
PONTO MAIS COBRADO está nesse 
parágrafo! 
 
36 
 
Conforme dispõe a parte final do inciso XIX do art. 37, da Constituição Federal, lei 
complementar será editada para fins de dispor acerca das áreas em que poderão atuar as Fundações 
Públicas. A referida lei ainda não foi editada, entretanto, em conformidade com o entendimento majoritário 
da doutrina, sabe-se que as Fundações Públicas devem atuar em áreas de interesse social. 
3. A finalidade/atividade dos entes que compõem a Administração Pública Indireta será determinada por 
lei específica. A finalidade necessariamente será pública e a entidade não deve visar o lucro. Contudo, 
surge a seguinte pergunta: a entidade pode auferir lucro? Sim, entretanto a mesma não será criada com 
essa finalidade. A finalidade será sempre o interesse público. 
4. Controle: a Administração Pública Direta realizará o controle 
finalístico (supervisão ministerial/tutela administrativa) das 
entidades da Administração Pública Indireta, entretanto, não há 
hierarquia e nem subordinação entre pessoas jurídicas diferentes. 
Portanto, tal controle será exercido visando verificar se a entidade 
atende a finalidade legal pela qual foi criada. NÃO há controle 
hierárquico desempenhado pela Administração Direta frente aos 
atos praticados pela entidade da Administração Indireta. 
FICA A DICA 
Cumpre ressaltar, que a despeito de não haver hierarquia entre pessoas jurídicas distintas, a lei 
estabelece, em situações específicas, a possibilidade de interposição de recurso hierárquico impróprio que 
decorre da tutela/supervisão ministerial realizada pela Administração Direta. Nesse caso, o referido recurso 
será interposto frente a uma decisão tomada pela entidade da Administração Indireta e será endereçado 
ao ente da Administração Pública Direta. 
Como assim? 
Ex.: O INSS é umaAutarquia Federal que está sujeita ao controle/supervisão exercido pelo Ministério da 
Previdência. Caso o particular interponha um requerimento perante um agente do INSS, este poderá ser 
aceito ou negado. Em caso de negativa, caberá interposição de recurso para o dirigente do INSS. O referido 
recurso interposto decorre da hierarquia existente entre os órgãos/agentes dentro de uma mesma 
pessoa jurídica. Sendo assim, pode-se falar que esse recurso é efetivamente hierárquico e, portanto, 
designado pela doutrina como recurso hierárquico próprio. No entanto, se a decisão exarada pelo dirigente 
máximo apresentar um vício de legalidade ou abuso de poder, e havendo previsão legal, poderá ser 
apresentado recurso para o Ministério Supervisor (Administração Direta), que decorre do controle de 
finalidade/supervisão ministerial (e não em razão da hierarquia) denominado recurso hierárquico 
impróprio. 
Ademais, assim como os entes da Administração centralizada, os entes da Administração Indireta, por 
serem integrantes da estrutura do Estado e fazerem uso de verba pública, sujeitam-se ao controle do 
Tribunal de Contas, consoante a previsão do art. 71 da Constituição Federal, o qual terá competência para 
julgamento de contas, aplicação de multas e outras sanções aos agentes, realização de auditorias e emissão 
de pareceres, entre outras atribuições. 
Empresas subsidiárias 
Acerca do tema, a Constituição Federal 1.988 prescreve regras relevantes acerca da criação de 
subsidiárias às empresas estatais: 
“Art. 37 (...) XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades 
mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada”. 
A doutrina majoritária entende que as subsidiárias não fazem parte da Administração Indireta, 
haja vista que o Brasil adota o critério formal/subjetivo para conceituar a Administração Pública, o qual 
QUESTÃO CESPE 
 
O ICMBio, como entidade da 
Administração Pública Indireta, é uma 
autarquia em regime especial, vinculado ao 
Ministério do Meio Ambiente, sem 
autonomia administrativa e com dever de 
subordinação hierárquica aos órgãos da 
Administração Pública Direta. 
 
Errado 
37 
 
restringe a Administração Pública Indireta às quatro espécies arroladas na Constituição Federal (Autarquia, 
Fundação, Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista). Ademais, as subsidiárias se sujeitam ao regime 
predominante de Direito Privado, entretanto, devem observar subsidiariamente as normas de direito 
público (vedação à acumulação remunerada de cargos, empregos e funções; sujeição aos regimes de 
remuneração dos agentes; sujeição ao controle legislativo e controle dos tribunais; sujeição à exigência de 
licitação, etc). 
 Destaca-se que a própria lei que deu origem à entidade da Administração Indireta poderá autorizar 
a criação de uma subsidiária. Nesse caso, será “dispensável a autorização legislativa para criação de 
empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de 
economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida autorizada.” (ADI 1.649/DF). 
AUTARQUIA 
 Pode ser conceituada como pessoa jurídica de direito 
público interno que se encontra sujeita ao Regime Jurídico de 
Direito Público, ou seja, faz uso de todas as prerrogativas de 
Estado e está sujeita a todas as limitações, exercendo atividade 
típica de Estado. 
Características essenciais das Autarquias: a) pessoas 
jurídicas de Direito Público; b) criadas e extintas por lei específica, 
que defina, com precisão, o seu objeto e suas atribuições; c) 
possuem autonomia gerencial, orçamentária e patrimonial: não 
estão subordinadas à Administração Pública Direta, mas estão sujeitas ao controle finalístico/supervisão 
ministerial; d) nunca exercem atividade econômica: desempenham atividade típica de Estado; e) são 
imunes a impostos: conforme preceitua o art. 150, §2º da Constituição Federal; seus bens são públicos: 
impenhoráveis, alienabilidade condicionada, não onerabilidade e imprescritíveis; praticam atos 
administrativos e celebram contratos administrativos; h) o regime de seus servidores públicos é estatutário; 
i) respondem objetivamente pelos danos causados por seus agentes no exercício da função pública; j) 
gozam de prerrogativas processuais: prazos dilatados em juízo (prazo em dobro para qualquer manifestação 
do poder público), a cobrança de seus débitos é realizada através da execução fiscal, essas entidades gozam 
da remessa necessária, execução de suas dívidas acontece em conformidade com o sistema de precatórios 
e etc. 
No que tange ao pagamento de débitos judiciais por meio dos precatórios estabelecido no art. 100 
da CF/88, a Autarquia terá sua própria fila de precatórios que não se confunde com a fila do ente federativo 
responsável por sua criação, por se tratar de ente da Administração Indireta com personalidade jurídica 
própria. 
Quanto à imunidade tributária, por sua vez, destaca-se que a Carta Magna estabelece ser vedado 
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou 
serviços uns dos outros, configurando o que a doutrina designa como imunidade tributária recíproca. Em 
dispositivo seguinte, o texto constitucional estende tal benefício às Autarquias. No entanto, embora seja 
denominada como imunidade tributária, essa garantia abrange somente os impostos, não se estendendo 
às demais espécies tributárias. 
Além disso, a responsabilidade civil será objetiva no âmbito dos danos causados pelos agentes 
públicos das Autarquias, ou seja, sempre que o dano for causado por agente da Autarquia, a entidade 
responderá objetivamente e primariamente pelo dano, restando ao ente político a responsabilização 
objetiva subsidiária pelo mesmo fato. Portanto, o ente da Administração Pública Direta responsável pela 
sua criação da entidade da Administração Indireta será subsidiariamente responsável pelos danos 
causados por essa entidade. 
Ademais, por ostentarem a qualidade de pessoas jurídicas de direito público, todos os bens 
pertencentes às entidades Autárquicas são bens públicos e, portanto, protegidos pelo regime próprio 
CAI EM PROVA 
 
Autarquia: 
- pessoa jurídica de direito público criada 
por lei; 
- exerce atividade típica do Estado; 
-possui autonomia -> supervisão 
ministerial; 
- seus bens são públicos. 
 
38 
 
aplicável a esses bens. Neste sentido, o art. 98 do Código Civil dispõe: "São públicos os bens do domínio 
nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno, todos os outros são particulares, seja 
qual for a pessoa a que pertencerem". 
Por fim, em virtude de gozarem de privilégios da Fazenda Pública, a doutrina e a jurisprudência 
pacificaram o entendimento de que as Autarquias se submetem à prescrição quinquenal prevista no art. 
1º do Decreto 20.910/32. Tal dispositivo legal determina que "as dívidas passivas da União, dos estados e 
dos municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, 
seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se 
originarem”. A aplicação deste dispositivo às autarquias decorre do fato de que essas entidades gozam dos 
privilégios de Fazenda Pública. 
ESPÉCIES DE AUTARQUIAS 
Autarquias em Regime Especial: é toda aquela Autarquia que a lei instituidora confere privilégios 
específicos e aumenta sua autonomia comparativamente com as Autarquias comuns, sem infringir os 
preceitos constitucionais pertinentes a essas entidades. São Autarquias em Regime Especial as Agências 
Reguladoras e as Universidades Públicas. 
Autarquia Fundacional: criada mediante a afetação/destinação de patrimônio público a uma certa 
finalidade. Ex.:PROCON, FUNASA, etc.; 
Autarquias associativas: criada mediante a associação pública entre os entes federados formando 
consórcio público. As mencionadas associações integram a Administração Pública Indireta de todos os 
entes federados consorciados; 
Autarquias de controle: entidades que possuem a prerrogativa de exercer o controle e a fiscalização sobre 
o direito de exercício de determinadas profissões, no âmbito do exercício do poder de polícia, visando 
assegurar o interesse público. 
Universidades Públicas 
São Autarquias que estão sujeitas a um regime especial e possuem algumas características/prerrogativas 
específicas: 
1. Gozam de autonomia pedagógica: a Universidade Pública possui a prerrogativa de escolher a 
metodologia de ensino; 
2. Forma diferenciada de escolha dos seus dirigentes: os dirigentes dessas Autarquias são indicados pelos 
membros da própria universidade e cumprem um período de mandato certo, possuem maior 
independência. A Lei que instituiu cada Universidade vai definir o prazo específico do mandato certo. 
3. O dirigente da Universidade Pública não pode ser exonerado livremente: o dirigente somente poderá 
ser exonerado mediante decisão judicial, processo administrativo justificado, fato que confere maior 
independência à Autarquia. 
Agências Reguladoras 
 As Agências Reguladoras são Autarquias em Regime Especial criadas para 
regulamentar a prestação dos serviços públicos realizada pelos particulares 
concessionários e permissionários de serviço público. São características dessas 
autarquias: 
1. Forma diferenciada de escolha dos dirigentes: a escolha do dirigente será realizada pelo presidente da 
República mediante aprovação do Senado, sendo que a lei específica de criação da autarquia definirá o 
prazo e a duração do mandato certo. 
Conceito MUITO 
cobrado! 
39 
 
Destaca-se que o dirigente escolhido deverá demonstrar que possui capacidade técnica e cumprirá 
um mandato fixo, sendo automaticamente desligado após o encerramento do mandato. Desse modo, o 
dirigente somente será destituído do cargo mediante decisão judicial, processo administrativo disciplinar 
ou mediante renúncia. A estabilidade dos dirigentes confere às Agências Reguladoras maior autonomia 
funcional. 
2. Período de quarentena: o dirigente da Agência Reguladora deverá cumprir o período denominado como 
“quarentena” após sair do cargo. Durante esse período o ex-dirigente não poderá prestar serviço a 
nenhuma das empresas que estejam sujeitas à regulação pela Agência Reguladora, e continuará a receber 
remuneração equivalente ao cargo de dirigente que desempenhava. Essa previsão encontra-se no caput 
do art. 8º da Lei n. 9.986/00 que determina: "O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades 
ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por um período de quatro meses, 
contados da exoneração ou do término do seu mandato”. Verifica-se no dispositivo citado o 
estabelecimento do prazo de 4 meses, contudo, a lei criadora de cada entidade pode estabelecer outros 
prazos como ocorre, por exemplo, em relação à ANEEL, ANS e ANP, cujas leis de criação estipulam prazo de 
quarentena superiores a 4 meses. 
3. Regime estatutário: o regime jurídico dos servidores que atuam nas Agências Reguladoras é o regime 
estatutário do servidor público, ora denominado como Regime Jurídico Único, que será estudado no 
Capítulo de Agentes Públicos. 
4. Funções: as Agências Reguladoras exercem basicamente três funções: 
 Função normativa: essas Agências poderão expedir 
normas gerais acerca da prestação dos serviços públicos 
que a autarquia regulamenta. Destaca-se que tal 
regulamentação não se trata tecnicamente de exercício de competência regulamentar, que é 
privativa do presidente da República (art. 84, IV da CF/88), e sim exercício do Poder Normativo. 
Tais normas serão editadas dentro dos limites da lei (secundum legem − caráter infralegal) e 
estabelecem regras acerca da prestação do serviço público que obrigam os prestadores do serviço 
público, não os usuários do serviço/população em geral. Trata-se, portanto, de atos normativos 
secundários. 
 Função Executiva: trata-se de uma manifestação do Poder de Polícia: as Agências Reguladoras 
podem fiscalizar e aplicar sanções visando garantir o cumprimento da lei. 
 Função Judicante: poder de resolução de controvérsias no curso de procedimentos 
administrativos. Não se confunde com a função jurisdicional exercida pelo Poder Judiciário, uma 
vez que a decisão administrativa não faz coisa julgada. 
Autarquia Fundacional ou Fundações Públicas 
 Trata-se de pessoa jurídica de direito público, criada mediante lei, em razão da afetação de um 
patrimônio do Estado a uma finalidade pública específica. Também denominada como Fundação Pública 
com personalidade jurídica de direito público, trata-se de uma espécie de Autarquia (Autarquia 
Fundacional) que exerce atividades típicas de Estado. Cumpre ressaltar que as Fundações Públicas que 
possuem personalidade jurídica de Direito Privado serão estudas em tópico específico. 
Função normativa: função mais 
importante das agências reguladoras 
40 
 
Agência Executiva – Autarquia Comum 
 As Agências Executivas são Autarquias ou Fundações 
Púbicas que, por estarem ineficientes, celebram um Contrato 
de gestão com o Ministério supervisor por iniciativa da 
Administração Direta. Através desse Contrato, é conferida a 
essa Autarquia mais orçamento, mais autonomia 
administrativa e, em contrapartida, esta deverá cumprir um 
plano estratégico de reestruturação, atingir metas e 
resultados com vistas a alcançar a eficiência. Após a 
celebração do Contrato de gestão (art. 37, §8º da CF/88), será 
elaborado um plano estratégico de reestruturação e o próprio 
chefe do poder executivo irá editar um Decreto qualificando 
essa Autarquia como Agência Executiva. Ex.: Inmetro. 
As Agências executivas NÃO SÃO AUTARQUIAS SUJEITAS A UM REGIME ESPECIAL estabelecido em lei. 
Desse modo, ao contrário das Agências reguladoras, que se sujeitam a um regime especial em razão da lei 
que as instituiu, essas agências recebem a qualificação de Agência Executiva mediante assinatura do 
Contrato de gestão e publicação de Decreto pelo chefe do Executivo. 
FICA A DICA 
Além das prerrogativas conferidas a essas agências, no que tange ao acréscimo de orçamento e 
autonomia, nas licitações realizadas pelas Agências Executivas, o valor de dispensa é em dobro, nos termos 
do art. 24, §1º. Lei 8.666 estabelece que: 
"os percentuais referidos nos incisos I e II do caput deste artigo serão de 20% (vinte por cento) para compras, 
obras e serviços contratados por consórcios públicos, sociedade de economia mista, empresa pública e por autarquia ou 
fundação qualificadas, na forma da lei, como Agências Executivas”. 
 
Associações Públicas 
Conforme estabelece o art. 241 da Constituição Federal, a União, os Estados, Distrito Federal e os 
Municípios poderão firmar contratos de consórcios públicos autorizando a gestão associada de serviços 
públicos pelos entes federados. O consórcio público é um negócio jurídico plurilateral de direito público 
que tem por objeto estabelecer medidas de mútua cooperação entre as entidades federativas, resultando 
na criação de uma pessoa jurídica autônoma. Os consórcios podem ser instituídos com personalidade 
jurídica de direito público e personalidade jurídica de direito privado. 
Destaca-se que as pessoas jurídicas públicas (associações públicas) e privadas, criadas no âmbito 
dos consórcios públicos (associação dos entes federados – União, estados, DF e municípios), não 
representam, verdadeiramente, novas entidades administrativas. Desse modo, a associação pública tem 
personalidade jurídica de direito público e possui natureza de Autarquia. Assim, todas as regras aplicáveis 
às Autarquias valempara as Associações Públicas. Portanto, estas gozam de privilégios processuais e 
tributários, se submetem a todas as restrições impostas ao Estado e irá compor a Administração Pública 
Indireta de cada ente consorciado. 
FICA A DICA 
Os entes da Federação consorciados respondem subsidiariamente pelas obrigações do consórcio 
público. Entretanto, destaca-se que os agentes públicos incumbidos da gestão de consórcio não 
responderão pessoalmente pelas obrigações contraídas pelo consórcio público, mas responderão pelos 
atos praticados em desconformidade com a lei ou com as disposições dos respectivos estatutos. 
 
QUESTÃO FCC 
 
Considere que a União tenha decidido criar uma 
entidade para fiscalizar e controlar a prestação 
de serviços públicos por particulares em eventos 
que envolvam a consecução dos Jogos Olímpicos 
de 2016. Nessa situação hipotética, a União 
deverá criar, mediante lei específica, uma 
agência executiva. 
Errado 
 
80% das questões sobre Agências Executivas 
são respondidas por esse parágrafo 
41 
 
AUTARQUIAS 
Criação Diretamente por lei específica 
Objeto Atividades típicas do Estado 
Características de seu patrimônio (Bens Públicos) 
a) Impenhorabilidade; 
b) Imprescritibilidade; 
c) Não onerabilidade; 
d) Alienabilidade condicionada. 
Responsabilidade Civil Objetiva 
Prerrogativas especiais 
a) Imunidade tributária; 
b) Prerrogativas processuais. 
Agências Executivas 
a) Plano estratégico de reestruturação; 
b) Contrato de Gestão com o Ministério Supervisor. 
Autarquias em Regime Especial 
 
● Agências Reguladoras: Função regulatória, 
poder normativo; 
● Universidades Públicas 
Associações Públicas Autarquias plurifederativas 
 
Fundações Públicas 
 Conforme estudado, a Fundação pode ser qualificada como pessoa jurídica formada por um 
patrimônio público personalizado, destacado pelo seu instituidor para atingir uma finalidade específica, e 
exercer uma atividade não lucrativa de interesse coletivo como educação, cultura, pesquisa e outros. As 
Fundações Públicas podem ser criadas com personalidade jurídica de direito público, nesse caso serão 
verdadeiras autarquias fundacionais, e com personalidade jurídica de direito privado. 
Características das Fundações Públicas: as Fundações Públicas, assim como as Autarquias, estão 
sujeitas ao controle finalístico realizado pela Administração Pública – supervisão ministerial; as Fundações 
Públicas podem ser criadas com personalidade jurídica de Direito Público, sujeitas ao Regime Jurídico de 
Direito Público (prerrogativas e limitações de Estado), e personalidade jurídica de Direito Privado, que se 
encontram sujeitas ao Regime Jurídico Híbrido, ou seja, não gozam das prerrogativas públicas, porém estão 
sujeitas às limitações estatais. 
As Fundações Públicas de Direito Público são também 
denominadas Autarquias Fundacionais e serão criadas 
automaticamente por lei. As Fundações Públicas de Direito Privado 
são também denominadas Fundações Governamentais e, por sua 
vez, serão criadas mediante autorização legal e registro dos atos 
constitutivos em cartório. 
Os seus empregados que atuam nas Fundações de Direito Privado devem ser aprovados em 
concurso público (art. 37, II da CF). Portanto, nas fundações estatais de direito público o regime de pessoal 
será estatutário e nas fundações estatais de direito privado o regime de pessoal é celetista. 
 
Personalidade 
jurídica de 
Direito Público
Personalidade 
jurídica de 
Direito Privado 
Regime Jurídico 
de Direito 
Público 
Regime Jurídico 
Híbrido
42 
 
 Os bens das fundações de direito público são bens públicos e das fundações de direito privado 
serão bens privados, contudo, esses últimos gozam de algumas prerrogativas de direito público, como a 
impenhorabilidade dos bens afetados ao serviço público. 
FICA A DICA 
As Autarquias Fundacionais, por gozarem de personalidade jurídica de direito público, estão 
abarcadas pelo art. 98 do Código Civil, que dispõe que são públicos os bens do domínio nacional 
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público, não sendo estendida essa qualidade aos bens das 
pessoas de direito privado. 
• os contratos das Fundações dependem de licitação (art. 37, XXI da CF), nos moldes definidos pelas leis 
8.666/93 e 10.520/02, salvo as hipóteses de dispensa e inexigibilidade. 
• as Autarquias fundacionais são beneficiadas pela imunidade tributária recíproca, de acordo com o §2º 
do art. 150 da Constituição Federal. 
Ademais, assim como os entes da Administração Direta, as autarquias fundacionais se submetem 
à prescrição quinquenal prevista no art. 1º do Decreto 20.910/32, in verbis: 
“Art. 1º As dívidas passivas da União, dos estados e dos municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação 
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos 
contados da data do ato ou fato do qual se originarem.” 
 
A aplicação deste dispositivo às Fundações Públicas de direito público decorre do fato de que as 
mesmas gozam dos privilégios de Fazenda Pública, entendimento que está pacificado na doutrina e na 
jurisprudência. 
Empresas Estatais − Empresa Pública 
 As Empresas Públicas são pessoas jurídicas de Direito 
Privado, criadas por meio de autorização legal, possuem 
capital exclusivamente público, podendo ser constituídas sob 
qualquer modalidade empresarial, para fins de promover a 
prestação de serviços públicos ou para fins de exploração da 
atividade econômica. 
A instituição da referida entidade deverá seguir o 
seguinte procedimento: edição de lei autorizativa, expedição 
de decreto de regulamentação da mencionada lei, registro dos 
atos constitutivos em Cartório (caso seja prestadora de serviço 
público) ou na Junta Comercial (caso seja exploradora de 
atividade econômica). Portanto, ao contrário do que ocorre na 
Autarquia, a qual é criada diretamente pela lei, a Empresa 
Pública tem sua criação autorizada por lei e somente será 
efetivamente criada através do registro de seus atos constitutivos. 
Destaca-se que, conforme estudado, as empresas públicas necessariamente têm capital 
exclusivamente público, ou seja, o capital da empresa pública é 
oriundo exclusivamente de recursos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios. A regra, todavia, precisa ser 
cotejada com a constante no parágrafo único do mesmo 
dispositivo (art. 3° da Lei 13.303/16) que permite a participação 
no capital social da empresa pública de outras pessoas jurídicas 
de direito público interno, bem como de entidades da 
Administração Indireta dos entes federados. Portanto, será 
admitida, no capital da Empresa Pública, a participação de outras 
O ponto mais COBRADO são os conceitos das 
empresas estatais e as diferenças entre essas 
instituições 
 
QUESTÃO – Prova Auditor de Controle 
Externo 
 
As Autarquias e as Empresas Públicas integram a 
Administração Indireta e assemelham-se quanto 
ao modo de criação e ao regime jurídico, pois a 
criação de ambas depende de autorização 
legislativa e ambas submetem-se tanto ao regime 
público como ao regime privado. 
 
Errado 
QUESTÃO CESPE 
 
As empresas públicas, entidades dotadas de 
personalidade jurídica de direito privado, 
cuja criação é autorizada por lei, possuem 
patrimônio próprio e podem ser unipessoais 
ou pluripessoais. 
 
Correto 
43 
 
pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da Administração Indireta da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 
Dessa forma, o capital de uma Empresa Pública Federal poderáser constituída por capital da União, 
Estado e do Município, desde que seja exclusivamente público. 
Sociedade de Economia Mista 
São pessoas jurídicas de direito privado criadas mediante autorização legal para a prestação de 
serviços públicos ou para exploração de atividade econômica, constituídas por capital misto, público e 
privado (sendo que a maioria do capital votante será público), e instituída somente sob a forma empresarial 
de Sociedade Anônima. Ex.: Eletrobras, Petrobras. 
Inicialmente, iremos tratar acerca das diferenças e semelhanças existentes entre essas entidades, 
são elas: 
Diferenças: 
1. Capital: a Empresa Pública é formada por capital 100% 
público, nesse caso não é admitido investimento privado. Na 
Sociedade de Economia Mista, por sua vez, o capital é misto, 
sendo que a maioria do capital votante será público. 
2. Forma jurídica: a Sociedade de Economia Mista somente poderá ser constituída sob a forma de 
Sociedade Anônima, sendo que a Empresa Pública admite qualquer forma societária. 
3. Deslocamento de competência: o art. 109, I CF/88 estabelece que compete à Justiça Federal o 
julgamento das ações judiciais em que a Empresa Pública figure como parte (deslocamento para a Justiça 
Federal). Nas ações em que a Sociedade de Economia Mista figure como parte, não haverá esse 
deslocamento, salvo quando se tratar de matéria de justiça especializada e a União intervém como 
assistente ou opoente. 
Semelhanças: 
1. A Empresa Pública e a Sociedade de Economia Mista possuem personalidade jurídica de direito privado. 
2. As Empresas Estatais não gozam de nenhuma prerrogativa pública, seguindo o mesmo regime das 
Empresas Privadas no que diz respeito às suas obrigações, ou seja, não possuem privilégios fiscais, as 
obrigações trabalhistas são regidas pela CLT, não gozam de prerrogativas dos contratos administrativos, e 
estão sujeitas ao mesmo regime das Empresas Privadas no que tange aos privilégios processuais. 
3. As empresas estatais não gozam das prerrogativas de Estado, entretanto, estão sujeitas às limitações − 
Regime Jurídico Híbrido. 
4. As estatais estão sujeitas ao controle do Tribunal de Contas. 
5. As Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista exploradoras de atividade econômica não estão 
sujeitas as regras estabelecidas na Lei 8.666/93 acerca de licitações e contratos, estando sujeitas ao 
estatuto das empresas estatais - Lei 13.303/2016. 
Cumpre destacar que o referido regime de contratação deve observar os princípios da administração 
pública, sujeitando-se os atos abusivos praticados no âmbito de tais procedimentos licitatórios, ao 
controle por meio de mandado de segurança. 
6. Os agentes das Empresas Estatais são empregados públicos selecionados por intermédio de Concurso 
público, estão sujeitos ao regime celetista e celebram contrato de emprego com a empresa estatal. 
Destaca-se que os empregados públicos estão sujeitos à vedação quanto a ACUMULAÇÃO DE CARGOS, 
empregos ou funções públicas. 
Os pontos MAIS cobrados são os conceitos de 
Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista, 
diferenças e semelhanças entre essas. 
44 
 
7. Impossibilidade de falência: o regime falimentar das empresas privadas não se aplica às empresas 
estatais. 
8. A finalidade das Empresas Estatais será sempre uma finalidade pública, podendo prestar serviço público 
ou explorar atividade econômica: 
Prestação de serviços públicos: as Empresas Estatais prestadoras de serviço público estão sujeitas ao 
regime jurídico híbrido que se aproxima de DIREITO PÚBLICO, uma vez que aplicam-se a essas entidades 
as normas e princípios aplicáveis à prestação dos serviços públicos estabelecido pela Lei n. 8.987/95 e 
demais diplomas normativos (responsabilidade civil objetiva, bens atrelados à prestação do serviço são 
impenhoráveis, etc.). Ex.: Empresa de Correios e Telégrafos. 
Exploração de atividade econômica: As Empresas Estatais exploradoras de atividade econômica estão 
sujeitas ao regime jurídico híbrido que se aproxima do DIREITO PRIVADO (seus bens estão sujeitos à 
penhora, não gozam de imunidade tributária recíproca, a responsabilidade civil é privada e etc.). As 
Empresas Estatais irão atuar na exploração da atividade econômica em razão de relevante interesse 
coletivo ou imperativo da segurança nacional. Ex.: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. 
FICA A DICA 
 As empresas estatais não possuem finalidade lucrativa, a finalidade será sempre pública. 
Contudo, essas entidades poderão auferir lucro. 
 A Empresa de Correios e Telégrafos, por desempenhar um serviço exclusivo e indelegável, estará 
sujeita ao Regime Jurídico de Direito Público gozando de todas as prerrogativas e se sujeitando a 
todas as limitações de Estado. 
Bens: 
Os bens das Empresas Estatais não ostentam a qualidade de bens públicos. No entanto, em relação 
aos bens que estejam atrelados à prestação de serviços públicos, aplicam-se algumas prerrogativas 
inerentes aos bens públicos, como a impenhorabilidade. No que tange às empresas estatais que atuam na 
exploração de atividades econômicas, não se pode entender da mesma forma, ou seja, seus bens não gozam 
de quaisquer garantias, são bens privados para todos os efeitos, sendo, inclusive, possível a penhora e a 
oneração destes bens com direitos reais de garantia. 
Agentes 
Os agentes que atuam na prestação de serviços na estrutura das empresas estatais são 
empregados públicos, que celebram com a Administração Pública contratos de emprego regidos pela 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Entretanto, situação diversa ocorre em relação aos 
dirigentes das estatais, uma vez que estes são servidores 
detentores de cargo em comissão, nomeados livremente pelo 
ente da Administração Direta. Para esses agentes, pode-se 
aplicar uma dupla vinculação jurídica, pois se vinculam à 
empresa estatal e também ao ente da Administração Direta que 
realiza o controle ministerial. 
Os agentes das empresas estatais também estão 
subordinados à regra constitucional que veda a acumulação de 
cargos e empregos públicos de quaisquer entes da 
Administração Direta ou Indireta, com ressalva para as hipóteses 
definidas no próprio texto constitucional, sempre que houver 
compatibilidade de horário: a) dois cargos de professor, b) dois 
cargos de profissionais de saúde com profissão regulamentada; 
QUESTÃO ESAF 
 
Ao contrário o que ocorre nas autarquias e 
fundações públicas, entidades onde podem 
coexistir os regimes estatutário e contratual, 
nas empresas públicas e nas sociedades de 
economia mista, o vínculo jurídico que se 
firma com os trabalhadores é exclusivamente 
contratual, sob as normas da CLT. 
 
Correta 
 
O cargo de dirigente de empresa pública e de 
sociedade de economia mista é regido pela 
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
 
Errado 
45 
 
c) um cargo técnico ou científico mais um cargo de professor; d) mandato de vereador e cargo público, 
havendo compatibilidade de horários. 
FICA A DICA 
Embora os empregados públicos não gozem de 
estabilidade, nos termos da Constituição Federal, existe 
divergência doutrinária e jurisprudencial acerca da possibilidade 
de dispensa imotivada desses agentes, haja vista terem sido 
contratados mediante concurso público. Nesse sentido, Celso 
Antônio Bandeira de Mello, acertadamente aduz que "assim como 
não é livre a admissão de pessoal, também não se pode admitir 
que os dirigentes da pessoa tenham o poder de desligar seus 
empregados com a mesma liberdade com que o faria o dirigente de uma empresa particular”. 
Privilégios fiscais 
Em se tratando de Empresas Públicas ou Sociedades de Economia Mista que atuem na exploração 
de atividade econômica, o regime tributário aplicado é o mesmo definido para as empresas privadas, 
sujeitando-se a todos os impostos edemais tributos aplicáveis às empresas privadas que executam 
atividades no mesmo ramo. Cumpre ressaltar que, se caso o ramo de atividade econômica que é objeto de 
exploração da empresa estatal gozar de isenção legal de tributo, esta isenção será estendida a tal entidade. 
Todavia, a entidade da Administração Pública Indireta não pode gozar de qualquer privilégio fiscal 
diferenciado pelo fato de ser uma empresa estatal. 
Empresas subsidiárias das empresas estatais: 
As empresas subsidiárias são entidades societárias autônomas, criadas para apoiar e executar 
atividades de interesse e suporte à empresa estatal, auxiliando no exercício de suas atividades. Dessa forma, 
resta claro que a empresa subsidiária tem personalidade jurídica própria, sob a égide do direito privado. 
Conforme estudado, a criação das empresas subsidiárias depende de autorização por lei 
específica. Nesse sentido, o art. 37, XX da Carta Magna dispõe que "depende de autorização legislativa, em 
cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a 
participação de qualquer delas em empresa privada". 
Falência 
A Empresa Pública e a Sociedades de Economia Mista não estão sujeitas à falência, conforme 
determina a Lei 11.101/05, art. 2º: “Esta Lei não se aplica a: I – empresa pública e sociedade de economia 
mista”. 
Concordando com o entendimento estampado na lei, Marçal Justen Filho ensina que ''a falência é 
uma causa de dissolução da empresa derivada da insolvência, visando à liquidação de seu patrimônio, ao 
pagamento de seus credores em situação de igualdade e à posterior extinção. Não pode haver falência de 
empresa estatal, porque somente a lei pode determinar sua criação, dissolução ou extinção". 
Defende o autor, ainda, que é incompatível com as empresas estatais a realização da falência pelo 
fato de que, nesses casos, o controle da empresa deverá ser transferido para um particular designado como 
administrador judicial para dirigir os atos finais da entidade. Ademais, o autor explica que, em relação às 
empresas estatais, o Estado tem responsabilidade subsidiária o que torna impossível a realização do 
procedimento da falência nos moldes definidos na Lei do instituto. 
No entanto, o art. 173, §1º, II, da Constituição Federal define que as Empresas Estatais que atuam 
na exploração de atividades econômicas se sujeitam ao mesmo regime aplicável às empresas privadas, no 
que tange às obrigações civis e comerciais. Desse modo, estaríamos diante de uma aparente 
incompatibilidade da lei com o texto constitucional, haja vista que o Regime Falimentar das empresas 
ATENÇÃO 
 
A dispensa de um empregado de entidade 
da Administração Pública configura ato 
administrativo e, como tal, depende de 
motivação para ser praticado. 
 
 
46 
 
particulares se configura regramento comercial, devendo, portanto, ser estendido a essas entidades da 
Administração Pública. Contudo, entendemos nessa obra, em conformidade com o entendimento 
majoritário da doutrina, que as Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista não estão sujeitas ao 
regime falimentar, haja vista que essas entidades são criadas mediante autorização legal para atender ao 
relevante interesse social e aos imperativos de segurança nacional, interesses esses que não poderiam 
ser afastados para fins de satisfação de interesses privados em um processo falimentar. 
QUADRO RESUMO 
AUTARQUIAS 
Criação Diretamente por lei 
Atividade Atividades típicas de Estado 
Bens a) impenhorabilidade; 
b) Imprescritibilidade; 
c) Não onerabilidade; 
d) Alienabilidade condicionada; 
Prerrogativas – Regime Jurídico de Direito Público a) Imunidade tributária; 
b) Prerrogativas processuais; 
Agência Executiva a) Plano estratégico de reestruturação; 
b) Contrato de Gestão com o Ministério Supervisor; 
Agência Reguladora Agencia Reguladora: função regulatória, poder normativo; 
 Universidades Públicas; 
 Conselhos profissionais; 
Associações Públicas Autarquias plurifederativas; 
EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA 
Empresas Públicas X Sociedade de Economia Mista Diferenças: 
a) Empresas Públicas: 100% Público; qualquer forma 
societária admitida; foro competente: Justiça 
Federal. 
b) Sociedade de Economia Mista: capital público e 
privado; controle acionário do Estado; Sociedade 
Anônima. 
 Foro competente: Justiça Estadual 
Criação Inscrição dos atos constitutivos no respectivo Registro 
Regime de pessoal Empregados Públicos (Regime Jurídico CLT) 
Patrimônio Bens privados, salvo os bens atrelados à prestação de serviço 
público que são impenhoráveis. 
Tribunal de Contas Estão sujeitas ao controle do Tribunal de Contas 
 
 
47 
 
TERCEIRO SETOR 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessa matéria, que as questões 
relativas às OSCIP’s estão sempre presente nas provas. 
 
 
Conceito 
A expressão Terceiro Setor é utilizada pela doutrina majoritária para se referir às pessoas jurídicas 
de direito privado, sem fins lucrativos, que prestam atividades de interesse público, estabelecem vínculo 
de parceria com o Estado e encontram-se sujeitas a sua fiscalização. Nesse sentido, pode-se dizer que o 
terceiro setor engloba o conjunto das entidades “publicas não estatais”, uma vez que essas desempenham 
atividades relacionadas ao interesse público e recebem benefícios estatais, contudo, não são propriamente 
estatais uma vez que não integram a Administração Pública. Nessa medida, a parceria estabelecida entre 
o Estado e essas entidades justifica o regime híbrido ao qual essas se sujeitam, público e privado. 
Em âmbito federal, as entidades que compõem esse setor são as “Organizações Sociais” (OS’s), 
“Serviços Sociais Autônomos”, as “Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público” (OSCIP’s) e as 
Fundações de Apoio, que serão estudadas a seguir. Contudo, destaca-se que cada ente federado, haja vista 
a autonomia federativa que possui, pode criar outras qualificações diversas. 
Serviço Social Autônomo 
Trata-se de entidades cuja criação se dá mediante 
autorização legal, possuem personalidade jurídica de direito 
privado, sem fins lucrativos, e realizam atividades de assistência 
ou ensino a certas categorias profissionais. Compete ao 
denominado serviço social autônomo o exercício de atividades 
de amparo a determinadas categorias profissionais, mediante o 
recebimento de contribuições sociais. Ex.: SESI, SESC, SENAI e 
SENAC. 
Destaca-se a exigência de autorização legal para fins de 
criação dessas entidades, uma vez que o custeio dessas instituições é realizado mediante cobrança de 
contribuições sociais, sendo essa uma espécie tributária (essas entidades gozam de parafiscalidade 
tributária). 
Conforme estabelecido pelo texto constitucional, a instituição de tributos é realizada pelo ente 
federado competente, entretanto, a mera cobrança desses tributos poderá ser realizada por outra entidade 
da Administração Indireta ou, conforme demonstrado no parágrafo anterior, por entidade privada do 
Serviço Social Autônomo. Nesse caso, gozando de parafiscalidade tributária, essa entidade realizará a 
Conceito Organizações Sociais OSCIP Fundações de Apoio
TERCEIRO SETOR
Conceito Organizações Sociais OSCIP Fundações de Apoio
QUESTÃO CESPE 
 
É classificada como integrante dos serviços 
sociais autônomos uma pessoa jurídica de direito 
privado, sem fins lucrativos, criada por 
autorização legislativa, cuja finalidade principal 
seja a de executar serviços de utilidade pública 
para o benefício de grupos específicos, com 
custeio por contribuições compulsórias. 
 
Correto 
48 
 
cobrança referente à contribuição social criada pela Administração Pública Direta (ente federado 
competente para criar o tributo) para finscusteio de suas atividades. 
FICA A DICA 
O valor remanescente oriundo dos recursos arrecadados constituem superávit que deverá ser 
revertido para as próprias atividades desempenhadas pela instituição. 
As referidas entidades encontram-se sujeitas ao controle estatal realizado por meio dos Tribunais 
de Contas e são imunes a impostos incidentes sobre patrimônio, renda e serviços. Deve-se ressaltar, ainda, 
que devido ao fato de tratar-se de pessoa jurídica de direito privado, as mesmas não se submetem ao 
regime de precatório em relação aos débitos que eventualmente possuírem. 
Por fim, no que se refere a características essenciais dessas instituições, devemos lembrar que as 
entidades do Serviço Social Autônomo não estão obrigadas a contratar mediante observância das normas 
de licitação e contratos, haja vista que essas entidades não compõem a Administração Pública formal. 
Contudo, em razão do fato de que as mesmas recebem recursos públicos, as contratações de terceiros feito 
por essas instituições devem respeitar os imperativos de impessoalidade e objetividade, em conformidade 
com os regulamentos próprios adotados por elas mesmas. Além disso, e pela mesma razão detalhada 
acima, os serviços sociais autônomos não estão obrigados a realizar concursos públicos para contratação 
de funcionários. Entretanto, essas entidades devem realizar um processo de seleção de pessoal 
simplificado que assegure a objetividade e eficiência (RE 789.874/DF – repercussão geral. Rel. Min. Teori. 
Zavascki, 17.09.2014 – informativo 759 do STF). 
Organizações Sociais 
As organizações são pessoas jurídicas de direito privado, que não possuem finalidade lucrativa, 
que desempenham atividades ligadas ao interesse público, preenchem os requisitos contidos na Lei nº 
9.837/98 e celebram contrato de gestão com o Estado para fins de recebimento de benefícios públicos 
(orçamento público, isenções fiscais, repasse de bens públicos e etc.), mediante o cumprimento de metas 
de desempenho. Tal qualificação gera vantagens econômicas para essa entidade, contudo, a submete à 
fiscalização do Estado. As áreas de atuação das OS’s são: ensino, pesquisa científica, desenvolvimento 
tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. 
A outorga da qualificação dessas entidades como Organização Social se dá mediante a assinatura 
do CONTRATO DE GESTÃO junto ao ente público, instrumento que possibilita o recebimento de fomento 
público para realização das atividades ligadas ao interesse coletivo, sendo este um ATO DISCRICIONÁRIO 
DA ADMINISTRAÇÃO. Ou seja, para fins de qualificação de uma entidade privada como organização social 
é necessário, além do enquadramento legal nas áreas citadas, que haja aprovação DISCRICIONÁRIA pelo 
Ministro ou titular de órgão supervisor da área de atuação da OS. Portanto, mesmo preenchidos os 
requisitos estabelecidos na lei, pode ser que a qualificação de uma determinada entidade como OS não seja 
realizada, uma vez que dependerá do juízo de conveniência e oportunidade do poder público. Sendo assim, 
as entidades que preencherem os requisitos legais possuem tão somente a expectativa de direito à 
obtenção da qualificação, e não o direito adquirido. 
O instrumento que formaliza essa parceria (contrato de gestão) deve ser previamente aprovado 
pelo Ministro de Estado ou por outra autoridade supervisora da respectiva área de atuação. Nesse ajuste, 
serão fixadas metas a serem cumpridas pela entidade, cuja inobservância poderá gerar a sua 
desqualificação como OS. A eventual desqualificação deverá ser precedida de processo administrativo, 
sendo assegurado o contraditório e a ampla defesa. O contrato de gestão é composto por plano de 
trabalho proposto pela Organização Social que contempla a estipulação de metas a serem atendidas e os 
respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos e avaliação de 
desempenho a serem utilizado. 
A execução do mencionado contrato será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora e, caso 
verificado qualquer irregularidade, será dada ciência ao Tribunal de Contas da União. Destaca-se que as 
49 
 
Organizações Sociais poderão receber recursos públicos orçamentários, permissão gratuita de uso bens 
públicos e poderão ser agraciadas com a cessão de servidor público. 
Por fim, é importante ressaltar a hipótese de dispensa prevista no art. 24, inciso XXIV, da Lei 
8.666/93 a qual estabelece que a Administração Pública, ao contratar serviços prestados por essas 
instituições, pode deixar de realizar o procedimento licitatório, desde que o serviço esteja previsto no 
contrato de gestão. Além disso, os contratos realizados por essas instituições junto à terceiros não se 
encontram sujeitos às normas da Lei 8.666/93 e devem respeitar uma forma de seleção impessoal e 
objetiva, nos termos do regulamento próprio a ser editado por cada entidade. O mesmo raciocínio deverá 
ser utilizado no que tange ao processo de seleção de pessoal por essas instituições. 
 Entretanto, destaca-se que as OS’s devem realizar processo licitatório no que tange às 
contratações feitas com terceiros mediante a utilização de recursos provenientes da União. Caso tratar-
se de aquisições de bens e serviços comuns, será obrigatória a utilização da modalidade pregão. 
OSCIP’s 
As Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público podem ser definidas como pessoas 
jurídicas de direito privado sem finalidade lucrativa, que desempenhem serviços de interesse público e não 
exclusivos do Estado, mas sujeitas à fiscalização deste, mediante a celebração de vínculo de parceria com 
a Administração Pública. 
Assim como ocorre com as OS’s, a outorga da 
qualificação da entidade como OSCIP depende do 
preenchimento dos requisitos legais. Os mencionados 
requisitos encontram-se previstos na Lei 9.790/99, no seu artigo 
3º, que dispõe os objetivos a serem perseguidos pelas 
instituições que pretenderem se qualificar como OSCIP. 
Contudo, ao contrário do que ocorre nas OS’s, a outorga da 
qualificação da entidade privada como OSCIP é um ato VINCULADO realizado pelo MINISTÉRIO DA 
JUSTIÇA, isto é, preenchidos os requisitos legais, as entidades possuem direito adquirido à outorga deste 
título. Desse modo, uma vez qualificadas essas entidades poderão firmar “termo de parceria” com o Poder 
Público, podendo se falar em DIREITO ADQUIRIDO À QUALIFICAÇÃO. 
O vínculo jurídico entre o poder público e a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público é 
o denominado termo de parceria. No referido termo, devem ser estabelecido o programa de trabalho, as 
obrigações das partes, prazos de execução e os critérios de avaliação de desempenho. A escolha da OSCIP 
deverá ser feita mediante publicação de edital de concurso de projetos com ampla publicidade, instaurado 
pelo órgão estatal (Decreto 3.100/1999). 
Importante ressaltar, no entanto, que certas pessoas jurídicas, mesmo tendo preenchido os 
requisitos legais, não podem se qualificar como OSCIP. Essas entidades estão elencadas no artigo 2º na Lei 
9.790/99 (leitura obrigatória). 
FICA A DICA 
As cooperativas não são passíveis de qualificação como Organizações da Sociedade Civil de Interesse 
Público; 
Ademais, assim como as Organizações Sociais, as OSCIP’s também devem licitar no que tange às 
CONTRATAÇÕES FEITAS COM RECURSOS PROVENIENTES DA UNIÃO. A diferença é que, ao contrário da 
OS, quanto a essa não há previsão legal de dispensa de licitação. Além disso, no termo de parceria serão 
fixadas metas a serem cumpridas pela entidade, cuja inobservância poderá gerar a sua desqualificação 
como OS. Tal desqualificação será precedida de processo administrativo, sendo assegurado o contraditório 
e a ampla defesa. 
CAI EM PROVA 
 
Outorga da qualificação da OSCIP é um ato 
vinculado; 
 
Outorga da qualificação da OS é um ato 
discricionário; 
50A Lei nº 9.970/99 autoriza a participação de servidores públicos na composição de conselho de 
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, desde que não haja percepção de remuneração ou 
subsídio, a qualquer título. 
Em âmbito federal, as principais diferenças entre OS e a 
OSCIP são: 
 Organizações sociais – Lei 9.637/98 OSCIP 
Lei 9.790/99 
Qualificação Outorga discricionária. Outorga vinculada. 
Competência para 
qualificação 
Aprovação do Ministério ou órgão regulador 
competente. 
Qualificação concedida pelo Ministério 
da Justiça. 
Órgão de deliberação 
superior da entidade 
Presença obrigatória de representante do poder 
público. 
Presença facultativa do servidor público. 
Contratação Podem ser contratadas pelo poder público por 
dispensa de licitação. 
Não há previsão de contratação direta 
pelo poder público. 
Licitação Devem licitar nas contratações em que se faça uso 
de recursos repassados pela União. Caso se trate de 
aquisição de bens e serviços comuns, será 
obrigatória a modalidade pregão. 
Devem licitar nas contratações em que se 
faça uso de recursos repassados pela 
União. Caso se trate de aquisição de bens 
e serviços comuns, será obrigatória a 
modalidade pregão. 
Vínculo com a Administração Contrato de gestão. Termo de parceria. 
Conselhos Conselho de Administração, do qual participem 
representantes do Poder Público. 
Não há necessidade de Conselho Fiscal. 
Não é necessário Conselho de 
Administração (nem a participação de 
representantes do Poder Público em 
nenhum órgão da entidade), mas exige-
se que a OSCIP possua o Conselho Fiscal. 
Fomento Repasse de recursos, permissão de uso de bens e 
cessão de servidor. 
Repasse de recursos, permissão de uso 
de bens. 
Prazo Não há previsão de prazo legal entre a constituição 
da entidade e sua qualificação como OS. 
A entidade privada sem fins lucrativos, 
para receber a qualificação de OSCIP, 
deve ter sido constituída e encontrar-se 
em funcionamento regular a pelo menos 
3 anos. 
 
Fundações de apoio 
Trata-se de fundações instituídas por particulares com o objetivo de desempenhar atividades 
ligadas ao interesse público e atuar ao lado da Administração Pública, mediante a celebração de vínculos 
com a natureza jurídica de convênios. As mencionadas fundações não integram a Administração Pública, 
possuem natureza de Fundações de direito privado, encontram-se sujeitas à fiscalização pelo Ministério 
Público, e à legislação trabalhista. 
As referidas fundações são criadas com o objetivo de apoiar projetos de ensino, pesquisa, 
extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação de interesse das 
Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT’s). 
Destaca-se que na execução de contratos que envolvam a utilização de recursos do poder público, 
as entidades irão adotar o regulamento específico de seleção editado pelo Poder Executivo em cada âmbito 
federativo, nos termos do art. 3º da Lei 8.958/1994: 
“Art. 3o Na execução de convênios, Contratos, acordos e demais ajustes abrangidos por esta Lei que envolvam 
recursos provenientes do poder público, as fundações de apoio adotarão regulamento específico de aquisições 
e contratações de obras e serviços, a ser editado por meio de ato do Poder Executivo de cada nível de governo”. 
 
 
 
ASPECTO MAIS COBRADO NAS PROVAS 
51 
 
FICA A DICA 
 As Fundações poderão fazer uso de servidores públicos federais, que não terão vínculo com a 
entidade e receberão bolsas de ensino e pesquisa. 
 É vedada a utilização das Fundações de apoio para prestação de serviços ou atendimento de 
necessidades de caráter permanente. 
Parcerias voluntárias 
A Lei nº 13.019/2014, estabeleceu novo marco regulatório das parcerias celebradas entre a 
Administração Pública e as Organizações da Sociedade Civil (OSC’s). Diferentemente do regulamento legal 
das OS e OSCIP, essa lei é de natureza nacional, isto é, aplica-se a todos os entes federados. Portanto, as 
parcerias voluntárias podem ser firmadas pela Administração Direta no âmbito de cada ente federado 
(União, Estados, Distrito Federal, Municípios) e entidades da Administração Indireta. 
Podemos definir a Organização da Sociedade Civil como a pessoa jurídica de direito privado, sem 
fins lucrativos, que não distribui entre os seus sócios eventuais lucros e sobras, que desempenha 
atividade de interesse coletivo aplicando a mencionada verba integralmente na consecução do respectivo 
objeto social. A Lei 13.019/2014 estabelece as diretrizes acerca da política de fomento e de colaboração 
com as Organizações da Sociedade Civil, e institui o Termo de Colaboração e Termo de Fomento. Nesse 
sentido, segue algumas especificidades dessa lei: 
● Aplicabilidade da lei: parcerias celebradas entre a Administração Pública e Organizações da 
Sociedade Civil. Destaca-se que as diretrizes estabelecidas na mencionada lei não se aplicam aos 
contratos celebrados com a Organização Social, mas aplicam-se, no que couber, aos vínculos 
celebrados junto às OSCIP’s. 
Procedimento de seleção das organizações: 
A iniciativa da parceria pode partir da Administração ou das Organizações Sociais. Nesse sentido, 
a lei estabelece os seguintes procedimentos: 
 Procedimento de Manifestação de Interesse Social: trata-se de procedimento no qual as 
instituições e os cidadãos poderão apresentar propostas e manifestar interesse ao Poder Público 
para que este avalie a possibilidade de realização de um chamamento público objetivando a 
celebração de parceria. 
 Chamamento público: processo de seleção da organização da sociedade civil para fins de 
celebração de parcerias mediante assinatura de termo de colaboração ou termo de fomento, com 
observância aos princípios administrativos. Destaca-se que a entidade deve possuir, pelo menos, 
três anos de existência; no processo de chamamento público a fase de julgamento das propostas 
antecede a habilitação; o julgamento deve levar em consideração o grau de adequação da 
proposta aos objetivos. 
Instrumentos de parceria: 
● Termo de colaboração: termo de parceria firmado mediante seleção via chamamento público, 
para consecução de finalidades públicas PROPOSTAS PELA ADMINISTRAÇÃO, mediante 
transferências voluntárias, em regime de cooperação com o Poder Público. O Termo de 
colaboração é aquele que é cabível no caso de transferências voluntárias do ente público para o 
parceiro privado com o objetivo de consecução de planos de trabalho propostos PELO PRÓPRIO 
ENTE PÚBLICO. Ressalta-se que a seleção da sociedade civil será realizada por meio de 
chamamento público, e não por meio de licitação. 
● Termo de fomento: instrumento firmado pela Administração e Organização da Sociedade Civil, em 
razão de plano de trabalho proposto por essas entidades, em regime de mútua cooperação com 
o poder público, para consecução de finalidades públicas propostas pela Organização da Sociedade 
52 
 
Civil. O termo de fomento deve ser firmado quando o objetivo da Administração for realizar 
transferências voluntárias visando à consecução de planos de trabalho propostos, desta vez, pela 
PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL. Como, neste caso, a iniciativa da parceria é da 
Organização da Sociedade Civil, esta irá se valer do Procedimento de Manifestação de Interesse 
para incitar o poder público a realizar o chamamento objetivando a celebração da parceria (art. 18 
da Lei 13.019). 
Características importantes: 
 As contratações realizadas pela entidade, com recursos públicos, devem observar um regramento 
simplificado de compras e contratações em observância aos princípios administrativos da 
impessoalidade e julgamento objetivo das propostas. Esse regulamento deverá ser elaborado 
pela própria entidade. 
● A seleção daequipe de trabalho deve ser precedida de processo seletivo (e não concurso público), 
com regras transparentes, impessoais e objetivas para seleção. O referido processo não gera 
qualquer vínculo trabalhista com a Administração e não acarreta responsabilização pelo poder 
público, nem solidária e nem subsidiária. 
● A entidade deverá prestar contas finais da boa e regular aplicação de recursos recebidos no prazo 
de 90 (noventa) dias a partir do término da vigência da parceria. 
Licitação 
Primeiramente, cumpre ressaltar que a licitação é aplicável aos contratos administrativos e não 
aos convênios, portanto, não cabe licitação para celebração de termo de parceria com as entidades. Assim, 
caso existam várias entidades do Terceiro Setor interessadas em celebrar esses vínculos com a 
Administração Pública, o poder público deverá estabelecer procedimento administrativo prévio para 
escolha da entidade beneficiária, denominado CONCURSO DE PROJETOS, e não um procedimento 
licitatório. 
No que se refere à necessidade de licitação nas contratações realizadas por essas instituições, 
entende-se pela desnecessidade do cumprimento das disposições da Lei 8.666/93, contudo, destaca-se a 
obrigatoriedade de realização de procedimento simplificado que respeite os princípios constitucionais, 
mediante a edição de regulamentos próprios (art. 17 da Lei 9637/98 e art. 14 da Lei 9.790/99). 
Responsabilidade Civil 
A responsabilidade dessas entidades é subjetiva, em razão do fato de tratar-se de entidades privadas 
que prestam atividades de interesse público não exclusivas de Estado em nome próprio, 
independentemente de delegação pelo poder público. 
Contudo, evidencia-se que há responsabilidade subsidiária do poder público pelos danos causados 
pelas entidades do Terceiro Setor no desempenho de atividades ligadas às parcerias. Cumpre ressaltar que 
a solidariedade não pode ser presumida (art. 265 do CC). 
FICA A DICA − ASPECTOS CONTROVERSOS SOBRE O TERCEIRO SETOR 
 Foro competente para julgar as ações que envolvem as entidades do Terceiro Setor: justiça 
estadual. 
● Controle: o controle desse setor será realizado pelo respectivo ente federado que firma o vínculo 
com a instituição, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas. Além disso, destaca-se o 
controle social que pode ser realizado por meio da interposição de Ação Popular. 
● Os empregados das instituições desse setor são celetistas, e é inaplicável a regra do Concurso 
Público. Contudo, a contratação deve ser realizada mediante processo seletivo objetivo. 
53 
 
● O patrimônio das entidades é formado por bens privados. Contudo, os bens adquiridos por 
entidades do Terceiro Setor com recursos públicos são propriedade resolúvel das instituições, pois, 
no caso de sua extinção, os bens devem ser transferidos a outra entidade similar ou ao 
patrimônio do Estado. 
PARCERIAS VOLUNTÁRIAS 
TERMO DE COLABORAÇÃO TERMO DE FOMENTO 
A iniciativa da celebração da parceria voluntária parte da 
Administração. MACETE: A administração pública quer a 
COLABORAÇÃO dessas entidades. 
A iniciativa da celebração da parceria voluntária parte da 
organização da sociedade civil, precedida de Procedimento de 
Manifestação de Interesse. 
TERCEIRO SETOR 
Fundamento Administração imperativa para consensual 
Subsidiariedade 
Fomento 
Características Iniciativa privada 
Sem fins lucrativos 
Não integram a Administração Indireta 
Prestam atividades de relevância social 
Possuem vínculo legal ou negocial 
Recebem benefícios públicos 
Entidades Serviços Sociais Autônomos 
Organizações Sociais 
OSCIP 
Fundação de Apoio 
Foro competente Estadual 
Regime de pessoal Empregado celetista 
Patrimônio Privado 
Responsabilidade Subsidiária 
PONTO MAIS COBRADO 
 
Outorga da qualificação da OSCIP é um ATO VINCULADO -> Ministério da Justiça; 
Outorga da qualificação da OS é um ATO DISCRICIONÁRIO -> Ministro supervisor da área de atuação da OS; 
 
54 
 
PODERES ADMINISTRATIVOS 
Indiscutivelmente o Poder de Polícia é o poder mais cobrado nas provas de Concurso Público 
 
 
Conceito 
Os poderes administrativos podem ser conceituados 
como verdadeiros instrumentos que a Administração Pública 
dispõe para alcançar a finalidade pública. Nesse sentido, em 
razão do fato de que o Estado almeja alcançar o interesse 
público, ao ente estatal são conferidas algumas prerrogativas e 
poderes especiais que o particular não possui. Tais 
prerrogativas são denominados poderes-deveres, haja vista 
que o Estado deve fazer uso dessas ferramentas para alcançar o bem da coletividade, são esses: Poder 
Normativo, Poder de Polícia, Poder Hierárquico e Poder Disciplinar. 
Poder de Polícia 
Trata-se do poder que a Administração possui de 
restringir o exercício de liberdades individuais, o uso, gozo e a 
disposição da propriedade privada, sempre na busca do 
interesse público. 
O art. 78 do Código Tributário Nacional apresenta a seguinte conceituação do Poder de Polícia: 
“Art. 78. Considera-se Poder de Polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando 
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público 
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao 
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à 
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.” 
 O conceito do Poder de Polícia reúne os seguintes aspectos, são eles: a)atividade desempenhada 
pela Administração Pública que estabelece limitações à liberdade individual e à propriedade privada dos 
particulares em prol do interesse coletivo; b) regula a prática de ato ou a abstenção de fato, contudo, em 
regra manifesta-se por intermédio de deveres negativos, criando obrigações de não fazer; c) manifesta-se 
Conceito de
Poderes
Administrativos
Poder de Polícia Poder Hierárquico Poder Disciplinar Poder Normativo
PODERES ADMINISTRATIVOS
Conceito de Poderes Administrativos Poder de Polícia
Poder Hierárquico Poder Disciplinar
Poder Normativo
QUESTÃO FGV 
 
Para o administrador público, a ação é um dever, 
não sendo possível a renúncia de seus poderes 
administrativos. 
 
Correta 
Esse conceito é MUITO cobrado 
55 
 
por meio de atos normativos gerais e abstratos ou atos concretos. Ex.: regras municipais acerca do direito 
de construir -> licença e autorização; d) baseado na lei: a expedição de atos administrativos no exercício 
do Poder de Polícia deve encontrar-se em conformidade com a lei; refere-se a atos editados em benefício 
do interesse público. 
Características do Poder de Polícia: 
a) Trata-se de atividade restritiva; 
b) Possui, em regra, natureza discricionária. Contudo, alguns atos que decorrem do Poder de Polícia 
estão vinculados aos termos da lei, como o ato de concessão de licença; 
c) Possui caráter liberatório: o Poder de Polícia autoriza 
o exercício de uma atividade; 
d) O Poder de Polícia é geral: destinado à generalidade dos 
indivíduos; 
e) Cria, em regra, obrigações de não fazer; 
f) Em regra, tem natureza preventiva e, 
excepcionalmente, repressiva. 
g) Indelegável: trata-se de poder de império do Estado que só pode ser delegado a pessoas jurídicas 
de direito público. Entretanto, cumpre ressaltar que o exercício de atividades meramente 
materiais e de fiscalização poderão ser delegadas a particulares; 
h) Não gera indenização; 
O Poder de Polícia apresenta os seguintes atributos: 
a) Discricionariedade: nos casos de atividade de fiscalização 
desempenhada no exercício do Poder de Polícia, a lei confere 
para a Administração Pública certa margem de liberdade 
entre agir ou não agir, agir agora ou depois, atenderum, dois ou três condicionamentos, produzir este ou 
aquele efeito jurídico. Essas situações exigem da autoridade administrativa um juízo de conveniência e 
oportunidade denominado mérito administrativo. Entretanto, destaca-se que existe a previsão legal de 
atos vinculados decorrentes do exercício do poder de polícia em sentido amplo. Ex.: Licença – ato 
administrativo vinculado. 
b) Presunção de legitimidade: presumem-se legítimas as condutas da Administração Pública, ou seja, 
presume-se que essas condutas encontram-se em conformidade com o ordenamento jurídico. Trata-se de 
presunção relativa, admitindo prova em contrário. 
c) Imperatividade: trata-se de atributo do ato administrativo que impõe a obrigatória submissão ao ato a 
todos que se encontrem em seu círculo de incidência. Ou seja, é o poder do Estado de impor obrigações 
ao particular unilateralmente, ainda que o particular não concorde. 
d) Exigibilidade/Coercibilidade: poder que a Administração Pública possui de estabelecer obrigações ao 
particular, independentemente da autorização prévia do Poder Judiciário, mediante a imposição do 
cumprimento da medida através de meios indiretos de coerção, como a multa. Obs.: Conforme 
entendimento do STJ, o Poder Público, pode, inclusive, condicionar a liberação de veículo apreendido à 
quitação de multas de trânsito vencidas, como forma de constranger o condutor a pagá-las. Quanto a essa 
hipótese em específico, merece relevância a Súmula 510 do STJ, veja: “A liberação de veículo retido apenas 
por transporte irregular de passageiros não está condicionada ao pagamento de multas e despesa” . 
ATENÇÃO para essas características e 
para os pontos destacados em negrito. 
 
QUESTÃO – Analista do MP 
 
O poder de polícia administrativa, que incide 
sobre as atividades, os bens e os próprios 
indivíduos, tem caráter eminentemente 
repressivo. 
 
Errado 
O atributo de discricionariedade do Poder de 
Polícia é muito cobrado pelas provas! 
56 
 
e)Autoexecutoriedade/Executoriedade: Consiste na 
possibilidade em que a própria Administração executa suas 
medidas. Esse atributo é mais específico e se exterioriza nos atos 
decorrentes do Poder de Polícia em que se determina a interdição 
de atividades, demolição de prédios prestes a ruir, apreensão e 
destruição de produtos deteriorados. O atributo da 
autoexecutoriedade decorre de situação prevista em lei ou de 
uma situação de urgência. Ex.: reboque de veículo estacionado no 
meio da avenida. 
Por fim, o Poder de Polícia se manifesta mediante atos preventivos (Ex.: licença para construir) e 
atos repressivos (Ex.: multa). Além disso, o referido Poder de 
Polícia pode se manifestar por meio de normas gerais (Ex.: 
norma que estabelece que em um determinado local é proibido 
estacionar) ou atos individuais que atingem indivíduo 
especifico (exemplo: licença para construir, autorização de uso 
de bem público). 
No que se refere ao Poder de Polícia, cumpre destacar 
a diferenciação entre Polícia Administrativa e Polícia Judiciária, 
esta incide sobre pessoas que praticam ilícitos criminais e a 
Polícia Administrativa, por sua vez, refere-se à restrição de 
direitos individuais, uso e gozo da propriedade privada para fins 
de alcançar o interesse público, conforme estudado. 
POLÍCIA ADMINISTRATIVA POLÍCIA JUDICIÁRIA 
Atua na prevenção e repressão do ilícito administrativo. Atua a partir da ocorrência do ilícito penal: 
Polícia Civil e Federal. 
A polícia administrativa basta a si própria. A polícia judiciária é preparatória para a futura atuação da 
jurisdição penal. 
Incide sobre atividades, bens e direitos individuais. Incide sobre os indivíduos (aqueles a quem se atribui a 
pratica do ilícito penal). 
Predominantemente preventiva. Ex.: imposição de multas, 
advertências e suspensão de atividades; 
Predominantemente repressiva. Ex.: punição de crimes. 
 
Delegação dos Atos de Polícia 
O exercício do Poder de Polícia é considerado atividade típica de Estado e, portanto, somente 
poderá ser exercido por pessoas jurídicas de direito público que compõem a Administração Direta ou a 
Administração Indireta, ou seja, não se admite a delegação do Poder de Polícia a pessoa jurídica de direito 
privado. 
Entretanto, destaca-se a possibilidade de delegação de 
atividades meramente materiais de execução do Poder de 
Polícia ao particular, não se transferindo qualquer prerrogativa 
para emissão de atos decisórios ou atos que gozem de fé 
pública, mas tão somente a possibilidade de execução das 
ordens postas pelo ente público. Portanto, apenas as atividades 
de consentimento e a fiscalização de polícia são passíveis de delegação a pessoas jurídicas de direito 
privado. Ex: a definição da velocidade máxima de uma determinada via é estipulada mediante o exercício 
do Poder de Polícia desempenhado por pessoas jurídicas de direito público, contudo, a simples colocação 
de radar de velocidade na via é ato material de mera execução que admite delegação a particulares. 
Por fim, no que tange à possibilidade de delegação do Poder de Polícia, o Supremo Tribunal 
Federal, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1717, declarou que os conselhos reguladores 
de profissão possuem natureza jurídica de Autarquia, uma vez que atuam no exercício do Poder de Polícia 
QUESTÃO – Defensor Público 
 
A multa, como sanção resultante do 
exercício do Poder de Polícia 
administrativa, não possui a característica 
da autoexecutoriedade. 
 
Correto 
QUESTÃO CESPE 
 
O Poder de Polícia, prerrogativa da 
administração que permite, 
independentemente de decisão judicial, o 
condicionamento e a restrição do uso e do 
gozo de bens, atividades e direitos individuais, 
é exercido pela Polícia Civil, no âmbito dos 
estados e do Distrito Federal, e pela Polícia 
Federal, na tutela de interesses da União. 
 
Errado 
DELEGAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA 
 
Atividades de consentimento e fiscalização de 
polícia são passíveis de delegação a pessoas 
jurídicas de direito privado. 
57 
 
ao estabelecer restrições ao exercício da liberdade profissional. Ex.: O médico que acabou de formar não 
pode desempenhar a sua função antes que tenha um registro no CRM (Conselho Regional de Medicina). 
Portanto, esse conselho esta limitando o direito do médico de atuar no exercício da sua profissão. 
#FICA A DICA 
Em regra, o exercício do Poder de Polícia compete ao ente federado ao qual a Constituição 
outorgou competência para legislar sobre determinada matéria. Ex: compete privativamente à União 
legislar sobre serviço postal (art. 22, V, CF/88). Logo, a União detém competência para exercer o Poder de 
Polícia sobre essa atividade. Contudo, quando o texto constitucional atribuir competência concorrente 
entre os entes federados para legislar, também fará em relação ao exercício do Poder de Polícia. Ex: nos 
termos do art. 23, VII da CF/88, “É competência comum da União, dos estados, do Distrito Federal e dos 
municípios preservar as florestas, a fauna e a flora”. 
Uma questão controversa acerca dessa tema era a constitucionalidade das leis municipais que 
atribuem aos guardas municipais o Poder de Polícia de trânsito, uma vez que o § 5º do art. 144 da CF/88 
dispõe que “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública”. Contudo, o 
STF firmou entendimento no sentido de que: 
“É constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício de poder de polícia de trânsito, inclusive 
para imposição de sanções administrativas legalmente previstas. [....]O exercício daquele não seria 
prerrogativa exclusiva das entidades policiais, a quem a Constituição outorgara, com exclusividade, no art. 
144, apenas as funções de promoção da segurança pública. Ademais, a fiscalização do trânsito com aplicação 
das sanções administrativaslegalmente previstas, embora pudesse se dar ostensivamente, constituiria mero 
exercício de Poder de Polícia. Não haveria, portanto, óbice ao seu exercício por entidades não policiais.” (STF. 
Plenário. RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 
6/8/2015, Informativo 793). 
Prescrição das sanções de polícia 
No que se refere à prescrição das sanções de polícia, destaca-se que a Lei 9.873/99, em seu art. 
1º, define que: 
"Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício 
do Poder de Polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato 
ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado". 
Contudo, a legislação prevê a possibilidade de prescrição intercorrente, trienal, diante da inércia 
da Administração Pública no julgamento do processo administrativo. De fato, conforme art. 1º, § 1º da 
referida Lei nº 9.873/99 "Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três 
anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante 
requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da 
paralisação, se for o caso". Saliente-se, ainda, que a prescrição da ação punitiva será interrompida pela 
notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de Edital, por qualquer ato inequívoco, 
que importe apuração do fato, pela decisão condenatória recorrível ou por qualquer ato que importe em 
manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administração pública. 
Poder Hierárquico 
 
Trata-se de poder interno ligado à estruturação/organização da Administração Pública. A 
hierarquia pode ser representada pelo símbolo da pirâmide que se refere à estrutura das pessoas jurídicas 
da Administração Pública Direta e Indireta, sendo que no cume dessa pirâmide encontra-se o Chefe do 
Executivo (Presidente da República, Governador de Estado e Prefeito municipal). A hierarquia pode se 
manifestar verticalmente, através das relações de subordinação e, horizontalmente, mediante atividades 
de coordenação. 
58 
 
Decorrem do poder hierárquico os seguintes deveres a serem desempenhados pelo chefe da repartição 
pública: 
 Dever de fiscalização e controle da Administração em relação às atividades realizadas por seus 
subordinados; 
 Anulação: possibilidade de anulação/invalidação do Ato Administrativo pelo superior hierárquico, 
ou seja, quando verificada a prática de conduta ilegal por parte do subordinado, compete ao 
superior hierárquico anular o ato administrativo. A Súmula nº. 473 do Supremo Tribunal Federal 
enuncia que: 
“A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles 
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos 
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. “ 
 Revogação: ocorre quando a conduta realizada pelo 
subordinado é lícita, contudo, a escolha feita pelo 
agente, dentro das margens de discricionariedade, 
não foi a mais interessante para fins de alcançar o 
interesse público. Nesse caso, a medida poderá ser 
revogada pelo superior hierárquico, gerando efeitos ex nunc (efeitos que não retroagem à data de 
edição do ato); 
 Delegação: trata-se da transferência/ampliação temporária de 
competências de um órgão para outro órgão, ou seja, determinação de que 
a atividade a ser exercida por um órgão será implementada por outro 
(ampliação da competência). A delegação será realizada mediante a 
transferência de competências para um órgão que se encontre 
hierarquicamente em posição inferior (delegação vertical) e para órgão 
que se encontre no mesmo nível hierárquico (delegação horizontal). 
Cumpre ressaltar que a delegação de competência é temporária e pode ser 
revogada a qualquer tempo pela entidade delegante, sendo que o ato de 
delegação especificará os poderes transferidos, limites, duração, objetivos 
e o recurso cabível. 
 Avocação: refere-se à tomada de competência de um órgão 
hierarquicamente inferior por um órgão hierarquicamente superior, 
diante de motivos devidamente justificados, ou seja, quando um órgão 
superior chama para a si a responsabilidade de execução de uma atividade 
de competência do órgão que se encontra em posição inferior (avocação 
horizontal). 
FICA A DICA 
Conforme estabelece a Súmula nº 510 do STF, a responsabilidade pela prática do ato é atribuída 
àquele que o praticou e não ao agente que delegou a competência. 
Cumpre salientar que a lei, expressamente, proíbe a delegação de competência, e 
consequentemente, a avocação, nas três situações a seguir descritas: 
•Competência exclusiva definida em lei; 
•Decisão de recurso hierárquico; 
•Edição de atos normativos; 
ATENÇÃO 
 
Esse parágrafo responde a mais de 15 
questões cobradas nos últimos 3 anos. 
Esses são 
os 
pontos 
mais 
cobrados 
atinentes 
a esse 
poder 
DECORE! CAI EM PROVA! 
59 
 
Supervisão ministerial 
 
No que tange ao poder hierárquico, cumpre diferenciar o controle hierárquico e o controle 
ministerial/finalístico realizado pela Administração Pública Direta frente aos atos editados pela 
Administração Pública Indireta. Conforme estudado, o referido controle, ao contrário do controle 
hierárquico, não envolve a revisão de atos, avocação e delegação de competências, restringindo-se tão 
somente a verificar se a referida entidade cumpre a finalidade pela qual foi criada. Nesse sentido, dispõe 
o art. 19 do Decreto-Lei n.200/67: 
“Art. 19. Todo e qualquer órgão da Administração Federal, direta ou indireta, está sujeito à supervisão do 
ministro de Estado competente, excetuados unicamente os órgãos mencionados no art. 32, que estão 
submetidos à supervisão direta do Presidente da República”. 
Destaca-se que, a despeito do fato de que não há subordinação e hierarquia entre esses entes, em 
casos excepcionais e, conforme previsão legal específica, admitir-se-á a interposição de recurso contra 
decisão de entidades da Administração Pública Indireta endereçado à Administração Direta, denominado 
recurso hierárquico impróprio. 
#FICA A DICA 
Não há hierarquia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Contudo, há a manifestação 
do Poder Hierárquico no âmbito interno de cada uma desses poderes, haja vista a distribuição interna de 
competências entre órgãos nessas entidades. Ademais, esses poderes exercem função administrativa ainda 
que atipicamente. 
Poder Disciplinar 
Trata-se do poder que a Administração Pública possui para 
aplicar sanções a todos àqueles que possuem vínculo de natureza 
especial com o Estado, como os servidores públicos e os particulares 
que celebraram contratos com o Poder Público. Trata-se, como 
próprio nome já diz, de poder punitivo/sancionatório -> disciplinar. 
O Poder Disciplinar consiste em um sistema punitivo interno, 
não permanente, que irá se manifestar somente quando o servidor 
cometer uma falta funcional e, por isso, não se pode confundir este 
poder com o sistema punitivo exercido pela justiça penal, muito 
menos com o exercício do Poder de Polícia. 
Trata-se de um dever vinculado, ou seja, caso for verificada a 
ocorrência da infração, a Administração será obrigada a punir o agente. 
Deve-se destacar que, antes da aplicação da penalidade decorrente 
desse poder, há SEMPRE a necessidade de instauração do devido 
processo legal administrativo no qual seja assegurado o direito ao 
contraditório e a ampla defesa. 
Convém destacar que o exercício do poder punitivo 
decorrente do Poder Disciplinar não está limitado pela rígida 
sistemática de tipicidade fechada,como ocorre no Direito Penal. Em outras palavras, o Direito 
Administrativo admite tipos abertos, ou seja, a descrição da conduta infracional pode se valer de elementos 
subjetivos e genéricos. 
Destaca-se, ainda, que nem toda penalidade decorre do Poder Disciplinar, uma vez que estão 
sujeitos ao Poder Disciplinar somente aqueles que possuem um vínculo especial com a Administração 
Pública (disciplina interna da Administração). O vínculo é o que justifica a aplicação da pena. 
ATENÇÃO para os pontos abaixo: 
 
 Sistema punitivo interno 
(não permanente) àqueles 
que possuem um vínculo de 
natureza especial com o 
Estado; 
 Característica: 
discricionariedade (para 
definir a penalidade que 
será aplicada, analisar a 
gravidade da infração e etc). 
 Dever vinculado: caso for 
verificada a ocorrência da 
infração, a Administração 
será obrigada a punir o 
agente; 
 Aplicação de penalidade 
carece de instauração de 
processo administrativo 
(ASPECTO MAIS COBRADO) 
 
60 
 
 
FICA A DICA 
A punição administrativa pelo ilícito praticado pelo agente público não impede que haja 
responsabilização, pelo mesmo fato, na esfera penal e na esfera civil, ou seja, aquela mesma infração 
administrativa pode ensejar um dano, desencadeando a responsabilização civil, e pode ser enquadrada 
como um crime, ensejando a responsabilização penal. Em regra, as referidas instancias são independentes. 
Entretanto, destaca-se que o ordenamento jurídico, seguido pela jurisprudência dos tribunais superiores, 
estabelece que a absolvição criminal que decorra da inexistência do fato ou negativa de autoria enseja a 
absolvição nas demais esferas. Nesse mesmo sentido, a condenação na esfera penal enseja a 
responsabilização nas outras esferas. 
FICA A DICA 
O Poder Hierárquico é um poder interno da Administração, assim como o Poder Disciplinar. 
Contudo, cabe diferenciar que o Poder Hierárquico é exercido permanentemente pela Administração 
Pública e o Poder Disciplinar, por sua vez, é exercido somente em situações episódicas quando for 
evidenciado irregularidade/descumprimento do servidor público ou particular contratado. 
Poder Normativo e Poder Regulamentar 
Trata-se do poder que a Administração Pública possui de expedir 
atos normativos gerais e abstratos que valem para uma série de pessoas 
indeterminadas, gerando efeitos erga omnes. O Poder Normativo não se 
refere à inovação no ordenamento jurídico, uma vez que a competência para inovar no ordenamento 
jurídico pertence ao Poder Legislativo, refere-se tão somente a possibilidade de edição de atos com 
caráter infralegal. De fato, o artigo 5º, II da CR/88 traz a seguinte redação: 
 
“Art. 5º (...) II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 
Assim, os atos normativos decorrentes do Poder Normativo não possuem força para vincular os 
particulares, mas apenas a Administração Pública. 
A expressão regulamentar tradicionalmente era entendida como sinônimo de Poder Normativo, 
contudo, modernamente a doutrina estabelece que não se tratam de sinônimos uma vez que o Poder 
Normativo refere-se a edição de diversos atos (Decreto, Portaria, Resolução) e o Poder Regulamentar, por 
sua vez, é o poder de editar regulamento cuja forma é o Decreto (veículo do regulamento), sendo este ato 
privativo do chefe do Executivo. Portanto, o Poder Regulamentar encontra-se inserido em uma categoria 
ampla denominada Poder Normativo, que inclui a edição de regimentos, deliberações, portarias, etc. 
FICA A DICA 
O regulamento é o ato normativo e o decreto é a forma do ato. Destaca-se que o regulamento é 
um ato privativo do Chefe do Poder Executivo. 
Portanto, a Administração Pública não poderá criar, por força própria, obrigações que não 
tenham sido previstas em lei. Destaca-se, novamente, que o exercício do Poder Normativo se dará 
secundum legem, ou seja, em conformidade com o conteúdo da lei e nos limites que esta impuser. 
Portanto, o poder regulamentar será desempenhado com vistas a clarificar/facilitar a fiel execução da lei, 
isto é, o ato normativo irá minudenciar o texto legal. Nesse sentido, dispõe o art. 84, IV da CF: 
“Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV – sancionar, promulgar e fazer publicar 
as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.” 
PONTO MAIS COBRADO: 
CONCEITO! 
61 
 
Tal competência constitucional descrita acima se estende por simetria aos Governadores e 
Prefeitos. 
Regulamentos administrativos de execução e autônomos 
Conforme estabelece o artigo 84 da Constituição Federal: 
“Art. 84. Compete privativamente ao presidente da República: (...) VI − dispor, mediante decreto, sobre: 
organização e funcionamento da administração federal quando não implicar aumento de despesa nem criação 
ou extinção de órgãos públicos.” 
 
Conforme estudado, o Poder Executivo poderá editar decretos para a fiel execução da lei, haja vista 
que compete ao Poder Legislativo inovar no ordenamento jurídico. Entretanto, segundo preceito 
constitucional transcrito, o chefe do Poder Executivo poderá, ainda, editar decretos que dispõem sobre a 
organização e funcionamento da administração federal em SUBSTITUIÇÃO À LEI. 
Os decretos editados para clarificar e garantir a fiel execução da lei são denominados 
Regulamentos Executivos, atos estes que não inovam no ordenamento jurídico e foram estudados no 
tópico acima, contudo, os regulamentos previstos no art. 84, VI são editados em substituição à lei, 
denominados REGULAMENTOS AUTÔNOMOS. Esses últimos estabelecem normas sobre matérias não 
disciplinadas em lei. 
Devemos lembrar que os referidos Regulamentos Autônomos serão editados para tratar 
unicamente sobre organização e funcionamento da Administração Pública quando não implicar em 
aumento de despesa, nem criação ou extinção de órgãos públicos. 
Conforme estudado, a edição de regulamentos executivos é INDELEGÁVEL. Entretanto, o parágrafo 
único do art. 84 da Constituição Federal estabelece a possibilidade de: 
“O presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira 
parte, aos MINISTROS DE ESTADO, AO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA OU AO ADVOGADO-GERAL DA 
UNIÃO, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.” 
Destaca-se, ainda, que pelo Princípio da Simetria Constitucional, os Chefes do Poder Executivo 
em âmbito municipal e estadual também podem editar Regulamentos Autônomos. 
FICA A DICA 
Em razão do princípio da separação dos poderes, o Congresso 
Nacional pode sustar atos do Poder Executivo que exorbitem o poder 
regulamentar segundo o artigo 49, V da CR/88. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATENÇÃO! ESSE PONTO É MUITO 
COBRADO 
62 
 
QUADRO RESUMO 
Poder Normativo Edição de atos normativos para a fiel execução da lei no 
sentido de facilitar/clarificar o texto legal. 
Poder de Polícia Restringir direitos, liberdades individuais e o uso e gozo 
da propriedade privada, visando atender ao interesse 
público. 
Ciclo do Poder de Polícia - Ordem; 
- Consentimento; 
- Licença; 
- Autorização; 
- Fiscalização; 
- Sanção; 
Atributos do Poder de Polícia Discricionariedade; 
Imperatividade/Coercibilidade; 
Autoexecutoriedade; 
Poder Hierárquico - Comando; 
- Fiscalização; 
- Revisão (Autotutela); 
- Delegação e avocação de competências; 
Poder Disciplinar Poder da Administração para investigar e punir aqueles 
que se encontram submetidos à autoridade interna da 
Administração (servidores públicos, concessionárias e 
permissionárias de serviço público). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
 
ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessamatéria, quais são os 
pontos mais cobrados. 
 
Como vocês podem ver, os tópicos Elementos do Ato Administrativo, Atributos do Ato 
Administrativo e Extinção dos Atos Administrativos são os pontos mais cobrados nas provas de Concurso 
Público. 
 
 
 
 
Atos Administrativos
Conceitos Elementos/Requisitos do Ato Administrativo
Fases da constituição dos Atos Administrativos Espécies
Classificaçãos dos Atos Administrativos Extinção dos Atos Administrativos
Atributos do Ato Administrativo
Elementos/Requisitos
Elementos do Ato 
Administrativo
Competência Finalidade
Motivo Objeto
Forma
Elementos/Requisitos
Extinção dos Atos 
Administrativos
Anulação Convalidação
Revogação Cassação
64 
 
ATO ADMINISTRATIVO 
Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, o Ato Administrativo 
pode ser conceituado como “declaração do Estado, ou de quem lhe faça 
as vezes, no exercício das prerrogativas públicas, manifestada e diante 
providências jurídicas complementares da lei a título de lhe dar 
cumprimento e sujeitas a controle de legitimidade por órgãos 
jurisdicionais.” 
Ato e fato jurídico 
Ao iniciarmos os estudos acerca da temática do ato administrativo faz-se imperiosa a diferenciação entre 
fatos e atos jurídicos. Em sucinta análise, os fatos jurídicos referem-se a todo e qualquer acontecimento 
que é relevante para o Direito, podendo ser um evento da natureza (morte do servidor público) ou um 
comportamento voluntário que deriva de Atos Administrativos, atividade pública material de cumprimento 
de uma decisão administrativa. 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
Fato jurídico: a queda de uma árvore, em virtude de uma tempestade, sobre um veículo segurado trará 
consequências jurídicas, caso esse sinistro estiver contemplado no Contrato celebrado entre o proprietário 
do automóvel e a seguradora. 
Os atos jurídicos, por sua vez, decorrem de uma manifestação de vontade, podem ser lícitos, caso tenham 
sido praticados em conformidade com os padrões legais estipulados, ou ilícitos, caso tenham sido 
conduzidos fora dos limites da lei. 
Atos da Administração 
Antes de definir o termo “atos administrativos”, deve-se destacar 
que nem todo ato jurídico praticado pelo poder público é um Ato 
Administrativo. Os denominados “atos da administração” referem-se a todos 
os atos editados pela Administração Pública como, a título exemplificativo, os atos políticos, os atos 
administrativos, os atos regidos pelo direito privado e etc. Ou seja, em algumas situações a Administração 
Pública poderá editar um ato cujas características não traduzem o conceito de ato administrativo e não 
encontra-se sujeito ao Regime Jurídico Administrativo, como os atos regidos pelo Direito Privado. Ex.: 
doação sem encargo. 
Além disso, destaca-se que a prática dos atos administrativos não encontra-se restrita às medidas exaradas 
pela Administração Pública, uma vez que até mesmo os particulares concessionários e permissionários de 
serviço público poderão editar Atos Administrativos, caso tratar-se de medida editada no exercício da 
função pública/prestação de serviços públicos. 
FICA A DICA 
 Nem todo Ato da Administração é Ato da Administrativo; 
 Nem todo Ato Administrativo é praticado pela Administração. 
Atos Políticos 
São atos praticados no exercício da função política de alta gestão, nos quais o 
poder público goza de uma margem ampla de discricionariedade. Ex.: anistia 
O conceito do ato é MUITO 
cobrado, atenção para o Regime 
Jurídico de Direito Público do 
Ato Administrativo e para o fato de 
as Concessionárias e 
Permissionárias também podem 
editar Atos Administrativos. 
Ato da Administração: Gênero 
Ato Administrativo: Espécie 
65 
 
presidencial, o veto de lei ou a declaração de guerra. Destaca-se que esses atos também 
estão sujeitos ao controle de legalidade e de constitucionalidade. 
Atos Privados 
Os atos privados são os atos editados pela Administração Pública 
que serão regidos pelo regime de direito privado, ou seja, atos nos quais a 
Administração Pública atua sem as prerrogativas públicas, em pé de 
igualdade com o particular. A título exemplificativo podemos citar os atos 
ligados à exploração de atividade econômica por empresas públicas e 
sociedades de economia mista, os atos de doação sem encargo, entre outros. 
Atos Legislativos ou Jurisdicionais 
Os atos legislativos são atos praticados pelo Poder Executivo no exercício da 
função atípica correlata à função desempenhada pelo Poder Legislativo. Ex.: Edição de 
medida provisória; 
Ato Administrativo 
Segundo Maria Sylvia Zanella di Pietro, o Ato Administrativo é a “declaração do Estado ou de quem 
o represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito 
público e sujeito ao controle pelo Poder Judiciário.” 
Para José dos Santos Carvalho Filho, por sua vez, o ato representa “a exteriorização da vontade 
dos agentes da Administração Pública ou de seus delegatórios, nessa condição, que, sob regime de direito 
público, vise à produção de efeitos jurídicos, como fim de atender ao interesse público.” 
Considerando a conceituação descrita acima, cumpre destacar algumas características do ato 
administrativo: 
• Manifestação de vontade expedida pelo ente estatal: os atos 
administrativos poderão ser editados pelo Poder Executivo, Poder 
Legislativo, Poder Judiciário e pelas concessionárias e 
permissionárias de serviço público quando estiverem no exercício da 
função administrativa. Em regra, o Ato Administrativo deve ser 
escrito, registrado e publicado. Contudo, excepcionalmente, são 
admitidas formas alternativas de manifestação de vontade (Ex.: 
semáforo, ordem de parada de um guarda de trânsito e etc.). 
• Os Atos Administrativos possuem caráter infralegal e complementar à lei: os atos administrativos 
encontram-se subordinados à lei e devem respeitar os ditames do ordenamento jurídico − editado 
secudum legem; 
• Com a finalidade de produzir efeitos jurídicos. 
Portanto, o Ato Administrativo pode ser conceituado como toda 
manifestação unilateral de vontade da Administração Pública, 
consistente na emissão de comandos complementares à lei, que tem por 
fim resguardar, adquirir, modificar, extinguir e declarar direitos ou impor 
obrigações aos administrados ou a si própria. Trata-se de ato expedido no exercício da função 
administrativa, com caráter infralegal, com a finalidade de produzir efeitos jurídicos, sob o regime de 
DIREITO PÚBLICO, ensejando manifestação de vontade do Estado ou de quem lhe faça as vezes. 
O ato administrativo em sentido estrito possui aspectos que são de ordem material, subjetiva e formal. 
São eles: 
ATENÇÃO – caiu nos Concursos para 
Auditor e Defensor Público. 
 
O Ato Administrativo deve ser escrito, 
registrado e publicado, não se admitindo 
no direito público o silêncio como forma 
de manifestação de vontade da 
administração. 
 
Certo 
 
ATENÇÃO 
Esse é o ponto MAIS cobrado na 
parte conceitual 
66 
 
 Aspecto Formal – O ato administrativo é regido pelo Regime Jurídico de Direito Público e deve ser 
editado em conformidade com a forma prevista no ordenamento jurídico. 
 Aspecto Material – O ato administrativo consiste na manifestação de vontade da Administração 
capaz de produzir efeitos jurídicos concretos e válidos em uma dada situação. 
 Aspecto Subjetivo – O ato administrativo em seu aspecto subjetivo refere-se à manifestação de 
vontade dos órgãos, agentes do Estado e particulares concessionários e permissionários no 
exercício da função administrativa - existente em todos os Poderes da República de todas as 
esferas federativas (Federal, Estadual Distrital e Municipal). 
A conjugação dos aspectos formal, material e subjetivo compõe o conceito de Ato Administrativoem sentido restrito: manifestação de vontade da administração pública capaz de produzir consequências 
imediatas, jurídicas e concretas sobre a qual incide do regime jurídico administrativo. 
Elementos ou requisitos do Ato Administrativo e seus vícios 
Os Atos Administrativos possuem os seguintes requisitos, quais 
sejam: competência, finalidade ou fim, forma, motivo e objeto. 
Competência 
O elemento competência refere-se às atribuições, deveres, 
poderes do agente público definidos em lei. Cada carreira pública possui 
uma competência específica, logo, quando o servidor exercer qualquer 
atividade em desconformidade com a lei/estatuto da carreira, o ato 
administrativo será ilegal em relação ao elemento competência. 
Portanto, o elemento em exame será definido em Lei ou em 
atos administrativos gerais, bem como, em algumas situações, na 
própria Constituição Federal. Esse elemento não pode ser alterado por 
vontade das partes ou do administrador público. Cumpre ressaltar, 
desse modo, que a competência é elemento do ato administrativo 
sempre VINCULADO, ou seja, mesmo diante de atos em que há certa 
margem de discricionariedade estabelecida em lei, a competência para a edição do ato será vinculada. 
Dessa maneira, não há margem de escolha ao agente público no que tange à legitimidade para a prática da 
conduta, devendo esta encontrar-se definida em lei. 
Destaca-se que o ato administrativo deve ser praticado por um agente público, amplamente 
considerado. Isso significa que a edição desses atos não se restringe aos servidores públicos, mas a toda e 
qualquer pessoa que atue em nome do Estado, sob regime jurídico de direito público, a qualquer título e 
ainda que sem remuneração. 
Ademais, a competência administrativa é irrenunciável pelo agente público, em razão do Princípio 
da Indisponibilidade do interesse público, e é também 
imprescritível, ou seja, a competência não se extingue com a 
inércia do agente público no decorrer do tempo. Assim, ainda 
que o agente não pratique as condutas a ele atribuídas, seja 
pela não ocorrência dos pressupostos legais ou seja pela 
simples inércia e descumprimento do dever de atuar, este não 
será penalizado com a perda de sua competência. Da mesma 
forma, como meio de evitar o descumprimento das normas 
postas, a competência é improrrogável, isto é, a competência 
não pode ser atribuída ao agente público que praticou o ato 
para o qual não tinha competência, mesmo nos casos em que 
não há objeção de terceiros. 
MACETE 
ELEMENTOS DO ATO 
Como Ficar Fortão? Óbvio, 
Musculação! 
As iniciais de cada palavra da frase 
acima são as iniciais dos requisitos 
do Ato Administrativo 
C (competência) + F (finalidade) + 
F (forma) + O (objeto) + M 
(motivo) 
 
 
MACETE 
 
Excesso de poder e funcionário de fato são os 
dois vícios de competência mais cobrados. 
Lembrete: vícios sanáveis no elemento 
competência são passíveis de convalidação. 
Para convalidar é necessário ter FOCO! 
 
São passíveis de convalidação os vícios 
sanáveis nos elementos FORMA e 
COMPETÊNCIA. 
FO (de forma) + CO (de competência) = 
FOCO! Para convalidar o vício sanável eu 
preciso ter FOCO. 
 
 
67 
 
 No que se refere a esse último aspecto, cabe asseverar a possibilidade de delegação de 
competências para a prática do ato. A delegação é um ato temporário de ampliação de competências, por 
meio da qual um indivíduo concede ao outro a competência para editar uma medida, que pode ser 
revogada a qualquer tempo e não implica em renúncia. Portanto, salvo disposição em contrário, como regra 
geral, presume-se a cláusula de reserva, ou seja, o agente delegante não transfere totalmente sua 
competência para terceiro, mas apenas a amplia, mantendo-se competente após a delegação juntamente 
com o agente delegado. 
 Vícios relativos à competência 
O vício quanto ao elemento competência representa um vício de legalidade. Em todos os casos 
abaixo, verifica-se o vício de competência. Vejamos: 
• Usurpação de função: situação na qual o particular não investido em cargo público, emprego ou 
função pratica o ato administrativo. 
• Excesso de poder: situação em que o servidor público excede os limites de sua competência. 
• Funcionário de fato/Função de fato: ocorre quando o servidor público se encontra irregularmente 
investido no cargo, emprego ou função pública, mas age com a aparência de legalidade. Ex.: servidor público 
aposentado que continua trabalhando com aparência de legalidade. 
Finalidade 
A finalidade pública refere-se ao objetivo que se pretende alcançar com a prática do Ato 
Administrativo. Tal como todos os outros elementos, sua definição é sempre legal, portanto, a violação ao 
elemento finalidade ocorre sempre que a finalidade buscada pelo ato não traduz aquela definida em lei. 
Ressalta-se que em determinadas situações o ato é 
praticado em conformidade com o interesse público, mas com 
desvio da finalidade específica da medida, como ocorre na 
situação em que o servidor público é exonerado pelo seu superior 
que possui a intenção de puni-lo. Nesse caso, mesmo que 
o servidor tenha cometido alguma infração 
administrativa grave e que a punição seja devida, o ato 
foi praticado de forma viciada, uma vez que a exoneração 
se refere à hipótese de perda do cargo que não possui 
caráter punitivo, diferentemente do ato de demissão. 
Nesse caso, o vício de finalidade é um vício de legalidade 
que irá ensejar a anulação do ato. 
Lembrem-se, EM REGRA, o vício de finalidade 
não é passível de convalidação. Todavia, existem 
exceções. No ato de desapropriação, caso houver o 
desvio da finalidade da específica mantendo-se a finalidade genérica do ato, qual seja a busca pelo 
interesse público, não haverá ilegalidade. Por exemplo, após a efetivação da desapropriação de um terreno 
privado com o propósito de construir uma escola (finalidade específica do ato), o agente público decide 
construir um hospital naquele espaço. Nesse caso, desde que a alteração da finalidade do Ato tenha tido 
o escopo de satisfazer o interesse público, não haverá vício no ato de desapropriação, trata-se de 
tredestinação lícita. 
Forma 
A forma é o aspecto exterior que reveste o ato administrativo. Assim, para que o ato seja válido 
devem ser atendidos os critérios formais previamente definidos em lei. Nesse sentido, o desrespeito às 
formalidades específicas definidas em lei não gera a inexistência do ato, mas sim a sua ilegalidade. 
DESVIO DE PODER/FINALIDADE É 
MATÉRIA FACIL, QUE CAI EM PROVA! 
NÃO PERCA ESSE PONTO! 
FICA A DICA – ABUSO DE PODER: gênero que 
contempla as espécies: 
Desvio de Poder: vício de finalidade (também 
denominado desvio de finalidade). O agente pratica o 
ato administrativo para o qual tem competência, 
contudo, com o objetivo de atingir finalidade diversa do 
Interesse Público. 
Excesso de Poder: vício de competência: Ao praticar o 
ato administrativo, o agente público extrapola os limites 
de sua competência. 
 
68 
 
A forma escrita prevalece na maioria dos atos administrativos, uma vez que esta forma prestigia o 
Princípio da Publicidade e permite o controle/transparência das medidas da Administração. Entretanto, 
destaca-se que do mesmo jeito que se exige a formalização para regular prática dos atos administrativos, 
deve-se ter em mente que a forma não configura a essência do ato, ou seja, trata-se tão somente de um 
mero instrumento necessário para que a conduta administrativa alcance os seus objetivos. Nesse sentido, 
a doutrina costuma apontar o princípio da instrumentalidade das formas, dispondo que a forma não é 
essencial à prática do ato, mas tão somente o meio, definido em lei, pelo qual o poder público irá alcançar 
seus objetivos. Por essa razão, em uma dada situação em que o ato apresenta ummero vício de forma e 
encontra-se apto para alcançar a finalidade legal e atender ao interesse público, o ato não será anulado, 
devendo operar-se a convalidação/ratificação dos vícios. 
Destaca-se que a forma é sempre um ELEMENTO VINCULADO, ou seja, não há margem de 
conveniência e oportunidade para o agente público definir a forma do ato, mesmo nos atos discricionários 
a forma encontra-se estabelecida em lei. 
FICA A DICA 
Vícios relativos a forma: o defeito sanável de forma torna o ato anulável, sendo possível sua convalidação, 
em conformidade com o Princípio da Instrumentalidade das Formas. MACETE: para convalidar é preciso ter 
FOCO = FO (Forma) + CO (Competência). 
Motivo 
O motivo é elemento importantíssimo e deve encabeçar todo ato administrativo, uma vez que 
trata acerca do fundamento jurídico que autoriza a prática do ato. Trata-se, portanto, de um elemento 
discricionário que confere certa margem de escolha ao agente público. 
Cumpre ressaltar que a Teoria dos Motivos Determinantes define que os motivos apresentados 
como justificadores da prática do ato administrativo vinculam este ato e, caso as razões apresentadas 
estejam viciadas, o ato será nulo. 
Vícios relativos ao motivo: inexistência ou falsidade do motivo. 
Importante ressaltar que a motivação, que é a exposição dos motivos, quando ausente, configura 
vício de forma. 
Objeto 
Todo ato administrativo quando praticado gera um 
efeito jurídico, que chamamos de objeto. O objeto é o efeito 
causado pelo ato administrativo, a conduta estatal, 
resultado da prática do ato. 
Vícios relativos ao objeto: 
a) Objeto materialmente impossível: ato que prevê o 
impossível. Ex.: Decreto proibindo a morte; 
b) Objeto juridicamente impossível: o resultado do ato viola a lei, defeito este que torna nulo o ato. 
Ex.: o ato que enseja a pratica crime; 
Atributos do Ato Administrativo 
1. Presunção de Legitimidade (validade do ato) e de 
Veracidade (verdade dos fatos): presume-se que os atos 
administrativos são verídicos e foram praticados em 
DECORAR! O atributo mais cobrado é a 
Presunção de Legitimidade 
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO 
 
Competência, finalidade e forma: elementos 
vinculados; 
 
Motivo e objeto: elementos discricionários; 
 
ATENÇÃO: no ato vinculado, TODOS os 
elementos são vinculados. 
69 
 
conformidade com a ordem jurídica. Destaca-se que se trata de uma presunção relativa, podendo ser 
afastada diante de prova da ilegalidade do ato. Em razão dessa presunção, o ato viciado produzirá efeitos 
enquanto não for declarada sua invalidade e incumbe ao particular provar a existência do vício. 
2. Imperatividade: prerrogativa de que goza o ato administrativo de 
impor obrigações ao particular dentro dos limites da lei, 
independentemente da vontade do administrado. Também 
denominado Poder Extroverso do Estado, trata-se da capacidade de 
vincular terceiros a deveres jurídicos impostos pela Administração. 
Apenas os atos que impõem obrigações gozam de imperatividade. 
Os atos enunciativos e negociais não são revertidos de 
imperatividade. 
3. Exigibilidade ou coercibilidade: trata-se da possibilidade de 
aplicação de punição, imposição de meios indiretos de coerção, 
para fins de coibir o particular a cumprir determinada medida do 
Poder Público. Ex.: multa. 
4. Autoexecutoriedade: trata-se da possibilidade na qual a 
Administração, em uma determinada situação de emergência ou 
em razão de expressa previsão legal, executa diretamente uma 
medida fazendo uso de meios diretos, compelindo materialmente o 
particular a cumpri-la. Esse atributo permite que os atos 
administrativos produzam efeitos independentemente da 
intervenção do Poder Judiciário. Ex.: reboque de veículo 
estacionado na calçada; apreensão de mercadorias 
contrabandeadas (execução material). 
 
5. Tipicidade (Maria Sylvia Zanella di Pietro): trata-se do atributo 
que estabelece que para cada finalidade a ser alcançada, a lei prevê 
a figura/espécie de um ato administrativo determinado, ou seja, 
refere-se ao respeito da finalidade definida para cada espécie de ato 
administrativo. Esse atributo é uma decorrência direta do princípio 
da legalidade. 
Fases de Constituição do Ato Administrativo – Existência, 
Validade e Eficácia 
Para que o Ato Administrativo produza efeitos regularmente no 
mundo jurídico, o mesmo deve passar pelo cumprimento de algumas etapas necessárias, quais sejam: 
1. Existência: refere-se ao ciclo de formação do Ato Administrativo. O ato torna-se existente e perfeito 
quando editado por agente público no exercício da função pública e preenche os requisitos de conteúdo, 
forma, objeto. Ex.: a folha não preenchida no talão de multas é ato inexistente (falta de conteúdo); o 
Decreto proibindo a morte é ato inexistente (exige o impossível); o ato administrativo trancado na gaveta 
é ato inexistente; a promoção de servidor que já morreu é ato inexistente em razão o objeto; a usurpação 
de poder por pessoa visivelmente incompetente e etc. 
A inexistência do Ato Administrativo pode se dar em razão de: 
 Inexistência administrativa: os atos não são imputáveis aos agentes públicos no exercício da 
função administrativa, sob o Regime Jurídico Administrativo. 
 Inexistência jurídica: refere-se aos atos meramente materiais e juridicamente irrelevantes; 
 Inexistência de fato: refere-se a àquilo que nunca ocorreu de fato 
A PATI e os ATRIBUTOS DO ATO 
ADMINISTRATIVO 
 
Patrícia (ou Pati para os íntimos) é uma 
menina cheia de atributos, muito rica e 
queridinha do papai sempre mandou e 
desmandou na sua casa. Como uma 
legítima patricinha, costuma ser chata e 
mimada. 
 
Como ela é muito certinha, presume-se 
que ela sempre está agindo 
corretamente (1°). Manda na sua casa, 
impõe a sua vontade...você já viu (4°). E 
quando os outros não fazem o que ela 
quer, ela costuma penalizar as pessoas, 
para fazer com que os familiares 
cumpram suas ordens nas próximas 
vezes (5°). Além disso, quando o que ela 
impõe é algo muito urgente, e as pessoas 
não a obedecem, ela mesma vai lá e faz 
tudo (2°). Mas ela não faz tudo da 
"cabeça dela", tudo que ela faz está em 
conformidade com o regulamento da 
família, ela só toma as medidas que estão 
previstas nesse regulamento (3°).Vocês 
sabem quais são os ATRIBUTOS dessa 
patricinha? FÁCIL DEMAIS, está no nome 
dela PATrICia! "Como assim prof?" 
Pessoal, são os mesmos atributos do ato 
administrativo, olha só: 
 
1°P resunção de legitimidade 
 
2° A utoexecutoriedade 
 
3° T ipicidade (MSZP) 
 
4°rI mperatividade 
 
5°C oercibilidade ia 
 
P A Tr I C ia (letras maiúsculas ➡ 
atributos do ato administrativo) 
E ai, decorou? 
 
 
 
 
 
70 
 
2. Validade: o requisito de validade trata acerca da regularidade do ato, que decorre da conduta dos 
agentes estatais, em conformidade com os requisitos estabelecidos pelo ordenamento jurídico. O juízo de 
validade pressupõe a existência do ato. São pressupostos de validade do ato administrativo: Competência, 
Motivo, Objeto, Forma e Finalidade. 
3. Eficácia: trata-se da aptidão do ato para produzir os efeitos desejados. Algumas situações condicionam 
a geração de efeitos do ato, tais como: 
 Condição suspensiva: somente após acontecimento futuro e incerto o ato passará a produzir 
efeitos; 
 Termo inicial: o início da produção de efeitos do ato se dará após a ocorrência de evento futuro e 
certo; 
 Termo final: o ato produzirá efeitos por determinado tempo, até a data do termo final. 
FICA A DICA 
O Ato Administrativo pode ser: 
a) Existente, válido e eficaz; 
b) Existente, inválido e ineficaz; 
c) Existente, válido e ineficaz; 
d) Inexistente: atos que não produzem efeitos jurídicos na esfera de interesses do administrado, uma vez 
que o ato é juridicamente ineficaz. O vício de inexistência nãoadmite convalidação ou conversão. 
Controle do mérito do Ato Administrativo 
O mérito do Ato Administrativo refere-se à margem de liberdade/escolha conferida à 
Administração para atuar em conformidade com a conveniência e oportunidade do poder público. 
Conforme estudado, a referida margem de discricionariedade, quando presente nos atos administrativos 
residirá nos elementos motivo e objeto do ato discricionário. Contudo, 
destaca-se que no ato vinculado, TODOS os elementos são vinculados. 
Nesse sentido, e em razão do Princípio da Autotutela, a 
Administração poderá rever os seus próprios atos quanto à legalidade e 
quanto ao mérito. 
FICA A DICA 
O Poder Judiciário exercerá tão somente o controle quanto à legalidade do ato administrativo e 
não analisará o mérito administrativo (competência do Poder Executivo), em respeito ao Princípio da 
Separação dos Poderes. 
Entretanto, destaca-se que o Poder Judiciário poderá controlar a discricionariedade do ato 
administrativo quanto aos limites de 
razoabilidade/proporcionalidade da aplicação daquele ato (limites do 
mérito estabelecidos na lei) e quanto ao eventual desvio de finalidade 
praticado. Ou seja, se caso o agente público aplicar a penalidade de 
demissão a um servidor que se ausentou no serviço por apenas um dia, 
tem-se a aplicação de uma sanção desproporcional à gravidade do ato 
e, haja vista que tal aplicação ofende o princípio da razoabilidade 
(ilegalidade), a mesma poderá ser anulada pelo Judiciário. 
Destaca-se que o controle realizado pelo Poder Judiciário não irá, diante da anulação do ato, editar 
novo ato administrativo em flagrante usurpação de funções administrativas. 
ATENÇÃO: 
Elementos vinculados: 
Competência, Forma e 
Finalidade 
Elementos discricionários: 
Motivo e Objeto. 
TRADUÇÃO 
 
Quer dizer que o Poder Judiciário pode 
controlar o mérito administrativo? NÃO. 
O Poder Judiciário irá controlar os 
LIMITES do mérito administrativo, em 
conformidade com a lei. 
71 
 
Espécies de Atos Administrativos 
1. Atos gerais ou normativos: os atos normativos são aqueles que contêm um comando geral do Poder 
Executivo, visando à correta aplicação da lei. O objetivo imediato de tais atos é explicitar/clarificar o 
conteúdo legal a ser observado pela Administração e pelos administrados. Ex: Decretos; Regulamentos; 
Instruções Normativas; Regimentos; Resoluções; Deliberações. 
2. Atos Ordinatórios: são os atos que visam disciplinar o funcionamento/organização da Administração e 
a conduta funcional de seus agentes. Dentre os atos ordinatórios merecem exame: Instruções; Circulares; 
Avisos; Portarias; Ordens de Serviço; Ofícios; Despachos. 
3. Atos negociais: são todos aqueles atos que contêm uma declaração de vontade da Administração 
Pública apta a concretizar determinado negócio jurídico ou a deferir certa faculdade ao particular, nas 
condições impostas ou consentidas pelo Poder Público. São eles: 
 Licença: ato administrativo vinculado ao Poder Público que concede determinado 
benefício ao particular, caso seja verificado que o mesmo atende a todas as 
exigências legais naquela determinada situação. Ex.: licença para o exercício de 
uma profissão, licença para construção de um edifício em terreno próprio, etc. 
Trata-se de ato vinculado e será concedido desde que cumpridos os requisitos 
objetivamente definidos em lei. Com efeito, caso o particular preencha todos os 
requisitos legais, o mesmo adquire o direito subjetivo à concessão da licença. 
 Autorização: ato administrativo discricionário e precário mediante o qual o Poder 
Público torna possível ao indivíduo a realização de certa atividade, serviço ou a 
utilização de determinado bem público de forma exclusiva ou no seu 
predominante interesse particular. Trata-se de ato administrativo discricionário e 
precário. Ex.: autorização para funcionamento de uma escola privada − atividades 
materiais que dependem de fiscalização do Poder Público; autorização de uso de 
bem público de forma anormal e privativa − festa de casamento na praia. 
 Permissão: ato administrativo negocial, discricionário e precário, pelo qual o Poder 
Público faculta ao particular a execução de serviços de interesse coletivo, ou o uso 
especial de bens públicos em conformidade com o interesse da coletividade, a 
título gratuito ou remunerado, nas condições estabelecidas pela Administração. 
Ex.: uso de determinado bem público de forma anormal, no interesse da 
coletividade, para realização de feira de artesanato em praça pública que beneficie 
a comunidade como um todo. 
 Aprovação: ato administrativo discricionário pelo qual o Poder Público verifica a legalidade e o 
mérito de outro ato ou de situações e realizações materiais de seus próprios órgãos, de outras 
entidades ou de particulares, dependentes de seu controle. 
 Admissão: ato administrativo unilateral e vinculado que verifica a satisfação de todos os requisitos 
legais, defere ao particular determinada situação jurídica de seu exclusivo ou predominante 
interesse, como ocorre no ingresso de alunos aos estabelecimentos de ensino público. 
 Visto: ato administrativo unilateral e vinculado pelo qual o Poder Público controla outro ato da 
própria Administração ou ato do particular, aferindo sua legitimidade para dar-lhe 
exequibilidade. 
 Homologação: ato unilateral e vinculado de controle pelo qual a autoridade superior examina a 
legalidade e a conveniência de outro ato da própria Administração para dar-lhe eficácia. 
 Renúncia: ato pelo qual o Poder Público extingue unilateralmente um direito, liberando 
definitivamente a pessoa obrigada perante a Administração Pública. 
 
Espécies 
de atos 
mais 
cobrados 
nas provas 
de 
Concurso 
Público 
72 
 
 Dispensa: ato discricionário que exime o particular quanto ao cumprimento de determinada 
obrigação. 
4. Atos enunciativos: são todos aqueles atos em que a Administração se limita a certificar ou a atestar um 
fato, ou emitir uma opinião sobre determinado assunto, razão pela qual não se sujeitam à 
discricionariedade do administrador. São espécies de atos enunciativos: 
 Certidões (administrativas): cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de atos ou fatos constantes 
no processo, livro ou documento que se encontre nas repartições públicas. 
 Atestados: atos pelos quais a Administração comprova um fato ou uma situação de que tenha 
conhecimento. O atestado comprova um fato ou uma situação existente, mas não constante de 
livros, papéis ou documentos em poder da Administração. Ex: atestado da perícia médica que 
comprove a incapacidade de um servidor público. 
 Pareceres: manifestação de órgão técnico sobre assuntos submetidos a sua consideração. Há 
situações em que a ausência de parecer enseja a nulidade do ato por vício na regularidade. Ex.: 
parecer jurídico acerca de hipótese de inexigibilidade de licitação. Destaca-se que o agente público 
não está vinculado às conclusões do parecer, razão pela qual o parecerista só é responsabilizado 
por ato administrativo no caso de culpa ou dolo. Lembre-se, contudo, que no caso do parecer 
obrigatório, não sendo ele emitido, o processo administrativo não terá seguimento até a sua 
apresentação. 
ATENÇÃO: O tema acerca da responsabilização do parecerista é um tema polêmico, parte da doutrina 
entende que quando estivermos tratando de parecer vinculante, ou seja, aquele que vincula a atuação da 
Administração que deverá agir em conformidade com os seus termos, o parecerista poderia ser 
responsabilizado. 
4.4. Apostilamento: ato administrativo pelo qual o ente estatal acrescenta informação aos registros da 
organização. 
5. Atos Punitivos: são os atos que contêm uma sanção imposta pela Administração àqueles que infringem 
disposições legais ou regulamentares. Espécies: 
 Multa: toda imposição pecuniária a quese sujeita o administrado a título de compensação em 
razão do dano presumido da infração; 
 Interdição administrativa: punição que se funda no poder de polícia administrativa. Exemplo: 
proibição do exercício de determinada atividade; 
 Destruição de coisas: é o ato sumário da Administração pelo qual se inutilizam alimentos, 
substâncias, objetos ou instrumentos imprestáveis ou nocivos ao consumo ou de uso proibido por 
lei. 
Principais classificações dos Atos Administrativos 
Quanto ao seu alcance: 
I – Atos internos: ato destinado a produzir efeitos internos na repartição administrativa e, por essa razão, 
incide unicamente sobre os órgãos e agentes da Administração que os expediu. 
II – Atos externos: alcançam os administrados, os contratantes e, em certos casos, os próprios servidores. 
Quanto aos seus destinatários: 
73 
 
I – Atos normativos ou regulamentares: atos normativos gerais e abstratos expedidos sem destinatários 
determinados, alcançando todos os sujeitos que se encontrem naquela situação abrangida por seus 
preceitos. São atos de comando abstrato e impessoal. 
II – Atos individuais ou especiais: atos que se dirigem a destinatários certos, podendo abranger um ou 
vários sujeitos, desde que sejam individualizados. Os atos individuais normalmente geram direitos 
subjetivos para seus destinatários, como também criam encargos pessoais. Ex.: promoção do servidor 
público. 
Quanto ao seu objeto: 
I – Atos de império ou de autoridade: atos praticados pela Administração usando de 
sua supremacia sobre o administrado, impondo o seu obrigatório atendimento. Ex.: 
desapropriação. 
II – Atos de gestão: atos que a Administração pratica sem usar de sua supremacia sobre 
os destinatários. Tal situação ocorre nos atos de administração dos bens e serviços 
públicos e nos atos negociais que não exigem o cumprimento de obrigações pelos 
interessados. Ex.: locação de imóvel; alienação de bem público. 
III – Atos de mero expediente: destinam-se a dar andamento aos processos e papéis 
que tramitam pelas repartições públicas. 
Quanto ao seu regramento: 
I – Atos vinculados ou regrados: aqueles para os quais a lei 
estabelece os requisitos e condições de sua realização. Nesse 
caso, as imposições legais absorvem a liberdade do 
administrador e sua ação fica adstrita aos pressupostos 
estabelecidos pela norma legal. 
II – Atos discricionários: atos nos quais a Administração possui 
certa margem de escolha quanto ao seu conteúdo, motivo, 
destinatário, conveniência, oportunidade e modo de realização. 
Quanto à formação do ato: 
I – Ato simples: atos que resultam da manifestação de vontade 
de um único órgão, unipessoal ou colegiado. 
II – Ato complexo: ato que se forma pela conjugação de 
vontades independentes de mais de um órgão administrativo. 
No ato complexo, integram-se as vontades de órgãos distintos 
para a formação de um mesmo ato. O ato complexo só se 
aperfeiçoa com a integração das vontades e, a partir desse 
momento, torna-se atacável por via administrativa ou judicial. 
III – Ato composto: ato que resulta da manifestação de vontade 
de um único órgão, mas depende da verificação por parte de 
outro para se tornar exequível. Ex.: uma autorização que 
dependa do visto de autoridade superior. Esse ato é composto 
por dois atos, sendo um ato principal e o outro acessório. 
Nos atos complexos e compostos, temos um fenômeno 
conhecido como efeito atípico prodrômico, que é a situação de 
pendência de alguma formalidade para que o ato conclua seu 
ciclo de formação. Desse modo, quando a primeira autoridade 
ATENÇÃO 
para essa 
classificação 
MACETE
Atos simples, complexos e compostos: os 
HOMENS, as MULHERES e os 
relacionamentos. 
1 - Ato complexo: pergunto a todos vocês, o que 
há de mais complexo na face da terra? Algo que 
ninguém nunca explicou e nem vai conseguir 
explicar?!?!? A MULHER, a mulher é complexa 
porque ela é um ser nobre ❤ Quando a mulher 
toma uma decisão, a manifestação de vontade 
dela decorre da conjugação das vontades de dois 
órgãos distintos e independentes: o coração e a 
mente. O coração fala uma coisa "Eu amo ele, ele 
é tão lindo" a mente fala outra coisa "Ele é um 
cafajeste, sai fora dessa furada". Duas 
manifestações de vontade, de dois órgãos 
distintos, formando um ato complexo. Por essa 
razão a mulher é tão complexa! 
2 - Ato simples: é aquele que é editado pelo 
homem que é, INQUESTIONAVELMENTE, 
mais simples que a mulher. A vontade do homem 
decorre da manifestação de vontade de UM SÓ 
ÓRGÃO, não é mesmo? Qual órgão manda na 
manifestação de vontade do homem?!?!? 
Qual??!!? A MENTE né gente -> homem 
racional (tenho certeza que alguns alunos 
pensaram em bobagem), ou seja, manifestação de 
vontade de um só órgão, ato simples. 
3 - Ato composto: trata-se daquele ato que é 
composto por 2 atos, um ato simples e o outro 
acessório. É como se fosse um relacionamento 
entre homem e mulher: a mulher edita o ato 
principal (e manda na casa) e o homem o ato 
acessório (finge que manda na casa). O ato 
acessório é um ato meramente instrumental, 
editado para conferir efeitos ao ato da mulher. Ex: 
a mulher faz as compras e o homem paga a fatura 
do cartão de crédito. Ato este meramente 
instrumental para fim de conferir efeitos ao ato 
principal e decisório da mulher. 
 
74 
 
já se manifesta surge a obrigação de uma segunda autoridade também a fazê-lo. Essa obrigação traduz 
o efeito podrômico, que surge antes do ato concluir seu ciclo de formação − situação de pendência de 
alguma formalidade para fins de aperfeiçoamento do ato. 
 
Quanto ao conteúdo: 
I – Ato constitutivo: ato que cria uma nova situação jurídica para seus destinatários em relação à 
Administração. 
II – Ato extintivo ou desconstitutivo: ato que põe termo situações jurídicas. Ex.: a cassação de autorização 
e a encampação de serviço. 
III – Ato declaratório: ato que visa preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou até mesmo 
possibilitar seu exercício. Ex.: apostila de títulos de nomeação, expedição de certidões, etc. 
IV – Ato alienativo: ato que opera a transferência de bens e direitos de um titular para outro. 
V – Ato modificativo: ato que possui a finalidade de alterar situações preexistentes, sem suprimir direitos 
ou obrigações. Ex.: alteração do local da reunião. 
VI – Ato abdicativo: ato pelo qual o titular abre mão de um direito. A peculiaridade desse ato é seu caráter 
incondicional e irretratável. 
Quanto à eficácia: 
I – Ato válido: ato que provém de autoridade competente para praticá-lo e reúne todos os requisitos 
necessários à sua validade. 
II – Ato nulo: ato que nasceu afetado de vício insanável ou defeito substancial em seus elementos 
constitutivos ou no procedimento formativo. 
III – Ato inexistente: atos que têm apenas aparência de manifestação regular da Administração, mas não 
chega a se aperfeiçoar como Ato Administrativo − possuem vício grave. Ex.: ato praticado por usurpador 
da função pública. 
Quanto à exequibilidade: 
I – Ato perfeito: ato que reúne todos os elementos necessários à sua exequibilidade, apresentando-se apto 
e disponível para produzir seus regulares efeitos. 
II – Ato imperfeito: apresenta-se incompleto na sua formação ou carente de um ato complementar para 
tornar-se exequível e operante. 
III – Ato pendente: embora perfeito, por reunir todos os elementos de sua formação, não produz seus 
efeitos, haja vista que depende de condição suspensiva ou termo inicial para sua exequibilidade ou 
operatividade. Ex.: autorização concedida para produzir efeitos daqui a três meses. 
IV – Ato consumado: ato que produziu todos os seus efeitos, tornando-se, por isso mesmo, irretratável ou 
imodificável. 
Quanto ao modode execução: 
I – Ato autoexecutório: ato que traz em si a possibilidade de ser executado pela própria Administração, 
independentemente de ordem judicial. 
II – Ato não autoexecutório: depende de pronunciamento judicial para produção de seus efeitos. Ex.: 
execução fiscal. 
75 
 
Quanto aos resultados: 
I – Atos ampliativos: atos que conferem prerrogativas ao destinatário, ou seja, ampliam sua esfera jurídica. 
Ex.: outorga de direito de uso de recursos hídricos a determinado particular. 
II – Atos restritivos: atos que restringem a esfera jurídica do destinatário, ou seja, operam a cassação de 
direitos ou impõem obrigações. Ex.: placa que proíbe o estacionamento em determinada via. 
Extinção dos Atos Administrativos 
A extinção dos atos administrativos dar-se-á nas seguintes situações: 
1. Cumprimento de seus efeitos: configurar-se-á o cumprimento do ato quando se opera a execução de 
todos os efeitos do ato administrativo. Ex.: demolição de um prédio. Nesse caso, após a execução da ordem 
(ato administrativo), cumprem-se os efeitos do ato e o ato é extinto naturalmente. 
2. Advento do termo final ou da condição resolutiva: extinguem-se os atos sujeitos a prazo determinado 
ou que dependam da ocorrência de condição resolutiva. Ex.: autorização para porte de arma concedida por 
um ano. 
3. Renúncia: o próprio particular abre mão do benefício. 
4. Desaparecimento do sujeito ou do objeto: a conduta estatal se extingue ao se esvair o objeto ou em 
decorrência do desaparecimento da pessoa atingida por ele. Ex.: falecimento de servidor público que seria 
promovido. 
5. Retirada: ato concreto do Poder Público extintivo do ato anterior. Apresenta nas seguintes hipóteses: 
 Anulação ou Invalidação; 
 Revogação; 
 Cassação; 
 Caducidade; 
 Contraposição. 
Anulação 
Trata-se da retirada do ato administrativo ilegal do mundo jurídico, 
apagando todos os efeitos por ele produzidos, como se esse ato não tivesse sido 
praticado. A competência para anular o ato administrativo ilegal pertence à 
própria Administração e ao Poder Judiciário. 
A anulação do ato produz efeitos EX TUNC, ou seja, que retroagem à data 
da origem do ato, aniquilando todos os efeitos até então produzidos. Destaca-se 
que a anulação os atos administrativos que decorram efeitos favoráveis para os 
destinatários deve ser realizada no prazo de 5 anos (prazo decadencial), nos 
termos do Art. 54 da Lei nº 9784/99.Salvo, claro, se comprovada má-fé. 
Em algumas situações excepcionais, os atos nulos podem ter seus efeitos mantidos por meio da 
aplicação da Teoria da Aparência, Teoria da Convalidação ou Princípio da Proteção à Confiança. Destaca-
se que se trata de entendimento doutrinário recente no sentido de que a anulação de atos unilaterais 
ampliativos, desde que comprovada a boa-fé do beneficiário, terá efeitos ex nunc. Trata-se de hipótese que 
ainda gera muita discussão doutrinária quanto à sua aplicação, fiquem atentos a essa exceção. 
FICA A DICA 
 A Administração pode anular seus atos de ofício ou a requerimento do interessado. Contudo, o 
Poder Judiciário só pode anular Atos Administrativos se for provocado. 
ATENÇÃO – CAI 
EM PROVA 
 
Competência para 
anular: 
 
- Administração e 
Poder Judiciário; 
 
- Prazo 
decadencial de 5 
anos; 
 
76 
 
 Em geral, a anulação do Ato Administrativo não enseja o pagamento de indenização, contudo, caso 
comprovado que a anulação implica em dano anormal ao particular que agiu de boa-fé, admite-se 
o pagamento de indenização. 
 A anulação do Ato Administrativo viciado é um dever VINCULADO da Administração, ou seja, caso 
verificado o vício o Poder Público deve anular a medida. 
Teoria da Aparência/funcionário de fato: a nomeação de servidor sem concurso público é nula, contudo, 
os atos praticados por esse agente enquanto encontrava-se em exercício são válidos perante terceiros, em 
atenção ao Princípio da Segurança Jurídica e Teoria da Imputação Volitiva. Ademais, nesse caso não haverá 
devolução dos salários, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração Pública. 
No caso de anulação será editado um novo ato, denominado ato anulatório, secundário, 
constitutivo e discricionário, para extinguir o ato anterior. 
Limites do dever de anular: 
A doutrina majoritária entende que a anulação não será realizada quando ultrapassado o prazo 
decadencial legal, quando houver consolidação dos efeitos do ato e quando houver possibilidade de 
convalidação (vício sanável). 
Convalidação 
Desde que não cause prejuízo a terceiros, havendo nulidade relativa (vício sanável), o ato poderá 
ser convalidado. Neste sentido, são requisitos de convalidação (correção ou ratificação dos vícios ou 
defeitos de um ato): 
a) a convalidação não deve desencadear lesão ao interesse público e nem a terceiros; 
b) o ato deve possuir defeitos sanáveis (passíveis de convalidação – elementos forma e competência). 
Destaca-se que são passíveis de convalidação os atos com defeitos nos 
elementos competência e na forma, os defeitos no objeto, motivo e finalidade 
são insanáveis. Ademais, a convalidação gera efeitos ex tunc. 
O ato anulatório pode ser vinculado quando se trata de hipótese de ato maculado com vícios 
insanáveis, ou discricionário, quando estivermos diante de ato que possui vícios sanáveis. Nesse último 
caso, a Administração pode optar pela convalidação do ato; 
Não podem ser objeto de convalidação os atos: 
 Ato com vícios no objeto, motivo e finalidade. 
 Atos que possuem defeitos nos elementos competência e forma que são insanáveis e cuja 
convalidação possa causar lesão ao interesse público. 
 Quando a convalidação gerar prejuízos a terceiros. 
 Quando tratar-se de defeitos graves. 
Revogação: trata-se de forma de extinção do Ato Administrativo, cabível quando o ato é lícito, contudo, é 
inconveniente ou inoportuno. Na revogação, o ato é legal, contudo, não foi a melhor escolha dentro 
daquela pequena margem de liberdade que a lei conferiu ao administrador público. A revogação gera 
efeitos ex nunc, ou seja, os efeitos jurídicos até então gerados pelo ato revogado devem ser preservados. 
A competência para revogar pertence à Administração Pública (Princípio da 
Autotutela), sendo que o Poder Judiciário não possui tal competência. Destaca-se que não 
é possível a revogação dos seguintes atos: atos consumados (aqueles que já produziram 
seus efeitos); atos irrevogáveis nos termos da lei; atos que geram direitos adquiridos; atos vinculados; atos 
PONTO MAIS COBRADO 
ATENÇÃO 
77 
 
enunciativos (atestam situações ou emitem mera opinião da Administração); atos de controle; atos já 
exauridos; um simples ato do procedimento licitatório (notem, que é possível a anulação de um único ato 
do processo licitatório, contudo, caso haja revogação, ela deve contemplar a Licitação integralmente). 
No caso de revogação, será editado um novo ato, denominado ato revocatório (ato secundário, 
constitutivo e discricionário), para extinguir o ato anterior. Destaca-se que a competência para revogar o 
Ato Administrativo é IRRENUNCIÁVEL, INTRANSMISSÍVEL E IMPRESCRITÍVEL. 
FICA A DICA 
 A doutrina majoritária nega o EFEITO REPRISTINATÓRIO DO ATO ADMINISTRATIVO, ou seja, a 
revogação do ato revocatório não ressuscita o primeiro ato revogado. 
 É impossível revogar a anulação. 
5.2 Cassação: ocorre quando o particular beneficiado pelo ato deixa de cumprir os requisitos para 
permanência da vantagem conferida pela Administração. Ex.: cassação da carteira de habilitação veicular 
em decorrência do excesso de multas. 
5.3 Caducidade: extinção do ato administrativo em razão de lei superveniente que impede a manutenção 
do ato inicialmente editado. Ex.: perda do direito de utilizar o imóvel com fins comerciais, haja vista a 
edição de nova lei quetransforma a área em zona residencial. 
5.4 Contraposição (derrubada): quando outro ato de efeitos opostos ao ato original é praticado, 
extinguindo ato anterior. Ex.: ato de nomeação de servidor público é extinto com a exoneração do mesmo. 
QUADRO RESUMO 
ELEMENTOS DO ATO ADMINISTRATIVO E SEUS VÍCIOS 
ELEMENTOS VÍCIOS 
Competência (elemento vinculado) - vício sanáveis no 
elemento forma são passíveis de convalidação 
Usurpação de função; 
Excesso de poder; 
Funcionário de fato. 
Finalidade (elemento vinculado) 
Ocorre quando a autoridade pratica o ato visando a fim diverso 
daquele previsto em lei. 
Forma (elemento vinculado) – vício sanáveis no elemento 
forma são passíveis de convalidação 
Ocorre quando a forma prevista em lei para a prática do ato 
não é observada. 
Motivo 
Se o motivo apresentado para a prática do ato for falso, 
inexistente ou juridicamente insubsistente (Teoria dos Motivos 
Determinantes). 
Objeto 
Ocorre quando o objeto for impossível, ilícito ou 
indeterminado. 
 
ESPÉCIES DE ATOS ADMINISTRATIVOS CONCEITO 
Atos gerais ou normativos 
Comando geral do Poder Executivo visando à correta aplicação 
da lei. 
Atos Ordinatórios 
Visam disciplinar o funcionamento Administração e a conduta 
de seus agentes. 
Atos Negociais 
Objetivam concretizar determinado negócio jurídico ou deferir 
uma faculdade ao particular. 
Atos Enunciativos 
Atos que certificam ou atestam um fato ou emitem uma 
opinião. 
 
Atos Punitivos 
Sanção imposta àqueles que infringem a legislação. 
78 
 
 
 
 
FORMAS DE EXTINÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
Extinção natural 
- Cumprimento de 
seus efeitos 
- Advento de termo 
ou condição resolutiva 
Extinção ipso Iuri pelo 
desaparecimento do sujeito ou 
objeto 
Desaparecimento do 
objeto ou sujeito do 
ato 
Retirada 
- Anulação: atos 
ilegais 
- Revogação: Atos 
inconvenientes / 
inoportunos 
Cassação 
Extinção do ato pelo 
fato de o destinatário 
ter descumprido a lei 
Caducidade 
Extinção em razão de 
norma superveniente 
incompatível com o 
ato anterior 
Contraposição/Derrubada 
Prática de outro ato 
de efeitos contrários 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
 
LICITAÇÕES PÚBLICAS 
PONTOS MAIS COBRADOS – O gráfico abaixo demonstra, entre os tópicos dessa matéria, quais são os 
pontos mais cobrados. 
 
 
 
 
 
 
Conceito 
O Estado tem como finalidade atender ao interesse coletivo e são inúmeras as atividades que a 
Administração Pública exerce que estão voltadas a alcançar esse objetivo. Contudo, tendo em vista a 
LICITAÇÕES PÚBLICAS
Conceito - Procedimento Licitatório Finalidade
Dever de licitar - quem deve licitar? Princípios aplicáveis ao procedimento licitatório
Modalidades de Licitação Registro de Preços
Procedimento Licitatório RDC
Concorrê…
Tomada…
Convite
Leilão
Pregão
MODALIDADES LICITATÓRIAS
Concorrência Tomada de Preços
Convite Leilão
Pregão
Dispensa Inexigibilidade Licitação
Fracassada e
Deserta
CONTRATAÇÃO DIRETA
CONTRATAÇÃO DIRETA
80 
 
multiplicidade de tarefas desempenhadas pela máquina pública, a Administração, muitas vezes, precisa se 
valer de bens e serviços fornecidos por terceiros, razão pela qual deverá firmar contratos para realização 
de obras, fornecimento de bens, execução de serviços públicos, etc. 
Em conformidade com os pilares do Direito Administrativo e Regime Jurídico de Direito Público, as 
mencionadas contratações devem ser realizadas em estrita observância aos princípios administrativos, 
portanto, no momento em que o poder público “escolher” o particular que será contratado, ele deve levar 
em consideração critérios objetivos e deverá, obrigatoriamente, respeitar o devido procedimento de 
seleção estabelecido pela Lei 8.666/93, denominado procedimento licitatório. 
A obrigatoriedade de licitar encontra-se registrada no art. 37, XXI, da Constituição Federal de 1988, 
que fixou esse procedimento como compulsório para a contratação de obras, serviços, compras e 
alienações, ressalvados os casos especificados na legislação. 
 O referido procedimento licitatório foi estabelecido no sentido de evitar abusos e ilícitos que 
possam ser praticados pelo gestor público, uma vez que ao deixar ao exclusivo critério do agente a escolha 
do contratante dar-se-ia margem para a realização de escolhas indevidas, culminando na prática de atos de 
corrupção, desvios de verbas e etc. Considerando os aspectos mencionados, foi criado o procedimento 
licitatório público para fins de seleção imparcial da melhor proposta, em observância aos imperativos da 
isonomia, impessoalidade, moralidade e indisponibilidade do 
interesse público. 
Finalidade 
 
Em conformidade com o artigo 3° da Lei nº 8.666/93 − Lei Geral 
de Licitações e Contratos “a licitação destina-se a garantir a 
observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção 
da proposta mais vantajosa para a administração e a 
promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será 
processada e julgada em estrita conformidade com os 
princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da 
moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade 
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do 
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.” Em suma, 
são três as finalidades da licitação: 
 
a) seleção da proposta mais vantajosa: a escolha da proposta 
mais vantajosa para a Administração Pública será realizada em 
conformidade com critérios objetivos definidos previamente 
em lei e no edital. Destaca-se que não se trata da proposta de 
valor mais baixo, mas sim a proposta com o melhor custo-
benefício. 
b) isonomia: o particular poderá participar da disputa pelas 
contratações em igualdade de condições com os demais 
interessados, de forma isonômica, desde que atendidos os 
requisitos constantes no edital. 
c) desenvolvimento nacional sustentável: tal finalidade 
refere-se ao fato de que as compras públicas privilegiam as 
microempresas e empresas de pequeno porte e os “produtos 
manufaturados e os serviços nacionais que atendam às 
normas técnicas brasileiras”, incentivando o fortalecimento 
da indústria nacional e a promoção do setor de serviços 
interno. 
ATENÇÃO 
 
Vocês devem DECORAR as 03 finalidades do 
procedimento licitatório. 
 
MACETE 
 
Eu costumo falar para as minhas alunas que as 
mulheres devem usar o procedimento licitatório 
para “escolher o namorado” em razão das 03 
finalidades do procedimento: 
1. Selecionar a proposta mais 
vantajosa do mercado, temos que 
selecionar MUITO BEM. Não é 
mesmo? 
2. Garantia da isonomia: é importante 
realizar um procedimento de escolha 
impessoal, que confere a todas os 
participantes as mesmas condições. 
Muitas vezes, as propostas que você 
não “coloca muita fé” acabam sendo 
as melhores, não é mesmo? Então, 
deixe todos participarem em 
igualdade de condições, você pode se 
surpreender! 
3. Promover o desenvolvimento 
nacional sustentável: uma mulher 
quando chega na vida do homem 
sempre dá aquele upgrade, não é 
verdade? O homem amadurece... se 
desenvolve que é uma beleza rsrsrs 
 
E aí, gostaram? Tenho certeza que ninguém vai 
esquecer! 
 
QUESTÃO CESPE 
 
É vedado o estabelecimento de margens de 
preferência nos processos de licitação, salvo nos 
casos de Contratos para a aquisição de 
equipamentos de informática. 
 
Errado 
81 
 
Conceito 
A licitação é um PROCEDIMENTO, ou seja, refere-se à uma sequência ordenada de atos 
administrativos, ADMINISTRATIVO, pertencente à órbita do Direito Administrativo, OBRIGATÓRIO, trata-
se de um dever do Estado,COMPETITIVO, a licitação é aberta a todos que queiram concorrer à celebração 
do acordo com o Estado, ISONÔMICO, a licitação visa promover uma disputa justa e isonômica entre os 
interessados e com vistas à celebração de CONTRATO ADMINISTRATIVO entre o vencedor do certame e a 
Administração Pública. 
Objeto da Licitação 
O objeto do procedimento administrativo de licitação pode ser definido como a busca da melhor 
proposta para fins de compras de bens móveis ou imóveis; contratações de serviços, inclusive de seguro e 
de publicidade, realização de obras, alienação de bens públicos, outorga ou concessão e permissão de 
serviço público. O objeto da licitação deve ser descrito no edital de forma clara e sucinta, para possibilitar 
o melhor entendimento da demanda. 
Legislação 
Em conformidade com os termos do art. 22 da Constituição Federal, a competência para legislar sobre 
normas gerais acerca de Licitações e Contratos é da União, in verbis: 
“Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: 
(...) XXV II – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas 
diretas, autárquicas e fundacionais da União, estados, Distrito Federal e municípios (...)” 
Entretanto, enquanto a União Federal possui 
competência legislativa privativa para edição de normas 
gerais sobre licitação e contratos (modalidades, tipos de 
licitação, hipóteses de exceção, etc.), compete aos demais 
entes federados legislar sobre as normas específicas que serão válidas em seu âmbito territorial. 
Cumpre ressaltar que a legislação estadual e municipal específica não poderá confrontar-se com a lei 
federal, ampliar os casos de dispensa e inexigibilidade ou modificar os limites de valor para cada 
modalidade licitação, bem como reduzir os prazos de publicidade e dos recursos. 
Dever de licitar 
No momento em que estudamos o tema de licitações públicas, por vezes nos perguntamos: afinal, 
quem deve licitar? A lei de licitações prevê que as entidades que fazem uso de recursos públicos têm a 
obrigação de licitar. Portanto, essa questão deverá ser respondida levando em consideração o fato da 
entidade que está promovendo a licitação fazer uso, ou não, de recursos públicos. Nesse sentido, devem 
obrigatoriamente licitar: 
 Administração Pública Direta: União Federal, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios; 
 Administração Pública Indireta: Autarquias, 
Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedade 
de Economia Mista. Destaca-se que a partir de 2016 
as Empresas Públicas e as Sociedades de Economia 
Mista devem observar regulamento próprio que 
versa sobre as contratações das estatais (estudado 
abaixo). 
No 30 de junho de 2016 foi editada a Lei nº 13.303/2016 que dispõe sobre o estatuto jurídico da 
Empresa Pública, da Sociedade de Economia Mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos 
Praticamente TODAS as questões que envolvem 
o tema competência legislativa versam sobre 
esse ponto assinalado. 
ASPECTO MAIS COBRADO 
 
Todos os entes da Administração Pública Indireta 
devem, em regra, realizar o procedimento 
licitatório 
 
 
82 
 
estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Lei das Estatais é uma lei nacional, ou seja, ela 
vale tanto para a União como para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. 
Em razão dessa lei, a Lei 8.666/93 deixou de ser aplicada a essas entidades, salvo nos casos 
expressamente descritos na própria Lei 13303/16. Portanto, agora, as estatais não vão mais utilizar 
as modalidades de licitação previstas na Lei 8.666/93, sendo que para a aquisição de bens e 
serviços comuns elas devem adotar preferencialmente o pregão. 
Aspectos importantes sobre licitações e contratos previstos na Lei 13.303/16 são: critérios de 
julgamento (LEITURA OBRIGATÓRIA): menor preço, maior desconto, melhor combinação de 
técnica e preço, melhor técnica, melhor conteúdo artístico, maior oferta de preço, maior retorno 
econômico e melhor destinação de bens alienados (art. 54); alteração dos contratos apenas por 
acordo entre as partes, ou seja, não ha alteração unilateral pela estatal (art. 72); hipóteses 
específicas de licitação dispensada (art. 28, §3º), dispensável (art. 29) e inexigível (art. 
30);orçamento com estimativa de preços em regra deve ser sigiloso (art. 34); inversão das fases de 
julgamento e habilitação (art. 51); negociação com o primeiro colocado para obtenção de 
condições mais vantajosas(art. 57); duração dos contratos (art. 71). A Lei 13303 trouxe muitos 
procedimentos do Regime Diferenciado de Contratações (RDC). 
 Fundos especiais: na prática esses fundos são criados sob a forma de Autarquias e Fundações o 
que, consequentemente, as fazem integrar a estrutura da Administração Direta ou Indireta. Ex.: 
Fundo de Combate à Pobreza. 
 Empresas controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público: essas empresas não são 
Empresas Públicas e nem tampouco Sociedade de Economia Mista e NÃO integram a 
Administração Pública Direta e nem Indireta. Tratam-se de empresas privadas, mas cujo controle 
acionário (ou seja, maioria do capital votante) pertence ao Estado, logo, existe interesse público 
diretamente aplicado a essas, ou porque são empresas ligadas a uma área estratégica do governo, 
ou porque existe dinheiro público investido ali, ou porque existe uma fiscalização diferenciada 
tendo em vista finalidades especiais a serem atendidas naquele ramo de atividade, etc. 
 Terceiro setor: o Terceiro Setor é formado por entidades paraestatais vocacionadas à prestação 
de serviços de natureza social não exclusivos de Estado. Apesar das leis que estruturam tais 
entidades não exigirem a realização do procedimento licitatório em todas as contratações, o 
entendimento majoritário da doutrina é de que essas organizações são obrigadas a realizar 
procedimento simplificado de licitação, caso tratar-se de contratação realizada com recursos 
públicos. 
 Conselhos de classe: os conselhos de classe possuem a natureza de autarquias profissionais, razão 
pela qual encontram-se sujeitos ao dever de licitar. Entretanto, assim como definido para as 
entidades paraestatais, o procedimento licitatório a ser utilizado poderá ser simplificado em 
regimento interno específico de cada entidade. 
 Demais entes mantidos ou subvencionados pelo 
dinheiro público. 
Portanto, não se encontram sujeitas ao dever de licitar: 
as empresas privadas, concessionárias de serviço público; 
permissionárias de serviço público; Organizações Sociais e as 
OSCIPs, essas últimas com exceção para as contratações 
realizadas fazendo uso de recursos públicos, e a Ordem dos 
Advogados do Brasil. 
 
Destaca-se que a disciplina da Lei 8.666/93 também 
abrange todos os órgãos administrativos dos poderes Legislativo, Judiciário, dos Tribunais de Contas e do 
Ministério Público, de todas as pessoas federativas. 
E quem não pode participar como licitante? O art. 9o da Lei nº8666/93 determina que: 
 
QUESTÃO CESPE 
 
Por desenvolverem atividades públicas de Estado 
por delegação, que incluem o exercício do Poder 
de Polícia e a tributação, os conselhos de 
fiscalização profissional, à exceção da Ordem 
dos Advogados do Brasil, integram a 
administração indireta, possuindo personalidade 
jurídica de direito público. 
 
Correto 
83 
 
Art. 9o - Não poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obra ou 
serviço e do fornecimento de bens a eles necessários: 
I - o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física ou jurídica; 
II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela elaboração do projeto básico ou 
executivo ou da qual o autor do projeto seja dirigente, gerente, acionista ou detentor de mais de 5% 
(cinco por cento) do capital com direito a voto ou controlador, responsável técnico ou subcontratado;III - servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação. 
Princípios Constitucionais Peculiares da Licitação 
A Lei 8.666/93, no seu art. 3º, estabelece os princípios específicos que incidem sobre o processo 
licitatório, são eles: legalidade, impessoalidade, igualdade, publicidade, probidade administrativa, 
vinculação ao instrumento convocatório e julgamento objetivo. Há, porém, aceitação majoritária da 
doutrina dos seguintes princípios: 
Procedimento formal: o referido princípio trata acerca da 
necessária obediência pela Administração Pública ao rito e as 
fases estabelecidas na licitação, ou seja, a fiel observância da lei no procedimento licitatório. A violação ao 
rito procedimental pode importar em anulação do certame e, consequentemente, do contrato 
administrativo. Entretanto, em observância ao Princípio da Instrumentalidade das formas, destaca-se que 
não se cogita a possibilidade de anulação do procedimento por mera imperfeição formal. 
 
Vinculação ao instrumento convocatório – artigo 41, caput da Lei nº 8.666/93: o instrumento convocatório 
será o edital ou a carta convite – dependendo da modalidade licitatória adotada. O instrumento 
convocatório estabelece todas as normas que serão respeitadas durante o procedimento. Esse 
instrumento estabelecerá os critérios objetivos definidos pela Administração Pública para fins da realização 
da escolha do licitante vencedor. 
Ex: em uma licitação do tipo menor preço para a aquisição de veículo 1.0, com travas elétricas, a 
Administração recebe as seguintes propostas: 
 
EMPRESA A Carro, 1.0, travas elétricas R$27.000,00 CLASSIFICADA 
EMPRESA B Carro, 1.0, sem travas elétricas R$20.000,00 DESCLASSIFICADA 
EMPRESA C Carro, 1.0, vidros e travas elétricas, 
ar-condicionado 
R$27.000,00 CLASSIFICADA 
 
Nesse caso, haveria empate entre as propostas apresentadas pelas empresas A e C. Os vidros 
elétricos e ar-condicionado não tornam a proposta da empresa D mais atraente, uma vez que não há 
previsão de valoração de tais itens no edital (somente os critérios objetivos definidos previamente devem 
ser levados em consideração). 
Destaca-se que segundo o Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório, a Administração 
Pública é obrigada a exigir de todos os licitantes tudo aquilo que se encontra nesse instrumento. 
Vício de forma: passível de convalidação -> FOCO 
84 
 
Ademais, a Administração Pública não pode fazer exigências desarrazoadas, desproporcionais ou 
em desconformidade com o objeto do futuro contrato, no sentido de restringir a competição, uma vez que 
é melhor um grande número de participantes da licitação, haja 
vista que haverá um número maior de propostas a serem 
julgadas, havendo, pois, uma maior probabilidade de a proposta 
vencedora realmente atender ao interesse público. Por isso, 
como regra geral, o Poder Público não pode exigir uma 
determinada marca de produto, não pode limitar a participação 
tendo em vista o local da sede da empresa e etc. 
Excepcionalmente, se o bem ou o serviço a ser prestado tratar-
se de algo muito especial, a Administração Pública poderá 
exigir marca ou outra especificação qualquer desde que tal 
determinação seja motivada. 
Julgamento objetivo: esse princípio estabelece que serão 
especificados no edital os critérios objetivos que serão utilizados 
no processo de julgamento das propostas, denominados de tipos 
de licitação, quais sejam: 
 menor preço: escolha do licitante vencedor conforme classificação pela ordem crescente de 
preços; 
 melhor técnica: nesse caso, há uma avaliação da técnica empregada na elaboração da proposta. 
Então, primeiramente é realizada uma avaliação técnica e classificação das propostas e, 
posteriormente, passa-se à abertura das propostas de preços tendo como limite a proposta de 
menor preço entre os licitantes que obtiveram a valorização mínima; 
 técnica e preço: média ponderada entre critérios relativos à técnica e ao preço; 
 maior lance: maior preço pago pelo licitante. 
 
Adjudicação compulsória: o referido princípio estabelece que a 
Administração deverá celebrar o contrato com o licitante classificado em 
primeiro lugar no procedimento licitatório (adjudicar refere-se à 
declaração do licitante vencedor). 
Portanto, a Administração Pública, ao contratar, deverá fazê-lo com o 
vencedor do certame. Deve-se ressaltar que não se trata de direito à 
contratação, uma vez que o poder público pode decidir não contratar 
mesmo após a realização do procedimento licitatório, ou seja, poderá 
haver a revogação do procedimento, em razão de um interesse público superveniente, alterações na 
política pública, restrições orçamentárias e etc. Entretanto, se essa administração vier a contratar, deverá 
firmar o acordo com o vencedor do certame. 
Sigilo na apresentação das propostas: o referido princípio trata 
do fato de que o teor das propostas somente poderá ser 
conhecido após a abertura formal dos envelopes, sob pena de 
responsabilização penal e administrativa. O sigilo assegura a 
competitividade e licitude do certame entre os licitantes. 
Inclusive a violação da proposta antes da data de abertura os 
envelopes é crime previsto expressamente na Lei de Licitações. 
Desse modo, os envelopes somente serão abertos em sessão 
pública (Lei n. 8.666/93, art. 43). 
Isonomia: A licitação pública deverá ser realizada primando pela igualdade de condições de participação a 
todos os licitantes. Isso não quer dizer que a Administração não possa exigir o atendimento de requisitos 
mínimos pelos licitantes, desde que previstos no instrumento convocatório e necessários para a boa 
execução do contrato. A referida isonomia é assegurada pelo não estabelecimento de privilégios ou 
discriminações aos licitantes. Entretanto, esse princípio é flexibilizado no que tange às hipóteses de empate. 
Desse modo, na situação em que se verifique um empate entre licitantes, serão utilizados os seguintes 
critérios sucessivos de desempate que favoreçam bens e serviços na seguinte ordem: 
ALERTA: Administração Pública não pode fazer 
exigências desarrazoadas, desproporcionais ou 
em desconformidade com o objeto do futuro 
contrato 
 
ATENÇÃO – QUESTÃO CESPE 
 
Considerando a situação hipotética acima, julgue 
o item subsequente, com base na Lei nº 
8.666/1993. 
É vedada a indicação da marca dos produtos a 
serem adquiridos, ainda que se comprove que a 
marca escolhida apresenta o menor consumo de 
energia do mercado. 
 
Errado 
ATENÇÃO 
 
O poder público pode decidir não 
contratar mesmo após a 
realização do procedimento 
licitatório, mas, se caso contratar, 
deverá celebrar o Contrato com o 
vencedor do certame. 
QUESTÃO FCC 
 
Dado o princípio da transparência dos Atos 
Administrativos, o conteúdo das propostas 
apresentadas na licitação deve ficar 
disponível à consulta pública até a data de sua 
abertura. 
 
Errado 
85 
 
 
1. Produzidos no país; 
2. Produzidos por empresas brasileiras; 
3. Produzidos ou prestados por empresas que invistam em 
pesquisa e desenvolvimento de tecnologia no País; 
Os critérios previstos na lei são sucessivos, não alternativos. A 
Administração Pública não escolhe o critério de desempate com base na sua discricionariedade, o 
desempate será realizado em conformidade com a ordem estabelecida pela lei. Destaca-se que há 
hipóteses legais que permitem a flexibilização do princípio da igualdade, como a Lei Complementar 123 que 
apresenta um regime de tratamento diferenciado para microempresa/empresa de pequeno porte 
durante o processo licitatório. 
 
Publicidade: o mencionado princípio refere-se ao fato de que todos os atos do procedimento licitatório 
deverão ser públicos (desde a abertura das propostas até a contratação). Decorre desse princípio o direitoque qualquer cidadão pode impugnar o edital (Lei 8.666/93, art. 41) e 
representar perante o Tribunal de Contas denunciando irregularidades (Lei 
8.666, art. 113). 
 
Inalterabilidade do Edital: o Edital, em regra, não poderá ser modificado após 
sua publicação, contudo, havendo a necessidade de alteração, deverá ser 
conferida a devolução dos prazos de intervalo mínimo e deverá ser 
providenciado ampla publicidade para que nenhum eventual licitante seja prejudicado. 
Modalidades de Licitação 
A legislação infraconstitucional (Lei nº 8.666/93, a Lei nº 10.520/02 e a Lei 12.462/11) prevê seis 
modalidades de licitação. São elas: concorrência, a tomada de preços, o convite, o concurso, o leilão, o 
pregão e o regime diferenciado de contratação. No Brasil, é vedada a criação de nova modalidade 
licitatória ou a combinação delas. 
 
 As modalidades de licitação representam o conjunto de regras que devem ser observadas na 
realização de um determinado procedimento licitatório. A escolha da modalidade deve se pautar nos 
seguintes critérios: 
a) Critério qualitativo: a modalidade deverá ser definida em função das características do objeto 
licitado, independentemente do valor. 
b) Critério quantitativo: a modalidade será definida em função do valor estimado para a contratação, 
se não houver dispositivo que obrigue a utilização do critério qualitativo. 
Modalidades Estruturadas pelo Critério Quantitativo 
A utilização, pela Administração Pública, das modalidades licitatórias descritas abaixo respeita o 
critério quantitativo, ou seja, a modalidade será definida em razão do valor estimado para a contratação, 
se não houver dispositivo legal que obrigue a utilização do critério qualitativo. 
ATENÇÃO 
 
O primeiro critério de desempate é 
o que é mais cobrado nas provas! 
Lembrem-se: bens e serviços 
produzidos no país. 
 
MADE IN BRASIL 
ATENÇÃO 
 
Qualquer cidadão pode 
impugnar o Edital. 
ISSO CAI 
 
 
86 
 
Concorrência 
Trata-se da modalidade de licitação em que qualquer interessado que comprove possuir os 
requisitos mínimos de qualificação exigidos no Edital para execução de seu 
objeto poderá participar. Essa modalidade será utilizada pela Administração 
Pública nas contratações de grande valor, entretanto, também poderá ser 
utilizada em contratações de valor mais baixo. 
Dessa maneira, essa modalidade será obrigatória para aquisição de 
bens e serviços de valor acima de R$ 650.000,00 e obras e serviços de 
engenharia acima de R$ 1.500.000,00. Contudo, por ser a modalidade mais 
ampla, ela poderá ser adotada para licitações cujo objeto contratado tenha valor mais baixo (quem pode o 
mais, pode o menos). 
Cumpre ressaltar que a Lei 8.666/93 estabelece algumas hipóteses em que a Administração Pública 
deverá realizar a licitação na modalidade concorrência independentemente do valor, são elas: 
1. Concessões de serviço público comum; 
2. Concessão de direito real de uso; 
3. Aquisição e alienação de imóvel. 
4. Empreitada integral. 
5. Licitação internacional. 
 
Intervalo mínimo 
A legislação estabelece, para cada modalidade licitatória, um 
prazo de intervalo mínimo que deverá ser respeitado pelo gestor 
público. Esse prazo refere-se ao intervalo de dias entre a publicação do 
edital e a data marcada para a abertura dos envelopes de 
documentação e proposta. Essa regra é necessária uma vez que o poder 
público deve garantir que haja tempo suficiente para que todos os proponentes participem do certame 
licitatório e elaborem as propostas. O prazo de intervalo mínimo na concorrência varia com o tipo de 
licitação. 
 Técnica ou técnica e preço – 45 dias 
 Menor preço – 30 dias 
 
Destaca-se que se o regime de contratação for de empreitada integral o intervalo mínimo será de 
45 dias, independente do critério de escolha do fornecedor (técnica e/ou preço). O regime de contratação 
por empreitada integral é aquele em que se contrata o empreendimento em sua integralidade, sob inteira 
responsabilidade da contratada, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações 
necessárias. 
Comissão de Licitação 
O procedimento licitatório será conduzido por uma Comissão de Licitação designada para realizar 
essas atividades. A comissão será formada por no mínimo três membros, sendo que pelo menos dois deles 
devem ser servidores efetivos (concursados, mas não precisam ser estáveis, isto é, podem estar no período 
do estágio probatório). Todos os membros da comissão respondem solidariamente pelos atos praticados 
pela comissão, exceto se o servidor deixar consignado em ata a sua discordância da decisão tomada pela 
maioria. 
No que se refere à comissão de licitação, cabe destacar que a comissão do órgão poderá ser 
especial, instituída para uma licitação específica, ou permanente, ou seja, comissão responsável por todas 
LICITAÇÕES PÚBLICAS 
 
Quem pode + pode – 
 
Essa noção é muito 
importante! 
MACETE 
 
A modalidade concorrência será 
utilizada independentemente do valor: 
 
C oncessões de serviço 
O 
N 
C oncessão de direito real de uso 
O 
R 
R 
E mpreitada integral 
N 
C 
I nternacional (licitação) 
A quisição e alienação de imóvel. 
87 
 
as licitações do órgão durante 01 ano. Os membros da comissão responderão solidariamente por todos os 
atos da comissão. 
Tomada de preço 
Trata-se da modalidade licitatória na qual participam os 
licitantes previamente cadastrados no órgão (habilitação prévia) ou aqueles que cumprirem os requisitos 
do cadastro até três dias antes da data abertura da proposta (art. 22 da Lei 8.666/93). Caso o pedido de 
cadastramento for negado, cabe recurso no prazo de cinco dias. 
Na modalidade tomada de preços, participam os particulares que possuem uma certidão especial 
expedida pela Administração Pública denominada Certidão de Registro Cadastral – CRC. O Registro 
Cadastral é um procedimento administrativo prévio às contratações públicas em que o particular 
encaminha a documentação que comprova que a empresa está habilitada a contratar com a Administração 
Pública. Esse registro será amplamente divulgado pela Administração, mediante chamamento público 
anual, para atualização dos registros existentes. 
Essa modalidade será utilizada para obras e serviços de engenharia de até R$ 1.500.000,00 e bens 
e serviços de até R$ 650.000,00 (objetos de vulto intermediário). 
Intervalo mínimo: o prazo de intervalo mínimo na tomada de preços varia com o tipo de licitação: 
 Técnica ou técnica e preço − 30 dias 
 Menor preço − 15 dias 
Convite 
Trata-se de modalidade licitatória mais simples, mais restrita, que será implementada de forma 
mais simplificada. Participarão do convite no mínimo três convidados, cadastrados ou não, salvo 
comprovada restrição de mercado. Destaca-se que aquele que não é convidado e quiser participar deve 
estar cadastrado no órgão e demonstrar o interesse de participar do certame com antecedência mínima 
de 24h da data de abertura das propostas. Nessa modalidade, não há edital de licitação, o que existe é 
uma carta convite, que não é PUBLICADA em Diário Oficial ou em jornal de grande circulação, a publicidade 
da carta se dá com o envio da carta-convite e sua afixação na repartição pública, em local visível ao público. 
O convite poderá ser utilizado para contratação de obras e serviços de engenharia de até R$ 150.000,00 e 
bens e serviços de até R$ 80.000,00. 
Cumpre ressaltar que há discricionariedade administrativa na escolha dos particulares 
convidados, contudo, a cada nova licitação na modalidade convite, a Administração deve alterar pelo 
menos um convidado. Isto é, não podem ser convidados sempre os mesmos três licitantes. Essa escolha, 
todavia, deve atender ao interesse público, fundamentando-se nos princípios da impessoalidadee da 
moralidade. Além disso, o convite somente poderá prosseguir com menos de três propostas válidas nos 
casos de limitações do mercado ou situações devidamente justificadas no processo. 
Destaca-se que no convite os particulares convidados podem ter ou não Certidão de Registro 
Cadastral – CRC. Desse modo, aquele que não foi convidado e deseja participar, tem que ser cadastrado no 
órgão, demonstrando o interesse de participar do procedimento licitatório com até 24h de antecedência 
da data para abertura das propostas. Além disso, ressalta-se que, no convite, se pode dispensar a comissão 
de licitação, por motivo excepcional e de interesse público (Ex.: escassez de pessoal), podendo ser o 
processo licitatório conduzido por apenas um servidor efetivo. 
Intervalo mínimo: 
 5 dias úteis 
O intervalo mínimo conta-se da data de recebimento da carta 
convite ou a data em que foi afixada a carta convite na repartição - o ato que tiver acontecido por último. 
O conceito é o ponto mais cobrado na 
Toma de Preços! 
ATENÇÃO para os prazos de 
intervalo mínimo de cada 
modalidade. 
88 
 
 
FICA A DICA 
Nas situações em que houver o fracionamento do objeto, cada parte do objeto deverá ser licitada 
fazendo uso da modalidade licitatória cabível para aquisição do valor integral. Portanto, se caso a compra 
do objeto integral remontar o valor de R$1.500.000,00, fato que impõe a utilização da modalidade 
concorrência, e a Administração decidir fracionar o objeto para adquirir o objeto em partes menores no 
valor de R$500.000,00, a mesma não poderá utilizar outra modalidade licitatória se não a concorrência. 
Sempre é possível utilizar a modalidade mais rigorosa do que a prevista para o 
valor do Contrato. Nas licitações públicas, quem pode o mais, pode o menos, isto é, nos 
casos em que cabe a utilização da modalidade licitatória convite, o Poder Público poderá 
escolher entre utilizar, além do convite, a tomada de preços ou a concorrência. 
Modalidades que dependem do critério qualitativo 
A escolha, pela Administração Pública, das modalidades elencadas abaixo deverá respeitar o 
critério qualitativo do objeto, ou seja, a modalidade licitatória deverá ser definida em função das 
características do objeto a ser licitado, independentemente do valor. 
Concurso 
Trata-se de modalidade licitatória na qual o poder público realiza a escolha de trabalho técnico, 
científico ou artístico, mediante o pagamento de prêmio ou remuneração (valor fixo definido em edital) ao 
vencedor. O procedimento do concurso será definido em regulamento próprio, inclusive o critério de 
escolha do vencedor. A comissão será composta por no mínimo três membros, pessoas idôneas com 
conhecimento na área técnica objeto do concurso, portanto, a comissão não será formada 
necessariamente por servidores públicos. 
Destaca-se que a modalidade licitatória concurso não se confunde com o concurso para 
provimento de cargo, o qual não possui natureza licitatória. 
Intervalo mínimo 
 45 dias corridos entre a publicação do edital e o início do 
certame. 
Leilão 
Trata-se de modalidade licitatória para a VENDA de bens 
móveis inservíveis, produtos apreendidos e penhorados ou imóveis adquiridos mediante decisão judicial 
ou dação em pagamento, a quem oferecer o maior valor, igual ou superior ao valor da avaliação. 
Essa modalidade licitatória será conduzida por um leiloeiro oficial ou por servidor público 
designado. Além disso, o critério de escolha do fornecedor vai ser sempre do tipo maior lance, que deverá 
ser maior ou igual ao valor da avaliação. 
 Intervalo mínimo - 15 dias corridos. 
Essa modalidade não é muito cobrada, 
mas quando aparece uma questão sobre 
essa parte da matéria, na maioria das vezes 
ela versa sobre quais são os bens que 
podem ser alienados por leilão! 
 
ATENÇÃO 
 
89 
 
Pregão (Lei 10.520/02) 
Criado pela Lei 10.520/2002, trata-se de modalidade 
licitatória utilizada para aquisição de bens e serviços comuns, aqueles 
que podem ser designados no edital objetivamente com expressões 
usuais de mercado pela Administração Pública de todas as esferas 
federativas. A modalidade pregão será sempre do tipo menor preço, 
ou seja, necessariamente o vencedor será aquele que oferecer o 
menor preço. 
 
O responsável pela condução desse processo 
licitatório é o pregoeiro, servidor público designado que possui 
capacitação para exercício do cargo. Não há previsão legal de 
rodízio entre os agentes designados para desempenhar essa 
função, contudo, recomenda-se que a autoridade o faça com o 
escopo de dar efetividade ao Princípio da Impessoalidade e 
evitar fraudes. Destaca-se que a Lei 10.520/02 prevê a 
possibilidade de designação de uma comissão de apoio que irá 
prestar auxílio ao pregoeiro nesse processo. 
O pregão pode ser feito na modalidade presencial e eletrônica. 
A modalidade eletrônica será realizada mediante a conexão via 
internet de todos os licitantes ligados em uma rede, sem a 
necessidade da presença dos proponentes. Cumpre ressaltar 
que, inicialmente, o uso do pregão seria opcional, porém, o Decreto nº 4.450/2005 tornou obrigatório a 
utilização do pregão para aquisição de bens e serviços comuns no âmbito federal, sendo preferencial a 
utilização da sua forma eletrônica. 
FICA A DICA 
Aplicam-se subsidiariamente, para a modalidade de pregão, as normas da Lei nº 8.666/93. 
O procedimento do pregão possui algumas peculiaridades no que tange à inversão das fases, nessa 
modalidade a classificação das propostas antecede a habilitação dos licitantes e a homologação é 
realizada após a adjudicação. Assim, após a fase de lances verbais, a Administração deverá analisar a 
documentação de habilitação somente do licitante classificado em 1º lugar (menor preço). A referida 
inversão de fases visa assegurar economia de tempo e de recursos públicos, haja vista que no pregão há 
uma fase de negociação denominada lances verbais em que existe a possibilidade de redução dos preços. 
 Intervalo mínimo − 8 dias úteis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PREGÃO: MODALIDADE MAIS 
COBRADA 
 
Principais pontos de atenção: 
- aquisição de bens e serviços comuns; 
- tipo menor preço. 
- procedimento 
QUESTÃO CESPE 
 
Na fase preparatória do pregão, o agente 
encarregado da compra poderá, por delegação 
da autoridade competente, designar, entre os 
servidores do órgão ou da entidade promotora 
da licitação, o pregoeiro responsável. Para 
evitar a perpetuação de apenas um pregoeiro e 
não ofender o Princípio da Impessoalidade, 
recomenda-se à autoridade competente 
habilitar vários agentes para exercer a função 
de pregoeiro bem como adotar sistema de 
rodízio nas designações. 
 
Correto 
 
90 
 
Concorrência Tomada de preços Convite Concurso Leilão Pregão 
Modalidade 
obrigatória para 
contratações de 
grande valor 
econômico (acima 
de R$1.500.000,00 
para obras e 
serviços de 
engenharia e 
R$650.000,00 para 
demais objetos). 
Modalidade 
utilizada para 
contratações de 
valor econômico 
intermediário (até 
de R$1.500.000,00 
para obras e 
serviços de 
engenharia e 
R$650.000,00 para 
demais objetos). 
 
 
 
Modalidade 
utilizada em 
contratações de 
pequeno valor 
econômico (até 
de 
R$150.000,00 
para obras e 
serviços de 
engenharia e 
R$80.000,00 
para demais 
objetos). 
 
Modalidade 
utilizada para 
escolha de trabalho 
técnico, científico 
ou artístico, 
mediante a 
instituição de 
prêmios e 
remuneração. 
Modalidade 
utilizada para 
venda de bens 
móveis inservíveis 
para a 
administração, 
produtos 
legalmente 
apreendidos ou 
penhorados, ou 
alienação de bens 
imóveis 
adquiridos pelo 
Estado mediante 
de decisão 
judicial. 
Modalidade utilizadapara aquisição de 
bens e serviços 
comuns. Não há limite 
quanto ao valor da 
aquisição. 
Essa modalidade não 
pode ser utilizada para 
a execução de obras 
públicas, nem para 
locações imobiliárias e 
alienações em geral. 
 
Fracionamento de despesa 
Em conformidade com o critério quantitativo, a escolha pela Administração Pública quanto à 
modalidade licitatória deverá ser feita em função do valor estimado da contratação, considerando a 
integralidade do objeto a ser contratado, sendo vedado o fracionamento de despesa. O termo 
fracionamento de despesa consiste em dividir o objeto em contratações menores, nas quais não é utilizada 
a modalidade cabível para a compra do objeto integral ou fracionamento para fins de contratar 
diretamente, sem licitação (dispensa), nos casos em que o procedimento é obrigatório. 
Essa última hipótese refere-se à vedação da fragmentação de compras, no intuito de manter o 
valor de cada lote adquirido dentro do limite imposto pela lei para fins de viabilizar a dispensa de licitação. 
Assim, ao invés de efetuar uma compra programada de determinado material, mediante procedimento 
licitatório, o administrador opta por fragmentar a aquisição em 
pequenas compras, para que o valor individual de cada uma delas 
esteja abaixo do limite de R$ 8.000,00, valor que encontra-se dentro 
da margem na qual a Administração pode realizar a contratação direta 
por meio da dispensa de licitação. Tal prática é vedada, conforme as 
disposições contidas no §2.º e no §5.º, do art. 23 e nos incisos I e II, do 
art. 24, da Lei nº 8.666/93. 
Entretanto, caso exista necessidade (técnica e econômica) de 
divisão do objeto integral em partes menores, cada etapa poderá 
corresponder a uma licitação distinta, contudo, deverá ser preservada a modalidade licitatória que seria 
utilizada para contratação do objeto inteiro. Ou seja, há uma diferenciação entre o fracionamento de 
contratações do fracionamento realizado apenas para burlar a obrigatoriedade de licitação nas compras da 
Administração Pública. 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO CESPE 
 
Em decorrência do Princípio da 
Economicidade, as compras devem ser 
subdivididas na quantidade de parcelas 
que forem necessárias para aproveitar 
as oportunidades do mercado. 
 
Correta 
91 
 
Registro de Preços 
O registro de preços, não é modalidade de licitação, é um 
procedimento realizado na modalidade concorrência ou pregão 
para fins de registro da proposta vencedora para compras, obras e 
serviços rotineiros, que será utilizada em momento futuro quando 
houver necessidade de contratação. Nesse caso, o poder público 
realiza o procedimento licitatório, contudo, não é obrigado a 
contratar, o ofertante registrado terá tão somente preferência na 
contratação futura. Nos termos do artigo 3º do Decreto nº 
7.892/2013: 
“Art. 3º O Sistema de Registro de Preços poderá ser adotado nas 
seguintes hipóteses: 
I - quando, pelas características do bem ou serviço, houver necessidade de contratações frequentes; 
II - quando for conveniente a aquisição de bens com previsão de entregas parceladas ou contratação de 
serviços remunerados por unidade de medida ou em regime de tarefa; 
III - quando for conveniente a aquisição de bens ou a contratação de serviços para atendimento a mais de 
um órgão ou entidade, ou a programas de governo; ou 
IV - quando, pela natureza do objeto, não for possível definir previamente o quantitativo a ser demandado 
pela Administração”. 
 
 Destaca-se que o registro de preços não poderá ter validade superior a um ano. Nesse ano, a 
proposta vencedora ficará registrada e à disposição da Administração Pública quando desejar contratar. Na 
licitação para registro de preços não é necessário indicar a dotação orçamentária para custear a referida 
compra, que somente será exigida para a formalização do contrato ou outro instrumento hábil. 
 O registro de preços admite que outra pessoa jurídica ou outro órgão público utilize o registro 
como “carona”, isto é, outra entidade distinta daquela que 
conduziu o procedimento de registro de preços. Contudo, o 
art. 22 do Decreto nº 7.892/2013 estabelece que “as 
aquisições ou contratações adicionais a que se refere este 
artigo não poderão exceder, por órgão ou entidade, a cem por 
cento dos quantitativos dos itens do instrumento convocatório 
e registrados na ata de registro de preços para órgão 
gerenciador e órgãos participantes.”. 
Nesse caso, o instrumento convocatório deverá 
estabelecer o limite de adesões ao registro, que não poderá 
exceder ao quíntuplo do quantitativo de cada item 
registrado. 
Procedimento da Licitação 
Conforme estudado, licitação é o procedimento administrativo isonômico no qual a Administração 
seleciona a proposta mais vantajosa, para fins de contratação de obra, serviço, da compra de um produto, 
locação ou alienação. Desse modo, a lei de licitações prevê uma série concatenada de atos que estabelecem 
fases e etapas desse procedimento que devem ser estudados. De forma resumida as fases da licitação 
descritas na legislação e doutrina são: realização de audiência pública (contratações vultuosas e 
complexas); publicação do edital ou convite; recebimento da documentação de habilitação e propostas; 
habilitação dos licitantes; julgamento das provas; adjudicação e homologação. 
FICA A DICA 
Destaca-se que nem todos os tipos de licitação apresentam todas as fases citadas. Como consta 
no art. 38 da Lei 8.666/93, o procedimento licitatório tem seu início na fase interna, na qual haverá a 
abertura do processo dentro do órgão que vai conduzir a licitação, definição do objeto, justificativa acerca 
ATENÇÃO 
 
Registro de preços NÃO É 
MODALIDADE DE LICITAÇÃO! 
 
QUESTÃO ESAF 
 
A licitação para registro de preços pode 
ser realizada na modalidade de pregão e 
na modalidade de concorrência. 
 
Correto 
 
QUESTÃO DE PROVA 
 
Considerando essa situação hipotética, julgue o 
seguinte item. A autarquia poderá adquirir os 
cartuchos e toners de que necessita, utilizando ata 
de registro de preços gerenciada por determinado 
órgão federal, desde que haja anuência do órgão 
gerenciador e concordância do fornecedor 
beneficiário, não devendo o quantitativo 
pretendido exceder a 100% do que esteja 
registrado na ata. 
 
Correto 
92 
 
da contratação e a indicação dos recursos para pagamento da despesa. A fase externa, por sua vez, inicia-
se quando a licitação se torna pública mediante a publicação do edital ou envio da carta convite. 
Portanto, são fases do procedimento licitatório: 
 Fase Interna/planejamento ou preparatória: nessa fase, a Administração delimita e determina os 
termos e condições do ato convocatório antes de trazê-las ao conhecimento público; 
 Fase Externa ou executória: inicia-se com a publicação do edital ou com a entrega da carta convite 
e termina com a contratação do fornecimento do bem, execução da obra ou prestação do serviço. 
 
Em consonância com esse 
entendimento, em relação às modalidades 
concorrência, tomada de preços e convite, 
serão adotados, no que couberem, os 
seguintes procedimentos: 1ª Publicação do 
Edital de licitação ou carta-convite; 2º 
Abertura e análise dos envelopes contendo 
a documentação relativa à habilitação; 3º 
Devolução dos envelopes contendo as 
propostas dos concorrentes inabilitados, 
desde que não tenha havido recurso ou 
após sua denegação; 4º Abertura dos 
envelopes contendo as propostas dos 
concorrentes habilitados, após a realização 
dos procedimentos inerentes à eventuais 
recursos interpostos; 5º Exame das 
propostas em relação aos requisitos 
fixados pelo instrumento convocatório, 
inclusive no que concerne a 
admissibilidade do preço ofertado pelos licitantes; 6º Classificação das propostas conforme os requisitosestabelecidos no instrumento de convocatório; 7º Homologação do procedimento licitatório, após a 
realização dos procedimentos inerentes à eventuais recursos interpostos; 8º Adjudicação (Lei nº 8.666/93, 
art. 38.): declaração do vencedor do certame;9º Assinatura do Contrato; 
Os procedimentos inerentes à 
modalidade pregão, por sua vez, diferem dos 
atos descritos, são eles:1º Publicação do 
Edital;2º Credenciamento dos licitantes 
(identificação do representante legal); 3º 
Entrega dos envelopes (propostas e 
documentação de habilitação) pelos licitantes e 
da declaração dando ciência de que os mesmos 
cumprem plenamente os requisitos de 
habilitação; 4º Abertura do envelope das 
propostas e a verificação acerca de sua 
conformidade com os requisitos estabelecidos 
no instrumento convocatório; 5º Classificação 
das propostas de menor preço; 6º Fase de 
lances verbais; 7º Exame da documentação de 
habilitação do licitante que apresentou a oferta 
de menor valor; 8ª Adjudicação: declaração do 
vencedor; 10º Homologação. 
 
 
93 
 
Procedimento da Concorrência 
O procedimento concorrência tem início na fase interna, em que são realizados os atos 
preparatórios da licitação que irá culminar na publicação do edital. Nesta fase, a Administração Pública 
está se organizando e estruturando o início do processo. Dentre os atos preparatórios, destaca-se a 
exposição de motivos da contratação, a justificativa da necessidade de contratação, designação da 
comissão licitante, abertura de processo administrativo licitatório, elaboração da minuta do Edital e do 
contrato e declaração orçamentária. Ressalta-se que, caso o órgão já tenha uma comissão de licitação 
permanente, basta o mesmo juntar ao procedimento a portaria do órgão que instituiu esta comissão. 
Após a realização da instrução, o processo é enviado para a consultoria jurídica do órgão que 
emitirá parecer para fins de dar andamento ao procedimento licitatório ou seu arquivamento. 
Audiência pública 
Em contratações de grande valor, a Administração Pública deverá realizar uma audiência pública, 
que na prática é uma verdadeira forma de unir possíveis interessados para que todos possam opinar acerca 
do certame que será realizado. 
Edital 
É o instrumento convocatório da licitação e a sua principal função é estabelecer as regras e os 
critérios objetivos de escolha que serão utilizados no procedimento, os quais são de observância 
obrigatória, tanto pela Administração, quanto pelos licitantes. Destaca-se que o aviso contendo o resumo 
do Edital deverá ser publicado no Diário Oficial e em jornal de grande circulação, descrevendo as principais 
informações relativas à licitação, possibilitando a identificação do objeto licitado, do órgão contratante e as 
datas e prazos previstos. 
Cumpre ressaltar que, em regra, o edital não será alterado. Contudo, qualquer eventual 
modificação no edital exige divulgação pela mesma forma na qual se deu o texto original, reabrindo-se o 
prazo de intervalo mínimo inicialmente estabelecido. Entretanto, quando, inquestionavelmente, a 
alteração não acarretar modificações nas propostas a cargo dos licitantes, o prazo não será reaberto. 
Ressalta-se que qualquer cidadão pode impugnar o edital caso 
verifique irregularidade, devendo protocolar o pedido até cinco dias 
úteis antes da data fixada para a abertura dos envelopes de habilitação. 
Nesse caso, a Administração deverá julgar e responder à impugnação 
em até três dias úteis. Entretanto, para o licitante o prazo para 
impugnação é superior, ele terá até o 2º dia útil antes da abertura dos envelopes. Destaca-se que a 
Administração Pública poderá, caso verificado irregularidade, de ofício, determinar a alteração do edital. 
FICA A DICA 
Na modalidade convite, não haverá publicação de edital, o instrumento convocatório nesse caso é 
a carta-convite que será encaminhada aos licitantes e afixada em local público na repartição. 
 
 
 
 
ATENÇÃO 
 
Prazos para impugnação ao Edital! 
94 
 
Habilitação 
A habilitação é a etapa em que o licitante apresenta à Administração as documentações que 
demonstram que o mesmo atende aos requisitos necessários para a participação na licitação e execução 
do contrato que será assinado. Nesse sentido, o licitante deve 
demonstrar: a) Habilitação jurídica; b) Habilitação técnica 
(qualificação técnica): demonstrar que tecnicamente é capaz de 
executar o objeto, seja por meio de certidões acerca da realização 
de objetos anteriores similares, seja mediante a declaração de que 
possui equipe técnica preparada para realizar o objeto. c) 
Qualificação econômica financeira: o licitante deve provar para o 
Poder Público que possui boas condições financeiras para executar 
o objeto do Contrato (balanço patrimonial, demonstrações 
contábeis do último exercício social, certidão negativa de falência 
e/ou recuperação judicial e garantias). d) O licitante deve comprovar 
que se adequa às normas do art. 7, XXXIII da CF/88, ou seja, que não 
explora trabalho infantil. e) Comprovar regularidade fiscal: o 
licitante deve demonstrar que não possui débito junto à Fazenda Pública ou, se caso exista um débito, que 
a sua exigibilidade esta suspensa. Nesse sentindo, vale a pena citar a Súmula 283 do TCU – "para fins de 
habitação, a administração pública não deve exigir dos licitantes a apresentação da certidão de quitação 
de obrigações fiscais, e sim a prova de sua regularidade". f) Demonstrar a regularidade trabalhista 
comprovada por meio da certidão negativa de débitos trabalhistas. 
Caso a licitação seja na modalidade Pregão, a documentação exigida para atender a habilitação 
jurídica, qualificação econômico-financeira e regularidade fiscal poderá ser substituída pelo registro 
cadastral do SICAF ou, em se tratando de órgão ou entidade não abrangido pelo referido Sistema, por 
certificado de registro cadastral. 
Destaca-se que contra a decisão de inabilitação cabe interposição de recurso, com efeito 
suspensivo, no prazo de cinco dias úteis da publicação da decisão. Ressalta-se, ainda, em conformidade 
com o art. 43 da Lei 8.666/93 “§ 5o Ultrapassada a fase de habilitação dos concorrentes (incisos I e II) e 
abertas as propostas (inciso III), não cabe desclassificá-los por motivo relacionado com a habilitação, salvo 
em razão de fatos supervenientes ou só conhecidos após o julgamento”. 
FICA A DICA 
Caso nenhum licitante seja habilitado, deve-se abrir o prazo de 8 dias úteis para complementação 
de documentação e diligências. 
Classificação − Julgamento das propostas 
Após a habilitação, aqueles que apresentaram a documentação em conformidade com os 
requisitos acima, passarão para a fase seguinte. Nessa fase, a Administração classifica as propostas, em 
conformidade com o tipo da licitação (critério usado para fins de julgamento). Nesse momento, não se fala 
em subjetivismo, a Administração classificará a proposta em conformidade com os requisitos objetivos 
estipulados no edital. 
A comissão pode desclassificar as propostas entendidas como inexequíveis, contrárias às 
cláusulas do edital e aquelas que não apresentam um valor exato. 
Destaca-se que contra a decisão de desclassificação cabe interposição de recurso, com efeito 
suspensivo, no prazo de cinco dias úteis da publicação da decisão. Caso nenhum licitante seja classificado, 
deve-se abrir o prazo de 8 dias úteis para complementação de documentação. 
Homologação e Adjudicação 
HABILITAÇÃO TÉCNICA É O PONTO 
MAIS COBRADO 
 
QUESTÃO CESPE 
 
A exigência de prévia experiência em 
serviços de natureza similar como requisito 
para demonstração de qualificação técnica, 
na fase de habilitação em procedimento de 
licitação, vulnera a isonomia, a 
impessoalidade e o julgamento objetivo, 
elementos basilares do certame. 
 
Errado 
95 
 
Ahomologação é o ato administrativo pelo qual a 
autoridade responsável reconhece a licitud e do 
procedimento licitatório. Tal etapa é de fundamental 
importância no universo jurídico, pois é nesse instante que 
a responsabilidade pelos fatos ocorridos no decorrer do 
procedimento passa a ser compartilhada com o gestor do 
órgão. Caso a homologação não seja implementada (a 
autoridade determina a anulação ou revogação), há de se 
abrir prazo para o recurso administrativo, sem efeito 
suspensivo, podendo a autoridade competente, 
motivadamente e presentes razões de interesse público, 
atribuir ao recurso interposto eficácia suspensiva. 
Cumpre ressaltar que é possível a anulação do 
procedimento licitatório, caso tiver sido demonstrado um 
vício de legalidade no procedimento, ou a revogação por 
razões de interesse público superveniente. A revogação 
exige a apresentação de justificativa superveniente, haja 
vista que na exposição de motivos (na fase interna) a 
Administração Pública demonstrou a necessidade da 
contratação, devendo relatar os motivos que fizeram com 
que a demanda deixasse de existir. 
Acerca do tema, cabe ressaltar que em caso de 
revogação ilícita, ou seja, a revogação que não tenha 
respaldo na ocorrência de fato superveniente, os licitantes 
serão indenizados pelos prejuízos comprovados (art. 37, 6º 
da CF/88). 
A adjudicação, por sua vez, é o ato pelo qual a 
Administração atribui ao vencedor do certame o objeto da 
licitação. A adjudicação atribui o direito ao vencedor de não 
preterição e liberação dos demais licitantes. Destaca-se 
que caso a administração não respeite a ordem 
classificatória, o adjudicatário passará a ter o direito 
adquirido de figurar no contrato. 
Vale ressaltar que, ao contrário do que ocorre com 
a Administração, que não é obrigada a contratar, o licitante que apresentou a melhor proposta é obrigado 
a assinar o contrato, sob pena de aplicação de penalidades previstas na Lei 8.666/93, desde que seja 
convocado para assinatura do contrato no prazo de 60 dias contados da data de abertura da proposta. 
Caso o licitante não tenha interesse em celebrar o contrato após 60 dias da data de abertura das propostas, 
a Administração irá convocar o segundo colocado no(a) valor/proposta apresentado(a) pelo primeiro 
colocado, que também não é obrigado a celebrar o contrato. O poder público irá atuar dessa forma 
sucessivamente. 
Tomada de Preços 
A licitação na modalidade Tomada de Preços, o procedimento é o mesmo estudado para a 
modalidade concorrência, contudo, NÁO HÁ FASE DE HABILITAÇÃO, uma vez que os licitantes já se 
encontram previamente cadastrados. Desse modo, haverá tão somente a abertura dos envelopes de 
propostas, após a análise dos Certificados de Registros Cadastrais apresentados pelos licitantes. 
Em virtude dessas regras, essa modalidade se torna a célere quando comparada à concorrência. 
SELECIONANDO O NAMORADO 
 
Pessoal, vocês se lembram daquele processo 
licitatório que eu abri para "selecionar um 
namorado"? Pois é, depois de um longo tempo 
habilantando e classificando os licitantes, 
FINALMENTE eu encontrei a melhor proposta do 
mercado. Aí eu cheguei para o vencedor toda 
afobada (meninas: não façam isso em casa, dei 
muito mole): 
- Você e o vencedor!!!!! Vamos assinar o 
contrato de namoro! EU TE AMO!!!!!! 
📣💑❤💍👪 
- Ah gata....eu ando um pouco confuso...sabe...o 
problema não é você...sou eu. Eu não estou 
pronto para namorar. 
- O que??!?!? Você não pode fazer isso. Olha, eu 
sou a Administração Pública aqui, eu posso 
anular e revogar esse processo a qualquer 
tempo (e sair por ai na balada), agora você NÃO 
PODE DESISTIR DE ASSINAR O CONTRATO. Não 
tem nem 60 dias que você apresentou a 
proposta. Desse jeito eu terei que aplicar as 
penalidades previstas na Lei 8.666/93! Aliás, no 
seu caso eu vou aplicar as minhas 
penalidades!!!!!! (meninas: quem nunca 
conheceu um idiota que participou de todo o 
processo licitatório e no final "deu pra trás", não 
é mesmo? QUEM NUNCA) 
- Oh princesa, podemos continuar saindo... 
-saindo? SAINDO?!?! Você está 
terminantemente bloqueado do meu 
Whatsapp, Instagram, Facebook e etc. Não 
quero te ver nem pintado de ouro! Sabe o que 
eu vou fazer agora?!?! 
 
Acabo de chamar o 2° colocado para assinar o 
contrato e estou indo "passear" na frente desse 
idiota com o meu novo namorado ❤ 
 
PS: é tudo BRINCADEIRA, mas essa matéria CAI 
EM PROVA! Atenção!!! 
 
96 
 
Convite 
O procedimento licitatório convite é um 
procedimento mais rápido e simplificado, 
também segue um procedimento similar ao da 
concorrência, contudo, algumas peculiaridades 
devem ser apontadas:a) Não há publicação de 
edital: a publicidade do convite se dá através do 
envio da carta-convite e afixação do mesmo na 
repartição pública em local visível; b) o prazo para 
recursos no convite é de 2 (dois) dias úteis;c) caso 
todos os licitantes sejam inabilitados ou se todas 
as propostas forem desclassificadas, o prazo para 
diligências definido no art. 48, §3° da lei 8.666/93 
poderá ser reduzido de 8 (oito) dias úteis para 3 
(três) dias úteis para que os licitantes se adequem 
ao edital; d) em relação à comissão licitante, se 
ficar comprovada a escassez de pessoal no órgão, o procedimento licitatório poderá ser realizado com um 
único servidor público, desde que efetivo. e) assim como na tomada de preços, não há fase de habilitação, 
haverá tão somente a abertura dos envelopes de propostas; f) intervalo mínimo de cinco dias úteis. 
Concurso 
Conforme já previamente explicitado, o concurso terá o seu procedimento definido em 
regulamento específico. Destaca-se que o intervalo mínimo no concurso será de 45 dias, por definição legal, 
e que a Comissão Licitante do concurso é diferenciada e denominada comissão especial de concurso. A lei 
determina que esta comissão seja composta por pessoas idôneas e que tenham conhecimento na área do 
trabalho que será apresentado. 
Importante ressaltar que no concurso há a instituição de prêmio ou remuneração aos vencedores 
do certame. 
Leilão 
Conforme estudado, a modalidade licitatória Leilão será conduzida pelo leiloeiro, sendo que o 
intervalo mínimo entre a publicação do edital e a realização do procedimento será de 15 dias. 
PREGÃO 
O procedimento da licitação na modalidade Pregão 
apresenta inúmeras peculiaridades. O pregão é a modalidade 
licitatória realizada pelo Poder Público para aquisição de bens 
e serviços comuns, que são definidos em lei como aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade 
possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado. Essa 
modalidade será realizada tendo como critério de escolha do vencedor o "menor preço", não se admitindo 
qualquer outro tipo previamente definido no instrumento convocatório. 
Nessa modalidade de licitação, com o intuito de garantir maior celeridade ao procedimento, temos 
a “inversão de fases” de habilitação e apresentação das propostas comerciais, no qual primeiramente são 
classificadas as propostas e, posteriormente, será implementada a fase de habilitação. Além disso, a fase 
de adjudicação ocorre em momento anterior à homologação do certame pela autoridade competente. 
#FICA A DICA 
PROCEDIMENTO LICITATÓRIO MAIS COBRADO 
-> PREGÃO 
 
97 
 
 
 Conforme Súmula do TCU nº 257, “o uso do pregão 
nas contratações de serviços comuns de 
engenharia encontra amparo na Lei nº 
10.520/2002.” 
 OA pregão poderá ser realizado na versão 
eletrônica ou presencial; 
Fase interna 
Trata-se da fase na qual o ente público está se preparando para a realização do procedimento 
licitatório. Nessa fase, serão observados alguns requisitos legais. Vejamos: elaboração do Termo de 
Referência (TR) pelo órgão requisitante, com indicação precisa do objeto a ser licitado(orçamento 
detalhado), de forma suficiente e clara; apresentação da justificativa da necessidade da contratação; 
elaboração do edital, estabelecendo critérios de aceitação das propostas; definição acerca das exigências 
de habilitação, elaboração da minuta do contrato; designação, mediante portaria expedida pela autoridade 
do órgão, do pregoeiro e sua equipe de apoio; emissão de parecer jurídico. 
Fase externa 
 Convocação dos interessados por meio de publicação de aviso do edital que, de acordo com o art. 
2º da Lei 10.520/02, será efetuada mediante publicação em diário oficial do respectivo ente 
federado ou, não existindo, em jornal de circulação local e, facultativamente, por meios 
eletrônicos e conforme o vulto da licitação, em jornal de grande circulação. 
 O intervalo fixado para a apresentação das propostas, será contado a partir da publicação do aviso, 
sendo o prazo mínimo de oito dias úteis. 
 No que tange à possibilidade de impugnação do instrumento convocatório, o diploma legal dispõe 
que, até dois dias úteis antes da data fixada para abertura da sessão pública, qualquer pessoa 
poderá impugnar o ato convocatório do pregão. Nesses casos, é de responsabilidade do pregoeiro 
receber, examinar e decidir sobre a impugnação. 
 Encaminhamento das propostas pelos licitantes com a descrição do objeto ofertado e o preço e, 
se for o caso, o respectivo anexo, até a data e hora marcadas para abertura da sessão. 
 Classificação das propostas de menor preço para 
que a disputa se dê em sessão pública. Com efeito, a 
referida disputa se dará por meio da apresentação, 
pelos licitantes selecionados, de lances verbais. A 
princípio, passam para a fase de lances verbais o 
licitante que apresentou a melhor proposta (menor 
preço) e todas as outras propostas que não 
ultrapassarem 10% em relação ao valor da primeira 
classificada. Entretanto, caso não tenham sido 
apresentadas 03 propostas dentro dessa margem de 10%, passam para a fase de lances verbais a 
melhor proposta e mais 2 (duas) propostas mais bem classificadas, para completar o mínimo de 3 
(três) licitantes. Destaca-se que o prazo de validade das propostas será de 60 (sessenta) dias, se 
outro prazo não estiver fixado no edital. 
 Habilitação: após a seleção das propostas, o pregoeiro deverá analisar se a proposta selecionada 
atende aos requisitos definidos no edital e decidirá, em ato motivado, acerca da sua aceitabilidade 
ou não. O pregoeiro fara a análise da documentação de habilitação e, caso o licitante seja 
habilitado, o licitante será declarado vencedor da licitação. Caso não seja admitida a proposta 
vencedora, os demais licitantes serão convocados, em ordem de classificação, para negociação 
do preço, ou seja, ocorrendo a inabilitação do licitante que apresentou a melhor proposta, o 
QUESTÃO CESPE 
 
Dada a tendência atual de ampliação da utilização do 
pregão, os serviços de engenharia, desde que 
caracterizáveis como serviços comuns, podem ser 
licitados por meio do pregão na forma eletrônica. 
 
Correto 
ATENÇÃO para a fase de lances verbais 
 
QUESTÃO CESPE 
 
Todos os licitantes podem apresentar lances ao 
longo de todo o pregão presencial, a despeito da 
proposta inicial 
 
Errado 
98 
 
pregoeiro passa a examinar a proposta do segundo colocado e assim sucessivamente, sendo 
sempre admitida a negociação do preço ofertado. 
 Interposição de recursos: após a declaração oficial do vencedor da licitação, os licitantes podem 
manifestar o interesse em recorrer da decisão. Com efeito, na modalidade pregão, o prazo para 
recurso é imediato, não possui efeito suspensivo e ocorre após a declaração do vencedor, ou seja, 
somente ao final da licitação. Portanto, o licitante deve manifestar imediatamente, ao final da 
licitação, a intenção de interpor recurso e a lei concede o prazo de 3 (três) dias para elaboração 
e apresentação das razões do recurso, ficando os demais licitantes desde logo intimados para 
apresentar contrarrazões em igual número de dias. 
 Adjudicação do objeto ao vencedor da licitação, caso não houver interposição do recurso; 
 Homologação feita pela autoridade competente do órgão, caso o procedimento não apresente 
irregularidades. Caso contrário, o procedimento deverá ser anulado. 
 
FICA A DICA 
Lei 10.520/02 “Art. 5º É vedada a exigência de: I - garantia de proposta; II - aquisição do edital pelos licitantes, como condição 
para participação no certame; e III - pagamento de taxas e emolumentos, salvo os referentes a fornecimento do edital, que não serão 
superiores ao custo de sua reprodução gráfica, e aos custos de utilização de recursos de tecnologia da informação, quando for o caso”. 
Especificidades do Pregão Eletrônico 
O pregão eletrônico é realizado em sessão pública, sem a presença física dos licitantes que se 
comunicam entre si e com a Administração Pública via internet. Trata-se de um sistema moderno que visa 
celeridade e desburocratização da contratação de bens e serviços pelo ente estatal. 
Para fins de realização desse procedimento será exigido o credenciamento no sistema eletrônico 
dos licitantes que pretenda participar do certame, da autoridade responsável pelo órgão que pretende 
promover o certame, do pregoeiro e de sua equipe de apoio. 
O Decreto Federal nº 5.450, de 31 de maio de 2005, estabelece que o credenciamento será feito 
mediante atribuição de chave de identificação e de senha, pessoal e intransferível, para acesso ao sistema 
eletrônico. Desse modo, o uso da senha de acesso pelo licitante é de sua responsabilidade exclusiva, 
incluindo qualquer transação efetuada diretamente ou por seu representante, não cabendo ao provedor 
do sistema ou ao órgão promotor da licitação responsabilidade por eventuais danos decorrentes de uso 
indevido da senha, ainda que por terceiros. 
O envio das propostas dar-se-á exclusivamente por meio do sistema eletrônico conforme definido 
no instrumento convocatório, feita a declaração regularmente, a partir do horário previsto no instrumento 
convocatório, a sessão pública, na internet, será aberta. 
Apresentadas as propostas, por meio eletrônico, o pregoeiro fará, primeiramente, a classificação, 
desclassificando aquelas que não estejam em conformidade com os requisitos estabelecidos no edital. A 
desclassificação de proposta será sempre fundamentada e registrada no sistema, com acompanhamento, 
em tempo real, por todos os participantes do certame. 
Sendo assim, uma vez classificadas as propostas, o pregoeiro dará início à fase competitiva, na 
qual os licitantes poderão encaminhar lances sucessivos, exclusivamente por meio do sistema eletrônico. 
Destaca-se que a legislação federal supracitada dispõe que o licitante somente poderá oferecer 
lance inferior ao último por ele ofertado e registrado pelo sistema. Ademais, não serão aceitos dois ou 
mais lances iguais, prevalecendo aquele que for recebido e registrado primeiro. A etapa de lances é 
realizada publicamente e, durante a sessão, todos os licitantes serão informados, em tempo real, do valor 
do menor lance registrado. 
99 
 
Com efeito, encerrada a etapa de lances da sessão pública, o pregoeiro poderá encaminhar, pelo 
sistema eletrônico, contraproposta ao licitante que tenha apresentado menor lance, para fins de 
negociação do preço. 
Regime Diferenciado de Contratação 
A Lei nº 12.462 de 04/08111 criou uma nova modalidade licitatória denominada Regime 
Diferenciado de Contratação – RDC que, inicialmente, tinha aplicação exclusiva nas licitações e Contratos 
relacionados à realização dos Jogos Olímpicos e 
Paraolímpicos de 2016, da Copa das Confederações da FIFA 
de 2013 e da Copa do Mundo da FIFA de 2014. Contudo, 
atualmente, a referida modalidade pode ser utilizada para as 
contratações: obras e serviços de engenharia no âmbito do 
PAC (Programa deAceleração do Crescimento); obras e 
serviços de engenharia no âmbito do SUS (Sistema Único de 
Saúde); obras e serviços de engenharia no âmbito dos 
sistemas públicos de ensino; obras e serviços de engenharia para construção, ampliação e reforma e 
administração de estabelecimentos penais e de unidades de atendimento socioeducativo; obras e 
serviços de engenharia, relacionadas a melhorias na mobilidade urbana ou ampliação de infraestrutura 
logística; 
O RDC tem por objetivos: ampliar a eficiência nas contratações públicas e a competitividade entre 
os licitantes; promover a troca de experiências e tecnologias em busca da melhor relação entre custo e 
benefício para o setor público; incentivar a inovação tecnológica; e assegurar tratamento isonômico entre 
os licitantes e a seleção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública. 
Contratações Diretas: Licitação Dispensada, Dispensável e Inexigível 
O ordenamento jurídico impõe a realização do procedimento licitatório prévio à celebração de 
Contratos Administrativos. Entretanto, excepcionalmente o direito brasileiro prevê situações em que a 
licitação não será feita, ocorrendo a contratação direta mediante dispensa ou inexigibilidade. 
Dispensa de Licitação 
A dispensa de licitação refere-se às hipóteses em que os Contratos administrativos são celebrados 
diretamente pela Administração Pública, sem a realização da licitação prévia. Na dispensa, verifica-se a 
possibilidade de competição que justifique a realização da licitação, contudo, a legislação admite a dispensa. 
Portanto, a dispensa de licitação caracteriza-se pela circunstância em que, em tese, o procedimento poderia 
ser realizado, contudo, em razão da particularidade do caso, o legislador decidiu não tornar obrigatório. A 
Lei nº 8.666/93 estabeleceu, nos artigos 17 (dispensada) e 24 (dispensável), de forma exaustiva, as 
hipóteses de dispensa de licitação. 
#FICA A DICA – ATENÇÃO!! 
As hipóteses de dispensa de licitação não se aplicam aos contratos de concessões e permissões 
de serviço público. 
INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO 
A inexigibilidade de licitação refere-se às situações em que a 
concorrência é inviável, ou seja, situações em que é inviável a 
competição entre os licitantes. O art. 25, da Lei n.º 8.666/93, descreve 
algumas hipóteses (rol exemplificativo) de inexigibilidade de licitação. 
São eles: 
 
ATENÇÃO 
 
RDC poderá ser utilizado para obras e serviços 
de engenharia no âmbito do SUS (Sistema 
Único de Saúde); 
 
 
MACETE 
 
INxigibilidade ocorre quando é 
INviável a concorrência entre 
licitantes! 
100 
 
1. Aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que somente possam ser 
fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial 
exclusivo. 
2. Contratação de serviço técnico de natureza singular, com profissionais ou 
empresa de notória especialização. 
3. Contratação de profissional do setor artístico, diretamente 
ou através de empresário exclusivo, consagrado pela 
crítica ou pela opinião pública 
Cabe ressaltar que é vedada a inexigibilidade para 
contratações de serviços de publicidade e divulgação, ainda 
que sejam considerados singulares e especializados. Ademais, 
ao contrário dos casos de dispensa de licitação em que a lei 
definiu taxativamente as situações possíveis, as situações de 
inexigibilidade citados na referida norma são 
EXEMPLIFICATIVOS. Portanto, outras situações, além 
daquelas previstas na lei, em que esteja caracterizada a 
inviabilidade de competição ou inexistência de mercado 
concorrencial, podem ser realizadas diretamente através da 
inexigibilidade de licitação. 
Cumpre ressaltar que tanto a dispensa quanto a 
inexigibilidade são hipóteses de contratação direta, ou seja, 
contratação em que não haverá licitação prévia. Entretanto, 
em ambas as situações deve ser instaurado um processo 
administrativo simplificado e motivado, sendo necessário que 
o gestor apresente justificativa para a não realização do 
procedimento licitatório, razões e estimativa do preço, 
sendo que esse procedimento será enviado para a 
autoridade máxima do órgão. 
Licitação Fracassada e Licitação Deserta 
 
Licitação deserta refere-se à situação em que 
nenhum interessado apresenta proposta. Nesse caso, a 
administração poderá realizar a contratação direta por 
dispensa de licitação, se a licitação não puder ser repetida sem 
prejuízo ao poder público. A licitação fracassada, por sua vez, 
refere-se à situação em que comparecem interessados, 
contudo, nenhum atende às especificações do Edital e 
necessidades da Administração. Nesse caso, será aberto o 
prazo de 08 dias úteis para apresentação de documentação 
complementar ou, se for o caso, de outras propostas. 
Destaca-se que, conforme Orientação Normativa nº 
12/2009 da AGU, “não se dispensa licitação, com fundamento 
nos incisos V e VII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993, caso a 
licitação fracassada ou deserta tenha sido realizada na 
modalidade convite.” 
Tratamento diferenciado para microempresa/empresa de 
pequeno porte 
A Lei complementar nº 123 apresentou inovações no 
que tange ao tratamento diferenciado nas licitações públicas 
DESPENCA 
EM PROVA! 
TEM QUE 
DECORAR 
ATENÇÃO 
 
O ROL É 
EXEMPLIFICATIVO 
ISSO CAI! 
 
DIFERENCIAÇÃO ENTRE LICITAÇÃO DESERTA E 
LICITAÇÃO FRACASSADA. 
 
MACETE 
 
Imaginem um deserto...NÃO TEM NINGUÉM NO 
DESERTO, completamente vazio....assim como a 
licitação deserta. No momento em que o poder 
público deseja contratar um produto/serviço e 
ninguém aparece, estamos quase diante de um 
deserto. Certo ou Errado? CERTO. 
 
A Licitação Deserta é aquela na qual nenhum 
licitante interessado comparece ou aquela 
situação de ausência de interessados na 
licitação. Neste caso, torna-se DISPENSÁVEL o 
procedimento. Ou seja, a Administração pode 
contratar diretamente, desde que demonstre 
motivadamente existir prejuízo na realização de 
uma nova licitação e desde que sejam mantidas 
todas as condições preestabelecidas no edital 
(afinal, estamos falando de um deserto. 
Ninguém apareceu, e não é interessante 
instaurar um novo processo licitatório em razão 
dos prejuízos citados). Se ninguém está 
interessado, será que seria uma boa ideia 
instaurar um novo processo licitatório? 
-"Professora isso é um verdadeiro FRACASSO, 
né?" 
-NÃO É NÃO! Isso é apenas um deserto. 
 
A Licitação Fracassada, por sua vez, ocorre 
quando nenhum proponente é selecionado em 
decorrência de inabilitação ou desclassificação 
das propostas. Ou seja, todos os licitantes que 
participaram do procedimento não 
apresentaram a documentação necessária, ou 
foram desclassificados. Na boa pessoal, ISSO SIM 
É UM FRACASSO. Não é? O licitante até 
tentou....mas fracassou! 
 Nos processos de licitação que apresentarem 
estas situações, aplica-se o disposto no artigo 48, 
§ 3º, da lei 8.666/93: “Quando todos os licitantes 
forem inabilitados ou todas as propostas forem 
desclassificadas, a administração poderá fixar 
aos licitantes o prazo de oito dias úteis para a 
apresentação de nova documentação ou de 
outras propostas escoimadas das causas 
referidas neste artigo, facultada, no caso de 
convite, a redução deste prazo para três dias 
úteis." 
 
 
 
101 
 
conferido à microempresa e empresa de pequeno porte em relação a fase de habilitação e julgamento das 
propostas, assegurando vantagens peculiares aos proponentes que se enquadrarem em uma dessas 
condições. Essas vantagens podem ser sintetizadas nos seguintes pontos: 
● Regularidade fiscal: a regularidade fiscal dessas empresas será exigida somente para efeito de 
assinatura do contrato, sendo que, ao final do procedimento licitatório, a empresa terá 5 (cinco) 
dias úteis para a regularização. Caso não ocorra a regularização, haverá decadência do direito à 
contratação,facultada a convocação do licitante remanescente ou revogação do certame; 
● Empate entre as propostas apresentadas: no caso de empate entre as propostas apresentadas 
pelos licitantes, haverá preferência no desempate para as microempresas e empresas de 
pequeno porte, no caso de apresentação de proposta da microempresa ou empresa de pequeno 
porte de valor igual ou até 10% superior à melhor classificada será considerado empate, ou seja, 
ainda que a proposta da microempresa seja em valor superior à dos demais licitantes (até 10% 
superior) considera-se empate. No caso da modalidade Pregão, a proposta da Microempresa ou 
Empresa de Pequeno Porte de valor igual ou até 5% superior a melhor classificada configurará o 
empate. Nesse caso, a Administração Pública entrará em contato com a empresa de pequeno 
porte que terá, então, a possibilidade de apresentar uma proposta de preço inferior ao da 
vencedora. 
 
QUADRO RESUMO 
Tipos de Licitação (Art. 46) 
Menor preço O licitante vencedor será aquele que apresentar o menor preço 
Melhor técnica Avaliação da técnica da proposta 
Técnica e preço Média ponderada entre a melhor técnica e o menor preço 
Maior lance ou oferta Maior preço pago pelo licitante 
Modalidades de licitação Peculiaridades 
Concorrência Entre quaisquer interessados que possuírem os requisitos exigidos no edital. Critério 
quantita
tivo 
Tomada de preços 
Entre: 
1. Cadastrados no CRC; 
2. Cumprirem os requisitos do cadastro até 3 dias antes da abertura da proposta. 
Convite 
Entre: 
3. Mínimo de 3 convidados cadastrados ou não; 
4. Não convidado: cadastro no CRC + interesse em participar até 24h antes da 
abertura da proposta. 
Concurso 
Escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, com pagamento de prêmio ou 
remuneração. 
Critério 
qualitati
vo 
Leilão 
Venda de bens móveis e imóveis apreendidos, penhorados ou adquiridos por dação 
em pagamento. 
Pregão Aquisição de bens e serviços comuns. 
Regime Diferenciado de Contratação 
– RDC 
Obras e serviços de engenharia do PAC, SUS, entre outros. 
 
Hipóteses de Contratação Direta 
Dispensa Inexigibilidade 
Dispensa Legal Concorrência inviável 
Rol: art. 17 e 24 da Lei 8.666/93 Rol exemplificativo: art. 25 da Lei 8.666/93 
 
102 
 
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
Nesse capítulo, as cláusulas exorbitantes e o contrato de concessão são os pontos mais cobrados nas 
provas de Concurso Público. 
 
 
 
 
OBS: Os contratos de PPP serão estudados no capítulo de serviços públicos 
Conceito e Características
Cláusulas exorbitantes
Equilíbrio econômico financeiro
Duração dos contratos
0 10 20 30 40 50 60
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Conceito e Características Cláusulas exorbitantes
Equilíbrio econômico financeiro Duração dos contratos
0
5
10
15
20
25
30
35
Contrato de Obra Contrato de concessão e
permissão
PPP Contrato de prestação de
serviço público
CONTRATOS EM ESPÉCIE
CONTRATOS EM ESPÉCIE
103 
 
O art. 2º, parágrafo único, da Lei 8.666/1993, define o 
contrato administrativo como “todo e qualquer ajuste entre órgãos 
ou entidades da Administração Pública e particulares, em que haja 
um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação 
de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada”. 
Portanto, o contrato administrativo é o ajuste que a Administração 
Pública celebra com pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, 
para fins de alcançar o interesse público em conformidade com as 
regras estabelecidas pelo Regime Jurídico de Direito Público. Destaca-se que, conforme o art. 4º da Lei 
8112/90, “é proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei”. 
Em regra, o contrato administrativo será celebrado pelo Estado fazendo uso de sua posição de 
superioridade frente ao particular, que decorre do Princípio da Supremacia do Interesse Público frente o 
privado, que estabelece as prerrogativas e poderes excepcionais de Estado. Contudo, no âmbito dos 
contratos administrativos o poder público poderá fazer uso das denominadas cláusulas exorbitantes que 
conferem ao Estado prerrogativas anômalas, poderes que o particular não possui. São exemplos de 
cláusulas exorbitantes a possibilidade de: 
 alteração unilateral do contrato pela Administração, de modo a adequá-lo ao interesse público; 
 rescisão unilateral do contrato pela Administração em virtude do inadimplemento do particular 
contratado ou em razão de interesse público superveniente; 
 aplicação de penalidades ao contratado em razão do descumprimento contratual, desde que 
expressamente previstas em lei; 
 fiscalização e controle da execução do contrato; 
 ocupação temporária dos bens do contratado, com o fito de evitar a descontinuidade do serviço 
prestado. 
Contrato Administrativo X Contrato da Administração 
Todo contrato administrativo é um contrato celebrado com a Administração, todavia, esses conceitos 
não se confundem. O termo contrato da administração pode ser conceituado como todo negócio jurídico 
no qual o Poder Público figura como parte, sendo este um contrato administrativo ou contrato civil. 
Portanto, devemos destacar que a Administração Pública pode celebrar contratos administrativos e 
contratos que serão regidos pelo Direito Privado. Desse modo, em síntese: 
 Contratos Administrativos: referem-se aos contratos regidos pelo Direito Público, nos quais a 
Administração irá gozar de suas prerrogativas públicas e poderes excepcionais (cláusulas 
exorbitantes). 
 Contratos Civis: referem-se aos ajustes celebrados pelo poder público em que a Administração 
Pública e o particular encontram-se em pé de igualdade. Portanto, esses contratos são regidos 
predominantemente pelo direito privado. 
Contudo, frise-se que o art. 62, § 3º, I, da Lei 8.666/1993 admite a aplicação das cláusulas 
exorbitantes, “no que couber”, aos contratos privados celebrados Administração. Além disso, cumpre 
destacar que mesmo nos contratos administrativos, a aplicação subsidiária do Direito Privado se faz 
necessária, uma vez que é na teoria geral dos contratos que os contratos administrativos encontram seus 
elementos essenciais. Como exemplo disso, pode-se citar a bilateralidade dos contratos e a comutatividade. 
Competência para legislar acerca dos contratos administrativos 
Em conformidade com o artigo 22, XXVII da Constituição Federal, compete privativamente à União 
editar normas gerais sobre licitações e contratos administrativos. 
QUESTÃO CESPE 
 
Somente nos casos previstos em lei 
poderá haver a prestação gratuita de 
serviços ao poder público. 
 
Correta 
104 
 
Entretanto, destaca-se que compete às demais entidades federativas a expedição de regras 
específicas e complementares à legislação federal. Contudo, devemos destacar que a legislação 
suplementar editada pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, não poderá confrontar-se com a 
legislação editada pela União, nem criar novas modalidades licitatórias ou estender as hipóteses de 
inexigibilidade e dispensa previstas na Lei 8.666/93. 
Contratos e Convênios 
Ao estudarmos o tema contratos administrativos, mostra-se oportuno destacar a diferenciação 
existente entre contratos e convênios. Conforme estudado, os contratos são ajustes celebrados entre 
partes que possuem interesses contrapostos, como o contrato de compra e venda celebrado pela 
Administração no qual o poder público almeja receber determinada mercadoria e o particular contratado, 
por sua vez, almeja o lucro. Os convênios, em outra medida, referem-se aos acordos firmados 
pela Administração nos quais ambas as partes do ajuste possuem interesses congruentes, ou 
seja, nesse caso não há contraposição de interesse. 
Desse modo, e em razão da equivalência de interesses, a assinatura doinstrumento de convênio 
não carece de realização de licitação prévia, e este instrumento é recorrentemente utilizado para fins de 
estabelecimento de parceria/vínculo com entidades do Terceiro Setor. 
Formalização dos contratos administrativos 
O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de 
contratações que exigem a utilização das modalidades licitatórias 
concorrência e tomada de preços, bem como nas dispensas e 
inexigibilidades cujos valores contratuais estejam compreendidos 
dentro desse limite. Nas demais modalidades, o contrato é facultativo e 
a Administração pode substituí-lo por outros instrumentos hábeis como 
uma carta contrato, nota de empenho, autorização de compra ou 
ordem de execução de serviço. 
A obrigatoriedade do instrumento de contrato decorre do 
valor do contrato, razão pela qual esse instrumento é exigido mesmo 
quando não tenha sido realizado procedimento de concorrência ou 
tomada de preços, nos casos de contratação direta (dispensa ou 
inexigibilidade). Portanto, se o valor do contrato estiver dentro dos 
limites para os quais é exigida uma destas duas modalidades de 
licitação, o instrumento de contrato será imprescindível. 
O contrato administrativo tem como regra a forma escrita, entretanto, há uma exceção a essa 
regra autorizando a celebração de um contrato verbal para pequenas compras de pronto pagamento, 
feitas em regime de adiantamento no valor de até R$4.000. 
Características dos Contratos Administrativos 
Ao estudar esse tema, é importante ressaltar as características e peculiaridades dos contratos, são 
elas: 
Comutativo: o contrato administrativo é um ajuste comutativo, ou seja, a prestação e a contraprestação 
das partes são previamente determinadas. Ao contrário do que ocorre em alguns contratos regidos pelo 
Direito Civil, os contratos administrativos não poderão prever uma obrigação indeterminada para uma das 
partes − há uma equivalência de obrigações. 
Consensual: no contrato consensual o simples ajustamento de vontade das partes é apto a gerar os efeitos 
próprios ao negócio jurídico. Ao contrário sensu, o contrato de compra e venda de bem móvel, por 
exemplo, torna-se perfeito com a tradição (entrega desse bem para a outra parte). 
ATENÇÃO – ISSO CAI! MUITO 
COBRADO 
 
- Contrato verbal de até R$4.000,00 
- Instrumento de contrato 
obrigatório: concorrência ou tomada 
de preços; 
 
QUESTÃO CESPE 
 
Os contratos administrativos 
submetem-se ao princípio do 
formalismo, razão pela qual é 
obrigatório que sejam formalizados 
mediante instrumento de contrato, 
sendo vedada a formalização por meio 
de qualquer outro instrumento. 
 
Errado 
105 
 
Contrato de Adesão: o contrato administrativo é, em regra, um contrato de adesão que não admite a 
discussão de cláusulas contratuais entre as partes. Nos contratos administrativos, em regra, as cláusulas 
são predeterminadas pelo Poder Público, cabendo ao particular aderir ou não à integralidade do contrato. 
Oneroso: o ônus do contrato administrativo é repartido entre as partes contratantes, de forma que seja 
estabelecido um razoável equilíbrio entre prestação e contraprestação correspondente. 
Sinalagmático ou bilateral: o contrato impõe obrigações recíprocas e simultâneas às partes contratantes. 
Assim, o adimplemento de uma prestação implica, necessariamente, em uma contraprestação pela 
Administração Pública. 
Personalíssimo: os contratos são personalíssimos, ou seja, somente a pessoa jurídica ou física 
selecionada poderá prestar o serviço/fornecer a mercadoria contratada. Portanto, o contrato será 
celebrado com o particular vencedor do procedimento licitatório e, por essa razão, a possibilidade 
de subcontratação está adstrita à subcontratação parcial (contratação de outra empresa pela empresa 
contratada para exeucutar parte do objeto do contrato) e essa possibilidade deverá estar prevista no 
edital e no contrato. Ademais, haja vista que o contrato administrativo é um vínculo personalíssimo, a 
falência, a insolvência civil e o falecimento do contratado são formas de extinção contratual. 
Formal: a formalidade contratual refere-se à previsão da forma do contrato determinada em lei, 
indispensável à validade do contrato. O contrato administrativo não possui forma livre, deve seguir a forma 
estabelecida em lei e em regulamento e, EM REGRA, será escrito. Entretanto, no caso de pequenas compras 
de pronto pagamento, feitas em regime de adiantamento, admite-se o contrato administrativo verbal, 
sendo este considerado para compras até R$4.000,00. 
Publicação do Contrato 
Nos termos do parágrafo único do art. 61 da Lei 8.666, a Administração deve publicar o resumo ou 
extrato do contrato, in verbis: 
“A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é 
condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês 
seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu 
valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei.” 
Portanto, a publicação é requisito indispensável à eficácia do contrato administrativo, em 
observância ao Princípio da Publicidade. 
Regime Jurídico Administrativo 
Os contratos administrativos encontram-se sujeitos ao Regime Jurídico de Direito Administrativo, 
contudo, aplicam-se a esses, subsidiariamente, as regras de Direito Privado. 
Desigualdade entre as partes: no contrato administrativo, as partes não se encontram em posição de 
igualdade, haja vista que a Administração Pública ocupa uma posição de superioridade ao fazer uso das 
cláusulas exorbitantes que conferem poderes especiais ao ente estatal. 
Mutabilidade nos contratos administrativos: nos contratos administrativos, existe a possibilidade de 
modificação unilateral das cláusulas do contrato pelo poder público. Entretanto, destaca-se que a 
remuneração do particular nunca pode estar sujeita a essa alteração unilateral. 
Cláusulas exorbitantes: os contratos administrativos contam com as denominadas cláusulas exorbitantes 
que conferem poderes especiais para a Administração. 
 
 
106 
 
Diferenças em relação aos Contratos Privados 
Analisando as características dos contratos administrativos, verifica-se que os mesmos se diferem 
dos contratos privados em vários aspectos, são eles: 
1 − Nos contratos administrativos há uma desigualdade entre as partes, que decorre do Princípio da 
Supremacia do Interesse Público frente ao Privado, sendo que a máxima buscada pelo Poder Público ao 
assinar o contrato é o interesse da coletividade. Além disso, as cláusulas contratuais gozam de presunção 
relativa de legitimidade, ou seja, presumem-se legítimas até que se prove o contrário. 
2 – Nos contratos administrativos as regras que decorrem do Regime Jurídico de Direito Público são 
aplicáveis ainda que não estejam escritas no instrumento contratual. Tais regras são as denominadas 
cláusulas exorbitantes, têm previsão legal na Lei 8.666/93 e não podem ser consideradas abusivas, visto 
que nos contratos administrativos, as regras são fixadas unilateralmente pela administração (contrato de 
adesão). 
Cláusulas Exorbitantes 
Alteração unilateral do objeto: Conforme estudado, a 
Administração pode realizar a modificação unilateral do contrato 
para melhor adequação às finalidades de interesse público. As 
modificações podem se dar em razão de alterações do projeto ou 
em razão de acréscimo ou diminuição da quantidade inicialmente 
comprada. 
Portanto, a alteração qualitativa refere-se às modificações 
do projeto ou das suas especificações para melhor adequação 
técnica aos seus objetivos desde que não haja total 
descaracterização do objeto. 
Além disso, as alterações quantitativas são possíveis em 
razão do acréscimoou diminuição da quantidade do objeto que 
deve observar o limite de até 25% para compras de produtos e 
serviços, e até 50% de acréscimo para o caso de contratos de 
reforma (acréscimo e diminuição). Entretanto, destaca-se que se 
admite a diminuição do quantitativo inicialmente comprado além 
desses limites se houver consenso entre as partes contratantes, mas 
o acréscimo além dos limites está proibido em qualquer hipótese. 
Devemos ressaltar que qualquer alteração deve respeitar o 
reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. 
Em suma: 
 Alteração qualitativa (art. 65, I): a Administração Pública poderá alterar unilateralmente o 
contrato no que tange às características do projeto no sentido de promover adequações técnicas 
necessárias. 
Contudo, não é possível que a Administração altere o objeto inicialmente contratado, pois tal fato 
consistiria em fraude ao procedimento licitatório (vinculação ao instrumento convocatório). 
 Alteração unilateral quantitativa (art. 65, II): refere-se à prerrogativa quanto à alteração do 
quantitativa do objeto inicialmente contratado (estudado acima). 
 
Além disso, as alterações devem ser realizada em observância à preservação do equilíbrio 
econômico-financeiro do contrato, ou seja, deve-se primar pela manutenção da margem de lucro prevista 
inicialmente. Portanto, no caso de aumento do quantitativo inicialmente comprado, a Administração 
deverá, necessariamente, efetuar um pagamento maior pela mercadoria na mesma proporção pactuada. 
PONTOS IMPORTANTES 
 
LIMITES DAS ALTERAÇÕES 
QUALITATIVAS: 
 
Contratos administrativos: 
Acréscimo de 25% e decréscimo de 25% 
no quantitativo inicial. 
 
Contratos de reforma: 
Acréscimo de 50% e decréscimo de 25% 
no quantitativo inicial. 
 
QUESTÃO CESPE 
 
O aumento quantitativo dos serviços no 
momento da prorrogação do prazo 
contratual não está limitado aos 25% do 
valor atualizado do contrato, desde que 
configurada a obtenção de preços e 
condições mais vantajosas para a 
administração. 
 
Errado 
107 
 
Cumpre ressaltar que caso o contratado, à época da alteração quantitativa que visa reduzir o 
quantitativo inicialmente comprado, comprove que já comprou todo o material necessário para fins de 
cumprimento do ajuste inicialmente previsto no contrato, o particular deverá ser indenizado pela 
Administração, de acordo com o valor apresentado na nota fiscal. 
 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
A Administração celebrou um contrato com uma empresa para fins de aquisição de 1.000 bolas de 
futebol por R$2.000,00, ou seja, cada bola de futebol foi vendida a R$2,00. Entretanto, o Poder Público 
verificou a necessidade de comprar um quantitativo ainda maior de bolas de futebol, 1.250 bolas mais 
precisamente. É possível? SIM. Esse acréscimo encontra-se dentro da margem de 25% estudada. 
Entretanto, haja vista que o quantitativo se tornou maior, o valor a ser pago à empresa também deverá ser 
maior, respeitando a proporção de R$2,00 por cada bola de futebol. Portanto, o valor a ser pago pelo ente 
estatal será de R$2.500,00 (1.250 x R$2,00). 
Por fim, ressalte-se que, excepcionalmente, segundo entendimento do Tribunal de Contas da 
União, é possível que os limites e percentuais aqui mencionados sejam ultrapassados, caso ocorram fatos 
supervenientes que impliquem em dificuldades imprevisíveis ou não previstas por ocasião da contratação 
inicial. 
Garantia 
A Administração poderá exigir que o particular contratado ofereça garantia referente à execução 
do contrato, desde que tal exigência conste do instrumento convocatório, não podendo ser superior a 5% 
do valor do contrato, salvo na hipótese de contratações de grande vulto, com alta complexidade técnica e 
riscos financeiros consideráveis, quando a garantia pode ser de até 10% do valor do contrato. 
As garantias podem ser prestadas da seguinte forma: 
 Caução em dinheiro; 
 Títulos da dívida pública; 
 Seguro-garantia; 
 Fiança bancária. 
Destaca-se que quem define a FORMA da prestação da garantia é o particular contratado, em 
respeito às modalidades descritas acima, lembrando que a referida garantia prestada pelo contratado será 
restituída ou “liberada” após a execução do contrato (art. 56 e parágrafos da Lei 8.666/1993). Contudo, o 
valor da garantia será definido pela Administração Pública, no limite máximo de 5% do valor do contrato 
(salvo contratos de grande vulto), sendo que, em observância a esse limite, o Poder Público deve, 
discricionariamente, dispor acerca do percentual a ser exigido em cada contratação específica. 
Rescisão Unilateral 
A Administração Pública possui a prerrogativa de rescindir unilateralmente o contrato 
administrativo, sem a necessidade de propositura de ação judicial (art. 58, II, da Lei 8.666/1993), nas 
seguintes situações descritas abaixo: 
 Interesse público superveniente devidamente justificado; 
 Inadimplemento do particular contratado. 
Destaca-se que, no caso de rescisão unilateral motivada por razões de interesse público, a 
Administração deverá indenizar o particular caso este houver sofrido o dano comprovado. A Lei 8.666/93 
dispõe que, além do ressarcimento dos prejuízos comprovados, o particular contratado terá direito à 
devolução da garantia prestada, aos pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da rescisão 
e ao pagamento do custo da desmobilização das atividades realizadas. 
108 
 
No que se refere ao pagamento dos lucros cessantes, a doutrina é divergente. Todavia, prevalece 
o entendimento de que tais verbas também são devidas no caso de rescisão contratual por razões interesse 
público superveniente. 
No que tange à segunda hipótese de rescisão unilateral de inadimplemento do contratado, 
entende-se que caberá indenização à Administração Pública pelos danos causados pelo contratado em 
virtude do inadimplemento. De fato, em caso de inadimplemento do particular contratado, o Poder Público 
deverá assumir imediatamente o objeto do contrato, no estado e no local em que se encontrar ocupando, 
instalações, equipamentos, material e pessoal empregado na execução do contrato, necessários à sua 
continuidade. 
 FICA A DICA 
O contratado não possui a prerrogativa de impor a rescisão unilateral do contrato ao Poder Público 
(art. 79, II e III, da Lei 8.666/93). Ou seja, para que o particular possa pleitear a rescisão contratual, o mesmo 
deve recorrer ao Poder Judiciário. 
A rescisão unilateral é cláusula exorbitante e só se aplica à 
Administração Pública. Convém destacar que os casos de rescisão 
contratual serão formalmente motivados nos autos do processo e 
será assegurado o contraditório e a ampla defesa ao particular 
contratado. Em outra medida, o contratado terá que suportar o 
inadimplemento da Administração por até 90 dias, sem que isso 
justifique a paralisação do contrato. Extrapolado esse prazo, é lícita a 
suspensão da execução do contrato. 
Portanto, se caso o ente estatal encontrar-se inadimplente por mais de 90 dias, o particular 
poderá SUSPENDER A EXECUÇÃO do contrato, conforme disposição do art. 78, XV da Lei 8666/93: 
“Art. 78, XV. O atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes 
de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de 
calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de 
optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação;” 
Fiscalização da Execução do Contrato 
A Administração Pública tem o poder-dever de fiscalizar a correta execução do contrato (art. 58, 
III, da Lei 8.666/1993) pelo particular. 
Na forma do art. 67 da Lei 8.666/1993, a execução do contrato deve ser: 
“acompanhada e fiscalizada por um representanteda Administração 
especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para 
assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição”. 
A Administração designará representante a quem incumbirá a função de 
realizar anotações, em registro próprio, de todas as ocorrências relacionadas à 
execução do contrato e, em caso de eventuais faltas ou defeitos na prestação do 
serviço, determinar o que for preciso para fins de regularização. 
Ademais, o contratado deverá manter preposto, aceito pela 
Administração, no local da obra ou serviço, para representá-lo durante a execução 
do contrato. Convém destacar que a fiscalização da execução do contrato pela 
Administração não exime o particular contratado de sua responsabilidade em face 
de eventuais danos causados dolosa ou culposamente à Administração ou a 
terceiros. 
No caso em que a Administração se omitir do dever de fiscalizar o contrato, 
o Estado poderá responder por omissão em caso de eventuais danos causados pela empresa. 
QUESTÃO ESAF 
 
A rescisão do contrato administrativo 
deve ser sempre motivada, devendo-se 
assegurar ao particular contratado a 
ampla defesa e o contraditório. 
 
Correto 
IMPORTANTE 
ATENÇÃO! 
ESSE ASPECTO 
VEM SENDO 
MUITO 
COBRADO EM 
PROVA – 
VEJAM OS 
PONTOS EM 
NEGRITO 
 
109 
 
FICA A DICA 
O art. 71, § 1º da Lei 8.666/93 estabelece que o Estado 
não responde solidariamente pelos débitos trabalhistas da 
empresa contratada, mas tão somente pelos débitos 
previdenciários. 
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos 
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais 
resultantes da execução do contrato. 
§ 1o A inadimplência do contratado, com referência aos 
encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere 
à Administração Pública a responsabilidade por seu 
pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras 
e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. 
§ 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos 
previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 
de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) 
No entanto, em 2011, o STF, em sede de controle concentrado, declarou constitucional o artigo 
art. 71, § 1º da Lei de Licitações, estabelecendo que a responsabilidade subsidiária da Administração pelo 
débito trabalhista só seria pago se fosse demonstrado que houve culpa ou omissão no dever de fiscalização 
do Estado. 
Ocupação Temporária de Bens 
Em atendimento ao Princípio da Continuidade do Serviço Público, nas hipóteses de necessidade 
de apuração administrativa de faltas contratuais cometidas pelo particular contratado ou de rescisão 
unilateral, o Estado pode/deve ocupar temporariamente os bens da empresa contratada com o fito de 
evitar a cessação daquela atividade. 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
Na situação em que os funcionários de uma concessionária de transporte público coletivo 
deflagrarem greve, o Poder Público poderá ocupar os ônibus da empresa e utilizá-los para prestar 
diretamente esse serviço, com o fito de evitar maiores transtornos à coletividade. 
 
Aplicação de Penalidades 
A Administração pode, ainda, aplicar penalidades aos particulares contratados em decorrência 
de descumprimento do contrato, independentemente da intervenção do Poder Judiciário. Contudo, a 
aplicação de qualquer sanção deve ser precedida de processo administrativo, no qual será assegurado o 
direito ao contraditório e a ampla defesa. 
Nos termos do art. 141, II, da Lei nº 8.112/90: 
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas: 
I - pelo presidente da República, pelos presidentes das casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e 
pelo Procurador-Geral da República, quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria ou 
disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou entidade; 
II – pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas no inciso 
anterior quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias; 
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamentos, nos 
casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias; 
QUESTÃO CESPE 
 
Considere que determinada autarquia tenha 
contratado empresa prestadora de serviços 
terceirizados de faxina e tenha sido 
comprovado, em juízo, que não foram adotadas 
as medidas cabíveis para se fiscalizar a 
execução do contrato. Considere, ainda, que a 
empresa que terceiriza os serviços tenha 
deixado de honrar seus compromissos 
trabalhistas com os empregados. Nesse caso, a 
autarquia deve responder, subsidiariamente, 
pelo pagamento das verbas laborais. 
 
Correto 
110 
 
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de cargo em comissão. 
 
As punições serão aplicadas em consonância com o Princípio da Proporcionalidade, de sorte que é 
vedada a imposição de penalidade mais intensa do que a necessária. 
Nos termos do caput do art.87 da Lei nº 8.666: 
“Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá, 
garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções: 
I – advertência; 
II – multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato; 
III – suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de 
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos; IV– 
declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública 
enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja 
promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, 
que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos 
prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no 
inciso anterior.” 
 
FICA A DICA 
 “Não se afigura legítima, todavia, por falta de previsão legal, a retenção do pagamento do serviço 
prestado, pela circunstância de a empresa contratada não atender a notificação para comprovar sua 
regularidade fiscal, situação que poderia dar ensejo à suspensão ou rescisão contratual” (AMS 
1999.38.00.014985-8 /MG, Rel. Desembargador Federal Daniel Paes Ribeiro, Sexta Turma, DJ 10/03/2003.). 
Cabe ressaltar que a multa tem caráter de sanção e, portanto, não se confunde com o 
ressarcimento por prejuízo. Destaca-se que a sanção pecuniária pode ser aplicada isolada ou 
cumulativamente com outras penalidades. Lembrando que: 
 a suspensão do direito de participar de licitações e de contratar com o Poder Público tem validade 
apenas em relação ao ente federativo que aplicou a penalidade. 
 A declaração de inidoneidade implica a proibição de licitar ou contratar com a Administração 
Pública em geral, enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja 
promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade. Só haverá 
reabilitação caso o particular declarado inidôneo ressarcir a Administração pelos prejuízos 
resultantes. 
 
Essas penalidades têm efeitos ex nunc (não retroagem), de sorte que a aplicação das mesmas, 
não tem o condão de rescindir automaticamente os contratos aperfeiçoados e em curso de execução. 
Equilíbrio Econômico-Financeiro do contrato 
A equação econômico-financeira dos contratos é definida no momento da apresentação da 
proposta (e não da assinatura do contrato) e leva em consideração os encargos do contratado e o valor a 
ser pago pela Administração. Ou seja, refere-se à margem de lucro do particular contratado, devendo esta 
ser preservada durante toda a execução. 
Portanto, na hipótese deaumento de custos contratuais, em virtude de situações não imputadas 
ao contratado, o Poder Público deverá majorar o valor a ser pago pela execução do contrato ao contratado 
em observância à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro. 
Nesse sentido, em atenção a essa garantia, serão realizados o reajuste, revisão, atualização 
financeira e a repactuação, descritos a seguir: 
Reajuste 
DECORAR - 
ASSUNTO 
RECORRENTE 
NAS PROVAS 
111 
 
O reajuste refere-se à alteração, previamente definida no contrato administrativo, dos preços 
inicialmente fixados em virtude de variação ordinária, regular e previsível do custo dos insumos necessários 
ao cumprimento do acordo ou em razão de perda inflacionária. 
O reajuste possui periodicidade anual e deve ser estipulado por “índices de preços gerais, setoriais 
ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos” (art. 2º, § 1º, 
da Lei 10.192/2001). 
Nos termos do art. 40, XI da Lei 8.666/93, o edital deverá conter: 
"critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de 
índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que 
essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela". 
Atualização financeira 
A atualização monetária tem o objetivo de preservar o valor do contrato em razão das variações 
da moeda (inflação). De acordo com o art. 40, XIV, “c”, da Lei 8.666/1993, a atualização financeira dos 
valores contratados incide: 
“desde a data final do período de adimplemento de cada parcela até a data do efetivo pagamento”. 
A correção monetária deve ser garantida até mesmo no sistema de registro de preços, uma vez 
que o vencedor do certame nesse registro poderá ser convocado para celebrar o contrato dentro do prazo 
de um ano. 
Conforme entendimento do STJ: 
“A correção monetária é mera técnica de atualização de valores, a qual altera o equilíbrio econômico 
inicialmente estabelecido no contrato. Em contratos administrativos, a correção monetária é devida sempre 
que o pagamento for posterior ao ato administrativo de entrega (medição).” 
Recomposição de preços ou revisão de preços 
A recomposição refere-se a fatos supervenientes e imprevisíveis (ex.: caso fortuito e força maior) 
ou previsíveis, mas que desequilibram a equação econômica 
do contrato (arts. 58, § 2º, 65, II, “d” e §§ 5º e 6º, da Lei 
8.666/1993). 
A necessidade de recomposição contratual pode decorrer de alterações do contrato, determinadas 
unilateralmente pela Administração (como no caso de modificações no projeto previamente estabelecido) 
ou de forma bilateral (modificação no regime de execução da obra ou serviço). 
A necessidade de recomposição de preços pode decorrer, ainda, de situações inesperadas, não 
previstas pelo contrato e que desencadeiam um desequilíbrio no acordo celebrado, desde que se adequem 
à Teoria da Imprevisão. No Direito Administrativo, a Teoria da Imprevisão pode se manifestar em virtude 
de situações de caso fortuito, força maior, interferências imprevistas, fato da administração e fato do 
príncipe, que serão analisadas no tópico seguinte. 
Teoria da Imprevisão 
Segundo essa teoria, autoriza-se a revisão do contrato as circunstâncias: supervenientes; 
imprevisíveis para as partes no momento da apresentação da proposta, não imputáveis ao particular; 
que impactam diretamente a execução do contrato. 
A Teoria da Imprevisão tem como fundamento a cláusula rebus sic stantibus (em tradução livre: 
"estando assim as coisas"), segundo a qual deve ser levada em conta a conjuntura de fato existente no 
PONTO MAIS COBRADO no que tange às 
hipóteses de alteração 
112 
 
momento em que as partes celebraram o contrato (para fins de garantia a manutenção da margem de lucro 
inicialmente contratada). 
FICA A DICA 
Conforme entendimento do STJ, o aumento salarial 
determinado por dissídio coletivo de categoria profissional é 
acontecimento previsível e deve ser suportado pela contratada, não 
havendo o que falar em aplicação da Teoria da Imprevisão para a 
recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato 
administrativo. 
As hipóteses de teoria da imprevisão são: 
Caso Fortuito e Força Maior: trata-se de situações imprevisíveis ou inevitáveis que alteram a relação 
contratual. Essas situações podem decorrer de fatos humanos, desde que não sejam provocados por 
nenhuma das partes do acordo, ou podem ser causados por fatos da natureza,. 
Interferências Imprevistas (sujeições imprevistas): trata-se de 
situações preexistentes à celebração do contrato, que só vêm à tona 
durante sua execução, não prevista pelas partes do momento da 
contratação e que ensejam um aumento ou a diminuição de despesas 
para a execução do contrato. 
Fato da Administração: nesse caso, o desequilíbrio contratual é causado 
por uma atuação específica da Administração que impacta diretamente 
a execução do contrato e impede a sua execução. Portanto, trata-se da 
situação em que o Poder Público atua, no bojo da relação contratual, 
causando desequilíbrio na avença firmada. Tal situação ocorre, por 
exemplo, quando a Administração contrata uma empresa para 
realização de uma obra e, por descaso, o poder público não expede as 
ordens de serviços respectivas ou não efetiva as desapropriações necessárias à aquisição dos terrenos nos 
quais as obras seriam executadas. O retardamento na entrega do local para executar a obra pode onerar o 
cumprimento da obrigação pelo contratado, tornando impossível a manutenção dos termos de sua 
proposta. 
Fato do príncipe: o desequilíbrio contratual, nesse caso, também é causado pelo poder público e haverá 
necessidade de recomposição do preço. Ocorre que, nesse caso, há uma atuação extracontratual (geral e 
abstrata) do ente estatal que atinge diretamente a relação contratual. Como exemplo, cabe citar o impacto 
da majoração da alíquota de combustível ou concessão de passe-livre a estudantes em um contrato de 
prestação de serviço de transporte coletivo. Neste ponto, a Lei nº 8.666/93 dispõe em seu art. 65, § 5º que: 
“Art. 65, § 5. Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência 
de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada 
repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso". 
Dessa maneira, o aumento na alíquota do imposto causado pelo poder público (atuação 
extracontratual) implica no aumento dos custos da empresa contratada, ensejando o dever de 
recomposição para fins de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro. 
SUBCONTRATAÇÃO NOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 
 
Conforme estudado, o contrato administrativo é personalíssimo (intuitu personae) e será celebrado 
com o licitante que apresentou a melhor proposta. A escolha impessoal do contratado através do 
procedimento licitatório faz com que o contrato tenha que ser executado pelo licitante vencedor, sob pena 
QUESTÃO FGV 
 
A majoração da folha de pagamento da 
empresa contratante, por força de acordo ou 
convenção coletiva de trabalho, constitui 
fato imprevisível que autoriza a revisão do 
contrato administrativo com base na teoria 
da imprevisão. 
 
Errado 
Contratos Administrativos = personalíssimo. 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
Como assim? 
Ex.: o particular que, ao realizar uma 
escavação para a qual foi 
contratado, descobre uma rocha de 
difícil extração no terreno. Nesse 
caso, a execução do serviço se 
tornará muito mais dispendiosa 
ensejando um desequilíbrio 
contratual. 
113 
 
de violação aos Princípios da Impessoalidade e da Moralidade. No entanto, a Lei 8.666/93 admite 
subcontratação parcial do objeto. Nesse sentido,o art. 72 da referida lei estabelece que: 
“Art. 72. O contratado, na execução do contrato, sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, 
poderá subcontratar PARTES da obra, serviço ou fornecimento, até o limite admitido, em cada caso, pela 
Administração.” 
Contudo, o art. 78 dispõe que: 
“Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato: 
(... )VI – a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com outrem, a cessão ou 
transferência, total ou parcial, bem· como a fusão, cisão ou incorporação, NÃO ADMITIDAS NO EDITAL E NO 
CONTRATO; desde que a Administração autorize. “ 
Portanto, a Lei 8.666/93 autoriza a SUBCONTRATAÇÃO 
PARCIAL do objeto do contrato, desde que cumpridos alguns 
requisitos definidos na legislação. Ou seja, para que a 
subcontratação seja lícita, é necessária a expressa previsão no 
edital e no contrato administrativo celebrado. Ademais, em razão 
do fato de que o objeto do contrato deve ser adjudicado àquele 
que apresentar a proposta mais vantajosa para a Administração no 
bojo do procedimento licitatório, não é possível a subcontratação 
integral do contrato, pois isso configuraria fraude ao certame. 
Duração 
A duração dos contratos está ligada a vigência do crédito orçamentário que é anual (Lei 
Orçamentária Anual). 
Contudo, em algumas hipóteses, o contrato administrativo poderá extrapolar o período de um 
ano. Vejamos: 
Projetos previstos no Plano Plurianual: contratos que envolvam a execução de projetos previstos no Plano 
Plurianual (ex.: construção de um grande hospital ou de uma rodovia) – a Lei do Plano Plurianual ultrapassa 
o limite anual da lei orçamentária. 
A Lei do PPA estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da Administração 
Pública dentro do período de quatro anos não coincidentes com a legislatura. Nesse sentido, o contrato 
que envolve um Programa previsto no PPA também poderá ter duração de até quatro anos. 
Serviços contínuos: trata-se de contratos que se referem à serviços contínuos nos quais é 
admitida a prorrogação por iguais e sucessivos períodos com a finalidade de obter preços 
e condições mais vantajosas para a Administração. Para tanto, é necessário o 
preenchimento dos seguintes requisitos: existência de previsão para a prorrogação no 
edital e no contrato; objeto e escopo do contrato inalterados pela prorrogação; interesse 
da Administração e do contratado declarados expressamente; vantagem na prorrogação 
devidamente justificada nos autos do processo administrativo; manutenção das condições 
de habilitação pelo contratado; preço contratado compatível com o mercado fornecedor do 
objeto. 
A duração desses contratos está limitada ao prazo de 60 meses (ex.: serviços de limpeza, de 
conservação, de vigilância, de manutenção), conforme o § 4º do art. 157 da Lei nº 8666: 
“§ 4º. Em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da autoridade superior, o 
prazo de que trata o inciso II do caput deste artigo poderá ser prorrogado por até doze meses.” 
A doutrina entende que os serviços continuados não têm que ser, necessariamente, essenciais à 
coletividade. Pelo contrário, podem ser quaisquer atividades prestadas continuamente para o regular 
Aspecto 
mais 
cobrado 
TRADUÇÃO JURÍDICA 
 
Em um procedimento licitatório, no qual a 
Administração oferece condições mais 
vantajosas às micro e pequenas 
empresas, uma EPP NÃO poderia, 
gozando das vantagens que lhe foram 
concedidas em virtude de sua condição, 
vencer o certame e, em seguida, transferir 
o objeto para uma sociedade anônima. 
 
114 
 
funcionamento da estrutura administrativa, tais como serviços de vigilância e limpeza de uma repartição 
pública. 
Aluguel de equipamentos e utilização de programas de informática: nessas hipóteses, a duração do 
contrato administrativo pode chegar a 48 meses, ou seja, quatro anos (ex.: aluguel de computadores). 
Outras hipóteses 
As contratações previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24 da Lei 8.666/93 poderão ter 
vigência por até cento e vinte meses (dez anos), caso haja interesse da administração (art. 57, V, da Lei 
8.666/1993, inserido pela Lei 12.349/2010). 
Em todas essas hipóteses, o particular precisará fazer investimento de grande monta para 
contratar com a Administração, razão pela qual um prazo estendido faz-se necessário para garantir a 
amortização dos valores aportados. Note que nenhum investimento cuja execução ultrapasse um 
exercício financeiro poderá ser iniciada sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize 
a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade. 
Por fim, é importante ressaltar que a regra do prazo anual dos contratos aplica-se exclusivamente 
aos casos em que a Administração tenha a obrigação de pagar o contratado com recursos públicos. Em 
consequência, a regra do prazo anual é inaplicável às contratações que não dependem de recursos 
orçamentários, bem como às hipóteses ressalvadas por leis específicas. Como exemplo, podemos citar: 
i. Concessão de serviço público (Lei 8.987/1995): a remuneração do concessionário é efetivada, em 
regra, por meio de tarifa a ser paga pelo usuário; 
ii. Contrato de concessão de uso de bem público e demais contratos em que o Poder Público é credor 
dos valores a serem pagos pelo contratado. 
Destaca-se que não há contrato administrativo por prazo indeterminado. O prazo estará 
expressamente regulamentado no edital. 
Prorrogação dos Contratos 
Nos termos do art. 57, § 1º da Lei nº 8.666/93: 
"Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega admitem prorrogação, mantidas as 
demais cláusulas do contrato e assegurada a manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro". 
Conforme estudado, havendo previsão contratual e editalícia, o contrato poderá ser prorrogado, 
desde que haja requerimento expresso enquanto ainda estiver vigente. Depois de extinto o contrato, não 
será mais possível sua prorrogação. Ademais, a prorrogação deve ser motivada por razões de interesse 
público. 
Responsabilidades decorrentes do Contrato 
Uma vez celebrado o contrato, as partes que firmaram o pacto têm o dever de cumprir fielmente 
as obrigações assumidas, em consonância com a legislação vigente e com as cláusulas previstas no acordo, 
sendo que cada uma das partes será responsabilizada por qualquer descumprimento contratual. 
Nesse sentido, é responsabilidade do particular reparar, corrigir, remover, reconstruir ou 
substituir, às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, 
defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados. Em resumo, o particular 
responde diretamente pelo serviço prestado ou bem entregue à Administração, ou ainda pela obra por ele 
executada. 
 
115 
 
Formas de Extinção do Contrato Administrativo 
O contrato administrativo pode ser extinto em decorrência da: conclusão do objeto; do término 
do prazo; de anulação motivada por defeito; de rescisão. 
 
Portanto, o contrato administrativo pode se encerrar por inúmeras razões. A primeira delas é a 
conclusão do objeto (Ex.: entrega da obra depois de finalizada) ou advento do termo do contrato (fim do 
prazo estipulado em contrato), sem que haja prorrogação. Trata-se da chamada "extinção natural". 
A extinção também pode decorrer de irregularidade na celebração do contrato, ou seja, vício que 
enseja a anulação do contrato. Esse tipo de extinção é provocado por vício de ilegalidade no contrato ou 
no procedimento licitatório que deu causa à celebração do contrato. Assim, o vício na licitação induz o vício 
do contrato administrativo que dela resultar. 
Conforme art. 59, parágrafo único, da Lei nº 8.666/93: 
“Art. 59. Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizaro contratado pelo 
que este houver executado até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente 
comprovados, contanto que não lhe seja imputável, promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu 
causa.” 
Assim, só haverá dever de indenizar o particular contratado se restar demonstrado que, 
previamente à declaração de nulidade do acordo, o particular prestou serviços ao Poder Público ou 
constituiu despesas com o fito de cumprimento do objeto. 
O contrato poderá ser extinto, ainda, em razão do desaparecimento (falência da pessoa jurídica ou 
morte da pessoa física) do contratado, uma vez que, conforme já exposto, o contrato administrativo possui 
caráter personalíssimo. 
Por fim, a legislação prevê as possibilidades de rescisão contratual em virtude da vontade unilateral 
do Poder Público, do distrato (acordo das partes), em razão de decisão judicial e de situação alheia à 
vontade das partes contratantes (caso fortuito ou força maior). 
Rescisão unilateral: a Administração Pública possui a prerrogativa de rescindir unilateralmente o contrato 
administrativo, sem a necessidade de propositura de ação judicial (art. 58, II, da Lei 8.666/1993) nas 
seguintes situações descritas abaixo: interesse público superveniente devidamente justificado; 
inadimplemento do particular. 
 
Rescisão amigável acordo entre as partes: distrato; 
Rescisão judicial: inadimplemento do Poder Público contratante. Nesse caso o particular terá que recorrer 
ao Poder Judiciário; 
Contratos em Espécie 
Pessoal, a parte da matéria sobre contratos em espécie é MUITO grande e, infelizmente, em razão 
do tamanho dessa apostila, é impossível tratar sobre todos os aspectos de forma completa. Por essa razão 
irei inserir somente os pontos mais IMPORTANTES e, ao lado, irei acrescentar uma questão sobre o tema. 
Ok? 
Contrato de Obra Pública 
Trata-se de contrato firmado pela Administração Pública para fins de contratação de uma empresa 
que será responsável por realizar a construção, reforma ou ampliação de imóvel em conformidade com o 
interesse público. É importante destacar que, ao contrário do serviço público, as obras públicas podem ser 
remuneradas mediante a cobrança de contribuição de melhoria (natureza tributária). 
116 
 
 
Os contratos de obra podem ter dois regimes de execução: 
 
1 − Regime de empreitada: no qual a Administração atribui a 
execução da obra ao contratado, por sua conta e risco, 
mediante pagamento por preço global (quando se contrata a 
execução da obra ou do serviço por preço certo e total) ou preço 
unitário (quando se contrata a execução da obra ou do serviço 
por preço certo de unidades determinadas) 
 
2 − Regime de tarefa: execução de obra de pequeno porte com 
pagamento periódico de cada tarefa executada, após 
verificação do fiscal. 
 
As obras e os serviços somente poderão ser 
licitados caso existir orçamento detalhado em planilhas que 
expressem a composição de todos os seus custos unitários. No 
contrato de obra pública, é necessária a realização de licitação 
para contratação dos projetos da obra (básico e executivo). Nos 
termos do art. 12 da Lei nº 8.666, primeiramente se elabora o 
projeto básico (projeto arquitetônico e planilha orçamentária). 
Este projeto básico é encaminhado para nova licitação 
(contratação do projeto executivo) com o cronograma 
econômico financeiro da execução da obra, bem como o prazo 
de conclusão. Depois, é feita uma nova licitação para a 
contratação da obra propriamente dita. A lei permite que o 
projeto executivo seja licitado e elaborado em conjunto com a 
obra. 
Contrato de fornecimento 
Trata-se do contrato por meio do qual a Administração adquire coisas móveis. 
Contrato de prestação de serviços 
É o contrato no qual há a prestação de uma atividade/utilidade pelo particular contratado. No 
contrato de prestação de serviço, a empresa não tem relação com o usuário, mas diretamente com a 
Administração. Portanto, há prestação de serviço público, mas sem relação com o usuário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO DE PROVA 
 
Na empreitada por preço global, a remuneração 
da contratada é feita após a execução das etapas 
definidas no cronograma físico-financeiro, de 
modo que as medições de campo das quantidades 
realizadas devem ser precisas para que seja 
definida a exatidão do serviço executado do 
projeto. 
 
Errado 
ATENÇÃO 
ASPECTO MUITO COBRADO NAS PROVAS! 
QUESTÃO DE PROVA - ESAF 
 
O projeto básico de uma obra de engenharia, 
para fins de licitação, deve contemplar a 
definição do partido arquitetônico do 
empreendimento e o seu orçamento referencial. 
 
Correto 
 
A ausência de recursos orçamentários que 
assegurem a quitação das obrigações decorrentes 
de determinada obra a ser executada no 
exercício financeiro corrente impede a 
realização do certame licitatório dessa obra, 
independentemente da modalidade de licitação 
escolhida pelo administrador público. 
 
Correto 
117 
 
Contrato de Concessão 
O contrato de concessão é aquele celebrado pela Administração, no qual é concedido ao particular 
a prestação de serviço público, execução de obra pública ou o uso de bem público. Trata-se de um contrato 
bilateral e personalíssimo. 
Concessão de serviço público 
A prestação do serviço público pode se dar de forma 
direta, quando o serviço for prestado pelo próprio ente estatal, 
ou indireta quando o serviço for prestado pelo particular 
concessionário e permissionário de serviço público. Nesse 
sentido, o contrato de concessão e permissão de serviço 
público é contrato por adesão, bilateral, por meio do qual o 
Poder Público transfere a prestação de um serviço público 
mediante delegação ao particular contratado, em 
conformidade com o artigo 175 da Constituição Federal. 
Destaca-se que nesse caso se transfere a execução do serviço 
público ao particular, sem nunca transferir a titularidade do 
serviço. 
Cumpre ressaltar que, conforme disposição legal, a 
concessão de serviço público deve ser precedida de realização 
da licitação na modalidade concorrência pública. 
O contrato administrativo descrito transfere a pessoa 
jurídica privada ou consórcio de empresas a prestação do 
serviço público, mediante delegação, sendo a empresa remunerada diretamente pelo usuário mediante o 
pagamento de tarifa. A tarifa não tem natureza de tributo, mas sim de preço público ou contraprestação 
pela utilização do serviço O contrato de permissão de serviço público, por sua vez, admite qualquer 
modalidade licitatória. 
FICA A DICA 
Pode-se destacar, ainda, que em casos raríssimos as Empresas Públicas e Sociedade de Economia 
Mista poderão ser contratadas e atuar como concessionária de serviço público. 
Intervenção na concessão 
A intervenção refere-se à possibilidade que, visando assegurar a prestação do serviço público de 
forma adequada, o fiel cumprimento da lei e das normas contratuais, o poder concedente poderá 
DECRETAR intervenção da concessionária assumindo temporariamente a gestão da empresa até a 
normalização. O referido decreto estabelece o interventor, os objetivos e os limites da medida. 
 
Formas de extinção da concessão 
 
São formas de extinção da concessão: 
 
1 − Advento do termo contratual: encerramento do prazo de vigência do contrato; 
CONTRATO DE CONCESSÃO: 
CONTRATO MAIS COBRADO NAS 
PROVAS 
 
ATENÇÃO 
 
 Contrato de adesão, bilateral; 
 transfere a pessoa jurídica privada ou 
consórcio de empresas a prestação do 
serviço público; 
 precedido de licitação na modalidade 
concorrência; 
 sendo a empresa remunerada 
diretamente pelo usuário mediante o 
pagamento de tarifa; 
 
Nos termos da Lei nº 8.987/1995, que dispõe 
sobre o regime de concessão e permissão da 
prestaçãode serviços públicos, diferentemente da 
concessão, a permissão de serviços públicos tem 
a natureza de ato administrativo unilateral e 
precário, e não a de negócio bilateral que se 
formaliza mediante contrato. 
 
Errado 
 
 
118 
 
 
2 − Encampação: situação em que o poder público, mediante 
Lei autorizativa e prévia indenização, rescinde o contrato por 
razões de interesse público superveniente. Destaca-se que 
predomina o entendimento de que é devida a indenização 
referente aos danos emergentes oriundos da extinção 
contratual antecipada. A encampação decorre da aplicação do 
Princípio da continuidade do serviço público. 
 
3 − Caducidade trata-se da forma de extinção do contrato em 
razão a inexecução, total ou parcial, em razão do 
descumprimento das obrigações pelo particular. A caducidade 
deverá ser declarada pelo Poder Público após a devida apuração 
da inadimplência cometido pelo particular em processo 
administrativo no qual seja assegurado o contraditório e a ampla 
defesa. Obs: no caso de contrato de concessão, a transferência 
de concessão ou do controle societário da concessionária sem 
prévia anuência do poder concedente também enseja a 
caducidade. 
 
Reversão de bens 
 
Em conformidade com o Princípio da continuidade, a legislação prevê a reversão ao poder 
concedente, após o término do contrato, dos bens pertencentes ao concessionário que forem 
indispensáveis para a prestação do serviço. Destaca-se que a reversão dos bens está condicionada ao 
pagamento de prévia indenização (artigo 36 da Lei 8.987/95). Portanto, os bens que se encontrem 
atrelados à prestação do serviço, ao final do contrato de concessão, se tornarão propriedade da 
Administração. 
Permissão de serviço público 
Trata-se de instrumento capaz de promover a delegação da prestação de serviço público ao 
particular. No que tange às hipóteses mais frequentes de utilização da permissão, cabe destacar as 
situações em que o permissionário não necessite de alocar grandes capitais/investimentos, quando o 
serviço não envolve implantação física de aparelho que adere ao solo e quando os riscos da PRECARIEDADE 
forem assumidos pelo permissionário, sendo esses compensados pela extrema rentabilidade do serviço ou 
pelo curtíssimo prazo em que se realizaria a satisfação econômica. 
Desse modo, são diferenças entre concessão e permissão e concessão: 
 O contrato de concessão será firmado junto à pessoas jurídicas ou consórcio de empresas, a 
permissão poderá ser firmada junto à pessoas jurídicas ou pessoas físicas; 
 A concessão pressupõe maior aporte de capital, a permissão exige menor investimento 
(precariedade); 
 O contrato de concessão será firmado mediante licitação prévia na modalidade concorrência e a 
permissão, por sua vez, pode ser outorgada mediante qualquer modalidade de licitação; 
Consórcio Público 
Trata-se do contrato administrativo firmado entre entidades federativas para realização de 
objetivos de interesse comum. Em conformidade com o artigo 241 da CF/88 a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os municípios disciplinarão por meio de Lei dos Consórcios Públicos autorizando a gestão 
associada de serviços públicos. 
ATENÇÃO 
 
ASPECTO MUITO COBRADO 
 
MACETE 
 
CADUC I DADE (6° letra, letra I de 
INADIMPLEMENTO): rescisão unilateral por 
razões de Inadimplemento da empresa 
contratada. 
 
ENCAM P AÇÃO (6° letra, letra P de 
PÚBLICO): rescisão unilateral por razões de 
interesse Público superveniente. 
 
Vocês também podem pensar que quando 
alguém fica mais velho...essa pessoa começa a 
CADUCAR, certo? Aí já não lembra mais das 
coisas, inclusive esquece até de cumprir as 
obrigações contratuais. Não é mesmo? rsrs 
 
119 
 
O consórcio público envolve a instituição de uma nova pessoa jurídica com personalidade distinta 
da personalidade das entidades consorciadas. Esse consórcio poderá adquirir personalidade jurídica de 
direito público no caso em que será Associação Pública de direito privado, regida pela legislação civil. 
Ao adquirir personalidade jurídica autônoma, o consórcio poderá firmar Convênios receber 
auxílios, promover desapropriações e instituir servidões, ser contratado pela Administração direta e 
indireta, emitir documentos de cobrança, exercer atividade de arrecadação, outorgar concessão, permissão 
e autorização de obras ou serviços públicos. 
Características: os consórcios públicos são contratos; a União pode integrar os Consórcios; exige-se 
autorização legal para formatação dos consórcios; os consórcios podem ser instituídos com personalidade 
jurídica de direito público e personalidade jurídica de direito privado; 
Os Consórcios não representam, verdadeiramente, novas entidades administrativas haja vista que o 
consórcio criado com personalidade jurídica de Direito Público (associação pública), possui natureza de 
autarquia. 
Procedimento para instituição do Consórcio Público: 1º PASSO: Subscrição do protocolo de intenções pelo 
ente federado;2º PASSO: Ratificação do protocolo pelo legislador (lei editada por cada ente federado 
consorciado); 3º PASSO: Celebração do contrato de consórcio; 4º PASSO: Personificação do Consórcio; 5º 
PASSO: Contrato de rateio e contrato de Programa; 
Procedimento para celebração do consórcio 
A celebração do consórcio envolve, inicialmente, a elaboração de um protocolo de intenções que 
trata da finalidade do consórcio, identificação dos entes consorciados, previsão da personalidade do 
consórcio, normas de funcionamento da assembleia geral, etc. 
O referido protocolo deverá ser publicado na imprensa 
oficial e então o contrato de consórcio será celebrado com a 
ratificação do protocolo de intenções por meio de lei específica 
aprovada no âmbito de cada ente federado. Nos termos da Lei nº 
11.107/05: 
“Art. 3º O consórcio público será constituído por contrato cuja 
celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de 
intenções. 
Art. 5º O contrato de consórcio público será celebrado com a 
ratificação, mediante lei, do protocolo de intenções.[...] 
§ 4º É dispensado da ratificação prevista no caput deste artigo o ente da Federação que, antes de subscrever 
o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público.” 
Destaca-se que a lei admite ratificação com reserva, ou seja, 
aderência do ente Federado de forma parcial ou 
condicional. Importante ressaltar ainda que, “a retirada ou a extinção 
do consórcio público não prejudicará as obrigações já constituídas, 
inclusive os contratos de programa, cuja extinção dependerá do prévio 
pagamento das indenizações eventualmente devidas” (art. 11, §2º). 
Regras especiais sobre licitação 
Nos termos da Lei nº8.666/93, no caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro dos valores relativos à 
hipótese contratação direta mediante dispensa em razão do valor, quando formado por até 3 (três) entes 
da Federação, e o triplo, quando formado por maior número. 
 
QUESTÃO FCC 
 
Caso um estado-membro da Federação 
pretenda participar de consórcio público, 
ele deverá subscrever um protocolo de 
intenções, o qual deverá ser ratificado por 
lei, salvo se o ente federativo, no momento 
do protocolo, já tiver editado lei 
disciplinadora sobre sua participação no 
consórcio. 
 
Correto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUESTÃO CESPE 
 
A retirada de um dos entes federativos que 
integra um consórcio público desconstitui 
todo esse consórcio e implica a extinção 
das obrigações já constituídas, como os 
contratos de programa. 
 
Errado 
 
120 
 
Contrato de convênio: é um acordo multilateral firmado entre 
as entidades públicas, e entre essas e organizações privadas, 
visando à cooperação recíproca para alcançarobjetivos de 
interesse comum. Destaca-se que, ao contrário dos consórcios, 
os convênios podem ser firmados entre as entidades públicas e 
organizações particulares. Além disso, a celebração de um 
convênio não resulta na criação de uma nova pessoa jurídica. O 
Decreto Nº 6.170/2007 (art. 2º) veda a celebração de convênios 
e contratos de repasse entre uma série de entidades (LEITURA 
OBRIGATÓRIA). 
Importante destacar que não podem ser contratadas 
com recursos do convênio ou contrato de repasse as pessoas 
naturais que tenham sido condenadas por crime: 
 contra a Administração Pública ou o patrimônio 
público; 
 eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de 
liberdade; 
 de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. 
O Glossário trazido pelo Decreto nº 6170/07, que dispõe sobre as normas relativas às 
transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse, traz algumas definições 
importantes: 
Convênio: acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que 
discipline a transferência de recursos financeiros de dotações 
consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da 
União e tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade 
da Administração Pública federal, direta ou indireta, e, de 
outro lado, órgão ou entidade da Administração Pública 
estadual, distrital ou municipal, direta ou indireta, ou ainda, 
entidades privadas sem fins lucrativos, visando a execução de 
programa de governo, envolvendo a realização de projeto, 
atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse 
recíproco, em regime de mútua cooperação. 
Contrato de repasse: instrumento administrativo, de interesse recíproco, por meio do qual a transferência 
dos recursos financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, que 
atua como mandatário da União. 
 
 
 
 
 
 
IMPORTANTE – QUESTÕES ESAF 
 
É vedada a celebração de convênio com entidades 
privadas sem fins lucrativos cujo dirigente seja 
agente político de Poder ou do Ministério 
Público. 
 
Correto 
 
É vedada a celebração de convênio com entidades 
públicas ou privadas cujo objeto social não esteja 
relacionado com as características do programa 
que se pretende executar. 
 
Correto 
 
A celebração do convênio ou termo de parceria 
com entidades privadas sem fins lucrativos está 
condicionada, em geral, à apresentação, pela 
entidade, do comprovante do exercício, nos 
últimos três anos, de atividades relacionadas à 
matéria objeto da parceria. 
 
Correto 
QUESTÃO FCC 
 
Contrato de repasse é um instrumento 
administrativo, de interesse recíproco, no qual a 
transferência dos recursos financeiros se 
processa por intermédio de instituição ou 
agente financeiro público federal que atua como 
mandatário da União. 
 
Correto 
121 
 
Cláusulas Exorbitantes 
Alteração unilateral 
- Qualitativa 
- Quantitativa 
Rescisão unilateral 
- Interesse público 
- Inadimplemento do particular 
Fiscalização da execução do contrato Poder-dever da Administração 
Ocupação temporária de bens Deve ser precedida de processo administrativo 
Aplicação de penalidades Deve ser precedida de processo administrativo 
 
Formas de manutenção do Equilíbrio Econômico-Financeiro do contrato 
Reajuste Alteração em função da variação previsível do custo dos insumos 
Atualização monetária Preserva o valor do contrato levando em conta a inflação 
Recomposição / Revisão de 
preços 
Ocorrência de fatos imprevisíveis e supervenientes que desequilibrem a equação econômica 
contratual 
 
Teoria da Imprevisão 
Requisitos Hipóteses 
1. Fato superveniente 
2. Fato imprevisível 
3. Fato não imputável às partes contratantes 
4. Fato que impacta diretamente na execução do contrato 
5. Caso fortuito ou força maior 
6. Interferências imprevistas 
7. Fato da administração 
8. Fato do príncipe 
122 
 
AGENTE PÚBLICO 
PONTOS MAIS COBRADOS – Os gráficos abaixo demonstram os pontos mais cobrados dessa 
matéria, quais sejam: servidores públicos que ocupam cargo de provimento efetivo, questões 
atinentes ao acesso a esses cargos, concurso público, estágio probatório, vencimentos e questões 
relativas ao PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. 
 
 
AGENTES PÚBLICOS
Agentes Políticos
Servidores Públicos (cargos
de provimento efetivo)
Agentes em colaboração com
o poder público
Empregados Públicos
Detentores de cargo em
comissão
Contratações temporárias
0
10
20
30
40
50
60
Vida funcional do
servidor (posse,
exercício, estágio
probatório,
vencimentos,
subsídios...)
Acesso a cargo,
emprego e
funções públicas
(concurso público,
validade, direitos
do aprovados)
Licenças e
Afastamentos 12
Vedação à
acumulação de
cargos e
empregos
públicos
Processo
Administrativo
Disciplinar
Previdência do
Servidor Público
ASPECTOS IMPORTANTES
ASPECTOS IMPORTANTES
123 
 
 
 
 
Conceito 
O termo agente público é uma designação genérica que abrange todas as pessoas que 
desempenham funções públicas, mandato, cargo ou emprego estatal, de forma definitiva ou transitória, 
remunerada ou gratuita. Nesse sentido, o art. 2º da Lei 8.429/1992 define agente público como: 
“Art. 2° Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que 
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra 
forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo 
anterior.” 
Portanto, os agentes políticos, os militares, os servidores públicos, os particulares em colaboração 
e todos aqueles que desempenham em algum momento a função estatal podem ser considerados agentes 
públicos. 
Nomeação
Promoção
Reintegração
Readaptação
Reversão
Aproveitamento
Recondução
0 2 4 6 8 10 12
FORMA DE PROVIMENTO
Nomeação Promoção Reintegração Readaptação
Reversão Aproveitamento Recondução
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Remoção Redistribuição
REMOÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO
REMOÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO
124 
 
Agentes Políticos 
Os agentes políticos são aqueles que exercem a função pública de alta direção do Estado e 
compõem a cúpula diretiva do Governo. A vinculação desses agentes com o Poder Público é uma 
vinculação estatutária, estabelecida mediante o ingresso desses à máquina estatal, em regra, por meio das 
eleições. Ex: Presidente da República, Parlamentares, Governadores, Prefeitos, Ministros, Secretários, etc. 
Destaca-se que os cargos de Ministro de Estado e Secretário são cargos políticos, haja vista que são cargos 
ligados à alta gestão, a despeito do fato de que o ingresso desses agentes à maquina estatal não ocorre 
através das eleições. 
A competência dos agentes políticos encontra expressa previsão constitucional e, em virtude do 
alto escalonamento desses agentes, eles não estão sujeitos às regras gerais aplicáveis aos servidores 
públicos. Ademais, convém destacar que não há relação de hierarquia entre os 
agentes políticos. Assim, é incorreto afirmar que um governador ou secretário de 
Estado, por exemplo, esteja subordinado ao presidente da República. 
Cumpre ressaltar que alguns autores, como Hely Lopes Meirelles, entendem que os magistrados 
e os membros do Ministério Público também se encontram inseridos nessa categoria de agentes políticos. 
Há, ainda, corrente que defende que os membros dos Tribunais de Contas são agentes políticos. 
Servidores Efetivos 
A palavra “efetivo” transmite a noção de continuidade, permanência, manutenção do agente na 
prestação daquela atividade. De fato, os cargos de provimento efetivo serão ocupados, em caráter 
definitivo, por agentes admitidospor meio de Concurso Público. Esses agentes, após aprovação no 
Concurso, estabelecem um vínculo estatutário (não contratual) com o ente estatal e poderão adquirir a tão 
sonhada estabilidade. Esse regime garante a estabilidade/permanência do servidor público no exercício de 
suas funções, protegendo-o contra influências políticas e partidárias. 
O regime estatutário desses agentes é o regime adotado para fins de provimento de cargos 
públicos pelos entes da Administração Pública Direta, Autarquias, Fundações e Associações Públicas, ou 
seja, pelas entidades que possuem personalidade jurídica de direito público. Portanto, os servidores 
efetivos desempenham suas funções nessas entidades. 
Assim, dispõe o caput do art. 41 da CF/88: 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento 
efetivo em virtude de concurso público. 
FICA A DICA 
Cumpre ressaltar que, devido ao fato de não se tratar de vínculo de natureza contratual, o ente 
público poderá promover alteração unilateral no regime aplicável 
aos servidores estatutários, desde que sejam respeitados os 
direitos adquiridos. 
Portanto, o servidor público não tem direito adquirido à 
imutabilidade de seu regime jurídico, de sorte que não há 
violação a direito quando se altera, por exemplo, a jornada de 
trabalho ou escalonamento hierárquico da carreira. 
Destaca-se que durante o período de três anos iniciais de 
exercício, denominado período probatório, o agente será 
submetido a uma avaliação especial de desempenho e a 
aquisição da estabilidade estará condicionada a um resultado 
Posicionamento do 
CESPE 
ATENÇÃO: o servidor público não tem 
direito adquirido à imutabilidade de seu 
regime jurídico 
 
QUESTÃO CESPE 
 
O direito adquirido garante a imutabilidade 
de regime jurídico e busca proteger os 
direitos dos cidadãos contra as alterações 
que o Estado realiza nas leis que regem o 
serviço público. 
 
Errado 
125 
 
satisfatório nessa avaliação. Essa avaliação tem a finalidade de verificar se o servidor, no exercício de suas 
funções, atende ao Princípio da Eficiência previsto no caput do artigo 37 da CR/88. 
Contudo, é importante lembrar que a avaliação de desempenho não acontece apenas durante o 
estágio probatório. A referida avaliação também será promovida depois que o servidor já alcançou a 
estabilidade administrativa, pois este deve continuar sendo eficiente na prestação dos serviços. 
Adquirida a estabilidade, o servidor somente poderá perder o cargo nas hipóteses previstas no §1º 
do art. 41 da CF/88: 
Art. 41, § 1º O servidor público estável só perderá o cargo: 
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; 
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de 
lei complementar, assegurada ampla defesa. 
 
As hipóteses dos incisos I e II também estão elencadas na Lei 8.112/90: 
“Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou de 
processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa”. 
Para além das hipóteses elencadas acima, de forma excepcional, o §4º do art. 169 da Constituição 
Federal de 1988 admite a exoneração de servidores estáveis quando esta for imprescindível para o 
cumprimento do limite de despesa com pessoal estabelecido em Lei Complementar. Vejamos: 
“Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios 
não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. [...]” § 3º Para o cumprimento dos limites 
estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, 
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências: 
I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança; 
II - exoneração dos servidores não estáveis. 
§ 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o 
cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o 
cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão 
ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal. [...] 
Na situação descrita temos a hipótese de exoneração do servidor estável para fins de cumprimento 
dos limites de gastos com despesas de pessoal. Nesse caso, não será possível que a lei crie novo cargo, 
emprego ou função para suprir as mesmas atividades desempenhadas pelo servidor que foi exonerado, 
durante o prazo de quatro anos, nos termos do § 6° do art. 169 da CR/88: 
“Art. 169,§ 6°. O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será considerado extinto, vedada 
a criação de cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos.” 
Ademais, o servidor exonerado receberá, a título de indenização, um mês de remuneração relativo 
a cada ano de serviço prestado, em conformidade com o art. 169, §5° da CR/88: 
§ 5° O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a indenização correspondente a 
um mês de remuneração por ano de serviço. 
Destaca-se que para que esse servidor exonerado retorne aos quadros administrativos, o único 
caminho é prestar um novo concurso público. 
Por fim, conforme estabelece o art. 19 da Lei Complementar n. 101/2000, a despesa total com 
pessoal, em cada período de apuração, não poderá exceder os seguintes percentuais de receita líquida: 
• União: 50% 
• Estados: 60% 
SEMPRE CAI 
EM PROVA – 
TEM QUE 
DECORAR! 
126 
 
• Municípios: 60% 
 
FICA A DICA - Demissão 
Destaca-se que, no caso de servidores efetivos que ainda não são estáveis, a demissão deverá ser 
precedida de um processo que o Supremo Tribunal Federal denomina como processo administrativo 
simplificado. Afinal, ainda que o servidor não tenha adquirido a estabilidade, deve lhe ser assegurado o 
direito ao contraditório e à ampla defesa, haja vista que a demissão, no Direito Administrativo, é uma 
PENALIDADE aplicada ao servidor público, seja ele estável ou não, aplicada em razão do cometimento de 
ilegalidade grave, como será visto adiante. 
Nesse sentido, devemos lembrar que, caso verificado algum vício de legalidade ligado à aplicação 
da penalidade de demissão do servidor público, esse ato deverá ser anulado e, conforme determina o §2º 
do art. 41 da CF/88, o servidor que tiver seu ato de demissão anulado pela via judicial deverá ser reintegrado 
aos quadros do Poder Público: 
“Art. 41, §2º. Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será 
ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo 
de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em 
disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.” 
Ademais, o §3º do mesmo dispositivo ainda completa: 
§3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em 
disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu 
adequado aproveitamento em outro cargo. 
 
Requisitos para investidura em cargo público 
 
A Lei nº 8.112/90 dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das 
autarquias e das fundações públicas de direito público federais. Essa norma estabelece em seu art. 5º que: 
Art. 5º. São requisitos básicos para investidura em cargo público: 
I - a nacionalidade brasileira; - estrangeiros na forma da lei 
II - o gozo dos direitos políticos; 
III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais; 
IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; 
V - a idade mínima de dezoito

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